sábado, 27 de junho de 2026

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Olimpíadas (XXIX)

É incrível como o tempo passa e não nos damos conta disso. Esse ano, por exemplo, faz 20 anos que eu decidi começar a escrever uma série sobre as Olimpíadas aqui no átomo. Desde que a terminei, sempre tentei atualizá-la conforme mais edições iam se passando. Esse ano já se passaram mais duas desde minha última atualização, de forma que já é possível escrever um novo post. Assim, hoje, mais uma vez, é dia de Olimpíadas no átomo!

Paris 2024

No início dos anos 2000, sediar uma Olimpíada havia se tornado um negócio muito caro: a permissão para a participação dos atletas profissionais levaria a exigências do Comitê Olímpico Internacional para que não somente os estádios, quadras e arenas fossem do mais alto nível, mas também para que as mais modernas técnicas de arbitragem e cronometragem fossem utilizadas, para evitar ao máximo injustiças. O custo para uma cidade-sede aumentaria exponecialmente em relação ao que era gasto no século XX, o que acabaria afastando potenciais candidatas.

A princípio, porém, esse não pareceria ser o caso para as Olimpíadas de 2024. Com a escolha da sede marcada para o congresso do COI que ocorreria em setembro de 2017, cinco cidades decidiriam se candidatar: Paris, Roma, Budapeste, Hamburgo e Boston, esta última escolhida em uma votação interna conduzida pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC), na qual derrotou Los Angeles, San Francisco e Washington, D.C. Em julho de 2015, entretanto, devido a protestos dos moradores de Boston, que não queriam uma Olimpíada realizada lá, a prefeitura da cidade e o USOC chegaram a um acordo para retirar sua candidatura, substituindo-a pela de Los Angeles. A partir daí, ocorreria um efeito dominó: ao ser noticiado na imprensa mundial que a população de Boston estava contra a Olimpíada por causa dos altos custos, a população de Hamburgo também decidiu se revoltar, o que levou a prefeitura a realizar um referendo, no qual ganhou a oposição à candidatura, com a cidade alemã se retirando do processo em novembro de 2015. Cerca de um ano depois, alegando "dificuldades fiscais", a capital italiana também desistiria. No início de 2017, a população de Budapeste recolheria assinaturas para que lá também fosse reazliado um referendo, o que levou o governo da Hungria a também retirar a candidatura de sua capital, em fevereiro. Faltando menos de sete meses para a escolha, as Olimpíadas de 2024 só tinham duas candidatas: Paris e Los Angeles.

Diante disso, o COI realizaria uma reunião de emergência em junho, na qual seria proposto que o congresso em setembro escolhesse não só a sede de 2024, mas também a de 2028, talvez por medo de ninguém querer se candidatar. Em uma sessão extraordinária realizada na sede do COI em julho, representantes das candidaturas de Paris e Los Angeles seriam chamados, a situação seria explicada, e seria feita uma proposta para que a cidade que não fosse escolhida para 2024 imediatamente fosse declarada sede de 2028. Paris, contudo, fez uma contra-proposta: em 2024, seria comemorado o centenário da última das duas edições dos Jogos Olímpicos realizadas na cidade, em 1924 - a primeira havia sido em 1900, com a capital francesa também se candidatando a sede de 1992, 2008 e 2012, sem sucesso. Devido à data, Paris "preferiria" sediar as Olimpíadas de 2024, deixando, se não houvesse oposição por parte dos norte-americanos, a edição de 2028 com Los Angeles. Devido a um entendimento de que os membros votantes do COI já escolheriam Paris mesmo, a delegação de Los Angeles não se opôs. Assim, em 31 de julho de 2017, Paris seria anunciada como "a única candidata" para 2024, enquanto Los Angeles seria "a única" para 2028, com o congresso de setembro somente oficializando as escolhas de ambas para essas respectivas edições. Curiosamente, assim Paris se tornaria a segunda cidade a sediar três Olimpíadas, depois de Londres (que as sediou em 1908, 1948 e 2012), e, se tudo correr conforme o planejado, Los Angeles será a terceira (já tendo sediado em 1932 e 1984).

Os Jogos de 2024 seriam realizados entre 26 de julho e 11 de agosto, e contariam com a participação de 10.714 atletas, que representariam 204 delegações. A Equipe Olímpica de Refugiados faria sua terceira aparição, dessa vez contando com 37 atletas, 24 homens e 13 mulheres, nascidos em 11 países diferentes, que tiveram de deixar suas pátrias devido à guerra, à fome ou à perseguição étnica, política ou religiosa. A principal novidade seria a delegação dos Atletas Individuais Neutros (AIN), que contava com 32 atletas, 17 homens e 15 mulheres, competindo sob uma bandeira própria, criada pelo COI, e ouvindo um hino próprio, também criado pelo COI, em caso de Medalha de Ouro; diferentemente dos Refugiados, os AIN não tinham direito de desfilar na cerimônia de abertura, de participar da cerimônia de encerramento, e suas medalhas não contariam para o quadro de medalhas oficial dos Jogos.

A criação dos AIN se deu porque Rússia e Belarus teriam sua participação nas Olimpíadas de 2024 vetada pelo COI: proibida até 31 de dezembro de 2022 de utilizar sua bandeira e hino em competições internacionais oficiais devido a um esquema de doping nas Olimpíadas de Inverno de 2014, a Rússia invadiria a Ucrânia durante o período de Trégua Olímpica das Olimpíadas de Inverno de 2022, o que motivaria o COI a ampliar a proibição e excluir a Rússia e Belarus (a quem considerou apoiar sua ação militar) de todas as suas competições até cessarem as hostilidades. Muitas das federações-membros do COI decidiriam estender essa proibição às suas próprias competições, como a World Athletics (novo nome da IAAF, a federação internacional do atletismo) e a FIFA (o que faria com que a Rússia fosse desclassificada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022), sendo a mais notável exceção a Federação Internacional de Tênis, que segue permitindo que os tenistas da Rússia e Belarus participem de seus torneios, desde que não usem as bandeiras ou hinos de seus países. Os critérios para determinar quais atletas podem competir como AIN são pouco claros, e motivaram protestos do Comitê Olímpico da Ucrânia, e muitas das federações esportivas russas, como as de atletismo, luta olímpica e judô, decidiriam boicotar os Jogos por conta própria, impedindo que seus atletas se inscrevessem para competir como AIN. No fim, a delegação dos AIN contaria com 17 atletas de Belarus e 15 da Rússia.

O Comitê Organizador decidiria realizar quase todas as competições na Grande Paris, com a maior parte dos eventos sendo realizados na capital e nas cidades vizinhas de Saint-Denis, Le Bourget, Nanterre, Versalhes e Vaires-sur-Marne. Além do futebol, que sempre tem mesmo jogos em cidades distantes da sede, as mais notáveis exceções seriam o basquete e o handebol, que teriam jogos em Lille, o tiro, disputado em Châteauroux, e a vela, disputada em Marselha; a mais notável exceção mesmo, entretanto, seria o surfe, disputado na cidade de Teahupo'o, no Taiti, a nada menos que 15.716 km de Paris - superando o recorde de evento disputado em local mais distante da sede estabelecido em 1956, quando as Olimpíadas seriam realizadas em Melbourne, Austrália, mas, devido a uma proibição de se entrar no país com animais, as provas da equitação ocorreriam em Estocolmo, Suécia, a 15.599 km de distância. A realização do surfe no Taiti seria vista com muito entusiasmo pelos surfistas, mas sofreria críticas de jornalistas esportivos, que alegariam que a famosa "piscina de surfe" de Kelly Slater havia sido inventada justamente para ser usada em competições em cidades que não tivessem praia, mas até então as duas sedes olímpicas que poderiam usá-la haviam optado por não fazê-lo.

O Comitê Organizador também optaria por "aproveitar a beleza de Paris" ao escolher os locais de competição, montando, por exemplo, a arena de vôlei de praia em frente à Torre Eiffel, e realizando as provas de equitação e pentatlo moderno nos jardins do Palácio de Versalhes. Mas a decisão mais ousada nesse sentido seria tomada em relação à Cerimônia de Abertura: ao invés de em um estádio, os organizadores decidiriam fazê-la às margens do Rio Sena, sem cobrança de ingressos, com o desfile das delegações sendo feito através de barcos que partiriam da Ponte de Austerlitz e atracariam nos Jardins do Trocadéro, onde seria realizada a parte protocolar do cerimonial; conforme os barcos navegavam, shows de artistas como Lady Gaga, Aya Nakamura e a banda de heavy metal francesa Gojira ocorriam nas margens e pontes, junto a um segmento artístico que mostrava uma figura mascarada levando a Tocha Olímpica por pontos turísticos e locais famosos da capital francesa. Após o acendimento da Pira Olímpica, a Cerimônia seria finalizada com um show de Céline Dion na Torre Eiffel.

O revezamento da Tocha levaria 80 dias e passaria por todas as regiões francesas, incluindo as ultramarinas - Guiana Francesa, Nova Caledônia, Reunião, Polinésia Francesa, Guadalupe e Martinica. Durante a Cerimônia de Abertura, a Tocha seria carregada por convidados internacionais, como a ginasta romena Nadia Comaneci, o tenista espanhol Rafael Nadal e os norte-americanos Carl Lewis e Serena Williams; dentre os atletas franceses, o maior destaque seria Charles Coste, de 100 anos de idade, Medalha de Ouro no ciclismo em 1948, o mais idoso campeão olímpico francês ainda vivo. A honra de acender a Pira Olímpica caberia a Teddy Riner, do judô, e a Marie-José Perec, do atletismo. A pira tinha o formato de um balão, em homenagem aos irmãos Montgolfier, primeiros a pilotar um balão tripulado, em 1783; localizado no Jardim de Tuileries, durante a noite o balão "levantava voo", ficando suspenso a dez metros do chão, preso a uma espécie de conduíte plástico que o alimentava com água e eletricidade, sendo a primeira Pira Olímpica a não ser alimentada por combustíveis fósseis - durante o dia, o balão era recolhido e ficava preso ao solo.

As medalhas seriam criadas pela Joalheria Chaumet e produzidas pela Monnaie de Paris, a Casa da Moeda francesa; em seu verso, cada uma delas trazia uma peça hexagonal feita de sobras do ferro cortado para a construção da Torre Eiffel. O emblema dos Jogos seria criado pelo designer Sylvain Boyer, e trazia Marianne, a representação humana da República Francesa, com o formato de seu rosto, emoldurado por seu cabelo, sendo o da Chama Olímpica, e o formato redondo lembrando o de uma Medalha Olímpica; segundo o presidente do Comitê Organizador, Tony Estanguet, o emblema era uma homanagem aos Jogos de Paris de 1900, os primeiros dos quais mulheres puderam participar. O mascote era um barrete frígio, gorro de feltro com a ponta dobrada que é visto na França como um símbolo de liberdade; com dois grandes olhos azuis, braços e pernas, mãos e pés, ele não tinha nome, sendo conhecido apenas como Phryge ("frígio" em francês).

Os Jogos de 2024 contariam com 329 provas de 39 esportes: atletismo, badminton, basquete, basquete 3x3, boxe, breaking, canoagem, ciclismo, equitação, escalada esportiva, esgrima, futebol, ginástica artística, ginástica de trampolim, ginástica rítmica, golfe, handebol, hóquei, judô, levantamento de peso, luta olímpica, nado artístico, natação, pentatlo moderno, polo aquático, remo, rugby, saltos ornamentais, skateboarding, surfe, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vela, vôlei e vôlei de praia (clique aqui para ver todas as provas do programa). Novidades do programa incluiriam a participação de homens no nado artístico - fazendo com que o único esporte que não é disputado no masculino e feminino seja a ginástica rítmica - e a estreia do caiaque cross, no qual os atletas, remando em caiaques, têm de superar obstáculos e corredeiras, em baterias de quatro por vez, se classificando para a seguinte ou vencendo a prova quem chegasse primeiro; a inclusão de uma prova de revezamento misto na marcha olímpica; e, na vela, a inclusão da Formula Kite, considerada "a Fórmula 1 das Olimpíadas", que usa uma pequena prancha presa a uma enorme estrutura parecida com um para-quedas, capaz de alcançar mais de 80 km/h. Fora das Olimpíadas, a Formula Kite é regulada pela Associação Internacional de Kiteboarding (IKA), que fez uma parceria com a federação internacional de vela (World Sailing) para sua inclusão no programa; se comprometendo a respeitar todas as regulações da IKA, a World Sailing realizou provas separadas para o masculino e para o feminino, nas quais os atletas puderam escolher entre diferentes equipamentos homologados - diferentemente do que ocorre nas demais classes da vela, nas quais todos competem com barcos idênticos.

Segundo o que havia sido determinado pelo COI para a partir de 2020, o Comitê Organizador poderia sugerir novos esportes para incluir no programa, escolhendo skateboarding, surfe, escalada esportiva, breaking e eSports; os eSports não seriam aprovados pelo COI, mas o breaking faria sua estreia, sendo alvo de críticas não só de quem não o considerava um esporte, mas também de B-Boys e B-Girls que não se classificaram para o torneio olímpico e denunciaram irregularidades nas eliminatórias, que teriam favorecido os B-Boys e B-Girls "preferidos" pelo COI para competir numa Olimpíada. A B-Girl Manizha Talash, da Equipe de Refugiados, seria desclassificada ao competir com uma capa que trazia a inscrição "libertem as mulheres do Afeganistão", sob a alegação de que a Carta Olímpica proíbe manifestações políticas durante os Jogos. Também chamaria a atenção durante a competição a performance da australiana Rachael Gunn, que não usaria as roupas tradicionais do hip hop, competindo de agasalho e boné, e realizaria vários passos desconexos, que a levariam a receber nota zero em todas as suas três apresentações. Raygun, como é conhecida no mundo do breaking, diria em entrevistas em seu país natal que não houve qualquer favorecimento nas eliminatórias para que ela fosse às Olimpíadas, que ela havia sido a líder do ranking australiano em 2020, 2022 e 2023, e consideraria as reações à sua apresentação "alarmantes"; embora ela não tenha falado isso abertamente em lugar nenhum, fontes próximas à B-Girl diriam que ela teria se apresentado mal de propósito, em protesto pelo COI ter maculado a verdadeira essência do breaking.

Outro grande motivo de controvérsia seria o uso do Rio Sena, considerado extremamente poluído, para as provas de maratona aquática e do triatlo. Apesar de o Comitê Organizador e de a Prefeita de Paris terem garantido que as águas do Sena estariam limpas o suficiente durante os Jogos, repetidos testes mostravam que elas estavam com níveis acima dos considerados seguros da bactéria E. Coli, segundo a prefeitura, devido a fortes chuvas que caíram pouco antes da Cerimônia de Abertura. A maratona aquática seria movida para o Estádio Náutico de Vaires-sur-Marne, onde já ocorreriam as provas da canoagem e do remo, e chegou a ser cogitado transformar o triatlo em um duatlo, sem a parte da natação, o que a World Triathlon considerou inaceitável. O triatlo acabaria sendo realizado no Sena após Estanguet, a Ministra dos Esportes da França e mais alguns corajosos nadarem em suas águas para mostrar que estava tudo bem, mas, ainda assim, as provas sofreram sucessivos adiamentos, e os atletas não puderam fazer o reconhecimento das águas, dia no qual nadam sem a obrigatoriedade de fazer tempo, apenas para saber como as águas devem se comportar no dia da prova. Mesmo com todas as garantias da organização, uma atleta da Suíça e uma da Bélgica não puderam competir devido a infecções estomacais, que a imprensa francesa atribuiria a uma virose.

Para terminar a parte das controvérsias, o boxe quase ficaria de fora do programa após o COI suspender a Associação Internacional de Boxe (IBA) em 2022 por irregularidades financeiras, éticas e arbitrais em suas competições. A IBA acabaria desfiliada do COI em 2023, e, para que o torneio olímpico pudesse ser realizado, o próprio COI o organizaria, determinando inclusive novos critérios de classificação olímpica para os atletas. Durante o torneio olímpico, duas atletas, Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan, seriam acusadas de serem trans; segundo a IBA, ambas haviam sido desclassificadas por não passarem nos testes de testosterona, mas o COI havia permitido que elas competissem mesmo assim. O COI alegaria que a IBA jamais mostraria nenhum desses testes, que testes realizados pelo COI não mostraram nenhuma irregularidade, e que a IBA desejava que as atletas fossem impedidas de competir nas Olimpíadas com base apenas em sua palavra; alguns críticos esportivos veriam a manobra como uma "vingança" da IBA contra o COI por sua desfiliação, com as alegações de que as atletas eram trans sendo feitas apenas para gerar desconfiança e instabilidade.

A situação escalaria, entretanto, após Khelif derrotar a italiana Angela Carini, que, após abandonar a luta com 46 segundos, diria em entrevistas "ter sido acertada com mais força do que nunca na vida", o que faria com que várias pessoas online deduzissem que isso era a prova de que Khelif "era homem". A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, questionaria publicamente o COI, e diria que "mulheres com características masculinas deveriam ser proibidas de competir". O Comitê Olímpico da Argélia - país no qual ser trans é punido com a pena de morte - defenderia Khelif, dizendo que não havia nenhuma prova de que ela havia nascido homem, muito pelo contrário, não faltavam provas de que ela não somente era uma mulher cis, como estava dentro de todos os parâmetros hormonais determinados pelo COI, e criticaria duramente os meios de comunicação que exploraram a história, acusando-os de sensacionalismo e de colocar seus interesses financeiros acima do bem-estar da atleta. A World Boxing, que regula o boxe profissional e não é filiada ao COI, também defenderia Khelif, declarando que a pressão que ela sofria por parte da imprensa e das redes sociais poderia prejudicar sua carreira.

O COI jamais aplicaria qualquer punição nem a Khelif, nem a Yu-ting, com Thomas Bach, presidente do Comitê à época, garantindo que não havia nenhuma prova de que nenhuma das duas era transgênero. Entretanto, o fato de ambas terem ganhado medalhas de ouro em suas categorias - até 66 kg e até 57 kg, respectivamente - faria com que o assunto não esfriasse tão cedo, com alguns meios de comunicação inclusive chamando especialistas para discutir se Khelif era ou não uma mulher de fato - e até hoje canais de extrema-direita usam a argelina como exemplo de que mulheres trans devem ser proibidas de competir no esporte.

Mas vamos passar agora aos destaques positivos, começando pelo francês Leon Marchand, da natação, que não somente levou a Medalha de Ouro nos 200 m Peito, 200 m Borboleta, 200 m Medley e 400 m Medley, mas também, em todas essas quatro provas, quebrou os recordes olímpicos que pertenciam a ninguém menos que Michael Phelps. Marchand ainda levou um bronze no revezamento 4 x 100 m Medley masculino e participou do revezamento 4 x 100 m Medley misto, no qual a França terminou em quarto lugar. No feminino, a maior medalhista de ouro foi Summer McIntosh, do Canadá, vencedora dos 200 m Borboleta, 200 m Medley e 400 m Medley; outros grandes nomes foram a norte-americana Katie Ledecky, em sua quarta Olimpíada, ouro nos 800 m e nos 1500 m Livre, prata no revezamento 4 x 200 m Livre, e bronze nos 400 m Livre; e a sueca Sarah Sjöström, em sua quinta, ouro nos 50 m e nos 100 m Livre.

No atletismo, os maiores destaques foram os heróis improváveis: Letsile Tebogo, de Botswana, ganharia a primeira medalha de ouro da história de seu país, na prova dos 200 m masculino, enquanto Julien Alfred, ouro nos 100 m feminino, e Thea LaFond, ouro no salto triplo feminino, ganhariam as primeiras medalhas da história de Santa Lucia e de Dominica, pequenas ilhas no Caribe de, respectivamente, apenas 184 mil e 72 mil habitantes. A Equipe de Refugiados também ganharia sua primeira Medalha Olímpica na história, um bronze com Cindy Ngamba na categoria até 75 kg do boxe. Outros países que estreariam no quadro de medalhas seriam Cabo Verde, bronze com Daniel Varela de Pina na categoria 51 kg do boxe, e Albânia, que ganharia dois bronzes na luta livre; além disso, a Guatemala ganharia sua primeira medalha de ouro, com Adriana Ruano na prova da fossa olímpica, do tiro.

Outro torneio para o qual os holofotes do mundo se voltariam seria o de tênis, disputado, como não poderia deixar de ser, no saibro de Roland Garros. No masculino, o sérvio Novak Djokovic, mesmo sendo um dos mais vitoriosos do circuito, em sua quinta Olimpíada ainda não tinha Medalha de Ouro, com sua melhor colocação sendo um bronze em 2008; por isso, ele se emocionaria muito após derrotar, na final, a promessa espanhola Carlos Alcaraz - o bronze ficaria com uma surpresa, o italiano Lorenzo Musetti. No feminino, com a ausência das russas, o ouro iria para a chinesa Zheng Qinwen, com a prata ficando com a croata Donna Vekic e o bronze com a mais conhecida das três, a polonesa Iga Swiatek. Nas duplas mistas, ouro para a Tchéquia, prata para China e bronze para o Canadá; nas duplas masculinas, ouro para a Austrália, prata e bronze para os Estados Unidos; e, nas duplas femininas, ouro para a Itália, prata para as russas Mirra Andreeva e Diana Shnaider competindo como AIN, e bronze para a Espanha. Além dessa medalha, os AIN conquistariam outras quatro: um ouro e uma prata na ginástica de trampolim, uma prata no remo e um bronze no levantamento de peso - mas todas por atletas de Belarus.

Um dos momentos mais emocionantes dos Jogos ocorreria em um esporte pouco notado, a luta olímpica: na categoria até 130 kg da luta greco-romana, o cubano Mijain López, de 41 anos, conquistaria sua quinta Medalha de Ouro seguida - feito jamais alcançado por nenhum atleta em nenhum outro esporte individual na história das Olimpíadas. Emocionado, López decidiria retirar as sapatilhas no mat, gesto que simboliza a aposentadoria de um lutador, e carregaria seu técnico nos ombros em triunfo. Outro atleta veterano que chamaria atenção, mas não pelo mesmo motivo, seria o turco Yusuf Dikeç, prata na prova da pistola de ar 10 m do tiro, cuja imagem rodaria o mundo e se tornaria meme: ao invés de usar equipamentos altamente tecnológicos, ócuilos e fones de ouvido especiais e uniformes estilosos, Dikeç competiria com seus óculos de grau normais, fones intra-auriculares, camiseta, calça de moletom e a mão no bolso - segundo alguns, só faltava o cigarro na boca.

Falando em atletas veteranos, Teddy Riner, 35 anos, um dos maiores nomes do judô francês, após perder nas semifinais e ficar com o bronze em Tóquio, ganharia não uma, mas duas medalhas de ouro em Paris, na categoria acima de 100 kg e na prova por equipes, na segunda vez seguida em que a França derrotaria o Japão na final dessa última. Nessa prova, duas equipes de seis judocas cada, cada um de uma categoria, três homens e três mulheres, se enfrentam, com a equipe que ganhar quatro lutas primeiro sendo a vencedora. A França estava perdendo por 3 a 1, mas conseguiu empatar, com o regulamento determinando que a categoria da luta-desempate seja determinada por sorteio. Quando a categoria de Riner foi sorteada, o ginásio veio abaixo, com a torcida comemorando o título antes mesmo da luta - na qual o francês derrotou Tatsuro Saito por ippon e confirmou o ouro da França. Apesar do momento de triunfo, houve quem acusasse o sistema de ter armado para que Riner fizesse a luta desempate, já que a escolha da categoria foi feita por um programa de computador.

A França também conseguria uma enorme proeza ao derrotar a quase imbatível Fiji na final do Rugby Sevens masculino, realizada no Stade de France com a presença de quase 80 mil torcedores; no feminino, não houve surpresa, comk a Nova Zelândia conquistando seu segundo ouro seguido, dessa vez derrotando o Canadá. O Basquete 3x3 também seria disputado em um local icônico, a Place de la Concorde; o ouro no masculino ficaria com a Holanda, que derrotaria a França na final, e o do feminino com a Alemanha. No basquete de quadra, Estados Unidos e França fariam a final tanto do masculino quanto do feminino, com os norte-americanos levando o ouro em ambas. A França, pelo menos, ficaria com o ouro no vôlei masculino, no qual a Polônia ficou com a prata, os Estados Unidos com o bronze, e o Brasil terminou em uma decepcionante oitava posição; no feminino, o ouro foi da Itália, que derrotou os Estados Unidos na final. No futebol masculino, para o qual o Brasil sequer se classificou, o ouro ficou com a Espanha e a prata com a França, mas chamou mais atenção a disputa do bronze entre Marrocos e Egito, com os marroquinos levando a medalha.

O maior destaque do Brasil seria mais uma vez a ginasta Rebeca Andrade, que, após ganhar um ouro no salto e uma prata no individual geral em 2020, se tornaria a maior medalhista brasileira em número de medalhas, após conquistar um novo ouro, dessa vez nos exercícios de solo, uma prata no salto, uma nova prata no individual geral e um bronze na prova por equipes, ao lado de Jade Barbosa, Lorrane Oliveira, Flávia Saraiva e Júlia Soares. A maior oponente de Rebeca seria a norte-americana Simone Biles, que, após ficar fora das Olimpíadas de 2020 para cuidar da saúde mental, retornaria ajudando os Estados Unidos a ganhar o ouro por equipes, e ainda levaria o ouro no individual geral e no salto - mas ficaria com a prata nos exercícios de solo. No masculino, o maior destaque seria o Japão, que levaria o ouro na prova por equipes e no individual geral, com Shinnosuke Oka.

No geral, o Brasil, que pela primeira vez enviaria mais mulheres do que homens, 154 contra 123, faria uma boa participação, com 3 ouros, 7 pratas e 10 bronzes, 20 medalhas no total. Todas as medalhistas de ouro seriam mulheres: além de Rebeca, subiriam ao lugar mais alto do pódio Beatriz Souza, na categoria acima de 78 kg do judô, e a dupla de vôlei de praia Ana Patrícia Ramos e Duda Lisboa. As pratas ficariam com Willian Lima, categoria até 66 kg do judô; Caio Bonfim, na marcha atlética 20 km; Tatiana Weston-Webb, do surfe; Isaquias Queiroz, no C1 1000 m da canoagem; e com o time de futebol feminino, que perderia para os Estados Unidos na final. Os bronzes viriam com Larissa Pimenta, categoria até 52 kg do judô; Rayssa Leal no skateboarding, categoria street; Beatriz Ferreira na categoria até 60 kg do boxe; Gabriel Medina no surfe; Augusto Akio no skateboarding, categoria park; Edival Pontes na categoria até 68 kg do taekwondo; Alison dos Santos nos 400 m com barreiras; com o judô na prova por equipes; e com o time feminino de vôlei, que também perderia para os Estados Unidos, mas na semifinal.

O Brasil terminaria na 20a colocação no Quadro de Medalhas, que, mais uma vez, veria os Estados Unidos em primeiro e a China em segundo - curiosamente, empatados no número de Medalhas de Ouro, 40 para cada, na primeira vez em que isso ocorreu na história das Olimpíadas, mas os Estados Unidos tinham muito mais de Prata, 44 contra 27, e também mais medalhas totais, 126 contra 91. O Japão, se aproveitando do já famoso impulso por ter sediado a Olimpíada anterior, terminaria mais uma vez em terceiro, com 20 ouros e 45 no total, seguido da Austrália e da anfitriã França, que terminou com 16 ouros, 26 pratas e 22 bronzes, sua melhor participação em número de ouros e em total de medalhas desde a primeira vez em que sediou os Jogos, lá em 1900.

Milão-Cortina 2026

Se para sediar uma Olimpíada de Verão as cidades já estavam achando muito caro e perdendo o interesse, imaginem para sediar uma Olimpíada de Inverno, evento considerado mais de nicho, que tem bem menos visibilidade e interesse dentre o público dos países que não contam com esportes de neve e gelo dentre seus tradicionais. Somando a isso, graças ao aquecimento global, um estudo encomendado pelo COI apontaria que não está muito longe o dia no qual apenas uma dezena de cidades no planeta teria condições de realizar uma Olimpíada de Inverno, mesmo recorrendo a neve e gelo artificiais, e que algumas sedes do passado, como Sarajevo, já não conseguiriam fazê-lo hoje.

Para tentar contornar essa situação e aumentar o número de candidatas às Olimpíadas futuras, não somente de Inverno, mas também de Verão, o COI, em uma sessão extraordinária realizada em julho de 2017, mudaria várias das regras para escolha da cidade-sede de cada edição das Olimpíadas; uma dessas mudanças oficializaria que, a partir da escolha da sede para as Olimpíadas de Inverno de 2026, não seria obrigatório que apenas uma cidade se candidatasse, podendo a candidatura conter várias cidades de uma mesma região, província ou estado. Na prática, isso já vinha acontecendo - acabamos de ver que as Olimpíadas de 2024 contariam com provas não somente em Paris, mas nas cidades vizinhas, em algumas mais distantes, e até mesmo no Taiti - mas a oficialização permitiria que o nome de mais de uma cidade, de uma região, província ou estado fossem usados no nome oficial do evento, o que daria um maior senso de identidade às "co-sedes", aumentando o interesse e o apoio popular à realização de uma Olimpíada lá.

Graças a essa alteração, um dia, se Deus quiser, eu estarei escrevendo aqui no átomo sobre Alpes Franceses 2030 e Utah 2034, as duas primeiras edições de Olimpíadas, ambas de Inverno, a não trazer o nome de cidades no nome oficial do evento, mas sim, respectivamente, de uma região da França e de um estado dos Estados Unidos. Mas hoje é dia de falar de 2026, para a qual houve a pré-inscrição de sete candidaturas; como ocorreu para 2024, cinco delas desistiriam ao longo de 2018, duas (Calgary, no Canadá, e Sion, na Suíça) alegando terem feito um referendo no qual a população rejeitou a ideia de uma Olimpíada lá (as outras três foram Erzurum, na Turquia, Graz, na Áustria, e Sapporo, no Japão, que não forneceram motivos oficiais). As duas que sobraram, talvez mostrando que a estratégia do COI era realmente a correta, seriam candidaturas nas quais estariam envolvidas mais de uma cidade, não necessariamente próximas: Estocolmo e Åre, na Suécia, e Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália.

A candidatura italiana, contudo, começaria apenas como Milão 2026: a ideia do Comitê Olímpico Italiano (CONI) era fazer lá as cerimônias de abertura e encerramento e as provas de hóquei no gelo, patinação e curling, enquanto as provas de esqui e trenó seriam realizadas nas cidades vizinhas de Valtellina, Bormio, Santa Caterina di Valfurva e Livigno, que já contavam com resorts dedicados à prática do esqui. Logo no início, a candidatura sofreria um "fogo amigo", quando a prefeita de Turim decidiria que a cidade também seria candidata, para comemorar os 20 anos da última vez em que a Itália havia sediado uma Olimpíada de Inverno, em 2006. O CONI entraria em negociações, e, após o COI permitir as candidaturas conjuntas, decidiria lançar uma candidatura Milão-Turim para 2026. Conforme o planejamento avançava, porém, o CONI decidiria que seria melhor incluir também Cortina d'Ampezzo, que já havia sediado as Olimpíadas de Inverno de 1956, pelo motivo de que lá já havia uma pista de trenó, e reformá-la sairia muito mais barato que construir uma do zero. Só que Turim também já tinha uma pista de trenó, em melhores condições, já que havia sido construída para os Jogos de 2006, e, irritada, a prefeita decidiria retirar sua cidade da candidatura, que acabaria inscrita oficialmente com o nome de Milão-Cortina - o CONI deixaria claro que, querendo, Turim também poderia sediar algumas provas, mas a prefeita jamais quis conversar sobre isso. No fim, em uma votação considerada apertada, a candidatura italiana venceria a sueca por 47 votos a 34.

A Cerimônia de Abertura seria realizada no Estádio San Siro, de Milão, onde mandam seus jogos os dois principais times de futebol da cidade, o Milan e a Internazionale - existindo inclusive uma lenda de que ele só se chama San Siro quando é o Milan que joga lá, recebendo o nome de Giuseppe Meazza quando joga a Inter - enquanto a Cerimônia de Encerramento seria realizada na Arena de Verona, um anfiteatro romano de quase dois mil anos de idade construído na cidade de mesmo nome, e, graças a extensas restaurações realizadas no século XVI, utilizado até hoje para concertos de ópera e shows de artistas italianos e internacionais. Já as competições esportivas seriam divididas em quatro "regiões": a região de Milão contaria com dois estádios de hóquei no gelo, um novo e um reformado, a arena da patinação em velocidade e a arena da patinação artística e patinação em velocidade em pista curta; a região de Cortina teria a já citada pista de bobsled, luge e skeleton, a arena de curling, e receberia as competições do esqui alpino feminino e do biatlo; a região de Valtellina receberia as competições do esqui alpino masculino e do esqui de montanha (ambas na cidade de Bormio), o snowboarding e o esqui estilo livre (ambas na cidade de Livigno); e a região de Val di Fiemme receberia os saltos com esqui (na cidade de Predazzo), o esqui cross-country (na cidade de Tésero) e o combinado nórdico (em ambas).

Pela primeira vez na história das Olimpíadas, haveria duas Vilas Olímpicas, uma em Milão e uma em Cortina, com os atletas se hospedando naquela que ficasse mais próxima dos locais onde cada um iria competir. Também seriam acesas duas piras, com a de Milão sendo acesa pela esquiadora Deborah Compagnoni e pelo patinador Alberto Tomba "La Bomba", e a de Cortina pela esquiadora Sofia Goggia. A Cerimônia de Abertura contaria com shows de Mariah Carey, Laura Pausini e Andrea Bocelli, e com uma novidade no desfile das delegações, com os atletas entrando por vários portais, cada um localizado na cidade onde eles iriam competir, e a possibilidade de mais de um porta-bandeira por delegação. Portais foram instalados em Cortina, Bormio, Livigno, Predazzo e Tésero, nas quais, diferentemente de em Milão, mas semelhante ao que ocorreu em Paris 2024, não foram cobrados ingressos, com a população podendo assistir o "desfile" e um mini-cerimonial montado em Cortina.

As medalhas seriam criadas pelo Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato (IPZS), responsável por fabricar o dinheiro, passaportes e selos postais da Itália, Vaticano, San Marino e Malta, e eram formadas por duas metades coladas, simbolizando "a jornada do atleta e o apoio de todos os que o acompanharam no caminho"; infelizmente, a ideia não se mostrou tão boa na prática quanto na teoria, já que as medalhas de vários atletas se quebraram em duas metades apos eles as receberem - nenhuma ao vivo na televisão, pelo menos. O mascote seria um arminho, animal típico da região, e receberia o nome de Tina, em homenagem à cidade de Cortina; Tina seria criada pelos estudantes de uma escola da cidade de Taverna, e escolhida pelo Comitê Organizador dentre mais de duas mil ilustrações enviadas. Junto com suas medalhas, os atletas receberiam bichos de pelúcia não de Tina, mas que representavam flores da espécie galanto, também típicas da região, uma espécie de mascote secundário que receberia o nome de Flo.

Participariam dos Jogos de Inverno de 2026 2884 atletas de 92 delegações, competindo em 116 provas de 16 esportes: biatlo, bobsleding, combinado nórdico, curling, esqui alpino, esqui cross country, esqui de montanha, esqui estilo livre, hóquei no gelo, luge, patinação artística no gelo, patinação no gelo em velocidade, patinação no gelo em velocidade em pista curta, saltos com esqui, skeleton e snowboarding (clique aqui para ver todas as provas do programa). A maior novidade seria o esqui de montanha, no qual os atletas devem subir uma montanha atravessando obstáculos e descê-la esquiando, primeiro esporte novo incluído em uma Olimpíada de Inverno desde o snowboarding em 1998; seriam disputadas três provas, a masculina (ouro para a Espanha, prata para um AIN, bronze para a França), a feminina (ouro para a Suíça, prata para a França, bronze para a Espanha) e a de duplas mistas (ouro para a França, prata para a Suíça, bronze para a Espanha). Falando nisso, assim como os Jogos de 2024, os Jogos de Inverno de 2026 contaria com a delegação dos Atletas Individuais Neutros, formada por 7 atletas de Belarus e 13 da Rússia; pelas regras do COI, a medalha de prata conquistada pelo atleta russo no esqui de montanha, única da delegação, não contou para o quadro oficial do evento.

Para o Brasil, o maior destaque dos Jogos foi a conquista da primeira medalha do país em uma Olimpíada de Inverno - e foi logo uma Medalha de Ouro, com Lucas Pinheiro Braathen, na prova do slalom gigante do esqui alpino. Nascido em Oslo, de pai norueguês e mãe brasileira, e tendo passado sua infância em Campinas, São Paulo, Lucas começou no esqui aos nove anos de idade, e participou de seu primeiro campeonato aos 11. Ele defenderia a Noruega em competições internacionais de 2018 a 2023, e, considerado uma das maiores promessas do esporte, surpreenderia o mundo do esqui quando, após conquistar o título do slalom na Copa do Mundo de Esqui Alpino, anunciou sua aposentadoria, aos 23 anos. No ano seguinte, entretanto, Lucas anunciaria que seguiria competindo como profissional, mas representando o Brasil. Os motivos pelos quais ele tomou essa decisão jamais foram divulgados oficialmente, mas há quem diga que ele sofria discriminação por ser filho de uma brasileira por parte da federação norueguesa, que daria mais vantagens a outros atletas durante as competições. Competindo pelo Brasil, Lucas conseguiria, em etapas da Copa do Mundo de Esqui Alpino, um ouro, uma prata e três bronzes no slalom, e dois ouros e cinco pratas no slalom gigante, prova na qual conquistaria o título em 2026, se tornando a maior esperança do país nas Olimpíadas de Inverno, chegando à Itália como segundo do ranking mundial, atrás apenas do fenômeno suíço Marco Odermatt.

Lucas seria o porta-bandeira do Brasil na Cerimônia de Abertura em Milão, e, uma semana depois, faria um tempo sensacional em sua primeira descida no slalom gigante - no qual cada atleta faz duas descidas, com os tempos sendo somados - precisando apenas confirmar um bom tempo na segunda para garantir a primeira Medalha de Ouro do Brasil, da América do Sul e de um país tropícal em uma Olimpíada de Inverno - e a primeira de um país do Hemisfério Sul que não fosse Austrália ou Nova Zelândia. Odermatt ficaria com a prata, e outro suíço, Loïc Meillard, com o bronze. Lucas ainda competiria no slalom, dois dias depois, mas daria azar: com a prova acontecendo enquanto nevava forte, ele perderia o equilíbrio e cairia durante a primeira descida, o que causa desclassificação - metade dos atletas não conseguiria terminar a primeira descida, com mais quatro não conseguindo completar a segunda. Meillard, que faria um tempo ruim na primeira descida, conseguiria se recuperar na segunda e ficaria com o ouro.

Outros destaques do esqui alpino seriam o suíço Franjo von Allmen, ouro no downhill, no slalom super gigante e na prova por equipes, ao lado de Tanguy Nef; a italiana Federica Brignone, ouro no slalom gigante e no slalom super gigante, e a norte-americana Mikaela Schiffrin, ouro no slalom. Esquiadora mais condecorada da história, com três ouros e uma prata em Olimpíadas e nada menos que 110 medalhas de ouro em etapas da Copa do Mundo, Schiffrin, de 30 anos, se tornaria simultaneamente a norte-americana mais jovem e mais velha ao conquistar um ouro no esqui alpino, já que havia conquistado seu primeiro aos 18. A alegria da equipe norte-americana só não seria maior devido a uma lesão complexa que encerraria a carreira de outra atleta multimedalhista, Lindsey Vohn, de 41 anos, um ouro e dois bronzes em Olimpíadas e 84 ouros em etapas da Copa do Mundo: após sofrer uma lesão no ligamento cruzado anterior direito apenas uma semana antes do início dos Jogos, Vohn, que já havia se submetido a uma cirurgia para substituir o joelho direito por uma prótese, negaria que estaria fora das Olimpíadas de Inverno de 2026, que planejava ser sua última competição como profissional. Ela acabaria certa, mas não da forma como gostaria: após sair da pista durante a prova de downhill, ela precisaria ser levada ao hospital de helicóptero, onde os médicos diagnosticaram que ela fraturou a tíbia em múltiplos lugares, incluindo na ligação com o joelho, e a cabeça da fíbula - detalhe: da perna esquerda.

No outro esqui, o cross-country, o norueguês Johannes Høsflot Klæbo conseguiria a proeza de ganhar o ouro em todas as seis provas - 10 km livre, 20 km skiatlo, 50 km clássico, sprint clássico, revezamento 4 x 7,5 km clássico e sprint livre por equipes. Somando as medalhas das Olimpíadas de Inverno passadas, ele se tornaria o maior medalhista de ouro da história do evento, com 11 - sendo três conquistadas em 2018 e duas em 2022, além de uma prata e um bronze em 2022. No feminino, a Noruega levaria o ouro no revezamento, mas, nas outras provas, o domínio seria da Suécia, com Frida Karlsson ganhando os 10 km livre e os 20 km skiatlo, Ebba Andersson (prata nas duas provas que Karlsson ganhou) os 50 km clássico, Linn Svahn o sprint clássico, e Jonna Sundling e Maja Dahlqvist (prata e bronze no sprint clássico) o sprint livre por equipes - Karlsson, Andersson, Svahn e Sundling também seriam prata no revezamento.

Na patinação artística, o maior destaque seria a norte-americana Alysa Liu, de apenas 20 anos. Filha de um casal de chineses, com seu pai tendo fugido para os Estados Unidos após ter sua prisão declarada por tomar parte nos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, Alysa começaria a competir aos cinco anos de idade, se tornando, aos dez, a atleta mais jovem a ganhar uma medalha de ouro no campeonato norte-americano. Após uma bem-sucedida carreira como juvenil, Liu seria contactada pelo governo chinês, que buscava naturalizar filhos de emigrantes para que eles competissem como chineses nas Olimpíadas de Inverno de 2022, em Pequim. Seu pai seria terminantemente contra, citando violações do governo chinês contra os Direitos Humanos, e ela seguiria competindo pelos Estados Unidos, conseguindo o primeiro lugar na ISU Challenger Series de 2021, o que lhe garantiu a vaga olímpica.

Alysa terminaria em sétimo lugar nas Olimpíadas de Inverno de 2022 e conquistaria uma medalha de bronze no Campeonato Mundial realizado pouco depois, mas, em abril do mesmo ano, anunciaria sua aposentadoria, aos 16 anos. Ela diria em suas redes sociais estar satisfeita com sua carreira e querendo cuidar da vida, mas, a amigos, confidenciaria estar esgotada mentalmente, já não encontrando prazer na patinação. Incentivada por seu pai, ela iria morar com parentes no Nepal, e lá, ao esquiar com amigos, redescobriria o prazer no esporte. Ela retornaria aos Estados Unidos com uma proposta ousada: voltaria a competir profissionalmente, desde que estivesse no controle de tudo - música, roupas, rotina, tudo teria de ser determinado por ela, sem nenhuma interferência da federação norte-americana. A federação bancaria a aposta, e ela voltaria a competir em março de 2024, ganhando uma medalha de ouro já em sua primeira competição após seu retorno, o Challenger Series Budapest Trophy, em outubro. Ela também seria medalhista de ouro no Campeonato Mundial de 2025, desbancando a superfavorita tricampeã Kaori Sakamoto, do Japão.

Nas Olimpíadas de Inverno, Alysa chamaria atenção por seu "cabelo de guaxinim", que alterna anéis descoloridos com sua cor original. Sua primeira prova seria a competição por equipes, na qual terminaria em segundo atrás de Sakamoto, mas, com esse resultado, ajudaria sua equipe a conquistar a Medalha de Ouro. Dez dias depois, ela voltaria ao gelo para a prova individual feminina, terminando o programa curto em terceiro, atrás de Sakamoto e de outra japonesa, Ami Nakai. Então, dois dias depois, no programa livre, ao som de MacArthur Park, de Donna Summer, Alyssa faria uma apresentação primorosa, acertando movimentos difíceis e, principalmente, dando a impressão de que estava se divertindo muito. Ela conquistaria o ouro, deixando Sakamoto com a prata e Nakai com o bronze. Para o mundo esportivo, ela seria mais uma prova de que cuidar da saúde mental é tão ou mais importante que do preparo físico, e que é importante que os jovens voltem a praticar esportes porque gostam, e não pela obrigação de ter bons resultados.

Outro atleta da patinação artística, também dos Estados Unidos, seria favorito ao ouro no masculino, mas, devido um erro, sequer chegaria ao pódio - mas acabaria sendo o centro de uma grande polêmica online: Ilia Malinin, 21 anos, se tornaria conhecido por fazer, no gelo, um salto mortal de costas aterrisando em um pé só, movimento que foi proibido pela federação internacional de patinação artística no gelo (ISU) entre 1976 e 2024, por ser considerado muito perigoso. Esse movimento não vale pontos para a nota técnica, mas pode contar para a nota artística, e havia grande expectativa da plateia sobre se Malinin conseguiria executá-lo e ganhar uma medalha - ele de fato conseguiria a execução, mas perderia a medalha devido a uma queda durante um giro tradicional.

Pois bem, após a imprensa do mundo inteiro começar a noticiar Malinin como o primeiro a tentar a manobra em uma Olimpíada de Inverno após o fim da proibição, começariam a surgir na internet, principalmente em redes sociais, vídeos dizendo que a primeira a conseguir executar o movimento teria sido uma mulher negra, a francesa Surya Bonaly, que teria sido desclassificada nas Olimpíadas de Inverno de 1998, em Nagano, Japão, por executá-lo; segundo esses vídeos, a "propaganda" em torno de Malinin visava "o apagamento de uma mulher negra", colocando um homem branco em seu lugar como o primeiro a realizar a manobra em uma Olimpíada de Inverno. A história real, entretanto, não é bem assim: o primeiro a realizar a manobra em uma Olimpíada de Inverno não seria Malinin nem Bonaly, mas o norte-americano Terry Kubicka, nas Olimpíadas de Inverno de 1976, em Innsbruck, Áustria. Kubicka também é considerado o primeiro a fazê-la em uma competição oficial, o Campeonato Norte-Americano do mesmo ano, mas não pode ser creditado como criador da manobra, já que vários patinadores a faziam fora de competição. Considerando-a muito perigosa, a ISU proibiria sua realização em competições oficiais logo após as Olimpíadas de Innsbruck, e Bonaly só a faria em Nagano como protesto: em sua terceira Olimpíada de Inverno, aos 25 anos de idade e vindo de uma lesão de difícil recuperação sofrida dois anos antes, a francesa faria um excelente programa curto, mas, ainda assim, receberia notas mais baixas que suas adversárias, especialmente a favorita chinesa Chen Lu, que todos os comentaristas concordariam ter feito uma apresentação bem pior. O técnico de Bonaly atribuiria a nota baixa a "etarismo", já que ela era a mais velha das competidoras, e, vendo que, com a nota baixa do programa curto, não tinha mais chance de pódio, ela decidiria executar o mortal, como quem diz "aqui o que eu sei fazer", se aposentando logo após a prova, da qual foi desclassificada.

Outra "polêmica de internet" - essa mais bizarra e mais bem-humorada - envolveria os saltos com esqui: segundo um tabloide inglês, atletas dessa modalidade estariam injetando ácido hialurônico no pênis antes da confecção da roupa, para obter uma vantagem ilegal. Explica-se: a roupa usada nos saltos com esqui é extremamente justa, com as regras determinando que, em qualquer local, só pode haver um "excesso de tecido" de até 4 cm. Acontece que, em qualquer lugar da roupa onde haja excesso de tecido, esse excesso vai produzir arrasto durante o salto, prejudicando o atleta. Exceto no meio das pernas. Nessa área, o excesso de tecido funciona como uma vela, aumentando a aerodinâmica e permitindo que o atleta salte mais longe. Segundo a reportagem, os altetas injetariam a substância antes da confecção da roupa para que, durante a fiscalização, a região estivesse inchada e o excesso de tecido no local estivesse dentro do limite; entre o dia da fiscalização e o da prova, entretanto, o corpo absorveria o ácido hialurônico, o inchaço desapareceria, e o excesso de tecido ficaria maior que os 4 cm permitidos - havendo casos nos quais os atletas coneguiriam até 5 m de distância a mais do que se tivessem feito a roupa com o pênis no tamanho normal. A federação internacional considerou as alegações como absurdas, e não tomou nenhuma providência para fiscalizar se algum atleta tinha mais tecido no meio das pernas do que o permitido, mas a internet entrou em polvorosa, com vários memes e teorias bizarras sobre o assunto sendo discutidas nas redes sociais.

Para fechar as polêmicas, uma nada engraçada ocorreu no curling, no qual o capitão da equipe masculina da Suécia acusou o capitão da equipe masculina do Canadá de trapaça, por empurrar a pedra com o dedo após ela passar pela hog line, o que não é permitido pelas regras. Essa denúncia já havia sido feita no Campeonato Mundial de 2025, realizado no Canadá, mas nenhuma providência foi tomada porque nem os árbitros viram, nem as câmeras oficiais do evento mostraram a trapaça. Em Cortina, onde os jogos do Curling de 2026 foram realizados, antes da partida entre Canadá e Suécia na fase classificatória, a televisão sueca colocaria uma câmera bem apontando para a hog line, e conseguiria capturar o exato momento em que, com a pedra já além da linha, o capitão canadense a empurra com o dedo indicador. O Canadá negaria a trapaça, alegando ser uma ilusão de ótica provocada pelo ângulo da câmera, e mais uma vez nada de oficial pôde ser feito, porque uma imagem de uma rede de TV adversária não serve como prova. O Canadá terminaria a competição com a Medalha de Ouro e a Suécia em nono - a prata seria do Reino Unido e o bronze da Suíça - mas a imagem do capitão trapaceiro correria o mundo.

No curling feminino, a equipe do Reino Unido, pela primeira vez desde 2006, não contaria com Eve Muirhead, uma das principais jogadoras do planeta, que anunciou sua aposentadoria após conquistar o ouro em 2022. O ouro do feminino em 2026 iria para a Suécia, com a prata ficando com a Suíça e o bronze com o Canadá. Nas duplas mistas, havia grande esperança de que a dupla da casa, campeã em 2022, conseguisse um novo ouro, mas eles ficariam com o bronze, após perder nas semifinais para os Estados Unidos, que levariam a prata - o ouro seria mais uma vez da Suécia, com os irmãos Isabella e Rasmus Wraná. No outro esporte coletivo das Olimpíadas de Inverno, o hóquei no gelo, Estados Unidos e Canadá fariam as finais tanto do mascuino quanto do feminino, com os norte-americanos ganhando o ouro em ambas; no masculino, o bronze ficaria com a Finlândia, e, no feminino, com a Suíça - a equipe feminina da Finlândia, uma das favoritas, seria eliminada nas quartas de final, após mais da metade de suas jogadoras ser acometida por uma virose.

A Alemanha faria a limpa no trenó, ganhando ouro, prata e bronze no two-bob masculino, ouro e prata no four-bob masculino (bronze da Suíça), prata no monobob feminino (ouro e bronze para os Estados Unidos), ouro e prata no two-bob feminino (bronze para os Estados Unidos), e todas as pratas e bronzes do skeleton - no qual o ouro do masculino e das duplas mistas ficou com o Reino Unido e o do feminino com a Áustria. No luge, que a Alemanha tradicionalmente domina, porém, eles seriam ouro no simples masculino e feminino e no revezamento por equipes, mas, nas duplas masculinas e femininas o ouro seria da Itália, com a Alemanha sendo bronze no masculino e prata no feminino.

Na patinação em velocidade, a Itália conseguiria dois ouros no feminino, nos 3000 e nos 5000 metros, o primeiro com direito a Recorde Olímpico, ambos com Francesca Lollobrigida, a Lollo, muito criticada por interromper a carreira após as Olimpíadas de Inverno de 2022 para ser mãe; no masculino, os donos da casa levariam o ouro da perseguição por equipes, batendo os Estados Unidos na final, para delírio da plateia. Tirando a perseguição por equipes, na qual o ouro foi para o Canadá, todas as demais provas femininas foram conquistadas pela Holanda, que tradicionalmente domina essa modalidade; a novidade em 2026 foi um domínio da Holanda também na outra patinação em velocidade, a de pista curta, na qual eles levariam cinco ouros - três no masculino, no revezamento 5000 m e com Jens van 't Wout (sim, tem 't solto ali) nos 1000 e 1500 m, e dois no feminino, com Xandra Velzeboer nos 500 e 1000 m.

O Brasil levaria sua maior delegação na história das Olimpíadas de Inverno, com 14 atletas, sendo 10 homens e 4 mulheres, que competiram em 5 esportes - recorde também nesse quesito. Além da medalha do esqui alpino, os maiores destaques foram Nicole Silveira, do skeleton, porta-bandeira da delegação brasileira no desfile em Cortina, que terminou em 11o, mas fazendo excelentes tempos; e a equipe do bobsled, liderada por Edson Bindilatti, em sua sexta Olimpíada de Inverno, que seria 19a no four-bob e 24a no two-bob. Esses números parecem desanimadores quando olhados em separado, mas, em retrospecto, para um país que não tem neve ou gelo naturais capazes de sustentar treinamentos, mostram uma grande evolução, e dão a esperança de mais vitórias em edições futuras.

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sábado, 20 de junho de 2026

Escrito por em 20.6.26 com 0 comentários

Universo Cinematográfico Marvel (XX)

E hoje teremos o quê? Mais MCU!

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2025

Em outubro de 2015, Kevin Feige confirmaria que Capitão América: Guerra Civil encerraria a trilogia de Steve Rogers como Capitão América no MCU, e que Chris Evans estaria negociando interpretar o personagem apenas nos filmes dos Vingadores, sem interesse em estrelar um quarto filme. Três anos depois, em outubro de 2018, a Marvel anunciaria estar desenvolvendo uma série estrelada por Anthony Mackie, que teria de lidar com o fato de ter sido escolhido por Rogers como seu sucessor após os eventos de Ultimato. Mais tarde revelada como sendo Falcão e o Soldado Invernal, essa série seria pensada para ter apenas uma temporada, embora sua diretora, Kari Skogland, tenha declarado que havia deixado pontas soltas suficientes para a Marvel fazer uma segunda temporada caso quisesse. Enquanto a série estava no ar, Feige diria que a série poderia até ter outra temporada, mas que o plano inicial era que ela fosse sucedida por um filme, como havia ocorrido com WandaVision.

Em abril de 2021, pouco após a estreia do último episódio de Falcão e o Soldado Invernal ir ao ar, o chefe de roteiristas da série, Malcolm Spellman, revelaria que ele e Dalan Musson já estavam escrevendo um roteiro para um novo filme, que seria estrelado por Mackie no papel do Capitão América, e que originalmente seria escrito por Rob Edwards, que havia abandonado o projeto por diferenças criativas. Mackie declararia ter sido pego de surpresa, pois não estava sabendo do projeto, mas que estava extremamente empolgado, e que seria "monumental" para ele, principalmente por ser um ator negro, protagonizar um filme do Capitão América. Ele só diria estar um pouco desapontado porque, durante as gravações da série, conversava frequentemente com seus colegas Sebastian Stan e Daniel Brühl sobre a possibilidade de uma segunda temporada, que o filme provavelmente mataria de vez.

A pré-produção começaria pra valer em julho de 2022, com a contratação de Julius Onah para a direção, recomendado a Feige pela atriz Octavia Spencer, estrela de seu filme Luce, de 2019. Onah faria uma longa reunião com Feige e Mackie na qual definiria pontos-chave do filme, fazendo questão de que ele fosse "um filme de Sam Wilson, não do Capitão América", mas que Wilson não mostraria nenhuma insegurança ou dúvida em assumir o papel do herói, estando "à vontade". A ideia da inclusão de Samuel Sterns - que não dava as caras no MCU desde O Incrível Hulk, de 2008 - e Thaddeus Ross viria de Feige, mas seria muito bem recebida por Onah, que diria ter sido esse um dos motivos que o levariam a aceitar o cargo, achando que um vilão que tem como maior trunfo o intelecto seria um oponente mais adequado para Wilson do que um puramente físico.

Onah também se diria interessado em explorar os relacionamentos entre Wilson e Ross e entre Wilson e Joaquin Torres, que havia estreado no MCU em Falcão e o Soldado Invernal, e, nos quadrinhos, é o segundo Falcão. Em reuniões com Spellman e Musson, eles decidiriam explorar também o relacionamento de Wilson com outro personagem introduzido na série, Isaiah Bradley, o "primeiro supersoldado negro"; o neto de Bradley, Eli, estava presente nas primeiras versões do roteiro, mas seria cortado por Onah achar que o filme tinha personagens demais. Onah declararia que a dinâmica entre Wilson, Ross e Sterns faria com que o filme se tornasse um thriller de espionagem, semelhante em tônica a Capitão América: O Soldado Invernal, e que seria um desafio alcançar essa tônica com a inclusão dos elementos fantásticos de O Incrível Hulk. O diretor também gostaria que o filme funcionasse por si só, e que os espectadores pudessem aproveitá-lo mesmo que não tivessem visto nenhum dos anteriores, com a melhor forma de fazer isso sendo revelando os eventos de O Incrível Hulk através de Wilson, que os estava descobrindo naquele momento.

Spellman e Musson diriam sempre ter pretendido incluir Stan no filme, e que era "impossível conseguir divorciar completamente o Falcão e o Soldado Invernal", mas que tentaram manter em segredo sua participação até o último instante possível. Eles também diriam que sempre pretenderam que o Soldado Invernal fizesse apenas uma participação curta, e que tiveram muita dificuldade para decidir em qual cena essa participação ficaria melhor, optando por uma na qual Barnes pudesse dar apoio emocional a Wilson. Outro elemento que os roteiristas haviam definido antes da contratação de Onah seria a participação da Sociedade da Serpente, vilões de longa data do Capitão América nos quadrinhos - e parte de uma piada feita por Feige, que "revelaria" que o terceiro filme do Capitão América se chamaria The Serpent Society, antes de admitir que isso só foi feito para não revelar cedo demais que se tratava de Guerra Civil. Os roteiristas admitiriam que, nos quadrinhos, os vilões eram meio cômicos, fantasiados de serpentes e com poderes bizarros, mas que decidiriam, no filme, transformá-los em um grupo terrorista que representasse uma ameaça real, chamado simplesmente Serpente.

Inicialmente, o título do filme seria revelado como Capitain America: New World Order ("Nova Ordem Mundial"), o que causaria muita controvérsia por seu uso na política, em teorias de conspiração e até mesmo em retórica antissemita; Spellman assumiria ser o criador do título, mas diria que o escolheria simplesmente por também ser o título do primeiro episódio de Falcão e o Soldado Invernal, e que ele teria sido aprovado por Feige e Onah. O título só seria alterado em junho de 2023, já durante as filmagens, pegando emprestado o do livro de Aldous Huxley; a mudança seria elogiada, principalmente por trazer otimismo ao futuro dos heróis Marvel após a mudança de Capitão América, enquanto o título anterior era visto como uma indicação de pessimismo.

Outro ponto de grande controvérsia seria a inclusão da personagem Sabra, que nos quadrinhos é agente do Mossad, o serviço secreto israelense, o que levaria a temores de representação estereotipada de árabes e palestinos, e a personalidades de origem palestina, como o escritor Yousef Munayyer, declararem que sua inclusão representava uma "valoirização do Mossad" e que era "insensível e degradante" mostrar um agente secreto israelense como herói. Em resposta, os Marvel Studios diriam que a personagem havia sido "reimaginada para o MCU", o que levaria a protestos de israelenses, com o Comitê para o Judaísmo na América declarando que "apagar o passado israelense de Sabra é como dizer que o Capitão América é canadense". No fim, a personagem seria uma ex-Viúva Negra israelense que ocupa um ponto-chave no governo dos Estados Unidos e atende pelo nome de Ruth Bat-Seraph, sem que o nome Sabra seja sequer mencionado - e sem que ela seja mutante ou agente do Mossad como nos quadrinhos, nem tenha nenhuma ligação com o governo de Israel. Ainda assim houve polêmica, com grupos pró-palestina pedindo para que houvesse boicote ao filme devido aos ataques na Faixa de Gaza, e grupos pró-Israel manifestando repúdio por uma israelense jurar lealdade a um governo estrangeiro.

William Hurt havia assinado contrato para estar no filme, e sido informado por Feige de que, assim como nos quadrinhos, nesse filme Ross se transformaria no Hulk Vermelho, se mostrando empolgado com a possibilidade, principalmente devido a uma fala do produtor Nate Moore: "transformar um personagem que tem sua vida devotada a caçar o Hulk em um Hulk é mais do que fazer dele o antagonista, é fazer dele um personagem trágico". Após o falecimento de Hurt, em março de 2022, Feige e Spellman considerariam remover Ross do filme, acreditando que nenhum ator concordaria em assumir o papel; Harrison Ford, entretanto, que já havia conversado com Feige sobre a possibilidade de interpretar algum personagem no MCU, procuraria Feige durante a pré-produção e diria ter interesse em assumir o papel de Ross, para honrar o trabalho de Hurt e permitir que o arco do personagem se concluísse. No filme, Ross é eleito Presidente dos Estados Unidos, o que geraria comparações com a saga dos quadrinhos Secret Empire, de 1974, na qual o Capitão América descobre que o Presidente é um agente da HYDRA, e com outro filme de Ford, Perigo Real e Imediato, de 1994, que mostra uma conspiração semelhante. Para que o aparecimento do Hulk Vermelho causasse impacto, Onah controlaria o uso da cor vemelha no filme, pedindo para que ela fosse usada sempre o mínimo possível, e sempre para "representar o caos".

O uniforme de Capitão América usado por Wilson, criado em Wakanda, seria redesenhado a pedido de Mackie: a primeira versão do uniforme, usada em Falcão e o Soldado Invernal, era baseada no uniforme branco que Wilson usou durante seu período como Capitão América nos quadrinhos, e tinha um capuz que o ator definiu como "seu pior pesadelo", já que era extremamente quente, fazendo-o suar e embaçando seus óculos. A nova versão, criada por Ryan Meinerding, era mais leve, e era predominantemente azul escuro, com toques de vermelho e branco, mais parecido com os uniformes usados por Chris Evans quando ele interpretou o personagem.

Capitão América: Admirável Mundo Novo também traz finalmente um uso para Tiamut, o Celestial que emerge do centro da Terra parcialmente no final de Eternos: introduzir o adamantium no MCU, com o mineral, até então desconhecido, sendo encontrado na carcaça de Tiamut. Isso leva a uma disputa para ver qual país controlará a extração, com Ross liderando as negociações. Originalmente, o roteiro previa vários países lutando pelos direitos, com uma cena final envolvendo porta-aviões e jatos de mais de dez nações diferentes, mas Onah, achando que tudo estava muito confuso, pediria para que a batalha fosse apenas entre Estados Unidos e Japão, com, na versão final, apenas essas duas nações reivindicando os direitos de exploração. A batalha em torno do Celestial seria o "momento Marvel" do filme, com muita computação gráfica e ação frenética, o que foi autorizado por Onah após ele concluir que fazê-la no mesmo estilo do resto do filme não estava dando certo.

Falando nisso, o diretor de fotografia, Kramer Morgenthau, diria querer homenagear filmes de espionagem dos anos 1970, como O Dia do Chacal e Todos os Homens do Presidente, e, para tentar conseguir uma aparência de filme fotográfico usando câmeras digitais, usaria lentes anamórficas antigas adaptadas, e estabeleceria regras quanto ao movimento das câmeras, composição de cores e textura de ambientes. Onah queria que as cenas de ação fossem "pé no chão" e que Wilson fizesse coisas que ainda não haviam sido mostradas em suas aparições anteriores; embora as cenas nas quais o Capitão América luta tenham sido retocadas digitalmente, o diretor faria questão de que elas mostrassem que, ao contrário de Rogers, Wilson não tem nenhum superpoder, contando apenas com sua perícia atlética e com os elementos de seu traje. Durante as filmagens, Onah revelaria ter co-escrito o roteiro com Spellman e Musson.

As filmagens começariam em Atlanta, Geórgia, em março de 2023; pouco após o início das filmagens, começariam as greves dos roteiristas e atores de Hollywood. Os Marvel Studios declarariam que a produção não seria afetada, pois as filmagens já estavam adiantadas, e o tempo parado seria usado em pós-produção e para definir refilmagens. A cidade de Washington D.C. é um dos principais locais explorados no filme, segundo Onah, não somente porque Ross é presidente, mas porque foi lá que Wilson estreou no MCU, em O Soldado Invernal, e por ser próxima à residência de Bradley, em Baltimore; apesar disso, apenas uma semana de filmagens de cenários foi conduzida na cidade, com locais como a Casa Branca e Hains Point sendo recriados em Atlanta, usando uma combinação de elementos de estúdio, réplicas - a da Casa Branca fica dentro dos Tyler Studios, e é local frequente de filmagens - e retoques digitais. As cerejeiras onde ocorre a batalha do Capitão América contra o Hulk Vermelho existem de verdade e foram um presente do governo japonês ao norte-americano, sendo plantadas ao redor da cidade de Washington; a ideia de fazer lá a batalha seria de Onah, que diria ter vívidas lembranças das cerejeiras por ter crescido em Arlington, Virgínia, próximo à capital norte-americana. Para não usar as cerejeiras originais, a equipe de produção recriaria o local em Atlanta, misturando cerejeiras de verdade e árvores digitais.

O filme começa cinco meses após Ross ser eleito Presidente dos Estados Unidos, com Wilson já plenamente estabelecido como Capitão América, e Torres como seu parceiro. Um tratado para a exploração do adamantium é fundamental para o mandato de Ross, e ele pede ajuda a Wilson para reformular os Vingadores, que atuariam como uma força de segurança global. Antes que Wilson possa responder, entretanto, estranhos eventos causam caos em Washington, orquestrados por Sterns, que, desde os eventos de O Incrível Hulk, era prisioneiro de Ross, aparentemente ajudando-o, mas secretamente trabalhando em um plano para transformar Ross no Hulk Vermelho e sabotar o tratado de exploração do adamantium, provocando a Terceira Guerra Mundial. O elenco conta com Anthony Mackie como Sam Wilson / Capitão América; Harrison Ford como Thaddeus Ross / Hulk Vermelho; Danny Ramirez como Joaquin Torres / Falcão; Shira Haas como Ruth Bat-Seraph; Carl Lumbly como Isaiah Bradley; Xosha Roquemore como Leila Taylor, agente do Serviço Secreto com um passado em comum com Wilson; Giancarlo Esposito como Seth Voelker / Coral, líder da Serpente; Liv Tyler como Betty Ross; Tim Blake Nelson como Samuel Sterns; Sebastian Stan como Bucky Barnes; Jóhannes Haukur Jóhannesson como Mocassino; William Mark McCullough como Dennis Dunphy; e Takehiro Hira como o Primeiro-Ministro do Japão.

Em outubro de 2023, seria noticiado na imprensa que o filme teria sido muito mal recebido pelas plateias de teste, e que três de suas principais sequências seriam cortadas, com extensas refilmagens sendo programadas para ocorrer entre janeiro e maio ou junho de 2024. Em dezembro, Rob Edwards e Peter Glanz seriam contratados para escrever as cenas das refilmagens. Nelson diria que as refilmagens mudariam praticamente todas as suas cenas, mas Mackie diria que nenhum dos principais elementos do filme seria alterado, e que as refilmagens cuidariam apenas de questões como ritmo e tônica para alcançar "o filme de espionagem perfeito"; imagens e declarações posteriores da equipe mostrariam que a aparência de Sterns seria drasticamente modificada, sendo usada uma nova prótese e mais retoques digitais, sendo esse o motivo pelo qual Nelson teve de refazer suas cenas. Outro boato que se espalhou foi que, originalmente, Ross morria no final do filme; isso seria negado por Onah, que diria "não ser tão fácil matar um Hulk". A cena pós-créditos do filme também seria filmada durante as refilmagens, com Onah usando o fato de querer ver quais futuros projetos dos Marvel Studios ainda estavam confirmados após as greves para decidir se a cena teria ligação com algum deles.

Em maio de 2024, Esposito confirmaria ter participado das refilmagens, interpretando "um personagem que anteriormente não estava presente no filme, mas que estrearia nele para posteriormente ter destaque em uma série do Disney+". Originalmente, esse personagem seria o Rei Cobra, e Moore diria que Esposito estava muito empolgado por um ator negro interpretar um personagem com "Rei" no nome, mas mais tarde Onah revelaria se tratar do Coral, que foi o fundador da Sociedade da Serpente nos quadrinhos, então faria sentido que ele introduzisse a equipe no MCU. Esposito substituiria dois outros atores, Seth Rollins e Rosa Salazar, que haviam interpretado Mocassino e Cascavel e acabaram cortados do filme após as refilmagens; a trama no filme de ambos seria condensada na trama dada a Coral, com Mocassino sendo reimaginado para o guarda-costas interpretado por Jóhannesson - que, na verdade, se parece mais com o Urutu dos quadrinhos. Ainda segundo Onah, os Mocassino e Cascavel originais estavam muito parecidos com os dos quadrinhos e destoando do clima de espionagem do filme, com a oportunidade de contar com Esposito também sendo usada para corrigir esse detalhe.

Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Weta FX, Digital Domain, Luma Pictures, Barnstorm VFX, UPP, OPSIS, e Outpost VFX. Os retoques digitais na aparência de Stern ficariam a cargo da Luma, enquanto a Weta criaria o Hulk Vermelho, trabalhando sob supervisão de Meinerding; a intenção era fazer dele não "o Hulk, só que vermelho", mas uma versão mais ameaçadora do Hulk, com postura mais ereta e aparência mais atlética, mantendo ao máximo as feições de Ford. O próprio Ford forneceria a captura de movimentos, exceto na cena da luta contra o Capitão América, na qual Mackie lutaria contra um dublê cujo nome não foi registrado. Originalmente, a primeira transformação de Ross no Hulk Vermelho seria mais atemorizante, com ossos partindo e pele se rasgando, mas a versão preliminar não ficaria boa e a equipe optaria por uma transição mais suave; a Weta também criaria um processo no qual o Hulk Vermelho voltava a ser Ross, mas Onah acharia que isso quebraria "a tranquilidade da cena" e não o usaria. Tiamut e a batalha pelo adamantium ficariam a cargo da Digital Domain, que usaria o mesmo modelo digital de Eternos, mas em escala menor.

Capitão América: Admirável Mundo Novo seria o primeiro filme dos Marvel Studios sem o logotipo tradicional no início; a pedido de Onah, seria usada uma versão estática, em preto e branco e sem fanfarra, mais de acordo com o clima do filme. Sua estreia mundial seria em 14 de fevereiro de 2025, após uma pré-estreia no TCL Chinese Theatre, em Hollywood, dia 11. Seu orçamento seria de 180 milhões de dólares, considerado muito barato para um filme dessa magnitude, mas seu desempenho nas bilheterias seria considerado decepcionante: 200 milhões nos Estados Unidos e Canadá, 415 milhões considerando o mundo inteiro. Feige atribuiria o mau desempenho à ausência de Evans, mas alguns analistas o colocariam na conta de ser um filme com um protagonista negro com um parceiro latino. A crítica ficaria dividida, elogiando as performances de Mackie e Ford, mas criticando as cenas de ação e considerando o roteiro sem originalidade nem profundidade emocional. Muitos críticos acreditariam que Ross era uma alegoria para o presidente Donald Trump, o que foi negado por Onah, outros diriam que, para um filme político, estava faltando política.

Em janeiro de 2025, Mackie diria estar pronto para interpretar o Capitão América "por mais dez anos"; até o momento, porém, não há planos para um novo filme solo do herói, embora sua participação já esteja confirmada nos dois vindouros filmes dos Vingadores.

Demolidor: Renascido
Daredevil: Born Again
1ª temporada
2025

Uma das maiores discussões dos fãs do MCU é sobre se as Séries Marvel da Netflix pertencem ou não ao cânone - em outras palavras, se Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores e O Justiceiro são ambientados na Linha do Tempo sagrada ou em alguma realidade alternativa. No início, não havia nenhuma dúvida, com os personagens dessas séries até mesmo estando cotados para aparecer em Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores:Ultimato, mas, após o final da Fase 3 e da Saga do Infinito, o posicionamento oficial dos Marvel Studios era que não, as séries não eram ambientadas no mesmo universo dos filmes lançados até então. Como os personagens eram populares demais e os atores bons demais para serem descartados assim sem mais nem menos, porém, os próprios Marvel Studios deram um jeito de introduzi-los no MCU aos poucos, primeiro com uma participação do Rei do Crime em Gavião Arqueiro, então uma de Matt Murdock em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, e em seguida uma dele como Demolidor em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis. Apesar de serem interpretados pelos mesmos atores, as "versões MCU" desses personagens pareciam ligeiramente diferentes de suas "versões Netflix", o que aparentemente confirmava o posicionamento oficial. Mas aí uma nova série entrou em desenvolvimento, e colocou mais lenha na fogueira.

Quando Demolidor foi cancelada pela Netflix, em 2018, logo começaram a surgir boatos de que a série poderia ganhar uma nova temporada no serviço de streaming da Disney, o Disney+, que sequer havia sido lançado; o contrato entre Disney e Netflix, porém, estipulava que a Disney não poderia usar nenhum dos personagens das séries financiadas pela Netflix durante um período de dois anos após o cancelamento, o que significava que, se fosse mesmo ser produzida, uma nova série ou temporada do Demolidor só poderia entrar em produção a partir de 2020. Devido à grande popularidade da série, tanto o presidente do setor de venda direta ao consumidor da Disney quanto o vice-presidente do serviço de streaming Hulu, que também pertence à Disney, tinham interesse em que fosse produzida uma quarta temporada, mas os executivos dos Marvel Studios pareciam não ter quaisquer planos para que isso fosse concretizado.

Quando as negociações finalmente começassem, em junho de 2020, a ideia original de Kevin Feige era fazer uma nova série sem qualquer ligação com as da Netflix, mas ainda trazendo Charlie Cox como Demolidor e Vincent D'Onofrio como Rei do Crime, segundo ele, porque esses atores já estavam intrinsecamente ligados aos personagens, "assim como Robert Downey, Jr. a Tony Stark e Chris Evans a Steve Rogers". Cox, que havia ficado bastante triste com o cancelamento de Demolidor, aceitou o convite na hora, com apenas alguns trâmites legais impedindo o anúncio de seu retorno ao personagem, feito simultaneamente ao de D'Onofrio, em dezembro de 2021, pouco antes das estreias de Gavião Arqueiro e Homem-Aranha: Sem Volta para Casa - no qual a participação de Cox foi mantida em segredo. Os planos para uma nova série do Demolidor, que estrearia no Disney+, começariam a ser traçados no mês seguinte, em janeiro de 2022, dois meses antes de os direitos da Netflix sobre as séries expirarem e elas também entrarem para o catálogo do Disney+, em março.

Ao contrário de Feige, Cox desejava que a nova série fosse uma continuação direta da original, ambientada alguns anos após o final da terceira temporada, e com classificação TV-MA - inadequada para menores de 18 anos - acreditando ser impossível retratar o universo do Demolidor de forma fidedigna em uma série de classificação Livre. O ator também tinha interesse em fazer da nova série uma adaptação mais fiel da história A Queda de Murdock, de Frank Miller e David Mazzucchelli, que serviu de inspiração para a terceira temporada da série da Netflix. Tudo isso foi levado em conta nas reuniões que o ator fez com os executivos dos Marvel Studios enquanto aguardava o anúncio de sua contratação.

Em maio, a nova série do Demolidor seria oficialmente anunciada pela Disney, com Matt Corman e Chris Ord sendo anunciados como chefes da equipe de roteiristas. Em julho, seria anunciado o título da série, Daredevil: Born Again - o título original de A Queda de Murdock em inglês, que também significa "renascido" - e que não se tratava de uma quarta temporada, mas de "uma coisa totalmente nova", com a equipe desconversando sempre que era perguntado se a série seria um reboot. Inicialmente, seriam anunciados 18 episódios, com Cox comentando que isso seria "um grande esforço", mas necessário, já que a série lidaria "com muitos aspectos da vida de Murdock como advogado". O título seria entendido não como uma adaptação de A Queda de Murdock, mas como o Demolidor "renascendo" para ser adaptado ao MCU, em uma referência semelhante à feita quando a Marvel decidiu chamar o primeiro filme do Homem-Aranha no MCU de Homecoming. Mais tarde, D'Onofrio confirmaria essa versão, dizendo que não havia planos para conectar a nova série à original.

A pré-produção começaria em março de 2023, com o anúncio de que diretores haviam sido contratados para dirigir episódios em blocos: Michael Cuesta seria responsável pelos dois primeiros, Jeffrey Nachmanoff pelos dois seguintes, David Boyd pelo quinto e sexto, e Clark Johnson, que havia dirigido episódios de Luke Cage, por dois não especificados. Quando as greves dos roteiristas e atores de Hollywood começasse, em maio, seis dos episódios já estavam praticamente finalizados, e o restante já tinha roteiros, aguardando a conclusão das negociações para que sua produção começasse. Em setembro de 2023, entretanto, em meio às greves, a cúpula dos Marvel Studios decidiria descartar tudo e recomeçar tudo do zero, com o argumento de que tinha assistido aos episódios já filmados e concluído que a série "não estava funcionando". Corman, Ord e todos os diretores foram demitidos, e todo o processo de escolha de roteiristas e diretores recomeçaria.

Pessoas que tiveram acesso aos episódios já filmados diriam que a mudança ocorreria porque Cordman e Ord estavam de fato fazendo uma série diferente daquela da Netflix, mas diferente demais: os roteiristas haviam criado uma série de tribunal com natureza episódica, na qual cada episódio tinha uma história fechada, com início, meio e fim, sem afetar aos demais, e na qual o foco estava muito mais na profissão de Matt como advogado do que em sua vida dupla como Demolidor - ele só apareceria de uniforme no quarto episódio, e não combateria diretamente o crime em nenhum dos já filmados. Isso desagradaria à cúpula dos Marvel Studios, que, apesar de não querer ligações com a série da Netflix, desejava que o tom fosse, ao menos, parecido.

Outro elemento bastante criticado, esse inclusive pelo público, seria que, exceto por Cox, D'Onofrio e Jon Bernthal, que interpreta o Justiceiro, todo o elenco da série seria completamente novo, com o único outro personagem presente na série da Netflix retornando para a da Disney sendo Vanessa Fisk, que seria interpretada por Sandrine Holt - boatos jamais confirmados diziam que Jessica Jones e o policial Brett Mahoney também estariam na série, sem especificar se interpretados por seus atores originais ou não, e que Luke Cage estaria, mas interpretado por outro ator. Após a mudança, a equipe criativa decidiria convidar Ayelet Zurer, intérprete de Vanessa na série da Netflix, para repetir o papel em Demolidor: Renascido, e incluir na história Foggy Nelson, Karen Page e o Mercenário, todos interpretados por seus atores da Netflix. Bernthal diria ter pensado em abandonar a série, e voltado atrás quando permitiram que ele escrevesse a cena na qual o Justiceiro é introduzido na série, que seria a última gravada antes da paralisação pela greve dos roteiristas; Cox diria que Bernthal seria um dos principais responsáveis pela mudança na equipe criativa, com os executivos dos Marvel Studios concluindo que seria melhor aproximar a série do estilo adotado pela Netflix após assistir sua cena.

Brad Winderbaum, chefe do departamento de streaming da Disney, defenderia Cordman e Ord, que ainda seriam creditados como produtores executivos, dizendo que eles haviam recebido instruções para que, apesar de contarem com Cox e D'Onofrio, fizessem da série um "reset", já que os Marvel Studios acreditavam que, se houvesse desconfiança de que era necessário assistir às três temporadas da série da Netflix para compreender a nova série, espectadores novos poderiam não se interessar, diminuindo a audiência. Além disso, Feige confirmaria que a ideia inicial era fazer uma série episódica, diferentemente das séries da Fase 4, que pareciam um filme dividido em vários episódios, e que o intuito era fazer a série parecida com a da Netflix, mas "apropriada para espectadores mais jovens".

Tanto Cox quanto D'Onofrio, porém, elogiariam a mudança, dizendo estar convencidos de que a abordagem de Cordman e Ord não era a mais correta, com Cox declarando que as versões do Demolidor e do Rei do Crime "estavam sendo tratados como variantes", em uma referência ao termo usado em Loki, querendo dizer que eram diferentes demais de suas versões na série da Netflix, e D'Onofrio declarando que Feige ouviu as preocupações da dupla, concluindo que um "reboot parcial" seria impossível, com os únicos caminhos sendo ou "abraçar a série da Netflix", ou recomeçar a história do Demolidor do zero.

Em outubro de 2023, Dario Scardapane, que havia sido roteirista da série do Justiceiro da Netflix, seria anunciado como o novo showrunner de Demolidor: Renascido, com os diretores Justin Benson e Aaron Moorehead, que haviam trabalhado em Cavaleiro da Lua e Loki sendo anunciados no mês seguinte. Exceto por Cordman e Ord, a equipe de roteiristas seguiria a mesma, e, após a chegada de Scardapane, se diria convencida de que o único caminho possível era fazer da nova série uma continuação da série da Netflix, usando os mesmos personagens e seguindo com suas histórias. Cox diria que, ainda assim, não seria uma "quarta temporada", e que os roteiristas estavam tentando encontrar um "equilíbrio delicado" para introduzir o Demolidor no MCU sem que fosse necessário trazer toda a bagagem da Netflix junto. Benson e Moorehead se diriam extremamente empolgados com o projeto, principalmente por ele ser mais "pé no chão", sem os elementos de fantasia e ficção científica de seus trabalhos anteriores para os Marvel Studios; D'Onofrio declararia que os diretores estavam dentre os principais talentos da Marvel, e diria estar ansioso para trabalhar com eles.

Ao invés de escrever todos os roteiros do zero, a equipe de roteiristas optaria por reescrever os que já tinham antes da mudança, com apenas três episódios tendo roteiros totalmente novos, dentre eles o piloto - e o segundo tendo tido tão pouca coisa alterada que continuou creditado a Cordman e Ord. Da mesma forma, algumas cenas dirigidas por Cuesta, Nachmanoff e Boyd seriam aproveitadas - como a da introdução do Justiceiro - com os três sendo "recontratados" em agosto de 2024, e Nachmanoff e Boyd retornando para filmar novas cenas e ajudar Benson e Moorehead a fazer um trabalho final coeso. Em maio de 2024, Cox diria que apenas nove episódios haviam sido filmados, com Feige confirmando que se tratava "da primeira temporada de Demolidor: Renascido", com os demais nove tendo sido adiados para uma segunda temporada. No fim, os roteiros seriam creditados a Scardapane, Cordman & Ord, Jill Blankenship, David Feige e Jesse Wigutow, Grainne Godfree, Thomas Wong, Blankenship, Wigutow & Scardapane, e Heather Benson & Scardapane. A direção do primeiro e a dos dois últimos seria creditada a Benson & Moorehead, com, no meio, dois de Cuesta, dois de Nachmanoff e dois de Boyd.

Scardapane diria ter sido um grande desafio fazer a série com referências aos elementos da Netflix, mas com uma história totalmente nova, que os espectadores pudessem assistir sem ter tido de ver as três temporadas anteriores. Ele confirmaria que, oiginalmente, a série seria ambientada em uma realidade diferente - ou melhor, Demolidor: Renascido seria ambientada na Linha do Tempo Sagrada, enquanto a série da Netflix seria ambientada em uma realidade alternativa - e que, originalmente, Foggy e Karen sequer apareceriam na série, com a equipe de roteiristas tendo grande dificuldade para encaixá-los na história. Scardapane também diria que muitas de suas ideias seriam vetadas pelos Marvel Studios por entrar em conflito com o que estava sendo planejado para o MCU como um todo, mas que, fora isso, teve carta branca para usar os personagens da forma como achasse melhor. Ele preferiria ignorar as aparições de Murdock em Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa e Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, considerando que elas fizeram parte da vida do personagem, mas não tinham impacto sobre a história que ele estava vivendo agora.

Um dos pontos-chave da série é a morte de Foggy nas mãos do Mercenário, após a qual Matt passa um ano sem usar o uniforme de Demolidor, querendo deixar a vida de vigilante para trás. Esse evento já estava presente no roteiro original de Cordman e Ord, mas ocorreria fora da tela, com a primeira cena do primeiro episódio sendo o Demolidor chorando por sob a máscara. Scardapane decidiria começar o piloto com Matt, Foggy e Karen confraternizando antes da intervenção do Mercenário que levaria à morte de Foggy, para deixar claro que o mundo do Demolidor havia sido alterado irreversivelmente, e então fazer uma passagem de tempo de um ano para começar de fato a série. O morte de Foggy seria um dos pontos mais criticados do roteiro original, e vários dos roteiristas quiseram aproveitar a mudança na equipe criativa para removê-la da história, mas Scardapane a defenderia, alegando que fazia sentido para a história que ele estava imaginando que Matt "perdesse seu compasso moral", e que esse evento seria "mais que um ponto de virada, seria um terremoto", inclusive comparando-a com um evento dos quadrinhos, no qual o Mercenário mata Karen. Cox concordaria que a morte de Foggy seria a única coisa capaz de fazer Matt abandonar por um ano sua carreira como Demolidor, e sugeriria que o Demolidor pudesse ouvir o coração de Foggy batendo durante sua luta contra o Mercenário, o que Scardapane adorou e acrescentou ao roteiro imediatamente.

Outro ponto central da série, criado por Cordman e Ord e mantido por Scardapane, é a eleição de Fisk como prefeito de Nova Iorque, algo que começaria a ser construído na série Eco. Segundo Scardapane, isso daria a oportunidade de o Demolidor e o Rei do Crime se enfrentrarem no campo político, ao invés de trocarem socos. Scardapane diria se inspirar em filmes e séries dos anos 1990, principalmente Familia Soprano (curiosamente, Michael Gandolfini, que interpreta um dos assessores de Fisk, é filho de James Gandolfini, que interpretava Tony Soprano) e Rei de Nova York, para criar o clima da série, e desejar que ela fosse uma espécie de Game of Thrones, com vários grupos diferentes lutando pelo controle da cidade. Quando surgiu a informação de que Fisk seria eleito prefeito, houve especulação de que a série adaptaria a saga dos quadrinhos Reinado do Demônio; Scardapane diria essa nunca foi uma das intenções da equipe criativa, já que a saga dos quadrinhos conta com a participação de diversos heróis Marvel e termina com a destruição de Nova Iorque - ainda assim, como nos quadrinhos, na série Fisk visa proibir a atuação de super-heróis na cidade.

A série começa um período de tempo não especificado após a terceira temporada da Netflix, mas com Matt, Foogy e Karen sendo bem-sucedidos na firma Murdock, Nelson & Page. Após a morte de Foggy, há uma passagem de um ano, durante o qual Matt não vestiu o uniforme de Demolidor nem teve contato com Karen. Fundando uma nova firma, a Murdock & McDuffie, Matt tem a oportunidade de defender outro super-herói, o Tigre Branco, acusado de matar um policial, e descobre um esquema de corrupção na polícia de Nova Iorque. Paralelamente a isso, Fisk é eleito prefeito, bane o vigilantismo, e cria uma divisão especial da polícia - formada justamente pelos corruptos - para assumir o combate ao crime feito pelos heróis fantasiados. Matt decide voltar a usar o uniforme de Demolidor quando o assassino serial Muse ameaça seus entes queridos, disposto a provar que Fisk não se redimiu e está do lado da lei, mas sim contribuindo para que a cidade fique ainda mais perigosa.

O elenco conta com Charlie Cox como Matt Murdock / Demolidor; Vincent D'Onofrio como Wilson Fisk / Rei do Crime; Margarita Levieva como Heather Glenn, psicóloga que atua como terapeuta de casal para Fisk e Vanessa, com quem Matt, sem saber disso, tem um romance; Deborah Ann Woll como Karen Page; Elden Hanson como Franklin "Foggy" Nelson; Wilson Bethel como Benjamin "Dex" Poindexter / Mercenário; Ayelet Zurer como Vanessa Fisk; Zabryna Guevara como Sheila Rivera, coordenadora de campanha de Fisk; Nikki M. James como Kirsten McDuffie, ex-promotora e sócia de Matt na nova firma; Genneya Walton como BB Urich, sobrinha de Ben Urich e também jornalista, responsável pelo canal The BB Report; Arty Froushan como Buck Cashman, braço-direito de Fisk; Clark Johnson como Cherry, ex-policial, amigo de longa data de Matt e investigador na Murdock & McDuffie; Michael Gandolfini como Daniel Blake, assessor de Fisk; Kamar de los Reyes como Hector Ayala / Tigre Branco; Camila Rodriguez como Angela del Toro, sobrinha de Hector; Hunter Doohan como Bastian Cooper / Muse; Tony Dalton como Jack Duquesne / Espadachim; Mohan Kapur como Yusuf Khan; e Jon Bernthal como Frank Castle / Justiceiro. Participações especiais incluem Ruibo Qian como a policial Angie Kim; Patrick Murney, Cillian O'Sullivan e Gino Anthony Pesi como Luca, Devlin e Viktor, criminosos de diferentes famílias que querem destronar Fisk e mandar na cidade; Hamish Alln-Headley como o policial corrupto Connor Powell, da confiança de Fisk; Michael Gaston como o Comissário de Polícia Gallo; John Benjamin Hickey como Benjamin Hochberg, promotor de Nova Iorque; Lou Taylor Pucci como Adam, artista que tem um caso com Vanessa; e Susan Varon como Josie, dona do bar frequentado por Mat, Foggy e Karen.

Assim como a série da Netflix, Demolidor: Renascido seria integralmente filmada em Nova Iorque, com as internas sendo gravadas nos Silvercup Studios, no Queens, e externas sendo filmadas em Yonkers, em Williamsburg, no Bronx, no Harlem, no Manhattan Municipal Building e na Suprema Corte de Nova Iorque. O primeiro episódio conta com uma cena em plano-sequência, algo pelo qual a série da Netflix se tornaria famosa. As cenas do BB Report seriam gravadas pelos documentaristas independentes Sean Dunne e Cass Marie Greener, da Very Ape Productions, sob supervisão de Nachmanoff, que os orientou a fazê-los "como se fossem estudantes de cinema"; esses segmentos tinham cada um uma ideia central, mas não tinham roteiros, com todos os atores falando de improviso.

O uniforme do Demolidor seria desenhado por Ryan Meinerding, que também havia criado o uniforme usado na série da Netflix, mas, a pedido de Feige, o faria com um tom de vermelho mais escuro e com detalhes em preto, para que ele ficasse "menos brilhante" que o da Netflix; boatos diriam que, antes da mudança, o Demolidor usaria em Renascido o uniforme vermelho e amarelo de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, mas Meinerding os desmentiria, confirmando que o herói usava seu uniforme vermelho e preto nos episódios gravados antes das greves dos atores e roteiristas.

Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Rise FX, FOLKS, Phosphene, Powerhouse VFX, Ghost VFX, Soho VFX, Cantina Creative, Anibrain, Base FX, SDFX e The Third Floor, Inc. A abertura também seria totalmente nova, ficando a cargo da Perception e trazendo música dos Newton Brothers, responsáveis por toda a trilha da série, que fariam um remix do tema de abertura original, criado por John Paesano e Braden Kimball. Ao invés de efeitos que simulavam sangue, como a da série da Netflix, ela trazia efeitos que simulavam pedras e poeira, mas vários dos temas presentes na abertura, como a estátua da justiça e a máscara do Demolidor, seriam semelhantes.

Demolidor: Renascido traria em seu início o logotipo da Marvel Television, e estrearia no Disney+ em 4 de março de 2026, com dois episódios; um novo episódio seria lançado por semana, exceto em 25 de março, quando também foram lançados dois, com o último sendo lançado em 15 de abril. A crítica seria extremamente positiva, considerando que a série "superou expectativas" e elogiando as atuações e a química entre Cox e D'Onofrio. Os dois episódios de estreia de Demolidor: Renascido foram a audiência mais alta do Disney+ em 2025 e a segunda mais alta de toda a Fase 5, atrás apenas dos de Agatha Desde Sempre; a série seria a mais assistida do streaming em suas duas últimas semanas, e fecharia o ano dentre as dez mais assistidas nos Estados Unidos, entre as três primeiras se forem consideradas somente produções originais.

Em agosto de 2024, Scardapane confirmaria que a série havia sido dividida em duas temporadas, com ele, Benson e Moorehead sendo confirmados na segunda temporada em fevereiro de 2025, quando o showrunner declararia que "a máquina estava melhor azeitada" após a produção confusa da primeira temporada, e que a segunda teria apenas oito episódios. Scardapane também diria estar planejando a aparição, na segunda temporada, de mais personagens das séries da Netflix, como Elektra, o Tentáculo, e os demais Defensores, com a presença de Jessica Jones, novamente interpretada por Krysten Ritter, sendo confirmada em maio de 2025. No mês seguinte, Cox e D'Onofrio diriam que havia a chance até mesmo de uma terceira temporada, caso a audiência da segunda fosse boa. Em setembro de 2025, Winderbaum confirmaria a terceira temporada, declarando, também, que, devido ao grande sucesso e boa recepção da primeira, a série ganharia uma nova temporada por ano até quando fosse possível.

Mas e aí, após a estreia de Demolidor: Renascido, as séries da Netflix passaram a ser cânone? Por incrível que pareça, a posição oficial dos Marvel Studios segue sendo que não - restando a única explicação de que as séries da Netflix são de fato ambientadas em uma realidade alternativa, mas em uma na qual os eventos retratados nelas ocorreram de forma muitíssimo parecida com os da Linha do Tempo Sagrada.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Capitão América: Admirável Mundo Novo
•Demolidor: Renascido
(1ª temporada)

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