domingo, 26 de março de 2006

Escrito por em 26.3.06 com 0 comentários

Nigel Mansell

Como quase todo brasileiro fã de Fórmula-1, eu também sou fã de Ayrton Senna. Quando eu comecei a acompanhar F-1, no agora longínqüo ano de 1985, Senna corria naquela famosa Lotus preta. Aos sete anos de idade, tive a felicidade de ver Senna vencer aquela corrida em Estoril, justamente a segunda que eu vi na vida. Desde então, passei a torcer pelo piloto até o dia de sua morte. Depois que Senna se foi, continuei assistindo corridas, mas hoje não torço mais para ninguém. Acho muito legal quando o Rubinho vence, e espero que ele seja campeão pela Honda, mas não é a mesma coisa.

Se eu tivesse de escolher um piloto favorito, porém, acho que não diria o nome de Senna. Senna foi um piloto excepcional, talvez o maior de todos os tempos, um verdadeiro orgulho para sua pátria. Mas confesso que havia outro piloto que eu adorava ver correr. Não chegava a torcer por sua vitória, mas adorava vê-lo na pista. Contraditoriamente, também adorava quando Senna ganhava dele. Este homem era Nigel Mansell, o Leão da F-1.

Eu odiava todos os rivais de Senna, a começar por Alain Prost, por quem eu sempre torcia para quebrar alguma coisa no carro. Prost ganhou os dois primeiros campeonatos que eu acompanhei, os de 1985 e 1986, e ainda teve aquele título contraditório em 1989, quando Senna foi desclassificado por cortar uma chicane por fora no Japão. Também não ia muito com a cara de Nelson Piquet, o primeiro brasileiro que vi campeão, em 1987. Eu achava Piquet meio marrento. Hoje, este ódio passou, e admiro tanto Prost quanto Piquet pelos grandes pilotos que foram, maiores do que muitos dos que correm hoje.

Mansell, por outro lado, apesar de ter sido um grande rival de Senna, nunca foi alvo de meu ódio. Eu gostava de vê-lo correr, talvez porque ele fosse um showman: Mansell parecia querer correr sempre mais rápido que o carro permitia - poupar equipamento não era com ele - o que proporcionava tanto grandes ultrapassagens - muitas delas na última volta - quanto acidentes bizarros. Certa vez ele saiu dos boxes antes dos mecânicos terminarem de aparafusar um dos pneus, o que fez com que a roda caísse alguns metros mais à frente. Em outra ele arrancou com o carro ainda suspenso pelo macaco. Teve uma em que ele saiu dos boxes tão alucinado que foi em linha reta e bateu no muro logo em frente - e o pior é que essa depois foi imitada pelo Gerhard Berger, alguns anos mais tarde. E talvez a mais impressionante mansellice tenha acontecido no Canadá, em 1991, quando ele liderava a corrida e deixou o carro morrer a poucos metros do fim, enquanto acenava para a torcida, perdendo a vitória para Piquet (em Dallas, 1984, a gasolina de Mansell acabou a poucos metros do fim, e ele tentou empurrar o carro até a linha de chegada, mas desmaiou sem conseguir. Esta, porém, eu não vi ao vivo, só em VT). Mansell ainda se envolveu em dezenas de acidentes "comuns", a maioria durante ultrapassagens, e muitos deles em treinos. Mesmo quando não estava disputando, o Leão parecia ter predisposição ao espetáculo: em 1992, após completar a corrida, deu uma "carona" para Senna, que foi até os boxes sentado no tanque de combustível; e após uma corrida na Áustria em um ano que não me lembro, enquanto era levado por um carro aberto e acenava para os fãs, Mansell deu com a testa em um viaduto.

Aparentemente, Mansell tinha esta disposição pelas "barbeiragens" desde que começou a correr. Nascido na pequena cidade de Uptown-on-Severn, Inglaterra, em 8 de agosto de 1953, Nigel Ernest James Mansell era de família pobre, que não tinha como bancar seu sonho de entrar para o automobilismo. Mansell adiou este sonho o quanto pôde, e se formou em engenharia aeroespacial. Enquanto estudava, Mansell competia no kart, e em 1977 conseguiu chegar à Fórmula Ford britânica. Naquele mesmo ano ele seria campeão, embora um acidente sério tivesse quebrado seu pescoço. O médico que o atendeu disse que ele escapou de ficar tetraplégico por milagre, devia ficar internado por seis meses, e jamais correr novamente. Dizendo às enfermeiras que iria ao banheiro, Mansell fugiu do hospital e voltou a correr, mesmo correndo o risco de piorar sua condição e ficar o resto da vida dependendo de uma cadeira de rodas.

Para financiar sua carreira na Fórmula Ford, Mansell teve de vender todos os seus bens pessoais, e, devido à falta de tempo, se demitir de seu emprego. Já um homem casado, ele e sua esposa Rosanne tiveram de vender a própria casa para que o piloto pudesse competir na Fórmula-3, em 1979. Mais uma vez Mansell se envolveria em um acidente grave, quebrando três vértebras e sobrevivendo por pura sorte. Esta sorte ainda rendeu ao piloto um convite para testar pela Lotus, uma das principais equipes da Fórmula-1 da época. Mansell impressionou o dono da Lotus, Colin Chapman, que o contratou como piloto de testes para 1980. Mansell era tão rápido nos testes que Chapman decidiu dar a ele uma chance no GP da Áustria daquele ano. Um vazamento de combustível causou queimaduras de primeiro e segundo graus em suas nádegas, mas ainda assim Mansell correu muito bem, e foi contratado como piloto para a temporada de 1981.

Mansell correu pela Lotus de 1981 a 1984, mas o carro não era muito bom, e seu mehor resultado foi o terceiro lugar, alcançado cinco vezes. Ao final da temporada de 1984, a Lotus estava interessada em contratar Senna, que corria pela Toleman, e Mansell deixou a equipe para correr pela Williams a partir de 1985.

Na Williams, Mansell começou a correr com seu famoso carro número 5 (com um 5 enorme e vermelho), e foi parceiro de Keke Rosberg (1985), Nelson Piquet (1986-1987) e Riccardo Patrese (1988). Em 1985, imediatamente após conseguir um segundo lugar na Bélgica, Mansell conseguiu sua primeira vitória, e esta não poderia ter vindo em lugar melhor: Brands Hatch, na Inglaterra. Uma nova vitória na corrida seguinte, na África do Sul, e Mansell estava consolidado como um dos novos astros da F-1. Em 1986 ele conseguiu cinco vitórias, e na última corrida do ano, na Austrália, iria conseguir mais uma, mas um pneu seu explodiu a 19 voltas do fim. Mansell foi vice-campeão neste ano, e começou uma inimizade com Piquet, que chegou a chamar seu próprio companheiro de equipe de "cabeça-dura mal-educado". Mansell não deu muita atenção, e continuou correndo para mais seis vitórias em 1987. Para provocar Piquet, após vencê-lo em Silverstone, Inglaterra, vindo do fundo do grid, Mansell parou o carro na pista e beijou o chão no ponto onde a ultrapassagem sobre o parceiro/rival ocorrera. Mansell foi vice-campeão mais uma vez, após um sério acidente na qualificação para a corrida do Japão, no qual sofreu uma concussão na coluna e não pôde participar da prova. Em 1988, Piquet saiu da Williams, assim como o motor turbo, proibido pelo regulamento. Esta seria, porém, a pior temporada de Mansell na equipe, onde, devido a acidentes e doença, ele só conseguiria completar duas das 14 provas, tendo como melhor resultado um segundo lugar na Inglaterra.

Em 1989, Mansell atendeu a um convite de Enzo Ferrari, e trocou a Williams pela equipe vermelha do Cavalinho Rampante, onde seria parceiro de Gerhard Berger (1989) e Alain Prost (1990), e receberia o apelido de Leão, devido à forma agressiva de pilotagem. Logo em sua primeira corrida pela Ferrari, Mansell conseguiu a vitória no GP do Brasil, no Rio de Janeiro. O carro da Ferrari, porém, não era confiável, e Mansell abandonou sete corridas devido a quebras, sendo desclassificado em mais duas. Ele ainda conseguiria uma segunda vitória na Hungria. A temporada de 1990 não seria muito diferente, com sete abandonos e apenas uma vitória, em Portugal. A inconfiabilidade do carro e a incompatibilidade com Prost levaram Mansell a deixar a Ferrari. Ele recebeu então um convite pessoal de Frank Williams, que lhe prometeu concentrar todos os esforços da equipe para fazê-lo campeão.

A segunda temporada de Mansell na Williams durou mais dois anos (1991 e 1992), nos quais ele foi novamente parceiro de Riccardo Patrese. A Williams tinha um dos melhores carros da época, o que permitiu que ele fosse mais uma vez vice-campeão em 1991, com cinco vitórias. E 1992 seria ainda melhor: a Williams havia conseguido criar um supercarro, com a mais moderna tecnologia. Este carro trouxe o primeiro e único título mundial da carreira de Mansell, após nove vitórias - sendo cinco delas nas cinco primeiras corridas do campeonato - e 14 pole positions. Mas a mais memorável corrida deste ano foi a de Mônaco, onde o Leão perdeu para Ayrton Senna, que se manteve à sua frente de forma quase sobrenatural por várias voltas. Esgotado pelo calor intenso e pela luta com Senna, Mansell teve de ser amparado no pódio, para não cair.

Em 1993, já tendo sido campeão da F-1, Mansell decidiu arejar a carreira, e mudar de categoria para a Fórmula-Indy. Um dos motivos que o levaram a isso foi a insistência da fábrica francesa Renault, que fornecia os motores da Williams na época, em contratar seu desafeto Alain Prost. Mansell correu na F-Indy pela equipe Newman-Haas, e se tornou o primeiro piloto a conseguir uma pole position e uma vitória em sua corrida de estréia, em Surfer's Paradise, Austrália, e ainda conseguiria a pole position das 500 Milhas de Indianápolis, que terminou em terceiro. No total, ele obteve cinco vitórias, e se tornou campeão também da F-Indy. Como o campeonato de F-1 ainda não tinha acabado na ocasião, Mansell se tornou o único piloto da história a deter o título de campeão da F-1 e da F-Indy ao mesmo tempo.

Em 1994, ainda na F-Indy, Mansell começou a se irritar com a equipe e com os repórteres americanos, principalmente devido ao carro, pouco confiável, e à falta de bons resultados. O Leão acabou abandonando o campeonato antes do final, e foi convidado por Frank Williams a prencher a vaga de Senna, que havia morrido competindo pela Williams em maio daquele ano. Mansell então substituiu David Coulthard como parceiro de Damon Hill nas últimas quatro corridas do ano. Duas delas ele abandonou, mas conseguiu a vitória na Austrália, a última prova. Mansell iria abandonar as pistas ao final daquele ano, mas decidiu aceitar um novo desafio e correr pela McLaren em 1995. O carro era muito difícil de se guiar, porém, e ele acabou abandonando a equipe após duas corridas, que resultaram em um décimo lugar e um abandono.

Mansell teve um total de 31 vitórias, o quarto melhor número, atrás de Michael Schumacher, Alain Prost e Ayrton Senna. O mais impressionante, porém, é que ele teve um total de 32 abandonos por acidente, ou seja, se dirigisse com mais cautela, talvez tivesse vencido mais. Mas aí não teria sido tão divertido. Ele ainda tentou competir na Categoria Turismo Britânica em 1998, mas seu carro era pouco competitivo. Ainda assim, uma das maiores corridas da história da categoria teve sua participação: em Donnington Park, sob forte chuva, o Leão saiu da última posição e chegou a liderar várias voltas, terminando a corrida em quinto lugar.

Hoje, Mansell é um dos mais adorados desportistas do Reino Unido, tendo ganho o prêmio de Personalidade Esportiva do Ano da BBC duas vezes (1986 e 1992), um feito que apenas ele, Damon Hill e o boxeador Henry Cooper conseguiram. Seu nome entrou para o hall da Fama do Automobilismo em 2005. Hoje, Mansell vive com sua esposa Rosanne na Ilha de Man, uma Dependência da Coroa Britânica, e, aos 52 anos, se prepara para um novo desafio: competir na recém criada categoria Grand Prix Masters, onde estreou com vitória na África do Sul, seguido de Emerson Fittipaldi e Riccardo Patrese, dia 13 de novembro do ano passado. A próxima corrida está prevista para o dia 29 de abril deste ano, no Qatar.
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domingo, 19 de março de 2006

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Sade

Meu gosto musical foi formado em três etapas. Quando criança, eu só ouvia Xuxa, Fofão e Balão Mágico, quando descobri um programa de clipes na Rede Bandeirantes que passava Smiths, Housemartins e Marillion. Ali eu descobri que gostava de rock, mas ainda não tinha ânimo para comprar discos nem eleger bandas preferidas. Quando a Mtv estreou no Brasil, em 1990, fui apresentado a INXS e Mariah Carey, que acabei elegendo como meus favoritos. Esta foi a segunda etapa, quando eu comecei a comprar fitas K7 - não existiam CDs, e LPs eu achava pouco práticos - e tentar decorar as letras. A terceira e decisiva fase veio dos 15 anos - quando descobri Tori Amos, na verdade com 14 anos e 9 meses - até os 20 - quando parei de escolher novos preferidos, só a Melissa auf der Maur entrou na lista desde então. Neste período eu descobri Tori Amos, Garbage, Cardigans, Cake e Weezer; redescobri Smiths, Jesus and Mary Chains, Duran Duran e Queen; gonguei quase tudo do que eu gostava dos 10 aos 15 anos, e defini meu gosto musical.

Minhas listas de preferidos, porém, sempre ficam meio capengas. Se você me pedir um "Top 5", é fácil; um "Top 10" sai com alguma dificuldade, mas "uma lista de seus artistas/bandas preferidos", aí sempre vai ficar algum de fora. Não sei bem por que, mas tudo do que eu gostava entre 1993 e 1998 eu continuo gostando até hoje - e vice-versa em 99% dos casos. O post de hoje é sobre uma cantora assim. Eu a adorava entre os 16 e 18 anos, depois ela ficou meio esquecida, mas há algumas semanas eu voltei a ouvir suas músicas com bastante freqüência, parcialmente por culpa da JB FM. O nome da moça é Sade.

Aliás, Sade (se pronuncia "shadê"), nem é o nome de uma cantora, mas de uma banda inteira, cuja vocalista se chama Sade Adu, mais ou menos o que acontece com Bon Jovi ou Van Halen. Muita gente acha que Sade é uma cantora solo porque somente ela aparece nas capas dos discos. Eu mesmo sempre achei que ela "cantasse sozinha", até comprar um CD e ler o encarte.

Sade, a cantora, nasceu Helen Folasade Adu, em Ibadan, Nigéria, em 16 de janeiro de 1959. Seu pai era um economista nigeriano, e sua mãe uma enfermeira inglesa. Quando ainda era criança, seus pais se separaram, e ela foi morar com a mãe em Clacton-on-Sea, Inglaterra. Ao chegar à adolescência, Sade estudou moda em Londres, e trabalhou durante um tempo como estilista e eventualmente modelo, até entrar para o mundo da música, no início dos anos 80.

Seu primeiro trabalho na música foi como backing vocal da banda de funk - não este funk carioca, mas aquele do James Brown - Arriva, trabalho que conciliava com sua carreira de modelo. Mais tarde ela largou o mundo da moda para se tornar co-vocalista de uma banda de jazz e Rhythm and Blues chamada Pride, onde conheceria o guitarrista e saxofonista Stewart Matthewman. Antes das apresentações da Pride, ela e Matthewman costumavam fazer pequenos "ensaios", no qual Sade cantava acompanhada do músico, e algumas vezes de um ritmista da banda. O visual exótico e elegante da cantora, aliado ao jazz lo-fi que a dupla apresentava começou a chamar a atenção não somente dos donos de clubes, mas também dos fãs, que passavam a chegar mais cedo apenas para ver Sade Adu cantar. No final de 1983, Sade e Matthewman tomaram uma decisão: saíram do Pride, levando com eles o tecladista Andrew Hale e o baixista Paul Denman. Assim nascia Sade, a banda.

Logo após seu nascimento, Sade já era uma banda tão conhecida que não demorou para conseguir seu primeiro contrato, naquele mesmo ano, pela gravadora Epic. Em julho de 1984 seria lançado Diamond Life, disco de estréia da banda, que alcançaria o topo da parada britânica, vendendo mais de seis milhões de cópias no mundo inteiro, ganhando quatro discos de platina, e se tornando um dos mais bem-sucedidos discos de estréia de todos os tempos, e o mais bem-sucedido disco de estréia de cantora ou banda liderada por mulher da História. Mesmo com tanto sucesso, o disco só seria lançado nos EUA um ano depois, em 1985, onde alcançaria o quinto lugar na parada da Billboard, passando ao todo 80 semanas entre os dez primeiros. Suas músicas de trabalho incluíam os grandes sucessos Your Love is King, Hang on to your Love e Smooth Operator, uma das músicas mais tocadas dos anos 80. Diamond Life ainda rendeu à banda um Grammy de Artista Revelação.

A condição de uma das maiores bandas britânicas dos anos 80 foi confirmada com um show memorável no Live Aid de 1985, no estádio de Wembley. Aproveitando a crista da onda, a banda lançou naquele mesmo ano seu segundo álbum, Promise, mais uma vez lançado com um ano de atraso, em 1986, nos EUA. Trazendo faixas como The Sweetest Taboo, Never as Good as the First Time e Jezebel, o disco alcançou o primeiro lugar das paradas americana e britânica, rendendo mais quatro discos de platina, e sendo considerado o mais bem sucedido da carreira de Sade. Logo após o lançamento, a banda saiu em sua primeira turnê internacional, pelos EUA, Europa e Ásia. Após esta turnê, a banda se refugiou na Espanha para fugir da mídia e trabalhar em seu próximo álbum.

Devido à enorme turnê e ao auto-isolamento, o álbum seguinte de Sade só sairia em 1988. Stronger than Pride, porém, foi muito criticado. Na opinião dos críticos, Sade estava se repetindo e se tornando "emocionalmente distante", já não despertando mais o interesse do início da carreira, sem conseguir se renovar. Apesar das críticas negativas, o álbum foi disco de platina triplo, trouxe os sucessos Love is Stronger than Pride, Paradise e Nothing Can Come Between Us. A enorme turnê que seguiu ao lançamento pode não ter sido tão grandiosa quanto a anterior, mas teve excelente média de público em todas as apresentações. Mais uma vez a banda optou pelo auto-isolamento após a turnê, comprando uma casa em Londres, que transformou em estúdio.

Após quatro longos anos de processo criativo, Sade voltaria com força total em 1992, com o álbum Love Deluxe, disco de platina triplo, figurando na lista dos dez mais vendidos dos EUA por 90 semanas. Love Deluxe foi muito bem recebido pelos fãs e também pela crítica, e trouxe os sucesos Cherish the Day, Kiss of Life e I Couldn't Love You More, além do megasucesso No Ordinary Love, que apresentou Sade a toda uma legião de novos fãs. Desnecessário dizer, a turnê de Love Deluxe foi extremamente bem-sucedida.

No auge desta turnê, em 1994, a Epic aproveitou a grande procura dos novos fãs por títulos antigos, e lançou a coletânea The Best of Sade, uma das poucas coletâneas a alcançar o Top Ten britânico. Graças à voracidade dos fãs, The Best of Sade conseguiu mais quatro discos de platina.

Após a turnê de Love Deluxe, a banda entrou em um novo hiato. Durante este tempo, Sade Adu se dedicou a cuidar de sua filha Ila, e se envolveu em um acidente automobilístico na Jamaica. Como saiu de lá antes do julgamento, Sade está com a prisão decretada, e não pode pisar no país sem ir para a cadeia. Este período tão conturbado fez com que a pausa da banda fosse a maior de todas até então, com um novo trabalho só saindo em 2000. Lovers Rock é de longe o menos famoso trabalho da banda, embora tenha ganho disco de platina triplo (já são 21!), e rendido um Grammy de Melhor Álbum Pop em 2002. Suas principais músicas de trabalho foram King of Sorrow e By Your Side. Ao invés de uma imensa turnê mundial, a banda desta vez optou por uma turnê apenas pelos EUA.

Esta turnê acabou virando um álbum ao vivo, Lovers Live, lançado em 2002. Desde então, Sade não deu mais as caras. Sade Adu está na Inglaterra, vivendo com sua família e trabalhando em projetos sociais. Ela e os demais membros da banda trabalham em um novo álbum, ainda sem data para ser lançado. Se considerarmos que entre Love Deluxe e Lovers Rock foram 8 anos, e de lá pra cá só tem seis, devem estar na metade do trabalho.
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sábado, 11 de março de 2006

Escrito por em 11.3.06 com 0 comentários

Olimpíadas (I)

Eu sou fanático por esportes. Embora não me anime a praticar nenhum com regularidade, assisto a qualquer um que esteja passando na TV. Menos golfe. Não que eu tenha algo contra golfe, até acho sua mecânica interessante, mas não tenho paciência para acompanhar uma partida que dura um dia inteiro e na qual eu mal consigo ver a bola. Pois bem, tirando golfe, e talvez rodeio, qualquer outro que esteja sendo televisionado está bom pra mim. Poucas coisas me são mais interessantes que um duelo esportivo.

Mas nem sempre foi assim. Até entrar na adolescência, eu gostava de Fórmula 1, e só. Torci pelo Brasil nas copas de 1986 e 1990, mas sem muito entusiasmo. Acho que meu fanatismo esportivo começou a aparecer na época das Olimpíadas de 1992, a primeira em que eu acompanhei a maioria das competições. Graças àquelas reportagens especiais que os jornais normalmente fazem nessas épocas, descobri as regras de um monte de esportes, e quis assisti-los para vê-las na prática. Acabei descobrindo que esportes eram muito mais divertidos de se acompanhar que novelas ou programas de auditório. Se hoje eu assisto de tênis a rugby, de beisebol à Copa da África, a culpa deve ter sido das Olimpíadas de 1992.

A essa altura todos já devem imaginar que o post de hoje fala sobre esportes. Contrariando o senso geral, porém, é um post sobre as Olimpíadas, não sobre a Copa do Mundo. E aí muitos devem estar se perguntando "por que este cara resolveu falar das Olimpíadas em ano de Copa do Mundo?". Bem, em primeiro lugar, eu até comecei a fazer um post sobre a Copa do Mundo, mas ficou meio sem graça, aí eu descartei. Em segundo lugar, sendo ano de Copa do Mundo, vocês vão achar uma série de reportagens sobre as Copas em tudo o que é lugar, não faria diferença mais uma aqui. E em terceiro lugar, eu ia escrever uma série de posts sobre as Olimpíadas logo após a de 2004, mas acontecimentos externos me impediram, e depois eu me desinteressei. Até mês passado, quando as Olimpíadas de Inverno me animaram a tentar mais uma vez.

De mais a mais, as Olimpíadas são uma celebração do esporte, possuem uma história interessantíssima, e são um assunto tão bom quanto qualquer outro. Preparem-se, portanto, para uma série interminável de posts sobre os Jogos Olímpicos - que serão devidamente postados intercalados com outros assuntos, para que ninguém fuja daqui e só volte no ano que vem!

Atenas 1896


A história dos Jogos Olímpicos começou na Antigüidade, quando povos de várias regiões próximas à Grécia se reuniam em Olímpia, de quatro em quatro anos, para celebrar suas vitórias, honrar os mortos, e praticar esportes. Com o domínio da Grécia pelo Império Romano, tais festivais foram suspensos por milhares de anos, até que, em 1875, foram encontradas as ruínas de Olímpia. Um francês, de nome Pierre de Fredi, conhecido como Barão de Coubertin, grande defensor do esporte como forma de união entre os povos, animou-se com a descoberta da descrição dos Jogos Olímpicos em discos de pedra, e decidiu ressuscitá-los. Durante anos ele tentou convencer atletas e empresários de que um evento esportivo mundial seria viável, mas só o conseguiu em 1894, durante um congresso na Sorbonne.

Após conseguir o apoio dos congressistas, Coubertin fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI), e começou os preparativos para os Primeiros Jogos da Era Moderna. Seu plano era realizá-los em Paris, em 1900, limiar do novo século, quando haveria uma feira com participantes do mundo todo. Diante da possibilidade dos Jogos mixarem por todo mundo ter de esperar 6 anos, Coubertin acabou se rendendo à pressão dos congressistas para que os primeiros Jogos fossem realizados já em 1896, tempo mínimo para sua organização. O Barão então sugeriu Atenas, capital da Grécia, inventora dos Jogos originais, como sede, o que foi aceito de forma unânime. Mais do que isso, os Jogos ganharam o nome de Jogos Olímpicos, ou Olimpíadas, em homenagem à cidade de Olímpia, palco dos mais famosos Jogos da Antiguidade.

Toda a imprensa e o povo grego receberam com muito entusiasmo a notícia de que os Jogos voltariam à Grécia, mas o país à época estava passando por problemas financeiros seríssimos, e o Comitê Olímpico Grego, após consultar o exorbitante orçamento das obras necessárias, decidiu retirar sua candidatura. Inconformado com isto, o Príncipe Constantino decidiu ele mesmo assumir a organização, e começou uma campanha para arrecadar fundos e parcerias com ricos empresários. Como os gregos não tinham experiência em competições esportivas, o próprio Barão de Coubertin se encarregou de fazer o programa e convidar os atletas. Graças aos esforços do Príncipe e do Barão, tudo ficou pronto a tempo e, em 6 de abril de 1896, os Primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna foram oficialmente abertos pelo Rei Jorge I, após uma curta cerimônia onde foi tocado o Hino Olímpico, especialmente composto para a ocasião, e que continua sendo o hino oficial dos Jogos até hoje.

Os jogos de 1896 contaram com 245 atletas, que competiram em 43 provas de 9 esportes: atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica artística, levantamento de peso, luta olímpica, natação, tênis e tiro esportivo (clique aqui para ver todas as provas do programa). Pode parecer pouco para os padrões de hoje, mas foi a maior competição esportiva da época. Como as viagens eram feitas de navio, a maioria dos atletas eram homens que estavam na Grécia por um motivo ou outro - os atletas britânicos, por exemplo, eram todos funcionários da embaixada. Os atletas que vieram de mais longe foram os norte-americanos, estudantes de Harvard e Princeton, que ainda por cima foram por conta própria, pois os EUA não tinham Comitê Olímpico. Por pouco o recorde de lonjura não ficou com a Austrália, já que o único atleta australiano a competir residia em Londres. Ao todo, 12 nações foram representadas em Atenas: Alemanha, Austrália, Dinamarca, Egito, Estados Unidos, França, Grécia, Império Austro-Húngaro, Itália, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Também é importante frisar que todos os atletas que participaram das Olimpíadas eram amadores, com exceção dos esgrimistas. O Barão de Coubertin não aceitava a participação de profissionais, pois em sua concepção o esporte era feito para a integração dos povos, e não para se ganhar dinheiro. Durante quase 100 anos a participação dos profissionais foi proibida ou severamente limitada, e muitos atletas perderam suas medalhas por alegações de profissionalismo. Coubertin também era contra a participação de mulheres, que considerava inapropriadas à prática do esporte, então todos os atletas competindo em Atenas eram homens. Esta posição não perduraria, porém, e a Olimpíada seguinte já teria presença feminina.

O principal palco dos Jogos foi o Estádio Panathinaiko, todo em mármore, e construído graças à ajuda do empresário George Averoff, que depois até ganhou uma estátua no local. Lá se desenrolaram as competições do atletismo, mesmo com uma pista irregular, com 203 metros em subida, e curvas fechadas demais. Foi nas competições de atletismo que a maioria dos atletas estrangeiros competiu, e viu os norte-americanos ganharem 9 dos 12 primeiros lugares possíveis. Também chamaram a atenção as competições de natação, disputadas em mar aberto ao invés de em uma piscina, e as de luta, onde atletas de várias modalidades se enfrentaram, como por exemplo o campeão do levantamento de peso contra o campeão da ginástica.

O ponto alto dos Jogos foi a recém-criada competição da Maratona, em homenagem à lenda de Pheidippides, o soldado grego que teria corrido os 40 km entre Maratona e Atenas apenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. A maratona de 1896 aconteceu no exato mesmo percurso da lenda, com vários testes antes dos Jogos para saber se era uma prova viável - afinal, Pheidippides havia morrido de exaustão ao chegar em Atenas, e ninguém queria que isto se repetisse durante as Olimpíadas. Evidentemente, os gregos desejavam que um dos seus ganhasse a prova, então inscreveram 13 atletas, contra apenas 4 estrangeiros. Os estrangeiros pularam na frente após a largada, mas foram se cansando e abandonando ou ficando para trás. O vencedor da corrida foi realmente um grego, Spyridon Louis, um carteiro que fez todo o percurso acompanhado por seu cachorrinho vira-latas Zeus. Como prêmio, Louis ganhou uma taça de prata, uma ânfora de dois mil anos, e a mão da filha de George Averoff, que ele recusou educadamente. A Maratona também foi palco da primeira mamata olímpica, quando o italiano Carlo Airoldi, que não tinha dinheiro para pagar um navio, e foi a pé de Milão a Atenas, foi impedido de participar, pois os organizadores imaginaram que alguém capaz de suplantar tamanha distância iria vencer facilmente a prova, e isso não interessava aos gregos. Sem ter o que fazer na Grécia, Airoldi voltou para Milão - a pé.

No dia 15 de abril de 1896 foi realizada a cerimônia de encerramento, com um farto banquete para os atletas e organizadores. Durante este banquete foram distribuídas medalhas de prata para os vencedores, e de bronze para os vice-campeões. Após declarar os Jogos oficialmente encerrados, o Rei Jorge I manifestou seu desejo de que todos os Jogos fossem realizados em Atenas, de quatro em quatro anos. Este desejo até ganhou o apoio dos atletas norte-americanos, mas os planos de Coubertin eram outros. Ele realmente desejava fazer os Jogos de quatro em quatro anos, mas considerava o revezamento entre cidades indispensável para o sucesso da competição. Além disso, ele queria que os jogos de 1900 coincidissem com a Feira Mundial que ocorreria em Paris. E não devemos nos esquecer de que o Barão era francês, e ficaria felicíssimo com uma edição dos jogos em casa.

Paris 1900

Atualizado em 6 de julho de 2020

Desde que decidiu ressuscitar os Jogos Olímpicos, o Barão de Coubertin sonhava realizá-los em Paris, em 1900, durante a Feira Mundial que comemoraria a chegada de um novo século. Isto, porém, acabou se tornando uma coisa ruim para o desenrolar dos jogos. Devido à conexão com a feira, as Olimpíadas se arrastaram durante mais de cinco meses, de 14 de maio a 28 de outubro. Os jornais chamavam o evento de "Concurso Internacional de Exercícios Físicos e de Esportes", dando muito mais ênfase à Feira que aos Jogos, e muitos dos competidores sequer sabiam que estavam em um evento do mesmo porte do realizado quatro anos antes, devido às várias palestras, atividades artísticas e transações comerciais que ocorriam paralelamente às competições. Os organizadores da Feira não gostaram nem um pouco de ter que dividi-la com as competições esportivas, e fizeram um mirrado folheto de quatro páginas para divulgar os Jogos. Mais do que isso, a União Francesa das Sociedades de Esportes Atléticos anunciou publicamente que não precisava de uma entidade exterior - no caso, o COI - para organizar uma competição esportiva, o que deixou o Barão isolado e entristecido. Como não existia em Paris um complexo esportivo capaz de abrigar os Jogos, e ninguém se interessou em construir um, as competições ficaram muito distantes entre si, e a maioria do público só se dava conta de que iria assistir a uma competição esportiva quando esta começava.

Apesar de todos estes percalços, os Jogos de 1900 não foram um desastre completo. Participaram 1.225 atletas, representando 24 nações, e contando pela primeira vez com 16 mulheres entre os competidores. O número de provas aumentou para 94, e o de esportes para 20: atletismo, cabo de guerra, ciclismo, críquete, croquê, equitação, esgrima, futebol, ginástica artística, golfe, natação, pelota basca, polo, polo aquático, remo, rugby union, tênis, tiro com arco, tiro esportivo e vela (clique aqui para ver todas as provas do programa). Muitos dos atletas competiram em "times mistos", formados por atletas de diferentes nacionalidades, algo permitido na época para facilitar a inscrição.

Por causa da realização simultânea da Feira, várias outras competições esportivas seriam realizadas em paralelo com a Olimpíada, o que fez com que, até hoje, ninguém saiba de fato quais provas fizeram parte do programa olímpico e quais faziam parte da Feira. O COI jamais declarou oficialmente quais provas eram consideradas olímpicas, mas, após a criação de seu site oficial, que conta com o "banco de dados olímpico", uma espécie de lista de todos os medalhistas olímpicos da história, estudiosos e historiadores passaram a considerar que as provas nas quais esses atletas conquistaram suas medalhas foram as oficiais. Havia um problema, porém: para inserir os dados de 1900 no banco de dados olímpico, o COI usaria um documento supostamente criado em 1912 com os resultados de todas as Olimpíadas realizadas até então - só que a veracidade desse documento é contestada por muitos historiadores, inclusive por historiadores do próprio COI.

Em 2015, o historiador norte-americano Bill Mallon, considerado a maior autoridade mundial em história das Olimpíadas, publicou um artigo no qual estabeleceu quatro critérios para que uma prova esportiva realizada nas Olimpíadas de 1900 fosse considerada olímpica: todos os atletas participantes da prova deveriam ser amadores (pois, na época, somente amadores poderiam disputar os Jogos Olímpicos), a prova não poderia ter handicap (ou seja, uma "vantagem" para que os atletas considerados mais fracos pudessem competir em igualdade de condições com os considerados mais fortes), deveria ser aberta a todos os atletas (com todos os que se inscrevessem podendo participar, sem proibições arbitrárias) e deveria contar com a participação de atletas de mais de um país (pois, em muitas provas, todos os competidores eram franceses). "Aparentemente", o COI aceitou a sugestão de Mallon, e alterou seu banco de dados olímpico de acordo - "aparentemente" entre aspas porque ainda há algumas divergências: todos os participantes do croquê eram franceses, e todos os participantes da prova de pistola militar 20 m, do tiro esportivo, eram profissionais, e, mesmo assim, até hoje essas provas são consideradas como parte do programa oficial; por outro lado, há uma prova do tiro com arco e seis provas do balonismo que preenchem os quatro critérios estabelecidos por Mallon, mas, mesmo assim, não passaram a ser consideradas como parte do programa pelo COI. Além do balonismo, há registros de que outros onze esportes foram disputados durante as Olimpíadas de 1900, mas não são considerados hoje parte do programa olímpico, sendo que nenhuma de suas provas cumpre os quatro critérios: automobilismo, boules, corrida de pombos, disparo de canhão, luta contra o fogo, motociclismo, motonáutica, pesca esportiva, salvamento, tênis real e um torneio de pipas.

O maior destaque desta Olimpíada veio novamente do atletismo, o norte-americano Alvin Kraenzlein, ganhador do ouro nos 60 metros rasos, 100 metros rasos, 200 metros com barreiras e no salto em distância, um recorde de quatro ouros em uma mesma Olimpíada ainda não alcançado por outro competidor no atletismo. O atletismo, por sinal, foi disputado em um bosque em Boulogne, onde a pista era toda esburacada, com uma íngreme subida ao final, e com tantas árvores que os arremessadores foram seriamente prejudicados. Além das provas de atletismo no bosque, houve as provas de natação no Rio Sena, com uma correnteza tão forte que criou recordes mundiais praticamente imbatíveis, e levou o COI a estudar o uso de piscinas artificiais para as provas. No final, dos 390 recordes estabelecidos em Paris, apenas 88 foram homologados, devido às condições - adversas ou favoráveis - em que as provas foram realizadas.

A Maratona foi alvo de um intenso protesto: oficialmente, a prova foi vencida pelo francês Michel Théato, um padeiro de 23 anos. O norte-americano Arthur Newton, ao chegar ao estádio, porém, considerava-se o vencedor, até descobrir que Théato havia chegado mais de uma hora antes. Newton e outros dois norte-americanos então alegaram que Théato e o competidor que chegou em segundo lugar, também francês, não haviam passado por eles durante a prova, que provavelmente tinham pego um atalho no meio do caminho, e que, ainda por cima, eram os únicos competidores que não estavam sujos de lama. Théato, além de tudo, havia nascido em Luxemburgo, e os franceses não tinham nada que estar comemorando sua vitória. Com vergonha, o COI não homologou os resultados na hora, só confirmando o resultado oficial e entregando a medalha de Théato doze anos depois. Até hoje, porém, nos EUA se considera que houve trapaça.

A final do rugby, entre França e Alemanha, foi disputadíssima, como se os dois países pudessem resolver a disputa pela região da Alsácia-Lorena em campo. E a inglesa Charlotte Cooper se tornou a primeira mulher Campeã Olímpica ao vencer os torneios de simples e de duplas mistas do tênis, mesmo sob protestos de Coubertin, que não aprovava a participação de mulheres. Mais uma vez, os campeões ganharam medalhas de prata, e os vice-campeões de bronze, desta vez em cerimônias de premiação individuais, pois esta Olimpíada não teve cerimônia de abertura nem de encerramento.

Apesar da falta de organização e do relativo fracasso de público, o Barão de Coubertin insistiu em seu sonho olímpico, e estava disposto a realizar a terceira Olimpíada nos Estados Unidos. Mas isso fica para o próximo post.

Série Olimpíadas

Atenas 1896
Paris 1900

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