terça-feira, 30 de setembro de 2008

Escrito por em 30.9.08 com 0 comentários

Donnie Darko

Outro dia, eu e um grupo de amigos conversávamos sobre qual seria o critério que faria com que alguns filmes que passaram nos cinemas lá fora fossem lançados direto em DVD aqui no Brasil, enquanto alguns que foram lançados direto em DVD lá fora acabassem selecionados para ocupar a tela grande em nosso país. Esta discussão foi motivada por um amigo que é fã do Justiceiro, aquele herói da Marvel, e estava indiginado com o fato de que o filme de 2004, com Thomas Jane e John Travolta, que passou nos cinemas norte-americanos normalmente, fora lançado aqui direto em DVD, enquanto um novo filme do personagem, que segundo ele seria lançado direto em DVD nos Estados Unidos, estaria programado para estrear nos cinemas do Brasil mês que vem. Bem, na verdade, este segundo filme do Justiceiro, cujo título original é Punisher: War Zone não está sendo feito para ser lançado direto em DVD, ou seja, será exibido nos cinemas norte-americanos, e, como o filme de 2004 também estava programado para estrear nos cinemas daqui e acabou não estreando, eu só vou acreditar que este novo passará no cinema quando ele efetivamente estrear.

Mesmo assim, o argumento apresentado por ele deu origem a uma discussão interessante. Quer dizer, eu até compreendo que os cinemas daqui tenham interesse em selecionar filmes que saíram direto em DVD lá fora para ocupar nossas salas em busca de algum lucro nestes tempos de ingressos tão caros e cinemas tão vazios - dois bons exemplos são Efeito Borboleta 2, que tentou pegar carona na boa bilheteria do "Efeito Borboleta 1"; e Um Crime Americano, que estreou aqui nos cinemas por ser protagonizado por Ellen Paige, que havia conseguido uma excelente bilheteria com Juno. Também compreendo que produções com artistas pouco conhecidos, ou que fizeram pouco alarde lá fora, sejam lançadas por aqui direto em DVD para não ocupar salas que poderiam estar faturando melhor com outros filmes. Mas convenhamos, no exemplo citado pelo meu amigo, Justiceiro era um filme de super-heróis com John Travolta no elenco, e que poderia ter pego carona no sucesso de Homem-Aranha 2 e Hellboy, ambos também exibidos em 2004. Pelo menos uma salinha escondida em algum shopping ele merecia.

Mas este não é um post sobre o Justiceiro. Existe um filme que eu absolutamente adoro, e que eu nunca entendi por que foi lançado direto em DVD, mas que pouca gente conhece, então ele infelizmente não foi um bom argumento na já citada discussão. Este filme se chama Donnie Darko, e um dos motivos pelos quais eu nunca entendi sua ausência nos cinemas foi que ele tem um elenco praticamente estelar, com Jake e Maggie Gyllenhaal, James Duval, Jena Malone, Noah Wyle, Drew Barrymore e Patrick Swayze.

FrankNa verdade, Donnie Darko não ter passado nos cinemas não afetou em nada a minha vida, já que provavelmente eu não teria ido assisti-lo - mesmo assim, eu gosto de reclamar, porque eu realmente gosto do filme. Mas a primeira vez que eu ouvi falar dele foi bem depois de seu "não-lançamento", provavelmente quando foi lançado o DVD, lá pelos idos de 2002, em uma noticiazinha de nem meia página, não me lembro se no MegaZine ou no Rio Fanzine, que, dentre outras informações sobre o filme, reclamava justamente dele não ter sido lançado nos cinemas. Vi e esqueci. Apenas uns quatro anos depois eu me interessaria por assisti-lo, graças a Maggie Gyllenhaal.

Mesmo sem tê-la colocado na minha lista ali ao lado, eu adoro Maggie Gyllenhaal. Um dia, provavelmente sem ter o que fazer, decidi ler sua filmografia, para ver quais de seus filmes eu ainda não tinha assistido, e vi que Donnie Darko estava entre eles. Me lembrei da tal reportagem de anos atrás, e fiquei curioso para finalmente descobrir do que se tratava, mas me deparei com uma barreira inusitada: além de aparentemente o filme não estar programado para passar na TV a cabo tão cedo, nenhuma locadora aqui perto de casa o tinha dentre seus títulos - e nenhum dos atendentes parecia saber do que eu estava falando quando eu perguntava se "vocês têm Donnie Darko". Teve até uma moça que pensou se tratar de sorvete.

Cada vez mais curioso, e praticamente sem saída, recorri a uma prática da qual, embora ninguém acredite quando eu digo, não gosto muito: baixei um torrent - os motivos pelos quais eu não gosto de baixar filmes da internet não serão discutidos neste blog, mas basta dizer que o principal é que eu não tenho paciência de esperar vários dias por aqueles downloads enormes. Praticamente a única versão que eu encontrei para baixar foi uma versão do diretor, com áudio e legendas em inglês - pois só haviam legendas em português para a versão comum, que ninguém parecia disposto a compartilhar. Embora esta história já esteja bizarra o suficiente, ainda tem mais: eu resolvi assistir o filme às dez horas da noite do dia 31 de dezembro de 2006. Eu ia virar o ano em casa, e aparentemente não tinha muito mais o que fazer enquanto esperava a meia-noite.

Pois bem, o filme acabou quando faltavam poucos minutos para a contagem regressiva, e, embora eu tivesse gostado, não tinha entendido muita coisa, principalmente sobre partes cruciais do enredo. Alguns dias depois, em uma visita às Lojas Americanas, acabei encontrando a versão comum - que não era a "do diretor" que eu tinha assistido - em uma daquelas bancas de R$ 9,90. Pois é, passei praticamente um mês inteiro procurando, e acabei encontrando só depois que eu já tinha assistido. Não sei se só de raiva, comprei, e, por algum milagre, entendi tudo. Não sei se a versão comum é de mais fácil compreensão que a do diretor ou se eu entendi porque já tinha visto duas vezes, mas fiquei muito satisfeito de ter conseguido comprar um filme tão legal por tão pouco.

Donnie, Gretchen e FrankEnfim, após esta imensa introdução, vamos finalmente falar do filme. Escrito e dirigido por Richard Kelly, que não tinha feito muita coisa antes, Donnie Darko, de 2001, é um filme difícil de definir, embora a classificação da Wikipédia, de thriller psicológico de ficção científica, seja bastante apropriada. Donnie Darko é o nome do protagonista (Jake Gyllenhaal), filho do meio de Eddie (Holmes Osborne) e Rose Darko (Mary McDonnell), e irmão de Elizabeth (Maggie Gyllenhaal) e Samantha (Daveigh Chase). Adolescente problemático e violento, Donnie tem sessões de análise com a Dra. Lillian Thurman (Katharine Ross), e deve tomar remédios sem os quais se torna sonâmbulo. Uma noite, aparentemente durante uma crise de sonambulismo, ele recebe a visita de Frank (James Duval), um homem vestindo uma fantasia de coelho demoníaco, que alega ser do futuro e lhe revela que o mundo irá acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Enquanto Donnie está no jardim conversando com Frank, uma turbina de avião cai misteriosamente sobre sua casa, esmagando seu quarto - e o teria matado se ele estivesse dormindo.

A partir de então, Donnie tenta levar uma vida normal, se é que sua vida pode ser considerada normal. No colégio, ele é tido como um arruaceiro pela conservadora professora de educação física Kitty Farmer (Beth Grant), mas visto como inteligente e de bom raciocínio lógico pela professora de literatura, Karen Pomeroy (Drew Barrymore). Ele acaba se apaixonando por uma nova aluna, Gretchen Ross (Jenna Malone), arruma ainda mais confusão ao discutir com o ídolo da professora Farmer, o autor de livros de auto-ajuda Jim Cunningham (Patrick Swayze) e se torna amigo do professor de ciências, Kenneth Monnitoff (Noah Wyle), com quem discute principalmente sobre viagens no tempo, assunto que lhe desperta interesse após ouvir relatos de Frank. Conversando com Monnitoff, Donnie descobre que Roberta Sparrow (Patience Cleveland), a autora de um dos mais conceituados livros sobre viagem no tempo, A Filosofia da Viagem no Tempo, mora bem perto de sua casa, mas é tida pela maior parte da população como uma anciã louca que nada faz além de atrapalhar o trânsito ao ficar no meio da rua checando insistentemente sua caixa de correio, tendo sido apelidada "Vovó Morte" pelos adolescentes da cidade.

Além de ter que conviver com todos estes problemas, Donnie ainda tem de lidar com as aparições de Frank, que supostamente lhe dá instruções para evitar o fim do mundo. No final, Donnie até consegue evitar que o mundo acabe, mas a forma como isto acontece é surpreendente. Na verdade, se você entender tudo o que acontece, verá que no final tudo se encaixa, embora nunca fique muito claro por que o mundo iria acabar. Evidentemente, Richard Kelly possui uma explicação para o filme, que eu li na Wikipédia para escrever este post (portanto, se você estiver pensando em ver o filme, tente não ler antes), e devo dizer que, para meu alívio, não era tão diferente assim do que eu entendi sem a explicação de ninguém, embora realmente algumas partes só possam ser mesmo esclarecidas com as palavras do próprio inventor da história, o que talvez seja um defeito.

Donnie Darko foi filmado pela pequena companhia Flower Films, consumindo apenas 28 dias e 4,5 milhões de dólares. Curiosamente, apesar de ambientado na Virgínia, ele foi totalmente filmado no entorno de Los Angeles, Califórnia. Ficou longe de se pagar no cinema (rendeu apenas 511.375 dólares nos Estados Unidos), devido, principalmente, ao reduzido número de salas em que foi exibido (apenas 58 em todo o país), recaindo a culpa sobre a proximidade de seu lançamento com o Onze de Setembro, uma época na qual as pessoas tinham medo de se reunir em lugares fechados. A crítica foi extremamente favorável, porém, e, após seu lançamento em DVD, em março de 2002, o filme se tornou cult, atraindo uma legião de fãs, e fazendo com que o Pioneer Theatre de Nova Iorque exibisse sessões especiais à meia-noite durante 28 semanas seguidas. Estima-se que até hoje o filme tenha vendido mais de 10 milhões de dólares em DVDs apenas nos Estados Unidos.

Donnie e ElizabethToda esta fama foi mais do que suficiente para Richard Kelly convencer a Flower Films a deixá-lo lançar sua versão do diretor, com 20 minutos a mais, uma trilha sonora diferente e algumas partes alteradas ou inseridas para ajudar o espectador a compreender a história (e que talvez não tenham funcionado comigo). Esta versão do diretor chegou a ser exibida em alguns cinemas de Nova Iorque e Los Angeles em 2004, e foi lançada em DVD em fevereiro de 2005 (o que talvez explique o porquê de seu torrent ter sido muito mais fácil de encontrar em 2006 que o do filme original).

Uma última curiosidade sobre Donnie Darko é que o filme não é ambientado em 2001, mas em 1988. Embora não seja um filme "muito anos 80" (ou seja, as roupas e cabelos das pessoas não chamam tanto a atenção), a trilha sonora é apropriada à época, contando com Echo and the Bunnymen, Duran Duran, Tears for Fears, The Church, Joy Division e INXS, dentre outros. Eu até gostaria de falar bem mais sobre o filme, mas corro o risco de estragar alguma surpresa ou influenciar alguma interpretação se o fizer, então vou parar por aqui.

Mas é válido ainda dizer que, por algum motivo tosco que eu não consigo imaginar, alguém decidiu fazer uma seqüência de Donnie Darko. Ambientado sete anos após os eventos do primeiro filme, S.Darko será centrado em Samantha, irmã mais nova de Donnie (e ainda interpretada por Daveigh Chase), que, após começar a ter visões bizarras, decide seguir Frank em uma viagem através das estradas dos Estados Unidos até a Califórnia, onde, no meio de uma cratera causada por um meteoro, terá uma visão do futuro. Previsto para estrear no ano que vem, S.Darko será dirigido por Chris Fisher, que se diz fã de Richard Kelly, que até hoje é contra uma seqüência por considerar seu filme "fechado". S.Darko não terá em seu elenco nenhum nome mais famoso que o de Elizabeth Berkley, será distribuído pela Fox, terá orçamento de 10 milhões de dólares, e, na minha opinião, neste parágrafo temos indícios suficientes de que não vem coisa boa por aí.
Ler mais

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Escrito por em 23.9.08 com 4 comentários

O Elo Perdido

À exceção de esportes e noticiários, eu tenho visto muito pouca televisão; por isso, sou incapaz de dizer como anda a programação de séries na TV aberta. Mas sempre tive a impressão de que, graças ao advento da TV paga, o número de seriados exibido nos canais abertos diminuiu bastante, talvez exceto no SBT, onde eu ainda costumo encontrar aquelas séries da Warner quando estou zapeando. Quando eu era pequeno, porém, talvez por não existir TV por assinatura, os canais "abertos" - que na época eram os únicos que existiam - exibiam um número considerável de séries. Praticamente toda a manhã de domingo da Globo era dedicada a séries e desenhos, e ainda tínhamos a Sessão Aventura, exibida no horário no qual atualmente temos Malhação, e que a cada dia da semana exibia uma série diferente. O SBT (ou TVS, como era conhecido na época) também exibia várias séries de sucesso, embora eu seja incapaz de lembrar o horário, na verdade porque eu quase nunca assistia às séries do SBT. Por mais que meus colegas de escola discorressem sobre as maravilhas do Super-Herói Americano ou do Esquadrão Classe A, eu nunca me interessei de acompanhá-las. Na minha cabeça, o SBT era um canal de desenhos - e praticamente os exibia o dia inteiro, em uns quatro programas infantis seguidos - enquanto séries caíam melhor na Globo.

Mas toda regra tem uma exceção. Havia um único seriado do SBT do qual eu não perdia um único episódio, e fazia questão de estar na frente da TV toda semana para assisti-lo: O Elo Perdido. Pelo que eu me lembro, ele ia ao ar às terças-feiras à noite (não me perguntem o por quê de eu lembrar que era terça-feira, que eu não sei), e eu sempre convencia minha mãe e minha irmã a assistirem comigo. O motivo pelo qual eu gostava tanto deste seriado era bem simples: eu era fissurado em dinossauros, e cada episódio tinha vários deles, ainda que em stop motion. Curiosamente, quando pessoas da minha idade se referem a este seriado, costumam chamá-lo de "tosco", "horroroso", e outros nomes menos publicáveis. Mas para mim, talvez por valor afetivo, será sempre um seriado muito divertido - e imagino que para outras pessoas também, já que suas três temporadas foram lançadas em DVD.

O Elo Perdido, cujo nome original era Land of the Lost (algo como "a terra do que se perdeu") foi criado na década de 1970 por Sid e Marty Krofft, dois famosíssimos produtores de seriados infantis da época, também criadores da série H. R. Pufnstuf (que aqui no Brasil se chamava A Flauta Mágica), um grande sucesso do final da década de 1960. Acreditando que programas para crianças poderiam ser interessantes também para adultos, e que poderiam ser educativos ao invés de apenas divertidos, eles decidiram investir em um novo seriado, cujos episódios tivessem enredos complexos, mitologia comparável aos seriados de ficção científica para adultos, e efeitos especiais dos mais modernos possíveis. Eles ofereceram a idéia para a NBC, que havia televisionado H. R. Pufnstuf, e acreditou que esta nova série poderia ser um grande sucesso. Assim, em 7 de setembro de 1974, estrearia neste canal a primeira temporada de O Elo Perdido, que ao todo teria 17 episódios de 22 minutos cada.

Holly, Will e RickO seriado acompanhava as aventuras de uma família norte-americana da década de 1970, o pai viúvo Rick Marshall (Spencer Milligan) e seus filhos Will (Wesley Eure), de 18 anos, e Holly (Kathy Coleman), de 12 anos. Um dia, descendo em um rio enquanto acampavam, os três foram pegos por um portal dimensional, e levados a uma estranha terra na qual viviam dinossauros, um povo humanóide e amigável conhecido como Pakuni, e um reptiliano e menos amigável chamado Sleestak. Após evitarem se tornar comida de tiranossauro, eles fazem amizade com um Pakuni, Cha-Ka (Philip Paley) e passam a procurar uma forma de voltar para casa, enquanto exploram a estranha terra onde se perderam.

Apesar de conter dinossauros e povos primitivos, a terra onde a família Marshall foi parar não é a Terra Pré-Histórica, mas outra dimensão. Curiosamente, enquanto exploram o local eles encontram aparelhos tecnologicamente avançados, deixados por alguma civilização há muito perdida. Eles acabam descobrindo que um dia o local foi habitado pelos Altrusianos, que tinham uma civilização altamente avançada, embora nunca tenha ficado bem claro se e como ela foi destruída. Foram os Altrusianos que inventaram os portais dimensionais, como o que capturou a família Marshall por engano, e muitos deles ainda se ativam de vez em quando, trazendo novos visitantes para o local. Dois dos principais inventos dos Altrusianos com os quais os Marshall entram em contato são os Pylons, espécies de obeliscos metálicos maiores por dentro do que por fora, e as Mesas de Pedra, onde cristais coloridos são arrumados para se criar diversos efeitos, inclusive abrir portais dimensionais. Os Marshall também acabam fazendo contato com um Altrusiano sobrevivente, Enik (Walker Edmiston), que tenta ajudá-los a abrir um portal que os leve de volta para casa.

Durando até 28 de dezembro de 1974, a primeira temporada de O Elo Perdido foi um imenso sucesso. Com efeitos especiais jamais vistos em um programa infantil, e roteiros escritos por gente que entendia de ficção científica - dentre eles D.C. Fontana, Walter Koenig e David Gerrold, da Série Clássica de Star Trek - o programa fazia verdadeiros milagres com seu orçamento limitado, graças a um misto de intensa criatividade - os produtores tinham apenas alguns cenários básicos, que rearrumavam em posições diferentes para criar novos templos, novas cavernas e novas partes da floresta - e zelo com a ambientação - a lingüista Victoria Fromkin foi contratada para criar o dialeto dos Pakuni, inspirado em línguas da África Ocidental, e que seria apresentado aos espectadores de forma gradual, para que todos se acostumassem com ele. Miniaturas também eram amplamente utilizadas, como maquetes de alguns templos e construções, bonecos dos dinossauros que depois seriam animados em stop motion, e fantoches das cabeças dos dinossauros, para que estes parecessem mais realísticos quando aparecessem de perto. Algumas inconsistências - os dinossauros não tinham "garganta", por exemplo, tendo a parte de trás da boca totalmente fechada, já que eram fantoches - eram conhecidas da produção mas ignoradas, em parte por se tratar de um programa infantil, já que crianças normalmente não reparavam nessas coisas.

O seriado foi eleito o melhor programa infantil da década de 1970, e um dos melhores seriados de ficção científica da época, o que lhe garantiu uma segunda temporada com orçamento um pouco maior. Como nem tudo é perfeito, porém, a NBC recebeu várias cartas de pais preocupados com o clima dos episódios, bem mais sério e com mais suspense que os seriados infantis de até então - algumas mães até alegavam que seus filhos estavam tendo pesadelos com os Sleestak - e pediu para que algumas mudanças fossem feitas. Assim, para a segunda temporada, que foi ao ar de 6 de setembro a 29 de novembro de 1975, com mais 13 episódios de 22 minutos cada, o clima seria amenizado, com mais humor nos episódios e roteiros de mais fácil compreensão.

A premissa da série, apesar disso, continuava a mesma: com a ajuda de Cha-Ka e Enik, os Marshall tentavam voltar para casa enquanto interagiam com dinossauros, combatiam os Sleestak, e encontravam um ou outro infeliz também levado para lá através de um portal dimensional. Apesar do orçamento melhor, os efeitos especiais da segunda temporada são considerados inferiores aos da primeira, e curiosamente - já que aparentemente era isso que o público queria - a mudança no clima dos roteiros fez com que a audiência caísse. Sid e Marty Krofft ainda conseguiram garantir a produção de uma terceira temporada, mas Spencer Milligan não aceitou renovar o contrato, então eles decidiram que Rick Marshall acabou encontrando um portal que o levou para casa, mas infelizmente não conseguiu levar seus filhos com ele. Para que as crianças não ficassem sozinhas, nesta terceira temporada, que estrearia em 11 de setembro e duraria até 4 de dezembro de 1976, com mais 13 episódios de 22 minutos, seria introduzido um novo personagem, o Tio Jack (Ron Harper), irmão de Rick, que acaba indo parar na terra perdida enquanto procurava o irmão e os sobrinhos.

os SleestakA terceira temporada teve várias decisões equivocadas: primeiro, os Marshall se mudaram de sua casa construída por eles mesmos para um templo que já estava lá quando eles chegaram, algo que despertou a ira de alguns fãs por desconsiderar o trabalho duro da família- curiosamente, até hoje há quem diga que esta mudança foi motivada por um incêndio no estúdio que destruiu o cenário da casa, mas este incêndio, embora tenha realmente acontecido no estúdio onde a terceira temporada foi gravada, ocorreu antes mesmo das filmagens da primeira temporada começarem, e ainda por cima a primeira e a segunda temporadas foram filmadas em outro estúdio diferente; depois, Enik mudou de personalidade, se tornando egoísta e desobediente; finalmente, e pior de tudo, os Pakuni e os Sleestak passarm a falar inglês a pedido da NBC, que achava que as crianças se interessariam mais pelo programa se soubessem o que aqueles personagens estavam falando, mas destruiu parte da premissa de se criar uma mitologia complexa para a série. Todas estas mudanças fizeram com que os roteiros fossem diminuindo de qualidade, e a audiência despencando. Desnecessário dizer, a terceira temporada foi a última, sendo o seriado cancelado sem que nunca Jack, Will e Holly voltassem para casa.

Algum tempo após seu cancelamento, porém, a série se tornou um cult, tendo boa audiência em suas reprises e quando foi televisionada em syndication em diversos canais dos Estados Unidos. A popularidade da série motivou Sid e Marty Krofft a tentar mais uma vez, mas apenas em 1991 eles obtiveram luz verde, desta vez do canal ABC, para fazer um remake da série.

O novo Land of the Lost, que eu saiba, jamais foi exibido no Brasil (ou pelo menos eu nunca vi em lugar nenhum). Basicamente, se trata da mesma coisa do seriado original, mas com algumas diferenças: uma família norte-americana da década de 1980, composta pelo pai viúvo Tom Porter (Timothy Bottoms), seu filho Kevin (Robert Gavin) e sua filha Annie (Jenny Drugan), passa por um portal dimensional enquanto viaja pelo interior dos Estados Unidos com seu jipe, e vai parar em uma estranha terra pontuada por ruínas de uma antiga civilização, onde convivem dinossauros, o povo humanóide Pakuni, o povo reptiliano Sleestak, e alguns outros "habitantes" trazidos de diferentes lugares por portais dimensionais semelhantes ao que pegou a família Porter.

Desta vez, os Porter fazem três amigos: o Pakuni Stink (Bobby Porter), o bebê-dinossauro Tasha (Ed Gale, voz de Danny Mann), e Christa (Shannon Day), também vinda do século XX, que chegou ao local ainda bebê acompanhada de seus pais, mas se perdeu deles quando tentavam atravessar o oceano em uma jangada atrás de um portal que pudesse levá-los para casa. Criada por Stink, Christa se tornou uma espécie de mulher-das-cavernas, e não se lembra de mais praticamente nada de sua antiga vida. Além dos Sleestak, os principais vilões da série são o tiranossauro Scarface e um cibogue trazido de um futuro distante por um portal dimensional.

um Pylon e um dinossauroEsta nova encarnação do Elo Perdido teve duas temporadas de 13 episódios de 22 minutos cada, a primeira televisionada entre 7 de setembro e 7 de dezembro de 1991, a segunda entre 12 de setembro e 5 de dezembro de 1992. Na segunda temporada foram introduzidos três novos personagens recorrentes, a feiticeira Keela (Adilah Barnes); o homem-peixe Namaki (Tom Allard), amigo de Christa; e Sir Balen (de quem eu não achei o nome do ator em lugar algum), que alega ser um cavaleiro da corte do Rei Arthur, acha que Scarface é um dragão, e quer matá-lo.

Apesar de ter efeitos especiais um pouco melhores, a nova versão do Elo Perdido não fez muito sucesso, nem caiu nas graças dos fãs antigos. Talvez a maior prova de que a série original continua cult e a nova foi esquecida é o fato de que as três temporadas da série original foram lançadas em DVD tanto nos Estados Unidos quanto aqui, e as duas da série nova ainda não foram lançadas nem lá.

A vontade de atualizar O Elo Perdido porém, não morreu: em 1995, a Disney comprou os direitos da série, pensando em fazer um filme para o cinema com seu enredo. O projeto nunca foi para a frente, mas em 2002 a Sony comprou da Disney os direitos, e começou a procurar por um roteiro. Em 2005 a Universal fez uma proposta à Sony, comprou os direitos dela, e contratou o diretor Adam McKay e o ator Will Ferrell para trabalhar no filme. McKay acabou sendo substituído por Brad Silberling, e em Março deste ano as filmagens finalmente começaram, com orçamento previsto de 100 milhões de dólares. Embora a premissa do filme seja a mesma da série, os produtores optaram por deixar a "família" de fora: no filme, um paleontólogo fracassado, interpretado por Ferrell, acaba passando por um portal dimensional em companhia de sua assistente e de um guia turístico; os três vão então parar em uma estranha terra com ruínas de uma antiga civilização perdida, habitada por dinossauros, pelo povo humanóide Pakuni, e pelos reptilianos Sleestak. A presença de Ferrell no filme é um indicativo de que o tom será bem mais para a comédia que o do seriado original.

A princípio, eu não tenho nada contra um filme de O Elo Perdido - e nem contra Ferrell; existem outros comediantes muito mais sem graça por aí - mas, no meu coração, Elo Perdido que é Elo Perdido é o que tem Sleestaks vestidos com roupas de borracha e dinossauros em stop motion. De preferência cuspindo fogo.

Em tempo: graças às maravilhas da TV paga e dos DVDs, já consegui, com muito atraso, assistir a vários episódios do Esquadrão Classe A, e confesso que realmente achei bastante divertido. O Super-Herói Americano, infelizmente, me continua desconhecido.
Ler mais

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Escrito por em 16.9.08 com 0 comentários

Dominó

Eu já falei sobre baralhos. Eu já falei sobre Mahjong. Eu já falei sobre diversos jogos de tabuleiro. Hoje é dia de falar sobre dominó.

um conjunto mini e um tradicionalNas escalas de diversão e curiosidade, até que eu não sou tão fã assim de dominó - prefiro baralhos. Ainda assim, gosto muito de jogar dominó com meus amigos, e sou dono de pelo menos três conjuntos. Como os baralhos, dominós podem ser usados para uma variedade infinita de jogos, e, como praticamente tudo o que existe, algumas curiosidades sobre sua origem e aparência não são de conhecimento geral - fato mais do que suficiente para se justificar que eles sejam tema de um post.

Diferentemente do que acontece com baralhos, dominós costumam ser vistos como brinquedos de crianças, tanto que algumas versões, ao invés das bolinhas que representam os números, trazem figuras de bichinhos ou de personagens famosos - quando eu era pequeno, eu adorava um dos Duck Tales, que ganhei de Natal do meu padrinho, e hoje infelizmente não existe mais. Em sua origem, porém, dominós eram essencialmente passatempo de adultos, algo que de certa forma se reflete hoje em diversos torneios e competições que os utilizam.

Assim como o baralho, ninguém sabe quem inventou o dominó, nem quando. A teoria mais aceita é a de que eles teriam sido inventados na China, por volta do século X. Esta primeira versão do jogo tinha "peças" feitas de papel, e cada uma delas representava uma combinação possível em uma jogada de dois dados. Como existem 21 combinações possíveis ao se lançar dois dados, 21 eram as peças do conjunto, que acabaria conhecido como ku pai.

Imagina-se que, inicialmente, o ku pai não era usado "sozinho", mas em conjunto com outros jogos, sendo que o jogador sorteava uma das cartas e ela influenciava alguma característica do jogo dependendo de seu valor, exatamente como se o jogador tivesse rolado dois dados. Para tornar as cartas mais atraentes, cada fabricante também adicionava um belo desenho no meio, que também servia para dividir a carta. Estas decorações teriam motivado os jogadores a querer transformar o ku pai em um jogo por si só, para aproveitar melhor as cartas, e poder admirar suas figuras enquanto jogavam.

ku paiUma vez que o ku pai começou a ser usado como um jogo independente, surgiu um novo problema: o papel da época não era conhecido por ser exatamente durável, o que fazia com que as cartas tivessem vida curta de tanto serem manuseadas. Alguns fabricantes, visando criar peças mais resistentes, começaram a fazê-las de ossos de animais ou de marfim, pintando as bolinhas com tinta ou fazendo-as de ébano - provavelmente dependendo do poder aquisitivo do destinatário. Ku pai, inclusive, significa "cartas de osso", provavelmente uma referência ao material do qual a maioria dos conjuntos era feito. Como as peças feitas de osso ou marfim eram mais difíceis de se trabalhar, elas acabaram sofrendo algumas modificações: primeiro, evidentemente, perderam as belas decorações que traziam em seu centro; além disso, enquanto as cartas de papel traziam o resultado de dois dados em cada uma de suas pontas, as peças mais "modernas" só trariam o resultado de um dado em cada ponta, talvez para economizar tinta ou ébano, mas mantendo a tradição de cada peça representar um resultado possível em uma jogada de dois dados. Finalmente, a ausência das figuras e a presença de menos bolinhas acabou fazendo com que as peças ficassem menores em relação às cartas, finas e compridas.

Estima-se que os primeiros dominós com este novo formato e aparência tenham sido criados por volta do ano 1120, mas apenas no início do século XVIII eles começaram a chegar à Europa, entrando no Velho Continente através da Itália, provavelmente trazidos por marinheiros. Lá, eles ganharam seu nome, uma corruptela de domini, nome pelo qual era conhecido um tipo de máscara do carnaval de Veneza, que era branca com bolinhas pretas, exatamente como as primeiras peças a chegar na Itália; estas máscaras, por sua vez, ganharam este nome por ter o formato parecido com o de um chapéu usado pelos padres franceses da época, sendo que a própria palavra domini viria de dominus, que significa "senhor" em latim, e é uma palavra normalmente associada à Igreja.

Ao longo do tempo, os dominós europeus sofreram duas modificações que os tornaram bem diferentes de seus antepassados chineses. A primeira e mais simples delas foi a adição de uma linha, pintada, vazada ou em alto-relevo, no meio da peça, para separar os conjuntos de bolinhas. A segunda foi a adição das peças com um dos lados "vazio", representando um "resultado zero", algo impossível em uma jogada de dados, que foi o que originou o dominó chinês, mas que tornou muitos jogos europeus mais interessantes e disputados. Esta segunda alteração, inclusive, aumentou o número de peças para 28, já que foram adicionadas sete novas peças, do 0-0 ao 0-6.

Um conjunto tradicional de dominós, portanto, possui 28 peças, em combinações que vão do 0-0 ao 6-6. Cada peça recebe o nome do número de bolinhas nela, então uma peça com duas bolinhas de um lado e cinco do outro é a 2-5 ("dois-cinco"). Embora o normal seja nomear as peças em ordem numérica, durante o jogo, para facilitar, elas podem ser nomeadas com o número maior primeiro, o que transformaria a peça de nosso exemplo na 5-2 ("cinco-dois"). Peças que tenham números diferentes em cada ponta, como a 2-5, a 3-4 e a 1-6, são chamadas de simples, enquanto peças com o mesmo número em ambas as pontas, como a 2-2, a 3-3 ou a 5-5, são chamadas de duplas. As duplas costumam ser chamadas de "duplo-alguma coisa", como duplo-dois, duplo-três ou duplo-cinco.

efeito dominóAs peças do dominó costumam ser divididas em famílias, ou grupos. Pertencem a uma mesma família todas as peças que tenham um determinado número em uma de suas pontas; assim, as peças 0-2, 1-2, 2-2, 2-3, 2-4, 2-5 e 2-6 pertencem à família do 2. Como cada peça tem dois números nela, cada peça pertence a duas famílias (a 2-5, por exemplo, pertence à família do 2 e à família do 5), exceto, evidentemente, os duplos, que só pertencem a uma família cada - curiosamente, alguns jogadores consideram que todos os duplos pertencem à "família dos duplos", e não às suas famílias numéricas.

Peças de dominó também costumam ter valores, obtidos pela soma de todas as suas bolinhas - a 2-5, portanto, teria valor 7. Evidentemente, várias peças podem ter o mesmo valor - a 1-6 e a 3-4 também têm valor 7, por exemplo - e não existe nenhum sistema universal para "desempatar" peças de mesmo valor, ficando isso, se necessário, ao cargo das regras de cada jogo. Sem dúvida, entretanto, a peça de maior valor do jogo é a 6-6 (única que soma 12), e a menos valiosa a 0-0 (que soma zero), embora em alguns jogos a 0-0 valha muito mais que 12 pontos, geralmente 50 ou 100, atuando como um elemento que adiciona emoção às partidas.

Atualmente, as peças de dominó costumam ser feitas de madeira, metal, cerâmica, resina ou plástico, sendo as peças de osso ou marfim artigos para colecionadores. O branco ainda é a cor mais famosa para conjuntos "profissionais", embora o preto também seja um favorito, principalmente entre conjuntos para crianças, e algumas cores mais exóticas sejam usadas de vez em quando - eu tenho um conjunto vermelho, com bolinhas brancas. As bolinhas podem ser todas de uma única cor - normalmente preto para peças brancas e branco para peças pretas - ou de cores diferentes dependendo do valor - por exemplo, o 1 com uma bolinha azul, o 2 com duas verdes, o 3 com três vermelhas etc. Algumas peças trazem decorações em metal, como a linha que divide o meio das peças ou uma bolinha dourada no meio desta linha; outras trazem decorações no verso de cada peça, normalmente relacionadas ao fabricante, mas sempre a mesma em todas as peças, como ocorre com o baralho. As peças também podem ser encontradas em vários tamanhos, sendo as mais tradicionais as de 5 cm de comprimento por 2,5 cm de largura e 0,8 cm de altura. Outros tamanhos populares são o mini (3 cm por 1,5 cm por 0,15 cm) e o jumbo (6 cm por 3 cm por 1,25 cm).

A partir da metade do século XX, alguns fabricantes começaram a produzir dominós com mais peças que o tradicional, para permitir jogos entre um maior número de jogadores, ou apenas para criar jogos mais desafiantes e emocionantes. Atualmente, são vendidos cinco tipos de conjuntos, embora aqui no Brasil os três maiores sejam difíceis de serem encontrados: o tradicional, de 28 peças; um de 55 peças, do 0-0 ao 0-9; um de 91 peças, do 0-0 ao 0-12; um de 136 peças, do 0-0 ao 0-15; e um exagerado de 190 peças, do 0-0 ao 0-18. Cada conjunto é conhecido pelo nome de sua peça de maior valor, ou seja, duplo-seis, duplo-nove, duplo-doze, duplo-quinze e duplo-dezoito. Em todos eles, as peças do 1 ao 6 têm suas bolinhas arrumadas para se parecer com os lados de um dado; as do 7 ao 9 são do mesmo tamanho, com mais bolinhas na fila do meio; e daí por diante as bolinhas começam a ficar menores, para permitir um maior número delas em cada peça.

dominós chinesesCuriosamente, não foi só no ocidente que o dominó continuou se desenvolvendo: na China, os dominós originais também sofreram algumas modificações, e hoje em dia conjuntos de dominós chineses são bastante diferentes não só dos ocidentais, mas também dos originais. Talvez as diferenças mais marcantes sejam o fato de que o preto é a cor predominante, e que as bolinhas sejam brancas nos números 2, 3, 5 e 6, vermelhas nos números 1 e 4, e metade vermelhas e metade brancas na peça 6-6. Esta escolha de cores combina com os dados chineses, onde as bolinhas dos números 1 e 4 realmente costumam ser pintadas na cor vermelha.

Apesar de não ter o zero, um conjunto chinês não tem 21 peças, mas 32. As peças são divididas em dois "naipes", as peças "militares" e as "civis", sendo que existem duas cópias de cada peça civil, por isso o número elevado de peças. Curiosamente, não existe qualquer identificação na peça para dizer se ela é militar ou civil, sendo que os jogadores devem decorar qual peça é de qual naipe. As peças civis também possuem nomes, e uma ordem de valor sem qualquer razão aparente. As peças civis, com seus nomes, da mais para a menos valiosa são a 6-6 (céu), 1-1 (terra), 4-4 (homem), 1-3 (harmonia), 5-5 (flor), 3-3 (longa), 2-2 (prancha), 5-6 (machadinha), 4-6 (partição), 1-6 (sete de perna comprida) e 1-5 (seis cabeçudo).

As peças militares são as que sobraram (1-2, 1-4, 2-3, 2-4, 2-5, 2-6, 3-4, 2-5, 3-6 e 4-5). Elas não têm nome, e são ranqueadas de acordo com seu valor. Apesar de só existir uma de cada peça militar, elas também são consideradas como se estivessem em duplas, com cada peça sendo uma "duplicata" da outra que tem o mesmo valor que ela - 1-4 e 2-3 (5), 2-5 e 3-4 (7), 2-6 e 3-5 (8), 3-6 e 4-5 (9). As peças 1-2 e 2-4, apesar de não terem o mesmo valor, também são consideradas duplicatas uma da outra. Assim como ocorre com o dominó ocidental, o dominó chinês pode ser utilizado para jogar uma infinidade de jogos, e as exatas diferenças entre as civis e militares e entre um par e outro dependerão das regras de cada jogo.

Além de ser um passatempo muito divertido, o dominó é considerdo esporte, regulado pela Federação Internacional de Dominó (FIDO), com sede na Alemanha, que organiza campeonatos europeus e mundiais anualmente. Algumas federações locais também costumam organizar campeonatos, sendo que o campeonato norte-americano de vez em quando pode ser assistido por aqui na ESPN.

duplo-dezoitoAlém de passatempo e esporte, o dominó também costuma ser usado para fazer arte - em vários sentidos. Um dia, alguém descobriu que se você fizer uma fila bem grande de dominós e derrubar o primeiro, todos os outros caem junto. Por causa disso, algumas pessoas se dedicam a fazer fileiras incontáveis de dominós, que demoram vários minutos para cair, e, no processo, "desenham" figuras, acionam máquinas, acendem fogos de artifício, e outras proezas. Verdadeiros profissionais do dominó como forma de arte, estas pessoas podem se encontrar anualmente no Domino Day, um festival realizado na Holanda desde 1986, onde vários grupos trabalham juntos para tentar quebrar o recorde de maior número de dominós derrubados para se formar uma obra de arte - e também para exercitar sua criatividade e arrumar os dominós da forma mais impressionante possível. O recorde atual é de 4.079.381 dominós, derrubados em 17 de novembro de 2006. Embora pareça relativamente fácil quebrar este recorde - afinal, basta arrumar mais peças do que no ano anterior - em nenhuma das edições do Domino Day todas as peças arrumadas caíram; em 2006, por exemplo, foram arrumadas 4.400.000 peças, enquanto no ano passado foram arrumadas 4.500.000, das quais caíram "apenas" 3.671.465, o que acabou levando o evento a ser considerado um fracasso. Este ano eles tentarão novamente com 4 milhões e meio, e tomarão precauções extras para que caia o maior número possível.

Por sua natureza de cair derrubando seus irmãos, o dominó acabou dando nome ao "efeito dominó", expressão usada quando um pequeno evento acaba desencadeando outro, que desencadeia mais um, e assim por diante, até um resultado catastrófico. O efeito dominó é considerado de relevância teórica, principalmente no campo da amplificação de sinais digitais.

Esta não é a única ligação do dominó com a ciência, porém: para a matemática, ele faz parte do grupo dos poliominós, formas encontradas quando dois ou mais quadrados se unem enconstando totalmente um de seus lados. O nome poliominó foi inventado por Solomon W. Golomb em 1953, e veio do fato de que se um dominó é formado por dois quadrados, então um formado por três seria um trominó, um por quatro seria um tetrominó, por cinco seria um pentominó, e assim por diante. Quanto maior o número de quadrados, maior a possibilidade de combinações e, conseqüentemente, de formas - um dominó só tem uma forma possível, mas um tetrominó tem sete, e um heptominó tem 108.

Portanto, da próxima vez em que você olhar para um dominó e vir um joguinho de criança, mais respeito por favor. É um joguinho importante.
Ler mais

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Escrito por em 9.9.08 com 2 comentários

Vingadores

Aqui no Brasil, super-heróis costumam ser vistos como coisa de criança. Talvez por isso, um filme como O Cavaleiro das Trevas tenha sido exibido com cópias dubladas, e, mesmo nas legendadas, como foi o caso quando eu fui assistir, tinha um monte de crianças - e crianças pequenas, tipo 4 ou 5 anos. Pessoalmente, eu acho que nenhum pai deveria levar seus filhos pequenos para ver um filme como O Cavaleiro das Trevas, mas eu compreendo porque crianças gostam de super-heróis: eles têm superpoderes, usam uniformes coloridos, e lutam contra o mal.

É claro que não podemos apontá-lo como o único culpado, mas eu sempre achei que essa coisa de considerar super-heróis como apropriados para crianças de todas as idades tem a ver com o desenho dos Super Amigos. Para quem não sabe, os Super Amigos eram um grupo reunindo os principais heróis da DC, como Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha, Flash e Lanterna Verde, que combatiam a Legião do Mal, por sua vez formada pelos maiores inimigos destes heróis, como Lex Luthor, Brainiac, Sinestro, Gorila Grodd e Solomon Grundy. Produzido pela Hannah-Barbera entre 1973 e 1986, e exibido aqui no Brasil desde a década de 1970, o desenho, totalmente apropriado às crianças, e no estilo de outros desenhos de super-heróis da Hannah-Barbera, como Space Ghost, fez parte da infância de muitos de nós, ajudando a pavimentar a estrada que leva à crença de que tudo o que contêm um super-herói é automaticamente voltado para crianças.

O desenho dos Super Amigos era, como muitos podem imaginar, uma versão animada da Liga da Justiça, equipe que, nos quadrinhos, reunia os prinicipais heróis da DC, e da qual a Hannah-Barbera adquiriu os direitos no início da década de 1970. Mesmo sendo um título já bastante popular, o desenho ajudou a popularizá-lo ainda mais, principalmente entre aqueles que não eram fãs de quadrinhos. Tanto que, até hoje, poucos que não tenham contato com o mundo dos quadrinhos sabem que a Marvel também tem um grupo semelhante, chamado Os Vingadores. Pois é. o tema de hoje não é os Super Amigos nem a Liga da Justiça, mas os Vingadores, apesar da volta enorme que eu tive de dar para chegar até aqui.

Mas esta volta até que possui uma justificativa, já que, de certa forma, os Vingadores foram criados para "combater" a Liga da Justiça. Lançada em 1960, a revista da Liga era um fenômeno de vendas, e muitos atribuíam este sucesso à possibilidade de se encontrar em um único título todos os principais heróis da DC. Não era uma suposição infundada: a cada mês, a Marvel, principal concorrente da DC, recebia mais e mais cartas de leitores que adoravam quando algum herói da editora fazia uma "participação especial" na revista de outro, e pedindo mais histórias deste tipo. Como Stan Lee nunca foi de deixar passar oportunidades como esta, ele imediatamente reuniu uma equipe (de roteiristas e desenhistas, não de super-heróis), e começou a trabalhar em uma revista que mostrasse não somente um herói Marvel combatendo vilões, mas vários deles agindo juntos contra uma ameaça em comum.

O ano era 1963, e a Marvel ainda tinha poucos heróis de renome se comparada à DC - futuros sucessos da editora, como os X-Men, Demolidor, Motoqueiro Fantasma e Surfista Prateado só seriam criados mais tarde. Assim, Stan Lee decidiu pegar todos os que estavam fazendo sucesso em suas revistas solo, com exceção do Quarteto Fantástico, que já era uma equipe, e do Homem-Aranha, que era considerado pelo próprio Stan Lee como um solitário, que jamais se enquadraria em um time. Isto faria com que a primeira formação dos Vingadores tivesse o Homem de Ferro, lançado em março de 1963; o Homem-Formiga, de setembro de 1962; Thor, de agosto de 1962; o Hulk, de maio de 1962; e a Vespa, namorada do Homem-Formiga, aparentemente porque a equipe precisava de um toque feminino.

Os Vingadores fizeram sua estréia na primeira edição de sua própria revista, The Avengers (que trazia o nada humilde subtítulo "os maiores heróis da Terra", apelido pelo qual a equipe é conhecida até hoje), de setembro de 1963. Em sua primeira história, o grupo tinha de enfrentar Loki, o meio-irmão malvado de Thor, que, buscando se vingar do Deus do Trovão, iludiu o Hulk para que ele atacasse uma estrada-de-ferro, e Rick Jones para que este enviasse um chamado de rádio pedindo a ajuda de Thor. Como os fãs da Marvel sabem, Hulk é mais forte que Thor, então Loki esperava que o irmão fosse tomar uma bela surra.

Para infelicidade do Deus da Trapaça, porém, não somente Thor atendeu ao chamado, mas também o Homem de Ferro, o Homem-Formiga e a Vespa. Após resolver um pequeno mal-entendido, os quatro heróis decidiram agir juntos, e seus poderes combinados foram suficientes não somente para deter o Hulk, mas também para convencê-lo de que Loki era a verdadeira ameaça. Juntos, os cinco enfrentam o vilão, e o enviam de volta para Asgard debaixo de paulada. Animado por combater ao lado de colegas super-heróis, o Homem-Formiga sugere que eles se tornem uma equipe permanente, e a Vespa sugere o nome Vingadores, por ser ao mesmo tempo animado e dramático. Os cinco então se tornam os membros fundadores da equipe, e assumem o compromisso de sempre agir juntos contra desafios que nenhum herói sozinho conseguiria vencer.

No início (até o número 6), a revista era bimestral, e suas histórias eram afetadas pelo que acontecia nas revistas solo dos membros da equipe. Isto causou mudanças na equipe já na segunda edição, quando o Homem-Formiga mudou seu nome para Gigante (não, não era uma piada infame: o alter ego do Homem-Formiga, Dr. Henry Pym, possuía o poder de alterar a massa do próprio corpo, mudando de tamanho; primeiro ele decidiu usar este poder para ficar bem pequenininho, se tornando o Homem-Formiga; depois ele achou que seria melhor se ele ficasse bem grande, se tornando o Gigante - o nome dos heróis em inglês, Ant-Man e Giant-Man, é que é uma espécie de trocadilho), e o Hulk decide deixar a equipe, chateado pelos outros estarem sempre preocupados com sua instabilidade emocional. Deter o Hulk quando este tinha algum acesso de raiva, aliás, era um tema recorrente nas primeiras histórias dos Vingadores, e foi uma destas ocasiões que levou a equipe a enfrentar o Príncipe Submarino e a encontrar aquele que se tornaria o eventual líder da equipe, o Capitão América.

Stan Lee já vinha buscando uma forma de integrar o Capitão América ao Universo Marvel - afinal, o personagem era de propriedade da editora, como todos os demais heróis da Timely, a quem a Marvel sucedeu, e nos anos 40 foi extremamente popular. A criação de uma equipe à qual o Capitão pudesse se integrar, partindo depois para sua própria revista solo, parecia a oportunidade perfeita. Assim, no número 4 da revista dos Vingadores, os heróis o encontram em animação suspensa, congelado no ártico após uma missão mal-sicedida nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Os Vingadores acolhem o Capitão América, e o ajudam a se adaptar a um mundo vinte anos mais moderno do que ele estava acostumado. Stan Lee também aproveitou a "ressurreição" do Capitão para colocar os Vingadores contra um de seus antigos inimigos, o Barão Zemo, que fundou sua própria equipe de supervilões, chamada de Mestres do Mal.

A equipe sofreria mais uma reviravolta na edição 16, de maio de 1965, quando os quatro membros fundadores decidem deixar a equipe, e o Capitão América recruta três ex-vilões para assumir seu lugar: o Gavião Arqueiro e os mutantes Feiticeira Escarlate e Mercúrio, ex-membros da Irmandade e filhos de Magneto. Roy Thomas assumiria os roteiros na edição 35, em 1966, e, sob a sua batuta, Henry Pym retornaria com o nome de Golias, trazendo com ele a Vespa, e a equipe ganharia como novos membros Hércules, o Pantera Negra, o Cavaleiro Negro e o andróide - aliás, sintetizóide - Visão, ex-aliado de um dos maiores oponentes do grupo, o robô Ultron, que o enviara para destruir Golias e a Vespa. Também no final da década de 1960, os Vingadores adquirem seu mais famoso quartel-general, a Mansão dos Vingadores, doada por Tony Stark, alter ego do Homem de Ferro, que financiava a equipe secretamente. Junto com a Mansão, os Vingadores ganham um mordomo, Jarvis, sempre pronto para ajudar a equipe apesar de não ter superpoderes.

Thomas continuaria escrevendo as histórias dos Vingadores até 1972, criando o Esquadrão Supremo, uma espécie de homenagem à Liga da Justiça, e uma história em dez partes envolvendo a guerra entre os Kree e os Skrull, com a participação especial do Capitão Marvel, ao final da qual os Vingadores se separam, graças a ardilosos Skrulls que se disfarçam de Capitão América, Homem de Ferro e Thor - para quem não sabe, os Skrulls têm a capacidade de mudar de forma. A equipe se uniria novamente na edição número 100, de junho de 1972, com o retorno de todos os membros originais, inclusive o Hulk. Thomas também foi o responsável pelo surgimento do romance entre Visão e a Feiticeira Escarlate, uma espécie de subtrama que pontuaria as histórias dos Vingadores nos anos seguintes.

Steve Englehart assumiria na edição 105, e ficaria responsável pelo título até a 152, de outubro de 1976. Em sua época, a equipe ganharia cinco novos membros, a Viúva Negra, a Serpente da Lua, Mantis, o ex-X-Men Fera, e o ex-vilão Espadachim, inicialmente um espião do Mandarim infiltrado, mas que acabou passando para o lado do bem. Mantis acaba sendo protagonista de uma saga que envolve viagens no tempo e o vilão Kang, o Conquistador, durante a qual é revelado que o corpo do Visão pertencia anteriormente ao Tocha Humana original. Ao final desta saga, Visão e a Feiticeira Escarlate se casam; graças a seus poderes mutantes de alterar a realidade, ela teria dois filhos, mesmo com ele não sendo humano.

Após cinco edições escritas por Gerry Conway, a revista seria assumida por Jim Shooter, responsável por uma nova saga onde os Vingadores enfrentariam o vilão Korvac, um ciborgue que ganhou poderes quase divinos ao se conectar ao sistema da nave de Galactus. Shooter também escreveu a clássica história A Noiva de Ultron, na qual o robô-vilão obriga Pym a transferir a mente da Vespa para um robô chamado Jocasta; e criou o vilão Henry Peter Gyrich, contato dos Vingadores com o governo, que na verdade odeia super-heróis, e acaba criando diversas dificuldades para a equipe ao exigir que eles cumpram regras rígidas para não perder o apoio governamental.

Shooter escreveria os Vingadores até 1978, quando seu lugar seria assumido primeiro por Tom DeFalco, depois por David Michelinie, e retornaria para 1981 e 1982. Durante a época de Michelinie, a equipe ganharia três novos membros, Miss Marvel, o ex-vilão Magnum, e o Falcão, ex-parceiro do Capitão América. Gyrich obrigaria a equipe a ter um número limite de sete membros, e exigiria que o Falcão fosse um deles, para que os Vingadores tivessem um representante negro; revoltado, o herói não aceitou, só passando a fazer parte da equipe quando recrutado para enfrentar o vilão Scorpio pelo seu talento, não pela cor de sua pele.

No início de seu segundo "mandato", Shooter criaria uma saga envolvendo Henry Pym; ao notar que o personagem mudava freqüentemente de nome, uniforme e modo de usar os poderes, o roteirista decidiu que isto podia ser um sintoma de crise de identidade e complexo de inferioridade. Instigado pelo vilão Cabeça-de-Ovo, Pym se separa da Vespa, cria caso com o restante da equipe, e acaba preso, acusado de tentar roubar um carregamento de adamantium. Pym recuperaria seu prestígio em uma nova saga, escrita por Roger Stern, que assumiria a revista em 1983 e nela ficaria em 1987; nela, Pym descobre a artimanha do Cabeça-de-Ovo, derrota não somente o vilão, mas também a nova formação dos Mestres do Mal, prova sua inocência, e ganha novamente o respeito de seus colegas Vingadores. Incapaz de se reconciliar com a ex-esposa, porém, ele decide abandonar a carreira de super-herói, e se dedicar a ser apenas um cientista.

No início da década de 1980, os Vingadores mais uma vez ganhariam novos membros, desta vez a Capitã Marvel, Tigra, a Mulher-Hulk e Starfox. A equipe também ganharia seu primeiro spin-off, os Vingadores da Costa Oeste, que estrearam na minissérie em quatro partes West Coast Avengers, de setembro a dezembro de 1984, também escrita por Stern, e que trazia as aventuras de uma nova equipe, sediada em Los Angeles (a equipe principal, como a maioria dos heróis Marvel, era sediada em Nova Iorque) e composta pelo Gavião Arqueiro, Homem de Ferro (que na época não era Tony Stark, mas Jim Rhodes, que mais tarde se tornaria o Máquina de Combate), Harpia, Tigra e Magnum.

Os Vingadores da Costa Oeste ganharam sua própria série mensal em outubro de 1985. Escrita por Englehart, a série mostraria uma equipe mais irreverente que a original, com um tom mais humorístico em suas histórias. Henry Pym, que atuava como consultor do grupo, teve um colapso nervoso e entrou em depressão, mas foi salvo com a ajuda de Asa de Fogo, que acabou entrando para a equipe, assim como o Cavaleiro da Lua, efetivado após uma saga onde os membros dos Vingadores da Costa Oeste são separados e espalhados por diversos pontos do tempo. Enquanto isso, na Costa Leste, Stern seria substituído por Ralph Macchio (que não é o Daniel San de Karate Kid, mas um homônimo), depois por Walt Simonson, e então por John Byrne, que assumiria ambas as revistas dos Vingadores em 1989. Byrne seria responsável por mais uma reviravolta na vida dos heróis, ao escrever uma saga na qual o Visão enlouquece e tenta dominar o mundo, e a Feiticeira Escarlate descobre que seus filhos com o sintetizóide são na verdade ilusões. Byrne também traria o Agente Americano e o Tocha Humana original para a equipe da Costa Oeste; na Costa Leste, ainda na época de Stern, Namor e o Dr. Druida se uniriam aos Vingadores, e na edição 300, de fevereiro de 1989, escrita por Macchio e Simonson, Gilgamesh, o Sr. Fantástico e a Mulher Invisível também se tornariam Vingadores.

A década de 1990 foi bastante turbulenta para os Maiores Heróis da Terra. Por idéia de Byrne, as revistas dos Vingadores da Costa Leste e Oeste passaram a apresentar histórias interligadas, sem que as duas equipes tivessem membros fixos, com os personagens de uma equipe aparecendo na revista da outra. A primeira saga neste estilo foi a continuação da história onde a Feiticeira Escarlate descobre que seus filhos são ilusões, enlouquece, se torna uma vilã, e acaba seqüestrada primeiro por Magneto, depois pelo vilão Immortus, que planeja utilizar seus poderes para apagar cursos de tempo indesejáveis para o futuro da humanidade, o que faz com que os Vingadores tenham de viajar até o Limbo para salvá-la. Nesta época, a revista da Costa Oeste passou a ser escrita por Roy Thomas, que incluiu como novos membros a segunda Mulher Aranha, o Falcão de Aço, o Homem-Máquina e o Relâmpago Vivo, enquanto a equipe da Costa Leste seria reforçada por Quasar, Sersi, o Homem-Aranha e o Homem-Areia. Depois de Byrne, a revista da Costa Leste foi assumida por Fabian Nicieza, Larry Hama, e finalmente Bob Harras, que decidiu voltar ao esquema de uma equipe fixa, com poucos personagens, trazendo como novos membros a inumana Cristalys e o Trovejante.

Em 1992 aconteceu a Operação Tempestade Galática, uma saga em 19 partes que se espalhou por quase todos os títulos Marvel. Depois disso, Terry Kavanaugh e depois Mark Waid assumiriam os roteiros dos Vingadores. Na Costa Oeste, ainda dava tempo para mais uma saga, na qual os Vingadores enfrentaram Mefisto para salvar a Harpia. Depois disso, a equipe foi desfeita, e alguns de seus membros formaram a nova equipe Força Tarefa. A revista dos Vingadores da Costa Oeste seria cancelada em janeiro de 1994, após uma minissérie de 4 edições, 102 edições mensais e 8 especiais anuais.

Por incrível que pareça, a revista original dos Vingadores não teria vida muito mais longa. Em setembro de 1996, após 402 edições mensais, 23 especiais anuais e 5 especiais gigantes, além de alguns outros especiais isolados, a revista seria interrompida por causa da saga Heróis Renascem. Para quem não está familiarizado, aconteceu mais ou menos o seguinte: no início da década de 1990, vários dos roteiristas e desenhistas da Marvel e da DC deixaram seus empregos para fundar uma nova editora, a Image Comics. Como muitos deles eram considerados os melhores por boa parte dos fãs, e como já havia uma demanda por novidades no mundo dos super-heróis, as revistas da Image começaram a vender que nem água. Para contra-atacar, a Marvel adotou uma estratégia de marketing agressiva, que envolvia lançar dezenas de novos títulos de personagens que já tinham pelo menos duas revistas (The Sensational Spider-Man me vem à mente) e sagas que obrigassem os leitores a comprar pelo menos umas dez revistas (como a já citada Operação Tempestade Galática). Curiosamente, este cenário levou a um boom especulativo, no qual alguns "leitores" compravam as revistas que achavam que poderiam valer um bom dinheiro no futuro e sequer as tiravam do plástico, tentando mantê-las no melhor estado de conservação possível, para tentar revender por uma fortuna depois. Se no início isso foi bom, já que levou à venda de milhões de edições, muito dinheiro para a Marvel, DC e Image e para os donos de lojas especializadas em quadrinhos, quando os "especuladores" perceberam que jamais conseguiriam vender suas "preciosidades" por preços maiores do que os que pagaram, o efeito foi devastador: centenas de revistas começaram a encalhar, dezenas de lojas tiveram de fechar suas portas, e a Marvel se viu à beira da falência.

Diante disso, para recuperar o prestígio, a Marvel decidiu cancelar diversos de seus títulos secundários (talvez os Vingadores da Costa Oeste estivessem dentre eles), e investir em uma estratégia bastante arriscada: chamou Jim Lee e Rob Liefeld, dois de seus ex-desenhistas que haviam debandado para a Image, para reformular o Universo Marvel. Após mais uma enorme saga, onde todos os heróis Marvel enfrentam o vilão Massacre, o Quarteto Fantástico e os Vingadores são mortos, para "renascer" em novas revistas, com as do Quarteto e do Homem de Ferro a cargo de Lee, e as dos Vingadores e do Capitão América a cargo de Liefeld.

Recontando a origem desses heróis como se eles tivessem ganhado seus poderes na época atual, a saga Heróis Renascem durou exatamente um ano, ou 13 edições. Dizem que isso estava planejado desde o início, mas na época muitos levaram um grande susto quando foi revelado que na verdade a "morte" e "renascimento" dos heróis havia sido efeito dos poderes de Franklin Richards. Tudo esclarecido, todos "ressucitaram" milagrosamente, e a revista dos Vingadores (bem como as do Quarteto Fantástico, Capitão América e Homem de Ferro) seria relançada. Ao invés de continuar com a numeração, porém, a Marvel decidiu recomeçar do número 1. Pelo menos até a edição 84, que equivaleria à 499 se a numeração original tivesse sido mantida; depois dessa veio a edição 500, e essa numeração continuou até a edição 503, de dezembro de 2004, quando a revista foi cancelada de novo, após 88 edições mensais, 4 especiais anuais e mais alguns outros especiais e minisséries.

Antes deste cancelamento, a revista teve roteiros de Kurt Busiek, que escreveu uma saga envolvendo viagens no tempo, e trouxe para a equipe como novos membros Justiça, Flama, Triatlo e Garra de Prata. Busiek foi sucedido por Geoff Johns, que concluiu uma saga onde os Vingadores enfrentavam Kang, e acrescentou o Valete de Copas e o segundo Homem-Formiga à equipe. Depois veio Chuck Austen, que trouxe a Capitã Britânia, e Brian Michael Bendis, responsável pelo cancelamento da revista ao escrever a saga A Queda, onde a Feiticeira Escarlate, ainda sob o efeito do trauma de perder seus filhos, perde o controle sobre seus poderes e quase destrói o mundo.

Depois da Queda, a equipe se separou de vez, mas uma tentativa de fuga de vários supervilões de uma prisão especial levou o Homem de Ferro a reunir uma nova equipe, à qual ele chamou de Novos Vingadores. Originalmente a equipe era formada pelo próprio Homem de Ferro, mais Luke Cage, Ronin, o Sentinela, o Homem-Aranha, a Mulher-Aranha original e Wolverine, mas depois passou pelo entra-e-sai característico dos Vingadores, chegando a ter dentre seus membros o Capitão América, Ares, a Viúva Negra, a Vespa, Magnum, Miss Marvel, Dr. Estranho, o Punho de Ferro e o Gavião Arqueiro. Atualmente, estes novos vingadores podem ser vistos em duas revistas, New Avengers, de janeiro de 2005, atualmente na edição 45, e Mighty Avengers, de maio de 2007, atualmente na edição 17. No Brasil, os Vingadores podem ser encontrados nas revistas Os Novos Vingadores e Avante, Vingadores! ambas publicadas pela Panini.

A mais recente saga envolvendo os Vingadores não tem a ver com quadrinhos: trata-se de um muito comentado filme, planejado para chegar aos cinemas em 2011, e que traria uma equipe composta pelo Homem de Ferro, Hulk, Thor, Capitão América, Homem-Formiga e Vespa, enfrentando um vilão inédito, mas ainda indeterminado. A Marvel faz questão que Robert Downey Jr. e Edward Norton repitam os papéis de Tony Stark e Bruce Banner, bem como os atores que interpretarem Thor, Capitão América e Homem-Formiga, cujos filmes devem estrear antes do dos Vingadores, no que eu acho que eles estão muito certos. Apesar de duas cenas nos filmes do Homem de Ferro e do Hulk já servirem como preparação para o filme dos Vingadores, tudo ainda é meio nebuloso, já que nem um diretor o projeto tem ainda - Jon Favreau chegou a ser cogitado e demonstrou interesse, mas, como Homem de Ferro 2 estréia um ano antes, é incerto se ele conseguirá trabalhar em ambos os projetos. Como fã da equipe, eu já espero ansiosamente pela estréia, e espero que os Vingadores não façam feio no cinema. Afinal, os Maiores Heróis da Terra merecem sair dos quadrinhos em grande estilo.
Ler mais

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Escrito por em 3.9.08 com 0 comentários

A História sem Fim

Hoje em dia, aparentemente qualquer um consegue fazer um filme de fantasia. Talvez motivados pelo sucesso de O Senhor dos Anéis, cada vez mais os estúdios investem em adaptações de livros ambientados em um mundo medieval fantástico, ou criam suas próprias histórias. Um dos motivos para esta popularidade é o uso dos efeitos de computação gráfica, capazes de colocar dragões, elementais do fogo, ursos falantes, e toda a sorte de criaturas para contracenar com atores de carne e osso.

Há uns vinte anos, porém, a coisa era mais complicada. Sem computadores tão avançados, os criativos cineastas que desejassem filmar aventuras em um mundo fantástico tinham de recorrer a atores fantasiados, anões, anóes fantasiados, animatronics, marionetes, bonecos de espuma e coisas do tipo. Hoje em dia eles são considerados toscos, mas na época eram o pináculo da tecnologia em efeitos especiais. Tanto que muitos filmes de fantasia dos anos 80 entraram para a história, como é o caso do tema do post de hoje, A História sem Fim. E agora reparo que acabei fazendo um trocadilho totalmente não-intencional.

Como acontece com muitos dos filmes de fantasia de hoje, A História sem Fim não nasceu filme, mas livro. E um livro alemão, chamado Die unendliche Geschichte, escrito por Micahel Ende, e publicado pela primeira vez em 1979. Pouca gente sabe, mas o filme, de 1984, também é alemão, embora seja totalmente falado em inglês. Dirigido por Wolfgang Petersen e lançado nos Estados Unidos com o nome de The Neverending Story, o filme usou e abusou dos efeitos disponíveis à época para criar o mundo de Fantasia, tanto que se tornou o filme mais caro até então produzido fora dos Estados Unidos, com orçamento de 27 milhões de dólares. Infelizmente, o filme só rendeu 20 milhões, mas foi aclamado pelos críticos, e se tornou um dos mais vendidos da história quando lançado em vídeo.

A História sem Fim tem dois protagonistas, ambos crianças. O primeiro deles é Bastian Bux (Barret Oliver), órfão de mãe, filho de um pai workaholic (Gerald McRaney) que dedica mais de seu tempo ao trabalho que a ele, perseguido pelos meninos valentões da escola, e que usa os livros como válvula de escape de sua triste realidade. Um dia, fugindo dos valentões, Bastian acaba entrando na livraria do Sr. Koreander (Thomas Hill), que está lendo um livro grande, de capa dura, chamado A História sem Fim. Bastian pede para ler o livro, mas o Sr. Koreander nega, dizendo que o livro "não é seguro". Enquanto o Sr. Koreander atende a um telefonema, porém, Bastian leva o livro, deixando um bilhete prometendo devolvê-lo assim que terminar de ler.

O livro "emprestado" por Bastian conta a história de um mundo chamado Fantasia, que está sendo ameaçado por uma força chamada Nada, que o destrói aos poucos, transformando tudo em... bem, em nada. Um grupo de viajantes de pontos distantes de Fantasia - Teeny Weeny (Deep Roy) e sua lesma de corrida; Furão (Tilo Prückner) e seu morcego gigante dorminhoco; e o Come-Pedra, uma criatura semelhante a uma montanha - decide ir até a Torre de Marfim pedir ajuda à Imperatriz Menina (Tami Stronach), governante de toda Fantasia, mas ela está muito doente, e incapaz de ajudar seu povo. É aí que surge o segundo protagonista da história, Atreyu (Noah Hathaway), um guerreiro do Povo da Planície, chamado pela Imperatriz para partir em uma missão em busca de ajuda para derrotar o Nada. Atreyu recebe da Imperatriz o Auryn, uma espécie de medalhão formado por duas serpentes entrelaçadas, que servirá de guia e símbolo de que age em nome da Imperatriz, e parte acompanhado de seu cavalo Arfax.

Enquanto Bastian lê a história, ele vai ficando cada vez mais envolvido com a busca de Atreyu, como se os atos de ambos fossem, de alguma forma, interligados. Buscando derrotar o Nada, Atreyu parte em busca de conselhos de Morla, a tartaruga gigante, tenta alcançar o Oráculo do Sul, com a ajuda do cientista gnomo Engywook (Sydney Bromley) e sua esposa Urgl (Patricia Hayes), e voa no dorso de Falkor, o dragão da sorte (dublado por Alan Oppenheimer). Infelizmente, o Nada também manda um de seus agentes para deter Atreyu, o lobisomem-vampiro Gmork (também dublado por Oppenheimer, que ainda atua como o narrador da história).

Atreyu e FalkorNo fim, o Nada vence e consegue destruir Fantasia, mas, milagrosamente, Bastian se encontra com a Imperatriz Menina, que o revela que, graças à sua ajuda, um pequeno grão de areia foi salvo, e este grão de areia basta para que toda Fantasia seja reconstruída. Usando sua imaginação, Bastian reconstrói toda Fantasia voando com Falkor. E, graças a esta experiência, ele estará melhor preparado para os desafios da vida, ou coisa do tipo. Pois esta é a moral da história, a de que todos temos um lugar no mundo, e que jamais devemos perder nossa imaginação.

Curiosamente, o filme na verdade acaba na metade do livro, onde, após a reconstrução, Bastian viaja até Fantasia. Inclusive, muitos outros pontos da história são diferentes, tanto que Michael Ende, que acompanhou as filmagens, ficou tão insatisfeito com o rumo que elas tomavam que pediu que o título do filme fosse mudado. Como os produtores se recusaram, ele processou a Warner Bros. Ende perdeu, já que a Warner havia adquirido os direitos legalmente, mas teve garantido o direito de não ter seu nome nos créditos iniciais, nem associado ao filme em material promocional (tipo um "baseado na obra de Michael Ende" nos posters), embora a versão exibida nos Estados Unidos (e vendida aqui em DVD) traga justamente esta frase nos créditos finais.

Mesmo com esta confusão e com o baixo rendimento do filme, a Warner decidiu apostar em uma seqüência, alguns anos mais tarde, para aproveitar os avanços na área dos efeitos especiais. Uma co-produção entre Estados Unidos e Alemanha, The Neverending Story II: The Next Chapter (simplesmente A História sem Fim 2 no Brasil), dirigido por George T. Miller, estrearia em 1990 na Alemanha e um ano depois nos Estados Unidos. Embora neste segundo filme Bastian viaje até Fantasia, ele não é equivalente à parte do livro que ficou de fora do primeiro filme, tendo uma história totalmente nova, aproveitando apenas alguns personagens e situações.

Desta vez o que ameaça Fantasia não é o Nada, mas o Vazio. Ouvindo a um chamado da Imperatriz Menina (Alexandra Johnes) enquanto visita a livraria do Sr. Koreander, Bastian (Jonathan Brandis) viaja até Fantasia, onde se unirá a Atreyu (Kenny Morrison) e ao pássaro Nimbly (Martin Umbach) para tentar deter mais esta ameaça. Bastian, porém, acaba manipulado pela feiticeira Xayide (Clarissa Burt), que o conquista com uma máquina de realizar desejos. Cada vez que Bastian faz um desejo, porém, ele perde uma memória, e, quando todas tiverem sumido, Fantasia também desaparecerá, e o Vazio terá triunfado. Caberá a Atreyu salvar seu amigo, impedindo que Fantasia seja mais uma vez destruída.

A Imperatriz Menina e BastianO melhor do filme, porém, é que, ao procurar por seu filho desaparecido, o pai de Bastian (John Wesley Shipp) acaba encontrando o livro da História sem Fim, começa a lê-lo, e descobre que Bastian é o protagonista da história. O pai de Bastian então se envolve com a narrativa, e, quando Bastian recupera suas memórias e salva Fantasia do Vazio, voltando ao mundo real, descobre que seu pai também se tornou uma pessoa melhor. Esse livro faz milagres mesmo.

A História sem Fim 2 custou 36 milhões de dólares, e só rendeu 17 milhões. Pior que isso, foi detestado pela crítica, que achou os efeitos especiais pobres e o enredo inconsistente. Ainda assim, por algum motivo que só ela conhece, a Warner decidiu fazer um terceiro filme.

Mais uma vez uma co-produção entre Estados Unidos e Alemanha, The Neverending Story III: Escape from Fantasia (A História sem Fim 3 no Brasil), dirigido por Peter MacDonald, estrearia em 1994 na Alemanha, mas somente em 1996 nos Estados Unidos. Com orçamento de 17 milhões e renda ridícula de apenas um milhão, é considerado o pior filme da série, principalmente por não ter nada a ver com a obra de Ende, exceto os personagens.

Desta vez, Bastian (Jason James Richter) já está entrando na adolescência, e, além de ter de conviver com os problemas do colégio, onde é importunado por uma gangue de valentões liderada por Slip (Jack Black), ainda ganha problemas em casa, já que seu pai (Kevin McNulty) decidiu se casar novamente, e Nicole (Melody Kay), filha de sua nova esposa, não está nada satisfeita de ganhar uma nova família e um novo irmão. Bastian escapa de seus problemas para Fantasia, onde se reencontra com Falkor (dublado por Gordon Robinson), Engywook (Tony Robinson) e Urgl (Moya Brady), mas os valentões liderados por Slip encontram o livro, e usam sua imaginação cruel para bombardear Fantasia com bolas de fogo e relâmpagos, e enviar caranguejos gigantes para matar a Imperatriz Menina (Julie Cox). Esta pede que Bastian use o Auryn, capaz de realizar qualquer desejo, para colocar o livro em segurança antes que Fantasia seja destruída, mas algo sai errado, e Bastian, Engywook, Urgl, Falkor, o troll Bark (Kaefan Shaw) e o filho do Come-Pedra, Júnior (dublado por Dave Formann), vêm parar na Terra. Pior ainda, Nicole se apossa do Auryn, e planeja utilizá-lo para realizar todos os seus desejos em um shopping center. Bastian então deve recuperar o amuleto, derrotar os valentões, e ainda levar os fantasianos de volta para casa.

AurynAlém dos três filmes, A História sem Fim teve uma série animada, co-produzida pela alemã CineVox, pela francesa Ellipse e pela canadense Nelvana e exibida na HBO entre 1995 e 1996, com um total de 26 episódios, e uma série de TV, Tales from the Neverending Story, produzida pela Muse Entertainment em 2001, exibida na Europa e Canadá na forma de 13 episódios, e nos Estados Unidos e aqui como 4 filmes feitos para a TV. Esta série ignora todos os filmes, é ainda mais diferente do livro do que eles, e conta simultaneamente as aventuras de Bastian no mundo real e de Atreyu em Fantasia, embora Bastian tenha algum grau de influência em Fantasia através do livro. A série traz Mark Rendall como Bastian, John Dunn-Hill como o Sr. Koreander, Noël Burton como o pai de Bastian, Tyler Hynes como Atreyu, Victoria Sanchez como Xayide, e Audrey Gardiner como a Imperatriz Menina.

Tirando o filme 3 que realmente é meio chato, e sem falar pela série animada, que eu nunca vi, A História sem Fim é uma série muito legal e divertida, e que deixa uma lição para os filmes de hoje: por mais que os efeitos especiais sejam superfantásticos, eles nunca serão mais importantes que uma boa história. Afinal, só a armadura bonita não adianta, a Esfinge pode ver o que está no coração.
Ler mais