Assim como eu, minha mãe também é fã de filmes de ficção científica. Aliás, mais correto seria dizer que, assim como ela, eu também sou. Afinal, foi graças a ela que me tornei fã de séries clássicas como Jornada nas Estrelas, Twilight Zone e Túnel do Tempo, que estrearam, passaram e saíram do ar antes mesmo de eu pensar em nascer. O post de hoje também tem a ver com uma destas séries clássicas apresentadas a mim pela minha mãe - na verdade, com uma da qual eu nem sou fã. Mas acontece que ela foi inspirada em um filme que eu adoro, e que é o assunto principal deste texto que vocês estão lendo. O post de hoje versa sobre o Planeta dos Macacos.
Atualmente, quando se fala em Planeta dos Macacos, muitos se lembram de alguma de suas seqüências toscas, outros se lembram da horrorosa versão de Tim Burton, e há até quem se lembre de Michael Jackson ou do Jota Quest. Na minha opinião, tudo isso não contribui para a boa imagem do filme, e faz com que muitos infelizmente não percebam a verdade: O Planeta dos Macacos é um dos melhores filmes de ficção científica já feitos, fato que é maximizado por seu surpreendente e totalmente inesperado final - que hoje em dia ninguém mais acha tão surpreendente ou inesperado assim porque todo mundo já conhece, mas eu quando assisti ao filme pela primeira vez em minha infância fiquei bastante impressionado, e imagino que a galera que foi ver no cinema também.
Mas o curioso é que, assim como muitos outros bons filmes, O Planeta dos Macacos não foi concebido originalmente para ser um filme, mas foi adaptado de um livro, e ainda por cima de um livro francês, chamado Le Planète des Singes. Escrito por Pierre Boulle, também autor de A Ponte sobre o Rio Kwai, e publicado em 1963 pela editora Livre de Poche ("Livro de Bolso"), o livro era ambientado em um futuro onde as viagens espaciais eram possíveis, e começa com um casal em uma destas viagens encontrando o diário do jornalista Ulysse Mérou, que relata ter partido em uma expedição espacial à estrela Betelgeuse acompanhado do cientista Professor Anteille, que criou um método que permitia viajar a velocidades próximas às da luz. Graças à nave de Anteille, uma viagem que demoraria 350 anos em velocidade normal poderia ser feita em apenas dois anos, melhorando, e muito, as explorações espaciais terrestres.
Durante esta viagem de teste, Ulysse e Anteille acabam encontrando um planeta muito semelhante à Terra, ao qual dão o nome de Soror. Ao pousar no planeta, eles também descobrem que este é habitado por humanos, mas ainda em estado selvagem, vivendo como animais. Para sua surpresa, logo eles descobrem que a raça dominante por lá são os macacos, e que os humanos são utilizados pelos símios como escravos. Mais ainda, os macacos se vestem como humanos da Terra, andam de automóvel, possuem armas de fogo, assistem televisão, jogam golfe, e moram em belas cidades futuristas, com arranha-céus e tudo. Confundido com um humano selvagem, Ulysse é capturado e levado para ser estudado pela ciência local. Aos poucos ele vai convencendo alguns macacos de que é inteligente, e graças a isso consegue devisar um plano de fuga, com o qual tentará retornar à Terra.
Le Planète des Singes não foi exatamente um enorme sucesso, mas, como livros de ficção científica estavam na moda na época, acabou traduzido para o inglês por Xan Fielding, e lançado na Inglaterra pela editora Secker and Warburg ainda em 1963 com o título de Monkey Planet. O título pelo qual tanto o livro quanto o filme são conhecidos até hoje em países de língua inglesa, Planet of the Apes, seria utilizado primeiro pelo filme; o livro seria rebatizado para aproveitar o sucesso deste. Embora até hoje alguns se refiram ao livro como Monkey Planet, Planet of the Apes é considerado um título bem mais apropriado, não só por ser mais parecido com o original francês, mas também porque em inglês, simplificando muito e sem querer entrar em detalhes biológicos, a palavra ape é usada para grandes símios como chipanzés, orangotangos e gorilas, aos quais os macacos do filme se assemelham, enquanto monkey é usado para macacos bem menores e normalmente com rabo.
A idéia de adaptar o livro para o cinema foi do produtor Arthur P. Jacobs, que trabalhava para a Fox. Para convencer os executivos de seu estúdio de que o filme era possível, Jacobs produziu um pequeno "demo", onde mostrava alguns atores que interpretariam os macacos, com a maquiagem criada por Ben Sye, para provar que era possível criar macacos convincentes, ao invés de simplesmente vestir os atores com roupas de macaco, como era padrão na época. Além disso, Jacobs contratou o já famoso ator Charlton Heston para protagonizar a produção antes mesmo da Fox dar a luz verde, e encomendou o roteiro ao não menos famoso Rod Serling, criador e apresentador da série The Twilight Zone (conhecida por aqui como Além da Imaginação). Serling acabou criando uma versão bastante diferente da original do livro, mas que agradou em cheio aos executivos norte-americanos.
Convencidos pela maquiagem e animados pelo roteiro e pela presença de Heston, os executivos da Fox compraram a idéia, e a produção do filme começou em 1967. O roteiro de Serling, porém, acabou gerando uma previsão orçamentária caríssima, e várias adaptações tiveram de ser feitas para reduzir os custos de produção, sendo a mais notável que as cidades futuristas dos macacos acabaram substituídas por uma sociedade quase tribal, com habitações rústicas e sem aparatos tecnológicos. Mas não foram só os macacos que acabaram alterados: por questões de ordem prática, os humanos, que no livro andavam completamente nus, tiveram de ser vestidos com roupas de peles de animais. No fim, o roteiro original de Serling teve de sofrer várias revisões e alterações, e a versão final acabou sendo a escrita por Michael Wilson - que pelo menos fez questão de manter o final que Serling havia criado. Além das mudanças no roteiro, também ocorreu uma mudança na maquiagem, com os novos modelos ficando ainda mais parecidos com macacos, criados por John Chambers, que acabaria recebendo um Oscar honorário por seu trabalho.
Dirigido por Franklin J. Schaffner, sugerido para a direção por Heston, Planet of the Apes estrearia nos cinemas norte-americanos em fevereiro de 1968. Com orçamento de 5,8 milhões de dólares - mais de um milhão usados exclusivamente com maquiagem, um recorde na época - acabou rendendo 32,6 milhões, se tornando o filme mais rentável de seu ano de lançamento. As críticas foram extremamente favoráveis, e até mesmo os críticos que fizeram resenhas negativas antes de seu lançamento deram o braço a torcer após o primeiro fim de semana, elogiando-o em novas críticas. O filme foi indicado para dois Oscars, de melhor figurino e melhor trilha sonora, mas só ganhou mesmo o honorário citado acima.
Como já foi dito, o filme é bastante diferente do livro: para começar, não há jornalista francês ou professor em viagem de testes; o protagonista é o Coronel George Taylor (Heston), astronauta norte-americano que partiu em uma viagem rumo aos confins do universo, acompanhado de mais três colegas. Como a nave viaja próxima à velocidade da luz, já se passaram 2006 anos desde que Taylor partiu da Terra, mas os astronautas só envelheceram 18 meses. Taylor e seus colegas estão em animação suspensa quando um defeito na nave provoca a morte de um dos astronautas, e faz com que ela se choque contra um planeta desconhecido. Após uma breve análise, Taylor conclui que eles devem estar em algum planeta da constelação de Orion (onde Betelgeuse está localizada), a 320 anos-luz da Terra, mas não tem como ter certeza.
Ao sair da nave para explorar o estranho planeta, os astronautas acabam se deparando com humanos primitivos, que vivem em estado selvagem, e com macacos altamente desenvolvidos, que são a raça dominante no local. Capturado junto com os humanos selvagens, Taylor é levado para as cidades dos macacos, onde será usado em experimentos científicos. Por alguma razão, os macacos falam inglês, mas Taylor se mostra incapaz de se comunicar com eles graças a um ferimento na garganta, causado durante a luta com os macacos que queriam capturá-lo.
Aos poucos, Taylor consegue provar que é inteligente, conquistando a amizade (ou pelo menos a curiosidade) de dois dos macacos, a cientista Zira (Kim Hunter) e seu noivo, o arqueólogo Cornelius (Roddy McDowall), além de se envolver romanticamente com uma das humanas primitivas, Nova (Linda Harrison). Mas outro macaco, o Dr. Zaius (Maurice Evans), não é tão amigável em relação a um humano inteligente, e pretende usar de todos os meios ao seu alcance para descobrir se existem mais como ele, para provavelmente destruí-los e evitar que os macacos percam sua supremacia.
No final, Zira e Cornelius ajudam Taylor e Nova a fugir, e, para horror do astronauta, ele descobre que o planeta dos macacos era, na verdade, a Terra 2006 anos no futuro. Este final, criado por Serling, foi tão surpreendente e tão fantástico que o próprio Pierre Boulle declarou em entrevistas que gostaria de ter tido esta idéia para o final de seu livro. Até hoje a cena em que Taylor faz a descoberta é considerada uma das mais antológicas da história do cinema.
O enorme sucesso do Planeta dos Macacos acabou gerando quatro continuações, todas infelizmente meio toscas. A primeira, De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes), de 1970, é a melhorzinha, e a única com Heston no elenco. Dirigido por Ted Post, o filme tem como protagonista um novo astronauta, Brent (James Franciscus), cuja nave também se choca contra o Planeta dos Macacos. Pouco após sua chegada, ele encontra Nova, que traz a plaqueta de identificação de Taylor no pescoço. Ambos partem em busca de Taylor, e acabam encontrando uma rede de cavernas que leva ao interior do planeta, onde uma raça de humanos mutantes cultua um estranho deus: uma bomba atômica, que, se detonada, destruirá o planeta inteiro. Além de impedir que os mutantes detonem a bomba, Brent e Nova ainda têm de escapar do General Ursus (James Gregory), comandante do exército macaco, que planeja exterminar todos os humanos do planeta. Zaius, Cornelius e Zira também participam do filme.
Apesar dos esforços de Brent e Nova, o deus-bomba foi detonado, e a Terra foi destruída. No momento da detonação, porém, Cornelius, Zira e o Dr. Milo (Sal Mineo), estavam a bordo da nave de Taylor, que havia sido consertada. A energia liberada pela explosão fez com que a nave voltasse no tempo, trazendo os três macacos para o ano de 1973. E assim começa o terceiro filme da série, Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes), de 1971 e dirigido por Don Taylor, que, embora eu ache que seja o mais tosco de todos, é considerado pelos críticos como a melhor das continuações, pois faz críticas ao racismo, status social, testes de laboratórios em animais, guerra nuclear, interferência governamental, e até mesmo ao desrespeito aos direitos das mulheres. Isto tudo porque Cornelius e Zira acabam sendo integrados à sociedade de 1973, e tentam viver suas vidas normalmente, mas acabam ameaçados de extermínio quando o Dr. Otto Hasslein (Eric Braeden) descobre que eles vieram de um futuro onde os macacos sobrepujaram a espécie humana.
O filme seguinte, A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes), de 1972, é ambientado dezoito anos após o anterior, em 1991. No final do último filme, Cornelius e Zira têm um bebê, que originalmente se chama Milo, mas neste filme é chamado de Caesar (e interpretado por Roddy McDowall). No final da década de 1970, uma estranha praga acaba com todos os cães e gatos da Terra, deixando os humanos sem animais de estimação. Mais ou menos na mesma época, a humanidade começa a descobrir que os macacos são capazes de aprender e se adaptar como os humanos. Logo, os homens começam a treinar macacos para executar tarefas do dia a dia, utilizando-os como trabalho escravo. Como se isso já não bastasse, a sociedade norte-americana entrou em colapso, e os Estados Unidos se transformaram em diversas cidades-estado de sociedade opressiva e meio facista. Vivendo em um circo comandado por Armando (Ricardo Montalban) na cidade de Central City, Caesar se revolta ao ver o tratamento dispensado aos macacos pelos humanos, e decide lutar por sua liberdade. Dirigido por J. Lee Thompson, este é o filme mais violento da série, e curiosamente teve seu final alterado, pois originalmente Caesar, comandando os macacos, ordenava o extermínio de toda a espécie humana; no final que efetivamente foi usado, os macacos se libertam, e Caesar declara estarmos vendo o nascimento do Planeta dos Macacos.
Thompson também dirigiria o último filme da série, A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes), de 1973. Este último filme mostra Caesar como líder dos macacos em uma sociedade pós-guerra nuclear, onde os humanos já são minoria. Após descobrir que gravaçoes feitas por seus pais se encontram em uma cidade devastada pela guerra, Caesar decide comandar uma expedição até o local para recuperá-las. Lá, porém, ele encontrará humanos mutantes, que planejam matar todos os macacos, e que darão origem ao culto ao deus-bomba. Como se isso já não fosse problema suficiente, Caesar ainda tem de lidar com Aldo (Claude Akins), um gorila beligerante que deseja tirá-lo do poder.
Em 1974, o Planeta dos Macacos iria dos cinemas para as telas de TV, se tornando uma série, exibida pela CBS de setembro a dezembro, quando foi cancelada devido à baixa audiência. Ao todo, apenas 14 episódios foram produzidos, embora somente 13 tenham sido televisionados, com o décimo-quarto sendo incluído na versão em DVD. A série é mais uma vez ambientada no futuro, e mostra as aventuras de dois astronautas, Coronel Alan Virdon (Ron Harper) e Major Peter Burke (Peter Naughton), que partem da Terra em 1980 e se chocam contra o Planeta 1105 anos depois. Perseguidos pelo Conselheiro Zaius (Booth Colman) e pelo General Urko (Mark Lenard), eles se aliam ao macaco Galen (Roddy McDowall), e os três passam a vagar pelo território do que um dia foram os Estados Unidos, encontrando macacos, humanos primitivos, mutantes e restos de antigas civilizações em sua jornada.
Em 1975, uma nova tentativa na TV seria feita, mas desta vez com uma série animada, chamada Return to the Planet of the Apes. Esta série era bem mais parecida com o livro original, com os macacos vivendo em cidades futuristas e dirigindo automóveis. Mais uma vez, um grupo de astronautas vai parar no Planeta dos Macacos, que na verdade é a Terra do futuro, e tem que fugir dos macacos malvados com a ajuda dos macacos bonzinhos. Vários personagens dos filmes e da série anterior, como Cornelius, Zira, Brent, Nova e Urko, aparecem em alguns episódios. Ao todo, a série teve apenas 13 episódios produzidos, e sofreu muitas críticas, principalmente devido à baixa qualidade da animação e ao fato de que não se encaixava na cronologia apresentada até então.
Mas o pior ainda estava por vir: no final da década de 90, como parte das comemorações pelos 30 anos do filme original, a Fox decidiu lançar uma nova versão, que faria uso das mais recentes técnicas de maquiagem e efeitos especiais para criar um Planeta dos Macacos ainda mais perfeito. Ao invés de uma refilmagem, a própria Fox decidiu chamar seu novo filme de uma "re-imaginação" - termo que parece estar pegando para outras refilmagens, como a nova série de Battlestar Galactica - já que ele teria muitos elementos diferentes do filme original. Infelizmente, algo no meio do caminho saiu errado, e o resultado foi um filme memorável, mas pelos motivos errados.
Lançado em 2001, o novo Planeta dos Macacos foi dirigido por Tim Burton, mas que já pegou o projeto com a produção quase pronta, o que explica por que ele não se parece com um filme de Tim Burton - antes dele, Oliver Stone e James Cameron haviam se envolvido com o projeto, mas o deixaram por motivos vários. O papel do astronauta que vai parar no Planeta dos Macacos foi originalmente escrito para Arnold Schwarzenegger, mas acabou ficando com Mark Wahlberg. O elenco estelar do filme ainda conta com Tim Roth, Helena Bonham Carter, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, Estella Warren, David Warner e Kris Kristofferson, além de Charlton Heston e Linda Harrison em participações especiais.
O novo filme já começa em um futuro distante, onde o astronauta Leo Davidson (Wahlberg) trabalha em uma estação espacial junto a macacos que são enviados em missões perigosas. Quando uma tempestade eletromagnética se aproxima, a estação decide enviar uma nave pilotada por Péricles, o chimpanzé preferido de Davidson, para investigar. A nave de Péricles some em meio à tempestade, e Davidson, contrariando suas ordens, pega uma nave e vai salvá-lo. Davidson acaba passando pela tempestade e se chocando contra um planeta desconhecido, onde os humanos vivem em estado selvagem e são escravizados pelos macacos, a forma de vida dominante. Davidson então decide libertar os humanos, e acaba encontrando uma espécie de Zona Proibida, onde os segredos do planeta serão desvendados.
Até aí, para dizer a verdade, o filme até funciona bem; o problema é que Davidson acaba descobrindo que a população do planeta surgiu quando a estação espacial em que ele trabalhava se chocou contra o planeta há milhares de anos - evidentemente, ele foi enviado para o futuro pela tempestade - e então as explicações de que os macacos dominantes descendem dos que eram usados para experimentos, e os humanos primitivos dos astronautas e cientistas, começam a ficar meio forçadas - existe até um macaco-messias, que teria dado origem a todos os macacos do planeta, e retornaria para salvá-los. Como o Planeta dos Macacos não é a Terra, Davidson pega uma nave e retorna para nosso planeta, mas, ao chegar aqui, descobre que os macacos de cá também se tornaram a espécie dominante, subjugando os humanos.
Curiosamente, no livro de Boulle o Planeta dos Macacos também não era a Terra, e, acreditem ou não, no final, quando Ulysse voltava para a Terra, ele descobria que os macacos de cá também tinham se tornado a espécie dominante, exatamente como ocorreu com Davidson. Desta forma, o filme de 2001 é até mais fiel ao livro que o de 1968, e o fato de que críticos e fãs o rejeitaram serve apenas para constatar que o Planeta dos Macacos original é uma obra-prima, que superou até a fonte que lhe deu origem.
Talvez eu tenha exagerado nesta última frase, mas para mim - e acredito que para todos os que gostem do filme original - Planeta dos Macacos não é Planeta dos Macacos se não for a Terra do futuro. Eu pessoalmente fiquei muito decepcionado com o filme novo, pois gostei muito dos novos macacos, bem mais parecidos com macacos de verdade que os originais, mas detestei o enredo. Talvez ter feito uma refilmagem teria sido melhor que uma "re-imaginação".
Mas, para minha sorte, os clássicos não morrem jamais. Na pior das hipóteses, eu ainda posso usar o "método Highlander": fico com o primeiro filme, e ignoro todo o resto.
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Atualmente, quando se fala em Planeta dos Macacos, muitos se lembram de alguma de suas seqüências toscas, outros se lembram da horrorosa versão de Tim Burton, e há até quem se lembre de Michael Jackson ou do Jota Quest. Na minha opinião, tudo isso não contribui para a boa imagem do filme, e faz com que muitos infelizmente não percebam a verdade: O Planeta dos Macacos é um dos melhores filmes de ficção científica já feitos, fato que é maximizado por seu surpreendente e totalmente inesperado final - que hoje em dia ninguém mais acha tão surpreendente ou inesperado assim porque todo mundo já conhece, mas eu quando assisti ao filme pela primeira vez em minha infância fiquei bastante impressionado, e imagino que a galera que foi ver no cinema também.
Mas o curioso é que, assim como muitos outros bons filmes, O Planeta dos Macacos não foi concebido originalmente para ser um filme, mas foi adaptado de um livro, e ainda por cima de um livro francês, chamado Le Planète des Singes. Escrito por Pierre Boulle, também autor de A Ponte sobre o Rio Kwai, e publicado em 1963 pela editora Livre de Poche ("Livro de Bolso"), o livro era ambientado em um futuro onde as viagens espaciais eram possíveis, e começa com um casal em uma destas viagens encontrando o diário do jornalista Ulysse Mérou, que relata ter partido em uma expedição espacial à estrela Betelgeuse acompanhado do cientista Professor Anteille, que criou um método que permitia viajar a velocidades próximas às da luz. Graças à nave de Anteille, uma viagem que demoraria 350 anos em velocidade normal poderia ser feita em apenas dois anos, melhorando, e muito, as explorações espaciais terrestres.Durante esta viagem de teste, Ulysse e Anteille acabam encontrando um planeta muito semelhante à Terra, ao qual dão o nome de Soror. Ao pousar no planeta, eles também descobrem que este é habitado por humanos, mas ainda em estado selvagem, vivendo como animais. Para sua surpresa, logo eles descobrem que a raça dominante por lá são os macacos, e que os humanos são utilizados pelos símios como escravos. Mais ainda, os macacos se vestem como humanos da Terra, andam de automóvel, possuem armas de fogo, assistem televisão, jogam golfe, e moram em belas cidades futuristas, com arranha-céus e tudo. Confundido com um humano selvagem, Ulysse é capturado e levado para ser estudado pela ciência local. Aos poucos ele vai convencendo alguns macacos de que é inteligente, e graças a isso consegue devisar um plano de fuga, com o qual tentará retornar à Terra.
Le Planète des Singes não foi exatamente um enorme sucesso, mas, como livros de ficção científica estavam na moda na época, acabou traduzido para o inglês por Xan Fielding, e lançado na Inglaterra pela editora Secker and Warburg ainda em 1963 com o título de Monkey Planet. O título pelo qual tanto o livro quanto o filme são conhecidos até hoje em países de língua inglesa, Planet of the Apes, seria utilizado primeiro pelo filme; o livro seria rebatizado para aproveitar o sucesso deste. Embora até hoje alguns se refiram ao livro como Monkey Planet, Planet of the Apes é considerado um título bem mais apropriado, não só por ser mais parecido com o original francês, mas também porque em inglês, simplificando muito e sem querer entrar em detalhes biológicos, a palavra ape é usada para grandes símios como chipanzés, orangotangos e gorilas, aos quais os macacos do filme se assemelham, enquanto monkey é usado para macacos bem menores e normalmente com rabo.
A idéia de adaptar o livro para o cinema foi do produtor Arthur P. Jacobs, que trabalhava para a Fox. Para convencer os executivos de seu estúdio de que o filme era possível, Jacobs produziu um pequeno "demo", onde mostrava alguns atores que interpretariam os macacos, com a maquiagem criada por Ben Sye, para provar que era possível criar macacos convincentes, ao invés de simplesmente vestir os atores com roupas de macaco, como era padrão na época. Além disso, Jacobs contratou o já famoso ator Charlton Heston para protagonizar a produção antes mesmo da Fox dar a luz verde, e encomendou o roteiro ao não menos famoso Rod Serling, criador e apresentador da série The Twilight Zone (conhecida por aqui como Além da Imaginação). Serling acabou criando uma versão bastante diferente da original do livro, mas que agradou em cheio aos executivos norte-americanos.
Convencidos pela maquiagem e animados pelo roteiro e pela presença de Heston, os executivos da Fox compraram a idéia, e a produção do filme começou em 1967. O roteiro de Serling, porém, acabou gerando uma previsão orçamentária caríssima, e várias adaptações tiveram de ser feitas para reduzir os custos de produção, sendo a mais notável que as cidades futuristas dos macacos acabaram substituídas por uma sociedade quase tribal, com habitações rústicas e sem aparatos tecnológicos. Mas não foram só os macacos que acabaram alterados: por questões de ordem prática, os humanos, que no livro andavam completamente nus, tiveram de ser vestidos com roupas de peles de animais. No fim, o roteiro original de Serling teve de sofrer várias revisões e alterações, e a versão final acabou sendo a escrita por Michael Wilson - que pelo menos fez questão de manter o final que Serling havia criado. Além das mudanças no roteiro, também ocorreu uma mudança na maquiagem, com os novos modelos ficando ainda mais parecidos com macacos, criados por John Chambers, que acabaria recebendo um Oscar honorário por seu trabalho.
Dirigido por Franklin J. Schaffner, sugerido para a direção por Heston, Planet of the Apes estrearia nos cinemas norte-americanos em fevereiro de 1968. Com orçamento de 5,8 milhões de dólares - mais de um milhão usados exclusivamente com maquiagem, um recorde na época - acabou rendendo 32,6 milhões, se tornando o filme mais rentável de seu ano de lançamento. As críticas foram extremamente favoráveis, e até mesmo os críticos que fizeram resenhas negativas antes de seu lançamento deram o braço a torcer após o primeiro fim de semana, elogiando-o em novas críticas. O filme foi indicado para dois Oscars, de melhor figurino e melhor trilha sonora, mas só ganhou mesmo o honorário citado acima.
Como já foi dito, o filme é bastante diferente do livro: para começar, não há jornalista francês ou professor em viagem de testes; o protagonista é o Coronel George Taylor (Heston), astronauta norte-americano que partiu em uma viagem rumo aos confins do universo, acompanhado de mais três colegas. Como a nave viaja próxima à velocidade da luz, já se passaram 2006 anos desde que Taylor partiu da Terra, mas os astronautas só envelheceram 18 meses. Taylor e seus colegas estão em animação suspensa quando um defeito na nave provoca a morte de um dos astronautas, e faz com que ela se choque contra um planeta desconhecido. Após uma breve análise, Taylor conclui que eles devem estar em algum planeta da constelação de Orion (onde Betelgeuse está localizada), a 320 anos-luz da Terra, mas não tem como ter certeza.
Ao sair da nave para explorar o estranho planeta, os astronautas acabam se deparando com humanos primitivos, que vivem em estado selvagem, e com macacos altamente desenvolvidos, que são a raça dominante no local. Capturado junto com os humanos selvagens, Taylor é levado para as cidades dos macacos, onde será usado em experimentos científicos. Por alguma razão, os macacos falam inglês, mas Taylor se mostra incapaz de se comunicar com eles graças a um ferimento na garganta, causado durante a luta com os macacos que queriam capturá-lo.Aos poucos, Taylor consegue provar que é inteligente, conquistando a amizade (ou pelo menos a curiosidade) de dois dos macacos, a cientista Zira (Kim Hunter) e seu noivo, o arqueólogo Cornelius (Roddy McDowall), além de se envolver romanticamente com uma das humanas primitivas, Nova (Linda Harrison). Mas outro macaco, o Dr. Zaius (Maurice Evans), não é tão amigável em relação a um humano inteligente, e pretende usar de todos os meios ao seu alcance para descobrir se existem mais como ele, para provavelmente destruí-los e evitar que os macacos percam sua supremacia.
No final, Zira e Cornelius ajudam Taylor e Nova a fugir, e, para horror do astronauta, ele descobre que o planeta dos macacos era, na verdade, a Terra 2006 anos no futuro. Este final, criado por Serling, foi tão surpreendente e tão fantástico que o próprio Pierre Boulle declarou em entrevistas que gostaria de ter tido esta idéia para o final de seu livro. Até hoje a cena em que Taylor faz a descoberta é considerada uma das mais antológicas da história do cinema.
O enorme sucesso do Planeta dos Macacos acabou gerando quatro continuações, todas infelizmente meio toscas. A primeira, De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes), de 1970, é a melhorzinha, e a única com Heston no elenco. Dirigido por Ted Post, o filme tem como protagonista um novo astronauta, Brent (James Franciscus), cuja nave também se choca contra o Planeta dos Macacos. Pouco após sua chegada, ele encontra Nova, que traz a plaqueta de identificação de Taylor no pescoço. Ambos partem em busca de Taylor, e acabam encontrando uma rede de cavernas que leva ao interior do planeta, onde uma raça de humanos mutantes cultua um estranho deus: uma bomba atômica, que, se detonada, destruirá o planeta inteiro. Além de impedir que os mutantes detonem a bomba, Brent e Nova ainda têm de escapar do General Ursus (James Gregory), comandante do exército macaco, que planeja exterminar todos os humanos do planeta. Zaius, Cornelius e Zira também participam do filme.
Apesar dos esforços de Brent e Nova, o deus-bomba foi detonado, e a Terra foi destruída. No momento da detonação, porém, Cornelius, Zira e o Dr. Milo (Sal Mineo), estavam a bordo da nave de Taylor, que havia sido consertada. A energia liberada pela explosão fez com que a nave voltasse no tempo, trazendo os três macacos para o ano de 1973. E assim começa o terceiro filme da série, Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes), de 1971 e dirigido por Don Taylor, que, embora eu ache que seja o mais tosco de todos, é considerado pelos críticos como a melhor das continuações, pois faz críticas ao racismo, status social, testes de laboratórios em animais, guerra nuclear, interferência governamental, e até mesmo ao desrespeito aos direitos das mulheres. Isto tudo porque Cornelius e Zira acabam sendo integrados à sociedade de 1973, e tentam viver suas vidas normalmente, mas acabam ameaçados de extermínio quando o Dr. Otto Hasslein (Eric Braeden) descobre que eles vieram de um futuro onde os macacos sobrepujaram a espécie humana.
O filme seguinte, A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes), de 1972, é ambientado dezoito anos após o anterior, em 1991. No final do último filme, Cornelius e Zira têm um bebê, que originalmente se chama Milo, mas neste filme é chamado de Caesar (e interpretado por Roddy McDowall). No final da década de 1970, uma estranha praga acaba com todos os cães e gatos da Terra, deixando os humanos sem animais de estimação. Mais ou menos na mesma época, a humanidade começa a descobrir que os macacos são capazes de aprender e se adaptar como os humanos. Logo, os homens começam a treinar macacos para executar tarefas do dia a dia, utilizando-os como trabalho escravo. Como se isso já não bastasse, a sociedade norte-americana entrou em colapso, e os Estados Unidos se transformaram em diversas cidades-estado de sociedade opressiva e meio facista. Vivendo em um circo comandado por Armando (Ricardo Montalban) na cidade de Central City, Caesar se revolta ao ver o tratamento dispensado aos macacos pelos humanos, e decide lutar por sua liberdade. Dirigido por J. Lee Thompson, este é o filme mais violento da série, e curiosamente teve seu final alterado, pois originalmente Caesar, comandando os macacos, ordenava o extermínio de toda a espécie humana; no final que efetivamente foi usado, os macacos se libertam, e Caesar declara estarmos vendo o nascimento do Planeta dos Macacos.
Thompson também dirigiria o último filme da série, A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes), de 1973. Este último filme mostra Caesar como líder dos macacos em uma sociedade pós-guerra nuclear, onde os humanos já são minoria. Após descobrir que gravaçoes feitas por seus pais se encontram em uma cidade devastada pela guerra, Caesar decide comandar uma expedição até o local para recuperá-las. Lá, porém, ele encontrará humanos mutantes, que planejam matar todos os macacos, e que darão origem ao culto ao deus-bomba. Como se isso já não fosse problema suficiente, Caesar ainda tem de lidar com Aldo (Claude Akins), um gorila beligerante que deseja tirá-lo do poder.
Em 1974, o Planeta dos Macacos iria dos cinemas para as telas de TV, se tornando uma série, exibida pela CBS de setembro a dezembro, quando foi cancelada devido à baixa audiência. Ao todo, apenas 14 episódios foram produzidos, embora somente 13 tenham sido televisionados, com o décimo-quarto sendo incluído na versão em DVD. A série é mais uma vez ambientada no futuro, e mostra as aventuras de dois astronautas, Coronel Alan Virdon (Ron Harper) e Major Peter Burke (Peter Naughton), que partem da Terra em 1980 e se chocam contra o Planeta 1105 anos depois. Perseguidos pelo Conselheiro Zaius (Booth Colman) e pelo General Urko (Mark Lenard), eles se aliam ao macaco Galen (Roddy McDowall), e os três passam a vagar pelo território do que um dia foram os Estados Unidos, encontrando macacos, humanos primitivos, mutantes e restos de antigas civilizações em sua jornada.Em 1975, uma nova tentativa na TV seria feita, mas desta vez com uma série animada, chamada Return to the Planet of the Apes. Esta série era bem mais parecida com o livro original, com os macacos vivendo em cidades futuristas e dirigindo automóveis. Mais uma vez, um grupo de astronautas vai parar no Planeta dos Macacos, que na verdade é a Terra do futuro, e tem que fugir dos macacos malvados com a ajuda dos macacos bonzinhos. Vários personagens dos filmes e da série anterior, como Cornelius, Zira, Brent, Nova e Urko, aparecem em alguns episódios. Ao todo, a série teve apenas 13 episódios produzidos, e sofreu muitas críticas, principalmente devido à baixa qualidade da animação e ao fato de que não se encaixava na cronologia apresentada até então.
Mas o pior ainda estava por vir: no final da década de 90, como parte das comemorações pelos 30 anos do filme original, a Fox decidiu lançar uma nova versão, que faria uso das mais recentes técnicas de maquiagem e efeitos especiais para criar um Planeta dos Macacos ainda mais perfeito. Ao invés de uma refilmagem, a própria Fox decidiu chamar seu novo filme de uma "re-imaginação" - termo que parece estar pegando para outras refilmagens, como a nova série de Battlestar Galactica - já que ele teria muitos elementos diferentes do filme original. Infelizmente, algo no meio do caminho saiu errado, e o resultado foi um filme memorável, mas pelos motivos errados.
Lançado em 2001, o novo Planeta dos Macacos foi dirigido por Tim Burton, mas que já pegou o projeto com a produção quase pronta, o que explica por que ele não se parece com um filme de Tim Burton - antes dele, Oliver Stone e James Cameron haviam se envolvido com o projeto, mas o deixaram por motivos vários. O papel do astronauta que vai parar no Planeta dos Macacos foi originalmente escrito para Arnold Schwarzenegger, mas acabou ficando com Mark Wahlberg. O elenco estelar do filme ainda conta com Tim Roth, Helena Bonham Carter, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, Estella Warren, David Warner e Kris Kristofferson, além de Charlton Heston e Linda Harrison em participações especiais.
O novo filme já começa em um futuro distante, onde o astronauta Leo Davidson (Wahlberg) trabalha em uma estação espacial junto a macacos que são enviados em missões perigosas. Quando uma tempestade eletromagnética se aproxima, a estação decide enviar uma nave pilotada por Péricles, o chimpanzé preferido de Davidson, para investigar. A nave de Péricles some em meio à tempestade, e Davidson, contrariando suas ordens, pega uma nave e vai salvá-lo. Davidson acaba passando pela tempestade e se chocando contra um planeta desconhecido, onde os humanos vivem em estado selvagem e são escravizados pelos macacos, a forma de vida dominante. Davidson então decide libertar os humanos, e acaba encontrando uma espécie de Zona Proibida, onde os segredos do planeta serão desvendados.
Até aí, para dizer a verdade, o filme até funciona bem; o problema é que Davidson acaba descobrindo que a população do planeta surgiu quando a estação espacial em que ele trabalhava se chocou contra o planeta há milhares de anos - evidentemente, ele foi enviado para o futuro pela tempestade - e então as explicações de que os macacos dominantes descendem dos que eram usados para experimentos, e os humanos primitivos dos astronautas e cientistas, começam a ficar meio forçadas - existe até um macaco-messias, que teria dado origem a todos os macacos do planeta, e retornaria para salvá-los. Como o Planeta dos Macacos não é a Terra, Davidson pega uma nave e retorna para nosso planeta, mas, ao chegar aqui, descobre que os macacos de cá também se tornaram a espécie dominante, subjugando os humanos.
Curiosamente, no livro de Boulle o Planeta dos Macacos também não era a Terra, e, acreditem ou não, no final, quando Ulysse voltava para a Terra, ele descobria que os macacos de cá também tinham se tornado a espécie dominante, exatamente como ocorreu com Davidson. Desta forma, o filme de 2001 é até mais fiel ao livro que o de 1968, e o fato de que críticos e fãs o rejeitaram serve apenas para constatar que o Planeta dos Macacos original é uma obra-prima, que superou até a fonte que lhe deu origem.
Talvez eu tenha exagerado nesta última frase, mas para mim - e acredito que para todos os que gostem do filme original - Planeta dos Macacos não é Planeta dos Macacos se não for a Terra do futuro. Eu pessoalmente fiquei muito decepcionado com o filme novo, pois gostei muito dos novos macacos, bem mais parecidos com macacos de verdade que os originais, mas detestei o enredo. Talvez ter feito uma refilmagem teria sido melhor que uma "re-imaginação".
Mas, para minha sorte, os clássicos não morrem jamais. Na pior das hipóteses, eu ainda posso usar o "método Highlander": fico com o primeiro filme, e ignoro todo o resto.
A estréia de Lazenby no papel de Bond aconteceu em On Her Majesty's Secret Service (traduzido no Brasil para 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade), adaptação do décimo-primeiro livro da série, de 1963. Na verdade, OHMSS estava em uma espécie de fila de espera: a intenção da EON era lançá-lo após Goldfinger, mas, como acabaram chegando a um acordo quanto aos direitos de Thunderball, optaram por este. OHMSS então seria lançado após Thunderball, mas a produção optou por You Only Live Twice por encontrar dificuldades com as locações, que na época das filmagens não tinham neve suficiente para algumas das cenas do filme. Após algum planejamento, OHMSS finalmente conseguiu ser filmado para estrear em dezembro de 1969, pela primeira vez simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido.
Sem Lazenby, os produtores consideraram convidar John Gavin, Michael Gambon, e até mesmo Adam West, o Batman da série de TV, para interpretar Bond. Irritados, os executivos da United Artists deram uma espécie de ultimato: ou Connery voltava para o papel, ou não haveria filme algum. Aos 41 anos, Connery não cogitava interpretar o 007 novamente, mas a UA insistiu que ele deveria, e que dinheiro não era problema. Após muitas negociações, Connery aceitou voltar em troca da promessa de que a UA cobriria todos os gastos dos próximos dois filmes estrelados por ele, e do equivalente hoje a 20 milhões de dólares, com os quais fundou a Scottish International Education Trust, que até hoje possibilita que jovens atores escoceses estudem interpretação e consigam seus primeiros papéis sem ter de sair da Escócia.
Para se tornar o oitavo filme, a EON escolheu o segundo livro, de 1954. Live and Let Die (no Brasil, Com 007 Viva e Deixe Morrer) leva Bond mais uma vez ao Caribe e aos Estados Unidos, desta vez na trilha do Dr. Kananga (Yaphet Kotto), nativo da fictícia nação de San Monique, aparentemente o respeitável dono de uma cadeia de restaurantes em Nova Iorque e Nova Orleans, mas que também é o líder de uma das mais violentas gangues do Harlem, possui um guarda-costas com mão de gancho (Julius Harris) e um plano maligno segundo o qual distribuirá duas toneladas de heroína de graça, falindo todos os demais traficantes da droga e conseguindo um monopólio no setor. Como bom caribenho, Kananga também é adepto do vodu, aliado do Barão Samedi (Geoffrey Holder), que aparenta ser o deus do vodu em pessoa; e namorado de Solitaire (Jane Seymour), que tem o poder de prever o futuro, dando uma imensa vantagem ao vilão. Como se tudo isso já não bastasse, Kananga ainda pode ser mais velho do que aparenta, pois diz ter usado os serviços de vidência da mãe de Solitaire, antes dela perder seus poderes junto com sua virgindade. Como Solitaire é a Bond Girl do filme, algo me diz que em breve ele terá de arrumar outra vidente.
TMwtGG foi o último filme produzido em parceria por Broccoli e Saltzman; após seu lançamento, Saltzman decidiu abandonar a EON, e vendeu sua parte para a United Artists. Isto fez com que os direitos sobre a obra de Fleming fossem rediscutidos e renegociados, o que acabou atrasando a produção do filme seguinte.
Apesar do atraso e dos problemas com roteiro, The Spy Who Loved Me foi extremamente bem recebido, sendo considerado um dos melhores filmes de James Bond, e o melhor com Roger Moore. Com orçamento de 14 milhões de dólares, o filme rendeu 185,4 milhões no mundo inteiro, sendo 46 milhões apenas nos Estados Unidos. Tanto sucesso acabou fazendo com que ele seguisse um curioso caminho inverso: pouco após sua estréia, foi lançada uma versão em livro, escrita por Christopher Wood e publicado pela editora Gridrose.
Por mais que eu goste de beisebol, não costumo assistir a muitas partidas, por um motivo bem simples: elas demoram muito. Tudo bem que se possa argumentar que futebol americano também demora muito, mas aí é diferente, porque eu não gosto tanto de beisebol quanto de futebol americano, então ficar quatro horas na frente da tv vendo um sujeito tentando acertar uma bolinha com um taco não é tão divertido quanto ficar quatro horas na frente da tv vendo um bando de brutamontes tentando levar uma bola oval até o outro lado do campo. Apesar disso, como eu já disse, eu gosto de beisebol, e quando eu acho um jogo passando, ou na época dos play-offs, costumo assistir vários pedaços de partidas. Acho que os únicos jogos de beisebol que eu assisti inteiros foram os do Brasil na época do Pan.
Um estádio de beisebol costuma ser conhecido como ball park. O campo tem o formato de um quarto de círculo. Em volta de seu ângulo reto há um círculo de 8 metros de diâmetro, todo de terra batida, sem grama. No centro deste círculo fica a home plate, um pentágono de borracha cuja base tem 43 cm, e os outros lados 22 cm. Partindo das linhas diagonais da home plate, é traçado um losango de 27,4 metros de lado, chamado diamante. Em cada um dos outros três vértices desse losango fica uma base, uma "almofada" quadrada de lona de 43 cm de lado e 13 cm de altura, de onde o jogo tira seu nome, e numeradas como primeira, segunda e terceira em sentido anti-horário a partir do home plate. A área em volta do diamante é feita de terra batida, e conhecida como infield; para além do diamante, o campo é gramado, e conhecido como outfield. A área interior do diamante também é gramada, mas não tem nome; em seu centro, a 18,39m do home plate, fica um montinho de terra batida, de 5,47 metros de diâmetro e 25 cm de altura, no topo do qual fica o arremessador. Curiosamente, o tamanho do outfield não é estabelecido nas regras, mas normalmente, do home plate até a cerca que separa o campo das arquibancadas, em linha reta, a distância varia entre 118 e 133 metros. Os lados do losango que tocam o home plate se prolongam até o final do outfield, e só é considerado área válida de jogo o que está dentro destas linhas.
O strike out é, talvez, a forma de eliminação mais característica do beisebol: se o arremessador jogar a bola e o rebatedor não conseguir pegá-la, indo a bola parar na luva do catcher, temos um strike. Três strikes, e o jogador que estava tentando rebater está eliminado. Para que o strike seja válido, porém, a bola deve chegar à luva do catcher passando por um quadrado imaginário chamado zona de strike, que representa a área onde rebater a bola é possível de acordo com a posição do rebatedor. Esta regra foi criada para que o arremessador não jogue a bola longe demais do rebatedor, o que seria injusto, já que ele tem o controle total da bola, e pode até combinar com o catcher, através de sinais secretos, onde e como irá jogá-la. Caso a bola não passe por dentro da zona de strike, ela é considerada bola (isso mesmo, bola). Se um arremessador cometer quatro bolas, o rebatedor ganha um walk, e pode se dirigir para a primera base mesmo que não tenha conseguido rebater - por esse motivo, um rebatedor que tem dois strikes e três bolas está com a "contagem cheia", pois no próximo lançamento ou ele vai andar, ou ser eliminado. Um rebatedor também ganha um strike caso rebata a bola para fora do campo, exceto se ele já tiver dois strikes; nesse caso, o arremesso é invalidado, e o arremessador deverá jogar outro. Finalmente, o rebatedor ganha um walk automático, independente de quantas bolas tenha, se a bola arremessada atingir qualquer parte de seu corpo, mesmo que sem intenção do arremessador.
Ao final da nona entrada, o time que tiver anotado mais corridas é declarado vencedor. Caso haja um empate, são jogadas sucessivas novas entradas, até que um dos times tenha mais corridas que o outro. Se, ao final do top da última entrada, o time defendendo estiver ganhando, não será necessário jogar o bottom - já que ele já está ganhando mesmo, não há necessidade de anotar mais corridas.
O softbol foi inventado em 1887 em Chicago por George Hancock, um membro da Câmara de Comércio da cidade. Seu intuito não era inventar um beisebol feminino, mas uma versão "indoor", que pudesse ser disputada em ambientes fechados durante o inverno. Aos poucos o esporte foi se popularizando, passou a ser jogado em campos de beisebol ao ar livre, se espalhou pelos Estados Unidos, e, durante a Segunda Guerra Mundial, pelas mãos dos soldados canadenses, chegou à Holanda, que já gostava muito de beisebol na época. De lá o jogo se espalhou pelo mundo, e, em alguns países, como a Nova Zelândia, se tornou mais popular até do que o beisebol que lhe deu origem. Embora o softbol feminino seja mais famoso, também existe softbol masculino, com Campeonato Mundial e tudo, disputado a cada quatro anos desde 1966, vencido cinco vezes pela Nova Zelândia, cinco pelos Estados Unidos, e três pelo Canadá. No Mundial Feminino a superioridade dos Estados Unidos é absoluta, com nada menos que oito títulos, sendo os seis últimos seguidos.
Enterprise é uma volta ao passado - de Jornada nas Estrelas, não ao nosso. Ambientada no século XXII, mais ou menos na metade do caminho entre o Primeiro Contato com os vulcanos e os eventos da Série Clássica, apenas dez anos antes da criação da Federação dos Planetas Unidos, a série acompanha as viagens da primeira nave terrestre capaz de atingir Dobra 5, o que finalmente faria com que nosso planeta fosse capaz de explorar o espaço além de nosso sistema solar sem que seus tripulantes tivessem de recorrer à animação suspensa. Esta nave, modelo NX-01, seria batizada de Enterprise, mesmo nome da comandada pelo Capitão Kirk uns cem anos depois, e da comandada pelo Capitão Picard uns duzentos anos mais tarde. Criada em 2000 por Rick Berman e Brannon Braga, o intuito da série era revitalizar a franquia Jornada nas Estrelas - já que Voyager, em exibição na época, apresentava índices de audiência cada vez mais baixos - promovendo uma "volta às origens", ou seja, ao conceito de exploração do espaço desconhecido que era a marca da Série Clássica e, de certa forma, da Nova Geração. A princípio, Berman pensou em ser ainda mais radical, ambientando pelo menos toda a primeira temporada na Terra, mostrando o relacionamento dos terrestres com os vulcanos e outros povos espaciais enquanto a NX-01 era construída. Esta idéia acabou sendo considerada muito diferente do restante da franquia, e o máximo de invencionice permitido foi retratar uma Terra ainda longe da utopia proposta pelos demais seriados de Jornada nas Estrelas, em uma série ambientada muito mais perto dos dias atuais - cerca de 150 anos - do que o de costume.
A primeira temporada de Enterprise teve bons índices de audiência, o que garantiu uma segunda, que estreou em 18 de setembro de 2002. O primeiro episódio da segunda temporada é a segunda parte do último da primeira, Onda de Choque (Shockwave), onde a Enterprise recebe a culpa pela destruição de um planeta, e Archer acaba transportado para o século XXXI. Como podemos ver, a Guerra Fria Temporal continua sendo um importante elemento na série. Na verdade, a segunda temporada é bastante parecida com a primeira, e somente no final começa a tomar rumos mais violentos, com uma sonda alienígena atacando a Terra e matando sete milhões de pessoas no último episódio, A Expansão (The Expanse). A segunda temporada inclui também Regeneração (Regeneration), um interessante episódio onde Borgs que haviam chegado à Terra no filme Primeiro Contato mas estavam congelados na Antártida descongelam.
O anúncio do cancelamento da série foi feito em fevereiro de 2005, antes do último episódio, que só iria ao ar dia 13 de maio daquele ano, ser escrito. Isto permitiu, pelo menos, que os roteiristas criassem uma espécie de final para a série, o episódio Estas são as Viagens... (These Are the Voyages...), que contou com a participação especial de dois personagens da Nova Geração, William Riker (Jonathan Frakes) e Deanna Troi (Marina Sirtis). Infelizmente, este último episódio ficou meio equivocado, mostrando seus acontecimentos como se eles fossem uma simulação no holodeck da Enterprise-D, o que rendeu muitas críticas negativas.