sábado, 30 de maio de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XIX)

Após um intervalo um pouco mais longo que o normal, seguiremos com a Fase 5 do MCU, com duas séries animadas!

What If...?
3ª temporada
2024

No planejamento interno dos Marvel Studios, as Fases 1, 2 e 3 do MCU são coletivamente chamadas de Saga do Infinito, enquanto as Fases 4, 5 e 6 são a Saga do Multiverso; assim, era natural que What If...?, série intrinsecamente ligada ao Multiverso, em seu planejamento inicial tivesse três temporadas, uma estreando em cada Fase da segunda Saga.

Em fevereiro de 2023, entretanto, uma reunião de emergência seria realizada envolvendo executivos da Disney e da Marvel. O motivo: produções recentes, como Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania, Invasão Secreta e As Marvels não tiveram o desempenho esperado, e, para grande parte da crítica e dos fãs, o motivo seria que os Marvel Studios estavam priorizando quantidade ao invés de qualidade, preocupados apenas em lançar o maior número de produções possível, sem o esmero que elas mereciam - para corroborar esse fato, era frequentemente citado que as Fases 1, 2 e 3, juntas, tinham 23 filmes, enquanto somente a Fase 4, somando filmes, séries e especiais para a TV, tinha 18 produções. O CEO da Disney, Bob Iger, declararia que esse excesso de produções estava "diluindo o foco e a atenção do público", atribuindo a essa causa o insucesso das produções recentes, e não à qualidade das mesmas, e determinaria um "pé no freio" nas produções seguintes, recomendando um máximo de cinco lançamentos por ano, sendo três filmes e duas séries.

É importante notar que, quando essa reunião foi feita, ainda não havia ocorrido a greve dos roteiristas de 2023, que acabaria atrasando ainda mais o cronograma, fazendo com que, por exemplo, Deadpool & Wolverine fosse o único filme dos Marvel Studios lançado em 2024, e Demolidor: Renascido tivesse seus episódios cortados pela metade e sua data de estreia adiada para 2025; o novo filme do Blade ainda fazia parte dos planos, e Jonathan Majors ainda não havia sido demitido, o que significava que Kang ainda seria o vilão principal da segunda Saga. Todos esses acontecimentos levariam a mudanças profundas na grade de lançamentos do MCU, colocando em risco a produção de uma terceira temporada de What If...?.

A terceira temporada havia sido confirmada por Kevin Feige antes mesmo da estreia da segunda, em julho de 2022; na mesma ocasião, A.C. Bradley, showrunner e principal roteirista das duas temporadas, sem citar uma razão em específico, declararia que a segunda havia sido seu último projeto com os Marvel Studios, com ambos seus cargos passando na terceira temporada para Matthew Chauncey, que havia sido, junto com ela, roteirista das duas temporadas. Nos meses seguintes, seriam confirmados na terceira temporada os diretores Bryan Andrews, diretor de todos os episódios até então exceto o primeiro da segunda temporada, e Stephan Franck, diretor desse episódio e supervisor de animação da primeira temporada, e o supervisor de animação Scott Wright, que já havia ocupado esse cargo na segunda temporada. Assim como as duas primeiras temporadas, originalmente a terceira teria nove episódios, mas, para conseguir cumprir o prazo estabelecido pela Disney para a estreia, a equipe optaria por apenas oito, um deles sendo um roteiro escrito por Bradley para a segunda temporada, mas não utilizado.

Na fatídica reunião de 2023, o cancelamento da terceira temporada chegaria a ser cogitado, mas o produtor Brad Winderbaum conseguiria reverter a situação alegando que a produção já estava adiantada e seria perda de dinheiro interrompê-la. Exatamente por causa disso, porém, não fazia sentido esperar até a Fase 6 para lançá-la, sendo determinado que a segunda temporada estrearia em dezembro de 2023 e a terceira um ano depois, em dezembro de 2024, ambas como parte da Fase 5. Em agosto de 2024, quando todos os episódios já estavam prontos, a Marvel anunciaria que a terceira temporada seria a última, fato que já havia sido determinado quando Chauncey assumiu como showrunner, mas estava sendo mantido em segredo desde então; em novembro, Winderbaum declararia que o encerramento da série de daria por "razões maiores do MCU", e que era "a hora certa de concluir a série em termos de narrativa", mas não descartaria a produção de novas temporadas ou episódios especiais no futuro.

A terceira temporada é permeada por um arco de história no qual os demais Vigias se irritam com o comportamento do Vigia (que finalmente é chamado na série por seu nome nos quadrinhos, Uatu), que deveria apenas observar, mas não para de interferir, decidindo removê-lo de seu posto e julgá-lo por traição. Sua única esperança é uma equipe formada por Capitã Carter, Kahhori, Tempestade (dos X-Men) e Byrdie, filha de Darcy Lewis com Howard, o Pato. Essa equipe foi criada secretamente pelo próprio Vigia, e tem uma nave capaz de viajar pelo Multiverso, lutando contra a injustiça - algo que foi considerado hediondo pela Eminência, líder dos Vigias. Os episódios seriam ainda mais, digamos, ousados que os das temporadas anteriores, contando com um no qual os Vingadores pilotam robôs gigantes como em um anime, um musical estrelado por Agatha e Kingo, um ambientado num futuro distópico e um no Velho Oeste, além do episódio no qual Howard e Darcy se casam, continuação direta de um dos episódios da primeira temporada.

Ideias descartadas incluíam um episódio estrelado por samurais e inspirado em Romeu e Julieta; um de fantasia medieval que ao final seria revelado como a narração de uma partida de Dungeons & Dragons; um ao estilo wuxia estrelado pelo Punho de Ferro e Shang-Chi; e nada menos que seis episódios que contavam com a participação da banda Kiss - um deles, uma batalha intergaláctica de bandas na qual os integrantes do Kiss eram os jurados, chegaria a ter um roteiro pronto. Andrews daria ideias para episódios envolvendo o Motoqueiro Fantasma e Bill Raio Beta, mas receberia orientação da cúpula dos Marvel Studios para descartá-las, pois os personagens poderiam aparecer em projetos futuros e não era do interesse dos executivos que eles estreassem em What If...?. Curiosamente, a equipe não sabia que poderia usar personagens dos X-Men livremente; a inclusão de Tempestade na equipe do Vigia foi sugestão de Winderbaum, e Andrews achou que somente ela havia sido autorizada. Ao ser informado, já durante a pós-produção, de que poderia ter usado outros X-Men se quisesse, ele demonstrou arrependimento por não ter tido a ideia para um episódio estrelado por Wolverine.

Em termos de roteiro, aliás, a terceira temporada - exceto pelo episódio escrito por Bradley para a segunda temporada - seria uma espécie de esforço conjunto, com o primeiro episódio tendo ideia de Bradley e Andrews e roteiros de Ryan Little, e os outros seis tendo ideia de Andrews, Chauncey e Little e roteiro de Chauncey e Little. Andrews dirigiria três dos episódios, Franck quatro, e os dois juntos dirigiriam o restante; Andrews também seria supervisor de produção ao lado de Wright no episódio do Velho Oeste. Seis dos episódios ficariam a cargo da Flying Bark Productions, e os outros dois da Stellar Creative Lab, incluindo o episódio dos robôs gigantes, que começa com animação imitando a de um anime, antes de mudar para o cel-shading característico da série.

A terceira temporada de What If...? seria a primeira produção do MCU a trazer em seu início o logotipo da Marvel Animation, ao invés do dos Marvel Studios; em português, os títulos dos episódios seriam E Se... o Hulk Lutasse contra os Vingadores Mech?, E Se... Agatha Fosse para Hollywood?, E Se... O Guardião Vermelho Tivesse Impedido o Soldado Invernal?, E Se... Howard, o Pato, Se Casasse?, E Se... A Emergência Destruísse a Terra?, E Se... 1872?, E Se... O Vigia Desaparecesse?, e E Se... E Se?.

Os atores que repetiram suas atuações dos demais filmes e séries do MCU foram Alison Sealy-Smith como Ororo Munroe / Tempestade, Anthony Mackie como Sam Wilson / Capitão América, Chris Hemsworth como Thor, Clark Gregg como Phil Coulson, David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho, David Kaye como Arishem, Devery Jacobs como Kahhori, Dominic Cooper como Howard Stark, Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro, Emily VanCamp como Sharon Carter, Gene Farber como Vasily Karpov, Hailee Steinfeld como Kate Bishop, Hayley Atwell como Peggy Carter / Capitã Carter, James D'Arcy como Edwin Jarvis, Jeffrey Wright como Uatu / Vigia, Josh Brolin como Thanos, Karen Gillan como Nebulosa, Kat Dennings como Darcy Lewis, Kathryn Hahn como Agatha Harkness, Kumail Nanjiani como Kingo, Laurence Fishburne como Bill Foster / Golias, Mark Ruffalo como Bruce Banner / Hulk, Meng'er Zhang como Xu Xialing, Michael Rooker como Yondu Udonta, Oscar Isaac como Marc Spector / Cavaleiro da Lua, Rachel House como Topaz, Samuel L. Jackson como Nick Fury, Sebastian Stan como Bucky Barnes / Soldado Invernal, Seth Green como Howard, Teyonah Parris como Monica Rambeau, Simu Liu como Shang-Chi, Taika Waititi como Korg, Tessa Thompson como Valquíria, Tom Hiddleston como Loki, Tom Vaughan-Lawlor como Fauce, Walton Goggins como Sonny Burch, e Wyatt Russell como John Walker / Agente Americano. Dentre os dubladores profissionais que substituíram os que não quiseram ou puderam participar estão Alejandro Saab como Quentin Beck / Mystério, Alexandra Daniels como Carol Danvers / Capitã Marvel, Andrew Morgado como Laufey, Brittany Adebumola como Nakia, Darin De Paul como Zeus, David Chen como Wong, Fred Tatasciore como Groot, Jared Butler como Kaecilius, Kari Wahlgren como Melina Vostokoff e Carina Tivan, Kenna Ramsey como Okoye, Kiff VandenHeuvel como Obadiah Stane, Matt Friend como o Grão-Mestre, Michelle Wong como Ying Nan, Piotr Michael como Dreykov, Ross Marquand como Ultron, e Steven French como Malekith. Novos personagens incluem Natasha Lyonne como Byrdie, America Ferrera como a patrulheira Morales, Allen Deng como Kwai Jun-Fan, Jason Isaacs como a Eminência, e D.C. Douglas e Darin De Paul como Vigias.

A terceira temporada de What If...? estrearia no Disney+ em 22 de dezembro de 2024, com um episódio sendo lançado por dia até 29 de dezembro. Andrew acharia a data de lançamento muito apertada em relação ao prazo de produção, mas a Disney não aceitaria adiá-la para 2025; seria isso que faria com que a temporada fosse reduzida de nove para oito episódios, permitindo que toda a produção estivesse concluída em outubro de 2024. A Disney mais uma vez não divulgou a audiência, e a crítica ficaria dividida, elogiando as atuações, mas criticando alguns dos roteiros. Wright seria indicado ao Emmy de Melhor Performance de Dublagem de um Personagem, e o episódio do Velho Oeste seria indicado ao de Melhor Edição de Som para um Programa de Animação.

Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha
Your Friendly Neighborhood Spider-Man
1ª temporada
2025

Em 2016, quando foi firmado o acordo entre Disney e Sony para que o Homem-Aranha pudesse fazer parte do MCU, Kevin Feige determinaria que o primeiro filme do herói produzido pelos Marvel Studios não seria um "filme de origem". Segundo ele, os espectadores já haviam visto como Peter Parker se tornou o Homem-Aranha duas vezes, e ambos os filmes ainda eram recentes, de forma que o tempo gasto explicando a origem do herói poderia ser melhor aproveitado para contar uma de suas aventuras. Assim, o Homem-Aranha estrearia em Capitão América: Guerra Civil já como um herói estabelecido, e seu primeiro filme no MCU, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, seria continuação deste, sem contar a origem do herói nem mesmo em flashbacks.

Em 2019, entretanto, durante uma reunião da equipe criativa de What If...? na qual se discutiria qual seria a próxima série animada dos Marvel Studios, uma das propostas foi a de uma que contasse a origem do Homem-Aranha no MCU, começando com Parker sem poderes, passando por seu encontro com a aranha radioativa, a morte do Tio Ben, algumas aventuras heroicas, e terminando com seu encontro com Tony Stark que levaria aos eventos de Guerra Civil. Feige e Winderbaum aprovariam a proposta, mas a série só começaria a sair do papel em novembro de 2020, quando Jeff Trammell apresentaria suas ideias para X-Men '97, criando uma série totalmente nova, sem nenhuma ligação com qualquer anterior. Isso iria de encontro ao que Winderbaum tinha em mente - fazer de X-Men '97 uma continuação direta da série animada dos X-Men dos anos 1990 - mas as ideias de Trammell seriam tão boas que o produtor, após rejeitar seu projeto, o convidaria para criar um para a nova série animada do Homem-Aranha.

Trammell criaria a estrutura de uma série que duraria quatro temporadas, com aventuras soltas a cada episódio, mas um arco que ligasse todos eles, que levaria o Homem-Aranha from zero to hero, "do nada a um herói". Feige gostaria dessa estrutura principalmente porque o High School, o Ensino Médio dos Estados Unidos, dura quatro anos, o que permitiria que a série cobrisse um ano por temporada, dando à primeira o título provisório de Spider-Man: Freshman Year - com freshman significando "calouro".

A série seria oficialmente anunciada em novembro de 2021, durante o Disney+ Day, com Trammell sendo o showrunner e chefe da equipe de roteiristas, e estreia prevista para 2023. Em julho de 2022, seria anunciada uma segunda temporada, com o título provisório de Spider-Man: Sophomore Year - com sophomore sendo o apelido dado a quem está no segundo ano do High School ou da universidade, com o do terceiro sendo junior e o do quarto, senior. Trammell, contudo, não gostava desses títulos, porque achava que cada temporada estar presa a um ano escolar de Parker limitaria a equipe criativa, e, além do mais, se a ideia era fazer da série uma "prequência" de Guerra Civil, isso sequer seria possível, já que, nos três filmes do Homem-Aranha no MCU, Parker claramente ainda estava na escola. Feige, então, sugeriria o título Your Friendly Neighborhood Spider-Man, que faz referência a um dos apelidos do herói nos quadrinhos. Trammell adoraria, e decidiria dar a cada episódio da série um título também inspirado nos quadrinhos.

Faltava, ainda, uma alteração para que a série efetivamente entrasse em produção: de início, Trammell até tentaria fazer a série ambientada na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU e levando aos eventos de Guerra Civil, mas tanto ele quanto os demais roteiristas achariam isso extremamente difícil, principalmente em relação aos personagens que poderiam usar - se quisessem usar um do MCU, teriam de respeitar tudo o que aconteceu antes e depois com ele; se quisessem usar um que ainda não tinha estreado no MCU, precisariam consultar a cúpula dos Marvel Studios e arriscar interferir na forma como esse personagem apareceria futuramente. Assim, em dezembro de 2023, Trammell receberia autorização para ambientar a série em uma linha do tempo alternativa dentro do Multiverso, recebendo autorização para usar quaisquer personagens e contar a história da forma como quisesse.

Em cada um de seus três filmes no MCU, Parker ter um "mentor" - Tony Stark no primeiro, Nick Fury no segundo, Dr. Estranho no terceiro - um personagem adulto com o qual contracena e o ajuda a se tornar um herói melhor - bom, talvez não o Dr. Estranho, mas vocês entenderam o conceito. Tendo carta branca para usar quaisquer personagens que quisesse, Trammell decidiria que o mentor de Parker na série seria Norman Osborn, que descobriria sua vida dupla e, matriculando-o no programa de jovens cientistas da Oscorp, o ajudaria a desenvolver seu traje e sua carreira de Homem-Aranha. A inclusão de Osborn também daria a oportunidade de o Homem-Aranha enfrentar alguns de seus vilões clássicos dos quadrinhos, como o Dr. Octopus, o Escorpião e o Camaleão, e reintroduzir no círculo de amigos de Parker o filho do empresário, Harry Osborn, que havia sido vetado no MCU quando o primeiro filme entrou em produção. Sem querer usar Mary Jane nem Gwen Stacy, a equipe de roteiristas optaria por colocar Pearl Pangan, personagem que existe nos quadrinhos mas não tem ligação como o Homem-Aranha, como interesse romântico para Parker,  mas a principal personagem feminina da série seria Nico Minoru (que, nos quadrinhos também não tem ligação com o Homem-Aranha, fazendo parte dos Fugitivos), melhor amiga de Parker, que é apaixonada por ele sem ele perceber.

A série começa com Parker conseguindo uma vaga na prestigiada Midtown High School, que tem um dos melhores programas de ciências do país, mas, em seu primeiro dia, uma criatura alienígena ataca a escola, sendo detida pelo Dr. Estranho. Durante a batalha, Parker salva Nico, com os dois se tornando amigos, e é mordido por uma aranha que surge de um portal junto com a criatura, ganhando seus poderes de Homem-Aranha. Infelizmente, a escola também é destruída, o que faz com que Parker e Nico tenham de ir à segunda opção, a Rockford T. Bales High School, onde também estudam Pearl e seu namorado, Lonnie Lincoln, amigo de Parker e capitão do time de futebol americano.

Alguns meses se passam e Parker, vestindo um uniforme caseiro, decide usar seus poderes para combater o crime sob o nome de Homem-Aranha. Um dia, ele salva Harry Osborn de um grupo de assaltantes, com Harry transmitindo a luta ao vivo em uma de suas redes sociais. Isso transforma o Homem-Aranha em uma celebridade, e faz com que Norman Osborn, que deduziu sua identidade, convide Parker para o programa de jovens cientistas de sua empresa, a Oscorp, onde ele será tutorado pelos cientistas Bentley Wittman e Carla Connors (que tem um braço só), e será colega do gênio Amadeus Cho, da wakandana Asha, e da misteriosa Jeanne Foulcault. Enquanto isso, Osborn o ajudará a melhorar seu traje e suas habilidades de Homem-Aranha, as quais ele usará para deter vários vilões para os quais Otto Octavius está vendendo tecnologia roubada da Oscorp.

O elenco principal conta com Hudson Thames (repetindo seu papel de What If...?) como Peter Parker / Homem-Aranha, Kari Wahlgren como a Tia May, Grace Song como Nico Minoru, Eugene Byrd como Lonnie Lincoln, Zeno Robinson como Harry Osborn, Hugh Dancy como Otto Octavius / Dr. Octopus, Charlie Cox como Demolidor, e Colman Domingo como Norman Osborn. O elenco recorrente conta com Cathy Ang como Pearl Pangam; Erica Luttrell como Asha, a Sra. Lincoln, mãe de Logan, e Emma, amiga de Pearl; Phil Lamarr como o Sr. Lincoln e o professor Sr. Taylor; Roger Craig Smith como o técnico da escola, Phil Grayfield, o chefe de segurança da Oscorp, John Gallo, e os vilões James Sanders / Corisco e Dmitri Smerdyakov / Camaleão; Anjali Kunapaneni como Jeanne Foucalt / Finesse; Aleks Le como Amadeus Cho; Paul F. Tompkins como Bentley Wittman; Zehra Fazal como Carla Connors e Susan O'Hara, mãe adotiva de Nico; Leilani Barrett como Big Donovan, líder da Gangue da 110; Ettore Ewen como Bulldozer, da mesma gangue; Anairis Quiñones como Carmilla Black, segunda em comando na Gangue dos Escorpiões, e Maria Vasquez, namorada e parceira no crime de Corisco; e Jonathan Medina como Mac Gargan / Escorpião. Participações especiais incluem Robin Atkins Downes como o Dr. Estranho; Jake Green como o vilão Butano; Matte Martinez como Andre, irmão mais novo de Lonnie; Travis Willingham como Mikhail Systevich e Thaddeus Ross; Sarah Natochenny como Mila Masaryk / Unicórnio; Mick Wingert como Tony Stark / Homem de Ferro; e Josh Keaton como Richard Parker. Em alguns episódios, Wahlgren também dubla Roxanna Volkov.

A equipe da Marvel Studios Animation optaria por fazer o desenho num estilo que lembrasse as histórias clássicas do Homem-Aranha, principalmente as desenhadas por John Romita, no que Trammell descreveu como "uma história em quadrinhos em movimento". Assim como What If...? e X-Men '97, o efeito foi conseguido através de cel shading, com as empresas Polygon Pictures e CGCG Inc. trabalhando na animação. A abertura lembraria um desenho animado da década de 1970, e, em cada episódio, terminaria com uma tela diferente, que lembrava a capa de uma revista do Homem-Aranha, com o título do episódio como se fosse o título da história. A música da abertura, Neighbor Like Me, seria composta por Leo Birenberg e Zach Robinson, tocada por The Math Club e cantada pelos rappers Relaye e Melo Makes Music, usando um sample da música de abertura da série do Homem-Aranha exibida entre 1967 e 1970, de Paul Francis Webster e Bob Harris.

A primeira temporada teria dez episódios, quatro, incluindo o primeiro, com roteiro de Trammell, quatro de Charlie Neuner, um de Raven Koné, e o último sendo escrito por Trammell e Neuner; a direção ficaria a cargo de Liza Singer (5 episódios), Stu Livingston (4 episódios, incluindo o último) e Mel Zwyer (só o primeiro). Os dois primeiros episódios estreariam no Disney+ em 29 de janeiro de 2025, com mais três estreando em 5 de fevereiro, três em 12 de fevereiro, e os dois últimos em 19 de fevereiro. A audiência não seria divulgada pela Disney, mas Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha seria um enorme sucesso de crítica, que elogiaria principalmente o fator nostalgia, o estilo da animação e a combinação de ação e comédia.

Em janeiro de 2025, antes mesmo da estreia da primeira temporada, Winderbaum confirmaria que a série seria renovada para uma terceira, e diria que a segunda já estava bem adiantada, com algumas cenas já estando sendo animadas. No mês seguinte, porém, ele lamentaria que tanto a segunda temporada de X-Men '97 quanto a de Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha estavam atrasadas, e prometeria ambas para o final de 2026, como parte da Fase 6; segundo ele, essas duas séries animadas eram "as prioridades máximas" dos Marvel Studios, com o planejamento sendo de uma nova temporada de cada sendo lançada a cada ano, sem atrasos.

Para terminar, vale citar que, entre dezembro de 2024 e abril de 2025, a Marvel Comics publicaria uma minissérie em quadrinhos também chamada Your Friendly Neighborhood Spider-Man. Ambientada no mesmo universo da série e trazendo os mesmos personagens, com roteiro de Christos Gage e arte de Eric Gapstur, a minissérie cobre o intervalo de "alguns meses" entre Parker ganhar seus poderes e começar a usá-los como Homem-Aranha, não mostrado no primeiro episódio da série. Segundo Trammell, é possível que novas edições sejam lançadas, caso outras passagens de tempo aconteçam na série, como, por exemplo, entre a primeira e a segunda temporadas.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•What If...?
(3ª temporada)
•Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha
(1ª temporada)

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sábado, 23 de maio de 2026

Escrito por em 23.5.26 com 0 comentários

Sweet Lullaby

Hoje eu vou fazer um post diferente. É um post sobre música, mas não sobre um cantor, cantora ou banda, e sim sobre uma música específica. O motivo é que eu escrevo meus posts principalmente para descobrir e divulgar boas histórias, e essa tem uma história interessantíssima. Durante muito tempo tive vontade de escrever sobre ela, mas não queria usar meu expediente usual, que seria falar sobre o grupo que a lançou e colocar sua história no meio, porque eu não sou fã nem do grupo, nem da música, nem do que fizeram para gravá-la, só queria mesmo contar a história. Hoje, como eu costumo dizer, a vontade venceu, e eu vou escrever só sobre essa música, para que essa história seja divulgada e mais gente a fique conhecendo. Espero que vocês gostem.

Segundo informações colhidas enquanto eu escrevia esse post, essa música foi lançada em 1992 - quando eu estava na oitava série, e meus artistas preferidos eram INXS e Mariah Carey - e se tornou um sucesso mundial em 1994 - quando eu tinha 16 anos e já preferia Tori Amos e The Smiths. Pelo que eu me lembre, entretanto, eu não a conheci nessa época, e sim bem depois, já no início dos anos 2000, quando começaram a se popularizar programas para download de música, tipo o Napster e o Audio Galaxy. Na época, eu usava o Audio Galaxy para baixar todas as músicas que eu gostava e não tinha em nenhum CD que eu havia comprado, principalmente músicas internacionais dos anos 1980; além disso, acredito que, assim como muita gente da época, quando eu ouvia no rádio ou na MTV uma música de um artista que eu não conhecia e da qual eu gostasse, ao invés de comprar o CD desse artista, baixava somente aquela música, às vezes mais algumas dele, e muitas vezes acabava comprando de fato o CD.

Antes que eu digressione demais, foi nessa época que eu comecei a ouvir essa música e a prestar atenção nela - não me lembro de que forma, se pelo rádio, pela MTV, ou porque ela estava na trilha sonora de algum programa que eu assistia, mas me lembro que a primeira coisa que me chamou a atenção foi que ela não era cantada em inglês. Nem em nenhuma outra língua que eu conhecesse. Como é uma música bonitinha, e desde essa época eu já tinha uma tendência em gostar do que é exótico - foi também nessa época que eu descobri a existência e comecei a baixar as músicas da Jolin Tsai - decidi tentar descobrir qual era o nome dessa música e quem a cantava, para baixá-la também. Não me perguntem como, porque eu não me lembro, mas descobri que a música se chama Sweet Lullaby ("doce canção de ninar", em inglês), e quem a "cantava" era o Deep Forest. Baixei a música, ouvi algumas vezes, e praticamente me esqueci dela - de vez em quando ela tocava quando eu colocava meu MP3 Player no aleatório, mas, como eu disse, não tinha nenhum carinho especial nem por ela, nem pelo Deep Forest, do qual eu acho que não conheço nenhuma outra música.

Na minha ignorância de 20 e poucos anos, aliás, eu achava que o Deep Forest era um grupo de música eletrônica tipo, sei lá, os Sneaker Pimps, composto por uns dois caras que tocassem instrumentos variados e uma mulher que cantasse, escolhendo, por qualquer motivo, cantar essa música nessa língua desconhecida. A verdade, entretanto, eu só descobriria recentemente: no final de 2024, eu entrei numa brincadeira "1 like = 1 música", mas, ao invés de simplesmente postar músicas das quais eu gostasse, decidi que, para cada like, eu postaria uma música que eu conheço que não fosse cantada nem em português, nem em inglês. Ao fazer uma lista mental de todas as músicas que eu conhecia que preenchessem esses requisitos, me lembrei de Sweet Lullaby. E aí, num momento sem mais o que fazer, decidi pesquisar que língua seria aquela, e por que a música é cantada nela. E acabei descobrindo a história bizarra que vou compartilhar com vocês agora.

Pra começar, eu estava parcialmente certo: o Deep Forest é um grupo - ou melhor, um "projeto" - de música eletrônica, de origem francesa. Só que, no início, eles eram uma dupla, formada por Michel Sanchez e Éric Mouquet; Sanchez sairia em 2005 e começaria carreira solo, com Mouquet se apresentando até hoje usando o nome Deep Forest. A ideia do projeto seria de Sanchez, que, em 1992, ouviria uma gravação de pessoas da tribo Baka, composta por pigmeus que vivem no que hoje corresponde a Camarões e Gabão, conversando, e decidiria unir suas palavras a uma música eletrônica do estilo conhecido como World Music. Ele chamaria Mouquet para ajudá-lo, e os dois escolheriam o nome Deep Forest, que, segundo Mouquet, era a junção do nome da banda Deep Purple com rainforest, "floresta tropical" em inglês. Segundo Sanchez, o objetivo da dupla era criar músicas no estilo que, desde a década de 1980, vinha sendo chamado de ethinc electronica, por combinar melodias modernas a letras e estilos tradicionais de fora do mainstream, como o kuduro de Angola, a cumbia mexicana e a chalga da Bulgária, mas com batidas mais calmas e introspectivas, ao invés das batidas dançantes comuns a esse estilo.

O primeiro álbum do Deep Forest, também chamado Deep Forest, seria lançado na Europa, pela gravadora 550 Records, em 1992, e logo faria um enorme sucesso, vendendo 3,5 milhões de cópias no mundo inteiro, entrando para o Top 20 dos mais vendidos no Reino Unido, chegando à posição 59 da parada da Billboard e sendo indicado ao Grammy de Melhor Álbum de Música Global - que perdeu para A Meeting by the River, do norte-americano Ry Cooder com o indiano Vishwa Mohan Bhatt. Sweet Lullaby seria sua segunda música de trabalho, se tornando um sucesso nas rádios do mundo inteiro, elogiada por quase a totalidade da crítica. Seu clipe, dirigido por Tarsem Singh, mostrava uma menina viajando o mundo de triciclo, e receberia quatro indicações ao MTV Video Music Awards.

Durante muito tempo, foi noticiado erroneamente que as palavras que a mulher cantava em Sweet Lullaby eram de alguma língua dos pigmeus africanos; essa confusão veio do fato de que, conforme o álbum fazia mais e mais sucesso, Sanchez e Mouquet eram convidados para mais e mais entrevistas, e, em uma delas, Mouquet falou que um de seus principais objetivos ao lançar o álbum era chamar atenção para o que vinha ocorrendo com a tribo Efé, da República Democrática do Congo. Vivendo no interior das florestas do país - o que, inclusive, deu origem a uma teoria de que esse seria o motivo pelo qual a banda se chama Deep Forest - e com mínimo contato com a civilização, os Efé vêm diminuindo em número ano após ano, e sua cultura corre o risco de desaparecer completamente. Segundo Mouquet, ele tinha esperanças de que o álbum pudesse ajudar a reverter essa situação, já que "não é todo dia que você escuta um pigmeu cantando no rádio". A partir dessa declaração, se espalhou uma notícia incorreta de que todas as músicas do álbum eram cantadas por pigmeus, o que, por sua vez, fez com que alguns críticos e jornalistas começassem a questionar como exatamente as vendas do álbum ajudariam os Efé, já que nenhum Efé - nem nenhum pigmeu - havia participado diretamente da produção do álbum, seja como compositor ou cantor.

Os trechos usados por Sanchez e Mouquet, na verdade, não eram todos de pigmeus, tendo sido conseguidos através de gravações feitas pela UNESCO nas décadas de 1960 e 1970 nas regiões africanas do Sahel e do Tibesti, na República Democrática do Congo, no Burundi e nas Ilhas Salomão, único desses locais que não fica na África, mas na Oceania. E é aqui que a história começa a ficar interessante.

Em 1969 e 1970, o antropólogo suíço Dr. Hugo Zemp, do Departamento de Etnomusicologia do Centro Nacional de Pesquisa Científica do Museu do Homem de Paris, viajou para as Ilhas Salomão e gravou músicas tradicionais de várias tribos locais. Essas músicas, parte do acervo do Museu do Homem, seriam selecionadas pela UNESCO e lançadas em 1973 em um LP chamado Solomon Islands: Fateleka and Baegu Music from Malaita, parte de uma série com canções típicas de vários povos indígenas. Em 1990, parte dessa série seria relançada pela gravadora Auvidis em CD, com o nome de Musics and Musicians of the World, com parte da renda da venda revertida para a UNESCO. Tanto o LP quanto o CD se tornaram bem conhecidos entre antropólogos e etnomusicólogos, mas tiveram distribuição limitada, exposição quase nenhuma em rádio e televisão, e suas vendas foram quase insignificantes.

Uma das faixas tanto do LP quanto do CD, que recebeu o nome de Rorgwela, era, segundo o encarte, uma canção de ninar da tribo Baegu, da região norte de Malaita, a principal das Ilhas Salomão, onde hoje vive um terço de toda a população do país, cantada por uma mulher que Zemp identificou apenas como Afunakwa. E seria justamente essa faixa que o Deep Forest usaria para criar Sweet Lullaby.

Não se sabe exatamente como Sanchez e Mouquet descobririam a existência do CD da UNESCO, mas o fato é que eles pegariam a voz de Afunakwa cantando e a colocariam sobre uma batida dance que usava uma bateria eletrônica e um sintetizador; bizarramente, eles também adicionariam instrumentos e ritmos tradicionais, bem como vocalizações ao estiilo yodel, da África Central, sem nada a ver com as Ilhas Salomão. Como a gravação de Afunakwa é curta, com menos de um minuto, eles a repetiriam três vezes; a primeira seria "pura", idêntica à gravação feita por Zemp, mas, na segunda, eles usariam um efeito de multiplicação digital e um coral gravado em estúdio, para parecer que Afunakwa estava cantando acompanhada, e, na terceira, apenas o coral canta - segundo eles, para passar a impressão de que o mundo de Afunakwa começa pequeno, mas vai sendo compartilhado e aumentado até que pertença a todos nós.

É preciso dizer que, em suas mentes, o Deep Forest não estava fazendo nada de errado, muito pelo contrário. Na descrição da dupla em seu site oficial, Sanchez e Mouquet se identificavam como "repórteres do som, um duo musical sem voz, que pega emprestadas vozes de todos os cantos do mundo"; ainda segundo a descrição, "sob sua tutela, falas infinitamente distantes se tornam familiares, hinos de alegria e gritos de raiva, orações e rezas, canções de esperança e desespero, todas foram trazidas para abalar nossas certezas, tomar de assalto nossos sentidos e bagunçar nossas emoções", concluindo com "da África à Europa Oriental, dos pigmeus aos nômades, as visões da humanidade trazidas pelo Deep Forest ajudaram enormemente a estreitar o abismo musical entre os hemisférios". Ou seja, puro altruísmo para que o mundo conhecesse a canção de ninar dos Baegu, dentre outras obras.

No encarte de seu segundo álbum, eles também diriam que possuem o apoio da UNESCO e de "dois musicólogos" cujos nomes eles escreveam errado, o "Dr. Hugo Zempe" e o "Dr. Shima Aron". Simha Arom era um etnomusicólogo britânico que gravou trechos de falas e canções de tribos de pigmeus da África Central, também usadas nas canções de Deep Forest; todo o álbum, aliás, era temático sobre a floresta tropical e os pigmeus, com a introdução da primeira faixa dizendo, em inglês, "em algum lugar nas profundezas da floresta vivem pequenos homens e mulheres; eles são seu passado, e talvez sejam seu futuro". Não se sabe por que em Sweet Lullaby eles decidiriam usar uma gravação das Ilhas Salomão, mas o mais provável é que tenha sido puramente por fins comerciais, já que imaginaram que a música tinha potencial para se tornar um grande sucesso, como de fato se tornou.

Ao contrário do que Sanchez e Mouquet divulgavam, porém, os antropólogos e etnomusicólogos não gostavam de seu trabalho, considerando-o "uma mistura de reverência respeitosa com caricatura primitivista". O público, que desconhecia esse trabalho e, no geral, ainda tinha uma visão estereotipada dos povos "representados" nas canções do Deep Forest, acharia sensacional podermos ouvir as canções dos povos primitivos, ou algo do gênero, e logo faria da dupla um sucesso de vendas, e as grandes marcas, querendo lucrar com isso, também não se importariam se os povos indígenas estavam sendo ou não respeitados, e logo tacariam as músicas do Deep Forest em suas propagandas - Sweet Lullaby, por exemplo, apareceria em comerciais da Neutrogena, Coca-Cola, Sony, The Body Shop, e até mesmo da Porsche.

Em 1996, o Dr. Zemp escreveria um artigo para o Anuário de Música Tradicional, mais importante publicação voltada aos etnomusicólogos, no qual não somente desmentia seu apoio ao Deep Forest como também questionava a legalidade e a moralidade do direito de uso de suas gravações pela UNESCO. Segundo Zemp, em 1992, o chefe da divisão responsável pelo lançamento dos CDs, Noriko Aikawa, entrou em contato com ele dizendo ter sido procurado pela Celine Music, representante do Deep Forest, para obter sua permissão para que a dupla usasse gravações que Zemp havia feito na África, em um projeto ligado ao Dia da Terra. Segundo Aikawa, a UNESCO estaria disposta a ceder as gravações, desde que quem as gravou autorizasse e fosse creditado. Zemp ouviu algumas músicas que o Deep Forest havia enviado como sendo as que combinaria com os trechos, e não somente decidiu negar sua permissão como recomendar que Arikawa procurasse um projeto que beneficiasse diretamente povos indígenas e músicos de origem indígena.

Algum tempo depois, entretanto, Francis Bebey, um conhecido músico e compositor camaronês, autor de um livro sobre música indígena africana, telefonaria para Zemp e o convenceria a autorizar o projeto, alegando que a renda seria destinada à preservação e proteção das florestas tropicais. Zemp autorizaria, e não ouviria mais falar do Deep Forest até o lançamento do álbum, quando a gravadora Le Chant du Monde, responsável pelo acervo de gravações do Museu do Homem, entraria em contato com ele dizendo que Sanchez e Mouquet haviam usado gravações de Zemp sem autorização, mas que ela havia entrado na justiça e conseguido uma reparação financeira através de um acordo extra-judicial. Pouco após esse telefonema, Zemp receberia duas cartas de dois colegas etnomusicólogos de outros países, questionando se ele havia recebido algum dinheiro pelo uso de suas gravações no álbum do Deep Forest. Zemp, curioso, começaria a procurar notícias sobre o desempenho em vendas do álbum, descobrindo que ele era um gigantesco sucesso, e entraria em contato com a 550 Records, convencendo-a a presenteá-lo com uma cópia.

Qual não foi sua surpresa, então, ao ver que nenhuma de suas gravações feitas na África havia sido usada pela dupla, mas que Rorogwela estava lá, completa, sem nenhum crédito a ele ou a Afunakwa, já que ele jamais havia sido perguntado sobre dar sua autorização para o uso de suas gravações das Ilhas Salomão. Após ouvir Sweet Lullaby como música de fundo em um comercial de xampu na televisão francesa, e entender que a música era um fenômeno no mundo inteiro, irado, ele pediria uma reunião com Bebey e Aikawa. Bebey diria ter sido enganado pela Celine Music, que havia lhe dito que seria usado apenas um trecho de 40 segundos gravado por Zemp na África, em um lançamento não-comercial relacionado às comemorações do Dia da Terra. Já Aikawa diria que, após Zemp negar autorização, jamais entraria em contato com a Celine Music novamente, e que o Deep Forest havia agido somente com base em uma carta que Bebey enviou à Celine Music dizendo que Zemp havia mudado de ideia e decidido autorizar, como se essa carta fosse um documento legal autorizando a dupla a usar livremente suas gravações.

Zemp, então, enviaria uma carta ao Deep Forest, exigindo que houvesse uma compensação financeira à tribo Baegu pelo uso de Rorogwela; Sanchez e Mouquet responderiam dois meses depois, alegando que o projeto teve autorização da Auvidis. Enquanto esperava a resposta, porém, Zemp conseguiu uma declaração oficial do diretor da Auvidis, dizendo que realmente recebeu um pedido de autorização por parte da Celine Music, mas que havia informado que Zemp não havia autorizado o uso de suas gravações. Zemp terminaria seu artigo no Anuário dizendo que alguém (ou o Deep Forest, ou a Auvidis) estava mentindo, mas essa parte não seria publicada, sendo cortada pelo editor em uma de suas revisões; esse editor, inclusive, pediria descuplas a Zemp em uma carta, na qual dizia ter cortado a frase por temer ser processado caso a publicasse. Zemp passaria três anos após a publicação do Anuário pedindo esclarecimentos ao Deep Forest e à Auvidis, mas jamais receberia respostas; para piorar a situação, alguns críticos de música chegariam a acusá-lo de querer enriquecer às custas do sucesso do Deep Forest, colocando-os como as vítimas da história e pintando-os como defensores da preservação da música indígena.

Apesar da bizarrice da situação, o Deep Forest jamais foi punido por ter feito sucesso mundial usando a gravação de Zemp ou voz de Afunakwa sem autorização; o máximo que aconteceu foi que a 550 Records ficou com medo de lançar novas tiragens do álbum Deep Forest enquanto as questões de direitos autorais não fossem resolvidas, com o álbum estando fora de catálogo desde 1994, quando a Columbia o relançou com algumas faixas novas e o nome World Mix. Após a história vir à tona, talvez para não ficar feio, Mouquet alegaria que uma porcentagem das vendas do álbum foi revertida para o Pygmy Fund, uma ONG sediada na Califórnia que ajuda tribos de pigmeus da África Central a lidar com ameaças ambientais a suas terras, mas investigações mostrariam que os grupos que tiveram suas vozes usadas nas músicas do álbum não estão dentre os assistidos pelo Pygmy Fund, e a própria ONG declararia que não veria um aumento substancial nas doações que recebeu enquanto o álbum estava à venda.

E Afunakwa? Ninguém sabe quantos anos ela tinha quando a gravação foi feita, nem mesmo se esse era seu nome verdadeiro; o certo é que ela jamais recebeu um centavo por sua voz ter ficado famosa no mundo inteiro. Após Zemp publicar seu artigo, alguns jornalistas chegaram a viajar para as Ilhas Salomão para tentar localizá-la, mas a única informação que obtiveram foi que ela já havia falecido. Hoje, inclusive, existe uma discussão na qual, embora se concorde que o Dr. Zemp foi prejudicado, se estranhe que toda a questão dos direitos autorais passe somente por ele, e não pela mulher que efetivamente deu voz à música, e que talvez tenha sido uma das maiores responsáveis por seu sucesso.

Por incrível que pareça, aliás, Sweet Lullaby não foi a única música na qual Rorogwela foi usada sem autorização: o DJ de música trance italiano Mauro Picotto remixaria a voz de Afunakwa na canção Komodo (Save a Soul), lançada em 2000, e o famoso saxofonista de jazz norueguês Jan Garbarek lançaria uma versão instrumental, como o nome de Pygmy Lullaby ("canção de ninar pigmeia"), no mesmo ano em que Zemp escreveria seu artigo, 1996. O caso de Garbarek é curioso não somente porque ele foi mais um que entrou na confusão de que todas as músicas do álbum Deep Forest eram de pigmeus, mas também porque, não conhecendo o Dr. Zemp, os álbuns da UNESCO ou Afunakwa, ele imaginou que Sweet Lullaby fosse uma composição original do Deep Forest, e entrou em contato com Sanchez e Mouquet para pedir autorização para fazer sua versão.

Por causa da confusão criada pelo artigo de Zemp, contudo, a versão de Garbarek chamou a atenção da comunidade internacional, e outro etnomusicólogo, Steven Feld, foi chamado para dar uma palestra na Noruega sobre o assunto. A produtora Marit Lie, da rádio NRK, estava na plateia, e chamou Garbarek para uma entrevista ao vivo, na qual ela revelou que a canção que ele havia regravado era na verdade uma melodia tradicional dos Baegu. Irado, Garbarek respoondeu que, se a canção pertencia à tradição oral, não havia nada de errado em "um compositor sério" utilizá-la. Querendo pressionar ainda mais a ferida, Lie faria para a NRK um programa especial cujo tema foi a confusão que Garbarek fez entre as Ilhas Salomão e os pigmeus, o que levou o compositor a registrar uma reclamação no órgão norueguês que regula as emissoras de rádio. Em diversas entrevistas posteriores, ele diria ter a convicção de não ter feito nada de errado, mas o órgão que cuida da distribuição dos direitos autorais na Noruega, após a repercussão da história, acabaria determinando que metade dos rendimentos obtidos com direitos autorais de Pygmy Lullaby deveria ir para um fundo de preservação da cultura - mas, como nenhum foi especificado, Garbarek escolheria um fundo de preservação da cultura norueguesa.

Para terminar, vale dizer que o Deep Forest segue na ativa até hoje, tendo lançado seu segundo álbum, Boheme, em 1995; para escapar da polêmica, no segundo eles usariam apenas ritmos do Leste Europeu, contando com a colaboração da cantora húngara Marta Sebestyen e da cantora búlgara Kate Petrova, além da participação especial de Peter Gabriel na faixa While the Earth Sleeps. O terceiro álbum, Comparsas, traria ritmos latino-americanos, com contribuições do francês Abed Azrie, da espanhola Ana Torroja, do austríaco Joe Zawinul e do mexicano Jorge Reyes. O quarto, Music Detected, de 2002, traria parcerias com o indonésio Anggun, a norte-americana Beverly Jo Scott, a japonesa Chitose Hajime e a escocesa Angela McCluskey. Após a saída de Sanchez, Mouquet lançaria o curioso Deep Brasil, com faixas em português, de 2008; Deep India, um dueto com Rahul Sharma, em 2013; e Deep Africa, também de 2013, que traz duetos com vários cantores africanos, como Blick Bassy e Wasis Diop. Depois disso, ele ainda lançaria mais sete álbuns, cinco deles de regravações; os dois mais recentes seriam Crystal Clear, dueto com Olivier Delevingne, de 2024, e Tree of Tranquility, um novo dueto com Rahul Sharma, de 2025.

E, caso alguém esteja curioso: a língua na qual Sweet Lullaby é cantada se chama baegu, e a letra traz uma irmã mais velha consolando um menino pequeno após a morte de seus pais, tendo trechos como "pequeno irmão, pare de chorar", "nós dois somos órfãos agora" e "da Ilha dos Mortos, o espírito deles continuará a olhar por nós" - o que também é bizarro se a gente pensar que algo tão sério e triste virou uma música dance de sucesso mundial.
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sábado, 16 de maio de 2026

Escrito por em 16.5.26 com 0 comentários

Kanban EV

Mês passado eu falei sobre um outro jogo de Dávid Turczi e Simone Luciani, autores de jogos sobre os quais eu havia falado anteriormente. Hoje eu vou falar sobre um outro jogo do português Vital Lacerda, autor de Weather Machine. Hoje é dia de Kanban EV no átomo!

Lançado pela editora Eagle-Gryphon em 2021, em Kanban EV os jogadores assumem o papel de trabalhadores de uma fábrica de automóveis, que devem analisar novos projetos, testar novos protótipos e manter tudo funcionando sem sobressaltos para impressionar a supervisora, Sandra, sendo vencedor quem obtiver o maior prestígio junto a ela - kanban, aliás, é o nome em japonês do nosso outdoor, um grande painel de propaganda colocado numa rua ou estrada, mas, no contexto das linhas de montagem, é um termo usado para indicar que tudo está fluindo de forma eficiente, com rapidez e suavidade, sendo esse termo derivado daquele grande painel branco com anotações a pincel atômico que as fábricas costumam ter. Kanban EV é a segunda edição, revisada, ampliada e com componentes de luxo, do terceiro jogo lançado por Lacerda como profissional, Kanban: Automotive Revolution, de 2014, da editora Giochix, que faria um grande sucesso na Europa, sendo graças a ele que Lacerda chamaria a atenção e conseguiria o contrato com a Eagle-Gryphon, que, após relançar outro de seus grandes sucessos, Vinhos, pediria para que ele revisasse as regras de Kanban para o relançamento. Assim como Weather Machine, Kanban EV jamais seria oficialmente lançado no Brasil, mas pode ser comprado em versão importada, com manual em inglês, através da editora Mosaico.

Os jogadores em Kanban EV podem escolher dentre as cores amarela, azul, roxa ou laranja, e cada um recebe 1 tabuleiro de jogador, 6 discos, 1 meeple de trabalhador, 1 marcador de certificação, 1 marcador de banco de horas, 1 peça de lembrança de banco de horas, 1 peça de upgrade duplo, 5 cadeados, 5 peças de garagem básicas, 5 peças de garagem avançadas, 5 balões de fala e 1 folha de referência. Os componentes comuns a todos são 1 tabuleiro principal, 23 balões de fala ganéricos (brancos), 1 meeple de Sandra (na cor rosa), 1 marcador de semana, 1 marcador de ciclo de produção, 1 marcador de reunião, 1 ficha de referência da Sandra, 1 pista de teste, 1 pace car, 40 carros (divididos em conceito, esporte, caminhonete, SUV e popular, 8 de cada) 6 marcadores de valor de parte de carro, 60 partes de carro (motor, computador de bordo, bateria, carroceria, eletrônica e trem de direção, 10 de cada), 11 vouchers de parte de carro, 16 livros, 12 cartas de kanban, 32 cartas de performance, 35 peças de design (7 para cada modelo de carro), 12 peças de objetivo de fábrica, 5 peças de demanda, 20 peças de prêmio e 11 peças de objetivo final.

Todos os componentes de Kanban EV são de alta qualidade: meeples, discos, cadeados, balões de fala, os marcadores de certificação, banco de horas, semana, ciclo de produção, reunião e valor de parte de carro, os livros, vouchers de parte de carro, os carros e as partes de carro são todos de madeira - o marcador de reunião parece um calendário de mesa, e os carros são carrinhos mesmo (tipo meeples de carros), mas as partes de carro são cilindros hexagonais com as figuras das partes que elas representam. O mais curioso, porém, é o pace car, que se parece com os demais carros, mas é de metal, e não é pintado - o meu jogo, aliás, veio com dois pace cars de formatos diferentes, embora o manual só liste um e a bandeja plástica da caixa só tenha espaço pra um.

Assim como o de Weather Machine, o tabuleiro de Kanban EV é dividido em cinco seções - no caso, os cinco departamentos da fábrica onde os jogadores trabalham: Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), Design, Montagem, Logística e Administração. Durante a preparação, o tabuleiro é colocado no centro da mesa, com a ficha de referência da Sandra no local apropriado - a ficha é dupla-face, com o lado verde sendo mais fácil. Os livros, vouchers de peças de carro e as peças de carro são colocadas numa reserva geral ao lado do tabuleiro; seis peças de carro são escolhidas aleatoriamente e colocadas na Reciclagem, no tabuleiro. Os objetivos de fábrica são separados por tipo (são três tipos), com duas de cada tipo sendo escolhidas aleatoriamente e colocadas nos espaços determinados do tabuleiro, com as demais voltando para a caixa; dois balões de fala genéricos são colocados sobre cada peça. As peças de prêmio são embaralhadas e três delas são colocadas em cada departamento, viradas para baixo e formando uma pilha; um balão de fala genérico é colocado sobre cada pilha.

Na Pesquisa & Desenvolvimento, se menos de 4 estiverem jogando, a pista de teste é colocada sobre a impressa no tabuleiro, com o lado apropriado virado para cima; os marcadores de valor de peça de carro são colocados no espaço mais à esquerda da trilha de upgrade de valor, o marcador de reunião e o de ciclo de produção são colocados nos espaços indicados, e o pace car é colocado em um dos dois espaços listrados da pista (tanto faz em qual), virado para percorrê-la no sentido anti-horário. No Design, as peças de design são embaralhadas e colocadas, com a face para cima, uma em cada um dos espaços determinados, com as demais sendo divididas em três pilhas de nove peças cada, colocadas nos espaços correspondentes. Na Montagem, um carro de cada modelo deve ser colocado na casa com a cor correspondente, virado para a esquerda; outro carro do mesmo modelo deve ser colocado na casa amarela logo à frente dele, e os demais ficam arrumados por modelo em um suprimento ao lado do tabuleiro, de forma que os jogadores sempre consigam ver quantos carros de cada modelo ainda estão disponíveis. As fichas de demanda são embaralhadas, com duas sendo colocadas viradas para cima nos locais marcados, cada uma com o número de balões de fala genéricos mostrado na ficha ao lado dela; as demais vão formar uma pilha, virada para baixo, ao lado do tabuleiro. Na Logística, as cartas de kanban são embaralhadas para formar um monte de compras, colocado ao lado do tabuleiro; a carta de cima é revelada e as partes de carro mostradas nela são retiradas da reserva geral e colocadas nos espaços de armazém correspondentes a seus tipos, com a carta indo para o final do monte de compras depois disso. Finalmente, na Administração, as cartas de performance são embaralhadas para formar um monte de compras ao lado do tabuleiro, do qual as quatro primeiras serão compradas e colocadas nos espaços correspondentes; uma das peças de objetivo final é escolhida aleatoriamente e colocada no espaço correspondente, com as demais voltando para a caixa; o marcador de semana é colocado no primeiro espaço na trilha de semana, e Sandra é colocada em seu escritório.

Após cada jogador receber todos os seus componentes, um balão de fala da cor do jogador é colocado no primeiro espaço de balão do tabuleiro de jogador, e os demais vão para uma reserva pessoal. Um voucher de peça de carro é retirado da reserva geral e colocado no espaço correspondente do tabuleiro de jogador, a peça de upgrade duplo é colocada no espaço apropriado, e as peças de garagem básicas são colocadas, viradas para cima, uma em cada espaço de garagem; a que tem um cadeado deve ser a última, mas a ordem das demais não importa - as peças de garagem avançadas somente são usadas, no lugar das básicas, caso os jogadores sejam experientes e queiram um jogo mais desafiador. Um cadeado deve ser colocado em cada local do tabuleiro de jogador com a figura de um. Cada jogador, então, forma sua mão, pegando 3 cartas de performance e 2 cartas de kanban. Um disco do jogador é colocado no primeiro espaço da trilha de treinamento de cada departamento no tabuleiro principal, e o marcador de banco de horas é colocado no espaço mais à esquerda da trilha de banco de horas. O último disco de cada jogador é colocado no espaço 15 da trilha de Pontos de Produção (PP).

Antes de a partida poder começar, ocorre a Orientação para Novos Funcionários: um jogador é escolhido para ser o primeiro usando qualquer método; começando por ele e seguindo em sentido horário, cada jogador colocará seu marcador de certificação em um dos espaços vazios da seção mais à esquerda da trilha de certificação, recebendo o benefício mostrado, se houver algum. Então, na ordem dos marcadores na trilha de certificação, cada jogador poderá pegar 1 parte de carro da Logística e 1 peça de design do Design - incluindo as dos topos das pilhas - e colocá-las nos espaços apropriados em seu tabuleiro de jogador. Caso sejam escolhidas peças que estavam no tabuleiro (e não nas pilhas), as demais da mesma linha devem ser deslizadas para a direita até que todos os espaços vazios mais à direita estejam ocupados, e então as peças da pilha correspondente àquela linha são colocadas nos espaços vazios mais à esquerda - peças de carro retiradas da Logística não são repostas.

Uma partida é dividida em dias de trabalho, com cada dia sendo dividido em duas fases. A primeira é a fase de seleção de departamento: cada um dos cinco departamentos possui dois espaços de alocação, e, nessa fase, cada jogador escolhe um espaço de alocação vazio e coloca seu trabalhador lá. No início da partida, Sandra estará em seu escritório na Administração, e os jogadores escolherão onde colocar seus trabalhadores seguindo a ordem em que seus marcadores estão na trilha de certificação; nos dias subsequentes, os jogadores escolherão de cima para baixo - quem tem o trabalhador no espaço mais acima escolhe primeiro - e Sandra se movimentará pelos Departamentos seguindo regras próprias. Após todos os jogadores terem alocado seus trabalhadores, a primeira fase termina.

A segunda fase é a fase de trabalho, na qual, de cima para baixo, os jogadores usarão seu trabalhos nos Departamentos que escolheram. O número de trabalhos que o jogador pode usar em cada departamento está impresso no espaço de alocação onde ele colocou seu trabalhador; se tiver banco de horas, o jogador também poderá gastá-lo, mas nenhum jogador pode usar mais de 4 trabalhos de uma única vez. Uma vez que o jogador tenha usado todos os trabalhos que quiser, ele deita seu trabalhador no tabuleiro e passa a vez para o próximo. Após todos os jogadores completarem seus turnos, há uma checagem para ver se haverá uma reunião; se não houver, o dia terminou, e começa um novo dia. Isso se repete até um determinado número de semanas ou reuniões terem se passado.

Sempre que for sua vez de jogar, o jogador pode optar por usar um ou mais de seus trabalhos para, ao invés de executar uma das ações daquele Departamento, realizar um treinamento. Cada Departamento tem sua própria trilha de treinamento, com o jogador se movendo um espaço nela para cada trabalho que decidiu gastar, com mais de um jogador podendo ocupar a mesma casa. Quando ultrapassar a seta na trilha, o jogador será considerado Certificado naquele Departamento; quando isso ocorrer, ele escolhe uma casa vazia no segmento seguinte da trilha de certificação, coloca seu marcador de certificação lá, recebe o benefício mostrado, e remove de seu tabuleiro de jogador o cadeado correspondente àquele Departamento, liberando um novo benefício ou habilidade. Ao invés de gastar trabalhos para treinar, um jogador pode devolver, de sua reserva pessoal para a reserva geral, qualquer quantidade de livros - o que significa que, ao invés de fazer um treinamento presencial, ele estudou em casa. Cada livro devolvido permite avançar o disco um espaço na trilha de treinamento, com um livro podendo ser devolvido a qualquer momento antes de o jogador passar a vez, mesmo que ele já tenha gastado todos os seus trabalhos.

Mesmo após ser Certificado, um jogador pode optar por seguir fazendo o treinamento daquele Departamento, se movendo na trilha de treinamento até chegar à última casa, quando se tornará um expert. O primeiro jogador a se tornar um expert em cada Departamento ganha o balão de fala genérico que está sobre a pilha de peças de prêmio, e cada jogador que se torna um expert pode escolher uma das peças de prêmio, ganhar o benefício que está nela, devolvê-la para a caixa do jogo e recolocar as demais na pilha. Também pode ocorrer de, ao ser Certificado, o jogador cumprir um dos objetivos de fábrica; nesse caso, ele pega um dos balões de fala genéricos na peça de objetivo de fábrica correspondente. Se uma peça de objetivo de fábrica ficar sem balões de fala, ela é removida do jogo, sendo retornada para a caixa.

Toda vez que um jogador ganhar um balão de fala genérico, ele o coloca na reserva geral, pega um dos balões de fala de sua cor que estão fora de seu tabuleiro de jogador e o coloca em um dos espaços apropriados; caso não haja um espaço livre, o jogador guarda o balão de fala genérico consigo por enquanto. A qualquer momento durante o seu turno, um jogador pode trocar uma parte de carro de seu tabuleiro de jogador por outra da Reciclagem; a Reciclagem só pode ter três partes de carro de cada vez, e todas devem ser diferentes umas das outras. E, toda vez que um jogador ganhar um livro ou um voucher de parte de carro, ele deve ser colocado ao lado de seu tabuleiro de jogador, não podendo ser usado imediatamente; somente no final de seu turno, antes de passar a vez, ele poderá colocá-los em seu tabuleiro de jogador, para que eles possam ser usados a partir de seu próximo turno. Se um jogador ganhar trabalhos para seu banco de horas, ele também não poderá usá-los no mesmo turno em que ganhou; a peça de lembrança de banco de horas é usada para marcar quantos trabalhos no banco de horas o jogador ganhou, e, somente após passar a vez, o jogador move o marcador no banco de horas o número de casas correspondente.

Pois bem, cada Departamento possui ações próprias que o jogador pode realizar gastando seus trabalhos. Vamos começar pelo Design, que, no início da partida, possui apenas uma ação: selecionar um design. O jogador escolhe uma peça de design para cada trabalho que gastou, e a coloca no espaço próprio de seu tabuleiro de jogador. O jogador só pode escolher dentre as peças que estão abertas no tabuleiro, não podendo pegar as do topo das pilhas, e, após colocá-las em seu tabuleiro de jogador, desliza as que ficaram no tabuleiro para a direita até que todos os espaços vazios mais à direita estejam ocupados, pegando então as peças da pilha correspondente àquela linha para preencher os espaços vazios mais à esquerda. A pilha central só deve ser usada quando uma das demais se esgotar; caso ambas estejam esgotadas, as peças da linha superior devem ser repostas primeiro. Ao escolher algumas peças, o jogador ganha também os benefícios (banco de horas ou livros) mostrados ao lado dela no tabuleiro. Após ser Certificado, o jogador libera um novo espaço para peças de design em seu tabuleiro de jogador, e passa a poder escolher também as cartas do topo das pilhas, ao invés de somente as abertas no tabuleiro. Um jogador que não tenha espaços livres para peças de design em seu tabuleiro de jogador não pode realizar essa ação.

Na Logística, o jogador pode escolher dentre duas ações. A primeira é emitir uma ordem de kanban: após gastar 1 trabalho, o jogador, sempre nessa ordem, ganha 1 banco de horas; escolhe uma das cartas de kanban de sua mão e a coloca no espaço apropriado do tabuleiro, podendo ser giradas para que seus símbolos se encaixem da forma que melhor beneficiar o jogador; adiciona uma parte de carro correspondente da reserva geral a cada armazém cujo símbolo da carta de kanban formar uma combinação; coloca a carta no final do monte de compras; e pega uma nova carta de kanban do topo do monte de compras para a sua mão. Cada jogador só pode realizar essa ação uma vez por turno. A segunda ação é pegar peças de carro: o jogador gasta 1 trabalho e pega todas as partes de carro de um armazém à sua escolha, colocando-as nos espaços apropriados em seu tabuleiro de jogador; um jogador que não tenha espaços livres para partes de carro em seu tabuleiro de jogador não pode realizar essa ação. Após ser Certificado, o jogador libera um novo espaço para partes de carro em seu tabuleiro de jogador e uma terceira opção de ação, receber um voucher: o jogador gasta um trabalho para pegar 1 voucher de parte de carro da reserva geral.

Toda vez que escolhe trabalhar na Montagem, primeiro o jogador deve limpar a área de trabalho: se um modelo tiver todos os seus espaços ocupados por partes de carros, eles retornam para a reserva geral, deixando todos os espaços vazios; modelos que tenham apenas alguns espaços ocupados não são afetados. A Montagem oferece apenas uma ação, fornecer uma parte de carro, mas ela tem várias etapas. Após gastar 1 trabalho, o jogador pega uma parte de carro de seu tabuleiro de jogador e a coloca em um espaço vazio para um dos modelos disponíveis; essa parte deve ser diferente de quaisquer outras que já estejam nos espaços do mesmo modelo; se o carro já tiver sofrido um upgrade, a parte também deverá ter um upgrade; e, ao invés de usar uma parte de carro de seu tabuleiro de jogador, o jogador pode devolver um voucher de parte de carro de seu tabuleiro de jogador para a reserva geral para pegar uma parte de carro da reserva geral e colocá-la na Montagem.

Depois de colocar uma parte de carro no espaço, o jogador move os carros do modelo escolhido um espaço para a frente cada um, na direção das setas. Se já houver um carro na casa para onde o carro está se movendo, ele também é empurrado para a frente. Se a seta apontar para mais de uma casa, o jogador escolhe para qual o carro vai se mover. Quando todos os carros necessários tiverem sido movidos, um carro do mesmo modelo é retirado do suprimento e colocado na primeira casa da trilha, a que tem a cor do modelo em questão. Caso não haja mais carros desse modelo no suprimento, a primeira casa fica vazia. Se, após todos os carros se moverem, algum deles alcançar o espaço amarelo com um número, o jogador que o moveu ganha uma quantidade de PP igual a esse número. Em seguida, o carro é colocado na pista da P&D, no primeiro espaço vazio atrás do pace car. Um máximo de quatro carros podem estar atrás do pace car a cada momento; se houver mais, o que está mais próximo do pace car volta para o suprimento, e os demais são deslizados para a frente, com o novo entrando no final da fila.

Se o carro for do mesmo modelo mostrado em uma das duas fichas de demanda no tabuleiro, e ainda houver balões de fala genéricos ao lado da ficha, o jogador pega um deles. Quando não houver mais balões de fala ao lado da ficha de demanda, ela é retirada do tabuleiro, e uma nova ficha do topo da pilha é colocada em seu lugar, com o número de balões de fala genéricos mostrado nela sendo colocado a seu lado; a ficha retirada do tabuleiro, então, é embaralhada de volta à pilha. Ao se Certificar na Montagem, o jogador desbloqueia sua última peça de garagem básica; diferentemente do que ocorre com outros departamentos, isso não vai gerar nenhum benefício agora, somente quando um carro for estacionado lá.

A P&D permite que o jogador escolha entre duas ações. A primeira é pegar um carro, que tem dois pré-requisitos: o jogador deve ter em seu tabuleiro de jogador um design que mostre um dos modelos que estão na pista, atrás do pace car, e deve ter um espaço vazio em sua garagem. Se ambas as condições forem cumpridas, o jogador escolhe um dos carros da pista que corresponda ao modelo de um de seus designs, tira ele da pista, o coloca em sua garagem, e coloca a peça de design no fim da pilha central no Departamento de Design. Cada carro na pista tem um custo igual à sua posição atrás do pace car, com o primeiro carro custando 1 trabalho, o segundo e o terceiro custando 2, e o último da fila custando 3 trabalhos; o jogador pode pegar até dois carros - já que o máximo de trabalhos que ele pode gastar em uma única jogada é 4 - desde que tenha as peças de design correspondentes e os espaços na garagem. Para cada carro colocado na garagem, o jogador ganha os benefícios mostrados na peça de garagem correspondente, e então vira a peça para que ela fique com o verso para cima; se a peça mostrar mais de dois benefícios, o jogador escolhe dois deles.

Após pegar os carros, o jogador move o pace car para a frente na pista um número de espaços igual ao número de carros que ele pegou, movendo os demais carros da fila para que não fiquem espaços vazios entre eles. Se o pace car alcançar ou ultrapassar um espaço listrado, o marcador de reunião é retirado de seu espaço na písta e colocado no espaço correspondente na Administração, o que significa que ocorrerá uma reunião ao final daquele dia. Pegar carros também pode fazer com que o jogador cumpra um dos objetivos de fábrica.

A segunda ação possível é fazer o upgrade de um design. Isso custa 1 trabalho, e requer que o jogador tenha em seu tabuleiro de jogador uma peça de design que mostre tanto o modelo no qual ele quer fazer o upgrade quanto a parte de carro que receberá o upgrade. Primeiro, o jogador move a parte de carro de seu tabuleiro de jogador (ou usa um voucher para pegar uma da reserva geral) para o espaço de upgrade do modelo que escolheu, recebendo o benefício mostrado no espaço. Se possível, ele move o marcador de valor de peça de carro da peça correspondente uma casa para a direita na trilha de upgrade. Então, o jogador vira a peça de design para mostrar o lado com upgrade, e a coloca ao lado de seu tabuleiro de jogador, liberando um espaço e ganhando os PPs mostrados na peça. Se, a qualquer momento, o jogador tiver uma peça de design com upgrade que corresponda a um de seus carros na garagem, ele deve colocar a peça imediatamente acima da garagem onde está o carro correspondente; esse carro será considerado Testado, e valerá pontos extras no futuro. Fazer o upgrade de um design é a terceira forma pela qual um jogador pode cumprir um dos objetivos de fábrica.

Ao se Certificar em P&D, o jogador remove o cadeado de sua peça de upgrade duplo, o que permite que, ao fazer um upgrade de design, o jogador escolha uma parte de carro para receber um upgrade duplo. Para isso, ele move o marcador de valor de peça de carro dois espaços para a direita ao invés de um (se possível) e o vira para que ele mostre o lado com upgrade. O jogador ganha os PPs pelo upgrade e vira a peça de upgrade duplo, para mostrar que ela já foi usada. Cada parte de carro só pode receber um upgrade duplo por partida, ou seja, um jogador não pode escolher uma peça na qual outro jogador já fez um upgrade duplo.

Finalmente, temos a Administração, que tem uma regra diferente: a Administração não possui ações, ou, seja, o jogador só pode gastar trabalho nela para fazer um treinamento, mas, quando seu trabalhador está na Administração, o jogador pode escolher qualquer um dos outros quatro Departamentos e usar seu trabalho para realizar suas ações normalmente - como se aos espaços da Administração fossem curingas. Ao se Certificar na Administração, o jogador ganha mais um espaço para balões de fala em seu tabuleiro de jogador.

Como foi dito, assim como os jogadores, Sandra também participa das fases de de seleção de departamento e de trabalho, mas com regras especiais. No primeiro dia, Sandra estará em seu escritório e não participará de nenhuma das duas fases, mas, no segundo, após todos os jogadores terem alocado seus trabalhadores, antes de começar a fase de trabalho, Sandra deverá ser colocada no primeiro espaço de alocação vazio de cima para baixo - se houver um espaço vazio na P&D, ela é colocada lá, se não, é colocada na Montagem, e assim por diante. A partir do terceiro dia, Sandra se move como se fosse um dos jogadores, seguindo a ordem deles e tendo de escolher obrigatoriamente um Departamento mais abaixo daquele onde ela está. Se a única opção para alocar Sandra for a Administração, ela não é colocada em um dos espaços de alocação, e sim em seu escritório; sempre no dia seguinte ao que estiver em seu escritório, ela deve ser alocada no espaço mais acima, como no segundo dia.

Sempre que Sandra não estiver em seu escritório, durante a fase de trabalho ela também joga seguindo a ordem normal dos jogadores, de cima para baixo. Ao invés de fazer um treinamento ou realizar uma ação, porém, ela faz uma avaliação do Departamento onde ela está. Sandra avaliará o jogador que tiver menos treinamento naquele Departamento - aquele cujo disco estiver na casa mais atrás na trilha de treinamento - podendo avaliar mais de um se houver empate; os critérios para avaliação estão na ficha de referência de Sandra, e, se o jogador não cumpri-los, deve diminuir o número no espaço em que seu marcador está no banco de horas de 5 e somar 1, perdendo o resultado em PPs - um jogador cujo marcador está no 4 perde 2 PPs (5 - 4 = 1, +1 = 2), enquanto um cujo marcador está no 2 perde 4 PPs (5 - 2 = 3, +1 = 4). Se o marcador estiver no 5 ou além, ele perde apenas 1 PP. Após realizar a avaliação, Sandra realiza uma ação de supervisão, também mostrada na ficha de referência. Depois disso, é a vez do jogador seguinte.

Exceto no primeiro dia, se Sandra estiver em seu escritório ela realiza a avaliação e a ação de supervisão da Administração normalmente; nesse caso, porém, ela será a última a jogar, e uma semana de trabalho chegará ao fim - com a ação de supervisão da Administração sendo efetuar a pontuação da semana. Nessa pontuação, para cada carro que um jogador tiver em sua garagem, o jogador ganha 1 PP para cada upgrade que foi feito (independentemente de qual jogador fez) naquele modelo; além disso, o jogador ganha 1 PP para cada design testado que tiver. Após realizar a pontuação de fim de semana, o marcador de semana avança 1 casa na trilha de semana, exceto se ele já estiver na casa com o número 3.

Quando todos os jogadores tiverem realizado a fase de trabalho (incluindo Sandra), antes de se iniciar uma nova fase de seleção de departamento, se o marcador de reunião estiver na Administração, acontece uma reunião. No início da reunião, o tabuleiro terá 4 cartas de performance, e cada jogador terá 3 na mão, das quais deverá, ao longo da reunião, jogar uma. Os jogadores participam na reunião na ordem da trilha de certificação, podendo falar ou passar a vez; um jogador que escolher passar a vez ainda poderá escolher falar em alguma das rodadas seguintes, mas, se todos os jogadores passarem a vez consecutivamente, a reunião termina. A cada reunião, obrigatoriamente, cada jogador deverá colocar uma, e apenas uma, carta de performance de sua mão no tabuleiro; o jogador só poderá escolher passar a vez após fazer isso, mas não precisará jogar a carta em sua primeira participação na reunião, podendo fazê-lo em uma rodada subsequente.

Após jogar a carta, e sempre que escolher falar, o jogador poderá colocar um balão de fala de sua cor em uma das cartas de performance no tabuleiro que tenha um espaço livre, podendo escolher a que ele mesmo jogou, uma que outro jogador tenha jogado, ou uma das que já estavam no tabuleiro anteriormente. O jogador deve colocar o balão de fala no espaço disponível com o maior número, e não pode escolher uma carta que já tenha um balão de fala de sua cor nela. Cada carta de performance possui um requerimento, e o jogador ganha os PPs mostrados na carta por aquele requerimento, até um número de vezes igual ao do espaço onde o jogador colocou o balão de fala - se o requerimento for ter um design com uprgrade, o valor da carta for 2, e o jogador colocar um balão de fala no espaço com o número 3, ele ganha 2 PPs por cada design com upgrade que tiver, até um máximo de três (ou seja, mesmo que tenha quatro, ele só ganha 6 PPs).

Ao fim da reunião, todos os jogadores recebem de volta seus balões de fala, devendo colocá-los em sua reserva pessoal ao lado de seu tabuleiro; jogadores que tenham balões de fala genéricos em sua reserva pessoal agora podem devolvê-los para a reserva geral, colocando um balão de fala de sua cor em um dos espaços disponíveis de seu tabuleiro de jogador para cada balão de fala genérico devolvido. Em seguida, todas as cartas de performance no tabuleiro são descartadas, cada jogador coloca uma das cartas de performance de sua mão em um dos espaços vazios do tabuleiro (se menos de quatro estiverem jogando, os espaços vazios são completados com cartas do topo do monte de compras), e pega duas novas cartas do topo do monte de compras para a sua mão. O marcador de reunião retorna para seu lugar na pista, e o marcador de ciclo de produção avança um espaço para a frente, exceto se já estiver no espaço marcado com um 3.

O marcador de ciclo de produção e o marcador de semana determinam o final da partida, que ocorre quando um deles (não importa qual) estiver no espaço 3 e o outro estiver no espaço 2. Quando isso acontecer, o dia corrente é terminado normalmente, inclusive ocorrendo uma pontuação da semana, se Sandra estava em seu escritório, ou uma reunião, se o marcador de reunião estava na Administração. Depois disso, cada jogador poderá colocar seus balões de fala nos espaços da peça de objetivo final, sendo permitido colocar um no mesmo espaço em que outro jogador tenha colocado um dos dele; cada um dos três espaços possui um objetivo, que, se o jogador tiver cumprido, ganha os PPs correspondentes - o jogador só ganha os PPs dos objetivos nos quais ele colocou um balão de fala, mesmo que tenha cumprido os outros. Em seguida, ocorre a pontuação final, com cada jogador ganhando uma quantidade de PP igual ao número da casa onde seu marcador está no banco de horas, 1 PP por cada balão de fala, livro e voucher de parte de carro ainda em seu tabuleiro, 1 PP por cada balão de fala genérico em sua reserva pessoal, e a quantidade de PP impressa no tabuleiro por cada carro em sua garagem. O jogador mais à frente na trilha de treinamento de cada Departamento ganha 5 PP, o segundo ganha 3 PP e o terceiro ganha 1 PP, podendo ocorrer empates. Finalmente, cada jogador ganha os PPs mostrados na peça por cada design testado em sua garagem. O jogador com mais PP será o vencedor; em caso de empate, ganha o que tiver mais carros em sua garagem, seguido do que tiver mais designs testados, e de quem tiver mais banco de horas.

Assim como outros jogos da Eagle-Gryphon, Kanban EV não teve expansões propriamente ditas, mas ganhou um Kanban EV Upgrade Pack, que traz dois novos módulos que podem ser combinados ao jogo um de cada vez ou ambos juntos; o Upgrade Pack vem em um ziplock, e a caixa do jogo base já possui espaço para todos os seus componentes. O primeiro módulo traz simplesmente 7 peças de garagem especiais, que podem ser usadas para substituir a que tem o cadeado durante a preparação do jogo, cada uma delas conferindo uma habilidade diferente e, digamos, interessante quando o jogador a desbloqueia e coloca o carro em sua garagem - uma delas permite que o jogador ignore as penalidades por não passar em uma avaliação da Sandra.

O segundo módulo se chama Speedcharger, e tem como componentes 14 marcadores de carga, 4 tabuleiros de carga, 6 cartas de performance e 4 cartas de objetivo final. Durante a preparação, cada jogador recebe 1 tabuleiro de carga, colocado ao lado de seu tabuleiro de jogador, e um número de marcadores de carga igual a 3 por jogador mais 2 é colocado na reserva geral. Toda vez que tiver um trabalhador na Administração, o jogador pode gastar 1 trabalho para pegar 1 marcador de carga da reserva geral e colocá-lo em um espaço vazio em seu tabuleiro de carga; cada jogador só pode pegar um marcador de carga por turno, e não pode realizar essa ação se todos os espaços de seu tabuleiro de carga estiverem ocupados. Cada espaço do tabuleiro de carga desbloqueia uma habilidade que afetará aquele jogador pelo resto da partida, com cada tabuleiro tendo 5 habilidades diferentes - ou seja, nem todos os jogadores vão conseguir desbloquear todas as suas habilidades. As novas cartas de performance e as novas peças de objetivo final trazem objetivos que têm marcadores de carga como requerimentos, seja em quantidade ou desbloqueando habilidades específicas.

Para terminar, Kanban EV tem um modo solo, criado por ninguém menos que Dávid Turczi, que simula uma partida de três jogadores - com os outros dois sendo chamados, no manual, de Sr. Turczi e Sr. Lacerda. Os componentes do modo solo são 11 cartas de planejamento, 18 cartas de seleção, 9 cartas de dificukldade, 1 carta de auxílio ao modo solo, e mais 1 meeple de trabalhador, 5 discos e 1 marcador de certificação para o Sr. Turczi (de cor branca) e 1 meeple de trabalhador, 5 discos e 1 marcador de certificação para o Sr. Lacerda (de cor preta).
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sábado, 9 de maio de 2026

Escrito por em 9.5.26 com 0 comentários

Modern Family

Ainda no espírito de falar sobre séries que já tenham se encerrado e eu já terminei de ver, apenas recentemente consegui terminar Modern Family, então vou fazer um post sobre ela também.

Modern Family é uma série de drama e comédia que intercala cenas das situações vividas pelos personagens com depoimentos deles sobre os eventos mostrados, como se fosse um documentário - no estilo hoje chamado de mockumentary, mais ou menos no estilo de The Office, mas com a diferença de que The Office era filmada como se alguém de fato estivesse registrando o dia a dia da empresa, enquanto Modern Family seria uma sitcom normal se não fosse pelos depoimentos dos personagens.


A série conta a história de três famílias. A primeira é a hoje chamada família nuclear, composta pelo pai, mãe e três filhos, que quando a série começa, são crianças, vivendo juntos em uma casa do subúrbio de Los Angeles. O pai é Phil Dunphy (Ty Burrell), corretor imobiliário por profissão, mágico amador por hobby, um cara divertido e boa praça, apesar de meio atrapalhado, que se esforça para ser um "pai legal" e é dedicado à família acima de tudo. A mãe é Claire (Julie Bowen), que, no início da série, é dona de casa em tempo integral, mas mais tarde vai trabalhar na empresa do pai, uma mulher de gênio forte, um tanto controladora, que tem mania de organização, mas é capaz de fazer o impossível para proteger, defender e agradar sua família. Claire engravidou de Phil na adolescência e contra a vontade do pai, que não ia com a cara dele, e o resultado foi Haley (Sarah Hyland), que, no começo da série, tem por volta de 15 anos, uma menina extremamente bonita, popular e criativa, mas não muito inteligente. Depois que Phil e Claire se casaram, tiveram outra filha, Alex (Ariel Winter), o oposto da irmã, absurdamente inteligente mas sem nenhum traquejo social, que no início da série tem uns 12 anos. O filho mais novo do casal é Luke (Nolan Gould), que é cuiroso, bondoso e bem intencionado, mas tão atrapalhado quanto o pai e tão sem noção quanto Haley.

A segunda família é composta por um casal homossexual, Mitchell Pritchett (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron Tucker (Eric Stonestreet). Mitchell é o irmão mais novo de Claire e é advogado, começando a série como especialista em direito ambiental, mas passado por vários ramos até se encontrar; ele também tem a mania de organização da irmã, e é quase tão atrapalhado quanto Phil. Já Cam, que nasceu numa fazenda no interior do Missouri, é músico e palhaço, se apresentando com o nome de Fizbo, gosta de ser o centro das atenções e frequentemente tenta manipular Mitchell para que suas decisões sejam vistas pelo marido como decisões "do casal"; Cam também é fanático por futebol americano, para espanto dos que acham que gays não se interessam por esse esporte, e, mais adiante na série, consegue um emprego como treinador do time do colégio onde Luke estuda. Quando a série começa, Mitchell e Cam adotaram uma menina vietnamita recém-nascida, a qual chamaram de Lily Tucker-Pritchett (as gêmeas Jaden e Ella Hiller nas duas primeiras temporadas, Aubrey Anderson-Emmons a partir da terceira), que, quando cresce, se torna geniosa e sarcástica, mas com um amor incondicional pelos pais. Mitchell e Cam moram em uma pequena casa alugada de dois andares independentes na cidade, mais tarde na série obtendo permissão do proprietário para alugar o andar de cima e passando várias confusões com os inquilinos.

Claire e Mitchell são filhos de Jay Pritchett (Ed O'Neill, de Um Amor de Família), que nasceu na pobreza, mas venceu na vida com o próprio trabalho, e hoje é presidente da fábrica de armários Pritchett Closets, morando em uma mansão com piscina em uma espécie de condomínio fechado. Pouco antes do início da série, Jay, que se divorciou da mãe de Claire e Mitchell anos antes, se casa com Gloria Ramirez (Sofía Vergara), colombiana bonitona que já trabalhou como taxista e cabeleireira, dentre outras profissões, que tem um pouco de dificuldade em se socializar por estranhar os costumes dos Estados Unidos, e costuma contar histórias bizarras de sua cidade natal. Gloria está sempre disposta a ajudar todo mundo, mas tem um gênio forte e não gosta de ser contrariada; ela tem um filho de um casamento anterior, Manny Delgado (Rico Rodriguez), que, cronologicamente, tem a mesma idade de Luke, mas, espiritualmente, parece ter uns 40 anos, gostando de chá, moda de alta costura e flauta peruana, dentre outros hábitos curiosos, o que faz com que ele tenha dificuldades de se socializar e seja alvo de várias piadas de Jay, sendo superprotegido por Gloria. No início da série, Claire não vai com a cara de Gloria, que é praticamente de sua idade (em um dos episódios, inclusive, Jay diz que Claire é mais velha que Gloria) e vista por ela como uma excentricidade cometida pelo pai.

Modern Family seria uma criação de Steven Levitan e Christopher Lloyd (que não é o cientista de De Volta para o Futuro, e sim um homônimo), que, um dia, estavam conversando e contando histórias de suas próprias famílias, e concluíram que histórias desse tipo seriam uma boa base para uma série de TV. Inicialmente, eles pensaram em fazer um mockumentary que acompanhasse o dia a dia de uma família, chamando a série de My American Family, mas, conforme trabalhavam a ideia, decidiram fazer três famílias de três tipos diferentes e as relações entre elas, concluindo que o texto funcionaria melhor se as três também fossem ligadas por laços familiares entre elas. Nos primeiros rascunhos do roteiro, a série seria um documentário filmado por um holandês chamado Geert Floortje, que foi estudante de intercâmbio, morando com os Pritchett, tendo se apaixonado por Claire, e com Mitchell tendo se apaixonado por ele; conforme novas histórias eram escritas, porém, Lloyd concluiria que essa abordagem não iria funcionar, e preferiria fazer "uma série familiar ao estilo documental", mantendo a parte de mockumentary restrita aos comentários dos personagens.

Lloyd e Levitan ofereceriam a série aos canais CBS, NBC e ABC, propositalmente não a oferecendo à Fox, devido a problemas que tiveram com o canal enquanto produziam outra série, Back to You. A NBC, que já exibia The Office e Parks and Recreation, não quis um terceiro mockumentary em sua grade, e a CBS achou que a série poderia ser cara para se produzir sem garantia de retorno, mas a ABC gostaria da premissa e encomendaria um piloto, exibido não só para os executivos do canal, mas para grupos de testes selecionados, que o aprovaram. Inicialmente, a ABC encomendaria apenas 13 episódios, mas, após o sucesso dos três primeiros, encomendaria uma temporada completa de 24. O sucesso da série seria tão grande que ela acabaria tendo nada menos que 11 temporadas; a partir da quinta, ela também seria negociada em syndication, para que os episódios já exibidos pela ABC pudessem passar em canais locais e a cabo, começando pela USA Network e pela FTS, de propriedade da Fox.

Falando nisso, curiosamente, para que a série pudesse se tornar realidade, a Lloyd-Levitan Productions teria que fazer uma parceria justamente com a 20th Century Fox, já que a ABC pertence à Disney, que não estava interessada na época em co-produzir uma sitcom. Lloyd e Levitan fariam um acordo muito bem detalhado com a Fox, para evitar novos dissabores, com ambos sendo showrunners e chefes da equipe de roteiristas, e tendo a palavra final sobre quaisquer mudanças que a Fox ou a ABC quisessem fazer na série, inclusive mudanças de dia e horário. A partir da segunda temporada, Lloyd e Levitan deixariam de ser co-showrunners e decidiriam cada um ser o único showrunner da metade dos episódios de cada temporada; segundo Levitan, ambos tinham opiniões fortes sobre como cada episódio deveria ser, então não fazia sentido eles se sentarem e debaterem toda vez que discordavam, sendo preferível que cada um pudesse ter controle total sobre metade dos episódios.

O'Neill, que era o ator mais conhecido do elenco, fez testes para o papel normalmente, e inicialmente foi rejeitado, com o diretor de elenco Jeff Greenberg achando que Craig T. Nelson havia se saído melhor; Nelson, porém, teve problemas para negociar seu salário e acabou desistindo, com Levitan e Lloyd pedindo para que O'Neill o substituísse. Ferguson inicialmente fez o teste para o papel de Cam, mas Greenberg acharia que ele combinava mais com Mitchell; em entrevistas, Stonestreet declararia "ter tido que se esforçar mais que os outros" para ficar com o então vago papel de Cam, já que era um ator pouco conhecido na época. E Bowen seria a primeira escolha de Greenberg para o papel, mas quase teve de desistir, pois estava grávida de gêmeos quando a chamaram para gravar o piloto; qualquer atraso e seria impossível disfarçar sua barriga.

Uma das razões para o sucesso de Modern Family seria sua inovação e inventividade em relação às outras séries da época no tocante a vários temas, como, por exemplo, a tecnologia. Segundo Levitan, ele e Lloyd costumavam conversar sobre como "o telefone celular matou as sitcoms", já que ninguém tem mais motivos para ficar indo à casa dos outros com frequência; em Modern Family, os personagens se reúnem frequentemente, mas também fazem uso diário de chamadas de vídeo pelo celular e pelo computador, de redes sociais e de sites de compras online, com Phil inclusive sendo um fanático por tecnologia que gostava de ter sempre os gadgets mais modernos. Isso faria com que Modern Family se tornasse a primeira série na qual a comunicação online é praticamente parte do enredo, refletindo na tela tendências que já estavam ocorrendo com as famílias da vida real.

Modern Family também seria a primeira série a mostrar no horário nobre um casal gay formando uma família e passando por todas as etapas da criação de um filho. A forma como Cam e Mitchell foram retratados - em uma série de comédia, mas sem serem caricatos - receberia elogios de várias organizações que lutam pelos direitos da comunidade LGBTQ+, e, segundo pesquisas, seria responsável por uma maior aceitação, nos Estados Unidos e Canadá, de casais gays que moram juntos, formam famílias ou adotam crianças. Cam e Michell também possuem vários amigos gays, muitos deles também casados ou com filhos adotivos, que foram ganhando cada vez mais destaque na série conforme os produtores viam que havia aceitação do público, o que contribuiu até mesmo para a introdução de personagens gays que não fossem caricatos em outras séries, que, vendo o sucesso de Modern Family, perderiam o medo de arriscar; um exemplo frequentemente citado é Glee, que estreou no mesmo ano que Modern Family, e na qual Kurt, na segunda temporada, é um personagem bem mais elaborado e menos caricato que na primeira.

Mas nem tudo eram flores: os primeiros episódios foram muito criticados por retratar Claire e Gloria como donas de casa, enquanto Phil e Jay eram homens de negócios bem-sucedidos, no que uma crítica escreveu que "não há nada de moderno em uma família na qual a mulher fica em casa enquanto o homem trabalha". Episódios nos quais Gloria tinha de esconder o quão inteligente é para não irritar Jay - como um no qual ela deixa ele ganhar dela no xadrez de propósito - ou nos quais Luke, mesmo sendo mais obtuso que Haley e menos inteligente que Alex, era retratado como tendo alguma vantagem sobre as irmãs, como "sendo bom com eletrônicos", também foram alvo de críticas em relação ao sexismo dos roteiros. Levitan diria que as imperfeições eram fruto "da forma como as sitcoms eram tradicionalmente feitas", e prometeria se esforçar para aparar essas arestas no futuro, com os episódios dando menos derrapadas conforme o tempo ia passando.

Além de um grande sucesso de público e crítica, Modern Family seria uma das séries mais premiadas da história da televisão norte-americana, sendo indicada a nada menos que 84 Emmys, dos quais ganharia 22: cinco de Melhor Série de Comédia (seguidos, de 2010 a 2014), quatro de Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Comédia (Burrell e Stonestreet, dois cada), quatro de Melhor Direção para uma Série de Comédia, três de Melhor Mixagem de Som para uma Série de Drama ou Comédia ou Animação de Meia Hora, dois de Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Comédia (ambos para Bowen), dois de Melhor Roteiro para uma Série de Comédia, um de Melhor Escolha de Elenco para uma Série de Comédia, e um de Melhor Edição para uma Série de Comédia - indicações também seriam recebidas nas categorias Melhor Direção de Arte para uma Série de Única Câmera, Melhor Ator Convidado em uma Série de Comédia, Melhor Atriz Convidada em uma Série de Comédia, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série de Comédia ou Programa de Variedades. No Globo de Ouro, seriam 12 indicações e uma premiação, de Melhor Série de Televisão de Comédia ou Musical.

Por decisão dos produtores, para mostrar que as famílias eram as estrelas, sem que um único ator fosse protagonista, todos os atores do elenco fixo eram inscritos nas categorias de Melhor Coadjuvante, sem que nenhuma inscrição fosse feita na de Melhor Ator ou Atriz principal. No Emmy, Burrell seria o ator que receberia mais indicações, nada menos que oito, com Bowen recebendo seis, Ferguson cinco, Vergara quatro, e O'Neill e Stonestreet três cada; no prêmio de Melhor Ator (ou Atriz) Convidado, Nathan Lane receberia três indicações, Fred Willard duas, e Elizabeth Banks e Greg Kinnear, uma cada. Já no Globo de Ouro, Vergara receberia quatro indicações, e Stonestreet três - aliás, Melhor Série de Televisão de Musical ou Comédia, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, e Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV seriam as únicas três categorias do Globo de Ouro nas quais Modern Family receberia indicações.

A primeira temporada teria 24 episódios, exibidos pela ABC entre 23 de setembro de 2009 e 19 de maio de 2010. Levitan e Lloyd escreveriam o piloto, mas os demais episódios ficariam a cargo de uma equipe de roteiristas coordenada por eles; a maioria dos episódios, incluindo o piloto e o último, seriam dirigidos por Jason Winer, mas Levitan e Lloyd decidiriam fazer com a direção o mesmo que com os roteiros, criando uma equipe de diretores, da qual seria escolhido um para cada episódio, e, nas temporadas seguintes, até mesmo contratando diretores freelancers. O penúltimo episódio da temporada, no qual toda a família vai comemorar o aniversário de Jay, seria filmado em um resort no Havaí.

Os personagens recorrentes introduzidos na primeira temporada incluem Dylan Marshall (Reid Ewing), o namorado de Haley, que é músico e tão cabeça oca quanto ela, o qual Phil adora, mas Claire detesta, achando que a filha pode conseguir algo melhor; o pai de Phil, Frank Dunphy (Fred Willard), que mora na Flórida e tem um motor home com o qual viaja pelo país; o pai de Manny, Javier Delgado (Benjamin Bratt), um bon vivant que vive de bicos e negócios não totalmente legalizados, a quem Manny idolatra, para desespero de Gloria; Sal (Elizabeth Banks), amiga da pá virada de Mitch e Cam, que está sempre os convidando para festas e roubadas; o melhor amigo de Jay, Shorty (Chazz Palminteri); e a mãe de Claire e Mitchell, DeDe (Shelley Long), que era manipuladora e rígida com a filha, mas carinhosa e compreensiva com o filho, o que faz com que eles tenham opiniões bem diferentes sobre ela. DeDe odeia Gloria e a trata muito mal, embora se dê bem com Manny, e uma piada recorrente na série era que, toda vez que DeDe vinha visitar Jay ou Claire, algo de ruim acontecia antes de ela chegar, como um bolo queimar no forno ou um pássaro bater na janela e morrer. O nome verdadeiro de DeDe nunca é revelado na série, mas sabe-se que ela tem duas irmãs cujos apelidos são BeBe e CeCe.

A segunda temporada teria mais 22 episódios, exibidos entre 22 de setembro de 2010 e 25 de maio de 2011; o enorme sucesso da primeira deixaria as expectativas altas, com alguns críticos tendo o temor de que ocorresse um sophomore slump - quando a segunda temporada de uma série de sucesso não consegue atender às expectativas e se torna um fracasso. O esquema da equipe de diretores seria mantido, com a maioria dos episódios sendo dirigido por Michael Spiller, já que Winer não pôde se comprometer com a série por estar dirigindo Arthur: O Milinoário Irresistível para os cinemas. É somente na segunda temporada que Mitchell e Cam dão seu primeiro beijo em cena; durante a primeira, seria criada uma campanha no Facebook chamada "deixem Mitch e Cam beijar", com críticas ao fato de que apenas os casais heterossexuais tinham demonstrações de afeto em cena. Levitan diria que eles não haviam se beijado na primeira temporada porque ele estava "testando as águas" com o público, e lamentou a campanha, pois já estava decidido que o beijo ocorreria na segunda temporada, e ficaria parecendo que ele só ocorreu devido aos protestos - seja como for, o episódio do beijo foi o quarto mais assistido de toda a série.

Seria também na segunda temporada que os amigos gays de Mitchell e Cam passariam a aparecer com frequência na série, o mais popular deles sendo Pepper Saltzman (Nathan Lane), que é extremamente afetado e dramático, e gosta de todo o luxo e pompa possíveis. Outros personagens recorrentes de destaque introduzidos na segunda temporada seriam a mãe de Cam, Barb Tucker (Celia Weston); um colega de escola de Luke apaixonado por Alex, Reuben Rand (Spenser McNeil); um vizinho idoso dos Dunphy com quem Luke faz amizade, Walt Kleezak (Philip Baker Hall); e um amigo de Mitchell e Cam que trabalha no shopping, chamado Longinus (Kevin Daniels). Com o sucesso da primeira temporada, vários atores famosos também seriam convidados ou se ofereceriam para participações especiais, dentre eles Danny Trejo como o zelador da escola onde estudam as crianças; Matt Dillon como um ex-namorado de Claire; Mary Lynn Rajskub como uma namorada que Mitchell teve antes de se revelar gay; James Marsden como um vizinho de Mitch e Cam; e Jonathan Banks como o irmão de Jay, Donnie Pritchett.

A terceira temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2011 e 23 de maio de 2012; o primeiro seria filmado em um rancho na cidade de Jackson, Wyoming, para o qual toda a família viaja em um feriado prolongado, e o antepenúltimo seria filmado na Disneylândia. Seria na terceira temporada que Lily deixaria de ser um bebê para passar a ser uma criança pequena, precisando que sua intérprete fosse trocada; a intenção dos roteiristas era fazer com que Mitchell e Cam adotassem um segundo filho, com um dos arcos de história da temporada lidando com o processo da adoção, mas, segundo pesquisas, isso não agradou ao público, então, no último episódio, Levitan faria uma alteração: Mitch e Cam abrem mão da adoção, mas Gloria revela estar grávida de Jay. Também seria na terceira temporada que Jay decidiria adotar uma cachorrinha, chamada Stella, da qual Gloria tem ciúmes porque Jay trata Stella melhor que ela. O principal personagem recorrente introduzido na terceira temporada seria o pai de Cam, Merle Tucker (Barry Corbin). Participações especiais incluiriam Kevin Hart como um amigo de Phil chamado Andre, que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes; Tim Blake Nelson como um caubói que dá em cima de Gloria durante a viagem ao Wyoming; David Cross como um vereador que se torna inimigo de Claire por causa de uma placa de pare que ela quer instalada na vizinhança, e contra quem ela decide concorrer nas eleições; Jennifer Tilly como a namorada de Shorty, Darlene; e Leslie Mann como uma mulher de quem Cam tenta pegar o telefone num bar para provar que consegue seduzir mulheres.

Após a terceira temporada, devido ao gigantesco sucesso da série, Burrell, Bowen, Ferguson, Stonestreet e Vergara, que ainda recebiam o mesmo que pela primeira, decidiriam renegociar seus contratos e pedir um aumento; diante da negativa da Fox, eles entrariam na justiça, junto com O'Neill, que recebia o maior salário da série, mas achava injusto seus colegas receberem menos que ele, e quis apoiá-los. O processo acabou levando a um atraso na pré-produção da quarta temporada, mas resultou em um acordo mais favorável aos atores, que receberiam não somente um aumento nos salários, mas também participação nos lucros de cada episódio - O'Neill teria seu salário diminuído para o mesmo patamar dos outros cinco, mas também passaria a receber participação. Exceto por Anderson-Emmons, os atores-mirins também receberiam um aumento de salário (mas sem participação), com a promessa de que ele aumentaria ainda mais a cada temporada, conforme eles ficassem mais velhos.

A quarta temporada começa com Haley na faculdade, tendo bastante dificuldade para se enturmar e acompanhar as matérias; no meio da temporada, nasce o filho de Jay e Gloria, que, após muita confusão, recebe o nome de Fulgencio Joseph Ramirez Pritchett - mas todo mundo o chama de Joe. Também seria nessa temporada que estrearia um personagem recorrente importante, Gil Thorpe (Rob Riggle), rival de Phil no ramo imobiliário, que não vê problema em recorrer a táticas excusas para tomar dele seus clientes. Outros personagens recorrentes introduzidos na quarta temporada seriam Pilar Ramírez (Elizabeth Peña) e Sonia (Stephanie Beatriz), mãe e irmã mais nova de Gloria; Sonia no começo é extremamente tímida e parece conformada em levar uma vida difícil na Colômbia, mas, após um certo evento, se torna invejosa e disposta a tudo para passar a viver a vida da irmã. As participações especiais incluiriam Matthew Brodderick como um colega com quem Phil cursou a faculdade; Larry Sullivan como um ex-namorado de Mitchell; Anders Holm como um amigo de Luke interessado em comprar um casa; Paget Brewster como uma namorada de Javier chamada Trish; e Billy Dee Williams como ele mesmo. A quarta temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 26 de setembro de 2012 e 22 de maio de 2013; um dos episódios seria filmado em Palm Springs, Flórida, com Jay levando toda a família para passar o reveillon lá.

A quinta temporada mais uma vez teria 24 episódios, exibidos entre 25 de setembro de 2013 e 21 de maio de 2014, e traria vários personagens novos, o mais importante deles Andy Bailey (Adam DeVine), rapaz tímido e sensível que Gloria contrata para ser babá de Joe, mais tarde se torna aprendiz de Phil como corretor, e que se apaixona por Haley, vivendo com ela um romance complicado. Outros personagens de destaque seriam Ronaldo (Christian Barillas), que começa como ajudante de Pepper em uma firma de cerimoniais, e mais tarde se torna seu marido; Pam Tucker (Dana Powell), irmã de Cam, que sempre consegue manipulá-lo para conseguir o que quer; o Diretor Brown (Andrey Daly), da escola de Luke e Manny; o professor de espanhol da escola, Señor Kaplan (Will Sasso), que desenvolve uma rivalidade com Cam por causa do grupo de teatro; Charlie Bingham (Justin Kirk), chefe de uma empresa onde Mitchell quer trabalhar; e o mordomo inglês Leslie Higgins (Stephen Merchant), que parece sempre ter um trabalho diferente em vários locais frequentados pelas famílias da série. Participações especiais incluíam Jane Krakowski como uma mãe rival de Gloria; Jesse Eisenberg como um vizinho ecologicamente correto de Mitchell e Cam; Rhys Darby como um amigo inconveniente que Mitchell e Cam conheceram durante uma viagem; e Patton Oswalt, Stephen Merchant e Fred Amisen como mágicos de uma sociedade secreta para a qual Phil quer entrar. Aproveitando a legalização do casamento gay na Califórnia, Levitan e Lloyd fariam com que Mitchell e Cam se casassem oficialmente, com o principal arco de história da temporada sendo o dos preparativos para o casamento; curiosamente, o primeiro episódio da temporada seria um dos mais assistidos de toda a série, mas o casamento, um especial em duas partes nos dois últimos, teria audiência regular. A quinta temporada teria dois "episódios especiais de viagem", um filmado na Austrália, outro em Las Vegas.

A quinta temporada seria bastante criticada, com alguns achando que a fórmula estava gasta e as histórias pouco inspiradas; em contrapartida, a sexta, que teve mais 24 episódios, exibidos entre 24 de setembro de 2014 e 20 de maio de 2015, seria extremamente elogiada, com os críticos considerando que a série havia "voltado à sua velha forma". Mesmo assim, a partir da sexta temporada a audiência começaria a cair progressivamente, só aumentando um pouco na última, com as indicações a prêmios também rareando e as críticas ficando cada vez mais divididas, o que significa que a sexta temporada foi uma espécie de canto do cisne. Um arco de história introduzido na sexta temporada, mas abandonado por pouca aceitação do público, seria que a casa vizinha à dos Dunphy seria comprada por uma família extremamente inconveniente, os LaFontaine, composta pelo pai, Ronnie (Steve Zahn), a mãe, Amber (Andrea Anders), e um casal de filhos, Ronnie Jr. (Finneas O'Connell) e Tammy (Brooke Sorenson), por quem Luke se interessa. Outros personagens novos de destaque seriam Earl Chambers (John Polito), ex-sócio de Jay que roubou suas ideias e abriu sua própria fábrica de armários, se tornando seu arqui-inimigo; a noiva de Andy, Beth (Laura Ashley Samuels), que mora no Utah; Sanjay Patel (Suraj Partha), menino que compete com Alex pelas maiores notas da escola; e Ben (Joe Mande), assistente de Claire quando ela decide voltar a trabalhar.

A sétima temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 23 de setembro de 2015 e 18 de maio de 2016. Até então, Joe era interpretado por Pierce Wallace, mas, com o menino ficando mais velho e seu papel ganhando mais destaque, os produtores decidiram fazer testes para um novo ator, com o escolhido sendo Jeremy Maguire. Curiosamente, uma crítica que essa temporada receberia seria a de que contou com muitas participações especiais, como se os famosos estivessem apenas desfilando, com pouco a acrescentar à história - um único episódio, por exemplo, contou com Keegan-Michael Kay e Christine Lakin como um casal rico amigo de Phil que nunca paga a conta quando saem para jantar com ele e Claire, Orson Bean como o pai de um coleguinha de escola de Joe, Rob Lowe como ele mesmo, e com a voz de Barbra Streisand respondendo quando ele toca seu interfone. Outras participações especiais incluíam June Squibb como uma idosa que rouba a receita do molho de pimenta da família de Gloria, Catherine O'Hara como uma autora de quem Gloria compra um curso, Simon Templeman como um autor que recebe dicas não requisitadas de Phil e Cam para seu novo livro, e Mekia Cox como uma moça que quer comprar uma casa, mas Phil tenta esconder o fato de Claire por pensar que ela acharia que ele está tendo um caso com ela. Ernie Hudson também faria uma participação como Miles, um amigo de Jay que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes.

Na oitava temporada, Pam está grávida de seu ex-namorado, um vigarista que Cam detesta, e vai morar com o irmão e com Mitchell, com seu filho, Calhoun, nascendo enquanto ela está lá. O desfile de celebridades continuaria, com o jogador de futebol americano Peyton Manning interpretando um professor de esportes que Gloria contrata para Joe, e os jogadores de basquete Charles Barkley e DeAndre Jordan como eles mesmos em um jogo beneficente do qual Phil participa; Kelsey Grammer interpretaria um ex-namorado de Cam, Victor Garber um chef que dá um curso no qual Claire e Haley se inscrevem, e Martin Short seria um gênio do marketing amigo de Phil. Novos personagens recorrentes de destaque são Rainer Shine (Nathan Fillion), homem do tempo da televisão ídolo de Phil e com quem Haley tem um caso, e a Dra. Donna Duncan (Jane Krakowsi), mãe de um coleguinha de Joe que se torna rival de Gloria; Polito estaria doente e acabaria falecendo antes de a temporada estrear, sendo substituído no papel de Chambers por Robert Constanzo. No episódio especial de viagem, os Dunphy passam um dia em Nova Iorque. A oitava temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2016 e 17 de maio de 2017.

Na nona temporada, várias celebridades participariam como elas mesmas, incluindo o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, o jogador de futebol americano Terry Bradhsaw, o jogador de beisebol George Brett e o comediante Billy Crystal. James Van Der Beek viveria Bo Johnson, ex-namorado de Pam e pai de Calhoun; Mira Sorvino interpretaria Nicole Rosemary Page, dona da empresa NERP, onde Haley consegue um emprego; Vanessa Williams seria uma membro do clube que Jay frequenta, onde Luke vai trabalhar; Fred Savage seria um massoterapeuta que atende Cam, causando ciúmes em Mitchell; e Mary Louise Wilson seria a irmã de Jay, Becky Pritchett. Novos personagens de destaque incluíam o professor de física Dr. Alvin Fennerman (Chris Geere), por quem Alex é apaixonada, mas que se apaixona por Haley; o bombeiro Bill (Jimmy Tatro), que se torna namorado de Alex mesmo sem ter nada a ver com ela; e a secretária de Jay, Margaret (Marsha Kramer) - também podem ser citados Shirley Chambers (Sarah Baker), filha de Earl, e um ex-namorado de Gloria, Jorge de la Selva (Gabriel Iglesias), que só apareceram em um episódio cada, mas deixaram sua marca.

A nona temporada seria mais curta, com 22 episódios, exibidos entre 27 de setembro de 2017 a 16 de maio de 2018, o que, somado à audiência decrescente e às críticas mornas, daria origem a boatos de que ou ela, ou a décima seria a última. A décima seria exibida entre 26 de setembro de 2018 e 8 de maio de 2019, com mais 22 episódios, e, enquanto ela estava no ar, Levitan e Lloyd confirmariam que a décima-primeira seria a última. Na décima temporada, os roteiristas tentariam mais uma vez dar um segundo filho a Michell e Cam, fazendo com que Pam voltasse para o Missouri e deixasse Calhoun (Marcello Juiian Reyes) com eles; a ideia não daria muito certo, e ela retornaria para buscar o menino. Outra história importante da décima temporada é que Haley reata com Dylan - que está trabalhando como enfermeiro - e engravida de gêmeos, que virão a se chamar George e Poppy. Novos personagens da temporada incluem a mãe de Dylan, Farrah (Rachel Bay Jones); Sherry Shaker (Hillary Anne Matthews), atriz de improviso que durante um tempo namora com Manny; e Jerry (Ed Begley, Jr.), o novo marido de DeDe.

A décima-primeira temporada seria a mais curta, com 18 episódios exibidos entre 25 de setembro de 2019 e 8 de abril de 2020. Além de apostar em novas situações envolvendo os gêmeos de Haley, os roteiristas se preocupariam em criar desfechos para todos os personagens, deixando, porém, um final aberto o suficiente para que a série pudesse ser revisitada no futuro caso houvesse interesse. Antes do último episódio, iria ao ar um programa especial chamado A Modern Farewell, no qual o elenco relembrava os melhores momentos da série; o último episódio seria um especial com uma hora de duração, dividido em dois para as reprises. Alguns episódios da décima-primeira temporada também contavam com cenas de episódios das primeiras temporadas, mostradas quando os personagens se lembravam de momentos marcantes de suas vidas. O episódio especial de viagem seria filmado em Paris, França. A última temporada não teve nenhum personagem novo de destaque (além dos gêmeos), e contou com participações especiais de Tara Strong como a voz de uma geladeira de última geração comprada por Mitchell e Cam, e de David Beckham, Courteney Cox e Snoop Dogg como eles mesmos.

Após o fim da série, houve várias conversas para a realização de um spin-off estrelado por Mitchell e Cam, então os personagens mais populares. O projeto seria sucessivamente adiado, principalmente por causa da pandemia, até que, em 2022, Levitan declarou que ele produziria a série sozinho, e Ferguson diria que o roteiro do piloto já estava escrito e "era muito bom". Nenhum movimento foi feito para concretizar a série, entretanto, até que, em setembro de 2024, Stonestreet diria que era improvável que o spin-off fosse produzido, já que o tempo ideal para fazê-lo havia passado, e que isso era uma pena, pois o material realmente era muito bom. Durante algum tempo após o final de Modern Family, alguns fãs fizeram campanha por um spin-off que acompanhasse Luke e Manny na faculdade, mas não se sabe se houve alguma conversa oficial sobre sua produção.
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