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sábado, 23 de maio de 2026

Escrito por em 23.5.26 com 0 comentários

Sweet Lullaby

Hoje eu vou fazer um post diferente. É um post sobre música, mas não sobre um cantor, cantora ou banda, e sim sobre uma música específica. O motivo é que eu escrevo meus posts principalmente para descobrir e divulgar boas histórias, e essa tem uma história interessantíssima. Durante muito tempo tive vontade de escrever sobre ela, mas não queria usar meu expediente usual, que seria falar sobre o grupo que a lançou e colocar sua história no meio, porque eu não sou fã nem do grupo, nem da música, nem do que fizeram para gravá-la, só queria mesmo contar a história. Hoje, como eu costumo dizer, a vontade venceu, e eu vou escrever só sobre essa música, para que essa história seja divulgada e mais gente a fique conhecendo. Espero que vocês gostem.

Segundo informações colhidas enquanto eu escrevia esse post, essa música foi lançada em 1992 - quando eu estava na oitava série, e meus artistas preferidos eram INXS e Mariah Carey - e se tornou um sucesso mundial em 1994 - quando eu tinha 16 anos e já preferia Tori Amos e The Smiths. Pelo que eu me lembre, entretanto, eu não a conheci nessa época, e sim bem depois, já no início dos anos 2000, quando começaram a se popularizar programas para download de música, tipo o Napster e o Audio Galaxy. Na época, eu usava o Audio Galaxy para baixar todas as músicas que eu gostava e não tinha em nenhum CD que eu havia comprado, principalmente músicas internacionais dos anos 1980; além disso, acredito que, assim como muita gente da época, quando eu ouvia no rádio ou na MTV uma música de um artista que eu não conhecia e da qual eu gostasse, ao invés de comprar o CD desse artista, baixava somente aquela música, às vezes mais algumas dele, e muitas vezes acabava comprando de fato o CD.

Antes que eu digressione demais, foi nessa época que eu comecei a ouvir essa música e a prestar atenção nela - não me lembro de que forma, se pelo rádio, pela MTV, ou porque ela estava na trilha sonora de algum programa que eu assistia, mas me lembro que a primeira coisa que me chamou a atenção foi que ela não era cantada em inglês. Nem em nenhuma outra língua que eu conhecesse. Como é uma música bonitinha, e desde essa época eu já tinha uma tendência em gostar do que é exótico - foi também nessa época que eu descobri a existência e comecei a baixar as músicas da Jolin Tsai - decidi tentar descobrir qual era o nome dessa música e quem a cantava, para baixá-la também. Não me perguntem como, porque eu não me lembro, mas descobri que a música se chama Sweet Lullaby ("doce canção de ninar", em inglês), e quem a "cantava" era o Deep Forest. Baixei a música, ouvi algumas vezes, e praticamente me esqueci dela - de vez em quando ela tocava quando eu colocava meu MP3 Player no aleatório, mas, como eu disse, não tinha nenhum carinho especial nem por ela, nem pelo Deep Forest, do qual eu acho que não conheço nenhuma outra música.

Na minha ignorância de 20 e poucos anos, aliás, eu achava que o Deep Forest era um grupo de música eletrônica tipo, sei lá, os Sneaker Pimps, composto por uns dois caras que tocassem instrumentos variados e uma mulher que cantasse, escolhendo, por qualquer motivo, cantar essa música nessa língua desconhecida. A verdade, entretanto, eu só descobriria recentemente: no final de 2024, eu entrei numa brincadeira "1 like = 1 música", mas, ao invés de simplesmente postar músicas das quais eu gostasse, decidi que, para cada like, eu postaria uma música que eu conheço que não fosse cantada nem em português, nem em inglês. Ao fazer uma lista mental de todas as músicas que eu conhecia que preenchessem esses requisitos, me lembrei de Sweet Lullaby. E aí, num momento sem mais o que fazer, decidi pesquisar que língua seria aquela, e por que a música é cantada nela. E acabei descobrindo a história bizarra que vou compartilhar com vocês agora.

Pra começar, eu estava parcialmente certo: o Deep Forest é um grupo - ou melhor, um "projeto" - de música eletrônica, de origem francesa. Só que, no início, eles eram uma dupla, formada por Michel Sanchez e Éric Mouquet; Sanchez sairia em 2005 e começaria carreira solo, com Mouquet se apresentando até hoje usando o nome Deep Forest. A ideia do projeto seria de Sanchez, que, em 1992, ouviria uma gravação de pessoas da tribo Baka, composta por pigmeus que vivem no que hoje corresponde a Camarões e Gabão, conversando, e decidiria unir suas palavras a uma música eletrônica do estilo conhecido como World Music. Ele chamaria Mouquet para ajudá-lo, e os dois escolheriam o nome Deep Forest, que, segundo Mouquet, era a junção do nome da banda Deep Purple com rainforest, "floresta tropical" em inglês. Segundo Sanchez, o objetivo da dupla era criar músicas no estilo que, desde a década de 1980, vinha sendo chamado de ethinc electronica, por combinar melodias modernas a letras e estilos tradicionais de fora do mainstream, como o kuduro de Angola, a cumbia mexicana e a chalga da Bulgária, mas com batidas mais calmas e introspectivas, ao invés das batidas dançantes comuns a esse estilo.

O primeiro álbum do Deep Forest, também chamado Deep Forest, seria lançado na Europa, pela gravadora 550 Records, em 1992, e logo faria um enorme sucesso, vendendo 3,5 milhões de cópias no mundo inteiro, entrando para o Top 20 dos mais vendidos no Reino Unido, chegando à posição 59 da parada da Billboard e sendo indicado ao Grammy de Melhor Álbum de Música Global - que perdeu para A Meeting by the River, do norte-americano Ry Cooder com o indiano Vishwa Mohan Bhatt. Sweet Lullaby seria sua segunda música de trabalho, se tornando um sucesso nas rádios do mundo inteiro, elogiada por quase a totalidade da crítica. Seu clipe, dirigido por Tarsem Singh, mostrava uma menina viajando o mundo de triciclo, e receberia quatro indicações ao MTV Video Music Awards.

Durante muito tempo, foi noticiado erroneamente que as palavras que a mulher cantava em Sweet Lullaby eram de alguma língua dos pigmeus africanos; essa confusão veio do fato de que, conforme o álbum fazia mais e mais sucesso, Sanchez e Mouquet eram convidados para mais e mais entrevistas, e, em uma delas, Mouquet falou que um de seus principais objetivos ao lançar o álbum era chamar atenção para o que vinha ocorrendo com a tribo Efé, da República Democrática do Congo. Vivendo no interior das florestas do país - o que, inclusive, deu origem a uma teoria de que esse seria o motivo pelo qual a banda se chama Deep Forest - e com mínimo contato com a civilização, os Efé vêm diminuindo em número ano após ano, e sua cultura corre o risco de desaparecer completamente. Segundo Mouquet, ele tinha esperanças de que o álbum pudesse ajudar a reverter essa situação, já que "não é todo dia que você escuta um pigmeu cantando no rádio". A partir dessa declaração, se espalhou uma notícia incorreta de que todas as músicas do álbum eram cantadas por pigmeus, o que, por sua vez, fez com que alguns críticos e jornalistas começassem a questionar como exatamente as vendas do álbum ajudariam os Efé, já que nenhum Efé - nem nenhum pigmeu - havia participado diretamente da produção do álbum, seja como compositor ou cantor.

Os trechos usados por Sanchez e Mouquet, na verdade, não eram todos de pigmeus, tendo sido conseguidos através de gravações feitas pela UNESCO nas décadas de 1960 e 1970 nas regiões africanas do Sahel e do Tibesti, na República Democrática do Congo, no Burundi e nas Ilhas Salomão, único desses locais que não fica na África, mas na Oceania. E é aqui que a história começa a ficar interessante.

Em 1969 e 1970, o antropólogo suíço Dr. Hugo Zemp, do Departamento de Etnomusicologia do Centro Nacional de Pesquisa Científica do Museu do Homem de Paris, viajou para as Ilhas Salomão e gravou músicas tradicionais de várias tribos locais. Essas músicas, parte do acervo do Museu do Homem, seriam selecionadas pela UNESCO e lançadas em 1973 em um LP chamado Solomon Islands: Fateleka and Baegu Music from Malaita, parte de uma série com canções típicas de vários povos indígenas. Em 1990, parte dessa série seria relançada pela gravadora Auvidis em CD, com o nome de Musics and Musicians of the World, com parte da renda da venda revertida para a UNESCO. Tanto o LP quanto o CD se tornaram bem conhecidos entre antropólogos e etnomusicólogos, mas tiveram distribuição limitada, exposição quase nenhuma em rádio e televisão, e suas vendas foram quase insignificantes.

Uma das faixas tanto do LP quanto do CD, que recebeu o nome de Rorgwela, era, segundo o encarte, uma canção de ninar da tribo Baegu, da região norte de Malaita, a principal das Ilhas Salomão, onde hoje vive um terço de toda a população do país, cantada por uma mulher que Zemp identificou apenas como Afunakwa. E seria justamente essa faixa que o Deep Forest usaria para criar Sweet Lullaby.

Não se sabe exatamente como Sanchez e Mouquet descobririam a existência do CD da UNESCO, mas o fato é que eles pegariam a voz de Afunakwa cantando e a colocariam sobre uma batida dance que usava uma bateria eletrônica e um sintetizador; bizarramente, eles também adicionariam instrumentos e ritmos tradicionais, bem como vocalizações ao estiilo yodel, da África Central, sem nada a ver com as Ilhas Salomão. Como a gravação de Afunakwa é curta, com menos de um minuto, eles a repetiriam três vezes; a primeira seria "pura", idêntica à gravação feita por Zemp, mas, na segunda, eles usariam um efeito de multiplicação digital e um coral gravado em estúdio, para parecer que Afunakwa estava cantando acompanhada, e, na terceira, apenas o coral canta - segundo eles, para passar a impressão de que o mundo de Afunakwa começa pequeno, mas vai sendo compartilhado e aumentado até que pertença a todos nós.

É preciso dizer que, em suas mentes, o Deep Forest não estava fazendo nada de errado, muito pelo contrário. Na descrição da dupla em seu site oficial, Sanchez e Mouquet se identificavam como "repórteres do som, um duo musical sem voz, que pega emprestadas vozes de todos os cantos do mundo"; ainda segundo a descrição, "sob sua tutela, falas infinitamente distantes se tornam familiares, hinos de alegria e gritos de raiva, orações e rezas, canções de esperança e desespero, todas foram trazidas para abalar nossas certezas, tomar de assalto nossos sentidos e bagunçar nossas emoções", concluindo com "da África à Europa Oriental, dos pigmeus aos nômades, as visões da humanidade trazidas pelo Deep Forest ajudaram enormemente a estreitar o abismo musical entre os hemisférios". Ou seja, puro altruísmo para que o mundo conhecesse a canção de ninar dos Baegu, dentre outras obras.

No encarte de seu segundo álbum, eles também diriam que possuem o apoio da UNESCO e de "dois musicólogos" cujos nomes eles escreveam errado, o "Dr. Hugo Zempe" e o "Dr. Shima Aron". Simha Arom era um etnomusicólogo britânico que gravou trechos de falas e canções de tribos de pigmeus da África Central, também usadas nas canções de Deep Forest; todo o álbum, aliás, era temático sobre a floresta tropical e os pigmeus, com a introdução da primeira faixa dizendo, em inglês, "em algum lugar nas profundezas da floresta vivem pequenos homens e mulheres; eles são seu passado, e talvez sejam seu futuro". Não se sabe por que em Sweet Lullaby eles decidiriam usar uma gravação das Ilhas Salomão, mas o mais provável é que tenha sido puramente por fins comerciais, já que imaginaram que a música tinha potencial para se tornar um grande sucesso, como de fato se tornou.

Ao contrário do que Sanchez e Mouquet divulgavam, porém, os antropólogos e etnomusicólogos não gostavam de seu trabalho, considerando-o "uma mistura de reverência respeitosa com caricatura primitivista". O público, que desconhecia esse trabalho e, no geral, ainda tinha uma visão estereotipada dos povos "representados" nas canções do Deep Forest, acharia sensacional podermos ouvir as canções dos povos primitivos, ou algo do gênero, e logo faria da dupla um sucesso de vendas, e as grandes marcas, querendo lucrar com isso, também não se importariam se os povos indígenas estavam sendo ou não respeitados, e logo tacariam as músicas do Deep Forest em suas propagandas - Sweet Lullaby, por exemplo, apareceria em comerciais da Neutrogena, Coca-Cola, Sony, The Body Shop, e até mesmo da Porsche.

Em 1996, o Dr. Zemp escreveria um artigo para o Anuário de Música Tradicional, mais importante publicação voltada aos etnomusicólogos, no qual não somente desmentia seu apoio ao Deep Forest como também questionava a legalidade e a moralidade do direito de uso de suas gravações pela UNESCO. Segundo Zemp, em 1992, o chefe da divisão responsável pelo lançamento dos CDs, Noriko Aikawa, entrou em contato com ele dizendo ter sido procurado pela Celine Music, representante do Deep Forest, para obter sua permissão para que a dupla usasse gravações que Zemp havia feito na África, em um projeto ligado ao Dia da Terra. Segundo Aikawa, a UNESCO estaria disposta a ceder as gravações, desde que quem as gravou autorizasse e fosse creditado. Zemp ouviu algumas músicas que o Deep Forest havia enviado como sendo as que combinaria com os trechos, e não somente decidiu negar sua permissão como recomendar que Arikawa procurasse um projeto que beneficiasse diretamente povos indígenas e músicos de origem indígena.

Algum tempo depois, entretanto, Francis Bebey, um conhecido músico e compositor camaronês, autor de um livro sobre música indígena africana, telefonaria para Zemp e o convenceria a autorizar o projeto, alegando que a renda seria destinada à preservação e proteção das florestas tropicais. Zemp autorizaria, e não ouviria mais falar do Deep Forest até o lançamento do álbum, quando a gravadora Le Chant du Monde, responsável pelo acervo de gravações do Museu do Homem, entraria em contato com ele dizendo que Sanchez e Mouquet haviam usado gravações de Zemp sem autorização, mas que ela havia entrado na justiça e conseguido uma reparação financeira através de um acordo extra-judicial. Pouco após esse telefonema, Zemp receberia duas cartas de dois colegas etnomusicólogos de outros países, questionando se ele havia recebido algum dinheiro pelo uso de suas gravações no álbum do Deep Forest. Zemp, curioso, começaria a procurar notícias sobre o desempenho em vendas do álbum, descobrindo que ele era um gigantesco sucesso, e entraria em contato com a 550 Records, convencendo-a a presenteá-lo com uma cópia.

Qual não foi sua surpresa, então, ao ver que nenhuma de suas gravações feitas na África havia sido usada pela dupla, mas que Rorogwela estava lá, completa, sem nenhum crédito a ele ou a Afunakwa, já que ele jamais havia sido perguntado sobre dar sua autorização para o uso de suas gravações das Ilhas Salomão. Após ouvir Sweet Lullaby como música de fundo em um comercial de xampu na televisão francesa, e entender que a música era um fenômeno no mundo inteiro, irado, ele pediria uma reunião com Bebey e Aikawa. Bebey diria ter sido enganado pela Celine Music, que havia lhe dito que seria usado apenas um trecho de 40 segundos gravado por Zemp na África, em um lançamento não-comercial relacionado às comemorações do Dia da Terra. Já Aikawa diria que, após Zemp negar autorização, jamais entraria em contato com a Celine Music novamente, e que o Deep Forest havia agido somente com base em uma carta que Bebey enviou à Celine Music dizendo que Zemp havia mudado de ideia e decidido autorizar, como se essa carta fosse um documento legal autorizando a dupla a usar livremente suas gravações.

Zemp, então, enviaria uma carta ao Deep Forest, exigindo que houvesse uma compensação financeira à tribo Baegu pelo uso de Rorogwela; Sanchez e Mouquet responderiam dois meses depois, alegando que o projeto teve autorização da Auvidis. Enquanto esperava a resposta, porém, Zemp conseguiu uma declaração oficial do diretor da Auvidis, dizendo que realmente recebeu um pedido de autorização por parte da Celine Music, mas que havia informado que Zemp não havia autorizado o uso de suas gravações. Zemp terminaria seu artigo no Anuário dizendo que alguém (ou o Deep Forest, ou a Auvidis) estava mentindo, mas essa parte não seria publicada, sendo cortada pelo editor em uma de suas revisões; esse editor, inclusive, pediria descuplas a Zemp em uma carta, na qual dizia ter cortado a frase por temer ser processado caso a publicasse. Zemp passaria três anos após a publicação do Anuário pedindo esclarecimentos ao Deep Forest e à Auvidis, mas jamais receberia respostas; para piorar a situação, alguns críticos de música chegariam a acusá-lo de querer enriquecer às custas do sucesso do Deep Forest, colocando-os como as vítimas da história e pintando-os como defensores da preservação da música indígena.

Apesar da bizarrice da situação, o Deep Forest jamais foi punido por ter feito sucesso mundial usando a gravação de Zemp ou voz de Afunakwa sem autorização; o máximo que aconteceu foi que a 550 Records ficou com medo de lançar novas tiragens do álbum Deep Forest enquanto as questões de direitos autorais não fossem resolvidas, com o álbum estando fora de catálogo desde 1994, quando a Columbia o relançou com algumas faixas novas e o nome World Mix. Após a história vir à tona, talvez para não ficar feio, Mouquet alegaria que uma porcentagem das vendas do álbum foi revertida para o Pygmy Fund, uma ONG sediada na Califórnia que ajuda tribos de pigmeus da África Central a lidar com ameaças ambientais a suas terras, mas investigações mostrariam que os grupos que tiveram suas vozes usadas nas músicas do álbum não estão dentre os assistidos pelo Pygmy Fund, e a própria ONG declararia que não veria um aumento substancial nas doações que recebeu enquanto o álbum estava à venda.

E Afunakwa? Ninguém sabe quantos anos ela tinha quando a gravação foi feita, nem mesmo se esse era seu nome verdadeiro; o certo é que ela jamais recebeu um centavo por sua voz ter ficado famosa no mundo inteiro. Após Zemp publicar seu artigo, alguns jornalistas chegaram a viajar para as Ilhas Salomão para tentar localizá-la, mas a única informação que obtiveram foi que ela já havia falecido. Hoje, inclusive, existe uma discussão na qual, embora se concorde que o Dr. Zemp foi prejudicado, se estranhe que toda a questão dos direitos autorais passe somente por ele, e não pela mulher que efetivamente deu voz à música, e que talvez tenha sido uma das maiores responsáveis por seu sucesso.

Por incrível que pareça, aliás, Sweet Lullaby não foi a única música na qual Rorogwela foi usada sem autorização: o DJ de música trance italiano Mauro Picotto remixaria a voz de Afunakwa na canção Komodo (Save a Soul), lançada em 2000, e o famoso saxofonista de jazz norueguês Jan Garbarek lançaria uma versão instrumental, como o nome de Pygmy Lullaby ("canção de ninar pigmeia"), no mesmo ano em que Zemp escreveria seu artigo, 1996. O caso de Garbarek é curioso não somente porque ele foi mais um que entrou na confusão de que todas as músicas do álbum Deep Forest eram de pigmeus, mas também porque, não conhecendo o Dr. Zemp, os álbuns da UNESCO ou Afunakwa, ele imaginou que Sweet Lullaby fosse uma composição original do Deep Forest, e entrou em contato com Sanchez e Mouquet para pedir autorização para fazer sua versão.

Por causa da confusão criada pelo artigo de Zemp, contudo, a versão de Garbarek chamou a atenção da comunidade internacional, e outro etnomusicólogo, Steven Feld, foi chamado para dar uma palestra na Noruega sobre o assunto. A produtora Marit Lie, da rádio NRK, estava na plateia, e chamou Garbarek para uma entrevista ao vivo, na qual ela revelou que a canção que ele havia regravado era na verdade uma melodia tradicional dos Baegu. Irado, Garbarek respoondeu que, se a canção pertencia à tradição oral, não havia nada de errado em "um compositor sério" utilizá-la. Querendo pressionar ainda mais a ferida, Lie faria para a NRK um programa especial cujo tema foi a confusão que Garbarek fez entre as Ilhas Salomão e os pigmeus, o que levou o compositor a registrar uma reclamação no órgão norueguês que regula as emissoras de rádio. Em diversas entrevistas posteriores, ele diria ter a convicção de não ter feito nada de errado, mas o órgão que cuida da distribuição dos direitos autorais na Noruega, após a repercussão da história, acabaria determinando que metade dos rendimentos obtidos com direitos autorais de Pygmy Lullaby deveria ir para um fundo de preservação da cultura - mas, como nenhum foi especificado, Garbarek escolheria um fundo de preservação da cultura norueguesa.

Para terminar, vale dizer que o Deep Forest segue na ativa até hoje, tendo lançado seu segundo álbum, Boheme, em 1995; para escapar da polêmica, no segundo eles usariam apenas ritmos do Leste Europeu, contando com a colaboração da cantora húngara Marta Sebestyen e da cantora búlgara Kate Petrova, além da participação especial de Peter Gabriel na faixa While the Earth Sleeps. O terceiro álbum, Comparsas, traria ritmos latino-americanos, com contribuições do francês Abed Azrie, da espanhola Ana Torroja, do austríaco Joe Zawinul e do mexicano Jorge Reyes. O quarto, Music Detected, de 2002, traria parcerias com o indonésio Anggun, a norte-americana Beverly Jo Scott, a japonesa Chitose Hajime e a escocesa Angela McCluskey. Após a saída de Sanchez, Mouquet lançaria o curioso Deep Brasil, com faixas em português, de 2008; Deep India, um dueto com Rahul Sharma, em 2013; e Deep Africa, também de 2013, que traz duetos com vários cantores africanos, como Blick Bassy e Wasis Diop. Depois disso, ele ainda lançaria mais sete álbuns, cinco deles de regravações; os dois mais recentes seriam Crystal Clear, dueto com Olivier Delevingne, de 2024, e Tree of Tranquility, um novo dueto com Rahul Sharma, de 2025.

E, caso alguém esteja curioso: a língua na qual Sweet Lullaby é cantada se chama baegu, e a letra traz uma irmã mais velha consolando um menino pequeno após a morte de seus pais, tendo trechos como "pequeno irmão, pare de chorar", "nós dois somos órfãos agora" e "da Ilha dos Mortos, o espírito deles continuará a olhar por nós" - o que também é bizarro se a gente pensar que algo tão sério e triste virou uma música dance de sucesso mundial.
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sábado, 18 de outubro de 2025

Escrito por em 18.10.25 com 0 comentários

Rihanna

Uma vez um amigo me disse que eu sou um roqueiro poser, porque eu digo que gosto de rock, mas, na verdade mesmo, eu gosto de cantoras pop tipo Christina Aguilera e Rihanna. O pior é que eu realmente gosto de rock, mas, quando decido escutar música enquanto estou fazendo alguma atividade, tipo escrever esse post, normalmente opto por alguma cantora pop, não sei precisar a razão. De qualquer forma, o comentário dele me fez perceber que existe pelo menos uma cantora pop da qual eu gosto para a qual eu ainda não havia escrito um post. Para corrigir isso, hoje é dia de Rihanna no átomo!


Robyn Rihanna Fenty nasceu em 20 de fevereiro de 1988 em Saint Michael, Barbados. A família de sua mãe é originária da Guiana, e seu pai era descendente de irlandeses, ingleses, escoceses e africanos do oeste da África. Ela foi a primeira de três filhos do casal, tendo dois irmãos mais novos, mas também tem duas meio-irmãs e um meio-irmão, frutos de relacionamentos prévios de seu pai. Quando criança, sua família era pobre, com seu pai trabalhando como administrador de um aramazém quando Rihanna nasceu, mas sendo demitido quando ela ainda era bem pequena; por causa disso, Rihanna cresceria em Bridgetown, a capital de Barbados, morando em um bangalô de três quartos que os Fenty dividiam com duas outras famílias, e ajudando seu pai a vender roupas em uma barraquinha de rua. Para piorar a situção, seu pai era alcóolatra e viciado em cocaína, e batia em sua mãe, nela e nos irmãos quando estava alterado. Talvez por causa disso, durante toda infância e adolescência, ela sofreria com fortes dores de cabeça cuja causa nenhum médico conseguia diagnosticar, desconfiando até de um tumor cerebral, que só começariam a melhorar após o divórcio de seus pais, quando ela tinha 14 anos.

Na escola, Rihanna era considerada uma boa aluna, e se interessava por dança, canto e poesia; ela era apaixonada por reggae, ouvindo especialmente Sizzla e Damien Marley, mas também gostava muito de Whitney Houston e Mariah Carey. Aos 11 anos, ela se alistaria no Programa de Jovens Cadetes do exército de Barbados, que lhe garantiria educação pública e a oportunidade de uma carreira militar, e onde teria como sargento outra futura cantora, Shontelle. Embora não pensasse em seguir carreira militar, Rihanna planejava fazer parte do programa até completar o Ensino Médio, mas acabaria abandonando tanto o projeto quanto a escola aos 16 anos, para viajar aos Estados Unidos e começar sua carreira de cantora de sucesso.

Sua primeira experiência no mundo da música ocorreria um ano antes, em 2003, quando Rihanna, aos 15 anos e ao lado de duas colegas de sala, formaria um grupo musical sem nome e sem material original, que arriscaria a sorte em uma audição promovida pelo produtor norte-americano Evan Rogers, cantando Emotion, do Destiny's Child. Segundo Rogers, o talento de Rihanna era tamanho que, assim que ela entrou na sala, era como se estivesse sozinha, com as outras duas garotas sendo totalmente ofuscadas por sua performance. Impressionado, ele entraria em contato com a mãe de Rihanna e convidaria a menina para se apresentar novamente, dessa vez sozinha. Arrasando também no segundo teste, Rihanna e a mãe seriam convidadas para viajar com Rogers até Connecticut, nos Estados Unidos, para gravar fitas demo que seriam oferecidas a gravadoras norte-americanas. As duas aceitariam, e, em 2004, Rihanna viajaria e gravaria Pon de Replay e The Last Time.

Uma das fitas demo seria enviada para o rapper Jay-Z, que havia acabado de se tornar CEO da gravadora Def Jam Records. Ele acharia que Pon de Replay era "grande demais" para uma artista estreante, mas gostaria da voz de Rihanna, e a convidaria para uma audição, à qual estariam presentes Jay-Z e o executivo Antonio Reid, recém-saído da gravadora Arista. Rihanna cantaria suas duas músicas demo e For the Love of You, de Whitney Houston, e deixaria Reid tão impressionado que ele diria que Jay-Z não poderia deixar que ela saísse do prédio sem um contrato. Ela acabaria assinando para sete álbuns com a Def Jam, cancelando reuniões que ainda tinha marcadas com outras gravadoras, e, às vésperas de completar 17 anos, se mudaria definitivamente com a mãe e os irmãos para os Estados Unidos.

A produção do primeiro álbum de Rihanna levaria três meses, durante os quais Rogers e o também produtor Carl Sturken criariam a Syndicated Rhythm Productions, especialmente para cuidar de sua carreira. Seria Rogers que convenceria Jay-Z a deixar Rihanna gravar e lançar como seu primeiro single, em maio de 2005, Pon de Replay, que se tornaria um gigantesco sucesso, alcançando o segundo lugar tanto no Top 100 da Billboard quanto na lista da OCC, do Reino Unido. Seu primeiro álbum, Music of the Sun, seria lançado em agosto, vendendo 69 mil cópias apenas na primeira semana, rendendo um Disco de Platina e chegando à décima posição na lista de mais vendidos; sua segunda música de trabalho, If It's Lovin' that You Want, chegaria a posição 36 no Top 100. O sucesso do álbum também renderia a Rihanna um convite para uma participação no filme lançado diretamente em DVD As Apimentadas: Tudo ou Nada, interpretando ela mesma, em busca de uma equipe de cheerleaders para participar de seu novo clipe.

Pon de Replay, escrita por Rogers, Sturken, Alisha Brooks e Vada Nobles, é considerada uma das músicas de estreia mais bombásticas da década de 2000 - o que talvez mostre que Jay-Z tinha certa razão - e, por si só, tinha potencial para transformar Rihanna em um fenômeno mundial; ainda assim, talvez não querendo arriscar, o produtor Jonathan Hay espalharia anonimamente que Rihanna e Jay-Z eram um casal, o que faria com que a menina ganhasse matérias em vários jornais e revistas, e com que a música recebesse atenção especial das rádios. O romance seria desmentido ainda em 2005, mas a carreira de Rihanna já havia sido catapultada pela fofoca; anos mais tarde, o publicitário oficial de Rihanna, Lucian Knight, revelaria publicamente que a fofoca havia de fato sido plantada por Hay, o que levaria à produção de vários documentários sobre o caso, e à publicação de diversos estudos sobre as ramificações e limites das relações públicas de artistas pop. Jamais ficou claro se Rihanna sabia que Hay pretendia divulgar a fofoca ou se foi uma vítima inocente.

Assim que lançou seu primeiro álbum, Rihanna já começou a trabalhar no segundo, A Girl Like Me, lançado em abril de 2006. O segundo álbum seria um sucesso ainda maior que o primeiro, vendendo 115 mil cópias somente na primeira semana, chegando ao quinto lugar na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos e no Reino Unido, e rendendo um Disco de Platina Duplo. Sua primeira música de trabalho, SOS, alcançaria o primeiro lugar no Top 100 da Billboard, e a segunda, Unfaithful, chegaria à sexta posição; as outras duas músicas de trabalho seriam We Ride e Break It Off, um dueto com Sean Paul, que chegaria à nona posição. Em julho de 2006, Rihanna sairia em sua primeira turnê, para promover seus dois primeiros álbuns, com shows apenas nos Estados Unidos, apesar de, aos 18 anos, ela já ser considerada um fenômeno mundial.

No início de 2007, Rihanna aceitaria um convite para, junto com Shontelle, participar da música Roll It, do álbum de estreia da banda jamaicana J-Status. Logo após gravar sua participação, ela começaria a trabalhar em seu terceiro álbum; incomodada com a imagem de boa moça que a imprensa norte-americana queria colar nela de qualquer jeito, ela coversaria com Ne-Yo, Timbaland, Justin Timberlake e Tricky Stewart sobre criar um álbum que mostrasse que ela estava, ao mesmo tempo, mais madura e mais rebelde. Assim surgiria Good Girl Gone Bad (algo como "boa moça agindo mal"), lançado em maio de 2007, produzido por Rogers, Sturken, Stewart, Timbaland, The-Dream, Neo da Matrix e Stargate. Abandonando os ritmos caribenhos que permeavam seus dois primeiros álbuns, Rihanna apostaria no dance-pop e no R&B com fortes influências dos anos 1980, no que seria considerado um ponto de virada em sua carreira.

Good Girl Gone Bad venderia 162 mil cópias apenas na primeira semana, chegaria à segunda posição da Billboard, e renderia a Rihanna nada menos que sete Discos de Platina, além de sete indicações ao Grammy, incluindo Álbum do Ano. É nele que está o mega sucesso Umbrella, com participação de Jay-Z, eleita uma das 500 melhores músicas de todos os tempos pela revista Rolling Stone, ganhadora do Grammy de Melhor Performance Cantada em Rap, indicada ao de Gravação do Ano, e que estourou nas rádios do mundo inteiro, chegando ao primeiro lugar das paradas de sucesso em nada menos que 18 países: Estados Unidos (onde ficou em primeiro por sete semanas consecutivas), Reino Unido (dez semanas), Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Hungria, Irlanda, Noruega, Nova Zelândia, Rússia, Suíça e Venezuela; esse sucesso todo levaria Rihanna à sua primeira turnê internacional, com shows em 30 países ao longo de um ano e meio.

Além de Umbrella, Good Girl Gone Bad também teria como músicas de trabalho Don't Stop the Music (terceiro lugar na Billboard e também um grande sucesso internacional), Hate That I Love You (nono lugar), Shut Up and Drive e Rehab. Em abril de 2008, o álbum ganharia uma segunda versão, Good Girl Gone Bad: Reloaded, com três novas faixas e um DVD mostrando cenas de bastidores da turnê. Todas as três novas faixas seriam lançadas como músicas de trabalho, com Take a Bow e Disturbia sendo grandes sucessos internacionais, ambas chegando ao primeiro lugar do Top 100 da Billboard; a terceira, If I Never See Your Face Again era uma canção do Maroon 5 com a participação de Rihanna, também presente no álbum It Won't Be Soon Before Long. Ainda em 2008, Rihanna lançaria Girl Gone Bad Live, DVD contendo um dos shows de sua turnê, em Manchester, Inglaterra; anunciaria publicamente seu romance com o rapper Chris Brown; e colocaria mais uma música no topo da parada da Billboard, Live Your Life, dueto com o rapper barbadiano T.I., lançada em seu álbum Paper Trail.

Rihanna seria convidada para participar da cerimônia do Grammy em fevereiro de 2009, mas cancelaria sem apresentar motivos; dias antes, boatos correriam na internet de que ela havia sido espancada por Brown, que se entregou às autoridades, mas foi fichado por ameaça. Um mês depois, ele seria conduzido novamente à delegacia e fichado por agressão; o TMZ teria acesso às fotos que Rihanna faria no exame de corpo de delito, divulgando-as na internet e causando um debate sobre ética na imprensa e os limites dos sites e programas de fofocas em relação à privacidade de celebridades que fossem vítimas de crimes, o que levaria um grupo de advogados a propor a "Lei Rihanna", que proibiria a divulgação de fotos feitas por serviços médicos e agentes públicos. Rihanna testemunharia sobre o caso em junho de 2009, em meio às gravações de seu quarto álbum.

Afetada pelo episódio, a cantora se distanciaria do som alegre de seus lançamentos anteriores, preferindo canções com um tom mais introspectivo, estilo futurista e influências de rock. Com o nome de Rated R, o quarto álbum de Rihanna seria lançado em novembro de 2009 e venderia 181 mil cópias na primeira semana, renderia um Disco de Platina Duplo, e chegaria ao quarto lugar na lista dos mais vendidos. O álbum teria nada menos que seis músicas de trabalho: Russian Roulette (nono lugar na Billboard, Top Ten em mais de 20 países), Hard (dueto com Jeezy, oitavo lugar na Billboad), Wait Your Turn, Rude Boy (primeiro lugar na Billboard durante seis semanas seguidas), Rockstar 101 (com a participação do guitarrista Slash) e Te Amo (que, apesar do título, é cantada em inglês, e cujo clipe traz a modelo francesa Laetitia Casta seduzindo Rihanna). Exceto por Rockstar 101, nas capas de todos os singles Rihanna estava seminua e em poses sexy, ideia da própria cantora para passar uma imagem mais adulta. A turnê de lançamento de Rated R, chamada Last Girl on Earth, teria 67 shows, passando por Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa.

Antes do lançamento de Rated R, Rihanna gravaria, com Jay-Z e Kanye West, Run This Town, que chegaria ao segundo lugar da Billboard e ganharia dois Grammys, de Melhor Canção Rap e Melhor Performance Cantada em Rap. No início de 2010, ela aceitaria um convite de Eminem para gravar com ele Love the Way You Lie, de seu álbum Recovery, que chegaria ao primeiro lugar da Billboard, onde se manteria por sete semanas seguidas. Ainda em 2010, ela gravaria os vocais de Who's That Chick?, de David Guetta, de seu álbum One More Love; participaria, junto com Kid Cudi e Fergie, de All of the Lights, de Kanye West (que ganharia mais um Grammy de Melhor Performance Cantada em Rap), lançada em seu álbum My Beautiful Dark Twisted Fantasy; e faria um dueto com Nicky Minaj (que é nascida em Trinidad e Tobago e amadrinhada por Rihanna) em Fly, lançada em seu álbum de estreia, Pink Friday.

Apesar disso ter sido escolha dela mesma, e de não ter sido nenhum fracasso, Rihanna não ficaria satisfeita com o tom mais sombrio - palavras dela mesma - de Rated R, e, para seu quinto álbum, decidiria voltar às canções alegres de dance-pop. Assim seria Loud, lançado em novembro de 2010, que venderia 207 mil cópias somente na primeira semana, rendendo cinco Discos de Platina e alcançando o terceiro lugar na lista dos mais vendidos. Três de suas músicas de trabalho alcançariam o primeiro lugar da Billboard, Only Girl (In the World) (ganhadora do Grammy de Melhor Gravação Dance), What's My Name? (dueto com Drake, com quem Rihanna havia iniciado um relacionamento no final de 2009) e S&M (que, em 2011, ganharia um remix no qual Rihanna faz dueto com Britney Spears), fazendo com que Rihanna se tornasse não só a artista solo mais jovem a conseguir dez músicas na primeira posição, mas também a que o fez em menos tempo de carreira. As outras três músicas de trabalho seriam Raining Men (dueto com Nicki Minaj; e que não é regravação de It's Raining Men), Man Down, California King Bed e Cheers (Drink to That). A turnê de lançamento do álbum teria 98 shows, incluindo um num estádio de críquete em Barbados, e os quatro primeiros shows de Rihanna no Brasil, em setembro de 2011, em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, esse último parte do festival Rock in Rio.

O sexto álbum, Talk That Talk, seria lançado um ano depois, em novembro de 2011, e manteria a escalada das vendas, com 198 mil cópias vendidas na primeira semana, rendendo um Disco de Platina Triplo e chegando à terceira posição na lista dos mais vendidos. Sua principal música de trabalho seria We Found Love, com a participação de Calvin Harris, que ficaria dez semanas não-consecutivas na primeira posição da Billboard, além de alcançar a primeira posição nas paradas de sucessos de 30 países, e o Top 3 de mais 12. As demais músicas de trabalho seriam You da One, Talk That Talk (com a participação de Jay-Z) e Where Have You Been (quinto lugar na Billboard). O clipe de We Found Love ganharia o Grammy de Melhor Vídeo Musical Curto e o prêmio de Vídeo do Ano no MTV Music Video Awards, o que faria com que Rihanna se tornasse a única mulher a ganhar esse prêmio da MTV mais de uma vez.

Após o lançamento de Talk That Talk, Rihanna faria mais colaborações, começando por Take Care, dueto com Drake lançado no álbum de mesmo nome do rapper canadense, e Princess of China, do Coldplay, lançada no álbum Mylo Xyloto. Em 2012, ela lançaria um remix de uma das faixas de Talk That Talk que não havia sido selecionada para música de trabalho, Birthday Cake, em dueto com Chris Brown, que lançaria um remix de Turn Up the Music, de seu álbum Fortune, em dueto com Rihanna; os lançamentos seriam assunto na imprensa especializada durante semanas, devido às agressoes que Brown havia cometido contra Rihanna no passado, com a cantora sendo muito criticada por aparentemente tê-lo perdoado - e mais criticada ainda quando os dois reataram, em janeiro de 2013, se separando novamente quatro meses depois. Outro remix de uma música não selecionada para música de trabalho de Talk That Talk, Cockiness (Love It), seria lançado com a participação do rapper ASAP Rocky.

Em agosto de 2012, Rihanna seria uma das apresentadoras do reality show Styled to Rock, no qual jovens estilistas apresentavam suas criações. Também em 2012, ela faria sua estreia no cinema no filme Battleship: A Batalha dos Mares, vagamente inspirada no jogo de tabuleiro Batalha Naval, da Hasbro (que, em inglês, se chama Battleship), no papel da Artilheira Cora Raikes, da Marinha dos Estados Unidos. Pouco antes do lançamento de seu sétimo álbum, Rihanna embarcaria em uma turnê chamada 777 Tour, com 7 shows em 7 dias (de 14 a 20 de novembro de 2012) em 7 países diferentes (México, Canadá, Suécia, França, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos), durante a qual ela, uma equipe de 150 pessoas jornalistas de 82 países e um grupo seleto de fãs viajaram de um lugar para o outro a bordo de um Boeing 777 especificamente modificado para a função. A empreitada seria registrada e lançada em DVD em maio de 2013, com o nome de Rihanna 777 Documentary... 7Countries7Days7Shows.

O sétimo álbum de Rihanna, Unapologethic, seria lançado em novembro de 2012 (o quarto seguido lançado em novembro) e traria mais uma mudança significativa no estilo da cantora, com elementos de synth-pop, hip hop e música eletrônica. Aparentemente a nova fórmula daria certo, já que Unapologethic se tornaria o primeiro álbum de Rihanna a alcançar o primeiro lugar na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos, vendendo 238 mil cópias apenas na primeira semana, rendendo um novo Disco de Platina Triplo e ganhando o Grammy de Melhor Álbum Contemporâneo Urbano. Sua principal música de trabalho, Diamonds, escrita pela cantora australiana Sia, seria mais uma a chegar ao primeiro lugar da parada da Billboard; as demais músicas de trabalho seriam Stay (dueto com Mikky Ekko, terceiro lugar na Billboard), Pour It Up, Right Now (com a participação de David Guetta), What Now e Jump

Em 2013, Rihanna faria uma participação especial no filme É o Fim, e estaria em um remix de Bad, faixa do álbum The Gifted, do cantor Wale (cuja versão original também era um dueto, mas com Tiara Thomas), e faria uma participação especial na faixa The Monster, do álbum The Marshall Mathers LP 2, de Eminem, mais uma alcançar o primeiro lugar na Billboard e ganhar um Grammy de Melhor Performance Cantada em Rap. No ano seguinte, seria a vez de Rihanna fazer um dueto com Shakira, em Can't Remember to Forget You, do álbum Shakira. Em 2015, ela estaria em FourFiveSeconds, junto com Kanye West e Paul McCartney, lançada exclusivamente no formato single, que chegaria à quarta posição da Billboard. Também em 2015, ela gravaria Towards the Sun, para a trilha sonora do filme de animação Cada um na sua Casa, no qual ela estrearia como dubladora, dando voz à protagonista Tip.

A turnê de lançamento de Unapologethic se chamaria Diamonds World Tour, e teria 96 shows nos cinco continentes - um novo show em Barbados estava previsto, mas teria de ser cancelado por "problemas técnicos". Ao retornar da turnê, ela decidiria dar um tempo de gravações para "fazer o que quisesse, criativamente". Aproveitando que já tinha cumprido seu contrato com a Def Jam Records, ela optaria por não estendê-lo, assinando com a Roc Nation, fundada por Jay-Z em 2008. Em 2015, ela lançaria dois singles, Bitch Better Have My Money e American Oxygen, e faria mais um show no Rock in Rio, em setembro.

O oitavo e por enquanto último álbum de Rihanna, Anti, seria lançado em janeiro de 2016. Sua primeira música de trabalho, Work, mais um dueto com Drake, seria a 14a da cantora a chegar ao topo da parada da Billboard, o que garantiria a Rihanna o terceiro lugar dentre os artistas com mais primeiros lugares na história, atrás apenas dos Beatles, que têm 20, e de Mariah Carey, que tem 19. As demais músicas de trabalho seriam Kiss It Better, Needed Me (sétimo lugar na Billboard) e Love on the Brain (quinto lugar). Anti venderia 1,4 milhão de cópias em sua primeira semana, mas todas seriam cópias exclusivamente digitais, e um milhão delas seriam compradas pela Samsung, que a distribuiria de graça em seus celulares e notebooks, como parte de um acordo para que a cantora fosse a nova garota propaganda da marca. Mesmo sem essas cópias, consideradas promocionais e que por isso não contam para a Billboard e a RIAA, o álbum seria o segundo de Rihanna a alcançar o topo da lista dos mais vendidos, rendendo seis Discos de Platina. A turnê de lançamento teria 75 shows, nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Abu Dhabi.

Após o lançamento de Anti, Rihanna gravaria Sledgehammer, para a trilha sonora de Star Trek: Sem Fronteiras. Ela também voltaria a fazer colaborações, estando em This Is What You Came For, de Calvin Harris; Nothing is Promised, do álbum Ransom 2, de Mike Will Made It; Too Good, do álbum Views, de Drake; Selfish, do álbum Hndrxx, de Future; Wild Thoughts, do álbum Grateful, do DJ Khaled, que também conta com a participação de Bryson Tiller; Loyalty, do álbum Damn, de Kendrick Lamar (vencedora de mais um Grammy de Melhor Performance Cantada em Rap, nono e por enquanto último de Rihanna); e Lemon, do álbum No One Ever Really Dies, da banda N.E.R.D.; todas lançadas em 2016 e 2017.

Depois desses lançamentos, ela aparentemente daria um tempo em sua carreira de cantora para investir na de atriz: em 2017, Rihanna interpretaria Marion Crane na quinta e última temporada da série Bates Motel, um papel recorrente que receberia excelentes comentários da crítica especializada; no mesmo ano, ela estaria em Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, do diretor Luc Besson, no papel de uma dançarina que pode mudar de forma. Em 2018, ela estaria no filme Oito Mulheres e um Segredo, no papel de uma hacker, e, em 2019, seria, ao lado de Donald Glover, a protagonista de Guava Island.

Na vida pessoal, em 2017, ela anunciaria estar namorando o empresário saudita Hassan Jameel; o relacionamento duraria até 2020, mesmo ano no qual ela voltaria a gravar uma canção, participando de Believe It, do cantor canadense PartyNextDoor. Um ano depois, em 2021, o rapper ASAP Rocky confirmaria que não somente ele e Rihanna estavam juntos como também que ela esperava seu primeiro filho, que nasceu em 2022. Também em 2022, ela gravaria Lift Me Up, trilha sonora de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Canção Original. Em 2023, ela seria a atração do show do intervalo do Super Bowl LVII, durante o qual o mundo descobriria que ela estava grávida de seu segundo filho - o que faria com que Rihanna se tornasse a primeira mulher a se apresentar grávida no show do intervalo do Super Bowl. O show seria o mais assistido da história do Super Bowl, superando o de Katy Perry no Super Bowl XLIX, e seria indicado ao Emmy de Melhor Especial Ao Vivo de Variedades. Após dois anos afastada dos holofotes, ela retornaria em 2025 para dublar a Smurfette no longa animado Smurfs, para a trilha sonora do qual gravaria a música Friend of Mine, por enquanto seu último lançamento.

Atualmente, Rihanna está aposentada da música, se dedicando à família, que não para de crescer - seu terceiro filho, uma menina, nasceria em setembro de 2025 - gerenciando sua empresa Fenty, que tem um ramo de cosméticos (Fenty Beauty), um de produtos para a pele (Fenty Skin), um de produtos para o cabelo (Fenty Hair), um de roupas de luxo (Fenty Fashion House) e um de lingeries (Savage X Fenty), e estando à frente da Clara Lionel Foundation, que criou em 2012 (e tem o nome de seus avós maternos, Clara e Lionel Braithwaite) para arrecadar fundos para o tratamento de crianças com o vírus da AIDS, já tendo custeado a construção de um centro de oncologia no Queen Elizabeth Hospital, em Barbados. Por enquanto ela não tem planos para novos shows ou álbuns, embora não descarte gravar novas canções.
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sábado, 22 de fevereiro de 2025

Escrito por em 22.2.25 com 0 comentários

Siouxsie and the Banshees

Essa semana eu estava conversando com um amigo sobre a banda Siouxsie and the Banshees, e achei que seria um bom tema para um post. Ei-lo!


Siouxsie Sioux (que, acreditem ou não, se pronuncia "Suzi Su") nasceu Susan Janet Ballion, em 27 de maio de 1957, em Londres, Inglaterra, mais nova dos três filhos de uma secretária com um bacteriologista que estudava veneno de serpentes. Seu pai era nascido na Valônia, a parte da Bélgica que fala francês, e sua mãe, de família escocesa, era fluente em francês, de forma que, após se casarem, eles foram morar no Congo Belga, onde os dois irmãos mais velhos de Siouxsie nasceram. Ela seria fruto de uma gravidez não planejada após seu pai ser demitido e o casal voltar para a Inglaterra, sendo dez anos mais nova que seu irmão do meio.

Não somente, mas também por causa disso, Siouxsie foi uma criança isolada, com poucos amigos, principalmente porque não podia convidá-los para sua casa, pois seu pai, devido a um longo período desempregado, se tornaria alcoólatra, passando mais tempo ébrio do que sóbrio. Apesar de tudo, Siouxsie era uma menina inteligente, bem articulada, e que nutria um amor verdadeiro pelo pai, que, quando estava sóbrio, lia vários livros de sua grande biblioteca para ela ou junto com ela. Segundo Siouxsie, sua família era considerada "diferente", não se relacionava com os vizinhos, e ela achava sua vizinhança, em Chislehurst, na cidade de Kent, "opressiva", não vendo a hora de se mudar de lá.

A vida de Siouxsie, porém, pioraria muito antes que ela conseguisse se mudar. Quando ela tinha 9 anos, ela e uma amiga seriam molestadas sexualmente por um estranho em um parque próximo à sua casa; a polícia não levaria a denúncia das meninas a sério, e a família de Siouxsie optaria por varrer o episódio para debaixo do tapete, jamais o mencionando, o que faria com que ela passasse a não confiar mais em nenhum adulto que não fosse seu pai. Mas, quando ela tinha 14 anos, seu pai faleceria em decorrência do alcoolismo, e Siouxsie sofreria de uma depressão severa, chegando a emagrecer perigosamente e quase abandonando a escola. Em 1972, ela seria diagnosticada com colite ulcerosa, e teria de passar por uma cirurgia. Enquanto se recuperava no hospital, ela veria David Bowie se apresentando no programa Top of the Pops.

Ver Bowie se apresentando mudaria a vida de Siouxsie, que decidiria se tornar cantora. Aos 17 anos, ela abandonaria definitivamente a escola, e passaria a maior parte de seu tempo indo ao maior número de shows que conseguisse. Em setembro de 1975, durante um show da banda Roxy Music, ela conheceria Steven Severin; nascido Steven John Bailey, em 25 de setembro de 1955, também em Londres, Severin era apaixonado por música desde os 15 anos, quando assistiu a um show da banda Captain Beefheart & His Magic Band, que ele definiria como uma experiência que mudou sua vida. Decidido a montar ele também uma banda, ele tentaria os nomes artísticos Steven Havoc e Steve Spunker antes de se decidir por Steven Severin, e passaria a assistir o maior número de shows que conseguisse - indo parar no Roxy Music bem no dia em que Siouxsie também estava.

Em novembro de 1975, os Sex Pistols tocariam em Chislehurst; Siouxsie não conseguiria ir, mas, ouvindo os relatos dos que foram, ficaria fascinada pela banda. Ela teria uma nova oportunidade em fevereiro de 1976, quando os Sex Pistols tocariam em Londres, e ela e Severin conseguiriam ingressos com direito aos bastidores. Após conversar pessoalmente com os membros da banda, eles decidiriam entrar para um grupo conhecido como Bromley Contingent, que a imprensa britânica rotulava como "adolescentes excêntricos" que seguiam os Sex Pistols onde eles fossem, assistindo a todos os shows. Nessas viagens, Siouxsie chamaria atenção por suas vestimentas, que combinavam couro, látex, vinil, muito delineador nos olhos, batom vermelho sangue e laquê nos cabelos - numa época em que nada disso era moda, com a moça sendo considerada uma precursora tanto do estilo punk quanto do estilo gótico.

Em 20 de setembro de 1976, seguindo os preceitos do punk do "faça você mesmo" e "na plateia sempre há uma banda em potencial", Siouxsie e Severin decidiriam, de súbito, montar sua própria banda, aproveitando que um espaço no festival 100 Club Punk Festival, em Londres, organizado pelo empresário dos Sex Pistols, Malcolm McLaren, havia sido aberto devido a uma desistência. Siouxsie e Severin não sabiam tocar nenhum instrumento, não tinham nenhuma canção, mas isso não iria impedi-los; já com o nome de Siouxsie Sioux, a moça subiria ao palco com Severin no baixo, Marco Pirroni na guitarra, e Sid Vicious, dos Sex Pistols, na bateria, e se apresentaria durante 20 minutos, conquistando os críticos presentes, que diriam que diria que ela era diferente de qualquer cantora que eles já haviam visto ou que viriam a ver no futuro, que ela parecia saída de um sonho, e que não conseguiram prestar atenção em mais nada do festival depois dela.

A apresentação faria tanto sucesso que Siouxsie e Severin seriam convidados para se apresentar ao lado dos Sex Pistols no programa de Bill Grundy, na Thames Television, em dezembro de 1976, durante o qual o apresentador, ao vivo, daria em cima de Siouxsie e a convidaria para um "programa após o programa", sendo xingado, também ao vivo, por Steve Jones, guitarrista dos Sex Pistols - em entrevistas posteriores, Grundy diria estar bêbado quando fez a proposta. Esse acontecimento bizarro catapultaria não somente a carreira dos Sex Pistols, até então um sucesso local, a partir daí uma banda de renome internacional, como também colocaria Siouxsie no mapa, com o famoso tabloide Daily Mirror colocando sua foto na primeira página com a legenda Punk Shocker. Despreparada para isso, e sem querer ficar conhecida como uma roadie dos Sex Pistols, Siouxsie veria a banda ao vivo pela última vez em 15 de dezembro de 1976, e começaria 1977 conversando seriamente com Severin sobre os dois montarem sua própria banda, que decidiriam chamar de Siouxsie and the Banshees - sendo o banshee (que se pronuncia "bênshe") uma criatura mítica da Irlanda cuja voz pode enlouquecer os humanos.

A primeira formação da banda contaria com Siouxsie nos vocais, Severin no baixo, Kenny Morris, que eles conheceriam durante o 100 Club Punk Festival, na bateria e Peter Fenton na guitarra; após algumas apresentações em clubes noturnos, Siouxsie e Severin chegariam à conclusão de que Fenton não combinava com a banda por ser "um guitarrista de verdade" e o demitiriam, contratando John McKay para o seu lugar. Em novembro de 1977, a banda conseguiria sua primeira apresentação na TV, no programa So It Goes, da ITV Granada, da região de Manchester; no mês seguinte, eles se apresentariam na BBC Radio tocando Metal Postcard, música anti-nazista que Siouxsie escreveria após ser presa durante um show dos Sex Pistols em Paris em setembro de 1976, no qual estava na plateia sem blusa, só de sutiã, e com uma faixa com a suástica no braço esquerdo - em entrevistas, ela diria estar "tentando chocar as gerações conservadoras", e não fazer propaganda nazista; em 1979, a música seria gravada também em alemão, com o nome de Mittageisen. A apresentação na BBC renderia à banda a capa da revista Sounds, na qual seu som seria descrito como "frio, mecânico e passional ao mesmo tempo, como um complexo industrial do século XXI".

A banda receberia várias propostas de gravadoras, mas recusaria todas, querendo uma que lhes desse controle artístico total. Seria somente após um show lotado em Londres, no início de 1978, que a Polydor faria uma proposta que agradaria Siouxsie e Severin, com a banda assinando contrato em junho. Seu primeiro single seria Hong Kong Garden, que entraria para o Top 10 britânico e renderia à banda uma matéria na revista NME. Seu primeiro álbum, The Scream, seria lançado em novembro de 1978, classificado pela crítica como pós-punk, e traria como música de trabalho uma nova versão de Metal Postcard. O álbum seria bem recebido pela crítica e alcançaria a 12a posição na lista da OCC (Official Charts Company, responsável por fazer a lista dos álbuns mais vendidos no Reino Unido), rendendo um Disco de Prata, mas, devido à performance da banda nos shows, a gravadora acharia que as vendas ficaram abaixo do esperado.

Para tentar aproveitar o bom momento, a banda já começaria a gravar um segundo álbum, Join Hands, lançado em setembro de 1979, mais uma vez com uma única música de trabalho, Playground Twist. Originalmente, a capa traria a reprodução de um livreto usado por crianças estudando para fazer Primeira Comunhão, mas a gravadora vetaria, e a nova capa traria quatro soldadinhos de chumbo; somente em 2015 o álbum seria relançado com a capa original. Novamente a crítica ficaria encantada, considerando o álbum "obrigatório", mas novamente as vendas ficariam abaixo do esperado, com Join Hands alcançando a 13a posição na lista da OCC e rendendo mais um Disco de Prata. A banda sairia em turnê pelo Reino Unido após seu lançamento, durante a qual Morris e McKay se desentenderiam com Severin e se demitiriam; para a bateria, Siouxsie e Severin convidariam Budgie, nome artístico de Peter Edward Clarke, então na banda The Slits, mas, para a guitarra, eles fariam vários testes, sem encontrar ninguém do seu agrado. Robert Smith, vocalista da banda The Cure, ofereceria seus serviços, e seria o guitarrista de Siouxsie and the Banshees até o fim da turnê.

Após o fim da turnê, Budgie seria oficialmente efetivado como membro da banda, e o guitarrista John McGeoch, da banda Magazine, seria convidado para gravar o single Happy House; ele acabaria ficando também para o terceiro álbum da banda, Kaleidoscope, lançado em agosto de 1980, no qual eles decidiriam experimentar sintetizadores e baterias eletrônicas, se afastando do punk e se aproximando de um som mais pop. Tendo como músicas de trabalho Happy House e Christine, o álbum mais uma vez seria um sucesso de crítica, se tornando também o primeiro sucesso de vendas de Siouxsie, alcançando a quinta posição na lista da OCC e rendendo mais um Disco de Prata. Após seu lançamento, Siouxsie and the Banshees sairiam em sua primeira turnê internacional, com shows na Europa e Estados Unidos, estreando do lado de cá do Atlântico com um show em Nova Iorque em novembro de 1980.

Durante essa turnê, a banda experimentaria várias músicas novas, que incluiria em seu quarto álbum, Juju, de junho de 1981, uma volta ao pós-punk, bem mais sombrio que o anterior, trazendo como músicas de trabalho Spellbound e Arabian Knights. A crítica mais uma vez se renderia, e o público pareceria manter as boas vendas, com o álbum alcançando a sétima posição na lista da OCC e rendendo o quarto Disco de Prata seguido. Durante as gravações de Juju, Siouxsie e Budgie começariam a namorar e criariam um projeto paralelo, a banda The Creatures, composta apenas pelos dois, com músicas apenas com voz e bateria; eles gravariam cinco faixas, que seriam lançadas pela Polydor como o EP Wild Things em setembro de 1981.

Em dezembro de 1981, seria lançada Once Upon a Time/The Singles, coletânea apenas com músicas que estavam nos singles dos quatro primeiros álbuns - cada single trazia duas músicas: no lado A, uma das músicas de trabalho do álbum, e, no lado B, uma música inédita; conhecidas como B-Sides, essas músicas inéditas costumam ser valorizadas pelos fãs, que compram todos os singles só para colecioná-las, e eram justamente essas que estavam presentes nessa coletânea. A coletânea seria um inesperado sucesso de vendas, e renderia o único Disco de Ouro da carreira de Siouxsie and the Banshees, ficando 26 semanas seguidas na lista da OCC.

O quinto álbum de Siouxsie and the Banshees seria o psicodélico A Kiss in the Dreamhouse, lançado em novembro de 1982, que mais uma vez encantaria a crítica; com as músicas de trabalho Slowdive e Melt!, ele renderia mais um Disco de Prata, mas chegaria apenas à posição 11 na lista da OCC. Durante a turnê de lançamento, McGeoch revelaria também sofrer de alcoolismo, e, com sérios problemas envolvendo bebida, teria de ser hospitalizado após um show em Madri. Siouxsie optaria por demiti-lo, e Severin convidaria Smith para, mais uma vez, concluir a turnê junto com a banda. Essa nova colaboração daria origem a dois outros projetos: o single Dear Prudence, cover dos Beatles, maior sucesso da carreira de Siouxsie and the Banshees, alcançando a terceira posição na parada britânica, e a banda The Glove, formada por Severin, Smith e a vocalista Jeanette Landray, ex-namorada de Budgie.

Essa agitação seria muito bem-vinda por Smith, que, em meados de 1982, estava à beira de um colapso nervoso após as complicadas gravações e conturbada turnê do álbum Pornography, do Cure - durante a turnê, o baixista da banda, Simon Gallup, seria demitido após uma briga feia com o resto da banda, o que levaria Smith a pedir que Severin fosse o baixista na gravação do single Lament. Quando Severin pediu para que Smith voltasse a ser o guitarrista de Siouxsie and the Banshees, portanto, ele aceitaria sem pensar duas vezes, imaginando ser uma excelente oportunidade para esfriar a cabeça, se livrando das preocupações com sua banda original. Quando Siouxsie e Budgie anunciassem um hiato na banda para poderem gravar o primeiro álbum das Creatures, Severin e Smith aproveitariam e também reservariam um estúdio para gravar um álbum do Glove; Smith, entretanto, estava contratualmente proibido de ser vocalista de outra banda que não fosse o Cure, o que levaria à contratação de Landray.

1983, portanto, seria um ano pleno de lançamentos para os membros de Siouxsie and the Banshees: em maio, seria lançado o primeiro álbum das Creatures, Feast, com a música de trabalho Miss the Girl, aclamado pela crítica, mas um sucesso moderado de vendas, chegando à posição 17 na lista da OCC. Em setembro, seria a vez do único álbum do Glove, Blue Sunshine, que infelizmente não agradaria tanto à crítica ou ao público. E, em novembro, seria a vez de Nocturne, primeiro álbum ao vivo de Siouxsie and the Banshees, gravado durante duas apresentações, em 30 de setembro e 1 de outubro daquele ano no Royal Albert Hall, em Londres.

O sexto álbum de estúdio de Siouxsie and the Banshees, Hyæna, primeiro com Smith na guitarra, seria lançado em junho de 1984, com as músicas de trabalho Swimming Horses e Dazzle, sendo mais um gigantesco sucesso de crítica e um moderado sucesso de vendas, chegando à posição 15 na lista da OCC; esse também seria o primeiro álbum da banda a entrar para a parada da Billboard, na posição 157. Um mês antes de seu lançamento, Smith, alegando não estar dando conta de estar em duas bandas ao mesmo tempo, pediria para sair; ele seria substituído por John Valentine Carruthers, ex-guitarrista da banda Clock DVA. O primeiro projeto da banda com Carruthers seria um EP, The Thorn, lançado em outubro de 1984, que trazia quatro músicas dos álbuns anteriores regravadas com a participação da Orquestra Sinfônica de Londres.

1985 seria o primeiro ano desde o lançamento de The Scream sem um novo álbum de Siouxsie and the Banshees, e o primeiro desde 1979 em que eles não sairiam em turnê; a razão seria que eles decidiriam tirar um ano sabático exclusivamente para trabalhar em seu sétimo álbum, Tinderbox, lançado em abril de 1986, com as músicas de trabalho Cities and Dust e Candyman. Com um som mais suave, distante do punk e próximo do rock alternativo, o álbum agradaria à crítica e ao público, chegando à 13a posição na lista da OCC e à 88a na Billboard.

Esgotados após as gravações, Siouxsie, Severin e Budgie decidiriam não compor novas músicas e gravar um álbum de covers, Through the Looking Glass, lançado em março de 1987, com as músicas de trabalho This Wheel's on Fire (de Bob Dylan) e The Passenger (de Iggy Pop), trazendo também, dentre outras, Hall of Mirros, do Kraftwerk, Strange Fruit, de Billie Holiday, You're Lost Little Girl, dos Doors, Sea Breezes, do Roxy Music, e Trust in Me, cantada pela cobra Kaa no desenho da Disney Mogli, o Menino Lobo. O álbum seria bem recebido pela crítica, chegaria à posição 15 na OCC e 188 na Billboard, e renderia o sexto Disco de Prata da banda. Após seu lançamento, insatisfeitos com Carruthers, os três integrantes da banda decidiriam de comum acordo demiti-lo.

Após tirar mais um ano sabático em 1987, a banda contrataria o guitarrista Jon Klein e o multi-instrumentista Martin McCarrick para a gravação de seu nono álbum, Peepshow, lançado em setembro de 1988, que tinha como músicas de trabalho Peek-a-Boo (que seria originalmente o nome do álbum), The Killing Jar e The Last Beat of My Heart. Com um som mais experimental, o álbum seria mais um sucesso de crítica; nas vendas, chegaria à posição 20 na OCC, mas renderia mais um Disco de Prata. Peek-a-Boo seria o primeiro sucesso da banda nos Estados Unidos, chegando à primeira posição na parada de rock moderno e à posição 58 no Top 100 da Billboard; o álbum, na Billboard, chegaria à posição 68. Após uma turnê de enorme sucesso, com shows lotados no Reino Unido e nos Estados Unidos, a banda se declararia estafada e decidiria por mais um ano sabático, passando todo o ano de 1990 sem gravar músicas ou fazer shows.

Antes desse ano sabático, Siouxsie e Budgie decidiriam aproveitar um espaço na agenda de shows e gravar mais um álbum das Creatures, enquanto estavam na Espanha. Chamado Boomerang e lançado em novembro de 1989, o álbum traria metais, como trombones, trompetes e saxofones, e elementos de blues e jazz, sendo aclamado pela crítica, mas seu som exótico evitaria que ele fosse um sucesso de vendas. Suas músicas de trabalho seriam Standing There e Fury Eyes.

Siouxsie and the Banshees retornariam em 1991 com o maior sucesso de sua carreira, Kiss Them For Me, que contava com a participação do músico indiano Talvin Singh, chegaria à primeira posição da parada de sucessos de música alternativa nos Estados Unidos, à oitava na parada de música dance, e à posição 23 na parada da Billboard. O álbum da qual ela seria música de trabalho, Superstition, seria lançado em junho de 1991, trazendo também Shadowtime e Fear (of the Unknown). Muito mais pop que qualquer um dos outros álbuns, Superstition seria mais um grande sucesso de crítica, e, apesar de não conseguir certificação, chegaria à posição 25 na OCC e 65 na Billboard. O sucesso do álbum nos Estados Unidos faria com que a banda fosse convidada para a primeira edição do festival Lollapalooza e recebesse um convite do diretor Tim Burton para incluir uma música na trilha sonora do filme Batman Returns, de 1992; junto com o compositor da trilha instrumental do filme, Danny Elfman, eles criariam Face to Face, que se tornaria mais um grande sucesso.

Em outubro de 1992, seria lançada mais uma coletânea de B-Sides, Twice Upon a Time - The Singles, com músicas que estavam nos singles de A Kiss in the Dreamhouse a Superstition, incluindo Dear Prudence e Face to Face, mais uma nova versão de Overground, de The Torn, regravada sem a participação da orquestra; uma versão ao vivo de The Last Beat of My Heart, gravada durante o Lollapalooza; e um remix de Fear (of the Unknown) feito pelo DJ norte-americano Junior Vasques especialmente para o lançamento.

Convidada para tocar em vários festivais ao redor do planeta, a banda decidiria experimentar músicas novas durante os shows, e, ao retornar à Inglaterra, em 1994, contrataria John Cale, ex-membro do Velvet Underground, para ajudá-los a reunir todas em um novo álbum, creditando-o como produtor. Esse álbum se chamaria The Rapture, e seria lançado em janeiro de 1995, tendo como músicas de trabalho O Baby e Stargazer. Mais uma vez um álbum pop, The Rapture seria bem recebido pela crítica, mas não tanto quanto os anteriores, e chegaria à posição 33 na OCC e 127 na Billboard. Durante sua turnê de lançamento, a Polydor, sem qualquer aviso prévio, encerraria seu contrato com a banda, alegando não ter interesse em manter uma banda punk em seu catálogo em plena década de 1990. Também durante a turnê, Klein decidiria deixar a banda, e seria substituído nos shows restantes por Knox Chandler, ex-guitarrista da banda Psychedelic Furs.

Sentindo-se estafados após tantos anos de álbuns e turnês, Siouxsie, Severin e Budgie decidiriam, de comum acordo, ao invés de procurar uma nova gravadora, desfazer a banda. Siouxsie e Budgie conversariam com a Polydor e conseguiriam que a gravadora lançasse A Bestiary of The Creatures, coletânea da banda que trazia todas as faixas de Wild Things e Feast, mais três B-Sides. Um inesperado sucesso de vendas dessa coletânea, provavelmente causado por fãs de Siouxsie and the Banshees que estavam atrás de mais material da banda, faria com que Siouxsie e Budgie recebessem uma proposta da gravadora belga PIAS, pela qual lançariam mais um álbum das Creatures, Anima Animus, em fevereiro de 1999. Trazendo as músicas de trabalho 2nd Floor, Say e Prettiest Thing, o álbum mais uma vez agradaria à crítica, mas não teria vendas expressivas.

Em maio de 2000, seria lançada mais uma coletânea das Creatures, dessa vez pela gravadora norte-americana Instinct Records, que lançaria os três álbuns da banda nos Estados Unidos, mas nenhum dos singles. Chamada U.S. Retrace, ela trazia apenas B-Sides desses singles, e a princípio seria um lançamento exclusivo para os Estados Unidos, mas Siouxsie conseguiria lançá-la também na Europa, sob o selo Sioux Records - que já havia sido usado no lançamento de Anima Animus no Reino Unido. Entre 1999 e 2002, Siouxsie e Budgie também fariam vários shows na Europa e nos Estados Unidos, se apresentando como The Creatures; enquanto isso, Severin tentava sem sucesso emplacar uma carreira solo, lançando dois "álbuns conceituais", Maldoror, de 1999, e The Woman in the Dunes, de 2000, antes de conseguir engatar uma bem sucedida carreira como compositor de trilhas sonoras.

Em 2002, a Universal Music compraria os direitos sobre todos os álbuns de Siouxsie and the Banshees, e lançaria a coletânea The Best of Siouxsie and the Banshees, em novembro. Antes disso, em abril de 2002, Siouxsie, Severin, Budgie e Chandler decidiriam ressuscitar a banda e sair em uma nova turnê mundial, chamada The Seven Year Itch; um dos shows dessa turnê, em Londres, seria gravado e lançado em maio de 2003 como um álbum ao vivo, também chamado The Seven Year Itch, pela gravadora Sanctuary. Enquanto estavam fazendo shows no Japão, Siouxsie e Budgie aproveitariam um intervalo da turnê para gravar o quarto e último álbum das Creatures, Hái, lançado em outubro de 2003, que contava com a participação do baterista Leonard Eto e tinha fortes influências da música japonesa. Tendo como única música de trabalho Godzilla!, o álbum seria mais uma vez aclamado pela crítica, mas teria vendas baixas.

Em março de 2004, McGeoch faleceria dormindo após um ataque epilético. Siouxsie e Budgie só descobriram meses depois, ao tentar entrar em contato com ele para convidá-lo para uma nova turnê que estavam pensando em iniciar naquele ano, e ficaram muito abalados. Diante do ocorrido, eles decidiriam cancelar a turnê e produzir uma caixa chamada Downside Up, que continha B-Sides, raridades e o EP The Thorn, em um total de quatro discos, lançada em novembro de 2004 pela Universal. Com isso, The Seven Year Itch se tornaria a última turnê da banda, que jamais voltaria a se reunir novamente.

Desde o final de 2004, porém, Siouxsie, usando apenas esse nome (sem o "Sioux"), faria shows solo, acompanhada de músicos contratados; um desses shows, no Royal Festival Hall, em Londres, no qual ela cantaria acompanhada por uma orquestra de 16 músicos chamada The Millenia Ensemble, por Budgie e por Eto, seria gravado e lançado em setembro de 2005 como o DVD Dreamshow, que chegaria ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Esse também seria o último show no qual Siouxsie e Budgie estariam juntos, com o casal se afastando cada vez mais até decidir se separar em 2007. Aliás, em seus shows solo, Siouxsie cantaria músicas das bandas Siouxsie and the Banshees e The Creatures, até justamente 2007, quando lançaria seu primeiro, e até agora único, álbum solo, Mantaray, cujas músicas também passariam a ser incluídas nos shows a partir de então. Lançado pela Universal em Setembro e tendo como músicas de trabalho Into a Swan, Here Comes That Day e About to Happen, o álbum seria mais um grande sucesso de crítica, mas chegaria apenas à posição 39 na OCC.

Em 2006, The Scream, Join Hands, Kaleidoscope e Juju seriam relançados pela Universal em versões remasterizadas e com faixas extras; em outubro do mesmo ano, seria lançado, também pela Universal, Voices on the Air: The Peel Sessions, coletânea que reunia dois EPs, originalmente lançados pela pequena gravadora Strange Fruit, em 1987 e 1989 (chamados The Peel Sessions e The Peel Sessions: The Second Session), que, por sua vez, eram as gravações de duas apresentações de Siouxsie and the Banshees no programa de John Peel, na rádio BBC, ocorridas em 29 de novembro de 1977 e 6 de fevereiro de 1978. Em 2009, seria a vez de Siouxsie and the Banshees at the BBC, caixa com três CDs e um DVD que reunia apresentações da banda na rádio BBC, músicas tocadas ao vivo durante concertos patrocinados pela BBC e apresentações em programas de TV da BBC entre 1977 e 1991 - ou seja, tudo o que a banda fez para a BBC durante sua carreira. Também em 2009, seriam lançadas as versões remasterizadas de A Kiss in the Dreamhouse, Hyæna e Tinderbox; Peepshow, Superstition e The Rapture ganhariam as suas em 2014.

Após a turnê de Mantaray, Siouxsie faria um hiato de cinco anos, somente voltando a se apresentar em 2013. Em 2015, ela lançaria sua primeira música nova desde o álbum, Love Crime, trilha sonora da série Hannibal. Desde então, ela tem feito participações esporádicas em festivais, e mantém boas relações com Budgie e Severin, trabalhando com eles principalmente em projetos relacionados às suas duas ex-bandas. O mais recente desses projetos foi All Souls, coletânea de Siouxsie and the Banshees lançada em outubro de 2022, somente com músicas que falam de ocultismo, morte e festivais como o Halloween e o Día de los Muertos do México, selecionadas pessoalmente por Siouxsie.
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sábado, 12 de outubro de 2024

Escrito por em 12.10.24 com 0 comentários

Sneaker Pimps / Scheer

Eu gostei da ideia que tive quando fiz o post duplo falando da Banks e das Bangles, então hoje eu vou repetir a dose falando de duas bandas das quais eu gosto, mas que tiveram carreiras curtas demais para ganharem cada uma seu próprio post. Ambas têm estilos musicais bem diferentes, mas ambas eu conheci na Mtv, recém-saído da adolescência, no programa Lado B, que era o que eu mais gostava.

Vamos começar pela que teve a carreira mais longa, os Sneaker Pimps. A banda teria sua gênese no final dos anos 1980, quando o guitarrista Chris Corner e o tecladista Liam Howe, ainda adolescentes, se conheceriam na cidade onde moravam, Hartlepool, na Inglaterra, e decidiriam montar um duo de música eletrônica chamado F.R.I.S.K. Na época, estava começando a surgir o estilo hoje conhecido como trip hop, e os dois decidiriam produzir e gravar por conta própria um EP, chamado Soul of Indiscretion, lançado em 1990. O EP faria um relativo sucesso e garantiria um contrato com a Clean Up Records, pela qual eles lançariam mais dois EPs, F.R.I.S.K., de 1991, e World as a Cone, de 1992. Sem conseguir emplacar músicas nas rádios nem um contrato para o lançamento de um LP, eles decidiriam desfazer o duo e passar a trabalhar como DJs e como produtores de outras bandas com contrato com a Clean Up.

Em 1994, através da Clean Up, eles conheceriam o compositor Ian Pickering, e decidiriam contratá-lo para escrever músicas para uma nova banda, que eles decidiriam chamar de Sneaker Pimps, nome tirado de um artigo escrito pela banda Beastie Boys para a revista Grand Royal Magazine, sobre um homem cujo emprego era encontrar e comprar tênis (sneakers, em inglês) raros para colecionadores. Corner e Howe contratariam o baixista Joe Wilson e o baterista Dave Westlake, e gravariam algumas músicas com Corner nos vocais, mas chegaria à conclusão de que as músicas ficariam melhores com uma voz feminina. Seu empresário, então, indicaria Kelli Dayton, que, na época era vocalista da banda The Lumieres. Corner e Howe assistiriam a um show dela em um pub, e concluiriam que a voz dela era exatamente o que estavam procurando, convidando-a logo após esse show.

Kelli aceitaria e gravaria uma demo de 6 Underground, que seu empresário usaria para conseguir para os Sneaker Pimps um contrato com a gravadora Virgin, para gravar seu primeiro álbum, Becoming X, lançado em agosto de 1996. Com nada menos que cinco músicas de trabalho - Tesko Suicide, Roll On, 6 Underground, Spin Spin Sugar e Post-Modern Sleaze - o álbum começaria como um sucesso moderado, mas ganharia tração ao ser lançado nos Estados Unidos, em fevereiro de 1997, quando o clipe de Spin Spin Sugar se tornaria um dos mais exibidos pela Mtv. Somando as vendas do mundo inteiro, Becoming X venderia mais de um milhão de cópias, rendendo um Disco de Ouro no Reino Unido e chegando à posição 111 na parada da Billboard. Sua turnê de lançamento duraria dois anos, e incluiria vários shows conjuntos com Aphex Twin, um dos DJs que atraíam mais público na época.

Oficialmente, os Sneaker Pimps eram apenas Kelli, Corner e Howe, com Wilson e Westlake, mesmo também participando da turnê, sendo considerado músicos contratados. Durante a perna da turnê nos Estados Unidos, Howe alegaria cansaço e retornaria à Inglaterra, sendo substituído por vários músicos nos shows seguintes; algumas notícias diriam que ele havia deixado a banda, mas ele negaria, e aproveitaria para trabalhar na produção de um álbum de remixes, chamado Becoming Remixed, lançado em março de 1998.

Ao voltar da turnê, Howe e Corner decidiriam montar seu próprio estúdio, chamado Line of Flight, no qual eles produziriam e gravariam não somente os próximos lançamentos dos Sneaker Pimps, mas também álbuns de outras bandas de música eletrônica do Reino Unido. Também alegando cansaço, Kelli pediria para passar um tempo viajando, e, ao retornar, teria uma grande surpresa: enquanto produziam o segundo álbum dos Skeaker Pimps, devido à ausência de Kelli, Corner mais uma vez faria os vocais durante os ensaios. Quando Kelli retornasse, seria informada que, diferentemente do que aconteceu no primeiro álbum, a dupla achava que as músicas do segundo pediam uma voz masculina, simplesmente demitindo a moça e transformando os Sneaker Pimps em um duo. A Virgin, que havia contratado a banda graças à presença de Kelli, não concordaria com a mudança e cancelaria o contrato, o que faria com que o segundo álbum dos Sneaker Pimps fosse lançado pela Clean Up.

Kelli, por sua vez, não se abalaria com a demissão: conseguindo um contrato com a gravadora One Little Indian, ela seguiria carreira solo, usando o nome Kelli Ali, em homenagem a seu pai, que havia acabado de falecer. Ela lançaria três álbuns, Tigermouth, de 2003, Psychic Cat, de 2004, e Rocking Horse, de 2008, todos de música eletrônica e com sucesso moderado na Europa, rendendo os hits Kids, Inferno High Love, Teardrop Hittin' the Ground e Hot Lips, esse último um grande sucesso nas rádios do Reino Unido. Sua primeira turnê solo, em 2003, seria abrindo para o Garbage. De 2008 para cá, ela trabalharia principalmente colaborando com outros cantores, como Ozymandias e o duo Cult With No Name, e se envolveria com cinema, produzindo o longa metragem Ghostdriver, para o qual também faria a trilha sonora, sendo seu último lançamento um álbum também chamado Ghostdriver, de 2021.

Voltando aos Sneaker Pimps, seu segundo álbum, Splinter, seria lançado em outubro de 1999, apenas com Corner e Howe como membros fixos, e as demais posições sendo preenchidas por músicos contratados, incluindo, mais uma vez, Wilson e Westlake. Talvez nada surpreendentemente, o álbum falharia em repetir o sucesso do primeiro, teria apenas uma música de trabalho (a faixa-título), e não renderia uma turnê própria, apenas uma em conjunto com o Placebo, ao final da qual o duo também seria demitido da Clean Up.

Diante do insucesso, Corner e Howe decidiriam voltar a investir na carreira de produtores, até conseguirem, inesperadamente, um contrato com a pequena gravadora Tommy Boy Records. Eles aproveitariam para gravar mais um álbum, Bloodsport, lançado em janeiro de 2002, que teria como músicas de trabalho KiroTV e Loretta Young Skills. Esse seria o último álbum com a participação de Wilson e Westlake, que, talvez cansados de serem creditados como músicos contratados, decidiriam se dedicar a outros projetos.

Após o lançamento de Bloodsport, Corner e Howe gravariam várias músicas originalmente criadas para um quarto álbum dos Sneaker Pimps, mas que, sem um contrato com uma gravadora, seriam engavetadas. Corner começaria a compor as músicas para serem a trilha sonora de um longa animado chamado Blind Michael, que também seria cancelado. Algumas dessas músicas, ainda em versão demo, vazariam na internet, e seriam apelidadas pelos fãs, coletivamente, como SP4. Após o vazamento, Corner tentaria concluir algumas delas e as lançaria como sendo de uma banda chamada IAMX - na verdade um projeto solo de Corner, que incluía uma turnê que combinava música, imagens projetadas e realidade virtual.

Em 2006, novas músicas em versão demo vazariam na internet, cantadas por uma vocalista não identificada, e ganhariam o apelido de SP5 Demos. Durante muitos anos, haveria uma discussão sobre se essas faixas realmente haviam sido gravadas pelos Sneaker Pimps, até que os próprios Corner e Howe confirmariam que se tratava de um projeto que eles começaram mas abandonaram, e que alguém pegou um MiniDisc que eles haviam gravado e levou para a Rússia, onde as músicas primeiro seriam tocadas em um bar local, depois vazadas na internet.

Corner e Howe passariam os anos seguintes trabalhando como produtores, DJs e fazendo remixes, com Corner de vez em quando fazendo shows com o IAMX, até que, em 2015, começariam a surgir rumores de que os Sneaker Pimps iriam voltar com um novo álbum. Corner confirmaria a informação em 2016, mas os verdadeiros trabalhos de gravação começariam apenas em 2019. Durante a pandemia, versões de luxo de Becoming X, Splinter e Bloodsport seriam lançadas, em preparação para o novo álbum.

Com o nome de Squaring the Circle, o quarto álbum dos Sneaker Pimps seria lançado em setembro de 2021 pela gravadora Unfall Productions. Cinco de suas 16 faixas estavam presentes nos SP5 Demos, com a vocalista misteriosa sendo identificada como Simonne Jones; outras três eram remixes de músicas lançadas originalmente por um projeto paralelo de Howe, semelhante ao IAMX, chamado Ape Mink Press. Squaring the Circle faria pouco sucesso, e seria considerado apenas mais do mesmo pela maior parte da crítica. Desde seu lançamento, Corner e Howe voltariam a trabalhar como produtores; ainda não há planos para o lançamento de um novo álbum.

Agora vamos para a que teve a carreira mais curta, o Scheer. Assim como os Sneaker Pimps, o Scheer é uma banda britânica, que teve sua gênese no final dos anos 1980 quando dois adolescentes se conheceram e decidiram tocar juntos. A diferença é que, no caso do Scheer, esses amigos moravam em Derry, Irlanda do Norte, e não tinham interesse em música eletrônica, querendo montar uma banda de rock pesado, cuja principal inspiração era o Metallica. Esses amigos eram o guitarrista Paddy Leyden e o baixista PJ Doherty, apelido Doc.

Como não podiam montar uma banda de rock sozinhos, os dois colocaram anúncios em publicações locais, através das quais conheceram o guitarrista Neal Calderwood e o baterista Joe Bates. Já com o nome de Scheer, os quatro começariam a tocar em pubs e casas noturnas do Condado de Londonderry em 1990, inicialmente com Doc como vocalista. Um dia, eles conheceram Audrey Gallagher, nascida em uma pequena cidade curiosamente chamada Moneyglass, que também estava tentando começar uma carreira como cantora, e acharam que seu estilo vocal, meigo e sussurrante, faria um contraste apropriado com o som pesado do grupo, poderia se tornar sua marca distintiva e ajudar a banda a chamar atenção de algum empresário. A estratégia daria certo, e, com Audrey nos vocais, o Scheer conseguiria contratos para shows em casas noturnas de toda a ilha da Irlanda.

Durante um show em Belfast em 1993, um representante da pequena gravadora irlandesa SON procuraria a banda e ofereceria um contrato para gravar um single, que seria oferecido às principais rádios alternativas da Irlanda do Norte. Para esse single, a banda escolheria Wish You Were Dead, que rapidamente se tornaria um grande sucesso na cena alternativa irlandesa. O sucesso da música nas rádios animaria a SON a gravar um EP, chamado Psychobabble, com quatro faixas, lançado em 1994. A música de trabalho desse EP, Howling Boy, também seria um grande sucesso nas rádios alternativas.

Rapidamente o Scheer começava a se tornar uma das bandas mais pedidas nas rádios da Irlanda, o que chamou a atenção de uma gravadora bem maior, a 4AD, com quem eles assinaram contrato em abril de 1995. Doc não concordava com os termos do contrato, achando que ele seria desfavorável à banda, e decidiu sair antes da assinatura, sendo substituído pelo baixista Peter Fleming, indicado por Audrey. O primeiro lançamento do Scheer pela 4AD seria mais um EP de quatro faixas, que eles decidiriam chamar de The Schism ("o cisma", aquilo que acontece quando os membros de um grupo se desentendem e um ou mais decidem sair), lançado ainda em 1995.

Após o lançamento de The Schism, o Scheer sairia em turnê pelo Reino Unido, onde conseguiria bons públicos e resenhas extremamente favoráveis da crítica. Em seus shows, eles cantariam algumas das músicas lançadas em seus EPs e algumas das que estavam gravando para seu primeiro álbum, Infliction, que seria lançado em maio de 1996. Infliction traria versões regravadas, com novos arranjos, de Howling Boy, Screaming (ambas do EP Psychobabble), Baby Size (do EP The Schism) e Wish You Were Dead, que seria a segunda música de trabalho do álbum, entre Shéa e Demon, a mais elogiada pela crítica.

Infliction dividiria a crítica, que notaria que ele tinha duas metades muito bem definidas, a primeira mais pesada, a segunda mais melódica, e, apesar de elogiar fortemente o desempenho de Audrey, comparada a Kristin Hersh, do Throwing Muses, e a Alison Shaw, dos Cranes, consideraria o álbum "promissor, mas inconsistente". Apesar de o álbum entrar para o Top 100 do Reino Unido, na posição 83, as vendas também seriam abaixo do esperado pela 4AD, com a gravadora colocando a culpa nas escolhas da banda para as imagens de capa - um ferimento suturado na capa, um carrapato sugando sangue na contracapa.

Após o lançamento de Infliction, o Scheer sairia em outra turnê pelo Reino Unido, e, em 1997, voltaria a estúdio para começar a gravar seu segundo álbum. Aí seria a vez de Audrey e Leyden darem razão a Doc e acharem que o contrato com a 4AD era muito desfavorável à banda - que praticamente não recebia nada pelos singles de Shéa, Wish You Were Dead e Demon, lançados, respectivamente, em 1995, 1996 e 1997. Sem conseguir chegar a um acordo, o que impossibilitava a realização de novos shows e o lançamento do segundo álbum, eles decidiriam romper o contrato com a 4AD no início de 1998. A banda ainda tentaria conseguir marcar novos shows por conta própria, mas uma série de desentendimentos entre os membros fariam com que eles decidissem se separar, em outubro de 1998.

Com o fim da banda, Leyden decidiria fundar uma nova, chamada Vertigo Bird, com um som mais suave, que lembrava o dos Cocteau Twins. Já Fleming passaria a ser o baterista do trio Pulszar, formado por Annette Quinn e pelas irmãs Aisling e Kerri Ann Gallagher - que, apesar da coincidência, não são parentes de Audrey (e nenhuma das três é parente de Noel e Liam Gallagher, do Oasis, caso alguém esteja se perguntando). Falando em Audrey, ela e Calderwood decidiriam fundar, acreditem ou não, um duo de música eletrônica, chamado Lima, que não faria sucesso; Calderwood logo desistiria e decidiria abrir seu próprio estúdio de gravação, o ManorPark Studios. Após o fim da Lima, Chris Agnelli, do duo Agnelli & Nelson, encontraria uma fita demo da banda jogada no armário da BBC Radio Ulster, e, adorando a voz de Audrey, decidiriam convidá-la para uma colaboração. Assim, ela começaria uma extremamente bem sucedida carreira na música trance, providenciando vocais para faixas de nomes famosos do estilo, como John O'Callaghan, tyDi e Ashley Wallbridge, estando na ativa até hoje e já tendo participado de mais de 30 álbuns, o mais recente sendo Going Home, do duo canadense SMR LVE, lançado em 2023.

Mas o Scheer ainda teve um "capítulo póstumo": após romper contrato com a 4AD, a banda entraria na justiça pelo direito de lançar as canções que já haviam gravado de forma independente, com o resultado sendo favorável a eles e saindo no final de 1999. Assim, em maio de 2000 sairia o segundo álbum do Scheer, apropriadamente chamado ...And Finally, financiado pela própria banda e lançado através do selo Schism Records, criado especialmente para isso. ...And Finally seria bem recebido pela crítica, que consideraria que o som do Scheer havia evoluído, e lamentou o fim da banda, afirmando que ela tinha potencial para se tornar muito mais se tivesse tido a chance. Sendo lançado de forma independente, o álbum não teve músicas de trabalho nem vendas suficientes para transformá-lo em destaque - talvez porque novamente tenha uma capa, digamos, de mau gosto, mostrando dois pés com uma etiqueta no dedão, como os de um cadáver no necrotério.
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sábado, 31 de agosto de 2024

Escrito por em 31.8.24 com 0 comentários

Helloween

Eu não me considero fã de metal. Conheço algumas bandas, gosto de algumas músicas, mas a maioria, quando toca, eu não reconheço de quem é - sendo o contrário também válido, tipo, "fala aí uma música do Motörhead", eu não vou saber responder. Existem duas bandas de metal, porém, das quais eu realmente gosto, a nível de conhecer várias músicas de cada uma e até saber cantar algumas. Sobre uma delas, o Iron Maiden, eu já falei. Sobre a outra, eu vou falar hoje. Hoje é dia de Helloween no átomo!


O Helloween foi formado em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, no ano de 1983, após um verdadeiro troca-troca em quatro outras bandas. Tudo começou com Piet Sielck, que nunca fez parte do Helloween, mas, em 1978, fundaria uma banda chamada Gentry, na qual ele era o vocalista e Kai Hansen era o guitarrista. Em 1982, Sielck decidiria deixar a banda e começar uma carreira de produtor musical, voltando a ser vocalista de uma banda apenas em 1996, quando fundaria a Iron Savior; com a saída de Sielck, Hansen assumiria os vocais. Cerca de um ano depois, a banda Powerfool também ficaria sem vocalista, e o guitarrista Michael Weikath convidaria Hansen para a posição. Após horas de conversa, ao invés de trocar a Gentry pela Powerfool, Hansen decidiria fundar uma nova banda em parceria com Weikath, chamando também o baterista Ingo Schwichtenberg, que havia sido da Gentry e estava na Iron Fist. O quarteto se completaria com o baixista Markus Grosskopf, que havia conhecido Hansen no ano anterior, e estava tocando com a Second Hell.

A formação original do Helloween, portanto, contaria com Kai Hansen nos vocais e guitarra, Michael Weikath na guitarra, Markus Grosskopf no baixo e Ingo Schwichteberg na bateria. O nome seria uma sugestão de Schwichtenberg, que "gostava da palavra hell" ("inferno" em inglês, mas, curiosamente, o adjetivo "brilhante" em alemão), e quis fazer um trocadilho com Halloween, o famoso dia das bruxas associado à cultura dos Estados Unidos. Os quatro conseguiriam um contrato com a novata Noise Records, fundada no mesmo ano de 1983, para gravar não um disco próprio, mas duas faixas para a coletânea Death Metal, lançada em maio de 1984, que também contaria com as bandas Hellhammer, Running Wild e Dark Avenger - curiosamente, apesar do nome do álbum, nenhuma delas, nem mesmo o Helloween, de death metal.

A coletânea seria um sucesso, e a Noise decidiria financiar a gravação de um EP para o Helloween, com a condição de que eles mesmos atuassem como produtores, já que ela não tinha dinheiro para contratar um. Lançado em abril de 1985 e chamado simplesmente Helloween, o EP, que contava com cinco faixas, teve boas vendas, e motivou a Noise a financiar o primeiro álbum da banda, chamado Walls of Jericho, que seria lançado ainda em 1985, em novembro, trazendo mais nove músicas. O álbum faria um sucesso moderado, e teria uma história bizarra: originalmente, ele seria lançado em LP e cassete, mas, devido a um erro de produção da primeira tiragem, o lado A da fita cassete, ao invés das cinco faixas do lado A do LP, trazia as cinco faixas do lado A de To Mega Therion, da banda de extreme metal suíça Celtic Frost, o que confundiu muita gente que comprou a fita para conhecer o Helloween - como era outra época, ficou tudo por isso mesmo, e quem quis a fita certa teve de comprar outra, com a Noise colocando a culpa na fábrica e não fazendo nenhuma troca.

Após o lançamento de Walls of Jericho, o Helloween sairia em uma turnê pela Alemanha Ocidental, durante a qual Hansen reclamaria que tinha muita dificuldade para cantar e tocar guitarra ao mesmo tempo. A banda, então, concordaria que, ao fim da turnê, procuraria outro vocalista, com Hansen passando a ser apenas guitarrista, o que faria com que Walls of Jericho se tornasse, além do primeiro, o único álbum do Helloween com a formação original da banda e Hansen nos vocais. Após a turnê, Hansen ainda gravaria mais uma música como vocalista, Judas, que seria lançada em um EP de mesmo nome em 1986, junto com duas faixas de estúdio gravadas mas não lançadas para Walls of Jericho e versões ao vivo dos então dois maiores sucessos da banda, Ride the Sky e Guardians, gravadas durante um show em Gelsenkirchen. Quando Walls of Jericho foi lançado em CD, em 1987, além de suas nove faixas originais, ele traria Judas e quatro das faixas do EP Helloween.

Para substituir Hansen, a banda escolheria Michael Kiske, na época com 18 anos e vocalista da banda Ill Prophecy, também de Hamburgo. Kiske ouviu Walls of Jericho e não gostou, respondendo que não estava interessado, mas a banda conseguiu convencê-lo a assistir a uma das sessões nas quais eles estavam compondo as músicas de seu segundo álbum, modificando alguns arranjos para que elas ficassem mais adequadas a seu estilo; após essa sessão, ele mudaria de ideia e aceitaria o convite.

Com uma nova formação, com Kiske nos vocais, Hansen e Weikath nas guitarras, Grosskopf no baixo e Schwichtenberg na bateria, o Helloween proporia à Noise a gravação de um álbum duplo - que a gravadora rejeitaria. Diante disso, eles decidiriam chamar seu segundo álbum de Keeper of the Seven Keys: Part I. Lançado em maio de 1987, o álbum levaria quase um ano para ficar pronto, durante o qual Weikath seria internado com um colapso nervoso, o que faria com que apenas uma das faixas, A Tale That Wasn't Right, fosse composta por ele, com todas as demais sendo de Hansen, exceto A Little Time, composta por Kiske - nos trabalhos anteriores, a autoria das músicas seria dividida igualmente entre Hansen e Weikath. Também por causa da internação, Weikath só conseguiria gravar os solos de guitarra das músicas, com todas as demais guitarras das faixas ficando a cargo de Hansen.

Até Judas, o Helloween pertencia ao estilo conhecido como speed metal, mas, para Keeper of the Seven Keys: Part I, eles decidiriam mudar para o power metal. A mudança daria super certo, com o álbum sendo considerado um dos maiores expoentes do power metal de todos os tempos, o modelo no qual todas as bandas de power metal deveriam se espelhar, recebendo excelentes avaliações de todas as publicações especializadas. Isso motivaria a Noise a lançar uma música de trabalho, Future World, e renderia um contrato com a gravadora RCA para que o álbum fosse lançado nos Estados Unidos; a RCA também financiaria a gravação de um clipe para a música Halloween, mas com a canção editada, para que ele pudesse ser exibido na Mtv - a faixa tem um pouco mais de 13 minutos de duração, mas a versão do clipe tem um pouco menos de cinco. A RCA também financiaria a primeira turnê internacional do Helloween pelos Estados Unidos, conjunta com a banda britânica Grim Reaper e com a americana Armored Saint; em troca, sua turnê europeia seria conjunta com a banda americana Overkill.

Ao retornar da turnê, Hansen se diria exausto, e pediria para que a banda tirasse um ano sabático, durante o qual não faria nenhum show. Os demais integrantes, porém, seriam contra, achando que a banda estava ganhando tração, e que um ano sem shows poderia prejudicar as vendas do álbum seguinte - que, devido ao sucesso do Keeper of the Seven Keys: Part I, se chamaria Keeper of the Seven Keys: Part II. As discussões entre Hansen e Weikath rapidamente passariam de se a banda deveria dar um tempo dos shows ou não para qual tipo de música eles deveriam gravar no álbum seguinte, se deveriam contratar um produtor de renome ou não, e logo os dois estariam discutindo pelas coisas mais insignificantes, o que levaria Hansen a considerar sair da banda.

Ele ainda ficaria, porém, para Keeper of the Seven Keys: Part II, lançado em agosto de 1988, do qual cinco das nove faixas eram de Weikath - com duas sendo de Hansen e outras duas de Kiske. O álbum seria um sucesso maior ainda, rendendo um Disco de Ouro e quase entrando no Top 100 da Billboard, onde chegou à posição 108; ele seria o quinto álbum mais vendido do ano na Alemanha Ocidental, uma proeza para uma banda de metal, e seria eleito um dos dez maiores álbuns de metal de todos os tempos pela revista britânica Metal Hammer. Suas músicas de trabalho seriam Dr. Stein, que chegaria à posição 57 da Billboard, e I Want Out, que tornaria a música mais famosa da carreira do Helloween, sendo regravada nos anos seguintes por outras bandas de metal, como Unisonic, Hammerfall e Sonata Arctica. Em 1993, ambas as partes de Keeper of the Seven Keys seriam relançadas como um único álbum duplo, com três faixas-bônus.

O enorme sucesso do álbum levaria a um convite para tocar no Monsters of Rock de 1988, ao lado de Iron Maiden, David Lee Roth, Kiss, Megadeth e Guns N' Roses. Também em 1988, o Helloween abriria os shows da parte europeia da turnê Seventh Tour of a Seventh Tour, do Iron Maiden, e sairia em uma turnê solo internacional, com shows na Europa, Ásia e Estados Unidos - um dos shows dessa turnê, em Edimburgo, Escócia, seria gravado e lançado em abril de 1989 como o primeiro álbum ao vivo do Helloween, chamado Live in the U.K. na Europa, I Want Out Live nos Estados Unidos e Keepers Live no Japão. A turnê teria a participação de Jörn Ellerbrock nos teclados, que já começavam a se tornar comuns em várias faixas da banda - Dr. Stein tinha até um solo de órgão.

Infelizmente, o sucesso também faria com que as animosidades entre Hansen e os demais membros da banda continuassem crescendo, dessa vez envolvendo também a Noise, já que Hansen e Weikath consideravam que a gravadora pagava muito pouco à banda diante do sucesso que eles estavam fazendo e das vendas de seus álbuns. No final de 1988, a Mtv convidaria o Helloween para fazer parte da turnê Headbangers Ball Tour, que ocorreria em 1989, o que levaria Hansen a reunir a banda e perguntar se eles poderiam passar todo o ano de 1989 sem fazer nenhum show, porque ele já não estava aguentando mais. Diante da negativa da banda, em dezembro de 1988 ele anunciaria sua saída, sendo substituído no mês seguinte por Roland Grapow, da banda Rampage - anos mais tarde, Weikath confessaria já ter começado a procurar um novo guitarrista quando Hansen começou a se desentender com a banda lá em 1987, e ter mantido o nome de Grapow em mente "para um momento oportuno". Grapow, por sua vez, era mecânico de automóveis, e declarou que, se Weikath não o tivesse convidado, teria desistido da música, pois sentia que não ia a lugar algum com o Rampage.

Grapow tocaria com o Helloween na Headbangers Ball Tour, que contaria também com as bandas Exodus e Anthrax; Kiske reclamaria que essas duas bandas eram de thrash metal, e que o som do Helloween não combinava com os delas, mas os shows seriam enormes sucessos, e levariam a um convite para que eles assinassem contrato com a gravadora EMI - e a um processo da Noise, que alegaria quebra de contrato. Em uma ironia do destino que deve ter agradado Hansen, o juiz que recebeu a petição da Noise ordenou que o Helloween estava proibido de fazer qualquer apresentação ao vivo, o que fez com que eles ficassem de junho de 1989 a abril de 1992 sem fazer nenhum show.

Eles podiam, porém, gravar álbuns, e seu primeiro com Grapow e a EMI seria Pink Bubbles Go Ape, cujas músicas de trabalho foram Kids of the Century e Number One. Devido ao embate entre Noise e EMI, a banda teve que pagar parte das gravações do próprio bolso, gastando quase 400 mil libras esterlinas; além disso, também por causa da ação judicial, o álbum só pôde ser lançado na Alemanha (já unificada) e nos Estados Unidos em abril de 1992, mesmo já estando disponível no Reino Unido e Japão desde março de 1991. Na época o cenário musical já havia mudado bastante, o que levaria o Helloween a se aproximar do hard rock, deixando de lado o metal não somente no estilo musical mas também na iconografia - a capa do álbum trazia uma fotografia surreal, ao estilo das bandas de rock da época, e não ilustrações que remetiam à fantasia, como era tradicional para bandas de metal. Todos esses fatores combinados fariam com que o álbum fosse um grande fracasso de vendas e de crítica, e com que novas tensões surgissem entre os integrantes da banda.

Em abril de 1992, EMI e Noise finalmente chegariam a um acordo, que permitiria não somente o lançamento de Pink Bubbles Go Ape em seus dois principais mercados, mas também que a banda finalmente saísse em uma turnê para divulgá-lo, que começaria na Alemanha, passaria para o restante da Europa, e terminaria no Japão. Querendo recuperar o prejuízo, a banda lançaria seu quinto álbum, Chameleon, em maio de 1993. Com quatro músicas de trabalho (When the Sinner, I Don't Wanna Cry No More, Windmill e Step Out of Hell), Chameleon era um álbum experimental, com o som mais parecido com o do Queen e de Stevie Ray Vaughan do que com o metal do início da carreira ou o hard rock do lançamento anterior, o que desagradaria aos fãs antigos e falharia em atrair novos, levando a mais um grande fracasso de vendas e crítica e ao fim do contrato com a EMI.

Durante a turnê de Chameleon, que teria shows apenas na Europa, Schwichtenberg começaria a apresentar traços de depressão e esquizofrenia, que ele atribuiria ao uso de álcool e drogas; alegando ser impossível continuar trabalhando com ele, Weikath e Grosskopf decidiriam demiti-lo, com o baterista declarando ter sido pego de surpresa pela decisão. A demissão de Schwichtenberg faria com que vários shows da turnê fossem cancelados, com Ritchie Abdel-Nabi sendo contratado temporariamente apenas até o final da mesma; os shows com sua participação, entretanto, teriam baixíssimo público, que reclamaria não tanto da substituição de Schwichtenberg, mas mais do fato de que o Helloween tocava apenas músicas de Chameleon e Pink Bubbles Go Ape, ignorando suas origens. Isso irritava não somente o público, mas também Kiske, que chegou a declarar publicamente que gostaria de cantar mais canções antigas no show. No final de 1993, o clima entre Kiske, Weikath e Grosskopf ficaria insustentável, e o vocalista acabaria também demitido, ingressando em uma bem sucedida carreira solo. Assim, o Helloween entraria em 1994 sem vocalista, sem baterista e sem gravadora.

Weikath e Grosskopf acabariam concluindo que a única forma de salvar a banda seria um volta às origens, ou seja, gravar um novo álbum de power metal. A toque de caixa, eles conseguiriam um contrato com a pequena gravadora Castle Records, e contratariam, apenas para a gravação do álbum, o vocalista Andi Deris, da Pink Cream 69, e o baterista Uli Kusch, da Gamma Ray; os dois seriam efetivados como membros plenos da banda pouco após o lançamento do álbum, em setembro de 1994 - Deris havia sido convidado por Weikath para se unir ao Helloween já em 1991, mas, como Kiske ainda era o vocalista, decidiria não aceitar; nos anos seguintes, sua relação com a Pink Cream 69 se deterioraria, e, após a demissão de Kiske, ao ser novamente convidado, decidiria aceitar antes que ele mesmo fosse demitido e acabasse desempregado.

O sexto álbum do Helloween se chamaria Master of the Rings, seria lançado em agosto de 1994, e teria como músicas de trabalho Mr. Ego ("dedicada" a Kiske), Where the Rain Grows, Perfect Gentleman e Sole Survivor. O álbum faria um sucesso moderado e seria seguido de uma curta turnê pela Europa, ao fim da qual o Helloween voltaria a estúdio para gravar seu sétimo, The Time of the Oath, lançado em março de 1996. Durante a turnê de Master of the Rings, Schwichtenberg, então com 29 anos, cometeria suicídio, com a banda decidindo dedicar The Time of the Oath à sua memória. The Time of the Oath teria como músicas de trabalho Power, The Time of the Oath e Forever and One (Neverland), e seria um álbum temático, com suas músicas representando as escolhas da humanidade após a realização das profecias de Nostradamus; mais uma vez faria um sucesso moderado, um pouco menor que o de Master of the Rings.

A turnê de The Time of the Oath daria origem a um álbum duplo ao vivo, High Live, gravado durante três shows, em Milão, na Itália, e em Pamplona e Girona, na Espanha, lançado em setembro de 1996. Mais uma vez, eles emendariam a turnê com a gravação de um novo álbum, Better Than Raw, lançado em março de 1998, trazendo I Can e Hey Lord! como músicas de trabalho. O álbum seria um pouco mais bem sucedido que os dois anteriores, e sua turnê, que começaria na Europa e terminaria no Japão, também teria o primeiro show do Helloween no Brasil e uma única apresentação nos Estados Unidos, primeiro show da banda lá em quase uma década. Depois de Better Than Raw, o Helloween lançaria um álbum de covers, Metal Jukebox, no qual regravaria, em ritmo de heavy metal, sucessos dos Scorpions, Jethro Tull, Faith no More, David Bowie, ABBA, Cream, e até mesmo All My Loving, dos Beatles.

Em 2000, o Helloween assinaria contrato com outra gravadora pequena, a Nuclear Blast, e lançaria mais um álbum experimental, The Dark Ride, com um som mais sujo e pesado que o habitual; lançado em outubro, ele teria como músicas de trabalho Mr. Torture e If I Could Fly, e seria mais um sucesso moderado. Imediatamente após sua turnê de lançamento, Grapow e Kusch seriam demitidos; a versão oficial seria a de que eles estavam dando mais atenção a uma banda paralela que os dois formaram durante a turnê, chamada Masterplan, do que aos shows do Helloween. Eles seriam substituídos pelo guitarrista Sascha Gerstner, que havia sido membro da Freedom Call e da Neumond, e pelo baterista Mark Cross, ex-integrante das bandas Metalium, Kingdom Come, At Vance e Firewind, ambos indicados por Charlie Bauerfeind, produtor de The Dark Ride.

Os dois estreariam no décimo álbum do Helloween, Rabbit Don't Come Easy, lançado em maio de 2003, que teve uma única música de trabalho, Just a Little Sign; Cross, entretanto, teve mononucleose e não pôde completar as gravações, participando apenas de duas faixas, nas demais sendo substituído pelo baterista do Motörhead, Mikkey Dee. Apesar de ser mais um retorno ao power metal tradicional da banda e de ter sido bem avaliado pela crítica, Rabbit Don't Come Easy não teria boas vendas, sendo considerado um fracasso pela gravadora; ainda assim, os shows na Europa teriam bom público, o que renderia uma nova turnê mundial, a primeira com mais de um show nos Estados Unidos desde 1989. Para a turnê, na qual o Helloween voltaria a tocar sucessos do início de sua carreira, o baterista seria Stefan Schwartzmann, ex-integrante das bandas Running Wild e Accept.

Schwartzmann se desentenderia com Weikath e Grosskopf ainda durante a turnê, porém, e seria demitido ao seu final, substituído por Daniel Löble, da banda Rawhead Rexx. Através de Bauerfeind, a banda também conseguiria um contrato com uma das maiores gravadoras da Alemanha, a SPV, que os colocaria em seu selo Steamhammer. Preocupados com a imagem da banda, que começava a ser chamada pela imprensa alemã de "uma porta giratória de músicos", Weikath e Grosskopf decidiriam voltar às origens mesmo, chamando seu décimo-primeiro álbum, lançado em outubro de 2005, de Keeper of the Seven Keys: The Legacy e o anunciando como uma continuação das Partes I e II. De fato, o álbum possui um som bem parecido com os dois clássicos da banda, embora em alguns momentos se aproxime mais do progressive metal do que do power metal; suas músicas de trabalho seriam Mrs. God e Light the Universe, que contava com a participação da vocalista Candice Night, da banda Blackmore's Night, mas um de seus maiores destaques seria sua primeira faixa, The King for a 1000 Years, de 13 minutos e 54 segundos, a mais longa da carreira da banda - aliás, tudo em Keeper of the Seven Keys: The Legacy seria exagerado, já que ele seria um álbum duplo de 77 minutos vendido em um digipack de seis seções.

O álbum seria mais um grande sucesso de crítica, mas mais um sucesso moderado de público; sua turnê, entretanto, teria shows lotados em quase todas as datas, e mais uma vez rodaria o mundo. Essa turnê daria origem ao pack Keeper of the Seven Keys – The Legacy World Tour 2005/2006, lançado em fevereiro de 2007 e composto de dois CDs e dois DVDs; os CDs, um álbum duplo chamado Live in São Paulo, traziam a gravação de um show realizado em São Paulo, Brasil, enquanto um dos DVDs, chamado Live On 3 Continents, trazia partes dos shows de São Paulo, Tóquio e Sófia, na Bulgária - o segundo DVD trazia clipes, entrevistas, um mini-documentário e a gravação da apresentação da música Halloween no Monsters of Rock de Vizovice, Tchéquia, em 2007.

Logo após o fim da turnê, o Helloween voltaria ao estúdio para gravar Gambling with the Devil, lançado em outubro de 2007, que contaria com a participação especial de Biff Byford, vocalista da banda Saxon, e teria uma única música de trabalho, As Long as I Fall, lançada exclusivamente online - além de uma das músicas mais famosas da banda, The Saints. Sua turnê mundial de lançamento seria conjunta com a Gamma Ray, nova banda de Hansen, com a maioria dos shows na Alemanha também contando com a banda Axxis. Nessa turnê, ao final de cada apresentação, Hansen se uniria ao Helloween para cantar I Want Out e Future World.

O lançamento seguinte da banda seria Unarmed - Best of 25th Anniversary, de janeiro de 2010, que celebraria seus 25 anos de carreira com regravações acústicas de seus maiores sucessos - incluindo The Keeper's Trilogy, um medley das canções Halloween, Keeper of the Seven Keys e The King for a 1000 Years gravado com a participação da Orquestra Sinfônica de Praga. Seu álbum seguinte de inéditas seria 7 Sinners, de outubro de 2010, disponibilizado totalmente online na página do Helloween no Myspace uma semana antes, e que tinha como única música de trabalho Are You Metal?, mais uma vez lançada exclusivamente online.

7 Sinners marcaria o fim do contrato com a SPV, e, ao invés de renovar, a banda decidiria assinar com a The End Records, menor mas sediada em Manhattan, visando uma maior penetração no mercado norte-americano. Seu primeiro álbum pela nova gravadora seria Straight Out of Hell, de janeiro de 2013, que trazia como músicas de trabalho Burning Sun e Nabataea. O álbum seria o maior sucesso do Helloween desde a saída de Hansen, entrando para o Top 100 da Billboard (na posição 97) e chegando ao quarto lugar na lista de mais vendidos da Alemanha. Sua turnê de lançamento incluiria um show no Rock in Rio, com a participação de Hansen tocando e cantando com a banda. Após o fim da turnê, insatisfeitos com a gravadora americana, eles decidiriam voltar para a Nuclear Blast, pela qual lançariam My God-Given Right, em maio de 2015; o álbum seria mais um grande sucesso na Europa, chegando à oitava posição da lista de mais vendidos na Alemanha, mas a banda optaria por não lançar músicas de trabalho.

Em novembro de 2016, o Helloween anunciaria a turnê Pumpkins United World Tour, com a participação de Hansen e Kiske, o que surpreenderia a muitos, já que as desavenças entre Kiske e Weikath eram públicas e notórias. Em entrevistas, Kiske diria que se encontraria por acaso com Weikath durante um festival de rock na Suécia em 2013, e que ele lhe pediria perdão e para que ele reatasse os laços com a banda; Kiske, então, conversaria com Hansen sobre o assunto, e acabaria percebendo que já havia perdoado Weikath, mesmo sem perceber. Curiosamente, ao ser perguntado se Grapow e Kusch também haviam sido convidados para a turnê, Grosskopf diria que não, porque senão haveria "gente demais" no palco. A turnê começaria no México, incluiria shows no Brasil, e traria um tributo a Schwichtenberg; Kiske e Deris cantariam as músicas que originalmente haviam gravado com a banda, enquanto Hansen cantaria um medley das canções de Walls of Jericho e atuaria como guitarrista nas demais. Kiske teria um problema se saúde um pouco antes do início da turnê, e seria acusado de cantar de playback, admitindo que de fato foi "ajudado por faixas pré-gravadas", mas apenas no primeiro show.

Um dos shows da turnê, em Madri, Espanha, seria gravado e lançado em outubro de 2019 como o álbum triplo ao vivo United Alive in Madrid, com faixas-bônus gravadas em Santiago do Chile, São Paulo, Praga e em Wacken, Alemanha. Pouco antes do início da turnê, em outubro de 2017, a banda disponibilizaria, gratuitamente para download, a faixa Pumpkins United, com a participação de Hansen e Kiske, o que levaria a especulações de que o Helloween poderia gravar um álbum com a formação da turnê. Em entrevistas, Deris diria que a possibilidade estava em aberto, enquanto Weikath e Hansen confirmariam ter conversas sobre o assunto; em agosto de 2018, a banda divulgaria oficialmente que, a pedido da Nuclear Blast, a "formação Pumpkins United" seria mantida para um novo álbum, ainda sem data prevista de lançamento. Alguns meses após o fim da turnê, o Helloween, ainda com a formação da Pumpkins United, se apresentaria no Rock in Rio 2019.

As gravações do novo álbum, assim como uma nova turnê, seriam interrompidos, assim como quase tudo na época, pela pandemia. Chamado simplesmente Helloween, e tendo como músicas de trabalho uma nova versão de Pumpkins United, Skyfall e Fear of the Fallen, o álbum seria lançado em junho de 2021, e se tornaria o mais bem sucedido da carreira da banda, chegando ao topo da lista dos mais vendidos na Alemanha e Espanha, ao topo da parada de rock e metal do Reino Unido, à posição 35 da Billboard, e rendendo mais um Disco de Ouro.

A formação atual do Helloween conta com Kiske e Deris como vocalistas, Hansen como vocalista e guitarrista, Weikath e Gerstener como guitarristas, Grosskopf como baixista e Löble como baterista. Em maio de 2023, eles entrariam para o Hall da Fama do Metal, e, em fevereiro de 2024, anunciariam uma nova troca de gravadora, agora assinando com a Reigning Phoenix. No momento eles estão em estúdio gravando seu décimo-sétimo álbum, que tem lançamento previsto para 2025.
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