O mundo dos videogames sobrevive à base de revoluções. Em outras palavras, alguém revoluciona o mercado, e as vendas se mantém altas até que a tal revolução se torna o lugar comum. Aí vem alguém e causa uma nova revolução, que sustentará as vendas até ocorrer a revolução seguinte.
Uma dessas revoluções ocorreu em 1992, quando a softhouse japonesa Capcom (mesma fabricante do Megaman) criou o jogo Street Fighter 2. Não foi o primeiro jogo de porrada inventado (até porque, como o próprio nome sugere, houve um "Street Fighter 1") mas foi o jogo que popularizou o estilo, proporcionou fama à SNK (a softhouse com mais jogos de porrada no currículo) e permitiu a criação de Mortal Kombat, como eu já disse em dois de meus posts pregressos.
A idéia de SF2 era muito simples. Irritantemente simples, para dizer a verdade. O jogador escolhia um personagem e, com ele, deveria enfrentar outros, até chegar em um chefe e vencer o jogo. Não havia fases nem nada, apenas um personagem contra o outro, até o fim. Para que não ficasse muito fácil, foram criados os "golpes especiais", acionados através de sequências de botões ("trás, baixo-frente, frente, soco"). Cada personagem tinha seus próprios golpes especiais, o que contribuía para definir suas personalidades. A única coisa em que os jogos de porrada costumam pecar é na história. Mas quase ninguém liga para esse detalhe, o importante é sair batendo nos outros.
O estilo de SF2 podia ser novo, e seu sucesso foi imenso, mas começou a cansar muito rápido. Para se manterem vivos e competitivos, os jogos de porrada tiveram que começar a inovar quase que imediatamente. Mortal Kombat criou os fatalities. Samurai Shodown introduziu armas. The King of Fighters 94 criou um sistema de times contra times, ao invés de lutadores individuais. Muitos jogos começaram a trazer a infame "barra de super", com a qual os especiais causariam muito mais dano, e até mesmo a muito mais infame "barra de cansaço", que impedia o lutador de bloquear se estivesse cheia. Mesmo com todos estes atrativos, os jogos de porrada ainda tinham uma dificuldade para angariar novos fãs: seus personagens eram, invariavelmente, novos. Não tinham apelo para quem não estivesse disposto a conhecê-los já na hora de jogar.
Foi a própria Capcom quem decidiu começar a mudar isso, já em 1994, primeiro com Darkstalkers, que trazia como lutadores monstros da literatura de horror, como o vampiro, o lobisomem, a múmia amaldiçoada e o monstro de Frankenstein. Neste mesmo ano, a Capcom fechou um contrato de exclusividade com a Marvel Comics, que a permitiria usar os personagens da editora em seus jogos. Foram lançados, então, dois jogos de porrada com personagens Marvel, X-Men: Children of the Atom, somente com personagens dos X-Men, e Marvel Superheroes, em 1995, com muitos dos principais heróis Marvel, incluindo o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Hulk e Capitão América.
Mas a nova revolução dos jogos de porrada só ocorreria no ano seguinte, em 1996. Percebendo finalmente o grande filão que tinha nas mãos, já que a esta altura os personagens de Street Fighter já eram famosos ao ponto de atrair seu próprio público, a softhouse decidiu criar um jogo que atraísse tanto os fãs da Marvel quanto aos fãs de SF. E assim nasceu o jogo que, após este imenso intrólito, é o principal do tema do post de hoje: X-Men vs Street Fighter!
Sim, isso existe. Eu mesmo achei muito esquisito quando vi pela primeira vez, mas é um dos melhores jogos de luta já criados. XMSF não somente põe frente a frente os mutantes da Marvel com os lutadores da Capcom, mas ainda trouxe várias inovações que, como de costume, foram copiadas por vários jogos posteriores.
Para começar, XMSF é em dupla. Não, você não joga com um amigo (a menos que o esteja enfrentando), você escolhe dois lutadores para representá-lo. Diferentemente do que ocorre na série King of Fighters, onde os times são de três e você enfrenta um de cada vez, em XMSF você pode trocar de lutador livremente durante a luta, até que um de seus dois lutadores seja nocauteado. Quando os dois são nocauteados, a luta termina, sem Round 2, como era padrão nos jogos de porrada. XMSF não foi o primeiro jogo a usar esta fórmula, tendo-a imitado de Kizuna Encounter, um jogo da SNK lançado alguns meses antes. Neste último, porém, só era possível trocar de lutador em uma área específica da tela, e só bastava que um dos dois lutadores fosse nocauteado para se ganhar (ou perder) a luta.
Outro ponto de diferença são os "super especiais". XMSF tem uma barra de super, com 3 níveis. Alguns especiais gastam um nível desta barra, e são tão poderosos quanto exagerados. Ryu, por exemplo, pode lançar um Hadouken (aquela bola de magia) de sua altura, e contínua como um raio laser. Wolverine avança na direção do oponente cortando quase 50 vezes com suas garras. A graça do jogo, afinal. Melhor que um super especial, só mesmo um especial duplo, que gasta dois níveis da barra de super, e faz com que os dois lutadores ataquem com um super especial ao mesmo tempo. Coitado de quem for atingido.
A história é irrelevante, algo envolvendo Apocalipse querendo capturar os Street Fighters. Por que eles e os X-Men lutam entre si, ninguém sabe. Pelo lado dos X-Men você pode escolher Ciclope, Wolverine, Vampira, Tempestade, Gambit, Dente de Sabre, Magneto e o Fanático. Pelo lado dos Street Fighters temos Ryu, Ken, Chun Li, Charlie, Cammy, Zangief, Dhalsim, M.Bison e Akuma. Após derrotar seis duplas, você enfrenta Apocalipse, e deverá escolher bem quem irá aplicar o último golpe, pois este deverá enfrentar seu outro lutador e vencê-lo, se você quiser ver o final. Nada dá mais raiva do que vencer Apocalipse e perder para seu próprio parceiro.
O sucesso de XMSF abriu as portas (e os olhos da Capcom) para continuações, e uma nova série acabou por ser criada. Ela sim é o tema do post de hoje, a série Marvel vs Capcom. O segundo jogo desta série seria lançado em 1997, um ano depois de XMSF. Desta vez a Capcom queria envolver mais heróis Marvel na briga, mas esbarrou em um problema de copyright: na época, estava acontecendo nos EUA a série Heróis Renascem, na qual vários personagens eram reformulados. Para tanto, a Marvel havia cedido os direitos de alguns heróis, temporariamente, para os desenhistas Jim lee e Rob Liefeld, responsáveis pelo projeto. O notório encrenqueiro Liefeld, por incrível que pareça, não criou objeções, mas Jim Lee proibiu que os heróis nos quais estivesse trabalhando aparecessem no jogo, o que fez com que o Homem de Ferro, praticamente garantido no jogo, ficasse de fora. Como o cronograma estava atrasado, a Capcom decidiu usar alguns heróis de Marvel Superheroes, o jogo anterior, mesmo que estes não fossem tão famosos.
De qualquer forma, em 1997 chegou aos arcades Marvel Superheroes vs Street Fighter, o suvessor de XMSF. MSSF ainda trazia o sistema de duplas e super especiais, mas tinha uma novidade: através de um comando, e gastando um nível da barra de super, o jogador poderia ficar com seus dois personagens na tela simultaneamente por um curto período de tempo.
Apesar de todos os esforços, este é considerado o mais fraco dos jogos da série, talvez por conter alguns personagens esquisitos e deixar outros mais famosos de fora. O time da Marvel tem Homem-Aranha, Capitão América, Hulk, Wolverine, Ciclope, Ômega Vermelho, Coração Negro e Shuma Gorath. Pelo lado dos Street Fighters respondem Ryu, Ken, Chun Li, Zangief, Dhalsim, Sakura, Akuma, Dan e M.Bison. Existem seis personagens secretos picaretas: Mefisto (Coração Negro pintado de vermelho), US Agent (Capitão América pintado de preto), um Homem-Aranha prateado, Evil Sakura (que está mais para Sakura Bronzeada), Mega Zangief (um Zangief zumbi) e Shadow (o Charlie do jogo anterior, só que todo preto). Desta vez temos dois chefes, Apocalipse e Cyber Akuma, mas não há o confronto final entre os parceiros.
Uma coisa interessante sobre MSSF é que, na versão japonesa, foi colocado um personagem para substituir o Homem de Ferro: Norimaro, um japonês baixinho, caricato, e que aparentemente estava fazendo turismo quando foi envolvido na briga. É uma pena que não o mantiveram na versão americana, já que seus especiais são engraçadíssimos.
Mesmo com MSSF não tendo feito tanto sucesso, a Capcom decidiu dar constinuidade à série, e desta vez acertou em cheio ao lançar, em 1998, Marvel vs Capcom. Desta vez não eram apenas os Street Fighters "do lado de lá", mas sim vários personagens de diversos jogos da Capcom, o que tornou o jogo muito mais divertido. Pelo lado da Marvel temos Homem-Aranha, Capitão América, Hulk, Wolverine, Gambit, Venom e War Machine (que é praticamente o Homem de Ferro pintado de preto). Pelo lado da Capcom figuram Ryu, Chun Li, Zangief, Megaman, Capitão Comando, Morrigan (a súcubo de Darkstalkers), Strider Hiryuu e Jin Saotome (do jogo Cyberbots).
Além de manter as características dos anteriores (duplas, super especiais, comando para jogar com ambos simultaneamente), MVC ainda introduziu mais uma novidade, os Helpers. Através de um comando, um personagem Marvel/Capcom que ficou de fora do jogo entra na tela, dá porrada no adversário e vai embora. Seu Helper é escolhido aleatoriamente pela máquina antes de cada luta, e cada Helper tem um número limitado de usos. Os Helpers da Capcom são Unknown Soldier (do jogo Forgotten Worlds), Anita (de Darkstalkers), Lou (Chariot), Michelle Heart (Wings of Ales), Arthur (Ghouls n' Ghosts), Saki (Nigiirochou no Kiseki), Ton-Fu (Strider), Devilot (Cyberbots) e Pure and Fur (mascotes da Capcom). Pelo lado da Marvel temos Ciclope, Homem de Gelo, Psylocke, Thor, Tempestade, Jubileu, Fanático, Vampira, Colossus, Magneto e US Agent.
MVC também tem seus especiais picaretas: um Venom vermelho, um Hulk laranja, um War Machine dourado, Lilith (Morrigan de cor diferente), Shadow Lady (Chun Li toda preta) e Roll (a única realmente nova). Por incrível que pareça, também existem dois Helpers secretos, Shadow e um Sentinela, acionáveis através de truques. O último chefe é Onslaught (conhecido por alguns como Massacre, graças à tradução da Editora Abril), que deve ser derrotado duas vezes, uma em tamanho normal e uma gigante. Na minha opinião, MVC é o mais divertido jogo da série.
Mas a série não acabou com ele. Em 2000, a Capcom decidiu lançar Marvel vs Capcom 2, desta vez para uma placa diferente, a Naomi (os outros três eram para CPS-2), o que permitiu mais memória e gráficos melhores. MVC2 não tem mais Helpers nem o comando para lutar dois ao mesmo tempo, mas ainda temos os super especiais, e uma novidade: ao invés de duplas, a luta é em trios, e você pode trocar seu lutador por qualquer componente do trio que esteja de fora durante a luta. Além do especial duplo, agora existe um terrível especial triplo, que gasta três níveis de super. Aliás, agora a barra de super tem 5 níveis. Através de um comando, você pode chamar um dos parceiros que está de fora para dar um golpe e sair, como se fosse um Helper, e existe um golpe que obriga o oponente a trocar de lutador.
Apesar de mais bonito, MVC2 é mais complicado de se jogar. Além disso, alguns lutadores só são liberados através de tempo de jogo (ou seja, nos fliperamas brasileiros, que desligam as máquinas regularmente, não eram liberados nunca) e o último chefe, Abyss, que tem três formas, é um pé no saco. Se você conseguir liberar todos os lutadores, ficará com 56 no total. Por causa disso, o final de todos eles é idêntico, pois era muito mais fácil fazer um só final do que 56. Por tudo isso, MVC2 não é tão divertido quanto seu antecessor, mas ainda assim é um jogo interessante. Infelizmente, foi o que eu joguei menos (só quatro vezes, para dizer a verdade).
Já que eu dei a lista dos lutadores dos outros jogos, darei a deste também. Desde o início, pela Marvel, temos Homem-Aranha, Wolverine, Gambit, Capitão América, Hulk, Venom, Dr. Destino, Cable, Homem de Gelo, Ciclope, Medula, Fanático, Shuma Gorath e Magneto. Pela Capcom temos Ryu, Akuma, Zangief, Capitão Comando, Morrigan, Strider Hiryuu, Jin Saotome, Amingo (Jojo's Bizarre Adventure), Anakaris (Darkstalkers), B.B.Hood (Darkstalkers), Guile, Hayato (Star Gladiators), Ruby Heart e Sonson. Os "liberáveis" da Marvel são Thanos, War Machine, Coração Negro, Colossus, Homem de Ferro, Ômega Vermelho, Psylocke, Vampira, Dentes de Sabre, Tempestade, Sentinela, Samurai de Prata, Espiral e um Wolverine sem adamantium (apelidado por mim de Albert). Pela Capcom, os "liberáveis" são Tronn Bone (Megaman Legends), Servbot (Megaman Legends), Megaman, Roll, Cammy, Charlie, Dan, Dhalsim, Jill Valentine (Resident Evil), Ken, Chun Li, Felicia (Darkstalkers), Sakura e M.Bison.
Depois de MVC2, o contrato da Capcom com a Marvel acabou, e a série VS foi interrompida. Os personagens da Capcom ainda enfrentaram os da SNK em três jogos, Capcom vs SNK, Capcom vs SNK 2 e SVC Chaos: SNK vs Capcom. Estes jogos, porém, são muito mais parecidos com uma mistura de Street Fighter Alpha e King of Fighters do que com os quatro VS anteriores, portanto eles não são oficialmente parte da série. Recentemente foi lançado Capcom Fighting Evolution, que tem lutas em dupla, mas todos os personagens são da Capcom, o que também o desqualifica (aliás, a SNK também está preparando um parecido, Neo-Geo Battle Coliseum). Em fase de produção está Sammy vs Capcom, que também não deve vir a integrar a série VS. O novo contrato da Marvel é com a Electronic Arts, que malandramente já anunciou um Marvel vs EA. Pessoalmente, eu não acho que vá ficar tão legal quanto os anteriores. Tudo tem uma época, e aparentemente essa já passou.
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A idéia de SF2 era muito simples. Irritantemente simples, para dizer a verdade. O jogador escolhia um personagem e, com ele, deveria enfrentar outros, até chegar em um chefe e vencer o jogo. Não havia fases nem nada, apenas um personagem contra o outro, até o fim. Para que não ficasse muito fácil, foram criados os "golpes especiais", acionados através de sequências de botões ("trás, baixo-frente, frente, soco"). Cada personagem tinha seus próprios golpes especiais, o que contribuía para definir suas personalidades. A única coisa em que os jogos de porrada costumam pecar é na história. Mas quase ninguém liga para esse detalhe, o importante é sair batendo nos outros.
O estilo de SF2 podia ser novo, e seu sucesso foi imenso, mas começou a cansar muito rápido. Para se manterem vivos e competitivos, os jogos de porrada tiveram que começar a inovar quase que imediatamente. Mortal Kombat criou os fatalities. Samurai Shodown introduziu armas. The King of Fighters 94 criou um sistema de times contra times, ao invés de lutadores individuais. Muitos jogos começaram a trazer a infame "barra de super", com a qual os especiais causariam muito mais dano, e até mesmo a muito mais infame "barra de cansaço", que impedia o lutador de bloquear se estivesse cheia. Mesmo com todos estes atrativos, os jogos de porrada ainda tinham uma dificuldade para angariar novos fãs: seus personagens eram, invariavelmente, novos. Não tinham apelo para quem não estivesse disposto a conhecê-los já na hora de jogar.
Foi a própria Capcom quem decidiu começar a mudar isso, já em 1994, primeiro com Darkstalkers, que trazia como lutadores monstros da literatura de horror, como o vampiro, o lobisomem, a múmia amaldiçoada e o monstro de Frankenstein. Neste mesmo ano, a Capcom fechou um contrato de exclusividade com a Marvel Comics, que a permitiria usar os personagens da editora em seus jogos. Foram lançados, então, dois jogos de porrada com personagens Marvel, X-Men: Children of the Atom, somente com personagens dos X-Men, e Marvel Superheroes, em 1995, com muitos dos principais heróis Marvel, incluindo o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Hulk e Capitão América.
Mas a nova revolução dos jogos de porrada só ocorreria no ano seguinte, em 1996. Percebendo finalmente o grande filão que tinha nas mãos, já que a esta altura os personagens de Street Fighter já eram famosos ao ponto de atrair seu próprio público, a softhouse decidiu criar um jogo que atraísse tanto os fãs da Marvel quanto aos fãs de SF. E assim nasceu o jogo que, após este imenso intrólito, é o principal do tema do post de hoje: X-Men vs Street Fighter!
Sim, isso existe. Eu mesmo achei muito esquisito quando vi pela primeira vez, mas é um dos melhores jogos de luta já criados. XMSF não somente põe frente a frente os mutantes da Marvel com os lutadores da Capcom, mas ainda trouxe várias inovações que, como de costume, foram copiadas por vários jogos posteriores.Para começar, XMSF é em dupla. Não, você não joga com um amigo (a menos que o esteja enfrentando), você escolhe dois lutadores para representá-lo. Diferentemente do que ocorre na série King of Fighters, onde os times são de três e você enfrenta um de cada vez, em XMSF você pode trocar de lutador livremente durante a luta, até que um de seus dois lutadores seja nocauteado. Quando os dois são nocauteados, a luta termina, sem Round 2, como era padrão nos jogos de porrada. XMSF não foi o primeiro jogo a usar esta fórmula, tendo-a imitado de Kizuna Encounter, um jogo da SNK lançado alguns meses antes. Neste último, porém, só era possível trocar de lutador em uma área específica da tela, e só bastava que um dos dois lutadores fosse nocauteado para se ganhar (ou perder) a luta.
Outro ponto de diferença são os "super especiais". XMSF tem uma barra de super, com 3 níveis. Alguns especiais gastam um nível desta barra, e são tão poderosos quanto exagerados. Ryu, por exemplo, pode lançar um Hadouken (aquela bola de magia) de sua altura, e contínua como um raio laser. Wolverine avança na direção do oponente cortando quase 50 vezes com suas garras. A graça do jogo, afinal. Melhor que um super especial, só mesmo um especial duplo, que gasta dois níveis da barra de super, e faz com que os dois lutadores ataquem com um super especial ao mesmo tempo. Coitado de quem for atingido.
A história é irrelevante, algo envolvendo Apocalipse querendo capturar os Street Fighters. Por que eles e os X-Men lutam entre si, ninguém sabe. Pelo lado dos X-Men você pode escolher Ciclope, Wolverine, Vampira, Tempestade, Gambit, Dente de Sabre, Magneto e o Fanático. Pelo lado dos Street Fighters temos Ryu, Ken, Chun Li, Charlie, Cammy, Zangief, Dhalsim, M.Bison e Akuma. Após derrotar seis duplas, você enfrenta Apocalipse, e deverá escolher bem quem irá aplicar o último golpe, pois este deverá enfrentar seu outro lutador e vencê-lo, se você quiser ver o final. Nada dá mais raiva do que vencer Apocalipse e perder para seu próprio parceiro.
O sucesso de XMSF abriu as portas (e os olhos da Capcom) para continuações, e uma nova série acabou por ser criada. Ela sim é o tema do post de hoje, a série Marvel vs Capcom. O segundo jogo desta série seria lançado em 1997, um ano depois de XMSF. Desta vez a Capcom queria envolver mais heróis Marvel na briga, mas esbarrou em um problema de copyright: na época, estava acontecendo nos EUA a série Heróis Renascem, na qual vários personagens eram reformulados. Para tanto, a Marvel havia cedido os direitos de alguns heróis, temporariamente, para os desenhistas Jim lee e Rob Liefeld, responsáveis pelo projeto. O notório encrenqueiro Liefeld, por incrível que pareça, não criou objeções, mas Jim Lee proibiu que os heróis nos quais estivesse trabalhando aparecessem no jogo, o que fez com que o Homem de Ferro, praticamente garantido no jogo, ficasse de fora. Como o cronograma estava atrasado, a Capcom decidiu usar alguns heróis de Marvel Superheroes, o jogo anterior, mesmo que estes não fossem tão famosos.De qualquer forma, em 1997 chegou aos arcades Marvel Superheroes vs Street Fighter, o suvessor de XMSF. MSSF ainda trazia o sistema de duplas e super especiais, mas tinha uma novidade: através de um comando, e gastando um nível da barra de super, o jogador poderia ficar com seus dois personagens na tela simultaneamente por um curto período de tempo.
Apesar de todos os esforços, este é considerado o mais fraco dos jogos da série, talvez por conter alguns personagens esquisitos e deixar outros mais famosos de fora. O time da Marvel tem Homem-Aranha, Capitão América, Hulk, Wolverine, Ciclope, Ômega Vermelho, Coração Negro e Shuma Gorath. Pelo lado dos Street Fighters respondem Ryu, Ken, Chun Li, Zangief, Dhalsim, Sakura, Akuma, Dan e M.Bison. Existem seis personagens secretos picaretas: Mefisto (Coração Negro pintado de vermelho), US Agent (Capitão América pintado de preto), um Homem-Aranha prateado, Evil Sakura (que está mais para Sakura Bronzeada), Mega Zangief (um Zangief zumbi) e Shadow (o Charlie do jogo anterior, só que todo preto). Desta vez temos dois chefes, Apocalipse e Cyber Akuma, mas não há o confronto final entre os parceiros.
Uma coisa interessante sobre MSSF é que, na versão japonesa, foi colocado um personagem para substituir o Homem de Ferro: Norimaro, um japonês baixinho, caricato, e que aparentemente estava fazendo turismo quando foi envolvido na briga. É uma pena que não o mantiveram na versão americana, já que seus especiais são engraçadíssimos.
Além de manter as características dos anteriores (duplas, super especiais, comando para jogar com ambos simultaneamente), MVC ainda introduziu mais uma novidade, os Helpers. Através de um comando, um personagem Marvel/Capcom que ficou de fora do jogo entra na tela, dá porrada no adversário e vai embora. Seu Helper é escolhido aleatoriamente pela máquina antes de cada luta, e cada Helper tem um número limitado de usos. Os Helpers da Capcom são Unknown Soldier (do jogo Forgotten Worlds), Anita (de Darkstalkers), Lou (Chariot), Michelle Heart (Wings of Ales), Arthur (Ghouls n' Ghosts), Saki (Nigiirochou no Kiseki), Ton-Fu (Strider), Devilot (Cyberbots) e Pure and Fur (mascotes da Capcom). Pelo lado da Marvel temos Ciclope, Homem de Gelo, Psylocke, Thor, Tempestade, Jubileu, Fanático, Vampira, Colossus, Magneto e US Agent.
MVC também tem seus especiais picaretas: um Venom vermelho, um Hulk laranja, um War Machine dourado, Lilith (Morrigan de cor diferente), Shadow Lady (Chun Li toda preta) e Roll (a única realmente nova). Por incrível que pareça, também existem dois Helpers secretos, Shadow e um Sentinela, acionáveis através de truques. O último chefe é Onslaught (conhecido por alguns como Massacre, graças à tradução da Editora Abril), que deve ser derrotado duas vezes, uma em tamanho normal e uma gigante. Na minha opinião, MVC é o mais divertido jogo da série.
Mas a série não acabou com ele. Em 2000, a Capcom decidiu lançar Marvel vs Capcom 2, desta vez para uma placa diferente, a Naomi (os outros três eram para CPS-2), o que permitiu mais memória e gráficos melhores. MVC2 não tem mais Helpers nem o comando para lutar dois ao mesmo tempo, mas ainda temos os super especiais, e uma novidade: ao invés de duplas, a luta é em trios, e você pode trocar seu lutador por qualquer componente do trio que esteja de fora durante a luta. Além do especial duplo, agora existe um terrível especial triplo, que gasta três níveis de super. Aliás, agora a barra de super tem 5 níveis. Através de um comando, você pode chamar um dos parceiros que está de fora para dar um golpe e sair, como se fosse um Helper, e existe um golpe que obriga o oponente a trocar de lutador.Apesar de mais bonito, MVC2 é mais complicado de se jogar. Além disso, alguns lutadores só são liberados através de tempo de jogo (ou seja, nos fliperamas brasileiros, que desligam as máquinas regularmente, não eram liberados nunca) e o último chefe, Abyss, que tem três formas, é um pé no saco. Se você conseguir liberar todos os lutadores, ficará com 56 no total. Por causa disso, o final de todos eles é idêntico, pois era muito mais fácil fazer um só final do que 56. Por tudo isso, MVC2 não é tão divertido quanto seu antecessor, mas ainda assim é um jogo interessante. Infelizmente, foi o que eu joguei menos (só quatro vezes, para dizer a verdade).
Já que eu dei a lista dos lutadores dos outros jogos, darei a deste também. Desde o início, pela Marvel, temos Homem-Aranha, Wolverine, Gambit, Capitão América, Hulk, Venom, Dr. Destino, Cable, Homem de Gelo, Ciclope, Medula, Fanático, Shuma Gorath e Magneto. Pela Capcom temos Ryu, Akuma, Zangief, Capitão Comando, Morrigan, Strider Hiryuu, Jin Saotome, Amingo (Jojo's Bizarre Adventure), Anakaris (Darkstalkers), B.B.Hood (Darkstalkers), Guile, Hayato (Star Gladiators), Ruby Heart e Sonson. Os "liberáveis" da Marvel são Thanos, War Machine, Coração Negro, Colossus, Homem de Ferro, Ômega Vermelho, Psylocke, Vampira, Dentes de Sabre, Tempestade, Sentinela, Samurai de Prata, Espiral e um Wolverine sem adamantium (apelidado por mim de Albert). Pela Capcom, os "liberáveis" são Tronn Bone (Megaman Legends), Servbot (Megaman Legends), Megaman, Roll, Cammy, Charlie, Dan, Dhalsim, Jill Valentine (Resident Evil), Ken, Chun Li, Felicia (Darkstalkers), Sakura e M.Bison.
Depois de MVC2, o contrato da Capcom com a Marvel acabou, e a série VS foi interrompida. Os personagens da Capcom ainda enfrentaram os da SNK em três jogos, Capcom vs SNK, Capcom vs SNK 2 e SVC Chaos: SNK vs Capcom. Estes jogos, porém, são muito mais parecidos com uma mistura de Street Fighter Alpha e King of Fighters do que com os quatro VS anteriores, portanto eles não são oficialmente parte da série. Recentemente foi lançado Capcom Fighting Evolution, que tem lutas em dupla, mas todos os personagens são da Capcom, o que também o desqualifica (aliás, a SNK também está preparando um parecido, Neo-Geo Battle Coliseum). Em fase de produção está Sammy vs Capcom, que também não deve vir a integrar a série VS. O novo contrato da Marvel é com a Electronic Arts, que malandramente já anunciou um Marvel vs EA. Pessoalmente, eu não acho que vá ficar tão legal quanto os anteriores. Tudo tem uma época, e aparentemente essa já passou.
Lançado em 1987 pela falecida Orion Pictures (atualmente parte da MGM) e dirigido pelo holandês maluco Paul Verhoeven (que depois ainda faria O Vingador do Futuro e Tropas Estelares, bem como os mais "adultos" Instinto Selvagem e Showgirls), Robocop conta a história de um policial transformado em máquina após sua morte para melhor servir e proteger. Eu poderia dizer que é uma belíssima metáfora baseada na história de Frankenstein, mas não é nada disso. É só um bom filme de ação.
Antes disso, a Capcom decidiu lançar um jogo de Megaman X para Game Boy Color, Megaman Xtreme, no final de 2000. Este jogo tem uma história esquisita: três vilões misteriosos, Geemel, Zain e Techno, invadem o computador da base dos Maverick Hunters, e começam a danificá-lo. Com a ajuda do novo técnico em comunicações da base, Middy, X se liga ao computador, onde irá ter de enfrentar alguns de seus inimigos antigos para poder deter os vilões. O jogo possui três modos de dificuldade. No Normal, você enfrenta três Mavericks de Megaman X e um de Megaman X2, Chill Penguin, Storm Eagle, Spark Mandrill e Flame Stag, antes da fortaleza. Geemel e Zain ainda aparecem em duas fases aleatórias para lhe enfrentar. Vencendo o modo Normal, você libera o modo Hard, onde, antes da fortaleza, terá de enfrentar três Mavericks de Megaman X2 e um de Megaman X, Morph Moth, Magna Centipede, Wheel Gator e Armored Armadillo. Vencendo o Hard Mode, você libera o Xtreme Mode, onde todos os oito robôs anteriores devem ser enfrentados antes da fortaleza. Curiosamente, a primeira fase obrigatória e a fortaleza são iguais nos três modos, e, evidentemente, no final você descobre que Sigma é quem estava por trás de tudo e tem de enfrentá-lo. Uma coisa curiosa em Megaman Xtreme é o "Zero Scramble", programas encontrados nas fases dos robôs do Hard Mode comos e fossem partes da armadura. Os quatro Zero Scramble utilizam a mesma barra de energia, e quando você resolve usar um deles, Zero surge na tela, executa um golpe e se teletransporta de volta para a base.
Megaman X6 segue o mesmo estilo de Megaman X5 (até os inimigos de fase são os mesmos, o que leva a crer que é uma continuação direta). Um fato interessante é que X começa o jogo com a espada de Zero, encontrada por ele após a última batalha contra Sigma. X novamente tem duas armaduras, a Blade, que aumenta seu poder de fogo e o poder da espada, e a Shadow, que aumenta sua mobilidade e velocidade, mas impede que ele use armas dos robôs. X começa o jogo com a armadura Glide, idêntica à Falcon de X5 mas sem a capacidade de vôo. O jogo também traz de volta os reféns, e é aqui que eles começam a ficar irritantes. Para começar, só é possível ganhar itens específicos salvando reféns específicos, e não salvando uma grande quantidade deles, como em X5. São 16 reféns em cada fase de Maverick, totalizando 128 reféns em todo o jogo. Ainda por cima, próximo a cada refém existe um inimigo chamado Nightmare. X deve alcançar o refém antes que o Nightmare o faça, senão o refém morrerá, e você só conseguirá o provável item se resetar e começar de novo (não adianta dar continue, o refém é marcado como morto - e nem pense em gravar o jogo, aí é que ele fica morto para sempre). A maneira mais fácil de alcançar um refém antes de um Nightmare é, evidentemente, destruindo o Nightmare. Só que eles voltam alguns segundos após serem destruídos, e algumas vezes tem tantas coisas na frente ou você está tão longe do Nightmare que a única solução é correr como um desesperado arriscando a vida. E acredite, ainda vai piorar.
No final de 2001 ainda foi lançado mais um jogo para Game Boy Color, um dos últimos antes do videogame sair de linha, Megaman Xtreme 2. Cronologicamente, este jogo se passa antes de Megaman X4, quando Iris ainda era uma estagiária nos Maverick Hunters. Dois Reploids, Berkana e Gareth, começam a fazer estranhos experimentos em uma ilha isolada, roubando as almas de Repoloids para isso (robôs têm alma?). X e Zero são enviados para investigar. No início do jogo, você poderá escolher entre a missão de X e a missão de Zero, jogando com um ou com outro personagem, como em Megaman X4. Se escolher a missão de X, terá de enfrentar dois Mavericks de Megaman X e dois de Megaman X3, Launch Octopus, Flame Mammoth, Neon Tiger e Volt Catfish. Escolhendo a missão de Zero, serão dois Mavericks de Megaman X2 e dois de Megaman X3, Wire Sponge, Overdrive Ostrich, Blast Hornet e Tunnel Rhino. A fase inicial e a fortaleza são idênticas nas duas missões, só que na missão de X ele enfrenta Berkana, e na de Zero ele enfrenta Gareth. Sigma não dá as caras por enquanto. Vencendo a missão de um personagem, você libera o Extra Mode para o outro (ou seja, vencendo a missão de X, você libera o Extra Mode de Zero). No Extra Mode, você já começa a missão com as armas ou técnicas correspondentes aos Mavericks da missão anterior (mas não os Sub-Tanks, Heart Tanks ou partes da armadura). Um dado curioso: Zero também tem partes de armadura neste jogo, que aumentam suas habilidades, embora não alterem seus gráficos.
A história da vez é a seguinte: surge uma nova organização, chamada Red Alert, que começa a caçar Mavericks paralelamente aos Maverick Hunters. Um dos membros da Red Alert, Axl (por que a Capcom gosta desse nome?) descobre algum segredo sujo, e decide fugir e se unir aos Maverick Hunters oficiais. Ao descobrir que Axl está com os Maverick Hunters, Red, o líder da Red Alert, exige que eles o entreguem. Como X é contra, Red propõe um desafio: ele soltará pela cidade oito Mavericks que eles capturaram - Splash Warfly, Soldier Stonekong, Tornado Debonion, Wind Crowrang, Vanishing Gungaroon, Snipe Anteator, Flame Hyenard e Ride Boarski - e a primeira organização a derrotá-los fica com Axl (Axl é tão necessário assim?). É claro que, no final, é descoberto que Sigma estava por trás da Red Alert, e os Maverick Hunters precisam confrontá-lo novamente...
Neste ano de 2004 foi lançado um novo título, Megaman X Command Mission, para Playstation 2 e GameCube. É o primeiro jogo de Megaman X no estilo RPG, e se passa cem anos após Megaman X7 (o que causa um problema para a cronologia da Série Zero, sobre a qual talvez eu fale um dia). A história é meio bizarra: X, Zero e Axl são enviados a uma mina para caçar um Maverick chamado Epsilon, e se deparam com uma guerra entre e Resistência e os Rebeldes (eu sempre achei que resistência e rebelião, em termos políticos, fossem a mesma coisa...). Eles decidem se unir à Resistência, e é daí que decorrem as aventuras. Eu nunca joguei, mas dizem que não é lá essas coisas, principalmente o final.
Antes mesmo do lançamento, já era alardeado na internet que, em Megaman X8, Sigma morreria de uma vez por todas. Ainda é cedo para dizer (até porque eu ainda não joguei), mas uma coisa é certa: apesar de você ter que enfrentar Sigma duas vezes, ele não é o último chefe, fazendo com que este seja o único jogo da série X onde isso ocorre. Aparentemente, a Capcom vai matar o Sigma de vez, mas vai colocar um novo vilão no lugar.
Em alguns de meus inúmeros posts sobre Megaman, eu mencionei que o robozinho azul atualmente está em cinco séries distintas. Até agora, eu só tinha falado da Série Clássica, que mostra a luta de Megaman contra seu Arquiinimigo Dr. Wily. Depois da série clássica, a mais famosa é a Série X, assim chamada por compreender os jogos estrelados por Megaman X. Atualmente, a Capcom está dando muito mais atenção a esta série do que à Clássica, o que é uma pena, mas ao menos mantém Megaman vivo. Ou mais ou menos, como veremos a seguir.
Teoricamente, a Série X se passa cem anos depois da Série Clássica. Teoricamente porque absolutamente nada sobre a Série Clássica é jamais mencionado em qualquer jogo de Megaman X. Só existem dois personagens em comum, os cientistas Dr. Light e Dr. Wily, e ambos estão mortos há mais de meio século. É claro que o protagonista se chama Megaman X, mas todos os personagens (e até os menus do jogo) o chamam simplesmente de X. Aparentemente, X não é Megaman melhorado, mas sim um robô completamente novo, que apenas compartilha o mesmo nome. O clima da série X também é mais adulto e sinistro que o da Série Clássica, como se a Série Clássica fosse feita para crianças, e a X para adolescentes.
Um dia, porém, algo dá errado. Como Megaman X era só um protótipo, e Dr. Cain não era um cientista tão brilhante quanto Dr. Light, ele não previu uma falha no projeto. Sob certas circunstâncias, um mau funcionamento poderia fazer com que o robô "enlouquecesse", se voltando contra os humanos, esquecendo as diretivas que deveria seguir. A estes robôs renegados, foi dado o nome de Mavericks (no original japonês eles são chamados de "Irregulars"). Para caçar e destruir os Mavericks, é criada uma unidade especial de Reploids, comandada pelo próprio Dr. Cain, e liderada por Sigma, seu primeiro robô. Esta unidade é conhecida como Maverick Hunters, e passa anos lutando contra Mavericks no mundo inteiro. Em dado momento, Sigma encontra um misterioso robô chamado Zero, muito avariado, que após ser consertado também se torna um Maverick Hunter. Após este encontro, porém, Sigma passa a agir estranhamente... até que todos os Maverick Hunters também se tornam Mavericks!
Mas não por muito tempo. Evidentemente, a Capcom não iria lançar um jogo fechado. Em 1995, portanto, foi lançado Megaman X2, a natural continuação, desta vez só para SNES. Com a destruição de Sigma e o sacrifício de Zero, Megaman se tornou o novo líder dos Maverick Hunters. Sem um arquivilão para encher o saco, sua tarefa era simplesmente destruir um ou outro eventual Maverick que surgisse por aí. Dois anos após a morte de Sigma, porém, surgem três Reploids, Agile, Serges e Violen, que se auto-denominam os X Hunters, que planejam destruir X, com a ajuda de oito Mavericks. Para atrair X para uma cilada, eles se utilizam dos pedaços do corpo de Zero, que encontraram na antiga base de Sigma. Assim, X parte para derrotar os oito Mavericks, e salvar seu companheiro. Wire Sponge, Morph Moth, Bubble Crab, Flame Stag, Overdrive Ostrich, Magna Centipede, Wheel Gator e Crystal Snail são os Mavericks da vez. Uma coisa interessante neste jogo é que, após derrotar dois Mavericks, X é desafiado pessoalmente pelos X Hunters, que passam a aparecer em fases aleatórias. É importante derrotá-los para recuperar as três partes do corpo de Zero, caso contrário, X terá de enfrentar Zero na fortaleza dos vilões. Após derrotar os X Hunters, X descobre que o vilão por trás disto tudo é Sigma, que não havia morrido. Na verdade, Sigma é capaz de sobreviver como um programa de computador, sem corpo, indefinidamente, enquanto seu corpo é reparado, se tornando praticamente invencível. De qualquer forma, X destrói seu corpo novamente, ganhando algum tempo até alguém resolver consertá-lo.
Em 1997, a Série X migrou de sistema com o lançamento de Megaman X4, para Playstation, Saturn e PC. Mais que uma guinada gráfica, a história também sofreu certos revezes. Dr. Cain sumiu sem explicação. O mundo da Série X, o qual imaginávamos que fosse como o nosso, mas com mais robôs, se mostrou quase que unicamente povoado por robôs, com os humanos sendo minoria. Mais do que isso, descobrimos que, quando Sigma encontrou Zero, este estava como X, em uma cápsula de animação suspensa, mas no laboratório do Dr. Wily! Zero estava completamente louco, e chegou a cortar o braço de Sigma antes de ser derrotado. Foi depois deste incidente que Sigma começou a agir estranhamente...
Megaman X4 criou enormes expectativas para o desenrolar da série, mas os fãs tiveram de esperar até 2000, quando finalmente foi lançado Megaman X5, para Playstation e PC, para saber como a história seria conduzida. Este é um jogo de altos e baixos, e de muitas novidades. Um dos principais "baixos" é a dificuldade absurda das fases, algumas quase impossíveis de serem vencidas sem muita insistência. Dentre as principais novidades, os humanos parecem que sumiram de vez, mas ficamos conhecendo novos integrantes dos Maverick Hunters, o comandante Sygnas (que parece ter substituído Dr. Cain de vez), o mecânico Douglas, a navegadora Alia (que dá dicas durante as fases) e o médico Lifesaver. Agora você pode escolher se irá jogar com X ou Zero antes de cada fase, não precisando jogar o jogo inteiro com um único personagem, podendo alternar como quiser. X agora tem duas armaduras, cada uma com quatro partes, e que ele pode equipar antes de cada fase depois que estiverem completas (ao invés de irem se equipando conforme os pedaços são encontrados, como anteriormente). Com a armadura Falcon, X pode voar, e a armadura Gaea aumenta sua resistência e poder de fogo, embora com ela ele não possa utilizar as armas dos chefes. Mais do que isso, agora X já começa o jogo com uma armadura, a Force, idêntica à de Megaman X4 exceto pelo capacete (que permitia que X utilizasse as armas dos robôs infinitamente). Megaman X5 também introduziu uma novidade que depois se tornaria extremamente irritante: os "reféns". Durante as fases, você encontrará Reploids contaminados pelo Vírus Sigma clamando por socorro. Tocando neles, você os salva. Salvando reféns suficientes, você ganha itens importantes ao final de cada fase. O que isto tem de irritante? Por enquanto, nada...
Um dos principais pontos de controvérsia em Megaman X5 diz respeito aos nomes dos Mavericks. Aparentemente, a Capcom quis dar "nomes humanos" a eles. Afinal, não fazia sentido que os Reploids se chamassem X, Zero ou Alia, e os Mavericks Boomer Kuwanger, Crystal Snail ou Gravity Beetle. O problema é que eles decidiram homenagear a banda Guns n' Roses ao escolher os nomes. Isso mesmo, você não leu errado. Os Mavericks ganharam os lindos nomes de Grizzly Slash, Duff McWhalen, Squid Adler, Izzy Glow, Dark Dizzy, The Skyver, Mattrex e Axl the Red. Os originais japoneses (utilizados pela maioria dos fãs na internet) correspondentes seriam Crescent Grizzly, Tidal Whale, Bolt Kraken, Shining Firefly, Dark Necrobat, Spiral Pegasus, Burn Dinorex e Spike Rosered. Como se já não bastasse perder tempo nestas fases todas, Sigma ainda contratou um mercenário de aluguel, Dynamo, para atacar a base dos Maverick Hunters e fazê-los perder tempo.