sábado, 31 de outubro de 2026

Escrito por em 31.10.26 com 0 comentários

Citadel

Hoje eu vou falar de uma das melhores séries que eu assisti nos últimos anos, uma da qual eu gostei tanto que quase escrevi sobre ela já depois da primeira temporada, porque ela teve uma ideia que eu achei genial - e que infelizmente foi abandonada logo depois dessa primeira temporada, inclusive fazendo com que ela fosse cancelada após a segunda. Sem mais delongas, hoje é dia de Citadel no átomo!

Citadel é uma série moderna de espiionagem, ambientada em um futuro próximo jamais especificado. A tal Citadel do título é uma organização internacional fundada anos antes por espiões oriundos de agências como a CIA, o MI-5 e a KGB, que acreditavam que nenhum país deveria ser responsável sozinho pela segurança do planeta. Como toda agência de espionagem que se preze, logo ela encontraria uma arqui-inimiga, a Mantícora, organização fundada por bilionários de vários países, que manipulam governos e informações para se tornarem cada vez mais ricos. A principal função da Citadel, então, seria frustrar os planos da Mantícora, que, graças à influência de seus membros, passavam despercebidos da maioria da população do planeta.

Quando a série começa, dois agentes de campo da Citadel, Mason Kane (Richard Madden) e Nadia Sinh (Priyanka Chopra Jonas), estão em uma missão supostamente para deter um plano da Mantícora, quando a própria Citadel é atacada e destruída, com praticamente todos os seus agentes sendo mortos. Antes que Mason e Nadia tenham o mesmo fim, o analista Bernard Orlick (Stanley Tucci), o famoso personagem que fica o tempo todo em um computador e sabe de tudo o que está acontecendo, inicia um protocolo que apaga totalmente as memórias de todos os agentes sobreviventes, dando a eles novas identidades. Assim, o inglês Mason se torna Kyle Conroy, empreiteiro que mora no interior dos Estados Unidos, enquanto a indiana Nadia passa a ser Charlote Vernon, chef de cozinha na Espanha.

Oito anos se passam, durante os quais Kyle se casa com Abby (Ashleigh Cummings), a quem conhece em um grupo de ajuda para portadores de amnésia, tendo com ela uma filhinha, Hendrix (Caoilinn Springall). Quando Bernard descobre novas informações sobre o ataque à Citadel, incluindo que ele só foi possível graças a um agente inimigo infiltrado, e que provavelmente quem estava por trás de tudo era a embaixadora do Reino Unido na ONU, Dahlia Archer (Lesley Manville), que pertence à Mantícora e está a ponto de pôr as mãos na lista de todos os agentes sobreviventes da Citadel, ele decide ir atrás de Kyle, levar sua família para um local secreto e aplicar nele um soro que restaurará sua memória. Mas o plano infelizmente dá errado, e caberá a Kyle, sem memórias de quando era um espião, encontrar Charlote, restaurar as memórias dela e deter a Mantícora antes que seja tarde demais.

Outros personagens de importância da primeira temporada são os agentes da Citadel Carter Spence (Osy Ikhile) e Grace (Nikki Amuka-Bird), os irmãos gêmeos e agentes da Mantícora Anders e Davik Silje (ambos interpretados por Roland Møller), a ex-mulher de Bernard, Joe (Moira Kelly), e o pai de Nadia, Rahi Gambhir (Paul Bazely).

Quem teve a ideia da série, em 2018, foi Jennifer Salke, presidente dos Amazon Studios (atualmente Amazon MGM Studios), que concebeu uma "série de espionagem global", com temporadas ambientadas em diversos países diferentes. Ela procuraria os irmãos Anthony e Joe Russo, diretores de Capitão América: O Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil, e conseguiria um contrato entre a Amazon e a produtora dos irmãos, a AGBO. Primeiro por estarem envolvidos com a direção de Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato, depois por causa da pandemia, os Irmãos Russo foram adiando o projeto, até que, no início de 2021, contrataram o grupo de roteiristas Midnight Radio, formado por Josh Appelbaum, André Nemec e Bryan Oh, para escrever os roteiros da série.

O Midnight Radio escreveria sete episódios, e as filmagens começariam já em 2021. Durante as filmagens, Appelbaum e Nemec deixariam o projeto, alegando "diferenças criativas com os Irmãos Russo" - segundo boatos, porque a ideia de começar a série com a Citadel sendo destruída foi ideia dos Russo, enquanto eles queriam fazer uma série mais ao estilo tradicional, com a Citadel operando a todo vapor e tendo de impedir um plano da Mantícora. Quando as primeiras filmagens foram mostradas a Salke, ela não ficaria satisfeita, alegando que a série estava muito diferente do que ela havia imaginado; envolvidos com as filmagens de Agente Oculto, os Irmãos Russo não poderiam intervir diretamente, mas contratariam uma nova equipe de roteiristas, liderada por David Weil, para reescrever os roteiros do Midnight Radio. Isso enfureceria o diretor Brian Kirk, que havia dirigido cinco dos sete episódios e pediria demissão, sendo substituído por Newton Thomas Sigel.

Weil e Sigel reduziriam o número de episódios para seis, e refilmariam praticamente a série inteira ao longo de 2022, para que tudo ficasse de acordo com as ideias dos Irmãos Russo e ao agrado de Salke - que, por uma questão de justiça, reuniu diversas plateias de teste e mostrou a elas ambas as versões, a de Appelbaum e Kirk e a de Weil e Sigel, com a segunda tendo mais aceitação. No fim, os créditos de direção foram fáceis - Sigel dirigiria os dois primeiros e os dois últimos episódios, com os dois do meio sendo co-dirigidos por ele e Jessica Yu - mas os dos roteiros seriam extremamente complicados: o primeiro episódio tem roteiro de Weil a partir de uma história de Appelbaum & Oh e Weil; o segundo tem roteiro de Weil e Oh; o terceiro, de Weil e Melissa Glenn; o quarto tem roteiro de Appelbaum & Oh e Weil a partir de uma história de Appelbaum & Oh; o quinto tem roteiro de Weil e Oh a partir de uma história de Weil e Oh & Angela Russo-Otstot; e o último tem roteiro de Appelbaum & Oh - vale explicar que, nos créditos de roteiro, um "&" significa que os dois escreveram juntos, enquanto um "e" significa que um escreveu e outro acrescentou, o que leva a créditos do tipo "Appelbaum & Oh e Weil".

Com filmagens realizadas em Londres; em Valência, na Espanha; no Oregon, Estados Unidos; no México; nos Alpes Italianos e até na Índia, e muitos efeitos especiais, fornecidos pelas empresas DNEG, Digital Domain, Territory Studios, Milk Visual Studios, Distillery VFX, Host VFX, Luma Pictures, Outpost VFX, RISE e Zoic Studios, Citadel consumiria nada menos que 50 milhões de dólares por episódio, e entraria para a história como a segunda série de televisão mais cara de todos os tempos, superando Stranger Things e ficando atrás apenas de O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder, também da Amazon - curiosamente, 19 das 20 séries mais caras de todos os tempos tiveram temporadas produzidas após a pandemia, com apenas The Pacific, a penúltima da lista, sendo anterior, de 2010. Segundo consta, grande parte de seu orçamento seria torrado pelas refilmagens feitas por Weil e Sigel, com a série podendo custar muito menos caso a versão original fosse finalizada.

A primeira temporada de Citadel estrearia no Amazon Prime Video em 2023, com dois episódios sendo disponibilizados em 28 de abril e então um por semana até 26 de maio - os dois primeiros episódios teriam uma exibição especial surpresa no Festival Internacional de Cinema de Sands, em St. Andrew, Escócia. A crítica ficaria dividida, elogiando os efeitos especiais e as atuações de Chopra e Tucci, mas achando que a série parecia mal desenvolvida, como se rodasse muito sem chegar a lugar nenhum. Ela estrearia em segundo lugar em audiência no Prime Video, atrás de Invincible, mas, ao longo da temporada, chegaria ao primeiro, se mantendo lá por duas semanas após a estreia do último episódio. A Amazon renovaria para uma segunda temporada antes mesmo da estreia da primeira, com o último episódio terminando com um cliffhanger - um final aberto, a ser concluído no primeiro episódio da segunda temporada.

Mas o fato que tornaria Citadel famosa não teria a ver com sua primeira ou sua segunda temporadas, e sim com a ideia original de Salke: como a Amazon tem contratos praticamente no mundo inteiro, Citadel seria licenciada para que estúdios de outros países criassem seus próprios spin-offs ambientados no mesmo universo, protagonizados por agentes de sua própria nacionalidade - um estúdio brasileiro poderia fazer um spin-off de Citadel ambientado no Brasil com atores brasileiros, por exemplo. Nos termos desse licenciamento, inclusive, os estúdios não precisariam nem mesmo ambientar seus spin-offs no mesmo período de tempo que a Citadel original, podendo fazê-lo em um momento anterior, antes da queda da organização, ou no futuro; as únicas exigências eram que todos os spin-offs tivessem Citadel no nome, que nenhum dos eventos mostrados neles contradissessem o que foi visto na primeira temporada, e que decisões que pudessem impactar a segunda temporada tivessem de ser debatidas com Weil, que foi o showrunner da primeira.

O primeiro spin-off produzido nesses moldes seria italiano, e levaria o nome de Citadel: Diana. Criada por Alessandro Fabbri, que também seria seu showrunner, e produzida pela Cattleya, sediada em Roma e fundada em 1997 por um italiano, mas desde 2017 parte da britânica ITV, Diana é ambientada em um futuro ainda mais distante, no qual a Citadel já foi totalmente erradicada - ou assim se acredita - e a Mantícora ficou livre para dominar a Europa e comandar os rumos do planeta.

A protagonista é uma agente da Mantícora, Diana Cavalieri (Matilda de Angelis), que trabalha para o ramo italiano da organização, comandado pelo industrial Ettore Zani (Maurizio Lombardi). Devido a suas ideias visionárias, Zani está em conflito com com a Mantícora da França, comandada por Cécile Martin (Julia Piaton), e com a da Alemanha, comandada por Wolfgang Klein (Bernhard Schütz), que, secretamente, querem destituí-lo. Mas Ettore tem um trunfo, uma poderosa arma que está desenvolvendo com a ajuda de seu filho, Edoardo (Lorenzo Cervasio), com a qual planeja tornar a Mantícora da Itália a mais poderosa do planeta. Ao descobrir sobre essa arma, Diana decide roubá-la e se torna uma agente renegada, conseguindo em Edoardo um aliado improvável. Outros personagens de destaque são a esposa norte-americana de Ettore e mãe de Edoardo, Julia Ward (Thekla Reuten); a irmã de Diana, Sara (Giordana Faggiano); o braço-direito de Ettore, Matteo Spadaro (Daniele Paoloni); o agente da Mantícora parceiro de Diana, Luca Pavan (Marouane Zotti); e o misterioso Gabriele (Filippo Nigro), que tem um passado em comum com Diana.

Filmada na Itália, em Roma e Milão, e na Suíça, em Lugano, Mendrisio e no Massiccio del San Gottardo, com efeitos especiais produzidos pela DNEG e pela Raynault VFX, Diana teria seis episódios, que estreariam no Amazon Prime Video todos no mesmo dia, 10 de outubro de 2004. Fabbri escreveria os dois primeiros e o último, com os outros três tendo roteiro, respectivamente, de Gianluca Bernardini e Giordana Mari, Ilaria Bernardini e Laura Colella, e Ilaria Bernardini. Todos os seis episódios seriam dirigidos por Arnaldo Catinari. A crítica mais uma vez ficaria dividida, elogiando os roteiros mas achando sua tecnologia futurista exagerada. A audiência não seria divulgada.

O segundo spin-off seria Citadel: Honey Bunny, e seria produzido na Índia. Criada por Raj Nidimoru e Krishna Dasarakothapalli, conhecidos no cinema indiano como Raj & DK, responsáveis pela famosa série de espionagem The Family Man, Honey Bunny teria como showrunner e chefe da equipe de roteiristas Sita Menon, um dos nomes mais requisitados da televisão indiana atual, e seria produzida pela d2r Films, em parceria com PKM, Picrow, Midnight Radio e AGBO.

Honey Bunny é ambientada em duas linhas do tempo diferentes que se alternam, uma no início dos anos 1990, outra no início dos anos 2000, e versa sobre o passado da agente Nadia Sinh, com os protagonistas sendo seus pais, Rahi Gambhir, apelido Bunny (Varun Dhawan), e Hanimandakini Raj, apelido Honey (Samantha Ruth Prabhu, que, em produções indianas, é creditada apenas como Samantha). No início dos anos 1990, Bunny trabalha como dublê em Bollywood enquanto realiza missões de espionagem, e Honey é uma atriz iniciante fazendo vários testes; os dois se conhecem durante um desses testes, e, acreditando que ela tem o perfil ideal, Bunny decide contratar Honey para uma missão - não como espiã, mas como atriz. Como era de se esperar, tudo dá errado, e, para preservar sua própria vida, ela pede para que ele a treine para que ela se torne também uma espiã - além disso, os dois se apaixonam e se tornam um casal.

O grupo para o qual Bunny trabalha não é a Citadel nem a Mantícora, e sim uma célula independente comandada por Guru (Kay Kay Menon), que usa os codinomes Baba ("papai"), e Vishwa; também fazem parte do grupo Chacko (Shivankit Singh Parihar) e Ludo (Soham Majumdar), que Bunny considera seus irmãos. A missão envolvendo Honey dá errado por causa do envolvimento de outro grupo, comandado por Zooni Shatsang (Simran), codinome Eagle, que, no passado, foi aliada de Guru, mas agora o vê como um rival. Após a missão falhar, Guru descobre que o grupo de Zooni tentará roubar uma tecnologia chamada Armada, que o Dr. Raghu Rao (Thalaivasal Vijay) apresentará em uma conferência em Belgrado, e cuja posse poderá influenciar os rumos da humanidade. Ele envia Bunny e Honey para impedi-los, mas tudo dá errado de novo, e Honey, grávida, decide forjar sua própria morte e deixar a vida de espiã para sempre.

Mas, se tem alguma coisa que os filmes de espionagem nos ensinam, é que isso é impossível; assim, nos anos 2000, Honey se encontra criando sozinha sua filha Nadia (Kashvi Majmundar), constantemente olhando por cima do ombro para ver se seu passado a alcançará. O que acaba acontecendo quando Guru, descobrindo que Honey está viva e acreditando que ela está de posse da Armada, envia o agente KD Kedar (Saqib Saleem) para matá-la e recuperar a tecnologia. Bunny, evidentemente, não pode deixar isso acontecer, e corre para entrar novamente na vida de Honey e evitar que o pior aconteça.

Outros personagens de destaque incluem o agente Shaan (Sikandar Kher), que trabalha para Zooni; dois amigos de Honey, o ator Bhuvan (Bhuvan Arora) e Vivek (Shashank Vyas), que é dono de uma padaria; o irmão de Honey, Patrapa Rudra Raj (Yash Puri); o pai dos dois, Raja Narasimharaja Pratap (Mukhtar Khan); e o agente Vinod (Vikrant Koul), da Citadel.

Honey Bunny também teria seis episódios, todos escritos por Raj & DK, Sita Menon e Sumit Arora, todos dirigidos por Raj & DK, e todos estreando no Amazon Prime Video no mesmo dia, 6 de novembro de 2024. As filmagens ocorreriam em Belgrado, Sérvia; em Budapeste, Hungria; e, claro, na Índia, nas cidades de Mumbai, Nainital, Visakhapatnam e Tirumala. Os efeitos especiais ficariam a cargo da DNEG. A crítica seria bastante positiva, elogiando o ritmo, as duas linhas temporais e as atuações de Samantha, Dhawan e Majmundar, mas considerando fracas as cenas de ação. A audiência, mais uma vez, não seria revelada.

Infelizmente, diferentemente do que Salke imaginava, apenas Fabbri e Raj & DK se interessariam por produzir spin-offs de Citadel - boatos diriam que já estavam em negociação spin-offs produzidos na Espanha, no México e no Japão, mas que o elevado custo final da primeira temporada de Citadel os teria feito desistir . Tanto Diana quanto Honey Bunny seriam produzidas simultaneamente a Citadel - Diana entre outubro de 2022 e maio de 2023, Honey Bunny entre janeiro e julho de 2023 - e ambas terminam com finais abertos, já que, inicialmente, estavam previstas segundas temporadas de todas elas.

Os executivos da Amazon, entretanto, não ficariam satisfeitos por ter de promover três séries interligadas ao invés de uma, e consideravam que os gastos não compensavam o retorno. Isso aliado a sucessivos atrasos na produção da segunda temporada da Citadel principal, prevista para estrear em 2025, mas que não estava ainda sequer em pré-produção, fariam com que a Amazon decidisse suspender o plano de Salke, cancelando todos os spin-offs de Citadel em abril de 2025. A Cattleya já havia começado a pré-produção da segunda temporada de Diana, e Fabbri consultaria se a ITV estaria disposta a assumi-la, mas descobriria que, por contrato, nenhum spin-off de Citadel poderia ser exibido fora do Amazon Prime Video.

Após concluir a produção de Agente Oculto, os Irmãos Russo decidiriam se dedicar integralmente à segunda temporada de Citadel, e, diante do cancelamento dos spin-offs, aproveitariam para fazer da segunda temporada também a última, com um final fechado - mas a história seguindo aberta o suficiente para não contradizer Diana e para permitir novos spin-offs caso a Amazon os deseje no futuro. Isso faria com que a segunda temporada tivesse sete episódios, um a mais do que o originalmente encomendado pela Amazon.

Weil seria mantido como showrunner, escrevendo sozinho o primeiro episódio e participando do roteiro de mais quatro - o segundo teria roteiro de David J. Rosen; o terceiro de Rosen e Gursimran Sandhu; o quarto de Weill, Rosen e Tori Sampson; o quinto de Weil e Kennedy Edmonds; e os dois últimos de Weil e Rosen. Weil também dirigiria o quinto episódio, com Greg Yaitanes dirigindo os dois últimos; a intenção era que os Irmãos Russo dirigissem todos os sete episódios, mas, após eles se comprometerem com The Electric State, da Netflix, ficaria acertado que somente Joe Russo dirigiria a segunda temporada de Citadel, e, mesmo assim, ele teve de deixar o cargo após dirigir os quatro primeiros episódios, para poder se dedicar à pré-produção de Vingadores: Doutor Destino.

O vilão da segunda temporada é o milionário brasileiro Paolo Braga (Gabriel Leone), que faz parte da Mantícora e está desenvolvendo um chip que, implantado no crânio de uma pessoa, a transforma em um fantoche sob o controle da organização, o qual ele deseja usar para realizar um atentado que colocaria a Mantícora de vez no controle do destino do planeta. Para detê-lo, Bernard monta uma equipe que conta com o agente da CIA James Hutch (Jack Reynor), a espiã francesa Celine Rohr (Lina El Arabi) e o trambiqueiro Frank Sharpe (Matt Berry), tentando recrutar também Kyle e Nadia, que estão envolvidos com seus próprios problemas: após se tornar um alvo perseguido pela Mantícora, Kyle decide se isolar com Abby no interior da Escandinávia, e, após descobrir que a queda da Citadel foi causada por um traidor, Nadia decidiu deixar a organização para criar sua filha, Asha (Serafina Tarafdar), que praticamente não conhece, já que passou os oito últimos anos sem memória.

Outros persoagens de destaque da segunda temporada são a assassina Aparna (Rayna Vallandingham), contratada por Braga; a secretária e braço-direito de Braga, Joanna Malvern (Merle Dandridge); o filho de Braga, Edgar (Felipe Araújo); e os agentes da CIA Charles Bantam (Rahul Kohli) e Benjamin Cash (Michael Trucco). Nila Aalia faz uma participação especial como Honey.

Apesar de ser ambientada em vários locais do planeta, principalmente da Europa, a segunda temporada de Citadel seria filmada em apenas dois: em Londres e no Canadá, que dividiriam tanto as cenas de estúdio quanto as externas. As empresas de efeitos especiais seriam as mesmas da primeira temporada, mas Weil e Joe Russo concordariam em diminuir um pouco a quantidade de efeitos visuais, usando mais efeitos à moda antiga. Todos os sete episódios estreariam no Amazon Prime Video no mesmo dia, 6 de maio de 2026. A audiência seria bem mais baixa que a da primeira temporada, com a segunda entrando para o Top 5 do Prime em sua semana de estreia, mas não conseguindo se manter lá; a crítica também seria mais morna, elogiando as sequências de ação, as coreografias das lutas e Tucci, que roubava todas as cenas nas quais aparecia, mas considerando que, no geral, a segunda temporada seria facilmente esquecida.

Oficialmente, Citadel ainda não foi cancelada, mas já é certo que não há planos para uma terceira temporada que traga de volta Madden, Chopra e Tucci. Pela própria natureza do "Universo Citadel", contudo, não se pode descartar que a qualquer momento se anuncie uma nova temporada ou spin-off.
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sábado, 24 de outubro de 2026

Escrito por em 24.10.26 com 0 comentários

Hanna-Barbera (III)

Hoje veremos mais sobre a história da Hanna-Barbera, terminando a década de 1970 e conferindo a de 1980!

1979 seria um ano de produção intensa, começando por Legend of the Superheroes, especial em duas partes de 50 minutos cada, exibidas pela NBC em 8 e 25 de janeiro. Estrelado pelos Super Amigos, ele trazia Adam West e Burt Ward dublando Batman e Robin, e Frank Gorshin dublando o Charada, todos os três repetindo os papéis que faziam na série Batman, exibida na década de 1960 pela ABC. A primeira parte é uma aventura tradicional em animação, na qual a Legião do Mal invade a Sala de Justiça e planta uma bomba em um local secreto, obrigando os Super Amigos a beber uma poção que anula seus poderes - mas, mesmo sem poderes, eles conseguem encontrar a bomba e derrotar os vilões. A segunda parte combinava atores e animação em um programa de variedades apresentado por Ed MacMahon, no qual cada herói ou vilão se apresentava como se estivesse em um show de talentos.

No mês seguinte, estrearia The New Fred and Barney Show, que trazia novas aventuras dos Flintstones, mas com Pedrita e Bam-Bam como crianças, como se ela fosse uma continuação da série dos anos 1960. Após dez episódios, exibidos pela NBC entre 3 de fevereiro e 7 de abril, o desenho passaria a fazer parte de Fred and Barney Meet the Thing, programa de uma hora de duração com 16 episódios, exibidos entre 8 de setembro e 1 de dezembro, cuja primeira metade era um episódio de The New Fred and Barney Show e a segunda era composta por dois episódios de 15 minutos cada de The Thing (O Coisa), estrelado pelo Coisa do quarteto fantástico - ou quase. Nessa versão, Benjy Grimm é um adolescente que frequenta a Centerville High School com seus amigos, a bela Betty Harkness, o namorado dela, o rico e esnobe Ronald Radford, e a irmãzinha caçula dela, Kelly, que, junto com seu pai, o cientista Professor Harkness, é a única que conhece o segredo de Benjy: ao unir dois anéis mágicos e proferir as palavras encantadas, ele se transforma no Coisa, super-herói que combate cientistas loucos e ajuda os adolescentes a solucionar mistérios ao estilo Scooby-Doo.

Entre 22 de setembro e 15 de dezembro, também na NBC, seria exibido The New Shmoo (O Ximu), criado por Len Janson e Chuck Menville e estrelado por um animal exótico chamado Ximu, criado por Al Capp para a tira de jornal Ferdinando. No desenho, o Ximu tinha três amigos universitários, Miguel, Nita e Billy Joe, e os quatro, adivinhem, solucionavam mistérios ao estilo Scooby-Doo. A partir de 8 de dezembro, Fred and Barney Meet the Thing e The New Shmoo seriam combinados com o nome Fred and Barney Meet the Shmoo, programa de uma hora e meia que trazia um episódio de The New Fred and Barney Show, dois de The Thing e um de The New Shmoo; somente os dois últimos (ou primeiros, dependendo do ponto de vista) episódios de The New Shmoo seriam inéditos, com os demais sendo reprises - bem como todos os da segunda temporada, exibida entre 27 de setembro e 15 de novembro de 1980. Os quatro primeiros programas da segunda temporada contariam com um episódio dos Flintstones, um do Coisa, um do Ximu e um de The Harlem Globetrotters Meet Snow White, história em quatro partes que recontava a da Branca de Neve com os Globetrotters no lugar dos anões; a partir do quinto, voltariam a ser dois episódios do Coisa.

1979 também marcaria a estreia dos novos desenhos dos Globetrotters, The Super Globetrotters (Os Super Globetrotters), criado por Andy Heyward, no qual cada um dos jogadores tinha um superpoder - se transformar em água, se transformar em uma bola, ter o corpo maleável como uma corda, criar duplicatas de si mesmo, e, meu preferido, encontrar qualquer objeto do qual precise em seu cabelo - usando-os para combater vilões de poderes igualmente exóticos, em 13 episódios exibidos pela NBC entre 22 de setembro e 15 de dezembro; dos Super Amigos, The World's Greatest Super Friends (Super Amigos), no qual Superman, Batman, Robin, Mulher Maravilha, Aquaman e os Super Gêmeos viviam aventuras inspiradas em clássicos da literatura, em 8 episódios exibidos pela NBC entre 22 de setembro e 10 de novembro; e do Scooby-Doo, Scooby-Doo and Scrappy-Doo (Scooby-Doo e Scooby-Loo), criado por Mark Evanier, no qual Salsicha, Scooby-Doo e seu sobrinho esquentadinho Scooby-Loo viajavam pelos Estados Unidos, de vez em quando dando de cara com um mistério, em 16 episódios exibidos pela ABC entre 22 de setembro de 1979 e 12 de janeiro de 1980.

Ainda em 1979, a Hanna-Barbera conseguiria os diretos do Gasparzinho, que usaria em Casper and the Angels, criado por Bob Ogle e ambientado em 2179, com Garsparzinho sendo o ajudante de duas policiais espaciais, a ruiva burrinha Minnie e a negra bem mais esperta Maxie, que patrulhavam uma cidade parecida com a dos Jetsons usando motos espaciais, por vezes contando com a ajuda de Assombroso, fantasma de mil anos de idade de gravata borboleta e nariz vermelho; exibido pela NBC, o desenho teria 13 episódios, cada um com dois segmentos de 15 minutos cada, exibidos entre 22 de setembro e 15 de dezembro. E essa nem foi a adaptação mais curiosa feita pelo estúdio naquele ano, com esse título cabendo a Amigo and Friends (Cantinflas e Seus Amigos), criado pelo comediante mexicano Mario Moreno Reyes, desenho educativo voltado para a comunidade latina, estrelado por uma versão animada do personagem Cantinflas, originalmente interpretado pelo próprio Reyes. No desenho, que teve 52 episódios exibidos em syndication nos Estados Unidos e simultaneamente pela Televisa no México entre 22 de setembro de 1979 e 22 de dezembro de 1984, num total de quatro temporadas, Cantinflas (dublado pelo próprio Reyes na versão em espanhol, mas chamado de Amigo e dublado por Don Messick na versão exibida nos EUA, onde o personagem não era famoso) tem uma máquina que usa para levar crianças em viagens pelo tempo e espaço, ensinando história, geografia, ciências e outros assuntos.

Também em 1979, a Hanna-Barbera produziria dois pilotos que seriam exibidos pela NBC mas jamais dariam origem a séries, o policial Sergeant T.K. Yu, criado por Gordon Dawson e estrelado por Johnny Yune, de 24 de janeiro, e o programa de variedades America vs. the World, apresentado por Ed McMahon e Georgia Engel, de 13 de fevereiro. Em 14 de fevereiro, iria ao ar na CBS The Popeye Valentine Special: Sweethearts at Sea, especial de dia dos namorados estrelado pela turma do Popeye. Em 12 de outubro, também na CBS, seria exibido The Hanna-Barbera Hall of Fame: Yabba Dabba Doo II, programa que misturava atores e animação, no qual Bill Bixby abordava a carreira de Hanna e Barbera e mostrava "cenas dos bastidores" de seus personagens mais famosos. Em 30 de outubro, na NBC, seriam exibidos dois especiais de Halloween, um dos Flintstones, The Flintstones Meet Rockula and Frankenstone, e um do Gasparzinho, Casper the Friendly Ghost: He Ain't Scary, He's Our Brother; um novo especial do Gasparzinho, mas de Natal, Casper's First Christmas, seria exibido em 18 de dezembro, também pela NBC. E um musical estrelado por Salsicha e Scooby-Doo, Scooby Goes Hollywood, que era uma paródia do próprio Scooby-Doo - tentando fazer troça com os milhares de clones que a própria Hanna-Barbera produzia - seria exibido pela ABC em 23 de dezembro.

Para fechar 1979, falta falar de dois filmes com atores. Para a televisão, a Hanna-Barbera produziria The Gathering, Part II, ambientado um ano após a morte do executivo protagonista do filme anterior, no qual sua agora viúva (Maureen Stapleton) começa um novo relacionamento com um homem misterioso (Efrem Zimbalist Jr.), que estrearia na NBC em 17 de dezembro. Para o cinema, ela produziria C.H.O.M.P.S., que estrearia em 31 de agosto, no qual um jovem inventor (Wesley Eure, de O Elo Perdido) inventa um cachorro robótico, mas um executivo (Conrad Bain) planeja roubá-lo para copiar seu projeto e ganhar milhões, com o inventor e a filha do executivo (Valerie Bertinelli) tendo de impedi-lo.

A década de 1980 começaria com uma curiosidade: The B.B. Beegle Show, piloto de uma série criada por Dick Robbins e Duane Poole estrelada por Joyce DeWitt e Arte Johnson, que contracenavam com bonecos ao estilo dos Muppets. Exibido em 7 de janeiro em syndication, o programa foi um grande sucesso, mas nenhuma emissora se interessou em transformá-lo em série, então ele poderia acabar sendo uma apresentação única - se não tivesse sido reprisado por diversos canais regionais múltiplas vezes durante os anos seguintes. 1980 também seria o ano do último ABC Afterschool Special produzido pela Hanna-Barbera, The Gymnast, exibido em 28 de outubro, no qual uma ginasta adolescente (Holly Gagnier) ambiciona ser a melhor do mundo; de dois especiais dos Flintstones exibidos pela NBC, The Flintstones' New Neighbors, de 26 de setembro, no qual a familia de Frank Frankenstone, espécie de versão animada da Família Monstro, se torna vizinha dos Flintstones, e The Flintstones: Fred's Final Fling, de 7 de novembro, no qual exames de Frank e Fred são trocados no médico e Fred acredita estar com os dias contados; do especial Yogi's First Christmas (O Primeiro Natal do Zé Colmeia), exibido em syndication a partir de 21 de novembro; e do filme para a TV Belle Star, estrelado por Elizabeth Montgomery, Cliff Potts e Michael Cavanaugh, exibido pela CBS em 1 de abril e baseado na história da criminosa do Velho Oeste de mesmo nome.

Três das principais estreias de 1980 seriam licenciamentos. Uma delas foi Drak Pack (Família Drácula), criada por Cliff Roberts e estrelada pelos adolescentes Drak, Frankie e Lobão, respectivamente descendentes do Conde Drácula, do Monstro de Frankenstein (?) e do Lobisomem - legalmente obtidos através de um licenciamento da Universal - que tinham formas humanas e faziam parte de uma banda, mas, nas horas vagas, atuavam como super-heróis que usavam os poderes de seus antepassados para combater o crime, principalmente a organização terrorista OGRE, liderada pelo Dr. Terror e composta por seu assistente, o corcunda Sapão, a múmia Múmia, a vampira Vampira e a mosca humanoide Mosca (pois é) em 16 episódios exibidos pela CBS entre 6 de setembro e 20 de dezembro. A outra foi The Fonz and the Happy Days Gang, criada por Poole e Tom Swale, versão animada da série de grande sucesso Happy Days, exibida pela ABC entre 1974 e 1984, mas na qual Fonzie e seus amigos têm uma máquina do tempo defeituosa que os leva contra a vontade a vários períodos da história, em 24 episódios totalizando duas temporadas, exibidos pela ABC entre 8 de novembro de 1980 e 28 de novembro de 1981. E 1980 também teria a estreia de The Richie Rich / Scooby-Doo Show, programa que trazia desenhos estrelados ou pelo personagem Riquinho, ou por Scooby-Doo, Scooby-Loo e Salsicha. Cada programa era composto por seis desenhos de oito minutos cada, totalizando uma hora de duração, sempre três do Riquinho e três do Scooby-Doo; o programa teria duas temporadas, com um total de 21 episódios, exibidos pela ABC entre 8 de novembro de 1980 e 7 de novembro de 1981.

1980 também traria a estreia de um programa dos Super Amigos, exibido pela ABC e chamado apenas Super Friends, que, na primeira temporada, tinha uma hora de duração, e consistia em três episódios inéditos de sete minutos cada seguidos por uma reprise de um episódio de alguma das quatro séries anteriores dos Super Amigos. Nos episódios inéditos, mais uma vez, a equipe principal era composta por Superman, Batman e Robin, Mulher Maravilha, Aquaman, os Super Gêmeos e Gleek, com alguns episódios contando com a participação especial de Flash, Lanterna Verde, Gavião Negro e Moça-Gavião, Samurai, Eléktron, Rima, Raio Negro, Chefe Apache e El Dorado, esse último um super-herói mexicano criado especialmente para o desenho; os vilões incluíram Lex Luthor, Charada, Giganta, Sinestro, Brainiac, Gorila Grodd, Solomon Grundy, o Sr. Mxyzptlk e alguns genéricos inspirados em produções da DC - como três kryptonianos que conseguiram fugir da Zona Fantasma. A primeira temporada teria apenas oito episódios, exibidos entre 13 de setembro e 1 de novembro, e a segunda teria menos ainda, seis, exibidos entre 26 de setembro e 31 de outubro de 1981, deixando de lado as reprises e tendo apenas meia hora de duração composta por três desenhos de sete minutos cada; já a "terceira temporada", exibida em 1982, seria composta apenas por reprises das séries anteriores, mesmo com a Hanna-Barbera tendo produzido mais episódios inéditos. Como a ABC dos EUA não se interessaria por renovar o desenho para 1983, a Hanna-Barbera ofereceria os episódios inéditos para a ABC da Austrália, que os exibiria entre 10 de setembro e 29 de outubro de 1983, no mesmo esquema da segunda temporada, meia hora composta por três desenhos de sete minutos cada, para um total de oito episódios. Esses 24 desenhos permaneceriam inéditos nos Estados Unidos até a década de 1990, quando seriam incluídos em um pacote de reprises oferecido para syndication; até então, eles eram conhecidos como "os episódios perdidos".

Ainda em 1980, estrearia na NBC The Flintstones Comedy Show, programa de 90 minutos composto por seis desenhos diferentes intercalados com piadas curtas, números musicais, instruções para desenhar os personagens, segmentos educativos e joguinhos. Um dos desenhos, Dino and Cavemouse, ao estilo Tom & Jerry, protagonizado por Dino e por um rato pré-histórico, tinha sete minutos, sendo exibidos dois episódios por semana, enquanto os demais tinham 15 minutos cada e eram exibidos um por semana: The Flintstone Family Adventures, que seguia o estilo de Os Flintstones; Bedrock Cops, no qual Fred e Barney eram policiais; Pebbles, Dino and Bamm-Bamm, clone de Scooby-Doo no qual Pedrita e Bam-Bam adolescentes solucionavam mistérios com a ajuda de Dino; Captain Caveman, estrelado pelo Capitão Caverna; e The Frankenstones, ao estilo de A Família Addams e protagonizado pela família Frankenstone. O programa teria um total de 18 episódios, divididos em duas temporadas e exibidos entre 22 de novembro de 1980 e 24 de outubro de 1981; como tinha o mesmo nome de um programa de reprises exibido pela CBS em 1973, seria vendido para syndication com o nome Flintstone Frolics.

1981 seria o ano do maior sucesso da Hanna-Barbera na década, The Smurfs (Os Smurfs). Criados na Bélgica pelo cartunista Peyo no final da década de 1950, os Smurfs ficariam restritos à Europa durante vinte anos, até brinquedos inspirados neles começarem a ser vendidos nos Estados Unidos no final da década de 1970, e o presidente da NBC, Fred Silverman, achar que eles dariam um bom desenho para o canal exibir aos sábados de manhã após comprar alguns para sua filha. Silverman negociaria um contrato entre a Hanna-Barbera e a editora belga SEPP, detentora dos direitos, que resultaria em um especial chamado Here Comes the Smurfs, exibido pela NBC em horário nobre em 19 de junho de 1981. O sucesso seria tão grande que os Smurfs ficariam no ar por nada menos que nove temporadas, um recorde para a época, exibidas entre 12 de setembro de 1981 e 2 de dezembro de 1989, mais um Especial de Primavera (The Smurfs Springtime Special, de 8 de abril de 1982), dois de Natal (The Smurfs Christmas Special, de 12 de dezembro de 1982, e 'Tis the Season to Be Smurfy, de 13 de dezembro de 1987), dois de Dia dos Namorados (My Smurfy Valentine, de 13 de fevereiro de 1983, e Smurfily Ever After, de 13 de fevereiro de 1985), um das Olimpíadas (The Smurfic Games, de 20 de maio de 1984) e um filme para a TV (Smurfquest, de 1 de janeiro de 1986, exibido no Brasil como A Grande Aventura dos Smurfs). A estrutura do desenho era curiosa, existindo episódios de 22 minutos e episódios de 11 minutos, que eram combinados para formar programas de uma hora - exceto na segunda temporada, na qual os programas tinham 90 minutos. Ao todo, seriam produzidos 90 episódios de 22 minutos e 332 de 11 minutos, que resultariam em 140 programas. Os Smurfs seria a terceira produção da Hanna-Barbera a ganhar um Emmy - ou melhor, dois, ambos de Melhor Programa Infantil, em 1983 e 1984.

Entre o primeiro especial dos Smurfs e a luz verde para sua série regular, a Hanna-Barbera decidiria ela mesma criar um clone, Trollkins (A Família Trololó), estrelada por pequenas criaturinhas que moravam em árvores, mas cuja ambientação parecia um pouco com a da série Os Gatões, com o casal de trololós protagonistas, Blitz e Pixlee, vivendo aventuras a bordo de um carro acompanhados por seu cachorro Flooky, para desespero do Prefeito Lumpkin, pai de Blitz, e do Xerife Trollsom; criada por Hank Saroyan, a série teria apenas 13 episódios, exibidos pela CBS entre 12 de setembro e 5 de dezembro de 1981. No mesmo dia, estrearia, também na CBS, The Kwicky Koala Show (Coala Bala), com 16 episódios exibidos até 26 de dezembro, que entraria para a história como o último trabalho do famoso animador Tex Avery, que faleceria durante sua produção. Cada episódio de Coala Bala era composto por quatro segmentos: Kwicky Koala, no qual o coala titular do desenho, que tem supervelocidade (a piada ficando por conta de que coalas são extremamente lentos), tenta escapar de um lobo que quer comê-lo; The Bungle Brothers, sobre dois cachorros que sonham em se tornar estrelas do teatro; Crazy Claws, sobre um gato selvagem que tenta escapar de um caçador e seu cachorro; e Dirty Dawg, sobre um cachorro de rua cujo melhor amigo é um rato.

Ainda em 1981, estrearia Space Stars, programa de uma hora com 11 episódios exibidos pela NBC entre 12 de setembro de 1981 e 8 de janeiro de 1982. Cada programa era composto por seis segmentos, sendo dois desenhos inéditos do Space Ghost, um dos Herculoides, e um cada de três desenhos novos: Teen Force (Força Jovem), estrelado pelos super-heróis adolescentes de outra dimensão Kid Cometa, Elektra e Molecular; Astro and the Space Mutts (Astro e os Policiais do Espaço), no qual o cachorro dos Jetsons é um dos três cães-policiais, junto a Cosmo e Dipper, que acompanham o detetive Space Ace em suas missões; e Space Stars Finale (Força Espacial), no qual Space Ghost, os Herculoides, a Força Jovem e Space Ace uniam forças contra inimigos em comum. Vale citar que esse seriam os últimos personagens inéditos criados por Hanna e Barbera, com todos os desenhos criados por eles a partir de então sendo estrelados por personagens antigos.

Para fechar as séries do ano, falta Laverne & Shirley in the Army, que teria três temporadas exibidas pela ABC entre 10 de outubro de 1981 e 3 de setembro de 1982, com um total de 48 episódios, e é uma versão animada, na qual as duas personagens são recrutas no exército, da série de TV Laverne & Shirley, exibida pela ABC entre 1976 e 1983. Para a segunda temporada, a série seria renomeada para Laverne & Shirley with Special Guest Star The Fonz, e os episódios contariam com Fonzie, de Happy Days, que era o mecânico do exército - junto com um cachorro falante chamado Mr. Cool. Já para a terceira, ela passaria a ter uma hora e se chamar Mork & Mindy / Laverne & Shirley / Fonz Hour, trazendo sempre um episódio de uma versão animada criada por Maurer da série Mork & Mindy, exibida pela ABC entre 1978 e 1982, e um de Laverne, Shirley e Fonzie no exército.

1981 ainda teria mais dois especiais dos Flintstones na NBC, The Flintstones: Wind-Up Wilma, de 4 de outubro, no qual Wilma é contratada como arremessadora do time de beisebol de Bedrock, e The Flintstones: Jogging Fever, de 11 de outubro, no qual Fred tentaria se tornar famoso sendo o primeiro cidadão de Bedrock a completar a Maratona Rockstone; o especial The Funtastic World of Hanna-Barbera Arena Show, musical encenado em Perth, Austrália, apresentado por Michael Landon e que trazia patinadores fantasiados como personagens da Hanna-Barbera, exibido pela NBC em 25 de junho; e dois filmes para a TV, The Great Gilly Hopkins, adaptação do livro de mesmo nome de Katherine Paterson protagonizado por uma órfã que não aguenta mais famílias adotivas e quer conhecer sua mãe verdadeira, estrealdo por Tricia Cast e Conchata Ferrell e exibido como parte do programa CBS Afternoon Playhouse em 9 de janeiro, e ..Deadline.., filme para a TV gravado na Austrália no qual um terrorista ameaça explodir uma bomba nuclear e um jornalista pode ter a chave para descobrir quem ele é, estrelado por Barry Newman, Bill Kerr e Trisha Noble, exibido pela ABC em 30 de dezembro. Já em 1982 teríamos mais um filme para o cinema, a animação musical Heidi's Song (A Canção de Heidi), baseado no livro de Johanna Spyri, que estrearia em 19 de novembro, e o especial de natal Yogi Bear's All Star Comedy Christmas Caper (O Natal da Turma do Zé Colmeia), exibido pela CBS em 21 de dezembro.

No início da década de 1980, a Hanna-Barbera perderia sua dominância na televisão norte-americana, graças a bem-sucedidas produções de estúdios como Ruby-Spears, Filmation, Sunbow Productions, Marvel Productions, Rankin/Bass e DiC Enterprises, que fizeram com que sua fatia na programação caísse de em torno de 80% para em torno de 20%. Isso somado a uma greve de animadores que ocorreria em 1982 faria com que a Hanna-Barbera tivesse de terceirizar a maior parte de sua animação, contratando estúdios na Austrália e na Ásia, inclusive a Toei, prática que permaneceria até os últimos dias da Hanna-Barbera.

1982 teria a estreia um dos desenhos mais bizarros da Hanna-Barbera, uma adaptação do Pac-Man, que morava na cidade de Pac-Land com sua esposa Pepper, seu filho Pac-Baby e seu cachorro Chomp-Chomp, e era sempre o alvo de uma gangue de fantasmas que queriam roubar suas pílulas de força. Primeiro desenho animado da história baseado em um videogame, Pac-Man, criado por Jeffrey Scott, era parte de um programa de 90 minutos chamado The Pac-Man / Little Rascals / Richie Rich Show, que teve 13 episódios exibidos pela ABC entre 25 de setembro e 18 de dezembro, e também contava com um desenho criado por Dick Robbins e Bryce Malek baseado na série de curtas para o cinema Os Batutinhas e com um desenho do Riquinho. Para a segunda temporada, o programa seria desmembrado, com os Batutinhas e Riquinho passando a fazer parte de The Monchhichis / Little Rascals / Richie Rich Show, que teve nove episódios exibidos entre 10 de setembro e 3 de dezembro de 1983, e também contava com um desenho criado por Robbins e Malek estrelado pelos bichos de pelúcia japoneses Monchhichis (conhecidos aqui no Brasil como Agarradinhos); e Pac-Man passando para The Pac-Man / Rubik, the Amazing Cube Hour, que teve oito episódios exibidos entre 17 de setembro e 5 de novembro de 1983, e cuja outra metade era um desenho estrelado por três irmãos latinos que encontram um Cubo Mágico que voava, falava, e realmente tinha poderes mágicos. Pac-Man também seria o astro de dois especiais exibidos pela ABC em 1982, um de Halloween (Pac-Man Halloween Special, de 30 de outubro) e um de Natal (Christmas Comes to Pac-Land, de 16 de dezembro).

Ruby e Spears quiseram fazer um desenho do Scooby-Doo, mas a Hanna-Barbera alegaria que o personagem pertencia a ela; para evitar uma batalha jurídica, eles fechariam um acordo que previa a criação de The Scooby & Scrappy-Doo / Puppy Hour, programa de uma hora co-produzido pela Hanna-Barbera e pela Ruby-Spears, que teve 13 episódios exibidos pela ABC entre 25 de setembro e 18 de dezembro de 1982. A primeira metade do programa era composta por dois episódios de sete minutos cada de Scooby & Scrappy-Doo, protagonizado por Salsicha, Scooby-Doo e Scooby-Loo, e um de sete minutos de Scrappy & Yabba-Doo, que trazia Scooby-Loo, seu outro tio, Yabba-Doo, e o Xerife Dan vivendo aventuras no Velho Oeste, enquanto a segunda metade trazia um episódio de 22 minutos de The Puppy's New Adventures, série regular continuação de quatro especiais produzidos pela Ruby-Spears para a ABC entre 1978 e 1981, baseados no filme de animação para a TV The Puppy Who Wanted a Boy, por sua vez uma adaptação do livro de mesmo nome, de Jane Thayer, no qual um filhotinho cruza o país com a ajuda de outros cachorros para tentar encontrar seu dono. A Ruby-Spears queria produzir uma segunda temporada, mas a Hanna-Barbera não quis, então eles fizeram sozinhos uma sem os desenhos do Scooby-Doo, chamada The Puppy's Further Adventures e exibida pela ABC em 1983.

Ainda em 1982, haveria a estreia de Shirt Tales (Super Tiras), protagonizado por bichinhos cujas camisas tinham letras que formavam mensagens, criados por Janet Elizabeth Manco para a Hallmark, usados em cartões de Natal, aniversário, etc. produzidos pela empresa. No desenho, criado por Bob Ogle, que teve 23 episódios exibidos pela NBC em duas temporadas, entre 18 de setembro de 1982 e 19 de novembro de 1983, o tigre Tyg, a panda Pammy, a toupeira Digger, o guaxinim Rick, o orangotango Bogey e o canguru Kip moravam em uma árvore dentro de um parque e, sem que ninguém desconfiasse, usavam um super computador e muitos apetrechos tecnológicos para combater o crime, tendo de esconder suas identidades secretas do guarda do parque, o Sr. Dinkel. No mesmo dia, estrearia na NBC The Gary Coleman Show, série animada criada por Cliff Roberts continuação do filme para a TV The Kid with the Broken Halo, no qual o ator-mirim Gary Coleman interpretava um anjo em treinamento; o desenho traz mais aventuras do anjo, também dublado por Coleman, em 13 episódios exibidos pela NBC entre 18 de setembro e 11 de dezembro. Finalmente, 1982 seria o ano da estreia de Jokebook, criado por Harry Love, projeto experimental voltado para adultos que, a cada programa, traria segmentos produzidos pela Hanna-Barbera e estrelados por seus personagens, intercalados com produções independentes e estrangeiras, todas de animação. Sete episódios foram produzidos, mas a audiência seria tão baixa que só três deles foram ao ar, na NBC, entre 23 de abril e 7 de maio.

Em 1983, 1984 e 1985, a Hanna-Barbera produziria especiais para o programa ABC Weekend Specials, três deles em múltiplas partes: The Secret World of Og era uma adaptação do livro de mesmo nome, do canadense Pierre Berton, no qual quatro crianças e seus animais de estimação descobrem um mundo secreto subterrâneo, exibido em três partes em 10 de abril, 7 e 14 de maio de 1983; enquanto The Amazing Bunjee Venture, em duas partes exibidas em 24 e 31 de março de 1984, e The Return of Bunjee, também em duas partes, exibidas em 6 e 13 de abril de 1985, eram baseados no livro The Bunjee Venture, de Stan McMurtry, no qual dois irmãos tentam salvar o pai, que inventou uma máquina do tempo e se perdeu no passado. Ainda para o ABC Weekend Specials, a Hanna-Barbera produziria The Velveteen Rabbit, adaptação do livro de mesmo nome, de Margery Williams, no qual um coelho de pelúcia sonha em se tornar um coelho de verdade, exibido em 20 de abril de 1985; e Monster in My Pocket: The Big Scream, de 31 de outubro de 1992, baseado na linha de brinquedos Monster in My Pocket.

1983 teria mais uma série do Scooby-Doo, criada por Tom Ruegger, a primeira após o acordo com Ruby e Spears. Inicialmente com o nome de The New Scooby and Scrappy-Doo Show, o desenho traria Salsicha, Scooby-Doo, Scooby-Loo e Daphne, que se apresentavam como repórteres de uma revista adolescente e solucionavam mistérios; na segunda temporada, renomeada para The New Scooby-Doo Mysteries, alguns episódios contariam com a presença de Fred e Velma. Exibido pela ABC, o desenho somaria 26 episódios, exibidos entre 10 de setembro de 1983 e 1 de dezembro de 1984. Outras produções de 1983, todas exibidas pela CBS, seriam The Dukes, criado por Ray Parker e exibido em duas temporadas, a primeira entre 5 de fevereiro e 30 de abril, a segunda entre 17 de setembro e 29 de outubro, para um total de 20 episódios, versão animada da série Os Gatões, exibida pelo mesmo canal entre 1979 e 1985; The Biskitts, criada por Poole e Swale e estrelada por um grupo de cachorrinhos que viviam num mundo medieval, com 13 episódios exibidos entre 17 de setembro e 10 de dezembro; e Benji, Zax & the Alien Prince, série com atores estrelada pelo cachorro Benji, na qual ele ajuda um menino alienígena e seu androide de companhia a fugirem de um ditador, criada por Len Janson e Chuck Menville, com 13 episódios exibidos entre 17 de setembro e 17 de dezembro.

Também em 1983, a Hanna-Barbera Australia produziria a minissérie Return to Eden, estrelando Rebecca Gilling e James Reyne, na qual uma rica e jovem viúva acredita ter encontrado o verdadeiro amor, em três partes exibidas em syndication em 29 de setembro, 6 e 13 de outubro. E 1984 veria uma estreia tardia, We Think the World Is Round, uma animação musical que conta a história de Cristóvão Colombo e do descobrimento da América, produizido na década de 1970, mas que a Hanna-Barbera não conseguiu vender para nenhum canal, somente sendo exibida pela primeira vez em 1º de outubro no canal a cabo HBO.

Em parceria com a francesa Gaumont, a Hanna-Barbera produziria o especial The Daltons on the Loose, estrelado pelo caubói Lucky Luke e exibido em syndication em 30 de dezembro de 1983. O sucesso do especial daria origem a uma série regular de Lucky Luke, também em syndication, com 26 episódios exibidos entre 15 de outubro de 1984 e 8 de abril de 1985. Outro desenho produzido pela Hanna-Barbera a partir de um licenciamento que estreou em 1984 foi Pink Panther and Sons (Os Filhos da Pantera Cor-de-Rosa), estrelado pelos dois filhos do famoso personagem dos estúdios DePatie-Freleng, o mais velho Pinky e o caçula Panky, que vivem aventuras com seus amigos do grupo Panteras do Arco-Íris, em 13 episódios exibidos pela NBC entre 8 de setembro e 1 de dezembro.

Em 1984 também estreariam Going Bananas (Miss Banana), série com atores na qual uma orangotango foge do zoológico e vai morar com uma familia do subúrbio, mas ganha superpoderes e decide usá-los para combater o crime, em 12 episódios exibidos pela NBC entre 15 e setembro e 1 de dezembro; Challenge of the GoBots (Os GoBots), concorrente dos Transformers baseado numa linha de brinquedos da japonesa Tonka, criado por Jeff Segal, em 65 episódios exibidos em syndication entre 8 de setembro de 1984 e 13 de dezembro de 1985; e Snorks, clone dos Smurfs criado pelo também belga Nic Broca, estrelado por pequenas criaturinhas olhudas que viviam no fundo do mar e respiravam por um canudo na cabeça, outra co-produção da Hanna-Barbera com a SEPP, que teve 65 episódios exibidos em 4 temporadas entre 15 de setembro de 1984 e 15 de março de 1989, as duas primeiras pela NBC e as duas últimas em syndication.

Dois novos desenhos dos Super Amigos seriam produzidos nos anos seguintes, ambos para ajudar a vender brinquedos da linha Super Powers. O primeiro seria Super Friends: The Legendary Super Powers Show (Super Powers), no qual os Super Amigos eram compostos por Superman, Batman e Robin, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Nuclear, Raio Negro, Chefe Apache, Samurai, El Dorado, os Super Gêmeos e Gleek - Aquaman e Flash estavam na abertura, mas não apareceram em nenhum episódio - e os vilões eram Darkseid (em sua primeira aparição fora dos quadrinhos), Kalibak, DeSaad, Brainiac, Lex Luthor, Sr. Mxyzptlk, Mestre das Bonecas, Mestre dos Espelhos e Barão Gatuno. O segundo seria The Super Powers Team: Galactic Guardians, no qual Superman, Batman e Robin, Mulher Maravilha, Aquaman, Cyborg, Flash, Lanterna Verde, Nuclear, Gavião Negro, Samurai e El Dorado enfrentavam Darkseid, Kalibak, DeSaad, Brainiac, Lex Luthor, Coringa, Espantalho, Pinguim, Bizarro, Sr. Mxyzptlk, Félix Fausto e a Gangue Royal Flush. Em ambos os desenhos, Lex Luthor e Brainiac tinham a aparência da linha de brinquedos (e dos quadrinhos da época), com Brainiac sendo um robô. Ambos os desenhos seriam exibidos pela ABC, e cada um teria apenas oito episódios, os do primeiro exibidos entre 8 de setembro e 27 de outubro de 1984, os do segundo entre 7 de setembro e 26 de outubro de 1985. Esses seriam os últimos desenhos dos Super Amigos produzidos pela Hanna-Barbera.

A principal estreia de 1985 seria The Funtastic World of Hanna-Barbera, programa de três horas e meia de duração oferecido em syndication. Originalmente apresentado por pessoas fantasiadas de Ze Colmeia, Dom Pixote, Pepe Legal e Leão da Montanha, mais tarde por atores-mirins, o programa trazia números musicais, esquetes de comédia, curiosidades e desenhos da Hanna-Barbera, tanto inéditos quanto reprises, com cada canal tendo certa liberdade para escolher quais desenhos fariam parte do bloco; a maioria dos canais que comprou o programa o exibiria aos domingos à tarde, mas alguns optariam por exibi-lo durante a semana ou aos sábados pela manhã. The Funtastic World of Hanna-Barbera iria ao ar durante quase dez anos, entre 1985 e 1994, com diferentes números de episódios dependendo do canal. Em 1988 ele contaria, dentre suas atrações, com um game show chamado Skedaddle; e, em 1990, seria apresentado pelos atores Kenny Ford e Jennifer Love Hewitt, ambos ainda pré-adolescentes.

1985 também seria o ano de estreia de novos desenhos de Ze Colmeia e Scooby-Doo. O do primeiro seria Yogi's Treasure Hunt (Zé Colmeia e os Caça-Tesouros), no qual Ze Colmeia, Catatau, Dom Pixote, Pepe Legal, Leão da Montanha, Bibo Pai, Bobi Filho, Olho Vivo e Faro Fino embarcam em uma gincana coordenada pelo Manda-Chuva, visitando de navio diversos locais ao redor do mundo, obtendo uma pista para o próximo destino a cada episódio, tentando alcançar um tesouro escondido antes de Dick Vigarista e Muttley. O desenho teria 27 episódios divididos em 3 temporadas, exibidos entre 6 de setembro de 1985 e 25 de março de 1988, e estrearia diretamente em syndication. Seria a última produção da Hanna-Barbera a contar com o lendário dublador Daws Butler, que faleceria em 1988, e a primeira a usar técnicas digitais para colorir os planos de fundo. Já o de Scooby-Doo seria The 13 Ghosts of Scooby-Doo (Os Treze Fantasmas de Scooby-Doo), criado por Mitch Schauer e Tom Ruegger, com 13 episódios exibidos pela ABC entre 7 de setembro e 7 de dezembro, no qual Salsicha e Scooby-Doo inavertidamente abrem um baú mágico que aprisionava treze fantasmas malignos, recebendo a missão de viajar pelo mundo e recapturá-los, contando com a ajuda de Daphne, Scooby-Loo, do menino órfão Flim-Flam e do feiticeiro Vincent Van Doido.

Outras produções de 1985 seriam Paw Paw Bears (Paw Paws, os Ursinhos Mágicos), criado por Berny Wolf, sobre uma tribo de ursinhos nativo-americanos, com várias referências à cultura e mitologia dos povos originários da América do Norte, que teve 21 episódios exibidos em syndication entre 15 de setembro de 1985 e 2 de fevereiro de 1986; Galtar and the Golden Lance (Galtar e a Lança Dourada), que também estreraria em syndication, com 21 episódios exibidos entre 2 de setembro de 1985 e 20 de janeiro de 1986, criado por Neal Barbera, filho de Joseph, e ambientado em um mundo medieval fantástico, no qual o aventureiro Galtar, a Princesa Goleeta e seu irmão Zorn, que tem poderes psíquicos, combatem o usurpador Tormack, usando como principal arma a Lança Dourada; The Berenstain Bears, criada por Joe Cates, série animada baseada na série de livros de mesmo nome, de Stan e Jan Berenstain, com duas temporadas exibidas pela CBS, totalizando 26 episódios, entre 14 de setembro de 1985 e 6 de dezembro de 1986; e CBS Storybreak, programa exibido entre 30 de março de 1985 e 28 de janeiro de 1989, com um total de 26 episódios em 3 temporadas, apresentado por Bob Keeshan, que, a cada edição, trazia uma adaptação de um livro infantil ou fábula, todos produzidos pela Hanna-Barbera Australia. O programa teria uma quarta temporada em 1993, apresentada por Malcolm-Jamal Warner, mas na qual os desenhos seriam produzidos pela CBS Entertainment Productions.

Também em 1985, a Hanna-Barbera produziria dois especiais baseados em outros brinquedos da Tonka, ambos estreando em syndication em 26 de outubro: Star Fairies e Pound Puppies. Star Fairies, sobre um grupo de fadinhas que têm o poder de conceder desejos e faz amizade com uma menininha (dublada por Drew Barrymore), não faria muito sucesso, mas Pound Puppies (cujos brinquedos foram lançados no Brasil com o nome de Snif-Snif), sobre um grupo de cachorrinhos que mora em um canil e aguarda adoção, teria boa audiência, e a Hanna-Barbera decidiria transformá-lo em uma série regular (exibida no Brasil com o nome de Os Cãezinhos do Canil), que teve duas temporadas, com um total de 26 episódios, exibidos pela ABC entre 13 de setembro de 1986 e 19 de dezembro de 1987, mudando de nome para All New Pound Puppies na segunda temporada.

1986 seria o ano de estreia de Os Flintstones nos Anos Dourados, que trazia aventuras de Fred, Wilma, Barney e Betty quando crianças, em 26 episódios, divididos em duas temporadas, exibidos pela ABC entre 13 de setembro de 1986 e 14 de novembro de 1987; de Wildfire (Cavalo de Fogo), criado por Segal e Kelly Ward, no qual uma menina que vive em um rancho no interior dos Estados Unidos descobre ser a princesa exilada de um reino medieval fantástico, contando com a ajuda de um cavalo falante para derrotar uma usurpadora e assumir o trono, em 13 episódios exibidos pela CBS entre 13 de setembro e 13 de dezembro; de Foofur, criado por Phil Mendez, terceira parceria da Hanna-Barbera com a SEPP, estrelado por um pequeno cachorro amarelo de mesmo nome e seus amigos, em 26 episódios divididos em duas temporadas, exibidos pela NBC entre 13 de setembro de 1986 e 5 de dezembro de 1987; de The New Adventures of Jonny Quest (As Novas Aventuras de Jonny Quest), com 13 episódios exibidos em syndication entre 14 de setembro de 1986 e 1 de março de 1987, no qual o grupo do Dr. Quest tinha de combater um cientista maligno chamado Dr. Zin, e contava com a ajuda de um homem de pedra chamado Hardrock; e de Teen Wolf (Teen Wolf: O Garoto do Futuro), série animada criada por Gordon Kent, que teve 21 episódios em duas temporadas, exibidos pela CBS entre 13 de setembro de 1986 e 7 de novembro de 1987, baseada no filme de mesmo nome, estrelado por Michael J. Fox.

Em 1986 também estreariam The Flintstones' 25th Anniversary Celebration, especial que misturava atores e animação, apresentado por Tim Conway, Harvey Korman e Vanna White e exibido pela CBS em 20 de maio, que relembrava a trajetória dos Flintstones; e duas produções da Hanna-Barbera Australia, a minissérie The Last Frontier, em dois episódios exibidos em syndication em 5 e 7 de outubro, na qual uma mãe solteira de Los Angeles (Linda Evans) se apaixona por um australiano criador de gado (Tony Bonner) e decide se mudar com ele para a Austrália, tendo problemas de adaptação; e o filme para a TV Shark's Paradise, espécie de versão australiana da série Miami Vice, estrelada por David Reyne, Sally Tayler e Ron Becks, exibido também em syndication em 13 de março. Nos cinemas, estrearia em 21 de março GoBots: Battle of the Rock Lords, longa-metragem de animação no qual os GoBots se aliam aos Rock Lords, outra linha de brinquedos da Tonka, para combater um inimigo em comum.

Também em 1986, finalmente seriam produzidos os desenhos com temas bíblicos, criados como parte de um contrato da Hanna-Barbera com a National Catholic Office for Radio and Television, lá no início da década de 1970. Esses desenhos acabariam sendo todos lançados em home video, seis deles ainda em 1986: Moses (Moisés), Noah's Ark (A Arca de Noé), David and Goliath (Davi e Golias), Daniel and the Lion's Den (Daniel na Cova dos Leões), Joshua and the Battle of Jericho (Josué e a Batalha de Jericó) e Samson and Delilah (Sansão e Dalila). Outros sete seriam lançados nos anos seguintes: The Nativity (O Nascimento de Jesus, 1987), The Creation (A Criação do Universo, 1988), The Easter Story (A História da Páscoa, 1989), Joseph and His Brothers (José e Seus Irmãos, 1990), The Miracles of Jesus (Os Milagres de Jesus, 1991), Queen Esther (A Rainha Ester) e Jonah (Jonas, ambos em 1992). Com o nome coletivo de The Greatest Adventure: Stories from the Bible (Histórias da Bíblia), todos os desenhos eram estrelados por três crianças, Derek, Margo e Moki, que viajavam pelo tempo para presenciar os eventos bíblicos.

Em 1987, a Taft passaria por dificuldades financeiras que afetariam a Hanna-Barbera, decidindo vendê-la para a American Financial Corporation. Isso afetaria a produção da Hanna-Barbera, que naquele ano, só lançaria duas novas séries animadas: Sky Commanders, criada por Segal e beaseada em uma linha de brinquedos da Kenner, no qual um grupo de pesquisadores usando mochilas altamente tecnológicas protege uma nova fonte de energia de um grupo de mercenários, com 13 episódios exibidos entre 5 de julho e 27 de setembro em syndication; e um novo desenho do Popeye, Popeye and Son (Popeye e Filho), criado por Segal, Ward e John Loy, no qual Popeye e Olívia tinham um filho de uns sete anos, chamado Júnior, que não gostava de espinafre e era importunado pelo filho de Brutus, Tank, em 13 episódios exibidos pela CBS entre 19 de setembro e 12 de dezembro.

Como eram mais baratos que séries, em 1987 a Hanna-Barbera decidiria investir em filmes para a TV, criando o programa Hanna-Barbera Superstars 10, uma série de dez especiais produzidos para serem exibidos como parte do programa The Funtastic World of Hanna-Barbera, mas depois também vendidos em syndication para canais que não compraram o programa. Quatro desses especiais estreariam ainda em 1987, Yogi's Great Escape (A Grande Fuga do Zé Colmeia, 20 de setembro), Scooby-Doo Meets the Boo Brothers (Scooby-Doo e os Irmãos Pavor, 18 de outubro), The Jetsons Meet the Flintstones (Os Jetsons e os Flintstones se Encontram, 15 de novembro) e Yogi Bear and the Magical Flight of the Spruce Goose (Zé Colmeia e Seu Voo Mágico, 22 de novembro), com outros seis sendo lançados em 1988, Top Cat and the Beverly Hills Cats (Manda-Chuva: A Fortuna do Batatinha, 20 de março), The Good, the Bad, and Huckleberry Hound (O Bom, O Mau e o Dom Pixote, 6 de maio), Rockin' with Judy Jetson (Curtindo com Judy Jetson, 18 de setembro), Scooby-Doo and the Ghoul School (Scooby-Doo e a Escola Assombrada, 16 de outubro), Scooby-Doo and the Reluctant Werewolf (Scooby-Doo e o Lobisomem, 13 de novembro), e Yogi and the Invasion of the Space Bears (Zé Colmeia e a Invasão dos Ursos Espaciais, 20 de novembro).

Outras produções da Hanna-Barbera em 1987 foram Rock Odyssey, filme musical para a TV no qual uma mulher tenta reencontrar seu amor de infância, com sua jornada sendo paralela à história do rock de 1950 a 1980, filme que foi o último trabalho de Scatman Crothers, que atua como narrador, e por isso recebeu uma sessão especial de cinema em Los Angeles em 13 de julho, mesmo dia em que foi exibido pela ABC; The Little Troll Prince, especial de Natal baseado em uma lenda norueguesa, mas com fortes alegorias e mensagens cristãs protestantes, já que foi financiado pela Liga Internacional Luterana, exibido em syndication em 27 de novembro; Stone Fox, adaptação do livro infantil de mesmo nome, de John Reynolds Gardiner, no qual um menino, na época do Velho Oeste, decide participar de uma corrida de trenós puxados por cachorros para usar o dinheiro do prêmio para quitar as dívidas do rancho de seu avô, exibido pela NBC em 30 de março e estrelando Buddy Ebsen, Joey Cramer, Gordon Tootoosis e Belinda Montgomery; e Ultraman: The Adventure Begins, animação para o cinema co-produzida com a Tsuburaya (e curiosamente lançada no Japão com o nome de Ultraman USA), que estreou em 12 de outubro.

Em 1988 estrearia A Pup Named Scooby-Doo (O Pequeno Scooby-Doo), criado por Tom Ruegger, que trazia Fred, Daphne, Velma, Salsicha e Scooby-Doo quando crianças, mas ainda solucionando mistérios que ocorriam na vizinhança - atribuindo muitos deles a um vizinho chamado Ruivo Hering (trocadilho em inglês com red herring, expressão usada quando uma pista falsa é plantada para despistar a polícia). Com 27 episódios divididos em quatro temporadas, exibidas pela ABC entre 10 de setembro de 1988 e 17 de agosto de 1991, O Pequeno Scooby-Doo seria um sucesso tão grande que, durante a segunda temporada, Ruegger seria contratado pela Warner para criar os Tiny Toons, que eram basicamente versões infantis dos personagens dos Looney Tunes, levando a maior parte da equipe de animação com ele, o que prejudicou a produção e evitou que mais episódios fossem feitos. O Pequeno Scooby-Doo seria o último papel de Don Messick, que fazia a voz de Scooby-Doo desde sua estreia, antes de seu falecimento.

1988 também teria a estreia do primeiro desenho produzido pela Hanna-Barbera para a BBC, Fantastic Max, criado por Judy Rothman Rofé, Robin Lyons e Mike Young, que acompanhava as aventuras do menino Max e de dois brinquedos, uma babá-androide feita de blocos de montar chamada A.B. Sitter e um boneco de alienígena chamado FX, em 26 episódios divididos em duas temporadas, exibidos entre 17 de setembro de 1988 e 21 de janeiro de 1990, mais tarde vendidos nos Estados Unidos para syndication. Outras produções de 1988 foram o novo desenho do Zé Colmeia, The New Yogi Bear Show (As Novas Aventuras do Zé Colmeia), com 45 episódios exibidos em syndication entre 12 de setembro e 11 de novembro, último desenho criado por Hanna e Barbera; e The Completely Mental Misadventures of Ed Grimley, criado por John Hays e estrelado por um personagem criado pelo comediante Martin Short para o programa SCTV e usado por ele também no Saturday Night Live, também dublado por Short no desenho, que teve 13 episódios exibidos pela NBC entre 10 de setembro e 3 de dezembro, e combinava aventuras fantásticas de Ed Grimley em animação com segmentos com atores, contando com os demais comediantes do SCTV, como Joe Flaherty, Jonathan Winters e Catherine O'Hara, tanto como dubladores quanto nesses segmentos.

Em 15 de setembro de 1988, seria exibido pela ABC The Flintstone Kids' "Just Say No" Special, no qual os Flintstones (em sua versão infantil, de Os Flintstones nos Anos Dourados) alertavam os espectadores para os perigos das drogas. Já em 1989, iriam ao ar Hägar the Horrible: Hägar Knows Best (Hagar, o Horrível), especial exibido pela CBS em 1 de novembro, primeira animação estrelada pelos personagens da famosa tirinha de jornal do viking Hagar, que seria o piloto para uma série regular, mas não receberia a luz verde; e Hanna-Barbera's 50th: A Yabba Dabba Doo Celebration, programa que combinava atores e animação para celebrar os 50 anos da Hanna-Barbera - contados a partir de quando Hanna e Barbera começaram a trabalhar juntos na MGM. Apresentado por Tony Danza e Annie Potts, e exibido pelo canal a cabo TNT em 17 de julho, esse seria o último trabalho dos dubladores Mel Blanc e George O'Hanlon, que faleceriam antes de sua estreia, sendo homenageados no ar junto com Daws Butler, que faleceu durante sua produção.

1989 também seria o ano de estreia de The Further Adventures of SuperTed, criada por Mike Young e David Edwards, que teve 13 episódios exibidos pela BBC entre 21 de janeiro e 25 de abril, mais tarde vendidos nos Estados Unidos em syndication, e era a segunda temporada do desenho estrelado pelo urso de pelúcia com superpoderes SuperTed, criado pelo galês Young, cuja primeira temporada, chamada simplesmente SuperTed, produzida pela Siriol Animation, havia ido ao ar também pela BBC, em 1982. Outro projeto da Hanna-Barbera para a televisão britânica, também mais tarde vendido em syndication nos Estados Unidos, seria Paddington Bear, criado por Gordon Kent baseado na série de livros do Ursinho Paddington, escrita por Michael Bond, que teve 13 episódios exibidos pela ITV entre 2 de dezembro de 1989 e 21 de janeiro de 1990.

E vamos parar por aqui. Em breve, a conclusão!
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sábado, 17 de outubro de 2026

Escrito por em 17.10.26 com 0 comentários

It

Eu sou fã de Stephen King, mas raramente eu me animo a falar sobre alguma obra dele aqui no átomo - em parte porque, durante muito tempo, eu relutei em falar aqui sobre terror. Mas hoje eu me animei, e decidi falar sobre meu livro favorito dele - e sobre suas adaptações. Hoje é dia de It no átomo!

Lançado em 1986, It (que, no Brasil, também pode ser encontrado com o nome A Coisa) é um livro enorme (mais de mil páginas!) que conta uma história de forma não-linear, alternando entre dois períodos de tempo separados por 27 anos. Ele seria responsável por introduzir um dos vilões mais icônicos de todos os tempos - Pennywise, o Palhaço Dançarino - e por criar a impressão de que toda boa história de King é protagonizada por crianças. Por incrível que pareça, entretanto, quando de seu lançamento ele foi extremamente criticado, e ainda hoje há quem encontre vários defeitos, não o elencando dentre as maiores obras de King.

Ambientada na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, Estados Unidos, a história começa no ano de 1957, quando um menino de nome Georgie Denbrough desaparece durante uma tempestade. Georgie foi abduzido e morto por Pennywise, mas ninguém testemunhou o fato, e as autoridades classificam o caso como sequestro. Algum tempo depois, chega à cidade Ben Hanscom, menino gordinho que automaticamente se torna alvo do valentão da escola, Henry Bowers. Fugindo de Henry, Ben topa com Bill Denbrough, irmão mais velho de Georgie, que sofre de gagueira, e com o hipocondríaco Eddie Kaspbrak; se identificando como párias, os três decidem formar um grupo que chamam de Clube dos Perdedores, e que logo ganhará novos membros, todos párias como eles: Richie Tozier, que é boca-suja e abusado; o tímido judeu Stan Uris; Beverly Marsh, que é maltratada pelo pai; e o esperto Mike Hanlon, que sofre racismo por ser negro numa cidade majoritariamente branca.

Aos poucos, Pennywise passa a aterrorizar os Perdedores, aparecendo para eles em várias formas horripilantes através de ilusões que eles não conseguem diferenciar da realidade. Mike descobre que ele não é um palhaço, e sim uma entidade (supostamente alienígena) que possui total controle sobre a cidade de Derry, e a cada 27 anos retorna para se alimentar, causando alguma grande catástrofe e hibernando depois disso. A partir daí, a história passa a contar também eventos ocorridos em 1984, quando os Perdedores, já adultos e morando fora da cidade, precisam retornar a Derry para tentar deter Pennywise de uma vez por todas.

King teria a ideia para escrever o livro em 1978, quando morava com sua família na cidade de Boulder, no Colorado. Um dia, seu carro estava na oficina e ele decidiu ir buscá-lo a pé, passando por uma ponte de madeira que o lembrou da fábula norueguesa De tre bukkene Bruse, na qual três bodes vivem em um local com pouca grama, sendo que, do outro lado de uma ponte de madeira, há um pasto verdejante no qual eles poderiam se fartar, mas também um troll, que devora qualquer um que tente atravessar a ponte; os três bodes, então, decidem usar sua inteligência para derrotar o troll e tornar a ponte e o pasto seguros. Por alguma razão que só faz sentido na mente de King, ele começaria a imaginar como ficaria a história caso ocorresse na época atual e com seres humanos, e, após ler um poema de Marianne Moore, no qual ela fala sobre "jardins imaginários com sapos reais", teria a ideia de criar uma história com "um troll real em um jardim imaginário".

Envolvido com outros projetos, King não retomaria essa ideia até 1980, quando desenvolveria o conceito de intercalar as narrativas dos mesmos personagens quando adultos e quando crianças, usando também ideias que acumularia para outras histórias mas jamais usaria - como fatos sobrenaturais que teriam ocorrido durante a construção da rede de esgoto da cidade de Bangor, no Maine. King levaria cinco anos para terminar a história, da qual os principais temas são a perda da inocência infantil e a divergência entre necessidade e livre arbítrio; críticos também apontariam a importância que o status de pária dos Perdedores tem para a narrativa, considerando que suas vidas marginalizadas criam um clima de terror muito maior que as aparições de Pennywise.

It seria publicado pela primeira vez em 15 de setembro de 1986 pela editora Viking, sendo massacrado pela crítica, que considerou que não havia motivação suficiente para os Perdedores se reunirem novamente depois de adultos, e que as crianças, apesar de suas vidas miseráveis, eram retratadas como "perfeitas demais", o que tornava todas as partes do livro nas quais Pennywise não aparecia "frustrantes e tediosas". Um elemento que até hoje causa muita controvérsia é uma cena de sexo entre as crianças; King jamais deu nenhuma declaração direta sobre ela, com alguns críticos interpretando que ele quis dizer que uma das formas de se perder a inocência da infância é através do sexo, e outros indo ainda além e dizendo que a cena reflete que, uma vez tendo se tornado adulto, não há nada que se possa fazer para voltar a ser criança. Compreensivelmente, a cena não está em nenhuma das adaptações da obra, e até hoje gera discussão entre os que a consideram problemática e os que acham que ela é um dos pontos principais da história. Na Europa, o livro seria mais bem aceito pela crítica que nos Estados Unidos, ganhando o British Fantasy Award de 1987 e com a BBC o elegendo um dos 200 livros "mais amados" do século XX.

Mesmo desagradando a crítica, o livro seria um dos mais vendidos do ano - segundo a Publishers Weekly, publicação voltada a livreiros e bibliotecários, seria o livro de capa dura mais vendido de 1986 - e Pennywise seria eleito por várias publicações especializadas como um dos monstros mais aterrorizantes da literatura - mais recentemente, ele ganharia o título de "palhaço mais assustador da cultura pop". Esse desempenho logo faria com que vários estúdios procurassem King para conversar sobre uma adaptação, mas o tamanho do livro o tornava proibitivo para o cinema, e King não aceitava que a história fosse reduzida, resumida ou dividida de nenhuma forma. Restava, então, uma adaptação para a televisão.

Até então, apenas uma obra de King havia sido adaptada para a TV, A Hora do Vampiro, de 1975, que, em 1979, daria origem a uma minissérie em dois episódios exibidos pela CBS, dirigidos por Toby Hooper, de O Massacre da Serra Elétrica. Apesar de ser bastante fiel ao livro, e um grande sucesso de audiência, a minissérie não agradaria King, que, em 1983, declararia que os executivos da televisão tinham "o coração muito fraco" e muito pouca imaginação para "lidar com o horror de verdade". Quando começaram as conversas para que It fosse adaptado também para uma minissérie, King se mostraria cético, dizendo que a censura auto-imposta pela televisão jamais permitiria que fossem mostradas crianças em perigo; além disso, séries de terror dos anos 1980, como Sexta-Feira 13: O Legado (exibida originalmente no Brasil com o nome de Loja do Terror) e A Hora do Pesadelo: O Terror de Freddy Krueger costumavam ter baixo orçamento e efeitos especiais pífios, o que comprometeria muito as ilusões de Pennywise.

A ABC, entretanto, decidiria pagar para ver, e ofereceria a King uma soma fabulosa para que It fosse adaptado para uma minissérie com duração total entre oito e dez horas, algo que surpreenderia King, que, em entrevistas, diria achar impossível que o livro fosse adaptado para "quatro horas, mais comerciais". A ousadia da ABC era baseada em um tripé: primeiro, minisséries estavam fazendo grande sucesso na televisão norte-americana no final dos anos 1980, já que permitiam adaptações de livros considerados extensos demais para o cinema; segundo, a mais recente adaptação de uma obra de King para o cinema, Cemitério Maldito, de 1989, havia sido um imenso sucesso de bilheteria; e terceiro, It era protagonizado por crianças, assim como Conta Comigo, de 1986, outra adaptação de King de grande sucesso nos cinemas, que também gerou grande audiência quando exibida pela ABC. Algumas organizações se mostrariam preocupadas com a adaptação de uma obra de terror protagonizada por crianças para a televisão, meio no qual seria mais fácil que crianças a assistissem do que no cinema, onde há mais controle, mas a ABC prometeria focar mais nos aspectos de drama da história do que nos de terror, algo que também imaginava que contribuiria para a audîência, já que minisséries de drama estavam sendo bastante bem-sucedidas na época.

Inicialmente, a ABC convidaria George Romero, de A Noite dos Mortos Vivos, para dirigir a minissérie, que teria cinco episódios de duas horas cada, e seria ambientada em uma "cidadezinha do interior de Massachusetts" ao invés de em Derry. Romero se entregaria de corpo e alma à minissérie, chegando ele mesmo a desenhar alguns storyboards, mas acabaria desligado da produção sob a alegação de que ele estava se dedicando mais ao remake de A Noite dos Mortos Vivos do que a It - boatos diriam, entretanto, que Romero estava fazendo a minissérie "muito explícita" para a televisão, e que teria sido isso que desagradou a ABC.

Junto com Romero, a ABC contrataria o roterista Lawrence D. Cohen, responsável pelo roteiro do filme Carrie, a Estranha, também baseado em um livro de King. Cohen sugeriria que a minissérie tivesse cerca de três horas, divididas em dois episódios de cerca de uma hora e meia cada; ele não concordaria, porém, com a estrutura narrativa do livro, que fica indo e voltando, concentrando a história das crianças na primeira parte e a dos adultos na segunda - e trazendo a história para a data da minissérie, com a primeira parte ocorrendo em 1963 e a segunda em 1990. Após a saída de Romero, a ABC convidaria o diretor Tommy Lee Wallace, de Halloween, que jamais havia lido o livro, e preferiria ler o roteiro de Cohen sem fazê-lo, acreditando que isso o ajudaria a ser imparcial. Wallace acharia a segunda parte muito melodramática e sem o mesmo ritmo da primeira, e faria várias anotações de mudanças que gostaria que fossem feitas; Cohen, contudo, já estava envolvido com outros projetos, e não teria tempo para fazer as alterações, com o próprio Wallace decidindo fazê-las. No fim, Cohen seria creditado como o roteirista da primeira parte, e Wallace como o da segunda.

As filmagens durariam três meses, ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e custariam 12 milhões de dólares, o dobro do usual para uma minissérie em duas partes, segundo a ABC, para que a produção se parecesse com um filme de cinema. Muitas cenas seriam extremamente difíceis de se filmar, como a da explosão do balão no banheiro de Beverly, já que várias vezes ele explodiu antes do tempo, e a da perseguição nos esgotos, na qual os atores tinham de tomar cuidado para não se cortar em várias bordas enferrujadas; uma das cenas mais famosas, a do restaurante chinês, seria filmada sem que os atores soubessem o que iria acontecer, para que suas expressões de medo fossem genuínas. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Fantasy II, que já havia trabalhado em Cemitério Maldito, e seriam feitos quase em sua totalidade usando maquetes, bonecos e truques de câmera, já que a computação gráfica, na época, e principalmente na televisão, sairia caríssima e não teria o efeito desejado; ainda assim, algumas cenas teriam retoques de animação - usando uma técnica parecida com a do stop motion - ou digitais, como a cena na qual Pennywise sai de um álbum de fotografias.

Muitas cenas criadas por Wallace que chegaram até a ganhar storyboards tiveram de ser alteradas durante as filmagens porque seus efeitos especiais estourariam o orçamento. Wallace também se mostraria insatisfeito por ter de reduzir a profundidade de alguns personagens e cortar algumas das cenas mais famosas do livro, para não estourar o tempo total da minissérie, declarando que "o principal estava na tela, o resto são baixas de guerra". Enquanto a minissérie estava em produção, estrearia outra aposta da ABC, Twin Peaks, que também teria grande audiência e boas críticas; isso permitiria que alterações no roteiro fossem feitas para deixar It ainda mais fiel ao livro, com Wallace declarando que Twin Peaks estava provando que uma série "não precisa ser igual a todas as outras" para fazer sucesso, e que era possível sair do lugar-comum sem recorrer a violência extrema ou conteúdo sexual - ainda assim, ele se diria decepcionado por ter de deixar de fora a cena de sexo entre as crianças.

O visual de Pennywise seria criado pelo maquiador Bart Mixon, inspirado na caracterização feita pelo ator Lon Chaney para O Fantasma da Ópera, de 1925. Mixon começaria a trabalhar no conceito antes de o ator que interpretaria Pennywise fosse escolhido; Malcolm McDowell, Roddy McDowall e o cantor Alice Cooper seriam considerados para o papel, mas Wallace pediria que o palhaço fosse interpretado por Tim Curry, que não tinha experiência com filmes de terror - pelo contrário, ele era visto como um ator de comédia, o que inicialmente fez com que a ABC o rejeitasse - mas tinha experiência de sobra com maquiagem pesada e improvisação, dois fatores que o diretor considerava cruciais para o papel. Curry trabalharia com Mixon para que a maquiagem usasse o mínimo possível de próteses e látex, para que ele tivesse liberdade para suas expressões faciais; segundo Mixon, o resutado final seria surpreendente, e transformaria o ator em um "desenho vivo". Curry era sempre o primeiro a chegar no set, já que sua maquiagem e figurino levavam cerca de três horas para serem completados; uma vez "transformado", ele fazia questão de tratar os demais atores como se ele realmente fosse Pennywise, o que fazia com que todos procurassem se manter afastados dele o máximo possível - segundo um dos atores-mirins, ele teria dito querer que o medo deles fosse real durante as gravações. Com as crianças figurantes, porém, Curry fazia o contrário, sendo tão doce e engraçado com elas que algumas nem sabiam que estavam participando de um filme de terror - durante a gravação da cena no teatro, ocorreriam vários atrasos, durante os quais Curry cantava e dançava com as crianças.

No livro, Pennywise se transforma em vários outros personagens; muitos deles foram cortados da minissérie por questão de tempo, e os que foram mantidos, como o lobisomem e a cabeça na geladeira, exigiram muita criatividade da equipe de efeitos especiais. O mais problemático - e único que não podia ser cortado - foi a aranha, que consumiu 200 mil dólares do orçamento, 13 semanas para ficar pronta, e levou o presidente da Fantasy II a declarar que eles achavam que iam fazer "um filme de terror, não Jasão e o Velo de Ouro" - uma alusão ao filme de 1963 cheio de efeitos de stop motion criados por Ray Harryhausen. O resultado final media 75 m de comprimento, pesava 250 kg, seria considerado uma das criaturas mais impressionantes já feitas para uma produção da televisão, e quase não seria liberada pela alfândega canadense quando chegou à fronteira. O operador Brent Baker precisaria de três meses para aprender a movimentá-la corretamente, e a equipe completa responsável por trazê-la à vida contava com 15 pessoas, três delas somente para movimentar a cabeça por controle remoto. King ficaria desapontado com a aranha, que ganharia o apelido de "muppet do inferno" e hoje está guardada em um galpão em Houston, Texas.

Chamada no Brasil de It: Uma Obra-Prima do Medo, a minissérie seria exibida pela ABC em 18 e 20 de novembro de 1990, e seria um sucesso colossal, com a primeira parte tendo quase 30 milhões de espectadores e a segunda sendo o programa mais gravado do mês em VHS - no geral, a minissérie seria o terceiro programa de televisão mais assistido do ano, atrás apenas dos filmes Medalha de Honra, da Hallmark, exibido pela NBC, e The Incident, exibido pela CBS. It seria indicada para dois Emmys, perdendo o de Melhor Edição para uma Minissérie ou Especial de Uma Câmera, mas ganhando o de Melhor Composição Musical para uma Minissérie ou Especial de Drama, na primeira vez em que um compositor ganharia esse prêmio por uma obra de terror. Além de Curry como Pennywise, o elenco conta com Richard Thomas e Jonathan Brandis como Bill (adulto / criança, respectivamente, todos os atores eu vou escrever assim), Annette O'Toole e Emily Perkins como Beverly, John Ritter e Brandon Crane como Ben, Harry Anderson e Seth Green como Richie, Dennis Christopher e Adam Faraizl como Eddie, Tim Reid e Marlon Taylor como Mike, Richard Masur e Ben Heller como Stan, Michael Cole e Jarred Blancard como Henry, Olivia Hussey como Audra, e Tony Dakota como Georgie.

Durante anos, houve planos para uma nova adaptação de It para a televisão, com os projetos mais promissores sendo um da Warner, de 2004, para fazer um filme de duas horas, e um do Sci-Fi Channel, de 2006, para uma minissérie que totalizaria quatro horas. Em 2009, o roteirista David Kajganich, de Invasores, procuraria a Warner e se ofereceria para escrever um roteiro, mas para o cinema; a Warner decidiria apostar, inclusive permitindo que Kajganich escrevesse um filme R (proibido para menores de 18 anos), mas com a condição de que o roteiro tivesse no máximo 120 páginas e o filme em torno de duas horas. Kajganich toparia o desafio, decidindo trazer a história também para a década atual, ambientando a parte protagonizada pelas crianças na década de 1980; ele teria muita dificuldade, entretanto, para acomodar o grande número de personagens em duas épocas simultâneas nas 120 páginas exigidas pela Warner, entregando o cargo cerca de um ano depois.

A Warner, porém, decidiria levar o projeto adiante, e, em 2012, contrataria o diretor Cary Joji Fukunaga, que reescreveria o roteiro de Kajganich, mais tarde se tornando co-roteirista ao lado de Chase Palmer. Por razões fiscais, a Warner transferiria a produção para sua subsidiária New Line Cinema, a qual Fukunaga convenceria que condensar toda a história em um único filme de duas horas era impossível, sendo melhor o estúdio a fazer dois filmes, o primeiro somente com a parte das crianças, o segundo com a parte dos adultos. Fukunaga também assinaria apenas para dirigir o primeiro filme, embora estivesse disposto a co-escrever ambos. A pré-produção do primeiro filme começaria em fevereiro de 2015, com Fukunaga escolhendo Will Poulter para interpretar Pennywise, se dizendo impressionado com seu teste; ele também confirmaria que o filme seria ambientado na década de 1980, para que o segundo o fosse na época atual.

Em maio, porém, Fukunaga deixaria a produção, alegando que a New Line estava desrespeitando suas ideias e querendo reescrever o roteiro para transformar It em um "filme de horror convencional", algo que ele havia deixado bem claro desde o começo não ser o caso. Dois meses depois, a New Line anunciaria Andy Muschietti como diretor, com o roteiro sendo creditado a Palmer, Fukunaga e Gary Dauberman, que reescreveria as partes que não estavam agradando ao estúdio; Poulter deixaria o projeto logo depois, alegando conflito de data com outras filmagens com as quais já havia se comprometido, com Bill Skarsgård sendo escolhido para substituí-lo em junho de 2016, com a equipe de produção valorizando seu 1,92 m de altura, que contribuiria para que Pennywise se tornasse ainda mais assustador. Muschietti confirmaria que o filme receberia classificação R, que a primeira parte seria ambientada em 1989 e a segunda em 2016, e que ambos os filmes conteriam material novo, que não estava presente nem no livro, nem na minissérie; as transformações de Pennywise também seriam "atualizadas", já que, no livro e na minissérie, elas fazem referências a monstros do cinema, como a múmia e o lobisomem, em voga nos anos 1950, mas, para assustar crianças do fim dos anos 1980, seria necessária uma abordagem diferente.

As filmagens mais uma vez ocorreriam no Canadá, com a cidade de Port Hope servindo como Derry; algumas cenas e panorâmicas também seriam filmadas em Toronto e nas cidades de Oshawa e Riverdale, além de em Bangor, no Maine, e em Nova Iorque. O figurino de Pennywise, ao invés de uma roupa de palhaço tradicional, teria elementos de vestimentas do Renascimento e da Era Elisabetana, para refletir a idade avançada do personagem, mas tudo como se fosse uma roupa desenhada para uma boneca, e não para um adulto, para representar sua ligação com as crianças. A maior parte dos efeitos especiais ficaria a cargo da Rodeo FX, e seriam feitos através de computação gráfica, inclusive a aranha, que havia dado tanto trabalho à equipe da minissérie; a maquiagem de Pennywise, contudo, seria feita ao estilo tradicional pela Amalgamated Dynamics, pois Muschietti acreditava que ele assim ficaria mais sinistro, com apenas alguns retoques digitais sendo aplicados quando seus olhos ou boca assumiam características monstruosas.

Com o nome no Brasil de It: A Coisa e 135 minutos de duração, o filme estrearia em 5 de setembro de 2017 em 4103 salas dos Estados Unidos, um recorde para um filme de classificação R. Com orçamento de 40 milhões de dólares, quase nada se comparado a outras grandes produções da época, renderia 327,5 milhões nos Estados Unidos e quase 703 milhões somando o mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso. It se tornaria o filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, o filme de menor orçamento a ultrapassar 100 milhões na bilheteria, e a maior bilheteria dentre todas as adaptações de obras de King, superando O Iluminado, de 1980, algo que, durante muito tempo, foi considerado impossível. A crítica também seria extremamente positiva, elogiando o desempenho dos atores mirins, o roteiro, a fotografia e a trilha sonora, além da aclamada interpretação de Skarsgård. Muitos críticos apostaram em indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar, com alguns declarando que Skarsgård tinha chance como melhor ator, mas nenhuma veio.

A pré-produção do segundo filme começaria durante a pós-produção do primeiro, em julho de 2017, com Muschietti retornando como diretor e Dauberman como roteirista; Dauberman acabaria deixando o projeto para escrever e dirigir Annabelle 3: De Volta para Casa, com Jason Fuchs reescrevendo partes do roteiro, mas ainda assim seria creditado como único roteirista. A equipe de produção perguntaria aos atores mirins quais atores adultos eles gostariam que interpretassem seus personagens; todos os citados seriam convidados e fariam testes, com dois deles - Jessica Chastain, escolhida por Sophia Lillis, e Bill Hader, escolhido por Finn Wolfhard - de fato ficando com os papéis. As filmagens reaproveitariam muito do que foi preparado para o primeiro filme, com novos sets sendo construídos nos Estúdios Pinewood de Toronto.

Com o nome de It Chapter Two (It: Capítulo 2 no Brasil), o segundo filme estrearia em 6 de setembro de 2019, com menos estardalhaço que o primeiro: com orçamento de 80 milhões de dólares, renderia 211 milhões nos Estados Unidos e 473 milhões somando o mundo inteiro; curiosamente, ele se tornaria o segundo filme de terror de maior bilheteria em seu dia de estreia, atrás apenas de seu antecessor. A crítica ficaria dividida, ainda elogiando a atuação de Skarsgård, mas considerando o segundo filme menos assustador e inferior ao primeiro em termos de roteiro, ritmo e ambiente, e a interpretação dos adultos menos inspirada que a das crianças. Um dos principais problemas apontados pelo público e crítica seria a duração do filme, 169 minutos, ou 2 horas e 49 minutos, com um dos críticos dizendo que o filme era a prova de que "maior não necessariamente significa melhor".

O elenco de ambos os filmes conta com Bill Skarsgård como Pennywise; Jessica Chastain e Sophia Lillis como Beverly Marsh; James McAvoy e Jaeden Martell como Bill Denbrough; Bill Hader e Finn Wolfhard como Richie Tozier; Isaiah Mustafa e Chosen Jacobs como Mike Hanlon; Jay Ryan e Jeremy Ray Taylor como Ben Hanscom; James Ransone e Jack Dylan Grazer como Eddie Kaspbrak; Andy Bean e Wyatt Oleff como Stan Uris; Teach Grant e Nicholas Hamilton como Henry Bowers; Jackson Robert Scott como Georgie Denbrough; Molly Atkinson como Sonia e Myra, respectivamente mãe e esposa de Eddie; Stephen Bogaert como Alvin Marsh, pai de Beverly; Joe Bostick como o farmacêutico Sr. Keene; Juno Rinaldi e Megan Charpentier como sua filha, Greta; Janet Porter como Marge Tozier, mãe de Richie; Owen Teague como Patrick Hockstetter; Steven Williams como Leroy Hanlon, avô de Mike; Stuart Hughes como Butch Bowers, policial racista pai de Henry; e Joan Gregson como Ingrid Kersh, que vai morar no antigo apartamento de Beverly após ela se mudar. King faz uma participação especial no segundo filme como o dono de uma loja de penhores, e Muschietti faz uma como um cliente da farmácia.

Durante a produção do segundo filme, Muschietti e Fuchs discutiriam a possibilidade de realizar um terceiro filme; em entrevistas, Skarsgård declararia que a dificuldade estava no fato de que o segundo filme acaba onde o livro acaba, mas Dauberman diria que elementos do livro não usados nos dois filmes poderiam ser expandidos para se criar um terceiro, com uma história original. Na mesma entrevista, Skarsgård falaria sobre a possibilidade de "voltar no tempo" e fazer um filme ambientado antes dos acontecimentos do primeiro filme, algo que interessaria Muschietti, que achava que a origem de Pennywise, propositalmente jamais explorada por King, era uma das maiores lacunas do livro. Muschietti conversaria com a Warner sobre a possibilidade de fazer uma "prequência", um filme ambientado durante a aparição anterior de Pennywise, 27 anos antes dos eventos do primeiro filme, mas a pandemia acabaria adiando esse projeto indefinidamente.

Em março de 2022, seria anunciado que estava em produção não um terceiro filme, mas uma série, que exploraria as origens de Pennywise, com Muschietti como um dos diretores e Fuchs e Brad Caleb Kane como showrunners. Programada para estrear no serviço de streaming Max, a série seria ambientada em 1962, com flashbacks de 1935, 1908 e da época em que Pennywise, já estabelecido pelos dois filmes como uma entidade alienígena, chegou à Terra, revelando por que ele se parece com um palhaço e qual sua ligação com Derry. Fuchs decidiria que Pennywise chegaria à Terra antes de os colonizadores aportarem nos Estados Unidos, com os nativo-americanos tendo um papel central em sua história. A produção contrataria John Bear Mitchell, da Nação Penobscott, como consultor, para garantir que as tribos Wabanaki, que habitavam a região na época, fossem retratadas com fidelidade histórica e cultural.

Assim como no livro, os protagonistas da série são um grupo de crianças, e a história se põe em movimento por causa do desaparecimento de um menino. Fazem parte do grupo Will Hanlon, menino que acabou de se mudar para Derry e está tendo dificuldades de adaptação; Lilly Bainbridge, menina que, após a morte do pai em um acidente trágico, passou um tempo internada em um manicômio, e agora é vista como louca pela maior parte da população; Veronica Grogan, cujo pai trabalha no cinema da cidade e é acusado pelos assassinatos das vítimas de Pennywise por ser negro; Marge Truman, a melhor amiga de Lilly, que se divide entre a lealdade à amiga e o desejo de ser popular; e Rich Santos, descendente de cubanos que sofre bullying na escola. O principal antagonista não é Pennywise, e sim o General Francis Shaw, que teve contato com o palhaço alienígea na infância e agora retorna adulto com a brilhante ideia de capturá-lo e utilizá-lo como arma contra os soviéticos na Guerra Fria.

Com o nome de It: Welcome to Derry (It: Bem-Vindos a Derry no Brasil), a série teria um total de oito episódios, que, por decisão da Warner durante a pós-produção, estreariam no canal a cabo HBO entre 26 de outubro e 14 de dezembro de 2025, sendo adicionados ao catálogo do Max no dia seguinte à exibição de cada um. Os dois primeiros e os dois últimos episódios seriam dirigidos por Muschietti, com dois ficando com Andrew Bernstein, um com Emmanuel Osei-Kuffour Jr. e um com Jamie Travis. Fuchs escreveria o primeiro e o último episódios, co-escrevendo o penúltimo com Kane e o antepenúltimo com Kane e Cord Jefferson; os demais seriam de autoria de Kane, Guadalís Del Carmen & Gabe Hobson, Helen Shang e Austin Guzman. A história é original, mas, segundo Muschietti, seria baseada em detalhes contados entre os capítulos do livro. Muitos dos personagens são ligados aos do livro, com Marge sendo a futura mãe de Richie, e Will o futuro pai de Mike. As filmagens ocorreriam no Canadá, em Toronto, Hamilton e Port Hope, e sofreriam atrasos devido às greves dos atores e roteiristas em 2023; muitas cenas filmadas antes das greves teriam de ser refilmadas depois porque as crianças cresceram, e muitas das cenas ambientadas no verão tiveram de ser alteradas, já que as filmagens retornariam no inverno, para que a produção não ficasse ainda mais atrasada. Os efeitos especiais ficariam a cargo da Rodeo FX.

O elenco conta com Taylour Paige como Charlotte Hanlon, mãe de Will e ativista pelos direitos dos negros e das mulheres; Jovan Adepo como Leroy Hanlon, piloto da força áerea, pai de Will e razão pela qual a família se muda para Derry; James Remar como o General Francis Shaw; Stephen Rider como Hank Grogan, pai de Veronica; Matilda Lawler como Marge; Amanda Christine como Veronica; Clara Stack como Lilly; Blake Cameron James como Will; Arian Cataya como Rich; Miles Ekhardt como Matty Clements, menino que desaparece no primeiro episódio, tido como a primeira vítima do retorno de Pennywise; Chris Chalk como Dick Hallorann (personagem também presente em O Iluminado e Doutor Sonho), militar com poderes psíquicos que ajuda Shaw a encontrar Pennywise; Peter Outerbridge como o chefe de polícia Clint Bowers; Madeleine Stowe como Ingrid Kersh, enfermeira que trabalha no manicômio onde Lilly foi internada; e Bill Skarsgård como Pennywise. Participações especiais incluem Rudy Mancuso como o Capitão Pauly Russo, melhor amigo de Leroy; Kimberly Guerrero como Rose, nativo-americana que conhece a história de Pennywise e foi amiga de Shaw na infância; Joshue Odjick como o sobrinho de Rose, Taniel; Jack Molloy Legault como Phil Malkin, e Mikkal Karim-Fidler como Teddy Uris, amigos que decidem investigar o desaparecimento de Matty; Diesel La Torraca e Violet Sutherland respectivamente como Shaw e Rose quando criança; e Tyner Rushing, Emma-Leigh Cullum e Joan Gregson como Ingrid em diferentes épocas. Sophia Lillis faz uma participação como Beverly no último episódio.

It: Bem-Vindos a Derry seria considerada um sucesso de público pela Warner, com sua estreia sendo a terceira de maior audiência no streaming no ano, atrás apenas de A Casa do Dragão e The Last of Us. A crítica elogiaria principalmente seu comentário social, sua ambientação e sua atmosfera, embora alguns tenham achado a violência excessiva e criticado a necessidade de se explicar todos os elementos da trama, "inclusive coisas que ninguém perguntou". A série seria indicada a dois Emmys, de Melhor Abertura e de Melhores Efeitos Especiais em uma Temporada ou Filme para a Televisão.

Embora a série conte uma história completa e tenha um final, a Warner encomendaria uma segunda temporada, com Muschietti declarando que sua produção só começará quando eles tiverem uma boa história, e que sua intenção é ambientar a segunda temporada durante a Grande Depressão, trazendo novos personagens, mas também versões mais jovens de personagens da primeira.

Para terminar, falta falar sobre a adaptação mais, digamos, curiosa de It, a série indiana Woh ("aquele"), com 52 episódios exibidos entre 4 de janeiro e 27 de dezembro de 1988 pela Zee TV. Quinze anos antes dos eventos da série, sete adolescentes que moram na cidade de Panchgani combateram uma força do mal chamada Woh, que assumiu a forma de um palhaço para sequestrar crianças, aprisionando-o em outra dimensão. Quando a série começa, Woh retorna, e os sete amigos, já adultos, decidem se reunir para destruí-lo de uma vez por todas. Nenhum dos produtores da série havia lido o livro, que também não era amplamente conhecido na Índia, então, embora algumas partes da história coincidam, a maior parte é nova e criada especificamente para a série - que não teve boa audiência e era frequentemente criticada por seus efeitos especiais pobres, então talvez tenha durado até mais do que deveria.
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