sábado, 4 de julho de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XXI)

E hoje finalmente terminaremos a série sobre a Fase 5 do MCU!

Thunderbolts*
2025

Os Thunderbolts foram uma das poucas coisas boas que surgiram como resultado da saga Heróis Renascem, publicada pela Marvel em 1996. Resumindo, na década de 1990 as revistas dos X-Men e do Homem-Aranha vendiam absurdamente, mas as demais revistas da Marvel tinham vendas pífias, que a colocaram à beira da falência - é por isso, inclusive, que eventos de destaque da época, como as revistas da Amalgam Comics e os jogos da série Marvel vs. Capcom, têm presença maciça de mutantes e de personagens do Homem-Aranha, mas muito pouco do Capitão América, Homem de Ferro ou Hulk, e nada ou quase nada do Quarteto Fantástico, Thor e do restante dos Vingadores. Para tentar solucionar essa questão, a Marvel contrataria os dois desenhistas mais populares da década, Jim Lee e Rob Liefeld, e daria a eles carta branca para reinventar os heróis que vendiam menos, escrevendo suas histórias sem qualquer interferência, com Lee ficando responsável pelas revistas do Quarteto Fantástico e do Homem de Ferro, e Liefeld pelas do Capitão América e dos Vingadores. Como parte do acordo, essas revistas não seriam continuação das que já estavam à venda, mas reboots, recontando do começo as histórias dos heróis, mas ambientadas na época atual. Para que isso fosse possível, os heróis (e vilões) que seriam usados por Lee e Liefeld aparentemente morreriam durante uma batalha contra um supervilão chamado Massacre, inventado especificamente para esse propósito, sendo removidos da continuidade principal da Marvel. O experimento não deu muito certo e o projeto foi cancelado após apenas um ano, quando foi revelado que os heróis não morreram e eles foram reintegrados à continuidade principal, com as histórias de Heróis Renascem tendo sido ambientadas em um universo alternativo temporário, que deixou de existir quando isso aconteceu.

Pois bem, enquanto os heróis estavam removidos da continuidade, fazia sentido, em termos de narrativa, que alguém ocupasse seu lugar - tipo "ok, os Vingadores morreram, e agora, quem vai enfrentar os vilões que eles enfrentavam?". Para solucionar essa questão, o roteirista Kurt Busiek, considerado por muitos o maior especialista nos quadrinhos dos Vingadores, e o desenhista Mark Bagley inventaram os Thunderbolts, que fizeram sua estreia na revista The Incredible Hulk 449, de janeiro de 1997, antes de ganharem uma revista própria, também chamada Thunderbolts, em abril. Aparentemente, os Thunderbolts eram novos heróis que, altruistcamente, decidiram usar seus poderes para combater o crime na ausência dos Vingadores, mas, na verdade, eles eram os Mestres do Terror, antigos vilões dos Vingadores, liderados pelo Barão Zemo, que assumiriam novas identidades e fingiriam ser heróis como parte de um plano de Zemo para roubar os segredos da Mansão dos Vingadores. O plano até teria dado certo, se os demais integrantes da equipe não tivessem gostado de ser heróis e se rebelado contra Zemo, com alguns deles ainda seguindo na carreira heroica após o plano ser desmascarado.

Com o fim da Heróis Renascem e o retorno do Quarteto e dos Vingadores à continuidade principal, esse arco de história foi encerrado, mas a revista dos Thunderbolts não foi cancelada, com a equipe sendo reformulada e passando a ser o equivalente do Esquadrão Suicida na Marvel: um bando de vilões reunidos por uma pessoa em posição estratégica no governo e obrigados a realizar missões que seriam muito arriscadas para os heróis. Assim, quando ficou claro que os filmes do MCU tinham personagens de moral duvidosa, que não eram exatamente os vilões de seus filmes, mas também não eram os heróis, e que sobreviveram ao final de suas respectivas produções, parecendo desperdício jamais utilizá-los novamente, o passo mais óbvio era juntar todos eles numa mesma equipe e fazer um filme dos Thunderbolts.

A primeira sugestão de se fazer um filme dos Thunderbolts, porém, não envolveria persoagens que já haviam participado de outros filmes, e sim um elenco inédito, e seria dada por James Gunn em 2013, durante a produção de Guardiões da Galáxia, quando o diretor e roteirista manifestaria interesse em produzir um filme estrelado por uma equipe de anti-heróis e supervilões, ideia que agradaria a Kevin Feige, mas que seria colocada em lista de espera por não haver espaço na agenda de lançamentos do MCU até o final da Fase 3. Em 2018, Hannah John-Kamen, a intérprete da Fantasma em Homem-Formiga e a Vespa, defenderia um filme dos Thunderbolts, já que, nos quadrinhos, o Fantasma (que é homem) chegou a fazer parte da equipe.

Um ano depois, quando começasse a pré-produção da Fase 4, a ideia de um filme dos Thunderbolts voltaria a ganhar força com a inclusão do Barão Zemo em Falcão e o Soldado Invernal; ao final do último capítulo dessa série, seria revelado que a Condessa Valentina Allegra de Fontaine, personagem que, nos quadrinhos, assim como Nick Fury, é ligada à S.H.I.E.L.D., havia recrutado John Walker - que, nos quadrinhos, é o Agente Americano, mas, na série, era o substituto aprovado pelo governo do Capitão América - para um "projeto pessoal", que imediatamente seria apontado por fãs e críticos como uma possível equipe dos Thunderbolts. Da mesma forma, na cena pós-créditos de Viúva Negra, que originalmente iria estrear antes de Falcão e o Soldado Invernal, mas que, devido à pandemia, estreou depois, a Condessa recruta Yelena Belova para esse projeto. Perguntado sobre o assunto, entretanto, Gunn diria não ter mais interesse em fazer um filme dos Thunderbolts, já que já havia feito O Esquadrão Suicida, que parte de uma premissa semelhante, para a DC.

Até então, um filme dos Thundebolts não estava oficialmente nos planos dos Marvel Studios, e o roteirista Malcolm Spellman, de Falcão e o Soldado Invernal e Capitão América: Admirável Mundo Novo declararia não saber se os fãs iriam gostar que fosse feito um. O roteirista Eric Pearson, de Viúva Negra, contudo, gostaria da ideia, e apresentaria aos executivos dos Marvel Studios uma sinopse de um filme no qual Belova lideraria uma equipe de anti-heróis tentando deter um projeto secreto da Condessa, incluindo na equipe Walker, Fantasma, o Guardião Vermelho, e, quando começou a escrever o roteiro, o Soldado Invernal e a Treinadora - todos personagens que haviam sido anti-heróis ou vilões em seus filmes originais. Pearson justificaria a escolha dizendo que não queria uma equipe de vilões arrependidos, e sim de personagens que transitassem por uma área cinza da moralidade, "capazes tanto de atos de egoísmo quanto de bondade". Nas primeiras versões do roteiro, a equipe também contava com Bill Foster, o Golias, personagem interpretado em Homem-Formiga e a Vespa por Laurence Fishburne, removido após Pearson achar que ele não tinha "os mesmos traumas passados" dos demais integrantes.

Pearson chegaria a pensar em usar o Hulk Vermelho como vilão do filme, mas seria impedido pelos executivos dos Marvel Studios, que já o haviam reservado para Capitão América: Admirável Mundo Novo. Nas primeiras versões do roteiro, o vilão era Walker, que, convencido pela Condessa de que o efeito de seu soro do supersoldado estava passando, tomava pílulas fornecidas por ela que o deixavam violento, ideia descartada porque também era parecida com a de Capitão América: Admirável Mundo Novo, e porque as ações de Walker estavam semelhantes às que ele havia tomado em Falcão e o Soldado Invernal. Ao pesquisar nos quadrinhos por um antagonista que os Thunderbolts não conseguissem derrotar facilmente em uma luta, Pearson acabaria optando por Robert Reynolds, que é ao mesmo tempo o herói Sentinela e o vilão Vácuo, chegando a conversar com o co-criador do personagem, Paul Jenkins, sobre a melhor forma de colocá-lo no filme.

Pearson acabaria concluindo que Reynolds se encaixou como uma luva na história e na equipe dos Thunderbolts, e ficaria satisfeito por o personagem lhe dar a oportunidade de discutir a importância da saúde mental em um filme de super-heróis. A ideia de que, para derrotá-lo, os Thunderbolts deveriam encarar novamente as maiores decepções de suas vidas viria do produtor Brain Chapek, com Pearson acreditando que essa seria uma excelente parte final para o arco de redenção dos personagens. Pearson aproveitaria a história de origem do Sentinela nos quadrinhos para fazer dele o projeto da Condessa contra o qual os Thunderbolts têm de se unir, mas preferiria colocar na história que ele estava em animação suspensa a usar a mesma justificativa dos quadrinhos para que o mundo não soubesse de sua existência previamente - a de que ele mesmo havia voluntariamente se removido da memória dos demais habitantes do planeta, algo que ficaria muito parecido com o final de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

Com Pearson tendo praticamente se auto-contratado para escrever o roteiro, a Marvel precisava agora de um diretor, optando por Jake Schreier, de Cidades de Papel, após ele fazer uma apresentação de ideias para o filme que "explodiria as mentes" dos executivos dos Marvel Studios. Parte dessa apresentação incluía o Homem-Coisa como membro da equipe, algo do qual Pearson convenceria Schreier a desistir por considerá-lo "uma criatura imprevisível", e não conseguir achar uma justificativa para que ele se unisse aos outros. Curiosamente, um conceito apresentado tanto por Pearson quanto por Schreier, sem que um soubesse da intenção do outro, era que a equipe se reunisse após uns serem contratados para matar os outros, o que daria a eles um motivo para se unir diferente de "figura de autoridade os obriga a trabalhar juntos". Por causa disso, mesmo com Schreier querendo a presença de Zemo no filme, Pearson acharia que um "fundador da equipe" ficaria deslocado; uma cena pós-créditos na qual era revelado que Zemo esteve por trás da formação da equipe desde o início chegaria a ser escrita, mas jamais filmada - assim como uma envolvendo Kang, descartada após a demissão de Jonathan Majors.

O filme dos Thunderbolts seria oficialmente anuciado em setembro de 2022, junto com o anúncio de que ele seria o último filme da Fase 5 do MCU. Em fevereiro de 2023, Steven Yeun, que havia trabalhado com Schreier na série Treta, seria anunciado como intérprete de Reynolds, e Lee Sun Jing, criador da série, revelaria estar reescrevendo partes do roteiro a pedido de Schreier; boatos se espalhariam de que o diretor não estava satisfeito com o fato de Pearson ter dado mais destaque a Yelena, ao Guardião Vermelho e à Treinadora, personagens que ele havia escrito em Viúva Negra, do que aos demais personagens, e que o ideal seria que a história passasse a impressão de ser um filme de equipe, não um spin off de Viúva Negra. Schreier também queria dar mais destaque a personagens secundários, como a assistente da Condessa, Mel, e o Deputado Gary, que preside uma comissão governamental que investiga as atividades da Condessa, para que eles tivessem um arco de história próprio, ao invés de apenas fazer figuração.

Em maio de 2023, as filmagens tiveram de ser adiadas devido à greve dos roteiristas, e a data de lançamento, originalmente prevista para dezembro de 2024, seria adiada para julho de 2025. Devido ao adiamento das filmagens, Yeun e Ayo Edebiri, originalmente escolhida para interpretar Mel, tiveram que deixar a produção por conflitos com suas gravações, respectivamente, de Treta e O Urso. Após o final da greve, Schreier leria o roteiro e acharia que estava faltando tensão e imprevisibilidade, e que, sendo os personagens quem são, o público deveria ficar o tempo todo sem saber se algum deles não iria sobreviver. Ele também seguiria insatisfeito com o tempo de tela destinado à Treinadora, principalmente porque ela era a protagonista de uma piada recorrente na qual ela de vez em quando se esquecia que tinha decidido se unir aos demais personagens e tentava matá-los, considerando que, como o Sentinela também tinha problemas de memória, não fazia sentido dois personagens com a mesma característica. Para resolver esses problemas, Joanna Calo seria contratada para reescrever o roteiro do zero, apenas aproveitando as ideias de Pearson e Schreier; no fim, Calo e Pearson seriam creditados como co-roteiristas.

As filmagens começariam em fevereiro de 2024 em Atlanta, na Geórgia, mas a maior parte do filme seria gravado no estado de Utah. A pedido dos Marvel Studios, Schreier usaria o mínimo possível de efeitos de computação gráfica, o que levaria a uma situação inusitada em uma das cenas mais impressionantes do filme, na qual Belova salta do Merdeka 118, o segundo prédio mais alto do mundo, em Kuala Lumpur, na Malásia: a atriz que a interpreta, Florence Pugh, convenceria a equipe de produção a fazer a cena ela mesma, sem usar nenhuma dublê, para desespero dos executivos dos Marvel Studios, que não conseguiam nem imaginar o que aconteceria se alguma coisa desse errado e ela viesse a falecer. Mesmo com a quantidade reduzida de efeitos, oito empresas trabalhariam no filme: Industrial Light & Magic, Framestore, Digital Domain, Rising Sun Pictures, Raynault VFX, Base FX, Crafty Apes e Mammal Studios. O filme possui uma cena pós-créditos ambientada 14 meses após seus eventos e filmada um mês antes do lançamento do filme, dirigida por Anthony e Joe Russo, mas escrita por Schreier; a cena originalmente tinha uma parte cômica envolvendo o Soldado Invernal e Walker, que acabaria cortada para desapontamento de Sebastian Stan, que a considerava genial.

No filme, Belova está cansada de trabalhar como mercenária fazendo serviços para a Condessa, mas aceita uma última missão antes de abandonar definitivamente essa vida. Sem que ela saiba, Walker, Fantasma e a Treinadora também foram enviados para essa missão, que consistia em uns matarem os outros para que a Condessa se livrasse de todos. Após descobrirem isso e decidirem se unir para se vingar, eles acabam topando acidentamente com Bob, em quem a Condessa tem um interesse inexplicável. Com a ajuda do Guardião Vermelho e do Soldado Invernal, sua missão passa a ser descobrir o porquê desse interesse, enquanto lutam para sobreviver. O elenco conta com Florence Pugh como Yelena Belova, Sebastian Stan como Bucky Barnes / Soldado Invernal, Wyatt Russell como John Walker, David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho, Hannah John-Kamen como Ava Starr / Fantasma, Olga Kurylenko como Antonia Dreykov / Treinadora, Lewis Pullman como Robert "Bob" Reynolds / Sentinela, Geraldine Viswanathan como Mel, Chris Bauer como o chefe de segurança Holt, Wendell Pierce como o Deputado Gary, Gabrielle Byndloss como Olivia Walker, e Julia Louis-Dreyfus como a Condessa Valentina Allegra de Fontaine.

O filme teria uma pré-estreia em Londres em 22 de abril de 2025, uma em Los Angeles em 28 de abril, e estreia mundial em 1 de maio - mas nos Estados Unidos só estrearia em 2 de maio. Com orçamento de 180 milhões de dólares, renderia 190 milhões nos Estados Unidos e 382 milhões ao somar o mundo inteiro, sendo um dos filmes do MCU de menor bilheteria e considerado um fracasso de público pela Disney, que projetava bilheteria mundial de pelo menos 425 milhões. Feige atribuiria o baixo rendimento a uma percepção do público de que era necessário ter assistido Viúva Negra e Falcão e o Soldado Invernal para que a história pudesse ser compreendida, e que inclusive havia pedido à Disney que deixasse claro que isso não era necessário. A crítica, pelo menos, seria bastante positiva, considerando o filme inovador em relação ao que vinha sendo feito no MCU, elogiando a sintonia do elenco, e avaliando a performance de Pugh como arrebatadora.

Para terminar, a explicação do asterisco no título: enquanto Calo reescrevia o roteiro, surgiria o assunto "por que a equipe decidiu adotar o nome Thunderbolts", que Pearson não havia abordado; Schreier sugeriria que os cartazes do filme trouxessem um asterisco após o nome Thunderbolts, para "mostrar que eles não estavam plenamente satisfeitos com esse nome e ainda buscavam algo melhor". A cúpula dos Marvel Studios adoraria essa sugestão e, em março de 2024, oficialmente renomearia o filme para Thunderbolts*, colocando o asterisco em todo o material de divulgação. Como, desde a primeira versão do roteiro, Pearson já havia definido que, ao final do filme, a Condessa revelaria a equipe como "os novos Vingadores", Calo sugeriria que, depois dessa cena, o título mudasse na tela para The New Avengers, e a "abertura" (que, normalmente, no MCU, vem no final, antes dos créditos) tratasse a equipe por esse nome. Isso levaria a uma jogada publicitária inédita: quando Thunderbolts* completou uma semana em cartaz, a Disney distribuiu novos pôsteres para os cinemas, idênticos aos anteriores, mas nos quais o título do filme era The New Avengers, pedindo para que os letreiros dos cinemas também passassem a exibir esse título, na primeira vez na história do cinema em que um filme teria seu título mudado por uma questão relativa à história do próprio filme. Essa mudança seria acompanhada de uma campanha publicitária na qual os atores do filme, caracterizados como seus personagens, rasgavam os títulos dos pôsteres antigos para revelar o novo título por baixo, deixando claro que se tratava do mesmo filme. Apesar da campanha, a Disney deixaria claro que o filme não havia sido renomeado, com seu registro oficial ainda trazendo o título Thunderbolts* - assim como os sistemas de venda de ingressos.

Coração de Ferro
Ironheart
2025

Riri Williams, codinome Coração de Ferro, é uma personagem extremamente recente nos quadrinhos Marvel: criada pelo roteirista Brian Michael Bendis, também criador de Jessica Jones e Miles Morales, e pelo desenhista brasileiro Mike Deodato, ela faria sua estreia na revista Invincible Iron Man 7, de maio de 2016. Incrivelmente inteligente, Riri, de apenas 15 anos, estuda no MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts (uma instituição de ensino superior) e foi capaz de analisar a tecnologia da armadura do Homem de Ferro para criar uma para ela própria, com a qual começou a combater o crime usando o nome de Coração de Ferro após seu padrasto e sua melhor amiga serem mortos durante um assalto. Riri ficaria muito popular muito rápido, e seria do interesse dos Marvel Studios introduzi-la no MCU o quanto antes, com Jada Rodriguez sendo contratada para escrever um roteiro para um filme ainda durante a Fase 3, em 2018.

Apesar de extremamente elogiado, o roteiro de Rodriguez jamais seria filmado; ao invés disso, os executivos dos Marvel Studios optariam por introduzir a personagem no segundo filme do Pantera Negra, fazê-la amiga de Shuri, e só então partir para um filme ou série estrelado por ela, com o estúdio em dezembro de 2020 anunciando que havia optado pela série. A poeta e dramaturga Chinaka Hodge seria anunciada como showrunner dessa série em abril de 2021, mas a pré-produção andaria a passos lentos até a estreia de Pantera Negra: Wakanda para Sempre, em novembro de 2022. Antes disso, em abril, Anthony Ramos, um dos atores já escalados para a série, comentaria que Ryan Coogler, diretor dos dois filmes do Pantera Negra, estava envolvido de alguma forma com a produção da série; após a estreia de Wakanda para Sempre, Coogler confirmaria sua participação, revelando que a série seria uma co-produção entre os Marvel Studios e sua empresa, a Proximity Media.

Coogler não teria envolvimento direto com a direção ou os roteiros, mas seria a Proximity Media quem escolheria os diretores da série, com Sam Bailey dirigindo os três primeiros episódios e Angela Barnes os três últimos. Os roteiristas seriam escolhidos pela Marvel, com Hodge escrevendo o piloto e o último e os demais ficando a cargo de Francesca Gailes & Jacqueline J. Gailes (que já haviam trabalhado em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis), Malarie Howard, Amir Sulaiman, e Cristian Martinez. Os roteiristas se reuniriam logo no início do projeto e, diferentemente de em outras produções do MCU, não teriam carta branca, recebendo instruções expressas de Feige e Coogler para que a série fosse uma continuação direta de Wakanda para Sempre e para que o vilão fosse o Capuz, o que daria a oportunidade para que na série fossem misturados magia e tecnologia.

Apesar das instruções, muito do que acabou indo ao ar foi ideia de Hodge, como Riri ser expulsa do MIT, retornando a sua cidade natal e se envolvendo com a gangue do Capuz para obter dinheiro para financiar seus projetos. Coração de Ferro também marcaria finalmente a estreia de um dos principais vilões da Marvel, Mefisto, na qual os fãs vinham apostando desde WandaVision; Hodge diria ter sido dela a ideia da inclusão do personagem, mas após ela ter sido "encorajada" pelos executivos dos Marvel Studios a fazê-lo. Inicialmente, os roteiristas pensariam em seguir a história dos quadrinhos, na qual o Capuz rouba seu capuz de Dormmamu, que já havia estreado em Doutor Estranho, mas acabariam concordando com Hodge que Mefisto se enquadrava melhor na proposta da série, escrevendo uma cena na qual ele presenteia o Capuz com o capuz em troca de seus serviços. Coogler elogiaria a estreia do personagem em Coração de Ferro, uma série a princípio voltada para a tecnologia, ao invés de em WandaVision, Loki ou Agatha Desde Sempre, séries, segundo ele, na qual sua presença seria mais óbvia.

Coração de Ferro começa seis meses após a participação de Riri em Wakanda para Sempre; após retornar ao MIT e a trabalhar em sua armadura, ela é expulsa da instituição por usar recursos sem autorização, e decide voltar para a casa de sua mãe em Chicago. Lá ela se põe a construir uma nova armadura, e durante o projeto acaba acidentalmente criando uma inteligência artificial com a aparência de sua melhor amiga, Natalie, morta anos antes durante um tiroteio, no qual o padrasto de Riri também foi vítima. Para conseguir os equipamentos para sua nova armadura, porém, ela acabará se envolvendo com o misterioso Joe McGillicuddy, que vende armas e peças no mercado negro, e entrando para a gangue de Parker Robbins, codinome Capuz, que aparentemente realiza pequenos roubos, dos quais parte do dinheiro ficará com Riri, mas na verdade tem um propósito final muito mais sinistro. Sendo uma mulher da ciência, a princípio Riri não acredita que o Capuz tem poderes mágicos, mas acabará descobrindo a verdade da pior maneira.

O elenco conta com Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Lyric Ross como Natalie Washington / N.A.T.A.L.I.E.; Anthony Ramos como Parker Robbins / Capuz; Alden Ehrenreich como Joe McGillicuddy / Ezekiel "Zeke" Stane; Manny Montana como John, primo e braço-direito de Robbins; Matthew Elam como Xavier Washington, irmão de Natalie, vizinho, amigo e espécie de interesse romântico de Riri; Anji White como Ronnie Williams, mãe de Riri; Eric André como Stuart Clarke / Fúria, especialista em tecnologia da gangue do Capuz, que Riri substitui; Sonia Denis como Palhaça, especialista em pirotecnia da gangue do Capuz; Shea Couleé como Sanguessuga, drag queen hacker nascida em Madripoor que faz parte da gangue do Capuz; Zoe Terakes e Shakira Barrera como Jeri e Roz Blood, o Irmão Sangue e a Irmã Sangue, ex-atletas, lutadores de rua e músculos da gangue do Capuz; Cree Summer como Madeline Stanton, amiga de Ronnie e ex-aluna de Kamar-Taj, dona de uma loja de doces que secretamente pratica magia e vende itens mágicos; Regan Aliyah como Zelma Stanton, filha de Madeline e amiga de Riri; Paul Calderón como Arthur Robbins, pai de Parker e CEO da empresa Artworks; Jim Rash como o Professor Wilkes do MIT; Harper Anthony como Landon, vizinho de Riri que a ajuda no transporte das peças da armadura mediante pagamento; e Sacha Baron Cohen como Mefisto. Participações especiais incluem LaRoyce Hawkins como Gary Williams, padrasto de Riri; Tanya Christiansen como Heather, vizinha esnobe de Zeke; Zhaleh Vossough como Sheila Zarate, CEO da empresa TNNL; e o rapper Saba como ele mesmo.

As filmagens ocorreriam nos Trillith Studios, em Atlanta, com filmagens em Chicago inicialmente ocorrendo apenas para cenas de ambientação - ou seja, para mostrar cenas da cidade e fingir que a série foi filmada lá. Uma réplica do restaurante White Castle, de Chicago, seria construída em estúdio em Atlanta, para que o elenco não precisasse viajar para filmar lá. Após o fim das filmagens, Bailey e Barnes não ficaram satisfeitos com a "Chicago falsa", e a equipe de produção viajou à Chicago verdadeira para regravar algumas cenas nas Zonas Sul, Norte e no Centro. Assim como para Homem de Ferro, seria construúida uma armadura cenográfica da Coração de Ferro, usada durante as filmagens, com uma versão digital sendo usada nas cenas mais impossíveis, como as de voo, adicionada na pós-produção, durante a qual a versão cenográfica seria aprimorada por efeitos especiais. Os efeitos visuais da série ficariam a cargo das empresas Base FX, Cantina Creative, Frame by Frame, ILM, Luma Pictures, Rise FX, SDFX Studios, e Tippett Studio.

Coração de Ferro teria apenas seis episódios, e um final aberto - segundo a cúpula dos Marvel Studios, seria avaliado de acordo com o desempenho da série se ela ganharia uma segunda temporada ou não. Os três primeiros episódios estreariam em 24 de junho de 2025, e os três últimos em 1 de julho. Isso seria visto com preocupação por alguns críticos, por poder dar a entender que a Disney estava querendo "se livrar da série" o mais rápido possível, mas Disney e Marvel responderiam que era apenas um experimento para ver se o público do Disney+ aceitaria melhor esse formato, semelhante ao usado em Andor, do que à estreia de um episódio por semana. De fato, Coração de Ferro seria a série mais assistida do Disney+ e a terceira mais assistida de todos os streamings nas duas semanas em que seus episódios estrearam, mas depois a audiência caiu bastante; ainda assim, a série fecharia 2025 como uma das dez produções originais mais assistidas do ano.

A crítica ficaria dividida, elogiando o carisma e a confiança de Thorne, a mistura entre magia e tecnologia, e a presença de cena de Cohen como Mefisto; o ritmo dos episódios e as supostas lições de moral contidas neles, por outro lado, seriam bastante criticadas, com os críticos comentando que a série fazia questão de mostrar que foi feita para o público jovem, mas que seus criadores não queriam arriscar que o público tirasse os olhos da tela um minuto sequer. Antes da estreia, a série seria vítima de um review bombing, prática através da qual diversos usuários atribuem uma noa baixa ou crítica negativa em sites especializados, sem nem mesmo terem visto a produção; Feige comentaria não estar preocupado com isso, e que essa era uma prática comum em se tratando de produções estreladas por mulheres, pessoas não-brancas ou da comunidade LGBTQIA+.

Para terminar, vale citar que, de forma não oficial, Riri faria sua estreia cinematográfica bem antes de sua estreia no MCU, em um curta chamado Not All Heroes Wear Capes - But Some Carry Tubes ("nem todo herói usa capa - mas alguns carregam tubos"), produzido pelo departamento de admissões do MIT em 2017. Interpretada por Ayomide Fatunde, no curta Riri passeia pelo campus, assiste a algumas aulas, trabalha na armadura da Coração de Ferro em seu dormitório e, no final, sai com a armadura para um voo de teste. O curta teve autorização da Marvel Comics, e foi produzido para se aproveitar do fato de que nos quadrinhos Riri é aluna do MIT para convencer mais alunos a se matricular na instituição.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Thunderbolts*
•Coração de Ferro

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