Há cerca de um mês, eu terminei aqui uma série de seis posts sobre a História da Fórmula 1. Os que me conhecem sabem que eu sou fã de Fórmula 1 desde criancinha, mas um fato não tão conhecido é que, durante um bom tempo, eu também fui fã de Fórmula Indy. Comecei a acompanhar em 1990, quando eu nem sabia que existia uma coisa chamada Fórmula Indy, da qual tomei conhecimento graças ao título conquistado por Emerson Fittipaldi na categoria em 1989. Por ocasião de tal título - o primeiro de um estrangeiro, diga-se de passagem - o jornal O Globo publicou uma matéria especial antes do início da temporada, com os pilotos e circuitos. Curioso com aquele monte de corridas em circuitos "redondos", decidi assistir, e acabei gostando por uma série de razões, entre elas a presença de bons pilotos brasileiros. Acompanhei Fórmula Indy até o final da temporada de 1996, o ano em que houve uma cisão na categoria, e ela passou a ser conhecida por aqui como Fórmula Mundial. Depois disso eu me desinteressei, e se vi duas corridas foi muito. Mesmo estando afastado há tanto tempo, decidi que hoje seria um bom dia para falar um pouquinho sobre esta categoria, que já foi mais famosa, mas hoje em dia está um pouco por baixo.
A história da Fórmula Indy começa no longínqüo ano de 1902, com a fundação da AAA (American Automobile Association, a Associação de Automóveis Americana). Na época, o automóvel não era muito popular, sendo considerado barulhento e fedorento pela maioria da população. A maioria dos membros da AAA era de homens ricos que acreditavam que no automóvel estava o futuro da América, e sua atribuição era a de trabalhar para melhorar a imagem do automóvel, convencer os governos a abrir mais e melhores estradas, e imprimir e vender mapas rodoviários. Quando as corridas de automóvel começaram a se tornar populares na Europa, a AAA decidiu trazê-las para os EUA, acreditando que associar os carros ao esporte seria bom para a sua imagem. De 1905 a 1955, a AAA promoveu corridas de automóvel por todos os Estados Unidos; a maioria delas, como as 500 Milhas de Indianápolis, possuía premiação separada, nos moldes dos GPs realizados na Europa, mas algumas outras rendiam pontos aos seus participantes, que eram utilizados para determinar o campeão norte-americano de automobilismo.
Em 1955, um terrível acidente durante a corrida das 24 Horas de Le Mans, na França, onde um carro, após se envolver em uma batida, voou sobre os espectadores, matando oitenta pessoas, detonou uma campanha mundial a favor de mais segurança nas corridas de automóvel. Esta campanha causou grande preocupação na AAA, que com a popularização do automóvel havia expandido sua área de atuação, publicando guias de hotéis, oferecendo serviços de seguro e reboque, dentre outras ações relacionadas a automóveis de passeio e estradas. A preocupação da AAA era de que algum acidente semelhante acontecesse durante uma de suas corridas, e manchasse seu nome e sua reputação, construídos ao longo de 50 anos de esforços. Diante do anúncio de que a AAA iria se afastar da organização de corridas, entusiastas do esporte - alguns ligados à AAA, alguns a outros setores do automobilismo, mas nenhum às equipes e pilotos - decidiram fundar o USAC (United States Automibile Club, o Clube do Automóvel dos Estados Unidos). A partir de 1956, o USAC seria o responsável pela organização de todas as corridas em solo norte-americano, incluindo o campeonato norte-americano de automobilismo. A partir do ano seguinte, o USAC não promoveria mais corridas "soltas", se concentrando exclusivamente no campeonato.
A popularidade do USAC, porém, não era lá essas coisas. Na opinião das equipes, seus membros eram pessoas que nada entendiam de automobilismo, o campeonato norte-americano era atrasado e confuso em relação aos campeonatos europeus, e as regras, procedimentos e decisões do USAC eram muitas vezes caprichosas e arbitrárias. Em 1978, três donos de equipes, Dan Gurney, Roger Penske e Pat Patrick, fizeram uma proposta ao USAC: inspirado na FOCA, a Associação dos Construtores da Fórmula 1 criada por Bernie Ecclestone, Gurney havia criado a CART (Championship Auto Racing Teams, algo como Equipes de Automóveis de Corrida para Campeonatos), uma associação formada pelos próprios donos das equipes, que ficaria responsável pela organização das corridas, negociação para a transmissão pela TV das provas, e divisão dos prêmios entre os participantes, enquanto o USAC ficaria com a parte do regulamento. Gurney apresentou a proposta ao USAC, que a rejeitou. Revoltados, Gurney, Penske e Patrick decidiram conversar com os donos dos autódromos (que, nos EUA, são particulares), e descobriram que estes também estavam insatisfeitos com o USAC. Os três decidiram, então, dar um passo ousado: romper relações com o USAC, e promover seu próprio campeonato a partir de 1979.
Quase todos os donos de equipes e circuitos acompanharam a CART, à exceção mais notável do seis vezes campeão A.J. Foyt e das 500 Milhas de Indianápiolis. Como as 500 Milhas eram uma corrida aberta, porém, a CART decidiu inscrever seus pilotos e contar seus pontos para o seu campeonato. O resultado foi que o campeonato da CART, com os melhores pilotos e equipes, teve 14 provas, e Rick Mears como campeão. Enquanto isso, o campeonato da USAC, com o pessoal que sobrou, viu Foyt conquistar seu sétimo título, mas teve apenas sete provas e foi um fracasso de público. Vendo que não conseguiria realizar o campeonato de 1980, o USAC acenou com uma bandeira branca para a CART, e após muita negociação ficou decidido que o único campeonato norte-americano seria o realizado pela CART, mas o USAC ainda ficaria com a organização das 500 Milhas.
Uma das idéias da CART era permitir a participação de pilotos de outras nacionalidades, e realizar corridas em outros países. Diante desta postura, não havia sentido em manter o nome de campeonato norte-americano. Após muito se pensar, chegou-se ao comprido nome de CART PPG IndyCar World Series - PPG era o patrocinador, e IndyCar, nos EUA, é o apelido dos carros de corrida no estilo adotado pela Fórmula 1, aqui conhecidos como monopostos; este apelido surgiu porque os carros ficaram fortemente associados à corrida de Indianápolis. Aqui no Brasil, talvez para fazer uma alusão à Fórmula 1, decidiram "traduzir" o nome da categoria para Fórmula Indy.
Pois bem, apesar da "abertura", de 1979 a 1988 a Fórmula Indy foi dominada pelos pilotos norte-americanos. Todos os campeões nestes anos vieram dos Estados Unidos, com Rick Mears ganhando mais dois títulos, em 1981 e 1982; Al Unser, que já havia sido campeão pela USAC em 1970 ganhando pela CART em 1983 e 1985; Bobby Rahal fazendo um bicampeonato em 1986 e 1987; o campeão de Fórmula 1 em 1978 e campeão da USAC em 1965, 1966 e 1969 Mario Andretti ganhando o título em 1984; e Johnny Rutherford (1980) e Danny Sullivan (1988) completando a lista. O primeiro estrangeiro a vencer uma corrida na categoria foi o mexicano Héctor Rebaque, em Elkhart Lake, 1982; e o que chegou mais perto de fazer história foi o italiano Téo Fabi, vice-campeão em 1983 com quatro vitórias.
Mas o primeiro estrangeiro a quebrar a barreira e se sagrar campeão da Fórmula Indy foi um brasileiro, Emerson Fittipaldi, bicampeão de Fórmula 1 em 1972 e 1974, que havia se transferido para a Indy em 1984. A primeira vitória de Emerson foi em 1985, em Michigan; em 1986 ele vanceria em Elkhart Lake; em 1987 em Cleveland e Toronto; e em 1988 em Mid-Ohio e Elkhart Lake. Seus bons resultados levaram a equipe Penske a apostar suas fichas nele. Deu certo: em 1989, Emerson conseguiu cinco vitórias, sendo uma delas nas 500 Milhas, e se sagrou campeão 10 pontos à frente de Rick Mears.
O título de Emerson ajudou a popularizar a categoria não só no Brasil, mas em todo o planeta. Muitos pilotos de outras categorias que não tinham perspectiva de uma boa chance na Fórmula 1, assim como muitos ex-pilotos da categoria, decidiram tentar a sorte nos EUA. Mesmo assim, nos três anos seguintes, o título foi novamente para as mãos de norte-americanos: Al Unser Jr venceu em 1990; Michael Andretti, filho de Mario, em 1991; e Bobby Rahal conquistou seu terceiro título em 1992. O próximo estrangeiro a conquistar o campeonato da Indy seria mais uma vez um campeão da Fórmula 1, o inglês Nigel Mansell, convidado pela equipe Newman/Haas - de propriedade do ator Paul Newman e do ex-piloto Carl Haas - para se transferir para lá logo após o seu título mundial. Mansell foi campeão em 1993, oito pontos à frente de Emerson, que naquele ano ganharia pela segunda vez as 500 Milhas.
O campeonato de 1993 acabou sendo um divisor de águas. Além de Mansell e Emerson, o terceiro colocado também foi um estrangeiro, o canadense Paul Tracy. Para a CART, que acreditava que a internacionalização era o melhor caminho para a popularidade, estava tudo bem, mas muitas pessoas ligadas à categoria, como Tony George, o dono do circuito de Indianápolis, via ali uma deturpação do campeonato norte-americano que a Fórmula Indy deveria substituir. Al Unser Jr ainda conseguiria um segundo título em 1994, e o canadense Jacques Villeneuve, filho de Gilles Villeneuve, que correu pela Fórmula 1, levantaria o troféu em 1995, antes do evento que marcaria a Fórmula Indy para sempre: sob o argumento de que a categoria estava sendo dominada por investidores estrangeiros, que preferiam investir em pilotos estrangeiros, ao invés de equipes americanas priorizando pilotos americanos, Tony George rompeu com a CART e criou sua própria categoria, a IRL, levando com ele Indianápolis.
A perda das 500 Milhas realmente foi um baque para a categoria, mas fora isso, no início, a criação da IRL em nada afetou a Indy, exceto pelo fato de que ela não poderia mais se chamar Indy, já que o dono de Indianápolis agora era um rival. Em 1996 o campeonato ainda teve o nome antigo, mas em 1997, aproveitando uma mudança de patrocinador, passou a se chamar CART FedEx Champ Car World Series. Aqui no Brasil, resolveram que a IRL passaria a ser a Fórmula Indy, e a CART passou a ser conhecida como Fórmula Mundial.
As primeiras temporadas da Fórmula Mundial foram simplesmente uma continuidade da Indy. A média de público não foi afetada, e nenhuma das principais equipes se transferiu para a IRL. Durante quatro anos, houve um domínio da equipe Ganassi, que levou três de seus pilotos ao título: o norte-americano Jimmy Vasser em 1996, o italiano Alex Zanardi em 1997 e 1998, e o colombiano Juan Pablo Montoya em 1999. Imaginem qual não foi a surpresa quando, ao final da temporada de 1999, Chip Ganassi anunciou que sua equipe estava deixando a CART para correr pela IRL. Não somente ele, mas Al Unser Jr também assinou com uma equipe da categoria rival. Aparentemente, a CART estava sentindo na pele o que o USAC sentiu ao insatisfazer suas equipes e pilotos.
A saída da Ganassi foi boa para os brasileiros, que conseguiram três títulos seguidos, dois com Gil de Ferran, pela equipe Penske, em 2000 e 2001, e um com Cristiano da Matta, pela Newman/Haas, em 2002. Infelizmente para a CART, porém, cada vez mais equipes, pilotos e patrocinadores preferiam se unir a Tony George na IRL, o que foi causando um esvaziamento gradual da Fórmula Mundial. Curiosa e ironicamente, a IRL ficava cada vez mais parecida com a antiga Fórmula Indy, enquanto a Fórmula Mundial ficava cada vez mais parecida com o campeonato norte-americano da USAC, exceto pelo grande número de pilotos estrangeiros, e por corridas fora dos Estados Unidos. A CART chegou a ter corridas no Canadá (Toronto, Vancouver e Montreal), México (Cidade do México e Monterrey), Austrália (Surfer's Paradise), Brasil (Rio de Janeiro), Japão (Motegi), Alemanha (Lausitz) e Inglaterra (Rockingham e Brands Hatch).
A temporada de 2003, que teve como campeão Paul Tracy, foi a última da CART, que anunciou sua falência ao final daquele ano. Tony George tentou comprar a categoria, planejando unificá-la com a IRL, mas quem acabou comprando foi outro trio de proprietários de equipes da CART, Gerald Forsythe, Paul Gentilozzi e Kevin Kalkhoven. Os três reduziram o nome do campeonato para Champ Car World Series, e são hoje os responsáveis por sua organização.
Comparada com a CART, a Champ Car é um arremedo de categoria, atraindo pouco interesse do público em geral. A única equipe forte que restou foi a Newman/Haas, que ganhou os três títulos já disputados, em 2004, 2005 e 2006, todos com o francês Sébastian Bourdais. Todo fim de ano surgem boatos de que Champ Car e IRL se unificarão em uma categoria só, mas estes sempre se debelam com a divulgação dos calendários das duas categorias para o ano seguinte. Os detratores da IRL torcem para que a Champ Car se torne cada vez mais popular e competitiva, na esperança de que equipes como Penske e Ganassi retornem, e afundem a IRL. Eu, particularmente, acho essa Champ Car meio sem graça, e não vejo necessidade de "duas Fórmulas Indys", mas por outro lado não sei se uma fusão traria mais vantagens ou problemas. Ainda bem que eu não apito nada nesse assunto, eles que se entendam.
Para finalizar este post, listarei os brasileiros que já participaram da Fórmula Indy/Mundial: o primeiro foi Emerson Fittipaldi, que correu de 1984 a 1996, conseguindo 22 vitórias e o título de 1989; Roberto Pupo Moreno correu as temporadas de 1985, 1986, 1994, 1996 a 2001 e 2003, e teve 2 vitórias; Raul Boesel correu de 1985 a 1990, de 1992 a 1997 e em 1999, e teve como melhor resultado cinco segundos lugares; Chico Serra correu em Portland em 1985 e chegou em 25o; Maurício Gugelmin correu de 1993 a 2001 com uma vitória; Marco Greco correu de 1993 a 1996 e teve como melhor resultado três 11os lugares; Nelson Piquet correu as 500 Milhas de 1993 mas abandonou; Gil de Ferran, 1995 a 2001, 7 vitórias e os títulos de 2000 e 2001; André Ribeiro, 1995 a 1998, 3 vitórias; Christian Fittipaldi, 1995 a 2002, 2 vitórias; Gualter Salles, 1997 a 2000 e 2003, um sexto lugar; Hélio Castroneves, 1998 a 2001, 6 vitórias; Tony Kanaan, 1998 a 2002, uma vitória; Cristiano da Matta, 1999 a 2002, 11 vitórias e o título de 2002; Tarso Marques, 1999 e 2000, um sétimo lugar; Luiz Garcia Jr, 1999 a 2001, um 11o lugar, Bruno Junqueira, 2001 a 2003, 5 vitórias; Max Wilson, 2001, um quarto lugar; Mário Haberfeld, 2003, um quarto lugar; e Alex Sperafico, que correu em 2003 e teve como melhor resultado um 14o lugar.
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A história da Fórmula Indy começa no longínqüo ano de 1902, com a fundação da AAA (American Automobile Association, a Associação de Automóveis Americana). Na época, o automóvel não era muito popular, sendo considerado barulhento e fedorento pela maioria da população. A maioria dos membros da AAA era de homens ricos que acreditavam que no automóvel estava o futuro da América, e sua atribuição era a de trabalhar para melhorar a imagem do automóvel, convencer os governos a abrir mais e melhores estradas, e imprimir e vender mapas rodoviários. Quando as corridas de automóvel começaram a se tornar populares na Europa, a AAA decidiu trazê-las para os EUA, acreditando que associar os carros ao esporte seria bom para a sua imagem. De 1905 a 1955, a AAA promoveu corridas de automóvel por todos os Estados Unidos; a maioria delas, como as 500 Milhas de Indianápolis, possuía premiação separada, nos moldes dos GPs realizados na Europa, mas algumas outras rendiam pontos aos seus participantes, que eram utilizados para determinar o campeão norte-americano de automobilismo.Em 1955, um terrível acidente durante a corrida das 24 Horas de Le Mans, na França, onde um carro, após se envolver em uma batida, voou sobre os espectadores, matando oitenta pessoas, detonou uma campanha mundial a favor de mais segurança nas corridas de automóvel. Esta campanha causou grande preocupação na AAA, que com a popularização do automóvel havia expandido sua área de atuação, publicando guias de hotéis, oferecendo serviços de seguro e reboque, dentre outras ações relacionadas a automóveis de passeio e estradas. A preocupação da AAA era de que algum acidente semelhante acontecesse durante uma de suas corridas, e manchasse seu nome e sua reputação, construídos ao longo de 50 anos de esforços. Diante do anúncio de que a AAA iria se afastar da organização de corridas, entusiastas do esporte - alguns ligados à AAA, alguns a outros setores do automobilismo, mas nenhum às equipes e pilotos - decidiram fundar o USAC (United States Automibile Club, o Clube do Automóvel dos Estados Unidos). A partir de 1956, o USAC seria o responsável pela organização de todas as corridas em solo norte-americano, incluindo o campeonato norte-americano de automobilismo. A partir do ano seguinte, o USAC não promoveria mais corridas "soltas", se concentrando exclusivamente no campeonato.
A popularidade do USAC, porém, não era lá essas coisas. Na opinião das equipes, seus membros eram pessoas que nada entendiam de automobilismo, o campeonato norte-americano era atrasado e confuso em relação aos campeonatos europeus, e as regras, procedimentos e decisões do USAC eram muitas vezes caprichosas e arbitrárias. Em 1978, três donos de equipes, Dan Gurney, Roger Penske e Pat Patrick, fizeram uma proposta ao USAC: inspirado na FOCA, a Associação dos Construtores da Fórmula 1 criada por Bernie Ecclestone, Gurney havia criado a CART (Championship Auto Racing Teams, algo como Equipes de Automóveis de Corrida para Campeonatos), uma associação formada pelos próprios donos das equipes, que ficaria responsável pela organização das corridas, negociação para a transmissão pela TV das provas, e divisão dos prêmios entre os participantes, enquanto o USAC ficaria com a parte do regulamento. Gurney apresentou a proposta ao USAC, que a rejeitou. Revoltados, Gurney, Penske e Patrick decidiram conversar com os donos dos autódromos (que, nos EUA, são particulares), e descobriram que estes também estavam insatisfeitos com o USAC. Os três decidiram, então, dar um passo ousado: romper relações com o USAC, e promover seu próprio campeonato a partir de 1979.
Quase todos os donos de equipes e circuitos acompanharam a CART, à exceção mais notável do seis vezes campeão A.J. Foyt e das 500 Milhas de Indianápiolis. Como as 500 Milhas eram uma corrida aberta, porém, a CART decidiu inscrever seus pilotos e contar seus pontos para o seu campeonato. O resultado foi que o campeonato da CART, com os melhores pilotos e equipes, teve 14 provas, e Rick Mears como campeão. Enquanto isso, o campeonato da USAC, com o pessoal que sobrou, viu Foyt conquistar seu sétimo título, mas teve apenas sete provas e foi um fracasso de público. Vendo que não conseguiria realizar o campeonato de 1980, o USAC acenou com uma bandeira branca para a CART, e após muita negociação ficou decidido que o único campeonato norte-americano seria o realizado pela CART, mas o USAC ainda ficaria com a organização das 500 Milhas.
Uma das idéias da CART era permitir a participação de pilotos de outras nacionalidades, e realizar corridas em outros países. Diante desta postura, não havia sentido em manter o nome de campeonato norte-americano. Após muito se pensar, chegou-se ao comprido nome de CART PPG IndyCar World Series - PPG era o patrocinador, e IndyCar, nos EUA, é o apelido dos carros de corrida no estilo adotado pela Fórmula 1, aqui conhecidos como monopostos; este apelido surgiu porque os carros ficaram fortemente associados à corrida de Indianápolis. Aqui no Brasil, talvez para fazer uma alusão à Fórmula 1, decidiram "traduzir" o nome da categoria para Fórmula Indy.
Pois bem, apesar da "abertura", de 1979 a 1988 a Fórmula Indy foi dominada pelos pilotos norte-americanos. Todos os campeões nestes anos vieram dos Estados Unidos, com Rick Mears ganhando mais dois títulos, em 1981 e 1982; Al Unser, que já havia sido campeão pela USAC em 1970 ganhando pela CART em 1983 e 1985; Bobby Rahal fazendo um bicampeonato em 1986 e 1987; o campeão de Fórmula 1 em 1978 e campeão da USAC em 1965, 1966 e 1969 Mario Andretti ganhando o título em 1984; e Johnny Rutherford (1980) e Danny Sullivan (1988) completando a lista. O primeiro estrangeiro a vencer uma corrida na categoria foi o mexicano Héctor Rebaque, em Elkhart Lake, 1982; e o que chegou mais perto de fazer história foi o italiano Téo Fabi, vice-campeão em 1983 com quatro vitórias.
Mas o primeiro estrangeiro a quebrar a barreira e se sagrar campeão da Fórmula Indy foi um brasileiro, Emerson Fittipaldi, bicampeão de Fórmula 1 em 1972 e 1974, que havia se transferido para a Indy em 1984. A primeira vitória de Emerson foi em 1985, em Michigan; em 1986 ele vanceria em Elkhart Lake; em 1987 em Cleveland e Toronto; e em 1988 em Mid-Ohio e Elkhart Lake. Seus bons resultados levaram a equipe Penske a apostar suas fichas nele. Deu certo: em 1989, Emerson conseguiu cinco vitórias, sendo uma delas nas 500 Milhas, e se sagrou campeão 10 pontos à frente de Rick Mears.
O título de Emerson ajudou a popularizar a categoria não só no Brasil, mas em todo o planeta. Muitos pilotos de outras categorias que não tinham perspectiva de uma boa chance na Fórmula 1, assim como muitos ex-pilotos da categoria, decidiram tentar a sorte nos EUA. Mesmo assim, nos três anos seguintes, o título foi novamente para as mãos de norte-americanos: Al Unser Jr venceu em 1990; Michael Andretti, filho de Mario, em 1991; e Bobby Rahal conquistou seu terceiro título em 1992. O próximo estrangeiro a conquistar o campeonato da Indy seria mais uma vez um campeão da Fórmula 1, o inglês Nigel Mansell, convidado pela equipe Newman/Haas - de propriedade do ator Paul Newman e do ex-piloto Carl Haas - para se transferir para lá logo após o seu título mundial. Mansell foi campeão em 1993, oito pontos à frente de Emerson, que naquele ano ganharia pela segunda vez as 500 Milhas.
O campeonato de 1993 acabou sendo um divisor de águas. Além de Mansell e Emerson, o terceiro colocado também foi um estrangeiro, o canadense Paul Tracy. Para a CART, que acreditava que a internacionalização era o melhor caminho para a popularidade, estava tudo bem, mas muitas pessoas ligadas à categoria, como Tony George, o dono do circuito de Indianápolis, via ali uma deturpação do campeonato norte-americano que a Fórmula Indy deveria substituir. Al Unser Jr ainda conseguiria um segundo título em 1994, e o canadense Jacques Villeneuve, filho de Gilles Villeneuve, que correu pela Fórmula 1, levantaria o troféu em 1995, antes do evento que marcaria a Fórmula Indy para sempre: sob o argumento de que a categoria estava sendo dominada por investidores estrangeiros, que preferiam investir em pilotos estrangeiros, ao invés de equipes americanas priorizando pilotos americanos, Tony George rompeu com a CART e criou sua própria categoria, a IRL, levando com ele Indianápolis.
A perda das 500 Milhas realmente foi um baque para a categoria, mas fora isso, no início, a criação da IRL em nada afetou a Indy, exceto pelo fato de que ela não poderia mais se chamar Indy, já que o dono de Indianápolis agora era um rival. Em 1996 o campeonato ainda teve o nome antigo, mas em 1997, aproveitando uma mudança de patrocinador, passou a se chamar CART FedEx Champ Car World Series. Aqui no Brasil, resolveram que a IRL passaria a ser a Fórmula Indy, e a CART passou a ser conhecida como Fórmula Mundial.
A saída da Ganassi foi boa para os brasileiros, que conseguiram três títulos seguidos, dois com Gil de Ferran, pela equipe Penske, em 2000 e 2001, e um com Cristiano da Matta, pela Newman/Haas, em 2002. Infelizmente para a CART, porém, cada vez mais equipes, pilotos e patrocinadores preferiam se unir a Tony George na IRL, o que foi causando um esvaziamento gradual da Fórmula Mundial. Curiosa e ironicamente, a IRL ficava cada vez mais parecida com a antiga Fórmula Indy, enquanto a Fórmula Mundial ficava cada vez mais parecida com o campeonato norte-americano da USAC, exceto pelo grande número de pilotos estrangeiros, e por corridas fora dos Estados Unidos. A CART chegou a ter corridas no Canadá (Toronto, Vancouver e Montreal), México (Cidade do México e Monterrey), Austrália (Surfer's Paradise), Brasil (Rio de Janeiro), Japão (Motegi), Alemanha (Lausitz) e Inglaterra (Rockingham e Brands Hatch).
A temporada de 2003, que teve como campeão Paul Tracy, foi a última da CART, que anunciou sua falência ao final daquele ano. Tony George tentou comprar a categoria, planejando unificá-la com a IRL, mas quem acabou comprando foi outro trio de proprietários de equipes da CART, Gerald Forsythe, Paul Gentilozzi e Kevin Kalkhoven. Os três reduziram o nome do campeonato para Champ Car World Series, e são hoje os responsáveis por sua organização.
Comparada com a CART, a Champ Car é um arremedo de categoria, atraindo pouco interesse do público em geral. A única equipe forte que restou foi a Newman/Haas, que ganhou os três títulos já disputados, em 2004, 2005 e 2006, todos com o francês Sébastian Bourdais. Todo fim de ano surgem boatos de que Champ Car e IRL se unificarão em uma categoria só, mas estes sempre se debelam com a divulgação dos calendários das duas categorias para o ano seguinte. Os detratores da IRL torcem para que a Champ Car se torne cada vez mais popular e competitiva, na esperança de que equipes como Penske e Ganassi retornem, e afundem a IRL. Eu, particularmente, acho essa Champ Car meio sem graça, e não vejo necessidade de "duas Fórmulas Indys", mas por outro lado não sei se uma fusão traria mais vantagens ou problemas. Ainda bem que eu não apito nada nesse assunto, eles que se entendam.
Para finalizar este post, listarei os brasileiros que já participaram da Fórmula Indy/Mundial: o primeiro foi Emerson Fittipaldi, que correu de 1984 a 1996, conseguindo 22 vitórias e o título de 1989; Roberto Pupo Moreno correu as temporadas de 1985, 1986, 1994, 1996 a 2001 e 2003, e teve 2 vitórias; Raul Boesel correu de 1985 a 1990, de 1992 a 1997 e em 1999, e teve como melhor resultado cinco segundos lugares; Chico Serra correu em Portland em 1985 e chegou em 25o; Maurício Gugelmin correu de 1993 a 2001 com uma vitória; Marco Greco correu de 1993 a 1996 e teve como melhor resultado três 11os lugares; Nelson Piquet correu as 500 Milhas de 1993 mas abandonou; Gil de Ferran, 1995 a 2001, 7 vitórias e os títulos de 2000 e 2001; André Ribeiro, 1995 a 1998, 3 vitórias; Christian Fittipaldi, 1995 a 2002, 2 vitórias; Gualter Salles, 1997 a 2000 e 2003, um sexto lugar; Hélio Castroneves, 1998 a 2001, 6 vitórias; Tony Kanaan, 1998 a 2002, uma vitória; Cristiano da Matta, 1999 a 2002, 11 vitórias e o título de 2002; Tarso Marques, 1999 e 2000, um sétimo lugar; Luiz Garcia Jr, 1999 a 2001, um 11o lugar, Bruno Junqueira, 2001 a 2003, 5 vitórias; Max Wilson, 2001, um quarto lugar; Mário Haberfeld, 2003, um quarto lugar; e Alex Sperafico, que correu em 2003 e teve como melhor resultado um 14o lugar.
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Na décima edição dos Jogos de Inverno, as Olimpíadas voltaram para a França, com a escolha para sede da bela cidade alpina de Grenoble. Para a alegria dos franceses, foi uma escolha tranquila - vencendo Calgary, no Canadá; Lahti, na Finlândia; Sapporo, no Japão; Oslo, na Noruega; e, adivinhem, Lake Placid, nos Estados Unidos - e desta vez não houve nenhum acidente, falta de gelo ou episódio controverso. O foco poderia ficar simplesmente no esporte, como sempre deveria ser.
Participaram dos Jogos de Inverno de Grenoble 1.158 atletas, sendo 211 mulheres, em 35 provas de 10 esportes: biatlo, bobsleding, combinado nórdico, esqui alpino, esqui cross country, hóquei no gelo, luge, patinação artística no gelo, patinação no gelo em velocidade e saltos com esqui (
Na reunião do COI de 1963, finalmente uma cidade da América Latina recebeu o direito de sediar uma Olimpíada. E essa escolha veio acompanhada de uma enorme controvérsia. Não que os presentes imaginavam que alguma das outras candidatas pudesse fazer uma Olimpíada melhor que a capital mexicana - além da Cidade do México, concorreram a francesa Lyon, Buenos Aires e Detroit - mas o fato de ter sido escolhida uma sede a 2.300 metros de altitude despertou certa preocupação nos médicos e treinadores. Os mais alarmistas imaginavam que inúmeras mortes iriam ocorrer em decorrência do ar rarefeito; os mais otimistas garantiam que três semanas de preparação em altitude semelhante eram suficientes para afastar qualquer risco de desastre. Felizmente, nenhuma tragédia se abateu sobre os atletas, mas os Jogos de 1968 realmente entraram para a História como uma das edições mais curiosas dos Jogos Olímpicos.
Depois da experiência desagradável com o Nintendo 64, a Konami decidiu apostar em um novo videogame, o recém-lançado Game Boy Advance, que permitiria que Castlevania voltasse à fórmula de plataforma 2D que consagrou a série. O primeiro Castlevania para o GBA foi lançado em 2001, com o nome de Castlevania: Circle of the Moon ("Círculo da Lua"; curiosamente Akumajo Dracula: Circle of the Moon no Japão). O jogo retomava a fórmula de Symphony of the Night, com uma única e imensa fase com muitas salas diferentes para serem exploradas. Mais uma vez o jogo tinha elementos de RPG: o personagem tinha quatro atributos (Força, Defesa, Inteligência e Sorte), que podiam ser modificados ao longo do jogo através de itens segundo a vontade do jogador, trazendo resultados diferentes com cada combinação. O sistema de magia também era interessante, devendo o jogador combinar duas cartas, uma de Ação e uma de Atributo; combinações diferentes faziam efeitos mágicos diferentes, e o personagem obtia as cartas destruindo inimigos. O herói de Circle of the Moon é o caçador de vampiros Nathan Graves, que invade Castlevania em 1830 junto com seu mentor, Morris Baldwin, e seu colega Hugh Baldwin, para interromper um ritual que ressucitará Drácula mais uma vez. Eles alcançam a sala do ritual, mas o vampiro captura Morris e destrói o chão sob Nathan e Hugh, que caem em uma espécie de masmorra. Hugh parte para salvar seu pai, e pede a Nathan que fuja do castelo. Ao invés de fugir, Nathan decide explorá-lo, buscando uma forma de destruir Drácula de uma vez por todas. Assim como ocorreu com as dos três jogos anteriores, esta história também foi removida da cronologia em 2002, tornando Circle of the Moon um jogo não-oficial.
Em 2005, devido a reclamações dos fãs, a série, no Japão, voltou a se chamar Akumajo Dracula. Além disso, ela chegou ao Nintendo DS, com o lançamento de Castlevania: Dawn of Sorrow ("Aurora da Mágoa"; Akumajo Dracula: Sogetsu no Jujika, "Passagem da Lua Azul", em japonês), uma continuação direta de Aria of Sorrow. Um ano após os acontecimentos deste, Soma Cruz é perseguido por cultistas que querem sacrificá-lo para ressucitar Drácula. Soma os segue até um castelo que usam como base, para desmantelar o culto e impedir a ressurreição do vampiro. O castelo é cheio de monstros, dos quais Soma pode ganhar almas, como no jogo anterior. O jogo ainda se utiliza da tela com touchscreen do DS para uma finalidade inusitada: após derrotar certos monstros, o jogador precisa desenhar um selo na tela para aprisioná-lo, ou o monstro regenerará e continuará lutando. Após terminar o jogo, você ainda pode liberar três personagens secretos: Julius Belmont, Alucard, e Yoko Belnades, descendente de Sylpha, de Dracula's Curse.
A série Castlevania também teve dois jogos cancelados, ambos para sistemas da Sega. Castlevania: The Bloodletting ("A Sangria") seria lançado para o Sega 32X, o acessório que transformava o Mega Drive em um videogame de 32 bits, em 1996 ou 1997, e envolveria Richter Belmont e Maria Renard, mais um terceiro personagem desconhecido. Com o abandono do 32X e o foco da Sega no Saturn, a produção foi cancelada, e o que podia ser aproveitado foi usado para Symphony of the Night. O segundo jogo cancelado foi Castlevania: Resurrection, que seria lançado em 2000 para o Dreamcast. Este jogo traria novamente Sonia Belmont, e um novo membro da família, Victor Belmont. Os dois seriam levados através de uma viagem no tempo até o ano de 1666 - Victor seria do Século XIX - para impedir uma Condessa de ressucitar Drácula mais uma vez. Seria um jogo de ação 3D, e muitas imagens já haviam sido divulgadas quando o projeto foi engavetado, graças ao fraco desempenho do console, e a um maior interesse da Konami no Playstation 2. Recentemente, alguns cenários que seriam usados em Resurrection foram reaproveitado para Curse of Darkness.
Depois do Mega Drive, foi a vez de Castlevania chegar ao Playstation. Lançado em 1997, e um ano depois para o Sega Saturn, Castlevania: Symphony of the Night ("Sinfonia da Noite"; Akumajo Dracula X: Gekka no Yasokyoku, "Música Noturna à Luz da Lua", em japonês) é uma continuação direta de Rondo of Blood (e, por conseguinte, de Dracula X), e é considerado por muitos como o melhor de todos os Castlevania. De fato, além de gráficos e músicas primorosos, que demonstraram que os jogos de plataforma com sprites ainda tinham muito o que oferecer em uma época em que a maioria dos jogos já era em 3D, Symphony of the Night ainda trouxe um esquema de jogo não-linear, com elementos de RPG, todo ambientado em uma única e imensa fase - o castelo de Drácula - ao invés do tradicional esquema de uma fase após a outra, característico não só da série, mas dos jogos de plataforma em geral. Este esquema fez tanto sucesso que foi utilizado em muitos outros jogos da série, e ganhou o apelido, entre os fãs norte-americanos, de "Castleroid", em alusão ao jogo Metroid, da Nintendo, que também o utilizava, mas já no NES.