sábado, 17 de outubro de 2026

Escrito por em 17.10.26 com 0 comentários

It

Eu sou fã de Stephen King, mas raramente eu me animo a falar sobre alguma obra dele aqui no átomo - em parte porque, durante muito tempo, eu relutei em falar aqui sobre terror. Mas hoje eu me animei, e decidi falar sobre meu livro favorito dele - e sobre suas adaptações. Hoje é dia de It no átomo!

Lançado em 1986, It (que, no Brasil, também pode ser encontrado com o nome A Coisa) é um livro enorme (mais de mil páginas!) que conta uma história de forma não-linear, alternando entre dois períodos de tempo separados por 27 anos. Ele seria responsável por introduzir um dos vilões mais icônicos de todos os tempos - Pennywise, o Palhaço Dançarino - e por criar a impressão de que toda boa história de King é protagonizada por crianças. Por incrível que pareça, entretanto, quando de seu lançamento ele foi extremamente criticado, e ainda hoje há quem encontre vários defeitos, não o elencando dentre as maiores obras de King.

Ambientada na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, Estados Unidos, a história começa no ano de 1957, quando um menino de nome Georgie Denbrough desaparece durante uma tempestade. Georgie foi abduzido e morto por Pennywise, mas ninguém testemunhou o fato, e as autoridades classificam o caso como sequestro. Algum tempo depois, chega à cidade Ben Hanscom, menino gordinho que automaticamente se torna alvo do valentão da escola, Henry Bowers. Fugindo de Henry, Ben topa com Bill Denbrough, irmão mais velho de Georgie, que sofre de gagueira, e com o hipocondríaco Eddie Kaspbrak; se identificando como párias, os três decidem formar um grupo que chamam de Clube dos Perdedores, e que logo ganhará novos membros, todos párias como eles: Richie Tozier, que é boca-suja e abusado; o tímido judeu Stan Uris; Beverly Marsh, que é maltratada pelo pai; e o esperto Mike Hanlon, que sofre racismo por ser negro numa cidade majoritariamente branca.

Aos poucos, Pennywise passa a aterrorizar os Perdedores, aparecendo para eles em várias formas horripilantes através de ilusões que eles não conseguem diferenciar da realidade. Mike descobre que ele não é um palhaço, e sim uma entidade (supostamente alienígena) que possui total controle sobre a cidade de Derry, e a cada 27 anos retorna para se alimentar, causando alguma grande catástrofe e hibernando depois disso. A partir daí, a história passa a contar também eventos ocorridos em 1984, quando os Perdedores, já adultos e morando fora da cidade, precisam retornar a Derry para tentar deter Pennywise de uma vez por todas.

King teria a ideia para escrever o livro em 1978, quando morava com sua família na cidade de Boulder, no Colorado. Um dia, seu carro estava na oficina e ele decidiu ir buscá-lo a pé, passando por uma ponte de madeira que o lembrou da fábula norueguesa De tre bukkene Bruse, na qual três bodes vivem em um local com pouca grama, sendo que, do outro lado de uma ponte de madeira, há um pasto verdejante no qual eles poderiam se fartar, mas também um troll, que devora qualquer um que tente atravessar a ponte; os três bodes, então, decidem usar sua inteligência para derrotar o troll e tornar a ponte e o pasto seguros. Por alguma razão que só faz sentido na mente de King, ele começaria a imaginar como ficaria a história caso ocorresse na época atual e com seres humanos, e, após ler um poema de Marianne Moore, no qual ela fala sobre "jardins imaginários com sapos reais", teria a ideia de criar uma história com "um troll real em um jardim imaginário".

Envolvido com outros projetos, King não retomaria essa ideia até 1980, quando desenvolveria o conceito de intercalar as narrativas dos mesmos personagens quando adultos e quando crianças, usando também ideias que acumularia para outras histórias mas jamais usaria - como fatos sobrenaturais que teriam ocorrido durante a construção da rede de esgoto da cidade de Bangor, no Maine. King levaria cinco anos para terminar a história, da qual os principais temas são a perda da inocência infantil e a divergência entre necessidade e livre arbítrio; críticos também apontariam a importância que o status de pária dos Perdedores tem para a narrativa, considerando que suas vidas marginalizadas criam um clima de terror muito maior que as aparições de Pennywise.

It seria publicado pela primeira vez em 15 de setembro de 1986 pela editora Viking, sendo massacrado pela crítica, que considerou que não havia motivação suficiente para os Perdedores se reunirem novamente depois de adultos, e que as crianças, apesar de suas vidas miseráveis, eram retratadas como "perfeitas demais", o que tornava todas as partes do livro nas quais Pennywise não aparecia "frustrantes e tediosas". Um elemento que até hoje causa muita controvérsia é uma cena de sexo entre as crianças; King jamais deu nenhuma declaração direta sobre ela, com alguns críticos interpretando que ele quis dizer que uma das formas de se perder a inocência da infância é através do sexo, e outros indo ainda além e dizendo que a cena reflete que, uma vez tendo se tornado adulto, não há nada que se possa fazer para voltar a ser criança. Compreensivelmente, a cena não está em nenhuma das adaptações da obra, e até hoje gera discussão entre os que a consideram problemática e os que acham que ela é um dos pontos principais da história. Na Europa, o livro seria mais bem aceito pela crítica que nos Estados Unidos, ganhando o British Fantasy Award de 1987 e com a BBC o elegendo um dos 200 livros "mais amados" do século XX.

Mesmo desagradando a crítica, o livro seria um dos mais vendidos do ano - segundo a Publishers Weekly, publicação voltada a livreiros e bibliotecários, seria o livro de capa dura mais vendido de 1986 - e Pennywise seria eleito por várias publicações especializadas como um dos monstros mais aterrorizantes da literatura - mais recentemente, ele ganharia o título de "palhaço mais assustador da cultura pop". Esse desempenho logo faria com que vários estúdios procurassem King para conversar sobre uma adaptação, mas o tamanho do livro o tornava proibitivo para o cinema, e King não aceitava que a história fosse reduzida, resumida ou dividida de nenhuma forma. Restava, então, uma adaptação para a televisão.

Até então, apenas uma obra de King havia sido adaptada para a TV, A Hora do Vampiro, de 1975, que, em 1979, daria origem a uma minissérie em dois episódios exibidos pela CBS, dirigidos por Toby Hooper, de O Massacre da Serra Elétrica. Apesar de ser bastante fiel ao livro, e um grande sucesso de audiência, a minissérie não agradaria King, que, em 1983, declararia que os executivos da televisão tinham "o coração muito fraco" e muito pouca imaginação para "lidar com o horror de verdade". Quando começaram as conversas para que It fosse adaptado também para uma minissérie, King se mostraria cético, dizendo que a censura auto-imposta pela televisão jamais permitiria que fossem mostradas crianças em perigo; além disso, séries de terror dos anos 1980, como Sexta-Feira 13: O Legado (exibida originalmente no Brasil com o nome de Loja do Terror) e A Hora do Pesadelo: O Terror de Freddy Krueger costumavam ter baixo orçamento e efeitos especiais pífios, o que comprometeria muito as ilusões de Pennywise.

A ABC, entretanto, decidiria pagar para ver, e ofereceria a King uma soma fabulosa para que It fosse adaptado para uma minissérie com duração total entre oito e dez horas, algo que surpreenderia King, que, em entrevistas, diria achar impossível que o livro fosse adaptado para "quatro horas, mais comerciais". A ousadia da ABC era baseada em um tripé: primeiro, minisséries estavam fazendo grande sucesso na televisão norte-americana no final dos anos 1980, já que permitiam adaptações de livros considerados extensos demais para o cinema; segundo, a mais recente adaptação de uma obra de King para o cinema, Cemitério Maldito, de 1989, havia sido um imenso sucesso de bilheteria; e terceiro, It era protagonizado por crianças, assim como Conta Comigo, de 1986, outra adaptação de King de grande sucesso nos cinemas, que também gerou grande audiência quando exibida pela ABC. Algumas organizações se mostrariam preocupadas com a adaptação de uma obra de terror protagonizada por crianças para a televisão, meio no qual seria mais fácil que crianças a assistissem do que no cinema, onde há mais controle, mas a ABC prometeria focar mais nos aspectos de drama da história do que nos de terror, algo que também imaginava que contribuiria para a audîência, já que minisséries de drama estavam sendo bastante bem-sucedidas na época.

Inicialmente, a ABC convidaria George Romero, de A Noite dos Mortos Vivos, para dirigir a minissérie, que teria cinco episódios de duas horas cada, e seria ambientada em uma "cidadezinha do interior de Massachusetts" ao invés de em Derry. Romero se entregaria de corpo e alma à minissérie, chegando ele mesmo a desenhar alguns storyboards, mas acabaria desligado da produção sob a alegação de que ele estava se dedicando mais ao remake de A Noite dos Mortos Vivos do que a It - boatos diriam, entretanto, que Romero estava fazendo a minissérie "muito explícita" para a televisão, e que teria sido isso que desagradou a ABC.

Junto com Romero, a ABC contrataria o roterista Lawrence D. Cohen, responsável pelo roteiro do filme Carrie, a Estranha, também baseado em um livro de King. Cohen sugeriria que a minissérie tivesse cerca de três horas, divididas em dois episódios de cerca de uma hora e meia cada; ele não concordaria, porém, com a estrutura narrativa do livro, que fica indo e voltando, concentrando a história das crianças na primeira parte e a dos adultos na segunda - e trazendo a história para a data da minissérie, com a primeira parte ocorrendo em 1963 e a segunda em 1990. Após a saída de Romero, a ABC convidaria o diretor Tommy Lee Wallace, de Halloween, que jamais havia lido o livro, e preferiria ler o roteiro de Cohen sem fazê-lo, acreditando que isso o ajudaria a ser imparcial. Wallace acharia a segunda parte muito melodramática e sem o mesmo ritmo da primeira, e faria várias anotações de mudanças que gostaria que fossem feitas; Cohen, contudo, já estava envolvido com outros projetos, e não teria tempo para fazer as alterações, com o próprio Wallace decidindo fazê-las. No fim, Cohen seria creditado como o roteirista da primeira parte, e Wallace como o da segunda.

As filmagens durariam três meses, ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e custariam 12 milhões de dólares, o dobro do usual para uma minissérie em duas partes, segundo a ABC, para que a produção se parecesse com um filme de cinema. Muitas cenas seriam extremamente difíceis de se filmar, como a da explosão do balão no banheiro de Beverly, já que várias vezes ele explodiu antes do tempo, e a da perseguição nos esgotos, na qual os atores tinham de tomar cuidado para não se cortar em várias bordas enferrujadas; uma das cenas mais famosas, a do restaurante chinês, seria filmada sem que os atores soubessem o que iria acontecer, para que suas expressões de medo fossem genuínas. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Fantasy II, que já havia trabalhado em Cemitério Maldito, e seriam feitos quase em sua totalidade usando maquetes, bonecos e truques de câmera, já que a computação gráfica, na época, e principalmente na televisão, sairia caríssima e não teria o efeito desejado; ainda assim, algumas cenas teriam retoques de animação - usando uma técnica parecida com a do stop motion - ou digitais, como a cena na qual Pennywise sai de um álbum de fotografias.

Muitas cenas criadas por Wallace que chegaram até a ganhar storyboards tiveram de ser alteradas durante as filmagens porque seus efeitos especiais estourariam o orçamento. Wallace também se mostraria insatisfeito por ter de reduzir a profundidade de alguns personagens e cortar algumas das cenas mais famosas do livro, para não estourar o tempo total da minissérie, declarando que "o principal estava na tela, o resto são baixas de guerra". Enquanto a minissérie estava em produção, estrearia outra aposta da ABC, Twin Peaks, que também teria grande audiência e boas críticas; isso permitiria que alterações no roteiro fossem feitas para deixar It ainda mais fiel ao livro, com Wallace declarando que Twin Peaks estava provando que uma série "não precisa ser igual a todas as outras" para fazer sucesso, e que era possível sair do lugar-comum sem recorrer a violência extrema ou conteúdo sexual - ainda assim, ele se diria decepcionado por ter de deixar de fora a cena de sexo entre as crianças.

O visual de Pennywise seria criado pelo maquiador Bart Mixon, inspirado na caracterização feita pelo ator Lon Chaney para O Fantasma da Ópera, de 1925. Mixon começaria a trabalhar no conceito antes de o ator que interpretaria Pennywise fosse escolhido; Malcolm McDowell, Roddy McDowall e o cantor Alice Cooper seriam considerados para o papel, mas Wallace pediria que o palhaço fosse interpretado por Tim Curry, que não tinha experiência com filmes de terror - pelo contrário, ele era visto como um ator de comédia, o que inicialmente fez com que a ABC o rejeitasse - mas tinha experiência de sobra com maquiagem pesada e improvisação, dois fatores que o diretor considerava cruciais para o papel. Curry trabalharia com Mixon para que a maquiagem usasse o mínimo possível de próteses e látex, para que ele tivesse liberdade para suas expressões faciais; segundo Mixon, o resutado final seria surpreendente, e transformaria o ator em um "desenho vivo". Curry era sempre o primeiro a chegar no set, já que sua maquiagem e figurino levavam cerca de três horas para serem completados; uma vez "transformado", ele fazia questão de tratar os demais atores como se ele realmente fosse Pennywise, o que fazia com que todos procurassem se manter afastados dele o máximo possível - segundo um dos atores-mirins, ele teria dito querer que o medo deles fosse real durante as gravações. Com as crianças figurantes, porém, Curry fazia o contrário, sendo tão doce e engraçado com elas que algumas nem sabiam que estavam participando de um filme de terror - durante a gravação da cena no teatro, ocorreriam vários atrasos, durante os quais Curry cantava e dançava com as crianças.

No livro, Pennywise se transforma em vários outros personagens; muitos deles foram cortados da minissérie por questão de tempo, e os que foram mantidos, como o lobisomem e a cabeça na geladeira, exigiram muita criatividade da equipe de efeitos especiais. O mais problemático - e único que não podia ser cortado - foi a aranha, que consumiu 200 mil dólares do orçamento, 13 semanas para ficar pronta, e levou o presidente da Fantasy II a declarar que eles achavam que iam fazer "um filme de terror, não Jasão e o Velo de Ouro" - uma alusão ao filme de 1963 cheio de efeitos de stop motion criados por Ray Harryhausen. O resultado final media 75 m de comprimento, pesava 250 kg, seria considerado uma das criaturas mais impressionantes já feitas para uma produção da televisão, e quase não seria liberada pela alfândega canadense quando chegou à fronteira. O operador Brent Baker precisaria de três meses para aprender a movimentá-la corretamente, e a equipe completa responsável por trazê-la à vida contava com 15 pessoas, três delas somente para movimentar a cabeça por controle remoto. King ficaria desapontado com a aranha, que ganharia o apelido de "muppet do inferno" e hoje está guardada em um galpão em Houston, Texas.

Chamada no Brasil de It: Uma Obra-Prima do Medo, a minissérie seria exibida pela ABC em 18 e 20 de novembro de 1990, e seria um sucesso colossal, com a primeira parte tendo quase 30 milhões de espectadores e a segunda sendo o programa mais gravado do mês em VHS - no geral, a minissérie seria o terceiro programa de televisão mais assistido do ano, atrás apenas dos filmes Medalha de Honra, da Hallmark, exibido pela NBC, e The Incident, exibido pela CBS. It seria indicada para dois Emmys, perdendo o de Melhor Edição para uma Minissérie ou Especial de Uma Câmera, mas ganhando o de Melhor Composição Musical para uma Minissérie ou Especial de Drama, na primeira vez em que um compositor ganharia esse prêmio por uma obra de terror. Além de Curry como Pennywise, o elenco conta com Richard Thomas e Jonathan Brandis como Bill (adulto / criança, respectivamente, todos os atores eu vou escrever assim), Annette O'Toole e Emily Perkins como Beverly, John Ritter e Brandon Crane como Ben, Harry Anderson e Seth Green como Richie, Dennis Christopher e Adam Faraizl como Eddie, Tim Reid e Marlon Taylor como Mike, Richard Masur e Ben Heller como Stan, Michael Cole e Jarred Blancard como Henry, Olivia Hussey como Audra, e Tony Dakota como Georgie.

Durante anos, houve planos para uma nova adaptação de It para a televisão, com os projetos mais promissores sendo um da Warner, de 2004, para fazer um filme de duas horas, e um do Sci-Fi Channel, de 2006, para uma minissérie que totalizaria quatro horas. Em 2009, o roteirista David Kajganich, de Invasores, procuraria a Warner e se ofereceria para escrever um roteiro, mas para o cinema; a Warner decidiria apostar, inclusive permitindo que Kajganich escrevesse um filme R (proibido para menores de 18 anos), mas com a condição de que o roteiro tivesse no máximo 120 páginas e o filme em torno de duas horas. Kajganich toparia o desafio, decidindo trazer a história também para a década atual, ambientando a parte protagonizada pelas crianças na década de 1980; ele teria muita dificuldade, entretanto, para acomodar o grande número de personagens em duas épocas simultâneas nas 120 páginas exigidas pela Warner, entregando o cargo cerca de um ano depois.

A Warner, porém, decidiria levar o projeto adiante, e, em 2012, contrataria o diretor Cary Joji Fukunaga, que reescreveria o roteiro de Kajganich, mais tarde se tornando co-roteirista ao lado de Chase Palmer. Por razões fiscais, a Warner transferiria a produção para sua subsidiária New Line Cinema, a qual Fukunaga convenceria que condensar toda a história em um único filme de duas horas era impossível, sendo melhor o estúdio a fazer dois filmes, o primeiro somente com a parte das crianças, o segundo com a parte dos adultos. Fukunaga também assinaria apenas para dirigir o primeiro filme, embora estivesse disposto a co-escrever ambos. A pré-produção do primeiro filme começaria em fevereiro de 2015, com Fukunaga escolhendo Will Poulter para interpretar Pennywise, se dizendo impressionado com seu teste; ele também confirmaria que o filme seria ambientado na década de 1980, para que o segundo o fosse na época atual.

Em maio, porém, Fukunaga deixaria a produção, alegando que a New Line estava desrespeitando suas ideias e querendo reescrever o roteiro para transformar It em um "filme de horror convencional", algo que ele havia deixado bem claro desde o começo não ser o caso. Dois meses depois, a New Line anunciaria Andy Muschietti como diretor, com o roteiro sendo creditado a Palmer, Fukunaga e Gary Dauberman, que reescreveria as partes que não estavam agradando ao estúdio; Poulter deixaria o projeto logo depois, alegando conflito de data com outras filmagens com as quais já havia se comprometido, com Bill Skarsgård sendo escolhido para substituí-lo em junho de 2016, com a equipe de produção valorizando seu 1,92 m de altura, que contribuiria para que Pennywise se tornasse ainda mais assustador. Muschietti confirmaria que o filme receberia classificação R, que a primeira parte seria ambientada em 1989 e a segunda em 2016, e que ambos os filmes conteriam material novo, que não estava presente nem no livro, nem na minissérie; as transformações de Pennywise também seriam "atualizadas", já que, no livro e na minissérie, elas fazem referências a monstros do cinema, como a múmia e o lobisomem, em voga nos anos 1950, mas, para assustar crianças do fim dos anos 1980, seria necessária uma abordagem diferente.

As filmagens mais uma vez ocorreriam no Canadá, com a cidade de Port Hope servindo como Derry; algumas cenas e panorâmicas também seriam filmadas em Toronto e nas cidades de Oshawa e Riverdale, além de em Bangor, no Maine, e em Nova Iorque. O figurino de Pennywise, ao invés de uma roupa de palhaço tradicional, teria elementos de vestimentas do Renascimento e da Era Elisabetana, para refletir a idade avançada do personagem, mas tudo como se fosse uma roupa desenhada para uma boneca, e não para um adulto, para representar sua ligação com as crianças. A maior parte dos efeitos especiais ficaria a cargo da Rodeo FX, e seriam feitos através de computação gráfica, inclusive a aranha, que havia dado tanto trabalho à equipe da minissérie; a maquiagem de Pennywise, contudo, seria feita ao estilo tradicional pela Amalgamated Dynamics, pois Muschietti acreditava que ele assim ficaria mais sinistro, com apenas alguns retoques digitais sendo aplicados quando seus olhos ou boca assumiam características monstruosas.

Com o nome no Brasil de It: A Coisa e 135 minutos de duração, o filme estrearia em 5 de setembro de 2017 em 4103 salas dos Estados Unidos, um recorde para um filme de classificação R. Com orçamento de 40 milhões de dólares, quase nada se comparado a outras grandes produções da época, renderia 327,5 milhões nos Estados Unidos e quase 703 milhões somando o mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso. It se tornaria o filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, o filme de menor orçamento a ultrapassar 100 milhões na bilheteria, e a maior bilheteria dentre todas as adaptações de obras de King, superando O Iluminado, de 1980, algo que, durante muito tempo, foi considerado impossível. A crítica também seria extremamente positiva, elogiando o desempenho dos atores mirins, o roteiro, a fotografia e a trilha sonora, além da aclamada interpretação de Skarsgård. Muitos críticos apostaram em indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar, com alguns declarando que Skarsgård tinha chance como melhor ator, mas nenhuma veio.

A pré-produção do segundo filme começaria durante a pós-produção do primeiro, em julho de 2017, com Muschietti retornando como diretor e Dauberman como roteirista; Dauberman acabaria deixando o projeto para escrever e dirigir Annabelle 3: De Volta para Casa, com Jason Fuchs reescrevendo partes do roteiro, mas ainda assim seria creditado como único roteirista. A equipe de produção perguntaria aos atores mirins quais atores adultos eles gostariam que interpretassem seus personagens; todos os citados seriam convidados e fariam testes, com dois deles - Jessica Chastain, escolhida por Sophia Lillis, e Bill Hader, escolhido por Finn Wolfhard - de fato ficando com os papéis. As filmagens reaproveitariam muito do que foi preparado para o primeiro filme, com novos sets sendo construídos nos Estúdios Pinewood de Toronto.

Com o nome de It Chapter Two (It: Capítulo 2 no Brasil), o segundo filme estrearia em 6 de setembro de 2019, com menos estardalhaço que o primeiro: com orçamento de 80 milhões de dólares, renderia 211 milhões nos Estados Unidos e 473 milhões somando o mundo inteiro; curiosamente, ele se tornaria o segundo filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, atrás apenas de seu antecessor. A crítica ficaria dividida, ainda elogiando a atuação de Skarsgård, mas considerando o segundo filme menos assustador e inferior ao primeiro em termos de roteiro, ritmo e ambiente, e a interpretação dos adultos menos inspirada que a das crianças. Um dos principais problemas apontados pelo público e crítica seria a duração do filme, 169 minutos, ou 2 horas e 49 minutos, com um dos críticos dizendo que o filme era a prova de que "maior não necessariamente significa melhor".

O elenco de ambos os filmes conta com Bill Skarsgård como Pennywise; Jessica Chastain e Sophia Lillis como Beverly Marsh; James McAvoy e Jaeden Martell como Bill Denbrough; Bill Hader e Finn Wolfhard como Richie Tozier; Isaiah Mustafa e Chosen Jacobs como Mike Hanlon; Jay Ryan e Jeremy Ray Taylor como Ben Hanscom; James Ransone e Jack Dylan Grazer como Eddie Kaspbrak; Andy Bean e Wyatt Oleff como Stan Uris; Teach Grant e Nicholas Hamilton como Henry Bowers; Jackson Robert Scott como Georgie Denbrough; Molly Atkinson como Sonia e Myra, respectivamente mãe e esposa de Eddie; Stephen Bogaert como Alvin Marsh, pai de Beverly; Joe Bostick como o farmacêutico Sr. Keene; Juno Rinaldi e Megan Charpentier como sua filha, Greta; Janet Porter como Marge Tozier, mãe de Richie; Owen Teague como Patrick Hockstetter; Steven Williams como Leroy Hanlon, avô de Mike; Stuart Hughes como Butch Bowers, policial racista pai de Henry; e Joan Gregson como Ingrid Kersh, que vai morar no antigo apartamento de Beverly após ela se mudar. King faz uma participação especial no segundo filme como o dono de uma loja de penhores, e Muschietti faz uma como um cliente da farmácia.

Durante a produção do segundo filme, Muschietti e Fuchs discutiriam a possibilidade de realizar um terceiro filme; em entrevistas, Skarsgård declararia que a dificuldade estava no fato de que o segundo filme acaba onde o livro acaba, mas Dauberman diria que elementos do livro não usados nos dois filmes poderiam ser expandidos para se criar um terceiro, com uma história original. Na mesma entrevista, Skarsgård falaria sobre a possibilidade de "voltar no tempo" e fazer um filme ambientado antes dos acontecimentos do primeiro filme, algo que interessaria Muschietti, que achava que a origem de Pennywise, propositalmente jamais explorada por King, era uma das maiores lacunas do livro. Muschietti conversaria com a Warner sobre a possibilidade de fazer uma "prequência", um filme ambientado durante a aparição anterior de Pennywise, 27 anos antes dos eventos do primeiro filme, mas a pandemia acabaria adiando esse projeto indefinidamente.

Em março de 2022, seria anunciado que estava em produção não um terceiro filme, mas uma série, que exploraria as origens de Pennywise, com Muschietti como um dos diretores e Fuchs e Brad Caleb Kane como showrunners. Programada para estrear no serviço de streaming Max, a série seria ambientada em 1962, com flashbacks de 1935, 1908 e da época em que Pennywise, já estabelecido pelos dois filmes como uma entidade alienígena, chegou à Terra, revelando por que ele se parece com um palhaço e qual sua ligação com Derry. Fuchs decidiria que Pennywise chegaria à Terra antes de os colonizadores aportarem nos Estados Unidos, com os nativo-americanos tendo um papel central em sua história. A produção contrataria John Bear Mitchell, da Nação Penobscott, como consultor, para garantir que as tribos Wabanaki, que habitavam a região na época, fossem retratadas com fidelidade histórica e cultural.

Assim como no livro, os protagonistas da série são um grupo de crianças, e a história se põe em movimento por causa do desaparecimento de um menino. Fazem parte do grupo Will Hanlon, menino que acabou de se mudar para Derry e está tendo dificuldades de adaptação; Lilly Bainbridge, menina que, após a morte do pai em um acidente trágico, passou um tempo internada em um manicômio, e agora é vista como louca pela maior parte da população; Veronica Grogan, cujo pai trabalha no cinema da cidade e é acusado pelos assassinatos das vítimas de Pennywise por ser negro; Marge Truman, a melhor amiga de Lilly, que se divide entre a lealdade à amiga e o desejo de ser popular; e Rich Santos, descendente de cubanos que sofre bullying na escola. O principal antagonista não é Pennywise, e sim o General Francis Shaw, que teve contato com o palhaço alienígea na infância e agora retorna adulto com a brilhante ideia de capturá-lo e utilizá-lo como arma contra os soviéticos na Guerra Fria.

Com o nome de It: Welcome to Derry (It: Bem-Vindos a Derry no Brasil), a série teria um total de oito episódios, que, por decisão da Warner durante a pós-produção, estreariam no canal a cabo HBO entre 26 de outubro e 14 de dezembro de 2025, sendo adicionados ao catálogo do Max no dia seguinte à exibição de cada um. Os dois primeiros e os dois últimos episódios seriam dirigidos por Muschietti, com dois ficando com Andrew Bernstein, um com Emmanuel Osei-Kuffour Jr. e um com Jamie Travis. Fuchs escreveria o primeiro e o último episódios, co-escrevendo o penúltimo com Kane e o antepenúltimo com Kane e Cord Jefferson; os demais seriam de autoria de Kane, Guadalís Del Carmen & Gabe Hobson, Helen Shang e Austin Guzman. A história é original, mas, segundo Muschietti, seria baseada em detalhes contados entre os capítulos do livro. Muitos dos personagens são ligados aos do livro, com Marge sendo a futura mãe de Richie, e Will o futuro pai de Mike. As filmagens ocorreriam no Canadá, em Toronto, Hamilton e Port Hope, e sofreriam atrasos devido às greves dos atores e roteiristas em 2023; muitas cenas filmadas antes das greves teriam de ser refilmadas depois porque as crianças cresceram, e muitas das cenas ambientadas no verão tiveram de ser alteradas, já que as filmagens retornariam no inverno, para que a produção não ficasse ainda mais atrasada. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Rodeo FX.

O elenco conta com Taylour Paige como Charlotte Hanlon, mãe de Will e ativista pelos direitos dos negros e das mulheres; Jovan Adepo como Leroy Hanlon, piloto da força áerea, pai de Will e razão pela qual a família se muda para Derry; James Remar como o General Francis Shaw; Stephen Rider como Hank Grogan, pai de Veronica; Matilda Lawler como Marge; Amanda Christine como Veronica; Clara Stack como Lilly; Blake Cameron James como Will; Arian Cataya como Rich; Miles Ekhardt como Matty Clements, menino que desaparece no primeiro episódio, tido como a primeira vítima do retorno de Pennywise; Chris Chalk como Dick Hallorann (personagem também presente em O Iluminado e Doutor Sonho), militar com poderes psíquicos que ajuda Shaw a encontrar Pennywise; Peter Outerbridge como o chefe de polícia Clint Bowers; Madeleine Stowe como Ingrid Kersh, enfermeira que trabalha no manicômio onde Lilly foi internada; e Bill Skarsgård como Pennywise. Participações especiais incluem Rudy Mancuso como o Capitão Pauly Russo, melhor amigo de Leroy; Kimberly Guerrero como Rose, nativo-americana que conhece a história de Pennywise e foi amiga de Shaw na infância; Joshue Odjick como o sobrinho de Rose, Taniel; Jack Molloy Legault como Phil Malkin, e Mikkal Karim-Fidler como Teddy Uris, amigos que decidem investigar o desaparecimento de Matty; Diesel La Torraca e Violet Sutherland respectivamente como Shaw e Rose quando criança; e Tyner Rushing, Emma-Leigh Cullum e Joan Gregson como Ingrid em diferentes épocas. Sophia Lillis faz uma participação como Beverly no último episódio.

It: Bem-Vindos a Derry seria considerada um sucesso de público pela Warner, com sua estreia sendo a terceira de maior audiência no streaming no ano, atrás apenas de A Casa do Dragão e The Last of Us. A crítica elogiaria principalmente seu comentário social, sua ambientação e sua atmosfera, embora alguns tenham achado a violência excessiva e criticado a necessidade de se explicar todos os elementos da trama, "inclusive coisas que ninguém perguntou". A série seria indicada a dois Emmys, de Melhor Abertura e de Melhores Efeitos Especiais em uma Temporada ou Filme para a Televisão.

Embora a série conte uma história completa e tenha um final, a Warner encomendaria uma segunda temporada, com Muschietti declarando que sua produção só começará quando eles tiverem uma boa história, e que sua intenção é ambientar a segunda temporada durante a Grande Depressão, trazendo novos personagens, mas também versões mais jovens de personagens da primeira.

Para terminar, falta falar sobre a adaptação mais, digamos, curiosa de It, a série indiana Woh ("aquele"), com 52 episódios exibidos entre 4 de janeiro e 27 de dezembro de 1988 pela Zee TV. Quinze anos antes dos eventos da série, sete adolescentes que moram na cidade de Panchgani combateram uma força do mal chamada Woh, que assumiu a forma de um palhaço para sequestrar crianças, aprisionando-o em outra dimensão. Quando a série começa, Woh retorna, e os sete amigos, já adultos, decidem se reunir para destruí-lo de uma vez por todas. Nenhum dos produtores da série havia lido o livro, que também não era amplamente conhecido na Índia, então, embora algumas partes da história coincidam, a maior parte é nova e criada especificamente para a série - que não teve boa audiência e era frequentemente criticada por seus efeitos especiais pobres, então talvez tenha durado até mais do que deveria.
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sábado, 10 de outubro de 2026

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O Bom do Videogame

Hoje eu vou falar sobre mais um jogo de tabuleiro nacional (e que não tem tabuleiro). Hoje é dia de O Bom do Videogame no átomo!

Criado por André Negrão e Patrick Matheus, O Bom do Videogame transporta os jogadores para os anos 1990, colocando-os no papel de crianças que alugam jogos de videogame na locadora e competem entre si para ver quem consegue "zerar" o maior número deles - se tornando O Bom do Videogame. Como eles são crianças e os jogos são alugados, terminar os jogos não é a única preocupação dos jogadores, que devem dividir seu tempo entre estudar e se divertir, gerenciar suas mesadas para conseguir não somente alugar os jogos, mas também comprar as revistas que trazem os macetes para eles, e, de vez em quando, implorar aos pais para ganhar um jogo de presente. O jogo é extremamente divertido, a arte (de 27 artistas diferentes!) lembra mesmo as dos jogos dos anos 1990, e até quem não era nascido nessa época vai conseguir aproveitar.

André Negrão é formado em game design pela Game Academy de São Paulo, onde passou a lecionar após concluir o curso, criando diversos jogos jamais publicados; sua inspiração para O Bom do Videogame viria de sua própria vida, já que ele passou a infância apaixonado por videogames e sendo frequentador assíduo da locadora, querendo transmitir através do jogo um pouco da emoção que ele próprio sentia nessa época. Já Patrick Matheus é formado em engenharia mecatrônica, mas entrou para o mundo dos jogos de tabuleiro como artista plástico, contribuindo com a arte de vários projetos antes de decidir lançar o seu próprio, Masmorra de Dados, em 2014, jogo que combina RPG e matemática. O desenvolvimento de O Bom do Videogame começou quase dez anos antes de seu lançamento, em 2016, com André e Patrick o testando e refinando suas regras em diversos eventos voltados para jogos de tabuleiro em todo o país - nos quais também pegaram o contato dos ilustradores.

Produzido pela Calamity Games, O Bom do Videogame foi vendido através da plataforma de financiamento coletivo Catarse, mas usando um sistema diferente, chamado pelos autores de "apoiou, recebeu": o primeiro lote do jogo foi produzido antes de a campanha entrar no ar, de forma que quem apoiasse já receberia seu jogo "imediatamente" (entre aspas porque, logicamente, havia o tempo de preparar, enviar e entregar), devendo esperar somente pela entrega das metas estendidas (aqueles componentes extras que se somam ao jogo após o financiamento ultrapassar um determinado valor). A campanha também trazia a opção de adquirir junto outros jogos da Calamity Games, como Passa Palavras (do qual Patrick é co-autor), Beaver Creek e Fuga de Creta.

Como era necessário estabelecer um valor inicial de financiamento (usado também para calcular as metas estendidas), André e Patrick optaram por 20 mil reais, valor que foi ultrapassado depois de apenas 99 minutos após a campanha entrar no ar - a campanha fecharia com o valor de R$ 165.994,90, 830% do estipulado, contribuído por 415 apoiadores. O financiamento se encerrou em julho de 2023, mas o jogo ainda pode ser encontrado nas melhores lojas, por um preço médio de 240 reais. A campanha no Catarse também permitiria que a Calamity Games formasse parcerias com editoras internacionais para lançar o jogo no exterior, com o nome de Video Game Champion.

Apesar de ser um "jogo de tabuleiro", O Bom do Videogame não tem um tabuleiro; seus principais elementos são a Grade de Ações, que vai determinar quais ações o jogador pode fazer a cada momento da partida, e as Cartas de Jogos, que imitam o design dos cartuchos do NES, embora a arte nelas se pareça mais com as do SNES - os nomes dos jogos são em inglês, imitam os nomes de jogos dos anos 1990, e contam com pérolas como Bloody Blades, Dynamite Sweetie, Ironmancer, Princess Weasel, The Undefeated Master, Werewolf vs. Dracula, e o jogo de plataforma Neow, estrelado por um gato, que tem um spin off de corrida chamado Neow Racers. Outro destaque são as Cartas de Revista, cuja arte lembra as capas de revistas especializadas em videogames da década de 1990.

Sem contar as metas estendidas (a maioria delas novas Cartas de Jogos e novas Cartas de Reputação), os componentes de O Bom do Videogame são 5 Cartas de Jogo iniciais (uma para cada jogador), 30 Cartas de Jogos, 17 Cartas de Reputação, 15 Cartas de Revista, 1 Carta Guia, 15 meeples (3 por jogador), 10 cubos (2 por jogador), 80 marcadores de Jogado/Zerado (16 por jogador) 40 cristais de novidade (8 de cada cor), 40 Granas, 25 Fichas de Promessa, 50 Fichas de Botão, 1 Peça de Iniciaitva, 1 Peça de Descarte, 8 Peças de Ação, 5 Cadernos de Password (um para cada jogador), 1 saquinho de novidades, 1 saquinho de Fichas de Botão, e 1 bloco de pontuação. Os jogadores podem escolher dentre as cores azul, verde, rosa, preta e branca. Fichas de Promessa, Marcadores de Zerado/Jogado e Granas são infinitos, podendo ser usados substitutos adequados caso se esgotem.

Durante a preparação, a Grade de Ações é montada, começando pela Peça de Iniciativa, que ficará no vértice de um L, com quatro Peças de Ação colocadas aleatoriamente em uma coluna acima dela e quatro em uma linha à sua direita - para dois jogadores, são usadas apenas 6 Peças de Ação, usando seu verso, com as duas com o verso em branco voltando para a caixa. As Fichas de Botão são colocadas no saquinho e sorteadas para completar a Grade, sendo usadas 9 fichas para 2 jogadores, 12 para 3, 16 para 4, e 20 para 5 jogadores - para 3 e 5 jogadores, alguns espaços da Grade ficam vazios. Em seguida, é formada a Locadora, com as 30 Cartas de Jogos sendo embaralhadas e usadas para formar três linhas de cinco cartas cada, todas viradas para baixo. As 7 primeiras cartas (8 no caso de 5 jogadores) da Locadora são viradas com sua face para cima, e 10 cristais são sorteados do saquinho e colocados sobre as 10 últimas cartas (8 fechadas e 2 abertas, ou 7 fechadas e 3 abertas, no caso de 5 jogadores). A Peça de Descartes é colocada ao lado da Locadora, e, ao lado dela, são sorteadas e colocadas em uma linha 4 Fichas de Botão, que serão a Trilha de Empolgação. As Granas e as Fichas de Promessa são colocadas em uma reserva, também ao lado da Locadora.

As 15 Cartas de Revistas são embaralhadas e colocadas em um monte abaixo da Locadora; as três primeiras cartas desse monte são reveladas e colocadas em uma linha a seu lado, cada uma delas ganhando um cristal do saquinho - esse monte e essas 3 cartas são o Jornaleiro. As 15 Cartas de Jogos que não foram para a Locadora são colocadas em um monte abaixo do monte do Jornaleiro; as três primeiras cartas desse monte são reveladas e cada uma ganha um cristal do saquinho - esse monte e essas três cartas serão a Loja. As Cartas de Reputação são separadas por tipo (Gênero, Zerar, Jogar e Comportamento), com uma carta de Jogar e uma de Zerar sendo escolhidas aleatoriamente, bem como uma quantidade que depende do número de jogadores de cartas de Gênero (2 para 2 jogadores, 3 para 3 ou 4, 4 para 5) e de Comportamento (1 para 2, 2 para 3 ou 4, 3 para 5); essas cartas são colocadas, com a face para cima, em uma fila abaixo da Loja, com as demais retornando para a caixa. A Carta Guia é colocada ao lado das Cartas de Reputação.

Cada jogador escolhe uma cor e pega um Caderno de Passwords, uma Carta de Jogo Inicial e os meeples, cubos e Marcadores de Jogado/Zerado da cor escolhida - os cristais de novidade são das mesmas cores disponíveis para os jogadores, mas qualquer jogador pode, ao longo do jogo, pegar qualquer um deles, não começando o jogo com nenhum. Um dos cubos de cada jogador será colocado sobre a Peça de Iniciativa, determinando, aleatoriamente, a ordem em que cada um vai jogar na primeira rodada. Cada jogador, então, ganha 2 Fichas de Botão sorteadas do saco, 1 Grana da reserva, e outros itens que dependem da ordem na qual ele vai jogar: o primeiro ganha 2 Fichas de Promessa, o segundo ganha 1 Ficha de Promessa, o quarto ganha 1 Ficha de Botão a mais, e o quinto ganha 1 Grana a mais (o terceiro não ganha itens extras). Esses itens são recebidos apenas durante a preparação, e não quando a ordem de jogar mudar.

Uma partida de O Bom do Videogame dura cinco rodadas, que representam cinco semanas - a Carta Guia serve como uma "cola" do que acontece a cada rodada, mostrando todas as fases e etapas na ordem. Cada rodada possui seis fases, sendo a primeira a Fase de Renovar Tabuleiro, que representa o dia em que as novidades chegam à Locadora, à Loja e ao Jornaleiro. Mas eu vou deixar para explicar essa fase por último, porque a primeira rodada não a tem, contando com apenas cinco fases - já que ela ocorre logo após a preparação, não havendo necessidade de renovar nada.

Depois da Fase de Renovar Tabuleiro, vem a primeira Fase de Rotina. Na ordem de turnos mostrada na Peça de Iniciativa, cada jogador vai fazer cinco coisas, sempre nessa ordem: Pegar uma Ficha de Botão, Escolher uma Ação, Descartar Fichas de Botão, Jogar Jogos, e Passar a Vez. Pegar uma Ficha de Botão é tão simples quanto o nome diz: o jogador escolhe uma das Fichas de Botão ainda presentes na Grade de Ação e a coloca em sua área de jogador. Pegar uma Ficha de Botão é obrigatório.

Já Escolher uma Ação é opcional, podendo o jogador pular essa etapa. Se desejar escolher uma ação, o jogador deverá escolher ou a ação mostrada na Peça de Ação da mesma linha da Ficha de Botão que ele pegou, ou a mostrada na da mesma coluna. Em uma partida de dois jogadores, algumas Peças de Ação mostram duas ações cada, devendo o jogador escolher apenas uma delas, enquanto em uma partida de cinco jogadores duas das Fichas de Botão permitem que o jogador escolha dentre duas linhas (mas nenhuma coluna) e outras duas permitem a escolha entre duas colunas (mas nenhuma linha).

Não importa quantos estejam jogando, as Peças de Ação dão opção de oito ações diferentes: Planejamento de Jogo (pegue duas Fichas de Botão sorteadas do saquinho e as coloque em sua área de jogador, devolvendo as da Pilha de Descartes para o saquinho caso necessário), Me Dá Uma Graninha? (pegue da reserva 1 Ficha de Promessa e 2 Granas; não pode ser escolhida se o jogador já tiver 8 Fichas de Promessa), Pedido de Presente (pegue 3 Fichas de Promessa da reserva e 1 Carta de Jogo da Loja, mantendo o cristal de novidade sobre ela até ele ser jogado; não pode ser escolhida se o jogador já tiver 6, 7 ou 8 Fichas de Promessa), Acordar Cedo (pegue uma Ficha de Botão da Grade de Ações, colocando no mesmo lugar onde ela estava uma Ficha de Botão de sua área de jogo, e coloque seu segundo cubo na Peça de Iniciativa; não pode ser escolhida caso o jogador não tenha Fichas de Botão), Estudar Dia e Noite (retorne 1 ou 2 Fichas de Promessa para a reserva; não pode ser escolhida se o jogador não tiver Fichas de Promessa), Visitando os Avós (retorne 1 Ficha de Promessa para a reserva e pegue 1 Grana; não pode ser escolhida se o jogador não tiver Fichas de Promessa), Ir ao Jornaleiro (retorne 1 Grana para a reserva e pegue uma das Cartas de Revista do Jornaleiro, mantendo o cristal de novidade sobre ela até a revista ser usada; não pode ser escolhida se o jogador não tiver Grana) e Ir na Locadora (não pode ser escolhida se o jogador não tiver Grana).

Ir na Locadora eu vou explicar separadamente porque tem muitos passos. Primeiro, o jogador deverá pagar pelo aluguel: um jogo comum custa 1 Grana, enquanto um lançamento (uma carta com cristal de novidade) custa 2 Granas. Após escolher o jogo e pagar por ele, o jogador coloca um meeple de sua cor sobre a carta escolhida, para representar que o jogo está em sua casa e ninguém mais poderá alugá-lo - evidentemente, por causa disso, o jogador não poderá escolher uma carta que já tenha um meeple sobre ela. Cada jogador pode escolher até três jogos, desde que tenha meeples disponíveis e possa pagar por eles - mas nenhum pai deixaria seu filho alugar mais de três jogos de uma vez, então três é o máximo.

Após Escolher uma Ação, o jogador deve Descartar Fichas de Botão, o que é obrigatório caso o jogador tenha 8 fichas em sua área de jogo, mas opcional se não tiver. Somando todas as suas Fichas de Botão e Fichas de Promessa, um jogador nunca pode ter mais de 8 fichas em sua área de jogo; nesse momento, se ele tiver, deverá descartar Fichas de Botão para a Pilha de Descartes até que tenha apenas 8. As Fichas de Botão são usadas para formar combinações para Jogar os Jogos, enquanto as Fichas de Promessa são promessas que o jogador fez a seus pais em troca de Grana ou Jogos - e não é possível enrolar seus pais, por isso não é permitido descartar Fichas de Promessa. Um jogador que promete muito, por causa disso, pode acabar se prejudicando e não conseguindo jogar seus jogos.

A quarta é Jogar Jogos: nesse momento, um jogador pode jogar seu Jogo Inicial, um jogo que ganhou de presente, ou um que alugou usando a ação Ir na Locadora. Um jogador pode alugar um jogo que não tenha intenção de jogar, apenas para impedir que outro jogador o alugue, o que significa que Jogar Jogos é opcional - um jogador não é obrigado a Jogar nesse momento nenhum jogo da locadora no qual tenha colocado seu meeple.

Cada Carta de Jogo possui, além de uma figura e de seu nome, as seguintes informações: Gênero (Plataforma, Luta, Tiro, RPG, Esporte ou Variedade), Dificuldade (fácil, normal ou difícil, representados por uma, duas ou três caveiras, respectivamente), Pontos (quantos pontos o jogador receberá no fim da partida se tiver Zerado esse jogo) e Combinação (o que o jogador precisa fazer para Jogar ou Zerar esse jogo). Para Jogar e Zerar jogos, os jogadores usarão as Fichas de Botão, que são numeradas de 0 a 9 e disponíveis em cinco "naipes" diferentes, cada um de uma cor (vermelho, verde, roxo, laranja ou azul). Cada Combinação pode ser de cinco tipos: Sequência (fichas de numeração consecutiva, sem importar o naipe), Mesma Cor (fichas do mesmo naipe, sem importar os números), Sequência da Mesma Cor (fichas de numeração consecutiva, todas do mesmo naipe), Igualdade (fichas com números iguais, não importa o naipe) ou Combo (duas fichas de um número mais duas ou três de outro número, não importa o naipe).

Após escolher qual jogo vai Jogar, o jogador deverá descartar suas Fichas de Botão (aquelas que estão em sua área de jogador) para formar a Combinação, colocando as fichas sobre a Peça de Descarte - por exemplo, se a Combinação exige uma Sequência de três fichas da Mesma Cor, o jogador poderá descartar as fichas dos números 3, 4 e 5 da cor laranja (mas o 0 não é consecutivo do 9, o que significa que ele não poderia descartas as fichas 9, 0 e 1, por exemplo). Se a Combinação tiver um símbolo de play, ela deve ser feita até ali para o jogo ser considerado Jogado, e sempre a Combinação deve ser feita até o final para que ele seja considerado Zerado - sendo que nenhum jogo com três ou mais fichas na Combinação pode ser Zerado de primeira, com todos devendo ser primeiro Jogados e depois Zerados, e nenhum jogador pode fazer Combinações "aos poucos", ou seja, sempre deve descartar todas as fichas necessárias para Jogar ou para Zerar.

Após Jogar ou Zerar um jogo, o jogador coloca sobre ele um Marcador de Jogado/Zerado de sua cor sobre ele, com o lado apropriado para cima. Se a Combinação tiver o símbolo de Empolgação, o jogador pega uma Ficha à sua escolha da Trilha de Empolgação após colocar o marcador, repondo-a com uma sorteada do saquinho - a Trilha de Empolgação deve ter sempre 4 Fichas. O Marcador de Jogado conta como um curinga, ou seja, ao tentar Zerar um jogo que já foi Jogado, o jogador poderá usá-lo para substituir uma das Fichas de Botão necessárias (mas, evidentemente, ao invés de descartar o Marcador, ele será somente virado para o outro lado). Não há limite para quantos Marcadores um mesmo jogo pode ter, mas cada jogo pode ter apenas um Marcador de cada jogador - não há problema nenhum em Jogar um jogo que outro jogador já Zerou ou vice-versa. Ao Jogar ou Zerar um jogo que tenha um cristal de novidade, o jogador pode pegar o cristal para si - lembrando que um jogo da Locadora sem cristal deixa se ser um lançamento e fica mais barato para alugar.

Após Jogar Jogos, o jogador Passa a Vez, com o jogador seguinte na ordem de turnos executando as mesmas cinco etapas, na mesma ordem. Depois que todos os jogadores tiverem Passado a Vez, começa uma segunda Fase de Rotina, igualzinha, e, quando todos tiverem passado a vez de novo, começa uma terceira, idêntica. Somente após o final da terceira Fase de Rotina é que começa a quinta fase, a Fase de Ajuste de Iniciativa: a Peça de Iniciativa possui duas linhas de ordem de turnos, a atual e a "reserva". Toda vez que um jogador escolhe a ação Acordar Cedo, ele pega seu segundo cubo e o coloca na primeira posição desocupada da linha reserva, da esquerda para a direita. Na Fase de Ajuste de Iniciativa, os cubos da linha atual cujos jogadores colocaram um cubo na linha reserva retornam para seus donos, os demais na linha atual são movidos para a direita até que todos os espaços desocupados fiquem à esquerda, e os da linha reserva são movidos para esses espaços vazios nas mesmas posições. Essa será a ordem na qual os jogadores vão jogar a partir de agora.

A sexta e última fase é o Fim de Semana: seguindo a nova ordem de turnos, cada jogador pode Ir à Locadora e Jogar Jogos seguindo as regras normais. Ambas as ações são opcionais, e, após fazê-las (ou não), o jogador Passa a Vez para o seguinte.

Após todos passarem a vez no Fim de Semana, começa uma nova semana, com a Fase de Renovar Tabuleiro, na qual serão feitas cinco coisas. A primeira é devolver todos os meeples que estão sobre os jogos da Locadora a seus respectivos jogadores, representando que eles devolveram os jogos à Locadora. A segunda é renovar a Grade de Ação, descartando todas as Fichas de Botão ainda presentes nela, colocando-as em uma pilha sobre a Peça de Descarte, e sorteando novas Fichas de Botão do saquinho para completar a Grade até que ela fique como estava no início da partida; se as Fichas do saquinho acabarem, as da Pilha de Descartes vão para o saquinho, onde serão embaralhadas e sorteadas. A terceira é revelar os dois próximos jogos da Locadora, virando suas cartas com a face para cima. A quarta é renovar o Jornaleiro, devolvendo para a caixa quaisquer cartas que ainda estejam abertas (e devolvendo para o saquinho seus cristais de novidade) e revelando as três primeiras cartas do monte, colocando um cristal do saquinho em cada uma delas. E a quinta é última é renovar a Loja, usando o mesmo processo do Jornaleiro.

Antes de passar para a pontuação, ainda é preciso falar sobre três coisas. A primeira são as Revistas, que trazem macetes, códigos e detonados que vão ajudar os jogadores a zerar os jogos - além de inteirá-los das novidades. Cada Revista possui dois ícones de Gênero, somente podendo ser usada para Jogar ou Zerar um jogo que corresponda a um desses Gêneros. Assim como um Marcador de Jogado, uma Revista atua como um curinga, substituindo qualquer Ficha de Botão - é possível, inclusive, Zerar um jogo usando apenas Revistas e o Marcador de Jogado, sem usar Fichas de Botão. Uma revista só pode ser usada caso ainda tenha seu cristal de novidade; uma revista sem cristal não pode ser usada, mas deve ser mantida porque pode valer pontos de Reputação.

A segunda é o Caderno de Passwords, onde os jogadores anotavam macetes, códigos e senhas dos jogos que jogavam. Toda vez que um jogador Jogar ou Zerar um jogo que ganhou de presente, um lançamento que alugou na Locadora, ou usar uma Revista, ele pega o cristal de novidade que estava na carta correspondente e o coloca em seu Caderno de Passwords, em um espaço ou da mesma cor do cristal, ou que tenha o símbolo do arco-íris - caso não haja um espaço disponível, coloque o cristal na parte "furada" da folha, pois ele ainda poderá valer Reputação. Toda vez que completa uma linha ou coluna do Caderno de Passwords, o jogador ganha a recompensa indicada, que pode ser uma Ficha de Botão sorteada do saquinho, retornar uma Ficha de Promessa para a reserva, Grana ou pontos - somados ao seu total no fim da partida. Uma vez colocado um cristal no Caderno de Passwords, ele não pode ser mudado de lugar. Cristais que estejam na área de jogo do jogador mas não estejam no Caderno de Passwords - em Revistas que o jogador não usou ou em jogos que ele não jogou, por exemplo - não contam para Reputação.

A terceira são as cartas de Reputação. Cada carta aberta sobre a mesa possui um pré-requisito, como Jogar ou Zerar um determinado número de jogos ou ter em sua posse uma determinada quantidade de itens; assim que um jogador cumpre esse pré-requisito, ele poderá pegar a carta em questão, que valerá o número de pontos mostrados nela ao fim da partida, e colocá-la em sua área de jogo. Somente o primeiro jogador a cumprir o pré-requisito ganha os pontos, o que significa que um jogador não pode pegar uma carta que está na área de jogo de outro.

Pois bem, caso seja a quinta e última semana, ao invés de uma Fase de Renovar Tabuleiro, ocorre a Pontuação Final: cada jogador ganha os pontos mostrados em todos os jogos que Zerou, nas linhas e colunas do Caderno de Passwords que completou, nas cartas de Reputação que conquistou, e mais 2 pontos extras para cada jogo que Jogou ou Zerou além do quinto. O jogador com o maior número de jogos Jogados (com jogos Zerados contando como Jogados) e o jogador com o maior número de cristais de novidade em seu Caderno de Passwords ganham 8 pontos extras cada um (podendo o mesmo jogador ganhar os 16 pontos); caso haja empate em uma dessas categorias, cada um dos empatados ganha 4 pontos. O jogador com mais pontos é coroado O Bom do Videogame - caso haja empate, ganha o que tiver somado mais pontos por Zerar jogos, seguido do que ganhou mais pontos de Reputação, terminando empatado se ainda assim o empate persistir.

Para terminar, vale citar que o andamento do jogo foi planejado para que os jogadores saibam quando estão terminando as Fases de Rotina e quando está acabando o jogo: no final da terceira Fase de Rotina, a Grade de Ações sempre terá um número de Fichas de Botão igual ao número de jogadores (exceto numa partida para dois jogadores, na qual sobrarão 3 Fichas de Botão), e, na última semana, todas as cartas da Locadora estarão abertas, os montes de compras do Jornaleiro e da Loja estarão esgotados, e o saquinho de cristais de novidade estará vazio.
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sábado, 3 de outubro de 2026

Escrito por em 3.10.26 com 0 comentários

Witchblade

Faz muitos anos já que eu tento escrever um post sobre Witchblade, uma das revistas da Image Comics que eu mais gostava, mas sempre acabo desistindo porque, aparentemente, ninguém nunca se preocupou em organizar as informações sobre ela da mesma forma como já fizeram com outras revistas de super-heróis. No início desse ano, eu decidi tomar essa tarefa para mim e escrever esse post do jeito difícil, consultando múltiplas fontes online e as revistas da Witchblade que eu ainda tenho aqui em casa. Por causa disso, eu decidi que esse post não teria prazo para ir ao ar, e que eu somente o postaria quando estivesse satisfeito com o que consegui reunir. Levou uns bons meses, mas, aparentemente, o dia é hoje. Hoje é dia de Witchblade no átomo!

A primeira coisa que precisa ser dita é que "Witchblade" (que, traduzida literalmente, é a "lâmina da bruxa", mas, por incrível que pareça, é um trocadilho com switchblade, aquela faca cuja lâmina se dobra para dentro do cabo, muito usada em filmes por membros de gangues) não é o codinome da super-heroína, no mesmo sentido que o são "Mulher Maravilha" ou "Tempestade". A Witchblade é um artefato milenar e consciente, capaz de assumir várias formas, sendo a sua preferida a de uma luva que se encaixa no braço direito de um hospedeiro humano, conferindo-o poderes inimagináveis, mas também lentamente dominando sua mente - e, dizem, levando à sua morte. Feita de material orgânico, a Witchblade é quase indestrutível, e consegue alterar sua forma e sua massa à vontade, se transformando em um bracelete ou gargantilha para se camuflar no corpo do hospedeiro, o qual cobre com tentáculos semelhantes a uma carapaça de inseto enquanto está ativada - quando torna o hospedeiro capaz de produzir diversos tipos de armas, lançar rajadas de energia, ou até usar os tais tentáculos para ataque e defesa. A Witchblade é o filho de duas entidades sobrenaturais presentes desde o início do universo, chamadas Darkness e Angelus, sendo que o Darkness (que significa, literalmente, escuridão) é associada à escuridão, enquanto a Angelus é associado à luz. E sim, "o filho", porque, apesar de, em português, todo mundo falar "a Witchblade", o artefato é do sexo masculino, o que faz com que ele prefira hospedeiros do sexo feminino.

A moça que todo mundo costuma identificar como "a Witchblade" se chama Sara Pezzini, e é detetive de polícia na cidade de Nova Iorque. Durante uma investigação, Sara se depara com um "teste de Excalibur", no qual criminosos de alta periculosidade pagaram elevadas quantias pelo direito de experimentar a Witchblade e ver se o artefato aceita algum deles como hospedeiro - com os que não são aceitos se arrependendo amargamente. Baleada ao ser revelada como policial, Sara iria morrer, se a Witchblade não decidisse que ela era a hospedeira que ele estava procurando, rastejando até seu braço e mudando sua vida para sempre.

O responsável por tentar encontrar um hospedeiro para a Witchblade era o milionário Kenneth Irons, que é obcecado pelo artefato, conhecendo a fundo sua história e tendo em sua casa um santuário dedicado à Witchblade e a seus hospedeiros anteriores - com um deles sendo ninguém menos que Joana d'Arc. Irons treinou seu homem de maior confiança, Ian Nottingham, para sobreviver a um ritual no qual ele se tornaria o hospedeiro da Witchblade, no processo transformando-o em um lutador de reflexos sobre-humanos, capaz de pegar um tiro com as mãos nuas - sem que Nottingham saiba, contudo, o objetivo final de Irons é transferir a Witchblade para si mesmo, usando o subordinado apenas como cobaia para o processo. Para que o ritual dê certo, porém, primeiro a Witchblade precisa se combinar a um hospedeiro de forma natural, para depois ser extraída e combinada a Nottingham, o que faz com que Irons e Nottingham passem a perseguir Sara depois do incidente, com a detetive e o assassino desenvolvendo um relacionamento que mistura ódio e romance.

Witchblade não é uma revista de super-heróis tradicional, já que Sara não usa a Witchblade para combater supervilões, estando mais para uma história policial com elementos de fantasia e sexuais - quase toda edição tem alguém seminu ou fazendo sexo, o que torna a revista bastante parecida com os filmes policiais dos anos 1970, e o próprio "uniforme" de Sara ao ativar a Witchblade parece ter sido pensado para atrair o público masculino adolescente. Enquanto aprende a usar os poderes da Witchblade e tenta escapar das investidas de Irons e Nottingham, Sara continua trabalhando como policial, com vários casos que ela investiga sendo abordados em suas histórias, contando com personagens coadjuvantes como o Chefe de Polícia, Joe Siry; o parceiro de Sara, Jake McCarthy; e o detetive Eric Sketh, transferido de Los Angeles. Outros coadjuvantes dignos de nota são a irmã mais nova de Sara, Julie, que é modelo e não tem rumo na vida; e Jackie Estacado, que trabalha para a máfia e cujos caminhos vivem se cruzando com os de Sara.

Criada por Marc Silvestri, David Wohl, Brian Haberlin e Michael Turner, Witchblade seria lançada pela Top Cow, uma das editoras que faziam parte da Image Comics, em novembro de 1995. Silvestri seria um dos sete fundadores da Image, e, originalmente, a Top Cow publicaria dois títulos estrelados por super-heróis bem parecidos com os X-Men: Cyberforce, no qual um grupo de mutantes ciborgues luta contra a mega corporação que fez as alterações cibernéticas em seus corpos, no caso de muitos deles, contra a sua vontade; e Codename: Strykeforce, na qual o líder da Cyberforce, o Coronel Morgan Striker, reúne uma equipe de elite dotada de superpoderes para participar de missões de alto risco das quais as habilidades da Cyberforce não dariam conta. Witchblade seria o primeiro título da Top Cow a não trazer mutantes nem ter relação com a Cyberforce, e seria considerada "o início do Universo Top Cow", já que, depois dela, muitos títulos de sucesso da editora seriam lançados tendo relação com o Darkness e a Angelus.

A versão originalmente criada por Silvestri seria uma super-heroína mais tradicional, com sua primeira aparição sendo uma participação especial no crossover Cyblade / Shi, de agosto de 1995, com roteiro de Haberlin e arte de Silvestri, na qual Sara tinha um uniforme com direito a capa e usava o codinome Witchblade. Depois disso, Silvestri não teria mais envolvimento com a personagem, que seria reimaginada em sua versão oficial por Wohl e Turner. A primeira edição de Witchblade teria roteiros de Wohl, Haberlin e Christina Z e arte de Turner - as moças de rosto de boneca, lábios cheios, seios fartos e cinturas finas desenhadas por Turner seriam consideradas a marca registrada de Witchblade, e sua fama desenhando o título permitiria que ele criasse sua própria heroína, Fathom, mais tarde saindo da Top Cow e levando-a para sua própria editora, a Aspen MLT. Já Christina Z, uma norte-americana nascida em Munique, na Alemanha, e que começou a carreira como jornalista de música, faria quase toda a sua carreira nos quadrinhos escrevendo para a Top Cow, e muitas das ideias sobre o passado da Witchblade viriam dela.

Wohl e Christina teriam uma longa carreira nos roteiros, escrevendo nada menos que as 39 primeiras edições da revista, com Wohl ainda retornando para escrever sozinho quase todas as edições entre a 45 e a 75, com o roteirista da maioria das edições entre a 40 e a 53 sendo Paul Jenkins. Mas o recorde da revista pertenceria a Ron Marz, que assumiria na edição 80, em novembro de 2004, e escreveria até a 150, de dezembro de 2011. Ex-roteirista do Surfista Prateado e do Lanterna Verde - sendo o criador de Crepúsculo Esmeralda, a famosa história na qual Hal Jordan se torna o vilão Paralax - Marz primeiro estabeleceria Sara como a única portadora da Witchblade - pois, nas edições anteriores, vários outros personagens conseguiriam utilizar o artefato simultaneamente ou ao invés dela - para depois criar uma nova personagem, a bailarina Danielle Baptiste, que assumiria a Witchblade e deixaria Sara sem poderes; Marz também decidiria que Sara ficaria grávida de Jackie e teria uma filhinha chamada Hope, com Dani devolvendo a Witchblade à policial para salvar a vida das duas. A principal marca da passagem de Marz, entretanto, seria que ele expandiria a mitologia da Witchblade, do Darkness e da Angelus, escrevendo algumas das edições de maior vendagem da história da Top Cow.

Marz seria substituído por Tim Seeley, que tentaria fazer uma Sara mais pé no chão, numa época em que a Witchblade seria parte da saga Top Cow Rebirth, criada em comemoração pelos 20 anos da Top Cow. Seeley escreveria até a edição 169, de setembro de 2013, com Marz voltando na 170 para bagunçar a vida de Sara, que ficaria ressentida imaginando que a Witchblade era responsável por evitar que ela conseguisse avançar na vida, e cogitasse se livrar do artefato de uma vez por todas. Marz seria o roteirista até a edição 185, de novembro de 2015, quando, para aproveitar o aniversário de vinte anos da primeira edição, a Top Cow decidiria encerrar a saga de Sara Pezzini, permitindo que ela encontrasse outro hospedeiro definitivo para a Witchblade e fosse viver sua vida - curiosamente, a capa da edição 185 teria arte idêntica à da edição 1. Além das 185 edições mensais, Witchblade teria duas edições anuais, lançadas em 2009 e 2010.

Falando em arte, Turner seria o artista de Witchblade até a edição 27 - exceto pela 24 e 26, desenhadas por Randy Green, que co-desenharia a 27 assumiria a arte a partir da 28, de fevereiro de 1999. Green tinha um estilo parecido com o de Joe Madureira, que desenhou os X-Men na década de 1990, mas não agradou aos fãs de Witchblade, sendo substituído por Keu Cha, que tinha um estilo parecido com o de Turner, na edição 40, de junho de 2000. Após uma passagem de Brian Ching entre as edições 50 e 59, e uma de Eric Basaldua entre a 60 e a 79, com Marz viria Mike Choi, que ficaria até a 115, sendo substituído na 116, de abril de 2008, por Stjepan Sejic, que é considerado o maior artista de Witchblade, acima até mesmo de Turner, e ilustraria as histórias de Marz até ele sair na 150. Com Seeley, na 151, estrearia Diego Bernard, que sairia junto com ele na 169, assumindo Laura Braga na 170 e ficando até o final.

Além de na série regular, a Witchblade seria a estrela de várias minisséries e edições especiais lançadas pela Top Cow. Entre maio e julho de 1996, seria publicada a minissérie em três edições Medieval Spawn / Witchblade, com roteiros de Garth Ennis e arte de Brandon Peterson, na qual o Spawn Medieval e Katarina Godliffe, a hospedeira da Witchblade na época, se unem para impedir que o tirano Lord Cardinale conquiste o Reino das Fadas. Essa minissérie daria uma ideia a Christina Z e, para a edição 9, de setembro de 1996, ela e Wohl escreveriam uma história, com arte de Tony Daniel, na qual a Witchblade projeta na mente de Sara a vida de uma de suas hospedeiras anteriores, a pirata Anne Bony. Essa história seria um teste para o lançamento de uma nova revista, protagonizada por outras hospedeiras, passadas ou futuras, da Witchblade. Chamada Tales of the Witchblade, essa revista teria 10 edições, publicadas trimestralmente entre novembro de 1996 e janeiro de 2001, com roteiros de Christina Z, David Finch, Bill O'Neil e Warren Ellis, e arte de Tony Daniel, Nathan Cabrera, Billy Tan, Richard Bennett, Christian Zanier e David Boller. Infelizmente, a revista não teve as vendas imaginadas e acabou cancelada, mas não sem a curiosidade de contar na última edição com a participação especial de Lara Croft - que não, não foi hospedeira da Witchblade - o que faz com que ela não possa ser republicada, já que o contrato de licenciamento da personagem para a Top Cow já expirou.

Lara Croft não estava lá por acaso: no auge da popularidade de Witchblade, a Top Cow conseguiria licenciá-la junto à Eidos e à Core para um crossover Tomb Raider / Witchblade, com roteiro de Turner e arte de Turner e Ching, lançado em dezembro de 1997, no qual Sara acaba topando com Lara ao investigar um assassinato, do qual a arqueóloga passa a ser suspeita. As duas ainda se encontrariam em Witchblade / Tomb Raider, de julho de 2000, com roteiro de O'Neill e arte de Keu Cha, mas, antes disso, o sucesso do crossover garantiria a Lara uma série só dela, Tomb Raider, inicialmente com roteiros de Dan Jurgens e arte de Andy Park, que teve 52 edições publicadas entre dezembro de 1999 e março de 2005.

Também em 1997, Sara seria uma das personagens envolvidas na saga O Reino do Demônio, cuja primeira edição foi lançada em março, na qual Mefisto descobre um caminho que leva até o Universo Top Cow, planejando usar as almas de seus habitantes para se tornar mais poderoso que nunca, mas alguns heróis Marvel conseguem ir atrás dele e se unem aos heróis da Top Cow para impedi-lo. Sara participaria de duas edições: Wolverine / Witchblade, que tem roteiro de Wohl, Turner e Christina Z e arte de Turner, e Witchblade / Elektra, que tem roteiro de Wohl e Christina Z e arte de Turner e Joe Benitez.

Além de ser um personagem mais ou menos regular de Witchblade, Jackie Estacado seria o astro de sua própria revista, The Darkness, na qual também ganha poderes sobrenaturais, mas conferidos pelo Darkness - e na qual Sara faria algumas participações especiais. A ligação entre os dois faria com que algumas histórias fossem compartilhadas entre as revistas, alternando as histórias entre a Witchblade e a The Darkness, com uma delas, que envolvia um grupo chamado Necrobi tentando fazer com que a Witchblade se tornasse capaz de controlar o poder do Darkness, tendo quatro partes, uma publicada na Witchblade, uma na The Darkness, uma na edição especial Witchblade / Darkness e uma na edição especial Darkness / Witchblade. Em junho de 1998, também seria publicado um crossover, Witchblade / The Darkness, com roteiro de Wohl e David Finch e arte de Brian Ching, na qual Jackie tenta impedir que Sara reúna provas contra um mafioso amigo seu acusado de assassinato. Sara e Jackie também seriam os astros de duas minisséries curiosas: Overkill: Witchblade / Aliens / Darkness / Predator, em duas edições publicadas em novembro e dezembro de 1999, com roteiros de Jenkins e arte de Clarence Lansang, Joe Benitez e Brian Ching, no qual Aliens vêm a Nova Iorque colocar ovos, Predadores vêm atrás deles para caçá-los, e Sara e Jackie são pegos no meio da confusão, e sua sequência com mais ou menos a mesma história, Witchblade / Aliens / Darkness / Predator: Mundhunter, em três edições publicadas entre dezebro de 2000 e fevereiro de 2001, com roteiros de David Quinn e arte de Mel Rubi.

A Witchblade também faria crossovers com duas das mais famosas bad girls dos quadrinhos. A primeira seria Lady Death, da Chaos! Comics, em duas edições: Lady Death / Medieval Witchblade, de julho de 2001, ambientada na Idade Média, com roteiro de Brian Augustyn e arte de Romano Molenaar, na qual Lady Death e Katrina unem forças contra a tirana Rainha Morgana; e Witchblade / Lady Death, de novembro de 2001, com roteiro de Wohl e arte de Joel Gomez, ambientada na época atual, na qual um executivo tenta conjurar um demônio para obter vantagens financeiras, mas tudo dá errado, e cabe a Sara e Lady Death colocar as coisas de volta nos eixos.

A segunda seria Vampirella, da Dynamite Entertainment, com quem Sara dividiria três edições: Vampirella / Witchblade, de julho de 2003, com roteiro de Brian Wood e arte de Steve Pugh, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um lobisomem assassino em Nova Iorque; Vampirella / Witchblade: Union of the Damned, de julho de 2003, com roteiro de Justin Gray e arte de Joelle Jones, na qual Sara e Vampirella vão até o inferno enfrentar um lorde demônio; e Vampirella / Witchblade: The Feast, de outubro de 2005, com roteiro de Justin Grey e arte de Joyce Chin, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um grupo de vampiros assassinos em Nova Iorque. Vale citar também Tomb Raider / Witchblade / Magdalena / Vampirella, de agosto de 2005 e que tinha duas histórias, uma só com Lara e uma com roteiro de Gail Simone e arte de Joyce Chin, na qual Sara, Magdalena e Vampirella unem forças para derrotar um lorde vampiro.

Sara também dividiria duas edições com a super-heroína indiana Devi, da Virgin Comics: Witchblade / Devi, com roteiro de Marz e arte de Basaldua, e Devi / Witchblade, com roteiro de Samit Basu e arte de Mukesh Singh, ambas de abril de 2008. Em uma história em duas partes, a investigação de um assassinato leva Sara à Índia, onde ela descobre que o culpado não é um humano comum, e sim um espírito milenar sob o comando de um dos inimigos de Devi, Lord Bala, com as duas se unindo para derrotá-lo.

Também vale citar a saga Monster War, que reuniria quatro edições especiais nas quais personagens da Top Cow enfrentariam monstros clássicos do cinema. Sara seria a estrela da terceira, de agosto de 2005, com roteiro de Christopher Golden e Tom Sniegoski e arte de Vitor Ishimura, na qual ela enfrenta o Monstro de Frankenstein - com o título na capa da edição sendo Witchblade vs. Frankenstein: Monster War. Nas outras três, caso alguém esteja curioso, Lara Croft enfrentava o Lobisomem, Jackie Estacado enfrentava o Sr. Hyde, e Magdalena enfrentava o Drácula.

Outros crossovers envolvendo a Witchblade seriam Dark Minds / Witchblade, de agosto de 2000, com roteiro de Wohl e Pat Lee e arte de Lee, na qual os detetives Nakiko e Takahashi investigam uma série de assassinatos que podem estar ligados à Witchblade; JLA / Witchblade, de dezembro de 2000, com roteiro de Len Kaminski e arte de Mark Pajarillo, na qual Sara vai a Gotham visitar sua amiga Barbara Gordon, mas as coisas saem do controle quando a Witchblade decide pegar a Mulher Maravilha como hospedeira; Battle of the Planets / Witchblade, de janeiro de 2003, com roteiro de Munier Sharrieff e arte de Alam Tam, na qual a Witchblade escolhe como hospedeira a Princesa da equipe G-Force; Witchblade / Dark Minds: Return of Paradox, de junho de 2004, com roteiro de Wohl e arte de Lou Kang, na qual Nakiko se torna a hospedeira da Witchblade para deter o vilão Paradox; Witchblade / Wolverine, também de junho de 2004, com roteiro de Chris Claremont e arte de Basaldua, no qual Logan e Sara se casam, mas descobrem que isso faz parte do plano de uma mutante que manipula memórias e planeja se tornar hospedeira da Witchblade; Witchblade: Shades of Grey, minissérie em quatro edições lançadas entre março e novembro de 2007, com roteiros de John Reppion e Leah Moore e arte de Stephen Segovia e Walter Geovani, na qual Sara investiga uma série de assassinatos dos quais o principal suspeito é Dorian Gray; Witchblade / The Punisher, de junho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Adriana Melo, na qual um transporte de prisioneiros que Sara acompanha é atacado pelo Justiceiro e ela decide confrontá-lo; Unholy Union, de julho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Michael Broussard e Chaz Riggs, na qual o Motoqueiro Fantasma quer punir Jackie, Sara enfrenta um Hulk enfurecido, e o Dr. Estranho tenta pôr ordem na casa; e Witchblade / Red Sonja, minissérie em cinco edições lançadas entre fevereiro e julho de 2012, com roteiros de Doug Warner e arte de Cezar Razek, na qual os destinos de Sara e Sonja se cruzam enquanto a primeira investiga o assassinato de um padre e a segunda enfrenta uma criatura demoníaca no interior de uma montanha.

Outras minisséries estreladas por Sara seriam Witchblade: Destiny's Child, em três edições lançadas entre junho e setembro de 2000, com roteiros de Christina Z e arte de David Boller, que contava como Irons e Nottingham se conheceram, e dava a entender que Sara estava destinada desde o nascimento a ser a hospedeira do artefato; First Born, em três edições lançadas entre agosto e novembro de 2007, na qual o Darkness e a Angelus disputam a posse de Hope, e sua continuação, Broken Trinity, em três edições lançadas entre julho e novembro de 2008, ambas com roteiros de Marz e arte de Sejic; e Witchblade: Demon Reborn, em quatro edições publicadas entre agosto e novembro de 2012, na qual um assassino serial que Sara matou anos antes (na Witchblade regular) retorna como um demônio disposto a levá-la com ele para o inferno, com roteiros de Ande Parks e arte de Jose Luis.

Também seriam publicadas duas histórias da Witchblade ambientadas em realidades alternativas. A primeira seria a edição especial Witchblade Infinity, com roteiro e arte de Adam Polina, ambientada em uma realidade na qual a hospedeira da Witchblade é a dominatrix Kimberly Tossova, que entra em contato com o artefato após um de seus clientes roubá-lo de Irons. A segunda seria a minissérie Switch, em quatro edições publicadas entre outubro de 2015 e julho de 2016; inicialmente um projeto pessoal de Sejic para sua página no site Deviant Art, Switch acabaria rendendo ao artista um convite para transformar a história de uma adolescente chamada Mary que se torna hospedeira da Witchblade e passa a ser disputada por Irons, pelo Darkness e pela Angelus. Originalmente prevista para ser uma série regular, Switch teve de ser encerrada prematuramente devido a problemas de saúde de Sejic.

Entre maio de 2010 e novembro de 2014, seria publicada a série Artifacts, na qual Sara e Jackie estavam dentre seus protagonistas. Originalmente, Artifacts deveria ser uma minissérie em 13 edições, cada um focada em um dos artefatos emblemáticos do Universo Top Cow - com as três primeiras edições abordando, respectivamente, a Witchblade, o Darkness e a Angelus. A minissérie faria tanto sucesso que a Top Cow decidiria transformá-la em uma série regular cujo desfecho teria impacto em todos os títulos da editora - e que seria parcialmente responsável pelo cancelamento da Witchblade em 2015. Ao todo, Artifacts teria 41 edições, numeradas de 0 a 40; a maioria delas seria escrita por Marz, e muitas contariam com desenhistas iniciantes escolhidos através de um concurso.

Apesar do cancelamento, Witchblade continuaria sendo muito popular dentre os fãs, de forma que, em 2017, a Top Cow começaria a discutir se valeria a pena trazer a revista de volta - mesmo após Sara ter recebido um final definitivo, o que os norte-americanos costumam chamar de closure. A solução seria, evidentemente, trazer a Witchblade de volta, mas com outra hospedeira. Assim, a segunda Witchblade, com numeração recomeçando do 1, seria lançada em dezembro de 2017, com roteiros de Caitlin Kittredge e arte de Bryan Valenza e Roberta Ingranata. A protagonista da nova série não é Sara, e sim a jornalista Alex Underwood, que se torna hospedeira da Witchblade após ser baleada por criminosos; enquanto tenta descobrir como funcionam os poderes do artefato, Alex se vê caçada por demônios que se disfarçam de humanos, que tentam matá-la e pegar a Witchblade para si antes que ela fique poderosa demais. Infelizmente a nova série não faria sucesso, e acabaria cancelada após apenas 18 edições, a última de março de 2020.

No início dos anos 2000, o sucesso de Witchblade era tamanho que ela se tornaria a primeira revista da Image a ser adaptada para uma série de televisão. Com roteiros de Ralph Hemecker e Richard C. Okie, a série teria um piloto exibido pelo canal TNT em 27 de agosto de 2000, mais duas temporadas, a primeira com 11 episódios, exibidos entre 12 de junho e 21 de agosto de 2001, a segunda com mais 12, exibidos entre 16 de junho e 26 de agosto de 2002. O elenco conta com Yancy Butler como Sara Pezzini, David Chokachi como Jake McCartney, Anthony Cistaro como Kenneth Irons, Will Yun Lee como o detetive Danny Woo, John Hensley como Gabriel Bowman e Eric Etebari como Ian Nottingham, e a história é mais ou menos fiel à dos quadrinhos (sem a parte do sexo e das mulheres seminuas), com Sara investigando crimes enquanto tenta lidar com a Witchblade e seus poderes e sendo perseguida por Irons e Nottingham.

Em 2004, a Top Cow conseguiria um acordo com a editora Kodansha para lançar no Japão uma versão de Witchblade em mangá. Com o nome de Witchblade Takeru, roteiros de Yasuko Kobayashi e arte de Kazuasa Sumita, o mangá teria personagens e situações diferentes da revista em quadrinhos, mas a mesma ideia central, com uma jovem mulher acidentalmente se tornando hospedeira da Witchblade e tendo de conciliar sua vida com os pensamentos intrusivos e poderes do artefato enquanto é caçada por um milionário e um mercenário que o desejam para si - no caso, a jovem mulher é a colegial Takeru Ibaraki, que foi criada em um monastério budista e desde criança já tinha sonhos com a Witchblade. O mangá seria publicado no Japão entre março de 2006 e março de 2007, e lançado traduzido nos Estados Unidos pela Bandai um ano depois, entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008.

Logo após anunciar que seria produzido um mangá, a Top Cow anunciaria ter fechado um contrato com o estúdio Gonzo para produzir um anime - que todo mundo achou que seria a adaptação do mangá, principalmente por Kobayashi também ser o roteirista, mas era uma outra história completamente nova, cuja protagonista se chamava Masane Amaha. Desastrada mas de bom coração, Masane perdeu a memória seis anos antes do início da série, e, durante esse período, sabe-se lá como, se tornou hospedeira da Witchblade, cujos poderes se manifestam quando ela se vê envolvida em uma disputa entre uma corporação multinacional e uma agência governamental. O anime, chamado simplesmente Witchblade, teria um total de 24 episódios, originalmente exibidos pelo canal JNN entre 6 de abril e 21 de setembro de 2006.

Outra adaptação de Witchblade lançada no Japão seria o romance Witchblade: Ao no Shojo, escrito por Satoshi Ichikawa com ilustrações de Makoto Uno, que criou a aparência dos personagens do anime. Lançado em agosto de 2006, o livro tinha como protagonista Yuri Miyazono, garota de 15 anos nascida em Okinawa que se torna hospedeira da Witchblade acidentalmente, mas descobre que o artefato pode ser a única chance que tem de continuar viva. Curiosamente, após o lançamento do romance, a Top Cow anunciaria que, oficialmente, o romance, o mangá e o anime não somente faziam parte da mesma cronologia, como também eram parte da cronologia da revista em quadrinhos, com Yuri sendo a hospedeira depois de Takeru e antes de Masane - que, por sua vez, o foi antes de Sara.

Um filme de Witchblade para o cinema também chegou a entrar em produção em 2008, mas acabou cancelado enquanto a Top Cow procurava por um roteiro. A NBC também negociaria a produção de uma nova série, sem relação com a da TNT, em 2017, mas o projeto acabaria cancelado porque a Top Cow não queria que Sara fosse a protagonista da série enquanto Alex era a protagonista dos quadrinhos, e a NBC não aceitou que Alex fosse a protagonista da série.

A mais recente versão de Witchblade é uma nova série em quadrinhos, lançada em julho de 2024 e ainda publicada mensalmente, criada pelo próprio Silvestri, inicialmente com roteiros de Marguerite Bennett e arte de Giuseppe Cafaro. A nova série é um reboot, ignorando os eventos de todas as anteriores e começando com Sara se tornando a hospedeira da Witchblade na época atual ao invés de nos anos 1990. O artefato ainda é o objeto de desejo de Irons, Nottingham ainda é seu guarda-costas, Jake ainda é o parceiro de Sara, Jackie ainda é um amigo e rival que trabalha para a máfia, e Alex agora é uma jornalista amiga de Sara; as histórias seguem não sendo de super-heróis tradicionais, ainda tendo um tom policial com elementos de fantasia, mas têm bem menos elementos sexuais que as originais - com até mesmo a armadura criada pela Witchblade para Sara sendo mais comportada.
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sábado, 26 de setembro de 2026

Escrito por em 26.9.26 com 0 comentários

Legião

Quando a Fox ainda tinha os direitos para fazer adaptações dos X-Men, ela não fez apenas os filmes para o cinema, mas também duas séries de TV. Essas séries são bastante injustiçadas, porque foram vistas na época como extravagâncias, caça-níqueis, e não tiveram a audiência esperada, o que é uma pena, porque uma delas é muito boa, e a outra é maravilhosa. É a melhor das duas que veremos hoje, já que hoje é dia de Legião no átomo!


Nos quadrinhos, Legião é David Haller, filho do Professor Charles Xavier com a diplomata israelense Gabrielle Haller. Xavier e Haller se conheceram quando ele e Magneto eram jovens e faziam serviço comunitário em Israel, com Gabrielle sendo uma sobrevivente do Holocausto que estava catatônica em um hospital psiquiátrico. Xavier usaria seus poderes para ajudar a curá-la, os dois se apaixonariam, ela engravidaria dele, mas decidiria manter o fato em segredo, e o menino seria criado por ela e Daniel Shomron, com quem ela se casaria pouco depois. Quando David era adolescente, sua família seria atacada por terroristas antissemitas, o que faria com que seus poderes se manifestassem e Gabrielle procurasse Moira MacTaggert em busca de ajuda. Inicialmente, Gabrielle não queria que Xavier ficasse sabendo que David era seu filho, mas, quando os poderes do menino saíram de controle e se tornaram uma ameaça, Moira não teve opção a não ser contar ao Professor, que enviou os Novos Mutantes para lidar com a situação.

Criado por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, Legião faria sua estreia na revista The New Mutants 26, de abril de 1985, onde seria o antagonista enfrentado pelo grupo. Um dos mutantes mais poderosos do planeta, ele tem telepatia e telecinese em níveis tão avançados que pode voar, se teletransportar, mudar de forma, controlar outras pessoas, absorver mentes e poderes, viajar entre as dimensões, e até mesmo viajar no tempo e modificar a realidade a seu bel-prazer. Infelizmente (ou felizmente, dependendo do caso), ele também sofre de transtorno dissociativo de identidade (TDI), também conhecido como transtorno de personalidade múltipla (que, na época da criação do personagem, era enquadrado como esquizofrenia, o que fez com que em muitas das histórias de Legião ele fosse rotulado como esquizofrênico, com a de sua origem errando ainda mais e dizendo que ele era autista), que se manifesta com cada um de seus poderes só podendo ser usado por uma personalidade diferente - como o terorrista Jemail Karami, que tem telepatia, o aventureiro Jack Wayne, que tem telecinese, ou a menina rebelde Cyndi, que tem pirocinese, a capacidade de atear fogo a objetos com o poder da mente. O codinome de David, Legião, advém justamente do fato de que ele, na prática, não é só uma pessoa, e sim várias; nos raros momentos em que ele demonstra lucidez e tem pleno controle de seus poderes, ele é uma ameaça ainda maior - como quando decidiu voltar ao passado para matar Magneto e acabou criando a Era do Apocalipse.

A série começaria a ser desenvolvida em 2014, quando, após finalizar a primeira temporada de Fargo, Noah Hawley seria convidado pela Fox para desenvolver uma série estrelada por personagens do universo dos X-Men que não tivessem chance de aparecer nos filmes, por serem pouco populares ou desconhecidos do grande público. Fã dos X-Men quando criança, Hawley gostaria da ideia, mas não da sugestão inicial da Fox, de que jovens mutantes seriam recrutados pelo Clube do Inferno, se rebelando e passando a enfrentar a organização. Conversando com Simon Kinberg, roteirista e produtor de vários dos filmes dos X-Men, ele diria querer fazer uma série que ao mesmo tempo fosse interessante e inédita, diferente de tudo o que já havia sido feito com os mutantes; os dois, então, começariam a analisar personagem por personagem, em busca de um que pudesse ser o protagonista, parando em Legião, que Hawley considerou perfeito para o que, segundo ele, seria "a desconstrução de um vilão e uma história de amor".

Em outubro de 2015, o canal FX, reservado pela Fox para sua programação considerada mais adulta, dara luz verde para a produção de um piloto de uma série protagonizada por Legião, co-produzido pela Marvel Television e pela FX Productions - embora, na verdade, a FX Productions tenha feito praticamente tudo, com o envolvimento da Marvel tendo ido pouco além de licenciar os personagens. Hawley escreveria e dirigiria o piloto, de uma hora e meia de duração, que impressionaria os executivos da Fox, com o presidente do canal FX, John Landgraf, se mostrando extremamente empolgado para autorizar a série, que chamaria de "extraordinária". Uma primeira temporada de oito episódios (o piloto mais sete) seria encomendada em janeiro de 2016, com Hawley como showrunner e produtor, ao lado de Lauren Shuler Donner, Bryan Singer e Kinberg, responsáveis por grande parte dos filmes dos X-Men, Jeph Loeb e Jim Chory, da Marvel, e John Cameron, que havia trabalhado com Hawley em Fargo.

A primeira coisa que é preciso saber sobre Legião é que ela não é uma série de super-heróis, estando mais para um daqueles filmes de arte europeus no qual as coisas acontecem sem que a gente saiba se estão acontecendo naquele momento ou se tratam de um flashback, sonho ou alucinação de um dos personagens. Isso seria culpa de Hawley, que concluiria que a única forma de se fazer uma série com Legião seria fazendo-a tão fragmentada quanto a mente do personagem. Hawley declararia que a série não seria feita desse jeito porque ele queria fazer algo diferente, mas sim porque essa era a forma correta de contar essa história, pois "a estrutura de uma história deve refletir o conteúdo dessa história", ou seja, "se a história é sobre um sujeito que não sabe o que é real ou não, a audiência deve ter a mesma experiência". Ele também diria que toda a história seria contada sob o ponto de vista de David, se utilizando de recursos como narrador não confiável e histórias dentro de histórias, mas não querer que o público visse a série como um enigma a ser desvendado ou um mistério a ser solucionado, com todos os elementos já estando presentes desde o início, apenas se tornando mais claros conforme David caminhava em direção à sanidade.

Hawley também optaria por criar uma história totalmente nova, sem nenhuma relação com as histórias envolvendo Legião nos quadrinhos, por achar que, se tentasse adaptar as histórias, não importando o que ele fizesse, "alguém se sentiria ofendido". Ele compararia a relação da série com os quadrinhos com o que ele havia feito em Fargo, dizendo não ser seu trabalho fazer um remake do filme ou recontar a mesma história, e sim contar uma história diferente envolvendo os mesmos personagens, com o mesmo impacto e o mesmo resultado final. Hawley também diria estar aberto à possibiidade de usar elementos dos quadrinhos, como supervilões ou heróis uniformizados, mas que tentaria a todo custo evitar passar a mensagem de que todos os problemas podem ser resolvidos na porrada; sobre o transtorno de David, ele diria não querer usar uma condição que aflige muitas pessoas para fins de entretenimento, mas que o transtorno era uma parte importante do personagem, então ele tentaria usá-lo sem fazer dele o aspecto principal da história.

Uma das decisões mais bizarras de Hawley seria não especificar em qual época a série ocorre: elementos como carros e eletrodomésticos raramente são mostrados, e, quando aparecem, são uma mistura de elementos modernos e antigos, como se a série fosse ambientada em uma versão futurista dos anos 1960; o mesmo ocorre com as roupas dos personagens, que parecem roupas modernas imitando vestimentas dos anos 1960. Em entrevistas, Hawley diria que, como era impossível reproduzir na série a arte de Sienkiewicz, ele gostaria que ela tivesse uma aparência de uma história fora do tempo e fora de lugar, já que a ambientação da série não era o mundo real, e sim a experiência de David no mundo real, "criando sua própria realidade através da nostagia e da memória". Ele também citaria como influência a série Hannibal, que possui uma "beleza fetichista", mesmo falando sobre comida e violência, e declararia que "o design de cada série deve possuir sua própria lógica interna", com a de Legião sendo "a de um filme de 1964 estrelado por Terence Stamp".

As filmagens da primeira temporada ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e em tempo recorde: 21 dias para o piloto, 8 dias para cada episódio - embora alguns episódios tenham precisado de dois ou três dias de refilmagens para se adequar à visão de Hawley. Além do piloto, Hawley escreveria o segundo e o último episódios, com os demais ficando dois a cargo de Peter Calloway, dois com Nathaniel Halpern e o penúltimo com Jennifer Yale. Hawley dirigiria só o piloto, com três episódios, incluindo o útimo, sendo dirigidos por Michael Uppendahl, e os demais ficando com Larysa Kondracki, Tim Mielants, Hiro Murai e Dennie Gordon. Hawley optaria por manter os efeitos especiais no mínimo possível, com a maioria das cenas fantásticas sendo obtidas através de truques de câmera, de iluminação ou efeitos à moda antiga, com cabos, próteses e maquetes; sendo uma série sobre pessoas com superpoderes, entretanto, alguns efeitos só poderiam ser obtidos mesmo com computação gráfica, sendo esses criados pela Park Road Post Production.

Em uma entrevista, Landgraf diria que Legião ocorria "em uma realidade paralela" à dos filmes dos X-Men, para que não fosse preciso levar em conta os eventos dos filmes ao escrever a série. Singer, por outro lado, diria que a série, apesar de ter sido criada para funcionar sozinha, ocorria no mesmo universo que os filmes, e que não era impossível os personagens da série aparecerem em um futuro filme ou os personagens dos filmes fazerem participações especiais na série. Hawley preferiria um caminho do meio, dizendo que, já que a série explorava uma realidade subjetiva, criada por David, não havia necessidade de ligá-la aos filmes de imediato, mas que alguns eventos, como David ser filho de Xavier, teriam de ser abordados em algum momento; ele também diria "ter esperança de fazer algo tão grandioso que o pessoal dos filmes olharia e diria ser impossível não conectar" a série aos filmes.

A primeira temporada começa com David Haller (Dan Stevens, de Dowton Abbey) - que não usa o codinome Legião em nenhum episódio - sendo interrogado pelo governo; aos poucos, sua história é revelada, sendo mostrado que ele possui poderes psíquicos, mas também transtornos mentais, tendo sido internado por sua irmã, Amy (Katie Aselton), em uma instituição psiquiátrica, para não colocar em risco sua própria vida. A melhor amiga de David, Lenny Busker (Aubrey Plaza), está internada na mesma instituição por ser usuária de drogas, e se mostra uma má influência em sua recuperação; também na instituição, David conhece Sydney Barrett (Rachel Keller), por quem se apaixona, e que revela que ele não está doente, mas é um mutante, e que pode treinar para controlar seus poderes e viver uma vida normal. Syd, que tem o poder de trocar de corpo durante alguns minutos com pessoas com as quais tenha contato físico, planeja levar David até um grupo de mutantes liderado pela humana Melanie Bird (Jean Smart), do qual também fazem parte Ptonomy Wallace (Jeremie Harris), que tem o poder de entrar na mente das pessoas e criar cenários baseados em suas memórias, Cary (Bill Irwin) e Kerry Loudermilk (Amber Midthunder), irmãos que compartilham o mesmo corpo, e Rudy (Brad Mann), que tem telecinese, mas um incidente acaba fazendo com que David seja capturado por uma agência do governo chamada Divisão 3, especializada em neutralizar ameaças mutantes, liderada por Clark Debussy (Hamish Linklater), que considera David uma ameaça, estando ele doente ou não.

David acaba conseguindo fugir da Divisão 3 e se unir aos mutantes, sendo perseguido por um mutante com poderes psíquicos chamado Walter (Mckenzie Gray), que trabalha para a Divisão 3. Melanie explica a David que Walter, Cary, ela e seu marido, Oliver (Jemaine Clement), também um mutante com poderes psíquicos, fundaram uma comunidade chamada Summerland, para que os mutantes pudessem viver longe da perseguição da humanidade, mas que o governo, os vendo como uma ameaça, criou a Divisão 3 para encontrá-los e exterminá-los, e Oliver, tentando interromper essa perseguição, acabaria preso no Plano Astral. Cary, que é um cientista, decide usar seu aparato tecnológico para descobrir a real magnitude dos poderes de David e ajudar a controlá-los, enquanto Ptolomy vasculha sua mente por elementos que possam indicar por que os poderes de David se manifestam como um transtorno mental. Eles acabam descobrindo que, desde criança, David vive com o Rei das Sombras, uma entidade do Plano Astral, alojado em sua mente, e que é ele quem impede que David perceba a realidade corretamente, fazendo com que seus poderes se manifestem como transtornos. Acreditando que David pode salvar Oliver e garantir a segurança de Summerland, Melanie decide tentar livrar o rapaz da influência do Rei das Sombras - o que se mostrará especialmente difícil, já que David parece querer aproveitar a oportunidade para aprender sobre seu próprio passado, sem se importar com a perseguição da Divisão 3 ou a segurança dos demais mutantes.

Personagens coadjuvantes de destaque incluem o agente Brubaker (David Selby), da Divisão 3; a namorada de David antes de sua internação, Philly (Ellie Araiza); o psiquiatra Henry Poole (Scott Lawrence), que tratou David também antes de ele ser internado; e "o homem de olhos amarelos" (Quinton Boisclair), uma manifestação física do Rei das Sombras. Criado pelo designer de produção Michael Wylie, o homem de olhos amarelos seria inspirado no reality show My 600-lb Life, uma espécie de Quilos Mortais, que acompanhava pessoas obesas, mas fazia uso de efeitos de iluminação e ângulos de câmera para parecer que a aparência delas era muito pior do que realmente era. Boisclair trabalhava em uma loja de quadrinhos em Vancouver e foi descoberto por acaso pela produção da série; com 2,03 m de altura mas extremamente magro, ele usaria uma maquiagem prostética que levava quatro horas para ser aplicada, e que deixava seu tronco e cabeça enormes e sem pescoço, mas com seus braços e pernas magros expostos para contraste. Boisclair seria considerado "um achado" pela equipe de produção, com sua versão maquiada se enquadrando perfeitamente na descrição do Rei das Sombras que Hawley havia criado.

Um dos personagens mais complexos da série seria Lenny, a melhor amiga e pior influência de David. Originalmente, o personagem seria um homem de meia idade, e Plaza faria o teste para o papel de Syd, mas Hawley, que queria que Syd fosse Keller, que já conhecia de Fargo, ficaria tão impressionado com o teste que decidiria transformar Lenny em uma mulher jovem - cujo nome verdadeiro é Lenore - depois que os roteiros já estavam escritos. Achando que isso combinaria com a personagem, que tem histórico de abuso de drogas e álcool, Plaza pediria para que os diálogos não fossem alterados, o que faria com que Lenny soasse mais velha do que é e fizesse vários comentários misóginos, o que muita gente atribuiu ao fato de que suas falas eram mostradas como David se lembrava delas.

Mas os personagens mais interessantes são Cary e Kerry: ela vive dentro dele, sem precisar se alimentar, dormir ou fazer necessidades, e só saindo para executar tarefas específicas. A mãe dos dois era nativo-americana, e se tornou uma pária quando nasceu Cary, um homem branco, sem saber que Kerry, também nativo-americana, havia vindo junto. Os dois irmãos mantiveram a existência de Kerry em segredo, com Cary vivendo sua vida normalmente e se tornando um cientista, e ela preferindo se tornar uma lutadora, especializada em várias artes marciais. Mas o detalhe é que Kerry só envelhece quando está fora do corpo de Cary, o que faz com que ele tenha por volta de 60 anos, enquanto ela tem por volta de 20. Outro detalhe é que todos os ferimentos sofridos por Kerry passam para o corpo de Cary quando eles se unem novamente, o que vem se tornando cada vez mais perigoso devido à idade do cientista. Cary e Kerry não estão no piloto, e Hawley criaria Cary especialmente para Irwin, convidando-o sem testes e convencendo-o a aceitar antes mesmo de as primeiras cenas do personagem serem escritas.

Hawley e a equipe de produção não contariam tudo o que aconteceria em cada dia de gravação a Stevens, entregariam e ele roteiros editados, apenas com suas falas e com menos detahes que os que entregavam aos demais, e pediriam que o restante do elenco e equipe mantivessem certos detalhes da história em segredo, sem que ele os soubesse; a intenção era que, assim como David, Stevens se visse confuso em relação ao que estava acontecendo a seu redor, contribuindo para o realismo das cenas. Para se preparar para o papel, Stevens estudaria transtornos psíquicos, e conversaria com profissionais da saúde e pacientes. Um importante elemento da história, o livro The World's Angriest Boy in the World ("O Menino mais Raivoso do Mundo"), que David se lembrava de ser lido por seu pai para ele quando criança, seria escrito e ilustrado por Hawley, com ilustrações inspiradas nas obras de Edward Gorey. Stevens o chamaria de "o livro infantil mais perturbador do mundo", mas acharia importante tê-lo em mãos e poder lê-lo enqanto interpretava. Uma manifestação física do protagonista do livro seria criada pela equipe de figurino, com a fantasia sendo usada pela dublê Devyn Dalton.

Legião (Legion, no original em inglês) estrearia no canal FX em 8 de fevereiro de 2017, com o útimo episódio da temporada sendo exibido em 29 de março. A audiência do piloto seria fantástica, mas cairia a cada episódio, com a do último sendo a metade; a crítica, por outro lado, ficaria encantada, elogiando os roteiros, o visual da série, as atuações de Stevens e Plaza, e a coragem de Hawley em romper com a fórmula dos super-heróis, que, na época, já começava a ser considerada esgotada, criando uma série que só é de super-heróis por ter pessoas com superpoderes.

O FX renovaria a série para uma segunda temporada enquanto a primeira ainda estava no ar, com Hawley declarando que havia alguns elementos que ele já sabia que estariam na segunda temporada, pois queria que tivessem estado na primeira mas não houve tempo, mas que ele ainda precisaria pensar para definir qual seria a sua história central - enquanto a primeira ainda estava em produção, Landgraf diria a Hawley que, se ela fizesse sucesso, ele poderia fazer tantas temporadas quanto quisesse, mas Hawley preferiria fazer da primeira temporada uma história fechada, achando que seria injusto com o público a temporada terminar sem que nada ficasse resolvido, o que efetivamente faria com que a segunda temporada não pudesse continuar a história da primeira, precisando de uma nova. Em 2018, Singer seria removido da produção devido às denúncias de abuso sexual o envolvendo; o FX declararia que isso não afetaria a segunda temporada, já que o envolvimento de Singer na primeira foi mínimo.

A segunda temporada se passa um ano após o final da primeira; David não esteve presente durante esse tempo, porque foi sequestrado por um artefato misterioso e mantido em animação suspensa. Ao retornar, ele descobre que tudo está bem diferente de quando ele se foi: os mutantes de Summerland se uniram à Divisão 3, estando agora sediados em uma instalação do governo comandada pelo Almirante Fukyama (Marc Oka), homem que jamais mostra o rosto e tem como assistentes androides que se parecem com mulheres de bigode. É revelado que o Rei das Sombras na verdade é Amahl Farouk (Navid Negahban), mutante de vastos poderes psíquicos, que, anos atrás, foi derrotado por Xavier e aprisionado no plano astral, usando o corpo de David - que é filho de Xavier, tendo sido adotado pelos Haller, que já eram pais de Amy, após ser abandonado por sua mãe verdadeira, que sofria de esquizofrenia - para escapar e retornar ao mundo real. O motivo pelo qual os mutantes e a Divisão 3 se uniram foi que o Rei das Sombras, com a ajuda de Oliver e de Lenny, planeja encontrar seu corpo físico, escondido por monges após sua derrota para Xavier, e se tornará uma ameaça ao mundo caso consiga. Syd, Ptonomy, Cary e Kerry atuam em conjunto com Clark para impedi-lo, enquanto Melanie está desiludida por ter perdido Oliver novamente; David, porém, tem seus próprios planos, e decide enfrentar o Rei das Sombras sozinho, o que acaba atrapalhando seus amigos.

Hawley definiria a segunda temporada como "o Breaking Bad dos X-Men", já que David a começa heroico, mas vai se tornando cada vez mais um vilão, até se mostrar uma ameaça tanto para a Divisão 3 quanto para seus amigos mutantes. Ele pediria para que a temporada tivesse 10 episódios, achando que os 8 da primeira foram pouco para desenvolver a história do jeito que ele gostaria; a Fox concordaria, mas, em meio à produção, o FX pediria para que fossem 11, para corrigir um problema em sua grade de programação, o que faria com que Hawley criasse um episódio especial no qual várias realidades alternativas seriam mostradas, cada uma baseada em uma decisão tomada por David ou por sua família adotiva ao longo de sua vida. A temporada também traria muitas cenas nas quais, por David estar sozinho, não temos como saber se realmente ocorreram ou foram apenas fruto de sua imaginação.

Hawley queria a qualquer custo evitar que a luta entre David e Farouk se tornasse uma questão "do bem contra o mal", preferindo mostrar que diferentes situações levam a diferentes posicionamentos; por causa disso, todas as cenas de luta possuem elementos diferenciados, com uma delas sendo coreografada como uma dança, e a batalha final entre David e Farouk tendo elementos de animação, já que, apesar de seus corpos estarem no mundo real, ela ocorria no plano astral. Hawley também criaria o que chamaria de "segmentos educativos", nos quais um narrador (Jon Hamm) falava sobre transtornos mentais, percepção de realidade, efeito manada e outros temas, adicionado ao início, ao meio ou ao final de alguns dos episódios; esses segmentos atuavam como complemento à história mostrada - que já não era narrada do ponto de vista de David, como a primeira temporada, seguindo uma estrutura mais tradicional - e buscavam explicar que a nossa realidade é uma soma das escolhas que fazemos.

A segunda temporada seria filmada na Califórnia, devido a incentivos fiscais oferecidos à Fox pelo estado. Hawley ficaria satisfeito com a mudança, dizendo que, após uma primeira temporada de cenários sombrios e opressivos, poderia criar muitas cenas ensolaradas e com cores vivas, o que ajudaria a demonstrar que David está em uma nova fase de sua vida. A maior parte das cenas seria gravada em estúdio, com os principais sets sendo dedicados ao restaurante da Divisão 3 - no qual barquinhos levavam a comida de mesa em mesa, o que representou um desafio para o posicionamento das câmeras e das equipes técnicas - à sala de Fukyama e ao laboratório de Cary, que tem uma máquina que se parece com o Cérebro, do Professor Xavier, e diversos equipamentos que, segundo a equipe de produção, "podem ser encontrados em qualquer quartel-general de super-herói". Hawley mais uma vez tentaria manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, inclusive criando cartões de título para os episódios, ao invés de adicionar as letras na pós-produção; os efeitos especiais que não tinham como ser feitos de outra forma ficaram a cargo das empresas Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.

Retornariam da primeira temporada Stevens, Keller, Plaza, Irwin, Midthunder, Clement, Harris, Linklater, Smart, Selby, Aselton e Boisclair; Lily Rabe faz uma participação especial como a mãe de Syd em flashbacks, enquanto Molly Hagan e Seamus Deaver fazem participações especiais no episódio das realidades alternativas. Originalmente, Farouk seria interpretado por Saïd Taghmaoui, mas os produtores acharam que ele não estava passando a credibilidade necessária para o personagem, e o substituiriam por Negahban, que entrou na série durante as filmagens do oitavo episódio, com todas as cenas dos anteriores que envolviam Farouk tendo de ser refilmadas. Francês, Taghmaoui pediria que os roteiristas incluíssem nas falas de Farouk algumas frases e expressões em seu idioma nativo, característica que Negahban (que é iraniano) decidiria não só manter mas ampliar, adicionando cacos em vários idiomas diferentes a suas falas, sem combinar previamente com os roteiristas ou diretores.

A segunda temporada seria exibida pelo FX entre 3 de abril e 12 de junho de 2018. Oito dos 11 episódios seriam escritos por Noah Hawley & Nathaniel Halpern, exceto o sexto (o das realidades alternativas) e o último, escritos apenas por Hawley, e o oitavo, escrito por Hawley & Jordan Crair - o que fazia com que, diferentemente da primeira temporada, na segunda todos os episódios tivessem participação direta de Hawley. Na direção, dois episódios ficariam com Mielants, e um cada com Hawley, Cameron, Ana Lily Amirpour, Sarah Adina Smith, Ellen Kuras, Charlie McDowell, Jeremy Webb, Dana Gonzalez e Keith Gordon. A audiência começaria mais baixa que a do último episódio da primeira temporada, e mais uma vez cairia a cada episódio; a crítica também mais uma vez ficaria encantada, considerando a segunda temporada melhor que a primeira. A segunda temporada receberia uma indicação ao Emmy, de Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora.

A segunda temporada teria um final mais aberto que a primeira; em janeiro de 2018, Hawley declararia já estar trabalhando na terceira temporada, e que Legião não era uma série na qual cada temporada teria um vilão diferente, e sim "uma grande história de três ou cinco temporadas, na qual cada temporada é um novo capítulo dessa história". A Fox renovaria a série para uma terceira temporada enquanto a segunda ainda estava indo ao ar, mas, diante da queda constante na audiência, chamaria Hawley para conversar. Em fevereiro de 2019, Hawley anunciaria que a terceira temporada já estava em produção, mas que seria a última, e que "era a sua intenção desde o início" que Legião tivesse apenas três temporadas.

Hawley gostaria que Xavier aparecesse na terceira temporada, e chegaria a conversar com Patrick Stewart sobre a possibilidade de ele voltar a interpretar o personagem, com o ator respondendo que estava "absolutamente 100%" decidido a voltar a interpretar o personagem". Hawley, porém, acabaria optando por mostrar apenas uma versão jovem de Xavier, e não encontraria uma forma de incluir Stewart em algum episódio; ele pediria para que a Fox entrasse em contato com James McAvoy, mas a assessoria do ator responderia que ele não estaria disponível no período em que a terceira temporada estivesse sendo filmada. A equipe de produção acabaria escolhendo Harry Lloyd para interpretar Xavier, e a diamarquesa Stephanie Corneliussen (de Mr. Robot) para interpretar sua esposa e mãe de David, Gabrielle - que não se chama Haller na série, já que esse é o sobrenome da família que adotou David.

Na terceira temporada, David estabelece uma espécie de culto, do qual Lenny faz parte, no qual ele é idolatrado e oferece a seus seguidores uma água alucinógena criada com seus poderes. Farouk se uniu à Divisão 3, agora liderada por Ptonomy, e faz parte de uma equipe que também conta com Clark, Syd, Cary e Kerry, que tem como objetivo localizar e capturar David. Só que David tem um trunfo, a mutante Switch (Lauren Tsai), que tem o poder de viajar no tempo, efetivamente desfazendo todos os esforços da Divisão 3 para encontrá-lo. Os poderes de Switch são limitados, mas David planeja ampliá-los para reescrever a história e acabar com a ameaça de Farouk de uma vez por todas; o abuso das viagens no tempo, entretanto, acaba atraindo criaturas interdimensionais que devoram o tempo, e ameaçam destruir toda a realidade.

Mais uma vez, Hawley faria a temporada de forma que fosse impossível precisar em qual época ela ocorre, mas, diante da temática de culto e comunidade de convivência, o visual de David e seus seguidores seria inspirado no dos hippies, e o da temporada como um todo na psicodelia dos anos 1970. Switch, cujo nome verdadeiro é Jia-Yi, seria inspirada em um personagem dos quadrinhos que usa o mesmo codinome e tem poderes semelhantes, mas é homem; a personagem seria uma mistura de elementos japoneses, chineses e sul-coreanos, também sem deixar muito clara sua nacionalidade, e se vestiria no estilo harajuku, a "moda de rua" japonesa, com muitas referências à cultura pop. Quando usa seus poderes, Switch acessa um "corredor do tempo", com cada porta levando para uma época diferente, ficando mais exausta o quanto mais se afasta da porta do tempo presente; a equipe de produção criaria um corredor preto e mal iluminado, usando a técnica de perspectiva forçada para dar a impressão de que ele era infinito.

Enquanto na primeira temporada a excentricidade da série estaria em David ser um narrador não confiável, na terceira ela decorre das constantes viagens no tempo, com alguns episódios sendo focados em Xavier e Gabrielle, outros trazendo cortes bruscos - um deles chega a exibir um trecho de um episódio da série The Shield, como se ocorresse em uma realidade na qual ela substituiu Legião - e há um episódio completamente ambientado no plano astral, que traz participações especiais de Smart e Clement - já que Melanie e Oliver não estão nessa temporada - e do ator Jason Mantzoukas como o mutante Jerome, conhecido como Lobo. A terceira temporada seria mais uma vez filmada na Califórnia, e novamente Hawley tentaria manter os efeitos de computação gráfica ao mínimo possível, com os existentes ficando de novo a cargo da Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.

A terceira temporada teria mais oito episódios, exibidos entre 24 de junho e 12 de agosto de 2019, com a série se encerrando com um total de 27. Somente o episódio do plano astral seria integralmente escrito por Hawley; o primeiro teria roteiro de Hawley e Halpern, os dois últimos de Hawley e Olivia Dufault, o segundo de Hawley, Dufault & Kate Thulin, o terceiro apenas de Halpern, o quarto de Dufault e Charles Yu, e o quinto de Dufault e Ben H. Winters. A direção ficaria a cargo de Gonzalez, Andrew Stanton, Carlos López Estrada, Daniel Kwan, Arkasha Stevenson (um episódio cada) e Cameron (dois episódios), com o último sendo co-dirigido por Hawley e Cameron. A audiência começaria levemente mais alta que no final da segunda temporada, mas, após três episódios, voltaria a cair, com o último episódio sendo o de menor audiência de toda a série. A crítica voltaria a rasgar elogios ao visual, à edição e até mesmo à trilha sonora e ao som; no geral, entretanto, a terceira temporada seria considerada mais fraca que as duas anteriores, com os roteiros sendo considerados menos inspirados.

Seja como for, Hawley merece crédito por sua ousadia em pegar um personagem que, nos quadrinhos, é pouco mais que um vilão apelão utilizado quando os roteiristas querem submeter os X-Men a um desafio impossível, e dar a ele profundidade, propósito e, por que não, humanidade, criando uma das séries mais impressionantes da história da televisão.
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