Eu procuro seguir duas regras ao falar de séries de TV. A primeira é não falar sobre séries que ainda não foram encerradas nem canceladas, para não precisar fazer outro post depois complementando com as temporadas lançadas depois que eu escrevi. A segunda é não falar sobre séries que eu estou assistindo sem ter visto todos os episódios. Por causa disso, só hoje eu vou poder falar sobre Jornada nas Estrelas: Discovery, já que eu assiti a primeira temporada antes da pandemia, mas só ano passado consegui assistir as outras. Antes tarde do que nunca.
E eu sei que o nome oficial "em português" é Star Trek: Discovery, mas eu sou da época em que todo mundo chamava Star Trek de Jornada nas Estrelas, e, além disso, todos os meus outros posts sobre as séries de Jornada estão com o nome... antigo? tradicional? original? enfim, vai ficar assim para eu manter um padrão. Hoje é dia de Jornada nas Estrelas: Discovery no átomo!
Discovery foi criada especialmente para celebrar os cinquenta anos da série original de Jornada nas Estrelas, hoje conhecida como Série Clássica, que estreou na televisão norte-americana em 1966. O anúncio de sua produção seria feito pela CBS, canal de TV dos Estados Unidos ligado à Paramount, o estúdio que possui os direitos sobre Jornada nas Estrelas, em novembro de 2015; na época, a CBS estava apostando em um serviço de streaming chamado All Access, e seus executivos acreditavam que uma nova série de Jornada nas Estrelas seria o produto ideal para aumentar o número de assinantes e catapultar o All Acess à categoria de um dos principais streamings dos Estados Unidos, o que não era uma tarefa nada fácil, ainda mais porque havia a um pequeno problema legal: devido a termos assinados em um contrato com a Viacom, de quem foi parceira por muitos anos, o mais cedo que a CBS poderia estrear uma nova série de Jornada nas Estrelas seria 1 de janeiro de 2017, o que faria com que Discovery chegasse atrasada nas comemorações do cinquentenário. Ainda assim, mostrando que os executivos estavam certos e que Jornada nas Estrelas ainda era uma franquia de grande renome, ao saber da produção da série, a Showtime, a Netflix e a Amazon ofereceram fortunas pela exclusividade de transmissão, com a CBS preferindo se ater ao plano original e fazer de Discovery uma série exclusiva do All Access.
Para conduzir a empreitada, a CBS escolheria Alex Kurtzman, co-roteirista dos filmes Star Trek, de 2009, e Star Trek: Além da Escuridão, de 2013, e a produtora Heather Kadin. Em fevereiro de 2016, a CBS anunciaria que Kurtzman e Bryan Fuller, roteirista das séries Deep Space Nine e Voyager, seriam os showrunners da série, com Nicholas Meyer, diretor e co-roterista de Jornada nas Estrelas 2: A Ira de Khan, de 1982, e Jornada nas Estrelas 6: A Terra Desconhecida, de 1991, atuando como consultor, e Rod Roddenberry, filho do criador de Jornada nas Estrelas, Gene Roddenberry, e Trevor Roth como produtores executivos, o que, segundo os executivos do canal, daria autenticidade e garantiria que a nova série respeitasse o universo de Jornada nas Estrelas.
Fuller era um dos maiores defensores do retorno de Jornada nas Estrelas à televisão, alegando que a série causava um impacto positivo sobre grupos minoritários. Ao ser chamado para conversar sobre a nova série, ele descobriria que a CBS não fazia ideia de qual seria sua história ou tema, e sugeriria uma série de antologia, com cada episódio contando com um elenco diferente e uma história diferente, ambientadas em diversos pontos da cronologia de Jornada nas Estrelas, com um episódio podendo ocorrer durante a época da Série Clássica, outro durante a da Nova Geração, e até mesmo um ambientado num futuro extremamente distante, que nenhuma série jamais havia abordado. Ele prepararia uma sinopse de um episódio ambientado dez anos antes do início da Série Clássica, que seria o primeiro dessa série, e os executivos da CBS gostariam tanto que pediriam para que ele criasse uma série inteira ambientada nessa época e partindo dessa premissa.
Fuller, então, prepararia o esqueleto de uma série de dez episódios, depois aumentada para 13 a pedido da CBS, a qual chamaria de Discovery ("descoberta"), o mesmo nome da nave tripulada por seus protagonistas. Ele optaria por ambientar a série na Linha do Tempo da Série Clássica, sem levar em consideração nenhum dos eventos ocorridos nos filmes; em entrevistas, ele diria que isso daria mais liberdade às equipes criativas, já que a equipe de produção de Discovery não precisaria se inteirar sobre nada do que ocorresse nos filmes, assim como as equipes dos futuros filmes não precisariam se preocupar com nada que ocorresse em Discovery. Em julho de 2016, a CBS anunciaria que o orçamento da série seria de entre 6 e 7 milhões de dólares por episódio, e integralmente pago graças a um acordo fechado com a Netflix, que teria exclusividade de exibição da série em países que não contassem com o All Access (basicamente todos, exceto Estados Unidos e Canadá).
Um mês depois, entretanto, os executivos da CBS começariam a se estressar com Fuller, que seguidamente estourava o orçamento dos episódios e estava bastante atrasado com a produção, por insistir em supervisionar todos os seus aspectos; o que mais irritava os executivos, entretanto, foi que Fuller havia também aceitado ser showrunner de outra série, Deuses Americanos, do canal a cabo Starz, e estava trabalhando em ambas simultaneamente, com a CBS achando que ele deveria se dedicar exclusivamente a Discovery. Para tentar diminuir o estresse, Fuller delegaria "poderes de showrunner" a Gretchen J. Berg e Aaron Harberts, com quem ele já havia trabalhado em Pushing Daisies; mesmo assim, a produção estaria constantemente atrasada, já que a CBS insistia que a estreia deveria ser em janeiro de 2017. Em setembro de 2016, vendo que cumprir esse prazo seria impossível, Fuller e Kurtzman convenceriam a CBS a adiar a estreia para maio de 2017, para que eles "conseguissem atender às altas expectativas que estavam sendo criadas sobre a série".
A CBS aceitaria, mas, em outubro de 2016, demitiria Fuller e faria de Berg e Harberts os showrunners, com Kurtzman ficando apenas como produtor executivo. Fuller ainda seria creditado como produtor executivo, mas sem nenhum envolvimento com a produção, com Kurtzman chamando Akiva Goldsman, com quem ele havia trabalhado em Fringe, para ser seu co-produtor executivo. A CBS prometeria que Berg e Harberts desenvovleriam a história com base no que Fuller havia criado, mas logo seria confirmado que elementos "mais pesadamente alegóricos e complexos" da história foram abandonados quase que imediatamente após ele deixar a série.
Em janeiro de 2017, Ted Sullivan se uniria à equipe como produtor, e confirmaria que o número de episódios seria aumentado novamente, para 15. Maio chegaria e acabaria sem que a série estivesse pronta para estrear, e somente em junho a CBS confirmaria que a data de estreia havia sido alterada para setembro. No mesmo mês, Kurtzman confirmaria que a série teria mais de uma temporada, e que havia discutido seu futuro com Fuller antes de sua saída, garantindo que as principais ideias sobre a série, seus eventos e seus personagens haviam partido de Fuller e seriam respeitadas no decorrer da série mesmo sem seu envolvimento. Em agosto, Goldsman declararia que as temporadas seguintes da série teriam um "estilo de antologia", cada uma trazendo uma história diferente e completa e "uma mistura de personagens novos e familiares", e Kurtzman diria que o sucesso de Discovery poderia levar à produção de mais séries de Jornada nas Estrelas.
Enquanto estava envolvido com a produção, Fuller diria querer se aproveitar que Discovery seria exibida em um serviço de streaming para fazer dela a primeira série de Jornada nas Estrelas na qual uma única história é contada através de todos os episódios, ao invés de uma história com começo, meio e fim a cada semana - esse formato já havia sido tentado timidamente em Deep Space Nine, Voyager e Enterprise, com alguns arcos compridos tendo repercussão em vários episódios, mas ainda assim uma história completa em cada um. Ele também queria que Discovery fosse uma espécie de ponte entre Enterprise e a Série Clássica - que são separadas por mais de cem anos - e escolheria a guerra entre a Federação e o Império Klingon, frequentemente mencionada mas jamais mostrada, para ser o plano de fundo da primeira temporada.
Fuller conseguiria convencer a CBS a abrir mão de uma regra não-escrita criada por Roddenberry, de que membros da Frota Estelar não poderiam ter conflitos sérios uns com os outros, já que desejava que a protagonista da série fosse uma pária, que caiu em desgraça por desrespeitar ordens diretas de seus superiores, algo jamais permitido nas séries anteriores. Assim, pela primeira vez, o protagonista de uma série de Jornada nas Estrelas não seria o capitão da nave (ou estação espacial), e sim um mero tripulante, a Tenente-Comandante Michael Burnham. O nome masculino, ao contrário do que muitos divulgariam, não era uma crítica aos papéis de gênero, com Fuller tendo esse hábito de colocar nomes masculinos em personagens femininas - havia uma George em Dead Like Me e uma Chuck em Pushing Daisies - e, embora seja raro, de fato existem mulheres chamadas Michael nos Estados Unidos; de qualquer forma, não é impossível que, no futuro, Michael seja um nome predominantemente feminino, assim como hoje o são Kelly e Ashley, ambos originalmente nomes masculinos.
Mas ter um nome masculino nem era a característica mais singular de Michael: humana, ela seria criada em Vulcano, após perder seus pais em um ataque klingon a uma estação espacial, por ninguém menos que Sarek e Amanda - o que faz com que ela seja irmã adotiva de Spock. Isso geraria reclamações de alguns fãs, principalmente porque, em nenhuma outra produção de Jornada nas Estrelas era sequer mencionado que Spock tinha uma irmã humana - havendo também quem comparasse a situação à revelação de que Spock tinha um meio-irmão por parte de pai, Sybok, feita no filme Jornada nas Estrelas 5: A Fronteira Final. Outro detalhe que causaria muita discussão entre os fãs era que a USS Discovery contava com um "Motor de Esporos" experimental, que permitia que ela se locomovesse usando a Rede Micelial, uma espécie de dimensão paralela à nossa - na prática se teletransportando pela galáxia, desaparecendo de um lugar para aparecer instantaneamente em outro toda vez que o Motor de Esporos era usado. Não somente tal tecnologia jamais havia sido sequer mencionada em Jornada nas Estrelas como também representaria uma gigantesca vantagem tática para qualquer povo que a possuísse, com várias explicações tendo de ser criadas pelos roteiristas como desculpa para ela não ter sido amplamente adotada pela Frota Estelar.
Finalmente, tendo em mente sua ideia de que Jornada nas Estrelas influenciava minorias, Fuller faria questão de que os personagens fossem o mais diversos possível - Michael é negra, assim como vários tripulantes importantes da Discovery; a capitã Philippa Georgiou tem nome europeu mas é asiática; e o engenheiro e o médico da nave, ambos homens, são um casal. Aproveitando que em 2016 a maquiagem e os efeitos de computação estavam mais avançados que em 1966, Fuller também decidiria que Discovery contaria com muito mais alienígenas não-humanos que as séries anteriores de Jornada nas Estrelas, com até mesmo os klingons ganhando uma aparência mais bestial que suas representações pregressas. Ele também queria que os uniformes e equipamentos da Discovery fossem idênticos aos da Série Clássica, mas com um visual mais tecnológico, impossível de obter nos anos 1960, mas isso seria descartado após seu desligamento.
As filmagens de Discovery ocorreriam em Toronto, no Canadá, e em cidades próximas da província de Ontário. Kurtzman queria que o visual da série justificasse ela ser o carro-chefe de um serviço de streaming, e pediria para que o diretor do piloto, David Semel, o fizesse "o mais cinematográfico possível", filmando-o em aspecto 2,39:1 e utilizando lentes anamórficas, normalmente reservadas a produções de cinema - o restante da primeira temporada seria filmado em aspecto 2:1 com lentes de TV tradicionais, mas o 2,39:1 anamórfico se tornaria o padrão a partir da segunda temporada. A maioria dos efeitos visuais ficaria a cargo da Pixomondo, com as empresas Spin VFX, Ghost VFX, Mackevision, Crafty Apes, DNEG, The Mill e FX3X também tendo trabalhado na série; alguns cenários eram totalmente feitos de computação gráfica, como o hangar das naves auxiliares, e a pós-produção de alguns episódios chegaria a levar dez meses, devido à quantidade de efeitos visuais presentes.
A abertura ficaria a cargo da empresa Prologue, e mostraria vários ícones de Jornada nas Estrelas, como o comunicador, a insígnia da Frota Estelar e o cumprimento vulcano, junto a elementos introduzidos em Discovery, todos como se mostrados através de projetos ou diagramas esquemáticos. Originalmente, ela seria em preto e branco, mas foi considerada muito "fria", e refeita em um tom sépia. A cada temporada a abertura seria levemente modificada para remover elementos que não fariam sentido para aquela temporada e incluir novos que seriam introduzidos nela.
A primeira temporada estrearia em 24 de setembro de 2017, com o piloto sendo exibido na TV aberta pela CBS e estando disponível no All Access; a partir de então, os outros 14 episódios (para um total de 15) seriam liberados no All Acess um por semana, até 11 de fevereiro de 2018. O sucesso seria instantâneo, com o All Access mais que dobrando seu número de assinantes enquanto a temporada estava no ar. A primeira temporada seria indicada a dois Emmys, ambos "técnicos", de Melhor Maquiagem Prostética para uma Série, Série Limitada, Filme ou Especial para Televisão, e de Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Uma Hora.
A primeira temporada começa com Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) como primeiro-oficial da USS Shenzhou, junto à Capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh). Ao investigar uma estranha ocorrência, Michael acaba inadvertidamente causando a morte de Georgiou e dando início a uma guerra entre o Império Klingon e a Federação dos Planetas Unidos, sendo submetida à Corte Marcial e condenada a prisão perpétua.
Seis meses depois, entretanto, enquanto está sendo transferida de prisão, uma emergência faz com que o transporte em que Michael está tenha de ser recolhido pela USS Discovery, com o Capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs) decidindo suspender temporariamente sua sentença para que ela use seus cohecimentos como xenobióloga para auxiliar a tripulação em sua missão atual: investigar um ataque de um alienigena desconhecido a outra nave, a USS Glenn. Apesar da resistência inicial do primeiro-oficial da nave, o Comandante Saru (Doug Jones), da raça dos kelpianos, Michael logo mostra seu valor à tripulação, composta pelo engenheiro Paul Stamets (Anthony Rapp); seu namorado, o médico Hugh Culber (Wilson Cruz); a alferes Sylvia Tilly (Mary Wiseman), colega de quarto de Michael; o oficial de segurança, Ash Tyler (Shazed Latif), com quem Michael chega a ter um romance; a piloto Keyla Detmer (Emily Coutts); a navegadora Joann Owosekun, apelido Owo (Oyin Oladejo); o oficial tático Gen Rhys (Patrick Kwok-Choon); a oficial de ciências Airiam (Sara Mitich), uma ciborgue que recebeu várias modificações cibernéticas após um acidente na Terra; e o oficial de operações Ronald Bryce (Ronnie Rowe Jr.).
Enquanto isso, a Federação segue em guerra contra os klingons, cuja frota é comandada por Kol (Kenneth Mitchell). A principal klingon da série é L'Rell (Mary Chieffo), que busca unificar as nove casas klingon para fortalecer o Império, mesmo com os patriarcas se opondo por considerar que ela não entende nada sobre governar um Império; extremamente inteligente, L'Rell consegue infiltrar um espião na Discovery, e maquina para usar os eventos da guerra a seu favor. Outros personagens de destaque da primeira temporada são a Almirante Katrina Cornwell (Jayne Brook), a quem Lorca responde diretamente; Sarek (James Frain) e Amanda (Mia Kirshner); e o trambiqueiro Harry Mudd (Rainn Wilson), personagem que originalmente apareceu em dois episódios da Série Clássica. Vale citar também que (SPOILER), no final da temporada, a Discovery faz uma visita ao Universo-Espelho, trazendo de lá a versão terrana de Georgiou - que, naquele universo, é ninguém menos que a Imperatriz da Terra.
Pouco antes da estreia da primeira temporada, em agosto de 2017, Berg e Harberts diriam já terem delineado um esqueleto de uma segunda e uma terceira temporadas, e que o piloto de Discovery havia custado 8,5 milhões de dólares, fazendo com que ela fosse uma das séries mais caras da história da televisão norte-americana. No final, o orçamento total da primeira temporada excederia o valor pago pela Netflix, mas a CBS cobriria a diferença confiando que esse valor seria reposto pelo aumento do número de assinantes do All Access. A segunda temporada receberia luz verde da CBS pouco após a estreia da primeira, em outubro de 2017, com Kurtzman declarando que, para evitar uma pressão semelhante à que a equipe sentiu trabalhando na produção da primeira temporada, a CBS não estabeleceria uma data de estreia para a segunda, mas que ele estava confiante de que ela ficaria pronta para estrear em 2019. Goldsman e Meyer não retornariam para a segunda temporada, o primeiro por se desentender com os roteiristas, o segundo alegando que jamais foi procurado pela CBS para renovar seu contrato. Em janeiro de 2018, Berg e Harberts também seriam demitidos pela CBS, com Kurtzman se tornando o único showrunner para a segunda temporada.
Querendo deixar para trás qualquer influência de Fuller na história, os roteiristas decidiriam encerrar a guerra entre a Federação e os klingons no final da primeira temporada, e começar uma história totalmente nova na segunda - que, apesar de manter um arco que permeava todos os episódios, ainda buscava ter uma história mais ou menos completa em cada um, para tornar a série mais parecida com as demais de Jornada nas Estrelas. A segunda temporada estrearia em 17 de janeiro de 2019, e teria mais 14 episódios, o último sendo disponibilizado em 18 de abril; seria indicada a quatro Emmys, de Melhor Sequência de Abertura, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Uma Hora, e Melhor Maquiagem Prostética para uma Série, Série Limitada, Filme ou Especial para Televisão, ganhando esse último.
A segunda temporada seria uma espécie de crossover com a Série Clássica, introduzindo a tripulação da USS Enterprise - da versão presente no piloto jamais exibido na TV e depois editado para se tornar o episódio A Coleção. Assim, Spock (Ethan Peck) tem um papel central na história; o Capitão Christopher Pike (Anson Mount) assume o comando da Discovery no lugar de Lorca; e alguns episódios contam com a presença da Número Um (Rebecca Romijn) e de Vina (Melissa George). A intenção dos roteiristas era fechar quaisquer pontas soltas e tapar quaisquer buracos de continuidade causados pela primeira temporada, para cimentar Discovey no cânone de Jornada nas Estrelas; eles fariam isso criando o Controle, uma inteligência artificial que se rebela e quase destrói toda a humanidade, cujo objetivo é se apoderar de um banco de dados alienígena que acaba acidentalmente em poder da Discovery.
A história da segunda temporada envolve o Anjo Vermelho, uma entidade que pode ter ligação com sete estranhos sinais que surgiram no espaço; Spock estava estudando esses sinais e quase enlouqueceu, e a Enterprise quase foi destruída ao tentar descobrir sua origem, de forma que as ordens de Pike são usar o Motor de Esporos da Discovery para seguir com a investigação. Além de Pike e Spock, novos personagens da segunda temporada incluem a engenheira Jett Reno (Tig Notaro), originalmente da USS Hiawatha, mas que se une à tripulação da Discovery após ser salva de um naufrágio; a chefe de segurança da Enterprise, Nhan (Rachael Ancheril), que também se une à tripulação da Discovery; Leland (Alan Van Sprang), comandante da Seção 31, braço da Federação que conduz operações sigilosas; e a mãe de Michael, Gabrielle Burnham (Sonja Sohn), que não morreu, mas sim foi transportada para centenas de anos no futuro durante o ataque dos klingons.
A maquiagem de Airiam estava causando problemas de pele em Mitich, então ela seria substituída no papel por Hannah Chessman; para que Mitich não tivesse de deixar a série, a Discovery ganharia uma nova tripulante, a Tenente Nilsson (cujo primeiro nome nunca foi divulgado). Outro novo tripulante de destaque seria o alienígena reptiliano Linus (David Benjamin Tomlinson), que sempre tinha uma tirada engraçada, estava no lugar errado na hora errada, ou divertia os colegas contando fatos pitorescos de sua raça.
Discovery mudaria radicalmente a partir da terceira temporada: para encerrar de vez as discussões sobre "por que isso nunca foi citado antes", e para ter mais liberdade ao escrever os roteiros, não tendo que se preocupar com como suas histórias afetariam ou seriam afetadas por tantas outras histórias de Jornada nas Estrelas escritas antes delas, os roteiristas tomariam uma decisão radical, fazendo com que, para escapar do Controle, no último episódio da segunda temporada, a tripulação e a USS Discovery viajassem para 930 anos no futuro - fazendo com que, ao invés de a segunda série cronologicamente falando, Discovery se transformasse na última, explorando um período da história jamais mostrado em Jornada nas Estrelas.
Quando a USS Discovery chega ao futuro, a Federação está em frangalhos e quase não existe mais, com um dos culpados tendo sido a Queima, um evento misterioso que ocorreu cerca de cem anos antes e destruiu quase todas as naves com capacidade para dobra espacial. Saru assume como capitão da Discovery, e oferece seus serviços à Federação, com Michael fazendo de sua missão pessoal descobrir as causas da Queima, para que ela não se repita, e reconstruir a Federação, trazendo de volta membros que a abandonaram, como a Terra e Vulcano - que, no futuro, se chama Ni'Var. O maior problema desse plano é a Corrente Esmeralda, uma união tênue entre os órions e os andorianos, que governa grande parte da galáxia como uma família mafiosa, e não tem interesse em ver a Federação forte novamente.
Jogar a série para um futuro distante traria não só mais oportunidades aos roteiristas, mas também à equipe de produção, que poderia criar novas naves e equipamentos jamais vistos em Jornada nas Estrelas - o principal deles sendo a Matéria Programável, um monte de cubinhos que se reconfigurava para criar qualquer material que os engenheiros quisessem usar. Outra novidade criada pelos roteiristas foi o teletransporte pessoal: através de um comando em sua insígnia, os membros da Frota Estelar podiam se teletransportar à vontade, sem precisar ir até uma sala própria com um operador próprio. Telas que flutuavam e hologramas também passariam a ser lugar comum em todos os episódios, com a Discovery sendo reformada para acrescentar as novas tecnologias, mas mantendo seu "visual retrô" em relação às naves construídas no futuro.
A partir da terceira temporada, Michelle Paradise seria co-showrunner ao lado de Kurtzman, e a astrofísica Erin Macdonald seria contratada como consultora, para que a série se mantivesse dentro do escopo da ficção científica, sem descambar para a fantasia. Macdonald estaria presente na sala dos roteiristas e ouviria todas as suas ideias sobre novas tecnologias, dando sua opinião sobre quais seriam possíveis com a tecnologia do futuro e quais somente seriam possíveis com magia; ela também participaria da pós-produção, para que planetas, galáxias, buracos negros e outros elementos do espaço fossem mostrados de forma realística através dos efeitos visuais.
O principal novo personagem da terceira temporada é Cleveland Booker, apelido Book (David Ajala). Nascido no planeta Kewijan, com o poder de se comunicar empaticamente com animais e plantas, e tendo adotado o nome de seu mentor, que era da Terra, Book trabalha como courier, transportando cargas de um lado para o outro da galáxia, encontrando itens raros para quem estiver disposto a pagar, e negociando no mercado negro objetos obtidos nem sempre de forma legal - aparentemente uma profissão muito comum nesse futuro sem Federação e governado por mafiosos. Book foi a primeira pessoa que Michael encontrou quando chegou ao futuro, os dois tiveram um romance, e ela trabalhou como courier ao lado dele até ela reencontrar a tripulação da Discovery, com quem ele passaria a viajar, sem entretanto se tornar um tripulante oficial.
Outro personagem de grande destaque seria a Alferes Adira Tal (Blu del Barrio). Adolescente, não-binárie e um prodígio para sua idade, Adira é o primeiro humano a se tornar hospedeiro de um simbionte Trill, o que ocorreu após um acidente que vitimou seu namorado, Gray Tal (Ian Alexander). Também merecem ser mencionados o Almirante Charles Vance (Oded Fehr), comandante da Frota Estelar no futuro; Osyraa (Janet Kidder), órion que comanda com mão de ferro a Corrente Esmeralda; o Dr. Kovich (David Cronenberg), principal cientista da Federação; T'Rina (Tara Rosling), presidente de Ni'Var; o kelpiano Su'Kal (Bill Irwin), que vê Saru como uma figura paterna; e Zora (Annabelle Wallis), entidade resultante da combinação do banco de dados alienígena com o computador da Discovery.
A terceira temporada seria toda filmada antes de as restrições causadas pela pandemia entrarem em vigor, com apenas a pós-produção sendo feita durante a pandemia; ela teria 13 episódios, que estreariam entre 15 de outubro de 2020 e 7 de janeiro de 2021, e seria indicada a quatro Emmys, de Melhor Maquiagem Prostética, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Obra de Época ou Fantasia, Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Uma Hora, e Melhores Efeitos Especiais Visuais em um Único Episódio, ganhando esse último. Antes mesmo de sua estreia, em janeiro de 2020, Discovery seria renovada para uma quarta e uma quinta temporadas, com Kurtzman planejando filmar as duas back to back, ou seja, como se fossem uma única temporada, mas as restrições causadas pela pandemia acabariam cancelando esses planos.
Na quarta temporada, uma anomalia espacial ameaça vários planetas; após ser descoberto que ela não é natural, e sim fabricada, a Presidente da Federação, Laira Rillak (Chelah Horsdal) defende que se descubra sua origem e se inicie negociações diplomáticas para que ela seja interrompida, mas o cientista Ruon Tarka (Shawn Doyle) pretende usar uma arma proibida para destruí-la, o que pode trazer consequências para todo o futuro das viagens espaciais, ou pior, mergulhar a Federação em uma guerra contra uma espécie desconhecida. Na quarta temporada, a Discovery ganharia mais um tripulante de destaque, o tenente Christopher (Orville Cummings), que, devido a compromissos assumidos previamente por Rowe, aos poucos substituiria Bryce em suas funções. O maior destaque da quarta temporada, entretanto, seria que Michael finalmente assume como capitã da Discovery, tendo Saru como seu Imediato. A quarta temporada teria mais 13 episódios, que estreariam entre 18 de novembro de 2021 e 17 de março de 2022, e seria a primeira a não ser indicada a nenhum Emmy.
Em março de 2021, o All Access mudaria de nome para Paramount+, e a CBS anunciaria que o alcance do serviço passaria a ser internacional; isso levaria a uma batalha jurídica contra a Netflix, que queria continuar exibindo Discovery fora dos Estados Unidos e Canadá, mas se viu obrigada a tirar as três primeiras temporadas do catálogo dias antes da estreia da quarta. Como nem todos os países que tinham Netflix já tinham Paramount+ na ocasião (e muita gente não queria assinar um novo streaming), muitos fãs ficaram revoltados, o que levaria a CBS a negociar a exibição dos episódios on demand em seu site e a fechar um contrato para a exibição gratuita da quarta temporada na Pluto TV para países que ainda não tivessem Paramount+. Essa bagunça não afetaria a produção da quarta temporada, mas acabaria atrasando a quinta, que estrearia somente em 2024.
Durante a produção da quarta temporada, tendo em vista o grande número de cancelamentos de séries devido à pandemia, Kurtzman chegaria a demonstrar preocupação, declarando que Discovery ainda tinha muitas histórias para contar, e citando que A Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager tiveram sete temporadas cada, considerando esse o número ideal para uma série de Jornada nas Estrelas. Em janeiro de 2022, a Paramount pediria que a quinta temporada de Discovery tivesse somente 10 episódios, para ficar de acordo com outras séries do Paramount+, e, em março de 2023, anunciaria que a quinta temporada seria a última, o que pegaria toda a equipe e elenco de surpresa, já que a expectativa era de uma renovação, talvez até mesmo para a sexta e sétima temporadas. O motivo alegado para o cancelamento foi a necessidade de cortar custos na produção de séries originais do Paramount+.
A quinta temporada tem como antagonistas Moll (Eve Harlow) e L'ak (Elias Toufexis); ela, uma courier renegada, ele, um alienígena de uma raça desconhecida, ambos um casal que se apaixonou, se envolveu em uma baita encrenca, passou a sobreviver fazendo roubos ousados, e se viu acidentalmente na posse de um diário que pode comprar a liberdade de ambos. O problema é que esse diário leva até um experimento dos Progenitores, a raça que séculos atrás criou toda a vida na galáxia, e, se cair em mãos erradas, pode representar o fim da Federação e o início de um império no qual os Breen governariam com mão de ferro. A Discovery, então, se vê numa corrida contra Moll e L'ak para obter as partes de um mapa que levará ao segredo dos Progenitores, enquanto a Federação tenta impedir que os Breen descubram o que está em jogo. Além disso, Saru decide aceitar um convite para um posto diplomático, o que leva Michael a escolher para seu novo imediato o Capitão Rayner (Callum Keith Rennie), que é irascível e arrogante, mas tem experiência prévia perseguindo Moll e L'ak.
Os dois primeiros episódios da quinta temporada estreariam no Paramount+ em 4 de abril de 2024, e depois um por semana até 30 de maio. A temporada já estava em produção quando ocorreu o cancelamento, mas Kurtzman e Paradise convenceriam a Paramount a filmar um encerramento para a série; como a Paramount não permitiu que esse encerramento fosse um décimo-primeiro episódio, o último episódio da série teria uma hora e meia de duração, com mais ou menos dois terços sendo dedicados à conclusão do arco de história de Moll e L'ak e o terço final sendo o encerramento.
Antes de terminar, vale citar que Discovery teve um spin-off, o filme para TV Star Trek: Section 31, escrito por Craig Sweeny e dirigido por Olatunde Osunsanmi, ambos também responsáveis por alguns episódios da série. Ambientado cerca de um ano após a Discovery viajar para o futuro, o filme é protagonizado pela Imperatriz Philippa Georgiou (Michelle Yeoh), que é "convidada" para fazer parte de uma equipe liderada pelo agente da Seção 31 Alok (Omari Hardwick), e que conta com o cameloide Quasi (Sam Richardson), metamorfo que pode assumir várias formas diferentes; o microscopico Fuzz, da raça dos nanokins, que pilota um corpo cibernético com a aparência de um vulcano (Sven Ruygrok); o ciborgue Zeph (Robert Kazinsky), que usa um exoesqueleto lotado de armas; a irresistível deltana Melle (Humberly González); e a tenente da Frota Estelar Rachel Garrett (Kacey Rohl), que, no futuro, será a capitã da Enterprise-C. Sua missão é recuperar um artefato roubado, que Georgiou logo identifica como sendo de origem do Universo-Espelho, construído por ela mesma e extremamente perigoso, podendo levar à destruição de toda a galáxia. O elenco conta ainda com San (James Hiroyuki Liao), antiga paixão de Georgiou no Universo-Espelho; Dada Noe (Joe Pingue), traficante de armas responsável pela entrega do artefato; e Jamie Lee Curtis como a comandante da Seção 31. Section 31 estrearia no Paramount+ em 24 de janeiro de 2025 e não faria muito sucesso, tendo baixa audiência e críticas negativas - alguns diriam ser a pior produção de toda a história de Jornada nas Estrelas. Ainda assim, seria indicado a um Emmy, de Melhor Edição de Som para uma Série Limitada ou de Antologia, Filme ou Especial para Televisão.
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E eu sei que o nome oficial "em português" é Star Trek: Discovery, mas eu sou da época em que todo mundo chamava Star Trek de Jornada nas Estrelas, e, além disso, todos os meus outros posts sobre as séries de Jornada estão com o nome... antigo? tradicional? original? enfim, vai ficar assim para eu manter um padrão. Hoje é dia de Jornada nas Estrelas: Discovery no átomo!
Discovery foi criada especialmente para celebrar os cinquenta anos da série original de Jornada nas Estrelas, hoje conhecida como Série Clássica, que estreou na televisão norte-americana em 1966. O anúncio de sua produção seria feito pela CBS, canal de TV dos Estados Unidos ligado à Paramount, o estúdio que possui os direitos sobre Jornada nas Estrelas, em novembro de 2015; na época, a CBS estava apostando em um serviço de streaming chamado All Access, e seus executivos acreditavam que uma nova série de Jornada nas Estrelas seria o produto ideal para aumentar o número de assinantes e catapultar o All Acess à categoria de um dos principais streamings dos Estados Unidos, o que não era uma tarefa nada fácil, ainda mais porque havia a um pequeno problema legal: devido a termos assinados em um contrato com a Viacom, de quem foi parceira por muitos anos, o mais cedo que a CBS poderia estrear uma nova série de Jornada nas Estrelas seria 1 de janeiro de 2017, o que faria com que Discovery chegasse atrasada nas comemorações do cinquentenário. Ainda assim, mostrando que os executivos estavam certos e que Jornada nas Estrelas ainda era uma franquia de grande renome, ao saber da produção da série, a Showtime, a Netflix e a Amazon ofereceram fortunas pela exclusividade de transmissão, com a CBS preferindo se ater ao plano original e fazer de Discovery uma série exclusiva do All Access.
Para conduzir a empreitada, a CBS escolheria Alex Kurtzman, co-roteirista dos filmes Star Trek, de 2009, e Star Trek: Além da Escuridão, de 2013, e a produtora Heather Kadin. Em fevereiro de 2016, a CBS anunciaria que Kurtzman e Bryan Fuller, roteirista das séries Deep Space Nine e Voyager, seriam os showrunners da série, com Nicholas Meyer, diretor e co-roterista de Jornada nas Estrelas 2: A Ira de Khan, de 1982, e Jornada nas Estrelas 6: A Terra Desconhecida, de 1991, atuando como consultor, e Rod Roddenberry, filho do criador de Jornada nas Estrelas, Gene Roddenberry, e Trevor Roth como produtores executivos, o que, segundo os executivos do canal, daria autenticidade e garantiria que a nova série respeitasse o universo de Jornada nas Estrelas.
Fuller era um dos maiores defensores do retorno de Jornada nas Estrelas à televisão, alegando que a série causava um impacto positivo sobre grupos minoritários. Ao ser chamado para conversar sobre a nova série, ele descobriria que a CBS não fazia ideia de qual seria sua história ou tema, e sugeriria uma série de antologia, com cada episódio contando com um elenco diferente e uma história diferente, ambientadas em diversos pontos da cronologia de Jornada nas Estrelas, com um episódio podendo ocorrer durante a época da Série Clássica, outro durante a da Nova Geração, e até mesmo um ambientado num futuro extremamente distante, que nenhuma série jamais havia abordado. Ele prepararia uma sinopse de um episódio ambientado dez anos antes do início da Série Clássica, que seria o primeiro dessa série, e os executivos da CBS gostariam tanto que pediriam para que ele criasse uma série inteira ambientada nessa época e partindo dessa premissa.
Fuller, então, prepararia o esqueleto de uma série de dez episódios, depois aumentada para 13 a pedido da CBS, a qual chamaria de Discovery ("descoberta"), o mesmo nome da nave tripulada por seus protagonistas. Ele optaria por ambientar a série na Linha do Tempo da Série Clássica, sem levar em consideração nenhum dos eventos ocorridos nos filmes; em entrevistas, ele diria que isso daria mais liberdade às equipes criativas, já que a equipe de produção de Discovery não precisaria se inteirar sobre nada do que ocorresse nos filmes, assim como as equipes dos futuros filmes não precisariam se preocupar com nada que ocorresse em Discovery. Em julho de 2016, a CBS anunciaria que o orçamento da série seria de entre 6 e 7 milhões de dólares por episódio, e integralmente pago graças a um acordo fechado com a Netflix, que teria exclusividade de exibição da série em países que não contassem com o All Access (basicamente todos, exceto Estados Unidos e Canadá).
Um mês depois, entretanto, os executivos da CBS começariam a se estressar com Fuller, que seguidamente estourava o orçamento dos episódios e estava bastante atrasado com a produção, por insistir em supervisionar todos os seus aspectos; o que mais irritava os executivos, entretanto, foi que Fuller havia também aceitado ser showrunner de outra série, Deuses Americanos, do canal a cabo Starz, e estava trabalhando em ambas simultaneamente, com a CBS achando que ele deveria se dedicar exclusivamente a Discovery. Para tentar diminuir o estresse, Fuller delegaria "poderes de showrunner" a Gretchen J. Berg e Aaron Harberts, com quem ele já havia trabalhado em Pushing Daisies; mesmo assim, a produção estaria constantemente atrasada, já que a CBS insistia que a estreia deveria ser em janeiro de 2017. Em setembro de 2016, vendo que cumprir esse prazo seria impossível, Fuller e Kurtzman convenceriam a CBS a adiar a estreia para maio de 2017, para que eles "conseguissem atender às altas expectativas que estavam sendo criadas sobre a série".
A CBS aceitaria, mas, em outubro de 2016, demitiria Fuller e faria de Berg e Harberts os showrunners, com Kurtzman ficando apenas como produtor executivo. Fuller ainda seria creditado como produtor executivo, mas sem nenhum envolvimento com a produção, com Kurtzman chamando Akiva Goldsman, com quem ele havia trabalhado em Fringe, para ser seu co-produtor executivo. A CBS prometeria que Berg e Harberts desenvovleriam a história com base no que Fuller havia criado, mas logo seria confirmado que elementos "mais pesadamente alegóricos e complexos" da história foram abandonados quase que imediatamente após ele deixar a série.
Em janeiro de 2017, Ted Sullivan se uniria à equipe como produtor, e confirmaria que o número de episódios seria aumentado novamente, para 15. Maio chegaria e acabaria sem que a série estivesse pronta para estrear, e somente em junho a CBS confirmaria que a data de estreia havia sido alterada para setembro. No mesmo mês, Kurtzman confirmaria que a série teria mais de uma temporada, e que havia discutido seu futuro com Fuller antes de sua saída, garantindo que as principais ideias sobre a série, seus eventos e seus personagens haviam partido de Fuller e seriam respeitadas no decorrer da série mesmo sem seu envolvimento. Em agosto, Goldsman declararia que as temporadas seguintes da série teriam um "estilo de antologia", cada uma trazendo uma história diferente e completa e "uma mistura de personagens novos e familiares", e Kurtzman diria que o sucesso de Discovery poderia levar à produção de mais séries de Jornada nas Estrelas.
Enquanto estava envolvido com a produção, Fuller diria querer se aproveitar que Discovery seria exibida em um serviço de streaming para fazer dela a primeira série de Jornada nas Estrelas na qual uma única história é contada através de todos os episódios, ao invés de uma história com começo, meio e fim a cada semana - esse formato já havia sido tentado timidamente em Deep Space Nine, Voyager e Enterprise, com alguns arcos compridos tendo repercussão em vários episódios, mas ainda assim uma história completa em cada um. Ele também queria que Discovery fosse uma espécie de ponte entre Enterprise e a Série Clássica - que são separadas por mais de cem anos - e escolheria a guerra entre a Federação e o Império Klingon, frequentemente mencionada mas jamais mostrada, para ser o plano de fundo da primeira temporada.
Fuller conseguiria convencer a CBS a abrir mão de uma regra não-escrita criada por Roddenberry, de que membros da Frota Estelar não poderiam ter conflitos sérios uns com os outros, já que desejava que a protagonista da série fosse uma pária, que caiu em desgraça por desrespeitar ordens diretas de seus superiores, algo jamais permitido nas séries anteriores. Assim, pela primeira vez, o protagonista de uma série de Jornada nas Estrelas não seria o capitão da nave (ou estação espacial), e sim um mero tripulante, a Tenente-Comandante Michael Burnham. O nome masculino, ao contrário do que muitos divulgariam, não era uma crítica aos papéis de gênero, com Fuller tendo esse hábito de colocar nomes masculinos em personagens femininas - havia uma George em Dead Like Me e uma Chuck em Pushing Daisies - e, embora seja raro, de fato existem mulheres chamadas Michael nos Estados Unidos; de qualquer forma, não é impossível que, no futuro, Michael seja um nome predominantemente feminino, assim como hoje o são Kelly e Ashley, ambos originalmente nomes masculinos.
Mas ter um nome masculino nem era a característica mais singular de Michael: humana, ela seria criada em Vulcano, após perder seus pais em um ataque klingon a uma estação espacial, por ninguém menos que Sarek e Amanda - o que faz com que ela seja irmã adotiva de Spock. Isso geraria reclamações de alguns fãs, principalmente porque, em nenhuma outra produção de Jornada nas Estrelas era sequer mencionado que Spock tinha uma irmã humana - havendo também quem comparasse a situação à revelação de que Spock tinha um meio-irmão por parte de pai, Sybok, feita no filme Jornada nas Estrelas 5: A Fronteira Final. Outro detalhe que causaria muita discussão entre os fãs era que a USS Discovery contava com um "Motor de Esporos" experimental, que permitia que ela se locomovesse usando a Rede Micelial, uma espécie de dimensão paralela à nossa - na prática se teletransportando pela galáxia, desaparecendo de um lugar para aparecer instantaneamente em outro toda vez que o Motor de Esporos era usado. Não somente tal tecnologia jamais havia sido sequer mencionada em Jornada nas Estrelas como também representaria uma gigantesca vantagem tática para qualquer povo que a possuísse, com várias explicações tendo de ser criadas pelos roteiristas como desculpa para ela não ter sido amplamente adotada pela Frota Estelar.
Finalmente, tendo em mente sua ideia de que Jornada nas Estrelas influenciava minorias, Fuller faria questão de que os personagens fossem o mais diversos possível - Michael é negra, assim como vários tripulantes importantes da Discovery; a capitã Philippa Georgiou tem nome europeu mas é asiática; e o engenheiro e o médico da nave, ambos homens, são um casal. Aproveitando que em 2016 a maquiagem e os efeitos de computação estavam mais avançados que em 1966, Fuller também decidiria que Discovery contaria com muito mais alienígenas não-humanos que as séries anteriores de Jornada nas Estrelas, com até mesmo os klingons ganhando uma aparência mais bestial que suas representações pregressas. Ele também queria que os uniformes e equipamentos da Discovery fossem idênticos aos da Série Clássica, mas com um visual mais tecnológico, impossível de obter nos anos 1960, mas isso seria descartado após seu desligamento.
As filmagens de Discovery ocorreriam em Toronto, no Canadá, e em cidades próximas da província de Ontário. Kurtzman queria que o visual da série justificasse ela ser o carro-chefe de um serviço de streaming, e pediria para que o diretor do piloto, David Semel, o fizesse "o mais cinematográfico possível", filmando-o em aspecto 2,39:1 e utilizando lentes anamórficas, normalmente reservadas a produções de cinema - o restante da primeira temporada seria filmado em aspecto 2:1 com lentes de TV tradicionais, mas o 2,39:1 anamórfico se tornaria o padrão a partir da segunda temporada. A maioria dos efeitos visuais ficaria a cargo da Pixomondo, com as empresas Spin VFX, Ghost VFX, Mackevision, Crafty Apes, DNEG, The Mill e FX3X também tendo trabalhado na série; alguns cenários eram totalmente feitos de computação gráfica, como o hangar das naves auxiliares, e a pós-produção de alguns episódios chegaria a levar dez meses, devido à quantidade de efeitos visuais presentes.
A abertura ficaria a cargo da empresa Prologue, e mostraria vários ícones de Jornada nas Estrelas, como o comunicador, a insígnia da Frota Estelar e o cumprimento vulcano, junto a elementos introduzidos em Discovery, todos como se mostrados através de projetos ou diagramas esquemáticos. Originalmente, ela seria em preto e branco, mas foi considerada muito "fria", e refeita em um tom sépia. A cada temporada a abertura seria levemente modificada para remover elementos que não fariam sentido para aquela temporada e incluir novos que seriam introduzidos nela.
A primeira temporada estrearia em 24 de setembro de 2017, com o piloto sendo exibido na TV aberta pela CBS e estando disponível no All Access; a partir de então, os outros 14 episódios (para um total de 15) seriam liberados no All Acess um por semana, até 11 de fevereiro de 2018. O sucesso seria instantâneo, com o All Access mais que dobrando seu número de assinantes enquanto a temporada estava no ar. A primeira temporada seria indicada a dois Emmys, ambos "técnicos", de Melhor Maquiagem Prostética para uma Série, Série Limitada, Filme ou Especial para Televisão, e de Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Uma Hora.
A primeira temporada começa com Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) como primeiro-oficial da USS Shenzhou, junto à Capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh). Ao investigar uma estranha ocorrência, Michael acaba inadvertidamente causando a morte de Georgiou e dando início a uma guerra entre o Império Klingon e a Federação dos Planetas Unidos, sendo submetida à Corte Marcial e condenada a prisão perpétua.
Seis meses depois, entretanto, enquanto está sendo transferida de prisão, uma emergência faz com que o transporte em que Michael está tenha de ser recolhido pela USS Discovery, com o Capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs) decidindo suspender temporariamente sua sentença para que ela use seus cohecimentos como xenobióloga para auxiliar a tripulação em sua missão atual: investigar um ataque de um alienigena desconhecido a outra nave, a USS Glenn. Apesar da resistência inicial do primeiro-oficial da nave, o Comandante Saru (Doug Jones), da raça dos kelpianos, Michael logo mostra seu valor à tripulação, composta pelo engenheiro Paul Stamets (Anthony Rapp); seu namorado, o médico Hugh Culber (Wilson Cruz); a alferes Sylvia Tilly (Mary Wiseman), colega de quarto de Michael; o oficial de segurança, Ash Tyler (Shazed Latif), com quem Michael chega a ter um romance; a piloto Keyla Detmer (Emily Coutts); a navegadora Joann Owosekun, apelido Owo (Oyin Oladejo); o oficial tático Gen Rhys (Patrick Kwok-Choon); a oficial de ciências Airiam (Sara Mitich), uma ciborgue que recebeu várias modificações cibernéticas após um acidente na Terra; e o oficial de operações Ronald Bryce (Ronnie Rowe Jr.).
Enquanto isso, a Federação segue em guerra contra os klingons, cuja frota é comandada por Kol (Kenneth Mitchell). A principal klingon da série é L'Rell (Mary Chieffo), que busca unificar as nove casas klingon para fortalecer o Império, mesmo com os patriarcas se opondo por considerar que ela não entende nada sobre governar um Império; extremamente inteligente, L'Rell consegue infiltrar um espião na Discovery, e maquina para usar os eventos da guerra a seu favor. Outros personagens de destaque da primeira temporada são a Almirante Katrina Cornwell (Jayne Brook), a quem Lorca responde diretamente; Sarek (James Frain) e Amanda (Mia Kirshner); e o trambiqueiro Harry Mudd (Rainn Wilson), personagem que originalmente apareceu em dois episódios da Série Clássica. Vale citar também que (SPOILER), no final da temporada, a Discovery faz uma visita ao Universo-Espelho, trazendo de lá a versão terrana de Georgiou - que, naquele universo, é ninguém menos que a Imperatriz da Terra.
Pouco antes da estreia da primeira temporada, em agosto de 2017, Berg e Harberts diriam já terem delineado um esqueleto de uma segunda e uma terceira temporadas, e que o piloto de Discovery havia custado 8,5 milhões de dólares, fazendo com que ela fosse uma das séries mais caras da história da televisão norte-americana. No final, o orçamento total da primeira temporada excederia o valor pago pela Netflix, mas a CBS cobriria a diferença confiando que esse valor seria reposto pelo aumento do número de assinantes do All Access. A segunda temporada receberia luz verde da CBS pouco após a estreia da primeira, em outubro de 2017, com Kurtzman declarando que, para evitar uma pressão semelhante à que a equipe sentiu trabalhando na produção da primeira temporada, a CBS não estabeleceria uma data de estreia para a segunda, mas que ele estava confiante de que ela ficaria pronta para estrear em 2019. Goldsman e Meyer não retornariam para a segunda temporada, o primeiro por se desentender com os roteiristas, o segundo alegando que jamais foi procurado pela CBS para renovar seu contrato. Em janeiro de 2018, Berg e Harberts também seriam demitidos pela CBS, com Kurtzman se tornando o único showrunner para a segunda temporada.
Querendo deixar para trás qualquer influência de Fuller na história, os roteiristas decidiriam encerrar a guerra entre a Federação e os klingons no final da primeira temporada, e começar uma história totalmente nova na segunda - que, apesar de manter um arco que permeava todos os episódios, ainda buscava ter uma história mais ou menos completa em cada um, para tornar a série mais parecida com as demais de Jornada nas Estrelas. A segunda temporada estrearia em 17 de janeiro de 2019, e teria mais 14 episódios, o último sendo disponibilizado em 18 de abril; seria indicada a quatro Emmys, de Melhor Sequência de Abertura, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Uma Hora, e Melhor Maquiagem Prostética para uma Série, Série Limitada, Filme ou Especial para Televisão, ganhando esse último.
A segunda temporada seria uma espécie de crossover com a Série Clássica, introduzindo a tripulação da USS Enterprise - da versão presente no piloto jamais exibido na TV e depois editado para se tornar o episódio A Coleção. Assim, Spock (Ethan Peck) tem um papel central na história; o Capitão Christopher Pike (Anson Mount) assume o comando da Discovery no lugar de Lorca; e alguns episódios contam com a presença da Número Um (Rebecca Romijn) e de Vina (Melissa George). A intenção dos roteiristas era fechar quaisquer pontas soltas e tapar quaisquer buracos de continuidade causados pela primeira temporada, para cimentar Discovey no cânone de Jornada nas Estrelas; eles fariam isso criando o Controle, uma inteligência artificial que se rebela e quase destrói toda a humanidade, cujo objetivo é se apoderar de um banco de dados alienígena que acaba acidentalmente em poder da Discovery.
A história da segunda temporada envolve o Anjo Vermelho, uma entidade que pode ter ligação com sete estranhos sinais que surgiram no espaço; Spock estava estudando esses sinais e quase enlouqueceu, e a Enterprise quase foi destruída ao tentar descobrir sua origem, de forma que as ordens de Pike são usar o Motor de Esporos da Discovery para seguir com a investigação. Além de Pike e Spock, novos personagens da segunda temporada incluem a engenheira Jett Reno (Tig Notaro), originalmente da USS Hiawatha, mas que se une à tripulação da Discovery após ser salva de um naufrágio; a chefe de segurança da Enterprise, Nhan (Rachael Ancheril), que também se une à tripulação da Discovery; Leland (Alan Van Sprang), comandante da Seção 31, braço da Federação que conduz operações sigilosas; e a mãe de Michael, Gabrielle Burnham (Sonja Sohn), que não morreu, mas sim foi transportada para centenas de anos no futuro durante o ataque dos klingons.
A maquiagem de Airiam estava causando problemas de pele em Mitich, então ela seria substituída no papel por Hannah Chessman; para que Mitich não tivesse de deixar a série, a Discovery ganharia uma nova tripulante, a Tenente Nilsson (cujo primeiro nome nunca foi divulgado). Outro novo tripulante de destaque seria o alienígena reptiliano Linus (David Benjamin Tomlinson), que sempre tinha uma tirada engraçada, estava no lugar errado na hora errada, ou divertia os colegas contando fatos pitorescos de sua raça.
Discovery mudaria radicalmente a partir da terceira temporada: para encerrar de vez as discussões sobre "por que isso nunca foi citado antes", e para ter mais liberdade ao escrever os roteiros, não tendo que se preocupar com como suas histórias afetariam ou seriam afetadas por tantas outras histórias de Jornada nas Estrelas escritas antes delas, os roteiristas tomariam uma decisão radical, fazendo com que, para escapar do Controle, no último episódio da segunda temporada, a tripulação e a USS Discovery viajassem para 930 anos no futuro - fazendo com que, ao invés de a segunda série cronologicamente falando, Discovery se transformasse na última, explorando um período da história jamais mostrado em Jornada nas Estrelas.
Quando a USS Discovery chega ao futuro, a Federação está em frangalhos e quase não existe mais, com um dos culpados tendo sido a Queima, um evento misterioso que ocorreu cerca de cem anos antes e destruiu quase todas as naves com capacidade para dobra espacial. Saru assume como capitão da Discovery, e oferece seus serviços à Federação, com Michael fazendo de sua missão pessoal descobrir as causas da Queima, para que ela não se repita, e reconstruir a Federação, trazendo de volta membros que a abandonaram, como a Terra e Vulcano - que, no futuro, se chama Ni'Var. O maior problema desse plano é a Corrente Esmeralda, uma união tênue entre os órions e os andorianos, que governa grande parte da galáxia como uma família mafiosa, e não tem interesse em ver a Federação forte novamente.
Jogar a série para um futuro distante traria não só mais oportunidades aos roteiristas, mas também à equipe de produção, que poderia criar novas naves e equipamentos jamais vistos em Jornada nas Estrelas - o principal deles sendo a Matéria Programável, um monte de cubinhos que se reconfigurava para criar qualquer material que os engenheiros quisessem usar. Outra novidade criada pelos roteiristas foi o teletransporte pessoal: através de um comando em sua insígnia, os membros da Frota Estelar podiam se teletransportar à vontade, sem precisar ir até uma sala própria com um operador próprio. Telas que flutuavam e hologramas também passariam a ser lugar comum em todos os episódios, com a Discovery sendo reformada para acrescentar as novas tecnologias, mas mantendo seu "visual retrô" em relação às naves construídas no futuro.
A partir da terceira temporada, Michelle Paradise seria co-showrunner ao lado de Kurtzman, e a astrofísica Erin Macdonald seria contratada como consultora, para que a série se mantivesse dentro do escopo da ficção científica, sem descambar para a fantasia. Macdonald estaria presente na sala dos roteiristas e ouviria todas as suas ideias sobre novas tecnologias, dando sua opinião sobre quais seriam possíveis com a tecnologia do futuro e quais somente seriam possíveis com magia; ela também participaria da pós-produção, para que planetas, galáxias, buracos negros e outros elementos do espaço fossem mostrados de forma realística através dos efeitos visuais.
O principal novo personagem da terceira temporada é Cleveland Booker, apelido Book (David Ajala). Nascido no planeta Kewijan, com o poder de se comunicar empaticamente com animais e plantas, e tendo adotado o nome de seu mentor, que era da Terra, Book trabalha como courier, transportando cargas de um lado para o outro da galáxia, encontrando itens raros para quem estiver disposto a pagar, e negociando no mercado negro objetos obtidos nem sempre de forma legal - aparentemente uma profissão muito comum nesse futuro sem Federação e governado por mafiosos. Book foi a primeira pessoa que Michael encontrou quando chegou ao futuro, os dois tiveram um romance, e ela trabalhou como courier ao lado dele até ela reencontrar a tripulação da Discovery, com quem ele passaria a viajar, sem entretanto se tornar um tripulante oficial.
Outro personagem de grande destaque seria a Alferes Adira Tal (Blu del Barrio). Adolescente, não-binárie e um prodígio para sua idade, Adira é o primeiro humano a se tornar hospedeiro de um simbionte Trill, o que ocorreu após um acidente que vitimou seu namorado, Gray Tal (Ian Alexander). Também merecem ser mencionados o Almirante Charles Vance (Oded Fehr), comandante da Frota Estelar no futuro; Osyraa (Janet Kidder), órion que comanda com mão de ferro a Corrente Esmeralda; o Dr. Kovich (David Cronenberg), principal cientista da Federação; T'Rina (Tara Rosling), presidente de Ni'Var; o kelpiano Su'Kal (Bill Irwin), que vê Saru como uma figura paterna; e Zora (Annabelle Wallis), entidade resultante da combinação do banco de dados alienígena com o computador da Discovery.
A terceira temporada seria toda filmada antes de as restrições causadas pela pandemia entrarem em vigor, com apenas a pós-produção sendo feita durante a pandemia; ela teria 13 episódios, que estreariam entre 15 de outubro de 2020 e 7 de janeiro de 2021, e seria indicada a quatro Emmys, de Melhor Maquiagem Prostética, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Obra de Época ou Fantasia, Melhor Edição de Som para uma Série de Comédia ou Drama de Uma Hora, e Melhores Efeitos Especiais Visuais em um Único Episódio, ganhando esse último. Antes mesmo de sua estreia, em janeiro de 2020, Discovery seria renovada para uma quarta e uma quinta temporadas, com Kurtzman planejando filmar as duas back to back, ou seja, como se fossem uma única temporada, mas as restrições causadas pela pandemia acabariam cancelando esses planos.
Na quarta temporada, uma anomalia espacial ameaça vários planetas; após ser descoberto que ela não é natural, e sim fabricada, a Presidente da Federação, Laira Rillak (Chelah Horsdal) defende que se descubra sua origem e se inicie negociações diplomáticas para que ela seja interrompida, mas o cientista Ruon Tarka (Shawn Doyle) pretende usar uma arma proibida para destruí-la, o que pode trazer consequências para todo o futuro das viagens espaciais, ou pior, mergulhar a Federação em uma guerra contra uma espécie desconhecida. Na quarta temporada, a Discovery ganharia mais um tripulante de destaque, o tenente Christopher (Orville Cummings), que, devido a compromissos assumidos previamente por Rowe, aos poucos substituiria Bryce em suas funções. O maior destaque da quarta temporada, entretanto, seria que Michael finalmente assume como capitã da Discovery, tendo Saru como seu Imediato. A quarta temporada teria mais 13 episódios, que estreariam entre 18 de novembro de 2021 e 17 de março de 2022, e seria a primeira a não ser indicada a nenhum Emmy.
Em março de 2021, o All Access mudaria de nome para Paramount+, e a CBS anunciaria que o alcance do serviço passaria a ser internacional; isso levaria a uma batalha jurídica contra a Netflix, que queria continuar exibindo Discovery fora dos Estados Unidos e Canadá, mas se viu obrigada a tirar as três primeiras temporadas do catálogo dias antes da estreia da quarta. Como nem todos os países que tinham Netflix já tinham Paramount+ na ocasião (e muita gente não queria assinar um novo streaming), muitos fãs ficaram revoltados, o que levaria a CBS a negociar a exibição dos episódios on demand em seu site e a fechar um contrato para a exibição gratuita da quarta temporada na Pluto TV para países que ainda não tivessem Paramount+. Essa bagunça não afetaria a produção da quarta temporada, mas acabaria atrasando a quinta, que estrearia somente em 2024.
Durante a produção da quarta temporada, tendo em vista o grande número de cancelamentos de séries devido à pandemia, Kurtzman chegaria a demonstrar preocupação, declarando que Discovery ainda tinha muitas histórias para contar, e citando que A Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager tiveram sete temporadas cada, considerando esse o número ideal para uma série de Jornada nas Estrelas. Em janeiro de 2022, a Paramount pediria que a quinta temporada de Discovery tivesse somente 10 episódios, para ficar de acordo com outras séries do Paramount+, e, em março de 2023, anunciaria que a quinta temporada seria a última, o que pegaria toda a equipe e elenco de surpresa, já que a expectativa era de uma renovação, talvez até mesmo para a sexta e sétima temporadas. O motivo alegado para o cancelamento foi a necessidade de cortar custos na produção de séries originais do Paramount+.
A quinta temporada tem como antagonistas Moll (Eve Harlow) e L'ak (Elias Toufexis); ela, uma courier renegada, ele, um alienígena de uma raça desconhecida, ambos um casal que se apaixonou, se envolveu em uma baita encrenca, passou a sobreviver fazendo roubos ousados, e se viu acidentalmente na posse de um diário que pode comprar a liberdade de ambos. O problema é que esse diário leva até um experimento dos Progenitores, a raça que séculos atrás criou toda a vida na galáxia, e, se cair em mãos erradas, pode representar o fim da Federação e o início de um império no qual os Breen governariam com mão de ferro. A Discovery, então, se vê numa corrida contra Moll e L'ak para obter as partes de um mapa que levará ao segredo dos Progenitores, enquanto a Federação tenta impedir que os Breen descubram o que está em jogo. Além disso, Saru decide aceitar um convite para um posto diplomático, o que leva Michael a escolher para seu novo imediato o Capitão Rayner (Callum Keith Rennie), que é irascível e arrogante, mas tem experiência prévia perseguindo Moll e L'ak.
Os dois primeiros episódios da quinta temporada estreariam no Paramount+ em 4 de abril de 2024, e depois um por semana até 30 de maio. A temporada já estava em produção quando ocorreu o cancelamento, mas Kurtzman e Paradise convenceriam a Paramount a filmar um encerramento para a série; como a Paramount não permitiu que esse encerramento fosse um décimo-primeiro episódio, o último episódio da série teria uma hora e meia de duração, com mais ou menos dois terços sendo dedicados à conclusão do arco de história de Moll e L'ak e o terço final sendo o encerramento.
Antes de terminar, vale citar que Discovery teve um spin-off, o filme para TV Star Trek: Section 31, escrito por Craig Sweeny e dirigido por Olatunde Osunsanmi, ambos também responsáveis por alguns episódios da série. Ambientado cerca de um ano após a Discovery viajar para o futuro, o filme é protagonizado pela Imperatriz Philippa Georgiou (Michelle Yeoh), que é "convidada" para fazer parte de uma equipe liderada pelo agente da Seção 31 Alok (Omari Hardwick), e que conta com o cameloide Quasi (Sam Richardson), metamorfo que pode assumir várias formas diferentes; o microscopico Fuzz, da raça dos nanokins, que pilota um corpo cibernético com a aparência de um vulcano (Sven Ruygrok); o ciborgue Zeph (Robert Kazinsky), que usa um exoesqueleto lotado de armas; a irresistível deltana Melle (Humberly González); e a tenente da Frota Estelar Rachel Garrett (Kacey Rohl), que, no futuro, será a capitã da Enterprise-C. Sua missão é recuperar um artefato roubado, que Georgiou logo identifica como sendo de origem do Universo-Espelho, construído por ela mesma e extremamente perigoso, podendo levar à destruição de toda a galáxia. O elenco conta ainda com San (James Hiroyuki Liao), antiga paixão de Georgiou no Universo-Espelho; Dada Noe (Joe Pingue), traficante de armas responsável pela entrega do artefato; e Jamie Lee Curtis como a comandante da Seção 31. Section 31 estrearia no Paramount+ em 24 de janeiro de 2025 e não faria muito sucesso, tendo baixa audiência e críticas negativas - alguns diriam ser a pior produção de toda a história de Jornada nas Estrelas. Ainda assim, seria indicado a um Emmy, de Melhor Edição de Som para uma Série Limitada ou de Antologia, Filme ou Especial para Televisão.
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