No já longínquo ano de 2009, eu fiz aqui um post sobre a trilogia Jurassic Park. De lá pra cá, ela foi substituída pela série Jurassic World, e eu estaria mentindo se dissesse que sempre tive vontade de escrever um post sobre ela também, porque a verdade é que isso nunca havia passado pela minha cabeça. Recentemente, entretanto, após ver o mais recente filme da série, fiquei achando que esse de fato seria um bom assunto para um post, de forma que hoje é dia de o átomo ganhar um post sobre a trilogia Jurassic World.
Sim, trilogia, porque, nesse post, eu vou falar somente sobre os três filmes que contam com Owen Grady e Claire Dearing, o quarto eu vou ficar devendo - talvez, se eles fizerem mais dois, eu escreva mais um post.
Conforme vimos no post anterior, Jurassic Park III foi lançado em 2001, e, naquele mesmo ano, Steven Spielberg já começaria a planejar um quarto filme, com William Monahan sendo anunciado como roteirista em 2002, quando a data prevista de estreia seria definida para o verão de 2005. O primeiro rascunho de Monahan seria entregue em 2003, e, diferentemente dos três primeiros filmes, seria ambientado numa cidade, com os dinossauros conseguindo chegar à Costa Rica e Alan Grant e Ian Malcolm sendo chamados para liderar uma equipe que deveria descobrir a melhor forma de lidar com o problema. Em julho, Monahan abandonaria o projeto para escrever Cruzada, sendo substituído por John Sayles, que reescreveria seu rascunho duas vezes, mudando completamente a história e incluindo, a pedido de Spielberg, um personagem que treinava dinossauros geneticamente modificados para atuar em missões de resgate e na guerra contra as drogas. Spielberg não gostaria da versão final do roteiro, entretanto, e, em abril de 2005, o projeto seria suspenso indefinidamente.
A partir daí, Spielberg se envolveria em outros projetos, e Joe Johnston, diretor de Jurassic Park III, ficaria como um io-iô, a todo momento sendo anunciado e desligado como o diretor do quarto filme: em 2002, Johnston diria não ter interesse, mas, em 2006, Spielberg diria que ele havia aceitado, com Johnston negando em 2007, e sendo anunciado oficialmente pela Universal em 2010. Nessa ocasião, Johnston anunciaria que o quarto filme seria o primeiro de uma nova trilogia, com personagens totalmente novos, e que ele e Spielberg começariam a trabalhar a sério no projeto depois que ele concluísse Capitão América: O Primeiro Vingador.
Em 2011, Mark Protosevich foi contratado para escrever o roteiro, e escreveu dois preliminares, ambos rejeitados por Spielberg e pela produtora Kathleen Kennedy, que acharam que a história não estava adequada. No ano seguinte, Rick Jaffa e Amanda Silver o substituiriam, e trabalhariam a partir de três ideias de Spielberg: o treinador de dinossauros (que seriam comuns, e não geneticamente modificados como os do roteiro de Sayles), um parque de dinossauros em pleno funcionamento, lotado de público (diferentemente do parque do primeiro filme, visitado pelos protagonistas antes de abrir) e um dinossauro carnívoro que escapa e deve ser recapturado. A primeira versão do roteiro dos dois seria aprovada, e a pré-produção começaria em janeiro de 2013, com junho de 2014 sendo a data de estreia prevista.
O preferido de Spielberg para a direção era o espanhol J.A. Bayona, que o havia impressionado com seu filme O Impossível, sobre uma família que sobrevive ao tsunami de 2014, mas recusaria por achar que teria pouco tempo de pré-produção. Em março de 2013, Colin Trevorrow seria contratado para dirigir, e ele e Derek Connolly decidiriam reescrever o roteiro de Jaffa e Silver, mas mantendo as três ideias centrais. Kennedy decidiu sair da produção para se dedicar aos novos filmes de Star Wars, sendo substituída por Patrick Crowley, que gostou tanto das ideias de Trevorrow e Connolly que convenceu a Universal a adiar a data de estreia em um ano, para que eles pudessem escrever a versão final do roteiro sem pressão. Em setembro, a Universal anunciaria que o nome do filme seria Jurassic World, também o nome do parque no qual ele é ambientado, e que ele seria uma continuação direta de Jurassic Park, ignorando os eventos de O Mundo Perdido e Jurassic Park III - que seguiriam sendo canônicos, apenas não influenciariam a história do novo filme. Trevorrow seria contra trazer de volta personagens do filme original, a menos que houvesse uma razão muito boa, e optaria por repetir apenas o Dr. Henry Wu, com todos os demais personagens sendo novos.
Jurassic World é ambientado 22 anos após Jurassic Park - mesmo tempo que se passou no mundo real entre os dois filmes - e na mesma Ilha Nublar, comprada pela Masrani Global Corporation após o desastre do primeiro filme. Com a ajuda da InGen - responsável por criar os dinossauros do primeiro filme - a Masrani criaria novos dinossauros e equipamentos de segurança, e construiria um parque muito mais moderno e seguro, chamado Jurassic World, que, quando o filme começa, está em pleno funcionamento, recebendo turistas do mundo todo. A chefe de operações do parque é Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), tia dos dois protagonistas infantis, Zach (Nick Robinson) e Gray Mitchell (Ty Simpkins), que, no dia mostrado no filme, decidem visitá-lo; Claire pede para que sua assistente, Zara (Katie McGrath), os acompanhe, mas eles logo conseguem driblá-la e passam a explorar o parque sozinhos.
Quem também trabalha no parque é o veterano da marinha e treinador de animais Owen Grady (Chris Pratt), que desenvolveu um método para treinar velociraptors, criando uma equipe composta por quatro deles a qual submete a vários testes. O chefe de segurança da InGen, Vic Hoskins (Vincent D'Onofrio) vê no método uma oportunidade de transformar os velociraptors em armas, com Owen e seu assistente, Barry Sembene (Omar Sy), sendo terminantemente contra. Owen também é contra um projeto do Dr. Henry Wu (BD Wong), criado sob a supervisão de Claire e a mando do dono da Masrani, Simon Masrani (Irrfan Khan), um dinossauro geneticamente modificado batizado como Indominus Rex, que deveria ser a próxima grande atração do parque, mas é visto pelo treinador como perigoso e imprevisível, por ser extremamente individualista e ter a capacidade de se camuflar no ambiente como um camaleão. Obviamente, o Indominus Rex escapa de seu confinamento e ameaça os visitantes do parque, dentre eles os sobrinhos de Claire, com Owen tendo de liderar uma equipe para recapturá-lo - sem feri-lo ou matá-lo, para não prejudicar o investimento da Masrani.
As únicas referências a personagens da "trilogia clássica" são uma foto do Dr. Ian Malcolm na contracapa de um livro escrito por ele e uma estátua do fundador do parque original, John Hammond - uma homenagem ao ator Richard Attenborough, que faleceu em 2014. Trevorow faz a voz do personagem Sr. DNA, que explica o funcionamento do parque (dublado, no filme original, por Greg Burson), e o diretor Brad Bird, famoso por seus filmes da Pixar, faz a voz do sistema de som do monotrilho. O apresentador Jimmy Fallon e o cantor Jimmy Buffett fazem participações especiais como eles mesmos, e os pais de Zach e Grey são interpretados por Judy Greer (que faz Karen, a irmã de Claire) e Andy Buckley (que faz o pai das crianças, Andy Mitchell).
As filmagens começariam em 2014 no Havaí, especialmente as cenas envolvendo o Indominus Rex, mas a maioria das cenas seria filmada no estado da Louisiana, com a parte principal do Jurassic World sendo construída em um parque temático abandonado em Nova Orleans, e cenas interiores sendo filmadas em um prédio da NASA localizado na mesma cidade. Stan Winston que havia criado os dinossauros animatronics para os três filmes anteriores, faleceria em 2008, com os animatronics, modelos e maquetes do filme sendo criados pela empresa Legacy Effects. Assim como nos filmes anteriores, e ao contrário do que todo mundo pensa, os dinossauros de computação gráfica, criados pela Industrial Light & Magic (IL&M), eram minoria, com a curiosidade de que os velociraptors usaram a técnica de captura de movimentos, com atores humanos os "interpretando" antes de serem substituídos por suas versões de CG.
Jurassic World teria uma pré-estreia no cinema Grand Rex em Paris em 29 de maio de 2015; a estreia nos Estados Unidos seria dia 12 de junho em 4273 salas, um recorde para um filme da Universal. Com orçamento de 215 milhões de dólares, o filme renderia 653 milhões nos EUA e 1,671 bilhão somando o mundo inteiro, o suficiente para se tornar a segunda maior bilheteria de 2015 (atrás de Star Wars: O Despertar da Força) e a terceira maior da história até então (atrás de Avatar e Titanic), sendo também o primeiro filme a arrecadar mais de 500 milhões de dólares em um único fim de semana e o que mais rápido ultrapassou a marca de 1 bilhão, levando 14 dias. A crítica seria positiva, considerando-o divertido e atraente, mesmo sem poder contar com a sensação de novidade trazida pelo original.
A crítica também apontaria paralelos, confirmados por Trevorrow entre a criação do Indominus Rex e a necessidade de as corporações modernas de querer sempre algo maior, mais impactante e mais espetacular para ganhar dinheiro, não importa o custo; entidades de defesa dos animais também encontrariam paralelos entre a história do dinossauro e casos reais de animais criados em cativeiro, como o da orca Tilikum, responsável pela morte de três tratadores, mostrada no documentário Blackfish, de 2013, que Trevorrow confirmaria ter sido uma de suas influências ao escrever o roteiro. Alguns paleontólogos criticariam o filme por ignorar as mais recentes descobertas da ciência a respeito dos dinossauros, como a de que os velociraptors teriam penas, com os mais revoltados o chamando de "um filme imbecil de monstros"; Trevorrow responderia que "Jurassic World é um filme de ficção científica, não um documentário", e que havia sido feita uma opção estética por tornar os dinossauros parecidos com os dos três filmes anteriores, mesmo que novas descobertas provassem que eles eram diferentes.
Trevorrow e Connolly começariam a discutir com Spielberg a possibilidade de fazer mais de um filme ainda durante a produção de Jurassic World, com Trevorrow dizendo que toparia fazer uma segunda trilogia, desde que ela fosse "menos arbitrária e episódica" que a primeira, com todos os três filmes seguindo o mesmo arco de história; quando as negociações para um segundo Jurassic World se intensificaram, ele disse que preferiria não dirigir, se envolvendo com o projeto "de outra maneira", por acreditar que diretores diferentes poderiam trazer qualidades diferentes aos outros dois filmes. Em julho de 2015, ele declararia que gostaria de ver um filme no qual não houvesse um parque, com os dinossauros e humanos coexistindo, e que tinha uma ideia para que os dinossauros deixassem de ser propriedade intelectual da InGen, com várias empresas ao redor do planeta sendo capazes de criá-los para vários usos. Na mesma ocasião, Trevorrow diria que gostaria que o próximo filme fosse dirigido por um dos diretores espanhóis de filmes de horror da nova geração.
A Universal anunciaria oficialmente "Jurassic World 2" pouco depois dessa declaração de Trevorrow, com data prevista de estreia para julho de 2018, confirmando Trevorrow e Connolly como roteiristas, Pratt e Howard retornando a seus papéis, e Spielberg como produtor executivo, mas sem anunciar um diretor. O preferido de Trevorrow era mais uma vez Bayona, que seria convidado em outubro, mas recusaria o convite por já ter se comprometido com a sequência de Guerra Mundial Z; em janeiro de 2016, porém, Bayona se desligaria dessa produção dizendo "ter assumido outros compromissos", procuraria a Universal e assinaria para dirigir a sequência de Jurassic World em abril. Bayona diria ter sido fisgado pela segunda parte do roteiro, que "se parecia com um filme de casa mal-assombrada", e Trevorrow se mostraria extremamente animado, dizendo que o diretor seria capaz de "empurrar Jurassic World para além de suas fronteiras"; ao ser perguntado se a contratação era um risco, Trevorrow responderia que era necessário que a Universal corresse riscos, pois "uma franquia precisa evoluir ou perecer".
Todas as ideias para o segundo filme partiriam de Trevorrow e Connolly, com Spielberg não contribuindo, mas podendo vetá-las se assim desejasse. Muitos elementos dos livros Jurassic Park e O Mundo Perdido, criados por Michael Crichton mas não usados nos três primeiros filmes, seriam aproveitados agora, como a ideia de Hammond ter um parceiro na criação da InGen, e a de que a Ilha Nublar conta com um vulcão ativo. Trevorrow diria que, lendo os livros, concluiria ser impossível todo o projeto da recriação dos dinossauros ter sido criado por uma única pessoa, como o primeiro filme de Jurassic Park dava a entender, e que o mais lógico era que muitas e muitas pessoas estivessem envolvidas, mesmo que a maioria delas sequer tivesse sido citada até agora. Trevorrow também decidiria ler os roteiros descartados de "Jurassic Park 4" e aproveitar todas as ideias possíveis, incluindo a mais controversa de todas, a dos dinossauros sendo usados como armas, o que agradou Spielberg.
Mantendo-se constante em relação aos temas do primeiro Jurassic World, Trevorrow decidiria que a história lidaria com política, megalomania, ganância e decisões tomadas sem levar em conta como elas afetarão a vida das pessoas. Trevorrow também diria que a forma como os dinossauros são tratados no filme espelha a forma como os animais em geral são tratados por nossa sociedade atual, mostrando o abuso, as experiências médicas, zoológicos que mais se parecem com prisões, e até mesmo o tráfico de animais silvestres; no roteiro original, os dinossauros seriam vendidos, mas Bayona pediria para que, ao invés disso, eles fossem leiloados, pois isso mostraria melhor a ganância de quem está comprando e sua total falta de respeito pela vida dos dinossauros, com Spielberg e Trevorrow concordando. Segundo Trevorrow, a cena do leilão começaria como algo simples, mas Bayona o motivaria a torná-la cada vez mais complexa, até ela ficar parecida com "um leilão da Sotheby's para os super-ricos" (sendo a Sotheby's uma das mais famosas casas de leilão de arte do mundo, localizada em Nova Iorque). Segundo Trevorrow, a cena se encaixaria perfeitamente porque "o primeiro filme era sobre a ganância das grandes corporações, enquanto esse é sobre a ganância dos seres humanos".
Um dos elementos mais controversos do segundo filme seria a introdução da clonagem humana, defendida por Trevorrow sob o argumento de que, hoje, estamos muito mais perto de clonar uma pessoa do que um dinossauro. Trevorrow diria querer trazer para a discussão "o impacto emocional e humano do poder genético", já que uma coisa era tomar a decisão de clonar um dinossauro que morreu há milhões de anos, outra completamente diferente era tomar a decisão de clonar "um ente querido que já se foi e cuja perda não conseguimos superar". Ainda segundo Trevorrow, ele achava que já estava na hora de parar de fazer filmes que dizem "o que aconteceria se nos metêssemos com a ciência sem saber o que estamos fazendo" e começar a fazer os que dizem "já nos metemos com a ciência sem saber o que estamos fazendo, agora temos que lidar com as consequências". Ele também confessaria ter ficado nervoso em relação a como o público receberia o tema da clonagem humana, mas ser tranquilizado por Spielberg, que se mostraria extremamente animado com sua inclusão no filme.
Uma das principais ideias de Trevorrow era trazer de volta Ian Malcolm como um personagem do tipo "eu bem que te avisei"; ele teria longas conversas com Jeff Goldblum sobre a melhor forma de usar o personagem, que acabaria tendo apenas uma participação especial, com algumas de suas falas sendo tiradas diretamente do livro de Jurassic Park. Goldblum diria em entrevistas que seu papel era tão pequeno que talvez acabasse cortado na edição, mas que, se fosse mantido, esperava causar algum impacto. Ainda em relação ao elenco, a produção colocaria um anúncio de procura para uma atriz de cerca de nove anos de idade, respondido por aproximadamente 2500 meninas, com a estreante Isabella Sermon sendo a escolhida ao final do processo. Bayona queria que Tom Holland, que fez O Impossível, estivesse no filme, mas o ator teve de recusar devido a outros compromissos previamente assumidos; ele conseguiria um papel, porém, para Geraldine Chaplin, que está em todos os seus filmes.
Com o título de Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, no original), o filme é ambientado três anos e meio após o anterior; nesse meio-tempo, Claire fundou uma ONG para a proteção dos dinossauros, que recebe um contato de Eli Mills (Rafe Spall), secretário do aparente filantropo Sir Benjamin Lockwood (James Cromwell), que deseja realocar os dinossauros da Ilha Nublar para um santuário, já que o vulcão da ilha voltou a entrar em erupção, ameaçando a vida das criaturas. Para realizar a missão, Claire chama Owen, que participará de uma equipe composta pelo ex-técnico do parque Franklin Webb (Justice Smith), a veterinária Zia Rodriguez (Daniella Pineda) e o mercenário Ken Wheatley (Ted Levine). Lockwood, porém, não está interessado em salvar os dinossauros, e sim em vendê-los em um leilão, comandado pelo Sr. Eversoll (Toby Jones), já contando com vários deles em sua propriedade na Inglaterra, e enganando a equipe de Owen para conseguir Blue, sua principal velociraptor. Outros personagens de destaque são o Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum), o Dr. Henry Wu (BD Wong), Iris (Geraldine Chaplin), governanta da família Lockwood, e Maisie Lockwood (Isabella Sermon), neta de Sir Lockwood, que ficou com sua guarda após seus pais falecerem.
A maior parte das filmagens ocorreria nos estúdios Pinewood, em Londres, com apenas algumas cenas da Ilha Nublar sendo filmadas no Havaí, e a cena pós-créditos sendo filmada em Las Vegas, no Paris Resort. Como todos os sets de Jurassic World foram desmontados após as filmagens, parte do cenário teve de ser reconstruída no Havaí para cenas nas quais Owen e Claire retornam ao parque abandonado; algumas dessas cenas tiveram de ser alteradas porque a equipe de produção não conseguiu reconstruir o Centro de Visitantes de forma que ele ficasse idêntico ao do filme anterior. Os efeitos visuais ficariam mais uma vez a cargo da IL&M, que, além dos dinossauros e de completar as partes do parque que ficariam ao longe, no cenário, criaria, de forma totalmente digital, o veículo de transporte Arcadia e a erupção do vulcão da Ilha Nublar, contando com a ajuda de vulcanólogos.
Os dinossauros, mais uma vez, seriam uma combinação de animatronics e computação gráfica; curiosamente, Reino Ameaçado teve mais animatronics que qualquer outro filme da série, com esses animatronics também sendo de última geração e extremamente realísticos, o que permitiu maior interação entre os atores e dinossauros, como a cena na qual Claire "cavalga" um tiranossauro. O filme também traria mais espécies diferentes de dinossauros que todos os anteriores combinados, e contaria com a ajuda de um expert, John Hankla, do Museu de Ciências Naturais de Denver, para que eles fossem criados de acordo com as mais recentes descobertas da paleontologia; Hankla chegaria a ajudar a equipe de produção a criar fósseis que seriam mostrados no filme, incluindo um esqueleto completo de um velociraptor.
Reino Ameaçado seria o primeiro da série a ser filmado em CinemaScope, já que Bayona queria que ele fosse "mais épico" que os antecessores, e o primeiro a ser filmado com câmeras digitais. As cenas do "diário de Owen" seriam filmadas por Pratt, e não tinham roteiro, com o próprio ator improvisando suas falas, e Bayona decidindo em quais momentos do filme inseri-las. O diretor consideraria o filme "o maior desafio de sua carreira", pedindo opiniões a Spielberg sobre várias cenas; a versão de Bayona teria 165 minutos (duas horas e 45 minutos), com os produtores considerando-a longa demais, e o diretor tendo de fazer sucessivas edições até chegar aos 128 minutos considerados aceitáveis. Bayona e Trevorrow se diriam satisfeitos com a versão final a ponto de decidir não incluir as cenas descartadas nos lançamentos em home video, argumentando que "não havia nada de interesse do público" nelas.
A cena mais complexa do filme foi a que mostrava Claire e Franklin usando uma Giroesfera para fugir de dinossauros na Ilha Nublar; a cena usaria um aparato conhecido como Edge Arm, que consiste em uma câmera presa a um braço montado em uma caminhonete que corre ao lado dos atores, permitindo que a imagem se mantenha estável mesmo que a caminhonete passe por terreno acidentado, e foi filmada parte na Inglaterra, onde os atores tiveram que correr dentro da Giroesfera por sobre os trilhos de uma montanha-russa que incluía uma queda de 12 metros de altura, parte no Havaí, onde a Giroesfera foi amarrada a um caminhão e arrastada, para parecer que estava se movendo à revelia de seus ocupantes. A equipe de produção ofereceria a Bayona filmar usando um chroma key, mas ele preferiria usar efeitos à moda antiga para que os atores expressassem "medo genuíno". A parte final da cena, na qual a Giroesfera cai na água e Owen tem de salvar Claire e Frankin, foi filmada em um enorme tanque construído nos estúdios Pinewood, e na verdade é composta de cinco tomadas filmadas ao longo de cinco dias diferentes com uma equipe de 85 pessoas, incluindo um instrutor de merguilho, editadas para parecer uma única cena.
Jurassic World: Reino Ameaçado teria uma pré-estreia em Madrid, em 21 de maio de 2018, e, após estrear nas semanas seguintes em países como Singapura, Malásia, Índia, Itália, Coreia do Sul, Reino Unido, Angola e Brasil, estrearia nos Estados Unidos em 22 de junho. Com orçamento não divulgado, mas estimado em 465 milhões de dólares, renderia "apenas" 417,7 milhões nos Estados Unidos, mas 1,310 bilhão somando a bilheteria do mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso pela Universal, que se tornaria apenas o segundo estúdio, além da Disney, a ter filmes de três franquias diferentes utrapassando a casa do bilhão (com as outras duas sendo Velozes & Furiosos e Meu Malvado Favorito). A crítica, por outro lado, seria bem menos benevolente que com o Jurassic Wolrd anterior, elogiando os efeitos visuais e o tom mais sombrio do filme em relação a seus antecessores, mas criticando o roteiro, considerado preguiçoso, mal desenvolvido e "muito cheio de dilemas éticos".
Em entrevistas, Trevorrow diria já ter em mente como a trilogia se encerraria, e que "planejar com antecedência o início, o meio e o final é essencial para um projeto desse tipo", diferentemente da trilogia de Jurassic Park, na qual cada filme era independente e possuía um final próprio. Ele começaria a trabalhar no roteiro do terceiro filme em fevereiro de 2018, mas dessa vez em parceria com Emily Carmichael, que ele convidaria após assistir Círculo de Fogo: A Revolta. Apesar de ter declarado anteriormente que preferia que cada filme da trilogia tivesse um diretor diferente, Trevorrow seria confirmado como diretor do terceiro no mês seguinte, declarando ter sido inspirado pelo trabalho de Bayona a terminar o que começou. Mais tarde, Spielberg diria ter pedido pessoalmente a Trevorrow para dirigir o terceiro filme, e que ele havia ficado na dúvida por ter sido escolhido para dirigir Star Wars: A Ascensão Skywalker, mas, após se desentender com a equipe de produção daquele filme, decidiria se desligar e se dedicar integralmente a Jurassic World.
Trevorrow diria que o terceiro filme seria um "thriller científico", mais próximo do primeiro Jurassic Park que os dois anteriores. Seu principal tema seria que os dinossauros se espalhariam pelo mundo, não estando mais confinados em um único local; durante a produção de Reino Ameaçado, várias cenas seriam editadas ou removidas do roteiro porque, após ouvir a ideia de Trevorrow, Bayona acharia que elas se encaixariam melhor no terceiro filme, com os roteiristas aproveitando para trabalhar melhor nelas agora que a ideia central estava estabelecida. Trevorrow se recusaria a fazer um filme no qual dinossauros aterrorizassem uma cidade, alegando que isso não era realístico; segundo ele, dinossauros são animais, então ter dinossauros próximos à civilização não é diferente de ter um urso, um tigre ou um tubarão, com tanto os dinossauros quanto as pessoas tendo de reagir de acordo. Ainda segundo ele, "nós caçamos animais, os traficamos, os criamos, os exploramos, invadimos seu território e pagamos o preço, mas não declaramos guerra a eles", então não faria sentido os personagens tentarem exterminar todos os dinossauros ou algo assim.
Uma das principais ideias dos roteiristas era trazer de volta os personagens do primeiro filme, especialmente a Dra. Ellie Sattler, que é paleobotânica; eles se consultariam com cientistas para tentar imaginar uma emergência global causada pelo uso indiscriminado da manipulação genética que pudesse ser percebida por uma paleobotânica antes de pelas demais pessoas, e acabariam descobrindo o programa Insect Allies, com o qual o governo norte-americano planejava usar insetos para espalhar pesticidas por plantações, cuja versão fictícia acabaria se tornando o ponto de partida da história do terceiro filme. Embora Grant e Malcolm também estejam no filme, o papel de Sattler é muito mais importante; Trevorrow diria ser natural que esse fosse um "filme de Sattler", já que Malcolm havia sido o protagonista de O Mundo Perdido e Grant o de Jurassic Park III, mas ela ainda não havia tido a oportunidade de protagonizar um.
Trevorrow e Carmichael também se consultariam com os roteiristas dos dois primeiros filmes, Michael Arndt, Krysty Wilson-Cairns e David Koepp, para manter os personagens fiéis a suas versões originais; Koepp diria que ele e Wilson-Cairns fariam várias modificações não-creditadas no roteiro. Mais uma vez, elementos dos livros de Crichton pouco usados ou não usados nos filmes anteriores seriam aproveitados, como a empresa Biosyn e o personagem Lewis Dodgson - que aparece brevemente no primeiro filme interpretado por Cameron Thor, que não foi chamado para repetir o papel por já ter sido preso por agressão sexual. Trevorrow diria já não ser plausível que o Dr. Henry Wu tivesse o monopólio da criação dos dinossauros após mais de 30 anos da criação da tecnologia, e quis que o filme mostrasse equipes comandadas por pessoas diferentes o fazendo. Ele também pensaria em trazer de volta Lex e Tim Murphy e Kelly Curtis, mas acharia que o filme já tinha personagens demais; durante uma conversa com Spielberg, este diria que Trevorrow deveria se lembrar que cada personagem deve ter sua importância, que cada um deles é "uma pessoa real passando por algo extraordinário".
Com o nome de Jurassic World: Domínio (Jurassic World: Dominion no original), o filme é ambientado quatro anos após o anterior, com os dinossauros tendo se espalhado pelo mundo e estando convivendo com os humanos em um equilíbro tênue; nesse cenário, a empresa Biosyn decide criar um refúgio nas Montanhas Dolomitas, que serve tanto como um santuário para dinossauros quanto como uma estação de pesquisa genética, especialmente para aplicações farmacêuticas. Quando gafanhotos gigantes começam a destruir as plantações dos Estados Unidos, a Dra. Ellie Sattler (Laura Dern) repara que eles não comem as plantas geneticamente modificadas pela Biosyn; ela consegue capturar um gafanhoto e o levar para a análise do Dr. Alan Grant (Sam Neill), que conclui que os gafanhotos foram geneticamente modificados usando DNA do período cretáceo, o que leva a dupla a decidir investigar a Biosyn. Lá, eles se encontram com Malcolm, que trabalha para a Biosyn, e revela ter recebido um pedido de ajuda do diretor de comunicações da empresa, Ramsay Cole (Mamoudou Athie), para expor o CEO da Biosyn, o Dr. Lewis Dodgson (Campbell Scott), que obrigou o Dr. Wu a criar os gafanhotos para controlar a oferta global de alimentos.
Enquanto isso, Claire, Zia e Franklin combatem o tráfico ilegal de dinossauros, com Owen ajudando a realocar os espécimes salvos pelo trio; durante uma missão em Malta, após confrontar a contrabandista Soyona Santos (Dichen Lachman), eles reencontram Barry, e descobrem que Maisie foi sequestrada pelo mercenário Rainn Delacourt (Scott Haze) e levada para a sede da Biosyn, decidindo pedir ajuda à piloto Kayla Watts (DeWanda Wise) pra levá-los até a sede da empresa. Após um acidente enfurecer os dinossauros e quase destruir a sede da Biosyn, a missão dos dois grupos, o dos personagens novos e o dos antigos, que se encontram quase que por acaso, passa a ser deixar o refúgio com vida.
As filmagens ocorreriam mais uma vez principalmente na Inglaterra, com algumas externas gravadas no Canadá e algumas cenas, como a do mercado de dinossauros - uma ideia de Howard que Trevorrow adorou - sendo filmadas em Malta. Um mês após o início das filmagens, elas tiveram de ser interrompidas devido à pandemia; durante a suspensão, a equipe de pós-produção aproveitaria para trabalhar nos dinossauros e nas cenas que já haviam sido filmadas. Como grande parte do elenco já estava em Londres quando a quarentena começou, a Universal pagou um hotel no qual eles moraram durante quatro meses; Trevorrow diria que a interação com os atores nesse período ajudaria o desenvolvimento do roteiro de uma forma que ele não imaginava possível. As filmagens retomariam após três meses, com rígidos protocolos de segurança descritos em um documento de 109 páginas, que incluíam testes aleatórios em todos os membros do elenco e equipe, e um médico e uma enfermeira de plantão. Domínio foi um dos primeiros filmes a retomar a produção após a pandemia, e muito do que foi feito em sua produção seria usado como exemplo para outros estúdios ao longo dos anos de 2020 e 2021.
A pandemia causaria, entretanto, mudanças no filme: algumas das cenas de Malta teriam de ser reescritas e filmadas na Inglaterra depois que um aumento no número de casos em Malta fizesse com que o Reino Unido estabelecesse uma quarentena de 14 dias para todos os que viessem daquele país, o que impossibilitou que Trevorrow, Pratt, Howard e Neill viajassem para gravar lá, e originalmente o ator Jake Johnson estaria no filme, interpretando mais uma vez o personagem Lowery, um técnico no parque de Jurassic World, mas teve de desistir do papel após não conseguir viajar para a Inglaterra para gravar. Além disso, Pineda conseguiria gravar suas primeiras cenas antes do inicio da quarentena, mas não conseguiria retornar para gravar as seguintes, que seriam reescritas para remover sua personagem do roteiro, com Zia sendo substituída nas cenas finais por outra veterinária, Shira, interpretada por Varada Sethu. Spielberg também não pôde visitar o set durante as filmagens, e teve um envolvimento mínimo com a produção.
Domínio seria o primeiro filme da série a mostrar dinossauros com penas, incluindo um tiranossauro, algo que os paleontólogos já estavam pedindo desde o primeiro Jurassic World; a justificativa seria que eles foram criados pela Biosyn, e não pela InGen, que usava DNA de sapo para completar o dos dinossauros, o que alteraria sua aparência. Também seria o primeiro a mostrar dinossauros na neve, em cenas gravadas na província canadense da Colúmbia Britânica, algo que Trevorrow diria sempre ter tido vontade de fazer, influenciado por antigos filmes de faroeste que mostravam caubóis na neve e pelo filme de dinossauros de 1969 The Valley of Gwangi. Os dinossauros mais uma vez seriam uma combinação de animatronics, maquetes e CG da IL&M, que também substituiria os rostos de dublês pelos de Pratt e Howard em cenas de ação gravadas em Malta das quais eles não puderam participar. Trevorrow optaria por usar locações reais no lugar de chroma key, mas não seria tão purista quanto Bayona, permitindo que os atores gravassem suas cenas mais perigosas em estúdio com a ajuda de CG.
O principal dinossauro do filme seria um giganotossauro, cujo animatronic levou quatro meses para ficar pronto. Muitos dos gafanhotos do filme também seriam animatronics ou modelos, de 30 cm de comprimento cada. Pela primeira vez desde o Jurassic Park original, um filme da série traz um dilofossauro, representado apenas por animatronics, a única espécie de dinossauro presente no filme que não tinha um modelo digital. Domínio também traz, pela primeira vez na série, dimetrodons, que não são dinossauros, e sim sinapsídeos que viveram muitos anos antes deles; curiosamente, dimetrodons fizeram parte do merchandising de vários dos filmes, mas essa seria a primeira vez em que eles apareceriam na tela. Diferentemente dos dois filmes anteriores, Domínio não traz nenhum dinossauro geneticamente modificado, com Trevorrow achando que esse tema já havia dado o que tinha que dar.
Trevorrow converteria um celeiro abandonado no terreno de sua casa na Inglaterra para trabalhar lá durante a pós-produção; por causa da pandemia, a Universal adiaria a data de estreia prevista em um ano, o que daria ao diretor oportunidade para trabalhar separadamente nos efeitos visuais, na mixagem de som e na inserção da trilha sonora, algo raro para uma produção desse porte. Quando o filme estava quase pronto, Trevorrow fez uma sessão privada para amigos e fãs, ao fim da qual anotou opiniões buscando fazer melhorias. Sua versão do filme teria 160 minutos, mas a Universal se preocuparia que o público não quisesse assistir um filme tão longo no pós-pandemia, e pediria para que ele cortasse 15; ele acabaria cortando 14, dos quais 5 virariam um "prólogo" disponibilizado gratuitamente na internet - ainda assim, com 2 horas e 26 minutos, Domínio é o mais longo de todos os seis filmes da série. Trevorrow expressaria o desejo de lançar uma Versão do Diretor nos cinemas, algo que nunca aconteceu, e fez questão de que os lançamentos em home video trouxessem a opção de uma versão estendida com os 14 minutos incluídos de volta.
Jurassic World: Domínio teria uma pré-estreia na Cidade do México em 23 de maio de 2022, estrearia ao redor do mundo a partir de 1 de junho, e nos Estados Unidos em 10 de junho. Mais uma vez o orçamento seria estimado em 465 milhões de dólares, dos quais cerca de 13 milhões foram gastos apenas com os protocolos da pandemia; a bilheteria seria de quase 377 milhões nos Estados Unidos e 1,004 bilhão somando o mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso de público pela Universal. A crítica, por outro lado, seria amplamente negativa, com alguns críticos até o considerado melhor que o anterior, mas a maioria dizendo que a fórmula havia se esgotado e restava apenas cenas de ação sucessivas e brigas entre dinossauros. O retorno de Sattler, Grant e Malcolm dividiria os críticos, com alguns elogiando sua presença, outros achando que não havia motivo para eles estarem no filme.
Como o que importava era o dinheiro entrando, a Universal decidiria seguir com a franquia, ainda usando o nome Jurassic World, mas começando uma nova história sem nenhuma relação com esses três filmes, com um elenco totalmente novo. Mas, como eu falei lá no começo, isso é assunto para um outro post.
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Sim, trilogia, porque, nesse post, eu vou falar somente sobre os três filmes que contam com Owen Grady e Claire Dearing, o quarto eu vou ficar devendo - talvez, se eles fizerem mais dois, eu escreva mais um post.
Conforme vimos no post anterior, Jurassic Park III foi lançado em 2001, e, naquele mesmo ano, Steven Spielberg já começaria a planejar um quarto filme, com William Monahan sendo anunciado como roteirista em 2002, quando a data prevista de estreia seria definida para o verão de 2005. O primeiro rascunho de Monahan seria entregue em 2003, e, diferentemente dos três primeiros filmes, seria ambientado numa cidade, com os dinossauros conseguindo chegar à Costa Rica e Alan Grant e Ian Malcolm sendo chamados para liderar uma equipe que deveria descobrir a melhor forma de lidar com o problema. Em julho, Monahan abandonaria o projeto para escrever Cruzada, sendo substituído por John Sayles, que reescreveria seu rascunho duas vezes, mudando completamente a história e incluindo, a pedido de Spielberg, um personagem que treinava dinossauros geneticamente modificados para atuar em missões de resgate e na guerra contra as drogas. Spielberg não gostaria da versão final do roteiro, entretanto, e, em abril de 2005, o projeto seria suspenso indefinidamente.
A partir daí, Spielberg se envolveria em outros projetos, e Joe Johnston, diretor de Jurassic Park III, ficaria como um io-iô, a todo momento sendo anunciado e desligado como o diretor do quarto filme: em 2002, Johnston diria não ter interesse, mas, em 2006, Spielberg diria que ele havia aceitado, com Johnston negando em 2007, e sendo anunciado oficialmente pela Universal em 2010. Nessa ocasião, Johnston anunciaria que o quarto filme seria o primeiro de uma nova trilogia, com personagens totalmente novos, e que ele e Spielberg começariam a trabalhar a sério no projeto depois que ele concluísse Capitão América: O Primeiro Vingador.
Em 2011, Mark Protosevich foi contratado para escrever o roteiro, e escreveu dois preliminares, ambos rejeitados por Spielberg e pela produtora Kathleen Kennedy, que acharam que a história não estava adequada. No ano seguinte, Rick Jaffa e Amanda Silver o substituiriam, e trabalhariam a partir de três ideias de Spielberg: o treinador de dinossauros (que seriam comuns, e não geneticamente modificados como os do roteiro de Sayles), um parque de dinossauros em pleno funcionamento, lotado de público (diferentemente do parque do primeiro filme, visitado pelos protagonistas antes de abrir) e um dinossauro carnívoro que escapa e deve ser recapturado. A primeira versão do roteiro dos dois seria aprovada, e a pré-produção começaria em janeiro de 2013, com junho de 2014 sendo a data de estreia prevista.
O preferido de Spielberg para a direção era o espanhol J.A. Bayona, que o havia impressionado com seu filme O Impossível, sobre uma família que sobrevive ao tsunami de 2014, mas recusaria por achar que teria pouco tempo de pré-produção. Em março de 2013, Colin Trevorrow seria contratado para dirigir, e ele e Derek Connolly decidiriam reescrever o roteiro de Jaffa e Silver, mas mantendo as três ideias centrais. Kennedy decidiu sair da produção para se dedicar aos novos filmes de Star Wars, sendo substituída por Patrick Crowley, que gostou tanto das ideias de Trevorrow e Connolly que convenceu a Universal a adiar a data de estreia em um ano, para que eles pudessem escrever a versão final do roteiro sem pressão. Em setembro, a Universal anunciaria que o nome do filme seria Jurassic World, também o nome do parque no qual ele é ambientado, e que ele seria uma continuação direta de Jurassic Park, ignorando os eventos de O Mundo Perdido e Jurassic Park III - que seguiriam sendo canônicos, apenas não influenciariam a história do novo filme. Trevorrow seria contra trazer de volta personagens do filme original, a menos que houvesse uma razão muito boa, e optaria por repetir apenas o Dr. Henry Wu, com todos os demais personagens sendo novos.
Jurassic World é ambientado 22 anos após Jurassic Park - mesmo tempo que se passou no mundo real entre os dois filmes - e na mesma Ilha Nublar, comprada pela Masrani Global Corporation após o desastre do primeiro filme. Com a ajuda da InGen - responsável por criar os dinossauros do primeiro filme - a Masrani criaria novos dinossauros e equipamentos de segurança, e construiria um parque muito mais moderno e seguro, chamado Jurassic World, que, quando o filme começa, está em pleno funcionamento, recebendo turistas do mundo todo. A chefe de operações do parque é Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), tia dos dois protagonistas infantis, Zach (Nick Robinson) e Gray Mitchell (Ty Simpkins), que, no dia mostrado no filme, decidem visitá-lo; Claire pede para que sua assistente, Zara (Katie McGrath), os acompanhe, mas eles logo conseguem driblá-la e passam a explorar o parque sozinhos.
Quem também trabalha no parque é o veterano da marinha e treinador de animais Owen Grady (Chris Pratt), que desenvolveu um método para treinar velociraptors, criando uma equipe composta por quatro deles a qual submete a vários testes. O chefe de segurança da InGen, Vic Hoskins (Vincent D'Onofrio) vê no método uma oportunidade de transformar os velociraptors em armas, com Owen e seu assistente, Barry Sembene (Omar Sy), sendo terminantemente contra. Owen também é contra um projeto do Dr. Henry Wu (BD Wong), criado sob a supervisão de Claire e a mando do dono da Masrani, Simon Masrani (Irrfan Khan), um dinossauro geneticamente modificado batizado como Indominus Rex, que deveria ser a próxima grande atração do parque, mas é visto pelo treinador como perigoso e imprevisível, por ser extremamente individualista e ter a capacidade de se camuflar no ambiente como um camaleão. Obviamente, o Indominus Rex escapa de seu confinamento e ameaça os visitantes do parque, dentre eles os sobrinhos de Claire, com Owen tendo de liderar uma equipe para recapturá-lo - sem feri-lo ou matá-lo, para não prejudicar o investimento da Masrani.
As únicas referências a personagens da "trilogia clássica" são uma foto do Dr. Ian Malcolm na contracapa de um livro escrito por ele e uma estátua do fundador do parque original, John Hammond - uma homenagem ao ator Richard Attenborough, que faleceu em 2014. Trevorow faz a voz do personagem Sr. DNA, que explica o funcionamento do parque (dublado, no filme original, por Greg Burson), e o diretor Brad Bird, famoso por seus filmes da Pixar, faz a voz do sistema de som do monotrilho. O apresentador Jimmy Fallon e o cantor Jimmy Buffett fazem participações especiais como eles mesmos, e os pais de Zach e Grey são interpretados por Judy Greer (que faz Karen, a irmã de Claire) e Andy Buckley (que faz o pai das crianças, Andy Mitchell).
As filmagens começariam em 2014 no Havaí, especialmente as cenas envolvendo o Indominus Rex, mas a maioria das cenas seria filmada no estado da Louisiana, com a parte principal do Jurassic World sendo construída em um parque temático abandonado em Nova Orleans, e cenas interiores sendo filmadas em um prédio da NASA localizado na mesma cidade. Stan Winston que havia criado os dinossauros animatronics para os três filmes anteriores, faleceria em 2008, com os animatronics, modelos e maquetes do filme sendo criados pela empresa Legacy Effects. Assim como nos filmes anteriores, e ao contrário do que todo mundo pensa, os dinossauros de computação gráfica, criados pela Industrial Light & Magic (IL&M), eram minoria, com a curiosidade de que os velociraptors usaram a técnica de captura de movimentos, com atores humanos os "interpretando" antes de serem substituídos por suas versões de CG.
Jurassic World teria uma pré-estreia no cinema Grand Rex em Paris em 29 de maio de 2015; a estreia nos Estados Unidos seria dia 12 de junho em 4273 salas, um recorde para um filme da Universal. Com orçamento de 215 milhões de dólares, o filme renderia 653 milhões nos EUA e 1,671 bilhão somando o mundo inteiro, o suficiente para se tornar a segunda maior bilheteria de 2015 (atrás de Star Wars: O Despertar da Força) e a terceira maior da história até então (atrás de Avatar e Titanic), sendo também o primeiro filme a arrecadar mais de 500 milhões de dólares em um único fim de semana e o que mais rápido ultrapassou a marca de 1 bilhão, levando 14 dias. A crítica seria positiva, considerando-o divertido e atraente, mesmo sem poder contar com a sensação de novidade trazida pelo original.
A crítica também apontaria paralelos, confirmados por Trevorrow entre a criação do Indominus Rex e a necessidade de as corporações modernas de querer sempre algo maior, mais impactante e mais espetacular para ganhar dinheiro, não importa o custo; entidades de defesa dos animais também encontrariam paralelos entre a história do dinossauro e casos reais de animais criados em cativeiro, como o da orca Tilikum, responsável pela morte de três tratadores, mostrada no documentário Blackfish, de 2013, que Trevorrow confirmaria ter sido uma de suas influências ao escrever o roteiro. Alguns paleontólogos criticariam o filme por ignorar as mais recentes descobertas da ciência a respeito dos dinossauros, como a de que os velociraptors teriam penas, com os mais revoltados o chamando de "um filme imbecil de monstros"; Trevorrow responderia que "Jurassic World é um filme de ficção científica, não um documentário", e que havia sido feita uma opção estética por tornar os dinossauros parecidos com os dos três filmes anteriores, mesmo que novas descobertas provassem que eles eram diferentes.
Trevorrow e Connolly começariam a discutir com Spielberg a possibilidade de fazer mais de um filme ainda durante a produção de Jurassic World, com Trevorrow dizendo que toparia fazer uma segunda trilogia, desde que ela fosse "menos arbitrária e episódica" que a primeira, com todos os três filmes seguindo o mesmo arco de história; quando as negociações para um segundo Jurassic World se intensificaram, ele disse que preferiria não dirigir, se envolvendo com o projeto "de outra maneira", por acreditar que diretores diferentes poderiam trazer qualidades diferentes aos outros dois filmes. Em julho de 2015, ele declararia que gostaria de ver um filme no qual não houvesse um parque, com os dinossauros e humanos coexistindo, e que tinha uma ideia para que os dinossauros deixassem de ser propriedade intelectual da InGen, com várias empresas ao redor do planeta sendo capazes de criá-los para vários usos. Na mesma ocasião, Trevorrow diria que gostaria que o próximo filme fosse dirigido por um dos diretores espanhóis de filmes de horror da nova geração.
A Universal anunciaria oficialmente "Jurassic World 2" pouco depois dessa declaração de Trevorrow, com data prevista de estreia para julho de 2018, confirmando Trevorrow e Connolly como roteiristas, Pratt e Howard retornando a seus papéis, e Spielberg como produtor executivo, mas sem anunciar um diretor. O preferido de Trevorrow era mais uma vez Bayona, que seria convidado em outubro, mas recusaria o convite por já ter se comprometido com a sequência de Guerra Mundial Z; em janeiro de 2016, porém, Bayona se desligaria dessa produção dizendo "ter assumido outros compromissos", procuraria a Universal e assinaria para dirigir a sequência de Jurassic World em abril. Bayona diria ter sido fisgado pela segunda parte do roteiro, que "se parecia com um filme de casa mal-assombrada", e Trevorrow se mostraria extremamente animado, dizendo que o diretor seria capaz de "empurrar Jurassic World para além de suas fronteiras"; ao ser perguntado se a contratação era um risco, Trevorrow responderia que era necessário que a Universal corresse riscos, pois "uma franquia precisa evoluir ou perecer".
Todas as ideias para o segundo filme partiriam de Trevorrow e Connolly, com Spielberg não contribuindo, mas podendo vetá-las se assim desejasse. Muitos elementos dos livros Jurassic Park e O Mundo Perdido, criados por Michael Crichton mas não usados nos três primeiros filmes, seriam aproveitados agora, como a ideia de Hammond ter um parceiro na criação da InGen, e a de que a Ilha Nublar conta com um vulcão ativo. Trevorrow diria que, lendo os livros, concluiria ser impossível todo o projeto da recriação dos dinossauros ter sido criado por uma única pessoa, como o primeiro filme de Jurassic Park dava a entender, e que o mais lógico era que muitas e muitas pessoas estivessem envolvidas, mesmo que a maioria delas sequer tivesse sido citada até agora. Trevorrow também decidiria ler os roteiros descartados de "Jurassic Park 4" e aproveitar todas as ideias possíveis, incluindo a mais controversa de todas, a dos dinossauros sendo usados como armas, o que agradou Spielberg.
Mantendo-se constante em relação aos temas do primeiro Jurassic World, Trevorrow decidiria que a história lidaria com política, megalomania, ganância e decisões tomadas sem levar em conta como elas afetarão a vida das pessoas. Trevorrow também diria que a forma como os dinossauros são tratados no filme espelha a forma como os animais em geral são tratados por nossa sociedade atual, mostrando o abuso, as experiências médicas, zoológicos que mais se parecem com prisões, e até mesmo o tráfico de animais silvestres; no roteiro original, os dinossauros seriam vendidos, mas Bayona pediria para que, ao invés disso, eles fossem leiloados, pois isso mostraria melhor a ganância de quem está comprando e sua total falta de respeito pela vida dos dinossauros, com Spielberg e Trevorrow concordando. Segundo Trevorrow, a cena do leilão começaria como algo simples, mas Bayona o motivaria a torná-la cada vez mais complexa, até ela ficar parecida com "um leilão da Sotheby's para os super-ricos" (sendo a Sotheby's uma das mais famosas casas de leilão de arte do mundo, localizada em Nova Iorque). Segundo Trevorrow, a cena se encaixaria perfeitamente porque "o primeiro filme era sobre a ganância das grandes corporações, enquanto esse é sobre a ganância dos seres humanos".
Um dos elementos mais controversos do segundo filme seria a introdução da clonagem humana, defendida por Trevorrow sob o argumento de que, hoje, estamos muito mais perto de clonar uma pessoa do que um dinossauro. Trevorrow diria querer trazer para a discussão "o impacto emocional e humano do poder genético", já que uma coisa era tomar a decisão de clonar um dinossauro que morreu há milhões de anos, outra completamente diferente era tomar a decisão de clonar "um ente querido que já se foi e cuja perda não conseguimos superar". Ainda segundo Trevorrow, ele achava que já estava na hora de parar de fazer filmes que dizem "o que aconteceria se nos metêssemos com a ciência sem saber o que estamos fazendo" e começar a fazer os que dizem "já nos metemos com a ciência sem saber o que estamos fazendo, agora temos que lidar com as consequências". Ele também confessaria ter ficado nervoso em relação a como o público receberia o tema da clonagem humana, mas ser tranquilizado por Spielberg, que se mostraria extremamente animado com sua inclusão no filme.
Uma das principais ideias de Trevorrow era trazer de volta Ian Malcolm como um personagem do tipo "eu bem que te avisei"; ele teria longas conversas com Jeff Goldblum sobre a melhor forma de usar o personagem, que acabaria tendo apenas uma participação especial, com algumas de suas falas sendo tiradas diretamente do livro de Jurassic Park. Goldblum diria em entrevistas que seu papel era tão pequeno que talvez acabasse cortado na edição, mas que, se fosse mantido, esperava causar algum impacto. Ainda em relação ao elenco, a produção colocaria um anúncio de procura para uma atriz de cerca de nove anos de idade, respondido por aproximadamente 2500 meninas, com a estreante Isabella Sermon sendo a escolhida ao final do processo. Bayona queria que Tom Holland, que fez O Impossível, estivesse no filme, mas o ator teve de recusar devido a outros compromissos previamente assumidos; ele conseguiria um papel, porém, para Geraldine Chaplin, que está em todos os seus filmes.
Com o título de Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, no original), o filme é ambientado três anos e meio após o anterior; nesse meio-tempo, Claire fundou uma ONG para a proteção dos dinossauros, que recebe um contato de Eli Mills (Rafe Spall), secretário do aparente filantropo Sir Benjamin Lockwood (James Cromwell), que deseja realocar os dinossauros da Ilha Nublar para um santuário, já que o vulcão da ilha voltou a entrar em erupção, ameaçando a vida das criaturas. Para realizar a missão, Claire chama Owen, que participará de uma equipe composta pelo ex-técnico do parque Franklin Webb (Justice Smith), a veterinária Zia Rodriguez (Daniella Pineda) e o mercenário Ken Wheatley (Ted Levine). Lockwood, porém, não está interessado em salvar os dinossauros, e sim em vendê-los em um leilão, comandado pelo Sr. Eversoll (Toby Jones), já contando com vários deles em sua propriedade na Inglaterra, e enganando a equipe de Owen para conseguir Blue, sua principal velociraptor. Outros personagens de destaque são o Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum), o Dr. Henry Wu (BD Wong), Iris (Geraldine Chaplin), governanta da família Lockwood, e Maisie Lockwood (Isabella Sermon), neta de Sir Lockwood, que ficou com sua guarda após seus pais falecerem.
A maior parte das filmagens ocorreria nos estúdios Pinewood, em Londres, com apenas algumas cenas da Ilha Nublar sendo filmadas no Havaí, e a cena pós-créditos sendo filmada em Las Vegas, no Paris Resort. Como todos os sets de Jurassic World foram desmontados após as filmagens, parte do cenário teve de ser reconstruída no Havaí para cenas nas quais Owen e Claire retornam ao parque abandonado; algumas dessas cenas tiveram de ser alteradas porque a equipe de produção não conseguiu reconstruir o Centro de Visitantes de forma que ele ficasse idêntico ao do filme anterior. Os efeitos visuais ficariam mais uma vez a cargo da IL&M, que, além dos dinossauros e de completar as partes do parque que ficariam ao longe, no cenário, criaria, de forma totalmente digital, o veículo de transporte Arcadia e a erupção do vulcão da Ilha Nublar, contando com a ajuda de vulcanólogos.
Os dinossauros, mais uma vez, seriam uma combinação de animatronics e computação gráfica; curiosamente, Reino Ameaçado teve mais animatronics que qualquer outro filme da série, com esses animatronics também sendo de última geração e extremamente realísticos, o que permitiu maior interação entre os atores e dinossauros, como a cena na qual Claire "cavalga" um tiranossauro. O filme também traria mais espécies diferentes de dinossauros que todos os anteriores combinados, e contaria com a ajuda de um expert, John Hankla, do Museu de Ciências Naturais de Denver, para que eles fossem criados de acordo com as mais recentes descobertas da paleontologia; Hankla chegaria a ajudar a equipe de produção a criar fósseis que seriam mostrados no filme, incluindo um esqueleto completo de um velociraptor.
Reino Ameaçado seria o primeiro da série a ser filmado em CinemaScope, já que Bayona queria que ele fosse "mais épico" que os antecessores, e o primeiro a ser filmado com câmeras digitais. As cenas do "diário de Owen" seriam filmadas por Pratt, e não tinham roteiro, com o próprio ator improvisando suas falas, e Bayona decidindo em quais momentos do filme inseri-las. O diretor consideraria o filme "o maior desafio de sua carreira", pedindo opiniões a Spielberg sobre várias cenas; a versão de Bayona teria 165 minutos (duas horas e 45 minutos), com os produtores considerando-a longa demais, e o diretor tendo de fazer sucessivas edições até chegar aos 128 minutos considerados aceitáveis. Bayona e Trevorrow se diriam satisfeitos com a versão final a ponto de decidir não incluir as cenas descartadas nos lançamentos em home video, argumentando que "não havia nada de interesse do público" nelas.
A cena mais complexa do filme foi a que mostrava Claire e Franklin usando uma Giroesfera para fugir de dinossauros na Ilha Nublar; a cena usaria um aparato conhecido como Edge Arm, que consiste em uma câmera presa a um braço montado em uma caminhonete que corre ao lado dos atores, permitindo que a imagem se mantenha estável mesmo que a caminhonete passe por terreno acidentado, e foi filmada parte na Inglaterra, onde os atores tiveram que correr dentro da Giroesfera por sobre os trilhos de uma montanha-russa que incluía uma queda de 12 metros de altura, parte no Havaí, onde a Giroesfera foi amarrada a um caminhão e arrastada, para parecer que estava se movendo à revelia de seus ocupantes. A equipe de produção ofereceria a Bayona filmar usando um chroma key, mas ele preferiria usar efeitos à moda antiga para que os atores expressassem "medo genuíno". A parte final da cena, na qual a Giroesfera cai na água e Owen tem de salvar Claire e Frankin, foi filmada em um enorme tanque construído nos estúdios Pinewood, e na verdade é composta de cinco tomadas filmadas ao longo de cinco dias diferentes com uma equipe de 85 pessoas, incluindo um instrutor de merguilho, editadas para parecer uma única cena.
Jurassic World: Reino Ameaçado teria uma pré-estreia em Madrid, em 21 de maio de 2018, e, após estrear nas semanas seguintes em países como Singapura, Malásia, Índia, Itália, Coreia do Sul, Reino Unido, Angola e Brasil, estrearia nos Estados Unidos em 22 de junho. Com orçamento não divulgado, mas estimado em 465 milhões de dólares, renderia "apenas" 417,7 milhões nos Estados Unidos, mas 1,310 bilhão somando a bilheteria do mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso pela Universal, que se tornaria apenas o segundo estúdio, além da Disney, a ter filmes de três franquias diferentes utrapassando a casa do bilhão (com as outras duas sendo Velozes & Furiosos e Meu Malvado Favorito). A crítica, por outro lado, seria bem menos benevolente que com o Jurassic Wolrd anterior, elogiando os efeitos visuais e o tom mais sombrio do filme em relação a seus antecessores, mas criticando o roteiro, considerado preguiçoso, mal desenvolvido e "muito cheio de dilemas éticos".
Em entrevistas, Trevorrow diria já ter em mente como a trilogia se encerraria, e que "planejar com antecedência o início, o meio e o final é essencial para um projeto desse tipo", diferentemente da trilogia de Jurassic Park, na qual cada filme era independente e possuía um final próprio. Ele começaria a trabalhar no roteiro do terceiro filme em fevereiro de 2018, mas dessa vez em parceria com Emily Carmichael, que ele convidaria após assistir Círculo de Fogo: A Revolta. Apesar de ter declarado anteriormente que preferia que cada filme da trilogia tivesse um diretor diferente, Trevorrow seria confirmado como diretor do terceiro no mês seguinte, declarando ter sido inspirado pelo trabalho de Bayona a terminar o que começou. Mais tarde, Spielberg diria ter pedido pessoalmente a Trevorrow para dirigir o terceiro filme, e que ele havia ficado na dúvida por ter sido escolhido para dirigir Star Wars: A Ascensão Skywalker, mas, após se desentender com a equipe de produção daquele filme, decidiria se desligar e se dedicar integralmente a Jurassic World.
Trevorrow diria que o terceiro filme seria um "thriller científico", mais próximo do primeiro Jurassic Park que os dois anteriores. Seu principal tema seria que os dinossauros se espalhariam pelo mundo, não estando mais confinados em um único local; durante a produção de Reino Ameaçado, várias cenas seriam editadas ou removidas do roteiro porque, após ouvir a ideia de Trevorrow, Bayona acharia que elas se encaixariam melhor no terceiro filme, com os roteiristas aproveitando para trabalhar melhor nelas agora que a ideia central estava estabelecida. Trevorrow se recusaria a fazer um filme no qual dinossauros aterrorizassem uma cidade, alegando que isso não era realístico; segundo ele, dinossauros são animais, então ter dinossauros próximos à civilização não é diferente de ter um urso, um tigre ou um tubarão, com tanto os dinossauros quanto as pessoas tendo de reagir de acordo. Ainda segundo ele, "nós caçamos animais, os traficamos, os criamos, os exploramos, invadimos seu território e pagamos o preço, mas não declaramos guerra a eles", então não faria sentido os personagens tentarem exterminar todos os dinossauros ou algo assim.
Uma das principais ideias dos roteiristas era trazer de volta os personagens do primeiro filme, especialmente a Dra. Ellie Sattler, que é paleobotânica; eles se consultariam com cientistas para tentar imaginar uma emergência global causada pelo uso indiscriminado da manipulação genética que pudesse ser percebida por uma paleobotânica antes de pelas demais pessoas, e acabariam descobrindo o programa Insect Allies, com o qual o governo norte-americano planejava usar insetos para espalhar pesticidas por plantações, cuja versão fictícia acabaria se tornando o ponto de partida da história do terceiro filme. Embora Grant e Malcolm também estejam no filme, o papel de Sattler é muito mais importante; Trevorrow diria ser natural que esse fosse um "filme de Sattler", já que Malcolm havia sido o protagonista de O Mundo Perdido e Grant o de Jurassic Park III, mas ela ainda não havia tido a oportunidade de protagonizar um.
Trevorrow e Carmichael também se consultariam com os roteiristas dos dois primeiros filmes, Michael Arndt, Krysty Wilson-Cairns e David Koepp, para manter os personagens fiéis a suas versões originais; Koepp diria que ele e Wilson-Cairns fariam várias modificações não-creditadas no roteiro. Mais uma vez, elementos dos livros de Crichton pouco usados ou não usados nos filmes anteriores seriam aproveitados, como a empresa Biosyn e o personagem Lewis Dodgson - que aparece brevemente no primeiro filme interpretado por Cameron Thor, que não foi chamado para repetir o papel por já ter sido preso por agressão sexual. Trevorrow diria já não ser plausível que o Dr. Henry Wu tivesse o monopólio da criação dos dinossauros após mais de 30 anos da criação da tecnologia, e quis que o filme mostrasse equipes comandadas por pessoas diferentes o fazendo. Ele também pensaria em trazer de volta Lex e Tim Murphy e Kelly Curtis, mas acharia que o filme já tinha personagens demais; durante uma conversa com Spielberg, este diria que Trevorrow deveria se lembrar que cada personagem deve ter sua importância, que cada um deles é "uma pessoa real passando por algo extraordinário".
Com o nome de Jurassic World: Domínio (Jurassic World: Dominion no original), o filme é ambientado quatro anos após o anterior, com os dinossauros tendo se espalhado pelo mundo e estando convivendo com os humanos em um equilíbro tênue; nesse cenário, a empresa Biosyn decide criar um refúgio nas Montanhas Dolomitas, que serve tanto como um santuário para dinossauros quanto como uma estação de pesquisa genética, especialmente para aplicações farmacêuticas. Quando gafanhotos gigantes começam a destruir as plantações dos Estados Unidos, a Dra. Ellie Sattler (Laura Dern) repara que eles não comem as plantas geneticamente modificadas pela Biosyn; ela consegue capturar um gafanhoto e o levar para a análise do Dr. Alan Grant (Sam Neill), que conclui que os gafanhotos foram geneticamente modificados usando DNA do período cretáceo, o que leva a dupla a decidir investigar a Biosyn. Lá, eles se encontram com Malcolm, que trabalha para a Biosyn, e revela ter recebido um pedido de ajuda do diretor de comunicações da empresa, Ramsay Cole (Mamoudou Athie), para expor o CEO da Biosyn, o Dr. Lewis Dodgson (Campbell Scott), que obrigou o Dr. Wu a criar os gafanhotos para controlar a oferta global de alimentos.
Enquanto isso, Claire, Zia e Franklin combatem o tráfico ilegal de dinossauros, com Owen ajudando a realocar os espécimes salvos pelo trio; durante uma missão em Malta, após confrontar a contrabandista Soyona Santos (Dichen Lachman), eles reencontram Barry, e descobrem que Maisie foi sequestrada pelo mercenário Rainn Delacourt (Scott Haze) e levada para a sede da Biosyn, decidindo pedir ajuda à piloto Kayla Watts (DeWanda Wise) pra levá-los até a sede da empresa. Após um acidente enfurecer os dinossauros e quase destruir a sede da Biosyn, a missão dos dois grupos, o dos personagens novos e o dos antigos, que se encontram quase que por acaso, passa a ser deixar o refúgio com vida.
As filmagens ocorreriam mais uma vez principalmente na Inglaterra, com algumas externas gravadas no Canadá e algumas cenas, como a do mercado de dinossauros - uma ideia de Howard que Trevorrow adorou - sendo filmadas em Malta. Um mês após o início das filmagens, elas tiveram de ser interrompidas devido à pandemia; durante a suspensão, a equipe de pós-produção aproveitaria para trabalhar nos dinossauros e nas cenas que já haviam sido filmadas. Como grande parte do elenco já estava em Londres quando a quarentena começou, a Universal pagou um hotel no qual eles moraram durante quatro meses; Trevorrow diria que a interação com os atores nesse período ajudaria o desenvolvimento do roteiro de uma forma que ele não imaginava possível. As filmagens retomariam após três meses, com rígidos protocolos de segurança descritos em um documento de 109 páginas, que incluíam testes aleatórios em todos os membros do elenco e equipe, e um médico e uma enfermeira de plantão. Domínio foi um dos primeiros filmes a retomar a produção após a pandemia, e muito do que foi feito em sua produção seria usado como exemplo para outros estúdios ao longo dos anos de 2020 e 2021.
A pandemia causaria, entretanto, mudanças no filme: algumas das cenas de Malta teriam de ser reescritas e filmadas na Inglaterra depois que um aumento no número de casos em Malta fizesse com que o Reino Unido estabelecesse uma quarentena de 14 dias para todos os que viessem daquele país, o que impossibilitou que Trevorrow, Pratt, Howard e Neill viajassem para gravar lá, e originalmente o ator Jake Johnson estaria no filme, interpretando mais uma vez o personagem Lowery, um técnico no parque de Jurassic World, mas teve de desistir do papel após não conseguir viajar para a Inglaterra para gravar. Além disso, Pineda conseguiria gravar suas primeiras cenas antes do inicio da quarentena, mas não conseguiria retornar para gravar as seguintes, que seriam reescritas para remover sua personagem do roteiro, com Zia sendo substituída nas cenas finais por outra veterinária, Shira, interpretada por Varada Sethu. Spielberg também não pôde visitar o set durante as filmagens, e teve um envolvimento mínimo com a produção.
Domínio seria o primeiro filme da série a mostrar dinossauros com penas, incluindo um tiranossauro, algo que os paleontólogos já estavam pedindo desde o primeiro Jurassic World; a justificativa seria que eles foram criados pela Biosyn, e não pela InGen, que usava DNA de sapo para completar o dos dinossauros, o que alteraria sua aparência. Também seria o primeiro a mostrar dinossauros na neve, em cenas gravadas na província canadense da Colúmbia Britânica, algo que Trevorrow diria sempre ter tido vontade de fazer, influenciado por antigos filmes de faroeste que mostravam caubóis na neve e pelo filme de dinossauros de 1969 The Valley of Gwangi. Os dinossauros mais uma vez seriam uma combinação de animatronics, maquetes e CG da IL&M, que também substituiria os rostos de dublês pelos de Pratt e Howard em cenas de ação gravadas em Malta das quais eles não puderam participar. Trevorrow optaria por usar locações reais no lugar de chroma key, mas não seria tão purista quanto Bayona, permitindo que os atores gravassem suas cenas mais perigosas em estúdio com a ajuda de CG.
O principal dinossauro do filme seria um giganotossauro, cujo animatronic levou quatro meses para ficar pronto. Muitos dos gafanhotos do filme também seriam animatronics ou modelos, de 30 cm de comprimento cada. Pela primeira vez desde o Jurassic Park original, um filme da série traz um dilofossauro, representado apenas por animatronics, a única espécie de dinossauro presente no filme que não tinha um modelo digital. Domínio também traz, pela primeira vez na série, dimetrodons, que não são dinossauros, e sim sinapsídeos que viveram muitos anos antes deles; curiosamente, dimetrodons fizeram parte do merchandising de vários dos filmes, mas essa seria a primeira vez em que eles apareceriam na tela. Diferentemente dos dois filmes anteriores, Domínio não traz nenhum dinossauro geneticamente modificado, com Trevorrow achando que esse tema já havia dado o que tinha que dar.
Trevorrow converteria um celeiro abandonado no terreno de sua casa na Inglaterra para trabalhar lá durante a pós-produção; por causa da pandemia, a Universal adiaria a data de estreia prevista em um ano, o que daria ao diretor oportunidade para trabalhar separadamente nos efeitos visuais, na mixagem de som e na inserção da trilha sonora, algo raro para uma produção desse porte. Quando o filme estava quase pronto, Trevorrow fez uma sessão privada para amigos e fãs, ao fim da qual anotou opiniões buscando fazer melhorias. Sua versão do filme teria 160 minutos, mas a Universal se preocuparia que o público não quisesse assistir um filme tão longo no pós-pandemia, e pediria para que ele cortasse 15; ele acabaria cortando 14, dos quais 5 virariam um "prólogo" disponibilizado gratuitamente na internet - ainda assim, com 2 horas e 26 minutos, Domínio é o mais longo de todos os seis filmes da série. Trevorrow expressaria o desejo de lançar uma Versão do Diretor nos cinemas, algo que nunca aconteceu, e fez questão de que os lançamentos em home video trouxessem a opção de uma versão estendida com os 14 minutos incluídos de volta.
Jurassic World: Domínio teria uma pré-estreia na Cidade do México em 23 de maio de 2022, estrearia ao redor do mundo a partir de 1 de junho, e nos Estados Unidos em 10 de junho. Mais uma vez o orçamento seria estimado em 465 milhões de dólares, dos quais cerca de 13 milhões foram gastos apenas com os protocolos da pandemia; a bilheteria seria de quase 377 milhões nos Estados Unidos e 1,004 bilhão somando o mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso de público pela Universal. A crítica, por outro lado, seria amplamente negativa, com alguns críticos até o considerado melhor que o anterior, mas a maioria dizendo que a fórmula havia se esgotado e restava apenas cenas de ação sucessivas e brigas entre dinossauros. O retorno de Sattler, Grant e Malcolm dividiria os críticos, com alguns elogiando sua presença, outros achando que não havia motivo para eles estarem no filme.
Como o que importava era o dinheiro entrando, a Universal decidiria seguir com a franquia, ainda usando o nome Jurassic World, mas começando uma nova história sem nenhuma relação com esses três filmes, com um elenco totalmente novo. Mas, como eu falei lá no começo, isso é assunto para um outro post.
Jurassic Park / World |
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Jurassic World |
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