No início dos anos 2000, sediar uma Olimpíada havia se tornado um negócio muito caro: a permissão para a participação dos atletas profissionais levaria a exigências do Comitê Olímpico Internacional para que não somente os estádios, quadras e arenas fossem do mais alto nível, mas também para que as mais modernas técnicas de arbitragem e cronometragem fossem utilizadas, para evitar ao máximo injustiças. O custo para uma cidade-sede aumentaria exponecialmente em relação ao que era gasto no século XX, o que acabaria afastando potenciais candidatas.
A princípio, porém, esse não pareceria ser o caso para as Olimpíadas de 2024. Com a escolha da sede marcada para o congresso do COI que ocorreria em setembro de 2017, cinco cidades decidiriam se candidatar: Paris, Roma, Budapeste, Hamburgo e Boston, esta última escolhida em uma votação interna conduzida pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC), na qual derrotou Los Angeles, San Francisco e Washington, D.C. Em julho de 2015, entretanto, devido a protestos dos moradores de Boston, que não queriam uma Olimpíada realizada lá, a prefeitura da cidade e o USOC chegaram a um acordo para retirar sua candidatura, substituindo-a pela de Los Angeles. A partir daí, ocorreria um efeito dominó: ao ser noticiado na imprensa mundial que a população de Boston estava contra a Olimpíada por causa dos altos custos, a população de Hamburgo também decidiu se revoltar, o que levou a prefeitura a realizar um referendo, no qual ganhou a oposição à candidatura, com a cidade alemã se retirando do processo em novembro de 2015. Cerca de um ano depois, alegando "dificuldades fiscais", a capital italiana também desistiria. No início de 2017, a população de Budapeste recolheria assinaturas para que lá também fosse reazliado um referendo, o que levou o governo da Hungria a também retirar a candidatura de sua capital, em fevereiro. Faltando menos de sete meses para a escolha, as Olimpíadas de 2024 só tinham duas candidatas: Paris e Los Angeles.
Diante disso, o COI realizaria uma reunião de emergência em junho, na qual seria proposto que o congresso em setembro escolhesse não só a sede de 2024, mas também a de 2028, talvez por medo de ninguém querer se candidatar. Em uma sessão extraordinária realizada na sede do COI em julho, representantes das candidaturas de Paris e Los Angeles seriam chamados, a situação seria explicada, e seria feita uma proposta para que a cidade que não fosse escolhida para 2024 imediatamente fosse declarada sede de 2028. Paris, contudo, fez uma contra-proposta: em 2024, seria comemorado o centenário da última das duas edições dos Jogos Olímpicos realizadas na cidade, em 1924 - a primeira havia sido em 1900, com a capital francesa também se candidatando a sede de 1992, 2008 e 2012, sem sucesso. Devido à data, Paris "preferiria" sediar as Olimpíadas de 2024, deixando, se não houvesse oposição por parte dos norte-americanos, a edição de 2028 com Los Angeles. Devido a um entendimento de que os membros votantes do COI já escolheriam Paris mesmo, a delegação de Los Angeles não se opôs. Assim, em 31 de julho de 2017, Paris seria anunciada como "a única candidata" para 2024, enquanto Los Angeles seria "a única" para 2028, com o congresso de setembro somente oficializando as escolhas de ambas para essas respectivas edições. Curiosamente, assim Paris se tornaria a segunda cidade a sediar três Olimpíadas, depois de Londres (que as sediou em 1908, 1948 e 2012), e, se tudo correr conforme o planejado, Los Angeles será a terceira (já tendo sediado em 1932 e 1984).
Os Jogos de 2024 seriam realizados entre 26 de julho e 11 de agosto, e contariam com a participação de 10.714 atletas, que representariam 204 delegações. A Equipe Olímpica de Refugiados faria sua terceira aparição, dessa vez contando com 37 atletas, 24 homens e 13 mulheres, nascidos em 11 países diferentes, que tiveram de deixar suas pátrias devido à guerra, à fome ou à perseguição étnica, política ou religiosa. A principal novidade seria a delegação dos Atletas Individuais Neutros (AIN), que contava com 32 atletas, 17 homens e 15 mulheres, competindo sob uma bandeira própria, criada pelo COI, e ouvindo um hino próprio, também criado pelo COI, em caso de Medalha de Ouro; diferentemente dos Refugiados, os AIN não tinham direito de desfilar na cerimônia de abertura, de participar da cerimônia de encerramento, e suas medalhas não contariam para o quadro de medalhas oficial dos Jogos.
A criação dos AIN se deu porque Rússia e Belarus teriam sua participação nas Olimpíadas de 2024 vetada pelo COI: proibida até 31 de dezembro de 2022 de utilizar sua bandeira e hino em competições internacionais oficiais devido a um esquema de doping nas Olimpíadas de Inverno de 2014, a Rússia invadiria a Ucrânia durante o período de Trégua Olímpica das Olimpíadas de Inverno de 2022, o que motivaria o COI a ampliar a proibição e excluir a Rússia e Belarus (a quem considerou apoiar sua ação militar) de todas as suas competições até cessarem as hostilidades. Muitas das federações-membros do COI decidiriam estender essa proibição às suas próprias competições, como a World Athletics (novo nome da IAAF, a federação internacional do atletismo) e a FIFA (o que faria com que a Rússia fosse desclassificada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022), sendo a mais notável exceção a Federação Internacional de Tênis, que segue permitindo que os tenistas da Rússia e Belarus participem de seus torneios, desde que não usem as bandeiras ou hinos de seus países. Os critérios para determinar quais atletas podem competir como AIN são pouco claros, e motivaram protestos do Comitê Olímpico da Ucrânia, e muitas das federações esportivas russas, como as de atletismo, luta olímpica e judô, decidiriam boicotar os Jogos por conta própria, impedindo que seus atletas se inscrevessem para competir como AIN. No fim, a delegação dos AIN contaria com 17 atletas de Belarus e 15 da Rússia.
O Comitê Organizador decidiria realizar quase todas as competições na Grande Paris, com a maior parte dos eventos sendo realizados na capital e nas cidades vizinhas de Saint-Denis, Le Bourget, Nanterre, Versalhes e Vaires-sur-Marne. Além do futebol, que sempre tem mesmo jogos em cidades distantes da sede, as mais notáveis exceções seriam o basquete e o handebol, que teriam jogos em Lille, o tiro, disputado em Châteauroux, e a vela, disputada em Marselha; a mais notável exceção mesmo, entretanto, seria o surfe, disputado na cidade de Teahupo'o, no Taiti, a nada menos que 15.716 km de Paris - superando o recorde de evento disputado em local mais distante da sede estabelecido em 1956, quando as Olimpíadas seriam realizadas em Melbourne, Austrália, mas, devido a uma proibição de se entrar no país com animais, as provas da equitação ocorreriam em Estocolmo, Suécia, a 15.599 km de distância. A realização do surfe no Taiti seria vista com muito entusiasmo pelos surfistas, mas sofreria críticas de jornalistas esportivos, que alegariam que a famosa "piscina de surfe" de Kelly Slater havia sido inventada justamente para ser usada em competições em cidades que não tivessem praia, mas até então as duas sedes olímpicas que poderiam usá-la haviam optado por não fazê-lo.
O Comitê Organizador também optaria por "aproveitar a beleza de Paris" ao escolher os locais de competição, montando, por exemplo, a arena de vôlei de praia em frente à Torre Eiffel, e realizando as provas de equitação e pentatlo moderno nos jardins do Palácio de Versalhes. Mas a decisão mais ousada nesse sentido seria tomada em relação à Cerimônia de Abertura: ao invés de em um estádio, os organizadores decidiriam fazê-la às margens do Rio Sena, sem cobrança de ingressos, com o desfile das delegações sendo feito através de barcos que partiriam da Ponte de Austerlitz e atracariam nos Jardins do Trocadéro, onde seria realizada a parte protocolar do cerimonial; conforme os barcos navegavam, shows de artistas como Lady Gaga, Aya Nakamura e a banda de heavy metal francesa Gojira ocorriam nas margens e pontes, junto a um segmento artístico que mostrava uma figura mascarada levando a Tocha Olímpica por pontos turísticos e locais famosos da capital francesa. Após o acendimento da Pira Olímpica, a Cerimônia seria finalizada com um show de Céline Dion na Torre Eiffel.
O revezamento da Tocha levaria 80 dias e passaria por todas as regiões francesas, incluindo as ultramarinas - Guiana Francesa, Nova Caledônia, Reunião, Polinésia Francesa, Guadalupe e Martinica. Durante a Cerimônia de Abertura, a Tocha seria carregada por convidados internacionais, como a ginasta romena Nadia Comaneci, o tenista espanhol Rafael Nadal e os norte-americanos Carl Lewis e Serena Williams; dentre os atletas franceses, o maior destaque seria Charles Coste, de 100 anos de idade, Medalha de Ouro no ciclismo em 1948, o mais idoso campeão olímpico francês ainda vivo. A honra de acender a Pira Olímpica caberia a Teddy Riner, do judô, e a Marie-José Perec, do atletismo. A pira tinha o formato de um balão, em homenagem aos irmãos Montgolfier, primeiros a pilotar um balão tripulado, em 1783; localizado no Jardim de Tuileries, durante a noite o balão "levantava voo", ficando suspenso a dez metros do chão, preso a uma espécie de conduíte plástico que o alimentava com água e eletricidade, sendo a primeira Pira Olímpica a não ser alimentada por combustíveis fósseis - durante o dia, o balão era recolhido e ficava preso ao solo.
As medalhas seriam criadas pela Joalheria Chaumet e produzidas pela Monnaie de Paris, a Casa da Moeda francesa; em seu verso, cada uma delas trazia uma peça hexagonal feita de sobras do ferro cortado para a construção da Torre Eiffel. O emblema dos Jogos seria criado pelo designer Sylvain Boyer, e trazia Marianne, a representação humana da República Francesa, com o formato de seu rosto, emoldurado por seu cabelo, sendo o da Chama Olímpica, e o formato redondo lembrando o de uma Medalha Olímpica; segundo o presidente do Comitê Organizador, Tony Estanguet, o emblema era uma homanagem aos Jogos de Paris de 1900, os primeiros dos quais mulheres puderam participar. O mascote era um barrete frígio, gorro de feltro com a ponta dobrada que é visto na França como um símbolo de liberdade; com dois grandes olhos azuis, braços e pernas, mãos e pés, ele não tinha nome, sendo conhecido apenas como Phryge ("frígio" em francês).
Os Jogos de 2024 contariam com 329 provas de 39 esportes: atletismo, badminton, basquete, basquete 3x3, boxe, breaking, canoagem, ciclismo, equitação, escalada esportiva, esgrima, futebol, ginástica artística, ginástica de trampolim, ginástica rítmica, golfe, handebol, hóquei, judô, levantamento de peso, luta olímpica, nado artístico, natação, pentatlo moderno, polo aquático, remo, rugby, saltos ornamentais, skateboarding, surfe, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vela, vôlei e vôlei de praia (clique aqui para ver todas as provas do programa). Novidades do programa incluiriam a participação de homens no nado artístico - fazendo com que o único esporte que não é disputado no masculino e feminino seja a ginástica rítmica - e a estreia do caiaque cross, no qual os atletas, remando em caiaques, têm de superar obstáculos e corredeiras, em baterias de quatro por vez, se classificando para a seguinte ou vencendo a prova quem chegasse primeiro; a inclusão de uma prova de revezamento misto na marcha olímpica; e, na vela, a inclusão da Formula Kite, considerada "a Fórmula 1 das Olimpíadas", que usa uma pequena prancha presa a uma enorme estrutura parecida com um para-quedas, capaz de alcançar mais de 80 km/h. Fora das Olimpíadas, a Formula Kite é regulada pela Associação Internacional de Kiteboarding (IKA), que fez uma parceria com a federação internacional de vela (World Sailing) para sua inclusão no programa; se comprometendo a respeitar todas as regulações da IKA, a World Sailing realizou provas separadas para o masculino e para o feminino, nas quais os atletas puderam escolher entre diferentes equipamentos homologados - diferentemente do que ocorre nas demais classes da vela, nas quais todos competem com barcos idênticos.
Segundo o que havia sido determinado pelo COI para a partir de 2020, o Comitê Organizador poderia sugerir novos esportes para incluir no programa, escolhendo skateboarding, surfe, escalada esportiva, breaking e eSports; os eSports não seriam aprovados pelo COI, mas o breaking faria sua estreia, sendo alvo de críticas não só de quem não o considerava um esporte, mas também de B-Boys e B-Girls que não se classificaram para o torneio olímpico e denunciaram irregularidades nas eliminatórias, que teriam favorecido os B-Boys e B-Girls "preferidos" pelo COI para competir numa Olimpíada. A B-Girl Manizha Talash, da Equipe de Refugiados, seria desclassificada ao competir com uma capa que trazia a inscrição "libertem as mulheres do Afeganistão", sob a alegação de que a Carta Olímpica proíbe manifestações políticas durante os Jogos. Também chamaria a atenção durante a competição a performance da australiana Rachael Gunn, que não usaria as roupas tradicionais do hip hop, competindo de agasalho e boné, e realizaria vários passos desconexos, que a levariam a receber nota zero em todas as suas três apresentações. Raygun, como é conhecida no mundo do breaking, diria em entrevistas em seu país natal que não houve qualquer favorecimento nas eliminatórias para que ela fosse às Olimpíadas, que ela havia sido a líder do ranking australiano em 2020, 2022 e 2023, e consideraria as reações à sua apresentação "alarmantes"; embora ela não tenha falado isso abertamente em lugar nenhum, fontes próximas à B-Girl diriam que ela teria se apresentado mal de propósito, em protesto pelo COI ter maculado a verdadeira essência do breaking.
Outro grande motivo de controvérsia seria o uso do Rio Sena, considerado extremamente poluído, para as provas de maratona aquática e do triatlo. Apesar de o Comitê Organizador e de a Prefeita de Paris terem garantido que as águas do Sena estariam limpas o suficiente durante os Jogos, repetidos testes mostravam que elas estavam com níveis acima dos considerados seguros da bactéria E. Coli, segundo a prefeitura, devido a fortes chuvas que caíram pouco antes da Cerimônia de Abertura. A maratona aquática seria movida para o Estádio Náutico de Vaires-sur-Marne, onde já ocorreriam as provas da canoagem e do remo, e chegou a ser cogitado transformar o triatlo em um duatlo, sem a parte da natação, o que a World Triathlon considerou inaceitável. O triatlo acabaria sendo realizado no Sena após Estanguet, a Ministra dos Esportes da França e mais alguns corajosos nadarem em suas águas para mostrar que estava tudo bem, mas, ainda assim, as provas sofreram sucessivos adiamentos, e os atletas não puderam fazer o reconhecimento das águas, dia no qual nadam sem a obrigatoriedade de fazer tempo, apenas para saber como as águas devem se comportar no dia da prova. Mesmo com todas as garantias da organização, uma atleta da Suíça e uma da Bélgica não puderam competir devido a infecções estomacais, que a imprensa francesa atribuiria a uma virose.
Para terminar a parte das controvérsias, o boxe quase ficaria de fora do programa após o COI suspender a Associação Internacional de Boxe (IBA) em 2022 por irregularidades financeiras, éticas e arbitrais em suas competições. A IBA acabaria desfiliada do COI em 2023, e, para que o torneio olímpico pudesse ser realizado, o próprio COI o organizaria, determinando inclusive novos critérios de classificação olímpica para os atletas. Durante o torneio olímpico, duas atletas, Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan, seriam acusadas de serem trans; segundo a IBA, ambas haviam sido desclassificadas por não passarem nos testes de testosterona, mas o COI havia permitido que elas competissem mesmo assim. O COI alegaria que a IBA jamais mostraria nenhum desses testes, que testes realizados pelo COI não mostraram nenhuma irregularidade, e que a IBA desejava que as atletas fossem impedidas de competir nas Olimpíadas com base apenas em sua palavra; alguns críticos esportivos veriam a manobra como uma "vingança" da IBA contra o COI por sua desfiliação, com as alegações de que as atletas eram trans sendo feitas apenas para gerar desconfiança e instabilidade.
A situação escalaria, entretanto, após Khelif derrotar a italiana Angela Carini, que, após abandonar a luta com 46 segundos, diria em entrevistas "ter sido acertada com mais força do que nunca na vida", o que faria com que várias pessoas online deduzissem que isso era a prova de que Khelif "era homem". A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, questionaria publicamente o COI, e diria que "mulheres com características masculinas deveriam ser proibidas de competir". O Comitê Olímpico da Argélia - país no qual ser trans é punido com a pena de morte - defenderia Khelif, dizendo que não havia nenhuma prova de que ela havia nascido homem, muito pelo contrário, não faltavam provas de que ela não somente era uma mulher cis, como estava dentro de todos os parâmetros hormonais determinados pelo COI, e criticaria duramente os meios de comunicação que exploraram a história, acusando-os de sensacionalismo e de colocar seus interesses financeiros acima do bem-estar da atleta. A World Boxing, que regula o boxe profissional e não é filiada ao COI, também defenderia Khelif, declarando que a pressão que ela sofria por parte da imprensa e das redes sociais poderia prejudicar sua carreira.
O COI jamais aplicaria qualquer punição nem a Khelif, nem a Yu-ting, com Thomas Bach, presidente do Comitê à época, garantindo que não havia nenhuma prova de que nenhuma das duas era transgênero. Entretanto, o fato de ambas terem ganhado medalhas de ouro em suas categorias - até 66 kg e até 57 kg, respectivamente - faria com que o assunto não esfriasse tão cedo, com alguns meios de comunicação inclusive chamando especialistas para discutir se Khelif era ou não uma mulher de fato - e até hoje canais de extrema-direita usam a argelina como exemplo de que mulheres trans devem ser proibidas de competir no esporte.
Mas vamos passar agora aos destaques positivos, começando pelo francês Leon Marchand, da natação, que não somente levou a Medalha de Ouro nos 200 m Peito, 200 m Borboleta, 200 m Medley e 400 m Medley, mas também, em todas essas quatro provas, quebrou os recordes olímpicos que pertenciam a ninguém menos que Michael Phelps. Marchand ainda levou um bronze no revezamento 4 x 100 m Medley masculino e participou do revezamento 4 x 100 m Medley misto, no qual a França terminou em quarto lugar. No feminino, a maior medalhista de ouro foi Summer McIntosh, do Canadá, vencedora dos 200 m Borboleta, 200 m Medley e 400 m Medley; outros grandes nomes foram a norte-americana Katie Ledecky, em sua quarta Olimpíada, ouro nos 800 m e nos 1500 m Livre, prata no revezamento 4 x 200 m Livre, e bronze nos 400 m Livre; e a sueca Sarah Sjöström, em sua quinta, ouro nos 50 m e nos 100 m Livre.
No atletismo, os maiores destaques foram os heróis improváveis: Letsile Tebogo, de Botswana, ganharia a primeira medalha de ouro da história de seu país, na prova dos 200 m masculino, enquanto Julien Alfred, ouro nos 100 m feminino, e Thea LaFond, ouro no salto triplo feminino, ganhariam as primeiras medalhas da história de Santa Lucia e de Dominica, pequenas ilhas no Caribe de, respectivamente, apenas 184 mil e 72 mil habitantes. A Equipe de Refugiados também ganharia sua primeira Medalha Olímpica na história, um bronze com Cindy Ngamba na categoria até 75 kg do boxe. Outros países que estreariam no quadro de medalhas seriam Cabo Verde, bronze com Daniel Varela de Pina na categoria 51 kg do boxe, e Albânia, que ganharia dois bronzes na luta livre; além disso, a Guatemala ganharia sua primeira medalha de ouro, com Adriana Ruano na prova da fossa olímpica, do tiro.
Outro torneio para o qual os holofotes do mundo se voltariam seria o de tênis, disputado, como não poderia deixar de ser, no saibro de Roland Garros. No masculino, o sérvio Novak Djokovic, mesmo sendo um dos mais vitoriosos do circuito, em sua quinta Olimpíada ainda não tinha Medalha de Ouro, com sua melhor colocação sendo um bronze em 2008; por isso, ele se emocionaria muito após derrotar, na final, a promessa espanhola Carlos Alcaraz - o bronze ficaria com uma surpresa, o italiano Lorenzo Musetti. No feminino, com a ausência das russas, o ouro iria para a chinesa Zheng Qinwen, com a prata ficando com a croata Donna Vekic e o bronze com a mais conhecida das três, a polonesa Iga Swiatek. Nas duplas mistas, ouro para a Tchéquia, prata para China e bronze para o Canadá; nas duplas masculinas, ouro para a Austrália, prata e bronze para os Estados Unidos; e, nas duplas femininas, ouro para a Itália, prata para as russas Mirra Andreeva e Diana Shnaider competindo como AIN, e bronze para a Espanha. Além dessa medalha, os AIN conquistariam outras quatro: um ouro e uma prata na ginástica de trampolim, uma prata no remo e um bronze no levantamento de peso - mas todas por atletas de Belarus.
Um dos momentos mais emocionantes dos Jogos ocorreria em um esporte pouco notado, a luta olímpica: na categoria até 130 kg da luta greco-romana, o cubano Mijain López, de 41 anos, conquistaria sua quinta Medalha de Ouro seguida - feito jamais alcançado por nenhum atleta em nenhum outro esporte individual na história das Olimpíadas. Emocionado, López decidiria retirar as sapatilhas no mat, gesto que simboliza a aposentadoria de um lutador, e carregaria seu técnico nos ombros em triunfo. Outro atleta veterano que chamaria atenção, mas não pelo mesmo motivo, seria o turco Yusuf Dikeç, prata na prova da pistola de ar 10 m do tiro, cuja imagem rodaria o mundo e se tornaria meme: ao invés de usar equipamentos altamente tecnológicos, ócuilos e fones de ouvido especiais e uniformes estilosos, Dikeç competiria com seus óculos de grau normais, fones intra-auriculares, camiseta, calça de moletom e a mão no bolso - segundo alguns, só faltava o cigarro na boca.
Falando em atletas veteranos, Teddy Riner, 35 anos, um dos maiores nomes do judô francês, após perder nas semifinais e ficar com o bronze em Tóquio, ganharia não uma, mas duas medalhas de ouro em Paris, na categoria acima de 100 kg e na prova por equipes, na segunda vez seguida em que a França derrotaria o Japão na final dessa última. Nessa prova, duas equipes de seis judocas cada, cada um de uma categoria, três homens e três mulheres, se enfrentam, com a equipe que ganhar quatro lutas primeiro sendo a vencedora. A França estava perdendo por 3 a 1, mas conseguiu empatar, com o regulamento determinando que a categoria da luta-desempate seja determinada por sorteio. Quando a categoria de Riner foi sorteada, o ginásio veio abaixo, com a torcida comemorando o título antes mesmo da luta - na qual o francês derrotou Tatsuro Saito por ippon e confirmou o ouro da França. Apesar do momento de triunfo, houve quem acusasse o sistema de ter armado para que Riner fizesse a luta desempate, já que a escolha da categoria foi feita por um programa de computador.
A França também conseguria uma enorme proeza ao derrotar a quase imbatível Fiji na final do Rugby Sevens masculino, realizada no Stade de France com a presença de quase 80 mil torcedores; no feminino, não houve surpresa, comk a Nova Zelândia conquistando seu segundo ouro seguido, dessa vez derrotando o Canadá. O Basquete 3x3 também seria disputado em um local icônico, a Place de la Concorde; o ouro no masculino ficaria com a Holanda, que derrotaria a França na final, e o do feminino com a Alemanha. No basquete de quadra, Estados Unidos e França fariam a final tanto do masculino quanto do feminino, com os norte-americanos levando o ouro em ambas. A França, pelo menos, ficaria com o ouro no vôlei masculino, no qual a Polônia ficou com a prata, os Estados Unidos com o bronze, e o Brasil terminou em uma decepcionante oitava posição; no feminino, o ouro foi da Itália, que derrotou os Estados Unidos na final. No futebol masculino, para o qual o Brasil sequer se classificou, o ouro ficou com a Espanha e a prata com a França, mas chamou mais atenção a disputa do bronze entre Marrocos e Egito, com os marroquinos levando a medalha.
O maior destaque do Brasil seria mais uma vez a ginasta Rebeca Andrade, que, após ganhar um ouro no salto e uma prata no individual geral em 2020, se tornaria a maior medalhista brasileira em número de medalhas, após conquistar um novo ouro, dessa vez nos exercícios de solo, uma prata no salto, uma nova prata no individual geral e um bronze na prova por equipes, ao lado de Jade Barbosa, Lorrane Oliveira, Flávia Saraiva e Júlia Soares. A maior oponente de Rebeca seria a norte-americana Simone Biles, que, após ficar fora das Olimpíadas de 2020 para cuidar da saúde mental, retornaria ajudando os Estados Unidos a ganhar o ouro por equipes, e ainda levaria o ouro no individual geral e no salto - mas ficaria com a prata nos exercícios de solo. No masculino, o maior destaque seria o Japão, que levaria o ouro na prova por equipes e no individual geral, com Shinnosuke Oka.
No geral, o Brasil, que pela primeira vez enviaria mais mulheres do que homens, 154 contra 123, faria uma boa participação, com 3 ouros, 7 pratas e 10 bronzes, 20 medalhas no total. Todas as medalhistas de ouro seriam mulheres: além de Rebeca, subiriam ao lugar mais alto do pódio Beatriz Souza, na categoria acima de 78 kg do judô, e a dupla de vôlei de praia Ana Patrícia Ramos e Duda Lisboa. As pratas ficariam com Willian Lima, categoria até 66 kg do judô; Caio Bonfim, na marcha atlética 20 km; Tatiana Weston-Webb, do surfe; Isaquias Queiroz, no C1 1000 m da canoagem; e com o time de futebol feminino, que perderia para os Estados Unidos na final. Os bronzes viriam com Larissa Pimenta, categoria até 52 kg do judô; Rayssa Leal no skateboarding, categoria street; Beatriz Ferreira na categoria até 60 kg do boxe; Gabriel Medina no surfe; Augusto Akio no skateboarding, categoria park; Edival Pontes na categoria até 68 kg do taekwondo; Alison dos Santos nos 400 m com barreiras; com o judô na prova por equipes; e com o time feminino de vôlei, que também perderia para os Estados Unidos, mas na semifinal.
O Brasil terminaria na 20a colocação no Quadro de Medalhas, que, mais uma vez, veria os Estados Unidos em primeiro e a China em segundo - curiosamente, empatados no número de Medalhas de Ouro, 40 para cada, na primeira vez em que isso ocorreu na história das Olimpíadas, mas os Estados Unidos tinham muito mais de Prata, 44 contra 27, e também mais medalhas totais, 126 contra 91. O Japão, se aproveitando do já famoso impulso por ter sediado a Olimpíada anterior, terminaria mais uma vez em terceiro, com 20 ouros e 45 no total, seguido da Austrália e da anfitriã França, que terminou com 16 ouros, 26 pratas e 22 bronzes, sua melhor participação em número de ouros e em total de medalhas desde a primeira vez em que sediou os Jogos, lá em 1900.
Se para sediar uma Olimpíada de Verão as cidades já estavam achando muito caro e perdendo o interesse, imaginem para sediar uma Olimpíada de Inverno, evento considerado mais de nicho, que tem bem menos visibilidade e interesse dentre o público dos países que não contam com esportes de neve e gelo dentre seus tradicionais. Somando a isso, graças ao aquecimento global, um estudo encomendado pelo COI apontaria que não está muito longe o dia no qual apenas uma dezena de cidades no planeta teria condições de realizar uma Olimpíada de Inverno, mesmo recorrendo a neve e gelo artificiais, e que algumas sedes do passado, como Sarajevo, já não conseguiriam fazê-lo hoje.
Para tentar contornar essa situação e aumentar o número de candidatas às Olimpíadas futuras, não somente de Inverno, mas também de Verão, o COI, em uma sessão extraordinária realizada em julho de 2017, mudaria várias das regras para escolha da cidade-sede de cada edição das Olimpíadas; uma dessas mudanças oficializaria que, a partir da escolha da sede para as Olimpíadas de Inverno de 2026, não seria obrigatório que apenas uma cidade se candidatasse, podendo a candidatura conter várias cidades de uma mesma região, província ou estado. Na prática, isso já vinha acontecendo - acabamos de ver que as Olimpíadas de 2024 contariam com provas não somente em Paris, mas nas cidades vizinhas, em algumas mais distantes, e até mesmo no Taiti - mas a oficialização permitiria que o nome de mais de uma cidade, de uma região, província ou estado fossem usados no nome oficial do evento, o que daria um maior senso de identidade às "co-sedes", aumentando o interesse e o apoio popular à realização de uma Olimpíada lá.
Graças a essa alteração, um dia, se Deus quiser, eu estarei escrevendo aqui no átomo sobre Alpes Franceses 2030 e Utah 2034, as duas primeiras edições de Olimpíadas, ambas de Inverno, a não trazer o nome de cidades no nome oficial do evento, mas sim, respectivamente, de uma região da França e de um estado dos Estados Unidos. Mas hoje é dia de falar de 2026, para a qual houve a pré-inscrição de sete candidaturas; como ocorreu para 2024, cinco delas desistiriam ao longo de 2018, duas (Calgary, no Canadá, e Sion, na Suíça) alegando terem feito um referendo no qual a população rejeitou a ideia de uma Olimpíada lá (as outras três foram Erzurum, na Turquia, Graz, na Áustria, e Sapporo, no Japão, que não forneceram motivos oficiais). As duas que sobraram, talvez mostrando que a estratégia do COI era realmente a correta, seriam candidaturas nas quais estariam envolvidas mais de uma cidade, não necessariamente próximas: Estocolmo e Åre, na Suécia, e Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália.
A candidatura italiana, contudo, começaria apenas como Milão 2026: a ideia do Comitê Olímpico Italiano (CONI) era fazer lá as cerimônias de abertura e encerramento e as provas de hóquei no gelo, patinação e curling, enquanto as provas de esqui e trenó seriam realizadas nas cidades vizinhas de Valtellina, Bormio, Santa Caterina di Valfurva e Livigno, que já contavam com resorts dedicados à prática do esqui. Logo no início, a candidatura sofreria um "fogo amigo", quando a prefeita de Turim decidiria que a cidade também seria candidata, para comemorar os 20 anos da última vez em que a Itália havia sediado uma Olimpíada de Inverno, em 2006. O CONI entraria em negociações, e, após o COI permitir as candidaturas conjuntas, decidiria lançar uma candidatura Milão-Turim para 2026. Conforme o planejamento avançava, porém, o CONI decidiria que seria melhor incluir também Cortina d'Ampezzo, que já havia sediado as Olimpíadas de Inverno de 1956, pelo motivo de que lá já havia uma pista de trenó, e reformá-la sairia muito mais barato que construir uma do zero. Só que Turim também já tinha uma pista de trenó, em melhores condições, já que havia sido construída para os Jogos de 2006, e, irritada, a prefeita decidiria retirar sua cidade da candidatura, que acabaria inscrita oficialmente com o nome de Milão-Cortina - o CONI deixaria claro que, querendo, Turim também poderia sediar algumas provas, mas a prefeita jamais quis conversar sobre isso. No fim, em uma votação considerada apertada, a candidatura italiana venceria a sueca por 47 votos a 34.
A Cerimônia de Abertura seria realizada no Estádio San Siro, de Milão, onde mandam seus jogos os dois principais times de futebol da cidade, o Milan e a Internazionale - existindo inclusive uma lenda de que ele só se chama San Siro quando é o Milan que joga lá, recebendo o nome de Giuseppe Meazza quando joga a Inter - enquanto a Cerimônia de Encerramento seria realizada na Arena de Verona, um anfiteatro romano de quase dois mil anos de idade construído na cidade de mesmo nome, e, graças a extensas restaurações realizadas no século XVI, utilizado até hoje para concertos de ópera e shows de artistas italianos e internacionais. Já as competições esportivas seriam divididas em quatro "regiões": a região de Milão contaria com dois estádios de hóquei no gelo, um novo e um reformado, a arena da patinação em velocidade e a arena da patinação artística e patinação em velocidade em pista curta; a região de Cortina teria a já citada pista de bobsled, luge e skeleton, a arena de curling, e receberia as competições do esqui alpino feminino e do biatlo; a região de Valtellina receberia as competições do esqui alpino masculino e do esqui de montanha (ambas na cidade de Bormio), o snowboarding e o esqui estilo livre (ambas na cidade de Livigno); e a região de Val di Fiemme receberia os saltos com esqui (na cidade de Predazzo), o esqui cross-country (na cidade de Tésero) e o combinado nórdico (em ambas).
Pela primeira vez na história das Olimpíadas, haveria duas Vilas Olímpicas, uma em Milão e uma em Cortina, com os atletas se hospedando naquela que ficasse mais próxima dos locais onde cada um iria competir. Também seriam acesas duas piras, com a de Milão sendo acesa pela esquiadora Deborah Compagnoni e pelo patinador Alberto Tomba "La Bomba", e a de Cortina pela esquiadora Sofia Goggia. A Cerimônia de Abertura contaria com shows de Mariah Carey, Laura Pausini e Andrea Bocelli, e com uma novidade no desfile das delegações, com os atletas entrando por vários portais, cada um localizado na cidade onde eles iriam competir, e a possibilidade de mais de um porta-bandeira por delegação. Portais foram instalados em Cortina, Bormio, Livigno, Predazzo e Tésero, nas quais, diferentemente de em Milão, mas semelhante ao que ocorreu em Paris 2024, não foram cobrados ingressos, com a população podendo assistir o "desfile" e um mini-cerimonial montado em Cortina.
As medalhas seriam criadas pelo Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato (IPZS), responsável por fabricar o dinheiro, passaportes e selos postais da Itália, Vaticano, San Marino e Malta, e eram formadas por duas metades coladas, simbolizando "a jornada do atleta e o apoio de todos os que o acompanharam no caminho"; infelizmente, a ideia não se mostrou tão boa na prática quanto na teoria, já que as medalhas de vários atletas se quebraram em duas metades apos eles as receberem - nenhuma ao vivo na televisão, pelo menos. O mascote seria um arminho, animal típico da região, e receberia o nome de Tina, em homenagem à cidade de Cortina; Tina seria criada pelos estudantes de uma escola da cidade de Taverna, e escolhida pelo Comitê Organizador dentre mais de duas mil ilustrações enviadas. Junto com suas medalhas, os atletas receberiam bichos de pelúcia não de Tina, mas que representavam flores da espécie galanto, também típicas da região, uma espécie de mascote secundário que receberia o nome de Flo.
Participariam dos Jogos de Inverno de 2026 2884 atletas de 92 delegações, competindo em 116 provas de 16 esportes: biatlo, bobsleding, combinado nórdico, curling, esqui alpino, esqui cross country, esqui de montanha, esqui estilo livre, hóquei no gelo, luge, patinação artística no gelo, patinação no gelo em velocidade, patinação no gelo em velocidade em pista curta, saltos com esqui, skeleton e snowboarding (clique aqui para ver todas as provas do programa). A maior novidade seria o esqui de montanha, no qual os atletas devem subir uma montanha atravessando obstáculos e descê-la esquiando, primeiro esporte novo incluído em uma Olimpíada de Inverno desde o snowboarding em 1998; seriam disputadas três provas, a masculina (ouro para a Espanha, prata para um AIN, bronze para a França), a feminina (ouro para a Suíça, prata para a França, bronze para a Espanha) e a de duplas mistas (ouro para a França, prata para a Suíça, bronze para a Espanha). Falando nisso, assim como os Jogos de 2024, os Jogos de Inverno de 2026 contaria com a delegação dos Atletas Individuais Neutros, formada por 7 atletas de Belarus e 13 da Rússia; pelas regras do COI, a medalha de prata conquistada pelo atleta russo no esqui de montanha, única da delegação, não contou para o quadro oficial do evento.
Para o Brasil, o maior destaque dos Jogos foi a conquista da primeira medalha do país em uma Olimpíada de Inverno - e foi logo uma Medalha de Ouro, com Lucas Pinheiro Braathen, na prova do slalom gigante do esqui alpino. Nascido em Oslo, de pai norueguês e mãe brasileira, e tendo passado sua infância em Campinas, São Paulo, Lucas começou no esqui aos nove anos de idade, e participou de seu primeiro campeonato aos 11. Ele defenderia a Noruega em competições internacionais de 2018 a 2023, e, considerado uma das maiores promessas do esporte, surpreenderia o mundo do esqui quando, após conquistar o título do slalom na Copa do Mundo de Esqui Alpino, anunciou sua aposentadoria, aos 23 anos. No ano seguinte, entretanto, Lucas anunciaria que seguiria competindo como profissional, mas representando o Brasil. Os motivos pelos quais ele tomou essa decisão jamais foram divulgados oficialmente, mas há quem diga que ele sofria discriminação por ser filho de uma brasileira por parte da federação norueguesa, que daria mais vantagens a outros atletas durante as competições. Competindo pelo Brasil, Lucas conseguiria, em etapas da Copa do Mundo de Esqui Alpino, um ouro, uma prata e três bronzes no slalom, e dois ouros e cinco pratas no slalom gigante, prova na qual conquistaria o título em 2026, se tornando a maior esperança do país nas Olimpíadas de Inverno, chegando à Itália como segundo do ranking mundial, atrás apenas do fenômeno suíço Marco Odermatt.
Lucas seria o porta-bandeira do Brasil na Cerimônia de Abertura em Milão, e, uma semana depois, faria um tempo sensacional em sua primeira descida no slalom gigante - no qual cada atleta faz duas descidas, com os tempos sendo somados - precisando apenas confirmar um bom tempo na segunda para garantir a primeira Medalha de Ouro do Brasil, da América do Sul e de um país tropícal em uma Olimpíada de Inverno - e a primeira de um país do Hemisfério Sul que não fosse Austrália ou Nova Zelândia. Odermatt ficaria com a prata, e outro suíço, Loïc Meillard, com o bronze. Lucas ainda competiria no slalom, dois dias depois, mas daria azar: com a prova acontecendo enquanto nevava forte, ele perderia o equilíbrio e cairia durante a primeira descida, o que causa desclassificação - metade dos atletas não conseguiria terminar a primeira descida, com mais quatro não conseguindo completar a segunda. Meillard, que faria um tempo ruim na primeira descida, conseguiria se recuperar na segunda e ficaria com o ouro.
Outros destaques do esqui alpino seriam o suíço Franjo von Allmen, ouro no downhill, no slalom super gigante e na prova por equipes, ao lado de Tanguy Nef; a italiana Federica Brignone, ouro no slalom gigante e no slalom super gigante, e a norte-americana Mikaela Schiffrin, ouro no slalom. Esquiadora mais condecorada da história, com três ouros e uma prata em Olimpíadas e nada menos que 110 medalhas de ouro em etapas da Copa do Mundo, Schiffrin, de 30 anos, se tornaria simultaneamente a norte-americana mais jovem e mais velha ao conquistar um ouro no esqui alpino, já que havia conquistado seu primeiro aos 18. A alegria da equipe norte-americana só não seria maior devido a uma lesão complexa que encerraria a carreira de outra atleta multimedalhista, Lindsey Vohn, de 41 anos, um ouro e dois bronzes em Olimpíadas e 84 ouros em etapas da Copa do Mundo: após sofrer uma lesão no ligamento cruzado anterior direito apenas uma semana antes do início dos Jogos, Vohn, que já havia se submetido a uma cirurgia para substituir o joelho direito por uma prótese, negaria que estaria fora das Olimpíadas de Inverno de 2026, que planejava ser sua última competição como profissional. Ela acabaria certa, mas não da forma como gostaria: após sair da pista durante a prova de downhill, ela precisaria ser levada ao hospital de helicóptero, onde os médicos diagnosticaram que ela fraturou a tíbia em múltiplos lugares, incluindo na ligação com o joelho, e a cabeça da fíbula - detalhe: da perna esquerda.
No outro esqui, o cross-country, o norueguês Johannes Høsflot Klæbo conseguiria a proeza de ganhar o ouro em todas as seis provas - 10 km livre, 20 km skiatlo, 50 km clássico, sprint clássico, revezamento 4 x 7,5 km clássico e sprint livre por equipes. Somando as medalhas das Olimpíadas de Inverno passadas, ele se tornaria o maior medalhista de ouro da história do evento, com 11 - sendo três conquistadas em 2018 e duas em 2022, além de uma prata e um bronze em 2022. No feminino, a Noruega levaria o ouro no revezamento, mas, nas outras provas, o domínio seria da Suécia, com Frida Karlsson ganhando os 10 km livre e os 20 km skiatlo, Ebba Andersson (prata nas duas provas que Karlsson ganhou) os 50 km clássico, Linn Svahn o sprint clássico, e Jonna Sundling e Maja Dahlqvist (prata e bronze no sprint clássico) o sprint livre por equipes - Karlsson, Andersson, Svahn e Sundling também seriam prata no revezamento.
Na patinação artística, o maior destaque seria a norte-americana Alysa Liu, de apenas 20 anos. Filha de um casal de chineses, com seu pai tendo fugido para os Estados Unidos após ter sua prisão declarada por tomar parte nos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, Alysa começaria a competir aos cinco anos de idade, se tornando, aos dez, a atleta mais jovem a ganhar uma medalha de ouro no campeonato norte-americano. Após uma bem-sucedida carreira como juvenil, Liu seria contactada pelo governo chinês, que buscava naturalizar filhos de emigrantes para que eles competissem como chineses nas Olimpíadas de Inverno de 2022, em Pequim. Seu pai seria terminantemente contra, citando violações do governo chinês contra os Direitos Humanos, e ela seguiria competindo pelos Estados Unidos, conseguindo o primeiro lugar na ISU Challenger Series de 2021, o que lhe garantiu a vaga olímpica.
Alysa terminaria em sétimo lugar nas Olimpíadas de Inverno de 2022 e conquistaria uma medalha de bronze no Campeonato Mundial realizado pouco depois, mas, em abril do mesmo ano, anunciaria sua aposentadoria, aos 16 anos. Ela diria em suas redes sociais estar satisfeita com sua carreira e querendo cuidar da vida, mas, a amigos, confidenciaria estar esgotada mentalmente, já não encontrando prazer na patinação. Incentivada por seu pai, ela iria morar com parentes no Nepal, e lá, ao esquiar com amigos, redescobriria o prazer no esporte. Ela retornaria aos Estados Unidos com uma proposta ousada: voltaria a competir profissionalmente, desde que estivesse no controle de tudo - música, roupas, rotina, tudo teria de ser determinado por ela, sem nenhuma interferência da federação norte-americana. A federação bancaria a aposta, e ela voltaria a competir em março de 2024, ganhando uma medalha de ouro já em sua primeira competição após seu retorno, o Challenger Series Budapest Trophy, em outubro. Ela também seria medalhista de ouro no Campeonato Mundial de 2025, desbancando a superfavorita tricampeã Kaori Sakamoto, do Japão.
Nas Olimpíadas de Inverno, Alysa chamaria atenção por seu "cabelo de guaxinim", que alterna anéis descoloridos com sua cor original. Sua primeira prova seria a competição por equipes, na qual terminaria em segundo atrás de Sakamoto, mas, com esse resultado, ajudaria sua equipe a conquistar a Medalha de Ouro. Dez dias depois, ela voltaria ao gelo para a prova individual feminina, terminando o programa curto em terceiro, atrás de Sakamoto e de outra japonesa, Ami Nakai. Então, dois dias depois, no programa livre, ao som de MacArthur Park, de Donna Summer, Alyssa faria uma apresentação primorosa, acertando movimentos difíceis e, principalmente, dando a impressão de que estava se divertindo muito. Ela conquistaria o ouro, deixando Sakamoto com a prata e Nakai com o bronze. Para o mundo esportivo, ela seria mais uma prova de que cuidar da saúde mental é tão ou mais importante que do preparo físico, e que é importante que os jovens voltem a praticar esportes porque gostam, e não pela obrigação de ter bons resultados.
Outro atleta da patinação artística, também dos Estados Unidos, seria favorito ao ouro no masculino, mas, devido um erro, sequer chegaria ao pódio - mas acabaria sendo o centro de uma grande polêmica online: Ilia Malinin, 21 anos, se tornaria conhecido por fazer, no gelo, um salto mortal de costas aterrisando em um pé só, movimento que foi proibido pela federação internacional de patinação artística no gelo (ISU) entre 1976 e 2024, por ser considerado muito perigoso. Esse movimento não vale pontos para a nota técnica, mas pode contar para a nota artística, e havia grande expectativa da plateia sobre se Malinin conseguiria executá-lo e ganhar uma medalha - ele de fato conseguiria a execução, mas perderia a medalha devido a uma queda durante um giro tradicional.
Pois bem, após a imprensa do mundo inteiro começar a noticiar Malinin como o primeiro a tentar a manobra em uma Olimpíada de Inverno após o fim da proibição, começariam a surgir na internet, principalmente em redes sociais, vídeos dizendo que a primeira a conseguir executar o movimento teria sido uma mulher negra, a francesa Surya Bonaly, que teria sido desclassificada nas Olimpíadas de Inverno de 1998, em Nagano, Japão, por executá-lo; segundo esses vídeos, a "propaganda" em torno de Malinin visava "o apagamento de uma mulher negra", colocando um homem branco em seu lugar como o primeiro a realizar a manobra em uma Olimpíada de Inverno. A história real, entretanto, não é bem assim: o primeiro a realizar a manobra em uma Olimpíada de Inverno não seria Malinin nem Bonaly, mas o norte-americano Terry Kubicka, nas Olimpíadas de Inverno de 1976, em Innsbruck, Áustria. Kubicka também é considerado o primeiro a fazê-la em uma competição oficial, o Campeonato Norte-Americano do mesmo ano, mas não pode ser creditado como criador da manobra, já que vários patinadores a faziam fora de competição. Considerando-a muito perigosa, a ISU proibiria sua realização em competições oficiais logo após as Olimpíadas de Innsbruck, e Bonaly só a faria em Nagano como protesto: em sua terceira Olimpíada de Inverno, aos 25 anos de idade e vindo de uma lesão de difícil recuperação sofrida dois anos antes, a francesa faria um excelente programa curto, mas, ainda assim, receberia notas mais baixas que suas adversárias, especialmente a favorita chinesa Chen Lu, que todos os comentaristas concordariam ter feito uma apresentação bem pior. O técnico de Bonaly atribuiria a nota baixa a "etarismo", já que ela era a mais velha das competidoras, e, vendo que, com a nota baixa do programa curto, não tinha mais chance de pódio, ela decidiria executar o mortal, como quem diz "aqui o que eu sei fazer", se aposentando logo após a prova, da qual foi desclassificada.
Outra "polêmica de internet" - essa mais bizarra e mais bem-humorada - envolveria os saltos com esqui: segundo um tabloide inglês, atletas dessa modalidade estariam injetando ácido hialurônico no pênis antes da confecção da roupa, para obter uma vantagem ilegal. Explica-se: a roupa usada nos saltos com esqui é extremamente justa, com as regras determinando que, em qualquer local, só pode haver um "excesso de tecido" de até 4 cm. Acontece que, em qualquer lugar da roupa onde haja excesso de tecido, esse excesso vai produzir arrasto durante o salto, prejudicando o atleta. Exceto no meio das pernas. Nessa área, o excesso de tecido funciona como uma vela, aumentando a aerodinâmica e permitindo que o atleta salte mais longe. Segundo a reportagem, os altetas injetariam a substância antes da confecção da roupa para que, durante a fiscalização, a região estivesse inchada e o excesso de tecido no local estivesse dentro do limite; entre o dia da fiscalização e o da prova, entretanto, o corpo absorveria o ácido hialurônico, o inchaço desapareceria, e o excesso de tecido ficaria maior que os 4 cm permitidos - havendo casos nos quais os atletas coneguiriam até 5 m de distância a mais do que se tivessem feito a roupa com o pênis no tamanho normal. A federação internacional considerou as alegações como absurdas, e não tomou nenhuma providência para fiscalizar se algum atleta tinha mais tecido no meio das pernas do que o permitido, mas a internet entrou em polvorosa, com vários memes e teorias bizarras sobre o assunto sendo discutidas nas redes sociais.
Para fechar as polêmicas, uma nada engraçada ocorreu no curling, no qual o capitão da equipe masculina da Suécia acusou o capitão da equipe masculina do Canadá de trapaça, por empurrar a pedra com o dedo após ela passar pela hog line, o que não é permitido pelas regras. Essa denúncia já havia sido feita no Campeonato Mundial de 2025, realizado no Canadá, mas nenhuma providência foi tomada porque nem os árbitros viram, nem as câmeras oficiais do evento mostraram a trapaça. Em Cortina, onde os jogos do Curling de 2026 foram realizados, antes da partida entre Canadá e Suécia na fase classificatória, a televisão sueca colocaria uma câmera bem apontando para a hog line, e conseguiria capturar o exato momento em que, com a pedra já além da linha, o capitão canadense a empurra com o dedo indicador. O Canadá negaria a trapaça, alegando ser uma ilusão de ótica provocada pelo ângulo da câmera, e mais uma vez nada de oficial pôde ser feito, porque uma imagem de uma rede de TV adversária não serve como prova. O Canadá terminaria a competição com a Medalha de Ouro e a Suécia em nono - a prata seria do Reino Unido e o bronze da Suíça - mas a imagem do capitão trapaceiro correria o mundo.
No curling feminino, a equipe do Reino Unido, pela primeira vez desde 2006, não contaria com Eve Muirhead, uma das principais jogadoras do planeta, que anunciou sua aposentadoria após conquistar o ouro em 2022. O ouro do feminino em 2026 iria para a Suécia, com a prata ficando com a Suíça e o bronze com o Canadá. Nas duplas mistas, havia grande esperança de que a dupla da casa, campeã em 2022, conseguisse um novo ouro, mas eles ficariam com o bronze, após perder nas semifinais para os Estados Unidos, que levariam a prata - o ouro seria mais uma vez da Suécia, com os irmãos Isabella e Rasmus Wraná. No outro esporte coletivo das Olimpíadas de Inverno, o hóquei no gelo, Estados Unidos e Canadá fariam as finais tanto do mascuino quanto do feminino, com os norte-americanos ganhando o ouro em ambas; no masculino, o bronze ficaria com a Finlândia, e, no feminino, com a Suíça - a equipe feminina da Finlândia, uma das favoritas, seria eliminada nas quartas de final, após mais da metade de suas jogadoras ser acometida por uma virose.
A Alemanha faria a limpa no trenó, ganhando ouro, prata e bronze no two-bob masculino, ouro e prata no four-bob masculino (bronze da Suíça), prata no monobob feminino (ouro e bronze para os Estados Unidos), ouro e prata no two-bob feminino (bronze para os Estados Unidos), e todas as pratas e bronzes do skeleton - no qual o ouro do masculino e das duplas mistas ficou com o Reino Unido e o do feminino com a Áustria. No luge, que a Alemanha tradicionalmente domina, porém, eles seriam ouro no simples masculino e feminino e no revezamento por equipes, mas, nas duplas masculinas e femininas o ouro seria da Itália, com a Alemanha sendo bronze no masculino e prata no feminino.
Na patinação em velocidade, a Itália conseguiria dois ouros no feminino, nos 3000 e nos 5000 metros, o primeiro com direito a Recorde Olímpico, ambos com Francesca Lollobrigida, a Lollo, muito criticada por interromper a carreira após as Olimpíadas de Inverno de 2022 para ser mãe; no masculino, os donos da casa levariam o ouro da perseguição por equipes, batendo os Estados Unidos na final, para delírio da plateia. Tirando a perseguição por equipes, na qual o ouro foi para o Canadá, todas as demais provas femininas foram conquistadas pela Holanda, que tradicionalmente domina essa modalidade; a novidade em 2026 foi um domínio da Holanda também na outra patinação em velocidade, a de pista curta, na qual eles levariam cinco ouros - três no masculino, no revezamento 5000 m e com Jens van 't Wout (sim, tem 't solto ali) nos 1000 e 1500 m, e dois no feminino, com Xandra Velzeboer nos 500 e 1000 m.
O Brasil levaria sua maior delegação na história das Olimpíadas de Inverno, com 14 atletas, sendo 10 homens e 4 mulheres, que competiram em 5 esportes - recorde também nesse quesito. Além da medalha do esqui alpino, os maiores destaques foram Nicole Silveira, do skeleton, porta-bandeira da delegação brasileira no desfile em Cortina, que terminou em 11o, mas fazendo excelentes tempos; e a equipe do bobsled, liderada por Edson Bindilatti, em sua sexta Olimpíada de Inverno, que seria 19a no four-bob e 24a no two-bob. Esses números parecem desanimadores quando olhados em separado, mas, em retrospecto, para um país que não tem neve ou gelo naturais capazes de sustentar treinamentos, mostram uma grande evolução, e dão a esperança de mais vitórias em edições futuras.
Série Olimpíadas |
||
|---|---|---|
Paris 2024 |
||






0 Comentários:
Postar um comentário