sábado, 3 de outubro de 2026

Escrito por em 3.10.26 com 0 comentários

Witchblade

Faz muitos anos já que eu tento escrever um post sobre Witchblade, uma das revistas da Image Comics que eu mais gostava, mas sempre acabo desistindo porque, aparentemente, ninguém nunca se preocupou em organizar as informações sobre ela da mesma forma como já fizeram com outras revistas de super-heróis. No início desse ano, eu decidi tomar essa tarefa para mim e escrever esse post do jeito difícil, consultando múltiplas fontes online e as revistas da Witchblade que eu ainda tenho aqui em casa. Por causa disso, eu decidi que esse post não teria prazo para ir ao ar, e que eu somente o postaria quando estivesse satisfeito com o que consegui reunir. Levou uns bons meses, mas, aparentemente, o dia é hoje. Hoje é dia de Witchblade no átomo!

A primeira coisa que precisa ser dita é que "Witchblade" (que, traduzida literalmente, é a "lâmina da bruxa", mas, por incrível que pareça, é um trocadilho com switchblade, aquela faca cuja lâmina se dobra para dentro do cabo, muito usada em filmes por membros de gangues) não é o codinome da super-heroína, no mesmo sentido que o são "Mulher Maravilha" ou "Tempestade". A Witchblade é um artefato milenar e consciente, capaz de assumir várias formas, sendo a sua preferida a de uma luva que se encaixa no braço direito de um hospedeiro humano, conferindo-o poderes inimagináveis, mas também lentamente dominando sua mente - e, dizem, levando à sua morte. Feita de material orgânico, a Witchblade é quase indestrutível, e consegue alterar sua forma e sua massa à vontade, se transformando em um bracelete ou gargantilha para se camuflar no corpo do hospedeiro, o qual cobre com tentáculos semelhantes a uma carapaça de inseto enquanto está ativada - quando torna o hospedeiro capaz de produzir diversos tipos de armas, lançar rajadas de energia, ou até usar os tais tentáculos para ataque e defesa. A Witchblade é o filho de duas entidades sobrenaturais presentes desde o início do universo, chamadas Darkness e Angelus, sendo que o Darkness (que significa, literalmente, escuridão) é associada à escuridão, enquanto a Angelus é associado à luz. E sim, "o filho", porque, apesar de, em português, todo mundo falar "a Witchblade", o artefato é do sexo masculino, o que faz com que ele prefira hospedeiros do sexo feminino.

A moça que todo mundo costuma identificar como "a Witchblade" se chama Sara Pezzini, e é detetive de polícia na cidade de Nova Iorque. Durante uma investigação, Sara se depara com um "teste de Excalibur", no qual criminosos de alta periculosidade pagaram elevadas quantias pelo direito de experimentar a Witchblade e ver se o artefato aceita algum deles como hospedeiro - com os que não são aceitos se arrependendo amargamente. Baleada ao ser revelada como policial, Sara iria morrer, se a Witchblade não decidisse que ela era a hospedeira que ele estava procurando, rastejando até seu braço e mudando sua vida para sempre.

O responsável por tentar encontrar um hospedeiro para a Witchblade era o milionário Kenneth Irons, que é obcecado pelo artefato, conhecendo a fundo sua história e tendo em sua casa um santuário dedicado à Witchblade e a seus hospedeiros anteriores - com um deles sendo ninguém menos que Joana d'Arc. Irons treinou seu homem de maior confiança, Ian Nottingham, para sobreviver a um ritual no qual ele se tornaria o hospedeiro da Witchblade, no processo transformando-o em um lutador de reflexos sobre-humanos, capaz de pegar um tiro com as mãos nuas - sem que Nottingham saiba, contudo, o objetivo final de Irons é transferir a Witchblade para si mesmo, usando o subordinado apenas como cobaia para o processo. Para que o ritual dê certo, porém, primeiro a Witchblade precisa se combinar a um hospedeiro de forma natural, para depois ser extraída e combinada a Nottingham, o que faz com que Irons e Nottingham passem a perseguir Sara depois do incidente, com a detetive e o assassino desenvolvendo um relacionamento que mistura ódio e romance.

Witchblade não é uma revista de super-heróis tradicional, já que Sara não usa a Witchblade para combater supervilões, estando mais para uma história policial com elementos de fantasia e sexuais - quase toda edição tem alguém seminu ou fazendo sexo, o que torna a revista bastante parecida com os filmes policiais dos anos 1970, e o próprio "uniforme" de Sara ao ativar a Witchblade parece ter sido pensado para atrair o público masculino adolescente. Enquanto aprende a usar os poderes da Witchblade e tenta escapar das investidas de Irons e Nottingham, Sara continua trabalhando como policial, com vários casos que ela investiga sendo abordados em suas histórias, contando com personagens coadjuvantes como o Chefe de Polícia, Joe Siry; o parceiro de Sara, Jake McCarthy; e o detetive Eric Sketh, transferido de Los Angeles. Outros coadjuvantes dignos de nota são a irmã mais nova de Sara, Julie, que é modelo e não tem rumo na vida; e Jackie Estacado, que trabalha para a máfia e cujos caminhos vivem se cruzando com os de Sara.

Criada por Marc Silvestri, David Wohl, Brian Haberlin e Michael Turner, Witchblade seria lançada pela Top Cow, uma das editoras que faziam parte da Image Comics, em novembro de 1995. Silvestri seria um dos sete fundadores da Image, e, originalmente, a Top Cow publicaria dois títulos estrelados por super-heróis bem parecidos com os X-Men: Cyberforce, no qual um grupo de mutantes ciborgues luta contra a mega corporação que fez as alterações cibernéticas em seus corpos, no caso de muitos deles, contra a sua vontade; e Codename: Strykeforce, na qual o líder da Cyberforce, o Coronel Morgan Striker, reúne uma equipe de elite dotada de superpoderes para participar de missões de alto risco das quais as habilidades da Cyberforce não dariam conta. Witchblade seria o primeiro título da Top Cow a não trazer mutantes nem ter relação com a Cyberforce, e seria considerada "o início do Universo Top Cow", já que, depois dela, muitos títulos de sucesso da editora seriam lançados tendo relação com o Darkness e a Angelus.

A versão originalmente criada por Silvestri seria uma super-heroína mais tradicional, com sua primeira aparição sendo uma participação especial no crossover Cyblade / Shi, de agosto de 1995, com roteiro de Haberlin e arte de Silvestri, na qual Sara tinha um uniforme com direito a capa e usava o codinome Witchblade. Depois disso, Silvestri não teria mais envolvimento com a personagem, que seria reimaginada em sua versão oficial por Wohl e Turner. A primeira edição de Witchblade teria roteiros de Wohl, Haberlin e Christina Z e arte de Turner - as moças de rosto de boneca, lábios cheios, seios fartos e cinturas finas desenhadas por Turner seriam consideradas a marca registrada de Witchblade, e sua fama desenhando o título permitiria que ele criasse sua própria heroína, Fathom, mais tarde saindo da Top Cow e levando-a para sua própria editora, a Aspen MLT. Já Christina Z, uma norte-americana nascida em Munique, na Alemanha, e que começou a carreira como jornalista de música, faria quase toda a sua carreira nos quadrinhos escrevendo para a Top Cow, e muitas das ideias sobre o passado da Witchblade viriam dela.

Wohl e Christina teriam uma longa carreira nos roteiros, escrevendo nada menos que as 39 primeiras edições da revista, com Wohl ainda retornando para escrever sozinho quase todas as edições entre a 45 e a 75, com o roteirista da maioria das edições entre a 40 e a 53 sendo Paul Jenkins. Mas o recorde da revista pertenceria a Ron Marz, que assumiria na edição 80, em novembro de 2004, e escreveria até a 150, de dezembro de 2011. Ex-roteirista do Surfista Prateado e do Lanterna Verde - sendo o criador de Crepúsculo Esmeralda, a famosa história na qual Hal Jordan se torna o vilão Paralax - Marz primeiro estabeleceria Sara como a única portadora da Witchblade - pois, nas edições anteriores, vários outros personagens conseguiriam utilizar o artefato simultaneamente ou ao invés dela - para depois criar uma nova personagem, a bailarina Danielle Baptiste, que assumiria a Witchblade e deixaria Sara sem poderes; Marz também decidiria que Sara ficaria grávida de Jackie e teria uma filhinha chamada Hope, com Dani devolvendo a Witchblade à policial para salvar a vida das duas. A principal marca da passagem de Marz, entretanto, seria que ele expandiria a mitologia da Witchblade, do Darkness e da Angelus, escrevendo algumas das edições de maior vendagem da história da Top Cow.

Marz seria substituído por Tim Seeley, que tentaria fazer uma Sara mais pé no chão, numa época em que a Witchblade seria parte da saga Top Cow Rebirth, criada em comemoração pelos 20 anos da Top Cow. Seeley escreveria até a edição 169, de setembro de 2013, com Marz voltando na 170 para bagunçar a vida de Sara, que ficaria ressentida imaginando que a Witchblade era responsável por evitar que ela conseguisse avançar na vida, e cogitasse se livrar do artefato de uma vez por todas. Marz seria o roteirista até a edição 185, de novembro de 2015, quando, para aproveitar o aniversário de vinte anos da primeira edição, a Top Cow decidiria encerrar a saga de Sara Pezzini, permitindo que ela encontrasse outro hospedeiro definitivo para a Witchblade e fosse viver sua vida - curiosamente, a capa da edição 185 teria arte idêntica à da edição 1. Além das 185 edições mensais, Witchblade teria duas edições anuais, lançadas em 2009 e 2010.

Falando em arte, Turner seria o artista de Witchblade até a edição 27 - exceto pela 24 e 26, desenhadas por Randy Green, que co-desenharia a 27 assumiria a arte a partir da 28, de fevereiro de 1999. Green tinha um estilo parecido com o de Joe Madureira, que desenhou os X-Men na década de 1990, mas não agradou aos fãs de Witchblade, sendo substituído por Keu Cha, que tinha um estilo parecido com o de Turner, na edição 40, de junho de 2000. Após uma passagem de Brian Ching entre as edições 50 e 59, e uma de Eric Basaldua entre a 60 e a 79, com Marz viria Mike Choi, que ficaria até a 115, sendo substituído na 116, de abril de 2008, por Stjepan Sejic, que é considerado o maior artista de Witchblade, acima até mesmo de Turner, e ilustraria as histórias de Marz até ele sair na 150. Com Seeley, na 151, estrearia Diego Bernard, que sairia junto com ele na 169, assumindo Laura Braga na 170 e ficando até o final.

Além de na série regular, a Witchblade seria a estrela de várias minisséries e edições especiais lançadas pela Top Cow. Entre maio e julho de 1996, seria publicada a minissérie em três edições Medieval Spawn / Witchblade, com roteiros de Garth Ennis e arte de Brandon Peterson, na qual o Spawn Medieval e Katarina Godliffe, a hospedeira da Witchblade na época, se unem para impedir que o tirano Lord Cardinale conquiste o Reino das Fadas. Essa minissérie daria uma ideia a Christina Z e, para a edição 9, de setembro de 1996, ela e Wohl escreveriam uma história, com arte de Tony Daniel, na qual a Witchblade projeta na mente de Sara a vida de uma de suas hospedeiras anteriores, a pirata Anne Bony. Essa história seria um teste para o lançamento de uma nova revista, protagonizada por outras hospedeiras, passadas ou futuras, da Witchblade. Chamada Tales of the Witchblade, essa revista teria 10 edições, publicadas trimestralmente entre novembro de 1996 e janeiro de 2001, com roteiros de Christina Z, David Finch, Bill O'Neil e Warren Ellis, e arte de Tony Daniel, Nathan Cabrera, Billy Tan, Richard Bennett, Christian Zanier e David Boller. Infelizmente, a revista não teve as vendas imaginadas e acabou cancelada, mas não sem a curiosidade de contar na última edição com a participação especial de Lara Croft - que não, não foi hospedeira da Witchblade - o que faz com que ela não possa ser republicada, já que o contrato de licenciamento da personagem para a Top Cow já expirou.

Lara Croft não estava lá por acaso: no auge da popularidade de Witchblade, a Top Cow conseguiria licenciá-la junto à Eidos e à Core para um crossover Tomb Raider / Witchblade, com roteiro de Turner e arte de Turner e Ching, lançado em dezembro de 1997, no qual Sara acaba topando com Lara ao investigar um assassinato, do qual a arqueóloga passa a ser suspeita. As duas ainda se encontrariam em Witchblade / Tomb Raider, de julho de 2000, com roteiro de O'Neill e arte de Keu Cha, mas, antes disso, o sucesso do crossover garantiria a Lara uma série só dela, Tomb Raider, inicialmente com roteiros de Dan Jurgens e arte de Andy Park, que teve 52 edições publicadas entre dezembro de 1999 e março de 2005.

Também em 1997, Sara seria uma das personagens envolvidas na saga O Reino do Demônio, cuja primeira edição foi lançada em março, na qual Mefisto descobre um caminho que leva até o Universo Top Cow, planejando usar as almas de seus habitantes para se tornar mais poderoso que nunca, mas alguns heróis Marvel conseguem ir atrás dele e se unem aos heróis da Top Cow para impedi-lo. Sara participaria de duas edições: Wolverine / Witchblade, que tem roteiro de Wohl, Turner e Christina Z e arte de Turner, e Witchblade / Elektra, que tem roteiro de Wohl e Christina Z e arte de Turner e Joe Benitez.

Além de ser um personagem mais ou menos regular de Witchblade, Jackie Estacado seria o astro de sua própria revista, The Darkness, na qual também ganha poderes sobrenaturais, mas conferidos pelo Darkness - e na qual Sara faria algumas participações especiais. A ligação entre os dois faria com que algumas histórias fossem compartilhadas entre as revistas, alternando as histórias entre a Witchblade e a The Darkness, com uma delas, que envolvia um grupo chamado Necrobi tentando fazer com que a Witchblade se tornasse capaz de controlar o poder do Darkness, tendo quatro partes, uma publicada na Witchblade, uma na The Darkness, uma na edição especial Witchblade / Darkness e uma na edição especial Darkness / Witchblade. Em junho de 1998, também seria publicado um crossover, Witchblade / The Darkness, com roteiro de Wohl e David Finch e arte de Brian Ching, na qual Jackie tenta impedir que Sara reúna provas contra um mafioso amigo seu acusado de assassinato. Sara e Jackie também seriam os astros de duas minisséries curiosas: Overkill: Witchblade / Aliens / Darkness / Predator, em duas edições publicadas em novembro e dezembro de 1999, com roteiros de Jenkins e arte de Clarence Lansang, Joe Benitez e Brian Ching, no qual Aliens vêm a Nova Iorque colocar ovos, Predadores vêm atrás deles para caçá-los, e Sara e Jackie são pegos no meio da confusão, e sua sequência com mais ou menos a mesma história, Witchblade / Aliens / Darkness / Predator: Mundhunter, em três edições publicadas entre dezebro de 2000 e fevereiro de 2001, com roteiros de David Quinn e arte de Mel Rubi.

A Witchblade também faria crossovers com duas das mais famosas bad girls dos quadrinhos. A primeira seria Lady Death, da Chaos! Comics, em duas edições: Lady Death / Medieval Witchblade, de julho de 2001, ambientada na Idade Média, com roteiro de Brian Augustyn e arte de Romano Molenaar, na qual Lady Death e Katrina unem forças contra a tirana Rainha Morgana; e Witchblade / Lady Death, de novembro de 2001, com roteiro de Wohl e arte de Joel Gomez, ambientada na época atual, na qual um executivo tenta conjurar um demônio para obter vantagens financeiras, mas tudo dá errado, e cabe a Sara e Lady Death colocar as coisas de volta nos eixos.

A segunda seria Vampirella, da Dynamite Entertainment, com quem Sara dividiria três edições: Vampirella / Witchblade, de julho de 2003, com roteiro de Brian Wood e arte de Steve Pugh, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um lobisomem assassino em Nova Iorque; Vampirella / Witchblade: Union of the Damned, de julho de 2003, com roteiro de Justin Gray e arte de Joelle Jones, na qual Sara e Vampirella vão até o inferno enfrentar um lorde demônio; e Vampirella / Witchblade: The Feast, de outubro de 2005, com roteiro de Justin Grey e arte de Joyce Chin, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um grupo de vampiros assassinos em Nova Iorque. Vale citar também Tomb Raider / Witchblade / Magdalena / Vampirella, de agosto de 2005 e que tinha duas histórias, uma só com Lara e uma com roteiro de Gail Simone e arte de Joyce Chin, na qual Sara, Magdalena e Vampirella unem forças para derrotar um lorde vampiro.

Sara também dividiria duas edições com a super-heroína indiana Devi, da Virgin Comics: Witchblade / Devi, com roteiro de Marz e arte de Basaldua, e Devi / Witchblade, com roteiro de Samit Basu e arte de Mukesh Singh, ambas de abril de 2008. Em uma história em duas partes, a investigação de um assassinato leva Sara à Índia, onde ela descobre que o culpado não é um humano comum, e sim um espírito milenar sob o comando de um dos inimigos de Devi, Lord Bala, com as duas se unindo para derrotá-lo.

Também vale citar a saga Monster War, que reuniria quatro edições especiais nas quais personagens da Top Cow enfrentariam monstros clássicos do cinema. Sara seria a estrela da terceira, de agosto de 2005, com roteiro de Christopher Golden e Tom Sniegoski e arte de Vitor Ishimura, na qual ela enfrenta o Monstro de Frankenstein - com o título na capa da edição sendo Witchblade vs. Frankenstein: Monster War. Nas outras três, caso alguém esteja curioso, Lara Croft enfrentava o Lobisomem, Jackie Estacado enfrentava o Sr. Hyde, e Magdalena enfrentava o Drácula.

Outros crossovers envolvendo a Witchblade seriam Dark Minds / Witchblade, de agosto de 2000, com roteiro de Wohl e Pat Lee e arte de Lee, na qual os detetives Nakiko e Takahashi investigam uma série de assassinatos que podem estar ligados à Witchblade; JLA / Witchblade, de dezembro de 2000, com roteiro de Len Kaminski e arte de Mark Pajarillo, na qual Sara vai a Gotham visitar sua amiga Barbara Gordon, mas as coisas saem do controle quando a Witchblade decide pegar a Mulher Maravilha como hospedeira; Battle of the Planets / Witchblade, de janeiro de 2003, com roteiro de Munier Sharrieff e arte de Alam Tam, na qual a Witchblade escolhe como hospedeira a Princesa da equipe G-Force; Witchblade / Dark Minds: Return of Paradox, de junho de 2004, com roteiro de Wohl e arte de Lou Kang, na qual Nakiko se torna a hospedeira da Witchblade para deter o vilão Paradox; Witchblade / Wolverine, também de junho de 2004, com roteiro de Chris Claremont e arte de Basaldua, no qual Logan e Sara se casam, mas descobrem que isso faz parte do plano de uma mutante que manipula memórias e planeja se tornar hospedeira da Witchblade; Witchblade: Shades of Grey, minissérie em quatro edições lançadas entre março e novembro de 2007, com roteiros de John Reppion e Leah Moore e arte de Stephen Segovia e Walter Geovani, na qual Sara investiga uma série de assassinatos dos quais o principal suspeito é Dorian Gray; Witchblade / The Punisher, de junho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Adriana Melo, na qual um transporte de prisioneiros que Sara acompanha é atacado pelo Justiceiro e ela decide confrontá-lo; Unholy Union, de julho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Michael Broussard e Chaz Riggs, na qual o Motoqueiro Fantasma quer punir Jackie, Sara enfrenta um Hulk enfurecido, e o Dr. Estranho tenta pôr ordem na casa; e Witchblade / Red Sonja, minissérie em cinco edições lançadas entre fevereiro e julho de 2012, com roteiros de Doug Warner e arte de Cezar Razek, na qual os destinos de Sara e Sonja se cruzam enquanto a primeira investiga o assassinato de um padre e a segunda enfrenta uma criatura demoníaca no interior de uma montanha.

Outras minisséries estreladas por Sara seriam Witchblade: Destiny's Child, em três edições lançadas entre junho e setembro de 2000, com roteiros de Christina Z e arte de David Boller, que contava como Irons e Nottingham se conheceram, e dava a entender que Sara estava destinada desde o nascimento a ser a hospedeira do artefato; First Born, em três edições lançadas entre agosto e novembro de 2007, na qual o Darkness e a Angelus disputam a posse de Hope, e sua continuação, Broken Trinity, em três edições lançadas entre julho e novembro de 2008, ambas com roteiros de Marz e arte de Sejic; e Witchblade: Demon Reborn, em quatro edições publicadas entre agosto e novembro de 2012, na qual um assassino serial que Sara matou anos antes (na Witchblade regular) retorna como um demônio disposto a levá-la com ele para o inferno, com roteiros de Ande Parks e arte de Jose Luis.

Também seriam publicadas duas histórias da Witchblade ambientadas em realidades alternativas. A primeira seria a edição especial Witchblade Infinity, com roteiro e arte de Adam Polina, ambientada em uma realidade na qual a hospedeira da Witchblade é a dominatrix Kimberly Tossova, que entra em contato com o artefato após um de seus clientes roubá-lo de Irons. A segunda seria a minissérie Switch, em quatro edições publicadas entre outubro de 2015 e julho de 2016; inicialmente um projeto pessoal de Sejic para sua página no site Deviant Art, Switch acabaria rendendo ao artista um convite para transformar a história de uma adolescente chamada Mary que se torna hospedeira da Witchblade e passa a ser disputada por Irons, pelo Darkness e pela Angelus. Originalmente prevista para ser uma série regular, Switch teve de ser encerrada prematuramente devido a problemas de saúde de Sejic.

Entre maio de 2010 e novembro de 2014, seria publicada a série Artifacts, na qual Sara e Jackie estavam dentre seus protagonistas. Originalmente, Artifacts deveria ser uma minissérie em 13 edições, cada um focada em um dos artefatos emblemáticos do Universo Top Cow - com as três primeiras edições abordando, respectivamente, a Witchblade, o Darkness e a Angelus. A minissérie faria tanto sucesso que a Top Cow decidiria transformá-la em uma série regular cujo desfecho teria impacto em todos os títulos da editora - e que seria parcialmente responsável pelo cancelamento da Witchblade em 2015. Ao todo, Artifacts teria 41 edições, numeradas de 0 a 40; a maioria delas seria escrita por Marz, e muitas contariam com desenhistas iniciantes escolhidos através de um concurso.

Apesar do cancelamento, Witchblade continuaria sendo muito popular dentre os fãs, de forma que, em 2017, a Top Cow começaria a discutir se valeria a pena trazer a revista de volta - mesmo após Sara ter recebido um final definitivo, o que os norte-americanos costumam chamar de closure. A solução seria, evidentemente, trazer a Witchblade de volta, mas com outra hospedeira. Assim, a segunda Witchblade, com numeração recomeçando do 1, seria lançada em dezembro de 2017, com roteiros de Caitlin Kittredge e arte de Bryan Valenza e Roberta Ingranata. A protagonista da nova série não é Sara, e sim a jornalista Alex Underwood, que se torna hospedeira da Witchblade após ser baleada por criminosos; enquanto tenta descobrir como funcionam os poderes do artefato, Alex se vê caçada por demônios que se disfarçam de humanos, que tentam matá-la e pegar a Witchblade para si antes que ela fique poderosa demais. Infelizmente a nova série não faria sucesso, e acabaria cancelada após apenas 18 edições, a última de março de 2020.

No início dos anos 2000, o sucesso de Witchblade era tamanho que ela se tornaria a primeira revista da Image a ser adaptada para uma série de televisão. Com roteiros de Ralph Hemecker e Richard C. Okie, a série teria um piloto exibido pelo canal TNT em 27 de agosto de 2000, mais duas temporadas, a primeira com 11 episódios, exibidos entre 12 de junho e 21 de agosto de 2001, a segunda com mais 12, exibidos entre 16 de junho e 26 de agosto de 2002. O elenco conta com Yancy Butler como Sara Pezzini, David Chokachi como Jake McCartney, Anthony Cistaro como Kenneth Irons, Will Yun Lee como o detetive Danny Woo, John Hensley como Gabriel Bowman e Eric Etebari como Ian Nottingham, e a história é mais ou menos fiel à dos quadrinhos (sem a parte do sexo e das mulheres seminuas), com Sara investigando crimes enquanto tenta lidar com a Witchblade e seus poderes e sendo perseguida por Irons e Nottingham.

Em 2004, a Top Cow conseguiria um acordo com a editora Kodansha para lançar no Japão uma versão de Witchblade em mangá. Com o nome de Witchblade Takeru, roteiros de Yasuko Kobayashi e arte de Kazuasa Sumita, o mangá teria personagens e situações diferentes da revista em quadrinhos, mas a mesma ideia central, com uma jovem mulher acidentalmente se tornando hospedeira da Witchblade e tendo de conciliar sua vida com os pensamentos intrusivos e poderes do artefato enquanto é caçada por um milionário e um mercenário que o desejam para si - no caso, a jovem mulher é a colegial Takeru Ibaraki, que foi criada em um monastério budista e desde criança já tinha sonhos com a Witchblade. O mangá seria publicado no Japão entre março de 2006 e março de 2007, e lançado traduzido nos Estados Unidos pela Bandai um ano depois, entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008.

Logo após anunciar que seria produzido um mangá, a Top Cow anunciaria ter fechado um contrato com o estúdio Gonzo para produzir um anime - que todo mundo achou que seria a adaptação do mangá, principalmente por Kobayashi também ser o roteirista, mas era uma outra história completamente nova, cuja protagonista se chamava Masane Amaha. Desastrada mas de bom coração, Masane perdeu a memória seis anos antes do início da série, e, durante esse período, sabe-se lá como, se tornou hospedeira da Witchblade, cujos poderes se manifestam quando ela se vê envolvida em uma disputa entre uma corporação multinacional e uma agência governamental. O anime, chamado simplesmente Witchblade, teria um total de 24 episódios, originalmente exibidos pelo canal JNN entre 6 de abril e 21 de setembro de 2006.

Outra adaptação de Witchblade lançada no Japão seria o romance Witchblade: Ao no Shojo, escrito por Satoshi Ichikawa com ilustrações de Makoto Uno, que criou a aparência dos personagens do anime. Lançado em agosto de 2006, o livro tinha como protagonista Yuri Miyazono, garota de 15 anos nascida em Okinawa que se torna hospedeira da Witchblade acidentalmente, mas descobre que o artefato pode ser a única chance que tem de continuar viva. Curiosamente, após o lançamento do romance, a Top Cow anunciaria que, oficialmente, o romance, o mangá e o anime não somente faziam parte da mesma cronologia, como também eram parte da cronologia da revista em quadrinhos, com Yuri sendo a hospedeira depois de Takeru e antes de Masane - que, por sua vez, o foi antes de Sara.

Um filme de Witchblade para o cinema também chegou a entrar em produção em 2008, mas acabou cancelado enquanto a Top Cow procurava por um roteiro. A NBC também negociaria a produção de uma nova série, sem relação com a da TNT, em 2017, mas o projeto acabaria cancelado porque a Top Cow não queria que Sara fosse a protagonista da série enquanto Alex era a protagonista dos quadrinhos, e a NBC não aceitou que Alex fosse a protagonista da série.

A mais recente versão de Witchblade é uma nova série em quadrinhos, lançada em julho de 2024 e ainda publicada mensalmente, criada pelo próprio Silvestri, inicialmente com roteiros de Marguerite Bennett e arte de Giuseppe Cafaro. A nova série é um reboot, ignorando os eventos de todas as anteriores e começando com Sara se tornando a hospedeira da Witchblade na época atual ao invés de nos anos 1990. O artefato ainda é o objeto de desejo de Irons, Nottingham ainda é seu guarda-costas, Jake ainda é o parceiro de Sara, Jackie ainda é um amigo e rival que trabalha para a máfia, e Alex agora é uma jornalista amiga de Sara; as histórias seguem não sendo de super-heróis tradicionais, ainda tendo um tom policial com elementos de fantasia, mas têm bem menos elementos sexuais que as originais - com até mesmo a armadura criada pela Witchblade para Sara sendo mais comportada.
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sábado, 26 de setembro de 2026

Escrito por em 26.9.26 com 0 comentários

Legião

Quando a Fox ainda tinha os direitos para fazer adaptações dos X-Men, ela não fez apenas os filmes para o cinema, mas também duas séries de TV. Essas séries são bastante injustiçadas, porque foram vistas na época como extravagâncias, caça-níqueis, e não tiveram a audiência esperada, o que é uma pena, porque uma delas é muito boa, e a outra é maravilhosa. É a melhor das duas que veremos hoje, já que hoje é dia de Legião no átomo!


Nos quadrinhos, Legião é David Haller, filho do Professor Charles Xavier com a diplomata israelense Gabrielle Haller. Xavier e Haller se conheceram quando ele e Magneto eram jovens e faziam serviço comunitário em Israel, com Gabrielle sendo uma sobrevivente do Holocausto que estava catatônica em um hospital psiquiátrico. Xavier usaria seus poderes para ajudar a curá-la, os dois se apaixonariam, ela engravidaria dele, mas decidiria manter o fato em segredo, e o menino seria criado por ela e Daniel Shomron, com quem ela se casaria pouco depois. Quando David era adolescente, sua família seria atacada por terroristas antissemitas, o que faria com que seus poderes se manifestassem e Gabrielle procurasse Moira MacTaggert em busca de ajuda. Inicialmente, Gabrielle não queria que Xavier ficasse sabendo que David era seu filho, mas, quando os poderes do menino saíram de controle e se tornaram uma ameaça, Moira não teve opção a não ser contar ao Professor, que enviou os Novos Mutantes para lidar com a situação.

Criado por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, Legião faria sua estreia na revista The New Mutants 26, de abril de 1985, onde seria o antagonista enfrentado pelo grupo. Um dos mutantes mais poderosos do planeta, ele tem telepatia e telecinese em níveis tão avançados que pode voar, se teletransportar, mudar de forma, controlar outras pessoas, absorver mentes e poderes, viajar entre as dimensões, e até mesmo viajar no tempo e modificar a realidade a seu bel-prazer. Infelizmente (ou felizmente, dependendo do caso), ele também sofre de transtorno dissociativo de identidade (TDI), também conhecido como transtorno de personalidade múltipla (que, na época da criação do personagem, era enquadrado como esquizofrenia, o que fez com que em muitas das histórias de Legião ele fosse rotulado como esquizofrênico, com a de sua origem errando ainda mais e dizendo que ele era autista), que se manifesta com cada um de seus poderes só podendo ser usado por uma personalidade diferente - como o terorrista Jemail Karami, que tem telepatia, o aventureiro Jack Wayne, que tem telecinese, ou a menina rebelde Cyndi, que tem pirocinese, a capacidade de atear fogo a objetos com o poder da mente. O codinome de David, Legião, advém justamente do fato de que ele, na prática, não é só uma pessoa, e sim várias; nos raros momentos em que ele demonstra lucidez e tem pleno controle de seus poderes, ele é uma ameaça ainda maior - como quando decidiu voltar ao passado para matar Magneto e acabou criando a Era do Apocalipse.

A série começaria a ser desenvolvida em 2014, quando, após finalizar a primeira temporada de Fargo, Noah Hawley seria convidado pela Fox para desenvolver uma série estrelada por personagens do universo dos X-Men que não tivessem chance de aparecer nos filmes, por serem pouco populares ou desconhecidos do grande público. Fã dos X-Men quando criança, Hawley gostaria da ideia, mas não da sugestão inicial da Fox, de que jovens mutantes seriam recrutados pelo Clube do Inferno, se rebelando e passando a enfrentar a organização. Conversando com Simon Kinberg, roteirista e produtor de vários dos filmes dos X-Men, ele diria querer fazer uma série que ao mesmo tempo fosse interessante e inédita, diferente de tudo o que já havia sido feito com os mutantes; os dois, então, começariam a analisar personagem por personagem, em busca de um que pudesse ser o protagonista, parando em Legião, que Hawley considerou perfeito para o que, segundo ele, seria "a desconstrução de um vilão e uma história de amor".

Em outubro de 2015, o canal FX, reservado pela Fox para sua programação considerada mais adulta, dara luz verde para a produção de um piloto de uma série protagonizada por Legião, co-produzido pela Marvel Television e pela FX Productions - embora, na verdade, a FX Productions tenha feito praticamente tudo, com o envolvimento da Marvel tendo ido pouco além de licenciar os personagens. Hawley escreveria e dirigiria o piloto, de uma hora e meia de duração, que impressionaria os executivos da Fox, com o presidente do canal FX, John Landgraf, se mostrando extremamente empolgado para autorizar a série, que chamaria de "extraordinária". Uma primeira temporada de oito episódios (o piloto mais sete) seria encomendada em janeiro de 2016, com Hawley como showrunner e produtor, ao lado de Lauren Shuler Donner, Bryan Singer e Kinberg, responsáveis por grande parte dos filmes dos X-Men, Jeph Loeb e Jim Chory, da Marvel, e John Cameron, que havia trabalhado com Hawley em Fargo.

A primeira coisa que é preciso saber sobre Legião é que ela não é uma série de super-heróis, estando mais para um daqueles filmes de arte europeus no qual as coisas acontecem sem que a gente saiba se estão acontecendo naquele momento ou se tratam de um flashback, sonho ou alucinação de um dos personagens. Isso seria culpa de Hawley, que concluiria que a única forma de se fazer uma série com Legião seria fazendo-a tão fragmentada quanto a mente do personagem. Hawley declararia que a série não seria feita desse jeito porque ele queria fazer algo diferente, mas sim porque essa era a forma correta de contar essa história, pois "a estrutura de uma história deve refletir o conteúdo dessa história", ou seja, "se a história é sobre um sujeito que não sabe o que é real ou não, a audiência deve ter a mesma experiência". Ele também diria que toda a história seria contada sob o ponto de vista de David, se utilizando de recursos como narrador não confiável e histórias dentro de histórias, mas não querer que o público visse a série como um enigma a ser desvendado ou um mistério a ser solucionado, com todos os elementos já estando presentes desde o início, apenas se tornando mais claros conforme David caminhava em direção à sanidade.

Hawley também optaria por criar uma história totalmente nova, sem nenhuma relação com as histórias envolvendo Legião nos quadrinhos, por achar que, se tentasse adaptar as histórias, não importando o que ele fizesse, "alguém se sentiria ofendido". Ele compararia a relação da série com os quadrinhos com o que ele havia feito em Fargo, dizendo não ser seu trabalho fazer um remake do filme ou recontar a mesma história, e sim contar uma história diferente envolvendo os mesmos personagens, com o mesmo impacto e o mesmo resultado final. Hawley também diria estar aberto à possibiidade de usar elementos dos quadrinhos, como supervilões ou heróis uniformizados, mas que tentaria a todo custo evitar passar a mensagem de que todos os problemas podem ser resolvidos na porrada; sobre o transtorno de David, ele diria não querer usar uma condição que aflige muitas pessoas para fins de entretenimento, mas que o transtorno era uma parte importante do personagem, então ele tentaria usá-lo sem fazer dele o aspecto principal da história.

Uma das decisões mais bizarras de Hawley seria não especificar em qual época a série ocorre: elementos como carros e eletrodomésticos raramente são mostrados, e, quando aparecem, são uma mistura de elementos modernos e antigos, como se a série fosse ambientada em uma versão futurista dos anos 1960; o mesmo ocorre com as roupas dos personagens, que parecem roupas modernas imitando vestimentas dos anos 1960. Em entrevistas, Hawley diria que, como era impossível reproduzir na série a arte de Sienkiewicz, ele gostaria que ela tivesse uma aparência de uma história fora do tempo e fora de lugar, já que a ambientação da série não era o mundo real, e sim a experiência de David no mundo real, "criando sua própria realidade através da nostagia e da memória". Ele também citaria como influência a série Hannibal, que possui uma "beleza fetichista", mesmo falando sobre comida e violência, e declararia que "o design de cada série deve possuir sua própria lógica interna", com a de Legião sendo "a de um filme de 1964 estrelado por Terence Stamp".

As filmagens da primeira temporada ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e em tempo recorde: 21 dias para o piloto, 8 dias para cada episódio - embora alguns episódios tenham precisado de dois ou três dias de refilmagens para se adequar à visão de Hawley. Além do piloto, Hawley escreveria o segundo e o último episódios, com os demais ficando dois a cargo de Peter Calloway, dois com Nathaniel Halpern e o penúltimo com Jennifer Yale. Hawley dirigiria só o piloto, com três episódios, incluindo o útimo, sendo dirigidos por Michael Uppendahl, e os demais ficando com Larysa Kondracki, Tim Mielants, Hiro Murai e Dennie Gordon. Hawley optaria por manter os efeitos especiais no mínimo possível, com a maioria das cenas fantásticas sendo obtidas através de truques de câmera, de iluminação ou efeitos à moda antiga, com cabos, próteses e maquetes; sendo uma série sobre pessoas com superpoderes, entretanto, alguns efeitos só poderiam ser obtidos mesmo com computação gráfica, sendo esses criados pela Park Road Post Production.

Em uma entrevista, Landgraf diria que Legião ocorria "em uma realidade paralela" à dos filmes dos X-Men, para que não fosse preciso levar em conta os eventos dos filmes ao escrever a série. Singer, por outro lado, diria que a série, apesar de ter sido criada para funcionar sozinha, ocorria no mesmo universo que os filmes, e que não era impossível os personagens da série aparecerem em um futuro filme ou os personagens dos filmes fazerem participações especiais na série. Hawley preferiria um caminho do meio, dizendo que, já que a série explorava uma realidade subjetiva, criada por David, não havia necessidade de ligá-la aos filmes de imediato, mas que alguns eventos, como David ser filho de Xavier, teriam de ser abordados em algum momento; ele também diria "ter esperança de fazer algo tão grandioso que o pessoal dos filmes olharia e diria ser impossível não conectar" a série aos filmes.

A primeira temporada começa com David Haller (Dan Stevens, de Dowton Abbey) - que não usa o codinome Legião em nenhum episódio - sendo interrogado pelo governo; aos poucos, sua história é revelada, sendo mostrado que ele possui poderes psíquicos, mas também transtornos mentais, tendo sido internado por sua irmã, Amy (Katie Aselton), em uma instituição psiquiátrica, para não colocar em risco sua própria vida. A melhor amiga de David, Lenny Busker (Aubrey Plaza), está internada na mesma instituição por ser usuária de drogas, e se mostra uma má influência em sua recuperação; também na instituição, David conhece Sydney Barrett (Rachel Keller), por quem se apaixona, e que revela que ele não está doente, mas é um mutante, e que pode treinar para controlar seus poderes e viver uma vida normal. Syd, que tem o poder de trocar de corpo durante alguns minutos com pessoas com as quais tenha contato físico, planeja levar David até um grupo de mutantes liderado pela humana Melanie Bird (Jean Smart), do qual também fazem parte Ptonomy Wallace (Jeremie Harris), que tem o poder de entrar na mente das pessoas e criar cenários baseados em suas memórias, Cary (Bill Irwin) e Kerry Loudermilk (Amber Midthunder), irmãos que compartilham o mesmo corpo, e Rudy (Brad Mann), que tem telecinese, mas um incidente acaba fazendo com que David seja capturado por uma agência do governo chamada Divisão 3, especializada em neutralizar ameaças mutantes, liderada por Clark Debussy (Hamish Linklater), que considera David uma ameaça, estando ele doente ou não.

David acaba conseguindo fugir da Divisão 3 e se unir aos mutantes, sendo perseguido por um mutante com poderes psíquicos chamado Walter (Mckenzie Gray), que trabalha para a Divisão 3. Melanie explica a David que Walter, Cary, ela e seu marido, Oliver (Jemaine Clement), também um mutante com poderes psíquicos, fundaram uma comunidade chamada Summerland, para que os mutantes pudessem viver longe da perseguição da humanidade, mas que o governo, os vendo como uma ameaça, criou a Divisão 3 para encontrá-los e exterminá-los, e Oliver, tentando interromper essa perseguição, acabaria preso no Plano Astral. Cary, que é um cientista, decide usar seu aparato tecnológico para descobrir a real magnitude dos poderes de David e ajudar a controlá-los, enquanto Ptolomy vasculha sua mente por elementos que possam indicar por que os poderes de David se manifestam como um transtorno mental. Eles acabam descobrindo que, desde criança, David vive com o Rei das Sombras, uma entidade do Plano Astral, alojado em sua mente, e que é ele quem impede que David perceba a realidade corretamente, fazendo com que seus poderes se manifestem como transtornos. Acreditando que David pode salvar Oliver e garantir a segurança de Summerland, Melanie decide tentar livrar o rapaz da influência do Rei das Sombras - o que se mostrará especialmente difícil, já que David parece querer aproveitar a oportunidade para aprender sobre seu próprio passado, sem se importar com a perseguição da Divisão 3 ou a segurança dos demais mutantes.

Personagens coadjuvantes de destaque incluem o agente Brubaker (David Selby), da Divisão 3; a namorada de David antes de sua internação, Philly (Ellie Araiza); o psiquiatra Henry Poole (Scott Lawrence), que tratou David também antes de ele ser internado; e "o homem de olhos amarelos" (Quinton Boisclair), uma manifestação física do Rei das Sombras. Criado pelo designer de produção Michael Wylie, o homem de olhos amarelos seria inspirado no reality show My 600-lb Life, uma espécie de Quilos Mortais, que acompanhava pessoas obesas, mas fazia uso de efeitos de iluminação e ângulos de câmera para parecer que a aparência delas era muito pior do que realmente era. Boisclair trabalhava em uma loja de quadrinhos em Vancouver e foi descoberto por acaso pela produção da série; com 2,03 m de altura mas extremamente magro, ele usaria uma maquiagem prostética que levava quatro horas para ser aplicada, e que deixava seu tronco e cabeça enormes e sem pescoço, mas com seus braços e pernas magros expostos para contraste. Boisclair seria considerado "um achado" pela equipe de produção, com sua versão maquiada se enquadrando perfeitamente na descrição do Rei das Sombras que Hawley havia criado.

Um dos personagens mais complexos da série seria Lenny, a melhor amiga e pior influência de David. Originalmente, o personagem seria um homem de meia idade, e Plaza faria o teste para o papel de Syd, mas Hawley, que queria que Syd fosse Keller, que já conhecia de Fargo, ficaria tão impressionado com o teste que decidiria transformar Lenny em uma mulher jovem - cujo nome verdadeiro é Lenore - depois que os roteiros já estavam escritos. Achando que isso combinaria com a personagem, que tem histórico de abuso de drogas e álcool, Plaza pediria para que os diálogos não fossem alterados, o que faria com que Lenny soasse mais velha do que é e fizesse vários comentários misóginos, o que muita gente atribuiu ao fato de que suas falas eram mostradas como David se lembrava delas.

Mas os personagens mais interessantes são Cary e Kerry: ela vive dentro dele, sem precisar se alimentar, dormir ou fazer necessidades, e só saindo para executar tarefas específicas. A mãe dos dois era nativo-americana, e se tornou uma pária quando nasceu Cary, um homem branco, sem saber que Kerry, também nativo-americana, havia vindo junto. Os dois irmãos mantiveram a existência de Kerry em segredo, com Cary vivendo sua vida normalmente e se tornando um cientista, e ela preferindo se tornar uma lutadora, especializada em várias artes marciais. Mas o detalhe é que Kerry só envelhece quando está fora do corpo de Cary, o que faz com que ele tenha por volta de 60 anos, enquanto ela tem por volta de 20. Outro detalhe é que todos os ferimentos sofridos por Kerry passam para o corpo de Cary quando eles se unem novamente, o que vem se tornando cada vez mais perigoso devido à idade do cientista. Cary e Kerry não estão no piloto, e Hawley criaria Cary especialmente para Irwin, convidando-o sem testes e convencendo-o a aceitar antes mesmo de as primeiras cenas do personagem serem escritas.

Hawley e a equipe de produção não contariam tudo o que aconteceria em cada dia de gravação a Stevens, entregariam e ele roteiros editados, apenas com suas falas e com menos detahes que os que entregavam aos demais, e pediriam que o restante do elenco e equipe mantivessem certos detalhes da história em segredo, sem que ele os soubesse; a intenção era que, assim como David, Stevens se visse confuso em relação ao que estava acontecendo a seu redor, contribuindo para o realismo das cenas. Para se preparar para o papel, Stevens estudaria transtornos psíquicos, e conversaria com profissionais da saúde e pacientes. Um importante elemento da história, o livro The World's Angriest Boy in the World ("O Menino mais Raivoso do Mundo"), que David se lembrava de ser lido por seu pai para ele quando criança, seria escrito e ilustrado por Hawley, com ilustrações inspiradas nas obras de Edward Gorey. Stevens o chamaria de "o livro infantil mais perturbador do mundo", mas acharia importante tê-lo em mãos e poder lê-lo enqanto interpretava. Uma manifestação física do protagonista do livro seria criada pela equipe de figurino, com a fantasia sendo usada pela dublê Devyn Dalton.

Legião (Legion, no original em inglês) estrearia no canal FX em 8 de fevereiro de 2017, com o útimo episódio da temporada sendo exibido em 29 de março. A audiência do piloto seria fantástica, mas cairia a cada episódio, com a do último sendo a metade; a crítica, por outro lado, ficaria encantada, elogiando os roteiros, o visual da série, as atuações de Stevens e Plaza, e a coragem de Hawley em romper com a fórmula dos super-heróis, que, na época, já começava a ser considerada esgotada, criando uma série que só é de super-heróis por ter pessoas com superpoderes.

O FX renovaria a série para uma segunda temporada enquanto a primeira ainda estava no ar, com Hawley declarando que havia alguns elementos que ele já sabia que estariam na segunda temporada, pois queria que tivessem estado na primeira mas não houve tempo, mas que ele ainda precisaria pensar para definir qual seria a sua história central - enquanto a primeira ainda estava em produção, Landgraf diria a Hawley que, se ela fizesse sucesso, ele poderia fazer tantas temporadas quanto quisesse, mas Hawley preferiria fazer da primeira temporada uma história fechada, achando que seria injusto com o público a temporada terminar sem que nada ficasse resolvido, o que efetivamente faria com que a segunda temporada não pudesse continuar a história da primeira, precisando de uma nova. Em 2018, Singer seria removido da produção devido às denúncias de abuso sexual o envolvendo; o FX declararia que isso não afetaria a segunda temporada, já que o envolvimento de Singer na primeira foi mínimo.

A segunda temporada se passa um ano após o final da primeira; David não esteve presente durante esse tempo, porque foi sequestrado por um artefato misterioso e mantido em animação suspensa. Ao retornar, ele descobre que tudo está bem diferente de quando ele se foi: os mutantes de Summerland se uniram à Divisão 3, estando agora sediados em uma instalação do governo comandada pelo Almirante Fukyama (Marc Oka), homem que jamais mostra o rosto e tem como assistentes androides que se parecem com mulheres de bigode. É revelado que o Rei das Sombras na verdade é Amahl Farouk (Navid Negahban), mutante de vastos poderes psíquicos, que, anos atrás, foi derrotado por Xavier e aprisionado no plano astral, usando o corpo de David - que é filho de Xavier, tendo sido adotado pelos Haller, que já eram pais de Amy, após ser abandonado por sua mãe verdadeira, que sofria de esquizofrenia - para escapar e retornar ao mundo real. O motivo pelo qual os mutantes e a Divisão 3 se uniram foi que o Rei das Sombras, com a ajuda de Oliver e de Lenny, planeja encontrar seu corpo físico, escondido por monges após sua derrota para Xavier, e se tornará uma ameaça ao mundo caso consiga. Syd, Ptonomy, Cary e Kerry atuam em conjunto com Clark para impedi-lo, enquanto Melanie está desiludida por ter perdido Oliver novamente; David, porém, tem seus próprios planos, e decide enfrentar o Rei das Sombras sozinho, o que acaba atrapalhando seus amigos.

Hawley definiria a segunda temporada como "o Breaking Bad dos X-Men", já que David a começa heroico, mas vai se tornando cada vez mais um vilão, até se mostrar uma ameaça tanto para a Divisão 3 quanto para seus amigos mutantes. Ele pediria para que a temporada tivesse 10 episódios, achando que os 8 da primeira foram pouco para desenvolver a história do jeito que ele gostaria; a Fox concordaria, mas, em meio à produção, o FX pediria para que fossem 11, para corrigir um problema em sua grade de programação, o que faria com que Hawley criasse um episódio especial no qual várias realidades alternativas seriam mostradas, cada uma baseada em uma decisão tomada por David ou por sua família adotiva ao longo de sua vida. A temporada também traria muitas cenas nas quais, por David estar sozinho, não temos como saber se realmente ocorreram ou foram apenas fruto de sua imaginação.

Hawley queria a qualquer custo evitar que a luta entre David e Farouk se tornasse uma questão "do bem contra o mal", preferindo mostrar que diferentes situações levam a diferentes posicionamentos; por causa disso, todas as cenas de luta possuem elementos diferenciados, com uma delas sendo coreografada como uma dança, e a batalha final entre David e Farouk tendo elementos de animação, já que, apesar de seus corpos estarem no mundo real, ela ocorria no plano astral. Hawley também criaria o que chamaria de "segmentos educativos", nos quais um narrador (Jon Hamm) falava sobre transtornos mentais, percepção de realidade, efeito manada e outros temas, adicionado ao início, ao meio ou ao final de alguns dos episódios; esses segmentos atuavam como complemento à história mostrada - que já não era narrada do ponto de vista de David, como a primeira temporada, seguindo uma estrutura mais tradicional - e buscavam explicar que a nossa realidade é uma soma das escolhas que fazemos.

A segunda temporada seria filmada na Califórnia, devido a incentivos fiscais oferecidos à Fox pelo estado. Hawley ficaria satisfeito com a mudança, dizendo que, após uma primeira temporada de cenários sombrios e opressivos, poderia criar muitas cenas ensolaradas e com cores vivas, o que ajudaria a demonstrar que David está em uma nova fase de sua vida. A maior parte das cenas seria gravada em estúdio, com os principais sets sendo dedicados ao restaurante da Divisão 3 - no qual barquinhos levavam a comida de mesa em mesa, o que representou um desafio para o posicionamento das câmeras e das equipes técnicas - à sala de Fukyama e ao laboratório de Cary, que tem uma máquina que se parece com o Cérebro, do Professor Xavier, e diversos equipamentos que, segundo a equipe de produção, "podem ser encontrados em qualquer quartel-general de super-herói". Hawley mais uma vez tentaria manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, inclusive criando cartões de título para os episódios, ao invés de adicionar as letras na pós-produção; os efeitos especiais que não tinham como ser feitos de outra forma ficaram a cargo das empresas Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.

Retornariam da primeira temporada Stevens, Keller, Plaza, Irwin, Midthunder, Clement, Harris, Linklater, Smart, Selby, Aselton e Boisclair; Lily Rabe faz uma participação especial como a mãe de Syd em flashbacks, enquanto Molly Hagan e Seamus Deaver fazem participações especiais no episódio das realidades alternativas. Originalmente, Farouk seria interpretado por Saïd Taghmaoui, mas os produtores acharam que ele não estava passando a credibilidade necessária para o personagem, e o substituiriam por Negahban, que entrou na série durante as filmagens do oitavo episódio, com todas as cenas dos anteriores que envolviam Farouk tendo de ser refilmadas. Francês, Taghmaoui pediria que os roteiristas incluíssem nas falas de Farouk algumas frases e expressões em seu idioma nativo, característica que Negahban (que é iraniano) decidiria não só manter mas ampliar, adicionando cacos em vários idiomas diferentes a suas falas, sem combinar previamente com os roteiristas ou diretores.

A segunda temporada seria exibida pelo FX entre 3 de abril e 12 de junho de 2018. Oito dos 11 episódios seriam escritos por Noah Hawley & Nathaniel Halpern, exceto o sexto (o das realidades alternativas) e o último, escritos apenas por Hawley, e o oitavo, escrito por Hawley & Jordan Crair - o que fazia com que, diferentemente da primeira temporada, na segunda todos os episódios tivessem participação direta de Hawley. Na direção, dois episódios ficariam com Mielants, e um cada com Hawley, Cameron, Ana Lily Amirpour, Sarah Adina Smith, Ellen Kuras, Charlie McDowell, Jeremy Webb, Dana Gonzalez e Keith Gordon. A audiência começaria mais baixa que a do último episódio da primeira temporada, e mais uma vez cairia a cada episódio; a crítica também mais uma vez ficaria encantada, considerando a segunda temporada melhor que a primeira. A segunda temporada receberia uma indicação ao Emmy, de Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora.

A segunda temporada teria um final mais aberto que a primeira; em janeiro de 2018, Hawley declararia já estar trabalhando na terceira temporada, e que Legião não era uma série na qual cada temporada teria um vilão diferente, e sim "uma grande história de três ou cinco temporadas, na qual cada temporada é um novo capítulo dessa história". A Fox renovaria a série para uma terceira temporada enquanto a segunda ainda estava indo ao ar, mas, diante da queda constante na audiência, chamaria Hawley para conversar. Em fevereiro de 2019, Hawley anunciaria que a terceira temporada já estava em produção, mas que seria a última, e que "era a sua intenção desde o início" que Legião tivesse apenas três temporadas.

Hawley gostaria que Xavier aparecesse na terceira temporada, e chegaria a conversar com Patrick Stewart sobre a possibilidade de ele voltar a interpretar o personagem, com o ator respondendo que estava "absolutamente 100%" decidido a voltar a interpretar o personagem". Hawley, porém, acabaria optando por mostrar apenas uma versão jovem de Xavier, e não encontraria uma forma de incluir Stewart em algum episódio; ele pediria para que a Fox entrasse em contato com James McAvoy, mas a assessoria do ator responderia que ele não estaria disponível no período em que a terceira temporada estivesse sendo filmada. A equipe de produção acabaria escolhendo Harry Lloyd para interpretar Xavier, e a diamarquesa Stephanie Corneliussen (de Mr. Robot) para interpretar sua esposa e mãe de David, Gabrielle - que não se chama Haller na série, já que esse é o sobrenome da família que adotou David.

Na terceira temporada, David estabelece uma espécie de culto, do qual Lenny faz parte, no qual ele é idolatrado e oferece a seus seguidores uma água alucinógena criada com seus poderes. Farouk se uniu à Divisão 3, agora liderada por Ptonomy, e faz parte de uma equipe que também conta com Clark, Syd, Cary e Kerry, que tem como objetivo localizar e capturar David. Só que David tem um trunfo, a mutante Switch (Lauren Tsai), que tem o poder de viajar no tempo, efetivamente desfazendo todos os esforços da Divisão 3 para encontrá-lo. Os poderes de Switch são limitados, mas David planeja ampliá-los para reescrever a história e acabar com a ameaça de Farouk de uma vez por todas; o abuso das viagens no tempo, entretanto, acaba atraindo criaturas interdimensionais que devoram o tempo, e ameaçam destruir toda a realidade.

Mais uma vez, Hawley faria a temporada de forma que fosse impossível precisar em qual época ela ocorre, mas, diante da temática de culto e comunidade de convivência, o visual de David e seus seguidores seria inspirado no dos hippies, e o da temporada como um todo na psicodelia dos anos 1970. Switch, cujo nome verdadeiro é Jia-Yi, seria inspirada em um personagem dos quadrinhos que usa o mesmo codinome e tem poderes semelhantes, mas é homem; a personagem seria uma mistura de elementos japoneses, chineses e sul-coreanos, também sem deixar muito clara sua nacionalidade, e se vestiria no estilo harajuku, a "moda de rua" japonesa, com muitas referências à cultura pop. Quando usa seus poderes, Switch acessa um "corredor do tempo", com cada porta levando para uma época diferente, ficando mais exausta o quanto mais se afasta da porta do tempo presente; a equipe de produção criaria um corredor preto e mal iluminado, usando a técnica de perspectiva forçada para dar a impressão de que ele era infinito.

Enquanto na primeira temporada a excentricidade da série estaria em David ser um narrador não confiável, na terceira ela decorre das constantes viagens no tempo, com alguns episódios sendo focados em Xavier e Gabrielle, outros trazendo cortes bruscos - um deles chega a exibir um trecho de um episódio da série The Shield, como se ocorresse em uma realidade na qual ela substituiu Legião - e há um episódio completamente ambientado no plano astral, que traz participações especiais de Smart e Clement - já que Melanie e Oliver não estão nessa temporada - e do ator Jason Mantzoukas como o mutante Jerome, conhecido como Lobo. A terceira temporada seria mais uma vez filmada na Califórnia, e novamente Hawley tentaria manter os efeitos de computação gráfica ao mínimo possível, com os existentes ficando de novo a cargo da Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.

A terceira temporada teria mais oito episódios, exibidos entre 24 de junho e 12 de agosto de 2019, com a série se encerrando com um total de 27. Somente o episódio do plano astral seria integralmente escrito por Hawley; o primeiro teria roteiro de Hawley e Halpern, os dois últimos de Hawley e Olivia Dufault, o segundo de Hawley, Dufault & Kate Thulin, o terceiro apenas de Halpern, o quarto de Dufault e Charles Yu, e o quinto de Dufault e Ben H. Winters. A direção ficaria a cargo de Gonzalez, Andrew Stanton, Carlos López Estrada, Daniel Kwan, Arkasha Stevenson (um episódio cada) e Cameron (dois episódios), com o último sendo co-dirigido por Hawley e Cameron. A audiência começaria levemente mais alta que no final da segunda temporada, mas, após três episódios, voltaria a cair, com o último episódio sendo o de menor audiência de toda a série. A crítica voltaria a rasgar elogios ao visual, à edição e até mesmo à trilha sonora e ao som; no geral, entretanto, a terceira temporada seria considerada mais fraca que as duas anteriores, com os roteiros sendo considerados menos inspirados.

Seja como for, Hawley merece crédito por sua ousadia em pegar um personagem que, nos quadrinhos, é pouco mais que um vilão apelão utilizado quando os roteiristas querem submeter os X-Men a um desafio impossível, e dar a ele profundidade, propósito e, por que não, humanidade, criando uma das séries mais impressionantes da história da televisão.
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sábado, 19 de setembro de 2026

Escrito por em 19.9.26 com 0 comentários

Hanna-Barbera (II)

Hoje seguiremos com a história da Hanna-Barbera!

No início da década de 1970, a Hanna-Barbera já era uma potência da animação: quase dois terços de todos os desenhos animados exibidos na televisão dos Estados Unidos eram produzidos por eles. Além disso, eles haviam acabado de firmar duas parcerias, uma com a Colpix, para a criação da Hanna-Barbera Records, que lançaria álbuns das trilhas sonoras de seus desenhos, com distribuição da Columbia, e outra com o National Catholic Office for Radio and Television, para produzir 26 desenhos animados para o cinema com temas bíblicos - esse jamais se concretizaria, porém, e os desenhos só seriam produzidos muitos anos depois, para lançamento diretamente em home video.

A primeira estreia da Hanna-Barbera na década de 1970 seria Where's Huddles? (Os Tremendões), sobre um time de futebol americano, os Rinocerontes. Produzido sob encomenda da CBS para tapar um buraco no horário nobre de sua grade, Where's Huddles? seria levemente inspirado em Os Flintstones, com o protagonista sendo o quarterback do time, Ed Chefe (Ed Huddles, no original), que tinha uma esposa chamada Norma e uma filhinha bebê chamada Pom-Pom, e cujo melhor amigo era seu vizinho, Buba, que também fazia parte do time e era casado com a melhor amiga de Norma, Pita. Outros personagens eram o Treinador; o maior jogador do time, Cargueiro; o dono do time, Pertwee; e o cachorro de Ed, Caldo (que lembra Muttley). A série teria apenas 10 episódios, exibidos entre 1 de julho e 2 de setembro de 1970; a CBS prometeria renová-la para uma temporada completa, mas isso jamais aconteceria.

Joe Ruby e Ken Spears gostariam do tema esportivo e, enquanto Where's Huddles? estava em produção, convenceriam a Hanna-Barbera a obter os direitos do famoso time de basquete de exibição The Harlem Globetrotters, para produzir uma série que contava com versões animadas dos jogadores mais famosos da equipe. Cada episódio colocava os Globetrotters acidentalmente em uma situação na qual algum crime estava acontecendo, com um jogo de basquete sendo proposto para decidir o conflito - no qual os vilões sempre trapaceavem no primeiro tempo, mas os Globetrotters, usando sua inteligência e habilidade, conseguiam derrotá-los no segundo. Com duas temporadas totalizando 22 episódios, exibidos pela CBS entre 12 de setembro de 1970 e 16 de outubro de 1971, Harlem Globetrotters seria o primeiro desenho da televisão norte-americana protagonizado por personagens afro-americanos - mas não o primeiro a trazer um personagem afro-americano, que seria The Hardy Boys, da Filmation, que estrearia um ano antes; antes disso, todos os personagens negros presentes em desenhos animados eram africanos.

Outro desenho que estrearia no mesmo dia, meia hora depois, seria o primeiro a trazer uma personagem feminina afro-americana: Josie and the Pussycats (Josie e as Gatinhas), criado pelos irmãos John e Richard Goldwater e por Dan DeCarlo, criador original dos personagens, que fariam sua estreia nas histórias em quadrinhos da Turma do Archie. Protagonizado pela banda de mesmo nome, formada por três garotas (a guitarrista e cantora Josie, a baixista Valerie e a baterista Melody), o desenho foi o primeiro "clone de Scooby-Doo", colocando as garotas e alguns agregados (o namorado de Josie, Alan M, o empresário da banda, Alexander, sua irmã Alexandra e o gato dela, Sebastian) se envolvendo com mistérios enquanto estavam entre um show e outro da turnê, investigando-os e ajudando a selecioná-los. O desenho não faria o sucesso esperado e teria apenas uma temporada, de 16 episódios, exibidos pela CBS entre 12 de setembro de 1970 e 2 de janeiro de 1971; a Hanna-Barbera convenceria a CBS a encomendar uma segunda temporada, com mais 16 episódios, exibidos entre 9 de setembro e 23 de dezembro de 1972, transformando-o em Josie and the Pussycats in Outer Space, no qual a banda acidentalmente vai parar no espaço sideral, vivendo aventuras em vários planetas em companhia do alienígena Bleep.

Josie and the Pussycats seria criado especificamente para tentar emular o sucesso do primeiro desenho inspirado na Turma do Archie, The Archie Show, da Filmation, que estreou em 1968 e fez um sucesso colossal, conseguindo colocar uma de suas músicas, Sugar Sugar, no topo da parada da Billboard. Após não conseguir produzir uma série original protagonizada por uma banda de adolescentes, a Hanna-Barbera negociaria com a Archie Comics a adaptação das Gatinhas, que eram personagens muito secundárias da editora. A Hanna-Barbera investiria pesado no desenho, inclusive montando uma banda cujas integrantes lembrassem fisicamente as Gatinhas - na qual Cheryl Ladd, que depois ficaria famosa graças ao seriado As Panteras, interpretava Melody - que não somente gravariam as músicas que seriam exibidas no desenho, mas também gravariam um álbum, lançado pela Hanna-Barbera Records, e se apresentariam com o nome de Josie and the Pussycats em uma turnê.

Nada disso daria certo por causa do insucesso do desenho, mas a Hanna-Barbera não desistiria, criando outro desenho protagonizado por uma banda adolescente, mas dessa vez usando personagens dela mesma e conhecidos: The Pebbles and Bamm-Bamm Show (As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam), protagonizada por Pedrita e Bam-Bam, de Os Flintstones, mas como adolescentes e membros de uma banda. Com 16 episódios exibidos pela CBS entre 11 de setembro de 1971 e 1 de janeiro de 1972, esse sim seria um gigantesco sucesso - embora não tão grande quanto The Archie Show - e só não teria uma segunda temporada porque a Hanna-Barbera, talvez em uma decisão controversa, decidiu substituí-lo por The Flintstone Comedy Hour, programa com uma hora de duração composto por duas metades, uma com um episódio inédito e outra com uma reprise, com uma apresentação da banda de Pedrita e Bam-Bam entre eles. The Flintstone Comedy Hour também teria apenas uma temporada de 16 episódios, exibidos pela CBS entre 9 de setembro e 30 de dezembro de 1972, quando seria mais uma vez reformulado, para se tornar um programa só de reprises.

Ainda em 1971, para a CBS, Ruby e Spears criariam Help!... It's the Hair Bear Bunch! (O Urso do Cabelo Duro), desenho à moda antiga sobre três ursos que moram em um zoológico e fogem de lá usando motocicletas invisíveis para viver aventuras ou pregar peças no dono e no vigia do local, com 16 episódios exibidos entre 11 de setembro de 1971 e 8 de janeiro de 1972. E, para a ABC, Hanna e Barbera criariam o clone de Scooby-Doo The Funky Phantom (Fantasminha Legal), no qual os adolescentes Hugo, Sílvio e Alice (Skip, Augie e April, no original), viajando pelo país em seu buggy com seu cachorro Elmo, libertam acidentalemente o fantasma Mudsy e seu gato Boo, presos em um relógio desde a Guerra da Independência dos Estados Unidos, que passam a viajar com eles solucionando mistérios, em 17 episódios exibidos entre 11 de setembro de 1971 e 1 de janeiro de 1972.

1972 seria um ano extremamente produtivo, começando pelo primeiro filme integralmente com atores filmados, sem nenhuma sequência de animação, produzido pela Hanna-Barbera: Hardcase, dirigido por John Llewellyn Moxey e estrelado por Clint Walker e Stefanie Powers (do Casal 20), um faroeste no qual um caubói retorna a seu rancho para descobrir que, após ele ser dado como morto, sua esposa se casou com um revolucionário mexicano que a convenceu a vender todos os seus bens para comprar armas para a revolução. Exibido em 1 de fevereiro como parte da faixa ABC Movie of the Week, o filme seria uma grata surpresa, se tornando o sétimo programa mais assistido do mês de fevereiro na televisão norte-americana, um grande feito para uma estreia de um estúdio.

Para a CBS, Sidney Morse criaria The Amazing Chan and the Chan Clan (As Aventuras de Charlie Chan). Baseado na série de livros escritos por Earl Derr Biggers protagonizados pelo detetive chinês Charlie Chan, que solucionava crimes no Havaí, o desenho trazia Chan, seus dez filhos e seu cachorro pequinês Chuchu, que viajavam o mundo solucionando mistérios - enquanto Chan investigava usando os métodos usuais, seus filhos decidiam investigar por conta própria usando métodos alternativos, e eram normalmente eles que resolviam o mistério. Com 16 episódios exibidos entre 9 de setembro e 30 de dezembro de 1972, o desenho seria um grande sucesso, mas sofreria pesadas críticas da da CAA (Chinese for Affirmative Action), organização baseada em San Francisco que lutava pelos direitos da comunidade chinesa nos Estados Unidos. A presidente da CAA, Katheryn Fong, diria ser inaceitável retratar a família Chan como um enorme estereótipo - o pior deles sendo que Charlie Chan falava "através de provérbios de biscoitos da sorte" - e perguntaria se a sociedade norte-americana aceitaria um desenho chamado Hitler Haus com uma versão animada e fofinha de Adolf Hitler. Diante da controvérsia, a CBS preferiria não renovar o desenho para uma segunda temporada.

Para a NBC, Hanna e Barbera criariam um clone dos Flintstones, The Roman Holidays (Os Muzarelas), sobre uma família que vivia na época do Império Romano - um dos conceitos descartados quando eles estavam criando Os Flintstones - formada pelo pai Zecas, a mãe Laura, os filhos Jocas e Precócia e o leão de estimação Brutus - mais personagens coadjuvantes de nomes muito inspirados, como o síndico do prédio onde mora a família, Chatus; a namorada de Jocas, Ruivias; e o chefe de Zecas na empresa de construção civil onde ele trabalha, Gambazius (com todos esses, evidentemente, sendo os nomes da versão dublada, com os originais sendo bem mais sem graça). O desenho não faria sucesso e teria apenas 13 episódios, exibidos entre 9 de setembro e 2 de dezembro de 1972.

Igualmente mal-sucedido seria Sealab 2020 (Laboratório Submarino), série de aventura criada por Alex Toth que acompanhava uma equipe de pesquisa em um laboratório submarino no ano de 2020, que também teve apenas 13 episódios exibidos pela NBC entre 9 de setembro e 2 de dezembro de 1972. Enquanto isso, a CBS exibia uma nova série de Scooby-Doo, The New Scooby-Doo Movies (Os Novos Filmes do Scooby-Doo), na qual cada episódio contava com um convidado especial solucionando mistérios junto com a turma, fossem celebridades da vida real (como Dick Van Dyke, Don Adams ou Sonny & Cher), celebridades fictícias da televisão (como Batman e Robin ou a Família Addams) ou personagens de outras produções da Hanna-Barbera (como Josie e as Gatinhas ou os Globetrotters), com duas temporadas totalizando 24 episódios, exibidos entre 9 de setembro de 1972 e 27 de outubro de 1973.

Fechando o ano, estrearia Wait Till Your Father Gets Home (Papai Sabe Nada), sitcom animada ao estilo A Grande Familia, que acompanhava a família Boyle, composta por pai, mãe, uma filha adulta, um casal de filhos adolescentes, um filho criança, um cachorro e um vizinho. Embora não seja muito conhecida internacionalmente, a série seria um grande sucesso nos Estados Unidos, sendo produzidos 48 episódios exibidos diretamente em syndication, entre 12 de setembro de 1972 e 8 de outubro de 1974, com um total de três temporadas.

Além das séries animadas, em 1972 a Hanna-Barbera produziria vários especiais para a televisão, a maioria deles exibidos pela ABC aos sábados pela manhã sob o nome The ABC Saturday Superstar Movie. Fizeram parte dessa lista Yogi's Ark Lark, exibido em 16 de setembro; Oliver and the Artful Dodger, baseado em Oliver Twist, exibido em duas partes, em 21 e 28 de outubro; The Adventures of Robin Hoodnik, inspirado na lenda de Robin Hood, exibido em 4 de novembro; Gidget Makes the Wrong Connection, inspirado na série de TV Gidget, exibido em 18 de novembro; The Banana Splits in Hocus Pocus Park, único que não foi uma animação, estrelado pelos personagens de The Banana Splits, exibido em 25 de novembro; e Tabitha and Adam and the Clown Family, inspirado na série de TV A Feiticeira, exibido em 2 de dezembro. O último especial produzido pela Hanna-Barbera para o The ABC Saturday Superstar Movie seria Lost in Space, baseado na série Perdidos no Espaço, exibido em 8 de setembro de 1973.

Em 4 de outubro de 1972, a ABC inauguraria uma nova faixa de especiais, dessa vez em dias de semana à tarde e voltados para o público adolescente, chamada ABC Afterschool Special. O primeiro desses especiais também seria produzido pela Hanna-Barbera, Last of the Curlews, vencedor do Emmy de Melhor Programa Infantil, adaptação do livro de mesmo nome de Fred Bodsworth, no qual um pai e um filho saem para caçar e debatem se devem ou não matar um pássaro em risco de extinção. Os últimos especiais produzidos pela Hanna-Barbera em 1972 viriam de um contrato firmado com a Avco Broadcasting Corporation, rival da Taft Enterprises, que havia comprado a Hanna-Barbera em 1965, para produzir dois especiais exibidos em syndication em vários canais do estado de Ohio, onde a Avco dominava o mercado; um de ação de graças (The Thanksgiving That Almost Wasn't), exibido em 21 de novembro, e um de Natal (A Christmas Story), exibido em 9 de dezembro.

No final de 1972, a Hanna-Barbera inauguraria um segundo estúdio, mas na Austrália, que, além de fazer trabalho adicional para as séries produzidas nos Estados Unidos, ainda seria o responsável por uma série de especiais para a televisão exibidos pela CBS como parte do programa Famous Classic Tales, que adaptava em animação histórias famosas da literatura mundial. Os especiais produzidos pela Hanna-Barbera seriam The Count of Monte Cristo (O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, exibido em 23 de setembro de 1973), Twenty Thousand Leagues Under the Sea (Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne, 22 de novembro de 1973), The Three Musketeers (Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, 23 de novembro de 1973), The Last of the Mohicans (O Último dos Moicanos, de James Fenimore Cooper, 27 de novembro de 1975), Davy Crockett on the Mississippi (baseado na lenda de Davy Crockett, 20 de novembro de 1976), Five Weeks in a Balloon (Cinco Semanas em um Balão, de Júlio Verne, 24 de novembro de 1977), Black Beauty (Beleza Negra, de Anna Sewell, 28 de outubro de 1978), Gulliver's Travels (As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, 18 de novembro de 1979) e Daniel Boone (baseado na lenda de Daniel Boone, 27 de novembro de 1981). Em 1974, o grupo de entretenimento australiano Hamlyn Group compraria 50% da Hanna-Barbera Australia, e, em 1982, o Hamlyn seria comprado pela norte-americana James Hardie Industries, que, em 1988, decidiria comprar os outros 50% e renomear o estúdio para Southern Star Group, mantendo relações com a Hanna-Barbera, ainda participando de suas produções e as distribuindo na Austrália e Nova Zelândia, mas sendo um estúdio independente, com suas próprias produções.

1973 começaria com The Flintstones on Ice, especial no qual patinadores no gelo interpretavam os Flintstones, exibido pela CBS em 11 de fevereiro. Nos cinemas, estreariam os dois primeiros longa-metragens produzidos pela Hanna-Barbera que não contavam com personagens criados por ela: Charlotte's Web (A Menina e o Porquinho), animação musical baseada no livro de E.B. White, que contava com as vozes de Henry Gibson e Debbie Reynolds e estrearia em 22 de fevereiro; e Baxter! (O Estranho Mundo de Baxter), baseado no livro The Boy Who Could Make Himself Disappear, de Kin Platt, filme com atores que estrearia em 4 de março, dirigido por Lionel Jeffries e estrelado por Scott Jacoby e Patricia Neal no qual um menino norte-americano que tem dificuldades de fala vai morar com a mãe em Londres após seus pais se separarem, se sentindo isolado e à beira de um colapso nervoso, mas encontrando força em seus novos amigos.

Na televisão, o ano começaria com mais um clone de Scooby-Doo, Speed Buggy, no qual três amigos, Tinker (que se parece um pouco com Salsicha), Debbie e Mark, solucionam mistérios em companhia de Speedy, um buggy falante, em 16 episódios exibidos pela CBS entre 8 de setembro e 22 de dezembro de 1973. Um segundo clone de Scooby-Doo, Goober and the Ghost Chasers (Goober e os Caçadores de Fantasmas), também com 16 episódios exibidos entre 8 de setembro e 22 de dezembro, mas na ABC, traria três amigos, Ted, Gilly e Tina, solucionando mistérios em companhia de Goober, um cachorro que podia falar e ficar invisível, com a diferença de que alguns mistérios contavam com fantasmas de verdade. Também em 8 de setembro, mas na NBC, com um total de 13 episódios exibidos até 1 de dezembro, estrearia Butch Cassidy, que não era uma adaptação do filme de faroeste de 1969 Butch Cassidy and the Sundance Kid, mas um terceiro clone de Scooby-Doo, estrelado pela banda The Sun Dance Kids, que contava com o vocalista e guitarrista Butch Cassidy, a baixista Steffy, o baterista Wally, a loira Merilee, que tocava tamborim, e o cachorro Elvis; o plot twist ficava por conta de que a banda era apenas uma fachada, com o grupo na verdade fazendo parte de uma agência governamental cujas missões eram selecionadas pelo computador Senhor Sócrates.

Em 1973 também estrearia, na ABC, um dos projetos mais ambiciosos da Hanna-Barbera, Yogi's Gang (A Turma do Zé Colmeia), cujo piloto havia sido Yogi's Ark Lark (A Arca do Zé Colmeia), especial exibido pelo mesmo canal um ano antes. No desenho, liderados pelo Zé Colmeia, os principais personagens da Hanna-Barbera (Don Pixote, Pepe Legal, Leão da Montanha, dentre outros) viajam em um navio voador, enfrentando vilões em 15 episódios exibidos entre 8 de setembro e 29 de dezembro, que abordavam temas como ecologia, preconceito, ganância, respeito às diferenças e outros considerados extremamente espinhosos. Também em 8 de setembro, mas na NBC, estrearia Inch High, Private Eye (Grande Polegar: Detetive Particular), com 13 episódios exibidos até 1 de dezembro, estrelado por um detetive de 2,54 cm (1 polegada) de altura, que solucionava crimes com a ajuda de sua sobrinha Laurie, seu amigo musculoso Gator e do cachorro São Bernardo Coração Valente.

A Hanna-Barbera também faria três novas adaptações em 1973, todas com 16 episódios exibidos entre 8 de setembro e 22 de dezembro. Duas delas seriam Jeannie, adaptação da série Jeannie é um Gênio, criada por Morse e exibida pela CBS; e The Addams Family (A Família Addams), exibida pela NBC e criada por David Levy, também criador da série com atores exibida pela ABC na década de 1960 - Jackie Coogan e Ted Cassidy, que interpretavam o Tio Chico e Tropeço na série, dublariam os mesmos personagens no desenho, e vale citar que uma pequena Jodie Foster, de 10 anos de idade, dublaria Feioso.

A terceira seria Super Friends (Super Amigos), produzida graças a um contrato com a DC Comics. Versão apropriada para crianças da Liga da Justiça, o desenho trazia Superman, Batman, Robin, Mulher Maravilha e Aquaman combatendo o crime com a ajuda dos adolescentes Marvin e Wendy e de seu cachorro falante, Super-Cão (Wonder Dog no original) - esses três, que não tinham superpoderes, seriam criados pela Hanna-Barbera para representar os espectadores, mas acabariam integrados ao Universo DC após tanto a DC quanto a Hanna-Barbera serem compradas pela Warner Bros. Alguns episódios contaram com a presença do Flash, do Homem-Borracha e do Arqueiro Verde, mas nenhum teve os supervilões da DC: todos traziam vilões genéricos, ameaças alienígenas ou desastres ambientais, e os conflitos eram sempre solucionados com diplomacia, nunca com violência.

Entre 7 de setembro e 21 de dezembro de 1974, seriam exibidas mais quatro séries. A mais popular seria Hong Kong Phooey (Hong Kong Fu), da ABC, paródia dos seriados de kung fu que estavam fazendo grande sucesso na época, no qual o humilde faxineiro Perry, após treinar com os maiores mestres do oriente, decide assumir a identidade de Hong Kong Fu, combatendo o crime com a ajuda de seu gato, China; Perry trabalha em uma delegacia, e fica sabendo dos crimes através das conversas do Sargento Flint com a telefonista Rosemary. Também na ABC, estrearia Devlin, criada por Norman Katkov, uma das poucas séries dramáticas produzidas pela Hanna-Barbera, baseada na vida do dublê Evel Knievel, na qual o dublê Ernie Devlin viaja pelos Estados Unidos se apresentando e vivendo aventuras com seus sobrinhos, Todd e Sandy; originalmente, o personagem se chamaria Dare Devlin (trocadilho com daredevil, "audacioso" em inglês), mas, preocupada de ser acusada de encorajar atividades perigosas, a ABC pediria a mudança do nome e obrigaria a Hanna-Barbera a incluir "dicas de segurança" toda vez que Devlin se apresentava.

A CBS exibiria as outras duas séries. Partridge Family 2200 A.D. (Família Dó-Ré-Mi no Espaço), criada por Morse, era uma adaptação da série Família Dó-Ré-Mi, exibida pela ABC entre 1970 e 1974, mas ambientada em um mundo futurista semelhante ao dos Jetsons; inicialmente, aliás, a série seria uma nova versão dos Jetsons, na qual Elroy era adolescente e Judy estava na faculdade e fazia parte de uma banda, mas Fred Silverman, então diretor de programação da CBS, decidiria aproveitar que Família Dó-Ré-Mi havia sido cancelada na ABC e usar os personagens, que já eram conhecidos - e já tinham uma banda, embora muito mais atuante e famosa no desenho que na série - mantendo a ambientação futurista. A outra seria Valley of the Dinosaurs (O Vale dos Dinossauros), na qual, durante uma exploração do Rio Amazonas, o cientista John Butler, sua esposa Kim, sua filha adolescente Katie, seu filho crinça Greg e seu cachorro Digger vão parar em uma terra pré-histórica, onde fazem amizade com uma família de neandertais composta pelo pai Gorok, sua esposa Gara, seu filho adolescente Lok, sua filha criança Tana e seu estegossauro-bebê de estimação Glump. Criado por Samuel Roeca e levemente educativo, o desenho mostrava os Butlers tentando tornar a vida dos neandertais mais fácil aplicando princípios básicos de tecnologia, e em troca recebendo lições sobre a natureza e ecologia.

Outra série pré-histórica, Korg: 70,000 B.C. (Korg e o Mundo Misterioso), seria exibida pela ABC em 19 episódios entre 7 de setembro de 1974 e 18 de janeiro de 1975. Criada por Fred Freiberger, essa seria filmada com atores, estrelada por Jim Malinda e Naomi Pollack e narrada por Burgess Meredith (o Pinguim da série Batman), e acompanhava uma família de neandertais durante a Era do Gelo, usando as mais recentes descobertas científicas sobre o período para criar as histórias. Infelizmente, no mesmo dia, na NBC, estrearia outra série pré-histórica, O Elo Perdido, que faria muito mais sucesso e impediria que O Vale dos Dinossauros e Korg e o Mundo Misterioso se destacassem, com ambas permanecendo dentre as menos conhecidas produções da Hanna-Barbera.

Ainda em 1974, estrearia na NBC, em 13 episódios exibidos entre 7 de setembro e 30 de novembro, Wheelie and the Chopper Bunch (Carangos e Motocas), ambientada em um mundo habitado por veículos conscientes, estrelada pelo fusquinha vermelho Wheelie e sua namorada Rota, antagonizado por uma gangue de motos da qual o membro mais famoso era uma motoneta que ficava falando "eu não te disse?" quando algum dos planos do líder da gangue dava errado. E, na ABC, estrearia These Are the Days (Vovô Viu a Uva), criada por Ed Jurist e levemente inspirada na série Os Waltons, da CBS, que estava fazendo um sucesso enorme na época. Ambientado na virada do século XX no interior dos Estados Unidos, o desenho acompanhava uma família formada por uma mãe viúva, seus três filhos e um avô inventor, e sofreu muitas dificuldades durante sua produção, o que fez com que seus 16 episódios fossem exibidos muito espaçados, entre 7 de setembro de 1974 e 27 de setembro de 1975.

Para fechar 1974, vale citar que a Hanna-Barbera produziria mais três ABC Afterschool Specials: Cyrano, animação sobre a história de Cyrano de Bergerac, exibido em 6 de março; The Runaways, filmado com atores e estrelado por Belinda Balaski, sobre uma adolescente que se muda de uma cidade pequena para uma bem maior e tem problemas de adaptação, exibido em 27 de março; e The Crazy Comedy Concert, exibido em 5 de junho, que misturava atores e animação, e buscava apresentar a música clássica para as crianças; além de mais um filme de faroeste para a televisão com atores, Shootout in a One-Dog Town, estrelado por Richard Crenna e Stefanie Powers, no qual um mensageiro mortalmente ferido pede a um banqueiro que esconda seu malote, e a população da cidade fica receosa imaginando que malfeitores logo chegarão para tentar encontrá-lo.

Em 1975, a Hanna-Barbera aparentemente tiraria o pé do acelerador, pois sua única produção inédita seria The Tom & Jerry / Grape Ape Show, programa de uma hora de duração com 16 episódios, exibidos pela ABC entre 6 de setembro e 13 de dezembro. A primeira metade do programa consistia em três desenhos de Tom & Jerry, todos inéditos, os primeiros dirigidos por Hanna e Barbera desde que eles deixaram a MGM; a segunda metade trazia dois desenhos de João Grandão & Espirro, protagonizado por um enorme gorila roxo e seu melhor amigo, um cachorro beagle. Para a temporada seguinte, o desenho seria renomeado para The Tom & Jerry / Mumbly Show, e teria mais 16 episódios, exibidos entre 11 de setembro e 18 de dezembro de 1976; a primeira metade ainda traria três episódios de Tom & Jerry, mas, dessa vez, reprises de seus desenhos para o cinema, enquanto a segunda traria um desenho de Rabugento, o Cão Detetive, uma paródia do seriado Columbo na qual um cachorro azul que falava resmungando e tinha a mesma risada de Muttley investigava crimes e desaparecimentos.

1976 começaria com dois clones de Scooby-Doo: em Clue Club, de 16 episódios exibidos pela CBS entre 4 de setembro e 11 de dezembro, os adolescentes Larry, Dedé, Didi e Dorinha, fãs de romances policiais, solucionavam mistérios com a ajuda de dois cachorros falantes, o sabujo Bob e o bassê Sherlocão, e de um computador de última geração acessado por Dorinha. Já Jabberjaw (Tutubarão) era ambientado em um futuro no qual a humanidade colonizou o fundo do mar, criando cidades submarinas, e estrelado pela banda Os Netunos, composta pelo guitarrista e vocalista Biff; a metida Leila, que tocava pandeiro; a pouco inteligente Bolha, que tocava teclado; o medroso Linguiça, que tocava contrabaixo; e o melhor amigo de Linguiça, Tutubarão, um grande tubarão branco que podia falar, respirar fora d'água e se comportava como um ser humano, inclusive sendo o baterista da banda. Criado por Ruby e Spears para pegar carona no sucesso do filme Tubarão, de Steven Spielberg, Tutubarão teve 16 episódios exibidos pela ABC entre 11 de setembro e 18 de dezembro, cada um deles levando os Netunos em turnê para algum lugar onde ocorria um crime que eles decidiam ajudar a polícia local a solucionar.

Mas 1976 também seria o ano do retorno do Scooby-Doo original, em The Scooby-Doo / Dynomutt Hour, programa de uma hora também criado por Ruby e Spears com 16 episódios exibidos pela ABC entre 11 de setembro e 18 de dezembro, composto por duas metades de meia hora cada: a primeira trazia um episódio de The Scooby-Doo Show (O Show do Scooby-Doo), no qual Scooby-Doo e seus amigos resolviam novos mistérios em companhia de seu primo menos esperto, Scooby-Dão (Scooby-Dum no original); a segunda trazia um episódio de Dynomutt, Dog Wonder (Dinamite, o Bionicão), uma paródia de Batman & Robin na qual o milionário Radley Crown combate o crime na cidade de Big City com a identidade secreta de Falcão Azul e vários equipamentos eletrônicos de alta tecnologia, incluindo seu parceiro Dinamite, um cachorro androide que possui vários apetrechos escondidos em seu corpo biônico. Muitos episódios de Dinamite traziam a participação especial da turma do Scooby-Doo, que iam parar em Big City tentando solucionar um mistério qualquer e decidiam se aliar aos super-heróis.

1976 também seria o ano de estreia de The Phantom Rebel, filme para a televisão estrelado por Sandy McPeak, exibido pela NBC em 13 de abril como parte do programa NBC Special Treat, voltado para o público adolescente; de Silent Night, Holy Night, especial de Natal que estrearia diretamente em syndication em 15 de dezembro, uma animação ambientada no interior da Áustria, na qual o tocador de órgão de uma igreja decide viajar a Salzburgo para tentar reparar o instrumento, danificado por ratos, dois dias antes do Natal, para poder manter a tradição de tocar Noite Feliz à meia-noite; e de Taggart's Treasure, produzido pela Hanna-Barbera Australia e exibido pela ABC em 31 de dezembro, que deveria ser o piloto de uma nova série que não foi aprovada, e hoje está perdido, se sabendo muito pouco sobre ele.

1977 traria uma nova criação de Ruby e Spears, a última para a Hanna-Barbera antes de eles saírem para fundar seu próprio estúdio: Scooby's All-Star Laff-A-Lympics, programa de duas horas de duração que teve 16 episódios exibidos pela ABC entre 10 de setembro e 24 de dezembro, cada episódio contando com seis desenhos. Meia hora do programa era dedicada a reprises de episódios selecionados de Scooby-Doo, Where Are You!; outra meia hora era a segunda temporada de O Show do Scooby-Doo, que contou com oito episódios inéditos (só dois deles com a participação de Scooby-Dão), com os outros oito sendo reprises da primeira temporada. Outra meia hora era dividida entre The Blue Falcon & Dynomutt (Falcão Azul & Bionicão), que também teve oito episódios produzidos, mas divididos em 16 desenhos de 15 minutos cada - ou seja, cada episódio começava numa semana e se concluía na semana seguinte - e 16 episódios de 15 minutos cada de Captain Caveman and the Teen Angels (Capitão Caverna e as Panterinhas), no qual as adolescentes Sabrina, Neli e Gilda encontram por acaso o super-herói pré-histórico Capitão Caverna em um bloco de gelo e, após descongelá-lo, o quarteto decide solucionar mistérios. A meia hora que falta para completar duas horas era composta por dois episódios de 15 minutos cada do desenho que dava nome ao programa, Laff-A-Lympics (Ho-Ho-Límpicos), que trazia três times formados por personagens famosos da Hanna-Barbera - os Abelhudos (liderados por Zé Colmeia e contando com Pepe Legal e Dom Pixote, dentre outros), os Assombrados (liderados por Scooby-Doo e contando com Speed Buggy e Hong Kong Fu, dentre outros) e os Rabugentos (liderados por Rabugento e contando com vilões criados especialmente para esse desenho) - competindo em eventos esportivos que eram mais cômicos do que práticos, com o Leão da Montanha e o Lobo Bobo atuando como repórteres. Uma segunda temporada, de mais 16 episódios, seria exibida entre 9 de setembro e 23 de dezembro de 1978, com o nome de Scooby's All-Stars; na segunda temporada, cada programa teria apenas uma hora e meia de duração, composta por um episódio de meia hora de O Show do Scooby-Doo (sem a participação de Scooby-Dão), dois episódios de 15 minutos cada de Capitão Caverna e as Panterinhas e dois episódios de 15 minutos cada de Ho-Ho-Límpicos - entretanto, só seriam produzidos oito novos episódios de cada um desses três desenhos, com os demais sendo reprises.

No mesmo dia de Scooby's All-Star Laff-A-Lympics, estrearia, mas na NBC, C B Bears (Ursuat), programa de uma hora de duração composto por seis desenhos de 10 minutos cada, cada um fazendo uma paródia de uma série de TV ou filme famoso da época: a Ursuat era uma paródia de As Panteras, com os ursos detetives Trombada, Tampinha e Esperto, que usam como disfarce um caminhão de lixo, recebendo missões da Chefe Charlie, que tem uma voz sensual mas nunca foi mostrada; Blast-Off Buzzard (Careta e Mutreta), na qual um abutre persegue uma veloz cobra no deserto dos Estados Unidos, era uma cópia do desenho do Papa-Léguas; Heyyy, It's the King! (Trapaleão) era uma paródia da série de TV Happy Days, ambientada na década de 1950, com o titular Trapaleão imitando o personagem Fonzy; Posse Impossible (A Polícia Desmontada) acompanhava o Xerife Tiro-Certo (pastiche de John Wayne) e seus leais comandados em aventuras no Velho Oeste; Shake, Rattle and Roll (Treme-Treme) acompanhava os fantasmas Treme-Treme, Agitado e Redondo (uma homenagem aos comediantes Hugh Herbert, Lou Costello e Marty Allen), que moram em um hotel mal-assombrado e fazem questão de assustar os hóspedes, tendo como arqui-inimigo o caçador de fantasmas Sidney e seu gato Vizinho; e Undercover Elephant (Elefantástico) era uma paródia de Missão Impossível estrelada por um elefante. Cada desenho teve um total de 13 episódios, exibidos entre 10 de setembro e 3 de dezembro.

Também no mesmo dia, mas na CBS, estrearia Skatebirds, programa de uma hora de duração no estilo de The Banana Splits Adventure Hour: a cada semana, eram exibidos episódios de três desenhos e de uma série com atores, intercalados por segmentos estrelados pelos Skatebirds, atores fantasiados de pássaros que usavam patins - o pica-pau Knock-Knock, o pelicano Satchel e o pinguim Scooter, cujo arqui-inimigo era o gato Scat Cat. Os três desenhos eram The Robonic Stooges (Os Robobôs), criado por Norman Maurer e estrelado por versões biônicas dos Três Patetas; Wonder Wheels (Cocota e Motoca), no qual o jornalista Motoca combate crimes como um super-herói que usa uma moto incrementada, sem que sua namorada Cocota desconfie; e Woofer & Wimper, Dog Detectives, reprises editadas de episódios de Clue Club para mostrar apenas as cenas estreladas por Bob e Sherlocão. A série com atores era Mystery Island, na qual o piloto Chuck Kelly (Stephen Parr), a especialista em computadores Sue Corwin (Lynn Marie Johnston), o irmãozinho dela, Sandy (Larry Volk) e o robô P.O.P.S. (voz de Frank Welker) ficam presos em uma ilha deserta após o avião no qual viajavam ser derrubado pelo cientista louco Dr. Strange (Michael Kermoyan), que quer usar P.O.P.S. para dominar o mundo. Skatebirds teria 16 episódios, exibidos entre 10 de setembro de 1977 e 21 de janeiro de 1978.

1977 também seria o ano de estreia de The All-New Super Friends Hour (Super Amigos), desenho que trazia novamente Superman, Batman, Robin, Mulher Maravilha e Aquaman, mas dessa vez acompanhados dos Super Gêmeos, Zan, que tinha o poder de se transformar em qualquer objeto, mas sempre feito de gelo, e Jayna, que tinha o poder de se transformar em qualquer animal, tendo de "ativar" seus poderes um tocando os dedos de sua mão fechada nos da mão do outro, e seu companheiro e animal de estimação, o macaco alienígena Gleek. Exibido pela NBC entre 10 de setembro e 10 de dezembro, o programa teve um total de 15 episódios, cada um composto por quatro desenhos de 15 minutos cada, totalizando uma hora. Os desenhos sempre seguiam a mesma estrutura: no primeiro, dois dos heróis principais (com Batman e Robin sendo considerados um herói só) se uniam para enfrentar alguma ameaça, com os demais não aparecendo; o segundo era protagonizado pelos Super Gêmeos, com os heróis principais não aparecendo; no terceiro, finalmente, todos os heróis principais e os Super Gêmeos se uniam para combater alguma ameaça; e, no quarto, algum dos heróis principais se unia a um herói convidado para uma aventura. Os quatro episódios de cada semana eram totalmente independentes, com histórias e vilões próprios, mas, mais uma vez, nenhum deles trazia os supervilões da DC, apenas vilões genéricos e desastres naturais - exceto por dois episódios nos quais o vilão foi o Arraia Negra e um no qual foi o Fantasma Fidalgo. Os heróis convidados foram Gavião Negro e Moça-Gavião (que também contavam como um herói só), Raio Negro, Chefe Apache, Rima, Samurai, Eléktron, Lanterna Verde e Flash.

1977 marcaria o aniversário de 20 anos da Hanna-Barbera, e, para comemorar, seria produzido Yabba Dabba Doo! The Happy World of Hanna-Barbera, que, apresentado por Gene Kelly, contava a história do estúdio misturando atores filmados e animação, indo ao ar em 24 de novembro pela CBS. Outros filmes para a TV produzidos pela Hanna-Barbera naquele ano seriam A Flintstone Christmas, especial de Natal dos Flintstones (?) exibido pela NBC em 7 de dezembro; The Gathering, também um especial de Natal, estrelado por Ed Asner e Maureen Stapleton, no qual um executivo à beira da morte decide se reaproximar da ex-mulher e do filho para passar seu último Natal com eles, exibido pela ABC em 4 de dezembro; e mais um piloto que acabou não sendo aprovado para se transformar em série, The Beach Girls, exibido pela CBS em 27 de dezembro, no qual Kim O'Brien, Ava Lazar e Rita Wilson interpretavam três universitárias que tentavam fazer sucesso com sua banda na cidade de Malibu.

Em 1978, a Hanna-Barbera faria dois experimentos. O primeiro seria The Hanna-Barbera Happy Hour, programa filmado com atores estrelado por dois bonecos de aparência humana ao estilo Muppets, as irmãs Honey e Sis, que dançavam, cantavam e participavam de esquetes de comédia em companhia de atores convidados, como Gavin MacLeod, Tony Randall e Betty White. Honey e Sis eram movimentadas por equipes de titereiros totalmente vestidos de azul, e filmadas em frente a um chroma key azul, substituido na pós-produção por outro cenário, dando a ilusão de que elas se movimentavam sozinhas. Exibido pela NBC, o programa não fez sucesso e teve apenas cinco episódios, exibidos entre 13 de abril e 11 de maio. O outro foi um programa de variedades apresentado pelo comediante Fred Travalena, chamado The Funny World of Fred and Bunni, exibido pela CBS em 30 de agosto. A intenção era fazer dele um programa regular, mas a audiência foi tão baixa que o canal não se interessou.

Um novo desenho dos Super Amigos também seria produzido em 1978: Challenge of the Super Friends (Super Amigos - todos os desenhos dos Super Amigos no Brasil se chamaram Super Amigos), que tinha meia hora composta por dois segmentos de 15 minutos cada. O primeiro trazia aventuras de Superman, Batman e Robin, Mulher Maravilha, Aquaman e dos Super Gêmeos, e foi feito a partir de roteiros escritos mais não aproveitados para The All-New Super Friends Hour, enquanto o segundo era o desenho dos Super Amigos que ficou mais famoso aqui no Brasil: reunidos na Sala da Justiça, Superman, Batman, Robin, Mulher Maravilha, Aquaman, Raio Negro, Flash, Lanterna Verde, Chefe Apache, Samurai e Gavião Negro estão sempre prontos para defender a humanidade combatendo as ameaças da Legião do Mal, grupo de vilões liderados por Lex Luthor que conta também com Solomon Grundy, Sinestro, Arraia Negra, Mulher-Leopardo, Giganta, Espantalho, Homem-Brinquedo, Charada, Bizarro, Brainiac, Capitão Frio e Gorila Grodd. Challenge of the Super Friends teria um total de 16 episódios, exibidos pela ABC entre 9 de setembro e 23 de dezembro.

No final da década de 1970, a Hanna-Barbera conseguiria os direitos de um dos personagens mais famosos de todos os tempos, o marinheiro Popeye, e produziria The All New Popeye Hour, programa de uma hora que trazia quatro desenhos de 15 minutos cada a cada episódio. Inicialmente, três desses desenhos eram do Popeye, sendo sempre dois episódios de Popeye e um de Popeye's Treasure Hunt, no qual Popeye, Olívia Palito, Dudu, Gugu e o Jeep viajavam pelo mundo em uma espécie de gincana, sendo atrapalhados por Brutus e Alice; o quarto desenho era Dinky Dog, criado por Larz Bourne, sobre duas garotas, a bonita Sandy e a inteligente Mônica (que lembravam um pouco Daphne e Velma), que moravam com seu tio Dudley e com um cachorro imenso chamado Dinky. Para a segunda temporada, o programa traria um episódio de Popeye, um de Popeye's Treasure Hunt, um de The Popeye Sports Parade, no qual Popeye e seus amigos competiam em uma espécie de Olimpíada, e um de Dinky Dog. Essa configuração seria mantida para a terceira temporada, mas, para a quarta, Dinky Dog seria removido e o programa reduzido para 45 minutos e renomeado para The Popeye and Olive Comedy Show, trazendo um episódio de Popeye, um de Prehistoric Popeye, ambientado na Idade da Pedra, e um de Private Olive Oyl, no qual Olívia e Alice eram amigas e serviam juntas no exército. Somando as quatro temporadas, The All New Popeye Hour teria 56 episódios, exibidos pela CBS entre 9 de setembro de 1978 e 5 de setembro de 1983.

Através de um contrato com a Toho intermediado por Henry G. Saperstein, a Hanna-Barbera também conseguiria os direitos do Godzilla, que usaria para produzir um desenho que contava com um grupo de cientistas que navegava a bordo do navio Calico estudando fenômenos naturais inexplicáveis, a maioria deles envolvendo monstros gigantes. A tripulação contava com o Capitão Carl Majors, a Dra. Quinn Darien, seu sobrinho Pete, seu assistente Brock Borden, e Godzooky, o "sobrinho medroso" de Godzilla e melhor amigo de Pete, contando o navio com um sinalizador que chamava Godzilla em caso de necessidade - ao contrário de suas versões dos filmes, Godzilla era amigável, cuspia fogo e disparava raios pelos olhos. Criado por Dick Robbins e Duane Poole, o desenho estreou como parte do programa The Godzilla Power Hour, que tinha uma hora na qual metade era um episódio de Godzilla e metade era um de Jana of the Jungle, criada por Doug Wildey, uma versão feminina de Tarzan, que vivia aventuras na Amazônia ao invés de na África. Um total de 13 episódios seriam exibidos pela NBC entre 9 de setembro e 2 de dezembro de 1978; após oito episódios, o programa seria renomeado para Godzilla Super 90 e passaria a ter uma hora e meia, exibindo também reprises de Jonny Quest. Godzilla ainda ganharia uma segunda temporada de mais 13 episódios, exibidos entre 15 de setembro e 8 de dezembro de 1979, mas sozinho, sem ser parte de programa nenhum.

1978 também seria o ano de estreia de Yogi's Space Race (A Corrida Espacial do Zé Colmeia), criado para tentar ganhar uns trocados com o sucesso de Star Wars - até a fonte usada no título do desenho era parecida com a do filme. Com uma hora e meia de duração, o programa era composto por quatro segmentos; o principal, com meia hora de duração, também se chamava Yogi's Space Race, no qual Zé Colmeia, Dom Pixote, Tutubarão e vários personagens novos competiam em uma corrida espacial ao estilo da Corrida Maluca, com alguns episódios contando com a participação especial de Fred Flintstone, Barney Rubble, Pepe Legal, João Grandão, Frankenstein Jr. e Jana. Dois dos personagens novos criados para esse desenho seriam Arrepio, urso que tem medo de tudo e é o parceiro do Zé Colmeia, substituindo Catatau, e Pato Quack, um pato maluco que é o parceiro de Dom Pixote; Zé Colmeia, Arrepio, Dom Pixote e Pato Quack seriam as estrelas do desenho Galaxy Goof-Ups (Os Trapalhões Espaciais), também de meia hora, no qual os quatro são detetives espaciais investigando crimes sob o comando do Capitão Carabom. O terceiro desenho do programa, com 15 minutos de duração, seria The Buford Files (Arquivo Cãofidencial), clone de Scooby-Doo ambientado no interior dos Estados Unidos, no qual os adolescentes Rosinha e Zé Quati solucionavam mistérios em companhia de seu cachorro, o sabujo Kojeka. E o quarto, também de 15 minutos, era The Galloping Ghost (Fantasmino, o Fantasma Galopante), parecido com Capitão Caverna, no qual as jovens Suzana e Rita libertam acidentalmente o fantasma de um mineiro, e o trio passa a solucionar mistérios. Ao todo, Yogi's Space Race teria 16 episódios, exibidos pela NBC entre 9 de setembro e 2 de dezembro.

Ainda em 1978, a Hanna-Barbera produziria mais um filme com atores para a série ABC Afterschool Specials, chamado It Isn't Easy Being a Teenage Millionaire, exibido em 8 de março, no qual uma menina de 14 anos (Victoria Paige Meyerink) ganha na loteria e acha que solucionou todos os seus problemas, mas descobre que eles estão apenas começando; Hanna-Barbera's All-Star Comedy Ice Revue, que misturava atores e animação, exibido pela CBS em 13 de janeiro, apresentado por Roy Clark e Bonnie Franklin, no qual Fred Flintstone ganha uma festa de aniversário surpresa com a presença de vários personagens da Hanna-Barbera; The Flintstones: Little Big League, no qual Fred e Barney são treinadores de times de beisebol infantis rivais, exibido pela NBC em 6 de abril; e os filmes para a TV The Beasts Are on the Streets, exibido NBC em 18 de maio, no qual animais fogem de um zoológico e ameaçam uma pequena cidade, cabendo à veterinária Claire McCauley (Carol Lynley) e ao guarda florestal Kevin Johnson (Dale Robinette) tentar controlar a situação; e Kiss Meets the Phantom of the Park, no qual a banda Kiss, após ser contratada para tocar em um parque de diversões, se vê envolvida em uma trama de mistério, exibido também pela NBC em 28 de outubro, como um especial de Halloween.

Em 1979 aconteceu muita coisa, então vou aproveitar e parar por aqui. Retornaremos em breve!
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