sábado, 31 de dezembro de 2005

Escrito por em 31.12.05 com 0 comentários

Futebol Americano

Este fim de semana acontece a última rodada da NFL, a liga profissional norte-americana de futebol. Não o "nosso" futebol, jogado com os pés, mas o - para muitos estranho - futebol americano, jogado com as mãos e com uma bola oval. Hoje é a última chance para os times que ainda estão na briga assegurarem uma vaga nos play-offs. E eu espero que o Kansas City Chiefs, o time pelo qual eu torço, consiga. É difícil, mas não impossível.

Não me lembro exatamente em que ano comecei a acompanhar futebol americano, mas foi logo depois que instalaram TV a cabo aqui em casa, lá por volta de 1995. Como a maioria da população, eu via aquele jogo e não entendia nada. Pouco depois, porém, eu adquiri um kit multimídia - nem sei se ainda existe isso, mas era um pacote composto de placa de som, drive de CD-Rom, caixas de som, microfone e um bando de software grátis. Um destes softwares era um jogo, o Unnecessary Roughness 95. Jogando UR95, eu finalmente descobri porque aquilo se joga daquele jeito. O primeiro jogo que eu assisti entendendo o que estava acontecendo foi entre o Kansas City Chiefs e o Oakland Raiders. Os Chiefs venceram e, para homenageá-los, decidi que iria torcer por eles. Ainda não tive a felicidade de vê-los campeões, mas espero que este dia chegue em breve.

Pois bem, passando a acompanhar as partidas, e tendo até um time de coração, me tornei fã de futebol americano. Tendo em vista que sou fanático por esportes e assisto todos (exceto golfe, esse eu não suporto), isso não seria lá grandes novidades, mas, por alguma razão, futebol americano está entre os três esportes que eu mais gosto. Uma provável razão é que, apesar de ser conhecido como um esporte brutal e truculento, impressionantemente é um esporte de estratégia e raciocínio. É claro que a parte física conta muitos pontos, mas, se as jogadas não forem bem tramadas e executadas, ninguém vai a lugar nenhum. Em outras palavras, é impossível ganhar um jogo de futebol americano por sorte ou pura força física.

Ao contrário do que muita gente pensa, futebol americano e rugby não são o mesmo esporte. Na verdade, o futebol americano se desenvolveu através do rugby, introduzido na América do Norte por soldados britânicos no meio do século XIX. Em ambos o objetivo é pegar uma bola oval e sair correndo em direção ao campo do adversário, mas, exceto por um detalhe ou outro, as semelhanças acabam por aí. Não existe uma federação internacional de futebol americano, o que unificaria as regras, então cada entidade que decide organizar um torneio tem certa liberdade para decidir quais alterações irá fazer de acordo com seus interesses, mas sempre mantendo as regras básicas, a essência do jogo. As regras que eu vou apresentar aqui são as da NFL, bastante parecidas com as do futebol universitário, mas bem diferentes das da CFL, a liga canadense (aliás, por causa dessas diferenças, muita gente considera que o futebol americano jogado no Canadá é outro esporte, e o chama de "futebol canadense").

Um campo de futebol americano possui 120 jardas (108 metros) de comprimento por 49 metros de largura. As dez primeiras jardas de cada lado constituem a end zone de cada time. As demais cem jardas são o campo de jogo, marcado de jarda em jarda por quatro linhas curtas, a cada cinco jardas por uma linha que atravessa o campo, e a cada dez jardas por um grande número. No centro do campo é a jarda 50, e a contagem decresce na direção de cada end zone. Toda essa marcação é essencial para o desenvolvimento do jogo, pois o objetivo é avançar no mínimo dez jardas (9 metros) a cada jogada. O espaço entre a linha de 20 jardas e a end zone mais próxima tem o apelido de red zone. E em cada extremidade do campo existe um gol, cuja base está a três metros de altura, e lembra vagamente um Y.

Um time de futebol americano tem 53 jogadores, embora no máximo 11 estejam em campo de cada vez. Estes 53 jogadores são divididos em três equipes, a equipe ofensiva, a equipe defensiva e o time de especialistas. Quando um time tem a posse de bola, é sua equipe ofensiva que está em campo, confrontando a equipe defensiva do adversário. Os especialistas só entram em campo em situações especiais. As subsituições são ilimitadas, e podem ser feitas a qualquer momento entre uma jogada e outra.

Cinco jogadores da equipe ofensiva formam a linha ofensiva: dois offensive tackles, dois guards e um center. A função da linha ofensiva é bloquear os jogadores adversários, permitindo que os demais jogadores avancem a bola. Ao center também cabe fazer o snap, aquele famoso movimento onde ele passa a bola pelo meio de suas pernas, e marca o início de uma jogada ofensiva (ao contrário do que ensinam os desenhos animados, ninguém fica gritando números aleatórios antes do snap). Atrás do center se posiciona o quarterback, a peça-chave do time, responsável por armar a jogada, receber o snap e passar a bola para quem irá concluí-la (ou ele mesmo sair correndo com a bola, em alguns casos). O restante do time é composto pelos jogadores que, em 99% das vezes, avançarão a bola: os running backs, especializados em correr com a bola; fullbacks, que correm com a bola ou bloqueiam os adversários; wide receivers, que se posicionam nas extremidades do campo e são especializados em receber passes longos; e os tight ends, posicionados ao lado da linha ofensiva, que podem auxiliá-la ou receber passes. Dependendo da jogada, algumas dessas posições podem não estar em campo.

Entre três e cinco jogadores da equipe defensiva formam a linha defensiva, normalmente dois defensive ends, dois defensive tackles e um noseguard. Sua função é passar pela linha ofensiva e derrubar o quarterback antes dele fazer um passe. Pelo menos quatro outros jogadores formam a defesa secundária, divididos entre cornerbacks, cuja função é atrapalhar os wide receivers e impedir passes curtos; free safeties, que tentam impedir passes longos; e strong safeties, especializados em atrapalhar lançamentos e derrubar corredores. A defesa se completa com os linebackers, que se posicionam ao lado da linha defensiva e são especializados em impedir corridas.

O time de especialistas normalmente conta com um kicker, que entra em campo toda vez que é necessário um chute; um punter, responsável pelos punts (veja adiante) e um holder, que segura a bola para o kicker chutar. Um jogador pode acumular a função de holder com outra qualquer; acumular as funções de kicker e punter é bem mais raro, já que estes são jogadores superespecializados em seus respectivos tipos de chute. Alguns jogadores de outras posições também são reservados para o time de especialistas, como um corredor especializado em retornar com a bola depois de chutes, ou um center especializado em snaps para punters.



Cada partida começa com o kickoff, quando um dos times (definido no cara-ou-coroa) dará um chutão para a frente, a partir da linha de 30 jardas de seu lado do campo. Um dos jogadores do outro time pega a bola e começa a retornar com ela, até ser derrubado ou sair de campo. Neste ponto, começará a primeira jogada. A partir de então, o time ofensivo terá quatro chances (chamadas downs ou descidas) para avançar a bola dez jardas. Este avanço pode ser feito através de corrida, quando o quarterback corre ou dá a bola para um running back ou fullback, ou de um passe longo, normalmente para um wide receiver ou tight end. Somente um passe para a frente pode ser feito por jogada, e normalmente pelo quarterback. Passes para trás e para os lados são ilimitados, mas raramente usados, já que é bem provável que a defesa do adversário esteja avançado para cima de você. Além disso, pelo local onde a bola foi colocada no início da jogada passa uma linha imaginária chamada linha de scrimmage. Cada time deve permanecer de seu lado desta linha até o snap, e todos os passes para a frente devem ser feitos enquanto a bola está atrás da linha de scrimmage. Para um passe longo ser considerado válido, o jogador que o recebeu deverá ter pleno controle da bola, e tocar com os dois pés dentro do campo. Caso contrário, será considerado um passe incompleto, e a bola retornará para o local da jogada anterior, tendo o time desperdiçado um down. Um passe também é incompleto se a bola sair de campo ou quicar no chão antes de alguém pegar.

Caso a jogada seja de corrida ou o passe seja completado, a função da defesa será então de derrubar o jogador que está com a bola (um tackle, exceto quando é feito sobre o quarterback antes dele passar a bola, quando se chama sack). Caso o jogador que está com a bola toque no chão com qualquer parte do corpo que não a sola dos pés ou a palma das mãos, ou tiver seu avanço indubitavelmente interrompido (caindo por cima de outro jogador e ficando preso, por exemplo), ali se encerrará aquela jogada e se iniciará a próxima. Se isto foi a dez ou mais jardas da jogada anterior, o time atacante terá mais quatro downs para avançar mais dez jardas (terá conseguido um first down). Caso contrário, o número de jardas percorridas será adicionado ou reduzido do total restante para estas dez jardas (ou seja, se no primeiro down o jogador avançou 4 jardas, no segundo terá de avançar 6). Uma jogada também se encerra se o jogador que está com a bola sair de campo, sendo considerado que ele avançou até a jarda em que saiu.

A defesa também pode tentar interceptar um passe, ou seja, pegar a bola lançada como se o passe tivesse sido para ela. Neste caso, a posse de bola muda imediatamente, e o jogador que interceptou pode começar a correr de volta. Caso o jogador que está com a bola deixe-a cair, será um fumble. Se outro de seu próprio time recuperar o fumble, a jogada se conclui ali; se um adversário pegá-lo a posse de bola muda, com seu time conseguindo um first down naquele ponto. Em ambos os casos, se o jogador que pegou o fumble não tocar o chão com uma parte do corpo que não seja a sola dos pés ou a palma das mãos, poderá continuar avançando até fazê-lo.

Caso a equipe ofensiva chegue ao quarto down sem ter conseguido avançar as dez jardas, poderá optar por um punt, um chutão para a frente que dá a posse de bola para o adversário, exatamente como o kickoff. Um dos jogadores do time adversário poderá pegar a bola e retornar correndo com ela até ser derrubado no ponto onde começará a primeira jogada ofensiva daquela equipe. Tanto no kickoff quanto no punt, se a bola sair de campo, a jogada começará daquele ponto ou a 30 jardas de onde a bola estava antes do chute, à escolha do time que vai receber (a não ser que ela saia pela end zone, quando sempre começará da linha de 20 jardas). Se um dos jogadores do próprio time que fez o punt pegar a bola, a primeira jogada do time adversário será naquele ponto, não podendo o jogador tentar marcar pontos (afinal, o punt dá a bola para o adversário). Caso o jogador adversário que vai pegar a bola ache que está em uma boa posição, ou que não conseguirá avançar após pegar a bola, poderá alegar fair catch, movendo o braço para os lados sobre a cabeça. Fazendo isso, nenhum oponente poderá atrapalhá-lo enquanto ele tenta pegar a bola, e assim que ele pegá-la, a jogada será dali, não podendo correr nem ser derrubado. Usar o punt normalmente é uma boa idéia porque, se for tentada uma jogada que não se concluir no quarto down, a posse de bola passa ao adversário no local onde a bola estiver, e o punt normalmente manda ela para mais longe.

Mas o objetivo do jogo não é apenas avançar de dez em dez jardas. Como em todos os esportes, é preciso marcar pontos. A forma mais legal de marcar pontos é com um touchdown, quando um time consegue levar a bola, através de corrida ou passe, até dentro da end zone adversária. Um touchdown vale 6 pontos. Imediatamente após um touchdown, o time pode tentar chutar a bola por entre o gol e conseguir um ponto extra, ou tentar uma nova jogada a partir da linha de 2 jardas, que, caso consiga levar a bola até a end zone, resultará em dois pontos extras (uma two point conversion). O ponto extra simples é tentado em 99% das vezes, por ser mais fácil de obter.

Como o touchdown é meio difícil, a forma mais comum de se fazer pontos é através de um field goal, que consiste em chutar a bola no meio do gol, e vale 3 pontos. Normalmente o field goal é tentado em um quarto down, quando a bola está a menos de 35 jardas da end zone, para garantir pelo menos uns pontinhos. Se o field goal falhar, a posse de bola passa ao adversário no local do chute, por volta de 17 jardas antes do local onde a bola estava. Finalmente, a mais rara forma de se fazer pontos é com um safety, que vale 2 pontos, e consiste em derrubar um adversário (normalmente o quarterback) dentro de sua própria end zone. Após marcar um touchdown ou field goal, o time devolve a bola para o adversário com um novo kickoff. Após um safety, o time que sofreu o safety é que dará o kickoff, mas da sua linha de 20 jardas, ou seja, além de sofrer os pontos, perderá a posse de bola.

Uma partida de futebol americano dura 60 minutos, divididos em quatro quartos de 15 minutos cada. Porém, em certas ocasiões, como quando a posse de bola muda de time, quando há um passe incompleto ou quando a bola sai de campo, o relógio pára, voltando a andar no snap, o que pode fazer com que uma partida dure umas três ou quatro horas. Se os árbitros pararem o jogo para confabular ou anunciar uma falta, o relógio também pára, mas volta a andar quando a bola estiver pronta para o jogo. Antes de cada jogada, os times têm 40 segundos para definir suas jogadas (o play clock). Caso o relógio esteja andando, estes segundos são subtraídos do tempo de jogo. Pontos extras tentados após touchdowns não fazem o relógio andar. Entre o primeiro e o segundo e entre o terceiro e o quarto quartos existe um pequeno intervalo, e a ação retorna do ponto onde parou. Entre o segundo e o terceiro quartos, porém, ocorre um intervalo longo (normalmente com direito a show do intervalo), e o terceiro quarto começa com um kickoff do time que recebeu a bola no início do jogo. A cada fim de quarto, os times mudam de lado. Caso a partida termine empatada, é disputado um "quinto quarto" de 15 minutos (o overtime), com direito a morte súbita, ou seja, quem marcar pontos primeiro vence. Se esta prorrogação teminar ainda empatada, o jogo é declarado empate. Isso, porém, é um evento raro: na NFL, desde 2002 um jogo não termina empatado após a prorrogação.

Cada time tem direito a três pedidos de tempo por metade do jogo (ou seja, três no primeiro e segundo quartos e três no terceiro e quarto quartos). O tempo pode ser pedido pelo treinador ou pelo quarterback, dura 90 segundos e pára o relógio, razão pela qual normalmente é pedido no finalzinho de cada metade. Quando estão faltando dois minutos para o fim do segundo e do quarto quartos o relógio também pára para um "tempo técnico". Além dos tempos, cada treinador tem direito a dois desafios por jogo: quando acontece uma jogada na qual ele ache que a marcação do árbitro foi equivocada, poderá desafiá-lo. O árbitro então vê um videoteipe da jogada e, se chegar à conclusão de que estava errado e o treinador certo, inverte a marcação. Se o árbitro confirmar que estava certo e o treinador errado, porém, o time que fez o desafio perde o direito a um pedido de tempo. Desafios não podem ser feitos se o time não tem mais pedidos de tempo disponíveis, ou depois dos tempo técnico dos dois minutos. Nestas ocasiões, porém, um árbitro que está assistindo ao jogo da cabine poderá contestar uma marcação, que será revista como se fosse um desafio, mas sem penalidades caso o árbitro confirme que estava certo.

Falando em árbitros, um jogo de futebol americano tem seis deles. Pode parecer um exagero, mas em um jogo com tantos detalhes, é o mínimo para assegurar que poucos erros serão cometidos. As faltas são assinaladas de uma forma curiosa: jogando um lencinho amarelo no gramado (e apitando, só para garantir). Pode parecer estranho, mas futebol americano tem faltas, e muitas delas. Afinal, um esporte de tanto contato físico tem que proteger a integridade de seus atletas. As faltas incluem agarrar o oponente pelos braços, pescoço, uniforme ou pela grade do capacete, bloquear abaixo da cintura, colocar as mãos diante dos olhos de um jogador que vai receber a bola, empurrar um jogador que está pulando, e muitos outros atos que comprometam a lisura da partida. Ações que contrariem regras sem uso de violência também são faltas, como a false start, quando um jogador do time que está atacando corre em direção à linha de scrimmage antes do snap, e o delay of game, quando um time deixa estourar o play clock sem executar uma jogada. Normalmente as faltas são punidas com a perda de 5, 10 ou 15 jardas para o time que cometeu a falta, first down automático para o time que sofreu a falta, ou, em certos casos graves, com a expulsão do jogador faltoso.



Evidentemente, o país onde o futebol americano é mais praticado é nos Estados Unidos, onde o esporte foi inventado. Lá, o futebol americano é o esporte mais popular do país desde a década de 60, quando passou o beisebol. Grande parte desta popularidade se deve à NFL, a National Football League, a principal liga profissional do país. Tendo realizado seu primeiro campeonato em 1920, a cada ano a NFL cresceu em popularidade, chegando até mesmo a absorver duas outras ligas que foram criadas para concorrer com ela, a All-America Football Conference (AAFC) em 1950, e a American Football League (AFL), em 1970. Atualmente, a NFL conta com 32 times, divididos em duas conferências, a Nacional - que tem como base os times mais tradicionais da NFL - e a Americana - que tem como base os times que vieram da AFL. Dentro de cada conferência os times estão divididos em 4 divisões (Norte, Sul, Leste e Oeste) de 4 times cada, de acordo com a posição geográfica da cidade (ou, em alguns casos, estado) que representa. Cada cidade só tem um time, exceto Nova Iorque, que tem o New York Giants (que já era da NFL) e o New York Jets (que veio da AFL). Diferentemente do que ocorre no Brasil, nos EUA os times têm dono, e é comum eles mudarem de cidade porque o dono decidiu vender ou realocar a equipe. De vez em quando isso gera a revolta da população, como quando o Cleveland Browns tentou se mudar para Baltimore em 1996 e quase teve seu estádio destruído.

Durante uma temporada da NFL cada time faz 16 jogos. Os únicos times que ele enfrenta todos os anos são os de dua própria divisão; os demais são definidos através de uma fórmula. A primeira fase dura 17 semanas (entre as semanas 6 e 10, quatro times folgam a cada semana). Se classificam para os play-offs o campeão de cada divisão, mais os dois melhores não-campeões de divisão de cada conferência (12 times ao todo). Nos play-offs os times enfrentam outros de sua própria conferência, até que só sobre um de cada, o campeão da conferência. Então, estes dois times se enfrentarão no Super Bowl, a grande final.

Inventado em 1967, quando seria um duelo entre o campeão da NFL e o campeão da AFL, o Super Bowl é tão importante que é classificado como um evento de segurança máxima, o dia de sua disputa é considerado feriado, sua audiência chega a mais da metade dos lares americanos, e trinta segundos de publicidade durante o intervalo custam um milhão e meio de dólares. O local de cada Super Bowl é escolhido com cinco anos de antecedência, sempre alternando entre um estádio de um time da Conferência Nacional e um da Conferência Americana. Embora isso seja possível, até hoje nenhum time jogou o Super Bowl em casa. Um fato interessante é que o nome "Super Bowl" saiu de uma piada: os estádios de futebol americano costumam ter formato de tigela (bowl, em inglês) e muitos jogos do futebol universitário são conhecidos como bowls (como o Sugar Bowl e o Rose Bowl). O Super Bowl, originalmente chamado NFL-AFL World Championship Game, ganhou este apelido porque seria o bowl mais importante. Acabou que pegou.

Mas o futebol americano não é popular só nos EUA. O próprio Super Bowl é transmitido para 150 países (Brasil incluído). Outros países com ligas profissionais são o Canadá, com sua CFL (Canadian Football League) e a Alemanha, com a GFL (German Football League). A NFL também tem uma filial européia, a NFL Europe (antiga WLAF, World League of American Football), atualmente com cinco times sediados na Alemanha e um na Holanda, embora já tenha tido times na Espanha, Inglaterra e Escócia. Fora do âmbito profissional, é muito popular nos EUA o futebol universitário, principalmente em cidades onde não há um time da NFL. Esta popularidade se alastrou para o México, onde foi fundada a ONEFA (Organización Nacional Estudiantil de Fútbol Americano), composta por times montados pelas universidades mexicanas.

Aqui no Brasil já existem muitos fãs deste esporte, e já foram criados vários campeonatos de futebol americano amador, jogado em campos de futebol mesmo ou na praia. Aqui no Rio de Janeiro temos o Carioca Bowl, o maior torneio do país, com 15 times que se degladiam nas praias da cidade, e teve este ano sua sexta edição, vencida pelo Botafogo Reptiles, que conquistou o tetracampeonato. Existe até uma Associação de Futebol Americano Brasileiro, a AFAB.
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domingo, 25 de dezembro de 2005

Escrito por em 25.12.05 com 0 comentários

Queen

Há muito tempo eu estou devendo um post sobre o Queen. Como não é bom deixar assuntos pendentes de um ano para o outro, e semana que vem já vai ser 2006, vai ter que ser hoje.



Meu pai gosta muito do Queen. Por essa razão, desde pequeno eu sempre ouvi as músicas cantadas por Freddie Mercury, de forma que é impossível precisar qual foi a primeira, ou por que eu também comecei a gostar da banda. Eu só comecei a me interessar pela banda, porém, um pouco tarde: depois que Freddie Mercury morreu. Na ocasião, eu comprei um Greatest Hits II. Por causa desses eventos, acontece com o Queen uma coisa interessante: é uma banda que eu absolutamente adoro, conheço todas as músicas, sei quase todas as letras de cór, mas sempre que me perguntam quais são minhas bandas preferidas, esqueço de mencioná-la. Sei lá por que isso acontece, mas é um fato.

Como este post não é para falar de mim, sigamos com a história da banda, que começou a se formar por volta de 1968, na Inglaterra, quando o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor tocavam em uma banda chamada Smile, cujo vocalista se chamava Tim Staffell. Freddie Mercury, que viria a se tornar o vocalista do Queen, cantava com outras bandas, mas conhecia o trabalho do Smile, e chegou a apresentar algumas canções que gostaria que eles desenvolvessem. Em 1970, Staffell deixou o Smile, e Mercury assumiu seu lugar. A banda se apresentou durante um ano com vários baixistas de aluguel, até que, em 1971, convidou John Deacon para se tornar membro integral. Em 1972, após apresentar uma fita demo para várias gravadoras, eles conseguiram um pequeno contrato com os Estúdios Trident, para gravar seu primeiro disco. Paralelamente a isto, eles decidiram trocar o nome da banda para Queen.

Queen também foi o nome deste primeiro disco, lançado em 1973, com um estilo de rock semelhante ao de bandas que faziam sucesso na época, como Led Zeppelin e Black Sabbath. Um aviso na contacapa garantia que "nenhum sintetizador foi usado nesta gravação", um "aviso" de que se tratava de rock puro e simples. O álbum não fez muito sucesso, mas a faixa Keep Yourself Alive ficou bem conhecida nas rádios FM.

Um ano depois, em 1974, a banda lançou um segundo álbum, chamado simplesmente Queen II, bem mais experimental que o primeiro. Na época o álbum também não vendeu bem, mas hoje ele é considerado por muitos fãs como um dos melhores trabalhos da banda. Foi deste álbum que saiu a primeira música do Queen a figurar no Top Ten britânico, Seven Seas of Rhye, que alcançou o décimo lugar. A turnê que seguiu ao lançamento do álbum começou a chamar a atenção da imprensa sobre a banda, devido a seus shows cheios de energia e envolvimento com a platéia.

O resultado foi que Sheer Heart Attack, o terceiro álbum da banda, lançado no final de 1974, foi um grande sucesso em toda a Europa, e chegou a ganhar disco de ouro nos EUA. A música Killer Queen alcançou o segundo lugar na parada britânica, e o décimo-primeiro nos EUA. Sheer Heart Attack é um álbum com canções de diferentes estilos, da balada (Lily of the Valley) ao heavy metal (Stone Cold Crazy, que foi até regravada pelo Metallica), passando por ragtime (um estilo musical norte americano do início do século XX, em Bring Back That Leroy Brown) e até ritmos caribenhos (Misfire). Tanta diversidade foi mantida em seu álbum seguinte, A Night at the Opera, de 1975, que contém a famosa e nada usual Bohemian Rhapsody, que se manteve no topo da parada britânica por nove semanas. A banda pelo jeito não se cansava de experimentar, colocando o baterista Taylor para cantar em I'm in Love with my Car, produzindo puro pop em You're my Best Friend, talvez a mais memorável das baladas em Love of my Life, e até mesmo uma faixa de 8 minutos de duração em estéreo, The Prophet's Song. A Night at the Opera vendeu como água na Grã-Bretanha, e ganhou disco de platina triplo nos EUA.

Incapazes de competir consigo mesmos, os membros da banda decidiram que seu próximo disco não iria rivalizar com o anterior, mas complementá-lo. Assim, em 1976 foi lançado A Day at the Races, disco-irmão de A Night at the Opera, mantendo o mesmo estilo, e com uma capa até parecida. Haviam planos para lançar ambos os álbuns em um mesmo pacote, mas isto nunca se concretizou. A Day at the Races não vendeu tanto quanto seu antecessor, e foi considerado pela gravadora um fracasso, mas trouxe pelo menos uma canção de respeito: Somebody to Love, uma balada onde Freddie Mercury, Brian May e Roger Taylor gravaram suas vozes múltiplas vezes, para dar a impressão de que estavam cantando com um coral de 100 vozes, e alcançou o segundo lugar da parada britânica. Na turnê deste álbum o Queen começou sua tradição de shows em estádios enormes para milhares de pessoas, tocando no Hyde Park para 150.000.

O álbum seguinte, News of the World, de 1977, foi trabalhado com este conceito em mente, ou seja, suas músicas funcionam muito melhor quando são escutadas ao vivo. Foi dele que saíram as emblemáticas We Are the Champions e We Will Rock You. A crítica torceu o nariz para o álbum, mas os shows do Queen continuavam arrastando multidões. Em 1978 a banda voltou para a experimentação com seu álbum Jazz, que tinha uma capa inspirada em uma das pinturas do Muro de Berlim, uma canção no estilo discoteca (Fun It) e até mesmo uma com um toque árabe (Mustapha). Por alguma razão, porém, o disco foi taxado pela revista Rolling Stone como "fascista", e não vendeu bem. As vendas da banda começavam a cair pela primeira vez, e Freddie Mercury atribuiu este fato à superexposição. A banda então decidiu que iria passar todo o ano de 1979 trabalhando em seu próximo álbum, sem muito alarde. Devido a um grande número de vendas de gravações piratas dos shows da banda, a gravadora decidiu lançar seu primeiro disco ao vivo, Live Killers, que acabou se tornando um sucesso estrondoso, ganhanado disco de platina em praticamente toda a Europa, e platina duplo nos EUA. 1979 também foi o ano de lançamento do single Crazy Little Thing Called Love, um rock no estilo Elvis Presley que se tornou a primeira música da banda a alcançar o topo da parada norte-americana.

Crazy Little Thing Called Love seria lançada como parte de um álbum em 1980, em The Game, o álbum do Queen que mais vendeu até hoje (disco de platina quádruplo nos EUA), desconsiderando coletâneas. The Game trazia ainda Another One Bites the Dust, uma mistura de rock e hip hop que ficou por quatro semanas no topo da parada norte-americana, e se tornou a primeira música da história a liderar as paradas de rock, dance e R&B da Billboard simultaneamente. O álbum ainda marcou o início do uso dos antes malfadados sintetizadores pela banda. 1980 também foi o ano de lançamento da trilha sonora de Flash Gordon, primeiro filme a ter toda a trilha composta pelo Queen.

1981 não trouxe um novo álbum, mas sim o single Under Pressure, que trazia a participação de ninguém menos que David Bowie. A música entraria no álbum Hot Space, e aparentemente era a única coisa que prestava nele, considerado por quase todo mundo como o pior da carreira da banda. A razão é que, após o grande sucesso de Another One Bites the Dust, o Queen decidiu deixar o rock meio de lado e investir em ritmos como R&B, hip hop, dance e funk, o que provocou a ira dos fãs. Essa ira fez com que o grupo voltasse à sua linha anterior em The Works, álbum de 1984 que trazia dentre suas faixas o rock experimental de Radio Ga-Ga, o pop de I Want to Break Free e o hard rock de Hammer to Fall. Todas estas músicas foram grandes sucessos, mas o álbum não, vendendo pouco fora da Grã-Bretanha. Desconfia-se que uma das razões para isso fosse o clip de I Want to Break Free, onde os membros da banda apareciam vestidos de mulher, em uma paródia à novela britânica Coronation Street, que não era conhecida fora do Reino Unido. Tais críticas e o fato de que as vendas começavam a cair novamente levaram os membros da banda a se envolverem em vários projetos solo durante este período.

Talvez o Queen pudesse ter acabado por causa disso, mas o ano seguinte foi 1985, e trouxe dois grandes concertos, o Live Aid e o Rock in Rio. O Queen foi convidado para tocar em ambos, e em ambos roubou a cena. Isto foi um grande incentivo para a banda, que se reuniu novamente em estúdio e lançou o single One Vision, que acabou entrando na trilha do filme Águia de Aço. Logo após, o Queen foi convidado para fazer a trilha de mais um filme, Highlander. A trilha de Highlander não foi lançada separadamente como a de Flash Gordon, mas adicionada a algumas canções inéditas que deram origem a mais um álbum da banda, A Kind of Magic, de 1986. O Queen estava novamente no topo das paradas e de volta às vendas milionárias, graças a canções como Who Wants to Live Forever?, A Kind of Magic e Friends Will Be Friends. A turnê de A Kind of Magic, batizada The Magic Tour, teve ingressos esgotados em praticamente todos os shows. Seu show no estádio de Wembley deu origem ao que os fãs consideram como o registro definitivo do Queen ao vivo, o álbum duplo Queen Live at Wembley Stadium, mais tarde lançado em VHS, e recentemente em DVD. Durante este show, Freddie Mercury garantiu aos fãs que a banda jamais acabaria enquanto eles vivessem, o que levou a multidão ao delírio. A banda ainda tentou agendar um último show para a turnê em Wembley, mas não haviam horários disponíveis. Eles acabaram encerrando a turnê se apresentando para 120.000 fãs no Knebworth Park, em um show onde os ingressos se esgotaram em duas horas. Infelizmente, esta foi a última apresentação ao vivo do Queen com todos os seus membros originais.

Em 1987 e 1988 os membros da banda se envolveram em projeots solo, como o famoso dueto de Freddie Mercury e Montserrat Caballé em seu disco Barcelona. Somente em 1989 eles lançaram um novo disco, The Miracle, que manteve a mesma linha pop-rock de A Kind of Magic, com canções como Invisible Man e Breakthru, e resgatava o estilo mais "hard" de outros tempos com I Want It All. Freddie Mercury, porém, havia contraído Aids, e sua saúde piorava a cada dia. Mesmo com os tablóides noticiando este fato, ele negava qualquer rumor com veemência, e chegou a trabalhar com a banda, mesmo debilitado, no que seria seu último álbum, Innuendo, de 1991. As canções Innuendo, Headlong, These Are The Days of Our Lives e The Show Must Go On se tornaram grandes sucessos, mas os fãs já se preparavam para o pior. Em 23 de novembro de 1991, deitado em sua cama, Freddie MErcury finalmente anunciou ao mundo que tinha Aids. Menos de 24 horas depois, ele estava morto, aos 45 anos.

Em abril de 1992 foi realizado o The Freddie Mercury Tribute Concert, um grande concerto em homenagem ao músico, onde os demais membros do Queen se apresentaram em companhia de grandes astros como Elton John, David Bowie, George Michael, Guns n' Roses e Metallica, tocando seus maiores sucessos. A banda jamais se separou oficialmente, e até hoje trabalha em alguns projetos que tentam resgatar a grandiosidade do Queen com artistas convidados, embora John Deacon tenha se declarado "aposentado", e só apareça raramente. Ainda foi lançado um último álbum, Made in Heaven, com material de estúdio inédito gravado antes da morte de Freddie Mercury. De vez em quando é feito um concerto em tributo ao Queen, e eventualmente tais concertos são lançados em CD ou DVD.

Este ano, o Queen voltou com uma nova formação, composta por Brian May, Roger Taylor e o vocalista Paul Rodgers. Para não gerar a ira dos fãs, o projeto ganhou o nome de Queen featuring Paul Rodgers, para não passar a impressão de que Rodgers estaria substituindo Freddie Mercury. Infelizmente, parece que não funcionou, já que o disco não teve boas vendas. Freddie Mercury parece ter deixado um buraco na história da música impossível de se tapar.
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domingo, 18 de dezembro de 2005

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Tapa-Buraco (IV)

Aqueles que frequentam o átomo há um pouco mais de tempo devem se lembrar de que aqui havia um post sobre o Kamen Rider. Hoje, eu decidi transformá-lo em uma série, na qual o post original não encontraria lugar, de forma que decidi substituí-lo por esse tapa-buraco. E tapa-buraco, no átomo, significa letra de música da Tori Amos.

Portanto, fãs de Kamen Rider, não se desesperem, basta ir até aqui para encontrar a série. E fãs de Tori Amos, fiquemos com uma letra de uma das faixas do álbum To Venus and Back.

1000 Oceans
Letra e música: Tori Amos


These tears I've cried
I've cried 1000 oceans
And if it seems
I'm floating
Floating in the
Darkness, well,
I can't believe that I would keep
Keep you from flying
And I would cry 1000 more
If that's what it takes
To sail you home
Sail you home
Sail you home

I'm aware what the rules are
But you know that I will run
You know that I will follow you
Over silbury hill
Through the solar field
You know that I will follow you

And if I find you
Will you still remember
Playing at trains
Or does this little blue ball
Just fade away
Over silbury hill
Through the solar field
You know that I will follow you
I'm aware what the rules are
But you know that I will run
You know that I will follow you

These tears I've cried
I've cried 1000 oceans
And if it seems
I'm floating
Floating in the
Darkness, well,
I can't believe that I would keep
Keep you from flying
So I will cry 1000 more
If that's what it takes
To sail you home
Sail you home
Sail you home
Sail
Sail you home
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domingo, 11 de dezembro de 2005

Escrito por em 11.12.05 com 0 comentários

Rinoceronte

Todo mundo tem um bicho preferido. Alguns gostam de cachorros, outros de gatos, minha namorada adora onças, e tenho uma prima que ama chimpanzés. Quanto a mim, meu animal preferido é o rinoceronte. Desde criança, sempre achei aquele bicho meio desengonçado, com aparência de blindado, cabeçudo, com orelhinhas minúsculas e um enorme chifre no nariz uma das coisas mais fofas do mundo. Gosto não se discute.

Rinoceronte negro


Para minha infelicidade (e de milhares de ambientalistas no mundo inteiro), o pobre rinoceronte está em extinção. Tudo porque algumas culturas acreditam que seu chifre, quando moído, possui propriedades afrodisíacas. Como se isso já não fosse o bastante, em alguns países árabes (mais notadamente Iêmen e Omã), adagas feitas com chifre de rinoceronte são valiosíssimas. Como o rinoceronte não vai entregar seu chifre assim para qualquer um, a única forma de tirá-lo é matando o bicho antes. E aí centenas de rinocerontes morrem todos os anos para que alguns homens possam aumentar sua potência sexual ou exibir uma bela arma branca para os amigos. O que, além de uma pena, é uma tremenda ignorância.

O nome rinoceronte vem de duas palavras gregas: rhino, que significa nariz, e keros, que significa chifre. Evidentemente, ele ganhou este nome por causa da característica que diferencia o rinoceronte de todos os outros mamíferos: um chifre no nariz. Ao contrário do que muita gente pensa, o chifre do rinoceronte não é um osso: ele é feito de pêlos muito pequenos e muito compactos, tão compactos que formam uma estrutura duríssima. Outras características comuns a todos os rinocerontes são a pele muito espessa (cerca de 7cm), as orelhas pequeninas e as patas com três dedos cada. Rinocerontes cheiram e ouvem perfeitamente, mas não enxergam muito bem. É mentira, porém, dizer que são burros, irritadiços e atacam sem motivo. Na verdade, é um animal muito dócil, e só investirá contra prováveis agressores caso se sinta ameaçado, como qualquer animal selvagem. Apesar de grandalhão, o rinoceronte é muito veloz (alcança 50Km/h), e uma investida sua pode até virar um carro. Um rinoceronte vive cerca de 45 anos, e atinge a maturidade entre 5 e 8 anos de idade. As fêmeas têm um filhote por vez, normalmente a cada três anos, após um período de 16 meses de gestação. O rinoceronte é o segundo maior mamífero terrestre, perdendo apenas para o elefante, e logo à frente do hipopótamo, do qual não é parente, como muitos acreditam.

Hoje em dia ainda existem cinco espécies de rinocerontes, duas nativas da África e três da Ásia. O menos ameaçado de extinção é o rinoceronte branco (ceratotherium simum). Natural da África, ele não é branco, como seu nome afirma, mas sim acinzentado. A origem do nome foi um simples engano: das duas espécies de rinocerontes africanos, o branco é o que tem a boca mais larga, portanto, ele era chamado pelos africanos de weid ("largo" em afrikaans), palavra que foi confundida pelos ingleses com white ("branco", em inglês).

Rinoceronte branco


Um rinoceronte branco possui dois chifres, um maior, na ponta do nariz, e um menorzinho, logo acima. Sua boca é larga e achatada, pois ele a usa para comer grama. Mesmo com esta dieta, um rinoceronte branco pesa entre 1.800 e 2.700Kg. Um animal adulto pode chegar a 1,80m de altura, e até 5m de comprimento, da ponta do nariz até a cauda. Como sua cabeça é muito grande e pesada, o rinoceronte branco apresenta uma "corcundinha", para ajudar na sustentação do pescoço. Estima-se que existam por volta de 11.300 rinocerontes brancos em estado selvagem, espalhados pelo nordeste e sul da África.

A outra espécie africana é o rinoceronte negro (diceros bicornis), que, adivinhem, também não é preto. Na verdade, ele só um pouquinho mais escuro que o branco, e ganhou este nome porque, já que o outro era o branco, esse que era mais escuro tinha que ser o negro. Ele também tem dois chifres, embora o maior seja mais fino que o do rinoceronte branco. Sua cabeça é menor, não tem a corcundinha, mas a testa é mais pronunciada, e sua boca possui um "bico" (na verdade, um prolongamento do lábio superior), utilizado para quebrar os galhos da vegetação rasteira da qual se alimenta. O rinoceronte negro é menorzinho, tendo 1,60m de altura e 3,5m de comprimento e pesando entre 800 e 1.350Kg. Estima-se existirem ainda 3.610 rinocerontes negros no leste da África. A situação se agrava porque esta espécie é muito mais difícil de se reproduzir em cativeiro.

A situação dos rinocerontes africanos pode ser triste, mas a dos asiáticos é ainda pior. A espécie de rinoceronte mais ameaçada de extinção é a do rinoceronte de Java (rhinoceros sondaicus), somente encontrado em dois locais específicos, um na Indonésia e outro no Vietnã. Segundo a última contagem, feita em 2002, apenas 60 rinocerontes de Java ainda estavam vivos. Eles continuam sendo caçados, não há programa oficial de proteção, e a reprodução em cativeiro é quase inexistente, fatos que, infelizmente, podem contribuir para a eventual extinção total da espécie. Um rinoceronte de Java se distingue de seus parentes africanos por ter um único chifre, bem curto, e somente presente nos machos. Sua pele, de cor cinza ou marrom, é mais larga que o corpo, o que faz com que se dobre, dando a aparência de placas. Um rinoceronte de Java pode chegar a 1,70m de altura por 4m de comprimento, e pesar 2.300Kg. Sua dieta consiste de folhas de árvore que ele alcança com seu pescoço um pouco mais longo que o dos demais rinocerontes.

O segundo rinoceronte mais ameaçado do mundo é o rinoceronte de Sumatra (dicerorhinus sumatrensis), com 300 animais espalhados pelo sudeste asiático. Este rinoceronte é bem diferente dos outros, sendo o único peludo, apresentando longos pêlos castanho-avermelhados. O rinoceronte de Sumatra também é o único da Ásia com dois chifres, e é o menor de todos os rinocerontes, tendo 1,40m de altura por 3m de comprimento, e pesando entre 600 e 950Kg. A proteção aos rinocerontes de Sumatra selvagens também é deficiente, mas felizmente sua reprodução em cativeiro está começando a dar certo nos Estados Unidos.

O rinoceronte asiático de situação mais tranqüila é o rinoceronte indiano (rhinoceros unicornis), encontrado na Índia e no Nepal. Ainda assim, apenas 2.400 animais ainda sobrevivem em estado selvagem, embora esforços sejam feitos pelo governo da Índia para aumentar este número. O rinoceronte indiano é o maior dos rinocerontes, podendo atingir 2m de altura por 4m de comprimento, e pesar até 3 toneladas. Sua pele também é mais larga e forma dobras que dão uma aparência de blindagem. Possui um único chifre, meio arredondado no topo, e costuma comer grama e vegetação rasteira.

Rinoceronte indiano


Em todo o planeta, diversas instituições batalham para salvar o rinoceronte, seja combatendo a caça, criando reservas ambientais onde eles podem viver em paz, ou financiando pesquisas que facilitem a reprodução em cativeiro. Também é importante cuidar dos órfãos e feridos eventualmente encontrados, para que um dia eles possam ser devolvidos à vida selvagem. Afinal, o local de qualquer animal selvagem é ao ar livre, vivendo sua vida sem que ninguém tenha nada a ver com isso. Eu espero sinceramente que um dia os pobres rinocerontes deixem de ser caçados, ou correremos o risco de só encontrá-los em zoológicos e fotografias. E isso é muito triste.
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domingo, 4 de dezembro de 2005

Escrito por em 4.12.05 com 0 comentários

Metal Heroes (IV)

E hoje teremos a última parte do post sobre os Metal Heroes, com as duas últimas séries do gênero, e mais um herói bem conhecido do público brasileiro como bônus especial!

Sekai Ninja Sen Jiraiya
1988


JiraiyaSeguindo em sua estratégia de fazer Metal Heroes sem ligação com os Detetives Espaciais, em 1988 a Toei optou por uma fórmula ousada, sem Monstros da Semana ou heróis superpoderosos. Assim surgiu a Sociedade de Batalhas Ninja Jiraiya, que adaptava os ninja para a época atual, com espadas laser e armaduras coloridas. Por mais estranho que isso possa parecer, Jiraiya foi um grande sucesso, e causa estranhamento que tal fórmula jamais tenha sido repetida.

A história começa há muitos séculos, quando é descoberta no Japão uma fonte de energia quase infinita, conhecida como Pako. Para impedir que tal fonte caia em mãos erradas, um bravo guerreiro, de nome Jiraiya, é escolhido para guardá-la e protegê-la. Como era de se esperar, surge um vilão, Dell Star, que veio do espaço para roubar Pako e dominar o universo. Após uma grande batalha, Jiraiya finalmente derrota Dell Star, e o trancafia em uma caverna. Alguns anos mais tarde, Jiraiya se casa com uma humana, fundando a família Tokagure. Para que Pako jamais caia em mãos erradas, ele o esconde, descrevendo sua localização em um pergaminho secreto, que ficará sob a guarda de sua família até que chegue o momento de revelar Pako ao mundo.

O tempo passa e, na época atual, a família Tokagure não existe mais. O pergaminho atualmente encontra-se sob a proteção da família Yamaji, composta pelo patriarca Tetsuzan, um mestre do ninjitsu, e seus três filhos, Toha, Kei e Manabu. Um dos ex-alunos de Tetsuzan, ao descobrir sobre o pergaminho, tentou roubá-lo, matando a esposa de Tetsuzan e ferindo-o no processo. Este ex-aluno só conseguiu uma pequena parte do pergaminho, mas jurou obter o resto e ficar com Pako para seus próprios fins, mudando seu nome para Dokusai (que significa "tirano" em japonês) e fundando o Império dos Ninja.

Incapaz de proteger sozinho o que restou do pergaminho, Tetsuzan chama Toha, seu filho mais velho, e lhe faz uma revelação: ele é adotado, e o último representante da família Tokagure. Seus pais morreram protegendo o pergaminho, mas antes disso confiaram o pergaminho e a guarda de seu único filho a Tetsuzan, juntamente com as armas sagradas da família: a armadura Jiraiya e a Espada Olímpica. Neste momento de dificuldades, cabe a Toha utilizar tais armas sagradas, se transformando no 35o Jiraiya, e impedindo Dokusai de cumprir seu propósito maligno.

Ao fundar o Império dos Ninja, Dokusai trouxe para o seu lado vários ninja malignos, como sua filha Benikiba, seu braço-direito Retsuga, a feiticeira Aracnin Morgana, e os terríveis homens-corvo, que na verdade são demônios imortais. A cada episódio, surgem novos ninja malignos que Jiraiya deve enfrentar (ou seja, não existe o Monstro da Semana, mas sim o Ninja da Semana). Jiraiya também conta com a ajuda de vários ninja que lutam pelo bem, como o Barão Owl, antigo aliado de Tetsuzan; Reiha Yagyu, uma prima distante de Toha; e a misteriosa Eminin Emiha, que mais tarde se revela como sendo ninguém menos que Kei. Alguns ninja começam como inimigos, mas mais tarde passam a ser aliados de Jiraiya, como Lenin Wild e o Homem-Míssil. No final da série, o próprio Dell Star consegue se livrar de sua prisão, mas é derrotado de uma vez por todas por Jiraiya e seu recém-descoberto robô gigante Deus Jirai, que nada mais é do que o local onde Pako está escondido.

Jiraiya teve 50 episódios, exibidos no Brasil pela Rede Manchete, no início da década de 90, sob o nome de Jiraiya, o Incrível Ninja.

Kidou Keiji Jiban
1989


JibanConsiderado por muitos como uma cópia do Robocop (o que não está tão longe assim da verdade, embora "homenagem" seja um termo mais bonito), o Detetive Móvel Jiban foi a aposta da Toei para o Metal Hero de 1989. Embora não tenha feito um sucesso tão grande quanto Jiraiya, Jiban acabou acidentalmente criando um novo estilo de Henshin Hero, que viria a substituir os próprios Metal Heroes.

Tudo começa quando o Dr. Igarashi, renomado cientista, e sua neta Ayume são atacados por um monstro Bionoid. Os Bionoids são criações da empresa Bioron (que aqui no Brasil virou algo como Baiolon), que planeja destruir todos os humanos do Japão, substituindo-os por formas de vida mais avançadas. O Bionoid estava atrás do Projeto Jiban, nova criação de Igarashi, através do qual um humano comum poderia ser transformado em um ciborgue superpoderoso. Durante o ataque, surge o policial Naoto Tamura, que consegue deter o Bionoid, mas é morto durante a luta. Vendo a bravura do jovem, o Dr. Igarashi decide utilizar seu cadáver para o Projeto Jiban. Antes que Jiban possa ser ativado, porém, o Dr. Igarashi morre, e a verba para o projeto é cortada.

Os ataques de Bioron se intensificam, e a polícia não tem condições de deter os terríveis Bionoids. Ayume, sabendo que Jiban seria o único capaz de tal feito, decide ativá-lo. Mesmo confuso por ter ressucitado como um ciborgue, Naoto aceita sua missão, e passa a combater Bioron como Jiban, ao mesmo tempo que atua como policial para preservar sua verdadeira identidade.

Naoto pode se "transformar" em Jiban e de volta em humano conforme sua vontade (aparentemente, o Dr. Igarashi era mais competente que a OCP). Na forma de Jiban, ele conta com três veículos, a moto Bikan, a nave Spiras e o carro Lezon. Suas principal arma é a pistola Maxmillion Gun, capaz de se transformar na espada Maxmillion; mas ao longo da série Jiban ganha muitas outras. Jiban tem ainda dois robôs ajudantes, Boris e Halley. Como Naoto, ele conta com a ajuda de seus colegas policiais, mais notadamente sua parceira Yoko Katagiri, o chefe Kyoshiro Muramatsu, e a Comissária Samantha (que no original japonês se chamava Bando).

A organização Bioron é liderada pelo cientista Jean Marie (que no original se chamava Dr. Giba), aparentemente humano, mas na verdade um monstro resultado de uma experiência malsucedida do Dr. Igarashi. Roubando planos de Igarashi, Jean Marie conseguiu criar duas ajudantes para si, Marsha e Kanon, também possuidoras de duas formas, humana e monstruosa. O próximo passo foi criar os Bionoids, terríveis monstros de engenharia genética, e principais armas da Bioron na execução de seu plano maligno. No episódio 17, Jean Marie consegue criar um ciborgue superpoderoso, Madogarbo, que chega a derrotar Jiban em uma luta, e assumir sua identidade por uns tempos. No episódio 28 ainda surge uma nova vilã, a Rainha Cosmos, uma alienígena que pretende destruir todos os homens da Terra, para criar um império só de mulheres.

Jiban teve 52 episódios e um filme para o cinema. Sob o nome de Policial de Aço Jiban, foi exibido no Brasil no início da década de 90, pela Rede Manchete. Os últimos episódios, porém, jamais foram exibidos por aqui.

Depois de Jiban, a Toei parou de produzir Metal Heroes e, aproveitando o tema, criou um novo subgênero de Henshin Heroes, os seriados de Rescue Mission (também conhecidos como Police Heroes, embora este nome não seja oficial). Os seriados de Rescue Mission trazem como heróis policiais, bombeiros ou equipes de salvamento, capazes de se transformar e ganhar incríveis poderes, normalmente utilizados para salvar pessoas de situações de perigo, e não para combater Monstros da Semana (embora isso eventualmente aconteça). Ao todo, foram produzidas cinco séries de Rescue Mission: Winspector, Solbrain, Exceedraft, Janperson e Blue Swat. Mas isso já é outra história.

Seiun Kamen Machineman
1984


MachinemanA maioria dos seriados de Tokusatsu é dirigida ao público adolescente e pré-adolescente, mas existem alguns dirigidos ao público infantil. Um bom exemplo, conhecido do público brasileiro, é o Máscara da Nebulosa Machineman. Eu já vi por aí gente traduzindo como "máscara nebulosa", mas, na minha opinião, essa tradução é equivocada por passar uma imagem errônea do sentido da palavra "nebulosa", que se refere à formação espacial conhecida como nebulosa (algo como uma "nuvem espacial", que em japonês se chama Seiun), e não ao adjetivo "nebuloso". E, para quem não sabe inglês, "machine" quer dizer "máquina".

Voltando ao assunto, Machineman foi produzido pela Toei, mas não é considerado um Metal Hero, sendo direcionado ao público infantil e tendo sido exibido na Nippon TV (os Metal Heroes, assim como os Sentai, eram exibidos na TV Asahi). A destinação a um público de faixa etária mais baixa se torna evidente se considerarmos a grande quantidade de humor presente nos episódios, os personagens estereotípicos e as histórias de enredo simples. Sim, até para os padrões do Tokusatsu, estas coisas eram mais acentuadas em Machineman.

A história começa quando o estudante Nikku, proveniente do planeta Ab, vem à Terra em sua nave Space Colony estudar o comportamento dos estranhos seres humanos para um trabalho escolar. Acompanha Nikku um pequeno robô em formato de bola de beisebol, que atende pelo nome de Ball Boy. Ao chegar aqui, Nikku decide utilizar o nome Ken Takase, e logo faz amizade com a fotógrafa Maki (cujo nome no original era Gunko; interpretada pela mesma atriz que um ano mais tarde faria a Anri do Jaspion).

Ken e Maki acidentalmente descobrem que existe uma organização criminosa conhecida como Tentáculo que planeja dominar todo o mundo, começando pelo Japão. Para impedi-los, Ken decide utilizar a avançada tecnologia de seu planeta, transformando-se no poderoso Machineman. O arsenal de Machineman consiste de sua armadura indestrutível (que não protegia a boca, por alguma razão), sua espada laser (que parecia um florete), sua pistola de raios e seu carro Dolphin, que podia se transformar em jato, ou ficar em pé, sugerindo que iria se transformar em robô, algo que nunca aconteceu. Ao contrário de muitos outros heróis, a nave de Machineman não se transforma em nada.

A organização Tentáculo é liderada pelo Professor K, um velhinho numa cadeira de rodas que tem por ajudante uma arara falante. O Professor K odeia todas as crianças do mundo, e quer estragar a felicidade de todas elas. Além de dominar o mundo, lógico. Lá pelo meio da série, Machineman consegue derrotar o Professor K, mas surge sua neta Lady M, que funda uma nova organização criminosa, a Polvo. Lady M odeia ainda mais as crianças que seu avô, chegando a ter uma alergia que a faz espirrar e ficar com um enorme nariz vermelho quando se aproxima de uma delas.

Machineman teve 36 episódios, que foram exibidos aqui no Brasil no início da década de 90 pela Rede Bandeirantes. Pessoalmente, eu não gostava. Na minha opinião, este é o quarto pior Tokusatsu exibido no Brasil (só perdendo para Patrine, Lion Man e Bicrossers - argh, lembrei dos Bicrossers de novo!). Havia uma coisa na série, porém, que eu adorava, e adoro até hoje: a música da abertura. Na verdade, acho que eu quis falar do Machineman só para colocar um pedaço dela ali em cima.

Série Metal Heroes

Jiraiya
Jiban
Machineman

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