quarta-feira, 28 de maio de 2008

Escrito por em 28.5.08 com 0 comentários

James Bond (I)

Todo mundo tem seus sonhos de consumo. Durante muito tempo, o topo da minha lista foi ocupado pela James Bond Ultimate Collection, uma coleção de quatro caixas contendo 20 filmes do agente 007. Estes filmes até eram vendidos separadamente, mas eu não via sentido em comprá-los um a um quando podia ter um pouco mais de paciência e esperar para comprá-los todos juntos. Como esta empreitada não sairia exatamente barata, e eu tinha outros itens na minha lista - além de outros compromissos financeiros, evidentemente - a quantidade de paciência requerida acabou sendo maior do que eu esperava. Mas finalmente, no início deste mês, graças a uma promoção de Dia das Mães, pude pôr minhas mãos em tão cobiçado tesouro. Agora me resta um outro problema: arrumar vinte dias para assistir a estes filmes todos.

Eu não me considero exatamente um fã de James Bond, mas gosto bastante dos filmes, sendo que já assisti todos menos um - 007 contra GoldenEye, para quem estiver se perguntando, por nenhuma razão em especial exceto falta de oportunidade. O primeiro que eu assisti foi justamente o anterior a GoldenEye, 007 Permissão para Matar, que meu pai alugou quando eu tinha uns onze ou doze anos; quando eu descobri que existiam mais 15 filmes da série, fui tomado de uma curiosidade que só cessou depois que aluguei e assisti todos eles. Provavelmente foi por isso que eu nunca assisti GoldenEye, já que ele não existia nesta época, depois disso eu nunca mais aluguei um 007, eu não tinha TV por assinatura quando ele passou por lá, e nunca me interessei de ver um filme de Bond no cinema. Mas agora que eu tenho o DVD, a hora dele um dia chegará.

Mas chega de falar de mim. De todos os filmes que existem, desconsiderando eventuais produções independentes que ninguém conhece, 007 é o que tem o maior número de "continuações": no final deste ano, estréia a produção de número 22. Felizmente eles não são numerados, senão teríamos que conviver com um James Bond XXII ou algo do tipo. Em homenagem ao ano em que Bond alcançará os Dois Patinhos da Lagoa, eu preparei um singelo post aqui para o átomo, como vocês já devem ter percebido. Aliás, um não, quatro singelos posts, já que eu não estava a fim de falar de 22 filmes de uma vez só. Seguindo a tradição, eles serão intercalados com outros assuntos, para que os que odeiam 007 não sumam daqui um mês inteiro. Explicado isto, vamos começar a falar do agente secreto mais famoso do mundo, Bond, James Bond.

Bond, James BondAparentemente poucos sabem, mas Bond não foi criado especialmente para o cinema. Seu criador foi o escritor e jornalista inglês Ian Fleming, Comandante da Marinha Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, que decidiu usar sua experiência de trabalho com inteligência militar para escrever romances de espionagem. Fleming criou Bond aos 44 anos, em janeiro de 1952, durante uma temporada em sua casa de praia na Jamaica, curiosamente batizada por ele com o nome de GoldenEye, em homenagem a uma operação militar de mesmo nome que visava vigiar e proteger Gibraltar, uma ilha pertencente ao Reino Unido localizada entre a Espanha e a África. Os que o conheceram dizem, inclusive, que Bond seria um alter ego do próprio Fleming, já que ambos teriam características físicas semelhantes e os mesmos gostos em se tratando de comida, roupas e mulheres. De fato, muitos pesquisadores já tentaram encontrar espiões reais ou fictícios que tivessem servido de inspiração para o 007, mas o próprio Fleming jamais confirmou qualquer fonte de inspiração que não fosse sua própria carreira militar. Até o nome do agente secreto parece não ter tido qualquer fonte relacionada à espionagem: segundo Fleming, ele buscava um nome comum, capaz de fazer com que um espião passasse despercebido no meio de outros cidadãos; enquanto procurava, Fleming, um apaixonado por ornitologia, viu sobre sua mesa em GoldenEye um livro escrito pelo ornitólogo James Bond - e pegou seu nome emprestado.

A estréia de Bond no mundo da literatura aconteceu um ano após sua criação, em 1953, com a publicação de Casino Royale pela editora Jonathan Cape. Até falecer em 1964, aos 56 anos, Fleming publicou doze livros do agente secreto, onze romances e um de contos. Postumamente, em 1965 foi lançado mais um romance, e em 1966 mais um livro de contos. Mais livros com aventuras de James Bond, escritos por outros autores, como Robert Markham, John Gardner e Raymond Benson, foram publicados ao longo dos anos, mas apenas os de Fleming acabaram adaptados para o cinema.

A primeira aventura de Bond fora das páginas dos livros não ocorreu no cinema, mas na televisão: um dos episódios da série de TV Climax!, exibido em 1954, foi uma adaptação do enredo de Casino Royale. Animado com o resultado, Fleming procurou o diretor e produtor Alexander Korda para conversar sobre a possibilidade de adaptar um de seus livros, possivelmente Live and Let Die (o segundo da série, publicado em 1954) ou Moonraker (o terceiro, de 1955) para o cinema, mas Korda não demonstrou interesse. Apenas em 1959 Fleming conseguiu um acordo com o produtor Kevin McClory, segundo o qual ele escreveria um roteiro especialmente para um filme de Bond para o cinema, que seria dirigido por Alfred Hitchcock, com Richard Burton no papel do espião; infelizmente, tanto o diretor quanto o ator acabaram desistindo do filme por estarem envolvidos em outros projetos, o que levou à desistência do produtor. Fleming acabaria utilizando o que já tinha escrito do roteiro em um novo livro, Thunderball (o nono da série, de 1961).

Somente em 1961 o projeto de um filme de Bond começaria a realmente sair do papel, quando o produtor Albert Broccoli, que já havia tentado um contato com Fleming cinco anos antes, convenceu seu amigo mais endinheirado Harry Saltzman a comprar os direitos de adaptação para o cinema de todos os livros de Bond escritos por Fleming - infelizmente, porém, eles não conseguiriam os direitos de Casino Royale, devido a uma pequena confusão jurídica causada pelo fato dele ter sido exibido na TV. Com os direitos em mãos, Brocolli e Saltzman fundaram a produtora EON Productions, e decidiram começar ou por Thunderball ou por Dr. No (o sexto da série, de 1958). Os estúdios de Hollywood, porém, não quiseram saber de filmes de Bond, por considerá-los "de alto conteúdo sexual", "muito britânico", e outras desculpas típicas de estúdios de Hollywood. Somente em julho de 1961 a EON conseguiria um contrato com a United Artists, que a pagaria um milhão de dólares por uma adaptação de Dr. No. Como a EON era uma empresa iniciante, esse milhão era tudo do que eles dispunham para o orçamento do filme.

Após alguns meses de filmagem, Dr. No (que no Brasil ganhou um título bem mais longo, 007 contra o Satãnico Dr. No) estrearia nos cinemas do Reino Unido em 1962, e nos Estados Unidos um ano depois. Sob a direção de Terence Young, o papel de Bond caberia a Sean Connery, à época com 32 anos, mas que não foi a primeira opção nem do diretor, nem dos produtores, nem de Fleming: Young preferia Richard Johnson, que não pôde aceitar por já ter contrato com a MGM; Broccoli e Saltzman desejavam um ator bastante popular, e chegaram a convidar Cary Grant, descartado por ter o hábito de não aceitar fazer continuações; Fleming preferia David Niven, que não foi aprovado pela United Artists; e a EON chegou a fazer uma espécie de concurso, vencido pelo modelo Peter Anthony, que acabou considerado ainda cru para atuar após alguns testes. Após todos estes contratempos, Broccoli e Saltzman optaram por Connery, um ex-fisiculturista com 12 filmes no currículo, não tão famoso mas também não tão desconhecido, e que acabou sendo contratado para os cinco primeiros filmes da série.

Sean ConneryApesar de ser o primeiro filme, Dr. No traz um Bond já veterano, praticamente no auge de sua carreira, com permissão para matar (representada pelo 00 de seu código), enviado para as mais difíceis missões, e que nunca falha. Mulherengo e apreciador das boas coisas da vida, como roupas e relógios caros e martinis de vodca "batidos, não mexidos", Bond é um Comandante reservista da Marinha Britânica, membro da Ordem de São Miguel e São Jorge, que após a "aposentadoria" ingressou como agente do Serviço Secreto de Inteligência Britânico, também conhecido como MI6. Neste primeiro filme, ele é enviado para a Jamaica por seu chefe, conhecido apenas como "M" (Bernard Lee), para investigar o assassinato de outro agente britânico, e, auxiliado pelo agente da CIA Felix Leiter (Jack Lord), descobrir se este evento tem algo a ver com a recente sabotagem de testes de foguetes norte-americanos em Cabo Canaveral. Sua investigação o acaba levando ao recluso Dr. No (Joseph Wiseman), que, como dá nome ao filme, deve ser no mínimo o vilão, responsável pelo assassinato e pelas sabotagens. Além de cientista renegado, Dr. No é membro da organização terrorista SPECTRE (cujo nome vem da sigla "SPecial Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion", algo como "Agência Especial de Contra-Informação, Terrorismo, Vingança e Extorsão"), uma organização criminosa que planeja dominar o mundo, mas não é ligada a nenhuma nação em particular, o que permitia que o filme fosse apolítico.

Sendo o primeiro filme, Dr. No estabeleceu vários dos elementos que se tornariam tradicionais nos demais filmes de Bond, a começar pela seqüência de abertura, em que o agente é visto através do cano de um revólver, mas mata seu agressor antes de ser atingido, e pelos créditos iniciais animados, que nos apresentam o elenco enquanto toca a música-tema do filme, ambos criados por Maurice Binder - curiosamente, na "seqüência do revólver" de Dr. No, Bond não seria interpretado por Connery, mas pelo dublê Bob Simmons. Outro elemento introduzido em Dr. No que se perpetuaria pelo restante da série é a presença de uma "Bond Girl", uma mulher que acompanha Bond durante o filme, e com quem ele normalmente termina no final, mesmo que seu relacionamento só dure até o próximo episódio; em Dr. No, a Bond Girl é Honey Ryder, interpretada por Ursula Andress, e também é responsável por uma das seqüências mais antológicas do filme, quando sai das águas claras do Caribe vestindo um biquini branco. Dr. No também introduziu os vilões megalomaníacos e superconfiantes; a famosa frase "Bond, James Bond", com a qual o agente se apresenta; e, é claro, a música-tema de 007, hoje uma das melodias mais famosas do cinema, composta por Monty Norman e executada pela orquestra de John Barry - que mais de uma vez tentou provar na justiça que ele seria o verdadeiro autor do tema, mas sem sucesso.

Infelizmente, os livros de Fleming não eram muito populares em 1962, então muitos críticos torceram o nariz para o filme quando de seu lançamento. Conforme o tempo passava, porém, Dr. No se tornava mais e mais popular, principalmente devido à propaganda boca-a-boca, e, quando estreou nos Estados Unidos, recebeu críticas bem melhores. Ao todo, o filme rendeu 16 milhões de dólares nos Estados Unidos e 59 no mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso financeiro; mais do que isso, o sucesso de Bond motivaria uma onda de agentes secretos, com centenas de filmes, livros e séries de TV sobre o assunto pipocando durante toda a década de 1960 e início da de 1970. Com todo este bom desempenho, é lógico que estava acesa a luz verde para uma continuação, justamente como a EON queria.

Curiosamente, para a seqüência Broccoli e Saltzman escolheram From Russia with Love, justamente o livro lançado imediatamente antes de Dr. No, em 1957. Após algumas modificações, o filme, que no Brasil seria rebatizado para Moscou contra 007, acabou virando uma continuação direta, já que nele a SPECTRE planeja se vingar de Bond pela morte de Dr. No. A razão pela qual From Russia with Love foi escolhido para segundo filme foi quase um golpe de marketing, já que pouco antes o presidente dos EUA na época, John F. Kennedy, havia declarado à revista Life que este era um de seus dez livros preferidos. No livro, inclusive, a organização criminosa era a soviética SMERSH, mas os produtores optaram por substituí-la pela neutra SPECTRE para evitar conotações políticas em uma época tão conturbada.

Mais uma vez dirigido por Young e com Connery no papel de Bond, From Russia with Love custou 2 milhões de dólares, o dobro de seu antecessor, estreou nos cinemas do Reino Unido em 1963, e nos Estados Unidos um ano depois. Com uma recepção dos críticos extremamente favorável, rendeu 24 milhões de dólares nos Estados Unidos, e quase 79 milhões no mundo inteiro. De fato, o filme é bom mesmo, sendo considerado um dos melhores da série até hoje, e o favorito do próprio Sean Connery. Assim como Dr. No, ele também introduziu vários "costumes" da série, como uma música-tema interpretada por um artista de renome - no caso, Matt Monro, embora neste filme a versão dos créditos iniciais seja instrumental, com a versão cantada executada apenas nos créditos finais - e a frase "James Bond voltará" logo após o "The End". From Russia with Love também foi o primeiro filme em que Desmond Llewelyn interpretou Q, o "cientista maluco" responsável por criar os incríveis dispositivos de agente secreto utilizados por Bond, como relógios magnéticos e canetas explosivas; Llewelyn interpretaria o personagem em todos exceto dois dos filmes da série até falecer em 1999.

Honey Ryder e BondMas o filme também tem um enredo: seguindo um plano do gênio enxadrista tchecoslovaco Kronsteen (Vladek Sheybal), a SPECTRE planeja roubar uma máquina decodificadora dos soviéticos, colocar a culpa nos britânicos, vendê-la novamente a eles, e ainda se vingar de Bond pela morte do Dr. No. A execução da missão ficará a cargo da soviética Rosa Klebb (Lotte Lenya), ex-membro da SMERSH, escolhida pelo líder da SPECTRE em pessoa (que era tão secreto que até nos créditos o nome do ator que o interpretava, Anthony Dawson, apareceu simplesmente como "?"), auxiliada pelo assassino Grant (Robert Shaw), que tem a missão de nada menos do que matar Bond. Este, sem saber que sua vida corre perigo (ou sabendo, já que teoricamente a vida de agentes secretos sempre corre perigo) é enviado por M ao encontro de Tatiana Romanova (Daniela Bianchi), a Bond Girl da vez, funcionária da embaixada soviética em Istanbul. Tatiana é enganada por Klebb, que finge estar confiando a ela uma missão preparada pelo governo, segundo a qual ela deve fingir ser uma desertora desejando entregar a decodificadora, sob a condição de que o 007 em pessoa venha buscá-las e levá-las para Londres.

O sucesso do segundo filme levou naturalmente ao terceiro; desta vez, o livro escolhido para ser adaptado foi Goldfinger, o que havia sido lançado imediatamente após Dr. No, em 1959. Com orçamento de 3 milhões de dólares - o mesmo que seus dois antecessores somados - Goldfinger (007 contra Goldfinger no Brasil) foi o primeiro filme de Bond a estrear no Reino Unido e nos Estados Unidos no mesmo ano (1964), embora com um intervalo de três meses, o primeiro a ganhar um Oscar, de Melhores Efeitos Sonoros (hoje chamado Melhor Edição de Som) e o primeiro a ser considerado um blockbuster, se pagando com a bilheteria de duas semanas, rendendo 51 milhões de dólares nos Estados Unidos, e 125 milhões no mundo inteiro. Curiosamente, durante as filmagens Connery exigiu um aumento de salário, e as negociações só se concluíram quando ele aceitou uma oferta da EON de que ele receberia 5% da renda de todos os filmes de Bond nos quais atuasse - o que talvez prova que esta renda fabulosa era inesperada. Young também teve uma discussão sobre remuneração com a EON, mas não conseguiu chegar a um acordo, e acabou desistindo de dirigir o filme, sendo substituído por Guy Hamilton. Fleming, infelizmente, não viveu para ver a estréia, falecendo de ataque cardíaco um mês antes de Goldfinger ir aos cinemas.

Goldfinger teve sua música-tema cantada por Shirley Bassey, uma das maiores popstars da época, e traz dois dos personagens mais conhecidos dos fãs, o capanga Oddjob (Harold Sakata), com seu chapéu com aba de aço capaz de decapitar uma estátua de mármore, e a Bond Girl com o nome de maior duplo sentido de todos os tempos, Pussy Galore (Honor Blackman), que além de tudo era piloto de avião e aliada do vilão Alric Goldfinger (Gert Fröbe, que era alemão e não falava inglês, tendo de ser dublado por Michael Collins); além do retorno do agente da CIA Felix Leiter, desta vez interpretado por Cec Linder. O filme traz ainda a antológica cena da mulher "transformada em ouro" - na verdade, coberta com ouro para morrer sufocada, em vingança de Goldfinger por sua traição ao se deixar seduzir por Bond - talvez uma das cenas mais famosas da série. Durante as filmagens, a atriz Shirley Eaton quase teve o mesmo destino de sua personagem, já que a tinta com a qual foi pintada era muito rija, e ela não conseguia respirar, pois seu tórax não se expandia. A solução para que ela não morresse foi não pintar seu tórax, e colocá-la de bruços na cama onde a personagem seria encontrada morta.

No enredo, Bond enfrenta o milionário Goldfinger, totalmente obcecado por ouro, que planeja explodir uma "bomba suja" (uma bomba comum que carrega material atômico, causando contaminação por radiação ao invés de uma explosão nuclear) dentro do Fort Knox, o famoso depósito de ouro dos Estados Unidos, para que o ouro norte-americano seja inutilizado e as reservas do próprio Goldfinger passem a ser as mais valiosas da Terra. Apesar de uma boa parte do filme ser ambientada nos Estados Unidos, Connery não viajou para lá durante as filmagens, fazendo todas as suas cenas na Inglaterra. Além disso, a EON não obteve permissão para filmar dentro do Fort Knox, então tiveram de construir todo o interior do prédio em um estúdio, e de acordo com a própria imaginação da equipe, já que ninguém fazia a menor idéia de como seria o interior do Fort Knox. Surpreendentemente, o resultado final ficou tão convincente que o diretor do Fort Knox escreveu uma carta aos produtores parabenizando-os por sua criatividade. A United Artists também recebeu muitas cartas, mas de norte-americanos irados com o fato de "permitirem que uma equipe de filmagem britãnica entrasse no Fort Knox".

Bond e Pussy GaloreDepois de Goldfinger, finalmente chegou a vez de Thunderball, aquele que deveria ter sido o primeiro filme de Bond, mas acabou virando o nono livro da série. Devido a este incidente, praticamente assim que a EON anunciou que iria filmá-lo, Kevin McClory e Jack Whittingham reclamaram seus direitos. Na verdade, ambos já lutavam na justiça desde 1961, o ano da publicação de Thunderball, alegando que eram co-autores do roteiro que daria origem ao livro - e, subseqüentemente, ao filme da EON - tendo Fleming publicado-o sem o devido crédito. Após um primeiro julgamento, ficou determinado que McClory possuía direitos sobre o enredo e alguns dos personagens. Como Goldfinger havia sido um tremendo sucesso, Broccoli e Saltzman temiam que McClory usasse estes direitos para lançar um "007 paralelo" e ganhar algum dinheiro na onda do original. Como eles não estavam dispostos a enfrentar uma nova batalha judicial, procuraram McClory e Whittingham, e ficou acertado que a dupla receberia uma parcela dos lucros com a produção, além de ser creditada no filme como autores do roteiro original. Embora isto tenha resolvido as coisas em 1964, não encerrou a questão, e disputas na justiça britânica quanto aos direitos autorais do livro persistem até hoje.

Connery interpretou Bond pela quarta vez, mas já começava a se irritar com a intrusão de jornalistas em sua vida pessoal causada pela popularidade do papel. Hamilton foi convidado para repetir a direção, mas recusou alegando estar "criativamente esgotado" após Goldfinger; Young, que na época das filmagens de Dr. No expressara interesse em dirigir uma adaptação de Thunderball, foi convidado para reassumir o posto, e aceitou. A música-tema ficaria a cargo de outro popstar da década de 60, Tom Jones. Para o papel da Bond Girl Domino Derval, a EON chegou a cogitar nomes como Julie Christie, Raquel Welch e Faye Dunaway, mas, na impossibilidade destas, acabou optando pela Miss França Claudine Auger - o que curiosamente levou a uma mudança de nome e nacionalidade da personagem, que no livro é italiana e se chama Dominetta Palazzi. O papel do vilão Emilio Largo, segundo em comando da SPECTRE, ficaria com o italiano Adolfo Celi, que também acabaria tendo de ser dublado, desta vez por Robert Rietty. E Felix Leiter retornaria pela terceira vez interpretado pelo terceiro ator diferente, Rik Van Nutter.

Thunderball (que no Brasil virou 007 contra a Chantagem Atômica) seria o 007 mais caro até então, custando 5,6 milhões de dólares; em compensação, seria também o mais rentável, com 63 milhões nos Estados Unidos - rendendo mais em seu primeiro fim de semana que os três anteriores somados - e 141 milhões no mundo todo. O filme, aliás, foi o primeiro 007 a estrear nos Estados Unidos antes de no Reino Unido, com as estréias separadas por oito dias em dezembro de 1965, e o segundo a ganhar um Oscar, de Melhores Efeitos Especiais.

No enredo, Bond é mais uma vez enviado para o Caribe, desta vez para as Bahamas, onde enfrentará mais uma vez a SPECTRE, que desta vez roubou duas ogivas nuclares da OTAN e exige um resgate de 100 milhões de libras em diamantes para não usá-las contra cidades dos Estados Unidos e Inglaterra. Para frustar este plano malévolo, Bond terá de confrontar Largo, escapar das tentativas de assassinato da femme fatale Fiona Volpe (Luciana Paluzzi) e ainda lidar com os capangas da SPECTRE no fundo do Mar do Caribe, em uma seqüência subaquática caríssima e complicadíssima de ser filmada, mas que é o ponto alto do filme.

Enquanto o quinto filme de James Bond, que sucederia Thunderball, entrava em produção, Broccoli e Saltzman foram procurados pelo produtor Charles K. Feldman, que havia conseguido os direitos de adaptação de Casino Royale, o único dos livros de Fleming não incluído no pacote adquirido pela EON. A idéia de Feldman era fazer de Casino Royale o quinto filme da série, co-produzindo-o com a EON. Broccoli e Saltzman, porém, tinham outros planos, e não aceitaram a oferta. Como Feldman já tinha os direitos, ele decidiu fazer o filme assim mesmo, mas, como achava que não conseguiria competir com os filmes "oficiais", resolveu transformá-lo em uma comédia satírica. O enredo é apenas levemente inspirado no livro, já que traz um 007 aposentado, interpretado por David Niven, e que sai da aposentadoria para investigar a morte de diversos agentes britânicos. Para confundir seus oponentes, ele pede para que seis outras pessoas - homens e mulheres, dentre eles personagens interpretados por Peter Sellers e Ursula Andress, e até uma filha de Bond com Mata Hari - também se identifiquem como James Bond. Como se isso já não fosse suficientemente confuso, Bond ainda morre no final. O filme custou uma exorbitância de 12 milhões de dólares, mas, talvez por pegar carona no sucesso dos 007 verdadeiros, já que estreou em 1967, e 1966 não teve a estréia de nenhum filme da EON, rendeu 41 milhões ao redor do mundo. Embora tenha feito um certo sucesso na época, atualmente este Casino Royale costuma ser considerado ruim, e, evidentemente, não é levado em conta pelos fãs da série.

BlofeldO quinto filme da série 007 só estrearia nos cinemas dois meses depois de Casino Royale, em junho de 1967, com um dia de diferença entre as estréias do Reino Unido e dos Estados Unidos. You Only Live Twice (no Brasil, Com 007 Só Se Vive Duas Vezes) era uma adaptação do décimo-segundo livro da série, último publicado antes da morte de Fleming. Desta vez, Bond seria enviado ao Japão para investigar o desaparecimento de uma espaçonave norte-americana. Como era a época da Guerra Fria, os Estados Unidos imediatamente colocaram a culpa na União Soviética, o que poderia levar a um conflito de proporções catastróficas. Trabalhando em conjunto com o agente do serviço secreto japonês Tigre Tanaka (Tetsuro Tamba), sua assistente Aki (Akiko Wakabayashi, de King Kong vs Godzilla e Ultra Q) e com a Bond Girl Kissy Suzuki (Mie Hama), Bond acaba descobrindo, nada surpreendentemente, que na verdade era tudo um plano da SPECTRE, que planejava colocar as duas maiores potências do mundo uma contra a outra, roubando espaçonaves soviéticas para colocar a culpa nos Estados Unidos e vice-versa, para emergir como potência dominante após o conflito. Neste filme, Bond finalmente se vê cara-a-cara com o líder da SPECTRE, o megalomaníaco Ernst Stavro Blofeld (Donald Pleasence).

Diferentemente de outros filmes da série, You Only Live Twice é quase todo ambientado em um único país, o Japão, e por isso também foi quase todo filmado lá, com enormes multidões de curiosos acompanhando cada cena. Toda a base da SPECTRE, porém, foi construída em estúdio na Inglaterra, e ficou tão gigantesca que podia ser vista a cinco quilômetros de distância, atraindo mais uma multidão de curiosos. Ao todo, o filme custou 9 milhões e meio de dólares, mas rendeu 43 milhões nos Estados Unidos e 111 no mundo inteiro. A música-tema foi cantada por Nancy Sinatra, e a direção ficou a cargo de Lewis Gilbert.

O contrato de Sean Connery acabaria logo após as filmagens de You Only Live Twice. E aí? Ele renovou? Ele saiu? Estas e outras perguntas serão respondidas em breve, quando tivermos a segunda parte deste post. Até lá!

James Bond

Sean Connery

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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Escrito por em 21.5.08 com 2 comentários

De Volta para o Futuro

No início do ano, fizemos uma mega obra aqui em casa, que incluiu a troca do piso de todos os cômodos. Para poder fazer esta troca, tivemos de arrumar, ensacar e encaixotar praticamente tudo, para que cada cômodo pudesse estar vazio na hora de quebrar o chão. O resultado é que a obra acabou no início de março, mas até hoje temos caixas e sacos espalhados por todos os lados, parece até que nos mudamos.

Durante a arrumação para encaixotar as tralhas, como de costume, algumas coisas que nós nem sabíamos que tínhamos apareceram, junto com outras das quais nem nos lembrávamos. Uma dessas coisas foi uma folha de caderno com um monte de assuntos escritos, alguns riscados. Tal folha não tinha título, mas a reconheci: foi uma lista que fiz lá nos primórdios do átomo, quando passei a falar das coisas que eu gosto, estilo que o blog mantém até hoje. Evidentemente, a folha era uma lista das tais "coisas que eu gosto", e as riscadas eram aquelas sobre as quais já havia falado.

Confesso que eu nem me lembrava mais que um dia havia feito tal lista, mas até que me mostrei bastante coerente em meus gostos: dentre os assuntos não riscados, apenas um não virou post até hoje; todos os demais, mais cedo ou mais tarde, foram abordados por aqui. Eu já joguei a lista fora, mas não custa nada completá-la. Assim, o tema de hoje é a trilogia De Volta para o Futuro, o único assunto "rejeitado". Mas não mais!

O Doutor e MartyHoje em dia, DVpoF (?) é um grande clássico da ficção científica, considerado um dos melhores filmes da década de 80, e que gera inúmeras piadas e referenciações em diversos outros filmes e seriados. Tudo isso começou, porém, com uma idéia simples, no final da década de 1970, no dia em que o diretor e roteirista Bob Gale folheava um Livro do Ano - aqueles livros cheios de fotos que as escolas dos Estados Unidos produzem para seus estudantes - que pertencera ao seu pai. Enquanto folheava, Gale imaginava como seria interessante se ele pudesse voltar no tempo e conhecer seu pai durante a adolescência, principalmente porque eles foram dois tipos de estudantes totalmente opostos: Gale fora nerd e retraído, seu pai fora o aluno mais popular da escola. Coisas de americanos.

Alguns dias depois, Gale imaginou que sua idéia poderia render um ótimo filme sobre viagem no tempo, e a apresentou ao seu amigo Robert Zemeckis, também diretor e roteirista. Gale e Zemeckis escreveram o roteiro de DVpoF em setembro de 1980, mas, envolvidos com outros projetos, não tiveram tempo para realizá-lo logo. A oportunidade só surgiria quase cinco anos mais tarde, quando um amigo em comum da dupla, o diretor Steven Spielberg, perguntaria se o roteiro ainda existia, e o que havia sido feito dele.

Zemeckis, Gale e Spielberg, então, começaram a apresentar o roteiro a vários estúdios. O primeiro foi a Disney, que não o aceitou por considerar que um filme onde uma mãe se apaixona pelo próprio filho, mesmo que este tenha feito uma viagem no tempo, não era apropriado para os padrões da empresa. A Fox o rejeitou pelo motivo exatamente contrário: comparado a outras comédias adolescentes da época, DVpoF era inocente demais. Quem deu a luz verde foi a Universal, mas somente após uma série de modificações no roteiro (das quais falaremos adiante). A Universal também não gostou do título original do filme, Spaceman from Pluto (algo como "O Homem Espacial de Plutão"), uma referência à cena em que Marty finge ser um alienígena, e insistiu que um filme sobre viagem no tempo deveria ter a palavra "futuro" no título. Ainda bem, diga-se de passagem.

As filmagens de DVpoF começaram em novembro de 1984, com Zemeckis na direção e Spielberg como produtor. A primeira escolha da dupla para o papel do protagonista Marty McFly foi o jovem ator Michael J. Fox, que estava filmando seu primeiro filme como protagonista, O Garoto do Futuro (que provavelmente só ganhou este título em português por causa dele), no mesmo local que a equipe de DVpoF utilizaria como set. Fox, porém, recusou o papel, pois seu personagem na série de TV Caras e Caretas iria ganhar mais importância, e ele não conseguiria conciliar ambos os projetos. As filmagens de DVpoF começaram com Eric Stoltz no papel de McFly, mas, após quatro semanas, Spielberg se mostrou descontente com seu desempenho, achando que ele estava levando o papel a sério demais, em um tom inadequado para uma comédia leve. Uma nova proposta foi então feita a Fox, que acabou aceitando, mas tendo que filmar Caras e Caretas durante o dia, DVpoF durante a noite, e as eventuais cenas diurnas do filme aos fins de semana, em uma escala estafante que lhe deixava apenas com duas ou três horas para dormir por dia. Para amenizar o sofrimento, a equipe adiantou as filmagens o máximo que pôde, mas mesmo assim elas ainda duraram cinco meses. Zemeckis também decidiu aproveitar várias das cenas filmadas com Stoltz onde ele não estivesse visível ou não pudesse ser identificado, assim como todas as cenas filmadas antes da entrada de Fox que não envolvessem seu personagem.

Com o novo título de Back to the Future, DVpoF estrearia em julho de 1985, menos de três meses após o final das filmagens. A enorme maioria das críticas foi favorável, o roteiro foi extremamente elogiado, e o público também adorou: orçado em 19 milhões de dólares, o filme rendeu 210 milhões apenas nos Estados Unidos, tornando-se o mais rentável de todo o ano de 1985. O filme foi indicado a quatro Oscars, de melhor roteiro original, melhor canção, melhor som e melhores efeitos sonoros, mas só ganhou este último.

Mas sobre o que, afinal, é o filme? Na fictícia cidade de Hill Valley, Califórnia, em 1985, vive o adolescente Marty McFly (Fox), um típico jovem da década de 1980, que toca guitarra e anda de skate. Marty tem uma vida social relativamente bem resolvida, uma namorada chamada Jennifer (Claudia Wells), e é amigo do cientista um tanto maluco Emmett Brown (Christopher Lloyd), apelidado "Doutor" ("Doc", em inglês). Sua única frustração na vida é que seu pai, George (Crispin Glover) é um banana, constantemente explorado por seu chefe, Biff Tannen (Thomas F. Wilson). Até o motivo como seu pai e sua mãe, Lorraine (Lea Thompson) se conheceram é meio ridículo: o pai dela o atropelou quando ele voltava para casa após a escola.

Um dia, Marty recebe um chamado do Doutor, que deseja lhe mostrar sua mais nova invenção: um carro modelo DeLorean transformado em máquina do tempo. Impulsionado por plutônio, ao alcançar a marca de 88 milhas por hora (mais ou menos 140 Km/h) ele gera um campo elétrico que lhe permite viajar para qualquer data no passado ou no futuro. O Doutor programa o carro, a título de exemplo, para o dia 5 de novembro de 1955, o dia em que ele inventou o Capacitor de Fluxo, a peça que torna a viagem no tempo possível. Enquanto ele está exibindo seu invento, porém, é atacado e morto por terroristas líbios, dos quais roubara o plutônio necessário para fazer o carro funcionar. Para fugir, Marty entra no carro e acelera, e, ao alcançar as fatídicas 88 milhas por hora, é teletransportado para 1955.

George, Lorraine e MartyEm 1955, Marty conhece George, que viria a ser seu pai, um adolescente nerd constantemente importunado pelo valentão Biff, e acaba se metendo em uma grande confusão: ao acompanhá-lo até em casa, é Marty quem acaba atropelado pelo pai de Lorraine, que viria a ser sua mãe. Ato contínuo, ela se apaixona por ele, e não por George. Assim, além de ter de arrumar uma forma de impulsionar o DeLorean através do tempo para voltar a 1985 - já que o plutônio, aparentemente, foi consumido na viagem de ida - Marty tem que providenciar para que seus pais se conheçam de outra forma, ou ele mesmo nem virá a nascer, sendo apagado da linha do tempo. Para a primeira empreitada, ele contará com a ajuda do próprio Doutor, 30 anos mais jovem e extremamente relutante em saber mais sobre o futuro. Para a segunda, ele precisará de muita sorte, pois seu pai já é um banana, e sua mãe é surpreendentemente avançada para a época.

Evidentemente, Marty é bem sucedido em ambas as empreitadas, e mais: suas ações no passado acabam alterando o futuro, fazendo com que seu pai se torne um famoso escritor, e Biff um lavador de carros que trabalha para os McFly, que agora têm uma situação financeira bem melhor. O final do filme é propositalmente aberto, com o Doutor levando Marty e Jennifer para o ano de 2015 (30 anos no futuro), para resolver um problema envolvendo os filhos do casal.

Curiosamente, nem tudo seria desta forma. Como eu disse, a Universal mudou vários pontos do roteiro, desde coisas simples como substituir um chimpanzé de estimação do Doutor por um cachorro chamado Einstein e trocar o nome da mãe de Marty de Eileen para Lorraine, até pontos bem mais enlouquecidos: no roteiro original, a máquina do tempo não seria um carro, e conseguiria a energia necessária para retornar a 1985 através de um teste nuclear feito pelo governo americano em 1955; o solo de guitarra de Marty em 1955 causaria uma confusão que faria com que o rock jamais se estabelecesse como ritmo musical, fazendo com que o ritmo da moda em 1985 fosse o mambo; e Marty revelaria ao Doutor de 1955 que o ingrediente secreto para fazer o Capacitor de Fluxo funcionar seria Coca-Cola, e graças a isso, quando ele retornasse a 1985, o mundo estaria cheio de carros voadores e equipamentos eletrônicos ao estilo Jetsons, todos inventados pelo Doutor e movidos a Coca-Cola, o que obrigaria Marty a tentar consertar as coisas - o que provavelmente seria o mote da seqüência.

Embora uma seqüência fosse mais que óbvia, ela não chegaria aos cinemas até novembro de 1989, quando estreou De Volta para o Futuro II (Back to the Future Part II, no original), novamente dirigido por Zemeckis, produzido por Spielberg e escrito por Zemeckis e Gale. E mais uma vez alterações foram feitas pela Universal: na idéia original, Marty e o Doutor voltariam no tempo até 1967, e graças a um defeito no DeLorean, teriam de fazê-lo voar por sobre o Grand Canyon para que ele funcionasse e pudesse voltar.

No filme "verdadeiro", a história envolve muito mais viagens no tempo: primeiro, o Doutor leva Marty e Jennifer (agora Elizabeth Shue) até 2015, para que Marty evite que seu filho, Marty Jr. (também interpretado por Fox) se envolva em um roubo planejado por Griff Tannen, neto de Biff (também interpretado por Wilson), o que, segundo o Doutor, causaria a ruína de toda a família McFly. Marty consegue, mas, ao ver em uma loja um almanaque com os resultados de todos os eventos esportivos até o ano 2000, decide comprá-lo para usar os resultados em apostas e ganhar muito dinheiro. Condenando-o, o Doutor joga o almanaque fora, mas, sem que eles percebam, o Biff de 2015 pega o almanaque e usa o DeLorean enquanto eles não estão vendo para viajar no tempo e entregá-lo ao Biff de 1955.

O resultado é que, quando eles retornam a 1985, tudo mudou: Biff agora é um milionário, graças aos ganhos com sucessivas apostas certas ao longo de sua juventude, e dono de quase toda Hill Valley, uma cidade decadente e tomada pelo crime. Para poder consertar essa bagunça, Marty deve retornar a 1955, e impedir que Biff receba o almanaque de si mesmo - sem interferir nos acontecimentos causados por ele mesmo em sua primeira viagem no tempo, o que poderia causar uma confusão ainda maior. No fim, Marty consegue, mas o DeLorean é atingido por um raio enquanto o Doutor está lá dentro, mandando-o para 1885. Para salvá-lo, Marty procura o Doutor de 1955, o único capaz de enviá-lo em uma nova viagem no tempo.

O DeLoreanDVpoF2 foi bem mais caro que seu antecessor, custando 40 milhões de dólares, e rendeu bem menos, apenas 118 milhões nos Estados Unidos, sendo 27 milhões apenas no primeiro fim de semana; ainda assim, ele foi considerado bem sucedido pela Universal. Uma nova tecnologia, chamada VistaGlide, foi inventada especialmente para o filme, para as cenas em que Michael J. Fox tinha de contracenar consigo mesmo. Os principais problemas da produção, porém, não vieram dos efeitos especiais, mas do elenco: alegando problemas pessoais, Claudia Wells não aceitou repetir seu papel como Jennifer, sendo substituída por Elizabeth Shue, o que acabou fazendo com que todo o final de DVpoF, que também serve como início de DVpoF2, tivesse de ser refilmado com a nova atriz. Mas o pior foi o incidente que envolveu Crispin Glover, que também não repetiu seu papel como George: segundo Zemeckis e Gale, ele teria pedido o mesmo salário pago a Michael J. Fox para aceitar fazer a continuação, o que a Universal considerou inaceitável, mas Glover alega que desde o início eles não o queriam na continuação por causa de um desentendimento que ele teve com Zemeckis quanto à importância do personagem no segundo filme. Como muitas das cenas de 1955 envolviam George McFly, a solução foi utilizar cenas que ficaram de fora de DVpoF após a edição, e, nas cenas novas, o ator Jeffrey Weissman interpretaria George, mas sempre de longe, meio desfocado, e sem falas. Glover processou a Universal pelo uso de suas cenas extras sem autorização, e, após um acordo, foi indenizado em um valor até hoje não revelado.

Assim como DVpoF, DVpoF2 deixava o final aberto para uma nova seqüência; desta vez, porém, ela seria filmada simultaneamente com o anterior. Apesar disso, De Volta para o Futuro III (Back to the Future Part III) só estrearia seis meses depois, em maio de 1990, por razões de mercado. A parte 3 foi a mais malsucedida da trilogia, custando mais 40 milhões e rendendo apenas 87,6 milhões nos Estados Unidos. Muitos atribuíram este desempenho ao fato dele não ter tantas viagens no tempo quanto seu antecessor, e ser praticamente um filme de faroeste. Como fãs de faroeste, porém, Zemeckis e Gale ficaram extremamente satisfeitos com o filme, que até contém um monte de referências e homenagens ao gênero.

Quando o DeLorean foi atingido pelo raio e mandou o Doutor para 1885, este deixou uma carta para Marty, revelando onde ele escondeu a máquina do tempo, mas com instruções de que Marty não deveria tentar resgatá-lo, mas sim voltar a 1985 e destruir o carro para sempre. Quando Marty e o Doutor de 1955 encontram o DeLorean, porém, Marty descobre que o Doutor de 1885 morreu apenas seis dias após escrever a carta, assassinado por Bufford Tannen (também Wilson), apelidado "Cachorro Louco", antepassado de Biff. Com a ajuda do Doutor de 1955, Marty decide ir até 1885 e impedir o assassinato. Chegando lá, ele conhece seus antepassados, Seamus (também Fox) e Maggie McFly (também Thompson), e encontra o Doutor trabalhando como ferreiro. Marty e o Doutor tentam voltar para 1985, mas descobrem que o carro está sem gasolina, que ainda não existia no Velho Oeste. A única alternativa encontrada para alcançar 88 milhas por hora seria empurrar o carro com uma locomotiva a vapor. Enquanto tentam colocar este plano em prática, Marty e o Doutor acabam conhecendo a professora Clara Clayton (Mary Steenburgen), que se apaixona pelo cientista. No fim, Marty consegue retornar para 1985, mas não junto com o Doutor, que volta no último momento para salvar Clara de um perigo. Marty se reencontra com Jennifer e o DeLorean é destruído, pondo fim à seqüência de viagens no tempo. Ou pelo menos é o que parece.

Embora as seqüências não tenham feito sucesso - e o primeiro seja realmente melhor - os três filmes se encaixam perfeitamente, sendo cheios de referências uns aos outros. Isso somado ao clima irreverente e aos personagens extremamente carismáticos foi um dos principais fatores para que DVpoF se tornasse o clássico que é hoje, e praticamente uma referência em termos de filmes sobre viagem no tempo. Felizmente, DVpoF parece imune à onda de reciclagem de roteiros que tem assolado Hollywood nos últimos anos. Vamos torcer para que continue assim. O DeLorean merece descansar em paz.
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quarta-feira, 14 de maio de 2008

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Street Fighter RPG

De certa forma, pode-se considerar que a década de 1990 foi um divisor de águas para o mundo dos videogames. Nela, surgiram vários jogos que, mesmo sem terem sido os primeiros em seu estilo, acabariam por criar novos padrões, seriam copiados quase infinitamente, e entrariam para a história como grandes clássicos do entretenimento. Jogos como Doom, Tomb Raider, Dance Dance Revolution e, é claro, Street Fighter II.

"É claro" porque Street Fighter II foi, de longe, o que causou maior impacto dentre todos eles. Com uma idéia super simples - o jogador escolhe um dentre 8 personagens possíveis, e deve enfrentar os demais, sem ter de passar por fases ou coletar itens, mas tendo de enfrentar quatro "chefes" no final - mas a imensa vantagem de que um jogador poderia enfrentar ao outro diretamente, e não competir com ele para ver quem termina o jogo com mais pontos, Street Fighter II não foi o primeiro dos jogos de luta - afinal, houve um "Street Fighter I" - mas se transformou em um grande fenômeno, gerando não somente 300 mil outros jogos que copiaram sua fórmula, mas todo o tipo de merchandising associado, desde action figures, passando por desenhos animados e um filme para o cinema, até um jogo de RPG. Não, você não leu errado, um dia existiu um Street Fighter RPG. E ele é o tema do post de hoje.

Para quem não está tão por dentro assim da indústria do RPG, cabe uma pequena introdução: a década de 1990 não foi especialmente profícua apenas para os videogames. Ela também o foi para a indústria dos quadrinhos, com o surgimento da Image Comics, o que hoje é até visto por alguns como uma coisa ruim, mas na época elevou as vendas de quadrinhos a patamares jamais vistos; e para o RPG, graças ao surgimento de Vampire: The Masquerade, criado por Mark Rein-Hagen em 1991 para a editora White Wolf. Até então, embora títulos de outros estilos existissem, RPG era praticamente sinônimo de fantasia medieval; Vampire não somente trouxe a ação para a "época atual" - embora o cenário não fosse o mundo no qual vivíamos, mas uma ambientação posteriormente conhecida como Mundo das Trevas, onde criaturas sobrenaturais vivem entre os humanos, e de certa forma até controlam suas vidas - como também colocava seus jogadores no papel de vampiros, criaturas da noite superpoderosas, capazes de rivalizar com qualquer clérigo ou mago de um RPG mais "tradicional". Por estes e outros motivos, Vampire se tornou um imenso sucesso, ganhou um monte de livros de referência, gerou vários outros títulos da White Wolf com criaturas sobrenaturais, Rein-Hagen ficou rico, e a indústria do RPG teve um boom inesperado, mas bem-vindo.

Infelizmente, este boom durou menos do que as editoras gostariam. Em 1994, a indústria do RPG começou a passar por uma crise, motivada basicamente pela ausência de novos jogadores. Buscando atrair pessoas que não tinham o hábito de jogar RPG, a White Wolf decidiu lançar um livro baseado em algum outro produto de sucesso. Acabou escolhendo Street Fighter, o videogame mais famoso da época, que então estava em sua versão Super Street Fighter II: The New Challengers. Assim surgiu Street Fighter: The Storytelling Game, ou simplesmente SFRPG.

Ok, a capa é horrível, mas o jogo é bom!Apesar de utilizar o mesmo sistema dos demais jogos da White Wolf, o Storyteller, SFRPG não é ambientado no Mundo das Trevas. Infelizmente, isto não ficou bem claro para alguns, que acabaram misturando vampiros, lobisomens, magos e outras criaturas sobrenaturais com street fighters, criando estranhas campanhas onde o organizador de um torneio era na verdade um servo da Wyrm ou coisa parecida. Esta mistureba acabou levando ao mito de que street fighters eram "poderosos demais" - já que podiam meter a porrada em vampiros e lobisomens - que, por sua vez, levou à recusa de muitos mestres em adotar o jogo. Além disso, os mais puristas se recusavam a ver seu Mundo das Trevas de terror gótico intimista profanado por lutadores em roupas coloridas capazes de lançar bolas de energia pelas mãos, e nem aceitavam olhar o livro para ver como ele era. O resultado disso tudo é que SFRPG até conseguiu cumprir seu objetivo de recrutar novos jogadores, mas não vendeu o suficiente para sobreviver como um novo título da White Wolf, sendo cancelado apenas um ano após seu lançamento. Apesar desta vida curta, o jogo tem até hoje muitos fãs - a maioria deles fãs de Street Fighter, não de Storyteller - e com um pouquinho de esforço é até possível achar na internet quem tenha adaptado para o sistema os personagens da série que surgiram após o cancelamento do jogo.

Apesar de toda essa controvérsia, SFRPG é um jogo bastante divertido - uma vez que você se conscientize de que seu cenário não é o Mundo das Trevas, senão ele até pode continuar sendo divertido, mas por motivos um pouco mais absurdos. Seu cenário oficial é o mesmo do jogo Street Fighter II, onde lutadores são capazes de canalizar sua energia interior na forma de incríveis golpes, lançando bolas de energia pelas mãos ou chutando à velocidade da luz, por exemplo - na verdade, como existiam muito poucas informações sobre os street fighters na época, a própria White Wolf se encarregou de inventar as origens de certos golpes, e "canalizar a energia interior" nem sempre era a preferida; Guile, por exemplo, adquiriu a capacidade de lançar seu Sonic Boom após um acidente quando seu jato quebrou a barreira do som.

O principal vilão do mundo de Street Fighter é a organização criminosa Shadoloo (também conhecida como Shadaloo ou até Shadow Law, dependendo da versão), que não somente pratica todos os crimes imagináveis - como tráfico de drogas e armas e impressão de dinheiro falso - como organiza torneios de luta ilegais para o prazer de seu comandante, M. Bison. Os jogadores, portanto, assumem o papel de street fighters, lutadores capazes de incríveis manobras de luta, que combaterão a Shadoloo, seja participando de seus torneios ou tentando interromper suas atividades criminosas. Embora o livro traga as fichas dos street fighters oficiais do jogo, os jogadores não precisam jogar com eles, sendo encorajados a criar seus próprios street fighters - até porque os do jogo são "bombados", com atributos muito superiores aos de qualquer personagem iniciante.

Seguindo o padrão dos demais livros da White Wolf, assim como os vampiros se dividem em clãs e os lobisomens em tribos, os street fighters se dividem de acordo com seus estilos de luta. Em outras palavras, ao criar seu personagem você deve definir qual o estilo de luta que ele usa, e este estilo dirá quais manobras seu personagem será capaz de utilizar enquanto luta - o famoso Shoryuken, por exemplo, só pode ser aprendido por praticantes do caratê shotokan ou do kung fu. SFRPG traz onze estilos de luta que podem ser escolhidos pelos personagens jogadores, todos relacionados aos personagens do jogo: caratê shotokan (Ryu & Ken), wushu (Chun Li), sambô (Zangief), sumô (Honda), capoeira (Blanka), kabaddi (que na verdade não é um estilo de luta, mas um esporte coletivo, mas deixa pra lá; Dhalsim), kung fu (Fei Long), kickboxing (Dee Jay), treinamento das forças armadas (Guile & Cammy), luta nativa norte-americana (T. Hawk) e boxe (Balrog). Para acomodar melhor os estilos de luta e suas manobras, o sistema de combate foi totalmente refeito - e acabou muito melhor que o original de Vampire, tanto que acabou sendo adaptado para o Mundo das Trevas no suplemento World of Darkness: Combat, de 1997. Outra curiosidade quanto aos combates - odiada pelos fãs do Mundo das Trevas, diga-se de passagem - é que os street fighters, além de ter uma "energia" enorme - vinte quadradinhos, contra sete dos Mundo das Trevas - jamais poderiam ser mortos, apenas "derrotados".

Antes de chegar à conclusão de que Street Fighetr RPG não era rentável e cancelá-lo, a White Wolf decidiu lançar alguns suplementos, com novas opções para os jogadores. O primeiro a sair, seguindo o exemplo dos demais títulos da editora, foi o tradicional Livro do Jogador, Street Fighter Player's Guide, também de 1994. Como o nome sugere, ele traz novas opções para os jogadores, incluindo como criar personagens híbridos de animais e humanos, personagens com partes cibernéticas, e personagens com poderes elementais. O livro traz ainda informações sobre personagens de apoio, como empresários, professores, médicos e outros; como criar uma equipe de street fighters profissionais; como criar e se beneficiar de uma arena; como organizar um torneio; e como lidar com a eventual "aposentadoria" ou casamento dos lutadores. Como não poderia deixar de ser, o livro também traz novas manobras, e dois novos estilos de luta, savate e ninjitsu.

Após o lançamento do Livro do Jogador, a White Wolf pôs no mercado o também tradicional Escudo do Mestre - que, para quem não é do ramo, é uma folha de papel duro que o mestre abre em frente a ele como se fosse um biombo, e tem como principal uso esconder as rolagens de dados "secretas", das quais os jogadores não podem saber o resultado; do lado que fica virado para o mestre o Escudo tem a "cola" de todas as informações importantes do jogo; do lado que fica virado para os jogadores tem uma bela figura, no caso todos os personagens do jogo posando no cenário de Guile. Street Fighter Storyteller's Screen também foi lançado em 1994, e trazia como brinde uma aventura pronta e algumas novas manobras.

No fim de 1994 ainda foi lançado mais um livro, talvez o mais aguardado por quem gostou do livro básico: Secrets of Shadoloo finalmente trazia a oportunidade de se jogar com os vilões, trazendo suas fichas e seus estilos de luta - ninjitsu espanhol (Vega), Muay Thai (Sagat) e Ler Drit (Bison) - além de muitas novas manobras, informações sobre o funcionamento da Shadoloo, e a descrição do fictício país de Mriganka, no sudeste da Ásia, onde estaria localizada a base de operações da organização criminosa - ou seja, um livro interessante tanto para quem quisesse jogar como um integrante da Shadoloo quanto para quem quisesse desbaratá-la. Completam o livro uma aventura pronta e dicas de como inserir a Shadoloo em sua campanha.

O primeiro livro lançado em 1995 era uma espécie de "compêndio": Contenders (algo como "participantes") era dividido em duas partes; na primeira, 49 personagens prontos que podiam ser utilizados pelos jogadores ou pelo mestre como NPCs, sendo 20 street fighters, sete times e seis coadjuvantes; na segunda, nada menos que 9 novos estilos de luta - aikido, baraqah, jeet kune do, jiu jitsu, lua, pankration, silat, tai chi chuan e luta livre - e muitas novas manobras, além de regras para utilizar armas brancas, como espadas e correntes, durante os combates.

O último livro de SFRPG a ver a luz do Sol foi The Perfect Warrior ("o guerreiro perfeito"), também de 1995, uma aventura pronta que trazia como brinde um novo estilo de luta, o majestic crow kung fu. Mais um livro, Shadows Over Mexico, já estava sendo preparado, mas a White Wolf decidiu cancelar a linha antes de seu lançamento.

Quase dez anos após sua "morte", SFRPG chegou ao Brasil pelas mãos da Editora Trama, que na época publicava a revista Dragão Brasil. A Trama conseguiu um contrato com a Capcom Romstar do Brasil para adaptar seus principais títulos, dentre eles Street Fighter Alpha, para seu sistema de RPG, o 3D&T. Devido a alguma confusão, a Trama e a Capcom imaginaram que a editora poderia traduzir e lançar também o SFRPG, mas esta intenção acabou esbarrando nos direitos autorais da White Wolf, que criou o sistema de jogo. Após alguma negociação, a Trama obteve permissão para publicar o livro, mas substituindo toda a arte interna, de propriedade da White Wolf, por arte oficial da Capcom - e pagando os direitos da editora norte-americana, evidentemente.

Para facilitar o acesso ao produto, a Trama decidiu não lançã-lo na forma de um livro caro, mas de três edições especiais da Dragão Brasil (DBE 9, 11 e 13). Juntas, estas três revistas formavam todo o livro básico de SFRPG - rebatizado como Street Fighter: O Jogo de RPG - e saíam pelo módico preço de 15 Reais, um terço do que custava na época uma edição traduzida de Vampire ou Werewolf. Graças a isso, SFRPG renasceu, e os jogadores e mestres brasileiros puderam experimentar todas as dificuldades de se misturar street fighters com vampiros e lobisomens que os norte-americanos já haviam vivido há quase uma década. Aparentemente, era meio difícil convencer às pessoas de que podia existir um RPG da White Wolf que não fosse ambientado no Mundo das Trevas...

Street Fighter: O Jogo de RPG vendeu consideravelmente bem, e acabou relançado em uma edição encadernada (DBE 24), também a um preço módico. Os demais suplementos, porém, seja por qual motivo for, jamais chegaram ao Brasil. Três edições da Dragão Brasil apresentaram novo material para o jogo: as edições 56 e 57 trouxeram uma aventura em duas partes chamada Sangue de Lutador, a ficha de Rose, de Street Fighter Alpha, e dois novos estilos de luta, o soul power (estilo de Rose) e uma versão do aikido bastante diferente da original de Contenders. A Dragão Brasil número 90 trouxe as fichas de Vega, Sagat e Bison, assim comos eus estilos de luta, mas algumas das manobras também são bem diferentes das vistas em Secrets of Shadoloo.

Depois disso, SFRPG morreu de vez. A versão da Trama ainda pode ser encontrada em algumas lojas de revistas antigas, e ainda existem alguns sites por aí dedicados a manter viva sua memória, mas é improvável que voltemos a ver algum material inédito. De qualquer forma, SFRPG vale pela originalidade de ter trazido um game de porrada para o mundo do RPG de uma forma interessante e divertida.
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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Escrito por em 7.5.08 com 0 comentários

Jornada nas Estrelas: A Nova Geração

Há cerca de um mês, fiz aqui um post sobre Jornada nas Estrelas. Desde então, acho que ficou meio óbvio que eu iria fazer também posts sobre os spin-offs da série, já que, excetuando alguns casos isolados, quem gosta de um gosta dos demais também. Portanto, hoje é dia de post sobre o primeiro destes spin-offs, Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

Não me lembro bem quando a Nova Geração estreou aqui no Brasil, na finada Rede Manchete, mas lembro que na época eu devia ter entre 10 e 12 anos, e já era fã da Série Clássica, principalmente por influência da minha mãe, que também o é. Talvez por causa disso, meu primeiro sentimento em relação a uma nova série que tivesse uma nave chamada Enterprise, mas sem Kirk, Spock e McCoy, não foi dos mais agradáveis. Pra dizer a verdade, achei a idéia ridícula, a tripulação ridícula, os uniformes ridículos, e o fato de um dos tripulantes ser um klingon uma ofensa mortal contra a Federação. Resisiti o quanto pude a assistir um episódio daquela coisa ridícula, até que, em 1992, tive a curiosidade despertada por um amigo, que dizia maravilhas sobre a série. Resolvi dar uma chance, assisti a alguns episódios, e, felizmente, mudei de opinião. Hoje, eu costumo dizer que eu gosto da Série Clássica e da Nova Geração igual, e na minha humilde opinião o melhor de todos os filmes da franquia é Primeiro Contato. E este episódio ilustra claramente como o preconceito pode atrasar a vida das pessoas.

Wesley, Tasha, LaForge, Riker, Picard, Crusher, Worf, Troi, DataA idéia de se produzir uma nova série de Jornada nas Estrelas surgiu em 1986, motivada principalmente pelo sucesso dos filmes para o cinema da Série Clássica. Inicialmente, toda a produção da série ficaria a cargo da Paramount, sem nenhum envolvimento de Gene Roddenberry, mas este, após ver a arte conceitual do estúdio para o episódio, extremamente insatisfeito com o caminho que a série estava tomando, decidiu assumir como produtor, e refez tudo ao seu gosto. Roddenberry trouxe para o projeto autores e diretores com quem já tinha trabalhado na Série Clássica, e escolheu pessoalmente o executivo da Paramount Rick Berman para conduzir o projeto.

O anúncio oficial de que uma nova série de Jornada nas Estrelas seria produzida foi feito em 10 de outubro de 1986; surpreendentemente, a Paramount não procurou nenhum canal de televisão para oferecê-la, preferindo arriscar lançá-la no formato syndicated - disponível para vários canais dos Estados Unidos ao mesmo tempo, desde que eles paguem uma taxa. Normalmente, séries de TV só entravam em syndication após canceladas, quando suas reprises eram vendidas; a Nova Geração foi um dos pouquíssimos seriados da época a já estrear neste formato. Assim, em 28 de setembro de 1987, o episódio de estréia de Star Trek: The Next Generation foi assistido por 27 milhões de espectadores em todos os Estados Unidos, em diferentes horários e canais. Este primeiro episódio, Encontro em Longínqüa (Encounter at Farpoint, em inglês) foi um especial com 90 minutos de duração, mais tarde dividido em dois de 45 minutos cada para as reprises, mesmo tempo de duração dos demais episódios da série, e contava com a participação mais do que especial de DeForest Kelley, no papel do agora Almirante McCoy.

Ao todo, a primeira temporada da Nova Geração teve 26 episódios, ambientados cerca de 80 anos após a Série Clássica, no Século XXIV. Já no primeiro fomos apresentados à tripulação da nova nave Enterprise-D, quinta versão da NCC-1701 onde viajavam Kirk, Spock e companhia, mais uma vez em missão exploratória rumo a onde ninguém jamais esteve. O capitão desta nova Enterprise é o francês Jean-Luc Picard (Patrick Stewart), mestre da diplomacia, altamente inteligente e com profundos valores morais, que busca resolver todas as situações com diálogo ao invés de luta, apesar de também ser um estrategista competente e oponente formidável. Embora exista uma lenda urbana de que Picard foi criado em homenagem ao explorador francês Jacques Cousteau, a verdadeira inspiração de Roddenberry foram os irmãos gêmeos cientistas suíços Auguste e Jean Felix Piccard. Stewart, um ator shakespeareano, inicialmente havia sido convidado para o papel de Data, mas ficou muito satisfeito por poder interpretar o capitão, o que, segundo ele, também contribuiu para que muitos fãs de Jornada nas Estrelas passassem a freqüentar o teatro.

Além de Picard, a tripulação da Enterprise-D ainda contava com o imediato William Riker (Jonathan Frakes), apelidado Número Um; o oficial de leme Geordi LaForge (LeVar Burton), que nasceu cego, mas consegue "enxergar" através de um visor especial conectado diretamente a seu cérebro; o klingon Worf (Michael Dorn), que atua como oficial tático; a médica Dra. Beverly Crusher (Gates McFadden) e seu filho, o adolescente Wesley Crusher (Wil Wheaton); a conselheira Deanna Troi (Marina Sirtis), cuja mãe pertence à raça betazedi, que possui poderes telepáticos; a chefe de segurança Natasha Yar (Denise Crosby), apelidada Tasha; e, finalmente, o famoso andróide Data (Brent Spiner), oficial-chefe de operações da nave. Data é uma forma de vida artificial com cérebro positrônico, programado para se tornar cada vez mais humano conforme convive com outros humanos. Seu pensamento estritamente lógico, extrema curiosidade quanto a tudo o que é humano, e uma certa inocência infantil acabaram fazendo com que Data se tornasse um dos personagens mais populares e mais queridos da Nova Geração. Também vale o registro de que a voz do computador é feita por Majel Barrett, que interpretava a enfermeira Christine Chapel na Série Clássica, e que em alguns episódios da Nova Geração interpreta Lwaxana Troi, mãe de Deanna.

Ao contrário do que possa parecer, mesmo com todo o apoio dos fãs ávidos por uma nova série de Jornada nas Estrelas, a primeira temporada não foi um grande sucesso. Quase todos os críticos consideraram os episódios fracos, com diálogos pobres, atuações forçadas, enredos simplórios e efeitos especiais pobres. A maioria deles, porém, reconheceu que a série tinha um grande potencial para se tornar talvez até melhor que a Série Clássica se fosse bem executada, e, como os níveis de audiência foram bons, a Paramount decidiu apostar em uma segunda temporada.

Enterprise NCC-1701-DEsta segunda temporada, que estreou em 21 de novembro de 1988, teve apenas 22 episódios, prejudicada por uma greve de roteiristas. Talvez tentando melhorar o nível das críticas, a Paramount fez profundas mudanças, como a substituição da Dra. Crusher pela Dra. Katherine Pulaski (Diana Muldaur), a promoção de LaForge a engenheiro chefe, e a de Worf a chefe de segurança, esta motivada pela saída de Denise Crosby, que decidiu não renovar seu contrato após o fim da primeira temporada, embora tenha voltado para participações especiais em alguns episódios mais à frente. Embora o primeiro episódio, na verdade um roteiro adaptado da cancelada Star Trek: Phase II, tenha sido muito criticado (assim como o último, que foi uma espécie de recapitulação da série), as críticas à segunda temporada foram bem mais favoráveis que à primeira, principalmente devido ao uso mais freqüente de arcos (histórias que se prolongam por mais de um episódio). A segunda temporada também trouxe um novo personagem para a série, Guinan, interpretada por Whoopi Goldberg, que atuava como barwoman, conselheira e apoio cômico; e teve várias apariçoes especiais de um personagem bem menor da primeira temporada, o operador de teletransporte Miles O'Brien (Colm Meaney), que depois acabou se tornando um dos personagens principais de outro spin-off de Jornada nas Estrelas, Deep Space Nine. Finalmente, a segunda temporada foi responsável por introduzir os vilões mais famosos da Nova Geração, os Borgs, seres biocibernéticos que possuem uma mente coletiva e buscam assimilar à sua cultura todas as civilizações com as quais travam contato

A partir da terceira temporada, que estreou em 25 de setembro de 1989, com mais 26 episódios, Roddenberry, já com a saúde debilitada, começou a se afastar do projeto, deixando-o a cargo de Berman e do roteirista Michael Piller. Devido a reclamações dos fãs, a Dra. Pulaski saiu da série, e a Dra. Crusher voltou para não mais sair. O sucesso da série era cada vez maior, e a temporada se encerrou com o memorável episódio onde Picard é assimilado pelos Borgs. Este episódio se concluiria na quarta temporada, de mais 26 episódios, que fez sua estréia em 24 de setembro de 1990. Nesta temporada se uniriam ao time os produtores Brannon Braga e Jeri Taylor, e Wesley Crusher, de quem ninguém gostava mesmo, partiu para sua última missão com a Enterprise, aparecendo apenas em participações especiais nos episódios subseqüentes.

A quinta temporada estreou em 23 de setembro de 1991, com novos 26 episódios. Infelizmente, um mês depois Roddenberry faleceu, e o comando passou efetivamente para Rick Berman. A quinta temporada foi a que teve os melhores índices de audência, em especial o episódio Unificação (Unification), que foi ao ar em duas partes, contava com a participação especial de Leonard Nimoy no papel de Spock, e cuja primeira parte trazia uma homenagem a Roddenberry. Curiosamente, a segunda parte faz algumas referências ao filme A Terra Desconhecida, que estrearia nos cinemas pouco depois do episódio ir ao ar.

BorgsA Nova Geração ainda teve mais duas temporadas de 26 episódios cada, a sexta estreando em 21 de setembro de 1992, e a sétima em 20 de setembro de 1993, para um total de 178 episódios. Um dos episódios da sexta temporada, Relíquias (Relics), trouxe a participação de James Doohan no papel de Montgomery Scott. O último episódio da série, Tudo o que é bom... (All Good Things...), televisionado em 23 de maio de 1994, seguiu o exemplo do primeiro, e foi um especial de 90 minutos, mais tarde dividido para as reprises. Um dos motivos que levaram ao cancelamento da série foi a decisão da Paramount de investir mais em Deep Space Nine, que estreou em 3 de janeiro de 1993, e, segundo alguns, estava até roubando audiência da Nova Geração. Seja como for, embora no fim a série já não tivesse mais o vigor da terceira, quarta e quinta temporadas, pode-se dizer que terminou no auge, e não em declínio.

A sexta temporada ainda estava no ar quando Rick Berman decidiu levar a Nova Geração aos cinemas. Ao todo, a série ganhou quatro filmes, embora na minha opinião infelizmente só um deles preste. O primeiro destes filmes, Star Trek: Generations (que, em português, curiosamente virou Jornada nas Estrelas: Generations), estreou nos cinemas seis meses após o fim da série, em novembro de 1994, e tentava ser uma espécie de passagem de bastão de Kirk para Picard. Dirigido por David Carson, o filme começa no século XXIII, com a primeira viagem da Enterprise-B, com Kirk (William Shatner), Chekov (Walter Koenig) e Scott como convidados. Durante a viagem, a nave recebe um pedido de ajuda e deve resgatar um grupo de refugiados atingidos por uma estranha faixa de energia, dentre os quais estão Guinan e o misterioso Tolian Soran (Malcolm McDowell). Durante o resgate a tal faixa retorna, e Kirk é aparentemente morto durante o incidente.

Já no Século XXIV, é a Enterprise-D e sua tripulação, comandada por Picard, que se vê às voltas com Soran. Eles acabam descobrindo que a tal faixa energética leva a um lugar conhecido como Nexus, onde todos os desejos de uma pessoa se tornam realidade. Soran estaria tentando chegar ao Nexus de propósito, mas para isso terá de destruir um sistema solar inteiro. Após muitas reviravoltas, Picard descobre que Kirk está vivo, mas no Nexus, e ambos se aliam para derrotar Soran. Infelizmente, durante a luta Kirk acaba morrendo de verdade. Como se isso já não bastasse, a Enterprise-D também é destruída, o que leva à construção de uma Enterprise-E para que a série possa continuar.

Financeiramente, Generations foi até bem sucedido, pois custou 35 milhões de dólares e arrecadou 75 milhões só nos Estados Unidos; este desempenho, porém, foi considerado abaixo das expectativas, principalmente porque a arrecadação do primeiro final de semana, 23 milhões, foi bastante alta. O roteiro confuso e a morte de Kirk costumam ser citados como os principais motivos pelos quais o filme falhou em manter a média de público nas semanas seguintes. Ainda assim a Paramount ficou satisfeita com a repercussão do filme, e apenas dois meses após sua estréia pediu a Berman um novo filme da Nova Geração. Curiosamente, este segundo filme, que tinha tudo para dar errado, foi o que deu mais certo, e acabou sendo considerado um dos melhores filmes de Jornada nas Estrelas.

E por que tudo para dar errado? Bem, para começar, eles queriam um filme que agradasse tanto aos fãs quanto a quem nunca tivesse visto Jornada nas Estrelas na vida. Além disso, Berman queria que envolvesse viagem no tempo. Os roteiristas queriam que os vilões fossem os Borgs. E todos acabariam chegando à conclusão de que seria interessante mostrar pela primeira vez "como tudo começou", como a humanidade deixou suas desavenças de lado para dar início a uma era de paz, prosperidade, desenvolvimento tecnológico e exploração espacial. Dessa mistureba toda, nasceu Star Trek: First Contact (Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato), que estreou em 1996.

da direita para a esquerda: Worf, Riker, Picard, Data, Crusher, Troi, LaForge, um cubo Borg, a Enterprise-E e a Rainha BorgDirigido por Jonathan Frakes, Primeiro Contato mostra o primeiro encontro de Picard com os Borgs desde que ele foi desassimilado. E os Borgs não planejam nada menos do que voltar no tempo e assimilar a Terra justamente quando esta está mais vulnerável, logo após a Terceira Guerra Mundial, antes de Zefram Cochrane voar à velocidade da luz com sua nave Phoenix e chamar a atenção dos Vulcanos, fazendo o Primeiro Contato do título e levando a humanidade à tal era de paz e prosperidade. Para impedi-los, a tripulação da Enterprise-E também volta no tempo, mas acaba descobrindo que Cochrane (James Cromwell) é mais humano e menos lendário do que todos imaginavam. Ainda por cima, a própria Enterprise acaba invadida pelos Borgs, que começam a assimilar toda a tripulação para evitar que eles os impeçam. O filme inclui até mesmo uma Rainha Borg (Alice Krige), que tenta corromper Data para que ele traia seus companheiros de tripulação.

Primeiro Contato é um filme memorável, com seqüências de ação, suspense e comédia. A recepção da crítica foi extremamente favorável, e os efeitos especiais eram o que havia de mais moderno para a época - incluindo a primeira vez em que uma Enterprise era feita de computação gráfica, e não um modelo em escala. O filme custou 45 milhões, arrecadou 30 só no primeiro fim de semana, e mais de 90 só nos Estados Unidos, resultado considerado satisfatório, e conseguiu uma indicação ao Oscar de melhor maquiagem. Também vale mencionar, como curiosidade, que Primeiro Contato é o primeiro filme de Jornada nas Estrelas sem a participação de nenhum dos atores da Série Clássica.

O sucesso de Primeiro Contato levou a mais uma requisição instantânea por uma seqüência. Infelizmente, Star Trek: Insurrection (Jornada nas Estrelas: Insurreição), de 1998 e também dirigido por Jonathan Frakes, não é tão espetacular quanto seu antecessor, se parecendo mais com um episódio gigante (e dos bem ruinzinhos) da série de TV do que com um filme de cinema. Desta vez, a tripulação da Enterprise-E visita o planeta Ba'ku, que emana uma estranha forma de radiação regenerativa, que permite que seus habitantes, que vivem em completo isolamento e rejeitam qualquer avanço tecnológico, tenham vidas incrivelmente longas. O problema é que esta radiação é cobiçada pelos Son'a, uma grupo de alienígenas que já estendeu suas vidas artificialmente tantas vezes que seus corpos estão começando a se deteriorar rapidamente, e que quer utilizá-la para se livrar deste incômodo, mesmo que isto vá causar o efeito colateral de tornar o planeta inabitável. Picard e os seus se vêem então no meio de um incidente diplomático, que só é agravado pelo fato de que a tripulação da Enterprise também começa a ser afetada pelos efeitos da radiação. Insurreição custou 58 milhões e só arrecadou 70, o que não foi nada satisfatório, e foi considerado fraco tanto pelas críticas quanto pelos fãs.

Talvez tivesse sido melhor terminar a série ali mesmo, mas não, alguém tinha de ter a brilhante idéia de fazer mais um filme. Assim, surgiu Star Trek Nemesis (que, em português, virou Jornada nas Estrelas: Nêmesis, embora o mais correto fosse "Nêmese"), de 2002, dirigido por Stuart Baird, e que é provavelmente o pior filme da história da franquia. Em Nêmesis, Riker e Troi se casam, e estão prestes a deixar a tripulação da Enterprise-E quando esta recebe uma mensagem, segundo a qual os restos de um andróide muito parecido com Data foram encontrados na Zona Neutra Romulana - e o filme já começa mal quando descobrimos que este andróide, um antecessor de Data, se chama B-4, de "before", "antes", em inglês. Seja como for, a Enterprise é mandada em missão diplomática até o Império Romulano, onde descobre que houve um golpe de estado em Remo, agora controlado pelo Pretório Shinzon (Tom Hardy), que ainda por cima é um clone imperfeito de Picard. Seu plano é seqüestrar Picard e roubar seu DNA, e depois usar sua nave, a Scimitar, para destruir a Terra, e reinar como novo líder do Império Romulano. Evidentemente, a tripulação da Enterprise consegue impedi-lo, mas não sem que a nave quase seja destruída no processo. Data, por outro lado, não dá tanta sorte, e acaba tendo que se sacrificar para destruir a Scimitar.

Além de ser muito ruim, Nêmesis ainda deu muito azar, pois estreou praticamente junto com Harry Potter e a Câmara Secreta, 007: Um Novo Dia para Morrer e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Isto fez com que ele se tornasse o único filme de Jornada nas Estrelas a não conseguir a arrecadação mais alta de seu fim de semana de estréia. No total, Nêmesis custou 60 milhões de dólares, mas só arrecadou 43 nos Estados Unidos. Mesmo que se considere a bilheteria do mundo inteiro, ele mal se pagou. Se já não tivesse sido concebido para ser o último da Nova Geração, poderia-se até argumentar que ele foi o responsável pelo encerramento da série.

Atualmente, a tripulação da Nova Geração está aposentada. Ao contrário da Série Clássica, não há planos para se ressucitar ou revitalizar esta série. Mas não faz mal. Depois de 15 anos servindo à Federação, vamos deixar os coitados seguirem com suas carreiras, e nos lembrarmos com carinho de todas as aventuras que viveram. Menos de Nêmesis.

Jornada nas Estrelas

A Nova Geração

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