segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Jornada nas Estrelas: Voyager

Ok, antes de começarmos, cabe uma explicação: eu não passei a gostar de Voyager de repente. Na verdade, eu continuo achando que é uma série muito chata, por várias razões. Acontece que, depois de escrever o post sobre Megaman Star Force, do qual eu também não gosto, no intuito de completar os spin-offs de Megaman, achei que não custava nada escrever um post sobre Voyager para completar os spin-offs de Jornada nas Estrelas. Assim, antes que eu me arrependa, vamos a ele.

em cima: Kim, o médico, Tuvoc, Neelix; em baixo: Sete, Chakotay, Janeway, Paris, TorresPara começar a falar dos motivos que levaram a Paramount a decidir produzir uma quarta série de Jornada nas Estrelas, precisamos voltar até a década de 1970, mais especificamente até 1977. Na época, a Paramount tinha um sonho: lançar seu próprio canal de televisão. Como Jornada nas Estrelas já era seu carro-chefe, ela decidiu que o lançaria com uma nova série da franquia, Star Trek: Phase II, que acabou jamais saindo do papel. Com a morte da série, morreram também os planos do novo canal.

Dez anos mais tarde, quando uma segunda série de Jornada nas Estrelas, A Nova Geração, finalmente foi lançada, a Paramount optou por não oferecê-la a canal nenhum, mas produzi-la diretamente em regime de syndication, bancando todos os custos da produção e vendendo-a para todos os canais dos Estados Unidos dispostos a comprá-la. O grande sucesso da Nova Geração levou ao lançamento de mais uma série, Deep Space Nine, também produzida desde o início em syndication. E o sucesso de Deep Space Nine ressucitou os planos de lançamento de um canal próprio da Paramount, capitaneado - sem trocadilho intencional - por uma nova Jornada nas Estrelas.

A produção de Voyager começou já em 1993, ano de estreia da sétima e última temporada de A Nova Geração e das duas primeiras de Deep Space Nine. Propositalmente, os roteiristas começaram a borrar os limites entre essas duas séries, com elementos característicos de DS9, como os maquis, se tornando parte importante dos enredos dos episódios da Nova Geração. O intuito, evidentemente, era já deixar claro para os espectadores que o universo de Jornada nas Estrelas era uno, com os eventos de uma série tendo complicações nas demais - embora Voyager, de certa forma, não fosse aproveitar muito disso.

As filmagens da primeira temporada de Voyager começariam em outubro de 1994, nos mesmos estúdios anteriormente utilizados pela recém-encerrada Nova Geração. Seu primeiro episódio iria ao ar em 16 de janeiro de 1995, inaugurando a UPN, o tão sonhado canal da Paramount, o que fez com que Voyager fosse a primeira série de Jornada nas Estrelas a estrear fora do regime de syndication desde a Série Clássica, que estreara em 1966 na NBC. Ao todo, 19 episódios foram produzidos para a primeira temporada, mas apenas 15 seriam exibidos. Os quatro restantes seriam "segurados" para a segunda temporada, que estrearia em 28 de agosto de 1995, colocando a série no esquema padrão de temporadas de Jornada nas Estrelas, começando no segundo semestre, terminando no primeiro do ano seguinte e com 26 episódios por temporada.

Em seu âmago, Voyager segue a mesma fórmula da Série Clássica e da Nova Geração: uma nave da Federação vai até onde nenhum homem jamais esteve. Dessa vez, entretanto, pode-se argumentar que eles exageraram: no primeiro episódio, a nave - que, não por acaso, se chama USS Voyager - vai parar no Quadrante Delta, a 70.000 anos-luz do espaço da Federação. A partir de então, ela começa uma ingrata viagem de volta, que, na melhor das hipóteses, levará 75 anos.

A Voyager, ainda por cima, nem era uma nave de exploração como a Enterprise. Sua missão original era ir até um pedaço barra-pesada da galáxia encontrar uma nave tripulada por maquis. Mas uma entidade alienígena conhecida como Guardião parece não ter gostado de ver duas naves de picuinha em seu território, e usou um de seus dispositivos para jogar as duas para o outro lado do universo. Para piorar a situação, a Voyager e a nave maquis chegam ao Quadrante Delta bem no meio de uma escaramuça entre os kazon e os ocampas, duas raças alienígenas locais. Pressentindo que os kazon usarão o dispositivo do Guardião para ferir os ocampas, a Capitão da Voyager decide destruí-lo, acabando com a chance de voltar para casa sem morrer de velhice. Pelo menos ela ganha a amizade dos ocampas. Entre ira do Guardião, viagem forçada de 70.000 anos-luz e ataque dos kazon, a nave maquis é destruída, e grande parte das tripulações da Voyager e dos maquis morrem, incluindo todo o pessoal médico. Os maquis então se unem à tripulação da Voyager na nave da Federação, que, sem muita opção, começa sua viagem de volta, passando por muitos lugares onde o homem jamais esteve.

A tripulação que tentará cruzar o universo em 75 anos é comandada pela Capitão Kathryn Janeway (Kate Mulgrew), que, tecnicamente, não é primeira Capitão mulher em uma série de Jornada nas Estrelas - Rachel Garrett (Tricia O'Neil) foi Capitão da Enterprise-C em um episódio da Nova Geração - mas é a primeira a ser protagonista. Como o Primeiro-Oficial original da Voyager morreu, o posto passa a ser ocupado por Chakotay (Robert Beltran), originalmente o capitão da nave maquis, um antigo Tenente-Comandante da Federação que se tornou maquis após seu planeta ser passado ao domínio cardassiano como parte do acordo de paz entre a Federação e Cardassia. O timoneiro, Tom Paris (Robert Duncan McNeill) também é maquis, mas estava originalmente com a Voyager, tendo sido retirado da prisão para ajudar Janeway em sua missão original; o contrário dessa história é Tuvok (Tim Russ), vulcano que estava na nave maquis como espião da Federação, e na nova tripulação da Voyager se tornou chefe de segurança. Também vinda da nave maquis, a engenheira-chefe B'Elanna Torres (Roxann Dawson) é filha de um humano com uma klingon, e luta para suprimir seu instinto agressivo. Como toda a equipe médica morreu, a Voyager é obrigada a se virar com um holograma (Robert Picardo), que originalmente deveria ser usado só para emergências, mas, graças à necessidade, ganha alguns upgrades e, ao longo da série, vai se tornando um médico completo. Completam a tripulação o alferes Harry Kim (Garrett Wang), promovido prematuramente a Oficial de Operações; o cozinheiro Neelix, da raça dos talaxianos, e a ocampa Kes, ambos originários do Quadrante Delta, que embarcam na Voyager após o incidente com os kazon.

Entre os personagens secundários recorrentes, podemos citar três engenheiros, o humano Joe Carey (Josh Clark), o vulcano Vorik (Alexander Enberg) e o betazedi Lon Suder (Brad Dourif); a xenobióloga Samantha Wildman (Nancy Hower) e sua filha Naomi (Scarlett Pomers) uma híbrida humana/ktariana nascida a bordo da Voyager; e a oficial de ciências Seska (Martha Hackett), uma cardassiana alterada geneticamente para se parecer com uma bajorana, também infiltrada como espiã na nave maquis, que eventualmente deixa a Voyager e se torna consorte de um kazon, fornecendo informações sobre o funcionamento da nave para seus inimigos. Personagens da Nova Geração também fizeram participações especiais em vários episódios, como William Riker (Jonathan Frakes), Deanna Troi (Marina Sirtis), Geordi LaForge (LeVar Burton), Reginald Barclay (Dwight Schultz), Q (John de Lancie) e até a Rainha Borg (Alice Krige). O Sr. Sulu (George Takei) e o klingon Kang (Michael Ansara) também aparecem em um episódio da terceira temporada, Flashback.

de cima para baixo: Paris, Tuvoc, Chakotay, Torres, Kim, o médico, Sete, Neelix, a Voyager e JanewayFalando nisso, a partir da terceira temporada, Voyager se tornou a primeira série de Jornada nas Estrelas a ter efeitos especiais completamente gerados por computação gráfica. Embora outras séries de ficção científica da época, em especial Babylon 5, já se utilizassem exclusivamente de computação gráfica, a Paramount ainda acreditava que filmar as naves, estações espaciais e estruturas em terra usando modelos em escala conferiria à série uma maior sensação de realismo, só se utilizando de CG para outros tipos de efeitos, como raios e nebulosas. Esse conceito só começou a mudar quando a abertura de Voyager, totalmente gerada em CG pela Amblin Imaging, ganhou um Emmy de Melhor Abertura em 1995. Aos poucos, algumas naves, estações e estruturas dos episódios passariam a ser geradas também por computação, até que, convencidos de que era possível transmitir realismo com CG, os produtores contrataram a Foundation Imaging, mesmo estúdio responsável pelos efeitos de Babylon 5, para cuidar de todos os efeitos especiais de Voyager. No ano seguinte, a Foundation e a Digital Muse assinaram uma parceria para cuidar dos efeitos especiais das duas últimas temporadas de Deep Space 9, e essa parceria foi mantida para as demais temporadas de Voyager.

Assim como a de Deep Space Nine, a quarta temporada de Voyager introduziu algumas mudanças importantes na série, as mais notáveis envolvendo a tripulação da nave. Nesta temporada, a Voyager se vê envolvida com os Borgs, por estar atravessando seu território a caminho do espaço da Federação. Exposta a poderes telepáticos de uma raça conhecida apenas como Espécie 8472, Kes passa a sofrer uma mutação, e decide deixar a nave, não sem antes dar uma ajuda com seus novos poderes para que eles saiam do espaço Borg e viajem algumas centenas de anos-luz instantaneamente, o que diminui o tempo de viagem em dez anos. Quem a substitui na tripulação é Sete de Nove (Jeri Ryan), musa de sete entre cada nove nerds fãs de Jornada nas Estrelas (ok, desta vez o trocadilho foi intencional), uma Borg que foi removida da coletividade, e, aos poucos, aprende a ganhar de volta sua humanidade.

A partir da quarta temporada, porém, a audiência começou a cair, o que levou os roteiristas a criar cada vez mais histórias envolvendo os Borgs, sabidamente populares entre os fãs de Jornada nas Estrelas. Vendo que talvez não fosse possível esticar a série até que a viagem de 65 anos fosse cumprida, os produtores criaram o Projeto Pathfinder, implementado pela Frota Estelar para guiar a Voyager para casa com mais rapidez. Ainda assim, no último episódio ela precisou da ajuda de um condutor de transdobra borg, para fazer a parte final da jornada de uma vez só.

Ao todo, Voyager teve sete temporadas, que totalizaram 172 episódios, o último indo ao ar em 23 de maio de 2001. Assim como Deep Space Nine, por alguma razão que eu não consigo compreender, a série ainda não foi lançada completa em DVD por aqui - apenas as duas primeiras temporadas o foram - mesmo já existindo nesse formato lá fora há anos. Eu provavelmente não compraria, mas conheço muita gente que está ansioso pelas demais temporadas. E, além disso, me recuso a acreditar que qualquer coisa com "Jornada nas Estrelas" no nome tenha uma vendagem tão ruim que justifique essa interrupção.

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