Mostrando postagens com marcador Doctor Who. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Doctor Who. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de dezembro de 2023

Escrito por em 17.12.23 com 0 comentários

Doctor Who (V)

Em 2013, eu fiz aqui uma série de posts sobre Doctor Who, parando na temporada que estava no ar na época, a sétima da série nova. Desde então, Doctor Who continua no ar, já teve seis novas temporadas, e eu de vez em quando fico pensando em atualizar a série de posts. Hoje, eu decidi finalmente fazê-lo, porque ocorreu um fato novo que não somente me animou, como também me pareceu um bom ponto para encerrar esse novo post - mas não a série de posts, já que, como Doctor Who vai seguir no ar, provavelmente ganhará novos posts no futuro. Talvez daqui a mais uns dez anos. Enquanto isso, hoje é mais uma vez dia de Doctor Who no átomo!

Quando eu terminei o até então último post dessa série, a sétima temporada estava prestes a se concluir, com seu último episódio estando a dias de estrear. Na época eu não sabia, mas a sétima seria a última com Matt Smith no papel do Doutor, então acabou que foi um bom encerramento para aquele post. Antes de um novo Doutor estrear, porém, ainda iriam ao ar dois episódios especiais: um para comemorar os 50 anos da estreia da série, outro o tradicional especial de Natal, que dessa vez teria um enredo mais do que especial.

Antes de abordarmos esses dois episódios, porém, eu queria dedicar um parágrafo a uma das personagens recorrentes mais importantes da série nova, River Song, interpretada por Alex Kingston. River faria sua estreia no episódio Silence in the Library, oitavo da quarta temporada, quando o Doutor ainda era David Tennant. Assim como o Doutor, ela é uma viajante do tempo, mas com um detalhe que eu achei super sensacional: sua linha do tempo é "ao contrário" em relação à do Doutor - ou seja, o que é futuro para ele é passado para ela, o que faz com que, a cada episódio em que ela apareça, ela saiba tudo o que vai acontecer com o Doutor nos episódios seguintes, mas não tenha nenhuma memória do que ocorreu nos anteriores. Durante as três temporadas estreladas por Matt Smith, River ganharia tanta importância que o nome de Kingston apareceria na abertura, honra normalmente concedida apenas ao Doutor e a seus companheiros de viagem; infelizmente, na minha opinião, essa importância, que faria com que ela aparecesse em quase todos os episódios da sexta temporada, faria com que o detalhe mais interessante de sua história fosse mal desenvolvido, suplantado por um enredo secundário que explorava sua ligação com o Doutor e com seus companheiros da época, Amy Pond (Karen Gillan) e Rory Williams (Arthur Darvill). Com a saída de Smith, River deixaria de ser um personagem recorrente, e só apareceria em um único episódio, uma espécie de despedida, The Husbands of River Song, o segundo especial de Natal da nona temporada.

Pois bem, após o final da sétima temporada, se aproximava a data na qual a exibição do primeiro episódio de todos, An Unearthly Child, completaria 50 anos. Para comemorar a ocasião, a BBC anunciaria um filme em 3D para o cinema, mas, no fim das contas, acabaria fazendo apenas mais um episódio especial - que realmente seria exibido em cinemas selecionados do Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, México e Brasil, mas foi filmado para ser exibido pela BBC no exato dia do aniversário, 23 de novembro de 2013. Com o nome de The Day of The Doctor, o especial traria inúmeras referências a outros episódios da série, e uma grande surpresa: uma regeneração inédita do Doutor, que ocorreu entre o oitavo (Paul McGann) e o nono (Christopher Eccleston) Doutores, interpretada pelo famoso ator inglês John Hurt. Apesar disso, a equipe de produção decidiria não "renumerar" as regenerações a partir do nono, e chamar oficialmente a interpretada por Hurt de "The War Doctor" (o Doutor da Guerra).

Esse nome seria escolhido porque, entre o filme com McGann e a primeira temporada da série nova, ocorreu, sem nunca ter sido mostrado em detalhes, um conflito conhecido como Guerra Temporal, a batalha final entre os Senhores do Tempo e os Daleks. O War Doctor era a forma que o Doutor usou durante esse conflito, durante o qual ele "renunciou ao nome Doutor", e, por vergonha de seus atos, decidiu esconder essa parte de sua história, jamais a mencionando ou se referindo a ela. O especial não é, entretanto, estrelado pelo War Doctor, e sim pelos décimo (Tennant) e décimo-primeiro (Smith) Doutores, que se encontram graças a uma fissura temporal, que também permite que os Zygons habitem pinturas e usem suas habilidades para influenciar a política no presente, inclusive substituindo vários membros-chave da UNIT. Enquanto os dois Doutores no presente lidam com a ameaça dos Zygons, o War Doctor contempla se deve ou não usar uma arma que acabará com a Guerra Temporal de uma vez por todas, mas com o preço de destruir todos os Senhores do Tempo, tornando-o o único.

Além de Hurt, Tennant e Smith, o especial conta com Billie Piper como uma espécie de consciência do War Doctor enquanto ele contempla se deve ou não usar a arma; Jenna Coleman como Clara Oswald; Jemma Redgrave como Kate Stewart, filha do Brigadeiro Lethbridge-Stewart; e Ingrid Oliver como Osgood, cientista da UNIT. Tom Baker faz uma participação especial não creditada como o curador de arte de um museu, que interage brevemente com o Doutor de Smith. Eccleston seria convidado para interpretar o nono Doutor, com os três doutores da série nova agindo em trio contra os Zygons, mas recusaria após ler o roteiro, achando que não receberia o destaque adequado; após sua recusa, o roteiro seria reescrito para que apenas Tennant e Smith agissem em conjunto. Cenas de arquivo de Eccleston, McGann, Sylvester McCoy, Colin Baker, Peter Davison, Tom Baker, Jon Pertwee, Patrick Troughton e William Hartnell seriam usadas em algumas cenas do especial, principalmente na batalha final, na qual Peter Capaldi, o próximo Doutor, também apareceria brevemente; John Guilor imitaria a voz de Hartnell para uma fala do primeiro Doutor para a qual a equipe da BBC não conseguiu encontrar correspondente nos arquivos.

Escrito por Steven Moffat e dirigido por Nick Hurran, o especial teria 77 minutos e seria um grande sucesso, sendo votado pelos fãs da série, através de uma pesquisa na Doctor Who Magazine, como o melhor de todos os episódios até então. Pouco antes de sua estreia, a BBC lançaria dois "mini-episódios" exclusivamente online. O primeiro deles, The Night of the Doctor, mostraria os últimos momentos do oitavo doutor durante a Guerra Temporal, antes de regenerar e se tornar o War Doctor, e marcaria o retorno de McGann ao papel do Doutor, 17 anos após protagonizar o filme. O segundo, The Last Day, acompanha um soldado dos Senhores do Tempo (Chris Finch) durante a invasão dos Daleks, o primeiro evento da Guerra Temporal. Ambos os episódios foram extremamente elogiados, e incluídos como extras no lançamento de The Day of The Doctor em DVD e Blu-ray.

Já o especial de Natal se chamaria The Time of The Doctor e lidaria com uma questão importantíssima: em dois dos episódios da Série Clássica e no filme, foi dito claramente que cada Senhor do Tempo só tinha direito a 12 regenerações, morrendo de vez depois disso. Embora essa regra não fosse algo lá respeitado a ferro e fogo - também foi dado a entender na série original que o Mestre, outro Senhor do Tempo, usou de um subterfúgio para regenerar mais de 12 vezes - essa informação se tornou parte do cânone de Doctor Who, sendo repetida pelos fãs, reproduzida em reportagens, e até mesmo em jogos de trívia ("quantas vezes o Doutor pode regenerar em Doctor Who?"). Quando começaram a produzir a série nova, os produtores não ligaram muito para esse detalhe, mas quando Matt Smith foi escolhido para ser o décimo-primeiro doutor, um burburinho tomou conta dos fãs, preocupados que o Doutor pudesse estar perto de sua morte definitiva. Quando foi anunciado que Smith seria substituído, e quando o War Doctor apareceu no especial de 50 anos, as especulações se tornaram insustentáveis, e Moffat decidiu usar o especial de Natal para acabar com essa história de uma vez por todas.

O especial, na verdade, serviria para fechar as pontas soltas das duas histórias principais envolvendo o décimo-primeiro Doutor, as rachaduras no tempo e a profecia do Silêncio, mostrando também a regeneração para o décimo-segundo Doutor, interpretado pelo já citado Peter Capaldi. Escocês como Tenant, famoso por ter sido protagonista da série de comédia sobre política The Thick of It, exibida pela BBC entre 2005 e 2012, Capaldi, de 55 anos, seria o segundo mais velho ator a interpretar o Doutor, atrás apenas de Hartnell, e o primeiro a ter o mesmo primeiro nome que outro ator que também interpretou o Doutor (no caso, Peter Davison, o quinto); apesar de sua escolha ter dado a entender que os produtores queriam um retorno a um Doutor mais velho, contido e sério, Capaldi faria um Doutor descolado, que toca guitarra e flerta com as mulheres, que cairia no gosto do público e seria considerado um dos três melhores em uma votação realizada pela BBC, junto a Tennant e Tom Baker. Isolado no planeta Trenzalore, sitiado pelos Cybermen, o décimo-primeiro Doutor também seria o primeiro a morrer de idade avançada, provando que, embora sua mente seja extremamente antiga, seus corpos físicos também envelhecem normalmente - e não, não foi esse o motivo pelo qual o Doutor "ganhou mais regenerações"; assim como o Mestre, ele usaria de um subterfúgio, embora, propositalmente, não tenha ficado claro a quantas novas regenerações ele tem direito agora.

Pois bem, com um novo Doutor, mas uma antiga companheira, Clara, a série estava pronta para sua oitava temporada; por decisão dos produtores, a partir desta, ao invés de 13, cada temporada teria apenas 12 episódios, com os da oitava sendo exibidos entre 23 de agosto e 8 de novembro de 2014 - curiosamente, o especial de Natal de 2014, oficialmente de acordo com a BBC, não faz parte da oitava temporada, e sim da nona, o que faz com que a oitava temporada não tenha especial de Natal, mas a nona tenha dois. A temporada conta com Kate Stewart e Osgood como personagens recorrentes, além de Danny Pink (Samuel Anderson), o namorado de Clara; o personagem novo mais interessante, entretanto, é Missy (Michelle Gomez), antagonista que aparece em cinco episódios, no último deles sendo revelado que ela, na verdade, é a nova regeneração do Mestre, o que pegou os fãs - que há muito tempo se perguntavam se seria possível o Doutor se tornar uma mulher após regenerar - de surpresa. Embora cada um de seus episódios tenha uma história completa, sem serem conectados uns aos outros, a oitava temporada conta com um arco envolvendo a Terra Prometida, onde vários personagens que morrem ao longo dos episódios vão parar; ela também deixaria os Daleks um pouco de lado, e teria como principais vilões os Cybermen.

A nona temporada traria mais 12 episódios, exibidos entre 19 de setembro e 5 de dezembro de 2015, mas dela, oficialmente, também fariam parte dois especiais de Natal, o de 2014 e o de 2015, ambos exibidos nos respectivos dias 25 de dezembro. O principal arco de história da temporada envolveria uma menina viking, Ashildr (Maisie Williams, de Game of Thrones), que se torna imortal após uma intervenção do Doutor, interferindo em vários dos eventos da temporada. A nona temporada também marcaria o retorno do planeta natal do Doutor, Gallifrey, que tinha destaque na Série Clássica mas pouca participação na nova. Essa seria a temporada mais elogiada pelos críticos, e considerada a melhor da série nova por muitos dos fãs; infelizmente, também seria a última de Clara, que parte para novas aventuras sem o Doutor em seu último episódio. Missy retorna como um vilão recorrente, e Kate Stewart e Osgood são personagens recorrentes importantes - um episódio em duas partes, inclusive, é sequência dos eventos de The Day of The Doctor.

A nona temporada também teria dois curtas especiais, um de pouco menos de dois minutos, exibido pela BBC antes do primeiro episódio, e um com um pouco mais de seis minutos, exibido nos cinemas dos Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Rússia e Ucrânia antes de uma versão editada e em 3D dos dois últimos episódios, exibida em cinemas selecionados desses cinco países; no Reino Unido, ele seria disponibilizado na página oficial de Doctor Who no Facebook, e, em outros países, estaria no catálogo de serviços como Amazon Instant Video e iTunes. Ambos mostram eventos ocorridos antes do primeiro episódio da nona temporada, que têm implicações nos demais. Como parte das comemorações pelos dez anos da estreia da série nova, o primeiro episódio da nona temporada também seria exibido em 3D nos cinemas, mas apenas no Reino Unido.

A produção da décima temporada seria longa e complicada, e, por causa disso, ela não estrearia em 2016. Além de ser a última de Capaldi (estabelecendo uma espécie de cláusula contratual não-oficial segundo a qual cada ator da série nova só interpretaria o Doutor por três temporadas), a décima seria a última com Steve Moffat como showrunner, com Chris Chibnall assumindo após seu final. Com a partida de Clara, o Doutor teria dois novos companheiros de viagem, o ciborgue Nardole (Matt Lucas), que estreou em The Husbands of River Song, e a estudante universitária Bill Potts (Pearl Mackie); como bem disse Missy em um dos episódios, eles são, respectivamente, o apoio cômico e o personagem expositivo, com o Doutor novamente explicando a Bill todos os detalhes sobre quem ele é e o que ele faz - algo que ocorre de tempos em tempos na série, para quem está começando a assistir daquele ponto. A décima temporada também marcaria o retorno de John Simm, em um episódio no qual Missy e o Mestre se encontram.

Clara é, talvez, a companheira de viagem mais impactante do Doutor, comparada por críticos e fãs a estrelas da Série Clássica como Sarah Jane Smith e Jo Grant, e superando Rose Tyler e Amy Pond, então Bill encontrou um pouco de resistência ao substituí-la - basicamente, todo mundo torcia o nariz pra ela. Ela tem o mérito, entretanto, de ser a primeira companheira de viagem abertamente gay, além de ser negra e originária da chamada working class, a classe pobre do Reino Unido - originalmente, ela não era aluna da Universidade, e sim fritava batatas no refeitório. Contudo, um aumento na audiência da décima temporada em relação à nona seria atribuído a uma personagem tão inclusiva, e o espírito energético e as tiradas humorísticas da personagem logo afastariam a relutância em aceitá-la. A química entre Capaldi e Mackie também seria extremamente elogiada pelos críticos, que, ao final, lamentaram que Bill só estaria na série por uma temporada.

Os 12 episódios da décima temporada seriam exibidos entre 15 de abril e 1 de julho de 2017, mas dela também faria parte o especial de Natal exibido em 25 de dezembro de 2016, The Return of Doctor Mysterio, que de certa forma pega carona no sucesso dos filmes de super-heróis. Bill não estrearia nesse, mas no primeiro da temporada mesmo, que teria o título propositalmente dúbio de The Pilot. O principal arco de história da décima temporada envolve uma aparente redenção de Missy, com o Doutor fazendo o possível para que ela deixe seus dias de maldade para trás e passe a viajar com ele na Tardis fazendo o bem.

Originalmente, o Doutor iria regenerar no último episódio da décima temporada, que também seria o último de Moffat, mas Chibnall não quis assumir o cargo em um especial de Natal, então, em meio à décima temporada, Moffatt concordou em adiar a regeneração e também escrever e produzir o especial de Natal de 2017, chamado Twice Upon a Time. Ambientado durante os eventos de The Tenth Planet, da quarta temporada da Série Clássica, que marcou a primeiríssima regeneração do Doutor, lá em 1966, o episódio mostra o encontro do Doutor com sua "forma original", e revela que, naquela ocasião, o "Doutor original" não queria regenerar, pensando em "viver e morrer como ele mesmo" - enquanto o Doutor interpretado por Capaldi está cansado após "tantas vidas" e cogitando morrer pela última vez. A presença de dois Doutores negando a regeneração no mesmo local causa um vórtice temporal que faz com que um capitão inglês da Primeira Guerra Mundial (Mark Gatiss, também um dos roteiristas da série) vá parar junto aos Doutores. Cabe aos dois Doutores, trabalhando em conjunto e com a ajuda de Bill, descobrir como resolver a situação sem colocar a integridade temporal do universo em risco.

Twice Upon a Time seria o programa mais assistido no Natal de 2017 no Reino Unido, e seria lançado em salas selecionadas nos cinemas de vários países, incluindo o Brasil. O episódio usa cenas originais de The Tenth Planet, inclusive contando, em seu início, com uma cena de transição entre as cenas originais, em preto e branco e fullscreen, e as filmadas para ele, coloridas e em widescreen. Como William Hartnell, o intérprete original do Doutor, faleceu em 1975, é David Bradley (também de Game of Thrones) quem interpreta o "primeiro doutor" - com Lilly Travers e Richard Garfield aparecendo brevemente como seus companheiros de viagem Polly e Ben Jackson, interpretados em The Tenth Planet por Anneke Wills e Michael Craze. Jenna Coleman também faz uma pequena participação especial como Clara.

Ao final de Twice Upon a Time, o Doutor regenera pela primeira vez para uma mulher, passando a ser interpretado por Jodie Whittaker. Chibnall ainda tentaria convencer Capaldi a assinar por mais uma temporada, mas, diante da irredutibilidade do ator, abriria testes para um novo Doutor; ele negaria já estar pensando em uma mulher desde o início, testaria homens e mulheres, e escolheria Whittaker em conjunto com o diretor do departamento de drama da BBC, Piers Wenger, e com a diretora de conteúdo do canal, Charlotte Moore. Whittaker seria anunciada como a nova "Doutora" (em inglês não faz diferença, já que o título Doctor é o mesmo para homens e mulheres) logo após a final do torneio de tênis de Wimbledon de em 2017.

Como já estava definido que nem Bill, nem Nardole seguiriam com o Doutor após a décima temporada, era preciso encontrar um novo companheiro de viagem, e Chibnalll, que escreveria os cinco primeiros episódios da temporada, optaria logo por três: o motorista de ônibus aposentado Graham O'Brien (Bradley Walsh); Ryan Sinclair (Tosin Cole), jovem de 19 anos que trabalha em uma loja de ferragens e estuda para ser engenheiro; e Yasmin Khan (Mandip Gill), apelido Yaz, também de 19 anos, descendente de indianos do Punjab que sonha se tornar policial. Uma personagem recorrente da temporada é Grace (Sharon D. Clarke), esposa de Graham e avó de Ryan - sendo que Graham é seu segundo marido e avô adotivo de Ryan.

A BBC optaria por uma mudança de formato para a décima-primeira temporada: ao invés de 12 episódios de 45 minutos cada, seriam 10 episódios de 50 minutos cada (com o primeiro tendo 64 minutos), que seriam exibidos entre 7 de outubro e 9 de dezembro de 2018; e, ao invés de um especial de Natal, a temporada teria um especial de ano novo (também escrito por Chibnall, que também escreveria o último da temporada), exibido em 1º de janeiro de 2019. Pela primeira vez desde a sétima temporada (e pela terceira vez na história da série, contando com a Série Clássica), não haveria nenhum episódio em duas ou mais partes, com todas as histórias se concluindo no mesmo episódio em que começaram. A décima-primeira temporada também ganharia uma nova abertura, e a série, um novo logotipo, mas que só estreariam no segundo episódio. Também por decisão da BBC, a décima-primeira temporada seria a primeira na história de Doctor Who (mais uma vez contando com a Série Clássica) na qual os episódios seriam exibidos aos domingos.

Whittaker e seus três companheiros de viagem retornariam para a décima-segunda temporada, que teria mais 10 episódios, exibidos entre 1º de janeiro e 1º de março de 2020 - mais um especial de ano novo em 1º de janeiro de 2021. Diferentemente da temporada anterior, essa já começa com um episódio em duas partes, no qual a Doutora e seus colegas têm de ajudar o MI6 a solucionar mortes misteriosas envolvendo agentes secretos. Essa temporada também traria o retorno do Mestre, agora interpretado por Sacha Dhawan, que planeja nada menos que destruir Gallifrey - de preferência com a Doutora junto. Outro personagem que retorna à série é Jack Harkness (John Barrowman), que participa de dois episódios, após ficar ausente desde 2010. Também vale dizer que dois dos episódios trazem uma encarnação até então desconhecida e não numerada do Doutor (ou seja, não se sabe se ela é do passado ou do futuro), interpretada por Jo Martin; essa encarnação seria apelidada pela equipe de produção de "a Doutora Fugitiva".

A décima-segunda temporada já estava completamente filmada e finalizada quando começou a pandemia, faltando apenas os episódios irem ao ar; as filmagens do especial de ano novo e a produção da temporada seguinte, entretanto, sofreriam atrasos - Chibnall declararia em entrevistas que a equipe decidiu fazer a pré-produção do especial de ano novo de forma remota, na esperança de que tivessem condições para gravá-lo antes de o ano acabar, o que realmente aconteceria. A produção da décima-terceira temporada, por outro lado, seria severamente impactada pela pandemia: originalmente prevista para ter 11 episódios, ela foi primeiro reduzida para 8, depois para 6; ninguém sabia quando as gravações poderiam começar, e a BBC não gostava da ideia de nenhum episódio inédito de Doctor Who ir ao ar em 2021, pois nenhum havia ido ao ar em 2019 (quando a décima-segunda temporada estava sendo gravada), e os executivos do canal temiam que isso pudesse criar uma percepção no público de que a série passaria a só ter temporadas nos anos pares, o que por sua vez poderia se refletir em baixa audiência. Em entrevistas, Chibnall declararia que a série chegaria até mesmo a ser cancelada pela BBC, que, "uma hora depois", voltaria atrás e ordenaria que a décima-terceira temporada entrasse em produção.

Pela primeira vez na série nova, e pela terceira na história da série (com as outras duas tendo sido a décima-sexta temporada da Série Clássica, The Key to Time, e a vigésima-terceira, The Trial of a Time Lord), todos os episódios da décima-terceira temporada contam uma única história dividida em seis partes; apesar de cada um deles ter seu próprio título, por conta dessa característica, a temporada como um todo receberia o título de Flux - nome de uma anomalia que pode destruir o universo, através da qual a Doutora e seus companheiros viajam para impedir que isso aconteça. Graham e Ryan deixariam a série no final da décima-segunda temporada, então, para a décima-terceira, a Doutora viaja na companhia de Yaz e de Dan Lewis (John Bishop), comerciante que acaba se envolvendo com eles por acaso após ser sequestrado por engano por uma raça alienígena. Chibnall escreveria todos os seis episódios, que seriam dirigidos por Jamie Magnus Stone e Azhur Saleem, três cada. A Doutora Fugitiva participa de um dos episódios, e Kate Stewart é um personagem recorrente na temporada, que não conta com a presença do Mestre.

Os seis episódios da décima-terceira temporada seriam exibidos entre 31 de outubro e 5 de dezembro de 2021; Chibnall declararia ter ficado absurdamente estressado com a produção, e que acabaria optando por uma história em seis partes porque chegou uma hora que só havia dois caminhos a seguir: fazer alguns poucos episódios de qualquer jeito somente para a série se manter no ar, ou fazer a coisa mais espetacular já vista na televisão britânica, porque, afinal de contas, era Doctor Who. Em julho de 2021, perto do final das filmagens, Chibnall e Whittaker revelariam ter recusado outras propostas de emprego somente para que a décima-terceira temporada se tornasse realidade, mas anunciariam que ambos deixariam a série após três episódios especiais que não fariam parte de temporada nenhuma, no estilo dos estrelados por David Tennant entre 2008 e 2010, que já estavam em pré-produção para serem exibidos em 2022. Os dois também revelariam que, ao assinarem seus contratos, estipulariam uma cláusula "três temporadas e eu saio" - dessa forma, aparentemente, se tornando oficial - e que só fariam os especiais porque a décima-terceira havia sido encurtada.

Os três especiais seriam escritos por Chibnall, e os dois primeiros seriam filmados simultaneamente com a décima-terceira temporada. O primeiro estrearia em 1º de janeiro de 2022, e mostraria a Doutora tendo de livrar a Tardis de anomalias causadas pelo Fluxo, tendo como vilões principais os Daleks. O segundo, que estrearia em 17 de abril, traria o retorno dos Silurians, com a Doutora se envolvendo com pirataria na China Antiga. Mas o mais interessante seria o terceiro, que estreou em 23 de outubro, no qual os vilões são os Cybermen, e que conta com o retorno do Mestre, com a presença de Kate Stewart e de Graham O'Brien, e com a participação de duas companheiras de viagem do Doutor na Série Clássica, Tegan Jovanka (que acompanhou o quarto e o quinto Doutores, da décima-oitava à vigésima-primeira temporada, entre 1981 e 1984) e Ace (que acompanhou o sétimo Doutor da vigésima-quarta à vigésima-sexta temporada, entre 1987 e 1989), ambas interpretadas por suas atrizes originais (Janet Fielding e Sophie Aldred, respectivamente). Também vale dizer que a data de 23 de outubro de 2022 foi escolhida para a exibição do terceiro especial porque marcava o centenário da BBC (que começou como uma estação de rádio, já que não havia televisão em 1922).

Dan Lewis deixa a companhia da Doutora no início do terceiro especial, e Yaz parte ao final; também no final do terceiro especial, a Doutora, mortalmente ferida pelo Mestre, regenera mais uma vez, para a décima-quarta encarnação do Doutor. A BBC tentaria fazer surpresa quanto ao novo intérprete, mas a notícia acabaria vazando e causaria grande rebuliço, já que se tratava de David Tennant, o intérprete do décimo Doutor, que, assim, se tornaria o primeiro ator a interpretar duas encarnações diferentes do personagem. A escolha de Tennant seria parte das comemorações pelos 60 anos da série, o que significava que, infelizmente, o décimo-quarto Doutor não seria o protagonista da décima-quarta temporada, e sim de três novos especiais que não pertencem a temporada nenhuma, que foram ao ar em novembro e dezembro de 2023, um por sábado, simultaneamente na BBC e no Disney+.

Tennant não seria o único a retornar à série, já que a companheira de viagem do doutor nesses três especiais é Donna Noble (Catherine Tate), com o primeiro, inclusive, encerrando uma história lá da quarta temporada, exibido quinze anos antes. O terceiro especial também conta com a participação de Mel (Bonnie Langford), que acompanhou o sexto e o sétimo doutores, na vigésima-terceira e vigésima quarta temporadas da Série Clássica, em 1986 e 1987, e o segundo seria o último trabalho do famoso ator britânico Bernard Cribbins, que interpretava o avô de Donna na quarta temporada, e conseguiu gravar sua última cena antes de falecer, em 27 de julho de 2022. O vilão dos especiais também está ligado à Série Clássica, uma entidade cósmica apelidada pelo Doutor de Toymaker (o "fabricante de brinquedos"), que apareceu pela primeira vez em um episódio da terceira temporada, de 1966, interpretado por Michael Gough, que, no terceiro especial, é interpretado por Neil Patrick Harris - que também faz a voz do Meep, um alienígena que aparece no primeiro especial. Também merecem ser citadas Shirley Bingham (Ruth Madeley), agente da UNIT cadeirante, e Rose (Yasmin Finney), filha de Donna e primeira mulher trans em um episódio de Doctor Who.

No terceiro especial, o Doutor regenera para sua décima-quinta forma, passando a ser interpretado por Ncuti Gatwa, primeiro homem negro a interpretar o Doutor. O décimo-quinto Doutor será o protagonista da nova temporada, que começará com um episódio especial de Natal, dia 25 desse mês, e terá mais oito em 2024, ainda sem data de estreia. Assim como os especiais, essa temporada, que, contando com as da Série Clássica, será a quadragésima no total, terá como showrunner Russel T. Davies, responsável pela criação da série nova e que a comandou até o último dos episódios especiais de Tennant em 2010.

Ainda não se sabe, entretanto, se essa nova temporada será, oficialmente, a décima-quarta da série nova, ou a "primeira da era moderna": os três especiais estreariam simultaneamente na BBC e no Disney+ graças a um acordo da BBC com a Disney, segundo o qual a Disney financiará os episódios em troca dos direitos exclusivos de distribuição da série fora do Reino Unido e Irlanda. Ainda não se sabe se isso significa que as temporadas anteriores serão adicionadas ao catálogo do Disney+, mas é bastante provável que o episódio de Natal e a temporada estrelada por Gatwa sejam. Em entrevistas, Davies tem dado a entender que, achando que os espectadores que não estão familiarizados com a série podem se assustar ao encontrar uma décima-quarta temporada no catálogo, a Disney teria pedido à BBC para recomeçar a numeração, fazendo com que a primeira temporada estrelada por Gatwa seja chamada oficialmente de "primeira temporada" - em inglês, de season one, assim como a primeira da Série Clássica, já que as temporadas da série nova são chamadas de series, e não season, com a primeira da série nova sendo a series one.

Seja qual for a nomenclatura, eu espero que todas as temporadas, da Série Clássica e da série nova, entrem para o catálogo do Disney+, o que ajudaria a popularizar ainda mais essa série maravilhosa, mas que sempre me passou a impressão de ser menos conhecida aqui no Brasil do que outras de pior qualidade, mas com maior disponibilidade.

Doctor Who

Peter Capaldi
Jodie Whittaker
David Tennant

Ler mais

domingo, 19 de setembro de 2021

Escrito por em 19.9.21 com 0 comentários

Jogos de Tabuleiro Licenciados

Alguns jogos de tabuleiro possuem versões licenciadas, ou seja, versões nas quais seus elementos tradicionais são substituídos por equivalentes relacionados a um filme, série ou outro tema qualquer. Embora eu tenha citado algumas dessas versões nos respectivos posts sobre seus jogos originais, nunca me animei a falar sobre elas porque, convenhamos, não iria terminar nunca.

Já há algum tempo, porém - desde que escrevi o terceiro post da série sobre War, pra ser mais exato - eu venho pensando em escrever sobre uma versão licenciada do Risk que eu comprei e da qual gostei muito. Ao escrever o terceiro post da série sobre Carcassonne, fiquei na dúvida se incluía ou não um de seus spin offs que também era uma versão licenciada, e aí acabei tendo a ideia para esse post. Assim como fiz com War e Carcassonne, hoje veremos três jogos, mas, nesse caso, três versões licenciadas de três jogos diferentes. Talvez haja algumas outras versões licenciadas melhores ou mais legais por aí, mas meus critérios para escolha foram bem simples: eu tenho todos os três, e são os únicos três jogos de tabuleiro licenciados que eu tenho.

Monopoly Cthulhu


Nenhum jogo de tabuleiro tem tantas versões quanto Monopoly, e o motivo é muito simples: basta decorar o tabuleiro, mudar os nomes das propriedades, os tokens com os quais os jogadores se movem no tabuleiro, talvez as denominações do dinheiro, e voilà, temos um Monopoly temático. Isso também é relativamente fácil, mas um pouco mais complicado, de se fazer com Risk, que tem muitas versões, mas é um jogo de guerra, e ficaria meio bizarro um Risk: My Little Pony ou Risk: The Beatles. Já com Monopoly, o fato de que o tema do jogo é compra e venda de propriedades pouco interessa, taca uns nomes de uns planetas lá e faz um Monopoly Star Wars, mesmo que não faça o menor sentido comprar um planeta e cobrar aluguel de quem passar por lá só porque ele tem três casas construídas.

Idiossincrasias à parte - e mesmo não sendo, na minha opinião, um jogo muito bom - Monopoly é um jogo absurdamente popular, o que significa que suas versões licenciadas sempre vendem bem. Por causa disso, estima-se que já existam mais de 3.600 delas, embora, evidentemente, nem todas estejam à venda em todos os países nesse momento. E olha que nessa lista não entram três tipos de versões do jogo: as com regras diferentes, como, por exemplo, Monopoly Arcade, Monopoly Velocidade e Ms. Monopoly; as que têm elementos diferentes, mas usam as mesmas regras do original, como Monopoly Cartão Eletrônico, Monopoly Ultimate Banking e Monopoly Júnior; e aquelas que são apenas "traduções", como a versão brasileira, que tem nomes de ruas e bairros do Rio de Janeiro e São Paulo no tabuleiro e cartas escritas em português. Também não entram os "clones", como o nosso Banco Imobiliário, que, apesar de ter (quase) as mesmas regras, não é considerado um Monopoly.

Também é importante dizer que nem todas as versões de Monopoly foram fabricadas pela Hasbro, atual fabricante do jogo original (que, quando foi lançado, era fabricado pela Parker Brothers, comprada pela Hasbro em 1991); a maioria delas foi fabricada por uma empresa norte-americana que tem o bizarro nome de USAopoly, que possui uma licença especial da Hasbro para fabricar versões licenciadas não somente do Monopoly, mas também do Risk e de alguns outros jogos da empresa, como Clue e Trivial Pursuit. Atualmente, do catálogo oficial da Hasbro nos Estados Unidos, constam dez versões: Monopoly Ghostbusters, Monopoly Game of Thrones, Monopoly Marvel 80 Years, Monopoly Fortnite, Monopoly Stranger Things, Monopoly L.O.L. Surprise!, Monopoly Star Wars 40 Years, Monopoly Star Wars Mandalorian Edition, Monopoly Disney Princesses e Monopoly Junior Frozen II Edition. Já o site da USAopoly lista outras 21: Monopoly Elf, Monopoly Godzilla, Monopoly National Parks Edition, Monopoly Dungeons & Dragons, Monopoly Breaking Bad, Monopoly The Goonies, Monopoly Garbage Pail Kids, Monopoly Disney The Nightmare Before Christmas, Monopoly Bob Ross Edition, Monopoly Scooby-Doo, Monopoly Spongebob Squarepants, Monopoly Naruto Shippuden, Monopoly It, Monopoly Disney Lilo & Stitch, Monopoly The Simpsons, Monopoly Beetlejuice, Monopoly Rick and Morty, Monopoly My Hero Academia, Monopoly Metallica World Tour Edition, Monopoly Friends e Monopoly Disney Theme Parks Edition. Ao longo dos anos, centenas de outras versões foram lançadas tanto pela Hasbro quanto pela USAopoly, com algumas se tornando muito famosas e cobiçadas pelos colecionadores, como Monopoly Kiss, Monopoly The Wizard of Oz, Monopoly Star Trek Continuum Edition e Monopoly Coca-Cola.

Uma dessas versões, fabricada pela USAopoly e que não se encontra mais à venda (mas que também não é tão cobiçada pelos colecionadores assim) é o Monopoly Cthulhu, lançado em 2015, e que substitui as propriedades por criaturas das histórias de H.P. Lovecraft. Como eu já disse, não acho Monopoly um jogo muito bom, e pra dizer a verdade não jogo nunca, mas, quando vi esse vendendo na Amazon, na época em que ainda era possível comprar importados nesse país, decidi que teria um na minha coleção, nem que fosse só por ter.

Antes de começar, preciso falar rapidinho que Monopoly tem duas regras diferentes em relação ao Banco Imobiliário (já que foram as regras do Banco Imobiliário que eu expliquei no meu post sobre ele): primeiro, enquanto Banco Imobiliário só tem um montinho de cartas, o de Sorte/Revés, Monopoly tem dois, o de Sorte (chamado em inglês de chance) e o de Cofre (em inglês, community chest), cada um com casas específicas nas quais o jogador, se cair, tira uma carta do monte apropriado. Basicamente, cartas de Cofre dão ou tomam dinheiro do jogador, enquanto cartas de Sorte influenciam em seu movimento, como, por exemplo, mandando que ele avance até uma determinada propriedade - embora algumas cartas de Sorte também deem ou tirem dinheiro do jogador. No meio das cartas de Sorte também estão a cobiçada Saída Livre da Prisão e a temida "Vá para a Prisão sem receber nada". O que a Estrela fez foi pegar todas as cartas de Sorte e Cofre, juntar tudo num baralho só, chamar as que são favoráveis ao jogador de Sorte e as desfavoráveis de Revés. Em segundo lugar, enquanto Banco Imobiliário tem seis companhias de transporte (aviação, viação, táxi, táxi aéreo, navegação e ferroviária), cujo aluguel é o resultado da jogada de dados que levou ao infortúnio de cair ali multiplicado por quatro, Monopoly tem quatro Estações de Metrô, nas quais o aluguel depende de quantas estações pertencem ao mesmo dono, e duas companhias, a Elétrica e a de Saneamento Básico, que, aí sim, o aluguel é o resultado dos dados multiplicado por quatro - mas, se o mesmo jogador for dono de ambas, é o resultado multiplicado por dez.

Pois bem, diferentemente dos outros jogos desse post, Monopoly Cthulhu não tem absolutamente nada de diferente em relação a um Monopoly comum, exceto as mudanças cosméticas necessárias para que ele se torne um jogo temático. As regras são absolutamente as mesmas, sem nenhuma adição ou variação. As principais mudanças são que as Cartas de Sorte se chamam Cartas de Sanidade (Sanity), as Cartas de Cofre se chamam Cartas de Conhecimento (Knowledge), e, ao invés de dinheiro, temos Pontos de Insanidade (Insanity Points) - nas mesmas denominações que o dinheiro do Monopoly original, com todas as "propriedades" tendo os mesmos custos. As casinhas, de cor preta, segundo o manual, são criptas, e os hotéis, de cor dourada, são mausoléus, mas também não têm nenhuma diferença em relação às casinhas e hotéis de um jogo normal.

O tabuleiro, em compensação, tem uma arte belíssima, com as casas trazendo figuras escabrosas das criaturas, também presentes em seus títulos de propriedade. No mundo do jogo, você não "compra" uma criatura, e sim se torna um cultista devotado a ela, pagando-a em pontos de insanidade (deveria ser pontos de sanidade, porque aí quem perde todos fica maluco e sai do jogo, mas tudo bem); a partir de então, jogadores que caiam naquela casa têm de pagar tributo com pontos de insanidade para o jogador que primeiro a descobriu, que, por sua vez, após ter todas as de um grupo (divididos por cores, como no Monopoly original), pode erigir criptas e mausoléus para ela (aparentemente sacrificando vítimas), para aumentar seu poder.

As criaturas, divididas por grupos, são: Azathoth e Cthulhu (azul escuro), Byarkhee, Hunting Horror e Wilbur Whateley (azul claro), Dagon, Yig e Hastur (amarelo), Night Gaunt, Deep One e Ghast (rosa), Rhan-Tegoth, Ghatanothoa e Nodens (vermelho), Elder Things, Shoggoth e Mi-Go (laranja), Shub-Niggurath, Yog-Sothot e Nyarlathotep (verde), Brotherhood of the Yellow Sign e Men of Leng (marrom). Ao invés das Estações de Metrô temos a viagem por barco (Boat), por automóvel (Autmobile), por trem (Train) e pelo mundo dos sonhos (Dreamscape Travel), e ao invés das Companhias Elétrica e de Saneamento Básico temos a Miskatonic University e o Insane Asylum, com as mesmas regras. No lugar da Taxa de Riqueza e do Imposto de Renda temos a taxa de pesquisa (Research Fee) e a taxa de investigação (Investigation Fee). A Prisão, a Parada Livre e a temida casa Vá para a Prisão são iguaizinhas, assim como o Ponto de Partida. Os tokens são temáticos, e representam a Adaga de Dagon, o Amuleto do Cão, a Estatueta de Cthuhlu, o Necronomicon, a Tabuleta dos Cultistas e o Trapezoedro Brilhante.

Antes de terminar, é preciso dizer que nem todas as versões de Monopoly são temáticas de cultura pop, também existindo as temáticas de esportes, representando times do futebol europeu, das ligas norte-americanas (como NBA ou NFL), ou até mesmo as próprias ligas e campeonatos (como o Monopoly World Cup, que às vezes é lançado como produto licenciado da FIFA durante uma Copa do Mundo de Futebol). Na minha opinião, porém, as versões mais interessantes são as que têm como tema uma país, região ou cidade. Normalmente, essas versões só são colocadas à venda no local que representam (se for sobre uma cidade, na cidade em questão; se for um país, no país do qual é tema) e costumam ser compradas não somente pelos moradores locais, mas por turistas interessados em um souvenir e colecionadores que rodam o mundo atrás delas - muitas vezes também vendidas por tempo limitado, algumas dessas versões costumam valer fortunas para os colecionadores. Aqui mesmo já tivemos um Monopoly Brasil, atualmente fora de catálogo, no qual as propriedades representavam pontos turísticos do nosso país, como o Cristo Redentor, Fernando de Noronha e a Chapada dos Veadeiros, escolhidos através de uma votação no site da Hasbro; e vários países europeus, como Alemanha, França e Rússia, têm suas versões nacionais nas quais não somente cada propriedade representa uma cidade diferente daquele país como também os tokens são temáticos (como um pretzel no da Alemanha, um galo no da França ou uma matrioshka no da Rússia).

Em relação às cidades, os campeões são os Estados Unidos, com 42 Monopolys tendo sido lançados representando cidades de lá, seguido do Reino Unido, com 23, e da Alemanha com 18; a maioria dos Monopolys são de cidades europeias, mas algumas outras de destaque, como a Cidade do Cabo, na África do Sul, Tóquio, no Japão, Buenos Aires, na Argentina, e Melbourne, na Austrália, também têm ou já tiveram Monopolys próprios. Um Monopoly de cidade normalmente tem como propriedades os principais pontos de interesse dela, como prédios históricos, estádios esportivos, monumentos e pontos turísticos. Também vale citar o já esgotado Monopoly Edição Mundial, vendido em vários países, incluindo o Brasil, que contava com uma cidade diferente em cada uma de suas propriedades, novamente escolhidas por votação, e, nos países cujas cidades ficaram de fora, vinha com adesivos para substituir duas do tabuleiro por cidades nacionais, bem como seus respectivos títulos de propriedade - a edição vendida no Brasil, por exemplo, vinha com adesivos para colocar Rio de Janeiro e São Paulo no tabuleiro. Eu sei que foi votação, mas o tabuleiro, sem os adesivos, tem três cidades do Canadá (Vancouver, Toronto e Montreal) e duas da China (Pequim e Xangai). Talvez tivesse sido melhor limitar a uma cidade por país, para ficar mais variado.

Risk Doctor Who: The Dalek Invasion of Earth


Assim como Monopoly, Risk tem muitas versões - não tantas, já que não existem as versões de esportes, cidades ou países, e, como já foi dito, nem tudo da cultura pop se encaixa em um jogo de guerra. Sem contar as com regras diferentes, como as que eu já citei nos meus posts sobre War (e sem citar os "clones", como o próprio War), todas as versões temáticas de Risk já produzidas foram fabricadas pela USAopoly, que aparentemente tem um monopólio (desculpem o trocadilho) na produção de Risks temáticos. Atualmente, do catálogo da USAopoly, só constam duas versões, Risk Warhammer 40.000 e Risk Game of Thrones, mas, no passado, já foram produzidos, por exemplo, Risk Star Trek, Risk Transformers, Risk Halo Wars, Risk Starcraft e, o único que eu comprei, Risk Doctor Who, lançado em 2014.

Diferentemente de algumas outras versões (Risk Transformers tem um mapa de Cybertron, Risk Game of Thrones tem um mapa de Westeros), Risk Doctor Who tem um mapa da Terra mesmo, com os mesmos continentes e territórios do Risk original. Isso porque, como o subtítulo do jogo atesta, os Daleks estão invadindo a Terra - o que significa que os exércitos controlados pelos jogadores são exércitos de Daleks. Disponíveis em cinco cores e duas versões diferentes (os de cor cinza, mostarda e preta são mais redondinhos, os de cor amarela e laranja são mais quadradinhos), existem Daleks pequenos que representam um exército cada e Daleks grandes que representam três exércitos cada. Os Daleks são bonitinhos e cheios de detalhes, mas duas coisas eu considero incompreensíveis: primeiro, os mostarda e os amarelos são quase da mesma cor, não custava nada, ao invés de mostarda, terem feito verdes, vermelhos ou azuis; segundo, os grandes são idênticos aos pequenos em todos os aspectos exceto o tamanho, diferentemente do que ocorre em outras versões de Risk. Esses dois detalhes causam uma certa confusão na hora do jogo, e poderiam ter sido melhor pensados.

Ao contrário do que ocorre com Monopoly, todas as versões de Risk possuem algumas regras novas - no caso de Risk Doctor Who, evidentemente, essas regras incluem elementos relacionados a personagens e eventos da série. Por isso, além dos Daleks, das 42 cartas de território, dos três dados de ataque (pretos), dos dois dados de defesa (vermelhos), e, evidentemente, do tabuleiro, o jogo traz 15 cartas de Poder, 10 cartas de Missão, uma TARDIS de plástico e um marcador de papelão com a figura de Clara Oswald - que era a companion do Doutor na época em que o jogo foi lançado. Além disso, no tabuleiro, há uma faixa com 11 casas, cada uma mostrando uma das regenerações do Doutor, a primeira com William Hartnell, a última com Matt Smith. No início do jogo, o marcador de Clara é colocado na primeira casa dessa faixa, e cada jogador recebe duas cartas de Missão e três cartas de Poder.

A maior parte das regras é idêntica às de um jogo de Risk normal: em sua vez de jogar, jogadores recebem novos Daleks, incluindo bônus que tenham direito por controlar territórios ou continentes, de acordo com tabelas impressas no tabuleiro; podem atacar territórios controlados pelo oponente que estejam ligados aos seus por fronteiras ou linhas pontilhadas; podem mover Daleks entre seus territórios; pegam uma carta de território se tiverem conquistado pelo menos um; e podem trocar cartas de território por mais Daleks. As duas diferenças aqui estão nessas trocas, pois cada carta de território tem uma ou duas estrelas, e é o número total de estrelas que determina quantos Daleks o jogador vai receber na troca, sendo necessário pelo menos duas estrelas (e, portanto, sendo possível trocar uma única carta), e no fato de que é possível atravessar territórios com os Daleks na hora de mover (ao invés de só poder movê-los para o imediatamente adjacente), desde que os territórios se comuniquem de forma contínua. Um jogador que fique sem Daleks é eliminado, e o que o eliminou recebe todas as suas cartas de território, Missão e Poder. O jogo termina quando sobra um único jogador no tabuleiro (que será o vencedor) ou quando o Doutor esgota todas as suas regenerações, quando o jogador que tiver mais territórios será o vencedor - havendo empate, ganha o que tiver mais exércitos.

No início de sua vez e jogar, cada jogador revela a carta do topo da pilha de territórios, e coloca a TARDIS no território correspondente à carta revelada; se essa carta tiver a figura de Clara, o Doutor gasta uma regeneração, com o jogador devendo mover o marcador uma casa na faixa das regenerações. Como foi dito, assim que Clara alcança a última casa, o jogo termina, com os pontos sendo contados - em outras palavras, o jogo vai durar no mínimo dez turnos, caso todo mundo revele cartas com Clara na sua vez de jogar. A TARDIS fica no território sorteado até o fim da vez daquele jogador, quando a carta de território será colocada no fundo da pilha, e o jogador seguinte sorteará um novo destino para o Doutor. Quando a TARDIS está parada em um território, nenhuma ação pode acontecer envolvendo aquele território, ou seja, o jogador que controla o território não pode atacar territórios a partir dele, mover Daleks dele, para ele, nem passando por ele - em compensação, ninguém pode atacar um território no qual a TARDIS esteja.

Cartas de Missão funcionam como mini-objetivos, que rendem Daleks de bônus ao jogador que conseguir cumpri-las. Existem no total dez cartas de Missão, e, no início do jogo, cada jogador recebe duas delas. Cada carta de Missão possui um vilão da série e um bônus de dois ou três Daleks. Dez dos territórios do tabuleiro, sendo 4 da Europa, 3 da América do Norte, 2 da Ásia e 1 da África, têm as figuras correspondentes a esses vilões: Rússia (Ice Warrior), Europa do Sul (vampiras), Europa Ocidental (Salamander), Grã-Bretanha (Cybermen), Mongólia (Tegana), China (Yeti), Oeste dos Estados Unidos (The Silence), Leste dos Estados Unidos (Weeping Angels), México (Aztecas) e Egito (Sutekh). No início de sua vez de jogar, quando for ganhar os Daleks a que tem direito, se um jogador controla um território correspondente a uma de suas cartas de Missão, ele pode descartar essa carta e ganhar os Daleks listados nela. Um jogador não é obrigado a usar uma carta de Missão, podendo guardá-la para o futuro, mas só pode usá-la se controlar o território necessário na sua vez de receber Daleks.

Cada jogador também recebe, no início do jogo, três cartas de Poder. Assim como as cartas de Missão, ele não é obrigado a jogá-las, podendo jogar todas as três, só duas, só uma, ou nenhuma. Existem 15 cartas de Poder diferentes, cada uma representando um evento ocorrido em algum episódio da série, e cada uma delas traz escrito, em letras amarelas, o momento certo de jogá-la, que pode ser quando o jogador estiver atacando um oponente, quando o jogador for atacado por um oponente, após o jogador rolar dados em um combate, quando um oponente jogar uma Missão, no início de sua vez de jogar, ou no final de sua vez de jogar. Após jogar uma carta de Poder, o jogador obedece ao efeito que está escrito nela, em letras brancas, que pode ser mudar o resultado de um dado, receber mais exércitos, ou outra coisa qualquer.

Para terminar, a lista dos continentes e territórios. América do Norte (laranja, 9): América Central, Leste dos Estados Unidos, Oeste dos Estados Unidos, Leste do Canadá, Ontário, Alberta, Territórios do Noroeste, Alasca e Groenlândia. América do Sul (vermelho, 4): Brasil, Venezuela, Peru e Argentina. Europa (azul claro, 7): Grã-Bretanha, Islândia, Europa Ocidental, Norte da Europa, Sul da Europa, Escandinávia e Rússia. África (marrom, 6): Norte da África, Egito, Leste da África, África Central, África do Sul e Madagascar. Ásia (verde, 12): Oriente Médio, Afeganistão, Índia, China, Sudeste Asiático, Mongólia, Japão, Irkutsk, Ural, Sibéria, Yakutsk e Kamchatka. Austrália (deveria ser Oceania, mas no tabuleiro está escrito Austrália, azul escuro, 4): Leste da Austrália, Oeste da Austrália, Indonésia e Nova Guiné.

Carcassonne Star Wars


Diferentemente de Monopoly e Risk, Carcassonne não tem muitas versões licenciadas - pra dizer a verdade, Carcassonne Star Wars, lançada em 2015 pela Hans im Glück, é a única. Também é a única desse post que foi lançada aqui no Brasil, pela Devir, embora, até onde eu saiba, no momento esteja fora de catálogo. Curiosamente, apesar de licenciado, o jogo foi criado por Klaus-Jürgen Wrede, o criador do Carcassonne original, que, provavelmente, é fã de Star Wars.

Assim como nos outros spin offs de Carcassonne, as regras são as mesmas do jogo original, com algumas adições e modificações. Pra começar, ao invés de estradas temos rotas comericiais, ao invés de cidades temos campos de asteroides, ao invés de campos temos o espaço sideral, e ao invés de monastérios temos planetas. O jogo traz 76 cartelas para compor o tabuleiro, sendo que uma delas é a cartela inicial e já começa o jogo na mesa, virada pra cima, enquanto as outras 75 são embaralhadas e formarão duas ou mais pilhas, com a face para baixo, das quais os jogadores comprarão para formar o tabuleiro. Em sua vez de jogar, cada jogador compra uma peça e a adiciona ao tabuleiro, colocando-a a o lado de uma peça que já está lá de forma que um de seus lados toque essa outra peça na horizontal ou vertical, nunca na diagonal, e sempre "encaixando" os elementos (rota com rota, campo com campo, espaço com espaço); se isso não for possível, ele descarta essa peça e compra outra.

Após colocar uma peça no tabuleiro, se quiser, o jogador pode colocar um seguidor nela. Cada jogador começa o jogo com cinco seguidores pequenos e um grande; um dos pequenos é usado para marcar os pontos, sendo colocado no tabuleiro de pontuação, e os outros quatro, junto com o grande, vão para a reserva do jogador. Uma curiosidade de Carcassonne Star Wars é que os seguidores são divididos em Aliança Rebelde, Império Galáctico e Caçadores de Recompensa, e contam com decalques com a figura de personagens de Star Wars. A facção e o decalque de cada seguidor depende de sua cor, com as cores disponíveis sendo vermelho (Luke Skywalker, Rebeldes), verde (Yoda, Rebeldes), preto (Darth Vader, Império), branco (Stormtrooper, Império) e laranja (Boba Fett, Caçadores). Após escolher sua cor, cada jogador também recebe uma Carta de Personagem, que serve para lembrar aos outros qual é sua facção.

Ao colocar no tabuleiro uma peça que tenha uma rota comercial, um jogador pode colocar um seguidor nela como mercador. Todas as regras normais de Carcassonne se aplicam, ou seja, não é permitido colocar um seguidor sobre uma rota que já tenha outro seguidor, mas é possível que mais de um seguidor fique na mesma rota após ela ser completada, porque um jogador colocou uma cartela que uniu duas rotas incompletas. Uma rota é completada quando ambos seus lados estão fechados, ou seja, quando estão tocando um planeta, campo de asteroides ou bifurcação. Nesse momento, o jogador que tem um mercador na rota, independentemente de se foi ele quem jogou a peça que completa a rota ou não, ganha um ponto para cada carta que compõe a rota, pega seu seguidor de volta e o coloca em sua reserva. Algumas cartas de rota também possuem símbolos de facção nas rotas, que rendem ao jogador dois pontos adicionais por símbolo, não importando se os símbolos são da mesma facção que o jogador ou não.

Ao colocar no tabuleiro uma peça que tenha um campo de asteroides, um jogador pode colocar um seguidor nela como explorador; mais uma vez, todas as regras normais se aplicam. Um campo de asteroides se completa quando está cercado por espaço sideral por todos os lados, e não tem nenhum espaço vazio (sem cartela) em seu anterior; nesse momento, o jogador que tiver um explorador nesse campo ganha dois pontos para cada carta que compõe o campo, mais dois pontos para cada símbolo de facção dentro do campo, pega de volta o seguidor e o coloca de volta em sua reserva. Antes que eu esqueça, é bom dizer que o tabuleiro de pontuação só vai até 50, então quem tem menos de 50 pontos coloca o seguidor nele de pé, e quem passa de 50 coloca deitado, para não confundir.

Ao colocar no tabuleiro uma peça que tenha um planeta, um jogador pode colocar um seguidor nela como conquistador; um planeta é completado quando sua cartela estiver cercada por todos os lados, na horizontal, vertical e diagonal, com outras cartelas, quando valerá nove pontos, mais dois para cada símbolo de facção na cartela do planeta. Planetas seguem duas regras especiais: primeiro, um jogador que coloque uma cartela no tabuleiro tocando a cartela do planeta, na horizontal, vertical ou diagonal, pode, ao invés de colocar o seguidor na cartela recém-colocada, colocá-lo na cartela do planeta. Segundo, diferentemente das rotas comerciais e campos de asteroides, é permitido colocar um seguidor seu num planeta que já tenha um seguidor de outro jogador.

Uma regra especial de Carcassonne Star Wars é a das batalhas, nas quais são usados seis dados que acompanham o jogo, três verdes e três vermelhos. Toda vez que acontecer de haver seguidores de mais de uma facção em uma mesma rota comercial, campo de asteroides (porque alguém jogou uma peça que conectou dois ou mais incompletos) ou planeta (porque um jogador usou as regras especiais citadas no parágrafo anterior), ocorre uma batalha pela posse do domínio disputado: para cada um dos seguidores pequenos que tiver em uma rota comercial, campo de asteroides ou planeta disputado, o jogador terá direito a rolar um dado; cada símbolo da mesma facção que o jogador na rota, dentro do campo ou na cartela do planeta dá direito a mais um dado; e o seguidor grande dá direito a dois dados ao invés de um - não importa quantos seguidores ou símbolos o jogador tenha, porém, o máximo de dados que ele vai jogar é sempre três. Cada jogador envolvido na batalha rola os dados a que tem direito (sendo possível jogadores diferentes rolarem dados da mesma cor) e anota apenas o maior valor que conseguir. O jogador que tiver o menor valor dentre esses anotados ganha um ponto para cada dado que rolou, mas terá de tirar seu seguidor do domínio e devolvê-lo à sua reserva. Caso haja empate, todos os empatados ganham um ponto cada, e rolam seus dados novamente. Uma batalha continua até que sobre apenas um jogador na rota, campo ou planeta.

É importante ressaltar que a batalha só ocorre se os seguidores forem de facções diferentes; se houver seguidores de mais de um jogador numa rota comercial, campo de asteroides ou planeta, mas todos forem da mesma facção, o jogo segue normalmente, e, na hora de calcular a pontuação, são usadas as regras normais de Carcassonne: ganha os pontos o jogador que tiver mais seguidores, com todos os empatados ganhando o mesmo número de pontos em caso de empate. Antes que alguém pergunte, em Carcassonne Star Wars não é possível colocar seguidores no espaço sideral, então, a rigor, não há um equivalente para os campos do jogo original.

No fim do jogo, cada rota comercial e campo de asteroides incompleto vale um ponto para cada cartela que os compõem, e cada planeta vale um ponto por sua própria cartela mais um ponto para cada cartela que a esteja tocando na horizontal, vertical ou diagonal; assim como na pontuação durante o jogo, cada símbolo de facção numa rota, campo de asteroides ou na cartela de um planeta vale dois pontos a mais. Ganha o jogador com mais pontos, sendo possível o jogo terminar empatado. Carcassonne Star Wars também tem uma regra de jogo em equipes, para quatro jogadores, no qual cada dupla joga com uma facção (uma dupla com os jogadores usando os seguidores vermelhos e verdes, outra usando os pretos e brancos) e os pontos dos dois jogadores de cada dupla sendo somados para determinar a facção campeã. Durante as batalhas, cada equipe só pode rolar no máximo três dados, ficando uma equipe com os dados vermelhos e a outra com os verdes.

Carcassonne Star Wars teve uma expansão, lançada na Alemanha em 2016 com o nome de Carcassonne Star Wars - Erweiterung 1 (Erweiterung significa "extensão"), e que acrescentava uma quarta facção, a Primeira Ordem. Essa expansão trazia 18 novas cartelas, onze delas com o símbolo da Primeira Ordem; seis novos seguidores, cinco pequenos e um grande, na cor azul e com o decalque de Kylo Ren; uma carta de facção para a Primeira Ordem; seis fichas de pontuação dupla-face, uma para cada jogador, com um 50 de um lado e um 100 do outro (com o jogador recebendo sua ficha ao alcançar 50 pontos e virando-a ao alcançar 100, somando o valor da ficha à sua pontuação final, o que eliminava a necessidade de deitar os seguidores no tabuleiro de pontuação); um dado amarelo; e doze tokens, seis representando blasters e seis representando sabres de luz (um de cada para cada jogador). Ao colocar um seguidor no tabuleiro, o jogador pode colocar junto um desses tokens (mas não ambos), que, durante uma batalha, representam vantagens: um jogador que tenha um seguidor com o sabre de luz adiciona 1 ao seu maior resultado, e um seguidor com blaster, ao invés do dado normal, rola o dado amarelo, que tem números entre 3 e 8 ao invés de entre 1 e 6.

Série War

Risk Doctor Who


Série Carcassonne

Carcassonne Star Wars


Banco Imobiliário / Monopoly

Monopoly Cthulhu
Outras variações

Ler mais

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Escrito por em 8.7.13 com 0 comentários

Torchwood

Mês passado eu fiz um post sobre As Aventuras de Sarah Jane, spin-off de Doctor Who. Hoje, eu vou falar sobre outro spin-off, o primeiro, mais famoso e meu preferido: Torchwood.

Ianto, Gwen, Jack, Toshiko, Owen

Torchwood é mais uma criação de Russell T. Davies, responsável pela série nova do Doutor e também pela da Sarah Jane. Antes de começar a trabalhar em Doctor Who, ele começaria a planejar uma série voltada para o público adulto, que misturasse ficção científica e estilo policial, com o título provisório de Excalibur. Quando Davies foi convidado para trabalhar em Doctor Who, abandonou essa ideia, guardando o que já havia inventado até então.

No final de 2005, porém, Stuart Murphy, diretor do canal a cabo BBC Three, estava procurando uma série de ação voltada para o público adulto, pois tinha um horário vago à noite, quando elementos como sexo e drogas já podiam fazer parte da programação sem sofrer com a classificação indicativa. Murphy chegou a comentar sobre o assunto com Davies, que lhe ofereceu sua série, voltando a trabalhar nela.

Enquanto voltava a planejar a série, Davies teve uma ideia: durante as filmagens da primeira temporada da série nova de Doctor Who, a BBC havia criado um pseudônimo para a série, Torchwood, na verdade um anagrama de Doctor Who - se você reparar, as palavras "torchwood" e "doctorwho" usam as mesmas letras, mas arrumadas em ordem diferente - para que as filmagens pudessem acontecer sem a presença de curiosos, e informações sobre a série não vazassem para o público - para todos os efeitos, era Torchwood que estava sendo filmada, não Doctor Who. Davies havia adorado esse nome, primeiro por ser um anagrama, segundo porque, em sua opinião, ele se parecia mesmo com um nome de uma série, e não com uma palavra inventada apenas para despistar a mídia. Querendo aproveitar o nome, ele decidiu fazer de sua série um spin-off de Doctor Who, e incluiu, na segunda temporada, várias referências ao "Instituto Torchwood", para estabelecer um laço forte entre as duas séries antes que o spin-off estreasse.

No universo de Doctor Who, o Instituto Torchwood é uma organização mais ou menos ao estilo Men in Black, cujos integrantes estão cientes da existência de alienígenas e seres sobrenaturais. Sua principal missão é evitar a interferência desses seres na sociedade humana e vice-versa, resgatando tecnologia alienígena que tenha caído em mãos humanas, impedindo que alienígenas ou seres sobrenaturais desgarrados exponham sua existência ao mundo ou restaurando o estado anterior das coisas caso esta exposição já tenha ocorrido. Torchwood, a série, acompanha a equipe que atua na cidade de Cardiff, capital do País de Gales - estando posicionada diretamente sobre uma fenda temporal, Cardiff é extremamente sujeita a eventos bizarros, o que faz com que a equipe esteja sempre cheia de trabalho.

A equipe é composta pela pesquisadora Suzie Costello (Indira Varma), responsável por catalogar e descobrir como funciona a tecnologia alienígena reunida durante as missões; o médico Owen Harper (Burn Gorman), responsável não somente pela saúde da equipe, mas pela autópsia em criaturas encontradas pela equipe ou nas vítimas das mesmas; a gênio da computação Toshiko Sato (Naoko Mori), responsável por qualquer coisa que envolva computadores, como pesquisar o passado de uma vítima ou rastrear o paradeiro de uma criatura; Ianto Jones (Gareth David-Lloyd), o faz-tudo da equipe, que atua como recepcionista na agência de turismo que serve como fachada para o Instituto, reúne equipamentos que possam ser necessários às missões e limpa a bagunça depois que a equipe retorna; e o líder da equipe, Capitão Jack Harkness (John Barrowman), personagem que havia estreado na primeira temporada da série nova de Doctor Who, um trambiqueiro do Século LI cuja convivência com o Doutor e Rose fez com que ele se tornasse uma pessoa melhor, e um estranho evento, com que ele se tornasse imortal - a verdadeira origem e o passado de Jack são secretos para o restante da equipe, que muitas vezes não compreende por que ele toma determinadas decisões, ou por que justamente ele tem de ser o líder.

No primeiro episódio, as ações da equipe acabam chamando a atenção de uma jovem policial, Gwen Cooper (Eve Myles), que acaba, acidentalmente, envolvida em uma de suas missões. Jack acaba vendo alguma coisa nela que justifica que, após Suzie decidir deixar a equipe, ele escolha Gwen para o seu lugar. Ela atua, assim, não somente como o famoso personagem que faz a ligação entre a série e seus espectadores - como ela não conhece nada do Instituto Torchwood ou sobre a existência de alienígenas e seres sobrenaturais, conforme ela aprende os telespectadores aprendem junto com ela - mas também como o catalisador da mudança - Gwen tem um estilo de vida totalmente diferente dos demais membros, se recusando a abrir mão de sua vida pessoal em nome do serviço, principalmente porque tem um noivo, Rhys Williams (Kai Owens); isso faz com que sua posição e suas decisões nas missões muitas vezes conflitem com as dos demais membros, levando ou ela a reconsiderar suas escolhas ou eles a reavaliar sua conduta.

A primeira temporada de Torchwood estrearia na BBC Three no dia 22 de outubro de 2006, e teria um total de 13 episódios de 40 minutos cada. Como planejado por Murphy e Davies, a série seria muito mais adulta do que Doctor Who, explorando temas como homossexualidade e uso de drogas e não mascarando a violência - ainda assim, se comparada a séries norte-americanas também consideradas "para adultos", Torchwood é até inocente, sem nudez gratuita ou violência exacerbada; segundo Davies, eles estariam se comportando como adolescentes se incluíssem o sexo e a violência apenas para dizer que a série era adulta, opinião que eu acho que serve como uma cutucada para diversos produtores de séries dos Estados Unidos. Também vale citar como curiosidade que, apesar de ser um spin-off e de trazer muitos elementos de Doctor Who, a série, por decisão de Davies, não podia de forma alguma ser descrita como "Doctor Who para adultos", já que era desejo da BBC que ela tivesse uma identidade própria.

Seguindo os moldes de Doctor Who Confidential, a BBC produziu uma série de documentários em 14 episódios chamada Torchwood Declassified. O primeiro iria ao ar quatro dias antes da estreia da série, e explicaria quem são os personagens e qual é a missão do Instituto Torchwood; a partir daí, cada episódio iria ao ar imediatamente após o fim de cada episódio de Torchwood, trazendo elementos como cenas de por trás das câmeras e curiosidades da produção. Diferentemente de Doctor Who Confidential, cujos episódios tinham entre 30 e 40 minutos, cada episódio de Torchwood Declassified tinha apenas 10 minutos, e era usado como uma espécie de tapa-buraco entre o final do episódio e o início do programa seguinte.

A primeira temporada dividiu a crítica, com alguns considerando a série a melhor coisa já produzida pela BBC e outros dizendo que ela era fraca e apelativa. Dentre o público, porém, a série seria um imenso sucesso, se tornando uma das maiores audiências da BBC Three de todos os tempos. Curiosamente, esse sucesso todo não se reverteria plenamente em ganho para o canal, já que, ao dar a luz verde para uma segunda temporada, a BBC transferiria a série para o canal BBC Two, que conta com mais assinantes e é considerado "mais importante" que o BBC Three.

Também de forma curiosa, apesar de a série ser voltada para adultos e exibida tarde da noite, muitos de seus espectadores eram adolescentes ou até mesmo crianças. Ao saber disso, a BBC pediu para que a série sofresse uma pequena mudança: apesar de seus episódios ainda terem temática adulta, as cenas mais pesadas já não eram essenciais ao enredo central dos episódios que as incluíam. Isso permitiria que a BBC editasse os episódios, criando uma versão "própria para menores", que ia ao ar no dia seguinte e mais cedo.

A segunda temporada mais uma vez teria 13 episódios de 40 minutos cada, o primeiro estreando em 16 de janeiro de 2008, quase um ano após o final da temporada anterior - tempo gasto adequando a série a uma nova equipe de produção e aos novos padrões definidos pela emissora. Agora já sendo uma série de sucesso, e não apenas uma nova aposta da BBC, Torchwood atrairia muito mais atenção da crítica - e da comunidade artística, o que permitiu que vários atores famosos, como Alan Dale (de Lost) e Richard Briers (de The Good Life) aceitassem ou se oferecessem para participações especiais em seus episódios. Junto com a segunda temporada, Torchwood Declassified também retornaria, com mais 13 episódios de 10 minutos exibidos imediatamente após o fim de cada episódio de Torchwood.

Na segunda temporada a equipe continua a mesma, com Jack, Gwen, Owen, Toshiko e Ianto lidando com mais casos misteriosos envolvendo alienígenas e seres sobrenaturais. Rhys continuaria como personagem recorrente - inclusive finalmente se casando com Gwen em um dos episódios. Martha Jones (Freema Agyeman), personagem que, assim como Jack, estreou em Doctor Who, também participaria de três episódios seguidos como membro em treinamento do Instituto Torchwood.

O sucesso da segunda temporada foi ainda maior que o da primeira, o que fez com que a BBC "promovesse" a série mais uma vez, levando-a do BBC Two para seu canal principal, na TV aberta. Infelizmente, essa mudança ocorreria bem na época em que a BBC estava passando por dificuldades financeiras e reduzindo o orçamento de Doctor Who e As Aventuras de Sarah Jane.

A chegada de Torchwood ao canal, porém, estava sendo vista como uma coisa boa: a BBC tinha um "buraco" na sua programação de julho, quando tradicionalmente a audiência é mais baixa, e a inclusão de uma série de sucesso na grade poderia contribuir para que novos anunciantes se interessassem pelo horário, gerando mais receita para o canal. Devido a esse plano e à contenção de despesas, a BBC pediria a Davies que a terceira temporada de Torchwood tivesse apenas cinco episódios, o que também possibilitaria que ela fosse exibida de segunda a sexta, como uma minissérie, e não semanalmente. Esse plano desagradou imensamente a Barrowman, que chegou a declarar em uma entrevista que se sentia como se a série estivesse sendo punida, e não premiada, ao finalmente fazer sua estreia no canal principal da BBC.

Para reforçar a ideia de que era uma minissérie, a terceira temporada, exibida entre 6 e 10 de julho de 2009, teria um subtítulo, Torchwood: Children of Earth. Seus episódios seriam mais longos que os das temporadas anteriores, com por volta de 53 minutos cada; por causa disso, e também para não quebrar a continuidade - como uma boa minissérie, cada episódio era continuação direta do anterior - não foram produzidos novos episódios de Torchwood Declassified, exceto um especial de 30 minutos incluído quando a temporada foi lançada em DVD.

Children of Earth trouxe muitos personagens novos, que não permaneceram na série, servindo apenas aos propósitos de seu enredo, e uma importante mudança na equipe: Toshiko e Owen saíram no último episódio da segunda temporada, sendo substituídos por Rhys; além disso, Ianto também deixa a equipe, no quarto episódio da minissérie, reduzindo-a a três membros, Jack, Gwen e Rhys. Seu enredo envolve uma raça alienígena que planeja levar embora todas as crianças da Terra, e a equipe liderada por Jack descobrindo que isso faz parte de uma conspiração maior, encoberta há anos pelo governo. Ao tentar desmascarar a conspiração, a equipe se torna renegada, e precisa enfrentar não só os alienígenas, mas também seus próprios ex-chefes.

A minissérie teve índices de audiência tão expressivos que surpreenderam até mesmo Jay Hunt, o diretor do canal, que, após seu encerramento, decidiu telefonar para Davies e parabenizá-lo pessoalmente. A crítica também foi receptiva, elogiando a temporada e considerando-a melhor que as duas primeiras. Com tanto sucesso, a BBC desejava que uma quarta temporada começasse a ser produzida o mais rápido possível, mas ainda enfrentava sérios problemas financeiros. Hunt, então, decidiu repetir a tentativa feita com Doctor Who na década de 1990 e procurar um parceiro norte-americano para produzir a série.

A princípio, Hunt procuraria a Fox, mesmo canal que havia exibido o filme de Doctor Who. Devido à premissa da série e a seu desempenho junto à audiência, a Fox até se mostrou interessada, mas exigiu que a quarta temporada fosse um reboot, para que o público norte-americano não ficasse perdido em meio aos acontecimentos, algo que Davies considerou inaceitável, já que os eventos de Children of Earth deixariam excelentes condições para prosseguir com a história a partir de lá. Após o contato com a Fox não resultar em acordo, Hunt seria procurado por um executivo do canal a cabo Starz, que estava mesmo procurando uma nova série que pudesse elevar sua audiência. Não só o Starz aceitaria investir em Torchwood como também não faria nenhuma restrição criativa a Davies, impondo apenas uma única condição: que a nova temporada fosse filmada nos Estados Unidos e contasse com atores norte-americanos.

Com isso, a equipe ganharia dois novos membros, os agentes da CIA Rex Matheson (Mekhi Phifer) e Esther Drummond (Alexa Havins), que se unem a Jack, Gwen e Rhys para desvendar o mistério dessa temporada. Outros personagens de destaque são Oswald Danes (Bill Pullman), pedófilo que se torna celebridade ao se livrar da morte por injeção letal, e Jilly Kitzinger (Lauren Ambrose), sua relações-públicas. Dentre os atores famosos que fazem participações especiais estão C. Thomas Howell (de um monte de filmes dos anos 80), Wayne Knight (de Jurassic Park), Ernie Hudson (o Winston dos Caça-Fantasmas), Dillon Casey (o Noah de The Vampire Diaries), Dichen Lachman (a Sierra de Dollhouse), Nana Visitor (a Kira de Deep Space Nine) e John de Lancie (o Q de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração).

A quarta temporada estrearia em 8 de julho de 2011 no Starz, e uma semana depois na BBC. Com 10 episódios de 45 minutos cada, ela também teria um subtítulo, Torchwood: Miracle Day, referência ao mistério que a equipe de Jack tem de desvendar: um belo dia, se descobre que ninguém mais na Terra pode morrer, o que acarretará em problemas sérios para a economia global e para a própria sustentabilidade da vida no planeta se não for revertido - o que gera, evidentemente, um dilema moral e uma discussão sobre a inevitabilidade da morte. Jack, Gwen e Rhys são levados para os Estados Unidos por Rex, logo após serem atacados por mercenários contratados pelo governo norte-americano, que acredita que a ex-equipe de Torchwood tem algo a ver com a imortalidade geral, e lá deve descobrir o que está acontecendo.

Como ocorreu com o filme de Doctor Who, Miracle Day teve uma audiência bombástica no Reino Unido, mas apenas mediana nos Estados Unidos. A crítica também ficou bastante dividida, com a britânica se rasgando em elogios e a norte-americana descrevendo a série como "decepcionante". A única preocupação comum de fãs e críticos foi o distanciamento que a série pareceu ter tomado de Doctor Who: até então, Torchwood era conhecida por sua continuidade interligada com Doctor Who, o que, embora não fizesse com que os eventos dos episódios de uma série fossem mencionados nos da outra, pelo menos estabelecia sem sombra de dúvida que ambas eram ambientadas no mesmo universo; os eventos de Miracle Day, entretanto, mudaram completamente o mundo, mas não fizeram nem sombra na sexta temporada da série nova do Doutor, que, teoricamente, tinha de estar ocorrendo simultaneamente.

No geral, a BBC considerou a quarta temporada um grande sucesso, e se mostrou favorável à produção e uma quinta. O desempenho da série nos Estados Unidos, porém, faria com que a Starz não se interessasse em continuar como parceira. Hunt ainda tentaria uma nova parceria, mas, em outubro de 2012, Davies declararia que, "por razões pessoais", a série estaria entrando em um hiato indefinido. No momento, ela segue "em espera", ainda não cancelada, mas sem expectativa de uma nova temporada tão cedo.
Ler mais

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Escrito por em 10.6.13 com 0 comentários

As Aventuras de Sarah Jane

Assim como praticamente toda série de ficção científica de sucesso, Doctor Who gerou alguns spin-offs, séries ambientadas no mesmo universo ou estreladas por personagens secundários da série principal. Hoje veremos um desses spin-offs, As Aventuras de Sarah Jane (The Sarah Jane Adventures), voltado para o público infantil.

Clyde, Rani, Sarah Jane e Luke

Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen), para quem não conhece e está com preguiça de voltar aos posts sobre Doctor Who, foi acompanhante do terceiro e quarto Doutores, tendo participado de 80 episódios (em 18 serials) da série original, estreando na décima-primeira e saindo na décima-quarta temporada, entre 1973 e 1976. Jornalista investigativa, Sarah Jane era corajosa, independente, determinada e militante do feminismo, características que logo fizeram com que ela se tornasse uma das mais populares acompanhantes do Doutor - de fato, em uma pesquisa feita em 2005, Sarah Jane seria eleita a mais popular de todas as acompanhantes da série original.

Quando chegou a hora de fazer a transição do quarto para o quinto Doutor, em 1981, o produtor John Nathan-Turner tentou convencer Sladen a voltar para a série, participando do último serial da décima-oitava temporada e dos dois primeiros da décima-nona. Além de gostar de Sladen, Nathan-Turner esperava que seu retorno ajudasse os telespectadores a lidar com a transição, já que Tom Baker, que interpretava o quarto Doutor, era extremamente popular, e havia passado nada menos que sete temporadas no papel. Sladen, porém, recusou o convite, alegando que não tinha interesse em reassumir um papel do qual havia se desligado cinco anos antes.

Nathan-Turner, então, tentou uma nova abordagem: já há algum tempo ele vivia um dilema em relação ao personagem K-9, o cão-robô introduzido na décima-quinta temporada. K-9 era extremamente popular com as crianças, os roteiristas gostavam de escrever histórias nas quais ele aparecia, e Nathan-Turner achava que o Doutor, uma acompanhante e um cão-robô eram o trio perfeito para protagonizar a série - por outro lado, Tom Baker detestava contracenar com a geringonça, que apresentava inúmeros problemas técnicos durante a gravação de cada episódio. Quando Sladen recusou voltar a Doctor Who, Nathan-Turner teve uma ideia: criar uma série voltada para o público infantil, protagonizada por Sarah Jane e K-9. Entrando em contato novamente com Sladen, e explicando que ela dessa vez seria a protagonista, e não uma coadjuvante, ele a convenceria a aceitar o papel.

A série ganharia o nome de K-9 and Company - na minha opinião, desrespeitoso com Sladen, já que o argumento usado para convencê-la foi o de que ela seria protagonista, e seu nome nem aparece no título - e seu episódio-piloto, A Girl's Best Friend, seria gravado ainda em 1981. Nele, Sarah Jane recebe K-9 como um presente do Doutor, e a dupla parte para descobrir o que teria acontecido com a tia da jornalista, que desapareceu em pleno Natal.

O episódio seria exibido em 28 de dezembro de 1981, como um especial de Natal, e teria audiência excelente, maior do que qualquer episódio da décima-oitava temporada. Ainda assim, a série não seria aprovada pela BBC por um problema, digamos, político: quando Nathan-Turner apresentou a ideia da série, o diretor da BBC era Bill Cotton, que deu a luz verde para a produção do piloto. Enquanto o piloto estava sendo produzido, porém, Cotton seria substituído por Alan Hart, que não somente sugeriria um monte de mudanças controversas para a décima-nona temporada de Doctor Who como também não teria interesse em produzir uma série estrelada por Sarah Jane e K-9, cancelando o projeto.

Mesmo sem sua própria série, Sarah Jane e K-9 continuariam personagens populares, participando de várias histórias do "universo expandido" - livros, quadrinhos e afins - e retornando para o especial The Five Doctors, em 1983. Em 2006, eles apareceriam também em um episódio da série nova, School Reunion, ajudando o décimo Doutor e Rose a deter uma raça alienígena que planeja dominar o universo.

Naquele mesmo ano de 2006, pouco após a estreia de Totally Doctor Who, o departamento de programação infantil da BBC entraria em contato com o departamento de seriados. A ideia era produzir um spin-off estrelando um Doutor adolescente vivendo aventuras no planeta Gallifrey. Russel T. Davies, responsável pela série nova, porém, vetou a ideia, argumentando que mostrar a adolescência do Doutor acabaria com grande parte do mistério sobre quem ele realmente é, um dos pontos-chave da série. Em contrapartida, Davies ofereceu ao departamento infantil um seriado estrelado por Sarah Jane, semelhante ao que Nathan-Turner havia tentado anos antes. Como a primeira tentativa havia resultado em boa audiência e a aparição de Sarah Jane na série nova havia sido bem recebida, a BBC topou. Surgia, assim, As Aventuras de Sarah Jane.

Com Davies como produtor executivo, As Aventuras de Sarah Jane estrearia em 1o de janeiro de 2007, com um episódio especial de uma hora de duração, chamado Invasion of the Bane. O restante da série só estrearia em 24 de setembro daquele ano, 10 outros episódios semanais de meia hora cada que abordavam cinco histórias, cada uma em duas partes, sendo que o primeiro, Revenge of the Slitheen, teve suas duas partes exibidas no mesmo dia. Apesar desse formato inusitado, Invasion of the Bane não é considerado um piloto, sendo descrito por Davies como "simplesmente o primeiro episódio".

A primeira temporada acompanhava Sarah Jane e três adolescentes em Londres, resolvendo mistérios locais relacionados a extraterrestres e tecnologia alienígena - no piloto, por exemplo, eles investigaram um novo, popular e extremamente viciante refrigerante, que descobrem ter sido criado por uma raça alienígena chamada Bane, que o está usando para dominar as mentes da população da Terra. Os três adolescentes são Luke (Tommy Knight), menino-prodígio órfão com sérios problemas de relacionamento adotado por Sarah Jane ao final do piloto; Maria Jackson (Yasmin Paige), vizinha de Sarah Jane e responsável por descobrir os planos dos Bane; e Clyde Langer (Daniel Anthony), amigo de escola de Luke e Maria, que estreia na série em Revenge of the Slitheen. Completa o elenco fixo Mr. Smith (voz de Alexander Armstrong), um computador alienígena localizado no sótão de Sarah Jane; K-9 (voz de John Leeson) aparece apenas no piloto e no último episódio.

A primeira temporada seria extremamente elogiada pela crítica, e teria uma excelente média de audiência, o que faria com que a BBC, mais do que depressa, encomendasse uma segunda. Estreando em 29 de setembro de 2008, a segunda temporada seguiria a mesma fórmula da primeira, com 12 episódios semanais de meia hora abordando seis histórias, cada história dividida em dois episódios. Paige, alegando estar tendo dificuldades para terminar seus estudos, não renovou contrato; com isso, Maria, que na série vai morar nos Estados Unidos por conta de uma oferta de emprego feita a seu pai, seria substituída no elenco fixo por Rani Chandra (Anjli Mohindra), filha do diretor da escola onde Luke e Clyde estudam. Nicholas Courtney faz uma participação especial como o Brigadeiro Lethbridge-Stewart no último episódio, Enemy of the Bane. K-9 não aparece na segunda temporada, mas participaria de um episódio especial da campanha Comic Relief, que arrecada fundos para crianças carentes, principalmente da África, exibido em março de 2009.

A ausência de K-9 se deveu à produção de uma nova série do cão-robô. Chamada simplesmente K9, ela não teve o envolvimento da BBC, tendo sido desenvolvida pelo criador de K-9, Bob Baker, em parceria com o produtor Paul Tams, com o estúdio londrino Park Entertainment, com o australiano Screen Australia e com a Disney. Como Baker possuía os direitos sobre o personagem, a BBC não se opôs, mas fez a ressalva de que a nova série não poderia fazer qualquer referência a Doctor Who ou As Aventuras de Sarah Jane - e a aparência do cachorro teria que ser mudada, pois Baker possuía os direitos sobre seu personagem, mas sua imagem pertencia à BBC, já que foi um de seus técnicos que a criou. Baker concordou, mas pediu para que K-9 não aparecesse na segunda temporada de As Aventuras de Sarah Jane para não diminuir o interesse dos fãs em K9.

A primeira temporada de K9 começou a ser produzida no final de 2007, mas seu primeiro episódio só iria ao ar em 31 de outubro de 2009, tendo o atraso ocorrido principalmente por problemas financeiros. A série seria exibida simultaneamente pelo canal Network Ten da Austrália e pelo Disney XD na Europa, chegando ao Syfy dos Estados Unidos apenas no final de 2012. Ao todo, 26 episódios de meia hora cada foram produzidos, ambientados em uma Londres do futuro, na qual K-9 (agora feito de computação gráfica, mas ainda com a voz de John Leeson) se alia aos adolescentes Starkey (Keegan Joyce) e Jorjie (Philippa Coulthard) e ao cientista Professor Gryffen (Robert Moloney) e seu assistente Darius (Daniel Webber) para defender a Terra de alienígenas e viajantes do tempo mal-intencionados - a maioria deles trazida acidentalmente pelo próprio Professor, que criou um Manipulador do Espaço-Tempo, capaz de criar portais para qualquer lugar e qualquer época, tendo o próprio K-9 vindo através de um desses portais. K9 até teve boa audiência e foi bem recebida pela crítica, mas uma segunda temporada jamais foi produzida; desde o ano passado que a segunda temporada está oficialmente "em desenvolvimento", mas até agora não há data prevista para sua estreia.

Curiosamente, K-9 não participaria da segunda temporada de As Aventuras de Sarah Jane, mas, devido aos atrasos na produção de K9, a primeira temporada da série do cão-robô acabaria indo ao ar junto com a terceira da de Sarah Jane - na qual K-9 participa de seis episódios.

A terceira temporada, novamente com doze episódios que abrangem seis histórias dois a dois, seria a primeira a ser filmada em alta definição, e estrearia em 15 de outubro de 2009. Seu terceiro episódio, The Wedding of Sarah Jane Smith, conta com a participação de David Tennant como o Doutor, que está perseguindo um criminoso conhecido como Trickster - curiosamente, embora tenha sido exibido antes, esse episódio foi filmado depois de The End of Time, no qual o Doutor regenera para sua décima-primeira forma, marcando, portanto, a última vez em que Tenant interpretou o Doutor.

O Doutor, dessa vez interpretado por Matt Smith, também faria uma participação no terceiro episódio da quarta temporada, Death of the Doctor. Esse episódio também contaria com a participação de Jo Grant (Katy Manning), que havia sido acompanhante do terceiro Doutor, lá na oitava, nona e décima temporadas, entre 1971 e 1973. E, ao final do episódio, Sarah jane revela ao Doutor que andou pesquisando sobre todos os acompanhantes da série original, lhe narrando o destino de cada um deles. O próprio Davies, que na época já havia deixado a equipe da série nova de Doctor Who, escreveria esse episódio, como uma homenagem à série original.

A quarta temporada estrearia em 11 de outubro de 2010, mais uma vez com doze episódios abrangendo seis histórias dois a dois. No segundo, The Vault of Secrets, Luke passa para a Universidade de Oxford, e vai morar lá acompanhado de K-9. Pelo restante da temporada, a "equipe" de Sarah Jane conta apenas com ela, Clyde e Rani. Ao final de cada episódio ímpar da quarta temporada era exibido um episódio de uma nova série, Sarah Jane's Alien Files. Cada um desses seis episódios era, na verdade, um clip show - aquele tipo de episódio no qual flashbacks de episódios anteriores são intercalados com breves cenas inéditas - abrangendo duas ou três raças alienígenas que Sarah Jane e seus pupilos encontraram durante a série; o mote era que eles estavam inserindo dados sobre essas raças em Mr. Smith.

Em fevereiro de 2011, Elisabeth Sladen seria diagnosticada com câncer, embora a forma e o estágio da doença jamais tenham se tornado públicos. Ela não desejou parar de trabalhar, e as gravações da quinta temporada prosseguiram mesmo com ela doente. Infelizmente, Sladen não resistiu muito tempo, e faleceu no dia 19 de abril daquele ano, aos 65 anos. Em homenagem a ela, a BBC decidiu levar ao ar os episódios que já haviam sido gravados.

Assim, a quinta temporada, que estrearia em 3 de outubro de 2011, teria apenas seis episódios, contando três histórias. O primeiro, Sky, introduzia uma nova personagem, também chamada Sky (Sinead Michael), uma adolescente geneticamente modificada que Sarah Jane também decide adotar ao final do episódio, passando a integrar sua equipe junto com Clyde e Rani. Luke faz aparições especiais neste episódio e no último, The Man Who Never Was, mas K-9 não aparece. Ao final de The Man Who Never Was, em 18 de outubro de 2011, foi exibida uma montagem de momentos-chave de todas as cinco temporadas e das participações de Sarah Jane em Doctor Who, marcando o fim da série e a despedida da personagem.

A morte súbita de Sladen e a interrupção brusca da quinta temporada fez com que vários arcos de história - inclusive o de Sky - ficassem sem conclusão. A BBC, porém, jamais pensou em levar a série adiante sem Sladen. Afinal, o Doutor regenera, mas Sarah Jane Smith, infelizmente, não.
Ler mais

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Escrito por em 13.5.13 com 0 comentários

Doctor Who (IV)

E hoje teremos a última parte do post sobre Doctor Who, no qual falaremos sobre a série nova!

Na parte anterior, paramos logo após o filme para a TV, produzido em 1996 pela Universal como tentativa de uma série norte-americana de Doctor Who, que seria exibida pela Fox. O filme foi um fracasso de audiência nos Estados Unidos - embora tenha sido um grande sucesso na Grã-Bretanha - o que fez a Fox desistir da série. Sem ter um canal para exibi-la, a Universal também não se animou a produzi-la, e se comprometeu com a BBC a deixar os direitos que conseguiu sobre os personagens em solo norte-americano expirarem sem renová-los, para que a série voltasse a ser integralmente da BBC. Que, no momento, também não tinha interesse em produzi-la sem um parceiro comercial, o que significava que Doctor Who continuaria "em espera", sem a produção de uma nova temporada.

Christopher EcclestonEm 1998, chegaria à BBC Mal Young, que assumiria o cargo de chefe do departamento de séries dramáticas. Young era fã da série, e tinha planos para ressucitá-la, os quais decidiu discutir com Peter Salmon, chefe de programação do canal. Durante essa reunião, um dos produtores da equipe de Young, Tony Wood, se lembrou do roteirista Russell T. Davies, outro grande fã da série, com quem havia trabalhado na concorrente iTV. Davies já havia trabalhado para a BBC no início da década de 1990, nas séries de ficção científica infanto-juvenis Century Falls e Dark Season, e foi considerado a pessoa certa para trazer Doctor Who de volta ao ar. O único problema é que ele estava trabalhando para outro canal britânico, o Channel 4, e na super bem sucedida série Queer as Folk, o que fez com que ele não tivesse interesse em ir para a BBC. Além disso, após a reunião, Salmon seria notificado de que a BBC planejava fazer um segundo filme para a TV de Doctor Who, então uma série naquele momento iria prejudicar esses planos.

Salmon seria substituído em 2000 por Lorraine Heggessey, que também era grande fã de Doctor Who, assim como a presidente do departamento de séries, Jane Tranter. Durante anos, ambas deram várias entrevistas dizendo que planejavam ressucitar a série, mas não podiam devido aos planos do tal filme. Somente em 2003 Heggessey conseguiria convencer a BBC a investir em uma nova temporada da série, com o argumento de que cinco anos já haviam se passado desde que Salmon fora impedido, e o canal não estava nem perto de produzir o tal filme. 2003 era o ano do quadragésimo aniversário da série, e, para comemorar, a BBCi, braço da BBC para produções para a internet, havia produzido Scream of the Shalka, um serial de 6 episódios de 5 minutos cada exibido exclusivamente online, produzido inteiramente em animação, no qual o Doutor (com voz de Richard E. Grant) e sua acompanhante, Alison Cheney (Sophie Okonedo), têm de deter o Mestre (Derek Jacobi) e uma raça alienígena, os tais Shalka, que querem dominar a Terra. A boa recepção a Scream of the Shalka e o bom argumento de Heggessey convenceram a BBC, que a autorizaram a fazer uma tentativa.

Heggessey entraria em contato mais uma vez com Davies, que havia sido procurado pela BBC várias vezes ao longo desses cinco anos, sempre respondendo que só aceitaria trabalhar para o canal se fosse fazendo Doctor Who. Após firmar contrato, Davies foi nomeado roteirista-chefe, à frente de grandes nomes das séries da BBC da época, como Mark Gatiss, Steven Moffat, Paul Cornell e Rob Shearman, e produtor executivo da nova série, trabalhando com o produtor Phil Collinson e com a chefe do departamento de séries dramáticas, Julie Gardner, para colocar uma nova temporada da série no ar em 2005. Por sugestão de Gardner, mesmo a nova série sendo continuação da anterior, e não um reboot, a numeração das temporadas recomeçaria do número 1, e usando, ao invés do termo norte-americano season, usado da primeira à vigésima-sexta temporada, o termo britânico series, para ficar de acordo com as demais produções da BBC, que também o usavam. A temporada que estrearia em 2005, portanto, seria a Series 1 - aqui chamada de "primeira temporada da série nova", por falta de tradução melhor. A nova temporada seria anunciada ainda em 2003, o que causaria muito rebuliço na imprensa do Reino Unido.

Também houve muita especulação sobre quem seria o novo Doutor. Em teoria, o Doutor de Scream of the Shalka era o nono, então não poderia ser Paul McGann, o oitavo. Mas, como o de Scream of the Shalka era feito de animação, também não podia ser Robert E. Grant, seu dublador, que não compartilhava suas características físicas. Na verdade, a BBC já havia decidido que seria um ator totalmente novo, mas somente em abril de 2004 anunciaria que o novo Doutor seria Christopher Eccleston, ator já famoso do cinema e com uma extensa lista de séries em diversos canais britânicos no currículo - antes do anúncio de Eccleston, nomes como Hugh Grant, Bill Nighy e até mesmo Rowan Atkinson, o Mr. Bean, chegaram a ser especulados. Na mesma ocasião, ficaria confirmado que Eccleston seria o nono Doutor, e não o décimo, o que faria com que o Doutor dublado por Grant se tornasse não-oficial - e desde então fosse apelidado pelos fãs de "Shalka Doctor". Finalmente, a BBC anunciaria que a cantora pop Billie Piper interpretaria a acompanhante do Doutor nessa nova temporada, uma londrina de 19 anos chamada Rose Tyler.

Rose, aliás, era o título do primeiro episódio da nova série, que estrearia em 26 de março de 2005 com um novo formato, sugerido por Davies: 13 episódios de 45 minutos cada, sem divisão em serials, exibidos aos sábados. Embora houvesse uma continuidade clara, os episódios também contavam cada um uma história com começo, meio e fim, com, no máximo, o início da história em um episódio e a conclusão no imediatamente seguinte. Além de Rose, são personagens recorrentes na temporada sua mãe, Jackie (Camille Coduri), seu namorado, Mickey Smith (Noel Clarke), e dois outros "acompanhantes temporários", Adam Mitchell (Bruno Langley) e o Capitão Jack Harkness (John Barrowman). Adam é um perito em tecnologia que desperta um certo interesse amoroso em Rose, mas que se mostra totalmente inadequado para acompanhar a dupla em viagens no tempo - segundo Davies, ele sempre quis que a série tivesse um acompanhante que causasse problemas, para mostrar que nem todos estão aptos a acompanhar o Doutor em suas viagens. Já Jack é um trambiqueiro do Século LI, que começa como covarde e querendo dar um golpe em Rose, mas ao longo dos cinco últimos episódios da temporada cresce como personagem, se tornando corajoso e um dos maiores amigos do Doutor. Dentre os adversários, retornavam antigos, como os Daleks e os Autons, e estreavam novos, como os Slitheen.

A primeira temporada da série nova seria a primeira da série a ser filmada em película, e a primeira em widescreen. Junto com a temporada, foram filmados 13 episódios do making of Doctor Who Confidential, que iam ao ar imediatamente após os episódios da temporada, mas no canal a cabo BBC Three. A primeira temporada da série nova também marcaria a primeira vez em que Doctor Who seria exibido regularmente nos Estados Unidos, com o Sci Fi Channel exibindo todos os 13 episódios com um ano de atraso em relação à BBC.

A primeira temporada da série nova foi um grande sucesso de público e crítica, com audiência equivalente às do segundo e terceiro Doutores, e indicações para vários prêmios, como o BAFTA. Até mesmo Michael Grade, agora presidente do conselho executivo, e que tentou cancelar a série quando era diretor da BBC, se rendeu, emitindo um memorando na qual elogiava a série e admitia que jamais imaginava que um dia faria isso. Curiosamente, nem todos ficaram satisfeitos com a nova série: um grupo de fãs chegou a enviar e-mails e cartas à BBC em tom de repúdio e até com ameaças de morte pelo que consideravam uma "dessecração" da série - especialmente odiado seria o novo logotipo, que continuaria o mesmo nas temporadas subsequentes, apesar de tudo.

Apesar de todo o sucesso, Eccleston só ficaria uma temporada como protagonista. A princípio, ele assinou por apenas uma temporada porque ninguém sabia se a série teria uma segunda, mas depois preferiria não renovar. O real motivo dessa recusa é até hoje desconhecido do grande público, e a BBC chegou a divulgar um comunicado atribuído a Eccleston segundo o qual ele não teria renovado por medo de ficar marcado pelo papel - comunicado este que mais tarde a própria BBC assumiria ser falso, não tendo sido escrito pelo ator. A saída de Eccleston causou mais revolta entre os fãs, e não adiantou nada alguns lembrarem que é pra isso mesmo que o Doutor regenera.

Eccleston seria substituído pelo escocês David Tennant, desde criança grande fã do seriado, e que achou que o convite de Davies para que ele assumisse o papel era um trote. Ele chegou a pensar em fazer um Doutor também escocês, falando com sotaque e vestindo kilt, mas Davies vetaria essa ideia com medo de abrir um precedente. Tennant estrearia como Doutor nos momentos finais do último episódio da primeira temporada, The Parting of The Ways, e participaria, ao lado de Piper, de um esquete de 7 minutos da campanha Children of Need e de um especial de Natal de uma hora de duração, The Christmas Invasion, antes de estrear pra valer na segunda temporada.

David TennantA segunda temporada estrearia em 15 de abril de 2006, com mais 13 episódios. Dessa vez, todos eles formavam um arco de história envolvendo a misteriosa organização Torchwood - cujo nome é um anagrama de "Doctor Who" - que estuda tecnologia alienígena e lida com acontecimentos inexplicáveis - mais ou menos como se fosse o Arquivo X de Londres. A segunda temporada traria de volta um outro grupo de vilões clássicos, os Cybermen, além de Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen), acompanhante do terceiro e quarto Doutores, e do cão robô K9 (voz de John Leeson), ambos no terceiro episódio, School Reunion. Mickey e Jackie continuaram como personagens recorrentes, e Rose foi a acompanhante do Doutor até o último episódio, Doomsday.

Junto com a segunda temporada, foi produzida uma série de 13 "Tardisódios", episódios especiais de um minuto cada que serviam como introdução para cada episódio da temporada, e podiam ser baixados por telefones celulares conectados à internet. Um "episódio interativo", Attack of the Graske, também foi disponibilizado na internet pela BBC, e permitia que o telespectador assumisse o papel de acompanhante do Doutor, ajudando-o a impedir mais uma invasão alienígena. Doctor Who Confidential continuaria sendo exibido após cada episódio, assim como uma nova série voltada para o público infantil, Totally Doctor Who, que trazia curiosidades das gravações, entrevistas com o elenco, contava com a participação dos telespectadores através de cartas, e tinha uma competição de perguntas e respostas e um reality show no qual uma criança seria escolhida para ser acompanhante do Doutor por um dia. E, no Natal de 2006, seria exibido mais um episódio especial, The Runaway Bride, no qual uma noiva (Catherine Tate) aparece de repente na Tardis, acusa o Doutor de tê-la sequestrado, e exige que ele a devolva para seu casamento.

O especial de Natal serviria de prelúdio para a terceira temporada, que estrearia em 31 de março de 2007, mais uma vez com 13 episódios. Logo no primeiro, Smith and Jones, o Doutor ganharia uma nova acompanhante, Martha Jones (Freema Agyeman), uma estudante de medicina que se apaixona por ele. Martha só ficaria de acompanhante durante essa temporada, deixando o Doutor em seu último episódio, Last of the Time Lords, após perceber que seu amor jamais seria correspondido. Mais uma vez, toda a temporada é parte de um arco de história, dessa vez tratando do retorno do Mestre (interpretado primeiro por Derek Jacobi e, após regenerar, por John Simm). Jack Harkness também retornaria à série, participando dos três últimos episódios.

Mais uma vez, cada episódio seria acompanhado por um de Doctor Who Confidential e por um de Totally Doctor Who, que deixaria de lado o reality show e introduziria uma história em animação em 12 partes chamada The Infinite Quest e um jogo no qual o objetivo era descobrir qual era a raça alienígena através de uma silhueta. Após a terceira temporada, também seria produzido mais um episódio especial para a campanha Children in Need, com a participação de Peter Davison como o quinto Doutor, e mais um especial de Natal, Voyage of the Damned, no qual a acompanhante do Doutor era a garçonete australiana Astrid Perth, interpretada pela cantora Kylie Minogue, e que serviria de prelúdio para a quarta temporada.

Quarta temporada que estrearia em 5 de abril de 2008 com mais 13 episódios, sendo o primeiro Partners in Crime, que trazia de volta Donna Noble, a noiva de The Runaway Bride, dessa vez como a nova acompanhante do Doutor. Martha faria aparições especiais em cinco dos episódios, e Rose voltaria a aparecer nos três últimos, com o último, Journey's End, também contando com a participação de Mickey, Jackie, Jack Harkness e Sarah Jane Smith, e marcando a saída de Donna. Junto com a quarta temporada, foi produzida uma série de cinco episódios em animação, exibidos exclusivamente pela internet, coletivamente chamados Dreamland, nos quais o Doutor investiga a famosa Área 51 nos Estados Unidos. Doctor Who Confidential continuaria acompanhando cada episódio, mas não Totally Doctor Who, cancelada após sua segunda temporada.

A quarta temporada teria os melhores índices de audiência de toda a série nova. Assim, foi uma grande surpresa quando Davies anunciou que estava deixando o cargo de roteirista-chefe, e que a quarta temporada seria a última de Tennant como o Doutor. O substituto de Davies no cargo seria Steven Moffat, criador da série Coupling e futuro criador de Sherlock, enquanto Tennant seria substituído por Matt Smith, de apenas 26 anos, mais jovem Doutor da história - curiosamente, Moffat havia planejado um Doutor bem mais velho, de meia-idade, mas achou o teste de Smith tão bom que mudou de ideia.

Como junto com Davies sairia toda a equipe, entrando uma equipe totalmente nova com Moffat, ficou decidido que em 2009 não seria produzida uma nova temporada, e sim uma série de episódios especiais, para que a nova equipe fosse se acostumando com a série, e Tennant - eleito pelo público o melhor Doutor de todos os tempos, ganhando inclusive do até então preferido Tom Baker - pudesse se despedir dignamente. Ao todo, cinco especiais foram produzidos: The Next Doctor, o especial de Natal de 2008, trazia de volta os Cybermen, dessa vez na Era Vitoriana, e introduzia Jackson Lake (David Morrissey), um homem que acredita ser ele o Doutor, contando, inclusive, com uma "acompanhante", Rosita Farisi (Velile Tshabalala). Planet of the Dead, primeiro episódio da série filmado em HD, exibido na Páscoa de 2009, colocava como acompanhante do Doutor a ladra Christina de Souza (Michelle Ryan), acidentalmente transportada junto com ele para um planeta deserto. Já em The Waters of Mars, exibido em 15 de novembro de 2009 (especial de Proclamação da República?), o Doutor visita Marte no futuro, onde ajuda a Capitão Adelaide Brooke (Lindsay Duncan), comandante da primeira base terráquea no planeta, a deter um vírus que ameaça toda a sua população. Finalmente, The End of Time seria exibido em duas partes, uma no Natal de 2009 e uma no primeiro dia de 2010, e trazia o Mestre em um plano ambicioso: reescrever o DNA de toda a população do planeta, criando um "planeta de Mestres". The End of Time conta com a participação de Donna, Martha, Rose, Mickey, Jack Harkness, Sarah Jane Smith e de Timothy Dalton no papel do Senhor do Tempo Rassilon, e é nele que o Doutor regenera para sua décima-primeira forma.

Moffat e os novos produtores, Piers Wenger, Beth Willis, Tracie Simpson e Peter Bennett, conceberam a quinta temporada para ser um novo reinício - apesar de ainda ser uma continuação das quatro temporadas da série nova e das 26 da antiga, as referências a eventos passados seriam poucas, visando, principalmente, atrair novos fãs. Com isso em mente, eles aproveitaram para redesenhar completamante o interior da Tardis, bem como fazer algumas modificações em seu exterior, e para mudar novamente o logotipo e a abertura da série. Moffat também considerava Doctor Who uma série para crianças que agradava aos adultos, e não o contrário, por isso decidiu fazer a quinta temporada - a qual ele se referia como Series One - mais fantástica do que qualquer outra, quase como se fosse uma série de fantasia e não de ficção científica - segundo ele, mesma abordagem de Star Wars.

Ao longo de 13 episódios, o primeiro estreando em 3 de abril de 2010, o Doutor e sua acompanhante, Amy Pond (Karen Gillan), jovem escocesa que ele visitou quando criança, prometendo voltar para levá-la em incríveis aventuras quando tivesse idade suficiente, viajam pelo tempo e espaço. Embora os episódios fossem independentes entre si, estavam ligados por um arco de história envolvendo rachaduras no tempo, praticamente imperceptíveis, mas que podiam levar a um grande desastre. Personagens recorrentes da quinta temporada eram Rory Williams (Arthur Darvill), noivo de Amy, que chega a viajar na Tardis com a dupla em seis dos episódios, e River Song (Alex Kingston), uma misteriosa mulher do futuro que volta no tempo para alertar o Doutor sobre as rachaduras. Junto com a quinta temporada, também seriam produzidos o já tradicional episódio especial de Natal e dois episódios de três minutos cada para serem exibidos durante um programa que arrecadaria fundos para o movimento Comic Relief, que os distribui para crianças carentes, principalmente da África. Doctor Who Confidential, mais uma vez, seria exibido após cada episódio.

Matt SmithNo último episódio da quinta temporada, The Big Bang, a Tardis seria atacada por um estranho grupo alienígena autodenominado Silêncio. Investigar quem são eles e o que pretendem seria o arco de história da sexta temporada, que estrearia em 23 de abril de 2011, novamente com o Doutor viajando em companhia de Amy - na primeira vez em que a mesma dupla de Doutor e acompanhante era mantida após o fim de uma temporada da série nova - e agora também de Rory, que, desde The Big Bang, era marido de Amy. River Song também volta a aparecer, com sua verdadeira identidade sendo revelada. Cinco dos episódios da sexta temporada também tiveram mini-episódios de 3 minutos cada, que serviam como prelúdio para suas histórias e eram transmitidos imediatamente após o episódio anterior. No geral, a sexta temporada era mais sombria, e com episódios mais conectados entre si, que a quinta, contando, inclusive, com um episódio, The Doctor's Wife, o quarto, escrito por Neil Gaiman. O episódio de Natal de 2011, The Doctor, the Widow and the Wardrobe, era inspirado em As Crônicas de Nárnia, e colocava o Doutor tendo que resgatar duas crianças que usaram um portal para viajarem até um planeta gelado. A sexta seria a última temporada de Doctor Who Confidential, que, contaria, inclusive, com um episódio especial de encerramento.

Tanto a quinta quanto a sexta temporadas tiveram excelentes índices de audiência, o que fez com que a BBC encomendasse uma sétima. Mais uma vez, porém, o canal passava por sérias dificuldades financeiras, o que levou o ínicio da produção a ser adiado. Não podendo levar o primeiro episódio ao ar ainda no primeiro semestre, Moffat optaria por dividir a temporada em duas metades, a primeira estreando em 1o de setembro de 2012, a segunda em 30 de março de 2013, com o episódio especial de Natal no meio - episódio esse, entretanto, que não conta para os da temporada, que mais uma vez teria apenas 13. Antes da estreia da temporada, a BBC disponibilizaria no site de Doctor Who cinco episódios especiais, centrados em Amy e Rory ao invés de no Doutor, chamados Pond Life.

Amy e Rory deixariam a companhia do Doutor no quinto episódio, o último da primeira metade, chamado The Angels Take Manhattan. O episódio de Natal, The Snowmen, traria mais uma vez um novo interior para a Tardis, um novo logotipo para a série e uma nova acompanhante, Clara Oswald (Jenna-Louise Coleman), jovem que o Doutor salva de um loop temporal e que se junta a ele para a segunda metade. Após uma quinta temporada na qual os episódios foram independentes mas interligados por um arco, e de uma sexta na qual todos faziam parte de um mesmo arco, Moffat optou por fazer uma sétima temporada com episódios verdadeiramente independentes, sem arco de história algum, exceto pelo fato de que os atos praticados em um têm consequências nos demais. Três mini-episódios que serviam como prelúdio dos seguintes foram disponibilizados no site de Doctor Who logo após o fim dos anteriores, e outros três foram disponibilizados exclusivamente para os serviços iTunes, Zune e Amazon Instant Video. Além disso, mais uma vez a campanha Children in Need contaria com um episódio especial, ambientado entre as duas metades da temporada.

A sétima temporada ainda não acabou, com seu último episódio, The Name of the Doctor, estando previsto para ir ao ar no próximo sábado. A popularidade da série, entretanto, já garantiu a luz verde para uma oitava temporada, que só deve estrear em 2014, e para um novo episódio de Natal no fim desse ano. Antes disso, porém, a BBC tem planos para um projeto bastante ambicioso: o primeiro filme de Doctor Who para o cinema, e em 3D.

Dia 23 de novembro desse ano se completam 50 anos desde que An Unearthly Child, primeiro episódio da história de Doctor Who, foi ao ar, e é intenção da BBC que o filme estreie nesse dia, para comemorar. O filme ainda não tem título, e o roteiro ainda não foi divulgado, mas se sabe que a história envolverá os Daleks, os Cybermen e os Zygons, estes últimos alienígenas que não aparecem desde a décima-terceira temporada. Além de Smith como o décimo-primeiro Doutor, o filme contará com o retorno de Tenant no papel do décimo, assim como a volta de Rose Tyler. Os famosos atores britânicos John Hurt e Jemma Redgrave também já foram confirmados no elenco.

Depois do hiato, parece que Doctor Who voltou com mais força que nunca. A mais icônica série de ficção científica do Reino Unido vai se tornando cada vez mais a mais longeva do mundo. O segredo parece ser regenerar não somente o Doutor, mas a própria série, o que faz com que, mesmo após tantos anos no ar, ela ainda tenha um gosto de novidade.

Doctor Who

Christopher Eccleston
David Tennant
Matt Smith

Ler mais