sábado, 10 de janeiro de 2026

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Universo Cinematográfico Marvel (XV)

Conforme ameaçado quando eu fiz a série de posts sobre a Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel, hoje começo a série sobre a Fase 5!

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania
Ant-Man and the Wasp: Quantumania
2023

Antes mesmo do lançamento de Homem-Formiga e a Vespa, em 2018, o diretor Peyton Reed deu uma entrevista na qual declarou que ainda havia muitos "elementos com os quais brincar" em um potencial terceiro filme da dupla, e que sua ideia era colocar em destaque o Reino Quântico, mencionado no primeiro filme e abordado com mais detalhes no segundo, no qual, de acordo com o diretor, "havíamos apenas molhado as pontinhas dos pés".

Após o lançamento de Vingadores: Ultimato, em 2019, Kevin Feige confirmaria que havia planos para novas aparições do Homem-Formiga, fosse em um filme próprio, fosse em outros filmes da franquia, já que ele era "uma das peças que não haviam sido removidas do tabuleiro"; Paul Rudd, intérprete do personagem, confirmaria que havia conversado sobre ambas as possibilidades, mas que nada ainda estava definido. Michael Douglas, intérprete de Hank Pym, por outro lado, confirmaria que as negociações para um terceiro filme do Homem-Formiga estavam adiantadas, enquanto Evangeline Lilly, intérprete da Vespa, diria não ter sido procurada, mas acreditar que "a jornada da personagem ainda não estava completa", e Michelle Pfeiffer se diria interessada em interpretar novamente Janet Van Dyne caso um terceiro filme saísse do papel. A Marvel confirmaria um terceiro filme, com Reed na direção, em novembro de 2019, com ele mesmo confirmando as presenças de Rudd, Lilly e Douglas, e as filmagens estando marcadas para começar em janeiro de 2021.

Por incrível que pareça, Reed não era uma unanimidade nos Marvel Studios, com um grupo grande de executivos preferindo que cada filme de um determinado herói tivesse diretores diferentes, para que diversas abordagens fossem mostradas, mas Feige bancaria a escolha argumentando que Reed conhecia como ninguém o universo do Homem-Formiga, e seria injusto não deixar que ele concluísse sua trilogia. Para o roteiro, a Marvel contrataria Jeff Loveness, que assinaria já durante os primeiros dias da quarentena da pandemia, quando os estúdios estavam suspendendo as novas produções; isso faria com que ele tivesse de trabalhar de casa, com Chris McKenna, Eric Pearson, Rudd e Erik Sommers contribuindo para o roteiro através de reuniões online, mas apenas Loveness sendo creditado. A pandemia também faria com que a Marvel não conseguisse manter a data de janeiro de 2020 para o início das gravações, com esta sendo adiada por tempo indeterminado em agosto de 2020.

Na mesma época, Reed confirmaria que o filme seria ambientado no Reino Quântico, e, portanto, muito diferente dos dois anteriores; segundo ele, suas principais referências para a construção do cenário seriam as revistas Heavy Metal dos anos 1970 e 1980, ilustrações de artistas de ficção científica, como Moebius, e fotografias de microscópios eletrônicos. Em setembro de 2020, Jonathan Majors seria confirmado no filme; como na série Loki ele havia interpretado um personagem considerado uma versão alternativa de Kang, o Conquistador, isso meio que confirmava que Kang seria o vilão do filme do Homem-Formiga. A confirmação ganharia força quando fosse divulgado que, antes de contratar Majors, Reed havia conversado com Kate Herron e Michael Waldron, respectivamente diretor e roteirista de Loki, sobre a melhor forma de integrar o personagem ao MCU. Reed declararia ter interesse em trabalhar com Majors desde que assistiu The Last Black Man in San Francisco, e que estava satisfeito com o fato de o vilão do filme ser um dos Classe A da Marvel, equiparável a Loki ou ao Dr. Destino.

Pfeiffer só seria confirmada no filme, com um papel de bastante dstaque, em dezembro de 2020, junto com Kathryn Newton no papel de Cassie Lang. Emma Fuhrmann, que interpretou a personagem em Vingadores: Ultimato, se diria entristecida por ter sido trocada por Newton, e declararia esperar poder ter um novo papel no MCU no futuro; Newton havia originalmente feito o teste para Kate Bishop na minissérie Gavião Arqueiro, papel que acabaria ficando com Hailee Steinfeld, mas os produtores gostaram tanto dela que decidiram convidá-la para interpretar Cassie, substituindo Fuhrmann. Após o anúncio de que Cassie estava no filme, Loveness declararia ter se inspirado em várias "comédias de pai e filha dos anos 1990", como O Pai da Noiva e Jumanji, para criar o relacionamento entre Scott e Cassie; ele também diria ter aproveitado o tempo extra que teve para escrever o roteiro, devido à pandemia, para experimentar "algo novo e estranho": o filme começa como uma aventura em família, mas logo se transforma em um épico de guerra e ficção científica.

Em fevereiro de 2021, antes de qualquer anúncio oficial da Marvel, o Ministro da Cultura e Turismo da Turquia confirmaria que as filagens haviam começado na Capadócia, e que mais filmagens estavam programadas para outras partes do país ainda naquele ano. No mesmo mês, seria confirmado que o personagem Dave, de Top T.I. Harris, não estaria no filme; boatos dariam conta de que a Marvel havia removido o personagem do filme após Harris ser acusado de abuso sexual pela cantora Tiny, mas Feige diria em entrevista à revista Variety que Dave jamais esteve em nenhuma versão do roteiro, bem como seu amigo Kurt, ou Luis, amigo de Scott e chefe dos dois - embora David Dastmalchian, que interpretou Kurt, tenha sido escalado para dublar um novo personagem, feito por computação gráfica. Na mesma entrevista, Feige confirmaria a estreia do filme para fevereiro de 2023, dois anos após o planejamento original.

Apesar do que disse o Ministro turco, as filmagens começariam oficialmente em julho de 2021, nos Pinewood Studios, na Inglaterra, mas teriam que ser interrompidas em setembro após grande parte da equipe de filmagens contrair um norovírus, que causa gastroenterite. Ao mesmo tempo, filmagens que seriam usadas apenas em cenas sem a presença dos atores ocorreriam em San Francisco e em Atlanta, nos Estados Unidos. Durante as filmagens, o ator Corey Stoll, que havia interpretado o vilão Darren Cross no primeiro filme, foi visto no set, o que gerou muitas especulações sobre se Cross estaria no filme ou se ele interpretaria um novo personagem. Também durante as filmagens, em uma entrevista sobre outro assunto, Bill Murray diria estar no filme, e que jamais havia se interessado por filmes de super-heróis, mas que havia decidido aceitar o convite de Reed por ser fã do filme As Apimentadas, dirigido por ele em 2000; em entrevistas subsequentes, Murray seria novamente perguntado sobre seu papel, mas diria não poder falar mais nada além de que seria "um cara mau". Curiosamente, a maior parte das cenas envolvendo o personagem de Murray seriam cortadas do roteiro durante as filmagens e jamais filmadas, o que transformaria seu papel em uma participação especial, e levaria a boatos de que os cortes foram uma represália por o ator ter vazado sua participação.

Sendo um filme ambientado em um Reino fantástico, obviamente Quantumania teve efeitos especiais em quase todas as suas cenas, divididos entre 15 empresas: Sony Pictures Imageworks, Industrial Light & Magic, Digital Domain, Moving Picture Company, Fin Design + Effects, Spin VFX, Rising Sun Pictures, Folks VFX, Barnstorm VFX, Base FX, Pixomondo, MARZ, Luma Pictures, Atomic Arts, Territory Studio e Stereo D. A sequência de abertura (que, na verdade, vem no final) ficaria a cargo da Perception, que emularia o visual do Reino Quântico, criado por computação gráfica, com imagens reais de fluidos viscosos e reações químicas. Por causa da pandemia, a pós-produção do filme teria quatro meses e meio a menos que o previsto inicialmente, o que faria com que alguns dos efeitos especiais só ficassem prontos na semana de estreia do filme, e fossem considerados "corridos" e "abaixo do padrão" por alguns críticos e espectadores; para economizar tempo, algumas empresas, como a IL&M, trabalhariam ao mesmo tempo em Quantumania e em Pantera Negra: Wakanda para Sempre, o que faria com que a maior parte dos esforços se concentrassem no filme do Pantera Negra, que iria estrear antes, o que também prejudicou a qualidade dos efeitos de Quantumania. Segundo a Disney, a correria na pós-produção estouraria o orçamento inicialmente reservado para o filme em mais de 125 milhões de dólares.

No filme, após os eventos de Vingadores: Ultimato, Scott Lang escreveu um livro e vive confortavelmente de suas vendas e divulgação, enquanto sua filha, Cassie, fundou uma ONG que ajuda pessoas afetadas pelo blip, e não tem um bom relacionamento com o pai. Um dia, quando Scott e Cassie estão visitando os pais de Hope, Cassie revela estar trabalhando em um dispositivo capaz de contactar o Reino Quântico; a mãe de Hope, Janet, que ficou presa lá durante décadas, entra em pânico e tenta desligar o dispositivo, mas os cinco acabam sugados para o Reino Quântico como resultado. Scott e Cassie vão parar numa cidade onde uma rebelião está se formando contra um tirano, enquanto Hope, Janet e Hank se veem em outra cidade, onde também residem vários dos aliados e inimigos que Janet fez durante seus anos no local. Os dois grupos, então, precisam se encontrar e conseguir uma forma de retornar à nossa dimensão - mas o tal tirano parece querer aproveitar a oportunidade para vir junto com eles e dominar tudo por aqui também.

O elenco conta com Paul Rudd como Scottt Lang / Homem-Formiga; Evangeline Lilly como Hope Van Dyne / Vespa; Jonathan Majors como Kang, o Conquistador; Michelle Pfeiffer como Janet Van Dyne; Michael Douglas como Hank Pym; Kathryn Newton como Cassie Lang; David Dastmalchian como Veb, criatura gelatinosa do Reino Quântico que secreta um muco que atua como tradutor universal; Katy O'Brian como Jenorra, líder da rebelião contra Kang; William Jackson Harper como Quaz, telepata que vive no Reino Quântico; Bill Murray como Lord Krylar, governador da cidade onde Hope, Janet e Hank vão parar, que tem um passado em comum com Janet; Corey Stoll como Daren Cross / M.O.D.O.K., que foi parar no Reinio Quântico após ser derrotado pelo Homem-Formiga no primeiro filme, e lá teve seu corpo modificado por Kang; e Randall Park como o agente do FBI Jimmy Woo. A cena pós-créditos é uma cena da segunda temporada de Loki, com a participação de Majors, Tom Hiddleston e Owen Wilson.

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania teria uma pré-estreia em Los Angeles em 6 de fevereiro de 2023, mas estraria nos Estados Unidos e China somente em 17 de fevereiro, com a maioria dos outros países tendo suas estreias antes - aqui no Brasil, estrearia um dia antes, em 16 de fevereiro. Com orçamento de 388 milhões de dólares, renderia 476 milhões no mundo inteiro, sendo 214,5 milhões nos Estados Unidos, o que o faria ser considerado um fracasso de bilheteria - projeções da Disney antes do lançamento estimavam uma bilheteria mundial de pelo menos 600 milhões. A crítica tambem não receberia bem o filme, reclamando das atuações, do cenário confuso do Reino Quântico e do enredo pouco inspirado, mas elogiando as cenas de ação e a presença de Kang, "um vilão com potencial para mudar a história do MCU". Mesmo sendo um fracasso de público e crítica, Reed discutiria com a Marvel a possibilidade de um quarto filme do Homem-Formiga, com Rudd se dizendo interessado, mas Douglas declarando que só aceitaria fazê-lo se Pym morresse nele.

Para terminar, uma curiosidade: em setembro de 2022, Loveness seria confirmado como o roteirista do futuro filme dos Vingadores Avengers: The Kang Dynasty, que teria várias versões de Kang, de vários universos diferentes - com inclusive a cena intercréditos de Quantumania mostrando o Conselho dos Kangs, com a presença de outras variantes do vilão, como Immortus, Rama-Tut e Centurion, todos interpretados por Majors. Reed declararia que isso aumentava a importância de Quantumania, com o impacto da primeira aparição de Kang ser justamente nesse filme ter o potencial para torná-lo tão grandioso quanto os filmes dos Vingadores. As participações de Kang em Loki, na Fase 4, em Quantumania, na Fase 5, e como principal vilão de um filme dos Vingadores na Fase 6 fazia parte do plano da Marvel de agrupar as Fases 4, 5 e 6 como "A Saga do Multiverso", com as Fases 1, 2 e 3 sendo "A Saga do Infinito", e, assim como Thanos foi o vilão principal da primeira Saga, Kang seria o da segunda.

Em março de 2023, entretanto, Majors seria preso sob alegações de abuso moral, agressão e estrangulamento de sua namorada, Grace Jabbari, e a Disney começaria a discutir seu afatamento do MCU, com os primeiros boatos dizendo que a Marvel cogitava substituí-lo no papel de Kang por Will Smith. Na época, as filmagens de Avengers: The Kang Dynasty estavam previstas para começar no início de 2024, com o lançamento do filme estando programado para maio de 2025; a greve dos roteiristas de 2023 daria à Disney mais tempo para resolver a questão, mas Loveness pediria demissão do cargo de roteirista em abril de 2023, dias antes de a greve começar. Majors seria condenado em dezembro de 2023, após o que a Marvel decidiu atrasar a data de estreia do quinto filme dos Vingadores em um ano, para maio de 2026. Depois disso, Marvel e Disney decidiriam remover Kang totalmente do filme, substituindo-o pelo Dr. Destino e mudando seu título para Avengers: Doomsday. Com isso, a última aparição de Kang no MCU, na forma de uma variante, seria na segunda temporada de Loki.

Guardiões da Galáxia Vol. 3
Guardians of the Galaxy Vol. 3
2023

Em novembro de 2014, pouco depois do lançamento do primeiro Guardiões da Galáxia, o diretor e roteirista James Gunn diria em uma entrevista que já tinha ideias não só para um segundo filme da franquia, confirmado antes mesmo da estreia do primeiro, mas também para um terceiro. Em junho de 2015, contudo, Gunn declararia não ter certeza se um terceiro filme seria feito, e que isso dependeria de como ele se sentiria após terminar o segundo. Em abril de 2016, Feige declararia publicamente que um terceiro filme dos Guardiões estava nos planos da Marvel, para ser lançado "depois de 2020", mas somente em março de 2017 Gunn declararia estar "tentando entender" como esse filme poderia ser, e que ele com certeza seria feito, "a menos que algo horrível" acontecesse, completando com "o que é sempre possível, nunca se sabe". Algumas semanas depois, Gunn declararia que talvez não escrevesse ou dirigisse o filme, e que ainda estava pensando em qual seria seu grau de envolvimento com a produção; a amigos, ele diria não ter vontade de fazer um filme dos Guardiões sem a presença de Michael Rooker, cujo personagem, Yondu Udonta, havia morrido no final do segundo filme.

No final de abril, contudo, Gunn surpreenderia e anunciaria que voltaria para dirigir e escrever Guardiões da Galáxia Vol. 3, que seria ambientado após os eventos de Vingadores: Ultimato e concluiria a história dessa equipe dos Guardiões, pavimentando o caminho para que "novos e antigos heróis" assumissem seus lugares e tivessem protagonismo no MCU "pelos próximos dez anos". Ele também planejava ser uma espécie de "consultor do universo cósmico Marvel", atuando junto a futuras produções ambientadas no espaço para que elas tivessem uma sensação de continuidade. Isso faria com que ele incluísse na história Adam Warlock, um importante personagem cósmico dos quadrinhos, que ele havia pensado em adicionar já ao segundo filme, mas depois voltado atrás, e conversasse com Mark Hamill sobre a possibilidade de interpretar algum outro personagem cósmico. Gunn entregaria a primeira versão do roteiro no final de junho de 2018, e anunciaria que a Marvel havia reservado a data de maio de 2020 para a sua estreia.

Então, o "algo horrível" aconteceu: um mês depois de Gunn entregar o roteiro, personalidades de extrema-direita, lideradas por um comentarista político e teórico da conspiração, divulgaram tweets de 2008 nos quais Gunn faz piadas envolvendo estupro e pedofilia, e começaram uma campanha para que a Disney o demitisse. O presidente da Disney na época, Alan F. Horn, declararia que tais posicionamentos eram indefensáveis e inconsistentes com os valores defendidos pelo estúdio, e anunciaria a demissão imediata de Gunn. Gunn declararia apenas que os tweets eram muito antigos, e que ele havia evoluído como pessoa desde então, não desejando mais chocar as pessoas para fazer humor, mas que assumia total responsabilidade pelo que disse e aceitava as consequências de seus atos. Vários nomes famosos de Hollywood, como Rooker, a atriz Selma Blair, o comediante Bobcat Goldthwait e o ex-jogador de basquete e ator Kareem Abdul-Jabbar se posicionariam publicamente contra a demissão e pediriam a recontratação de Gunn, assim como um grupo de fãs que conseguiria mais de 300 mil assinaturas numa petição online. Em 30 de julho, seria divulgado um documento no qual todo o elenco dos filmes dos Guardiões declararia seu apoio a Gunn, e as edições de julho e agosto das revistas The Hollywood Reporter, Variety, Deadline Hollywood e Forbes trariam artigos discutindo a demissão de Gunn e como ela poderia interferir em futuras produções de Hollywood.

Em agosto, vazaria na imprensa que, como tweets de dez anos atrás não constituem quebra de contrato, as negociações entre Disney e Gunn quanto à sua demissão haviam se tornado "complicadas", e que era possível que o diretor recebesse entre 7 e 10 milhões de dólares pelo que já havia feito do filme, não sendo descartado que ele conseguisse na justiça retornar para dirigir ou esse, ou algum futuro filme da Marvel; a Disney não se declararia sobre o assunto, mas confirmaria que usaria o roteiro entregue por Gunn, sem revisões ou modificações. A Marvel chegaria a negociar oficialmente com Gunn seu retorno para dirigir Guardiões da Galáxia Vol. 3, mas Horn não aceitaria, e, durante a reunião marcada pela Marvel, confirmaria a demissão de Gunn. Diante disso, a pré-produção seria cancelada, com quem já havia sido contratado sendo liberado para outros projetos, e a produção seria adiada por tempo indeterminado, para que a Marvel encontrasse um substituto para Gunn - o preferido de Horn era Bradley Cooper, que havia feito sua estreia como diretor em Nasce uma Estrela, de 2018, mas que diria "não conseguir se imaginar dirigindo um filme que não escreveu". Após o cancelamento da pré-produção, Dave Bautista, que havia declarado que só aceitaria fazer o filme se o roteiro de Gunn fosse mantido, diria em uma nova entrevista já não ter certeza sobre seu retorno, devido à forma como a Disney lidou com a demissão de Gunn.

Livre de suas obrigações com a Marvel, Gunn seria procurado pela Warner, dona da DC, e aceitaria escrever e dirigir O Esquadrão Suicida. Um dia depois de assinar o contrato, em outubro de 2018, ele seria chamado para uma nova reunião na Disney, na qual Horn se diria "impressionado com a forma como ele respondeu à situação", e declararia ter mudado de ideia e decidido permitir que Gunn dirigisse Guardiões da Galáxia Vol. 3 se ele assim quisesse. Gunn, então, procuraria Feige, e ficaria acertado que a pré-produção de Guardiões da Galáxia Vol. 3 seria adiada até ele concluir O Esquadrão Suicida; isso seria mantido em segredo, porém, com Feige e Chris Pratt confirmando que Guardiões da Galáxia Vol. 3 relamente sairia do papel apenas em janeiro de 2019, e o próprio Gunn revelando que havia sido recontratado e dirigiria o filme em março de 2019. Antes disso, em dezembro de 2018, Adam McKay diria estar em negociações para dirigir o filme, mas, em abril de 2019, a revista Deadline Hollywood publicaria que a Marvel jamais chegou a negociar com qualquer outro diretor.

Em uma entrevista de maio de 2019, Gunn diria ter ficado extremamente triste com a demissão não devido ao motivo pelo qual ela ocorreu, mas porque ele havia feito de Rocky o protagonista do terceiro filme. Gunn diria que se identifica com Rocky, e que ele e o personagem eram "a mesma pessoa"; também segundo ele, a única explicação para que um personagem "maluco ao estilo Pernalonga" como Rocky existisse no MCU era que ele na verdade era profundamente triste, e usava o humor para esconder isso. Gunn escreveria o roteiro de forma que o passado de Rocky fosse contado em flashbacks ao estilo de O Poderoso Chefão - Parte II, e que os eventos desse passado fossem cruciais para a trama central do filme, completando que ficaria extremamente desapontado se outra pessoa contasse essa história em seu lugar.

Gunn também seria perguntado se ele havia ficado decepcionado com a morte de Gamora em Vingadores: Guerra Infinita, e responderia que não, e que inclusive os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely o haviam procurado e discutido com ele seus planos para a personagem, informando-o de que ela iria morrer e perguntando o que ele achava disso. Markus e McFeely diriam em entrevistas posteriores que Gunn havia sido tão receptivo e colaborativo que eles haviam decidido trazer Gamora de volta em Vingadores: Ultimato somente para que ele pudesse contar com ela em Guardiões da Galáxia Vol. 3. Na mesma entrevista, ao ser perguntado se Yondu também voltaria, Gunn responderia que sua morte foi importante, que seu retorno anularia seu sacrifício, e que ele preferiria que os personagens que ele matava em seus filmes permanecessem mortos.

A pré-produção de Guardiões da Galáxia Vol. 3 estava marcada para começar em fevereiro de 2020, mas, por causa da pandemia, seria mais uma vez adiada indeterminadamente, com Gunn declarando que isso não alteraria em nada o planejamento inicial, com O Esquadrão Suicida sendo lançado em 2021 e Guardiões da Galáxia Vol. 3 "um pouco depois". Em agosto de 2020, ele entregaria a versão final do roteiro, e, com a pré-produção ainda paralisada, aceitaria um convite da Warner para escrever e dirigir Pacificador, série de TV que era um spin off de O Esquadrão Suicida. Em novebro de 2020, Gunn confirmaria que as filmagens de Guardiões da Galáxia Vol. 3 começariam no final de 2021, com o filme estreando no início de 2023, e que, concomitantemente ao filme, seria filmado o Guardiões da Galáxia: Especial de Festas, que seria lançado no final de 2022.

A pré-produção começaria efetivamente em abril de 2021, com Gunn declarando que Guardiões da Galáxia Vol. 3 era ambientado não somente após os eventos de Vingadores: Ultimato, mas também do Especial de Festas e de Thor: Amor e Trovão; segundo ele, o final de Ultimato, no qual Thor decide se unir aos Guardiões da Galáxia, foi definido durante a pós-produção e sem consultá-lo, então foi uma boa coisa Thor ter deixado a equipe no início de Amor e Trovão, já que ele "não compreendia bem" o personagem, que não estava em seus planos para o terceiro filme. Gunn faria pequenas mudanças no roteiro durante as filmagens, mas garantiria que a história permaneceu a mesma desde a primeira versão, entregue ainda antes de sua demissão, com apenas alguns ajustes finos sendo feitos aqui e ali; ele também diria que os três filmes dos Guardiões "contam uma só história", e que usaria o terceiro para fechar pontas soltas e aparar arestas.

Em entrevistas durante as filmagens, Gunn diria ter pensado em usar como vilão no filme o Aniquilador, mas, devido a complicações por sua história ser muito ligada à do Quarteto Fantástico, acabaria optando pelo Alto Evolucionário, que encaixava melhor com a história que ele havia pensado para o passado de Rocky. Para o papel, Gunn convidaria Chukwudi Iwuji, com quem já havia trabalhado em Pacificador. Para poupar tempo, o teste de figurino de Iwuji ocorreria durante a produção da primeira temporada de Pacificador, usando a equipe da série; a Marvel pagaria o favor permitindo que Gunn filmasse uma cena envolvendo duas participações especiais de peso em Pacificador durante as filmagens de Guardiões da Galáxia Vol. 3, usando a equipe do filme. Vale citar como curiosidade que a primeira versão do roteiro tinha um personagem escrito especificamente para Kumail Nanjiani, amigo pessoal de Gunn, removido após Nanjiani ser escalado para interpretar Kingo em Eternos.

Apesar de ter tido a intenção de incluir Adam Warlock no segundo filme, e a certeza de incluí-lo no terceiro, Gunn declararia que ele seria o personagem mais difícil de integrar à história, "como se ele fosse uma peça quadrada tendo de entrar num buraco redondo". Os atores George MacKay, Regé-Jean Page, David Corenswet e Aaron Pierre fariam o teste, com os dois últimos depois sendo escolhidos por Gunn para interpretar, respectivamente, Superman e John Stewart em seus futuros filmes da DC, mas o papel de Adam Warlock acabaria ficando com Will Pouter, segundo boatos, porque os executivos da Marvel queriam um ator fisicamente parecido com o personagem dos quadrinhos. Poulter diria ter feito um teste online antes do presencial, e que o nome do personagem só lhe foi revelado após ele ser confirmado no papel. Em entrevistas posteriores ao lançamento do filme, Gunn diria que a Marvel tinha planos para usar Adam Warlock em filmes futuros, embora não tenha revelado quais.

As filmagens começariam em Atlanta em novembro de 2021. A pedido de Gunn, apesar de ser um filme cósmico, os efeitos de computação gráfica foram mantidos no mínimo possível, com a maior parte dos efeitos sendo feito à moda antiga, com cenários, miniaturas, próteses e maquiagem - a nave dos Guardiões, a Bowie, era um cenário de quatro andares de altura. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Framestore, Weta FX, Sony Pictures Imageworks, Industrial Light & Magic, Rodeo FX, Rise FX, Crafty Apes, BUF, Lola VFX, Perception e Compuhire; Gunn diria ter pensado em usar o sistema StageCraft, da Industrial Light & Magic, desenvolvido para a série The Mandalorian, mas que a empresa, após visitar o set de filmagem, disse que isso não seria possível porque os cenários eram grandes demais. Cenas adicionais seriam gravadas em Londres, no final de 2021, e as filmagens se concluiriam em maio de 2022; algumas cenas teriam de ser regravadas em junho devido a "problemas técnicos".

No filme, após os Guardiões serem atacados por Adam Warlock a mando de Ayesha, governante dos Sovereign, Rocky fica à beira da morte, e a única forma de salvá-lo é os Guardiões invadirem uma empresa chamada Orgocorp para conseguir um código que desliga um dispositivo embutido em seu corpo. Eles não sabem, porém, que Rocky é o resultado de um experimento genético conduzido pelo líder da Orgocorp, conhecido apenas como Alto Evolucionário, cujo objetivo de vida é evoluir animais artificialmente até eles ficarem quase humanos, usando-os para povoar um planeta chamado Contra-Terra, no qual ele pretende criar uma sociedade perfeita, sem vícios, doenças ou crimes. Para obter o código, os Guardiões terão de viajar até a Contra-Terra e enfrentar o Alto Evolucionário em pessoa, que, agora que sabe a localização de Rocky, quer seu experimento de volta.

O elenco conta com Chris Pratt como Peter Quill / Senhor das Estrelas; Zoe Saldana como Gamora; Dave Bautista como Drax; Karen Gillan como Nebulosa; Pom Klementieff como Mantis; Vin Diesel como a voz de Groot; Bradley Cooper como a voz de Rocky; Will Poulter como Adam Warlock; Sean Gunn como Kraglin; Maria Bakalova como a voz do cão astronauta Cosmo; Chukwudi Iwuji como o Alto Evolucionário; Linda Cardellini como Lylla, lontra que foi a melhor amiga de Rocky em sua época com o Alto Evolucionário; Nathan Fillion como Mestre Karja, chefe de segurança da Orgocorp; Daniela Melchior como Ura, gerente da Orgocorp; Jennifer Holland como Kwol, recepcionista da Orgocorp; Sylvester Stallone como Stakar Ogord; Elizabeth Debicki como Ayesha; Miriam Shor e Nico Santos como os assistentes do Alto Evolucionário, Vim e Theel; e Gregg Henry como o avô de Quill. Participações especiais incluem Seth Green como a voz de Howard, o Pato; Kai Zen como Phyla, criança aparentemente humana que também é um dos experimentos do Alto Evolucionário; Asim Chaudry como a voz da morsa Dentes e Mikaela Hoover como a do coelho Chão, colegas de Rocky de quando ele era um experimento; Christopher Fairbank como o Corretor; e Stephen Blackehart como Steemie. Michael Rooker faz uma pequena aparição como Yondu; Lloyd Kaufmann, Pete Davidson, Dane DiLiegro e Rhett Miller fazem participações especiais como alienígenas; Molly C. Quinn faz uma pirata espacial; Sarah Alami faz uma residente de Luganenhum chamada Ssssaralami; Darla Delgado e Randy Havens interpretam um casal que ajuda os Guardiões na Contra-Terra; Michael Rosenbaum interpreta Martinex; Tara Strong faz a voz de Mainframe (que, no segundo filme, havia sido dublada por Miley Cyrus, que não pôde repetir o papel por conflito de agenda); Judy Greer e Reinaldo Faberlle dublam animais ciborgues que atuam como seguranças do Alto Evolucionário; Dee Bradley Baker dubla Blurp, animal alienígena mascote dos piratas espaciais; e Jared Gore é creditado como Krugarr, embora só tenha feito sua captura de movimentos, já que o personagem não fala.

Um dos experimentos do Alto Evolucionário, Lambshank, foi concebido  por Gunn especialmente para ser dublado por Stan Lee, com inclusive seu rosto originalmente lembrando o de Lee; Gunn planejava que Lee gravasse as falas de Lambshank em sua própria casa, ao invés de ter de viajar para Atlanta, devido à sua idade avançada, mas Lee faleceria antes que as gravações pudessem ser feitas, o que levaria Gunn a manter o personagem no filme, mas com outra aparência e apenas uma fala, dublada pelo próprio Gunn.

A trilha sonora seria mais uma vez um destaque à parte, contendo principalmente músicas dos anos 1990 e 2000, tocadas a partir do Zune de Quill, que ele recebeu no final do Vol. 2. Gunn diria ter muita dificuldade para selecionar as músicas, chegando a fazer uma lista preliminar com 181. Ele planejava abrir o filme com Roussian Roulette, de The Lords of the New Church, mas uma disputa sobre os direitos autorais da música fariam com que ela não estivesse disponível para licenciamento, o que levaria Gunn a optar por uma versão acústica de Creep, do Radiohead; para o encerramento, ele escolheria Dog Days Are Over, de Florence and the Machine, que, segundo ele, havia pensado em usar para fechar a trilogia desde que ainda estava trabalhando no primeiro filme. Assim como nos dois filmes anteriores, a trilha sonora seria lançada com o nome de Guardians of the Galaxy: Awesome Mix Vol. 3.

Após uma pré-estreia na China em 19 de abril, uma na França em 22 de abril (na Disneylândia) e uma em Hollywood em 27 de abril, Guardiões da Galáxia Vol. 3 estrearia quase no mundo todo em 3 de maio, e nos Estados Unidos em 5 de maio de 2023. A Disney produziria mais de 600 versões diferentes do filme, cada uma apropriada para um tipo de cinema, com pequenas variações em proporção de tela, frame rate e até no volume da trilha sonora incidental; a "versão padrão" era curiosa por si só, com cerca de 100 minutos usando a proporção de tela 2,39:1, mas os cerca de 50 minutos restante usando 1,85:1 - segundo Gunn, para que "a tela se abrisse em momentos-chave do filme". O orçamento do filme não seria divulgado, mas seria estimado na casa dos 250 milhões de dólares; a bilheteria seria de 359 milhões nos Estados Unidos e 486,6 milhões no restante do mundo, para um total de 845,6 milhões, sendo considerado um grande sucesso. O filme ainda teria o melhor rendimento de qualquer sequência da Marvel na segunda semana de exibição, e a menor diferença entre as bilheterias da primeira e segunda semanas desde Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

A crítica também seria muito positiva, considerando-o o melhor filme da Marvel pós-pandemia, elogiando sua carga emocional, suas sequências de ação - segundo Gunn, inspiradas nas do filme sul-coreano A Vilã - e a trilha sonora, que ajudava a destacar os principais momentos da história. Dentre os pontos negativos, alguns críticos consideraram o filme, de duas horas e meia, longo demais, e outros criticariam a forma como ele lida com a crueldade contra os animais, chamando-o de "brutal" e dizendo que amantes dos animais não teriam estômago para vê-lo. Apesar disso, a famosa organização de direitos dos animais PETA divulgaria um comunicado no qual considerava Guardiões da Galáxia Vol. 3 o filme "que mais fez pelos direitos dos animais nos últimos anos", e conferiu a Gunn um prêmio especial pela forma como ele retratou na tela os testes feitos em animais. Guardiões da Galáxia Vol. 3 seria indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais, mas perderia para Godzilla Minus One, ao Globo de Ouro de Melhor Performance nas Bilheterias e ao Grammy de Melhor Compilação de Trilha Sonora para uma Mídia Visual, perdendo ambos para Barbie.

Em abril de 2017, antes de toda a confusão de sua demissão e recontratação, Gunn diria em entrevistas que seria possível um quarto filme dos Guardiões, mas com uma nova equipe, já que ele planejava encerrar a história dessa no terceiro; em setembro de 2017, ele declararia que o terceiro filme seria o seu último como diretor e roteirista, mas que a Marvel poderia seguir fazendo novos filmes da equipe mantendo-o como consultor. Após o lançamento de Guardiões da Galáxia Vol. 3, Saldana confirmaria que essa foi sua última atuação como Gamora, mas que esperava que a Marvel contratasse outra atriz para que a personagem não saísse do MCU; Gillan, por outro lado, expressaria seu desejo de continuar interpretando Nebulosa, mesmo que em filmes de outros heróis, e Pratt indicaria estar disposto a seguir interpretando Quill em filmes de outros heróis, ou até mesmo em um filme solo do personagem - o que poderia ser uma dica para a enigmática frase no final do terceiro filme, "o lendário Senhor das Estrelas retornará".

Em dezembro de 2024, Gunn revelaria que, ao longo dos anos, foram travadas conversas para diversos spin offs da franquia, como um filme estrelado por Drax e Mantis (que acabaria virando o Especial de Festas), uma série de TV estrelada pelos piratas espaciais, e até mesmo um filme chamado "O Lendário Senhor das Estrelas", para o qual ele já tinha uma história completa; mais uma vez, ele diria ser improvável que ele escrevesse ou dirigisse qualquer um desses projetos, mas dava sua bênção para que a Marvel seguisse em frente sem ele. Até o momento, contudo, não há quaisquer planos para o retorno dos Guardiões da Galáxia na Fase 6.

Série Universo Cinematográfico Marvel

•Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania
•Guardiões da Galáxia Vol. 3

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