domingo, 25 de setembro de 2005

Escrito por em 25.9.05 com 0 comentários

Watchmen

No tocante aos quadrinhos, eu sempre gostei mais da Marvel que da DC. Talvez pelas primeiras revistas de super-heróis que eu li na vida terem sido da Marvel, ou por associar a DC ao desenho dos Super Amigos, heróis como o Homem-Aranha, Homem de Ferro e os X-Men sempre me agradaram mais que Super Homem, Aquaman ou os Novos Titãs. É claro que isso não é nenhum ódio declarado - eu adoro o desenho da Liga da Justiça, e tenho várias edições especiais do Batman, por exemplo. Dentro deste contexto, sempre me pareceu meio estranho que minha história preferida de todos os tempos tivesse sido publicada pela DC, e não pela Marvel. Tudo bem que não é uma história com os "heróis tradicionais" da DC, mas mesmo assim foi publicada pela editora. Trata-se de Watchmen, de Alan Moore.

Os fãs de Sandman e do Cavaleiro das Trevas que me desculpem, mas, na minha opinião, Watchmen é a obra máxima dos quadrinhos. Lançada em 1986, escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, Watchmen mostra um mundo paralelo, onde os heróis são de carne e osso como nós, com todos os defeitos e limitações que isso implica. Quando Moore começou a imaginar a história, ele queria utilizar os heróis da Charlton Comics, que a DC havia acabado de adquirir, como o Questão, o Besouro Azul, o Gladiador Dourado e o Capitão Átomo. Por achar que a história estava ficando muito adulta, e também para não interferir na cronologia da DC, que estava começando a utilizar esses heróis em suas histórias, Moore decidiu criar seus próprios personagens - e acabou criando alguns dos mais intrigantes dos quadrinhos, ainda que só tivesse tido poucas edições para desenvolvê-los. Além dos bons personagens, a história tem tantos elementos de ambientação que é impossível não se envolver durante a leitura. Isso somado ao clima adulto, na época - e talvez até hoje - incomum, faz de Watchmen uma história única, quase um filme. E a prova de que quadrinhos não precisam ter "apelo juvenil" para ter qualidade.

É claro que isso é uma faca de dois gumes. Há meses eu reluto em escrever esse post, pois existe um grande risco de aparecer um fã-nático me xingando e dizendo que não é nada disso, e que eu estou equivocado. Por isso - e também para não estragar nenhuma surpresa da história - me furtarei a fazer qualquer comentário pessoal sobre as metáforas, mensagens ou simbolismos presentes na obra. Se ainda assim você quiser me convencer de que Alan Moore é um profeta, e Watchmen a sua bíblia, não precisa nem se dar ao trabalho de comentar. Afinal, se nenhum de nós dois vai conseguir convencer o outro de que sua opinião é a "correta", é melhor poupar nosso tempo. O mesmo recado vale para fãs de Frank Miller que se sentirem ofendidos por minha preferência por Alan Moore.

Dr. ManhattanBem, como eu já disse, Watchmen se passa em um mundo paralelo, onde heróis fantasiados existem combatendo o crime - ou pelo menos existiam. Nenhum desses heróis - com uma única exceção - é um "super herói", pois nenhum tem superpoderes. São apenas pessoas comuns, que dotadas de bravura e equipamento tecnológico combatem o crime paralelamente à polícia, em uma atividade conhecida como vigilantismo (daí vem o nome da série, Watchmen, os Vigilantes). Os primeiros heróis fantasiados começaram a aparecer em 1938, coincidentemente, mesmo ano do lançamento da primeira Action Comics com o Super Homem. Combatendo o crime isoladamente no início, eles se uniram para formar uma equipe, os Minutemen, nome dado a pequenos grupos de elite formados durante a Guerra Civil Americana. Devido a divergências internas, os Minutemen se separaram em 1949. Alguns morreram, outros se aposentaram, poucos continuaram combatendo o crime.

Na década de 60, começaram a surgir novos heróis, homens e mulheres que queriam levar adiante o ideal dos Minutemen, combatendo o crime com fantasias e tecnologia. Também foi na década de 60 que surgiu o primeiro (e único) super herói, o Dr. Manhattan, fruto de um acidente de laboratório. Dentre inúmeras habilidades, Dr. Manhattan pode reorganizar átomos, se teletransportar, transformar matéria, e possui um senso de tempo e espaço muito peculiar, como se ele estivesse em vários locais e várias épocas simultaneamente. O surgimento do Dr. Manhattan proporcionou uma evolução tecnológica jamais vista: carros elétricos, engenharia genética, dirigíveis seguros e baratos ao invés de aviões, tudo possível graças a novos produtos que ele criou ou ensinou como criar. Graças a ele, também, os EUA venceram a Guerra do Vietnã (que foi anexado e se tornou o 51o estado), o que possibilitou que o Presidente Nixon - que, nesse mundo, jamais teve de renunciar por causa do escândalo de Watergate - alterasse a Constituição e se reelegesse duas vezes, estando atualmente em seu terceiro mandato. A presença do Dr. Manhattan também deu uma imensa vantagem militar aos EUA na Guerra Fria - afinal, ele pode destruir 60% dos mísseis soviéticos antes que estes possam causar qualquer dano, enquanto simultaneamente destrói grandes partes de território soviético. Desnecessário dizer, nesse cenário os EUA são mais "xerifes do mundo" do que nunca.

RorschachMas nem tudo eram flores para a América dos heróis fantasiados. O aumento do vigilantismo nas décadas de 60 e 70 - e, por que não, a presença do Dr. Manhattan - acabou por levar a um fato inusitado: uma greve da polícia, que se recusava a continuar trabalhando em conjunto com super-heróis, seguida de inúmeros protestos do povo, que não via os mascarados com bons olhos (o que levou à popularização da frase Who Watches the Watchmen?, "Quem vigia os vigilantes?"). Assim, em 1977, foi aprovada a Lei Keene, que declarou o vigilantismo ilegal. Todos os heróis ainda na ativa tiveram de se aposentar, revelando ou não suas identidades secretas. Apenas o Dr. Manhattan e o Comediante eram "legalizados", pois trabalhavam para o governo. Um outro vigilante, Rorschach, se recusou a se aposentar, e continuou agindo à margem da lei.

Assim chegamos a 1985, ano no qual a história se passa. Tudo começa com o assassinato do Comediante, por razões desconhecidas. Pouco tempo depois, o Dr. Manhattan sofre uma acusação durante um programa de TV, e se auto-exila. Ozymandias, um outro herói aposentado, sofre um atentado e quase morre. Rorschach começa a acreditar que existe um "matador de mascarados", querendo apagar todos os antigos vigilantes. Mas este não é o maior dos problemas: com a ausência do Dr. Manhattan, os soviéticos se sentiram seguros para invadir o Afeganistão, o que aumentou a tensão entre os EUA e a URSS. Uma guerra nuclear parece a cada dia mais próxima...

Como isso tudo termina? É lógico que não vou dizer. A história é tão bem amarrada que eu não conheço ninguém que tenha previsto o final antes da penúltima edição - e mesmo assim a última ainda traz algumas surpresas.

Dr. Manhattan, Comediante, Espectral, Ozymandias, Capitão Metrópolis, Coruja, RorschachÉ lógico que o enredo é o ponto principal da história, mas não é a única coisa interessante durante a leitura. Como eu já disse, ela é pontuada de metáforas e simbolismos, que muitas vezes passam despercebidos se você não estiver prestando atenção. Além disso, o trabalho gráfico também é primoroso: cada edição tem um "tema", presente na capa e durante toda aquela edição (e muitas vezes esporadicamente nas seguintes), como os espelhos da edição 5, o reflexo em uma superfície convexa na edição 7, ou o recipiente de líquido se partindo na edição 9. O meu preferido é a simetria na edição 6. Outro ponto interessante é uma "história dentro da história", os quadrinhos Tales of the Black Freighter, uma revista de piratas lida por um garoto em uma banca de jornais, que muitas vezes se intercala com a própria história de Watchmen. Um fato interessante é que, neste mundo, por existirem heróis "de verdade", as revistas de super heróis jamais se popularizaram, sendo as preferidas do público as de piratas (existe até uma chamada X-Ships).

Watchmen tem 12 edições, cada uma com 32 páginas. Com exceção da última edição, as quatro últimas páginas de cada uma são uma espécie de "anexo" (menos na primeira, que tem um anexo de 6 páginas), que traz informações importantes e/ou interessantes sobre a história, como excertos de livros ou revistas publicados no mundo onde a história se passa. Quando foi lançado no Brasil pela primeira vez, a Editora Abril "condensou" a série em 6 edições, mas ela foi relançada em seu formato original em 1999. Nos EUA existem também edições encadernadas, que eu ainda não vi por aqui.

Andam dizendo por aí que vão fazer um filme de Watchmen, que estaria previsto para setembro do ano que vem. Eu adoro a idéia, mas acho pouco provável. Watchmen é uma história "difícil", pois tem muitos elementos sutis, e um bocado de outros colocados ali só para desviar sua atenção do foco central. As motivações por trás dos personagens e os porquês dos acontecimentos sempre ficam mais claros após uma segunda - ou terceira - leitura. Assim mesmo, muitos pontos não são pacíficos, e os fãs discordam se uma determinada coisa pode ser considerada uma metáfora/simbolismo ou não. E ainda há o problema dos anexos: muita coisa presente neles teria que ser transportada para o filme, o que poderia dar uma quebrada na narrativa.

Enfim, se houver um filme eu vou assistir. Se ficar tão bom quanto o original, será uma agradabilíssima surpresa. Mas eu preferiria que ninguém se arriscasse a estragar uma obra tão importante na história dos quadrinhos.
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domingo, 18 de setembro de 2005

Escrito por em 18.9.05 com 0 comentários

Magic: The Gathering (III)

Hoje seguiremos com a história e as expansões de Magic: The Gathering, o famoso card game da Wizards of the Coast, na terceira parte deste post enorme. Antes, um pequeno update: eu consegui vender meu Volume 1 da Magic Official Encyclopedia, mas ainda tenho o Volume 2. Se alguém aí quiser comprar, deixe um comentário.

uma carta de Urza's SagaQuando paramos, o navio voador Weatherlight tinha acabado de deixar o mundo de Rath, e precisava terminar de coletar os artefatos que formavam o Legado e chegar a Terisiare antes que a invasão de Phyrexia começasse. Voltando um pouco no tempo, em Terisiare, os irmãos Urza e Mishra continuavam lutando, cada um tentando subjugar o outro. A descoberta acidental da floresta de Argoth, um local rico em mana, reacende esta rivalidade. Obcecado pelo poder, Mishra acaba por ser capturado pelas forças de Phyrexia, e se transforma em uma espécie de ciborgue. Urza, para deter o próprio irmão, libera uma quantidade absurda de magia, o que destrói parte da floresta de Argoth, mata Mishra, e transforma Urza em um andarilho dos planos, o mais poderoso tipo de mago existente. Estes eventos dão início a Urza's Saga (Saga de Urza), expansão de 350 cartas, lançada em outubro de 1998, primeira do que viria a ser conhecido como o "bloco de Urza", ambientado antes da partida do Weatherlight. A partir de Urza's Saga cada carta de cada expansão, exceto os Terrenos Básicos, teria duas versões, uma normal e uma metalizada, muito mais rara, ambas idênticas em termos de jogo, mas não para os colecionadores. Urza usa seus novos poderes para viajar até Phyrexia para deter a invasão e vingar seu irmão, mas os invasores são mais poderosos do que ele imaginava, e o andarilho é quase morto. Fugindo, ele decide estudar a cultura dos Thran, já que, no passado, eles conseguiram deter uma invasão de Phyrexia, em busca de armas capazes de detê-los novamente. Urza chega a considerar viajar no tempo para aprender com os Thran, mas esta opção acaba por causar um pequeno desastre na ilha de Tolaria.

Um mês antes de Urza's Saga, em setembro de 1998, a Wizards havia lançado uma expansão no mínimo inusitada: Unglued, de 94 cartas. Unglued é uma expansão satírica, uma paródia do próprio Magic. As cartas de Unglued não são aceitas em torneios, mas você pode utilizá-las para jogar com seus amigos, embora algumas delas causem uma confusão tão grande que é melhor só colecionar mesmo.

Em novembro de 1998, torneios presentearam os jogadores com mais oito Personagens de Vanguard III, que representavam personagens introduzidos em Stronghold, Exodus e Urza's Saga. A história de Urza só continuaria em fevereiro de 1999, com Urza's Legacy (Legado de Urza), expansão de 143 cartas. Esta expansão conta como Urza construiu o Weatherlight, tendo que convencer praticamente todos os povos de Dominaria (e também alguns do mundo criado pela andarilha Serra) de que uma invasão era iminente e a cooperação de todos era necessária. O Weatherlight parte para encontrar as partes do Legado, enquanto Urza parte para uma outra missão.

uma carta de UngluedA imensa quantidade de cartas lançadas até então fez com que a Wizards decidisse mudar novamente as regras do jogo, sempre buscando mantê-las livres de confusões geradas por cartas controversas. Além disso, os torneios já eram uma realidade mais do que estabelecida, e as cartas da Quinta Edição já estavam defasadas em relação às mais recentes, o que afastava jogadores novatos. Assim, em abril de 1999, foi lançada a Sexta Edição, com 350 cartas, apelidada de Classic Edition. Muitas e muitas cartas da Quinta Edição foram removidas, sempre tendo os jogadores iniciantes em mente, e muitas das melhores cartas de Alliances, Mirage, Visions e Weatherlight foram acrescentadas, para agradar também aos veteranos. A Sexta Edição foi a primeira edição básica a ter um símbolo de expansão (embora nenhuma das cartas tivesse ilustrações inéditas), e foi decidido pela Wizards que, a partir de então, a cada dois anos, seria lançada uma edição básica nova, para que esta jamais ficasse defasada em relação às expansões. Em abril de 1999 também foram distribuídos em torneios os últimos oito Personagens lançados, em Vanguard IV, que trazia personagens de Urza's Legacy e Urza's Destiny, uma expansão que ainda iria ser lançada.

Junho de 1999 foi um mês de três lançamentos. O primeiro deles foi a edição Starter, que iria substituir a série Portal. Assim como as cartas de Portal, as de Starter também possuíam regras simplificadas ao máximo, ideais para jogadores de primeira viagem. A diferença era que, enquanto Portal trazia cartas novas, Starter trazia 173 das mais famosas cartas de Magic (a maioria também presente na Sexta Edição), apenas com as regras simplificadas. Algumas cartas têm ilustrações inéditas.

Apesar de oficialmente substituído, Portal ainda teria uma terceira edição, Portal Three Kingdoms, de 180 cartas, também de junho de 1999. Esta é uma edição especial, onde todas as cartas representam personagens do épico chinês da Guerra dos Três Reinos, que conta a história dos reinos Wu, Shu e Wei, que habitavam na antiguidade o que hoje é a China. Todas as cartas foram ilustradas por artistas chineses, e as regras utilizadas são as simplificadas de Portal e Starter. As cartas de Portal Three Kingdoms não são válidas para torneios, embora, por ter o mesmo verso, possam ser incorporadas às demais para jogos não-oficiais.

uma carta de Portal Three KingdomsFinalmente, junho de 1999 foi o mês de lançamento de Urza's Destiny (Destino de Urza), expansão de 143 cartas que fecharia o bloco. Para operar a arma formada pelo Legado corretamente, Urza precisa de um ser vivo artificial, e começa a fazer experimentos para consegui-lo. Bancar deus não parece ser uma atividade muito popular, porém, e ele encontra uma forte oposição, além de um oponente, Gatha, que decide ele também criar um exército de soldados para si. As invasões de seres de Phyrexia começam a se tornar freqüentes, e Urza acaba tendo de ir até Rath combatê-los, onde descobre que este mundo é parte do plano de invasão tramado por Phyrexia.

O bloco seguinte devolveria a história para o lugar onde tinha parado em Exodus, primeiro com Mercadian Masques (Máscaras de Mercádia), expansão de 350 cartas lançada em outubro de 1999. Ao retornar de Rath, o Weatherlight cai em um mundo desconhecido, onde é seqüestrado pela tribo dos Cho-Arrim. Gerrard e os que conseguiram escapar chegam até Mercadia, uma estranha cidade no topo de uma montanha invertida, onde tentam conseguir recursos para reaver seu navio e chegar a Terisiare antes que seja tarde demais. Isto, no entanto, não será tão fácil, uma vez que eles acabam envolvidos nos jogos políticos de Mercadia. A partir de Mercadian Masques, os Terrenos Básicos também teriam versões metalizadas.

Enquanto isso, em Rath, Volrath abandona seu posto, deixando Crovax no comando, o que mergulha todo o mundo em uma guerra sangrenta pelo poder. Esta seria a história de Nemesis (Nêmesis), a expansão seguinte, lançada em fevereiro de 2000, com 143 cartas que representam os habitantes de Rath, suas magias e artefatos. Rath, na verdade, é uma passagem que levará os habitantes de Phyrexia até Dominaria, em um plano que vem sendo egendrado a séculos por Yawgmoth e seus subordinados. Em Dominaria, a coisa começa a ficar feia quando os bárbaros de Keld, acreditando que o fim do mundo se aproxima, pois os sinais de uma antiga profecia começam a aparecer, decidem invadir Jamuraa em Prophecy (Profecia), a expansão que fecha o bloco em junho de 2000, com mais 143 cartas, a maioria delas de grande poder ou que traz ainda mais inovações para a mecânica do jogo, como cartas que o adversário pode pagar um custo para evitar que façam efeito.

um personagem de VanguardJunho de 2000 também marcou o lançamento de Starter 2000, a segunda edição de Starter, com apenas 50 cartas, escolhidas entre as preferidas dos jogadores, todas com regras simplificadas, algumas com ilustrações inéditas. Diferentemente das edições anteriores, Starter 2000 só era vendido em decks (aliás, em um deck), que acompanhava um CD-Rom de instruções. O intuito era que, após aprender a jogar, o jogador migrasse para o Magic normal, ao invés de ficar colecionando Starter.

Enquanto a tripulação do Weatherlight lida com Mercadia, o povo de Rath com uma guerra civil, e Jamuraa com disputas por território, o pior começa a acontecer em Invasion (Invasão), lançada em outubro de 2000, com mais 350 cartas, e abrindo um novo bloco. Phyrexia começa a invadir Dominaria e, enquanto Urza não termina sua arma para repelir a invasão, o povo deve esquecer suas divergências internas e se unir, ou serão massacrados. Invasion trouxe muitas cartas douradas, algumas até "aliadas" de certas cores, e uma grande novidade, as cartas duplas. Cada metade de uma carta dupla possui uma cor, custo e efeito diferentes, e o jogador pode escolher "qual metade irá jogar" ao pagar o custo.

Como se a invasão já não trouxesse problemas demais, o mundo de Rath começa a se mesclar com Dominaria, trazendo ainda mais monstros e invasores, e o novo comandante das tropas de Yawgmoth, Crovax, antigo tripulante do Weatherlight. Na expansão seguinte, Planeshift (Conjunção), de fevereiro de 2001 e 143 cartas, a tripulação do Weatherlight, voltando de Mercadia, enfrenta as tropas de Crovax, enquanto Urza e um grupo de andarilhos dos planos decide fazer uma contra-invasão, indo até Phyrexia para derrotar Yawgmoth antes que este chegue a Dominaria. Yawgmoth chega a enganar Urza e Gerrard, fazendo com que ambos se enfrentem ao invés de concentrarem suas forças contra Phyrexia. Três das cartas de Planeshift tinham duas versões metalizadas diferentes, uma idêntica à versão normal, e outra com texto idêntico mas ilustração diferente.

uma carta da Sétima EdiçãoEm meio a essa turbulência toda, chegou a hora de lançar uma nova edição básica, a Sétima (Seventh Edition), em abril de 2001. Com o jogo já bastante equilibrado, e a Sexta Edição a apenas dois anos de diferença, não houve mudanças nas regras. Houve muitas mudanças nas 350 cartas da edição, mas não em seu texto. Muitas das cartas da Sexta Edição foram removidas e substituídas por cartas antigas e mais populares, que haviam ficado de fora daquela. Também foram acrescentadas algumas cartas de Tempest, Stronghold, Exodus, Urza's Saga, Urza's Legacy, Urza's Destiny e Mercadian Masques. Todas as cartas ganharam ilustrações inéditas, e a Sétima Edição foi a primeira edição básica a ganhar as versões metalizadas de cada carta. Junto com a Sétima Edição também foi lançado o Seventh Edition Starter, uma caixa para iniciantes contendo dois decks, dois boosters, contadores de Pontos de Vida e um CD-Rom.

Enquanto Urza e Gerrard estão presos em Phyrexia, Sisay e a tripulação do Weatherlight tentam descobrir como ativar o Legado e destruir Yawgmoth. A maior saga de Magic chega ao fim em Apocalypse (Apocalipse), expansão de 143 cartas que fechou o bloco em junho de 2001. Yawgmoth passou pelo portal, chegando a Dominaria. Se os heróis vão fazer alguma coisa para detê-lo, é bom fazerem logo. Apocalypse traz dentre suas criaturas um tipo bem curioso, que fica mais forte se você pagar mana de uma cor inimiga (pagar um custo em mana branco para uma criatura preta, por exemplo).

Evidentemente, o bem triunfa e Phyrexia é repelida. Aproveitando o final feliz, este post termina por aqui. Em breve, a conclusão desta comprida história!

Magic: The Gathering

Parte 3

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domingo, 11 de setembro de 2005

Escrito por em 11.9.05 com 0 comentários

Sentai (XIII)

Hoje finalmente temos a última parte do interminável post dos Sentai, com as três séries mais recentes!

Bakuryuu Sentai Aba Ranger
2003



Mais um Sentai com um nome esquisito, o Esquadrão de Dinossauros Explosivos dos Patrulheiros Furiosos (na verdade, aba não significa nada, mas abare significa fúria, e como tem "abare" nos nomes dos rangers, acho que podemos traduzir assim) foi o segundo Sentai a ter dinossauros como tema. Também foi o segundo seguido a começar com apenas três membros, o que levou a um temor de que isso pudesse se tornar um padrão. Aba Ranger teve 50 episódios e dois filmes para o cinema, sendo que um deles era um crossover com Hurricanger. A Disney utilizou este seriado para fazer seu Power Rangers Dino Trovão.

Há 65 milhões de anos, um meteoro caiu na Terra, extinguindo os dinossauros. A colisão deste meteoro foi tão forte, porém, que causou uma divisão, criando dois mundos. Um, a Terra que conhecemos. O outro, a Dinoterra, onde os dinossauros continuaram a existir. A onda magnética causada pela separação dos dois mundos criou uma fenda dimensional, e a Dinoterra foi tragada para lá, se desenvolvendo separadamente de nosso mundo durante todo esse tempo. Na época atual, misteriosamente, começam a surgir portais dimensionais ligando a Terra e a Dinoterra. Os Evorianos, habitantes malignos da Dinoterra, começam uma invasão. Abare Black, um valoroso guerreiro da Dino Terra, os seguiu, e selecionou três jovens para utilizar os equipamentos da Dinoterra para defender a Terra, transformando-os nos Aba Rangers!

Inicialmente, os Aba Rangers são apenas três, Aba Red, Abare Yellow (mulher) e Abare Blue. Cada Aba Ranger está equipado com uma Abare Armadura, capaz de resistir a tiros, lâminas e até mísseis. A Abare Armadura pode entrar no "modo Abare", no qual fica ainda mais resistente e cria espinhos. Sua arma principal é a Abareizar, que tem dois modos, espada e pistola. Cada Aba Ranger também tem uma arma personalizada (bastão, adagas e escudo, respectivamente). As três armas personalizadas unidas formam o Dino Bomber, a bazuca de destruir os monstros. Ao invés de motocicletas, os Aba Rangers têm Road Raptors, velociraptors mecânicos que eles montam como se fossem cavalos.

No episódio 8, após se recuperar de alguns ferimentos, Abare Black se uniu aos demais para lutar contra os Evorianos. Sua arma personalizada é uma espada, que pode ser acoplada ao Dino Bomber para formar o Super Dino Bomber. Abare Black também tem seu próprio Road Raptor. No episódio 18, surge um novo Ranger, Abare Killer, de uniforme branco, cuja arma personalizada é o Wing Pentact, que pode ser usado como espada ou bastão. Inicialmente, Abare Killer é aliado dos Evorianos, mas no episódio 42 ele passa para o lado dos Aba Rangers. Sua armadura possui um "defeito", porém, e explodirá a qualquer momento. Outros aliados dos Aba Rangers são Ryuunosuke Sugishita, que serve como um "paizão" para a equipe; Emiri Imanaka, adolescente que sonha se tornar uma Aba Ranger, e chega até a confeccionar uma fantasia de Ranger rosa; e Mahoro, namorada de Abare Black, que veio com ele da Dinoterra.

Mas os aliados mais fortes dos Aba Rangers são os Bakuryuu, enormes dinossauros mecânicos conscientes oriundos da Dinoterra. Inicialmente, eles são apenas três, um tiranossauro (Red), um triceratopes (Blue) e um pterodáctilo (Yellow), que unidos formam o robô Abarenoh ("rei unido da fúria"). Abare Black também tem um Bakuryuu, um braquiossauro, mas ele é da paz e não se mete nas brigas dos robôs. No decorrer da série, novos Bakuryuu vão surgindo, que conferem novos poderes a Abarenoh quando acoplados a ele: um paquicefalossauro transforma sua mão direita em uma espécie de maça; um dimetrodon transforma sua mão esquerda em uma serra; um parassaurolofo transforma sua mão esquerda em uma tesoura; e um anquilossauro aumenta sua resistência e transforma seus braços em brocas. Abare Killer também tem o seu próprio Bakuryuu, um tupuxuara (da família dos pterodáctilos) chamado Top Galer. Mais tarde, ele adquire também um estegossauro, que se combina com Top Galer para formar o robô Killeroh. O paquicefalossauro e o dimetrodon também podem se combinar com o Killeroh, conferindo-lhe os mesmos poderes que conferem ao Abarenoh, e o estegossauro pode se combinar ao Abarenoh para aumentar sua velocidade e permitir que ele "surfe" sobre a água. No episódio 14, o Abarenoh também ganha a capacidade de se transformar em Abarenoji (ji significa próximo), um robô mais forte e veloz, mas de uso limitado.

E ainda tem mais. No episódio 31, Aba Red ganha a capacidade de se transformar em Abare Max, transferindo as energias de Blue e Yellow para ele. Como Abare Max, Red possui ataques mais poderosos, e pode controlar um novo Bakuryuu, um estiracossauro, capaz de se transformar no robô Maxohja, que tem como armas os Ranfogolds, machados em formato de ranforrincos, e o Spinogold, um capacete de espinossauro. Como se já não bastasse essa confusão toda, o estiracossauro pode se combinar aos novos Bakuryuu (paquicefalossauro, parassaurolofo, dimetrodon e anquilossauro) para formar o robô Maxryuuoh. Ainda por cima, Abarenoh e Killeroh ganham a capacidade de se combinar e empunhar os Ranfogolds e Spinogold para se tornar o robô Ooabarenoh. Cruzes.

Os vilões são os Evorianos, um grupo de monstros que sempre tentou dominar a Dinoterra, e viu nos portais para a Terra uma chance de expandir seus negócios. Seu líder é o deus Dezumozorlya, que continua na Dinoterra. O comandante aqui na Terra é Migera, que odeia todas as coisas vivas, auxiliado pela árvore Inochino, que cria os monstros, e por Voffa, que os transforma em gigantes. O irmão de Mahoro, Mizuro, sofreu lavagem cerebral e também ajuda os Evorianos. No início, a própria Mahoro também era dos Evorianos, sob o nome de Jeanne, mas Abare Black a salvou. Completa o time do mal Rije, filha e sacerdotisa de Dezumozorlya, e principal suspeita de ter aberto os portais dimensionais.

Tokusou Sentai Deka Ranger
2004



Após alguns Sentai exóticos, o Esquadrão Investigativo dos Patrulheiros Detetives decidiu retomar a fórmula original, com um esquadrão de cinco membros combatendo monstros espaciais. A história de Deka Ranger, porém, é bem mais aberta do que as dos demais Sentai: Existe em todo o universo uma força policial especial, conhecida como Special Police Deka, ou SPD. A função da SPD é impedir que criminosos intergaláticos causem caos e cometam crimes em planetas que não estejam preparados para enfrentá-los. Assim como no filme Homens de Preto (ou Men in Black), existem na Terra diversos alienígenas, vivendo disfarçados como se fossem humanos. Malcomparando, a SPD seria os MiB em versão Sentai, zelando para que tais alienígenas não ameacem o planeta. Por conta disso, Deka Ranger é o único Sentai até hoje a não ter um "inimigo fixo", como um Império do Mal ou coisa do tipo. Cada Monstro da Semana é um criminoso intergalático que escolheu a Terra para violar a lei, e deve ser impedido. Coletivamente, estes criminosos são conhecidos como Alienizers.

A série começa quando o jovem Ban é designado para a unidade SPD da Terra. Na verdade, Ban é um garoto-problema, e seu chefe Porupo decide que enviá-lo para um planeta subdesenvolvido como o nosso seria a única forma de colocar um pouco de juízo na sua cabeça. O comandante da SPD na Terra, Doggie Krueger (um alienígena da Estrela Anubis, com cara de cachorro) não deixa por menos, e coloca Ban como líder da equipe, o que gera alguns conflitos com os demais membros, que, além de já estarem acostumados com o antigo líder, não aceitaram bem seu jeito rebelde. Ainda assim, eles devem aprender a trabalhar juntos, ou os Alienizers destruirão a Terra.

Os Deka Rangers seguem o padrão colorido clássico dos Sentai: Deka Red (Ban), Deka Blue (que era o antigo líder), Deka Green, Deka Yellow e Deka Pink (estas duas últimas, mulheres). Deka Red possui como armas duas pistolas D-Magnun, que podem se combinar para formar a Hybrid Magnun. Green e Blue possuem um tipo de soco inglês, o D-Knuckle, e um bastão, o D-Rod, que se combinam para formar o rifle D-Sniper ou a pistola D-Blaster. Yellow e Pink também têm um D-Knuckle, mas ele se combina com a espada D-Stick para formar a pistola D-Shot. Cada Deka Ranger ainda conta com um par de algemas D-Whooper, e uma Deka Armadura, que tem os modos normal e Swat. No modo Swat, a armadura fica mais forte e resistente, e permite que eles usem as pistolas D-Revolver. A equipe ainda conta com dois carros de polícia e uma moto, e com o cachorro mecânico Murphy, que fareja Alienizers e pode se transformar na bazuca D-Bazooka.

No episódio 22, começam a surgir Alienizers muito poderosos, e a SPD designa um novo agente espacial para auxiliar os Deka Rangers, o Deka Break (de uniforme branco). Deka Break possui uma moto de uma roda só, e uma arma especial chamada Bray Throttle, capaz de se transformar em várias outras armas diferentes. Mais adiante, começa a aparecer um sétimo Ranger misterioso, o Deka Master (de uniforme azul, mas diferente dos demais), que sempre os salva quando os vilões são poderosos demais. Com o tempo, os Deka Rangers descobrem que o Deka Master é ninguém menos que o próprio Doggie Krueger.

Outros aliados dos Deka Rangers são Swan Shiratori, a cientista que criou as armas e robôs da equipe, uma alienígena do planeta Chinyo, que no episódio 36 obtém autorização da SPD para se transformar em Deka Swan (de uniforme branco e laranja) e ajudar a equipe; Lisa Teagle, chefe de Deka Break, do planeta Lumiere, que vem à Terra no episódio 40, auxiliar a equipe como Deka Bright (de uniforme branco e azul); Buntar, da Estrela Torto, que ensina os Rangers a usar o modo Swat no episódio 32; e o Diretor Geral Numa-O, comandante de todas as SPD do universo.

Para derrotar o eventual Alienizer gigante, os Deka Rangers têm um robô, o Dekarangerrobo, formado pela união de cinco veículos: Patstriker (um carro de polícia de seis rodas), Patgyrer (girocóptero), Patrailer (camburão), Patarmor (blindado) e Patsigner (carro de polícia). Deka Break tem seu próprio robô, o Dekabike, que se transforma em uma motocicleta gigante, que pode ser pilotada pelo Dekarangerrobo. Dekarangerrobo e Dekabike podem se unir para formar o Super Dekarangerrobo. Mais para o final da série, o Deka Master adapta a base dos Deka Rangers para também se transformar em um robô, o gigantesco Dekabase; e cada Deka Ranger ganha uma nave Patwing. Inicialmente, as cinco Patwings podem se combinar para formar a Dekagun, uma imensa pistola empunhada por Dekarangerrobo; mais tarde, elas são adaptadas para formar o Dekawing, um novo robô.

Deka Ranger teve 50 episódios e dois filmes para o cinema, sendo que o segundo é um crossover com Aba Ranger. A Disney utilizou esta série para fazer o seu Power Rangers: Super Patrulha Delta.

Mahou Sentai Magi Ranger
2005

Atualizado em 09 de junho de 2007



Finalmente, chegamos ao Sentai mais recente, o Esquadrão Mágico Magi Ranger. Este "mágico" vem de magia, não de mágica; e "magi", além de ser o plural de "magus", palavra latina para mago, também é uma contração de "magic", que significa magia em inglês. Claramente, os produtores queriam pegar carona na onda de magia e fantasia que atingiu o Japão após o lançamento dos filmes e livros de Harry Potter.

A história começa há milênios, quando povos fantásticos com poderes mágicos fundaram dois reinos, Magitopia e Infershia, sem o conhecimento dos humanos. Os habitantes de Magitopia, seres da luz que usavam sua magia para o bem, e os de Infershia, seres das trevas que usavam sua magia para a corrupção e destruição das coisas vivas, viviam em guerra, evidentemente. Há dez anos, graças a um imenso ritual, os habitantes de Magitopia conseguiram selar os de Infershia no centro da Terra. Com seu reino destruído e seus poderes enfraquecidos, porém, eles se viram obrigados a viver entre os humanos, escondendo seus incríveis poderes.

Durante estes dez anos, os habitantes de Infershia buscaram uma forma de escapar de sua prisão, tendo finalmente conseguido. Agora, eles buscam se vingar dos responsáveis por sua derrota. Sua primeira vítima é Miyuki Oz, que está em sua casa com seus cinco filhos. Quando um portal se abre e um monstro ataca Miyuki, ela se transforma em Magi Mother e o derrota. Sentindo que este seria o primeiro de muitos ataques, ela revela a verdade a seus filhos - que eles, na verdade, eram habitantes de Magitopia, com incríveis poderes mágicos, dos quais iriam precisar agora que seus rivais de Infershia estavam buscando vingança.

Usando seus poderes mágicos, os irmãos Oz conseguem se transformar nos Magi Rangers: Magi Red, Magi Green, Magi Yellow, Magi Blue e Magi Pink (estas duas últimas, mulheres). Na forma de Magi Ranger, cada um recebe uma armadura feita de pura força mágica, com a qual se tornam mais rápidos, fortes e resistentes. Cada um também recebeu um Magistick, um bastão que pode se transformar em outras armas, como espadas ou bestas, e uma vassoura voadora Sky Hoki, o método de transporte preferido dos magitopianos. Para destruir os monstros, eles usam um ataque de magia pura, lançado através de seus dispositivos de transformação, que nesta série, pela primeira vez, têm múltiplos usos.

Os Magi Rangers recebem seus poderes dos Tenkkuseijya (algo como "santos celestiais"), seres superpoderosos nativos de Magitopia. Red, Green, Yellow, Blue e Pink têm como Tenkkuseijya correspondentes, respectivamente, Flagel, o Tenkkuseijya do fogo; Groungel, o da terra; Volgel, do relâmpago; Splagel, da água; e Wingel, do vento. Ao longo da série surgem novos Tenkkuseijya, que vieram de Magitopia para a Terra, como Chronogel, o Tenkkuseijya do tempo; Snowgel, do gelo; e Magiel, a Tenkkuseijya da magia, e a mais poderosa de todos. O pai dos cinco Magi Rangers, aliás, também era um Tenkkuseijya, Blagel, o Tenkkuseijya da lava.

Assim como em Kaku Ranger, em Magi Ranger os próprios heróis se transformam em seus robôs gigantes, ao invés de chamá-los de algum local desconhecido. Usando seu dispositivo de transformação, os Magi Rangers podem se transformar, respectivamente, em Magi Phoenix (fênix), Magi Taurus (minotauro), Magi Garuda (garuda, uma ave gigante mitológica), Magi Mermaid (sereia) e Magi Fairy (sprite, algo parecido com a Fada Sininho). Estas formas gigantes são conhecidas como Magi Majin ("humanóides mágicos"). Os Magi Majin podem se combinar para formar o dragão Magi Dragon, ou o robô gigante Magi King. Estranhamente, quando Magi King é formado, os Magi Rangers, que supostamente estavam transformados nos Majin, aparecem dentro de uma cabine, controlando o robô.

No episódio 31, os Magi Rangers descobrem dois Majuu ("bestas mágicas"), Magi Firebird e Magi Lion, criaturas mágicas gigantes nativas de Magitopia. Ambos podem se combinar a Magi King para formar Magi Legend King. Ainda no episódio 31, os cinco Magi Rangers recebem um novo poder do Tenkkuseijya Snowgel, o de assumir a forma Legend, na qual a armadura fica mais incrementada e com novos poderes, algo semelhante ao modo Swat de Deka Ranger. No episódio 34 é revelado um terceiro Majuu, Unigolon, um unicórnio com o qual Magi Phoenix pode se combinar para se transformar em Saint Kaizer.

Os aliados dos Magi Rangers incluem Magi Mother, de uniforme branco e mãe dos heróis, que também possui um Magistick e pode assumir forma de Majin (embora fique com a mesma aparência); Mandoraboy, uma mandrágora falante que atua como mascote e toma conta de seu quartel general; Lunagel, a Tenkkuseijya da Lua, que inicialmente está sem memória e sendo caçada pelos Infershia, e após recuperá-la se torna professora de magia dos Magi Rangers; e Smoky, um gênio com cara de gato que mora dentro de uma lâmpada mágica. No episódio 19, surge um novo magitopiano, Magi Shine, de uniforme azul e dourado, mestre de Smoky, que se dispõe a treinar os Magi Rangers, além de ajudá-los eventualmente. Magi Shine voa em um tapete voador ao invés de em uma vassoura, e tem um robô gigante, Travelion, que se transforma em um trem. Mais tarde, é revelado que ele também é um Tenkkuseijya, Sungel, o Tenkkuseijya do Sol.

Os vilões são os antigos habitantes de Infershia, agora aprisionados no centro da Terra, liderados por Nma, um dragão gigante que foi destruído pelo ritual de Magitopia, e ainda está se recuperando antes que possa romper o selo de vez e invadir a Terra com força total. Os principais generais de Infershia são Buranken, um golem com a habilidade de se tornar gigante, e que usa um dente de Nma como arma; e a vampira Vankyuria, que pode se transformar em duas garotas humanas, chamadas Nai e Mea (aparentemente, um trocadilho com a palavra nightmare, "pesadelo" em inglês). Outro vilão de destaque é a múmia Memmi, outrora Raigel, o Tenkkuseijya da areia, que foi privado de seus poderes e transformado em múmia como punição por trair Magitopia. Os monstros da semana são os demais habitantes de Infershia, sempre baseados em monstros de fantasia, como troll, mantícora, hidra, golem, cocatriz e outros. Alguns são de tamanho humano, outros são gigantes, e são raros os que crescem após serem derrotados, como é usual nos Sentai.

Existe ainda um vilão recorrente, que dá muita dor de cabeça: Wolzard, um magitopiano renegado, que se uniu a Infershia e se tornou o maior rival de Magi Mother. Wolzard possui uma espada e escudo encantados, pode se transformar em Majin (embora continue com a mesma aparência), e possui um cavalo de batalha gigante, Barikion, com o qual pode se combinar quando está na forma de Majin para formar o centauro Wolcentaurus ou o robô gigante Wolkaizer. No episódio 2, Wolcentaurus aparentemente mata Magi Mother, o que aumentou a rivalidade entre Wolzard e os Magi Rangers. Inexplicavelmente, no episódio 9 Magi Phoenix consegue se combinar com Barikion, formando o robô Firekaiser, embora esta tenha sido a única ocasião onde um Magi Ranger tenha agido em conjunto com um aliado dos vilões, o que já deixa uma pista de que Wolzard pode não ser tão vilão assim. De fato, Wolzard é, na verdade, ninguém menos que Isamu, o pai dos Magi Rangers, também conhecido como Blagel. No episódio 45, Isamu recupera sua memória, se transforma em Wolzard Fire, e passa para o lado do bem, se unindo aos Magi Rangers.

Magi Ranger teve 49 episódios, mais dois filmes - sendo que um deles é um crossover com Deka Ranger - e um episódio especial lançado diretamente em DVD. A Disney comprou os direitos da série para produzir seu Power Rangers Força Mística.

Série Sentai

Aba Ranger
Deka Ranger
Magi Ranger

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domingo, 4 de setembro de 2005

Escrito por em 4.9.05 com 0 comentários

Zhang Ziyi

Desde criança, eu sempre fui fascinado pelo Japão. Para a China, por outro lado, eu nunca dei muita bola. No máximo, assiti a um ou outro filme de wuxia que passava na Bandeirantes, a quase todos os do Jackie Chan e a todos os do Bruce Lee, a quem passei a admirar depois de assitir a Dragão, sua biografia em forma de filme. De uns seis meses para cá, passei a me interessar mais pela cultura chinesa, o que me levou à descoberta de filmes, mitos e histórias bastante interessantes. Nada ainda capaz de rivalizar meu interesse pelo Japão, mas confesso que já não sou mais indiferente à Terra dos Mandarins. Se há uma responsável por essa mudança, é uma jovem atriz, de nome Zhang Ziyi.

O primeiro filme no qual eu vi Ziyi deve ter sido o mesmo no qual todo não-chinês também a viu pela primeira vez, O Tigre e o Dragão, que eu fui assistir no cinema pura e simplesmente por ser um filme de wuxia, e como eu nunca havia visto wuxia no cinema, me entusiasmei. Aliás, como eu já usei essa palavra três vezes, cabe explicar o que ela representa: um filme de wuxia é aquele estilo de filme de artes marciais chinês, no qual os personagens rasgam as leis da física e jogam pela janela, dando saltos maiores que casas, correndo pelas paredes ou lutando empoleirados nas copas das árvores. Para quem não faz questão de um filme realístico, é tudo muito divertido.

Enfim, Ziyi estava em O Tigre e o Dragão, mas o máximo que eu achei dela foi que era muito bonita. A história foi diferente, porém, com o segundo filme dela que eu vi, O Clã das Adagas Voadoras. No papel de uma artista marcial e dançarina cega, Ziyi dá um show de interpretação. Se você acha que boa interpretação não combina com artes marciais, preste atenção na moça. De vez em quando parece que ela é cega de verdade. Tamanho talento, mais o fato de ser a chinesa mais bonita que eu já vi na vida, me transformaram naquele momento em um fã de Ziyi. Por tabela, ler sobre sua vida, suas entrevistas, e ver seus outros filmes acabaram por aguçar minha curiosidade quanto à China como um todo. É a prova de que celebridades internacionais ajudam a divulgar seu país.

Zhang Ziyi (se pronuncia jâng zií; além disso, em chinês, assim como em japonês, o sobrenome vem primeiro, portanto, o nome dela é Ziyi, e o sobrenome é Zhang) nasceu em 9 de fevereiro de 1979 em um bairro para a classe operária de Pequim, onde vive até hoje com seus pais, um economista e uma professora de jardim da infância aposentada. Ela tem ainda um irmão mais velho, algo raríssimo na China, onde 99% dos casais só têm uma criança. Desde cedo, Ziyi demonstrou interesse pela dança, o que levou seus pais a matricularem-na na Academia de Dança de Pequim quando tinha 11 anos. Se especializando em danças folclóricas, sua carreira como dançarina foi bastante bem-sucedida, chegando a lhe render vários prêmios, inclusive o prêmio máximo na Quarta Competição Anual Nacional para Jovens Dançarinos, de 1994. Ainda assim, Ziyi sentia que sua carreira poderia ser breve, e aos 17 anos decidiu fazer um teste vocacional promovido pelo governo. O resultado dizia que ela tinha talento para a carreira de atriz.

Animada, Ziyi decidiu tentar uma vaga na concorridíssima Academia Central de Artes Dramáticas da China e, para espanto de sua família, foi aceita de primeira. Quando estava apenas em seu segundo ano na Academia, Ziyi foi selecionada para um teste - não para um filme, ainda, mas para um comercial de xampu. O diretor deste comercial, porém, era ninguém menos que Zhang Yimou, um dos mais premiados diretores da história da China (e de quem Ziyi não é parente, apesar do mesmo sobrenome). Yimou utilizava esta "técnica", de aceitar dirigir comerciais, para descobrir talentos para seus próximos filmes. Ziyi não foi selecionada desta vez, mas sua beleza impressionou o diretor, que guardou seu nome.

Seis meses depois, quando Yimou precisava de uma atriz para mais um filme, ele imediatamente se lembrou de Ziyi, que foi chamada e fez um teste, que lhe rendeu nada menos que o papel de protagonista em The Road Home, de 1999, sua estréia no cinema. No papel de uma estudante adolescente da zona rural apaixonada por seu professor, Ziyi foi aclamada pela crítica, que, apesar disso e maldosamente, colocou nela o apelido de "pequena Gong Li". Explica-se: Gong Li é uma atriz chinesa, talvez a mais famosa antes de Ziyi aparecer, protagonista de Lanternas Vermelhas, o mais aclamado filme de Yimou. Apesar de muito talentosa, Li teve um relacionamento amoroso com o então casado Yimou, o que lhe rendeu papéis em praticamente todos os filmes do diretor, e a desconfiança de que sua carreira só existia por causa desse affair. O romance acabou em 1995, mas Li ficou marcada para sempre.

Assim, quando a lindíssima porém desconhecida Ziyi apareceu como protagonista de The Road Home, enquanto a outrora preferida Li era apenas coadjuvante, imediatamente surgiram rumores de que ela seria a nova namorada de Yimou, e conseqüentemente protagonista de seus próximos filmes. Tanto Ziyi quanto Yimou (que tem praticamente o dobro de sua idade) negaram qualquer relacionamento extraprofissional, mas mesmo assim, para não prejudicar a carreira da moça, Yimou decidiu não chamá-la para seu filme seguinte. Ziyi, por sua vez, retormou à Academia. Afinal, ela ainda nem havia concluído o curso.

Um ano após seu retorno, porém, Ziyi recebeu um novo convite, desta vez de outro premiado diretor, Ang Lee, para seu novo filme O Tigre e o Dragão, de 2000. A princípio, Lee havia pensado na atriz e modelo taiwanesa Hsu Chi para o papel da aristocrata Jen, mas após ver o desempenho de Ziyi em The Road Home maravilhou-se, e decidiu que o papel tinha que ser dela. Depois das filmagens, Lee ainda declarou que a atuação de Ziyi havia superado até mesmo suas expectativas. O Tigre e o Dragão se tornou o filme chinês mais bem-sucedido da história, e o filme estrangeiro de maior bilheteria nos EUA, rendendo a Ziyi o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante da Associação de Críticos de Cinema de Toronto, e um Mtv Movie Award de Melhor Cena de Luta.

Com a carreira definitivamente alavancada, Ziyi se viu obrigada a abandonar a Academia de vez no ano seguinte, quando recebeu um convite do diretor Brett Hatner para fazer um filme em Hollywood, no caso, A Hora do Rush 2, de 2001, continuação de um grande sucesso de Jackie Chan e Chris Tucker. Coincidentemente, aliás, o primeiro A Hora do Rush havia sido o primeiro filme em Hollywood de Jackie Chan, outro grande ídolo da China. Ziyi ganhou o papel de uma vilã mesmo sem falar uma única palavra de inglês; no filme ela só fala em chinês, e Jackie Chan teve de servir como intérprete, para que ela compreendesse as instruções do diretor.

Retornando à China, e com uma provável carreira internacional por vir, Ziyi passou a se dedicar a aulas de inglês, enquanto fazia seus próximos filmes, ambos de 2001: The Legend of Zu, do diretor Hark Tsui, e Musa (previsto para estrear aqui em breve com o título A Princesa do Deserto), de Sung-su Kim, onde mais uma vez Ziyi tem um papel-chave. Com as críticas maldosas da imprensa afastadas de vez, Ziyi foi convidada para mais um filme de Yimou, Herói, desta vez em um papel secundário, mas que a levou mais uma vez para os cinemas internacionais.

Ziyi seria mais uma vez protagonista em Purple Butterfly, dirigido por Lou Ye, e teria um pequeno papel em Jopog Manura 2: Dolaon Jeonseol, de Heung-sun Jeong, ambos de 2003, antes de chegar a O Clã das Adagas Voadoras, mais recente filme de Zhang Yimou, de 2004, onde faz a protagonista e ainda canta a música principal, talvez na melhor atuação de sua carreira. Depois do Clã, Ziyi voltaria a dividir a tela com Gong Li - mas desta vez ao inverso, com Li como protagonista e Ziyi como coadjuvante - em 2046, filme de 2004 dirigido por outro dos maiores diretores chineses da atualidade, Wong Kar Wai, e aclamado internacionalmente. Ainda em 2004, Ziyi seria mais uma vez protagonista em Jasmine Flower (também previsto para estrear aqui em breve, com o título Perfume de Jasmin), filme de Yong Hou no qual ela interpreta não uma, mas três mulheres, mãe, filha e neta, conforme o filme conta a saga de três gerações de uma mesma família.

A esta altura já considerada uma das melhores atrizes chinesas de todos os tempos (algo impressionante para alguém de apenas 25 anos), Ziyi foi convidada para mais filmes internacionais em 2005. O primeiro, Princess Raccoon, era um musical japonês dirigido por Seijun Suzuki. A impressionante Ziyi não apenas era a protagonista, como também cantava em japonês. Atualmente, Ziyi está rodando seu segundo filme hollywoodiano, Memórias de uma Gueixa (que deve estrear aqui no ano que vem), de Rob Marshall, desta vez como protagonista, e no qual mais uma vez ela faz o papel de uma japonesa, mas tendo que falar em inglês com sotaque japonês - algo que deve ser meio ingrato para uma chinesa. Seu próximo filme rodado na China, Ye Yan, de Xiaogang Feng, já está em pré-produção, e deve ser lançado em 2006. Neste, porém, Ziyi faz um papel pequeno.

Um fato curioso sobre Ziyi é que ela jamais aprendeu artes marciais. Apesar da maioria de seus papéis ser centrado em lutas, todas são coreografadas, e o motivo pelo qual ela consegue "fingir lutar" tão bem é seu treinamento como dançarina - muitas vezes ela insere passos de dança no meio das coreografias, o que só torna as lutas mais bonitas.

Além de sua extremamente bem-sucedida carreira cinematográfica, Ziyi é a garota-propaganda oficial para o extremo oriente e sudeste asiático dos cosméticos Maybelline, do xampu Pantene, da Coca-Cola e dos relógios Tag Heuer. Este ano ela esteve na festa do Oscar, apresentando o prêmio de Melhores Efeitos Visuais ao lado de Jake Gyllenhaal. Apesar de tanto sucesso, Ziyi continua sendo uma pessoa simples, morando no mesmo bairro, tendo seu irmão como empresário, e se mantendo com os pés no chão em relação à sua carreira internacional - afinal, não é todo dia que surgem bons papéis para asiáticos em Hollywood.
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