Quando a Fox ainda tinha os direitos para fazer adaptações dos X-Men, ela não fez apenas os filmes para o cinema, mas também duas séries de TV. Essas séries são bastante injustiçadas, porque foram vistas na época como extravagâncias, caça-níqueis, e não tiveram a audiência esperada, o que é uma pena, porque uma delas é muito boa, e a outra é maravilhosa. É a melhor das duas que veremos hoje, já que hoje é dia de Legião no átomo!
Nos quadrinhos, Legião é David Haller, filho do Professor Charles Xavier com a diplomata israelense Gabrielle Haller. Xavier e Haller se conheceram quando ele e Magneto eram jovens e faziam serviço comunitário em Israel, com Gabrielle sendo uma sobrevivente do Holocausto que estava catatônica em um hospital psiquiátrico. Xavier usaria seus poderes para ajudar a curá-la, os dois se apaixonariam, ela engravidaria dele, mas decidiria manter o fato em segredo, e o menino seria criado por ela e Daniel Shomron, com quem ela se casaria pouco depois. Quando David era adolescente, sua família seria atacada por terroristas antissemitas, o que faria com que seus poderes se manifestassem e Gabrielle procurasse Moira MacTaggert em busca de ajuda. Inicialmente, Gabrielle não queria que Xavier ficasse sabendo que David era seu filho, mas, quando os poderes do menino saíram de controle e se tornaram uma ameaça, Moira não teve opção a não ser contar ao Professor, que enviou os Novos Mutantes para lidar com a situação.
Criado por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, Legião faria sua estreia na revista The New Mutants 26, de abril de 1985, onde seria o antagonista enfrentado pelo grupo. Um dos mutantes mais poderosos do planeta, ele tem telepatia e telecinese em níveis tão avançados que pode voar, se teletransportar, mudar de forma, controlar outras pessoas, absorver mentes e poderes, viajar entre as dimensões, e até mesmo viajar no tempo e modificar a realidade a seu bel-prazer. Infelizmente (ou felizmente, dependendo do caso), ele também sofre de transtorno dissociativo de identidade (TDI), também conhecido como transtorno de personalidade múltipla (que, na época da criação do personagem, era enquadrado como esquizofrenia, o que fez com que em muitas das histórias de Legião ele fosse rotulado como esquizofrênico, com a de sua origem errando ainda mais e dizendo que ele era autista), que se manifesta com cada um de seus poderes só podendo ser usado por uma personalidade diferente - como o terorrista Jemail Karami, que tem telepatia, o aventureiro Jack Wayne, que tem telecinese, ou a menina rebelde Cyndi, que tem pirocinese, a capacidade de atear fogo a objetos com o poder da mente. O codinome de David, Legião, advém justamente do fato de que ele, na prática, não é só uma pessoa, e sim várias; nos raros momentos em que ele demonstra lucidez e tem pleno controle de seus poderes, ele é uma ameaça ainda maior - como quando decidiu voltar ao passado para matar Magneto e acabou criando a Era do Apocalipse.
A série começaria a ser desenvolvida em 2014, quando, após finalizar a primeira temporada de Fargo, Noah Hawley seria convidado pela Fox para desenvolver uma série estrelada por personagens do universo dos X-Men que não tivessem chance de aparecer nos filmes, por serem pouco populares ou desconhecidos do grande público. Fã dos X-Men quando criança, Hawley gostaria da ideia, mas não da sugestão inicial da Fox, de que jovens mutantes seriam recrutados pelo Clube do Inferno, se rebelando e passando a enfrentar a organização. Conversando com Simon Kinberg, roteirista e produtor de vários dos filmes dos X-Men, ele diria querer fazer uma série que ao mesmo tempo fosse interessante e inédita, diferente de tudo o que já havia sido feito com os mutantes; os dois, então, começariam a analisar personagem por personagem, em busca de um que pudesse ser o protagonista, parando em Legião, que Hawley considerou perfeito para o que, segundo ele, seria "a desconstrução de um vilão e uma história de amor".
Em outubro de 2015, o canal FX, reservado pela Fox para sua programação considerada mais adulta, dara luz verde para a produção de um piloto de uma série protagonizada por Legião, co-produzido pela Marvel Television e pela FX Productions - embora, na verdade, a FX Productions tenha feito praticamente tudo, com o envolvimento da Marvel tendo ido pouco além de licenciar os personagens. Hawley escreveria e dirigiria o piloto, de uma hora e meia de duração, que impressionaria os executivos da Fox, com o presidente do canal FX, John Landgraf, se mostrando extremamente empolgado para autorizar a série, que chamaria de "extraordinária". Uma primeira temporada de oito episódios (o piloto mais sete) seria encomendada em janeiro de 2016, com Hawley como showrunner e produtor, ao lado de Lauren Shuler Donner, Bryan Singer e Kinberg, responsáveis por grande parte dos filmes dos X-Men, Jeph Loeb e Jim Chory, da Marvel, e John Cameron, que havia trabalhado com Hawley em Fargo.
A primeira coisa que é preciso saber sobre Legião é que ela não é uma série de super-heróis, estando mais para um daqueles filmes de arte europeus no qual as coisas acontecem sem que a gente saiba se estão acontecendo naquele momento ou se tratam de um flashback, sonho ou alucinação de um dos personagens. Isso seria culpa de Hawley, que concluiria que a única forma de se fazer uma série com Legião seria fazendo-a tão fragmentada quanto a mente do personagem. Hawley declararia que a série não seria feita desse jeito porque ele queria fazer algo diferente, mas sim porque essa era a forma correta de contar essa história, pois "a estrutura de uma história deve refletir o conteúdo dessa história", ou seja, "se a história é sobre um sujeito que não sabe o que é real ou não, a audiência deve ter a mesma experiência". Ele também diria que toda a história seria contada sob o ponto de vista de David, se utilizando de recursos como narrador não confiável e histórias dentro de histórias, mas não querer que o público visse a série como um enigma a ser desvendado ou um mistério a ser solucionado, com todos os elementos já estando presentes desde o início, apenas se tornando mais claros conforme David caminhava em direção à sanidade.
Hawley também optaria por criar uma história totalmente nova, sem nenhuma relação com as histórias envolvendo Legião nos quadrinhos, por achar que, se tentasse adaptar as histórias, não importando o que ele fizesse, "alguém se sentiria ofendido". Ele compararia a relação da série com os quadrinhos com o que ele havia feito em Fargo, dizendo não ser seu trabalho fazer um remake do filme ou recontar a mesma história, e sim contar uma história diferente envolvendo os mesmos personagens, com o mesmo impacto e o mesmo resultado final. Hawley também diria estar aberto à possibiidade de usar elementos dos quadrinhos, como supervilões ou heróis uniformizados, mas que tentaria a todo custo evitar passar a mensagem de que todos os problemas podem ser resolvidos na porrada; sobre o transtorno de David, ele diria não querer usar uma condição que aflige muitas pessoas para fins de entretenimento, mas que o transtorno era uma parte importante do personagem, então ele tentaria usá-lo sem fazer dele o aspecto principal da história.
Uma das decisões mais bizarras de Hawley seria não especificar em qual época a série ocorre: elementos como carros e eletrodomésticos raramente são mostrados, e, quando aparecem, são uma mistura de elementos modernos e antigos, como se a série fosse ambientada em uma versão futurista dos anos 1960; o mesmo ocorre com as roupas dos personagens, que parecem roupas modernas imitando vestimentas dos anos 1960. Em entrevistas, Hawley diria que, como era impossível reproduzir na série a arte de Sienkiewicz, ele gostaria que ela tivesse uma aparência de uma história fora do tempo e fora de lugar, já que a ambientação da série não era o mundo real, e sim a experiência de David no mundo real, "criando sua própria realidade através da nostagia e da memória". Ele também citaria como influência a série Hannibal, que possui uma "beleza fetichista", mesmo falando sobre comida e violência, e declararia que "o design de cada série deve possuir sua própria lógica interna", com a de Legião sendo "a de um filme de 1964 estrelado por Terence Stamp".
As filmagens da primeira temporada ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e em tempo recorde: 21 dias para o piloto, 8 dias para cada episódio - embora alguns episódios tenham precisado de dois ou três dias de refilmagens para se adequar à visão de Hawley. Além do piloto, Hawley escreveria o segundo e o último episódios, com os demais ficando dois a cargo de Peter Calloway, dois com Nathaniel Halpern e o penúltimo com Jennifer Yale. Hawley dirigiria só o piloto, com três episódios, incluindo o útimo, sendo dirigidos por Michael Uppendahl, e os demais ficando com Larysa Kondracki, Tim Mielants, Hiro Murai e Dennie Gordon. Hawley optaria por manter os efeitos especiais no mínimo possível, com a maioria das cenas fantásticas sendo obtidas através de truques de câmera, de iluminação ou efeitos à moda antiga, com cabos, próteses e maquetes; sendo uma série sobre pessoas com superpoderes, entretanto, alguns efeitos só poderiam ser obtidos mesmo com computação gráfica, sendo esses criados pela Park Road Post Production.
Em uma entrevista, Landgraf diria que Legião ocorria "em uma realidade paralela" à dos filmes dos X-Men, para que não fosse preciso levar em conta os eventos dos filmes ao escrever a série. Singer, por outro lado, diria que a série, apesar de ter sido criada para funcionar sozinha, ocorria no mesmo universo que os filmes, e que não era impossível os personagens da série aparecerem em um futuro filme ou os personagens dos filmes fazerem participações especiais na série. Hawley preferiria um caminho do meio, dizendo que, já que a série explorava uma realidade subjetiva, criada por David, não havia necessidade de ligá-la aos filmes de imediato, mas que alguns eventos, como David ser filho de Xavier, teriam de ser abordados em algum momento; ele também diria "ter esperança de fazer algo tão grandioso que o pessoal dos filmes olharia e diria ser impossível não conectar" a série aos filmes.
A primeira temporada começa com David Haller (Dan Stevens, de Dowton Abbey) - que não usa o codinome Legião em nenhum episódio - sendo interrogado pelo governo; aos poucos, sua história é revelada, sendo mostrado que ele possui poderes psíquicos, mas também transtornos mentais, tendo sido internado por sua irmã, Amy (Katie Aselton), em uma instituição psiquiátrica, para não colocar em risco sua própria vida. A melhor amiga de David, Lenny Busker (Aubrey Plaza), está internada na mesma instituição por ser usuária de drogas, e se mostra uma má influência em sua recuperação; também na instituição, David conhece Sydney Barrett (Rachel Keller), por quem se apaixona, e que revela que ele não está doente, mas é um mutante, e que pode treinar para controlar seus poderes e viver uma vida normal. Syd, que tem o poder de trocar de corpo durante alguns minutos com pessoas com as quais tenha contato físico, planeja levar David até um grupo de mutantes liderado pela humana Melanie Bird (Jean Smart), do qual também fazem parte Ptonomy Wallace (Jeremie Harris), que tem o poder de entrar na mente das pessoas e criar cenários baseados em suas memórias, Cary (Bill Irwin) e Kerry Loudermilk (Amber Midthunder), irmãos que compartilham o mesmo corpo, e Rudy (Brad Mann), que tem telecinese, mas um incidente acaba fazendo com que David seja capturado por uma agência do governo chamada Divisão 3, especializada em neutralizar ameaças mutantes, liderada por Clark Debussy (Hamish Linklater), que considera David uma ameaça, estando ele doente ou não.
David acaba conseguindo fugir da Divisão 3 e se unir aos mutantes, sendo perseguido por um mutante com poderes psíquicos chamado Walter (Mckenzie Gray), que trabalha para a Divisão 3. Melanie explica a David que Walter, Cary, ela e seu marido, Oliver (Jemaine Clement), também um mutante com poderes psíquicos, fundaram uma comunidade chamada Summerland, para que os mutantes pudessem viver longe da perseguição da humanidade, mas que o governo, os vendo como uma ameaça, criou a Divisão 3 para encontrá-los e exterminá-los, e Oliver, tentando interromper essa perseguição, acabaria preso no Plano Astral. Cary, que é um cientista, decide usar seu aparato tecnológico para descobrir a real magnitude dos poderes de David e ajudar a controlá-los, enquanto Ptolomy vasculha sua mente por elementos que possam indicar por que os poderes de David se manifestam como um transtorno mental. Eles acabam descobrindo que, desde criança, David vive com o Rei das Sombras, uma entidade do Plano Astral, alojado em sua mente, e que é ele quem impede que David perceba a realidade corretamente, fazendo com que seus poderes se manifestem como transtornos. Acreditando que David pode salvar Oliver e garantir a segurança de Summerland, Melanie decide tentar livrar o rapaz da influência do Rei das Sombras - o que se mostrará especialmente difícil, já que David parece querer aproveitar a oportunidade para aprender sobre seu próprio passado, sem se importar com a perseguição da Divisão 3 ou a segurança dos demais mutantes.
Personagens coadjuvantes de destaque incluem o agente Brubaker (David Selby), da Divisão 3; a namorada de David antes de sua internação, Philly (Ellie Araiza); o psiquiatra Henry Poole (Scott Lawrence), que tratou David também antes de ele ser internado; e "o homem de olhos amarelos" (Quinton Boisclair), uma manifestação física do Rei das Sombras. Criado pelo designer de produção Michael Wylie, o homem de olhos amarelos seria inspirado no reality show My 600-lb Life, uma espécie de Quilos Mortais, que acompanhava pessoas obesas, mas fazia uso de efeitos de iluminação e ângulos de câmera para parecer que a aparência delas era muito pior do que realmente era. Boisclair trabalhava em uma loja de quadrinhos em Vancouver e foi descoberto por acaso pela produção da série; com 2,03 m de altura mas extremamente magro, ele usaria uma maquiagem prostética que levava quatro horas para ser aplicada, e que deixava seu tronco e cabeça enormes e sem pescoço, mas com seus braços e pernas magros expostos para contraste. Boisclair seria considerado "um achado" pela equipe de produção, com sua versão maquiada se enquadrando perfeitamente na descrição do Rei das Sombras que Hawley havia criado.
Um dos personagens mais complexos da série seria Lenny, a melhor amiga e pior influência de David. Originalmente, o personagem seria um homem de meia idade, e Plaza faria o teste para o papel de Syd, mas Hawley, que queria que Syd fosse Keller, que já conhecia de Fargo, ficaria tão impressionado com o teste que decidiria transformar Lenny em uma mulher jovem - cujo nome verdadeiro é Lenore - depois que os roteiros já estavam escritos. Achando que isso combinaria com a personagem, que tem histórico de abuso de drogas e álcool, Plaza pediria para que os diálogos não fossem alterados, o que faria com que Lenny soasse mais velha do que é e fizesse vários comentários misóginos, o que muita gente atribuiu ao fato de que suas falas eram mostradas como David se lembrava delas.
Mas os personagens mais interessantes são Cary e Kerry: ela vive dentro dele, sem precisar se alimentar, dormir ou fazer necessidades, e só saindo para executar tarefas específicas. A mãe dos dois era nativo-americana, e se tornou uma pária quando nasceu Cary, um homem branco, sem saber que Kerry, também nativo-americana, havia vindo junto. Os dois irmãos mantiveram a existência de Kerry em segredo, com Cary vivendo sua vida normalmente e se tornando um cientista, e ela preferindo se tornar uma lutadora, especializada em várias artes marciais. Mas o detalhe é que Kerry só envelhece quando está fora do corpo de Cary, o que faz com que ele tenha por volta de 60 anos, enquanto ela tem por volta de 20. Outro detalhe é que todos os ferimentos sofridos por Kerry passam para o corpo de Cary quando eles se unem novamente, o que vem se tornando cada vez mais perigoso devido à idade do cientista. Cary e Kerry não estão no piloto, e Hawley criaria Cary especialmente para Irwin, convidando-o sem testes e convencendo-o a aceitar antes mesmo de as primeiras cenas do personagem serem escritas.
Hawley e a equipe de produção não contariam tudo o que aconteceria em cada dia de gravação a Stevens, entregariam e ele roteiros editados, apenas com suas falas e com menos detahes que os que entregavam aos demais, e pediriam que o restante do elenco e equipe mantivessem certos detalhes da história em segredo, sem que ele os soubesse; a intenção era que, assim como David, Stevens se visse confuso em relação ao que estava acontecendo a seu redor, contribuindo para o realismo das cenas. Para se preparar para o papel, Stevens estudaria transtornos psíquicos, e conversaria com profissionais da saúde e pacientes. Um importante elemento da história, o livro The World's Angriest Boy in the World ("O Menino mais Raivoso do Mundo"), que David se lembrava de ser lido por seu pai para ele quando criança, seria escrito e ilustrado por Hawley, com ilustrações inspiradas nas obras de Edward Gorey. Stevens o chamaria de "o livro infantil mais perturbador do mundo", mas acharia importante tê-lo em mãos e poder lê-lo enqanto interpretava. Uma manifestação física do protagonista do livro seria criada pela equipe de figurino, com a fantasia sendo usada pela dublê Devyn Dalton.
Legião (Legion, no original em inglês) estrearia no canal FX em 8 de fevereiro de 2017, com o útimo episódio da temporada sendo exibido em 29 de março. A audiência do piloto seria fantástica, mas cairia a cada episódio, com a do último sendo a metade; a crítica, por outro lado, ficaria encantada, elogiando os roteiros, o visual da série, as atuações de Stevens e Plaza, e a coragem de Hawley em romper com a fórmula dos super-heróis, que, na época, já começava a ser considerada esgotada, criando uma série que só é de super-heróis por ter pessoas com superpoderes.
O FX renovaria a série para uma segunda temporada enquanto a primeira ainda estava no ar, com Hawley declarando que havia alguns elementos que ele já sabia que estariam na segunda temporada, pois queria que tivessem estado na primeira mas não houve tempo, mas que ele ainda precisaria pensar para definir qual seria a sua história central - enquanto a primeira ainda estava em produção, Landgraf diria a Hawley que, se ela fizesse sucesso, ele poderia fazer tantas temporadas quanto quisesse, mas Hawley preferiria fazer da primeira temporada uma história fechada, achando que seria injusto com o público a temporada terminar sem que nada ficasse resolvido, o que efetivamente faria com que a segunda temporada não pudesse continuar a história da primeira, precisando de uma nova. Em 2018, Singer seria removido da produção devido às denúncias de abuso sexual o envolvendo; o FX declararia que isso não afetaria a segunda temporada, já que o envolvimento de Singer na primeira foi mínimo.
A segunda temporada se passa um ano após o final da primeira; David não esteve presente durante esse tempo, porque foi sequestrado por um artefato misterioso e mantido em animação suspensa. Ao retornar, ele descobre que tudo está bem diferente de quando ele se foi: os mutantes de Summerland se uniram à Divisão 3, estando agora sediados em uma instalação do governo comandada pelo Almirante Fukyama (Marc Oka), homem que jamais mostra o rosto e tem como assistentes androides que se parecem com mulheres de bigode. É revelado que o Rei das Sombras na verdade é Amahl Farouk (Navid Negahban), mutante de vastos poderes psíquicos, que, anos atrás, foi derrotado por Xavier e aprisionado no plano astral, usando o corpo de David - que é filho de Xavier, tendo sido adotado pelos Haller, que já eram pais de Amy, após ser abandonado por sua mãe verdadeira, que sofria de esquizofrenia - para escapar e retornar ao mundo real. O motivo pelo qual os mutantes e a Divisão 3 se uniram foi que o Rei das Sombras, com a ajuda de Oliver e de Lenny, planeja encontrar seu corpo físico, escondido por monges após sua derrota para Xavier, e se tornará uma ameaça ao mundo caso consiga. Syd, Ptonomy, Cary e Kerry atuam em conjunto com Clark para impedi-lo, enquanto Melanie está desiludida por ter perdido Oliver novamente; David, porém, tem seus próprios planos, e decide enfrentar o Rei das Sombras sozinho, o que acaba atrapalhando seus amigos.
Hawley definiria a segunda temporada como "o Breaking Bad dos X-Men", já que David a começa heroico, mas vai se tornando cada vez mais um vilão, até se mostrar uma ameaça tanto para a Divisão 3 quanto para seus amigos mutantes. Ele pediria para que a temporada tivesse 10 episódios, achando que os 8 da primeira foram pouco para desenvolver a história do jeito que ele gostaria; a Fox concordaria, mas, em meio à produção, o FX pediria para que fossem 11, para corrigir um problema em sua grade de programação, o que faria com que Hawley criasse um episódio especial no qual várias realidades alternativas seriam mostradas, cada uma baseada em uma decisão tomada por David ou por sua família adotiva ao longo de sua vida. A temporada também traria muitas cenas nas quais, por David estar sozinho, não temos como saber se realmente ocorreram ou foram apenas fruto de sua imaginação.
Hawley queria a qualquer custo evitar que a luta entre David e Farouk se tornasse uma questão "do bem contra o mal", preferindo mostrar que diferentes situações levam a diferentes posicionamentos; por causa disso, todas as cenas de luta possuem elementos diferenciados, com uma delas sendo coreografada como uma dança, e a batalha final entre David e Farouk tendo elementos de animação, já que, apesar de seus corpos estarem no mundo real, ela ocorria no plano astral. Hawley também criaria o que chamaria de "segmentos educativos", nos quais um narrador (Jon Hamm) falava sobre transtornos mentais, percepção de realidade, efeito manada e outros temas, adicionado ao início, ao meio ou ao final de alguns dos episódios; esses segmentos atuavam como complemento à história mostrada - que já não era narrada do ponto de vista de David, como a primeira temporada, seguindo uma estrutura mais tradicional - e buscavam explicar que a nossa realidade é uma soma das escolhas que fazemos.
A segunda temporada seria filmada na Califórnia, devido a incentivos fiscais oferecidos à Fox pelo estado. Hawley ficaria satisfeito com a mudança, dizendo que, após uma primeira temporada de cenários sombrios e opressivos, poderia criar muitas cenas ensolaradas e com cores vivas, o que ajudaria a demonstrar que David está em uma nova fase de sua vida. A maior parte das cenas seria gravada em estúdio, com os principais sets sendo dedicados ao restaurante da Divisão 3 - no qual barquinhos levavam a comida de mesa em mesa, o que representou um desafio para o posicionamento das câmeras e das equipes técnicas - à sala de Fukyama e ao laboratório de Cary, que tem uma máquina que se parece com o Cérebro, do Professor Xavier, e diversos equipamentos que, segundo a equipe de produção, "podem ser encontrados em qualquer quartel-general de super-herói". Hawley mais uma vez tentaria manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, inclusive criando cartões de título para os episódios, ao invés de adicionar as letras na pós-produção; os efeitos especiais que não tinham como ser feitos de outra forma ficaram a cargo das empresas Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.
Retornariam da primeira temporada Stevens, Keller, Plaza, Irwin, Midthunder, Clement, Harris, Linklater, Smart, Selby, Aselton e Boisclair; Lily Rabe faz uma participação especial como a mãe de Syd em flashbacks, enquanto Molly Hagan e Seamus Deaver fazem participações especiais no episódio das realidades alternativas. Originalmente, Farouk seria interpretado por Saïd Taghmaoui, mas os produtores acharam que ele não estava passando a credibilidade necessária para o personagem, e o substituiriam por Negahban, que entrou na série durante as filmagens do oitavo episódio, com todas as cenas dos anteriores que envolviam Farouk tendo de ser refilmadas. Francês, Taghmaoui pediria que os roteiristas incluíssem nas falas de Farouk algumas frases e expressões em seu idioma nativo, característica que Negahban (que é iraniano) decidiria não só manter mas ampliar, adicionando cacos em vários idiomas diferentes a suas falas, sem combinar previamente com os roteiristas ou diretores.
A segunda temporada seria exibida pelo FX entre 3 de abril e 12 de junho de 2018. Oito dos 11 episódios seriam escritos por Noah Hawley & Nathaniel Halpern, exceto o sexto (o das realidades alternativas) e o último, escritos apenas por Hawley, e o oitavo, escrito por Hawley & Jordan Crair - o que fazia com que, diferentemente da primeira temporada, na segunda todos os episódios tivessem participação direta de Hawley. Na direção, dois episódios ficariam com Mielants, e um cada com Hawley, Cameron, Ana Lily Amirpour, Sarah Adina Smith, Ellen Kuras, Charlie McDowell, Jeremy Webb, Dana Gonzalez e Keith Gordon. A audiência começaria mais baixa que a do último episódio da primeira temporada, e mais uma vez cairia a cada episódio; a crítica também mais uma vez ficaria encantada, considerando a segunda temporada melhor que a primeira. A segunda temporada receberia uma indicação ao Emmy, de Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora.
A segunda temporada teria um final mais aberto que a primeira; em janeiro de 2018, Hawley declararia já estar trabalhando na terceira temporada, e que Legião não era uma série na qual cada temporada teria um vilão diferente, e sim "uma grande história de três ou cinco temporadas, na qual cada temporada é um novo capítulo dessa história". A Fox renovaria a série para uma terceira temporada enquanto a segunda ainda estava indo ao ar, mas, diante da queda constante na audiência, chamaria Hawley para conversar. Em fevereiro de 2019, Hawley anunciaria que a terceira temporada já estava em produção, mas que seria a última, e que "era a sua intenção desde o início" que Legião tivesse apenas três temporadas.
Hawley gostaria que Xavier aparecesse na terceira temporada, e chegaria a conversar com Patrick Stewart sobre a possibilidade de ele voltar a interpretar o personagem, com o ator respondendo que estava "absolutamente 100%" decidido a voltar a interpretar o personagem". Hawley, porém, acabaria optando por mostrar apenas uma versão jovem de Xavier, e não encontraria uma forma de incluir Stewart em algum episódio; ele pediria para que a Fox entrasse em contato com James McAvoy, mas a assessoria do ator responderia que ele não estaria disponível no período em que a terceira temporada estivesse sendo filmada. A equipe de produção acabaria escolhendo Harry Lloyd para interpretar Xavier, e a diamarquesa Stephanie Corneliussen (de Mr. Robot) para interpretar sua esposa e mãe de David, Gabrielle - que não se chama Haller na série, já que esse é o sobrenome da família que adotou David.
Na terceira temporada, David estabelece uma espécie de culto, do qual Lenny faz parte, no qual ele é idolatrado e oferece a seus seguidores uma água alucinógena criada com seus poderes. Farouk se uniu à Divisão 3, agora liderada por Ptonomy, e faz parte de uma equipe que também conta com Clark, Syd, Cary e Kerry, que tem como objetivo localizar e capturar David. Só que David tem um trunfo, a mutante Switch (Lauren Tsai), que tem o poder de viajar no tempo, efetivamente desfazendo todos os esforços da Divisão 3 para encontrá-lo. Os poderes de Switch são limitados, mas David planeja ampliá-los para reescrever a história e acabar com a ameaça de Farouk de uma vez por todas; o abuso das viagens no tempo, entretanto, acaba atraindo criaturas interdimensionais que devoram o tempo, e ameaçam destruir toda a realidade.
Mais uma vez, Hawley faria a temporada de forma que fosse impossível precisar em qual época ela ocorre, mas, diante da temática de culto e comunidade de convivência, o visual de David e seus seguidores seria inspirado no dos hippies, e o da temporada como um todo na psicodelia dos anos 1970. Switch, cujo nome verdadeiro é Jia-Yi, seria inspirada em um personagem dos quadrinhos que usa o mesmo codinome e tem poderes semelhantes, mas é homem; a personagem seria uma mistura de elementos japoneses, chineses e sul-coreanos, também sem deixar muito clara sua nacionalidade, e se vestiria no estilo harajuku, a "moda de rua" japonesa, com muitas referências à cultura pop. Quando usa seus poderes, Switch acessa um "corredor do tempo", com cada porta levando para uma época diferente, ficando mais exausta o quanto mais se afasta da porta do tempo presente; a equipe de produção criaria um corredor preto e mal iluminado, usando a técnica de perspectiva forçada para dar a impressão de que ele era infinito.
Enquanto na primeira temporada a excentricidade da série estaria em David ser um narrador não confiável, na terceira ela decorre das constantes viagens no tempo, com alguns episódios sendo focados em Xavier e Gabrielle, outros trazendo cortes bruscos - um deles chega a exibir um trecho de um episódio da série The Shield, como se ocorresse em uma realidade na qual ela substituiu Legião - e há um episódio completamente ambientado no plano astral, que traz participações especiais de Smart e Clement - já que Melanie e Oliver não estão nessa temporada - e do ator Jason Mantzoukas como o mutante Jerome, conhecido como Lobo. A terceira temporada seria mais uma vez filmada na Califórnia, e novamente Hawley tentaria manter os efeitos de computação gráfica ao mínimo possível, com os existentes ficando de novo a cargo da Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.
A terceira temporada teria mais oito episódios, exibidos entre 24 de junho e 12 de agosto de 2019, com a série se encerrando com um total de 27. Somente o episódio do plano astral seria integralmente escrito por Hawley; o primeiro teria roteiro de Hawley e Halpern, os dois últimos de Hawley e Olivia Dufault, o segundo de Hawley, Dufault & Kate Thulin, o terceiro apenas de Halpern, o quarto de Dufault e Charles Yu, e o quinto de Dufault e Ben H. Winters. A direção ficaria a cargo de Gonzalez, Andrew Stanton, Carlos López Estrada, Daniel Kwan, Arkasha Stevenson (um episódio cada) e Cameron (dois episódios), com o último sendo co-dirigido por Hawley e Cameron. A audiência começaria levemente mais alta que no final da segunda temporada, mas, após três episódios, voltaria a cair, com o último episódio sendo o de menor audiência de toda a série. A crítica voltaria a rasgar elogios ao visual, à edição e até mesmo à trilha sonora e ao som; no geral, entretanto, a terceira temporada seria considerada mais fraca que as duas anteriores, com os roteiros sendo considerados menos inspirados.
Seja como for, Hawley merece crédito por sua ousadia em pegar um personagem que, nos quadrinhos, é pouco mais que um vilão apelão utilizado quando os roteiristas querem submeter os X-Men a um desafio impossível, e dar a ele profundidade, propósito e, por que não, humanidade, criando uma das séries mais impressionantes da história da televisão.
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Nos quadrinhos, Legião é David Haller, filho do Professor Charles Xavier com a diplomata israelense Gabrielle Haller. Xavier e Haller se conheceram quando ele e Magneto eram jovens e faziam serviço comunitário em Israel, com Gabrielle sendo uma sobrevivente do Holocausto que estava catatônica em um hospital psiquiátrico. Xavier usaria seus poderes para ajudar a curá-la, os dois se apaixonariam, ela engravidaria dele, mas decidiria manter o fato em segredo, e o menino seria criado por ela e Daniel Shomron, com quem ela se casaria pouco depois. Quando David era adolescente, sua família seria atacada por terroristas antissemitas, o que faria com que seus poderes se manifestassem e Gabrielle procurasse Moira MacTaggert em busca de ajuda. Inicialmente, Gabrielle não queria que Xavier ficasse sabendo que David era seu filho, mas, quando os poderes do menino saíram de controle e se tornaram uma ameaça, Moira não teve opção a não ser contar ao Professor, que enviou os Novos Mutantes para lidar com a situação.
Criado por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, Legião faria sua estreia na revista The New Mutants 26, de abril de 1985, onde seria o antagonista enfrentado pelo grupo. Um dos mutantes mais poderosos do planeta, ele tem telepatia e telecinese em níveis tão avançados que pode voar, se teletransportar, mudar de forma, controlar outras pessoas, absorver mentes e poderes, viajar entre as dimensões, e até mesmo viajar no tempo e modificar a realidade a seu bel-prazer. Infelizmente (ou felizmente, dependendo do caso), ele também sofre de transtorno dissociativo de identidade (TDI), também conhecido como transtorno de personalidade múltipla (que, na época da criação do personagem, era enquadrado como esquizofrenia, o que fez com que em muitas das histórias de Legião ele fosse rotulado como esquizofrênico, com a de sua origem errando ainda mais e dizendo que ele era autista), que se manifesta com cada um de seus poderes só podendo ser usado por uma personalidade diferente - como o terorrista Jemail Karami, que tem telepatia, o aventureiro Jack Wayne, que tem telecinese, ou a menina rebelde Cyndi, que tem pirocinese, a capacidade de atear fogo a objetos com o poder da mente. O codinome de David, Legião, advém justamente do fato de que ele, na prática, não é só uma pessoa, e sim várias; nos raros momentos em que ele demonstra lucidez e tem pleno controle de seus poderes, ele é uma ameaça ainda maior - como quando decidiu voltar ao passado para matar Magneto e acabou criando a Era do Apocalipse.
A série começaria a ser desenvolvida em 2014, quando, após finalizar a primeira temporada de Fargo, Noah Hawley seria convidado pela Fox para desenvolver uma série estrelada por personagens do universo dos X-Men que não tivessem chance de aparecer nos filmes, por serem pouco populares ou desconhecidos do grande público. Fã dos X-Men quando criança, Hawley gostaria da ideia, mas não da sugestão inicial da Fox, de que jovens mutantes seriam recrutados pelo Clube do Inferno, se rebelando e passando a enfrentar a organização. Conversando com Simon Kinberg, roteirista e produtor de vários dos filmes dos X-Men, ele diria querer fazer uma série que ao mesmo tempo fosse interessante e inédita, diferente de tudo o que já havia sido feito com os mutantes; os dois, então, começariam a analisar personagem por personagem, em busca de um que pudesse ser o protagonista, parando em Legião, que Hawley considerou perfeito para o que, segundo ele, seria "a desconstrução de um vilão e uma história de amor".
Em outubro de 2015, o canal FX, reservado pela Fox para sua programação considerada mais adulta, dara luz verde para a produção de um piloto de uma série protagonizada por Legião, co-produzido pela Marvel Television e pela FX Productions - embora, na verdade, a FX Productions tenha feito praticamente tudo, com o envolvimento da Marvel tendo ido pouco além de licenciar os personagens. Hawley escreveria e dirigiria o piloto, de uma hora e meia de duração, que impressionaria os executivos da Fox, com o presidente do canal FX, John Landgraf, se mostrando extremamente empolgado para autorizar a série, que chamaria de "extraordinária". Uma primeira temporada de oito episódios (o piloto mais sete) seria encomendada em janeiro de 2016, com Hawley como showrunner e produtor, ao lado de Lauren Shuler Donner, Bryan Singer e Kinberg, responsáveis por grande parte dos filmes dos X-Men, Jeph Loeb e Jim Chory, da Marvel, e John Cameron, que havia trabalhado com Hawley em Fargo.
A primeira coisa que é preciso saber sobre Legião é que ela não é uma série de super-heróis, estando mais para um daqueles filmes de arte europeus no qual as coisas acontecem sem que a gente saiba se estão acontecendo naquele momento ou se tratam de um flashback, sonho ou alucinação de um dos personagens. Isso seria culpa de Hawley, que concluiria que a única forma de se fazer uma série com Legião seria fazendo-a tão fragmentada quanto a mente do personagem. Hawley declararia que a série não seria feita desse jeito porque ele queria fazer algo diferente, mas sim porque essa era a forma correta de contar essa história, pois "a estrutura de uma história deve refletir o conteúdo dessa história", ou seja, "se a história é sobre um sujeito que não sabe o que é real ou não, a audiência deve ter a mesma experiência". Ele também diria que toda a história seria contada sob o ponto de vista de David, se utilizando de recursos como narrador não confiável e histórias dentro de histórias, mas não querer que o público visse a série como um enigma a ser desvendado ou um mistério a ser solucionado, com todos os elementos já estando presentes desde o início, apenas se tornando mais claros conforme David caminhava em direção à sanidade.
Hawley também optaria por criar uma história totalmente nova, sem nenhuma relação com as histórias envolvendo Legião nos quadrinhos, por achar que, se tentasse adaptar as histórias, não importando o que ele fizesse, "alguém se sentiria ofendido". Ele compararia a relação da série com os quadrinhos com o que ele havia feito em Fargo, dizendo não ser seu trabalho fazer um remake do filme ou recontar a mesma história, e sim contar uma história diferente envolvendo os mesmos personagens, com o mesmo impacto e o mesmo resultado final. Hawley também diria estar aberto à possibiidade de usar elementos dos quadrinhos, como supervilões ou heróis uniformizados, mas que tentaria a todo custo evitar passar a mensagem de que todos os problemas podem ser resolvidos na porrada; sobre o transtorno de David, ele diria não querer usar uma condição que aflige muitas pessoas para fins de entretenimento, mas que o transtorno era uma parte importante do personagem, então ele tentaria usá-lo sem fazer dele o aspecto principal da história.
Uma das decisões mais bizarras de Hawley seria não especificar em qual época a série ocorre: elementos como carros e eletrodomésticos raramente são mostrados, e, quando aparecem, são uma mistura de elementos modernos e antigos, como se a série fosse ambientada em uma versão futurista dos anos 1960; o mesmo ocorre com as roupas dos personagens, que parecem roupas modernas imitando vestimentas dos anos 1960. Em entrevistas, Hawley diria que, como era impossível reproduzir na série a arte de Sienkiewicz, ele gostaria que ela tivesse uma aparência de uma história fora do tempo e fora de lugar, já que a ambientação da série não era o mundo real, e sim a experiência de David no mundo real, "criando sua própria realidade através da nostagia e da memória". Ele também citaria como influência a série Hannibal, que possui uma "beleza fetichista", mesmo falando sobre comida e violência, e declararia que "o design de cada série deve possuir sua própria lógica interna", com a de Legião sendo "a de um filme de 1964 estrelado por Terence Stamp".
As filmagens da primeira temporada ocorreriam em Vancouver, no Canadá, e em tempo recorde: 21 dias para o piloto, 8 dias para cada episódio - embora alguns episódios tenham precisado de dois ou três dias de refilmagens para se adequar à visão de Hawley. Além do piloto, Hawley escreveria o segundo e o último episódios, com os demais ficando dois a cargo de Peter Calloway, dois com Nathaniel Halpern e o penúltimo com Jennifer Yale. Hawley dirigiria só o piloto, com três episódios, incluindo o útimo, sendo dirigidos por Michael Uppendahl, e os demais ficando com Larysa Kondracki, Tim Mielants, Hiro Murai e Dennie Gordon. Hawley optaria por manter os efeitos especiais no mínimo possível, com a maioria das cenas fantásticas sendo obtidas através de truques de câmera, de iluminação ou efeitos à moda antiga, com cabos, próteses e maquetes; sendo uma série sobre pessoas com superpoderes, entretanto, alguns efeitos só poderiam ser obtidos mesmo com computação gráfica, sendo esses criados pela Park Road Post Production.
Em uma entrevista, Landgraf diria que Legião ocorria "em uma realidade paralela" à dos filmes dos X-Men, para que não fosse preciso levar em conta os eventos dos filmes ao escrever a série. Singer, por outro lado, diria que a série, apesar de ter sido criada para funcionar sozinha, ocorria no mesmo universo que os filmes, e que não era impossível os personagens da série aparecerem em um futuro filme ou os personagens dos filmes fazerem participações especiais na série. Hawley preferiria um caminho do meio, dizendo que, já que a série explorava uma realidade subjetiva, criada por David, não havia necessidade de ligá-la aos filmes de imediato, mas que alguns eventos, como David ser filho de Xavier, teriam de ser abordados em algum momento; ele também diria "ter esperança de fazer algo tão grandioso que o pessoal dos filmes olharia e diria ser impossível não conectar" a série aos filmes.
A primeira temporada começa com David Haller (Dan Stevens, de Dowton Abbey) - que não usa o codinome Legião em nenhum episódio - sendo interrogado pelo governo; aos poucos, sua história é revelada, sendo mostrado que ele possui poderes psíquicos, mas também transtornos mentais, tendo sido internado por sua irmã, Amy (Katie Aselton), em uma instituição psiquiátrica, para não colocar em risco sua própria vida. A melhor amiga de David, Lenny Busker (Aubrey Plaza), está internada na mesma instituição por ser usuária de drogas, e se mostra uma má influência em sua recuperação; também na instituição, David conhece Sydney Barrett (Rachel Keller), por quem se apaixona, e que revela que ele não está doente, mas é um mutante, e que pode treinar para controlar seus poderes e viver uma vida normal. Syd, que tem o poder de trocar de corpo durante alguns minutos com pessoas com as quais tenha contato físico, planeja levar David até um grupo de mutantes liderado pela humana Melanie Bird (Jean Smart), do qual também fazem parte Ptonomy Wallace (Jeremie Harris), que tem o poder de entrar na mente das pessoas e criar cenários baseados em suas memórias, Cary (Bill Irwin) e Kerry Loudermilk (Amber Midthunder), irmãos que compartilham o mesmo corpo, e Rudy (Brad Mann), que tem telecinese, mas um incidente acaba fazendo com que David seja capturado por uma agência do governo chamada Divisão 3, especializada em neutralizar ameaças mutantes, liderada por Clark Debussy (Hamish Linklater), que considera David uma ameaça, estando ele doente ou não.
David acaba conseguindo fugir da Divisão 3 e se unir aos mutantes, sendo perseguido por um mutante com poderes psíquicos chamado Walter (Mckenzie Gray), que trabalha para a Divisão 3. Melanie explica a David que Walter, Cary, ela e seu marido, Oliver (Jemaine Clement), também um mutante com poderes psíquicos, fundaram uma comunidade chamada Summerland, para que os mutantes pudessem viver longe da perseguição da humanidade, mas que o governo, os vendo como uma ameaça, criou a Divisão 3 para encontrá-los e exterminá-los, e Oliver, tentando interromper essa perseguição, acabaria preso no Plano Astral. Cary, que é um cientista, decide usar seu aparato tecnológico para descobrir a real magnitude dos poderes de David e ajudar a controlá-los, enquanto Ptolomy vasculha sua mente por elementos que possam indicar por que os poderes de David se manifestam como um transtorno mental. Eles acabam descobrindo que, desde criança, David vive com o Rei das Sombras, uma entidade do Plano Astral, alojado em sua mente, e que é ele quem impede que David perceba a realidade corretamente, fazendo com que seus poderes se manifestem como transtornos. Acreditando que David pode salvar Oliver e garantir a segurança de Summerland, Melanie decide tentar livrar o rapaz da influência do Rei das Sombras - o que se mostrará especialmente difícil, já que David parece querer aproveitar a oportunidade para aprender sobre seu próprio passado, sem se importar com a perseguição da Divisão 3 ou a segurança dos demais mutantes.
Personagens coadjuvantes de destaque incluem o agente Brubaker (David Selby), da Divisão 3; a namorada de David antes de sua internação, Philly (Ellie Araiza); o psiquiatra Henry Poole (Scott Lawrence), que tratou David também antes de ele ser internado; e "o homem de olhos amarelos" (Quinton Boisclair), uma manifestação física do Rei das Sombras. Criado pelo designer de produção Michael Wylie, o homem de olhos amarelos seria inspirado no reality show My 600-lb Life, uma espécie de Quilos Mortais, que acompanhava pessoas obesas, mas fazia uso de efeitos de iluminação e ângulos de câmera para parecer que a aparência delas era muito pior do que realmente era. Boisclair trabalhava em uma loja de quadrinhos em Vancouver e foi descoberto por acaso pela produção da série; com 2,03 m de altura mas extremamente magro, ele usaria uma maquiagem prostética que levava quatro horas para ser aplicada, e que deixava seu tronco e cabeça enormes e sem pescoço, mas com seus braços e pernas magros expostos para contraste. Boisclair seria considerado "um achado" pela equipe de produção, com sua versão maquiada se enquadrando perfeitamente na descrição do Rei das Sombras que Hawley havia criado.
Um dos personagens mais complexos da série seria Lenny, a melhor amiga e pior influência de David. Originalmente, o personagem seria um homem de meia idade, e Plaza faria o teste para o papel de Syd, mas Hawley, que queria que Syd fosse Keller, que já conhecia de Fargo, ficaria tão impressionado com o teste que decidiria transformar Lenny em uma mulher jovem - cujo nome verdadeiro é Lenore - depois que os roteiros já estavam escritos. Achando que isso combinaria com a personagem, que tem histórico de abuso de drogas e álcool, Plaza pediria para que os diálogos não fossem alterados, o que faria com que Lenny soasse mais velha do que é e fizesse vários comentários misóginos, o que muita gente atribuiu ao fato de que suas falas eram mostradas como David se lembrava delas.
Mas os personagens mais interessantes são Cary e Kerry: ela vive dentro dele, sem precisar se alimentar, dormir ou fazer necessidades, e só saindo para executar tarefas específicas. A mãe dos dois era nativo-americana, e se tornou uma pária quando nasceu Cary, um homem branco, sem saber que Kerry, também nativo-americana, havia vindo junto. Os dois irmãos mantiveram a existência de Kerry em segredo, com Cary vivendo sua vida normalmente e se tornando um cientista, e ela preferindo se tornar uma lutadora, especializada em várias artes marciais. Mas o detalhe é que Kerry só envelhece quando está fora do corpo de Cary, o que faz com que ele tenha por volta de 60 anos, enquanto ela tem por volta de 20. Outro detalhe é que todos os ferimentos sofridos por Kerry passam para o corpo de Cary quando eles se unem novamente, o que vem se tornando cada vez mais perigoso devido à idade do cientista. Cary e Kerry não estão no piloto, e Hawley criaria Cary especialmente para Irwin, convidando-o sem testes e convencendo-o a aceitar antes mesmo de as primeiras cenas do personagem serem escritas.
Hawley e a equipe de produção não contariam tudo o que aconteceria em cada dia de gravação a Stevens, entregariam e ele roteiros editados, apenas com suas falas e com menos detahes que os que entregavam aos demais, e pediriam que o restante do elenco e equipe mantivessem certos detalhes da história em segredo, sem que ele os soubesse; a intenção era que, assim como David, Stevens se visse confuso em relação ao que estava acontecendo a seu redor, contribuindo para o realismo das cenas. Para se preparar para o papel, Stevens estudaria transtornos psíquicos, e conversaria com profissionais da saúde e pacientes. Um importante elemento da história, o livro The World's Angriest Boy in the World ("O Menino mais Raivoso do Mundo"), que David se lembrava de ser lido por seu pai para ele quando criança, seria escrito e ilustrado por Hawley, com ilustrações inspiradas nas obras de Edward Gorey. Stevens o chamaria de "o livro infantil mais perturbador do mundo", mas acharia importante tê-lo em mãos e poder lê-lo enqanto interpretava. Uma manifestação física do protagonista do livro seria criada pela equipe de figurino, com a fantasia sendo usada pela dublê Devyn Dalton.
Legião (Legion, no original em inglês) estrearia no canal FX em 8 de fevereiro de 2017, com o útimo episódio da temporada sendo exibido em 29 de março. A audiência do piloto seria fantástica, mas cairia a cada episódio, com a do último sendo a metade; a crítica, por outro lado, ficaria encantada, elogiando os roteiros, o visual da série, as atuações de Stevens e Plaza, e a coragem de Hawley em romper com a fórmula dos super-heróis, que, na época, já começava a ser considerada esgotada, criando uma série que só é de super-heróis por ter pessoas com superpoderes.
O FX renovaria a série para uma segunda temporada enquanto a primeira ainda estava no ar, com Hawley declarando que havia alguns elementos que ele já sabia que estariam na segunda temporada, pois queria que tivessem estado na primeira mas não houve tempo, mas que ele ainda precisaria pensar para definir qual seria a sua história central - enquanto a primeira ainda estava em produção, Landgraf diria a Hawley que, se ela fizesse sucesso, ele poderia fazer tantas temporadas quanto quisesse, mas Hawley preferiria fazer da primeira temporada uma história fechada, achando que seria injusto com o público a temporada terminar sem que nada ficasse resolvido, o que efetivamente faria com que a segunda temporada não pudesse continuar a história da primeira, precisando de uma nova. Em 2018, Singer seria removido da produção devido às denúncias de abuso sexual o envolvendo; o FX declararia que isso não afetaria a segunda temporada, já que o envolvimento de Singer na primeira foi mínimo.
A segunda temporada se passa um ano após o final da primeira; David não esteve presente durante esse tempo, porque foi sequestrado por um artefato misterioso e mantido em animação suspensa. Ao retornar, ele descobre que tudo está bem diferente de quando ele se foi: os mutantes de Summerland se uniram à Divisão 3, estando agora sediados em uma instalação do governo comandada pelo Almirante Fukyama (Marc Oka), homem que jamais mostra o rosto e tem como assistentes androides que se parecem com mulheres de bigode. É revelado que o Rei das Sombras na verdade é Amahl Farouk (Navid Negahban), mutante de vastos poderes psíquicos, que, anos atrás, foi derrotado por Xavier e aprisionado no plano astral, usando o corpo de David - que é filho de Xavier, tendo sido adotado pelos Haller, que já eram pais de Amy, após ser abandonado por sua mãe verdadeira, que sofria de esquizofrenia - para escapar e retornar ao mundo real. O motivo pelo qual os mutantes e a Divisão 3 se uniram foi que o Rei das Sombras, com a ajuda de Oliver e de Lenny, planeja encontrar seu corpo físico, escondido por monges após sua derrota para Xavier, e se tornará uma ameaça ao mundo caso consiga. Syd, Ptonomy, Cary e Kerry atuam em conjunto com Clark para impedi-lo, enquanto Melanie está desiludida por ter perdido Oliver novamente; David, porém, tem seus próprios planos, e decide enfrentar o Rei das Sombras sozinho, o que acaba atrapalhando seus amigos.
Hawley definiria a segunda temporada como "o Breaking Bad dos X-Men", já que David a começa heroico, mas vai se tornando cada vez mais um vilão, até se mostrar uma ameaça tanto para a Divisão 3 quanto para seus amigos mutantes. Ele pediria para que a temporada tivesse 10 episódios, achando que os 8 da primeira foram pouco para desenvolver a história do jeito que ele gostaria; a Fox concordaria, mas, em meio à produção, o FX pediria para que fossem 11, para corrigir um problema em sua grade de programação, o que faria com que Hawley criasse um episódio especial no qual várias realidades alternativas seriam mostradas, cada uma baseada em uma decisão tomada por David ou por sua família adotiva ao longo de sua vida. A temporada também traria muitas cenas nas quais, por David estar sozinho, não temos como saber se realmente ocorreram ou foram apenas fruto de sua imaginação.
Hawley queria a qualquer custo evitar que a luta entre David e Farouk se tornasse uma questão "do bem contra o mal", preferindo mostrar que diferentes situações levam a diferentes posicionamentos; por causa disso, todas as cenas de luta possuem elementos diferenciados, com uma delas sendo coreografada como uma dança, e a batalha final entre David e Farouk tendo elementos de animação, já que, apesar de seus corpos estarem no mundo real, ela ocorria no plano astral. Hawley também criaria o que chamaria de "segmentos educativos", nos quais um narrador (Jon Hamm) falava sobre transtornos mentais, percepção de realidade, efeito manada e outros temas, adicionado ao início, ao meio ou ao final de alguns dos episódios; esses segmentos atuavam como complemento à história mostrada - que já não era narrada do ponto de vista de David, como a primeira temporada, seguindo uma estrutura mais tradicional - e buscavam explicar que a nossa realidade é uma soma das escolhas que fazemos.
A segunda temporada seria filmada na Califórnia, devido a incentivos fiscais oferecidos à Fox pelo estado. Hawley ficaria satisfeito com a mudança, dizendo que, após uma primeira temporada de cenários sombrios e opressivos, poderia criar muitas cenas ensolaradas e com cores vivas, o que ajudaria a demonstrar que David está em uma nova fase de sua vida. A maior parte das cenas seria gravada em estúdio, com os principais sets sendo dedicados ao restaurante da Divisão 3 - no qual barquinhos levavam a comida de mesa em mesa, o que representou um desafio para o posicionamento das câmeras e das equipes técnicas - à sala de Fukyama e ao laboratório de Cary, que tem uma máquina que se parece com o Cérebro, do Professor Xavier, e diversos equipamentos que, segundo a equipe de produção, "podem ser encontrados em qualquer quartel-general de super-herói". Hawley mais uma vez tentaria manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, inclusive criando cartões de título para os episódios, ao invés de adicionar as letras na pós-produção; os efeitos especiais que não tinham como ser feitos de outra forma ficaram a cargo das empresas Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.
Retornariam da primeira temporada Stevens, Keller, Plaza, Irwin, Midthunder, Clement, Harris, Linklater, Smart, Selby, Aselton e Boisclair; Lily Rabe faz uma participação especial como a mãe de Syd em flashbacks, enquanto Molly Hagan e Seamus Deaver fazem participações especiais no episódio das realidades alternativas. Originalmente, Farouk seria interpretado por Saïd Taghmaoui, mas os produtores acharam que ele não estava passando a credibilidade necessária para o personagem, e o substituiriam por Negahban, que entrou na série durante as filmagens do oitavo episódio, com todas as cenas dos anteriores que envolviam Farouk tendo de ser refilmadas. Francês, Taghmaoui pediria que os roteiristas incluíssem nas falas de Farouk algumas frases e expressões em seu idioma nativo, característica que Negahban (que é iraniano) decidiria não só manter mas ampliar, adicionando cacos em vários idiomas diferentes a suas falas, sem combinar previamente com os roteiristas ou diretores.
A segunda temporada seria exibida pelo FX entre 3 de abril e 12 de junho de 2018. Oito dos 11 episódios seriam escritos por Noah Hawley & Nathaniel Halpern, exceto o sexto (o das realidades alternativas) e o último, escritos apenas por Hawley, e o oitavo, escrito por Hawley & Jordan Crair - o que fazia com que, diferentemente da primeira temporada, na segunda todos os episódios tivessem participação direta de Hawley. Na direção, dois episódios ficariam com Mielants, e um cada com Hawley, Cameron, Ana Lily Amirpour, Sarah Adina Smith, Ellen Kuras, Charlie McDowell, Jeremy Webb, Dana Gonzalez e Keith Gordon. A audiência começaria mais baixa que a do último episódio da primeira temporada, e mais uma vez cairia a cada episódio; a crítica também mais uma vez ficaria encantada, considerando a segunda temporada melhor que a primeira. A segunda temporada receberia uma indicação ao Emmy, de Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora.
A segunda temporada teria um final mais aberto que a primeira; em janeiro de 2018, Hawley declararia já estar trabalhando na terceira temporada, e que Legião não era uma série na qual cada temporada teria um vilão diferente, e sim "uma grande história de três ou cinco temporadas, na qual cada temporada é um novo capítulo dessa história". A Fox renovaria a série para uma terceira temporada enquanto a segunda ainda estava indo ao ar, mas, diante da queda constante na audiência, chamaria Hawley para conversar. Em fevereiro de 2019, Hawley anunciaria que a terceira temporada já estava em produção, mas que seria a última, e que "era a sua intenção desde o início" que Legião tivesse apenas três temporadas.
Hawley gostaria que Xavier aparecesse na terceira temporada, e chegaria a conversar com Patrick Stewart sobre a possibilidade de ele voltar a interpretar o personagem, com o ator respondendo que estava "absolutamente 100%" decidido a voltar a interpretar o personagem". Hawley, porém, acabaria optando por mostrar apenas uma versão jovem de Xavier, e não encontraria uma forma de incluir Stewart em algum episódio; ele pediria para que a Fox entrasse em contato com James McAvoy, mas a assessoria do ator responderia que ele não estaria disponível no período em que a terceira temporada estivesse sendo filmada. A equipe de produção acabaria escolhendo Harry Lloyd para interpretar Xavier, e a diamarquesa Stephanie Corneliussen (de Mr. Robot) para interpretar sua esposa e mãe de David, Gabrielle - que não se chama Haller na série, já que esse é o sobrenome da família que adotou David.
Na terceira temporada, David estabelece uma espécie de culto, do qual Lenny faz parte, no qual ele é idolatrado e oferece a seus seguidores uma água alucinógena criada com seus poderes. Farouk se uniu à Divisão 3, agora liderada por Ptonomy, e faz parte de uma equipe que também conta com Clark, Syd, Cary e Kerry, que tem como objetivo localizar e capturar David. Só que David tem um trunfo, a mutante Switch (Lauren Tsai), que tem o poder de viajar no tempo, efetivamente desfazendo todos os esforços da Divisão 3 para encontrá-lo. Os poderes de Switch são limitados, mas David planeja ampliá-los para reescrever a história e acabar com a ameaça de Farouk de uma vez por todas; o abuso das viagens no tempo, entretanto, acaba atraindo criaturas interdimensionais que devoram o tempo, e ameaçam destruir toda a realidade.
Mais uma vez, Hawley faria a temporada de forma que fosse impossível precisar em qual época ela ocorre, mas, diante da temática de culto e comunidade de convivência, o visual de David e seus seguidores seria inspirado no dos hippies, e o da temporada como um todo na psicodelia dos anos 1970. Switch, cujo nome verdadeiro é Jia-Yi, seria inspirada em um personagem dos quadrinhos que usa o mesmo codinome e tem poderes semelhantes, mas é homem; a personagem seria uma mistura de elementos japoneses, chineses e sul-coreanos, também sem deixar muito clara sua nacionalidade, e se vestiria no estilo harajuku, a "moda de rua" japonesa, com muitas referências à cultura pop. Quando usa seus poderes, Switch acessa um "corredor do tempo", com cada porta levando para uma época diferente, ficando mais exausta o quanto mais se afasta da porta do tempo presente; a equipe de produção criaria um corredor preto e mal iluminado, usando a técnica de perspectiva forçada para dar a impressão de que ele era infinito.
Enquanto na primeira temporada a excentricidade da série estaria em David ser um narrador não confiável, na terceira ela decorre das constantes viagens no tempo, com alguns episódios sendo focados em Xavier e Gabrielle, outros trazendo cortes bruscos - um deles chega a exibir um trecho de um episódio da série The Shield, como se ocorresse em uma realidade na qual ela substituiu Legião - e há um episódio completamente ambientado no plano astral, que traz participações especiais de Smart e Clement - já que Melanie e Oliver não estão nessa temporada - e do ator Jason Mantzoukas como o mutante Jerome, conhecido como Lobo. A terceira temporada seria mais uma vez filmada na Califórnia, e novamente Hawley tentaria manter os efeitos de computação gráfica ao mínimo possível, com os existentes ficando de novo a cargo da Park Road Post Production, Muse VFX, Incessant Rain Studios e Spin VFX.
A terceira temporada teria mais oito episódios, exibidos entre 24 de junho e 12 de agosto de 2019, com a série se encerrando com um total de 27. Somente o episódio do plano astral seria integralmente escrito por Hawley; o primeiro teria roteiro de Hawley e Halpern, os dois últimos de Hawley e Olivia Dufault, o segundo de Hawley, Dufault & Kate Thulin, o terceiro apenas de Halpern, o quarto de Dufault e Charles Yu, e o quinto de Dufault e Ben H. Winters. A direção ficaria a cargo de Gonzalez, Andrew Stanton, Carlos López Estrada, Daniel Kwan, Arkasha Stevenson (um episódio cada) e Cameron (dois episódios), com o último sendo co-dirigido por Hawley e Cameron. A audiência começaria levemente mais alta que no final da segunda temporada, mas, após três episódios, voltaria a cair, com o último episódio sendo o de menor audiência de toda a série. A crítica voltaria a rasgar elogios ao visual, à edição e até mesmo à trilha sonora e ao som; no geral, entretanto, a terceira temporada seria considerada mais fraca que as duas anteriores, com os roteiros sendo considerados menos inspirados.
Seja como for, Hawley merece crédito por sua ousadia em pegar um personagem que, nos quadrinhos, é pouco mais que um vilão apelão utilizado quando os roteiristas querem submeter os X-Men a um desafio impossível, e dar a ele profundidade, propósito e, por que não, humanidade, criando uma das séries mais impressionantes da história da televisão.







