Eu ia começar esse post dizendo que eu nunca tinha lido WildC.A.T.s, mas depois eu me lembrei que, quando a Editora Globo lançou as revistas da Image no Brasil, embora eu realmente não comprasse WildC.A.T.s, eu comprava Gen 13, e, depois de um tempo, claramente para economizar, eles juntaram as duas revistas numa só (e com qualidade de papel pior) chamada Gen 13 & WildC.A.T.s, que eu segui comprando, então essas histórias dos WildC.A.T.s eu já havia lido sim, o que eu nunca havia lido foram as histórias originais dos WildC.A.T.s, que, ainda por cima, eu achava que haviam sido escritas pelo Jim Lee, e não só desenhadas por ele. Recentemente, entretanto, eu aproveitei um saldão da Panini e comprei um encadernado dos WildC.A.T.s, com todas as histórias desenhadas pelo Jim Lee. Depois que terminei de ler, achei que, já que eu não falo há um tempão sobre um super-herói aqui no átomo, poderia tentar fazer um post, e, por isso, hoje é dia de WildC.A.T.s.
Embora seja um dos sete artistas considerados fundadores da Image, Jim Lee não estava no grupo que originalmente decidiu cortar laços com a Marvel e a DC e fundar sua própria editora. Quem teve essa ideia, talvez nada surpreendentemente, foi Rob Liefeld, que, na época, desenhava a X-Force para a Marvel - revista que havia sido criada por ele ao receber carta branca para reinventar os Novos Mutantes - e considerava que a revista só fazia sucesso por causa de sua arte, se ressentindo de que não recebia participação nas vendas nem tinha direitos sobre os personagens que criava, já que, pelas leis dos Estados Unidos, se alguém cria uma coisa enquanto está sob contrato, os direitos pertencem ao contratante, e não ao criador. Mais que isso, Liefeld se preocupava com o futuro, achando que os desenhistas dos anos 1990 haviam ficado "grandes demais para o sistema", que a Marvel não queria "estrelas", e que isso pudesse resultar em sua demissão em um futuro próximo.
Liefeld conversaria com Todd McFarlane, que na época escrevia e desenhava a Spider-Man, uma nova revista do Homem-Aranha lançada praticamente só por causa dele, e se sentia desprestigiado por motivos parecidos, acreditando que deveria receber parte do lucro sobre a venda de merchandising associado ao personagem, como camisetas, material escolar e outros produtos que usassem a sua arte - o que, segundo as leis dos Estados Unidos, só ocorre se houver uma cláusula específica quanto a isso no contrato - e os dois decidiriam identificar outras "estrelas" da arte nos quadrinhos que pensassem de forma parecida, visando convidá-las para fundar sua própria editora, com regras diferentes das adotadas por Marvel e DC. Os dois primeiros foram Erik Larsen, que ficou famoso desenhando o Hulk, mas, na época, desenhava a The Amazing Spider-Man, a revista original do Homem-Aranha, onde McFarlane fez sua fama, e Jim Valentino, que desenhava a Guardians of the Galaxy.
Alguns meses depois, McFarlane se encontraria com Jim Lee e Marc Silvestri em um leilão beneficente na Sotheby's, em Nova Iorque, e decidiria convidar também os dois. Silvestri na época desenhava a Wolverine, e Lee a X-Men, também uma nova revista dos X-Men criada só por causa dele. Lee tinha opiniões parecidas com as de McFarlane, mas dúvidas quanto a deixar a segurança da Marvel para se aventurar em um projeto arriscado como a fundação de uma nova editora; ele só decidiria aceitar o convite após conversar com Whilce Portacio, desenhista da The Uncanny X-Men, a revista original dos X-Men, a quem acabou convidando também. Liefeld, McFarlane, Larsen, Valentino, Silvestri, Lee e Portacio, então, entrariam para a história como os fundadores da Image, a única editora que verdadeiramente chegou a ameaçar o reinado da Marvel e da DC - por um curto período de tempo, inclusive, superando a DC em vendas e sendo a segunda que mais vendia quadrinhos nos Estados Unidos, atrás apenas da Marvel.
A principal característica da Image era que os criadores seriam donos de tudo o que criassem, com a editora só sendo dona de seu nome e seu logotipo. Para que isso funcionasse, ela era tipo uma cooperativa, com cada um dos fundadores tendo uma "mini-editora" (na verdade, um estúdio) que produzia suas criações, cabendo à Image apenas tratar da impressão e da distribuição - sendo que, no início, como ela não tinha meios de fazer nem uma coisa, nem outra, a impressão e a distribuição caberiam a outra editora pequena, a Malibu Comics, que fez um contrato com a Image para que os quadrinhos das "mini-editoras" fossem impressos e distribuidos junto com os criados pela Malibu. No início, as seis "mini-editoras" - chamadas por alguns fãs de "selos" - da Image eram o Extreme Studios de Liefeld, a McFarlane Productions, a Highbrow Entertainment de Larsen, a Shadowline de Valetino, a WildStorm de Lee, e a Top Cow de Silvestri - Portacio só criaria seu Avalon Studios seis anos depois, inicialmente produzindo seus títulos pela WildStorm. Ao longo dos anos, a Image reuniria vários outros selos, como o Cliffhanger e a Skybound Entertainment, e cada um deles se desenvolveria de forma diferente - a Top Cow, hoje, é praticamente uma editora completa, inclusive imprimindo e distribuindo seus próprios títulos, com sua ligação com a Image sendo basicamente afetiva.
Pois bem, após aceitar o convite de McFarlane, fundar a Image e definir como seria o funcionamento da WildStorm, a primeira coisa que Lee faria seria entrar em contato com um amigo de infância, o roteirista Brandon Choi. Tanto Lee quanto Choi nasceram em Seul, na Coreia do Sul, e emigraram para os Estados Unidos quando crianças, acompanhando seus pais - Lee tinha 7 anos, Choi tinha apenas 2, mas ambos são da mesma idade, o que significa que Choi emigrou primeiro. Eles se conheceram na década de 1970 na igreja, que era frequentada pelos pais de ambos, segundo Choi, quando um dia ele viu Lee brincando com bonequinhos dos X-Men, que ninguém tinha na época, pediu para brincar também, e Lee o presenteou com um boneco do Anjo. Os dois logo se tornaram melhores amigos e, por coincidência, quando passaram para o middle school, o equivalente ao nosso segundo segmento do Ensino Fundamental, ficaram na mesma turma. Ambos, então, começaram a criar várias histórias de super-heróis, com Choi criando os enredos e Lee os personagens.
Lee seria mais bem sucedido que Choi ao perseguir seus sonhos, sendo contratado pela Marvel aos 23 anos, em 1987, para desenhar Alpha Flight, a revista da Tropa Alfa, passando em seguida para The Punisher War Journal, a revista secundária do Justiceiro, até parar na The Uncanny X-Men, onde trabalhava com Chris Claremont - as vendas nessa época seriam tão grandes que a Marvel daria aos dois uma revista totalmente nova, chamada apenas X-Men, com a Uncanny passando para outra equipe e as histórias de ambas se complementando. Choi, enquanto isso, não conseguiu ser contratado por nenhuma editora de quadrinhos e decidiu tentar a sorte no cinema, estando matriculado em um curso de roteirista quando Lee o telefonou e o convidou para trabalhar na WildStorm. A ideia de Lee era não somente retomar a parceria com o amigo, mas tentar fazer de uma forma profissional e oficial os quadrinhos que os dois inventavam quando crianças, o que deixou Choi extremamente empolgado.
Choi e Lee, então, começariam a revisar os enredos e personagens que haviam criado, para adequá-los ao que fazia sucesso nos anos 1990 e tornar tudo mais profissional. Devido à experiência de Lee com os X-Men, e ao sucesso da equipe dos mutantes, Lee decidiria que queria também fazer um grupo de heróis, ao invés de um herói solo. Sendo ambos fãs de ficção científica e tendo como filme favorito Blade Runner, Lee e Choi decidiriam começar por dois personagens originalmente inspirados por essa obra: Bandoleiro e Espartano. Bandoleiro era originalmente uma versão com superpoderes do personagem Deckard, interpretado por Harrison Ford; ele manteria a atitude e o sobretudo de Deckard, mas acabaria sendo transformado em um mercenário ao invés de um detetive; já Espartano seguiria sendo uma versão turbinada de um Replicante, um humano artificial, mas capaz de voar e lançar raios pelas mãos. Outros dois personagens antigos, Lacuna e Warblade, ganhariam modificações inspiradas pelo T-1000 de O Exterminador do Futuro 2, filme lançado pouco antes da fundação da Image; Lacuna ganharia um uniforme reflexivo semelhante à pele de metal líquido do androide, enquanto Warblade poderia transformar suas mãos em vários tipos de lâminas. O personagem que menos mudaria seria Marreta, ganhando apenas um novo nome - o original era Tusk - e uma história ligada à nova origem criada para a equipe.
Falando nisso, a moda nos anos 1990 era explorar a guerra entre o Céu e o Inferno; outro personagem superfamoso da Image, Spawn, foi criado especialmente com essa guerra em mente, e até Marvel e DC se enveredaram por esse caminho, com o Justiceiro durante um tempo sendo um agente do Céu que caçava demônios, e o personagem Constantine ganhando um título que explorava essa temática lançado pelo selo Vertigo. Lee também queria envolver seu grupo de heróis em uma guerra entre Céu e Inferno, mas Choi decidiria adaptar esse enredo para a ficção científica, criando duas raças alienígenas que vivem escondidas dos humanos na Terra, os kherubins e os demonitas. Os kherubins são praticamente idênticos aos humanos, mas têm cabelos brancos e jamais morrem de velhice, com os homens tendo poderes quânticos e as mulheres sendo extremamente fortes e ágeis; já os demonitas são monstruosos e só conseguem sobreviver se utilizarem um outro ser como hospedeiro, se valendo dessa tática para influenciar governos e organizações. Acidentalmente naufragados na Terra há milhares de anos, os demonitas buscam uma forma de trazer reforços de seu planeta natal para dominar o nosso, enquanto os kherubins os caçam e tentam acabar com sua ameaça.
Faltava apenas um detalhe: o primeiro grupo de heróis lançado pela Image seria o Youngblood, de Liefeld, cujos membros eram ligados à CIA ou ao governo dos Estados Unidos e viviam como celebridades, sendo tratados pela população como se fossem atores, cantores ou atletas de prestígio. Lee decidiria que seu grupo seria justamente o contrário, atuando das sombras e sem o conhecimento do grande públco - o que inclusive combinava com o conceito da "guerra secreta" entre demonitas e kherubins. Após definir essa característica, ele decidiria chamar a equipe de WildC.A.T.s, com "C.A.T.s" sendo uma sigla para Covert Action Teams, algo como "equipes de ação sigilosa" em inglês - nome que pode parecer meio estranho hoje, mas estava super dentro da moda nos quadrinhos nos anos 1990. Chamando o grupo de WildC.A.T.s, inclusive, Lee pôde batizar seu grupo seguinte de StormWatch - o que fazia com que as primeiras metades de cada um formassem o nome WildStorm.
A equipe original dos WildC.A.T.s é liderada por Lorde Emp, kherubim que perde a memória e vive anos dentre os humanos usando o nome de Jacob Marlowe. Após perder tudo, Emp vive como mendigo até ser encontrado por Lacuna, que era a cosmonauta russa Adrianna Tereshkova até seu corpo se fundir a um artefato alienígena conhecido apenas como Orbe, o que lhe deu o poder de ver o passado e o futuro simultaneamente ao presente e de teleportar a si mesma e a outros. Lacuna conta a Emp sobre a guerra entre os kherubins e demonitas e o ajuda a fundar a Corporação Halo, empresa presente em vários ramos de empreendimento, mas que na verdade é uma fachada para financiar os WildC.A.T.s e permitir que agentes demonitas sejam identificados e detidos. É a Halo a responsável por criar Hadrian-7, o ciborgue de codinome Espartano, que tem força e vigor sobre-humanos, pode voar, disparar raios pelas mãos, interagir com equipamentos eletrônicos e cuja consciência pode ser transferida para um novo corpo caso o que está sendo usado seja danificado além de qualquer reparo.
Quando Emp veio para a Terra, trouxe consigo uma guarda-costas, Lady Zannah, que adotou o codinome Devota. Após Emp perder a memória e desaparecer, Devota reuniu as demais kherubins da Terra e criou a Irmandade Coda, que iria treiná-las para a guerra contra os demonitas; infelizmente, algumas membros da Coda se mostraram traidoras e se aliaram aos inimigos, enquanto outras desvirtuaram os preceitos da sociedade kherubim, o que fez com que Devota decidisse deixar a ordem e vagar o mundo procurando por Emp. Enquanto fazia isso, ela decidiu treinar um aprendiz, Cole Cash, ex-agente do governo, ex-mercenário e ex-membro da equipe conhecida como Team 7, que ganhou poderes psiônicos limitados e uma resistência a lesões e fraturas que o torna praticamente imortal após ser submetido a experimentos de um projeto secreto do governo norte-americano chamado Projeto Gênese - mas o principal "poder" de Cash é sua exímia habilidade com armas de fogo, o que lhe valeu o codinome de Bandoleiro. Após anos contando apenas um com o outro, Devota e Bandoleiro decidem também se unir aos WildC.A.T.s após o ressurgimento de Emp.
Os outros três membros dos WildC.A.T.s inicialmente estão em treinamento. Um deles é Jeremy Stone, codinome Marreta, um híbrido humano/kherubim (mais tarde sofrendo um retcon e se tornando um híbrido de humano com uma raça alienígena chamada titanthrope) com o poder de aumentar de tamanho, com a significativa desvantagem de que, quanto mais ele aumenta, mais seu raciocínio fica prejudicado - vulgarmente falando, quanto maior, mais burro ele fica. Já Reno Bryce, codinome Warblade, também um híbrido humano/kherubim, pode transformar seu corpo em metal líquido, esticando seus membros e transformando suas mãos e pés em uma variedade de lâminas; no passado, Warblade teve ligações profundas com Ripclaw, herói criado por Silverstri e membro da equipe Cyber Force.
Finalmente, temos Priscilla Kitaen, codinome Vodu, uma híbrida humano/demonita, que entra para a equipe na primeira edição, após ser encomtrada por Bandoleiro trabalhando como stripper - ou melhor, "dançarina exótica", já que, até para os anos 1990, uma heroína stripper era um pouco demais. Vodu consegue enxergar quando um demonita está possuindo um humano, e, fazendo um gigantesco esforço, consegue expulsar o demonita do hospedeiro, normalmente matando o vilão no processo; isso faz com que ela seja um alvo preferencial dos demonitas, que a consideram um perigo para seus planos. Como ela nunca foi heroína na vida, tem que aprender a se virar durante as missões, sendo treinada nos intervalos por Devota e Espartano - com quem ela chega a desenvolver um romance.
O principal vilão de WildC.A.T.s é Helspont, demonita que, antes de vir à Terra, possui como hospedeiro um alienígena de raça desconhecida. Helspont planeja substituir membros-chave do governo dos Estados Unidos por demonitas, obtendo com isso os meios para trazer uma grande armada de seu planeta natal para dominar a Terra e exterminar os kherubins que estão aqui. Outros vilões criados por Lee incluem o Lanceiro, espécie de Deadpool do mal, um mercenário humano que se uniu aos demonitas; Providência, que ganhou o poder de ver o futuro após ter contato com um Orbe; Tapeçaria, que pode alterar memórias e tem um passado em comum com Devota; a telepata Miséria, que tem um passado em comum com Warblade e Ripclaw; e Gnomo, mafioso alienígena que planeja obter as Orbes para si, empregando os serviços de um trio de criminosos cohecido como Tríade, composto por Ática, mercenário que faz uso de armas e armaduras futuristas; Escória, mutante cujo corpo é feito de lava; e o robô Dano. Diversas kherubins treinadas pela Coda que decidem se aliar aos vilões, todas chamadas apenas de Coda, também aparecem nas histórias.
Assim como muitas das séries da Image, WildC.A.T.s - Covert Action Teams foi originalmente lançado, para "testar as águas", na forma de uma minissérie, com roteiros de Choi e arte de Lee, em quatro edições, entre agosto de 1992 e março de 1993. Em seguida, seria lançada outra minissérie, em três edições, entre junho e setembro de 1993, chamada WildC.A.T.s Trilogy; curiosamente sem a participação de Jim Lee, com roteiros de Choi e arte de Jae Lee, essa segunda minissérie trazia a primeira aparição da equipe Gen 13, estabelecia a Ilha de Themiscyra como a base da Irmandade Coda, e tinha como vilã uma Coda renegada chamada Ártemis, que planejava matar Devota. WildC.A.T.s Trilogy também traria a primeira aparição de Lorde Hightower, demonita que possuiu um humano e se valia de seu prestígio social para fazer avançar os planos dos alienígenas, sendo um adversário recorrente em muitas das edições seguintes.
O sucesso das minisséries levaria ao lançamento de uma série regular a partir de novembro de 1993, mas com a numeração continuando do 5, como se fosse a continuação da minissérie original. Acreditando que as chances de sucesso da Image seriam maiores caso existisse um "Universo Image", nos moldes do que faziam a Marvel e a DC, Lee negociaria com Liefeld e Silvestri a inclusão de seus personagens em histórias dos WildC.A.T.s: a minissérie original contaria com a participação do Youngblood, enquanto as três primeiras edições da série regular faziam parte da saga Instinto Assassino, sendo intercaladas com as edições de 1 a 3 da série regular de Cyber Force, explorando as relações entre Warblade, Ripclaw e Miséria, e colocando a Cyber Force, um grupo de mutantes ciborgues que enfrentavam uma mega corporação corrupta, para brigar contra os WildC.A.T.s - que, afinal de contas, era um grupo secreto, desconhecido pelos demais heróis.
Jim Lee seria o artista da série regular até a edição 13, quando sairia para se dedicar a Gen 13, Deathblow e Stormwatch; os roteiros da série regular começariam com Choi, mas logo vários roteiristas convidados, como Grant Morrison e Chris Claremont, também escreveriam suas próprias histórias dos WildC.A.T.s. Claremont seria responsável pelas edições de 10 a 13, com a 10 marcando a estreia de um personagem criado por ele, o Caçador - que, pelas regras da Image, pertenceria somente a ele, devendo haver uma autorização e compensação financeira caso algum outro roteirista quisesse utilizá-lo. Lee também aproveitaria essas últimas edições para introduzir novos personagens criados por ele, como Savant, irmã adotiva de Devota, que, ao invés de grande força física, possui uma inteligência fora do comum, além de uma bolsa com vários artefatos lendários, como as Botas de Sete Léguas e o Manto de Invisibilidade; e Majestic, kherubim que tem poderes semelhantes aos do Superman.
Após a saída de Lee, Larsen escreveria e desenharia a edição 14, com James Robinson e Travis Charest assumindo como roteirista e artista na 15. Na época, WildC.A.T.s já era um enorme sucesso, e a WildStorm decidiria apostar também em aventuras solo de seus membros, com Espartano ganhando uma minissérie em quatro edições, com roteiros de Kurt Busiek e arte de Mike McKone, chamada Spartan: Warrior Spirit, lançada entre julho e novembro de 1995, e Devota ganhando uma chamada Zealot, em três edições lançadas entre agosto e novembro, com roteiros de Ron Marz e arte de Terry Shoemaker. O passado em comum de Warblade e Ripclaw também voltaria a ser explorado na minissérie Warblade: Endangered Species, em quatro edições lançadas entre janeiro e abril de 1995, com roteiros de Steven Seagle e arte de Scott Clark.
Mas o personagem mais popular era sem dúvida o Bandoleiro, que, além de fazer team ups com outros personagens, incluindo Backlash, de Stormwatch, Bedrock, de Youngblood, Shi, criada por Billy Tucci para a editora Crusade, e até mesmo o Máskara, da editora Dark Horse, seria o astro de duas séries regulares, ambas chamada Grifter, a primeira com roteiros de Seagle e arte de Ryan Benjamin, que exploraria seu passado em dez edições, publicadas entre maio de 1995 e março de 1996, e a segunda, com numeração recomeçando do 1, com histórias ambientadas simultaneamente a suas aventuras com os WildC.A.T.s, em 14 edições publicadas enre julho de 1996 e agosto de 1997, com roteiros de Steven Grant e arte de Mel Rubi.
Também em 1995 seria lançada a minissérie Team One, com duas edições protagonizadas pelo Stormwatch, com roteiros de Seagle e arte de Tom Raney, e duas protagonizadas pelos WildC.A.T.s, com roteiros de Robinson e arte de Rich Johnson, lançadas entre junho e setembro, que exploravam as fundações do "Universo WildStorm"; esse conceito seria expandido na saga Wildstorm Rising, que se espalharia pelas edições publicadas em 1996 de WildC.A.T.s, Stormwatch, Gen 13, Grifter, Team 7, Union, Deathblow, Backlash e Wetworks (essa última criada por Portacio), e que, pouco a pouco, definiria o Universo Wildstorm como independente dos demais títulos da Image - embora o passado em comum de Warblade e Ripclaw jamais tenha sido oficialmente alterado.
Após o final da Wildstorm Rising, a equipe original dos WildC.A.T.s partiria para o planeta Khera, terra natal dos kherubins, e uma nova equipe ficaria na Terra, composta por Savant, Majestic, o humano artificial Tao, a punk ciborgue Ladytron, e o irmão do Bandoleiro, Max Profitt. Essa fase, que começaria na edição 21, seria escrita por Alan Moore e bastante elogiada. Moore encerraria a guerra entre os kherubins e os demonitas com a derrota total dos vilões, e colocaria seus WildC.A.T.s para enfrentar criminosos comuns, os distanciando cada vez mais dos demais heróis do Universo WildStorm; em determinado momento, entretanto, ele revelaria que Tao era um agente infiltrado dedicado à destruição do grupo, inclusive empregando a Tríade, e que a separação da equipe e a mudança de modus operandi faziam parte de seu plano.
Moore seguiria nos roteiros até a edição 34, escrevendo também o crossover Spawn/WildC.A.T.s, com arte de Scott Clark, em quatro edições publicadas entre janeiro e abril de 1996, e a minissérie Voodoo, com arte de Michael Lopez, na qual Vodu vai a Nova Orleans aprender sobre o verdadeiro vodu, em quatro edições publicadas entre novembro de 1997 e março de 1998. Moore seria substituído por Barbara Randall Kesel, que faria apenas duas edições antes do retorno de Choi, que estabeleceria a organização criminosa Puritanos como os novos vilões; Choi criaria uma nova equipe, formada por Bandoleiro, Max, Lacuna e uma antiga versão do Espartano, mais os novatos Mythos, um kherubim capaz de se mover tão rápido que os humanos não o conseguem ver; Olympia, uma marcenária demonita com treinamento Coda; e a Irmã Eva, noviça com o poder de controlar a energia do Caos. Essa equipe viajava no tempo para deter os Puritanos, cujo objetivo era também viajar no tempo para destruir todos os kherubins e demonitas que um dia já pisaram na Terra.
1997 também seria o ano do lançamento da primeira colaboração entre a WildStorm e a Marvel, WildC.A.T.s / X-Men, série especial em quatro edições lançadas em fevereiro, junho e agosto de 1997 e maio de 1998, a primeira e a última lançadas pela Image, as duas do meio pela Marvel. A rigor, WildC.A.T.s / X-Men não era uma minissérie, já que cada edição trazia uma história completa e independente; a princípio, inclusive, todas as edições trariam o número 1 na capa, mas a Marvel não concordou, e elas acabaram numeradas de 1 a 4. Na primeira edição, chamada The Golden Age, com roteiro de Scott Lobdell e arte de Travis Charest, Devota e Wolverine combatem nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para recuperar um artefato kherubim; na segunda, The Silver Age, com roteiro de Lobdell e arte de Jim Lee, Bandoleiro é convencido pela S.H.I.E.L.D. a embarcar em uma missão, durante a qual se encontra acidentalmente com Jean Grey, que está viajando sem o resto dos X-Men originais (Ciclope, Fera, Homem de Gelo e Anjo), e os dois acabam tendo de enfrentar uma aliança entre os demonitas e a Ninhada; na terceira, The Modern Age, com roteiro de James Robinson e arte de Adam Hughes, a segunda equipe dos X-Men (Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine, Noturno e Colossus) está investigando o desaparecimento de um jovem mutante que pode estar ligado ao Clube do Inferno, e acaba se aliando aos WildC.A.T.s, que tentam salvar Lorde Emp, sequestrado após ser convidado a se tornar membro do clube; e a última, The Dark Age, com roteiro de Warren Ellis e arte de Sean Parsons, é ambientada em um futuro distópico no qual os demonitas usaram Sentinelas para dominar o mundo, com os X-Men e WildC.A.T.s sobreviventes se unindo para tentar usar tecnologia de viagem no tempo para impedir que isso aconteça. Todas as quatro edições pressupõem que os WildC.A.T.s, os kherubim e os demonitas existem no Universo Marvel, o que se tornaria bem curioso após os eventos seguintes.
Desde 1996, Lee não estava satisfeito com a Image, principalmente porque, pelo modelo adotado pela editora, todos os custos de impressão e distribuição deveriam ser pagos pela WildStorm, e ele achava que o retorno financeiro das vendas das edições e dos direitos sobre os personagens já não estavam compensando os gastos. Após aceitar participar da saga Heróis Renascem, reinventando o Quarteto Fantástico e o Homem de Ferro para a Marvel, ele começaria a pensar seriamente em vender a WildStorm e voltar a ser apenas um artista contratado pela Marvel ou DC. Em 1998, a DC demonstraria interesse na compra, e Lee aceitaria, abrindo mão de todos os personagens que criou para a WildStorm, que passariam a ser todos de propriedade da Warner, dona da DC, em troca de uma polpuda soma em dinheiro e de um contrato para desenhar o Batman. A DC decidiria manter o Universo WildStorm como uma parte em separado do Universo DC, com o selo WildStorm atuando mais ou menos como o selo Vertigo, mas deixaria em aberto a possibilidade de personagens da WildStorm aparecerem nos títulos tradicionais da DC e vice-versa.
Embora a compra tenha ocorrido em 1998, o contrato de Lee com a DC estabelecia que a propriedade começaria a valer em janeiro de 1999; como a WildC.A.T.s chegaria em seu número 50 em junho de 1998, Lee decidiria encerrar a série, deixando o caminho livre para um reboot feito pela DC - ao contrário do que ocorreu com Gen 13, que seguiu sendo publicada sem interrupção, com a edição 36 saindo pela Image e a 37 pela DC. A nova WildCats, sem abreviação no cats, com numeração recomeçando do 1 e publicada pela DC, teria roteiros de Lobdell e arte de Charest, sendo lançada em março de 1999 e pegando a equipe em meio a um turbilhão emocional, retornando de uma missão na qual deu tudo errado e Devota aparentemente morreu.
Lobdell e Charest ficariam até a edição 7, sendo substituídos por Joe Casey e Sean Phillips, que começaram uma fase aclamada pela crítica, mas com vendas bastante baixas, na qual Espartano absorveu os poderes de Lacuna e Emp, e liderava uma nova equipe formada por Bandoleiro, Vodu, Marreta, Ladytron e Noir, um francês especialista em armas. O principal vilão dessa fase foi Samuel Smith, um assassino serial com poderes sobre-humanos. Ao todo, a WildCats da DC teria 28 edições, a última de dezembro de 2001, sendo cancelada por baixas vendas; durante o período, também seriam lançados vários one shots, como WildCats: Ladytron, que explorava o passado da personagem, o crossover WildCats/Aliens, e Wild Times: WildCats e Wild Times: Grifter, ambientados em realidades alternativas, além da série regular Mr. Majestic, com nove edições lançadas entre setembro de 1999 e maio de 2000.
A DC reinventaria os WildC.A.T.s na série para o público adulto WildCats Version 3.0, na qual Emp, que teve sua consicência transferida para o corpo de Espartano, decide usar a Corporação Halo para espalhar tecnologia avançada pelo mundo e melhorar a vida da humanidade. Com roteiros de Casey e arte de Dustin Nguyen, Duncan Rouleau, Francisco Ruiz Velasco, Pascual Ferry e Sean Phillips, a série teria 24 edições, lançadas entre outubro de 2002 e outubro de 2004, e terminaria com Devota voltando à equipe e a célula Coda criada por ela sendo destruída. Em seguida, Majestic ganharia uma nova minissérie, chamada apenas Majestic, com quatro edições lançadas entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, com uma nova série regular com 17 edições sendo publicada entre março de 2005 e julho de 2006. Majestic e Devota também seriam as estrelas de WildCats: Nemesis, com roteiros de Robbie Morrison e arte de Talent Caldwell e Horacio Domingues, em 9 edições lançadas entre novembro de 2005 e julho de 2006, na qual a vilã era uma Coda renegada chamada Nêmese, mais tarde reimaginada como uma anti-heroína.
Em 2005 também seria lançada a minissérie Captain Atom: Armageddon, na qual o Capitão Átomo fica acidentalmente preso no Universo WildStorm, com sua presença lá podendo levar à destruição; com a ajuda de uma nova Lacuna, ele retorna ao Universo DC, mas todo o Universo WildStorm é reformulado no processo - ou seja, a minissérie seria um pretexto para um grande reboot, que começaria com uma nova revista WildCats, com roteiro de Grant Morrison e arte de Jim Lee, lançada em dezembro de 2006 - e que seria cancelada após apenas uma edição. Os WildC.A.T.s, pela primeira vez, ficariam sem revista própria durante quase dois anos até retornar em uma nova série regular, mais uma vez chamada WildCats, ambientada em um futuro pós-apocalíptico, que até conseguiu fazer um relativo sucesso, tendo 30 edições lançadas entre setembro de 2008 e fevereiro de 2011.
Após a saga Renascimento, em 2017, o Universo WildStorm deixaria de existir, e os personagens da WildStorm seriam integrados ao Universo DC, com a Corporação Halo passando a fazer parte do universo do Batman. Os WildC.A.T.s, entretanto, só ganhariam uma nova revista muito tempo depois, mais de dez anos após o cancelamento da última. Chamada WildC.A.T.s - a primeira da DC na qual C.A.T. era uma abreviação - ela trazia uma equipe reunida pelo Bandoleiro para realizar missões em cantos inóspitos do Universo DC. Com roteiros de Matthew Rosenberg e arte de Stepehn Segovia, a última WildC.A.T.s teria 12 edições, publicadas entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024. Desde então, os WildC.A.T.s só fazem participações em histórias de outros heróis, principalmente do Batman, embora Helspont tenha enfrentado o Superman em algumas ocasiões.
Para terminar, vale dizer que, no auge de seu sucesso na década de 1990, os WildC.A.T.s foram astros de um desenho animado, criado para tentar competir com o dos X-Men. Criado por David Wise e produzido pela Nelvana, o desenho adaptava as primeiras histórias da equipe nos quadrinhos, mas atenuadas de forma que o desenho fosse "para toda a família". Exibido pela CBS, o desenho não faria muito sucesso e teria apenas uma temporada de 13 episódios, que foram ao ar entre 1 de outubro de 1994 e 21 de janeiro de 1995. Para promover o desenho, a WildStorm criaria uma série em quadrinhos, WildC.A.T.s Adventures, com 10 edições publicadas pela Image entre setembro de 1994 e junho de 1995, com roteiros de Jeff Mariotte e arte de Ty Templeton, cujas histórias não são consideradas oficiais para a cronologia dos WildC.A.T.s.
Ler mais
Embora seja um dos sete artistas considerados fundadores da Image, Jim Lee não estava no grupo que originalmente decidiu cortar laços com a Marvel e a DC e fundar sua própria editora. Quem teve essa ideia, talvez nada surpreendentemente, foi Rob Liefeld, que, na época, desenhava a X-Force para a Marvel - revista que havia sido criada por ele ao receber carta branca para reinventar os Novos Mutantes - e considerava que a revista só fazia sucesso por causa de sua arte, se ressentindo de que não recebia participação nas vendas nem tinha direitos sobre os personagens que criava, já que, pelas leis dos Estados Unidos, se alguém cria uma coisa enquanto está sob contrato, os direitos pertencem ao contratante, e não ao criador. Mais que isso, Liefeld se preocupava com o futuro, achando que os desenhistas dos anos 1990 haviam ficado "grandes demais para o sistema", que a Marvel não queria "estrelas", e que isso pudesse resultar em sua demissão em um futuro próximo.
Liefeld conversaria com Todd McFarlane, que na época escrevia e desenhava a Spider-Man, uma nova revista do Homem-Aranha lançada praticamente só por causa dele, e se sentia desprestigiado por motivos parecidos, acreditando que deveria receber parte do lucro sobre a venda de merchandising associado ao personagem, como camisetas, material escolar e outros produtos que usassem a sua arte - o que, segundo as leis dos Estados Unidos, só ocorre se houver uma cláusula específica quanto a isso no contrato - e os dois decidiriam identificar outras "estrelas" da arte nos quadrinhos que pensassem de forma parecida, visando convidá-las para fundar sua própria editora, com regras diferentes das adotadas por Marvel e DC. Os dois primeiros foram Erik Larsen, que ficou famoso desenhando o Hulk, mas, na época, desenhava a The Amazing Spider-Man, a revista original do Homem-Aranha, onde McFarlane fez sua fama, e Jim Valentino, que desenhava a Guardians of the Galaxy.
Alguns meses depois, McFarlane se encontraria com Jim Lee e Marc Silvestri em um leilão beneficente na Sotheby's, em Nova Iorque, e decidiria convidar também os dois. Silvestri na época desenhava a Wolverine, e Lee a X-Men, também uma nova revista dos X-Men criada só por causa dele. Lee tinha opiniões parecidas com as de McFarlane, mas dúvidas quanto a deixar a segurança da Marvel para se aventurar em um projeto arriscado como a fundação de uma nova editora; ele só decidiria aceitar o convite após conversar com Whilce Portacio, desenhista da The Uncanny X-Men, a revista original dos X-Men, a quem acabou convidando também. Liefeld, McFarlane, Larsen, Valentino, Silvestri, Lee e Portacio, então, entrariam para a história como os fundadores da Image, a única editora que verdadeiramente chegou a ameaçar o reinado da Marvel e da DC - por um curto período de tempo, inclusive, superando a DC em vendas e sendo a segunda que mais vendia quadrinhos nos Estados Unidos, atrás apenas da Marvel.
A principal característica da Image era que os criadores seriam donos de tudo o que criassem, com a editora só sendo dona de seu nome e seu logotipo. Para que isso funcionasse, ela era tipo uma cooperativa, com cada um dos fundadores tendo uma "mini-editora" (na verdade, um estúdio) que produzia suas criações, cabendo à Image apenas tratar da impressão e da distribuição - sendo que, no início, como ela não tinha meios de fazer nem uma coisa, nem outra, a impressão e a distribuição caberiam a outra editora pequena, a Malibu Comics, que fez um contrato com a Image para que os quadrinhos das "mini-editoras" fossem impressos e distribuidos junto com os criados pela Malibu. No início, as seis "mini-editoras" - chamadas por alguns fãs de "selos" - da Image eram o Extreme Studios de Liefeld, a McFarlane Productions, a Highbrow Entertainment de Larsen, a Shadowline de Valetino, a WildStorm de Lee, e a Top Cow de Silvestri - Portacio só criaria seu Avalon Studios seis anos depois, inicialmente produzindo seus títulos pela WildStorm. Ao longo dos anos, a Image reuniria vários outros selos, como o Cliffhanger e a Skybound Entertainment, e cada um deles se desenvolveria de forma diferente - a Top Cow, hoje, é praticamente uma editora completa, inclusive imprimindo e distribuindo seus próprios títulos, com sua ligação com a Image sendo basicamente afetiva.
Pois bem, após aceitar o convite de McFarlane, fundar a Image e definir como seria o funcionamento da WildStorm, a primeira coisa que Lee faria seria entrar em contato com um amigo de infância, o roteirista Brandon Choi. Tanto Lee quanto Choi nasceram em Seul, na Coreia do Sul, e emigraram para os Estados Unidos quando crianças, acompanhando seus pais - Lee tinha 7 anos, Choi tinha apenas 2, mas ambos são da mesma idade, o que significa que Choi emigrou primeiro. Eles se conheceram na década de 1970 na igreja, que era frequentada pelos pais de ambos, segundo Choi, quando um dia ele viu Lee brincando com bonequinhos dos X-Men, que ninguém tinha na época, pediu para brincar também, e Lee o presenteou com um boneco do Anjo. Os dois logo se tornaram melhores amigos e, por coincidência, quando passaram para o middle school, o equivalente ao nosso segundo segmento do Ensino Fundamental, ficaram na mesma turma. Ambos, então, começaram a criar várias histórias de super-heróis, com Choi criando os enredos e Lee os personagens.
Lee seria mais bem sucedido que Choi ao perseguir seus sonhos, sendo contratado pela Marvel aos 23 anos, em 1987, para desenhar Alpha Flight, a revista da Tropa Alfa, passando em seguida para The Punisher War Journal, a revista secundária do Justiceiro, até parar na The Uncanny X-Men, onde trabalhava com Chris Claremont - as vendas nessa época seriam tão grandes que a Marvel daria aos dois uma revista totalmente nova, chamada apenas X-Men, com a Uncanny passando para outra equipe e as histórias de ambas se complementando. Choi, enquanto isso, não conseguiu ser contratado por nenhuma editora de quadrinhos e decidiu tentar a sorte no cinema, estando matriculado em um curso de roteirista quando Lee o telefonou e o convidou para trabalhar na WildStorm. A ideia de Lee era não somente retomar a parceria com o amigo, mas tentar fazer de uma forma profissional e oficial os quadrinhos que os dois inventavam quando crianças, o que deixou Choi extremamente empolgado.
Choi e Lee, então, começariam a revisar os enredos e personagens que haviam criado, para adequá-los ao que fazia sucesso nos anos 1990 e tornar tudo mais profissional. Devido à experiência de Lee com os X-Men, e ao sucesso da equipe dos mutantes, Lee decidiria que queria também fazer um grupo de heróis, ao invés de um herói solo. Sendo ambos fãs de ficção científica e tendo como filme favorito Blade Runner, Lee e Choi decidiriam começar por dois personagens originalmente inspirados por essa obra: Bandoleiro e Espartano. Bandoleiro era originalmente uma versão com superpoderes do personagem Deckard, interpretado por Harrison Ford; ele manteria a atitude e o sobretudo de Deckard, mas acabaria sendo transformado em um mercenário ao invés de um detetive; já Espartano seguiria sendo uma versão turbinada de um Replicante, um humano artificial, mas capaz de voar e lançar raios pelas mãos. Outros dois personagens antigos, Lacuna e Warblade, ganhariam modificações inspiradas pelo T-1000 de O Exterminador do Futuro 2, filme lançado pouco antes da fundação da Image; Lacuna ganharia um uniforme reflexivo semelhante à pele de metal líquido do androide, enquanto Warblade poderia transformar suas mãos em vários tipos de lâminas. O personagem que menos mudaria seria Marreta, ganhando apenas um novo nome - o original era Tusk - e uma história ligada à nova origem criada para a equipe.
Falando nisso, a moda nos anos 1990 era explorar a guerra entre o Céu e o Inferno; outro personagem superfamoso da Image, Spawn, foi criado especialmente com essa guerra em mente, e até Marvel e DC se enveredaram por esse caminho, com o Justiceiro durante um tempo sendo um agente do Céu que caçava demônios, e o personagem Constantine ganhando um título que explorava essa temática lançado pelo selo Vertigo. Lee também queria envolver seu grupo de heróis em uma guerra entre Céu e Inferno, mas Choi decidiria adaptar esse enredo para a ficção científica, criando duas raças alienígenas que vivem escondidas dos humanos na Terra, os kherubins e os demonitas. Os kherubins são praticamente idênticos aos humanos, mas têm cabelos brancos e jamais morrem de velhice, com os homens tendo poderes quânticos e as mulheres sendo extremamente fortes e ágeis; já os demonitas são monstruosos e só conseguem sobreviver se utilizarem um outro ser como hospedeiro, se valendo dessa tática para influenciar governos e organizações. Acidentalmente naufragados na Terra há milhares de anos, os demonitas buscam uma forma de trazer reforços de seu planeta natal para dominar o nosso, enquanto os kherubins os caçam e tentam acabar com sua ameaça.
Faltava apenas um detalhe: o primeiro grupo de heróis lançado pela Image seria o Youngblood, de Liefeld, cujos membros eram ligados à CIA ou ao governo dos Estados Unidos e viviam como celebridades, sendo tratados pela população como se fossem atores, cantores ou atletas de prestígio. Lee decidiria que seu grupo seria justamente o contrário, atuando das sombras e sem o conhecimento do grande públco - o que inclusive combinava com o conceito da "guerra secreta" entre demonitas e kherubins. Após definir essa característica, ele decidiria chamar a equipe de WildC.A.T.s, com "C.A.T.s" sendo uma sigla para Covert Action Teams, algo como "equipes de ação sigilosa" em inglês - nome que pode parecer meio estranho hoje, mas estava super dentro da moda nos quadrinhos nos anos 1990. Chamando o grupo de WildC.A.T.s, inclusive, Lee pôde batizar seu grupo seguinte de StormWatch - o que fazia com que as primeiras metades de cada um formassem o nome WildStorm.
A equipe original dos WildC.A.T.s é liderada por Lorde Emp, kherubim que perde a memória e vive anos dentre os humanos usando o nome de Jacob Marlowe. Após perder tudo, Emp vive como mendigo até ser encontrado por Lacuna, que era a cosmonauta russa Adrianna Tereshkova até seu corpo se fundir a um artefato alienígena conhecido apenas como Orbe, o que lhe deu o poder de ver o passado e o futuro simultaneamente ao presente e de teleportar a si mesma e a outros. Lacuna conta a Emp sobre a guerra entre os kherubins e demonitas e o ajuda a fundar a Corporação Halo, empresa presente em vários ramos de empreendimento, mas que na verdade é uma fachada para financiar os WildC.A.T.s e permitir que agentes demonitas sejam identificados e detidos. É a Halo a responsável por criar Hadrian-7, o ciborgue de codinome Espartano, que tem força e vigor sobre-humanos, pode voar, disparar raios pelas mãos, interagir com equipamentos eletrônicos e cuja consciência pode ser transferida para um novo corpo caso o que está sendo usado seja danificado além de qualquer reparo.
Quando Emp veio para a Terra, trouxe consigo uma guarda-costas, Lady Zannah, que adotou o codinome Devota. Após Emp perder a memória e desaparecer, Devota reuniu as demais kherubins da Terra e criou a Irmandade Coda, que iria treiná-las para a guerra contra os demonitas; infelizmente, algumas membros da Coda se mostraram traidoras e se aliaram aos inimigos, enquanto outras desvirtuaram os preceitos da sociedade kherubim, o que fez com que Devota decidisse deixar a ordem e vagar o mundo procurando por Emp. Enquanto fazia isso, ela decidiu treinar um aprendiz, Cole Cash, ex-agente do governo, ex-mercenário e ex-membro da equipe conhecida como Team 7, que ganhou poderes psiônicos limitados e uma resistência a lesões e fraturas que o torna praticamente imortal após ser submetido a experimentos de um projeto secreto do governo norte-americano chamado Projeto Gênese - mas o principal "poder" de Cash é sua exímia habilidade com armas de fogo, o que lhe valeu o codinome de Bandoleiro. Após anos contando apenas um com o outro, Devota e Bandoleiro decidem também se unir aos WildC.A.T.s após o ressurgimento de Emp.
Os outros três membros dos WildC.A.T.s inicialmente estão em treinamento. Um deles é Jeremy Stone, codinome Marreta, um híbrido humano/kherubim (mais tarde sofrendo um retcon e se tornando um híbrido de humano com uma raça alienígena chamada titanthrope) com o poder de aumentar de tamanho, com a significativa desvantagem de que, quanto mais ele aumenta, mais seu raciocínio fica prejudicado - vulgarmente falando, quanto maior, mais burro ele fica. Já Reno Bryce, codinome Warblade, também um híbrido humano/kherubim, pode transformar seu corpo em metal líquido, esticando seus membros e transformando suas mãos e pés em uma variedade de lâminas; no passado, Warblade teve ligações profundas com Ripclaw, herói criado por Silverstri e membro da equipe Cyber Force.
Finalmente, temos Priscilla Kitaen, codinome Vodu, uma híbrida humano/demonita, que entra para a equipe na primeira edição, após ser encomtrada por Bandoleiro trabalhando como stripper - ou melhor, "dançarina exótica", já que, até para os anos 1990, uma heroína stripper era um pouco demais. Vodu consegue enxergar quando um demonita está possuindo um humano, e, fazendo um gigantesco esforço, consegue expulsar o demonita do hospedeiro, normalmente matando o vilão no processo; isso faz com que ela seja um alvo preferencial dos demonitas, que a consideram um perigo para seus planos. Como ela nunca foi heroína na vida, tem que aprender a se virar durante as missões, sendo treinada nos intervalos por Devota e Espartano - com quem ela chega a desenvolver um romance.
O principal vilão de WildC.A.T.s é Helspont, demonita que, antes de vir à Terra, possui como hospedeiro um alienígena de raça desconhecida. Helspont planeja substituir membros-chave do governo dos Estados Unidos por demonitas, obtendo com isso os meios para trazer uma grande armada de seu planeta natal para dominar a Terra e exterminar os kherubins que estão aqui. Outros vilões criados por Lee incluem o Lanceiro, espécie de Deadpool do mal, um mercenário humano que se uniu aos demonitas; Providência, que ganhou o poder de ver o futuro após ter contato com um Orbe; Tapeçaria, que pode alterar memórias e tem um passado em comum com Devota; a telepata Miséria, que tem um passado em comum com Warblade e Ripclaw; e Gnomo, mafioso alienígena que planeja obter as Orbes para si, empregando os serviços de um trio de criminosos cohecido como Tríade, composto por Ática, mercenário que faz uso de armas e armaduras futuristas; Escória, mutante cujo corpo é feito de lava; e o robô Dano. Diversas kherubins treinadas pela Coda que decidem se aliar aos vilões, todas chamadas apenas de Coda, também aparecem nas histórias.
Assim como muitas das séries da Image, WildC.A.T.s - Covert Action Teams foi originalmente lançado, para "testar as águas", na forma de uma minissérie, com roteiros de Choi e arte de Lee, em quatro edições, entre agosto de 1992 e março de 1993. Em seguida, seria lançada outra minissérie, em três edições, entre junho e setembro de 1993, chamada WildC.A.T.s Trilogy; curiosamente sem a participação de Jim Lee, com roteiros de Choi e arte de Jae Lee, essa segunda minissérie trazia a primeira aparição da equipe Gen 13, estabelecia a Ilha de Themiscyra como a base da Irmandade Coda, e tinha como vilã uma Coda renegada chamada Ártemis, que planejava matar Devota. WildC.A.T.s Trilogy também traria a primeira aparição de Lorde Hightower, demonita que possuiu um humano e se valia de seu prestígio social para fazer avançar os planos dos alienígenas, sendo um adversário recorrente em muitas das edições seguintes.
O sucesso das minisséries levaria ao lançamento de uma série regular a partir de novembro de 1993, mas com a numeração continuando do 5, como se fosse a continuação da minissérie original. Acreditando que as chances de sucesso da Image seriam maiores caso existisse um "Universo Image", nos moldes do que faziam a Marvel e a DC, Lee negociaria com Liefeld e Silvestri a inclusão de seus personagens em histórias dos WildC.A.T.s: a minissérie original contaria com a participação do Youngblood, enquanto as três primeiras edições da série regular faziam parte da saga Instinto Assassino, sendo intercaladas com as edições de 1 a 3 da série regular de Cyber Force, explorando as relações entre Warblade, Ripclaw e Miséria, e colocando a Cyber Force, um grupo de mutantes ciborgues que enfrentavam uma mega corporação corrupta, para brigar contra os WildC.A.T.s - que, afinal de contas, era um grupo secreto, desconhecido pelos demais heróis.
Jim Lee seria o artista da série regular até a edição 13, quando sairia para se dedicar a Gen 13, Deathblow e Stormwatch; os roteiros da série regular começariam com Choi, mas logo vários roteiristas convidados, como Grant Morrison e Chris Claremont, também escreveriam suas próprias histórias dos WildC.A.T.s. Claremont seria responsável pelas edições de 10 a 13, com a 10 marcando a estreia de um personagem criado por ele, o Caçador - que, pelas regras da Image, pertenceria somente a ele, devendo haver uma autorização e compensação financeira caso algum outro roteirista quisesse utilizá-lo. Lee também aproveitaria essas últimas edições para introduzir novos personagens criados por ele, como Savant, irmã adotiva de Devota, que, ao invés de grande força física, possui uma inteligência fora do comum, além de uma bolsa com vários artefatos lendários, como as Botas de Sete Léguas e o Manto de Invisibilidade; e Majestic, kherubim que tem poderes semelhantes aos do Superman.
Após a saída de Lee, Larsen escreveria e desenharia a edição 14, com James Robinson e Travis Charest assumindo como roteirista e artista na 15. Na época, WildC.A.T.s já era um enorme sucesso, e a WildStorm decidiria apostar também em aventuras solo de seus membros, com Espartano ganhando uma minissérie em quatro edições, com roteiros de Kurt Busiek e arte de Mike McKone, chamada Spartan: Warrior Spirit, lançada entre julho e novembro de 1995, e Devota ganhando uma chamada Zealot, em três edições lançadas entre agosto e novembro, com roteiros de Ron Marz e arte de Terry Shoemaker. O passado em comum de Warblade e Ripclaw também voltaria a ser explorado na minissérie Warblade: Endangered Species, em quatro edições lançadas entre janeiro e abril de 1995, com roteiros de Steven Seagle e arte de Scott Clark.
Mas o personagem mais popular era sem dúvida o Bandoleiro, que, além de fazer team ups com outros personagens, incluindo Backlash, de Stormwatch, Bedrock, de Youngblood, Shi, criada por Billy Tucci para a editora Crusade, e até mesmo o Máskara, da editora Dark Horse, seria o astro de duas séries regulares, ambas chamada Grifter, a primeira com roteiros de Seagle e arte de Ryan Benjamin, que exploraria seu passado em dez edições, publicadas entre maio de 1995 e março de 1996, e a segunda, com numeração recomeçando do 1, com histórias ambientadas simultaneamente a suas aventuras com os WildC.A.T.s, em 14 edições publicadas enre julho de 1996 e agosto de 1997, com roteiros de Steven Grant e arte de Mel Rubi.
Também em 1995 seria lançada a minissérie Team One, com duas edições protagonizadas pelo Stormwatch, com roteiros de Seagle e arte de Tom Raney, e duas protagonizadas pelos WildC.A.T.s, com roteiros de Robinson e arte de Rich Johnson, lançadas entre junho e setembro, que exploravam as fundações do "Universo WildStorm"; esse conceito seria expandido na saga Wildstorm Rising, que se espalharia pelas edições publicadas em 1996 de WildC.A.T.s, Stormwatch, Gen 13, Grifter, Team 7, Union, Deathblow, Backlash e Wetworks (essa última criada por Portacio), e que, pouco a pouco, definiria o Universo Wildstorm como independente dos demais títulos da Image - embora o passado em comum de Warblade e Ripclaw jamais tenha sido oficialmente alterado.
Após o final da Wildstorm Rising, a equipe original dos WildC.A.T.s partiria para o planeta Khera, terra natal dos kherubins, e uma nova equipe ficaria na Terra, composta por Savant, Majestic, o humano artificial Tao, a punk ciborgue Ladytron, e o irmão do Bandoleiro, Max Profitt. Essa fase, que começaria na edição 21, seria escrita por Alan Moore e bastante elogiada. Moore encerraria a guerra entre os kherubins e os demonitas com a derrota total dos vilões, e colocaria seus WildC.A.T.s para enfrentar criminosos comuns, os distanciando cada vez mais dos demais heróis do Universo WildStorm; em determinado momento, entretanto, ele revelaria que Tao era um agente infiltrado dedicado à destruição do grupo, inclusive empregando a Tríade, e que a separação da equipe e a mudança de modus operandi faziam parte de seu plano.
Moore seguiria nos roteiros até a edição 34, escrevendo também o crossover Spawn/WildC.A.T.s, com arte de Scott Clark, em quatro edições publicadas entre janeiro e abril de 1996, e a minissérie Voodoo, com arte de Michael Lopez, na qual Vodu vai a Nova Orleans aprender sobre o verdadeiro vodu, em quatro edições publicadas entre novembro de 1997 e março de 1998. Moore seria substituído por Barbara Randall Kesel, que faria apenas duas edições antes do retorno de Choi, que estabeleceria a organização criminosa Puritanos como os novos vilões; Choi criaria uma nova equipe, formada por Bandoleiro, Max, Lacuna e uma antiga versão do Espartano, mais os novatos Mythos, um kherubim capaz de se mover tão rápido que os humanos não o conseguem ver; Olympia, uma marcenária demonita com treinamento Coda; e a Irmã Eva, noviça com o poder de controlar a energia do Caos. Essa equipe viajava no tempo para deter os Puritanos, cujo objetivo era também viajar no tempo para destruir todos os kherubins e demonitas que um dia já pisaram na Terra.
1997 também seria o ano do lançamento da primeira colaboração entre a WildStorm e a Marvel, WildC.A.T.s / X-Men, série especial em quatro edições lançadas em fevereiro, junho e agosto de 1997 e maio de 1998, a primeira e a última lançadas pela Image, as duas do meio pela Marvel. A rigor, WildC.A.T.s / X-Men não era uma minissérie, já que cada edição trazia uma história completa e independente; a princípio, inclusive, todas as edições trariam o número 1 na capa, mas a Marvel não concordou, e elas acabaram numeradas de 1 a 4. Na primeira edição, chamada The Golden Age, com roteiro de Scott Lobdell e arte de Travis Charest, Devota e Wolverine combatem nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para recuperar um artefato kherubim; na segunda, The Silver Age, com roteiro de Lobdell e arte de Jim Lee, Bandoleiro é convencido pela S.H.I.E.L.D. a embarcar em uma missão, durante a qual se encontra acidentalmente com Jean Grey, que está viajando sem o resto dos X-Men originais (Ciclope, Fera, Homem de Gelo e Anjo), e os dois acabam tendo de enfrentar uma aliança entre os demonitas e a Ninhada; na terceira, The Modern Age, com roteiro de James Robinson e arte de Adam Hughes, a segunda equipe dos X-Men (Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine, Noturno e Colossus) está investigando o desaparecimento de um jovem mutante que pode estar ligado ao Clube do Inferno, e acaba se aliando aos WildC.A.T.s, que tentam salvar Lorde Emp, sequestrado após ser convidado a se tornar membro do clube; e a última, The Dark Age, com roteiro de Warren Ellis e arte de Sean Parsons, é ambientada em um futuro distópico no qual os demonitas usaram Sentinelas para dominar o mundo, com os X-Men e WildC.A.T.s sobreviventes se unindo para tentar usar tecnologia de viagem no tempo para impedir que isso aconteça. Todas as quatro edições pressupõem que os WildC.A.T.s, os kherubim e os demonitas existem no Universo Marvel, o que se tornaria bem curioso após os eventos seguintes.
Desde 1996, Lee não estava satisfeito com a Image, principalmente porque, pelo modelo adotado pela editora, todos os custos de impressão e distribuição deveriam ser pagos pela WildStorm, e ele achava que o retorno financeiro das vendas das edições e dos direitos sobre os personagens já não estavam compensando os gastos. Após aceitar participar da saga Heróis Renascem, reinventando o Quarteto Fantástico e o Homem de Ferro para a Marvel, ele começaria a pensar seriamente em vender a WildStorm e voltar a ser apenas um artista contratado pela Marvel ou DC. Em 1998, a DC demonstraria interesse na compra, e Lee aceitaria, abrindo mão de todos os personagens que criou para a WildStorm, que passariam a ser todos de propriedade da Warner, dona da DC, em troca de uma polpuda soma em dinheiro e de um contrato para desenhar o Batman. A DC decidiria manter o Universo WildStorm como uma parte em separado do Universo DC, com o selo WildStorm atuando mais ou menos como o selo Vertigo, mas deixaria em aberto a possibilidade de personagens da WildStorm aparecerem nos títulos tradicionais da DC e vice-versa.
Embora a compra tenha ocorrido em 1998, o contrato de Lee com a DC estabelecia que a propriedade começaria a valer em janeiro de 1999; como a WildC.A.T.s chegaria em seu número 50 em junho de 1998, Lee decidiria encerrar a série, deixando o caminho livre para um reboot feito pela DC - ao contrário do que ocorreu com Gen 13, que seguiu sendo publicada sem interrupção, com a edição 36 saindo pela Image e a 37 pela DC. A nova WildCats, sem abreviação no cats, com numeração recomeçando do 1 e publicada pela DC, teria roteiros de Lobdell e arte de Charest, sendo lançada em março de 1999 e pegando a equipe em meio a um turbilhão emocional, retornando de uma missão na qual deu tudo errado e Devota aparentemente morreu.
Lobdell e Charest ficariam até a edição 7, sendo substituídos por Joe Casey e Sean Phillips, que começaram uma fase aclamada pela crítica, mas com vendas bastante baixas, na qual Espartano absorveu os poderes de Lacuna e Emp, e liderava uma nova equipe formada por Bandoleiro, Vodu, Marreta, Ladytron e Noir, um francês especialista em armas. O principal vilão dessa fase foi Samuel Smith, um assassino serial com poderes sobre-humanos. Ao todo, a WildCats da DC teria 28 edições, a última de dezembro de 2001, sendo cancelada por baixas vendas; durante o período, também seriam lançados vários one shots, como WildCats: Ladytron, que explorava o passado da personagem, o crossover WildCats/Aliens, e Wild Times: WildCats e Wild Times: Grifter, ambientados em realidades alternativas, além da série regular Mr. Majestic, com nove edições lançadas entre setembro de 1999 e maio de 2000.
A DC reinventaria os WildC.A.T.s na série para o público adulto WildCats Version 3.0, na qual Emp, que teve sua consicência transferida para o corpo de Espartano, decide usar a Corporação Halo para espalhar tecnologia avançada pelo mundo e melhorar a vida da humanidade. Com roteiros de Casey e arte de Dustin Nguyen, Duncan Rouleau, Francisco Ruiz Velasco, Pascual Ferry e Sean Phillips, a série teria 24 edições, lançadas entre outubro de 2002 e outubro de 2004, e terminaria com Devota voltando à equipe e a célula Coda criada por ela sendo destruída. Em seguida, Majestic ganharia uma nova minissérie, chamada apenas Majestic, com quatro edições lançadas entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, com uma nova série regular com 17 edições sendo publicada entre março de 2005 e julho de 2006. Majestic e Devota também seriam as estrelas de WildCats: Nemesis, com roteiros de Robbie Morrison e arte de Talent Caldwell e Horacio Domingues, em 9 edições lançadas entre novembro de 2005 e julho de 2006, na qual a vilã era uma Coda renegada chamada Nêmese, mais tarde reimaginada como uma anti-heroína.
Em 2005 também seria lançada a minissérie Captain Atom: Armageddon, na qual o Capitão Átomo fica acidentalmente preso no Universo WildStorm, com sua presença lá podendo levar à destruição; com a ajuda de uma nova Lacuna, ele retorna ao Universo DC, mas todo o Universo WildStorm é reformulado no processo - ou seja, a minissérie seria um pretexto para um grande reboot, que começaria com uma nova revista WildCats, com roteiro de Grant Morrison e arte de Jim Lee, lançada em dezembro de 2006 - e que seria cancelada após apenas uma edição. Os WildC.A.T.s, pela primeira vez, ficariam sem revista própria durante quase dois anos até retornar em uma nova série regular, mais uma vez chamada WildCats, ambientada em um futuro pós-apocalíptico, que até conseguiu fazer um relativo sucesso, tendo 30 edições lançadas entre setembro de 2008 e fevereiro de 2011.
Após a saga Renascimento, em 2017, o Universo WildStorm deixaria de existir, e os personagens da WildStorm seriam integrados ao Universo DC, com a Corporação Halo passando a fazer parte do universo do Batman. Os WildC.A.T.s, entretanto, só ganhariam uma nova revista muito tempo depois, mais de dez anos após o cancelamento da última. Chamada WildC.A.T.s - a primeira da DC na qual C.A.T. era uma abreviação - ela trazia uma equipe reunida pelo Bandoleiro para realizar missões em cantos inóspitos do Universo DC. Com roteiros de Matthew Rosenberg e arte de Stepehn Segovia, a última WildC.A.T.s teria 12 edições, publicadas entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024. Desde então, os WildC.A.T.s só fazem participações em histórias de outros heróis, principalmente do Batman, embora Helspont tenha enfrentado o Superman em algumas ocasiões.
Para terminar, vale dizer que, no auge de seu sucesso na década de 1990, os WildC.A.T.s foram astros de um desenho animado, criado para tentar competir com o dos X-Men. Criado por David Wise e produzido pela Nelvana, o desenho adaptava as primeiras histórias da equipe nos quadrinhos, mas atenuadas de forma que o desenho fosse "para toda a família". Exibido pela CBS, o desenho não faria muito sucesso e teria apenas uma temporada de 13 episódios, que foram ao ar entre 1 de outubro de 1994 e 21 de janeiro de 1995. Para promover o desenho, a WildStorm criaria uma série em quadrinhos, WildC.A.T.s Adventures, com 10 edições publicadas pela Image entre setembro de 1994 e junho de 1995, com roteiros de Jeff Mariotte e arte de Ty Templeton, cujas histórias não são consideradas oficiais para a cronologia dos WildC.A.T.s.





