sábado, 16 de maio de 2026

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Kanban EV

Mês passado eu falei sobre um outro jogo de Dávid Turczi e Simone Luciani, autores de jogos sobre os quais eu havia falado anteriormente. Hoje eu vou falar sobre um outro jogo do português Vital Lacerda, autor de Weather Machine. Hoje é dia de Kanban EV no átomo!

Lançado pela editora Eagle-Gryphon em 2021, em Kanban EV os jogadores assumem o papel de trabalhadores de uma fábrica de automóveis, que devem analisar novos projetos, testar novos protótipos e manter tudo funcionando sem sobressaltos para impressionar a supervisora, Sandra, sendo vencedor quem obtiver o maior prestígio junto a ela - kanban, aliás, é o nome em japonês do nosso outdoor, um grande painel de propaganda colocado numa rua ou estrada, mas, no contexto das linhas de montagem, é um termo usado para indicar que tudo está fluindo de forma eficiente, com rapidez e suavidade, sendo esse termo derivado daquele grande painel branco com anotações a pincel atômico que as fábricas costumam ter. Kanban EV é a segunda edição, revisada, ampliada e com componentes de luxo, do terceiro jogo lançado por Lacerda como profissional, Kanban: Automotive Revolution, de 2014, da editora Giochix, que faria um grande sucesso na Europa, sendo graças a ele que Lacerda chamaria a atenção e conseguiria o contrato com a Eagle-Gryphon, que, após relançar outro de seus grandes sucessos, Vinhos, pediria para que ele revisasse as regras de Kanban para o relançamento. Assim como Weather Machine, Kanban EV jamais seria oficialmente lançado no Brasil, mas pode ser comprado em versão importada, com manual em inglês, através da editora Mosaico.

Os jogadores em Kanban EV podem escolher dentre as cores amarela, azul, roxa ou laranja, e cada um recebe 1 tabuleiro de jogador, 6 discos, 1 meeple de trabalhador, 1 marcador de certificação, 1 marcador de banco de horas, 1 peça de lembrança de banco de horas, 1 peça de upgrade duplo, 5 cadeados, 5 peças de garagem básicas, 5 peças de garagem avançadas, 5 balões de fala e 1 folha de referência. Os componentes comuns a todos são 1 tabuleiro principal, 23 balões de fala ganéricos (brancos), 1 meeple de Sandra (na cor rosa), 1 marcador de semana, 1 marcador de ciclo de produção, 1 marcador de reunião, 1 ficha de referência da Sandra, 1 pista de teste, 1 pace car, 40 carros (divididos em conceito, esporte, caminhonete, SUV e popular, 8 de cada) 6 marcadores de valor de parte de carro, 60 partes de carro (motor, computador de bordo, bateria, carroceria, eletrônica e trem de direção, 10 de cada), 11 vouchers de parte de carro, 16 livros, 12 cartas de kanban, 32 cartas de performance, 35 peças de design (7 para cada modelo de carro), 12 peças de objetivo de fábrica, 5 peças de demanda, 20 peças de prêmio e 11 peças de objetivo final.

Todos os componentes de Kanban EV são de alta qualidade: meeples, discos, cadeados, balões de fala, os marcadores de certificação, banco de horas, semana, ciclo de produção, reunião e valor de parte de carro, os livros, vouchers de parte de carro, os carros e as partes de carro são todos de madeira - o marcador de reunião parece um calendário de mesa, e os carros são carrinhos mesmo (tipo meeples de carros), mas as partes de carro são cilindros hexagonais com as figuras das partes que elas representam. O mais curioso, porém, é o pace car, que se parece com os demais carros, mas é de metal, e não é pintado - o meu jogo, aliás, veio com dois pace cars de formatos diferentes, embora o manual só liste um e a bandeja plástica da caixa só tenha espaço pra um.

Assim como o de Weather Machine, o tabuleiro de Kanban EV é dividido em cinco seções - no caso, os cinco departamentos da fábrica onde os jogadores trabalham: Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), Design, Montagem, Logística e Administração. Durante a preparação, o tabuleiro é colocado no centro da mesa, com a ficha de referência da Sandra no local apropriado - a ficha é dupla-face, com o lado verde sendo mais fácil. Os livros, vouchers de peças de carro e as peças de carro são colocadas numa reserva geral ao lado do tabuleiro; seis peças de carro são escolhidas aleatoriamente e colocadas na Reciclagem, no tabuleiro. Os objetivos de fábrica são separados por tipo (são três tipos), com duas de cada tipo sendo escolhidas aleatoriamente e colocadas nos espaços determinados do tabuleiro, com as demais voltando para a caixa; dois balões de fala genéricos são colocados sobre cada peça. As peças de prêmio são embaralhadas e três delas são colocadas em cada departamento, viradas para baixo e formando uma pilha; um balão de fala genérico é colocado sobre cada pilha.

Na Pesquisa & Desenvolvimento, se menos de 4 estiverem jogando, a pista de teste é colocada sobre a impressa no tabuleiro, com o lado apropriado virado para cima; os marcadores de valor de peça de carro são colocados no espaço mais à esquerda da trilha de upgrade de valor, o marcador de reunião e o de ciclo de produção são colocados nos espaços indicados, e o pace car é colocado em um dos dois espaços listrados da pista (tanto faz em qual), virado para percorrê-la no sentido anti-horário. No Design, as peças de design são embaralhadas e colocadas, com a face para cima, uma em cada um dos espaços determinados, com as demais sendo divididas em três pilhas de nove peças cada, colocadas nos espaços correspondentes. Na Montagem, um carro de cada modelo deve ser colocado na casa com a cor correspondente, virado para a esquerda; outro carro do mesmo modelo deve ser colocado na casa amarela logo à frente dele, e os demais ficam arrumados por modelo em um suprimento ao lado do tabuleiro, de forma que os jogadores sempre consigam ver quantos carros de cada modelo ainda estão disponíveis. As fichas de demanda são embaralhadas, com duas sendo colocadas viradas para cima nos locais marcados, cada uma com o número de balões de fala genéricos mostrado na ficha ao lado dela; as demais vão formar uma pilha, virada para baixo, ao lado do tabuleiro. Na Logística, as cartas de kanban são embaralhadas para formar um monte de compras, colocado ao lado do tabuleiro; a carta de cima é revelada e as partes de carro mostradas nela são retiradas da reserva geral e colocadas nos espaços de armazém correspondentes a seus tipos, com a carta indo para o final do monte de compras depois disso. Finalmente, na Administração, as cartas de performance são embaralhadas para formar um monte de compras ao lado do tabuleiro, do qual as quatro primeiras serão compradas e colocadas nos espaços correspondentes; uma das peças de objetivo final é escolhida aleatoriamente e colocada no espaço correspondente, com as demais voltando para a caixa; o marcador de semana é colocado no primeiro espaço na trilha de semana, e Sandra é colocada em seu escritório.

Após cada jogador receber todos os seus componentes, um balão de fala da cor do jogador é colocado no primeiro espaço de balão do tabuleiro de jogador, e os demais vão para uma reserva pessoal. Um voucher de peça de carro é retirado da reserva geral e colocado no espaço correspondente do tabuleiro de jogador, a peça de upgrade duplo é colocada no espaço apropriado, e as peças de garagem básicas são colocadas, viradas para cima, uma em cada espaço de garagem; a que tem um cadeado deve ser a última, mas a ordem das demais não importa - as peças de garagem avançadas somente são usadas, no lugar das básicas, caso os jogadores sejam experientes e queiram um jogo mais desafiador. Um cadeado deve ser colocado em cada local do tabuleiro de jogador com a figura de um. Cada jogador, então, forma sua mão, pegando 3 cartas de performance e 2 cartas de kanban. Um disco do jogador é colocado no primeiro espaço da trilha de treinamento de cada departamento no tabuleiro principal, e o marcador de banco de horas é colocado no espaço mais à esquerda da trilha de banco de horas. O último disco de cada jogador é colocado no espaço 15 da trilha de Pontos de Produção (PP).

Antes de a partida poder começar, ocorre a Orientação para Novos Funcionários: um jogador é escolhido para ser o primeiro usando qualquer método; começando por ele e seguindo em sentido horário, cada jogador colocará seu marcador de certificação em um dos espaços vazios da seção mais à esquerda da trilha de certificação, recebendo o benefício mostrado, se houver algum. Então, na ordem dos marcadores na trilha de certificação, cada jogador poderá pegar 1 parte de carro da Logística e 1 peça de design do Design - incluindo as dos topos das pilhas - e colocá-las nos espaços apropriados em seu tabuleiro de jogador. Caso sejam escolhidas peças que estavam no tabuleiro (e não nas pilhas), as demais da mesma linha devem ser deslizadas para a direita até que todos os espaços vazios mais à direita estejam ocupados, e então as peças da pilha correspondente àquela linha são colocadas nos espaços vazios mais à esquerda - peças de carro retiradas da Logística não são repostas.

Uma partida é dividida em dias de trabalho, com cada dia sendo dividido em duas fases. A primeira é a fase de seleção de departamento: cada um dos cinco departamentos possui dois espaços de alocação, e, nessa fase, cada jogador escolhe um espaço de alocação vazio e coloca seu trabalhador lá. No início da partida, Sandra estará em seu escritório na Administração, e os jogadores escolherão onde colocar seus trabalhadores seguindo a ordem em que seus marcadores estão na trilha de certificação; nos dias subsequentes, os jogadores escolherão de cima para baixo - quem tem o trabalhador no espaço mais acima escolhe primeiro - e Sandra se movimentará pelos Departamentos seguindo regras próprias. Após todos os jogadores terem alocado seus trabalhadores, a primeira fase termina.

A segunda fase é a fase de trabalho, na qual, de cima para baixo, os jogadores usarão seu trabalhos nos Departamentos que escolheram. O número de trabalhos que o jogador pode usar em cada departamento está impresso no espaço de alocação onde ele colocou seu trabalhador; se tiver banco de horas, o jogador também poderá gastá-lo, mas nenhum jogador pode usar mais de 4 trabalhos de uma única vez. Uma vez que o jogador tenha usado todos os trabalhos que quiser, ele deita seu trabalhador no tabuleiro e passa a vez para o próximo. Após todos os jogadores completarem seus turnos, há uma checagem para ver se haverá uma reunião; se não houver, o dia terminou, e começa um novo dia. Isso se repete até um determinado número de semanas ou reuniões terem se passado.

Sempre que for sua vez de jogar, o jogador pode optar por usar um ou mais de seus trabalhos para, ao invés de executar uma das ações daquele Departamento, realizar um treinamento. Cada Departamento tem sua própria trilha de treinamento, com o jogador se movendo um espaço nela para cada trabalho que decidiu gastar, com mais de um jogador podendo ocupar a mesma casa. Quando ultrapassar a seta na trilha, o jogador será considerado Certificado naquele Departamento; quando isso ocorrer, ele escolhe uma casa vazia no segmento seguinte da trilha de certificação, coloca seu marcador de certificação lá, recebe o benefício mostrado, e remove de seu tabuleiro de jogador o cadeado correspondente àquele Departamento, liberando um novo benefício ou habilidade. Ao invés de gastar trabalhos para treinar, um jogador pode devolver, de sua reserva pessoal para a reserva geral, qualquer quantidade de livros - o que significa que, ao invés de fazer um treinamento presencial, ele estudou em casa. Cada livro devolvido permite avançar o disco um espaço na trilha de treinamento, com um livro podendo ser devolvido a qualquer momento antes de o jogador passar a vez, mesmo que ele já tenha gastado todos os seus trabalhos.

Mesmo após ser Certificado, um jogador pode optar por seguir fazendo o treinamento daquele Departamento, se movendo na trilha de treinamento até chegar à última casa, quando se tornará um expert. O primeiro jogador a se tornar um expert em cada Departamento ganha o balão de fala genérico que está sobre a pilha de peças de prêmio, e cada jogador que se torna um expert pode escolher uma das peças de prêmio, ganhar o benefício que está nela, devolvê-la para a caixa do jogo e recolocar as demais na pilha. Também pode ocorrer de, ao ser Certificado, o jogador cumprir um dos objetivos de fábrica; nesse caso, ele pega um dos balões de fala genéricos na peça de objetivo de fábrica correspondente. Se uma peça de objetivo de fábrica ficar sem balões de fala, ela é removida do jogo, sendo retornada para a caixa.

Toda vez que um jogador ganhar um balão de fala genérico, ele o coloca na reserva geral, pega um dos balões de fala de sua cor que estão fora de seu tabuleiro de jogador e o coloca em um dos espaços apropriados; caso não haja um espaço livre, o jogador guarda o balão de fala genérico consigo por enquanto. A qualquer momento durante o seu turno, um jogador pode trocar uma parte de carro de seu tabuleiro de jogador por outra da Reciclagem; a Reciclagem só pode ter três partes de carro de cada vez, e todas devem ser diferentes umas das outras. E, toda vez que um jogador ganhar um livro ou um voucher de parte de carro, ele deve ser colocado ao lado de seu tabuleiro de jogador, não podendo ser usado imediatamente; somente no final de seu turno, antes de passar a vez, ele poderá colocá-los em seu tabuleiro de jogador, para que eles possam ser usados a partir de seu próximo turno. Se um jogador ganhar trabalhos para seu banco de horas, ele também não poderá usá-los no mesmo turno em que ganhou; a peça de lembrança de banco de horas é usada para marcar quantos trabalhos no banco de horas o jogador ganhou, e, somente após passar a vez, o jogador move o marcador no banco de horas o número de casas correspondente.

Pois bem, cada Departamento possui ações próprias que o jogador pode realizar gastando seus trabalhos. Vamos começar pelo Design, que, no início da partida, possui apenas uma ação: selecionar um design. O jogador escolhe uma peça de design para cada trabalho que gastou, e a coloca no espaço próprio de seu tabuleiro de jogador. O jogador só pode escolher dentre as peças que estão abertas no tabuleiro, não podendo pegar as do topo das pilhas, e, após colocá-las em seu tabuleiro de jogador, desliza as que ficaram no tabuleiro para a direita até que todos os espaços vazios mais à direita estejam ocupados, pegando então as peças da pilha correspondente àquela linha para preencher os espaços vazios mais à esquerda. A pilha central só deve ser usada quando uma das demais se esgotar; caso ambas estejam esgotadas, as peças da linha superior devem ser repostas primeiro. Ao escolher algumas peças, o jogador ganha também os benefícios (banco de horas ou livros) mostrados ao lado dela no tabuleiro. Após ser Certificado, o jogador libera um novo espaço para peças de design em seu tabuleiro de jogador, e passa a poder escolher também as cartas do topo das pilhas, ao invés de somente as abertas no tabuleiro. Um jogador que não tenha espaços livres para peças de design em seu tabuleiro de jogador não pode realizar essa ação.

Na Logística, o jogador pode escolher dentre duas ações. A primeira é emitir uma ordem de kanban: após gastar 1 trabalho, o jogador, sempre nessa ordem, ganha 1 banco de horas; escolhe uma das cartas de kanban de sua mão e a coloca no espaço apropriado do tabuleiro, podendo ser giradas para que seus símbolos se encaixem da forma que melhor beneficiar o jogador; adiciona uma parte de carro correspondente da reserva geral a cada armazém cujo símbolo da carta de kanban formar uma combinação; coloca a carta no final do monte de compras; e pega uma nova carta de kanban do topo do monte de compras para a sua mão. Cada jogador só pode realizar essa ação uma vez por turno. A segunda ação é pegar peças de carro: o jogador gasta 1 trabalho e pega todas as partes de carro de um armazém à sua escolha, colocando-as nos espaços apropriados em seu tabuleiro de jogador; um jogador que não tenha espaços livres para partes de carro em seu tabuleiro de jogador não pode realizar essa ação. Após ser Certificado, o jogador libera um novo espaço para partes de carro em seu tabuleiro de jogador e uma terceira opção de ação, receber um voucher: o jogador gasta um trabalho para pegar 1 voucher de parte de carro da reserva geral.

Toda vez que escolhe trabalhar na Montagem, primeiro o jogador deve limpar a área de trabalho: se um modelo tiver todos os seus espaços ocupados por partes de carros, eles retornam para a reserva geral, deixando todos os espaços vazios; modelos que tenham apenas alguns espaços ocupados não são afetados. A Montagem oferece apenas uma ação, fornecer uma parte de carro, mas ela tem várias etapas. Após gastar 1 trabalho, o jogador pega uma parte de carro de seu tabuleiro de jogador e a coloca em um espaço vazio para um dos modelos disponíveis; essa parte deve ser diferente de quaisquer outras que já estejam nos espaços do mesmo modelo; se o carro já tiver sofrido um upgrade, a parte também deverá ter um upgrade; e, ao invés de usar uma parte de carro de seu tabuleiro de jogador, o jogador pode devolver um voucher de parte de carro de seu tabuleiro de jogador para a reserva geral para pegar uma parte de carro da reserva geral e colocá-la na Montagem.

Depois de colocar uma parte de carro no espaço, o jogador move os carros do modelo escolhido um espaço para a frente cada um, na direção das setas. Se já houver um carro na casa para onde o carro está se movendo, ele também é empurrado para a frente. Se a seta apontar para mais de uma casa, o jogador escolhe para qual o carro vai se mover. Quando todos os carros necessários tiverem sido movidos, um carro do mesmo modelo é retirado do suprimento e colocado na primeira casa da trilha, a que tem a cor do modelo em questão. Caso não haja mais carros desse modelo no suprimento, a primeira casa fica vazia. Se, após todos os carros se moverem, algum deles alcançar o espaço amarelo com um número, o jogador que o moveu ganha uma quantidade de PP igual a esse número. Em seguida, o carro é colocado na pista da P&D, no primeiro espaço vazio atrás do pace car. Um máximo de quatro carros podem estar atrás do pace car a cada momento; se houver mais, o que está mais próximo do pace car volta para o suprimento, e os demais são deslizados para a frente, com o novo entrando no final da fila.

Se o carro for do mesmo modelo mostrado em uma das duas fichas de demanda no tabuleiro, e ainda houver balões de fala genéricos ao lado da ficha, o jogador pega um deles. Quando não houver mais balões de fala ao lado da ficha de demanda, ela é retirada do tabuleiro, e uma nova ficha do topo da pilha é colocada em seu lugar, com o número de balões de fala genéricos mostrado nela sendo colocado a seu lado; a ficha retirada do tabuleiro, então, é embaralhada de volta à pilha. Ao se Certificar na Montagem, o jogador desbloqueia sua última peça de garagem básica; diferentemente do que ocorre com outros departamentos, isso não vai gerar nenhum benefício agora, somente quando um carro for estacionado lá.

A P&D permite que o jogador escolha entre duas ações. A primeira é pegar um carro, que tem dois pré-requisitos: o jogador deve ter em seu tabuleiro de jogador um design que mostre um dos modelos que estão na pista, atrás do pace car, e deve ter um espaço vazio em sua garagem. Se ambas as condições forem cumpridas, o jogador escolhe um dos carros da pista que corresponda ao modelo de um de seus designs, tira ele da pista, o coloca em sua garagem, e coloca a peça de design no fim da pilha central no Departamento de Design. Cada carro na pista tem um custo igual à sua posição atrás do pace car, com o primeiro carro custando 1 trabalho, o segundo e o terceiro custando 2, e o último da fila custando 3 trabalhos; o jogador pode pegar até dois carros - já que o máximo de trabalhos que ele pode gastar em uma única jogada é 4 - desde que tenha as peças de design correspondentes e os espaços na garagem. Para cada carro colocado na garagem, o jogador ganha os benefícios mostrados na peça de garagem correspondente, e então vira a peça para que ela fique com o verso para cima; se a peça mostrar mais de dois benefícios, o jogador escolhe dois deles.

Após pegar os carros, o jogador move o pace car para a frente na pista um número de espaços igual ao número de carros que ele pegou, movendo os demais carros da fila para que não fiquem espaços vazios entre eles. Se o pace car alcançar ou ultrapassar um espaço listrado, o marcador de reunião é retirado de seu espaço na písta e colocado no espaço correspondente na Administração, o que significa que ocorrerá uma reunião ao final daquele dia. Pegar carros também pode fazer com que o jogador cumpra um dos objetivos de fábrica.

A segunda ação possível é fazer o upgrade de um design. Isso custa 1 trabalho, e requer que o jogador tenha em seu tabuleiro de jogador uma peça de design que mostre tanto o modelo no qual ele quer fazer o upgrade quanto a parte de carro que receberá o upgrade. Primeiro, o jogador move a parte de carro de seu tabuleiro de jogador (ou usa um voucher para pegar uma da reserva geral) para o espaço de upgrade do modelo que escolheu, recebendo o benefício mostrado no espaço. Se possível, ele move o marcador de valor de peça de carro da peça correspondente uma casa para a direita na trilha de upgrade. Então, o jogador vira a peça de design para mostrar o lado com upgrade, e a coloca ao lado de seu tabuleiro de jogador, liberando um espaço e ganhando os PPs mostrados na peça. Se, a qualquer momento, o jogador tiver uma peça de design com upgrade que corresponda a um de seus carros na garagem, ele deve colocar a peça imediatamente acima da garagem onde está o carro correspondente; esse carro será considerado Testado, e valerá pontos extras no futuro. Fazer o upgrade de um design é a terceira forma pela qual um jogador pode cumprir um dos objetivos de fábrica.

Ao se Certificar em P&D, o jogador remove o cadeado de sua peça de upgrade duplo, o que permite que, ao fazer um upgrade de design, o jogador escolha uma parte de carro para receber um upgrade duplo. Para isso, ele move o marcador de valor de peça de carro dois espaços para a direita ao invés de um (se possível) e o vira para que ele mostre o lado com upgrade. O jogador ganha os PPs pelo upgrade e vira a peça de upgrade duplo, para mostrar que ela já foi usada. Cada parte de carro só pode receber um upgrade duplo por partida, ou seja, um jogador não pode escolher uma peça na qual outro jogador já fez um upgrade duplo.

Finalmente, temos a Administração, que tem uma regra diferente: a Administração não possui ações, ou, seja, o jogador só pode gastar trabalho nela para fazer um treinamento, mas, quando seu trabalhador está na Administração, o jogador pode escolher qualquer um dos outros quatro Departamentos e usar seu trabalho para realizar suas ações normalmente - como se aos espaços da Administração fossem curingas. Ao se Certificar na Administração, o jogador ganha mais um espaço para balões de fala em seu tabuleiro de jogador.

Como foi dito, assim como os jogadores, Sandra também participa das fases de de seleção de departamento e de trabalho, mas com regras especiais. No primeiro dia, Sandra estará em seu escritório e não participará de nenhuma das duas fases, mas, no segundo, após todos os jogadores terem alocado seus trabalhadores, antes de começar a fase de trabalho, Sandra deverá ser colocada no primeiro espaço de alocação vazio de cima para baixo - se houver um espaço vazio na P&D, ela é colocada lá, se não, é colocada na Montagem, e assim por diante. A partir do terceiro dia, Sandra se move como se fosse um dos jogadores, seguindo a ordem deles e tendo de escolher obrigatoriamente um Departamento mais abaixo daquele onde ela está. Se a única opção para alocar Sandra for a Administração, ela não é colocada em um dos espaços de alocação, e sim em seu escritório; sempre no dia seguinte ao que estiver em seu escritório, ela deve ser alocada no espaço mais acima, como no segundo dia.

Sempre que Sandra não estiver em seu escritório, durante a fase de trabalho ela também joga seguindo a ordem normal dos jogadores, de cima para baixo. Ao invés de fazer um treinamento ou realizar uma ação, porém, ela faz uma avaliação do Departamento onde ela está. Sandra avaliará o jogador que tiver menos treinamento naquele Departamento - aquele cujo disco estiver na casa mais atrás na trilha de treinamento - podendo avaliar mais de um se houver empate; os critérios para avaliação estão na ficha de referência de Sandra, e, se o jogador não cumpri-los, deve diminuir o número no espaço em que seu marcador está no banco de horas de 5 e somar 1, perdendo o resultado em PPs - um jogador cujo marcador está no 4 perde 2 PPs (5 - 4 = 1, +1 = 2), enquanto um cujo marcador está no 2 perde 4 PPs (5 - 2 = 3, +1 = 4). Se o marcador estiver no 5 ou além, ele perde apenas 1 PP. Após realizar a avaliação, Sandra realiza uma ação de supervisão, também mostrada na ficha de referência. Depois disso, é a vez do jogador seguinte.

Exceto no primeiro dia, se Sandra estiver em seu escritório ela realiza a avaliação e a ação de supervisão da Administração normalmente; nesse caso, porém, ela será a última a jogar, e uma semana de trabalho chegará ao fim - com a ação de supervisão da Administração sendo efetuar a pontuação da semana. Nessa pontuação, para cada carro que um jogador tiver em sua garagem, o jogador ganha 1 PP para cada upgrade que foi feito (independentemente de qual jogador fez) naquele modelo; além disso, o jogador ganha 1 PP para cada design testado que tiver. Após realizar a pontuação de fim de semana, o marcador de semana avança 1 casa na trilha de semana, exceto se ele já estiver na casa com o número 3.

Quando todos os jogadores tiverem realizado a fase de trabalho (incluindo Sandra), antes de se iniciar uma nova fase de seleção de departamento, se o marcador de reunião estiver na Administração, acontece uma reunião. No início da reunião, o tabuleiro terá 4 cartas de performance, e cada jogador terá 3 na mão, das quais deverá, ao longo da reunião, jogar uma. Os jogadores participam na reunião na ordem da trilha de certificação, podendo falar ou passar a vez; um jogador que escolher passar a vez ainda poderá escolher falar em alguma das rodadas seguintes, mas, se todos os jogadores passarem a vez consecutivamente, a reunião termina. A cada reunião, obrigatoriamente, cada jogador deverá colocar uma, e apenas uma, carta de performance de sua mão no tabuleiro; o jogador só poderá escolher passar a vez após fazer isso, mas não precisará jogar a carta em sua primeira participação na reunião, podendo fazê-lo em uma rodada subsequente.

Após jogar a carta, e sempre que escolher falar, o jogador poderá colocar um balão de fala de sua cor em uma das cartas de performance no tabuleiro que tenha um espaço livre, podendo escolher a que ele mesmo jogou, uma que outro jogador tenha jogado, ou uma das que já estavam no tabuleiro anteriormente. O jogador deve colocar o balão de fala no espaço disponível com o maior número, e não pode escolher uma carta que já tenha um balão de fala de sua cor nela. Cada carta de performance possui um requerimento, e o jogador ganha os PPs mostrados na carta por aquele requerimento, até um número de vezes igual ao do espaço onde o jogador colocou o balão de fala - se o requerimento for ter um design com uprgrade, o valor da carta for 2, e o jogador colocar um balão de fala no espaço com o número 3, ele ganha 2 PPs por cada design com upgrade que tiver, até um máximo de três (ou seja, mesmo que tenha quatro, ele só ganha 6 PPs).

Ao fim da reunião, todos os jogadores recebem de volta seus balões de fala, devendo colocá-los em sua reserva pessoal ao lado de seu tabuleiro; jogadores que tenham balões de fala genéricos em sua reserva pessoal agora podem devolvê-los para a reserva geral, colocando um balão de fala de sua cor em um dos espaços disponíveis de seu tabuleiro de jogador para cada balão de fala genérico devolvido. Em seguida, todas as cartas de performance no tabuleiro são descartadas, cada jogador coloca uma das cartas de performance de sua mão em um dos espaços vazios do tabuleiro (se menos de quatro estiverem jogando, os espaços vazios são completados com cartas do topo do monte de compras), e pega duas novas cartas do topo do monte de compras para a sua mão. O marcador de reunião retorna para seu lugar na pista, e o marcador de ciclo de produção avança um espaço para a frente, exceto se já estiver no espaço marcado com um 3.

O marcador de ciclo de produção e o marcador de semana determinam o final da partida, que ocorre quando um deles (não importa qual) estiver no espaço 3 e o outro estiver no espaço 2. Quando isso acontecer, o dia corrente é terminado normalmente, inclusive ocorrendo uma pontuação da semana, se Sandra estava em seu escritório, ou uma reunião, se o marcador de reunião estava na Administração. Depois disso, cada jogador poderá colocar seus balões de fala nos espaços da peça de objetivo final, sendo permitido colocar um no mesmo espaço em que outro jogador tenha colocado um dos dele; cada um dos três espaços possui um objetivo, que, se o jogador tiver cumprido, ganha os PPs correspondentes - o jogador só ganha os PPs dos objetivos nos quais ele colocou um balão de fala, mesmo que tenha cumprido os outros. Em seguida, ocorre a pontuação final, com cada jogador ganhando uma quantidade de PP igual ao número da casa onde seu marcador está no banco de horas, 1 PP por cada balão de fala, livro e voucher de parte de carro ainda em seu tabuleiro, 1 PP por cada balão de fala genérico em sua reserva pessoal, e a quantidade de PP impressa no tabuleiro por cada carro em sua garagem. O jogador mais à frente na trilha de treinamento de cada Departamento ganha 5 PP, o segundo ganha 3 PP e o terceiro ganha 1 PP, podendo ocorrer empates. Finalmente, cada jogador ganha os PPs mostrados na peça por cada design testado em sua garagem. O jogador com mais PP será o vencedor; em caso de empate, ganha o que tiver mais carros em sua garagem, seguido do que tiver mais designs testados, e de quem tiver mais banco de horas.

Assim como outros jogos da Eagle-Gryphon, Kanban EV não teve expansões propriamente ditas, mas ganhou um Kanban EV Upgrade Pack, que traz dois novos módulos que podem ser combinados ao jogo um de cada vez ou ambos juntos; o Upgrade Pack vem em um ziplock, e a caixa do jogo base já possui espaço para todos os seus componentes. O primeiro módulo traz simplesmente 7 peças de garagem especiais, que podem ser usadas para substituir a que tem o cadeado durante a preparação do jogo, cada uma delas conferindo uma habilidade diferente e, digamos, interessante quando o jogador a desbloqueia e coloca o carro em sua garagem - uma delas permite que o jogador ignore as penalidades por não passar em uma avaliação da Sandra.

O segundo módulo se chama Speedcharger, e tem como componentes 14 marcadores de carga, 4 tabuleiros de carga, 6 cartas de performance e 4 cartas de objetivo final. Durante a preparação, cada jogador recebe 1 tabuleiro de carga, colocado ao lado de seu tabuleiro de jogador, e um número de marcadores de carga igual a 3 por jogador mais 2 é colocado na reserva geral. Toda vez que tiver um trabalhador na Administração, o jogador pode gastar 1 trabalho para pegar 1 marcador de carga da reserva geral e colocá-lo em um espaço vazio em seu tabuleiro de carga; cada jogador só pode pegar um marcador de carga por turno, e não pode realizar essa ação se todos os espaços de seu tabuleiro de carga estiverem ocupados. Cada espaço do tabuleiro de carga desbloqueia uma habilidade que afetará aquele jogador pelo resto da partida, com cada tabuleiro tendo 5 habilidades diferentes - ou seja, nem todos os jogadores vão conseguir desbloquear todas as suas habilidades. As novas cartas de performance e as novas peças de objetivo final trazem objetivos que têm marcadores de carga como requerimentos, seja em quantidade ou desbloqueando habilidades específicas.

Para terminar, Kanban EV tem um modo solo, criado por ninguém menos que Dávid Turczi, que simula uma partida de três jogadores - com os outros dois sendo chamados, no manual, de Sr. Turczi e Sr. Lacerda. Os componentes do modo solo são 11 cartas de planejamento, 18 cartas de seleção, 9 cartas de dificukldade, 1 carta de auxílio ao modo solo, e mais 1 meeple de trabalhador, 5 discos e 1 marcador de certificação para o Sr. Turczi (de cor branca) e 1 meeple de trabalhador, 5 discos e 1 marcador de certificação para o Sr. Lacerda (de cor preta).
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sábado, 9 de maio de 2026

Escrito por em 9.5.26 com 0 comentários

Modern Family

Ainda no espírito de falar sobre séries que já tenham se encerrado e eu já terminei de ver, apenas recentemente consegui terminar Modern Family, então vou fazer um post sobre ela também.

Modern Family é uma série de drama e comédia que intercala cenas das situações vividas pelos personagens com depoimentos deles sobre os eventos mostrados, como se fosse um documentário - no estilo hoje chamado de mockumentary, mais ou menos no estilo de The Office, mas com a diferença de que The Office era filmada como se alguém de fato estivesse registrando o dia a dia da empresa, enquanto Modern Family seria uma sitcom normal se não fosse pelos depoimentos dos personagens.


A série conta a história de três famílias. A primeira é a hoje chamada família nuclear, composta pelo pai, mãe e três filhos, que quando a série começa, são crianças, vivendo juntos em uma casa do subúrbio de Los Angeles. O pai é Phil Dunphy (Ty Burrell), corretor imobiliário por profissão, mágico amador por hobby, um cara divertido e boa praça, apesar de meio atrapalhado, que se esforça para ser um "pai legal" e é dedicado à família acima de tudo. A mãe é Claire (Julie Bowen), que, no início da série, é dona de casa em tempo integral, mas mais tarde vai trabalhar na empresa do pai, uma mulher de gênio forte, um tanto controladora, que tem mania de organização, mas é capaz de fazer o impossível para proteger, defender e agradar sua família. Claire engravidou de Phil na adolescência e contra a vontade do pai, que não ia com a cara dele, e o resultado foi Haley (Sarah Hyland), que, no começo da série, tem por volta de 15 anos, uma menina extremamente bonita, popular e criativa, mas não muito inteligente. Depois que Phil e Claire se casaram, tiveram outra filha, Alex (Ariel Winter), o oposto da irmã, absurdamente inteligente mas sem nenhum traquejo social, que no início da série tem uns 12 anos. O filho mais novo do casal é Luke (Nolan Gould), que é cuiroso, bondoso e bem intencionado, mas tão atrapalhado quanto o pai e tão sem noção quanto Haley.

A segunda família é composta por um casal homossexual, Mitchell Pritchett (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron Tucker (Eric Stonestreet). Mitchell é o irmão mais novo de Claire e é advogado, começando a série como especialista em direito ambiental, mas passado por vários ramos até se encontrar; ele também tem a mania de organização da irmã, e é quase tão atrapalhado quanto Phil. Já Cam, que nasceu numa fazenda no interior do Missouri, é músico e palhaço, se apresentando com o nome de Fizbo, gosta de ser o centro das atenções e frequentemente tenta manipular Mitchell para que suas decisões sejam vistas pelo marido como decisões "do casal"; Cam também é fanático por futebol americano, para espanto dos que acham que gays não se interessam por esse esporte, e, mais adiante na série, consegue um emprego como treinador do time do colégio onde Luke estuda. Quando a série começa, Mitchell e Cam adotaram uma menina vietnamita recém-nascida, a qual chamaram de Lily Tucker-Pritchett (as gêmeas Jaden e Ella Hiller nas duas primeiras temporadas, Aubrey Anderson-Emmons a partir da terceira), que, quando cresce, se torna geniosa e sarcástica, mas com um amor incondicional pelos pais. Mitchell e Cam moram em uma pequena casa alugada de dois andares independentes na cidade, mais tarde na série obtendo permissão do proprietário para alugar o andar de cima e passando várias confusões com os inquilinos.

Claire e Mitchell são filhos de Jay Pritchett (Ed O'Neill, de Um Amor de Família), que nasceu na pobreza, mas venceu na vida com o próprio trabalho, e hoje é presidente da fábrica de armários Pritchett Closets, morando em uma mansão com piscina em uma espécie de condomínio fechado. Pouco antes do início da série, Jay, que se divorciou da mãe de Claire e Mitchell anos antes, se casa com Gloria Ramirez (Sofía Vergara), colombiana bonitona que já trabalhou como taxista e cabeleireira, dentre outras profissões, que tem um pouco de dificuldade em se socializar por estranhar os costumes dos Estados Unidos, e costuma contar histórias bizarras de sua cidade natal. Gloria está sempre disposta a ajudar todo mundo, mas tem um gênio forte e não gosta de ser contrariada; ela tem um filho de um casamento anterior, Manny Delgado (Rico Rodriguez), que, cronologicamente, tem a mesma idade de Luke, mas, espiritualmente, parece ter uns 40 anos, gostando de chá, moda de alta costura e flauta peruana, dentre outros hábitos curiosos, o que faz com que ele tenha dificuldades de se socializar e seja alvo de várias piadas de Jay, sendo superprotegido por Gloria. No início da série, Claire não vai com a cara de Gloria, que é praticamente de sua idade (em um dos episódios, inclusive, Jay diz que Claire é mais velha que Gloria) e vista por ela como uma excentricidade cometida pelo pai.

Modern Family seria uma criação de Steven Levitan e Christopher Lloyd (que não é o cientista de De Volta para o Futuro, e sim um homônimo), que, um dia, estavam conversando e contando histórias de suas próprias famílias, e concluíram que histórias desse tipo seriam uma boa base para uma série de TV. Inicialmente, eles pensaram em fazer um mockumentary que acompanhasse o dia a dia de uma família, chamando a série de My American Family, mas, conforme trabalhavam a ideia, decidiram fazer três famílias de três tipos diferentes e as relações entre elas, concluindo que o texto funcionaria melhor se as três também fossem ligadas por laços familiares entre elas. Nos primeiros rascunhos do roteiro, a série seria um documentário filmado por um holandês chamado Geert Floortje, que foi estudante de intercâmbio, morando com os Pritchett, tendo se apaixonado por Claire, e com Mitchell tendo se apaixonado por ele; conforme novas histórias eram escritas, porém, Lloyd concluiria que essa abordagem não iria funcionar, e preferiria fazer "uma série familiar ao estilo documental", mantendo a parte de mockumentary restrita aos comentários dos personagens.

Lloyd e Levitan ofereceriam a série aos canais CBS, NBC e ABC, propositalmente não a oferecendo à Fox, devido a problemas que tiveram com o canal enquanto produziam outra série, Back to You. A NBC, que já exibia The Office e Parks and Recreation, não quis um terceiro mockumentary em sua grade, e a CBS achou que a série poderia ser cara para se produzir sem garantia de retorno, mas a ABC gostaria da premissa e encomendaria um piloto, exibido não só para os executivos do canal, mas para grupos de testes selecionados, que o aprovaram. Inicialmente, a ABC encomendaria apenas 13 episódios, mas, após o sucesso dos três primeiros, encomendaria uma temporada completa de 24. O sucesso da série seria tão grande que ela acabaria tendo nada menos que 11 temporadas; a partir da quinta, ela também seria negociada em syndication, para que os episódios já exibidos pela ABC pudessem passar em canais locais e a cabo, começando pela USA Network e pela FTS, de propriedade da Fox.

Falando nisso, curiosamente, para que a série pudesse se tornar realidade, a Lloyd-Levitan Productions teria que fazer uma parceria justamente com a 20th Century Fox, já que a ABC pertence à Disney, que não estava interessada na época em co-produzir uma sitcom. Lloyd e Levitan fariam um acordo muito bem detalhado com a Fox, para evitar novos dissabores, com ambos sendo showrunners e chefes da equipe de roteiristas, e tendo a palavra final sobre quaisquer mudanças que a Fox ou a ABC quisessem fazer na série, inclusive mudanças de dia e horário. A partir da segunda temporada, Lloyd e Levitan deixariam de ser co-showrunners e decidiriam cada um ser o único showrunner da metade dos episódios de cada temporada; segundo Levitan, ambos tinham opiniões fortes sobre como cada episódio deveria ser, então não fazia sentido eles se sentarem e debaterem toda vez que discordavam, sendo preferível que cada um pudesse ter controle total sobre metade dos episódios.

O'Neill, que era o ator mais conhecido do elenco, fez testes para o papel normalmente, e inicialmente foi rejeitado, com o diretor de elenco Jeff Greenberg achando que Craig T. Nelson havia se saído melhor; Nelson, porém, teve problemas para negociar seu salário e acabou desistindo, com Levitan e Lloyd pedindo para que O'Neill o substituísse. Ferguson inicialmente fez o teste para o papel de Cam, mas Greenberg acharia que ele combinava mais com Mitchell; em entrevistas, Stonestreet declararia "ter tido que se esforçar mais que os outros" para ficar com o então vago papel de Cam, já que era um ator pouco conhecido na época. E Bowen seria a primeira escolha de Greenberg para o papel, mas quase teve de desistir, pois estava grávida de gêmeos quando a chamaram para gravar o piloto; qualquer atraso e seria impossível disfarçar sua barriga.

Uma das razões para o sucesso de Modern Family seria sua inovação e inventividade em relação às outras séries da época no tocante a vários temas, como, por exemplo, a tecnologia. Segundo Levitan, ele e Lloyd costumavam conversar sobre como "o telefone celular matou as sitcoms", já que ninguém tem mais motivos para ficar indo à casa dos outros com frequência; em Modern Family, os personagens se reúnem frequentemente, mas também fazem uso diário de chamadas de vídeo pelo celular e pelo computador, de redes sociais e de sites de compras online, com Phil inclusive sendo um fanático por tecnologia que gostava de ter sempre os gadgets mais modernos. Isso faria com que Modern Family se tornasse a primeira série na qual a comunicação online é praticamente parte do enredo, refletindo na tela tendências que já estavam ocorrendo com as famílias da vida real.

Modern Family também seria a primeira série a mostrar no horário nobre um casal gay formando uma família e passando por todas as etapas da criação de um filho. A forma como Cam e Mitchell foram retratados - em uma série de comédia, mas sem serem caricatos - receberia elogios de várias organizações que lutam pelos direitos da comunidade LGBTQ+, e, segundo pesquisas, seria responsável por uma maior aceitação, nos Estados Unidos e Canadá, de casais gays que moram juntos, formam famílias ou adotam crianças. Cam e Michell também possuem vários amigos gays, muitos deles também casados ou com filhos adotivos, que foram ganhando cada vez mais destaque na série conforme os produtores viam que havia aceitação do público, o que contribuiu até mesmo para a introdução de personagens gays que não fossem caricatos em outras séries, que, vendo o sucesso de Modern Family, perderiam o medo de arriscar; um exemplo frequentemente citado é Glee, que estreou no mesmo ano que Modern Family, e na qual Kurt, na segunda temporada, é um personagem bem mais elaborado e menos caricato que na primeira.

Mas nem tudo eram flores: os primeiros episódios foram muito criticados por retratar Claire e Gloria como donas de casa, enquanto Phil e Jay eram homens de negócios bem-sucedidos, no que uma crítica escreveu que "não há nada de moderno em uma família na qual a mulher fica em casa enquanto o homem trabalha". Episódios nos quais Gloria tinha de esconder o quão inteligente é para não irritar Jay - como um no qual ela deixa ele ganhar dela no xadrez de propósito - ou nos quais Luke, mesmo sendo mais obtuso que Haley e menos inteligente que Alex, era retratado como tendo alguma vantagem sobre as irmãs, como "sendo bom com eletrônicos", também foram alvo de críticas em relação ao sexismo dos roteiros. Levitan diria que as imperfeições eram fruto "da forma como as sitcoms eram tradicionalmente feitas", e prometeria se esforçar para aparar essas arestas no futuro, com os episódios dando menos derrapadas conforme o tempo ia passando.

Além de um grande sucesso de público e crítica, Modern Family seria uma das séries mais premiadas da história da televisão norte-americana, sendo indicada a nada menos que 84 Emmys, dos quais ganharia 22: cinco de Melhor Série de Comédia (seguidos, de 2010 a 2014), quatro de Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Comédia (Burrell e Stonestreet, dois cada), quatro de Melhor Direção para uma Série de Comédia, três de Melhor Mixagem de Som para uma Série de Drama ou Comédia ou Animação de Meia Hora, dois de Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Comédia (ambos para Bowen), dois de Melhor Roteiro para uma Série de Comédia, um de Melhor Escolha de Elenco para uma Série de Comédia, e um de Melhor Edição para uma Série de Comédia - indicações também seriam recebidas nas categorias Melhor Direção de Arte para uma Série de Única Câmera, Melhor Ator Convidado em uma Série de Comédia, Melhor Atriz Convidada em uma Série de Comédia, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série de Comédia ou Programa de Variedades. No Globo de Ouro, seriam 12 indicações e uma premiação, de Melhor Série de Televisão de Comédia ou Musical.

Por decisão dos produtores, para mostrar que as famílias eram as estrelas, sem que um único ator fosse protagonista, todos os atores do elenco fixo eram inscritos nas categorias de Melhor Coadjuvante, sem que nenhuma inscrição fosse feita na de Melhor Ator ou Atriz principal. No Emmy, Burrell seria o ator que receberia mais indicações, nada menos que oito, com Bowen recebendo seis, Ferguson cinco, Vergara quatro, e O'Neill e Stonestreet três cada; no prêmio de Melhor Ator (ou Atriz) Convidado, Nathan Lane receberia três indicações, Fred Willard duas, e Elizabeth Banks e Greg Kinnear, uma cada. Já no Globo de Ouro, Vergara receberia quatro indicações, e Stonestreet três - aliás, Melhor Série de Televisão de Musical ou Comédia, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, e Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV seriam as únicas três categorias do Globo de Ouro nas quais Modern Family receberia indicações.

A primeira temporada teria 24 episódios, exibidos pela ABC entre 23 de setembro de 2009 e 19 de maio de 2010. Levitan e Lloyd escreveriam o piloto, mas os demais episódios ficariam a cargo de uma equipe de roteiristas coordenada por eles; a maioria dos episódios, incluindo o piloto e o último, seriam dirigidos por Jason Winer, mas Levitan e Lloyd decidiriam fazer com a direção o mesmo que com os roteiros, criando uma equipe de diretores, da qual seria escolhido um para cada episódio, e, nas temporadas seguintes, até mesmo contratando diretores freelancers. O penúltimo episódio da temporada, no qual toda a família vai comemorar o aniversário de Jay, seria filmado em um resort no Havaí.

Os personagens recorrentes introduzidos na primeira temporada incluem Dylan Marshall (Reid Ewing), o namorado de Haley, que é músico e tão cabeça oca quanto ela, o qual Phil adora, mas Claire detesta, achando que a filha pode conseguir algo melhor; o pai de Phil, Frank Dunphy (Fred Willard), que mora na Flórida e tem um motor home com o qual viaja pelo país; o pai de Manny, Javier Delgado (Benjamin Bratt), um bon vivant que vive de bicos e negócios não totalmente legalizados, a quem Manny idolatra, para desespero de Gloria; Sal (Elizabeth Banks), amiga da pá virada de Mitch e Cam, que está sempre os convidando para festas e roubadas; o melhor amigo de Jay, Shorty (Chazz Palminteri); e a mãe de Claire e Mitchell, DeDe (Shelley Long), que era manipuladora e rígida com a filha, mas carinhosa e compreensiva com o filho, o que faz com que eles tenham opiniões bem diferentes sobre ela. DeDe odeia Gloria e a trata muito mal, embora se dê bem com Manny, e uma piada recorrente na série era que, toda vez que DeDe vinha visitar Jay ou Claire, algo de ruim acontecia antes de ela chegar, como um bolo queimar no forno ou um pássaro bater na janela e morrer. O nome verdadeiro de DeDe nunca é revelado na série, mas sabe-se que ela tem duas irmãs cujos apelidos são BeBe e CeCe.

A segunda temporada teria mais 22 episódios, exibidos entre 22 de setembro de 2010 e 25 de maio de 2011; o enorme sucesso da primeira deixaria as expectativas altas, com alguns críticos tendo o temor de que ocorresse um sophomore slump - quando a segunda temporada de uma série de sucesso não consegue atender às expectativas e se torna um fracasso. O esquema da equipe de diretores seria mantido, com a maioria dos episódios sendo dirigido por Michael Spiller, já que Winer não pôde se comprometer com a série por estar dirigindo Arthur: O Milinoário Irresistível para os cinemas. É somente na segunda temporada que Mitchell e Cam dão seu primeiro beijo em cena; durante a primeira, seria criada uma campanha no Facebook chamada "deixem Mitch e Cam beijar", com críticas ao fato de que apenas os casais heterossexuais tinham demonstrações de afeto em cena. Levitan diria que eles não haviam se beijado na primeira temporada porque ele estava "testando as águas" com o público, e lamentou a campanha, pois já estava decidido que o beijo ocorreria na segunda temporada, e ficaria parecendo que ele só ocorreu devido aos protestos - seja como for, o episódio do beijo foi o quarto mais assistido de toda a série.

Seria também na segunda temporada que os amigos gays de Mitchell e Cam passariam a aparecer com frequência na série, o mais popular deles sendo Pepper Saltzman (Nathan Lane), que é extremamente afetado e dramático, e gosta de todo o luxo e pompa possíveis. Outros personagens recorrentes de destaque introduzidos na segunda temporada seriam a mãe de Cam, Barb Tucker (Celia Weston); um colega de escola de Luke apaixonado por Alex, Reuben Rand (Spenser McNeil); um vizinho idoso dos Dunphy com quem Luke faz amizade, Walt Kleezak (Philip Baker Hall); e um amigo de Mitchell e Cam que trabalha no shopping, chamado Longinus (Kevin Daniels). Com o sucesso da primeira temporada, vários atores famosos também seriam convidados ou se ofereceriam para participações especiais, dentre eles Danny Trejo como o zelador da escola onde estudam as crianças; Matt Dillon como um ex-namorado de Claire; Mary Lynn Rajskub como uma namorada que Mitchell teve antes de se revelar gay; James Marsden como um vizinho de Mitch e Cam; e Jonathan Banks como o irmão de Jay, Donnie Pritchett.

A terceira temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2011 e 23 de maio de 2012; o primeiro seria filmado em um rancho na cidade de Jackson, Wyoming, para o qual toda a família viaja em um feriado prolongado, e o antepenúltimo seria filmado na Disneylândia. Seria na terceira temporada que Lily deixaria de ser um bebê para passar a ser uma criança pequena, precisando que sua intérprete fosse trocada; a intenção dos roteiristas era fazer com que Mitchell e Cam adotassem um segundo filho, com um dos arcos de história da temporada lidando com o processo da adoção, mas, segundo pesquisas, isso não agradou ao público, então, no último episódio, Levitan faria uma alteração: Mitch e Cam abrem mão da adoção, mas Gloria revela estar grávida de Jay. Também seria na terceira temporada que Jay decidiria adotar uma cachorrinha, chamada Stella, da qual Gloria tem ciúmes porque Jay trata Stella melhor que ela. O principal personagem recorrente introduzido na terceira temporada seria o pai de Cam, Merle Tucker (Barry Corbin). Participações especiais incluiriam Kevin Hart como um amigo de Phil chamado Andre, que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes; Tim Blake Nelson como um caubói que dá em cima de Gloria durante a viagem ao Wyoming; David Cross como um vereador que se torna inimigo de Claire por causa de uma placa de pare que ela quer instalada na vizinhança, e contra quem ela decide concorrer nas eleições; Jennifer Tilly como a namorada de Shorty, Darlene; e Leslie Mann como uma mulher de quem Cam tenta pegar o telefone num bar para provar que consegue seduzir mulheres.

Após a terceira temporada, devido ao gigantesco sucesso da série, Burrell, Bowen, Ferguson, Stonestreet e Vergara, que ainda recebiam o mesmo que pela primeira, decidiriam renegociar seus contratos e pedir um aumento; diante da negativa da Fox, eles entrariam na justiça, junto com O'Neill, que recebia o maior salário da série, mas achava injusto seus colegas receberem menos que ele, e quis apoiá-los. O processo acabou levando a um atraso na pré-produção da quarta temporada, mas resultou em um acordo mais favorável aos atores, que receberiam não somente um aumento nos salários, mas também participação nos lucros de cada episódio - O'Neill teria seu salário diminuído para o mesmo patamar dos outros cinco, mas também passaria a receber participação. Exceto por Anderson-Emmons, os atores-mirins também receberiam um aumento de salário (mas sem participação), com a promessa de que ele aumentaria ainda mais a cada temporada, conforme eles ficassem mais velhos.

A quarta temporada começa com Haley na faculdade, tendo bastante dificuldade para se enturmar e acompanhar as matérias; no meio da temporada, nasce o filho de Jay e Gloria, que, após muita confusão, recebe o nome de Fulgencio Joseph Ramirez Pritchett - mas todo mundo o chama de Joe. Também seria nessa temporada que estrearia um personagem recorrente importante, Gil Thorpe (Rob Riggle), rival de Phil no ramo imobiliário, que não vê problema em recorrer a táticas excusas para tomar dele seus clientes. Outros personagens recorrentes introduzidos na quarta temporada seriam Pilar Ramírez (Elizabeth Peña) e Sonia (Stephanie Beatriz), mãe e irmã mais nova de Gloria; Sonia no começo é extremamente tímida e parece conformada em levar uma vida difícil na Colômbia, mas, após um certo evento, se torna invejosa e disposta a tudo para passar a viver a vida da irmã. As participações especiais incluiriam Matthew Brodderick como um colega com quem Phil cursou a faculdade; Larry Sullivan como um ex-namorado de Mitchell; Anders Holm como um amigo de Luke interessado em comprar um casa; Paget Brewster como uma namorada de Javier chamada Trish; e Billy Dee Williams como ele mesmo. A quarta temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 26 de setembro de 2012 e 22 de maio de 2013; um dos episódios seria filmado em Palm Springs, Flórida, com Jay levando toda a família para passar o reveillon lá.

A quinta temporada mais uma vez teria 24 episódios, exibidos entre 25 de setembro de 2013 e 21 de maio de 2014, e traria vários personagens novos, o mais importante deles Andy Bailey (Adam DeVine), rapaz tímido e sensível que Gloria contrata para ser babá de Joe, mais tarde se torna aprendiz de Phil como corretor, e que se apaixona por Haley, vivendo com ela um romance complicado. Outros personagens de destaque seriam Ronaldo (Christian Barillas), que começa como ajudante de Pepper em uma firma de cerimoniais, e mais tarde se torna seu marido; Pam Tucker (Dana Powell), irmã de Cam, que sempre consegue manipulá-lo para conseguir o que quer; o Diretor Brown (Andrey Daly), da escola de Luke e Manny; o professor de espanhol da escola, Señor Kaplan (Will Sasso), que desenvolve uma rivalidade com Cam por causa do grupo de teatro; Charlie Bingham (Justin Kirk), chefe de uma empresa onde Mitchell quer trabalhar; e o mordomo inglês Leslie Higgins (Stephen Merchant), que parece sempre ter um trabalho diferente em vários locais frequentados pelas famílias da série. Participações especiais incluíam Jane Krakowski como uma mãe rival de Gloria; Jesse Eisenberg como um vizinho ecologicamente correto de Mitchell e Cam; Rhys Darby como um amigo inconveniente que Mitchell e Cam conheceram durante uma viagem; e Patton Oswalt, Stephen Merchant e Fred Amisen como mágicos de uma sociedade secreta para a qual Phil quer entrar. Aproveitando a legalização do casamento gay na Califórnia, Levitan e Lloyd fariam com que Mitchell e Cam se casassem oficialmente, com o principal arco de história da temporada sendo o dos preparativos para o casamento; curiosamente, o primeiro episódio da temporada seria um dos mais assistidos de toda a série, mas o casamento, um especial em duas partes nos dois últimos, teria audiência regular. A quinta temporada teria dois "episódios especiais de viagem", um filmado na Austrália, outro em Las Vegas.

A quinta temporada seria bastante criticada, com alguns achando que a fórmula estava gasta e as histórias pouco inspiradas; em contrapartida, a sexta, que teve mais 24 episódios, exibidos entre 24 de setembro de 2014 e 20 de maio de 2015, seria extremamente elogiada, com os críticos considerando que a série havia "voltado à sua velha forma". Mesmo assim, a partir da sexta temporada a audiência começaria a cair progressivamente, só aumentando um pouco na última, com as indicações a prêmios também rareando e as críticas ficando cada vez mais divididas, o que significa que a sexta temporada foi uma espécie de canto do cisne. Um arco de história introduzido na sexta temporada, mas abandonado por pouca aceitação do público, seria que a casa vizinha à dos Dunphy seria comprada por uma família extremamente inconveniente, os LaFontaine, composta pelo pai, Ronnie (Steve Zahn), a mãe, Amber (Andrea Anders), e um casal de filhos, Ronnie Jr. (Finneas O'Connell) e Tammy (Brooke Sorenson), por quem Luke se interessa. Outros personagens novos de destaque seriam Earl Chambers (John Polito), ex-sócio de Jay que roubou suas ideias e abriu sua própria fábrica de armários, se tornando seu arqui-inimigo; a noiva de Andy, Beth (Laura Ashley Samuels), que mora no Utah; Sanjay Patel (Suraj Partha), menino que compete com Alex pelas maiores notas da escola; e Ben (Joe Mande), assistente de Claire quando ela decide voltar a trabalhar.

A sétima temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 23 de setembro de 2015 e 18 de maio de 2016. Até então, Joe era interpretado por Pierce Wallace, mas, com o menino ficando mais velho e seu papel ganhando mais destaque, os produtores decidiram fazer testes para um novo ator, com o escolhido sendo Jeremy Maguire. Curiosamente, uma crítica que essa temporada receberia seria a de que contou com muitas participações especiais, como se os famosos estivessem apenas desfilando, com pouco a acrescentar à história - um único episódio, por exemplo, contou com Keegan-Michael Kay e Christine Lakin como um casal rico amigo de Phil que nunca paga a conta quando saem para jantar com ele e Claire, Orson Bean como o pai de um coleguinha de escola de Joe, Rob Lowe como ele mesmo, e com a voz de Barbra Streisand respondendo quando ele toca seu interfone. Outras participações especiais incluíam June Squibb como uma idosa que rouba a receita do molho de pimenta da família de Gloria, Catherine O'Hara como uma autora de quem Gloria compra um curso, Simon Templeman como um autor que recebe dicas não requisitadas de Phil e Cam para seu novo livro, e Mekia Cox como uma moça que quer comprar uma casa, mas Phil tenta esconder o fato de Claire por pensar que ela acharia que ele está tendo um caso com ela. Ernie Hudson também faria uma participação como Miles, um amigo de Jay que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes.

Na oitava temporada, Pam está grávida de seu ex-namorado, um vigarista que Cam detesta, e vai morar com o irmão e com Mitchell, com seu filho, Calhoun, nascendo enquanto ela está lá. O desfile de celebridades continuaria, com o jogador de futebol americano Peyton Manning interpretando um professor de esportes que Gloria contrata para Joe, e os jogadores de basquete Charles Barkley e DeAndre Jordan como eles mesmos em um jogo beneficente do qual Phil participa; Kelsey Grammer interpretaria um ex-namorado de Cam, Victor Garber um chef que dá um curso no qual Claire e Haley se inscrevem, e Martin Short seria um gênio do marketing amigo de Phil. Novos personagens recorrentes de destaque são Rainer Shine (Nathan Fillion), homem do tempo da televisão ídolo de Phil e com quem Haley tem um caso, e a Dra. Donna Duncan (Jane Krakowsi), mãe de um coleguinha de Joe que se torna rival de Gloria; Polito estaria doente e acabaria falecendo antes de a temporada estrear, sendo substituído no papel de Chambers por Robert Constanzo. No episódio especial de viagem, os Dunphy passam um dia em Nova Iorque. A oitava temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2016 e 17 de maio de 2017.

Na nona temporada, várias celebridades participariam como elas mesmas, incluindo o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, o jogador de futebol americano Terry Bradhsaw, o jogador de beisebol George Brett e o comediante Billy Crystal. James Van Der Beek viveria Bo Johnson, ex-namorado de Pam e pai de Calhoun; Mira Sorvino interpretaria Nicole Rosemary Page, dona da empresa NERP, onde Haley consegue um emprego; Vanessa Williams seria uma membro do clube que Jay frequenta, onde Luke vai trabalhar; Fred Savage seria um massoterapeuta que atende Cam, causando ciúmes em Mitchell; e Mary Louise Wilson seria a irmã de Jay, Becky Pritchett. Novos personagens de destaque incluíam o professor de física Dr. Alvin Fennerman (Chris Geere), por quem Alex é apaixonada, mas que se apaixona por Haley; o bombeiro Bill (Jimmy Tatro), que se torna namorado de Alex mesmo sem ter nada a ver com ela; e a secretária de Jay, Margaret (Marsha Kramer) - também podem ser citados Shirley Chambers (Sarah Baker), filha de Earl, e um ex-namorado de Gloria, Jorge de la Selva (Gabriel Iglesias), que só apareceram em um episódio cada, mas deixaram sua marca.

A nona temporada seria mais curta, com 22 episódios, exibidos entre 27 de setembro de 2017 a 16 de maio de 2018, o que, somado à audiência decrescente e às críticas mornas, daria origem a boatos de que ou ela, ou a décima seria a última. A décima seria exibida entre 26 de setembro de 2018 e 8 de maio de 2019, com mais 22 episódios, e, enquanto ela estava no ar, Levitan e Lloyd confirmariam que a décima-primeira seria a última. Na décima temporada, os roteiristas tentariam mais uma vez dar um segundo filho a Michell e Cam, fazendo com que Pam voltasse para o Missouri e deixasse Calhoun (Marcello Juiian Reyes) com eles; a ideia não daria muito certo, e ela retornaria para buscar o menino. Outra história importante da décima temporada é que Haley reata com Dylan - que está trabalhando como enfermeiro - e engravida de gêmeos, que virão a se chamar George e Poppy. Novos personagens da temporada incluem a mãe de Dylan, Farrah (Rachel Bay Jones); Sherry Shaker (Hillary Anne Matthews), atriz de improviso que durante um tempo namora com Manny; e Jerry (Ed Begley, Jr.), o novo marido de DeDe.

A décima-primeira temporada seria a mais curta, com 18 episódios exibidos entre 25 de setembro de 2019 e 8 de abril de 2020. Além de apostar em novas situações envolvendo os gêmeos de Haley, os roteiristas se preocupariam em criar desfechos para todos os personagens, deixando, porém, um final aberto o suficiente para que a série pudesse ser revisitada no futuro caso houvesse interesse. Antes do último episódio, iria ao ar um programa especial chamado A Modern Farewell, no qual o elenco relembrava os melhores momentos da série; o último episódio seria um especial com uma hora de duração, dividido em dois para as reprises. Alguns episódios da décima-primeira temporada também contavam com cenas de episódios das primeiras temporadas, mostradas quando os personagens se lembravam de momentos marcantes de suas vidas. O episódio especial de viagem seria filmado em Paris, França. A última temporada não teve nenhum personagem novo de destaque (além dos gêmeos), e contou com participações especiais de Tara Strong como a voz de uma geladeira de última geração comprada por Mitchell e Cam, e de David Beckham, Courteney Cox e Snoop Dogg como eles mesmos.

Após o fim da série, houve várias conversas para a realização de um spin-off estrelado por Mitchell e Cam, então os personagens mais populares. O projeto seria sucessivamente adiado, principalmente por causa da pandemia, até que, em 2022, Levitan declarou que ele produziria a série sozinho, e Ferguson diria que o roteiro do piloto já estava escrito e "era muito bom". Nenhum movimento foi feito para concretizar a série, entretanto, até que, em setembro de 2024, Stonestreet diria que era improvável que o spin-off fosse produzido, já que o tempo ideal para fazê-lo havia passado, e que isso era uma pena, pois o material realmente era muito bom. Durante algum tempo após o final de Modern Family, alguns fãs fizeram campanha por um spin-off que acompanhasse Luke e Manny na faculdade, mas não se sabe se houve alguma conversa oficial sobre sua produção.
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sábado, 2 de maio de 2026

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Stranger Things

Como eu disse aqui recentemente, eu não gosto de fazer posts sobre séries que ainda estão no ar ou que eu ainda não terminei de ver. Como Stranger Things só terminou recentemente, e só mais recentemente ainda eu consegui terminar de ver, somente hoje vai ser dia de Stranger Things no átomo!

Exibida pela Netflix, Stranger Things é considerada um dos maiores fenômenos da televisão moderna, sendo um dos programas mais assistidos do  extenso catálogo do serviço. A série seria uma criação dos irmãos Matt e Ross Duffer, conhecidos como The Duffer Brothers, que eram praticamente estreantes quando a criaram: em 2015, eles estreariam no cinema escrevendo e dirigindo o filme Hidden, no qual uma doença desconhecida devasta os Estados Unidos, que deveria ter tido ampla distribuição pela Warner Bros; mudanças na cúpula do estúdio, porém, fariam com que ele estreasse em apenas poucas salas e rendesse apenas 310 mil dólares, o que faria com que os irmãos ficassem temerosos quanto a seu futuro, por terem tido uma estreia tão ruim.

Para sua surpresa, entretanto, o produtor Donald de Line assistiria o filme e ficaria impressionado com seu roteiro; acreditando que os Duffer tentaram imitar o estilo do diretor M. Night Shyamalan, ele os convidaria para escrever um episódio da série Wayward Pines, cujo piloto também seria dirigido por Shyamalan. Os Duffer acabariam escrevendo quatro episódios da primeira temporada, todos bem recebidos pela crítica, e se sentiriam confiantes para colocar em prática um antigo projeto de criar uma série de TV ambientada nos anos 1980, que misturasse terror e ficção científica, e fosse protagonizada por crianças, no que eles chamariam de "uma carta de amor à Era de Ouro de Steven Spielberg e Stephen King" e "um casamento entre o drama humano e o horror sobrenatural".

Os Duffer escreveriam o roteiro do piloto e um documento de vinte páginas que explicava todos os detalhes da série, os quais mostrariam para nada menos que 15 canais de televisão diferentes. Todos eles, sem exceção, achariam que ninguém iria querer assistir uma série para adultos protagonizada por crianças; alguns sugeririam que eles transformassem a série em uma para crianças, outros que ele removesse as crianças e fizesse do Xerife Hopper o protagonista, e teve quem não gostou dos elementos de ficção científica e sugeriu que a série fosse sobre fenômenos paranormais. Os Duffer seriam salvos mais uma vez por um produtor que leu o roteiro e gostou, no caso Dan Cohen, que convenceu seu colega Shawn Levy, da 21 Laps Entertainment, a comprar os direitos da série, mas mantendo os Duffer como chefes da equipe de roteiristas. Levy ofereceria a série à Netflix, que pagaria em adiantado por toda a primeira temporada uma quantia jamais divulgada, mas considerada suntuosa, colocaria os Duffer como showrunners, e anunciaria sua estreia para julho de 2016.

A ideia para a história da série viria após os Duffer assistirem ao filme Os Suspeitos, de 2013, dirigido por Denis Villeneuve, que lida com os dilemas morais pelos quais um pai passa após sua filha ser raptada; eles imaginariam se conseguiriam expandir essa história o suficiente para transformá-la em uma série de TV, mas adicionando elementos como um monstro devorador de crianças. Eles não queriam que esse monstro fosse "algo espiritual", e decidiriam que ele deveria ser uma criação da ciência; enquanto pesquisavam, se depararam com histórias sobre projetos da época da Guerra Fria, como o MKUltra, que visava descobrir drogas que influenciassem o comportamento humano. Isso faria com que os irmãos decidissem ambientar a série em 1983 - segundo eles, um ano antes do lançamento de Amanhecer Violento, que focava na paranoia da Guerra Fria - e fazer com que o monstro fosse resultado de um experimento malsucedido do governo.

Originalmente, a série se chamaria Montauk, e seria ambientada na cidade de Montauk, Nova Iorque, cidade envolvida em várias teorias da conspiração sobre experimentos secretos do governo, conhecidos coletivamente como Projeto Montauk. Eles mudariam de ideia ao concluir que alguns eventos que desejavam que ocorressem na cidade, como uma quarentena decretada pelo exército, seriam mais fáceis de justificar e de filmar se fosse usada uma cidade fictícia, criando a cidade de Hawkins, Indiana - com muitos acreditando que o nome seja uma homenagem ao físico Stephen Hawking, o que foi desmentido pelos Duffer em várias ocasiões. Com a mudança do nome da cidade, porém, seria preciso mudar o nome da série, com os Duffer fazendo uma lista de cerca de vinte nomes e escolhendo Stranger Things ("coisas estranhas"), que seria uma referência a um livro de King, Needful Things (lançado no Brasil como Trocas Macabras; a tradução literal seria "coisas indispensáveis").

Desde o início, os Duffer acreditavam que o número ideal de episódios para a série seria oito, o que permitiria que eles a fizessem como "um grande filme de oito horas"; com mais do que isso, eles não conseguiriam contar a história de forma cinematográfica, e, com menos, precisariam focar mais nos elementos de horror, partindo para o desfecho assim que o monstro fosse revelado, tendo menos tempo para a caracterização do cenário e dos personagens. Eles também fariam a primeira temporada com uma história completa, mas um final aberto o suficiente para poder fazer uma segunda caso a Netflix concordasse; acabou que a Netflix ficou tão satisfeita com os roteiros e o que viu das filmagens que pediu um final ainda mais aberto que o originalmente escrito, quase uma garantia para o público de que haveria uma segunda temporada.

Invertendo o que ocorria em Os Suspeitos, os Duffer escreveriam uma mãe que teve um filho sequestrado; a personagem da mãe, chamada Joyce, seria parcialmente inspirada no de Roy Neary, do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, já que parecia ser a única adulta preocupada com o que estava acontecendo, e vista como maluca por todos os demais. A diretora de elenco da série, Carmen Cuba, sugeriria Winona Ryder para o papel, o que os Duffer acharam absolutamente genial, devido a seu protagonismo durante os anos 1980. Ryder aceitaria com apenas uma condição, a de que, se algum dia a sequência de Os Fantasmas se Divertem, que ela e Tim Burton tentavam tirar do papel desde 2000, recebesse a luz verde, ela teria de ser liberada para o filme, não participando de nenhuma gravação da série no mesmo período, o que os Duffer acharam razoável e aceitaram.

Outro ator escolhido sem a necessidade de testes seria David Harbour, que interpretaria o Xerife Hopper. Até então, Harbour só havia interpretado personagens de menor destaque, muitos deles vilões, mas os Duffer gostavam de seus maneirismos, e achavam que já estava na hora de ele conseguir um papel maior. Já as crianças e adolescentes seriam todos escolhidos através de testes, nos quais, ao invés de falas da série, atuariam em cenas de Conta Comigo, de 1986, com os Duffer argumentando que isso mostraria se eles conseguiriam passar veracidade interpretando personagens de uma época na qual ainda nem sonhavam em nascer. Os diretores diriam ter testado mais de mil crianças e adolescentes, com os que chamariam mais atenção sendo Finn Wolfhard, que era fanático por filmes dos anos 1980 e entrou no personagem facilmente, e Gaten Matarazzo, que fez um teste tão natural que foi selecionado após apenas uma sessão - quando o normal são duas ou três.

Os testes ocorreriam antes de os roteiros estarem finalizados, o que permitiria aos Duffer mudar características de alguns personagens para que eles se encaixassem melhor com os atores escolhidos. Segundo os irmãos, o personagem mais difícil de escrever foi o do cientista Martin Brenner, que tinha um papel crucial na história, mas aparecia pouco; o ator selecionado para interpretá-lo seria Matthew Modine, que daria várias sugestões essenciais para que o personagem parecesse mais realístico e não passasse a impressão de que estava ali apenas para fazer a história andar. Outra personagem que seria alterada após a seleção de elenco seria Karen Wheeler; os Duffer queriam uma atriz mais velha, mas ficariam surpresos com os testes da lindíssima Cara Buono, que, na época, tinha 45 anos, oito a menos que Joe Chrest, que interpretaria seu marido, o que levaria a pequenas mudanças na história para levar esse fato em consideração.

Mesmo transferindo a ambientação de Nova Iorque para Indiana, os Duffer queriam que as filmagens ocorressem em Long Island; como elas começariam no inverno, porém, isso se mostraria impossível, e a Netflix sugeriria a área de Atlanta, Geórgia, pois lá os impostos para filmar são mais baixos, com os irmãos concordando após inspecionar a região e concluir que as paisagens realmente se pareciam com as do meio-oeste. A maior parte da cidade de Hawkins seria cenográfica, mas algumas cenas externas seriam filmadas na cidade de Jackson; a escola na qual as crianças estudam também seria real - com alguns de seus ambientes sendo reproduzidos em estúdio - e localizada em Stockbridge. O prédio onde ocorrem os experimentos do governo é na verdade o Instituto de Saúde Mental da Geórgia, um hospital psiquiátrico abandonado em Atlanta, com os laboratórios sendo construídos nos Screen Gem Studios, na mesma cidade. A maior parte do que foi usado em cena seria original dos anos 1980, com a contra-regra Lynda Reiss recebendo da Netflix 220 mil dólares para percorrer brechós, feirinhas e sites de leilão como o eBay em busca de móveis, brinquedos e outros objetos de cenário em bom estado; somente as roupas dos personagens e algumas peças mais difíceis de encontrar, mas mais fáceis de reproduzir, como livros e embalagens de alimentos, seriam réplicas.

Apesar de ser uma produção de terror, os Duffer não queriam cenas violentas ou cheias de sangue e tripas, tendo como principal inspiração os filmes que levariam à criação da classificação PG-13, como Gremlins; segundo eles, o terror, nesses filmes, vinha muito mais da ambientação, "de uma atmosfera de suspense e pavor" do que daquilo que as pessoas viam na tela. Eles também queriam manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, usando um animatronic para representar o monstro principal da série, o Demogorgon, na primeira temporada; isso se mostraria menos prático que o pensado, e eles acabariam se rendendo a efeitos digitais para que o prazo da pós-produção não estourasse - ainda assim, a pós-produção se concluiria uma semana antes da estreia da série na Netflix. Após a primeira temporada, por insistência da Netflix, tanto os efeitos de computação gráfica quanto as cenas de terror mais impactantes iriam aumentando progressivamente.

A abertura da série seria bastante simples, e mostaria apenas o título se afastando enquanto eram mostrados os nomes dos atores; ela seria criada pela Imaginary Forces, que seria recomendada aos Duffer por Levy; a empresa receberia o roteiro do piloto e instruções para fazê-la "ao estilo das aberturas das séries dos anos 1980", usando como inspiração as aberturas dos filmes Viagens Alucinantes, de 1980, e A Hora da Zona Morta, de 1983. A música seria totalmente composta em um sintetizador, instrumento também em alta nos anos 1980, e a fonte para o título da série seria escolhida por sua semelhança com as usadas em livros de King, especialmente Chamas da Vingança (em uma nota para quem joga RPG, por acaso é a mesma fonte do título da revista Dragão Brasil).

O fio condutor da primeira temporada seria o desaparecimento de Will Byers (Noah Schnapp), de 12 anos de idade, na pequena cidade de Hawkins, Indiana, em 6 de novembro de 1983. O caso seria tratado como apenas mais um assassinato pela imprensa local e pela população em geral, com inclusive boatos de que um corpo teria sido encontrado se espalhando rapidamente, mas a mãe do menino, Joyce (Winona Ryder), certa de que ele está vivo, pede ajuda ao Xerife Jim Hopper (David Harbour) - que, após perder uma filha e ser deixado pela esposa, anos atrás, se tornou desleixado no trabalho e se entregou à bebida, apenas aceitando ajudar Joyce em nome de um passado em comum entre os dois.

A verdade sobre o desaparecimento de Will, entretanto, é mais sinistro do que Joyce e Hopper podem imaginar: sem que a população saiba, em Hawkins há um prédio do governo no qual são conduzidos experimentos secretos chefiados pelo Dr. Martin Brenner (Matthew Modine), que resultaram na criação de Onze (Millie Bobby Brown; Eleven no original em inglês, já que "Onze" não é um nome, e sim o número da experiência, mais tarde sendo revelado que seu nome verdadeiro é Jane), uma menina de também cerca de 12 anos de idade com poderes psicocinéticos. Durante um experimento malsucedido para testar a extensão dos poderes de Onze, foi aberto um rasgo no tecido da realidade que levava ao Mundo Invertido (The Upside-Down, "o ponta-cabeça", no original), uma versão sombria de Hawkins, habitada por monstros - sendo que foi um desses monstros que escapou e sequestrou primeiro Will, depois a adolescente Barb Holland (Shannon Purser), levando ambos para o Mundo Invertido.

Cansada de ser submetida a experimentos, Onze foge do laboratório e é encontrada na floresta próxima por três amigos de Will, que originalmente estavam procurando por ele: Mike Wheeler (Finn Wolfhard), que é uma espécie de líder do grupo, atuando como Mestre nas partidas de Dungeons & Dragons jogadas por eles; Dustin Henderson (Gaten Matarazzo), que mora somente com a mãe, Claudia (Catherine Curtin), e é extremamente inteligente, fascinado por ciência e eletrônica; e Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), o único um pouco mais atlético e o mais maduro do grupo. Mike esconde Onze no porão de sua casa, onde mora com seu pai, Ted (Joe Chrest), sua mãe, Karen (Cara Buono), sua irmã mais nova, Holly (as gêmeas Tinsley e Anniston Price), e sua irmã mais velha, Nancy (Natalia Dyer), que é a melhor amiga de Barb e vive uma espécie de triângulo amoroso com o irmão de Will, Jonathan (Charlie Heaton), rapaz tímido, que gosta de rock, fotografia e sofre bullying dos colegas, e Steve Harrington (Joe Keery), o tradicional jogador de futebol americano popular dentre os colegas e, principalmente, dentre as garotas, mas que, ao contrário do estereótipo, é sensível, leal e educado, embora, confirmando o estereótipo, não seja muito brilhante.

Através de Onze, Mike, Dustin e Lucas ficam sabendo do Mundo Invertido, e chegam a confrontar a criatura que raptou Will, a qual eles apelidam de Demogorgon, mesmo nome de um monstro que estavam enfrentando em sua campanha de D&D. Infelizmente, nenhum adulto acreditaria em sua história - exceto Joyce, disposta a fazer o possível e o impossível para ter seu filho de volta. Outros personagens que merecem ser citados são o professor de ciências, Scott Clarke (Randy Havens), ídolo de Dustin; os policiais Powell (Rob Morgan) e Callahan (John Paul Reynolds) e a recepcionista da delegacia, Flo (Susan Shalhoub Larkin); a mãe biológica de Onze, Terry Ives (Aimee Mullins), e sua irmã, Becky (Amy Seimetz); e o pai de Will e Jonathan, Lonnie Byers (Ross Partridge), que abandonou a família para viver com uma mulher bem mais jovem.

Os oito episódios da primeira temporada, com cerca de uma hora de duração cada, seriam todos disponibilizados no mesmo dia, ao estilo Netflix, em 15 de julho de 2016; todos seriam dirigidos pelos Duffer, exceto o terceiro e o quarto, dirigidos por Levy. A série seria considerada um dos maiores sucessos de público dos anos 2010; embora a Netflix jamais divulgue os números de audiência de suas produções originais, o Symphony Technology Group, especializado em medir audiência de serviços de streaming, estimaria que, apenas nos 35 primeiros dias da série no ar, ela teria cerca de 14 milhões de espectadores, ficando atrás apenas de Fuller House e da quarta temporada de Orange is the New Black, os programas mais assistidos do streaming até então. A crítica também seria amplamente positiva, elogiando principalmente a caracterização da década de 1980 e "o equilíbrio entre estilo e substância", a mistura de horror com humor e drama familiar; para muitos críticos, o maior mérito da série era ser capaz de cativar mesmo que não fosse especialmente fã das produções dos anos 1980 ou dos livros de King.

A primeira temporada seria indicada a dois Globos de Ouro (Melhor Série de TV de Drama e Melhor Atriz em uma Série de TV de Drama, para Ryder), dois Grammys (ambos na categoria Melhor Trilha Sonora Incidental para uma Mídia Visual) e nada menos que 19 Emmys, ganhando cinco - Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora (pelo piloto), Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Design de Título e Melhor Música de Abertura Original; os outros seriam Melhor Série de Drama, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Drama (Harbour), Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Drama (Brown), Melhor Atriz Convidada em uma Série de Drama (Purser), Melhor Direção para uma Série de Drama, Melhor Roteiro para uma Série de Drama, Melhor Design de Produção para um Programa de Época de Uma Hora, Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora (pelo sétimo episódio), Melhor Cabeleireiro para uma Série de Única Câmera, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Série de Única Câmera, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Supervisão Musical, e Melhor Conquista Criativa em uma Mídia Interativa dentro de um Programa Roteirizado (para o aplicativo Strager Things VR Experience, criado pela CBS Digital).

Inicialmente, os Duffer pensariam em fazer de Stranger Things ou uma minissérie, sem mais temporadas, ou uma série de antologia, com cada temporada trazendo novos personagens e uma história diferente relacionada ao Mundo Invertido; quando a Netflix sugerisse uma segunda temporada que fosse continuação da primeira, eles pensariam em ambientá-la nos anos 1990, com alguns dos personagens, já mais velhos, retornando a Hawkins para solucionar algo relacionado ao Mundo Invertido - em uma clara alusão a It, de Stephen King. Eles só concordariam em fazer uma continuação direta da primeira temporada após ver que o público havia adorado os personagens - até mesmo Barb, que deveria ser uma personagem minúscula, mas viraria o centro de uma campanha online ("Justiça para Barb"). Ainda tendo King como inspiração, eles decidiriam que essa temporada teria também um antagonista humano, declarando que, nas obras de King, "os vilões humanos conseguem ser mais maliciosos que o horror sobrenatural".

A Netflix estava tão certa do sucesso da série que a renovação seria assinada em junho de 2016, um mês antes da estreia da primeira temporada, mas, para evitar que a renovação tivesse qualquer impacto na audiência, ela seria revelada apenas em 31 de agosto, com o CEO da Netflix, Reed Hastings, declarando que ele seria um imbecil se não tivesse renovado a série. Os Duffer não tinham nenhuma ideia para a história da segunda temporada, e pediriam para que os demais roteiristas da primeira - Jessica Mecklenburg, Justin Doble, Alison Tatlock e Jessie Nickson-Lopez - contribuíssem; eles teriam tantas boas ideias que algumas teriam de ser descartadas, sendo revisadas e aproveitadas mais tarde, na última temporada. Os Duffer também queriam que a segunda temporada fosse vista como uma sequência, não uma continuação, e decidiram mudar o título para Stranger Things 2; a princípio a Netflix torceu o nariz, alegando que "sequências têm má reputação", mas acabaram sendo convencidos pelos irmãos. O número no título acabaria sendo usado também nas temporadas seguintes, se tornando uma das marcas características da série.

A segunda temporada traria dois novos personagens de destaque, os meio-irmãos Billy Hargrove (Dacre Montgomery) e Max Mayfield (Sadie Sink); ele é um jovem problemático - o que, no futuro (da série), seria chamado de bad boy - que se torna rival de Steve, quer ser amante de Karen e, no geral, faz da vida da irmã um inferno, enquanto ela é uma tomboy que anda de skate e aparentemente não tem medo de nada, se integrando instantaneamente ao grupo de Mike e sendo pivô de uma disputa amorosa entre Dustin e Lucas. A história começa no Halloween de 1984, quando uma estranha praga começa a atacar as plantações de abóbora de Hawkins, com Will sentindo que ela está ligada ao Mundo Invertido; o responsável pela praga é um novo monstro que consegue controlar a mente de Will, o qual os meninos apelidam de Devorador de Mentes - outro monstro de D&D - e que também usa Demogrogons e versões caninas deles, apelidadas Demodogs, para atacar a cidade. Os meninos, Max, Joyce e Hopper, então, têm de encontrar uma forma de impedir que o Devorador de Mentes passe do Mundo Invertido para o mundo real - sem a ajuda de Onze, que decidiu viajar pelo mundo para aprender mais sobre seu passado e seus poderes.

Outros personagens novos de destaque na segunda temporada são Bob Newby (Sean Astin), namorado de Joyce, que trabalha na Radio Shack, se torna mentor de Will, e é arrastado para a luta contra as criaturas do Mundo Invertido; Sam Owens (Paul Reiser), substituto de Brenner no laboratório, que tem uma abordagem totalmente diferente de seu antecessor, estando inclusive interessado no bem-estar dos residentes de Hawkins e em estudar os efeitos do Mundo Invertido na fisiologia de Will; Kali (Linnea Bertheisen), antecessora de Onze no programa (onde tinha o codimome Oito), que tem poderes telepáticos e ajuda a nova amiga a aprender sobre seu passado e a controlar seus poderes; a irmã mais nova de Lucas, Erica (Priah Ferguson), que também é extremamente inteligente, mas que ele considera inconveniente e não quer que ela faça parte do grupo; e Murray Bauman (Brett Gelman), jornalista freelancer, detetive particular e teórico da conspiração contratado para investigar o sumiço de Barb, e que acaba se envolvendo com toda a história do Mundo Invertido.

Um dos novos cenários da segunda temporada seria a piscina pública de Hawkins, onde Billy trabalha como salva-vidas; as filmagens ocorreriam na South Bend Pool, uma piscina pública em Atlanta, redecorada para ficar como era na década de 1980. O Vazio, "local" para onde Onze vai quando usa suas habilidades telepáticas, também seria filmado em uma piscina, mas construída dentro de um estúdio; essa piscina teria seu fundo e todas as suas paredes pintados de preto e cobertos com um material sintético chamado duvetyne, para passar a impressão de que era um ambiente totalmente desprovido de qualquer elemento, com cerca de 2 cm de água no fundo sobre a qual Onze caminharia, representando uma espécie de líquido amniótico. Para não ser necessário a equipe entrar na piscina junto com Brown, seriam usadas câmeras e microfones presos a guindastes.

A segunda temporada teria nove episódios, todos disponibilizados em 27 de outubro de 2017, quatro dirigidos pelos Duffer, dois por Levy, dois por Andrew Stanton e um por Rebecca Thomas; os roteiros ficariam a cargo dos Duffer e de Doble, Nickson-Lopez, Paul Richter e Kate Trefry. Seria um sucesso ainda maior que a primeira, entrando para o Livro Guiness dos Recordes como série digital mais acessada do mundo em 2017. A crítica elogiaria principalmente o desenvolvimento dos personagens, com todos terminando a segunda temporada bem diferentes de como começaram a primeira. A segunda temporada mais uma vez seria indicada a dois Globos de Ouro (Melhor Série de TV de Drama e Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, para Harbour), mas dessa vez ficaria com "apenas" 12 indicações ao Emmy, ganhando apenas o de Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora - os demais seriam os de Melhor Série de Drama, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Drama (Harbour), Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Drama (Brown), Melhor Direção para uma Série de Drama, Melhor Roteiro para uma Série de Drama, Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Supervisão Musical, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhores Efeitos Visuais.

Junto com a segunda temporada, a Netflix produziria o programa Beyond Stranger Things, apresentado por Jim Rash, que contava com membros do elenco e da equipe, incluindo os Duffer, e discutia questões de bastidores, criação dos roteiros e a mitologia da série; seriam produzidos sete episódios, todos também lançados em 27 de outubro de 2017, mas, diferentemente de outros programas do mesmo estilo, como Talking Bad (da série Breaking Bad), a intenção era que os espectadores somente os assistissem após terem assistido a temporada completa, e não um após cada episódio.

Em novembro de 2016, Levy diria que ele e os Duffer já estavam pensando em uma terceira temporada, alegando que "não queriam ser pegos de surpresa e ter de decidir tudo em cima da hora"; os Duffer, por sua vez, diriam já estar trabalhando na história para um total de quatro ou cinco temporadas, e que ela definitivamente teria um final, sem a série se prolongar indefinidamente. Em abril de 2017, os Duffer confirmariam a terceira temporada, e diriam que a quarta seria a última; Levy, entretanto, diria que a Netflix havia concordado com quatro temporadas com a possibilidade de uma quinta, então ainda não estava nada acertado, com Matt Duffer declarando que "quatro parece pouco, cinco parece muito, então não sabemos o que fazer".

A terceira temporada seria oficialmente anunciada pela Netflix em dezembro de 2017, com roteiros escritos pelos Duffer, Dichter, Trefry, William Bridges e Curtis Gwinn, e um total de oito episódios, quatro dirigidos pelos Duffer, dois por Levy e dois por Uta Briesewitz. Preocupada que as crianças estava se tornando adultas, a Netflix pediria que a terceira e a quarta temporada fossem filmadas back to back, com a produção de uma se iniciando imediatamente após a da outra se encerrar, mas os Duffer não concordaram, acreditando que isso prejudicaria o desenvolvimento de ambas. Os Duffer também diriam que a terceira temporada seria mais adulta que as duas anteriores, e que o foco, dessa vez, não estaria em Will, que ainda se envolveria com os eventos, mas sem ser parte crucial deles.

O principal cenário da terceira temporada seria o Starcourt Mall, um shopping recém-inaugurado em Hawkins; as filmagens ocorreriam no Gwinnett Place Mall, na cidade de Duluth, Geórgia, um shopping construído em 1984, jamais reformado e praticamente abandonado, com pouquíssimas lojas ainda em funcionamento, que a equipe de produção redecorou e encheu de objetos de cenário e figurantes para parecer que ele havia acabado de inaugurar e estar em pleno funcionamento. A equipe de produção teria de recriar as fachadas das lojas como elas eram em 1985, fazendo uma pesquisa detalhada para saber quais marcas provavelmente teriam lojas em um shopping no interior de Indiana naquele ano, e quais produtos seriam oferecidos na praça de alimentação; apenas duas lojas não estariam de acordo com essa pesquisa, a fictícia sorveteria Scoops Ahoy!, inventada pelos Duffer, e a rede de estúdios de fotografia Glamour Shots, que não estava presente em shoopings em 1985, mas foi incluída porque havia uma cena importante envolvendo um estúdio de fotografia, e os Duffer prefeririam usar um que realmente existiu ao invés de criar um fictício, em nome do realismo da ambientação. Todas as cenas do shopping seriam filmadas durante o dia, com as cenas noturnas usando uma tela que bloqueava a entrada do sol pelas janelas e pelo teto de vidro.

A terceira temporada também introduziria uma personagem nova de grande importância, Robin Buckley (Maya Hawke), garota descolada que posa de extrovertida mas carrega um segredo, que logo se tornaria a melhor amiga de Steve e parte importante do grupo em suas aventuras. Ambientada no verão de 1985, a temporada traz os soviéticos querendo abrir uma passagem para o Mundo Invertido, imaginando que, se os americanos estão bulindo lá, isso pode representar uma vantagem na Guerra Fria; Steve e Robin acidentalmente descobrem que há soviéticos infiltrados em Hawkins, e que seu plano pode fazer com que o portal que eles lutaram tanto para fechar seja reaberto. Paralelamente a isso, o Devorador de Mentes controla a mente de Billy, fazendo com que ele reúna "soldados" que permitirão reabrir o portal do Mundo Invertido, dessa vez dentro do Starcourt Mall, para que o monstro passe e domine a cidade.

Outros novos personagens da terceira temporada são Larry Kline (Cary Elwes), Prefeito de Hawkins, segundo os Duffer, "um legítimo político dos anos 1980, mais preocupado com sua própria imagem que com os moradores da cidade que governa"; Bruce Lowe (Jake Busey), jornalista do Hawkins Post, onde Nancy vai trabalhar no verão, que não leva ela a sério por ser mulher, e vive fazendo comentários sexistas; o editor-chefe do Hawkins Post, Tom Holloway (Michael Park), e sua filha Heather (Francesca Reale), salva-vidas na piscina pública; Alexei (Alec Utgoff), cientista soviético responsável pelo projeto de acessar o Mundo Invertido; Grigori (Andrey Ivchenko), agente soviético infiltrado em Hawkins; e Doris Driscoll (Peggy Miley), idosa que tem sua mente dominada pelo Devorador de Mentes.

Os oito episódios da terceira temporada estreariam em 4 de julho de 2019; a Netflix divulgaria que, depois de quatro dias, mais de 40 milhões de contas haviam assistido pelo menos 70% de um episódio, e 18 milhões haviam assistido a temporada inteira, um recorde para qualquer série de seu catálogo. A crítica ficaria mais dividida, com alguns elogiando os relacionamentos interpressoais e a maior maturidade da história, outros achando o roteiro fraco e o humor forçado. Uma reclamação frequente entre críticos e público seria quanto à forma como os soviéticos eram retratados e como os americanos eram retratados em relação aos soviéticos, com pelo menos um crítico acusando a série de fazer "propaganda ao estilo da Era Reagan"; os Duffer se justificariam dizendo que era assim que eles eram retratados em produções dos anos 1980. A terceira temporada seria indicada a um Grammy, de Melhor Trilha Sonora para uma Mídia Visual, e a oito Emmys: Melhor Série de Drama, Melhor Extensão Interativa para um Programa Linear (para o jogo Scoops Ahoy: Operation Scoop Snoop), Melhor Supervisão Musical, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Coordenação de Dublês para uma Série, Série Limitada ou Filme para a TV de Drama, e Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, ganhando somente esse último.

Em setembro de 2019, a Netflix anunciaria que havia assinado contrato com os Duffer para a produção de novas séries e filmes "ao longo de múltiplos anos", "por um valor de nove dígitos", anunciando a quarta temporada de Stranger Things na mesma ocasião. Os Duffer aproveitariam a quarta temporada não só para concluir histórias propositalmente deixadas abertas na terceira, mas também para trabalhar a mitologia da série; o documento que eles haviam preparado ao criar o projeto, lá em 2015, explicava tudo em detalhes, inclusive como Onze havia ganhado seus poderes e o que era o Mundo Invertido, mas eles ainda não haviam tido a oportunidade de mostrar isso nas telas. Escritos pelos Duffer, Dichter, Trefry, Gwinn e Caitlin Schneiderhan, os roteiros da quarta temporada, combinados, somariam mais de 800 páginas, o que levaria os irmãos a negociar com a Netflix que a temporada tivesse nove episódios, alguns deles com bem mais de uma hora - em termos de minutos totais, a quarta temporada tem quase o dobro da segunda, que era até então a mais longa - e que eles fossem lançados em dois blocos, um com os sete primeiros, o outro com os dois últimos; durante a produção, os Duffer também decidiriam que a quinta temporada seria a última, com a quarta e a quinta compartilhando um único arco de história.

O principal vilão da quarta e quinta temporadas seria uma entidade humanoide que os meninos decidem chamar de Vecna, um mago morto-vivo considerado um dos maiores vilões de D&D; embora o nome tenha sido considerado uma sacada genial, ele também acabou sendo um anacronismo, já que Vecna só estreou no material do RPG em 1990, com sua existência sendo apenas sugerida antes disso. Para justificar o "batismo", os Duffer criariam um novo personagem, Eddie Munson, Mestre de um grupo de RPG chamado Clube do Inferno, que seria um jogador tão fanático que conseguiria deduzir os poderes de Vecna e o tamanho de sua ameaça com base no material lançado até então, influenciando Mike, Will, Dustin e Lucas quanto à escolha do nome. Eddie seria inspirado em Damien Echols, que, em 1994, seria acusado de matar três meninos de oito anos em um ritual satânico; nunca houve nenhuma prova de que Echols estava envolvido nos assassinatos, mas os moradores da cidade de West Memphis, Arkansas, onde ele morava e onde o crime ocorreu, tinham certeza de que foi ele, e usavam como justificativa sua aparência, as roupas que ele vestia e seus hobbies, dentre eles escrever poesias macabras. Echols cumpriria toda a pena e, após ser libertado, em 2011, se tornaria autor de livros autobiográficos e espirituais e tema de vários documentários, sempre mantendo que é inocente e foi condenado injustamente.

A quarta temporada seria a primeira com filmagens fora dos Estados Unidos, com cenas ambientadas na União Soviética sendo filmadas na prisão de Lukiskes e na base aérea de Kyviskes, ambos na Lituânia; as cenas na Califórnia seriam filmadas em Albuquerque, Novo México. Em março de 2020, todas as produções da Netflix seriam interrompidas por causa da pandemia, retornando em setembro; Montgomery não conseguiria sair da Austrália para filmar suas cenas ainda incompletas, e teve que filmá-las em separado, sendo dirigido por Levy através do aplicativo Zoom, enquanto Sink filmava a mesma cena com um dublê para que ambas fossem combinadas na pós-produção para parecer que Montgomery e Sink estavam contracenando um com o outro. As cenas no hospital psiquiátrico seriam filmadas na universidade Berry College, na cidade de Rome, Geórgia, e contariam com a atriz Martie Blair interpretando uma versão mais jovem de Onze, que teria seu rosto alterado para o de Brown digitalmente na pós-produção.

Barrie Gower, maquiador que havia trabalhado em Game of Thrones e Chernobyl, ficaria responsável pela aparência de Vecna, uma combinação de maquiagem, próteses e roupa de borracha, com o ator que o interpretava levando sete horas para completar a transformação; os Duffer queriam que Vecna fosse "90% real", acreditando que tê-lo no set contracenando com os atores garantiria maior realismo nas interpretações, por isso ele seria apenas retocado digitalmente na pós-produção, ao invés de ser um personagem digital como o Devorador de Mentes. A quarta temporada foi a que teve a maior quantidade de efeitos visuais em toda a série - somente o útimo episódio da quarta teve mais efeitos visuais que toda a terceira temporada - com a Rodeo FX, que já havia trabalhado em algumas cenas da terceira temporada, ficando responsável pelos mais complexos. Ainda assim, muitos dos efeitos visuais estavam inacabados quando o primeiro bloco foi lançado, com os Duffer seguindo com a pós-produção e obtendo autorização da Netflix para um update quando tudo ficou pronto - algo que a Netflix jamais havia autorizado, e que significa que quem assistiu os episódios na estreia do primeiro bloco viu efeitos visuais mais pobres em relação a quem viu depois da estreia do segundo.

A quarta temporada é ambientada em março de 1986, e acompanha três histórias diferentes. A primeira ocorre em Hawkins, na qual adolescentes estão sendo assassinados misteriosamente; quando a popular cheerleader Chrissy Cunnigham (Grace Van Dien) morre na companhia do pária social Eddie Munson (Joseph Quinn), ele passa a ser o principal suspeito, com Dustin, Lucas, Erica, Max, Nancy, Steve e Robin decidindo investigar o caso para limpar o nome de Eddie e concluindo que os assassinatos são obra de uma entidade do Mundo Invertido que eles decidem chamar de Vecna (Jamie Campbell Bower). Na segunda, Mike decide ir até a Califórnia visitar Onze, que está morando com Jonathan e Will; Onze perdeu seus poderes após os eventos da temporada anterior, e, diante da ameaça de Vecna, é levada por Owens para um laboratório onde tentará recuperá-los, com os meninos pegando uma carona com Argyle (Eduardo Franco), amigo de Jonathan, para "salvá-la". Na terceira, Hopper está preso na Rússia, e Joyce e Murray conseguem um avião de carga para salvá-lo. No fim, todas as histórias convergem e todos os personagens se encontram em Hawkins, onde Vecna lança um ataque final.

Outros personagens de destaque da quarta temporada são Jason Carver (Mason Dye), capitão do time de basquete, namorado de Chrissy e principal acusador de Eddie; Dmitri Antonov (Tom Wlaschiha), guarda da prisão que ajuda Hopper a escapar; Yuri Ismailov (Nikola Duricko), o dono do avião usado por Joyce e Murray; Wayne Munson (Joel Stoffer), tio de Eddie; o Coronel Jack Suillivan (Sherman Augustus), que acredita que Onze é a responsável pelos assassinatos e monta uma força-tarefa para capturá-la; Vickie Dunne (Amybeth McNulty), enfermeira no hospital de Hawkins e membro da banda do colégio; e Victor Creel (Robert Englund), homem ligado ao passado de Vecna.

A quarta temporada teria cinco episódios dirigidos pelos Duffer, dois por Levy e dois por Nimród Antal; devido aos atrasos causados principalmente pela pandemia, os sete primeiros estreariam em 27 de maio de 2022, e os dois últimos em 1 de julho de 2022, quase três anos após a temporada anterior. Junto com cada bloco, também seria lançado no YouTube um episódio (para um total de dois) de um programa ao estilo do Beyond Stranger Things, chamado Stranger Things 4: Unlocked. A quarta temporada seria o programa mais assistido em streaming no ano, e transformaria Stranger Things no primeiro programa de língua inglesa a ultrapassar um bilhão de horas assistidas - e o segundo na história, após o sul-coreano Round 6. A temporada seria aclamada pela crítica, que elogiaria as performances dos atores, a maturidade dos roteiros, as cenas de ação e os efeitos visuais, embora alguns tenham reclamado da duração excessiva dos episódios.

Como o Emmy premia as produções lançadas entre 1 de junho de um ano e 31 de maio do ano seguinte, o primeiro bloco da quarta temporada concorreria na cerimônia de 2022 e o segundo na de 2023; o primeiro bloco seria indicado a 13 Emmys, ganhando cinco (Melhor Supervisão Musical, Melhor Maquiagem Prostética, Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série, Série Limitada ou Filme para a TV de Drama; os demais seriam Melhor Série de Drama, Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Cabeleireiro para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Design de Produção para um Programa de Época de Uma Hora, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhores Efeitos Visuais em uma Temporada ou Filme, e Melhor Performance de Dublês), enquanto o segundo bloco seria indicado a cinco (Melhor Supervisão Musical, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhor Performance de Dublês), mas não ganharia nenhum. O segundo bloco também seria indicado a um Grammy, de Melhor Trilha Sonora para uma Mídia Visual.

Durante a pausa forçada causada pela pandemia, os Duffer aproveitariam para delinear a quinta e última temporada, que teria roteiros escritos por eles, Schneiderhan, Dichter, Gwinn e Trefry. Todos ficariam prontos antes de a quarta temporada estrear, mas, após a estreia, os Duffer veriam a reação do público aos eventos da quarta temporada para alterar vários eventos da quinta, inclusive mudando o final da série; esse trabalho teria de ser interrompido em maio de 2023, devido à greve dos roteiristas, sendo retomado em setembro. Os Duffer dirigiriam cinco dos episódios, um deles co-dirigido por Levy, que dirigiria sozinho mais um. Um dos episódios restantes originalmente seria dirigido por Dan Trachtenberg, que acabaria não podendo fazê-lo após se comprometer com Predador: Terras Selvagens; fã da série, Frank Darabont decidiria sair de sua aposentadoria para substituí-lo, e acabaria dirigindo os outros dois.

Holly Wheeler tem um papel importante na quinta temporada, e por isso os Duffer decidiriam trocar as gêmeas que a interpretaravam pela atriz Nell Fisher, que seria bastante elogiada - muitos achariam que a atriz seria trocada por uma questão de idade, mas, na verdade, Fisher é um ano mais velha que as gêmeas. Harbour filmaria a quinta temporada concomitantemente a Thunderbolts*, o que faria com que Hopper tivesse a longa barba usada pelo Guardião Vermelho. E a cláusula contratual de Ryder, que previa sua liberação para filmar uma sequência de Os Fantasmas se Divertem, acabaria não tendo de ser exercida, já que Os Fantasmas Ainda se Divertem, lançado em 2024, seria filmado durante a pré-produção da quinta temporada de Stranger Things. Vale citar também a participação da atriz Hope Hynes Love como a professora de Holly na escola, Srta. Harris, um papel escrito especialmente para ela pelos Duffer - já que ela foi sua professora de teatro quando eles estavam no Ensino Médio.

A quinta temporada também contaria com a atriz Linda Hamilton como a Dra. Kay, chefe de uma operação militar que planeja reproduzir os poderes de Onze, e tenta capturar a menina para fazer novos experimentos nela; estrela de O Exterminador do Futuro, Hamilton procuraria os Duffer e se ofereceria para um papel - mesma estratégia adotada por Robert Englund, o Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, que havia feito isso para a quarta temporada - com os Duffer decidindo dar a ela uma vilã. Outros personagens de destaque da quarta temporada são Derek Tuyrnbow (Jake Connelly), insuportável colega de escola de Holly que acaba tendo um papel importante na luta contra Vecna, e o Tenente Robert Akers (Alex Breaux), comandante da força-tarefa que tem a missão de capturar Onze.

A quinta temporada começa em novembro de 1987, poucos dias antes do aniversário de quatro anos do sequestro de Will. Após o ataque de Vecna no final da temporada anterior, os militares colocaram a cidade em quarentena, ninguém entra, ninguém sai, e tomaram o controle de todos os pontos de acesso ao Mundo Invertido, estabelecendo uma base para pesquisar os poderes de Onze para tentar usá-los como arma. Durante o intervalo de tempo entre uma temporada e outra, nossos intrépidos heróis ficaram procurando por Vecna para tentar destruí-lo, mas jamais o encontraram; agora, o vilão coloca em movimento um novo plano, sequestrando várias crianças, dentre elas Holly, para usá-las como condutor para seu poder e conseguir mesclar o Mundo Invertido com o mundo real, se tornando o governante de tudo.

Assim como a quarta temporada, a quinta, que teria um total de oito episódios, seria disponibilizada em blocos: o primeiro, de quatro episódios, em 26 de novembro de 2025, o segundo, de mais três, em 25 de dezembro, e o último episódio em 31 de dezembro de 2025 - também como na quarta temporada, cada episódio teria mais de uma hora, com o último tendo mais de duas; esse último episódio seria exibido em 620 salas de cinema selecionadas nos Estados Unidos e Canadá. Dois programas especiais também seriam produzidos para ir ao ar junto com ela: Stranger Things 5: Inside the Episodes, com 8 episódios disponibilizados no YouTube entre 27 de novembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, e o documentário One Last Adventure: The Making of Stranger Things 5, que estrearia na Netflix em 12 de janeiro de 2026. A Netflix ainda não divulgou os dados da audiência da quinta temporada, mas a crítica a considerou um encerramento digno, que solidificou a série na cultura pop - apesar de algumas reclamações do público, que não concordou com os desfechos das histórias de alguns dos personagens. As indicações ao Emmy também ainda não foram divulgadas.

Atualmente, os Duffer trabalham em novos programas relacionados à mitologia da série, o primeiro deles uma série de animação ambientada entre a segunda e a terceira temporadas da série original, chamada Stranger Things: Histórias de 85, que estreou na Netflix em 23 de abril desse ano; a animação conta com todos os personagens da série (mas dublados por atores profissionais) e, segundo os Duffer, sua intenção era fazer "um desenho das manhãs de sábado dos anos 1980 ambientado no universo de Stranger Things". Uma outra série com atores, mas sem o envolvimento dos originais - e, segundo Wolfhard, que sequer cita a cidade de Hawkins - também está em pré-produção, mas, até o momento, não foram divulgadas mais informações.
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