Hoje é dia de prosseguir com os posts sobre baralho, chegando ao baralho alemão. Pouquíssimo conhecido fora da Europa, em países como a República Tcheca, Hungria, Áustria e, evidentemente, Alemanha, o baralho alemão é o mais famoso, sendo o preferido dos jogadores e o mais utilizado em jogos tradicionais. Uma das razões para esta popularidade está em seus naipes e figuras, mais próximos da população alemã do século XV, quando o baralho surgiu, do que os naipes pomposos dos baralhos latinos, ou abstratos dos franceses.
A escolha de tais naipes não se deu por acaso; o baralho alemão é um descendente direto das Cartas de Caçada, baralhos que traziam figuras relacionadas à caça esportiva, com naipes como falcões, patos, raposas e cachorros, muito populares dentre os nobres alemães da época, mas inacessíveis à população, pois eram fabricados à mão, finamente trabalhados, pintados com tintas caras e decorados com folhas de ouro. Na verdade, poucos imaginam que as Cartas de Caçada tenham sido usadas para jogar, sendo o mais provável que fossem ofertadas como finos presentes, e guardadas em algum lugar de destaque.
Pois bem, em algum momento do século XV, os baralhos espanhóis começaram a chegar à Alemanha, e, com eles, vieram novas técnicas de produção, como os já famosos blocos de madeira entalhados, que permitiram que os baralhos finalmente se tornassem acessíveis ao povo em geral. Ao invés de simplesmente copiar os naipes espanhóis, porém, os primeiros fabricantes alemães decidiram inventar seus próprios naipes. Há uma lenda que diz que isto foi feito para que se pudesse vendê-los como se as Cartas de Caçada finalmente estivessem disponíveis para a plebe, mas, como provavelmente o cidadão comum nem sabia que as Cartas de Caçada existiam, talvez os fabricantes tenham simplesmente decidido usar símbolos mais próximos de sua realidade.
Assim, cada naipe espanhol foi substituído por um correspondente facilmente encontrado na vida campestre: as espadas se tornaram inofensivas folhas verdes; as clavas ou bastões viraram bolotas, um tipo de castanha abundante no hemisfério norte e principal alimento dos esquilos; as moedas foram substituídas por guizos, um tipo de sino redondo e com uma pedrinha dentro, que normalmente era amarrado ao pescoço dos animais, para que seu dono soubesse onde eles estão; e as trabalhadas taças se transformaram em simples corações, vermelhos ou coloridos. Em alemão, estes naipes se chamam, respectivamente, Laub, Eichel, Schellen e Herz; em português eles não têm um nome oficial, mas eu gosto de chamá-los de Folhas, Castanhas, Sinos e Corações.
Infelizmente, muito pouco sobrou dos baralhos alemães originais, então alguns detalhes, como seu número de cartas, são desconhecidos. Especula-se, porém, que os primeiros baralhos alemães tinham 48 cartas, como os espanhóis que lhes deram origem; um problema com esta teoria é que o baralho alemão, até hoje, possui a carta do 10, enquanto os baralhos espanhóis não a têm. Mas seja quantas cartas ele tinha quando criado, o fato é que um baralho alemão é hoje o menor de todos, com um exemplar típico tendo apenas 32 cartas (embora alguns padrões regionais sejam comercializados em versões de 24, 36 ou 40 cartas, como veremos no próximo post), sendo oito de cada naipe. Destas oito cartas, quatro são numéricas, representando o 7, 8, 9 e 10 de cada naipe. E as outras quatro são bastante curiosas.
Bem, talvez menos o Rei (em alemão, König), a figura mais valiosa das três presentes no baralho alemão. Todo baralho tem um Rei de cada naipe, e o alemão não é exceção; em alguns padrões ele está sentado em um trono, em outros está montado a cavalo, em alguns é identificado pelo índice K, e em todos ele tem uma coroa na cabeça, para que não restem dúvidas de que ele é um Rei. Em suma, um Rei de um baralho alemão não é nada diferente de um do baralho francês ou latino.
É com a segunda figura mais valiosa que as coisas começam a ficar esquisitas. Originalmente, ele deveria ser um cavaleiro, mas por alguma razão desconhecida ele acabou "desmontado" nos demais padrões. Em alemão, esta figura se chama Oberknabe, algo como "valete superior", mas é mais conhecido como Ober ou Over, e em baralhos com índices é marcado com a letra O. Para todos os efeitos, o Ober nada mais é que um Cavaleiro sem cavalo, e sua figura é a de um homem experiente, muitas vezes armado.
Abaixo do Ober temos outra figura masculina. Como ele é o menos importante dos três, recebeu o nome de Unterknabe, algo como "valete inferior", e o apelido de Unter ou Under, sendo marcado com a letra U em baralhos com índices. O Unter é uma espécie de escudeiro, normalmente representado por um homem jovem, que também pode estar armado. Para dizer a verdade, só de olhar para as figuras das cartas é praticamente impossível saber quem é Ober e quem é Unter, então os fabricantes criaram um sistema curioso para que a diferenciação fosse possível em baralhos sem índices: nas cartas dos Obers, o símbolo do naipe está sempre na parte superior da carta (em figuras impressas em ambos os sentidos, perto da borda), enquanto nos Unters o naipe fica na parte inferior da carta (ou perto do meio).
Finalmente, temos a carta mais valiosa do baralho, o Daus. Como o nome pode sugerir, o Daus originalmente era a carta do 2, e por essa razão ele possui dois símbolos do naipe. Com o passar do tempo, talvez por influência dos baralhos franceses, o Daus foi "promovido a Ás", e, conseqüentemente, a carta mais valiosa de todas, passando a valer mais até do que o Rei. As cartas dos Daus costumam ser ricamente decoradas, com animais, brasões ou cenas campestres, e, em baralhos com índices, eles são marcados com a letra A, o que faz com que muitos jogadores não-alemães os chamem de Ases.
Originalmente, todos os baralhos alemães tinham as figuras impressas em um único sentido da carta; com o passar do tempo, sob influência dos baralhos franceses e do norte da Itália, todos os padrões originários de cidades alemãs passaram a ter as figuras impressas em ambos os sentidos da carta, o que até facilitou a vida dos jogadores. Apenas dois padrões regionais, ambos originários de cidades de fora da Alemanha, ainda são fabricados com as figuras impressas em um único sentido. Os índices também surgiram por influência dos baralhos franceses, passando a ser adicionados a alguns padrões regionais a partir do século XIX.
O mais antigo padrão regional alemão conhecido é hoje chamado de Altbayerisches, que significa "bávaro antigo", pois era originário da região da Bavária. Curiosamente, quatro dos padrões regionais ainda existentes são evoluções do Altbayerisches, que ganharam alguns detalhes e mudaram outros ao longo dos anos. Por esta razão, estes padrões têm vários detalhes em comum, como um dez em romanos (X) no topo da carta de valor 10, mesmo que já haja um índice 10 em seus cantos. Algumas destas características ficaram tão fortemente associadas ao baralho alemão que se alastraram para outros padrões, que nada tinham a ver com o Altbayerisches.
Versões enfeitadas de baralhos alemães existem, mas são raras. Normalmente elas são temáticas, trazendo cenas e personagens de alguma lenda ou história, como o Altenburger Bauertrachten da ASS, que traz personagens históricos da cidade de Altenburg; ou caricaturais, com Reis, Obers e Unters cartunescos, como o Schachspiel Skatblatt, também da ASS, que traz peças de xadrez estilizadas nas cartas. Estas variações enfeitadas não pertencem a nenhum padrão, justamente como ocorre com o baralho latino. As variações enfeitadas são populares entre crianças e colecionadores, mas a maioria dos jogadores prefere jogar com os padrões "oficiais".
Atualmente ainda sobrevivem nove padrões regionais do baralho alemão; ao longo da história, porém, muitos outros existiram, sendo abandonados pelos jogadores e caindo em desuso. Dentre estes podemos citar o padrão de Ansbach, originário da cidade de Nuremberg, que fica a uns 40 Km de Ansbach, cidade que acabou lhe emprestando o nome. O baralho de Ansbach era considerado um dos mais antigos, vindo de uma linhagem que podia ser traçada até os padrões originais. De figuras simples e bastante coloridas, impressas em um único sentido da carta, com traços que buscavam imitar as figuras produzidas pelos blocos de madeira entalhados até mesmo quando sua fabricação já não usava este método, este padrão foi bastante popular durante um tempo, mas sumiu sem deixar vestígios na metade do século XX. Por ter desaparecido tão recentemente, algumas edições ainda podem ser encontradas à venda, mas por um preço bastante salgado, sendo reservadas principalmente a colecionadores.
Outro padrão curioso, este de fora da Alemanha, é o padrão russo, originário do século XIX, da cidade de São Petesburgo. Suas cartas são decoradas com cenas e figuras circenses, principalmente o naipe de Sinos, onde o Ober é um joão-bobo e o Unter um acrobata. Este padrão desapareceu no início do século XIX, mas restaram alguns exemplares bem preservados, e hoje ele até pode ser encontrado na forma de uma edição especial lançada em 1995 pela austríaca Piatnik, com o nome de Aus Russland ("Na Rússia").
Finalmente, podemos citar o padrão de Lemberg, originário da cidade de Lviv (que em alemão se chama Lemberg), na Ucrânia. Este baralho era "ambientado" no norte da África, com várias de suas cartas depictando cenas da vida cotidiana daquele continente, e cada naipe representando um exército, que lutava em alguma das muitas guerras que lá se desenrolaram na época da colonização. Estima-se que este baralho tenha surgido por volta de 1848 em Lviv, tendo migrado para a Polônia e de lá para a Áustria pouco depois, onde ganhou o apelido de "cartas mauritanas" devido aos seus desenhos (pois as pessoas relacionavam as cenas à Mauritânia, uma ex-colônia francesa do norte da África). O padrão de Lemberg teve vida curta, sendo fabricado até 1920, quando, por alguma razão, foi descontinuado. Hoje em dia ele só existe nas mãos de colecionadores.
O sumiço, infelizmente, parece ser o destino de muitos outros padrões regionais do baralho alemão. Ainda hoje, alguns deles estão desaparecendo aos poucos, por culpa do capitalismo: todas as principais fabricantes de baralhos alemãs foram compradas por uma única empresa, a belga Carta Mundi, que pretende se tornar (se é que já não se tornou) a maior fabricante de baralhos do planeta. Até aí tudo bem, o problema é que, de 2003 para cá, a Carta Mundi decidiu parar de produzir os baralhos que ela não considerar rentáveis, ou seja, aqueles que estiverem vendendo pouco - sejam eles variações enfeitadas ou padrões regionais. Isto levou à descontinuação de toda a linha da fabricante F. X. Schmid, bem como de alguns padrões da ASS, a mais famosa fabricante alemã, que só serão relançados no futuro na forma de edições especiais. A única grande fabricante alemã que não foi adquirida pela Carta Mundi, a Nürnberger, também descontinuou grande parte de sua linha, incapaz de competir com os preços da gigante belga. Graças à popularidade que o baralho alemão tem dentre os jogadores, provavelmente ele não sumirá, mas ainda assim já se especula que, em um futuro bem próximo, só serão encontrados no mercado uns dois ou três padrões regionais diferentes, o que é uma pena para todos os amantes do baralho.
Em breve, veremos os nove padrões regionais que ainda resistem!
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A escolha de tais naipes não se deu por acaso; o baralho alemão é um descendente direto das Cartas de Caçada, baralhos que traziam figuras relacionadas à caça esportiva, com naipes como falcões, patos, raposas e cachorros, muito populares dentre os nobres alemães da época, mas inacessíveis à população, pois eram fabricados à mão, finamente trabalhados, pintados com tintas caras e decorados com folhas de ouro. Na verdade, poucos imaginam que as Cartas de Caçada tenham sido usadas para jogar, sendo o mais provável que fossem ofertadas como finos presentes, e guardadas em algum lugar de destaque.Pois bem, em algum momento do século XV, os baralhos espanhóis começaram a chegar à Alemanha, e, com eles, vieram novas técnicas de produção, como os já famosos blocos de madeira entalhados, que permitiram que os baralhos finalmente se tornassem acessíveis ao povo em geral. Ao invés de simplesmente copiar os naipes espanhóis, porém, os primeiros fabricantes alemães decidiram inventar seus próprios naipes. Há uma lenda que diz que isto foi feito para que se pudesse vendê-los como se as Cartas de Caçada finalmente estivessem disponíveis para a plebe, mas, como provavelmente o cidadão comum nem sabia que as Cartas de Caçada existiam, talvez os fabricantes tenham simplesmente decidido usar símbolos mais próximos de sua realidade.
Assim, cada naipe espanhol foi substituído por um correspondente facilmente encontrado na vida campestre: as espadas se tornaram inofensivas folhas verdes; as clavas ou bastões viraram bolotas, um tipo de castanha abundante no hemisfério norte e principal alimento dos esquilos; as moedas foram substituídas por guizos, um tipo de sino redondo e com uma pedrinha dentro, que normalmente era amarrado ao pescoço dos animais, para que seu dono soubesse onde eles estão; e as trabalhadas taças se transformaram em simples corações, vermelhos ou coloridos. Em alemão, estes naipes se chamam, respectivamente, Laub, Eichel, Schellen e Herz; em português eles não têm um nome oficial, mas eu gosto de chamá-los de Folhas, Castanhas, Sinos e Corações.
Infelizmente, muito pouco sobrou dos baralhos alemães originais, então alguns detalhes, como seu número de cartas, são desconhecidos. Especula-se, porém, que os primeiros baralhos alemães tinham 48 cartas, como os espanhóis que lhes deram origem; um problema com esta teoria é que o baralho alemão, até hoje, possui a carta do 10, enquanto os baralhos espanhóis não a têm. Mas seja quantas cartas ele tinha quando criado, o fato é que um baralho alemão é hoje o menor de todos, com um exemplar típico tendo apenas 32 cartas (embora alguns padrões regionais sejam comercializados em versões de 24, 36 ou 40 cartas, como veremos no próximo post), sendo oito de cada naipe. Destas oito cartas, quatro são numéricas, representando o 7, 8, 9 e 10 de cada naipe. E as outras quatro são bastante curiosas.
Bem, talvez menos o Rei (em alemão, König), a figura mais valiosa das três presentes no baralho alemão. Todo baralho tem um Rei de cada naipe, e o alemão não é exceção; em alguns padrões ele está sentado em um trono, em outros está montado a cavalo, em alguns é identificado pelo índice K, e em todos ele tem uma coroa na cabeça, para que não restem dúvidas de que ele é um Rei. Em suma, um Rei de um baralho alemão não é nada diferente de um do baralho francês ou latino.É com a segunda figura mais valiosa que as coisas começam a ficar esquisitas. Originalmente, ele deveria ser um cavaleiro, mas por alguma razão desconhecida ele acabou "desmontado" nos demais padrões. Em alemão, esta figura se chama Oberknabe, algo como "valete superior", mas é mais conhecido como Ober ou Over, e em baralhos com índices é marcado com a letra O. Para todos os efeitos, o Ober nada mais é que um Cavaleiro sem cavalo, e sua figura é a de um homem experiente, muitas vezes armado.
Abaixo do Ober temos outra figura masculina. Como ele é o menos importante dos três, recebeu o nome de Unterknabe, algo como "valete inferior", e o apelido de Unter ou Under, sendo marcado com a letra U em baralhos com índices. O Unter é uma espécie de escudeiro, normalmente representado por um homem jovem, que também pode estar armado. Para dizer a verdade, só de olhar para as figuras das cartas é praticamente impossível saber quem é Ober e quem é Unter, então os fabricantes criaram um sistema curioso para que a diferenciação fosse possível em baralhos sem índices: nas cartas dos Obers, o símbolo do naipe está sempre na parte superior da carta (em figuras impressas em ambos os sentidos, perto da borda), enquanto nos Unters o naipe fica na parte inferior da carta (ou perto do meio).
Finalmente, temos a carta mais valiosa do baralho, o Daus. Como o nome pode sugerir, o Daus originalmente era a carta do 2, e por essa razão ele possui dois símbolos do naipe. Com o passar do tempo, talvez por influência dos baralhos franceses, o Daus foi "promovido a Ás", e, conseqüentemente, a carta mais valiosa de todas, passando a valer mais até do que o Rei. As cartas dos Daus costumam ser ricamente decoradas, com animais, brasões ou cenas campestres, e, em baralhos com índices, eles são marcados com a letra A, o que faz com que muitos jogadores não-alemães os chamem de Ases.
Originalmente, todos os baralhos alemães tinham as figuras impressas em um único sentido da carta; com o passar do tempo, sob influência dos baralhos franceses e do norte da Itália, todos os padrões originários de cidades alemãs passaram a ter as figuras impressas em ambos os sentidos da carta, o que até facilitou a vida dos jogadores. Apenas dois padrões regionais, ambos originários de cidades de fora da Alemanha, ainda são fabricados com as figuras impressas em um único sentido. Os índices também surgiram por influência dos baralhos franceses, passando a ser adicionados a alguns padrões regionais a partir do século XIX.
O mais antigo padrão regional alemão conhecido é hoje chamado de Altbayerisches, que significa "bávaro antigo", pois era originário da região da Bavária. Curiosamente, quatro dos padrões regionais ainda existentes são evoluções do Altbayerisches, que ganharam alguns detalhes e mudaram outros ao longo dos anos. Por esta razão, estes padrões têm vários detalhes em comum, como um dez em romanos (X) no topo da carta de valor 10, mesmo que já haja um índice 10 em seus cantos. Algumas destas características ficaram tão fortemente associadas ao baralho alemão que se alastraram para outros padrões, que nada tinham a ver com o Altbayerisches.Versões enfeitadas de baralhos alemães existem, mas são raras. Normalmente elas são temáticas, trazendo cenas e personagens de alguma lenda ou história, como o Altenburger Bauertrachten da ASS, que traz personagens históricos da cidade de Altenburg; ou caricaturais, com Reis, Obers e Unters cartunescos, como o Schachspiel Skatblatt, também da ASS, que traz peças de xadrez estilizadas nas cartas. Estas variações enfeitadas não pertencem a nenhum padrão, justamente como ocorre com o baralho latino. As variações enfeitadas são populares entre crianças e colecionadores, mas a maioria dos jogadores prefere jogar com os padrões "oficiais".
Atualmente ainda sobrevivem nove padrões regionais do baralho alemão; ao longo da história, porém, muitos outros existiram, sendo abandonados pelos jogadores e caindo em desuso. Dentre estes podemos citar o padrão de Ansbach, originário da cidade de Nuremberg, que fica a uns 40 Km de Ansbach, cidade que acabou lhe emprestando o nome. O baralho de Ansbach era considerado um dos mais antigos, vindo de uma linhagem que podia ser traçada até os padrões originais. De figuras simples e bastante coloridas, impressas em um único sentido da carta, com traços que buscavam imitar as figuras produzidas pelos blocos de madeira entalhados até mesmo quando sua fabricação já não usava este método, este padrão foi bastante popular durante um tempo, mas sumiu sem deixar vestígios na metade do século XX. Por ter desaparecido tão recentemente, algumas edições ainda podem ser encontradas à venda, mas por um preço bastante salgado, sendo reservadas principalmente a colecionadores.
Outro padrão curioso, este de fora da Alemanha, é o padrão russo, originário do século XIX, da cidade de São Petesburgo. Suas cartas são decoradas com cenas e figuras circenses, principalmente o naipe de Sinos, onde o Ober é um joão-bobo e o Unter um acrobata. Este padrão desapareceu no início do século XIX, mas restaram alguns exemplares bem preservados, e hoje ele até pode ser encontrado na forma de uma edição especial lançada em 1995 pela austríaca Piatnik, com o nome de Aus Russland ("Na Rússia").
Finalmente, podemos citar o padrão de Lemberg, originário da cidade de Lviv (que em alemão se chama Lemberg), na Ucrânia. Este baralho era "ambientado" no norte da África, com várias de suas cartas depictando cenas da vida cotidiana daquele continente, e cada naipe representando um exército, que lutava em alguma das muitas guerras que lá se desenrolaram na época da colonização. Estima-se que este baralho tenha surgido por volta de 1848 em Lviv, tendo migrado para a Polônia e de lá para a Áustria pouco depois, onde ganhou o apelido de "cartas mauritanas" devido aos seus desenhos (pois as pessoas relacionavam as cenas à Mauritânia, uma ex-colônia francesa do norte da África). O padrão de Lemberg teve vida curta, sendo fabricado até 1920, quando, por alguma razão, foi descontinuado. Hoje em dia ele só existe nas mãos de colecionadores.O sumiço, infelizmente, parece ser o destino de muitos outros padrões regionais do baralho alemão. Ainda hoje, alguns deles estão desaparecendo aos poucos, por culpa do capitalismo: todas as principais fabricantes de baralhos alemãs foram compradas por uma única empresa, a belga Carta Mundi, que pretende se tornar (se é que já não se tornou) a maior fabricante de baralhos do planeta. Até aí tudo bem, o problema é que, de 2003 para cá, a Carta Mundi decidiu parar de produzir os baralhos que ela não considerar rentáveis, ou seja, aqueles que estiverem vendendo pouco - sejam eles variações enfeitadas ou padrões regionais. Isto levou à descontinuação de toda a linha da fabricante F. X. Schmid, bem como de alguns padrões da ASS, a mais famosa fabricante alemã, que só serão relançados no futuro na forma de edições especiais. A única grande fabricante alemã que não foi adquirida pela Carta Mundi, a Nürnberger, também descontinuou grande parte de sua linha, incapaz de competir com os preços da gigante belga. Graças à popularidade que o baralho alemão tem dentre os jogadores, provavelmente ele não sumirá, mas ainda assim já se especula que, em um futuro bem próximo, só serão encontrados no mercado uns dois ou três padrões regionais diferentes, o que é uma pena para todos os amantes do baralho.
Em breve, veremos os nove padrões regionais que ainda resistem!
Série Baralhos |
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Baralho Alemão |
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O tabuleiro de War representa o mapa do mundo, dividido em 6 continentes, cada um em uma cor própria, que são por sua vez subdivididos em territórios. São 42 territórios ao todo, sendo que nem todos eles correspondem exatamente a países. Alguns continentes têm menos territórios (e são mais fáceis de serem conquistados), outros têm mais (e são mais difíceis); isto se reflete nos objetivos (conquistar a Europa e a Oceania é mais fácil que a Ásia e a África, por isso o primeiro objetivo exige um terceiro continente à sua escolha) e nos prêmios que você ganha por conquistá-los (os quais veremos mais adiante). Os continentes e territórios são: América do Norte (amarelo, 9 territórios - México, Califórnia, Nova York, Labrador, Ottawa, Vancouver, Mackenzie, Alasca, Groenlândia), América do Sul (verde, 4 - Brasil, Argentina/Uruguai, Colômbia/Venezuela, Peru/Bolívia/Chile), Europa (azul, 7 - Islândia, Inglaterra, Suécia, Alemanha, Espanha/Portugal/França/Itália, Moscou, Polônia/Iugoslávia - ou "Pologoslávia" como costumávamos chamar), África (rosa, 6 - Argélia/Nigéria, Egito, Congo, Sudão, Madagascar, África do Sul), Ásia (laranja, 12 - Oriente Médio, Aral, Omsk, Dudinka, Sibéria, Tchita, Mongólia, Vladivostok, China, Índia, Japão, Vietnã) e Oceania (vermelho, 4 - Bornéu, Sumatra, Nova Guiné, Austrália).
Pois bem, apesar de ter usado esta camiseta durante vários anos, eu sabia que os dois esportes não eram a mesma coisa, embora achasse que a regra era mais ou menos a mesma - afinal, o objetivo de ambos é carregar uma bola oval até o outro lado do campo, tomando cuidado para não ser derrubado e soterrado no caminho. Um dia, estava eu mudando de canal incessantemente, e achei na ESPN um jogo recém-começado da Heineken Cup, uma espécie de Liga dos Campeões da UEFA do rugby. Como era a primeira vez que eu via um jogo de rugby na TV, fiquei assistindo. Descobri que as regras do rugby e do futebol americano não eram tão parecidas assim, mas as sutilezas do jogo, ao invés de me desestimularem, me animaram a acompanhar mais jogos. Como dei sorte de começar a gostar do esporte bem perto de uma Copa do Mundo, nada melhor que me programar para assitir tantos jogos quanto possível - nem que fosse na TV5. Confesso que foi bastante divertido, tanto que, como vocês já devem ter imaginado, decidi escrever um post sobre este esporte ainda tão incompreendido. Preparem-se, pois, que hoje é dia de rugby no átomo!
Sim, existe rugby feminino, embora este ainda seja pouco praticado e conhecido, principalmente por preconceito. O rugby feminino ainda é totalmente amador, mas segue exatamente as mesmas regras do masculino, apesar de só ter sido incorporado pela IRB em 1998 - até então as competições eram organizadas apenas em nível nacional, ou por acordo entre as federações dos países que disputariam um torneio internacional, como ocorreu com as Copas do Mundo de 1991 e 1994. Ao todo, 80 dos membros da IRB possuem equipes de rugby feminino - inclusive o Brasil - sendo os mais fortes a Nova Zelândia, tricampeã do mundo; a Inglaterra, uma vez campeã e três vezes vice; e os Estados Unidos, com um título e dois vices.
Diz James Cameron que ele teve a idéia do roteiro enquanto convalescia de uma doença no México; muitos pontos da história, porém, são extremamente semelhantes a dois episódios da série de TV The Outer Limits, uma série no estilo Além da Imaginação, que foi ao ar nos Estados Unidos entre 1963 e 1965. O roteirista destes dois episódios, Harlan Ellison, chegou a processar Cameron, alegando que ele teria plagiado não somente estes dois episódios, mas também um de seus outros contos, publicado em uma revista em 1967. Fãs do escritor Philip K. Dick também alegam que o filme traz algumas semelhanças com dois de seus contos, e há quem veja no Exterminador semelhanças com o filme francês La Jetée. Seja como for, todos sabemos que no cinema pouco se cria e muito se copia, e os temas explorados no Exterminador - viagem no tempo, computador malvado, guerra nuclear, robô assassino... - não eram exatamente novidade em 1984. De qualquer forma, Cameron se livrou do processo incluindo uma referência aos roteiros de Ellison nos créditos.
Após encontrar John, o Exterminador quer tirá-lo da cidade o mais rápido possível, mas o menino decide fazer uma escala para tirar Sarah do hospício. Com toda a família reunida, Sarah decide usar a mesma tática das máquinas, matando o responsável pela criação do Skynet, Miles Bennett Dyson (Joe Morton), antes que o computador malvado entre em operação. Ao ver Dyson com a família, Sarah não tem coragem de matá-lo, e John e o Exterminador conseguem convencê-lo a destruir toda a pesquisa usada para a criação do computador. Sarah, John e o Exterminador, portanto, têm três missões no filme: fugir da polícia (afinal, Sarah é uma louca fugitiva, e o Exterminador, para a justiça, é culpado por várias mortes em 1984), destruir o Skynet, e escapar do T-1000, de preferência destruindo-o também.
John acaba se envolvendo na história ao invadir o consultório da veterinária Kate Brewster (Claire Danes), buscando um analgésico para aliviar dores causadas por um acidente de moto. T-X aparece no consultório e quase mata os dois, mas é impedida por um novo Exterminador (Schwarzenegger), mais uma vez enviado pela resistência humana. O Exterminador atrasa T-X o suficiente para que ele, John e Kate fujam. Após situar a moça (tarefa nada fácil, como era de se esperar), o Exterminador revela o que aconteceu: a aeronáutica assumiu o desenvolvimento do Skynet, que se voltará contra os humanos precisamente no dia em que os eventos do filme estão ocorrendo; as ações de John e Sarah, portanto, não impediram o Dia do Julgamento, apenas o adiaram. Felizmente, o responsável pelo projeto do Skynet é o pai de Kate, então o trio decide ir até a central de comando tentar impedir o Skynet de ser ativado mais uma vez.