sábado, 29 de janeiro de 2005

Escrito por em 29.1.05 com 2 comentários

Marvel vs Capcom

O mundo dos videogames sobrevive à base de revoluções. Em outras palavras, alguém revoluciona o mercado, e as vendas se mantém altas até que a tal revolução se torna o lugar comum. Aí vem alguém e causa uma nova revolução, que sustentará as vendas até ocorrer a revolução seguinte.

Street Fighter 2Uma dessas revoluções ocorreu em 1992, quando a softhouse japonesa Capcom (mesma fabricante do Megaman) criou o jogo Street Fighter 2. Não foi o primeiro jogo de porrada inventado (até porque, como o próprio nome sugere, houve um "Street Fighter 1") mas foi o jogo que popularizou o estilo, proporcionou fama à SNK (a softhouse com mais jogos de porrada no currículo) e permitiu a criação de Mortal Kombat, como eu já disse em dois de meus posts pregressos.

A idéia de SF2 era muito simples. Irritantemente simples, para dizer a verdade. O jogador escolhia um personagem e, com ele, deveria enfrentar outros, até chegar em um chefe e vencer o jogo. Não havia fases nem nada, apenas um personagem contra o outro, até o fim. Para que não ficasse muito fácil, foram criados os "golpes especiais", acionados através de sequências de botões ("trás, baixo-frente, frente, soco"). Cada personagem tinha seus próprios golpes especiais, o que contribuía para definir suas personalidades. A única coisa em que os jogos de porrada costumam pecar é na história. Mas quase ninguém liga para esse detalhe, o importante é sair batendo nos outros.

O estilo de SF2 podia ser novo, e seu sucesso foi imenso, mas começou a cansar muito rápido. Para se manterem vivos e competitivos, os jogos de porrada tiveram que começar a inovar quase que imediatamente. Mortal Kombat criou os fatalities. Samurai Shodown introduziu armas. The King of Fighters 94 criou um sistema de times contra times, ao invés de lutadores individuais. Muitos jogos começaram a trazer a infame "barra de super", com a qual os especiais causariam muito mais dano, e até mesmo a muito mais infame "barra de cansaço", que impedia o lutador de bloquear se estivesse cheia. Mesmo com todos estes atrativos, os jogos de porrada ainda tinham uma dificuldade para angariar novos fãs: seus personagens eram, invariavelmente, novos. Não tinham apelo para quem não estivesse disposto a conhecê-los já na hora de jogar.

Foi a própria Capcom quem decidiu começar a mudar isso, já em 1994, primeiro com Darkstalkers, que trazia como lutadores monstros da literatura de horror, como o vampiro, o lobisomem, a múmia amaldiçoada e o monstro de Frankenstein. Neste mesmo ano, a Capcom fechou um contrato de exclusividade com a Marvel Comics, que a permitiria usar os personagens da editora em seus jogos. Foram lançados, então, dois jogos de porrada com personagens Marvel, X-Men: Children of the Atom, somente com personagens dos X-Men, e Marvel Superheroes, em 1995, com muitos dos principais heróis Marvel, incluindo o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Hulk e Capitão América.

Mas a nova revolução dos jogos de porrada só ocorreria no ano seguinte, em 1996. Percebendo finalmente o grande filão que tinha nas mãos, já que a esta altura os personagens de Street Fighter já eram famosos ao ponto de atrair seu próprio público, a softhouse decidiu criar um jogo que atraísse tanto os fãs da Marvel quanto aos fãs de SF. E assim nasceu o jogo que, após este imenso intrólito, é o principal do tema do post de hoje: X-Men vs Street Fighter!

X-Men vs Street FighterSim, isso existe. Eu mesmo achei muito esquisito quando vi pela primeira vez, mas é um dos melhores jogos de luta já criados. XMSF não somente põe frente a frente os mutantes da Marvel com os lutadores da Capcom, mas ainda trouxe várias inovações que, como de costume, foram copiadas por vários jogos posteriores.

Para começar, XMSF é em dupla. Não, você não joga com um amigo (a menos que o esteja enfrentando), você escolhe dois lutadores para representá-lo. Diferentemente do que ocorre na série King of Fighters, onde os times são de três e você enfrenta um de cada vez, em XMSF você pode trocar de lutador livremente durante a luta, até que um de seus dois lutadores seja nocauteado. Quando os dois são nocauteados, a luta termina, sem Round 2, como era padrão nos jogos de porrada. XMSF não foi o primeiro jogo a usar esta fórmula, tendo-a imitado de Kizuna Encounter, um jogo da SNK lançado alguns meses antes. Neste último, porém, só era possível trocar de lutador em uma área específica da tela, e só bastava que um dos dois lutadores fosse nocauteado para se ganhar (ou perder) a luta.

Outro ponto de diferença são os "super especiais". XMSF tem uma barra de super, com 3 níveis. Alguns especiais gastam um nível desta barra, e são tão poderosos quanto exagerados. Ryu, por exemplo, pode lançar um Hadouken (aquela bola de magia) de sua altura, e contínua como um raio laser. Wolverine avança na direção do oponente cortando quase 50 vezes com suas garras. A graça do jogo, afinal. Melhor que um super especial, só mesmo um especial duplo, que gasta dois níveis da barra de super, e faz com que os dois lutadores ataquem com um super especial ao mesmo tempo. Coitado de quem for atingido.

A história é irrelevante, algo envolvendo Apocalipse querendo capturar os Street Fighters. Por que eles e os X-Men lutam entre si, ninguém sabe. Pelo lado dos X-Men você pode escolher Ciclope, Wolverine, Vampira, Tempestade, Gambit, Dente de Sabre, Magneto e o Fanático. Pelo lado dos Street Fighters temos Ryu, Ken, Chun Li, Charlie, Cammy, Zangief, Dhalsim, M.Bison e Akuma. Após derrotar seis duplas, você enfrenta Apocalipse, e deverá escolher bem quem irá aplicar o último golpe, pois este deverá enfrentar seu outro lutador e vencê-lo, se você quiser ver o final. Nada dá mais raiva do que vencer Apocalipse e perder para seu próprio parceiro.

Marvel Superheroes vs Street FighterO sucesso de XMSF abriu as portas (e os olhos da Capcom) para continuações, e uma nova série acabou por ser criada. Ela sim é o tema do post de hoje, a série Marvel vs Capcom. O segundo jogo desta série seria lançado em 1997, um ano depois de XMSF. Desta vez a Capcom queria envolver mais heróis Marvel na briga, mas esbarrou em um problema de copyright: na época, estava acontecendo nos EUA a série Heróis Renascem, na qual vários personagens eram reformulados. Para tanto, a Marvel havia cedido os direitos de alguns heróis, temporariamente, para os desenhistas Jim lee e Rob Liefeld, responsáveis pelo projeto. O notório encrenqueiro Liefeld, por incrível que pareça, não criou objeções, mas Jim Lee proibiu que os heróis nos quais estivesse trabalhando aparecessem no jogo, o que fez com que o Homem de Ferro, praticamente garantido no jogo, ficasse de fora. Como o cronograma estava atrasado, a Capcom decidiu usar alguns heróis de Marvel Superheroes, o jogo anterior, mesmo que estes não fossem tão famosos.

De qualquer forma, em 1997 chegou aos arcades Marvel Superheroes vs Street Fighter, o suvessor de XMSF. MSSF ainda trazia o sistema de duplas e super especiais, mas tinha uma novidade: através de um comando, e gastando um nível da barra de super, o jogador poderia ficar com seus dois personagens na tela simultaneamente por um curto período de tempo.

Apesar de todos os esforços, este é considerado o mais fraco dos jogos da série, talvez por conter alguns personagens esquisitos e deixar outros mais famosos de fora. O time da Marvel tem Homem-Aranha, Capitão América, Hulk, Wolverine, Ciclope, Ômega Vermelho, Coração Negro e Shuma Gorath. Pelo lado dos Street Fighters respondem Ryu, Ken, Chun Li, Zangief, Dhalsim, Sakura, Akuma, Dan e M.Bison. Existem seis personagens secretos picaretas: Mefisto (Coração Negro pintado de vermelho), US Agent (Capitão América pintado de preto), um Homem-Aranha prateado, Evil Sakura (que está mais para Sakura Bronzeada), Mega Zangief (um Zangief zumbi) e Shadow (o Charlie do jogo anterior, só que todo preto). Desta vez temos dois chefes, Apocalipse e Cyber Akuma, mas não há o confronto final entre os parceiros.

Uma coisa interessante sobre MSSF é que, na versão japonesa, foi colocado um personagem para substituir o Homem de Ferro: Norimaro, um japonês baixinho, caricato, e que aparentemente estava fazendo turismo quando foi envolvido na briga. É uma pena que não o mantiveram na versão americana, já que seus especiais são engraçadíssimos.

Marvel vs CapcomMesmo com MSSF não tendo feito tanto sucesso, a Capcom decidiu dar constinuidade à série, e desta vez acertou em cheio ao lançar, em 1998, Marvel vs Capcom. Desta vez não eram apenas os Street Fighters "do lado de lá", mas sim vários personagens de diversos jogos da Capcom, o que tornou o jogo muito mais divertido. Pelo lado da Marvel temos Homem-Aranha, Capitão América, Hulk, Wolverine, Gambit, Venom e War Machine (que é praticamente o Homem de Ferro pintado de preto). Pelo lado da Capcom figuram Ryu, Chun Li, Zangief, Megaman, Capitão Comando, Morrigan (a súcubo de Darkstalkers), Strider Hiryuu e Jin Saotome (do jogo Cyberbots).

Além de manter as características dos anteriores (duplas, super especiais, comando para jogar com ambos simultaneamente), MVC ainda introduziu mais uma novidade, os Helpers. Através de um comando, um personagem Marvel/Capcom que ficou de fora do jogo entra na tela, dá porrada no adversário e vai embora. Seu Helper é escolhido aleatoriamente pela máquina antes de cada luta, e cada Helper tem um número limitado de usos. Os Helpers da Capcom são Unknown Soldier (do jogo Forgotten Worlds), Anita (de Darkstalkers), Lou (Chariot), Michelle Heart (Wings of Ales), Arthur (Ghouls n' Ghosts), Saki (Nigiirochou no Kiseki), Ton-Fu (Strider), Devilot (Cyberbots) e Pure and Fur (mascotes da Capcom). Pelo lado da Marvel temos Ciclope, Homem de Gelo, Psylocke, Thor, Tempestade, Jubileu, Fanático, Vampira, Colossus, Magneto e US Agent.

MVC também tem seus especiais picaretas: um Venom vermelho, um Hulk laranja, um War Machine dourado, Lilith (Morrigan de cor diferente), Shadow Lady (Chun Li toda preta) e Roll (a única realmente nova). Por incrível que pareça, também existem dois Helpers secretos, Shadow e um Sentinela, acionáveis através de truques. O último chefe é Onslaught (conhecido por alguns como Massacre, graças à tradução da Editora Abril), que deve ser derrotado duas vezes, uma em tamanho normal e uma gigante. Na minha opinião, MVC é o mais divertido jogo da série.

Marvel vs Capcom 2Mas a série não acabou com ele. Em 2000, a Capcom decidiu lançar Marvel vs Capcom 2, desta vez para uma placa diferente, a Naomi (os outros três eram para CPS-2), o que permitiu mais memória e gráficos melhores. MVC2 não tem mais Helpers nem o comando para lutar dois ao mesmo tempo, mas ainda temos os super especiais, e uma novidade: ao invés de duplas, a luta é em trios, e você pode trocar seu lutador por qualquer componente do trio que esteja de fora durante a luta. Além do especial duplo, agora existe um terrível especial triplo, que gasta três níveis de super. Aliás, agora a barra de super tem 5 níveis. Através de um comando, você pode chamar um dos parceiros que está de fora para dar um golpe e sair, como se fosse um Helper, e existe um golpe que obriga o oponente a trocar de lutador.

Apesar de mais bonito, MVC2 é mais complicado de se jogar. Além disso, alguns lutadores só são liberados através de tempo de jogo (ou seja, nos fliperamas brasileiros, que desligam as máquinas regularmente, não eram liberados nunca) e o último chefe, Abyss, que tem três formas, é um pé no saco. Se você conseguir liberar todos os lutadores, ficará com 56 no total. Por causa disso, o final de todos eles é idêntico, pois era muito mais fácil fazer um só final do que 56. Por tudo isso, MVC2 não é tão divertido quanto seu antecessor, mas ainda assim é um jogo interessante. Infelizmente, foi o que eu joguei menos (só quatro vezes, para dizer a verdade).

Já que eu dei a lista dos lutadores dos outros jogos, darei a deste também. Desde o início, pela Marvel, temos Homem-Aranha, Wolverine, Gambit, Capitão América, Hulk, Venom, Dr. Destino, Cable, Homem de Gelo, Ciclope, Medula, Fanático, Shuma Gorath e Magneto. Pela Capcom temos Ryu, Akuma, Zangief, Capitão Comando, Morrigan, Strider Hiryuu, Jin Saotome, Amingo (Jojo's Bizarre Adventure), Anakaris (Darkstalkers), B.B.Hood (Darkstalkers), Guile, Hayato (Star Gladiators), Ruby Heart e Sonson. Os "liberáveis" da Marvel são Thanos, War Machine, Coração Negro, Colossus, Homem de Ferro, Ômega Vermelho, Psylocke, Vampira, Dentes de Sabre, Tempestade, Sentinela, Samurai de Prata, Espiral e um Wolverine sem adamantium (apelidado por mim de Albert). Pela Capcom, os "liberáveis" são Tronn Bone (Megaman Legends), Servbot (Megaman Legends), Megaman, Roll, Cammy, Charlie, Dan, Dhalsim, Jill Valentine (Resident Evil), Ken, Chun Li, Felicia (Darkstalkers), Sakura e M.Bison.

Depois de MVC2, o contrato da Capcom com a Marvel acabou, e a série VS foi interrompida. Os personagens da Capcom ainda enfrentaram os da SNK em três jogos, Capcom vs SNK, Capcom vs SNK 2 e SVC Chaos: SNK vs Capcom. Estes jogos, porém, são muito mais parecidos com uma mistura de Street Fighter Alpha e King of Fighters do que com os quatro VS anteriores, portanto eles não são oficialmente parte da série. Recentemente foi lançado Capcom Fighting Evolution, que tem lutas em dupla, mas todos os personagens são da Capcom, o que também o desqualifica (aliás, a SNK também está preparando um parecido, Neo-Geo Battle Coliseum). Em fase de produção está Sammy vs Capcom, que também não deve vir a integrar a série VS. O novo contrato da Marvel é com a Electronic Arts, que malandramente já anunciou um Marvel vs EA. Pessoalmente, eu não acho que vá ficar tão legal quanto os anteriores. Tudo tem uma época, e aparentemente essa já passou.
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sábado, 22 de janeiro de 2005

Escrito por em 22.1.05 com 0 comentários

Robocop

Dentre minhas várias manias, eu coleciono DVDs de filmes de ação/aventura/fantasia/ficção científica dos anos 80. Minha nada invejável coleção conta com títulos como Labirinto: A Magia do Tempo, os dois Conan e Short Circuit: O Incrível Robô, dentre outros. O tema do post de hoje, como todos devem ter imaginado, é um dos filmes deata coleção, mais precisamente um que eu ganhei no último Natal: Robocop.

Lançado em 1987 pela falecida Orion Pictures (atualmente parte da MGM) e dirigido pelo holandês maluco Paul Verhoeven (que depois ainda faria O Vingador do Futuro e Tropas Estelares, bem como os mais "adultos" Instinto Selvagem e Showgirls), Robocop conta a história de um policial transformado em máquina após sua morte para melhor servir e proteger. Eu poderia dizer que é uma belíssima metáfora baseada na história de Frankenstein, mas não é nada disso. É só um bom filme de ação.

Robocop se passa em um futuro não tão distante, onde megacorporações praticamente controlam o mundo. Uma destas megacorporações, a Omni Produtos de Consumo (também conhecida como OCP, embora na versão legendada tenha virado PCO) faz uma negociata com a prefeitura de Detroit, através da qual reconstruirá totalmente a cidade, renomeando-a para Delta City. Em troca, a OCP controlará todos os serviços públicos da cidade, incluindo a polícia.

O plano da OCP é erradicar totalmente a criminalidade, para fazer de Delta City um paraíso na Terra. Para isso, eles planejam reforçar o policiamento com robôs. Inicialmente, seria usado o modelo ED-209 (ED vem de enforcement droid, andróide de reforço) mas alguns "pequenos defeitos" com o robô levam a OCP a colocar em andamento o projeto Robocop, que utilizaria um policial voluntário transformado em ciborgue, ao invés de um robô "inteiro".

O tal "voluntário" acaba sendo o policial Alex J. Murphy (Peter Weller), recém transferido da Zona Sul para a Zona Oeste de Detroit, e morto em ação. O corpo de Murphy é utilizado para a criação de Robocop, que inicialmente está sob total controle da OCP, mas com o passar do tempo acaba recobrando suas antigas memórias, e indo em busca dos bandidos que o mataram e de sua antiga família. A trama de ação fica por conta de um vice-presidente corrupto da OCP, que secretamente ajuda o chefe do crime local a elevar os índices de criminalidade e matar policiais, buscando lucrar com a venda de muitos ED-209s. É lógico que é de seu interesse que o projeto Robocop seja cancelado, ou seus robôs não servirão de nada.

O que eu mais gosto sobre esse filme é que ele fica numa linha tênue entre um filme de ação muito violento (não é todo dia que a gente vê alguém explodir a mão de um policial com um tiro de escopeta) e uma comédia de humor negro. Em alguns momentos do filme, é como se estivéssemos assistindo a um telejornal do futuro, com notícias como a crise nuclear na África do Sul, ou a terrível tragédia que ocorreu quando um dos satélites do projeto Guerra nas Estrelas acidentalmente disparou seu laser, matando 113 pessoas, incluindo dois ex-presidentes americanos, em Santa Barbara. Destaque também para os "comerciais", como o do jogo Nukem, um tipo de War da era nuclear, com botão do juízo final e tudo, cujo slogan é "acabe com eles antes que acabem com você". Também merece uma menção o programa de maior audiência do futuro, It's not my problem, um humorístico onde um homem baixinho e feio sempre consegue mulheres maravilhosas, e encerra os quadros com seu bordão "eu compraria isto por um Dólar"!

Para o cinema, Robocop teve duas continuações. Como de costume, duas bombas. Robocop 2 foi lançado em 1990, e dirigido por Irvin Kershner, com roteiro de Frank Miller. Até hoje eu me pergunto no que o Frank Miller estava pensando. A idéia do filme nem é tão ruim: uma executiva corrupta da OCP cria o projeto Robocop2, no qual é utilizado Cain, um viciado em uma droga do futuro (a nuke), ao invés de um policial. As boas sacadas do filme incluem o ciborgue ser movido a nuke (uma seringa de respeito, diga-se de passagem) e o Magnavolt 2000, um sistema de segurança para evitar roubo de automóveis. O problema com este filme é uma espécie de crise de personalidade. Até o meio, ele é uma comédia pastelão. Daí para a frente, é só tiroteio e mortes. Parecem dois filmes diferentes.

O terceiro filme, Robocop 3, é de 1993, e dirigido por Fred Dekker. Nenhum dos atores dos outros dois está neste, e Robocop é interpretado por Robert Burke. Desta vez a OCP decide contratar mercenários para afugentar (ou matar, nunca se sabe) as pessoas que se recusarem a deixar suas casas para que possam ser feitas as desapropriações necessárias para a construção de Delta City. Robocop descobre, e se vê em uma encruzilhada entre proteger os cidadãos e garantir os interesses da firma que o criou. Embora eu goste mais deste do que do segundo, é só mais um filme de ação, até com um pouco de cara de Sessão da Tarde, sem o clima do original.

Robocop teve ainda uma série em desenho animado, onde foi suavizado para fazer sucesso com as crianças; uma série para a TV, que eu gostava à beça, embora se parecesse no geral mais com o terceiro filme que com o original; e uma minissérie, Robocop Prime Directives, que dizem que é muito boa, mas eu nunca vi até porque jamais foi exibida no Brasil.

Atualmente, aparentemente o policial-robô encontra-se aposentado, até que alguém decida desenterrá-lo e fazer um novo filme. Existem boatos de que será rodado um Robocop vs Terminator, para pegar carona no sucesso de Alien vs Predador. Mas qual seria a desculpa? John Connor se muda para Detroit?

De qualquer forma, uma das vantagens de ser um ciborgue onde a única parte visível é a boca, é que qualquer um pode interpretá-lo sem que os fãs reclamem muito.
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domingo, 9 de janeiro de 2005

Escrito por em 9.1.05 com 1 comentário

Megaman X (II)

Semana passada, vimos o início da série Megaman X, criada para transportar Megaman para o Super Nintendo. Teoricamente localizada cem anos no futuro da Série Clássica, seus cinco primeiros títulos da série suscitaram muitas questões, principalmente entre os fãs das aventuras do Megaman original. Devido ao espaço de três anos entre Megaman X4 e Megaman X5, além das inúmeras suposições trazidas por este último, uma expectativa enorme se formou quando a Capcom anunciou Megaman X6 logo após o lançamento de X5. Todos pensavam que muitas das perguntas finalmente ganhariam respostas. Mas elas ganharam foi um banho de água fria.

Megaman XtremeAntes disso, a Capcom decidiu lançar um jogo de Megaman X para Game Boy Color, Megaman Xtreme, no final de 2000. Este jogo tem uma história esquisita: três vilões misteriosos, Geemel, Zain e Techno, invadem o computador da base dos Maverick Hunters, e começam a danificá-lo. Com a ajuda do novo técnico em comunicações da base, Middy, X se liga ao computador, onde irá ter de enfrentar alguns de seus inimigos antigos para poder deter os vilões. O jogo possui três modos de dificuldade. No Normal, você enfrenta três Mavericks de Megaman X e um de Megaman X2, Chill Penguin, Storm Eagle, Spark Mandrill e Flame Stag, antes da fortaleza. Geemel e Zain ainda aparecem em duas fases aleatórias para lhe enfrentar. Vencendo o modo Normal, você libera o modo Hard, onde, antes da fortaleza, terá de enfrentar três Mavericks de Megaman X2 e um de Megaman X, Morph Moth, Magna Centipede, Wheel Gator e Armored Armadillo. Vencendo o Hard Mode, você libera o Xtreme Mode, onde todos os oito robôs anteriores devem ser enfrentados antes da fortaleza. Curiosamente, a primeira fase obrigatória e a fortaleza são iguais nos três modos, e, evidentemente, no final você descobre que Sigma é quem estava por trás de tudo e tem de enfrentá-lo. Uma coisa curiosa em Megaman Xtreme é o "Zero Scramble", programas encontrados nas fases dos robôs do Hard Mode comos e fossem partes da armadura. Os quatro Zero Scramble utilizam a mesma barra de energia, e quando você resolve usar um deles, Zero surge na tela, executa um golpe e se teletransporta de volta para a base.

Agora sim vamos ao banho de água fria, Megaman X6, lançado em tempo recorde, simultaneamente nos EUA e Japão pela primeira vez na história de Megaman, no início de 2001, apenas 9 meses depois de Megaman X5. Todo mundo esperava que muitas das questões levantadas por Megaman X4 e X5 seriam finalmente respondidas. Tal qual Matrix Revolutions, o jogo deixou tudo na mesma.

Em Megaman X6 ficamos conhecendo Gate, um Reploid cientista antigo colega de Alia. Examinando os destroços da Eurasia, Gate encontra um pedaço de Zero, que morreu no final de Megaman X5 (sim, mesmo se você destruir Eurasia a tempo, Zero morre na luta contra Sigma). Gate decide estudar este pedaço, mas aparentemente começa a enlouquecer no processo. Paralelamente, começa a aparecer um "vírus Zero", semelhante ao vírus Sigma, mas com a aparência de Zero. X é enviado para investigar estas estranhas ocorrências quando se depara com Hi-Max, uma criação de Gate, que pede que ele não interfira. Antes da batalha, X pensa ter visto Zero vivo, e decide investigar mais sobre isso.

Megaman X6Megaman X6 segue o mesmo estilo de Megaman X5 (até os inimigos de fase são os mesmos, o que leva a crer que é uma continuação direta). Um fato interessante é que X começa o jogo com a espada de Zero, encontrada por ele após a última batalha contra Sigma. X novamente tem duas armaduras, a Blade, que aumenta seu poder de fogo e o poder da espada, e a Shadow, que aumenta sua mobilidade e velocidade, mas impede que ele use armas dos robôs. X começa o jogo com a armadura Glide, idêntica à Falcon de X5 mas sem a capacidade de vôo. O jogo também traz de volta os reféns, e é aqui que eles começam a ficar irritantes. Para começar, só é possível ganhar itens específicos salvando reféns específicos, e não salvando uma grande quantidade deles, como em X5. São 16 reféns em cada fase de Maverick, totalizando 128 reféns em todo o jogo. Ainda por cima, próximo a cada refém existe um inimigo chamado Nightmare. X deve alcançar o refém antes que o Nightmare o faça, senão o refém morrerá, e você só conseguirá o provável item se resetar e começar de novo (não adianta dar continue, o refém é marcado como morto - e nem pense em gravar o jogo, aí é que ele fica morto para sempre). A maneira mais fácil de alcançar um refém antes de um Nightmare é, evidentemente, destruindo o Nightmare. Só que eles voltam alguns segundos após serem destruídos, e algumas vezes tem tantas coisas na frente ou você está tão longe do Nightmare que a única solução é correr como um desesperado arriscando a vida. E acredite, ainda vai piorar.

Uma novidade interessante em Megaman X6 é a presença de uma subfase secreta em cada fase de Maverick. Cumprindo esta subfase secreta, você chega a um chefe secreto. O primeiro chefe secreto é Zero, e vencendo-o você ganha o direito de jogar com ele, podendo escolhê-lo antes de cada fase, como em Megaman X5. O segundo chefe secreto é Hi-Max, e se vencê-lo você poderá ir ao laboratório de Gate mesmo sem vencer os oito Mavericks. Nas outras seis vezes em que você chegar em um chefe secreto, este será Dynamo, e vencendo-o você ganha muitas souls. Além de derrotar Dynamo, a única outra forma de ganhar souls é matando Nightmares. Conseguindo 3000 souls a qualquer momento, você também poderá ir ao laboratório de Gate sem derrotar os oito Mavericks.

Como Gate aparentemente enlouqueceu, e seu ajudante Isoc também não parece muito bem da cabeça, cabe a X (e a Zero, se você encontrá-lo), invadir o laboratório de Gate e detê-lo. Para isso, X deverá passar pelos oito Mavericks aliados de Gate, Commander Yammark, Rainy Turtloid, Blizzard Wolfang, Shield Sheldon, Blaze Heatnix, Infinity Mijinion, Metal Shark Player e Ground Scaravich (pois é, aquela história dos "nomes humanos" de novo...). Ao derrotar Gate, X descobre (pela enésima vez), que quem estava por trás disto era Sigma, envenenando sua mente para que ele espalhasse que Zero era o causador de todos os problemas do mundo. Uma coisa muito curiosa é que Sigma ainda não está totalmente reparado (ele estava disfarçado como Isoc enquanto se reparava, mas teve de se revelar antes da hora) e luta contra X caindo aos pedaços. Ainda assim é uma luta difícil, mas X triunfa mais uma vez. Assim como seu antecessor, Megaman X6 tem três finais, um para Megaman com este tendo encontrado Zero, um para Megaman sem encontrar Zero, e um para Zero.

Megaman Xtreme 2No final de 2001 ainda foi lançado mais um jogo para Game Boy Color, um dos últimos antes do videogame sair de linha, Megaman Xtreme 2. Cronologicamente, este jogo se passa antes de Megaman X4, quando Iris ainda era uma estagiária nos Maverick Hunters. Dois Reploids, Berkana e Gareth, começam a fazer estranhos experimentos em uma ilha isolada, roubando as almas de Repoloids para isso (robôs têm alma?). X e Zero são enviados para investigar. No início do jogo, você poderá escolher entre a missão de X e a missão de Zero, jogando com um ou com outro personagem, como em Megaman X4. Se escolher a missão de X, terá de enfrentar dois Mavericks de Megaman X e dois de Megaman X3, Launch Octopus, Flame Mammoth, Neon Tiger e Volt Catfish. Escolhendo a missão de Zero, serão dois Mavericks de Megaman X2 e dois de Megaman X3, Wire Sponge, Overdrive Ostrich, Blast Hornet e Tunnel Rhino. A fase inicial e a fortaleza são idênticas nas duas missões, só que na missão de X ele enfrenta Berkana, e na de Zero ele enfrenta Gareth. Sigma não dá as caras por enquanto. Vencendo a missão de um personagem, você libera o Extra Mode para o outro (ou seja, vencendo a missão de X, você libera o Extra Mode de Zero). No Extra Mode, você já começa a missão com as armas ou técnicas correspondentes aos Mavericks da missão anterior (mas não os Sub-Tanks, Heart Tanks ou partes da armadura). Um dado curioso: Zero também tem partes de armadura neste jogo, que aumentam suas habilidades, embora não alterem seus gráficos.

Vencendo o Extra Mode você libera o Xtreme Mode, onde poderá trocar de personagem a qualquer momento durante uma fase. A única ressalva é que só ganhará a arma ou técnica o herói que matar o Maverick correspondente, assim como só terá a energia aumentada o herói que pegar o Heart Tank. X não pode pegar as partes da armadura de Zero, e vice-versa. No Xtreme Mode você enfrentará os oito Mavericks do jogo, e ao final da fortaleza terá de enfrentar Sigma, o verdadeiro responsável pela bagunça. Os finais de cada missão e do Xtreme Mode são diferentes, e vencendo o Xtreme Mode você ainda libera o Boss Attack Mode, que não tem fases, apenas lutas contra os Mavericks de Megaman Xtreme 1.

Em 2003, Megaman X fez sua estréia no Playstation 2, com Megaman X7. Megaman X6 pode ter deixado a história no exato mesmo lugar, sem responder a uma única dúvida dos fãs, mas pelo menos era um bom jogo. Com Megaman X7 a decepção foi ainda maior. Não somente a história continuou sem andar para a frente (em alguns pontos eu até acho que ela andou foi para trás) como também o jogo é horroroso, uma afronta aos fãs de Megaman. Para começar, ele é todo em 3D, e conta com fases "vistas de trás" (estilo Tomb Raider) e fases "vistas de lado" (como os demais jogos de Megaman). O primeiro problema é que a câmera nunca mostra o que você quer ver. Não é raro ser atingido por um tiro que você nem desconfia de onde veio. O segundo problema é que a mira automática jamais mira em quem você quer acertar. Você se desepera atirando, e o pobre personagem vesgo erra todos os tiros, enquanto perde mais e mais energia. Além disso, os heróis são pequenos demais, e a energia é super escassa, é possível passar por uma fase inteira sem ver uma única cápsula de energia.

Megaman X7A história da vez é a seguinte: surge uma nova organização, chamada Red Alert, que começa a caçar Mavericks paralelamente aos Maverick Hunters. Um dos membros da Red Alert, Axl (por que a Capcom gosta desse nome?) descobre algum segredo sujo, e decide fugir e se unir aos Maverick Hunters oficiais. Ao descobrir que Axl está com os Maverick Hunters, Red, o líder da Red Alert, exige que eles o entreguem. Como X é contra, Red propõe um desafio: ele soltará pela cidade oito Mavericks que eles capturaram - Splash Warfly, Soldier Stonekong, Tornado Debonion, Wind Crowrang, Vanishing Gungaroon, Snipe Anteator, Flame Hyenard e Ride Boarski - e a primeira organização a derrotá-los fica com Axl (Axl é tão necessário assim?). É claro que, no final, é descoberto que Sigma estava por trás da Red Alert, e os Maverick Hunters precisam confrontá-lo novamente...

Como se já não bastassem todos os problemas gráficos, Megaman X7 ainda tem uma situação absurda: Não é possível jogar com X no início do jogo! Ora bolas, o jogo se chama Megaman X, e X não é um dos personagens principais? No início do jogo, você só pode escolher entre Zero ou Axl (inclusive, cada metade da primeira fase obrigatória é jogada com um deles). Assim como no Xtreme Mode de Megaman Xtreme 2, é possível trocar de personagem a qualquer momento da fase, mas agora ambos ganham a arma ou técnica do Maverick, não importa quem o matou. Ao matar os Mavericks, Axl ganha armas mesmo, tipo rifles e bazucas. Axl ainda tem um ataque vagabundo que permite que ele se transforme em inimigos de fase após derrotá-los, mas as vantagens disso são tão poucas que dá para passar o jogo inteiro sem usar.

É possível jogar com X, mas somente após Zero e Axl resgatarem 48 dos 128 reféns. Falando nisso, os reféns neste jogo são mais chatos ainda para serem resgatados. Desta vez, eles morrem ao entrar em contato com qualquer coisa, como inimigos de fase, tiros de inimigos de fase, ou até mesmo seus próprios tiros! Em algumas fases, os reféns morrem antes mesmo que você veja que eles estão lá, devido aos ângulos errados da câmera. Salvar todos os reféns de certas fases é uma tarefa desesperadora - e, muitas vezes, um esforço inútil. Após X ser "liberado", você só poderá escolher dois Maverick Hunters para jogar cada fase (ou seja, X e Zero, X e Axl ou Zero e Axl). X só tem uma armadura, e ela se equipa aos poucos, como nos quatro primeiros jogos. No geral, Megaman X7 é um jogo que irrita mais do que diverte, e introduz personagens novos em uma história que já tinha mistérios demais.

Command MissionNeste ano de 2004 foi lançado um novo título, Megaman X Command Mission, para Playstation 2 e GameCube. É o primeiro jogo de Megaman X no estilo RPG, e se passa cem anos após Megaman X7 (o que causa um problema para a cronologia da Série Zero, sobre a qual talvez eu fale um dia). A história é meio bizarra: X, Zero e Axl são enviados a uma mina para caçar um Maverick chamado Epsilon, e se deparam com uma guerra entre e Resistência e os Rebeldes (eu sempre achei que resistência e rebelião, em termos políticos, fossem a mesma coisa...). Eles decidem se unir à Resistência, e é daí que decorrem as aventuras. Eu nunca joguei, mas dizem que não é lá essas coisas, principalmente o final.

Finalmente, chegamos ao mais recente título da série, Megaman X8, lançado no último mês de dezembro, para Playstation 2. X, Zero e Axl estão de volta com um enredo no mínimo curioso: como a Terra está em vias de se tornar inabitável, os humanos decidem colonizar a Lua. Para isso, constroem um elevador (??) para levar toda a população até lá. Quando o elevador está quase concluído, porém, Vile, que não dava as caras desde Megaman X3, surge e seqüestra Lumine, o Reploid responsável pelo projeto. Imediatamente, todos passam a suspeitar que Sigma está por trás disso, e os três heróis são enviados pra impedi-lo. Antes de alcançar Vile e salvar Lumine, porém, terão de enfrentar os famosos oito Mavericks, cujos nomes ficam cada vez melhores: Avalanche Yeti, Earthrock Trilobite, Dark Mantis, Gravity Antonion, Burn Rooster, Bamboo Pandamonium, Optic Sunflower e Gigavolt Man-o-war.

A principal novidade deste jogo é a possibilidade de escolher entre três navegadoras, Alia, Layer e Palette, cada uma dando dicas diferentes sobre as fases. Há um modo secreto onde é possível jogar com as navegadoras ao invés de com X, Zero e Axl. X novamente tem duas armaduras, a Hermes e a Icarus, e Vile, além de ser um dos últimos chefes, ainda aparece de vez em quando para atazanar, como nos jogos do SNES. Mas a parte que eu mais gostei é que não existem mais aqueles reféns nojentos. Os itens agora são adquiridos coletando partes de inimigos mortos, chamadas Metals, que devem ser levadas até a base dos Maverick Hunters e trocadas por eles, exatamente como os parafusos da Série Clássica. A única coisa irritante deste jogo é que parece que todos os Reploids, com exceção dos Maverick Hunters originais, têm a mesma habilidade de Axl de se transformar em outro Reploid, ou seja, se você está diante de Sigma, pode muito bem ser um Reploid chinfrim transformado nele.

Megaman X8Antes mesmo do lançamento, já era alardeado na internet que, em Megaman X8, Sigma morreria de uma vez por todas. Ainda é cedo para dizer (até porque eu ainda não joguei), mas uma coisa é certa: apesar de você ter que enfrentar Sigma duas vezes, ele não é o último chefe, fazendo com que este seja o único jogo da série X onde isso ocorre. Aparentemente, a Capcom vai matar o Sigma de vez, mas vai colocar um novo vilão no lugar.

Minha sincera conclusão sobre isso tudo é que a Capcom enlouqueceu. Quando começou, a Série X gerou grandes expectativas quanto a ser o futuro da Série Clássica, até porque ambas se desenvolviam paralelamente. A Série Clássica foi interrompida, porém, e a Série X fica cada vez mais cheia de buracos, ao invés de tapar os que já existiam. De qualquer forma, se existir um Megaman X9, espero que ele volte para o rumo, ao invés de criar mais confusão. Se bem que, a esta altura, até eu já estou duvidando.

Série Megaman

Série X
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domingo, 2 de janeiro de 2005

Escrito por em 2.1.05 com 1 comentário

Megaman X (I)

Megaman XEm alguns de meus inúmeros posts sobre Megaman, eu mencionei que o robozinho azul atualmente está em cinco séries distintas. Até agora, eu só tinha falado da Série Clássica, que mostra a luta de Megaman contra seu Arquiinimigo Dr. Wily. Depois da série clássica, a mais famosa é a Série X, assim chamada por compreender os jogos estrelados por Megaman X. Atualmente, a Capcom está dando muito mais atenção a esta série do que à Clássica, o que é uma pena, mas ao menos mantém Megaman vivo. Ou mais ou menos, como veremos a seguir.

E adivinhem o que aconteceu? Isto mesmo, o post ficou grande demais e eu dividi em dois. Prometo que vou escolher temas menos extensos antes que isto se torne um hábito, mas mais uma vez vou começar hoje e terminar semana que vem.

O jogo Megaman X foi criado pela mesma equipe que trabalhou em Megaman 5 (e com o nome de Rockman X, diga-se de passagem), quando chegou a hora de passar Megaman do NES para o SNES (conhecido aqui como Super Nintendo). Por alguma razão, toda vez que chega a hora de fazer um jogo de Megaman para um novo sistema (com exceção do Game Boy e do Playstation 2) a Capcom decide por criar uma nova série, ao invés de dar prosseguimento às existentes.

Escolha sua fase!Teoricamente, a Série X se passa cem anos depois da Série Clássica. Teoricamente porque absolutamente nada sobre a Série Clássica é jamais mencionado em qualquer jogo de Megaman X. Só existem dois personagens em comum, os cientistas Dr. Light e Dr. Wily, e ambos estão mortos há mais de meio século. É claro que o protagonista se chama Megaman X, mas todos os personagens (e até os menus do jogo) o chamam simplesmente de X. Aparentemente, X não é Megaman melhorado, mas sim um robô completamente novo, que apenas compartilha o mesmo nome. O clima da série X também é mais adulto e sinistro que o da Série Clássica, como se a Série Clássica fosse feita para crianças, e a X para adolescentes.

Apesar disso tudo, Megaman X ainda tem muitas semelhanças com Megaman. Ainda temos os oito robôs cuja ordem pode ser escolhida, e cada um confere uma arma diferente a X, que poderá ser usada contra outro robô. E, após os oito robôs, temos a fortaleza, cuja ordem das fases é fixa. As diferenças no jogo não estão restritas à história. Em megaman X, E-Tanks se chamam Sub-Tanks, e precisam ser "enchidos" antes de poderem ser utilizados. X também tem acesso a uma armadura, dividida em quatro partes (botas, capacete, canhão e peitoral) escondidas em quatro das fases dos robôs. Cada parte da armadura confere uma habilidade especial a X, como correr no ar ou concentrar o poder de fogo das armas dos robôs. Outros itens apenas presente na Série X são os Heart Tanks, que aumentam o tamanho da barra de energia de X, e as Ride Armors, espécies de robôs que podem ser pilotados por X, e absorvem qualquer dano direcionado contra ele. Cada jogo de Megaman X também tem uma primeira fase obrigatória, prática que seria adotada na Série Clássica a partir de Megaman 7.

O primeiro Megaman X foi lançado em 1993 para SNES e PC. O cientista e arqueólogo Dr. Cain está procurando por registros históricos da Mesopotâmia, quando se depara com o laboratório do Dr. Light. Dentro do laboratório, estão os planos para um novo tipo de robô, capaz de sentir emoções e aprender com seus erros, e um protótipo deste tipo de robô, chamado Megaman X, dentro de uma cápsula de animação suspensa. Animado com a descoberta, Dr. Cain constrói um robô de acordo com as especificações de Dr. Light, e dá a ele o nome de Sigma. Como Sigma aparentemente funciona bem, os planos começam a ser utilizados para a construção de robôs em massa, chamados Reploids. A humanidade prospera graças aos Reploids, e a Terra chega a um nível tecnológico jamais sonhado.

X, Vile (em uma Ride Armor) e ZeroUm dia, porém, algo dá errado. Como Megaman X era só um protótipo, e Dr. Cain não era um cientista tão brilhante quanto Dr. Light, ele não previu uma falha no projeto. Sob certas circunstâncias, um mau funcionamento poderia fazer com que o robô "enlouquecesse", se voltando contra os humanos, esquecendo as diretivas que deveria seguir. A estes robôs renegados, foi dado o nome de Mavericks (no original japonês eles são chamados de "Irregulars"). Para caçar e destruir os Mavericks, é criada uma unidade especial de Reploids, comandada pelo próprio Dr. Cain, e liderada por Sigma, seu primeiro robô. Esta unidade é conhecida como Maverick Hunters, e passa anos lutando contra Mavericks no mundo inteiro. Em dado momento, Sigma encontra um misterioso robô chamado Zero, muito avariado, que após ser consertado também se torna um Maverick Hunter. Após este encontro, porém, Sigma passa a agir estranhamente... até que todos os Maverick Hunters também se tornam Mavericks!

Zero começa a combatê-los, mas Sigma é muito poderoso para ele. Não resta outra alternativa a Dr. Cain senão ativar Megaman X, o Reploid original, para que ele detenha Sigma, trazendo a paz de volta ao mundo. Confuso e lançado a um mundo que não compreende, X quase é morto por Vile, o mais poderoso dos ex-Maverick Hunters, sendo salvo por Zero. Zero passa a procurar a base secreta dos vilões, enquanto cabe a X deter os demais Mavericks que estão com Sigma.

Diferentemente da Série Clássica, em Megaman X os robôs inimigos não têm seus nomes terminados em "man". Isto porque eles possuem formas animais. Assim, os oito robôs de Megaman X são Chill Penguin, Launch Octopus, Armored Armadillo, Storm Eagle, Spark Mandrill, Flame Mammoth, Sting Chameleon e Boomer Kuwanger. Após derrotá-los, X recebe um comunicado de Zero, para se encontrar com ele na base de Sigma. Lá eles são atacados novamente por Vile, e Zero se sacrifica para avariar o vilão, para que X possa vencê-lo. Por fim, X derrota Sigma, e a paz parece ter retornado afinal.

Megaman X2Mas não por muito tempo. Evidentemente, a Capcom não iria lançar um jogo fechado. Em 1995, portanto, foi lançado Megaman X2, a natural continuação, desta vez só para SNES. Com a destruição de Sigma e o sacrifício de Zero, Megaman se tornou o novo líder dos Maverick Hunters. Sem um arquivilão para encher o saco, sua tarefa era simplesmente destruir um ou outro eventual Maverick que surgisse por aí. Dois anos após a morte de Sigma, porém, surgem três Reploids, Agile, Serges e Violen, que se auto-denominam os X Hunters, que planejam destruir X, com a ajuda de oito Mavericks. Para atrair X para uma cilada, eles se utilizam dos pedaços do corpo de Zero, que encontraram na antiga base de Sigma. Assim, X parte para derrotar os oito Mavericks, e salvar seu companheiro. Wire Sponge, Morph Moth, Bubble Crab, Flame Stag, Overdrive Ostrich, Magna Centipede, Wheel Gator e Crystal Snail são os Mavericks da vez. Uma coisa interessante neste jogo é que, após derrotar dois Mavericks, X é desafiado pessoalmente pelos X Hunters, que passam a aparecer em fases aleatórias. É importante derrotá-los para recuperar as três partes do corpo de Zero, caso contrário, X terá de enfrentar Zero na fortaleza dos vilões. Após derrotar os X Hunters, X descobre que o vilão por trás disto tudo é Sigma, que não havia morrido. Na verdade, Sigma é capaz de sobreviver como um programa de computador, sem corpo, indefinidamente, enquanto seu corpo é reparado, se tornando praticamente invencível. De qualquer forma, X destrói seu corpo novamente, ganhando algum tempo até alguém resolver consertá-lo.

E isto aconteceu em 1996, quando foi lançado Megaman X3, desta vez para SNES, PC, Playstation e Saturn (estes dois últimos só no Japão). Algum tempo depois da segunda derrota de Sigma, X e Zero já estão de volta ao seu papel como Maverick Hunters. Até que surge um cientista chamado Dr. Doppler, que clama ter descoberto uma "vacina", para que os Reploids não mais se tornem Mavericks. Aparentemente, ele está dizendo a verdade, pois muito tempo se passa sem nenhuma ocorrência... até que, por todo o planeta, milhares de Reploids começam a se tornar Mavericks de repente, incluindo alguns dos Maverick Hunters colegas de X e Zero! Cabe a ambos invadir o laboratório do cientista e descobrir o que ele tem a ver com isso. Não será nada fácil, porém. Dr. Doppler está acompanhado de oito Mavericks, Blast Hornet, Blizzard Buffalo, Volt Catfish, Crush Crawfish, Neon Tiger, Toxic Seahorse, Gravity Beetle e Tunnel Rhino. Neste jogo, você pode jogar com Zero, embora apenas no máximo um terço de cada fase, exceto contra os chefes e na última fase. Zero só tem uma vida, e se ele morrer você não poderá mais utilizá-lo pelo resto do jogo. X, neste jogo, possui duas armaduras, a comum e a "dourada", sendo que desta última ele só poderá escolher uma das quatro partes (ou não, já que há um método secreto para conseguir as quatro). Partes da armadura dourada são mais poderosas que da normal, mas X deve estar equipado com a parte normal correspondente ao encontrar a dourada (ou seja, deve ter o capacete normal ao encontrar o dourado, por exemplo).

Assim como no anterior, após X derrotar dois Mavericks, terá que lidar com os ajudantes do Dr. Doppler, Bit e Byte, e com Vile, que retorna reformado e mais poderoso para se vingar. Os três aparecem em fases aleatórias, e destruindo-os você muda os chefes da fortaleza (para um muito mais fácil e outro muito mais difícil, então não há um ganho real, apenas a satisfação de enfrentar um chefe diferente). Ao derrotar Dr. Doppler, X descobre que, na verdade, sua vacina era um vírus, que iria transformar todos os Reploids do planeta em Mavericks, e que ele estava construindo um novo corpo para Sigma, muito mais poderoso que o anterior. X enfrenta Sigma neste novo corpo, e descobre que o próprio Sigma é um vírus. Derrotado por ora, Sigma desaparece (graças a Zero, que usa um antivírus, acredite ou não), mas com certeza voltará.

Megaman X3Em 1997, a Série X migrou de sistema com o lançamento de Megaman X4, para Playstation, Saturn e PC. Mais que uma guinada gráfica, a história também sofreu certos revezes. Dr. Cain sumiu sem explicação. O mundo da Série X, o qual imaginávamos que fosse como o nosso, mas com mais robôs, se mostrou quase que unicamente povoado por robôs, com os humanos sendo minoria. Mais do que isso, descobrimos que, quando Sigma encontrou Zero, este estava como X, em uma cápsula de animação suspensa, mas no laboratório do Dr. Wily! Zero estava completamente louco, e chegou a cortar o braço de Sigma antes de ser derrotado. Foi depois deste incidente que Sigma começou a agir estranhamente...

Na história de Megaman X4, uma força militar conhecida como Repliforce (algo como exército, marinha e aeronáutica dos Reploids) se rebela contra os humanos, e decide que deve controlá-los. Os Maverick Hunters (agora com uma base aparelhadíssima) decidem que eles se tornaram Mavericks, e resolvem combatê-los. Em retaliação, a Repliforce ameaça utilizar um enorme canhão espacial para destruir o mundo (nossa, que drástico). Dentro destas novidades todas, a principal é que agora você pode escolher entre jogar com X ou com Zero. Embora as fases sejam as mesmas, o desenrolar da história é completamente diferente, tendo inclusive um final distinto para cada um. Se escolher Zero, você terá a ajuda de Iris, irmã do Coronel da Repliforce e estagiária dos Maverick Hunters. Se jogar com X, terá a ajuda de Double, um estagiário dos Maverick Hunters que se revelará algo bem diferente do esperado...

Antes de poder enfrentar a Repliforce, X e Zero terão de passar por oito Mavericks que decidiram atacar a cidade justamente agora, reforçando a crença de que a Repliforce se tornou Maverick: Web Spider, Cyber Peacock, Split Mushroom, Jet Stingray, Slash Beast, Storm Owl, Frost Walrus e Magma Dragoon (sendo que este último era um Maverick Hunter colega de X e Zero). Zero não pode recolher as partes da armadura de X, e ao invés de armas ganha técnicas de combate ao derrotar os Mavericks, que podem ser utilizadas a qualquer momento do jogo através de uma combinação de botões. O final é o padrão: após derrotar o General da Repliforce, X e Zero descobrem que quem estava por trás de tudo era Sigma, que dominou mentalmente o Coronel e o General para que eles comandassem a Repliforce em um motim. X e Zero destroem Sigma novamente, mas o canhão já está armado para disparar. O General, então, se sacrifica para salvar a Terra.

Megaman X4Megaman X4 criou enormes expectativas para o desenrolar da série, mas os fãs tiveram de esperar até 2000, quando finalmente foi lançado Megaman X5, para Playstation e PC, para saber como a história seria conduzida. Este é um jogo de altos e baixos, e de muitas novidades. Um dos principais "baixos" é a dificuldade absurda das fases, algumas quase impossíveis de serem vencidas sem muita insistência. Dentre as principais novidades, os humanos parecem que sumiram de vez, mas ficamos conhecendo novos integrantes dos Maverick Hunters, o comandante Sygnas (que parece ter substituído Dr. Cain de vez), o mecânico Douglas, a navegadora Alia (que dá dicas durante as fases) e o médico Lifesaver. Agora você pode escolher se irá jogar com X ou Zero antes de cada fase, não precisando jogar o jogo inteiro com um único personagem, podendo alternar como quiser. X agora tem duas armaduras, cada uma com quatro partes, e que ele pode equipar antes de cada fase depois que estiverem completas (ao invés de irem se equipando conforme os pedaços são encontrados, como anteriormente). Com a armadura Falcon, X pode voar, e a armadura Gaea aumenta sua resistência e poder de fogo, embora com ela ele não possa utilizar as armas dos chefes. Mais do que isso, agora X já começa o jogo com uma armadura, a Force, idêntica à de Megaman X4 exceto pelo capacete (que permitia que X utilizasse as armas dos robôs infinitamente). Megaman X5 também introduziu uma novidade que depois se tornaria extremamente irritante: os "reféns". Durante as fases, você encontrará Reploids contaminados pelo Vírus Sigma clamando por socorro. Tocando neles, você os salva. Salvando reféns suficientes, você ganha itens importantes ao final de cada fase. O que isto tem de irritante? Por enquanto, nada...

A história não tem rodeios: Sigma ataca o quartel dos Maverick Hunters, e X ou Zero vão confrontá-lo (acreditem ou não, Sigma já é o primeiro chefe do jogo). Este ataque, porém, era uma cilada. Ao ser derrotado, Sigma espalha seu vírus por todo o planeta, e ele começa a contaminar milhares de Reploids. Se você não tomar cuidado, até mesmo X ou Zero podem ser contaminados, morrendo após o período de incubação! Mais do que isso, Sigma tem um plano sinistro: fez com que uma colônia de humanos do espaço, a Eurasia, saísse de sua órbita e entrasse em rota de colisão com a Terra (só não me pergunte como). Os humanos já fugiram de Eurasia, mas, se ela se chocar com a terra, obviamente, milhares morrerão. Assim, X e Zero partem em uma corrida contra o tempo para conseguir peças para o único canhão capaz de destruir Eurasia, o Enigma, que está desativado há séculos. Para conseguir destruir Eurasia com o Enigma, você precisa passar por quatro dos Mavericks sem perder todas as suas vidas (sem "dar Continue"). Isto, na minha opinião, é um atentado à liberdade de escolha, já que você não poderá começar a jogar por um dos outros quatro Mavericks, sob risco de não conseguir destruir Eurasia. Se os Maverick Hunters não conseguirem destruir Eurasia com o Enigma, ainda resta uma escolha: mandar Zero em um ataque kamikaze contra a colônia, pilotando uma nave espacial. Para conseguir destruir Eurasia desta forma, você deve derrotar os outros quatro Mavericks sem demorar demais em suas fases (o que é muito difícil, são fases muito chatas). Se mesmo assim você não conseguir (ou se o tempo se esgotar sem que você tenha conseguido cumprir uma das duas missões), não se preocupe, a Eurasia ainda é destruída no ataque kamikaze. Mas Zero morre no processo. Megaman X5 possui três finais, um para Megaman com Zero vivo (não importa se você destruiu Eurasia com o Enigma ou com a nave), um para Megaman com Zero morto (caso o ataque kamikaze não saia como o esperado) e um para Zero.

Megaman X5Um dos principais pontos de controvérsia em Megaman X5 diz respeito aos nomes dos Mavericks. Aparentemente, a Capcom quis dar "nomes humanos" a eles. Afinal, não fazia sentido que os Reploids se chamassem X, Zero ou Alia, e os Mavericks Boomer Kuwanger, Crystal Snail ou Gravity Beetle. O problema é que eles decidiram homenagear a banda Guns n' Roses ao escolher os nomes. Isso mesmo, você não leu errado. Os Mavericks ganharam os lindos nomes de Grizzly Slash, Duff McWhalen, Squid Adler, Izzy Glow, Dark Dizzy, The Skyver, Mattrex e Axl the Red. Os originais japoneses (utilizados pela maioria dos fãs na internet) correspondentes seriam Crescent Grizzly, Tidal Whale, Bolt Kraken, Shining Firefly, Dark Necrobat, Spiral Pegasus, Burn Dinorex e Spike Rosered. Como se já não bastasse perder tempo nestas fases todas, Sigma ainda contratou um mercenário de aluguel, Dynamo, para atacar a base dos Maverick Hunters e fazê-los perder tempo.

A fortaleza de Sigma causa grande expectativa quanto a finalmente "grudar" a Série X na Série Clássica, pois é nada menos que o laboratório do Dr. Wily onde Zero foi encontrado! A última batalha, inclusive, se passa na câmara onde está a cápsula de animação suspensa de Zero, onde Sigma revela que Zero foi criado pelo Dr. Wily. O jogo possui um final aberto (todos os três) dando a entender que muitas surpresas viriam por aí.

Mas aí veio um balde de água fria. Mas isso fica para a semana que vem, quando veremos os últimos lançamentos da série!

Série Megaman

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