segunda-feira, 18 de maio de 2015

Esportes Subaquáticos

Quando eu fiz o post sobre o finswimming, mencionei que a CMAS (Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas), entidade máxima do finswimming, regula um total de dez esportes, todos eles disputados sob a água. Três desses esportes (hóquei subaquático, apneia e, evidentemente, finswimming) já foram abordados aqui no átomo. Hoje, veremos outros quatro. Os três restantes (pesca submarina, fotografia submarina e orientação subaquática) eu vou pular por ora, guardando-os, quem sabe, para o futuro.

Vamos começar, portanto, pelo mais inusitado: o rugby subaquático. Que, na verdade, tem muito pouco em comum com o rugby além do nome. O rugby subaquático seria criado na Alemanha Ocidental, na cidade de Colônia, em 1961, pelo mergulhador Ludwig von Bersuda, que queria criar um esporte com bola que pudesse ser jogado sob a água. Como as bolas geralmente são cheias de ar, elas flutuam, o que representava um obstáculo às suas pretensões. Von Bersuda, então, começou a experimentar encher a bola com diversas outras substâncias, até concluir que a melhor opção seria enchê-la com água salgada - pois a velocidade com que a bola afunda pode ser controlada ao se controlar o nível de salinidade da água. Com uma bola que afunda em mãos, von Bersuda colocou uma rede de vôlei no fundo de uma piscina, e criou um esporte no qual cada time começava de um dos lados dessa rede, e tinha como objetivo levar a bola até o outro lado e colocá-la dentro de um balde.

O esporte criado por von Bersuda não despertaria muito interesse dos mergulhadores, até que, em 1964, outro alemão, Franz Josef Grimmeisen, da cidade de Duisburgo, tomou conhecimento dele, e chegou à conclusão de que seria um interessante treinamento de fôlego e mobilidade para os mergulhadores. Grimmeisen fez algumas mudanças nas regras - a principal delas, tirar a rede de vôlei - e começou a divulgar o esporte em vários clubes de mergulho da Alemanha Ocidental. Com a ajuda da Associação de Salva-Vidas da Alemanha Ocidental, que concordaria que o esporte seria um bom treinamento, ele conseguiria montar times do esporte - que decidiria batizar como rugby subaquático, já que o objetivo, assim como no rugby, era levar a bola até o final do campo do adversário - em diversas cidades alemãs, e, em 1965, organizar o primeiro torneio nacional de rugby subaquático, contando com seis times e do qual o vencedor foi a equipe da cidade de Mülheim, vencendo a equipe de Duisburgo, pela qual Grimmeisen jogava, na final.

O próximo passo de Grimmeisen seria levar o esporte aos clubes de mergulho da França, na época considerada o mais importante país no ramo do mergulho, e o mais influente junto à CMAS, que Grimmeisen desejava que assumisse o esporte. Infelizmente, o esporte despertou pouco interesse, com apenas uma pequena matéria sendo publicada na revista L'Equipe. Grimmeisen não desistira, porém, e passaria os anos seguintes viajando com sua equipe por diversos países europeus, tentando popularizar o esporte. Os vizinhos da Alemanha, como Bélgica e Áustria, não se interessariam, e somente na década de 1970, quando ele chegaria à Escandinávia, é que começaria a colher seus primeiros frutos: jogos disputados na Dinamarca, em 1973, e na Finlândia, em 1975, seriam grandes sucessos de público e atrairiam grande atenção da imprensa, com os primeiros times de clubes da Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega começando a surgir em seguida. Através de amigos, Grimmeisen também conseguiria levar o rugby subaquático para além da cortina de ferro, com um jogo sendo disputado na Tchecoslováquia em 1975. De lá, o jogo passaria para a Polônia e para a Alemanha Oriental, que também começariam a fundar seus primeiros clubes no final da década de 1970.

Em 1978, Grimmeisen entraria em contato com a CMAS, que, vendo que o esporte já era praticado em diversos países europeus, decidiu aceitar sua oferta e passar a ser a responsável por sua regulação e divulgação. Seu primeiro passo seria a organização de um Campeonato Europeu, ainda em 1978, na Suécia, que terminaria com a vitória da Dinamarca. Sob a tutela da CMAS, o rugby subaquático se espalharia pelo mundo, e hoje já é disputado nos cinco continentes, embora as equipes mais fortes sejam todas europeias.

O rugby subaquático é disputado em uma área demarcada com raias dentro de uma piscina com, no mínimo, 3,5 metros de profundidade, embora o recomendado pela CMAS seja 5 metros. Essa área deve ter entre 12 e 18 metros de comprimento por entre 8 e 12 metros de largura, mas não pode ser quadrada (12 x 12 metros). Encostados em cada linha de fundo, e centralizados com essa linha, ficam os gols, cilindros pesados e feitos de metal, de 40 cm de diâmetro e 50 cm de altura cada. No início de cada tempo de jogo, e após cada gol, os jogadores ficarão de seu lado do campo, encostados em uma das paredes da piscina, com a cabeça para fora da água e ambas as mãos devendo tocar a parede, enquanto a bola fica no centro exato da área de jogo. Quando o árbitro autorizar, eles sairão nadando para pegar a bola, e, a partir de então, a tentarão colocar dentro do gol do adversário.

Uma equipe de rugby subaquático conta com 15 jogadores, sendo 6 titulares, 6 reservas e 3 "reservas dos reservas". Explica-se: a todo momento, cada time terá 6 jogadores na água e 6 na borda da piscina, com as substituições sendo ilimitadas e podendo acontecer a qualquer momento do jogo, desde que um jogador só entre na água quando o outro sair totalmente. A qualquer momento, porém, o técnico pode substituir um dos que está na borda da piscina por um dos "reservas dos reservas", que ficam sentados em um banco afastado. Um jogador substituído dessa forma não poderá, entretanto, voltar ao jogo mais tarde, devendo ficar no banco até o fim da partida. O rugby subaquático é um esporte de fôlego, com os jogadores não podendo usar nenhum equipamento além de nadadeiras, óculos de mergulho e snorkels (além, obviamente, de sunga ou calção justo para os homens e maiô ou biquini para as mulheres); cada jogador deve tomar fôlego, submergir, jogar o quanto aguentar e então subir novamente para tomar mais fôlego ou ser substituído.

O rugby subaquático é um esporte de intenso contato físico: jogadores do time que está com a bola podem agarrar ou obstruir os do que não está para facilitar o avanço de seus colegas até o gol, enquanto os jogadores do time que não está com a bola tentarão tomá-la das mãos do que a está carregando para começar a levá-la até o outro gol. O jogador que está com a bola não precisa fazer o gol sozinho, podendo passá-la para um companheiro; de fato, a bola pode passar de mão em mão quantas vezes foram necessárias. Se a bola encostar no fundo da piscina, é de quem pegar, se sair dos limites da área de jogo, pertencerá ao time que não a colocou para fora, no ponto onde ela saiu; a bola não pode jamais, porém, sair da água, com o jogador que a colocou para fora da água sendo punido com falta se o fizer. Jogadores que usem de violência, como estrangular ou atingir deliberadamente um adversário, ou puxar sua roupa ou equipamento, também são punidos com falta. A maior parte das faltas resulta em a bola ser entregue para um jogador do time adversário no ponto em que a falta ocorreu, mas, dependendo de sua severidade, o jogador pode ser excluído por dois minutos, com seu time tendo de atuar com um a menos durante esse tempo, ou expulso, com o time também atuando com um a menos durante dois minutos, quando entrará outro em seu lugar, com o expulso não podendo mais jogar naquela partida. A maior parte das faltas é acusada pelos próprios jogadores, já que a partida conta com apenas um árbitro, que a acompanha de fora da piscina, caminhando por suas bordas.

A bola do rugby subaquático afunda lentamente, e, se lançada para um companheiro, viaja entre 2 e 3 metros antes de começar a afundar. Quando von Bersuda inventou o esporte, tentou usar uma bola de futebol, mas, como carregá-la era complicado para os jogadores, ela logo foi substituída por uma de polo aquático, usada até hoje. Uma partida dura dois tempos de 15 minutos cada, com um intervalo de 5 minutos entre eles e as equipes trocando de lado no segundo tempo. O relógio para toda vez que é cometida uma falta, a bola sai da área de jogo ou é marcado um gol, voltando a correr quando a bola entrar em jogo novamente. Cada equipe também tem direito a um tempo técnico de um minuto em cada tempo de jogo, durante o qual os jogadores poderão sair da piscina para serem orientados pelo técnico. Caso o jogo não possa terminar empatado, são jogadas sucessivas prorrogações de 5 minutos cada, no esquema de morte súbita - a equipe que marcar um gol primeiro será a vencedora da partida.

O torneio mais importante do rugby subaquático é o Campeonato Mundial, disputado desde 1980 no masculino e 1991 no feminino, atualmente a cada quatro anos. No masculino, o maior vencedor é a Suécia, com cinco títulos, seguida da Dinamarca com dois e da Finlândia e Noruega com um cada; no feminino, Suécia, Noruega e Alemanha têm dois títulos cada. Além do Mundial, são torneios de respeito o Campeonato Europeu (já que as principais nações desse esporte são europeias), disputado desde 1978, atualmente a cada quatro anos, e o Campeonato Escandinavo, disputado anualmente desde 1975 por Noruega, Dinamarca, Finlândia e Suécia. O campeonato europeu de clubes, conhecido como Euroleague, também é bastante famoso e disputado.

Passemos agora para outro esporte, o tiro subaquático. Inventado na França no início da década de 1980 como treinamento para a pesca submarina, o tiro subaquático é disputado em uma piscina de no mínimo 25 m de comprimento e 1,8 m de profundidade, com o recomendado sendo 5 m. A 80 cm do fundo da piscina, a entre 1 e 1,5 m da borda mais curta, e espaçados 2,5 m de cada um e de cada borda mais comprida, ficam uma série de painéis, feitos de uma espuma plástica rígida semelhante à daqueles macarrões de flutuação, de 35 cm de altura, 33 cm de largura e 5 cm de espessura. Nesses painéis são pregados alvos de papel plastificado, cada um com cinco círculos, dispostos na mesma posição que o número 5 em um dado. Além da linha dos alvos, o fundo da piscina possui outras três marcações: a linha de tiro, a 4 m da linha dos alvos, onde os competidores vão se posicionar para atirar; a linha de mergulho, a 10 m da da linha de tiro; e a linha-limite, a 3 m da linha de mergulho. O espaço entre a borda da piscina e a linha-limite é usado como área de aquecimento pelos competidores. Os competidores disputam a prova usando roupa de mergulho, máscara de mergulho, nadadeiras, snorkel, uma arma de arpão e um lastro - um peso ou copo de sucção amarrado à sua cintura, para ajudar a mantê-lo rente ao fundo da piscina enquanto estiver atirando.

O tiro subaquático possui três modalidades. Na primeira, chamada precisão, cada competidor mergulha na linha de mergulho, nada até a linha de tiro, se posiciona com seu lastro, atira, nada até o alvo, retira seu arpão, nada até a superfície enquanto recarrega sua arma, respira, e nada até a linha de mergulho para repetir o procedimento. Cada competidor tem direito a duas séries de cinco tiros cada, devendo acertar um tiro em cada alvo. Em cada série, o competidor terá 5 minutos para acertar os tiros, perdendo os que não tiver disparado caso esse tempo se esgote. Entre uma série e outra há uma pequena pausa para troca do papel do alvo, feita pelos árbitros. Quanto mais próximo do centro do círculo, mais pontos cada tiro vale, sendo vencedor o que somar mais pontos com seus dez tiros.

Na segunda modalidade, chamada biatlo, o procedimento é o mesmo, mas, após retirar o arpão do alvo, ao invés de nadar para a superfície, o competidor deverá nadar até a linha de mergulho enquanto recarrega sua arma, então até a superfície, respirar e descer novamente, o que exige mais fôlego - o nome "biatlo", aliás, vem do fato de que essa prova combina tiro e apneia. No biatlo, cada competidor tem direito a uma única série de cinco tiros, e o importante é acertar dentro do círculo, não importa onde, pois o vencedor será aquele que acertar os cinco tiros no menor tempo, e não o que fizer mais pontos, sendo os pontos só usados em caso de desempate.

A terceira modalidade, chamada revezamento, é disputada por equipes mistas de três competidores cada (podendo ser três homens, três mulheres, dois homens e uma mulher ou duas mulheres e um homem). O procedimento é o mesmo do biatlo, mas os competidores se revezam nos tiros (quando o competidor A sobe, o B desce, quando o B sobe, o C desce, quando o C sobe, o A desce, e daí por diante). Cada equipe tem direito a 9 tiros (3 disparados por cada competidor), que devem ser disparados em 4 minutos e meio. O alvo do revezamento é diferente, com três linhas de três círculos cada (nove ao todo), devendo cada tiro ser disparado em um dos círculos. A equipe vencedora será a que somar mais pontos em seus nove tiros.

A principal competição do tiro subaquático é o Campeonato Mundial, disputado a cada dois anos desde 1999, com o biatlo só tendo sido incluído em 2009. A maioria dos competidores do tiro subaquático é de europeus, com o Mundial contando com a presença de apenas quatro países de outros continentes (Japão, Hong Kong, Coreia do Sul e Camarões, para ser mais exato). A próxima edição está marcada para 2015 na China, mas ainda não se sabe se atletas chineses vão participar, já que a China não faz parte da comissão de tiro subaquático da CMAS.

O terceiro esporte que veremos hoje é o mergulho desportivo. Esse esporte foi criado em 1998 por dois mergulhadores espanhóis, Marifé Abad e Ángel Martínez Lardiés, e teve seu primeiro campeonato realizado em 2000 em Zaragoza, passando a ser regulado pela CMAS em 2008. O mergulho desportivo é um esporte originalmente criado para os mergulhadores profissionais - para disputar as competições é preciso ter licença de mergulho, e para disputar torneios internacionais é necessário um brevê concedido pela CMAS - e busca dar oportunidade aos mergulhadores para refinar sua técnica, ter momentos de lazer com sua atividade favorita e aproximar o público em geral das atividades de mergulho.

O mergulho desportivo é praticado em uma piscina, que pode ser de 25 ou 50 metros, mas deve ter no mínimo 2 metros de profundidade. os atletas devem possuir um equipamento de mergulho completo: máscara, nadadeiras, snorkel, estabilizador, cinto de lastro, regulador com saída de ar alternativa, medidor de pressão, roupa de mergulho, botas de mergulho e um cilindro de ar atmosférico com volume entre 10 e 18 litros. O mergulho desportivo é dividido em cinco modalidades, sendo que nem todas utilizam todos esses equipamentos simultaneamente.

Três das modalidades do mergulho desportivo são individuais. A primeira se chama Evento M 300 Metros, e é obrigatoriamente realizada em uma piscina de 50 metros. A prova completa consiste de três idas e três voltas (ou seja, seis piscinas, totalizando 300 metros), cada uma com regras próprias: nos primeiros 50 m, o atleta mergulha com o cilindro, o retira na marca de 25 m, sobe rente à superfície e completa a distância respirando pelo snorkel. Os 50 m seguintes são feitos rente à superfície, com o snorkel. Nos 50 m seguintes ele faz o contrário: começa com o snorkel, mergulha, veste o cilindro e completa a distância nadando rente ao fundo. Os 150 m restantes também são feitos nadando rente ao fundo, com o cilindro. Os atletas competem em grupos, mas não há eliminatórias e finais, sendo vencedor o que completar os 300 metros em menos tempo, sendo desclassificado quem realizar alguma das etapas incorretamente.

A segunda modalidade se chama Mergulho Noturno, e nela o atleta, usando uma máscara totalmente negra, com a qual é impossível enxergar, deve localizar e recolher três objetos espalhados no fundo da piscina em um tempo máximo de três minutos. O mergulhador conta com uma corda de 5 metros presa à sua cintura para se guiar na piscina e com uma sacola para recolher os objetos. Para se determinar o vencedor, é usado um sistema de pontos que leva em conta quantos objetos o mergulhador recolheu e quanto tempo ele levou para encontrar cada um. Os atletas realizam a prova um de cada vez, e, após o último, aquele que tiver mais pontos vence. Já na terceira prova, a Imersão 6 Kg, o objetivo é mergulhar até o fundo da piscina e retirar de lá um peso de 6 Kg, não carregando-o, mas com o uso de uma bolsa de flutuação, que deve ser corretamente montada e presa ao peso. Os atletas também competem um de cada vez, e vence quem conseguir retirar o peso da piscina em menos tempo.

A primeira das modalidades em equipe se chama Trajeto com Obstáculos, e é disputada por equipes de dois atletas cada em uma piscina de 50 metros. O objetivo é percorrer um trajeto de 100 metros cumprindo certas tarefas: nadar através um túnel de 2 metros de comprimento e 1 metro de diâmetro; nadar 30 metros compartilhando um único cilindro de ar; deixar a máscara em uma cesta localizada a 5 metros da borda, fazer a virada, então pegar a máscara e vesti-la novamente; retirar o cilindro e nadar através de um túnel de 5 metros de comprimento e 1 metro de diâmetro carregando-o nas mãos, vestindo-o novamente em seguida; recolher um objeto localizado no fundo da piscina e subir para a superfície de forma sincronizada; nadar os últimos 25 metros respirando sem a ajuda do cilindro, retirando a cabeça da água, enquanto a dupla carrega o objeto. Marcações no fundo e nas paredes da piscina indicam aos mergulhadores quando é hora de realizar cada tarefa. As duplas se apresentam uma por vez, e a que completar o percurso em menos tempo será a vencedora. São aplicadas penalidades no tempo final por erros como tocar nas paredes dos túneis e subir de forma que não seja sincronizada.

A segunda modalidade em equipe, chamada Briefing, é disputada por equipes de quatro atletas cada, sendo um deles o Capitão. A piscina é dividida em quatro quadrantes, cada um deles contando com quatro objetos cilíndricos, cada um desses contendo parte de uma informação. Antes de a prova começar, o Capitão recebe instruções sobre qual informação a equipe tem de encontrar. Cada um dos membros da equipe entra na piscina por uma das quinas, e todos se encontram no centro, onde o Capitão os instruirá sobre a informação a ser encontrada - detalhe: sob a água, sem poder falar. Cada um dos mergulhadores ficará responsável por um dos quadrantes, e examinará os cilindros em busca da informação correta. Quando julgar que a encontrou, a leva para o centro da piscina. Quando todos os quatro se encontrarem no centro, o Capitão verá se a informação está de fato correta, podendo mandar quem estiver com a parte errada de volta para procurar mais. Quando a informação estiver realmente correta, a equipe deixa a piscina e seu tempo é registrado. Para determinar a equipe vencedora, é usado um sistema de pontos, que leva em conta não somente o tempo gasto para recolher a informação, mas também a precisão com que o Capitão instruiu sua equipe, o método com o qual os instruídos encontraram a informação necessária, e se a informação está de fato totalmente correta ou não.

Assim como no tiro subaquático, a maioria dos praticantes do mergulho desportivo é da Europa (dentre os membros de sua comissão na CMAS, apenas Indonésia e Quirguistão não são europeus), de forma que, até bem recentemente, os principais campeonatos desse esporte eram europeus, como o Campeonato Europeu, o Show Fins Competition e a Copa do Mundo de Mergulho Desportivo, que, apesar do nome, contava apenas com europeus dentre os participantes. Em 2013, foi realizada a primeira edição do Campeonato Mundial de Mergulho Desportivo, com provas de quatro das cinco modalidades (exceto Briefing), no masculino e no feminino. A intenção da CMAS é que o Mundial seja realizado a cada dois anos, sempre nos anos ímpares, com a próxima edição já estando marcada para 2015.

Para terminar por hoje, vamos falar do aquathlon, esporte que, apesar do nome, não tem nada a ver com triatlo, pentatlo e outros esportes multidisciplinares - aliás, em inglês, ele é homônimo do aquatlo, esporte regulado pela União Internacional de Triatlo que une natação e ciclismo. O aquathlon da CMAS é uma espécie de luta sob a água, na qual o objetivo de cada lutador é remover uma faixa colorida presa ao tornozelo do adversário.

Uma "luta" de aquathlon ocorre dentro de uma piscina, em um quadrado de 5 por 5 metros, delimitado por uma espécie de tatame colocado no fundo da piscina e por quatro cordas na superfície da água. Duas dessas cordas são de cor branca, enquanto outras duas, paralelas entre si, são uma de cor vermelha e a outra de cor amarela. Sob a água, tocando o tatame, exatamente embaixo dessas cordas, ficam dois aros de 1 metro de diâmetro cada, também nas cores amarela e vermelha. Em volta do quadrado, mais cordas brancas, cada uma a 2,5 metros do quadrado, delimitam uma "área livre". O centro do tatame é marcado com um círculo de cor forte, como rosa choque, para facilitar a orientação dos competidores.

O uniforme dos competidores é bem simples: uma touca de natação, uma máscara de mergulho, duas nadadeiras de fabricante e modelo homologados pela CMAS, uma tornozeleira à qual ficarão presas as fitas, e uma roupa de banho simples - sunga ou calção justo para os homens, maiô ou biquíni para as mulheres. Como a luta ocorre sem que os competidores respirem enquanto estão lutando, eles não precisam usar snorkels, cilindros ou outros equipamentos próprios para respiração. Os competidores, a cada luta, são identificados como "vermelho" e "amarelo", de acordo com o lado pelo qual entrarão na área de luta. O competidor do lado vermelho deve usar uma touca vermelha ou azul, e terá fitas amarelas em seu tornozelo, enquanto o competidor do lado amarelo usará touca amarela ou branca, e suas fitas serão vermelhas. A roupa de banho pode ser de qualquer cor.

Quando a luta começa, os competidores mergulham pela área livre, e devem entrar na área de luta nadando por dentro de seu respectivo aro - o da mesma cor que está representando. Uma vez dentro da área de luta, ele deverá remover a fita do tornozelo do adversário e subir para a superfície, retirando a fita e a cabeça da água. Cada luta é dividida em três rounds de 30 segundos cada, com um intervalo de um minuto após cada round. Se um lutador conseguir remover a fita do oponente e retirá-la da água, ganhará um ponto e aquele round terminará imediatamente, sem ser necessário cumprir o restante do tempo. Se o tempo se esgotar sem que nenhum dos dois lutadores consiga a fita, o round termina sem vencedor, e ninguém ganha ponto - por isso, enquanto um dos competidores está subindo, o rival pode tentar impedi-lo. Ao final dos três rounds, o lutador que tiver mais pontos será o vencedor; caso o placar esteja empatado, são disputados rounds extras, no sistema de morte súbita - quem fizer um ponto primeiro, vence. Caso um mesmo lutador pontue nos dois primeiros rounds, não há necessidade do terceiro.

O aquathlon foi criado no início da década de 1980 por Igor Ostrovsky, um instrutor de mergulho soviético. Em seus primeiros anos, o esporte permaneceu restrito à União Soviética e suas ex-integrantes, até que, em 1996, representantes das federações de mergulho de Rússia, Ucrânia e Israel (onde o esporte chegou e se popularizou através de militares que o conheceram na Rússia) decidiram se unir e fundar a Associação Internacional de Aquathlon (IAA), que tentou difundir o esporte e encorajar sua prática, sem sucesso. Em 2007, a IAA procuraria a CMAS buscando uma parceria; no ano seguinte, porém, a IAA seria extinta, e a CMAS assumiria a regulação do aquathlon, com Ostrovsky como presidente da comissão do esporte. Essa comissão, atualmente, é a que tem menos membros - apenas sete, todos europeus; Israel, por alguma razão, não é membro - mas isso não impediu a CMAS de, já em 2009, realizar a primeira edição da Copa do Mundo de Aquathlon, que voltaria a ser realizada em 2011, 2013, e já tem uma nova edição marcada para 2015.

Se você está achando curioso todos esses Campeonatos Mundiais coincidindo em 2013 e 2015, isso tem um motivo: em 2013, a CMAS decidiu seguir os passos da FINA e criar um único Mundial para todos os seus esportes, chamado CMAS Games. Ela não começou com todos de uma vez, apenas com o finswimming, apneia, aquathlon, mergulho desportivo e orientação subaquática. Na prática, todos os Mundiais desses cinco esportes foram realizados simultaneamente em uma mesma sede, a cidade de Kazan, Rússia. Nesse ano de 2015, eles planejam repetir a dose na China, em uma cidade que ainda será escolhida, acrescentando o tiro subaquático. Se tudo der certo, a partir de 2017 todos os dez esportes da CMAS serão disputados juntos, e seus eventos deixarão de se chamar Campeonato Mundial, passando a ser referenciados apenas como CMAS Games. É interessante registrar que essa não é a primeira vez que a CMAS tenta criar um "mundial unificado", já que edições dos CMAS Games foram realizadas também em 2005 (com provas de apneia disputadas junto ao Mundial de Finswimming) e 2007 (com os Mundiais de Hóquei Subaquático, Rugby Subaquático e Finswimming sendo disputados simultaneamente).

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