Eu não sou um seriemaníaco. Não que eu não goste de séries, muito pelo contrário, o que me incomoda é ter que estar uma ou mais vezes por semana de frente com a televisão em um horário pré-definido, e, quando não der, ter que gravar ou assistir à reprise; ou ter de procurar os episódios antigos ou ficar deduzindo o que aconteceu quando se começa a acompanhar uma série pelo meio; enfim, todo esse compromisso que quem acompanha séries já deve conhecer. Recentemente, eu até tentei acompanhar algumas, como Lost e Enterprise, mas acabei largando no meio por ter perdido um monte de episódios. A única que eu tenho conseguido acompanhar é Grey's Anatomy. Talvez porque eu não tenha nada melhor para fazer às segundas à noite.
Mas houve um tempo em que não era bem assim. Mais precisamente, logo depois que instalaram TV a cabo aqui em casa pela primeira vez ("primeira vez" porque depois eu fiquei uns três anos sem, e aí instalaram pela "segunda vez"). Na época, eu acompanhava umas dez ou doze séries; quase todo dia eu tinha um horário marcado com a televisão. Como eu era praticamente um adolescente, muitas destas séries eram infanto-juvenis, como Step by Step e Minha Vida de Cão (bem, este talvez não tão "infanto" assim). De todas elas, a que eu mais gostava era O Mundo Secreto de Alex Mack.
Ok, não era nenhuma produção digna de ganhar vários Emmys, mas ainda assim era divertido. Tinha vilões burros, efeitos especiais toscos, protagonistas adolescentes, enfim, tudo aquilo que eu provavelmente criticaria se a série estivesse indo ao ar hoje, mas que eu adorava na época. Todos os dias eu tinha um encontro marcado com "a Alex", e ainda arrastava minha mãe e minha irmã para ver também. Bons tempos.
A série, cujo nome original era The Secret World of Alex Mack, era sobre a vida de uma garota, Alexandra Mack, apelidada Alex, 12 anos de idade. Se fosse só isso, provavelmente seria uma série chatíssima, já que pré-adolescentes de 12 anos não são exatamente conhecidas por viverem vidas cheias de emoção. Para apimentar um pouco mais as coisas, Alex tinha superpoderes. Apesar disso, não era uma série de super-heróis.
Alex (Larisa Oleynik) vivia com seu pai, George (Michael Blakley), sua mãe, Barbara (Dorian Lopinto), e sua irmã mais velha, Annie (Meredith Bishop), na pequena e tranqüila cidade de Paradise Valley. Tal cidade praticamente cresceu em volta da Atron Chemical, um laboratório cujo simpático slogan era "progresso a qualquer custo", onde trabalhavam quase todos os seus moradores, e que financiava quase tudo o que há na cidade, como o colégio e o shopping. Alex era o que nos Estados Unidos se costuma chamar de tomboy, uma menina que não se interessa por "coisas de menina", preferindo vestir "roupas de menino" e fazer coisas como andar de skate e jogar futebol a usar vestidos e fofocar com as amigas. Infelizmente, este traço peculiar de sua personalidade faz com que ela seja incluída entre os párias da escola (aqueles que, no curioso sistema de relacionamentos escolares norte-americano, não são "populares"). Apesar disso, Alex é carinhosa e tem vários amigos. Seus maiores defeitos são uma certa ingenuidade, e uma enorme inveja de sua irmã, que é inteligentíssima, e sempre atrai mais atenção da família que a caçula desengonçada.
Pois bem, um dia Alex acordou e foi para a escola, para talvez se arrepender: chegou atrasada, foi infernizada pelos veteranos (curiosamente, uma das veteranas era a atriz Jessica Alba) e, ao retornar para casa no final deste péssimo dia, quase foi atropelada por um caminhão. Tal caminhão era de propriedade da Atron, e carregava tonéis com um novo composto experimental secretíssimo, o GC-161. Ao frear repentinamente para não passar por cima de Alex, o motorista do caminhão acabou derrubando um dos tonéis, que deu um banho de GC-161 na menina. Assustada e revoltada com essa porcaria de dia, Alex fugiu para casa, e pôs-se a refletir sobre sua vida miserável.
Havia um motivo para o GC-161 ser experimental e secreto: a CEO da Atron Chemical, Danielle Atron (Louan Gideon), planejava vender o composto como um remédio para auxiliar na perda de peso, mas testes preliminares informavam que poderiam haver sérios efeitos colaterais. Uma pessoa banhada em GC-161 andando por aí, portanto, era uma séria ameaça à empresa, pois poderia sofrer os tais efeitos colaterais e arruinar todo o projeto, desperdiçando os milhões de dólares gastos no desenvolvimento do produto. Danielle, porém, tinha um trunfo a seu favor: como toda Paradise Valley dependia do laboratório, seria fácil fazer com que a cidade se voltasse não contra ela, mas contra a vítima do acidente - que poderia vir a ser a responsável por fechar o laboratório e arruinar a cidade. Para usar deste trunfo, porém, Danielle precisava capturar a vítima antes que ela expusesse sua história, e que o acidente se tornasse conhecido fora da cidade.
Para capturar a vítima, Danielle convocou Vince Carter (John Marzilli), um ex-fuzileiro naval e atual chefe da segurança do laboratório, e designou para ajudá-lo David Watt (John Nielson), o motorista do caminhão envolvido no acidente. Vince realmente era muito esperto e desenvolvia ótimos planos, mas quase sempre eles acabavam arruinados pelo próprio David, que era extremamente estúpido, e ainda tinha um bom coração, se recusando a colaborar com Vince se tivesse de se envolver em algum crime ou machucar de alguma forma a criança que estavam tentando capturar. Aliás, esta era uma dificuldade extra para a dupla: por causa das roupas de Alex, David não tinha certeza se tinha derrubado o produto em cima de um menino ou de uma menina (em inglês todos se referiam a ela como "the kid", uma expressão para "garoto" que não é masculina nem feminina, mais ou menos igual "criança"), nem conseguia precisar sua faixa etária correta, então eles tinham de procurar dentre todas as crianças e adolescentes de Paradise Valley.
Felizmente para Alex, os sérios efeitos colaterais do GC-161 não incluíam morte ou câncer, mas superpoderes. Graças ao banho que tomou, Alex foi agraciada com telecinese (a capacidade de mover objetos com a força do pensamento); capacidade de lançar raios elétricos pelas pontas dos dedos que, além de dar choques em pessoas, podiam ser usados para fazer funcionar ou destruir equipamentos eletro-eletrônicos; capacidade de gerar um campo de força praticamente impenetrável; e a capacidade de se transformar em uma espécie de metal líquido, forma na qual ainda podia se mover, ver e ouvir normalmente - no primeiro episódio, quando Alex se liquefez suas roupas caíram ao chão, e quando ela voltou à forma normal estava nua, mas isso gerou alguns protestos dos pais norte-americanos, já que era um seriado infanto-juvenil e a atriz tinha só doze anos, então a partir do segundo suas roupas passaram a se liquefazer com ela. Alex só revelou seus novos poderes a duas pessoas, sua irmã Annie e seu melhor amigo, Ray Alvarado (Darris Love).
Infelizmente, os poderes de Alex não tornaram sua vida tão mais fácil quanto ela gostaria. Orientada por Annie, ela decidiu não revelar seu segredo a mais ninguém, nem mesmo a seus pais - afinal, seu pai era um importante cientista que trabalhava na Atron, e desconhecia que Danielle fosse uma mulher malvada, então era bem provável que ele fosse querer levar a filha para testes lá no laboratório. A própria Annie se encarregava de realizar testes em Alex, preocupada com a saúde da irmã, e tentando encontrar a origem dos poderes. Como não podia mostrar seus poderes em público, Alex continuava sendo uma pária, o que colocava a ela e a seus amigos nas já tradicionais situações constrangedoras às quais os párias são submetidos nas escolas norte-americanas. Além de Ray, eram amigos de Alex a voluntariosa e determinada Nicole Wilson (Alexis Fields), a pessimista e tímida Robyn Russo (Natanya Ross) e, a partir da segunda temporada, o inteligente mas atrapalhado Louis Driscoll (Benjamin Smith).
Na maior parte dos episódios, a função dos superpoderes de Alex era livrá-la da perseguição de Vince e David. Uma vez ou outra ela ainda conseguia usá-los para ajudar a si e a seus amigos a superar algum problema, e muitas vezes eles eram eram a própria causa do problema, sendo necessário que Ray ou Annie usassem de muita imaginação para acobertar Alex. No fundo, O Mundo Secreto de Alex Mack era uma série sobre as agruras da puberdade. Nos Estados Unidos, ela é muito comparada a Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, pois tanto Sabrina quanto Alex têm incríveis poderes, mas estes não as ajudam com os problemas típicos da adolescência - pelo contrário, acabam só servindo para metê-las em mais confusão.
O Mundo Secreto de Alex Mack foi produzido pelo canal Nickelodeon, e exibido durante quatro temporadas, com um total de 78 episódios, entre 8 de outubro de 1994 e 15 de janeiro de 1998, sempre aos sábados à noite. Curiosamente, ao contrário dos demais programas da Nickelodeon, que costumam ser reprisados até a exaustão, nunca mais voltou ao ar. A única vez em que ele foi reprisado nos Estados Unidos foi entre janeiro e junho de 2003, no canal a cabo The N. Aqui no Brasil, o seriado passou no final da década de 90 no canal Multishow - com som original e legendado - em uma faixa vespertina dedicada a programas da Nickelodeon, extinta quando o próprio canal Nickelodeon passou a fazer parte da grade de programação. Depois disso, ainda foi exibido dublado na Fox Kids, embora eu não me lembre bem em que época. Na Nickelodeon, que eu saiba, nunca passou. E, infelizmente, não parecem haver planos para lançá-lo em DVD, nem lá nem aqui.
Uma curiosidade sobre o seriado é que, diferentemente da imensa maioria dos seriados da Nickelodeon, ele tem um "final". Nos últimos episódios da quarta temporada, primeiro os pais de Alex, depois Danielle Atron, descobrem que ela tem superpoderes, e que estes superpoderes foram causados pela exposição ao GC-161. Seu pai consegue desenvolver uma "cura", que, se ingerida por Alex, acabará com seus poderes. Danielle, porém, está pronta para lançar seu novo produto baseado no GC-161 no mercado, e desenvolve um plano diabólico: amarra toda a família Mack dentro do laboratório, e arma bombas para explodi-lo, para acabar com qualquer prova de que o produto é nocivo à saúde. Como eu nunca vi estes episódios, não sei como eles fazem para escapar, mas sei que escapam, e que, no fim, Annie anuncia que Alex tomará a cura, mas a última cena a mostra segurando o frasco com a cura dentro e sorrindo, sem que o espectador saiba se ela realmente a tomou ou não.
Apesar do seriado ter sido considerado bem sucedido quando estava no ar, de todo o elenco apenas Larisa Oleynik conseguiu se tornar uma atriz razoavelmente famosa, atuando em filmes para adolescentes como 10 Coisas Que Eu Odeio em Você e 100 Garotas e na série 3rd Rock from the Sun; ela filma até hoje, apesar de na maior parte das vezes atuar em filmes considerados independentes ou de baixo orçamento. O resto do elenco ou sumiu, ou ficou fazendo participações em capítulos isolados de diversas outras séries. Talvez por isso O Mundo Secreto de Alex Mack tenha sido relegado a um certo esquecimento, ao contrário de outras séries da Nickelodeon (Clarissa me vem à mente) não tão boas, mas conhecidas e reprisadas até hoje.
Ler mais
Mas houve um tempo em que não era bem assim. Mais precisamente, logo depois que instalaram TV a cabo aqui em casa pela primeira vez ("primeira vez" porque depois eu fiquei uns três anos sem, e aí instalaram pela "segunda vez"). Na época, eu acompanhava umas dez ou doze séries; quase todo dia eu tinha um horário marcado com a televisão. Como eu era praticamente um adolescente, muitas destas séries eram infanto-juvenis, como Step by Step e Minha Vida de Cão (bem, este talvez não tão "infanto" assim). De todas elas, a que eu mais gostava era O Mundo Secreto de Alex Mack.
Ok, não era nenhuma produção digna de ganhar vários Emmys, mas ainda assim era divertido. Tinha vilões burros, efeitos especiais toscos, protagonistas adolescentes, enfim, tudo aquilo que eu provavelmente criticaria se a série estivesse indo ao ar hoje, mas que eu adorava na época. Todos os dias eu tinha um encontro marcado com "a Alex", e ainda arrastava minha mãe e minha irmã para ver também. Bons tempos.
A série, cujo nome original era The Secret World of Alex Mack, era sobre a vida de uma garota, Alexandra Mack, apelidada Alex, 12 anos de idade. Se fosse só isso, provavelmente seria uma série chatíssima, já que pré-adolescentes de 12 anos não são exatamente conhecidas por viverem vidas cheias de emoção. Para apimentar um pouco mais as coisas, Alex tinha superpoderes. Apesar disso, não era uma série de super-heróis.Alex (Larisa Oleynik) vivia com seu pai, George (Michael Blakley), sua mãe, Barbara (Dorian Lopinto), e sua irmã mais velha, Annie (Meredith Bishop), na pequena e tranqüila cidade de Paradise Valley. Tal cidade praticamente cresceu em volta da Atron Chemical, um laboratório cujo simpático slogan era "progresso a qualquer custo", onde trabalhavam quase todos os seus moradores, e que financiava quase tudo o que há na cidade, como o colégio e o shopping. Alex era o que nos Estados Unidos se costuma chamar de tomboy, uma menina que não se interessa por "coisas de menina", preferindo vestir "roupas de menino" e fazer coisas como andar de skate e jogar futebol a usar vestidos e fofocar com as amigas. Infelizmente, este traço peculiar de sua personalidade faz com que ela seja incluída entre os párias da escola (aqueles que, no curioso sistema de relacionamentos escolares norte-americano, não são "populares"). Apesar disso, Alex é carinhosa e tem vários amigos. Seus maiores defeitos são uma certa ingenuidade, e uma enorme inveja de sua irmã, que é inteligentíssima, e sempre atrai mais atenção da família que a caçula desengonçada.
Pois bem, um dia Alex acordou e foi para a escola, para talvez se arrepender: chegou atrasada, foi infernizada pelos veteranos (curiosamente, uma das veteranas era a atriz Jessica Alba) e, ao retornar para casa no final deste péssimo dia, quase foi atropelada por um caminhão. Tal caminhão era de propriedade da Atron, e carregava tonéis com um novo composto experimental secretíssimo, o GC-161. Ao frear repentinamente para não passar por cima de Alex, o motorista do caminhão acabou derrubando um dos tonéis, que deu um banho de GC-161 na menina. Assustada e revoltada com essa porcaria de dia, Alex fugiu para casa, e pôs-se a refletir sobre sua vida miserável.
Havia um motivo para o GC-161 ser experimental e secreto: a CEO da Atron Chemical, Danielle Atron (Louan Gideon), planejava vender o composto como um remédio para auxiliar na perda de peso, mas testes preliminares informavam que poderiam haver sérios efeitos colaterais. Uma pessoa banhada em GC-161 andando por aí, portanto, era uma séria ameaça à empresa, pois poderia sofrer os tais efeitos colaterais e arruinar todo o projeto, desperdiçando os milhões de dólares gastos no desenvolvimento do produto. Danielle, porém, tinha um trunfo a seu favor: como toda Paradise Valley dependia do laboratório, seria fácil fazer com que a cidade se voltasse não contra ela, mas contra a vítima do acidente - que poderia vir a ser a responsável por fechar o laboratório e arruinar a cidade. Para usar deste trunfo, porém, Danielle precisava capturar a vítima antes que ela expusesse sua história, e que o acidente se tornasse conhecido fora da cidade.
Para capturar a vítima, Danielle convocou Vince Carter (John Marzilli), um ex-fuzileiro naval e atual chefe da segurança do laboratório, e designou para ajudá-lo David Watt (John Nielson), o motorista do caminhão envolvido no acidente. Vince realmente era muito esperto e desenvolvia ótimos planos, mas quase sempre eles acabavam arruinados pelo próprio David, que era extremamente estúpido, e ainda tinha um bom coração, se recusando a colaborar com Vince se tivesse de se envolver em algum crime ou machucar de alguma forma a criança que estavam tentando capturar. Aliás, esta era uma dificuldade extra para a dupla: por causa das roupas de Alex, David não tinha certeza se tinha derrubado o produto em cima de um menino ou de uma menina (em inglês todos se referiam a ela como "the kid", uma expressão para "garoto" que não é masculina nem feminina, mais ou menos igual "criança"), nem conseguia precisar sua faixa etária correta, então eles tinham de procurar dentre todas as crianças e adolescentes de Paradise Valley.
Felizmente para Alex, os sérios efeitos colaterais do GC-161 não incluíam morte ou câncer, mas superpoderes. Graças ao banho que tomou, Alex foi agraciada com telecinese (a capacidade de mover objetos com a força do pensamento); capacidade de lançar raios elétricos pelas pontas dos dedos que, além de dar choques em pessoas, podiam ser usados para fazer funcionar ou destruir equipamentos eletro-eletrônicos; capacidade de gerar um campo de força praticamente impenetrável; e a capacidade de se transformar em uma espécie de metal líquido, forma na qual ainda podia se mover, ver e ouvir normalmente - no primeiro episódio, quando Alex se liquefez suas roupas caíram ao chão, e quando ela voltou à forma normal estava nua, mas isso gerou alguns protestos dos pais norte-americanos, já que era um seriado infanto-juvenil e a atriz tinha só doze anos, então a partir do segundo suas roupas passaram a se liquefazer com ela. Alex só revelou seus novos poderes a duas pessoas, sua irmã Annie e seu melhor amigo, Ray Alvarado (Darris Love).
Infelizmente, os poderes de Alex não tornaram sua vida tão mais fácil quanto ela gostaria. Orientada por Annie, ela decidiu não revelar seu segredo a mais ninguém, nem mesmo a seus pais - afinal, seu pai era um importante cientista que trabalhava na Atron, e desconhecia que Danielle fosse uma mulher malvada, então era bem provável que ele fosse querer levar a filha para testes lá no laboratório. A própria Annie se encarregava de realizar testes em Alex, preocupada com a saúde da irmã, e tentando encontrar a origem dos poderes. Como não podia mostrar seus poderes em público, Alex continuava sendo uma pária, o que colocava a ela e a seus amigos nas já tradicionais situações constrangedoras às quais os párias são submetidos nas escolas norte-americanas. Além de Ray, eram amigos de Alex a voluntariosa e determinada Nicole Wilson (Alexis Fields), a pessimista e tímida Robyn Russo (Natanya Ross) e, a partir da segunda temporada, o inteligente mas atrapalhado Louis Driscoll (Benjamin Smith).Na maior parte dos episódios, a função dos superpoderes de Alex era livrá-la da perseguição de Vince e David. Uma vez ou outra ela ainda conseguia usá-los para ajudar a si e a seus amigos a superar algum problema, e muitas vezes eles eram eram a própria causa do problema, sendo necessário que Ray ou Annie usassem de muita imaginação para acobertar Alex. No fundo, O Mundo Secreto de Alex Mack era uma série sobre as agruras da puberdade. Nos Estados Unidos, ela é muito comparada a Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, pois tanto Sabrina quanto Alex têm incríveis poderes, mas estes não as ajudam com os problemas típicos da adolescência - pelo contrário, acabam só servindo para metê-las em mais confusão.
O Mundo Secreto de Alex Mack foi produzido pelo canal Nickelodeon, e exibido durante quatro temporadas, com um total de 78 episódios, entre 8 de outubro de 1994 e 15 de janeiro de 1998, sempre aos sábados à noite. Curiosamente, ao contrário dos demais programas da Nickelodeon, que costumam ser reprisados até a exaustão, nunca mais voltou ao ar. A única vez em que ele foi reprisado nos Estados Unidos foi entre janeiro e junho de 2003, no canal a cabo The N. Aqui no Brasil, o seriado passou no final da década de 90 no canal Multishow - com som original e legendado - em uma faixa vespertina dedicada a programas da Nickelodeon, extinta quando o próprio canal Nickelodeon passou a fazer parte da grade de programação. Depois disso, ainda foi exibido dublado na Fox Kids, embora eu não me lembre bem em que época. Na Nickelodeon, que eu saiba, nunca passou. E, infelizmente, não parecem haver planos para lançá-lo em DVD, nem lá nem aqui.
Uma curiosidade sobre o seriado é que, diferentemente da imensa maioria dos seriados da Nickelodeon, ele tem um "final". Nos últimos episódios da quarta temporada, primeiro os pais de Alex, depois Danielle Atron, descobrem que ela tem superpoderes, e que estes superpoderes foram causados pela exposição ao GC-161. Seu pai consegue desenvolver uma "cura", que, se ingerida por Alex, acabará com seus poderes. Danielle, porém, está pronta para lançar seu novo produto baseado no GC-161 no mercado, e desenvolve um plano diabólico: amarra toda a família Mack dentro do laboratório, e arma bombas para explodi-lo, para acabar com qualquer prova de que o produto é nocivo à saúde. Como eu nunca vi estes episódios, não sei como eles fazem para escapar, mas sei que escapam, e que, no fim, Annie anuncia que Alex tomará a cura, mas a última cena a mostra segurando o frasco com a cura dentro e sorrindo, sem que o espectador saiba se ela realmente a tomou ou não.
Apesar do seriado ter sido considerado bem sucedido quando estava no ar, de todo o elenco apenas Larisa Oleynik conseguiu se tornar uma atriz razoavelmente famosa, atuando em filmes para adolescentes como 10 Coisas Que Eu Odeio em Você e 100 Garotas e na série 3rd Rock from the Sun; ela filma até hoje, apesar de na maior parte das vezes atuar em filmes considerados independentes ou de baixo orçamento. O resto do elenco ou sumiu, ou ficou fazendo participações em capítulos isolados de diversas outras séries. Talvez por isso O Mundo Secreto de Alex Mack tenha sido relegado a um certo esquecimento, ao contrário de outras séries da Nickelodeon (Clarissa me vem à mente) não tão boas, mas conhecidas e reprisadas até hoje.
A cada ano, o interesse de Lee pelo kung fu crescia, principalmente pela filosofia da arte marcial. Apesar disso, Lee sabia que, em uma situação real de combate, de nada adiantariam os movimentos coordenados e o respeito às antigas tradições que ele aprendia durante as aulas. Aos 18 anos, ele começou a tentar desenvolver sua própria forma de combate, cujo objetivo era ser extremamente adaptável, eliminando qualquer elemento surpresa do qual dispusesse o oponente. Lee não chegou a levar suas idéias muito longe, porém. Em 1959, os alunos da escola de kung fu Choi Li Fut desafiaram os alunos de Yip Man para um tira-teima. Supostamente, deveria ocorrer apenas uma exibição, sem contato físico, mas um dos alunos de Choi Li Fut atingiu Lee no rosto, deixando-o com um olho roxo. Enfurecido, Lee partiu para cima do rapaz, com uma seqüência de socos e chutes que deixou atônitos os observadores, mas resultou em apenas um dente quebrado no rival. Mesmo assim, os pais do rapaz deram queixa na polícia, que expediu uma ordem de prisão contra Lee. Além disso, o pai do rapaz era membro da gangue conhecida como Tríade, a mais temida de Hong Kong. Para que ele não tivesse sua juventude arruinada, seus pais decidiram enfiá-lo no primeiro navio rumo a São Francisco.
Em março de 1985, Mikhail Gorbachev havia chegado ao posto de Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, cargo equivalente à presidência daquele país. À época, a União Soviética passava por uma crise econômica sem precedentes, além de várias tensões internas, causadas por conflitos étnicos e regionais, e externas, devido a focos de descontentamento na população dos demais países do bloco comunista. Buscando resolver estas crises e integrar a União Soviética aos mercados ocidentais, sem se afastar do comunismo, Gorbachev traçou um programa de governo cheio de reformas, para evitar o colapso da nação. Neste programa, duas eram as palavras de ordem: glasnost e perestroika. Ou, em bom português, abertura e reestruturação.
Mesmo com toda essa polêmica, provas espalhadas por um monte de lugares, e o fim do comunismo para atrapalhar, os Jogos de Albertville foram belos Jogos. Realizados entre 8 e 23 de fevereiro, contaram com a presença de 1.801 atletas, sendo 488 mulheres, que competiram em 57 provas de 12 esportes: biatlo, bobsleding, combinado nórdico, esqui alpino, esqui cross country, esqui estilo livre, hóquei no gelo, luge, patinação artística no gelo, patinação no gelo em velocidade, patinação no gelo em velocidade em pista curta e saltos com esqui (
A cidade catalã de Barcelona, na Espanha, anunciou ao COI sua intenção de sediar as Olimpíadas de 1992 com enorme antecedência, em 17 de junho de 1980. Bobos eles não eram: Juan Antonio Samaranch, que assumiria a presidência da entidade a partir de 3 de agosto daquele ano, era nascido na cidade, e evidentemente prometeu total apoio à candidatura. Animado, o Rei Juan Carlos I também prometeu todo o apoio necessário para que uma Olimpíada finalmente fosse realizada na Espanha. Por muito tempo, inclusive, isso parecia inevitável, já que Barcelona era candidata única. Apenas em janeiro de 1983, Brisbane, na Austrália, se ofereceria como concorrente.
O mascote de Barcelona foi o último realmente memorável, o cachorrinho Cobi, de formas típicas da arte da cidade, criado pelo artista Javier Mariscal. No início o público o achou muito estranho, mas, graças a uma maciça divulgação, ele acabou se tornando extremamente popular, vendendo milhares de camisetas, bonés, pins, e toda sorte de merchandising. Cobi foi o último a conseguir este feito, sendo seus sucessores solenemente ignorados pela mídia e pelo público.
Steve Gerber escreveu as 27 primeiras edições da revista de Howard, além de tiras de Howard para jornal, publicadas entre 1977 e 1978; então, uma confusão começou: Gerber possuía total autonomia para fazer o que quisesse nas histórias - algo incomum em se tratando de uma editora grande e mainstream como a Marvel - e chegou ao ponto de, incapaz de cumprir o prazo estabelecido pela editora, publicar uma série de textos e ilustrações que satirizavam sua capacidade como quadrinhista no lugar da história. Em 1978 a Marvel decidiu restringir esta liberdade, para que episódios como este não se repetissem, e Gerber não concordou. Gerber então foi substituído por Marv Wolfman, mas jamais aceitou deixar de ter de escrever as histórias de Howard: segundo ele, seu contrato com a Marvel não dava à editora direitos sobre personagens secundários que ele criasse, então, como Howard era originalmente um personagem secundário criado para uma história do Homem-Coisa, seus direitos pertenceriam a Gerber. A Marvel não aceitou este argumento, respondendo que, a partir do momento em que Howard passara a ter sua própria revista, ele deixara de ser um personagem secundário. Gerber recorreu à justiça, e um processo se arrastou por vários anos.
O mais curioso é que Gerber ainda aceitaria escrever uma nova minissérie de Howard para a Marvel, publicada em 2001 sob o selo Marvel MAX de quadrinhos para adultos. Esta história seguiu o "estilo Gerber" de Howard, parodiando muitas outras histórias em quadrinhos e ícones da cultura pop, e com muito conteúdo adulto, inclusive sexual. Apesar da manobra de Gerber em 1996, Howard continua até hoje como propriedade da Marvel, e de vez em quando faz participações especiais em diversos outros títulos da editora.