sábado, 29 de novembro de 2025

Escrito por em 29.11.25 com 0 comentários

A Grande Família

Eu já não assisto TV aberta faz um tempo, no máximo a um noticiário. Na época em que eu assistia, evidentemente tinha meus programas favoritos, nem todos importados. Um dos que eu gostava mais era A Grande Família, e, por algum motivo, depois de fazer o posto sobre o Chaves, fiquei com vontade de fazer um sobre ele também. Assim, hoje é dia de A Grande Família no átomo!


Antes de começar a falar sobre A Grande Família da qual eu gosto, entretanto, é preciso voltar no tempo. Isso porque A Grande Família é a nova versão de um outro programa, da década de 1970, também chamado A Grande Família - que, por sua vez, foi concebido para ser a versão brasileira de um seriado norte-americano chamado All in the Family (que, por sua vez, era a versão norte-americana de um seriado da BBC chamado Till Death Us Do Part, mas isso não é importante para a história).

All in the Family estrearia no canal CBS em 1971, e faria grande sucesso mostrando o dia a dia de uma família de classe média sob uma ótica inovadora para a época - o seriado seria o primeiro da televisão dos Estados Unidos a tratar de temas como racismo, antissemitismo, infidelidade, homossexualidade, direitos da mulher, estupro, aborto, câncer de mama, menopausa, divórcio, impotência e a Guerra do Vietnã, também sendo o primeiro no qual um dos protagonistas falava palavrões. Como, na época, o Brasil vivia uma ditadura militar, o seriado jamais seria exibido em nosso país sem uma pesada censura, de forma que a Globo, que tinha a opção de compra dos direitos, decidiria, ao invés de exibi-lo, criar uma versão nacional, menos, digamos, polêmica, mas mantendo a mesma ideia central. A missão de criar tal seriado caberia aos dramaturgos Oduvaldo Vianna Filho, conhecido como Vianninha, e Armando Costa, que a princípio fariam uma cópia quase exata de All in the Family, apenas mudando as situações vividas pelos personagens por outras mais próximas da realidade nacional.

Na versão original, a família seria composta por sete pessoas: o patriarca Lineu Silva (Jorge Dória), que trabalha como fiscal sanitário; sua esposa, Irene, apelido Dona Nenê (Eloísa Mafalda), que é dona de casa; e seus três filhos, Lineu Júnior (Osmar Prado), um estudante com opiniões revolucionárias sobre o mundo; Artur, apelido Tuco (Luiz Armando Queiroz), um hippie defensor da liberdade, que não para em emprego nenhum; e Maria Isabel, apelido Bebel (primeiro Djenane Machado, depois Maria Cristina Nunes), moça mimada e acostumada a ter todas as suas vontades realizadas por ser a caçula; além de dois agregados, Agostinho Carraro (Paulo Araújo), malandro que trabalha como garçom de um motel e é casado com Bebel; e Floriano Souza, apelido Seu Flor (Brandão Filho), pai de Nenê, um aposentado rabugento que passa o dia todo ou dormindo, ou discutindo com os netos.

Com direção de Milton Gonçalves, A Grande Família estrearia em 26 de outubro de 1972. E seria um gigantesco fracasso. O público não teria identificação com os personagens, achando que as situações e diálogos não correspondiam aos de uma família brasileira de classe média, e chegaria a escrever cartas para a Globo perguntando em qual Brasil aquelas pessoas viviam. Diante da repercussão negativa, a Globo suspenderia a produção após apenas seis episódios, e pediria para que Vianninha e Costa reformulassem a série, para que os protagonistas passassem a ser uma típica família suburbana da cidade de São Paulo. Abandonando qualquer semelhança com All in the Family, Vianninha e Costa, agora acompanhados pelos roteiristas Max Nunes e Roberto Freire, passariam a escrever histórias originais envolvendo temas como o alto custo de vida, desemprego e falta de perspectivas para os jovens. Gonçalves, envolvido com outros projetos, não poderia retornar à direção, e seria substituído por Paulo Afonso Grisoli; outra baixa seria a da atriz Djenane Machado, intérprete de Bebel nos seis primeiros episódios, que não concordaria com as mudanças feitas por Vianninha e Costa, e seria substituída por Maria Cristina Nunes sem maiores explicações.

As mudanças surtiriam efeito e, com menos de dois meses no ar, A Grande Família já seria uma das líderes de audiência de sua faixa. Ao todo, seriam produzidos 112 episódios (contando com os seis da primeira temporada), com o último indo ao ar em 27 de março de 1975. Um dos motivos do cancelamento seria o falecimento precoce de Vianninha, aos 38 anos, de câncer, em julho de 1974; Paulo Pontes assumiria seu lugar na equipe de roteiristas, que não conseguiria manter o mesmo nível, levando a uma queda acentuada na audiência. Toda a série original seria gravada e transmitida em preto e branco, exceto o último episódio, gravado e exibido a cores. Em 1987, a Globo gravaria um especial de Natal com todo o elenco original, ambientado 12 anos depois e apresentando os netos de Lineu e Nenê; curiosamente, nesse especial, Pedro Cardoso, que na nova versão interpreta Agostinho, interpretaria Surrão, um namorado de Bebel.

Pois bem, em 2000, o diretor Guel Arraes, após ler anotações originais de Vianninha para a série, acharia que um remake atualizado teria potencial para ser um sucesso de audiência, e apresentaria essa ideia à cúpula da Globo. Uma equipe de roteiristas composta por Marcelo Gonçalves, Bernardo Guilherme, Adriana Falcão e Cláudio Paiva seria reunida, e idealizaria a nova série no estilo de uma sitcom norte-americana, mas com a família Silva vivendo situações típicas de uma família suburbana do início dos anos 2000. Após ver que algumas situações pareciam artificiais e forçadas, eles decidiriam mudar algumas coisas em relação à versão original: primeiro, transfeririam a família de São Paulo para o Rio de Janeiro, transformando-os em moradores da Ilha do Governador, na Zona Norte, e os colocaria para morar numa casa, ao invés de em um apartamento de um conjunto habitacional como na primeira versão. Segundo, removeram o personagem Júnior, cuja principal função era fazer uma crítica política, algo bem diferente nos anos 2000 em relação aos anos 1970, transferindo essa incumbência para o Lineu pai. Terceiro, inverteriam as idades de Tuco e Bebel, para que Tuco, ao invés de hippie, fosse somente um jovem um tanto preguiçoso e despreocupado, sendo essas as razões pelas quais ele não trabalhava. Uma mudança bem menor seria no sobrenome de Agostinho, que passaria a ser Carrara ao invés de Carraro; outros personagens coadjuvantes também seriam criados, como o comerciante Beiçola e a vizinha Juva, para que as histórias não se concentrassem apenas na casa dos Silva, com muitas situações ocorrendo também na rua onde eles moravam.

Originalmente, a nova versão de A Grande Família deveria ser apenas um especial em homenagem à primeira versão, com quatro episódios exibidos em janeiro de 2001, que foram aumentados para 12 já durante as gravações. Após imprevistos nas gravações e com a grade da Globo, a série estrearia em 29 de março de 2001, uma quinta-feira, às 23 horas, após o programa Linha Direta; mesmo com o horário avançado, teria excelente audiência, e a Globo encomendaria mais cinco episódios, para um total de 17. A audiência não parava de subir, e o número de episódios acompanhava: no total, a primeira temporada teria 36 episódios, o último exibido em 23 de janeiro de 2002, quando a série já estava renovada para uma segunda temporada.

Na nova versão, o patriarca da família segue sendo Lineu Silva (Marco Nanini), veterinário de formação, que trabalha como fiscal sanitário em uma repartição pública. Sua esposa, Irene, conhecida como Nenê (Marieta Severo), é dona de casa e vive para a família. Eles têm dois filhos, Maria Isabel, apelido Bebel (Guta Stresser), moça mimada e um tanto escandalosa, que se veste no que poderia ser considerado um estilo precursor das it girls; e Artur, apelido Tuco (Lúcio Mauro Filho), que não gosta de trabalhar, sonha em ser músico, e não para em emprego formal nenhum. Na mesma casa moram ainda Agostinho Carrara (Pedro Cardoso), marido de Bebel, que está sempre tentando se dar bem às custas dos outros, principalmente de Lineu, e, na primeira temporada, assim como na série original, trabalha como garçom em um motel; e o pai de Nenê, Floriano Souza, apelido Seu Flor (Rogério Cardoso), aposentado que vive às turras com Lineu e dorme no sofá, já que não há um quarto na casa para ele.

Personagens coadjuvantes de importância na primeira temporada incluem Abelardo da Costa Ferreira, apelido Beiçola (Marcos Oliveira), advogado que raramente exerce a profissão e é dono de uma pastelaria do outro lado da rua em relação à casa dos Silva, ponto de encontro dos personagens em seus momentos de lazer, e que está sempre envolvido em confusões por ser apaixonado por Nenê e ver Lineu como um rival; Juva (Suely Franco), vizinha dos Silva que é uma espécie de namorada de Seu Flor, que está sempre visitando a família levando croquetes feitos por ela mesma como desculpa; e Almeidinha (Oswaldo Loureiro), chefe de Lineu na repartição. Participações especiais dignas de nota incluem Betty Faria como Selma, mãe de Agostinho, que foi chacrete e todos imaginavam estar morta, e Camila Pitanga como Marina, filha que Seu Flor teve fora do casamento e inadvertidamente se envolve com Tuco.

A primeira temporada teria direção de Mauro Mendonça Filho, substituído a partir da segunda por Maurício Farias, que ficaria até 2011, quando a direção seria assumida por Luis Felipe Sá. Paiva também sairia ao final da primeira temporada da equipe de roteiristas, que, ao longo da série, contaria com Falcão, Guilherme, Gonçalves, Bibi da Pieve, Cláudia Jouvin, Cláudio Torres Gonzaga, Mariana Mesquita, Maurício Rizzo, Mauro Wilson, Max Mallmann, Paulo Cursino, e alguns episódios escritos por Pedro Cardoso - que tinha o hábito de incluir "cacos", falas criadas por ele, que não estavam presentes no roteiro, em suas cenas, algo que, de início, desagradava Falcão. Na primeira temporada, muitos elementos dos roteiros de Vianninha seriam incorporados, atualizados, aos textos novos, prática que deixaria de ocorrer a partir da segunda temporada. Os atores também costumavam fazer reuniões com os roteiristas, nas quais podiam opinar sobre o que ocorreria com seus personagens em cada episódio.

Assim como na série original, os roteiros combinavam situações ficcionais com eventos que ocorriam com os espectadores, abordando política, violência, relações conjugais, papel dos idosos na sociedade, novelas, e até mesmo a Copa do Mundo. A Grande Família é considerada como a primeira produção brasileira a mostrar de forma ficcional o avanço social da chamada Classe C, se aproveitando do momento político e econômico vivido entre 2000 e 2014 para fazer com que a família Silva a cada temporada melhorasse um pouco mais de vida, algo que também estava ocorrendo com famílias da vida real, que assim se identificavam com os personagens.

Marco Nanini foi o primeiro ator convidado para o elenco, assinando contrato para apenas quatro episódios, e então recebendo por episódio até o final da primeira temporada, quando renovou para mais três anos. De início, a preferida para o papel de Nenê era Marília Pêra, que não aceitou; Marieta Severo estava trabvalhando com Guel Arraes na novela Laços de Família, sendo convidada diretamente pelo diretor e começando a gravar no dia seguinte ao encerramento das filmagens da novela - para ficar com o cabelo cacheado de Nenê, a atriz tinha de passar uma hora e meia no cabeleireiro antes de cada dia de gravações. Pedro Cardoso seria convidado para interpretar Lineu Júnior, e, quando o personagem foi excluído, decidiu fazer o teste para Agostinho, sendo considerado ideal para o papel. O preferido para o papel de Tuco era André Marques, o Mocotó de Malhação, que não foi bem no teste; Lúcio Mauro Filho seria aconselhado a tentar por Mauro Mendonça Filho, e, durante os testes, se encontrou por acaso com Guta Stresser, sua amiga de longa data. Os dois fizeram o teste juntos, e tiveram tanta química que imediatamente foram convidados para interpretar Tuco e Bebel. Rogério Cardoso seria o último do elenco principal a ser convidado, sem precisar participar de testes, poucas semanas antes de se iniciarem as gravações.

As gravações aconteceriam no Projac, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, usando uma rua cenográfica construída especialmente para a produção; as gravações ocorreriam em estúdio sempre às segundas e terças-feiras, e na rua cenográfica às quartas-feiras, com cada episódio sendo finalizado em três dias. A Grande Família era considerado um dos programas mais rentáveis da Globo, pois cada episódio custava mais ou menos o mesmo que um episódio de novela, mas o preço de cada inserção nos intervalos comerciais era muito maior - o quarto maior da emissora, atrás apenas da novela das nove, do Jornal Nacional e do Fantástico.

A abertura era um dos grandes destaques da série: contando com a música A Grande Família, composta por Tom da Bahia e Dito em 1972 para a série original, regravada por Dudu Nobre, na primeira temporada ela mostrava um álbum de família cujas fotos, de pessoas anônimas, mas algumas com os rostos substituídos pelos dos atores que interpretam os personagens da família Silva, vão passando rapidamente, mostrando o casamento de Lineu e Nenê, a gravidez de Nenê, o batizado de Bebel, a primeira comunhão de Tuco, e terminando com a família, nos dias atuais, sentada ao redor da mesa fazendo uma refeição. A abertura que ficaria mais famosa, porém, estrearia na segunda temporada, e mostraria versões animadas dos personagens, começando com Lineu protestando contra a ditadura, conhecendo Nenê, se casando, o nascimento de Bebel e Tuco, o namoro e o casamento de Bebel e Agostinho, e terminando com Lineu tentando tirar uma foto de toda a família.

A partir da segunda temporada, A Grande Família passaria para o horário das 22 horas, substituindo Linha Direta e indo ao ar logo depois da novela das nove. Mesmo com vários episódios tendo de ter seu horário alterado devido à Copa do Mundo e às eleições, a audiência aumentaria a cada semana, com a série fechando o ano como um dos programas mais assistidos da Globo. A segunda temporada teria mais 37 episódios, exibidos entre 4 de abril e 26 de dezembro de 2002. Juva e Almeidinha seriam removidos da série, mas estreariam dois personagens importantíssimos: Mendonça (Tonico Pereira), novo chefe de Lineu, e Marilda (Andréa Beltrão), melhor amiga de Nenê e dona de um salão de cabeleireiro na mesma rua onde mora a família Silva. Além do salão de Marilda, a rua cenográfica ganharia outra construção de destaque, o restaurante Petisco da Velha, uma referência ao famoso Petisco da Vila, em Vila Isabel. Outra grande mudança seria que Agostinho abandonaria o emprego no motel para se tornar motorista de táxi, com muitas das cenas cômicas da série passando a envolver suas confusões com corridas e passageiros. Participações especiais de destaque incluem Ana Rosa como Genoveva, nova namorada de Seu Flor; Diogo Vilela como Remela, amigo de infância de Agostinho que entrou para o crime; Lília Cabral como Margot, amiga de infância de Nenê que tem inveja de seu casamento com Lineu; e Francisco Cuoco como Oduvaldo Carrara, pai de Agostinho, malandro como o filho.

Até o final da segunda temporada, todas as histórias eram centradas na família Silva; a partir da terceira, alguns episódios passariam a ser centrados também em Marilda, Mendonça e em outros coadjuvantes, como Viviane (Leandra Leal), namorada de Tuco que trabalha como caixa de supermercado e cuja família mora em São Paulo, que engravida dele e dá à luz o primeiro neto de Nenê e Lineu, Nelsinho, no meio da ceia de Natal; e Juvenal (Francisco Milani), irmão de Seu Flor que mora em Governador Valadares, e, sempre que visita Nenê, cria confusão por ser extremamente rabugento, teimoso e metódico, características que lhe renderiam o apelido de Tio Mala. Participações especiais de destaque incluem Pedro Paulo Rangel como Frank, irmão de Lineu, com quem o patricarca da família Silva não se dá bem desde criança, por considerá-lo desonesto; Alexandre Zacchia como Dentada, criminoso com quem Agostinho faz negócios escusos; e Fábio Assunção como Maurício, ex-namorado de Bebel que abala seu casamento com Agostinho. Bebel, aliás, passa a trabalhar no salão de Marilda na terceira temporada, trazendo mais oportunidades para histórias.

A terceira temporada teria mais 37 episódios, exibidos entre 10 de abril e 25 de dezembro de 2003. Rogério Cardoso faleceria de infarto fulminante aos 66 anos, dormindo em sua casa, durante as gravações do 19o episódio, que teve de ter seu roteiro modificado para ser concluído sem ele. Durante algum tempo, a equipe de produção ficaria sem saber como proceder, se escalava outro ator para o mesmo personagem, se fazia um episódio no qual Seu Flor também morria, ou se reescrevia os roteiros ainda por gravar para remover sua participação; após uma reunião com o elenco, ficaria decidido que o ator era insubstituível, e que um episódio tratando de seu falecimento seria muito triste, então os roteiros restantes foram alterados, e a morte do Seu Flor seria apenas mencionada rapidamente pelos personagens - ainda assim, o personagem do Tio Mala seria inicialmente criado somente para substituir Seu Flor nas histórias que não funcionariam sem um idoso aposentado na casa, se tornando regular na série na temporada seguinte.

Após a morte de Rogério Cardoso, a abertura sofreria uma pequena alteração para remover Seu Flor, com algumas cenas sendo alongadas para que não fosse necessário cortar a música; em 2004, Andréa Beltrão seria promovida ao elenco fixo (que, até então, só contava com os membros da Família Silva), e a abertura novamente seria alterada, passando a contar com a presença de Marilda. A quarta temporada teria mais 30 episódios, exibidos entre 15 de abril e 23 de dezembro de 2004.

Marilda seria um personagem importante na quarta temporada, na qual ela inicialmente volta a namorar Mendonça, que já havia sido seu noivo no passado; no final da temporada, ela começa um romance com Tuco, que Nenê não aprova devido à diferença de idade, após Viviane decidir ir morar com os pais em São Paulo, levando Nelsinho. Também na quarta temporada é revelado que Beiçola atravessa surtos psicóticos durante os quais acredita ser sua mãe, Dona Etelvina, se vestindo como ela e até mesmo falando com sotaque lusitano - sem saber que Beiçola e Etelvina são a mesma pessoa, o Tio Juvenal chega a se apaixonar por Etelvina, e quer levá-la para morar com ele em Governador Valadares. Outro acontecimento importante da quarta temporada é que Bebel e Agostinho se mudam para a casa ao lado, de propriedade de Beiçola, com Agostinho sempre tendo dificuldades para pagar o aluguel e Lineu vendo que o genro ter saído de sua casa não significava que estaria livre dele.

Com a casa ficando com um quarto livre, o Tio Juvenal vai morar com Lineu e Nenê, permitindo aos roteiristas mais uma vez explorar situações que precisariam de um idoso aposentado na casa; infelizmente, Francisco Milani estaria com a saúde deteriorada ao final da quarta temporada, não renovando contrato para a quinta e vindo a falecer em agosto de 2005 - diferentemente de Seu Flor, o Tio Juvenal não faleceria na série, com os personagens comentando que ele ainda morava em Governador Valadares, mas sem ser dada nenhuma explicação do porquê de ele jamais voltar a visitar a sobrinha.

A quinta temporada, de mais 36 episódios, exibidos entre 7 de abril e 22 de dezembro de 2005, contaria com a estreia de Paulo Wilson, vulgo Paulão da Regulagem (Evandro Mesquita), mecânico dono de uma oficina na rua da casa dos Silva que passa a ter um caso com Marilda, e com a participação especial de Virginia Cavendish como Maria Padilha, funcionária gostosona da repartição, em quem Mendonça fica de olho após terminar com Marilda, cismando que Maria e Lineu tem um caso; o ponto alto da temporada seria a participação de Tuco no Big Brother Brasil (em uma edição fictícia), com o personagem finalmente ganhando uma profissão: ex-BBB.

Após ganhar a oficina do Paulão na quinta temporada, a rua cenográfica ganharia, na sexta, o Esporte Clube Paivense, do qual Lineu é presidente e vários personagens da série são sócios; várias histórias da sexta temporada, que teria 37 episódios, exibidos entre 6 de abril e 21 de dezembro de 2006, envolveriam o clube e as tentaivas de Agostinho de ganhar algum dinheiro extra com suas instalações. A sexta temporada veria a estreia de três personagens importantes: Maria Angelina Carvalho, apelido Gina (Natália Lage), moça de família portuguesa que Tuco quer namorar somente para conseguir a cidadania e ir morar na Europa; Abigail Rocha (Márcia Manfredini), vizinha fofoqueira e invejosa, que não gosta de Nenê; e Genilson (William Guimarães), ex-motorista de ônibus e assistente de Beiçola na pastelaria, o que lhe renderia o apelido de Beiçolinha - Gina e Dona Abigail ficariam até o final da 11a temporada, enquanto Genilson ficaria até o final da série.

Na sexta temporada a abertura ganharia uma nova versão, mais uma vez contando com um álbum de fotos, como a primeira, mas nessa os rostos dos atores subsituíam os das pessoas em fotos cedidas pelo departamento de arte da Globo, usando um efeito no qual eles pareciam pular das fotos, mostrando claramente que os membros da família Silva (e Marilda) não eram originalmente as pessoas nas fotos. Na sétima temporada, Marcos Oliveira entraria para o elenco fixo, o que faria com que a abertura fosse levemente alterada, para também contar com fotos de Beiçola; em 2008, ocorreria uma nova alteração, com a entrada no elenco fixo de Tonico Pereira e Evandro Mesquita, e a abertura passando a mostrar também fotos de Mendonça e Paulão - além disso, a abertura seria convertida para o formato widescreen, já que, naquele ano, as televisões nesse formato começavam a se popularizar no Brasil.

Enquanto a sexta temporada estava no ar, seria gravado um filme para o cinema, chamado simplesmente A Grande Família - O Filme. Com direção de Maurício Farias, roteiro de Eduardo Figueira, Flavio Nascimento e Guel Arraes, e contando com Marco Nanini, Marieta Severo, Andréa Beltrão, Pedro Cardoso, Guta Stresser, Lúcio Mauro Filho, Tonico Pereira e Marcos Oliveira, no filme Lineu tem certeza de que vai morrer, e desiste de ir ao tradicional baile onde conheceu Nenê. Achando que ele perdeu o interesse nela, Nenê decide convidar para o baile um ex-namorado, Carlinhos (Paulo Betti), o que dá origem a várias confusões, dentre elas Mendonça achar que Lineu e Nenê estão se separando e querer de qualquer jeito que ele namore uma nova funcionária, Marina (Dira Paes). O filme é ambientado entre a sexta e a sétima temporadas, e, originalmente, sua história seria canônica - ele leva em conta tudo o que havia acontecido até a sexta temporada, e as temporadas seguintes deveriam levar em conta tudo o que acontece nele - mas, após a estreia da sétima temporada, ficaria claro que o filme é fora de cronologia, com vários de seus eventos sendo recontados de forma diferente em episódios da série. O filme estrearia em 26 de janeiro de 2007 e seria um sucesso moderado, com excelente bilheteria no primeiro fim de semana, mas caindo a cada semana subsequente, o que faria com que ele ficasse apenas seis semanas em cartaz.

Um dos fatos do filme que seria recontado na série seria a gravidez de Bebel: após anos tentando, ela finalmente consegue engravidar, dando a luz a um menino que decide chamar de Florianinho, em homenagem ao avô. Florianinho acaba se tornando o único neto de Lineu e Nenê, já que, na sétima temporada, é revelado que Nelsinho não é filho de Tuco, mas de seu amigo Fumaça (Rodrigo Penna), que teve um caso com Viviane pouco antes de ela e Tuco começarem a namorar - para piorar a situação, Fumaça é ex-namorado de Gina, e, sem saber qual dos dois quer, a moça decide namorar Fumaça e Tuco ao mesmo tempo. Ao longo da sétima temporada, que teve 37 episódios, exibidos de 12 de abril a 20 de dezembro de 2007, começariam a circular rumores de que esta seria a última, com inclusive membros do elenco dando declarações de que o nascimento de Florianinho seria um excelente ponto para encerrar a saga da família Silva. Os índices de audiência seguiriam altíssimos, entretanto, e, após uma reunião com a cúpula da Globo, todo o elenco principal aceitaria renovar para mais cinco anos de série.

A oitava temporada seria exibida entre 3 de abril e 18 de dezembro de 2008, com mais 38 episódios. Desta vez, quem decidiria ter dois namorados ao mesmo tempo seria Marilda, se alternando entre Paulão e Mendonça. Lineu decide se aposentar do serviço público, mas, incapaz de ficar em casa sem fazer nada, se aproveita de sua formação em veterinária para abrir uma pet shop em sociedade com Gina, colocando Tuco como seu funcionário. A história da pet shop não agradaria ao público, e, na nona temporada, sem maiores explicações, Lineu voltaria a ser fiscal sanitário e subordinado a Mendonça. A nona temporada, que teria mais 36 episódios, exibidos entre 16 de abril e 17 de dezembro de 2009, aliás, seria recheada de eventos polêmicos, como Lineu e Nenê descobrirem que seu casamento foi anulado porque o padre era casado e tendo de se casar de novo; Agostinho descobrindo que tem uma irmã, Fátima (Fabíula Nascimento); e Bebel, precisando de dinheiro, aceitando ser barriga de aluguel para o filho de um casal de amigos. Durante a nona temporada, a série chegaria a seu episódio de número 300, um especial no qual Tuco decide gravar um documentário sobre sua família para inscrever em um festival; em outro episódio especial, Nenê ganha ingressos para um show de Roberto Carlos.

Ao final da nona temporada, Andréa Beltrão pediria para sair de A Grande Família para atuar ao lado de Fernanda Torres em Tapas & Beijos, que teria roteiros de Cláudio Paiva e seria dirigido por Maurício Farias, marido de Andréa na vida real. Com isso, no início da décima temporada, que teria 36 episódios, exibidos entre 8 de abril e 23 de dezembro de 2010, Marilda viaja em busca de um grande amor e não volta mais, passando o salão para o nome de Nenê. A décima temporada teria a estreia de Pajé Murici (Luís Miranda), um vidente charlatão cujo nome verdadeiro é Craudionor, que seguiria na série até o final.

A décima-primeira temporada teria 38 episódios, exibidos entre 7 de abril e 22 de dezembro de 2011, e teria como maior destaque Agostinho e Paulão se tornando sócios em uma frota de táxis, na qual Tuco também vai trabalhar, após terminar seu namoro com Gina. A décima-primeira temporada traria dois personagens novos, que ficariam até o final da série: Danielle da Padaria (Nina Morena), periguete que dá em cima de Agostinho e por quem Paulão é apaixonado; e o irmão gêmeo de Paulão, Fábio (também interpretado por Evandro Mesquita), que é gay. Uma participação de destaque seria Laura Cardoso como Glória, a mãe de Lineu, que o abandonou na infância e agora retorna na velhice querendo reatar relações com o filho.

Para a nona temporada, a série teria uma nova abertura, que mostraria os personagens em diversos momentos de seu dia a dia, com a câmera "voando" por várias partes da cidade ao passar de um para outro, e traria Natália Lage creditada junto ao restante do elenco. Essa abertura seria modificada para a décima temporada, removendo Andréa Beltrão, e novamente para a décima-primeira, removendo Natália Lage. Uma abertura totalmente nova seria feita para a décima-segunda temporada: de computação gráfica e imitando os desenhos da Hanna-Barbera da década de 1970, ela mostraria os personagens em diversos momentos históricos, desde a pré-história até os tempos atuais; essa abertura também seria usada na décima-terceira temporada, com uma alteração na paleta de cores e o rosto de Florianinho estando à mostra - na décima-segunda, ele estava coberto por um elmo. A maior diferença, entretanto, seria que, para a décima-terceira temporada, a música-tema seria cantada na abertura por Ivete Sangalo; a justificativa da Globo para a mudança seria que a gravação de Dudu Nobre estava datada e não combinava com a nova abertura.

Entre a décima-primeira e a décima-segunda temporadas ocorreria uma passagem de tempo de quatro anos, durante os quais Lineu estaria em coma após ser atropelado. Ao acordar, ele tem de se acostumar a várias novidades, principalmente a de que Florianinho (antes interpretado por várias crianças diferentes) agora é um pré-adolescente de 12 anos (Vinícius Moreno), que parece ter herdado a malandragem de Agostinho e o jeito mimado de Bebel. Agostinho e Bebel agora são ricos, graças à frota de táxis de Agostinho, que tem como motoristas ele mesmo, Paulão e Murici; Tuco, que de vez em quando também dirige um dos táxis, se tornou um comediante de sucesso; e Nenê é dona de uma loja de roupas, que abriu para poder sustentar a família enquanto Lineu estava internado. A princípio, a loja foi aberta em sociedade com Kelly Aparecida (Katiuscia Canoro), uma mulher espevitada, levemente brega e divorciada de três maridos; Kelly seria criada como uma substituta de Marilda, tendo características semelhantes, mas não agradaria ao público e sumiria sem maiores explicações, sendo trocada por Everaldo Júnior (Fábio Porchat), filho de um amigo de infância de Lineu que a substitui como sócio na loja. Uma história recorrente da décima-segunda temporada é que Danielle está grávida, mas não sabe se o pai é Paulão ou Fábio; uma participação especial de destaque seria Luiz Fernando Guimarães como o Deputado Fontes, que ajuda Agostinho a se candidatar a vereador.

Durante a décima-segunda temporada, seria noticiado que Pedro Cardoso e Guta Stresser haviam brigado, que ele teria dito que ela é péssima atriz e que apareceria para gravar bêbada, e que ela teria ameaçado pedir demissão. Embora algumas postagens da atriz tenham dado a entender que o incidente realmente ocorreu, logo foram colocados panos quentes, e Lúcio Mauro Filho encerraria a polêmica dizendo que brigas entre o elenco eram normais devido ao estresse das gravações, mas que o grupo sempre passava por cima de tudo e seguia unido. No final de 2012, também surgiriam boatos de que Marco Nanini e Tonico Pereira haviam brigado, mas que não foram adiante, de forma que não se sabe qual situação teria desencadeado a briga nem como ela terminou.

A décima-segunda temporada teria mais 38 episódios, exibidos de 5 de abril a 20 de dezembro de 2012, e seria a última do contrato assinado pelo elenco após a sétima; como os índices de audiência ainda eram altíssimos, a Globo os covenceria a assinar para uma décima-terceira, mais curta, com 26 episódios exibidos entre 4 de abril e 26 de setembro de 2013, quando a série foi substituída no horário das quintas-feiras por The Voice Brasil. No final da décima-segunda temporada, Agostinho seria preso, e, ao sair da cadeia no início da décima-terceira, encontraria Bebel como dona da frota de táxis e empresária bem sucedida, ficando com extremos ciúmes de Paulão, sócio e braço-direito da moça e referência de pai de Florianinho, o que levaria a uma crise em seu casamento. Personagens novos da décima-terceira temporada seriam Lurdinha (Maria Clara Gueiros), vizinha de Nenê que a imita, é apaixonada por Paulão e rival de Bebel; e Caveira (Danton Mello), colega de cela de Agostinho na prisão. Ao final da temporada, Lineu consegue finalmente se aposentar.

Após o final da décima-terceira temporada, o elenco voltaria a pressionar a direção da Globo para que essa fosse a última, usando a aposentadoria de Lineu como justificativa. A Globo faria uma contra-proposta, e a última acabaria sendo a décima-quarta, de 23 episódios, exibida entre 10 de abril e 11 de setembro de 2014, com direito a matérias e reportagens em vários programas da emissora sobre o encerramento da série após mais de uma década de sucesso. A última temporada teria uma nova abertura, parecida com a usada entre 2002 e 2006, com a música-tema sendo cantada por Zeca Pagodinho. Nela, Lurdinha se torna a empregada da família Silva, e Nenê vai trabalhar como cozinheira no restaurante de Braga (Álamo Facó), rapaz que vê em Lineu e Nenê os pais que nunca teve. A última temporada teria participação especial de vários atores famosos, como Deborah Secco e Tony Ramos, e contaria com Marilda em alguns episódios. A série se encerraria com Bebel grávida de trigêmeos, após 485 episódios.

A Grande Família seria um dos programas de maior audiência da Globo no século XXI: alguns episódios chegariam a registrar números mais altos que o capítulo da novela que veio imediatamente antes, enquanto outros chegariam perto da audiência do Jornal Nacional. Como é comum em seriados tão longos, a audiência das últimas temporadas seria menor que a das primeiras, mas, mesmo assim, o programa teria uma das menores diferenças de audiência ao longo dos anos, registrando por volta de 10% de público perdido. Além de ser um sucesso de público, o seriado seria também um grande sucesso de crítica, sendo considerado um dos melhores programas humorísticos da história da televisão brasileira e vencendo por duas vezes o prêmio da APCA; seriam extremamente elogiadas as performances de Marco Nanini, Marieta Severo, Andréa Beltrão, Tonico Pereira e, principalmente, Pedro Cardoso, indicado ao Emmy Internacional de melhor ator. Até mesmo o vice-presidente do canal norte-americano ABC, de propriedade da Disney, ficaria encantado com a série, e conversaria com a Globo sobre a possibilidade de conseguir os direitos para a realização de uma versão norte-americana, numa negociação que jamais seria concretizada.

Em 2017, a Globo criaria o programa O Álbum da Grande Família, que reapresentaria vários episódios da série, alguns editados, alguns condensados, fora de ordem e iniciados com uma narração de Marco Naninni sobre o tema do episódios do dia, enquanto fotos desse episódio eram mostradas em um álbum semelhante ao da abertura da série. Originalmente, O Álbum da Grande Família seria exibido entre 20 de março a 28 de abril de 2017, de segunda a sexta-feira, no horário posteriormente ocupado pelo programa Conversa com Bial; ele retornaria com "novos" episódios entre 21 de janeiro e 27 de setembro de 2019, mais uma vez de segunda a sexta, ocupando o horário deixado vago após o fim do Video Show, sendo substituído por Se Joga. Em 6 de dezembro de 2020, somente com episódios de Natal e o nome O Álbum de Natal da Grande Família, ele retornaria como parte da programação especial de fim de ano da Globo, e, em 26 de abril de 2025, voltaria ao ar como parte das comemorações pelos 60 anos da Rede Globo.

A Grande Família também seria reexibida, na íntegra, no Canal Viva, entre 6 de agosto de 2018 e 7 de junho de 2025, de segunda a sexta-feira às 22h, com maratonas aos sábados em diversos horários; a partir de 10 de junho de 2025, a série passaria a ser exibida no canal Multishow. Desde 31 de outubro de 2022, A Grande Família e O Álbum da Grande Família também estão disponíveis na íntegra no serviço de streaming GloboPlay, com formato de exibição, aberturas, vinhetas de intervalo e encerramento originais.

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