1ª temporada
2024
Ok, oficialmente, X-Men '97 não faz parte da Fase 5 do MCU, mas eu vou incluí-lo nessa série assim mesmo, e meu argumento se chama Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha: toda vez que eu questiono o porquê de X-Men '97 não ser Fase 5, alguém responde "não é ambientado na Linha do Tempo Sagrada", sendo que Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha também não é, e, toda vez que eu questiono por que Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha é considerado Fase 5, alguém responde "porque é feito pela Marvel Studios Animation", sendo que X-Men '97 também é. Assim, já que Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha é oficialmente Fase 5, X-Men '97, pra mim, também é.
X-Men '97 é uma continuação direta do desenho dos X-Men exibido pela Fox entre 1992 e 1997, sendo por isso, inclusive, que ele tem esse '97 no título. A ideia de revitalizar a série surgiria em 2019, durante uma reunião da equipe criativa de What If...?, na qual se discutia qual seria a próxima série animada dos Marvel Studios. A sugestão viria de Brad Winderbaum, fã do desenho dos X-Men, que diria que vários animadores contratados pelos Marvel Studios declarariam ter sido um marco na história da animação para a TV. A ideia foi aceita, e a recém-criada Marvel Studios Animation começaria a procurar um showrunner; em novembro de 2020, Beau DeMayo, que havia sido um dos roteiristas de Cavaleiro da Lua, e Jeff Trammell apresentariam suas ideias para a série, com DeMayo sendo escolhido porque Trammell preferia fazer uma série totalmente nova, sem qualquer ligação com a antiga, e Winderbaum já estava convencido de que a melhor opção era seguir com a série antiga de onde ela havia parado.
Em junho de 2021, a Marvel Studios Animation anunciaria que, além de em What If...?, estava trabalhando em três outras séries de animação, mas que nenhuma delas tinha condições de estrear antes de 2023; em novembro, seria confirmado que uma dessas séries seria X-Men '97, com DeMayo sendo anunciado como chefe da equipe de roteiristas, e Jake Castorena, Chase Conley e Emi-Emmett Yonemura como diretores - Castorena acabaria dirigindo apenas o primeiro episódio, com Conley dirigindo cinco e Yonemura quatro. Dana Vasquez-Eberhardt, vice-presidente da Marvel Studios Animation, declararia que toda a equipe era fã do desenho original, e "sabia exatamente" como a continuação deveria ser; mesmo assim, Larry Houston, produtor e diretor da série original, e os roteiristas Eric e Julia Jane Lewald seriam contratados como consultores, lendo previamente todos os roteiros, apontando as inconsistências e sugerindo fatos e eventos que eles gostariam de ver na nova série.
No total, a temporada teria 10 episódios; DeMayo escreveria sete deles, três sozinho, dois com Feldman e dois com Anthony Seletti, que escreveriam um episódio cada sozinhos, com o outro sendo escrito por Feldman e JB Ballard. Em abril de 2022, os Lewalds já haviam revisado todos os episódios e confirmado em entrevistas que, assim como na série original e nos quadrinhos, X-Men '97 usava os X-Men como alegoria para pessoas que sofriam preconceito e discriminação. Eric Lewald diria que a série era "uma extensão da original feita ao jeito dos Marvel Studios", e Vasquez-Eberhardt diria que, assim como a original, a nova série teria momentos de ação, de novela e abordando assuntos sérios. DeMayo diria que duas características que diferenciavam a série original dos demais desenhos de super-heróis eram sua tendência ao melodrama e a exploração das relações pessoais entre os personagens, e que uma nova série só seria bem-sucedida se mantivesse essas características, o que foi aprovado pelos executivos da Marvel - que pediriam para que também fosse usado um tom camp, de comédia sutil, para atrair o público que não fosse necessariamente fã da série original.
DeMayo também declararia estar tentando honrar a série original enquanto a trazia para o mundo moderno, esperando manter sua honestidade, sinceridade emocional e foco no sentimento de família enquanto atualizava o comentário social para refletir demandas da sociedade atual. Ele argumentaria que questões de aceitação social ficariam mais complexas desde os anos 1990, e que o maior desafio era definir se o sonho de Xavier ainda era relevante para os espectadores atuais. Segundo ele, a série original foi feita "numa época mais simples, na qual questões de identidade e justiça social pareciam ter respostas claras", com o mundo tendo passado depois pelo 11 de Setembro, pela Pandemia, e por diversos ataques motivados por intolerância sexual, racial ou religiosa, de forma que não seria possível fazer a nova série com a mesma atomosfera. Ele defenderia que pelo menos um episódio contasse com um "evento traumático" motivado pela intolerância, para que ficasse claro que o mundo dos X-Men, assim como o mundo real, não era seguro.
A série seria o primeiro projeto dos Marvel Studios envolvendo os X-Men desde que a Disney comprou a Fox e recuperou os direitos sobre os personagens, o que, segundo DeMayo, aumentava a pressão para que a série tanto respeitasse a original quanto fosse por si só um produto de qualidade. Por razões óbvias, X-Men '97 não é ambientado na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU; em determinado momento da produção, Kevin Feige chegou a estudar se seria possível uma integração com o restante do MCU, mas desistiria ao concluir que isso limitaria as opções criativas dos roteiristas. Além de ser uma continuação direta do desenho original dos X-Men e, portanto, ambientado no mesmo universo e linha do tempo deste, X-Men '97 oficialmente compartilhava a linha do tempo dos outros cinco desenhos lançados nos anos 1990: Homem de Ferro, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, O Incrível Hulk e Surfista Prateado. Segundo Winderbaum, isso permitiria que X-Men '97 "mantivesse a tradição" desses desenhos, contando com participações especiais de personagens como o Capitão América e o Doutor Destino. Durante a San Diego Comic Con de 2022, Winderbaum não descartaria a possibilidade de uma integração do universo desses desenhos com o do MCU usando o Multiverso, mas diria que essa não era uma prioridade para a Marvel Studios Animation.
X-Men '97 começa exatamente um ano após Xavier deixar a Terra no final da quinta temporada da série original. A equipe dos X-Men é basicamente a mesma do outro desenho, contando com Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine, Vampira, Gambit, Fera e Jubileu, mas acrescida de Bispo, Morfo e Noturno - segundo Winderbaum, os fãs com quem ele conversou tinham uma ideia de que, na série original, esses personagens eram mais importantes do que realmente foram, então ele pediria à equipe criativa que eles tivessem mais relevância na nova série. O mundo está passando por uma aparente onda se simpatia com os mutantes, o que leva os X-Men a reavaliar seu papel como heróis: alguns, como Ciclope e Tempestade, querem manter a equipe unida para garantir que o sonho de Xavier se realize, mas outros, como Jean e Gambit, querem deixar seu passado heroico para trás e construir novas vidas. Impressionado com a aceitação dos humanos, até mesmo Magneto decide deixar seu passado de vilão para trás, se tornando o novo líder dos X-Men. As coisas começam a degringolar através da ação de dois vilões, um antigo (Sr. Sinistro) e um novo (Bastion), que levam os X-Men a rever seus posicionamentos e concluir que o mundo ainda precisa de heróis.
Muitos dos dubladores da série original retornariam aos mesmos papéis: Cal Dodd como Wolverine, Alison Sealy-Smith como Tempestade, Lenora Zahn como Vampira, George Buza como Fera, Adian Hough como Noturno, e Christopher Britton como o Sr. Sinistro. Quatro novos substituiriam dubladores da série original que já haviam falecido: Ray Chase como Ciclope (substituindo Norm Spencer), Matthew Waterson como Magneto (substituindo David Hemblen), Gil Birmingham como Forge (substituindo Marc Strange), e Eric Bauza como os Sentinelas e o Molde-Mestre (substituindo David Fox). Três dubladores novos seriam chamados porque os do elenco original não aceitariam retornar: Isaac Robinson Smith, como Bispo, substituiria Philip Akin; Gavin Hammon, como Bolivar Trask, substituiria Brett Halsey; e Ross Marquand, como o Professor Xavier, substituiria Cedric Smith. Os demais dubladores novos seriam Jennifer Hale como Jean Grey, Holly Chou como Jubileu, A.J. LoCascio como Gambit, e J.P. Karliak como Morfo. Participações especiais incluiriam Theo James como Bastion, Kari Wahlgren como sua mãe, e Gates McFadden como a Mãe Askani.
Alguns dubladores da série original retornariam em novos papéis: Catherine Disher (que, originalmente, dublou Jean Grey) faria Valerie Cooper; Chris Potter (intérprete original de Gambit) seria a voz de Cable, substituindo Lawrence Bane, que dublaria o Executor; Ron Rubin (originalmente a voz de Morfo) seria o Presidente Kelly (substituindo Len Carlson, também já falecido); e Alyson Court (originalmente Jubileu) dublaria Abscissa. A mudança ocorreria porque, por já terem se passado quase 30 anos, as vozes dos dubladores originais haviam mudado, e a diretora de dublagem, Meredith Layne, achou que essas vozes em específico já não combinavam com os personagens - exceto no caso de Court, que especificamente pediu para que uma dubladora de origem asiática assumisse Jubileu. Layne faria questão de dar novos papéis, mesmo que pequenos, a Court, por sua atitude, e a Disher, segundo ela, a maior responsável pelo sucesso de Jean Grey na série original.
Outros dubladores que merecem ser mencionados são Gui Agustini como Roberto da Costa (conhecido nos quadrinhos como Mancha Solar); Christine Uhebe como sua mãe, Nina da Costa; Donna Jay Fulks como a repórter Trish Tilby e os mutantes Amelia Voght e Tommy; Todd Haberkorn como Henry Peter Gyrich (substituindo Barry Flatman) e Ronan, o Acusador; David Errigo Jr. como Banshee (substituindo Jeremy Ratchford), Sanguessuga (substituindo John Stocker), Mojo (substituindo Peter Wildman) e Gladiador; Courtenay Taylor como Callisto (substituindo Susan Roman) e Illyana Rasputina (substituindo Tara Strong); Martha Marion como Emma Frost (substituindo Tracey Moore) e a Dra. Moira MacTaggert (substituindo Lally Cadeau); Kimberly Woods como Shard (substituindo Kay Tremblay); Abby Trott como Espiral (substituindo Cynthia Belliveau), Travis Willingham como Sebastian Shaw (substituindo David Bryant); Morla Gorrondonna como Lilandra (substituindo Camilla Scott); Cari Kabinoff como Rapina; Michael Patrick McGill como Thunderbolt Ross; Rama Vallury como o Barão Zemo; e Josh Keaton como o Capitão América, repetindo seu papel de What If...? e substituindo Bayne, que o dublou na série original.
Vale citar ainda que Marquand também dublaria o Doutor Destino numa participação especial do vilão, e Apocalipse, substituindo John Colicos e James Blendick, que o haviam dublado na série original; Karliak também dublaria William Stryker e o Hulk; Sealy-Smith também dublaria o Adversário; Hough também dublaria Fortão; Hammon também dublaria Lord Araki; e Hale, obviamente, também dublaria Madelyne Pryor - fazendo, propositalmente, uma voz semelhante, mas um tom acima da voz que fazia para Jean Grey. Finalmente, Robinson-Smith dublaria o Rei T'Chaka, o que causaria um erro de continuidade com o desenho dos anos 1990 do Quarteto Fantástico, no qual T'Chaka havia morrido e passado o manto do Pantera Negra para T'Challa; os Marvel Studios queriam uma participação do Pantera Negra em um dos episódios, mas DeMayo acharia que ainda era muito cedo para usar o personagem após a morte do ator Chadwick Boseman, e convenceria os executivos do estúdio a "colocar a humanidade antes da continuidade", usando T'Chaka ao invés.
Assim como a série original, X-Men '97 adaptaria várias histórias famosas dos quadrinhos, como O Julgamento de Magneto, Inferno, E de Extinção, Operação Tolerância Zero e Atrações Fatais, além de ter um episódio em homenagem ao famoso jogo de arcade dos X-Men da Konami. A animação ficaria a cargo do Studio Mir e da Tiger Animation, que manteriam a aparência da série original, "modernizando-a suavimente" para que o desenho não parecesse datado. Castorena também atuaria como supervisor de animação, e declararia que o desafio era fazer a série ao mesmo tempo "nova e familiar", "a série que todos se lembram, mas em 4K". Houston também atuaria como consultor da animação, descrevendo para a equipe como a série original foi feita e dando acesso aos storyboards originais. Winderbaum diria que a equipe concordaria em seguir um "Código de Ética", segundo o qual, mesmo a animação sendo totalmente digital, eles não fariam nada que não fosse possível na animação tradicional usada nos anos 1990, mas que de vez em quando esse Código seria quebrado "para efeito dramático", usando animação em 3D em cenas especialmente complicadas.
Os uniformes dos personagens seriam criados por Amelia Vidal, e seriam o mais semelhantes possível aos da série original, com mudanças sendo feitas apenas quando motivadas por questões técnicas da animação. Noturno seria o único personagem totalmente redesenhado, sendo baseado na versão dos quadrinhos de John Byrne, já que o da série original era considerado muito diferente do Noturno do imaginário popular. Curiosamente, o Sr. Sinistro, na série original, quase não se movimentava, pois seu uniforme era considerado muito trabalhoso de desenhar pela equipe de animação; com o uso da computação, esse problema desapareceu, mas a equipe de animação de X-Men '97 decidiria dar ao vilão a mesma "restrição de movimentos", por uma questão de continuidade. Nos três últimos episódios, os X-Men vestem uniformes diferentes, baseados nos quadrinhos dos anos 1970, o que, segundo DeMayo, foi feito para "explorar a nostalgia".
A abertura seria uma homenagem à da série original, mas apresentando os personagens de maior relevância em cada episódio ao invés de sempre a mesma equipe - uma referência às aberturas de séries atuais, que creditam apenas os atores que estarão naquele episódio, diferentemente do que ocorria nos anos 1990 (e antes), quando o elenco principal era sempre creditado na abertura, mesmo que algum ator não participasse de um episódio específico. Os animadores criariam a abertura do zero, mas utilizando os storyboards originais da abertura da série dos anos 1990, criados por Houston, e, segundo Castorena, "fazendo alterações mínimas". Conley e Yonemura co-dirigiriam a abertura, que teria dez versões, uma para cada episódio.
Um dos pontos mais controversos da série seria justamente a música de abertura - desde a estreia da série original, o compositor Ron Wasserman tem enfrentado acusações de plágio, com comparações sendo feitas entre o tema que ele criou e o da abertura da série húngara Linda, de 1984, composta por Gyorgy Vukan, I'm Your Baby Tonight, gravada em 1990 por Whitney Houston, e até mesmo com Papagaio Alegre, também de 1984, composição do brasileiro Hermeto Pascoal (e com Be My Lover, da banda La Bouche, mas essa, lançada em 1995, é posterior à estreia do desenho). A controvérsia, no caso de X-Men '97, porém, não tinha a ver com isso, mas com o fato de que Wasserman era empregado da Saban quando compôs a música, o que fazia com que os direitos sobre ela pertencessem à Saban. Após negociações infrutíferas quanto ao direito de uso, a Marvel recorreria à justiça, que determinaria que ela poderia sim fazer uso do tema não só em X-Men '97, mas em outras produções (um trechinho pode ser ouvido em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e no último episódio de Miss Marvel), desde que o regravasse, ao invés de usar o original, indenizasse a Saban com uma vultosa quantia e creditasse Haim Saban e Shuki Levy como detentores dos direitos originais.
Wasserman chegaria a negociar com a Marvel a regravação de seu próprio tema, mas esta acabaria ficando a cargo de John Andrew Grush e Taylor Newton Stewart, conhecidos profissionalmente como Newton Brothers, responsáveis por toda a trilha sonora de X-Men '97. Os Newton Brothers gravariam oito versões diferentes do tema, combinando orquestra, sintetizadores modernos e uma guitarra tocada por Neil Brosh, até chegar em uma que consideraram a mais parecida com a original, mas sem o som dos sintetizadores da época, que os espectadores de hoje poderiam achar datados - Stewart declararia que, ao rever a abertura da série original, estranharia o som do sintetizador, que era completamente diferente do que ele tinha em sua memória, optando por incluir a orquestra ao ver que apenas o sintetizador moderno e a guitarra não conseguiam obter um som tão próximo do original. Como o desenho é ambientado em 1997, os Newton Brothers também tiveram o cuidado de não fazer uma trilha sonora demasiadamente moderna, se inspirando em artistas como Michael Jackson, Prodigy, Radiohead e Depeche Mode; Happy Nation, do Ace of Base, lançada enquanto a série original estava no ar, seria usada como tema da nação de Genosha. O álbum da trilha sonora de X-Men '97, creditado aos Newton Brothers, seria lançado pela Hollywood Records em maio de 2024, após o tema de abertura ser lançado como single em março.
X-Men '97 teria uma pré-estreia no TCL Chinese Theatre, em Hollywood, em 13 de março de 2024, na qual foram exibidos os três primeiros episódios; uma semana depois, em 20 de março, a série estrearia no Disney+ com dois episódios, sendo lançado mais um por semana até 15 de maio. Seria a série animada com maior audiência em streaming em seu dia de estreia desde a primeira temporada de What If...?, e a série animada inédita com a maior audiência em streaming da história no dia do lançamento do último episódio. Ao longo da estreia de seus episódios, X-Men '97 só perderia em audiência para Invencível e Star Wars: The Bad Batch nas duas primeiras semanas, Fallout nas três seguintes, e Bridgerton na última, sendo a série mais assistida do streaming durante três semanas. Além disso, a audiência da série original dos anos 1990 no Disney+ aumentaria 522% entre fevereiro e maio de 2024. Entre 30 de junho e 4 de julho de 2025, X-Men '97 também seria exibida no canal a cabo FXX.
A crítica aclamaria a série, considerando-a "o melhor lançamento da Marvel nos últimos anos", elogiando a "animação nostálgica", as cenas de ação e a inteligência do roteiro. Para muitos críticos, o maior mérito de X-Men '97 foi ter conseguido manter os elementos que fizeram o sucesso da série original ao mesmo tempo em que se modernizava para se adequar aos novos tempos, sendo um "tributo apropriado ao legado" dos X-Men. Alguns também chamariam atenção para o fato de que a nova série mostrava que a antiga ainda era atual, e que o maior mérito tanto da antiga quanto da nova série era que elas não eram sobre super-heróis, mas sobre pessoas. X-Men '97 seria indicado ao Emmy de Melhor Programa de Animação, mas perderia para Samurai de Olhos Azuis.
A pré-produção de uma segunda temporada de X-Men '97 começaria antes mesmo da estreia da primeira, em julho de 2022, com Conley e Yonemura sendo mantidos como diretores e DeMayo como showrunner e principal roteirista. Em março de 2024, DeMayo declararia já ter todos os roteiros da segunda temporada prontos, e que a Marvel havia renovado a série para uma terceira; pouco depois, entretanto, ele seria demitido, sendo impedido de participar da promoção da primeira temporada e até mesmo de estar presente na pré-estreia, algo que foi considerado extremamente incomum pela imprensa especializada. Segundo a Marvel, DeMayo seria demitido após uma investigação que revelou provas "horripilantes", inclusive de conduta sexual imprópria. DeMayo gravaria um vídeo negando as acusações, e alegando ter sido difamado por executivos do estúdio que não aceitavam seu trabalho por ele ser negro e gay. Ele acusaria esses mesmos executivos de terem causado o cancelamento do novo filme do Blade, previsto para 2025, simplesmente porque DeMayo estava envolvido com a produção. Marvel e Disney não quiseram comentar.
Em fevereiro de 2024, Winderbaum agradeceria a DeMayo por seu trabalho na série, e declararia que sua demissão não afetaria a produção da segunda e terceira temporadas. Em junho de 2024, porém, após DeMayo postar uma arte dos X-Men em homenagem ao Mês do Orgulho Gay em seu Instagram, a Marvel o comunicaria de que removeria seu nome dos créditos da segunda temporada, já que a postagem era a mais recente de uma série de violações a termos que DeMayo teria aceitado quando foi demitido; o advogado de DeMayo declararia que os termos eram ilegais, mas que, mesmo assim, nenhuma das condutas de seu cliente representava violação. Após esse episódio, a Marvel Studios Animation chamaria Matthew Chauncey, de What If...?, para ser o showrunner e chefe dos roteiristas da terceira temporada; fontes internas da Marvel revelariam à imprensa que ele também estaria reescrevendo os roteiros da segunda.
Toda essa confusão acabaria atrasando a segunda temporada, que originalmente deveria estrear em 2025. Em fevereiro de 2025, Winderbaum confirmaria a estreia da segunda temporada para 2026, e declararia que o planejamento da Marvel era para que a terceira estreasse em 2027 e, a partir daí, uma nova temporada estreasse por ano. Segundo Winderbaum, X-Men '97 e Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha seriam as prioridades máximas dos Marvel Studios, com uma nova temporada de cada sendo lançada a cada ano, sem atrasos. Vamos conferir.
2024
Agatha All Along
2024
Após os eventos de WandaVision, Agatha Harkness passaria três anos presa dentro de sua própria imaginação em Westview, até ser libertada por um misterioso jovem, que quer sua ajuda para percorrer a lendária Estrada das Bruxas, cuja lenda diz que realizará qualquer desejo de quem conseguir superar seus desafios e chegar ao fim do caminho. Privada de seus poderes mágicos, Agatha concorda, mas antes, segundo as regras da Estrada, a dupla precisa formar um coven, com uma bruxa de cada tipo - uma naturalista, uma especialista em poções, uma protetora e uma vidente. Ainda por cima, Agatha está sendo perseguida pelo coven conhecido como As Sete de Salem, então os perigos da Estrada das Bruxas podem não ser a pior coisa que ela precisa enfrentar.
Apesar de ser completamente diferente de sua versão dos quadrinhos, Agatha Harkness rapidamente se tornaria uma das personagens mais populares do MCU, graças principalmente a sua intérprete, Kathryn Hahn. Após o sucesso de WandaVision, sua showrunner, Jac Schaeffer, receberia uma oferta de um contrato de três anos para desenvolver novas séries para o Disney+, e, ciente da popularidade da personagem, insistiria que Agatha estivesse presente em pelo menos uma delas. Isso levaria Kevin Feige a estudar a possibilidade de uma série não só com a presença, mas estrelada por Agatha, que receberia luz verde em outubro de 2021, com Schaeffer mais uma vez sendo confirmada como showrunner e chefe da equipe de roteiristas, além de produtora executiva. Hahn, cujo contrato previa que ela voltaria a interpretar Agatha caso a personagem voltasse a aparecer, ficaria bastante empolgada com a notícia.
A série seria oficialmente anunciada um mês depois, em novembro de 2021, quando Schaeffer também seria anunciada como diretora. Mais de um ano depois, em dezembro de 2022, Gandja Monteiro também seria anunciada como diretora, com Rachel Goldberg se juntando às duas em janeiro de 2023 - no total, a série teria nove episódios, com cada uma delas dirigindo três. Além de Schaeffer, a equipe de roteiristas contaria com Laura Donney, Cameron Squires, Peter Cameron, Laura Monti (todos de WandaVision), Giovanna Sarquis, Jason Rostovsky e Gia King; cada um deles escreveria um episódio sozinho (exceto King, que co-escreveria um com Squires), com o último sendo escrito por Schaeffer e Donney. Megan McDonnell, também de WandaVision, seria a on-set writer, fazendo pequenos ajustes nos roteiros conforme os episódios eram gravados, principalmente por questões de continuidade.
O título original da série, revelado em novembro de 2021, seria Agatha: House of Harkness, mudando para Agatha: Coven of Chaos em julho de 2022 e para Agatha: Darkhold Diaries em setembro de 2023; a série seria registrada no Escritório de Patentes como simplesmente Agatha, o que levaria a revista Variety a publicar que as frequentes mudanças de título não se deviam a indecisão da Marvel ou mudanças de roteiro, mas estariam ocorrendo devido à natureza de Agatha de gostar de enganar e criar confusão - o que pareceria ser confirmado em maio de 2024, quando os Marvel Studios revelariam no Twitter que o título da série havia mudado para Agatha: The Lying Witch with Great Wardrobe (uma referência às Crônicas de Nárnia), apagando o tweet pouco tempo depois. O título verdadeiro, Agatha All Along, uma referência ao episódio de WandaVision no qual é revelado que Agatha estava por trás de vários acontecimentos daquela série, seria revelado um dia depois dessa brincadeira, juntamente com a confirmação de que os títulos falsos haviam sido "orquestrados por Agatha para brincar com os fãs da Marvel". A ideia de criar os títulos falsos partiria de Schaeffer, com a equipe de roteiristas criando mais de dez, e autorizada pela produtora Mary Livanos, que considerou que essa seria uma jogada de marketing apropriada para uma personagem como Agatha.
Cada uma das provações da Estrada das Bruxas seria pensada para emular um estereótipo das bruxas na cultura popular, se baseando em filmes como As Bruxas de Eastwick, Da Magia à Sedução, Temporada das Bruxas e até mesmo O Mágico de Oz e Malévola; originalmente, a equipe de roteiristas tentou fazer cada uma das provações baseada em um dos quatro elementos clássicos - água, terra, ar e fogo - mas isso não estava funcionando. No início da série, Agatha está presa dentro de um seriado de TV, no mesmo estilo de WandaVision, no caso um seriado policial, criado por Schaeffer em homenagem a Mare of Easttown. Winderbaum definiria Agatha Desde Sempre como uma série de Halloween, na qual os personagens correriam riscos reais, mas ainda assim com episódios divertidos, e compararia a série a Loki, no sentido de que em ambas o protagonista é um anti-herói que evolui emocionalmente a cada episódio. A magia usada pelas bruxas da série seria bastante diferente da usada por magos como o Dr. Estranho em outras produções, e, segundo Winderbaum, "Schaeffer definiria a bruxaria no MCU".
Schaeffer tomaria cuidado extremo para que nenhuma das surpresas da série vazasse previamente para a imprensa; após uma abundância de especulações e teorias dos fãs sobre WandaVision, ela também tomaria cuidado em suas entrevistas para que suas declarações não pudessem ser interpretadas de forma dúbia, até mesmo respondendo diretamente perguntas cujas respostas ela achava que não estragariam nenhuma surpresa - quando vazaria a informação de que a Morte seria um dos personagens da série, por exemplo, ela prontamente negaria que Thanos pudesse fazer uma participação. Schaeffer queria incluir uma participação especial da personagem Madisynn King (interpretada por Patty Guggenheim em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis) em uma cena cômica sobre estereótipos de bruxas, mas não acharia uma forma de encaixar a cena sem comprometer o restante do roteiro, e acabaria desistindo; o personagem Ralph Bohner, por outro lado, ela faria questão de manter, já que havia tido de remover várias de suas cenas em WandaVision devido a dificuldades nas filmagens causadas pelos protocolos da Pandemia.
O elenco contaria com Kathryn Hahn como Agatha Harkness; Joe Locke como o Jovem; Debra Jo Rupp como Sharon Davis / Sra. Hart (repetindo seu papel de WandaVision); Aubrey Plaza como Rio Vidal, bruxa naturalista e antiga namorada de Agatha; Sasheer Zamata como Jennifer Kale, bruxa especialista em poções; Ali Ahn como Alice Wu-Gulliver, bruxa protetora, ex-policial e filha de Lorna Wu, cantora de rock de muito sucesso nos anos 1970; Patti LuPone como Lilia Calderu, bruxa vidente de 450 anos que percebe o tempo de forma não-linear; Okwui Okpokwasili como Vertigo, líder das Sete de Salem; Evan Peters como Ralph Bohner; Maria Dizzia e Paul Adelstein como os pais do Jovem; e Miles Gutierrez-Riley como Eddie, namorado do Jovem. Emma Caulfield, David Payton, David Lengel, Asif Ali e Amos Glick fariam uma participação especial repetindo seus personagens de WandaVision, assim como Kate Forbes, que interpreta Evanora Harkness, mãe de Agatha. As demais membros das Sete de Salem seriam interpretadas por Marina Mazepa, Bethany Curry, Athena Perample, Britta Grant, Alicia Vela-Bailey e Chau Naumova. Outras participações especiais incluem Elizabeth Anweis como Lorna Wu, Laura Boccaletti como a bruxa tutora de Lilia, Chloe Camp como uma jovem Lilia, Jade Quon como um demônio que assombra a familia Wu, e Abel Lysenko como Nicholas Scratch.
As filmagens começariam em janeiro de 2023 nos Trilith Studios, em Atlanta, Geórgia, com algumas externas sendo filmadas em Los Angeles; Agatha Desde Sempre seria a última produção filmada na Blondie Street, no Warner Bros. Ranch, em Burbank - onde seria construída a casa de Agatha e parte de Westview - antes da demolição da rua. A maioria das filmagens já estaria concluída quando a greve dos roteiristas começou, de forma que a série não foi impactada, com cenas extras e refilmagens somente sendo consideradas necessárias no início de 2024, quando a greve já havia terminado faz tempo. Plaza gravaria suas cenas ao mesmo tempo em que filmava Megalopolis, de Francis Ford Coppola, também em Atlanta. Miriam Margolyes seria convidada para integrar o elenco, mas recusaria alegando não querer ter de viajar da Inglaterra, onde morava, até Atlanta para filmar - segundo fontes, entretanto, ela teria recusado porque a Marvel ofereceria metade do valor que ela pediu.
A maior parte dos efeitos especiais da série seriam feitos à moda antiga, com poucos efeitos de computação gráfica, o que faria com que Agatha Desde Sempre se tornasse a série mais barata do MCU - a Disney não divulgaria o orçamento da série, mas Winderbaum confirmaria em entrevistas que ela custaria menos que os 40 milhões de dólares por episódio de Eco, a série de orçamento mais baixo do MCU até então. A iniciativa de usar efeitos à moda antiga seria de Livano, que desejava que a série fosse uma homenagem à "Era de Ouro dos filmes de fantasia e horror", prontamente aceita por Schaeffer, que desejava que a série causasse um efeito nostálgico aos fãs desse tipo de filme, assim como Wandavision trouxe nostalgia aos fãs de sitcoms. Todos os efeitos de computação gráfica da série seriam fornecidos pela Digital Domain.
A trilha sonora da série ficaria a cargo de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, que comporiam The Ballad of the Witches' Road, na série uma canção ancestral que todas as bruxas conhecem, regravada como uma balada de rock por Lorna Wu. Hahn cantaria ela mesma a maioria das músicas da trilha sonora, com LuPone como backing vocal. The Ballad of the Witches' Road teria pelo menos dez versões gravadas, cada uma delas usada em uma ocasião; a maioria delas seria cantada pelo elenco da série, mas uma seria cantada por Matthew Mayfield, outra pela cantora sul-coreana Seomoon Tak, uma pela banda Japanese Breakfast, e haveria até uma instrumental, composta por Christophe Beck e Michael Paraskevas.
Agatha Desde Sempre seria a primeira série do MCU a trazer o logotipo da Marvel Television antes de seus episódios, ao invés do dos Marvel Studios. Ela estrearia no Disney+ em 18 de setembro de 2024, com dois episódios, e depois um sendo lançado por semana até 30 de outubro, véspera de Halloween, quando seriam lançados os dois últimos. A série seria a mais assitida do Disney+ no ano, a nona mais assistida em todo o streaming, e geraria muita discussão nas redes sociais, algo que seria visto como positivo por Winderbaum.
A crítica também a receberia muito bem, elogiando as performances de Hahn, Locke, LuPone e Plaza e o "sopro de novidade" que a série trouxe ao MCU. Schaeffer também seria extremamente elogiada, considerada por alguns como "a única roteirista de super-heróis que sabe que emoções são mais poderosas que computação gráfica". Agatha Desde Sempre seria considerada uma das melhores séries de 2024 por várias publicações especializadas, como a Forbes, a TVLine, a Entertainment Weekly e o Screen Rant, e seria indicada a três Emmys: Melhor Figurino para uma Produção de Fantasia ou Ficção Cientíca, Melhor Canção Original, e Melhor Edição de Som para uma Série de TV de Meia Hora. Hahn também seria indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em uma Série de TV Musical ou Comédia.
Durante a pré-produção, Rupp descreveria Agatha Desde Sempre como "uma segunda temporada de WandaVision, se WandaVision fosse uma série de antologia como American Horror Story", e Livanos confirmaria que ela seria a "segunda numa trilogia de minisséries", com a primeira sendo WandaVision e a terceira Vision Quest. Ao inscrever a série em prêmios como o Emmy e o Globo de Ouro, porém, a Disney optaria pelas categorias de séries, e não de minisséries ou séries limitadas, o que causaria especulação de que haveria planos para uma segunda temporada. Hahn diria ter interesse em repetir o papel de Agatha, em uma segunda temporada ou em outras produções, e certeza de que outros membros do elenco também gostariam de retornar. Hoje, porém, Vision Quest está em pré-produção, mas não há nenhuma notícia sobre uma segunda temporada de Agatha Desde Sempre; a última é de fevereiro de 2025, quando Winderbaum declarou que os Marvel Studios têm interesse em fazer uma segunda temporada, mas estariam "priorizando uma boa história ao invés de uma produção corrida".
Série Universo Cinematográfico Marvel |
||
|---|---|---|
•X-Men '97 |
||


0 Comentários:
Postar um comentário