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sábado, 29 de agosto de 2026

Escrito por em 29.8.26 com 0 comentários

Edgar Wallace

Eu adoro filmes antigos, principalmente de terror e ficção científica. Isso faz com que eu descubra sem querer umas coisas interessantes, como, por exemplo, que existe uma série de filmes alemães da década de 1960 baseados nos livros de um escritor britânico chamado Edgar Wallace. De fato, eu achei isso tão interessante que decidi pesquisar mais sobre o assunto, e acabei ficando com vontade de escrever um post. Assim, hoje é dia de Edgar Wallace no átomo!

Richard Horatio Edgar Wallace nasceu em 1 de abril de 1875 em Greenwich, Inglaterra. Sua mãe, Mary Jane Richards, cujo sobrenome de solteira era Blair, morava em Londres, vinha de uma família ligada ao teatro, e trabalhou como cenografista, contra-regra, lanterninha e, se necessário, atriz, até se casar com Joseph Richards, um capitão da Marinha Mercante. Mary viveu uma vida boa durante um ano, até que, quando ela estava grávida de seu primeiro filho, Joseph morreu no mar, deixando-a na miséria. Após o nascimento da criança, ela decidiria tentar uma carreira de atriz, usando o nome Polly Richards, e acabaria conhecendo Alice Marriott, dona de um teatro e filha do famoso ator, compositor, músico, dramaturgo, entalhador, optometrista e vendedor de livros James Henry Marriott. Elas se tornariam amigas, e, em 1872, Mary seria apresentada ao marido de Alice, Richard Edgar, e a seus três filhos adultos, Grace, Adeline e Richard Horatio, cada um de um casamento anterior diferente.

Richard Horatio Marriott Edgar também era ator e, durante uma festa após o lançamento de uma peça, ele e Mary tiveram um encontro sexual dentro de um armário do teatro, que resultou em sua gravidez. Envergonhada, ela inventaria um compromisso em Greenwich, e ficaria lá, hospedada em uma pensão, até o filho nascer, quando pediria à parteira que encontrasse uma família para adotá-lo. A parteira a apresentaria a uma amiga, Clara Freeman, de 20 anos de idade, que já tinha dez filhos mas não se importava em ter onze, e, assim, o pequeno Richard Horatio, batizado com o mesmo nome do pai, seria adotado pelos Freeman enquanto Mary retornava a Londres e à carreira de atriz, sem contar ao Richard Horatio pai que ele agora era pai. Mary jamais visitou o filho enquanto ele era criança, mas enviava dinheiro para os Freeman sempre que podia.

George e Clara Freeman, apesar de pobres, sempre fizeram questão de que Richard tivesse a melhor educação possível, e usavam o dinheiro que Mary enviava exclusivamente para isso; ao contrário de seus irmãos adotivos, ele estudaria em uma escola particular, em regime de internato, até os 12 anos de idade. Na adolescência, ele decidiria trabalhar para ajudar seus pais adotivos, conseguindo um emprego como entregador de leite, do qual foi mandado embora por roubar dinheiro. Em seguida, ele trabalharia vendendo jornais, numa fábrica de borracha, como assistente de sapateiro e cozinheiro de um navio, até se alistar no exército, aos 19 anos, dando o nome fictício de Edgar Wallace, obtido combinando o sobrenome de seu pai biológico com o do autor de Ben-Hur, Lee Wallace - nos documentos, seu nome era Richard Horatio Freeman. Ele primeiro seria enviado para servir na África do Sul, em 1896, sendo transferido após um ano para o Corpo Médico, do qual não gostava, usando sua experiência como vendedor de jornais para convencer seus superiores a transferi-lo para a Imprensa Militar.

Enquanto estava na África do Sul, Wallace conheceria o autor Rudyard Kipling, na Cidade do Cabo, em 1898, e decidiria ele também arriscar escrever poemas e canções; seu primeiro livro, The Mission that Failed!, seria publicado ainda naquele ano. Em 1899, após três anos, ele se cansaria da vida militar e pediria baixa para se dedicar integralmente a escrever, conseguindo, novamente graças à sua experiência, um posto como correspondente, primeiro para a Agência Reuters, e, em 1900, para o jornal Daily Mail. Em 1901, ele se casaria com Ivy Maude Caldecott, filha de um missionário que era fortemente contra a união; ela engravidaria pouco após o matrimônio, mas sua primeira filha, Eleanor Clare Wallace, faleceria repentinamente de meningite em 1903. Depois desse evento, o casal decidiria deixar a África e retornar à Inglaterra, se estabelecendo em Londres.

Pouco após o retorno de Wallace à Inglaterra, Mary, aos 60 anos de idade, sofrendo de câncer e vivendo novamente na miséria, ficaria sabendo e procuraria o filho para pedir dinheiro, mas ele, com raiva, a mandaria embora; ela faleceria naquele mesmo ano, na enfermaria de um hospítal público. O Richard Horatio pai ficaria sabendo da existência do filho pouco antes do falecimento de Mary, mas jamais o procuraria nem seria procurado.

Wallace continuaria trabalhando para o Daily Mail, escrevendo histórias de mistério em seu tempo livre para complementar a renda da família, que cresceria rapidamente, com o nascimento de Bryan Edgar Wallace em 1904 e o de Patricia Hellier Wallace em 1908. Entre os dois, ele publicaria The Four Just Men, de 1905; nenhuma editora aceitaria a publicação, e ele convenceria o dono do Daily Mail, Alfred Hamsworth, a lhe emprestar dinheiro para que ele criasse a sua própria, que chamaria de Tallis Press. O livro seria um grande fracasso, o Daily Mail teria um enorme prejuízo, e, em 1907, Wallace se tornaria o primeiro repórter a ser demitido pelo jornal, não conseguindo emprego em nenhum outro devido à sua reputação, com Ivy tendo de vender as joias de sua família para conseguir comprar comida.

Antes de ser demitido, entretanto, Wallace seria enviado como correspondente ao Congo Belga, onde escreveria uma série de reportagens sobre as atrocidades cometidas pelos colonizadores contra o povo local. Em 1910, a editora da revista Weekly Tale-Teller, Isabel Thorne, o convidaria para escrever uma série de histórias inspiradas por essa experiência. Wallace reuniria essas histórias no livro Sanders of the River, publicado em 1911 pela Tallis com um empréstimo de Thorne. Dessa vez, o livro seria um gigantesco sucesso, com sua renda conseguindo pagar não somente o empréstimo, mas também quitar todas as dívidas de Wallace. Ele aproveitaria o momento e escreveria nada menos que 11 outros livros sobre o assunto, o que permitiria que sua família vivesse confortavelmente durante anos.

O sucesso dos livros reabilitaria Wallace como jornalista, e ele coseguiria emprego na revista Week-End e nos jornais Evening News e Birmigham Daily Post, sendo enviado por esse último como correspondente na Primeira Guerra Mundial. Em 1916, nasceria seu terceiro filho, Michael Blair Wallace; se sentindo abandonada pelo marido, Ivy pediria o divórcio e a guarda das crianças em 1918. Wallace se casaria novamente em 1921 com Ethel Violet King, sua secretária no Birmigham Daily Post e filha de um banqueiro; em 1923, nasceria a primeira filha do casal, Margaret Penelope June Wallace, conhecida como Penny. Na época, Wallace já não tinha mais nenhum problema financeiro, e decidiria voltar a escrever histórias de mistério, que considerava sua grande paixão. Ele conseguiria um contrato com a editora Hodder e Stoughton, que faria toda uma campanha promocional na qual ele era chamado de "Rei do Suspense". A primeira coisa que ele compraria com o dinheiro do contrato seria um Rolls-Royce amarelo, que se tornaria uma espécie de marca registrada sua.

A Hodder and Stoughton prometeria publicar tudo o que Wallace escrevesse, e ele escreveria muito - reportagens da época dizem que ele era capaz de escrever um romance de 70 mil palavras em três dias, e que trabalhava em três romances diferentes ao mesmo tempo. Uma pesquisa conduzida em 1928 estimou que um em cada quatro livros lidos no Reino Unido naquele ano havia sido escrito por Wallace. Além das histórias de mistério, ele escreveria ficção científica, peças de teatro e dez volumes de uma obra de não-ficção sobre a Primeira Guerra Mundial - ele só não escrevia histórias de amor, das quais não gostava e que achava não terem apelo junto ao público. Ao todo, ele escreveria 170 romances, 18 peças de teatro e 957 contos, publicados em várias revistas, jornais e coletâneas.

Wallace seria o primeiro escritor de mistério a colocar policiais como protagonistas de suas histórias - até então, todas eram protagonizadas ou por detetives particulares, ou por investigadores amadores no estilo de Sherlock Holmes. Quase todas as suas histórias são independentes, sem sequências ou repetir personagens; quando ele repetia um personagem, jamais fazia a história seguinte dependente das anteriores ou mesmo seguindo uma ordem cronológica, segundo ele, para que nenhum leitor precisasse ler mais nada para entendê-la. Ele também seria o primeiro repórter esportivo do mundo, ao ser convidado pela BBC para falar ao vivo durante o Derby Stakes - as corridas de cavalos, aliás, eram a segunda paixão de Wallace, que durante muitos anos escreveu sobre elas para jornais, se tornando editor dos suplementos de corridas das revistas Week-End e R. E. Walton's Weekly, e mais tarde lançando o Bibury's, um jornal exclusivamente dedicado às corridas de cavalos. Wallace perdeu fortunas apostando nos cavalos, e chegou a ser dono de cavalos de corrida.

Em 1929, as obras de Wallace começariam a ser adaptadas para o cinema, com os direitos sobre 28 delas sendo vendidas apenas naquele ano. Um dos livros de maior sucesso, The Ringer, seria adaptado pela British Lion Film, que, em agradecimento por ele ter dado preferência para que eles adquirissem os direitos, o nomearia Presidente de Honra, com direito a salário mensal, uma quantidade substancial de ações da empresa e uma larga fatia da arrecadação de quaisquer filmes que a British Lion produzisse baseados em suas obras; Wallace também convenceria a British Lion a contratar Bryan, seu filho mais velho, como editor de filmes. No ano seguinte, ele seria apontado Presidente de Honra do London Press Club, que, até hoje, oferece, anualmente, o Prêmio Edgar Wallace de Excelência na Escrita.

Em 1931, Wallace compraria o jornal Sunday News, que estava à beira da falência, passando a escrever ele mesmo uma coluna sobre teatro; ele não conseguiria evitar o pior, entretanto, e o jornal faliria após seis meses. No mesmo ano, ele se candidataria ao Parlamento pelo Partido Liberal, mas não conseguiria se eleger. Enquanto estava em campanha, ele escreveria o roteiro para a adaptação da Gainsborough Pictures de O Cão dos Baskervilles, lançado em 1932, sua primeira experiência como roteirista de cinema.

No final de 1931, ele decidiria aceitar um convite para ser revisor de roteiros do estúdio RKO, indo morar em Los Angeles, Estados Unidos. Um de seus sonhos era que uma de suas obras fosse adaptada por um estúdio de Hollywood, e ele mesmo escreveria os roteiros de The Four Just Men e Mr. J.G. Reeder, mas não conseguiria convencer a RKO a filmá-los. Ele decidiria, então, escrever uma peça de teatro ambientada nos Estados Unidos, mais especificamente na Chicago da Lei Seca; On the Spot seria seu maior sucesso no teatro, é até hoje considerada uma das melhores peças de teatro do início do século XX, e lançaria a carreira de Charles Laughton, ator que interpretava Tony Perelli, o equivalente de Al Capone na peça. Durante a produção, Wallace conheceria por acaso seu meio-irmão por parte de pai, o poeta, dramaturgo e comediante George Marriott Edgar.

Em dezembro de 1931, Wallace assinaria contrato para trabalhar em King Kong. No início de 1932, porém, ele começaria a se queixar de fortes dores de cabeça, sendo diagnosticado com diabetes, com sua condição se deteriorando rapidamente. Violet chegaria a comprar passagem em um navio que fazia a linha de Southhampton a Los Angeles, mas, enquanto ela estava a caminho, Wallace entraria em coma e faleceria, aos 56 anos, em 10 de fevereiro de 1932, em um hospital em Beverly Hills. Ela levaria o corpo de volta à Inglaterra, onde ele seria sepultado em Buckinghamshire. Violet faleceria em abril de 1933, aos 33 anos, apenas 14 meses após o marido, segundo muitos, de desespero ao não conseguir lidar com gigantescas dívidas deixadas por ele - apesar de todo o dinheiro que recebia pelas vendas e adaptações de suas obras, após sua morte se descobriria que Wallace estava profundamente endividado, e que sua viagem aos Estados Unidos havia sido uma cartada final para tentar obter dinheiro e saldar essas dívidas.

De todos os seus filhos, somente Penny Wallace se interessaria por manter viva a obra do pai, se tornando ela mesma uma bem sucedida autora de mistério e fundando, em 1969, junto com seu marido, George Halcrow, com quem se casou em 1955, a Edgar Wallace Society, dedicada à preservação e gerenciamento do espólio literário de seu pai. Atualmente, a Edgar Wallace Society possui membros e escritórios em 20 países, e é presidida, desde 1997, ano de falecimento de Penny Wallace, por sua filha, Penelope Halcrow, com os direitos sobre todas as obras de Edgar Wallace pertencendo à agência A.P. Wyatt, de Londres.

Ao longo dos anos, mais de 160 filmes seriam feitos adaptando as obras de Edgar Wallace para o cinema; as que nos interessam, entretanto, são as produzidas na Alemanha Ocidental entre 1959 e 1972. Esses filmes ficariam conhecidos coletivamente como Krimi, abreviação de Kriminalfilm, algo como "filmes de criminosos", em alemão.

Os primeiros filmes alemães baseados nas obras de Wallace seriam produzidos ainda na época do cinema mudo, com o primeiro de todos, Der große Unbekannte, baseado no romance The Unknown, sendo filmado em 1927. As histórias de Wallace seriam consideradas "fáceis de filmar", pois sua trama principal poderia ser reduzida a poucos personagens e todos os cenários poderiam ser reproduzidos em estúdio, sem a necessidade de externas; isso faria com que, nos anos seguintes, vários estúdios alemães se interessassem em adquirir os direitos, com o próprio Wallace visitando os sets de filmagem da produção seguinte, Der rote Kreis (adaptação de The Crimson Circle), lançada em 1929, que também ganharia intertítulos em inglês e seria exibido em Londres. Pelo menos outros cinco filmes seriam produzidos nos anos seguintes, com o primeiro com som sendo Der Zinker (adaptação de The Squeaker), de 1931; em meados da década de 1930, porém, filmes envolvendo crimes perderiam popularidade na Alemanha, o que levaria a um hiato de 25 anos sem filmes baseados nas obras de Wallace após Der Doppelgänger (adaptação de The Double), de 1934.

Somente em meados da década de 1950, já na época da Alemanha Ocidental, a recém-fundada distribuidora Constantin Film entraria em contato com Penny Wallace e se diria interessada em voltar a fazer adaptações das obras de Edgar Wallace para o mercado alemão; filmes de crime e mistério, entretanto, ainda eram considerados de alto risco naquele país, devido ao baixo público, o que faria com que nenhuma produtora se interessasse em firmar uma parceria com a Constantin. Ainda acreditando que os filmes teriam mercado e seriam um grande sucesso, o dono e um dos fundadores da Constantin, o alemão Waldfried Barthel, decidiria empenhar grande parte de seus bens e abrir seu próprio estúdio - ou quase.

Barthel havia fundado a Constantin Film em 1950 junto com o dinamarquês Preben Philipsen, cujo pai, Constantin Philipsen - por isso o nome da distribuidora era Constantin Film - era dono de um estúdio de cinema em Copenhague, Dinamarca, chamado Rialto Film - cujo nome veio da área central da cidade de Veneza, na Itália, e o simbolo era uma gôndola. Pouco se sabe sobre a história da Rialto, que, na época em que Constantin Philipsen era vivo, produziu apenas filmes mudos, e, após sua morte, permaneceu aberta por pura inércia, produzindo pouquíssimos filmes que rendiam muito pouco. Em 1955, Preben Philipsen deixaria a Constantin para tentar reerguer a Rialto, e, em 1959, Barthel o procuraria dizendo ter negociado os direitos para adaptar as obras de Wallace, mas não ter nenhum estúdio alemão interessado. Philipsen decidiria embarcar na ideia do amigo, mas não tinha dinheiro, de forma que o próprio Barthel teve de financiar o filme, com a Rialto fornecendo apenas os equipamentos e mão de obra.

Felizmente para os dois, seu primeiro filme de Wallace seria um sucesso tão grande que não somente pagaria as dívidas de Barthel, mas também ajudaria a alavancar a Rialto, com Philipsen em 1960 fechando o estúdio em Copenhague e abrindo um em Frankfurt, o Rialto Film GmbH, para ficar mais fácil produzir filmes para o mercado alemão, do ponto de vista contábil e trabalhista. Nos anos seguintes, a Rialto se tornaria um dos principais estúdios da Alemanha Ocidental, produzindo não somente os filmes de Wallace, mas também uma série de filmes baseados nas obras do autor alemão Karl May, todos dirigidos pelo austríaco Harald Reinl, que ficaria famoso justamente com os filmes de Wallace. A Rialto existe até hoje, produzindo principalmente filmes para o mercado alemão, alguns deles de muito sucesso.

O primeiro filme de Wallace produzido pela Rialto seria Der Frosch mit der Maske (adaptação de The Fellowship of the Frog), de 1959. Dirigido por Reinl e estrelado por Siegfried Lowitz e Joachim Fuchsberger, o filme custaria 600 mil marcos alemães e renderia mais de um milhão, se tornando o filme alemão de maior público desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Apesar de filmado em Copenhague, o filme é falado em alemão, com a totalidade dos atores sendo alemães; o roteiro, por outro lado, é extremamente fiel ao livro, apenas retirando alguns personagens por questões de ritmo da história e adicionando um alívio cômico, interpretado por Eddie Arens, o que significa que a história é ambientada na Inglaterra - com algumas imagens de Londres sendo usadas para ambientação - e os nomes de todos os personagens são em inglês.

Esse seria o padrão em todos os filmes de Wallace produzidos pela Rialto: roteiro fiel ao livro, ambientação na Inglaterra, nomes dos personagens em inglês, mas com elenco alemão e falados em alemão - com, a partir do segundo, Der rote Kreis, de 1960, eles sendo filmados em Frankfurt ou Berlim. Entre 1959 e 1965, seriam produzidos vinte filmes baseados nas obras de Wallace pela Rialto, todos em preto e branco; esses filmes ficariam conhecidos como "Era dos Krimi em preto e branco", pois, além das características em comum entre todos os filmes de Krimi, contavam quase sempre com o mesmo elenco: Fuchsberger normalmente era o protagonista, Arens era sempre o alívio cômico, e a protagonista feminina costumava ser uma das "duas Karins", Karin Baal ou Karin Dor.

Como sempre costuma acontecer, o sucesso dos filmes da Rialto levaria outras produtoras a investir em produções semelhantes; pouco após o lançamento de Der Frosch mit der Maske, a Kurt Ulrich Filmproduktion negociaria os direitos do livro The Avenger, lançando o filme Der Rächer em 1960, pouco depois de Der rote Kreis. Para que isso não voltasse a acontecer, ainda em 1960 a Constantin Film firmaria com Penny Wallace um contrato segundo o qual eles teriam preferência de adaptação sobre todas as obras de Wallace, com ela somente podendo negociar os direitos com outra produtora daqueles que eles especificamente dissessem que não tinham interesse - e eles, obviamente, apesar de não adaptar todos, jamais disseram expressamente que não tinham interesse em algum. Assim, a saída para as demais produtoras era fazer "filmes ao estilo de Wallace", que lembrassem as histórias do escritor, mas fossem roteiros originais, escritos por roteiristas alemães - curiosamente, ainda assim, ambientados na Inglaterra e com o nome dos personagens em inglês, para manter o estilo.

As mais bem sucedidas dessas "imitações" seriam as da CCC Film, do polonês Artur Brauner, que, em meados da década de 1960, chegariam a rivalizar em público com as da Rialto. Além da Kurt Ulrich, a CCC seria a única produtora a conseguir adaptar oficialmente duas obras de Wallace, graças a um acordo com a Constantin Film, que as distribuiria e ganharia uma gorda fatia da bilheteria: Der Fluch der gelben Schlange (adaptação de The Yellow Snake), de 1963, e Der Teufel kam aus Akasava (adaptação de Keeper of the Stone), de 1971, dirigida pelo espanhol Jesús Franco.

A Rialto venderia seus filmes para dublagem e exibição em outros países europeus, e, embora não tenham conseguido repetir o sucesso da Alemanha Ocidental, no Reino Unido eles também teriam bom público. Isso levaria o produtor Harry Alan Towers, dono da Hallam Productions, a procurar a Constatin Film, inicialmente para descobrir se o contrato de exclusividade deles só valeria para a Alemanha Ocidental ou cobriria toda a Europa. A conversa acabaria evoluindo para um acordo segundo o qual a Hallam faria co-produções anglo-germânicas, com elenco predominantemente britânico, de algumas obras de Wallace, que então estreariam tanto no Reino Unido quanto na Alemanha Ocidental, com a Constantin ficando com a renda alemã. Os dois primeiros desses filmes não seriam Krimi, e sim adaptações de Sanders of the River, mas depois eles fariam outros dois que merecem ser citados: o primeiro, de 1966, uma adaptação de Again the Three Just Men, cujo título no Reino Unido era Circus of Fear, e em alemão era Das Rätsel des silbernen Dreieck, se tornaria o mais famoso filme de Wallace nos Estados Unidos, onde foi lançado com o título Psycho-Circus; e o segundo, Five Golden Dragons, de 1967, usava elementos de vários contos de Wallace e foi filmado em Hong Kong, trazendo um elenco estelar que contava, dentre outros, com Rupert Davies, Margaret Lee, que cantava duas canções no filme, e Bob Cummings, em seu último papel antes de falecer.

A partir de 1966, a Rialto inauguraria a "Era dos Krimi a cores", com Der Bucklige von Soho (adaptação de The Hunchback of Soho), dirigido por Alfred Vohrer. Com cores vibrantes e um tom mais cômico que os em preto e branco, os filmes a cores costumavam, após um pequeno trecho para ambientar a história, começar com uma gravação da voz de Wallace que dizia "hallo, ich bin Edgar Wallace" ("olá, eu sou Edgar Wallace"), seguido do som de tiros de metralhadora que formavam a frase "Edgar Wallace's" na tela, antes do título do filme e dos créditos. Ainda contando em sua maioria com Fuchsberger, Arens e as Karins, os filmes a cores também costumavam ter no elenco o famoso ator Klaus Kinski, normalmente no papel de um vilão, e trazer um personagem recorrente (que não estava nos livros), o atrapalhado Sir John, inspetor da Scotland Yard, interpretado por Siegfried Schürenberg, que costumava estar acompanhado por sua muito mais competente e belíssima secretária Miss Finley, interpretada por Ilse Pagé. Ao todo, a Rialto produziria sozinha dez filmes de Wallace a cores entre 1966 e 1971.

"Sozinha" porque, depois que começasse a produção dos filmes a cores, por pura coincidência, o interesse do público alemão em filmes de crime e mistério voltaria a diminuir, com o próprio tom mais cômico dos filmes a cores sendo uma tentativa de atrair mais público. A Rialto, entretanto, repararia que, na Itália, ao contrário do que vinha acontecendo na Alemanha Ocidental, o público dos filmes de Krimi vinha aumentando cada vez mais, e, assim, propôs uma parceria à italiana Colt Produzioni Cinematografiche: os custos da produção seriam divididos entre as duas empresas, mas o rendimento da bilheteria também, e os filmes poderiam ter elenco e profissionais alemães e italianos.

A primeira produção dessa parceria seria A Doppia Faccia, adaptação de Puzzle of Horrors, lançado na Alemanha como Das Gesicht im Dunkeln, em 1969. Dirigido pelo famoso Riccardo Fredda, já em final de carreira, e com roteiro inicialmente desenvolvido por uma lenda do cinema italiano, Lucio Fulci - que, em entrevistas, diria na verdade ter escrito o roteiro, creditado a Fredda e Paul Hengge - o filme era protagonizado pelo alemão Kinski e pela italiana Annabella Incontrera, e seria um grande sucesso, enchendo os caixas da Colt e da Rialto. Infelizmente, durante as filmagens, Horst Wendlandt, produtor da Rialto, se desentenderia com Oreste Coltellacci, produtor da Colt, e o primeiro acabaria sendo também o último filme da parceria. Sua renda permitiria que a Rialto produzisse mais um filme, Die Tote aus der Themse, adaptação de The Body in the Thames, lançado em 1971, mas que, novamente com pouco público, acabaria sendo a última adaptação de Wallace feita na Alemanha Ocidental.

Curiosamente, em 1972 a Rialto seria procurada por duas produtoras italianas, a Italian International Films S.r.l. e a Clodio Cinematografica, que se diriam interessadas em uma parceria para a produção de um filme de Giallo, estilo de suspense muito popular na Itália na época. A Rialto aprovaria o projeto, firmaria a parceria, e até conseguiria um contrato para que o filme fosse distribuído na Alemanha Ocidental pela Constantin. Com o título de O Que Vocês Fizeram com Solange?, Fuchsberger e Baal no elenco, o filme de fato seria lançado na Itália como um Giallo, obtendo grande sucesso - mas na Alemanha seria não somente lançado como um Krimi, mas, por ideia de Constatin, promovido como "um filme de Edgar Wallace". Solange seria um sucesso inesperado, e levaria a Rialto a procurar outra produtora italiana, a Flora Film S.r.l., para fazer outro filme no mesmo estilo, com elenco italiano e alemão, filmado na Alemanha e na Itália, lançado na Itália como um Giallo e na Alemanha como um Krimi.

Penny Wallace, entretanto, não ficaria nada satisfeita com o uso do nome de seu pai para promover um filme de Giallo - estilo no qual uma das características era a sensualidade, com Solange sendo cheio de cenas com mulheres nuas, algo que jamais estava presente nas histórias de Wallace - e romperia o contrato com a Constantin, que decidiria não se envolver no projeto. Assim, Sete Orquídeas Manchadas de Sangue, também de 1972, seria distribuído em toda a Europa pela Variety Distribution - que, mais uma vez, o promoveria como "um filme de Edgar Wallace". Dessa vez, porém, a bilheteria ficaria muito abaixo do esperado, e, talvez não querendo mais confusão com Penny Wallace, a Rialto desistiria dessas parcerias, passando a investir em outros estilos de filme.
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sábado, 1 de agosto de 2026

Escrito por em 1.8.26 com 0 comentários

Universo Cinematográfico Marvel (XXII)

Surpresa! Eu juro que não vou começar a Fase 6 hoje, mas eu queria muito falar sobre Marvel Zumbis (que deveria se chamar Zumbis Marvel, mas tudo bem) mas não queria ter de esperar até 2028, então decidi que hoje vou adiantar esse primeiro post da Fase 6, aproveitando também para fechar o ano de 2025, e retorno com os demais no tempo certo.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
The Fantastic Four: First Steps
2025

Eu já contei aqui em um post em separado sobre os três filmes do Quarteto Fantástico produzidos pela Fox, que não fizeram parte do MCU. Após o fracasso do terceiro, a Fox decidiria levar a franquia em outra direção, e, em 2017, contrataria Seth Grahame-Smith, de Orgulho e Preconceito e Zumbis, para escrever um filme protagonizado por Franklin e Valeria Richards, com participação especial de Ben Grimm e Johnny Storm, com tom parecido com o do desenho Os Incríveis, e parcialmente inspirado no livro Kindergarten Heroes, de Mark Millar. Paralelamente a isso, os executivos da Fox conversariam com Noah Hawley, de Legião, sobre um filme protagonizado pelo Dr. Destino. Tudo isso seria suspenso quando a Disney comprasse a Fox, em março de 2019, e os direitos do Quarteto Fantástico passassem para os Marvel Studios.

Em julho de 2019, Kevin Feige se diria extremamente empolgado por poder introduzir o Quarteto no MCU, para "levar a Primeira Família da Marvel até o nível que ela merece", e prometendo usá-los em histórias tão empolgantes quanto Guerra Infinita e Guerra Civil - cujas sagas dos quadrinhos que inspiraram os filmes contaram com o Quarteto, que não pôde estar presente em suas versões cinematográficas por seus direitos ainda pertencerem à Fox. Em dezembro de 2020, Feige anunciaria que o diretor do primeiro filme do Quarteto no MCU seria Jon Watts, dos três filmes do Homem-Aranha com Tom Holland, mas, em abril de 2022, antes mesmo que um roteirista fosse escolhido, Watts pediria para se desligar do projeto, alegando estar física e mentalmente esgotado após ter de gravar Homem-Aranha: Sem Volta para Casa obedecendo os protocolos estabelecidos devido à pandemia, e preferindo dirigir o filme autoral Lobos, que estrearia na Apple TV+ em setembro de 2024.

Enquanto procurava por um novo diretor e um roteirista, Feige decidiria que Reed Richards seria um dos personagens a aparecer em uma das realidades alternativas de Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, com o diretor Sam Raimi concordando e decidindo chamar o ator John Krasinski para o papel. Já havia muito tempo que Krasinski era sugerido pelos fãs para interpretar Reed, e seu nome começaria a circular em boatos e rumores assim que foi anunciado que um filme lidando com realidades alternativas estava sendo produzido; Raimi acharia que a inclusão de um Reed interpretado por Krasinski seria uma excelente oportunidade de fan service, mas tanto o diretor quanto o ator achariam improvável que ele fosse escolhido para interpretar Reed também no novo filme, com Krasinski logo declarando que sequer participou de conversas com os executivos dos Marvel Studios sobre reprisar o papel.

Em julho de 2022, o diretor ainda não havia sido escolhido, e Feige diria estar incerto quanto à lista de possíveis candidatos; ainda assim, durante a San Diego Comic Con, o próprio Feige anunciaria a data de estreia do filme, prevista para novembro de 2024, que ele seria o primeiro filme da Fase 6 do MCU, e que as filmagens começariam em 2023. No final de agosto, a Marvel divulgaria uma lista com "três finalistas" na escolha para diretor, que contava com Reid Carolin, roteirista de Magic Mike, mas que só tinha um filme como diretor no currículo, Dog; Michael Matthews, de Amor e Monstros; e Matt Shakman, que levava vantagem por ter dirigido WandaVision e já ter trabalhado com Feige. Shakman prepararia uma sinopse na qual o Quarteto Fantástico já começava o filme como super-heróis estabelecidos e famosos, com Reed e Sue se tornando pais logo no início, e convenceria os executivos dos Marvel Studios após mostrar uma foto sua com sua filha recém-nascida no colo; mais tarde, ele revelaria que havia sido chamado para dirigir um novo filme de Star Trek, do qual abriu mão para não deixar passar a oportunidade de trabalhar com o Quarteto Fantástico. Shakman seria confirmado como diretor já em setembro de 2022, na mesma ocasião em que Feige revelaria que Jeff Kaplan e Ian Springer estavam escrevendo o roteiro "há alguns meses"; no mês seguinte, a data de estreia do filme seria adiada para fevereiro de 2025.

A escolha do elenco começaria em fevereiro de 2023, com Feige anunciando que havia estabelecido um "sarrafo alto", querendo que o Quarteto se tornasse um dos principais elementos do MCU após sua estreia. Shakman revelaria que o filme não traria nem uma história de origem, nem o Doutor Destino, elementos que poderiam desviar a atenção do público da dinâmica familiar do Quarteto, que ele desejava que fosse o foco principal do filme; Feige diria que a decisão de não contar novamente a história da origem do grupo seria semelhante à tomada quando o Homem-Aranha foi introduzido no MCU, já que sua história de origem já era bastante conhecida. No final de março de 2023, Josh Friedman seria contratado para reescrever o roteiro, o que foi visto por muitos jornalistas como uma indicação de mudança de tom, já que Friedman era conhecido por seus roteiros de ficção científica, enquanto Kaplan e Springer eram mais conhecidos por escrever comédias; Shakman, porém, diria que Friedman se uniria à equipe porque ele e Feige haviam decidido incluir no filme "elementos cósmicos dos anos 1960", como o Surfista Prateado e Galactus, que seria o vilão do filme no lugar do Doutor Destino, "trazendo uma nova perspectiva para o grupo". Feige não descartaria a presença do Doutor Destino no filme, mas em uma participação breve, como uma cena pós-créditos, e diria que os Marvel Studios faziam questão de "uma estrela de primeira grandeza" para interpretá-lo.

Em maio de 2023, começaria a greve dos roteiristas, e a data de estreia seria adiada novamente, para maio de 2025. Na ocasião, os preferidos da Marvel para interpretar Reed e Sue eram Adam Driver e Emma Stone, que pediram salários que o estúdio não estava disposto a pagar, tendo sido decidido, durante a reunião de emergência envolvendo executivos da Disney e dos Marvel Studios que ocorreu em fevereiro para tratar dos rumos do MCU, que os gastos com elencos deveriam ser reduzidos. Testes seriam feitos para o papel de Reed com Christopher Abbott e Jamie Dornan, que não agradaram, e com Jake Gyllenhaal, que já havia interpretado Mystério em Homem Aranha: Longe de Casa, mas que também pediu um salário que a Marvel não quis pagar. Quando a Marvel anunciou que não estava testando apenas atores brancos para o papel, Pedro Pascal (que, nos Estados Unidos, não é considerado branco, e sim latino) se interessou, mas, em julho, começaria a greve dos atores, e Pascal, apesar de despertar a atenção da equipe, decidiria não conversar com ninguém até que a greve terminasse. Mais tarde, Pascal diria jamais ter planejado ser protagonista de um filme de super-heróis, e que o papel mudaria seus planos para o futuro "de forma sutil"; atrasos nas gravações do filme do Quarteto fariam com que ele tivesse de abrir mão de protagonizar A Hora do Mal, sendo substituido por Josh Brolin.

Em agosto, a Marvel chamaria Matt Smith e Tom Ellis para conversar sobre o papel de Reed, mas os nomes não agradariam a Feige, que procurava alguém mais famoso por sua carreira no cinema do que na televisão. No mesmo mês, Shakman diria que a Marvel estava procurando um ator judeu para interpretar Ben Grimm, que é descrito como judeu nos quadrinhos, mas não foi interpretado por atores judeus nos filmes anteriores, nem teve essa característica explorada em suas histórias; o preferido era David Krumholtz, que não agradou nos testes, e começou uma campanha para ser escolhido para o papel do vilão Homem-Toupeira - que acabaria ficando com Paul Walter Hauser, convidado por Shakman por ter trabalhado com ele na série It's Always Sunny in Philadelphia, e que inicialmente ficaria relutante devido ao fracasso dos filmes anteriores do Quarteto, aceitando após ler o roteiro na íntegra. O escolhido para interpretar o Coisa seria Ebon Moss-Bachrach, que já havia interpretado Micro na primeira temporada da série do Justiceiro da Netflix. Nicholas Galitzine seria chamado para interpretar Johnny, mas também não agradaria, com o papel ficando com Joseph Quinn, de Stranger Things, que havia feito Gladiador 2 com Pascal e pedido a ele dicas sobre como interpretar Johnny, sem saber que ele estava negociando para interpretar Reed. Curiosamente, o papel de Sue seria o primeiro a iniciar os testes e o último a ser escolhido, com Vanessa Kirby sendo convidada diretamente por Shakman após nenhuma das candidatas do teste ter agradado.

Curiosamente, a Marvel divulgaria que estava procurando por um ator latino para interpretar Galactus, com os favoritos sendo Antonio Banderas, que disse jamais ter sido procurado, e Javier Bardem, que teve de recusar por conflitos com as gravações de F1; o escolhido acabaria sendo o inglês e bem pouco latino Ralph Ineson, segundo Shakman escolhido por sua proficiência como dublador, que ele considerava mais importante para esse tipo de papel. Apesar de aumentado por computação gráfica, Ineson interpretaria Galactus da forma tradicional, com a produção inclusive criando uma armadura que ele vestia. Além de Galactus e do Homem-Toupeira, o filme contaria com o Fantasma Vermelho, interpretado por John Malkovich, que sempre havia recusado papéis em filmes de super-heróis alegando que pagavam pouco, mas decidiu aceitar esse pela oportunidade de trabalhar novamente com Shakman, com quem havia feito Cut Bank, de 2014; infelizmente, o Fantasma Vermelho acabaria cortado do filme na última revisão do roteiro, feita por Eric Pearson, por problemas de continuidade, no que Shakman chamou de "uma decisão de cortar o coração".

Em janeiro de 2024, vazaria para a imprensa que a Marvel estava procurando uma atriz para interpretar o Surfista Prateado, o que causaria muitas discussões na internet; nos quadrinhos (e no filme da Fox), o Surfista é Norrin Radd, cientista do planeta Zenn-La, mas nesse filme a Surfista seria Shalla Bal, que nos quadrinhos é namorada de Radd, o substituindo no cinema como cientista, exploradora e arauto de Galactus - nos quadrinhos, Bal havia passado pela mesma provação na minissérie Terra X, de 1999. A escolhida para o papel seria Julia Garner (também em A Hora do Mal), mas a versão final da Surfista seria totalmente criada por computação gráfica, com Garner fazendo a dublagem e a captura de movimentos - mesma coisa ocorrendo em relação a Moss-Bachrach e o Coisa, que é um personagem 100% digital. Garner filmaria horas de poses nas quais ela fingia estar surfando ou posando como uma modelo, que seriam combinadas para que a Surfista "se movesse como se estivesse dançando".

Durante as greves, a equipe trabalharia em testes para os efeitos especiais do filme, principalmente aqueles ligados aos poderes dos membros do Quarteto. Kasra Farahani, de Loki, seria escolhido como designer de produção, e Alexandra Byrne como figurinista, optando por fazer uniformes simples para o Quarteto, em azul claro com detalhes brancos, semelhantes aos usados pela equipe nos anos 1980. Muitos detalhes do filme, especialmente a aparência de Galactus, seriam inspirados na arte de Jack Kirby para os quadrinhos do Quarteto. Um personagem das histórias clássicas do Quarteto que apareceria no filme seria o robô H.E.R.B.I.E., que combinava um animatronic cuja cabeça se movia por controle remoto, um marionete feito de madeira, e computação gráfica, dublado por Matthew Wood; além disso, uma nova personagem, Rachel Rozman, interpretada por Natasha Lyonne, que havia dublado Byrdie em What If...?, seria batizada em homenagem a Roz Goldstein, esposa de Jack Kirby.

Em fevereiro de 2014, seria divulgado que o filme seria ambientado na década de 1960, mas em uma realidade alternativa, oficialmente chamada de Terra-828 - a "realidade principal" do MCU, também chamada de Linha do Tempo Sagrada, é a Terra-616, curiosamente o mesmo número usado nos quadrinhos para a realidade principal deles. A decisão de não ambientar o filme na Linha do Tempo Sagrada viria de Shakman, que desejava colocar a história do Quarteto "mais próxima de seu ponto de origem", ou seja, os quadrinhos dos anos 1960 produzidos por Stan Lee e Jack Kirby; Feige abraçaria a ideia, dizendo que a ambientação em uma realidade alternativa daria maior liberdade para os roteiristas, ajudaria a cimentar o Multiverso no MCU e evitaria furos de roteiro em relação aos demais filmes e perguntas como "onde estava o Quarteto Fantástico enquanto os Vingadores lutavam contra Thanos?". Shakman chamaria o estilo do filme de "retrofuturista", dizendo que "parte é o que conhecemos sobre os anos 1960, parte é algo que nunca vimos". Apesar de fortemente baseado nos quadrinhos dos anos 1960, o filme conta com a Fundação Futuro, criada por Jonathan Hickman em 2009.

Em outubro de 2023, Shakman anunciaria que as filmagens começariam nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, no início de 2024, e que o elenco seria anunciado assim que a greve terminasse; atrasos na pré-produção fariam com que elas começassem apenas em julho de 2024, com todos os cenários "novaiorquinos" do filme sendo criados em estúdio, incluindo a Rua Yancy e a Times Square. Shakman diria querer fazer o filme "como se Stanley Kubrick o tivesse filmado em 1965", e se inspiraria em 2001: Uma Odisseia no Espaço para criar o laboratório de Reed. O apartamento do Quarteto seria inspirado em casas californianas do estilo arquitetônico conhecido como MCM, muito popular nos anos 1960, e o Fantasticarro teria como referência carros norte-americanos dos anos 1960, com elementos como turbinas e paineis de controle tendo uma aparência de filmes de ficção científica dos anos 1950. As únicas cenas filmadas fora da Inglaterra - exceto por tomadas aéreas de Nova York utilizadas para reconstruí-la em estilo retrofuturista por computação gráfica - seriam as da ONU, que ocorreram no Palácio do Congresso em Oviedo, Espanha. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, Framestore, Sony Pictures Imageworks, Digital Domain, Rise FX e Weta FX.

O filme começa quatro anos após o Quarteto ter ganhado seus poderes; nesse meio tempo, eles se tornaram heróis famosos, conhecidos, respeitados e amados pela população, equilibrando enfrentar supervilões com aparecer em programas de televisão, trabalhar junto aos governos para resolver vários problemas do planeta e gerenciar uma fundação dedicada a usar a ciência para criar um futuro melhor. Mas tudo isso pode ser posto em cheque com a chegada da Surfista Prateada, um ser cósmico que anuncia a vinda de Galactus, entidade que está disposta a destruir a Terra para convertê-la em energia que o irá alimentar. Incapazes de enfrentar Galactus, o Quarteto decide negociar com ele - mas ele exige em troca de poupar a Terra nada menos que o filho que Sue Storm está esperando. O elenco conta com Pedro Pascal como Reed Richards / Senhor Fantástico, Vanessa Kirby como Sue Storm / Mulher Invisível, Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm / Coisa, Joseph Quinn como Johnny Storm / Tocha Humana, Julia Garner como Shalla Bal / Surfista Prateada, Ralph Ineson como Galactus, Natasha Lyonne como Rachel Rozman, Paul Walter Hauser como Harvey Elder / Homem-Toupeira, Sarah Nyles como Lynne Nichols, chefe de pessoal da Fundação Futuro, Mark Gatiss como Ted Gilbert, apresentador do programa de televisão The Ted Gilbert Show, e Matthew Wood como H.E.R.B.I.E.; Alex Hyde-White, Rebecca Staab, Jay Underwood e Michael Bailey Smith, que interpretaram, respectivamente, Reed, Sue, Johnny e Ben no filme de Roger Corman, fazem participações especiais, os dois primeiros como jornalistas, os dois últimos como trabalhadores de uma fábrica. Robert Downey, Jr. faz uma breve participação especial sem créditos como Victor Von Doom / Doutor Destino.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é mais um filme que não começa com o logotipo e a fanfarra tradicional dos Marvel Studios; ao invés dele, foi usado um logotipo mais simples, que imita os usados em televisão na década de 1960. O filme estrearia em 25 de julho de 2025, após uma pré-estreia em Los Angeles dia 21, precedida de uma cerimônia de tapete vermelho que contou com entrevistas com o elenco e equipe e uma orquestra que interpretou ao vivo várias das músicas do filme, incluindo o tema dos Marvel Studios; essa cerimônia seria transmitida ao vivo pelo Disney+, intercalada com trailers e previews do filme. Com orçamento de cerca de 230 milhões de dólares, renderia 274 milhões nos Estados Unidos e 522 milhões no mundo inteiro, sendo considerado um sucesso pela Disney, mesmo que a bilheteria tenha sido abaixo do esperado; esse desempenho seria atribuído à concorrência pesada, já que, no primeiro dia, Quarteto Fantástico ficaria em segundo na bilheteria atrás de Um Filme Minecraft, e fecharia a primeira semana também na segunda posição, mas atrás de Superman. A crítica seria bastante positiva, elogiando o elenco e a caracterização futurista dos anos 1960, mas com alguns considerando a história fraca e datada se comparada com outros filmes mais recentes de super-heróis.

Na San Diego Comic Con de julho de 2024, seria revelado que Pascal, Kirby, Quinn e Moss-Bachrach haviam todos assinado contrato para três filmes, e que Reed, Sue, Johnny e Ben estavam confirmados nos próximos dois filmes dos Vingadores, Vingadores: Doutor Destino, de 2026, e Vingadores: Guerras Secretas, de 2027; na mesma ocasião, seria revelado que Robert Downey, Jr., até 2019 intérprete de Tony Stark, havia sido oficialmente contratado para interpretar Victor Von Doom, com as negociações tendo se iniciado quase um ano antes. Feige se diria extremamente empolgado por poder voltar a trabalhar com Downey, e que conversava com o ator sobre a possibilidade de seu retorno ao MCU em um papel diferente do Homem de Ferro desde que se encerraram as gravações de Vingadores: Ultimato. Shakman confirmaria a presença de Doom nos dois filmes dos Vingadores, mas diria que "ele não é parte do filme do Quarteto Fantástico"; de fato, Doom só aparece brevemente na cena intercréditos, que conta apenas com Downey e Kirby, gravada durante a pré-produção de Vingadores: Doutor Destino e dirigida por Anthony e Joe Russo.

Olhos de Wakanda
Eyes of Wakanda
2025

Em fevereiro de 2021, Ryan Coogler, diretor e roteirista de Pantera Negra, anunciaria ter fechado um acordo entre sua produtora, a Proximity Media, e a Disney para a produção de séries de TV para o Disney+ ambientadas em Wakanda, o fictício país da África Central do qual T'Challa, a identidade não tão secreta do Pantera Negra, é rei e onde se passa a maior parte da ação do filme de 2018. A imprensa se mostraria empolgada, logo surgindo rumores de que uma das séries prestaria tributo a Chadwick Boseman, falecido em 2020, e outras explorariam o passado de personagens como M'Baku, Killmonger e T'Chaka, pai de T'Challa e Pantera Negra anterior, ou da organização Dora Milaje, com a expectativa de que personagens dos quadrinhos, como Bashenga, o primeiro Pantera Negra, a ativista Queen Divine Justice, e Kasper Cole, o terceiro Tigre Branco, pudessem fazer sua estreia no MCU.

Em novembro de 2022, a Proximity Media anunciaria estar trabalhando em "várias séries" ambientadas em Wakanda, mas sem dar maiores detalhes. Somente em março de 2023 seria publicado na imprensa que Coogler estaria desenvolvendo uma série de animação, com o título provisório de The Golden City, ambientada na capital de Wakanda, Birmin Zana. No mês seguinte, o executivo dos Marvel Studios Nate Moore confirmaria que diversas séries estavam em discussão, animadas e com atores, mas que a preocupação da Marvel era prejudicar a "experiência cinematográfica" proporcionada por exibir Wakanda numa tela de cinema. Apenas em dezembro de 2023 o produtor Brad Winderbaum anunciaria oficialmente que a primeira série ambientada em Wakanda seria animada, e que traria episódios protagonizados por diversos guerreiros wakandanos ao longo da história. Jornalistas comparariam a série a Histórias dos Jedi, série de Star Wars de 2022 na qual cada episódio acompanha um personagem diferente em um dos diversos momentos da saga.

Também em dezembro de 2023 seriam anunciados os roteiristas: Geoffrey Thorne, que já tinha experiência na Marvel, tendo sido roteirista das séries animadas Ultimate Homem-Aranha, de 2012, e Os Vingadores Unidos, de 2013, e Marc Bernadin, que revelaria ter sabido do projeto e começado a trabalhar em dois roteiros durante a pandemia, em 2020. Thorne escreveria o primeiro e o último episódios, e Bernadin o segundo e o terceiro. Matthew Chauncey, de What If...?, também escreveria um roteiro, que acabaria não sendo aproveitado.

Em janeiro de 2024, a Proximity Media confirmaria seu envolvimento, mas diria que o showrunner seria escolhido pela Marvel. No mesmo mês, o artista de storyboards Todd Harris revelaria ter sido dele a ideia para a série, tendo rascunhado alguns esboços durante a produção de Vingadores: Guerra Infinita e mostrado a Coogler, que estava filmando Pantera Negra. Segundo Harris, ele quis combinar "a interconectividade do MCU com a interconectividade da história da humanidade", e concebeu a série como um especial para quando Pantera Negra fosse lançado em home video ou algo assim, já que, na época, os Marvel Studios não pensavam ainda em fazer séries animadas. Winderbaum confirmaria a história, e diria que, durante a discussão sobre qual seria a primeira série, se lembraria da ideia de Harris, convidando-o para ser o showrunner. Harris seria confirmado como showrunner e diretor em janeiro de 2025; ele dirigiria sozinho o primeiro e o último episódios, e co-dirigiria o terceiro com John Fang, que seria o único diretor do segundo.

Olhos de Wakanda acompanha os Hatut Zaraze, uma força de elite secreta de Wakanda cuja missão é recuperar artefatos feitos de vibrânio que tenham sido roubados ou saído do país por outros meios. Cada episódio acompanha a missão de um agente em uma época diferente da história. O primeiro é ambientado em 1260 a.C., e acompanha a ex-Dora Milaje Noni, enviada para deter um ex-Hatut Zaraze chamado Nikat, que fugiu de Wakanda levando vários artefatos que usa sob o pseudônimo de Leão para liderar uma frota que saqueia a ilha de Creta, no Mediterrâneo. O segundo é ambientado durante a Guerra de Troia, e acompanha B'Kai, que, usando o codinome Memnon, se tornou o melhor amigo de Aquiles, e está ajudando os gregos a invadir a cidade para recuperar um artefato wakandano que está com ninguém menos que Helena. O terceiro é ambientado em 1400 d.C., e mostra o agente Basha recuperando um artefato que estava dentro de uma estátua sagrada em K'un-Lun; ao retornar a Wakanda, porém, sem saber, ele leva consigo o Punho de Ferro da época, que está disposto a pegar a estátua de volta, mas não pode sair de Wakanda após ver seus segredos. O quarto e último episódio é ambientado em 1896, durante a invasão da Etiópia pela Itália; o Príncipe Tafari e seu mentor, Kuda, recuperam um artefato wakandano, mas são abordados por uma misteriosa figura que diz vir de 500 anos no futuro, advertindo-os de que, se o artefato não ficar no local onde está, uma raça alienígena conseguirá conquistar a terra quando invadi-la.

Coogler daria a Thorne a ideia para o primeiro episódio, alegando ser fascinado pela história do "Povo do Mar", um povo de origem desconhecida que viveu durante o auge da civilização minoica em Creta, saqueando e escravizando todos os demais povos da região; segundo ele, o Povo do Mar ter acesso a tecnologia wakandana explicaria por que eles eram tão superiores ao ponto de ninguém conseguir detê-los, mas ainda assim tão misteriosos que hoje não sabemos nada sobre suas origens ou legado. Coogler também pediria para que os episódios fossem centrados "nos princípios de Wakanda", ao invés de mostrar antepassados famosos de personagens que existem no presente. Também por sugestão de Coogler, diferentemente de outras séries da Marvel Studios Animation, Olhos de Wakanda é ambientada na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU, sendo completamente integrada a Pantera Negra e Wakanda para Sempre; por causa disso, a série é considerada a estreia oficial do Punho de Ferro no MCU.

Para que Wakanda fosse a real protagonista da série, e não seus personagens, a Disney optaria não chamar para a dublagem nenhum grande nome de Hollywood, preferindo dubladores profissionais, atores que já tivessem participado de outras produções Disney, e artistas negros de expressão - como a modelo canadense Winnie Harlow, que luta pelo fim do preconceito contra portadores de vitiligo, condição da qual é portadora. O elenco conta com Harlow (no primeiro episódio) e Lynn Whitfield (no segundo) como Noni, Cress Williams como Nkati, Patricia Belcher como Akeya, Larry Heron como B'Kai, Adam Gold como Aquiles, Jason Konopisos como Ferro, Kiff VandenHeuvel como Odisseu, Yerman Gur como Paris, Joanna Kalafatis como Helena de Troia, Jacques Colimon como Basha, Jona Xiao como Jorani / Punho de Ferro, Isaac Robinson-Smith como Ebo, Gary Anthony Williams como Rakim, Zeke Alton como o Príncipe Tafari, Steve Toussaint como Kuda, Debra Wilson como uma general Dora Milaje, e Anika Noni Rose (que havia dublado Tiana em A Princesa e o Sapo) como a Última Pantera Negra.

A animação ficaria a cargo da Axis Animation, que utilizaria um estilo semelhante ao de artistas afro-americanos contemporâneos como Ernie Barnes e Dean Cornwell; a animação seria feita por computação gráfica usando cel-shading, mas, sem a presença de atores do MCU no elenco, os artistas tiveram uma maior liberdade para criar as feições e aparência geral dos personagens. Animadores da África do Sul, Nigéria e Egito seriam contratados pelo supervisor de animação Craig Elliot para contribuir com o estilo autêntico da série. Em dezembro de 2023, Harris seria perguntado se a Disney havia pensado em fazer a série com atores de carne e osso, ao que ele respondeu que um projeto dessa magnitude só poderia ganhar vida em animação, onde "filmar no Egito custa o mesmo que em Nova Iorque, e na Lua custa o mesmo que em Ohio". A abertura seria criada pelo Studio AKA e feita a mão, sem recursos de computação gráfica.

Olhos de Wakanda teria apenas quatro episódios, todos estreando no Disney+ simultaneamente, em 1 de agosto de 2025. O primeiro episódio teria uma pré-estreia no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, em 9 de junho. A série seria a mais assistida do Disney+ em sua semana de estreia, mas não conseguiria terminar o ano dentre o Top 10 do serviço. A crítica ficaria encantada, elogiando a concisão dos roteiros, a beleza dos episódios e chamando a atenção para os temas de lealdade, amizade, ética e moralidade presentes nas histórias. Infelizmente, ainda não há notícias sobre se a série foi um projeto isolado ou se terá uma segunda temporada - nem sobre as demais séries que seriam produzidas pela Proximity Media, com a validade de cinco anos do contrato original já tendo se esgotado.

Marvel Zumbis
Marvel Zombies
2025

Apesar de seu aspecto, digamos, incomum, Zumbis Marvel é uma das séries de maior sucesso da Marvel nos quadrinhos. Ela começou despretensiosamente, como parte de uma saga do Quarteto Fantástico do Universo Ultimate, chamada O Outro Lado do Espelho, publicada nas edições de 21 a 23 de Ultimate Fantastic Four, entre setembro e novembro de 2005, na qual Reed Richards é contactado por uma versão mais velha de si mesmo, pedindo ajuda para salvar o futuro; ao passar pelo portal que levaria ao futuro, Reed descobre que foi enganado, e que o chamado partiu de uma versão alternativa sua de uma realidade paralela na qual o Apocalipse Zumbi aconteceu, transformando quase todos os heróis e vilões Marvel em zumbis.

Anunciada como sendo um crossover entre o Universo Ultimate e o Universo Marvel "principal", no que depois se revelou uma jogada de marketing, O Outro Lado do Espelho (que, em inglês, se chamava, simplesmente, Crossover) serviria como introdução ao lançamento da série limitada Marvel Zombies, com cinco edições lançadas entre dezembro de 2005 e abril de 2006, na qual Magneto tenta reunir um grupo de super-heróis sobreviventes para enfrentar os zumbis e tentar encontrar um refúgio. Para a surpresa de absolutamente todo mundo na Marvel, que previa vendas medianas, a série seria um gigantesco sucesso, com a primeira edição se esgotando em poucos dias e se tornando extremamente rara.

Esse sucesso faria com que o "Universo Zumbi" fosse revisitado várias vezes a partir de então, seja como parte de histórias nas revistas regulares dos heróis Marvel, seja na forma de outras minisséries e one shots, como Marvel Zombies 2, com quatro edições lançadas entre dezembro de 2007 e abril de 2008, Marvel Zombies: Resurrection, com quatro edições lançadas entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, e Marvel Zombies: Dead Days, de maio de 2008, que explica como ocorreu o Apocalipse Zumbi. Ao todo, já foram lançadas mais de 100 edições com a presença dos Zumbis Marvel, incluindo um crossover com o filme Uma Noite Alucinante, Marvel Zombies vs. The Army of Darkness, com cinco edições puiblicadas entre maio e setembro de 2007, no qual Ash Williams vai parar no Universo Zumbi.

Sendo uma série de tanto sucesso, é claro que os Marvel Studios gostariam de ganhar um pouco de dinheiro com ela, com Kevin Feige discutindo a possibilidade de um filme dos Zumbis Marvel já em 2013, mas desistindo após os executivos acharem que a história não poderia ser fielmente adaptada por não ser apropriada ao público-alvo das produções Marvel de então. Quando começou a produção da série animada de What If...?, porém, uma das ideias apresentadas pelo roteirista Matthew Chauncey foi justamente a de visitar o Universo Zumbi, mas usando personagens e características dos filmes lançados nas três primeiras Fases do MCU. Essa ideia acabaria se transformando em um roteiro do próprio Chauncey, que, por sua vez, daria origem ao quinto episódio, E se... zumbis?!.

Em junho de 2021, antes mesmo da estreia de What If...?, em agosto, os Marvel Studios anunciariam que mais três séries animadas estavam em pré-produção, todas elas sendo spin-offs de What If...?, ou seja, ambientadas em universos alternativos, e não na agora chamada Linha do Tempo Sagrada do MCU. No mês seguinte, seria anunciado que essas séries ainda estavam em estágio muito preliminar, e que nenhuma delas estrearia antes de 2023. Em novembro de 2021, durante o Disney+ Day, seria oficialmente anunciado que uma dessas séries seria Marvel Zombies (que, em português, por alguma razão, viraria Marvel Zumbis, e não Zumbis Marvel); das outras duas não se falaria mais nada, e o mais provável é que tenham sido canceladas.

Na mesma ocasião, seria anunciado que Bryan Andrews, diretor da primeira temporada e de quase todos os da segunda e terceira de What If...?, também seria o diretor de todos os episódios de Marvel Zumbis, além de seu showrunner. Andrews diria que, após assistirem ao episódio, Feige e o produtor Brad Winderbaum gostaram tanto que convocaram uma reunião para transformar sua história em um longa-metragem animado, durante a qual se chegaria à conclusão de que o melhor seria uma minissérie, pois assim eles conseguiriam contar com o Homem-Aranha - que, segundo os termos do contrato entre Marvel e Sony, não pode aparecer em longa-metragens de animação produzidos pelos Marvel Studios. Marvel Zumbis seria uma das sensações da Comic-Con de 2022, na qual Feige confirmaria que a série faria parte do "Multiverso Animado Marvel", e que teria classificação TV-MA (inadequada para menores de 18 anos), para que pudesse contar "com toda a carnificina que se espera de uma série sobre zumbis".

A produção da série acabaria sofrendo muitos atrasos, o maior deles em 2023, quando ocorreram a greve dos roteiristas e uma reunião de emergência entre os executivos da Disney e da Marvel para tratar do baixo desempenho das produções da Fase 4, que levou a uma reestruturação de vários projetos em andamento. Após essa reunião, Zeb Wells, que havia sido roteirista de um dos episódios de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, e, futuramente, seria um dos co-roteiristas de Deadpool & Wolverine, seria escolhido para ser o chefe da equipe de roteiristas de Marvel Zumbis. Wells discutiria detalhes da história com Andrews, e acabaria sendo o único roteirista - com todos os episódios sendo creditados a "Zeb Wells, a partir de uma história de Bryan Andrews e Zeb Wells". Antes do lançamento da série, a Disney decidiria creditar Andrews e Wells como co-showrunners e co-criadores da série, já que ambos haviam mesmo feito tudo juntos - exceto dirigir, função apenas de Andrews.

Andrews ficaria satisfeito com a classificação TV-MA, dizendo que, assim, eles não precisariam se conter, e Winderbaum definiria a série como "intensa", com nível de violência comparável à dos quadrinhos dos Zumbis Marvel, diferente de tudo o que já se havia visto em uma animação do MCU. Andrews declararia não estar criando uma história de zumbis, mas uma grande aventura, com momentos de humor, ação, violência, drama e emoção, usando temas de esperança e desespero. Em alguns diálogos os personagens xingam, algo extremamente incomum para uma produção Disney, o que levaria Andrews e Wells a ter que dar uma declaração de que isso só ocorre nos momentos apropriados, com eles sempre tentando não fazer dos personagens bocas-sujas de forma gratuita.

A série é ambientada cinco anos após os eventos de E se... zumbis?!, e mostra um grupo de heróis andarilhos sobrevivendo às investidas de uma horda de zumbis controlados por Wanda Maximoff, a Rainha dos Mortos; acidentalmente, eles descobrem uma forma de evitar que a infecção zumbi se alastre ainda mais, mas Wanda tem planos de usar um poder inimaginável, protegido pelo Hulk, para transformar todos os habitantes do planeta em zumbis sob o seu comando, o que faz com que ela precise ser detida, ou de nada os esforços dos heróis adiantarão.

Assim como What If...?, Marvel Zumbis conta em seu elenco com atores que participaram dos filmes e séries do MCU repetindo seus papéis, e com dubladores profissionais substituindo aqueles que não puderam ou não quiseram participar. Dentre os atores que repetem seus papéis do MCU estão Iman Vellani como Kamala Khan / Miss Marvel; Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Hailee Steinfeld como Kate Bishop / Gaviã Arqueira; Kerry Condon como a inteligência artificial Sexta-Feira; Florence Pugh como Yelena Belova; David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho; Simu Liu como Shang-Chi; Awkwafina como Katy Chen; Randall Park como Jimmy Woo; Wyatt Russell como John Walker; Paul Rudd como Scott Lang / Homem-Formiga; Adam Hugill como Rintrah; Sheila Atim como Sara; Tessa Thompson como Valquíria; F. Murray Abraham como Khonshu (no terceiro episódio); Zenobia Shroff como Muneeba Khan; e Elizabeth Olsen como Wanda Maximoff / Rainha dos Mortos. Os dubladores que repetem seus papéis de What If...? são Hudson Thames como Peter Parker / Homem-Aranha; Kenna Ramsey como Okoye; Kari Whalgren como Melina Vostokoff; Feodor Chin como Xu Wenwu; Rama Vallury como Helmut Zemo; e Piotr Michael como Khonshu (no quarto episódio). Dubladores novos incluem Todd Williams como Eric Brooks / Blade, e Greg Furman como Thor. Também participam Daniel Swain, Isaac Robinson-Smith, Debra Wilson, Alison Haislip, Dave Boat, Terri Douglas, Robin Atkin Downes, Matthew Yang King, Andrew Morgado, Ashley Peldon, Michael Ralph, Fred Tatasciore, Mike Vaughn e Matthew Wood como vozes adicionais. Personagens do MCU que fazem participações especiais, sem falas, alguns deles como zumbis, incluem T'Challa / Pantera Negra, Mercador da Morte, Ikaris, Rocky, Groot, Bruce Banner/ Hulk, Clint Barton / Gavião Arqueiro, Steve Rogers / Capitão América, Emil Blonsky / Abominável, Ava Starr / Fantasma, Carol Danvers / Capitã Marvel, Namor, Hank Pym, Janet van Dyne, Hope van Dyne / Vespa, Thanos e o Vigia.

Marvel Zumbis seria a primeira produção Marvel a contar com a presença do Pantera Negra após o falecimento do ator Chadwick Boseman. Em respeito ao fato de a Marvel ter decidido aposentar o personagem nos cinemas ao invés de substituir Boseman, na série o Pantera Negra não fala, para que não precisasse ser escalado um dublador; Andrews declararia que, caso Boseman não tivesse falecido, ele e Wells teriam usado o personagem em mais cenas e dado a ele maior importância. A série também conta com uma versão de Blade apelidada "Blade Knight", já que é um amálgama do personagem com o Cavaleiro da Lua. A inclusão de Blade seria sugerida por Feige, já que Marvel Zumbis estava sendo produzida ao mesmo tempo em que o novo filme do herói; após o adiamento do filme por tempo indeterminado, Andrews e Wells decidiram mudar o personagem, fazendo com que, nesse universo, ele tenha sido escolhido para ser o Punho de Khonshu ao invés de Marc Spector.

O estilo de animação seria o mesmo de What If...?, utilizando cel-shading e com os personagens lembrando os atores que os interpretaram no MCU; no caso de Blade, seria usado como modelo Mahershala Ali, que ainda tem contrato para interpretá-lo em um filme. Todos os episódios ficariam a cargo do Stellar Creative Lab, um dos estúdios que trabalharam em What If...?, supervisionados pela Marvel Studios Animation, com Paul Lasaine servindo como supervisor de animação. Como uma piada interna, todos os animadores da série emprestariam suas feições a zumbis.

Marvel Zumbis teria apenas quatro episódios, todos eles estreando no Disney+ em 24 de setembro de 2025, com essa data sendo anunciada de surpresa pela Disney pouco mais de um mês antes; originalmente, a ideia era que a série estreasse em outubro de 2024 como um especial de Halloween, mas, como a produção estava ligeiramente atrasada, a Marvel Studios Animation decidiria não colocá-la para competir com Agatha Desde Sempre, que ainda estaria no ar, e, em outubro de 2024, anunciaria que Marvel Zumbis estrearia em outubro de 2025, aproveitando para dar um polimento aqui e ali em alguns episódios - o que expandiria a participação de Khonshu e faria com que Michael tivesse de gravar suas novas falas, já que Abraham não estava disponível na época. A audiência superaria todas as expectativas da Disney, com Marvel Zumbis sendo a série mais assistida do Disney+ em mais de 30 países em sua semana de lançamento, e a terceira mais assistida dos Estados Unidos considerando todos os streamings. A crítica ficaria dividida, considerando a série divertida, mas sem originalidade.

Pouco antes da estreia da série, Winderbaum comentaria que, originalmente, existia a possibilidade de que fosse lançada uma segunda temporada, dependendo da reação do público à primeira, mas que, como Marvel Zumbis "foi pega no meio da reestruturação do MCU", que ocorreu no final de 2023, esses planos foram cancelados, com Wells sendo orientado a escrever um final, para que a série fosse fechada, com apenas uma temporada. Ainda assim, como Wells escreveu um final "mais ou menos aberto", e a audiência foi maior que a esperada pela Marvel, Andrews mantém a esperança de que uma segunda temporada seja autorizada, e diz já estar conversando com Wells sobre quais personagens poderiam usar, sendo seu preferido o Soldado Invernal.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
•Olhos de Wakanda
•Marvel Zumbis

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sábado, 4 de julho de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XXI)

E hoje finalmente terminaremos a série sobre a Fase 5 do MCU!

Thunderbolts*
2025

Os Thunderbolts foram uma das poucas coisas boas que surgiram como resultado da saga Heróis Renascem, publicada pela Marvel em 1996. Resumindo, na década de 1990 as revistas dos X-Men e do Homem-Aranha vendiam absurdamente, mas as demais revistas da Marvel tinham vendas pífias, que a colocaram à beira da falência - é por isso, inclusive, que eventos de destaque da época, como as revistas da Amalgam Comics e os jogos da série Marvel vs. Capcom, têm presença maciça de mutantes e de personagens do Homem-Aranha, mas muito pouco do Capitão América, Homem de Ferro ou Hulk, e nada ou quase nada do Quarteto Fantástico, Thor e do restante dos Vingadores. Para tentar solucionar essa questão, a Marvel contrataria os dois desenhistas mais populares da década, Jim Lee e Rob Liefeld, e daria a eles carta branca para reinventar os heróis que vendiam menos, escrevendo suas histórias sem qualquer interferência, com Lee ficando responsável pelas revistas do Quarteto Fantástico e do Homem de Ferro, e Liefeld pelas do Capitão América e dos Vingadores. Como parte do acordo, essas revistas não seriam continuação das que já estavam à venda, mas reboots, recontando do começo as histórias dos heróis, mas ambientadas na época atual. Para que isso fosse possível, os heróis (e vilões) que seriam usados por Lee e Liefeld aparentemente morreriam durante uma batalha contra um supervilão chamado Massacre, inventado especificamente para esse propósito, sendo removidos da continuidade principal da Marvel. O experimento não deu muito certo e o projeto foi cancelado após apenas um ano, quando foi revelado que os heróis não morreram e eles foram reintegrados à continuidade principal, com as histórias de Heróis Renascem tendo sido ambientadas em um universo alternativo temporário, que deixou de existir quando isso aconteceu.

Pois bem, enquanto os heróis estavam removidos da continuidade, fazia sentido, em termos de narrativa, que alguém ocupasse seu lugar - tipo "ok, os Vingadores morreram, e agora, quem vai enfrentar os vilões que eles enfrentavam?". Para solucionar essa questão, o roteirista Kurt Busiek, considerado por muitos o maior especialista nos quadrinhos dos Vingadores, e o desenhista Mark Bagley inventaram os Thunderbolts, que fizeram sua estreia na revista The Incredible Hulk 449, de janeiro de 1997, antes de ganharem uma revista própria, também chamada Thunderbolts, em abril. Aparentemente, os Thunderbolts eram novos heróis que, altruistcamente, decidiram usar seus poderes para combater o crime na ausência dos Vingadores, mas, na verdade, eles eram os Mestres do Terror, antigos vilões dos Vingadores, liderados pelo Barão Zemo, que assumiriam novas identidades e fingiriam ser heróis como parte de um plano de Zemo para roubar os segredos da Mansão dos Vingadores. O plano até teria dado certo, se os demais integrantes da equipe não tivessem gostado de ser heróis e se rebelado contra Zemo, com alguns deles ainda seguindo na carreira heroica após o plano ser desmascarado.

Com o fim da Heróis Renascem e o retorno do Quarteto e dos Vingadores à continuidade principal, esse arco de história foi encerrado, mas a revista dos Thunderbolts não foi cancelada, com a equipe sendo reformulada e passando a ser o equivalente do Esquadrão Suicida na Marvel: um bando de vilões reunidos por uma pessoa em posição estratégica no governo e obrigados a realizar missões que seriam muito arriscadas para os heróis. Assim, quando ficou claro que os filmes do MCU tinham personagens de moral duvidosa, que não eram exatamente os vilões de seus filmes, mas também não eram os heróis, e que sobreviveram ao final de suas respectivas produções, parecendo desperdício jamais utilizá-los novamente, o passo mais óbvio era juntar todos eles numa mesma equipe e fazer um filme dos Thunderbolts.

A primeira sugestão de se fazer um filme dos Thunderbolts, porém, não envolveria persoagens que já haviam participado de outros filmes, e sim um elenco inédito, e seria dada por James Gunn em 2013, durante a produção de Guardiões da Galáxia, quando o diretor e roteirista manifestaria interesse em produzir um filme estrelado por uma equipe de anti-heróis e supervilões, ideia que agradaria a Kevin Feige, mas que seria colocada em lista de espera por não haver espaço na agenda de lançamentos do MCU até o final da Fase 3. Em 2018, Hannah John-Kamen, a intérprete da Fantasma em Homem-Formiga e a Vespa, defenderia um filme dos Thunderbolts, já que, nos quadrinhos, o Fantasma (que é homem) chegou a fazer parte da equipe.

Um ano depois, quando começasse a pré-produção da Fase 4, a ideia de um filme dos Thunderbolts voltaria a ganhar força com a inclusão do Barão Zemo em Falcão e o Soldado Invernal; ao final do último capítulo dessa série, seria revelado que a Condessa Valentina Allegra de Fontaine, personagem que, nos quadrinhos, assim como Nick Fury, é ligada à S.H.I.E.L.D., havia recrutado John Walker - que, nos quadrinhos, é o Agente Americano, mas, na série, era o substituto aprovado pelo governo do Capitão América - para um "projeto pessoal", que imediatamente seria apontado por fãs e críticos como uma possível equipe dos Thunderbolts. Da mesma forma, na cena pós-créditos de Viúva Negra, que originalmente iria estrear antes de Falcão e o Soldado Invernal, mas que, devido à pandemia, estreou depois, a Condessa recruta Yelena Belova para esse projeto. Perguntado sobre o assunto, entretanto, Gunn diria não ter mais interesse em fazer um filme dos Thunderbolts, já que já havia feito O Esquadrão Suicida, que parte de uma premissa semelhante, para a DC.

Até então, um filme dos Thundebolts não estava oficialmente nos planos dos Marvel Studios, e o roteirista Malcolm Spellman, de Falcão e o Soldado Invernal e Capitão América: Admirável Mundo Novo declararia não saber se os fãs iriam gostar que fosse feito um. O roteirista Eric Pearson, de Viúva Negra, contudo, gostaria da ideia, e apresentaria aos executivos dos Marvel Studios uma sinopse de um filme no qual Belova lideraria uma equipe de anti-heróis tentando deter um projeto secreto da Condessa, incluindo na equipe Walker, Fantasma, o Guardião Vermelho, e, quando começou a escrever o roteiro, o Soldado Invernal e a Treinadora - todos personagens que haviam sido anti-heróis ou vilões em seus filmes originais. Pearson justificaria a escolha dizendo que não queria uma equipe de vilões arrependidos, e sim de personagens que transitassem por uma área cinza da moralidade, "capazes tanto de atos de egoísmo quanto de bondade". Nas primeiras versões do roteiro, a equipe também contava com Bill Foster, o Golias, personagem interpretado em Homem-Formiga e a Vespa por Laurence Fishburne, removido após Pearson achar que ele não tinha "os mesmos traumas passados" dos demais integrantes.

Pearson chegaria a pensar em usar o Hulk Vermelho como vilão do filme, mas seria impedido pelos executivos dos Marvel Studios, que já o haviam reservado para Capitão América: Admirável Mundo Novo. Nas primeiras versões do roteiro, o vilão era Walker, que, convencido pela Condessa de que o efeito de seu soro do supersoldado estava passando, tomava pílulas fornecidas por ela que o deixavam violento, ideia descartada porque também era parecida com a de Capitão América: Admirável Mundo Novo, e porque as ações de Walker estavam semelhantes às que ele havia tomado em Falcão e o Soldado Invernal. Ao pesquisar nos quadrinhos por um antagonista que os Thunderbolts não conseguissem derrotar facilmente em uma luta, Pearson acabaria optando por Robert Reynolds, que é ao mesmo tempo o herói Sentinela e o vilão Vácuo, chegando a conversar com o co-criador do personagem, Paul Jenkins, sobre a melhor forma de colocá-lo no filme.

Pearson acabaria concluindo que Reynolds se encaixou como uma luva na história e na equipe dos Thunderbolts, e ficaria satisfeito por o personagem lhe dar a oportunidade de discutir a importância da saúde mental em um filme de super-heróis. A ideia de que, para derrotá-lo, os Thunderbolts deveriam encarar novamente as maiores decepções de suas vidas viria do produtor Brain Chapek, com Pearson acreditando que essa seria uma excelente parte final para o arco de redenção dos personagens. Pearson aproveitaria a história de origem do Sentinela nos quadrinhos para fazer dele o projeto da Condessa contra o qual os Thunderbolts têm de se unir, mas preferiria colocar na história que ele estava em animação suspensa a usar a mesma justificativa dos quadrinhos para que o mundo não soubesse de sua existência previamente - a de que ele mesmo havia voluntariamente se removido da memória dos demais habitantes do planeta, algo que ficaria muito parecido com o final de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

Com Pearson tendo praticamente se auto-contratado para escrever o roteiro, a Marvel precisava agora de um diretor, optando por Jake Schreier, de Cidades de Papel, após ele fazer uma apresentação de ideias para o filme que "explodiria as mentes" dos executivos dos Marvel Studios. Parte dessa apresentação incluía o Homem-Coisa como membro da equipe, algo do qual Pearson convenceria Schreier a desistir por considerá-lo "uma criatura imprevisível", e não conseguir achar uma justificativa para que ele se unisse aos outros. Curiosamente, um conceito apresentado tanto por Pearson quanto por Schreier, sem que um soubesse da intenção do outro, era que a equipe se reunisse após uns serem contratados para matar os outros, o que daria a eles um motivo para se unir diferente de "figura de autoridade os obriga a trabalhar juntos". Por causa disso, mesmo com Schreier querendo a presença de Zemo no filme, Pearson acharia que um "fundador da equipe" ficaria deslocado; uma cena pós-créditos na qual era revelado que Zemo esteve por trás da formação da equipe desde o início chegaria a ser escrita, mas jamais filmada - assim como uma envolvendo Kang, descartada após a demissão de Jonathan Majors.

O filme dos Thunderbolts seria oficialmente anuciado em setembro de 2022, junto com o anúncio de que ele seria o último filme da Fase 5 do MCU. Em fevereiro de 2023, Steven Yeun, que havia trabalhado com Schreier na série Treta, seria anunciado como intérprete de Reynolds, e Lee Sun Jing, criador da série, revelaria estar reescrevendo partes do roteiro a pedido de Schreier; boatos se espalhariam de que o diretor não estava satisfeito com o fato de Pearson ter dado mais destaque a Yelena, ao Guardião Vermelho e à Treinadora, personagens que ele havia escrito em Viúva Negra, do que aos demais personagens, e que o ideal seria que a história passasse a impressão de ser um filme de equipe, não um spin off de Viúva Negra. Schreier também queria dar mais destaque a personagens secundários, como a assistente da Condessa, Mel, e o Deputado Gary, que preside uma comissão governamental que investiga as atividades da Condessa, para que eles tivessem um arco de história próprio, ao invés de apenas fazer figuração.

Em maio de 2023, as filmagens tiveram de ser adiadas devido à greve dos roteiristas, e a data de lançamento, originalmente prevista para dezembro de 2024, seria adiada para julho de 2025. Devido ao adiamento das filmagens, Yeun e Ayo Edebiri, originalmente escolhida para interpretar Mel, tiveram que deixar a produção por conflitos com suas gravações, respectivamente, de Treta e O Urso. Após o final da greve, Schreier leria o roteiro e acharia que estava faltando tensão e imprevisibilidade, e que, sendo os personagens quem são, o público deveria ficar o tempo todo sem saber se algum deles não iria sobreviver. Ele também seguiria insatisfeito com o tempo de tela destinado à Treinadora, principalmente porque ela era a protagonista de uma piada recorrente na qual ela de vez em quando se esquecia que tinha decidido se unir aos demais personagens e tentava matá-los, considerando que, como o Sentinela também tinha problemas de memória, não fazia sentido dois personagens com a mesma característica. Para resolver esses problemas, Joanna Calo seria contratada para reescrever o roteiro do zero, apenas aproveitando as ideias de Pearson e Schreier; no fim, Calo e Pearson seriam creditados como co-roteiristas.

As filmagens começariam em fevereiro de 2024 em Atlanta, na Geórgia, mas a maior parte do filme seria gravado no estado de Utah. A pedido dos Marvel Studios, Schreier usaria o mínimo possível de efeitos de computação gráfica, o que levaria a uma situação inusitada em uma das cenas mais impressionantes do filme, na qual Belova salta do Merdeka 118, o segundo prédio mais alto do mundo, em Kuala Lumpur, na Malásia: a atriz que a interpreta, Florence Pugh, convenceria a equipe de produção a fazer a cena ela mesma, sem usar nenhuma dublê, para desespero dos executivos dos Marvel Studios, que não conseguiam nem imaginar o que aconteceria se alguma coisa desse errado e ela viesse a falecer. Mesmo com a quantidade reduzida de efeitos, oito empresas trabalhariam no filme: Industrial Light & Magic, Framestore, Digital Domain, Rising Sun Pictures, Raynault VFX, Base FX, Crafty Apes e Mammal Studios. O filme possui uma cena pós-créditos ambientada 14 meses após seus eventos e filmada um mês antes do lançamento do filme, dirigida por Anthony e Joe Russo, mas escrita por Schreier; a cena originalmente tinha uma parte cômica envolvendo o Soldado Invernal e Walker, que acabaria cortada para desapontamento de Sebastian Stan, que a considerava genial.

No filme, Belova está cansada de trabalhar como mercenária fazendo serviços para a Condessa, mas aceita uma última missão antes de abandonar definitivamente essa vida. Sem que ela saiba, Walker, Fantasma e a Treinadora também foram enviados para essa missão, que consistia em uns matarem os outros para que a Condessa se livrasse de todos. Após descobrirem isso e decidirem se unir para se vingar, eles acabam topando acidentamente com Bob, em quem a Condessa tem um interesse inexplicável. Com a ajuda do Guardião Vermelho e do Soldado Invernal, sua missão passa a ser descobrir o porquê desse interesse, enquanto lutam para sobreviver. O elenco conta com Florence Pugh como Yelena Belova, Sebastian Stan como Bucky Barnes / Soldado Invernal, Wyatt Russell como John Walker, David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho, Hannah John-Kamen como Ava Starr / Fantasma, Olga Kurylenko como Antonia Dreykov / Treinadora, Lewis Pullman como Robert "Bob" Reynolds / Sentinela, Geraldine Viswanathan como Mel, Chris Bauer como o chefe de segurança Holt, Wendell Pierce como o Deputado Gary, Gabrielle Byndloss como Olivia Walker, e Julia Louis-Dreyfus como a Condessa Valentina Allegra de Fontaine.

O filme teria uma pré-estreia em Londres em 22 de abril de 2025, uma em Los Angeles em 28 de abril, e estreia mundial em 1 de maio - mas nos Estados Unidos só estrearia em 2 de maio. Com orçamento de 180 milhões de dólares, renderia 190 milhões nos Estados Unidos e 382 milhões ao somar o mundo inteiro, sendo um dos filmes do MCU de menor bilheteria e considerado um fracasso de público pela Disney, que projetava bilheteria mundial de pelo menos 425 milhões. Feige atribuiria o baixo rendimento a uma percepção do público de que era necessário ter assistido Viúva Negra e Falcão e o Soldado Invernal para que a história pudesse ser compreendida, e que inclusive havia pedido à Disney que deixasse claro que isso não era necessário. A crítica, pelo menos, seria bastante positiva, considerando o filme inovador em relação ao que vinha sendo feito no MCU, elogiando a sintonia do elenco, e avaliando a performance de Pugh como arrebatadora.

Para terminar, a explicação do asterisco no título: enquanto Calo reescrevia o roteiro, surgiria o assunto "por que a equipe decidiu adotar o nome Thunderbolts", que Pearson não havia abordado; Schreier sugeriria que os cartazes do filme trouxessem um asterisco após o nome Thunderbolts, para "mostrar que eles não estavam plenamente satisfeitos com esse nome e ainda buscavam algo melhor". A cúpula dos Marvel Studios adoraria essa sugestão e, em março de 2024, oficialmente renomearia o filme para Thunderbolts*, colocando o asterisco em todo o material de divulgação. Como, desde a primeira versão do roteiro, Pearson já havia definido que, ao final do filme, a Condessa revelaria a equipe como "os novos Vingadores", Calo sugeriria que, depois dessa cena, o título mudasse na tela para The New Avengers, e a "abertura" (que, normalmente, no MCU, vem no final, antes dos créditos) tratasse a equipe por esse nome. Isso levaria a uma jogada publicitária inédita: quando Thunderbolts* completou uma semana em cartaz, a Disney distribuiu novos pôsteres para os cinemas, idênticos aos anteriores, mas nos quais o título do filme era The New Avengers, pedindo para que os letreiros dos cinemas também passassem a exibir esse título, na primeira vez na história do cinema em que um filme teria seu título mudado por uma questão relativa à história do próprio filme. Essa mudança seria acompanhada de uma campanha publicitária na qual os atores do filme, caracterizados como seus personagens, rasgavam os títulos dos pôsteres antigos para revelar o novo título por baixo, deixando claro que se tratava do mesmo filme. Apesar da campanha, a Disney deixaria claro que o filme não havia sido renomeado, com seu registro oficial ainda trazendo o título Thunderbolts* - assim como os sistemas de venda de ingressos.

Coração de Ferro
Ironheart
2025

Riri Williams, codinome Coração de Ferro, é uma personagem extremamente recente nos quadrinhos Marvel: criada pelo roteirista Brian Michael Bendis, também criador de Jessica Jones e Miles Morales, e pelo desenhista brasileiro Mike Deodato, ela faria sua estreia na revista Invincible Iron Man 7, de maio de 2016. Incrivelmente inteligente, Riri, de apenas 15 anos, estuda no MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts (uma instituição de ensino superior) e foi capaz de analisar a tecnologia da armadura do Homem de Ferro para criar uma para ela própria, com a qual começou a combater o crime usando o nome de Coração de Ferro após seu padrasto e sua melhor amiga serem mortos durante um assalto. Riri ficaria muito popular muito rápido, e seria do interesse dos Marvel Studios introduzi-la no MCU o quanto antes, com Jada Rodriguez sendo contratada para escrever um roteiro para um filme ainda durante a Fase 3, em 2018.

Apesar de extremamente elogiado, o roteiro de Rodriguez jamais seria filmado; ao invés disso, os executivos dos Marvel Studios optariam por introduzir a personagem no segundo filme do Pantera Negra, fazê-la amiga de Shuri, e só então partir para um filme ou série estrelado por ela, com o estúdio em dezembro de 2020 anunciando que havia optado pela série. A poeta e dramaturga Chinaka Hodge seria anunciada como showrunner dessa série em abril de 2021, mas a pré-produção andaria a passos lentos até a estreia de Pantera Negra: Wakanda para Sempre, em novembro de 2022. Antes disso, em abril, Anthony Ramos, um dos atores já escalados para a série, comentaria que Ryan Coogler, diretor dos dois filmes do Pantera Negra, estava envolvido de alguma forma com a produção da série; após a estreia de Wakanda para Sempre, Coogler confirmaria sua participação, revelando que a série seria uma co-produção entre os Marvel Studios e sua empresa, a Proximity Media.

Coogler não teria envolvimento direto com a direção ou os roteiros, mas seria a Proximity Media quem escolheria os diretores da série, com Sam Bailey dirigindo os três primeiros episódios e Angela Barnes os três últimos. Os roteiristas seriam escolhidos pela Marvel, com Hodge escrevendo o piloto e o último e os demais ficando a cargo de Francesca Gailes & Jacqueline J. Gailes (que já haviam trabalhado em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis), Malarie Howard, Amir Sulaiman, e Cristian Martinez. Os roteiristas se reuniriam logo no início do projeto e, diferentemente de em outras produções do MCU, não teriam carta branca, recebendo instruções expressas de Feige e Coogler para que a série fosse uma continuação direta de Wakanda para Sempre e para que o vilão fosse o Capuz, o que daria a oportunidade para que na série fossem misturados magia e tecnologia.

Apesar das instruções, muito do que acabou indo ao ar foi ideia de Hodge, como Riri ser expulsa do MIT, retornando a sua cidade natal e se envolvendo com a gangue do Capuz para obter dinheiro para financiar seus projetos. Coração de Ferro também marcaria finalmente a estreia de um dos principais vilões da Marvel, Mefisto, na qual os fãs vinham apostando desde WandaVision; Hodge diria ter sido dela a ideia da inclusão do personagem, mas após ela ter sido "encorajada" pelos executivos dos Marvel Studios a fazê-lo. Inicialmente, os roteiristas pensariam em seguir a história dos quadrinhos, na qual o Capuz rouba seu capuz de Dormmamu, que já havia estreado em Doutor Estranho, mas acabariam concordando com Hodge que Mefisto se enquadrava melhor na proposta da série, escrevendo uma cena na qual ele presenteia o Capuz com o capuz em troca de seus serviços. Coogler elogiaria a estreia do personagem em Coração de Ferro, uma série a princípio voltada para a tecnologia, ao invés de em WandaVision, Loki ou Agatha Desde Sempre, séries, segundo ele, na qual sua presença seria mais óbvia.

Coração de Ferro começa seis meses após a participação de Riri em Wakanda para Sempre; após retornar ao MIT e a trabalhar em sua armadura, ela é expulsa da instituição por usar recursos sem autorização, e decide voltar para a casa de sua mãe em Chicago. Lá ela se põe a construir uma nova armadura, e durante o projeto acaba acidentalmente criando uma inteligência artificial com a aparência de sua melhor amiga, Natalie, morta anos antes durante um tiroteio, no qual o padrasto de Riri também foi vítima. Para conseguir os equipamentos para sua nova armadura, porém, ela acabará se envolvendo com o misterioso Joe McGillicuddy, que vende armas e peças no mercado negro, e entrando para a gangue de Parker Robbins, codinome Capuz, que aparentemente realiza pequenos roubos, dos quais parte do dinheiro ficará com Riri, mas na verdade tem um propósito final muito mais sinistro. Sendo uma mulher da ciência, a princípio Riri não acredita que o Capuz tem poderes mágicos, mas acabará descobrindo a verdade da pior maneira.

O elenco conta com Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Lyric Ross como Natalie Washington / N.A.T.A.L.I.E.; Anthony Ramos como Parker Robbins / Capuz; Alden Ehrenreich como Joe McGillicuddy / Ezekiel "Zeke" Stane; Manny Montana como John, primo e braço-direito de Robbins; Matthew Elam como Xavier Washington, irmão de Natalie, vizinho, amigo e espécie de interesse romântico de Riri; Anji White como Ronnie Williams, mãe de Riri; Eric André como Stuart Clarke / Fúria, especialista em tecnologia da gangue do Capuz, que Riri substitui; Sonia Denis como Palhaça, especialista em pirotecnia da gangue do Capuz; Shea Couleé como Sanguessuga, drag queen hacker nascida em Madripoor que faz parte da gangue do Capuz; Zoe Terakes e Shakira Barrera como Jeri e Roz Blood, o Irmão Sangue e a Irmã Sangue, ex-atletas, lutadores de rua e músculos da gangue do Capuz; Cree Summer como Madeline Stanton, amiga de Ronnie e ex-aluna de Kamar-Taj, dona de uma loja de doces que secretamente pratica magia e vende itens mágicos; Regan Aliyah como Zelma Stanton, filha de Madeline e amiga de Riri; Paul Calderón como Arthur Robbins, pai de Parker e CEO da empresa Artworks; Jim Rash como o Professor Wilkes do MIT; Harper Anthony como Landon, vizinho de Riri que a ajuda no transporte das peças da armadura mediante pagamento; e Sacha Baron Cohen como Mefisto. Participações especiais incluem LaRoyce Hawkins como Gary Williams, padrasto de Riri; Tanya Christiansen como Heather, vizinha esnobe de Zeke; Zhaleh Vossough como Sheila Zarate, CEO da empresa TNNL; e o rapper Saba como ele mesmo.

As filmagens ocorreriam nos Trillith Studios, em Atlanta, com filmagens em Chicago inicialmente ocorrendo apenas para cenas de ambientação - ou seja, para mostrar cenas da cidade e fingir que a série foi filmada lá. Uma réplica do restaurante White Castle, de Chicago, seria construída em estúdio em Atlanta, para que o elenco não precisasse viajar para filmar lá. Após o fim das filmagens, Bailey e Barnes não ficaram satisfeitos com a "Chicago falsa", e a equipe de produção viajou à Chicago verdadeira para regravar algumas cenas nas Zonas Sul, Norte e no Centro. Assim como para Homem de Ferro, seria construúida uma armadura cenográfica da Coração de Ferro, usada durante as filmagens, com uma versão digital sendo usada nas cenas mais impossíveis, como as de voo, adicionada na pós-produção, durante a qual a versão cenográfica seria aprimorada por efeitos especiais. Os efeitos visuais da série ficariam a cargo das empresas Base FX, Cantina Creative, Frame by Frame, ILM, Luma Pictures, Rise FX, SDFX Studios, e Tippett Studio.

Coração de Ferro teria apenas seis episódios, e um final aberto - segundo a cúpula dos Marvel Studios, seria avaliado de acordo com o desempenho da série se ela ganharia uma segunda temporada ou não. Os três primeiros episódios estreariam em 24 de junho de 2025, e os três últimos em 1 de julho. Isso seria visto com preocupação por alguns críticos, por poder dar a entender que a Disney estava querendo "se livrar da série" o mais rápido possível, mas Disney e Marvel responderiam que era apenas um experimento para ver se o público do Disney+ aceitaria melhor esse formato, semelhante ao usado em Andor, do que à estreia de um episódio por semana. De fato, Coração de Ferro seria a série mais assistida do Disney+ e a terceira mais assistida de todos os streamings nas duas semanas em que seus episódios estrearam, mas depois a audiência caiu bastante; ainda assim, a série fecharia 2025 como uma das dez produções originais mais assistidas do ano.

A crítica ficaria dividida, elogiando o carisma e a confiança de Thorne, a mistura entre magia e tecnologia, e a presença de cena de Cohen como Mefisto; o ritmo dos episódios e as supostas lições de moral contidas neles, por outro lado, seriam bastante criticadas, com os críticos comentando que a série fazia questão de mostrar que foi feita para o público jovem, mas que seus criadores não queriam arriscar que o público tirasse os olhos da tela um minuto sequer. Antes da estreia, a série seria vítima de um review bombing, prática através da qual diversos usuários atribuem uma noa baixa ou crítica negativa em sites especializados, sem nem mesmo terem visto a produção; Feige comentaria não estar preocupado com isso, e que essa era uma prática comum em se tratando de produções estreladas por mulheres, pessoas não-brancas ou da comunidade LGBTQIA+.

Para terminar, vale citar que, de forma não oficial, Riri faria sua estreia cinematográfica bem antes de sua estreia no MCU, em um curta chamado Not All Heroes Wear Capes - But Some Carry Tubes ("nem todo herói usa capa - mas alguns carregam tubos"), produzido pelo departamento de admissões do MIT em 2017. Interpretada por Ayomide Fatunde, no curta Riri passeia pelo campus, assiste a algumas aulas, trabalha na armadura da Coração de Ferro em seu dormitório e, no final, sai com a armadura para um voo de teste. O curta teve autorização da Marvel Comics, e foi produzido para se aproveitar do fato de que nos quadrinhos Riri é aluna do MIT para convencer mais alunos a se matricular na instituição.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Thunderbolts*
•Coração de Ferro

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