Outro dia, eu e um grupo de amigos conversávamos sobre qual seria o critério que faria com que alguns filmes que passaram nos cinemas lá fora fossem lançados direto em DVD aqui no Brasil, enquanto alguns que foram lançados direto em DVD lá fora acabassem selecionados para ocupar a tela grande em nosso país. Esta discussão foi motivada por um amigo que é fã do Justiceiro, aquele herói da Marvel, e estava indiginado com o fato de que o filme de 2004, com Thomas Jane e John Travolta, que passou nos cinemas norte-americanos normalmente, fora lançado aqui direto em DVD, enquanto um novo filme do personagem, que segundo ele seria lançado direto em DVD nos Estados Unidos, estaria programado para estrear nos cinemas do Brasil mês que vem. Bem, na verdade, este segundo filme do Justiceiro, cujo título original é Punisher: War Zone não está sendo feito para ser lançado direto em DVD, ou seja, será exibido nos cinemas norte-americanos, e, como o filme de 2004 também estava programado para estrear nos cinemas daqui e acabou não estreando, eu só vou acreditar que este novo passará no cinema quando ele efetivamente estrear.
Mesmo assim, o argumento apresentado por ele deu origem a uma discussão interessante. Quer dizer, eu até compreendo que os cinemas daqui tenham interesse em selecionar filmes que saíram direto em DVD lá fora para ocupar nossas salas em busca de algum lucro nestes tempos de ingressos tão caros e cinemas tão vazios - dois bons exemplos são Efeito Borboleta 2, que tentou pegar carona na boa bilheteria do "Efeito Borboleta 1"; e Um Crime Americano, que estreou aqui nos cinemas por ser protagonizado por Ellen Paige, que havia conseguido uma excelente bilheteria com Juno. Também compreendo que produções com artistas pouco conhecidos, ou que fizeram pouco alarde lá fora, sejam lançadas por aqui direto em DVD para não ocupar salas que poderiam estar faturando melhor com outros filmes. Mas convenhamos, no exemplo citado pelo meu amigo, Justiceiro era um filme de super-heróis com John Travolta no elenco, e que poderia ter pego carona no sucesso de Homem-Aranha 2 e Hellboy, ambos também exibidos em 2004. Pelo menos uma salinha escondida em algum shopping ele merecia.
Mas este não é um post sobre o Justiceiro. Existe um filme que eu absolutamente adoro, e que eu nunca entendi por que foi lançado direto em DVD, mas que pouca gente conhece, então ele infelizmente não foi um bom argumento na já citada discussão. Este filme se chama Donnie Darko, e um dos motivos pelos quais eu nunca entendi sua ausência nos cinemas foi que ele tem um elenco praticamente estelar, com Jake e Maggie Gyllenhaal, James Duval, Jena Malone, Noah Wyle, Drew Barrymore e Patrick Swayze.
Na verdade, Donnie Darko não ter passado nos cinemas não afetou em nada a minha vida, já que provavelmente eu não teria ido assisti-lo - mesmo assim, eu gosto de reclamar, porque eu realmente gosto do filme. Mas a primeira vez que eu ouvi falar dele foi bem depois de seu "não-lançamento", provavelmente quando foi lançado o DVD, lá pelos idos de 2002, em uma noticiazinha de nem meia página, não me lembro se no MegaZine ou no Rio Fanzine, que, dentre outras informações sobre o filme, reclamava justamente dele não ter sido lançado nos cinemas. Vi e esqueci. Apenas uns quatro anos depois eu me interessaria por assisti-lo, graças a Maggie Gyllenhaal.
Mesmo sem tê-la colocado na minha lista ali ao lado, eu adoro Maggie Gyllenhaal. Um dia, provavelmente sem ter o que fazer, decidi ler sua filmografia, para ver quais de seus filmes eu ainda não tinha assistido, e vi que Donnie Darko estava entre eles. Me lembrei da tal reportagem de anos atrás, e fiquei curioso para finalmente descobrir do que se tratava, mas me deparei com uma barreira inusitada: além de aparentemente o filme não estar programado para passar na TV a cabo tão cedo, nenhuma locadora aqui perto de casa o tinha dentre seus títulos - e nenhum dos atendentes parecia saber do que eu estava falando quando eu perguntava se "vocês têm Donnie Darko". Teve até uma moça que pensou se tratar de sorvete.
Cada vez mais curioso, e praticamente sem saída, recorri a uma prática da qual, embora ninguém acredite quando eu digo, não gosto muito: baixei um torrent - os motivos pelos quais eu não gosto de baixar filmes da internet não serão discutidos neste blog, mas basta dizer que o principal é que eu não tenho paciência de esperar vários dias por aqueles downloads enormes. Praticamente a única versão que eu encontrei para baixar foi uma versão do diretor, com áudio e legendas em inglês - pois só haviam legendas em português para a versão comum, que ninguém parecia disposto a compartilhar. Embora esta história já esteja bizarra o suficiente, ainda tem mais: eu resolvi assistir o filme às dez horas da noite do dia 31 de dezembro de 2006. Eu ia virar o ano em casa, e aparentemente não tinha muito mais o que fazer enquanto esperava a meia-noite.
Pois bem, o filme acabou quando faltavam poucos minutos para a contagem regressiva, e, embora eu tivesse gostado, não tinha entendido muita coisa, principalmente sobre partes cruciais do enredo. Alguns dias depois, em uma visita às Lojas Americanas, acabei encontrando a versão comum - que não era a "do diretor" que eu tinha assistido - em uma daquelas bancas de R$ 9,90. Pois é, passei praticamente um mês inteiro procurando, e acabei encontrando só depois que eu já tinha assistido. Não sei se só de raiva, comprei, e, por algum milagre, entendi tudo. Não sei se a versão comum é de mais fácil compreensão que a do diretor ou se eu entendi porque já tinha visto duas vezes, mas fiquei muito satisfeito de ter conseguido comprar um filme tão legal por tão pouco.
Enfim, após esta imensa introdução, vamos finalmente falar do filme. Escrito e dirigido por Richard Kelly, que não tinha feito muita coisa antes, Donnie Darko, de 2001, é um filme difícil de definir, embora a classificação da Wikipédia, de thriller psicológico de ficção científica, seja bastante apropriada. Donnie Darko é o nome do protagonista (Jake Gyllenhaal), filho do meio de Eddie (Holmes Osborne) e Rose Darko (Mary McDonnell), e irmão de Elizabeth (Maggie Gyllenhaal) e Samantha (Daveigh Chase). Adolescente problemático e violento, Donnie tem sessões de análise com a Dra. Lillian Thurman (Katharine Ross), e deve tomar remédios sem os quais se torna sonâmbulo. Uma noite, aparentemente durante uma crise de sonambulismo, ele recebe a visita de Frank (James Duval), um homem vestindo uma fantasia de coelho demoníaco, que alega ser do futuro e lhe revela que o mundo irá acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Enquanto Donnie está no jardim conversando com Frank, uma turbina de avião cai misteriosamente sobre sua casa, esmagando seu quarto - e o teria matado se ele estivesse dormindo.
A partir de então, Donnie tenta levar uma vida normal, se é que sua vida pode ser considerada normal. No colégio, ele é tido como um arruaceiro pela conservadora professora de educação física Kitty Farmer (Beth Grant), mas visto como inteligente e de bom raciocínio lógico pela professora de literatura, Karen Pomeroy (Drew Barrymore). Ele acaba se apaixonando por uma nova aluna, Gretchen Ross (Jenna Malone), arruma ainda mais confusão ao discutir com o ídolo da professora Farmer, o autor de livros de auto-ajuda Jim Cunningham (Patrick Swayze) e se torna amigo do professor de ciências, Kenneth Monnitoff (Noah Wyle), com quem discute principalmente sobre viagens no tempo, assunto que lhe desperta interesse após ouvir relatos de Frank. Conversando com Monnitoff, Donnie descobre que Roberta Sparrow (Patience Cleveland), a autora de um dos mais conceituados livros sobre viagem no tempo, A Filosofia da Viagem no Tempo, mora bem perto de sua casa, mas é tida pela maior parte da população como uma anciã louca que nada faz além de atrapalhar o trânsito ao ficar no meio da rua checando insistentemente sua caixa de correio, tendo sido apelidada "Vovó Morte" pelos adolescentes da cidade.
Além de ter que conviver com todos estes problemas, Donnie ainda tem de lidar com as aparições de Frank, que supostamente lhe dá instruções para evitar o fim do mundo. No final, Donnie até consegue evitar que o mundo acabe, mas a forma como isto acontece é surpreendente. Na verdade, se você entender tudo o que acontece, verá que no final tudo se encaixa, embora nunca fique muito claro por que o mundo iria acabar. Evidentemente, Richard Kelly possui uma explicação para o filme, que eu li na Wikipédia para escrever este post (portanto, se você estiver pensando em ver o filme, tente não ler antes), e devo dizer que, para meu alívio, não era tão diferente assim do que eu entendi sem a explicação de ninguém, embora realmente algumas partes só possam ser mesmo esclarecidas com as palavras do próprio inventor da história, o que talvez seja um defeito.
Donnie Darko foi filmado pela pequena companhia Flower Films, consumindo apenas 28 dias e 4,5 milhões de dólares. Curiosamente, apesar de ambientado na Virgínia, ele foi totalmente filmado no entorno de Los Angeles, Califórnia. Ficou longe de se pagar no cinema (rendeu apenas 511.375 dólares nos Estados Unidos), devido, principalmente, ao reduzido número de salas em que foi exibido (apenas 58 em todo o país), recaindo a culpa sobre a proximidade de seu lançamento com o Onze de Setembro, uma época na qual as pessoas tinham medo de se reunir em lugares fechados. A crítica foi extremamente favorável, porém, e, após seu lançamento em DVD, em março de 2002, o filme se tornou cult, atraindo uma legião de fãs, e fazendo com que o Pioneer Theatre de Nova Iorque exibisse sessões especiais à meia-noite durante 28 semanas seguidas. Estima-se que até hoje o filme tenha vendido mais de 10 milhões de dólares em DVDs apenas nos Estados Unidos.
Toda esta fama foi mais do que suficiente para Richard Kelly convencer a Flower Films a deixá-lo lançar sua versão do diretor, com 20 minutos a mais, uma trilha sonora diferente e algumas partes alteradas ou inseridas para ajudar o espectador a compreender a história (e que talvez não tenham funcionado comigo). Esta versão do diretor chegou a ser exibida em alguns cinemas de Nova Iorque e Los Angeles em 2004, e foi lançada em DVD em fevereiro de 2005 (o que talvez explique o porquê de seu torrent ter sido muito mais fácil de encontrar em 2006 que o do filme original).
Uma última curiosidade sobre Donnie Darko é que o filme não é ambientado em 2001, mas em 1988. Embora não seja um filme "muito anos 80" (ou seja, as roupas e cabelos das pessoas não chamam tanto a atenção), a trilha sonora é apropriada à época, contando com Echo and the Bunnymen, Duran Duran, Tears for Fears, The Church, Joy Division e INXS, dentre outros. Eu até gostaria de falar bem mais sobre o filme, mas corro o risco de estragar alguma surpresa ou influenciar alguma interpretação se o fizer, então vou parar por aqui.
Mas é válido ainda dizer que, por algum motivo tosco que eu não consigo imaginar, alguém decidiu fazer uma seqüência de Donnie Darko. Ambientado sete anos após os eventos do primeiro filme, S.Darko será centrado em Samantha, irmã mais nova de Donnie (e ainda interpretada por Daveigh Chase), que, após começar a ter visões bizarras, decide seguir Frank em uma viagem através das estradas dos Estados Unidos até a Califórnia, onde, no meio de uma cratera causada por um meteoro, terá uma visão do futuro. Previsto para estrear no ano que vem, S.Darko será dirigido por Chris Fisher, que se diz fã de Richard Kelly, que até hoje é contra uma seqüência por considerar seu filme "fechado". S.Darko não terá em seu elenco nenhum nome mais famoso que o de Elizabeth Berkley, será distribuído pela Fox, terá orçamento de 10 milhões de dólares, e, na minha opinião, neste parágrafo temos indícios suficientes de que não vem coisa boa por aí.
Ler mais
Mesmo assim, o argumento apresentado por ele deu origem a uma discussão interessante. Quer dizer, eu até compreendo que os cinemas daqui tenham interesse em selecionar filmes que saíram direto em DVD lá fora para ocupar nossas salas em busca de algum lucro nestes tempos de ingressos tão caros e cinemas tão vazios - dois bons exemplos são Efeito Borboleta 2, que tentou pegar carona na boa bilheteria do "Efeito Borboleta 1"; e Um Crime Americano, que estreou aqui nos cinemas por ser protagonizado por Ellen Paige, que havia conseguido uma excelente bilheteria com Juno. Também compreendo que produções com artistas pouco conhecidos, ou que fizeram pouco alarde lá fora, sejam lançadas por aqui direto em DVD para não ocupar salas que poderiam estar faturando melhor com outros filmes. Mas convenhamos, no exemplo citado pelo meu amigo, Justiceiro era um filme de super-heróis com John Travolta no elenco, e que poderia ter pego carona no sucesso de Homem-Aranha 2 e Hellboy, ambos também exibidos em 2004. Pelo menos uma salinha escondida em algum shopping ele merecia.
Mas este não é um post sobre o Justiceiro. Existe um filme que eu absolutamente adoro, e que eu nunca entendi por que foi lançado direto em DVD, mas que pouca gente conhece, então ele infelizmente não foi um bom argumento na já citada discussão. Este filme se chama Donnie Darko, e um dos motivos pelos quais eu nunca entendi sua ausência nos cinemas foi que ele tem um elenco praticamente estelar, com Jake e Maggie Gyllenhaal, James Duval, Jena Malone, Noah Wyle, Drew Barrymore e Patrick Swayze.
Na verdade, Donnie Darko não ter passado nos cinemas não afetou em nada a minha vida, já que provavelmente eu não teria ido assisti-lo - mesmo assim, eu gosto de reclamar, porque eu realmente gosto do filme. Mas a primeira vez que eu ouvi falar dele foi bem depois de seu "não-lançamento", provavelmente quando foi lançado o DVD, lá pelos idos de 2002, em uma noticiazinha de nem meia página, não me lembro se no MegaZine ou no Rio Fanzine, que, dentre outras informações sobre o filme, reclamava justamente dele não ter sido lançado nos cinemas. Vi e esqueci. Apenas uns quatro anos depois eu me interessaria por assisti-lo, graças a Maggie Gyllenhaal.Mesmo sem tê-la colocado na minha lista ali ao lado, eu adoro Maggie Gyllenhaal. Um dia, provavelmente sem ter o que fazer, decidi ler sua filmografia, para ver quais de seus filmes eu ainda não tinha assistido, e vi que Donnie Darko estava entre eles. Me lembrei da tal reportagem de anos atrás, e fiquei curioso para finalmente descobrir do que se tratava, mas me deparei com uma barreira inusitada: além de aparentemente o filme não estar programado para passar na TV a cabo tão cedo, nenhuma locadora aqui perto de casa o tinha dentre seus títulos - e nenhum dos atendentes parecia saber do que eu estava falando quando eu perguntava se "vocês têm Donnie Darko". Teve até uma moça que pensou se tratar de sorvete.
Cada vez mais curioso, e praticamente sem saída, recorri a uma prática da qual, embora ninguém acredite quando eu digo, não gosto muito: baixei um torrent - os motivos pelos quais eu não gosto de baixar filmes da internet não serão discutidos neste blog, mas basta dizer que o principal é que eu não tenho paciência de esperar vários dias por aqueles downloads enormes. Praticamente a única versão que eu encontrei para baixar foi uma versão do diretor, com áudio e legendas em inglês - pois só haviam legendas em português para a versão comum, que ninguém parecia disposto a compartilhar. Embora esta história já esteja bizarra o suficiente, ainda tem mais: eu resolvi assistir o filme às dez horas da noite do dia 31 de dezembro de 2006. Eu ia virar o ano em casa, e aparentemente não tinha muito mais o que fazer enquanto esperava a meia-noite.
Pois bem, o filme acabou quando faltavam poucos minutos para a contagem regressiva, e, embora eu tivesse gostado, não tinha entendido muita coisa, principalmente sobre partes cruciais do enredo. Alguns dias depois, em uma visita às Lojas Americanas, acabei encontrando a versão comum - que não era a "do diretor" que eu tinha assistido - em uma daquelas bancas de R$ 9,90. Pois é, passei praticamente um mês inteiro procurando, e acabei encontrando só depois que eu já tinha assistido. Não sei se só de raiva, comprei, e, por algum milagre, entendi tudo. Não sei se a versão comum é de mais fácil compreensão que a do diretor ou se eu entendi porque já tinha visto duas vezes, mas fiquei muito satisfeito de ter conseguido comprar um filme tão legal por tão pouco.
Enfim, após esta imensa introdução, vamos finalmente falar do filme. Escrito e dirigido por Richard Kelly, que não tinha feito muita coisa antes, Donnie Darko, de 2001, é um filme difícil de definir, embora a classificação da Wikipédia, de thriller psicológico de ficção científica, seja bastante apropriada. Donnie Darko é o nome do protagonista (Jake Gyllenhaal), filho do meio de Eddie (Holmes Osborne) e Rose Darko (Mary McDonnell), e irmão de Elizabeth (Maggie Gyllenhaal) e Samantha (Daveigh Chase). Adolescente problemático e violento, Donnie tem sessões de análise com a Dra. Lillian Thurman (Katharine Ross), e deve tomar remédios sem os quais se torna sonâmbulo. Uma noite, aparentemente durante uma crise de sonambulismo, ele recebe a visita de Frank (James Duval), um homem vestindo uma fantasia de coelho demoníaco, que alega ser do futuro e lhe revela que o mundo irá acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Enquanto Donnie está no jardim conversando com Frank, uma turbina de avião cai misteriosamente sobre sua casa, esmagando seu quarto - e o teria matado se ele estivesse dormindo.A partir de então, Donnie tenta levar uma vida normal, se é que sua vida pode ser considerada normal. No colégio, ele é tido como um arruaceiro pela conservadora professora de educação física Kitty Farmer (Beth Grant), mas visto como inteligente e de bom raciocínio lógico pela professora de literatura, Karen Pomeroy (Drew Barrymore). Ele acaba se apaixonando por uma nova aluna, Gretchen Ross (Jenna Malone), arruma ainda mais confusão ao discutir com o ídolo da professora Farmer, o autor de livros de auto-ajuda Jim Cunningham (Patrick Swayze) e se torna amigo do professor de ciências, Kenneth Monnitoff (Noah Wyle), com quem discute principalmente sobre viagens no tempo, assunto que lhe desperta interesse após ouvir relatos de Frank. Conversando com Monnitoff, Donnie descobre que Roberta Sparrow (Patience Cleveland), a autora de um dos mais conceituados livros sobre viagem no tempo, A Filosofia da Viagem no Tempo, mora bem perto de sua casa, mas é tida pela maior parte da população como uma anciã louca que nada faz além de atrapalhar o trânsito ao ficar no meio da rua checando insistentemente sua caixa de correio, tendo sido apelidada "Vovó Morte" pelos adolescentes da cidade.
Além de ter que conviver com todos estes problemas, Donnie ainda tem de lidar com as aparições de Frank, que supostamente lhe dá instruções para evitar o fim do mundo. No final, Donnie até consegue evitar que o mundo acabe, mas a forma como isto acontece é surpreendente. Na verdade, se você entender tudo o que acontece, verá que no final tudo se encaixa, embora nunca fique muito claro por que o mundo iria acabar. Evidentemente, Richard Kelly possui uma explicação para o filme, que eu li na Wikipédia para escrever este post (portanto, se você estiver pensando em ver o filme, tente não ler antes), e devo dizer que, para meu alívio, não era tão diferente assim do que eu entendi sem a explicação de ninguém, embora realmente algumas partes só possam ser mesmo esclarecidas com as palavras do próprio inventor da história, o que talvez seja um defeito.
Donnie Darko foi filmado pela pequena companhia Flower Films, consumindo apenas 28 dias e 4,5 milhões de dólares. Curiosamente, apesar de ambientado na Virgínia, ele foi totalmente filmado no entorno de Los Angeles, Califórnia. Ficou longe de se pagar no cinema (rendeu apenas 511.375 dólares nos Estados Unidos), devido, principalmente, ao reduzido número de salas em que foi exibido (apenas 58 em todo o país), recaindo a culpa sobre a proximidade de seu lançamento com o Onze de Setembro, uma época na qual as pessoas tinham medo de se reunir em lugares fechados. A crítica foi extremamente favorável, porém, e, após seu lançamento em DVD, em março de 2002, o filme se tornou cult, atraindo uma legião de fãs, e fazendo com que o Pioneer Theatre de Nova Iorque exibisse sessões especiais à meia-noite durante 28 semanas seguidas. Estima-se que até hoje o filme tenha vendido mais de 10 milhões de dólares em DVDs apenas nos Estados Unidos.
Toda esta fama foi mais do que suficiente para Richard Kelly convencer a Flower Films a deixá-lo lançar sua versão do diretor, com 20 minutos a mais, uma trilha sonora diferente e algumas partes alteradas ou inseridas para ajudar o espectador a compreender a história (e que talvez não tenham funcionado comigo). Esta versão do diretor chegou a ser exibida em alguns cinemas de Nova Iorque e Los Angeles em 2004, e foi lançada em DVD em fevereiro de 2005 (o que talvez explique o porquê de seu torrent ter sido muito mais fácil de encontrar em 2006 que o do filme original).Uma última curiosidade sobre Donnie Darko é que o filme não é ambientado em 2001, mas em 1988. Embora não seja um filme "muito anos 80" (ou seja, as roupas e cabelos das pessoas não chamam tanto a atenção), a trilha sonora é apropriada à época, contando com Echo and the Bunnymen, Duran Duran, Tears for Fears, The Church, Joy Division e INXS, dentre outros. Eu até gostaria de falar bem mais sobre o filme, mas corro o risco de estragar alguma surpresa ou influenciar alguma interpretação se o fizer, então vou parar por aqui.
Mas é válido ainda dizer que, por algum motivo tosco que eu não consigo imaginar, alguém decidiu fazer uma seqüência de Donnie Darko. Ambientado sete anos após os eventos do primeiro filme, S.Darko será centrado em Samantha, irmã mais nova de Donnie (e ainda interpretada por Daveigh Chase), que, após começar a ter visões bizarras, decide seguir Frank em uma viagem através das estradas dos Estados Unidos até a Califórnia, onde, no meio de uma cratera causada por um meteoro, terá uma visão do futuro. Previsto para estrear no ano que vem, S.Darko será dirigido por Chris Fisher, que se diz fã de Richard Kelly, que até hoje é contra uma seqüência por considerar seu filme "fechado". S.Darko não terá em seu elenco nenhum nome mais famoso que o de Elizabeth Berkley, será distribuído pela Fox, terá orçamento de 10 milhões de dólares, e, na minha opinião, neste parágrafo temos indícios suficientes de que não vem coisa boa por aí.
O seriado acompanhava as aventuras de uma família norte-americana da década de 1970, o pai viúvo Rick Marshall (Spencer Milligan) e seus filhos Will (Wesley Eure), de 18 anos, e Holly (Kathy Coleman), de 12 anos. Um dia, descendo em um rio enquanto acampavam, os três foram pegos por um portal dimensional, e levados a uma estranha terra na qual viviam dinossauros, um povo humanóide e amigável conhecido como Pakuni, e um reptiliano e menos amigável chamado Sleestak. Após evitarem se tornar comida de tiranossauro, eles fazem amizade com um Pakuni, Cha-Ka (Philip Paley) e passam a procurar uma forma de voltar para casa, enquanto exploram a estranha terra onde se perderam.
Esta nova encarnação do Elo Perdido teve duas temporadas de 13 episódios de 22 minutos cada, a primeira televisionada entre 7 de setembro e 7 de dezembro de 1991, a segunda entre 12 de setembro e 5 de dezembro de 1992. Na segunda temporada foram introduzidos três novos personagens recorrentes, a feiticeira Keela (Adilah Barnes); o homem-peixe Namaki (Tom Allard), amigo de Christa; e Sir Balen (de quem eu não achei o nome do ator em lugar algum), que alega ser um cavaleiro da corte do Rei Arthur, acha que Scarface é um dragão, e quer matá-lo.
Nas escalas de diversão e curiosidade, até que eu não sou tão fã assim de dominó - prefiro baralhos. Ainda assim, gosto muito de jogar dominó com meus amigos, e sou dono de pelo menos três conjuntos. Como os baralhos, dominós podem ser usados para uma variedade infinita de jogos, e, como praticamente tudo o que existe, algumas curiosidades sobre sua origem e aparência não são de conhecimento geral - fato mais do que suficiente para se justificar que eles sejam tema de um post.
Curiosamente, não foi só no ocidente que o dominó continuou se desenvolvendo: na China, os dominós originais também sofreram algumas modificações, e hoje em dia conjuntos de dominós chineses são bastante diferentes não só dos ocidentais, mas também dos originais. Talvez as diferenças mais marcantes sejam o fato de que o preto é a cor predominante, e que as bolinhas sejam brancas nos números 2, 3, 5 e 6, vermelhas nos números 1 e 4, e metade vermelhas e metade brancas na peça 6-6. Esta escolha de cores combina com os dados chineses, onde as bolinhas dos números 1 e 4 realmente costumam ser pintadas na cor vermelha.
Além de passatempo e esporte, o dominó também costuma ser usado para fazer arte - em vários sentidos. Um dia, alguém descobriu que se você fizer uma fila bem grande de dominós e derrubar o primeiro, todos os outros caem junto. Por causa disso, algumas pessoas se dedicam a fazer fileiras incontáveis de dominós, que demoram vários minutos para cair, e, no processo, "desenham" figuras, acionam máquinas, acendem fogos de artifício, e outras proezas. Verdadeiros profissionais do dominó como forma de arte, estas pessoas podem se encontrar anualmente no Domino Day, um festival realizado na Holanda desde 1986, onde vários grupos trabalham juntos para tentar quebrar o recorde de maior número de dominós derrubados para se formar uma obra de arte - e também para exercitar sua criatividade e arrumar os dominós da forma mais impressionante possível. O recorde atual é de 4.079.381 dominós, derrubados em 17 de novembro de 2006. Embora pareça relativamente fácil quebrar este recorde - afinal, basta arrumar mais peças do que no ano anterior - em nenhuma das edições do Domino Day todas as peças arrumadas caíram; em 2006, por exemplo, foram arrumadas 4.400.000 peças, enquanto no ano passado foram arrumadas 4.500.000, das quais caíram "apenas" 3.671.465, o que acabou levando o evento a ser considerado um fracasso. Este ano eles tentarão novamente com 4 milhões e meio, e tomarão precauções extras para que caia o maior número possível.
Mas esta volta até que possui uma justificativa, já que, de certa forma, os Vingadores foram criados para "combater" a Liga da Justiça. Lançada em 1960, a revista da Liga era um fenômeno de vendas, e muitos atribuíam este sucesso à possibilidade de se encontrar em um único título todos os principais heróis da DC. Não era uma suposição infundada: a cada mês, a Marvel, principal concorrente da DC, recebia mais e mais cartas de leitores que adoravam quando algum herói da editora fazia uma "participação especial" na revista de outro, e pedindo mais histórias deste tipo. Como Stan Lee nunca foi de deixar passar oportunidades como esta, ele imediatamente reuniu uma equipe (de roteiristas e desenhistas, não de super-heróis), e começou a trabalhar em uma revista que mostrasse não somente um herói Marvel combatendo vilões, mas vários deles agindo juntos contra uma ameaça em comum.
A equipe sofreria mais uma reviravolta na edição 16, de maio de 1965, quando os quatro membros fundadores decidem deixar a equipe, e o Capitão América recruta três ex-vilões para assumir seu lugar: o Gavião Arqueiro e os mutantes Feiticeira Escarlate e Mercúrio, ex-membros da Irmandade e filhos de Magneto. Roy Thomas assumiria os roteiros na edição 35, em 1966, e, sob a sua batuta, Henry Pym retornaria com o nome de Golias, trazendo com ele a Vespa, e a equipe ganharia como novos membros Hércules, o Pantera Negra, o Cavaleiro Negro e o andróide - aliás, sintetizóide - Visão, ex-aliado de um dos maiores oponentes do grupo, o robô Ultron, que o enviara para destruir Golias e a Vespa. Também no final da década de 1960, os Vingadores adquirem seu mais famoso quartel-general, a Mansão dos Vingadores, doada por Tony Stark, alter ego do Homem de Ferro, que financiava a equipe secretamente. Junto com a Mansão, os Vingadores ganham um mordomo, Jarvis, sempre pronto para ajudar a equipe apesar de não ter superpoderes.
No início da década de 1980, os Vingadores mais uma vez ganhariam novos membros, desta vez a Capitã Marvel, Tigra, a Mulher-Hulk e Starfox. A equipe também ganharia seu primeiro spin-off, os Vingadores da Costa Oeste, que estrearam na minissérie em quatro partes West Coast Avengers, de setembro a dezembro de 1984, também escrita por Stern, e que trazia as aventuras de uma nova equipe, sediada em Los Angeles (a equipe principal, como a maioria dos heróis Marvel, era sediada em Nova Iorque) e composta pelo Gavião Arqueiro, Homem de Ferro (que na época não era Tony Stark, mas Jim Rhodes, que mais tarde se tornaria o Máquina de Combate), Harpia, Tigra e Magnum.
Diante disso, para recuperar o prestígio, a Marvel decidiu cancelar diversos de seus títulos secundários (talvez os Vingadores da Costa Oeste estivessem dentre eles), e investir em uma estratégia bastante arriscada: chamou Jim Lee e Rob Liefeld, dois de seus ex-desenhistas que haviam debandado para a Image, para reformular o Universo Marvel. Após mais uma enorme saga, onde todos os heróis Marvel enfrentam o vilão Massacre, o Quarteto Fantástico e os Vingadores são mortos, para "renascer" em novas revistas, com as do Quarteto e do Homem de Ferro a cargo de Lee, e as dos Vingadores e do Capitão América a cargo de Liefeld.
Como acontece com muitos dos filmes de fantasia de hoje, A História sem Fim não nasceu filme, mas livro. E um livro alemão, chamado Die unendliche Geschichte, escrito por Micahel Ende, e publicado pela primeira vez em 1979. Pouca gente sabe, mas o filme, de 1984, também é alemão, embora seja totalmente falado em inglês. Dirigido por Wolfgang Petersen e lançado nos Estados Unidos com o nome de The Neverending Story, o filme usou e abusou dos efeitos disponíveis à época para criar o mundo de Fantasia, tanto que se tornou o filme mais caro até então produzido fora dos Estados Unidos, com orçamento de 27 milhões de dólares. Infelizmente, o filme só rendeu 20 milhões, mas foi aclamado pelos críticos, e se tornou um dos mais vendidos da história quando lançado em vídeo.
No fim, o Nada vence e consegue destruir Fantasia, mas, milagrosamente, Bastian se encontra com a Imperatriz Menina, que o revela que, graças à sua ajuda, um pequeno grão de areia foi salvo, e este grão de areia basta para que toda Fantasia seja reconstruída. Usando sua imaginação, Bastian reconstrói toda Fantasia voando com Falkor. E, graças a esta experiência, ele estará melhor preparado para os desafios da vida, ou coisa do tipo. Pois esta é a moral da história, a de que todos temos um lugar no mundo, e que jamais devemos perder nossa imaginação.
O melhor do filme, porém, é que, ao procurar por seu filho desaparecido, o pai de Bastian (John Wesley Shipp) acaba encontrando o livro da História sem Fim, começa a lê-lo, e descobre que Bastian é o protagonista da história. O pai de Bastian então se envolve com a narrativa, e, quando Bastian recupera suas memórias e salva Fantasia do Vazio, voltando ao mundo real, descobre que seu pai também se tornou uma pessoa melhor. Esse livro faz milagres mesmo.
Além dos três filmes, A História sem Fim teve uma série animada, co-produzida pela alemã CineVox, pela francesa Ellipse e pela canadense Nelvana e exibida na HBO entre 1995 e 1996, com um total de 26 episódios, e uma série de TV, Tales from the Neverending Story, produzida pela Muse Entertainment em 2001, exibida na Europa e Canadá na forma de 13 episódios, e nos Estados Unidos e aqui como 4 filmes feitos para a TV. Esta série ignora todos os filmes, é ainda mais diferente do livro do que eles, e conta simultaneamente as aventuras de Bastian no mundo real e de Atreyu em Fantasia, embora Bastian tenha algum grau de influência em Fantasia através do livro. A série traz Mark Rendall como Bastian, John Dunn-Hill como o Sr. Koreander, Noël Burton como o pai de Bastian, Tyler Hynes como Atreyu, Victoria Sanchez como Xayide, e Audrey Gardiner como a Imperatriz Menina.