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sábado, 30 de maio de 2026

Escrito por em 30.5.26 com 0 comentários

Universo Cinematográfico Marvel (XIX)

Após um intervalo um pouco mais longo que o normal, seguiremos com a Fase 5 do MCU, com duas séries animadas!

What If...?
3ª temporada
2024

No planejamento interno dos Marvel Studios, as Fases 1, 2 e 3 do MCU são coletivamente chamadas de Saga do Infinito, enquanto as Fases 4, 5 e 6 são a Saga do Multiverso; assim, era natural que What If...?, série intrinsecamente ligada ao Multiverso, em seu planejamento inicial tivesse três temporadas, uma estreando em cada Fase da segunda Saga.

Em fevereiro de 2023, entretanto, uma reunião de emergência seria realizada envolvendo executivos da Disney e da Marvel. O motivo: produções recentes, como Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania, Invasão Secreta e As Marvels não tiveram o desempenho esperado, e, para grande parte da crítica e dos fãs, o motivo seria que os Marvel Studios estavam priorizando quantidade ao invés de qualidade, preocupados apenas em lançar o maior número de produções possível, sem o esmero que elas mereciam - para corroborar esse fato, era frequentemente citado que as Fases 1, 2 e 3, juntas, tinham 23 filmes, enquanto somente a Fase 4, somando filmes, séries e especiais para a TV, tinha 18 produções. O CEO da Disney, Bob Iger, declararia que esse excesso de produções estava "diluindo o foco e a atenção do público", atribuindo a essa causa o insucesso das produções recentes, e não à qualidade das mesmas, e determinaria um "pé no freio" nas produções seguintes, recomendando um máximo de cinco lançamentos por ano, sendo três filmes e duas séries.

É importante notar que, quando essa reunião foi feita, ainda não havia ocorrido a greve dos roteiristas de 2023, que acabaria atrasando ainda mais o cronograma, fazendo com que, por exemplo, Deadpool & Wolverine fosse o único filme dos Marvel Studios lançado em 2024, e Demolidor: Renascido tivesse seus episódios cortados pela metade e sua data de estreia adiada para 2025; o novo filme do Blade ainda fazia parte dos planos, e Jonathan Majors ainda não havia sido demitido, o que significava que Kang ainda seria o vilão principal da segunda Saga. Todos esses acontecimentos levariam a mudanças profundas na grade de lançamentos do MCU, colocando em risco a produção de uma terceira temporada de What If...?.

A terceira temporada havia sido confirmada por Kevin Feige antes mesmo da estreia da segunda, em julho de 2022; na mesma ocasião, A.C. Bradley, showrunner e principal roteirista das duas temporadas, sem citar uma razão em específico, declararia que a segunda havia sido seu último projeto com os Marvel Studios, com ambos seus cargos passando na terceira temporada para Matthew Chauncey, que havia sido, junto com ela, roteirista das duas temporadas. Nos meses seguintes, seriam confirmados na terceira temporada os diretores Bryan Andrews, diretor de todos os episódios até então exceto o primeiro da segunda temporada, e Stephan Franck, diretor desse episódio e supervisor de animação da primeira temporada, e o supervisor de animação Scott Wright, que já havia ocupado esse cargo na segunda temporada. Assim como as duas primeiras temporadas, originalmente a terceira teria nove episódios, mas, para conseguir cumprir o prazo estabelecido pela Disney para a estreia, a equipe optaria por apenas oito, um deles sendo um roteiro escrito por Bradley para a segunda temporada, mas não utilizado.

Na fatídica reunião de 2023, o cancelamento da terceira temporada chegaria a ser cogitado, mas o produtor Brad Winderbaum conseguiria reverter a situação alegando que a produção já estava adiantada e seria perda de dinheiro interrompê-la. Exatamente por causa disso, porém, não fazia sentido esperar até a Fase 6 para lançá-la, sendo determinado que a segunda temporada estrearia em dezembro de 2023 e a terceira um ano depois, em dezembro de 2024, ambas como parte da Fase 5. Em agosto de 2024, quando todos os episódios já estavam prontos, a Marvel anunciaria que a terceira temporada seria a última, fato que já havia sido determinado quando Chauncey assumiu como showrunner, mas estava sendo mantido em segredo desde então; em novembro, Winderbaum declararia que o encerramento da série de daria por "razões maiores do MCU", e que era "a hora certa de concluir a série em termos de narrativa", mas não descartaria a produção de novas temporadas ou episódios especiais no futuro.

A terceira temporada é permeada por um arco de história no qual os demais Vigias se irritam com o comportamento do Vigia (que finalmente é chamado na série por seu nome nos quadrinhos, Uatu), que deveria apenas observar, mas não para de interferir, decidindo removê-lo de seu posto e julgá-lo por traição. Sua única esperança é uma equipe formada por Capitã Carter, Kahhori, Tempestade (dos X-Men) e Byrdie, filha de Darcy Lewis com Howard, o Pato. Essa equipe foi criada secretamente pelo próprio Vigia, e tem uma nave capaz de viajar pelo Multiverso, lutando contra a injustiça - algo que foi considerado hediondo pela Eminência, líder dos Vigias. Os episódios seriam ainda mais, digamos, ousados que os das temporadas anteriores, contando com um no qual os Vingadores pilotam robôs gigantes como em um anime, um musical estrelado por Agatha e Kingo, um ambientado num futuro distópico e um no Velho Oeste, além do episódio no qual Howard e Darcy se casam, continuação direta de um dos episódios da primeira temporada.

Ideias descartadas incluíam um episódio estrelado por samurais e inspirado em Romeu e Julieta; um de fantasia medieval que ao final seria revelado como a narração de uma partida de Dungeons & Dragons; um ao estilo wuxia estrelado pelo Punho de Ferro e Shang-Chi; e nada menos que seis episódios que contavam com a participação da banda Kiss - um deles, uma batalha intergaláctica de bandas na qual os integrantes do Kiss eram os jurados, chegaria a ter um roteiro pronto. Andrews daria ideias para episódios envolvendo o Motoqueiro Fantasma e Bill Raio Beta, mas receberia orientação da cúpula dos Marvel Studios para descartá-las, pois os personagens poderiam aparecer em projetos futuros e não era do interesse dos executivos que eles estreassem em What If...?. Curiosamente, a equipe não sabia que poderia usar personagens dos X-Men livremente; a inclusão de Tempestade na equipe do Vigia foi sugestão de Winderbaum, e Andrews achou que somente ela havia sido autorizada. Ao ser informado, já durante a pós-produção, de que poderia ter usado outros X-Men se quisesse, ele demonstrou arrependimento por não ter tido a ideia para um episódio estrelado por Wolverine.

Em termos de roteiro, aliás, a terceira temporada - exceto pelo episódio escrito por Bradley para a segunda temporada - seria uma espécie de esforço conjunto, com o primeiro episódio tendo ideia de Bradley e Andrews e roteiros de Ryan Little, e os outros seis tendo ideia de Andrews, Chauncey e Little e roteiro de Chauncey e Little. Andrews dirigiria três dos episódios, Franck quatro, e os dois juntos dirigiriam o restante; Andrews também seria supervisor de produção ao lado de Wright no episódio do Velho Oeste. Seis dos episódios ficariam a cargo da Flying Bark Productions, e os outros dois da Stellar Creative Lab, incluindo o episódio dos robôs gigantes, que começa com animação imitando a de um anime, antes de mudar para o cel-shading característico da série.

A terceira temporada de What If...? seria a primeira produção do MCU a trazer em seu início o logotipo da Marvel Animation, ao invés do dos Marvel Studios; em português, os títulos dos episódios seriam E Se... o Hulk Lutasse contra os Vingadores Mech?, E Se... Agatha Fosse para Hollywood?, E Se... O Guardião Vermelho Tivesse Impedido o Soldado Invernal?, E Se... Howard, o Pato, Se Casasse?, E Se... A Emergência Destruísse a Terra?, E Se... 1872?, E Se... O Vigia Desaparecesse?, e E Se... E Se?.

Os atores que repetiram suas atuações dos demais filmes e séries do MCU foram Alison Sealy-Smith como Ororo Munroe / Tempestade, Anthony Mackie como Sam Wilson / Capitão América, Chris Hemsworth como Thor, Clark Gregg como Phil Coulson, David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho, David Kaye como Arishem, Devery Jacobs como Kahhori, Dominic Cooper como Howard Stark, Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro, Emily VanCamp como Sharon Carter, Gene Farber como Vasily Karpov, Hailee Steinfeld como Kate Bishop, Hayley Atwell como Peggy Carter / Capitã Carter, James D'Arcy como Edwin Jarvis, Jeffrey Wright como Uatu / Vigia, Josh Brolin como Thanos, Karen Gillan como Nebulosa, Kat Dennings como Darcy Lewis, Kathryn Hahn como Agatha Harkness, Kumail Nanjiani como Kingo, Laurence Fishburne como Bill Foster / Golias, Mark Ruffalo como Bruce Banner / Hulk, Meng'er Zhang como Xu Xialing, Michael Rooker como Yondu Udonta, Oscar Isaac como Marc Spector / Cavaleiro da Lua, Rachel House como Topaz, Samuel L. Jackson como Nick Fury, Sebastian Stan como Bucky Barnes / Soldado Invernal, Seth Green como Howard, Teyonah Parris como Monica Rambeau, Simu Liu como Shang-Chi, Taika Waititi como Korg, Tessa Thompson como Valquíria, Tom Hiddleston como Loki, Tom Vaughan-Lawlor como Fauce, Walton Goggins como Sonny Burch, e Wyatt Russell como John Walker / Agente Americano. Dentre os dubladores profissionais que substituíram os que não quiseram ou puderam participar estão Alejandro Saab como Quentin Beck / Mystério, Alexandra Daniels como Carol Danvers / Capitã Marvel, Andrew Morgado como Laufey, Brittany Adebumola como Nakia, Darin De Paul como Zeus, David Chen como Wong, Fred Tatasciore como Groot, Jared Butler como Kaecilius, Kari Wahlgren como Melina Vostokoff e Carina Tivan, Kenna Ramsey como Okoye, Kiff VandenHeuvel como Obadiah Stane, Matt Friend como o Grão-Mestre, Michelle Wong como Ying Nan, Piotr Michael como Dreykov, Ross Marquand como Ultron, e Steven French como Malekith. Novos personagens incluem Natasha Lyonne como Byrdie, America Ferrera como a patrulheira Morales, Allen Deng como Kwai Jun-Fan, Jason Isaacs como a Eminência, e D.C. Douglas e Darin De Paul como Vigias.

A terceira temporada de What If...? estrearia no Disney+ em 22 de dezembro de 2024, com um episódio sendo lançado por dia até 29 de dezembro. Andrew acharia a data de lançamento muito apertada em relação ao prazo de produção, mas a Disney não aceitaria adiá-la para 2025; seria isso que faria com que a temporada fosse reduzida de nove para oito episódios, permitindo que toda a produção estivesse concluída em outubro de 2024. A Disney mais uma vez não divulgou a audiência, e a crítica ficaria dividida, elogiando as atuações, mas criticando alguns dos roteiros. Wright seria indicado ao Emmy de Melhor Performance de Dublagem de um Personagem, e o episódio do Velho Oeste seria indicado ao de Melhor Edição de Som para um Programa de Animação.

Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha
Your Friendly Neighborhood Spider-Man
1ª temporada
2025

Em 2016, quando foi firmado o acordo entre Disney e Sony para que o Homem-Aranha pudesse fazer parte do MCU, Kevin Feige determinaria que o primeiro filme do herói produzido pelos Marvel Studios não seria um "filme de origem". Segundo ele, os espectadores já haviam visto como Peter Parker se tornou o Homem-Aranha duas vezes, e ambos os filmes ainda eram recentes, de forma que o tempo gasto explicando a origem do herói poderia ser melhor aproveitado para contar uma de suas aventuras. Assim, o Homem-Aranha estrearia em Capitão América: Guerra Civil já como um herói estabelecido, e seu primeiro filme no MCU, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, seria continuação deste, sem contar a origem do herói nem mesmo em flashbacks.

Em 2019, entretanto, durante uma reunião da equipe criativa de What If...? na qual se discutiria qual seria a próxima série animada dos Marvel Studios, uma das propostas foi a de uma que contasse a origem do Homem-Aranha no MCU, começando com Parker sem poderes, passando por seu encontro com a aranha radioativa, a morte do Tio Ben, algumas aventuras heroicas, e terminando com seu encontro com Tony Stark que levaria aos eventos de Guerra Civil. Feige e Winderbaum aprovariam a proposta, mas a série só começaria a sair do papel em novembro de 2020, quando Jeff Trammell apresentaria suas ideias para X-Men '97, criando uma série totalmente nova, sem nenhuma ligação com qualquer anterior. Isso iria de encontro ao que Winderbaum tinha em mente - fazer de X-Men '97 uma continuação direta da série animada dos X-Men dos anos 1990 - mas as ideias de Trammell seriam tão boas que o produtor, após rejeitar seu projeto, o convidaria para criar um para a nova série animada do Homem-Aranha.

Trammell criaria a estrutura de uma série que duraria quatro temporadas, com aventuras soltas a cada episódio, mas um arco que ligasse todos eles, que levaria o Homem-Aranha from zero to hero, "do nada a um herói". Feige gostaria dessa estrutura principalmente porque o High School, o Ensino Médio dos Estados Unidos, dura quatro anos, o que permitiria que a série cobrisse um ano por temporada, dando à primeira o título provisório de Spider-Man: Freshman Year - com freshman significando "calouro".

A série seria oficialmente anunciada em novembro de 2021, durante o Disney+ Day, com Trammell sendo o showrunner e chefe da equipe de roteiristas, e estreia prevista para 2023. Em julho de 2022, seria anunciada uma segunda temporada, com o título provisório de Spider-Man: Sophomore Year - com sophomore sendo o apelido dado a quem está no segundo ano do High School ou da universidade, com o do terceiro sendo junior e o do quarto, senior. Trammell, contudo, não gostava desses títulos, porque achava que cada temporada estar presa a um ano escolar de Parker limitaria a equipe criativa, e, além do mais, se a ideia era fazer da série uma "prequência" de Guerra Civil, isso sequer seria possível, já que, nos três filmes do Homem-Aranha no MCU, Parker claramente ainda estava na escola. Feige, então, sugeriria o título Your Friendly Neighborhood Spider-Man, que faz referência a um dos apelidos do herói nos quadrinhos. Trammell adoraria, e decidiria dar a cada episódio da série um título também inspirado nos quadrinhos.

Faltava, ainda, uma alteração para que a série efetivamente entrasse em produção: de início, Trammell até tentaria fazer a série ambientada na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU e levando aos eventos de Guerra Civil, mas tanto ele quanto os demais roteiristas achariam isso extremamente difícil, principalmente em relação aos personagens que poderiam usar - se quisessem usar um do MCU, teriam de respeitar tudo o que aconteceu antes e depois com ele; se quisessem usar um que ainda não tinha estreado no MCU, precisariam consultar a cúpula dos Marvel Studios e arriscar interferir na forma como esse personagem apareceria futuramente. Assim, em dezembro de 2023, Trammell receberia autorização para ambientar a série em uma linha do tempo alternativa dentro do Multiverso, recebendo autorização para usar quaisquer personagens e contar a história da forma como quisesse.

Em cada um de seus três filmes no MCU, Parker ter um "mentor" - Tony Stark no primeiro, Nick Fury no segundo, Dr. Estranho no terceiro - um personagem adulto com o qual contracena e o ajuda a se tornar um herói melhor - bom, talvez não o Dr. Estranho, mas vocês entenderam o conceito. Tendo carta branca para usar quaisquer personagens que quisesse, Trammell decidiria que o mentor de Parker na série seria Norman Osborn, que descobriria sua vida dupla e, matriculando-o no programa de jovens cientistas da Oscorp, o ajudaria a desenvolver seu traje e sua carreira de Homem-Aranha. A inclusão de Osborn também daria a oportunidade de o Homem-Aranha enfrentar alguns de seus vilões clássicos dos quadrinhos, como o Dr. Octopus, o Escorpião e o Camaleão, e reintroduzir no círculo de amigos de Parker o filho do empresário, Harry Osborn, que havia sido vetado no MCU quando o primeiro filme entrou em produção. Sem querer usar Mary Jane nem Gwen Stacy, a equipe de roteiristas optaria por colocar Pearl Pangan, personagem que existe nos quadrinhos mas não tem ligação como o Homem-Aranha, como interesse romântico para Parker,  mas a principal personagem feminina da série seria Nico Minoru (que, nos quadrinhos também não tem ligação com o Homem-Aranha, fazendo parte dos Fugitivos), melhor amiga de Parker, que é apaixonada por ele sem ele perceber.

A série começa com Parker conseguindo uma vaga na prestigiada Midtown High School, que tem um dos melhores programas de ciências do país, mas, em seu primeiro dia, uma criatura alienígena ataca a escola, sendo detida pelo Dr. Estranho. Durante a batalha, Parker salva Nico, com os dois se tornando amigos, e é mordido por uma aranha que surge de um portal junto com a criatura, ganhando seus poderes de Homem-Aranha. Infelizmente, a escola também é destruída, o que faz com que Parker e Nico tenham de ir à segunda opção, a Rockford T. Bales High School, onde também estudam Pearl e seu namorado, Lonnie Lincoln, amigo de Parker e capitão do time de futebol americano.

Alguns meses se passam e Parker, vestindo um uniforme caseiro, decide usar seus poderes para combater o crime sob o nome de Homem-Aranha. Um dia, ele salva Harry Osborn de um grupo de assaltantes, com Harry transmitindo a luta ao vivo em uma de suas redes sociais. Isso transforma o Homem-Aranha em uma celebridade, e faz com que Norman Osborn, que deduziu sua identidade, convide Parker para o programa de jovens cientistas de sua empresa, a Oscorp, onde ele será tutorado pelos cientistas Bentley Wittman e Carla Connors (que tem um braço só), e será colega do gênio Amadeus Cho, da wakandana Asha, e da misteriosa Jeanne Foulcault. Enquanto isso, Osborn o ajudará a melhorar seu traje e suas habilidades de Homem-Aranha, as quais ele usará para deter vários vilões para os quais Otto Octavius está vendendo tecnologia roubada da Oscorp.

O elenco principal conta com Hudson Thames (repetindo seu papel de What If...?) como Peter Parker / Homem-Aranha, Kari Wahlgren como a Tia May, Grace Song como Nico Minoru, Eugene Byrd como Lonnie Lincoln, Zeno Robinson como Harry Osborn, Hugh Dancy como Otto Octavius / Dr. Octopus, Charlie Cox como Demolidor, e Colman Domingo como Norman Osborn. O elenco recorrente conta com Cathy Ang como Pearl Pangam; Erica Luttrell como Asha, a Sra. Lincoln, mãe de Logan, e Emma, amiga de Pearl; Phil Lamarr como o Sr. Lincoln e o professor Sr. Taylor; Roger Craig Smith como o técnico da escola, Phil Grayfield, o chefe de segurança da Oscorp, John Gallo, e os vilões James Sanders / Corisco e Dmitri Smerdyakov / Camaleão; Anjali Kunapaneni como Jeanne Foucalt / Finesse; Aleks Le como Amadeus Cho; Paul F. Tompkins como Bentley Wittman; Zehra Fazal como Carla Connors e Susan O'Hara, mãe adotiva de Nico; Leilani Barrett como Big Donovan, líder da Gangue da 110; Ettore Ewen como Bulldozer, da mesma gangue; Anairis Quiñones como Carmilla Black, segunda em comando na Gangue dos Escorpiões, e Maria Vasquez, namorada e parceira no crime de Corisco; e Jonathan Medina como Mac Gargan / Escorpião. Participações especiais incluem Robin Atkins Downes como o Dr. Estranho; Jake Green como o vilão Butano; Matte Martinez como Andre, irmão mais novo de Lonnie; Travis Willingham como Mikhail Systevich e Thaddeus Ross; Sarah Natochenny como Mila Masaryk / Unicórnio; Mick Wingert como Tony Stark / Homem de Ferro; e Josh Keaton como Richard Parker. Em alguns episódios, Wahlgren também dubla Roxanna Volkov.

A equipe da Marvel Studios Animation optaria por fazer o desenho num estilo que lembrasse as histórias clássicas do Homem-Aranha, principalmente as desenhadas por John Romita, no que Trammell descreveu como "uma história em quadrinhos em movimento". Assim como What If...? e X-Men '97, o efeito foi conseguido através de cel shading, com as empresas Polygon Pictures e CGCG Inc. trabalhando na animação. A abertura lembraria um desenho animado da década de 1970, e, em cada episódio, terminaria com uma tela diferente, que lembrava a capa de uma revista do Homem-Aranha, com o título do episódio como se fosse o título da história. A música da abertura, Neighbor Like Me, seria composta por Leo Birenberg e Zach Robinson, tocada por The Math Club e cantada pelos rappers Relaye e Melo Makes Music, usando um sample da música de abertura da série do Homem-Aranha exibida entre 1967 e 1970, de Paul Francis Webster e Bob Harris.

A primeira temporada teria dez episódios, quatro, incluindo o primeiro, com roteiro de Trammell, quatro de Charlie Neuner, um de Raven Koné, e o último sendo escrito por Trammell e Neuner; a direção ficaria a cargo de Liza Singer (5 episódios), Stu Livingston (4 episódios, incluindo o último) e Mel Zwyer (só o primeiro). Os dois primeiros episódios estreariam no Disney+ em 29 de janeiro de 2025, com mais três estreando em 5 de fevereiro, três em 12 de fevereiro, e os dois últimos em 19 de fevereiro. A audiência não seria divulgada pela Disney, mas Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha seria um enorme sucesso de crítica, que elogiaria principalmente o fator nostalgia, o estilo da animação e a combinação de ação e comédia.

Em janeiro de 2025, antes mesmo da estreia da primeira temporada, Winderbaum confirmaria que a série seria renovada para uma terceira, e diria que a segunda já estava bem adiantada, com algumas cenas já estando sendo animadas. No mês seguinte, porém, ele lamentaria que tanto a segunda temporada de X-Men '97 quanto a de Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha estavam atrasadas, e prometeria ambas para o final de 2026, como parte da Fase 6; segundo ele, essas duas séries animadas eram "as prioridades máximas" dos Marvel Studios, com o planejamento sendo de uma nova temporada de cada sendo lançada a cada ano, sem atrasos.

Para terminar, vale citar que, entre dezembro de 2024 e abril de 2025, a Marvel Comics publicaria uma minissérie em quadrinhos também chamada Your Friendly Neighborhood Spider-Man. Ambientada no mesmo universo da série e trazendo os mesmos personagens, com roteiro de Christos Gage e arte de Eric Gapstur, a minissérie cobre o intervalo de "alguns meses" entre Parker ganhar seus poderes e começar a usá-los como Homem-Aranha, não mostrado no primeiro episódio da série. Segundo Trammell, é possível que novas edições sejam lançadas, caso outras passagens de tempo aconteçam na série, como, por exemplo, entre a primeira e a segunda temporadas.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•What If...?
(3ª temporada)
•Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha
(1ª temporada)

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sábado, 11 de outubro de 2025

Escrito por em 11.10.25 com 0 comentários

Venom

Eu juro que não é minha intenção falar sobre todos os filmes que tenham personagens Marvel, mas, já que eu falei esse ano sobre os do Blade, Deadpool, Wolverine e até sobre os do Quarteto Fantástico, achei que não custava nada falar sobre os do Venom também. Assim, hoje é dia de Venom no átomo!

Embora hoje seja amplamente considerado um anti-herói, Venom faria sua estreia como um vilão do Homem-Aranha, criado pelo roteirista David Michelinie e pelo desenhista Todd McFarlane, na revista The Amazing Spider-Man número 300, de maio de 1988 (após uma breve aparição no último quadrinho da edição anterior). Sua origem, porém, remonta a quatro anos antes, ao famoso uniforme preto do Homem-Aranha, que fez sua estreia na The Amazing Spider-Man 252, de maio de 1984, mas que foi adquirido pelo herói na minissérie Guerras Secretas, mais especificamente na revista Secret Wars 8, de dezembro de 1984 - sem que o Aranha soubesse que não se tratava de apenas um uniforme, mas de um simbionte alienígena.

Por incrível que pareça, quem deu a sugestão para que o Homem-Aranha passasse a usar um uniforme totalmente preto, exceto pelos olhos brancos e uma enorme aranha branca no peito, foi um leitor, chamado Randy Schueller, que enviou uma carta para a Marvel em 1982. A carta foi publicada e ninguém mais falou no assunto até 1984, quando, durante as Guerras Secretas, foi feita uma reunião com vários artistas da Marvel especificamente para tratar de novos uniformes para os personagens que estavam participando da minissérie, por um motivo bem capitalista: antes de mais nada, a Guerras Secretas era uma estratégia para vender brinquedos, e novos uniformes significavam que mais versões do mesmo personagem poderiam ser vendidas - o próprio Homem-Aranha, aliás, seria vendido em duas versões, uma com seu tradicional uniforme vermelho e azul, outra com o uniforme preto. Por motivos que vocês podem ler no meu post sobre Guerras Secretas, a linha de brinquedos foi um grande fracasso, mas diversos personagens realmente ganhariam uniformes novos que passariam a ser usados em suas respectivas revistas mensais, com o do Homem-Aranha sendo o mais diferente e o de maior destaque.

O responsável pela introdução do uniforme preto seria Jim Shooter, editor-chefe da Marvel em 1984 e roteirista da minissérie Guerras Secretas. Quando aconteceu a tal reunião para tratar dos uniformes novos, Shooter se lembrou da ideia de Schueller de um uniforme preto para o Homem-Aranha, e pediu para que Mike Zeck, desenhista da Guerras Secretas, criasse um, o que ele fez em parceria com o também desenhista Rick Leonardi. Para evitar que a Marvel fosse processada por Schueller, já que a carta havia sido publicada, o que provava que a ideia tinha sido dele, Shooter entraria em contato com o leitor e compraria os diretos de uso do uniforme preto por 220 dólares. Para ter um motivo para o Homem-Aranha trocar seu uniforme por um de cor preta, Shooter e Zeck criariam uma nova Mulher-Aranha, que faria sua estreia na Secret Wars 6, de outubro de 1984. A intenção de Shooter era usar a Mulher-Aranha apenas nessa minissérie, para aumentar o número de mulheres na batalha - junto com ela, estreariam também duas vilãs, Titânia e Vulcana - mas depois ela acabaria voltando para a Terra com os demais heróis e tendo sua própria carreira - que não nos compete discutir aqui, já que esse é um post sobre o Venom.

Já a ideia de o uniforme não ser de tecido, mas sim material biológico viria do roteirista e desenhista John Byrne, que a teria não para um uniforme do Homem-Aranha, mas para um do Punho de Ferro: na época em que era o desenhista da Iron Fist, Byrne dizia que uma coisa que ele achava bizarra era que o herói rasgava seu uniforme em todas as edições, mas, na seguinte, estava com um novo em folha, sendo impraticável que ele o consertasse nesse meio tempo ou tivesse um baú repleto de uniformes idênticos para ir trocando. Ele conversaria com o roteirista da Iron Fist, Roger Stern, sobre a possibilidade de introduzir um "uniforme vivo", que tivesse a capacidade de se auto-consertar toda vez que fosse danificado. Essa ideia jamais seria usada com o Punho de Ferro, mas, por acaso, Stern era o roteirista da The Amazing Spider-Man 252, na qual o Homem-Aranha apareceria com o uniforme preto pela primeira vez - se vocês repararem nas datas, antes mesmo de ganhá-lo nas Guerras Secretas, já que uma das estratégias da minissérie foi que as revistas de abril de 1984 eram ambientadas antes dela, mas as de maio de 1984 eram ambientadas depois, para deixar os leitores curiosos em relação às mudanças.

Mas ainda falta um elemento: além de preto e vivo, o uniforme precisava ser alienígena, o que foi ideia do roteirista Tom DeFalco e do desenhista Ron Frenz, que assumiram a The Amazing Spider-Man após a saída de Stern - acreditem ou não, na edição 253, ou seja, Stern escreveu apenas a primeira aparição do unifome preto e saiu. Foi de DeFalco a ideia de que o uniforme era uma criatura simbionte - na verdade um parasita, já que, para sobreviver, precisa se ligar ao corpo de um hospedeiro, como uma orquídea, enquanto um simbionte simplesmente tem uma relação mútua com outra criatura, como os passarinhos que limpam os dentes dos crocodilos - que estava dominando lentamente a mente de Peter Parker e tornando-o maligno, e que era vulnerável a ondas sonoras de volume elevado. Shooter ajustaria a Guerras Secretas de acordo, com o Homem-Aranha usando a máquina errada para obter um novo uniforme após ver outros heróis saindo da uma sala com os seus, e ela expelindo uma bola preta que cobriu seu corpo - em uma das cenas mais emblemáticas da história dos quadrinhos.

Sob o comando de DeFalco, Peter se livraria do simbionte na The Amazing Spider-Man 258, de novembro de 1984 - um mês antes de a Secret Wars mostrar como ele obteve o uniforme - mas, para que o uniforme vermelho não voltasse antes da conclusão das Guerras Secretas, passaria a usar um uniforme preto idêntico, mas feito de tecido, a partir da edição 259 - usando-o até justamente a edição 300, quando, aterrorizada pelo surgimento de Venom, Mary Jane o convenceria a voltar a usar o uniforme vermelho. Exceto por uma breve aparição na Web of Spider-Man número 1, de abril de 1985, o destino do simbionte seria ignorado até o surgimento de Venom.

Aqui entra na história, finalmente, o criador de Venom, David Michelinie, que assumiria a Web of the Spider-Man na edição 8, de novembro de 1985, e a The Amazing Spider-Man na edição 290, de julho de 1987 - após essa última passar, depois da saída de DeFalco, pelas mãos de Christopher Priest e Peter David. Já há alguns anos, Michelinie considerava que o maior poder do Homem-Aranha não era sua força, sua agilidade ou suas teias, mas seu sentido de aranha, que o alertava antes de ataques, dando a ele uma vantagem que outros heróis não tinham. Ao longo dos anos, o Duende Verde e Mystério conseguiriam anular o sentido de aranha temporariamente com produtos químicos, mas Michelinie queria criar um vilão que fosse imune a ele, o que representaria um desafio tanto para o Homem-Aranha quanto para Peter Parker.

Quando Michelinie assumiu a Web of the Spider-Man, o Homem-Aranha usava seu uniforme preto de tecido, e o simbionte estava desaparecido; ele então decidiria fazer o simbionte se ligar a outra pessoa, que, através da ligação, ficaria sabendo que Peter Parker é o Homem-Aranha, e, devido ao tempo que o simbionte passou ligado a Parker, ele não ativaria seu sentido de aranha. Como esse seria um vilão que poderia mudar o universo do Homem-Aranha para sempre, primeiro ele buscou a aprovação do editor da Marvel na época, Jim Salicrup, depois decidiu que sua estreia seria na edição 300 da The Amazing Spider-Man, usando o tempo que tinha até lá para refinar o personagem - ele daria uma amostra do que estava por vir, entretanto, nas Web of the Spider-Man 16, de setembro de 1986, e 24, de março de 1987, com em ambas o Homem-Aranha sendo atacado por um vilão misterioso que não ativa seu sentido de aranha.

Michelinie chamaria o personagem de Venom - palavra usada em inglês para se referir ao veneno injetado através de mordidas e picadas de animais como cobras, abelhas, escorpiões e, evidentemente, aranhas (enquanto poison é usado para veneno proveniente de plantas e fungos, ou secretado por animais como sapos e peixes) - e decidiria que ele seria uma antítese do Homem-Aranha - assim, como uma das principais características do Homem-Aranha era ser pequeno e esguio, Venom seria um brutamontes, alto e musculoso - e um reflexo de seu lado sombrio - devendo ter, portanto, uma aparência monstruosa, cuja principal caracteristica seria uma boca na máscara. A aparência do personagem seria criada por Todd McFarlane, que assumiria a The Amazing Spider-Man na edição 298; inicialmente, a maior característica da boca de Venom eram os dentes, com McFarlane gostando de desenhar o personagem nas sombras, apenas com os olhos e o sorriso visíveis; a língua comprida e babenta, apesar de também criada por McFarlane, só se tornaria destaque anos depois.

A identidade secreta de Venom também seria um personagem totalmente novo, o repórter Eddie Brock, que trabalhava para o Globo Diário, jornal rival do Clarim Diário onde Peter Parker trabalhava. Michelinie usaria uma retcon para determinar que, durante os eventos da The Spectacular Spider-Man 107 a 110, de outubro de 1985 a janeiro de 1986, escritas por Peter David, Brock estava escrevendo uma matéria que desmascarava um assassino serial enfrentado pelo Homem-Aranha, mas nomeava o homem errado, sendo demitido, caindo em desgraça e culpando o herói, que acreditava tê-lo enganado de propósito. Todo esse ódio pelo Homem-Aranha atrairia o simbionte, que havia acabado de ser rejeitado pelo herói, se uniria a Brock e daria a ele todas as memórias que Peter e o alienígena compartilharam. Brock, então, passaria anos planejando sua vingança, até finalmente decidir se revelar sequestrando Mary Jane.

Venom rapidamente se tornaria um dos personagens preferidos dos leitores; na década de 1990, ele seria considerado um dos três arqui-inimigos do Homem-Aranha, ao lado do Duende Verde e do Dr. Octopus, e o vilão mais famoso do Homem-Aranha que não foi criado por Stan Lee e Steve Ditko. Em suas primeiras histórias, sua obsessão era matar o Homem-Aranha, e ele até chegaria a vencer o herói várias vezes, somente não atingindo seu objetivo porque algum evento externo o impediu. Sabendo a identidade secreta do Homem-Aranha, e tendo os mesmos poderes que o herói, Venom também costumava atacar Peter Parker quando ele estava sem uniforme, Mary Jane, e até mesmo a Tia May, transformando-o em um dos oponentes mais perigosos do Amigão da Vizinhança - talvez até o mais perigoso de todos.

Mas os anos 1990 seriam conhecidos por seus anti-heróis, com personagens como Wolverine e o Justiceiro fazendo enorme sucesso; sendo Venom tão querido pelos fãs, logicamente a Marvel iria querer apostar também nele e, aos poucos, ele deixaria de ser um vilão obcecado para se tornar uma espécie de rival do Homem-Aranha. Nesse cenário, seria criado outro vilão, chamado Carnificina, que surgiu quando parte do simbionte contaminou o sangue do assassino serial Cletus Kasady; também criado por Michelinie, em parceria com o desenhista Mark Bagley, Carnificina estrearia na The Amazing Spider-Man 345, de março de 1991, com sua origem sendo revelada um ano depois, na 361, de abril de 1992. Considerado uma ameaça tanto pelo Homem-Aranha quanto por Venom, Carnificina faria com que Brock deixasse seu ódio de lado e aceitasse lutar junto à sua nêmese para detê-lo; a partir daí, ele tomaria gosto pela vida de herói e, eventualmente, decidiria usar seus poderes para o bem. Depois do surgimento de Carnificina, o nome Venom passaria a se referir ao simbionte, e não à combinação dele com Brock, e ficaria estabelecido que um fragmento do simbionte é suficiente para criar um novo personagem inteiro, sendo os mais famosos Scream, também originária do simbionte de Venom, criada por Michelinie e Ron Lim em 1993, e Toxina, originário do simbionte de Carnificina, criado por Peter Milligan e Clayton Crain em 2004.

A vida de herói (ou anti-herói) de Venom começaria com a minissérie Venom: Lethal Protector, de Michelinie e Bagley, em seis edições publicadas entre fevereiro e julho de 1993 - sendo que a edição 4 trouxe a estreia de Scream - na qual Brock se muda para San Francisco e decide se tornar protetor dos moradores de rua da cidade. A intenção da Marvel era que essa minissérie desse origem a uma série regular na qual Venom viveria aventuras heroicas na Costa Oeste, mas as vendas foram abaixo do esperado e a ideia seria abandonada. Depois disso, Venom alternaria entre vilão nas histórias do Homem-Aranha e anti-herói em minisséries como Venom: Separation Anxiety, em quatro edições lançadas entre dezembro de 1994 e março de 1995, roteiro de Howard Mackie e arte de Ron Randall, na qual o simbionte é usado pelo governo em vários experimentos após ser separado de Brock, que precisa cruzar o país para salvá-lo.

Brock perderia o simbionte de vez em 2005, quando ele se uniria ao vilão Mac Gargan, anteriormente conhecido como Escorpião, que faria parte dos Thunderbolts e dos Vingadores Sombrios liderados por Norman Osborn. Em 2008, Brock se uniria a parte do simbionte para se tornar o Anti-Venom, que quase mataria o Venom original. Em 2011, o simbionte se uniria a Flash Thompson, que se tornaria o Agente Venom, estrela de uma revista chamada Venom, com 47 edições publicadas entre maio de 2011 e dezembro de 2013, e que faria parte dos Guardiões da Galáxia. Quando Thompson retornasse do espaço, o simbionte se uniria novamente a Brock, que ganharia uma nova revista chamada Venom, com 22 edições publicadas entre janeiro de 2017 e junho de 2018 - sendo que, após a edição 6, a numeração de todas as séries e minisséries do Venom seriam somadas, com a sétima edição sendo a 150, e a última a 165. Isso aparentemente seria confuso, e a revista seria relançada em julho de 2018 com um novo número 1, durando 35 edições, a última de agosto de 2021. Depois disso, o simbionte se uniria ao filho de Brock, Dylan, que seria estrela da mais recente Venom, com 39 edições publicadas até agora, a primeira de janeiro de 2022.

Sendo um personagem tão popular, é óbvio que Venom teria presença garantida nas adaptações do Homem-Aranha para o cinema e TV, como o desenho animado produzido para a Fox entre 1994 e 1998 e The Spectacular Spider-Man, que teve uma temporada exibida no canal The CW em 2008 e outra no Disney XD em 2009. No cinema, a primeira tentativa de se fazer um filme de Venom ocorreria em 1997, quando a New Line Cinema contrataria o roteirista David S. Goyer para escrever um filme no qual Dolph Lundgreen interpretaria Eddie Brock, com Venom sendo o herói e o Carnificina o vilão. Quando os três primeiros filmes do Homem-Aranha foram produzidos, o produtor Avi Arad exigiu que Venom estivesse no terceiro, de 2007, com Eddie Brock sendo interpretado por Topher Grace. Em julho de 2007, pouco após a estreia de Homem-Aranha 3, Arad revelaria que a Sony tinha planos de fazer um spin-off estrelado por Venom, para que ele pudesse ser "para os filmes do Homem-Aranha o que Wolverine era para os filmes dos X-Men".

Em julho de 2008, a Sony contrataria Jacob Estes para escrever um roteiro, que colocava Brock vivendo em San Francisco e tentando se reinventar como herói com a ajuda de uma garçonete chamada Honey Horowitz; o vilão seria o Carnificina, que surgiria quando um assassino serial mordesse (pois é) Venom durante o primeiro embate entre os dois. A Sony não tinha certeza quanto a Grace ser o protagonista ideal para esse filme, mas, segundo Arad, ele era a escolha certa para interpretar um "malfeitor de quem as pessoas poderiam gostar"; assim, Estes escreveria o roteiro com Grace em mente, recomendando Martin Donovan para interpretar o Carnificina e ou Rashida Jones, ou Maya Rudolph para o papel de Honey. Mas a Sony não gostaria de alguns detalhes do roteiro de Estes e, em setembro, contrataria Paul Wernick e Rhett Reese para reescrevê-lo. Wernick e Reese optariam por uma abordagem "realística, pé no chão e sombria", na qual Venom não seria um herói, mas um vilão forçado a enfrentar algo pior.

Wernick e Reese entregariam em abril de 2009 a primeira versão do roteiro, que tinha um papel especialmente escrito para Stan Lee e uma sequência na qual o simbionte em fuga passa por várias pessoas, com cada uma delas se tornando extremamente violenta ao se combinar com ele. A Sony não gostaria da abordagem sombria, e forçaria a dupla a escrever um filme "mais otimista", com uma segunda versão do roteiro sendo entregue em setembro de 2009. A Sony seguiria insatisfeita, e pediria para que Gary Ross, que na época estava reescrevendo o roteiro do cancelado Homem-Aranha 4, reescrevesse o roteiro de Wernick e Reese, considerando-o também para a direção do filme. Ao ler a versão preliminar de Ross, Grace diria ser improvável que ele retornasse ao papel, já que a Sony queria fazer de Venom não um vilão motivado a cometer atos heroicos, mas um herói desde o início, e isso não combinava com a forma como o personagem foi retratado em Homem-Aranha 3.

Em janeiro de 2010, a Sony anunciaria que Sam Raimi estava se desligando dos filmes do Homem-Aranha, e que ela aproveitaria para fazer um reboot da série, com um novo elenco. Isso significava que um filme do Venom agora não precisava se prender à aparição do personagem em Homem-Aranha 3, e, em março de 2012, quando O Espetacular Homem-Aranha estava prestes a ser lançado, negociações começaram entre o estúdio e Josh Trank para que ele fosse o diretor e roteirista de Venom. Trank e Robert Siegel escreveriam um roteiro no estilo de O Máskara, com Brock sendo controlado pelo simbionte e fazendo coisas contra sua vontade, mas violento e sombrio, que provavelmente receberia classificação R - menores de 17 anos só podem assistir acompanhados de um responsável.

Após o lançamento de O Espetacular Homem-Aranha, em junho de 2012, o produtor Matt Tolmach conversaria com Arad sobre a possibilidade de a Sony criar um "Universo Aranha", com vários filmes ambientados no mesmo universo levando a um filme que contasse com a presença de todos os seus personagens, como a Marvel havia feito em Os Vingadores, de maio de 2012; dentro desse plano, o roteiro de Trank e Siegel não se encaixava. O projeto do filme do Venom, então, ficaria suspenso por mais um ano, até que, em dezembro de 2013, a Sony anunciaria oficialmente que O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, de 2014, seria o primeiro de seu "Universo Aranha", preparando o terreno para filmes estrelados por Venom, pelo Sexteto Sinistro, e até mesmo pela Tia May, todos sob o comando de Tolmach, que faria o papel que na Marvel cabe a Kevin Feige.

Em abril de 2014, Tolmach anunciaria que Venom estava oficialmente em pré-produção, com Alex Kurtzman, Roberto Orci e Ed Solomon escrevendo o roteiro e Kurtzman dirigindo; segundo ele, Venom faria sua estreia em O Espetacular Homem-Aranha 3, previsto para 2016, e Venom seria lançado entre aquele e O Espetacular Homem-Aranha 4, previsto para 2018. O fracasso de público e crítica de O Espetacular Homem-Aranha 2, entretanto, faria com que O Espetacular Homem-Aranha 3 fosse adiado para 2018, mas Venom confirmado para 2017, com Venom então estreando em seu próprio filme e fazendo uma participação especial em O Espetacular Homem-Aranha 3. Tudo isso mudaria de novo em fevereiro de 2015, quando a Sony anunciaria ter chegado a um acordo com a Marvel para fazer um novo reboot do Homem-Aranha, integrado ao MCU, com todos os planos de filmes do "Universo Aranha" sendo suspensos por tempo indeterminado. Kurtzman e Solomon seguiriam com a incumbência de escrever um roteiro para Venom, mas interromperiam seus trabalhos em novembro de 2015, acreditando que o projeto havia sido cancelado.

A Sony, contudo, ainda não havia desistido, e, em março de 2016, contrataria Dante Harper para escrever um novo roteiro, dessa vez para um filme totalmente independente, sem nenhuma ligação com qualquer filme do Homem-Aranha passado ou futuro - Harper, inclusive, diria ter recebido instruções para escrever uma história de Venom sem nenhuma menção ao Homem-Aranha, como se o personagem nem existisse no universo do filme. O roteiro de Harper seria reescrito um ano depois por Scott Rosenberg e Jeff Pinkner, que, graças ao sucesso de Deadpool e Logan, receberiam autorização para fazer um filme de classificação R, mas receberiam instruções para que o orçamento fosse o mais baixo possível. Para a direção, a Sony consideraria Adi Shankar, Adam Wingard e David F. Sandberg, que chegaria a ler o roteiro e se mostrar favorável, mas preferiria assinar com a Warner para dirigir Shazam!; a direção, então, ficaria com Ruben Fleischer, de Zumbilândia, que se diria "fã de longa data" de Venom, e "empolgado com as possibilidades" que o filme apresentava. Fleischer seria anunciado em maio de 2017, na mesma coletiva em que a Sony anunciaria que Tom Hardy interpretaria Eddie Brock, e que Venom seria o primeiro filme do chamado SSU, de Sony's Spider-Man Universe, uma série de filmes estrelados por personagens do universo do Homem-Aranha nos quadrinhos, mas sem ligação com os filmes do MCU.

O roteiro seria creditado a Rosenberg, Pinkner e Kelly Marcel, que, em outubro de 2017, o reescreveria para mudar alguns pontos que a Sony considerou "problemáticos" - principalmente porque o estúdio voltaria atrás e decidiria que o filme deveria ser PG-13 (maiores de 13 anos podem assistir desacompanhados). O filme seria inspirado principalmente nas minisséries Lethal Protector e Planet of the Symbiotes, publicada em cinco edições entre julho e outubro de 1995; segundo Pinkner, o maior desafio foi fazer com que um personagem cuja origem é intrinsecamente ligada ao Homem-Aranha funcionasse sem a presença do Homem-Aranha, e que, para isso, ele e Rosenberg se inspirariam não somente em Lethal Protector, mas também no Venom da linha Ultimate, que não é alienígena, tendo sido criado por engenharia genética, e nunca foi um uniforme do Homem-Aranha.

No filme, pelo menos, Venom é alienígena, e chega à Terra através de um cometa explorado por uma sonda da Fundação Life. Eddie Brock é um jornalista desacreditado que fica sabendo através de documentos secretos que a Fundação faz testes com cobaias humanas, e decide invadir o laboratório para obter provas e recuperar seu prestígio. Durante essa invasão, ele acaba se combinando ao simbionte, que revela que sua raça usa o cometa para encontrar planetas nos quais eles possam sobreviver e devorar toda a vida; Venom, que é como o simbionte se chama, promete poupar Eddie se ele ajudá-lo a escapar, e confere a ele poderes sobre-humanos ao cobrir totalmente seu corpo. Mas o maior problema de Eddie é Carlton Drake, presidente da Fundação Life, que quer usar os simbiontes para seus próprios propósitos, e decide perseguir o jornalista para matá-lo e se combinar com Venom. O elenco conta com Tom Hardy como Eddie Brock e a voz de Venom; Michelle Williams como Anne Weying, advogada e ex-noiva de Eddie; Riz Ahmed como Carlton Drake; Scott Haze como Roland Treece, chefe da segurança de Drake; Reid Scott como Dan Lewis, novo namorado de Anne; Jenny Slate como a cientista Dora Skirth; e Peggy Lu como a Sra. Chen, dona de um mercadinho que Eddie frequenta. Woody Harrelson faz uma participação como Cletus Kasady na cena intercréditos; Chris O'Hara aparece brevemente como o astronauta John Jameson; e Stan Lee faz uma aparição como um homem caminhando com seu cachorro. Tom Holland gravaria uma participação especial como Peter Parker, removida do filme a pedido da Marvel.

As filmagens ocorreriam em Atlanta e Nova Iorque, com apenas algumas cenas sendo filmadas em San Francisco - onde o filme é ambientado - já no final das gravações; algumas cenas extras teriam de ser filmadas e outras refilmadas em Los Angeles, já durante a pós-produção. Todos os efeitos especiais do filme ficariam a cargo de uma única empresa, a anglo-indiana DNEG, que, para criar a aparência do simbionte, filmaria coloides deslizando e estudaria imagens de amebas. As cenas que mostram Eddie e o simbionte se combinando usaram efeitos práticos e um modelo de computação gráfica de Hardy. Venom seria um personagem totalmente digital, de 2,31 m de altura e pele negra oleosa, inspirada da das orcas; para que ele não desaparecesse nas cenas à noite, seria usada uma técnica de iluminação originalmente criada para comerciais de carro, que fazia com que a pele de Venom refletisse parte do ambiente a seu redor. Como a origem do personagem não está ligada à do Homem-Aranha, ele não tem a aranha branca no peito, mas, para que não fosse totalmente preto, foram adicionados detalhes brancos em seu tronco que lembram vagamente um V. A lingua seria animada à parte, e adicionada ao restante do personagem ao final da pós-produção, e, como os olhos dele não têm pupilas, seu formato muda a cada cena para que ele possa ter expressões faciais e os espectadores saibam para onde ele está olhando. Hardy dublaria as falas de Venom - gravando-as anteriormente e ouvindo-as em um ponto eletrônico ao gravar as cenas em que Eddie conversa com o simbionte - e desejava fazer a captura de movimentos do personagem, o que não foi possível devido às diferenças físicas entre os dois, sendo usado um dublê de 2,08 m de altura com saltos plataforma e um capacete comprido para cima.

Venom estrearia nos cinemas em 5 de outubro de 2018; com orçamento de 100 milhões de dólares, renderia 213,5 milhões apenas nos Estados Unidos e 856 milhões somando o mundo todo, sendo o sexto filme mais rentável do ano e considerado um grande sucesso pela Sony. A crítica não o veria da mesma forma, porém, considerando-o caótico e barulhento, seu enredo bagunçado, seu roteiro incoerente, e que Venom não conseguiria se manter interessante sem a presença do Homem-Aranha. Desde o início, contudo, já estava certo que o filme seria o primeiro de uma série, e o sucesso de público bastou para que a Sony desse a luz verde para uma continuação.

Se dependesse da Sony, o Carnificina seria o vilão do primeiro filme, mas Pinkner e Roseberg argumentariam que deixar o vilão para um segundo filme permitiria desenvolver melhor a história de Venom, e Fleischer concordaria, dizendo que a franquia teria para onde ir caso um vilão tão importante fosse preservado. Diante da certeza de que o Carnificina seria o vilão do segundo filme, Fleischer convidaria Woody Harrelson, com quem havia trabalhado em Zumbilândia, para interpretá-lo, achando que o alter ego do personagem, o psicopata Cletus Kasady, se parecia com o personagem que Harrelson havia interpretado em Assassinos por Natureza. Harrelson aceitaria o papel durante um jantar com Fleischer e Hardy ainda durante a produção de Venom, mas, em entrevistas posteriores, admitiria que foi um tiro no escuro, já que ainda nem havia roteiro do segundo filme quando ele assinou o contrato; o acerto possibilitaria, entretanto, que Harrelson gravasse a tal cena intercréditos para Venom já interpretando Kasady.

A Sony reservaria a data de outubro de 2020 para a estreia do então chamado Venom 2, mas nem Pinkner, nem Rosenberg, nem Fleischer retornariam para a sequência: em janeiro de 2019, Marcel seria anunciada como a única roteirista, e Fleischer declararia não poder retornar por estar envolvido com as filmagens de Zumbilândia: Atire Duas Vezes, já que a Sony não aceitou que ele só começasse a trabalhar em Venom 2 após a conclusão desse filme. A Sony convidaria Rupert Sanders, que não aceitaria, e, em julho de 2019, assinaria com Andy Serkis, segundo o estúdio, devido à sua experiência com captura de movimentos e personagens de computação gráfica - já que Serkis, dentre outros, havia sido o "intérprete" de Gollum, na trilogia O Senhor dos Anéis. Diferentemente do que muitos imaginam, essa não seria a estreia de Serkis na direção, já que ele já havia dirigido Uma Razão para Viver, de 2017, e Mogli: Entre Dois Mundos, de 2018. Tolmach tinha esperança de que o filme pudesse ser feito com classificação R, principalmente devido ao sucesso de Coringa, mas acabaria vencido pelo argumento de que foi a classificação PG-13 que permitiu a grande bilheteria de Venom, com o segundo filme também tendo classificação PG-13.

As filmagens começariam em novembro de 2019 - curiosamente, após a estreia de Zumbilândia: Atire Duas Vezes - e ocorreriam quase que integralmente em San Francisco, onde o filme é ambientado, com algumas cenas sendo gravadas em Londres, Inglaterra. Matrix Resurrections estava sendo filmado ao mesmo tempo em San Francisco, de forma que várias locações de Venom 2 tiveram de ser mudadas em cima da hora porque já haviam sido reservadas para o filme da Warner; em uma determinada cena, helicópteros da produção de Matrix podem ser vistos ao fundo, com a explicação de Venom sendo a de que são helicópteros da polícia procurando por Kasady. O filme tem uma cena intercréditos na qual Eddie é transportado para o MCU durante os eventos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, assistindo na TV  acenas de Homem-Aranha: Longe de Casa nas quais J. Jonah Jameson incrimina Peter Parker pela morte de Mystério; essa cena seria filmada por Jon Watts durante a produção do filme do Homem-Aranha.

Quando a quarentena da pandemia começou, as filmagens já estavam concluídas, e o filme se encontrava na pós-produção, com Serkis tendo de acompanhar o processo de forma remota. O filme ficaria pronto antes da data prevista, que a Sony planejava manter, mas acabaria tendo de alterar porque em outubro de 2020 os cinemas ainda não estavam abertos ao público. Naquele mês, a Sony divulgaria o título oficial do filme, Venom: Let There Be Carnage (Venom: Tempo de Carnificina, em português), após a imprensa vazar o título provisório Venom: Love Will Tear Us Apart, em homenagem à canção do Joy Division, e anunciaria junho de 2021 como a nova data prevista de estreia. Serkis aproveitaria o tempo extra para refinar os efeitos especiais e cortar mais 15 minutos do filme, que ele queria que fosse "intenso", mas tinha algumas cenas que ele estava achando arrastadas demais.

A data de estreia ainda seria adiada mais três vezes, devido ao surgimento de novas variantes do vírus da Covid nos Estados Unidos, com a Sony chegando a considerar estrear o filme apenas em 2022, mas decidindo por 1 de outubro de 2021 após a Disney lançar Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis no cinema e obter boa bilheteria. Com orçamento de 110 milhões de dólares, Venom: Tempo de Carnificina renderia 213 milhões nos Estados Unidos e quase 507 milhões somando o mundo inteiro, sendo considerado um sucesso pela Sony. O filme teria a melhor bilheteria de primeiro fim de semana no pós-pandemia até então, com 90,1 milhões de dólares, inclusive ultrapassando o primeiro Venom (que havia somado 80,3 milhões), e seria o segundo de maior bilheteria no pós-pandemia até então, atrás apenas de Shang-Chi, fechando o ano como o terceiro mais assistido de 2021, atrás de Shang-Chi e Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. A crítica mais uma vez não ficaria tão entusiasmada quanto o público, elogiando as performances de Hardy e Harrelson e a química entre Eddie e Venom, mas considerando o roteiro bobo e previsível, e declarando que o filme somente agradaria aos fãs.

No filme, Kasady é um assassino serial preso em uma instituição de segurança máxima, que alega só aceitar dar entrevistas para Eddie. Durante uma visita, parte do simbionte de Venom se solta e entra no corpo de Kasady, se transformando em um novo simbionte chamado Carnificina, que usa seus novos poderes para escapar e libertar a namorada de Kasady da prisão Ravencroft, para indivíduos com poderes sobre-humanos - já que ela tem o poder de emitir gritos ultrassônicos, o que lhe rendeu o apelido de Shriek (palavra usada em inglês para se referir a um grito bem agudo). Após libertar Shriek, Carnificina põe em prática a segunda parte de seu plano: matar Eddie e Venom, para que ninguém possa impedi-lo de viver como quiser. O elenco conta com Tom Hardy como Eddie Brock / Venom; Woody Harrelson como Cletus Kasady / Carnificina; Michelle Williams como Anne Weying; Naomie Harris como Frances Barrison / Shriek; Reid Scott como Dan Lewis; Stephen Graham como o detetive de polícia Patrick Mulligan; e Peggy Lu como a Sra. Chen.

Após o lançamento de Tempo de Carnificina, Hardy, que havia assinado para três filmes, declararia que a Sony estava planejando fazer um crossover de Venom com o MCU, e Tom Holland, intérprete do Homem-Aranha, confirmaria ter conversado com a produtora Amy Pascal sobre a possibilidade de fazer uma participação no terceiro filme do Venom. Em abril de 2022, Marcel seria anunciada como roteirista também do terceiro filme, além de diretora, sendo esta sua estreia na função, já que Serkis, apesar de ter manifestado interesse em dirigir, estava envolvido com a produção do longa de animação A Revolução dos Bichos. Em sua primeira entrevista após o anúncio, Marcel diria que o terceiro filme não teria qualquer ligação com o MCU, e que daria um encerramento à trilogia de Venom, com Hardy dando várias ideias quanto a detalhes da história.


Fortemente inspirado em Separation Anxiety, o filme começa com Eddie em fuga após ser acusado pelo assassinato do detetive Mulligan. Sem que ele saiba, uma organização chamada Imperium, sediada na famosa Área 51, conseguiu capturar simbiontes, e estuda como utilizá-los como arma, mas sempre falha em combiná-los com hospedeiros; ao descobrir que Venom ainda está vivo, o Imperium envia o ex-militar Rex Strickland para capturá-lo, para poder estudar como a simbiose entre Eddie e Venom funcionou. Como se isso já não fosse problema suficiente, Venom ainda é caçado por um xenófago, criatura alienígena enviada por Knull, criador de todos os simbiontes, que precisa de seu código genético para escapar da prisão onde está confinado. Assim, Eddie e Venom têm a missão de limpar o nome do repórter, fugir do xenófago e libertar os simbiontes presos pelo Imperium, algo que talvez possa se mostrar fatal para a dupla. O elenco traz Tom Hardy como Eddie Brock / Venom; Chiwetel Ejiofor como Rex Strickland; Juno Temple como a Dra. Teddy Paine, cientista que trabalha para o Imperium e tem o braço direito paralisado por ter sido atingida por um raio na infância; Clark Backo como Sadie Christmas, pesquisadora do Imperium que se torna aliada de Venom; Stephen Graham como Patrick Mulligan; Peggy Lu como a Sra. Chen; Rhys Ifans como Martin Moon, hippie fanático por alienígenas que está indo visitar a Área 51 com sua esposa, Nova (Alanna Ubach), e seus filhos, Echo (Hala Finley) e Leaf (Dash McCloud), e dá uma carona a Eddie em sua kombi; Reid Scott como o líder do Imperium, que só aparece nas sombras; e Andy Serkis como Knull.

As filmagens começariam em junho de 2023 na Espanha e Inglaterra, mas teriam de ser interrompidas no mês seguinte devido às greves dos roteiristas e dos atores de Hollywood, somente retornando em novembro, em Las Vegas. As greves fariam com que, mais uma vez, a data prevista de estreia tivesse de ser alterada três vezes. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, DNEG, Digital Domain, Rodeo FX, Territory Studio, Torchlight, Host, e Third Floor, Inc.

Com o nome de Venom: A Última Rodada (Venom: The Last Dance, no original), o filme estrearia em 25 de outubro de 2024; com orçamento de 120 milhões de dólares, renderia 139 milhões nos Estados Unidos e 479 milhões quando somado o mundo todo, sendo considerado um sucesso, mas por pouco. A crítica, curiosamente, seria mais receptiva, elogiando a performance de Hardy e considerando o filme o melhor da trilogia, embora a fraqueza do roteiro e algumas cenas consideradas absurdas tenham sido bastante criticadas.

Pouco antes do lançamento de A Última Rodada, Marcel diria em entrevistas que, embora o filme encerre definitivamente o arco de história iniciado em Venom, a aparição de Knull deixa claro que seria possível a introdução de simbiontes em futuros filmes do SSU, não descartando participações de Venom em alguns deles; Hardy também se diria favorável a participar como Eddie Brock de outros filmes do SSU, e que ainda não havia descartado a possibilidade de participar de um filme do Homem-Aranha com Holland. Em dezembro de 2024, entretanto, uma fonte da Sony diria extra-oficialmente que o SSU, que, além dos três Venom, contava com Morbius e Madame Teia, seria encerrado após o filme seguinte, Kraven, o Caçador; a posição oficial do estúdio seria a de que, como um universo compartilhado jamais havia sido oficialmente estabelecido, o encerramento do SSU não significava nada em termos práticos, e que a Sony continuaria fazendo filmes estrelados por personagens do universo do Homem-Aranha. O que isso significa para a carreira de Hardy como Eddie Brock, só o futuro dirá.
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sábado, 14 de setembro de 2024

Escrito por em 14.9.24 com 0 comentários

Desenhos Marvel (IV)

Lá em 2013, eu comecei a escrever um post sobre o desenho The Marvel Super Heroes, que acabou se transformando em um post sobre todos os desenhos com heróis Marvel produzidos nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Como os da década de 1990 eram os que eu gostava mais, alguns meses depois decidi escrever um segundo post, falando sobre esses. No ano seguinte, eu faria um terceiro post, falando sobre os desenhos produzidos na primeira década de 2000. Hoje, mais de dez anos depois, vou retornar a essa série, falando sobre os desenhos produzidos na década de 2010. Os motivos pelos quais eu levei tanto tempo para fazer esse post são vários, mas os dois principais são que eu não assisti a nenhum desses desenhos, e, por alguma razão, eu achava que eles eram muitos e não caberiam em um post só; recentemente, entretanto, empolgado com X-Men '97, decidi dar uma pesquisada, acabei descobrindo que não são tantos assim, e me animei a escrever. Hoje, portanto, é dia, mais uma vez, de Desenhos Marvel no átomo!

Diferentemente das duas décadas anteriores, a de 2010 começaria não com um desenho dos X-Men, e sim com um dos Vingadores, dentre outros motivos porque, no final da década de 2000, a Marvel havia sido comprada pela Disney, que planejava fazer dos Vingadores seu investimento principal - já que a então equipe mais popular da Marvel, os X-Men, estava com seus direitos de adaptação cedidos para a Fox, o que significava que a Disney não poderia fazer desenhos com eles. Esse desenho se chamaria Os Vingadores: Os Super-Heróis mais Poderosos da Terra (The Avengers: Earth's Mightiest Heroes) e, inicialmente, seria estrelado pela equipe original dos Vingadores nos quadrinhos: Homem de Ferro, Thor, Hulk, Homem-Formiga e Vespa.

A história é que esses heróis precisam se unir após uma fuga em massa de vilões que estavam em uma prisão da SHIELD, desafio grande demais para um herói enfrentar sozinho. Ainda na primeira temporada, os Vingadores ganham três novos membros, Capitão América, Gavião Arqueiro e Pantera Negra, e, ao final, descobrem que a fuga foi orquestrada por Loki, que planejava usá-la como uma distração para dominar o mundo. Na segunda temporada, os Vingadores, já como uma equipe bem estabelecida, enfrentam ameaças cósmicas, como os Skrulls e os Kree, além de confrontar vilões famosos da Marvel como o Dr. Destino e o Caveira Vermelha; a segunda temporada conta com participações especiais de vários outros heróis Marvel, como o Homem-Aranha, Wolverine e os Guardiões da Galáxia, e nela os Vingadores ganham dois novos membros, Miss Marvel e Visão. A segunda temporada também tem uma história secundária na qual Surtur tenta obter poder suficiente para enfrentar os Vingadores, o que ele acredita que dará origem ao Ragnarok.

Assim como o último desenho da década de 2000, Esquadrão de Heróis, Os Vingadores seria uma parceria entre a Marvel, a Film Roman e a Ingenious Media (essa última somente na primeira temporada). Devido ao sucesso da microssérie Star Wars: The Clone Wars, que tinha episódios bem curtos inseridos na programação do Cartoon Network, a Marvel decidiria fazer o mesmo, e encomendaria 20 "micro-episódios", de 5 minutos cada, cada um deles focado em um dos heróis originais da equipe, todos ambientados antes de eles se reunirem, ou seja, em cada um deles, o herói protagonista age sozinho. Esses micro-episódios seriam disponibilizados gratuitamente online entre 22 de setembro e 11 de outubro de 2010, e exibidos no canal Disney XD, sempre quatro por dia, entre 11 e 15 de outubro.

A primeira temporada estrearia no Disney XD em 20 de outubro de 2010, e teria 20 episódios, o último exibido em 26 de junho de 2011. Para as reprises, porém, o primeiro episódio, que originalmente tinha uma hora de duração, seria dividido em dois, e os 20 micro-episódios seriam condensados em 5 episódios, cada um protagonizado por um herói diferente, que viriam logo após a segunda parte do primeiro, elevando o total de episódios para 26. A segunda temporada teria mais 26, exibidos entre 1 de abril e 11 de novembro de 2012. Antes mesmo de a segunda temporada ir o ar, a Marvel tomaria a decisão de não renovar o desenho para uma terceira, criando um novo desenho dos Vingadores, baseado no filme de 2012; diante disso, a equipe de produção decidiria fazer um último episódio especial, com a participação de todos os personagens que já haviam aparecido na série, em uma grande batalha contra Galactus.

Se a série não tivesse sido cancelada, na terceira temporada o antagonista seria Surtur, com os Vingadores tendo de impedir o Ragnarok, e haveria uma participação especial dos X-Men, que começaria provavelmente com uma adaptação da saga dos quadrinhos A vs. X. Na verdade, os produtores da série, Christopher Yost e Josh Fine, haviam traçado planos gerais até uma quinta temporada, pensando em adaptar sagas recentes dos quadrinhos, como Reinado Sombrio e O Cerco, e introduzir novos personagens na equipe a cada temporada, como a Feiticeira Escarlate e Mercúrio. Yost e Fine diriam ter sido pegos de surpresa pela decisão da Marvel, já que a audiência da primeira temporada foi considerada boa, e até hoje, embora saibam que isso é a cada ano menos provável, tentam convencer a Marvel a produzir uma terceira temporada, que poderia estrear no Disney+.

Pois bem, quando eu disse que Os Vingadores havia sido o primeiro desenho Marvel da década de 2010, eu menti. Ou quase, já que ele realmente foi o primeiro a estrear nos Estados Unidos, mas, alguns dias antes, estreou um outro, só que no Japão. Tudo começou em 2009, quando a Marvel fez um acordo com o estúdio japonês Madhouse (de Hunter X Hunter e Frieren), que previa a criação de quatro séries, que "reimaginariam os heróis Marvel para o público japonês", com supervisão do roteirista Warren Ellis. Todas as quatro séries são ambientadas no Japão, mas, diferentemente do que ocorre nesses casos, não mostra como seria se os heróis Marvel tivessem nascido e sido criados lá, e sim os heróis originais norte-americanos viajando para o Japão e vivendo alguma aventura lá. Essas quatro séries ficariam conhecidas coletivamente como Marvel Anime, e cada uma delas teria 12 episódios.

A primeira delas seria Marvel Anime: Homem de Ferro (Marvel Anime: Iron Man), exibida entre 1 de outubro e 17 de dezembro de 2010 no Japão, no canal Animax, e entre 29 de julho e 14 de outubro de 2011 nos Estados Unidos, no canal a cabo G4. Nela, Tony Stark vai ao Japão para supervisionar a produção de um novo reator ARC e apresentar o protótipo DIO, que o substituirá como Homem de Ferro após sua aposentadoria. O DIO passa a agir por conta própria e destruir tudo, e cabe a Tony vestir a armadura do Homem de Ferro e detê-lo, com a ajuda do capitão do exército japonês Nagato Sakurai.

A segunda seria Marvel Anime: Wolverine, exibida entre 7 de janeiro e 25 de março de 2011 no Animax, e entre 29 de julho e 14 de outubro de 2011 no G4, na qual Wolverine vai ao Japão resgatar sua antiga paixão, Mariko Yashida, cujo pai quer casar à força com um chefão da Yakuza, para ganhar favores da organização criminosa IMA. Na terceira, Marvel Anime: X-Men, exibida entre 1 de abril e 24 de junho de 2011 no Animax, e entre 21 de outubro de 2011 e 6 de janeiro de 2012 no G4, uma equipe composta por Wolverine, Ciclope, Tempestade e Fera é reunida pelo Professor X para viajar até o Japão depois que Armadura é sequestrada por uma organização terrorista que rouba órgãos de jovens mutantes; lá, eles descobrem não somente um plano nefasto do Círculo Interno do Clube do Inferno, mas também que um vírus pode acabar com a vida de vários jovens mutantes ao redor do planeta.

A quarta e última série seria Marvel Anime: Blade, exibida entre 1 de julho e 16 de setembro de 2011 no Animax e entre 21 de outubro de 2011 e 6 de janeiro de 2012 no G4, na qual o caçador de vampiros vai até o Japão caçando Deacon Frost, o vampiro que assassinou sua mãe, e, lá, descobre uma organização de vampiros chamada Existence, com planos de erradicar toda a raça humana. Vale citar que Wolverine faz participações especiais em um episódio de Homem de Ferro e em um de Blade, sendo o único personagem a participar de todas as quatro séries, e que a Madhouse também produziria dois longas de animação lançados diretamente em DVD e Blu-ray: Homem de Ferro: A Batalha Contra Ezekiel Stane (Iron Man: Rise of Technovore), de 2013, continuação direta da série, e Os Vingadores Confidencial: Viúva Negra e Justiceiro (Avengers Confidential: Black Widow & Punisher), de 2014, que deveria ser uma espécie de piloto para uma nova leva de quatro séries, que jamais saíram do papel.

Em 2011, a Marvel começaria a trabalhar no projeto de uma nova série do Homem-Aranha, e escolheria Brian Michael Bendis e Paul Dini para serem seus roteiristas e produtores. Eles decidiriam basear a série na linha de quadrinhos Ultimate, criada por Bendis, mas com um Peter Parker totalmente original e criado especificamente para ela; ainda assim, a série se chamaria Ultimate Homem-Aranha (Ultimate Spider-Man). A equipe Man of Action, responsável pelos desenhos Ben 10 e Generation Rex, também contribuiria com roteiros e dicas de animação, com a série sendo totalmente produzida pela Marvel Animation. Dois destaques do elenco seriam Drake Bell, que interpretou uma paródia do Homem-Aranha, o Homem-Libélula, em Super-Herói: O Filme, como Peter Parker, e J.K. Simmons como J. Jonah Jameson, repetindo seu papel dos filmes.

A série começa um ano após Peter Parker se tornar o Homem-Aranha, estando plenamente estabelecido como um combatente do crime. Achando que ele ainda está muito cru para ser um super-herói, Nick Fury decide convidá-lo para se integrar uma equipe especial da SHIELD, onde terá a oportunidade de enfrentar desafios maiores e agir em conjunto com outros heróis adolescentes, como Nova, a Tigresa Branca, a Garota Esquilo, e as duplas Punho de Ferro e Poderoso e Manto e Adaga. Ao todo, a série teria 104 episódios divididos em quatro temporadas, todas exibidas no Disney XD, entre 1 de abril de 2012 e 7 de janeiro de 2017. Na primeira, Norman Osborn decide usar o DNA do Homem-Aranha para criar um exército de super soldados que venderá para o governo, incumbindo o Doutor Octopus de contratar vários vilões para enfrentar o herói e tentar obter seu DNA.

Na segunda temporada, buscando vingança, o Dr. Octopus cria o Sexteto Sinistro, composto por ele, o Lagarto, Rhino, Electro, Kraven e o Besouro, mais tarde substituído pelo Escorpião; para se redimir, Osborn assume o manto do Patriota de Ferro e passa a ser aliado da SHIELD. A terceira temporada teria o subtítulo de Web Warriors, e seria uma espécie de prévia do Aranhaverso, com Homens-Aranha de diversas realidades se unindo para derrotar Osborn, que volta a ser o Duende Verde; no final, Miles Morales se une à equipe de jovens heróis da SHIELD, assim como Flash Thompson, como agente Venom. A quarta temporada teria o subtítulo vs. The Sinister 6, e traria o Dr. Octopus criando uma nova versão da equipe do mal, que conta com o Duende Verde da realidade de origem de Miles Morales, mais Kraven, Rhino, Electro e Hydro-Man; essa temporada também teria a estreia do Aranha Escarlate, da Madame Teia e do Carnificina, além de uma história paralela envolvendo a SHIELD e a Hydra.

Alguns dos personagens de Ultimate Homem-Aranha fariam participações especiais nas duas séries animadas seguintes, em uma indicação de que todas as três eram ambientadas no mesmo universo. A série dividiria a crítica, com a maioria achando que ela era muito infantil, com os roteiros não tendo muita profundidade; a audiência começaria boa mais cairia a cada temporada, até levar a seu cancelamento.

A partir da segunda temporada, Ultimate Homem-Aranha passaria a ser exibido num bloco chamado Marvel Universe, junto com duas outras séries, uma delas a nova série animada dos Vingadores, Os Vingadores Unidos (Avangers Assemble). Criada pela Man of Action e produzida pela Marvel Animation, a série era baseada no filme do MCU, trazendo quase a mesma equipe: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra, Gavião Arqueiro e Falcão - com a série já começando com a equipe plenamente estabelecida, e muitas das histórias tendo como mote o fato de que o Falcão é o mais novo membro. A série combinaria animação tradicional e computação gráfica, e teria um total de 127 episódios, divididos em 5 temporadas, exibidas no Disney XD entre 26 de maio de 2013 e 24 de fevereiro de 2019.

Na primeira temporada, o vilão principal é o Caveira Vermelha, que bola um plano para sequestrar o Capitão América e transferir sua mente para o corpo do herói. Na segunda, é a vez de Thanos, que está buscando as joias do infinito, uma delas em poder do Caveira; uma trama paralela coloca os Vingadores contra o Esquadrão Supremo, uma equipe de super-heróis alienígenas que planeja substituir os Vingadores como Maiores Heróis da Terra. Na segunda temporada, o Homem-Formiga se torna o mais novo membro da equipe dos Vingadores.

A terceira temporada teria o subtítulo de Ultron Revolution, e teria como vilão principal, evidentemente, Ultron, que utiliza a tecnologia da IMA para tentar substituir toda a população humana por robôs; quando Ultron ataca os Inumanos, Kamala Khan ganha seus poderes, se tornando a nova Miss Marvel e a mais nova membro dos Vingadores. Uma subtrama envolve o segundo Barão Zemo, filho do original, querendo criar seu próprio soro do supersoldado para se vingar do Capitão América, em sua visão responsável pela morte de seu pai, e funda os Mestres do Terror para combater os Vingadores. Essa temporada também conta com os Thunderbolts, que são os Mestres do Terror fingindo ser heróis para desacreditar os Vingadores, e, perto do final, os Vingadores têm de enfrentar Kang, que vem do futuro para se vingar do Homem de Ferro.

Kang é o vilão principal da quarta temporada, que teria o subtítulo de Secret Wars, na qual a equipe principal dos Vingadores (a do início da primeira temporada) fica presa em outra dimensão, e o Pantera Negra reúne uma equipe formada por Homem-Formiga, Miss Marvel, Capitã Marvel, Visão e Vespa para salvá-los; outros vilões de importância nessa temporada são o Líder e Loki. Finalmente, a quinta temporada teria o subtítulo de Black Panther's Quest; nela, os personagens principais são o Pantera Negra e Shuri, que tentam impedir o Conselho das Sombras de conquistar Wakanda. Os Vingadores Unidos também contaria com seis micro-episódios, cada um deles protagonizado por um dos Vingadores da equipe do Pantera Negra, exibidos entre a terceira e a quarta temporada. Esses curtas estão disponíveis no Disney+ com o nome de Os Vingadores da Marvel: Guerras Secretas.

A terceira série do bloco Marvel Universe seria Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. (Hulk and the Agents of S.M.A.S.H.), que teria 52 episódios divididos em duas temporadas, exibidos no Disney XD entre 11 de agosto de 2013 e 28 de junho de 2015. Mais uma parceria da Marvel Animation com a Film Roman, a série era um bizarro reality show criado pro Rick Jones para que a população em geral passasse a ver o Hulk como um super-herói ao invés de um monstro; em cada episódio, as aventuras do Hulk, que é nomeado chefe da equipe Suprema Militar Agência de Super Humanos (S.M.A.S.H.), que conta com o Hulk Vermelho, a Mulher-Hulk, Skaar e o Bomba-A, são filmadas por câmera voadoras e transmitidas ao vivo pela TV. Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. tem um tom mais cômico que o usual para uma série animada da Marvel, com diversas piadas em cada episódio.

Na primeira temporada, o vilão principal é o Líder, que quer roubar a força do Hulk, e sabe o segredo da origem de Skaar (que é filho do Hulk). Na segunda, a coisa fica mais séria, e os Agentes da S.M.A.S.H. têm de enfrentar os Kree e os Skrulls, além de receberem a culpa por um atentado do Líder, o que faz com que a SHIELD os declare foras-de-lei e passe a caçá-los. Criada por Paul Dini e Henry Gilroy, a série mais uma vez seria considerada muito infantil e não teria boa audiência, com a Disney decidindo cancelá-la enquanto a segunda temporada estava no ar.

Em 2014, estrearia mais um anime da Marvel, Marvel Disk Wars: The Avengers. Produzido em parceria entre a Marvel Animation, a Toei e a Disney do Japão, o desenho tinha uma história insólita: com a ajuda do cientista japonês Dr. Nozomu Akatsuki, Tony Stark cria um dispositivo chamado Kit de Segurança de Identidade Digital (DISK, da sigla em inglês), que pode ser usado para aprisionar vilões, poupando espaço em prisões - basicamente, uma Pokébola onde os vilões ficariam presos até alguém decidir libertá-los. Durante a apresentação do dispositivo, entretanto, Loki ataca a Balsa, a prisão onde os DISKs serão testados, e cinco heróis acabam presos dentro dos DISKS: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk e Vespa. Na confusão, Loki rouba os DISKs que já tinham vilões dentro, e passa a usá-los em ataques ao redor do mundo.

Mas nem tudo está perdido: cinco crianças, dentre elas os dois filhos do Dr. Akatsuki, durante o ataque de Loki, foram pegas na explosão do dispositivo que transfere as pessoas para dentro dos DISKs. Com isso, cada uma delas ganhou um Bio-Code, o que possibilita que, usando um processo chamado D-Smash, elas possam libertar os heróis, mas apenas temporariamente - os DISKs dos heróis foram corrompidos durante a explosão, o que faz com que cada um deles só possa ficar fora do disco durante 5 minutos e meio, antes de ser transportado novamente lá pra dentro. Juntos, os cinco passam a também viajar pelo mundo, seguindo os passos de Loki e usando os DISKs dos heróis para frustrar os planos do deus da trapaça e recuperar os DISKs que têm os outros vilões, enquanto buscam uma forma de libertar os heróis definitivamente.

Como era de se esperar, essa história singular tinha um propósito: Marvel Disk Wars: The Avengers foi pensado para ser um produto associado a um brinquedo da Bandai, chamado Bachicombat, e que funcionava mais ou menos como um jogo de tazo. O Bachicombat teve várias expansões, algumas com diversos personagens Marvel, outras com personagens de anime variados, mas o único desenho relacionado ao brinquedo foi mesmo esse - não consegui descobrir se havia planos de fazer outros desenhos, ou se desde o início era pra ser só esse mesmo. Além do jogo físico, o Bachicombat ganharia uma versão virtual, Marvel Disk Wars: The Avengers - Ultimate Heroes, lançado para o Nintendo 3DS pela Bandai Namco Games em novembro de 2014.

Marvel Disk Wars: The Avengers teve 51 episódios, originalmente exibidos entre 2 de abril de 2014 e 25 de março de 2015 na TV Tokyo. Em 6 de julho de 2015, ele estrearia no Disney XD em vários países do sudeste asiático e no Disney Channel nas Filipinas e em Taiwan, e, em 16 de março de 2020, estrearia dublado em inglês na Índia, no canal Marvel HQ. Até onde eu saiba, nunca foi exibido no Brasil, e, apesar de a Wikipédia dizer que o desenho foi exibido no Disney XD dos Estados Unidos, eu não consegui descobrir se foi mesmo, nem em que época.

Quem assumiu o lugar de Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. no Marvel Universe após seu cancelamento foi Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy), que trazia a mesma equipe do primeiro filme (Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocket e Groot), mas não era ambientado no MCU, nem sua história tinha nada a ver com a dos filmes. Na primeira temporada, por exemplo, os Guardiões encontrariam o Cripto Cubo Spartaxiano, um mapa com a localização da Semente Cósmica, artefato capaz de criar um novo universo, e devem encontrá-la e destruí-la antes que ela caia nas mãos de Thanos, que reúne uma equipe formada por Ronan, Nebulosa, Korath e J'Son (o pai de Peter Quill) para perseguir os Guardiões e roubar o Cubo. Paralelamente a isso, os piratas liderados por Yondu também tentam encontrar a Semente, mas para vendê-la.

Antes de estrear em sua própria série, os Guardiões da Galáxia fariam participações especiais em Ultimate Homem-Aranha e Vingadores Unidos, para testar o interesse do público. A série animada seria anunciada pela Disney antes mesmo do filme, mas estrearia no Disney XD um ano depois. Totalmente produzida pela Marvel Animation, ela teria um total de três temporadas, somando 79 episódios, exibidos entre 5 de setembro de 2015 e 9 de junho de 2019. Assim como Os Vingadores, antes da primeira temporada seriam exibidos cinco curtas, que estreariam entre 1 e 29 de agosto, cada um contando as origens de um dos membros da equipe; para as reprises, esses cinco curtas seriam condensados e se tornariam o novo primeiro episódio da primeira temporada. Uma nova leva de 6 curtas seria exibida entre a primeira e a segunda temporadas, e depois condensada em um novo primeiro episódio da segunda temporada.

Na segunda temporada, os Guardiões encontram Adam Warlock e tentam guiá-lo para que ele se torne um herói, mas J'Son decide corrompê-lo para que ele se torne o vilão Magus. Os guardiões contam com a ajuda de Nova, e se aliam temporariamente aos Vingadores para enfrentar o Alto Evolucionário. A terceira temporada teria o subtítulo Mission Breakout, para fazer propaganda de um brinquedo dos Guardiões de mesmo nome, inaugurado no Walt Disney World em 2017. Nela, o Colecionador obriga Howard, o Pato, a incriminar os Guardiões pelo roubo de um artefato Kree, o que faz com que Phyla-Vell passe a persegui-los para recuperá-lo. Uma subtrama coloca os Guardiões em confronto contra os asgardianos, liderados pelo Serpente, que planeja substituir os membros do Conselho Galáctico por clones e dominar o universo. Guardiões da Galáxia seria considerada pela crítica especializada como a melhor série animada da história da Marvel, mas sua audiência jamais agradaria à Disney, que preferiria cancelá-la após a terceira temporada.

Em 2017, estrearia mais uma série feita em parceria entre a Marvel e a Madhouse, Marvel Future Avengers, na qual quatro adolescentes manipulados geneticamente - Makoto, com o poder de manipulação do ar, Adi, com o poder de controlar qualquer tecnologia, o ciborgue Bruno e a metamorfa Chloe - foram treinados pela Hydra, que os enganou dizendo que os Vingadores eram vilões, e os quatro seriam os heróis que iriam derrotá-los. Após sua primeira missão, entretanto, Makoto, Adi e Chloe percebem que foram ludibriados, e, com a ajuda dos Vingadores, escapam da Hydra e passam a treinar para ser os Futuros Vingadores. Sua principal missão é descobrir o que seria o Projeto Chuva Esmeralda, uma colaboração entre a Hydra e os Mestres do Terror, com Bruno se unindo aos Mestres e enfrentando seus antigos amigos. Bruno muda de lado e se une aos Futuros Vingadores na segunda temporada, na qual uma bomba terrígena faz com que várias pessoas ganhem superpoderes. Raio Negro oferece asilo para elas em Attilan, mas o aumento da tensão pode fazer com que humanos e Inumanos entrem em guerra, com os Futuros Vingadores tendo de descobrir uma forma de evitar o conflito.

A primeira temporada de Marvel Future Avengers teria 26 episódios e a segunda 13, para um total de 39, exibidos entre 22 de julho de 2017 e 22 de outubro de 2018. Sua estreia seria no canal a cabo japonês Dlife (se pronuncia "di-láif"), e ainda em 2017 ele estrearia no Sudeste Asiático, no Disney XD. Nos Estados Unidos, ele estrearia apenas em fevereiro de 2020, no Disney+; até a última vez que eu olhei, não estava disponível no Brasil.

Para fechar a década, mais uma série do Homem-Aranha, chamada, simplesmente, Homem-Aranha (Spider-Man). A história começa do começo de novo, com Peter adolescente ganhando seus poderes e passando a enfrentar supervilões após a morte de seu tio Ben, mas agora ele é aluno da Horizon High, escola para jovens de intelecto superior dirigida por Max Modell. Aliados do Homem-Aranha incluem Gwen Stacy, Miles Morales, Anya Corazon e Harry Osborn; os principais vilões da primeira temporada são Norman Osborn e o Chacal. A série é ambientada no mesmo universo que Guardiões da Galáxia, com alguns personagens fazendo participações especiais naquela, mas, como isso seria impossível por causa de Ultimate Homem-Aranha, não o é no mesmo que Vingadores Unidos e Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. - o Homem de Ferro, a Viúva Negra e o Hulk fazem participações especiais em Homem-Aranha, mas em versões diferentes desses outros desenhos.

A segunda temporada é ambientada cerca de um ano após a primeira, e nela Peter arruma seu emprego no Clarim Diário, Anya e Gwen ganham poderes de aranha, e as duas mais Peter e Miles formam uma espécie de "equipe aranha". A segunda temporada também traz uma adaptação da saga Homem-Aranha Superior, na qual o Dr. Octopus troca de corpo com Peter e passa a fingir ser o Homem-Aranha. Já a terceira temporada tem o subtítulo de Maximum Venom, é ambientada duas semanas após a segunda, e tem suas histórias centradas nos simbiontes, especialmente Venom e Carnificina; os episódios da terceira temporada têm 44 minutos cada, ao invés dos 22 minutos dos das duas primeiras. Mais uma vez, a série começaria com seis curtas, exibidos um por dia entre 24 e 29 de julho de 2017, que, para as reprises, seriam condensados em um único episódio, que passaria a ser o novo primeiro da primeira temporada.

Homem-Aranha substituiria Ultimate Homem-Aranha no bloco Marvel Universe - que seria definitivamente encerrado após o final de Guardiões da Galáxia. Suas três temporadas somariam 58 episódios - 26 na primeira, 26 na segunda, apenas 6 na terceira - exibidos no Disney XD entre 19 de agosto de 2017 e 25 de outubro de 2020. Seria o último desenho produzido antes de a Disney decidir também centralizar a produção dos desenhos Marvel, visando, principalmente, o Disney+ - e o penúltimo produzido pela Marvel Animation, que teria suas atividades encerradas após a primeira temporada de Spidey e Seus Amigos Espetaculares, em 2022.

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sábado, 6 de abril de 2024

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Universo Cinematográfico Marvel (XI)

Hoje seguiremos com a série de posts sobre o MCU, finalmente encerrando o ano de 2021!

Eternos
Eternals
2021

Os Eternos são um grupo de super-heróis criado por Jack Kirby quando ele retornou à Marvel, na década de 1970, após passar alguns anos escrevendo e desenhando para a DC. Membros de uma raça de seres superpoderosos criada pelos Celestiais para defender a Terra dos Deviantes, raça aparentemente alienígena que vê todas as demais como ameaças, planejando destruir todos os que não forem Deviantes, os Eternos caminham dentre a humanidade há um milhão de anos, tendo dado origem a várias lendas de diversas mitologias. Em termos de popularidade nos quadrinhos, os Eternos não pareciam uma boa escolha para protagonistas de um filme, mas Feige, querendo aproveitar a Fase 4 para abordar o passado e as origens do MCU, achou que o tema de "alienígenas que influenciaram na história da humanidade" era apropriado, e decidiu investir no projeto.

Um mês após anunciar o filme, a Marvel partiria para escolher um diretor, sendo abordados Nicole Kassell, Travis Knight, Chloé Zhao, e a dupla Cristina Gallego e Ciro Guerra. Zhao, que em várias entrevistas se diria fã do MCU, e já não havia sido escolhida para dirigir Viúva Negra, trabalharia em conjunto com o produtor Nate Moore para criar uma apresentação de primeiro nível, que deixaria os executivos dos Marvel Studios temerosos de que, se não a contratassem de imediato, poderiam perdê-la para algum grande projeto de outro estúdio, e acabaria sendo contratada quinze dias depois, sem que muitos dos outros sequer tivessem a chance de se apresentar. Outro ponto que convenceria a Marvel a contratar Zhao seria que, por sugestão de Moore, vários dos personagens teriam seu gênero, etnia e sexualidade diferentes de suas versões dos quadrinhos - nos quais a equipe era em sua maioria branca e masculina - o que estava alinhado com o projeto de maior diversidade de elencos planejado pelos Marvel Studios.

Inicialmente, a Marvel contrataria os roteiristas Ryan e Kaz Firpo, que chegariam a escrever um rascunho; após ser contratada, Zhao pediria para que ela mesma escrevesse o roteiro, para que o filme fosse um reflexo de sua visão, e a Marvel permitiria, desde que ela usasse o rascunho que já havia sido feito pelos Firpo como ponto de partida. Faltando quatro meses para a data prevista para o início das filmagens, Zhao estaria com dificuldades para finalizar o roteiro, então a Marvel indicaria Patrick Burleigh, de sua escola de jovens roteiristas, que decidiria apenas ajudá-la a finalizar, sem interferir em seu processo de criação. No fim, Zhao, Burleigh e os dois Firpo seriam creditados como roteiristas.

O filme começa cerca de oito meses após os eventos de Ultimato, e, através de flashbacks, acompanha uma equipe de dez Eternos - Gemma Chan (que já havia interpretado a Minn-Erva de Capitã Marvel) como Sersi, Richard Madden (de Game of Thrones) como Ikaris, Kumail Nanjiani como Kingo, Lia McHugh como Sprite, Brian Tyree Henry como Phastos, Lauren Ridloff como Makkari, Barry Keoghan como Druig, Don Lee como Gilgamesh, Angelina Jolie como Thena, e Salma Hayek como Ajax - ao longo da história da humanidade, sempre guiando seus avanços e protegendo-a dos Deviantes. Na época atual, um ataque dos Deviantes não ocorre há cerca de 500 anos, o que fez com que os Eternos se espalhassem pelo mundo e passassem a viver vidas normais em meio aos humanos; o ressurgimento dos Deviantes fará com que eles tenham de voltar à ativa, e, de quebra, descubram um terrível segredo.

Chan seria a última atriz testada para o papel de Sersi, que, mesmo sendo um "filme de equipe", é a protagonista da produção, e o papel com mais falas e mais cenas dentre todos os Eternos; após finalizar sua participação em Capitã Marvel, a atriz ouviria diretamente de Feige que "gostaria de aproveitá-la melhor em um futuro projeto", mas se surpreendeu com a rapidez com que retornou ao MCU. Phastos seria o primeiro super-herói gay do MCU, com Haaz Sleiman interpretando seu marido, Ben, e Esai Daniel Cross interpretando o filho do casal, Jack; e Makkari seria o primeiro super-herói surdo do cinema, se comunicando através da língua de sinais - Ridloff, sua intérprete, é surda na vida real. O elenco ainda conta com Bill Skarsgård como a voz do Deviante Kro; David Kaye como a voz do Celestial Arishem; Harish Patel como Karun, o mordomo de Kingo; e Kit Harington (também de Game of Thrones) como o namorado de Sersi, Dane Whitman, que, nos quadrinhos, é o herói Cavaleiro Negro. Na cena pós-créditos, Harry Styles aparece como o herói Starfox, Payton Oswalt faz a voz do troll Pip, e Mahershala Ali, não creditado, tem uma fala atribuída ao herói Blade, que ele interpretará em uma produção futura.

Zhao diria que a Marvel lhe daria liberdade total durante as filmagens, permitindo que a maioria das cenas fossem externas, algo raro no MCU, que ela usasse câmeras de qualquer tipo e e qualquer ângulo, e até mesmo que filmasse Eternos back to back como seu filme Nomadland, realizado de forma independente e que já estava em pré-produção quando ela foi contratada. As filmagens ocorreriam em Los Angeles, na Inglaterra e nas Ilhas Canárias, onde uma cena teve de ser interrompida e o elenco e equipe evacuados - incluindo Jolie e Madden - após ser descoberta bem no local de filmagens uma bomba da Segunda Guerra Mundial que não explodiu. As filmagens se concluíram em fevereiro de 2020, poucas semanas antes de começar a quarentena por causa da pandemia, e toda a pós-produção teve de ser feita de forma remota, incluindo os efeitos especiais, criados pelas empresas Scanline VFX, Industrial Light & Magic, Luma Pictures, RISE e Weta Digital. Algumas cenas tiveram de ser refilmadas em novembro de 2020, devido a Zhao não gostar da forma como elas se encaixaram no filme após a edição.

Após duas pré-estreias em outubro, Eternos estrearia em 3 de novembro de 2021, quase um ano depois da data para o qual estava originalmente marcado antes da pandemia; ele deveria ter sido o segundo filme da Fase 4, mas, quando a Marvel teve de alterar as datas por causa da pandemia, Zhao pediria para que ele fosse o terceiro, para que ela tivesse mais tempo para trabalhar na edição, com a qual ainda não estava totalmente satisfeita. Assim como Shang-Chi, Eternos ficaria 45 dias exclusivamente nos cinemas antes de ser oferecido no Premier Access do Disney+; ele seria o último filme do MCU a ser oferecido através desse serviço.

Com orçamento de 232,6 milhões de dólares, Eternos renderia quase 165 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de 402 milhões no mundo inteiro; assim como Shang-Chi, ele teria sua exibição proibida na China, dessa vez por causa de uma delcaração que Zhao fez em 2013, quando disse que a China era um país onde havia "mentiras por toda parte". O filme também seria proibido na Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein e Omã, devido à presença de um casal gay, e exibido editado, sem as cenas da família de Phastos, nos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Líbano, Indonésia e Egito. A crítica ficaria dividida, considerando a história confusa e as atuações abaixo da média, mas elogiando o visual do filme e o fato de que ele tem "super-heróis que conversam ao invés de resolver tudo com os punhos". O filme receberia o Selo de Representação Autêntica da Ruderman Family Foundation pela forma como um personagem surdo foi representado, e o ReFrame Stamp, conferido a produções nas quais há igualdade de gênero em relação a tempo de tela e duração de falas.

De todos os filmes do MCU até agora, Eternos é o que parece mais deslocado: seus eventos parecem não ter sofrido influência de nada do que aconteceu nas produções anteriores, nem terem influenciado nenhuma das seguintes - uma das maiores reclamações do público, inclusive, é que um acontecimento de grande magnitude do filme sequer foi novamente citado até agora. O futuro dos Eternos no MCU também é nebuloso: havia boatos de que seria feita uma série para o Disney+, com cada episódio mostrando um dos Eternos em um ponto específico da história da humanidade, mas isso jamais foi confirmado, e um segundo filme, que seria o caminho natural, ainda não foi incluído nos planos futuros da Marvel. Também não se sabe se Sersi, Whitman ou Starfox estarão em um dos futuros filmes dos Vingadores - o que é especulado pelos fãs devido ao fato de que, nos quadrinhos, os três já fizeram parte da equipe.

Gavião Arqueiro
Hawkeye
2021

Junto com Wanda, o Falcão e Loki, o Gavião Arqueiro seria um dos personagens escolhidos, lá em 2018, para estrelar uma série no Disney+. No caso dele, havia uma dificuldade, porém: ao contrário dos outros três personagens, que provavelmente não ganhariam jamais seus próprios filmes, havia um projeto para um filme solo do Gavião Arqueiro, o que faria com que seu intérprete, Jeremy Renner, assinasse um contrato para estrelá-lo. Após a definição de que o Gavião Arqueiro seria estrela de uma série, e não de um filme, Renner teria de ser convencido a mudar seu contrato, e o argumento usado para isso seria que, em uma série com de 6 a 8 episódios, o desenvolvimento da história e o tempo de tela do personagem seriam maiores que em um filme de duas horas - embora o argumento para que ele não mudasse, o de que os ganhos financeiros com o filme seriam maiores, também me parece muito bom. Seja como for, Renner acabaria convencido, e Gavião Arqueiro entraria em produção em abril de 2019.

Ainda em abril, Kevin Feige e a produtora Trinh Tran definiriam a históra da série, que mostraria Clint Barton, o Gavião Arqueiro dos Vingadores, passando seu manto para Kate Bishop, a nova Gaviã Arqueira dos quadrinhos - em inglês não havia o problema de gênero, já que ambos os personagens se chamavam Hawkeye - para poder passar mais tempo com sua família. Em setembro, Jonathan Igla seria contratado como showrunner, ficando responsável também por escrever o primeiro episódio e supervisionar a equipe de roteiristas, que contaria com Elisa Clement (que co-escreveria o último episódio com Igla), Katie Mathewson & Tanner Bean, Erin Cancino & Heather Quinn e Jenna Noel Frazier. Em março de 2020, ficaria definido que a série teria seis episódios, e que seria uma série limitada, sem segunda temporada. Em julho, Rhys Thomas seria contratado como diretor, mas, devido a outros compromissos pessoais, somente poderia dirigir três dos episódios, optando pelos dois primeiros e o último; para dirigir os três "do meio", a Marvel convidaria a dupla Bert & Bertie - nomes artísticos das inglesas Amber Templemore-Finlayson e Katie Ellwood.

Igla decidiria ambientar a série na época do Natal, e baseá-la nas histórias do Gavião Arqueiro escritas por Matt Fraction em 2012, usando elementos como o cachorro Lucky, os vilões vestidos com agasalhos de ginástica e o fato de que Barton está perdendo a audição após tantos anos de aventuras barulhentas. A série mostraria Barton ensinando Bishop a ser um "super-herói sem superpoderes", enquanto explora detalhes de seu passado, especialmente da época em que ele agiu com o codinome de Ronin, entre os eventos de Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato. Fraction serviria como consultor para a série, e planejaria fazer uma participação especial como um dos bandidos vestidos de agasalho de ginástica, mas teria de cancelar devido à pandemia.

Logo após Renner assinar contrato, Hailee Steinfeld seria convidada para interpretar Bishop, mas não poderia assinar devido a uma cláusula de seu contrato com a Apple TV+, para a qual ela fez a série Dickinson. A Marvel não sondaria outras atrizes nem faria testes, decidindo tentar resolver essa questão legal para poder contar com Steinfeld, que seria anunciada somente em dezembro de 2020. Também em dezembro, seria confirmada a presença na série de Yelena Belova, com Florence Pugh repetindo o papel que já havia interpretado em Viúva Negra; Belova a princípio não estaria na série, retornando apenas no filme dos Thunderbolts, mas Igla convenceria Feige de que Gavião Arqueiro era o lugar certo para que a personagem retornasse e encerrasse suas histórias pendentes antes de sua aparição em uma equipe; para que as cenas de Belova na série não destoassem das do filme, Thomas, Bert & Bertie e os roteiristas assistiriam a uma sessão privada de Viúva Negra, antes da estreia do filme. Durante uma reunião para decidir sobre a presença de Belova, Feige sugeriria incluir também o Rei do Crime, interpretado por Vincent D'Onofrio como na série do Demolidor da Netflix, que assim faria sua estreia oficial no MCU.

A série começa durante os eventos de Os Vingadores, quando uma Kate Bishop ainda criança vê de sua janela a batalha contra os Chitauri, é salva de um ataque dos alienígenas pelo Gavião Arqueiro, e decide ela mesma se tornar uma heroína que usa um arco e flechas como arma. Mais de uma década se passa, e, um ano após os eventos de Vingadores: Ultimato, se aproxima o primeiro Natal após o blip, o qual Barton, aposentado, decide passar com sua família em sua casa do interior. Enquanto ele está em Nova Iorque com os filhos, porém, alguns objetos pessoais seus, como a roupa e a espada que ele usava na época de Ronin e um relógio, são roubados, e ele decide tentar recuperá-los. Bishop acaba se envolvendo acidentalmente ao tentar impedir os ladrões, e, juntos, os dois Gaviões Arqueiros acabam tendo de enfrentar perigosos criminosos.

O elenco conta com Jeremy Renner como Clint Barton / Gavião Arqueiro; Hailee Steinfeld como Kate Bishop; Tony Dalton como Jack Duquesne, que nos quadrinhos é o vilão transformado em herói Espadachim, mas na série é o noivo da mãe de Bishop, e aparentemente está envolvido no roubo dos objetos de Barton; Fra Free como Kazimierz Kazimierczak, apelido Kazi, chefe dos criminosos que usam agasalhos de ginástica; Vera Farmiga como Eleanor Bishop, mãe de Katie; Alaqua Cox como Maya Lopez, moça nativo-americana, surda e amputada de uma perna, ás das artes marciais, que quer se vingar do Ronin por ele ter matado seu pai, sem saber que Barton é o Ronin; Florence Pugh como Yelena Belova / Viúva Negra; e Vincent D'Onofrio como Wilson Fisk / Rei do Crime. Outros personagens de destaque são Laura Barton (Linda Cardellini), esposa de Clint, e seus filhos, Cooper (Ben Sakamoto), Lila (Ava Russo) e Nathaniel (Cade Woodward); os criminosos de agasalho de ginástica Ivan (Aleks Paunovic), Tomas (Piotr Adamczyk) e Enrique (Carlos Navarro); os policiais Grills (Clayton English), Wendy (Adetinpo Thomas), Orville (Robert Walker-Branchaud) e Missy (Adelle Drahos); os Detetives Caudie (Ivan Mbakop) e Rivera (Franco Castan); Armand Duquesne III (Simon Callow), tio de Jack e amigo da família Bishop, e seu neto, Armand Duquesne VII (Jonathan Bergman). Em flashbacks, também aparecem os pais de Katie, Derek Bishop (Brian d'Arcy James), e de Maya, William Lopez (Zahn McClamon). O jornalista Pat Kiernan faz uma participação especial como ele mesmo.

As filmagens começariam em dezembro de 2020, para aproveitar a decoração de Natal, e ocorreriam principalmente na cidade de Nova Iorque, no Brooklyn e em Manhattan. Em fevereiro de 2021, as filmagens das cenas de estúdio começariam em Atlanta, com algumas cenas externas adicionais sendo filmadas no centro da cidade de Canton, Georgia. As filmagens se encerrariam em abril de 2021, mas algumas cenas teriam de ser regravadas, por questões de ritmo, com as refilmagens sendo feitas em estúdios em Toronto, no Canadá, em setembro de 2021. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, Luma Pictures, Mr. X, Rise, Rising Sun Pictures e Weta Digital. Segundo estimativas da Disney, cada episódio custaria cerca de 25 milhões de dólares.

Gavião Arqueiro estrearia no Disney+ em 24 de novembro de 2021 com dois episódios, os demais estreando um por semana até 22 de dezembro, para um total de seis, com entre 42 e 62 minutos cada. O primeiro episódio teria uma pré-estreia em cinemas selecionados de Londres em 11 de novembro, e no El Captain Theatre, em Los Angeles, em 17 de novembro. A série seria extremamente elogiada, especialmente a química entre Renner e Steinfeld, e a ação mais "pé no chão", sem os ingredientes grandiosios, cósmicos ou espalhafatosos que marcam as produções do MCU. Alguns críticos a considerariam a melhor das séries do MCU no Disney+, e chamariam a atenção para o fato de que o Gavião Arqueiro não é um anti-herói torturado em busca de redenção, mas um herói aposentado que quer apenas resolver sua vida para poder ficar com sua família, o que também diferenciava a série das demais produções envolvendo super-heróis. A Disney não divulgou os números da audiência, mas declarou que a série foi um grande sucesso de público.

Ao inscrever a série para a premiação do Emmy, a Disney optaria pelas categorias de séries de comédia, devido ao tom leve dos episódios; o fato de ela não ter sido inscrita nas categorias reservadas a minisséries e séries limitadas levaria a especulações de que uma segunda temporada estava sendo planejada, o que seria desmentido por Igla. Gavião Arqueiro acabaria indicada apenas aos Emmys de Melhor Coordenação de Dublês pra uma Série de Comédia ou Programa de Variedades e Melhor Performance de Dublês, mas não ganharia nenhum dos dois prêmios.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa
Spider-Man: No Way Home
2021

Lá em 2017, quando Sony e Marvel Studios definiram os termos do acordo que permitiu a realização de Homem-Aranha: De Volta ao Lar e a inclusão do Homem-Aranha nos filmes do MCU, ficaria acertado que seriam feitos três filmes, produzidos pelos Marvel Studios e distribuídos pela Sony. Em relação à parte financeira, 100% do financiamento (ou seja, todo o dinheiro pago para fazer cada filme) seria de responsabilidade da Sony, que, em troca, receberia 95% do valor da bilheteria, com os Marvel Studios ficando com apenas 5%. E seria justamente essa parte que daria problema após a realização do segundo filme, Homem-Aranha: Longe de Casa, de 2019.

Uma cláusula do contrato assinado em 2017 previa que ele poderia ser terminado a qualquer momento, inclusive antes da realização de qualquer filme, por decisão unilateral - ou seja, bastava uma das partes, Marvel ou Sony, não querer mais, para que o contrato deixasse de valer. Ao mesmo tempo, também havia uma cláusula que previa que o contrato, se não fosse terminado dessa forma, valeria indefinidamente, sendo automaticamente renovado para um quarto filme após a estreia do terceiro, para um quinto após a estreia do quarto, e assim por diante. Assim, em agosto de 2019, Sony e Marvel se reuniriam para tratar não somente do terceiro filme, mas também do quarto, já que a série estava sendo um grande sucesso para ambos, e era preciso tratar de questões legais como a renovação dos contratos do diretor Jon Watts e do elenco principal, que, seguindo o padrão da Sony, eram assinados filme a filme, e não para múltiplos filmes como costumava fazer a Marvel.

Nessa reunião, a Disney se mostraria extremamente insatisfeita com a cláusula que previa apenas 5% da bilheteria para os Marvel Studios, alegando que os filmes só eram um sucesso por serem ambientados no MCU e que, após a estreia do Disney+, Feige estava sobrecarregado com tantas produções para a Fase 4, e exigiu que esse percentual fosse aumentado para de 25% a 50% da bilheteria. A Sony obviamente não concordou e, como não conseguiu convencer os executivos da Disney a aceitar menos de 25%, exerceu sua opção de encerrar o contrato unilateralmente, declarando que ainda faria um terceiro filme do Homem-Aranha dirigido por Watts, escrito por Chris McKenna e Erik Sommers e estrelado por Tom Holland, mas que esse seria ambientado não no MCU, e sim em seu Sony's Spider-Man Universe (SSU), do qual até então o único filme era Venom, mas para o qual já estavam previstos Venom: Tempo de Carnificina (que estrearia em 2021), Morbius (que estrearia em 2022) e Kraven, o Caçador (previsto para estrear esse ano).

Embora alguns fãs tenham comemorado, preferindo um filme do Homem-Aranha sem ligação com o MCU, a imensa maioria fez um grande estardalhaço, com a repercussão nas redes sociais sendo amplamente negativa. Mais que isso, o próprio Holland se declarou insatisfeito com a decisão, e decidiu conversar pessoalmente (em ocasiões separadas) com Tom Rothman, presidente da Sony, e Bob Iger, CEO da Disney, para tentar encontrar uma solução. O caldo entornaria de vez após uma declaração do CEO da Sony Pictures Entertainment, Tony Vinciquerra, de que Feige não era o único capaz de fazer um filme de sucesso e que a Sony era plenamente capaz de fazer um filme do Homem-Aranha no mesmo estilo dos do MCU, algo no qual (talvez por causa de Venom) os fãs não acreditaram. Após vários protestos na D23, a convenção anual da Disney (cujo nome remete a 1923, o ano de fundação da empresa), em setembro de 2019, Sony e Disney sentariam novamente para conversar, e chegariam a um novo acordo, segundo o qual tanto o financiamento quanto a bilheteria passariam a ser divididos: 75% para a Sony, 25% para os Marvel Studios. Iger declararia que Disney e Sony, ao negociar da primeira vez, haviam se esquecido das pessoas que realmente importam, os fãs, e agradeceria a todos que pressionaram para que o acordo fosse renovado.

Esse novo contrato também previa que personagens do MCU pudessem aparecer em filmes do SSU e vice-versa - o que permitiu que, por exemplo, o Abutre, interpretado por Michael Keaton, personagem de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, aparecesse na cena pós-créditos de Morbius. O próprio Homem-Aranha de Holland está incluído nesse pacote, embora ainda não esteja confirmada sua participação em nenhum dos filmes futuros do SSU. Mas o que importa para esse post é que essa previsão contratual deu uma ideia a McKenna e Sommers: em sua primeira versão do roteiro, o vilão seria Kraven, seguindo uma sugestão de Watts, mas, aproveitando o novo contrato e o fato de que as produções da Fase 4 lidam com a ideia de Multiverso, os dois decidiriam fazer com que os filmes anteriores do Homem-Aranha, aqueles estrelados por Tobey Maguire e Andrew Garfield, fossem mostrados como parte do Multiverso Marvel.

Inicialmente, a ideia de McKenna e Sommers era que os personagens dos filmes anteriores fizessem apenas participações especiais. Seu primeiro rascunho seguia uma história semelhante à de A Felicidade Não se Compra, de 1946, com Peter Parker desejando jamais ter se tornado o Homem-Aranha e tendo um vislumbre de um universo no qual ele nunca foi picado pela aranha radioativa; conforme trabalhavam na história, eles decidiriam fazer com que os personagens dos filmes de Maguire e Garfield se tornassem parte integrante dela, vindo parar no universo no qual é ambientado o MCU e tendo de ser devolvidos para seus universos de origem. Os roteiristas também aproveitariam essa ideia para manter uma característica dos dois filmes anteriores do Homem-Aranha no MCU: em cada um deles, o Homem-Aranha contracena brevemente com um personagem mais velho do MCU, que atua como uma espécie de mentor; no primeiro, com Tony Stark, no segundo, com Nick Fury. Como já estava definido que o filme seguinte dos Marvel Studios seria Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a escolha óbvia foi Stephen Strange, que seria também o responsável pelo feitiço que traria os personagens dos outros universos para a história.

McKenna e Sommers escreveriam o roteiro sem nem saber se os atores que interpretaram os personagens originalmente aceitariam retornar, preferindo se preocupar com isso depois. Eles também escreveriam cenas para praticamente todos os personagens dos cinco filmes, incluindo Mary Jane, Gwen Stacy e as duas versões de Harry Osborn, mas, em dado momento, achando que estavam pegando mais peso do que aguentavam carregar, e querendo evitar que o filme se tornasse um grande amarrado de fan service, decidiriam usar apenas os vilões - em uma das versões do roteiro, nem mesmo Maguire e Garfield estariam no filme. Também houve um momento no qual os roteiristas decidiriam colocar um vilão inédito no filme, que seria o principal, com os demais apenas atacando o Homem-Aranha aleatoriamente, mas, quando Willem Dafoe assinou contrato para voltar a interpretar o Duende Verde, eles ficaram tão empolgados que decidiram que nenhum outro vilão conseguiria ser o principal com ele no filme.

Uma das dificuldades encontradas pelos roteristas seria que, originalmente, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa estrearia depois de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura - versões preliminares do roteiro, inclusive, traziam America Chavez, que faria amizade com Peter Parker, usando seus poderes para acessar as dimensões dos vilões. Por causa da pandemia, as filmagens de ambos os filmes acabariam atrasando, e, quando retornaram, o do Homem-Aranha estava muito mais adiantado. Querendo aproveitar que, mesmo com a pandemia, poderia lançar um filme do Homem-Aranha a cada dois anos, a Sony marcaria a data de estreia para novembro de 2021; como a Marvel já estava com seu cronograma de cinema todo atrasado, e em novembro ainda seria a estreia de Eternos, McKenna e Sommers teriam de mudar várias cenas para que a continuidade do MCU não fosse alterada - já haviam sido filmadas cenas, por exemplo, nas quais o Doutor Estranho dizia já ter conhecimento do Multiverso, que tiveram de ser refilmadas.

O filme é uma continuação direta de Homem-Aranha: Longe de Casa, no fim do qual (SPOILER) Mystério revela publicamente que Peter Parker é o Homem-Aranha. Peter vê sua vida virar de cabeça para baixo após a revelação, principalmente porque ele e seus amigos estão no último ano do colégio, e nenhuma universidade decide aceitá-los por ele ser o super-herói. Desesperado, ele procura o Doutor Estranho para que ele faça um feitiço e todos esqueçam que ele é o Homem-Aranha, mas atrapalha o feiticeiro em um momento crítico, e o feitiço acaba fazendo algo bem diferente, trazendo para o universo onde o MCU é ambientado pessoas de outros universos, que Peter, então, deve encontrar e enviar de volta, antes que todo o tecido do espaço-tempo se rompa e destrua o Multiverso.

O elenco conta com Tom Holland como Peter Parker / Homem-Aranha; Zendaya como MJ; Benedict Cumberbatch como Stephen Strange / Doutor Estranho; Jacob Batalon como Ned Leeds; Jon Favreau como Happy Hogan; Jamie Foxx como Max Dillon / Electro; Willem Dafoe como Norman Osborn / Duende Verde; Alfred Molina como Otto Octavius / Doutor Octopus; Rhys Ifans como Curtis Connors / Lagarto; Thomas Haden Church como Flint Marko / Homem-Areia; Benedict Wong como Wong; Tony Revolori como Flash Thompson; J.K. Simmons como J. Jonah Jameson; Marisa Tomei como May Parker; Andrew Garfield como Peter Parker / Homem-Aranha; e Tobey Maguire como Peter Parker / Homem-Aranha. Também aparecem no filme Angourie Rice como Betty Brant; Hannibal Buress como o Treinador Wilson; Martin Starr como Roger Harrington; J.B. Smoove como Julius Dell; Paula Newsome como a responsável pelo setor de admissão do MIT; Mary Rivera como a avó de Ned; e Gary Weeks e Arian Moayed como os agentes do Departamento de Controle de Danos Foster e Cleary. Charlie Cox gravaria uma participação especial de uma única cena como o advogado Matt Murdock, e Tom Hardy estaria na cena intercréditos como Eddie Brock / Venom. Harry Holland, irmão de Tom, gravou uma participação especial como um ladrão, mas sua cena acabou sendo removida da versão final do filme, assim como uma cena que trazia Lexi Rabe como Morgan Stark.

As filmagens começariam em outubro de 2020 em Nova Iorque, mas apenas para cenários, sem a presença do elenco; as filmagens com elenco começariam duas semanas depois, mas em Atlanta, dois dias após Holland encerrar as filmagens de Uncharted. Cumberbatch começaria a filmar em novembro, e combinaria as filmagens com as de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Por causa das restrições impostas pela pandemia, a Sony montaria uma verdadeira operação de guerra, com atores e equipe tendo o mínimo contato físico possível, e luzes por todo o set indicando quando os atores deveriam pôr suas máscaras; muitos dos efeitos que poderiam ser obtidos com maquiagem acabariam sendo feitos com efeitos especiais na pós-produção, também para diminuir o contato entre atores e equipe de produção. Rhys Ifans preferiu não viajar para filmar nos Estados Unidos, fornecendo apenas sua voz para dublar o Lagarto; a única cena em que o Dr. Connors não está transformado foi reaproveitada de O Espetacular Homem-Aranha. A pandemia trouxe, porém, uma vantagem: as equipes de reportagem não tiveram amplo acesso às filmagens, o que fez com que a Sony conseguisse esconder a presença de Maguire e Garfield no filme - em um dia no qual jornalistas estavam presentes, eles chegaram ao set cobertos por lençóis.

Em uma das entrevistas, Holland diria que a posição da produção era "todos ou nenhum", ou seja, se algum dos atores originais não aceitasse repetir seu personagem, o filme não seria produzido - na verdade a gente sabe que não é bem assim, e que provavelmente só cortariam aquele personagem. Felizmente, não somente todos acabaram aceitando como também se mostraram empolgados em poder repetir seus papéis, especialmente Dafoe e Molina - que, em uma entrevista, declarou ter ficado extremamente surpreso ao ser procurado, já que estava quase vinte anos mais velho do que quando interpretou o Dr. Octopus pela primeira vez. Houve rumores de que Jamie Foxx só havia aceitado voltar a interpretar Electro se o vilão tivesse um visual diferente dos filmes anteriores, mas a mudança de visual foi opção da Marvel. Maguire e Garfield só começariam a filmar suas cenas em 2021, já que só apareceriam na parte final do filme; mesmo com todos os esforços da Sony, a presença dos dois no filme seria vazada e começaria a ser noticiada por várias publicações - o que levaria Holland a dar uma entrevista negando que os dois estavam no filme.

O filme seria a produção para o cinema do MCU com o maior número de efeitos especiais, e nada menos que 13 empresas trabalhariam neles: Cinesite, Clear Angle Studios, Crafty Apes, Digital Domain, Folks VFX, Framestore, Luma Pictures, Monsters Aliens Robots Zombies, Mr. X, Perception, Secret Lab, Sony Pictures Imageworks e SSVFX. Por opção de Watts, o filme não teria cena pós-créditos, e os Marvel Studios aproveitariam para, em seu lugar, exibir o trailer de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, até então inédito. A cena intercréditos seria encomendada pela Sony para tentar integrar o MCU ao SSU, e mostrava Eddie Brock no MCU, conversando com um barman; ela seria o complemento de outra cena, que mostrava Brock chegando ao MCU, também dirigida por Watts e filmada junto com Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, mas que seria a cena pós-créditos de Venom: Tempo de Carnificina, que estreou dois meses antes. Segundo a produtora Amy Pascal, da Sony, houve negociações para que Venom participasse da batalha final de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, mas Watts seria contra.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa teria uma pré-estreia em Los Angeles em 13 de dezembro de 2021, estrearia no Reino Unido e Irlanda dia 15, e teria estreia nacional nos Estados Unidos dia 17, em 4.325 salas, um recorde para o período da pandemia. O filme receberia autorização do governo chinês para estrear lá, o que faria com que ele fosse o primeiro desde Viúva Negra a fazê-lo, mas até hoje não estreou - com a Sony alegando que um dos motivos seria que a China exige que todas as cenas mostrando a Estátua da Liberdade sejam removidas, o que é impossível. Em 31 de agosto de 2022, estrearia em cinemas selecionados uma versão estendida chamada The More Fun Stuff Version, para comemorar os 60 anos do Homem-Aranha nos quadrinhos e 20 anos do personagem no cinema; essa versão teria 13 minutos a mais, que incluíam a cena com Harry Holland, uma segunda cena com Matt Murdock e uma cena pós-créditos mostrando um mundo sem Peter Parker.

A Sony optaria por não divulgar o orçamento do filme, que seria calculado na casa de 200 milhões de dólares; sem contar com a versão estendida, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa renderia 814,1 milhões somente nos Estados Unidos e 1,922 bilhão ao somar o mundo inteiro - mesmo sem a China - o suficiente para fazer dele o filme mais rentável de 2021, o sétimo mais rentável da história, o terceiro mais rentável nos Estados Unidos e Canadá, o mais rentável do Homem-Aranha e o mais rentável da história da Sony. Ele também seria o terceiro filme a alcançar a casa de 1 bilhão mais rápido, o segundo de maior bilheteria no dia da estreia (atrás apenas de Vingadores: Ultimato) e o de maior bilheteria no fim de semana de estreia para um filme lançado em dezembro, e a More Fun Stuff Version seria o recordista de bilheteria no fim de semana de estreia para um relançamento. Após divulgar os números finais, a Sony usaria o filme como argumento contra os que achavam que o cinema deixaria de existir depois da pandemia, sendo definitivamente substituído pelo streaming.

A crítica também seria extremamente positiva, elogiando principalmente o roteiro, com pitadas de humor e cenas emotivas, e a capacidade de unir personagens de filmes diferentes sem ficar parecendo uma colcha de retalhos em nome do fanservice. A performance de Dafoe seria exaltada, e as de Molina e Foxx bastante elogiadas - o que teve um sabor especial para Foxx, extremamente criticado quando fez O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro. A química entre Holland, Zendaya e Batallon também seria destaque. Homem-Aranha: Sem Volta para Casa seria indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais junto com Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, mas ambos perderiam para Duna.

Série Universo Cinematográfico Marvel

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•Gavião Arqueiro
•Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

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