sábado, 1 de agosto de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XXII)

Surpresa! Eu juro que não vou começar a Fase 6 hoje, mas eu queria muito falar sobre Marvel Zumbis (que deveria se chamar Zumbis Marvel, mas tudo bem) mas não queria ter de esperar até 2028, então decidi que hoje vou adiantar esse primeiro post da Fase 6, aproveitando também para fechar o ano de 2025, e retorno com os demais no tempo certo.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
The Fantastic Four: First Steps
2025

Eu já contei aqui em um post em separado sobre os três filmes do Quarteto Fantástico produzidos pela Fox, que não fizeram parte do MCU. Após o fracasso do terceiro, a Fox decidiria levar a franquia em outra direção, e, em 2017, contrataria Seth Grahame-Smith, de Orgulho e Preconceito e Zumbis, para escrever um filme protagonizado por Franklin e Valeria Richards, com participação especial de Ben Grimm e Johnny Storm, com tom parecido com o do desenho Os Incríveis, e parcialmente inspirado no livro Kindergarten Heroes, de Mark Millar. Paralelamente a isso, os executivos da Fox conversariam com Noah Hawley, de Legião, sobre um filme protagonizado pelo Dr. Destino. Tudo isso seria suspenso quando a Disney comprasse a Fox, em março de 2019, e os direitos do Quarteto Fantástico passassem para os Marvel Studios.

Em julho de 2019, Kevin Feige se diria extremamente empolgado por poder introduzir o Quarteto no MCU, para "levar a Primeira Família da Marvel até o nível que ela merece", e prometendo usá-los em histórias tão empolgantes quanto Guerra Infinita e Guerra Civil - cujas sagas dos quadrinhos que inspiraram os filmes contaram com o Quarteto, que não pôde estar presente em suas versões cinematográficas por seus direitos ainda pertencerem à Fox. Em dezembro de 2020, Feige anunciaria que o diretor do primeiro filme do Quarteto no MCU seria Jon Watts, dos três filmes do Homem-Aranha com Tom Holland, mas, em abril de 2022, antes mesmo que um roteirista fosse escolhido, Watts pediria para se desligar do projeto, alegando estar física e mentalmente esgotado após ter de gravar Homem-Aranha: Sem Volta para Casa obedecendo os protocolos estabelecidos devido à pandemia, e preferindo dirigir o filme autoral Lobos, que estrearia na Apple TV+ em setembro de 2024.

Enquanto procurava por um novo diretor e um roteirista, Feige decidiria que Reed Richards seria um dos personagens a aparecer em uma das realidades alternativas de Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, com o diretor Sam Raimi concordando e decidindo chamar o ator John Krasinski para o papel. Já havia muito tempo que Krasinski era sugerido pelos fãs para interpretar Reed, e seu nome começaria a circular em boatos e rumores assim que foi anunciado que um filme lidando com realidades alternativas estava sendo produzido; Raimi acharia que a inclusão de um Reed interpretado por Krasinski seria uma excelente oportunidade de fan service, mas tanto o diretor quanto o ator achariam improvável que ele fosse escolhido para interpretar Reed também no novo filme, com Krasinski logo declarando que sequer participou de conversas com os executivos dos Marvel Studios sobre reprisar o papel.

Em julho de 2022, o diretor ainda não havia sido escolhido, e Feige diria estar incerto quanto à lista de possíveis candidatos; ainda assim, durante a San Diego Comic Con, o próprio Feige anunciaria a data de estreia do filme, prevista para novembro de 2024, que ele seria o primeiro filme da Fase 6 do MCU, e que as filmagens começariam em 2023. No final de agosto, a Marvel divulgaria uma lista com "três finalistas" na escolha para diretor, que contava com Reid Carolin, roteirista de Magic Mike, mas que só tinha um filme como diretor no currículo, Dog; Michael Matthews, de Amor e Monstros; e Matt Shakman, que levava vantagem por ter dirigido WandaVision e já ter trabalhado com Feige. Shakman prepararia uma sinopse na qual o Quarteto Fantástico já começava o filme como super-heróis estabelecidos e famosos, com Reed e Sue se tornando pais logo no início, e convenceria os executivos dos Marvel Studios após mostrar uma foto sua com sua filha recém-nascida no colo; mais tarde, ele revelaria que havia sido chamado para dirigir um novo filme de Star Trek, do qual abriu mão para não deixar passar a oportunidade de trabalhar com o Quarteto Fantástico. Shakman seria confirmado como diretor já em setembro de 2022, na mesma ocasião em que Feige revelaria que Jeff Kaplan e Ian Springer estavam escrevendo o roteiro "há alguns meses"; no mês seguinte, a data de estreia do filme seria adiada para fevereiro de 2025.

A escolha do elenco começaria em fevereiro de 2023, com Feige anunciando que havia estabelecido um "sarrafo alto", querendo que o Quarteto se tornasse um dos principais elementos do MCU após sua estreia. Shakman revelaria que o filme não traria nem uma história de origem, nem o Doutor Destino, elementos que poderiam desviar a atenção do público da dinâmica familiar do Quarteto, que ele desejava que fosse o foco principal do filme; Feige diria que a decisão de não contar novamente a história da origem do grupo seria semelhante à tomada quando o Homem-Aranha foi introduzido no MCU, já que sua história de origem já era bastante conhecida. No final de março de 2023, Josh Friedman seria contratado para reescrever o roteiro, o que foi visto por muitos jornalistas como uma indicação de mudança de tom, já que Friedman era conhecido por seus roteiros de ficção científica, enquanto Kaplan e Springer eram mais conhecidos por escrever comédias; Shakman, porém, diria que Friedman se uniria à equipe porque ele e Feige haviam decidido incluir no filme "elementos cósmicos dos anos 1960", como o Surfista Prateado e Galactus, que seria o vilão do filme no lugar do Doutor Destino, "trazendo uma nova perspectiva para o grupo". Feige não descartaria a presença do Doutor Destino no filme, mas em uma participação breve, como uma cena pós-créditos, e diria que os Marvel Studios faziam questão de "uma estrela de primeira grandeza" para interpretá-lo.

Em maio de 2023, começaria a greve dos roteiristas, e a data de estreia seria adiada novamente, para maio de 2025. Na ocasião, os preferidos da Marvel para interpretar Reed e Sue eram Adam Driver e Emma Stone, que pediram salários que o estúdio não estava disposto a pagar, tendo sido decidido, durante a reunião de emergência envolvendo executivos da Disney e dos Marvel Studios que ocorreu em fevereiro para tratar dos rumos do MCU, que os gastos com elencos deveriam ser reduzidos. Testes seriam feitos para o papel de Reed com Christopher Abbott e Jamie Dornan, que não agradaram, e com Jake Gyllenhaal, que já havia interpretado Mystério em Homem Aranha: Longe de Casa, mas que também pediu um salário que a Marvel não quis pagar. Quando a Marvel anunciou que não estava testando apenas atores brancos para o papel, Pedro Pascal (que, nos Estados Unidos, não é considerado branco, e sim latino) se interessou, mas, em julho, começaria a greve dos atores, e Pascal, apesar de despertar a atenção da equipe, decidiria não conversar com ninguém até que a greve terminasse. Mais tarde, Pascal diria jamais ter planejado ser protagonista de um filme de super-heróis, e que o papel mudaria seus planos para o futuro "de forma sutil"; atrasos nas gravações do filme do Quarteto fariam com que ele tivesse de abrir mão de protagonizar A Hora do Mal, sendo substituido por Josh Brolin.

Em agosto, a Marvel chamaria Matt Smith e Tom Ellis para conversar sobre o papel de Reed, mas os nomes não agradariam a Feige, que procurava alguém mais famoso por sua carreira no cinema do que na televisão. No mesmo mês, Shakman diria que a Marvel estava procurando um ator judeu para interpretar Ben Grimm, que é descrito como judeu nos quadrinhos, mas não foi interpretado por atores judeus nos filmes anteriores, nem teve essa característica explorada em suas histórias; o preferido era David Krumholtz, que não agradou nos testes, e começou uma campanha para ser escolhido para o papel do vilão Homem-Toupeira - que acabaria ficando com Paul Walter Hauser, convidado por Shakman por ter trabalhado com ele na série It's Always Sunny in Philadelphia, e que inicialmente ficaria relutante devido ao fracasso dos filmes anteriores do Quarteto, aceitando após ler o roteiro na íntegra. O escolhido para interpretar o Coisa seria Ebon Moss-Bachrach, que já havia interpretado Micro na primeira temporada da série do Justiceiro da Netflix. Nicholas Galitzine seria chamado para interpretar Johnny, mas também não agradaria, com o papel ficando com Joseph Quinn, de Stranger Things, que havia feito Gladiador 2 com Pascal e pedido a ele dicas sobre como interpretar Johnny, sem saber que ele estava negociando para interpretar Reed. Curiosamente, o papel de Sue seria o primeiro a iniciar os testes e o último a ser escolhido, com Vanessa Kirby sendo convidada diretamente por Shakman após nenhuma das candidatas do teste ter agradado.

Curiosamente, a Marvel divulgaria que estava procurando por um ator latino para interpretar Galactus, com os favoritos sendo Antonio Banderas, que disse jamais ter sido procurado, e Javier Bardem, que teve de recusar por conflitos com as gravações de F1; o escolhido acabaria sendo o inglês e bem pouco latino Ralph Ineson, segundo Shakman escolhido por sua proficiência como dublador, que ele considerava mais importante para esse tipo de papel. Apesar de aumentado por computação gráfica, Ineson interpretaria Galactus da forma tradicional, com a produção inclusive criando uma armadura que ele vestia. Além de Galactus e do Homem-Toupeira, o filme contaria com o Fantasma Vermelho, interpretado por John Malkovich, que sempre havia recusado papéis em filmes de super-heróis alegando que pagavam pouco, mas decidiu aceitar esse pela oportunidade de trabalhar novamente com Shakman, com quem havia feito Cut Bank, de 2014; infelizmente, o Fantasma Vermelho acabaria cortado do filme na última revisão do roteiro, feita por Eric Pearson, por problemas de continuidade, no que Shakman chamou de "uma decisão de cortar o coração".

Em janeiro de 2024, vazaria para a imprensa que a Marvel estava procurando uma atriz para interpretar o Surfista Prateado, o que causaria muitas discussões na internet; nos quadrinhos (e no filme da Fox), o Surfista é Norrin Radd, cientista do planeta Zenn-La, mas nesse filme a Surfista seria Shalla Bal, que nos quadrinhos é namorada de Radd, o substituindo no cinema como cientista, exploradora e arauto de Galactus - nos quadrinhos, Bal havia passado pela mesma provação na minissérie Terra X, de 1999. A escolhida para o papel seria Julia Garner (também em A Hora do Mal), mas a versão final da Surfista seria totalmente criada por computação gráfica, com Garner fazendo a dublagem e a captura de movimentos - mesma coisa ocorrendo em relação a Moss-Bachrach e o Coisa, que é um personagem 100% digital. Garner filmaria horas de poses nas quais ela fingia estar surfando ou posando como uma modelo, que seriam combinadas para que a Surfista "se movesse como se estivesse dançando".

Durante as greves, a equipe trabalharia em testes para os efeitos especiais do filme, principalmente aqueles ligados aos poderes dos membros do Quarteto. Kasra Farahani, de Loki, seria escolhido como designer de produção, e Alexandra Byrne como figurinista, optando por fazer uniformes simples para o Quarteto, em azul claro com detalhes brancos, semelhantes aos usados pela equipe nos anos 1980. Muitos detalhes do filme, especialmente a aparência de Galactus, seriam inspirados na arte de Jack Kirby para os quadrinhos do Quarteto. Um personagem das histórias clássicas do Quarteto que apareceria no filme seria o robô H.E.R.B.I.E., que combinava um animatronic cuja cabeça se movia por controle remoto, um marionete feito de madeira, e computação gráfica, dublado por Matthew Wood; além disso, uma nova personagem, Rachel Rozman, interpretada por Natasha Lyonne, que havia dublado Byrdie em What If...?, seria batizada em homenagem a Roz Goldstein, esposa de Jack Kirby.

Em fevereiro de 2014, seria divulgado que o filme seria ambientado na década de 1960, mas em uma realidade alternativa, oficialmente chamada de Terra-828 - a "realidade principal" do MCU, também chamada de Linha do Tempo Sagrada, é a Terra-616, curiosamente o mesmo número usado nos quadrinhos para a realidade principal deles. A decisão de não ambientar o filme na Linha do Tempo Sagrada viria de Shakman, que desejava colocar a história do Quarteto "mais próxima de seu ponto de origem", ou seja, os quadrinhos dos anos 1960 produzidos por Stan Lee e Jack Kirby; Feige abraçaria a ideia, dizendo que a ambientação em uma realidade alternativa daria maior liberdade para os roteiristas, ajudaria a cimentar o Multiverso no MCU e evitaria furos de roteiro em relação aos demais filmes e perguntas como "onde estava o Quarteto Fantástico enquanto os Vingadores lutavam contra Thanos?". Shakman chamaria o estilo do filme de "retrofuturista", dizendo que "parte é o que conhecemos sobre os anos 1960, parte é algo que nunca vimos". Apesar de fortemente baseado nos quadrinhos dos anos 1960, o filme conta com a Fundação Futuro, criada por Jonathan Hickman em 2009.

Em outubro de 2023, Shakman anunciaria que as filmagens começariam nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, no início de 2024, e que o elenco seria anunciado assim que a greve terminasse; atrasos na pré-produção fariam com que elas começassem apenas em julho de 2024, com todos os cenários "novaiorquinos" do filme sendo criados em estúdio, incluindo a Rua Yancy e a Times Square. Shakman diria querer fazer o filme "como se Stanley Kubrick o tivesse filmado em 1965", e se inspiraria em 2001: Uma Odisseia no Espaço para criar o laboratório de Reed. O apartamento do Quarteto seria inspirado em casas californianas do estilo arquitetônico conhecido como MCM, muito popular nos anos 1960, e o Fantasticarro teria como referência carros norte-americanos dos anos 1960, com elementos como turbinas e paineis de controle tendo uma aparência de filmes de ficção científica dos anos 1950. As únicas cenas filmadas fora da Inglaterra - exceto por tomadas aéreas de Nova York utilizadas para reconstruí-la em estilo retrofuturista por computação gráfica - seriam as da ONU, que ocorreram no Palácio do Congresso em Oviedo, Espanha. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, Framestore, Sony Pictures Imageworks, Digital Domain, Rise FX e Weta FX.

O filme começa quatro anos após o Quarteto ter ganhado seus poderes; nesse meio tempo, eles se tornaram heróis famosos, conhecidos, respeitados e amados pela população, equilibrando enfrentar supervilões com aparecer em programas de televisão, trabalhar junto aos governos para resolver vários problemas do planeta e gerenciar uma fundação dedicada a usar a ciência para criar um futuro melhor. Mas tudo isso pode ser posto em cheque com a chegada da Surfista Prateada, um ser cósmico que anuncia a vinda de Galactus, entidade que está disposta a destruir a Terra para convertê-la em energia que o irá alimentar. Incapazes de enfrentar Galactus, o Quarteto decide negociar com ele - mas ele exige em troca de poupar a Terra nada menos que o filho que Sue Storm está esperando. O elenco conta com Pedro Pascal como Reed Richards / Senhor Fantástico, Vanessa Kirby como Sue Storm / Mulher Invisível, Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm / Coisa, Joseph Quinn como Johnny Storm / Tocha Humana, Julia Garner como Shalla Bal / Surfista Prateada, Ralph Ineson como Galactus, Natasha Lyonne como Rachel Rozman, Paul Walter Hauser como Harvey Elder / Homem-Toupeira, Sarah Nyles como Lynne Nichols, chefe de pessoal da Fundação Futuro, Mark Gatiss como Ted Gilbert, apresentador do programa de televisão The Ted Gilbert Show, e Matthew Wood como H.E.R.B.I.E.; Alex Hyde-White, Rebecca Staab, Jay Underwood e Michael Bailey Smith, que interpretaram, respectivamente, Reed, Sue, Johnny e Ben no filme de Roger Corman, fazem participações especiais, os dois primeiros como jornalistas, os dois últimos como trabalhadores de uma fábrica. Robert Downey, Jr. faz uma breve participação especial sem créditos como Victor Von Doom / Doutor Destino.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é mais um filme que não começa com o logotipo e a fanfarra tradicional dos Marvel Studios; ao invés dele, foi usado um logotipo mais simples, que imita os usados em televisão na década de 1960. O filme estrearia em 25 de julho de 2025, após uma pré-estreia em Los Angeles dia 21, precedida de uma cerimônia de tapete vermelho que contou com entrevistas com o elenco e equipe e uma orquestra que interpretou ao vivo várias das músicas do filme, incluindo o tema dos Marvel Studios; essa cerimônia seria transmitida ao vivo pelo Disney+, intercalada com trailers e previews do filme. Com orçamento de cerca de 230 milhões de dólares, renderia 274 milhões nos Estados Unidos e 522 milhões no mundo inteiro, sendo considerado um sucesso pela Disney, mesmo que a bilheteria tenha sido abaixo do esperado; esse desempenho seria atribuído à concorrência pesada, já que, no primeiro dia, Quarteto Fantástico ficaria em segundo na bilheteria atrás de Um Filme Minecraft, e fecharia a primeira semana também na segunda posição, mas atrás de Superman. A crítica seria bastante positiva, elogiando o elenco e a caracterização futurista dos anos 1960, mas com alguns considerando a história fraca e datada se comparada com outros filmes mais recentes de super-heróis.

Na San Diego Comic Con de julho de 2024, seria revelado que Pascal, Kirby, Quinn e Moss-Bachrach haviam todos assinado contrato para três filmes, e que Reed, Sue, Johnny e Ben estavam confirmados nos próximos dois filmes dos Vingadores, Vingadores: Doutor Destino, de 2026, e Vingadores: Guerras Secretas, de 2027; na mesma ocasião, seria revelado que Robert Downey, Jr., até 2019 intérprete de Tony Stark, havia sido oficialmente contratado para interpretar Victor Von Doom, com as negociações tendo se iniciado quase um ano antes. Feige se diria extremamente empolgado por poder voltar a trabalhar com Downey, e que conversava com o ator sobre a possibilidade de seu retorno ao MCU em um papel diferente do Homem de Ferro desde que se encerraram as gravações de Vingadores: Ultimato. Shakman confirmaria a presença de Doom nos dois filmes dos Vingadores, mas diria que "ele não é parte do filme do Quarteto Fantástico"; de fato, Doom só aparece brevemente na cena intercréditos, que conta apenas com Downey e Kirby, gravada durante a pré-produção de Vingadores: Doutor Destino e dirigida por Anthony e Joe Russo.

Olhos de Wakanda
Eyes of Wakanda
2025

Em fevereiro de 2021, Ryan Coogler, diretor e roteirista de Pantera Negra, anunciaria ter fechado um acordo entre sua produtora, a Proximity Media, e a Disney para a produção de séries de TV para o Disney+ ambientadas em Wakanda, o fictício país da África Central do qual T'Challa, a identidade não tão secreta do Pantera Negra, é rei e onde se passa a maior parte da ação do filme de 2018. A imprensa se mostraria empolgada, logo surgindo rumores de que uma das séries prestaria tributo a Chadwick Boseman, falecido em 2020, e outras explorariam o passado de personagens como M'Baku, Killmonger e T'Chaka, pai de T'Challa e Pantera Negra anterior, ou da organização Dora Milaje, com a expectativa de que personagens dos quadrinhos, como Bashenga, o primeiro Pantera Negra, a ativista Queen Divine Justice, e Kasper Cole, o terceiro Tigre Branco, pudessem fazer sua estreia no MCU.

Em novembro de 2022, a Proximity Media anunciaria estar trabalhando em "várias séries" ambientadas em Wakanda, mas sem dar maiores detalhes. Somente em março de 2023 seria publicado na imprensa que Coogler estaria desenvolvendo uma série de animação, com o título provisório de The Golden City, ambientada na capital de Wakanda, Birmin Zana. No mês seguinte, o executivo dos Marvel Studios Nate Moore confirmaria que diversas séries estavam em discussão, animadas e com atores, mas que a preocupação da Marvel era prejudicar a "experiência cinematográfica" proporcionada por exibir Wakanda numa tela de cinema. Apenas em dezembro de 2023 o produtor Brad Winderbaum anunciaria oficialmente que a primeira série ambientada em Wakanda seria animada, e que traria episódios protagonizados por diversos guerreiros wakandanos ao longo da história. Jornalistas comparariam a série a Histórias dos Jedi, série de Star Wars de 2022 na qual cada episódio acompanha um personagem diferente em um dos diversos momentos da saga.

Também em dezembro de 2023 seriam anunciados os roteiristas: Geoffrey Thorne, que já tinha experiência na Marvel, tendo sido roteirista das séries animadas Ultimate Homem-Aranha, de 2012, e Os Vingadores Unidos, de 2013, e Marc Bernadin, que revelaria ter sabido do projeto e começado a trabalhar em dois roteiros durante a pandemia, em 2020. Thorne escreveria o primeiro e o último episódios, e Bernadin o segundo e o terceiro. Matthew Chauncey, de What If...?, também escreveria um roteiro, que acabaria não sendo aproveitado.

Em janeiro de 2024, a Proximity Media confirmaria seu envolvimento, mas diria que o showrunner seria escolhido pela Marvel. No mesmo mês, o artista de storyboards Todd Harris revelaria ter sido dele a ideia para a série, tendo rascunhado alguns esboços durante a produção de Vingadores: Guerra Infinita e mostrado a Coogler, que estava filmando Pantera Negra. Segundo Harris, ele quis combinar "a interconectividade do MCU com a interconectividade da história da humanidade", e concebeu a série como um especial para quando Pantera Negra fosse lançado em home video ou algo assim, já que, na época, os Marvel Studios não pensavam ainda em fazer séries animadas. Winderbaum confirmaria a história, e diria que, durante a discussão sobre qual seria a primeira série, se lembraria da ideia de Harris, convidando-o para ser o showrunner. Harris seria confirmado como showrunner e diretor em janeiro de 2025; ele dirigiria sozinho o primeiro e o último episódios, e co-dirigiria o terceiro com John Fang, que seria o único diretor do segundo.

Olhos de Wakanda acompanha os Hatut Zaraze, uma força de elite secreta de Wakanda cuja missão é recuperar artefatos feitos de vibrânio que tenham sido roubados ou saído do país por outros meios. Cada episódio acompanha a missão de um agente em uma época diferente da história. O primeiro é ambientado em 1260 a.C., e acompanha a ex-Dora Milaje Noni, enviada para deter um ex-Hatut Zaraze chamado Nikat, que fugiu de Wakanda levando vários artefatos que usa sob o pseudônimo de Leão para liderar uma frota que saqueia a ilha de Creta, no Mediterrâneo. O segundo é ambientado durante a Guerra de Troia, e acompanha B'Kai, que, usando o codinome Memnon, se tornou o melhor amigo de Aquiles, e está ajudando os gregos a invadir a cidade para recuperar um artefato wakandano que está com ninguém menos que Helena. O terceiro é ambientado em 1400 d.C., e mostra o agente Basha recuperando um artefato que estava dentro de uma estátua sagrada em K'un-Lun; ao retornar a Wakanda, porém, sem saber, ele leva consigo o Punho de Ferro da época, que está disposto a pegar a estátua de volta, mas não pode sair de Wakanda após ver seus segredos. O quarto e último episódio é ambientado em 1896, durante a invasão da Etiópia pela Itália; o Príncipe Tafari e seu mentor, Kuda, recuperam um artefato wakandano, mas são abordados por uma misteriosa figura que diz vir de 500 anos no futuro, advertindo-os de que, se o artefato não ficar no local onde está, uma raça alienígena conseguirá conquistar a terra quando invadi-la.

Coogler daria a Thorne a ideia para o primeiro episódio, alegando ser fascinado pela história do "Povo do Mar", um povo de origem desconhecida que viveu durante o auge da civilização minoica em Creta, saqueando e escravizando todos os demais povos da região; segundo ele, o Povo do Mar ter acesso a tecnologia wakandana explicaria por que eles eram tão superiores ao ponto de ninguém conseguir detê-los, mas ainda assim tão misteriosos que hoje não sabemos nada sobre suas origens ou legado. Coogler também pediria para que os episódios fossem centrados "nos princípios de Wakanda", ao invés de mostrar antepassados famosos de personagens que existem no presente. Também por sugestão de Coogler, diferentemente de outras séries da Marvel Studios Animation, Olhos de Wakanda é ambientada na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU, sendo completamente integrada a Pantera Negra e Wakanda para Sempre; por causa disso, a série é considerada a estreia oficial do Punho de Ferro no MCU.

Para que Wakanda fosse a real protagonista da série, e não seus personagens, a Disney optaria não chamar para a dublagem nenhum grande nome de Hollywood, preferindo dubladores profissionais, atores que já tivessem participado de outras produções Disney, e artistas negros de expressão - como a modelo canadense Winnie Harlow, que luta pelo fim do preconceito contra portadores de vitiligo, condição da qual é portadora. O elenco conta com Harlow (no primeiro episódio) e Lynn Whitfield (no segundo) como Noni, Cress Williams como Nkati, Patricia Belcher como Akeya, Larry Heron como B'Kai, Adam Gold como Aquiles, Jason Konopisos como Ferro, Kiff VandenHeuvel como Odisseu, Yerman Gur como Paris, Joanna Kalafatis como Helena de Troia, Jacques Colimon como Basha, Jona Xiao como Jorani / Punho de Ferro, Isaac Robinson-Smith como Ebo, Gary Anthony Williams como Rakim, Zeke Alton como o Príncipe Tafari, Steve Toussaint como Kuda, Debra Wilson como uma general Dora Milaje, e Anika Noni Rose (que havia dublado Tiana em A Princesa e o Sapo) como a Última Pantera Negra.

A animação ficaria a cargo da Axis Animation, que utilizaria um estilo semelhante ao de artistas afro-americanos contemporâneos como Ernie Barnes e Dean Cornwell; a animação seria feita por computação gráfica usando cel-shading, mas, sem a presença de atores do MCU no elenco, os artistas tiveram uma maior liberdade para criar as feições e aparência geral dos personagens. Animadores da África do Sul, Nigéria e Egito seriam contratados pelo supervisor de animação Craig Elliot para contribuir com o estilo autêntico da série. Em dezembro de 2023, Harris seria perguntado se a Disney havia pensado em fazer a série com atores de carne e osso, ao que ele respondeu que um projeto dessa magnitude só poderia ganhar vida em animação, onde "filmar no Egito custa o mesmo que em Nova Iorque, e na Lua custa o mesmo que em Ohio". A abertura seria criada pelo Studio AKA e feita a mão, sem recursos de computação gráfica.

Olhos de Wakanda teria apenas quatro episódios, todos estreando no Disney+ simultaneamente, em 1 de agosto de 2025. O primeiro episódio teria uma pré-estreia no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, em 9 de junho. A série seria a mais assistida do Disney+ em sua semana de estreia, mas não conseguiria terminar o ano dentre o Top 10 do serviço. A crítica ficaria encantada, elogiando a concisão dos roteiros, a beleza dos episódios e chamando a atenção para os temas de lealdade, amizade, ética e moralidade presentes nas histórias. Infelizmente, ainda não há notícias sobre se a série foi um projeto isolado ou se terá uma segunda temporada - nem sobre as demais séries que seriam produzidas pela Proximity Media, com a validade de cinco anos do contrato original já tendo se esgotado.

Marvel Zumbis
Marvel Zombies
2025

Apesar de seu aspecto, digamos, incomum, Zumbis Marvel é uma das séries de maior sucesso da Marvel nos quadrinhos. Ela começou despretensiosamente, como parte de uma saga do Quarteto Fantástico do Universo Ultimate, chamada O Outro Lado do Espelho, publicada nas edições de 21 a 23 de Ultimate Fantastic Four, entre setembro e novembro de 2005, na qual Reed Richards é contactado por uma versão mais velha de si mesmo, pedindo ajuda para salvar o futuro; ao passar pelo portal que levaria ao futuro, Reed descobre que foi enganado, e que o chamado partiu de uma versão alternativa sua de uma realidade paralela na qual o Apocalipse Zumbi aconteceu, transformando quase todos os heróis e vilões Marvel em zumbis.

Anunciada como sendo um crossover entre o Universo Ultimate e o Universo Marvel "principal", no que depois se revelou uma jogada de marketing, O Outro Lado do Espelho (que, em inglês, se chamava, simplesmente, Crossover) serviria como introdução ao lançamento da série limitada Marvel Zombies, com cinco edições lançadas entre dezembro de 2005 e abril de 2006, na qual Magneto tenta reunir um grupo de super-heróis sobreviventes para enfrentar os zumbis e tentar encontrar um refúgio. Para a surpresa de absolutamente todo mundo na Marvel, que previa vendas medianas, a série seria um gigantesco sucesso, com a primeira edição se esgotando em poucos dias e se tornando extremamente rara.

Esse sucesso faria com que o "Universo Zumbi" fosse revisitado várias vezes a partir de então, seja como parte de histórias nas revistas regulares dos heróis Marvel, seja na forma de outras minisséries e one shots, como Marvel Zombies 2, com quatro edições lançadas entre dezembro de 2007 e abril de 2008, Marvel Zombies: Resurrection, com quatro edições lançadas entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, e Marvel Zombies: Dead Days, de maio de 2008, que explica como ocorreu o Apocalipse Zumbi. Ao todo, já foram lançadas mais de 100 edições com a presença dos Zumbis Marvel, incluindo um crossover com o filme Uma Noite Alucinante, Marvel Zombies vs. The Army of Darkness, com cinco edições puiblicadas entre maio e setembro de 2007, no qual Ash Williams vai parar no Universo Zumbi.

Sendo uma série de tanto sucesso, é claro que os Marvel Studios gostariam de ganhar um pouco de dinheiro com ela, com Kevin Feige discutindo a possibilidade de um filme dos Zumbis Marvel já em 2013, mas desistindo após os executivos acharem que a história não poderia ser fielmente adaptada por não ser apropriada ao público-alvo das produções Marvel de então. Quando começou a produção da série animada de What If...?, porém, uma das ideias apresentadas pelo roteirista Matthew Chauncey foi justamente a de visitar o Universo Zumbi, mas usando personagens e características dos filmes lançados nas três primeiras Fases do MCU. Essa ideia acabaria se transformando em um roteiro do próprio Chauncey, que, por sua vez, daria origem ao quinto episódio, E se... zumbis?!.

Em junho de 2021, antes mesmo da estreia de What If...?, em agosto, os Marvel Studios anunciariam que mais três séries animadas estavam em pré-produção, todas elas sendo spin-offs de What If...?, ou seja, ambientadas em universos alternativos, e não na agora chamada Linha do Tempo Sagrada do MCU. No mês seguinte, seria anunciado que essas séries ainda estavam em estágio muito preliminar, e que nenhuma delas estrearia antes de 2023. Em novembro de 2021, durante o Disney+ Day, seria oficialmente anunciado que uma dessas séries seria Marvel Zombies (que, em português, por alguma razão, viraria Marvel Zumbis, e não Zumbis Marvel); das outras duas não se falaria mais nada, e o mais provável é que tenham sido canceladas.

Na mesma ocasião, seria anunciado que Bryan Andrews, diretor da primeira temporada e de quase todos os da segunda e terceira de What If...?, também seria o diretor de todos os episódios de Marvel Zumbis, além de seu showrunner. Andrews diria que, após assistirem ao episódio, Feige e o produtor Brad Winderbaum gostaram tanto que convocaram uma reunião para transformar sua história em um longa-metragem animado, durante a qual se chegaria à conclusão de que o melhor seria uma minissérie, pois assim eles conseguiriam contar com o Homem-Aranha - que, segundo os termos do contrato entre Marvel e Sony, não pode aparecer em longa-metragens de animação produzidos pelos Marvel Studios. Marvel Zumbis seria uma das sensações da Comic-Con de 2022, na qual Feige confirmaria que a série faria parte do "Multiverso Animado Marvel", e que teria classificação TV-MA (inadequada para menores de 18 anos), para que pudesse contar "com toda a carnificina que se espera de uma série sobre zumbis".

A produção da série acabaria sofrendo muitos atrasos, o maior deles em 2023, quando ocorreram a greve dos roteiristas e uma reunião de emergência entre os executivos da Disney e da Marvel para tratar do baixo desempenho das produções da Fase 4, que levou a uma reestruturação de vários projetos em andamento. Após essa reunião, Zeb Wells, que havia sido roteirista de um dos episódios de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, e, futuramente, seria um dos co-roteiristas de Deadpool & Wolverine, seria escolhido para ser o chefe da equipe de roteiristas de Marvel Zumbis. Wells discutiria detalhes da história com Andrews, e acabaria sendo o único roteirista - com todos os episódios sendo creditados a "Zeb Wells, a partir de uma história de Bryan Andrews e Zeb Wells". Antes do lançamento da série, a Disney decidiria creditar Andrews e Wells como co-showrunners e co-criadores da série, já que ambos haviam mesmo feito tudo juntos - exceto dirigir, função apenas de Andrews.

Andrews ficaria satisfeito com a classificação TV-MA, dizendo que, assim, eles não precisariam se conter, e Winderbaum definiria a série como "intensa", com nível de violência comparável à dos quadrinhos dos Zumbis Marvel, diferente de tudo o que já se havia visto em uma animação do MCU. Andrews declararia não estar criando uma história de zumbis, mas uma grande aventura, com momentos de humor, ação, violência, drama e emoção, usando temas de esperança e desespero. Em alguns diálogos os personagens xingam, algo extremamente incomum para uma produção Disney, o que levaria Andrews e Wells a ter que dar uma declaração de que isso só ocorre nos momentos apropriados, com eles sempre tentando não fazer dos personagens bocas-sujas de forma gratuita.

A série é ambientada cinco anos após os eventos de E se... zumbis?!, e mostra um grupo de heróis andarilhos sobrevivendo às investidas de uma horda de zumbis controlados por Wanda Maximoff, a Rainha dos Mortos; acidentalmente, eles descobrem uma forma de evitar que a infecção zumbi se alastre ainda mais, mas Wanda tem planos de usar um poder inimaginável, protegido pelo Hulk, para transformar todos os habitantes do planeta em zumbis sob o seu comando, o que faz com que ela precise ser detida, ou de nada os esforços dos heróis adiantarão.

Assim como What If...?, Marvel Zumbis conta em seu elenco com atores que participaram dos filmes e séries do MCU repetindo seus papéis, e com dubladores profissionais substituindo aqueles que não puderam ou não quiseram participar. Dentre os atores que repetem seus papéis do MCU estão Iman Vellani como Kamala Khan / Miss Marvel; Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Hailee Steinfeld como Kate Bishop / Gaviã Arqueira; Kerry Condon como a inteligência artificial Sexta-Feira; Florence Pugh como Yelena Belova; David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho; Simu Liu como Shang-Chi; Awkwafina como Katy Chen; Randall Park como Jimmy Woo; Wyatt Russell como John Walker; Paul Rudd como Scott Lang / Homem-Formiga; Adam Hugill como Rintrah; Sheila Atim como Sara; Tessa Thompson como Valquíria; F. Murray Abraham como Khonshu (no terceiro episódio); Zenobia Shroff como Muneeba Khan; e Elizabeth Olsen como Wanda Maximoff / Rainha dos Mortos. Os dubladores que repetem seus papéis de What If...? são Hudson Thames como Peter Parker / Homem-Aranha; Kenna Ramsey como Okoye; Kari Whalgren como Melina Vostokoff; Feodor Chin como Xu Wenwu; Rama Vallury como Helmut Zemo; e Piotr Michael como Khonshu (no quarto episódio). Dubladores novos incluem Todd Williams como Eric Brooks / Blade, e Greg Furman como Thor. Também participam Daniel Swain, Isaac Robinson-Smith, Debra Wilson, Alison Haislip, Dave Boat, Terri Douglas, Robin Atkin Downes, Matthew Yang King, Andrew Morgado, Ashley Peldon, Michael Ralph, Fred Tatasciore, Mike Vaughn e Matthew Wood como vozes adicionais. Personagens do MCU que fazem participações especiais, sem falas, alguns deles como zumbis, incluem T'Challa / Pantera Negra, Mercador da Morte, Ikaris, Rocky, Groot, Bruce Banner/ Hulk, Clint Barton / Gavião Arqueiro, Steve Rogers / Capitão América, Emil Blonsky / Abominável, Ava Starr / Fantasma, Carol Danvers / Capitã Marvel, Namor, Hank Pym, Janet van Dyne, Hope van Dyne / Vespa, Thanos e o Vigia.

Marvel Zumbis seria a primeira produção Marvel a contar com a presença do Pantera Negra após o falecimento do ator Chadwick Boseman. Em respeito ao fato de a Marvel ter decidido aposentar o personagem nos cinemas ao invés de substituir Boseman, na série o Pantera Negra não fala, para que não precisasse ser escalado um dublador; Andrews declararia que, caso Boseman não tivesse falecido, ele e Wells teriam usado o personagem em mais cenas e dado a ele maior importância. A série também conta com uma versão de Blade apelidada "Blade Knight", já que é um amálgama do personagem com o Cavaleiro da Lua. A inclusão de Blade seria sugerida por Feige, já que Marvel Zumbis estava sendo produzida ao mesmo tempo em que o novo filme do herói; após o adiamento do filme por tempo indeterminado, Andrews e Wells decidiram mudar o personagem, fazendo com que, nesse universo, ele tenha sido escolhido para ser o Punho de Khonshu ao invés de Marc Spector.

O estilo de animação seria o mesmo de What If...?, utilizando cel-shading e com os personagens lembrando os atores que os interpretaram no MCU; no caso de Blade, seria usado como modelo Mahershala Ali, que ainda tem contrato para interpretá-lo em um filme. Todos os episódios ficariam a cargo do Stellar Creative Lab, um dos estúdios que trabalharam em What If...?, supervisionados pela Marvel Studios Animation, com Paul Lasaine servindo como supervisor de animação. Como uma piada interna, todos os animadores da série emprestariam suas feições a zumbis.

Marvel Zumbis teria apenas quatro episódios, todos eles estreando no Disney+ em 24 de setembro de 2025, com essa data sendo anunciada de surpresa pela Disney pouco mais de um mês antes; originalmente, a ideia era que a série estreasse em outubro de 2024 como um especial de Halloween, mas, como a produção estava ligeiramente atrasada, a Marvel Studios Animation decidiria não colocá-la para competir com Agatha Desde Sempre, que ainda estaria no ar, e, em outubro de 2024, anunciaria que Marvel Zumbis estrearia em outubro de 2025, aproveitando para dar um polimento aqui e ali em alguns episódios - o que expandiria a participação de Khonshu e faria com que Michael tivesse de gravar suas novas falas, já que Abraham não estava disponível na época. A audiência superaria todas as expectativas da Disney, com Marvel Zumbis sendo a série mais assistida do Disney+ em mais de 30 países em sua semana de lançamento, e a terceira mais assistida dos Estados Unidos considerando todos os streamings. A crítica ficaria dividida, considerando a série divertida, mas sem originalidade.

Pouco antes da estreia da série, Winderbaum comentaria que, originalmente, existia a possibilidade de que fosse lançada uma segunda temporada, dependendo da reação do público à primeira, mas que, como Marvel Zumbis "foi pega no meio da reestruturação do MCU", que ocorreu no final de 2023, esses planos foram cancelados, com Wells sendo orientado a escrever um final, para que a série fosse fechada, com apenas uma temporada. Ainda assim, como Wells escreveu um final "mais ou menos aberto", e a audiência foi maior que a esperada pela Marvel, Andrews mantém a esperança de que uma segunda temporada seja autorizada, e diz já estar conversando com Wells sobre quais personagens poderiam usar, sendo seu preferido o Soldado Invernal.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
•Olhos de Wakanda
•Marvel Zumbis

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sábado, 25 de julho de 2026

Escrito por em 25.7.26 com 0 comentários

WildC.A.T.s

Eu ia começar esse post dizendo que eu nunca tinha lido WildC.A.T.s, mas depois eu me lembrei que, quando a Editora Globo lançou as revistas da Image no Brasil, embora eu realmente não comprasse WildC.A.T.s, eu comprava Gen 13, e, depois de um tempo, claramente para economizar, eles juntaram as duas revistas numa só (e com qualidade de papel pior) chamada Gen 13 & WildC.A.T.s, que eu segui comprando, então essas histórias dos WildC.A.T.s eu já havia lido sim, o que eu nunca havia lido foram as histórias originais dos WildC.A.T.s, que, ainda por cima, eu achava que haviam sido escritas pelo Jim Lee, e não só desenhadas por ele. Recentemente, entretanto, eu aproveitei um saldão da Panini e comprei um encadernado dos WildC.A.T.s, com todas as histórias desenhadas pelo Jim Lee. Depois que terminei de ler, achei que, já que eu não falo há um tempão sobre um super-herói aqui no átomo, poderia tentar fazer um post, e, por isso, hoje é dia de WildC.A.T.s.

Embora seja um dos sete artistas considerados fundadores da Image, Jim Lee não estava no grupo que originalmente decidiu cortar laços com a Marvel e a DC e fundar sua própria editora. Quem teve essa ideia, talvez nada surpreendentemente, foi Rob Liefeld, que, na época, desenhava a X-Force para a Marvel - revista que havia sido criada por ele ao receber carta branca para reinventar os Novos Mutantes - e considerava que a revista só fazia sucesso por causa de sua arte, se ressentindo de que não recebia participação nas vendas nem tinha direitos sobre os personagens que criava, já que, pelas leis dos Estados Unidos, se alguém cria uma coisa enquanto está sob contrato, os direitos pertencem ao contratante, e não ao criador. Mais que isso, Liefeld se preocupava com o futuro, achando que os desenhistas dos anos 1990 haviam ficado "grandes demais para o sistema", que a Marvel não queria "estrelas", e que isso pudesse resultar em sua demissão em um futuro próximo.

Liefeld conversaria com Todd McFarlane, que na época escrevia e desenhava a Spider-Man, uma nova revista do Homem-Aranha lançada praticamente só por causa dele, e se sentia desprestigiado por motivos parecidos, acreditando que deveria receber parte do lucro sobre a venda de merchandising associado ao personagem, como camisetas, material escolar e outros produtos que usassem a sua arte - o que, segundo as leis dos Estados Unidos, só ocorre se houver uma cláusula específica quanto a isso no contrato - e os dois decidiriam identificar outras "estrelas" da arte nos quadrinhos que pensassem de forma parecida, visando convidá-las para fundar sua própria editora, com regras diferentes das adotadas por Marvel e DC. Os dois primeiros foram Erik Larsen, que ficou famoso desenhando o Hulk, mas, na época, desenhava a The Amazing Spider-Man, a revista original do Homem-Aranha, onde McFarlane fez sua fama, e Jim Valentino, que desenhava a Guardians of the Galaxy.

Alguns meses depois, McFarlane se encontraria com Jim Lee e Marc Silvestri em um leilão beneficente na Sotheby's, em Nova Iorque, e decidiria convidar também os dois. Silvestri na época desenhava a Wolverine, e Lee a X-Men, também uma nova revista dos X-Men criada só por causa dele. Lee tinha opiniões parecidas com as de McFarlane, mas dúvidas quanto a deixar a segurança da Marvel para se aventurar em um projeto arriscado como a fundação de uma nova editora; ele só decidiria aceitar o convite após conversar com Whilce Portacio, desenhista da The Uncanny X-Men, a revista original dos X-Men, a quem acabou convidando também. Liefeld, McFarlane, Larsen, Valentino, Silvestri, Lee e Portacio, então, entrariam para a história como os fundadores da Image, a única editora que verdadeiramente chegou a ameaçar o reinado da Marvel e da DC - por um curto período de tempo, inclusive, superando a DC em vendas e sendo a segunda que mais vendia quadrinhos nos Estados Unidos, atrás apenas da Marvel.

A principal característica da Image era que os criadores seriam donos de tudo o que criassem, com a editora só sendo dona de seu nome e seu logotipo. Para que isso funcionasse, ela era tipo uma cooperativa, com cada um dos fundadores tendo uma "mini-editora" (na verdade, um estúdio) que produzia suas criações, cabendo à Image apenas tratar da impressão e da distribuição - sendo que, no início, como ela não tinha meios de fazer nem uma coisa, nem outra, a impressão e a distribuição caberiam a outra editora pequena, a Malibu Comics, que fez um contrato com a Image para que os quadrinhos das "mini-editoras" fossem impressos e distribuidos junto com os criados pela Malibu. No início, as seis "mini-editoras" - chamadas por alguns fãs de "selos" - da Image eram o Extreme Studios de Liefeld, a McFarlane Productions, a Highbrow Entertainment de Larsen, a Shadowline de Valetino, a WildStorm de Lee, e a Top Cow de Silvestri - Portacio só criaria seu Avalon Studios seis anos depois, inicialmente produzindo seus títulos pela WildStorm. Ao longo dos anos, a Image reuniria vários outros selos, como o Cliffhanger e a Skybound Entertainment, e cada um deles se desenvolveria de forma diferente - a Top Cow, hoje, é praticamente uma editora completa, inclusive imprimindo e distribuindo seus próprios títulos, com sua ligação com a Image sendo basicamente afetiva.

Pois bem, após aceitar o convite de McFarlane, fundar a Image e definir como seria o funcionamento da WildStorm, a primeira coisa que Lee faria seria entrar em contato com um amigo de infância, o roteirista Brandon Choi. Tanto Lee quanto Choi nasceram em Seul, na Coreia do Sul, e emigraram para os Estados Unidos quando crianças, acompanhando seus pais - Lee tinha 7 anos, Choi tinha apenas 2, mas ambos são da mesma idade, o que significa que Choi emigrou primeiro. Eles se conheceram na década de 1970 na igreja, que era frequentada pelos pais de ambos, segundo Choi, quando um dia ele viu Lee brincando com bonequinhos dos X-Men, que ninguém tinha na época, pediu para brincar também, e Lee o presenteou com um boneco do Anjo. Os dois logo se tornaram melhores amigos e, por coincidência, quando passaram para o middle school, o equivalente ao nosso segundo segmento do Ensino Fundamental, ficaram na mesma turma. Ambos, então, começaram a criar várias histórias de super-heróis, com Choi criando os enredos e Lee os personagens.

Lee seria mais bem sucedido que Choi ao perseguir seus sonhos, sendo contratado pela Marvel aos 23 anos, em 1987, para desenhar Alpha Flight, a revista da Tropa Alfa, passando em seguida para The Punisher War Journal, a revista secundária do Justiceiro, até parar na The Uncanny X-Men, onde trabalhava com Chris Claremont - as vendas nessa época seriam tão grandes que a Marvel daria aos dois uma revista totalmente nova, chamada apenas X-Men, com a Uncanny passando para outra equipe e as histórias de ambas se complementando. Choi, enquanto isso, não conseguiu ser contratado por nenhuma editora de quadrinhos e decidiu tentar a sorte no cinema, estando matriculado em um curso de roteirista quando Lee o telefonou e o convidou para trabalhar na WildStorm. A ideia de Lee era não somente retomar a parceria com o amigo, mas tentar fazer de uma forma profissional e oficial os quadrinhos que os dois inventavam quando crianças, o que deixou Choi extremamente empolgado.

Choi e Lee, então, começariam a revisar os enredos e personagens que haviam criado, para adequá-los ao que fazia sucesso nos anos 1990 e tornar tudo mais profissional. Devido à experiência de Lee com os X-Men, e ao sucesso da equipe dos mutantes, Lee decidiria que queria também fazer um grupo de heróis, ao invés de um herói solo. Sendo ambos fãs de ficção científica e tendo como filme favorito Blade Runner, Lee e Choi decidiriam começar por dois personagens originalmente inspirados por essa obra: Bandoleiro e Espartano. Bandoleiro era originalmente uma versão com superpoderes do personagem Deckard, interpretado por Harrison Ford; ele manteria a atitude e o sobretudo de Deckard, mas acabaria sendo transformado em um mercenário ao invés de um detetive; já Espartano seguiria sendo uma versão turbinada de um Replicante, um humano artificial, mas capaz de voar e lançar raios pelas mãos. Outros dois personagens antigos, Lacuna e Warblade, ganhariam modificações inspiradas pelo T-1000 de O Exterminador do Futuro 2, filme lançado pouco antes da fundação da Image; Lacuna ganharia um uniforme reflexivo semelhante à pele de metal líquido do androide, enquanto Warblade poderia transformar suas mãos em vários tipos de lâminas. O personagem que menos mudaria seria Marreta, ganhando apenas um novo nome - o original era Tusk - e uma história ligada à nova origem criada para a equipe.

Falando nisso, a moda nos anos 1990 era explorar a guerra entre o Céu e o Inferno; outro personagem superfamoso da Image, Spawn, foi criado especialmente com essa guerra em mente, e até Marvel e DC se enveredaram por esse caminho, com o Justiceiro durante um tempo sendo um agente do Céu que caçava demônios, e o personagem Constantine ganhando um título que explorava essa temática lançado pelo selo Vertigo. Lee também queria envolver seu grupo de heróis em uma guerra entre Céu e Inferno, mas Choi decidiria adaptar esse enredo para a ficção científica, criando duas raças alienígenas que vivem escondidas dos humanos na Terra, os kherubins e os demonitas. Os kherubins são praticamente idênticos aos humanos, mas têm cabelos brancos e jamais morrem de velhice, com os homens tendo poderes quânticos e as mulheres sendo extremamente fortes e ágeis; já os demonitas são monstruosos e só conseguem sobreviver se utilizarem um outro ser como hospedeiro, se valendo dessa tática para influenciar governos e organizações. Acidentalmente naufragados na Terra há milhares de anos, os demonitas buscam uma forma de trazer reforços de seu planeta natal para dominar o nosso, enquanto os kherubins os caçam e tentam acabar com sua ameaça.

Faltava apenas um detalhe: o primeiro grupo de heróis lançado pela Image seria o Youngblood, de Liefeld, cujos membros eram ligados à CIA ou ao governo dos Estados Unidos e viviam como celebridades, sendo tratados pela população como se fossem atores, cantores ou atletas de prestígio. Lee decidiria que seu grupo seria justamente o contrário, atuando das sombras e sem o conhecimento do grande públco - o que inclusive combinava com o conceito da "guerra secreta" entre demonitas e kherubins. Após definir essa característica, ele decidiria chamar a equipe de WildC.A.T.s, com "C.A.T.s" sendo uma sigla para Covert Action Teams, algo como "equipes de ação sigilosa" em inglês - nome que pode parecer meio estranho hoje, mas estava super dentro da moda nos quadrinhos nos anos 1990. Chamando o grupo de WildC.A.T.s, inclusive, Lee pôde batizar seu grupo seguinte de StormWatch - o que fazia com que as primeiras metades de cada um formassem o nome WildStorm.

A equipe original dos WildC.A.T.s é liderada por Lorde Emp, kherubim que perde a memória e vive anos dentre os humanos usando o nome de Jacob Marlowe. Após perder tudo, Emp vive como mendigo até ser encontrado por Lacuna, que era a cosmonauta russa Adrianna Tereshkova até seu corpo se fundir a um artefato alienígena conhecido apenas como Orbe, o que lhe deu o poder de ver o passado e o futuro simultaneamente ao presente e de teleportar a si mesma e a outros. Lacuna conta a Emp sobre a guerra entre os kherubins e demonitas e o ajuda a fundar a Corporação Halo, empresa presente em vários ramos de empreendimento, mas que na verdade é uma fachada para financiar os WildC.A.T.s e permitir que agentes demonitas sejam identificados e detidos. É a Halo a responsável por criar Hadrian-7, o ciborgue de codinome Espartano, que tem força e vigor sobre-humanos, pode voar, disparar raios pelas mãos, interagir com equipamentos eletrônicos e cuja consciência pode ser transferida para um novo corpo caso o que está sendo usado seja danificado além de qualquer reparo.

Quando Emp veio para a Terra, trouxe consigo uma guarda-costas, Lady Zannah, que adotou o codinome Devota. Após Emp perder a memória e desaparecer, Devota reuniu as demais kherubins da Terra e criou a Irmandade Coda, que iria treiná-las para a guerra contra os demonitas; infelizmente, algumas membros da Coda se mostraram traidoras e se aliaram aos inimigos, enquanto outras desvirtuaram os preceitos da sociedade kherubim, o que fez com que Devota decidisse deixar a ordem e vagar o mundo procurando por Emp. Enquanto fazia isso, ela decidiu treinar um aprendiz, Cole Cash, ex-agente do governo, ex-mercenário e ex-membro da equipe conhecida como Team 7, que ganhou poderes psiônicos limitados e uma resistência a lesões e fraturas que o torna praticamente imortal após ser submetido a experimentos de um projeto secreto do governo norte-americano chamado Projeto Gênese - mas o principal "poder" de Cash é sua exímia habilidade com armas de fogo, o que lhe valeu o codinome de Bandoleiro. Após anos contando apenas um com o outro, Devota e Bandoleiro decidem também se unir aos WildC.A.T.s após o ressurgimento de Emp.

Os outros três membros dos WildC.A.T.s inicialmente estão em treinamento. Um deles é Jeremy Stone, codinome Marreta, um híbrido humano/kherubim (mais tarde sofrendo um retcon e se tornando um híbrido de humano com uma raça alienígena chamada titanthrope) com o poder de aumentar de tamanho, com a significativa desvantagem de que, quanto mais ele aumenta, mais seu raciocínio fica prejudicado - vulgarmente falando, quanto maior, mais burro ele fica. Já Reno Bryce, codinome Warblade, também um híbrido humano/kherubim, pode transformar seu corpo em metal líquido, esticando seus membros e transformando suas mãos e pés em uma variedade de lâminas; no passado, Warblade teve ligações profundas com Ripclaw, herói criado por Silverstri e membro da equipe Cyber Force.

Finalmente, temos Priscilla Kitaen, codinome Vodu, uma híbrida humano/demonita, que entra para a equipe na primeira edição, após ser encomtrada por Bandoleiro trabalhando como stripper - ou melhor, "dançarina exótica", já que, até para os anos 1990, uma heroína stripper era um pouco demais. Vodu consegue enxergar quando um demonita está possuindo um humano, e, fazendo um gigantesco esforço, consegue expulsar o demonita do hospedeiro, normalmente matando o vilão no processo; isso faz com que ela seja um alvo preferencial dos demonitas, que a consideram um perigo para seus planos. Como ela nunca foi heroína na vida, tem que aprender a se virar durante as missões, sendo treinada nos intervalos por Devota e Espartano - com quem ela chega a desenvolver um romance.

O principal vilão de WildC.A.T.s é Helspont, demonita que, antes de vir à Terra, possui como hospedeiro um alienígena de raça desconhecida. Helspont planeja substituir membros-chave do governo dos Estados Unidos por demonitas, obtendo com isso os meios para trazer uma grande armada de seu planeta natal para dominar a Terra e exterminar os kherubins que estão aqui. Outros vilões criados por Lee incluem o Lanceiro, espécie de Deadpool do mal, um mercenário humano que se uniu aos demonitas; Providência, que ganhou o poder de ver o futuro após ter contato com um Orbe; Tapeçaria, que pode alterar memórias e tem um passado em comum com Devota; a telepata Miséria, que tem um passado em comum com Warblade e Ripclaw; e Gnomo, mafioso alienígena que planeja obter as Orbes para si, empregando os serviços de um trio de criminosos cohecido como Tríade, composto por Ática, mercenário que faz uso de armas e armaduras futuristas; Escória, mutante cujo corpo é feito de lava; e o robô Dano. Diversas kherubins treinadas pela Coda que decidem se aliar aos vilões, todas chamadas apenas de Coda, também aparecem nas histórias.

Assim como muitas das séries da Image, WildC.A.T.s - Covert Action Teams foi originalmente lançado, para "testar as águas", na forma de uma minissérie, com roteiros de Choi e arte de Lee, em quatro edições, entre agosto de 1992 e março de 1993. Em seguida, seria lançada outra minissérie, em três edições, entre junho e setembro de 1993, chamada WildC.A.T.s Trilogy; curiosamente sem a participação de Jim Lee, com roteiros de Choi e arte de Jae Lee, essa segunda minissérie trazia a primeira aparição da equipe Gen 13, estabelecia a Ilha de Themiscyra como a base da Irmandade Coda, e tinha como vilã uma Coda renegada chamada Ártemis, que planejava matar Devota. WildC.A.T.s Trilogy também traria a primeira aparição de Lorde Hightower, demonita que possuiu um humano e se valia de seu prestígio social para fazer avançar os planos dos alienígenas, sendo um adversário recorrente em muitas das edições seguintes.

O sucesso das minisséries levaria ao lançamento de uma série regular a partir de novembro de 1993, mas com a numeração continuando do 5, como se fosse a continuação da minissérie original. Acreditando que as chances de sucesso da Image seriam maiores caso existisse um "Universo Image", nos moldes do que faziam a Marvel e a DC, Lee negociaria com Liefeld e Silvestri a inclusão de seus personagens em histórias dos WildC.A.T.s: a minissérie original contaria com a participação do Youngblood, enquanto as três primeiras edições da série regular faziam parte da saga Instinto Assassino, sendo intercaladas com as edições de 1 a 3 da série regular de Cyber Force, explorando as relações entre Warblade, Ripclaw e Miséria, e colocando a Cyber Force, um grupo de mutantes ciborgues que enfrentavam uma mega corporação corrupta, para brigar contra os WildC.A.T.s - que, afinal de contas, era um grupo secreto, desconhecido pelos demais heróis.

Jim Lee seria o artista da série regular até a edição 13, quando sairia para se dedicar a Gen 13, Deathblow e Stormwatch; os roteiros da série regular começariam com Choi, mas logo vários roteiristas convidados, como Grant Morrison e Chris Claremont, também escreveriam suas próprias histórias dos WildC.A.T.s. Claremont seria responsável pelas edições de 10 a 13, com a 10 marcando a estreia de um personagem criado por ele, o Caçador - que, pelas regras da Image, pertenceria somente a ele, devendo haver uma autorização e compensação financeira caso algum outro roteirista quisesse utilizá-lo. Lee também aproveitaria essas últimas edições para introduzir novos personagens criados por ele, como Savant, irmã adotiva de Devota, que, ao invés de grande força física, possui uma inteligência fora do comum, além de uma bolsa com vários artefatos lendários, como as Botas de Sete Léguas e o Manto de Invisibilidade; e Majestic, kherubim que tem poderes semelhantes aos do Superman.

Após a saída de Lee, Larsen escreveria e desenharia a edição 14, com James Robinson e Travis Charest assumindo como roteirista e artista na 15. Na época, WildC.A.T.s já era um enorme sucesso, e a WildStorm decidiria apostar também em aventuras solo de seus membros, com Espartano ganhando uma minissérie em quatro edições, com roteiros de Kurt Busiek e arte de Mike McKone, chamada Spartan: Warrior Spirit, lançada entre julho e novembro de 1995, e Devota ganhando uma chamada Zealot, em três edições lançadas entre agosto e novembro, com roteiros de Ron Marz e arte de Terry Shoemaker. O passado em comum de Warblade e Ripclaw também voltaria a ser explorado na minissérie Warblade: Endangered Species, em quatro edições lançadas entre janeiro e abril de 1995, com roteiros de Steven Seagle e arte de Scott Clark.

Mas o personagem mais popular era sem dúvida o Bandoleiro, que, além de fazer team ups com outros personagens, incluindo Backlash, de Stormwatch, Bedrock, de Youngblood, Shi, criada por Billy Tucci para a editora Crusade, e até mesmo o Máskara, da editora Dark Horse, seria o astro de duas séries regulares, ambas chamada Grifter, a primeira com roteiros de Seagle e arte de Ryan Benjamin, que exploraria seu passado em dez edições, publicadas entre maio de 1995 e março de 1996, e a segunda, com numeração recomeçando do 1, com histórias ambientadas simultaneamente a suas aventuras com os WildC.A.T.s, em 14 edições publicadas enre julho de 1996 e agosto de 1997, com roteiros de Steven Grant e arte de Mel Rubi.

Também em 1995 seria lançada a minissérie Team One, com duas edições protagonizadas pelo Stormwatch, com roteiros de Seagle e arte de Tom Raney, e duas protagonizadas pelos WildC.A.T.s, com roteiros de Robinson e arte de Rich Johnson, lançadas entre junho e setembro, que exploravam as fundações do "Universo WildStorm"; esse conceito seria expandido na saga Wildstorm Rising, que se espalharia pelas edições publicadas em 1996 de WildC.A.T.s, Stormwatch, Gen 13, Grifter, Team 7, Union, Deathblow, Backlash e Wetworks (essa última criada por Portacio), e que, pouco a pouco, definiria o Universo Wildstorm como independente dos demais títulos da Image - embora o passado em comum de Warblade e Ripclaw jamais tenha sido oficialmente alterado.

Após o final da Wildstorm Rising, a equipe original dos WildC.A.T.s partiria para o planeta Khera, terra natal dos kherubins, e uma nova equipe ficaria na Terra, composta por Savant, Majestic, o humano artificial Tao, a punk ciborgue Ladytron, e o irmão do Bandoleiro, Max Profitt. Essa fase, que começaria na edição 21, seria escrita por Alan Moore e bastante elogiada. Moore encerraria a guerra entre os kherubins e os demonitas com a derrota total dos vilões, e colocaria seus WildC.A.T.s para enfrentar criminosos comuns, os distanciando cada vez mais dos demais heróis do Universo WildStorm; em determinado momento, entretanto, ele revelaria que Tao era um agente infiltrado dedicado à destruição do grupo, inclusive empregando a Tríade, e que a separação da equipe e a mudança de modus operandi faziam parte de seu plano.

Moore seguiria nos roteiros até a edição 34, escrevendo também o crossover Spawn/WildC.A.T.s, com arte de Scott Clark, em quatro edições publicadas entre janeiro e abril de 1996, e a minissérie Voodoo, com arte de Michael Lopez, na qual Vodu vai a Nova Orleans aprender sobre o verdadeiro vodu, em quatro edições publicadas entre novembro de 1997 e março de 1998. Moore seria substituído por Barbara Randall Kesel, que faria apenas duas edições antes do retorno de Choi, que estabeleceria a organização criminosa Puritanos como os novos vilões; Choi criaria uma nova equipe, formada por Bandoleiro, Max, Lacuna e uma antiga versão do Espartano, mais os novatos Mythos, um kherubim capaz de se mover tão rápido que os humanos não o conseguem ver; Olympia, uma marcenária demonita com treinamento Coda; e a Irmã Eva, noviça com o poder de controlar a energia do Caos. Essa equipe viajava no tempo para deter os Puritanos, cujo objetivo era também viajar no tempo para destruir todos os kherubins e demonitas que um dia já pisaram na Terra.

1997 também seria o ano do lançamento da primeira colaboração entre a WildStorm e a Marvel, WildC.A.T.s / X-Men, série especial em quatro edições lançadas em fevereiro, junho e agosto de 1997 e maio de 1998, a primeira e a última lançadas pela Image, as duas do meio pela Marvel. A rigor, WildC.A.T.s / X-Men não era uma minissérie, já que cada edição trazia uma história completa e independente; a princípio, inclusive, todas as edições trariam o número 1 na capa, mas a Marvel não concordou, e elas acabaram numeradas de 1 a 4. Na primeira edição, chamada The Golden Age, com roteiro de Scott Lobdell e arte de Travis Charest, Devota e Wolverine combatem nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para recuperar um artefato kherubim; na segunda, The Silver Age, com roteiro de Lobdell e arte de Jim Lee, Bandoleiro é convencido pela S.H.I.E.L.D. a embarcar em uma missão, durante a qual se encontra acidentalmente com Jean Grey, que está viajando sem o resto dos X-Men originais (Ciclope, Fera, Homem de Gelo e Anjo), e os dois acabam tendo de enfrentar uma aliança entre os demonitas e a Ninhada; na terceira, The Modern Age, com roteiro de James Robinson e arte de Adam Hughes, a segunda equipe dos X-Men (Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine, Noturno e Colossus) está investigando o desaparecimento de um jovem mutante que pode estar ligado ao Clube do Inferno, e acaba se aliando aos WildC.A.T.s, que tentam salvar Lorde Emp, sequestrado após ser convidado a se tornar membro do clube; e a última, The Dark Age, com roteiro de Warren Ellis e arte de Sean Parsons, é ambientada em um futuro distópico no qual os demonitas usaram Sentinelas para dominar o mundo, com os X-Men e WildC.A.T.s sobreviventes se unindo para tentar usar tecnologia de viagem no tempo para impedir que isso aconteça. Todas as quatro edições pressupõem que os WildC.A.T.s, os kherubim e os demonitas existem no Universo Marvel, o que se tornaria bem curioso após os eventos seguintes.

Desde 1996, Lee não estava satisfeito com a Image, principalmente porque, pelo modelo adotado pela editora, todos os custos de impressão e distribuição deveriam ser pagos pela WildStorm, e ele achava que o retorno financeiro das vendas das edições e dos direitos sobre os personagens já não estavam compensando os gastos. Após aceitar participar da saga Heróis Renascem, reinventando o Quarteto Fantástico e o Homem de Ferro para a Marvel, ele começaria a pensar seriamente em vender a WildStorm e voltar a ser apenas um artista contratado pela Marvel ou DC. Em 1998, a DC demonstraria interesse na compra, e Lee aceitaria, abrindo mão de todos os personagens que criou para a WildStorm, que passariam a ser todos de propriedade da Warner, dona da DC, em troca de uma polpuda soma em dinheiro e de um contrato para desenhar o Batman. A DC decidiria manter o Universo WildStorm como uma parte em separado do Universo DC, com o selo WildStorm atuando mais ou menos como o selo Vertigo, mas deixaria em aberto a possibilidade de personagens da WildStorm aparecerem nos títulos tradicionais da DC e vice-versa.

Embora a compra tenha ocorrido em 1998, o contrato de Lee com a DC estabelecia que a propriedade começaria a valer em janeiro de 1999; como a WildC.A.T.s chegaria em seu número 50 em junho de 1998, Lee decidiria encerrar a série, deixando o caminho livre para um reboot feito pela DC - ao contrário do que ocorreu com Gen 13, que seguiu sendo publicada sem interrupção, com a edição 36 saindo pela Image e a 37 pela DC. A nova WildCats, sem abreviação no cats, com numeração recomeçando do 1 e publicada pela DC, teria roteiros de Lobdell e arte de Charest, sendo lançada em março de 1999 e pegando a equipe em meio a um turbilhão emocional, retornando de uma missão na qual deu tudo errado e Devota aparentemente morreu.

Lobdell e Charest ficariam até a edição 7, sendo substituídos por Joe Casey e Sean Phillips, que começaram uma fase aclamada pela crítica, mas com vendas bastante baixas, na qual Espartano absorveu os poderes de Lacuna e Emp, e liderava uma nova equipe formada por Bandoleiro, Vodu, Marreta, Ladytron e Noir, um francês especialista em armas. O principal vilão dessa fase foi Samuel Smith, um assassino serial com poderes sobre-humanos. Ao todo, a WildCats da DC teria 28 edições, a última de dezembro de 2001, sendo cancelada por baixas vendas; durante o período, também seriam lançados vários one shots, como WildCats: Ladytron, que explorava o passado da personagem, o crossover WildCats/Aliens, e Wild Times: WildCats e Wild Times: Grifter, ambientados em realidades alternativas, além da série regular Mr. Majestic, com nove edições lançadas entre setembro de 1999 e maio de 2000.

A DC reinventaria os WildC.A.T.s na série para o público adulto WildCats Version 3.0, na qual Emp, que teve sua consicência transferida para o corpo de Espartano, decide usar a Corporação Halo para espalhar tecnologia avançada pelo mundo e melhorar a vida da humanidade. Com roteiros de Casey e arte de Dustin Nguyen, Duncan Rouleau, Francisco Ruiz Velasco, Pascual Ferry e Sean Phillips, a série teria 24 edições, lançadas entre outubro de 2002 e outubro de 2004, e terminaria com Devota voltando à equipe e a célula Coda criada por ela sendo destruída. Em seguida, Majestic ganharia uma nova minissérie, chamada apenas Majestic, com quatro edições lançadas entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, com uma nova série regular com 17 edições sendo publicada entre março de 2005 e julho de 2006. Majestic e Devota também seriam as estrelas de WildCats: Nemesis, com roteiros de Robbie Morrison e arte de Talent Caldwell e Horacio Domingues, em 9 edições lançadas entre novembro de 2005 e julho de 2006, na qual a vilã era uma Coda renegada chamada Nêmese, mais tarde reimaginada como uma anti-heroína.

Em 2005 também seria lançada a minissérie Captain Atom: Armageddon, na qual o Capitão Átomo fica acidentalmente preso no Universo WildStorm, com sua presença lá podendo levar à destruição; com a ajuda de uma nova Lacuna, ele retorna ao Universo DC, mas todo o Universo WildStorm é reformulado no processo - ou seja, a minissérie seria um pretexto para um grande reboot, que começaria com uma nova revista WildCats, com roteiro de Grant Morrison e arte de Jim Lee, lançada em dezembro de 2006 - e que seria cancelada após apenas uma edição. Os WildC.A.T.s, pela primeira vez, ficariam sem revista própria durante quase dois anos até retornar em uma nova série regular, mais uma vez chamada WildCats, ambientada em um futuro pós-apocalíptico, que até conseguiu fazer um relativo sucesso, tendo 30 edições lançadas entre setembro de 2008 e fevereiro de 2011.

Após a saga Renascimento, em 2017, o Universo WildStorm deixaria de existir, e os personagens da WildStorm seriam integrados ao Universo DC, com a Corporação Halo passando a fazer parte do universo do Batman. Os WildC.A.T.s, entretanto, só ganhariam uma nova revista muito tempo depois, mais de dez anos após o cancelamento da última. Chamada WildC.A.T.s - a primeira da DC na qual C.A.T. era uma abreviação - ela trazia uma equipe reunida pelo Bandoleiro para realizar missões em cantos inóspitos do Universo DC. Com roteiros de Matthew Rosenberg e arte de Stepehn Segovia, a última WildC.A.T.s teria 12 edições, publicadas entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024. Desde então, os WildC.A.T.s só fazem participações em histórias de outros heróis, principalmente do Batman, embora Helspont tenha enfrentado o Superman em algumas ocasiões.

Para terminar, vale dizer que, no auge de seu sucesso na década de 1990, os WildC.A.T.s foram astros de um desenho animado, criado para tentar competir com o dos X-Men. Criado por David Wise e produzido pela Nelvana, o desenho adaptava as primeiras histórias da equipe nos quadrinhos, mas atenuadas de forma que o desenho fosse "para toda a família". Exibido pela CBS, o desenho não faria muito sucesso e teria apenas uma temporada de 13 episódios, que foram ao ar entre 1 de outubro de 1994 e 21 de janeiro de 1995. Para promover o desenho, a WildStorm criaria uma série em quadrinhos, WildC.A.T.s Adventures, com 10 edições publicadas pela Image entre setembro de 1994 e junho de 1995, com roteiros de Jeff Mariotte e arte de Ty Templeton, cujas histórias não são consideradas oficiais para a cronologia dos WildC.A.T.s.
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sábado, 18 de julho de 2026

Escrito por em 18.7.26 com 0 comentários

Os Flintstones

Um tema recorrente já há alguns anos no meu trabalho é como parece que as crianças de hoje em dia rejeitam tudo o que é antigo, quase criando uma associação de que, se é antigo, é ruim. Uma das teorias é que hoje há uma oferta muito maior de filmes, músicas e desenhos, e aí elas preferem se ater ao que é da mesma geração delas, rejeitando o que seria visto por elas como dos pais ou avós. Um dos argumentos a favor dessa teoria é o de que, quando nós tínhamos a idade delas, a televisão passava coisas antigas que nós não identificávamos como sendo antigas, como a série do Batman ou o desenho do Pica-Pau, então nós achávamos que elas eram da nossa época, e não da época de nossos pais ou avós - quando talvez elas nem passassem na televisão. Em determinado momento alguém citou os Flintstones, e aí eu pensei que realmente, eu adorava os Flintstones, e fiquei muito surpreso ao descobrir que o desenho já havia sido cancelado há uns vinte anos quando eu comecei a assistir. Por alguma razão, isso me deixou com vontade de escrever um post sobre os Flintstones, então aqui está: hoje é dia de Os Flintstones no átomo!


Os Flintstones foram uma criação de William Hanna e Joseph Barbera, do estúdio Hanna-Barbera. Para quem não sabe, Hanna e Barbera foram os criadores do famoso desenho Tom & Jerry, quando eles trabalhavam para os estúdios MGM, e que foi originalmente feito para passar no cinema; com a popularização dos aparelhos de TV, eles decidiriam criar seu próprio estúdio, no final dos anos 1950, exclusivamente para produzir desenhos animados para a televisão, e logo conseguiram dois grandes sucessos: The Huckleberry Hound Show (conhecido no Brasil como Dom Pixote), de 1958, e The Quick Draw McGraw Show (conhecido no Brasil como Pepe Legal), de 1959, respectivamente o segundo e o terceiro desenhos que inventaram - com o primeiro tendo sido The Ruff and Reddy Show, de 1957, conhecido no Brasil como Jambo e Ruivão.

Apesar do sucesso, Hanna e Barbera não estavam plenamente satisfeitos, porque, enquanto Tom & Jerry eram um sucesso também dentre os adultos, que compravam grande parte dos ingressos dos cinemas, seus desenhos para a TV logo foram identificados como "para crianças", sendo exibidos em horários nos quais elas poderiam assisti-los sem a supervisão dos pais - que, assim, também não os assistiam. Hanna e Barbera queriam fazer um desenho animado para a TV que, assim como Tom & Jerry, capturasse a atenção dos adultos, que os assistiriam junto às crianças e contribuíssem para o seu sucesso. Para isso, eles teriam uma ideia ousada: criar uma sitcom em formato de desenho animado.

O nome sitcom vem de situation comedy, "comédia de situação", numa tradução livre, gênero que não surgiu na televisão, com muitos programas de rádio, desde o início do século XX, sendo sitcoms - embora o termo só tenha começado a ser usado e se popularizado na década de 1950, graças à televisão. A criação do termo se deu devido à necessidade de diferenciar esse programa de outro tipo de série de comédia, aquela que usa esquetes: num programa de esquetes, são apresentadas várias histórias curtas, sendo normal os atores interpretarem personagens diferentes em cada uma delas, e sem que o que acontece em uma tenha influência sobre as seguintes; já numa sitcom os personagens são sempre os mesmos, há um cenário fixo, como uma casa ou escritório, e, embora cada episódio seja autocontido, com início, meio e fim, o que ocorre em um deles influencia os seguintes, como um dos personagens comprar um novo carro, mudar de emprego ou ter um filho.

Na década de 1950, as sitcoms eram os programas mais assistidos da televisão norte-americana, sendo exibidos em horário nobre e atraindo muitos anunciantes; desenhos animados, por outro lado, costumavam ser exibidos no meio da tarde, horário em que as crianças chegavam da escola, e se assemelhavam mais a esquetes, com cada episódio trazendo histórias curtas sem nenhuma influência sobre os demais. Hanna e Barbera queriam fazer um sitcom animada, com tudo o que tinham direito - não somente personagens fixos em um cenário fixo vivendo situações que afetariam os episódios seguintes, mas também exibida em horário nobre com anunciantes, o que era extremamente ambicioso para um desenho animado de então. Para isso, eles se inspirariam em uma das sitcoms de maior sucesso da época, The Honeymooners, de 1955, criada por Jackie Gleason, que acompanhava o dia a dia de dois casais vizinhos um do outro.

Hanna e Barbera tentaram várias ambientações para a série, começando por dois casais de capiras nos dias atuais. Vendo que o potencial para a comédia seria maior se a série fosse ambientada no passado, eles os transformariam em peregrinos na época da colonização dos Estados Unidos, então em uma família que vivia na Roma Antiga e em uma família de indígenas nativo-americanos, até que um dos dois deve ter perguntado "por que não ambientar a série na Pré-História logo de uma vez?", quando ficou decidido que, nessa ambientação, eles poderiam pegar absolutamente tudo o que era comum numa sitcom, como o uso de eletrodomésticos, as opções de lazer dos personagens, ou serviços do dia a dia, como o carteiro e o leiteiro, e converter para uma versão pré-histórica, o que daria muitas chances de piadas. Hanna e Barbera decidiriam chamar a família de "os Flagstones", e que ela seria composta por um pai chamado Fred, uma mãe chamada Wilma, e um filho de uns oito anos, chamado Fred Jr., e produziriam um piloto, que a Hanna-Barbera ofereceria para os três principais canais dos Estados Unidos, a CBS, a NBC e a ABC.

O piloto seria a primeira produção da Hanna-Barbera com personagens humanos, já que, antes dele, todas envolviam animais antropomórficos, e teria a mais alta qualidade, contando com roteiro de Harry Winkler, que, no futuro, seria considerado um dos maiores roteiristas de sitcoms da década de 1960; com o animador Kenneth Muse, que trabalhou nos desenhos de Tom & Jerry; e com June Foray, que havia dublado a Cinderella da Disney, como a voz de Wilma. Ainda assim, seria extremamente difícil para a Hanna-Barbera convencer os canais de que uma sitcom animada seria uma boa aposta: ao longo de oito semanas, alguns dias fazendo cinco apresentações de uma hora e meia por dia, eles apresentariam o piloto não somente para os canais, mas também para os anunciantes, já que, com financiamento certo, seria mais provável um canal aceitar. A maioria dos executivos para quem Hanna e Barbera se apresentavam achariam que aquilo tudo era uma maluquice que jamais daria certo, mas, no último dia reservado para as apresentações, eles conseguiriam chamar a atenção da fabricante de cigarros Winston, que concordaria em patrocinar a primeira temporada, e, com isso, obteriam a luz verde do canal ABC, que encomendaria uma temporada de 28 episódios que seriam exibidos em horário nobre: às sextas-feiras, das 20h30 às 21h.

Ao dar a luz verde para o projeto, a ABC demonstraria preocupação com o nome da família, Flagstone, já que o sobrenome dos protagonistas de uma tirinha de jornal de grande sucesso na época, Hi and Lois, era Flagston (sem o "e"), e isso poderia confundir os espectadores. Durante a pré-produção da primeira temporada, a Hanna-Barbera usaria o nome "Os Gladstones", inspirado pelo de uma empresa de telefonia de Los Angeles na época, também chamada Gladstone, mas, no início da produção, eles decidiriam mudar para Os Flinstones, que achavam que soava mais como um nome de uma família da idade da pedra - flint, em inglês, aliás, é a pedra de quartzo que em português se chama sílex, mas também é o nome daquelas pedras que os escoteiros batem uma contra a outra para fazer fogo.

Durante a pré-produção, Hanna e Barbera também achariam que Fred Jr. não estava funcionando como personagem, limitando as opções de história e de piadas, e decidiriam removê-lo da série, transformando os Flintstones em um casal sem filhos. Como os melhores amigos dos Flintstones eram seus vizinhos, Betty e Barney Rubble (rubble, em inglês, para também ficar no tema da idade da pedra, sendo pedaços de pedra de tamanhos irregulares, normalmente chamados em português de "entulho", palavra que acabou sendo associada a restos de obra), após a estreia da série surgiriam as inevitáveis comparações com The Honeymooners. Em uma entrevista dada após o cancelamento de Os Flintstones, Hanna assumiria a influência, declarando que The Honeymooners era a série mais engraçada e de melhores diálogos da televisão, então era natural que eles tivessem se inspirado nela; em uma entrevista posterior, entretanto, Barbera negaria que eles tivessem se inspirado em The Honeymooners para criar Os Flintstones, e que esses comentários somente surgiriam dentre a crítica mais para o final da primeira temporada, mas que, se as pessoas queriam comparar as duas séries, ele via isso como um elogio, já que The Honeymooners era uma das melhores séries da história da televisão.

Gleason pensaria em processar a Hanna-Barbera por ter copiado The Honeymooners, mas seria convencido a não fazê-lo pelo dublador Henry Corden, que era amigo de Gleason e de Alan Reed, que dublava Fred Flintstone, e teria perguntado a Gleason se ele queria entrar para a história como o homem que tirou Os Flintstones do ar - curiosamente, anos antes, Gleason havia sido processado por Philip Rapp, criador do programa de rádio The Bickersons, justamente por considerar que havia muitas semelhanças entre The Bickersons e The Honeymooners, com a questão sendo decidida por um acordo fora dos tribunais, que provavelmente incluiu uma compensação financeira.

Outra controvérsia envolveria Os Flintstones e o desenho animado produzido para o cinema The First Bad Man, de 1955, criado pelo animador Tex Avery, que foi colega de Hanna e Barbera na MGM. The First Bad Man era uma história de faroeste, sendo inclusive narrada por Tex Ritter, o "caubói cantante", como ele era conhecido, mas ambientada na Pré-História, mostrando equivalentes pré-históricos de vários elementos do Velho Oeste. Hanna e Barbera negaram ter usado The First Bad Man como inspiração para Os Flintstones, inclusive assumindo que, embora tivessem gostado da ideia de fazer versões pré-históricas de elementos modernos, não a haviam inventado, citando uma série de 12 desenhos animados produzidos para o cinema pelos Fleischer Studios na década de 1940 e hoje conhecidos coletivamente como Stone Age Cartoons, que também mostravam situações contemporâneas ocorrendo na idade da pedra.

Quando o desenho recebesse a luz verde para a produção, a Hanna-Barbera, sem maiores explicações, preferiria mudar os dubladores de Fred e Wilma; Foray, que seria substituída por Jean Vander Pyl, ficaria ressentida, e jamais aceitaria trabalhar para o estúdio novamente - apesar de inúmeros convites, alguns feitos pessoalmente por Barbera - construindo sua carreira dublando principalmente para a Disney e para a Warner. No piloto, Fred seria dublado por Daws Butler, que já havia feito e seguiria fazendo vários trabalhos para a Hanna-Barbera, mas, para a série, ele seria substituído por Reed, que até lembrava um pouco Fred fisicamente. Reed se recusaria a dublar Fred "fazendo voz de desenho animado", usando sua voz normal, algo que só era feito na época em desenhos experimentais ou voltados para o público adulto; embora isso tenha sido malvisto pelos outros dubladores no início, mais tarde seria seguido por Vander Pyl, e considerado pelos críticos como um dos principais fatores para o sucesso de Os Flintstones, já que fazia com que os espectadores vissem Fred e Wilma como personagens reais de uma sitcom, e não como um desenho animado.

Aliás, é impossível falar sobre Fred Flintstone sem se lebrar de seu "grito de guerra", o famoso yabba-dabba-doo - ou, em bom português, iabadabadu. O inventor do grito foi Reed, que, durante uma das sessões de testes do equipamento de dublagem, recebeu a instrução de fazer com que Fred desse um grito que expressasse alegria e comemoração. Segundo o dublador, a inspiração viria de uma frase falada por sua mãe quando passava creme para pentear em seus cabelos, a little dab will do, derivada do jingle do creme Brylcreem, a little dab of hair cream will do, "só um pouquinho de creme já basta", em uma tradução livre. Hanna e Barbera confessariam que o iabadabadu não era bem o que eles tinham em mente, mas achariam tão engraçado que pediriam para Reed usá-lo toda vez que Fred estivesse comemorando alguma coisa.

Betty Rubble, nas quatro primeiras temporadas, seria dublada por Bea Benaderet, depois substituída por Gerry Johnson. Já Barney teria a voz de um dos dubladores mais lendários de todos os tempos, Mel Blanc; a voz de Barney Rubble é considerada hoje uma das mais características da televisão norte-americana, frequentemente imitada por humoristas, mas Blanc demoraria para encontrar o tom certo, fazendo vários testes, que resultariam em Barney ter tons de voz diferentes em cada episódio do início da primeira temporada - havendo até mesmo um episódio no qual Barney tem dois tons de voz diferentes, intercalados, já que as sessões de dublagem não eram lineares. No início de 1961, Blanc sofreria um acidente de carro quase fatal, o que faria com que, em cinco dos episódios da segunda temporada, Barney fosse dublado por Butler; assim que recebeu alta do hospital, Blanc pediria que fosse montado um mini-estúdio de dublagem em seu quarto, em sua residência, para que ele pudesse voltar ao trabalho ainda na segunda temporada.

Os Flintstones seriam não somente a primeira série animada a ser exibida em horário nobre, mas também a primeira a usar claque - aquelas risadas gravadas reproduzidas ao final de cada piada - e só não é considerada a primeira série animada da televisão produzida para adultos porque, apesar de essa até ser a vontade original de Hanna e Barbera, acabou sendo classificada como "para toda a família", principalmente por razões de mercado - para poder vender bonecos e material escolar, por exemplo. A Hanna-Barbera usaria seus roteiristas "da casa" para alguns episódios, principalmente Warren Foster e Michael Maltese, mas também contrataria roteiristas de sitcoms, incluindo Herbert Finn e Sydney Zelinka, que haviam sido roteiristas de The Honeymooners; alguns dos episódios mais elogiados seriam escritos por Joanna Lee, que era praticamente uma estreante nos roteiros de TV, numa época em que mulheres não eram levadas a sério nessa profissão.

Os diálogos de Os Flintstones costumam ser considerados revolucionários não somente para uma série animada, mas para as sitcoms em geral, e foram considerados tão à frente de seu tempo que algo parecido em uma série animada só seria visto em Os Simpsons, que estrearia quase trinta anos depois. Ela também seria a primeira série animada a mostrar um casal dormindo na mesma cama (aliás, dois, já que Fred dormia com Wilma, e Barney dormia com Betty) e o primeiro desenho animado, seja para a TV ou para o cinema, a mostrar uma mulher grávida e posteriormente dando a luz a um bebê (quando Wilma engravidasse de Pedrita, voltaremos a isso em breve). Bizarramente, na época, era praxe que o elenco de uma série de TV fizesse os comerciais do produto que a patrocinava, o que fez com que a Hanna-Barbera produzisse uma série de comerciais para os cigarros Winston, nos quais Fred, Barney, Wilma e Betty apareciam fumando; não seria a primeira vez em que personagens de desenho animado eram mostrados fumando, mas seria a primeira na qual eles fariam propaganda dos cigarros. Esses comerciais são de propriedade da Winston, e hoje são considerados um material raro e curioso, já que ninguém em sã consciência mostraria personagens de desenho animado elogiando e recomendando cigarros.

A abertura de Os Flintstones se tornaria uma das mais famosas da história da televisão, mas poucos sabem que sua música-tema, também uma das mais famosas da história, não estrearia até o terceiro episódio da terceira temporada. A abertura começa com Fred saindo do trabalho e o acompanha no trânsito até em casa, onde ele chama a familia para o carro e dirige até um cinema drive-in, dando a entender que o episódio do dia será mostrado na tela; no encerramento, ele sai do drive-in, para numa lanchonete drive-thru para comer um brontobúrguer e vai para casa, onde todos se recolhem para dormir - e o gato o engana para trancá-lo do lado de fora. Originalmente, tanto a abertura quanto o encerramento eram ao som de uma versão instrumental de Rise and Shine, mas, para a terceira temporada, seria composta Meet the Flintstones, por Hoyt Curtin, baseada no Movimento 2 da Sonata para Piano número 17, de Beethoven. Curtin, que também era o responsável pela trilha sonora incidental dos episódios até a quinta temporada (depois sendo substituído por Ted Nichols), também foi o maestro da big band de 22 instrumentos que toca a música-tema, cantada pelo coral que se apresentava com o cantor Randy Van Horne. Quando começassem as reprises da série, Meet the Flintstones passaria a ser utilizada também nas duas primeiras temporadas.

A série é ambientada em uma versão fictícia da Pré-História na qual os homens das cavernas convivem não só com grandes mamíferos, mas também com algumas espécies de dinossauros, principalmente brontossauros - que hoje já se sabe que nem existiram, mas, na época, eram os mais famosos, devido a seus longos pescoços. Os Flintstones e os Rubbles vivem na cidade de Bedrock (população: 2500), e, como em toda sitcom que se preze, moram em casas no subúrbio, só que essas casas são totalmente feitas de pedra - aliás, tudo no desenho é feito de pedra, madeira ou peles de animais, mas nem sempre como correspondentes diretos, como o papel, que seria mais lógico ser feito de pele, mas é feito de pedra; o dinheiro local, chamado Lascas, usa conchas ao invés de moedas. Fred e Barney trabalham em uma pedreira, com a principal função de Fred sendo usar um brontossauro para escavar enormes blocos de pedra; sua principal opção de lazer é jogar boliche, e ambos fazem parte de uma sociedade secreta aos moldes da maçonaria, a Ordem Leal dos Búfalos d'Água.

Já Wilma e Betty, espelhando o que ocorria na sociedade dos anos 1950 e 1960, são donas de casa, e, além de cuidar das tarefas domésticas, frequentam o salão de beleza e fazem compras com frequência. Algumas das principais piadas da série envolvem os eletrodomésticos usados por Wilma e Betty, que, na falta de eletricidade, são movidos por animais: a torneira da pia da cozinha é um mastodonte que esguicha água com sua tromba, o triturador de lixo é um dinossauro que mora embaixo da pia, a vitrola tem um pássaro cujo bico serve de agulha, e o aspirador de pó é uma espécie de tamanduá que suga a poeira com seu nariz. Wilma, Betty e as mulheres de Bedrock em geral são retratadas como jovens, magras e bonitas, de traços delicados e pezinhos pequenos, enquanto os homens são mais truculentos, com traços mais quadrados, barba por fazer e pés grandes.

As roupas dos personagens são apenas túnicas, no caso dos homens, ou vestidos, no caso das mulheres, mais um adereço ou outro, como a gravata de Fred ou o lenço na cabeça de Betty; calças aparentemente ainda não foram inventadas, e nenhum personagem usa calçados, com todos andando o tempo todo descalços. Fred e Barney - e outros personagens que aparecem eventualmente - também possuem carros, igualmente feitos de pedra, madeira e peles de animais; na maioria dos episódios esses carros são movidos por esforço do próprio motorista, que deve caminhar alguns passos para que ele pegue velocidade, sendo impulsionado pela inércia depois que ele tira os pés do chão, mas algumas piadas dão a entender que os carros usam alguma espécie de combustível - como uma cena na qual Fred para num posto e pede "complete com Ethel", e o frentista encaixa no carro a tromba de uma mamute chamada Ethel, uma referência à marca de aditivos para combustíveis norte-americana Ethyl. Alguns episódios também mostram "aviões", pterodáctilos enormes com cabines nas costas onde os passageiros embarcam.

Os Flintstones também tinham dois animais de estimação: um dinossauro genérico, chamado Dino, que age como um cachorro, e um tigre-de-dentes-de-sabre que age como um gato - e que, embora seja uma das estrelas do encerramento, aparece tão pouco nos episódios que sequer tem um nome oficial, sendo chamado em material relacionado à série de Baby Puss, algo como "bebê-gatinho". Ao longo da série, mais de 100 personagens coadjuvantes seriam criados para os episódios, com os poucos que aparecem em mais de um sendo o Sr. Pedregulho (Mr. Nate Slate, no original), chefe de Fred na pedreira; Arnold, o menino que entrega jornais; um amigo de Fred e Barney chamado Joe; o líder dos Búfalos d'Água, Sam; e um tio milionário de Fred, chamado Tex Hardrock. Também deve ser citada a mãe de Wilma, que foi contra seu casamento com Fred e - como toda sogra de sitcom - vive implicando com ele; originalmente, a personagem era chamada apenas de Mãe, mas, na quarta temporada, ela seria chamada de Sra. Slaghoople, e, após o cancelamento da série, a Hanna-Barbera "revelaria" que seu primeiro nome era Pearl.

A primeira temporada de Os Flintstones estrearia em 30 de setembro de 1960, e cada um de seus 28 episódios seria exibido por semana até 7 de abril de 1961. Seu grande sucesso levou à encomenda de uma segunda temporada, de 32 episódios, exibidos entre 15 de setembro de 1961 e 27 de abril de 1962. Todos os episódios foram produzidos pela Hanna-Barbera a cores, mas, por decisão da ABC, principalmente pelo baixo número de televisores a cores na época, os episódios das duas primeiras temporadas seriam originalmente transmitidos em preto e branco, somente sendo transmitidos pela primeira vez a cores quando começassem as reprises. Já os comerciais da Winston, como não faziam parte dos episódios, seriam originalmente produzidos em preto e branco, para ficarem mais baratos, e só existem nesse formato.

Durante a terceira temporada, Hanna e Barbera decidiriam que Fred e Wilma deveriam ter um bebê, o que aumentaria as possibilidades de histórias e piadas; eles começariam a conversar com os roteiristas sobre "o retorno de Fred Jr.", mas o chefe do departamento de marketing da Hanna-Barbera os convenceria de que o bebê deveria ser uma menina, para que eles pudessem vender bonecas. Assim, embora os episódios continuassem autocontidos, a terceira temporada, de mais 28 episódios, exibidos entre 14 de setembro de 1962 e 5 de abril de 1963, e que seria a primeira a ser transmitida originalmente a cores, traria um arco de história que começa com Wilma revelando a Fred que está grávida, passa por vários episódios nos quais sua barriga cresce, e termina com o nascimento de Pedrita (Pebbles, que significa "seixos", no original), sendo seguido por vários episódios que mostram Fred e Wilma tentando se adaptar às mudanças que um bebê trouxe a suas vidas.

O nascimento de Pedrita seria um grande evento na história da televisão norte-americana e mundial - o canal de TV que exibia Os Flintstones na Austrália chegou a fazer um concurso "adivinhe o nome do bebê Flintstone", com o vencedor ganhando uma viagem para conhecer o estúdio da Hanna-Barbera - e veio acompanhado de uma feliz coincidência na mudança de patrocinador: acreditando que a audiência de crianças e adolescentes iria superar a de adultos quando os episódios passassem a ser exibidos a cores, os cigarros Winston decidiriam encerrar sua parceria ao final da segunda temporada, sendo substituídos a partir da terceira pela fabricante de sucos e geleias Welch - que, obviamente, aproveitou para fazer toda uma linha de comerciais estrelando Pedrita, ficando especialmente famoso um no qual Fred explica para a filha como é fabricada a geleia Welch. Sabendo que muitos de seus consumidores reutilizavam os copos de vidro nos quais era vendida sua geleia, a Welch também lançaria uma série limitada na qual os copos tinham imagens dos personagens de Os Flintstones, que logo se tornaria campeã de vendas.

O sucesso de Pedrita seria tão grande que Hanna e Barbera decidiriam dar um filho também aos Rubbles, mas, ao invés de fazer Betty engravidar, aproveitariam para mostrar ela tentando e não conseguindo, o que faria com que Os Flintstones se tornassem o primeiro desenho animado a falar de planejamento familiar, infertilidade e adoção - pois, quando já estão deprimidos por não conseguirem ter um filho, Barney e Betty têm a oportunidade de adotar Bam-Bam, um menino um pouco mais velho que Pedrita, que, por algum motivo, possui uma força descomunal. Bam-Bam é tratado como filho de Barney e Betty, com pouquíssimas referências sendo feitas à sua adoção após esse arco de história terminar, o que também seria considerado incomum para a televisão da época. A quarta temporada teria 26 episódios, exibidos entre 19 de setembro de 1963 e 12 de março de 1964; a intenção era que o episódio no qual Barney e Betty adotam Bam-Bam fosse o centésimo na soma de todas as temporadas, mas um erro por parte do departamento de programação da ABC faria com que ele fosse ao ar fora da ordem, com Bam-Bam ficando ausente dos nove episódios seguintes antes de retornar como se nada tivesse acontecido.

Por causa de Pedrita, a ABC deciria mudar o dia e horário de exibição de Os Flinstones para a quarta temporada, com a série passando para as quintas-feiras às 19h30 e sendo anunciada como "animação para toda a família", o que faria com que, durante a quarta temporada, a audiência das crianças superasse pela primeira vez a dos adultos - de certa forma concretizando a previsão dos cigarros Winston. Diante disso, a ABC pediria à Hanna-Barbera para que a quinta temporada, que teria mais 26 episódios, exibidos entre 17 de setembro de 1964 e 12 de março de 1965, fosse mais ao estilo de uma animação tradicional do que de uma sitcom, com mais foco na ambientação e em histórias de fantasia do que nas relações interpressoais. A quinta temporada seria uma espécie de transição, com alguns episódios "estilo desenho" e outros "estilo sitcom", mas contaria com personagens novos criados especialmente para atender ao pedido da ABC, como o animal de estimação do Rubbles, uma canguru pré-histórica (segundo o desenho, uma hopparoo) chamada Hoppy, que também atua como babysitter de Pedrita e Bam-Bam para que os Flintstones e os Rubbles possam sair sem os filhos.

Também seria na quinta temporada que estrearia a Família Horripilante (os Gruesomes, no original), uma família que se torna vizinha dos Flintstones e dos Rubbles, claramente inspirada na Família Addams e na Família Monstro, composta pelo pai, Weirdly, a mãe, Creepella, o filho, Gobby, que é mais velho que Pedrita e Bam-Bam, o Tio Ghastly, que é uma mão peluda dentro de um armário, e muitos animais de estimação não-convencionais, como um polvo e uma aranha gigante. Os Gruesomes moram em uma mansão que lembra as dos Addams e dos Monstros, e, assim como estes, possuem bom coração, mas sofrem preconceito por serem horripilantes, com os Flintstones e os Rubbles sendo praticamente seus únicos amigos.

A quinta temporada seria exibida às quintas-feiras às 19h30 até o episódio 14, passando para as sextas-feitas às 19h30 a partir do episódio 15 - mesmo horário no qual seria exibida toda a sexta temporada, de mais 26 episódios, que foram ao ar entre 17 de setembro de 1965 e 1 de abril de 1966. A sexta temporada abandonaria por completo o estilo de sitcom e se tornaria um desenho animado convencional, contando inclusive com um arco de história no qual Fred e Barney conhecem o Grande Gazoo, um alienígena do planeta Zetox que é do futuro e foi exilado na Pré-História da Terra por abusar de seus poderes de mudar a realidade, atuando como uma espécie de Gênio da Lâmpada atrapalhado para os dois amigos. Aparentemente, as mudanças não agradaram, já que, desde o início da quinta temporada, a audiência cairia vertiginosamente, e na sexta ela seria tão baixa que Os Flinstones seriam cancelados, após 166 episódios.

Enquanto a sexta temporada estava no ar, a Hanna-Barbera decidiria produzir um filme para o cinema estrelando os Flintstones, o segundo do estúdio após Oi Galera, Sou o Zé Colmeia!, de 1964. Lançado em 3 de agosto de 1966, distribuído nos cinemas pela Columbia Pictures, O Homem Chamado Flintstone (The Man Called Flintstone) era uma paródia dos filmes de agente secreto que começavam a tomar os cinemas dos Estados Unidos na época, com o cartaz trazendo Fred na mesma pose do protagonista de Flint contra o Gênio do Mal - que, por sua vez, já era uma paródia do 007. Com roteiro de Harvey Bullock e R. S. Allen, e dirigido pelos próprios Hanna e Barbera, o filme trazia Fred Flintstone sendo confundido com o agente secreto Rock Slag, e enviado para uma missão em Paris, onde deverá capturar o Ganso Verde - que Fred aceita por achar que se trata realmente de um ganso verde, quando, na verdade, é o codinome de um gênio do mal. O filme seria um grande sucesso dentre a crítica, que o consideraria genial e inspirado, mas um sucesso moderado de público, já que, além de ser um filme de agente secreto, era um musical, o que afastou as crianças, com a maior parte dos ingressos sendo vendidos para adultos fãs da série.

Com o cancelamento da série, viria a venda para syndication, para que outros canais além da ABC pudessem exibi-la. De forma incomum, já que o normal era que canais pequenos e regionais comprassem, um dos canais que comprou o pacote de syndication foi a NBC, uma das rivais nacionais da ABC, que, já a partir de setembro de 1966, colocou Os Flintstones em seu bloco de desenhos animados dos sábados pela manhã, uma de suas maiores audiências junto ao público infantil. O sucesso do desenho na NBC levaria a um interesse do público por merchandising dos Flintstones, o que animaria a ABC a também exibir suas próprias reprises. Um novo desenho dos Flinstones, porém, não seria produzido até 1971, quando outro canal, a CBS, procuraria a Hanna-Barbera e a perguntaria se existia alguma coisa que a impedia de também exibir os Flintstones, mas tendo interesse em episódios inéditos.

Após uma reunião com os executivos da CBS, Hanna e Barbera decidiriam por ousar, criando um desenho protagonizado por Pedrita e Bam-Bam, mas ambientado mais de dez anos após o final da série, mostrando os dois como adolescentes, com todos os sabores e dissabores que essa fase da vida poderia ter na idade da pedra. Com o nome de As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam (The Pebbles and Bamm-Bamm Show), o desenho mostraria a dupla indo à escola, tentando conseguir seu primeiro emprego e fazendo parte de uma banda, a Bedrock Rockers, uma tentativa de repetir o sucesso do desenho The Archie Show, que era produzido para o público infantil, mas, por ter uma banda de rock, fazia sucesso dentre adolescentes e jovens adultos. Trazendo a famosa atriz Sally Struthers como a voz de Pedrita, As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam teria apenas uma temporada de 16 episódios, exibidos pela CBS aos sábados pela manhã entre 11 de setembro de 1971 e 1 de janeiro de 1972.

Atualmente, As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam é considerado um ponto baixo na carreira dos Flintstones, mas, na época, o desenho foi um enorme sucesso de público e crítica, e um dos mais populares da Hanna-Barbera na década de 1970. Sua produção seria interrompida não porque ele seria cancelado, e sim porque seria substituído por The Flintstone Comedy Hour, programa com uma hora de duração que estrearia na CBS, também aos sábados pela manhã, em 9 de setembro de 1972. Cada "episódio" era dividido em duas metades de meia hora cada, com a primeira trazendo esquetes inéditos estrelados ou por Fred e Barney, ou por Pedrita e Bam-Bam adolescentes, piadas curtas e até o horóscopo da semana, e a segunda trazendo ou um episódio inédito ou uma reprise de As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam, ou uma reprise de Os Flintstones; entre as duas metades, havia um "número musical" da Bedrock Rockers. Mickey Stevens substituiria Struthers como dubladora de Pedrita, e apenas quatro episódios inéditos seriam produzidos para a segunda metade, mas todos os esquetes da primeira metade eram inéditos.

The Flintstone Comedy Hour também teria apenas uma temporada de 16 episódios, exibida até 30 de dezembro de 1972; no ano seguinte, ele seria renomeado para The Flintstone Comedy Show, passaria a ter apenas meia hora e contaria apenas com reprises, exibidas entre 8 de setembro de 1973 e 26 de janeiro de 1974. Um novo programa de reprises, chamado Fred Flintstone and Friends, estrearia diretamente em syndication em 12 de setembro de 1977, contando com 95 episódios, o último exibido em 1 de setembro de 1978. Esse programa trazia reprises de As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam e dos esquetes e dos números musicais de The Flintstone Comedy Hour, além de reprises dos episódios de Goober e os Caçadores de Fantasmas, A Família Dó-Ré-Mi no Espaço, A Turma do Zé Colmeia e da versão animada de Jeannie é um Gênio; cada episódio era "apresentado" por Fred, dublado por Henry Corden, devido à morte de Reed em junho de 1977 - Corden seguiria sendo o dublador oficial de Fred até sua própria morte, em 2005.

Episódios inéditos dos Flintstones só voltariam a ser produzidos em 1979, ano de estreia de The New Fred and Barney Show, uma continuação direta da série dos anos 1960, que ignorava os eventos de As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam e The Flintstone Comedy Hour - com inclusive Pedrita e Bam-Bam voltando a ser crianças. Inicialmente, The New Fred and Barney Show teria apenas 10 episódios, exibidos pela NBC entre 3 de fevereiro e 7 de abril de 1979, mas, em 8 de setembro do mesmo ano, estrearia Fred and Barney Meet the Thing, programa de uma hora cuja primeira metade era um episódio de The New Fred and Barney Show e a segunda era composta por dois episódios de 11 minutos cada de um novo desenho produzido pela Hanna-Barbera estrelado pelo Coisa, do Quarteto Fantástico - apesar do título, Fred e Barney jamais se encontraram com o Coisa em nenhum episódio, apenas na abertura. Sete novos episódios de The New Fred and Barney Show seriam produzidos para esse programa, que foi ao ar ao longo de 13 semanas (totalizando 6 reprises de The New Fred and Barney Show, 7 inéditos de The New Fred and Barney Show e 26 de The Thing) até 1 de dezembro de 1979. Vale dizer que os 10 episódios originais são no mesmo estilo de Os Flintstones, mas os sete produzidos para Fred and Barney Meet the Thing têm muito mais elementos de terror, com a presença de vampiros, lobisomens, bruxas, de uma versão do Monstro de Frankenstein chamada Frank Frankenstone, e com o retorno da Família Horripilante, rebatizada para "os Ghoulstones".

A partir de 8 de dezembro, o programa passaria a ter 90 minutos de duração e a se chamar Fred and Barney Meet the Shmoo, sendo composto por quatro segmentos: uma reprise de The New Fred and Barney Show, duas reprises de The Thing e um episódio inédito, de meia hora, de The New Shmoo, estrelado pelo Ximu, personagem criado por Al Capp para a tira de jornal Ferdinando; na segunda temporada, os quatro primeiros programas tiveram apenas uma reprise de The Thing, com a outra sendo substituída por uma versão dividida em quatro partes do especial The Harlem Globetrotters Meet Snow White, que bizarramente trazia os jogadores do time de basquete The Harlem Globetrotters como os anões da Branca de Neve. Fred and Barney Meet the Shmoo teria 17 episódios, o último indo ao ar em 15 de novembro de 1980; assim como em Fred and Barney Meet the Thing, Fred e Barney jamais se encontrariam com o Ximu, apenas na abertura.

Fred and Barney Meet the Shmoo seria substituído por The Flintstone Comedy Show (que, para evitar confusão com o programa da CBS, seria vendido para syndication e internacionalmente com o nome de Flintstone Frolics). O programa era composto por sete desenhos diferentes: The Flintstone Family Adventures, que seguia o estilo de Os Flintstones; Bedrock Cops, no qual Fred e Barney eram policiais; Pebbles, Dino and Bamm-Bamm, ao estilo de Scooby-Doo no qual Pedrita e Bam-Bam adolescentes solucionavam mistérios com a ajuda de Dino; Captain Caveman, estrelado pelo Capitão Caverna; The Frankenstones, ao estilo de A Família Addams, protagonizado por Frank Frankenstone, sua esposa Hidea, sua filha criança Atrócia e seu filho adolescente Freaky, que é amigo de Pedrita e Bam-Bam; e Dino and Cavemouse, ao de estilo Tom & Jerry protagonizado por Dino e por um rato pré-histórico. Flintstone Frolics teria duas temporadas com episódios inéditos: na primeira, cada programa tinha 90 minutos de duração, trazendo dois episódios de Dino and Cavemouse e um de cada um dos outros, indo ao ar entre 22 de novembro de 1980 e 31 de janeiro de 1981; na segunda, cada episódio tinha uma hora e os desenhos eram alternados, podendo ser exibidos dois de Dino and Cavemouse e três dos outros, ou quatro dos outros, indo ao ar entre 12 de setembro e 24 de outubro de 1981. Em 18 de setembro de 1982, voltaria ao ar com o nome de The Flintstone Funnies, mas com apenas meia hora de duração e trazendo somente reprises - mais uma vez, ou dois episódios de Dino and Cavemouse e um de um dos outros, ou dois dos outros - ficando no ar até 8 de setembro de 1984.

Flintstone Frolics seria o último desenho a trazer os Flintstones no estilo da série original. Depois dele estreariam, na ABC, Os Flintstones nos Anos Dourados (The Flintstone Kids), no qual Fred, Wilma, Barney e Betty eram crianças, que teve duas temporadas, a primeira com 26 episódios exibidos entre 13 de setembro e 13 de dezembro de 1986, a segunda com 10 episódios exibidos entre 12 de setembro e 14 de novembro de 1987; Pedrita e Bam-Bam (Cave Kids), com 8 episódios exibidos entre 29 de setembro e 17 de novembro de 1996, diretamente em syndication, estrelados por Pedrita e Bam-Bam crianças; The Rubbles, série de 6 curtas exibidos nos intervalos do Cartoon Network de agosto a dezembro de 2002, que acompanham Barney, Betty, Bam-Bam e Hoppy como se fosse um reality show; e Yabba Dabba Dinosaurs, protagonizada por Pedrita e Bam-Bam crianças e Dino, que teria 26 episódios que estreariam entre 30 de setembro de 2021 e 17 de fevereiro de 2022 no serviço de streaming HBO Max. Dino também seria a estrela de dois desenhos da série What a Cartoon!, produzida para o Cartoon Network; um deles foi ao ar em 19 de março de 1995 e o outro em 5 de março de 1997.

Além de todas essas séries, os Flintstones protagonizaram vários especiais e filmes para a TV, começando pelo especial de Natal A Flitstone Christmas (embora me escape por que alguém na Pré-História comemoraria o Natal), de 7 de dezembro de 1977. Em 6 de abril de 1978, estrearia The Flintstones: Little Big League, no qual Fred e Barney são treinadores de times de beisebol infantis rivais. Em 30 de outubro de 1978, foi ao ar o especial de Halloween The Flintstones Meet Rockula and Frankenstone, com a participação dos Frankenstones e do Conde Rócula. Os Frankenstones também seriam estrelas em The Flintstones' New Neighbors, que conta como eles se tornaram vizinhos dos Flintstones, e de The Flintstones: Fred's Final Fling, no qual exames de Frank e Fred são trocados no médico e Fred acredita estar com os dias contados, exibidos respectivamente em 26 de setembro e 7 de novembro de 1980. Em 4 de outubro de 1981, seria a vez de The Flintstones: Wind-Up Wilma, no qual Wilma é contratada como arremessadora do time de beisebol de Bedrock, e Fred tem que se virar cuidando da casa, e, na semana seguinte, em 11 de outubro, Fred tentaria se tornar famoso sendo o primeiro cidadão de Bedrock a completar a Maratona Rockstone, em The Flintstones: Jogging Fever. Todos esses especiais seriam exibidos pela NBC.

Em 20 de maio de 1986, os 25 anos da série original dos Flintstones seriam comemorados com The Flintstones' 25th Anniversary Celebration, exibido pela CBS, que intercalava entrevistas com Hanna, Barbera e outras celebridades com trechos da série original e números musicais. Em 15 de novembro de 1987 seria a vez de Os Jetsons e os Flintstones se Encontram, no qual uma máquina do tempo experimental permite a reunião das duas famílias. Dois novos especiais de Natal seriam exibidos pela ABC, A Flintstone Family Christmas em 18 de dezembro de 1993, e A Flintstones Christmas Carol, em 21 de novembro de 1994. E, em 3 de novembro de 2001, estrearia The Flintstones: On the Rocks no Cartoon Network, desenho voltado para adultos no qual o casamento de Fred e Wilma está por um fio e eles decidem se consultar com um conselheiro familiar. Especiais dos spin-offs também seriam exibidos pela ABC: de As Aventuras de Pedrita e Bam-Bam teríamos I Yabba-Dabba Do!, especial de dia dos namorados exibido em 7 de fevereiro de 1993, e Hollyrock-a-Bye Baby, de 5 de dezembro do mesmo ano, no qual Pedrita e Bam-Bam se casam; e, de Os Flintstones nos Anos Dourados, seria produzido The Flintstone Kids' "Just Say No" Special, que alertava as crianças para os perigos das drogas, exibido em 15 de setembro de 1988. Mas o especial mais curioso talvez seja The Flintstones & WWE: Stone Age SmackDown! lançado diretamente em home video em 10 de março de 2015, no qual Fred e Barney tentam se tornar lutadores da WWE.

E, é claro, os Flintstones foram astros de inúmeros programas educativos, jogos de tabuleiro, games, e de três filmes com atores de verdade. O primeiro, The Flintstones on Ice foi um especial de TV exibido pela CBS em 11 de fevereiro de 1973, gravado em Hamburgo, Alemanha Ocidental, no qual Fred, Wilma, Barney e Betty eram interpretados por patinadores profissionais. O segundo seria Os Flintstones, de 1994, dirigido por Brian Levant, com John Goodman como Fred, Rick Moranis como Barney, Elizabeth Perkins como Wilma, Rosie O'Donnell como Betty, Kyle MacLachlan como o executivo Cliff Vandercave, Halle Berry como a secretária Sharon Stone, e Elizabeth Taylor como Pearl Slaghoople, um grande sucesso do cinema no qual Fred se vê no meio de uma conspiração para desviar dinheiro da pedreira onde ele trabalha. E o terceiro seria Os Flintstones em Viva Rock Vegas, de 2000, também dirigido por Levant, uma "prequência" que mostra como Fred e Barney conheceram e começaram a namorar Wilma e Betty, durante uma viagem aos cassinos da cidade de Rock Vegas, que traz Mark Addy como Fred, Stephen Baldwin como Barney, Kristen Johnston como Wilma, Jane Krakowski como Betty, Harvey Korman e Joan Collins como os pais de Wilma, Thomas Gibson como um ex-namorado milionário de Wilma chamado Chip Rockfeller, e Alan Cumming como o Grande Gazoo.

Apesar de ainda estarem dentre os personagens mais famosos da Hanna-Barbera, inúmeros projetos envolvendo os Flintstones foram cancelados desde que o estúdio foi comprado pela Warner Bros, o mais promissor deles uma série chamada Bedrock, que entrou em pré-produção em 2021 mas acabou engavetada em 2024. O mais recente desses projetos é um filme animado que seria uma "história de origem" dos Flintstones, chamado Meet the Flintstones, anunciado em 2014 e em produção desde 2024, mas ainda sem nenhum detalhe sobre se realmente será lançado.
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