Nas aberturas dos meus posts, eu costumo repetir muitas coisas que já disse em outros posts, e hoje não será exceção: eu não sou muito ligado em atores. Ok, talvez eu não tenha dito isso exatamente dessa forma, mas, em outras palavras, isso significa que eu não costumo ver um filme só porque um ator ou atriz está em seu elenco (a não ser que seja o Schwarzenegger), nem fico reparando nas interpretações para criticar (a não ser que seja algo extremamente bisonho). Na minha opinião, é até perfeitamente possível existir um filme bom com atuações ruins (desde que o roteiro seja bom), algo que eu já reparei que a maioria da população do mundo discorda de mim - se as interpretações são ruins, o filme é ruim e pronto.
Mas enfim, digressionei de novo, não era nada disso que eu ia falar. O que interessa é que, assim como todo mundo, eu também tenho meus atores preferidos, e hoje é dia de falar de um deles. Hoje é dia de falar de Johnny Depp.
John Christopher Depp II nasceu em Owensboro, Kentucky, Estados Unidos, no dia 9 de junho de 1963, filho da garçonete Betty Sue Wells e do engenheiro civil John Christopher Depp. Durante sua infância, sua família mudava muito de endereço devido a contratos firmados por seu pai, o que fez com que Johnny e seus três irmãos mais novos, Danny, Christie e Debbie, tivessem mais de vinte endereços diferentes até a família se instalar definitivamente na cidade de Miramar, Flórida, em 1970.
A princípio, Johnny não pensava em ser ator, e sim músico, preferência esta alimentada pelo presente que ganhou de sua mãe em seu aniversário de 12 anos, uma guitarra. Precoce, no início de sua adolescência ele já tocava com várias bandas de garagem da região, e até tinha uma namorada, chamada Meredith, em homenagem à qual tentou criar uma banda com este nome. Ao contrário do que possa parecer, porém, Depp era um adolescente introvertido e inseguro, que começou a fumar e beber antes dos 13 anos, e sua vida mudou drasticamente quando, em 1978, seus pais decidiram se divorciar. Atormentado com as reviravoltas pelas quais sua vida passava, Depp se entregou à prática da autolesão, se cortando com uma gilete para que a dor física fizesse com que ele superasse a dor emocional. Ainda hoje, ele carrega oito cicatrizes desta época.
Um ano após o divórcio de seus pais, Depp largou a escola para se dedicar integralmente à sua banda de rock. Porém, sem conseguir tocar em nenhum lugar de respeito, e de certa forma chantageado pelos pais, que disseram que se ele era bom o suficiente para ficar sem ir à escola ele também seria bom o suficiente para se sustentar sem seu auxílio financeiro, ele voltou atrás e decidiu abandonar a banda e voltar para a escola apenas duas semanas depois. Mas o diretor, surpreendentemente, disse que ele deveria perseguir seu sonho e insistir em ser músico, e assim, pouco tempo depois, Depp conseguiu o cargo de guitarrista na banda The Kids, que alcançou um moderado sucesso na região de Miramar. Animados com a perspectiva de se tornarem astros do rock, em 1981 os Kids se mudaram para Los Angeles, mudaram de nome para Six Gun Method, e passaram a procurar uma gravadora que os aceitasse.
Quando finalmente eles estavam próximos do contrato, porém, Depp tomou uma decisão que acabou fazendo com que ele desse dois passos para trás: se casou. Na véspera de Natal de 1983, Depp, então com 20 anos, e a maquiadora Lori Anne Allison, cinco anos mais velha e irmã do vocalista da Six Gun Method, decidiram contrair matrimônio, algo que não foi bem aceito pelos demais membros da banda, que praticamente o expulsaram do grupo - que logo depois assinou contrato com uma pequena gravadora e lançou seu primeiro disco. Sem a banda, Depp passou a fazer vários bicos para não depender exclusivamente do salário de maquiadora da esposa para sobreviver, dentre os quais vender canetas por telemarketing. A vida de Johnny só começou a mudar quando sua esposa conheceu o ator Nicolas Cage durante uma sessão de maquiagem e o apresentou ao marido. Cage aconselhou Depp a desistir da música e tentar uma carreira de ator, e, como não custava nada mesmo, ele decidiu arriscar.
Cage apresentou Depp à sua agente, que conseguiu para ele um teste para o novo filme do diretor Wes Craven. Se saindo bem no tal teste, ele finalmente consguiu seu primeiro papel no cinema, no filme A Hora do Pesadelo, de 1984, onde interpretou o personagem Glen Lantz, namorado da protagonista, e que é engolido por uma cama assassina em uma das cenas mais famosas do filme.
Em 1985, Johnny conseguiu um novo papel, na comédia adolescente Férias do Barulho, e no ano seguinte ele interpretaria o soldado Gator Lerner no aclamadíssimo Platoon. Aparentemente, sua carreira iria deslanchar, mas sua vida pessoal parecia andar na contramão de seus projetos: ainda em 1985, Johnny e Allison se separaram, e durante um bom tempo ele tentou retomar sua carreira de músico, colaborando com a banda Rock City Angels, também originária do sul da Flórida, e até chegando a co-escrever a música Mary, que entrou para seu primeiro álbum. Por insistir em se dedicar à música, porém, Depp não conseguia bons papéis, e depois de Platoon só fez duas pequenas participações especiais em seriados de TV inexpressivos.
Mas, de certa forma ironicamente, seria a TV que iria salvar sua vida: No final de 1986, Depp foi procurado por executivos da Fox, que estavam criando uma nova série de TV voltada ao público adolescente, na qual jovens policiais se infiltrariam em escolas disfarçados de alunos para combater a delinqüência juvenil. Depp achou a idéia horrível e recusou, mas, voltando a ser procurado, optou por aceitar, já que precisava do dinheiro. Assim, em 1987, ele estrou em Anjos da Lei no papel do policial Tom Hanson, ao qual costuma ser associado por muitos até hoje.
Ao assinar o contrato, Depp não levava muita fé na série, e imaginava que logo ela seria cancelada. Para seu horror, porém, não somente a série se tornou extremamente popular e durou quatro temporadas, como também Hanson se tornou seu personagem mais famoso, o que alçou Johnny ao posto de ídolo adolescente, namoradinho da América, alvo de centenas de fãs-clubes e de dez mil cartas de adolescentes apaixonadas por mês. Depp abominava isso tudo, rejeitava todos os títulos, e só permaneceu na série por causa do salário de 45 mil dólares por episódio, prometendo a si mesmo que, quando seu contrato expirasse, jamais faria um papel que o colocasse em posição semelhante novamente.
Sem saber o que se passava na cabeça de seu ídolo, milhares de fãs se chocaram quando ele aceitou protagonizar o estranhíssimo filme Cry-Baby, um musical de 1990, paródia de filmes como Grease, e dirigido pelo excêntrico John Waters, que tinha no elenco o astro do rock Iggy Pop e a ex-atriz pornô Traci Lords. Embora hoje em dia tenha se tornado de certa forma um cult, Cry-Baby não fez muito sucesso, mas pelo menos serviu para que Depp chamasse a atenção de um diretor que mais tarde se tornaria seu grande amigo, Tim Burton.
Notando o talento de Depp, Burton decidiu convidá-lo para o complexíssimo papel-título de Edward Mãos-de-Tesoura, também de 1990, onde o ex-símbolo sexual adolescente interpretaria um ser artificial, de cabelos desgrenhados, face marcada por cicatrizes, enormes tesouras no lugar das mãos, e sérios problemas de relacionamento social. Edward não somente ajudou Depp a soterrar Hanson de vez, como também provou que ele era um dos mais talentosos atores de sua geração, e lhe rendeu um romance com sua companheira de elenco Winona Ryder.
Ryder não foi a primeira atriz com quem Depp se relacionou - antes ele já tinha namorado Sherilyn Fenn, de Twin Peaks, e tido um caso com Jennifer Grey, de Dirty Dancing, mas o romance dos dois foi bombástico: durante três anos, todos os holofotes das revistas de fofocas se viraram para o casal, principalmente depois que ele decidiu tatuar "Winona Forever" em seu braço direito. De tão bombástico, o relacionamento durou apenas até 1993, e, curiosamente, embora durante o tempo em que namorava Winona Depp não tenha sido convidado para nenhum filme, após o fim do romance sua carreira deslanchou de vez.
Apenas em 1993, Depp conseguiu papéis de destaque e aclamados em três filmes, Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador, Benny & Joon: Corações em Conflito e Arizona Dream: Um Sonho Americano. Sempre interessado em música, durante a década de 90 Depp fez participações em clipes de bandas como Lemonheads e Concrete Blonde, e chegou a montar uma banda chamada P, que lançou um disco em 1995. Mais uma vez, porém, sua vida pessoal parecia ir na contramão da profissional, e rumores de que Johnny havia se entregado ao vício do álcool e das drogas começaram a surgir em todo lugar. Como se isso já não bastasse, River Phoenix, um dos atores mais famosos da época, morreu de overdose no The Viper Rooms, um clube de Los Angeles de propriedade de Depp. Em 1994, Depp começou um turbulento romance com a modelo Kate Moss, e foi preso por praticamente destruir o quarto do hotel onde se hospedara em Nova Iorque. Poucos apostavam que ele construiria uma carreira de sucesso, e muitos até apostavam que ele nem viveria para gastar o dinheiro que havia ganho até então.
Tim Burton, porém, não fazia parte deste time, e decidiu convidar Johnny para protagonizar seu filme sobre a vida do incompreendido cineasta Ed Wood. Sua brilhante interpretação fez com que os produtores ignorassem seus problemas pessoais e o convidassem para mais três filmes de sucesso que seriam lançados em 1995, Don Juan de Marco, o faroeste Dead Man, e o suspense em tempo real Tempo Esgotado. Aos poucos, a cabeça de Depp parecia voltar ao lugar, e em 1997 ele não somente conseguiria mais um papel aclamado em Donnie Brasco como também dirigiria seu primeiro filme, O Bravo, no qual também atua.
Em 1998, os rumores sobre a decadência de Depp começaram a cessar, e ele terminou seu relacionamento com Moss para se unir à cantora francesa Vanessa Paradis, a quem conheceu durante as filmagens de O Último Portal, e com quem teve dois filhos, Lily-Rose Melody e Jack (cujo nome verdadeiro é John Christopher Depp III). O casal se mudou para a França, onde residem até hoje, e, desde o casamento, Johnny se deu o direito de escolher muito bem os papéis que iria interpretar, o que o levou a recusar o papel principal de dois grandes sucessos, Velocidade Máxima e Lendas da Paixão, e até mesmo o do vampiro Lestat em Entrevista com o Vampiro, o que lhe rendeu uma fama de quem só interpreta personagens exóticos, como o jornalista Raoul Duke em Medo e Delírio em Las Vegas (1998), o especialista em livros raros obcecado por um exemplar escrito pelo próprio demônio em O Último Portal (1999) e o astronauta possuído por uma força alienígena em Enigma do Espaço (1999).
Ainda em 1999, Depp retomou sua vitoriosa parceria com Tim Burton em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, onde, apesar de ter sido criticado por alguns por "insistir em adicionar elemenos cômicos ao papel", foi considerado o ator perfeito para o estilo de filme soturno de Burton. No Cavaleiro sem Cabeça, Depp contracenava com Christina Ricci, e com ela também seria seu filme seguinte, Por Que Choram os Homens, uma produção de época franco-americana lançada em 2000. Ainda em 2000 ele participaria de Chocolate, onde contracena com Juliette Binoche, e de Antes do Anoitecer, biografia do poeta homossexual cubano Reinaldo Arenas (interpretado por Javier Bardem), onde interpreta dois papéis, uma drag queen e um policial violento.
No ano seguinte, Depp estaria nas telas em Do Inferno, adaptação de uma história em quadrinhos de Alan Moore, onde ele interpreta um policial que investiga os crimes de Jack, o Estripador; e com Profissão de Risco, onde contracena com Penélope Cruz e interpreta um jovem de classe alta que se envolve com drogas e se torna traficante. Em 2001 ele também experimentou uma nova profissão ao dirigir alguns clipes de sua esposa. Depp passaria o ano de 2002 inteiro sumido, mas retornaria em 2003 com talvez seu maior sucesso, Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra. No papel do pirata Jack Sparrow, Depp rouba todas as cenas, foge de todos os clichês de pirata, e tem uma atuação tão magistral que várias falas foram incluídas de última hora para comentar os trejeitos do personagem, que deveria ser sério e atormentado, mas por uma opção de Depp acabou se tornando cômico. Baseado em um brinquedo da Disneylândia, Piratas do Caribe não prometia nada na época de seu lançamento, mas acabou rendendo mais de 300 milhões de dólares só nos Estados Unidos, e uma indicação ao Oscar de Melhor Ator para Johnny Depp, que infelizmente não ganhou.
A razão pela qual Depp ficou fora das telas em 2002 foi que dois filmes que deveriam ter sido lançados este ano acabaram adiados: Era uma Vez no México, de Robert Rodriguez, terceira parte da trilogia estrelada por Antonio Banderas no papel de um mariachi vingativo, lançado em 2003; e Em Busca da Terra do Nunca, que conta a vida do escritor escocês J. M. Barrie, que criou um dos livros infantis mais famosos do mundo, Peter Pan. No papel de Barrie, Depp mais uma vez tem uma interpretação magistral, que lhe rendeu uma nova indicação ao Oscar em 2004 - o filme ficou dois anos engavetado para não concorrer com a ótima versão para cinema dirigida por P. J. Hogan, que estreou em 2003. Ainda em 2004, Depp retornaria ao suspense com Janela Secreta, no qual interpreta um atormentado escritor acusado de plágio por um homem misterioso, e faria o papel título de O Libertino, que conta a vida do poeta inglês John Wilmot.
Em 2005 Depp atuaria em mais um filme de Tim Burton, desta vez a nova versão para o clássico A Fantástica Fábrica de Chocolate, onde faz uma interpretação única do dono da fábrica, Willy Wonka. No mesmo ano, Depp seria convidado para emprestar sua voz a um dos protagonistas do novo projeto de Burton, A Noiva Cadáver, filme de animação stop-motion baseado em uma lenda do folclore russo. 2006 e 2007 teriam novas aparições de Jack Sparrow em Piratas do Caribe: O Baú da Morte e Piratas do Caribe: No Fim do Mundo, filmados juntos mas lançados separados, e que, apesar das críticas à fraqueza dos roteiros e das acusações de terem sido feitos apenas para capitalizar sobre o sucesso do primeiro, trazem Depp mais uma vez inspirado. Finalmente, Depp voltaria a ser dirigido por Burton no musical Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, versão para o cinema de um grande sucesso da Broadway, onde mais uma vez interpreta o papel principal, e que lhe rendeu sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Novos filmes com Depp só deverão ser lançados em 2009: Public Enemies, de Michael Mann, onde interpreta um ladrão de bancos que põe a polícia norte-americana de sobressalto no início da década de 30; e The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gilliam, último filme de Heath Ledger, onde Depp, Jude Law e Colin Farrell interpretarão "versões alternativas" do personagem de Ledger, que morreu durante as filmagens. Depp também está reservado para duas produções baseadas em livros homônimos, Shantaram e The Rum Diary, ambos envolvidos em problemas com orçamento, produção e troca de diretores, e que ninguém sabe quando vão sair. Ele também foi convidado por Robert Rodriguez para atuar nas partes 2 e 3 de Sin City, e deve começar a filmar em breve.
Aparentemente, depois do casamento com Paradis, Depp tomou jeito, e sua vida pessoal parece não ser mais empecilho para a profissional. Sem dúvida alguma, ele já se tornou um dos maiores e mais versáteis atores de todos os tempos, ainda que escolha interpretar apenas personagens incomuns e deslocados - ou talvez exatamente por causa disso.
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Mas enfim, digressionei de novo, não era nada disso que eu ia falar. O que interessa é que, assim como todo mundo, eu também tenho meus atores preferidos, e hoje é dia de falar de um deles. Hoje é dia de falar de Johnny Depp.
John Christopher Depp II nasceu em Owensboro, Kentucky, Estados Unidos, no dia 9 de junho de 1963, filho da garçonete Betty Sue Wells e do engenheiro civil John Christopher Depp. Durante sua infância, sua família mudava muito de endereço devido a contratos firmados por seu pai, o que fez com que Johnny e seus três irmãos mais novos, Danny, Christie e Debbie, tivessem mais de vinte endereços diferentes até a família se instalar definitivamente na cidade de Miramar, Flórida, em 1970.A princípio, Johnny não pensava em ser ator, e sim músico, preferência esta alimentada pelo presente que ganhou de sua mãe em seu aniversário de 12 anos, uma guitarra. Precoce, no início de sua adolescência ele já tocava com várias bandas de garagem da região, e até tinha uma namorada, chamada Meredith, em homenagem à qual tentou criar uma banda com este nome. Ao contrário do que possa parecer, porém, Depp era um adolescente introvertido e inseguro, que começou a fumar e beber antes dos 13 anos, e sua vida mudou drasticamente quando, em 1978, seus pais decidiram se divorciar. Atormentado com as reviravoltas pelas quais sua vida passava, Depp se entregou à prática da autolesão, se cortando com uma gilete para que a dor física fizesse com que ele superasse a dor emocional. Ainda hoje, ele carrega oito cicatrizes desta época.
Um ano após o divórcio de seus pais, Depp largou a escola para se dedicar integralmente à sua banda de rock. Porém, sem conseguir tocar em nenhum lugar de respeito, e de certa forma chantageado pelos pais, que disseram que se ele era bom o suficiente para ficar sem ir à escola ele também seria bom o suficiente para se sustentar sem seu auxílio financeiro, ele voltou atrás e decidiu abandonar a banda e voltar para a escola apenas duas semanas depois. Mas o diretor, surpreendentemente, disse que ele deveria perseguir seu sonho e insistir em ser músico, e assim, pouco tempo depois, Depp conseguiu o cargo de guitarrista na banda The Kids, que alcançou um moderado sucesso na região de Miramar. Animados com a perspectiva de se tornarem astros do rock, em 1981 os Kids se mudaram para Los Angeles, mudaram de nome para Six Gun Method, e passaram a procurar uma gravadora que os aceitasse.
Quando finalmente eles estavam próximos do contrato, porém, Depp tomou uma decisão que acabou fazendo com que ele desse dois passos para trás: se casou. Na véspera de Natal de 1983, Depp, então com 20 anos, e a maquiadora Lori Anne Allison, cinco anos mais velha e irmã do vocalista da Six Gun Method, decidiram contrair matrimônio, algo que não foi bem aceito pelos demais membros da banda, que praticamente o expulsaram do grupo - que logo depois assinou contrato com uma pequena gravadora e lançou seu primeiro disco. Sem a banda, Depp passou a fazer vários bicos para não depender exclusivamente do salário de maquiadora da esposa para sobreviver, dentre os quais vender canetas por telemarketing. A vida de Johnny só começou a mudar quando sua esposa conheceu o ator Nicolas Cage durante uma sessão de maquiagem e o apresentou ao marido. Cage aconselhou Depp a desistir da música e tentar uma carreira de ator, e, como não custava nada mesmo, ele decidiu arriscar.
Cage apresentou Depp à sua agente, que conseguiu para ele um teste para o novo filme do diretor Wes Craven. Se saindo bem no tal teste, ele finalmente consguiu seu primeiro papel no cinema, no filme A Hora do Pesadelo, de 1984, onde interpretou o personagem Glen Lantz, namorado da protagonista, e que é engolido por uma cama assassina em uma das cenas mais famosas do filme.
Em 1985, Johnny conseguiu um novo papel, na comédia adolescente Férias do Barulho, e no ano seguinte ele interpretaria o soldado Gator Lerner no aclamadíssimo Platoon. Aparentemente, sua carreira iria deslanchar, mas sua vida pessoal parecia andar na contramão de seus projetos: ainda em 1985, Johnny e Allison se separaram, e durante um bom tempo ele tentou retomar sua carreira de músico, colaborando com a banda Rock City Angels, também originária do sul da Flórida, e até chegando a co-escrever a música Mary, que entrou para seu primeiro álbum. Por insistir em se dedicar à música, porém, Depp não conseguia bons papéis, e depois de Platoon só fez duas pequenas participações especiais em seriados de TV inexpressivos.
Mas, de certa forma ironicamente, seria a TV que iria salvar sua vida: No final de 1986, Depp foi procurado por executivos da Fox, que estavam criando uma nova série de TV voltada ao público adolescente, na qual jovens policiais se infiltrariam em escolas disfarçados de alunos para combater a delinqüência juvenil. Depp achou a idéia horrível e recusou, mas, voltando a ser procurado, optou por aceitar, já que precisava do dinheiro. Assim, em 1987, ele estrou em Anjos da Lei no papel do policial Tom Hanson, ao qual costuma ser associado por muitos até hoje.
Ao assinar o contrato, Depp não levava muita fé na série, e imaginava que logo ela seria cancelada. Para seu horror, porém, não somente a série se tornou extremamente popular e durou quatro temporadas, como também Hanson se tornou seu personagem mais famoso, o que alçou Johnny ao posto de ídolo adolescente, namoradinho da América, alvo de centenas de fãs-clubes e de dez mil cartas de adolescentes apaixonadas por mês. Depp abominava isso tudo, rejeitava todos os títulos, e só permaneceu na série por causa do salário de 45 mil dólares por episódio, prometendo a si mesmo que, quando seu contrato expirasse, jamais faria um papel que o colocasse em posição semelhante novamente.
Sem saber o que se passava na cabeça de seu ídolo, milhares de fãs se chocaram quando ele aceitou protagonizar o estranhíssimo filme Cry-Baby, um musical de 1990, paródia de filmes como Grease, e dirigido pelo excêntrico John Waters, que tinha no elenco o astro do rock Iggy Pop e a ex-atriz pornô Traci Lords. Embora hoje em dia tenha se tornado de certa forma um cult, Cry-Baby não fez muito sucesso, mas pelo menos serviu para que Depp chamasse a atenção de um diretor que mais tarde se tornaria seu grande amigo, Tim Burton.
Notando o talento de Depp, Burton decidiu convidá-lo para o complexíssimo papel-título de Edward Mãos-de-Tesoura, também de 1990, onde o ex-símbolo sexual adolescente interpretaria um ser artificial, de cabelos desgrenhados, face marcada por cicatrizes, enormes tesouras no lugar das mãos, e sérios problemas de relacionamento social. Edward não somente ajudou Depp a soterrar Hanson de vez, como também provou que ele era um dos mais talentosos atores de sua geração, e lhe rendeu um romance com sua companheira de elenco Winona Ryder.
Ryder não foi a primeira atriz com quem Depp se relacionou - antes ele já tinha namorado Sherilyn Fenn, de Twin Peaks, e tido um caso com Jennifer Grey, de Dirty Dancing, mas o romance dos dois foi bombástico: durante três anos, todos os holofotes das revistas de fofocas se viraram para o casal, principalmente depois que ele decidiu tatuar "Winona Forever" em seu braço direito. De tão bombástico, o relacionamento durou apenas até 1993, e, curiosamente, embora durante o tempo em que namorava Winona Depp não tenha sido convidado para nenhum filme, após o fim do romance sua carreira deslanchou de vez.
Apenas em 1993, Depp conseguiu papéis de destaque e aclamados em três filmes, Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador, Benny & Joon: Corações em Conflito e Arizona Dream: Um Sonho Americano. Sempre interessado em música, durante a década de 90 Depp fez participações em clipes de bandas como Lemonheads e Concrete Blonde, e chegou a montar uma banda chamada P, que lançou um disco em 1995. Mais uma vez, porém, sua vida pessoal parecia ir na contramão da profissional, e rumores de que Johnny havia se entregado ao vício do álcool e das drogas começaram a surgir em todo lugar. Como se isso já não bastasse, River Phoenix, um dos atores mais famosos da época, morreu de overdose no The Viper Rooms, um clube de Los Angeles de propriedade de Depp. Em 1994, Depp começou um turbulento romance com a modelo Kate Moss, e foi preso por praticamente destruir o quarto do hotel onde se hospedara em Nova Iorque. Poucos apostavam que ele construiria uma carreira de sucesso, e muitos até apostavam que ele nem viveria para gastar o dinheiro que havia ganho até então.
Tim Burton, porém, não fazia parte deste time, e decidiu convidar Johnny para protagonizar seu filme sobre a vida do incompreendido cineasta Ed Wood. Sua brilhante interpretação fez com que os produtores ignorassem seus problemas pessoais e o convidassem para mais três filmes de sucesso que seriam lançados em 1995, Don Juan de Marco, o faroeste Dead Man, e o suspense em tempo real Tempo Esgotado. Aos poucos, a cabeça de Depp parecia voltar ao lugar, e em 1997 ele não somente conseguiria mais um papel aclamado em Donnie Brasco como também dirigiria seu primeiro filme, O Bravo, no qual também atua.
Em 1998, os rumores sobre a decadência de Depp começaram a cessar, e ele terminou seu relacionamento com Moss para se unir à cantora francesa Vanessa Paradis, a quem conheceu durante as filmagens de O Último Portal, e com quem teve dois filhos, Lily-Rose Melody e Jack (cujo nome verdadeiro é John Christopher Depp III). O casal se mudou para a França, onde residem até hoje, e, desde o casamento, Johnny se deu o direito de escolher muito bem os papéis que iria interpretar, o que o levou a recusar o papel principal de dois grandes sucessos, Velocidade Máxima e Lendas da Paixão, e até mesmo o do vampiro Lestat em Entrevista com o Vampiro, o que lhe rendeu uma fama de quem só interpreta personagens exóticos, como o jornalista Raoul Duke em Medo e Delírio em Las Vegas (1998), o especialista em livros raros obcecado por um exemplar escrito pelo próprio demônio em O Último Portal (1999) e o astronauta possuído por uma força alienígena em Enigma do Espaço (1999).
Ainda em 1999, Depp retomou sua vitoriosa parceria com Tim Burton em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, onde, apesar de ter sido criticado por alguns por "insistir em adicionar elemenos cômicos ao papel", foi considerado o ator perfeito para o estilo de filme soturno de Burton. No Cavaleiro sem Cabeça, Depp contracenava com Christina Ricci, e com ela também seria seu filme seguinte, Por Que Choram os Homens, uma produção de época franco-americana lançada em 2000. Ainda em 2000 ele participaria de Chocolate, onde contracena com Juliette Binoche, e de Antes do Anoitecer, biografia do poeta homossexual cubano Reinaldo Arenas (interpretado por Javier Bardem), onde interpreta dois papéis, uma drag queen e um policial violento.
No ano seguinte, Depp estaria nas telas em Do Inferno, adaptação de uma história em quadrinhos de Alan Moore, onde ele interpreta um policial que investiga os crimes de Jack, o Estripador; e com Profissão de Risco, onde contracena com Penélope Cruz e interpreta um jovem de classe alta que se envolve com drogas e se torna traficante. Em 2001 ele também experimentou uma nova profissão ao dirigir alguns clipes de sua esposa. Depp passaria o ano de 2002 inteiro sumido, mas retornaria em 2003 com talvez seu maior sucesso, Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra. No papel do pirata Jack Sparrow, Depp rouba todas as cenas, foge de todos os clichês de pirata, e tem uma atuação tão magistral que várias falas foram incluídas de última hora para comentar os trejeitos do personagem, que deveria ser sério e atormentado, mas por uma opção de Depp acabou se tornando cômico. Baseado em um brinquedo da Disneylândia, Piratas do Caribe não prometia nada na época de seu lançamento, mas acabou rendendo mais de 300 milhões de dólares só nos Estados Unidos, e uma indicação ao Oscar de Melhor Ator para Johnny Depp, que infelizmente não ganhou.
A razão pela qual Depp ficou fora das telas em 2002 foi que dois filmes que deveriam ter sido lançados este ano acabaram adiados: Era uma Vez no México, de Robert Rodriguez, terceira parte da trilogia estrelada por Antonio Banderas no papel de um mariachi vingativo, lançado em 2003; e Em Busca da Terra do Nunca, que conta a vida do escritor escocês J. M. Barrie, que criou um dos livros infantis mais famosos do mundo, Peter Pan. No papel de Barrie, Depp mais uma vez tem uma interpretação magistral, que lhe rendeu uma nova indicação ao Oscar em 2004 - o filme ficou dois anos engavetado para não concorrer com a ótima versão para cinema dirigida por P. J. Hogan, que estreou em 2003. Ainda em 2004, Depp retornaria ao suspense com Janela Secreta, no qual interpreta um atormentado escritor acusado de plágio por um homem misterioso, e faria o papel título de O Libertino, que conta a vida do poeta inglês John Wilmot.
Em 2005 Depp atuaria em mais um filme de Tim Burton, desta vez a nova versão para o clássico A Fantástica Fábrica de Chocolate, onde faz uma interpretação única do dono da fábrica, Willy Wonka. No mesmo ano, Depp seria convidado para emprestar sua voz a um dos protagonistas do novo projeto de Burton, A Noiva Cadáver, filme de animação stop-motion baseado em uma lenda do folclore russo. 2006 e 2007 teriam novas aparições de Jack Sparrow em Piratas do Caribe: O Baú da Morte e Piratas do Caribe: No Fim do Mundo, filmados juntos mas lançados separados, e que, apesar das críticas à fraqueza dos roteiros e das acusações de terem sido feitos apenas para capitalizar sobre o sucesso do primeiro, trazem Depp mais uma vez inspirado. Finalmente, Depp voltaria a ser dirigido por Burton no musical Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, versão para o cinema de um grande sucesso da Broadway, onde mais uma vez interpreta o papel principal, e que lhe rendeu sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Novos filmes com Depp só deverão ser lançados em 2009: Public Enemies, de Michael Mann, onde interpreta um ladrão de bancos que põe a polícia norte-americana de sobressalto no início da década de 30; e The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gilliam, último filme de Heath Ledger, onde Depp, Jude Law e Colin Farrell interpretarão "versões alternativas" do personagem de Ledger, que morreu durante as filmagens. Depp também está reservado para duas produções baseadas em livros homônimos, Shantaram e The Rum Diary, ambos envolvidos em problemas com orçamento, produção e troca de diretores, e que ninguém sabe quando vão sair. Ele também foi convidado por Robert Rodriguez para atuar nas partes 2 e 3 de Sin City, e deve começar a filmar em breve.
Aparentemente, depois do casamento com Paradis, Depp tomou jeito, e sua vida pessoal parece não ser mais empecilho para a profissional. Sem dúvida alguma, ele já se tornou um dos maiores e mais versáteis atores de todos os tempos, ainda que escolha interpretar apenas personagens incomuns e deslocados - ou talvez exatamente por causa disso.
Danica Sue Patrick nasceu em 25 de março de 1982, na cidade de Beloit, Wisconsin, Estados Unidos, filha do ex-piloto de motocross T.J. Patrick, que conheceu sua mãe, Bev, durante uma corrida de snowmobiles, aquelas motos próprias para andar na neve, onde T.J. iria correr e Bev seria a mecânica da moto de um amigo. Acostumada às corridas desde pequena, Danica começou a correr em karts aos dez anos de idade, ganhando sete títulos regionais e quatro nacionais entre 1994 e 1997, e estabelecendo um recorde de 39 corridas vencidas em 49 possíveis em 1996. Aos 16 anos, buscando aprimorar suas habilidades como piloto, Danica se mudou para a Inglaterra, onde estreou na Fórmula Vauxhall em 1998. Sempre que possível, ela voltava aos Estados Unidos para competir no kart, e se matriculou em uma escola própria para pilotos da Fórmula Ford no Canadá. Tantas atividades simultâneas fizeram com que ela não se destacesse em nenhuma delas, mas em 1999, em sua primeira temporada completa na Vauxhall, terminou em nono lugar no campeonato. No ano seguinte, ela se transferiu para a Fórmula Zetek, e correu algumas corridas pela Fórmula Ford inglesa, inclusive a Brands Hatch Festival, onde terminou em segundo, melhor colocação de um piloto norte-americano na história do evento.
Lançada em quatro edições mensais entre janeiro e abril de 1994 (1995 no Brasil), Marvels foi uma publicação da Marvel Comics que tinha o intuito de retratar acontecimentos-chave do Universo Marvel sob a ótica de pessoas comuns, ao invés de pelos olhos dos super-heróis que os estavam vivendo. Em outras palavras, embora muitas vezes nos esqueçamos disto enquanto estamos lendo, o Universo Marvel é povoado de gente como eu e você, sem qualquer espécie de superpoder, que apenas vive sua vida normal e rotineira de todos os dias, enquanto seres superpoderosos combatem uns aos outros ou impedem ameaças intergaláticas de destruir nosso planeta. Escrita por Kurt Busiek, Marvels ainda tinha um diferencial em relação a qualquer revista em quadrinhos que tivesse sido lançada antes: suas páginas não eram desenhadas, mas ricamente pintadas pelo artista Alex Ross. Junte-se a isso um acabamento de luxo, que conta até com uma "capa falsa" de acetato, e Marvels fica com muito mais cara de livro do que de história em quadrinhos.
Marvels abrange aproximadamente 30 anos do Universo Marvel; sua primeira edição, Uma Época de Maravilhas (A Time of Marvels), é ambientada no início da década de 1940, quando a editora ainda nem sequer se chamava Marvel. Sheldon ainda é um repórter em início de carreira, e os principais heróis retratados são o Tocha Humana original, o Príncipe Submarino e o Capitão América. O primeiro contato de Sheldon com as por ele chamadas Maravilhas se dá quando ele é escalado para cobrir um evento no qual o Dr. Phineas Thomas Horton, criador do Tocha Humana original - que, para quem não sabe, é um andróide - apresentará sua criação ao mundo. O fato de existir um ser humano artificial capaz de gerar fogo espontaneamente evidentemente causa pânico e temor na população, e o fato de um habitante de um reino submarino decidir atacar Nova Iorque alguns dias depois também não contribui muito para acalmar o povo. O próprio Sheldon chega a romper seu noivado por não conseguir imaginar como seria criar uma família em um mundo onde seres superpoderosos se degladiam, mas as ações do Capitão América e de seus aliados na Segunda Guerra Mundial fazem com que ele veja o quão realmente maravilhosas as Maravilhas podem ser, e reconsidere sua decisão. Segundo Busiek, o tema desta edição é o progresso científico, embora eu ache que o medo do desconhecido também interprete um importante papel.
A edição mais impressionante do ponto de vista de uma pessoa comum, porém, é a terceira, Juízo Final (Judgement Day), que mostra a chegada de Galactus, e, segundo Busiek, tem como tema a impotência. A história é ambientada no final da década de 1960, um momento especialmente delicado, onde a população em geral se vê desconfiada do verdadeiro lugar das Maravilhas na sociedade, enquanto Sheldon sente que está dedicando tempo demais a seu trabalho e de menos a sua família. Quando uma chuva de fogo e pedras revela o Surfista Prateado, que se anuncia como arauto de um ser alienígena que está vindo devorar nosso planeta, evidentemente a população entra em pânico. Nem mesmo Sheldon acredita que verá o dia de amanhã, então ele decide não cobrir a história, mas ir para casa passar seus últimos momentos com sua família. Felizmente, como todos sabemos, o Quarteto Fantástico derrota Galactus, mas nem assim a população passa a dar às Maravilhas o tratamento que Sheldon imagina que elas mereçam.
Marvels foi um imenso sucesso, ganhou vários dos principais prêmios destinados a histórias em quadrinhos, e alavancou as carreiras de Busiek e Ross, este último sendo permanentemente associado a trabalhos de qualidade. Devido a seu sucesso, a Marvel passaria a lançar regularmente outras minisséries pintadas ao invés de desenhadas, como Código de Honra, escrita por Chuck Dixon e ilustrada por Brad Parker e Tristan Shane, que mostrava o dia a dia de um policial comum no Universo Marvel; e Ruínas, escrita por Warren Ellis e ilustrada por Cliff e Terese Nielsen, e que mostrava Phil Sheldon como repórter em um universo paralelo onde os poderes das Maravilhas traziam-lhes enormes problemas ao invés de enormes vantagens. Nenhuma delas, porém, chegou nem perto do sucesso alcançado pela Marvels original; a que chegou mais perto foi um lançamento da DC, Kingdom Come (O Reino do Amanhã em português), uma visão futurista e sombria dos heróis DC, escrita por Mark Waid e também ilustrada por Alex Ross - curiosamente, Sheldon faz uma "participação especial", na cena da conferência de imprensa no prédio da ONU.
Se tiver alguém por aí que não sabe, Jornada nas Estrelas estreou originalmente como uma série de TV, no final dos anos 60, na emissora norte-americana NBC. Diferentemente do que eu já vi gente por aí falando, não foi a primeira série de TV de ficção científica nem sobre viagens espaciais, mas com certeza acabou se tornando a mais famosa. "Acabou" porque, assim como muitas outras produções do gênero, não foi um sucesso imediato.
Jornada nas Estrelas foi considerada uma produção revolucionária para a época: para começar, seu elenco era multirracial, contando a tripulação da Enterprise com um oriental (Sulu) e uma negra (Uhura - o fato de que nenhum dos dois personagens tinha um primeiro nome é curioso, mas pode ser relevado), além de um "alienígena" (Spock, que é filho de mãe terráquea com pai vulcano), todos inteligentes, bem articulados e ocupando posições-chave dentre a tripulação da nave. Em uma década tão marcada pela intolerância racial, Roddenberry se mostrou um visionário até por seu argumento, de que no século 23, quando a série é ambientada, não existiriam conceitos como racismo ou sexismo. De fato, o próprio conceito de nação parece ter sido abolido neste futuro, onde a Federação dos Planetas Unidos faz o papel de um grande "Estado interestelar".
Mesmo com todos estes pontos fortes, Jornada nas Estrelas correu o risco de ser cancelada ainda durante sua primeira temporada, pois a audiência era baixa e a maioria das críticas eram negativas. Ainda assim, a NBC decidiu apostar em uma segunda temporada de mais 26 episódios, que foi ao ar entre 15 de setembro de 1967 e 29 de março de 1968. Esta segunda temporada introduziu mais um personagem principal, o navegador russo Pavel Chekov, interpretado por Walter Koenig. Diz a lenda que o personagem foi incluído depois que o jornal soviético Pravda fez uma matéria reclamando que não havia nenhum russo de destaque dentre a tripulação da Enterprise, mas é mais provável que a versão oficial, de que os produtores queriam um personagem com apelo junto ao público jovem, seja verdadeira, já que é pouco provável que Jornada nas Estrelas fosse televisionada na década de 60 na União Soviética.
O sucesso do desenho animado e das reprises da série original motivou a Paramount a produzir uma continuação da série para a TV, que estrearia em 1978 com 12 episódios de 50 minutos cada, com o nome de Star Trek: Phase II. Este projeto acabou não indo para a frente, mas pelo menos serviu a um propósito maior: um de seus episódios acabaria se transformando no que seria o primeiro filme de Jornada nas Estrelas para o cinema.
A partir de 2006, a CBS começou a televisionar novamente os 79 episódios originais, mas em Alta Definição e com efeitos especiais atualizados (mais ou menos como o que George Lucas fez com Star Wars). O mais recente projeto da série é mais um filme para o cinema, batizado simplesmente de Star Trek, e que, ambiciosamente, usará os mesmos personagens da Série Clássica, mas um novo elenco; dirigido por J.J. Abrahams, o filme contará aventuras vividas por Kirk e Spock antes do início da Série Clássica. A data de lançamento prevista nos Estados Unidos é 8 de maio de 2009, e ninguém sabe como será a aceitação por parte dos fãs - que, até agora, pelo menos, parecem bastante animados - principalmente porque o próprio Roddenberry era contra uma "preqüência".