domingo, 27 de março de 2005

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Sentai (IV)

Hoje teremos mais um post sobre os Sentai, começando por um conhecido do público brasileiro. Ou pelo menos de parte dele.

Dai Sentai Goggle V
1982



Quem está na faixa dos vinte e tantos anos deve se lembrar do Grande Esquadrão Goggle V. O nome Goggle, em inglês, é utilizado para designar qualquer tipo de óculos de proteção, como os de mergulho, aqueles usados por quem faz trabalho de solda etc. No caso, é uma referência aos visores do capacete dos Goggle Five. E o V, cinco em romanos - pronunciado five, cinco em inglês - porque eles são cinco, evidentemente.

A história começa na Alemanha, onde o Dr. Hongo, fundador do Laboratório de Ciências do Futuro, localizado em um prédio de quarenta andares escondido debaixo de um campo de beisebol, descobre que a organização criminosa Deathdark retomou suas atividades, e decide impedi-los. Atacado pela Deathdark, ele consegue retornar ao Japão, onde utiliza o Computador do Laboratório para selecionar cinco jovens e equipá-los com as já tradicionais armas e armaduras que conferem poderes sobre-humanos. Juntos, os cinco jovens formam o Esquadrão Goggle V!

Selecionados de uma lista de mais de mil possibilidade, Googgle Red, Goggle Black, Goggle Blue, Goggle Yellow e Goggle Pink (a única mulher) possuem cada um uma arma personalizada - que, na verdade, são os aparelhos da ginástica rítmica (corda, maças, aro, bola e fita, respectivamente), além de várias técnicas especiais de ataque e um Goggle Sabre, uma arma multiuso. Os Goggle V foram o primeiro sentai a poder unir suas técnicas de ataque, criando uma nova técnica mais poderosa: para destruir os Monstros da Semana, eles uniam seus Goggle Sabres para criar o poderoso ataque Goggle Victory. Do meio da série em diante, quando os monstros se tornaram mais poderosos, eles passaram a utilizar a Goggle Golden Spear.

Os Goggle V contam com a ajuda do Dr. Hongo; de suas assistentes Sayuri e Midori; dos Comboys, cinco crianças - quatro meninos e uma menina - treinados para o uso mais eficiente possível do Computador; e de outras duas mil pessoas que trabalham no Laboratório. Como veículos, eles têm uma motocicleta e um jipe, além do Goggle Jet (jato, pilotado por Red), Goggle Tank (tanque, pilotado por Blue) e Goggle Dump (caminhão, pilotado por Yellow), que unidos formam o Gogglerobo.

Os vilões da vez são a organização criminosa Deathdark, que existe desde a descoberta do ferro (?) e tem como objetivo mergulhar o mundo no caos. O comandante da Deathdark é o Fuhrer Taboo, um olho gigante resultado da mais moderna engenharia genética existente. Taboo é auxiliado pelos cientistas Dra. Sazoria e Dr. Igaana, pela espiã Mazurka e pelo General Deathkiller, o comandante das tropas. No episódio 15, cansado da incompetência de seus subordinados, o Fuhrer Taboo ressucita o Marechal Deathmark, que se veste como um faraó e traz consigo duas guarda-costas, Bella e Beth, que possuem uma forma monstruosa e outra humana.

Os Monstros da Semana são chamados Mozoos, e são resultado da combinação de genes de animais da Terra e átomos metálicos. Os monstros gigantes, nesta série, tinham um conceito interessante: no início, após a morte do Mozoo, a Dra. Sazoria e o Dr. Igaana competiam para ver quem tinha construído o melhor robô gigante, e este robô é que lutava contra o Gogglerobo. A partir do capítulo 5, os robôs gigantes passaram a ser cópias idênticas do Mozoo, pilotados pelo próprio Mozoo, que recebia uma "energia extra" depois de morto.

Goggle V teve 50 episódios e um filme para o cinema. Os 50 episódios foram exibidos no Brasil pela Rede Bandeirantes, com o nome de Gigantes Guerreiros Goggle V, no início da década de 90.

Kagaku Sentai Dynaman
1983



Com 51 episódios, o Esquadrão Científico Dynaman (pronuncia-se "dainaman", pois este "Dyna" vem de dinamite, que em inglês é "dynamite", pronunciado "dainamaite") foi o primeiro Sentai a usar as roupas brilhantes "metálicas" (os anteriores tinham uniformes foscos), o primeiro a ter episódios de 20 minutos (até então, os episódios eram de 25 minutos), e também o primeiro a ter um personagem que não era herói nem vilão e incomodava os dois lados, Darkknight (que não tinha um uniforme igual ao dos Dynamen, essa idéia só viria em Sentai mais recentes). Curiosamente, a ideia original era fazer um Sentai cujo tema fosse o beisebol, por isso os uniformes são mais coladinhos e os capacetes têm uma espécie de viseira.

Tudo começa quando o Império Jashinka, uma raça subterrânea de répteis cuja hierarquia é determinada pelo número de rabos, invade a Terra. Cinco jovens estão presentes quando um dos monstros dos Jashinka está sequestrando pessoas, e ajudam a salvá-las, enfrentando o mostro. Impressionado com sua coragem e habilidade, o cientista Dr. Yumeno os recruta para receber armas e armaduras apropriadas para combater esta ameaça, tornando-se os Dynamen!

Dyna Red, Dyna Black, Dyna Blue, Dyna Yellow e Dyna Pink (a única mulher, como de praxe) receberam cada um uma Dyna Roupa, uma Dyna Arma (espadas duplas, bumerangues, frisbees, maças e florete, respectivamente) e um Dynarod, um bastão de múltiplos usos. Cada Dynarod dispara um tipo de raio personalizado (fogo, energia cósmica, água, eletricidade e música, respectivamente), e todos unidos disparam o Super Dynamite, utilizado para destruir os monstros. Os Dynamen ainda têm seu Dynarobo, formado pelos veículos Dyna Mach (nave pilotada por Red), Dyna Mobile (uma espécie de tanque que voa, pilotado por Black e Blue) e Dyna Garry (caminhão pilotado por Yellow e Pink).

O Império Jashinka é comandado pelo Imperador Aton, que tem nove rabos, e cujo maior sonho é conseguir o décimo. Abaixo dele vêm os Generais Kar e Zenobia (sete rabos cada), a Princesa Chimera (quatro rabos) e o Príncipe Megiddo (que tinha cinco rabos, mas Dyna Red cortou um). Os Monstros da Semana são os Evilutions, criados a partir de um "caldo primordial" evoluído à força em uma máquina. Do meio da série em diante, os Jashinka passam a utilizar monstros ciborgues, os Mechavolutions. Tanto os Evilutions quanto os Mechavolutions ficam gigantes imediatamente após serem destruídos, em um processo conhecido como Big Bang.

Dynaman foi exibido nos EUA em 1987 pelo canal à cabo USA (aquele que hoje se chama Universal), mas apenas os 6 primeiros episódios foram ao ar, e dublados em forma de paródia, com muito mais humor que o necessário - Dyna Mach, por exemplo, na dublagem se chama Dyna Head, já que forma a cabeça do Dynarobo.

Chodenshi Bioman
1984



Os Supereletrônicos Bioman (pronunciado "baioman") foram o primeiro Sentai a quebrar um tabu: eram duas mulheres ao invés de uma. Também foi o primeiro a trazer as famosas legendas com os nomes dos personagens quando eles aparecem pela primeira vez. Além disso, apostaram em uma fórmula que aparentemente não deu certo, pois jamais foi repetida em outro Sentai: os Monstros da Semana já eram gigantes desde o início, ou seja, não eram de tamanho humano e ficavam gigantes depois de mortos. Eram gigantes e pronto. Bioman teve 51 episódios e um filme para o cinema.

Há 500 anos, o Biorobo e seu ajudante Peebo vieram da Estrela Bio (por algum motivo, japoneses acham que Estrelas são habitadas...), que havia sido destruída. Prevendo que um dia sua ajuda fosse necessária, o Biorobo escolheu cinco humanos e lhes conferiu o poder das Biopartículas. Na época atual, o cientista Dr. Kageyama decide tentar dominar o mundo, transformando todos os seus habitantes em ciborgues (um tema recorrente, ao que parece). Para dar o exemplo, ele transforma a si mesmo em ciborgue, se autodenominando Doctor Man. Com a ameaça de Doctor Man pairando no ar, o Biorobo desperta, e através de Peebo contacta cinco jovens descendentes dos humanos afetados pelas Biopartículas, dando a eles armas e armaduras de última geração, e transformando-os nos Biomen!

Cada Bioman possui uma Bioarmadura e uma Bioespada, que tem três formas, espada, espada curta e pistola. As cinco Bioespadas unidas formam o ataque Super Electron. Cada Bioespada emana uma energia diferente, relacionada a seu portador. Os cinco Biomen são Red One (cuja espada emana fogo), Green Two (vento), Blue Three (eletricidade), Yellow Four (mulher, sua espada emana luz) e Pink Five (mulher, laser). No décimo episódio, Yellow Four é morta pelo Raio Bioassassino, uma arma que destrói qualquer coisa relacionada a biopartículas. Uma nova Yellow Four a substitui a partir do capítulo 11. O líder dos Biomen é o Biorobo, que pode se dividir em dois jatos, Biojet 1 (pilotado por Red e Pink) e Biojet 2 (pilotado pelos outros três). Aliás, o Biorobo foi o primeiro robô gigante de Sentai com personalidade própria.

Os vilões são o Império Gear, comandado por Doctor Man, auxiliado por três generais conhecidos como Big Three, o inteligente Mason, a ágil Farrah e o superforte Monster; e pela protegida de Farrah, a veloz Farrah Cat. Todos os integrantes do Império Gear são andróides ou ciborgues, inclusive os monstros. Existem cinco monstros de tamanho humano recorrentes, chamados Cyber Bios, que enfrentam os Biomen em vários capítulos. Quando um deles é derrotado e foge, o Império Gear envia um dos monstros gigantes, chamados Mecha Gigan, para enfrentar o Biorobo. Mas o melhor vilão de Bioman é Silva (sim, Silva!) o Biocaçador, especializado em caçar e destruir qualquer coisa que venha da Estrela Bio. Silva não é ligado ao Império Gear, possui seu próprio robô gigante, Balzion, e só é derrotado no último capítulo, em uma luta entre Balzion e o Biorobo.

Série Sentai

Goggle V
Dynaman
Bioman

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domingo, 20 de março de 2005

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Cate Blanchett

Não sou muito ligado em atores. Tipo, nunca fui de ir ao cinema porque tal filme tem tal ator. É claro que eu tenho meus atores preferidos, e também aqueles cujos toda a filmografia já foi por mim assistida, mas costumo programar minhas idas ao cinema pelo enredo, não pelo elenco. Alguns filmes eu prefiro ver em casa.

Ainda assim, como eu acabei de dizer, tenho meus atores preferidos. Alguns por motivos inexplicáveis, outros por estarem presentes em vários filmes que assisti, outros porque são talentosos mesmo. Dentre eles, há uma mulher que supera todas as minhas expectativas, que é um grande incentivo para que eu assista um filme, não só por sua beleza, mas pelo incrível talento. Cate Blanchett.

Não sou daquelas pessoas que rejeitam um filme por causa de uma interpretação ruim, ou que ficam xingando os velhinhos da Academia porque tal ator ganhou o Oscar e outro não. Mas Cate Blanchett tem alguma coisa que me faz diferenciá-la das minhas outras atrizes preferidas. Não sei bem o que é, mas eu definitivamente adoro todos os personagens que ela faz. Quer dizer, menos quando Galadriel falou com voz grossa e ficou azul, mas isso é mais um problema de roteiro do que de interpretação.



Nascida Catherine Elise Blanchett em 14 de maio de 1969, em Melbourne, Austrália, Cate começou a interpretar desde o colégio, quando fazia parte de um grupo de artes dramáticas. Ao terminar a faculdade, ela decidiu viajar pelo mundo, conhecer diferentes países e aperfeiçoar sua interpretação. Quando ela estava na Inglaterra, porém, seu visto venceu, e, sem querer retornar para a Austrália, ela decidiu ir para o Egito. Para conseguir um dinheiro extra, ela decidiu entrar como figurante em um filme árabe sobre boxe. Esta foi a primeira vez em que ela pisou em um set de filmagem, e esta experiência foi determinante para seu futuro profissional.

Ao retornar para a Austrália, ela decidiu se matricular no prestigiado National Institute of Dramatic Arts de Sydney, onde se formou em 1992. Seu primeiro papel no teatro após formada foi o de Carol, na peça Oleanna, montada pela Companhia de Teatro de Sydney, dirigida por David Mamett, e estrelada por Geoffrey Rush. Ineditamente, este primeiro papel lhe rendeu o Rosemont Award de melhor atriz, um dos principais prêmios do teatro australiano.

Cate ainda trabalhou em várias peças, como Sweet Phoebe e The Tempest, da Companhia de Teatro de Sydney; e Hamlet e The Blind Giant is Dancing, da Companhia de Teatro de Rua de Belvoir. Sua interpretação de Ophelia em Hamlet lhe rendeu outra indicação ao Rosemont, que ela infelizmente não venceu. Após fazer teatro, Cate rumou para a TV, onde atuou nas séries Heartland, Bordertown, G.P. e Police Rescue, todas da Australian Broadcasting Company (ABC).

Sua estréia no cinema foi no filme Paradise Road, de 1997, do diretor Bruce Beresford, no papel de uma enfermeira australiana capturada pelos japoneses na Segunda Guerra. Ainda em 1997, ela fez o papel principal de Thank God He Met Lizzie, de Cherie Nowlan. Esta interpretação lhe rendeu o prêmio de melhor atriz do Australian Film Institute, e um convite para o papel principal do criticamente aclamado Oscar and Lucinda, do famoso diretor australiano Gillian Armstrong. Sua interpretação de Lucinda Leplastrier só recebeu elogios de todos os críticos.

Ainda em 1997, Cate se casou com o roteirista Andrew Upton, que havia conhecido no ano anterior. Logo depois, ela começou as filmagens de Elizabeth, o filme que a projetou mundialmente, lançado em 1998. Dirigida por Shekhar Khapur, Cate fazia o papel da Rainha Elizabeth I, um papel dificílimo, de uma mulher que começava inocente e doce, e aos poucos se tornava uma governante dura e fria. Sua interpretação magistral lhe rendeu críticas altamentes favoráveis, e transformou o filme em um sucesso de público. Elizabeth rendeu a Cate um Globo de Ouro de melhor atriz em um papel dramático, e indicações aos prêmios de melhor atriz da Broadcast Film Critics Association, da Chicago Film Critics Association, do London Critics Circle, do Golden Satellite Awards, da Toronto Film Critics Association, e da Online Film Critics Society. Ela ainda recebeu indicações para o Screen Actors Guild Best Actress Award, e para o Oscar de melhor atriz.

Com a carreira alavancada pelo sucesso de Elizabeth, em 1999 Cate trabalhou em O Talentoso Ripley, e nas comédias Um Marido Ideal e Alto Controle. Neste último, Cate era apenas coadjuvante, mas sua interpretação roubou a cena, e lhe rendeu elogios de toda a crítica especializada. No início de 2000, ela retornou ao teatro, para uma apresentação especial beneficente de Os Monólogos da Vagina, junto com Kate Winslett, Julianne Moore, Melanie Griffith e Gillian Anderson.

2000, aliás, foi mais um ano brilhante para Cate, que atuou em O Dom da Premonição. No papel de uma médium que tem uma visão do responsável por um assassinato, Cate foi mais uma vez aclamada pelo público e pela crítica. Em 2001 ela continuou em alta com Vida Bandida, onde contracenava com Bruce Willis e Billy Bob Thornton, no papel de uma dona-de-casa entediada que foge com dois assaltantes de banco. Para mim, este é o melhor filme dela.

Quando do início das filmagens de O Senhor dos Anéis, Cate foi convidada pelo diretor Peter Jackson para o papel de Galadriel, a Rainha dos Elfos. Era um papel pequeno, mas uma nova experiência para a atriz, que nunca havia filmado em Chroma Key (aquela tela azul onde depois são inseridos personagens e cenários de computador). Galadriel aparece em pequenas participações nos três filmes, A Sociedade do Anel, de 2001, onde, inclusive, narra o prólogo; As Duas Torres, de 2002; e O Retorno do Rei, de 2003.

Em 2001 e 2003, Cate também fez o papel de duas mulheres fortes da História: Charlotte Grey, uma escocesa que se alistou na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra para salvar seu namorado, que era piloto da RAF; e Veronica Guerin, uma jornalista irlandesa que escreveu uma série de reportagens sobre traficantes de drogas, e acabou morta por eles. Como de costume, dois papéis difíceis, duas excelentes interpretações.

Atualmente, Cate pode ser vista no cinema em O Aviador, novo filme de Martin Scorcese, onde faz o papel de Katherine Hepburn, uma das mais famosas atrizes de Hollywood, papel este que lhe rendeu um merecidíssimo Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Ainda não vi o filme, mas tenho certeza de que ela está ótima.
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domingo, 13 de março de 2005

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Sentai (III)

Hoje daremos seqüência ao post dos Sentai, com mais séries! em 1978 não teve Sentai, talvez pelo fracasso de JAKQ. Mas em 1979 eles voltaram com força total, inaugurando o que seria conhecido como Super Sentai, e criando a fórmula que seria usada até hoje, com algumas poucas modificações a cada nova série.

Battle Fever J
1979



Embora seja a série cujos heróis têm menos cara de Sentai dentre todas (parecem mais uns bonecões gigantes), a Febre de Batalha J (provavelmente este J é de "Japan") é considerada a primeira série de Super Sentai da História. Apesar de terem monstros e heróis com poderes sobre-humanos, Go Ranger era mais no estilo espionagem, e JAKQ no estilo policial. O estilo criado por Battle Fever J seria utilizado em todas as séries de Sentai dali por diante, com algumas poucas modificações. Battle Fever J teve 52 episódios, ficando no ar todo o ano de 1979, e inaugurando a tradição dos "Sentai anuais", uma série por ano desde então.

O que poucos sabem é que esta seria uma parceria da Toei com a Marvel, para produzir uma série chamada "Capitão Japão", uma espécie de versão japonesa do Capitão América. Capitão Japão seria auxiliado por uma americana, Miss America, e por vários outros super-heróis de outras partes do planeta. Durante a produção, porém, a Toei decidiu que seria melhor uma série "de grupo" do que uma de um herói só.

A organização criminosa Egos começa seu plano de dominação do mundo, assassinando membros importantes do Ministério da Defesa. Para detê-la, o Governo japonês reúne quatro jovens que haviam sido enviados para treinar em diversas partes do mundo, e dá a eles armas e armaduras que lhes conferem poderes sobre-humanos (como sempre). Os quatro então se unem a uma agente do FBI, cujo pai havia sido assassinado pela Egos, e se tornam a equipe Battle Fever!

Comandados pelo general Kurama do Ministério da Defesa, a equipe Battle Fever é composta por Battle Japan (vermelho), Battle France (azul), Battle Cossack (laranja), Battle Kenya (preto) e Miss America (rosa, e a única mulher). Cada um possui uma armadura e uma arma personalizadas (lança, espada, bumerangue etc.) e um Bastão do Poder. Os cinco Bastões do Poder unidos formam a bazuca Penta Force, usada para destruir os monstros. No capítulo 24, Miss America é ferida seriamente, e retorna para os EUA, sendo substituída por uma japonesa. No capítulo 33, Battle Cossack morre em batalha com um monstro, e também é substituído.

A organização Egos era comandada por um ser misterioso, Satan Egos, que, como sempre, não sujava as mãos, deixando o trabalho sujo para seus subalternos Comandante Hedder e Salomé (pois é, Salomé...). Na verdade, a Egos era mais como um culto religioso, onde Satan Egos era o deus, e o Comandante Hedder seu sumo-sacerdote. A Egos ainda contava com uma máquina de criar monstros, com a qual faziam as criaturas que eram enviadas para combater a Battle Fever.

Battle fever J foi o primeiro Sentai com um robô gigante, o Battle Fever Robo, que ficava "guardado" dentro da Battle Shark, uma fortaleza voadora. Como este foi o primeiro robô, ele era "inteiro", e não se transformava em nada (ou seja, desde a hora em que era conclamado a entrar na batalha, já era um robô). Uma coisa interessante é que não haviam "monstros gigantes": assim que o Monstro da Semana era destruído, a Egos enviava um robô que era uma cópia perfeita do monstro para enfrentar o Battle Fever Robo. Vai entender...

Denshi Sentai Denjiman
1980



O Esquadrão Eletrônico de Homens Eletromagnéticos foi o primeiro Sentai com cara de Sentai, ou seja, todos com uniformes semelhantes, mas de cores diferentes, e com aquele visor escuro no meio do capacete. Também foi o primeiro cujos personagens foram criados pela Bandai, visando lançar muito merchandising para aproveitar o provável sucesso da série. Teve 51 episódios e um filme para o cinema.

Um fato curioso é que, como todos devem ter reparado, o correto seria Denjimen, e não Denjiman, já que eles eram mais de um. Na verdade, existe uma explicação lógica para isso: Sentai (esquadrão) é uma palavra no singular, e as regras gramaticais japonesas dizem que o nome do esquadrão também deve ficar no singular. A confusão acontece porque a Toei decidiu utilizar palavras estrangeiras nos nomes de seus esquadrões (como "Man" e "Ranger"), e acabou aplicando nelas as regras gramaticais japonesas.

Bem, voltando ao que interessa, a história é a seguinte: Há 3000 anos, o Clã Vader invadiu e destruiu a Estrela Denji. Durante a destruição, parte de Denji foi lançada no espaço, e vagou até cair na Terra, formando a Ilha Denji. Nos dias atuais, o Clã Vader se aproxima da Terra, para destruí-la como fez com Denji. Sentindo sua aproximação, o Denjicomputador, que estava escondido na Ilha Denji, acorda o ciborgue IC, o Denjicão (sim, é um cachorro que fala) e o incumbe de uma missão: encontrar cinco jovens descendentes dos habitantes de Denji (que chegaram à terra junto com a Ilha Denji) e equipá-los com tecnologia de Denji, para que eles possam destruir o Clã Vader e acabar com sua ameaça de uma vez por todas!

Ao receber a tecnologia de Denji (as famosas armas e armaduras que lhes conferem poderes sobre-humanos), os cinco jovens se transformam nos Denjiman: Denji Red, Denji Blue, Denji Yellow, Denji Green e Denji Pink (como sempre, a única mulher). Cada Denjiman possui um Ataque Especial, e está armado com um Denjistick, uma arma de múltiplos usos. Os cinco Denjisticks combinados formam o Denjiboomerang, utilizado para destruir os monstros.

Os Denjiman ainda contavam com vários veículos, como motos, jipes, barcos (?), e o primeiro robô-transformer da história dos Sentai: a nave Denjifighter, que em caso de necessidade (leia-se monstro gigante) podia se transformar no Daidenjin ("Homem Elétrico Gigante").

O Clã Vader era composto de alienígenas com conceitos distorcidos de beleza. Sua "missão" era poluir e corromper todos os planetas do universo, até que eles se enquadrassem nestes conceitos. A comandante do Clã era a Rainha Hedrian, auxiliada pelo General Hedrer e pelas espiãs Mirror e Keller, que têm a habilidade de se transformar em um espelho e um escudo, respectivamente. No capítulo 37, um vilão espacial conhecido como Banriki Maoh (o "rei demônio onipotente") oferece ajuda a Hedrian, mas, na verdade, seu objetivo era dominar a Terra para si mesmo. Os monstros do Clã Vader chocam de ovos, e podem ficar gigantes ao seu bel prazer, normalmente o fazendo depois de serem mortos pelo Denjiboomerang.

Taiyo Sentai Sun Vulcan
1981



O Esquadrão Solar Sun Vulcan (alguém aí consegue traduzir Sun Vulcan?) é o único Sentai até hoje a ter apenas três membros - e nenhuma mulher. Sua história começa quando o Império Black Magma, formado por ciborgues, decide atacar a Terra para povoá-la com homens-máquina. A organização militar EPDS (Earth Peace Defense Squad, "Esquadrão para a Defesa da Paz Terrestre") decide selecionar entre o exército, marinha e aeronáutica do Japão três jovens, e equipá-los com armas e armaduras da mais alta tecnologia para que eles possam enfrentar os ciborgues de Black Magma.

Assim, os três jovens escolhidos, um de cada Força Armada, que passam a poder se transformar em Vuleagle (vermelho), Vulshark (azul) e Vulpanther (amarelo), se tornam o Esquadrão Sun Vulcan, comandado pelo Comandante Daizaborou Arashiyama, um especialista em robótica, e auxiliado por sua filha, Misa, que atua como secretária e quarta integrante não-oficial do grupo, e é dona de um cachorro falante, Shishi. Ineditamente, no episódio 23, o Vuleagle original abandonou a equipe para trabalhar na NASA, e teve de ser substituído, fazendo com que Sun Vulcan seja o único Sentai que trocou de líder durante a série. Cada integrante do Sun Vulcan contava com ataques especiais e armas meio ridículas, como bolas coloridas que chutavam nos monstros para destruí-los.

Os Sun Vulcan ainda tinham um jipe, motos, uma fortaleza voadora (a Jaguarvulcan), e o primeiro robô formado por mais de um pedaço combinado, algo que seria usado em todos os Sentai dali para a frente: Vuleagle possuía um jato, Cosmovulcan, e Vulshark e Vulpanther guiavam um tanque, Bullvulcan; Cosmovulcan e Bullvulcan (que pouco mais era que as pernas do robô com rodas) se combinavam e transformavam para formar o Sunvulcanrobo.

O Império Black Magma era baseado em um castelo em forma de mão na Antártida, e, teoricamente, era comandado por Fuhrer Hellsaturn, um ciborgue meio parecido com Darth Vader. Além dos Machinemen, os soldados que tomavam porrada dos Sun Vulcan a cada episódio, o Império era composto por andróides que se passavam por humanos para alcançar seus objetivos malignos - um deles chegou até a se infiltrar no Sul Vulcan, posando de secretária do Comandante Arashiyama - e de quatro garotas ciborgues conhecidas como Zero Girls - 01, de roupa vermelha e armada com facas de arremesso; 02, de roupa preta e armada com cartas de baralho que arremessava; 03, de roupa verde e armada com duas espadas; e 04, de roupa roxa e armada com dois io-iôs - além, é claro, dos monstros, robôs produzidos por uma máquina, que contavam com um dispositivo que os transformava automaticamente em gigantes imediatamente após eles serem destruídos pelo ataque final dos Sun Vulcan.

No episódio 5, foi revelado o verdadeiro líder do Império Black Magma, Zennou no Kami, o Deus Solar Negro, uma entidade extradimensional de incríveis poderes. Zennou no Kami ressucitou e transformou em ciborgue a Rainha Hedrian, de Denjiman (até hoje a única vilã a participar de dois Sentai diferentes) a chantageando para que ela o servisse. No episódio 22, Zero Girl 01 morreu em um desabamento, e no episódio seguinte foi substituída por Amazon Killer, uma antiga integrante do Clã Vader, leal apenas à Rainha Hedrian. Finalmente, no episódio 45, o antigo parceiro de Amazon Killer, o pirata espacial Inazuma Gingar, se une ao Império, e acaba manipulado por Hedrian em um plano para desbancar Hellsaturn e transformá-la na nova comandante.

Sun Vulcan teve 50 episódios e um filme para o cinema. Devido à presença de Hedrian, é considerado uma continuação de Denjiman - e único Sentai da história que foi continuação de um anterior.

Série Sentai

Battle Fever J
Denjiman
Sun Vulcan

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domingo, 6 de março de 2005

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Space Ghost

Na década de 60, houve um boom de super-heróis, impulsionado pelo sucesso da Liga da Justiça no final da década de 50, e a criação da Marvel Comics no início da década de 60. Muita gente que não dava atenção ao gênero começou a vê-lo com outros olhos, graças à crescente popularidade e boa vendagem dos heróis dos quadrinhos. Até mesmo a Hannah-Barbera, famosa por desenhos infantis como Zé Colméia e Dom Pixote decidiu se arriscar no gênero. Assim surgiu o tema do post de hoje, Space Ghost.



Space Ghost foi o primeiro super-herói da Hannah-Barbera. Com seu quartel general localizado no Planeta Fantasma, sua nave espacial, o Cruzador Fantasma, e seus poderosos Braceletes Energéticos, Space Ghost é um patrulheiro espacial, com a missão de proteger todo um quadrante - no qual está incluída a Terra - das ameaças alienígenas.

Todos os seus poderes vêm de seu traje e dos Braceletes Energéticos. O traje permite que Space Ghost fique invisível, crie um campo de força para protegê-lo, lhe confere visão de raio-x, teletransporte, além de permitir que ele voe (mais depressa que o Cruzador Fantasma, o que nos faz perguntar por que ele precisa de uma nave), sobreviva no espaço e sob a água, e conte com um comunicador direto com os demais patrulheiros e com o Planeta Fantasma. Os Braceletes permitem que Space Ghost dispare diversos tipos de raios diferentes, como um raio congelante, raio atordoante, raio destruidor, raio trator, e até mesmo um raio de viagem no tempo. Selecionando um tipo de raio diferente em cada mão, Space Ghost também pode disparar "raios combinados", ou multiplicar a força de um raio por 5.

Criado em 1966 por Alex Toth, Space Ghost não teve uma origem ou explicação de como recebeu seus poderes. A série simplesmente começou e pronto. Como era focada principalmente no público infantil, Space Ghost tinha dois ajudantes adolescentes, os irmãos gêmeos Jan e Jace, patrulheiros espaciais em treinamento, que contam com uma mochila voadora, cinto de invisibilidade e comunicador direto com Space Ghost. Os gêmeos ainda tinham um mascote, o macaco Blip, que também contava com a mochila voadora, o cinto de invisibilidade e o comunicador, e normalmente os tirava de encrencas. Aliás, Space Ghost deve ter o poder de falar com os animais, pois ele sempre entendia o que Blip queria dizer. Jan, Jace e Blip patrulhavam o espaço em uma pequena nave que também servia de submarino.

Mas uma das melhores coisas de Space Ghost eram os vilões. A cada episódio, uma nova ameaça espacial surgia para desafiar o herói. Os mais insistentes eram o louva-a-deus gigante Zorak, arquiinimigo de Space Ghost; o pirata espacial Brak; o robô Metallus, que chegou a invadir o Planeta Fantasma; a feiticeira Viúva Negra, com o poder de controlar aranhas; o Rei das Criaturas, que possuía um raio causador de pesadelos; e Moltar, que controlava os monstros de lava e os poderosos fornos capazes de incinerar qualquer oponente. Cada um destes apareceu em cinco ou seis episódios (sem contar um episódio especial em seis partes que reuniu todos eles). Space Ghost ainda enfrentou muitos e muitos vilões, que só apareceram em um único episódio cada, como Cyclo, Dr. Pesadelo e Lokar, Rei dos Gafanhotos.

A série original de Space Ghost teve 42 episódios, que foram ao ar entre 10 de setembro de 1966 e 7 de setembro de 1968. Cada episódio tinha apenas 8 minutos, e estava incluído em um programa de meia hora, que ia ao ar aos sábados, a partir das 10h30min da manhã, pela rede CBS. Cada programa consistia de dois episódios de Space Ghost e um de Dino Boy, um menino que caía de pára-quedas em uma selva pre-histórica e fazia amizade com um homem das cavernas. Como cada desenho tinha 8 minutos, totalizavam 24 minutos, o que me leva a crer que eram 6 minutos de comerciais.

Em setembro de 1967, para comemorar um ano de Space Ghost, e também para lançar suas novas séries animadas, a Hannah-Barbera preparou um episódio especial em seis partes, onde os principais vilões de Space Ghost (Zorak, Brak, Metallus, a Viúva Negra, Moltar, o Rei das Criaturas e Lokar) se uniam para destruí-lo. Durante dois sábados, não houve Dino Boy, e o programa apresentou três episódios de Space Ghost no mesmo dia. Este episódio especial contou com a participação especial dos novos heróis da Hannah-Barbera que estreariam naquele ano de 1967: os Herculóides, Shazzam, o Poderoso Mightor e Moby Dick. Os Herculóides ainda ajudaram Space Ghost em outro episódio, em 1968.

Infelizmente, em setembro de 1968, Space Ghost foi cancelado e substituído por outro desenho. De 27 de novembro de 1976 a 3 de setembro de 1977, Space Ghost foi reprisado, desta vez dividindo o programa com Frankenstein Jr ao invés de Dino Boy. A audiência não foi lá essas coisas, porém, e nem todos os episódios foram reprisados.

Em 1981, a Hannah-Barbera deciciu lançar uma nova série de Space Ghost, dentro de um programa chamado The Space Stars. Desta vez na rede NBC, Space Stars era novamente um programa de meia hora que ia ao ar aos sábados pela manhã, contendo um episódio da Patrulha Adolescente; um de um desenho solo de Astro, o cachorro dos Jetsons, no qual ele era um policial espacial; e um terceiro desenho que poderia ser de Space Ghost ou dos Herculóides. Foram 22 novos episódios de Space Ghost, que foram ao ar de 12 de setembro de 1981 a 11 de setembro de 1982. Infelizmente, nestes novos episódios Space Ghost não enfrenta seus vilões clássicos (todos os vilões são novos, e há um vilão diferente por episódio, com exceção do Feiticeiro, que aparece em dois). Em 1983, a Hannah-Barbera ainda produziu 11 episódios onde Space Ghost unia forças com a Patrulha Adolescente e os Herculóides para derrotar uma ameaça a toda a galáxia.

Além de sua carreira televisiva, Space Ghost ainda viveu aventuras nos quadrinhos, nas revistas Space Ghost (publicada pela Gold Key Comics, só teve uma edição, lançada em março de 1967), Hannah Barbera Super TV Heroes (também da Gold Key; Space Ghost apareceu nas edições 3, 6 e 7, de 1968), Golden Comics Digest (da Gold Key, Space Ghost estava no número 2, de maio de 1969) e Hannah Barbera TV Stars (publicada pela Marvel Comics, Space Ghost na edição 3, dezembro de 1978). Outras duas editoras ainda lançaram uma revista chamada Space Ghost, que só teve uma única edição: a Comico Comics (dezembro de 1987), e a Archie Comics (março de 1997). A DC Comics também lançou uma minissérie em seis partes do herói (o primeiro número foi lançado em novembro de 2004), onde ele é traído pela Patrulha Espacial e busca vingança. Segundo o roteirista Joe Kelly, esta minissérie busca adequar Space Ghost aos tempos atuais, tornando suas aventuras mais sérias e adultas. Se esta minissérie se transformará em uma série regular, só o tempo dirá.

Em 1994, a rede de TV Cartoon Network, controlada pela Hannah-Barbera, decidiu colocar Space Ghost como anfitrião de um talk show, Space Ghost de Costa a Costa, onde ele entrevistava personalidades do mundo real, com a ajuda de seus ex-inimigos Zorak, Moltar, Brak e, de vez em quando, Metallus. Era um programa muito satírico, onde Space Ghost era falastrão e convencido, e os vilões estavam sempre tramando para matá-lo ou aos espectadores. Apesar de ser muito engraçado, pouco tinha a ver com o Space Ghost original.

Atualmente, o herói está aposentado. De vez em quando ele ainda aparece em uma vinheta do Cartoon Network, e a série clássica de 1966 ainda é reprisada no canal Boomerang, mas não há planos para uma nova temporada. Em 2003, a equipe responsável pela nova série de Johnny Quest apresentou um projeto de uma nova série de Space Ghost, nos mesmos moldes da série clássica, mas não foi para a frente.

Finalmente, uma curiosidade à qual eu não poderia me furtar: Space Ghost é arquirival de Overman, o super-herói criado pelo brasileiro Laerte, que pode ser encontrado em tirinhas no jornal O Dia e em vinhetas do Cartoon Network.
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