Faz muitos anos já que eu tento escrever um post sobre Witchblade, uma das revistas da Image Comics que eu mais gostava, mas sempre acabo desistindo porque, aparentemente, ninguém nunca se preocupou em organizar as informações sobre ela da mesma forma como já fizeram com outras revistas de super-heróis. No início desse ano, eu decidi tomar essa tarefa para mim e escrever esse post do jeito difícil, consultando múltiplas fontes online e as revistas da Witchblade que eu ainda tenho aqui em casa. Por causa disso, eu decidi que esse post não teria prazo para ir ao ar, e que eu somente o postaria quando estivesse satisfeito com o que consegui reunir. Levou uns bons meses, mas, aparentemente, o dia é hoje. Hoje é dia de Witchblade no átomo!
A primeira coisa que precisa ser dita é que "Witchblade" (que, traduzida literalmente, é a "lâmina da bruxa", mas, por incrível que pareça, é um trocadilho com switchblade, aquela faca cuja lâmina se dobra para dentro do cabo, muito usada em filmes por membros de gangues) não é o codinome da super-heroína, no mesmo sentido que o são "Mulher Maravilha" ou "Tempestade". A Witchblade é um artefato milenar e consciente, capaz de assumir várias formas, sendo a sua preferida a de uma luva que se encaixa no braço direito de um hospedeiro humano, conferindo-o poderes inimagináveis, mas também lentamente dominando sua mente - e, dizem, levando à sua morte. Feita de material orgânico, a Witchblade é quase indestrutível, e consegue alterar sua forma e sua massa à vontade, se transformando em um bracelete ou gargantilha para se camuflar no corpo do hospedeiro, o qual cobre com tentáculos semelhantes a uma carapaça de inseto enquanto está ativada - quando torna o hospedeiro capaz de produzir diversos tipos de armas, lançar rajadas de energia, ou até usar os tais tentáculos para ataque e defesa. A Witchblade é o filho de duas entidades sobrenaturais presentes desde o início do universo, chamadas Darkness e Angelus, sendo que o Darkness (que significa, literalmente, escuridão) é associada à escuridão, enquanto a Angelus é associado à luz. E sim, "o filho", porque, apesar de, em português, todo mundo falar "a Witchblade", o artefato é do sexo masculino, o que faz com que ele prefira hospedeiros do sexo feminino.
A moça que todo mundo costuma identificar como "a Witchblade" se chama Sara Pezzini, e é detetive de polícia na cidade de Nova Iorque. Durante uma investigação, Sara se depara com um "teste de Excalibur", no qual criminosos de alta periculosidade pagaram elevadas quantias pelo direito de experimentar a Witchblade e ver se o artefato aceita algum deles como hospedeiro - com os que não são aceitos se arrependendo amargamente. Baleada ao ser revelada como policial, Sara iria morrer, se a Witchblade não decidisse que ela era a hospedeira que ele estava procurando, rastejando até seu braço e mudando sua vida para sempre.
O responsável por tentar encontrar um hospedeiro para a Witchblade era o milionário Kenneth Irons, que é obcecado pelo artefato, conhecendo a fundo sua história e tendo em sua casa um santuário dedicado à Witchblade e a seus hospedeiros anteriores - com um deles sendo ninguém menos que Joana d'Arc. Irons treinou seu homem de maior confiança, Ian Nottingham, para sobreviver a um ritual no qual ele se tornaria o hospedeiro da Witchblade, no processo transformando-o em um lutador de reflexos sobre-humanos, capaz de pegar um tiro com as mãos nuas - sem que Nottingham saiba, contudo, o objetivo final de Irons é transferir a Witchblade para si mesmo, usando o subordinado apenas como cobaia para o processo. Para que o ritual dê certo, porém, primeiro a Witchblade precisa se combinar a um hospedeiro de forma natural, para depois ser extraída e combinada a Nottingham, o que faz com que Irons e Nottingham passem a perseguir Sara depois do incidente, com a detetive e o assassino desenvolvendo um relacionamento que mistura ódio e romance.
Witchblade não é uma revista de super-heróis tradicional, já que Sara não usa a Witchblade para combater supervilões, estando mais para uma história policial com elementos de fantasia e sexuais - quase toda edição tem alguém seminu ou fazendo sexo, o que torna a revista bastante parecida com os filmes policiais dos anos 1970, e o próprio "uniforme" de Sara ao ativar a Witchblade parece ter sido pensado para atrair o público masculino adolescente. Enquanto aprende a usar os poderes da Witchblade e tenta escapar das investidas de Irons e Nottingham, Sara continua trabalhando como policial, com vários casos que ela investiga sendo abordados em suas histórias, contando com personagens coadjuvantes como o Chefe de Polícia, Joe Siry; o parceiro de Sara, Jake McCarthy; e o detetive Eric Sketh, transferido de Los Angeles. Outros coadjuvantes dignos de nota são a irmã mais nova de Sara, Julie, que é modelo e não tem rumo na vida; e Jackie Estacado, que trabalha para a máfia e cujos caminhos vivem se cruzando com os de Sara.
Criada por Marc Silvestri, David Wohl, Brian Haberlin e Michael Turner, Witchblade seria lançada pela Top Cow, uma das editoras que faziam parte da Image Comics, em novembro de 1995. Silvestri seria um dos sete fundadores da Image, e, originalmente, a Top Cow publicaria dois títulos estrelados por super-heróis bem parecidos com os X-Men: Cyberforce, no qual um grupo de mutantes ciborgues luta contra a mega corporação que fez as alterações cibernéticas em seus corpos, no caso de muitos deles, contra a sua vontade; e Codename: Strykeforce, na qual o líder da Cyberforce, o Coronel Morgan Striker, reúne uma equipe de elite dotada de superpoderes para participar de missões de alto risco das quais as habilidades da Cyberforce não dariam conta. Witchblade seria o primeiro título da Top Cow a não trazer mutantes nem ter relação com a Cyberforce, e seria considerada "o início do Universo Top Cow", já que, depois dela, muitos títulos de sucesso da editora seriam lançados tendo relação com o Darkness e a Angelus.
A versão originalmente criada por Silvestri seria uma super-heroína mais tradicional, com sua primeira aparição sendo uma participação especial no crossover Cyblade / Shi, de agosto de 1995, com roteiro de Haberlin e arte de Silvestri, na qual Sara tinha um uniforme com direito a capa e usava o codinome Witchblade. Depois disso, Silvestri não teria mais envolvimento com a personagem, que seria reimaginada em sua versão oficial por Wohl e Turner. A primeira edição de Witchblade teria roteiros de Wohl, Haberlin e Christina Z e arte de Turner - as moças de rosto de boneca, lábios cheios, seios fartos e cinturas finas desenhadas por Turner seriam consideradas a marca registrada de Witchblade, e sua fama desenhando o título permitiria que ele criasse sua própria heroína, Fathom, mais tarde saindo da Top Cow e levando-a para sua própria editora, a Aspen MLT. Já Christina Z, uma norte-americana nascida em Munique, na Alemanha, e que começou a carreira como jornalista de música, faria quase toda a sua carreira nos quadrinhos escrevendo para a Top Cow, e muitas das ideias sobre o passado da Witchblade viriam dela.
Wohl e Christina teriam uma longa carreira nos roteiros, escrevendo nada menos que as 39 primeiras edições da revista, com Wohl ainda retornando para escrever sozinho quase todas as edições entre a 45 e a 75, com o roteirista da maioria das edições entre a 40 e a 53 sendo Paul Jenkins. Mas o recorde da revista pertenceria a Ron Marz, que assumiria na edição 80, em novembro de 2004, e escreveria até a 150, de dezembro de 2011. Ex-roteirista do Surfista Prateado e do Lanterna Verde - sendo o criador de Crepúsculo Esmeralda, a famosa história na qual Hal Jordan se torna o vilão Paralax - Marz primeiro estabeleceria Sara como a única portadora da Witchblade - pois, nas edições anteriores, vários outros personagens conseguiriam utilizar o artefato simultaneamente ou ao invés dela - para depois criar uma nova personagem, a bailarina Danielle Baptiste, que assumiria a Witchblade e deixaria Sara sem poderes; Marz também decidiria que Sara ficaria grávida de Jackie e teria uma filhinha chamada Hope, com Dani devolvendo a Witchblade à policial para salvar a vida das duas. A principal marca da passagem de Marz, entretanto, seria que ele expandiria a mitologia da Witchblade, do Darkness e da Angelus, escrevendo algumas das edições de maior vendagem da história da Top Cow.
Marz seria substituído por Tim Seeley, que tentaria fazer uma Sara mais pé no chão, numa época em que a Witchblade seria parte da saga Top Cow Rebirth, criada em comemoração pelos 20 anos da Top Cow. Seeley escreveria até a edição 169, de setembro de 2013, com Marz voltando na 170 para bagunçar a vida de Sara, que ficaria ressentida imaginando que a Witchblade era responsável por evitar que ela conseguisse avançar na vida, e cogitasse se livrar do artefato de uma vez por todas. Marz seria o roteirista até a edição 185, de novembro de 2015, quando, para aproveitar o aniversário de vinte anos da primeira edição, a Top Cow decidiria encerrar a saga de Sara Pezzini, permitindo que ela encontrasse outro hospedeiro definitivo para a Witchblade e fosse viver sua vida - curiosamente, a capa da edição 185 teria arte idêntica à da edição 1. Além das 185 edições mensais, Witchblade teria duas edições anuais, lançadas em 2009 e 2010.
Falando em arte, Turner seria o artista de Witchblade até a edição 27 - exceto pela 24 e 26, desenhadas por Randy Green, que co-desenharia a 27 assumiria a arte a partir da 28, de fevereiro de 1999. Green tinha um estilo parecido com o de Joe Madureira, que desenhou os X-Men na década de 1990, mas não agradou aos fãs de Witchblade, sendo substituído por Keu Cha, que tinha um estilo parecido com o de Turner, na edição 40, de junho de 2000. Após uma passagem de Brian Ching entre as edições 50 e 59, e uma de Eric Basaldua entre a 60 e a 79, com Marz viria Mike Choi, que ficaria até a 115, sendo substituído na 116, de abril de 2008, por Stjepan Sejic, que é considerado o maior artista de Witchblade, acima até mesmo de Turner, e ilustraria as histórias de Marz até ele sair na 150. Com Seeley, na 151, estrearia Diego Bernard, que sairia junto com ele na 169, assumindo Laura Braga na 170 e ficando até o final.
Além de na série regular, a Witchblade seria a estrela de várias minisséries e edições especiais lançadas pela Top Cow. Entre maio e julho de 1996, seria publicada a minissérie em três edições Medieval Spawn / Witchblade, com roteiros de Garth Ennis e arte de Brandon Peterson, na qual o Spawn Medieval e Katarina Godliffe, a hospedeira da Witchblade na época, se unem para impedir que o tirano Lord Cardinale conquiste o Reino das Fadas. Essa minissérie daria uma ideia a Christina Z e, para a edição 9, de setembro de 1996, ela e Wohl escreveriam uma história, com arte de Tony Daniel, na qual a Witchblade projeta na mente de Sara a vida de uma de suas hospedeiras anteriores, a pirata Anne Bony. Essa história seria um teste para o lançamento de uma nova revista, protagonizada por outras hospedeiras, passadas ou futuras, da Witchblade. Chamada Tales of the Witchblade, essa revista teria 10 edições, publicadas trimestralmente entre novembro de 1996 e janeiro de 2001, com roteiros de Christina Z, David Finch, Bill O'Neil e Warren Ellis, e arte de Tony Daniel, Nathan Cabrera, Billy Tan, Richard Bennett, Christian Zanier e David Boller. Infelizmente, a revista não teve as vendas imaginadas e acabou cancelada, mas não sem a curiosidade de contar na última edição com a participação especial de Lara Croft - que não, não foi hospedeira da Witchblade - o que faz com que ela não possa ser republicada, já que o contrato de licenciamento da personagem para a Top Cow já expirou.
Lara Croft não estava lá por acaso: no auge da popularidade de Witchblade, a Top Cow conseguiria licenciá-la junto à Eidos e à Core para um crossover Tomb Raider / Witchblade, com roteiro de Turner e arte de Turner e Ching, lançado em dezembro de 1997, no qual Sara acaba topando com Lara ao investigar um assassinato, do qual a arqueóloga passa a ser suspeita. As duas ainda se encontrariam em Witchblade / Tomb Raider, de julho de 2000, com roteiro de O'Neill e arte de Keu Cha, mas, antes disso, o sucesso do crossover garantiria a Lara uma série só dela, Tomb Raider, inicialmente com roteiros de Dan Jurgens e arte de Andy Park, que teve 52 edições publicadas entre dezembro de 1999 e março de 2005.
Também em 1997, Sara seria uma das personagens envolvidas na saga O Reino do Demônio, cuja primeira edição foi lançada em março, na qual Mefisto descobre um caminho que leva até o Universo Top Cow, planejando usar as almas de seus habitantes para se tornar mais poderoso que nunca, mas alguns heróis Marvel conseguem ir atrás dele e se unem aos heróis da Top Cow para impedi-lo. Sara participaria de duas edições: Wolverine / Witchblade, que tem roteiro de Wohl, Turner e Christina Z e arte de Turner, e Witchblade / Elektra, que tem roteiro de Wohl e Christina Z e arte de Turner e Joe Benitez.
Além de ser um personagem mais ou menos regular de Witchblade, Jackie Estacado seria o astro de sua própria revista, The Darkness, na qual também ganha poderes sobrenaturais, mas conferidos pelo Darkness - e na qual Sara faria algumas participações especiais. A ligação entre os dois faria com que algumas histórias fossem compartilhadas entre as revistas, alternando as histórias entre a Witchblade e a The Darkness, com uma delas, que envolvia um grupo chamado Necrobi tentando fazer com que a Witchblade se tornasse capaz de controlar o poder do Darkness, tendo quatro partes, uma publicada na Witchblade, uma na The Darkness, uma na edição especial Witchblade / Darkness e uma na edição especial Darkness / Witchblade. Em junho de 1998, também seria publicado um crossover, Witchblade / The Darkness, com roteiro de Wohl e David Finch e arte de Brian Ching, na qual Jackie tenta impedir que Sara reúna provas contra um mafioso amigo seu acusado de assassinato. Sara e Jackie também seriam os astros de duas minisséries curiosas: Overkill: Witchblade / Aliens / Darkness / Predator, em duas edições publicadas em novembro e dezembro de 1999, com roteiros de Jenkins e arte de Clarence Lansang, Joe Benitez e Brian Ching, no qual Aliens vêm a Nova Iorque colocar ovos, Predadores vêm atrás deles para caçá-los, e Sara e Jackie são pegos no meio da confusão, e sua sequência com mais ou menos a mesma história, Witchblade / Aliens / Darkness / Predator: Mundhunter, em três edições publicadas entre dezebro de 2000 e fevereiro de 2001, com roteiros de David Quinn e arte de Mel Rubi.
A Witchblade também faria crossovers com duas das mais famosas bad girls dos quadrinhos. A primeira seria Lady Death, da Chaos! Comics, em duas edições: Lady Death / Medieval Witchblade, de julho de 2001, ambientada na Idade Média, com roteiro de Brian Augustyn e arte de Romano Molenaar, na qual Lady Death e Katrina unem forças contra a tirana Rainha Morgana; e Witchblade / Lady Death, de novembro de 2001, com roteiro de Wohl e arte de Joel Gomez, ambientada na época atual, na qual um executivo tenta conjurar um demônio para obter vantagens financeiras, mas tudo dá errado, e cabe a Sara e Lady Death colocar as coisas de volta nos eixos.
A segunda seria Vampirella, da Dynamite Entertainment, com quem Sara dividiria três edições: Vampirella / Witchblade, de julho de 2003, com roteiro de Brian Wood e arte de Steve Pugh, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um lobisomem assassino em Nova Iorque; Vampirella / Witchblade: Union of the Damned, de julho de 2003, com roteiro de Justin Gray e arte de Joelle Jones, na qual Sara e Vampirella vão até o inferno enfrentar um lorde demônio; e Vampirella / Witchblade: The Feast, de outubro de 2005, com roteiro de Justin Grey e arte de Joyce Chin, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um grupo de vampiros assassinos em Nova Iorque. Vale citar também Tomb Raider / Witchblade / Magdalena / Vampirella, de agosto de 2005 e que tinha duas histórias, uma só com Lara e uma com roteiro de Gail Simone e arte de Joyce Chin, na qual Sara, Magdalena e Vampirella unem forças para derrotar um lorde vampiro.
Sara também dividiria duas edições com a super-heroína indiana Devi, da Virgin Comics: Witchblade / Devi, com roteiro de Marz e arte de Basaldua, e Devi / Witchblade, com roteiro de Samit Basu e arte de Mukesh Singh, ambas de abril de 2008. Em uma história em duas partes, a investigação de um assassinato leva Sara à Índia, onde ela descobre que o culpado não é um humano comum, e sim um espírito milenar sob o comando de um dos inimigos de Devi, Lord Bala, com as duas se unindo para derrotá-lo.
Também vale citar a saga Monster War, que reuniria quatro edições especiais nas quais personagens da Top Cow enfrentariam monstros clássicos do cinema. Sara seria a estrela da terceira, de agosto de 2005, com roteiro de Christopher Golden e Tom Sniegoski e arte de Vitor Ishimura, na qual ela enfrenta o Monstro de Frankenstein - com o título na capa da edição sendo Witchblade vs. Frankenstein: Monster War. Nas outras três, caso alguém esteja curioso, Lara Croft enfrentava o Lobisomem, Jackie Estacado enfrentava o Sr. Hyde, e Magdalena enfrentava o Drácula.
Outros crossovers envolvendo a Witchblade seriam Dark Minds / Witchblade, de agosto de 2000, com roteiro de Wohl e Pat Lee e arte de Lee, na qual os detetives Nakiko e Takahashi investigam uma série de assassinatos que podem estar ligados à Witchblade; JLA / Witchblade, de dezembro de 2000, com roteiro de Len Kaminski e arte de Mark Pajarillo, na qual Sara vai a Gotham visitar sua amiga Barbara Gordon, mas as coisas saem do controle quando a Witchblade decide pegar a Mulher Maravilha como hospedeira; Battle of the Planets / Witchblade, de janeiro de 2003, com roteiro de Munier Sharrieff e arte de Alam Tam, na qual a Witchblade escolhe como hospedeira a Princesa da equipe G-Force; Witchblade / Dark Minds: Return of Paradox, de junho de 2004, com roteiro de Wohl e arte de Lou Kang, na qual Nakiko se torna a hospedeira da Witchblade para deter o vilão Paradox; Witchblade / Wolverine, também de junho de 2004, com roteiro de Chris Claremont e arte de Basaldua, no qual Logan e Sara se casam, mas descobrem que isso faz parte do plano de uma mutante que manipula memórias e planeja se tornar hospedeira da Witchblade; Witchblade: Shades of Grey, minissérie em quatro edições lançadas entre março e novembro de 2007, com roteiros de John Reppion e Leah Moore e arte de Stephen Segovia e Walter Geovani, na qual Sara investiga uma série de assassinatos dos quais o principal suspeito é Dorian Gray; Witchblade / The Punisher, de junho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Adriana Melo, na qual um transporte de prisioneiros que Sara acompanha é atacado pelo Justiceiro e ela decide confrontá-lo; Unholy Union, de julho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Michael Broussard e Chaz Riggs, na qual o Motoqueiro Fantasma quer punir Jackie, Sara enfrenta um Hulk enfurecido, e o Dr. Estranho tenta pôr ordem na casa; e Witchblade / Red Sonja, minissérie em cinco edições lançadas entre fevereiro e julho de 2012, com roteiros de Doug Warner e arte de Cezar Razek, na qual os destinos de Sara e Sonja se cruzam enquanto a primeira investiga o assassinato de um padre e a segunda enfrenta uma criatura demoníaca no interior de uma montanha.
Outras minisséries estreladas por Sara seriam Witchblade: Destiny's Child, em três edições lançadas entre junho e setembro de 2000, com roteiros de Christina Z e arte de David Boller, que contava como Irons e Nottingham se conheceram, e dava a entender que Sara estava destinada desde o nascimento a ser a hospedeira do artefato; First Born, em três edições lançadas entre agosto e novembro de 2007, na qual o Darkness e a Angelus disputam a posse de Hope, e sua continuação, Broken Trinity, em três edições lançadas entre julho e novembro de 2008, ambas com roteiros de Marz e arte de Sejic; e Witchblade: Demon Reborn, em quatro edições publicadas entre agosto e novembro de 2012, na qual um assassino serial que Sara matou anos antes (na Witchblade regular) retorna como um demônio disposto a levá-la com ele para o inferno, com roteiros de Ande Parks e arte de Jose Luis.
Também seriam publicadas duas histórias da Witchblade ambientadas em realidades alternativas. A primeira seria a edição especial Witchblade Infinity, com roteiro e arte de Adam Polina, ambientada em uma realidade na qual a hospedeira da Witchblade é a dominatrix Kimberly Tossova, que entra em contato com o artefato após um de seus clientes roubá-lo de Irons. A segunda seria a minissérie Switch, em quatro edições publicadas entre outubro de 2015 e julho de 2016; inicialmente um projeto pessoal de Sejic para sua página no site Deviant Art, Switch acabaria rendendo ao artista um convite para transformar a história de uma adolescente chamada Mary que se torna hospedeira da Witchblade e passa a ser disputada por Irons, pelo Darkness e pela Angelus. Originalmente prevista para ser uma série regular, Switch teve de ser encerrada prematuramente devido a problemas de saúde de Sejic.
Entre maio de 2010 e novembro de 2014, seria publicada a série Artifacts, na qual Sara e Jackie estavam dentre seus protagonistas. Originalmente, Artifacts deveria ser uma minissérie em 13 edições, cada um focada em um dos artefatos emblemáticos do Universo Top Cow - com as três primeiras edições abordando, respectivamente, a Witchblade, o Darkness e a Angelus. A minissérie faria tanto sucesso que a Top Cow decidiria transformá-la em uma série regular cujo desfecho teria impacto em todos os títulos da editora - e que seria parcialmente responsável pelo cancelamento da Witchblade em 2015. Ao todo, Artifacts teria 41 edições, numeradas de 0 a 40; a maioria delas seria escrita por Marz, e muitas contariam com desenhistas iniciantes escolhidos através de um concurso.
Apesar do cancelamento, Witchblade continuaria sendo muito popular dentre os fãs, de forma que, em 2017, a Top Cow começaria a discutir se valeria a pena trazer a revista de volta - mesmo após Sara ter recebido um final definitivo, o que os norte-americanos costumam chamar de closure. A solução seria, evidentemente, trazer a Witchblade de volta, mas com outra hospedeira. Assim, a segunda Witchblade, com numeração recomeçando do 1, seria lançada em dezembro de 2017, com roteiros de Caitlin Kittredge e arte de Bryan Valenza e Roberta Ingranata. A protagonista da nova série não é Sara, e sim a jornalista Alex Underwood, que se torna hospedeira da Witchblade após ser baleada por criminosos; enquanto tenta descobrir como funcionam os poderes do artefato, Alex se vê caçada por demônios que se disfarçam de humanos, que tentam matá-la e pegar a Witchblade para si antes que ela fique poderosa demais. Infelizmente a nova série não faria sucesso, e acabaria cancelada após apenas 18 edições, a última de março de 2020.
No início dos anos 2000, o sucesso de Witchblade era tamanho que ela se tornaria a primeira revista da Image a ser adaptada para uma série de televisão. Com roteiros de Ralph Hemecker e Richard C. Okie, a série teria um piloto exibido pelo canal TNT em 27 de agosto de 2000, mais duas temporadas, a primeira com 11 episódios, exibidos entre 12 de junho e 21 de agosto de 2001, a segunda com mais 12, exibidos entre 16 de junho e 26 de agosto de 2002. O elenco conta com Yancy Butler como Sara Pezzini, David Chokachi como Jake McCartney, Anthony Cistaro como Kenneth Irons, Will Yun Lee como o detetive Danny Woo, John Hensley como Gabriel Bowman e Eric Etebari como Ian Nottingham, e a história é mais ou menos fiel à dos quadrinhos (sem a parte do sexo e das mulheres seminuas), com Sara investigando crimes enquanto tenta lidar com a Witchblade e seus poderes e sendo perseguida por Irons e Nottingham.
Em 2004, a Top Cow conseguiria um acordo com a editora Kodansha para lançar no Japão uma versão de Witchblade em mangá. Com o nome de Witchblade Takeru, roteiros de Yasuko Kobayashi e arte de Kazuasa Sumita, o mangá teria personagens e situações diferentes da revista em quadrinhos, mas a mesma ideia central, com uma jovem mulher acidentalmente se tornando hospedeira da Witchblade e tendo de conciliar sua vida com os pensamentos intrusivos e poderes do artefato enquanto é caçada por um milionário e um mercenário que o desejam para si - no caso, a jovem mulher é a colegial Takeru Ibaraki, que foi criada em um monastério budista e desde criança já tinha sonhos com a Witchblade. O mangá seria publicado no Japão entre março de 2006 e março de 2007, e lançado traduzido nos Estados Unidos pela Bandai um ano depois, entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008.
Logo após anunciar que seria produzido um mangá, a Top Cow anunciaria ter fechado um contrato com o estúdio Gonzo para produzir um anime - que todo mundo achou que seria a adaptação do mangá, principalmente por Kobayashi também ser o roteirista, mas era uma outra história completamente nova, cuja protagonista se chamava Masane Amaha. Desastrada mas de bom coração, Masane perdeu a memória seis anos antes do início da série, e, durante esse período, sabe-se lá como, se tornou hospedeira da Witchblade, cujos poderes se manifestam quando ela se vê envolvida em uma disputa entre uma corporação multinacional e uma agência governamental. O anime, chamado simplesmente Witchblade, teria um total de 24 episódios, originalmente exibidos pelo canal JNN entre 6 de abril e 21 de setembro de 2006.
Outra adaptação de Witchblade lançada no Japão seria o romance Witchblade: Ao no Shojo, escrito por Satoshi Ichikawa com ilustrações de Makoto Uno, que criou a aparência dos personagens do anime. Lançado em agosto de 2006, o livro tinha como protagonista Yuri Miyazono, garota de 15 anos nascida em Okinawa que se torna hospedeira da Witchblade acidentalmente, mas descobre que o artefato pode ser a única chance que tem de continuar viva. Curiosamente, após o lançamento do romance, a Top Cow anunciaria que, oficialmente, o romance, o mangá e o anime não somente faziam parte da mesma cronologia, como também eram parte da cronologia da revista em quadrinhos, com Yuri sendo a hospedeira depois de Takeru e antes de Masane - que, por sua vez, o foi antes de Sara.
Um filme de Witchblade para o cinema também chegou a entrar em produção em 2008, mas acabou cancelado enquanto a Top Cow procurava por um roteiro. A NBC também negociaria a produção de uma nova série, sem relação com a da TNT, em 2017, mas o projeto acabaria cancelado porque a Top Cow não queria que Sara fosse a protagonista da série enquanto Alex era a protagonista dos quadrinhos, e a NBC não aceitou que Alex fosse a protagonista da série.
A mais recente versão de Witchblade é uma nova série em quadrinhos, lançada em julho de 2024 e ainda publicada mensalmente, criada pelo próprio Silvestri, inicialmente com roteiros de Marguerite Bennett e arte de Giuseppe Cafaro. A nova série é um reboot, ignorando os eventos de todas as anteriores e começando com Sara se tornando a hospedeira da Witchblade na época atual ao invés de nos anos 1990. O artefato ainda é o objeto de desejo de Irons, Nottingham ainda é seu guarda-costas, Jake ainda é o parceiro de Sara, Jackie ainda é um amigo e rival que trabalha para a máfia, e Alex agora é uma jornalista amiga de Sara; as histórias seguem não sendo de super-heróis tradicionais, ainda tendo um tom policial com elementos de fantasia, mas têm bem menos elementos sexuais que as originais - com até mesmo a armadura criada pela Witchblade para Sara sendo mais comportada.
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A primeira coisa que precisa ser dita é que "Witchblade" (que, traduzida literalmente, é a "lâmina da bruxa", mas, por incrível que pareça, é um trocadilho com switchblade, aquela faca cuja lâmina se dobra para dentro do cabo, muito usada em filmes por membros de gangues) não é o codinome da super-heroína, no mesmo sentido que o são "Mulher Maravilha" ou "Tempestade". A Witchblade é um artefato milenar e consciente, capaz de assumir várias formas, sendo a sua preferida a de uma luva que se encaixa no braço direito de um hospedeiro humano, conferindo-o poderes inimagináveis, mas também lentamente dominando sua mente - e, dizem, levando à sua morte. Feita de material orgânico, a Witchblade é quase indestrutível, e consegue alterar sua forma e sua massa à vontade, se transformando em um bracelete ou gargantilha para se camuflar no corpo do hospedeiro, o qual cobre com tentáculos semelhantes a uma carapaça de inseto enquanto está ativada - quando torna o hospedeiro capaz de produzir diversos tipos de armas, lançar rajadas de energia, ou até usar os tais tentáculos para ataque e defesa. A Witchblade é o filho de duas entidades sobrenaturais presentes desde o início do universo, chamadas Darkness e Angelus, sendo que o Darkness (que significa, literalmente, escuridão) é associada à escuridão, enquanto a Angelus é associado à luz. E sim, "o filho", porque, apesar de, em português, todo mundo falar "a Witchblade", o artefato é do sexo masculino, o que faz com que ele prefira hospedeiros do sexo feminino.
A moça que todo mundo costuma identificar como "a Witchblade" se chama Sara Pezzini, e é detetive de polícia na cidade de Nova Iorque. Durante uma investigação, Sara se depara com um "teste de Excalibur", no qual criminosos de alta periculosidade pagaram elevadas quantias pelo direito de experimentar a Witchblade e ver se o artefato aceita algum deles como hospedeiro - com os que não são aceitos se arrependendo amargamente. Baleada ao ser revelada como policial, Sara iria morrer, se a Witchblade não decidisse que ela era a hospedeira que ele estava procurando, rastejando até seu braço e mudando sua vida para sempre.
O responsável por tentar encontrar um hospedeiro para a Witchblade era o milionário Kenneth Irons, que é obcecado pelo artefato, conhecendo a fundo sua história e tendo em sua casa um santuário dedicado à Witchblade e a seus hospedeiros anteriores - com um deles sendo ninguém menos que Joana d'Arc. Irons treinou seu homem de maior confiança, Ian Nottingham, para sobreviver a um ritual no qual ele se tornaria o hospedeiro da Witchblade, no processo transformando-o em um lutador de reflexos sobre-humanos, capaz de pegar um tiro com as mãos nuas - sem que Nottingham saiba, contudo, o objetivo final de Irons é transferir a Witchblade para si mesmo, usando o subordinado apenas como cobaia para o processo. Para que o ritual dê certo, porém, primeiro a Witchblade precisa se combinar a um hospedeiro de forma natural, para depois ser extraída e combinada a Nottingham, o que faz com que Irons e Nottingham passem a perseguir Sara depois do incidente, com a detetive e o assassino desenvolvendo um relacionamento que mistura ódio e romance.
Witchblade não é uma revista de super-heróis tradicional, já que Sara não usa a Witchblade para combater supervilões, estando mais para uma história policial com elementos de fantasia e sexuais - quase toda edição tem alguém seminu ou fazendo sexo, o que torna a revista bastante parecida com os filmes policiais dos anos 1970, e o próprio "uniforme" de Sara ao ativar a Witchblade parece ter sido pensado para atrair o público masculino adolescente. Enquanto aprende a usar os poderes da Witchblade e tenta escapar das investidas de Irons e Nottingham, Sara continua trabalhando como policial, com vários casos que ela investiga sendo abordados em suas histórias, contando com personagens coadjuvantes como o Chefe de Polícia, Joe Siry; o parceiro de Sara, Jake McCarthy; e o detetive Eric Sketh, transferido de Los Angeles. Outros coadjuvantes dignos de nota são a irmã mais nova de Sara, Julie, que é modelo e não tem rumo na vida; e Jackie Estacado, que trabalha para a máfia e cujos caminhos vivem se cruzando com os de Sara.
Criada por Marc Silvestri, David Wohl, Brian Haberlin e Michael Turner, Witchblade seria lançada pela Top Cow, uma das editoras que faziam parte da Image Comics, em novembro de 1995. Silvestri seria um dos sete fundadores da Image, e, originalmente, a Top Cow publicaria dois títulos estrelados por super-heróis bem parecidos com os X-Men: Cyberforce, no qual um grupo de mutantes ciborgues luta contra a mega corporação que fez as alterações cibernéticas em seus corpos, no caso de muitos deles, contra a sua vontade; e Codename: Strykeforce, na qual o líder da Cyberforce, o Coronel Morgan Striker, reúne uma equipe de elite dotada de superpoderes para participar de missões de alto risco das quais as habilidades da Cyberforce não dariam conta. Witchblade seria o primeiro título da Top Cow a não trazer mutantes nem ter relação com a Cyberforce, e seria considerada "o início do Universo Top Cow", já que, depois dela, muitos títulos de sucesso da editora seriam lançados tendo relação com o Darkness e a Angelus.
A versão originalmente criada por Silvestri seria uma super-heroína mais tradicional, com sua primeira aparição sendo uma participação especial no crossover Cyblade / Shi, de agosto de 1995, com roteiro de Haberlin e arte de Silvestri, na qual Sara tinha um uniforme com direito a capa e usava o codinome Witchblade. Depois disso, Silvestri não teria mais envolvimento com a personagem, que seria reimaginada em sua versão oficial por Wohl e Turner. A primeira edição de Witchblade teria roteiros de Wohl, Haberlin e Christina Z e arte de Turner - as moças de rosto de boneca, lábios cheios, seios fartos e cinturas finas desenhadas por Turner seriam consideradas a marca registrada de Witchblade, e sua fama desenhando o título permitiria que ele criasse sua própria heroína, Fathom, mais tarde saindo da Top Cow e levando-a para sua própria editora, a Aspen MLT. Já Christina Z, uma norte-americana nascida em Munique, na Alemanha, e que começou a carreira como jornalista de música, faria quase toda a sua carreira nos quadrinhos escrevendo para a Top Cow, e muitas das ideias sobre o passado da Witchblade viriam dela.
Wohl e Christina teriam uma longa carreira nos roteiros, escrevendo nada menos que as 39 primeiras edições da revista, com Wohl ainda retornando para escrever sozinho quase todas as edições entre a 45 e a 75, com o roteirista da maioria das edições entre a 40 e a 53 sendo Paul Jenkins. Mas o recorde da revista pertenceria a Ron Marz, que assumiria na edição 80, em novembro de 2004, e escreveria até a 150, de dezembro de 2011. Ex-roteirista do Surfista Prateado e do Lanterna Verde - sendo o criador de Crepúsculo Esmeralda, a famosa história na qual Hal Jordan se torna o vilão Paralax - Marz primeiro estabeleceria Sara como a única portadora da Witchblade - pois, nas edições anteriores, vários outros personagens conseguiriam utilizar o artefato simultaneamente ou ao invés dela - para depois criar uma nova personagem, a bailarina Danielle Baptiste, que assumiria a Witchblade e deixaria Sara sem poderes; Marz também decidiria que Sara ficaria grávida de Jackie e teria uma filhinha chamada Hope, com Dani devolvendo a Witchblade à policial para salvar a vida das duas. A principal marca da passagem de Marz, entretanto, seria que ele expandiria a mitologia da Witchblade, do Darkness e da Angelus, escrevendo algumas das edições de maior vendagem da história da Top Cow.
Marz seria substituído por Tim Seeley, que tentaria fazer uma Sara mais pé no chão, numa época em que a Witchblade seria parte da saga Top Cow Rebirth, criada em comemoração pelos 20 anos da Top Cow. Seeley escreveria até a edição 169, de setembro de 2013, com Marz voltando na 170 para bagunçar a vida de Sara, que ficaria ressentida imaginando que a Witchblade era responsável por evitar que ela conseguisse avançar na vida, e cogitasse se livrar do artefato de uma vez por todas. Marz seria o roteirista até a edição 185, de novembro de 2015, quando, para aproveitar o aniversário de vinte anos da primeira edição, a Top Cow decidiria encerrar a saga de Sara Pezzini, permitindo que ela encontrasse outro hospedeiro definitivo para a Witchblade e fosse viver sua vida - curiosamente, a capa da edição 185 teria arte idêntica à da edição 1. Além das 185 edições mensais, Witchblade teria duas edições anuais, lançadas em 2009 e 2010.
Falando em arte, Turner seria o artista de Witchblade até a edição 27 - exceto pela 24 e 26, desenhadas por Randy Green, que co-desenharia a 27 assumiria a arte a partir da 28, de fevereiro de 1999. Green tinha um estilo parecido com o de Joe Madureira, que desenhou os X-Men na década de 1990, mas não agradou aos fãs de Witchblade, sendo substituído por Keu Cha, que tinha um estilo parecido com o de Turner, na edição 40, de junho de 2000. Após uma passagem de Brian Ching entre as edições 50 e 59, e uma de Eric Basaldua entre a 60 e a 79, com Marz viria Mike Choi, que ficaria até a 115, sendo substituído na 116, de abril de 2008, por Stjepan Sejic, que é considerado o maior artista de Witchblade, acima até mesmo de Turner, e ilustraria as histórias de Marz até ele sair na 150. Com Seeley, na 151, estrearia Diego Bernard, que sairia junto com ele na 169, assumindo Laura Braga na 170 e ficando até o final.
Além de na série regular, a Witchblade seria a estrela de várias minisséries e edições especiais lançadas pela Top Cow. Entre maio e julho de 1996, seria publicada a minissérie em três edições Medieval Spawn / Witchblade, com roteiros de Garth Ennis e arte de Brandon Peterson, na qual o Spawn Medieval e Katarina Godliffe, a hospedeira da Witchblade na época, se unem para impedir que o tirano Lord Cardinale conquiste o Reino das Fadas. Essa minissérie daria uma ideia a Christina Z e, para a edição 9, de setembro de 1996, ela e Wohl escreveriam uma história, com arte de Tony Daniel, na qual a Witchblade projeta na mente de Sara a vida de uma de suas hospedeiras anteriores, a pirata Anne Bony. Essa história seria um teste para o lançamento de uma nova revista, protagonizada por outras hospedeiras, passadas ou futuras, da Witchblade. Chamada Tales of the Witchblade, essa revista teria 10 edições, publicadas trimestralmente entre novembro de 1996 e janeiro de 2001, com roteiros de Christina Z, David Finch, Bill O'Neil e Warren Ellis, e arte de Tony Daniel, Nathan Cabrera, Billy Tan, Richard Bennett, Christian Zanier e David Boller. Infelizmente, a revista não teve as vendas imaginadas e acabou cancelada, mas não sem a curiosidade de contar na última edição com a participação especial de Lara Croft - que não, não foi hospedeira da Witchblade - o que faz com que ela não possa ser republicada, já que o contrato de licenciamento da personagem para a Top Cow já expirou.
Lara Croft não estava lá por acaso: no auge da popularidade de Witchblade, a Top Cow conseguiria licenciá-la junto à Eidos e à Core para um crossover Tomb Raider / Witchblade, com roteiro de Turner e arte de Turner e Ching, lançado em dezembro de 1997, no qual Sara acaba topando com Lara ao investigar um assassinato, do qual a arqueóloga passa a ser suspeita. As duas ainda se encontrariam em Witchblade / Tomb Raider, de julho de 2000, com roteiro de O'Neill e arte de Keu Cha, mas, antes disso, o sucesso do crossover garantiria a Lara uma série só dela, Tomb Raider, inicialmente com roteiros de Dan Jurgens e arte de Andy Park, que teve 52 edições publicadas entre dezembro de 1999 e março de 2005.
Também em 1997, Sara seria uma das personagens envolvidas na saga O Reino do Demônio, cuja primeira edição foi lançada em março, na qual Mefisto descobre um caminho que leva até o Universo Top Cow, planejando usar as almas de seus habitantes para se tornar mais poderoso que nunca, mas alguns heróis Marvel conseguem ir atrás dele e se unem aos heróis da Top Cow para impedi-lo. Sara participaria de duas edições: Wolverine / Witchblade, que tem roteiro de Wohl, Turner e Christina Z e arte de Turner, e Witchblade / Elektra, que tem roteiro de Wohl e Christina Z e arte de Turner e Joe Benitez.
Além de ser um personagem mais ou menos regular de Witchblade, Jackie Estacado seria o astro de sua própria revista, The Darkness, na qual também ganha poderes sobrenaturais, mas conferidos pelo Darkness - e na qual Sara faria algumas participações especiais. A ligação entre os dois faria com que algumas histórias fossem compartilhadas entre as revistas, alternando as histórias entre a Witchblade e a The Darkness, com uma delas, que envolvia um grupo chamado Necrobi tentando fazer com que a Witchblade se tornasse capaz de controlar o poder do Darkness, tendo quatro partes, uma publicada na Witchblade, uma na The Darkness, uma na edição especial Witchblade / Darkness e uma na edição especial Darkness / Witchblade. Em junho de 1998, também seria publicado um crossover, Witchblade / The Darkness, com roteiro de Wohl e David Finch e arte de Brian Ching, na qual Jackie tenta impedir que Sara reúna provas contra um mafioso amigo seu acusado de assassinato. Sara e Jackie também seriam os astros de duas minisséries curiosas: Overkill: Witchblade / Aliens / Darkness / Predator, em duas edições publicadas em novembro e dezembro de 1999, com roteiros de Jenkins e arte de Clarence Lansang, Joe Benitez e Brian Ching, no qual Aliens vêm a Nova Iorque colocar ovos, Predadores vêm atrás deles para caçá-los, e Sara e Jackie são pegos no meio da confusão, e sua sequência com mais ou menos a mesma história, Witchblade / Aliens / Darkness / Predator: Mundhunter, em três edições publicadas entre dezebro de 2000 e fevereiro de 2001, com roteiros de David Quinn e arte de Mel Rubi.
A Witchblade também faria crossovers com duas das mais famosas bad girls dos quadrinhos. A primeira seria Lady Death, da Chaos! Comics, em duas edições: Lady Death / Medieval Witchblade, de julho de 2001, ambientada na Idade Média, com roteiro de Brian Augustyn e arte de Romano Molenaar, na qual Lady Death e Katrina unem forças contra a tirana Rainha Morgana; e Witchblade / Lady Death, de novembro de 2001, com roteiro de Wohl e arte de Joel Gomez, ambientada na época atual, na qual um executivo tenta conjurar um demônio para obter vantagens financeiras, mas tudo dá errado, e cabe a Sara e Lady Death colocar as coisas de volta nos eixos.
A segunda seria Vampirella, da Dynamite Entertainment, com quem Sara dividiria três edições: Vampirella / Witchblade, de julho de 2003, com roteiro de Brian Wood e arte de Steve Pugh, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um lobisomem assassino em Nova Iorque; Vampirella / Witchblade: Union of the Damned, de julho de 2003, com roteiro de Justin Gray e arte de Joelle Jones, na qual Sara e Vampirella vão até o inferno enfrentar um lorde demônio; e Vampirella / Witchblade: The Feast, de outubro de 2005, com roteiro de Justin Grey e arte de Joyce Chin, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um grupo de vampiros assassinos em Nova Iorque. Vale citar também Tomb Raider / Witchblade / Magdalena / Vampirella, de agosto de 2005 e que tinha duas histórias, uma só com Lara e uma com roteiro de Gail Simone e arte de Joyce Chin, na qual Sara, Magdalena e Vampirella unem forças para derrotar um lorde vampiro.
Sara também dividiria duas edições com a super-heroína indiana Devi, da Virgin Comics: Witchblade / Devi, com roteiro de Marz e arte de Basaldua, e Devi / Witchblade, com roteiro de Samit Basu e arte de Mukesh Singh, ambas de abril de 2008. Em uma história em duas partes, a investigação de um assassinato leva Sara à Índia, onde ela descobre que o culpado não é um humano comum, e sim um espírito milenar sob o comando de um dos inimigos de Devi, Lord Bala, com as duas se unindo para derrotá-lo.
Também vale citar a saga Monster War, que reuniria quatro edições especiais nas quais personagens da Top Cow enfrentariam monstros clássicos do cinema. Sara seria a estrela da terceira, de agosto de 2005, com roteiro de Christopher Golden e Tom Sniegoski e arte de Vitor Ishimura, na qual ela enfrenta o Monstro de Frankenstein - com o título na capa da edição sendo Witchblade vs. Frankenstein: Monster War. Nas outras três, caso alguém esteja curioso, Lara Croft enfrentava o Lobisomem, Jackie Estacado enfrentava o Sr. Hyde, e Magdalena enfrentava o Drácula.
Outros crossovers envolvendo a Witchblade seriam Dark Minds / Witchblade, de agosto de 2000, com roteiro de Wohl e Pat Lee e arte de Lee, na qual os detetives Nakiko e Takahashi investigam uma série de assassinatos que podem estar ligados à Witchblade; JLA / Witchblade, de dezembro de 2000, com roteiro de Len Kaminski e arte de Mark Pajarillo, na qual Sara vai a Gotham visitar sua amiga Barbara Gordon, mas as coisas saem do controle quando a Witchblade decide pegar a Mulher Maravilha como hospedeira; Battle of the Planets / Witchblade, de janeiro de 2003, com roteiro de Munier Sharrieff e arte de Alam Tam, na qual a Witchblade escolhe como hospedeira a Princesa da equipe G-Force; Witchblade / Dark Minds: Return of Paradox, de junho de 2004, com roteiro de Wohl e arte de Lou Kang, na qual Nakiko se torna a hospedeira da Witchblade para deter o vilão Paradox; Witchblade / Wolverine, também de junho de 2004, com roteiro de Chris Claremont e arte de Basaldua, no qual Logan e Sara se casam, mas descobrem que isso faz parte do plano de uma mutante que manipula memórias e planeja se tornar hospedeira da Witchblade; Witchblade: Shades of Grey, minissérie em quatro edições lançadas entre março e novembro de 2007, com roteiros de John Reppion e Leah Moore e arte de Stephen Segovia e Walter Geovani, na qual Sara investiga uma série de assassinatos dos quais o principal suspeito é Dorian Gray; Witchblade / The Punisher, de junho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Adriana Melo, na qual um transporte de prisioneiros que Sara acompanha é atacado pelo Justiceiro e ela decide confrontá-lo; Unholy Union, de julho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Michael Broussard e Chaz Riggs, na qual o Motoqueiro Fantasma quer punir Jackie, Sara enfrenta um Hulk enfurecido, e o Dr. Estranho tenta pôr ordem na casa; e Witchblade / Red Sonja, minissérie em cinco edições lançadas entre fevereiro e julho de 2012, com roteiros de Doug Warner e arte de Cezar Razek, na qual os destinos de Sara e Sonja se cruzam enquanto a primeira investiga o assassinato de um padre e a segunda enfrenta uma criatura demoníaca no interior de uma montanha.
Outras minisséries estreladas por Sara seriam Witchblade: Destiny's Child, em três edições lançadas entre junho e setembro de 2000, com roteiros de Christina Z e arte de David Boller, que contava como Irons e Nottingham se conheceram, e dava a entender que Sara estava destinada desde o nascimento a ser a hospedeira do artefato; First Born, em três edições lançadas entre agosto e novembro de 2007, na qual o Darkness e a Angelus disputam a posse de Hope, e sua continuação, Broken Trinity, em três edições lançadas entre julho e novembro de 2008, ambas com roteiros de Marz e arte de Sejic; e Witchblade: Demon Reborn, em quatro edições publicadas entre agosto e novembro de 2012, na qual um assassino serial que Sara matou anos antes (na Witchblade regular) retorna como um demônio disposto a levá-la com ele para o inferno, com roteiros de Ande Parks e arte de Jose Luis.
Também seriam publicadas duas histórias da Witchblade ambientadas em realidades alternativas. A primeira seria a edição especial Witchblade Infinity, com roteiro e arte de Adam Polina, ambientada em uma realidade na qual a hospedeira da Witchblade é a dominatrix Kimberly Tossova, que entra em contato com o artefato após um de seus clientes roubá-lo de Irons. A segunda seria a minissérie Switch, em quatro edições publicadas entre outubro de 2015 e julho de 2016; inicialmente um projeto pessoal de Sejic para sua página no site Deviant Art, Switch acabaria rendendo ao artista um convite para transformar a história de uma adolescente chamada Mary que se torna hospedeira da Witchblade e passa a ser disputada por Irons, pelo Darkness e pela Angelus. Originalmente prevista para ser uma série regular, Switch teve de ser encerrada prematuramente devido a problemas de saúde de Sejic.
Entre maio de 2010 e novembro de 2014, seria publicada a série Artifacts, na qual Sara e Jackie estavam dentre seus protagonistas. Originalmente, Artifacts deveria ser uma minissérie em 13 edições, cada um focada em um dos artefatos emblemáticos do Universo Top Cow - com as três primeiras edições abordando, respectivamente, a Witchblade, o Darkness e a Angelus. A minissérie faria tanto sucesso que a Top Cow decidiria transformá-la em uma série regular cujo desfecho teria impacto em todos os títulos da editora - e que seria parcialmente responsável pelo cancelamento da Witchblade em 2015. Ao todo, Artifacts teria 41 edições, numeradas de 0 a 40; a maioria delas seria escrita por Marz, e muitas contariam com desenhistas iniciantes escolhidos através de um concurso.
Apesar do cancelamento, Witchblade continuaria sendo muito popular dentre os fãs, de forma que, em 2017, a Top Cow começaria a discutir se valeria a pena trazer a revista de volta - mesmo após Sara ter recebido um final definitivo, o que os norte-americanos costumam chamar de closure. A solução seria, evidentemente, trazer a Witchblade de volta, mas com outra hospedeira. Assim, a segunda Witchblade, com numeração recomeçando do 1, seria lançada em dezembro de 2017, com roteiros de Caitlin Kittredge e arte de Bryan Valenza e Roberta Ingranata. A protagonista da nova série não é Sara, e sim a jornalista Alex Underwood, que se torna hospedeira da Witchblade após ser baleada por criminosos; enquanto tenta descobrir como funcionam os poderes do artefato, Alex se vê caçada por demônios que se disfarçam de humanos, que tentam matá-la e pegar a Witchblade para si antes que ela fique poderosa demais. Infelizmente a nova série não faria sucesso, e acabaria cancelada após apenas 18 edições, a última de março de 2020.
No início dos anos 2000, o sucesso de Witchblade era tamanho que ela se tornaria a primeira revista da Image a ser adaptada para uma série de televisão. Com roteiros de Ralph Hemecker e Richard C. Okie, a série teria um piloto exibido pelo canal TNT em 27 de agosto de 2000, mais duas temporadas, a primeira com 11 episódios, exibidos entre 12 de junho e 21 de agosto de 2001, a segunda com mais 12, exibidos entre 16 de junho e 26 de agosto de 2002. O elenco conta com Yancy Butler como Sara Pezzini, David Chokachi como Jake McCartney, Anthony Cistaro como Kenneth Irons, Will Yun Lee como o detetive Danny Woo, John Hensley como Gabriel Bowman e Eric Etebari como Ian Nottingham, e a história é mais ou menos fiel à dos quadrinhos (sem a parte do sexo e das mulheres seminuas), com Sara investigando crimes enquanto tenta lidar com a Witchblade e seus poderes e sendo perseguida por Irons e Nottingham.
Em 2004, a Top Cow conseguiria um acordo com a editora Kodansha para lançar no Japão uma versão de Witchblade em mangá. Com o nome de Witchblade Takeru, roteiros de Yasuko Kobayashi e arte de Kazuasa Sumita, o mangá teria personagens e situações diferentes da revista em quadrinhos, mas a mesma ideia central, com uma jovem mulher acidentalmente se tornando hospedeira da Witchblade e tendo de conciliar sua vida com os pensamentos intrusivos e poderes do artefato enquanto é caçada por um milionário e um mercenário que o desejam para si - no caso, a jovem mulher é a colegial Takeru Ibaraki, que foi criada em um monastério budista e desde criança já tinha sonhos com a Witchblade. O mangá seria publicado no Japão entre março de 2006 e março de 2007, e lançado traduzido nos Estados Unidos pela Bandai um ano depois, entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008.
Logo após anunciar que seria produzido um mangá, a Top Cow anunciaria ter fechado um contrato com o estúdio Gonzo para produzir um anime - que todo mundo achou que seria a adaptação do mangá, principalmente por Kobayashi também ser o roteirista, mas era uma outra história completamente nova, cuja protagonista se chamava Masane Amaha. Desastrada mas de bom coração, Masane perdeu a memória seis anos antes do início da série, e, durante esse período, sabe-se lá como, se tornou hospedeira da Witchblade, cujos poderes se manifestam quando ela se vê envolvida em uma disputa entre uma corporação multinacional e uma agência governamental. O anime, chamado simplesmente Witchblade, teria um total de 24 episódios, originalmente exibidos pelo canal JNN entre 6 de abril e 21 de setembro de 2006.
Outra adaptação de Witchblade lançada no Japão seria o romance Witchblade: Ao no Shojo, escrito por Satoshi Ichikawa com ilustrações de Makoto Uno, que criou a aparência dos personagens do anime. Lançado em agosto de 2006, o livro tinha como protagonista Yuri Miyazono, garota de 15 anos nascida em Okinawa que se torna hospedeira da Witchblade acidentalmente, mas descobre que o artefato pode ser a única chance que tem de continuar viva. Curiosamente, após o lançamento do romance, a Top Cow anunciaria que, oficialmente, o romance, o mangá e o anime não somente faziam parte da mesma cronologia, como também eram parte da cronologia da revista em quadrinhos, com Yuri sendo a hospedeira depois de Takeru e antes de Masane - que, por sua vez, o foi antes de Sara.
Um filme de Witchblade para o cinema também chegou a entrar em produção em 2008, mas acabou cancelado enquanto a Top Cow procurava por um roteiro. A NBC também negociaria a produção de uma nova série, sem relação com a da TNT, em 2017, mas o projeto acabaria cancelado porque a Top Cow não queria que Sara fosse a protagonista da série enquanto Alex era a protagonista dos quadrinhos, e a NBC não aceitou que Alex fosse a protagonista da série.
A mais recente versão de Witchblade é uma nova série em quadrinhos, lançada em julho de 2024 e ainda publicada mensalmente, criada pelo próprio Silvestri, inicialmente com roteiros de Marguerite Bennett e arte de Giuseppe Cafaro. A nova série é um reboot, ignorando os eventos de todas as anteriores e começando com Sara se tornando a hospedeira da Witchblade na época atual ao invés de nos anos 1990. O artefato ainda é o objeto de desejo de Irons, Nottingham ainda é seu guarda-costas, Jake ainda é o parceiro de Sara, Jackie ainda é um amigo e rival que trabalha para a máfia, e Alex agora é uma jornalista amiga de Sara; as histórias seguem não sendo de super-heróis tradicionais, ainda tendo um tom policial com elementos de fantasia, mas têm bem menos elementos sexuais que as originais - com até mesmo a armadura criada pela Witchblade para Sara sendo mais comportada.








