sábado, 8 de agosto de 2026

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Hanna-Barbera (I)

Quando eu era criança, eu adorava os desenhos da Hanna-Barbera, mais do que os da Disney. Ao escrever o post sobre os Flintstones, eu tive que pesquisar algumas coisas sobre a Hanna-Barbera, e acabei ficando com vontade de escrever um post sobre eles também. Assim, hoje é dia de Hanna-Barbera no átomo!

Outro dia eu li alguém falando que, quando era criança, imaginava que o Zé Colmeia e outros personagens tinham sido criados por uma mulher chamada "Hanna Barbera"; embora eu até ache que esse engano seja comum, na verdade o estúdio foi fundado por dois homens, William Denby Hanna e Joseph Roland Barbera, ambos nascidos nos Estados Unidos.

Hanna nasceu em Melrose, no então Território do Novo México, em 14 de julho de 1910. Seu pai, William John Hanna, um imigrante irlandês, trabalhava como supervisor na construção de uma estrada de ferro, o que faria com que a familia se mudasse com frequência, até se estabelecer na Califórnia em 1919. Terceiro de sete filhos, ele chegaria a cursar a faculdade de jornalismo, mas acabaria tendo de abandonar para trabalhar durante a Grande Depressão. Ele arrumaria um trabalho na construção do Pantages Theatre, em Hollywood, depois em um lava-carros, e, indicado por um namorado de uma de suas irmãs, iria trabalhar na Pacific Title and Art desenhando intertítulos, aqueles cartazes que aparecem em filmes mudos com as falas dos personagens. Lá, seu talento para desenhar ficaria evidente, e ele receberia uma proposta para trabalhar na Harman and Ising, onde seria rapidamente promovido a chefe do departamento de tinta e pintura, aos 20 anos de idade. Hanna trabalharia em desenhos das séries Merry Melodies e Looney Tunes, e, em 1936, dirigiria seu primeiro desenho, The Spring, encomendado pela MGM para sua série Happy Harmonies. No ano seguinte, a MGM decidiria criar seu próprio estúdio de animação, e ofereceria uma das vagas a Hanna, que seria escolhido como diretor para a série Os Sobrinhos do Capitão, adaptação da tira de jornal de mesmo nome. A série não faria sucesso e seria cancelada após poucos episódios, mas a MGM decidiria manter Hanna, dando a ele um cargo de roteirista.

Já Barbera, filho de imigrantes sicilianos, nasceu em Nova Iorque, no bairro conhecido como Little Italy, em 24 de março de 1911. Seu pai era dono de três barbearias, mas era viciado em jogo, e perdeu tudo. Quando Barbera tinha 15 anos, seu pai abandonou a familia, o que fez com que ele e seus dois irmãos fossem criados por um tio, irmão de sua mãe. Na escola, ele demonstrava talento para o desenho e para o boxe, chegando a ganhar títulos como boxador amador; ao terminar os estudos, ao invés de cursar uma faculdade, ele decidiria tentar um emprego como cartunista, enquanto isso trabalhando como entregador de um alfaiate e como caixa de banco. Aos 18 anos, ele conseguiria que alguns de seus cartuns fossem publicados nas revistas Redbook, The Saturday Evening Post e Collier's, e, com o dinheiro que recebeu, se matriculou na Art Students League de Nova Iorque, através da qual conseguiu um emprego no departamento de tinta e pintura dos Fleischer Studios. Em 1932, ele conseguiria um emprego nos Van Beuren Studios, onde seria responsável pelos storyboards de várias séries, dentre elas Tom and Jerry, que não tinha nada a ver com o gato e o rato que conhecemos, sendo protagonizada por dois humanos. Em 1936, os Van Beuren Studios fecharam as portas, mas recomendaram Barbera para Paul Terry, que o contrataria para seu estúdio Terrytoons. Quando a MGM decidisse criar seu estúdio de animação próprio, convidaria Barbera, que cruzaria o país, trocando Nova Iorque por Los Angeles. Ele começaria na MGM também fazendo storyboards, mas logo seria transferido para o departamento de roteiristas.

Na MGM, Hanna e Barbera seriam parte da equipe do animador Tex Avery, com suas mesas ficando uma de frente para a outra; eles conversavam muito, e logo perceberam que poderiam obter mais sucesso se trabalhassem em dupla. Os dois escreveriam o roteiro para um desenho chamado Puss Gets the Boot, inspirado pela fábula O Gato e o Rato, de Esopo; o chefe do departamento de animação da MGM, Fred Quimby, achou que a produção seria um desperdício de material, pois o público já estaria saturado de desenhos de gato e rato, mas Rudolf Ising, um dos donos da Hardman and Ising, conhecendo o talento de Hanna, se ofereceria para bancar o projeto, ainda deixando que os próprios Hanna e Barbera o dirigissem. Puss Gets the Boot acabaria sendo um gigantesco sucesso, indicado ao Oscar de Melhor Curta Metragem de Animação; ele também seria o primeiro desenho da dupla de gato e rato que acabaria conhecida como Tom e Jerry, embora, nele, nenhum dos dois seja identificado por esses nomes. Infelizmente para Hanna e Barbera, devido à prática da época, eles não seriam creditados nem como roteiristas, nem como diretores, com o único crédito em tela sendo Ising como "produtor".

Como agradecimento a Ising, Hanna pensaria em deixar a MGM e voltar para a Hardman and Ising, convidando Barbera para ir com ele; Quimby, porém, diria que Ising, na verdade, pagou para ter seu nome no projeto, com todo o trabalho tendo ficado a cargo da MGM, sem nenhum envolvimento da Hardman and Ising. Agora confiando no talento da dupla, ele faria uma oferta tentadora: se continuassem na MGM, eles teriam total liberdade para fazer sua série de gato e rato, sem estarem mais subordinados a Avery, podendo dirigi-la se quisessem, e recebendo os devidos créditos. Hanna e Barbera aceitariam a proposta, e, refinando os personagens de Puss Gets the Boot, chegariam a Tom e Jerry - com a origem dos nomes jamais sendo creditada ao desenho no qual Barbera trabalhou quando era da Van Beuren, a versão oficial sendo que os nomes foram retirados de Life in London, romance do inglês Pierce Egan publicado em 1821; vale dizer que, após o sucesso dos Tom e Jerry gato e rato, o desenho dos Tom e Jerry humanos seria renomeado para Dick and Larry.

A estreia oficial de Tom e Jerry seria no desenho The Midnight Snack, de 1941. A série se tornaria tão popular que renderia um total de 114 desenhos, e, ao longo de 17 anos, Hanna e Barbera não trabalhariam em mais nada a não ser Tom & Jerry, exceto filmes de treinamento encomendados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Se valendo de movimento ao invés de diálogos para contar uma história, Tom & Jerry seria considerado revolucionário, sendo indicado a 13 Oscars e ganhando sete, um recorde até hoje para qualquer série de animação; apesar disso, o desenho também sempre foi alvo de duras críticas, principalmente por ser considerado muito violento. Quimby receberia todos os Oscars conquistados por Tom & Jerry em nome da MGM, sem jamais chamar Hanna ou Barbera ao palco, mas, pior que isso, ele não cumpriria sua promessa, e eles não seriam creditados em nenhum dos 92 primeiros desenhos, com apenas Quimby recebendo crédito como produtor. Quimby se aposentaria em maio de 1955, com Hanna e Barbera sendo promovidos a chefes do departamento de animação e finalmente sendo creditados - mas, mais uma vez, como produtores, não como roteiristas ou diretores - nos 22 desenhos lançados desde então.

Em 1957, a televisão já era uma realidade nos lares norte-americanos, e os desenhos produzidos para o cinema começariam a perder público. Percebendo que ganhava mais dinheiro licenciando seus desenhos antigos para a televisão do que produzindo novos para lançar nos cinemas, a MGM decidiria fechar todo o seu departamento de animação, demitindo todo mundo por telefone. Hanna e Barbera ficariam extremamente surpresos com o telefonema, já que Tom & Jerry era um dos poucos desenhos para o cinema que ainda faziam muito sucesso e vendiam um número considerável de ingressos; eles não conseguiram reverter a decisão da cúpula da MGM com esse argumento, mas conseguiriam que três desenhos que já estavam prontos fossem lançados nos cinemas ao longo de 1958. Esses desenhos não teriam tanto público quanto os lançados até 1957, e a MGM se valeria desse fato para argumentar que sua decisão havia sido a correta. Esses seriam os últimos desenhos de Tom e Jerry para o cinema criados por Hanna e Barbera, com a série passando para Gene Deich em 1961 e para Chuck Jones em 1963, antes de ser definitivamente cancelada em 1967, com um total de 161 episódios.

Desempregados, Hanna e Barbera trabalhariam fazendo comerciais para a televisão e títulos de episódios para seriados como I Love Lucy. Antes de serem demitidos pela MGM, eles teriam uma ideia para um novo desenho, estrelado por um gato e um cachorro, que seriam amigos ao invés de rivais; enquanto estavam trabalhando em um comercial, eles se encontrariam acidentalmente com George Sidney, diretor da MGM que também tinha contatos nos estúdios Screen Gems e Columbia Pictures, e ofereceriam a ideia para que ele a negociasse com esses estúdios. Mas Sidney daria aos dois uma ideia melhor: fundar seu próprio estúdio de animação, voltado exclusivamente para produções para a televisão. Hanna e Barbera não tinham dinheiro para isso, mas Sidney convenceria o presidente da Columbia Pictures, Harry Cohn, a injetar capital na sociedade, e a Screen Gems a ficar responsável pelo merchandising associado aos desenhos criados por Hanna e Barbera.

Assim, após jogar uma moeda para decidir qual nome viria primeiro, seria fundada, em 7 de julho de 1957, a H-B Enterprises, tendo como sócios Hanna, Barbera, Sidney e Cohn. A maior parte da equipe seria composta por animadores e artistas de layout e de storyboards demitidos da MGM; Hanna, Barbera e Sidney seriam os diretores dos episódios, e Cohn conseguiria contratar vários animadores e roteiristas da Screen Gems, permitindo que eles trabalhassem em ambos os estúdios. Sem sede própria, a H-B Enterprises inicialmente funcionaria em um espaço alugado nos Kling Studios, fundados por Charlie Chaplin, conseguido com desconto graças a contatos de Cohn.

O primeiro desenho da H-B Enterprises seria The Ruff and Reddy Show (conhecido no Brasil como Jambo e Ruivão), estrelado por um gato espertinho e um cachorro meio bobo que são melhores amigos. Graças à Screen Gems, a H-B Enterprises conseguiria um contrato para que o canal de televisão NBC o exibisse aos sábados pela manhã, horário que normalmente era ocupado por reprises de desenhos originalmente produzidos para o cinema, o que faria com que The Ruff and Reddy Show entrasse para a história como a primeira animação produzida exclusivamente para a televisão a estrear nos Estados Unidos. Embora, na época, todos os aparelhos de televisão do país fossem em preto e branco, Hanna e Barbera fariam questão de que The Ruff and Reddy Show fosse produzido em cores, usando o argumento "logo os televisores terão cor, e os desenhos duram para sempre" - de fato, quando começassem as reprises do desenho, em 1962, grande parte dos aparelhos já seria em cores, o que garantiu uma sobrevida aos episódios.

Diferentemente do que ocorria em Tom & Jerry, Jambo e Ruivão falavam, o que fez com que a H-B Enterprises tivesse de contratar dubladores. Hanna e Barbera convidaram os que eles já conheciam da MGM, e, dentre os que responderam, escolheram Don Messick para dublar Jambo, e Daws Butler para Ruivão; ambos acabariam se tornando parceiros de longa data do estúdio, dublando várias de suas produções. Para cortar custos, Hanna e Barbera criariam várias técnicas que permitiriam reutilizar acetatos produzidos para um episódio em vários outros, o que ficaria conhecido como limited animation, e se tornaria uma das principais características de suas produções - segundo cálculos da Screen Gems, um desenho de seis minutos produzido para o cinema custava 35 mil dólares, mas um produzido para a televisão usando o método criado por Hanna e Barbera custava apenas 3 mil. Por falar nisso, os episódios de The Ruff and Reddy Show eram extremamente curtos, tendo por volta de 4 minutos cada um, com dois ou três episódios sendo exibidos por sábado, normalmente abrindo e fechando a programação infantil da NBC. Ao todo, The Ruff and Reddy Show, teria três temporadas de 52 episódios cada, para um total de 156, exibidos entre 14 de dezembro de 1957 e 2 de abril de 1960.

Como era comum na época, cada programa de televisão tinha um patrocinador próprio, com o de The Ruff and Reddy Show sendo a fabricante de cereais Post Consumer Brands, que viu sua receita quase dobrar no final da década de 1950 graças aos comerciais inseridos nos intervalos do desenho. Esse gigantesco sucesso faria com que a principal rival da post, a Kellogg (fabricante dos Sucrilhos), procurasse a H-B Enterprises em 1958 e pedisse para que eles criassem um novo desenho, com a Screen Gems conseguindo um contrato com outro canal, a ABC, que, entretanto, não estava interessada em desenhos curtos de 4 minutos, querendo algo por volta de meia hora. Ao invés de fazer um desenho com episódios mais longos, porém, Hanna e Barbera decidiriam fazer um programa composto por episódios curtos de vários personagens diferentes. Assim surgiria The Huckleberry Hound Show, que, com 22 minutos de duração, era, na verdade, composto por episódios de três desenhos diferentes, cada um com 7 minutos: Huckleberry Hound (Dom Pixote, no Brasil), estrelado por um cachorro azul com sotaque do Sul, que canta Oh Querida Clementina e está sempre a procura de emprego, sendo incompetente em todos; Pixie and Dixie and Mr. Jinks (Chuvisco & Plic e Ploc), uma nova versão de Tom & Jerry, mas com dois ratos e muitos diálogos; e Yogi Bear (Zé Colmeia), sobre um urso que mora dentro de um Parque Nacional e está sempre tentando roubar a comida dos turistas. O desenho seria um sucesso ainda maior que seu antecessor, e seria a primeira animação a ganhar um Emmy, de Melhor Programa Infantil.

Um dos motivos para o sucesso foi que, enquanto o desenho estava em produção, a Kellogg decidiu que seu lucro seria maior caso ele fosse exibido em syndication, podendo ser transmitido por vários canais de todos os Estados Unidos simultaneamente, e rompeu o contrato com a ABC, negociando individualmente com diversos canais pequenos; talvez por achar que isso ficaria muito caro, ela acabaria desistindo do patrocínio, mas Hanna e Barbera gostaram da ideia de lançar o desenho diretamente em syndication, e perguntaram à Screen Gems se isso era possível. A Screen Gems conseguiu a proeza de fazer contrato com mais de 150 canais, o que representou um grande gasto mas um lucro estratosférico. Ao todo, The Huckleberry Hound Show teria 68 episódios divididos em quatro temporadas, exibidas entre 29 de setembro de 1958 e 1 de dezembro de 1961. Ao final da terceira temporada, Zé Colmeia já era o personagem mais popular da H-B Enterprises, que decidiu dar a ele um programa próprio; em seu lugar, na quarta temporada, entraria Hokey Wolf (Joca e Dingue-Lingue), estrelado por dois lobos sabichões que estão sempre tentando entrar em algum lugar restrito, normalmente para comer de graça.

Antes do desenho do Zé Colmeia, entretanto, a H-B Entrprises passaria por várias mudanças. Primeiro, eles decidiriam mudar seu nome para Hanna-Barbera Productions; em seguida, contratariam vários novos talentos, como Joe Ruby e Ken Spears, que, anos mais tarde, seguiriam os passos de Hanna e Barbera e fundariam seu próprio estúdio, o Ruby-Spears, responsável por desenhos como Bicudo, o Lobisomem e Os Bárbaros. A primeira produção dessa nova fase seria The Quick Draw McGraw Show, que, assim como The Huckleberry Hound Show, seria lançado diretamente em syndication e composto por três segmentos por programa: Quick Draw McGraw (Pepe Legal), ambientado no Velho Oeste e protagonizado por um cavalo xerife e seu parceiro, o burrinho Babalu; Augie Doggie and Doggie Daddy, (Bibo Pai e Bobi Filho), sobre um cachorro criança que tem o pai como maior ídolo; e Snooper and Blabber (Olho Vivo e Faro Fino), que acompanhava uma dupla de detetives particulares composta por um gato e um rato. Com patrocínio da Kellogg, que deve ter se arrependido, The Quick Draw McGraw Show teria 45 episódios divididos em três temporadas, exibidas entre 28 de setembro de 1959 e 20 de outubro de 1961.

Em 1959, após o fracasso de A Bela Adormecida nos cinemas, a Disney demitiria vários de seus animadores, que prontamente seriam contratados pela Hanna-Barbera; isso motivaria o estúdio a produzir sua primeira série para o cinema, Loopy de Loop (Loopy Le Beau), sobre um lobo bem educado que pratica boas ações para tentar apagar a má fama dos lobos. Ao todo, seriam produzidos 48 episódios de 7 minutos cada, exibidos nos cinemas entre 5 de novembro de 1959 e 17 de junho de 1965, sempre antes de outros lançamentos da Columbia Pictures; em 1969, Loopy de Loop seria negociado em syndication e transmitido também na televisão. Durante a produção de Loopy de Loop, em 1960, a Hanna-Barbera finalmente conseguiria um estúdio próprio, em Los Angeles, mas ele era tão pequeno que a maior parte dos animadores tinha de trabalhar de casa.

A década de 1960 seria a Era de Ouro da Hanna-Barbera, começando com Os Flintstones. Primeiro desenho da Hanna-Barbera protagonizado por seres humanos, criado para ser uma sitcom em desenho animado, Os Flintstones seguia a estrutura normal desse tipo de seriado, mostrando o dia a dia de dois casais vizinhos, Fred Flintstone e sua esposa Wilma, Barney Rubble e sua esposa Betty, mas ambientado na pré-história, com versões pré-históricas de vários elementos da vida cotidiana dos norte-americanos da época. Exibido pela ABC em horário nobre durante seis temporadas, totalizando 166 episódios, que foram ao ar entre 30 de setembro de 1960 e 1 de abril de 1966, Os Flintstones seria um gigantesco sucesso e quebraria várias barreiras, como mostrar a primeira personagem de desenho animado a engravidar e ter um bebê, quando nasceu a filha de Fred e Wilma, Pedrita, e a tratar de temas como planejamento familiar, infertilidade e adoção, quando Barney e Betty decidissem adotar o menino Bam-Bam porque ela não conseguia engravidar. Inicialmente voltado para o público adulto, conforme a audiência entre as crianças crescia, os roteiros de Os Flintstones ficariam cada vez mais voltados para elas, o que causaria uma queda na audiência e levaria ao seu cancelamento.

Após Os Flintstones, a Hanna-Barbera produziria The Yogi Bear Show, considerado um spin-off de The Huckleberry Hound Show, já que sua principal atração seria o desenho do Zé Colmeia, que originalmente fazia parte daquele. Lançado diretamente em syndication, The Yogi Bear Show era composto por três segmentos: Yogi Bear, no qual Zé Colmeia e Catatau viviam aventuras no Parque Jellystone, tendo como antagonista o Guarda Florestal; Snagglepuss (Leão-da-Montanha), no qual um puma cor de rosa só quer viver sua vida, mas tem que fugir de um caçador; e Yakky Doodle (O Patinho Duque), estrelado por um patinho cujo melhor amigo era um buldogue. Apesar de o Zé Colmeia ser extremamente popular, os outros dois segmentos eram considerados fracos, e The Yogi Bear Show acabaria cancelado após apenas duas temporadas, com um total de 33 episódios, exibidos entre 30 de janeiro de 1961 e 6 de janeiro de 1962.

O sucesso de Os Flintstones faria com que a ABC, canal que exibia a série, encomendasse uma nova, para também ser exibida em horário nobre. Assim surgiria Top Cat (Manda-Chuva), estrelada por uma turma de gatos de rua liderada pelo malandro Manda-Chuva, que está sempre aplicando golpes para melhorar de vida, acompanhado por seu parceiro Batatinha e tendo de fugir da fiscalização do Guarda Belo. Um total de 30 episódios seriam produzidos, exibidos pela ABC entre 27 de setembro de 1961 e 25 de abril de 1962, às quartas-feiras às 20h30. O desenho não faria sucesso no horário nobre, mas seria uma das maiores audiências da NBC, rival da ABC, que compraria a série para ser exibidas aos sábados pela manhã a partir de 1965.

O próximo lançamento em syndication composto por três segmentos seria The Hanna-Barbera New Cartoon Series, com 52 episódios exibidos em duas temporadas, entre 3 de setembro de 1962 e 26 de agosto de 1963. Curiosamente, The Hanna-Barbera New Cartoon Series não era o nome do programa, e sim um nome criado pela Screen Gems para diferenciá-lo dos outros programas que ela ainda estava negociando na época; por causa disso, alguns canais o exibiram com nomes inventados por eles mesmos, como Cartoon Zoo e The Wally Gator Show. Os três segmentos eram Wally Gator, estrelado por um jacaré que nasceu e morou a vida toda no zoológico, e tem como sonho fugir para ver como é a vida lá fora; Touché Turtle and Dum Dum (Tartaruga Touché), sobre uma tartaruga espadachim que defendia os fracos e oprimidos em companhia de seu parceiro, o cachorro Dum-Dum; e Lippy the Lion and Hardy Har Har (Lippy & Hardy), protagonizado por um leão otimista e uma hiena pessimista, ambos muito pobres, com Lippy, o leão, sempre inventando formas de enriquecer rápido, e Hardy, a hiena, sempre achando que nada dará certo.

Apesar do pouco sucesso de Manda-Chuva, a ABC encomendaria mais uma série à Hanna-Barbera, dessa vez planejando inaugurar com ela sua programação em cores no horário nobre. Ao invés de investir em mais animais antropomórficos, dessa vez Hanna e Barbera decidiriam fazer algo parecido com Os Flintstones, e criaram Os Jetsons, uma família que vive no futuro, com direito a carros voadores, robôs, hologramas, e todas as tecnologias absurdas nas quais os roteiristas conseguissem pensar, formada pelo pai, George, a mãe, Jane, uma filha adolescente, Judy, um filho criança, Elroy, um cachorro, Astro, e uma empregada-robô, Rose, com os principais personagens coadjuvantes sendo Cosmo Spacely, dono da empresa em que George trabalha (na maior parte do tempo apertando botões), e seu rival, W.C. Cogswell, dono de uma empresa concorrente. Originalmente, Os Jetsons teriam apenas uma temporada, de 24 episódios, exibidos pela ABC entre 23 de setembro de 1962 e 3 de março de 1963. A NBC exibiria reprises aos sábados de manhã entre 1964 e 1967 e a partir de 1971. Quando o desenho foi originalmente exibido pela ABC, a audiência foi muito baixa e as críticas extremamente negativas, mas, no início da década de 1980, na NBC, a audiência era uma das maiores do bloco, o que faria o canal encomendar novos episódios. A NBC acabaria desistindo da encomenda quando nada menos que 41 episódios estavam prontos, todos contando com os dubladores originais da década de 1960; a Hanna-Barbera, então, os negociaria em syndication com cerca de 80 canais de todos os Estados Unidos, com esses 41 episódios sendo considerados a segunda temporada, exibida entre 16 de setembro e 13 de dezembro de 1985. 10 episódios que já estavam em processo de finalização seriam terminados e exibidos como uma terceira temporada, também em syndication, entre 19 de outubro e 13 de novembro de 1987, para um total de 75.

Em 1963, a Hanna-Barbera, colhendo os frutos de seu sucesso, se mudaria para um amplo estúdio em Hollywood, desenhado pelo arquiteto Arthur Froehlich, com design ultra moderno e que contava com uma "torre dos Jetsons". Com agora todos os animadores podendo trabalhar no estúdio, o primeiro desenho produzido lá seria The Magilla Gorilla Show, com 31 episódios exibidos em syndication entre 14 de janeiro de 1964 e 25 de dezembro de 1965, mais uma vez composto por três segmentos: Magilla Gorilla (Maguila, o Gorila), sobre um gorila que faz parte do acervo de uma loja de animais e sempre é comprado por quem quer se aproveitar de sua grande força, normalmente para fins criminosos, cooperando por ingenuidade e sempre sendo devolvido ao final do episódio; Ricochet Rabbit & Droop-a-Long (Coelho Richochete), assim como Pepe Legal, ambientada no Velho Oeste e protagonizada por um xerife, no caso um coelho com a habilidade de sair quicando pelas paredes, que combate o crime com a ajuda do coiote Bláu-Bláu; e Punkin' Puss & Mushmouse (Bacamarte & Chumbinho), sobre um gato e um rato caipiras e rivais.

Também em 1964, estrearia The Peter Potamus Show, com 27 episódios exibidos em syndication em três temporadas, entre 16 de setembro de 1964 e 6 de fevereiro de 1966. Seus segmentos eram Peter Potamus and So-So (Peter Potamus), no qual um hipopótamo explorador e seu companheiro, o macaco Tico Mico, viajavam o mundo em um balão; Breezly and Sneezly (Matraca Trica e Fofoquinha), sobre um urso polar e uma foca que vivem aventuras no Ártico, normalmente tentando invadir um quartel do exército para roubar remédios para Fofoquinha, que vive gripado; e Yippee, Yappee and Yahooey (Mosquete, Mosquito e Moscardo), inspirado em Os Três Mosqueteiros, no qual três cachorros trapalhões fazem parte da Guarda Real, jurando proteger o Rei de todos os perigos. Curiosamente, para as reprises, Coelho Ricochete e Matraca Trica e Fofoquinha foram trocados de lugar, com o primeiro passando para The Peter Potamus Show e o segundo para The Magilla Gorilla Show.

Ainda em 1964, estrearia o primeiro desenho da Hanna-Barbera que não seria criado por Hanna e Barbera: Jonny Quest. Inspirado pelas aventuras pulp da década de 1930, Jonny Quest seria criado por Doug Wildey, que havia sido roteirista de quadrinhos, principalmente de faroeste; durante anos ele tentou produzir a série em forma de quadrinhos, sem que nenhuma editora aceitasse, o que faria com que Wildey decidisse oferecer a ideia à Hanna-Barbera. Jonny Quest acompanhava um grupo formado pelo menino Jonny; seu melhor amigo, o indiano Hadji; o pai de Jonny, o cientista Dr. Benton C. Quest; o agente Race Bannon; e o buldogue de Jonny, Bandit. O Dr. Quest trabalha para o governo dos Estados Unidos, sendo enviado para perigosas missões ao redor do globo, normalmente em locais exóticos, para deter espiões ou recuperar artefatos, e tem de levar Jonny e Hadji aparentemente por não ter com quem deixá-los, com Race sendo um agente da Inteligência Um (a versão desse desenho da CIA), designado para proteger os meninos. Jonny Quest teria 26 episódios, exibidos pela ABC em horário nobre entre 18 de setembro de 1964 e 11 de março de 1965, e seria um gigantesco sucesso de público e crítica; acabaria cancelado após apenas uma temporada, porém, porque sua produção, de qualidade muito superior aos demais trabalhos da Hanna Barbera, era caríssima - de fato, Jonny Quest é até hoje a série de animação mais cara da história da Hanna-Barbera - e a ABC não aceitaria arcar com os custos para uma segunda temporada.

Além de produzir essas séries todas, em 1964 a Hanna-Barbera decidiria investir em seu primeiro longa-metragem animado para o cinema, escolhendo para a empreitada seu personagem mais famoso, o Zé Colmeia. Com o nome de Hey There, It's Yogi Bear! (Oi Galera, Sou o Zé Colmeia! no Brasil), o filme, um musical de 89 minutos de duração contando com todos os dubladores originais do desenho, seria apenas o segundo longa-metragem de cinema estrelado por um personagem criado especificamente para a televisão (o primeiro sendo 1001 Arabian Nights, de 1959, estrelado por Mister Magoo) com o normal sendo personagens desse tipo ficarem restritos a participações especiais e segmentos curtos dentro de outros filmes. O filme do Ze Colmeia seria um sucesso moderado, que motivaria a Hanna-Barbera a repetir a dose com os Flintstones, lançando The Man Called Flintstone (O Homem Chamado Flintstone), também um musical, em 1966.

Antes disso, em 1965, Hanna e Barbera surpreenderiam o mundo da animação e venderiam seu estúdio para a Taft Enterprises, mantendo seus cargos de presidentes e total controle criativo sobre suas obras. A venda seria contestada pela viúva de Harry Cohn, a atriz Joan Perry, e pelos filhos do casal, que se consideravam herdeiros das ações de Cohn e teriam direito a opinar sobre o assunto, mas a justiça decidiria a favor de Hanna e Barbera, que eram os acionistas majoritários. Após a venda, a distribuição dos novos desenhos da Hanna-Barbera ficaria a cargo da Taft, mas um acordo seria feito para que a Screen Gems continuasse distribuindo os desenhos criados antes da venda. Com o dinheiro da Taft, a Hanna-Barbera conseguiria contratar muito mais pessoal e aumentar ainda mais seu volume de produção, que já era alto quando comparado aos dos demais estúdios de animação.

Isso foi bom, porque o sucesso de Jonny Quest teria duas consequências: primeiro, a NBC encomendaria um novo programa à Hanna-Barbera, mas para ser exibido aos sábados de manhã, e com uma hora de duração. Assim surgiria The Atom Ant / Secret Squirrel Show, que, na verdade, eram dois programas de meia hora cada (The Atom Ant Show e The Secret Squirrel Show), que seriam exibidos pela NBC um após o outro, mas depois poderiam ser separados para syndication e reprises. Os seis segmentos (três de cada programa) seriam Atom Ant (Formiga Atômica), sobre uma formiga com superforça, supervelocidade, invulnerável e capaz de voar, vivendo aventuras de super-herói; The Hillbilly Bears (Zé Buscapé), sobre uma família de ursos caipiras; Precious Pupp (Xodó da Vovó), estrelado por Vovó Dulcina, uma velhinha um tanto atrapalhada, e seu cachorro, Precioso; Secret Squirrel and Morocco Mole (Esquilo sem Grilo), uma paródia do 007 protagonizada por um esquilo agente secreto e seu parceiro, uma toupeira marroquina; Squiddly Diddly (Lula Lelé), sobre uma lula que vive num parque aquático e sonha em ser um astro da música; e Winsome Witch (Feiticeira Faceira), estrelado por uma bruxa bondosa, mas muito atrapalhada. The Atom Ant / Secret Squirrel Show teria 26 episódios divididos em duas temporadas, exibidas entre 2 de outubro de 1965 e 7 de setembro de 1967.

A segunda seria toda uma leva de desenhos de aventura, começando por Sinbad Jr. and His Magic Belt, criado por Sam Singer, uma adaptação das histórias do marinheiro Simbad, mas como se suas aventuras tivessem ocorrido quando ele era criança. No desenho, Simbad possui um cinto mágico que lhe confere superpoderes, e está sempre acompanhado de seu papagaio, Calado. Cada episódio era composto por três segmentos de 5 minutos cada, e a série era distribuida pela American International Pictures, que a encomendou, vendendo-a em syndication para canais que já exibiam outros desenhos negociados por ela. Ao todo, foram produzidos 35 episódios, originalmente exibidos entre 11 de setembro de 1965 e 28 de maio de 1966.

Outros desenhos de aventura da Hanna-Barbera na década de 1960 foram Frankenstein Jr. and The Impossibles, com 18 episódios exibidos pela CBS entre 10 de setembro de 1966 e 17 de janeiro de 1967, composto por dois segmentos, Frankenstein Jr., no qual o menino Buzz Conroy combate o crime em Civic City ao lado de um robô gigante chamado Frankenstein Jr., e The Impossibles (Os Impossíveis, criado por Michael Maltese), que acompanhava um trio de super-heróis composto por Multi-Homem, Homem-Fluído e Coil, o Homem-Mola; Space Ghost, criado por Alex Toth, com 20 episódios exibidos pela CBS entre 10 de setembro de 1966 e 16 de setembro de 1967, também composto por dois segmentos, Space Ghost, que acompanhava as aventuras do herói de mesmo nome, no espaço, e Dino Boy of the Lost Valley (somente Dino Boy no Brasil), que acompanhava um menino chamado Todd, que cai de paraquedas em uma selva pré-histórica perdida na América do Sul, na qual tenta sobreviver com a ajuda do brontossauro Bronty; The Space Kidettes (Os Brasinhas do Espaço, com 20 episódios exibidos pela NBC entre 10 de setembro de 1966 e 4 de fevereiro de 1967, estrelado por escoteiros espaciais; Birdman and the Galaxy Trio, também criado por Toth, com 20 episódios exibidos pela NBC entre 9 de setembro de 1967 e 20 de janeiro de 1968, com dois segmentos, Birdman (Homem-Pássaro), um agente secreto com superpoderes conferidos pelo deus Ra, e Galaxy Trio, que acompanhava três heróis extraterrestres, Homem-Vapor, Homem-Meteoro e Flutuadora, em aventuras no espaço; The Herculoids (Os Herculoides), mais uma criação de Toth, que acompanhava uma família de bárbaros, composta pelo pai, Zandor, a mãe, Tara, e o filho criança, Dorno, e cinco criaturas que faziam parte da família, as bolhas amorfas Gloop e Gleep, o gorila Igoo, o rinoceronte Tundro e o dragão Zok, que viviam no planeta Amzot e estavam sempre combatendo invasores e colonizadores, que teve uma temporada de 18 episódios, exibidos pela CBS entre 9 de setembro de 1967 e 6 de janeiro de 1968; Shazzan, outra criação de Toth, que acompanhava os irmãos Chuck e Nancy, transportados para um mundo mágico das Mil e Uma Noites após encontrar um par de anéis que conjuravam o gênio Shazzan, com uma temporada de 18 episódios exibidos pela CBS entre 9 de setembro de 1967 e 20 de janeiro de 1968; Moby Dick and Mighty Mightor, com 18 episódios exibidos pela CBS entre 9 de setembro de 1967 e 6 de janeiro de 1968, com dois segmentos, Mightor, um super-herói pré-histórico, e Moby Dick, no qual os irmãos Tom e Tubb são salvos pela famosa baleia e passam a viver aventuras com ela no mar; e Samson & Goliath (O Jovem Sansão), que acompanhava as aventuras de um jovem Sansão e seu leão de estimação Golias nos tempos bíblicos, com 20 episódios exibidos pela NBC entre 9 de setembro de 1967 e 31 de agosto de 1968.

Em meados da década de 1960, a Hanna-Barbera produziria dois especiais para a TV baseados em histórias infantis de grande sucesso, ambos com cerca de 50 minutos cada, e ambos musicais, o que já estava se tornando uma tradição nos "filmes" produzidos pelo estúdio. O primeiro seria Alice in Wonderland or What's a Nice Kid like You Doing in a Place like This?, exibido pela ABC em 30 de março de 1966, uma versão moderna das obras de Lewis Carroll, na qual Alice, ao invés de passar por um espelho, passava pela tela de uma televisão. Todos os personagens fantásticos eram baseados em celebridades da televisão da época - a Rainha de Copas era Zsa Zsa Gabor, o Gato era Sammy Davis, Jr. - e um dos segmentos contava com participação especial de Fred Flintstone e Barney Rubble. O segundo seria Jack and the Beanstalk, adaptação de João e o Pé de Feijão exibida pela NBC em 27 de fevereiro de 1967 e estrelada por Gene Kelly, que misturava cenas filmadas com personagens de animação e ganharia o Emmy de Melhor Programa Infantil.

Também em meados da década de 1960, a Hanna-Barbera começaria a trabalhar com licenciamentos, o primeiro sendo Laurel and Hardy (O Gordo e o Magro), criado por Larry Harmon e inspirada na série de filmes para o cinema, com 39 episódios exibidos pela NBC entre 10 de setembro de 1966 e 25 de março de 1967. Outros licenciamentos foram The Abbott and Costello Cartoon Show, criado por Lee Orgel e estrelado pelos comediantes Bud Abbott e Lou Costello, com 39 episódios exibidos em syndication entre 9 de setembro de 1967 e 1 de junho de 1968; The Fantastic Four, desenho do Quarteto Fantástico com 20 episódios exibidos pela ABC entre 9 de setembro de 1967 e 21 de setembro de 1968; e The Adventures of Gulliver (As Aventuras de Gulliver), com 17 episódios exibidos pela ABC entre 14 de setembro de 1968 e 4 de janeiro de 1969.

No final da década de 1960, a Hanna-Barbera decidiria investir em produções live action, filmadas com atores, ao invés de apenas animação. Após produzir We'll Take Manhattan, piloto de uma série com Dwayne Hickman e Ben Blue que foi ao ar em 10 de abril de 1967 na NBC mas acabou não sendo aprovado para se tornar uma série, seu primeiro lançamento nesse estilo seria The Banana Splits Adventure Hour, programa de uma hora exibido também pela NBC em duas temporadas, para um total de 31 episódios, entre 7 de setembro de 1968 e 5 de setembro de 1970. The Banana Splits Adventure Hour era composto por quatro segmentos, um deles em live action, Danger Island (A Ilha do Perigo), que acompanhava o Professor Irwin Hayden (Frank Aletter), seu assistente, Link (Michael Vincent), e sua filha, Leslie (Ronne Troup), explorando uma ilha na costa do México onde, anos antes, o irmão do Professor desapareceu enquanto procurava a mítica cidade de Tobanya. Os outros três segmentos eram de animação: Arabian Knights (Os Cavaleiros da Arábia), sobre cinco amigos vivendo aventuras na Arábia das Mil e Uma Noites; The Three Musketeers (Os Três Mosqueteiros), inspirado na obra de Alexandre Dumas; e Micro Ventures (Micro-Aventuras), estrelado por um cienstista e seus dois filhos adolescentes, que usam uma máquina para encolher até o tamanho de um inseto e explorar o mundo sob essa perspectiva. Intercalados com os segmentos, eram apresentados curtas estrelados pela banda The Banana Splits, também em live action, com quatro atores vestidos como bichos de pelúcia gigantes - o cachorro Fleegle, o macaco Bingo, o leão Drooper e o elefante Snorky.

1968 também seria o ano de estreia de The New Adventures of Huckleberry Finn, inspirado na obra de Mark Twain, primeira série da história da televisão norte-americana a combinar atores em live action com personagens de animação. Com 20 episódios exibidos pela NBC entre 15 de setembro de 1968 e 23 de fevereiro de 1969, a série seria estrelada por Michael Shea como Huckleberry Finn, LuAnn Haslam como Becky Thatcher e Kevin Schultz como Tom Sawyer, que, ao entrar numa caverna misteriosa, vão parar em um mundo de desenho animado, e passam a ter como objetivo encontrar o caminho de volta para casa. A série seria uma das mais caras da época, e acabaria cancelada após apenas uma temporada porque a NBC não aceitaria financiar uma segunda, mesmo com altos índices de audiência e críticas favoráveis.

Também em 1968, a Hanna-Barbera lançaria um de seus maiores clássicos, Wacky Races (Corrida Maluca), no qual 11 carros disputavam provas em vários cenários dos Estados Unidos; os carros eram personalizados e contavam com vários dispositivos que ajudavam seus pilotos durante o percurso, um deles sendo o famoso Dick Vigarista, que, acompanhado de seu cachorro Muttley, sempre preferia tentar fazer alguma trapaça para tirar os demais carros da prova do que correr para tentar ganhar honestamente - uma piada recorrente era que, se não parasse para fazer sua trapaça, Dick Vigarista provavelmente ganharia a prova. Corrida Maluca teria 17 episódios, cada um mostrando duas provas, exibidos pela CBS entre 14 de setembro de 1968 e 4 de janeiro de 1969, e dois de seus personagens fariam tanto sucesso que a Hanna-Barbera decidiria, ao invés de fazer uma segunda temporada, apostar em spin-offs protagonizados por eles.

O primeiro desses spin-offs seria The Perils of Penelope Pitstop (Os Apuros de Penélope), no qual a piloto Penélope Charmosa recebe uma grande herança, com o vilão Grão de Bico planejando matá-la para ficar com o dinheiro, e a Quadrilha de Morte (também de Corrida Maluca) decidindo protegê-la - normalmente se envolvendo em uma confusão tamanha que resulta em Penélope tendo de salvá-los. O segundo seria Dastardly and Muttley in Their Flying Machines (Dick Vigarista & Muttley e suas Máquinas Voadoras), no qual Dick Vigarista deixa de ser piloto de corridas para ser piloto de avião na Alemanha da Primeira Guerra Mudial, líder de um esquadrão que recebe a missão de evitar que planos secretos levados por um pombo-correio sejam entregues aos inimigos. Cada episódio era formado por cinco segmentos curtos, intercalados com piadas conhecidas como Wing Dings; dois desses segmentos, chamados Magnificent Muttley, eram estrelados por Muttley sonhando ser herói em alguma situação na qual Dick Vigarista era o vilão. Os spin-offs teriam 17 episódios cada, exibidos pela CBS entre 13 de setembro de 1969 e 17 de janeiro de 1970.

O penúltimo lançamento da Hanna-Barbera na década de 1960 foi Cattanooga Cats (A Turma da Gatolândia). Semelhante a The Banana Splits Adventure Hour, mas apenas com segmentos de animação, o programa era composto por quatro segmentos, o primeiro estrelado pelos Cattanooga Cats, uma banda formada por gatos hippies, que também apareciam em piadas curtas entre os demais segmentos, que eram Around the World in 79 Days (A Volta ao Mundo em 79 dias), inspirado na obra de Júlio Verne; It's the Wolf! (É o Lobo!), no qual o Lobo Bobo tenta sequestrar um carneirinho, mas sempre tem seus planos frustrados pelo cão-pastor Cachorrão; e Motormouse and Autocat (Juca Bala e Zé Bolha), uma espécie de mistura de Tom & Jerry com Corrida Maluca, no qual um gato num carro de corrida persegue um rato numa moto Harley-Davidson. Inicialmente, Cattanooga Cats tinha uma hora de duração, mas, após 9 episódios, o programa seria dividido em dois de meia hora de duração cada, com A Turma da Gatolândia fazendo par com A Volta ao Mundo em 79 Dias (mantendo o nome Cattanooga Cats), e É o Lobo com Juca Bala e Zé Bolha (sob o nome It's the Wolf!). Por causa disso, Cattanooga Cats teria apenas uma temporada, de 17 episódios, exibidos entre 6 de setembro e 27 de dezembro de 1969, mas It's the Wolf! ganharia uma segunda, com mais 17, para um total de 34, exibida entre 12 de setembro de 1970 e 9 de janeiro de 1971.

Fechando a década, em 1969, atendendo a uma encomenda do canal CBS para a Hanna-Barbera, Joe Ruby e Ken Spears criariam Scooby-Doo, Where Are You!. Protagonizado por um grupo de adolescentes - o corajoso Fred, a bela Daphne, a inteligente Velma e o covarde e comilão, porém bondoso e divertido, Salsicha - e seu cachorro Scooby, que cruzavam o país numa van resolvendo casos aparentemente sobrenaturais, mas sempre perpetrados por criminosos disfarçados. Scooby-Doo seria um dos maiores sucessos da Hanna-Barbera, mas essa sua série original acabaria tendo apenas duas temporadas, com um total de 25 episódios, exibidos entre 13 de setembro de 1969 e 31 de outubro de 1970 pela CBS, que optou pelo cancelamento após reformular sua grade de programação. Em meados da década de 1970, as reprises seriam exibidas na ABC, com tanto sucesso que o canal encomendaria uma terceira temporada, de mais 16 episódios, exibidos entre 9 de setembro e 23 de dezembro de 1978.

Scooby-Doo modelaria quase toda a produção da Hanna-Barbera na década de 1970. Mas esse post já está grande demais, então eu vou parar por aqui, e a década de 1970 vai ficar para uma próxima ocasião.
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sábado, 1 de agosto de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XXII)

Surpresa! Eu juro que não vou começar a Fase 6 hoje, mas eu queria muito falar sobre Marvel Zumbis (que deveria se chamar Zumbis Marvel, mas tudo bem) mas não queria ter de esperar até 2028, então decidi que hoje vou adiantar esse primeiro post da Fase 6, aproveitando também para fechar o ano de 2025, e retorno com os demais no tempo certo.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
The Fantastic Four: First Steps
2025

Eu já contei aqui em um post em separado sobre os três filmes do Quarteto Fantástico produzidos pela Fox, que não fizeram parte do MCU. Após o fracasso do terceiro, a Fox decidiria levar a franquia em outra direção, e, em 2017, contrataria Seth Grahame-Smith, de Orgulho e Preconceito e Zumbis, para escrever um filme protagonizado por Franklin e Valeria Richards, com participação especial de Ben Grimm e Johnny Storm, com tom parecido com o do desenho Os Incríveis, e parcialmente inspirado no livro Kindergarten Heroes, de Mark Millar. Paralelamente a isso, os executivos da Fox conversariam com Noah Hawley, de Legião, sobre um filme protagonizado pelo Dr. Destino. Tudo isso seria suspenso quando a Disney comprasse a Fox, em março de 2019, e os direitos do Quarteto Fantástico passassem para os Marvel Studios.

Em julho de 2019, Kevin Feige se diria extremamente empolgado por poder introduzir o Quarteto no MCU, para "levar a Primeira Família da Marvel até o nível que ela merece", e prometendo usá-los em histórias tão empolgantes quanto Guerra Infinita e Guerra Civil - cujas sagas dos quadrinhos que inspiraram os filmes contaram com o Quarteto, que não pôde estar presente em suas versões cinematográficas por seus direitos ainda pertencerem à Fox. Em dezembro de 2020, Feige anunciaria que o diretor do primeiro filme do Quarteto no MCU seria Jon Watts, dos três filmes do Homem-Aranha com Tom Holland, mas, em abril de 2022, antes mesmo que um roteirista fosse escolhido, Watts pediria para se desligar do projeto, alegando estar física e mentalmente esgotado após ter de gravar Homem-Aranha: Sem Volta para Casa obedecendo os protocolos estabelecidos devido à pandemia, e preferindo dirigir o filme autoral Lobos, que estrearia na Apple TV+ em setembro de 2024.

Enquanto procurava por um novo diretor e um roteirista, Feige decidiria que Reed Richards seria um dos personagens a aparecer em uma das realidades alternativas de Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, com o diretor Sam Raimi concordando e decidindo chamar o ator John Krasinski para o papel. Já havia muito tempo que Krasinski era sugerido pelos fãs para interpretar Reed, e seu nome começaria a circular em boatos e rumores assim que foi anunciado que um filme lidando com realidades alternativas estava sendo produzido; Raimi acharia que a inclusão de um Reed interpretado por Krasinski seria uma excelente oportunidade de fan service, mas tanto o diretor quanto o ator achariam improvável que ele fosse escolhido para interpretar Reed também no novo filme, com Krasinski logo declarando que sequer participou de conversas com os executivos dos Marvel Studios sobre reprisar o papel.

Em julho de 2022, o diretor ainda não havia sido escolhido, e Feige diria estar incerto quanto à lista de possíveis candidatos; ainda assim, durante a San Diego Comic Con, o próprio Feige anunciaria a data de estreia do filme, prevista para novembro de 2024, que ele seria o primeiro filme da Fase 6 do MCU, e que as filmagens começariam em 2023. No final de agosto, a Marvel divulgaria uma lista com "três finalistas" na escolha para diretor, que contava com Reid Carolin, roteirista de Magic Mike, mas que só tinha um filme como diretor no currículo, Dog; Michael Matthews, de Amor e Monstros; e Matt Shakman, que levava vantagem por ter dirigido WandaVision e já ter trabalhado com Feige. Shakman prepararia uma sinopse na qual o Quarteto Fantástico já começava o filme como super-heróis estabelecidos e famosos, com Reed e Sue se tornando pais logo no início, e convenceria os executivos dos Marvel Studios após mostrar uma foto sua com sua filha recém-nascida no colo; mais tarde, ele revelaria que havia sido chamado para dirigir um novo filme de Star Trek, do qual abriu mão para não deixar passar a oportunidade de trabalhar com o Quarteto Fantástico. Shakman seria confirmado como diretor já em setembro de 2022, na mesma ocasião em que Feige revelaria que Jeff Kaplan e Ian Springer estavam escrevendo o roteiro "há alguns meses"; no mês seguinte, a data de estreia do filme seria adiada para fevereiro de 2025.

A escolha do elenco começaria em fevereiro de 2023, com Feige anunciando que havia estabelecido um "sarrafo alto", querendo que o Quarteto se tornasse um dos principais elementos do MCU após sua estreia. Shakman revelaria que o filme não traria nem uma história de origem, nem o Doutor Destino, elementos que poderiam desviar a atenção do público da dinâmica familiar do Quarteto, que ele desejava que fosse o foco principal do filme; Feige diria que a decisão de não contar novamente a história da origem do grupo seria semelhante à tomada quando o Homem-Aranha foi introduzido no MCU, já que sua história de origem já era bastante conhecida. No final de março de 2023, Josh Friedman seria contratado para reescrever o roteiro, o que foi visto por muitos jornalistas como uma indicação de mudança de tom, já que Friedman era conhecido por seus roteiros de ficção científica, enquanto Kaplan e Springer eram mais conhecidos por escrever comédias; Shakman, porém, diria que Friedman se uniria à equipe porque ele e Feige haviam decidido incluir no filme "elementos cósmicos dos anos 1960", como o Surfista Prateado e Galactus, que seria o vilão do filme no lugar do Doutor Destino, "trazendo uma nova perspectiva para o grupo". Feige não descartaria a presença do Doutor Destino no filme, mas em uma participação breve, como uma cena pós-créditos, e diria que os Marvel Studios faziam questão de "uma estrela de primeira grandeza" para interpretá-lo.

Em maio de 2023, começaria a greve dos roteiristas, e a data de estreia seria adiada novamente, para maio de 2025. Na ocasião, os preferidos da Marvel para interpretar Reed e Sue eram Adam Driver e Emma Stone, que pediram salários que o estúdio não estava disposto a pagar, tendo sido decidido, durante a reunião de emergência envolvendo executivos da Disney e dos Marvel Studios que ocorreu em fevereiro para tratar dos rumos do MCU, que os gastos com elencos deveriam ser reduzidos. Testes seriam feitos para o papel de Reed com Christopher Abbott e Jamie Dornan, que não agradaram, e com Jake Gyllenhaal, que já havia interpretado Mystério em Homem Aranha: Longe de Casa, mas que também pediu um salário que a Marvel não quis pagar. Quando a Marvel anunciou que não estava testando apenas atores brancos para o papel, Pedro Pascal (que, nos Estados Unidos, não é considerado branco, e sim latino) se interessou, mas, em julho, começaria a greve dos atores, e Pascal, apesar de despertar a atenção da equipe, decidiria não conversar com ninguém até que a greve terminasse. Mais tarde, Pascal diria jamais ter planejado ser protagonista de um filme de super-heróis, e que o papel mudaria seus planos para o futuro "de forma sutil"; atrasos nas gravações do filme do Quarteto fariam com que ele tivesse de abrir mão de protagonizar A Hora do Mal, sendo substituido por Josh Brolin.

Em agosto, a Marvel chamaria Matt Smith e Tom Ellis para conversar sobre o papel de Reed, mas os nomes não agradariam a Feige, que procurava alguém mais famoso por sua carreira no cinema do que na televisão. No mesmo mês, Shakman diria que a Marvel estava procurando um ator judeu para interpretar Ben Grimm, que é descrito como judeu nos quadrinhos, mas não foi interpretado por atores judeus nos filmes anteriores, nem teve essa característica explorada em suas histórias; o preferido era David Krumholtz, que não agradou nos testes, e começou uma campanha para ser escolhido para o papel do vilão Homem-Toupeira - que acabaria ficando com Paul Walter Hauser, convidado por Shakman por ter trabalhado com ele na série It's Always Sunny in Philadelphia, e que inicialmente ficaria relutante devido ao fracasso dos filmes anteriores do Quarteto, aceitando após ler o roteiro na íntegra. O escolhido para interpretar o Coisa seria Ebon Moss-Bachrach, que já havia interpretado Micro na primeira temporada da série do Justiceiro da Netflix. Nicholas Galitzine seria chamado para interpretar Johnny, mas também não agradaria, com o papel ficando com Joseph Quinn, de Stranger Things, que havia feito Gladiador 2 com Pascal e pedido a ele dicas sobre como interpretar Johnny, sem saber que ele estava negociando para interpretar Reed. Curiosamente, o papel de Sue seria o primeiro a iniciar os testes e o último a ser escolhido, com Vanessa Kirby sendo convidada diretamente por Shakman após nenhuma das candidatas do teste ter agradado.

Curiosamente, a Marvel divulgaria que estava procurando por um ator latino para interpretar Galactus, com os favoritos sendo Antonio Banderas, que disse jamais ter sido procurado, e Javier Bardem, que teve de recusar por conflitos com as gravações de F1; o escolhido acabaria sendo o inglês e bem pouco latino Ralph Ineson, segundo Shakman escolhido por sua proficiência como dublador, que ele considerava mais importante para esse tipo de papel. Apesar de aumentado por computação gráfica, Ineson interpretaria Galactus da forma tradicional, com a produção inclusive criando uma armadura que ele vestia. Além de Galactus e do Homem-Toupeira, o filme contaria com o Fantasma Vermelho, interpretado por John Malkovich, que sempre havia recusado papéis em filmes de super-heróis alegando que pagavam pouco, mas decidiu aceitar esse pela oportunidade de trabalhar novamente com Shakman, com quem havia feito Cut Bank, de 2014; infelizmente, o Fantasma Vermelho acabaria cortado do filme na última revisão do roteiro, feita por Eric Pearson, por problemas de continuidade, no que Shakman chamou de "uma decisão de cortar o coração".

Em janeiro de 2024, vazaria para a imprensa que a Marvel estava procurando uma atriz para interpretar o Surfista Prateado, o que causaria muitas discussões na internet; nos quadrinhos (e no filme da Fox), o Surfista é Norrin Radd, cientista do planeta Zenn-La, mas nesse filme a Surfista seria Shalla Bal, que nos quadrinhos é namorada de Radd, o substituindo no cinema como cientista, exploradora e arauto de Galactus - nos quadrinhos, Bal havia passado pela mesma provação na minissérie Terra X, de 1999. A escolhida para o papel seria Julia Garner (também em A Hora do Mal), mas a versão final da Surfista seria totalmente criada por computação gráfica, com Garner fazendo a dublagem e a captura de movimentos - mesma coisa ocorrendo em relação a Moss-Bachrach e o Coisa, que é um personagem 100% digital. Garner filmaria horas de poses nas quais ela fingia estar surfando ou posando como uma modelo, que seriam combinadas para que a Surfista "se movesse como se estivesse dançando".

Durante as greves, a equipe trabalharia em testes para os efeitos especiais do filme, principalmente aqueles ligados aos poderes dos membros do Quarteto. Kasra Farahani, de Loki, seria escolhido como designer de produção, e Alexandra Byrne como figurinista, optando por fazer uniformes simples para o Quarteto, em azul claro com detalhes brancos, semelhantes aos usados pela equipe nos anos 1980. Muitos detalhes do filme, especialmente a aparência de Galactus, seriam inspirados na arte de Jack Kirby para os quadrinhos do Quarteto. Um personagem das histórias clássicas do Quarteto que apareceria no filme seria o robô H.E.R.B.I.E., que combinava um animatronic cuja cabeça se movia por controle remoto, um marionete feito de madeira, e computação gráfica, dublado por Matthew Wood; além disso, uma nova personagem, Rachel Rozman, interpretada por Natasha Lyonne, que havia dublado Byrdie em What If...?, seria batizada em homenagem a Roz Goldstein, esposa de Jack Kirby.

Em fevereiro de 2014, seria divulgado que o filme seria ambientado na década de 1960, mas em uma realidade alternativa, oficialmente chamada de Terra-828 - a "realidade principal" do MCU, também chamada de Linha do Tempo Sagrada, é a Terra-616, curiosamente o mesmo número usado nos quadrinhos para a realidade principal deles. A decisão de não ambientar o filme na Linha do Tempo Sagrada viria de Shakman, que desejava colocar a história do Quarteto "mais próxima de seu ponto de origem", ou seja, os quadrinhos dos anos 1960 produzidos por Stan Lee e Jack Kirby; Feige abraçaria a ideia, dizendo que a ambientação em uma realidade alternativa daria maior liberdade para os roteiristas, ajudaria a cimentar o Multiverso no MCU e evitaria furos de roteiro em relação aos demais filmes e perguntas como "onde estava o Quarteto Fantástico enquanto os Vingadores lutavam contra Thanos?". Shakman chamaria o estilo do filme de "retrofuturista", dizendo que "parte é o que conhecemos sobre os anos 1960, parte é algo que nunca vimos". Apesar de fortemente baseado nos quadrinhos dos anos 1960, o filme conta com a Fundação Futuro, criada por Jonathan Hickman em 2009.

Em outubro de 2023, Shakman anunciaria que as filmagens começariam nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, no início de 2024, e que o elenco seria anunciado assim que a greve terminasse; atrasos na pré-produção fariam com que elas começassem apenas em julho de 2024, com todos os cenários "novaiorquinos" do filme sendo criados em estúdio, incluindo a Rua Yancy e a Times Square. Shakman diria querer fazer o filme "como se Stanley Kubrick o tivesse filmado em 1965", e se inspiraria em 2001: Uma Odisseia no Espaço para criar o laboratório de Reed. O apartamento do Quarteto seria inspirado em casas californianas do estilo arquitetônico conhecido como MCM, muito popular nos anos 1960, e o Fantasticarro teria como referência carros norte-americanos dos anos 1960, com elementos como turbinas e paineis de controle tendo uma aparência de filmes de ficção científica dos anos 1950. As únicas cenas filmadas fora da Inglaterra - exceto por tomadas aéreas de Nova York utilizadas para reconstruí-la em estilo retrofuturista por computação gráfica - seriam as da ONU, que ocorreram no Palácio do Congresso em Oviedo, Espanha. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, Framestore, Sony Pictures Imageworks, Digital Domain, Rise FX e Weta FX.

O filme começa quatro anos após o Quarteto ter ganhado seus poderes; nesse meio tempo, eles se tornaram heróis famosos, conhecidos, respeitados e amados pela população, equilibrando enfrentar supervilões com aparecer em programas de televisão, trabalhar junto aos governos para resolver vários problemas do planeta e gerenciar uma fundação dedicada a usar a ciência para criar um futuro melhor. Mas tudo isso pode ser posto em cheque com a chegada da Surfista Prateada, um ser cósmico que anuncia a vinda de Galactus, entidade que está disposta a destruir a Terra para convertê-la em energia que o irá alimentar. Incapazes de enfrentar Galactus, o Quarteto decide negociar com ele - mas ele exige em troca de poupar a Terra nada menos que o filho que Sue Storm está esperando. O elenco conta com Pedro Pascal como Reed Richards / Senhor Fantástico, Vanessa Kirby como Sue Storm / Mulher Invisível, Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm / Coisa, Joseph Quinn como Johnny Storm / Tocha Humana, Julia Garner como Shalla Bal / Surfista Prateada, Ralph Ineson como Galactus, Natasha Lyonne como Rachel Rozman, Paul Walter Hauser como Harvey Elder / Homem-Toupeira, Sarah Nyles como Lynne Nichols, chefe de pessoal da Fundação Futuro, Mark Gatiss como Ted Gilbert, apresentador do programa de televisão The Ted Gilbert Show, e Matthew Wood como H.E.R.B.I.E.; Alex Hyde-White, Rebecca Staab, Jay Underwood e Michael Bailey Smith, que interpretaram, respectivamente, Reed, Sue, Johnny e Ben no filme de Roger Corman, fazem participações especiais, os dois primeiros como jornalistas, os dois últimos como trabalhadores de uma fábrica. Robert Downey, Jr. faz uma breve participação especial sem créditos como Victor Von Doom / Doutor Destino.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é mais um filme que não começa com o logotipo e a fanfarra tradicional dos Marvel Studios; ao invés dele, foi usado um logotipo mais simples, que imita os usados em televisão na década de 1960. O filme estrearia em 25 de julho de 2025, após uma pré-estreia em Los Angeles dia 21, precedida de uma cerimônia de tapete vermelho que contou com entrevistas com o elenco e equipe e uma orquestra que interpretou ao vivo várias das músicas do filme, incluindo o tema dos Marvel Studios; essa cerimônia seria transmitida ao vivo pelo Disney+, intercalada com trailers e previews do filme. Com orçamento de cerca de 230 milhões de dólares, renderia 274 milhões nos Estados Unidos e 522 milhões no mundo inteiro, sendo considerado um sucesso pela Disney, mesmo que a bilheteria tenha sido abaixo do esperado; esse desempenho seria atribuído à concorrência pesada, já que, no primeiro dia, Quarteto Fantástico ficaria em segundo na bilheteria atrás de Um Filme Minecraft, e fecharia a primeira semana também na segunda posição, mas atrás de Superman. A crítica seria bastante positiva, elogiando o elenco e a caracterização futurista dos anos 1960, mas com alguns considerando a história fraca e datada se comparada com outros filmes mais recentes de super-heróis.

Na San Diego Comic Con de julho de 2024, seria revelado que Pascal, Kirby, Quinn e Moss-Bachrach haviam todos assinado contrato para três filmes, e que Reed, Sue, Johnny e Ben estavam confirmados nos próximos dois filmes dos Vingadores, Vingadores: Doutor Destino, de 2026, e Vingadores: Guerras Secretas, de 2027; na mesma ocasião, seria revelado que Robert Downey, Jr., até 2019 intérprete de Tony Stark, havia sido oficialmente contratado para interpretar Victor Von Doom, com as negociações tendo se iniciado quase um ano antes. Feige se diria extremamente empolgado por poder voltar a trabalhar com Downey, e que conversava com o ator sobre a possibilidade de seu retorno ao MCU em um papel diferente do Homem de Ferro desde que se encerraram as gravações de Vingadores: Ultimato. Shakman confirmaria a presença de Doom nos dois filmes dos Vingadores, mas diria que "ele não é parte do filme do Quarteto Fantástico"; de fato, Doom só aparece brevemente na cena intercréditos, que conta apenas com Downey e Kirby, gravada durante a pré-produção de Vingadores: Doutor Destino e dirigida por Anthony e Joe Russo.

Olhos de Wakanda
Eyes of Wakanda
2025

Em fevereiro de 2021, Ryan Coogler, diretor e roteirista de Pantera Negra, anunciaria ter fechado um acordo entre sua produtora, a Proximity Media, e a Disney para a produção de séries de TV para o Disney+ ambientadas em Wakanda, o fictício país da África Central do qual T'Challa, a identidade não tão secreta do Pantera Negra, é rei e onde se passa a maior parte da ação do filme de 2018. A imprensa se mostraria empolgada, logo surgindo rumores de que uma das séries prestaria tributo a Chadwick Boseman, falecido em 2020, e outras explorariam o passado de personagens como M'Baku, Killmonger e T'Chaka, pai de T'Challa e Pantera Negra anterior, ou da organização Dora Milaje, com a expectativa de que personagens dos quadrinhos, como Bashenga, o primeiro Pantera Negra, a ativista Queen Divine Justice, e Kasper Cole, o terceiro Tigre Branco, pudessem fazer sua estreia no MCU.

Em novembro de 2022, a Proximity Media anunciaria estar trabalhando em "várias séries" ambientadas em Wakanda, mas sem dar maiores detalhes. Somente em março de 2023 seria publicado na imprensa que Coogler estaria desenvolvendo uma série de animação, com o título provisório de The Golden City, ambientada na capital de Wakanda, Birmin Zana. No mês seguinte, o executivo dos Marvel Studios Nate Moore confirmaria que diversas séries estavam em discussão, animadas e com atores, mas que a preocupação da Marvel era prejudicar a "experiência cinematográfica" proporcionada por exibir Wakanda numa tela de cinema. Apenas em dezembro de 2023 o produtor Brad Winderbaum anunciaria oficialmente que a primeira série ambientada em Wakanda seria animada, e que traria episódios protagonizados por diversos guerreiros wakandanos ao longo da história. Jornalistas comparariam a série a Histórias dos Jedi, série de Star Wars de 2022 na qual cada episódio acompanha um personagem diferente em um dos diversos momentos da saga.

Também em dezembro de 2023 seriam anunciados os roteiristas: Geoffrey Thorne, que já tinha experiência na Marvel, tendo sido roteirista das séries animadas Ultimate Homem-Aranha, de 2012, e Os Vingadores Unidos, de 2013, e Marc Bernadin, que revelaria ter sabido do projeto e começado a trabalhar em dois roteiros durante a pandemia, em 2020. Thorne escreveria o primeiro e o último episódios, e Bernadin o segundo e o terceiro. Matthew Chauncey, de What If...?, também escreveria um roteiro, que acabaria não sendo aproveitado.

Em janeiro de 2024, a Proximity Media confirmaria seu envolvimento, mas diria que o showrunner seria escolhido pela Marvel. No mesmo mês, o artista de storyboards Todd Harris revelaria ter sido dele a ideia para a série, tendo rascunhado alguns esboços durante a produção de Vingadores: Guerra Infinita e mostrado a Coogler, que estava filmando Pantera Negra. Segundo Harris, ele quis combinar "a interconectividade do MCU com a interconectividade da história da humanidade", e concebeu a série como um especial para quando Pantera Negra fosse lançado em home video ou algo assim, já que, na época, os Marvel Studios não pensavam ainda em fazer séries animadas. Winderbaum confirmaria a história, e diria que, durante a discussão sobre qual seria a primeira série, se lembraria da ideia de Harris, convidando-o para ser o showrunner. Harris seria confirmado como showrunner e diretor em janeiro de 2025; ele dirigiria sozinho o primeiro e o último episódios, e co-dirigiria o terceiro com John Fang, que seria o único diretor do segundo.

Olhos de Wakanda acompanha os Hatut Zaraze, uma força de elite secreta de Wakanda cuja missão é recuperar artefatos feitos de vibrânio que tenham sido roubados ou saído do país por outros meios. Cada episódio acompanha a missão de um agente em uma época diferente da história. O primeiro é ambientado em 1260 a.C., e acompanha a ex-Dora Milaje Noni, enviada para deter um ex-Hatut Zaraze chamado Nikat, que fugiu de Wakanda levando vários artefatos que usa sob o pseudônimo de Leão para liderar uma frota que saqueia a ilha de Creta, no Mediterrâneo. O segundo é ambientado durante a Guerra de Troia, e acompanha B'Kai, que, usando o codinome Memnon, se tornou o melhor amigo de Aquiles, e está ajudando os gregos a invadir a cidade para recuperar um artefato wakandano que está com ninguém menos que Helena. O terceiro é ambientado em 1400 d.C., e mostra o agente Basha recuperando um artefato que estava dentro de uma estátua sagrada em K'un-Lun; ao retornar a Wakanda, porém, sem saber, ele leva consigo o Punho de Ferro da época, que está disposto a pegar a estátua de volta, mas não pode sair de Wakanda após ver seus segredos. O quarto e último episódio é ambientado em 1896, durante a invasão da Etiópia pela Itália; o Príncipe Tafari e seu mentor, Kuda, recuperam um artefato wakandano, mas são abordados por uma misteriosa figura que diz vir de 500 anos no futuro, advertindo-os de que, se o artefato não ficar no local onde está, uma raça alienígena conseguirá conquistar a terra quando invadi-la.

Coogler daria a Thorne a ideia para o primeiro episódio, alegando ser fascinado pela história do "Povo do Mar", um povo de origem desconhecida que viveu durante o auge da civilização minoica em Creta, saqueando e escravizando todos os demais povos da região; segundo ele, o Povo do Mar ter acesso a tecnologia wakandana explicaria por que eles eram tão superiores ao ponto de ninguém conseguir detê-los, mas ainda assim tão misteriosos que hoje não sabemos nada sobre suas origens ou legado. Coogler também pediria para que os episódios fossem centrados "nos princípios de Wakanda", ao invés de mostrar antepassados famosos de personagens que existem no presente. Também por sugestão de Coogler, diferentemente de outras séries da Marvel Studios Animation, Olhos de Wakanda é ambientada na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU, sendo completamente integrada a Pantera Negra e Wakanda para Sempre; por causa disso, a série é considerada a estreia oficial do Punho de Ferro no MCU.

Para que Wakanda fosse a real protagonista da série, e não seus personagens, a Disney optaria não chamar para a dublagem nenhum grande nome de Hollywood, preferindo dubladores profissionais, atores que já tivessem participado de outras produções Disney, e artistas negros de expressão - como a modelo canadense Winnie Harlow, que luta pelo fim do preconceito contra portadores de vitiligo, condição da qual é portadora. O elenco conta com Harlow (no primeiro episódio) e Lynn Whitfield (no segundo) como Noni, Cress Williams como Nkati, Patricia Belcher como Akeya, Larry Heron como B'Kai, Adam Gold como Aquiles, Jason Konopisos como Ferro, Kiff VandenHeuvel como Odisseu, Yerman Gur como Paris, Joanna Kalafatis como Helena de Troia, Jacques Colimon como Basha, Jona Xiao como Jorani / Punho de Ferro, Isaac Robinson-Smith como Ebo, Gary Anthony Williams como Rakim, Zeke Alton como o Príncipe Tafari, Steve Toussaint como Kuda, Debra Wilson como uma general Dora Milaje, e Anika Noni Rose (que havia dublado Tiana em A Princesa e o Sapo) como a Última Pantera Negra.

A animação ficaria a cargo da Axis Animation, que utilizaria um estilo semelhante ao de artistas afro-americanos contemporâneos como Ernie Barnes e Dean Cornwell; a animação seria feita por computação gráfica usando cel-shading, mas, sem a presença de atores do MCU no elenco, os artistas tiveram uma maior liberdade para criar as feições e aparência geral dos personagens. Animadores da África do Sul, Nigéria e Egito seriam contratados pelo supervisor de animação Craig Elliot para contribuir com o estilo autêntico da série. Em dezembro de 2023, Harris seria perguntado se a Disney havia pensado em fazer a série com atores de carne e osso, ao que ele respondeu que um projeto dessa magnitude só poderia ganhar vida em animação, onde "filmar no Egito custa o mesmo que em Nova Iorque, e na Lua custa o mesmo que em Ohio". A abertura seria criada pelo Studio AKA e feita a mão, sem recursos de computação gráfica.

Olhos de Wakanda teria apenas quatro episódios, todos estreando no Disney+ simultaneamente, em 1 de agosto de 2025. O primeiro episódio teria uma pré-estreia no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, em 9 de junho. A série seria a mais assistida do Disney+ em sua semana de estreia, mas não conseguiria terminar o ano dentre o Top 10 do serviço. A crítica ficaria encantada, elogiando a concisão dos roteiros, a beleza dos episódios e chamando a atenção para os temas de lealdade, amizade, ética e moralidade presentes nas histórias. Infelizmente, ainda não há notícias sobre se a série foi um projeto isolado ou se terá uma segunda temporada - nem sobre as demais séries que seriam produzidas pela Proximity Media, com a validade de cinco anos do contrato original já tendo se esgotado.

Marvel Zumbis
Marvel Zombies
2025

Apesar de seu aspecto, digamos, incomum, Zumbis Marvel é uma das séries de maior sucesso da Marvel nos quadrinhos. Ela começou despretensiosamente, como parte de uma saga do Quarteto Fantástico do Universo Ultimate, chamada O Outro Lado do Espelho, publicada nas edições de 21 a 23 de Ultimate Fantastic Four, entre setembro e novembro de 2005, na qual Reed Richards é contactado por uma versão mais velha de si mesmo, pedindo ajuda para salvar o futuro; ao passar pelo portal que levaria ao futuro, Reed descobre que foi enganado, e que o chamado partiu de uma versão alternativa sua de uma realidade paralela na qual o Apocalipse Zumbi aconteceu, transformando quase todos os heróis e vilões Marvel em zumbis.

Anunciada como sendo um crossover entre o Universo Ultimate e o Universo Marvel "principal", no que depois se revelou uma jogada de marketing, O Outro Lado do Espelho (que, em inglês, se chamava, simplesmente, Crossover) serviria como introdução ao lançamento da série limitada Marvel Zombies, com cinco edições lançadas entre dezembro de 2005 e abril de 2006, na qual Magneto tenta reunir um grupo de super-heróis sobreviventes para enfrentar os zumbis e tentar encontrar um refúgio. Para a surpresa de absolutamente todo mundo na Marvel, que previa vendas medianas, a série seria um gigantesco sucesso, com a primeira edição se esgotando em poucos dias e se tornando extremamente rara.

Esse sucesso faria com que o "Universo Zumbi" fosse revisitado várias vezes a partir de então, seja como parte de histórias nas revistas regulares dos heróis Marvel, seja na forma de outras minisséries e one shots, como Marvel Zombies 2, com quatro edições lançadas entre dezembro de 2007 e abril de 2008, Marvel Zombies: Resurrection, com quatro edições lançadas entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, e Marvel Zombies: Dead Days, de maio de 2008, que explica como ocorreu o Apocalipse Zumbi. Ao todo, já foram lançadas mais de 100 edições com a presença dos Zumbis Marvel, incluindo um crossover com o filme Uma Noite Alucinante, Marvel Zombies vs. The Army of Darkness, com cinco edições puiblicadas entre maio e setembro de 2007, no qual Ash Williams vai parar no Universo Zumbi.

Sendo uma série de tanto sucesso, é claro que os Marvel Studios gostariam de ganhar um pouco de dinheiro com ela, com Kevin Feige discutindo a possibilidade de um filme dos Zumbis Marvel já em 2013, mas desistindo após os executivos acharem que a história não poderia ser fielmente adaptada por não ser apropriada ao público-alvo das produções Marvel de então. Quando começou a produção da série animada de What If...?, porém, uma das ideias apresentadas pelo roteirista Matthew Chauncey foi justamente a de visitar o Universo Zumbi, mas usando personagens e características dos filmes lançados nas três primeiras Fases do MCU. Essa ideia acabaria se transformando em um roteiro do próprio Chauncey, que, por sua vez, daria origem ao quinto episódio, E se... zumbis?!.

Em junho de 2021, antes mesmo da estreia de What If...?, em agosto, os Marvel Studios anunciariam que mais três séries animadas estavam em pré-produção, todas elas sendo spin-offs de What If...?, ou seja, ambientadas em universos alternativos, e não na agora chamada Linha do Tempo Sagrada do MCU. No mês seguinte, seria anunciado que essas séries ainda estavam em estágio muito preliminar, e que nenhuma delas estrearia antes de 2023. Em novembro de 2021, durante o Disney+ Day, seria oficialmente anunciado que uma dessas séries seria Marvel Zombies (que, em português, por alguma razão, viraria Marvel Zumbis, e não Zumbis Marvel); das outras duas não se falaria mais nada, e o mais provável é que tenham sido canceladas.

Na mesma ocasião, seria anunciado que Bryan Andrews, diretor da primeira temporada e de quase todos os da segunda e terceira de What If...?, também seria o diretor de todos os episódios de Marvel Zumbis, além de seu showrunner. Andrews diria que, após assistirem ao episódio, Feige e o produtor Brad Winderbaum gostaram tanto que convocaram uma reunião para transformar sua história em um longa-metragem animado, durante a qual se chegaria à conclusão de que o melhor seria uma minissérie, pois assim eles conseguiriam contar com o Homem-Aranha - que, segundo os termos do contrato entre Marvel e Sony, não pode aparecer em longa-metragens de animação produzidos pelos Marvel Studios. Marvel Zumbis seria uma das sensações da Comic-Con de 2022, na qual Feige confirmaria que a série faria parte do "Multiverso Animado Marvel", e que teria classificação TV-MA (inadequada para menores de 18 anos), para que pudesse contar "com toda a carnificina que se espera de uma série sobre zumbis".

A produção da série acabaria sofrendo muitos atrasos, o maior deles em 2023, quando ocorreram a greve dos roteiristas e uma reunião de emergência entre os executivos da Disney e da Marvel para tratar do baixo desempenho das produções da Fase 4, que levou a uma reestruturação de vários projetos em andamento. Após essa reunião, Zeb Wells, que havia sido roteirista de um dos episódios de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, e, futuramente, seria um dos co-roteiristas de Deadpool & Wolverine, seria escolhido para ser o chefe da equipe de roteiristas de Marvel Zumbis. Wells discutiria detalhes da história com Andrews, e acabaria sendo o único roteirista - com todos os episódios sendo creditados a "Zeb Wells, a partir de uma história de Bryan Andrews e Zeb Wells". Antes do lançamento da série, a Disney decidiria creditar Andrews e Wells como co-showrunners e co-criadores da série, já que ambos haviam mesmo feito tudo juntos - exceto dirigir, função apenas de Andrews.

Andrews ficaria satisfeito com a classificação TV-MA, dizendo que, assim, eles não precisariam se conter, e Winderbaum definiria a série como "intensa", com nível de violência comparável à dos quadrinhos dos Zumbis Marvel, diferente de tudo o que já se havia visto em uma animação do MCU. Andrews declararia não estar criando uma história de zumbis, mas uma grande aventura, com momentos de humor, ação, violência, drama e emoção, usando temas de esperança e desespero. Em alguns diálogos os personagens xingam, algo extremamente incomum para uma produção Disney, o que levaria Andrews e Wells a ter que dar uma declaração de que isso só ocorre nos momentos apropriados, com eles sempre tentando não fazer dos personagens bocas-sujas de forma gratuita.

A série é ambientada cinco anos após os eventos de E se... zumbis?!, e mostra um grupo de heróis andarilhos sobrevivendo às investidas de uma horda de zumbis controlados por Wanda Maximoff, a Rainha dos Mortos; acidentalmente, eles descobrem uma forma de evitar que a infecção zumbi se alastre ainda mais, mas Wanda tem planos de usar um poder inimaginável, protegido pelo Hulk, para transformar todos os habitantes do planeta em zumbis sob o seu comando, o que faz com que ela precise ser detida, ou de nada os esforços dos heróis adiantarão.

Assim como What If...?, Marvel Zumbis conta em seu elenco com atores que participaram dos filmes e séries do MCU repetindo seus papéis, e com dubladores profissionais substituindo aqueles que não puderam ou não quiseram participar. Dentre os atores que repetem seus papéis do MCU estão Iman Vellani como Kamala Khan / Miss Marvel; Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Hailee Steinfeld como Kate Bishop / Gaviã Arqueira; Kerry Condon como a inteligência artificial Sexta-Feira; Florence Pugh como Yelena Belova; David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho; Simu Liu como Shang-Chi; Awkwafina como Katy Chen; Randall Park como Jimmy Woo; Wyatt Russell como John Walker; Paul Rudd como Scott Lang / Homem-Formiga; Adam Hugill como Rintrah; Sheila Atim como Sara; Tessa Thompson como Valquíria; F. Murray Abraham como Khonshu (no terceiro episódio); Zenobia Shroff como Muneeba Khan; e Elizabeth Olsen como Wanda Maximoff / Rainha dos Mortos. Os dubladores que repetem seus papéis de What If...? são Hudson Thames como Peter Parker / Homem-Aranha; Kenna Ramsey como Okoye; Kari Whalgren como Melina Vostokoff; Feodor Chin como Xu Wenwu; Rama Vallury como Helmut Zemo; e Piotr Michael como Khonshu (no quarto episódio). Dubladores novos incluem Todd Williams como Eric Brooks / Blade, e Greg Furman como Thor. Também participam Daniel Swain, Isaac Robinson-Smith, Debra Wilson, Alison Haislip, Dave Boat, Terri Douglas, Robin Atkin Downes, Matthew Yang King, Andrew Morgado, Ashley Peldon, Michael Ralph, Fred Tatasciore, Mike Vaughn e Matthew Wood como vozes adicionais. Personagens do MCU que fazem participações especiais, sem falas, alguns deles como zumbis, incluem T'Challa / Pantera Negra, Mercador da Morte, Ikaris, Rocky, Groot, Bruce Banner/ Hulk, Clint Barton / Gavião Arqueiro, Steve Rogers / Capitão América, Emil Blonsky / Abominável, Ava Starr / Fantasma, Carol Danvers / Capitã Marvel, Namor, Hank Pym, Janet van Dyne, Hope van Dyne / Vespa, Thanos e o Vigia.

Marvel Zumbis seria a primeira produção Marvel a contar com a presença do Pantera Negra após o falecimento do ator Chadwick Boseman. Em respeito ao fato de a Marvel ter decidido aposentar o personagem nos cinemas ao invés de substituir Boseman, na série o Pantera Negra não fala, para que não precisasse ser escalado um dublador; Andrews declararia que, caso Boseman não tivesse falecido, ele e Wells teriam usado o personagem em mais cenas e dado a ele maior importância. A série também conta com uma versão de Blade apelidada "Blade Knight", já que é um amálgama do personagem com o Cavaleiro da Lua. A inclusão de Blade seria sugerida por Feige, já que Marvel Zumbis estava sendo produzida ao mesmo tempo em que o novo filme do herói; após o adiamento do filme por tempo indeterminado, Andrews e Wells decidiram mudar o personagem, fazendo com que, nesse universo, ele tenha sido escolhido para ser o Punho de Khonshu ao invés de Marc Spector.

O estilo de animação seria o mesmo de What If...?, utilizando cel-shading e com os personagens lembrando os atores que os interpretaram no MCU; no caso de Blade, seria usado como modelo Mahershala Ali, que ainda tem contrato para interpretá-lo em um filme. Todos os episódios ficariam a cargo do Stellar Creative Lab, um dos estúdios que trabalharam em What If...?, supervisionados pela Marvel Studios Animation, com Paul Lasaine servindo como supervisor de animação. Como uma piada interna, todos os animadores da série emprestariam suas feições a zumbis.

Marvel Zumbis teria apenas quatro episódios, todos eles estreando no Disney+ em 24 de setembro de 2025, com essa data sendo anunciada de surpresa pela Disney pouco mais de um mês antes; originalmente, a ideia era que a série estreasse em outubro de 2024 como um especial de Halloween, mas, como a produção estava ligeiramente atrasada, a Marvel Studios Animation decidiria não colocá-la para competir com Agatha Desde Sempre, que ainda estaria no ar, e, em outubro de 2024, anunciaria que Marvel Zumbis estrearia em outubro de 2025, aproveitando para dar um polimento aqui e ali em alguns episódios - o que expandiria a participação de Khonshu e faria com que Michael tivesse de gravar suas novas falas, já que Abraham não estava disponível na época. A audiência superaria todas as expectativas da Disney, com Marvel Zumbis sendo a série mais assistida do Disney+ em mais de 30 países em sua semana de lançamento, e a terceira mais assistida dos Estados Unidos considerando todos os streamings. A crítica ficaria dividida, considerando a série divertida, mas sem originalidade.

Pouco antes da estreia da série, Winderbaum comentaria que, originalmente, existia a possibilidade de que fosse lançada uma segunda temporada, dependendo da reação do público à primeira, mas que, como Marvel Zumbis "foi pega no meio da reestruturação do MCU", que ocorreu no final de 2023, esses planos foram cancelados, com Wells sendo orientado a escrever um final, para que a série fosse fechada, com apenas uma temporada. Ainda assim, como Wells escreveu um final "mais ou menos aberto", e a audiência foi maior que a esperada pela Marvel, Andrews mantém a esperança de que uma segunda temporada seja autorizada, e diz já estar conversando com Wells sobre quais personagens poderiam usar, sendo seu preferido o Soldado Invernal.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
•Olhos de Wakanda
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sábado, 25 de julho de 2026

Escrito por em 25.7.26 com 0 comentários

WildC.A.T.s

Eu ia começar esse post dizendo que eu nunca tinha lido WildC.A.T.s, mas depois eu me lembrei que, quando a Editora Globo lançou as revistas da Image no Brasil, embora eu realmente não comprasse WildC.A.T.s, eu comprava Gen 13, e, depois de um tempo, claramente para economizar, eles juntaram as duas revistas numa só (e com qualidade de papel pior) chamada Gen 13 & WildC.A.T.s, que eu segui comprando, então essas histórias dos WildC.A.T.s eu já havia lido sim, o que eu nunca havia lido foram as histórias originais dos WildC.A.T.s, que, ainda por cima, eu achava que haviam sido escritas pelo Jim Lee, e não só desenhadas por ele. Recentemente, entretanto, eu aproveitei um saldão da Panini e comprei um encadernado dos WildC.A.T.s, com todas as histórias desenhadas pelo Jim Lee. Depois que terminei de ler, achei que, já que eu não falo há um tempão sobre um super-herói aqui no átomo, poderia tentar fazer um post, e, por isso, hoje é dia de WildC.A.T.s.

Embora seja um dos sete artistas considerados fundadores da Image, Jim Lee não estava no grupo que originalmente decidiu cortar laços com a Marvel e a DC e fundar sua própria editora. Quem teve essa ideia, talvez nada surpreendentemente, foi Rob Liefeld, que, na época, desenhava a X-Force para a Marvel - revista que havia sido criada por ele ao receber carta branca para reinventar os Novos Mutantes - e considerava que a revista só fazia sucesso por causa de sua arte, se ressentindo de que não recebia participação nas vendas nem tinha direitos sobre os personagens que criava, já que, pelas leis dos Estados Unidos, se alguém cria uma coisa enquanto está sob contrato, os direitos pertencem ao contratante, e não ao criador. Mais que isso, Liefeld se preocupava com o futuro, achando que os desenhistas dos anos 1990 haviam ficado "grandes demais para o sistema", que a Marvel não queria "estrelas", e que isso pudesse resultar em sua demissão em um futuro próximo.

Liefeld conversaria com Todd McFarlane, que na época escrevia e desenhava a Spider-Man, uma nova revista do Homem-Aranha lançada praticamente só por causa dele, e se sentia desprestigiado por motivos parecidos, acreditando que deveria receber parte do lucro sobre a venda de merchandising associado ao personagem, como camisetas, material escolar e outros produtos que usassem a sua arte - o que, segundo as leis dos Estados Unidos, só ocorre se houver uma cláusula específica quanto a isso no contrato - e os dois decidiriam identificar outras "estrelas" da arte nos quadrinhos que pensassem de forma parecida, visando convidá-las para fundar sua própria editora, com regras diferentes das adotadas por Marvel e DC. Os dois primeiros foram Erik Larsen, que ficou famoso desenhando o Hulk, mas, na época, desenhava a The Amazing Spider-Man, a revista original do Homem-Aranha, onde McFarlane fez sua fama, e Jim Valentino, que desenhava a Guardians of the Galaxy.

Alguns meses depois, McFarlane se encontraria com Jim Lee e Marc Silvestri em um leilão beneficente na Sotheby's, em Nova Iorque, e decidiria convidar também os dois. Silvestri na época desenhava a Wolverine, e Lee a X-Men, também uma nova revista dos X-Men criada só por causa dele. Lee tinha opiniões parecidas com as de McFarlane, mas dúvidas quanto a deixar a segurança da Marvel para se aventurar em um projeto arriscado como a fundação de uma nova editora; ele só decidiria aceitar o convite após conversar com Whilce Portacio, desenhista da The Uncanny X-Men, a revista original dos X-Men, a quem acabou convidando também. Liefeld, McFarlane, Larsen, Valentino, Silvestri, Lee e Portacio, então, entrariam para a história como os fundadores da Image, a única editora que verdadeiramente chegou a ameaçar o reinado da Marvel e da DC - por um curto período de tempo, inclusive, superando a DC em vendas e sendo a segunda que mais vendia quadrinhos nos Estados Unidos, atrás apenas da Marvel.

A principal característica da Image era que os criadores seriam donos de tudo o que criassem, com a editora só sendo dona de seu nome e seu logotipo. Para que isso funcionasse, ela era tipo uma cooperativa, com cada um dos fundadores tendo uma "mini-editora" (na verdade, um estúdio) que produzia suas criações, cabendo à Image apenas tratar da impressão e da distribuição - sendo que, no início, como ela não tinha meios de fazer nem uma coisa, nem outra, a impressão e a distribuição caberiam a outra editora pequena, a Malibu Comics, que fez um contrato com a Image para que os quadrinhos das "mini-editoras" fossem impressos e distribuidos junto com os criados pela Malibu. No início, as seis "mini-editoras" - chamadas por alguns fãs de "selos" - da Image eram o Extreme Studios de Liefeld, a McFarlane Productions, a Highbrow Entertainment de Larsen, a Shadowline de Valetino, a WildStorm de Lee, e a Top Cow de Silvestri - Portacio só criaria seu Avalon Studios seis anos depois, inicialmente produzindo seus títulos pela WildStorm. Ao longo dos anos, a Image reuniria vários outros selos, como o Cliffhanger e a Skybound Entertainment, e cada um deles se desenvolveria de forma diferente - a Top Cow, hoje, é praticamente uma editora completa, inclusive imprimindo e distribuindo seus próprios títulos, com sua ligação com a Image sendo basicamente afetiva.

Pois bem, após aceitar o convite de McFarlane, fundar a Image e definir como seria o funcionamento da WildStorm, a primeira coisa que Lee faria seria entrar em contato com um amigo de infância, o roteirista Brandon Choi. Tanto Lee quanto Choi nasceram em Seul, na Coreia do Sul, e emigraram para os Estados Unidos quando crianças, acompanhando seus pais - Lee tinha 7 anos, Choi tinha apenas 2, mas ambos são da mesma idade, o que significa que Choi emigrou primeiro. Eles se conheceram na década de 1970 na igreja, que era frequentada pelos pais de ambos, segundo Choi, quando um dia ele viu Lee brincando com bonequinhos dos X-Men, que ninguém tinha na época, pediu para brincar também, e Lee o presenteou com um boneco do Anjo. Os dois logo se tornaram melhores amigos e, por coincidência, quando passaram para o middle school, o equivalente ao nosso segundo segmento do Ensino Fundamental, ficaram na mesma turma. Ambos, então, começaram a criar várias histórias de super-heróis, com Choi criando os enredos e Lee os personagens.

Lee seria mais bem sucedido que Choi ao perseguir seus sonhos, sendo contratado pela Marvel aos 23 anos, em 1987, para desenhar Alpha Flight, a revista da Tropa Alfa, passando em seguida para The Punisher War Journal, a revista secundária do Justiceiro, até parar na The Uncanny X-Men, onde trabalhava com Chris Claremont - as vendas nessa época seriam tão grandes que a Marvel daria aos dois uma revista totalmente nova, chamada apenas X-Men, com a Uncanny passando para outra equipe e as histórias de ambas se complementando. Choi, enquanto isso, não conseguiu ser contratado por nenhuma editora de quadrinhos e decidiu tentar a sorte no cinema, estando matriculado em um curso de roteirista quando Lee o telefonou e o convidou para trabalhar na WildStorm. A ideia de Lee era não somente retomar a parceria com o amigo, mas tentar fazer de uma forma profissional e oficial os quadrinhos que os dois inventavam quando crianças, o que deixou Choi extremamente empolgado.

Choi e Lee, então, começariam a revisar os enredos e personagens que haviam criado, para adequá-los ao que fazia sucesso nos anos 1990 e tornar tudo mais profissional. Devido à experiência de Lee com os X-Men, e ao sucesso da equipe dos mutantes, Lee decidiria que queria também fazer um grupo de heróis, ao invés de um herói solo. Sendo ambos fãs de ficção científica e tendo como filme favorito Blade Runner, Lee e Choi decidiriam começar por dois personagens originalmente inspirados por essa obra: Bandoleiro e Espartano. Bandoleiro era originalmente uma versão com superpoderes do personagem Deckard, interpretado por Harrison Ford; ele manteria a atitude e o sobretudo de Deckard, mas acabaria sendo transformado em um mercenário ao invés de um detetive; já Espartano seguiria sendo uma versão turbinada de um Replicante, um humano artificial, mas capaz de voar e lançar raios pelas mãos. Outros dois personagens antigos, Lacuna e Warblade, ganhariam modificações inspiradas pelo T-1000 de O Exterminador do Futuro 2, filme lançado pouco antes da fundação da Image; Lacuna ganharia um uniforme reflexivo semelhante à pele de metal líquido do androide, enquanto Warblade poderia transformar suas mãos em vários tipos de lâminas. O personagem que menos mudaria seria Marreta, ganhando apenas um novo nome - o original era Tusk - e uma história ligada à nova origem criada para a equipe.

Falando nisso, a moda nos anos 1990 era explorar a guerra entre o Céu e o Inferno; outro personagem superfamoso da Image, Spawn, foi criado especialmente com essa guerra em mente, e até Marvel e DC se enveredaram por esse caminho, com o Justiceiro durante um tempo sendo um agente do Céu que caçava demônios, e o personagem Constantine ganhando um título que explorava essa temática lançado pelo selo Vertigo. Lee também queria envolver seu grupo de heróis em uma guerra entre Céu e Inferno, mas Choi decidiria adaptar esse enredo para a ficção científica, criando duas raças alienígenas que vivem escondidas dos humanos na Terra, os kherubins e os demonitas. Os kherubins são praticamente idênticos aos humanos, mas têm cabelos brancos e jamais morrem de velhice, com os homens tendo poderes quânticos e as mulheres sendo extremamente fortes e ágeis; já os demonitas são monstruosos e só conseguem sobreviver se utilizarem um outro ser como hospedeiro, se valendo dessa tática para influenciar governos e organizações. Acidentalmente naufragados na Terra há milhares de anos, os demonitas buscam uma forma de trazer reforços de seu planeta natal para dominar o nosso, enquanto os kherubins os caçam e tentam acabar com sua ameaça.

Faltava apenas um detalhe: o primeiro grupo de heróis lançado pela Image seria o Youngblood, de Liefeld, cujos membros eram ligados à CIA ou ao governo dos Estados Unidos e viviam como celebridades, sendo tratados pela população como se fossem atores, cantores ou atletas de prestígio. Lee decidiria que seu grupo seria justamente o contrário, atuando das sombras e sem o conhecimento do grande públco - o que inclusive combinava com o conceito da "guerra secreta" entre demonitas e kherubins. Após definir essa característica, ele decidiria chamar a equipe de WildC.A.T.s, com "C.A.T.s" sendo uma sigla para Covert Action Teams, algo como "equipes de ação sigilosa" em inglês - nome que pode parecer meio estranho hoje, mas estava super dentro da moda nos quadrinhos nos anos 1990. Chamando o grupo de WildC.A.T.s, inclusive, Lee pôde batizar seu grupo seguinte de StormWatch - o que fazia com que as primeiras metades de cada um formassem o nome WildStorm.

A equipe original dos WildC.A.T.s é liderada por Lorde Emp, kherubim que perde a memória e vive anos dentre os humanos usando o nome de Jacob Marlowe. Após perder tudo, Emp vive como mendigo até ser encontrado por Lacuna, que era a cosmonauta russa Adrianna Tereshkova até seu corpo se fundir a um artefato alienígena conhecido apenas como Orbe, o que lhe deu o poder de ver o passado e o futuro simultaneamente ao presente e de teleportar a si mesma e a outros. Lacuna conta a Emp sobre a guerra entre os kherubins e demonitas e o ajuda a fundar a Corporação Halo, empresa presente em vários ramos de empreendimento, mas que na verdade é uma fachada para financiar os WildC.A.T.s e permitir que agentes demonitas sejam identificados e detidos. É a Halo a responsável por criar Hadrian-7, o ciborgue de codinome Espartano, que tem força e vigor sobre-humanos, pode voar, disparar raios pelas mãos, interagir com equipamentos eletrônicos e cuja consciência pode ser transferida para um novo corpo caso o que está sendo usado seja danificado além de qualquer reparo.

Quando Emp veio para a Terra, trouxe consigo uma guarda-costas, Lady Zannah, que adotou o codinome Devota. Após Emp perder a memória e desaparecer, Devota reuniu as demais kherubins da Terra e criou a Irmandade Coda, que iria treiná-las para a guerra contra os demonitas; infelizmente, algumas membros da Coda se mostraram traidoras e se aliaram aos inimigos, enquanto outras desvirtuaram os preceitos da sociedade kherubim, o que fez com que Devota decidisse deixar a ordem e vagar o mundo procurando por Emp. Enquanto fazia isso, ela decidiu treinar um aprendiz, Cole Cash, ex-agente do governo, ex-mercenário e ex-membro da equipe conhecida como Team 7, que ganhou poderes psiônicos limitados e uma resistência a lesões e fraturas que o torna praticamente imortal após ser submetido a experimentos de um projeto secreto do governo norte-americano chamado Projeto Gênese - mas o principal "poder" de Cash é sua exímia habilidade com armas de fogo, o que lhe valeu o codinome de Bandoleiro. Após anos contando apenas um com o outro, Devota e Bandoleiro decidem também se unir aos WildC.A.T.s após o ressurgimento de Emp.

Os outros três membros dos WildC.A.T.s inicialmente estão em treinamento. Um deles é Jeremy Stone, codinome Marreta, um híbrido humano/kherubim (mais tarde sofrendo um retcon e se tornando um híbrido de humano com uma raça alienígena chamada titanthrope) com o poder de aumentar de tamanho, com a significativa desvantagem de que, quanto mais ele aumenta, mais seu raciocínio fica prejudicado - vulgarmente falando, quanto maior, mais burro ele fica. Já Reno Bryce, codinome Warblade, também um híbrido humano/kherubim, pode transformar seu corpo em metal líquido, esticando seus membros e transformando suas mãos e pés em uma variedade de lâminas; no passado, Warblade teve ligações profundas com Ripclaw, herói criado por Silverstri e membro da equipe Cyber Force.

Finalmente, temos Priscilla Kitaen, codinome Vodu, uma híbrida humano/demonita, que entra para a equipe na primeira edição, após ser encomtrada por Bandoleiro trabalhando como stripper - ou melhor, "dançarina exótica", já que, até para os anos 1990, uma heroína stripper era um pouco demais. Vodu consegue enxergar quando um demonita está possuindo um humano, e, fazendo um gigantesco esforço, consegue expulsar o demonita do hospedeiro, normalmente matando o vilão no processo; isso faz com que ela seja um alvo preferencial dos demonitas, que a consideram um perigo para seus planos. Como ela nunca foi heroína na vida, tem que aprender a se virar durante as missões, sendo treinada nos intervalos por Devota e Espartano - com quem ela chega a desenvolver um romance.

O principal vilão de WildC.A.T.s é Helspont, demonita que, antes de vir à Terra, possui como hospedeiro um alienígena de raça desconhecida. Helspont planeja substituir membros-chave do governo dos Estados Unidos por demonitas, obtendo com isso os meios para trazer uma grande armada de seu planeta natal para dominar a Terra e exterminar os kherubins que estão aqui. Outros vilões criados por Lee incluem o Lanceiro, espécie de Deadpool do mal, um mercenário humano que se uniu aos demonitas; Providência, que ganhou o poder de ver o futuro após ter contato com um Orbe; Tapeçaria, que pode alterar memórias e tem um passado em comum com Devota; a telepata Miséria, que tem um passado em comum com Warblade e Ripclaw; e Gnomo, mafioso alienígena que planeja obter as Orbes para si, empregando os serviços de um trio de criminosos cohecido como Tríade, composto por Ática, mercenário que faz uso de armas e armaduras futuristas; Escória, mutante cujo corpo é feito de lava; e o robô Dano. Diversas kherubins treinadas pela Coda que decidem se aliar aos vilões, todas chamadas apenas de Coda, também aparecem nas histórias.

Assim como muitas das séries da Image, WildC.A.T.s - Covert Action Teams foi originalmente lançado, para "testar as águas", na forma de uma minissérie, com roteiros de Choi e arte de Lee, em quatro edições, entre agosto de 1992 e março de 1993. Em seguida, seria lançada outra minissérie, em três edições, entre junho e setembro de 1993, chamada WildC.A.T.s Trilogy; curiosamente sem a participação de Jim Lee, com roteiros de Choi e arte de Jae Lee, essa segunda minissérie trazia a primeira aparição da equipe Gen 13, estabelecia a Ilha de Themiscyra como a base da Irmandade Coda, e tinha como vilã uma Coda renegada chamada Ártemis, que planejava matar Devota. WildC.A.T.s Trilogy também traria a primeira aparição de Lorde Hightower, demonita que possuiu um humano e se valia de seu prestígio social para fazer avançar os planos dos alienígenas, sendo um adversário recorrente em muitas das edições seguintes.

O sucesso das minisséries levaria ao lançamento de uma série regular a partir de novembro de 1993, mas com a numeração continuando do 5, como se fosse a continuação da minissérie original. Acreditando que as chances de sucesso da Image seriam maiores caso existisse um "Universo Image", nos moldes do que faziam a Marvel e a DC, Lee negociaria com Liefeld e Silvestri a inclusão de seus personagens em histórias dos WildC.A.T.s: a minissérie original contaria com a participação do Youngblood, enquanto as três primeiras edições da série regular faziam parte da saga Instinto Assassino, sendo intercaladas com as edições de 1 a 3 da série regular de Cyber Force, explorando as relações entre Warblade, Ripclaw e Miséria, e colocando a Cyber Force, um grupo de mutantes ciborgues que enfrentavam uma mega corporação corrupta, para brigar contra os WildC.A.T.s - que, afinal de contas, era um grupo secreto, desconhecido pelos demais heróis.

Jim Lee seria o artista da série regular até a edição 13, quando sairia para se dedicar a Gen 13, Deathblow e Stormwatch; os roteiros da série regular começariam com Choi, mas logo vários roteiristas convidados, como Grant Morrison e Chris Claremont, também escreveriam suas próprias histórias dos WildC.A.T.s. Claremont seria responsável pelas edições de 10 a 13, com a 10 marcando a estreia de um personagem criado por ele, o Caçador - que, pelas regras da Image, pertenceria somente a ele, devendo haver uma autorização e compensação financeira caso algum outro roteirista quisesse utilizá-lo. Lee também aproveitaria essas últimas edições para introduzir novos personagens criados por ele, como Savant, irmã adotiva de Devota, que, ao invés de grande força física, possui uma inteligência fora do comum, além de uma bolsa com vários artefatos lendários, como as Botas de Sete Léguas e o Manto de Invisibilidade; e Majestic, kherubim que tem poderes semelhantes aos do Superman.

Após a saída de Lee, Larsen escreveria e desenharia a edição 14, com James Robinson e Travis Charest assumindo como roteirista e artista na 15. Na época, WildC.A.T.s já era um enorme sucesso, e a WildStorm decidiria apostar também em aventuras solo de seus membros, com Espartano ganhando uma minissérie em quatro edições, com roteiros de Kurt Busiek e arte de Mike McKone, chamada Spartan: Warrior Spirit, lançada entre julho e novembro de 1995, e Devota ganhando uma chamada Zealot, em três edições lançadas entre agosto e novembro, com roteiros de Ron Marz e arte de Terry Shoemaker. O passado em comum de Warblade e Ripclaw também voltaria a ser explorado na minissérie Warblade: Endangered Species, em quatro edições lançadas entre janeiro e abril de 1995, com roteiros de Steven Seagle e arte de Scott Clark.

Mas o personagem mais popular era sem dúvida o Bandoleiro, que, além de fazer team ups com outros personagens, incluindo Backlash, de Stormwatch, Bedrock, de Youngblood, Shi, criada por Billy Tucci para a editora Crusade, e até mesmo o Máskara, da editora Dark Horse, seria o astro de duas séries regulares, ambas chamada Grifter, a primeira com roteiros de Seagle e arte de Ryan Benjamin, que exploraria seu passado em dez edições, publicadas entre maio de 1995 e março de 1996, e a segunda, com numeração recomeçando do 1, com histórias ambientadas simultaneamente a suas aventuras com os WildC.A.T.s, em 14 edições publicadas enre julho de 1996 e agosto de 1997, com roteiros de Steven Grant e arte de Mel Rubi.

Também em 1995 seria lançada a minissérie Team One, com duas edições protagonizadas pelo Stormwatch, com roteiros de Seagle e arte de Tom Raney, e duas protagonizadas pelos WildC.A.T.s, com roteiros de Robinson e arte de Rich Johnson, lançadas entre junho e setembro, que exploravam as fundações do "Universo WildStorm"; esse conceito seria expandido na saga Wildstorm Rising, que se espalharia pelas edições publicadas em 1996 de WildC.A.T.s, Stormwatch, Gen 13, Grifter, Team 7, Union, Deathblow, Backlash e Wetworks (essa última criada por Portacio), e que, pouco a pouco, definiria o Universo Wildstorm como independente dos demais títulos da Image - embora o passado em comum de Warblade e Ripclaw jamais tenha sido oficialmente alterado.

Após o final da Wildstorm Rising, a equipe original dos WildC.A.T.s partiria para o planeta Khera, terra natal dos kherubins, e uma nova equipe ficaria na Terra, composta por Savant, Majestic, o humano artificial Tao, a punk ciborgue Ladytron, e o irmão do Bandoleiro, Max Profitt. Essa fase, que começaria na edição 21, seria escrita por Alan Moore e bastante elogiada. Moore encerraria a guerra entre os kherubins e os demonitas com a derrota total dos vilões, e colocaria seus WildC.A.T.s para enfrentar criminosos comuns, os distanciando cada vez mais dos demais heróis do Universo WildStorm; em determinado momento, entretanto, ele revelaria que Tao era um agente infiltrado dedicado à destruição do grupo, inclusive empregando a Tríade, e que a separação da equipe e a mudança de modus operandi faziam parte de seu plano.

Moore seguiria nos roteiros até a edição 34, escrevendo também o crossover Spawn/WildC.A.T.s, com arte de Scott Clark, em quatro edições publicadas entre janeiro e abril de 1996, e a minissérie Voodoo, com arte de Michael Lopez, na qual Vodu vai a Nova Orleans aprender sobre o verdadeiro vodu, em quatro edições publicadas entre novembro de 1997 e março de 1998. Moore seria substituído por Barbara Randall Kesel, que faria apenas duas edições antes do retorno de Choi, que estabeleceria a organização criminosa Puritanos como os novos vilões; Choi criaria uma nova equipe, formada por Bandoleiro, Max, Lacuna e uma antiga versão do Espartano, mais os novatos Mythos, um kherubim capaz de se mover tão rápido que os humanos não o conseguem ver; Olympia, uma marcenária demonita com treinamento Coda; e a Irmã Eva, noviça com o poder de controlar a energia do Caos. Essa equipe viajava no tempo para deter os Puritanos, cujo objetivo era também viajar no tempo para destruir todos os kherubins e demonitas que um dia já pisaram na Terra.

1997 também seria o ano do lançamento da primeira colaboração entre a WildStorm e a Marvel, WildC.A.T.s / X-Men, série especial em quatro edições lançadas em fevereiro, junho e agosto de 1997 e maio de 1998, a primeira e a última lançadas pela Image, as duas do meio pela Marvel. A rigor, WildC.A.T.s / X-Men não era uma minissérie, já que cada edição trazia uma história completa e independente; a princípio, inclusive, todas as edições trariam o número 1 na capa, mas a Marvel não concordou, e elas acabaram numeradas de 1 a 4. Na primeira edição, chamada The Golden Age, com roteiro de Scott Lobdell e arte de Travis Charest, Devota e Wolverine combatem nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para recuperar um artefato kherubim; na segunda, The Silver Age, com roteiro de Lobdell e arte de Jim Lee, Bandoleiro é convencido pela S.H.I.E.L.D. a embarcar em uma missão, durante a qual se encontra acidentalmente com Jean Grey, que está viajando sem o resto dos X-Men originais (Ciclope, Fera, Homem de Gelo e Anjo), e os dois acabam tendo de enfrentar uma aliança entre os demonitas e a Ninhada; na terceira, The Modern Age, com roteiro de James Robinson e arte de Adam Hughes, a segunda equipe dos X-Men (Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine, Noturno e Colossus) está investigando o desaparecimento de um jovem mutante que pode estar ligado ao Clube do Inferno, e acaba se aliando aos WildC.A.T.s, que tentam salvar Lorde Emp, sequestrado após ser convidado a se tornar membro do clube; e a última, The Dark Age, com roteiro de Warren Ellis e arte de Sean Parsons, é ambientada em um futuro distópico no qual os demonitas usaram Sentinelas para dominar o mundo, com os X-Men e WildC.A.T.s sobreviventes se unindo para tentar usar tecnologia de viagem no tempo para impedir que isso aconteça. Todas as quatro edições pressupõem que os WildC.A.T.s, os kherubim e os demonitas existem no Universo Marvel, o que se tornaria bem curioso após os eventos seguintes.

Desde 1996, Lee não estava satisfeito com a Image, principalmente porque, pelo modelo adotado pela editora, todos os custos de impressão e distribuição deveriam ser pagos pela WildStorm, e ele achava que o retorno financeiro das vendas das edições e dos direitos sobre os personagens já não estavam compensando os gastos. Após aceitar participar da saga Heróis Renascem, reinventando o Quarteto Fantástico e o Homem de Ferro para a Marvel, ele começaria a pensar seriamente em vender a WildStorm e voltar a ser apenas um artista contratado pela Marvel ou DC. Em 1998, a DC demonstraria interesse na compra, e Lee aceitaria, abrindo mão de todos os personagens que criou para a WildStorm, que passariam a ser todos de propriedade da Warner, dona da DC, em troca de uma polpuda soma em dinheiro e de um contrato para desenhar o Batman. A DC decidiria manter o Universo WildStorm como uma parte em separado do Universo DC, com o selo WildStorm atuando mais ou menos como o selo Vertigo, mas deixaria em aberto a possibilidade de personagens da WildStorm aparecerem nos títulos tradicionais da DC e vice-versa.

Embora a compra tenha ocorrido em 1998, o contrato de Lee com a DC estabelecia que a propriedade começaria a valer em janeiro de 1999; como a WildC.A.T.s chegaria em seu número 50 em junho de 1998, Lee decidiria encerrar a série, deixando o caminho livre para um reboot feito pela DC - ao contrário do que ocorreu com Gen 13, que seguiu sendo publicada sem interrupção, com a edição 36 saindo pela Image e a 37 pela DC. A nova WildCats, sem abreviação no cats, com numeração recomeçando do 1 e publicada pela DC, teria roteiros de Lobdell e arte de Charest, sendo lançada em março de 1999 e pegando a equipe em meio a um turbilhão emocional, retornando de uma missão na qual deu tudo errado e Devota aparentemente morreu.

Lobdell e Charest ficariam até a edição 7, sendo substituídos por Joe Casey e Sean Phillips, que começaram uma fase aclamada pela crítica, mas com vendas bastante baixas, na qual Espartano absorveu os poderes de Lacuna e Emp, e liderava uma nova equipe formada por Bandoleiro, Vodu, Marreta, Ladytron e Noir, um francês especialista em armas. O principal vilão dessa fase foi Samuel Smith, um assassino serial com poderes sobre-humanos. Ao todo, a WildCats da DC teria 28 edições, a última de dezembro de 2001, sendo cancelada por baixas vendas; durante o período, também seriam lançados vários one shots, como WildCats: Ladytron, que explorava o passado da personagem, o crossover WildCats/Aliens, e Wild Times: WildCats e Wild Times: Grifter, ambientados em realidades alternativas, além da série regular Mr. Majestic, com nove edições lançadas entre setembro de 1999 e maio de 2000.

A DC reinventaria os WildC.A.T.s na série para o público adulto WildCats Version 3.0, na qual Emp, que teve sua consicência transferida para o corpo de Espartano, decide usar a Corporação Halo para espalhar tecnologia avançada pelo mundo e melhorar a vida da humanidade. Com roteiros de Casey e arte de Dustin Nguyen, Duncan Rouleau, Francisco Ruiz Velasco, Pascual Ferry e Sean Phillips, a série teria 24 edições, lançadas entre outubro de 2002 e outubro de 2004, e terminaria com Devota voltando à equipe e a célula Coda criada por ela sendo destruída. Em seguida, Majestic ganharia uma nova minissérie, chamada apenas Majestic, com quatro edições lançadas entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, com uma nova série regular com 17 edições sendo publicada entre março de 2005 e julho de 2006. Majestic e Devota também seriam as estrelas de WildCats: Nemesis, com roteiros de Robbie Morrison e arte de Talent Caldwell e Horacio Domingues, em 9 edições lançadas entre novembro de 2005 e julho de 2006, na qual a vilã era uma Coda renegada chamada Nêmese, mais tarde reimaginada como uma anti-heroína.

Em 2005 também seria lançada a minissérie Captain Atom: Armageddon, na qual o Capitão Átomo fica acidentalmente preso no Universo WildStorm, com sua presença lá podendo levar à destruição; com a ajuda de uma nova Lacuna, ele retorna ao Universo DC, mas todo o Universo WildStorm é reformulado no processo - ou seja, a minissérie seria um pretexto para um grande reboot, que começaria com uma nova revista WildCats, com roteiro de Grant Morrison e arte de Jim Lee, lançada em dezembro de 2006 - e que seria cancelada após apenas uma edição. Os WildC.A.T.s, pela primeira vez, ficariam sem revista própria durante quase dois anos até retornar em uma nova série regular, mais uma vez chamada WildCats, ambientada em um futuro pós-apocalíptico, que até conseguiu fazer um relativo sucesso, tendo 30 edições lançadas entre setembro de 2008 e fevereiro de 2011.

Após a saga Renascimento, em 2017, o Universo WildStorm deixaria de existir, e os personagens da WildStorm seriam integrados ao Universo DC, com a Corporação Halo passando a fazer parte do universo do Batman. Os WildC.A.T.s, entretanto, só ganhariam uma nova revista muito tempo depois, mais de dez anos após o cancelamento da última. Chamada WildC.A.T.s - a primeira da DC na qual C.A.T. era uma abreviação - ela trazia uma equipe reunida pelo Bandoleiro para realizar missões em cantos inóspitos do Universo DC. Com roteiros de Matthew Rosenberg e arte de Stepehn Segovia, a última WildC.A.T.s teria 12 edições, publicadas entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024. Desde então, os WildC.A.T.s só fazem participações em histórias de outros heróis, principalmente do Batman, embora Helspont tenha enfrentado o Superman em algumas ocasiões.

Para terminar, vale dizer que, no auge de seu sucesso na década de 1990, os WildC.A.T.s foram astros de um desenho animado, criado para tentar competir com o dos X-Men. Criado por David Wise e produzido pela Nelvana, o desenho adaptava as primeiras histórias da equipe nos quadrinhos, mas atenuadas de forma que o desenho fosse "para toda a família". Exibido pela CBS, o desenho não faria muito sucesso e teria apenas uma temporada de 13 episódios, que foram ao ar entre 1 de outubro de 1994 e 21 de janeiro de 1995. Para promover o desenho, a WildStorm criaria uma série em quadrinhos, WildC.A.T.s Adventures, com 10 edições publicadas pela Image entre setembro de 1994 e junho de 1995, com roteiros de Jeff Mariotte e arte de Ty Templeton, cujas histórias não são consideradas oficiais para a cronologia dos WildC.A.T.s.
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