sábado, 9 de maio de 2026

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Modern Family

Ainda no espírito de falar sobre séries que já tenham se encerrado e eu já terminei de ver, apenas recentemente consegui terminar Modern Family, então vou fazer um post sobre ela também.

Modern Family é uma série de drama e comédia que intercala cenas das situações vividas pelos personagens com depoimentos deles sobre os eventos mostrados, como se fosse um documentário - no estilo hoje chamado de mockumentary, mais ou menos no estilo de The Office, mas com a diferença de que The Office era filmada como se alguém de fato estivesse registrando o dia a dia da empresa, enquanto Modern Family seria uma sitcom normal se não fosse pelos depoimentos dos personagens.


A série conta a história de três famílias. A primeira é a hoje chamada família nuclear, composta pelo pai, mãe e três filhos, que quando a série começa, são crianças, vivendo juntos em uma casa do subúrbio de Los Angeles. O pai é Phil Dunphy (Ty Burrell), corretor imobiliário por profissão, mágico amador por hobby, um cara divertido e boa praça, apesar de meio atrapalhado, que se esforça para ser um "pai legal" e é dedicado à família acima de tudo. A mãe é Claire (Julie Bowen), que, no início da série, é dona de casa em tempo integral, mas mais tarde vai trabalhar na empresa do pai, uma mulher de gênio forte, um tanto controladora, que tem mania de organização, mas é capaz de fazer o impossível para proteger, defender e agradar sua família. Claire engravidou de Phil na adolescência e contra a vontade do pai, que não ia com a cara dele, e o resultado foi Haley (Sarah Hyland), que, no começo da série, tem por volta de 15 anos, uma menina extremamente bonita, popular e criativa, mas não muito inteligente. Depois que Phil e Claire se casaram, tiveram outra filha, Alex (Ariel Winter), o oposto da irmã, absurdamente inteligente mas sem nenhum traquejo social, que no início da série tem uns 12 anos. O filho mais novo do casal é Luke (Nolan Gould), que é cuiroso, bondoso e bem intencionado, mas tão atrapalhado quanto o pai e tão sem noção quanto Haley.

A segunda família é composta por um casal homossexual, Mitchell Pritchett (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron Tucker (Eric Stonestreet). Mitchell é o irmão mais novo de Claire e é advogado, começando a série como especialista em direito ambiental, mas passado por vários ramos até se encontrar; ele também tem a mania de organização da irmã, e é quase tão atrapalhado quanto Phil. Já Cam, que nasceu numa fazenda no interior do Missouri, é músico e palhaço, se apresentando com o nome de Fizbo, gosta de ser o centro das atenções e frequentemente tenta manipular Mitchell para que suas decisões sejam vistas pelo marido como decisões "do casal"; Cam também é fanático por futebol americano, para espanto dos que acham que gays não se interessam por esse esporte, e, mais adiante na série, consegue um emprego como treinador do time do colégio onde Luke estuda. Quando a série começa, Mitchell e Cam adotaram uma menina vietnamita recém-nascida, a qual chamaram de Lily Tucker-Pritchett (as gêmeas Jaden e Ella Hiller nas duas primeiras temporadas, Aubrey Anderson-Emmons a partir da terceira), que, quando cresce, se torna geniosa e sarcástica, mas com um amor incondicional pelos pais. Mitchell e Cam moram em uma pequena casa alugada de dois andares independentes na cidade, mais tarde na série obtendo permissão do proprietário para alugar o andar de cima e passando várias confusões com os inquilinos.

Claire e Mitchell são filhos de Jay Pritchett (Ed O'Neill, de Um Amor de Família), que nasceu na pobreza, mas venceu na vida com o próprio trabalho, e hoje é presidente da fábrica de armários Pritchett Closets, morando em uma mansão com piscina em uma espécie de condomínio fechado. Pouco antes do início da série, Jay, que se divorciou da mãe de Claire e Mitchell anos antes, se casa com Gloria Ramirez (Sofía Vergara), colombiana bonitona que já trabalhou como taxista e cabeleireira, dentre outras profissões, que tem um pouco de dificuldade em se socializar por estranhar os costumes dos Estados Unidos, e costuma contar histórias bizarras de sua cidade natal. Gloria está sempre disposta a ajudar todo mundo, mas tem um gênio forte e não gosta de ser contrariada; ela tem um filho de um casamento anterior, Manny Delgado (Rico Rodriguez), que, cronologicamente, tem a mesma idade de Luke, mas, espiritualmente, parece ter uns 40 anos, gostando de chá, moda de alta costura e flauta peruana, dentre outros hábitos curiosos, o que faz com que ele tenha dificuldades de se socializar e seja alvo de várias piadas de Jay, sendo superprotegido por Gloria. No início da série, Claire não vai com a cara de Gloria, que é praticamente de sua idade (em um dos episódios, inclusive, Jay diz que Claire é mais velha que Gloria) e vista por ela como uma excentricidade cometida pelo pai.

Modern Family seria uma criação de Steven Levitan e Christopher Lloyd (que não é o cientista de De Volta para o Futuro, e sim um homônimo), que, um dia, estavam conversando e contando histórias de suas próprias famílias, e concluíram que histórias desse tipo seriam uma boa base para uma série de TV. Inicialmente, eles pensaram em fazer um mockumentary que acompanhasse o dia a dia de uma família, chamando a série de My American Family, mas, conforme trabalhavam a ideia, decidiram fazer três famílias de três tipos diferentes e as relações entre elas, concluindo que o texto funcionaria melhor se as três também fossem ligadas por laços familiares entre elas. Nos primeiros rascunhos do roteiro, a série seria um documentário filmado por um holandês chamado Geert Floortje, que foi estudante de intercâmbio, morando com os Pritchett, tendo se apaixonado por Claire, e com Mitchell tendo se apaixonado por ele; conforme novas histórias eram escritas, porém, Lloyd concluiria que essa abordagem não iria funcionar, e preferiria fazer "uma série familiar ao estilo documental", mantendo a parte de mockumentary restrita aos comentários dos personagens.

Lloyd e Levitan ofereceriam a série aos canais CBS, NBC e ABC, propositalmente não a oferecendo à Fox, devido a problemas que tiveram com o canal enquanto produziam outra série, Back to You. A NBC, que já exibia The Office e Parks and Recreation, não quis um terceiro mockumentary em sua grade, e a CBS achou que a série poderia ser cara para se produzir sem garantia de retorno, mas a ABC gostaria da premissa e encomendaria um piloto, exibido não só para os executivos do canal, mas para grupos de testes selecionados, que o aprovaram. Inicialmente, a ABC encomendaria apenas 13 episódios, mas, após o sucesso dos três primeiros, encomendaria uma temporada completa de 24. O sucesso da série seria tão grande que ela acabaria tendo nada menos que 11 temporadas; a partir da quinta, ela também seria negociada em syndication, para que os episódios já exibidos pela ABC pudessem passar em canais locais e a cabo, começando pela USA Network e pela FTS, de propriedade da Fox.

Falando nisso, curiosamente, para que a série pudesse se tornar realidade, a Lloyd-Levitan Productions teria que fazer uma parceria justamente com a 20th Century Fox, já que a ABC pertence à Disney, que não estava interessada na época em co-produzir uma sitcom. Lloyd e Levitan fariam um acordo muito bem detalhado com a Fox, para evitar novos dissabores, com ambos sendo showrunners e chefes da equipe de roteiristas, e tendo a palavra final sobre quaisquer mudanças que a Fox ou a ABC quisessem fazer na série, inclusive mudanças de dia e horário. A partir da segunda temporada, Lloyd e Levitan deixariam de ser co-showrunners e decidiriam cada um ser o único showrunner da metade dos episódios de cada temporada; segundo Levitan, ambos tinham opiniões fortes sobre como cada episódio deveria ser, então não fazia sentido eles se sentarem e debaterem toda vez que discordavam, sendo preferível que cada um pudesse ter controle total sobre metade dos episódios.

O'Neill, que era o ator mais conhecido do elenco, fez testes para o papel normalmente, e inicialmente foi rejeitado, com o diretor de elenco Jeff Greenberg achando que Craig T. Nelson havia se saído melhor; Nelson, porém, teve problemas para negociar seu salário e acabou desistindo, com Levitan e Lloyd pedindo para que O'Neill o substituísse. Ferguson inicialmente fez o teste para o papel de Cam, mas Greenberg acharia que ele combinava mais com Mitchell; em entrevistas, Stonestreet declararia "ter tido que se esforçar mais que os outros" para ficar com o então vago papel de Cam, já que era um ator pouco conhecido na época. E Bowen seria a primeira escolha de Greenberg para o papel, mas quase teve de desistir, pois estava grávida de gêmeos quando a chamaram para gravar o piloto; qualquer atraso e seria impossível disfarçar sua barriga.

Uma das razões para o sucesso de Modern Family seria sua inovação e inventividade em relação às outras séries da época no tocante a vários temas, como, por exemplo, a tecnologia. Segundo Levitan, ele e Lloyd costumavam conversar sobre como "o telefone celular matou as sitcoms", já que ninguém tem mais motivos para ficar indo à casa dos outros com frequência; em Modern Family, os personagens se reúnem frequentemente, mas também fazem uso diário de chamadas de vídeo pelo celular e pelo computador, de redes sociais e de sites de compras online, com Phil inclusive sendo um fanático por tecnologia que gostava de ter sempre os gadgets mais modernos. Isso faria com que Modern Family se tornasse a primeira série na qual a comunicação online é praticamente parte do enredo, refletindo na tela tendências que já estavam ocorrendo com as famílias da vida real.

Modern Family também seria a primeira série a mostrar no horário nobre um casal gay formando uma família e passando por todas as etapas da criação de um filho. A forma como Cam e Mitchell foram retratados - em uma série de comédia, mas sem serem caricatos - receberia elogios de várias organizações que lutam pelos direitos da comunidade LGBTQ+, e, segundo pesquisas, seria responsável por uma maior aceitação, nos Estados Unidos e Canadá, de casais gays que moram juntos, formam famílias ou adotam crianças. Cam e Michell também possuem vários amigos gays, muitos deles também casados ou com filhos adotivos, que foram ganhando cada vez mais destaque na série conforme os produtores viam que havia aceitação do público, o que contribuiu até mesmo para a introdução de personagens gays que não fossem caricatos em outras séries, que, vendo o sucesso de Modern Family, perderiam o medo de arriscar; um exemplo frequentemente citado é Glee, que estreou no mesmo ano que Modern Family, e na qual Kurt, na segunda temporada, é um personagem bem mais elaborado e menos caricato que na primeira.

Mas nem tudo eram flores: os primeiros episódios foram muito criticados por retratar Claire e Gloria como donas de casa, enquanto Phil e Jay eram homens de negócios bem-sucedidos, no que uma crítica escreveu que "não há nada de moderno em uma família na qual a mulher fica em casa enquanto o homem trabalha". Episódios nos quais Gloria tinha de esconder o quão inteligente é para não irritar Jay - como um no qual ela deixa ele ganhar dela no xadrez de propósito - ou nos quais Luke, mesmo sendo mais obtuso que Haley e menos inteligente que Alex, era retratado como tendo alguma vantagem sobre as irmãs, como "sendo bom com eletrônicos", também foram alvo de críticas em relação ao sexismo dos roteiros. Levitan diria que as imperfeições eram fruto "da forma como as sitcoms eram tradicionalmente feitas", e prometeria se esforçar para aparar essas arestas no futuro, com os episódios dando menos derrapadas conforme o tempo ia passando.

Além de um grande sucesso de público e crítica, Modern Family seria uma das séries mais premiadas da história da televisão norte-americana, sendo indicada a nada menos que 84 Emmys, dos quais ganharia 22: cinco de Melhor Série de Comédia (seguidos, de 2010 a 2014), quatro de Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Comédia (Burrell e Stonestreet, dois cada), quatro de Melhor Direção para uma Série de Comédia, três de Melhor Mixagem de Som para uma Série de Drama ou Comédia ou Animação de Meia Hora, dois de Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Comédia (ambos para Bowen), dois de Melhor Roteiro para uma Série de Comédia, um de Melhor Escolha de Elenco para uma Série de Comédia, e um de Melhor Edição para uma Série de Comédia - indicações também seriam recebidas nas categorias Melhor Direção de Arte para uma Série de Única Câmera, Melhor Ator Convidado em uma Série de Comédia, Melhor Atriz Convidada em uma Série de Comédia, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série de Comédia ou Programa de Variedades. No Globo de Ouro, seriam 12 indicações e uma premiação, de Melhor Série de Televisão de Comédia ou Musical.

Por decisão dos produtores, para mostrar que as famílias eram as estrelas, sem que um único ator fosse protagonista, todos os atores do elenco fixo eram inscritos nas categorias de Melhor Coadjuvante, sem que nenhuma inscrição fosse feita na de Melhor Ator ou Atriz principal. No Emmy, Burrell seria o ator que receberia mais indicações, nada menos que oito, com Bowen recebendo seis, Ferguson cinco, Vergara quatro, e O'Neill e Stonestreet três cada; no prêmio de Melhor Ator (ou Atriz) Convidado, Nathan Lane receberia três indicações, Fred Willard duas, e Elizabeth Banks e Greg Kinnear, uma cada. Já no Globo de Ouro, Vergara receberia quatro indicações, e Stonestreet três - aliás, Melhor Série de Televisão de Musical ou Comédia, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, e Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV seriam as únicas três categorias do Globo de Ouro nas quais Modern Family receberia indicações.

A primeira temporada teria 24 episódios, exibidos pela ABC entre 23 de setembro de 2009 e 19 de maio de 2010. Levitan e Lloyd escreveriam o piloto, mas os demais episódios ficariam a cargo de uma equipe de roteiristas coordenada por eles; a maioria dos episódios, incluindo o piloto e o último, seriam dirigidos por Jason Winer, mas Levitan e Lloyd decidiriam fazer com a direção o mesmo que com os roteiros, criando uma equipe de diretores, da qual seria escolhido um para cada episódio, e, nas temporadas seguintes, até mesmo contratando diretores freelancers. O penúltimo episódio da temporada, no qual toda a família vai comemorar o aniversário de Jay, seria filmado em um resort no Havaí.

Os personagens recorrentes introduzidos na primeira temporada incluem Dylan Marshall (Reid Ewing), o namorado de Haley, que é músico e tão cabeça oca quanto ela, o qual Phil adora, mas Claire detesta, achando que a filha pode conseguir algo melhor; o pai de Phil, Frank Dunphy (Fred Willard), que mora na Flórida e tem um motor home com o qual viaja pelo país; o pai de Manny, Javier Delgado (Benjamin Bratt), um bon vivant que vive de bicos e negócios não totalmente legalizados, a quem Manny idolatra, para desespero de Gloria; Sal (Elizabeth Banks), amiga da pá virada de Mitch e Cam, que está sempre os convidando para festas e roubadas; o melhor amigo de Jay, Shorty (Chazz Palminteri); e a mãe de Claire e Mitchell, DeDe (Shelley Long), que era manipuladora e rígida com a filha, mas carinhosa e compreensiva com o filho, o que faz com que eles tenham opiniões bem diferentes sobre ela. DeDe odeia Gloria e a trata muito mal, embora se dê bem com Manny, e uma piada recorrente na série era que, toda vez que DeDe vinha visitar Jay ou Claire, algo de ruim acontecia antes de ela chegar, como um bolo queimar no forno ou um pássaro bater na janela e morrer. O nome verdadeiro de DeDe nunca é revelado na série, mas sabe-se que ela tem duas irmãs cujos apelidos são BeBe e CeCe.

A segunda temporada teria mais 22 episódios, exibidos entre 22 de setembro de 2010 e 25 de maio de 2011; o enorme sucesso da primeira deixaria as expectativas altas, com alguns críticos tendo o temor de que ocorresse um sophomore slump - quando a segunda temporada de uma série de sucesso não consegue atender às expectativas e se torna um fracasso. O esquema da equipe de diretores seria mantido, com a maioria dos episódios sendo dirigido por Michael Spiller, já que Winer não pôde se comprometer com a série por estar dirigindo Arthur: O Milinoário Irresistível para os cinemas. É somente na segunda temporada que Mitchell e Cam dão seu primeiro beijo em cena; durante a primeira, seria criada uma campanha no Facebook chamada "deixem Mitch e Cam beijar", com críticas ao fato de que apenas os casais heterossexuais tinham demonstrações de afeto em cena. Levitan diria que eles não haviam se beijado na primeira temporada porque ele estava "testando as águas" com o público, e lamentou a campanha, pois já estava decidido que o beijo ocorreria na segunda temporada, e ficaria parecendo que ele só ocorreu devido aos protestos - seja como for, o episódio do beijo foi o quarto mais assistido de toda a série.

Seria também na segunda temporada que os amigos gays de Mitchell e Cam passariam a aparecer com frequência na série, o mais popular deles sendo Pepper Saltzman (Nathan Lane), que é extremamente afetado e dramático, e gosta de todo o luxo e pompa possíveis. Outros personagens recorrentes de destaque introduzidos na segunda temporada seriam a mãe de Cam, Barb Tucker (Celia Weston); um colega de escola de Luke apaixonado por Alex, Reuben Rand (Spenser McNeil); um vizinho idoso dos Dunphy com quem Luke faz amizade, Walt Kleezak (Philip Baker Hall); e um amigo de Mitchell e Cam que trabalha no shopping, chamado Longinus (Kevin Daniels). Com o sucesso da primeira temporada, vários atores famosos também seriam convidados ou se ofereceriam para participações especiais, dentre eles Danny Trejo como o zelador da escola onde estudam as crianças; Matt Dillon como um ex-namorado de Claire; Mary Lynn Rajskub como uma namorada que Mitchell teve antes de se revelar gay; James Marsden como um vizinho de Mitch e Cam; e Jonathan Banks como o irmão de Jay, Donnie Pritchett.

A terceira temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2011 e 23 de maio de 2012; o primeiro seria filmado em um rancho na cidade de Jackson, Wyoming, para o qual toda a família viaja em um feriado prolongado, e o antepenúltimo seria filmado na Disneylândia. Seria na terceira temporada que Lily deixaria de ser um bebê para passar a ser uma criança pequena, precisando que sua intérprete fosse trocada; a intenção dos roteiristas era fazer com que Mitchell e Cam adotassem um segundo filho, com um dos arcos de história da temporada lidando com o processo da adoção, mas, segundo pesquisas, isso não agradou ao público, então, no último episódio, Levitan faria uma alteração: Mitch e Cam abrem mão da adoção, mas Gloria revela estar grávida de Jay. Também seria na terceira temporada que Jay decidiria adotar uma cachorrinha, chamada Stella, da qual Gloria tem ciúmes porque Jay trata Stella melhor que ela. O principal personagem recorrente introduzido na terceira temporada seria o pai de Cam, Merle Tucker (Barry Corbin). Participações especiais incluiriam Kevin Hart como um amigo de Phil chamado Andre, que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes; Tim Blake Nelson como um caubói que dá em cima de Gloria durante a viagem ao Wyoming; David Cross como um vereador que se torna inimigo de Claire por causa de uma placa de pare que ela quer instalada na vizinhança, e contra quem ela decide concorrer nas eleições; Jennifer Tilly como a namorada de Shorty, Darlene; e Leslie Mann como uma mulher de quem Cam tenta pegar o telefone num bar para provar que consegue seduzir mulheres.

Após a terceira temporada, devido ao gigantesco sucesso da série, Burrell, Bowen, Ferguson, Stonestreet e Vergara, que ainda recebiam o mesmo que pela primeira, decidiriam renegociar seus contratos e pedir um aumento; diante da negativa da Fox, eles entrariam na justiça, junto com O'Neill, que recebia o maior salário da série, mas achava injusto seus colegas receberem menos que ele, e quis apoiá-los. O processo acabou levando a um atraso na pré-produção da quarta temporada, mas resultou em um acordo mais favorável aos atores, que receberiam não somente um aumento nos salários, mas também participação nos lucros de cada episódio - O'Neill teria seu salário diminuído para o mesmo patamar dos outros cinco, mas também passaria a receber participação. Exceto por Anderson-Emmons, os atores-mirins também receberiam um aumento de salário (mas sem participação), com a promessa de que ele aumentaria ainda mais a cada temporada, conforme eles ficassem mais velhos.

A quarta temporada começa com Haley na faculdade, tendo bastante dificuldade para se enturmar e acompanhar as matérias; no meio da temporada, nasce o filho de Jay e Gloria, que, após muita confusão, recebe o nome de Fulgencio Joseph Ramirez Pritchett - mas todo mundo o chama de Joe. Também seria nessa temporada que estrearia um personagem recorrente importante, Gil Thorpe (Rob Riggle), rival de Phil no ramo imobiliário, que não vê problema em recorrer a táticas excusas para tomar dele seus clientes. Outros personagens recorrentes introduzidos na quarta temporada seriam Pilar Ramírez (Elizabeth Peña) e Sonia (Stephanie Beatriz), mãe e irmã mais nova de Gloria; Sonia no começo é extremamente tímida e parece conformada em levar uma vida difícil na Colômbia, mas, após um certo evento, se torna invejosa e disposta a tudo para passar a viver a vida da irmã. As participações especiais incluiriam Matthew Brodderick como um colega com quem Phil cursou a faculdade; Larry Sullivan como um ex-namorado de Mitchell; Anders Holm como um amigo de Luke interessado em comprar um casa; Paget Brewster como uma namorada de Javier chamada Trish; e Billy Dee Williams como ele mesmo. A quarta temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 26 de setembro de 2012 e 22 de maio de 2013; um dos episódios seria filmado em Palm Springs, Flórida, com Jay levando toda a família para passar o reveillon lá.

A quinta temporada mais uma vez teria 24 episódios, exibidos entre 25 de setembro de 2013 e 21 de maio de 2014, e traria vários personagens novos, o mais importante deles Andy Bailey (Adam DeVine), rapaz tímido e sensível que Gloria contrata para ser babá de Joe, mais tarde se torna aprendiz de Phil como corretor, e que se apaixona por Haley, vivendo com ela um romance complicado. Outros personagens de destaque seriam Ronaldo (Christian Barillas), que começa como ajudante de Pepper em uma firma de cerimoniais, e mais tarde se torna seu marido; Pam Tucker (Dana Powell), irmã de Cam, que sempre consegue manipulá-lo para conseguir o que quer; o Diretor Brown (Andrey Daly), da escola de Luke e Manny; o professor de espanhol da escola, Señor Kaplan (Will Sasso), que desenvolve uma rivalidade com Cam por causa do grupo de teatro; Charlie Bingham (Justin Kirk), chefe de uma empresa onde Mitchell quer trabalhar; e o mordomo inglês Leslie Higgins (Stephen Merchant), que parece sempre ter um trabalho diferente em vários locais frequentados pelas famílias da série. Participações especiais incluíam Jane Krakowski como uma mãe rival de Gloria; Jesse Eisenberg como um vizinho ecologicamente correto de Mitchell e Cam; Rhys Darby como um amigo inconveniente que Mitchell e Cam conheceram durante uma viagem; e Patton Oswalt, Stephen Merchant e Fred Amisen como mágicos de uma sociedade secreta para a qual Phil quer entrar. Aproveitando a legalização do casamento gay na Califórnia, Levitan e Lloyd fariam com que Mitchell e Cam se casassem oficialmente, com o principal arco de história da temporada sendo o dos preparativos para o casamento; curiosamente, o primeiro episódio da temporada seria um dos mais assistidos de toda a série, mas o casamento, um especial em duas partes nos dois últimos, teria audiência regular. A quinta temporada teria dois "episódios especiais de viagem", um filmado na Austrália, outro em Las Vegas.

A quinta temporada seria bastante criticada, com alguns achando que a fórmula estava gasta e as histórias pouco inspiradas; em contrapartida, a sexta, que teve mais 24 episódios, exibidos entre 24 de setembro de 2014 e 20 de maio de 2015, seria extremamente elogiada, com os críticos considerando que a série havia "voltado à sua velha forma". Mesmo assim, a partir da sexta temporada a audiência começaria a cair progressivamente, só aumentando um pouco na última, com as indicações a prêmios também rareando e as críticas ficando cada vez mais divididas, o que significa que a sexta temporada foi uma espécie de canto do cisne. Um arco de história introduzido na sexta temporada, mas abandonado por pouca aceitação do público, seria que a casa vizinha à dos Dunphy seria comprada por uma família extremamente inconveniente, os LaFontaine, composta pelo pai, Ronnie (Steve Zahn), a mãe, Amber (Andrea Anders), e um casal de filhos, Ronnie Jr. (Finneas O'Connell) e Tammy (Brooke Sorenson), por quem Luke se interessa. Outros personagens novos de destaque seriam Earl Chambers (John Polito), ex-sócio de Jay que roubou suas ideias e abriu sua própria fábrica de armários, se tornando seu arqui-inimigo; a noiva de Andy, Beth (Laura Ashley Samuels), que mora no Utah; Sanjay Patel (Suraj Partha), menino que compete com Alex pelas maiores notas da escola; e Ben (Joe Mande), assistente de Claire quando ela decide voltar a trabalhar.

A sétima temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 23 de setembro de 2015 e 18 de maio de 2016. Até então, Joe era interpretado por Pierce Wallace, mas, com o menino ficando mais velho e seu papel ganhando mais destaque, os produtores decidiram fazer testes para um novo ator, com o escolhido sendo Jeremy Maguire. Curiosamente, uma crítica que essa temporada receberia seria a de que contou com muitas participações especiais, como se os famosos estivessem apenas desfilando, com pouco a acrescentar à história - um único episódio, por exemplo, contou com Keegan-Michael Kay e Christine Lakin como um casal rico amigo de Phil que nunca paga a conta quando saem para jantar com ele e Claire, Orson Bean como o pai de um coleguinha de escola de Joe, Rob Lowe como ele mesmo, e com a voz de Barbra Streisand respondendo quando ele toca seu interfone. Outras participações especiais incluíam June Squibb como uma idosa que rouba a receita do molho de pimenta da família de Gloria, Catherine O'Hara como uma autora de quem Gloria compra um curso, Simon Templeman como um autor que recebe dicas não requisitadas de Phil e Cam para seu novo livro, e Mekia Cox como uma moça que quer comprar uma casa, mas Phil tenta esconder o fato de Claire por pensar que ela acharia que ele está tendo um caso com ela. Ernie Hudson também faria uma participação como Miles, um amigo de Jay que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes.

Na oitava temporada, Pam está grávida de seu ex-namorado, um vigarista que Cam detesta, e vai morar com o irmão e com Mitchell, com seu filho, Calhoun, nascendo enquanto ela está lá. O desfile de celebridades continuaria, com o jogador de futebol americano Peyton Manning interpretando um professor de esportes que Gloria contrata para Joe, e os jogadores de basquete Charles Barkley e DeAndre Jordan como eles mesmos em um jogo beneficente do qual Phil participa; Kelsey Grammer interpretaria um ex-namorado de Cam, Victor Garber um chef que dá um curso no qual Claire e Haley se inscrevem, e Martin Short seria um gênio do marketing amigo de Phil. Novos personagens recorrentes de destaque são Rainer Shine (Nathan Fillion), homem do tempo da televisão ídolo de Phil e com quem Haley tem um caso, e a Dra. Donna Duncan (Jane Krakowsi), mãe de um coleguinha de Joe que se torna rival de Gloria; Polito estaria doente e acabaria falecendo antes de a temporada estrear, sendo substituído no papel de Chambers por Robert Constanzo. No episódio especial de viagem, os Dunphy passam um dia em Nova Iorque. A oitava temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2016 e 17 de maio de 2017.

Na nona temporada, várias celebridades participariam como elas mesmas, incluindo o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, o jogador de futebol americano Terry Bradhsaw, o jogador de beisebol George Brett e o comediante Billy Crystal. James Van Der Beek viveria Bo Johnson, ex-namorado de Pam e pai de Calhoun; Mira Sorvino interpretaria Nicole Rosemary Page, dona da empresa NERP, onde Haley consegue um emprego; Vanessa Williams seria uma membro do clube que Jay frequenta, onde Luke vai trabalhar; Fred Savage seria um massoterapeuta que atende Cam, causando ciúmes em Mitchell; e Mary Louise Wilson seria a irmã de Jay, Becky Pritchett. Novos personagens de destaque incluíam o professor de física Dr. Alvin Fennerman (Chris Geere), por quem Alex é apaixonada, mas que se apaixona por Haley; o bombeiro Bill (Jimmy Tatro), que se torna namorado de Alex mesmo sem ter nada a ver com ela; e a secretária de Jay, Margaret (Marsha Kramer) - também podem ser citados Shirley Chambers (Sarah Baker), filha de Earl, e um ex-namorado de Gloria, Jorge de la Selva (Gabriel Iglesias), que só apareceram em um episódio cada, mas deixaram sua marca.

A nona temporada seria mais curta, com 22 episódios, exibidos entre 27 de setembro de 2017 a 16 de maio de 2018, o que, somado à audiência decrescente e às críticas mornas, daria origem a boatos de que ou ela, ou a décima seria a última. A décima seria exibida entre 26 de setembro de 2018 e 8 de maio de 2019, com mais 22 episódios, e, enquanto ela estava no ar, Levitan e Lloyd confirmariam que a décima-primeira seria a última. Na décima temporada, os roteiristas tentariam mais uma vez dar um segundo filho a Michell e Cam, fazendo com que Pam voltasse para o Missouri e deixasse Calhoun (Marcello Juiian Reyes) com eles; a ideia não daria muito certo, e ela retornaria para buscar o menino. Outra história importante da décima temporada é que Haley reata com Dylan - que está trabalhando como enfermeiro - e engravida de gêmeos, que virão a se chamar George e Poppy. Novos personagens da temporada incluem a mãe de Dylan, Farrah (Rachel Bay Jones); Sherry Shaker (Hillary Anne Matthews), atriz de improviso que durante um tempo namora com Manny; e Jerry (Ed Begley, Jr.), o novo marido de DeDe.

A décima-primeira temporada seria a mais curta, com 18 episódios exibidos entre 25 de setembro de 2019 e 8 de abril de 2020. Além de apostar em novas situações envolvendo os gêmeos de Haley, os roteiristas se preocupariam em criar desfechos para todos os personagens, deixando, porém, um final aberto o suficiente para que a série pudesse ser revisitada no futuro caso houvesse interesse. Antes do último episódio, iria ao ar um programa especial chamado A Modern Farewell, no qual o elenco relembrava os melhores momentos da série; o último episódio seria um especial com uma hora de duração, dividido em dois para as reprises. Alguns episódios da décima-primeira temporada também contavam com cenas de episódios das primeiras temporadas, mostradas quando os personagens se lembravam de momentos marcantes de suas vidas. O episódio especial de viagem seria filmado em Paris, França. A última temporada não teve nenhum personagem novo de destaque (além dos gêmeos), e contou com participações especiais de Tara Strong como a voz de uma geladeira de última geração comprada por Mitchell e Cam, e de David Beckham, Courteney Cox e Snoop Dogg como eles mesmos.

Após o fim da série, houve várias conversas para a realização de um spin-off estrelado por Mitchell e Cam, então os personagens mais populares. O projeto seria sucessivamente adiado, principalmente por causa da pandemia, até que, em 2022, Levitan declarou que ele produziria a série sozinho, e Ferguson diria que o roteiro do piloto já estava escrito e "era muito bom". Nenhum movimento foi feito para concretizar a série, entretanto, até que, em setembro de 2024, Stonestreet diria que era improvável que o spin-off fosse produzido, já que o tempo ideal para fazê-lo havia passado, e que isso era uma pena, pois o material realmente era muito bom. Durante algum tempo após o final de Modern Family, alguns fãs fizeram campanha por um spin-off que acompanhasse Luke e Manny na faculdade, mas não se sabe se houve alguma conversa oficial sobre sua produção.
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sábado, 2 de maio de 2026

Escrito por em 2.5.26 com 0 comentários

Stranger Things

Como eu disse aqui recentemente, eu não gosto de fazer posts sobre séries que ainda estão no ar ou que eu ainda não terminei de ver. Como Stranger Things só terminou recentemente, e só mais recentemente ainda eu consegui terminar de ver, somente hoje vai ser dia de Stranger Things no átomo!

Exibida pela Netflix, Stranger Things é considerada um dos maiores fenômenos da televisão moderna, sendo um dos programas mais assistidos do  extenso catálogo do serviço. A série seria uma criação dos irmãos Matt e Ross Duffer, conhecidos como The Duffer Brothers, que eram praticamente estreantes quando a criaram: em 2015, eles estreariam no cinema escrevendo e dirigindo o filme Hidden, no qual uma doença desconhecida devasta os Estados Unidos, que deveria ter tido ampla distribuição pela Warner Bros; mudanças na cúpula do estúdio, porém, fariam com que ele estreasse em apenas poucas salas e rendesse apenas 310 mil dólares, o que faria com que os irmãos ficassem temerosos quanto a seu futuro, por terem tido uma estreia tão ruim.

Para sua surpresa, entretanto, o produtor Donald de Line assistiria o filme e ficaria impressionado com seu roteiro; acreditando que os Duffer tentaram imitar o estilo do diretor M. Night Shyamalan, ele os convidaria para escrever um episódio da série Wayward Pines, cujo piloto também seria dirigido por Shyamalan. Os Duffer acabariam escrevendo quatro episódios da primeira temporada, todos bem recebidos pela crítica, e se sentiriam confiantes para colocar em prática um antigo projeto de criar uma série de TV ambientada nos anos 1980, que misturasse terror e ficção científica, e fosse protagonizada por crianças, no que eles chamariam de "uma carta de amor à Era de Ouro de Steven Spielberg e Stephen King" e "um casamento entre o drama humano e o horror sobrenatural".

Os Duffer escreveriam o roteiro do piloto e um documento de vinte páginas que explicava todos os detalhes da série, os quais mostrariam para nada menos que 15 canais de televisão diferentes. Todos eles, sem exceção, achariam que ninguém iria querer assistir uma série para adultos protagonizada por crianças; alguns sugeririam que eles transformassem a série em uma para crianças, outros que ele removesse as crianças e fizesse do Xerife Hopper o protagonista, e teve quem não gostou dos elementos de ficção científica e sugeriu que a série fosse sobre fenômenos paranormais. Os Duffer seriam salvos mais uma vez por um produtor que leu o roteiro e gostou, no caso Dan Cohen, que convenceu seu colega Shawn Levy, da 21 Laps Entertainment, a comprar os direitos da série, mas mantendo os Duffer como chefes da equipe de roteiristas. Levy ofereceria a série à Netflix, que pagaria em adiantado por toda a primeira temporada uma quantia jamais divulgada, mas considerada suntuosa, colocaria os Duffer como showrunners, e anunciaria sua estreia para julho de 2016.

A ideia para a história da série viria após os Duffer assistirem ao filme Os Suspeitos, de 2013, dirigido por Denis Villeneuve, que lida com os dilemas morais pelos quais um pai passa após sua filha ser raptada; eles imaginariam se conseguiriam expandir essa história o suficiente para transformá-la em uma série de TV, mas adicionando elementos como um monstro devorador de crianças. Eles não queriam que esse monstro fosse "algo espiritual", e decidiriam que ele deveria ser uma criação da ciência; enquanto pesquisavam, se depararam com histórias sobre projetos da época da Guerra Fria, como o MKUltra, que visava descobrir drogas que influenciassem o comportamento humano. Isso faria com que os irmãos decidissem ambientar a série em 1983 - segundo eles, um ano antes do lançamento de Amanhecer Violento, que focava na paranoia da Guerra Fria - e fazer com que o monstro fosse resultado de um experimento malsucedido do governo.

Originalmente, a série se chamaria Montauk, e seria ambientada na cidade de Montauk, Nova Iorque, cidade envolvida em várias teorias da conspiração sobre experimentos secretos do governo, conhecidos coletivamente como Projeto Montauk. Eles mudariam de ideia ao concluir que alguns eventos que desejavam que ocorressem na cidade, como uma quarentena decretada pelo exército, seriam mais fáceis de justificar e de filmar se fosse usada uma cidade fictícia, criando a cidade de Hawkins, Indiana - com muitos acreditando que o nome seja uma homenagem ao físico Stephen Hawking, o que foi desmentido pelos Duffer em várias ocasiões. Com a mudança do nome da cidade, porém, seria preciso mudar o nome da série, com os Duffer fazendo uma lista de cerca de vinte nomes e escolhendo Stranger Things ("coisas estranhas"), que seria uma referência a um livro de King, Needful Things (lançado no Brasil como Trocas Macabras; a tradução literal seria "coisas indispensáveis").

Desde o início, os Duffer acreditavam que o número ideal de episódios para a série seria oito, o que permitiria que eles a fizessem como "um grande filme de oito horas"; com mais do que isso, eles não conseguiriam contar a história de forma cinematográfica, e, com menos, precisariam focar mais nos elementos de horror, partindo para o desfecho assim que o monstro fosse revelado, tendo menos tempo para a caracterização do cenário e dos personagens. Eles também fariam a primeira temporada com uma história completa, mas um final aberto o suficiente para poder fazer uma segunda caso a Netflix concordasse; acabou que a Netflix ficou tão satisfeita com os roteiros e o que viu das filmagens que pediu um final ainda mais aberto que o originalmente escrito, quase uma garantia para o público de que haveria uma segunda temporada.

Invertendo o que ocorria em Os Suspeitos, os Duffer escreveriam uma mãe que teve um filho sequestrado; a personagem da mãe, chamada Joyce, seria parcialmente inspirada no de Roy Neary, do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, já que parecia ser a única adulta preocupada com o que estava acontecendo, e vista como maluca por todos os demais. A diretora de elenco da série, Carmen Cuba, sugeriria Winona Ryder para o papel, o que os Duffer acharam absolutamente genial, devido a seu protagonismo durante os anos 1980. Ryder aceitaria com apenas uma condição, a de que, se algum dia a sequência de Os Fantasmas se Divertem, que ela e Tim Burton tentavam tirar do papel desde 2000, recebesse a luz verde, ela teria de ser liberada para o filme, não participando de nenhuma gravação da série no mesmo período, o que os Duffer acharam razoável e aceitaram.

Outro ator escolhido sem a necessidade de testes seria David Harbour, que interpretaria o Xerife Hopper. Até então, Harbour só havia interpretado personagens de menor destaque, muitos deles vilões, mas os Duffer gostavam de seus maneirismos, e achavam que já estava na hora de ele conseguir um papel maior. Já as crianças e adolescentes seriam todos escolhidos através de testes, nos quais, ao invés de falas da série, atuariam em cenas de Conta Comigo, de 1986, com os Duffer argumentando que isso mostraria se eles conseguiriam passar veracidade interpretando personagens de uma época na qual ainda nem sonhavam em nascer. Os diretores diriam ter testado mais de mil crianças e adolescentes, com os que chamariam mais atenção sendo Finn Wolfhard, que era fanático por filmes dos anos 1980 e entrou no personagem facilmente, e Gaten Matarazzo, que fez um teste tão natural que foi selecionado após apenas uma sessão - quando o normal são duas ou três.

Os testes ocorreriam antes de os roteiros estarem finalizados, o que permitiria aos Duffer mudar características de alguns personagens para que eles se encaixassem melhor com os atores escolhidos. Segundo os irmãos, o personagem mais difícil de escrever foi o do cientista Martin Brenner, que tinha um papel crucial na história, mas aparecia pouco; o ator selecionado para interpretá-lo seria Matthew Modine, que daria várias sugestões essenciais para que o personagem parecesse mais realístico e não passasse a impressão de que estava ali apenas para fazer a história andar. Outra personagem que seria alterada após a seleção de elenco seria Karen Wheeler; os Duffer queriam uma atriz mais velha, mas ficariam surpresos com os testes da lindíssima Cara Buono, que, na época, tinha 45 anos, oito a menos que Joe Chrest, que interpretaria seu marido, o que levaria a pequenas mudanças na história para levar esse fato em consideração.

Mesmo transferindo a ambientação de Nova Iorque para Indiana, os Duffer queriam que as filmagens ocorressem em Long Island; como elas começariam no inverno, porém, isso se mostraria impossível, e a Netflix sugeriria a área de Atlanta, Geórgia, pois lá os impostos para filmar são mais baixos, com os irmãos concordando após inspecionar a região e concluir que as paisagens realmente se pareciam com as do meio-oeste. A maior parte da cidade de Hawkins seria cenográfica, mas algumas cenas externas seriam filmadas na cidade de Jackson; a escola na qual as crianças estudam também seria real - com alguns de seus ambientes sendo reproduzidos em estúdio - e localizada em Stockbridge. O prédio onde ocorrem os experimentos do governo é na verdade o Instituto de Saúde Mental da Geórgia, um hospital psiquiátrico abandonado em Atlanta, com os laboratórios sendo construídos nos Screen Gem Studios, na mesma cidade. A maior parte do que foi usado em cena seria original dos anos 1980, com a contra-regra Lynda Reiss recebendo da Netflix 220 mil dólares para percorrer brechós, feirinhas e sites de leilão como o eBay em busca de móveis, brinquedos e outros objetos de cenário em bom estado; somente as roupas dos personagens e algumas peças mais difíceis de encontrar, mas mais fáceis de reproduzir, como livros e embalagens de alimentos, seriam réplicas.

Apesar de ser uma produção de terror, os Duffer não queriam cenas violentas ou cheias de sangue e tripas, tendo como principal inspiração os filmes que levariam à criação da classificação PG-13, como Gremlins; segundo eles, o terror, nesses filmes, vinha muito mais da ambientação, "de uma atmosfera de suspense e pavor" do que daquilo que as pessoas viam na tela. Eles também queriam manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, usando um animatronic para representar o monstro principal da série, o Demogorgon, na primeira temporada; isso se mostraria menos prático que o pensado, e eles acabariam se rendendo a efeitos digitais para que o prazo da pós-produção não estourasse - ainda assim, a pós-produção se concluiria uma semana antes da estreia da série na Netflix. Após a primeira temporada, por insistência da Netflix, tanto os efeitos de computação gráfica quanto as cenas de terror mais impactantes iriam aumentando progressivamente.

A abertura da série seria bastante simples, e mostaria apenas o título se afastando enquanto eram mostrados os nomes dos atores; ela seria criada pela Imaginary Forces, que seria recomendada aos Duffer por Levy; a empresa receberia o roteiro do piloto e instruções para fazê-la "ao estilo das aberturas das séries dos anos 1980", usando como inspiração as aberturas dos filmes Viagens Alucinantes, de 1980, e A Hora da Zona Morta, de 1983. A música seria totalmente composta em um sintetizador, instrumento também em alta nos anos 1980, e a fonte para o título da série seria escolhida por sua semelhança com as usadas em livros de King, especialmente Chamas da Vingança (em uma nota para quem joga RPG, por acaso é a mesma fonte do título da revista Dragão Brasil).

O fio condutor da primeira temporada seria o desaparecimento de Will Byers (Noah Schnapp), de 12 anos de idade, na pequena cidade de Hawkins, Indiana, em 6 de novembro de 1983. O caso seria tratado como apenas mais um assassinato pela imprensa local e pela população em geral, com inclusive boatos de que um corpo teria sido encontrado se espalhando rapidamente, mas a mãe do menino, Joyce (Winona Ryder), certa de que ele está vivo, pede ajuda ao Xerife Jim Hopper (David Harbour) - que, após perder uma filha e ser deixado pela esposa, anos atrás, se tornou desleixado no trabalho e se entregou à bebida, apenas aceitando ajudar Joyce em nome de um passado em comum entre os dois.

A verdade sobre o desaparecimento de Will, entretanto, é mais sinistro do que Joyce e Hopper podem imaginar: sem que a população saiba, em Hawkins há um prédio do governo no qual são conduzidos experimentos secretos chefiados pelo Dr. Martin Brenner (Matthew Modine), que resultaram na criação de Onze (Millie Bobby Brown; Eleven no original em inglês, já que "Onze" não é um nome, e sim o número da experiência, mais tarde sendo revelado que seu nome verdadeiro é Jane), uma menina de também cerca de 12 anos de idade com poderes psicocinéticos. Durante um experimento malsucedido para testar a extensão dos poderes de Onze, foi aberto um rasgo no tecido da realidade que levava ao Mundo Invertido (The Upside-Down, "o ponta-cabeça", no original), uma versão sombria de Hawkins, habitada por monstros - sendo que foi um desses monstros que escapou e sequestrou primeiro Will, depois a adolescente Barb Holland (Shannon Purser), levando ambos para o Mundo Invertido.

Cansada de ser submetida a experimentos, Onze foge do laboratório e é encontrada na floresta próxima por três amigos de Will, que originalmente estavam procurando por ele: Mike Wheeler (Finn Wolfhard), que é uma espécie de líder do grupo, atuando como Mestre nas partidas de Dungeons & Dragons jogadas por eles; Dustin Henderson (Gaten Matarazzo), que mora somente com a mãe, Claudia (Catherine Curtin), e é extremamente inteligente, fascinado por ciência e eletrônica; e Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), o único um pouco mais atlético e o mais maduro do grupo. Mike esconde Onze no porão de sua casa, onde mora com seu pai, Ted (Joe Chrest), sua mãe, Karen (Cara Buono), sua irmã mais nova, Holly (as gêmeas Tinsley e Anniston Price), e sua irmã mais velha, Nancy (Natalia Dyer), que é a melhor amiga de Barb e vive uma espécie de triângulo amoroso com o irmão de Will, Jonathan (Charlie Heaton), rapaz tímido, que gosta de rock, fotografia e sofre bullying dos colegas, e Steve Harrington (Joe Keery), o tradicional jogador de futebol americano popular dentre os colegas e, principalmente, dentre as garotas, mas que, ao contrário do estereótipo, é sensível, leal e educado, embora, confirmando o estereótipo, não seja muito brilhante.

Através de Onze, Mike, Dustin e Lucas ficam sabendo do Mundo Invertido, e chegam a confrontar a criatura que raptou Will, a qual eles apelidam de Demogorgon, mesmo nome de um monstro que estavam enfrentando em sua campanha de D&D. Infelizmente, nenhum adulto acreditaria em sua história - exceto Joyce, disposta a fazer o possível e o impossível para ter seu filho de volta. Outros personagens que merecem ser citados são o professor de ciências, Scott Clarke (Randy Havens), ídolo de Dustin; os policiais Powell (Rob Morgan) e Callahan (John Paul Reynolds) e a recepcionista da delegacia, Flo (Susan Shalhoub Larkin); a mãe biológica de Onze, Terry Ives (Aimee Mullins), e sua irmã, Becky (Amy Seimetz); e o pai de Will e Jonathan, Lonnie Byers (Ross Partridge), que abandonou a família para viver com uma mulher bem mais jovem.

Os oito episódios da primeira temporada, com cerca de uma hora de duração cada, seriam todos disponibilizados no mesmo dia, ao estilo Netflix, em 15 de julho de 2016; todos seriam dirigidos pelos Duffer, exceto o terceiro e o quarto, dirigidos por Levy. A série seria considerada um dos maiores sucessos de público dos anos 2010; embora a Netflix jamais divulgue os números de audiência de suas produções originais, o Symphony Technology Group, especializado em medir audiência de serviços de streaming, estimaria que, apenas nos 35 primeiros dias da série no ar, ela teria cerca de 14 milhões de espectadores, ficando atrás apenas de Fuller House e da quarta temporada de Orange is the New Black, os programas mais assistidos do streaming até então. A crítica também seria amplamente positiva, elogiando principalmente a caracterização da década de 1980 e "o equilíbrio entre estilo e substância", a mistura de horror com humor e drama familiar; para muitos críticos, o maior mérito da série era ser capaz de cativar mesmo que não fosse especialmente fã das produções dos anos 1980 ou dos livros de King.

A primeira temporada seria indicada a dois Globos de Ouro (Melhor Série de TV de Drama e Melhor Atriz em uma Série de TV de Drama, para Ryder), dois Grammys (ambos na categoria Melhor Trilha Sonora Incidental para uma Mídia Visual) e nada menos que 19 Emmys, ganhando cinco - Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora (pelo piloto), Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Design de Título e Melhor Música de Abertura Original; os outros seriam Melhor Série de Drama, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Drama (Harbour), Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Drama (Brown), Melhor Atriz Convidada em uma Série de Drama (Purser), Melhor Direção para uma Série de Drama, Melhor Roteiro para uma Série de Drama, Melhor Design de Produção para um Programa de Época de Uma Hora, Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora (pelo sétimo episódio), Melhor Cabeleireiro para uma Série de Única Câmera, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Série de Única Câmera, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Supervisão Musical, e Melhor Conquista Criativa em uma Mídia Interativa dentro de um Programa Roteirizado (para o aplicativo Strager Things VR Experience, criado pela CBS Digital).

Inicialmente, os Duffer pensariam em fazer de Stranger Things ou uma minissérie, sem mais temporadas, ou uma série de antologia, com cada temporada trazendo novos personagens e uma história diferente relacionada ao Mundo Invertido; quando a Netflix sugerisse uma segunda temporada que fosse continuação da primeira, eles pensariam em ambientá-la nos anos 1990, com alguns dos personagens, já mais velhos, retornando a Hawkins para solucionar algo relacionado ao Mundo Invertido - em uma clara alusão a It, de Stephen King. Eles só concordariam em fazer uma continuação direta da primeira temporada após ver que o público havia adorado os personagens - até mesmo Barb, que deveria ser uma personagem minúscula, mas viraria o centro de uma campanha online ("Justiça para Barb"). Ainda tendo King como inspiração, eles decidiriam que essa temporada teria também um antagonista humano, declarando que, nas obras de King, "os vilões humanos conseguem ser mais maliciosos que o horror sobrenatural".

A Netflix estava tão certa do sucesso da série que a renovação seria assinada em junho de 2016, um mês antes da estreia da primeira temporada, mas, para evitar que a renovação tivesse qualquer impacto na audiência, ela seria revelada apenas em 31 de agosto, com o CEO da Netflix, Reed Hastings, declarando que ele seria um imbecil se não tivesse renovado a série. Os Duffer não tinham nenhuma ideia para a história da segunda temporada, e pediriam para que os demais roteiristas da primeira - Jessica Mecklenburg, Justin Doble, Alison Tatlock e Jessie Nickson-Lopez - contribuíssem; eles teriam tantas boas ideias que algumas teriam de ser descartadas, sendo revisadas e aproveitadas mais tarde, na última temporada. Os Duffer também queriam que a segunda temporada fosse vista como uma sequência, não uma continuação, e decidiram mudar o título para Stranger Things 2; a princípio a Netflix torceu o nariz, alegando que "sequências têm má reputação", mas acabaram sendo convencidos pelos irmãos. O número no título acabaria sendo usado também nas temporadas seguintes, se tornando uma das marcas características da série.

A segunda temporada traria dois novos personagens de destaque, os meio-irmãos Billy Hargrove (Dacre Montgomery) e Max Mayfield (Sadie Sink); ele é um jovem problemático - o que, no futuro (da série), seria chamado de bad boy - que se torna rival de Steve, quer ser amante de Karen e, no geral, faz da vida da irmã um inferno, enquanto ela é uma tomboy que anda de skate e aparentemente não tem medo de nada, se integrando instantaneamente ao grupo de Mike e sendo pivô de uma disputa amorosa entre Dustin e Lucas. A história começa no Halloween de 1984, quando uma estranha praga começa a atacar as plantações de abóbora de Hawkins, com Will sentindo que ela está ligada ao Mundo Invertido; o responsável pela praga é um novo monstro que consegue controlar a mente de Will, o qual os meninos apelidam de Devorador de Mentes - outro monstro de D&D - e que também usa Demogrogons e versões caninas deles, apelidadas Demodogs, para atacar a cidade. Os meninos, Max, Joyce e Hopper, então, têm de encontrar uma forma de impedir que o Devorador de Mentes passe do Mundo Invertido para o mundo real - sem a ajuda de Onze, que decidiu viajar pelo mundo para aprender mais sobre seu passado e seus poderes.

Outros personagens novos de destaque na segunda temporada são Bob Newby (Sean Astin), namorado de Joyce, que trabalha na Radio Shack, se torna mentor de Will, e é arrastado para a luta contra as criaturas do Mundo Invertido; Sam Owens (Paul Reiser), substituto de Brenner no laboratório, que tem uma abordagem totalmente diferente de seu antecessor, estando inclusive interessado no bem-estar dos residentes de Hawkins e em estudar os efeitos do Mundo Invertido na fisiologia de Will; Kali (Linnea Bertheisen), antecessora de Onze no programa (onde tinha o codimome Oito), que tem poderes telepáticos e ajuda a nova amiga a aprender sobre seu passado e a controlar seus poderes; a irmã mais nova de Lucas, Erica (Priah Ferguson), que também é extremamente inteligente, mas que ele considera inconveniente e não quer que ela faça parte do grupo; e Murray Bauman (Brett Gelman), jornalista freelancer, detetive particular e teórico da conspiração contratado para investigar o sumiço de Barb, e que acaba se envolvendo com toda a história do Mundo Invertido.

Um dos novos cenários da segunda temporada seria a piscina pública de Hawkins, onde Billy trabalha como salva-vidas; as filmagens ocorreriam na South Bend Pool, uma piscina pública em Atlanta, redecorada para ficar como era na década de 1980. O Vazio, "local" para onde Onze vai quando usa suas habilidades telepáticas, também seria filmado em uma piscina, mas construída dentro de um estúdio; essa piscina teria seu fundo e todas as suas paredes pintados de preto e cobertos com um material sintético chamado duvetyne, para passar a impressão de que era um ambiente totalmente desprovido de qualquer elemento, com cerca de 2 cm de água no fundo sobre a qual Onze caminharia, representando uma espécie de líquido amniótico. Para não ser necessário a equipe entrar na piscina junto com Brown, seriam usadas câmeras e microfones presos a guindastes.

A segunda temporada teria nove episódios, todos disponibilizados em 27 de outubro de 2017, quatro dirigidos pelos Duffer, dois por Levy, dois por Andrew Stanton e um por Rebecca Thomas; os roteiros ficariam a cargo dos Duffer e de Doble, Nickson-Lopez, Paul Richter e Kate Trefry. Seria um sucesso ainda maior que a primeira, entrando para o Livro Guiness dos Recordes como série digital mais acessada do mundo em 2017. A crítica elogiaria principalmente o desenvolvimento dos personagens, com todos terminando a segunda temporada bem diferentes de como começaram a primeira. A segunda temporada mais uma vez seria indicada a dois Globos de Ouro (Melhor Série de TV de Drama e Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, para Harbour), mas dessa vez ficaria com "apenas" 12 indicações ao Emmy, ganhando apenas o de Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora - os demais seriam os de Melhor Série de Drama, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Drama (Harbour), Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Drama (Brown), Melhor Direção para uma Série de Drama, Melhor Roteiro para uma Série de Drama, Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Supervisão Musical, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhores Efeitos Visuais.

Junto com a segunda temporada, a Netflix produziria o programa Beyond Stranger Things, apresentado por Jim Rash, que contava com membros do elenco e da equipe, incluindo os Duffer, e discutia questões de bastidores, criação dos roteiros e a mitologia da série; seriam produzidos sete episódios, todos também lançados em 27 de outubro de 2017, mas, diferentemente de outros programas do mesmo estilo, como Talking Bad (da série Breaking Bad), a intenção era que os espectadores somente os assistissem após terem assistido a temporada completa, e não um após cada episódio.

Em novembro de 2016, Levy diria que ele e os Duffer já estavam pensando em uma terceira temporada, alegando que "não queriam ser pegos de surpresa e ter de decidir tudo em cima da hora"; os Duffer, por sua vez, diriam já estar trabalhando na história para um total de quatro ou cinco temporadas, e que ela definitivamente teria um final, sem a série se prolongar indefinidamente. Em abril de 2017, os Duffer confirmariam a terceira temporada, e diriam que a quarta seria a última; Levy, entretanto, diria que a Netflix havia concordado com quatro temporadas com a possibilidade de uma quinta, então ainda não estava nada acertado, com Matt Duffer declarando que "quatro parece pouco, cinco parece muito, então não sabemos o que fazer".

A terceira temporada seria oficialmente anunciada pela Netflix em dezembro de 2017, com roteiros escritos pelos Duffer, Dichter, Trefry, William Bridges e Curtis Gwinn, e um total de oito episódios, quatro dirigidos pelos Duffer, dois por Levy e dois por Uta Briesewitz. Preocupada que as crianças estava se tornando adultas, a Netflix pediria que a terceira e a quarta temporada fossem filmadas back to back, com a produção de uma se iniciando imediatamente após a da outra se encerrar, mas os Duffer não concordaram, acreditando que isso prejudicaria o desenvolvimento de ambas. Os Duffer também diriam que a terceira temporada seria mais adulta que as duas anteriores, e que o foco, dessa vez, não estaria em Will, que ainda se envolveria com os eventos, mas sem ser parte crucial deles.

O principal cenário da terceira temporada seria o Starcourt Mall, um shopping recém-inaugurado em Hawkins; as filmagens ocorreriam no Gwinnett Place Mall, na cidade de Duluth, Geórgia, um shopping construído em 1984, jamais reformado e praticamente abandonado, com pouquíssimas lojas ainda em funcionamento, que a equipe de produção redecorou e encheu de objetos de cenário e figurantes para parecer que ele havia acabado de inaugurar e estar em pleno funcionamento. A equipe de produção teria de recriar as fachadas das lojas como elas eram em 1985, fazendo uma pesquisa detalhada para saber quais marcas provavelmente teriam lojas em um shopping no interior de Indiana naquele ano, e quais produtos seriam oferecidos na praça de alimentação; apenas duas lojas não estariam de acordo com essa pesquisa, a fictícia sorveteria Scoops Ahoy!, inventada pelos Duffer, e a rede de estúdios de fotografia Glamour Shots, que não estava presente em shoopings em 1985, mas foi incluída porque havia uma cena importante envolvendo um estúdio de fotografia, e os Duffer prefeririam usar um que realmente existiu ao invés de criar um fictício, em nome do realismo da ambientação. Todas as cenas do shopping seriam filmadas durante o dia, com as cenas noturnas usando uma tela que bloqueava a entrada do sol pelas janelas e pelo teto de vidro.

A terceira temporada também introduziria uma personagem nova de grande importância, Robin Buckley (Maya Hawke), garota descolada que posa de extrovertida mas carrega um segredo, que logo se tornaria a melhor amiga de Steve e parte importante do grupo em suas aventuras. Ambientada no verão de 1985, a temporada traz os soviéticos querendo abrir uma passagem para o Mundo Invertido, imaginando que, se os americanos estão bulindo lá, isso pode representar uma vantagem na Guerra Fria; Steve e Robin acidentalmente descobrem que há soviéticos infiltrados em Hawkins, e que seu plano pode fazer com que o portal que eles lutaram tanto para fechar seja reaberto. Paralelamente a isso, o Devorador de Mentes controla a mente de Billy, fazendo com que ele reúna "soldados" que permitirão reabrir o portal do Mundo Invertido, dessa vez dentro do Starcourt Mall, para que o monstro passe e domine a cidade.

Outros novos personagens da terceira temporada são Larry Kline (Cary Elwes), Prefeito de Hawkins, segundo os Duffer, "um legítimo político dos anos 1980, mais preocupado com sua própria imagem que com os moradores da cidade que governa"; Bruce Lowe (Jake Busey), jornalista do Hawkins Post, onde Nancy vai trabalhar no verão, que não leva ela a sério por ser mulher, e vive fazendo comentários sexistas; o editor-chefe do Hawkins Post, Tom Holloway (Michael Park), e sua filha Heather (Francesca Reale), salva-vidas na piscina pública; Alexei (Alec Utgoff), cientista soviético responsável pelo projeto de acessar o Mundo Invertido; Grigori (Andrey Ivchenko), agente soviético infiltrado em Hawkins; e Doris Driscoll (Peggy Miley), idosa que tem sua mente dominada pelo Devorador de Mentes.

Os oito episódios da terceira temporada estreariam em 4 de julho de 2019; a Netflix divulgaria que, depois de quatro dias, mais de 40 milhões de contas haviam assistido pelo menos 70% de um episódio, e 18 milhões haviam assistido a temporada inteira, um recorde para qualquer série de seu catálogo. A crítica ficaria mais dividida, com alguns elogiando os relacionamentos interpressoais e a maior maturidade da história, outros achando o roteiro fraco e o humor forçado. Uma reclamação frequente entre críticos e público seria quanto à forma como os soviéticos eram retratados e como os americanos eram retratados em relação aos soviéticos, com pelo menos um crítico acusando a série de fazer "propaganda ao estilo da Era Reagan"; os Duffer se justificariam dizendo que era assim que eles eram retratados em produções dos anos 1980. A terceira temporada seria indicada a um Grammy, de Melhor Trilha Sonora para uma Mídia Visual, e a oito Emmys: Melhor Série de Drama, Melhor Extensão Interativa para um Programa Linear (para o jogo Scoops Ahoy: Operation Scoop Snoop), Melhor Supervisão Musical, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Coordenação de Dublês para uma Série, Série Limitada ou Filme para a TV de Drama, e Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, ganhando somente esse último.

Em setembro de 2019, a Netflix anunciaria que havia assinado contrato com os Duffer para a produção de novas séries e filmes "ao longo de múltiplos anos", "por um valor de nove dígitos", anunciando a quarta temporada de Stranger Things na mesma ocasião. Os Duffer aproveitariam a quarta temporada não só para concluir histórias propositalmente deixadas abertas na terceira, mas também para trabalhar a mitologia da série; o documento que eles haviam preparado ao criar o projeto, lá em 2015, explicava tudo em detalhes, inclusive como Onze havia ganhado seus poderes e o que era o Mundo Invertido, mas eles ainda não haviam tido a oportunidade de mostrar isso nas telas. Escritos pelos Duffer, Dichter, Trefry, Gwinn e Caitlin Schneiderhan, os roteiros da quarta temporada, combinados, somariam mais de 800 páginas, o que levaria os irmãos a negociar com a Netflix que a temporada tivesse nove episódios, alguns deles com bem mais de uma hora - em termos de minutos totais, a quarta temporada tem quase o dobro da segunda, que era até então a mais longa - e que eles fossem lançados em dois blocos, um com os sete primeiros, o outro com os dois últimos; durante a produção, os Duffer também decidiriam que a quinta temporada seria a última, com a quarta e a quinta compartilhando um único arco de história.

O principal vilão da quarta e quinta temporadas seria uma entidade humanoide que os meninos decidem chamar de Vecna, um mago morto-vivo considerado um dos maiores vilões de D&D; embora o nome tenha sido considerado uma sacada genial, ele também acabou sendo um anacronismo, já que Vecna só estreou no material do RPG em 1990, com sua existência sendo apenas sugerida antes disso. Para justificar o "batismo", os Duffer criariam um novo personagem, Eddie Munson, Mestre de um grupo de RPG chamado Clube do Inferno, que seria um jogador tão fanático que conseguiria deduzir os poderes de Vecna e o tamanho de sua ameaça com base no material lançado até então, influenciando Mike, Will, Dustin e Lucas quanto à escolha do nome. Eddie seria inspirado em Damien Echols, que, em 1994, seria acusado de matar três meninos de oito anos em um ritual satânico; nunca houve nenhuma prova de que Echols estava envolvido nos assassinatos, mas os moradores da cidade de West Memphis, Arkansas, onde ele morava e onde o crime ocorreu, tinham certeza de que foi ele, e usavam como justificativa sua aparência, as roupas que ele vestia e seus hobbies, dentre eles escrever poesias macabras. Echols cumpriria toda a pena e, após ser libertado, em 2011, se tornaria autor de livros autobiográficos e espirituais e tema de vários documentários, sempre mantendo que é inocente e foi condenado injustamente.

A quarta temporada seria a primeira com filmagens fora dos Estados Unidos, com cenas ambientadas na União Soviética sendo filmadas na prisão de Lukiskes e na base aérea de Kyviskes, ambos na Lituânia; as cenas na Califórnia seriam filmadas em Albuquerque, Novo México. Em março de 2020, todas as produções da Netflix seriam interrompidas por causa da pandemia, retornando em setembro; Montgomery não conseguiria sair da Austrália para filmar suas cenas ainda incompletas, e teve que filmá-las em separado, sendo dirigido por Levy através do aplicativo Zoom, enquanto Sink filmava a mesma cena com um dublê para que ambas fossem combinadas na pós-produção para parecer que Montgomery e Sink estavam contracenando um com o outro. As cenas no hospital psiquiátrico seriam filmadas na universidade Berry College, na cidade de Rome, Geórgia, e contariam com a atriz Martie Blair interpretando uma versão mais jovem de Onze, que teria seu rosto alterado para o de Brown digitalmente na pós-produção.

Barrie Gower, maquiador que havia trabalhado em Game of Thrones e Chernobyl, ficaria responsável pela aparência de Vecna, uma combinação de maquiagem, próteses e roupa de borracha, com o ator que o interpretava levando sete horas para completar a transformação; os Duffer queriam que Vecna fosse "90% real", acreditando que tê-lo no set contracenando com os atores garantiria maior realismo nas interpretações, por isso ele seria apenas retocado digitalmente na pós-produção, ao invés de ser um personagem digital como o Devorador de Mentes. A quarta temporada foi a que teve a maior quantidade de efeitos visuais em toda a série - somente o útimo episódio da quarta teve mais efeitos visuais que toda a terceira temporada - com a Rodeo FX, que já havia trabalhado em algumas cenas da terceira temporada, ficando responsável pelos mais complexos. Ainda assim, muitos dos efeitos visuais estavam inacabados quando o primeiro bloco foi lançado, com os Duffer seguindo com a pós-produção e obtendo autorização da Netflix para um update quando tudo ficou pronto - algo que a Netflix jamais havia autorizado, e que significa que quem assistiu os episódios na estreia do primeiro bloco viu efeitos visuais mais pobres em relação a quem viu depois da estreia do segundo.

A quarta temporada é ambientada em março de 1986, e acompanha três histórias diferentes. A primeira ocorre em Hawkins, na qual adolescentes estão sendo assassinados misteriosamente; quando a popular cheerleader Chrissy Cunnigham (Grace Van Dien) morre na companhia do pária social Eddie Munson (Joseph Quinn), ele passa a ser o principal suspeito, com Dustin, Lucas, Erica, Max, Nancy, Steve e Robin decidindo investigar o caso para limpar o nome de Eddie e concluindo que os assassinatos são obra de uma entidade do Mundo Invertido que eles decidem chamar de Vecna (Jamie Campbell Bower). Na segunda, Mike decide ir até a Califórnia visitar Onze, que está morando com Jonathan e Will; Onze perdeu seus poderes após os eventos da temporada anterior, e, diante da ameaça de Vecna, é levada por Owens para um laboratório onde tentará recuperá-los, com os meninos pegando uma carona com Argyle (Eduardo Franco), amigo de Jonathan, para "salvá-la". Na terceira, Hopper está preso na Rússia, e Joyce e Murray conseguem um avião de carga para salvá-lo. No fim, todas as histórias convergem e todos os personagens se encontram em Hawkins, onde Vecna lança um ataque final.

Outros personagens de destaque da quarta temporada são Jason Carver (Mason Dye), capitão do time de basquete, namorado de Chrissy e principal acusador de Eddie; Dmitri Antonov (Tom Wlaschiha), guarda da prisão que ajuda Hopper a escapar; Yuri Ismailov (Nikola Duricko), o dono do avião usado por Joyce e Murray; Wayne Munson (Joel Stoffer), tio de Eddie; o Coronel Jack Suillivan (Sherman Augustus), que acredita que Onze é a responsável pelos assassinatos e monta uma força-tarefa para capturá-la; Vickie Dunne (Amybeth McNulty), enfermeira no hospital de Hawkins e membro da banda do colégio; e Victor Creel (Robert Englund), homem ligado ao passado de Vecna.

A quarta temporada teria cinco episódios dirigidos pelos Duffer, dois por Levy e dois por Nimród Antal; devido aos atrasos causados principalmente pela pandemia, os sete primeiros estreariam em 27 de maio de 2022, e os dois últimos em 1 de julho de 2022, quase três anos após a temporada anterior. Junto com cada bloco, também seria lançado no YouTube um episódio (para um total de dois) de um programa ao estilo do Beyond Stranger Things, chamado Stranger Things 4: Unlocked. A quarta temporada seria o programa mais assistido em streaming no ano, e transformaria Stranger Things no primeiro programa de língua inglesa a ultrapassar um bilhão de horas assistidas - e o segundo na história, após o sul-coreano Round 6. A temporada seria aclamada pela crítica, que elogiaria as performances dos atores, a maturidade dos roteiros, as cenas de ação e os efeitos visuais, embora alguns tenham reclamado da duração excessiva dos episódios.

Como o Emmy premia as produções lançadas entre 1 de junho de um ano e 31 de maio do ano seguinte, o primeiro bloco da quarta temporada concorreria na cerimônia de 2022 e o segundo na de 2023; o primeiro bloco seria indicado a 13 Emmys, ganhando cinco (Melhor Supervisão Musical, Melhor Maquiagem Prostética, Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série, Série Limitada ou Filme para a TV de Drama; os demais seriam Melhor Série de Drama, Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Cabeleireiro para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Design de Produção para um Programa de Época de Uma Hora, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhores Efeitos Visuais em uma Temporada ou Filme, e Melhor Performance de Dublês), enquanto o segundo bloco seria indicado a cinco (Melhor Supervisão Musical, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhor Performance de Dublês), mas não ganharia nenhum. O segundo bloco também seria indicado a um Grammy, de Melhor Trilha Sonora para uma Mídia Visual.

Durante a pausa forçada causada pela pandemia, os Duffer aproveitariam para delinear a quinta e última temporada, que teria roteiros escritos por eles, Schneiderhan, Dichter, Gwinn e Trefry. Todos ficariam prontos antes de a quarta temporada estrear, mas, após a estreia, os Duffer veriam a reação do público aos eventos da quarta temporada para alterar vários eventos da quinta, inclusive mudando o final da série; esse trabalho teria de ser interrompido em maio de 2023, devido à greve dos roteiristas, sendo retomado em setembro. Os Duffer dirigiriam cinco dos episódios, um deles co-dirigido por Levy, que dirigiria sozinho mais um. Um dos episódios restantes originalmente seria dirigido por Dan Trachtenberg, que acabaria não podendo fazê-lo após se comprometer com Predador: Terras Selvagens; fã da série, Frank Darabont decidiria sair de sua aposentadoria para substituí-lo, e acabaria dirigindo os outros dois.

Holly Wheeler tem um papel importante na quinta temporada, e por isso os Duffer decidiriam trocar as gêmeas que a interpretaravam pela atriz Nell Fisher, que seria bastante elogiada - muitos achariam que a atriz seria trocada por uma questão de idade, mas, na verdade, Fisher é um ano mais velha que as gêmeas. Harbour filmaria a quinta temporada concomitantemente a Thunderbolts*, o que faria com que Hopper tivesse a longa barba usada pelo Guardião Vermelho. E a cláusula contratual de Ryder, que previa sua liberação para filmar uma sequência de Os Fantasmas se Divertem, acabaria não tendo de ser exercida, já que Os Fantasmas Ainda se Divertem, lançado em 2024, seria filmado durante a pré-produção da quinta temporada de Stranger Things. Vale citar também a participação da atriz Hope Hynes Love como a professora de Holly na escola, Srta. Harris, um papel escrito especialmente para ela pelos Duffer - já que ela foi sua professora de teatro quando eles estavam no Ensino Médio.

A quinta temporada também contaria com a atriz Linda Hamilton como a Dra. Kay, chefe de uma operação militar que planeja reproduzir os poderes de Onze, e tenta capturar a menina para fazer novos experimentos nela; estrela de O Exterminador do Futuro, Hamilton procuraria os Duffer e se ofereceria para um papel - mesma estratégia adotada por Robert Englund, o Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, que havia feito isso para a quarta temporada - com os Duffer decidindo dar a ela uma vilã. Outros personagens de destaque da quarta temporada são Derek Tuyrnbow (Jake Connelly), insuportável colega de escola de Holly que acaba tendo um papel importante na luta contra Vecna, e o Tenente Robert Akers (Alex Breaux), comandante da força-tarefa que tem a missão de capturar Onze.

A quinta temporada começa em novembro de 1987, poucos dias antes do aniversário de quatro anos do sequestro de Will. Após o ataque de Vecna no final da temporada anterior, os militares colocaram a cidade em quarentena, ninguém entra, ninguém sai, e tomaram o controle de todos os pontos de acesso ao Mundo Invertido, estabelecendo uma base para pesquisar os poderes de Onze para tentar usá-los como arma. Durante o intervalo de tempo entre uma temporada e outra, nossos intrépidos heróis ficaram procurando por Vecna para tentar destruí-lo, mas jamais o encontraram; agora, o vilão coloca em movimento um novo plano, sequestrando várias crianças, dentre elas Holly, para usá-las como condutor para seu poder e conseguir mesclar o Mundo Invertido com o mundo real, se tornando o governante de tudo.

Assim como a quarta temporada, a quinta, que teria um total de oito episódios, seria disponibilizada em blocos: o primeiro, de quatro episódios, em 26 de novembro de 2025, o segundo, de mais três, em 25 de dezembro, e o último episódio em 31 de dezembro de 2025 - também como na quarta temporada, cada episódio teria mais de uma hora, com o último tendo mais de duas; esse último episódio seria exibido em 620 salas de cinema selecionadas nos Estados Unidos e Canadá. Dois programas especiais também seriam produzidos para ir ao ar junto com ela: Stranger Things 5: Inside the Episodes, com 8 episódios disponibilizados no YouTube entre 27 de novembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, e o documentário One Last Adventure: The Making of Stranger Things 5, que estrearia na Netflix em 12 de janeiro de 2026. A Netflix ainda não divulgou os dados da audiência da quinta temporada, mas a crítica a considerou um encerramento digno, que solidificou a série na cultura pop - apesar de algumas reclamações do público, que não concordou com os desfechos das histórias de alguns dos personagens. As indicações ao Emmy também ainda não foram divulgadas.

Atualmente, os Duffer trabalham em novos programas relacionados à mitologia da série, o primeiro deles uma série de animação ambientada entre a segunda e a terceira temporadas da série original, chamada Stranger Things: Histórias de 85, que estreou na Netflix em 23 de abril desse ano; a animação conta com todos os personagens da série (mas dublados por atores profissionais) e, segundo os Duffer, sua intenção era fazer "um desenho das manhãs de sábado dos anos 1980 ambientado no universo de Stranger Things". Uma outra série com atores, mas sem o envolvimento dos originais - e, segundo Wolfhard, que sequer cita a cidade de Hawkins - também está em pré-produção, mas, até o momento, não foram divulgadas mais informações.
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sábado, 25 de abril de 2026

Escrito por em 25.4.26 com 0 comentários

Nucleum

Eu gosto muito de escrever sobre jogos de tabuleiro, mas às vezes eu fico achando que quem vai ler vai ficar entediado, porque eu falo basicamente sobre as regras, e deve ser muito chato ficar lendo as regras de um jogo que a pessoa não tem - ou até que já tem e conhece. A verdade é que, quando eu decidi escrever sobre Tekhenu, lá em 2021, após resolver que iria voltar a comprar jogos de tabuleiro com frequência, eu o fiz porque não tinha entendido muito bem algumas regras, e achei que transcrevê-las para um post poderia me ajudar a compreendê-las melhor - o que, felizmente, de fato, acabou acontecendo. Depois disso, eu resolvi que cada post meu sobre jogos de tabuleiro traria as regras - mesmo que eu as tivesse entendido bem - mas também algumas informações sobre o criador ou a história do jogo, para não ficar muito maçante. Com isso, eu acabei aprendendo o nome de vários criadores, e acho legal quando compro um novo jogo de alguém que fez outro que eu já tenho, como foi o caso de Kingdomino e Cleopatra and the Society of Architects, ambos de autoria de Bruno Cathala.

O jogo sobre o qual eu vou falar hoje, inclusive, eu decidi comprar especificamente porque foi criado em conjunto por dois co-criadores de outros jogos que eu já tinha e sobre os quais eu já falei aqui no átomo: o húngaro Dávid Turczi (co-criador, com Daniele Tascini, de Tekhenu) e o italiano Simone Luciani (co-criador, com Tommaso Battista, de Barrage). Com arte de Andreas Resch, Piotr Sokolowski e Zbigniew Umgelter, esse jogo foi lançado em 2023 na Europa pela mesma editora de Tekhenu, a Board&Dice, e aqui no Brasil, no mesmo ano, pela Mosaico. Hoje é dia de Nucleum no átomo.


Apesar de ter uma mecânica completamente diferente, Nucleum tem um tema e uma ambientação parecidos com os de Barrage: no século XIX de uma linha do tempo alternativa, Elsa von Frühlingfeld conseguiu criar um aparelho que chamou de Nucleum, capaz de usar urânio e água para gerar energia praticamente infinita, e o ofereceu ao Rei da Saxônia, Frederico Augusto II. Com isso, a Saxônia se tornou o centro da engenharia e ciência europeias e uma das maiores potências globais, ao lado de sua vizinha, a Boêmia, que fornecia o urânio necessário para os geradores. A nova era industrial inagurada pela invenção de Elza, porém, demandava que novas ferrovias e linhas de energia fossem construídas para levar a eletricidade gerada pelo Nucleum até as principais cidades europeias. Os jogadores são engenheiros que chegam à corte saxônica levando seus projetos, buscando provar que conseguem levar mais energia a menos custo, ganhando o favor do monarca e riquezas inimagináveis.

Os componentes de Nucleum são 1 tabuleiro principal, 1 tabuleiro extra, 1 marcador de bandeira de PV, 1 marcador de primeiro jogador, 30 peças de ação, 20 peças de ação base, 2 peças de ação especial, 50 peças de contrato (sendo 4 iniciais, 13 prata, 16 ouro e 15 roxas), 10 peças de construção urbana neutra, 5 peças de entulho urbano, 3 peças de entulho de mineração, 3 peças de entulho de turbina, 65 marcadores de Táler (50 de valor 1, 15 de valor 5), 46 marcadores de façanha (30 de valor 1, 16 de valor 5), 9 peças de progresso, 4 marcadores de Nucleum, 4 peças de usina de energia, 5 marcadores de condição de final de partida, 13 peças de vagão importador de carvão, 1 peça de usina de carvão, 24 cubos de urânio e 13 cartas de preparação. Urânio, Táler, marcadores de façanha e de progresso são considerados infinitos, e podem ser acrescidos de substitutos adequados caso necessário.

Os jogadores podem escolher entre as cores amarela, azul claro, azul escuro e vermelho (já que o urânio e os marcadores de Nucleum são verdes), e cada um deles recebe 1 tabuleiro de jogador, 1 marcador 100/200 de PV, 1 carta de auxílio ao jogador, 6 marcadores de progresso, 18 meeples de trabalhador, 4 marcadores de turbina, 3 marcadores de renda, 1 marcador de PV, 12 peças de construção urbana (4 residências, 4 fábricas e 4 laboratórios) e 4 peças de mina (sendo 2 de tamanho 2 e 2 de tamanho 3). Por fim, existem 4 experimentos que os jogadores poderão escolher (identificados como A, B, C e D), cada um tendo como componentes 1 tabuleiro de experimentos, 1 carta de auxílio ao jogador de experimentos, 1 peça de efeito da turbina, 5 peças de ação inicial e 6 peças de tecnologia. Nucleum também possui um modo solo, cujos componentes são 15 cartas de lógica e 1 dado de seis lados, e, apesar do nome, pode ser usado para jogar sozinho (simulando uma partida de dois jogadores) ou com dois jogadores (simulando uma partida de três), com o oponente controlado pelas cartas se chamando Barão von Automat.

Durante a preparação, o tabuleiro principal, que tem dois lados, um para 1 ou 2 jogadores, outro para 3 ou 4, é colocado no centro da mesa, com o tabuleiro extra a seu lado. As peças de vagão importador de carvão são colocadas nos espaços correspondentes, com o lado que diz "-1 Táler" virado para cima; dependendo da quantidade de jogadores, algumas não serão usadas e voltarão para a caixa. Os marcadores de Táler, façanha e cubos de urânio são colocados em uma reserva geral ao lado do tabuleiro. O marcador de bandeira de PV é colocado sobre o número 70, na trilha de pontos de vitória. Uma determinada quantidade de peças de ação é separada de acordo com a quantidade de jogadores, com as demais retornando para a caixa; essas peças são embaralhadas junto com as peças de ação base, e o monte resultante é dividido em 3 pilhas mais ou menos do mesmo tamanho, uma delas devendo ser colocada no espaço designado do tabuleiro extra e as outras duas ao lado do tabuleiro extra. Do topo da pilha que ficou no tabuleiro serão compradas e reveladas 5 peças, colocadas nos espaços indicados no Mercado. Todas as peças de progresso são embaralhadas, e 4 delas são colocadas, viradas para cima, nos espaços correspondentes no tabuleiro extra; as demais voltam para a caixa. 3 marcadores de Nucleum também são colocados no tabuleiro extra, um em cada espaço ao lado das peças de progresso. Os 5 marcadores de condição de final de partida também são colocados no tabuleiro extra.

Para a preparação dos contratos, as peças de contrato devem ser separadas por tipo. Cada jogador recebe, aleatoriamente, um contrato inicial, com os que não forem usados voltando para a caixa. De acordo com o número de jogadores, uma determinada quantidade de contratos prata será embaralhada para formar uma pilha, que deverá ser colocada em um espaço determinado do tabuleiro extra, com as demais voltando para a caixa; o mesmo acontecerá com os contratos ouro. As 2 peças do topo de cada pilha serão compradas, reveladas e colocadas nos espaços do Mercado de Contratos, assim como três peças de contratos roxos, escolhidas aleatoriamente, com as demais voltando para a caixa.

Ocorre, então, a preparação do mapa (tabuleiro principal), que mostra as cidades de Leipzig, Grimma, Freiberg, Riesa, Boutzen, Görlitz, Zittou, Dresden, Chemnitz, Marienberg, Zwickou, Plauen, Joachimsthal, Pressnitz, Brüx, Glashutte, Aussig, Praha e Karlsbad. A usina de carvão é colocada em Riesa, e as usinas de energia em Grimma, Plauen, Zittou e Glashutte. As 13 cartas de preparação são embaralhadas, e a do topo da pilha é revelada; essa carta dirá qual cidade receberá uma peça de construção neutra, qual usina receberá um marcador de Nucleum, e, caso menos de 4 jogadores estejam jogando, quais cidades receberão as peças de entulho de turbina, mineração e urbano. As três cartas seguintes do baralho são reveladas para determinar quais outras cidades recebem peças de construção neutra; as cartas de preparação e peças de construção neutra e entulho não utilizadas voltam para a caixa.

Cada jogador coloca à sua frente seu tabuleiro de jogador, e recebe 4 Táler da reserva geral. Seus 3 marcadores de renda devem ser colocados um no início de cada trilha de renda, no topo do tabuleiro de jogador; suas 12 peças de construção urbana cada uma no espaço com seu número; seus 4 marcadores de turbina nos espaços correspondentes, e, a seu lado, suas 4 peças de mina, alternando, de cima para baixo, entre as de 3 e 2 espaços. Dois trabalhadores são colocados em uma reserva pessoal, junto ao Táler recebido; os demais ficam em um suprimento por enquanto. 3 dos marcadores de progresso são colocados nos espaços correspondentes no tabuleiro extra, e os demais vão para uma reserva ao lado do tabuleiro extra. O marcador de PV é colocado no espaço 0 da trilha de pontos de vitória, no tabuleiro principal. O contrato inicial recebido anteriormente é colocado no espaço mais abaixo da trilha de contratos, no tabuleiro de jogador, sem receber o benefício indicado.

Finalmente, temos a preparação dos experimentos: o primeiro jogador a jogar será aquele que viu mais recentemente uma usina nuclear, ou pode ser escolhido usando qualquer método. Começando pelo último a jogar, e seguindo em sentido anti-horário, cada jogador escolhe um dos quatro experimentos, recebendo seus componentes. Cada jogador coloca seu tabuleiro de experimentos no lado esquerdo de seu tabuleiro de jogador, com suas peças de tecnologia nos locais indicados, com apenas a primeira reentrância encaixada. Suas peças de ação inicial são colocadas em uma reserva próxima ao tabuleiro, viradas para cima, e sua peça de efeito de turbina deve ser colocada no local indicado em seu tabuleiro de jogador. O jogador que escolher o Experimento B também receberá as 2 peças de ação especial, que deverão ser colocadas viradas para baixo abaixo do tabuleiro de experimentos; caso ninguém escolha o Experimento B, elas voltam para a caixa.

Como já foi dito, o tabuleiro principal mostra várias cidades da Saxônia; cada uma delas possui uma cor (verde, branca, laranja ou roxa), exceto Praha, que é a capital e considerada curinga. Cada cidade também pode conter locais urbanos, locais de mineração e usinas de energia, com alguns podendo estar bloqueados de acordo com o número de jogadores; nos locais urbanos, os jogadores poderão colocar peças de construção urbana, e, nos locais de mineração, construir minas. Cada usina tem um espaço próprio para um Nucleum e até cinco espaços para turbinas, que também serão construídas lá pelos jogadores ao longo da partida. Os jogadores também poderão construir ferrovias que conectarão as cidades, permitindo o transporte de carvão e urânio e a transmissão de energia. Uma linha férrea está completa quando conecta duas cidades sem ter nenhum espaço vazio; uma linha férrea completa pertence a todos os jogadores que possuam pelo menos uma peça de ferrovia nela. Linhas férreas completas criam redes, com o tamanho de cada rede sendo o número de cidades conectadas - cada cidade que não está conectada a nenhuma outra, portanto, é uma rede de tamanho 1. É importante também frisar que existem duas ferrovias de longa distância, uma ligando a Alemanha (fora do mapa) a Plauen e Leipzig, a outra ligando a Polônia (também fora do mapa) a Riesa e Görlitz; essas ferrovias não podem pertencer a nenhum jogador, não podem formar redes, e não podem ser usadas para nenhum propósito a não ser transportar carvão.

Começando pelo primeiro jogador e seguindo no sentido horário, cada jogador escolhe uma de três opções disponíveis, a realiza, e passa a vez para o seguinte. Não é permitido passar a vez sem realizar uma das três opções, mas pode acontecer de o jogador não poder realizar uma ou duas das opções disponíveis por qualquer motivo. Ao longo da partida, os jogadores ganharão Táler, marcadores de façanha, urânio (da reserva comum) e trabalhadores (do suprimento). A qualquer momento durante sua vez de jogar, um jogador pode gastar 1 urânio (devolvendo-o à reserva geral) para ganhar 1 trabalhador, ou gastar 1 trabalhador (devolvendo-o ao suprimento) para ganhar 1 Táler. Sempre que um jogador ganhar urânio, ele deve colocá-lo em uma de suas minas; se não houver espaço, ele ganha 1 trabalhador ao invés. Da mesma forma, sempre que um jogador for ganhar 1 trabalhador, se não houver nenhum no suprimento, ele ganha 1 Táler ao invés.

A primeira das três opções disponíveis é jogar uma peça de ação: o jogador pega uma peça de ação de sua reserva, a coloca no espaço livre mais à esquerda em seu tabuleiro de jogador e resolve uma ou ambas as ações mostradas nela. As ações das peças de ação se dividem em principais e subsidiadas; as ações principais são cinco diferentes, e as subsidiadas permitem que o jogador ganhe Táler, trabalhadores e marcadores de façanha, ou avance nas trilhas de renda. A peça de ação que conta com uma única opção de ação é uma curinga, e permite que um jogador resolva qualquer uma das cinco ações principais com desconto de 1 Táler. Um jogador não pode escolher essa opção se não tiver mais peças de ação em sua reserva, ou se não tiver mais espaços de ação disponíveis em seu tabuleiro de jogador.

Um jogador que escolha jogar uma peça de ação poderá cumprir um contrato, antes ou depois de resolver qualquer das ações da peça; esse contrato pode ser um dos que estão no tabuleiro do jogador ou um dos contratos roxos do tabuleiro principal - sendo que contratos roxos não são repostos quando cumpridos. Para cumprir um contrato, o jogador deve atender a todos os requisitos listados nele, recebendo todos os benefícios listados. Seja o contrato do jogador ou roxo, após cumprido ele é colocado com o verso para cima na reserva pessoal do jogador, o que signifca que, quando um contrato do tabuleiro de jogador é cumprido, ele abre espaço para um novo contrato.

A primeira das cinco ações principais é Urbanizar, que permite que o jogador coloque peças de construção urbana no mapa. O jogador deve escolher uma das peças de contrução urbana em seu tabuleiro de jogador, pagar o custo em Táler indicado e colocá-la em um espaço vazio dentro de uma de suas redes - exceto se o jogador ainda não tiver nenhuma rede, quando poderá colocá-la em qualquer espaço vazio. Espaços comuns (pretos) devem ter o mesmo ícone do tipo de construção da peça; espaços especiais (vermelhos) não possuem essa regra, mas custam 2 Táler a mais - é importante notar que, durante a preparação, construções neutras, sempre que possível, são colocadas em espaços vermelhos, diminuindo sua disponibilidade para a partida. Algumas peças de ação dão descontos no pagamento em Táler, e algumas peças de construção são construções do governo, podendo ser colocadas em espaços com seu ícone ou com o ícone do governo, e valendo pontos extras. Quando uma cidade recebe uma construção urbana, ela passa a ser parte da rede do jogador que a colocou lá.

A segunda ação é Industrializar, que permite que o jogador coloque uma mina ou turbina em uma das cidades de sua rede. Tanto as turbinas quanto as minas possuem um custo em trabalhadores, que devem ser devolvidos da reserva pessoal para o suprimento. Turbinas são colocadas junto às usinas, mesmo que elas ainda não tenham um Nucleum, e cada turbina colocada libera uma habilidade que ficará em vigor até o fim do jogo. Já as minas são colocadas em locais de mineração, e, assim que um jogador coloca uma mina, ele ganha uma quantidade de urânio igual à quantidade de minas que tem em jogo, incluindo a que acabou de colocar; esse urânio pode ser colocado em qualquer mina do jogador, não só naquela que ele acabou de colocar no tabuleiro, respeitando o limite (2 ou 3) de cada uma. Cada turbina é emparelhada com uma mina no tabuleiro de jogador, e, ao colocar no tabuleiro ambas da mesma linha, o jogador ganha a recompensa mostrada nessa linha. Mais uma vez, espaços vermelhos custam 2 Táler a mais para ganhar uma turbina ou mina, e um jogador que não tenha nenhuma rede pode colocar uma turbina ou mina em qualquer cidade, que passará a fazer parte de sua rede depois disso.

A terceira ação é Desenvolver, que permite que o jogador ganhe peças de ação adicionais: o jogador escolhe uma das peças de ação do mercado, paga seu custo em Táler e a coloca em sua reserva; então, se quiser, ele pode pagar 2 Táler para escolher uma segunda peça de ação do mercado, pagar seu custo em Táler e a colocar em sua reserva. Após pegar as peças de ação, o jogador desliza as que ficaram no mercado para a direita até que os espaços vazios sejam aqueles mais à esquerda, e completa esses espaços vazios com peças do topo do monte de compras. Quando o monte de compras acaba, ele é substituído por uma das duas pilhas que estão na reserva ao lado do tabuleiro.

A quarta ação é Contratar, que permite que o jogador pegue um contrato prata ou ouro dentre os revelados no tabuleiro e o coloque em um espaço vazio em seu tabuleiro de jogador, recebendo a recompensa mostrada no espaço onde estava o contrato escolhido. Se o jogador não tiver um espaço de contrato vazio em seu tabuleiro de jogador, não poderá realizar essa ação. Após comprar o contrato, o jogador pega a peça do topo da pilha da cor correspondente para repô-lo; se essa pilha estiver vazia, ele deve ser reposto com um da pilha da outra cor. Contratos roxos não podem ser comprados usando essa ação.

A quinta e mais complexa ação é Energizar, o que é feito em cinco passos: primeiro, o jogador escolhe uma usina; segundo, decide se vai usar carvão ou urânio; terceiro, determina a quantidade de energia produzida; quarto, seleciona uma construção urbana de requisito igual ou inferior à quantidade de energia produzida; e finalmente vira a peça de construção para o lado energizado. Para determinar a quantidade de energia produzida, some 1 para cada carvão transportado, 2 para cada urânio transportado, mais quaisquer bônus na peça de ação usada, conferido por suas turbinas construídas e fornecida por suas tecnologias ativadas - aliás, caso esses bônus sejam suficientes para energizar a construção, nem é preciso transportar carvão ou urânio. Para energizar uma construção, ela deve pertencer ao jogador ou ser neutra, não precisa estar em uma de suas redes, mas é necessário haver uma linha férrea completa entre ela e a usina (não sendo necessário que o jogador seja dono da linha férra completa, apenas que ela exista); após energizar a construção, o jogador ganha marcadores de façanha em uma quantidade igual ao seu requisito de energia, mais os benefícios impressos na peça.

Para transportar carvão, deve haver uma linha férrea contínua entre os trilhos que saem do tabuleiro (em direção à Alemanha ou à Polônia) para as áreas de produção de carvão e a usina (mais uma vez, não é necessário que o jogador seja dono da linha férra completa, apenas que ela exista), mas não há limite para a quantidade de carvão transportada. Para cada carvão transportado, o jogador deve pagar o custo impresso em um dos vagões na área de onde o carvão está vindo; no início da partida, esse custo é de 1 Táler, mas, para cada carvão transportado, uma das peças deve ser virada para que o lado "-2 Táler" fique para cima, e, se ele já estiver para cima, a peça é removida, com o custo passando a ser de 3 Táler - o carvão é inesgotável, mas o custo aumenta até chegar e 3 Táler cada vez que ele é importado. Já para transportar urânio, é necessário que a usina tenha um Nucleum, e, mais uma vez, que haja uma linha férrea completa entre as minas de onde o urânio está saindo e a usina (de novo não sendo necessário que o jogador seja dono da linha férra completa, apenas que ela exista). A quantidade máxima de urânio transportada é sempre igual a 1, mas 1 para cada turbina na usina; podem ser usadas turbinas de qualquer jogador, mas o jogador deve pagar 1 Táler para o dono da turbina cada vez que usar uma que não é sua. O urânio transportado é considerado gasto e devolvido à reserva geral.

Cumprir contratos e energizar laboratórios são as duas formas mais comuns de obter tecnologias. Ao obter uma tecnologia, o jogador deve escolher uma de suas peças de tecnologia de nível igual ou inferior ao da recompensa obtida que esteja desativada (com apenas a primeira reentrância encaixada no tabuleiro de experimentos) e ativá-la (encaixando-a totalmente no tabuleiro); se não puder fazer isso, o jogador ganha uma quantidade de PV igual ao nível da recompensa. Existem três tipos de tecnologias: imediatas (resolva imediatamente o efeito e vire a peça com o verso para cima; caso o efeito não possa ser resolvido, ele se perde), contínuas (até o fim da partida, toda vez que a condição mostrada no lado esquerdo da peça for cumprida, o jogador ganha a recompensa mostrada do lado direito) e de objetivo final (se, ao fim da partida, a condição mostrada tiver sido cumprida, o jogador ganha os PVs mostrados).

A segunda das três opções disponíveis é colocar uma peça de ferrovia. Para isso, o jogador pega uma de suas peças de ação (que não pode ser a curinga) e a coloca em um espaço de ferrovia vazio do mapa, adjacente a um espaço que já tenha uma peça de ferrovia ou a uma cidade. Em seguida, o jogador coloca um de seus trabalhadores sobre essa peça, para marcar o trecho da linha férrea como dele; um jogador que não tenha um trabalhador disponível não pode escolher essa opção. Cada peça de ação possui uma cor em cada uma de suas bordas, e algumas possuem uma borda multicolorida, que atua como curinga. Caso uma dessas bordas encoste em uma cidade da mesma cor, o jogador poderá, se quiser, realizar uma ou ambas as ações da peça que colocou; caso ela encoste em outra peça com borda da mesma cor, o jogador poderá realizar as ações de ambas as peças - ou seja, quando coloca uma peça de ferrovia, um jogador poderá ter a escolha entre realizar ou não de 0 e 4 ações. Caso as peças que já estavam no tabuleiro pertençam a outros jogadores, eles também poderão realizar as ações correspondentes. Se a linha férrea ficar completa após a colocação dessa peça, todos os jogadores que tenham trabalhadores nela recebem os bônus de inauguração, mostrados no tabuleiro. Quando uma linha férrea fica completa, suas peças são viradas com a face para baixo, para que o lado com o trilho fique para cima. Quaisquer peças de ação colocadas no mapa como peças de ferrovia permanecem onde estão até o final da partida, independentemente de qual lado esteja virado para cima.

A terceira opção disponível é recarregar. Ao recarregar, o jogador executa três ações, sempre na mesma ordem: primeiro, ele recebe Táler, trabalhadores e PVs de acordo com suas três trilhas de renda. Em seguida, ele coloca um de seus marcadores de progresso na trilha de progresso. A trilha de progresso possui quatro segmentos divididos em seis níveis, que, por sua vez, são divididos em 40 espaços. Cada jogador só pode ter um marcador de progresso por nível, mas não há limite para o número de marcadores de diferentes jogadores em cada espaço. Para determinar em qual nível o jogador pode colocar um marcador, ele soma o total de seus marcadores de façanha, e coloca o marcador de progresso em um espaço de valor igual ou inferior a esse total; caso ele já tenha marcadores de progresso em todos os níveis que atendem a esse requisito, ele o coloca no espaço 0, e recebe o bônus mostrado no tabuleiro - entretanto, no final da partida, para cada marcador de progresso no nível 0, o jogador perde 3 PVs.

Caso o jogador coloque seu marcador de progresso em um segmento que ainda tenha um Nucleum, ele escolhe uma usina do tabuleiro que ainda não tenha um, coloca ele nela e recebe o bônus mostrado na peça de progresso correspondente; o segmento mais alto, ao invés de um Nucleum, rende uma tecnologia de nível 3, e o espaço 40 rende 9 PVs adicionais. No início da partida, os jogadores devem pegar seus marcadores de progresso das casas nas quais eles foram colocados no tabuleiro durante a preparação; quando já não tiver marcadores em nenhuma das três casas, ele passará a pegá-los da reserva - lembrando que marcadores de progresso são infinitos, podendo ser usados substitutos. Toda vez que uma das casas ficar vazia, sem marcadores de nenhum jogador, é feita uma Pontuação do Dia do Rei: o jogador com o marcador no espaço de progresso de valor mais alto ganha 6 PVs, e o no segundo mais alto ganha 2 PVs; em caso de empate, todos os jogadores pontuam, e é possível um mesmo jogador ganhar ambas as pontuações. O espaço 0 não conta para a Pontuação do Dia do Rei.

Após receber sua renda e medir seu progresso, o jogador deve devolver para a reserva geral todos os seus marcadores de façanha, mesmo que tenha colocado seu marcador de progresso em um espaço de valor mais baixo que o total deles. Finalmente, para encerrar sua recarga, o jogador recupera todas as peças de ação que estavam no topo de seu tabuleiro (mas não no mapa), colocando-as viradas para cima de volta em sua reserva.

A partida segue até que duas das cinco condições de final de partida sejam alcançadas: todas as pilhas de compras de peças de ação estão vazias; ambas as pilhas de compras de contratos prata e ouro estão vazias; as três casas de marcadores de progresso estão vazias; um jogador ativou suas 8 tecnologias; um jogador alcançou 70 PVs na trilha de pontuação. Toda vez que uma dessas condições for alcançada, o jogador que a alcançou move um dos marcadores de condição de final de partida para o local apropriado e ganha 3 PVs. Quando o final da partida for acionado, o jogo segue até que cada jogador tenha tido um número igual de turnos (ou seja, até que seja a vez do primeiro a jogar de novo); então, cada jogador joga mais um turno, e, em seguida, é somada a pontuação final. É possível que novas condições de final de partida sejam alcançadas após o final da partida ser acionado, mas isso não possui nenhum efeito além dos 3 PVs para o jogador que as acionar.

Antes de somar a pontuação final, um jogador que ainda tenha marcadores de façanha poderá colocar um marcador de progresso na trilha de progresso seguindo as regras normais, mas sem ganhar quaisquer bônus, ativar a Pontuação do Dia do Rei ou ganhar os 3 PVs por acionar a condição de final de partida. Durante a pontuação final, a primeira coisa a ser somada é justamente o progresso: para cada um de seus marcadores de progresso, o jogador ganha 1 PV para cada vez que cumprir a condição estabelecida na peça de progresso daquele segmento, multiplicado pelo valor do nível em que o marcador está. Em seguida, todos os jogadores que ativaram sua peça de tecnologia de objetivo final ganham os PVs caso tenham cumprido a condição. Em terceiro, cada jogador ganha 1 PV para cada 2 urânios em suas minas, 2 trabalhadores em sua reserva pessoal (mas não no suprimento) e 5 Táler em sua reserva pessoal; antes de contar esses pontos, o jogador pode converter urânio em trabalhadores e trabalhadores em Táler à vontade. Então, cada jogador ganha os PVs mostrados em cada construção energizada; construções do governo energizadas pontuam por elas mesmas e por cada uma das outras construções do mesmo tipo no mapa, não importando a qual jogador pertençam ou se estão energizadas ou não, e construções em Praha valem o dobro de pontos. Finalmente, se um jogador alcançou um dos três últimos espaços em uma de suas trilhas de renda, ganhará os PVs correspondentes. Depois disso tudo, o jogador com mais PVs será o vencedor, podendo ocorrer empates.

Apesar de ser um jogo recente, Nucleum já tem uma boa quantidade de expansões. A primeira foi Nucleum: Austrália, lançada em 2024, na qual a Rainha Vitória decide que a Inglaterra será a próxima potência a explorar a energia do Nucleum, usando as vastas reserva de urânio da Austrália. Os jogadores, portanto, terão novas oportunidades de se destacar na Terra dos Cangurus, usando navios para exportar a produção para a Europa e tendo que lidar com uma usina experimental que um cientista louco criou ao tentar replicar o experimento de Elsa na ilha da Tasmânia. Os componentes da expansão são um novo tabuleiro principal (que substitui o do jogo base em uma partida usando a expansão, e conta com as cidades de Olympic Dam, Wooltana, Broken Hill, Toowoomba, Brisbane, Gold Coast, Newcastle, Lucas Heights, Toangi, Mildura, Radium Hill, Port Pirie, Adelaide, Wagga Wagga, Bendiga, Geelong, Melbourne, Latrobe, Wallangang, Sydney, Mount Tharlay, Launceston e Hobart), 13 novas cartas de preparação, 1 marcador de Nucleum, 1 peça de usina de energia, 1 nova peça de progresso, 11 novas peças de contrato (5 prata, 5 ouro e 1 roxo), 5 novas peças de ação, 8 peças de mina de carvão, 3 barcos neutros (de cor preta) e 2 coberturas para o tabuleiro extra; cada jogador recebe também 1 peça de mina extratora de carvão, 1 peça de envio especial, 4 barcos e 1 auxílio ao jogador adicional.

Nucleum: Austrália traz dois conceitos novos, as rotas marítimas e as minas de carvão. Uma nova ação permite que um jogador coloque um barco em qualquer rota marítima, ao custo de 1 Táler, +1 para cada barco já nessa rota. Rotas marítimas com um barco do jogador estendem sua rede, mas não contam como ferrovias para calcular progresso, contratos e pontuar tecnologias; um jogador pode transportar carvão e urânio usando seus próprios barcos, mas não eletricidade, nem pode usar barcos neutros ou de outros jogadores. A peça de envio especial conta como uma peça de ação, que permite colocar um barco e em seguida jogar outra peça de ação qualquer; ela não pode ser usada como parte de uma ferrovia. Já as minas de carvão começam o jogo em 8 cidades pré-determinadas (cujos nomes estão escritas nas peças); como parte de uma ação de Industrializar, o jogador pode pegar uma das peças de mina de carvão que estiver em uma cidade de uma rede sua, colocar um trabalhador em seu lugar, e colocar a peça em sua mina extratora de carvão - que tem espaço para 4 peças, cada um com uma recompensa diferente. Algumas situações especiais permitem que um jogador pegue uma peça de uma cidade que não está em sua rede, estendendo sua rede se o fizer. Durante uma ação de Energizar, cada mina de carvão que o jogador possuir produz 1 carvão grátis na cidade da mina - que ainda deve ser transportado normalmente. Dentre outras modificações menores, na expansão algumas peças de ferrovia dão ao jogador 1 urânio quando ele as coloca no mapa, e o número de condições de final de partida que devem ser alcançadas para que o final de partida seja acionado é de três.

Também em 2024, seria lançada a expansão Nucleum: Corte do Progresso. O século XIX se aproxima de seu final, e as nações batalham para entrar no novo século como principal força na produção de energia, se destacando a Saxônia e a Inglaterra. Uma intensa batalha política se desenvolve nos bastidores, com os jogadores tendo que também se destacar nesse plano. Essa expansão traz novos componentes que simbolizam a guerra política entre o Rei Frederico e a Rainha Vitória, e dois novos experimentos, identificados como E e F - sendo que o experimento F pode ser usado com o jogo base sem precisar do restante da expansão.

Os componentes de Corte do Progresso são 1 tabuleiro da corte, 12 novas peças de ação, 4 novos contratos (2 prata, 1 ouro, 1 roxo), 2 novos tabuleiros de experimento, 10 novas peças de ação iniciais (para os experimentos E e F, 5 para cada), 5 peças de ação iniciais substitutas (4 para usar os experimentos de A a D com a expansão e 1 para usar o experimento F sem ela), 3 peças de ação especial (para o experimento F), 2 novas peças de envio especial, 4 peças de agenda política, 16 novas peças de tecnologia (para os experimentos E e F, 8 para cada), 2 novas peças de efeito da turbina (para os experimentos E e F), 2 cartas de auxílio ao jogador de experimentos (para os experimentos E e F), 4 cartas de auxílio ao jogador da corte, 8 meeples de trabalhador extras (2 para cada jogador), 4 meeples de políticos neutros (na cor preta, três numerados de 2 a 4 e um com uma seta), 1 marcador do rei e 4 coberturas para o tabuleiro extra.

O tabuleiro da corte é colocado ao lado do tabuleiro principal, e representa os quatro partidos políticos: o Partido Capitalista, o Partido Comunista, o Partido Monarquista e o Partido do Pensamento Livre. Durante a preparação, uma das cartas de preparação será usada para determinar qual partido será o dominante, recebendo o marcador do rei e os políticos com a seta e o 2, e outras duas cartas serão usadas para determninar quais partidos recebem os políticos 3 e 4. Durante o jogo, algumas peças de ação permitirão que os jogadores coloquem trabalhadores nos partidos, transformando-os em políticos. Cada partido possui um benefício que o jogador recebe assim que coloca um político lá; um jogador que tenha mais políticos em um partido do que todos os demais, incluindo os neutros, se torna o líder do partido, e o partido que tiver a maior quantidade de políticos se torna o dominante. Líderes de partido e políticos no partido dominante valem pontos extras no Dia do Rei.

Ainda em 2024, seria lançada Nucleum: Patronos, um pacote com 12 cartas, sendo 6 para serem usadas no jogo normal (1 para cada experimento) e 6 para o modo solo. Essas cartas representam Patronos, com cada Patrono sendo ligado a um experimento, e o jogador recebendo a carta correspondente ao experimento que escolheu - os Patronos também podem ser usados para que os jogadores recebam os experimentos aleatoriamente ao invés de escolhê-los, com as cartas sendo distribuídas durante a preparação. Cada Patrono possui uma habilidade especial que pode ser usada uma vez por jogo, e permite que o jogador perca uma determinada quantidade de PV para receber um bônus durante uma determinada ação.

Em 2025, seria lançada Nucleum: Energy Research Insitute, expansão que traz 8 novos experimentos (identificados como G, H, I, J, K, L, M e N), cada um com um novo tabuleiro de experimento, 8 novas peças de tecnologia, 5 novas peças de ação inicial, 1 nova peça de ação alternativa para ser usada com a Corte do Progresso, 1 nova peça de efeito da turbina, 1 nova peça de envio especial, 1 carta de auxílio ao jogador de experimentos, 1 nova carta de Patrono e 1 nova carta de Patrono para o modo solo. Exceto pelo experimento N, cada novo experimento tem componentes especiais, que incluem, para o G, 1 peça de ação especial; para o H, 1 peça de extensão de tabuleiro de jogador, 4 novas peças de mina (1 para cada jogador) e 4 novas peças de turbina; para o I, 2 peças de ação temporária e 4 peças de laboratório especial (1 para cada jogador); para o J, 12 peças de construção urbana especiais e 1 marcador de presença; para o K, 2 peças de ação especial, 1 peça de diretiva e 8 marcadores de pontos de tecnologia; para o L, 1 peça de ação especial e 16 novas peças de construção urbana (4 para cada jogador); e, para o M, 2 peças de potencial constante e 28 marcadores de PV especiais (20 de valor 1 e 8 de valor 5). Completam a expansão 6 novas cartas de Patrono (para os experimentos de A a F) e 1 cobertura para o tabuleiro extra.

A mais recente expansão é Nucleum: Gibraltar, lançada esse ano, cujos componentes são um novo tabuleiro principal, 1 tabuleiro de urbanização, 16 peças de construção urbana especiais, 6 novas peças de contrato, 8 peças de contrato militares, 9 peças de tecnologia militar, 6 novas peças de ação, 1 nova peça de progresso, 3 barcos neutros, 2 coberturas para o tabuleiro extra e 13 novas cartas de preparação; cada jogador recebe também 4 marcadores de urbanização, 1 peça de envio especial, 4 barcos e 1 auxílio ao jogador adicional. Na história do jogo, Portugal, Espanha e Marrocos se unem para construir o primeiro submarino nuclear do mundo, e, para isso, montam uma usina em Gibraltar. O tabuleiro mais uma vez substitui o do jogo base, e conta com as cidades de Braga, Porto, Lisboa, Urgeiriça, Faro, Salamanca, Almaraz, Bilbao, Valladolid, Zaragoza, Barcelona, Madrid, Valência, Sevilha, Málaga, Gantour, Rabat, Marrakesh, Khouribga, Meknes, Fez e Melilla, além, é claro, de Gibraltar, e de duas marcadas como Inglaterra e Turquia. A expansão não traz nenhum conceito absolutamente novo, mas repete as rotas marítimas de Austrália com algumas modificações, e as tecnologias militares e construções urbanas especiais trazem novas opções para os jogadores. As construções urbanas especiais podem ser usadas com o jogo base ou com Austrália, e as novas peças de ação de Austrália podem ser usadas com Gibraltar.
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