Eu sou fã de Stephen King, mas raramente eu me animo a falar sobre alguma obra dele aqui no átomo - em parte porque, durante muito tempo, eu relutei em falar aqui sobre terror. Mas hoje eu me animei, e decidi falar sobre meu livro favorito dele - e sobre suas adaptações. Hoje é dia de It no átomo!
Lançado em 1986, It (que, no Brasil, também pode ser encontrado com o nome A Coisa) é um livro enorme (mais de mil páginas!) que conta uma história de forma não-linear, alternando entre dois períodos de tempo separados por 27 anos. Ele seria responsável por introduzir um dos vilões mais icônicos de todos os tempos - Pennywise, o Palhaço Dançarino - e por criar a impressão de que toda boa história de King é protagonizada por crianças. Por incrível que pareça, entretanto, quando de seu lançamento ele foi extremamente criticado, e ainda hoje há quem encontre vários defeitos, não o elencando dentre as maiores obras de King.
Ambientada na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, Estados Unidos, a história começa no ano de 1957, quando um menino de nome Georgie Denbrough desaparece durante uma tempestade. Georgie foi abduzido e morto por Pennywise, mas ninguém testemunhou o fato, e as autoridades classificam o caso como sequestro. Algum tempo depois, chega à cidade Ben Hanscom, menino gordinho que automaticamente se torna alvo do valentão da escola, Henry Bowers. Fugindo de Henry, Ben topa com Bill Denbrough, irmão mais velho de Georgie, que sofre de gagueira, e com o hipocondríaco Eddie Kaspbrak; se identificando como párias, os três decidem formar um grupo que chamam de Clube dos Perdedores, e que logo ganhará novos membros, todos párias como eles: Richie Tozier, que é boca-suja e abusado; o tímido judeu Stan Uris; Beverly Marsh, que é maltratada pelo pai; e o esperto Mike Hanlon, que sofre racismo por ser negro numa cidade majoritariamente branca.
Aos poucos, Pennywise passa a aterrorizar os Perdedores, aparecendo para eles em várias formas horripilantes através de ilusões que eles não conseguem diferenciar da realidade. Mike descobre que ele não é um palhaço, e sim uma entidade (supostamente alienígena) que possui total controle sobre a cidade de Derry, e a cada 27 anos retorna para se alimentar, causando alguma grande catástrofe e hibernando depois disso. A partir daí, a história passa a contar também eventos ocorridos em 1984, quando os Perdedores, já adultos e morando fora da cidade, precisam retornar a Derry para tentar deter Pennywise de uma vez por todas.
King teria a ideia para escrever o livro em 1978, quando morava com sua família na cidade de Boulder, no Colorado. Um dia, seu carro estava na oficina e ele decidiu ir buscá-lo a pé, passando por uma ponte de madeira que o lembrou da fábula norueguesa De tre bukkene Bruse, na qual três bodes vivem em um local com pouca grama, sendo que, do outro lado de uma ponte de madeira, há um pasto verdejante no qual eles poderiam se fartar, mas também um troll, que devora qualquer um que tente atravessar a ponte; os três bodes, então, decidem usar sua inteligência para derrotar o troll e tornar a ponte e o pasto seguros. Por alguma razão que só faz sentido na mente de King, ele começaria a imaginar como ficaria a história caso ocorresse na época atual e com seres humanos, e, após ler um poema de Marianne Moore, no qual ela fala sobre "jardins imaginários com sapos reais", teria a ideia de criar uma história com "um troll real em um jardim imaginário".
Envolvido com outros projetos, King não retomaria essa ideia até 1980, quando desenvolveria o conceito de intercalar as narrativas dos mesmos personagens quando adultos e quando crianças, usando também ideias que acumularia para outras histórias mas jamais usaria - como fatos sobrenaturais que teriam ocorrido durante a construção da rede de esgoto da cidade de Bangor, no Maine. King levaria cinco anos para terminar a história, da qual os principais temas são a perda da inocência infantil e a divergência entre necessidade e livre arbítrio; críticos também apontariam a importância que o status de pária dos Perdedores tem para a narrativa, considerando que suas vidas marginalizadas criam um clima de terror muito maior que as aparições de Pennywise.
It seria publicado pela primeira vez em 15 de setembro de 1986 pela editora Viking, sendo massacrado pela crítica, que considerou que não havia motivação suficiente para os Perdedores se reunirem novamente depois de adultos, e que as crianças, apesar de suas vidas miseráveis, eram retratadas como "perfeitas demais", o que tornava todas as partes do livro nas quais Pennywise não aparecia "frustrantes e tediosas". Um elemento que até hoje causa muita controvérsia é uma cena de sexo entre as crianças; King jamais deu nenhuma declaração direta sobre ela, com alguns críticos interpretando que ele quis dizer que uma das formas de se perder a inocência da infância é através do sexo, e outros indo ainda além e dizendo que a cena reflete que, uma vez tendo se tornado adulto, não há nada que se possa fazer para voltar a ser criança. Compreensivelmente, a cena não está em nenhuma das adaptações da obra, e até hoje gera discussão entre os que a consideram problemática e os que acham que ela é um dos pontos principais da história. Na Europa, o livro seria mais bem aceito pela crítica que nos Estados Unidos, ganhando o British Fantasy Award de 1987 e com a BBC o elegendo um dos 200 livros "mais amados" do século XX.
Mesmo desagradando a crítica, o livro seria um dos mais vendidos do ano - segundo a Publishers Weekly, publicação voltada a livreiros e bibliotecários, seria o livro de capa dura mais vendido de 1986 - e Pennywise seria eleito por várias publicações especializadas como um dos monstros mais aterrorizantes da literatura - mais recentemente, ele ganharia o título de "palhaço mais assustador da cultura pop". Esse desempenho logo faria com que vários estúdios procurassem King para conversar sobre uma adaptação, mas o tamanho do livro o tornava proibitivo para o cinema, e King não aceitava que a história fosse reduzida, resumida ou dividida de nenhuma forma. Restava, então, uma adaptação para a televisão.
Até então, apenas uma obra de King havia sido adaptada para a TV, A Hora do Vampiro, de 1975, que, em 1979, daria origem a uma minissérie em dois episódios exibidos pela CBS, dirigidos por Toby Hooper, de O Massacre da Serra Elétrica. Apesar de ser bastante fiel ao livro, e um grande sucesso de audiência, a minissérie não agradaria King, que, em 1983, declararia que os executivos da televisão tinham "o coração muito fraco" e muito pouca imaginação para "lidar com o horror de verdade". Quando começaram as conversas para que It fosse adaptado também para uma minissérie, King se mostraria cético, dizendo que a censura auto-imposta pela televisão jamais permitiria que fossem mostradas crianças em perigo; além disso, séries de terror dos anos 1980, como Sexta-Feira 13: O Legado (exibida originalmente no Brasil com o nome de Loja do Terror) e A Hora do Pesadelo: O Terror de Freddy Krueger costumavam ter baixo orçamento e efeitos especiais pífios, o que comprometeria muito as ilusões de Pennywise.
A ABC, entretanto, decidiria pagar para ver, e ofereceria a King uma soma fabulosa para que It fosse adaptado para uma minissérie com duração total entre oito e dez horas, algo que surpreenderia King, que, em entrevistas, diria achar impossível que o livro fosse adaptado para "quatro horas, mais comerciais". A ousadia da ABC era baseada em um tripé: primeiro, minisséries estavam fazendo grande sucesso na televisão norte-americana no final dos anos 1980, já que permitiam adaptações de livros considerados extensos demais para o cinema; segundo, a mais recente adaptação de uma obra de King para o cinema, Cemitério Maldito, de 1989, havia sido um imenso sucesso de bilheteria; e terceiro, It era protagonizado por crianças, assim como Conta Comigo, de 1986, outra adaptação de King de grande sucesso nos cinemas, que também gerou grande audiência quando exibida pela ABC. Algumas organizações se mostrariam preocupadas com a adaptação de uma obra de terror protagonizada por crianças para a televisão, meio no qual seria mais fácil que crianças a assistissem do que no cinema, onde há mais controle, mas a ABC prometeria focar mais nos aspectos de drama da história do que nos de terror, algo que também imaginava que contribuiria para a audîência, já que minisséries de drama estavam sendo bastante bem-sucedidas na época.
Inicialmente, a ABC convidaria George Romero, de A Noite dos Mortos Vivos, para dirigir a minissérie, que teria cinco episódios de duas horas cada, e seria ambientada em uma "cidadezinha do interior de Massachusetts" ao invés de em Derry. Romero se entregaria de corpo e alma à minissérie, chegando ele mesmo a desenhar alguns storyboards, mas acabaria desligado da produção sob a alegação de que ele estava se dedicando mais ao remake de A Noite dos Mortos Vivos do que a It - boatos diriam, entretanto, que Romero estava fazendo a minissérie "muito explícita" para a televisão, e que teria sido isso que desagradou a ABC.
Junto com Romero, a ABC contrataria o roterista Lawrence D. Cohen, responsável pelo roteiro do filme Carrie, a Estranha, também baseado em um livro de King. Cohen sugeriria que a minissérie tivesse cerca de três horas, divididas em dois episódios de cerca de uma hora e meia cada; ele não concordaria, porém, com a estrutura narrativa do livro, que fica indo e voltando, concentrando a história das crianças na primeira parte e a dos adultos na segunda - e trazendo a história para a data da minissérie, com a primeira parte ocorrendo em 1963 e a segunda em 1990. Após a saída de Romero, a ABC convidaria o diretor Tommy Lee Wallace, de Halloween, que jamais havia lido o livro, e preferiria ler o roteiro de Cohen sem fazê-lo, acreditando que isso o ajudaria a ser imparcial. Wallace acharia a segunda parte muito melodramática e sem o mesmo ritmo da primeira, e faria várias anotações de mudanças que gostaria que fossem feitas; Cohen, contudo, já estava envolvido com outros projetos, e não teria tempo para fazer as alterações, com o próprio Wallace decidindo fazê-las. No fim, Cohen seria creditado como o roteirista da primeira parte, e Wallace como o da segunda.
As filmagens durariam três meses, ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e custariam 12 milhões de dólares, o dobro do usual para uma minissérie em duas partes, segundo a ABC, para que a produção se parecesse com um filme de cinema. Muitas cenas seriam extremamente difíceis de se filmar, como a da explosão do balão no banheiro de Beverly, já que várias vezes ele explodiu antes do tempo, e a da perseguição nos esgotos, na qual os atores tinham de tomar cuidado para não se cortar em várias bordas enferrujadas; uma das cenas mais famosas, a do restaurante chinês, seria filmada sem que os atores soubessem o que iria acontecer, para que suas expressões de medo fossem genuínas. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Fantasy II, que já havia trabalhado em Cemitério Maldito, e seriam feitos quase em sua totalidade usando maquetes, bonecos e truques de câmera, já que a computação gráfica, na época, e principalmente na televisão, sairia caríssima e não teria o efeito desejado; ainda assim, algumas cenas teriam retoques de animação - usando uma técnica parecida com a do stop motion - ou digitais, como a cena na qual Pennywise sai de um álbum de fotografias.
Muitas cenas criadas por Wallace que chegaram até a ganhar storyboards tiveram de ser alteradas durante as filmagens porque seus efeitos especiais estourariam o orçamento. Wallace também se mostraria insatisfeito por ter de reduzir a profundidade de alguns personagens e cortar algumas das cenas mais famosas do livro, para não estourar o tempo total da minissérie, declarando que "o principal estava na tela, o resto são baixas de guerra". Enquanto a minissérie estava em produção, estrearia outra aposta da ABC, Twin Peaks, que também teria grande audiência e boas críticas; isso permitiria que alterações no roteiro fossem feitas para deixar It ainda mais fiel ao livro, com Wallace declarando que Twin Peaks estava provando que uma série "não precisa ser igual a todas as outras" para fazer sucesso, e que era possível sair do lugar-comum sem recorrer a violência extrema ou conteúdo sexual - ainda assim, ele se diria decepcionado por ter de deixar de fora a cena de sexo entre as crianças.
O visual de Pennywise seria criado pelo maquiador Bart Mixon, inspirado na caracterização feita pelo ator Lon Chaney para O Fantasma da Ópera, de 1925. Mixon começaria a trabalhar no conceito antes de o ator que interpretaria Pennywise fosse escolhido; Malcolm McDowell, Roddy McDowall e o cantor Alice Cooper seriam considerados para o papel, mas Wallace pediria que o palhaço fosse interpretado por Tim Curry, que não tinha experiência com filmes de terror - pelo contrário, ele era visto como um ator de comédia, o que inicialmente fez com que a ABC o rejeitasse - mas tinha experiência de sobra com maquiagem pesada e improvisação, dois fatores que o diretor considerava cruciais para o papel. Curry trabalharia com Mixon para que a maquiagem usasse o mínimo possível de próteses e látex, para que ele tivesse liberdade para suas expressões faciais; segundo Mixon, o resutado final seria surpreendente, e transformaria o ator em um "desenho vivo". Curry era sempre o primeiro a chegar no set, já que sua maquiagem e figurino levavam cerca de três horas para serem completados; uma vez "transformado", ele fazia questão de tratar os demais atores como se ele realmente fosse Pennywise, o que fazia com que todos procurassem se manter afastados dele o máximo possível - segundo um dos atores-mirins, ele teria dito querer que o medo deles fosse real durante as gravações. Com as crianças figurantes, porém, Curry fazia o contrário, sendo tão doce e engraçado com elas que algumas nem sabiam que estavam participando de um filme de terror - durante a gravação da cena no teatro, ocorreriam vários atrasos, durante os quais Curry cantava e dançava com as crianças.
No livro, Pennywise se transforma em vários outros personagens; muitos deles foram cortados da minissérie por questão de tempo, e os que foram mantidos, como o lobisomem e a cabeça na geladeira, exigiram muita criatividade da equipe de efeitos especiais. O mais problemático - e único que não podia ser cortado - foi a aranha, que consumiu 200 mil dólares do orçamento, 13 semanas para ficar pronta, e levou o presidente da Fantasy II a declarar que eles achavam que iam fazer "um filme de terror, não Jasão e o Velo de Ouro" - uma alusão ao filme de 1963 cheio de efeitos de stop motion criados por Ray Harryhausen. O resultado final media 75 m de comprimento, pesava 250 kg, seria considerado uma das criaturas mais impressionantes já feitas para uma produção da televisão, e quase não seria liberada pela alfândega canadense quando chegou à fronteira. O operador Brent Baker precisaria de três meses para aprender a movimentá-la corretamente, e a equipe completa responsável por trazê-la à vida contava com 15 pessoas, três delas somente para movimentar a cabeça por controle remoto. King ficaria desapontado com a aranha, que ganharia o apelido de "muppet do inferno" e hoje está guardada em um galpão em Houston, Texas.
Chamada no Brasil de It: Uma Obra-Prima do Medo, a minissérie seria exibida pela ABC em 18 e 20 de novembro de 1990, e seria um sucesso colossal, com a primeira parte tendo quase 30 milhões de espectadores e a segunda sendo o programa mais gravado do mês em VHS - no geral, a minissérie seria o terceiro programa de televisão mais assistido do ano, atrás apenas dos filmes Medalha de Honra, da Hallmark, exibido pela NBC, e The Incident, exibido pela CBS. It seria indicada para dois Emmys, perdendo o de Melhor Edição para uma Minissérie ou Especial de Uma Câmera, mas ganhando o de Melhor Composição Musical para uma Minissérie ou Especial de Drama, na primeira vez em que um compositor ganharia esse prêmio por uma obra de terror. Além de Curry como Pennywise, o elenco conta com Richard Thomas e Jonathan Brandis como Bill (adulto / criança, respectivamente, todos os atores eu vou escrever assim), Annette O'Toole e Emily Perkins como Beverly, John Ritter e Brandon Crane como Ben, Harry Anderson e Seth Green como Richie, Dennis Christopher e Adam Faraizl como Eddie, Tim Reid e Marlon Taylor como Mike, Richard Masur e Ben Heller como Stan, Michael Cole e Jarred Blancard como Henry, Olivia Hussey como Audra, e Tony Dakota como Georgie.
Durante anos, houve planos para uma nova adaptação de It para a televisão, com os projetos mais promissores sendo um da Warner, de 2004, para fazer um filme de duas horas, e um do Sci-Fi Channel, de 2006, para uma minissérie que totalizaria quatro horas. Em 2009, o roteirista David Kajganich, de Invasores, procuraria a Warner e se ofereceria para escrever um roteiro, mas para o cinema; a Warner decidiria apostar, inclusive permitindo que Kajganich escrevesse um filme R (proibido para menores de 18 anos), mas com a condição de que o roteiro tivesse no máximo 120 páginas e o filme em torno de duas horas. Kajganich toparia o desafio, decidindo trazer a história também para a década atual, ambientando a parte protagonizada pelas crianças na década de 1980; ele teria muita dificuldade, entretanto, para acomodar o grande número de personagens em duas épocas simultâneas nas 120 páginas exigidas pela Warner, entregando o cargo cerca de um ano depois.
A Warner, porém, decidiria levar o projeto adiante, e, em 2012, contrataria o diretor Cary Joji Fukunaga, que reescreveria o roteiro de Kajganich, mais tarde se tornando co-roteirista ao lado de Chase Palmer. Por razões fiscais, a Warner transferiria a produção para sua subsidiária New Line Cinema, a qual Fukunaga convenceria que condensar toda a história em um único filme de duas horas era impossível, sendo melhor o estúdio a fazer dois filmes, o primeiro somente com a parte das crianças, o segundo com a parte dos adultos. Fukunaga também assinaria apenas para dirigir o primeiro filme, embora estivesse disposto a co-escrever ambos. A pré-produção do primeiro filme começaria em fevereiro de 2015, com Fukunaga escolhendo Will Poulter para interpretar Pennywise, se dizendo impressionado com seu teste; ele também confirmaria que o filme seria ambientado na década de 1980, para que o segundo o fosse na época atual.
Em maio, porém, Fukunaga deixaria a produção, alegando que a New Line estava desrespeitando suas ideias e querendo reescrever o roteiro para transformar It em um "filme de horror convencional", algo que ele havia deixado bem claro desde o começo não ser o caso. Dois meses depois, a New Line anunciaria Andy Muschietti como diretor, com o roteiro sendo creditado a Palmer, Fukunaga e Gary Dauberman, que reescreveria as partes que não estavam agradando ao estúdio; Poulter deixaria o projeto logo depois, alegando conflito de data com outras filmagens com as quais já havia se comprometido, com Bill Skarsgård sendo escolhido para substituí-lo em junho de 2016, com a equipe de produção valorizando seu 1,92 m de altura, que contribuiria para que Pennywise se tornasse ainda mais assustador. Muschietti confirmaria que o filme receberia classificação R, que a primeira parte seria ambientada em 1989 e a segunda em 2016, e que ambos os filmes conteriam material novo, que não estava presente nem no livro, nem na minissérie; as transformações de Pennywise também seriam "atualizadas", já que, no livro e na minissérie, elas fazem referências a monstros do cinema, como a múmia e o lobisomem, em voga nos anos 1950, mas, para assustar crianças do fim dos anos 1980, seria necessária uma abordagem diferente.
As filmagens mais uma vez ocorreriam no Canadá, com a cidade de Port Hope servindo como Derry; algumas cenas e panorâmicas também seriam filmadas em Toronto e nas cidades de Oshawa e Riverdale, além de em Bangor, no Maine, e em Nova Iorque. O figurino de Pennywise, ao invés de uma roupa de palhaço tradicional, teria elementos de vestimentas do Renascimento e da Era Elisabetana, para refletir a idade avançada do personagem, mas tudo como se fosse uma roupa desenhada para uma boneca, e não para um adulto, para representar sua ligação com as crianças. A maior parte dos efeitos especiais ficaria a cargo da Rodeo FX, e seriam feitos através de computação gráfica, inclusive a aranha, que havia dado tanto trabalho à equipe da minissérie; a maquiagem de Pennywise, contudo, seria feita ao estilo tradicional pela Amalgamated Dynamics, pois Muschietti acreditava que ele assim ficaria mais sinistro, com apenas alguns retoques digitais sendo aplicados quando seus olhos ou boca assumiam características monstruosas.
Com o nome no Brasil de It: A Coisa e 135 minutos de duração, o filme estrearia em 5 de setembro de 2017 em 4103 salas dos Estados Unidos, um recorde para um filme de classificação R. Com orçamento de 40 milhões de dólares, quase nada se comparado a outras grandes produções da época, renderia 327,5 milhões nos Estados Unidos e quase 703 milhões somando o mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso. It se tornaria o filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, o filme de menor orçamento a ultrapassar 100 milhões na bilheteria, e a maior bilheteria dentre todas as adaptações de obras de King, superando O Iluminado, de 1980, algo que, durante muito tempo, foi considerado impossível. A crítica também seria extremamente positiva, elogiando o desempenho dos atores mirins, o roteiro, a fotografia e a trilha sonora, além da aclamada interpretação de Skarsgård. Muitos críticos apostaram em indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar, com alguns declarando que Skarsgård tinha chance como melhor ator, mas nenhuma veio.
A pré-produção do segundo filme começaria durante a pós-produção do primeiro, em julho de 2017, com Muschietti retornando como diretor e Dauberman como roteirista; Dauberman acabaria deixando o projeto para escrever e dirigir Annabelle 3: De Volta para Casa, com Jason Fuchs reescrevendo partes do roteiro, mas ainda assim seria creditado como único roteirista. A equipe de produção perguntaria aos atores mirins quais atores adultos eles gostariam que interpretassem seus personagens; todos os citados seriam convidados e fariam testes, com dois deles - Jessica Chastain, escolhida por Sophia Lillis, e Bill Hader, escolhido por Finn Wolfhard - de fato ficando com os papéis. As filmagens reaproveitariam muito do que foi preparado para o primeiro filme, com novos sets sendo construídos nos Estúdios Pinewood de Toronto.
Com o nome de It Chapter Two (It: Capítulo 2 no Brasil), o segundo filme estrearia em 6 de setembro de 2019, com menos estardalhaço que o primeiro: com orçamento de 80 milhões de dólares, renderia 211 milhões nos Estados Unidos e 473 milhões somando o mundo inteiro; curiosamente, ele se tornaria o segundo filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, atrás apenas de seu antecessor. A crítica ficaria dividida, ainda elogiando a atuação de Skarsgård, mas considerando o segundo filme menos assustador e inferior ao primeiro em termos de roteiro, ritmo e ambiente, e a interpretação dos adultos menos inspirada que a das crianças. Um dos principais problemas apontados pelo público e crítica seria a duração do filme, 169 minutos, ou 2 horas e 49 minutos, com um dos críticos dizendo que o filme era a prova de que "maior não necessariamente significa melhor".
O elenco de ambos os filmes conta com Bill Skarsgård como Pennywise; Jessica Chastain e Sophia Lillis como Beverly Marsh; James McAvoy e Jaeden Martell como Bill Denbrough; Bill Hader e Finn Wolfhard como Richie Tozier; Isaiah Mustafa e Chosen Jacobs como Mike Hanlon; Jay Ryan e Jeremy Ray Taylor como Ben Hanscom; James Ransone e Jack Dylan Grazer como Eddie Kaspbrak; Andy Bean e Wyatt Oleff como Stan Uris; Teach Grant e Nicholas Hamilton como Henry Bowers; Jackson Robert Scott como Georgie Denbrough; Molly Atkinson como Sonia e Myra, respectivamente mãe e esposa de Eddie; Stephen Bogaert como Alvin Marsh, pai de Beverly; Joe Bostick como o farmacêutico Sr. Keene; Juno Rinaldi e Megan Charpentier como sua filha, Greta; Janet Porter como Marge Tozier, mãe de Richie; Owen Teague como Patrick Hockstetter; Steven Williams como Leroy Hanlon, avô de Mike; Stuart Hughes como Butch Bowers, policial racista pai de Henry; e Joan Gregson como Ingrid Kersh, que vai morar no antigo apartamento de Beverly após ela se mudar. King faz uma participação especial no segundo filme como o dono de uma loja de penhores, e Muschietti faz uma como um cliente da farmácia.
Durante a produção do segundo filme, Muschietti e Fuchs discutiriam a possibilidade de realizar um terceiro filme; em entrevistas, Skarsgård declararia que a dificuldade estava no fato de que o segundo filme acaba onde o livro acaba, mas Dauberman diria que elementos do livro não usados nos dois filmes poderiam ser expandidos para se criar um terceiro, com uma história original. Na mesma entrevista, Skarsgård falaria sobre a possibilidade de "voltar no tempo" e fazer um filme ambientado antes dos acontecimentos do primeiro filme, algo que interessaria Muschietti, que achava que a origem de Pennywise, propositalmente jamais explorada por King, era uma das maiores lacunas do livro. Muschietti conversaria com a Warner sobre a possibilidade de fazer uma "prequência", um filme ambientado durante a aparição anterior de Pennywise, 27 anos antes dos eventos do primeiro filme, mas a pandemia acabaria adiando esse projeto indefinidamente.
Em março de 2022, seria anunciado que estava em produção não um terceiro filme, mas uma série, que exploraria as origens de Pennywise, com Muschietti como um dos diretores e Fuchs e Brad Caleb Kane como showrunners. Programada para estrear no serviço de streaming Max, a série seria ambientada em 1962, com flashbacks de 1935, 1908 e da época em que Pennywise, já estabelecido pelos dois filmes como uma entidade alienígena, chegou à Terra, revelando por que ele se parece com um palhaço e qual sua ligação com Derry. Fuchs decidiria que Pennywise chegaria à Terra antes de os colonizadores aportarem nos Estados Unidos, com os nativo-americanos tendo um papel central em sua história. A produção contrataria John Bear Mitchell, da Nação Penobscott, como consultor, para garantir que as tribos Wabanaki, que habitavam a região na época, fossem retratadas com fidelidade histórica e cultural.
Assim como no livro, os protagonistas da série são um grupo de crianças, e a história se põe em movimento por causa do desaparecimento de um menino. Fazem parte do grupo Will Hanlon, menino que acabou de se mudar para Derry e está tendo dificuldades de adaptação; Lilly Bainbridge, menina que, após a morte do pai em um acidente trágico, passou um tempo internada em um manicômio, e agora é vista como louca pela maior parte da população; Veronica Grogan, cujo pai trabalha no cinema da cidade e é acusado pelos assassinatos das vítimas de Pennywise por ser negro; Marge Truman, a melhor amiga de Lilly, que se divide entre a lealdade à amiga e o desejo de ser popular; e Rich Santos, descendente de cubanos que sofre bullying na escola. O principal antagonista não é Pennywise, e sim o General Francis Shaw, que teve contato com o palhaço alienígea na infância e agora retorna adulto com a brilhante ideia de capturá-lo e utilizá-lo como arma contra os soviéticos na Guerra Fria.
Com o nome de It: Welcome to Derry (It: Bem-Vindos a Derry no Brasil), a série teria um total de oito episódios, que, por decisão da Warner durante a pós-produção, estreariam no canal a cabo HBO entre 26 de outubro e 14 de dezembro de 2025, sendo adicionados ao catálogo do Max no dia seguinte à exibição de cada um. Os dois primeiros e os dois últimos episódios seriam dirigidos por Muschietti, com dois ficando com Andrew Bernstein, um com Emmanuel Osei-Kuffour Jr. e um com Jamie Travis. Fuchs escreveria o primeiro e o último episódios, co-escrevendo o penúltimo com Kane e o antepenúltimo com Kane e Cord Jefferson; os demais seriam de autoria de Kane, Guadalís Del Carmen & Gabe Hobson, Helen Shang e Austin Guzman. A história é original, mas, segundo Muschietti, seria baseada em detalhes contados entre os capítulos do livro. Muitos dos personagens são ligados aos do livro, com Marge sendo a futura mãe de Richie, e Will o futuro pai de Mike. As filmagens ocorreriam no Canadá, em Toronto, Hamilton e Port Hope, e sofreriam atrasos devido às greves dos atores e roteiristas em 2023; muitas cenas filmadas antes das greves teriam de ser refilmadas depois porque as crianças cresceram, e muitas das cenas ambientadas no verão tiveram de ser alteradas, já que as filmagens retornariam no inverno, para que a produção não ficasse ainda mais atrasada. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Rodeo FX.
O elenco conta com Taylour Paige como Charlotte Hanlon, mãe de Will e ativista pelos direitos dos negros e das mulheres; Jovan Adepo como Leroy Hanlon, piloto da força áerea, pai de Will e razão pela qual a família se muda para Derry; James Remar como o General Francis Shaw; Stephen Rider como Hank Grogan, pai de Veronica; Matilda Lawler como Marge; Amanda Christine como Veronica; Clara Stack como Lilly; Blake Cameron James como Will; Arian Cataya como Rich; Miles Ekhardt como Matty Clements, menino que desaparece no primeiro episódio, tido como a primeira vítima do retorno de Pennywise; Chris Chalk como Dick Hallorann (personagem também presente em O Iluminado e Doutor Sonho), militar com poderes psíquicos que ajuda Shaw a encontrar Pennywise; Peter Outerbridge como o chefe de polícia Clint Bowers; Madeleine Stowe como Ingrid Kersh, enfermeira que trabalha no manicômio onde Lilly foi internada; e Bill Skarsgård como Pennywise. Participações especiais incluem Rudy Mancuso como o Capitão Pauly Russo, melhor amigo de Leroy; Kimberly Guerrero como Rose, nativo-americana que conhece a história de Pennywise e foi amiga de Shaw na infância; Joshue Odjick como o sobrinho de Rose, Taniel; Jack Molloy Legault como Phil Malkin, e Mikkal Karim-Fidler como Teddy Uris, amigos que decidem investigar o desaparecimento de Matty; Diesel La Torraca e Violet Sutherland respectivamente como Shaw e Rose quando criança; e Tyner Rushing, Emma-Leigh Cullum e Joan Gregson como Ingrid em diferentes épocas. Sophia Lillis faz uma participação como Beverly no último episódio.
It: Bem-Vindos a Derry seria considerada um sucesso de público pela Warner, com sua estreia sendo a terceira de maior audiência no streaming no ano, atrás apenas de A Casa do Dragão e The Last of Us. A crítica elogiaria principalmente seu comentário social, sua ambientação e sua atmosfera, embora alguns tenham achado a violência excessiva e criticado a necessidade de se explicar todos os elementos da trama, "inclusive coisas que ninguém perguntou". A série seria indicada a dois Emmys, de Melhor Abertura e de Melhores Efeitos Especiais em uma Temporada ou Filme para a Televisão.
Embora a série conte uma história completa e tenha um final, a Warner encomendaria uma segunda temporada, com Muschietti declarando que sua produção só começará quando eles tiverem uma boa história, e que sua intenção é ambientar a segunda temporada durante a Grande Depressão, trazendo novos personagens, mas também versões mais jovens de personagens da primeira.
Para terminar, falta falar sobre a adaptação mais, digamos, curiosa de It, a série indiana Woh ("aquele"), com 52 episódios exibidos entre 4 de janeiro e 27 de dezembro de 1988 pela Zee TV. Quinze anos antes dos eventos da série, sete adolescentes que moram na cidade de Panchgani combateram uma força do mal chamada Woh, que assumiu a forma de um palhaço para sequestrar crianças, aprisionando-o em outra dimensão. Quando a série começa, Woh retorna, e os sete amigos, já adultos, decidem se reunir para destruí-lo de uma vez por todas. Nenhum dos produtores da série havia lido o livro, que também não era amplamente conhecido na Índia, então, embora algumas partes da história coincidam, a maior parte é nova e criada especificamente para a série - que não teve boa audiência e era frequentemente criticada por seus efeitos especiais pobres, então talvez tenha durado até mais do que deveria.
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Lançado em 1986, It (que, no Brasil, também pode ser encontrado com o nome A Coisa) é um livro enorme (mais de mil páginas!) que conta uma história de forma não-linear, alternando entre dois períodos de tempo separados por 27 anos. Ele seria responsável por introduzir um dos vilões mais icônicos de todos os tempos - Pennywise, o Palhaço Dançarino - e por criar a impressão de que toda boa história de King é protagonizada por crianças. Por incrível que pareça, entretanto, quando de seu lançamento ele foi extremamente criticado, e ainda hoje há quem encontre vários defeitos, não o elencando dentre as maiores obras de King.
Ambientada na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, Estados Unidos, a história começa no ano de 1957, quando um menino de nome Georgie Denbrough desaparece durante uma tempestade. Georgie foi abduzido e morto por Pennywise, mas ninguém testemunhou o fato, e as autoridades classificam o caso como sequestro. Algum tempo depois, chega à cidade Ben Hanscom, menino gordinho que automaticamente se torna alvo do valentão da escola, Henry Bowers. Fugindo de Henry, Ben topa com Bill Denbrough, irmão mais velho de Georgie, que sofre de gagueira, e com o hipocondríaco Eddie Kaspbrak; se identificando como párias, os três decidem formar um grupo que chamam de Clube dos Perdedores, e que logo ganhará novos membros, todos párias como eles: Richie Tozier, que é boca-suja e abusado; o tímido judeu Stan Uris; Beverly Marsh, que é maltratada pelo pai; e o esperto Mike Hanlon, que sofre racismo por ser negro numa cidade majoritariamente branca.
Aos poucos, Pennywise passa a aterrorizar os Perdedores, aparecendo para eles em várias formas horripilantes através de ilusões que eles não conseguem diferenciar da realidade. Mike descobre que ele não é um palhaço, e sim uma entidade (supostamente alienígena) que possui total controle sobre a cidade de Derry, e a cada 27 anos retorna para se alimentar, causando alguma grande catástrofe e hibernando depois disso. A partir daí, a história passa a contar também eventos ocorridos em 1984, quando os Perdedores, já adultos e morando fora da cidade, precisam retornar a Derry para tentar deter Pennywise de uma vez por todas.
King teria a ideia para escrever o livro em 1978, quando morava com sua família na cidade de Boulder, no Colorado. Um dia, seu carro estava na oficina e ele decidiu ir buscá-lo a pé, passando por uma ponte de madeira que o lembrou da fábula norueguesa De tre bukkene Bruse, na qual três bodes vivem em um local com pouca grama, sendo que, do outro lado de uma ponte de madeira, há um pasto verdejante no qual eles poderiam se fartar, mas também um troll, que devora qualquer um que tente atravessar a ponte; os três bodes, então, decidem usar sua inteligência para derrotar o troll e tornar a ponte e o pasto seguros. Por alguma razão que só faz sentido na mente de King, ele começaria a imaginar como ficaria a história caso ocorresse na época atual e com seres humanos, e, após ler um poema de Marianne Moore, no qual ela fala sobre "jardins imaginários com sapos reais", teria a ideia de criar uma história com "um troll real em um jardim imaginário".
Envolvido com outros projetos, King não retomaria essa ideia até 1980, quando desenvolveria o conceito de intercalar as narrativas dos mesmos personagens quando adultos e quando crianças, usando também ideias que acumularia para outras histórias mas jamais usaria - como fatos sobrenaturais que teriam ocorrido durante a construção da rede de esgoto da cidade de Bangor, no Maine. King levaria cinco anos para terminar a história, da qual os principais temas são a perda da inocência infantil e a divergência entre necessidade e livre arbítrio; críticos também apontariam a importância que o status de pária dos Perdedores tem para a narrativa, considerando que suas vidas marginalizadas criam um clima de terror muito maior que as aparições de Pennywise.
It seria publicado pela primeira vez em 15 de setembro de 1986 pela editora Viking, sendo massacrado pela crítica, que considerou que não havia motivação suficiente para os Perdedores se reunirem novamente depois de adultos, e que as crianças, apesar de suas vidas miseráveis, eram retratadas como "perfeitas demais", o que tornava todas as partes do livro nas quais Pennywise não aparecia "frustrantes e tediosas". Um elemento que até hoje causa muita controvérsia é uma cena de sexo entre as crianças; King jamais deu nenhuma declaração direta sobre ela, com alguns críticos interpretando que ele quis dizer que uma das formas de se perder a inocência da infância é através do sexo, e outros indo ainda além e dizendo que a cena reflete que, uma vez tendo se tornado adulto, não há nada que se possa fazer para voltar a ser criança. Compreensivelmente, a cena não está em nenhuma das adaptações da obra, e até hoje gera discussão entre os que a consideram problemática e os que acham que ela é um dos pontos principais da história. Na Europa, o livro seria mais bem aceito pela crítica que nos Estados Unidos, ganhando o British Fantasy Award de 1987 e com a BBC o elegendo um dos 200 livros "mais amados" do século XX.
Mesmo desagradando a crítica, o livro seria um dos mais vendidos do ano - segundo a Publishers Weekly, publicação voltada a livreiros e bibliotecários, seria o livro de capa dura mais vendido de 1986 - e Pennywise seria eleito por várias publicações especializadas como um dos monstros mais aterrorizantes da literatura - mais recentemente, ele ganharia o título de "palhaço mais assustador da cultura pop". Esse desempenho logo faria com que vários estúdios procurassem King para conversar sobre uma adaptação, mas o tamanho do livro o tornava proibitivo para o cinema, e King não aceitava que a história fosse reduzida, resumida ou dividida de nenhuma forma. Restava, então, uma adaptação para a televisão.
Até então, apenas uma obra de King havia sido adaptada para a TV, A Hora do Vampiro, de 1975, que, em 1979, daria origem a uma minissérie em dois episódios exibidos pela CBS, dirigidos por Toby Hooper, de O Massacre da Serra Elétrica. Apesar de ser bastante fiel ao livro, e um grande sucesso de audiência, a minissérie não agradaria King, que, em 1983, declararia que os executivos da televisão tinham "o coração muito fraco" e muito pouca imaginação para "lidar com o horror de verdade". Quando começaram as conversas para que It fosse adaptado também para uma minissérie, King se mostraria cético, dizendo que a censura auto-imposta pela televisão jamais permitiria que fossem mostradas crianças em perigo; além disso, séries de terror dos anos 1980, como Sexta-Feira 13: O Legado (exibida originalmente no Brasil com o nome de Loja do Terror) e A Hora do Pesadelo: O Terror de Freddy Krueger costumavam ter baixo orçamento e efeitos especiais pífios, o que comprometeria muito as ilusões de Pennywise.
A ABC, entretanto, decidiria pagar para ver, e ofereceria a King uma soma fabulosa para que It fosse adaptado para uma minissérie com duração total entre oito e dez horas, algo que surpreenderia King, que, em entrevistas, diria achar impossível que o livro fosse adaptado para "quatro horas, mais comerciais". A ousadia da ABC era baseada em um tripé: primeiro, minisséries estavam fazendo grande sucesso na televisão norte-americana no final dos anos 1980, já que permitiam adaptações de livros considerados extensos demais para o cinema; segundo, a mais recente adaptação de uma obra de King para o cinema, Cemitério Maldito, de 1989, havia sido um imenso sucesso de bilheteria; e terceiro, It era protagonizado por crianças, assim como Conta Comigo, de 1986, outra adaptação de King de grande sucesso nos cinemas, que também gerou grande audiência quando exibida pela ABC. Algumas organizações se mostrariam preocupadas com a adaptação de uma obra de terror protagonizada por crianças para a televisão, meio no qual seria mais fácil que crianças a assistissem do que no cinema, onde há mais controle, mas a ABC prometeria focar mais nos aspectos de drama da história do que nos de terror, algo que também imaginava que contribuiria para a audîência, já que minisséries de drama estavam sendo bastante bem-sucedidas na época.
Inicialmente, a ABC convidaria George Romero, de A Noite dos Mortos Vivos, para dirigir a minissérie, que teria cinco episódios de duas horas cada, e seria ambientada em uma "cidadezinha do interior de Massachusetts" ao invés de em Derry. Romero se entregaria de corpo e alma à minissérie, chegando ele mesmo a desenhar alguns storyboards, mas acabaria desligado da produção sob a alegação de que ele estava se dedicando mais ao remake de A Noite dos Mortos Vivos do que a It - boatos diriam, entretanto, que Romero estava fazendo a minissérie "muito explícita" para a televisão, e que teria sido isso que desagradou a ABC.
Junto com Romero, a ABC contrataria o roterista Lawrence D. Cohen, responsável pelo roteiro do filme Carrie, a Estranha, também baseado em um livro de King. Cohen sugeriria que a minissérie tivesse cerca de três horas, divididas em dois episódios de cerca de uma hora e meia cada; ele não concordaria, porém, com a estrutura narrativa do livro, que fica indo e voltando, concentrando a história das crianças na primeira parte e a dos adultos na segunda - e trazendo a história para a data da minissérie, com a primeira parte ocorrendo em 1963 e a segunda em 1990. Após a saída de Romero, a ABC convidaria o diretor Tommy Lee Wallace, de Halloween, que jamais havia lido o livro, e preferiria ler o roteiro de Cohen sem fazê-lo, acreditando que isso o ajudaria a ser imparcial. Wallace acharia a segunda parte muito melodramática e sem o mesmo ritmo da primeira, e faria várias anotações de mudanças que gostaria que fossem feitas; Cohen, contudo, já estava envolvido com outros projetos, e não teria tempo para fazer as alterações, com o próprio Wallace decidindo fazê-las. No fim, Cohen seria creditado como o roteirista da primeira parte, e Wallace como o da segunda.
As filmagens durariam três meses, ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e custariam 12 milhões de dólares, o dobro do usual para uma minissérie em duas partes, segundo a ABC, para que a produção se parecesse com um filme de cinema. Muitas cenas seriam extremamente difíceis de se filmar, como a da explosão do balão no banheiro de Beverly, já que várias vezes ele explodiu antes do tempo, e a da perseguição nos esgotos, na qual os atores tinham de tomar cuidado para não se cortar em várias bordas enferrujadas; uma das cenas mais famosas, a do restaurante chinês, seria filmada sem que os atores soubessem o que iria acontecer, para que suas expressões de medo fossem genuínas. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Fantasy II, que já havia trabalhado em Cemitério Maldito, e seriam feitos quase em sua totalidade usando maquetes, bonecos e truques de câmera, já que a computação gráfica, na época, e principalmente na televisão, sairia caríssima e não teria o efeito desejado; ainda assim, algumas cenas teriam retoques de animação - usando uma técnica parecida com a do stop motion - ou digitais, como a cena na qual Pennywise sai de um álbum de fotografias.
Muitas cenas criadas por Wallace que chegaram até a ganhar storyboards tiveram de ser alteradas durante as filmagens porque seus efeitos especiais estourariam o orçamento. Wallace também se mostraria insatisfeito por ter de reduzir a profundidade de alguns personagens e cortar algumas das cenas mais famosas do livro, para não estourar o tempo total da minissérie, declarando que "o principal estava na tela, o resto são baixas de guerra". Enquanto a minissérie estava em produção, estrearia outra aposta da ABC, Twin Peaks, que também teria grande audiência e boas críticas; isso permitiria que alterações no roteiro fossem feitas para deixar It ainda mais fiel ao livro, com Wallace declarando que Twin Peaks estava provando que uma série "não precisa ser igual a todas as outras" para fazer sucesso, e que era possível sair do lugar-comum sem recorrer a violência extrema ou conteúdo sexual - ainda assim, ele se diria decepcionado por ter de deixar de fora a cena de sexo entre as crianças.
O visual de Pennywise seria criado pelo maquiador Bart Mixon, inspirado na caracterização feita pelo ator Lon Chaney para O Fantasma da Ópera, de 1925. Mixon começaria a trabalhar no conceito antes de o ator que interpretaria Pennywise fosse escolhido; Malcolm McDowell, Roddy McDowall e o cantor Alice Cooper seriam considerados para o papel, mas Wallace pediria que o palhaço fosse interpretado por Tim Curry, que não tinha experiência com filmes de terror - pelo contrário, ele era visto como um ator de comédia, o que inicialmente fez com que a ABC o rejeitasse - mas tinha experiência de sobra com maquiagem pesada e improvisação, dois fatores que o diretor considerava cruciais para o papel. Curry trabalharia com Mixon para que a maquiagem usasse o mínimo possível de próteses e látex, para que ele tivesse liberdade para suas expressões faciais; segundo Mixon, o resutado final seria surpreendente, e transformaria o ator em um "desenho vivo". Curry era sempre o primeiro a chegar no set, já que sua maquiagem e figurino levavam cerca de três horas para serem completados; uma vez "transformado", ele fazia questão de tratar os demais atores como se ele realmente fosse Pennywise, o que fazia com que todos procurassem se manter afastados dele o máximo possível - segundo um dos atores-mirins, ele teria dito querer que o medo deles fosse real durante as gravações. Com as crianças figurantes, porém, Curry fazia o contrário, sendo tão doce e engraçado com elas que algumas nem sabiam que estavam participando de um filme de terror - durante a gravação da cena no teatro, ocorreriam vários atrasos, durante os quais Curry cantava e dançava com as crianças.
No livro, Pennywise se transforma em vários outros personagens; muitos deles foram cortados da minissérie por questão de tempo, e os que foram mantidos, como o lobisomem e a cabeça na geladeira, exigiram muita criatividade da equipe de efeitos especiais. O mais problemático - e único que não podia ser cortado - foi a aranha, que consumiu 200 mil dólares do orçamento, 13 semanas para ficar pronta, e levou o presidente da Fantasy II a declarar que eles achavam que iam fazer "um filme de terror, não Jasão e o Velo de Ouro" - uma alusão ao filme de 1963 cheio de efeitos de stop motion criados por Ray Harryhausen. O resultado final media 75 m de comprimento, pesava 250 kg, seria considerado uma das criaturas mais impressionantes já feitas para uma produção da televisão, e quase não seria liberada pela alfândega canadense quando chegou à fronteira. O operador Brent Baker precisaria de três meses para aprender a movimentá-la corretamente, e a equipe completa responsável por trazê-la à vida contava com 15 pessoas, três delas somente para movimentar a cabeça por controle remoto. King ficaria desapontado com a aranha, que ganharia o apelido de "muppet do inferno" e hoje está guardada em um galpão em Houston, Texas.
Chamada no Brasil de It: Uma Obra-Prima do Medo, a minissérie seria exibida pela ABC em 18 e 20 de novembro de 1990, e seria um sucesso colossal, com a primeira parte tendo quase 30 milhões de espectadores e a segunda sendo o programa mais gravado do mês em VHS - no geral, a minissérie seria o terceiro programa de televisão mais assistido do ano, atrás apenas dos filmes Medalha de Honra, da Hallmark, exibido pela NBC, e The Incident, exibido pela CBS. It seria indicada para dois Emmys, perdendo o de Melhor Edição para uma Minissérie ou Especial de Uma Câmera, mas ganhando o de Melhor Composição Musical para uma Minissérie ou Especial de Drama, na primeira vez em que um compositor ganharia esse prêmio por uma obra de terror. Além de Curry como Pennywise, o elenco conta com Richard Thomas e Jonathan Brandis como Bill (adulto / criança, respectivamente, todos os atores eu vou escrever assim), Annette O'Toole e Emily Perkins como Beverly, John Ritter e Brandon Crane como Ben, Harry Anderson e Seth Green como Richie, Dennis Christopher e Adam Faraizl como Eddie, Tim Reid e Marlon Taylor como Mike, Richard Masur e Ben Heller como Stan, Michael Cole e Jarred Blancard como Henry, Olivia Hussey como Audra, e Tony Dakota como Georgie.
Durante anos, houve planos para uma nova adaptação de It para a televisão, com os projetos mais promissores sendo um da Warner, de 2004, para fazer um filme de duas horas, e um do Sci-Fi Channel, de 2006, para uma minissérie que totalizaria quatro horas. Em 2009, o roteirista David Kajganich, de Invasores, procuraria a Warner e se ofereceria para escrever um roteiro, mas para o cinema; a Warner decidiria apostar, inclusive permitindo que Kajganich escrevesse um filme R (proibido para menores de 18 anos), mas com a condição de que o roteiro tivesse no máximo 120 páginas e o filme em torno de duas horas. Kajganich toparia o desafio, decidindo trazer a história também para a década atual, ambientando a parte protagonizada pelas crianças na década de 1980; ele teria muita dificuldade, entretanto, para acomodar o grande número de personagens em duas épocas simultâneas nas 120 páginas exigidas pela Warner, entregando o cargo cerca de um ano depois.
A Warner, porém, decidiria levar o projeto adiante, e, em 2012, contrataria o diretor Cary Joji Fukunaga, que reescreveria o roteiro de Kajganich, mais tarde se tornando co-roteirista ao lado de Chase Palmer. Por razões fiscais, a Warner transferiria a produção para sua subsidiária New Line Cinema, a qual Fukunaga convenceria que condensar toda a história em um único filme de duas horas era impossível, sendo melhor o estúdio a fazer dois filmes, o primeiro somente com a parte das crianças, o segundo com a parte dos adultos. Fukunaga também assinaria apenas para dirigir o primeiro filme, embora estivesse disposto a co-escrever ambos. A pré-produção do primeiro filme começaria em fevereiro de 2015, com Fukunaga escolhendo Will Poulter para interpretar Pennywise, se dizendo impressionado com seu teste; ele também confirmaria que o filme seria ambientado na década de 1980, para que o segundo o fosse na época atual.
Em maio, porém, Fukunaga deixaria a produção, alegando que a New Line estava desrespeitando suas ideias e querendo reescrever o roteiro para transformar It em um "filme de horror convencional", algo que ele havia deixado bem claro desde o começo não ser o caso. Dois meses depois, a New Line anunciaria Andy Muschietti como diretor, com o roteiro sendo creditado a Palmer, Fukunaga e Gary Dauberman, que reescreveria as partes que não estavam agradando ao estúdio; Poulter deixaria o projeto logo depois, alegando conflito de data com outras filmagens com as quais já havia se comprometido, com Bill Skarsgård sendo escolhido para substituí-lo em junho de 2016, com a equipe de produção valorizando seu 1,92 m de altura, que contribuiria para que Pennywise se tornasse ainda mais assustador. Muschietti confirmaria que o filme receberia classificação R, que a primeira parte seria ambientada em 1989 e a segunda em 2016, e que ambos os filmes conteriam material novo, que não estava presente nem no livro, nem na minissérie; as transformações de Pennywise também seriam "atualizadas", já que, no livro e na minissérie, elas fazem referências a monstros do cinema, como a múmia e o lobisomem, em voga nos anos 1950, mas, para assustar crianças do fim dos anos 1980, seria necessária uma abordagem diferente.
As filmagens mais uma vez ocorreriam no Canadá, com a cidade de Port Hope servindo como Derry; algumas cenas e panorâmicas também seriam filmadas em Toronto e nas cidades de Oshawa e Riverdale, além de em Bangor, no Maine, e em Nova Iorque. O figurino de Pennywise, ao invés de uma roupa de palhaço tradicional, teria elementos de vestimentas do Renascimento e da Era Elisabetana, para refletir a idade avançada do personagem, mas tudo como se fosse uma roupa desenhada para uma boneca, e não para um adulto, para representar sua ligação com as crianças. A maior parte dos efeitos especiais ficaria a cargo da Rodeo FX, e seriam feitos através de computação gráfica, inclusive a aranha, que havia dado tanto trabalho à equipe da minissérie; a maquiagem de Pennywise, contudo, seria feita ao estilo tradicional pela Amalgamated Dynamics, pois Muschietti acreditava que ele assim ficaria mais sinistro, com apenas alguns retoques digitais sendo aplicados quando seus olhos ou boca assumiam características monstruosas.
Com o nome no Brasil de It: A Coisa e 135 minutos de duração, o filme estrearia em 5 de setembro de 2017 em 4103 salas dos Estados Unidos, um recorde para um filme de classificação R. Com orçamento de 40 milhões de dólares, quase nada se comparado a outras grandes produções da época, renderia 327,5 milhões nos Estados Unidos e quase 703 milhões somando o mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso. It se tornaria o filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, o filme de menor orçamento a ultrapassar 100 milhões na bilheteria, e a maior bilheteria dentre todas as adaptações de obras de King, superando O Iluminado, de 1980, algo que, durante muito tempo, foi considerado impossível. A crítica também seria extremamente positiva, elogiando o desempenho dos atores mirins, o roteiro, a fotografia e a trilha sonora, além da aclamada interpretação de Skarsgård. Muitos críticos apostaram em indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar, com alguns declarando que Skarsgård tinha chance como melhor ator, mas nenhuma veio.
A pré-produção do segundo filme começaria durante a pós-produção do primeiro, em julho de 2017, com Muschietti retornando como diretor e Dauberman como roteirista; Dauberman acabaria deixando o projeto para escrever e dirigir Annabelle 3: De Volta para Casa, com Jason Fuchs reescrevendo partes do roteiro, mas ainda assim seria creditado como único roteirista. A equipe de produção perguntaria aos atores mirins quais atores adultos eles gostariam que interpretassem seus personagens; todos os citados seriam convidados e fariam testes, com dois deles - Jessica Chastain, escolhida por Sophia Lillis, e Bill Hader, escolhido por Finn Wolfhard - de fato ficando com os papéis. As filmagens reaproveitariam muito do que foi preparado para o primeiro filme, com novos sets sendo construídos nos Estúdios Pinewood de Toronto.
Com o nome de It Chapter Two (It: Capítulo 2 no Brasil), o segundo filme estrearia em 6 de setembro de 2019, com menos estardalhaço que o primeiro: com orçamento de 80 milhões de dólares, renderia 211 milhões nos Estados Unidos e 473 milhões somando o mundo inteiro; curiosamente, ele se tornaria o segundo filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, atrás apenas de seu antecessor. A crítica ficaria dividida, ainda elogiando a atuação de Skarsgård, mas considerando o segundo filme menos assustador e inferior ao primeiro em termos de roteiro, ritmo e ambiente, e a interpretação dos adultos menos inspirada que a das crianças. Um dos principais problemas apontados pelo público e crítica seria a duração do filme, 169 minutos, ou 2 horas e 49 minutos, com um dos críticos dizendo que o filme era a prova de que "maior não necessariamente significa melhor".
O elenco de ambos os filmes conta com Bill Skarsgård como Pennywise; Jessica Chastain e Sophia Lillis como Beverly Marsh; James McAvoy e Jaeden Martell como Bill Denbrough; Bill Hader e Finn Wolfhard como Richie Tozier; Isaiah Mustafa e Chosen Jacobs como Mike Hanlon; Jay Ryan e Jeremy Ray Taylor como Ben Hanscom; James Ransone e Jack Dylan Grazer como Eddie Kaspbrak; Andy Bean e Wyatt Oleff como Stan Uris; Teach Grant e Nicholas Hamilton como Henry Bowers; Jackson Robert Scott como Georgie Denbrough; Molly Atkinson como Sonia e Myra, respectivamente mãe e esposa de Eddie; Stephen Bogaert como Alvin Marsh, pai de Beverly; Joe Bostick como o farmacêutico Sr. Keene; Juno Rinaldi e Megan Charpentier como sua filha, Greta; Janet Porter como Marge Tozier, mãe de Richie; Owen Teague como Patrick Hockstetter; Steven Williams como Leroy Hanlon, avô de Mike; Stuart Hughes como Butch Bowers, policial racista pai de Henry; e Joan Gregson como Ingrid Kersh, que vai morar no antigo apartamento de Beverly após ela se mudar. King faz uma participação especial no segundo filme como o dono de uma loja de penhores, e Muschietti faz uma como um cliente da farmácia.
Durante a produção do segundo filme, Muschietti e Fuchs discutiriam a possibilidade de realizar um terceiro filme; em entrevistas, Skarsgård declararia que a dificuldade estava no fato de que o segundo filme acaba onde o livro acaba, mas Dauberman diria que elementos do livro não usados nos dois filmes poderiam ser expandidos para se criar um terceiro, com uma história original. Na mesma entrevista, Skarsgård falaria sobre a possibilidade de "voltar no tempo" e fazer um filme ambientado antes dos acontecimentos do primeiro filme, algo que interessaria Muschietti, que achava que a origem de Pennywise, propositalmente jamais explorada por King, era uma das maiores lacunas do livro. Muschietti conversaria com a Warner sobre a possibilidade de fazer uma "prequência", um filme ambientado durante a aparição anterior de Pennywise, 27 anos antes dos eventos do primeiro filme, mas a pandemia acabaria adiando esse projeto indefinidamente.
Em março de 2022, seria anunciado que estava em produção não um terceiro filme, mas uma série, que exploraria as origens de Pennywise, com Muschietti como um dos diretores e Fuchs e Brad Caleb Kane como showrunners. Programada para estrear no serviço de streaming Max, a série seria ambientada em 1962, com flashbacks de 1935, 1908 e da época em que Pennywise, já estabelecido pelos dois filmes como uma entidade alienígena, chegou à Terra, revelando por que ele se parece com um palhaço e qual sua ligação com Derry. Fuchs decidiria que Pennywise chegaria à Terra antes de os colonizadores aportarem nos Estados Unidos, com os nativo-americanos tendo um papel central em sua história. A produção contrataria John Bear Mitchell, da Nação Penobscott, como consultor, para garantir que as tribos Wabanaki, que habitavam a região na época, fossem retratadas com fidelidade histórica e cultural.
Assim como no livro, os protagonistas da série são um grupo de crianças, e a história se põe em movimento por causa do desaparecimento de um menino. Fazem parte do grupo Will Hanlon, menino que acabou de se mudar para Derry e está tendo dificuldades de adaptação; Lilly Bainbridge, menina que, após a morte do pai em um acidente trágico, passou um tempo internada em um manicômio, e agora é vista como louca pela maior parte da população; Veronica Grogan, cujo pai trabalha no cinema da cidade e é acusado pelos assassinatos das vítimas de Pennywise por ser negro; Marge Truman, a melhor amiga de Lilly, que se divide entre a lealdade à amiga e o desejo de ser popular; e Rich Santos, descendente de cubanos que sofre bullying na escola. O principal antagonista não é Pennywise, e sim o General Francis Shaw, que teve contato com o palhaço alienígea na infância e agora retorna adulto com a brilhante ideia de capturá-lo e utilizá-lo como arma contra os soviéticos na Guerra Fria.
Com o nome de It: Welcome to Derry (It: Bem-Vindos a Derry no Brasil), a série teria um total de oito episódios, que, por decisão da Warner durante a pós-produção, estreariam no canal a cabo HBO entre 26 de outubro e 14 de dezembro de 2025, sendo adicionados ao catálogo do Max no dia seguinte à exibição de cada um. Os dois primeiros e os dois últimos episódios seriam dirigidos por Muschietti, com dois ficando com Andrew Bernstein, um com Emmanuel Osei-Kuffour Jr. e um com Jamie Travis. Fuchs escreveria o primeiro e o último episódios, co-escrevendo o penúltimo com Kane e o antepenúltimo com Kane e Cord Jefferson; os demais seriam de autoria de Kane, Guadalís Del Carmen & Gabe Hobson, Helen Shang e Austin Guzman. A história é original, mas, segundo Muschietti, seria baseada em detalhes contados entre os capítulos do livro. Muitos dos personagens são ligados aos do livro, com Marge sendo a futura mãe de Richie, e Will o futuro pai de Mike. As filmagens ocorreriam no Canadá, em Toronto, Hamilton e Port Hope, e sofreriam atrasos devido às greves dos atores e roteiristas em 2023; muitas cenas filmadas antes das greves teriam de ser refilmadas depois porque as crianças cresceram, e muitas das cenas ambientadas no verão tiveram de ser alteradas, já que as filmagens retornariam no inverno, para que a produção não ficasse ainda mais atrasada. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Rodeo FX.
O elenco conta com Taylour Paige como Charlotte Hanlon, mãe de Will e ativista pelos direitos dos negros e das mulheres; Jovan Adepo como Leroy Hanlon, piloto da força áerea, pai de Will e razão pela qual a família se muda para Derry; James Remar como o General Francis Shaw; Stephen Rider como Hank Grogan, pai de Veronica; Matilda Lawler como Marge; Amanda Christine como Veronica; Clara Stack como Lilly; Blake Cameron James como Will; Arian Cataya como Rich; Miles Ekhardt como Matty Clements, menino que desaparece no primeiro episódio, tido como a primeira vítima do retorno de Pennywise; Chris Chalk como Dick Hallorann (personagem também presente em O Iluminado e Doutor Sonho), militar com poderes psíquicos que ajuda Shaw a encontrar Pennywise; Peter Outerbridge como o chefe de polícia Clint Bowers; Madeleine Stowe como Ingrid Kersh, enfermeira que trabalha no manicômio onde Lilly foi internada; e Bill Skarsgård como Pennywise. Participações especiais incluem Rudy Mancuso como o Capitão Pauly Russo, melhor amigo de Leroy; Kimberly Guerrero como Rose, nativo-americana que conhece a história de Pennywise e foi amiga de Shaw na infância; Joshue Odjick como o sobrinho de Rose, Taniel; Jack Molloy Legault como Phil Malkin, e Mikkal Karim-Fidler como Teddy Uris, amigos que decidem investigar o desaparecimento de Matty; Diesel La Torraca e Violet Sutherland respectivamente como Shaw e Rose quando criança; e Tyner Rushing, Emma-Leigh Cullum e Joan Gregson como Ingrid em diferentes épocas. Sophia Lillis faz uma participação como Beverly no último episódio.
It: Bem-Vindos a Derry seria considerada um sucesso de público pela Warner, com sua estreia sendo a terceira de maior audiência no streaming no ano, atrás apenas de A Casa do Dragão e The Last of Us. A crítica elogiaria principalmente seu comentário social, sua ambientação e sua atmosfera, embora alguns tenham achado a violência excessiva e criticado a necessidade de se explicar todos os elementos da trama, "inclusive coisas que ninguém perguntou". A série seria indicada a dois Emmys, de Melhor Abertura e de Melhores Efeitos Especiais em uma Temporada ou Filme para a Televisão.
Embora a série conte uma história completa e tenha um final, a Warner encomendaria uma segunda temporada, com Muschietti declarando que sua produção só começará quando eles tiverem uma boa história, e que sua intenção é ambientar a segunda temporada durante a Grande Depressão, trazendo novos personagens, mas também versões mais jovens de personagens da primeira.
Para terminar, falta falar sobre a adaptação mais, digamos, curiosa de It, a série indiana Woh ("aquele"), com 52 episódios exibidos entre 4 de janeiro e 27 de dezembro de 1988 pela Zee TV. Quinze anos antes dos eventos da série, sete adolescentes que moram na cidade de Panchgani combateram uma força do mal chamada Woh, que assumiu a forma de um palhaço para sequestrar crianças, aprisionando-o em outra dimensão. Quando a série começa, Woh retorna, e os sete amigos, já adultos, decidem se reunir para destruí-lo de uma vez por todas. Nenhum dos produtores da série havia lido o livro, que também não era amplamente conhecido na Índia, então, embora algumas partes da história coincidam, a maior parte é nova e criada especificamente para a série - que não teve boa audiência e era frequentemente criticada por seus efeitos especiais pobres, então talvez tenha durado até mais do que deveria.









