quarta-feira, 25 de junho de 2008

Escrito por em 25.6.08 com 0 comentários

Planeta dos Macacos

Assim como eu, minha mãe também é fã de filmes de ficção científica. Aliás, mais correto seria dizer que, assim como ela, eu também sou. Afinal, foi graças a ela que me tornei fã de séries clássicas como Jornada nas Estrelas, Twilight Zone e Túnel do Tempo, que estrearam, passaram e saíram do ar antes mesmo de eu pensar em nascer. O post de hoje também tem a ver com uma destas séries clássicas apresentadas a mim pela minha mãe - na verdade, com uma da qual eu nem sou fã. Mas acontece que ela foi inspirada em um filme que eu adoro, e que é o assunto principal deste texto que vocês estão lendo. O post de hoje versa sobre o Planeta dos Macacos.

Atualmente, quando se fala em Planeta dos Macacos, muitos se lembram de alguma de suas seqüências toscas, outros se lembram da horrorosa versão de Tim Burton, e há até quem se lembre de Michael Jackson ou do Jota Quest. Na minha opinião, tudo isso não contribui para a boa imagem do filme, e faz com que muitos infelizmente não percebam a verdade: O Planeta dos Macacos é um dos melhores filmes de ficção científica já feitos, fato que é maximizado por seu surpreendente e totalmente inesperado final - que hoje em dia ninguém mais acha tão surpreendente ou inesperado assim porque todo mundo já conhece, mas eu quando assisti ao filme pela primeira vez em minha infância fiquei bastante impressionado, e imagino que a galera que foi ver no cinema também.

Macacos me mordam!Mas o curioso é que, assim como muitos outros bons filmes, O Planeta dos Macacos não foi concebido originalmente para ser um filme, mas foi adaptado de um livro, e ainda por cima de um livro francês, chamado Le Planète des Singes. Escrito por Pierre Boulle, também autor de A Ponte sobre o Rio Kwai, e publicado em 1963 pela editora Livre de Poche ("Livro de Bolso"), o livro era ambientado em um futuro onde as viagens espaciais eram possíveis, e começa com um casal em uma destas viagens encontrando o diário do jornalista Ulysse Mérou, que relata ter partido em uma expedição espacial à estrela Betelgeuse acompanhado do cientista Professor Anteille, que criou um método que permitia viajar a velocidades próximas às da luz. Graças à nave de Anteille, uma viagem que demoraria 350 anos em velocidade normal poderia ser feita em apenas dois anos, melhorando, e muito, as explorações espaciais terrestres.

Durante esta viagem de teste, Ulysse e Anteille acabam encontrando um planeta muito semelhante à Terra, ao qual dão o nome de Soror. Ao pousar no planeta, eles também descobrem que este é habitado por humanos, mas ainda em estado selvagem, vivendo como animais. Para sua surpresa, logo eles descobrem que a raça dominante por lá são os macacos, e que os humanos são utilizados pelos símios como escravos. Mais ainda, os macacos se vestem como humanos da Terra, andam de automóvel, possuem armas de fogo, assistem televisão, jogam golfe, e moram em belas cidades futuristas, com arranha-céus e tudo. Confundido com um humano selvagem, Ulysse é capturado e levado para ser estudado pela ciência local. Aos poucos ele vai convencendo alguns macacos de que é inteligente, e graças a isso consegue devisar um plano de fuga, com o qual tentará retornar à Terra.

Le Planète des Singes não foi exatamente um enorme sucesso, mas, como livros de ficção científica estavam na moda na época, acabou traduzido para o inglês por Xan Fielding, e lançado na Inglaterra pela editora Secker and Warburg ainda em 1963 com o título de Monkey Planet. O título pelo qual tanto o livro quanto o filme são conhecidos até hoje em países de língua inglesa, Planet of the Apes, seria utilizado primeiro pelo filme; o livro seria rebatizado para aproveitar o sucesso deste. Embora até hoje alguns se refiram ao livro como Monkey Planet, Planet of the Apes é considerado um título bem mais apropriado, não só por ser mais parecido com o original francês, mas também porque em inglês, simplificando muito e sem querer entrar em detalhes biológicos, a palavra ape é usada para grandes símios como chipanzés, orangotangos e gorilas, aos quais os macacos do filme se assemelham, enquanto monkey é usado para macacos bem menores e normalmente com rabo.

A idéia de adaptar o livro para o cinema foi do produtor Arthur P. Jacobs, que trabalhava para a Fox. Para convencer os executivos de seu estúdio de que o filme era possível, Jacobs produziu um pequeno "demo", onde mostrava alguns atores que interpretariam os macacos, com a maquiagem criada por Ben Sye, para provar que era possível criar macacos convincentes, ao invés de simplesmente vestir os atores com roupas de macaco, como era padrão na época. Além disso, Jacobs contratou o já famoso ator Charlton Heston para protagonizar a produção antes mesmo da Fox dar a luz verde, e encomendou o roteiro ao não menos famoso Rod Serling, criador e apresentador da série The Twilight Zone (conhecida por aqui como Além da Imaginação). Serling acabou criando uma versão bastante diferente da original do livro, mas que agradou em cheio aos executivos norte-americanos.

Convencidos pela maquiagem e animados pelo roteiro e pela presença de Heston, os executivos da Fox compraram a idéia, e a produção do filme começou em 1967. O roteiro de Serling, porém, acabou gerando uma previsão orçamentária caríssima, e várias adaptações tiveram de ser feitas para reduzir os custos de produção, sendo a mais notável que as cidades futuristas dos macacos acabaram substituídas por uma sociedade quase tribal, com habitações rústicas e sem aparatos tecnológicos. Mas não foram só os macacos que acabaram alterados: por questões de ordem prática, os humanos, que no livro andavam completamente nus, tiveram de ser vestidos com roupas de peles de animais. No fim, o roteiro original de Serling teve de sofrer várias revisões e alterações, e a versão final acabou sendo a escrita por Michael Wilson - que pelo menos fez questão de manter o final que Serling havia criado. Além das mudanças no roteiro, também ocorreu uma mudança na maquiagem, com os novos modelos ficando ainda mais parecidos com macacos, criados por John Chambers, que acabaria recebendo um Oscar honorário por seu trabalho.

Dirigido por Franklin J. Schaffner, sugerido para a direção por Heston, Planet of the Apes estrearia nos cinemas norte-americanos em fevereiro de 1968. Com orçamento de 5,8 milhões de dólares - mais de um milhão usados exclusivamente com maquiagem, um recorde na época - acabou rendendo 32,6 milhões, se tornando o filme mais rentável de seu ano de lançamento. As críticas foram extremamente favoráveis, e até mesmo os críticos que fizeram resenhas negativas antes de seu lançamento deram o braço a torcer após o primeiro fim de semana, elogiando-o em novas críticas. O filme foi indicado para dois Oscars, de melhor figurino e melhor trilha sonora, mas só ganhou mesmo o honorário citado acima.

Como já foi dito, o filme é bastante diferente do livro: para começar, não há jornalista francês ou professor em viagem de testes; o protagonista é o Coronel George Taylor (Heston), astronauta norte-americano que partiu em uma viagem rumo aos confins do universo, acompanhado de mais três colegas. Como a nave viaja próxima à velocidade da luz, já se passaram 2006 anos desde que Taylor partiu da Terra, mas os astronautas só envelheceram 18 meses. Taylor e seus colegas estão em animação suspensa quando um defeito na nave provoca a morte de um dos astronautas, e faz com que ela se choque contra um planeta desconhecido. Após uma breve análise, Taylor conclui que eles devem estar em algum planeta da constelação de Orion (onde Betelgeuse está localizada), a 320 anos-luz da Terra, mas não tem como ter certeza.

Zaius, Taylor e NovaAo sair da nave para explorar o estranho planeta, os astronautas acabam se deparando com humanos primitivos, que vivem em estado selvagem, e com macacos altamente desenvolvidos, que são a raça dominante no local. Capturado junto com os humanos selvagens, Taylor é levado para as cidades dos macacos, onde será usado em experimentos científicos. Por alguma razão, os macacos falam inglês, mas Taylor se mostra incapaz de se comunicar com eles graças a um ferimento na garganta, causado durante a luta com os macacos que queriam capturá-lo.

Aos poucos, Taylor consegue provar que é inteligente, conquistando a amizade (ou pelo menos a curiosidade) de dois dos macacos, a cientista Zira (Kim Hunter) e seu noivo, o arqueólogo Cornelius (Roddy McDowall), além de se envolver romanticamente com uma das humanas primitivas, Nova (Linda Harrison). Mas outro macaco, o Dr. Zaius (Maurice Evans), não é tão amigável em relação a um humano inteligente, e pretende usar de todos os meios ao seu alcance para descobrir se existem mais como ele, para provavelmente destruí-los e evitar que os macacos percam sua supremacia.

No final, Zira e Cornelius ajudam Taylor e Nova a fugir, e, para horror do astronauta, ele descobre que o planeta dos macacos era, na verdade, a Terra 2006 anos no futuro. Este final, criado por Serling, foi tão surpreendente e tão fantástico que o próprio Pierre Boulle declarou em entrevistas que gostaria de ter tido esta idéia para o final de seu livro. Até hoje a cena em que Taylor faz a descoberta é considerada uma das mais antológicas da história do cinema.

O enorme sucesso do Planeta dos Macacos acabou gerando quatro continuações, todas infelizmente meio toscas. A primeira, De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes), de 1970, é a melhorzinha, e a única com Heston no elenco. Dirigido por Ted Post, o filme tem como protagonista um novo astronauta, Brent (James Franciscus), cuja nave também se choca contra o Planeta dos Macacos. Pouco após sua chegada, ele encontra Nova, que traz a plaqueta de identificação de Taylor no pescoço. Ambos partem em busca de Taylor, e acabam encontrando uma rede de cavernas que leva ao interior do planeta, onde uma raça de humanos mutantes cultua um estranho deus: uma bomba atômica, que, se detonada, destruirá o planeta inteiro. Além de impedir que os mutantes detonem a bomba, Brent e Nova ainda têm de escapar do General Ursus (James Gregory), comandante do exército macaco, que planeja exterminar todos os humanos do planeta. Zaius, Cornelius e Zira também participam do filme.

Apesar dos esforços de Brent e Nova, o deus-bomba foi detonado, e a Terra foi destruída. No momento da detonação, porém, Cornelius, Zira e o Dr. Milo (Sal Mineo), estavam a bordo da nave de Taylor, que havia sido consertada. A energia liberada pela explosão fez com que a nave voltasse no tempo, trazendo os três macacos para o ano de 1973. E assim começa o terceiro filme da série, Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes), de 1971 e dirigido por Don Taylor, que, embora eu ache que seja o mais tosco de todos, é considerado pelos críticos como a melhor das continuações, pois faz críticas ao racismo, status social, testes de laboratórios em animais, guerra nuclear, interferência governamental, e até mesmo ao desrespeito aos direitos das mulheres. Isto tudo porque Cornelius e Zira acabam sendo integrados à sociedade de 1973, e tentam viver suas vidas normalmente, mas acabam ameaçados de extermínio quando o Dr. Otto Hasslein (Eric Braeden) descobre que eles vieram de um futuro onde os macacos sobrepujaram a espécie humana.

O filme seguinte, A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes), de 1972, é ambientado dezoito anos após o anterior, em 1991. No final do último filme, Cornelius e Zira têm um bebê, que originalmente se chama Milo, mas neste filme é chamado de Caesar (e interpretado por Roddy McDowall). No final da década de 1970, uma estranha praga acaba com todos os cães e gatos da Terra, deixando os humanos sem animais de estimação. Mais ou menos na mesma época, a humanidade começa a descobrir que os macacos são capazes de aprender e se adaptar como os humanos. Logo, os homens começam a treinar macacos para executar tarefas do dia a dia, utilizando-os como trabalho escravo. Como se isso já não bastasse, a sociedade norte-americana entrou em colapso, e os Estados Unidos se transformaram em diversas cidades-estado de sociedade opressiva e meio facista. Vivendo em um circo comandado por Armando (Ricardo Montalban) na cidade de Central City, Caesar se revolta ao ver o tratamento dispensado aos macacos pelos humanos, e decide lutar por sua liberdade. Dirigido por J. Lee Thompson, este é o filme mais violento da série, e curiosamente teve seu final alterado, pois originalmente Caesar, comandando os macacos, ordenava o extermínio de toda a espécie humana; no final que efetivamente foi usado, os macacos se libertam, e Caesar declara estarmos vendo o nascimento do Planeta dos Macacos.

Thompson também dirigiria o último filme da série, A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes), de 1973. Este último filme mostra Caesar como líder dos macacos em uma sociedade pós-guerra nuclear, onde os humanos já são minoria. Após descobrir que gravaçoes feitas por seus pais se encontram em uma cidade devastada pela guerra, Caesar decide comandar uma expedição até o local para recuperá-las. Lá, porém, ele encontrará humanos mutantes, que planejam matar todos os macacos, e que darão origem ao culto ao deus-bomba. Como se isso já não fosse problema suficiente, Caesar ainda tem de lidar com Aldo (Claude Akins), um gorila beligerante que deseja tirá-lo do poder.

Taylor, Cornelius e ZiraEm 1974, o Planeta dos Macacos iria dos cinemas para as telas de TV, se tornando uma série, exibida pela CBS de setembro a dezembro, quando foi cancelada devido à baixa audiência. Ao todo, apenas 14 episódios foram produzidos, embora somente 13 tenham sido televisionados, com o décimo-quarto sendo incluído na versão em DVD. A série é mais uma vez ambientada no futuro, e mostra as aventuras de dois astronautas, Coronel Alan Virdon (Ron Harper) e Major Peter Burke (Peter Naughton), que partem da Terra em 1980 e se chocam contra o Planeta 1105 anos depois. Perseguidos pelo Conselheiro Zaius (Booth Colman) e pelo General Urko (Mark Lenard), eles se aliam ao macaco Galen (Roddy McDowall), e os três passam a vagar pelo território do que um dia foram os Estados Unidos, encontrando macacos, humanos primitivos, mutantes e restos de antigas civilizações em sua jornada.

Em 1975, uma nova tentativa na TV seria feita, mas desta vez com uma série animada, chamada Return to the Planet of the Apes. Esta série era bem mais parecida com o livro original, com os macacos vivendo em cidades futuristas e dirigindo automóveis. Mais uma vez, um grupo de astronautas vai parar no Planeta dos Macacos, que na verdade é a Terra do futuro, e tem que fugir dos macacos malvados com a ajuda dos macacos bonzinhos. Vários personagens dos filmes e da série anterior, como Cornelius, Zira, Brent, Nova e Urko, aparecem em alguns episódios. Ao todo, a série teve apenas 13 episódios produzidos, e sofreu muitas críticas, principalmente devido à baixa qualidade da animação e ao fato de que não se encaixava na cronologia apresentada até então.

Mas o pior ainda estava por vir: no final da década de 90, como parte das comemorações pelos 30 anos do filme original, a Fox decidiu lançar uma nova versão, que faria uso das mais recentes técnicas de maquiagem e efeitos especiais para criar um Planeta dos Macacos ainda mais perfeito. Ao invés de uma refilmagem, a própria Fox decidiu chamar seu novo filme de uma "re-imaginação" - termo que parece estar pegando para outras refilmagens, como a nova série de Battlestar Galactica - já que ele teria muitos elementos diferentes do filme original. Infelizmente, algo no meio do caminho saiu errado, e o resultado foi um filme memorável, mas pelos motivos errados.

Lançado em 2001, o novo Planeta dos Macacos foi dirigido por Tim Burton, mas que já pegou o projeto com a produção quase pronta, o que explica por que ele não se parece com um filme de Tim Burton - antes dele, Oliver Stone e James Cameron haviam se envolvido com o projeto, mas o deixaram por motivos vários. O papel do astronauta que vai parar no Planeta dos Macacos foi originalmente escrito para Arnold Schwarzenegger, mas acabou ficando com Mark Wahlberg. O elenco estelar do filme ainda conta com Tim Roth, Helena Bonham Carter, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, Estella Warren, David Warner e Kris Kristofferson, além de Charlton Heston e Linda Harrison em participações especiais.

O novo filme já começa em um futuro distante, onde o astronauta Leo Davidson (Wahlberg) trabalha em uma estação espacial junto a macacos que são enviados em missões perigosas. Quando uma tempestade eletromagnética se aproxima, a estação decide enviar uma nave pilotada por Péricles, o chimpanzé preferido de Davidson, para investigar. A nave de Péricles some em meio à tempestade, e Davidson, contrariando suas ordens, pega uma nave e vai salvá-lo. Davidson acaba passando pela tempestade e se chocando contra um planeta desconhecido, onde os humanos vivem em estado selvagem e são escravizados pelos macacos, a forma de vida dominante. Davidson então decide libertar os humanos, e acaba encontrando uma espécie de Zona Proibida, onde os segredos do planeta serão desvendados.

Até aí, para dizer a verdade, o filme até funciona bem; o problema é que Davidson acaba descobrindo que a população do planeta surgiu quando a estação espacial em que ele trabalhava se chocou contra o planeta há milhares de anos - evidentemente, ele foi enviado para o futuro pela tempestade - e então as explicações de que os macacos dominantes descendem dos que eram usados para experimentos, e os humanos primitivos dos astronautas e cientistas, começam a ficar meio forçadas - existe até um macaco-messias, que teria dado origem a todos os macacos do planeta, e retornaria para salvá-los. Como o Planeta dos Macacos não é a Terra, Davidson pega uma nave e retorna para nosso planeta, mas, ao chegar aqui, descobre que os macacos de cá também se tornaram a espécie dominante, subjugando os humanos.

Curiosamente, no livro de Boulle o Planeta dos Macacos também não era a Terra, e, acreditem ou não, no final, quando Ulysse voltava para a Terra, ele descobria que os macacos de cá também tinham se tornado a espécie dominante, exatamente como ocorreu com Davidson. Desta forma, o filme de 2001 é até mais fiel ao livro que o de 1968, e o fato de que críticos e fãs o rejeitaram serve apenas para constatar que o Planeta dos Macacos original é uma obra-prima, que superou até a fonte que lhe deu origem.

Talvez eu tenha exagerado nesta última frase, mas para mim - e acredito que para todos os que gostem do filme original - Planeta dos Macacos não é Planeta dos Macacos se não for a Terra do futuro. Eu pessoalmente fiquei muito decepcionado com o filme novo, pois gostei muito dos novos macacos, bem mais parecidos com macacos de verdade que os originais, mas detestei o enredo. Talvez ter feito uma refilmagem teria sido melhor que uma "re-imaginação".

Mas, para minha sorte, os clássicos não morrem jamais. Na pior das hipóteses, eu ainda posso usar o "método Highlander": fico com o primeiro filme, e ignoro todo o resto.
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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Escrito por em 18.6.08 com 0 comentários

James Bond (II)

Hoje é o dia da segunda parte do post sobre James Bond! Quando deixamos nosso agente 007 pela última vez, ele havia derrotado seu arqui-inimigo Blofeld no Japão em You Only Live Twice. Logo depois disso, o contrato do ator Sean Connery, que valia para cinco filmes, chegou ao fim. Incomodado com o assédio da imprensa e dos fãs, e querendo se dedicar a novos projetos, ele decidiu não renová-lo, o que fez com que os produtores tivessem de correr atrás de um novo Bond.

A primeira opção de Broccoli para substituir Connery era Timothy Dalton, 21 anos na época, que recusou por se considerar muito jovem para interpretar um agente secreto experiente. A primeira opção de Satlzman era Roger Moore, que não pôde aceitar por já estar envolvido com a série de TV O Santo. Diante disso, convites foram feitos a Jeremy Brett, John Richardson, Hans de Vries, Robert Campbell e Anthony Rogers, mas o papel acabou ficando com o australiano George Lazenby, 29 anos, descoberto por Broccoli em um comercial da Rolex. Lazenby aceitou a proposta oferecida, e assinou contrato para sete filmes.

George LazenbyA estréia de Lazenby no papel de Bond aconteceu em On Her Majesty's Secret Service (traduzido no Brasil para 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade), adaptação do décimo-primeiro livro da série, de 1963. Na verdade, OHMSS estava em uma espécie de fila de espera: a intenção da EON era lançá-lo após Goldfinger, mas, como acabaram chegando a um acordo quanto aos direitos de Thunderball, optaram por este. OHMSS então seria lançado após Thunderball, mas a produção optou por You Only Live Twice por encontrar dificuldades com as locações, que na época das filmagens não tinham neve suficiente para algumas das cenas do filme. Após algum planejamento, OHMSS finalmente conseguiu ser filmado para estrear em dezembro de 1969, pela primeira vez simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido.

O vilão de OHMSS é mais uma vez Ernst Stavro Blofeld, o líder da SPECTRE, mas desta vez interpretado por Telly Savalas, que alguns anos mais tarde ficaria famoso por seu papel na série Kojak. Seu mais recente plano mailgno envolve passar mulheres por lavagem cerebral e utilizá-las para espalhar uma praga que destruirá a agricultura do mundo inteiro, a menos, é claro, que lhe paguem um resgate. OHMSS também traz a Bond Girl mais bonita da série na minha opinião, a Condessa Teresa di Vicenzo (Diana Rigg, da série Os Vingadores), apelidada Tracy, com quem, acreditem ou não, Bond se casa no final do filme.

Além de um novo Bond e de um novo Blofeld, OHMSS também tem um novo diretor, Peter Hunt, que havia sido editor de Thunderball e diretor adjunto de You Only Live Twice. Hunt e a EON decidiram por fazer o filme o mais parecido possível com o livro, o que acabou causando alguns erros de continuidade, como o fato de que Bond e Blofeld não se reconhecem quando se encontram, apesar de terem ficado cara a cara no filme anterior - o que ocorre porque o livro de OHMSS é anterior ao de You Only Live Twice. Para resolver esta discrepância, e também explicar por que Bond mudou de cara, na primeira versão do roteiro o filme começava com Bond passando por uma cirurgia plástica, para poder se infiltrar no covil da SPECTRE sem ser reconhecido; após uma revisão, os produtores decidiram abandonar esta idéia e ignorar a troca de atores, como se Bond sempre tivesse sido Lazenby, talvez prevendo que outros atores poderiam interpretar o 007 no futuro, e assim não faria sentido submeter o agente a tantas plásticas.

OHMSS foi o primeiro 007, desde Dr. No, a ter uma música-tema instrumental, composta por John Barry. Na trilha sonora também estava presente a canção We Have All the Time in the World, última gravada por Louis Armstrong antes de sua morte. O filme foi bem sucedido nas bilheterias, rendendo somente na Terra do Tio Sam 22,8 milhões de dólares, e mais de 87 milhões no mundo inteiro, pagando, com sobras, os 7 milhões que gastou para ficar pronto; as críticas, porém, não foram muito favoráveis, e logo após a estréia começaram a surgir rumores de que Hunt, Rigg e Lazenby teriam se desentendido durante as filmagens, rumores estes principalmente motivados por uma parte do filme onde Bond, para enganar Blofeld, finge ser Sir Hilary Bray, personagem interpretado por George Baker, e onde Lazenby acabou sendo dublado por Baker, segundo os rumores, porque os produtores não acreditavam que Lazenby daria conta na atuação.

Verdade ou mentira, todos estes rumores acabaram desmentidos pela equipe do filme, com Hunt inclusive se oferecendo para dirigir Lazenby novamente no próximo filme da série. O australiano, porém, jamais repetiria o papel de 007: convencido por seu empresário de que filmes de agente secreto não fariam sucesso na década de 1970, Lazenby rompeu seu contrato em 1971, antes das filmagens do sétimo filme começarem.

Tracy BondSem Lazenby, os produtores consideraram convidar John Gavin, Michael Gambon, e até mesmo Adam West, o Batman da série de TV, para interpretar Bond. Irritados, os executivos da United Artists deram uma espécie de ultimato: ou Connery voltava para o papel, ou não haveria filme algum. Aos 41 anos, Connery não cogitava interpretar o 007 novamente, mas a UA insistiu que ele deveria, e que dinheiro não era problema. Após muitas negociações, Connery aceitou voltar em troca da promessa de que a UA cobriria todos os gastos dos próximos dois filmes estrelados por ele, e do equivalente hoje a 20 milhões de dólares, com os quais fundou a Scottish International Education Trust, que até hoje possibilita que jovens atores escoceses estudem interpretação e consigam seus primeiros papéis sem ter de sair da Escócia.

Com Connery de volta à ativa, começaram as filmagens de Diamonds Are Forever (007 os Diamantes são Eternos no Brasil), adaptação do quarto livro, de 1956, o mais antigo adaptado até então. E uma adaptação bem livre: diferentemente de OHMSS, que era fiel ao ponto de causar erros de continuidade, Diamonds Are Forever só usava o enredo central do livro, mudando praticamente todo o resto. A intenção da EON era fazer com que o filme fosse uma espécie de reboot, contando as origens do 007, mas esta idéia acabou abandonada e trocada por exatamente o contrário, o confronto final entre Bond e Blofeld, que morreria no final do filme, dando fim à SPECTRE. Curiosamente, este acabou sendo realmente o último filme com a organização criminosa, já que pouco depois a justiça britânica, em mais um julgamento do caso Thunderball, decidiria que o criador da SPECTRE era Kevin McClory, e não Ian Fleming, o que essencialmente proibia a EON de usá-la em seus filmes sem negociar os direitos com McClory.

Desta vez a missão de Bond é investigar o desaparecimento de uma grande quantidade de diamantes, supostamente contrabandeados, mas que não reapareceram no mercado, e ainda podem estar ligados a uma série de assassinatos. Para isso, o 007 terá de se disfarçar de contrabandista, e agir em conjunto com um dos contatos da quadilha, a bela Tiffany Case (Jill St. John), a Bond Girl do filme. Seguindo o plano, Bond acaba indo mais uma vez aos Estados Unidos, no caso para Las Vegas, onde será auxiliado novamente pelo agente da CIA Felix Leiter (interpretado pelo quarto ator diferente, Norman Burton). Com o tempo, Bond acaba descobrindo que os diamantes fazem parte do mais recente plano maligno de Blofeld (também interpretado pelo quarto ator diferente, Charles Gray, que nem é careca), que planeja usá-los para construir um laser gigante, equipar um satélite com ele, e dispará-lo contra as principais cidades do planeta, a menos, é claro, que o mundo lhe pague um resgate.

A direção de Diamonds Are Forever ficou a cargo de Guy Hamilton, retornando após dirigir Goldfinger. Também retornando de Goldfinger, a música-tema ficou a cargo de Shirley Bassey, primeira a interpretar músicas-tema de dois 007. Jill St. John foi a primeira atriz norte-americana a interpretar uma Bond Girl, e ficou com o papel depois que Raquel Welch, Jane Fonda e Faye Dunaway mais uma vez foram descartadas por motivos vários. Inicialmente ela interpretaria outro personagem, Plenty O'Toole, mas o diretor gostou tanto de seu teste para o papel que a colocou para interpretar Case, ficando O'Toole com Lana Wood, que, apesar de quase não aparecer no filme, se tornou uma das preferidas dos fãs.

Estreando em dezembro de 1971, primeiro nos Estados Unidos, e 13 dias depois no Reino Unido, o filme custou 7,2 milhões de dólares, rendeu 43 milhões nos Estados Unidos, e 116 milhões no mundo inteiro. As críticas, porém, foram altamente desfavoráveis, principalmente devido a algumas cenas nonsense, como a em que Bond foge pelo deserto pilotando um módulo lunar. Após as filmagens, Connery chegou a prometer que nunca mais interpretaria James Bond outra vez.

Assim, a EON voltou a procurar um James Bond. Após considerar Julian Glover, Jeremy Breet e Michael Billington, os produtores decidiram convidar Roger Moore mais uma vez, que desta vez aceitou, se tornando o novo 007 aos 45 anos de idade. Assim como Lazenby, Moore também assinou um contrato para sete filmes; a diferença foi que ele realmente fez todos os sete, se tornando o recordista em interpretações oficiais de James Bond.

Roger MoorePara se tornar o oitavo filme, a EON escolheu o segundo livro, de 1954. Live and Let Die (no Brasil, Com 007 Viva e Deixe Morrer) leva Bond mais uma vez ao Caribe e aos Estados Unidos, desta vez na trilha do Dr. Kananga (Yaphet Kotto), nativo da fictícia nação de San Monique, aparentemente o respeitável dono de uma cadeia de restaurantes em Nova Iorque e Nova Orleans, mas que também é o líder de uma das mais violentas gangues do Harlem, possui um guarda-costas com mão de gancho (Julius Harris) e um plano maligno segundo o qual distribuirá duas toneladas de heroína de graça, falindo todos os demais traficantes da droga e conseguindo um monopólio no setor. Como bom caribenho, Kananga também é adepto do vodu, aliado do Barão Samedi (Geoffrey Holder), que aparenta ser o deus do vodu em pessoa; e namorado de Solitaire (Jane Seymour), que tem o poder de prever o futuro, dando uma imensa vantagem ao vilão. Como se tudo isso já não bastasse, Kananga ainda pode ser mais velho do que aparenta, pois diz ter usado os serviços de vidência da mãe de Solitaire, antes dela perder seus poderes junto com sua virgindade. Como Solitaire é a Bond Girl do filme, algo me diz que em breve ele terá de arrumar outra vidente.

Live and Let Die foi o primeiro filme de Bond com vilões negros, e o primeiro com uma atriz negra em um papel de destaque, Gloria Hendry, que interpreta a agente da CIA Rosie Carver. A escolha deste livro para virar filme neste momento, aliás, foi por causa disso mesmo, já que no início da década de 1970 o movimento negro começava a ganhar força, e os filmes de blaxploitation faziam grande sucesso. O próprio Live and Let Die tem vários clichês do blaxploitation, como gírias da época, penteados black power e aqueles carrões de luxo usados pelas gangues. Os produtores chegaram até a cogitar que Solitaire fosse negra, e convidaram Diana Ross para o papel, mas depois decidiram seguir o que está no livro e mantê-la branca. Como parte do filme é ambientada nos Estados Unidos, Bond ganha mais uma vez a ajuda de Felix Leiter, interpretado, acreditem se quiserem, pelo quinto ator diferente, David Hedison - e depois ainda tiveram a idéia da plástica para ninguém reclamar que Bond mudou de cara.

Guy Hamilton mais uma vez dirigiu o filme, e a música-tema ficou a cargo de Paul McCartney e os Wings, na primeira vez em que uma banda de rock gravava para o 007. O filme consumiu 7 milhões de dólares para ficar pronto, boa parte gasta na cena da perseguição de lanchas, onde Bond pula por sobre o carro do xerife utilizando um banco de areia como rampa. Só para gravar esta perseguição foram usados 26 barcos, sendo que 17 foram destruídos durante os ensaios, mas sua cena mais famosa ficou pronta sem nenhum truque de edição, rendendo à equipe, inclusive, um recorde mundial de salto mais longo com um barco, de 33 metros e meio. Live and Let Die foi lançado em junho de 1973 nos Estados Unidos, e quase um mês depois no Reino Unido. Rendeu 35,4 milhões de dólares na América e 162 milhões no mundo todo, sendo bastante elogiado pelas críticas, apesar de alguns terem reclamado que faltava um vilão megalomaníaco ao estilo dos primeiros filmes.

O filme seguinte, porém, não sofreria desta falta: The Man with the Golden Gun (007 contra o Homem da Pistola de Ouro no Brasil), adaptação do décimo-terceiro livro da série, de 1965, primeiro lançado após a morte de Ian Fleming, colocava Bond contra Francisco Scaramanga (Christopher Lee), assassino profissional de mira infalível, que cumpre seus contratos com balas de ouro disparadas por sua famosa pistola de ouro, e está de posse de um dispositivo conhecido como Agitador Solex, capaz de concentrar a energia do Sol, o qual ele planeja usar para chantagear o planeta, evidentemente. Segundo o planejamento da EON, TMwtGG seria filmado logo após You Only Live Twice (o que provavelmente transformaria Scaramanga em um agente da SPECTRE), mas como ele é ambientado no sudeste asiático e o Camboja estava em guerra civil na época, acabou sendo adiado. Coincidentemente, isso fez com que ele fosse lançado em um momento bastante propício, pois a Europa estava passando por uma crise energética no início dos anos 1970, e este evento pôde ser explorado no filme, já que o Agitador Solex também armazena energia solar para gerar eletricidade.

TMwtGG foi o quarto e último filme da série dirigido por Hamilton. Além de Moore e Lee, o elenco conta com Maud Adams no papel de Andrea Anders, esposa de Scaramanga, e com Hervé Villechaize, conhecido por aqui como o Tattoo da Ilha da Fantasia, no papel de Nick Nack, capanga do vilão. A Bond Girl da vez é Mary Goodnight, interpretada por Britt Ekland, ex-mulher de Peter Sellers e ex-caso de Rod Stewart. A música-tema foi cantada pela escocesa Lulu, que cantara a música-tema de Ao Mestre com Carinho; curiosamente, o roqueiro Alice Cooper chegou a gravar uma versão, mais tarde rejeitada pelos produtores.

Estreando simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido em dezembro de 1974, TMWTGG foi o 007 mais caro até então, custando 13 milhões de dólares. Nos Estados Unidos ele só rendeu 21 milhões, e 97,6 milhões no mundo inteiro, sendo que parte da culpa pelo mau desempenho caiu sobre o tom levemente humorístico do filme. Até hoje as críticas são bastante divididas, com alguns considerando o filme como um dos melhores, outros como um dos piores da série.

Scaramanga e BondTMwtGG foi o último filme produzido em parceria por Broccoli e Saltzman; após seu lançamento, Saltzman decidiu abandonar a EON, e vendeu sua parte para a United Artists. Isto fez com que os direitos sobre a obra de Fleming fossem rediscutidos e renegociados, o que acabou atrasando a produção do filme seguinte.

Somente em julho de 1977, primeiro no Reino Unido, e uma semana depois nos Estados Unidos, chegaria às telas de cinema The Spy Who Loved Me (no Brasil, 007 o Espião que me Amava), décimo filme da série e terceiro com Moore no papel de Bond. Embora exista um livro escrito por Fleming com o título The Spy Who Loved Me - também o décimo da série, lançado em 1962 - o filme não é uma adaptação deste, porque o próprio Fleming odiava o livro, e, ao negociar os direitos, só os vendeu com a condição de que seu título pudesse ser aproveitado, mas não sua história, considerada por ele mesmo muito explícita sexualmente, e com pouca participação de Bond, que só aparece no livro lá no capítulo 10, e termina sua participação no início do 15o e último capítulo. Assim, The Spy Who Loved Me pode ser considerado como o primeiro filme de 007 com um roteiro totalmente original, embora utilize pelo menos uma idéia do livro: um bandido com dentes de aço, no caso do filme o capanga Jaws (que no Brasil já foi traduzido para "Dentes-de-Aço", "Mandíbula" e "Tubarão"), um dos personagens mais famosos da série, interpretado por Richard Kiel.

O enredo envolve mais um vilão megalomaníaco, Karl Stromberg (Curt Jürgens), que rouba mísseis nucleares soviéticos e britânicos para colocar em prática um singelo plano: aniquilar toda a humanidade da face da Terra, e reconstruir a civilização à sua maneira no fundo do mar, começando por sua fortaleza submarina, chamada Atlantis. Cabe a Bond, trabalhando em parceria com a agente soviética e Bond Girl Anya Amasova (Barbara Bach), invadir Atlantis, recuperar as ogivas, cair na porrada com Jaws, e frustrar os planos de Stromberg. Como Bond atua ao lado de uma espiã soviética, o filme marca a estréia do General Gogol (Walter Gotell), o equivalente de M na KGB, que acabaria participando também dos cinco filmes seguintes.

A princípio, o filme seria um pouco diferente, colocando Blofeld e a SPECTRE mais uma vez como vilões, mas com o mesmo objetivo; esta idéia teve de ser descartada quando Kevin McClory ameaçou processar a EON argumentando que os direitos sobre o uso da SPECTRE pertenciam a ele e deveriam ser pagos. Para evitar uma nova batalha judicial, que atrasaria ainda mais o filme, Broccoli mudou o vilão e removeu totalmente a SPECTRE do filme. McClory também chegou a reclamar que o enredo se parecia com o de Thunderball, mas esta reclamação não foi considerada procedente.

The Spy Who Loved Me foi o segundo filme da série dirigido por Lewis Gilbert, de You Only Live Twice, que assumiu o cargo quando Guy Hamilton foi convidado para dirigir o filme do Super-Homem, que acabaria ficando com Richard Donner - curiosamente, a EON pensou em convidar Steven Spielberg, mas ele estava envolvido com a pós-produção de Tubarão, e não pôde aceitar. A música-tema foi interpretada por Carly Simon, e foi a primeira cujo nome não era igual ao do filme, embora a frase "the spy who loved me" esteja na letra. Batizada de Nobody Does It Better, a canção se tornou uma das mais famosas e conhecidas da série, e foi utilizada até na trilha de outros filmes ao longo dos anos, como em Encontros e Desencontros e Sr. e Sra. Smith.

JawsApesar do atraso e dos problemas com roteiro, The Spy Who Loved Me foi extremamente bem recebido, sendo considerado um dos melhores filmes de James Bond, e o melhor com Roger Moore. Com orçamento de 14 milhões de dólares, o filme rendeu 185,4 milhões no mundo inteiro, sendo 46 milhões apenas nos Estados Unidos. Tanto sucesso acabou fazendo com que ele seguisse um curioso caminho inverso: pouco após sua estréia, foi lançada uma versão em livro, escrita por Christopher Wood e publicado pela editora Gridrose.

Após The Spy Who Loved Me, Broccoli planejava adaptar For Your Eyes Only; o sucesso de Guerra nas Estrelas, porém, faria com que ele optasse por adaptar Moonraker, o terceiro livro da série, lançado em 1955, e que no Brasil acabou virando 007 contra o Foguete da Morte. Assim como em Diamonds Are Forever, porém, muito pouco do livro foi realmente utilizado, desta vez com a intenção de que o filme tivesse um clima mais de ficção científica. Curiosamente, ele acabou foi ficando com um enredo parecido com o de The Spy Who Loved Me, o que acabou gerando mais uma vez críticas divididas: alguns elogiam os efeitos especiais e as seqüências de ação, outros reclamam que estes fazem com que os personagens sejam rasos e mal desenvolvidos. Apesar disso, Moonraker foi bastante bem sucedido financeiramente: com um orçamento exorbitante de 31 milhões de dólares, rendeu 210 milhões, sendo um terço disso só nos Estados Unidos.

Em Moonraker, Bond se vê mais uma vez envolvido com um megalomaníaco, que mais uma vez quer destruir o mundo, para mais uma vez refazer a civilização a seu modo, mas desta vez no espaço. O vilão da vez é Hugo Drax (Michael Lonsdale), bilionário dono de uma indústria aeroespacial, que planeja acabar com a humanidade envenenando-a. A Bond Girl do filme é Holly Goodhead (Lois Chiles), cientista espacial que no início trabalha para Drax, mas acaba se bandeando para o lado de Bond. E o capanga é mais uma vez Jaws, retornando após muitos pedidos dos fãs. O diretor é mais uma vez Lewis Gilbert, e a música-tema ficou pela terceira vez com Shirley Bassey. Moonraker também costuma ser conhecido por ser o filme onde Bond visita o Rio de Janeiro, onde ocorre uma antológica cena na qual Jaws morde o cabo do bondinho do Pão-de-Açúcar, arrebentando-o. Não por acaso, também costuma ser lembrado como o filme mais trash da série.

Moonraker estreou em junho de 1979, no Reino Unido três dias antes de nos Estados Unidos. Após sua realização, todos os romances escritos por Fleming já haviam sido adaptados, restando apenas os dois livros de contos. Mas isso já é assunto para a terceira parte deste post, que veremos em breve. Até lá!

James Bond

George Lazenby
Sean Connery
Roger Moore

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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Escrito por em 11.6.08 com 1 comentário

Beisebol (I)

Já não deve ser surpresa para ninguém que eu adoro esportes. Assim, também não surpreende o fato de que, sempre que possível, eu gosto de falar sobre um esporte por aqui. De preferência, esportes que não sejam muito conhecidos do público em geral - afinal, por mais que eu goste de futebol, basquete e vôlei, creio que poucas novidades serão ditas se eu escrever sobre eles. O tema de hoje é um esporte que até é bastante popular no Brasil, mas permanece desconhecido da maioria da população, principalmente porque muitos consideram suas regras complicadas. Hoje é dia de falar sobre beisebol.

Por mais que eu goste de beisebol, não costumo assistir a muitas partidas, por um motivo bem simples: elas demoram muito. Tudo bem que se possa argumentar que futebol americano também demora muito, mas aí é diferente, porque eu não gosto tanto de beisebol quanto de futebol americano, então ficar quatro horas na frente da tv vendo um sujeito tentando acertar uma bolinha com um taco não é tão divertido quanto ficar quatro horas na frente da tv vendo um bando de brutamontes tentando levar uma bola oval até o outro lado do campo. Apesar disso, como eu já disse, eu gosto de beisebol, e quando eu acho um jogo passando, ou na época dos play-offs, costumo assistir vários pedaços de partidas. Acho que os únicos jogos de beisebol que eu assisti inteiros foram os do Brasil na época do Pan.

Mas não é a duração excessiva das partidas, ou o fato da ESPN ser praticamente o único canal a transmitir beisebol por aqui, que impede este esporte de se popularizar no Brasil; dois outros fatores costumam ser citados pelos que ainda não gostam de assisi-lo: o primeiro, que as regras são muito complicadas, o que não é absolutamente verdade - as regras do beisebol são surpreendentemente simples, só que não dá para deduzi-las só assistindo a um jogo, é preciso uma "ajuda externa" para aprendê-las; o segundo é que o beisebol está fortemente ligado à cultura dos Estados Unidos, então o preconceito anti-americano acaba fazendo com que muitos queiram distância de tacos, luvas e bases.

De fato, talvez nenhum outro esporte esteja tão ligado à imagem dos Estados Unidos quanto o beisebol, talvez nem mesmo o futebol americano. O beisebol é o esporte que tem o maior número de praticantes na Terra do Tio Sam, desde o século XIX é considerado o esporte nacional de lá, tem o curioso apelido de "o passatempo americano", e apenas recentemente perdeu o status de esporte mais popular da América para o futebol americano. Mas engana-se quem pensa que só por lá este esporte é popular: segundo uma estimativa da Federação Internacional, em 2005 o beisebol era o sétimo esporte mais popular do mundo, e em países como Cuba, Venezuela e Japão, ele é mais popular do que qualquer outro. No Brasil, apesar de praticado desde 1850, o esporte ainda está engatinhando, e é praticado principalmente por descendentes de imigrantes japoneses. Ainda assim, pode-se dizer que o esporte está em ascenção, pois vários jogadores brasileiros já foram contratados por times do Japão e dos Estados Unidos, e, principalmente sob influência da popularidade da liga nacional norte-americana, a cada dia o beisebol consegue mais fãs em todos os cantos do país.

Ninguém sabe com certeza quando o beisebol foi inventado, mas praticamente todos concordam que ele é uma evolução de um jogo chamado rounders, que por sua vez era similar ao críquete, um dos esportes mais populares da Inglaterra, e que também não era um esporte inédito: registros de jogos onde o objetivo é acertar uma bola arremessada usando um bastão existem desde 1300, e, como todos os esportes tão antigos, existiam milhares deles com apenas pequenas variações nas regras. Estes esportes chegaram aos Estados Unidos trazidos por imigrantes ingleses e irlandeses, e lá teriam sofrido mais alterações, até resultar no jogo que temos hoje. A primeira menção registrada ao nome baseball data de 1791, quando uma lei da cidade de Pittsfield, Massachusetts, proibiu a prática do jogo a menos de 70 metros da câmara de vereadores da cidade; mas o primeiro registro de um jogo de beisebol data de 4 de junho de 1838, em Beachville, Canadá. As regras do esporte foram codificadas em Nova Iorque em 1845, e o primeiro jogo oficial aconteceu em 19 de junho de 1846 em Nova Jérsei, quando o New York Nine derrotou o New York Knickerbockers por 23 a 1.

Os primeiros clubes de beisebol começaram a surgir nos Estados Unidos por volta de 1860. O primeiro clube totalmente profissional, o Cincinnati Red Stockings, foi fundado em 1869, e o primeiro torneio entre times profissionais foi realizado em 1871. Até o início do século XX, o beisebol era um esporte restrito a Estados Unidos, Canadá e Cuba (que na época era uma espécie de colônia dos EUA, mais ou menos como Porto Rico), mas a partir da década de 1920 começou a se espalhar pelo mundo, com a criação das Ligas de Beisebol da Holanda (1922), Austrália (1934) e Japão (1938). A Federação Internacional de Beisebol (IBAF) foi fundada em 1938, e hoje conta com 112 países dos cinco continentes, incluindo o Brasil, membro desde 1946.

Agora que já vimos um pouco sobre a história do beisebol, vamos detonar o mito de que suas regras são complicadas. É claro que, como ocorre com qualquer esporte, existem algumas nuances, mas o básico que apresentarei aqui é perfeitamente suficiente para qualquer um aprender o jogo, e conseguir assistir a uma partida na tv sem ficar boiando.

Um estádio de beisebol costuma ser conhecido como ball park. O campo tem o formato de um quarto de círculo. Em volta de seu ângulo reto há um círculo de 8 metros de diâmetro, todo de terra batida, sem grama. No centro deste círculo fica a home plate, um pentágono de borracha cuja base tem 43 cm, e os outros lados 22 cm. Partindo das linhas diagonais da home plate, é traçado um losango de 27,4 metros de lado, chamado diamante. Em cada um dos outros três vértices desse losango fica uma base, uma "almofada" quadrada de lona de 43 cm de lado e 13 cm de altura, de onde o jogo tira seu nome, e numeradas como primeira, segunda e terceira em sentido anti-horário a partir do home plate. A área em volta do diamante é feita de terra batida, e conhecida como infield; para além do diamante, o campo é gramado, e conhecido como outfield. A área interior do diamante também é gramada, mas não tem nome; em seu centro, a 18,39m do home plate, fica um montinho de terra batida, de 5,47 metros de diâmetro e 25 cm de altura, no topo do qual fica o arremessador. Curiosamente, o tamanho do outfield não é estabelecido nas regras, mas normalmente, do home plate até a cerca que separa o campo das arquibancadas, em linha reta, a distância varia entre 118 e 133 metros. Os lados do losango que tocam o home plate se prolongam até o final do outfield, e só é considerado área válida de jogo o que está dentro destas linhas.

O uniforme do beisebol é bastante tradicional e característico, composto de uma camisa de mangas compridas abotoada na frente, uma calça comprida com cinto, sapatilhas próprias para beisebol, e um boné na cabeça. Os jogadores que estão no ataque usam uma espécie de capacete ao invés do boné, e são munidos de um bastão, feito de madeira ou alumínio, dependendo das regras adotadas e da preferência do jogador. O bastão é cilíndrico, com 1 metro de comprimento, 2,5 cm de diâmetro na empunhadura e 5 cm na outra ponta, e pesa 1 Kg. Os jogadores que estão na defesa usam uma luva especial, feita de couro, com dedos grandes e uma membrana entre o indicador o polegar, para facilitar na hora de pegar a bola. A bola tem 23 cm de circunferência, pesa 142 gramas, é feita de um núcleo de cortiça envolto em borracha e enrolado com sisal e lã, coberta com couro branco costurado com linha vermelha de algodão - e, diga-se de passagem, a bola é muito dura, podendo até quebrar um braço se atingi-lo após um arremesso suficientemente forte.

Um time de beisebol é formado por nove jogadores. Quando o time está na defesa, eles tomam posições pré-determinadas no campo: três deles, conhecidos como outfielders, ficam, evidentemente, no outfield, um na direção entre a primeira e a segunda base (o right field), um entre a segunda e terceira base (o left field) e um bem na direção da segunda base (o center field). Outros quatro jogadores ficam no infield, e são conhecidos como infielders: um marcando a primeira base (e que também se chama primeira base), um entre a primeira e a segunda base (o segunda base), um entre a segunda e a terceira base (o short stop), e um marcando a terceira base (o terceira base). Além destes temos o catcher, que fica agachado atrás do home plate para pegar os arremessos que passam pelo rebatedor, e usa um equipamento especial, incluindo uma proteção de couro para o torso, joelheiras, um capacete com grade e uma luva própria; e o arremessador ou pitcher, de certa forma o jogador mais importante do time, que arremessará a bola para o catcher, preferencialmente de uma forma que o rebatedor não consiga acertá-la. Quando o time está no ataque, todos os nove jogadores se tornam rebatedores, e um por um tentarão rebater a bola, se posicionando do lado direito ou esquerdo do home plate, de acordo com sua preferência. Alguns torneios permitem a presença de um rebatedor designado, um jogador que não atua na defesa, e só serve para substituir o arremessador durante as rebatidas - isso porque arremessadores são altamente especializados, e costumam ser péssimos rebatedores. A importância do arremessador é tão grande que em alguns jogos ele é o único jogador que tem reservas, normalmente três. Um arremessador pode ser substituído a qualquer momento em que a bola não esteja em jogo, mas, uma vez que saia, não pode mais voltar naquele jogo. Qualquer outro jogador também pode ser substituído quando a bola não estiver em jogo, mas isso raramente acontece.

Uma partida de beisebol não tem um tempo limite pré-estabelecido: ela é dividida em nove períodos conhecidos como innings, ou entradas. Cada entrada é dividida em duas partes, conhecidas como top e bottom, e, em cada uma destas partes, um time rebate enquanto o outro defende - normalmente o time da casa rebate no bottom, ou seja, depois. O objetivo do time que começa defendendo (arremessando) é eliminar três rebatedores do time que está atacando; se conseguir, ele passa então a atacar, e o time que estava atacando passa a defender com o mesmo objetivo. Quando ambos os times tiverem três eliminações, a partida passa para a entrada seguinte. As formas mais comuns de conseguir uma eliminação são o strike out, o fly out, o ground out, o force out e o tag out.

O strike out é, talvez, a forma de eliminação mais característica do beisebol: se o arremessador jogar a bola e o rebatedor não conseguir pegá-la, indo a bola parar na luva do catcher, temos um strike. Três strikes, e o jogador que estava tentando rebater está eliminado. Para que o strike seja válido, porém, a bola deve chegar à luva do catcher passando por um quadrado imaginário chamado zona de strike, que representa a área onde rebater a bola é possível de acordo com a posição do rebatedor. Esta regra foi criada para que o arremessador não jogue a bola longe demais do rebatedor, o que seria injusto, já que ele tem o controle total da bola, e pode até combinar com o catcher, através de sinais secretos, onde e como irá jogá-la. Caso a bola não passe por dentro da zona de strike, ela é considerada bola (isso mesmo, bola). Se um arremessador cometer quatro bolas, o rebatedor ganha um walk, e pode se dirigir para a primera base mesmo que não tenha conseguido rebater - por esse motivo, um rebatedor que tem dois strikes e três bolas está com a "contagem cheia", pois no próximo lançamento ou ele vai andar, ou ser eliminado. Um rebatedor também ganha um strike caso rebata a bola para fora do campo, exceto se ele já tiver dois strikes; nesse caso, o arremesso é invalidado, e o arremessador deverá jogar outro. Finalmente, o rebatedor ganha um walk automático, independente de quantas bolas tenha, se a bola arremessada atingir qualquer parte de seu corpo, mesmo que sem intenção do arremessador.

O fly out também é bastante constante: acontece quando o rebatedor consegue rebater a bola, mas um dos jogadores de defesa (normalmente um outfielder) a pega sem que ela tenha tocado o chão. Neste caso, o rebatedor é eliminado automaticamente. Se a bola tocar o chão antes de tocar a luva de um jogador, ainda assim um dos jogadores de defesa poderá pegá-la, e tentar fazer com que ela chegue à base antes do rebatedor - para isso, basta que o jogador que recebeu a bola esteja pisando sobre a base, e que a bola toque sua luva antes que o rebatedor toque a base. Caso isso aconteça na primeira base, se chama ground out, na segunda ou terceira base ou no home plate, se chama force out. É possível até eliminar os jogadores da segunda e primeira base na mesma jogada, bastando o jogador que recebeu a bola na segunda base pisar nela antes do adversário e depois arremessar a bola para o da primeira antes do rebatedor chegar lá, o que recebe o nome de double play. Finalmente, se o arremessador notar que um dos jogadores do outro time não está exatamente sobre a base, poderá arremessar a bola diretamente para aquela base ao invés de para o catcher, e, se a bola alcançar a base antes do jogador, ocorre um tag out.

Enquanto o time defendendo tem por objetivo conseguir três eliminações, o time atacando (rebatendo) tem como objetivo anotar corridas, o que ocorre da seguinte forma: toda vez que um rebatedor consegue uma rebatida válida (que não vai para fora do campo nem termina em fly out), ele é obrigado a correr para a primeira base. Se chegar lá antes da bola, fica por lá até a próxima jogada. Se já houver um jogador na primeira base, ele é obrigado a correr para a segunda, o da segunda para a terceira, e o da terceira para o home plate - e, toda vez que um jogador do time atacando pisa no home plate antes que a bola o alcance, anota uma corrida. Corridas podem ser anotadas mesmo que não haja uma rebatida válida, caso já haja um jogador em cada base, e o que está rebatendo receba um walk. Por esse motivo, um jogador em cada base é uma situação muito arriscada para o time defendendo, e é conhecida como "bases lotadas". Não há limite para o número de corridas que um mesmo time possa anotar por entrada: enquanto ele não tiver três eliminados, os nove rebatedores vão se alternando e tentando mais.

Um jogador que já esteja em uma base pode tentar "roubar" a base seguinte - ou até mesmo o home plate e anotar uma corrida. Para roubar uma base, o jogador deve sair correndo da base onde está depois que a bola deixa a mão do arremessador, e chegar na seguinte antes da bola - que será arremessada pelo catcher para o jogador que está marcando aquela base. Roubar bases é raro e difícil, mas existem jogadores especializados nesta façanha, e até mesmo alguns truques para consegui-la, como se posicionar a 9 metros da base, distância segura para voltar caso o arremessador perceba e jogue a bola para aquela base, e que dá uma boa vantagem na hora de correr para a próxima. Graças às "roubadas", pode ocorrer de uma base ser "pulada' - ou seja, há um jogador na segunda, mas nenhum na primeira, por exemplo. Neste caso, o jogador que está na base após a "pulada" não é obrigado a correr para a próxima no caso de uma rebatida válida, mas também não se move automaticamente para ela em caso de walk.

Existe um tipo de rebatida onde a bola não cai dentro dos limites do campo, mas não só é considerada válida como também é a rebatida mais desejada pelos rebatedores: o famoso home run. Um home run ocorre quando o rebatedor rebate a bola para além do outfield, para fora do campo ou para algum sortudo da arquibancada (mas dentro do limite estabelecido pelas linhas que partem do home plate). Como o time defendendo não conseguirá pegar a bola mesmo, todos os jogadores atacando podem ir de base em base tranqüilamente para o home plate. Um home run com bases lotadas vale nada menos que quatro corridas de uma vez só, razão mais do que suficiente para ele ser tão cobiçado - mas, desnecessário dizer, também é um evento raro, embora alguns jogadores sejam conhecidos por conseguir muitos deles.

Ao final da nona entrada, o time que tiver anotado mais corridas é declarado vencedor. Caso haja um empate, são jogadas sucessivas novas entradas, até que um dos times tenha mais corridas que o outro. Se, ao final do top da última entrada, o time defendendo estiver ganhando, não será necessário jogar o bottom - já que ele já está ganhando mesmo, não há necessidade de anotar mais corridas.

Uma partida de beisebol pode ter até seis árbitros, chamados umpires. Normalmente, quanto mais importante o jogo, mais árbitros ele terá. O único árbitro "obrigatório" é o que fica atrás do catcher, e diz se a rebatida foi válida, se houve strike, ou se houve bola. Até três outros árbitros podem estar presentes no infield, um ao lado de cada base se todos forem usados, e servem para dizer quem chegou primeiro à base, o rebatedor ou a bola; se houverem menos de três, um deles se desloca para a base mais próxima de onde está quando houver uma jogada relevante. Os dois últimos árbitros quase nunca são usados, e se posicionam no outfield, ao lado das linhas que determinam o limite do campo, para atestar a validade de rebatidas longas, home runs e fly outs.

Atualmente, o torneio de beisebol mais importante do mundo é o da liga profissional norte-americana, a MLB (Major League Baseball), criada em 1903, e que na verdade não é uma liga, mas a reunião de duas: a Liga Nacional, fundada em 1876, que conta com 16 times; e a Liga Americana, de 1901, com 14 times. Curiosamente, existem algumas diferenças entre as regras de uma Liga e de outra - a Liga Nacional, por exemplo, não permite batedores designados - e, quando dois times de Ligas diferentes de enfrentam, são usadas as regras do time da casa. A temporada da MLB vai de março a outubro, e inclui uma primeira fase, onde cada time joga 162 vezes, e os playoffs, compostos de uma primeira fase em melhor de cinco jogos, e a final de cada Liga em melhor de sete. Os campeões da Liga Nacional e da Liga Americana se enfrentam na World Series, também em melhor de sete jogos, sendo o vencedor declarado campeão da MLB.

O beisebol é esporte olímpico "oficial" somente desde 1992 - e, infelizmente, já foi decidido pelo COI que a partir de 2012 ele não fará mais parte do programa - mas participou como esporte de demonstração em 1912, 1936, 1956, 1964, 1984 e 1988. Os Estados Unidos venceram todas as versões de demonstração exceto a de 1984 (vencida pelo Japão), mas, desde que o esporte entrou para o programa olímpico, Cuba venceu três edições, e os EUA apenas uma. Muitos devem este desempenho - e a própria retirada do esporte das Olimpíadas - ao fato de que a MLB se recusa a interromper seu torneio ou ceder seus jogadores durante os Jogos Olímpicos, o que faz com que os Estados Unidos acabem competindo com equipes de jogadores das chamadas Ligas Menores ou universitários. Por este mesmo motivo, a Copa do Mundo de Beisebol, realizada desde 1938, atualmente a cada dois anos sempre nos anos ímpares, e vencida 25 vezes por Cuba contra 3 dos Estados Unidos e Venezuela, jamais conseguiu ser um sucesso de público, e acabou levando a IBAF a criar um "segundo mundial", batizado de World Baseball Classic. Criado por uma parceria entre a IBAF e a MLB, o WBC servirá como o principal torneio internacional do esporte, contando, inclusive, com a participação dos astros da MLB. A primeira edição foi realizada em 2006 nos Estados Unidos, com o Japão derrotando Cuba na final (e o time da casa terminando em oitavo com MLB e tudo...); uma nova edição já está programada para 2009 novamente nos EUA, e a partir de então o torneio será realizado a cada quatro anos em países diferentes.

Antes de encerrarmos, eu gostaria de falar um pouco sobre outro esporte, o softbol. Embora seja considerado - inclusive por boa parte da mídia - como a "versão feminina" do beisebol - principalmente porque o beisebol profissional só é disputado na versão masculina - o softbol é um esporte separado, regulado por sua própria Federação Internacional, a ISF, fundada em 1952, e que hoje conta com 130 países membros, mais até do que a IBAF, dentre eles o Brasil.

O softbol foi inventado em 1887 em Chicago por George Hancock, um membro da Câmara de Comércio da cidade. Seu intuito não era inventar um beisebol feminino, mas uma versão "indoor", que pudesse ser disputada em ambientes fechados durante o inverno. Aos poucos o esporte foi se popularizando, passou a ser jogado em campos de beisebol ao ar livre, se espalhou pelos Estados Unidos, e, durante a Segunda Guerra Mundial, pelas mãos dos soldados canadenses, chegou à Holanda, que já gostava muito de beisebol na época. De lá o jogo se espalhou pelo mundo, e, em alguns países, como a Nova Zelândia, se tornou mais popular até do que o beisebol que lhe deu origem. Embora o softbol feminino seja mais famoso, também existe softbol masculino, com Campeonato Mundial e tudo, disputado a cada quatro anos desde 1966, vencido cinco vezes pela Nova Zelândia, cinco pelos Estados Unidos, e três pelo Canadá. No Mundial Feminino a superioridade dos Estados Unidos é absoluta, com nada menos que oito títulos, sendo os seis últimos seguidos.

O nome "softbol" ("bola macia") vem da bola usada neste esporte, bem maior (30 cm de circunferência), mas mais pesada (200 gramas) que a do beisebol. A bola é feita do mesmo material que a do beisebol, mas é menos densa, e costuma ser amarela ao invés de branca. O bastão de softbol é mais curto, com 86 cm de comprimento, e mais largo, com 6 cm de diâmetro na ponta oposta à empunhadura. O uniforme também é mais despojado, com camisetas e bermudas, mas ainda com o boné na cabeça. As luvas são semelhantes às do beisebol, mas mais largas, já que a bola é maior.

O campo de softbol é um pouco menor - os lados do diamante têm 18 metros cada - e o outfield tem uma distância fixa, 76,2 metros do home plate em linha reta. O arremessador fica a 14 metros do home plate. O campo costuma ter uma "outra" primeira base, de cor diferente e ao lado da "original", usada para evitar colisões entre os jogadores: o rebatedor corre para a "outra", enquanto o Primeira Base defende a "original", estando o rebatedor eliminado se a bola chegar ao defensor antes dele. Se não precisar de desempate, uma partida de softbol tem sete entradas, e não nove. Finalmente, o arremesso do softbol é sempre "por baixo", com o arremessador fazendo um arco com o braço para trás, e arremessando a bola de baixo de sua linha da cintura - enquanto o arremesso do beisebol é "por cima", com a bola normalmente saindo de cima da linha do ombro do arremessador. Tirando essas diferenças, as regras são as mesmas do beisebol.

O softbol é esporte olímpico apenas desde 1996, sendo que os Estados Unidos ganharam os três ouros disputados. Assim como o beisebol, o softbol também já está fora dos Jogos de 2012, por ser considerado um esporte de pouco público. Na minha opinião, o pentatlo moderno tem bem menos público que o softbol, mas como eu não mando em nada mesmo...
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quarta-feira, 4 de junho de 2008

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Jornada nas Estrelas: Enterprise

Hoje é dia de mais um post sobre um spin-off de Jornada nas Estrelas. Para infelicidade de um amigo meu, ele não é sobre Deep Space Nine. Não que eu não goste, mas eu quase nunca assisti DS9, principalmente os episódios das primeiras temporadas, e, francamente, não fiquei assim tão entusiasmado, então não me sinto muito animado a escrever sobre esta série. Para infelicidade espero de ninguém, ele também não será sobre Voyager, porque Voyager é muito chato. Assim, como só resta mais um spin-off, creio que todos já deduziram que esta post falará sobre Enterprise.

Enterprise foi a primeira série de Jornada nas Estrelas da qual eu assisti o primeiro capítulo no dia em que ele estreou no Brasil, no canal AXN. Também consegui acompanhar toda a primeira temporada e boa parte da segunda, antes de ficar sem TV a cabo por complicações financeiras. Pessoalmente, eu sempre gostei de filmes que apresentassem novas abordagens ou trouxessem novas informações sobre eventos ocorridos em outros filmes - mas por favor não confundam com as famosas "preqüências", das quais eu nem sempre gosto - então acabei achando Enterprise muito interessante, bem mais que DS9 ou Voyager, o que acabou lhe rendendo o posto de meu terceiro Jornada nas Estrelas preferido.

em cima: Trip, Archer, T'Pol; em baixo: Phlox, Mayweather, Sato, ReedEnterprise é uma volta ao passado - de Jornada nas Estrelas, não ao nosso. Ambientada no século XXII, mais ou menos na metade do caminho entre o Primeiro Contato com os vulcanos e os eventos da Série Clássica, apenas dez anos antes da criação da Federação dos Planetas Unidos, a série acompanha as viagens da primeira nave terrestre capaz de atingir Dobra 5, o que finalmente faria com que nosso planeta fosse capaz de explorar o espaço além de nosso sistema solar sem que seus tripulantes tivessem de recorrer à animação suspensa. Esta nave, modelo NX-01, seria batizada de Enterprise, mesmo nome da comandada pelo Capitão Kirk uns cem anos depois, e da comandada pelo Capitão Picard uns duzentos anos mais tarde. Criada em 2000 por Rick Berman e Brannon Braga, o intuito da série era revitalizar a franquia Jornada nas Estrelas - já que Voyager, em exibição na época, apresentava índices de audiência cada vez mais baixos - promovendo uma "volta às origens", ou seja, ao conceito de exploração do espaço desconhecido que era a marca da Série Clássica e, de certa forma, da Nova Geração. A princípio, Berman pensou em ser ainda mais radical, ambientando pelo menos toda a primeira temporada na Terra, mostrando o relacionamento dos terrestres com os vulcanos e outros povos espaciais enquanto a NX-01 era construída. Esta idéia acabou sendo considerada muito diferente do restante da franquia, e o máximo de invencionice permitido foi retratar uma Terra ainda longe da utopia proposta pelos demais seriados de Jornada nas Estrelas, em uma série ambientada muito mais perto dos dias atuais - cerca de 150 anos - do que o de costume.

O capitão desta "nova" Enterprise é Jonathan Archer (Scott Bakula, conhecido no Brasil através do seriado Contratempos). Filho do engenheiro que desenhou os motores da nave, Archer se sente pessoalmente ligado à Enterprise, e se esforça para ser um excelente capitão em todos os sentidos, embora sofra uma pressão imensa por ser o primeiro comandante de uma nave terrestre capaz de ir tão longe, não se sinta muito confortável no papel de diplomata inerente a um comandante, e não se dê muito bem com os vulcanos, por considerar que eles atrasam o desenvolvimento tecnológico da Terra de propósito, para satisfazer a seus próprios interesses. Para infelicidade de Archer, a Enterprise também tem um vulcano a bordo, no caso uma vulcana, T'Pol (Jolene Blalock), designada pelo Alto Comando para acompanhar a missão e manter os terráqueos fora de encrencas. Como todo vulcano que se preze, T'Pol não demonstra emoções, mas é de uma lealdade inquestionável, chegando ao ponto de, mais adiante na série, renunciar à sua posição no Alto Comando para acompanhar Archer em uma missão. O trio de protagonistas se completa com Charles Tucker III (Connor Trinneer), apelidado Trip, engenheiro-chefe da nave, amigo de infância de Archer, e que em alguns momentos parece ser candidato a par romântico de T'Pol.

A tripulação da Enterprise conta ainda com o reservado chefe de segurança Malcolm Reed (Dominic Keating), que vem de uma família de marinheiros, mas decidiu se alistar na Frota Estelar por medo de se afogar; o timoneiro Travis Mayweather (Anthony Montgomery), nascido no espaço, filho do capitão de uma nave cargueira, conhecedor de vários mundos e raças alienígenas, além de excelente piloto; a oficial de comunicações Hoshi Sato (Linda Park), capaz de aprender idiomas alienígenas com extrema facilidade, que atua como intérprete antes da instalação do Tradutor Universal da nave, e que no início sofre de um certo pânico em estar a bordo de uma nave espacial; e o médico Dr. Phlox (John Billingsley), da raça dos denobulanos, membro de um intercâmbio de médicos alienígenas, voluntário na nave para acompanhar as descobertas da humanidade nesta nova era de exploração, e que prefere usar curas naturais obtidas através de animais e plantas à tecnologia disponível. Além destes tripulantes e do pessoal necessário ao funcionamento da nave, a Enterprise ainda leva Porthos, o beagle de estimação de Archer.

O primeiro episódio de Enterprise, Broken Bow, foi ao ar dia 26 de setembro de 2001 pelo canal UPN, de propriedade da Paramount, onde Voyager também tinha estreado alguns anos antes - DS9, assim como a Nova Geração, estreou direto em syndication. Como de costume, foi um episódio especial de 90 minutos, mais tarde dividido para as reprises. Nele, a Enterprise tem de antecipar sua primeira viagem graças a um incidente envolvendo um klingon perdido na Terra, e a tripulação precisa aprender a conviver com a exploração espacial sem estar exatamente preparada para ela. No geral, toda a primeira temporada, de 26 episódios, lida com temas comuns à Série Clássica, como exploração do espaço, descobrimento de novas raças, e envolvimento em culturas alienígenas. Muitos episódios também servem para mostrar como se originaram alguns elementos das demais séries de Jornada nas Estrelas. Toda a primeira temporada é permeada por dois eventos, a Guerra Fria Temporal, onde uma misteriosa entidade do século XXVII altera eventos de seu passado com propósito desconhecido; e as relações tênues entre humanos e vulcanos, que deliberadamente interferem no desenvolvimento da Terra, por achar que os humanos, instáveis emocionalmente, não estão preparados para entrar em contato com a cultura alienígena - para alguns fãs, aliás, este comportamento foi motivo de grande controvérsia, pois colocaria os vulcanos meio que como vilões da história.

Enterprise NX-01A primeira temporada de Enterprise teve bons índices de audiência, o que garantiu uma segunda, que estreou em 18 de setembro de 2002. O primeiro episódio da segunda temporada é a segunda parte do último da primeira, Onda de Choque (Shockwave), onde a Enterprise recebe a culpa pela destruição de um planeta, e Archer acaba transportado para o século XXXI. Como podemos ver, a Guerra Fria Temporal continua sendo um importante elemento na série. Na verdade, a segunda temporada é bastante parecida com a primeira, e somente no final começa a tomar rumos mais violentos, com uma sonda alienígena atacando a Terra e matando sete milhões de pessoas no último episódio, A Expansão (The Expanse). A segunda temporada inclui também Regeneração (Regeneration), um interessante episódio onde Borgs que haviam chegado à Terra no filme Primeiro Contato mas estavam congelados na Antártida descongelam.

Essa violência toda teve uma razão: em plena segunda temporada, a audiência já estava caindo, e o cancelamento da série começou a ser cogitado. Embora muitos atribuíssem os números baixos a fãs radicais que não aceitavam que bulissem com o passado da Série Clássica, ou a motivos mais técnicos, como o fato de pessoas que não assistiam ao episódio no dia em que era televisionado mas o gravavam para ver depois não serem incluídas nos números da audiência, os executivos da Paramount imaginaram que, sacudindo um pouco as coisas, mais pessoas iriam se interessar. Analisando os motivos pelos quais filmes e episódios anteriores de Jornada nas Estrelas faziam sucesso, eles chegaram à conclusão de que a audiência sobe quando a Terra está em perigo. Assim, foi criada uma nova raça, os xindi, que planejam nada menos que destruir nosso planeta com uma enorme arma espacial.

Todos os 24 episódios da terceira temporada, que estreou em 10 de setembro de 2003, são interligados pela história dos xindi, que são revelados como responsáveis pelo ataque de A Expansão. A própria Enterprise passa por reformas e se torna quase uma nave militar, fortemente armada e levando dentre seu pessoal um grupo de operativos militares conhecidos como MACOs. A nave então recebe a missão de ir até uma área do espaço conhecida como Expansão Délfica, onde fica o planeta dos xindi, para evitar que a Terra sofra um novo ataque.

Além desta mudança, a Paramount também decidiu mudar a música da abertura, e renomear o seriado para Star Trek: Enterprise. Apesar da abordagem mais militarística, os episódios da terceira temporada tinham bons roteiros, e as críticas recebidas foram bastante favoráveis. Mesmo assim, a audiência não parava de cair, e para a quarta temporada a série deixaria de ser exibida às quartas-feiras, indo para o "death slot" das sextas à noite, horário reservado para séries com risco crítico de cancelamento. Mas pelo menos houve uma quarta temporada, de 22 episódios, que estreou em 8 de outubro de 2004.

Com o machado do cancelamento pendendo sobre suas cabeças, os roteiristas decidiram fechar os arcos da Guerra Fria Temporal e dos xindi, e focar em "mini-arcos" que contavam mais origens de elementos das demais séries da franquia, incluindo episódios envolvendo o Dr. Arik Soong (Brent Spiner), pai do criador do andróide Data, da Nova Geração, e defensor dos Superiores, humanos geneticamente alterados como o vilão Khan. Outro mini-arco famoso foi o da Guerra Civil Vulcana, depois da qual os vulcanos começaram a passar por uma transformação cultural que os deixaria mais parecidos com os da Série Clássica que com os rabugentos vistos até então.

em sentido anti-horário: Reed, T'Pol, Archer, Trip, Sato, Mayweather, PhloxO anúncio do cancelamento da série foi feito em fevereiro de 2005, antes do último episódio, que só iria ao ar dia 13 de maio daquele ano, ser escrito. Isto permitiu, pelo menos, que os roteiristas criassem uma espécie de final para a série, o episódio Estas são as Viagens... (These Are the Voyages...), que contou com a participação especial de dois personagens da Nova Geração, William Riker (Jonathan Frakes) e Deanna Troi (Marina Sirtis). Infelizmente, este último episódio ficou meio equivocado, mostrando seus acontecimentos como se eles fossem uma simulação no holodeck da Enterprise-D, o que rendeu muitas críticas negativas.

Alguns fãs da série, contrários ao cancelamento, ainda tentaram uma campanha para arrecadar 30 milhões de dólares e financiar uma quinta temporada, mas infelizmente os executivos da Paramount se mostraram irredutíveis em sua decisão. Assim, Enterprise se tornou a primeira série de Jornada nas Estrelas desde a Série Clássica a ser cancelada por decisão do canal que a exibia, e não de seus produtores. Quando seu último capítulo foi ao ar, se encerrou um período de quase 18 anos, desde que a Nova Geração estreou em 1987, em que sempre havia uma nova temporada de Jornada nas Estrelas após a anterior. Quando seus cenários foram desmontados, o Estúdio 9 da Paramount ficou pela primeira vez sem nenhum cenário de Jornada nas Estrelas desde que começou a produção do primeiro filme da Série Clássica, em 1978. As críticas negativas à série, aliadas ao insucesso de Nemesis nas bilheterias em 2002, acabaram fazendo com que jamais se cogitasse um filme para o cinema com a tripulação da NX-01.

Enterprise foi o primeiro spin-off de Jornada nas Estrelas a ser produzido em widescreen, o primeiro a ser transmitido em HDTV (a partir da terceira temporada) e o primeiro a ser filmado com tecnologia digital (a quarta temporada). Foi indicado a cinco Saturn Awards, dois Hugo Awards e dezessete Emmys, dos quais venceu quatro. Por outro lado, é considerado o spin-off de Jornada nas Estrelas mais controverso e mais criticado - felizmente, não costuma ser considerado o pior, honra duvidosa muito mais atribuída a Voyager - e esta controvérsia é normalmente atribuída às reclamações dos fãs mais fervorosos, descontentes principalmente com as contradições entre a série e o chamado fanon, "verdades" estabelecidas pelos próprio fãs, normalmente através de material do "universo expandido", como livros - por incrível que pareça, alguns fãs achavam uma afronta até mesmo o fato da música de abertura de Enterprise ser cantada, enquanto a de todos os outros Jornada nas Estrelas era instrumental. Eu, particularmente, acho isso muito ruim, principalmente porque acho que a série ainda não tinha explorado todo o seu potencial quando foi cancelada. Mas, como eu costumo dizer, eu não mando nada mesmo. Pelo menos eu ainda posso assistir aos DVDs.

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