Outro dia, ao bisbilhotar os posts antigos do átomo, me deparei com os que escrevi sobre Magic: The Gathering. Já desde bem antes de escrever o último post dessa série (que foi feito no agora já longínquo ano de 2015) que eu nem acompanho mais as novidades sobre o jogo, mas, como já se passaram três anos, e a Wizards of the Coast, fabricante do jogo, introduziu várias novidades de lá pra cá, achei que seria interessante voltar à série. Assim, hoje é dia de mais Magic: The Gathering no átomo.
Eu terminei o post anterior justamente antes de a Wizards decidir alterar seu cronograma de lançamentos: até então, durante um bom tempo, a cada ano era lançada uma expansão "grande", que tinha por volta de 250 cartas, duas expansões "pequenas", com por volta de 150 cartas cada, e uma expansão "básica", com por volta de 350 cartas e voltada para aqueles que estavam começando a jogar ou para os que estavam querendo completar suas coleções, e contava com reimpressões de cartas úteis, famosas ou simplesmente necessárias para se montar um bom baralho. A expansão grande e as duas pequenas faziam parte de um "bloco", ou seja, compartilhavam o mesmo tema, sendo que as três expansões de um mesmo bloco nunca eram lançadas no mesmo ano - a expansão grande era sempre lançada em setembro ou outubro de um ano, com a primeira pequena sendo lançada em janeiro ou fevereiro do ano seguinte e a segunda em abril ou maio. Entre a última expansão de um bloco e a primeira do bloco seguinte, era lançada a expansão básica, sempre em julho.
Em agosto de 2014, entretanto, a Wizards anunciaria que, a partir de 2015, esse esquema seria alterado: para começar, as expansões básicas não seriam mais lançadas uma por ano, e sim "quando houvesse necessidade"; além disso, cada bloco passaria a ser composto não por três, mas por duas expansões, a primeira tendo por volta de 275 cartas, a segunda tendo por volta de 180. Isso faria com que fossem lançados dois blocos por ano, mas em um esquema parecido com o anterior: um dos blocos teria sua primeira expansão lançada em setembro de um ano e a segunda em janeiro do ano seguinte, enquanto o outro teria a primeira lançada em abril e a segunda em julho do mesmo ano. Dessa forma, ainda seriam lançadas quatro expansões por ano, com a diferença de que uma delas não era básica - e, nos anos em que uma expansão básica fosse lançada, seriam cinco. Essa mudança agradou a alguns jogadores, desagradou à maioria, mas está em vigor até hoje.
Pois bem, eu terminei o post anterior da série logo após a última expansão lançada no esquema antigo, Dragons of Tarkir (Dragões de Tarkir), lançada em março de 2015. Depois dela, e antes de começar os novos "blocos de dois", a Wizards decidiria lançar mais uma expansão básica (que, durante um bom tempo seria a última), chamada Magic Origins, em julho de 2015. Com 272 cartas, Magic Origins conta a história de cinco Planeswalkers (conhecidos extra-oficialmente como "andarilhos dos planos", e em Portugal como "Planinautas"), personagens de grande poder mágico, e suas andanças pelo universo do jogo - sendo que os cinco seriam introduzidos aos poucos nas expansões lançadas posteriormente. Cada Planeswalker é uma carta de uma cor, e todas são dupla-face, tendo uma criatura comum em um dos lados e o Planeswalker do outro, para representar a evolução do personagem durante sua vida. As demais cartas seguiriam o padrão para as expansões básicas, com muitas cartas "repetidas" em relação às expansões anteriores, sendo que a maioria delas possuía nova arte.
O primeiro "bloco de dois" começaria com Battle for Zendikar (Batalha por Zendikar), lançada em outubro de 2015 com 274 cartas. A expansão traz a ação mais uma vez para Zendikar, plano atacado pelos monstruosos Eldrazi que queriam devorar seu mana, e que já havia ambientado um bloco em 2009/2010. Dessa vez, seis Planeswalkers chegam a Zendikar para combater os Eldrazi, mas as coisas não saem muito conforme o planejado. Uma característica de Battle for Zendikar é que as cartas podem ser divididas em dois times, o dos Eldrazi, individualmente poderosas, e o dos Aliados, mais fracas, mas que conferem bônus entre si caso estejam na mesa ao mesmo tempo. A segunda expansão do bloco seria Oath of the Gatewatch (Juramento das Sentinelas), lançada em janeiro de 2016 com 184 cartas. Nela, os Planeswalkers conseguem aprisionar as formas corpóreas dos Eldrazi, mas sua vitória final dependerá de um arriscado plano.
O bloco de Battle for Zendikar traria uma grande novidade que o transformaria em um sucesso dentre os colecionadores: um conjunto de 45 cartas metalizadas (25 em Battle for Zendikar, 20 em Oath of the Gatewatch), todas reimpressões de Terrenos com nova arte e bordas exclusivas, conhecidas coletivamente como Zendikar Expeditions. Em suas expansões originais, todos esses terrenos eram cartas do tipo rare, difíceis de se encontrar, mas suas versões em Zendikar Expeditions eram do tipo mythic rare, quase impossíveis de se obter. Ainda assim, completar o conjunto de Zendikar Expeditions se tornou uma obsessão para muitos colecionadores, com as cartas alcançando altos preços nos sites de leilão.
Entre agosto de 2015 e abril de 2018 também seriam lançadas seis novas caixas da série Duel Decks, cada uma contendo dois decks temáticos. A primeira delas seria justamente Zendikar vs. Eldrazi, com um deck de Eldrazi e um de Aliados. Três novas edições de From the Vault, mais uma vez cada uma com 15 cartas, também seriam lançadas, uma por ano, entre 2015 e 2017, as duas primeiras em agosto, a terceira em novembro. E, em novembro de 2015 também lançada uma nova expansão para Commander, a versão de Magic para mais de dois jogadores, chamada simplesmente Commander 2015, e trazendo 342 cartas, das quais 55 eram novas. Dessa vez, os Generais contavam com "marcadores de experiência", que os tornavam mais poderosos conforme o jogo avançava. Assim como as demais expansões de Commander, essa também vinha em cinco decks pré-construídos, com o intuito de que cada um fosse usado por um jogador.
Em abril de 2016 seria lançado Shadows over Innistrad (Sombras em Innistrad), de 297 cartas, expansão que levava Magic de volta a Innistrad, o plano assombrado por monstros e demônios tema de um bloco em 2011/2012. Avacyn, a arcanja protetora do plano, foi corrompida por uma força exterior, e agora os habitantes de Innistrad estão mais uma vez à mercê de criaturas monstruosas. Ao invés de se basear em monstros clássicos como o primeiro bloco, as criaturas de Shadows over Innistrad são versões de monstros da ficção científica, em especial os criados por H.P. Lovecraft, sendo até mesmo o nome do bloco uma referência a um de seus contos, The Shadow over Innsmouth; isso se reflete, inclusive, nas novas mecânicas trazidas ao jogo, como Loucura e Delírio.
Na segunda expansão do bloco, Eldtrich Moon (Lua Arcana), é revelado que o corruptor de Avacyn é Emrakul, um dos Eldrazi, também inspirado nas criações de Lovecraft, que conseguiu viajar de Zendikar para Innistrad - o símbolo da expansão, oficialmente a silhueta de Emrakul, lembra, inclusive, os antigos deuses cheios de tentáculos das histórias de Lovecraft, como Cthulhu. Lançada em julho de 2016 com 205 cartas, Eldtrich Moon narra a batalha entre os Planeswalkers e Emrakul para libertar Innistrad e restaurar Avacyn. Uma habilidade muito interessante introduzida em Eldtrich Moon é Fundir, com a qual duas criaturas (específicas) podem se unir e se transformar em uma criatura maior e mais poderosa.
Em agosto de 2016 seria lançado Conspiracy: Take the Crown, nova versão do jogo Conspiracy, uma versão de Magic para mais de dois jogadores que conta com um novo tipo de carta, as Conspirações, que podiam ser jogadas sem custo, permaneciam sobre a mesa com a face para baixo, e produziam um único efeito apenas em um momento específico, quando eram reveladas. Take the Crown trazia 222 cartas, das quais 80 eram inéditas, incluindo as 12 Conspirações.
Em setembro de 2016 seria inaugurado mais um bloco com Kaladesh, de 264 cartas, o primeiro "bloco de dois" ambientado em um plano novo. Após derrotar os Eldrazi, cinco dos Planeswalkers decidem continuar juntos e se reunir para traçar seus próximos passos; para isso, eles decidem visitar Kaladesh, onde está ocorrendo uma Feira de Inventores. Mas eles chegam lá no momento em que estranhos eventos estão ocorrendo, e, como de costume, acabam se envolvendo. Como era de se esperar, já que há uma Feira de Inventores, Kaladesh é uma expansão que traz muitos Artefatos, incluindo, pela primeira vez em Magic, Veículos, que as criaturas podem usar para ganhar bônus variados e novas habilidades. A segunda expansão do bloco seria Aether Revolt (Revolta do Éter), de janeiro de 2017, com 184 cartas. O ocorrido na Feira dos Inventores foi um estratagema para, na verdade, sufocar os inventores e dar mais poder ao governo, e os Planeswalkers decidem impedir. O bloco de Kaladesh também teve um conjunto de cartas metalizadas mythic rare, dessa vez composto por 54 Artefatos, 30 em Kaladesh e 24 em Aether Revolt. Chamado de Kaladesh Inventions, mais uma vez esse conjunto trazia cartas de outras expansões, mas com nova arte e bordas exclusivas.
Em novembro de 2016 seriam lançadas duas expansões especiais: Planechase Anthology trazia reimpressões de todos os Planos lançados em Planechase e Planechase 2012, um total de 86 cartas, 6 delas com nova arte. Já Commander 2016 era a nova expansão anual de Commander, com 351 cartas, sendo 56 inéditas, que vinham mais uma vez em cinco decks pré-construídos. Em 2017, Commander ganharia duas novas expansões, Commander Anthology, de junho, que trazia quatro decks pré-construídos, cada um vindo de uma expansão anterior (um de Commander, um de Commander 2013, um de Commander 2014 e um de Commander 2015), e Commander 2017, de agosto, com 309 cartas, sendo 56 novas, também em quatro decks, ao invés de cinco como era o padrão. Também em junho de 2017 seria lançado Archenemy: Nicol Bolas Schemes, coleção de 20 novos Schemes para Archenemy, nos quais o arqui-inimigo era o dragão Nicol Bolas, um dos vilões mais famosos de Magic. Para fechar esse parágrafo, em junho de 2018 seria lançado Commander Anthology vol. 2, que consistia de quatro decks relançamentos de edições anteriores (um de Commander, um de Commander 2014, um de Commander 2015 e um de Commander 2016), e, em agosto de 2018, seria a vez de Commander 2018, com 400 cartas, sendo 70 inéditas, mais uma vez em quatro decks.
Em abril de 2017 um novo bloco começaria com Amonkhet, de 264 cartas, ambientada em um plano inspirado na mitologia do Antigo Egito. Quando os Planeswalkers chegam a Amonkhet, se deparam com uma cidade evoluída, ordenada, brilhante, limpa, com deuses caminhando dentre os mortais e... governada por Nicol Bolas. Estranhando que um vilão tão traiçoeiro possa ser o governante de um lugar tão idílico, eles decidem investigar. Dentre as novidades, as habilidades Ímpeto, com a qual uma criatura pode conferir um bônus após ser usada, com a desvantagem de que não desvira no turno seguinte; e Embalsamar, com a qual um custo em mana pode ser pago e a criatura removida do jogo para que entre em jogo um zumbi de cor branca que é uma cópia exata dessa criatura. Amonkhet também traria cartas duplas semelhantes às de Invasion, Planeshift e Apocalypse, mas com mecânica diferente: o efeito que consta na parte horizontal da carta é resolvido normalmente, mas o efeito que consta na parte vertical só pode ser usado se a carta já tiver sido jogada e estiver no cemitério.
A história de Amonkhet se concluiria em Hour of Devastation (Hora da Devastação), de julho de 2017, com 194 cartas: três deuses esquecidos surgem, e começa uma batalha entre os deuses que pode levar à destruição de Amonkhet. As duas novas habilidades de Hour of Devastation eram Eternizar, que funcionava exatamente como Embalsamar, mas criava um zumbi de cor preta, e Afligir, com a qual uma criatura causa dano ao oponente quando é bloqueada por outra criatura. Assim como Battle for Zendikar e Kaladesh, esse bloco também teve um conjunto de cartas metalizadas mythic rare composto de 54 cartas, 30 em Amonkhet e 24 em Hour of Devastation, chamado Amonkhet Invocations. Mais uma vez essas cartas eram reimpressões de cartas raras de outras expansões, com arte diferente e bordas exclusivas, sendo que dessa vez todas eram magias, e a borda lembrava um antigo templo egípcio, com o nome e tipo da carta escritos usando uma fonte que lembra hieróglifos.
Depois do bloco do Antigo Egito, viria um bloco inspirado nas antigas civilizações da América Central: Ixalan, de 279 cartas, lançado em setembro de 2017, cuja maior novidade são cartas dupla-face que atuam como magias ou artefatos normalmente, mas, sob determinadas circunstâncias, se transformam em Terrenos Lendários, com bordas exclusivas que lembram um mapa do tesouro, e que conferem grande vantagem ao jogador que os controla. Nela, Jace Beleren, líder dos Planeswalkers, acorda de repente em Ixalan sem memória, e decide se unir à misteriosa Vraska e à tripulação do navio Beligerante em busca da Cidade Dourada de Orazca. A cidade é encontrada na expansão seguinte, Rivals of Ixalan (Rivais de Ixalan), de 184 cartas, lançada em janeiro de 2018. Mas a cidade está em perigo, e Jace, que recuperou sua memória, precisa da ajuda de seus novos aliados se quiser salvá-la. Entre as duas expansões do bloco, em novembro de 2017, Commander ganharia uma expansão ambientada em Ixalan, chamada Explorers of Ixalan, composta por quatro decks pré-fabricados, com um total de 47 cartas. Todas essas cartas eram reimpressões de diversas expansões, mas sete delas tinham arte nova para se adequar ao tema de Ixalan.
Em dezembro de 2017 seria lançada Unstable, terceira expansão satírica de Magic, depois de Unglued, de 1998, e de Unhinged, de 2004. Assim como suas antecessoras, Unstable era uma paródia, trazendo cartas com texto cômico e efeitos bizarros, que não podiam ser utilizadas em um jogo normal - embora, pela primeira vez na história, a Wizards tenha autorizado o uso de algumas delas em torneios de Commander. As cartas dos terrenos básicos de Unstable tinham uma bela arte, que se estendia até os limites das cartas, sem bordas, o que fez com que fossem muito procuradas pelos colecionadores e alcançassem altos preços nos sites de leilão.
No ano de 2018, Magic: The Gathering completaria 25 anos, e várias comemorações seriam marcadas, dentre elas o lançamento, em abril, de Dominaria (Dominária). Dominária é o nome do plano "original" de Magic, no qual as primeiríssimas expansões do jogo eram ambientadas, mas, diferentemente do que ocorre com os demais planos, jamais havia sido lançada uma expansão com seu nome. Dominaria trouxe 269 cartas, incluindo um novo tipo de encantamento, chamado Saga. Cada Saga conta uma história relacionada a Magic, em três capítulos, cada capítulo com um efeito, com o primeiro sendo resolvido quando a carta entra em jogo e os outros dois nos dois turnos seguintes. Algumas cartas de Artefato e Lendárias faziam referência a cartas ou eventos de expansões antigas, trazendo a habilidade Histórica, e conferindo bônus ao jogador que as usar. No enredo da expansão, os Planeswalkers chegam a Dominária e descobrem que o plano está ameaçado pelo demônio Belzenlok, decidindo, então, enfrentá-lo. Sendo uma expansão especial, Dominaria não faria parte de nenhum bloco, sendo uma "expansão solo".
Em junho de 2018, seria lançado Battlebond, que, assim como Commander e Archenemy, era destinado a mais de dois jogadores; a diferença, aqui, é que os duelos ocorrem dois contra dois, ou seja, com dois jogadores controlando o mesmo baralho e agindo em dupla para derrotar outros dois. A primeira expansão de Battlebond trazia 254 cartas, sendo 85 inéditas. No mesmo mês, seria lançado Signature Spellbook: Jace, primeiro da nova série Signature Spellbook, que traria as cartas que representam as magias usadas pelos Planeswalkers; essa primeira edição, evidentemente, é dedicada a Jace Beleren, e traz nove cartas, todas reimpressões, sendo sete com nova arte.
Como parte das comemorações pelos 25 anos de Magic, e aproveitando o espaço no cronograma causado pelo fato de que Dominaria era um "bloco de um", em julho de 2018 a Wizards decidiria lançar uma nova expansão básica, chamada Core Set 2019, com 314 cartas, das quais 181 eram novas. Apesar de todas essas novidades, Core Set 2019 segue o mesmo esquema das demais expansões básicas, trazendo as cartas mais úteis para quem está começando e aprendendo o jogo. A Wizards ainda vai anunciar para onde o jogo seguirá a partir daí, mas o provável é que retornem ao esquema de dois blocos de duas expansões cada por ano, o próximo sendo lançado em setembro.
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Eu terminei o post anterior justamente antes de a Wizards decidir alterar seu cronograma de lançamentos: até então, durante um bom tempo, a cada ano era lançada uma expansão "grande", que tinha por volta de 250 cartas, duas expansões "pequenas", com por volta de 150 cartas cada, e uma expansão "básica", com por volta de 350 cartas e voltada para aqueles que estavam começando a jogar ou para os que estavam querendo completar suas coleções, e contava com reimpressões de cartas úteis, famosas ou simplesmente necessárias para se montar um bom baralho. A expansão grande e as duas pequenas faziam parte de um "bloco", ou seja, compartilhavam o mesmo tema, sendo que as três expansões de um mesmo bloco nunca eram lançadas no mesmo ano - a expansão grande era sempre lançada em setembro ou outubro de um ano, com a primeira pequena sendo lançada em janeiro ou fevereiro do ano seguinte e a segunda em abril ou maio. Entre a última expansão de um bloco e a primeira do bloco seguinte, era lançada a expansão básica, sempre em julho.
Em agosto de 2014, entretanto, a Wizards anunciaria que, a partir de 2015, esse esquema seria alterado: para começar, as expansões básicas não seriam mais lançadas uma por ano, e sim "quando houvesse necessidade"; além disso, cada bloco passaria a ser composto não por três, mas por duas expansões, a primeira tendo por volta de 275 cartas, a segunda tendo por volta de 180. Isso faria com que fossem lançados dois blocos por ano, mas em um esquema parecido com o anterior: um dos blocos teria sua primeira expansão lançada em setembro de um ano e a segunda em janeiro do ano seguinte, enquanto o outro teria a primeira lançada em abril e a segunda em julho do mesmo ano. Dessa forma, ainda seriam lançadas quatro expansões por ano, com a diferença de que uma delas não era básica - e, nos anos em que uma expansão básica fosse lançada, seriam cinco. Essa mudança agradou a alguns jogadores, desagradou à maioria, mas está em vigor até hoje.
Pois bem, eu terminei o post anterior da série logo após a última expansão lançada no esquema antigo, Dragons of Tarkir (Dragões de Tarkir), lançada em março de 2015. Depois dela, e antes de começar os novos "blocos de dois", a Wizards decidiria lançar mais uma expansão básica (que, durante um bom tempo seria a última), chamada Magic Origins, em julho de 2015. Com 272 cartas, Magic Origins conta a história de cinco Planeswalkers (conhecidos extra-oficialmente como "andarilhos dos planos", e em Portugal como "Planinautas"), personagens de grande poder mágico, e suas andanças pelo universo do jogo - sendo que os cinco seriam introduzidos aos poucos nas expansões lançadas posteriormente. Cada Planeswalker é uma carta de uma cor, e todas são dupla-face, tendo uma criatura comum em um dos lados e o Planeswalker do outro, para representar a evolução do personagem durante sua vida. As demais cartas seguiriam o padrão para as expansões básicas, com muitas cartas "repetidas" em relação às expansões anteriores, sendo que a maioria delas possuía nova arte.
O primeiro "bloco de dois" começaria com Battle for Zendikar (Batalha por Zendikar), lançada em outubro de 2015 com 274 cartas. A expansão traz a ação mais uma vez para Zendikar, plano atacado pelos monstruosos Eldrazi que queriam devorar seu mana, e que já havia ambientado um bloco em 2009/2010. Dessa vez, seis Planeswalkers chegam a Zendikar para combater os Eldrazi, mas as coisas não saem muito conforme o planejado. Uma característica de Battle for Zendikar é que as cartas podem ser divididas em dois times, o dos Eldrazi, individualmente poderosas, e o dos Aliados, mais fracas, mas que conferem bônus entre si caso estejam na mesa ao mesmo tempo. A segunda expansão do bloco seria Oath of the Gatewatch (Juramento das Sentinelas), lançada em janeiro de 2016 com 184 cartas. Nela, os Planeswalkers conseguem aprisionar as formas corpóreas dos Eldrazi, mas sua vitória final dependerá de um arriscado plano.
O bloco de Battle for Zendikar traria uma grande novidade que o transformaria em um sucesso dentre os colecionadores: um conjunto de 45 cartas metalizadas (25 em Battle for Zendikar, 20 em Oath of the Gatewatch), todas reimpressões de Terrenos com nova arte e bordas exclusivas, conhecidas coletivamente como Zendikar Expeditions. Em suas expansões originais, todos esses terrenos eram cartas do tipo rare, difíceis de se encontrar, mas suas versões em Zendikar Expeditions eram do tipo mythic rare, quase impossíveis de se obter. Ainda assim, completar o conjunto de Zendikar Expeditions se tornou uma obsessão para muitos colecionadores, com as cartas alcançando altos preços nos sites de leilão.
Entre agosto de 2015 e abril de 2018 também seriam lançadas seis novas caixas da série Duel Decks, cada uma contendo dois decks temáticos. A primeira delas seria justamente Zendikar vs. Eldrazi, com um deck de Eldrazi e um de Aliados. Três novas edições de From the Vault, mais uma vez cada uma com 15 cartas, também seriam lançadas, uma por ano, entre 2015 e 2017, as duas primeiras em agosto, a terceira em novembro. E, em novembro de 2015 também lançada uma nova expansão para Commander, a versão de Magic para mais de dois jogadores, chamada simplesmente Commander 2015, e trazendo 342 cartas, das quais 55 eram novas. Dessa vez, os Generais contavam com "marcadores de experiência", que os tornavam mais poderosos conforme o jogo avançava. Assim como as demais expansões de Commander, essa também vinha em cinco decks pré-construídos, com o intuito de que cada um fosse usado por um jogador.
Em abril de 2016 seria lançado Shadows over Innistrad (Sombras em Innistrad), de 297 cartas, expansão que levava Magic de volta a Innistrad, o plano assombrado por monstros e demônios tema de um bloco em 2011/2012. Avacyn, a arcanja protetora do plano, foi corrompida por uma força exterior, e agora os habitantes de Innistrad estão mais uma vez à mercê de criaturas monstruosas. Ao invés de se basear em monstros clássicos como o primeiro bloco, as criaturas de Shadows over Innistrad são versões de monstros da ficção científica, em especial os criados por H.P. Lovecraft, sendo até mesmo o nome do bloco uma referência a um de seus contos, The Shadow over Innsmouth; isso se reflete, inclusive, nas novas mecânicas trazidas ao jogo, como Loucura e Delírio.
Na segunda expansão do bloco, Eldtrich Moon (Lua Arcana), é revelado que o corruptor de Avacyn é Emrakul, um dos Eldrazi, também inspirado nas criações de Lovecraft, que conseguiu viajar de Zendikar para Innistrad - o símbolo da expansão, oficialmente a silhueta de Emrakul, lembra, inclusive, os antigos deuses cheios de tentáculos das histórias de Lovecraft, como Cthulhu. Lançada em julho de 2016 com 205 cartas, Eldtrich Moon narra a batalha entre os Planeswalkers e Emrakul para libertar Innistrad e restaurar Avacyn. Uma habilidade muito interessante introduzida em Eldtrich Moon é Fundir, com a qual duas criaturas (específicas) podem se unir e se transformar em uma criatura maior e mais poderosa.
Em agosto de 2016 seria lançado Conspiracy: Take the Crown, nova versão do jogo Conspiracy, uma versão de Magic para mais de dois jogadores que conta com um novo tipo de carta, as Conspirações, que podiam ser jogadas sem custo, permaneciam sobre a mesa com a face para baixo, e produziam um único efeito apenas em um momento específico, quando eram reveladas. Take the Crown trazia 222 cartas, das quais 80 eram inéditas, incluindo as 12 Conspirações.
Em setembro de 2016 seria inaugurado mais um bloco com Kaladesh, de 264 cartas, o primeiro "bloco de dois" ambientado em um plano novo. Após derrotar os Eldrazi, cinco dos Planeswalkers decidem continuar juntos e se reunir para traçar seus próximos passos; para isso, eles decidem visitar Kaladesh, onde está ocorrendo uma Feira de Inventores. Mas eles chegam lá no momento em que estranhos eventos estão ocorrendo, e, como de costume, acabam se envolvendo. Como era de se esperar, já que há uma Feira de Inventores, Kaladesh é uma expansão que traz muitos Artefatos, incluindo, pela primeira vez em Magic, Veículos, que as criaturas podem usar para ganhar bônus variados e novas habilidades. A segunda expansão do bloco seria Aether Revolt (Revolta do Éter), de janeiro de 2017, com 184 cartas. O ocorrido na Feira dos Inventores foi um estratagema para, na verdade, sufocar os inventores e dar mais poder ao governo, e os Planeswalkers decidem impedir. O bloco de Kaladesh também teve um conjunto de cartas metalizadas mythic rare, dessa vez composto por 54 Artefatos, 30 em Kaladesh e 24 em Aether Revolt. Chamado de Kaladesh Inventions, mais uma vez esse conjunto trazia cartas de outras expansões, mas com nova arte e bordas exclusivas.
Em novembro de 2016 seriam lançadas duas expansões especiais: Planechase Anthology trazia reimpressões de todos os Planos lançados em Planechase e Planechase 2012, um total de 86 cartas, 6 delas com nova arte. Já Commander 2016 era a nova expansão anual de Commander, com 351 cartas, sendo 56 inéditas, que vinham mais uma vez em cinco decks pré-construídos. Em 2017, Commander ganharia duas novas expansões, Commander Anthology, de junho, que trazia quatro decks pré-construídos, cada um vindo de uma expansão anterior (um de Commander, um de Commander 2013, um de Commander 2014 e um de Commander 2015), e Commander 2017, de agosto, com 309 cartas, sendo 56 novas, também em quatro decks, ao invés de cinco como era o padrão. Também em junho de 2017 seria lançado Archenemy: Nicol Bolas Schemes, coleção de 20 novos Schemes para Archenemy, nos quais o arqui-inimigo era o dragão Nicol Bolas, um dos vilões mais famosos de Magic. Para fechar esse parágrafo, em junho de 2018 seria lançado Commander Anthology vol. 2, que consistia de quatro decks relançamentos de edições anteriores (um de Commander, um de Commander 2014, um de Commander 2015 e um de Commander 2016), e, em agosto de 2018, seria a vez de Commander 2018, com 400 cartas, sendo 70 inéditas, mais uma vez em quatro decks.
Em abril de 2017 um novo bloco começaria com Amonkhet, de 264 cartas, ambientada em um plano inspirado na mitologia do Antigo Egito. Quando os Planeswalkers chegam a Amonkhet, se deparam com uma cidade evoluída, ordenada, brilhante, limpa, com deuses caminhando dentre os mortais e... governada por Nicol Bolas. Estranhando que um vilão tão traiçoeiro possa ser o governante de um lugar tão idílico, eles decidem investigar. Dentre as novidades, as habilidades Ímpeto, com a qual uma criatura pode conferir um bônus após ser usada, com a desvantagem de que não desvira no turno seguinte; e Embalsamar, com a qual um custo em mana pode ser pago e a criatura removida do jogo para que entre em jogo um zumbi de cor branca que é uma cópia exata dessa criatura. Amonkhet também traria cartas duplas semelhantes às de Invasion, Planeshift e Apocalypse, mas com mecânica diferente: o efeito que consta na parte horizontal da carta é resolvido normalmente, mas o efeito que consta na parte vertical só pode ser usado se a carta já tiver sido jogada e estiver no cemitério.
A história de Amonkhet se concluiria em Hour of Devastation (Hora da Devastação), de julho de 2017, com 194 cartas: três deuses esquecidos surgem, e começa uma batalha entre os deuses que pode levar à destruição de Amonkhet. As duas novas habilidades de Hour of Devastation eram Eternizar, que funcionava exatamente como Embalsamar, mas criava um zumbi de cor preta, e Afligir, com a qual uma criatura causa dano ao oponente quando é bloqueada por outra criatura. Assim como Battle for Zendikar e Kaladesh, esse bloco também teve um conjunto de cartas metalizadas mythic rare composto de 54 cartas, 30 em Amonkhet e 24 em Hour of Devastation, chamado Amonkhet Invocations. Mais uma vez essas cartas eram reimpressões de cartas raras de outras expansões, com arte diferente e bordas exclusivas, sendo que dessa vez todas eram magias, e a borda lembrava um antigo templo egípcio, com o nome e tipo da carta escritos usando uma fonte que lembra hieróglifos.
Depois do bloco do Antigo Egito, viria um bloco inspirado nas antigas civilizações da América Central: Ixalan, de 279 cartas, lançado em setembro de 2017, cuja maior novidade são cartas dupla-face que atuam como magias ou artefatos normalmente, mas, sob determinadas circunstâncias, se transformam em Terrenos Lendários, com bordas exclusivas que lembram um mapa do tesouro, e que conferem grande vantagem ao jogador que os controla. Nela, Jace Beleren, líder dos Planeswalkers, acorda de repente em Ixalan sem memória, e decide se unir à misteriosa Vraska e à tripulação do navio Beligerante em busca da Cidade Dourada de Orazca. A cidade é encontrada na expansão seguinte, Rivals of Ixalan (Rivais de Ixalan), de 184 cartas, lançada em janeiro de 2018. Mas a cidade está em perigo, e Jace, que recuperou sua memória, precisa da ajuda de seus novos aliados se quiser salvá-la. Entre as duas expansões do bloco, em novembro de 2017, Commander ganharia uma expansão ambientada em Ixalan, chamada Explorers of Ixalan, composta por quatro decks pré-fabricados, com um total de 47 cartas. Todas essas cartas eram reimpressões de diversas expansões, mas sete delas tinham arte nova para se adequar ao tema de Ixalan.
Em dezembro de 2017 seria lançada Unstable, terceira expansão satírica de Magic, depois de Unglued, de 1998, e de Unhinged, de 2004. Assim como suas antecessoras, Unstable era uma paródia, trazendo cartas com texto cômico e efeitos bizarros, que não podiam ser utilizadas em um jogo normal - embora, pela primeira vez na história, a Wizards tenha autorizado o uso de algumas delas em torneios de Commander. As cartas dos terrenos básicos de Unstable tinham uma bela arte, que se estendia até os limites das cartas, sem bordas, o que fez com que fossem muito procuradas pelos colecionadores e alcançassem altos preços nos sites de leilão.
No ano de 2018, Magic: The Gathering completaria 25 anos, e várias comemorações seriam marcadas, dentre elas o lançamento, em abril, de Dominaria (Dominária). Dominária é o nome do plano "original" de Magic, no qual as primeiríssimas expansões do jogo eram ambientadas, mas, diferentemente do que ocorre com os demais planos, jamais havia sido lançada uma expansão com seu nome. Dominaria trouxe 269 cartas, incluindo um novo tipo de encantamento, chamado Saga. Cada Saga conta uma história relacionada a Magic, em três capítulos, cada capítulo com um efeito, com o primeiro sendo resolvido quando a carta entra em jogo e os outros dois nos dois turnos seguintes. Algumas cartas de Artefato e Lendárias faziam referência a cartas ou eventos de expansões antigas, trazendo a habilidade Histórica, e conferindo bônus ao jogador que as usar. No enredo da expansão, os Planeswalkers chegam a Dominária e descobrem que o plano está ameaçado pelo demônio Belzenlok, decidindo, então, enfrentá-lo. Sendo uma expansão especial, Dominaria não faria parte de nenhum bloco, sendo uma "expansão solo".
Em junho de 2018, seria lançado Battlebond, que, assim como Commander e Archenemy, era destinado a mais de dois jogadores; a diferença, aqui, é que os duelos ocorrem dois contra dois, ou seja, com dois jogadores controlando o mesmo baralho e agindo em dupla para derrotar outros dois. A primeira expansão de Battlebond trazia 254 cartas, sendo 85 inéditas. No mesmo mês, seria lançado Signature Spellbook: Jace, primeiro da nova série Signature Spellbook, que traria as cartas que representam as magias usadas pelos Planeswalkers; essa primeira edição, evidentemente, é dedicada a Jace Beleren, e traz nove cartas, todas reimpressões, sendo sete com nova arte.
Como parte das comemorações pelos 25 anos de Magic, e aproveitando o espaço no cronograma causado pelo fato de que Dominaria era um "bloco de um", em julho de 2018 a Wizards decidiria lançar uma nova expansão básica, chamada Core Set 2019, com 314 cartas, das quais 181 eram novas. Apesar de todas essas novidades, Core Set 2019 segue o mesmo esquema das demais expansões básicas, trazendo as cartas mais úteis para quem está começando e aprendendo o jogo. A Wizards ainda vai anunciar para onde o jogo seguirá a partir daí, mas o provável é que retornem ao esquema de dois blocos de duas expansões cada por ano, o próximo sendo lançado em setembro.
Magic: The Gathering |
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Parte 8 |
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Theros traz duas novas mecânicas dignas de destaque. A primeira são cartas que servem tanto como encantamento quanto como criatura; se você pagar o custo mais caro, ela será um encantamento, e afetará a uma criatura escolhida, mas, se pagar o mais barato, ou se a criatura escolhida for destruída, a mesma carta passará a ser uma criatura. Essas cartas são diretamente relacionadas aos deuses, e possuem um fundo especial, estrelado, para simbolizar essa conexão. Os próprios deuses, aliás, estão presentes dentre essas cartas. A segunda mecânica é a devoção (Devotion), simbolizada pela quantidade somada de mana de uma determinada cor em suas cartas da mesa; cartas com devoção produzem efeitos diferentes quando essa quantidade é maior que um determinado número - os próprios deuses, aliás, só se transformam em criaturas se sua devoção ao mana de sua cor for maior que um determinado valor, não tendo dois custos diferentes como as demais criaturas-encantamento.
Assim como Theros, Khans of Tarkir tem como protagonista um Planeswalker, Sarkhan Vol. Nativo de Tarkir, ao viajar pelos planos ele descobre que o evento que levou à derrota dos dragões foi orquestrado, e que, se não tivesse acontecido, os Clãs seriam aliados e Tarkir seria bem mais próspero. Para tentar mudar essa situação, Sarkhan decide viajar no tempo e impedir que a orquestração seja bem sucedida. A expansão seguinte do bloco, Fate Reforged (Destino Reescrito), de 185 cartas e lançada em janeiro de 2015, portanto, é ambientada no passado de Tarkir, na época em que os dragões ainda governavam e os Clãs eram aliados. Em termos de jogo, isso afeta algumas mecânicas, principalmente a da cor inimiga, quase ausente. As habilidades exclusivas de Abzan e Mardu também são totalmente diferentes, para refletir que seu estilo na época era diferente. Desnecessário dizer, os Khans também são outros, e cada Clã venera um dragão, também presente na expansão como uma criatura multicor.
Lorwyn seria lançada em outubro de 2007, com 301 cartas. Seu tema era um retorno a um cenário de fantasia mais tradicional, inspirado no folclore galês, após blocos com temas como viagens no tempo, guildas de ladrões, Japão feudal e mundo metálico. O mundo de Lorwyn é habitado por oito "tribos", cada uma de um tipo de criatura (goblins, elfos, tritões, elementais, fadas, gigantes, kithkin e ents), sendo que cada tribo está presente principalmente nas cartas de uma determinada cor, mas pode também aparecer em cartas de uma "cor secundária" (os kithkin, que se parecem com gnomos, por exemplo, estão presentes majoritariamente nas cartas brancas, mas também costumam aparecer nas verdes). As tribos são importantes para a mecânica do jogo, pois algumas cartas afetam a uma tribo como um todo, afetando, portanto, todas as cartas de criaturas daquele tipo.
Depois de Alara Reborn, chegaria a hora da Wizards of the Coast lançar uma nova Edição da expansão básica. Se seguissem a numeração original, seria a Décima-Primeira Edição. Talvez por achar que esses nomes já estavam ficando complicados, talvez para dar uma cara nova ao jogo, ela decidira mudar o nome, e a nova edição básica se chamaria, simplesmente, Magic 2010 - mesmo tendo sido lançada em julho de 2009.
Os jogadores retornariam ao plano de Mirrodin em outubro de 2010, com o lançamento de Scars of Mirrodin (Cicatrizes de Mirrodin), na qual o povo local está em guerra contra invasores de Phyrexia. Com 249 cartas, Scars of Mirrodin trouxe de volta uma antiga mecânica do jogo, os contadores de veneno, que não davam as caras desde Visions, lá em 1997: toda vez que uma criatura de Phyrexia com a habilidade Infectar ataca um jogador, esse jogador recebe um contador de veneno, e, se chegar a 10 contadores, perde o jogo automaticamente. Assim como Mirrodin, Scars of Mirrodin era bastante centrada em artefatos, trazendo muitas cartas desse tipo. Um detalhe interessante é que todas as cartas das três expansões do bloco de Scars of Mirrodin, exceto os terrenos, traziam uma marca d'água no texto, para indicar se elas pertenciam ao povo de Mirrodin ou aos invasores de Phyrexia.
O principal diferencial do Bloco de Ravnica está justamente na presença destas guildas: muitas das cartas representam os membros e as magias empregadas por uma das dez guildas, e cada guilda corresponde a uma combinação de duas das cores de Magic, de forma que combinar bem as guildas pode ser muito mais importante do que combinar bem as cores. Ravnica trouxe cartas para quatro das guildas, Boros (branco/vermelho), Golgari (verde/preto), Selesnya (verde/branco) e Dimir (azul/preto). Cada guilda conta com um líder, um campeão, um artefato comum e um raro, três terrenos, sendo um considerado a "sede" da guilda e outro produz mana de duas cores diferentes, e mais as eventuais criaturas e magias. Cada guilda também trazia ao jogo uma nova habilidade, que afetava as criaturas e magias em jogo de acordo com sua cor; e algumas das cartas das guildas possuem custos que podem ser pagos com dois tipos de mana diferentes. As cartas das guildas podem ser identificadas por um símbolo da guilda, presente na forma de uma marca d'água na área reservada ao texto.
Depois de Coldsnap, a Wizards daria início a um bloco bem criativo com Time Spiral (Espiral do Tempo), expansão lançada em outubro de 2006, com 422 cartas. Destas, 301 eram novas, e 121 eram reimpressões de cartas de todas as expansões anteriores a Mirrodin. Estas reimpressões, conhecidas como Time Shifted, utilizavam o layout antigo das cartas, mas com o símbolo de expansão de Time Spiral, em roxo. As cartas Time Shifted, apesar de usarem o layout antigo, são válidas em todos os torneios onde as demais cartas de Time Spiral sejam válidas; o texto de algumas foi, inclusive, alterado para ficar de acordo com as regras mais recentes.
A história de Future Sight é a conclusão das anteriores: Teferi chama por vários andarilhos dos planos, os mais poderosos magos de Dominaria, para ajudá-lo a fechar os rasgos que estão se formando na estrutura temporal e que podem levar à destruição de Dominaria. Muitos deles acabam morrendo no processo, mas no fim a reação em cadeia é interrompida, e Dominaria está salva.
Depois de Apocalypse, a expansão que, de certa forma, deu fim à saga do Weatherlight (e, por tabela, à da da Guerra dos Irmãos), a história deu um salto de 100 anos para o futuro com Odyssey (Odisséia), a primeira expansão do novo bloco, lançada em outubro de 2001, composta por 350 cartas. Após a invasão de Phyrexia, Dominaria ficou quase totalmente destruída, e muitas nações tiveram de se reconstruir do zero. No distante continente de Otaria, quem ascendeu ao poder durante esta reconstrução foi a Cabala, uma organização sinistra que explora o povo e as riquezas do solo ininterruptamente. Contra a Cabala está a Ordem, uma aliança nada firme entre nômades do deserto e uma raça de homens-pássaro conhecida como Aven. Paralelamente a isso, a raça de homens-polvo Cephalid trama sair dos oceanos e dominar toda Otaria. Em meio a este turbilhão político, surge o Mirari, um artefato ancestral de grandíssimo poder, disputado pelas três facções. Quem conquistar o Mirari, certamente reinará em Otaria para sempre.
A expansão seguinte seria algo inédito na história de Magic: lançada em fevereiro de 2003, Legions (Legiões) traria 145 Criaturas. Nenhum Encantamento, Artefato, Feitiço, Instantâneo ou Terreno, só Criaturas. O poder do Mirari causa mutações em todas as criaturas de Otaria, o que força Kamahl a retornar para Krosan, para tentar detê-lo. Enquanto isso, Ixidor é aprisionado em um outro plano, e a irmã de Kamahl e Akroma se enfrentam, um buscando destruir o outro. A saga de Otaria chegaria ao fim em Scourge (Flagelo), expansão de 143 cartas lançada em maio de 2003. Kamahl tenta interromper a luta entre sua irmã e Akroma, mas o poder do Mirari as mescla em um único ser, Karona, destinada a destruir todo o universo. Agora cabe a Kamahl e seus aliados derrotar esta aberração, antes que tudo esteja acabado. Mas Karona tem poder quase infinito, graças ao Mirari. A única chance de Kamahl é se aliar a Ixidor, seu antigo inimigo. Além de muitas criaturas poderosas, Scourge traz duas habilidades interessantes, uma que aumenta o poder de uma magia conforme a quantidade de magias idênticas que foi jogada antes dela, e uma que permite que o jogador descarte uma Criatura para colocar um Terreno em jogo.
Memnarch, porém, tem um certo tipo de onisciência, e sabe que a elfa está em seu encalço. Enquanto espera sua chegada, ele começa a construir um enorme artefato, que lhe dará onisciência completa sobre o mundo de Mirrodin. Esta é a trama central de Darksteel, a segunda expansão do bloco, que recebeu seu nome de um metal muito poderoso encontrado em Mirrodin, metal este que Memnarch usa no tal artefato. Lançada em fevereiro de 2004 com 165 cartas, Darksteel trouxe Artefatos e Criaturas indestrutíveis, Criaturas modulares (que distribuem seu poder para outras Criaturas quando morrem) e uma revelação: o mundo de Mirrodin é oco, e em seu centro está um quinto sol, feito de mana puro. Ao descobrir este fato, Glissa ruma para o interior do planeta, buscando poder para derrotar Memnarch. A batalha final entre Glissa e seus aliados e Memnarch ocorre exatamente no centro do planeta, e a energia envolvida acaba liberando o sol que lá estava confinado, levando à expansão que fecha o bloco, Fifth Dawn (A Quinta Aurora), lançada em junho de 2004 com mais 165 cartas. A presença de um novo sol nos céus de Mirrodin mudará este mundo para sempre, e este súbito acontecimento é a oportunidade perfeita para acabar com a tirania de Memnarch.
A saga de Kamigawa continuou em fevereiro de 2005 com Betrayers of Kamigawa (Traidores de Kamigawa), expansão de 165 cartas, segunda do bloco, que trouxe ninjas para a já confusa batalha. Desde o início da guerra contra os kami, o daimyo Konda, mais importante dos lordes de Kamigawa, se trancou no castelo de Eiganjo, isolado do mundo, e agora começa a enlouquecer. Sua única filha, Michiko, estranhando este comportamento, decide partir em uma jornada para descobrir o real motivo do início da guerra. Acompanhada do samurai Toshiro Umezawa, ela segue até a famosa escola de Minamo, onde começará a descobrir uma história de traições inimagináveis. Mas Michiko não tem muito tempo, pois o kami conhecido como O-Kagachi começa a se materializar, devorando Kamigawa lentamente. Além disso, surge uma nova preocupação: os ogros, liderados pelo feiticeiro Hidetsugu, fazem um pacto com os oni (demônios), permitindo a vinda destes para Kamigawa e adquirindo grande poder. Agora, além de lutar contra os kami, as tropas de Kamigawa ainda devem combater os ogros e oni.
Além destas expansões todas, ainda foram lançadas muitas cartas promocionais. No início, tais cartas eram inéditas, e consideradas válidas para torneios. Muitos jogadores, porém, alegaram que não tinham como conseguir as cartas promocionais, o que os colocava em desvantagem, pois algumas eram bem poderosas. Assim, somente seis cartas deste tipo foram produzidas (cinco vinham como brinde em romances da editora Harper Collins, e a outra foi dada de brinde aos participantes da DragonCon, uma convenção de quadrinhos e RPG). Desde então, todas as cartas promocionais de Magic são idênticas a cartas que existem, algumas com arte inédita (e existe uma imensa quantidade de Terrenos Básicos promocionais). As cartas promocionais mais famosas são as Prerelease, cartas oferecidas a participantes de torneios de pré-estréia de uma expansão. De Tempest até Prophecy, mais Portal Three Kingdoms e a Oitava Edição, as Prereleases foram uma carta idêntica a uma que estaria na expansão. A partir daí a Wizards resolveu inovar, e as cartas dos três Prereleases seguintes teriam texto impresso em línguas mortas (latim, grego arcaico e sânscrito); e o texto das três seguintes seria impresso em outros alfabetos (árabe, cirílico e hebraico). As Prereleases do bloco de Onslaught voltariam a ser idênticas às da expansão, mas metalizadas. A partir do bloco de Mirrodin as Prereleases teriam arte inédita. Mas as cartas promocionais mais curiosas são aquelas que ninguém poderá ter em sua coleção, porque em todo o mundo só existe uma de cada. Três delas foram criadas exclusivamente por Richard Garfield, para comemorar seu casamento e o nascimento de cada um de seus dois filhos, e estão em sua coleção particular; uma delas foi criada para comemorar a abertura de uma filial da Wizards no Japão, e está lá em exposição; e a outra foi ofertada como prêmio ao campeão mundial de 1996, que decidiu vendê-la em 2001 para um colecionador, por vários milhões de dólares.
Quando paramos, o navio voador Weatherlight tinha acabado de deixar o mundo de Rath, e precisava terminar de coletar os artefatos que formavam o Legado e chegar a Terisiare antes que a invasão de Phyrexia começasse. Voltando um pouco no tempo, em Terisiare, os irmãos Urza e Mishra continuavam lutando, cada um tentando subjugar o outro. A descoberta acidental da floresta de Argoth, um local rico em mana, reacende esta rivalidade. Obcecado pelo poder, Mishra acaba por ser capturado pelas forças de Phyrexia, e se transforma em uma espécie de ciborgue. Urza, para deter o próprio irmão, libera uma quantidade absurda de magia, o que destrói parte da floresta de Argoth, mata Mishra, e transforma Urza em um andarilho dos planos, o mais poderoso tipo de mago existente. Estes eventos dão início a Urza's Saga (Saga de Urza), expansão de 350 cartas, lançada em outubro de 1998, primeira do que viria a ser conhecido como o "bloco de Urza", ambientado antes da partida do Weatherlight. A partir de Urza's Saga cada carta de cada expansão, exceto os Terrenos Básicos, teria duas versões, uma normal e uma metalizada, muito mais rara, ambas idênticas em termos de jogo, mas não para os colecionadores. Urza usa seus novos poderes para viajar até Phyrexia para deter a invasão e vingar seu irmão, mas os invasores são mais poderosos do que ele imaginava, e o andarilho é quase morto. Fugindo, ele decide estudar a cultura dos Thran, já que, no passado, eles conseguiram deter uma invasão de Phyrexia, em busca de armas capazes de detê-los novamente. Urza chega a considerar viajar no tempo para aprender com os Thran, mas esta opção acaba por causar um pequeno desastre na ilha de Tolaria.
A imensa quantidade de cartas lançadas até então fez com que a Wizards decidisse mudar novamente as regras do jogo, sempre buscando mantê-las livres de confusões geradas por cartas controversas. Além disso, os torneios já eram uma realidade mais do que estabelecida, e as cartas da Quinta Edição já estavam defasadas em relação às mais recentes, o que afastava jogadores novatos. Assim, em abril de 1999, foi lançada a Sexta Edição, com 350 cartas, apelidada de Classic Edition. Muitas e muitas cartas da Quinta Edição foram removidas, sempre tendo os jogadores iniciantes em mente, e muitas das melhores cartas de Alliances, Mirage, Visions e Weatherlight foram acrescentadas, para agradar também aos veteranos. A Sexta Edição foi a primeira edição básica a ter um símbolo de expansão (embora nenhuma das cartas tivesse ilustrações inéditas), e foi decidido pela Wizards que, a partir de então, a cada dois anos, seria lançada uma edição básica nova, para que esta jamais ficasse defasada em relação às expansões. Em abril de 1999 também foram distribuídos em torneios os últimos oito Personagens lançados, em Vanguard IV, que trazia personagens de Urza's Legacy e Urza's Destiny, uma expansão que ainda iria ser lançada.
Finalmente, junho de 1999 foi o mês de lançamento de Urza's Destiny (Destino de Urza), expansão de 143 cartas que fecharia o bloco. Para operar a arma formada pelo Legado corretamente, Urza precisa de um ser vivo artificial, e começa a fazer experimentos para consegui-lo. Bancar deus não parece ser uma atividade muito popular, porém, e ele encontra uma forte oposição, além de um oponente, Gatha, que decide ele também criar um exército de soldados para si. As invasões de seres de Phyrexia começam a se tornar freqüentes, e Urza acaba tendo de ir até Rath combatê-los, onde descobre que este mundo é parte do plano de invasão tramado por Phyrexia.
Junho de 2000 também marcou o lançamento de Starter 2000, a segunda edição de Starter, com apenas 50 cartas, escolhidas entre as preferidas dos jogadores, todas com regras simplificadas, algumas com ilustrações inéditas. Diferentemente das edições anteriores, Starter 2000 só era vendido em decks (aliás, em um deck), que acompanhava um CD-Rom de instruções. O intuito era que, após aprender a jogar, o jogador migrasse para o Magic normal, ao invés de ficar colecionando Starter.
Em meio a essa turbulência toda, chegou a hora de lançar uma nova edição básica, a Sétima (Seventh Edition), em abril de 2001. Com o jogo já bastante equilibrado, e a Sexta Edição a apenas dois anos de diferença, não houve mudanças nas regras. Houve muitas mudanças nas 350 cartas da edição, mas não em seu texto. Muitas das cartas da Sexta Edição foram removidas e substituídas por cartas antigas e mais populares, que haviam ficado de fora daquela. Também foram acrescentadas algumas cartas de Tempest, Stronghold, Exodus, Urza's Saga, Urza's Legacy, Urza's Destiny e Mercadian Masques. Todas as cartas ganharam ilustrações inéditas, e a Sétima Edição foi a primeira edição básica a ganhar as versões metalizadas de cada carta. Junto com a Sétima Edição também foi lançado o Seventh Edition Starter, uma caixa para iniciantes contendo dois decks, dois boosters, contadores de Pontos de Vida e um CD-Rom.