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sábado, 4 de julho de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XXI)

E hoje finalmente terminaremos a série sobre a Fase 5 do MCU!

Thunderbolts*
2025

Os Thunderbolts foram uma das poucas coisas boas que surgiram como resultado da saga Heróis Renascem, publicada pela Marvel em 1996. Resumindo, na década de 1990 as revistas dos X-Men e do Homem-Aranha vendiam absurdamente, mas as demais revistas da Marvel tinham vendas pífias, que a colocaram à beira da falência - é por isso, inclusive, que eventos de destaque da época, como as revistas da Amalgam Comics e os jogos da série Marvel vs. Capcom, têm presença maciça de mutantes e de personagens do Homem-Aranha, mas muito pouco do Capitão América, Homem de Ferro ou Hulk, e nada ou quase nada do Quarteto Fantástico, Thor e do restante dos Vingadores. Para tentar solucionar essa questão, a Marvel contrataria os dois desenhistas mais populares da década, Jim Lee e Rob Liefeld, e daria a eles carta branca para reinventar os heróis que vendiam menos, escrevendo suas histórias sem qualquer interferência, com Lee ficando responsável pelas revistas do Quarteto Fantástico e do Homem de Ferro, e Liefeld pelas do Capitão América e dos Vingadores. Como parte do acordo, essas revistas não seriam continuação das que já estavam à venda, mas reboots, recontando do começo as histórias dos heróis, mas ambientadas na época atual. Para que isso fosse possível, os heróis (e vilões) que seriam usados por Lee e Liefeld aparentemente morreriam durante uma batalha contra um supervilão chamado Massacre, inventado especificamente para esse propósito, sendo removidos da continuidade principal da Marvel. O experimento não deu muito certo e o projeto foi cancelado após apenas um ano, quando foi revelado que os heróis não morreram e eles foram reintegrados à continuidade principal, com as histórias de Heróis Renascem tendo sido ambientadas em um universo alternativo temporário, que deixou de existir quando isso aconteceu.

Pois bem, enquanto os heróis estavam removidos da continuidade, fazia sentido, em termos de narrativa, que alguém ocupasse seu lugar - tipo "ok, os Vingadores morreram, e agora, quem vai enfrentar os vilões que eles enfrentavam?". Para solucionar essa questão, o roteirista Kurt Busiek, considerado por muitos o maior especialista nos quadrinhos dos Vingadores, e o desenhista Mark Bagley inventaram os Thunderbolts, que fizeram sua estreia na revista The Incredible Hulk 449, de janeiro de 1997, antes de ganharem uma revista própria, também chamada Thunderbolts, em abril. Aparentemente, os Thunderbolts eram novos heróis que, altruistcamente, decidiram usar seus poderes para combater o crime na ausência dos Vingadores, mas, na verdade, eles eram os Mestres do Terror, antigos vilões dos Vingadores, liderados pelo Barão Zemo, que assumiriam novas identidades e fingiriam ser heróis como parte de um plano de Zemo para roubar os segredos da Mansão dos Vingadores. O plano até teria dado certo, se os demais integrantes da equipe não tivessem gostado de ser heróis e se rebelado contra Zemo, com alguns deles ainda seguindo na carreira heroica após o plano ser desmascarado.

Com o fim da Heróis Renascem e o retorno do Quarteto e dos Vingadores à continuidade principal, esse arco de história foi encerrado, mas a revista dos Thunderbolts não foi cancelada, com a equipe sendo reformulada e passando a ser o equivalente do Esquadrão Suicida na Marvel: um bando de vilões reunidos por uma pessoa em posição estratégica no governo e obrigados a realizar missões que seriam muito arriscadas para os heróis. Assim, quando ficou claro que os filmes do MCU tinham personagens de moral duvidosa, que não eram exatamente os vilões de seus filmes, mas também não eram os heróis, e que sobreviveram ao final de suas respectivas produções, parecendo desperdício jamais utilizá-los novamente, o passo mais óbvio era juntar todos eles numa mesma equipe e fazer um filme dos Thunderbolts.

A primeira sugestão de se fazer um filme dos Thunderbolts, porém, não envolveria persoagens que já haviam participado de outros filmes, e sim um elenco inédito, e seria dada por James Gunn em 2013, durante a produção de Guardiões da Galáxia, quando o diretor e roteirista manifestaria interesse em produzir um filme estrelado por uma equipe de anti-heróis e supervilões, ideia que agradaria a Kevin Feige, mas que seria colocada em lista de espera por não haver espaço na agenda de lançamentos do MCU até o final da Fase 3. Em 2018, Hannah John-Kamen, a intérprete da Fantasma em Homem-Formiga e a Vespa, defenderia um filme dos Thunderbolts, já que, nos quadrinhos, o Fantasma (que é homem) chegou a fazer parte da equipe.

Um ano depois, quando começasse a pré-produção da Fase 4, a ideia de um filme dos Thunderbolts voltaria a ganhar força com a inclusão do Barão Zemo em Falcão e o Soldado Invernal; ao final do último capítulo dessa série, seria revelado que a Condessa Valentina Allegra de Fontaine, personagem que, nos quadrinhos, assim como Nick Fury, é ligada à S.H.I.E.L.D., havia recrutado John Walker - que, nos quadrinhos, é o Agente Americano, mas, na série, era o substituto aprovado pelo governo do Capitão América - para um "projeto pessoal", que imediatamente seria apontado por fãs e críticos como uma possível equipe dos Thunderbolts. Da mesma forma, na cena pós-créditos de Viúva Negra, que originalmente iria estrear antes de Falcão e o Soldado Invernal, mas que, devido à pandemia, estreou depois, a Condessa recruta Yelena Belova para esse projeto. Perguntado sobre o assunto, entretanto, Gunn diria não ter mais interesse em fazer um filme dos Thunderbolts, já que já havia feito O Esquadrão Suicida, que parte de uma premissa semelhante, para a DC.

Até então, um filme dos Thundebolts não estava oficialmente nos planos dos Marvel Studios, e o roteirista Malcolm Spellman, de Falcão e o Soldado Invernal e Capitão América: Admirável Mundo Novo declararia não saber se os fãs iriam gostar que fosse feito um. O roteirista Eric Pearson, de Viúva Negra, contudo, gostaria da ideia, e apresentaria aos executivos dos Marvel Studios uma sinopse de um filme no qual Belova lideraria uma equipe de anti-heróis tentando deter um projeto secreto da Condessa, incluindo na equipe Walker, Fantasma, o Guardião Vermelho, e, quando começou a escrever o roteiro, o Soldado Invernal e a Treinadora - todos personagens que haviam sido anti-heróis ou vilões em seus filmes originais. Pearson justificaria a escolha dizendo que não queria uma equipe de vilões arrependidos, e sim de personagens que transitassem por uma área cinza da moralidade, "capazes tanto de atos de egoísmo quanto de bondade". Nas primeiras versões do roteiro, a equipe também contava com Bill Foster, o Golias, personagem interpretado em Homem-Formiga e a Vespa por Laurence Fishburne, removido após Pearson achar que ele não tinha "os mesmos traumas passados" dos demais integrantes.

Pearson chegaria a pensar em usar o Hulk Vermelho como vilão do filme, mas seria impedido pelos executivos dos Marvel Studios, que já o haviam reservado para Capitão América: Admirável Mundo Novo. Nas primeiras versões do roteiro, o vilão era Walker, que, convencido pela Condessa de que o efeito de seu soro do supersoldado estava passando, tomava pílulas fornecidas por ela que o deixavam violento, ideia descartada porque também era parecida com a de Capitão América: Admirável Mundo Novo, e porque as ações de Walker estavam semelhantes às que ele havia tomado em Falcão e o Soldado Invernal. Ao pesquisar nos quadrinhos por um antagonista que os Thunderbolts não conseguissem derrotar facilmente em uma luta, Pearson acabaria optando por Robert Reynolds, que é ao mesmo tempo o herói Sentinela e o vilão Vácuo, chegando a conversar com o co-criador do personagem, Paul Jenkins, sobre a melhor forma de colocá-lo no filme.

Pearson acabaria concluindo que Reynolds se encaixou como uma luva na história e na equipe dos Thunderbolts, e ficaria satisfeito por o personagem lhe dar a oportunidade de discutir a importância da saúde mental em um filme de super-heróis. A ideia de que, para derrotá-lo, os Thunderbolts deveriam encarar novamente as maiores decepções de suas vidas viria do produtor Brain Chapek, com Pearson acreditando que essa seria uma excelente parte final para o arco de redenção dos personagens. Pearson aproveitaria a história de origem do Sentinela nos quadrinhos para fazer dele o projeto da Condessa contra o qual os Thunderbolts têm de se unir, mas preferiria colocar na história que ele estava em animação suspensa a usar a mesma justificativa dos quadrinhos para que o mundo não soubesse de sua existência previamente - a de que ele mesmo havia voluntariamente se removido da memória dos demais habitantes do planeta, algo que ficaria muito parecido com o final de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

Com Pearson tendo praticamente se auto-contratado para escrever o roteiro, a Marvel precisava agora de um diretor, optando por Jake Schreier, de Cidades de Papel, após ele fazer uma apresentação de ideias para o filme que "explodiria as mentes" dos executivos dos Marvel Studios. Parte dessa apresentação incluía o Homem-Coisa como membro da equipe, algo do qual Pearson convenceria Schreier a desistir por considerá-lo "uma criatura imprevisível", e não conseguir achar uma justificativa para que ele se unisse aos outros. Curiosamente, um conceito apresentado tanto por Pearson quanto por Schreier, sem que um soubesse da intenção do outro, era que a equipe se reunisse após uns serem contratados para matar os outros, o que daria a eles um motivo para se unir diferente de "figura de autoridade os obriga a trabalhar juntos". Por causa disso, mesmo com Schreier querendo a presença de Zemo no filme, Pearson acharia que um "fundador da equipe" ficaria deslocado; uma cena pós-créditos na qual era revelado que Zemo esteve por trás da formação da equipe desde o início chegaria a ser escrita, mas jamais filmada - assim como uma envolvendo Kang, descartada após a demissão de Jonathan Majors.

O filme dos Thunderbolts seria oficialmente anuciado em setembro de 2022, junto com o anúncio de que ele seria o último filme da Fase 5 do MCU. Em fevereiro de 2023, Steven Yeun, que havia trabalhado com Schreier na série Treta, seria anunciado como intérprete de Reynolds, e Lee Sun Jing, criador da série, revelaria estar reescrevendo partes do roteiro a pedido de Schreier; boatos se espalhariam de que o diretor não estava satisfeito com o fato de Pearson ter dado mais destaque a Yelena, ao Guardião Vermelho e à Treinadora, personagens que ele havia escrito em Viúva Negra, do que aos demais personagens, e que o ideal seria que a história passasse a impressão de ser um filme de equipe, não um spin off de Viúva Negra. Schreier também queria dar mais destaque a personagens secundários, como a assistente da Condessa, Mel, e o Deputado Gary, que preside uma comissão governamental que investiga as atividades da Condessa, para que eles tivessem um arco de história próprio, ao invés de apenas fazer figuração.

Em maio de 2023, as filmagens tiveram de ser adiadas devido à greve dos roteiristas, e a data de lançamento, originalmente prevista para dezembro de 2024, seria adiada para julho de 2025. Devido ao adiamento das filmagens, Yeun e Ayo Edebiri, originalmente escolhida para interpretar Mel, tiveram que deixar a produção por conflitos com suas gravações, respectivamente, de Treta e O Urso. Após o final da greve, Schreier leria o roteiro e acharia que estava faltando tensão e imprevisibilidade, e que, sendo os personagens quem são, o público deveria ficar o tempo todo sem saber se algum deles não iria sobreviver. Ele também seguiria insatisfeito com o tempo de tela destinado à Treinadora, principalmente porque ela era a protagonista de uma piada recorrente na qual ela de vez em quando se esquecia que tinha decidido se unir aos demais personagens e tentava matá-los, considerando que, como o Sentinela também tinha problemas de memória, não fazia sentido dois personagens com a mesma característica. Para resolver esses problemas, Joanna Calo seria contratada para reescrever o roteiro do zero, apenas aproveitando as ideias de Pearson e Schreier; no fim, Calo e Pearson seriam creditados como co-roteiristas.

As filmagens começariam em fevereiro de 2024 em Atlanta, na Geórgia, mas a maior parte do filme seria gravado no estado de Utah. A pedido dos Marvel Studios, Schreier usaria o mínimo possível de efeitos de computação gráfica, o que levaria a uma situação inusitada em uma das cenas mais impressionantes do filme, na qual Belova salta do Merdeka 118, o segundo prédio mais alto do mundo, em Kuala Lumpur, na Malásia: a atriz que a interpreta, Florence Pugh, convenceria a equipe de produção a fazer a cena ela mesma, sem usar nenhuma dublê, para desespero dos executivos dos Marvel Studios, que não conseguiam nem imaginar o que aconteceria se alguma coisa desse errado e ela viesse a falecer. Mesmo com a quantidade reduzida de efeitos, oito empresas trabalhariam no filme: Industrial Light & Magic, Framestore, Digital Domain, Rising Sun Pictures, Raynault VFX, Base FX, Crafty Apes e Mammal Studios. O filme possui uma cena pós-créditos ambientada 14 meses após seus eventos e filmada um mês antes do lançamento do filme, dirigida por Anthony e Joe Russo, mas escrita por Schreier; a cena originalmente tinha uma parte cômica envolvendo o Soldado Invernal e Walker, que acabaria cortada para desapontamento de Sebastian Stan, que a considerava genial.

No filme, Belova está cansada de trabalhar como mercenária fazendo serviços para a Condessa, mas aceita uma última missão antes de abandonar definitivamente essa vida. Sem que ela saiba, Walker, Fantasma e a Treinadora também foram enviados para essa missão, que consistia em uns matarem os outros para que a Condessa se livrasse de todos. Após descobrirem isso e decidirem se unir para se vingar, eles acabam topando acidentamente com Bob, em quem a Condessa tem um interesse inexplicável. Com a ajuda do Guardião Vermelho e do Soldado Invernal, sua missão passa a ser descobrir o porquê desse interesse, enquanto lutam para sobreviver. O elenco conta com Florence Pugh como Yelena Belova, Sebastian Stan como Bucky Barnes / Soldado Invernal, Wyatt Russell como John Walker, David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho, Hannah John-Kamen como Ava Starr / Fantasma, Olga Kurylenko como Antonia Dreykov / Treinadora, Lewis Pullman como Robert "Bob" Reynolds / Sentinela, Geraldine Viswanathan como Mel, Chris Bauer como o chefe de segurança Holt, Wendell Pierce como o Deputado Gary, Gabrielle Byndloss como Olivia Walker, e Julia Louis-Dreyfus como a Condessa Valentina Allegra de Fontaine.

O filme teria uma pré-estreia em Londres em 22 de abril de 2025, uma em Los Angeles em 28 de abril, e estreia mundial em 1 de maio - mas nos Estados Unidos só estrearia em 2 de maio. Com orçamento de 180 milhões de dólares, renderia 190 milhões nos Estados Unidos e 382 milhões ao somar o mundo inteiro, sendo um dos filmes do MCU de menor bilheteria e considerado um fracasso de público pela Disney, que projetava bilheteria mundial de pelo menos 425 milhões. Feige atribuiria o baixo rendimento a uma percepção do público de que era necessário ter assistido Viúva Negra e Falcão e o Soldado Invernal para que a história pudesse ser compreendida, e que inclusive havia pedido à Disney que deixasse claro que isso não era necessário. A crítica, pelo menos, seria bastante positiva, considerando o filme inovador em relação ao que vinha sendo feito no MCU, elogiando a sintonia do elenco, e avaliando a performance de Pugh como arrebatadora.

Para terminar, a explicação do asterisco no título: enquanto Calo reescrevia o roteiro, surgiria o assunto "por que a equipe decidiu adotar o nome Thunderbolts", que Pearson não havia abordado; Schreier sugeriria que os cartazes do filme trouxessem um asterisco após o nome Thunderbolts, para "mostrar que eles não estavam plenamente satisfeitos com esse nome e ainda buscavam algo melhor". A cúpula dos Marvel Studios adoraria essa sugestão e, em março de 2024, oficialmente renomearia o filme para Thunderbolts*, colocando o asterisco em todo o material de divulgação. Como, desde a primeira versão do roteiro, Pearson já havia definido que, ao final do filme, a Condessa revelaria a equipe como "os novos Vingadores", Calo sugeriria que, depois dessa cena, o título mudasse na tela para The New Avengers, e a "abertura" (que, normalmente, no MCU, vem no final, antes dos créditos) tratasse a equipe por esse nome. Isso levaria a uma jogada publicitária inédita: quando Thunderbolts* completou uma semana em cartaz, a Disney distribuiu novos pôsteres para os cinemas, idênticos aos anteriores, mas nos quais o título do filme era The New Avengers, pedindo para que os letreiros dos cinemas também passassem a exibir esse título, na primeira vez na história do cinema em que um filme teria seu título mudado por uma questão relativa à história do próprio filme. Essa mudança seria acompanhada de uma campanha publicitária na qual os atores do filme, caracterizados como seus personagens, rasgavam os títulos dos pôsteres antigos para revelar o novo título por baixo, deixando claro que se tratava do mesmo filme. Apesar da campanha, a Disney deixaria claro que o filme não havia sido renomeado, com seu registro oficial ainda trazendo o título Thunderbolts* - assim como os sistemas de venda de ingressos.

Coração de Ferro
Ironheart
2025

Riri Williams, codinome Coração de Ferro, é uma personagem extremamente recente nos quadrinhos Marvel: criada pelo roteirista Brian Michael Bendis, também criador de Jessica Jones e Miles Morales, e pelo desenhista brasileiro Mike Deodato, ela faria sua estreia na revista Invincible Iron Man 7, de maio de 2016. Incrivelmente inteligente, Riri, de apenas 15 anos, estuda no MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts (uma instituição de ensino superior) e foi capaz de analisar a tecnologia da armadura do Homem de Ferro para criar uma para ela própria, com a qual começou a combater o crime usando o nome de Coração de Ferro após seu padrasto e sua melhor amiga serem mortos durante um assalto. Riri ficaria muito popular muito rápido, e seria do interesse dos Marvel Studios introduzi-la no MCU o quanto antes, com Jada Rodriguez sendo contratada para escrever um roteiro para um filme ainda durante a Fase 3, em 2018.

Apesar de extremamente elogiado, o roteiro de Rodriguez jamais seria filmado; ao invés disso, os executivos dos Marvel Studios optariam por introduzir a personagem no segundo filme do Pantera Negra, fazê-la amiga de Shuri, e só então partir para um filme ou série estrelado por ela, com o estúdio em dezembro de 2020 anunciando que havia optado pela série. A poeta e dramaturga Chinaka Hodge seria anunciada como showrunner dessa série em abril de 2021, mas a pré-produção andaria a passos lentos até a estreia de Pantera Negra: Wakanda para Sempre, em novembro de 2022. Antes disso, em abril, Anthony Ramos, um dos atores já escalados para a série, comentaria que Ryan Coogler, diretor dos dois filmes do Pantera Negra, estava envolvido de alguma forma com a produção da série; após a estreia de Wakanda para Sempre, Coogler confirmaria sua participação, revelando que a série seria uma co-produção entre os Marvel Studios e sua empresa, a Proximity Media.

Coogler não teria envolvimento direto com a direção ou os roteiros, mas seria a Proximity Media quem escolheria os diretores da série, com Sam Bailey dirigindo os três primeiros episódios e Angela Barnes os três últimos. Os roteiristas seriam escolhidos pela Marvel, com Hodge escrevendo o piloto e o último e os demais ficando a cargo de Francesca Gailes & Jacqueline J. Gailes (que já haviam trabalhado em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis), Malarie Howard, Amir Sulaiman, e Cristian Martinez. Os roteiristas se reuniriam logo no início do projeto e, diferentemente de em outras produções do MCU, não teriam carta branca, recebendo instruções expressas de Feige e Coogler para que a série fosse uma continuação direta de Wakanda para Sempre e para que o vilão fosse o Capuz, o que daria a oportunidade para que na série fossem misturados magia e tecnologia.

Apesar das instruções, muito do que acabou indo ao ar foi ideia de Hodge, como Riri ser expulsa do MIT, retornando a sua cidade natal e se envolvendo com a gangue do Capuz para obter dinheiro para financiar seus projetos. Coração de Ferro também marcaria finalmente a estreia de um dos principais vilões da Marvel, Mefisto, na qual os fãs vinham apostando desde WandaVision; Hodge diria ter sido dela a ideia da inclusão do personagem, mas após ela ter sido "encorajada" pelos executivos dos Marvel Studios a fazê-lo. Inicialmente, os roteiristas pensariam em seguir a história dos quadrinhos, na qual o Capuz rouba seu capuz de Dormmamu, que já havia estreado em Doutor Estranho, mas acabariam concordando com Hodge que Mefisto se enquadrava melhor na proposta da série, escrevendo uma cena na qual ele presenteia o Capuz com o capuz em troca de seus serviços. Coogler elogiaria a estreia do personagem em Coração de Ferro, uma série a princípio voltada para a tecnologia, ao invés de em WandaVision, Loki ou Agatha Desde Sempre, séries, segundo ele, na qual sua presença seria mais óbvia.

Coração de Ferro começa seis meses após a participação de Riri em Wakanda para Sempre; após retornar ao MIT e a trabalhar em sua armadura, ela é expulsa da instituição por usar recursos sem autorização, e decide voltar para a casa de sua mãe em Chicago. Lá ela se põe a construir uma nova armadura, e durante o projeto acaba acidentalmente criando uma inteligência artificial com a aparência de sua melhor amiga, Natalie, morta anos antes durante um tiroteio, no qual o padrasto de Riri também foi vítima. Para conseguir os equipamentos para sua nova armadura, porém, ela acabará se envolvendo com o misterioso Joe McGillicuddy, que vende armas e peças no mercado negro, e entrando para a gangue de Parker Robbins, codinome Capuz, que aparentemente realiza pequenos roubos, dos quais parte do dinheiro ficará com Riri, mas na verdade tem um propósito final muito mais sinistro. Sendo uma mulher da ciência, a princípio Riri não acredita que o Capuz tem poderes mágicos, mas acabará descobrindo a verdade da pior maneira.

O elenco conta com Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Lyric Ross como Natalie Washington / N.A.T.A.L.I.E.; Anthony Ramos como Parker Robbins / Capuz; Alden Ehrenreich como Joe McGillicuddy / Ezekiel "Zeke" Stane; Manny Montana como John, primo e braço-direito de Robbins; Matthew Elam como Xavier Washington, irmão de Natalie, vizinho, amigo e espécie de interesse romântico de Riri; Anji White como Ronnie Williams, mãe de Riri; Eric André como Stuart Clarke / Fúria, especialista em tecnologia da gangue do Capuz, que Riri substitui; Sonia Denis como Palhaça, especialista em pirotecnia da gangue do Capuz; Shea Couleé como Sanguessuga, drag queen hacker nascida em Madripoor que faz parte da gangue do Capuz; Zoe Terakes e Shakira Barrera como Jeri e Roz Blood, o Irmão Sangue e a Irmã Sangue, ex-atletas, lutadores de rua e músculos da gangue do Capuz; Cree Summer como Madeline Stanton, amiga de Ronnie e ex-aluna de Kamar-Taj, dona de uma loja de doces que secretamente pratica magia e vende itens mágicos; Regan Aliyah como Zelma Stanton, filha de Madeline e amiga de Riri; Paul Calderón como Arthur Robbins, pai de Parker e CEO da empresa Artworks; Jim Rash como o Professor Wilkes do MIT; Harper Anthony como Landon, vizinho de Riri que a ajuda no transporte das peças da armadura mediante pagamento; e Sacha Baron Cohen como Mefisto. Participações especiais incluem LaRoyce Hawkins como Gary Williams, padrasto de Riri; Tanya Christiansen como Heather, vizinha esnobe de Zeke; Zhaleh Vossough como Sheila Zarate, CEO da empresa TNNL; e o rapper Saba como ele mesmo.

As filmagens ocorreriam nos Trillith Studios, em Atlanta, com filmagens em Chicago inicialmente ocorrendo apenas para cenas de ambientação - ou seja, para mostrar cenas da cidade e fingir que a série foi filmada lá. Uma réplica do restaurante White Castle, de Chicago, seria construída em estúdio em Atlanta, para que o elenco não precisasse viajar para filmar lá. Após o fim das filmagens, Bailey e Barnes não ficaram satisfeitos com a "Chicago falsa", e a equipe de produção viajou à Chicago verdadeira para regravar algumas cenas nas Zonas Sul, Norte e no Centro. Assim como para Homem de Ferro, seria construúida uma armadura cenográfica da Coração de Ferro, usada durante as filmagens, com uma versão digital sendo usada nas cenas mais impossíveis, como as de voo, adicionada na pós-produção, durante a qual a versão cenográfica seria aprimorada por efeitos especiais. Os efeitos visuais da série ficariam a cargo das empresas Base FX, Cantina Creative, Frame by Frame, ILM, Luma Pictures, Rise FX, SDFX Studios, e Tippett Studio.

Coração de Ferro teria apenas seis episódios, e um final aberto - segundo a cúpula dos Marvel Studios, seria avaliado de acordo com o desempenho da série se ela ganharia uma segunda temporada ou não. Os três primeiros episódios estreariam em 24 de junho de 2025, e os três últimos em 1 de julho. Isso seria visto com preocupação por alguns críticos, por poder dar a entender que a Disney estava querendo "se livrar da série" o mais rápido possível, mas Disney e Marvel responderiam que era apenas um experimento para ver se o público do Disney+ aceitaria melhor esse formato, semelhante ao usado em Andor, do que à estreia de um episódio por semana. De fato, Coração de Ferro seria a série mais assistida do Disney+ e a terceira mais assistida de todos os streamings nas duas semanas em que seus episódios estrearam, mas depois a audiência caiu bastante; ainda assim, a série fecharia 2025 como uma das dez produções originais mais assistidas do ano.

A crítica ficaria dividida, elogiando o carisma e a confiança de Thorne, a mistura entre magia e tecnologia, e a presença de cena de Cohen como Mefisto; o ritmo dos episódios e as supostas lições de moral contidas neles, por outro lado, seriam bastante criticadas, com os críticos comentando que a série fazia questão de mostrar que foi feita para o público jovem, mas que seus criadores não queriam arriscar que o público tirasse os olhos da tela um minuto sequer. Antes da estreia, a série seria vítima de um review bombing, prática através da qual diversos usuários atribuem uma noa baixa ou crítica negativa em sites especializados, sem nem mesmo terem visto a produção; Feige comentaria não estar preocupado com isso, e que essa era uma prática comum em se tratando de produções estreladas por mulheres, pessoas não-brancas ou da comunidade LGBTQIA+.

Para terminar, vale citar que, de forma não oficial, Riri faria sua estreia cinematográfica bem antes de sua estreia no MCU, em um curta chamado Not All Heroes Wear Capes - But Some Carry Tubes ("nem todo herói usa capa - mas alguns carregam tubos"), produzido pelo departamento de admissões do MIT em 2017. Interpretada por Ayomide Fatunde, no curta Riri passeia pelo campus, assiste a algumas aulas, trabalha na armadura da Coração de Ferro em seu dormitório e, no final, sai com a armadura para um voo de teste. O curta teve autorização da Marvel Comics, e foi produzido para se aproveitar do fato de que nos quadrinhos Riri é aluna do MIT para convencer mais alunos a se matricular na instituição.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Thunderbolts*
•Coração de Ferro

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sábado, 20 de junho de 2026

Escrito por em 20.6.26 com 0 comentários

Universo Cinematográfico Marvel (XX)

E hoje teremos o quê? Mais MCU!

Capitão América: Admirável Mundo Novo
Captain America: Brave New World
2025

Em outubro de 2015, Kevin Feige confirmaria que Capitão América: Guerra Civil encerraria a trilogia de Steve Rogers como Capitão América no MCU, e que Chris Evans estaria negociando interpretar o personagem apenas nos filmes dos Vingadores, sem interesse em estrelar um quarto filme. Três anos depois, em outubro de 2018, a Marvel anunciaria estar desenvolvendo uma série estrelada por Anthony Mackie, que teria de lidar com o fato de ter sido escolhido por Rogers como seu sucessor após os eventos de Ultimato. Mais tarde revelada como sendo Falcão e o Soldado Invernal, essa série seria pensada para ter apenas uma temporada, embora sua diretora, Kari Skogland, tenha declarado que havia deixado pontas soltas suficientes para a Marvel fazer uma segunda temporada caso quisesse. Enquanto a série estava no ar, Feige diria que a série poderia até ter outra temporada, mas que o plano inicial era que ela fosse sucedida por um filme, como havia ocorrido com WandaVision.

Em abril de 2021, pouco após a estreia do último episódio de Falcão e o Soldado Invernal ir ao ar, o chefe de roteiristas da série, Malcolm Spellman, revelaria que ele e Dalan Musson já estavam escrevendo um roteiro para um novo filme, que seria estrelado por Mackie no papel do Capitão América, e que originalmente seria escrito por Rob Edwards, que havia abandonado o projeto por diferenças criativas. Mackie declararia ter sido pego de surpresa, pois não estava sabendo do projeto, mas que estava extremamente empolgado, e que seria "monumental" para ele, principalmente por ser um ator negro, protagonizar um filme do Capitão América. Ele só diria estar um pouco desapontado porque, durante as gravações da série, conversava frequentemente com seus colegas Sebastian Stan e Daniel Brühl sobre a possibilidade de uma segunda temporada, que o filme provavelmente mataria de vez.

A pré-produção começaria pra valer em julho de 2022, com a contratação de Julius Onah para a direção, recomendado a Feige pela atriz Octavia Spencer, estrela de seu filme Luce, de 2019. Onah faria uma longa reunião com Feige e Mackie na qual definiria pontos-chave do filme, fazendo questão de que ele fosse "um filme de Sam Wilson, não do Capitão América", mas que Wilson não mostraria nenhuma insegurança ou dúvida em assumir o papel do herói, estando "à vontade". A ideia da inclusão de Samuel Sterns - que não dava as caras no MCU desde O Incrível Hulk, de 2008 - e Thaddeus Ross viria de Feige, mas seria muito bem recebida por Onah, que diria ter sido esse um dos motivos que o levariam a aceitar o cargo, achando que um vilão que tem como maior trunfo o intelecto seria um oponente mais adequado para Wilson do que um puramente físico.

Onah também se diria interessado em explorar os relacionamentos entre Wilson e Ross e entre Wilson e Joaquin Torres, que havia estreado no MCU em Falcão e o Soldado Invernal, e, nos quadrinhos, é o segundo Falcão. Em reuniões com Spellman e Musson, eles decidiriam explorar também o relacionamento de Wilson com outro personagem introduzido na série, Isaiah Bradley, o "primeiro supersoldado negro"; o neto de Bradley, Eli, estava presente nas primeiras versões do roteiro, mas seria cortado por Onah achar que o filme tinha personagens demais. Onah declararia que a dinâmica entre Wilson, Ross e Sterns faria com que o filme se tornasse um thriller de espionagem, semelhante em tônica a Capitão América: O Soldado Invernal, e que seria um desafio alcançar essa tônica com a inclusão dos elementos fantásticos de O Incrível Hulk. O diretor também gostaria que o filme funcionasse por si só, e que os espectadores pudessem aproveitá-lo mesmo que não tivessem visto nenhum dos anteriores, com a melhor forma de fazer isso sendo revelando os eventos de O Incrível Hulk através de Wilson, que os estava descobrindo naquele momento.

Spellman e Musson diriam sempre ter pretendido incluir Stan no filme, e que era "impossível conseguir divorciar completamente o Falcão e o Soldado Invernal", mas que tentaram manter em segredo sua participação até o último instante possível. Eles também diriam que sempre pretenderam que o Soldado Invernal fizesse apenas uma participação curta, e que tiveram muita dificuldade para decidir em qual cena essa participação ficaria melhor, optando por uma na qual Barnes pudesse dar apoio emocional a Wilson. Outro elemento que os roteiristas haviam definido antes da contratação de Onah seria a participação da Sociedade da Serpente, vilões de longa data do Capitão América nos quadrinhos - e parte de uma piada feita por Feige, que "revelaria" que o terceiro filme do Capitão América se chamaria The Serpent Society, antes de admitir que isso só foi feito para não revelar cedo demais que se tratava de Guerra Civil. Os roteiristas admitiriam que, nos quadrinhos, os vilões eram meio cômicos, fantasiados de serpentes e com poderes bizarros, mas que decidiriam, no filme, transformá-los em um grupo terrorista que representasse uma ameaça real, chamado simplesmente Serpente.

Inicialmente, o título do filme seria revelado como Capitain America: New World Order ("Nova Ordem Mundial"), o que causaria muita controvérsia por seu uso na política, em teorias de conspiração e até mesmo em retórica antissemita; Spellman assumiria ser o criador do título, mas diria que o escolheria simplesmente por também ser o título do primeiro episódio de Falcão e o Soldado Invernal, e que ele teria sido aprovado por Feige e Onah. O título só seria alterado em junho de 2023, já durante as filmagens, pegando emprestado o do livro de Aldous Huxley; a mudança seria elogiada, principalmente por trazer otimismo ao futuro dos heróis Marvel após a mudança de Capitão América, enquanto o título anterior era visto como uma indicação de pessimismo.

Outro ponto de grande controvérsia seria a inclusão da personagem Sabra, que nos quadrinhos é agente do Mossad, o serviço secreto israelense, o que levaria a temores de representação estereotipada de árabes e palestinos, e a personalidades de origem palestina, como o escritor Yousef Munayyer, declararem que sua inclusão representava uma "valoirização do Mossad" e que era "insensível e degradante" mostrar um agente secreto israelense como herói. Em resposta, os Marvel Studios diriam que a personagem havia sido "reimaginada para o MCU", o que levaria a protestos de israelenses, com o Comitê para o Judaísmo na América declarando que "apagar o passado israelense de Sabra é como dizer que o Capitão América é canadense". No fim, a personagem seria uma ex-Viúva Negra israelense que ocupa um ponto-chave no governo dos Estados Unidos e atende pelo nome de Ruth Bat-Seraph, sem que o nome Sabra seja sequer mencionado - e sem que ela seja mutante ou agente do Mossad como nos quadrinhos, nem tenha nenhuma ligação com o governo de Israel. Ainda assim houve polêmica, com grupos pró-palestina pedindo para que houvesse boicote ao filme devido aos ataques na Faixa de Gaza, e grupos pró-Israel manifestando repúdio por uma israelense jurar lealdade a um governo estrangeiro.

William Hurt havia assinado contrato para estar no filme, e sido informado por Feige de que, assim como nos quadrinhos, nesse filme Ross se transformaria no Hulk Vermelho, se mostrando empolgado com a possibilidade, principalmente devido a uma fala do produtor Nate Moore: "transformar um personagem que tem sua vida devotada a caçar o Hulk em um Hulk é mais do que fazer dele o antagonista, é fazer dele um personagem trágico". Após o falecimento de Hurt, em março de 2022, Feige e Spellman considerariam remover Ross do filme, acreditando que nenhum ator concordaria em assumir o papel; Harrison Ford, entretanto, que já havia conversado com Feige sobre a possibilidade de interpretar algum personagem no MCU, procuraria Feige durante a pré-produção e diria ter interesse em assumir o papel de Ross, para honrar o trabalho de Hurt e permitir que o arco do personagem se concluísse. No filme, Ross é eleito Presidente dos Estados Unidos, o que geraria comparações com a saga dos quadrinhos Secret Empire, de 1974, na qual o Capitão América descobre que o Presidente é um agente da HYDRA, e com outro filme de Ford, Perigo Real e Imediato, de 1994, que mostra uma conspiração semelhante. Para que o aparecimento do Hulk Vermelho causasse impacto, Onah controlaria o uso da cor vemelha no filme, pedindo para que ela fosse usada sempre o mínimo possível, e sempre para "representar o caos".

O uniforme de Capitão América usado por Wilson, criado em Wakanda, seria redesenhado a pedido de Mackie: a primeira versão do uniforme, usada em Falcão e o Soldado Invernal, era baseada no uniforme branco que Wilson usou durante seu período como Capitão América nos quadrinhos, e tinha um capuz que o ator definiu como "seu pior pesadelo", já que era extremamente quente, fazendo-o suar e embaçando seus óculos. A nova versão, criada por Ryan Meinerding, era mais leve, e era predominantemente azul escuro, com toques de vermelho e branco, mais parecido com os uniformes usados por Chris Evans quando ele interpretou o personagem.

Capitão América: Admirável Mundo Novo também traz finalmente um uso para Tiamut, o Celestial que emerge do centro da Terra parcialmente no final de Eternos: introduzir o adamantium no MCU, com o mineral, até então desconhecido, sendo encontrado na carcaça de Tiamut. Isso leva a uma disputa para ver qual país controlará a extração, com Ross liderando as negociações. Originalmente, o roteiro previa vários países lutando pelos direitos, com uma cena final envolvendo porta-aviões e jatos de mais de dez nações diferentes, mas Onah, achando que tudo estava muito confuso, pediria para que a batalha fosse apenas entre Estados Unidos e Japão, com, na versão final, apenas essas duas nações reivindicando os direitos de exploração. A batalha em torno do Celestial seria o "momento Marvel" do filme, com muita computação gráfica e ação frenética, o que foi autorizado por Onah após ele concluir que fazê-la no mesmo estilo do resto do filme não estava dando certo.

Falando nisso, o diretor de fotografia, Kramer Morgenthau, diria querer homenagear filmes de espionagem dos anos 1970, como O Dia do Chacal e Todos os Homens do Presidente, e, para tentar conseguir uma aparência de filme fotográfico usando câmeras digitais, usaria lentes anamórficas antigas adaptadas, e estabeleceria regras quanto ao movimento das câmeras, composição de cores e textura de ambientes. Onah queria que as cenas de ação fossem "pé no chão" e que Wilson fizesse coisas que ainda não haviam sido mostradas em suas aparições anteriores; embora as cenas nas quais o Capitão América luta tenham sido retocadas digitalmente, o diretor faria questão de que elas mostrassem que, ao contrário de Rogers, Wilson não tem nenhum superpoder, contando apenas com sua perícia atlética e com os elementos de seu traje. Durante as filmagens, Onah revelaria ter co-escrito o roteiro com Spellman e Musson.

As filmagens começariam em Atlanta, Geórgia, em março de 2023; pouco após o início das filmagens, começariam as greves dos roteiristas e atores de Hollywood. Os Marvel Studios declarariam que a produção não seria afetada, pois as filmagens já estavam adiantadas, e o tempo parado seria usado em pós-produção e para definir refilmagens. A cidade de Washington D.C. é um dos principais locais explorados no filme, segundo Onah, não somente porque Ross é presidente, mas porque foi lá que Wilson estreou no MCU, em O Soldado Invernal, e por ser próxima à residência de Bradley, em Baltimore; apesar disso, apenas uma semana de filmagens de cenários foi conduzida na cidade, com locais como a Casa Branca e Hains Point sendo recriados em Atlanta, usando uma combinação de elementos de estúdio, réplicas - a da Casa Branca fica dentro dos Tyler Studios, e é local frequente de filmagens - e retoques digitais. As cerejeiras onde ocorre a batalha do Capitão América contra o Hulk Vermelho existem de verdade e foram um presente do governo japonês ao norte-americano, sendo plantadas ao redor da cidade de Washington; a ideia de fazer lá a batalha seria de Onah, que diria ter vívidas lembranças das cerejeiras por ter crescido em Arlington, Virgínia, próximo à capital norte-americana. Para não usar as cerejeiras originais, a equipe de produção recriaria o local em Atlanta, misturando cerejeiras de verdade e árvores digitais.

O filme começa cinco meses após Ross ser eleito Presidente dos Estados Unidos, com Wilson já plenamente estabelecido como Capitão América, e Torres como seu parceiro. Um tratado para a exploração do adamantium é fundamental para o mandato de Ross, e ele pede ajuda a Wilson para reformular os Vingadores, que atuariam como uma força de segurança global. Antes que Wilson possa responder, entretanto, estranhos eventos causam caos em Washington, orquestrados por Sterns, que, desde os eventos de O Incrível Hulk, era prisioneiro de Ross, aparentemente ajudando-o, mas secretamente trabalhando em um plano para transformar Ross no Hulk Vermelho e sabotar o tratado de exploração do adamantium, provocando a Terceira Guerra Mundial. O elenco conta com Anthony Mackie como Sam Wilson / Capitão América; Harrison Ford como Thaddeus Ross / Hulk Vermelho; Danny Ramirez como Joaquin Torres / Falcão; Shira Haas como Ruth Bat-Seraph; Carl Lumbly como Isaiah Bradley; Xosha Roquemore como Leila Taylor, agente do Serviço Secreto com um passado em comum com Wilson; Giancarlo Esposito como Seth Voelker / Coral, líder da Serpente; Liv Tyler como Betty Ross; Tim Blake Nelson como Samuel Sterns; Sebastian Stan como Bucky Barnes; Jóhannes Haukur Jóhannesson como Mocassino; William Mark McCullough como Dennis Dunphy; e Takehiro Hira como o Primeiro-Ministro do Japão.

Em outubro de 2023, seria noticiado na imprensa que o filme teria sido muito mal recebido pelas plateias de teste, e que três de suas principais sequências seriam cortadas, com extensas refilmagens sendo programadas para ocorrer entre janeiro e maio ou junho de 2024. Em dezembro, Rob Edwards e Peter Glanz seriam contratados para escrever as cenas das refilmagens. Nelson diria que as refilmagens mudariam praticamente todas as suas cenas, mas Mackie diria que nenhum dos principais elementos do filme seria alterado, e que as refilmagens cuidariam apenas de questões como ritmo e tônica para alcançar "o filme de espionagem perfeito"; imagens e declarações posteriores da equipe mostrariam que a aparência de Sterns seria drasticamente modificada, sendo usada uma nova prótese e mais retoques digitais, sendo esse o motivo pelo qual Nelson teve de refazer suas cenas. Outro boato que se espalhou foi que, originalmente, Ross morria no final do filme; isso seria negado por Onah, que diria "não ser tão fácil matar um Hulk". A cena pós-créditos do filme também seria filmada durante as refilmagens, com Onah usando o fato de querer ver quais futuros projetos dos Marvel Studios ainda estavam confirmados após as greves para decidir se a cena teria ligação com algum deles.

Em maio de 2024, Esposito confirmaria ter participado das refilmagens, interpretando "um personagem que anteriormente não estava presente no filme, mas que estrearia nele para posteriormente ter destaque em uma série do Disney+". Originalmente, esse personagem seria o Rei Cobra, e Moore diria que Esposito estava muito empolgado por um ator negro interpretar um personagem com "Rei" no nome, mas mais tarde Onah revelaria se tratar do Coral, que foi o fundador da Sociedade da Serpente nos quadrinhos, então faria sentido que ele introduzisse a equipe no MCU. Esposito substituiria dois outros atores, Seth Rollins e Rosa Salazar, que haviam interpretado Mocassino e Cascavel e acabaram cortados do filme após as refilmagens; a trama no filme de ambos seria condensada na trama dada a Coral, com Mocassino sendo reimaginado para o guarda-costas interpretado por Jóhannesson - que, na verdade, se parece mais com o Urutu dos quadrinhos. Ainda segundo Onah, os Mocassino e Cascavel originais estavam muito parecidos com os dos quadrinhos e destoando do clima de espionagem do filme, com a oportunidade de contar com Esposito também sendo usada para corrigir esse detalhe.

Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Weta FX, Digital Domain, Luma Pictures, Barnstorm VFX, UPP, OPSIS, e Outpost VFX. Os retoques digitais na aparência de Stern ficariam a cargo da Luma, enquanto a Weta criaria o Hulk Vermelho, trabalhando sob supervisão de Meinerding; a intenção era fazer dele não "o Hulk, só que vermelho", mas uma versão mais ameaçadora do Hulk, com postura mais ereta e aparência mais atlética, mantendo ao máximo as feições de Ford. O próprio Ford forneceria a captura de movimentos, exceto na cena da luta contra o Capitão América, na qual Mackie lutaria contra um dublê cujo nome não foi registrado. Originalmente, a primeira transformação de Ross no Hulk Vermelho seria mais atemorizante, com ossos partindo e pele se rasgando, mas a versão preliminar não ficaria boa e a equipe optaria por uma transição mais suave; a Weta também criaria um processo no qual o Hulk Vermelho voltava a ser Ross, mas Onah acharia que isso quebraria "a tranquilidade da cena" e não o usaria. Tiamut e a batalha pelo adamantium ficariam a cargo da Digital Domain, que usaria o mesmo modelo digital de Eternos, mas em escala menor.

Capitão América: Admirável Mundo Novo seria o primeiro filme dos Marvel Studios sem o logotipo tradicional no início; a pedido de Onah, seria usada uma versão estática, em preto e branco e sem fanfarra, mais de acordo com o clima do filme. Sua estreia mundial seria em 14 de fevereiro de 2025, após uma pré-estreia no TCL Chinese Theatre, em Hollywood, dia 11. Seu orçamento seria de 180 milhões de dólares, considerado muito barato para um filme dessa magnitude, mas seu desempenho nas bilheterias seria considerado decepcionante: 200 milhões nos Estados Unidos e Canadá, 415 milhões considerando o mundo inteiro. Feige atribuiria o mau desempenho à ausência de Evans, mas alguns analistas o colocariam na conta de ser um filme com um protagonista negro com um parceiro latino. A crítica ficaria dividida, elogiando as performances de Mackie e Ford, mas criticando as cenas de ação e considerando o roteiro sem originalidade nem profundidade emocional. Muitos críticos acreditariam que Ross era uma alegoria para o presidente Donald Trump, o que foi negado por Onah, outros diriam que, para um filme político, estava faltando política.

Em janeiro de 2025, Mackie diria estar pronto para interpretar o Capitão América "por mais dez anos"; até o momento, porém, não há planos para um novo filme solo do herói, embora sua participação já esteja confirmada nos dois vindouros filmes dos Vingadores.

Demolidor: Renascido
Daredevil: Born Again
1ª temporada
2025

Uma das maiores discussões dos fãs do MCU é sobre se as Séries Marvel da Netflix pertencem ou não ao cânone - em outras palavras, se Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores e O Justiceiro são ambientados na Linha do Tempo sagrada ou em alguma realidade alternativa. No início, não havia nenhuma dúvida, com os personagens dessas séries até mesmo estando cotados para aparecer em Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores:Ultimato, mas, após o final da Fase 3 e da Saga do Infinito, o posicionamento oficial dos Marvel Studios era que não, as séries não eram ambientadas no mesmo universo dos filmes lançados até então. Como os personagens eram populares demais e os atores bons demais para serem descartados assim sem mais nem menos, porém, os próprios Marvel Studios deram um jeito de introduzi-los no MCU aos poucos, primeiro com uma participação do Rei do Crime em Gavião Arqueiro, então uma de Matt Murdock em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, e em seguida uma dele como Demolidor em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis. Apesar de serem interpretados pelos mesmos atores, as "versões MCU" desses personagens pareciam ligeiramente diferentes de suas "versões Netflix", o que aparentemente confirmava o posicionamento oficial. Mas aí uma nova série entrou em desenvolvimento, e colocou mais lenha na fogueira.

Quando Demolidor foi cancelada pela Netflix, em 2018, logo começaram a surgir boatos de que a série poderia ganhar uma nova temporada no serviço de streaming da Disney, o Disney+, que sequer havia sido lançado; o contrato entre Disney e Netflix, porém, estipulava que a Disney não poderia usar nenhum dos personagens das séries financiadas pela Netflix durante um período de dois anos após o cancelamento, o que significava que, se fosse mesmo ser produzida, uma nova série ou temporada do Demolidor só poderia entrar em produção a partir de 2020. Devido à grande popularidade da série, tanto o presidente do setor de venda direta ao consumidor da Disney quanto o vice-presidente do serviço de streaming Hulu, que também pertence à Disney, tinham interesse em que fosse produzida uma quarta temporada, mas os executivos dos Marvel Studios pareciam não ter quaisquer planos para que isso fosse concretizado.

Quando as negociações finalmente começassem, em junho de 2020, a ideia original de Kevin Feige era fazer uma nova série sem qualquer ligação com as da Netflix, mas ainda trazendo Charlie Cox como Demolidor e Vincent D'Onofrio como Rei do Crime, segundo ele, porque esses atores já estavam intrinsecamente ligados aos personagens, "assim como Robert Downey, Jr. a Tony Stark e Chris Evans a Steve Rogers". Cox, que havia ficado bastante triste com o cancelamento de Demolidor, aceitou o convite na hora, com apenas alguns trâmites legais impedindo o anúncio de seu retorno ao personagem, feito simultaneamente ao de D'Onofrio, em dezembro de 2021, pouco antes das estreias de Gavião Arqueiro e Homem-Aranha: Sem Volta para Casa - no qual a participação de Cox foi mantida em segredo. Os planos para uma nova série do Demolidor, que estrearia no Disney+, começariam a ser traçados no mês seguinte, em janeiro de 2022, dois meses antes de os direitos da Netflix sobre as séries expirarem e elas também entrarem para o catálogo do Disney+, em março.

Ao contrário de Feige, Cox desejava que a nova série fosse uma continuação direta da original, ambientada alguns anos após o final da terceira temporada, e com classificação TV-MA - inadequada para menores de 18 anos - acreditando ser impossível retratar o universo do Demolidor de forma fidedigna em uma série de classificação Livre. O ator também tinha interesse em fazer da nova série uma adaptação mais fiel da história A Queda de Murdock, de Frank Miller e David Mazzucchelli, que serviu de inspiração para a terceira temporada da série da Netflix. Tudo isso foi levado em conta nas reuniões que o ator fez com os executivos dos Marvel Studios enquanto aguardava o anúncio de sua contratação.

Em maio, a nova série do Demolidor seria oficialmente anunciada pela Disney, com Matt Corman e Chris Ord sendo anunciados como chefes da equipe de roteiristas. Em julho, seria anunciado o título da série, Daredevil: Born Again - o título original de A Queda de Murdock em inglês, que também significa "renascido" - e que não se tratava de uma quarta temporada, mas de "uma coisa totalmente nova", com a equipe desconversando sempre que era perguntado se a série seria um reboot. Inicialmente, seriam anunciados 18 episódios, com Cox comentando que isso seria "um grande esforço", mas necessário, já que a série lidaria "com muitos aspectos da vida de Murdock como advogado". O título seria entendido não como uma adaptação de A Queda de Murdock, mas como o Demolidor "renascendo" para ser adaptado ao MCU, em uma referência semelhante à feita quando a Marvel decidiu chamar o primeiro filme do Homem-Aranha no MCU de Homecoming. Mais tarde, D'Onofrio confirmaria essa versão, dizendo que não havia planos para conectar a nova série à original.

A pré-produção começaria em março de 2023, com o anúncio de que diretores haviam sido contratados para dirigir episódios em blocos: Michael Cuesta seria responsável pelos dois primeiros, Jeffrey Nachmanoff pelos dois seguintes, David Boyd pelo quinto e sexto, e Clark Johnson, que havia dirigido episódios de Luke Cage, por dois não especificados. Quando as greves dos roteiristas e atores de Hollywood começasse, em maio, seis dos episódios já estavam praticamente finalizados, e o restante já tinha roteiros, aguardando a conclusão das negociações para que sua produção começasse. Em setembro de 2023, entretanto, em meio às greves, a cúpula dos Marvel Studios decidiria descartar tudo e recomeçar tudo do zero, com o argumento de que tinha assistido aos episódios já filmados e concluído que a série "não estava funcionando". Corman, Ord e todos os diretores foram demitidos, e todo o processo de escolha de roteiristas e diretores recomeçaria.

Pessoas que tiveram acesso aos episódios já filmados diriam que a mudança ocorreria porque Cordman e Ord estavam de fato fazendo uma série diferente daquela da Netflix, mas diferente demais: os roteiristas haviam criado uma série de tribunal com natureza episódica, na qual cada episódio tinha uma história fechada, com início, meio e fim, sem afetar aos demais, e na qual o foco estava muito mais na profissão de Matt como advogado do que em sua vida dupla como Demolidor - ele só apareceria de uniforme no quarto episódio, e não combateria diretamente o crime em nenhum dos já filmados. Isso desagradaria à cúpula dos Marvel Studios, que, apesar de não querer ligações com a série da Netflix, desejava que o tom fosse, ao menos, parecido.

Outro elemento bastante criticado, esse inclusive pelo público, seria que, exceto por Cox, D'Onofrio e Jon Bernthal, que interpreta o Justiceiro, todo o elenco da série seria completamente novo, com o único outro personagem presente na série da Netflix retornando para a da Disney sendo Vanessa Fisk, que seria interpretada por Sandrine Holt - boatos jamais confirmados diziam que Jessica Jones e o policial Brett Mahoney também estariam na série, sem especificar se interpretados por seus atores originais ou não, e que Luke Cage estaria, mas interpretado por outro ator. Após a mudança, a equipe criativa decidiria convidar Ayelet Zurer, intérprete de Vanessa na série da Netflix, para repetir o papel em Demolidor: Renascido, e incluir na história Foggy Nelson, Karen Page e o Mercenário, todos interpretados por seus atores da Netflix. Bernthal diria ter pensado em abandonar a série, e voltado atrás quando permitiram que ele escrevesse a cena na qual o Justiceiro é introduzido na série, que seria a última gravada antes da paralisação pela greve dos roteiristas; Cox diria que Bernthal seria um dos principais responsáveis pela mudança na equipe criativa, com os executivos dos Marvel Studios concluindo que seria melhor aproximar a série do estilo adotado pela Netflix após assistir sua cena.

Brad Winderbaum, chefe do departamento de streaming da Disney, defenderia Cordman e Ord, que ainda seriam creditados como produtores executivos, dizendo que eles haviam recebido instruções para que, apesar de contarem com Cox e D'Onofrio, fizessem da série um "reset", já que os Marvel Studios acreditavam que, se houvesse desconfiança de que era necessário assistir às três temporadas da série da Netflix para compreender a nova série, espectadores novos poderiam não se interessar, diminuindo a audiência. Além disso, Feige confirmaria que a ideia inicial era fazer uma série episódica, diferentemente das séries da Fase 4, que pareciam um filme dividido em vários episódios, e que o intuito era fazer a série parecida com a da Netflix, mas "apropriada para espectadores mais jovens".

Tanto Cox quanto D'Onofrio, porém, elogiariam a mudança, dizendo estar convencidos de que a abordagem de Cordman e Ord não era a mais correta, com Cox declarando que as versões do Demolidor e do Rei do Crime "estavam sendo tratados como variantes", em uma referência ao termo usado em Loki, querendo dizer que eram diferentes demais de suas versões na série da Netflix, e D'Onofrio declarando que Feige ouviu as preocupações da dupla, concluindo que um "reboot parcial" seria impossível, com os únicos caminhos sendo ou "abraçar a série da Netflix", ou recomeçar a história do Demolidor do zero.

Em outubro de 2023, Dario Scardapane, que havia sido roteirista da série do Justiceiro da Netflix, seria anunciado como o novo showrunner de Demolidor: Renascido, com os diretores Justin Benson e Aaron Moorehead, que haviam trabalhado em Cavaleiro da Lua e Loki sendo anunciados no mês seguinte. Exceto por Cordman e Ord, a equipe de roteiristas seguiria a mesma, e, após a chegada de Scardapane, se diria convencida de que o único caminho possível era fazer da nova série uma continuação da série da Netflix, usando os mesmos personagens e seguindo com suas histórias. Cox diria que, ainda assim, não seria uma "quarta temporada", e que os roteiristas estavam tentando encontrar um "equilíbrio delicado" para introduzir o Demolidor no MCU sem que fosse necessário trazer toda a bagagem da Netflix junto. Benson e Moorehead se diriam extremamente empolgados com o projeto, principalmente por ele ser mais "pé no chão", sem os elementos de fantasia e ficção científica de seus trabalhos anteriores para os Marvel Studios; D'Onofrio declararia que os diretores estavam dentre os principais talentos da Marvel, e diria estar ansioso para trabalhar com eles.

Ao invés de escrever todos os roteiros do zero, a equipe de roteiristas optaria por reescrever os que já tinham antes da mudança, com apenas três episódios tendo roteiros totalmente novos, dentre eles o piloto - e o segundo tendo tido tão pouca coisa alterada que continuou creditado a Cordman e Ord. Da mesma forma, algumas cenas dirigidas por Cuesta, Nachmanoff e Boyd seriam aproveitadas - como a da introdução do Justiceiro - com os três sendo "recontratados" em agosto de 2024, e Nachmanoff e Boyd retornando para filmar novas cenas e ajudar Benson e Moorehead a fazer um trabalho final coeso. Em maio de 2024, Cox diria que apenas nove episódios haviam sido filmados, com Feige confirmando que se tratava "da primeira temporada de Demolidor: Renascido", com os demais nove tendo sido adiados para uma segunda temporada. No fim, os roteiros seriam creditados a Scardapane, Cordman & Ord, Jill Blankenship, David Feige e Jesse Wigutow, Grainne Godfree, Thomas Wong, Blankenship, Wigutow & Scardapane, e Heather Benson & Scardapane. A direção do primeiro e a dos dois últimos seria creditada a Benson & Moorehead, com, no meio, dois de Cuesta, dois de Nachmanoff e dois de Boyd.

Scardapane diria ter sido um grande desafio fazer a série com referências aos elementos da Netflix, mas com uma história totalmente nova, que os espectadores pudessem assistir sem ter tido de ver as três temporadas anteriores. Ele confirmaria que, oiginalmente, a série seria ambientada em uma realidade diferente - ou melhor, Demolidor: Renascido seria ambientada na Linha do Tempo Sagrada, enquanto a série da Netflix seria ambientada em uma realidade alternativa - e que, originalmente, Foggy e Karen sequer apareceriam na série, com a equipe de roteiristas tendo grande dificuldade para encaixá-los na história. Scardapane também diria que muitas de suas ideias seriam vetadas pelos Marvel Studios por entrar em conflito com o que estava sendo planejado para o MCU como um todo, mas que, fora isso, teve carta branca para usar os personagens da forma como achasse melhor. Ele preferiria ignorar as aparições de Murdock em Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa e Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, considerando que elas fizeram parte da vida do personagem, mas não tinham impacto sobre a história que ele estava vivendo agora.

Um dos pontos-chave da série é a morte de Foggy nas mãos do Mercenário, após a qual Matt passa um ano sem usar o uniforme de Demolidor, querendo deixar a vida de vigilante para trás. Esse evento já estava presente no roteiro original de Cordman e Ord, mas ocorreria fora da tela, com a primeira cena do primeiro episódio sendo o Demolidor chorando por sob a máscara. Scardapane decidiria começar o piloto com Matt, Foggy e Karen confraternizando antes da intervenção do Mercenário que levaria à morte de Foggy, para deixar claro que o mundo do Demolidor havia sido alterado irreversivelmente, e então fazer uma passagem de tempo de um ano para começar de fato a série. O morte de Foggy seria um dos pontos mais criticados do roteiro original, e vários dos roteiristas quiseram aproveitar a mudança na equipe criativa para removê-la da história, mas Scardapane a defenderia, alegando que fazia sentido para a história que ele estava imaginando que Matt "perdesse seu compasso moral", e que esse evento seria "mais que um ponto de virada, seria um terremoto", inclusive comparando-a com um evento dos quadrinhos, no qual o Mercenário mata Karen. Cox concordaria que a morte de Foggy seria a única coisa capaz de fazer Matt abandonar por um ano sua carreira como Demolidor, e sugeriria que o Demolidor pudesse ouvir o coração de Foggy batendo durante sua luta contra o Mercenário, o que Scardapane adorou e acrescentou ao roteiro imediatamente.

Outro ponto central da série, criado por Cordman e Ord e mantido por Scardapane, é a eleição de Fisk como prefeito de Nova Iorque, algo que começaria a ser construído na série Eco. Segundo Scardapane, isso daria a oportunidade de o Demolidor e o Rei do Crime se enfrentrarem no campo político, ao invés de trocarem socos. Scardapane diria se inspirar em filmes e séries dos anos 1990, principalmente Familia Soprano (curiosamente, Michael Gandolfini, que interpreta um dos assessores de Fisk, é filho de James Gandolfini, que interpretava Tony Soprano) e Rei de Nova York, para criar o clima da série, e desejar que ela fosse uma espécie de Game of Thrones, com vários grupos diferentes lutando pelo controle da cidade. Quando surgiu a informação de que Fisk seria eleito prefeito, houve especulação de que a série adaptaria a saga dos quadrinhos Reinado do Demônio; Scardapane diria essa nunca foi uma das intenções da equipe criativa, já que a saga dos quadrinhos conta com a participação de diversos heróis Marvel e termina com a destruição de Nova Iorque - ainda assim, como nos quadrinhos, na série Fisk visa proibir a atuação de super-heróis na cidade.

A série começa um período de tempo não especificado após a terceira temporada da Netflix, mas com Matt, Foogy e Karen sendo bem-sucedidos na firma Murdock, Nelson & Page. Após a morte de Foggy, há uma passagem de um ano, durante o qual Matt não vestiu o uniforme de Demolidor nem teve contato com Karen. Fundando uma nova firma, a Murdock & McDuffie, Matt tem a oportunidade de defender outro super-herói, o Tigre Branco, acusado de matar um policial, e descobre um esquema de corrupção na polícia de Nova Iorque. Paralelamente a isso, Fisk é eleito prefeito, bane o vigilantismo, e cria uma divisão especial da polícia - formada justamente pelos corruptos - para assumir o combate ao crime feito pelos heróis fantasiados. Matt decide voltar a usar o uniforme de Demolidor quando o assassino serial Muse ameaça seus entes queridos, disposto a provar que Fisk não se redimiu e está do lado da lei, mas sim contribuindo para que a cidade fique ainda mais perigosa.

O elenco conta com Charlie Cox como Matt Murdock / Demolidor; Vincent D'Onofrio como Wilson Fisk / Rei do Crime; Margarita Levieva como Heather Glenn, psicóloga que atua como terapeuta de casal para Fisk e Vanessa, com quem Matt, sem saber disso, tem um romance; Deborah Ann Woll como Karen Page; Elden Hanson como Franklin "Foggy" Nelson; Wilson Bethel como Benjamin "Dex" Poindexter / Mercenário; Ayelet Zurer como Vanessa Fisk; Zabryna Guevara como Sheila Rivera, coordenadora de campanha de Fisk; Nikki M. James como Kirsten McDuffie, ex-promotora e sócia de Matt na nova firma; Genneya Walton como BB Urich, sobrinha de Ben Urich e também jornalista, responsável pelo canal The BB Report; Arty Froushan como Buck Cashman, braço-direito de Fisk; Clark Johnson como Cherry, ex-policial, amigo de longa data de Matt e investigador na Murdock & McDuffie; Michael Gandolfini como Daniel Blake, assessor de Fisk; Kamar de los Reyes como Hector Ayala / Tigre Branco; Camila Rodriguez como Angela del Toro, sobrinha de Hector; Hunter Doohan como Bastian Cooper / Muse; Tony Dalton como Jack Duquesne / Espadachim; Mohan Kapur como Yusuf Khan; e Jon Bernthal como Frank Castle / Justiceiro. Participações especiais incluem Ruibo Qian como a policial Angie Kim; Patrick Murney, Cillian O'Sullivan e Gino Anthony Pesi como Luca, Devlin e Viktor, criminosos de diferentes famílias que querem destronar Fisk e mandar na cidade; Hamish Alln-Headley como o policial corrupto Connor Powell, da confiança de Fisk; Michael Gaston como o Comissário de Polícia Gallo; John Benjamin Hickey como Benjamin Hochberg, promotor de Nova Iorque; Lou Taylor Pucci como Adam, artista que tem um caso com Vanessa; e Susan Varon como Josie, dona do bar frequentado por Mat, Foggy e Karen.

Assim como a série da Netflix, Demolidor: Renascido seria integralmente filmada em Nova Iorque, com as internas sendo gravadas nos Silvercup Studios, no Queens, e externas sendo filmadas em Yonkers, em Williamsburg, no Bronx, no Harlem, no Manhattan Municipal Building e na Suprema Corte de Nova Iorque. O primeiro episódio conta com uma cena em plano-sequência, algo pelo qual a série da Netflix se tornaria famosa. As cenas do BB Report seriam gravadas pelos documentaristas independentes Sean Dunne e Cass Marie Greener, da Very Ape Productions, sob supervisão de Nachmanoff, que os orientou a fazê-los "como se fossem estudantes de cinema"; esses segmentos tinham cada um uma ideia central, mas não tinham roteiros, com todos os atores falando de improviso.

O uniforme do Demolidor seria desenhado por Ryan Meinerding, que também havia criado o uniforme usado na série da Netflix, mas, a pedido de Feige, o faria com um tom de vermelho mais escuro e com detalhes em preto, para que ele ficasse "menos brilhante" que o da Netflix; boatos diriam que, antes da mudança, o Demolidor usaria em Renascido o uniforme vermelho e amarelo de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, mas Meinerding os desmentiria, confirmando que o herói usava seu uniforme vermelho e preto nos episódios gravados antes das greves dos atores e roteiristas.

Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Rise FX, FOLKS, Phosphene, Powerhouse VFX, Ghost VFX, Soho VFX, Cantina Creative, Anibrain, Base FX, SDFX e The Third Floor, Inc. A abertura também seria totalmente nova, ficando a cargo da Perception e trazendo música dos Newton Brothers, responsáveis por toda a trilha da série, que fariam um remix do tema de abertura original, criado por John Paesano e Braden Kimball. Ao invés de efeitos que simulavam sangue, como a da série da Netflix, ela trazia efeitos que simulavam pedras e poeira, mas vários dos temas presentes na abertura, como a estátua da justiça e a máscara do Demolidor, seriam semelhantes.

Demolidor: Renascido traria em seu início o logotipo da Marvel Television, e estrearia no Disney+ em 4 de março de 2026, com dois episódios; um novo episódio seria lançado por semana, exceto em 25 de março, quando também foram lançados dois, com o último sendo lançado em 15 de abril. A crítica seria extremamente positiva, considerando que a série "superou expectativas" e elogiando as atuações e a química entre Cox e D'Onofrio. Os dois episódios de estreia de Demolidor: Renascido foram a audiência mais alta do Disney+ em 2025 e a segunda mais alta de toda a Fase 5, atrás apenas dos de Agatha Desde Sempre; a série seria a mais assistida do streaming em suas duas últimas semanas, e fecharia o ano dentre as dez mais assistidas nos Estados Unidos, entre as três primeiras se forem consideradas somente produções originais.

Em agosto de 2024, Scardapane confirmaria que a série havia sido dividida em duas temporadas, com ele, Benson e Moorehead sendo confirmados na segunda temporada em fevereiro de 2025, quando o showrunner declararia que "a máquina estava melhor azeitada" após a produção confusa da primeira temporada, e que a segunda teria apenas oito episódios. Scardapane também diria estar planejando a aparição, na segunda temporada, de mais personagens das séries da Netflix, como Elektra, o Tentáculo, e os demais Defensores, com a presença de Jessica Jones, novamente interpretada por Krysten Ritter, sendo confirmada em maio de 2025. No mês seguinte, Cox e D'Onofrio diriam que havia a chance até mesmo de uma terceira temporada, caso a audiência da segunda fosse boa. Em setembro de 2025, Winderbaum confirmaria a terceira temporada, declarando, também, que, devido ao grande sucesso e boa recepção da primeira, a série ganharia uma nova temporada por ano até quando fosse possível.

Mas e aí, após a estreia de Demolidor: Renascido, as séries da Netflix passaram a ser cânone? Por incrível que pareça, a posição oficial dos Marvel Studios segue sendo que não - restando a única explicação de que as séries da Netflix são de fato ambientadas em uma realidade alternativa, mas em uma na qual os eventos retratados nelas ocorreram de forma muitíssimo parecida com os da Linha do Tempo Sagrada.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Capitão América: Admirável Mundo Novo
•Demolidor: Renascido
(1ª temporada)

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sábado, 9 de maio de 2026

Escrito por em 9.5.26 com 0 comentários

Modern Family

Ainda no espírito de falar sobre séries que já tenham se encerrado e eu já terminei de ver, apenas recentemente consegui terminar Modern Family, então vou fazer um post sobre ela também.

Modern Family é uma série de drama e comédia que intercala cenas das situações vividas pelos personagens com depoimentos deles sobre os eventos mostrados, como se fosse um documentário - no estilo hoje chamado de mockumentary, mais ou menos no estilo de The Office, mas com a diferença de que The Office era filmada como se alguém de fato estivesse registrando o dia a dia da empresa, enquanto Modern Family seria uma sitcom normal se não fosse pelos depoimentos dos personagens.


A série conta a história de três famílias. A primeira é a hoje chamada família nuclear, composta pelo pai, mãe e três filhos, que quando a série começa, são crianças, vivendo juntos em uma casa do subúrbio de Los Angeles. O pai é Phil Dunphy (Ty Burrell), corretor imobiliário por profissão, mágico amador por hobby, um cara divertido e boa praça, apesar de meio atrapalhado, que se esforça para ser um "pai legal" e é dedicado à família acima de tudo. A mãe é Claire (Julie Bowen), que, no início da série, é dona de casa em tempo integral, mas mais tarde vai trabalhar na empresa do pai, uma mulher de gênio forte, um tanto controladora, que tem mania de organização, mas é capaz de fazer o impossível para proteger, defender e agradar sua família. Claire engravidou de Phil na adolescência e contra a vontade do pai, que não ia com a cara dele, e o resultado foi Haley (Sarah Hyland), que, no começo da série, tem por volta de 15 anos, uma menina extremamente bonita, popular e criativa, mas não muito inteligente. Depois que Phil e Claire se casaram, tiveram outra filha, Alex (Ariel Winter), o oposto da irmã, absurdamente inteligente mas sem nenhum traquejo social, que no início da série tem uns 12 anos. O filho mais novo do casal é Luke (Nolan Gould), que é cuiroso, bondoso e bem intencionado, mas tão atrapalhado quanto o pai e tão sem noção quanto Haley.

A segunda família é composta por um casal homossexual, Mitchell Pritchett (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron Tucker (Eric Stonestreet). Mitchell é o irmão mais novo de Claire e é advogado, começando a série como especialista em direito ambiental, mas passado por vários ramos até se encontrar; ele também tem a mania de organização da irmã, e é quase tão atrapalhado quanto Phil. Já Cam, que nasceu numa fazenda no interior do Missouri, é músico e palhaço, se apresentando com o nome de Fizbo, gosta de ser o centro das atenções e frequentemente tenta manipular Mitchell para que suas decisões sejam vistas pelo marido como decisões "do casal"; Cam também é fanático por futebol americano, para espanto dos que acham que gays não se interessam por esse esporte, e, mais adiante na série, consegue um emprego como treinador do time do colégio onde Luke estuda. Quando a série começa, Mitchell e Cam adotaram uma menina vietnamita recém-nascida, a qual chamaram de Lily Tucker-Pritchett (as gêmeas Jaden e Ella Hiller nas duas primeiras temporadas, Aubrey Anderson-Emmons a partir da terceira), que, quando cresce, se torna geniosa e sarcástica, mas com um amor incondicional pelos pais. Mitchell e Cam moram em uma pequena casa alugada de dois andares independentes na cidade, mais tarde na série obtendo permissão do proprietário para alugar o andar de cima e passando várias confusões com os inquilinos.

Claire e Mitchell são filhos de Jay Pritchett (Ed O'Neill, de Um Amor de Família), que nasceu na pobreza, mas venceu na vida com o próprio trabalho, e hoje é presidente da fábrica de armários Pritchett Closets, morando em uma mansão com piscina em uma espécie de condomínio fechado. Pouco antes do início da série, Jay, que se divorciou da mãe de Claire e Mitchell anos antes, se casa com Gloria Ramirez (Sofía Vergara), colombiana bonitona que já trabalhou como taxista e cabeleireira, dentre outras profissões, que tem um pouco de dificuldade em se socializar por estranhar os costumes dos Estados Unidos, e costuma contar histórias bizarras de sua cidade natal. Gloria está sempre disposta a ajudar todo mundo, mas tem um gênio forte e não gosta de ser contrariada; ela tem um filho de um casamento anterior, Manny Delgado (Rico Rodriguez), que, cronologicamente, tem a mesma idade de Luke, mas, espiritualmente, parece ter uns 40 anos, gostando de chá, moda de alta costura e flauta peruana, dentre outros hábitos curiosos, o que faz com que ele tenha dificuldades de se socializar e seja alvo de várias piadas de Jay, sendo superprotegido por Gloria. No início da série, Claire não vai com a cara de Gloria, que é praticamente de sua idade (em um dos episódios, inclusive, Jay diz que Claire é mais velha que Gloria) e vista por ela como uma excentricidade cometida pelo pai.

Modern Family seria uma criação de Steven Levitan e Christopher Lloyd (que não é o cientista de De Volta para o Futuro, e sim um homônimo), que, um dia, estavam conversando e contando histórias de suas próprias famílias, e concluíram que histórias desse tipo seriam uma boa base para uma série de TV. Inicialmente, eles pensaram em fazer um mockumentary que acompanhasse o dia a dia de uma família, chamando a série de My American Family, mas, conforme trabalhavam a ideia, decidiram fazer três famílias de três tipos diferentes e as relações entre elas, concluindo que o texto funcionaria melhor se as três também fossem ligadas por laços familiares entre elas. Nos primeiros rascunhos do roteiro, a série seria um documentário filmado por um holandês chamado Geert Floortje, que foi estudante de intercâmbio, morando com os Pritchett, tendo se apaixonado por Claire, e com Mitchell tendo se apaixonado por ele; conforme novas histórias eram escritas, porém, Lloyd concluiria que essa abordagem não iria funcionar, e preferiria fazer "uma série familiar ao estilo documental", mantendo a parte de mockumentary restrita aos comentários dos personagens.

Lloyd e Levitan ofereceriam a série aos canais CBS, NBC e ABC, propositalmente não a oferecendo à Fox, devido a problemas que tiveram com o canal enquanto produziam outra série, Back to You. A NBC, que já exibia The Office e Parks and Recreation, não quis um terceiro mockumentary em sua grade, e a CBS achou que a série poderia ser cara para se produzir sem garantia de retorno, mas a ABC gostaria da premissa e encomendaria um piloto, exibido não só para os executivos do canal, mas para grupos de testes selecionados, que o aprovaram. Inicialmente, a ABC encomendaria apenas 13 episódios, mas, após o sucesso dos três primeiros, encomendaria uma temporada completa de 24. O sucesso da série seria tão grande que ela acabaria tendo nada menos que 11 temporadas; a partir da quinta, ela também seria negociada em syndication, para que os episódios já exibidos pela ABC pudessem passar em canais locais e a cabo, começando pela USA Network e pela FTS, de propriedade da Fox.

Falando nisso, curiosamente, para que a série pudesse se tornar realidade, a Lloyd-Levitan Productions teria que fazer uma parceria justamente com a 20th Century Fox, já que a ABC pertence à Disney, que não estava interessada na época em co-produzir uma sitcom. Lloyd e Levitan fariam um acordo muito bem detalhado com a Fox, para evitar novos dissabores, com ambos sendo showrunners e chefes da equipe de roteiristas, e tendo a palavra final sobre quaisquer mudanças que a Fox ou a ABC quisessem fazer na série, inclusive mudanças de dia e horário. A partir da segunda temporada, Lloyd e Levitan deixariam de ser co-showrunners e decidiriam cada um ser o único showrunner da metade dos episódios de cada temporada; segundo Levitan, ambos tinham opiniões fortes sobre como cada episódio deveria ser, então não fazia sentido eles se sentarem e debaterem toda vez que discordavam, sendo preferível que cada um pudesse ter controle total sobre metade dos episódios.

O'Neill, que era o ator mais conhecido do elenco, fez testes para o papel normalmente, e inicialmente foi rejeitado, com o diretor de elenco Jeff Greenberg achando que Craig T. Nelson havia se saído melhor; Nelson, porém, teve problemas para negociar seu salário e acabou desistindo, com Levitan e Lloyd pedindo para que O'Neill o substituísse. Ferguson inicialmente fez o teste para o papel de Cam, mas Greenberg acharia que ele combinava mais com Mitchell; em entrevistas, Stonestreet declararia "ter tido que se esforçar mais que os outros" para ficar com o então vago papel de Cam, já que era um ator pouco conhecido na época. E Bowen seria a primeira escolha de Greenberg para o papel, mas quase teve de desistir, pois estava grávida de gêmeos quando a chamaram para gravar o piloto; qualquer atraso e seria impossível disfarçar sua barriga.

Uma das razões para o sucesso de Modern Family seria sua inovação e inventividade em relação às outras séries da época no tocante a vários temas, como, por exemplo, a tecnologia. Segundo Levitan, ele e Lloyd costumavam conversar sobre como "o telefone celular matou as sitcoms", já que ninguém tem mais motivos para ficar indo à casa dos outros com frequência; em Modern Family, os personagens se reúnem frequentemente, mas também fazem uso diário de chamadas de vídeo pelo celular e pelo computador, de redes sociais e de sites de compras online, com Phil inclusive sendo um fanático por tecnologia que gostava de ter sempre os gadgets mais modernos. Isso faria com que Modern Family se tornasse a primeira série na qual a comunicação online é praticamente parte do enredo, refletindo na tela tendências que já estavam ocorrendo com as famílias da vida real.

Modern Family também seria a primeira série a mostrar no horário nobre um casal gay formando uma família e passando por todas as etapas da criação de um filho. A forma como Cam e Mitchell foram retratados - em uma série de comédia, mas sem serem caricatos - receberia elogios de várias organizações que lutam pelos direitos da comunidade LGBTQ+, e, segundo pesquisas, seria responsável por uma maior aceitação, nos Estados Unidos e Canadá, de casais gays que moram juntos, formam famílias ou adotam crianças. Cam e Michell também possuem vários amigos gays, muitos deles também casados ou com filhos adotivos, que foram ganhando cada vez mais destaque na série conforme os produtores viam que havia aceitação do público, o que contribuiu até mesmo para a introdução de personagens gays que não fossem caricatos em outras séries, que, vendo o sucesso de Modern Family, perderiam o medo de arriscar; um exemplo frequentemente citado é Glee, que estreou no mesmo ano que Modern Family, e na qual Kurt, na segunda temporada, é um personagem bem mais elaborado e menos caricato que na primeira.

Mas nem tudo eram flores: os primeiros episódios foram muito criticados por retratar Claire e Gloria como donas de casa, enquanto Phil e Jay eram homens de negócios bem-sucedidos, no que uma crítica escreveu que "não há nada de moderno em uma família na qual a mulher fica em casa enquanto o homem trabalha". Episódios nos quais Gloria tinha de esconder o quão inteligente é para não irritar Jay - como um no qual ela deixa ele ganhar dela no xadrez de propósito - ou nos quais Luke, mesmo sendo mais obtuso que Haley e menos inteligente que Alex, era retratado como tendo alguma vantagem sobre as irmãs, como "sendo bom com eletrônicos", também foram alvo de críticas em relação ao sexismo dos roteiros. Levitan diria que as imperfeições eram fruto "da forma como as sitcoms eram tradicionalmente feitas", e prometeria se esforçar para aparar essas arestas no futuro, com os episódios dando menos derrapadas conforme o tempo ia passando.

Além de um grande sucesso de público e crítica, Modern Family seria uma das séries mais premiadas da história da televisão norte-americana, sendo indicada a nada menos que 84 Emmys, dos quais ganharia 22: cinco de Melhor Série de Comédia (seguidos, de 2010 a 2014), quatro de Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Comédia (Burrell e Stonestreet, dois cada), quatro de Melhor Direção para uma Série de Comédia, três de Melhor Mixagem de Som para uma Série de Drama ou Comédia ou Animação de Meia Hora, dois de Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Comédia (ambos para Bowen), dois de Melhor Roteiro para uma Série de Comédia, um de Melhor Escolha de Elenco para uma Série de Comédia, e um de Melhor Edição para uma Série de Comédia - indicações também seriam recebidas nas categorias Melhor Direção de Arte para uma Série de Única Câmera, Melhor Ator Convidado em uma Série de Comédia, Melhor Atriz Convidada em uma Série de Comédia, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série de Comédia ou Programa de Variedades. No Globo de Ouro, seriam 12 indicações e uma premiação, de Melhor Série de Televisão de Comédia ou Musical.

Por decisão dos produtores, para mostrar que as famílias eram as estrelas, sem que um único ator fosse protagonista, todos os atores do elenco fixo eram inscritos nas categorias de Melhor Coadjuvante, sem que nenhuma inscrição fosse feita na de Melhor Ator ou Atriz principal. No Emmy, Burrell seria o ator que receberia mais indicações, nada menos que oito, com Bowen recebendo seis, Ferguson cinco, Vergara quatro, e O'Neill e Stonestreet três cada; no prêmio de Melhor Ator (ou Atriz) Convidado, Nathan Lane receberia três indicações, Fred Willard duas, e Elizabeth Banks e Greg Kinnear, uma cada. Já no Globo de Ouro, Vergara receberia quatro indicações, e Stonestreet três - aliás, Melhor Série de Televisão de Musical ou Comédia, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, e Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV seriam as únicas três categorias do Globo de Ouro nas quais Modern Family receberia indicações.

A primeira temporada teria 24 episódios, exibidos pela ABC entre 23 de setembro de 2009 e 19 de maio de 2010. Levitan e Lloyd escreveriam o piloto, mas os demais episódios ficariam a cargo de uma equipe de roteiristas coordenada por eles; a maioria dos episódios, incluindo o piloto e o último, seriam dirigidos por Jason Winer, mas Levitan e Lloyd decidiriam fazer com a direção o mesmo que com os roteiros, criando uma equipe de diretores, da qual seria escolhido um para cada episódio, e, nas temporadas seguintes, até mesmo contratando diretores freelancers. O penúltimo episódio da temporada, no qual toda a família vai comemorar o aniversário de Jay, seria filmado em um resort no Havaí.

Os personagens recorrentes introduzidos na primeira temporada incluem Dylan Marshall (Reid Ewing), o namorado de Haley, que é músico e tão cabeça oca quanto ela, o qual Phil adora, mas Claire detesta, achando que a filha pode conseguir algo melhor; o pai de Phil, Frank Dunphy (Fred Willard), que mora na Flórida e tem um motor home com o qual viaja pelo país; o pai de Manny, Javier Delgado (Benjamin Bratt), um bon vivant que vive de bicos e negócios não totalmente legalizados, a quem Manny idolatra, para desespero de Gloria; Sal (Elizabeth Banks), amiga da pá virada de Mitch e Cam, que está sempre os convidando para festas e roubadas; o melhor amigo de Jay, Shorty (Chazz Palminteri); e a mãe de Claire e Mitchell, DeDe (Shelley Long), que era manipuladora e rígida com a filha, mas carinhosa e compreensiva com o filho, o que faz com que eles tenham opiniões bem diferentes sobre ela. DeDe odeia Gloria e a trata muito mal, embora se dê bem com Manny, e uma piada recorrente na série era que, toda vez que DeDe vinha visitar Jay ou Claire, algo de ruim acontecia antes de ela chegar, como um bolo queimar no forno ou um pássaro bater na janela e morrer. O nome verdadeiro de DeDe nunca é revelado na série, mas sabe-se que ela tem duas irmãs cujos apelidos são BeBe e CeCe.

A segunda temporada teria mais 22 episódios, exibidos entre 22 de setembro de 2010 e 25 de maio de 2011; o enorme sucesso da primeira deixaria as expectativas altas, com alguns críticos tendo o temor de que ocorresse um sophomore slump - quando a segunda temporada de uma série de sucesso não consegue atender às expectativas e se torna um fracasso. O esquema da equipe de diretores seria mantido, com a maioria dos episódios sendo dirigido por Michael Spiller, já que Winer não pôde se comprometer com a série por estar dirigindo Arthur: O Milinoário Irresistível para os cinemas. É somente na segunda temporada que Mitchell e Cam dão seu primeiro beijo em cena; durante a primeira, seria criada uma campanha no Facebook chamada "deixem Mitch e Cam beijar", com críticas ao fato de que apenas os casais heterossexuais tinham demonstrações de afeto em cena. Levitan diria que eles não haviam se beijado na primeira temporada porque ele estava "testando as águas" com o público, e lamentou a campanha, pois já estava decidido que o beijo ocorreria na segunda temporada, e ficaria parecendo que ele só ocorreu devido aos protestos - seja como for, o episódio do beijo foi o quarto mais assistido de toda a série.

Seria também na segunda temporada que os amigos gays de Mitchell e Cam passariam a aparecer com frequência na série, o mais popular deles sendo Pepper Saltzman (Nathan Lane), que é extremamente afetado e dramático, e gosta de todo o luxo e pompa possíveis. Outros personagens recorrentes de destaque introduzidos na segunda temporada seriam a mãe de Cam, Barb Tucker (Celia Weston); um colega de escola de Luke apaixonado por Alex, Reuben Rand (Spenser McNeil); um vizinho idoso dos Dunphy com quem Luke faz amizade, Walt Kleezak (Philip Baker Hall); e um amigo de Mitchell e Cam que trabalha no shopping, chamado Longinus (Kevin Daniels). Com o sucesso da primeira temporada, vários atores famosos também seriam convidados ou se ofereceriam para participações especiais, dentre eles Danny Trejo como o zelador da escola onde estudam as crianças; Matt Dillon como um ex-namorado de Claire; Mary Lynn Rajskub como uma namorada que Mitchell teve antes de se revelar gay; James Marsden como um vizinho de Mitch e Cam; e Jonathan Banks como o irmão de Jay, Donnie Pritchett.

A terceira temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2011 e 23 de maio de 2012; o primeiro seria filmado em um rancho na cidade de Jackson, Wyoming, para o qual toda a família viaja em um feriado prolongado, e o antepenúltimo seria filmado na Disneylândia. Seria na terceira temporada que Lily deixaria de ser um bebê para passar a ser uma criança pequena, precisando que sua intérprete fosse trocada; a intenção dos roteiristas era fazer com que Mitchell e Cam adotassem um segundo filho, com um dos arcos de história da temporada lidando com o processo da adoção, mas, segundo pesquisas, isso não agradou ao público, então, no último episódio, Levitan faria uma alteração: Mitch e Cam abrem mão da adoção, mas Gloria revela estar grávida de Jay. Também seria na terceira temporada que Jay decidiria adotar uma cachorrinha, chamada Stella, da qual Gloria tem ciúmes porque Jay trata Stella melhor que ela. O principal personagem recorrente introduzido na terceira temporada seria o pai de Cam, Merle Tucker (Barry Corbin). Participações especiais incluiriam Kevin Hart como um amigo de Phil chamado Andre, que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes; Tim Blake Nelson como um caubói que dá em cima de Gloria durante a viagem ao Wyoming; David Cross como um vereador que se torna inimigo de Claire por causa de uma placa de pare que ela quer instalada na vizinhança, e contra quem ela decide concorrer nas eleições; Jennifer Tilly como a namorada de Shorty, Darlene; e Leslie Mann como uma mulher de quem Cam tenta pegar o telefone num bar para provar que consegue seduzir mulheres.

Após a terceira temporada, devido ao gigantesco sucesso da série, Burrell, Bowen, Ferguson, Stonestreet e Vergara, que ainda recebiam o mesmo que pela primeira, decidiriam renegociar seus contratos e pedir um aumento; diante da negativa da Fox, eles entrariam na justiça, junto com O'Neill, que recebia o maior salário da série, mas achava injusto seus colegas receberem menos que ele, e quis apoiá-los. O processo acabou levando a um atraso na pré-produção da quarta temporada, mas resultou em um acordo mais favorável aos atores, que receberiam não somente um aumento nos salários, mas também participação nos lucros de cada episódio - O'Neill teria seu salário diminuído para o mesmo patamar dos outros cinco, mas também passaria a receber participação. Exceto por Anderson-Emmons, os atores-mirins também receberiam um aumento de salário (mas sem participação), com a promessa de que ele aumentaria ainda mais a cada temporada, conforme eles ficassem mais velhos.

A quarta temporada começa com Haley na faculdade, tendo bastante dificuldade para se enturmar e acompanhar as matérias; no meio da temporada, nasce o filho de Jay e Gloria, que, após muita confusão, recebe o nome de Fulgencio Joseph Ramirez Pritchett - mas todo mundo o chama de Joe. Também seria nessa temporada que estrearia um personagem recorrente importante, Gil Thorpe (Rob Riggle), rival de Phil no ramo imobiliário, que não vê problema em recorrer a táticas excusas para tomar dele seus clientes. Outros personagens recorrentes introduzidos na quarta temporada seriam Pilar Ramírez (Elizabeth Peña) e Sonia (Stephanie Beatriz), mãe e irmã mais nova de Gloria; Sonia no começo é extremamente tímida e parece conformada em levar uma vida difícil na Colômbia, mas, após um certo evento, se torna invejosa e disposta a tudo para passar a viver a vida da irmã. As participações especiais incluiriam Matthew Brodderick como um colega com quem Phil cursou a faculdade; Larry Sullivan como um ex-namorado de Mitchell; Anders Holm como um amigo de Luke interessado em comprar um casa; Paget Brewster como uma namorada de Javier chamada Trish; e Billy Dee Williams como ele mesmo. A quarta temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 26 de setembro de 2012 e 22 de maio de 2013; um dos episódios seria filmado em Palm Springs, Flórida, com Jay levando toda a família para passar o reveillon lá.

A quinta temporada mais uma vez teria 24 episódios, exibidos entre 25 de setembro de 2013 e 21 de maio de 2014, e traria vários personagens novos, o mais importante deles Andy Bailey (Adam DeVine), rapaz tímido e sensível que Gloria contrata para ser babá de Joe, mais tarde se torna aprendiz de Phil como corretor, e que se apaixona por Haley, vivendo com ela um romance complicado. Outros personagens de destaque seriam Ronaldo (Christian Barillas), que começa como ajudante de Pepper em uma firma de cerimoniais, e mais tarde se torna seu marido; Pam Tucker (Dana Powell), irmã de Cam, que sempre consegue manipulá-lo para conseguir o que quer; o Diretor Brown (Andrey Daly), da escola de Luke e Manny; o professor de espanhol da escola, Señor Kaplan (Will Sasso), que desenvolve uma rivalidade com Cam por causa do grupo de teatro; Charlie Bingham (Justin Kirk), chefe de uma empresa onde Mitchell quer trabalhar; e o mordomo inglês Leslie Higgins (Stephen Merchant), que parece sempre ter um trabalho diferente em vários locais frequentados pelas famílias da série. Participações especiais incluíam Jane Krakowski como uma mãe rival de Gloria; Jesse Eisenberg como um vizinho ecologicamente correto de Mitchell e Cam; Rhys Darby como um amigo inconveniente que Mitchell e Cam conheceram durante uma viagem; e Patton Oswalt, Stephen Merchant e Fred Amisen como mágicos de uma sociedade secreta para a qual Phil quer entrar. Aproveitando a legalização do casamento gay na Califórnia, Levitan e Lloyd fariam com que Mitchell e Cam se casassem oficialmente, com o principal arco de história da temporada sendo o dos preparativos para o casamento; curiosamente, o primeiro episódio da temporada seria um dos mais assistidos de toda a série, mas o casamento, um especial em duas partes nos dois últimos, teria audiência regular. A quinta temporada teria dois "episódios especiais de viagem", um filmado na Austrália, outro em Las Vegas.

A quinta temporada seria bastante criticada, com alguns achando que a fórmula estava gasta e as histórias pouco inspiradas; em contrapartida, a sexta, que teve mais 24 episódios, exibidos entre 24 de setembro de 2014 e 20 de maio de 2015, seria extremamente elogiada, com os críticos considerando que a série havia "voltado à sua velha forma". Mesmo assim, a partir da sexta temporada a audiência começaria a cair progressivamente, só aumentando um pouco na última, com as indicações a prêmios também rareando e as críticas ficando cada vez mais divididas, o que significa que a sexta temporada foi uma espécie de canto do cisne. Um arco de história introduzido na sexta temporada, mas abandonado por pouca aceitação do público, seria que a casa vizinha à dos Dunphy seria comprada por uma família extremamente inconveniente, os LaFontaine, composta pelo pai, Ronnie (Steve Zahn), a mãe, Amber (Andrea Anders), e um casal de filhos, Ronnie Jr. (Finneas O'Connell) e Tammy (Brooke Sorenson), por quem Luke se interessa. Outros personagens novos de destaque seriam Earl Chambers (John Polito), ex-sócio de Jay que roubou suas ideias e abriu sua própria fábrica de armários, se tornando seu arqui-inimigo; a noiva de Andy, Beth (Laura Ashley Samuels), que mora no Utah; Sanjay Patel (Suraj Partha), menino que compete com Alex pelas maiores notas da escola; e Ben (Joe Mande), assistente de Claire quando ela decide voltar a trabalhar.

A sétima temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 23 de setembro de 2015 e 18 de maio de 2016. Até então, Joe era interpretado por Pierce Wallace, mas, com o menino ficando mais velho e seu papel ganhando mais destaque, os produtores decidiram fazer testes para um novo ator, com o escolhido sendo Jeremy Maguire. Curiosamente, uma crítica que essa temporada receberia seria a de que contou com muitas participações especiais, como se os famosos estivessem apenas desfilando, com pouco a acrescentar à história - um único episódio, por exemplo, contou com Keegan-Michael Kay e Christine Lakin como um casal rico amigo de Phil que nunca paga a conta quando saem para jantar com ele e Claire, Orson Bean como o pai de um coleguinha de escola de Joe, Rob Lowe como ele mesmo, e com a voz de Barbra Streisand respondendo quando ele toca seu interfone. Outras participações especiais incluíam June Squibb como uma idosa que rouba a receita do molho de pimenta da família de Gloria, Catherine O'Hara como uma autora de quem Gloria compra um curso, Simon Templeman como um autor que recebe dicas não requisitadas de Phil e Cam para seu novo livro, e Mekia Cox como uma moça que quer comprar uma casa, mas Phil tenta esconder o fato de Claire por pensar que ela acharia que ele está tendo um caso com ela. Ernie Hudson também faria uma participação como Miles, um amigo de Jay que voltaria a aparecer nas temporadas seguintes.

Na oitava temporada, Pam está grávida de seu ex-namorado, um vigarista que Cam detesta, e vai morar com o irmão e com Mitchell, com seu filho, Calhoun, nascendo enquanto ela está lá. O desfile de celebridades continuaria, com o jogador de futebol americano Peyton Manning interpretando um professor de esportes que Gloria contrata para Joe, e os jogadores de basquete Charles Barkley e DeAndre Jordan como eles mesmos em um jogo beneficente do qual Phil participa; Kelsey Grammer interpretaria um ex-namorado de Cam, Victor Garber um chef que dá um curso no qual Claire e Haley se inscrevem, e Martin Short seria um gênio do marketing amigo de Phil. Novos personagens recorrentes de destaque são Rainer Shine (Nathan Fillion), homem do tempo da televisão ídolo de Phil e com quem Haley tem um caso, e a Dra. Donna Duncan (Jane Krakowsi), mãe de um coleguinha de Joe que se torna rival de Gloria; Polito estaria doente e acabaria falecendo antes de a temporada estrear, sendo substituído no papel de Chambers por Robert Constanzo. No episódio especial de viagem, os Dunphy passam um dia em Nova Iorque. A oitava temporada teria mais 24 episódios, exibidos entre 21 de setembro de 2016 e 17 de maio de 2017.

Na nona temporada, várias celebridades participariam como elas mesmas, incluindo o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, o jogador de futebol americano Terry Bradhsaw, o jogador de beisebol George Brett e o comediante Billy Crystal. James Van Der Beek viveria Bo Johnson, ex-namorado de Pam e pai de Calhoun; Mira Sorvino interpretaria Nicole Rosemary Page, dona da empresa NERP, onde Haley consegue um emprego; Vanessa Williams seria uma membro do clube que Jay frequenta, onde Luke vai trabalhar; Fred Savage seria um massoterapeuta que atende Cam, causando ciúmes em Mitchell; e Mary Louise Wilson seria a irmã de Jay, Becky Pritchett. Novos personagens de destaque incluíam o professor de física Dr. Alvin Fennerman (Chris Geere), por quem Alex é apaixonada, mas que se apaixona por Haley; o bombeiro Bill (Jimmy Tatro), que se torna namorado de Alex mesmo sem ter nada a ver com ela; e a secretária de Jay, Margaret (Marsha Kramer) - também podem ser citados Shirley Chambers (Sarah Baker), filha de Earl, e um ex-namorado de Gloria, Jorge de la Selva (Gabriel Iglesias), que só apareceram em um episódio cada, mas deixaram sua marca.

A nona temporada seria mais curta, com 22 episódios, exibidos entre 27 de setembro de 2017 a 16 de maio de 2018, o que, somado à audiência decrescente e às críticas mornas, daria origem a boatos de que ou ela, ou a décima seria a última. A décima seria exibida entre 26 de setembro de 2018 e 8 de maio de 2019, com mais 22 episódios, e, enquanto ela estava no ar, Levitan e Lloyd confirmariam que a décima-primeira seria a última. Na décima temporada, os roteiristas tentariam mais uma vez dar um segundo filho a Michell e Cam, fazendo com que Pam voltasse para o Missouri e deixasse Calhoun (Marcello Juiian Reyes) com eles; a ideia não daria muito certo, e ela retornaria para buscar o menino. Outra história importante da décima temporada é que Haley reata com Dylan - que está trabalhando como enfermeiro - e engravida de gêmeos, que virão a se chamar George e Poppy. Novos personagens da temporada incluem a mãe de Dylan, Farrah (Rachel Bay Jones); Sherry Shaker (Hillary Anne Matthews), atriz de improviso que durante um tempo namora com Manny; e Jerry (Ed Begley, Jr.), o novo marido de DeDe.

A décima-primeira temporada seria a mais curta, com 18 episódios exibidos entre 25 de setembro de 2019 e 8 de abril de 2020. Além de apostar em novas situações envolvendo os gêmeos de Haley, os roteiristas se preocupariam em criar desfechos para todos os personagens, deixando, porém, um final aberto o suficiente para que a série pudesse ser revisitada no futuro caso houvesse interesse. Antes do último episódio, iria ao ar um programa especial chamado A Modern Farewell, no qual o elenco relembrava os melhores momentos da série; o último episódio seria um especial com uma hora de duração, dividido em dois para as reprises. Alguns episódios da décima-primeira temporada também contavam com cenas de episódios das primeiras temporadas, mostradas quando os personagens se lembravam de momentos marcantes de suas vidas. O episódio especial de viagem seria filmado em Paris, França. A última temporada não teve nenhum personagem novo de destaque (além dos gêmeos), e contou com participações especiais de Tara Strong como a voz de uma geladeira de última geração comprada por Mitchell e Cam, e de David Beckham, Courteney Cox e Snoop Dogg como eles mesmos.

Após o fim da série, houve várias conversas para a realização de um spin-off estrelado por Mitchell e Cam, então os personagens mais populares. O projeto seria sucessivamente adiado, principalmente por causa da pandemia, até que, em 2022, Levitan declarou que ele produziria a série sozinho, e Ferguson diria que o roteiro do piloto já estava escrito e "era muito bom". Nenhum movimento foi feito para concretizar a série, entretanto, até que, em setembro de 2024, Stonestreet diria que era improvável que o spin-off fosse produzido, já que o tempo ideal para fazê-lo havia passado, e que isso era uma pena, pois o material realmente era muito bom. Durante algum tempo após o final de Modern Family, alguns fãs fizeram campanha por um spin-off que acompanhasse Luke e Manny na faculdade, mas não se sabe se houve alguma conversa oficial sobre sua produção.
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