Na minha modesta opinião, ter sido criança nos anos 80 foi muito bom. Tudo bem que não tínhamos trocentos canais a cabo passando desenhos 24 horas - no máximo havia o SBT, que ainda se chamava TVS, e tinha uns quatro programas infantis seguidos - mas em compensação, nem sempre quantidade significa qualidade. Eu sei que muitos dos que vão ler isso aqui vão achar que isso é assim mesmo, que nossos pais acham que ter sido criança nos anos 60 foi muito melhor, e que nossos filhos acharão que ter sido criança em 2020 é que foi o máximo. Mas o fato é que, quando eu comparo a programação infantil de hoje com a de 20 anos atrás, tudo me parece meio esquisito, principalmente as séries. Hoje, as crianças podem acompanhar o Colégio do Buraco Negro ou a Adolescente por Natureza, onde os astros são pré-adolescentes com problemas na família ou na escola. Na minha epoca, também tínhamos problemas na família ou na escola, mas preferíamos assistir o Alf. Que, aliás, "ressucitou" na Nickelodeon, no novo bloco Nick at Nite, proclamadamente voltado para "adultos", vejam só como são as coisas.
Alf, para quem passou os últimos 20 anos em Melmac, era uma série, dessas que hoje em dia se convencionou a chamar de sitcom, produzida para o público infanto-juvenil entre 1986 e 1990 pela rede americana NBC. Aqui no Brasil deve ter começado a passar em 1988 ou 1989, nas manhãs de domingo na Rede Globo, depois pssaou para a Bandeirantes no final da década de 90, e há alguns anos estava passando no SBT.
O tema da série era um assunto muito em moda em 1986: alienígenas. A caça a formas de vida extraterrestres estava no auge, e Hollywood refletia isso em filmes de grande sucesso, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET, o Extraterrestre. Inspirado por este último, o produtor Paul Fusco decidiu criar uma série cômica onde um alienígena se visse preso em nosso planeta, obrigado a conviver com uma família de classe média americana. Diferentemente do tímido ET, porém, este alienígena falaria inglês, seria comilão, brincalhão e extremamente curioso. Assim nasceu Alf, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo "o ETeimoso", para tentar pegar uma carona no sucesso do ET.
Alf, na verdade, se chama Gordon Shumway, filho de Bob e Flo Shumway, nascido em 1756 no planeta Melmac, onde o céu é verde e a grama é azul, e que tem este nome porque é feito de melmac. Em 1986, Melmac se envolveu em uma guerra nuclear, e foi destruído. Gordon, que trabalhava na Polícia Espacial, conseguiu entrar em uma nave e fugir antes disso. Sem saber pilotar a nave perfeitamente, porém, ele ficou à deriva no espaço, procurando por outros sobreviventes, até encontrar um sinal de rádio vindo de um planeta até então desconhecido. Ao seguir este sinal, Gordon acabou se chocando contra uma casa, avariando sua nave e ficando preso neste planeta.
O planeta em questão, evidentemente, era a Terra, e a casa contra a qual Gordon se chocou era a da família Tanner, composta pelo pai Willie (Max Wright), a mãe Kate (Anne Schedeen), a filha adolescente Lynn (Andrea Elson), o caçula Brian (Benji Gregory) e o gato Lucky. Willie, um engenheiro, é fascinado pelo espaço, de forma que sua garagem é repleta de telescópios, livros sobre o assunto, e um rádio-amador com o qual troca idéias sobre o assunto com um amigo iugoslavo. Evidentemente, ao finalmente encontrar uma forma de vida alienígena inteligente, ele fica fascinado pela descoberta, e decide apelidá-lo de Alf (da sigla Alien Life Form, "forma de vida alienígena" em inglês). Ao saber que Alf pode ser o único sobrevivente de sua espécie, Willie decide abrigá-lo e protegê-lo, mesmo contra a vontade de Kate. A família passa a ter então a missão de esconder Alf do mundo, principalmente de seus vizinhos fuxiqueiros, Raquel (Liz Sheridan) e Trevor Ochmonek (John LaMotta), para que ele não caia nas mãos da Força Tarefa Alienígena, um órgão governamental encarregado de capturar para estudo eventuais alienígenas que venham parar aqui. A família também tem a difícil tarefa de se adaptar ao jeito peculiar de Alf, enquanto ele mesmo se adapta a uma sociedade estranha de um planeta desconhecido. Além dos Tanners, as únicas pessoas que sabem da existência de Alf são a mãe de Kate, Dorothy (Anne Meara), o psicólogo Larry (Bill Daily), e a jovem cega Jody (Andrea Covell).
Alf é baixinho e peludo, com um enorme nariz e um topete estiloso, tem 229 anos de idade, freqüentou a escola durante 122, tem oito estômagos, o que faz com que ele esteja sempre com fome, e em seu planeta gatos são considerados uma iguaria deliciosa, fechar a boca enquanto se come é falta de educação, e as pessoas se vestem de vegetais quando entes queridos morrem. Na maior parte do tempo, Alf era um boneco, controlado pelo produtor Paul Fusco, que também fazia sua voz. Quando precisava aparecer andando, de corpo inteiro, Michu Meszaros vestia sua fantasia.
Alf teve um total de 102 episódios, divididos em 4 temporadas. No último, infelizmente, Alf é capturado pela Força Tarefa Alienígena. O que aconteceria com ele só seria revelado no filme Projeto: ALF, produzido para a TV em 1996, e que costuma passar aqui de vez em quando na Rede Telecine. O filme não conta com a participação da família Tanner, e mostra como Alf conseguiu fugir da base militar e deixar a Terra em uma nova espaçonave, graças à ajuda de um cientista e de um milionário. O filme é bastante engraçado, embora não tanto quanto a série, mas se tivesse os Tanners seria muito melhor.
O enorme sucesso da série projetou Alf para dois outros meios. O primeiro deles foi um desenho animado, que teve duas temporadas, em 1987 e 1988. A primeira temporada mostrava Alf, ou melhor, Gordon, com sua família e amigos vivendo aventuras no planeta Melmac, e no início e no final de cada episódio o Alf do seriado fazia algumas considerações. A segunda temporada foi mais esquisita, colocando os personagens da primeira temporada no papel de personagens de contos de fadas clássicos, como Chapeuzinho Vermelho ou a Branca de Neve. Além do desenho, Alf também ganhou uma série em quadrinhos, publicada entre 1987 e 1992 pela Marvel Comics, com 50 edições regulares e 12 especiais. A revista trazia Alf tanto com a família Tanner quanto em Melmac, embora as histórias com a família não seguissem fielmente o mostrado nos episódios da TV. O desenho passou aqui no Xou da Xuxa, os quadrinhos eu não lembro de ter visto.
Alf foi uma série muito bem sucedida nos EUA, apenas cancelada porque o tema se tornou ultrapassado. Sua carreira foi igualmente popular na Argentina, Polônia e no Brasil, mas o lugar onde Alf se tornou mais famoso foi na Alemanha Ocidental, onde era uma das maiores audiências da época. O sucesso de Alf era tanto que a série foi lançada em DVD na Alemanha antes de no Canadá e nos EUA, e o filme Projeto: ALF passou nos cinemas (com o nome de ALF: der Film), e foi uma das maiores bilheterias de 1996. Existia até um projeto para continuar a a série após o seu final com atores alemães, mas a emissora que teve essa idéia não conseguiu os direitos do personagem.
A série foi lançada em DVD nos EUA em 2004. Para aproveitar o sucesso gerado, Paul Fusco criou um talk show para Alf, onde o alienígena recebia e entrevistava personalidades, auxiliado por Ed McMahon. Chamado Alf's Hit Talk Show, o programa foi ao ar no canal a cabo TV Land, mas só teve 5 episódios.
Lá fora já existem as duas primeiras temporadas em DVD. Por aqui, ninguém ainda se manifestou sobre um possível lançamento. Confesso que, se sair, eu serei um dos interessados em comprar, mas com uma condição: que a versão em português tenha os dubladores originais. Eu normalmente não gosto de filmes dublados, e jamais assisti a um DVD dublado na vida, mas ouvir Alf com a voz de Orlando Drummond, um dos maiores dubladores do Brasil, é um bônus que não pode ser descartado.
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Alf, para quem passou os últimos 20 anos em Melmac, era uma série, dessas que hoje em dia se convencionou a chamar de sitcom, produzida para o público infanto-juvenil entre 1986 e 1990 pela rede americana NBC. Aqui no Brasil deve ter começado a passar em 1988 ou 1989, nas manhãs de domingo na Rede Globo, depois pssaou para a Bandeirantes no final da década de 90, e há alguns anos estava passando no SBT.O tema da série era um assunto muito em moda em 1986: alienígenas. A caça a formas de vida extraterrestres estava no auge, e Hollywood refletia isso em filmes de grande sucesso, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET, o Extraterrestre. Inspirado por este último, o produtor Paul Fusco decidiu criar uma série cômica onde um alienígena se visse preso em nosso planeta, obrigado a conviver com uma família de classe média americana. Diferentemente do tímido ET, porém, este alienígena falaria inglês, seria comilão, brincalhão e extremamente curioso. Assim nasceu Alf, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo "o ETeimoso", para tentar pegar uma carona no sucesso do ET.
Alf, na verdade, se chama Gordon Shumway, filho de Bob e Flo Shumway, nascido em 1756 no planeta Melmac, onde o céu é verde e a grama é azul, e que tem este nome porque é feito de melmac. Em 1986, Melmac se envolveu em uma guerra nuclear, e foi destruído. Gordon, que trabalhava na Polícia Espacial, conseguiu entrar em uma nave e fugir antes disso. Sem saber pilotar a nave perfeitamente, porém, ele ficou à deriva no espaço, procurando por outros sobreviventes, até encontrar um sinal de rádio vindo de um planeta até então desconhecido. Ao seguir este sinal, Gordon acabou se chocando contra uma casa, avariando sua nave e ficando preso neste planeta.
O planeta em questão, evidentemente, era a Terra, e a casa contra a qual Gordon se chocou era a da família Tanner, composta pelo pai Willie (Max Wright), a mãe Kate (Anne Schedeen), a filha adolescente Lynn (Andrea Elson), o caçula Brian (Benji Gregory) e o gato Lucky. Willie, um engenheiro, é fascinado pelo espaço, de forma que sua garagem é repleta de telescópios, livros sobre o assunto, e um rádio-amador com o qual troca idéias sobre o assunto com um amigo iugoslavo. Evidentemente, ao finalmente encontrar uma forma de vida alienígena inteligente, ele fica fascinado pela descoberta, e decide apelidá-lo de Alf (da sigla Alien Life Form, "forma de vida alienígena" em inglês). Ao saber que Alf pode ser o único sobrevivente de sua espécie, Willie decide abrigá-lo e protegê-lo, mesmo contra a vontade de Kate. A família passa a ter então a missão de esconder Alf do mundo, principalmente de seus vizinhos fuxiqueiros, Raquel (Liz Sheridan) e Trevor Ochmonek (John LaMotta), para que ele não caia nas mãos da Força Tarefa Alienígena, um órgão governamental encarregado de capturar para estudo eventuais alienígenas que venham parar aqui. A família também tem a difícil tarefa de se adaptar ao jeito peculiar de Alf, enquanto ele mesmo se adapta a uma sociedade estranha de um planeta desconhecido. Além dos Tanners, as únicas pessoas que sabem da existência de Alf são a mãe de Kate, Dorothy (Anne Meara), o psicólogo Larry (Bill Daily), e a jovem cega Jody (Andrea Covell).Alf é baixinho e peludo, com um enorme nariz e um topete estiloso, tem 229 anos de idade, freqüentou a escola durante 122, tem oito estômagos, o que faz com que ele esteja sempre com fome, e em seu planeta gatos são considerados uma iguaria deliciosa, fechar a boca enquanto se come é falta de educação, e as pessoas se vestem de vegetais quando entes queridos morrem. Na maior parte do tempo, Alf era um boneco, controlado pelo produtor Paul Fusco, que também fazia sua voz. Quando precisava aparecer andando, de corpo inteiro, Michu Meszaros vestia sua fantasia.
Alf teve um total de 102 episódios, divididos em 4 temporadas. No último, infelizmente, Alf é capturado pela Força Tarefa Alienígena. O que aconteceria com ele só seria revelado no filme Projeto: ALF, produzido para a TV em 1996, e que costuma passar aqui de vez em quando na Rede Telecine. O filme não conta com a participação da família Tanner, e mostra como Alf conseguiu fugir da base militar e deixar a Terra em uma nova espaçonave, graças à ajuda de um cientista e de um milionário. O filme é bastante engraçado, embora não tanto quanto a série, mas se tivesse os Tanners seria muito melhor.
O enorme sucesso da série projetou Alf para dois outros meios. O primeiro deles foi um desenho animado, que teve duas temporadas, em 1987 e 1988. A primeira temporada mostrava Alf, ou melhor, Gordon, com sua família e amigos vivendo aventuras no planeta Melmac, e no início e no final de cada episódio o Alf do seriado fazia algumas considerações. A segunda temporada foi mais esquisita, colocando os personagens da primeira temporada no papel de personagens de contos de fadas clássicos, como Chapeuzinho Vermelho ou a Branca de Neve. Além do desenho, Alf também ganhou uma série em quadrinhos, publicada entre 1987 e 1992 pela Marvel Comics, com 50 edições regulares e 12 especiais. A revista trazia Alf tanto com a família Tanner quanto em Melmac, embora as histórias com a família não seguissem fielmente o mostrado nos episódios da TV. O desenho passou aqui no Xou da Xuxa, os quadrinhos eu não lembro de ter visto.Alf foi uma série muito bem sucedida nos EUA, apenas cancelada porque o tema se tornou ultrapassado. Sua carreira foi igualmente popular na Argentina, Polônia e no Brasil, mas o lugar onde Alf se tornou mais famoso foi na Alemanha Ocidental, onde era uma das maiores audiências da época. O sucesso de Alf era tanto que a série foi lançada em DVD na Alemanha antes de no Canadá e nos EUA, e o filme Projeto: ALF passou nos cinemas (com o nome de ALF: der Film), e foi uma das maiores bilheterias de 1996. Existia até um projeto para continuar a a série após o seu final com atores alemães, mas a emissora que teve essa idéia não conseguiu os direitos do personagem.
A série foi lançada em DVD nos EUA em 2004. Para aproveitar o sucesso gerado, Paul Fusco criou um talk show para Alf, onde o alienígena recebia e entrevistava personalidades, auxiliado por Ed McMahon. Chamado Alf's Hit Talk Show, o programa foi ao ar no canal a cabo TV Land, mas só teve 5 episódios.
Lá fora já existem as duas primeiras temporadas em DVD. Por aqui, ninguém ainda se manifestou sobre um possível lançamento. Confesso que, se sair, eu serei um dos interessados em comprar, mas com uma condição: que a versão em português tenha os dubladores originais. Eu normalmente não gosto de filmes dublados, e jamais assisti a um DVD dublado na vida, mas ouvir Alf com a voz de Orlando Drummond, um dos maiores dubladores do Brasil, é um bônus que não pode ser descartado.
Originalmente, Holy Avenger - que significa "Vingadora Sagrada" em inglês, o nome de uma famosa espada mágica do RPG Dungeons & Dragons - não foi concebida para ser uma história em quadrinhos, mas uma aventura em três partes, escrita por Marcelo Cassaro e publicada nas edições 44, 45 e 46 da revista Dragão Brasil. Nela, os jogadores tinham de se aliar a alguns personagens controlados pelo mestre para frustrar os planos do vilão Mestre Arsenal. A aventura se tornou bastante popular, e Cassaro, que já havia conseguido um relativo sucesso com outras histórias em quadrinhos de sua autoria, como as do Capitão Ninja, começou a imaginar onde poderia reutilizar seus personagens. Em sua edição número 50, a revista Dragão Brasil trouxe de brinde o RPG Tormenta, que nada mais era que a reunião de todos os personagens, lugares e monstros inventados pela revista em um único cenário, que podia ser utilizado pelos jogadores em suas campanhas. Com personagens carismáticos e um cenário praticamente pronto em mãos, Cassaro chamou a desenhista Erica Awano, e ambos começaram a trabalhar na série em quadrinhos de Holy Avenger, um empreendimento altamente arriscado, mas igualmente satisfatório se desse certo.
A princípio, os Jogos de 1908 ocorreriam em Roma, sede escolhida pelo COI logo após os Jogos de 1904. Em 1906, porém, uma violenta erupção do Vesúvio destruiu parte da cidade de Nápoles, e todo o dinheiro que seria destinado à Olimpíada acabou indo para a reconstrução da cidade. Durante os Jogos Intercalados de 1906, o presidente do Comitê Olímpico Italiano procurou o Barão de Coubertin, e oficialmente cancelou a realização dos Jogos seguintes na capital de seu país.
As controvérsias ainda se estenderiam através dos jogos, principalmente devido aos árbitros e fiscais. Até então, era costume que somente árbitros e fiscais locais atuassem nas provas. Os fiscais britânicos, porém, eram tidos como rigorosos demais. Na prova de sprint do ciclismo, eles desclassificaram todos os competidores, alegando que eles estavam tornando a prova muito demorada de propósito, e não permitiram a realização de uma nova prova, fazendo com que, ineditamente, uma prova Olímpica não tivesse vencedor. Nos 400m do atletismo eles desclassificaram o norte-americano John Carpenter, acusado de invadir a raia do britânico Wyndham Halswelle, embora ninguém mais no estádio tenha visto isso. Pior ainda, na Maratona o vencedor seria o italiano Dorando Pietri, que chegou ao estádio com uma larga vantagem sobre os oponentes. Pietri, porém, chegou quase morto, e cambaleou na direção contrária da linha de chegada. Um dos fiscais, acreditem ou não, correu até lá, o amparou, e praticamente o carregou até a linha de chegada, fazendo com que Pietri fosse desclassificado, e o norte-americano John Hayes declarado vencedor. Como Pietri não havia sido o causador de sua desclassificação, a Rainha Alexandra lhe conferiu uma taça de ouro como prêmio por seu esforço.
As primeiras Olimpíadas podem não ter saído exatamente da forma que o Barão de Coubertin imaginara, mas isso começou a mudar com os Jogos de Estocolmo, capital da Suécia. A cidade decidiu se concentrar exclusivamente no evento, sem concomitá-lo com nenhuma feira ou exposição, algo que não acontecia desde 1896. Pela primeira vez em uma Olimpíada "oficial" foram introduzidas todas as inovações dos Jogos Extemporâneos de 1906. Também pela primeira vez foi instalado um moderno sistema de som nas pistas, gramados, quadras, ginásios, e até mesmo em algumas ruas, para que o público soubesse em tempo real (ou quase) o que estava acontecendo em cada esporte. O Estádio Olímpico, construído especialmente para a ocasião, era um primor de beleza e tecnologia, proporcionando conforto tanto aos espectadores quanto aos atletas. Junto ao cais foi construída uma fabulosa piscina de 100 metros de comprimento, com trampolim acoplado para a disputa dos saltos. Equipamentos fotográficos e cronômetros semi-eletrônicos, jamais utilizados em qualquer competição esportiva, fizeram sua estréia em Estocolmo, tornando a vida dos fiscais do atletismo e da natação muito mais fácil - fiscais estes, aliás, que vieram de todas as nações representadas, ao invés de serem todos do país-sede, como foi até 1908. Falando nisso, esta também foi a primeira Olimpíada da qual participaram países de todos os cinco continentes, mesmo com a enorme distância entre alguns deles e a Escandinávia. Graças ao verão escandinavo, o sol brilhava dezoito horas por dia, o que permitiu a realização de mais eventos em um mesmo dia, e deu aos turistas a chance de aproveitá-los ao máximo. Embora ainda longos, os Jogos de 1912 duraram apenas 80 dias, entre 5 de maio e 22 de julho, bem melhor que os vários meses das edições anteriores. Animadíssimo, o Barão declarou na Cerimônia de Abertura que aqueles seriam Jogos como jamais havia se visto.
Como as medalhas de Thorpe só seriam cassadas em 1913, o único problema realmente sério dos Jogos de 1912 foi a morte do português Francisco Lázaro, de 21 anos, que sofreu um ataque cardíaco durante a Maratona, fato que só foi divulgado após a prova, pois os organizadores não queriam atrapalhá-la. Este fato teve repercussão negativa, mas fora esta infelicidade, não houve nenhuma desclassificação, mamata ou controvérsia, fato inédito na Maratona desde 1896.
A primeira vez que aliens e predadores se pegaram na porrada foi em uma minissérie em quadrinhos em cinco partes, publicada pela editora Dark Horse em 1989, dez anos após o lançamento do primeiro Alien, dois anos após o lançamento do primeiro Predador. O autor Chris Warner é tido como um dos pais da idéia, sugerindo-a durante uma reunião entre os demais autores, quando se discutia quais novos títulos poderiam ser lançados naquele ano. Como o copyright tanto do alien quanto do predador pertenciam à Fox, não deve ter sido tão difícil para a Dark Horse adquirir uma licença, tanto que ela a tem até hoje, e costuma usar os bichos inclusive em crossovers com heróis de outras editoras - Batman, por exemplo, já enfrentou ambos.
O que poderia ter acabado por aí ganhou força com a decisão da Dark Horse de continuar investindo nos quadrinhos. Ao invés de publicar uma série regular, porém, a editora decidiu publicar várias minisséries, com intervalos entre elas. Até hoje, as minisséries publicadas foram: Aliens vs. Predator (5 partes, 1989/1990), Aliens/Predator: Deadliest of the Species (12 partes, 1993/94/95), Aliens/Predator: Duel (2 partes, 1995), Aliens/Predator: War (5 partes, 1995), Aliens vs. Predator: Booty (volume único, 1996), Dark Horses Classics: Aliens vs. Predator (6 partes, 1997), Aliens vs. Predator: Eternal (4 partes, 1998), Aliens vs. Predator Annual (volume único, 1999), Dark Horse Presents: AvP (volume único, 1999), Aliens vs. Predator: Xenogenesis (4 partes, 2000), Aliens/Predator: Mindhunter (3 partes, 2001), Aliens vs. Predator: Thrill of the Hunt (volume único, baseado no filme, 2004) e Aliens vs. Predator: Civilized Beasts (volume único, 2006).
Pois bem, quadrinhos, games, cards, só faltava mesmo um filme, que foi onde os dois personagens tiveram suas origens. E ele veio em 2004, dirigido por Paul W. S. Anderson (de Mortal Kombat e Resident Evil). No filme, uma estranha pirâmide é descoberta na Antártida pelas indústrias Weyland (que provavelmente se tornarão a corporação Weyland-Yutani da série Alien), e uma equipe de especialistas é enviada até lá para documentar esta importante descoberta arqueológica. A pirâmide, porém, é uma espécie de arena onde predadores em rito de passagem enfrentam aliens criados por uma rainha cativa, usando humanos que são atraídos até lá como hospedeiros. Evidentemente, a tal equipe de especialistas é quem terá esta função desta vez. Os pobres humanos, portanto, tem de escapar de se tornar hospedeiros de aliens e caça de predadores, enquanto as duas raças alienígenas se matam. Não é um roteiro digno de Oscar, mas é uma ótima diversão sem compromisso.
Ninguém pode dizer que o Barão de Coubertin era um homem que não planejava o futuro. Desde que Atenas fora escolhida como sede dos primeiros Jogos, ele decidira que sua segunda edição seria em Paris, e que a terceira, em 1904, seria em Chicago, já na época uma das maiores metrópoles dos Estados Unidos, cheia de instalações adequadas a uma boa realização de Olimpíada, como estádios, piscinas e hotéis, já que os norte-americanos sempre foram fanáticos por esportes. Infelizmente para o Barão, um imprevisto acabou mudando a Olimpíada de lugar, e contribuindo para que mais uma vez as coisas não saíssem como o esperado: estava prevista para ocorrer, em 1903, na Louisiana, uma feira de exposições para comemorar o centenário da compra do sul dos EUA, originalmente pertencente à França. Problemas de organização, porém, fizeram com que a feira fosse postergada para 1904. Ao saber que os Jogos Olímpicos ocorreriam em Chicago naquele mesmo ano, os organizadores ficaram melindrados, não querendo que sua feira disputasse atenções com um evento esportivo ainda tão jovem, e pediram ao COI que transferisse a sede dos Jogos para Saint Louis, no Missouri, a maior cidade da região na época, o que foi recusado por Coubertin. Sob pressão, os organizadores do evento em Chicago pediram ao COI que adiassem as Olimpíadas para 1905, o que Coubertin recusou novamente. Diante do impasse, Theodore Roosevelt, o Presidente dos EUA, decidiu que os jogos seriam em St. Louis e pronto, impedindo qualquer outra cidade de sediá-los. Coubertin, sentido, mandou informar que não compareceria ao evento, e nem mesmo uma carta pessoal do próprio Roosevelt conseguiu dissuadi-lo a deixar a França e ir assistir ao evento.
Após quase três horas e meia de prova, despontou no Estádio Olímpico o desconhecido norte-americano Fred Lorz. Saudado como campeão, Lorz posou para fotos ao lado da filha do Presidente, e já estava recebendo sua medalha de ouro quando foi desmascarado: Na altura do km 15, Lorz viu uma carroça de feno que passava, subiu na garupa e, escondido, foi até o km 32, onde saltou e completou a prova correndo. O dono da carroça, porém, percebeu quando ele saltou, e, ao vê-lo aclamado como vencedor da prova, o denunciou. Pressionado, Lorz confessou o crime, e foi banido do esporte por um ano.
1906 foi o único ano até hoje - cem anos depois - em que foi realizada uma Olimpíada não-oficial. Em outras palavras, o COI não reconhece este evento como uma Olimpíada, não reconhece seus medalhistas como medalhistas olímpicos, e jamais reconheceu os recordes nele estabelecidos como recordes olímpicos. Além disso, os Jogos de 1906 não entram na "contagem", segundo a qual os de 1904 são o III e os de 1908 são o IV. Para o COI, a terminologia correta para o evento é "Jogos Intercalados", um evento esportivo mundial qualquer sem relação com os Jogos Olímpicos. Mas o mais curioso é que, quando foram planejados, eles seriam oficiais.
Mais do que tudo isso, os Jogos de 1906 foram curtos, de 22 de abril a 2 de maio, o que manteve o interesse da platéia sempre em alta, e os estádios sempre lotados. Participaram dos Jogos 903 atletas, sendo 20 mulheres, representando um total de 20 nações em 81 provas de 13 esportes: atletismo, cabo de guerra, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica artística, levantamento de peso, luta olímpica, natação, remo, saltos ornamentais, tênis e tiro esportivo (