segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Patinação (II)

Semana passada, eu fiz aqui um post sobre patinação, no qual falei sobre patinação no gelo. Como vocês devem saber, entretanto, a patinação no gelo não é a única patinação que existe, existindo também o outro tipo, que usa patins com rodinhas. Hoje, vou completar o serviço e falar sobre essa outra patinação.

Quase todos os esportes que usam patins com rodinhas são regulados pela Federação Internacional de Esportes Sobre Rodas (FIRS, na sigla em francês), que já conta com nada menos que oito esportes diferentes sob sua tutela. Sobre dois desses oito, o hóquei sobre patins e o hóquei inline, eu já falei quando fiz o post sobre hóquei; sobre outros dois, o skate e o esqui alpino inline, eu não vou falar hoje porque esse é um post sobre patinação, e eles não envolvem patinação. Sobram outros quatro, sobre os quais falarei em breve. Antes, acho que cabe uma introdução falando sobre os tipos de patins com rodinhas e o surgimento da FIRS.

Como vimos semana passada, os patins de gelo foram inventados há uns três mil anos na Finlândia, mas começaram a se tornar populares apenas no século XVII, quando jovens nobres holandeses começaram a usá-los para corridas e competições de patinação artística. Nos anos seguintes, os patins se espalhariam pela Europa, chegariam aos demais continentes, e dariam origem a toda uma gama de competições esportivas, além de, é claro, continuarem sendo usados apenas para o lazer. Os patins de gelo possuíam, porém, uma desvantagem muito séria: para que as pessoas pudessem patinar com eles, precisavam de uma superfície de gelo. Em outras palavras, nada de patinar no verão.

Mas algumas pessoas não se deixariam abater por um detalhe tão insignificante, e logo começariam a trabalhar em patins que pudessem ser usados o ano inteiro. O primeiro a patentear um modelo foi um belga, John Joseph Merlin, em 1760. A invenção de Merlin era a mais simples possível: ao invés de uma lâmina, duas rodas, semelhantes a rodas de bicicleta, no meio dos patins. Durante um breve período de tempo, a novidade conseguiu uma certa popularidade em Huy, cidade natal de Merlin, mas logo seria abandonada, porque era muito difícil fazer curvas e frear com esses patins.

Mais uma vez, vários inventores começaram a trabalhar para solucionar esses problemas. O mais bem sucedido foi um norte-americano, James Leonard Plimpton, considerado o inventor dos patins com rodinhas: em 1863, em Nova Iorque, ele patentearia um modelo inspirado no automóvel, com quatro rodinhas, duas de cada lado, e um sistema de amortecedores de borracha, que permitiam que o patinador fizesse curvas facilmente apenas inclinando o corpo para um dos lados. O modelo de Plimpton seria aperfeiçoado em 1876 por dois inventores ingleses, William Bown, que inventaria um novo modelo de rodinhas de plástico, usado até hoje em patins e skates, e Joseph Henry Hughes, que inventaria o freio, um bloco de plástico na frente dos patins, que possibilitava que o patinador interrompesse seu movimento apenas inclinando o pé para a frente. Esse modelo de patins com quatro rodinhas e um freio na frente é conhecido em inglês como quad (em referência às quatro rodas), e pode ser encontrado ainda hoje em duas versões: uma na qual as rodas e outros elementos estão presos a um suporte, que o patinador deve amarrar em seus próprios sapatos, e outro no qual eles já vêm presos a uma bota, calçada pelo patinador.

Os quads foram bastante populares no final do século XIX e início do século XX - com vários rinques de patinação surgindo por toda a Europa e Estados Unidos - mas foram ficando esquecidos a partir da década de 1930, até retornarem, com um boom, na década de 1970, graças à sua associação com o movimento disco. A partir da década de 1990, porém, eles começaram a decair em popularidade mais uma vez, agora substituídos na preferência do público por um outro modelo, conhecido como inline.

Mas os patins inline não são uma invenção recente: o primeiro a patentear um modelo foi o francês Louis Legrande, em 1849. Trabalhando sobre o modelo criado por Merlin, ele colocou quatro rodinhas em fila, ao invés de duas, para conseguir maior estabilidade. Como os quads ainda eram mais fáceis de controlar, especialmente nas curvas, os inline eram meio que marginalizados, possuindo, porém, um uso específico para o qual os quads não serviam: auxiliar no treinamento de patinadores de gelo, que, com os patins de rodinhas, podiam treinar o ano todo, mas, sendo os quads tão diferentes dos patins de gelo, não ajudavam em nada no treinamento; os inline, por outro lado, permitiam treinar o equilíbrio, a arrancada e outros fatores proporcionados pelo uso das quatro rodinhas no meio dos patins.

Visando esse público específico, diversos inventores, especialmente nos Estados Unidos, começaram a trabalhar para aperfeiçoar os patins inline. Um dos mais bem sucedidos foi Ernest Kahlert, da Califórnia, que registrou sua patente em 1953. Os patins de Kahlert usavam as mesmas rodas e sistema de amortecimento dos quads, mas com as rodas dispostas em fila como nos inline. Esse modelo, usado no treinamento não só de patinadores, mas também de jogadores de hóquei no gelo, seria aperfeiçoado ao longo dos anos, até que, em 1993, uma empresa sediada em Minnesota, chamada Rollerblade, lançaria um modelo que se tornaria extremamente popular - tão popular, aliás, que, nos Estados Unidos, "rollerblade" é praticamente sinônimo de patins inline, usando a marca por nome do produto, como fazemos com gilete, por exemplo.

Os patins da Rollerblade possuíam rodas mais finas, um sistema de amortecimento mais barato, mas igualmente eficiente, e um freio similar ao dos quads, mas localizado no calcanhar; além disso, já vinha montado em uma bota grande, colorida e de plástico, que chamava a atenção das crianças e adolescentes, fator preponderante para sua popularidade. Aos poucos, outras fabricantes foram copiando o modelo, algumas adicionando suas próprias diferenças, como três rodas ao invés de quatro, ou uma bota mais parecida com uma bota mesmo, como a dos quads. Hoje em dia, existem patins inline de uma dezena de modelos diferentes - com três, quatro, cinco ou até seis rodas; com ou sem freio; mais "duros" ou mais "soltos" etc. - mas todos já vêm presos a botas.

Durante o período de popularidade dos quads, competições de patinação artística e de patinação em velocidade usando patins com rodinhas se tornariam comuns; como a maior parte dos países nas quais elas eram disputadas também possuíam uma estrutura bastante organizada de competições de patinação no gelo, elas jamais chegariam, porém, próximas da popularidade de seus equivalentes no gelo. A própria FIRS, fundada em 1924, não seria criada com o propósito de regular a patinação com rodinhas, e sim de regular o hóquei sobre patins. Somente em 1937, por insistência de alguns membros, é que ela começaria a regular, também, a patinação em velocidade, se tornando, no ano seguinte, o órgão máximo também para a patinação artística. Contando com 100 membros dos cinco continentes, incluindo o Brasil, a FIRS tem por missão, hoje, tentar tornar a patinação com rodinhas tão popular quanto a patinação no gelo, algo que está se mostrando bem mais difícil que o esperado. A própria inclusão da patinação nas Olimpíadas, pleiteada desde 1984, é vista com reservas pelos membros do COI, que temem reduzir a popularidade das Olimpíadas de Inverno caso haja também uma patinação nas Olimpíadas de Verão - com atletas da patinação no gelo competindo também com rodinhas, por exemplo.

Pois bem, seguindo a mesma ordem do post anterior, vamos começar a exposição pela patinação artística, da qual a FIRS reconhece nada menos que nove categorias: figuras masculina, figuras feminina, livre masculina, livre feminina, dança solo masculina, dança solo feminina, duplas (mistas), dança (em duplas mistas) e precisão. Assim como a patinação no gelo, a patinação artística com rodinhas é disputada em um rinque de 60 por 30 metros, aqui muitas vezes demarcado sobre uma quadra poliesportiva. Se for o caso, o atleta não pode ultrapassar a linha demarcada durante sua apresentação, ou será declassificado. A imensa maioria dos atletas desse esporte usa patins quad, que permitem mais precisão e maior gama de movimentos; alguns, entretanto, principalmente os oriundos da patinação no gelo, preferem os inline, que devem ter três características especiais: bota de couro (como a dos quads); quatro rodinhas, com a primeira e a última sendo mais elevadas que as centrais; e freio na parte da frente, e não no calcanhar. É recomendação da FIRS que atletas que usem quads e que usem inline não participem todos da mesma prova, devendo ser disputadas provas em separado para cada tipo de patins; na prática, entretanto, muitos campeonatos têm competidores misturados, devido ao baixo número de inscrições de inline - motivado, principalmente, pelo fato de que, em competições internacionais oficiais da FIRS, todos os patinadores devem usar quads.

A categoria figuras é bem parecida com a "técnica inglesa" da patinação no gelo, com a diferença de que, aqui, as figuras são traçadas no chão, e o patinador deve completá-las seguindo uma ordem e movimentos pré-determinados. Um painel de juízes avalia a precisão com a qual o patinador segue as marcações, a elegância com que ele passa de uma figura para a outra, e a forma como ele faz as curvas, além de sua postura. Cada um desses elementos vale um número determinado de pontos, e, ao final da competição, o patinador com mais pontos é declarado vencedor. As rodas dos patins da categoria figuras costumam ser bastante duras, e têm entre 60 e 63 mm de diâmetro.

Já a categoria livre é bem semelhante a uma apresentação de patinação no gelo: ao som de música, o patinador fará duas apresentações, um programa curto de dois minutos e um programa longo de quatro minutos, nas quais demonstrará elementos como saltos e piruetas, sendo que no programa curto todos apresentam os mesmos elementos, enquanto no longo a escolha dos elementos é feita pelo patinador. A maioria dos elementos da patinação com rodinhas é bem diferente dos da patinação no gelo, pois os patins com rodinhas são mais pesados, e o apoio no freio não porporciona um salto tão "limpo" quanto o apoio na parte dentada da lâmina; em compensação, alguns movimentos, como trocar o pé que está patinando em meio a uma figura, só são possíveis com rodinhas. Um painel de juízes dará duas notas a cada patinador: uma nota técnica, que leva em conta a velocidade, o controle, a confiança e a perfeição na execução dos movimentos, e uma nota artística, que leva em conta a harmonia, graça, leveza e originalidade dos movimentos; ambas as notas são somadas, e aquele com a maior nota final é declarado vencedor. A categoria duplas é idêntica à livre, com a diferença de que os patinadores se apresentam em duplas mistas, e são incluídos elementos de levantamento e lançamento. As rodas da categoria livre têm 57 mm de diâmetro, misturando rodas bem duras e menos duras - as bem duras do lado dos patins usado para girar, as menos duras do outro.

Na categoria dança (seja solo ou em duplas), cada patinador faz três apresentações, tendo entre 3 e 4 minutos para concluir cada uma: a dança compulsória, a dança original e a dança livre. Na dança compulsória, todos os patinadores devem apresentar os mesmos elementos, sendo avaliados de acordo com a precisão na execução dos movimentos, bem como na postura e elegância com que os executou. Na dança original, o ritmo é selecionado pela organização do campeonato, mas o patinador pode escolher os elementos de sua preferência. A nota da dança original é dividida em duas partes, uma para a parte técnica (velocidade, controle, confiança e precisão) e uma para a parte artística (harmonia, graça, leveza e originalidade). Finalmente, na dança livre, cada patinador é livre para escolher seu próprio ritmo e seus próprios elementos, mas não pode usar saltos ou levantamentos, devendo a apresentação se parecer com uma apresentação de dança de salão. A nota da dança livre leva em conta a criatividade, a habilidade e a execução dos movimentos. As três notas somadas determinam quem é o vencedor. Rodas dos patins da dança são as menos duras de todas, e têm 63 mm de diâmetro.

Finalmente, a categoria precisão é bem parecida com a patinação sincronizada: nela, uma equipe de 12 patinadores, durante uma apresentação de 4 minutos, ao som de música, deve apresentar uma série de elementos obrigatórios combinados com outros de sua escolha. As equipes são mistas, e as notas levam em consideração a velocidade com que os elementos são executados, a sincronia entre os membros da equipe, a habilidade individual de cada patinador e a elegância do conjunto. A equipe com a maior nota é a vencedora. Em relação às rodas, são usadas as mesmas dos patins da categoria livre.

A competição mais importante da patinação artística é o Campeonato Mundial, disputado anualmente desde 1947 (exceto em 48, 50, 53, 54, 57, 60, 63, 64 e 69, não sei o porquê) nas categorias livre masculina, livre feminina, dança solo masculina, dança solo feminina, duplas e dança, e desde 2000 na categoria precisão; entre 1947 e 1998 também eram disputadas as categorias figuras masculinas e figuras femininas. A patinação artística não está nas Olimpíadas, mas está nos World Games desde sua primeira edição, em 1981, nas categorias livre masculina, livre feminina, duplas e dança. O Brasil tem uma medalha de ouro e duas de bronze nos World Games nesse esporte - uma de cada com Marcel Sturmer na livre masculina, em 2009 e 2013, e uma de bronze com Luciana Hyodo e Max Coelho nas duplas em 2001.

Passemos agora da patinação artística para a patinação em velocidade. Assim como ocorreu no gelo, a patinação em velocidade usando rodinhas foi a evolução de várias corridas ao ar livre, com a diferença de que essas corridas eram realizadas em estradas, no asfalto ou concreto. Mesmo após o advento das arenas fechadas, muitos competidores preferiram continuar competindo em estradas, de forma que a FIRS reconhece e regula as duas categorias, a patinação em velocidade de pista e a patinação em velocidade de estrada - mais ou menos como ocorre com o ciclismo.

Uma das principais dificuldades encontradas pela FIRS para uma padronização da patinação em velocidade é que, atualmente, existem dois tipos de pistas oficiais: embora todas sejam ovais, nos Estados Unidos é comum que as pistas, também chamadas rinques, e que têm piso de madeira coberta com plástico ou cimento coberto com plástico, tenham 100 metros de extensão, enquanto na Europa as pistas se chamam patinódromos, têm piso de asfalto ou concreto e 200 metros de extensão. Como se isso não bastasse, muitos países (como o Brasil), por não terem rinques nem patinódromos próprios, para não precisar construir um, realizam suas provas em velódromos - as pistas próprias para provas de ciclismo - que têm 250 metros de extensão, piso de madeira e curvas inclinadas. Desde o ano 2000, a FIRS faz um esforço - inclusive contribuindo financeiramente - para que o patinódromo seja adotado como arena universal da modalidade, mas alguns países, principalmente os Estados Unidos, ainda resistem a construí-los.

Atualmente, os patins usados nas competições internacionais de patinação em velocidade são os inline. No início, evidentemente, eram usados os quad, sendo que, até 1991, todos os competidores internacionais usavam esse modelo. No ano seguinte, a FIRS passou a permitir o uso de ambos os tipos, e, a partir de 1994, quando ficou provado que os inline eram mais rápidos, todos os competidores internacionais passaram a adotá-los. Ainda hoje a regra oficial da FIRS permite que se usem quads, mas ninguém o faz. Alguns países, porém, ainda organizam campeonatos separados para inlines e quads.

As rodas dos patins de velocidade são bem maiores que os da patinação artística, tendo entre 90 e 100 mm de diâmetro, e as de pista são mais duras até que as da categoria figuras, com as de estrada sendo um pouco menos duras. A FIRS permite que sejam usados patins de três, quatro ou cinco rodas, de acordo com o tamanho do pé do patinador - quem tem o pé menor usa menos rodas - sendo que as botas, hoje em dia, são feitas de fibra de carbono ou fibra de vido, moldadas ao pé do atleta para serem aerodinâmicas, e bem curtas, para permitir maior mobilidade do tornozelo. O suporte no qual as rodas são presas também é feito de fibra de carbono ou material similar, para permitir maior flexibilidade nas curvas. Um detalhe curioso quanto aos patins de velocidade é que eles não possuem freio. Além dos patins, um equipamento obrigatório é o capacete, para proteção do atleta, mas que pode ser alongado como o do ciclismo, para ajudar na aerodinâmica.

A patinação em velocidade possui sete tipos de provas diferentes. A mais simples é a chamada sprint: quem chegar primeiro após cumprir uma determinada distância é o vencedor. Na estrada, todos os patinadores largam juntos, mas, na pista, há um máximo de seis patinadores de cada vez, portanto, se houver mais que isso competindo, são disputadas eliminatórias, com os melhores avançando e os piores sendo eliminados, até que os seis melhores fazem a final. Tanto na pista quanto na estrada, as distâncias do sprint são 500 metros e 1.000 metros.

A prova contra o relógio é mais parecida com a patinação em velocidade no gelo: dois patinadores de cada vez tentam completar a distância no menor tempo possível. O vencedor será aquele que tiver o menor tempo depois que todos tiverem concluído a prova, então o objetivo não é somente vencer o adversário contra quem você está competindo, e sim estabelecer um tempo melhor que os anteriores e cujos seguintes não vão conseguir superar. Na pista, a distância da prova contra o relógio é de 300 metros, na estrada, é de 200 metros.

O terceiro tipo de prova é a eliminatória, na qual, a cada volta na pista, ou em pontos marcados previamente na estrada, o último patinador do pelotão é eliminado, devendo deixar a prova. Com isso, no final, costumam sobrar só quatro ou cinco, que disputarão efetivamente a vitória. Esse formato faz com que todos sempre tentem ficar bem juntos, e com que quedas sejam determinantes para o insucesso, já que é muito difícil para um patinador que cai se recuperar antes de ser eliminado. Na pista, a eliminatória é disputada na distância de 15.000 metros, enquanto na estrada a distância é de 20.000 metros.

Em seguida, temos a prova dos pontos. Nela, a cada volta na pista, ou em pontos marcados previamente na estrada, o primeiro, segundo e terceiro a cruzarem a linha ganharão pontos. Nem todas as voltas/marcações valem o mesmo número de pontos, com aquelas mais próximas do final da prova valendo mais, e a última (que termina na linha de chegada) valendo a maior pontuação de todas. Mesmo assim, como o vencedor é aquele que acumula mais pontos ao longo da prova, e não quem cruza a linha de chegada primeiro, é comum que um patinador seja o vencedor mesmo sendo ultrapassado na volta final. Atualmente, a prova dos pontos é exclusiva da estrada, na distância de 10.000 metros, enquanto exclusivamente na pista temos o quinto tipo de prova, a pontos + eliminatória, que combina características dos dois tipos anteriores: a cada volta, os três primeiros ganham pontos e o último é eliminado, não importando quantos pontos tinha. Essa prova também é disputada na distância de 10.000 metros.

A patinação em velocidade conta também com provas de revezamento. Uma equipe de revezamento é composta de quatro patinadores; em torneios da FIRS, as equipes são sempre exclusivamente masculinas ou femininas, mas alguns outros torneios possuem provas de revezamento misto, com equipes compostas por dois homens e duas mulheres, sendo que uma mulher sempre inicia a prova e um homem sempre a termina. Na prova de revezamento, um dos patinadores completa uma volta na pista e então toca a mão de um colega, que dará mais uma volta; quando os quatro já tiverem dado suas voltas, eles se repetem, sempre na mesma ordem. Mesmo na estrada, a prova do revezamento tem um trajeto oval, para que todos os patinadores percorram o mesmo terreno. Na pista, a distância total percorrida pelo revezamento é de 3.000 metros; na estrada, é de 5.000 metros.

Finalmente, temos a maratona, disputada exclusivamente na estrada, e na distância de uma maratona mesmo, 42,195 Km. Os patinadores largam todos juntos, e quem chegar primeiro é o vencedor. A FIRS só organiza provas de maratona, mas também existem provas, organizadas por federações nacionais, de meia-maratona (21,0975 Km) e de ultra-maratona (distâncias superiores a 42,195 Km), como a famosa NY100K, uma prova de 100 Km realizada anualmente na cidade de Nova Iorque.

Antigamente, existia também um oitavo tipo de prova, chamado criterium. Nela, os patinadores deveriam cumprir não uma determinada distância, mas um determinado tempo patinando, mais uma volta. Por exemplo, após a largada, um cronômetro marcaria 45 minutos de prova, e, após esse tempo se completar, um sino tocava para avisar que quem cruzasse a linha de chegada ainda deveria dar mais uma volta, a última. O vencedor era quem cruzasse a linha de chegada novamente após essa última volta, que, por causa do sino, era conhecida como bell lap ("volta do sino"). Provas de criterium não são organizadas pela FIRS desde 2002, mas ainda podem ser encontradas em alguns campeonatos nacionais.

O campeonato mais importante da patinação em velocidade é o Campeonato Mundial, disputado em intervalos irregulares desde 1937, e anualmente desde 1978 - algumas edições tiveram apenas provas de estrada, algumas tiveram apenas provas de pista, e algumas tiveram ambas, incluindo todas as disputadas desde 2003. Desde essa data, são disputadas no Mundial, no masculino e no feminino, 12 das 13 provas reguladas pela FIRS - apenas os 1.000 m sprint de estrada não fazem parte do programa. Em segundo lugar em importância após o Mundial vêm os World Games, dos quais a patinação em velocidade faz parte do programa desde a primeira edição, em 1981. São disputadas nos World Games apenas as provas individuais de pista (ou seja, não tem revezamento), embora as de estrada (exceto o revezamento e a maratona) tenham sido incluídas no programa de 2013 como esporte de demonstração. Falando em maratona, ela possui um campeonato só dela, a Copa do Mundo, uma série de maratonas disputadas ao longo do ano, cujos resultados valem pontos aos competidores; ao fim do ano, aquele com mais pontos é declarado campeão.

O terceiro esporte que veremos hoje é a patinação downhill. Semelhante ao esqui alpino downhill, esse esporte envolve descer, usando patins, um percurso traçado em uma superfície inclinada, lisa e com piso de asfalto ou concreto, mas não reta, com o patinador devendo fazer algumas curvas pelo caminho. Os patinadores praticamente não tomam impulso durante a prova, com toda a velocidade sendo conquistada com a força da gravidade.

O downhill é aberto para patinadores que desejem usar tanto quads quanto patins inline, sendo que, na prática, assim como na patinação em velocidade, todos os patinadores usam inline, pois esses permitem uma velocidade maior. Os inline devem ter no mínimo quatro e no máximo seis rodas, as rodas não podem ter mais de 110 mm de diâmetro, e a estrutura na qual as rodas são montadas não pode ter mais de 50 cm de comprimento. O uso de freios é opcional, mas eles devem sempre ser traseiros, e, recentemente, muitos patinadores inline vêm experimentando um modelo clap, semelhante ao da patinação em velocidade no gelo, no qual a parte de trás não é afixada à bota, que deve ter cano longo e ser bastante firme no pé do atleta. Devido às altas velocidades, todos os patinadores devem também usar capacetes fechados, ao estilo do automobilismo, joelheiras, ombreiras, proteções para as palmas das mãos, genitais e para as costas, essas no estilo do motociclismo.

O downhill possui três categorias. A mais simples é a prova contra o relógio, na qual cada patinador desce de uma vez, e aquele que fizer a descida no menor tempo vence. Normalmente, cada patinador tem direito a duas descidas, com os tempos de ambas sendo somados. A segunda categoria é o inline cross, no qual um grupo de patinadores - pelas regras da FIRS, no mínimo dois e no máximo seis - descem todos juntos, sendo o vencedor o que cruzar a linha de chegada primeiro. Se houver necessidade, são disputadas eliminatórias, com os melhores colocados de cada bateria se classificando para a seguinte e os piortes sendo eliminados, até que só sobre um último grupo do qual o vencedor da prova será o campeão do evento. A categoria mais bizarra, porém, é a chamada bob track, na qual os patinadores descem uma pista de bobsled sem o gelo, patinando no concreto. Cada patinador tem direito a duas descidas, cujos tempos são somados, e os oito melhores tempos se classificam para uma nova descida, sendo campeão o que obtiver o menor tempo nessa terceira descida.

O downhill possui três campeonatos importantes. O primeiro é o Campeonato Mundial, realizado anualmente desde 1999, e que tem provas somente contra o relógio, masculina e feminina. O segundo é a Copa do Mundo, disputada anualmente desde 2005, uma espécie de circuito mundial com seis etapas ao longo do ano - sendo que o Mundial também conta como uma etapa - e com provas masculina e feminina contra o relógio e cross. O terceiro é a Bob Track Cup, realizada desde 2012 duas vezes por ano, consistindo apenas de uma prova de bob track masculina - embora mulheres também possam participar; não há prova feminina nem medalhas em separado porque o número de mulheres praticando essa categoria ainda é baixíssimo; nas duas provas desse ano, por exemplo, nenhuma competiu, e nas duas do ano passado, somente uma, na segunda prova. Cada prova da Bob Track Cup conta como um campeonato por si só, o que faz com que existam dois campeões por ano.

Para terminar, temos o patins estilo livre. Surgido nas ruas da Califórnia como mero passatempo, esse esporte foi crescendo em popularidade e atraindo cada vez mais adeptos, até que, em 2010, a FIRS decidiu regulá-lo também para padronizar as competições oficiais. No estilo livre, os patinadores se exibem em uma pista reta de 26 metros de comprimento, com pequenos cones espaçados equidistantes uns dos outros. O objetivo é patinar ziguezagueando pelos cones - passando pela direita de um, pela esquerda do seguinte, então pela direita, pela esquerda e assim vai - enquanto são realizadas manobras que envolvem saltos, piruetas, patinar de costas, agachado e outros movimentos complexos. Um painel de juízes avalia a performance de cada atleta, levando em conta elementos como a velocidade, a habilidade, a distância entre os patins e os cones e a precisão na execução das manobras. Todos esses elementos valem notas, e o patinador com a maior nota vence. Derrubar cones ou "pulá-los" - passar por dois de uma vez - resulta em perda de pontos ou até desclassificação.

Assim como ocorre com a patinação em velocidade, a escolha do tipo de patins, entre quads e inline, é livre, mas, como os inline possibilitam uma maior precisão na manobra, praticamente todos os atletas usam inline, que, assim como os patins da velocidade, não têm freios e têm rodinhas bem duras. Curiosamente, as rodinhas não são todas do mesmo tamanho, com as da frente sendo menores que as de trás, e a primeira da frente sendo a menor de todas. Outra diferença em relação aos patins da velocidade é que a bota tem cano alto, bem firme no tornozelo, para permitir mais precisão nas manobras.

O estilo livre possui cinco categorias. Na chamada classic slalom, existem três linhas de cones, cada uma com cones de cores diferentes, espaçadas 2 m uma da outra: a primeira tem 20 cones a 50 cm uns dos outros, a segunda tem 20 cones espaçados 80 cm uns dos outros, a terceira tem 14 cones espaçados 1,2 m uns dos outros. Cada patinador deve se apresentar duas vezes em cada uma das três linhas, sendo as seis notas somadas. A apresentação é feita ao som de música, e cada patinador deve usar no mínimo 1 minuto e 45 segundos e no máximo 2 minutos em cada apresentação, considerando as três linhas. A categoria pair classic slalom segue as mesmíssimas regras, com a diferença de que dois patinadores se apresentam simultaneamente, e também é avaliado o sincronismo entre suas manobras.

A terceira categoria é o speed slalom, na qual existem duas linhas de 20 cones cada, espaçados a 80 cm uns dos outros. As linhas ficam a 3 m uma da outra, e têm uma barreira de entre 15 e 20 cm de altura entre elas. O objetivo aqui não é fazer manobras, e sim, patinando com um pé só - o outro deve permanecer sem tocar o chão por todo o decorrer da prova - completar a linha no menor tempo possível, sem pular nenhum cone. Competições de speed slalom podem ser contra o relógio ou eliminatórias; se forem contra o relógio, os patinadores competem dois a dois, mas vence aquele que tiver o menor tempo após todos terem se apresentado; na eliminatória, o vencedor de cada dupla vai avançando, enquanto o perdedor é eliminado, até que só sobrem dois, que farão a final. Competições internacionais costumam adotar os dois formatos, com uma primeira fase contra o relógio e os 8 ou 16 melhores tempos se classificando para uma segunda fase eliminatória.

Em seguida temos o battle slalom, no qual existem quatro linhas, espaçadas 2 metros uma da outra: as mesmas três do classic slalom, mais uma de 10 cones espaçados 80 cm uns dos outros. De forma semelhante ao speed slalom, os patinadores são divididos em grupos de três ou quatro patinadores cada. Dentro de cada grupo, os patinadores se apresentam individualmente, cada um tendo duas ou três apresentações de 30 segundos cada. As notas dos patinadores de um mesmo grupo são comparadas, e o melhor (no caso de um grupo de três) ou os dois melhores (no caso de um grupo de quatro) avançam para a fase seguinte, onde serão novamente arrumados em grupos, até que só reste um grupo final. O patinador que obtiver a maior nota neste grupo final é o vencedor.

Por fim, temos a categoria slide, a única que não usa cones. No slide, a pista tem 40 metros de comprimento, sendo que os primeiros 25 são a área de aceleração e os últimos 15 são a área de apresentação. Cada patinador tem quatro ou cinco chances, devendo, em cada uma delas, ganhar velocidade na área de aceleração e apresentar manobras, que são próprias dessa categoria e diferentes das de slalom, na de apresentação; a pior das quatro ou cinco notas é descartada. Assim como no battle slalom, os patinadores são arrumados em grupos, que podem ser de três, quatro ou cinco (apenas na primeira rodada) patinadores cada; os melhores vão avançando e os piores sendo eliminados, até que só reste um grupo, do qual o patinador com a maior nota será o vencedor.

O principal campeonato do estilo livre é o Mundial, já realizado em 2011 e 2013, e que tem uma terceira edição marcada para 2015. Todas as cinco categorias, no masculino e no feminino - exceto a pair classic slalom, disputada apenas por duplas mistas - fazem parte do programa.

Antes de terminar de vez, cabe mencionar os Roller Games. Na falta das Olimpíadas, a FIRS decidiu criar um evento multiesportivo, que substituirá os Campeonatos Mundiais dois oito esportes regulados por ela, reunindo em um único evento provas da patinação artística, patinação em velocidade, patinação downhill, patinação estilo livre, hóquei sobre patins, hóquei inline, skate, esqui alpino inline e roller derby, esporte de patinação no qual a FIRS atua como parceira da WFTDA, a federação internacional desse esporte. A primeira edição dos Roller Games está marcada para 2017, em uma cidade-sede ainda não escolhida. Também ainda não foi determinado se os Roller Games serão anuais (como a maioria dos atuais Campeonatos Mundiais), bienais ou a cada quatro anos, como as Olimpíadas.

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