domingo, 25 de janeiro de 2004

Escrito por em 25.1.04 com 0 comentários

Homem-Coisa

Caraca, vão fazer um filme do Homem-Coisa! Quando a Marvel começou a lançar seus filmes, primeiro X-Men, depois Homem-Aranha, e depois aquela história de três filmes por ano, eu até imaginava que fossem fazer filmes do Hulk, Quarteto Fantástico, Homem-de-Ferro, e até do Capitão América, por que não?, mas do Homem-Coisa???

Ah, sim. Alguns de vocês devem estar se perguntando "o que é um Homem-Coisa?", e "o que ele tem a ver com a Marvel?". Bem, vamos por partes.

No inicinho da década de 70 (no inicinho mesmo, em 1971) a Marvel decidiu investir em uma linha de quadrinhos para adultos. Esta linha teria revistas em formato maior (maior que o formato americano, tipo revista mesmo, Veja, Quatro Rodas, Playboy, essas coisas), com papel de jornal e ilustrações em preto e branco. A primeira revista dessa linha se chamaria Savage Tales, e traria histórias de dois personagens: o Homem-Coisa (Man-Thing, no original) e as Femizons (???). À Savage Tales se seguiriam outros títulos, como A Espada Selvagem de Conan, que existe até hoje.

Assim, em maio de 1971, chegou as bancas a revista Savage Tales número 1. E ninguém comprou. Foi um fracasso retumbante. Tão retumbante que a marvel decidiu cancelar a revista ainda em 1971, e as Femizons jamais viram a luz do Sol novamente.

Mas o destino do Homem-Coisa seria diferente. Vários fãs escreveram para a Marvel pedindo seu retorno, o que motivou a editora a trazê-lo de volta em outubro de 1972 (Nota do Guil: Depois tem gente que não gosta quando eu reclamo dos "fãs". Onde já se viu fazer com que uma revista seja um fracasso total e, depois que ela é cancelada, ficar escrevendo para a Marvel pedindo a volta de um dos personagens? Parece que bebe! Teria sido mais prático escrever para a Marvel pedindo a saída das Femizons!).

Assim, a Marvel inaugurou uma nova linha de revistas de terror, estas em formato tradicional e coloridas. Entre os títulos estavam Tomb of Dracula, Brother Voodoo, Monster of Frankenstein e Adventures into Fear, que trazia as histórias do Homem-Coisa. Em 1974, o Homem-Coisa foi substituído na Adventures into Fear por Morbius, o Vampiro Vivo, e ganhou seu próprio título.

Mas quem é o Homem-Coisa? O que ele faz? Quais seus poderes? Ele é uma cópia do Monstro do Pântano?

Uma coisa de cada vez (ih, fiz um trocadilho horrível sem querer). O Homem-Coisa é (ou era) o cientista Ted Sallis, bioquímico da IMA, uma organização criminosa do Universo Marvel, presença constante nas histórias do Capitão América e do Homem-de-Ferro. Sua tarefa era criar uma cópia do Soro do Supersoldado, que, para quem não sabe, foi o que transformou Steve Rogers no Capitão América. Após ter seu soro pronto, seu laboratório foi invadido (talvez pela SHIELD, já que ele trabalhava para a IMA), e, para que o soro não caísse em mãos erradas (Nota do Guil: Existem mãos mais erradas que as da IMA??), ele injetou o soro em si mesmo (Nota do Guil: Todo cientista burro tem mania de fazer isso). Infelizmente, antes que o soro pudesse fazer efeito, ele foi fuzilado e morreu. Seus agressores, para se livrar do corpo, jogaram-no no pântano.

Mas aí, como em todas as histórias de super-heróis, algo estranho aconteceu. Lógico, pois se o Bruce Banner não morreu de exposição aos raios gama, por quê Ted Sallis iria morrer só porque foi fuzilado e jogado no pântano?

O soro em seu corpo reagiu com coisas estranhas que habitavam o pântano (estranhas mesmo, inclusive para os padrões de uma revista adulta de terror), seu corpo foi transformado em uma forma humanóide vegetal, e Ted Sallis ressucitou como o Homem-Coisa.

O cérebro do pobre cientista deve ter também virado um vegetal no processo, pois o Homem-Coisa é irracional. Não pode falar, nem se comunicar com gestos, ou expressar seus sentimentos. Apesar disso, ele consegue sentir as emoções das pessoas à sua volta. Quando as pessoas estão calmas, o Homem-Coisa está feliz. Quando elas estão com raiva, medo, ou assustadas, ele se enfurece e ataca. Nada bom, visto que poucos conseguem ficar calmos e felizes na presença de uma criatura vegetal humanóide de dois metros de altura. E não adianta atirar nele, pois as balas o atravessam, e só o deixam mais nervoso!

Ah, e tem mais: O Homem-Coisa se alimenta do medo. Ele é atraído por pessoas que tenham medo (pouco importa se elas têm medo especificamente dele), e busca tocá-las. Ao tocá-las elas são consumidas pelo fogo (normalmente morrendo no processo), e o Homem-Coisa se alimenta. O slogan da revista, inclusive, era "tudo o que tem medo queima ao toque do Homem-Coisa".

A essa altura, todos devem ter notado que o Homem-Coisa está longe de ser um super-herói. De vez em quando ele salva uma mocinha em apuros ou uma criancinha que caiu no pântano (e não ficou com medo dele, senão teria sido torrado), mas não é o tipo de sujeito que sai por aí enfrentando vilões. Eu mesmo não entendo por quê eu gosto de um personagem desse tipo, mas o Homem-Coisa é um dos meus personagens Marvel preferidos, e estou muito feliz com o lançamento do filme.

Não sei se ainda são publicadas histórias do Homem-Coisa aqui ou nos EUA. Eu tenho uma minissérie dele lançada pela Mythos Editora em 1996, e uma revistinha do Hulk onde ele aparece (sendo que aí foi a primeira vez em que eu vi o personagem). O fato de estarem fazendo um filme sobre ele, porém, é um indício de que o personagem ainda deve ser popular, ou pelo menos de que estão tentando "alavancar sua carreira".

Ah, sim, faltou uma resposta. Não, ao contrário do que possa parecer, o Homem-Coisa não é uma cópia do Monstro do Pântano (Swamp Thing), um personagem muito popular da DC Comics, que já teve várias de suas histórias publicadas aqui no Brasil. O Monstro do Pântano é sem dúvida mais famoso (já até ganhou seu próprio filme, embora seja um filme B da Sessão da Tarde), mas veio depois. Aliás, mesmo tendo vindo depois, não podemos considerar que o Monstro do Pântano seja uma cópia do Homem-Coisa. A primeira aparição do Monstro do Pântano foi na revista House of Secrets número 92, lançada em junho de 1971. Se alguém copiou alguém, foi muito na encolha, pois um é apenas um mês mais recente que o outro!

Na verdade, tanto o Homem-Coisa quanto o Monstro do Pântano são baseados em um outro super-herói, da década de 30, chamado The Heap, que também era um cientista que morreu no pântano e ressucitou como um ser vegetal. Esta deve ser a prova de que, na natureza, nada se cria, tudo se copia.
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domingo, 18 de janeiro de 2004

Escrito por em 18.1.04 com 0 comentários

Hero Clix



Desde pequeno, eu sempre gostei de super-heróis. Apesar da primeira revista do gênero que eu li na vida ter sido do Capitão América, rapidamente eu descobri os X-Men, e depois o Homem-Aranha. Acho que tive a sorte de pegar a melhor época dos dois títulos, com Chris Claremont nos X-Men, por exemplo (ah, sim, "Xis-Men" por favor, detesto esse negócio de "éks-men"). Fui um consumidor contumaz de quadrinhos americanos até a Editora Abril assassinar o famoso "formatinho" e lançar a horrenda linha "Super Heróis Premium", que custavam os olhos da cara com a desculpa de que eram em formato maior e papel de melhor qualidade. Como tinham o mesmo número de histórias (três ou quatro por edição) o custo-benefício se tornou meio desagradável. Juntando isso com o fato de que as histórias já estavam ficando chatas mesmo (o Wolverine já tinha morrido umas quatro vezes, e o Homem-Aranha já tinha mais clones que a população de Ubatuba), decidi encerrar minhas atividades. Nunca mais comprei quadrinhos americanos, com exceção das seis edições dos Transformers que saíram esse ano.

Ainda assim, sempre que posso, costumo acompanhar as novidades (embora muitas vezes me arrependa em seguida). Folheio algumas revistas nas bancas, e cato uma coisa ou outra na internet. Uma das coisas mais legais que eu achei ultimamente não tem muito a ver com revistas em quadrinhos, a não ser pelos personagens. Trata-se de Hero Clix, um jogo de miniaturas colecionáveis.

Um jogo de miniaturas colecionáveis (CMG para os íntimos) é mais ou menos como um Card Game, mas, ao invés de cartas, cada jogador tem um punhado de "bonequinhos", que usará para tentar derrotar os personagens do oponente. Cada miniatura traz informações como força, defesa, velocidade e poderes especiais em sua base, e tem uma "energia", que, quando chega a zero, o personagem é eliminado do jogo.

O primeiro jogo de miniaturas a ser lançado foi o Mage Knight, de temática medieval, pela empresa norte-americana Wizkids. Nele, diversas facções lutam pelo poder em um mundo medieval fantástico, com monstros, guerreiros, magos, e tudo o mais que se tem direito (e até algumas coisas mais estranhas, como golens movidos a vapor e armas de fogo que utilizam pólvora...). O jogo fez grande sucesso nos EUA (onde ainda existem muitos jogadores de wargames, uma espécie de avô do RPG, onde se usam miniaturas de estanho e dioramas detalhados para jogar), e, na minha opinião, só não está sendo mais bem sucedido no Brasil por causa do alt(íssim)o preço.

Na cola do Mage Knight veio o Marvel Hero Clix, do qual estamos falando aqui. Agora os combates eram entre heróis e vilões do Universo Marvel, entre o Bem e o Mal, a Justiça e o Crime, ou simplesmente entre os meus personagens preferidos e os seus. A Marvel já tinha se aventurado com Card Games no passado três vezes, primeiro com o OverPower (muito bom, cheguei a colecionar e jogar, e sinto que tenha sido cancelado) e depois com o X-Men Card Game (horrível, só teve o set básico) e com o ReCharge (fácil de jogar, só que tão fácil que era bobo e sem graça). Como o Marvel Hero Clix utiliza mais ou menos a mesma mecânica do Mage Knight, está sendo mais bem sucedido que os Card Games, além do fato que os bonequinhos são bem mais legais de se colecionar que cartas.

A Wizkids ainda lançou novos jogos de miniaturas, como o Crimson Skies, na minha opinião um dos melhores, que traz uma história alternativa onde os EUA na década de 40 são na verdade vários paisecos em guerra uns com os outros; o Mech Warrior, de "combate entre robozões", inspirado em Battletech; e outros mais ruinzinhos, Shadowrun, inspirado no RPG de mesmo nome; Creepy Freaks, com monstrinhos beeem americanos, feitos de catarro, pum e outras dessas coisas que eles adoram; e o mais recente, Sports Clix, que nada mais é do que, acreditem ou não, um jogo de miniaturas de beisebol!

Quanto ao Hero Clix, hoje já temos, além do da Marvel, o DC Hero Clix, evidentemente com heróis e vilões da DC Comics, e o Indy Hero Clix que traz super-heróis de várias editoras independentes dos EUA (Crossgen, 2000AD, Top Cow, Dark Horse e Crusade, além de personagens dos títulos Danger Girl e Kabuki). É muito legal ver todos os meus heróis preferidos (e até alguns bem desconhecidos) materializados em um jogo deste tipo. Infelizmente, não posso colecionar devido ao preço abusivo (um "deck" com 10 miniaturas custa em torno de R$ 85,00, e um booster com 5 miniaturas sai por volta de R$ 35,00). Mas faço votos para que Hero Clix tenha vida mais longa que seus Card Games antecessores.

Para finalizar, deixo o link do HCRealms, mantido pela RealmWorx, referência quanto às principais novidades de Hero Clix. Lá também existem links para outros "Realms" (como o MKRealms de Mage Knight e o CSRealms de Crimson Skies, dentre outros). É o site que visito para me inteirar dos últimos lançamentos.
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domingo, 11 de janeiro de 2004

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Weezer

O Weezer e os Muppets!


Já falei de quase todas as minhas bandas preferidas. Hoje é a vez de falar do Weezer.

Como todas as anteriores, eu também conheci o Weezer meio sem querer. O primeiro contato que eu tive com a banda foi no CD do Windows 95, que trazia um clip da música Buddy Holly, em 1996. Quando eu vi o clip, achei que fosse alguma banda do final da década de 70 (quem conhece o clip deve saber o porquê) e não dei muita bola. Uns dois anos depois, no Dia dos Namorados de 98, a Cris estava procurando alguma coisa para me dar de presente (e os que me conhecem sabem como eu sou chato para presente), e eu acabei indo com ela a uma loja de CDs que tem aqui perto de casa. Após olhar os CDs por um tempão, não achei nada que me interessasse (tudo bem, já estava acostumado) mas achei o primeiro CD, o azulzinho, do Weezer. Tinha um plástico grosso, justo, parecia mesmo relançamento de alguma coisa da década de 70 (e a capa também não ajuda). Como estava em promoção mesmo, pedi para ela comprar.

Não foi amor à primeira vista, mas até que eu achei bem legalzinho. Depois eu vi mais uns dois clips na Mtv, e acabei gostando bastante da banda. No Natal do mesmo ano, acabei pedindo o segundo CD, Pinkerton, para a Cris. Esse eu achei sensacional.

E aí, depois do Pinkerton, eles sumiram. Voltaram em 2001 com o "álbum verde" (que se chama "Weezer" igual ao azul), e depois com o Maladroit. Esses dois são tão bons quanto o Pinkerton, até melhores em alguns aspectos. O meu preferido é o álbum verde, acho que ele tocou uma semana direto aqui em casa. Há muito tempo que eu não sabia um CD todo de cór.

O Weezer é uma banda muito divertida. O som é meio desafinado de propósito em alguns trechos, e algumas letras não querem dizer absolutamente nada (bem, pelo menos nada compreensível), sem falar que os integrantes têm cara de nerds. Isso tudo poderia ser um monte de defeitos, mas as músicas são animadas e com uma sonoridade bem legal.

Eles não são da década de 70 como eu pensava até comprar o primeiro CD. A banda foi formada em 1992, pelos amigos Rivers Cuomo (vocais), Jason Cropper (guitarra), Matt Sharp (baixo) e Pat Wilson (bateria). Eles tocaram durante 16 meses em clubes de Los Angeles, e gravaram várias demos, até serem contratados pela David Geffen Records em 1994. Durante a gravação de seu primeiro álbum, intitulado Weezer e conhecido como "o álbum azul", Cropper deixou a banda, e foi substituído por Brian Bell.

O álbum azul vendeu assustadoramente bem para um álbum de estréia, e ganhou vários prêmios da indústria da música americana. Apesar disso, ele é odiado por Rivers Cuomo, que diz não gostar de nenhuma música. Após este álbum, eles resolveram dar um tempo. Cuomo foi estudar Direito em Harvard, Sharp e Wilson formaram uma nova banda, The Rentals (que também é excelente, eu tenho os dois CDs) e Bell voltou para sua antiga banda, The Space Twins.

Por alguma razão desconhecida, eles resolveram se reunir novamente, e gravar seu segundo álbum, Pinkerton, de 1996. Este era um álbum bem mais pessoal para Cuomo, que diz ter se inspirado em sua ópera favorita, Madame Butterfly, para escrever as canções. A crítica, porém, detestou e meteu o malho (Nota do Guil: Eu realmente não entendo esses críticos. Pra mim, o Pinkerton é infinitamente melhor do que o álbum azul). Tal recepção negativa fez com que Cuomo ficasse muito deprimido e decidisse nunca mais tocar com o Weezer novamente. Sharp deixou a banda pouco antes desta decisão.

Mas ele não conseguiu ficar longe da música, e montou uma nova banda, The Rivers Cuomo Band, com seu amigo baixista Mikey Welsh. Como muito fãs perguntavam pelo retorno do Weezer, em 2000 Cuomo e Welsh se uniram a Bell e Wilson, e "ressucitaram" o Weezer (Nota do Guil: Até que enfim os fãs fizeram algo que presta). Para não chamar atenção, eles fizeram vários "shows secretos", sem divulgação de datas nem locais, e sempre usando pseudônimos, nunca o nome Weezer (Nota do Guil: Eu, hein). No Verão de 2000, eles decidiram marcar shows utilizando o nome Weezer, e, surpreendentemente, todos os ingressos se esgotaram em dois dias. Animados por esta receptividade, eles decidiram voltar oficialmente.

Assim, em 2001, foi lançado o terceiro álbum da banda, também intitulado Weezer, mas conhecido como "o álbum verde". Este disco foi bem recepcionado pela crítica, e Cuomo deu uma polêmica entrevista onde disse estar se lixando para a crítica, já que eles não gostaram do Pinkerton (Nota do Guil: Eu acho que é o melhor que ele faz). O álbum verde também vendeu incrivelmente bem, sendo ainda mais bem-sucedido que o álbum azul. Para aproveitar o momento, eles decidiram pegar algumas canções antigas, fazer algumas novas, e lançar o quarto álbum o mais rápido possível. Welsh deixou a banda pouco antes de começarem as gravações do quarto álbum, e o novo baixista passou a ser Scott Shriner.

No início de 2002, o quarto álbum, Maladroit, estava à venda. Sua boa vendagem e receptividade confirma que o Weezer está de volta às cabeças, o que parece afastar a depressão de Cuomo. No momento, os quatro trabalham em uma "versão especial" do álbum azul (talvez mais de acordo com o gosto de Cuomo), em um DVD especial de shows e clips, e em seu quinto álbum, ainda sem nome, que deve sair em 2004. Os fãs agradecem e esperam que nunca mais a banda dê ouvidos aos críticos.

A única parte que eu lamento é que, quando o Weezer ressucitou, os Rentals morreram. Pity.
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domingo, 4 de janeiro de 2004

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Cinema 2003

O ano de 2003 chegou ao fim, entrando para a História como "o ano em que eu fui 10 vezes ao cinema". Quem me conhece sabe que eu não faço questão de ver muitos filmes no cinema, somente os mais barulhentos, mais cheios de (d)efeitos especiais e cenas de ação, para aproveitar a tela grande e o som surround. Não acho muita graça em ver um filme de drama ou uma comédia romântica no cinema, esse tipo de filme cai melhor na televisão. Some-se a isso o fato de que uma sessão de cinema está custando os olhos da cara, e chegamos à média de 3 idas ao cinema por ano. Portanto, 10 vezes poderia ser considerado um recorde, se em 1995 eu não tivesse ido 11 vezes (exatamente uma por mês, exceto em novembro). Mas eram outros tempos.

Para comemorar esse feito, e também porque eu não tinha nada mais para postar hoje, vamos à Retrospectiva Cinematológica do Guil 2003, com direito aos meus incríveis comentários!

02/01 - O Senhor dos Anéis: As Duas Torres - Um monte de gente achou esse filme pior que os outros dois, principalmente pelo fato dele não ter início nem final. Eu, particularmente, achei o melhor dos três. A Sociedade do Anel é uma correria só: agora estamos na floresta, agora estamos em Caradhras, agora estamos em Moria, agora estamos em Lothlórien, e a história é apresentada aos borbotões. O terceiro é comprido demais, a gente chega a ficar ansioso pela destruição do Anel. Esse aqui não. Talvez pelo Peter Jackson ter deixado algumas coisas para o terceiro filme (e colocado a morte do Boromir no primeiro), o filme ficou mais coeso, menos corrido, e por conseqüência mais fácil de ser compreendido. A batalha do Abismo de Helm é a minha preferida dos três filmes. Enfim, não ter início nem final não é demérito, desde que isto seja de propósito.

19/03 - Demolidor, O Homem Sem Medo - Ben Affleck não foi um bom Demolidor. Colin Farrell não foi um bom Mercenário. Michael Clarke Duncan não foi um bom Rei do Crime. E este não foi um bom filme. Teve seus méritos, é verdade, mas colocar o pai do Matt Murdock como bandido, e o Demolidor prender o Rei do Crime após quebrar suas pernas foram furadas memoráveis. Também não gostei muito da ressurreição subentendida da Elektra (embora todos soubéssemos que ela não iria morrer mesmo). Apesar de tudo, o radar do Demolidor foi um efeito legal, e algumas piadas do filme (o Sr. Lee pagou em peixe) acabaram valendo a pena.

05/05 - X-Men 2 - Esta é a prova de que, quando a Marvel quer, o filme sai bom. Diferentemente do Demolidor acima, X-Men 2 foi um filme fantástico. Com um bom ritmo, boa história, bons personagens (principalmente o Noturno) e um elenco cuja maior proeza foi ser a cara dos X-Men dos quadrinhos (talvez com exceção do Magneto, que estava meio velhinho), X-Men 2 conseguiu a façanha de ser infinitamente melhor que X-Men 1. Satisfação garantida sem dinheiro de volta. Mal posso esperar pelo 3.

03/06 - Matrix Reloaded - Visualmente, é um filme fantástico. Mas os diálogos são tão cabeça que às vezes a gente se perde. Este filme teve méritos e deméritos, e o maior demérito foi criar muitas expectativas para o Revolutions. Gostei muito, mas continuo preferindo o Matrix original.

01/07 - Hulk - A maioria das pessoas acha que o filme é ruim porque o Hulk é "borrachento". Isso nem me incomodou muito. O pai do Hulk como Homem-Absorvente virando uma bolha enorme no final me incomodou bastante. Também não gostei do lance do Hulk crescer mais e mais cada vez que fica mais nervoso. E a linguagem de história em quadrinhos/videoclipe ficou um pouco esquisita. Na minha opinião, foi uma boa idéia desenvolvida de maneira errada. Pesando na balança, acho que gostei mais do Demolidor que do Hulk.

06/08 - O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas - Também conhecido como "o filme que quase me deixou surdo", graças à seqüência do guindaste. Apesar dos protestos gerais pelo diretor não ser mais o Cameron, e do temor de quererem fazer o 4, o 5 e o 6 (temor compartilhado por mim, Exterminador é muito bom mas 3 já chega), gostei muito deste filme, e por um simples motivo: fui vê-lo para me divertir, e me diverti.

20/08 - Lara Croft Tomb Raider: A Origem da Vida - Alguém me desculpe se não era "a origem da vida", mas eu sou péssimo para títulos em português. Em inglês eu sei que era "the cradle of life", mas como eles traduziram isso eu não me lembro mais (e no ingresso só diz "Lara Croft Tomb Raider"). Quanto ao filme... Bem, o que podemos esperar de um filme da Lara Croft? Eu adoro Tomb Raider, mas, sinceramente, acho que nem o mais otimista dos fãs poderia esperar uma obra-prima. Lara socando um tubarão no nariz? Caixa de Pandora? Pior que isso, só o final, que só não conseguiu ser pior do que o final do Tomb Raider 1. Pelo menos teve a Angelina Jolie.

17/09 - A Liga Extraordinária - Esse foi bem melhor. Divertido, cheio de ação e bem amarrado. Um ótimo filme de super-heróis, exceto pelo final-chavão-vamos-ter-o-filme-dois. Aliás, alguém tem que ser contratado urgentemente para ensinar esse pessoal do cinema a fazer finais. Apesar disso, fiquei muito satisfeito. Bom filme.

06/11 - Matrix Revolutions - Como eu já disse, alguém precisa ser contratado urgentemente para ensinar essa gente a escrever finais. Não foi um filme ruim, só não atendeu às expectativas criadas pelo Reloaded. E o final foi fraquinho. Concordo com o Capitão Cinza: Teria sido melhor se o Reloaded e o Revolutions fossem um único filme de 3 horas ao invés de dois filmes de 2 horas cada.

29/12 - O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei - Confesso que eu fiquei com medo de mudarem o final original do livro. Até mudaram, mas foi uma coisinha tão insignificante que nem fez diferença. Ótimo desfecho para a saga, trazendo aos Hobbits o destaque merecido (se bem que eu gostaria que o Gimli aparecesse mais). Não foi melhor que o segundo, mas gostei mais que do primeiro (engraçado, exatamente o contrário do que os críticos acham...). Seria um filme perfeito, se não fosse por um detalhe: é muito comprido. Talvez se o primeiro não fosse a correria que é, teria ficado comprido assim também. A batalha de Minas Tirith é interminável, e Frodo e Sam demoram séculos para ir de um lugar ao outro em Mordor. Faltou agilidade, mas não é nada que estrague o filme. Se o Tolkien não tivesse morrido, poderia ensinar o pessoal de Holywood a escrever finais.

Enfim, noves fora, foram filmes legais. É muito difícil eu me arrepender de ter ido ao cinema, sempre consigo salvar uma coisa ou outra até dos filmes que eu não gostei (como Hulk e Tomb Raider 2). Esse ano, porém, eu espero não ir tantas vezes ao cinema. Está ficando cada vez mais difícil marcar um dia em que toda a galera possa ir, os cinemas estão cada vez mais cheios, as pessoas estão cada vez mais sem educação, e eu gosto de ir ao cinema para me divertir, não me aborrecer.

De qualquer forma, já estou planejando minha ida ao Underworld, Homem-Aranha 2 e Aliens vs. Predador. Para manter a média de 3 por ano.
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