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sábado, 1 de agosto de 2026

Escrito por em 1.8.26 com 0 comentários

Universo Cinematográfico Marvel (XXII)

Surpresa! Eu juro que não vou começar a Fase 6 hoje, mas eu queria muito falar sobre Marvel Zumbis (que deveria se chamar Zumbis Marvel, mas tudo bem) mas não queria ter de esperar até 2028, então decidi que hoje vou adiantar esse primeiro post da Fase 6, aproveitando também para fechar o ano de 2025, e retorno com os demais no tempo certo.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
The Fantastic Four: First Steps
2025

Eu já contei aqui em um post em separado sobre os três filmes do Quarteto Fantástico produzidos pela Fox, que não fizeram parte do MCU. Após o fracasso do terceiro, a Fox decidiria levar a franquia em outra direção, e, em 2017, contrataria Seth Grahame-Smith, de Orgulho e Preconceito e Zumbis, para escrever um filme protagonizado por Franklin e Valeria Richards, com participação especial de Ben Grimm e Johnny Storm, com tom parecido com o do desenho Os Incríveis, e parcialmente inspirado no livro Kindergarten Heroes, de Mark Millar. Paralelamente a isso, os executivos da Fox conversariam com Noah Hawley, de Legião, sobre um filme protagonizado pelo Dr. Destino. Tudo isso seria suspenso quando a Disney comprasse a Fox, em março de 2019, e os direitos do Quarteto Fantástico passassem para os Marvel Studios.

Em julho de 2019, Kevin Feige se diria extremamente empolgado por poder introduzir o Quarteto no MCU, para "levar a Primeira Família da Marvel até o nível que ela merece", e prometendo usá-los em histórias tão empolgantes quanto Guerra Infinita e Guerra Civil - cujas sagas dos quadrinhos que inspiraram os filmes contaram com o Quarteto, que não pôde estar presente em suas versões cinematográficas por seus direitos ainda pertencerem à Fox. Em dezembro de 2020, Feige anunciaria que o diretor do primeiro filme do Quarteto no MCU seria Jon Watts, dos três filmes do Homem-Aranha com Tom Holland, mas, em abril de 2022, antes mesmo que um roteirista fosse escolhido, Watts pediria para se desligar do projeto, alegando estar física e mentalmente esgotado após ter de gravar Homem-Aranha: Sem Volta para Casa obedecendo os protocolos estabelecidos devido à pandemia, e preferindo dirigir o filme autoral Lobos, que estrearia na Apple TV+ em setembro de 2024.

Enquanto procurava por um novo diretor e um roteirista, Feige decidiria que Reed Richards seria um dos personagens a aparecer em uma das realidades alternativas de Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, com o diretor Sam Raimi concordando e decidindo chamar o ator John Krasinski para o papel. Já havia muito tempo que Krasinski era sugerido pelos fãs para interpretar Reed, e seu nome começaria a circular em boatos e rumores assim que foi anunciado que um filme lidando com realidades alternativas estava sendo produzido; Raimi acharia que a inclusão de um Reed interpretado por Krasinski seria uma excelente oportunidade de fan service, mas tanto o diretor quanto o ator achariam improvável que ele fosse escolhido para interpretar Reed também no novo filme, com Krasinski logo declarando que sequer participou de conversas com os executivos dos Marvel Studios sobre reprisar o papel.

Em julho de 2022, o diretor ainda não havia sido escolhido, e Feige diria estar incerto quanto à lista de possíveis candidatos; ainda assim, durante a San Diego Comic Con, o próprio Feige anunciaria a data de estreia do filme, prevista para novembro de 2024, que ele seria o primeiro filme da Fase 6 do MCU, e que as filmagens começariam em 2023. No final de agosto, a Marvel divulgaria uma lista com "três finalistas" na escolha para diretor, que contava com Reid Carolin, roteirista de Magic Mike, mas que só tinha um filme como diretor no currículo, Dog; Michael Matthews, de Amor e Monstros; e Matt Shakman, que levava vantagem por ter dirigido WandaVision e já ter trabalhado com Feige. Shakman prepararia uma sinopse na qual o Quarteto Fantástico já começava o filme como super-heróis estabelecidos e famosos, com Reed e Sue se tornando pais logo no início, e convenceria os executivos dos Marvel Studios após mostrar uma foto sua com sua filha recém-nascida no colo; mais tarde, ele revelaria que havia sido chamado para dirigir um novo filme de Star Trek, do qual abriu mão para não deixar passar a oportunidade de trabalhar com o Quarteto Fantástico. Shakman seria confirmado como diretor já em setembro de 2022, na mesma ocasião em que Feige revelaria que Jeff Kaplan e Ian Springer estavam escrevendo o roteiro "há alguns meses"; no mês seguinte, a data de estreia do filme seria adiada para fevereiro de 2025.

A escolha do elenco começaria em fevereiro de 2023, com Feige anunciando que havia estabelecido um "sarrafo alto", querendo que o Quarteto se tornasse um dos principais elementos do MCU após sua estreia. Shakman revelaria que o filme não traria nem uma história de origem, nem o Doutor Destino, elementos que poderiam desviar a atenção do público da dinâmica familiar do Quarteto, que ele desejava que fosse o foco principal do filme; Feige diria que a decisão de não contar novamente a história da origem do grupo seria semelhante à tomada quando o Homem-Aranha foi introduzido no MCU, já que sua história de origem já era bastante conhecida. No final de março de 2023, Josh Friedman seria contratado para reescrever o roteiro, o que foi visto por muitos jornalistas como uma indicação de mudança de tom, já que Friedman era conhecido por seus roteiros de ficção científica, enquanto Kaplan e Springer eram mais conhecidos por escrever comédias; Shakman, porém, diria que Friedman se uniria à equipe porque ele e Feige haviam decidido incluir no filme "elementos cósmicos dos anos 1960", como o Surfista Prateado e Galactus, que seria o vilão do filme no lugar do Doutor Destino, "trazendo uma nova perspectiva para o grupo". Feige não descartaria a presença do Doutor Destino no filme, mas em uma participação breve, como uma cena pós-créditos, e diria que os Marvel Studios faziam questão de "uma estrela de primeira grandeza" para interpretá-lo.

Em maio de 2023, começaria a greve dos roteiristas, e a data de estreia seria adiada novamente, para maio de 2025. Na ocasião, os preferidos da Marvel para interpretar Reed e Sue eram Adam Driver e Emma Stone, que pediram salários que o estúdio não estava disposto a pagar, tendo sido decidido, durante a reunião de emergência envolvendo executivos da Disney e dos Marvel Studios que ocorreu em fevereiro para tratar dos rumos do MCU, que os gastos com elencos deveriam ser reduzidos. Testes seriam feitos para o papel de Reed com Christopher Abbott e Jamie Dornan, que não agradaram, e com Jake Gyllenhaal, que já havia interpretado Mystério em Homem Aranha: Longe de Casa, mas que também pediu um salário que a Marvel não quis pagar. Quando a Marvel anunciou que não estava testando apenas atores brancos para o papel, Pedro Pascal (que, nos Estados Unidos, não é considerado branco, e sim latino) se interessou, mas, em julho, começaria a greve dos atores, e Pascal, apesar de despertar a atenção da equipe, decidiria não conversar com ninguém até que a greve terminasse. Mais tarde, Pascal diria jamais ter planejado ser protagonista de um filme de super-heróis, e que o papel mudaria seus planos para o futuro "de forma sutil"; atrasos nas gravações do filme do Quarteto fariam com que ele tivesse de abrir mão de protagonizar A Hora do Mal, sendo substituido por Josh Brolin.

Em agosto, a Marvel chamaria Matt Smith e Tom Ellis para conversar sobre o papel de Reed, mas os nomes não agradariam a Feige, que procurava alguém mais famoso por sua carreira no cinema do que na televisão. No mesmo mês, Shakman diria que a Marvel estava procurando um ator judeu para interpretar Ben Grimm, que é descrito como judeu nos quadrinhos, mas não foi interpretado por atores judeus nos filmes anteriores, nem teve essa característica explorada em suas histórias; o preferido era David Krumholtz, que não agradou nos testes, e começou uma campanha para ser escolhido para o papel do vilão Homem-Toupeira - que acabaria ficando com Paul Walter Hauser, convidado por Shakman por ter trabalhado com ele na série It's Always Sunny in Philadelphia, e que inicialmente ficaria relutante devido ao fracasso dos filmes anteriores do Quarteto, aceitando após ler o roteiro na íntegra. O escolhido para interpretar o Coisa seria Ebon Moss-Bachrach, que já havia interpretado Micro na primeira temporada da série do Justiceiro da Netflix. Nicholas Galitzine seria chamado para interpretar Johnny, mas também não agradaria, com o papel ficando com Joseph Quinn, de Stranger Things, que havia feito Gladiador 2 com Pascal e pedido a ele dicas sobre como interpretar Johnny, sem saber que ele estava negociando para interpretar Reed. Curiosamente, o papel de Sue seria o primeiro a iniciar os testes e o último a ser escolhido, com Vanessa Kirby sendo convidada diretamente por Shakman após nenhuma das candidatas do teste ter agradado.

Curiosamente, a Marvel divulgaria que estava procurando por um ator latino para interpretar Galactus, com os favoritos sendo Antonio Banderas, que disse jamais ter sido procurado, e Javier Bardem, que teve de recusar por conflitos com as gravações de F1; o escolhido acabaria sendo o inglês e bem pouco latino Ralph Ineson, segundo Shakman escolhido por sua proficiência como dublador, que ele considerava mais importante para esse tipo de papel. Apesar de aumentado por computação gráfica, Ineson interpretaria Galactus da forma tradicional, com a produção inclusive criando uma armadura que ele vestia. Além de Galactus e do Homem-Toupeira, o filme contaria com o Fantasma Vermelho, interpretado por John Malkovich, que sempre havia recusado papéis em filmes de super-heróis alegando que pagavam pouco, mas decidiu aceitar esse pela oportunidade de trabalhar novamente com Shakman, com quem havia feito Cut Bank, de 2014; infelizmente, o Fantasma Vermelho acabaria cortado do filme na última revisão do roteiro, feita por Eric Pearson, por problemas de continuidade, no que Shakman chamou de "uma decisão de cortar o coração".

Em janeiro de 2024, vazaria para a imprensa que a Marvel estava procurando uma atriz para interpretar o Surfista Prateado, o que causaria muitas discussões na internet; nos quadrinhos (e no filme da Fox), o Surfista é Norrin Radd, cientista do planeta Zenn-La, mas nesse filme a Surfista seria Shalla Bal, que nos quadrinhos é namorada de Radd, o substituindo no cinema como cientista, exploradora e arauto de Galactus - nos quadrinhos, Bal havia passado pela mesma provação na minissérie Terra X, de 1999. A escolhida para o papel seria Julia Garner (também em A Hora do Mal), mas a versão final da Surfista seria totalmente criada por computação gráfica, com Garner fazendo a dublagem e a captura de movimentos - mesma coisa ocorrendo em relação a Moss-Bachrach e o Coisa, que é um personagem 100% digital. Garner filmaria horas de poses nas quais ela fingia estar surfando ou posando como uma modelo, que seriam combinadas para que a Surfista "se movesse como se estivesse dançando".

Durante as greves, a equipe trabalharia em testes para os efeitos especiais do filme, principalmente aqueles ligados aos poderes dos membros do Quarteto. Kasra Farahani, de Loki, seria escolhido como designer de produção, e Alexandra Byrne como figurinista, optando por fazer uniformes simples para o Quarteto, em azul claro com detalhes brancos, semelhantes aos usados pela equipe nos anos 1980. Muitos detalhes do filme, especialmente a aparência de Galactus, seriam inspirados na arte de Jack Kirby para os quadrinhos do Quarteto. Um personagem das histórias clássicas do Quarteto que apareceria no filme seria o robô H.E.R.B.I.E., que combinava um animatronic cuja cabeça se movia por controle remoto, um marionete feito de madeira, e computação gráfica, dublado por Matthew Wood; além disso, uma nova personagem, Rachel Rozman, interpretada por Natasha Lyonne, que havia dublado Byrdie em What If...?, seria batizada em homenagem a Roz Goldstein, esposa de Jack Kirby.

Em fevereiro de 2014, seria divulgado que o filme seria ambientado na década de 1960, mas em uma realidade alternativa, oficialmente chamada de Terra-828 - a "realidade principal" do MCU, também chamada de Linha do Tempo Sagrada, é a Terra-616, curiosamente o mesmo número usado nos quadrinhos para a realidade principal deles. A decisão de não ambientar o filme na Linha do Tempo Sagrada viria de Shakman, que desejava colocar a história do Quarteto "mais próxima de seu ponto de origem", ou seja, os quadrinhos dos anos 1960 produzidos por Stan Lee e Jack Kirby; Feige abraçaria a ideia, dizendo que a ambientação em uma realidade alternativa daria maior liberdade para os roteiristas, ajudaria a cimentar o Multiverso no MCU e evitaria furos de roteiro em relação aos demais filmes e perguntas como "onde estava o Quarteto Fantástico enquanto os Vingadores lutavam contra Thanos?". Shakman chamaria o estilo do filme de "retrofuturista", dizendo que "parte é o que conhecemos sobre os anos 1960, parte é algo que nunca vimos". Apesar de fortemente baseado nos quadrinhos dos anos 1960, o filme conta com a Fundação Futuro, criada por Jonathan Hickman em 2009.

Em outubro de 2023, Shakman anunciaria que as filmagens começariam nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, no início de 2024, e que o elenco seria anunciado assim que a greve terminasse; atrasos na pré-produção fariam com que elas começassem apenas em julho de 2024, com todos os cenários "novaiorquinos" do filme sendo criados em estúdio, incluindo a Rua Yancy e a Times Square. Shakman diria querer fazer o filme "como se Stanley Kubrick o tivesse filmado em 1965", e se inspiraria em 2001: Uma Odisseia no Espaço para criar o laboratório de Reed. O apartamento do Quarteto seria inspirado em casas californianas do estilo arquitetônico conhecido como MCM, muito popular nos anos 1960, e o Fantasticarro teria como referência carros norte-americanos dos anos 1960, com elementos como turbinas e paineis de controle tendo uma aparência de filmes de ficção científica dos anos 1950. As únicas cenas filmadas fora da Inglaterra - exceto por tomadas aéreas de Nova York utilizadas para reconstruí-la em estilo retrofuturista por computação gráfica - seriam as da ONU, que ocorreram no Palácio do Congresso em Oviedo, Espanha. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, Framestore, Sony Pictures Imageworks, Digital Domain, Rise FX e Weta FX.

O filme começa quatro anos após o Quarteto ter ganhado seus poderes; nesse meio tempo, eles se tornaram heróis famosos, conhecidos, respeitados e amados pela população, equilibrando enfrentar supervilões com aparecer em programas de televisão, trabalhar junto aos governos para resolver vários problemas do planeta e gerenciar uma fundação dedicada a usar a ciência para criar um futuro melhor. Mas tudo isso pode ser posto em cheque com a chegada da Surfista Prateada, um ser cósmico que anuncia a vinda de Galactus, entidade que está disposta a destruir a Terra para convertê-la em energia que o irá alimentar. Incapazes de enfrentar Galactus, o Quarteto decide negociar com ele - mas ele exige em troca de poupar a Terra nada menos que o filho que Sue Storm está esperando. O elenco conta com Pedro Pascal como Reed Richards / Senhor Fantástico, Vanessa Kirby como Sue Storm / Mulher Invisível, Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm / Coisa, Joseph Quinn como Johnny Storm / Tocha Humana, Julia Garner como Shalla Bal / Surfista Prateada, Ralph Ineson como Galactus, Natasha Lyonne como Rachel Rozman, Paul Walter Hauser como Harvey Elder / Homem-Toupeira, Sarah Nyles como Lynne Nichols, chefe de pessoal da Fundação Futuro, Mark Gatiss como Ted Gilbert, apresentador do programa de televisão The Ted Gilbert Show, e Matthew Wood como H.E.R.B.I.E.; Alex Hyde-White, Rebecca Staab, Jay Underwood e Michael Bailey Smith, que interpretaram, respectivamente, Reed, Sue, Johnny e Ben no filme de Roger Corman, fazem participações especiais, os dois primeiros como jornalistas, os dois últimos como trabalhadores de uma fábrica. Robert Downey, Jr. faz uma breve participação especial sem créditos como Victor Von Doom / Doutor Destino.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é mais um filme que não começa com o logotipo e a fanfarra tradicional dos Marvel Studios; ao invés dele, foi usado um logotipo mais simples, que imita os usados em televisão na década de 1960. O filme estrearia em 25 de julho de 2025, após uma pré-estreia em Los Angeles dia 21, precedida de uma cerimônia de tapete vermelho que contou com entrevistas com o elenco e equipe e uma orquestra que interpretou ao vivo várias das músicas do filme, incluindo o tema dos Marvel Studios; essa cerimônia seria transmitida ao vivo pelo Disney+, intercalada com trailers e previews do filme. Com orçamento de cerca de 230 milhões de dólares, renderia 274 milhões nos Estados Unidos e 522 milhões no mundo inteiro, sendo considerado um sucesso pela Disney, mesmo que a bilheteria tenha sido abaixo do esperado; esse desempenho seria atribuído à concorrência pesada, já que, no primeiro dia, Quarteto Fantástico ficaria em segundo na bilheteria atrás de Um Filme Minecraft, e fecharia a primeira semana também na segunda posição, mas atrás de Superman. A crítica seria bastante positiva, elogiando o elenco e a caracterização futurista dos anos 1960, mas com alguns considerando a história fraca e datada se comparada com outros filmes mais recentes de super-heróis.

Na San Diego Comic Con de julho de 2024, seria revelado que Pascal, Kirby, Quinn e Moss-Bachrach haviam todos assinado contrato para três filmes, e que Reed, Sue, Johnny e Ben estavam confirmados nos próximos dois filmes dos Vingadores, Vingadores: Doutor Destino, de 2026, e Vingadores: Guerras Secretas, de 2027; na mesma ocasião, seria revelado que Robert Downey, Jr., até 2019 intérprete de Tony Stark, havia sido oficialmente contratado para interpretar Victor Von Doom, com as negociações tendo se iniciado quase um ano antes. Feige se diria extremamente empolgado por poder voltar a trabalhar com Downey, e que conversava com o ator sobre a possibilidade de seu retorno ao MCU em um papel diferente do Homem de Ferro desde que se encerraram as gravações de Vingadores: Ultimato. Shakman confirmaria a presença de Doom nos dois filmes dos Vingadores, mas diria que "ele não é parte do filme do Quarteto Fantástico"; de fato, Doom só aparece brevemente na cena intercréditos, que conta apenas com Downey e Kirby, gravada durante a pré-produção de Vingadores: Doutor Destino e dirigida por Anthony e Joe Russo.

Olhos de Wakanda
Eyes of Wakanda
2025

Em fevereiro de 2021, Ryan Coogler, diretor e roteirista de Pantera Negra, anunciaria ter fechado um acordo entre sua produtora, a Proximity Media, e a Disney para a produção de séries de TV para o Disney+ ambientadas em Wakanda, o fictício país da África Central do qual T'Challa, a identidade não tão secreta do Pantera Negra, é rei e onde se passa a maior parte da ação do filme de 2018. A imprensa se mostraria empolgada, logo surgindo rumores de que uma das séries prestaria tributo a Chadwick Boseman, falecido em 2020, e outras explorariam o passado de personagens como M'Baku, Killmonger e T'Chaka, pai de T'Challa e Pantera Negra anterior, ou da organização Dora Milaje, com a expectativa de que personagens dos quadrinhos, como Bashenga, o primeiro Pantera Negra, a ativista Queen Divine Justice, e Kasper Cole, o terceiro Tigre Branco, pudessem fazer sua estreia no MCU.

Em novembro de 2022, a Proximity Media anunciaria estar trabalhando em "várias séries" ambientadas em Wakanda, mas sem dar maiores detalhes. Somente em março de 2023 seria publicado na imprensa que Coogler estaria desenvolvendo uma série de animação, com o título provisório de The Golden City, ambientada na capital de Wakanda, Birmin Zana. No mês seguinte, o executivo dos Marvel Studios Nate Moore confirmaria que diversas séries estavam em discussão, animadas e com atores, mas que a preocupação da Marvel era prejudicar a "experiência cinematográfica" proporcionada por exibir Wakanda numa tela de cinema. Apenas em dezembro de 2023 o produtor Brad Winderbaum anunciaria oficialmente que a primeira série ambientada em Wakanda seria animada, e que traria episódios protagonizados por diversos guerreiros wakandanos ao longo da história. Jornalistas comparariam a série a Histórias dos Jedi, série de Star Wars de 2022 na qual cada episódio acompanha um personagem diferente em um dos diversos momentos da saga.

Também em dezembro de 2023 seriam anunciados os roteiristas: Geoffrey Thorne, que já tinha experiência na Marvel, tendo sido roteirista das séries animadas Ultimate Homem-Aranha, de 2012, e Os Vingadores Unidos, de 2013, e Marc Bernadin, que revelaria ter sabido do projeto e começado a trabalhar em dois roteiros durante a pandemia, em 2020. Thorne escreveria o primeiro e o último episódios, e Bernadin o segundo e o terceiro. Matthew Chauncey, de What If...?, também escreveria um roteiro, que acabaria não sendo aproveitado.

Em janeiro de 2024, a Proximity Media confirmaria seu envolvimento, mas diria que o showrunner seria escolhido pela Marvel. No mesmo mês, o artista de storyboards Todd Harris revelaria ter sido dele a ideia para a série, tendo rascunhado alguns esboços durante a produção de Vingadores: Guerra Infinita e mostrado a Coogler, que estava filmando Pantera Negra. Segundo Harris, ele quis combinar "a interconectividade do MCU com a interconectividade da história da humanidade", e concebeu a série como um especial para quando Pantera Negra fosse lançado em home video ou algo assim, já que, na época, os Marvel Studios não pensavam ainda em fazer séries animadas. Winderbaum confirmaria a história, e diria que, durante a discussão sobre qual seria a primeira série, se lembraria da ideia de Harris, convidando-o para ser o showrunner. Harris seria confirmado como showrunner e diretor em janeiro de 2025; ele dirigiria sozinho o primeiro e o último episódios, e co-dirigiria o terceiro com John Fang, que seria o único diretor do segundo.

Olhos de Wakanda acompanha os Hatut Zaraze, uma força de elite secreta de Wakanda cuja missão é recuperar artefatos feitos de vibrânio que tenham sido roubados ou saído do país por outros meios. Cada episódio acompanha a missão de um agente em uma época diferente da história. O primeiro é ambientado em 1260 a.C., e acompanha a ex-Dora Milaje Noni, enviada para deter um ex-Hatut Zaraze chamado Nikat, que fugiu de Wakanda levando vários artefatos que usa sob o pseudônimo de Leão para liderar uma frota que saqueia a ilha de Creta, no Mediterrâneo. O segundo é ambientado durante a Guerra de Troia, e acompanha B'Kai, que, usando o codinome Memnon, se tornou o melhor amigo de Aquiles, e está ajudando os gregos a invadir a cidade para recuperar um artefato wakandano que está com ninguém menos que Helena. O terceiro é ambientado em 1400 d.C., e mostra o agente Basha recuperando um artefato que estava dentro de uma estátua sagrada em K'un-Lun; ao retornar a Wakanda, porém, sem saber, ele leva consigo o Punho de Ferro da época, que está disposto a pegar a estátua de volta, mas não pode sair de Wakanda após ver seus segredos. O quarto e último episódio é ambientado em 1896, durante a invasão da Etiópia pela Itália; o Príncipe Tafari e seu mentor, Kuda, recuperam um artefato wakandano, mas são abordados por uma misteriosa figura que diz vir de 500 anos no futuro, advertindo-os de que, se o artefato não ficar no local onde está, uma raça alienígena conseguirá conquistar a terra quando invadi-la.

Coogler daria a Thorne a ideia para o primeiro episódio, alegando ser fascinado pela história do "Povo do Mar", um povo de origem desconhecida que viveu durante o auge da civilização minoica em Creta, saqueando e escravizando todos os demais povos da região; segundo ele, o Povo do Mar ter acesso a tecnologia wakandana explicaria por que eles eram tão superiores ao ponto de ninguém conseguir detê-los, mas ainda assim tão misteriosos que hoje não sabemos nada sobre suas origens ou legado. Coogler também pediria para que os episódios fossem centrados "nos princípios de Wakanda", ao invés de mostrar antepassados famosos de personagens que existem no presente. Também por sugestão de Coogler, diferentemente de outras séries da Marvel Studios Animation, Olhos de Wakanda é ambientada na "Linha do Tempo Sagrada" do MCU, sendo completamente integrada a Pantera Negra e Wakanda para Sempre; por causa disso, a série é considerada a estreia oficial do Punho de Ferro no MCU.

Para que Wakanda fosse a real protagonista da série, e não seus personagens, a Disney optaria não chamar para a dublagem nenhum grande nome de Hollywood, preferindo dubladores profissionais, atores que já tivessem participado de outras produções Disney, e artistas negros de expressão - como a modelo canadense Winnie Harlow, que luta pelo fim do preconceito contra portadores de vitiligo, condição da qual é portadora. O elenco conta com Harlow (no primeiro episódio) e Lynn Whitfield (no segundo) como Noni, Cress Williams como Nkati, Patricia Belcher como Akeya, Larry Heron como B'Kai, Adam Gold como Aquiles, Jason Konopisos como Ferro, Kiff VandenHeuvel como Odisseu, Yerman Gur como Paris, Joanna Kalafatis como Helena de Troia, Jacques Colimon como Basha, Jona Xiao como Jorani / Punho de Ferro, Isaac Robinson-Smith como Ebo, Gary Anthony Williams como Rakim, Zeke Alton como o Príncipe Tafari, Steve Toussaint como Kuda, Debra Wilson como uma general Dora Milaje, e Anika Noni Rose (que havia dublado Tiana em A Princesa e o Sapo) como a Última Pantera Negra.

A animação ficaria a cargo da Axis Animation, que utilizaria um estilo semelhante ao de artistas afro-americanos contemporâneos como Ernie Barnes e Dean Cornwell; a animação seria feita por computação gráfica usando cel-shading, mas, sem a presença de atores do MCU no elenco, os artistas tiveram uma maior liberdade para criar as feições e aparência geral dos personagens. Animadores da África do Sul, Nigéria e Egito seriam contratados pelo supervisor de animação Craig Elliot para contribuir com o estilo autêntico da série. Em dezembro de 2023, Harris seria perguntado se a Disney havia pensado em fazer a série com atores de carne e osso, ao que ele respondeu que um projeto dessa magnitude só poderia ganhar vida em animação, onde "filmar no Egito custa o mesmo que em Nova Iorque, e na Lua custa o mesmo que em Ohio". A abertura seria criada pelo Studio AKA e feita a mão, sem recursos de computação gráfica.

Olhos de Wakanda teria apenas quatro episódios, todos estreando no Disney+ simultaneamente, em 1 de agosto de 2025. O primeiro episódio teria uma pré-estreia no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, em 9 de junho. A série seria a mais assistida do Disney+ em sua semana de estreia, mas não conseguiria terminar o ano dentre o Top 10 do serviço. A crítica ficaria encantada, elogiando a concisão dos roteiros, a beleza dos episódios e chamando a atenção para os temas de lealdade, amizade, ética e moralidade presentes nas histórias. Infelizmente, ainda não há notícias sobre se a série foi um projeto isolado ou se terá uma segunda temporada - nem sobre as demais séries que seriam produzidas pela Proximity Media, com a validade de cinco anos do contrato original já tendo se esgotado.

Marvel Zumbis
Marvel Zombies
2025

Apesar de seu aspecto, digamos, incomum, Zumbis Marvel é uma das séries de maior sucesso da Marvel nos quadrinhos. Ela começou despretensiosamente, como parte de uma saga do Quarteto Fantástico do Universo Ultimate, chamada O Outro Lado do Espelho, publicada nas edições de 21 a 23 de Ultimate Fantastic Four, entre setembro e novembro de 2005, na qual Reed Richards é contactado por uma versão mais velha de si mesmo, pedindo ajuda para salvar o futuro; ao passar pelo portal que levaria ao futuro, Reed descobre que foi enganado, e que o chamado partiu de uma versão alternativa sua de uma realidade paralela na qual o Apocalipse Zumbi aconteceu, transformando quase todos os heróis e vilões Marvel em zumbis.

Anunciada como sendo um crossover entre o Universo Ultimate e o Universo Marvel "principal", no que depois se revelou uma jogada de marketing, O Outro Lado do Espelho (que, em inglês, se chamava, simplesmente, Crossover) serviria como introdução ao lançamento da série limitada Marvel Zombies, com cinco edições lançadas entre dezembro de 2005 e abril de 2006, na qual Magneto tenta reunir um grupo de super-heróis sobreviventes para enfrentar os zumbis e tentar encontrar um refúgio. Para a surpresa de absolutamente todo mundo na Marvel, que previa vendas medianas, a série seria um gigantesco sucesso, com a primeira edição se esgotando em poucos dias e se tornando extremamente rara.

Esse sucesso faria com que o "Universo Zumbi" fosse revisitado várias vezes a partir de então, seja como parte de histórias nas revistas regulares dos heróis Marvel, seja na forma de outras minisséries e one shots, como Marvel Zombies 2, com quatro edições lançadas entre dezembro de 2007 e abril de 2008, Marvel Zombies: Resurrection, com quatro edições lançadas entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, e Marvel Zombies: Dead Days, de maio de 2008, que explica como ocorreu o Apocalipse Zumbi. Ao todo, já foram lançadas mais de 100 edições com a presença dos Zumbis Marvel, incluindo um crossover com o filme Uma Noite Alucinante, Marvel Zombies vs. The Army of Darkness, com cinco edições puiblicadas entre maio e setembro de 2007, no qual Ash Williams vai parar no Universo Zumbi.

Sendo uma série de tanto sucesso, é claro que os Marvel Studios gostariam de ganhar um pouco de dinheiro com ela, com Kevin Feige discutindo a possibilidade de um filme dos Zumbis Marvel já em 2013, mas desistindo após os executivos acharem que a história não poderia ser fielmente adaptada por não ser apropriada ao público-alvo das produções Marvel de então. Quando começou a produção da série animada de What If...?, porém, uma das ideias apresentadas pelo roteirista Matthew Chauncey foi justamente a de visitar o Universo Zumbi, mas usando personagens e características dos filmes lançados nas três primeiras Fases do MCU. Essa ideia acabaria se transformando em um roteiro do próprio Chauncey, que, por sua vez, daria origem ao quinto episódio, E se... zumbis?!.

Em junho de 2021, antes mesmo da estreia de What If...?, em agosto, os Marvel Studios anunciariam que mais três séries animadas estavam em pré-produção, todas elas sendo spin-offs de What If...?, ou seja, ambientadas em universos alternativos, e não na agora chamada Linha do Tempo Sagrada do MCU. No mês seguinte, seria anunciado que essas séries ainda estavam em estágio muito preliminar, e que nenhuma delas estrearia antes de 2023. Em novembro de 2021, durante o Disney+ Day, seria oficialmente anunciado que uma dessas séries seria Marvel Zombies (que, em português, por alguma razão, viraria Marvel Zumbis, e não Zumbis Marvel); das outras duas não se falaria mais nada, e o mais provável é que tenham sido canceladas.

Na mesma ocasião, seria anunciado que Bryan Andrews, diretor da primeira temporada e de quase todos os da segunda e terceira de What If...?, também seria o diretor de todos os episódios de Marvel Zumbis, além de seu showrunner. Andrews diria que, após assistirem ao episódio, Feige e o produtor Brad Winderbaum gostaram tanto que convocaram uma reunião para transformar sua história em um longa-metragem animado, durante a qual se chegaria à conclusão de que o melhor seria uma minissérie, pois assim eles conseguiriam contar com o Homem-Aranha - que, segundo os termos do contrato entre Marvel e Sony, não pode aparecer em longa-metragens de animação produzidos pelos Marvel Studios. Marvel Zumbis seria uma das sensações da Comic-Con de 2022, na qual Feige confirmaria que a série faria parte do "Multiverso Animado Marvel", e que teria classificação TV-MA (inadequada para menores de 18 anos), para que pudesse contar "com toda a carnificina que se espera de uma série sobre zumbis".

A produção da série acabaria sofrendo muitos atrasos, o maior deles em 2023, quando ocorreram a greve dos roteiristas e uma reunião de emergência entre os executivos da Disney e da Marvel para tratar do baixo desempenho das produções da Fase 4, que levou a uma reestruturação de vários projetos em andamento. Após essa reunião, Zeb Wells, que havia sido roteirista de um dos episódios de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, e, futuramente, seria um dos co-roteiristas de Deadpool & Wolverine, seria escolhido para ser o chefe da equipe de roteiristas de Marvel Zumbis. Wells discutiria detalhes da história com Andrews, e acabaria sendo o único roteirista - com todos os episódios sendo creditados a "Zeb Wells, a partir de uma história de Bryan Andrews e Zeb Wells". Antes do lançamento da série, a Disney decidiria creditar Andrews e Wells como co-showrunners e co-criadores da série, já que ambos haviam mesmo feito tudo juntos - exceto dirigir, função apenas de Andrews.

Andrews ficaria satisfeito com a classificação TV-MA, dizendo que, assim, eles não precisariam se conter, e Winderbaum definiria a série como "intensa", com nível de violência comparável à dos quadrinhos dos Zumbis Marvel, diferente de tudo o que já se havia visto em uma animação do MCU. Andrews declararia não estar criando uma história de zumbis, mas uma grande aventura, com momentos de humor, ação, violência, drama e emoção, usando temas de esperança e desespero. Em alguns diálogos os personagens xingam, algo extremamente incomum para uma produção Disney, o que levaria Andrews e Wells a ter que dar uma declaração de que isso só ocorre nos momentos apropriados, com eles sempre tentando não fazer dos personagens bocas-sujas de forma gratuita.

A série é ambientada cinco anos após os eventos de E se... zumbis?!, e mostra um grupo de heróis andarilhos sobrevivendo às investidas de uma horda de zumbis controlados por Wanda Maximoff, a Rainha dos Mortos; acidentalmente, eles descobrem uma forma de evitar que a infecção zumbi se alastre ainda mais, mas Wanda tem planos de usar um poder inimaginável, protegido pelo Hulk, para transformar todos os habitantes do planeta em zumbis sob o seu comando, o que faz com que ela precise ser detida, ou de nada os esforços dos heróis adiantarão.

Assim como What If...?, Marvel Zumbis conta em seu elenco com atores que participaram dos filmes e séries do MCU repetindo seus papéis, e com dubladores profissionais substituindo aqueles que não puderam ou não quiseram participar. Dentre os atores que repetem seus papéis do MCU estão Iman Vellani como Kamala Khan / Miss Marvel; Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Hailee Steinfeld como Kate Bishop / Gaviã Arqueira; Kerry Condon como a inteligência artificial Sexta-Feira; Florence Pugh como Yelena Belova; David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho; Simu Liu como Shang-Chi; Awkwafina como Katy Chen; Randall Park como Jimmy Woo; Wyatt Russell como John Walker; Paul Rudd como Scott Lang / Homem-Formiga; Adam Hugill como Rintrah; Sheila Atim como Sara; Tessa Thompson como Valquíria; F. Murray Abraham como Khonshu (no terceiro episódio); Zenobia Shroff como Muneeba Khan; e Elizabeth Olsen como Wanda Maximoff / Rainha dos Mortos. Os dubladores que repetem seus papéis de What If...? são Hudson Thames como Peter Parker / Homem-Aranha; Kenna Ramsey como Okoye; Kari Whalgren como Melina Vostokoff; Feodor Chin como Xu Wenwu; Rama Vallury como Helmut Zemo; e Piotr Michael como Khonshu (no quarto episódio). Dubladores novos incluem Todd Williams como Eric Brooks / Blade, e Greg Furman como Thor. Também participam Daniel Swain, Isaac Robinson-Smith, Debra Wilson, Alison Haislip, Dave Boat, Terri Douglas, Robin Atkin Downes, Matthew Yang King, Andrew Morgado, Ashley Peldon, Michael Ralph, Fred Tatasciore, Mike Vaughn e Matthew Wood como vozes adicionais. Personagens do MCU que fazem participações especiais, sem falas, alguns deles como zumbis, incluem T'Challa / Pantera Negra, Mercador da Morte, Ikaris, Rocky, Groot, Bruce Banner/ Hulk, Clint Barton / Gavião Arqueiro, Steve Rogers / Capitão América, Emil Blonsky / Abominável, Ava Starr / Fantasma, Carol Danvers / Capitã Marvel, Namor, Hank Pym, Janet van Dyne, Hope van Dyne / Vespa, Thanos e o Vigia.

Marvel Zumbis seria a primeira produção Marvel a contar com a presença do Pantera Negra após o falecimento do ator Chadwick Boseman. Em respeito ao fato de a Marvel ter decidido aposentar o personagem nos cinemas ao invés de substituir Boseman, na série o Pantera Negra não fala, para que não precisasse ser escalado um dublador; Andrews declararia que, caso Boseman não tivesse falecido, ele e Wells teriam usado o personagem em mais cenas e dado a ele maior importância. A série também conta com uma versão de Blade apelidada "Blade Knight", já que é um amálgama do personagem com o Cavaleiro da Lua. A inclusão de Blade seria sugerida por Feige, já que Marvel Zumbis estava sendo produzida ao mesmo tempo em que o novo filme do herói; após o adiamento do filme por tempo indeterminado, Andrews e Wells decidiram mudar o personagem, fazendo com que, nesse universo, ele tenha sido escolhido para ser o Punho de Khonshu ao invés de Marc Spector.

O estilo de animação seria o mesmo de What If...?, utilizando cel-shading e com os personagens lembrando os atores que os interpretaram no MCU; no caso de Blade, seria usado como modelo Mahershala Ali, que ainda tem contrato para interpretá-lo em um filme. Todos os episódios ficariam a cargo do Stellar Creative Lab, um dos estúdios que trabalharam em What If...?, supervisionados pela Marvel Studios Animation, com Paul Lasaine servindo como supervisor de animação. Como uma piada interna, todos os animadores da série emprestariam suas feições a zumbis.

Marvel Zumbis teria apenas quatro episódios, todos eles estreando no Disney+ em 24 de setembro de 2025, com essa data sendo anunciada de surpresa pela Disney pouco mais de um mês antes; originalmente, a ideia era que a série estreasse em outubro de 2024 como um especial de Halloween, mas, como a produção estava ligeiramente atrasada, a Marvel Studios Animation decidiria não colocá-la para competir com Agatha Desde Sempre, que ainda estaria no ar, e, em outubro de 2024, anunciaria que Marvel Zumbis estrearia em outubro de 2025, aproveitando para dar um polimento aqui e ali em alguns episódios - o que expandiria a participação de Khonshu e faria com que Michael tivesse de gravar suas novas falas, já que Abraham não estava disponível na época. A audiência superaria todas as expectativas da Disney, com Marvel Zumbis sendo a série mais assistida do Disney+ em mais de 30 países em sua semana de lançamento, e a terceira mais assistida dos Estados Unidos considerando todos os streamings. A crítica ficaria dividida, considerando a série divertida, mas sem originalidade.

Pouco antes da estreia da série, Winderbaum comentaria que, originalmente, existia a possibilidade de que fosse lançada uma segunda temporada, dependendo da reação do público à primeira, mas que, como Marvel Zumbis "foi pega no meio da reestruturação do MCU", que ocorreu no final de 2023, esses planos foram cancelados, com Wells sendo orientado a escrever um final, para que a série fosse fechada, com apenas uma temporada. Ainda assim, como Wells escreveu um final "mais ou menos aberto", e a audiência foi maior que a esperada pela Marvel, Andrews mantém a esperança de que uma segunda temporada seja autorizada, e diz já estar conversando com Wells sobre quais personagens poderiam usar, sendo seu preferido o Soldado Invernal.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
•Olhos de Wakanda
•Marvel Zumbis

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sábado, 4 de julho de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XXI)

E hoje finalmente terminaremos a série sobre a Fase 5 do MCU!

Thunderbolts*
2025

Os Thunderbolts foram uma das poucas coisas boas que surgiram como resultado da saga Heróis Renascem, publicada pela Marvel em 1996. Resumindo, na década de 1990 as revistas dos X-Men e do Homem-Aranha vendiam absurdamente, mas as demais revistas da Marvel tinham vendas pífias, que a colocaram à beira da falência - é por isso, inclusive, que eventos de destaque da época, como as revistas da Amalgam Comics e os jogos da série Marvel vs. Capcom, têm presença maciça de mutantes e de personagens do Homem-Aranha, mas muito pouco do Capitão América, Homem de Ferro ou Hulk, e nada ou quase nada do Quarteto Fantástico, Thor e do restante dos Vingadores. Para tentar solucionar essa questão, a Marvel contrataria os dois desenhistas mais populares da década, Jim Lee e Rob Liefeld, e daria a eles carta branca para reinventar os heróis que vendiam menos, escrevendo suas histórias sem qualquer interferência, com Lee ficando responsável pelas revistas do Quarteto Fantástico e do Homem de Ferro, e Liefeld pelas do Capitão América e dos Vingadores. Como parte do acordo, essas revistas não seriam continuação das que já estavam à venda, mas reboots, recontando do começo as histórias dos heróis, mas ambientadas na época atual. Para que isso fosse possível, os heróis (e vilões) que seriam usados por Lee e Liefeld aparentemente morreriam durante uma batalha contra um supervilão chamado Massacre, inventado especificamente para esse propósito, sendo removidos da continuidade principal da Marvel. O experimento não deu muito certo e o projeto foi cancelado após apenas um ano, quando foi revelado que os heróis não morreram e eles foram reintegrados à continuidade principal, com as histórias de Heróis Renascem tendo sido ambientadas em um universo alternativo temporário, que deixou de existir quando isso aconteceu.

Pois bem, enquanto os heróis estavam removidos da continuidade, fazia sentido, em termos de narrativa, que alguém ocupasse seu lugar - tipo "ok, os Vingadores morreram, e agora, quem vai enfrentar os vilões que eles enfrentavam?". Para solucionar essa questão, o roteirista Kurt Busiek, considerado por muitos o maior especialista nos quadrinhos dos Vingadores, e o desenhista Mark Bagley inventaram os Thunderbolts, que fizeram sua estreia na revista The Incredible Hulk 449, de janeiro de 1997, antes de ganharem uma revista própria, também chamada Thunderbolts, em abril. Aparentemente, os Thunderbolts eram novos heróis que, altruistcamente, decidiram usar seus poderes para combater o crime na ausência dos Vingadores, mas, na verdade, eles eram os Mestres do Terror, antigos vilões dos Vingadores, liderados pelo Barão Zemo, que assumiriam novas identidades e fingiriam ser heróis como parte de um plano de Zemo para roubar os segredos da Mansão dos Vingadores. O plano até teria dado certo, se os demais integrantes da equipe não tivessem gostado de ser heróis e se rebelado contra Zemo, com alguns deles ainda seguindo na carreira heroica após o plano ser desmascarado.

Com o fim da Heróis Renascem e o retorno do Quarteto e dos Vingadores à continuidade principal, esse arco de história foi encerrado, mas a revista dos Thunderbolts não foi cancelada, com a equipe sendo reformulada e passando a ser o equivalente do Esquadrão Suicida na Marvel: um bando de vilões reunidos por uma pessoa em posição estratégica no governo e obrigados a realizar missões que seriam muito arriscadas para os heróis. Assim, quando ficou claro que os filmes do MCU tinham personagens de moral duvidosa, que não eram exatamente os vilões de seus filmes, mas também não eram os heróis, e que sobreviveram ao final de suas respectivas produções, parecendo desperdício jamais utilizá-los novamente, o passo mais óbvio era juntar todos eles numa mesma equipe e fazer um filme dos Thunderbolts.

A primeira sugestão de se fazer um filme dos Thunderbolts, porém, não envolveria persoagens que já haviam participado de outros filmes, e sim um elenco inédito, e seria dada por James Gunn em 2013, durante a produção de Guardiões da Galáxia, quando o diretor e roteirista manifestaria interesse em produzir um filme estrelado por uma equipe de anti-heróis e supervilões, ideia que agradaria a Kevin Feige, mas que seria colocada em lista de espera por não haver espaço na agenda de lançamentos do MCU até o final da Fase 3. Em 2018, Hannah John-Kamen, a intérprete da Fantasma em Homem-Formiga e a Vespa, defenderia um filme dos Thunderbolts, já que, nos quadrinhos, o Fantasma (que é homem) chegou a fazer parte da equipe.

Um ano depois, quando começasse a pré-produção da Fase 4, a ideia de um filme dos Thunderbolts voltaria a ganhar força com a inclusão do Barão Zemo em Falcão e o Soldado Invernal; ao final do último capítulo dessa série, seria revelado que a Condessa Valentina Allegra de Fontaine, personagem que, nos quadrinhos, assim como Nick Fury, é ligada à S.H.I.E.L.D., havia recrutado John Walker - que, nos quadrinhos, é o Agente Americano, mas, na série, era o substituto aprovado pelo governo do Capitão América - para um "projeto pessoal", que imediatamente seria apontado por fãs e críticos como uma possível equipe dos Thunderbolts. Da mesma forma, na cena pós-créditos de Viúva Negra, que originalmente iria estrear antes de Falcão e o Soldado Invernal, mas que, devido à pandemia, estreou depois, a Condessa recruta Yelena Belova para esse projeto. Perguntado sobre o assunto, entretanto, Gunn diria não ter mais interesse em fazer um filme dos Thunderbolts, já que já havia feito O Esquadrão Suicida, que parte de uma premissa semelhante, para a DC.

Até então, um filme dos Thundebolts não estava oficialmente nos planos dos Marvel Studios, e o roteirista Malcolm Spellman, de Falcão e o Soldado Invernal e Capitão América: Admirável Mundo Novo declararia não saber se os fãs iriam gostar que fosse feito um. O roteirista Eric Pearson, de Viúva Negra, contudo, gostaria da ideia, e apresentaria aos executivos dos Marvel Studios uma sinopse de um filme no qual Belova lideraria uma equipe de anti-heróis tentando deter um projeto secreto da Condessa, incluindo na equipe Walker, Fantasma, o Guardião Vermelho, e, quando começou a escrever o roteiro, o Soldado Invernal e a Treinadora - todos personagens que haviam sido anti-heróis ou vilões em seus filmes originais. Pearson justificaria a escolha dizendo que não queria uma equipe de vilões arrependidos, e sim de personagens que transitassem por uma área cinza da moralidade, "capazes tanto de atos de egoísmo quanto de bondade". Nas primeiras versões do roteiro, a equipe também contava com Bill Foster, o Golias, personagem interpretado em Homem-Formiga e a Vespa por Laurence Fishburne, removido após Pearson achar que ele não tinha "os mesmos traumas passados" dos demais integrantes.

Pearson chegaria a pensar em usar o Hulk Vermelho como vilão do filme, mas seria impedido pelos executivos dos Marvel Studios, que já o haviam reservado para Capitão América: Admirável Mundo Novo. Nas primeiras versões do roteiro, o vilão era Walker, que, convencido pela Condessa de que o efeito de seu soro do supersoldado estava passando, tomava pílulas fornecidas por ela que o deixavam violento, ideia descartada porque também era parecida com a de Capitão América: Admirável Mundo Novo, e porque as ações de Walker estavam semelhantes às que ele havia tomado em Falcão e o Soldado Invernal. Ao pesquisar nos quadrinhos por um antagonista que os Thunderbolts não conseguissem derrotar facilmente em uma luta, Pearson acabaria optando por Robert Reynolds, que é ao mesmo tempo o herói Sentinela e o vilão Vácuo, chegando a conversar com o co-criador do personagem, Paul Jenkins, sobre a melhor forma de colocá-lo no filme.

Pearson acabaria concluindo que Reynolds se encaixou como uma luva na história e na equipe dos Thunderbolts, e ficaria satisfeito por o personagem lhe dar a oportunidade de discutir a importância da saúde mental em um filme de super-heróis. A ideia de que, para derrotá-lo, os Thunderbolts deveriam encarar novamente as maiores decepções de suas vidas viria do produtor Brain Chapek, com Pearson acreditando que essa seria uma excelente parte final para o arco de redenção dos personagens. Pearson aproveitaria a história de origem do Sentinela nos quadrinhos para fazer dele o projeto da Condessa contra o qual os Thunderbolts têm de se unir, mas preferiria colocar na história que ele estava em animação suspensa a usar a mesma justificativa dos quadrinhos para que o mundo não soubesse de sua existência previamente - a de que ele mesmo havia voluntariamente se removido da memória dos demais habitantes do planeta, algo que ficaria muito parecido com o final de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

Com Pearson tendo praticamente se auto-contratado para escrever o roteiro, a Marvel precisava agora de um diretor, optando por Jake Schreier, de Cidades de Papel, após ele fazer uma apresentação de ideias para o filme que "explodiria as mentes" dos executivos dos Marvel Studios. Parte dessa apresentação incluía o Homem-Coisa como membro da equipe, algo do qual Pearson convenceria Schreier a desistir por considerá-lo "uma criatura imprevisível", e não conseguir achar uma justificativa para que ele se unisse aos outros. Curiosamente, um conceito apresentado tanto por Pearson quanto por Schreier, sem que um soubesse da intenção do outro, era que a equipe se reunisse após uns serem contratados para matar os outros, o que daria a eles um motivo para se unir diferente de "figura de autoridade os obriga a trabalhar juntos". Por causa disso, mesmo com Schreier querendo a presença de Zemo no filme, Pearson acharia que um "fundador da equipe" ficaria deslocado; uma cena pós-créditos na qual era revelado que Zemo esteve por trás da formação da equipe desde o início chegaria a ser escrita, mas jamais filmada - assim como uma envolvendo Kang, descartada após a demissão de Jonathan Majors.

O filme dos Thunderbolts seria oficialmente anuciado em setembro de 2022, junto com o anúncio de que ele seria o último filme da Fase 5 do MCU. Em fevereiro de 2023, Steven Yeun, que havia trabalhado com Schreier na série Treta, seria anunciado como intérprete de Reynolds, e Lee Sun Jing, criador da série, revelaria estar reescrevendo partes do roteiro a pedido de Schreier; boatos se espalhariam de que o diretor não estava satisfeito com o fato de Pearson ter dado mais destaque a Yelena, ao Guardião Vermelho e à Treinadora, personagens que ele havia escrito em Viúva Negra, do que aos demais personagens, e que o ideal seria que a história passasse a impressão de ser um filme de equipe, não um spin off de Viúva Negra. Schreier também queria dar mais destaque a personagens secundários, como a assistente da Condessa, Mel, e o Deputado Gary, que preside uma comissão governamental que investiga as atividades da Condessa, para que eles tivessem um arco de história próprio, ao invés de apenas fazer figuração.

Em maio de 2023, as filmagens tiveram de ser adiadas devido à greve dos roteiristas, e a data de lançamento, originalmente prevista para dezembro de 2024, seria adiada para julho de 2025. Devido ao adiamento das filmagens, Yeun e Ayo Edebiri, originalmente escolhida para interpretar Mel, tiveram que deixar a produção por conflitos com suas gravações, respectivamente, de Treta e O Urso. Após o final da greve, Schreier leria o roteiro e acharia que estava faltando tensão e imprevisibilidade, e que, sendo os personagens quem são, o público deveria ficar o tempo todo sem saber se algum deles não iria sobreviver. Ele também seguiria insatisfeito com o tempo de tela destinado à Treinadora, principalmente porque ela era a protagonista de uma piada recorrente na qual ela de vez em quando se esquecia que tinha decidido se unir aos demais personagens e tentava matá-los, considerando que, como o Sentinela também tinha problemas de memória, não fazia sentido dois personagens com a mesma característica. Para resolver esses problemas, Joanna Calo seria contratada para reescrever o roteiro do zero, apenas aproveitando as ideias de Pearson e Schreier; no fim, Calo e Pearson seriam creditados como co-roteiristas.

As filmagens começariam em fevereiro de 2024 em Atlanta, na Geórgia, mas a maior parte do filme seria gravado no estado de Utah. A pedido dos Marvel Studios, Schreier usaria o mínimo possível de efeitos de computação gráfica, o que levaria a uma situação inusitada em uma das cenas mais impressionantes do filme, na qual Belova salta do Merdeka 118, o segundo prédio mais alto do mundo, em Kuala Lumpur, na Malásia: a atriz que a interpreta, Florence Pugh, convenceria a equipe de produção a fazer a cena ela mesma, sem usar nenhuma dublê, para desespero dos executivos dos Marvel Studios, que não conseguiam nem imaginar o que aconteceria se alguma coisa desse errado e ela viesse a falecer. Mesmo com a quantidade reduzida de efeitos, oito empresas trabalhariam no filme: Industrial Light & Magic, Framestore, Digital Domain, Rising Sun Pictures, Raynault VFX, Base FX, Crafty Apes e Mammal Studios. O filme possui uma cena pós-créditos ambientada 14 meses após seus eventos e filmada um mês antes do lançamento do filme, dirigida por Anthony e Joe Russo, mas escrita por Schreier; a cena originalmente tinha uma parte cômica envolvendo o Soldado Invernal e Walker, que acabaria cortada para desapontamento de Sebastian Stan, que a considerava genial.

No filme, Belova está cansada de trabalhar como mercenária fazendo serviços para a Condessa, mas aceita uma última missão antes de abandonar definitivamente essa vida. Sem que ela saiba, Walker, Fantasma e a Treinadora também foram enviados para essa missão, que consistia em uns matarem os outros para que a Condessa se livrasse de todos. Após descobrirem isso e decidirem se unir para se vingar, eles acabam topando acidentamente com Bob, em quem a Condessa tem um interesse inexplicável. Com a ajuda do Guardião Vermelho e do Soldado Invernal, sua missão passa a ser descobrir o porquê desse interesse, enquanto lutam para sobreviver. O elenco conta com Florence Pugh como Yelena Belova, Sebastian Stan como Bucky Barnes / Soldado Invernal, Wyatt Russell como John Walker, David Harbour como Alexei Shostakov / Guardião Vermelho, Hannah John-Kamen como Ava Starr / Fantasma, Olga Kurylenko como Antonia Dreykov / Treinadora, Lewis Pullman como Robert "Bob" Reynolds / Sentinela, Geraldine Viswanathan como Mel, Chris Bauer como o chefe de segurança Holt, Wendell Pierce como o Deputado Gary, Gabrielle Byndloss como Olivia Walker, e Julia Louis-Dreyfus como a Condessa Valentina Allegra de Fontaine.

O filme teria uma pré-estreia em Londres em 22 de abril de 2025, uma em Los Angeles em 28 de abril, e estreia mundial em 1 de maio - mas nos Estados Unidos só estrearia em 2 de maio. Com orçamento de 180 milhões de dólares, renderia 190 milhões nos Estados Unidos e 382 milhões ao somar o mundo inteiro, sendo um dos filmes do MCU de menor bilheteria e considerado um fracasso de público pela Disney, que projetava bilheteria mundial de pelo menos 425 milhões. Feige atribuiria o baixo rendimento a uma percepção do público de que era necessário ter assistido Viúva Negra e Falcão e o Soldado Invernal para que a história pudesse ser compreendida, e que inclusive havia pedido à Disney que deixasse claro que isso não era necessário. A crítica, pelo menos, seria bastante positiva, considerando o filme inovador em relação ao que vinha sendo feito no MCU, elogiando a sintonia do elenco, e avaliando a performance de Pugh como arrebatadora.

Para terminar, a explicação do asterisco no título: enquanto Calo reescrevia o roteiro, surgiria o assunto "por que a equipe decidiu adotar o nome Thunderbolts", que Pearson não havia abordado; Schreier sugeriria que os cartazes do filme trouxessem um asterisco após o nome Thunderbolts, para "mostrar que eles não estavam plenamente satisfeitos com esse nome e ainda buscavam algo melhor". A cúpula dos Marvel Studios adoraria essa sugestão e, em março de 2024, oficialmente renomearia o filme para Thunderbolts*, colocando o asterisco em todo o material de divulgação. Como, desde a primeira versão do roteiro, Pearson já havia definido que, ao final do filme, a Condessa revelaria a equipe como "os novos Vingadores", Calo sugeriria que, depois dessa cena, o título mudasse na tela para The New Avengers, e a "abertura" (que, normalmente, no MCU, vem no final, antes dos créditos) tratasse a equipe por esse nome. Isso levaria a uma jogada publicitária inédita: quando Thunderbolts* completou uma semana em cartaz, a Disney distribuiu novos pôsteres para os cinemas, idênticos aos anteriores, mas nos quais o título do filme era The New Avengers, pedindo para que os letreiros dos cinemas também passassem a exibir esse título, na primeira vez na história do cinema em que um filme teria seu título mudado por uma questão relativa à história do próprio filme. Essa mudança seria acompanhada de uma campanha publicitária na qual os atores do filme, caracterizados como seus personagens, rasgavam os títulos dos pôsteres antigos para revelar o novo título por baixo, deixando claro que se tratava do mesmo filme. Apesar da campanha, a Disney deixaria claro que o filme não havia sido renomeado, com seu registro oficial ainda trazendo o título Thunderbolts* - assim como os sistemas de venda de ingressos.

Coração de Ferro
Ironheart
2025

Riri Williams, codinome Coração de Ferro, é uma personagem extremamente recente nos quadrinhos Marvel: criada pelo roteirista Brian Michael Bendis, também criador de Jessica Jones e Miles Morales, e pelo desenhista brasileiro Mike Deodato, ela faria sua estreia na revista Invincible Iron Man 7, de maio de 2016. Incrivelmente inteligente, Riri, de apenas 15 anos, estuda no MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts (uma instituição de ensino superior) e foi capaz de analisar a tecnologia da armadura do Homem de Ferro para criar uma para ela própria, com a qual começou a combater o crime usando o nome de Coração de Ferro após seu padrasto e sua melhor amiga serem mortos durante um assalto. Riri ficaria muito popular muito rápido, e seria do interesse dos Marvel Studios introduzi-la no MCU o quanto antes, com Jada Rodriguez sendo contratada para escrever um roteiro para um filme ainda durante a Fase 3, em 2018.

Apesar de extremamente elogiado, o roteiro de Rodriguez jamais seria filmado; ao invés disso, os executivos dos Marvel Studios optariam por introduzir a personagem no segundo filme do Pantera Negra, fazê-la amiga de Shuri, e só então partir para um filme ou série estrelado por ela, com o estúdio em dezembro de 2020 anunciando que havia optado pela série. A poeta e dramaturga Chinaka Hodge seria anunciada como showrunner dessa série em abril de 2021, mas a pré-produção andaria a passos lentos até a estreia de Pantera Negra: Wakanda para Sempre, em novembro de 2022. Antes disso, em abril, Anthony Ramos, um dos atores já escalados para a série, comentaria que Ryan Coogler, diretor dos dois filmes do Pantera Negra, estava envolvido de alguma forma com a produção da série; após a estreia de Wakanda para Sempre, Coogler confirmaria sua participação, revelando que a série seria uma co-produção entre os Marvel Studios e sua empresa, a Proximity Media.

Coogler não teria envolvimento direto com a direção ou os roteiros, mas seria a Proximity Media quem escolheria os diretores da série, com Sam Bailey dirigindo os três primeiros episódios e Angela Barnes os três últimos. Os roteiristas seriam escolhidos pela Marvel, com Hodge escrevendo o piloto e o último e os demais ficando a cargo de Francesca Gailes & Jacqueline J. Gailes (que já haviam trabalhado em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis), Malarie Howard, Amir Sulaiman, e Cristian Martinez. Os roteiristas se reuniriam logo no início do projeto e, diferentemente de em outras produções do MCU, não teriam carta branca, recebendo instruções expressas de Feige e Coogler para que a série fosse uma continuação direta de Wakanda para Sempre e para que o vilão fosse o Capuz, o que daria a oportunidade para que na série fossem misturados magia e tecnologia.

Apesar das instruções, muito do que acabou indo ao ar foi ideia de Hodge, como Riri ser expulsa do MIT, retornando a sua cidade natal e se envolvendo com a gangue do Capuz para obter dinheiro para financiar seus projetos. Coração de Ferro também marcaria finalmente a estreia de um dos principais vilões da Marvel, Mefisto, na qual os fãs vinham apostando desde WandaVision; Hodge diria ter sido dela a ideia da inclusão do personagem, mas após ela ter sido "encorajada" pelos executivos dos Marvel Studios a fazê-lo. Inicialmente, os roteiristas pensariam em seguir a história dos quadrinhos, na qual o Capuz rouba seu capuz de Dormmamu, que já havia estreado em Doutor Estranho, mas acabariam concordando com Hodge que Mefisto se enquadrava melhor na proposta da série, escrevendo uma cena na qual ele presenteia o Capuz com o capuz em troca de seus serviços. Coogler elogiaria a estreia do personagem em Coração de Ferro, uma série a princípio voltada para a tecnologia, ao invés de em WandaVision, Loki ou Agatha Desde Sempre, séries, segundo ele, na qual sua presença seria mais óbvia.

Coração de Ferro começa seis meses após a participação de Riri em Wakanda para Sempre; após retornar ao MIT e a trabalhar em sua armadura, ela é expulsa da instituição por usar recursos sem autorização, e decide voltar para a casa de sua mãe em Chicago. Lá ela se põe a construir uma nova armadura, e durante o projeto acaba acidentalmente criando uma inteligência artificial com a aparência de sua melhor amiga, Natalie, morta anos antes durante um tiroteio, no qual o padrasto de Riri também foi vítima. Para conseguir os equipamentos para sua nova armadura, porém, ela acabará se envolvendo com o misterioso Joe McGillicuddy, que vende armas e peças no mercado negro, e entrando para a gangue de Parker Robbins, codinome Capuz, que aparentemente realiza pequenos roubos, dos quais parte do dinheiro ficará com Riri, mas na verdade tem um propósito final muito mais sinistro. Sendo uma mulher da ciência, a princípio Riri não acredita que o Capuz tem poderes mágicos, mas acabará descobrindo a verdade da pior maneira.

O elenco conta com Dominique Thorne como Riri Williams / Coração de Ferro; Lyric Ross como Natalie Washington / N.A.T.A.L.I.E.; Anthony Ramos como Parker Robbins / Capuz; Alden Ehrenreich como Joe McGillicuddy / Ezekiel "Zeke" Stane; Manny Montana como John, primo e braço-direito de Robbins; Matthew Elam como Xavier Washington, irmão de Natalie, vizinho, amigo e espécie de interesse romântico de Riri; Anji White como Ronnie Williams, mãe de Riri; Eric André como Stuart Clarke / Fúria, especialista em tecnologia da gangue do Capuz, que Riri substitui; Sonia Denis como Palhaça, especialista em pirotecnia da gangue do Capuz; Shea Couleé como Sanguessuga, drag queen hacker nascida em Madripoor que faz parte da gangue do Capuz; Zoe Terakes e Shakira Barrera como Jeri e Roz Blood, o Irmão Sangue e a Irmã Sangue, ex-atletas, lutadores de rua e músculos da gangue do Capuz; Cree Summer como Madeline Stanton, amiga de Ronnie e ex-aluna de Kamar-Taj, dona de uma loja de doces que secretamente pratica magia e vende itens mágicos; Regan Aliyah como Zelma Stanton, filha de Madeline e amiga de Riri; Paul Calderón como Arthur Robbins, pai de Parker e CEO da empresa Artworks; Jim Rash como o Professor Wilkes do MIT; Harper Anthony como Landon, vizinho de Riri que a ajuda no transporte das peças da armadura mediante pagamento; e Sacha Baron Cohen como Mefisto. Participações especiais incluem LaRoyce Hawkins como Gary Williams, padrasto de Riri; Tanya Christiansen como Heather, vizinha esnobe de Zeke; Zhaleh Vossough como Sheila Zarate, CEO da empresa TNNL; e o rapper Saba como ele mesmo.

As filmagens ocorreriam nos Trillith Studios, em Atlanta, com filmagens em Chicago inicialmente ocorrendo apenas para cenas de ambientação - ou seja, para mostrar cenas da cidade e fingir que a série foi filmada lá. Uma réplica do restaurante White Castle, de Chicago, seria construída em estúdio em Atlanta, para que o elenco não precisasse viajar para filmar lá. Após o fim das filmagens, Bailey e Barnes não ficaram satisfeitos com a "Chicago falsa", e a equipe de produção viajou à Chicago verdadeira para regravar algumas cenas nas Zonas Sul, Norte e no Centro. Assim como para Homem de Ferro, seria construúida uma armadura cenográfica da Coração de Ferro, usada durante as filmagens, com uma versão digital sendo usada nas cenas mais impossíveis, como as de voo, adicionada na pós-produção, durante a qual a versão cenográfica seria aprimorada por efeitos especiais. Os efeitos visuais da série ficariam a cargo das empresas Base FX, Cantina Creative, Frame by Frame, ILM, Luma Pictures, Rise FX, SDFX Studios, e Tippett Studio.

Coração de Ferro teria apenas seis episódios, e um final aberto - segundo a cúpula dos Marvel Studios, seria avaliado de acordo com o desempenho da série se ela ganharia uma segunda temporada ou não. Os três primeiros episódios estreariam em 24 de junho de 2025, e os três últimos em 1 de julho. Isso seria visto com preocupação por alguns críticos, por poder dar a entender que a Disney estava querendo "se livrar da série" o mais rápido possível, mas Disney e Marvel responderiam que era apenas um experimento para ver se o público do Disney+ aceitaria melhor esse formato, semelhante ao usado em Andor, do que à estreia de um episódio por semana. De fato, Coração de Ferro seria a série mais assistida do Disney+ e a terceira mais assistida de todos os streamings nas duas semanas em que seus episódios estrearam, mas depois a audiência caiu bastante; ainda assim, a série fecharia 2025 como uma das dez produções originais mais assistidas do ano.

A crítica ficaria dividida, elogiando o carisma e a confiança de Thorne, a mistura entre magia e tecnologia, e a presença de cena de Cohen como Mefisto; o ritmo dos episódios e as supostas lições de moral contidas neles, por outro lado, seriam bastante criticadas, com os críticos comentando que a série fazia questão de mostrar que foi feita para o público jovem, mas que seus criadores não queriam arriscar que o público tirasse os olhos da tela um minuto sequer. Antes da estreia, a série seria vítima de um review bombing, prática através da qual diversos usuários atribuem uma noa baixa ou crítica negativa em sites especializados, sem nem mesmo terem visto a produção; Feige comentaria não estar preocupado com isso, e que essa era uma prática comum em se tratando de produções estreladas por mulheres, pessoas não-brancas ou da comunidade LGBTQIA+.

Para terminar, vale citar que, de forma não oficial, Riri faria sua estreia cinematográfica bem antes de sua estreia no MCU, em um curta chamado Not All Heroes Wear Capes - But Some Carry Tubes ("nem todo herói usa capa - mas alguns carregam tubos"), produzido pelo departamento de admissões do MIT em 2017. Interpretada por Ayomide Fatunde, no curta Riri passeia pelo campus, assiste a algumas aulas, trabalha na armadura da Coração de Ferro em seu dormitório e, no final, sai com a armadura para um voo de teste. O curta teve autorização da Marvel Comics, e foi produzido para se aproveitar do fato de que nos quadrinhos Riri é aluna do MIT para convencer mais alunos a se matricular na instituição.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Thunderbolts*
•Coração de Ferro

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sábado, 20 de junho de 2026

Escrito por em 20.6.26 com 0 comentários

Universo Cinematográfico Marvel (XX)

E hoje teremos o quê? Mais MCU!

Capitão América: Admirável Mundo Novo
Captain America: Brave New World
2025

Em outubro de 2015, Kevin Feige confirmaria que Capitão América: Guerra Civil encerraria a trilogia de Steve Rogers como Capitão América no MCU, e que Chris Evans estaria negociando interpretar o personagem apenas nos filmes dos Vingadores, sem interesse em estrelar um quarto filme. Três anos depois, em outubro de 2018, a Marvel anunciaria estar desenvolvendo uma série estrelada por Anthony Mackie, que teria de lidar com o fato de ter sido escolhido por Rogers como seu sucessor após os eventos de Ultimato. Mais tarde revelada como sendo Falcão e o Soldado Invernal, essa série seria pensada para ter apenas uma temporada, embora sua diretora, Kari Skogland, tenha declarado que havia deixado pontas soltas suficientes para a Marvel fazer uma segunda temporada caso quisesse. Enquanto a série estava no ar, Feige diria que a série poderia até ter outra temporada, mas que o plano inicial era que ela fosse sucedida por um filme, como havia ocorrido com WandaVision.

Em abril de 2021, pouco após a estreia do último episódio de Falcão e o Soldado Invernal ir ao ar, o chefe de roteiristas da série, Malcolm Spellman, revelaria que ele e Dalan Musson já estavam escrevendo um roteiro para um novo filme, que seria estrelado por Mackie no papel do Capitão América, e que originalmente seria escrito por Rob Edwards, que havia abandonado o projeto por diferenças criativas. Mackie declararia ter sido pego de surpresa, pois não estava sabendo do projeto, mas que estava extremamente empolgado, e que seria "monumental" para ele, principalmente por ser um ator negro, protagonizar um filme do Capitão América. Ele só diria estar um pouco desapontado porque, durante as gravações da série, conversava frequentemente com seus colegas Sebastian Stan e Daniel Brühl sobre a possibilidade de uma segunda temporada, que o filme provavelmente mataria de vez.

A pré-produção começaria pra valer em julho de 2022, com a contratação de Julius Onah para a direção, recomendado a Feige pela atriz Octavia Spencer, estrela de seu filme Luce, de 2019. Onah faria uma longa reunião com Feige e Mackie na qual definiria pontos-chave do filme, fazendo questão de que ele fosse "um filme de Sam Wilson, não do Capitão América", mas que Wilson não mostraria nenhuma insegurança ou dúvida em assumir o papel do herói, estando "à vontade". A ideia da inclusão de Samuel Sterns - que não dava as caras no MCU desde O Incrível Hulk, de 2008 - e Thaddeus Ross viria de Feige, mas seria muito bem recebida por Onah, que diria ter sido esse um dos motivos que o levariam a aceitar o cargo, achando que um vilão que tem como maior trunfo o intelecto seria um oponente mais adequado para Wilson do que um puramente físico.

Onah também se diria interessado em explorar os relacionamentos entre Wilson e Ross e entre Wilson e Joaquin Torres, que havia estreado no MCU em Falcão e o Soldado Invernal, e, nos quadrinhos, é o segundo Falcão. Em reuniões com Spellman e Musson, eles decidiriam explorar também o relacionamento de Wilson com outro personagem introduzido na série, Isaiah Bradley, o "primeiro supersoldado negro"; o neto de Bradley, Eli, estava presente nas primeiras versões do roteiro, mas seria cortado por Onah achar que o filme tinha personagens demais. Onah declararia que a dinâmica entre Wilson, Ross e Sterns faria com que o filme se tornasse um thriller de espionagem, semelhante em tônica a Capitão América: O Soldado Invernal, e que seria um desafio alcançar essa tônica com a inclusão dos elementos fantásticos de O Incrível Hulk. O diretor também gostaria que o filme funcionasse por si só, e que os espectadores pudessem aproveitá-lo mesmo que não tivessem visto nenhum dos anteriores, com a melhor forma de fazer isso sendo revelando os eventos de O Incrível Hulk através de Wilson, que os estava descobrindo naquele momento.

Spellman e Musson diriam sempre ter pretendido incluir Stan no filme, e que era "impossível conseguir divorciar completamente o Falcão e o Soldado Invernal", mas que tentaram manter em segredo sua participação até o último instante possível. Eles também diriam que sempre pretenderam que o Soldado Invernal fizesse apenas uma participação curta, e que tiveram muita dificuldade para decidir em qual cena essa participação ficaria melhor, optando por uma na qual Barnes pudesse dar apoio emocional a Wilson. Outro elemento que os roteiristas haviam definido antes da contratação de Onah seria a participação da Sociedade da Serpente, vilões de longa data do Capitão América nos quadrinhos - e parte de uma piada feita por Feige, que "revelaria" que o terceiro filme do Capitão América se chamaria The Serpent Society, antes de admitir que isso só foi feito para não revelar cedo demais que se tratava de Guerra Civil. Os roteiristas admitiriam que, nos quadrinhos, os vilões eram meio cômicos, fantasiados de serpentes e com poderes bizarros, mas que decidiriam, no filme, transformá-los em um grupo terrorista que representasse uma ameaça real, chamado simplesmente Serpente.

Inicialmente, o título do filme seria revelado como Capitain America: New World Order ("Nova Ordem Mundial"), o que causaria muita controvérsia por seu uso na política, em teorias de conspiração e até mesmo em retórica antissemita; Spellman assumiria ser o criador do título, mas diria que o escolheria simplesmente por também ser o título do primeiro episódio de Falcão e o Soldado Invernal, e que ele teria sido aprovado por Feige e Onah. O título só seria alterado em junho de 2023, já durante as filmagens, pegando emprestado o do livro de Aldous Huxley; a mudança seria elogiada, principalmente por trazer otimismo ao futuro dos heróis Marvel após a mudança de Capitão América, enquanto o título anterior era visto como uma indicação de pessimismo.

Outro ponto de grande controvérsia seria a inclusão da personagem Sabra, que nos quadrinhos é agente do Mossad, o serviço secreto israelense, o que levaria a temores de representação estereotipada de árabes e palestinos, e a personalidades de origem palestina, como o escritor Yousef Munayyer, declararem que sua inclusão representava uma "valoirização do Mossad" e que era "insensível e degradante" mostrar um agente secreto israelense como herói. Em resposta, os Marvel Studios diriam que a personagem havia sido "reimaginada para o MCU", o que levaria a protestos de israelenses, com o Comitê para o Judaísmo na América declarando que "apagar o passado israelense de Sabra é como dizer que o Capitão América é canadense". No fim, a personagem seria uma ex-Viúva Negra israelense que ocupa um ponto-chave no governo dos Estados Unidos e atende pelo nome de Ruth Bat-Seraph, sem que o nome Sabra seja sequer mencionado - e sem que ela seja mutante ou agente do Mossad como nos quadrinhos, nem tenha nenhuma ligação com o governo de Israel. Ainda assim houve polêmica, com grupos pró-palestina pedindo para que houvesse boicote ao filme devido aos ataques na Faixa de Gaza, e grupos pró-Israel manifestando repúdio por uma israelense jurar lealdade a um governo estrangeiro.

William Hurt havia assinado contrato para estar no filme, e sido informado por Feige de que, assim como nos quadrinhos, nesse filme Ross se transformaria no Hulk Vermelho, se mostrando empolgado com a possibilidade, principalmente devido a uma fala do produtor Nate Moore: "transformar um personagem que tem sua vida devotada a caçar o Hulk em um Hulk é mais do que fazer dele o antagonista, é fazer dele um personagem trágico". Após o falecimento de Hurt, em março de 2022, Feige e Spellman considerariam remover Ross do filme, acreditando que nenhum ator concordaria em assumir o papel; Harrison Ford, entretanto, que já havia conversado com Feige sobre a possibilidade de interpretar algum personagem no MCU, procuraria Feige durante a pré-produção e diria ter interesse em assumir o papel de Ross, para honrar o trabalho de Hurt e permitir que o arco do personagem se concluísse. No filme, Ross é eleito Presidente dos Estados Unidos, o que geraria comparações com a saga dos quadrinhos Secret Empire, de 1974, na qual o Capitão América descobre que o Presidente é um agente da HYDRA, e com outro filme de Ford, Perigo Real e Imediato, de 1994, que mostra uma conspiração semelhante. Para que o aparecimento do Hulk Vermelho causasse impacto, Onah controlaria o uso da cor vemelha no filme, pedindo para que ela fosse usada sempre o mínimo possível, e sempre para "representar o caos".

O uniforme de Capitão América usado por Wilson, criado em Wakanda, seria redesenhado a pedido de Mackie: a primeira versão do uniforme, usada em Falcão e o Soldado Invernal, era baseada no uniforme branco que Wilson usou durante seu período como Capitão América nos quadrinhos, e tinha um capuz que o ator definiu como "seu pior pesadelo", já que era extremamente quente, fazendo-o suar e embaçando seus óculos. A nova versão, criada por Ryan Meinerding, era mais leve, e era predominantemente azul escuro, com toques de vermelho e branco, mais parecido com os uniformes usados por Chris Evans quando ele interpretou o personagem.

Capitão América: Admirável Mundo Novo também traz finalmente um uso para Tiamut, o Celestial que emerge do centro da Terra parcialmente no final de Eternos: introduzir o adamantium no MCU, com o mineral, até então desconhecido, sendo encontrado na carcaça de Tiamut. Isso leva a uma disputa para ver qual país controlará a extração, com Ross liderando as negociações. Originalmente, o roteiro previa vários países lutando pelos direitos, com uma cena final envolvendo porta-aviões e jatos de mais de dez nações diferentes, mas Onah, achando que tudo estava muito confuso, pediria para que a batalha fosse apenas entre Estados Unidos e Japão, com, na versão final, apenas essas duas nações reivindicando os direitos de exploração. A batalha em torno do Celestial seria o "momento Marvel" do filme, com muita computação gráfica e ação frenética, o que foi autorizado por Onah após ele concluir que fazê-la no mesmo estilo do resto do filme não estava dando certo.

Falando nisso, o diretor de fotografia, Kramer Morgenthau, diria querer homenagear filmes de espionagem dos anos 1970, como O Dia do Chacal e Todos os Homens do Presidente, e, para tentar conseguir uma aparência de filme fotográfico usando câmeras digitais, usaria lentes anamórficas antigas adaptadas, e estabeleceria regras quanto ao movimento das câmeras, composição de cores e textura de ambientes. Onah queria que as cenas de ação fossem "pé no chão" e que Wilson fizesse coisas que ainda não haviam sido mostradas em suas aparições anteriores; embora as cenas nas quais o Capitão América luta tenham sido retocadas digitalmente, o diretor faria questão de que elas mostrassem que, ao contrário de Rogers, Wilson não tem nenhum superpoder, contando apenas com sua perícia atlética e com os elementos de seu traje. Durante as filmagens, Onah revelaria ter co-escrito o roteiro com Spellman e Musson.

As filmagens começariam em Atlanta, Geórgia, em março de 2023; pouco após o início das filmagens, começariam as greves dos roteiristas e atores de Hollywood. Os Marvel Studios declarariam que a produção não seria afetada, pois as filmagens já estavam adiantadas, e o tempo parado seria usado em pós-produção e para definir refilmagens. A cidade de Washington D.C. é um dos principais locais explorados no filme, segundo Onah, não somente porque Ross é presidente, mas porque foi lá que Wilson estreou no MCU, em O Soldado Invernal, e por ser próxima à residência de Bradley, em Baltimore; apesar disso, apenas uma semana de filmagens de cenários foi conduzida na cidade, com locais como a Casa Branca e Hains Point sendo recriados em Atlanta, usando uma combinação de elementos de estúdio, réplicas - a da Casa Branca fica dentro dos Tyler Studios, e é local frequente de filmagens - e retoques digitais. As cerejeiras onde ocorre a batalha do Capitão América contra o Hulk Vermelho existem de verdade e foram um presente do governo japonês ao norte-americano, sendo plantadas ao redor da cidade de Washington; a ideia de fazer lá a batalha seria de Onah, que diria ter vívidas lembranças das cerejeiras por ter crescido em Arlington, Virgínia, próximo à capital norte-americana. Para não usar as cerejeiras originais, a equipe de produção recriaria o local em Atlanta, misturando cerejeiras de verdade e árvores digitais.

O filme começa cinco meses após Ross ser eleito Presidente dos Estados Unidos, com Wilson já plenamente estabelecido como Capitão América, e Torres como seu parceiro. Um tratado para a exploração do adamantium é fundamental para o mandato de Ross, e ele pede ajuda a Wilson para reformular os Vingadores, que atuariam como uma força de segurança global. Antes que Wilson possa responder, entretanto, estranhos eventos causam caos em Washington, orquestrados por Sterns, que, desde os eventos de O Incrível Hulk, era prisioneiro de Ross, aparentemente ajudando-o, mas secretamente trabalhando em um plano para transformar Ross no Hulk Vermelho e sabotar o tratado de exploração do adamantium, provocando a Terceira Guerra Mundial. O elenco conta com Anthony Mackie como Sam Wilson / Capitão América; Harrison Ford como Thaddeus Ross / Hulk Vermelho; Danny Ramirez como Joaquin Torres / Falcão; Shira Haas como Ruth Bat-Seraph; Carl Lumbly como Isaiah Bradley; Xosha Roquemore como Leila Taylor, agente do Serviço Secreto com um passado em comum com Wilson; Giancarlo Esposito como Seth Voelker / Coral, líder da Serpente; Liv Tyler como Betty Ross; Tim Blake Nelson como Samuel Sterns; Sebastian Stan como Bucky Barnes; Jóhannes Haukur Jóhannesson como Mocassino; William Mark McCullough como Dennis Dunphy; e Takehiro Hira como o Primeiro-Ministro do Japão.

Em outubro de 2023, seria noticiado na imprensa que o filme teria sido muito mal recebido pelas plateias de teste, e que três de suas principais sequências seriam cortadas, com extensas refilmagens sendo programadas para ocorrer entre janeiro e maio ou junho de 2024. Em dezembro, Rob Edwards e Peter Glanz seriam contratados para escrever as cenas das refilmagens. Nelson diria que as refilmagens mudariam praticamente todas as suas cenas, mas Mackie diria que nenhum dos principais elementos do filme seria alterado, e que as refilmagens cuidariam apenas de questões como ritmo e tônica para alcançar "o filme de espionagem perfeito"; imagens e declarações posteriores da equipe mostrariam que a aparência de Sterns seria drasticamente modificada, sendo usada uma nova prótese e mais retoques digitais, sendo esse o motivo pelo qual Nelson teve de refazer suas cenas. Outro boato que se espalhou foi que, originalmente, Ross morria no final do filme; isso seria negado por Onah, que diria "não ser tão fácil matar um Hulk". A cena pós-créditos do filme também seria filmada durante as refilmagens, com Onah usando o fato de querer ver quais futuros projetos dos Marvel Studios ainda estavam confirmados após as greves para decidir se a cena teria ligação com algum deles.

Em maio de 2024, Esposito confirmaria ter participado das refilmagens, interpretando "um personagem que anteriormente não estava presente no filme, mas que estrearia nele para posteriormente ter destaque em uma série do Disney+". Originalmente, esse personagem seria o Rei Cobra, e Moore diria que Esposito estava muito empolgado por um ator negro interpretar um personagem com "Rei" no nome, mas mais tarde Onah revelaria se tratar do Coral, que foi o fundador da Sociedade da Serpente nos quadrinhos, então faria sentido que ele introduzisse a equipe no MCU. Esposito substituiria dois outros atores, Seth Rollins e Rosa Salazar, que haviam interpretado Mocassino e Cascavel e acabaram cortados do filme após as refilmagens; a trama no filme de ambos seria condensada na trama dada a Coral, com Mocassino sendo reimaginado para o guarda-costas interpretado por Jóhannesson - que, na verdade, se parece mais com o Urutu dos quadrinhos. Ainda segundo Onah, os Mocassino e Cascavel originais estavam muito parecidos com os dos quadrinhos e destoando do clima de espionagem do filme, com a oportunidade de contar com Esposito também sendo usada para corrigir esse detalhe.

Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Weta FX, Digital Domain, Luma Pictures, Barnstorm VFX, UPP, OPSIS, e Outpost VFX. Os retoques digitais na aparência de Stern ficariam a cargo da Luma, enquanto a Weta criaria o Hulk Vermelho, trabalhando sob supervisão de Meinerding; a intenção era fazer dele não "o Hulk, só que vermelho", mas uma versão mais ameaçadora do Hulk, com postura mais ereta e aparência mais atlética, mantendo ao máximo as feições de Ford. O próprio Ford forneceria a captura de movimentos, exceto na cena da luta contra o Capitão América, na qual Mackie lutaria contra um dublê cujo nome não foi registrado. Originalmente, a primeira transformação de Ross no Hulk Vermelho seria mais atemorizante, com ossos partindo e pele se rasgando, mas a versão preliminar não ficaria boa e a equipe optaria por uma transição mais suave; a Weta também criaria um processo no qual o Hulk Vermelho voltava a ser Ross, mas Onah acharia que isso quebraria "a tranquilidade da cena" e não o usaria. Tiamut e a batalha pelo adamantium ficariam a cargo da Digital Domain, que usaria o mesmo modelo digital de Eternos, mas em escala menor.

Capitão América: Admirável Mundo Novo seria o primeiro filme dos Marvel Studios sem o logotipo tradicional no início; a pedido de Onah, seria usada uma versão estática, em preto e branco e sem fanfarra, mais de acordo com o clima do filme. Sua estreia mundial seria em 14 de fevereiro de 2025, após uma pré-estreia no TCL Chinese Theatre, em Hollywood, dia 11. Seu orçamento seria de 180 milhões de dólares, considerado muito barato para um filme dessa magnitude, mas seu desempenho nas bilheterias seria considerado decepcionante: 200 milhões nos Estados Unidos e Canadá, 415 milhões considerando o mundo inteiro. Feige atribuiria o mau desempenho à ausência de Evans, mas alguns analistas o colocariam na conta de ser um filme com um protagonista negro com um parceiro latino. A crítica ficaria dividida, elogiando as performances de Mackie e Ford, mas criticando as cenas de ação e considerando o roteiro sem originalidade nem profundidade emocional. Muitos críticos acreditariam que Ross era uma alegoria para o presidente Donald Trump, o que foi negado por Onah, outros diriam que, para um filme político, estava faltando política.

Em janeiro de 2025, Mackie diria estar pronto para interpretar o Capitão América "por mais dez anos"; até o momento, porém, não há planos para um novo filme solo do herói, embora sua participação já esteja confirmada nos dois vindouros filmes dos Vingadores.

Demolidor: Renascido
Daredevil: Born Again
1ª temporada
2025

Uma das maiores discussões dos fãs do MCU é sobre se as Séries Marvel da Netflix pertencem ou não ao cânone - em outras palavras, se Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores e O Justiceiro são ambientados na Linha do Tempo sagrada ou em alguma realidade alternativa. No início, não havia nenhuma dúvida, com os personagens dessas séries até mesmo estando cotados para aparecer em Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores:Ultimato, mas, após o final da Fase 3 e da Saga do Infinito, o posicionamento oficial dos Marvel Studios era que não, as séries não eram ambientadas no mesmo universo dos filmes lançados até então. Como os personagens eram populares demais e os atores bons demais para serem descartados assim sem mais nem menos, porém, os próprios Marvel Studios deram um jeito de introduzi-los no MCU aos poucos, primeiro com uma participação do Rei do Crime em Gavião Arqueiro, então uma de Matt Murdock em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, e em seguida uma dele como Demolidor em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis. Apesar de serem interpretados pelos mesmos atores, as "versões MCU" desses personagens pareciam ligeiramente diferentes de suas "versões Netflix", o que aparentemente confirmava o posicionamento oficial. Mas aí uma nova série entrou em desenvolvimento, e colocou mais lenha na fogueira.

Quando Demolidor foi cancelada pela Netflix, em 2018, logo começaram a surgir boatos de que a série poderia ganhar uma nova temporada no serviço de streaming da Disney, o Disney+, que sequer havia sido lançado; o contrato entre Disney e Netflix, porém, estipulava que a Disney não poderia usar nenhum dos personagens das séries financiadas pela Netflix durante um período de dois anos após o cancelamento, o que significava que, se fosse mesmo ser produzida, uma nova série ou temporada do Demolidor só poderia entrar em produção a partir de 2020. Devido à grande popularidade da série, tanto o presidente do setor de venda direta ao consumidor da Disney quanto o vice-presidente do serviço de streaming Hulu, que também pertence à Disney, tinham interesse em que fosse produzida uma quarta temporada, mas os executivos dos Marvel Studios pareciam não ter quaisquer planos para que isso fosse concretizado.

Quando as negociações finalmente começassem, em junho de 2020, a ideia original de Kevin Feige era fazer uma nova série sem qualquer ligação com as da Netflix, mas ainda trazendo Charlie Cox como Demolidor e Vincent D'Onofrio como Rei do Crime, segundo ele, porque esses atores já estavam intrinsecamente ligados aos personagens, "assim como Robert Downey, Jr. a Tony Stark e Chris Evans a Steve Rogers". Cox, que havia ficado bastante triste com o cancelamento de Demolidor, aceitou o convite na hora, com apenas alguns trâmites legais impedindo o anúncio de seu retorno ao personagem, feito simultaneamente ao de D'Onofrio, em dezembro de 2021, pouco antes das estreias de Gavião Arqueiro e Homem-Aranha: Sem Volta para Casa - no qual a participação de Cox foi mantida em segredo. Os planos para uma nova série do Demolidor, que estrearia no Disney+, começariam a ser traçados no mês seguinte, em janeiro de 2022, dois meses antes de os direitos da Netflix sobre as séries expirarem e elas também entrarem para o catálogo do Disney+, em março.

Ao contrário de Feige, Cox desejava que a nova série fosse uma continuação direta da original, ambientada alguns anos após o final da terceira temporada, e com classificação TV-MA - inadequada para menores de 18 anos - acreditando ser impossível retratar o universo do Demolidor de forma fidedigna em uma série de classificação Livre. O ator também tinha interesse em fazer da nova série uma adaptação mais fiel da história A Queda de Murdock, de Frank Miller e David Mazzucchelli, que serviu de inspiração para a terceira temporada da série da Netflix. Tudo isso foi levado em conta nas reuniões que o ator fez com os executivos dos Marvel Studios enquanto aguardava o anúncio de sua contratação.

Em maio, a nova série do Demolidor seria oficialmente anunciada pela Disney, com Matt Corman e Chris Ord sendo anunciados como chefes da equipe de roteiristas. Em julho, seria anunciado o título da série, Daredevil: Born Again - o título original de A Queda de Murdock em inglês, que também significa "renascido" - e que não se tratava de uma quarta temporada, mas de "uma coisa totalmente nova", com a equipe desconversando sempre que era perguntado se a série seria um reboot. Inicialmente, seriam anunciados 18 episódios, com Cox comentando que isso seria "um grande esforço", mas necessário, já que a série lidaria "com muitos aspectos da vida de Murdock como advogado". O título seria entendido não como uma adaptação de A Queda de Murdock, mas como o Demolidor "renascendo" para ser adaptado ao MCU, em uma referência semelhante à feita quando a Marvel decidiu chamar o primeiro filme do Homem-Aranha no MCU de Homecoming. Mais tarde, D'Onofrio confirmaria essa versão, dizendo que não havia planos para conectar a nova série à original.

A pré-produção começaria em março de 2023, com o anúncio de que diretores haviam sido contratados para dirigir episódios em blocos: Michael Cuesta seria responsável pelos dois primeiros, Jeffrey Nachmanoff pelos dois seguintes, David Boyd pelo quinto e sexto, e Clark Johnson, que havia dirigido episódios de Luke Cage, por dois não especificados. Quando as greves dos roteiristas e atores de Hollywood começasse, em maio, seis dos episódios já estavam praticamente finalizados, e o restante já tinha roteiros, aguardando a conclusão das negociações para que sua produção começasse. Em setembro de 2023, entretanto, em meio às greves, a cúpula dos Marvel Studios decidiria descartar tudo e recomeçar tudo do zero, com o argumento de que tinha assistido aos episódios já filmados e concluído que a série "não estava funcionando". Corman, Ord e todos os diretores foram demitidos, e todo o processo de escolha de roteiristas e diretores recomeçaria.

Pessoas que tiveram acesso aos episódios já filmados diriam que a mudança ocorreria porque Cordman e Ord estavam de fato fazendo uma série diferente daquela da Netflix, mas diferente demais: os roteiristas haviam criado uma série de tribunal com natureza episódica, na qual cada episódio tinha uma história fechada, com início, meio e fim, sem afetar aos demais, e na qual o foco estava muito mais na profissão de Matt como advogado do que em sua vida dupla como Demolidor - ele só apareceria de uniforme no quarto episódio, e não combateria diretamente o crime em nenhum dos já filmados. Isso desagradaria à cúpula dos Marvel Studios, que, apesar de não querer ligações com a série da Netflix, desejava que o tom fosse, ao menos, parecido.

Outro elemento bastante criticado, esse inclusive pelo público, seria que, exceto por Cox, D'Onofrio e Jon Bernthal, que interpreta o Justiceiro, todo o elenco da série seria completamente novo, com o único outro personagem presente na série da Netflix retornando para a da Disney sendo Vanessa Fisk, que seria interpretada por Sandrine Holt - boatos jamais confirmados diziam que Jessica Jones e o policial Brett Mahoney também estariam na série, sem especificar se interpretados por seus atores originais ou não, e que Luke Cage estaria, mas interpretado por outro ator. Após a mudança, a equipe criativa decidiria convidar Ayelet Zurer, intérprete de Vanessa na série da Netflix, para repetir o papel em Demolidor: Renascido, e incluir na história Foggy Nelson, Karen Page e o Mercenário, todos interpretados por seus atores da Netflix. Bernthal diria ter pensado em abandonar a série, e voltado atrás quando permitiram que ele escrevesse a cena na qual o Justiceiro é introduzido na série, que seria a última gravada antes da paralisação pela greve dos roteiristas; Cox diria que Bernthal seria um dos principais responsáveis pela mudança na equipe criativa, com os executivos dos Marvel Studios concluindo que seria melhor aproximar a série do estilo adotado pela Netflix após assistir sua cena.

Brad Winderbaum, chefe do departamento de streaming da Disney, defenderia Cordman e Ord, que ainda seriam creditados como produtores executivos, dizendo que eles haviam recebido instruções para que, apesar de contarem com Cox e D'Onofrio, fizessem da série um "reset", já que os Marvel Studios acreditavam que, se houvesse desconfiança de que era necessário assistir às três temporadas da série da Netflix para compreender a nova série, espectadores novos poderiam não se interessar, diminuindo a audiência. Além disso, Feige confirmaria que a ideia inicial era fazer uma série episódica, diferentemente das séries da Fase 4, que pareciam um filme dividido em vários episódios, e que o intuito era fazer a série parecida com a da Netflix, mas "apropriada para espectadores mais jovens".

Tanto Cox quanto D'Onofrio, porém, elogiariam a mudança, dizendo estar convencidos de que a abordagem de Cordman e Ord não era a mais correta, com Cox declarando que as versões do Demolidor e do Rei do Crime "estavam sendo tratados como variantes", em uma referência ao termo usado em Loki, querendo dizer que eram diferentes demais de suas versões na série da Netflix, e D'Onofrio declarando que Feige ouviu as preocupações da dupla, concluindo que um "reboot parcial" seria impossível, com os únicos caminhos sendo ou "abraçar a série da Netflix", ou recomeçar a história do Demolidor do zero.

Em outubro de 2023, Dario Scardapane, que havia sido roteirista da série do Justiceiro da Netflix, seria anunciado como o novo showrunner de Demolidor: Renascido, com os diretores Justin Benson e Aaron Moorehead, que haviam trabalhado em Cavaleiro da Lua e Loki sendo anunciados no mês seguinte. Exceto por Cordman e Ord, a equipe de roteiristas seguiria a mesma, e, após a chegada de Scardapane, se diria convencida de que o único caminho possível era fazer da nova série uma continuação da série da Netflix, usando os mesmos personagens e seguindo com suas histórias. Cox diria que, ainda assim, não seria uma "quarta temporada", e que os roteiristas estavam tentando encontrar um "equilíbrio delicado" para introduzir o Demolidor no MCU sem que fosse necessário trazer toda a bagagem da Netflix junto. Benson e Moorehead se diriam extremamente empolgados com o projeto, principalmente por ele ser mais "pé no chão", sem os elementos de fantasia e ficção científica de seus trabalhos anteriores para os Marvel Studios; D'Onofrio declararia que os diretores estavam dentre os principais talentos da Marvel, e diria estar ansioso para trabalhar com eles.

Ao invés de escrever todos os roteiros do zero, a equipe de roteiristas optaria por reescrever os que já tinham antes da mudança, com apenas três episódios tendo roteiros totalmente novos, dentre eles o piloto - e o segundo tendo tido tão pouca coisa alterada que continuou creditado a Cordman e Ord. Da mesma forma, algumas cenas dirigidas por Cuesta, Nachmanoff e Boyd seriam aproveitadas - como a da introdução do Justiceiro - com os três sendo "recontratados" em agosto de 2024, e Nachmanoff e Boyd retornando para filmar novas cenas e ajudar Benson e Moorehead a fazer um trabalho final coeso. Em maio de 2024, Cox diria que apenas nove episódios haviam sido filmados, com Feige confirmando que se tratava "da primeira temporada de Demolidor: Renascido", com os demais nove tendo sido adiados para uma segunda temporada. No fim, os roteiros seriam creditados a Scardapane, Cordman & Ord, Jill Blankenship, David Feige e Jesse Wigutow, Grainne Godfree, Thomas Wong, Blankenship, Wigutow & Scardapane, e Heather Benson & Scardapane. A direção do primeiro e a dos dois últimos seria creditada a Benson & Moorehead, com, no meio, dois de Cuesta, dois de Nachmanoff e dois de Boyd.

Scardapane diria ter sido um grande desafio fazer a série com referências aos elementos da Netflix, mas com uma história totalmente nova, que os espectadores pudessem assistir sem ter tido de ver as três temporadas anteriores. Ele confirmaria que, oiginalmente, a série seria ambientada em uma realidade diferente - ou melhor, Demolidor: Renascido seria ambientada na Linha do Tempo Sagrada, enquanto a série da Netflix seria ambientada em uma realidade alternativa - e que, originalmente, Foggy e Karen sequer apareceriam na série, com a equipe de roteiristas tendo grande dificuldade para encaixá-los na história. Scardapane também diria que muitas de suas ideias seriam vetadas pelos Marvel Studios por entrar em conflito com o que estava sendo planejado para o MCU como um todo, mas que, fora isso, teve carta branca para usar os personagens da forma como achasse melhor. Ele preferiria ignorar as aparições de Murdock em Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa e Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, considerando que elas fizeram parte da vida do personagem, mas não tinham impacto sobre a história que ele estava vivendo agora.

Um dos pontos-chave da série é a morte de Foggy nas mãos do Mercenário, após a qual Matt passa um ano sem usar o uniforme de Demolidor, querendo deixar a vida de vigilante para trás. Esse evento já estava presente no roteiro original de Cordman e Ord, mas ocorreria fora da tela, com a primeira cena do primeiro episódio sendo o Demolidor chorando por sob a máscara. Scardapane decidiria começar o piloto com Matt, Foggy e Karen confraternizando antes da intervenção do Mercenário que levaria à morte de Foggy, para deixar claro que o mundo do Demolidor havia sido alterado irreversivelmente, e então fazer uma passagem de tempo de um ano para começar de fato a série. O morte de Foggy seria um dos pontos mais criticados do roteiro original, e vários dos roteiristas quiseram aproveitar a mudança na equipe criativa para removê-la da história, mas Scardapane a defenderia, alegando que fazia sentido para a história que ele estava imaginando que Matt "perdesse seu compasso moral", e que esse evento seria "mais que um ponto de virada, seria um terremoto", inclusive comparando-a com um evento dos quadrinhos, no qual o Mercenário mata Karen. Cox concordaria que a morte de Foggy seria a única coisa capaz de fazer Matt abandonar por um ano sua carreira como Demolidor, e sugeriria que o Demolidor pudesse ouvir o coração de Foggy batendo durante sua luta contra o Mercenário, o que Scardapane adorou e acrescentou ao roteiro imediatamente.

Outro ponto central da série, criado por Cordman e Ord e mantido por Scardapane, é a eleição de Fisk como prefeito de Nova Iorque, algo que começaria a ser construído na série Eco. Segundo Scardapane, isso daria a oportunidade de o Demolidor e o Rei do Crime se enfrentrarem no campo político, ao invés de trocarem socos. Scardapane diria se inspirar em filmes e séries dos anos 1990, principalmente Familia Soprano (curiosamente, Michael Gandolfini, que interpreta um dos assessores de Fisk, é filho de James Gandolfini, que interpretava Tony Soprano) e Rei de Nova York, para criar o clima da série, e desejar que ela fosse uma espécie de Game of Thrones, com vários grupos diferentes lutando pelo controle da cidade. Quando surgiu a informação de que Fisk seria eleito prefeito, houve especulação de que a série adaptaria a saga dos quadrinhos Reinado do Demônio; Scardapane diria essa nunca foi uma das intenções da equipe criativa, já que a saga dos quadrinhos conta com a participação de diversos heróis Marvel e termina com a destruição de Nova Iorque - ainda assim, como nos quadrinhos, na série Fisk visa proibir a atuação de super-heróis na cidade.

A série começa um período de tempo não especificado após a terceira temporada da Netflix, mas com Matt, Foogy e Karen sendo bem-sucedidos na firma Murdock, Nelson & Page. Após a morte de Foggy, há uma passagem de um ano, durante o qual Matt não vestiu o uniforme de Demolidor nem teve contato com Karen. Fundando uma nova firma, a Murdock & McDuffie, Matt tem a oportunidade de defender outro super-herói, o Tigre Branco, acusado de matar um policial, e descobre um esquema de corrupção na polícia de Nova Iorque. Paralelamente a isso, Fisk é eleito prefeito, bane o vigilantismo, e cria uma divisão especial da polícia - formada justamente pelos corruptos - para assumir o combate ao crime feito pelos heróis fantasiados. Matt decide voltar a usar o uniforme de Demolidor quando o assassino serial Muse ameaça seus entes queridos, disposto a provar que Fisk não se redimiu e está do lado da lei, mas sim contribuindo para que a cidade fique ainda mais perigosa.

O elenco conta com Charlie Cox como Matt Murdock / Demolidor; Vincent D'Onofrio como Wilson Fisk / Rei do Crime; Margarita Levieva como Heather Glenn, psicóloga que atua como terapeuta de casal para Fisk e Vanessa, com quem Matt, sem saber disso, tem um romance; Deborah Ann Woll como Karen Page; Elden Hanson como Franklin "Foggy" Nelson; Wilson Bethel como Benjamin "Dex" Poindexter / Mercenário; Ayelet Zurer como Vanessa Fisk; Zabryna Guevara como Sheila Rivera, coordenadora de campanha de Fisk; Nikki M. James como Kirsten McDuffie, ex-promotora e sócia de Matt na nova firma; Genneya Walton como BB Urich, sobrinha de Ben Urich e também jornalista, responsável pelo canal The BB Report; Arty Froushan como Buck Cashman, braço-direito de Fisk; Clark Johnson como Cherry, ex-policial, amigo de longa data de Matt e investigador na Murdock & McDuffie; Michael Gandolfini como Daniel Blake, assessor de Fisk; Kamar de los Reyes como Hector Ayala / Tigre Branco; Camila Rodriguez como Angela del Toro, sobrinha de Hector; Hunter Doohan como Bastian Cooper / Muse; Tony Dalton como Jack Duquesne / Espadachim; Mohan Kapur como Yusuf Khan; e Jon Bernthal como Frank Castle / Justiceiro. Participações especiais incluem Ruibo Qian como a policial Angie Kim; Patrick Murney, Cillian O'Sullivan e Gino Anthony Pesi como Luca, Devlin e Viktor, criminosos de diferentes famílias que querem destronar Fisk e mandar na cidade; Hamish Alln-Headley como o policial corrupto Connor Powell, da confiança de Fisk; Michael Gaston como o Comissário de Polícia Gallo; John Benjamin Hickey como Benjamin Hochberg, promotor de Nova Iorque; Lou Taylor Pucci como Adam, artista que tem um caso com Vanessa; e Susan Varon como Josie, dona do bar frequentado por Mat, Foggy e Karen.

Assim como a série da Netflix, Demolidor: Renascido seria integralmente filmada em Nova Iorque, com as internas sendo gravadas nos Silvercup Studios, no Queens, e externas sendo filmadas em Yonkers, em Williamsburg, no Bronx, no Harlem, no Manhattan Municipal Building e na Suprema Corte de Nova Iorque. O primeiro episódio conta com uma cena em plano-sequência, algo pelo qual a série da Netflix se tornaria famosa. As cenas do BB Report seriam gravadas pelos documentaristas independentes Sean Dunne e Cass Marie Greener, da Very Ape Productions, sob supervisão de Nachmanoff, que os orientou a fazê-los "como se fossem estudantes de cinema"; esses segmentos tinham cada um uma ideia central, mas não tinham roteiros, com todos os atores falando de improviso.

O uniforme do Demolidor seria desenhado por Ryan Meinerding, que também havia criado o uniforme usado na série da Netflix, mas, a pedido de Feige, o faria com um tom de vermelho mais escuro e com detalhes em preto, para que ele ficasse "menos brilhante" que o da Netflix; boatos diriam que, antes da mudança, o Demolidor usaria em Renascido o uniforme vermelho e amarelo de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, mas Meinerding os desmentiria, confirmando que o herói usava seu uniforme vermelho e preto nos episódios gravados antes das greves dos atores e roteiristas.

Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Rise FX, FOLKS, Phosphene, Powerhouse VFX, Ghost VFX, Soho VFX, Cantina Creative, Anibrain, Base FX, SDFX e The Third Floor, Inc. A abertura também seria totalmente nova, ficando a cargo da Perception e trazendo música dos Newton Brothers, responsáveis por toda a trilha da série, que fariam um remix do tema de abertura original, criado por John Paesano e Braden Kimball. Ao invés de efeitos que simulavam sangue, como a da série da Netflix, ela trazia efeitos que simulavam pedras e poeira, mas vários dos temas presentes na abertura, como a estátua da justiça e a máscara do Demolidor, seriam semelhantes.

Demolidor: Renascido traria em seu início o logotipo da Marvel Television, e estrearia no Disney+ em 4 de março de 2026, com dois episódios; um novo episódio seria lançado por semana, exceto em 25 de março, quando também foram lançados dois, com o último sendo lançado em 15 de abril. A crítica seria extremamente positiva, considerando que a série "superou expectativas" e elogiando as atuações e a química entre Cox e D'Onofrio. Os dois episódios de estreia de Demolidor: Renascido foram a audiência mais alta do Disney+ em 2025 e a segunda mais alta de toda a Fase 5, atrás apenas dos de Agatha Desde Sempre; a série seria a mais assistida do streaming em suas duas últimas semanas, e fecharia o ano dentre as dez mais assistidas nos Estados Unidos, entre as três primeiras se forem consideradas somente produções originais.

Em agosto de 2024, Scardapane confirmaria que a série havia sido dividida em duas temporadas, com ele, Benson e Moorehead sendo confirmados na segunda temporada em fevereiro de 2025, quando o showrunner declararia que "a máquina estava melhor azeitada" após a produção confusa da primeira temporada, e que a segunda teria apenas oito episódios. Scardapane também diria estar planejando a aparição, na segunda temporada, de mais personagens das séries da Netflix, como Elektra, o Tentáculo, e os demais Defensores, com a presença de Jessica Jones, novamente interpretada por Krysten Ritter, sendo confirmada em maio de 2025. No mês seguinte, Cox e D'Onofrio diriam que havia a chance até mesmo de uma terceira temporada, caso a audiência da segunda fosse boa. Em setembro de 2025, Winderbaum confirmaria a terceira temporada, declarando, também, que, devido ao grande sucesso e boa recepção da primeira, a série ganharia uma nova temporada por ano até quando fosse possível.

Mas e aí, após a estreia de Demolidor: Renascido, as séries da Netflix passaram a ser cânone? Por incrível que pareça, a posição oficial dos Marvel Studios segue sendo que não - restando a única explicação de que as séries da Netflix são de fato ambientadas em uma realidade alternativa, mas em uma na qual os eventos retratados nelas ocorreram de forma muitíssimo parecida com os da Linha do Tempo Sagrada.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Capitão América: Admirável Mundo Novo
•Demolidor: Renascido
(1ª temporada)

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