Hoje vamos começar a ver os padrões regionais do baralho francês. Para comparação, todos eles serão ilustrados com um Valete de Paus, mas, se você clicar nele, poderá ver as demais figuras do padrão, além de exemplos de algumas das cartas numéricas.
Padrão Anglo-Americano ou Internacional
Este é, com certeza, o padrão mais famoso do mundo, sendo produzido por praticamente todas as fabricantes de baralhos do planeta. Sua origem pode ser traçada até meados do século XVI, quando as fábricas da cidade francesa de Rouen decidiram criar um baralho com figuras de formas simples e poucas cores, para facilitar a impressão em massa. Estes baralhos acabaram exportados para a Inglaterra, que até então não possuía padrões regionais próprios. Tomando as cartas de Rouen por base, as fabricantes inglesas começaram a produzir seus próprios baralhos, que passaram por algumas pequenas modificações até chegar ao padrão atual, criado em 1802 por Thomas Wheeler. Este padrão acabou sendo levado para os Estados Unidos, onde se tornou imensamente popular no Velho Oeste, motivando as fábricas norte-americanas a produzi-lo também. Graças à difusão mundial da cultura norte-americana, e à simplicidade em se reproduzir as cartas, o padrão acabou se tornando comum no mundo inteiro. Hoje, muitos acreditam que o padrão anglo-americano é o único padrão existente do baralho francês, e que todos os demais seriam apenas variações enfeitadas.
O baralho anglo-americano típico tem 52 cartas (Ás, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, Valete, Dama e Rei de cada naipe), sendo que o Ás é identificado pelo índice A, de Ace, o Valete por J (Jack), a Dama por Q (Queen) e o Rei por K (King); as demais cartas possuem um número em algarismos arábicos, correspondente ao seu valor. As figuras (Rei, Dama e Valete) são impressas nas cores preta, azul, amarela e vermelha. Cada figura é impressa nos dois sentidos da carta, ou seja, jamais ficam de cabeça para baixo, com seu desenho sendo dividido por uma linha horizontal imperceptível. Além dos índices, cada carta possui desenhado um número de símbolos do naipe a que pertence igual ao seu valor numérico, sendo que o Ás possui apenas um símbolo, no centro da carta, e as figuras dois, nos cantos superior esquerdo e inferior direito. O Ás de Espadas possui um símbolo bem maior que os demais, normalmente decorado com o logotipo da fabricante ou outro motivo qualquer.
O padrão anglo-americano pode ser encontrado em quatro variedades: as chamadas Poker Cards possuem índices apenas nos cantos superior esquerdo e inferior direito das cartas, e têm 62 mm de largura x 88 mm de altura; as chamadas Bridge Cards são um pouco menores, 56 x 88 mm, e podem ter índices nos quatro cantos da carta, sendo adequadas para o jogo de Bridge, onde o jogador pode ter que segurar uma grande quantidade de cartas de uma só vez em sua mão; as Black Jack Cards têm o mesmo tamanho e disposição dos índices das cartas de Pôquer, mas seus índices são em tamanho maior, para facilitar a visualização, tendo em mente o jogo de Vinte-e-Um (Black Jack em inglês); e, finalmente, temos as Patience Cards, que correspondem mais ou menos à metade de uma carta de pôquer (44 x 66 mm), e começaram a ser produzidas pensando em jogadores que pudessem levá-las em longas viagens, e utilizá-las para jogar Paciência enquanto viajavam. Algumas fabricantes também costumam fazer cartas de tamanhos - ou até mesmo formatos - diferentes, mas estes são considerados meras variações.
Aliás, este padrão também é, sem dúvida, o que possui o maior número de variações. Algumas possuem apenas figuras mais bonitas, ou que representam personagens históricos, e são fabricados tendo em mente principalmente colecionadores, sendo normalmente vendidos em embalagens de luxo ao invés de nas caixinhas de papelão ou celofane que embalam os baralhos comuns. Outras, conhecidas como "baralhos temáticos", têm todas as cartas decoradas seguindo um mesmo tema, como personagens de um desenho animado, fotos de uma cidade, ou imagens de um filme, com alguns chegando a trocar os quatro naipes tradicionais por "naipes" relacionados ao tema do baralho. Os baralhos temáticos têm como público-alvo fãs do tema em geral, crianças e adolescentes, e, é claro, colecionadores. E temos também as variações feitas para jogos específicos, que seguem o padrão mas podem contar com naipes a mais, naipes de cores diferentes, ou até mesmo cartas extras. Dois dos exemplos mais conhecidos são o baralho usado para o jogo 500, que tem 62 cartas, incluindo o 11 e o 12 de cada naipe, mais o 13 de copas e ouros, e um baralho especial para o jogo Canasta, onde o naipe é indiferente, portanto, ao invés de naipes, as cartas possuem círculos pretos ou vermelhos.
Baralhos do padrão anglo-americano normalmente vêm com curingas, em um número que pode variar de dois até seis. Curingas não seguem um padrão pré-determinado como as demais cartas, sendo normalmente inventados pela fabricante, e sendo comum que cada fabricante tenha seu "curinga característico", presente em todos os baralhos produzidos por eles, exceto nos enfeitados e temáticos, onde o curinga costuma seguir a aparência das demais cartas. Em baralhos com dois curingas, um deles costuma ser colorido e o outro preto-e-branco, pois em alguns jogos cada curinga tem uma função diferente.
Padrão Parisiense
Datado do início do Século XIX, este é o padrão nacional da França, também conhecido por lá como Portrait Officiel ("retrato oficial"), e utilizado em jogos como Belote, Manille, Bezigue e Piquet. Suas cartas são um pouco maiores do que Bridge Cards, tendo 57 x 89mm. Originalmente, o baralho era composto de 32 cartas (1, 7, 8, 9, 10, V, D, R de cada naipe), e nenhuma delas tinha índices, mas a partir do final do Século XIX, para que os jogadores pudessem utilizá-lo em outros jogos, as fabricantes começaram a produzi-lo com as mesmas 52 cartas do padrão internacional, e adicionaram os índices. Hoje, a maioria dos baralhos parisienses inclui até mesmo dois ou três curingas.
O padrão parisiense possui várias características distintivas, a começar pelo Ás, marcado não com uma letra, mas com o número 1. Cada carta possui índices em seus quatro cantos, e um número de símbolos no centro correspondente ao seu valor numérico, sendo que o Ás de Paus costuma ter uma coroa de folhas de oliveira em volta deste símbolo, além da marca da fabricante. As figuras são identificadas pelos índices V (Valet), D (Dame) e R (Roi), possuem dois símbolos de seu naipe, nos cantos superior esquerdo e inferior direito, e estes não se sobrepõem aos índices, ficando "recortados".
As figuras são impressas nas cores preta, azul, vermelha e dourada, nos dois sentidos da carta, sendo divididas por uma linha diagonal grossa e preta, decorada com círculos brancos. Mas a característica mais curiosa das figuras - e de todo o baralho - é que elas têm nome, como se representassem reis, rainhas e cavaleiros da antigüidade. Estes nomes são impressos nos cantos opostos aos dos símbolos dos naipes, e na maioria dos baralhos se sobrepõem aos índices daquele canto, o que torna meio difícil sua leitura. Os quatro Reis, de Espadas, Copas, Ouros e Paus, são identificados, respectivamente, como David (Rei de Israel), Charles (Carlos Magno), (Julio) Cesar, e Alexandre (o Grande); as quatro Damas são, na mesma ordem, Pallas (deusa grega da sabedoria), Judith (que seduziu Holofernes para salvar os judeus dos babilônios), Rachel (esposa de Jacó, filho de Abraão) e Argine (um anagrama de Regina, "Rainha" em latim); e os quatro Valetes representam Hogier (um dinamarquês que teria sido cavaleiro de Carlos Magno), La Hire (que lutou ao lado de Joana d'Arc), Hector (príncipe de Tróia) e Lancelot (da Távola Redonda). O motivo pelo qual justamente estes nomes foram escolhidos é desconhecido. Algumas fabricantes atuais, inclusive, omitem os nomes, descaracterizando o padrão, e deixando-o bem parecido com o padrão belga.
Além de por fabricantes francesas, o padrão parisiense é fabricado na Espanha, Itália, Alemanha, Suíça e Áustria. Algumas fabricantes produzem versões de 32 cartas (próprias para Piquet e Belote), sem índices (para Bacará) ou com as figuras "emolduradas".
Padrão Belga
Olhando rapidamente, este padrão, criado na parte francófona da Bélgica, parece idêntico ao padrão parisiense. As cartas são do mesmo tamanho, os índices são os mesmos, e as figuras são parecidas. O padrão belga, porém, possui algumas poucas diferenças, que o levaram a ser considerado um padrão separado ao invés de uma simples variação, sendo a mais notável a ausência dos nomes das figuras.
Além de não terem nome, as figuras do padrão belga são impressas em preto, azul, vermelho, amarelo e, dependendo da fabricante, cor-da-pele. A linha que as divide é totalmente branca, ou decorada com quadradinhos e pontos pretos, ao invés da linha preta com círculos. Mesmo estando próximos ao índice, os símbolos do naipe nos cantos das figuras são inteiros, e não recortados como no padrão parisiense. As figuras também são um pouco menores, e passam uma impressão de serem mais "limpas" ou mais bem trabalhadas que as parisienses. Mas a diferença mais curiosa está no Valete de Paus: o parisiense tem um chapéu azul, enquanto o belga tem um chapéu vermelho; o parisiense carrega um escudo redondo com padrões geométricos e o nome da fabricante, enquanto o belga tem um escudo triangular com símbolos heráldicos. Além deste Valete, o Ás de Paus do padrão belga também é diferente, possuindo um símbolo como o de todos os outros, sem a coroa de folhas.
Outro fato curioso sobre o padrão belga é que, diferentemente do parisiense, ele é fabricado em muitos países fora da Europa, como Tunísia, Marrocos, Líbano, Síria, e até mesmo a Turquia, que não fala francês, mas mesmo assim o fabrica com os índices V, D e R. Dentro da Europa, ele é fabricado na Bélgica, Suíça, Espanha, Áustria e Hungria, em versões de 32, 36 (incluindo o 6 de cada naipe) ou 52 cartas, normalmente acompanhadas de um curinga.
Padrão Genovês
Muitos consideram os padrões belga e genovês como sendo o mesmo, referindo-se a ele como "padrão belga ou genovês". De fato, além de migrar para vários outros países da Europa, África e Ásia, o padrão belga também chegou a Gênova, onde foi adaptado para diversos jogos locais. Lá, porém, ele sofreu algumas modificações, o que acabou transformando-o em um padrão novo.
Para começar, nenhuma das cartas do baralho genovês possui índices: as cartas com valor numérico simplesmente possuem um número de símbolos do naipe a que pertencem correspondente a seu valor, enquanto as figuras possuem dois símbolos, um no canto superior esquerdo, outro no canto inferior direito. A linha diagonal que divide as figuras é totalmente branca - aliás, este é o único padrão italiano onde a linha que divide as figuras é diagonal. Finalmente, as figuras são impressas nas cores preta, azul, vermelha, amarela, verde e, dependendo da fabricante, cor-da-pele, sendo que o verde é predominante, diferentemente do que ocorre nos padrões belga e parisiense, onde a cor que predomina é o azul. As cartas do baralho genovês têm o mesmo tamanho que as dos padrões belga e parisiense, 57 x 89mm.
O padrão genovês é fabricado na Itália, Áustria e Alemanha, em duas versões, a "internacional" de 52 cartas, e uma mais adequada aos jogos italianos, que tem apenas 40 cartas (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, V, D, R de cada naipe). A versão de 52 cartas vem acompanhada de dois curingas.
Padrão Piemontês
Piemonte fica próximo a Gênova, então não é espanto que o padrão desta cidade também tenha sido influenciado pelo padrão belga. O padrão piemontês, porém, foi o que ficou mais diferente, sendo necessário um certo esforço para compará-lo ao que lhe deu origem.
Assim como o padrão genovês, o piemontês não possui índices, com as cartas numéricas trazendo apenas um número de símbolos correspondente ao seu valor. Suas figuras são impressas em preto, amarelo, azul, vermelho, verde e, dependendo da fabricante, cor-da-pele e marrom. Diferentemente dos padrões belga e genovês, porém, suas figuras são divididas por uma linha fina e preta horizontal, o que causou a perda de muitos detalhes das figuras originais. As figuras, aliás, apenas lembram as do baralho belga, tendo o artista tomado uma série de "liberdades artísticas" ao criá-las, como o machado na mão do Valete de Paus, já que o escudo sumiu cortado pela linha divisória.
Além das figuras, a principal característica deste padrão está nos ases: todos os quatro trazem a marca da fabricante, e os de Espadas, Paus e Ouros trazem ainda uma decoração em volta do naipe, uma espécie de moldura oval. As cartas do padrão piemontês também são um pouco menores que as dos três anteriores, tendo 52 x 83mm.
O padrão de Piemonte só é fabricado na Itália, em duas versões, a italiana de 40 cartas e a internacional de 52 cartas, que costuma vir acompanhada de dois curingas. Existe ainda uma versão estilizada deste baralho própria para o jogo do Trente et Quarante, com 52 cartas levemente menores que o padrão, 50 x 82mm.
Padrão de Berlim
Este é o padrão nacional da Alemanha, usado em jogos como Skat, Romme, Schnapsen e Doppelkopf. Apesar de ser internacionalmente conhecido como "padrão de Berlim", ele não surgiu em Berlim, mas sim na cidade de Stralsund, no nordeste da Alemanha, onde foi inventado na primeira metade do Século XIX pela famosa fabricante Spielkartenfabrik Altenburg, que baseou seus desenhos no padrão parisiense. O padrão se tornou conhecido como "de Berlim" graças à fabricante Büttner, de Berlim, que no início do Século XX pasou a imprimir a frase Berliner Spielkarten ("cartas para jogar berlinenses") nas figuras do baralho. Com sua popularização, os jogadores passaram a referir-se a ele como Berliner Bild, e o nome pegou. Hoje, muitos na Alemanha também conhecem este baralho como Französisches Bild ("padrão francês"), nome este criado para diferenciá-lo dos padrões alemães, aqueles cujos naipes são folhas, sinos, corações e castanhas.
As cartas do padrão de Berlim possuem índices em seus quatro cantos. Os Ases são identificados pela letra A (As), os Valetes por B (Bube), as Damas por D (Dame) e os Reis pela letra K (König). As figuras são ricamente trabalhadas, e impressas em várias cores, nos dois sentidos da carta, sendo divididas por uma fina linha preta. Algumas fabricantes fazem o símbolo do naipe de Ouros diferente do tradicional, com uma fina linha branca dentro, acompanhando o desenho do balãozinho.
O padrão de Berlim é fabricado na Alemanha, Áustria, Suíça, Bélgica, Espanha, Itália, França e Polônia, em vários modelos. Quanto ao número de cartas, pode ser encontrado na versão internacional de 52 cartas, que costuma vir com três curingas; em uma versão de 32 cartas, própria para o Skat e para outros jogos tradicionais alemães; em uma versão de 24 cartas (A, 9, 10, V, D, R de cada naipe) para Schnapsen; e em uma de 48 cartas (dois baralhos de 24 com o verso igual) para Doppelkopf. Quanto ao tamanho, o tradicional tem 59 x 91 mm, mas o padrão também pode ser encontrado em versão para Paciência, com 44 x 66 mm, e em uma versão "fina e comprida", conhecida como Senioren, de 44 x 93 mm. Finalmente, além do padrão normal, temos o chamado Turnierbild ("padrão de torneio") onde cada naipe é de uma cor (Espadas é verde, e Ouros amarelo), e as curiosas Kongresskarten ("cartas reunidas") que são divididas no meio por uma faixa horizontal, sendo que uma das metades da carta é impressa com o padrão de Berlim, e a outra com o padrão Neu Altenburg, do baralho alemão. Aqui temos uma comparação entre as cartas comuns, Turnier, Senioren e Kongress.
Também é comum serem fabricados baralhos enfeitados ou temáticos com índices em alemão. Estes baralhos são considerados variações do padrão de Berlim por serem vendidos como baralhos para Skat, o jogo mais fortemente associado a este padrão. De todas as variações enfeitadas, a mais famosa é a que ficou conhecida como Salonkarten ("cartas de salão"), criada na Alemanha Oriental, e que durante certo tempo até chegou a ser considerada um padrão regional próprio. Aqui temos dois exemplos de Salonkarten, e dois de baralhos temáticos.
Padrão da Renânia
Este padrão foi criado pela fabricante Dondorf, da cidade de Frankfurt, no ano de 1870. Sua intenção era simplesmente criar uma versão enfeitada do padrão de Berlim, com figuras diferentes, mas ainda assim ricas em cores e detalhes. A princípio, o baralho foi realmente vendido como uma "edição de luxo", e exportado até para fora da Alemanha. Graças a esta exportação, porém, o baralho se tornou extremamente popular na Polônia, Dinamarca e Holanda, onde as fabricantes também começaram a produzi-lo, mas sempre mantendo os índices em alemão (A, B, D, K). Graças a isso, o baralho acabou sendo reconhecido como um padrão próprio, e, como foram as fabricantes da região da Renânia, Alemanha, que começaram a incluí-lo em seus catálogos, o padrão logo se tornou conhecido como padrão da Renânia.
O padrão da Renânia é semelhante em muitas coisas ao padrão de Berlim, como os índices nos quatro cantos da carta e as figuras multicoloridas e ricamente trabalhadas, divididas em sua simetria por uma fina linha preta horizontal. Um detalhe curioso é que, nas figuras, a borda que as envolve não passa pelos índices, mas faz um desvio, criando quatro "janelinhas" onde ficam os índices. As cartas são de um tamanho um tiquinho menor que as de Berlim, 58 x 89 mm. Originalmente, o baralho era composto por 32 cartas, mas na Polônia este número foi elevado para as internacionais 52, que hoje vêm acompanhadas de três curingas. A versão de 32 cartas não é mais fabricada.
A partir da segunda metade do Século XX, o padrão da Renânia foi perdendo popularidade na Alemanha, graças, principalmente, à divulgação do padrão de Berlim como o "padrão oficial" para se jogar Skat, o jogo nacional da Alemanha. Aos poucos, todos as fabricantes alemãs foram deixando de produzi-lo, dando preferência ao padrão de Berlim e a alguns padrões regionais do baralho alemão. Atualmente, o padrão da Renânia só é fabricado na Áustria e na Polônia.
Semana que vem, veremos os sete padrões restantes!
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Este é, com certeza, o padrão mais famoso do mundo, sendo produzido por praticamente todas as fabricantes de baralhos do planeta. Sua origem pode ser traçada até meados do século XVI, quando as fábricas da cidade francesa de Rouen decidiram criar um baralho com figuras de formas simples e poucas cores, para facilitar a impressão em massa. Estes baralhos acabaram exportados para a Inglaterra, que até então não possuía padrões regionais próprios. Tomando as cartas de Rouen por base, as fabricantes inglesas começaram a produzir seus próprios baralhos, que passaram por algumas pequenas modificações até chegar ao padrão atual, criado em 1802 por Thomas Wheeler. Este padrão acabou sendo levado para os Estados Unidos, onde se tornou imensamente popular no Velho Oeste, motivando as fábricas norte-americanas a produzi-lo também. Graças à difusão mundial da cultura norte-americana, e à simplicidade em se reproduzir as cartas, o padrão acabou se tornando comum no mundo inteiro. Hoje, muitos acreditam que o padrão anglo-americano é o único padrão existente do baralho francês, e que todos os demais seriam apenas variações enfeitadas.O baralho anglo-americano típico tem 52 cartas (Ás, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, Valete, Dama e Rei de cada naipe), sendo que o Ás é identificado pelo índice A, de Ace, o Valete por J (Jack), a Dama por Q (Queen) e o Rei por K (King); as demais cartas possuem um número em algarismos arábicos, correspondente ao seu valor. As figuras (Rei, Dama e Valete) são impressas nas cores preta, azul, amarela e vermelha. Cada figura é impressa nos dois sentidos da carta, ou seja, jamais ficam de cabeça para baixo, com seu desenho sendo dividido por uma linha horizontal imperceptível. Além dos índices, cada carta possui desenhado um número de símbolos do naipe a que pertence igual ao seu valor numérico, sendo que o Ás possui apenas um símbolo, no centro da carta, e as figuras dois, nos cantos superior esquerdo e inferior direito. O Ás de Espadas possui um símbolo bem maior que os demais, normalmente decorado com o logotipo da fabricante ou outro motivo qualquer.
O padrão anglo-americano pode ser encontrado em quatro variedades: as chamadas Poker Cards possuem índices apenas nos cantos superior esquerdo e inferior direito das cartas, e têm 62 mm de largura x 88 mm de altura; as chamadas Bridge Cards são um pouco menores, 56 x 88 mm, e podem ter índices nos quatro cantos da carta, sendo adequadas para o jogo de Bridge, onde o jogador pode ter que segurar uma grande quantidade de cartas de uma só vez em sua mão; as Black Jack Cards têm o mesmo tamanho e disposição dos índices das cartas de Pôquer, mas seus índices são em tamanho maior, para facilitar a visualização, tendo em mente o jogo de Vinte-e-Um (Black Jack em inglês); e, finalmente, temos as Patience Cards, que correspondem mais ou menos à metade de uma carta de pôquer (44 x 66 mm), e começaram a ser produzidas pensando em jogadores que pudessem levá-las em longas viagens, e utilizá-las para jogar Paciência enquanto viajavam. Algumas fabricantes também costumam fazer cartas de tamanhos - ou até mesmo formatos - diferentes, mas estes são considerados meras variações.
Aliás, este padrão também é, sem dúvida, o que possui o maior número de variações. Algumas possuem apenas figuras mais bonitas, ou que representam personagens históricos, e são fabricados tendo em mente principalmente colecionadores, sendo normalmente vendidos em embalagens de luxo ao invés de nas caixinhas de papelão ou celofane que embalam os baralhos comuns. Outras, conhecidas como "baralhos temáticos", têm todas as cartas decoradas seguindo um mesmo tema, como personagens de um desenho animado, fotos de uma cidade, ou imagens de um filme, com alguns chegando a trocar os quatro naipes tradicionais por "naipes" relacionados ao tema do baralho. Os baralhos temáticos têm como público-alvo fãs do tema em geral, crianças e adolescentes, e, é claro, colecionadores. E temos também as variações feitas para jogos específicos, que seguem o padrão mas podem contar com naipes a mais, naipes de cores diferentes, ou até mesmo cartas extras. Dois dos exemplos mais conhecidos são o baralho usado para o jogo 500, que tem 62 cartas, incluindo o 11 e o 12 de cada naipe, mais o 13 de copas e ouros, e um baralho especial para o jogo Canasta, onde o naipe é indiferente, portanto, ao invés de naipes, as cartas possuem círculos pretos ou vermelhos.
Baralhos do padrão anglo-americano normalmente vêm com curingas, em um número que pode variar de dois até seis. Curingas não seguem um padrão pré-determinado como as demais cartas, sendo normalmente inventados pela fabricante, e sendo comum que cada fabricante tenha seu "curinga característico", presente em todos os baralhos produzidos por eles, exceto nos enfeitados e temáticos, onde o curinga costuma seguir a aparência das demais cartas. Em baralhos com dois curingas, um deles costuma ser colorido e o outro preto-e-branco, pois em alguns jogos cada curinga tem uma função diferente.
Datado do início do Século XIX, este é o padrão nacional da França, também conhecido por lá como Portrait Officiel ("retrato oficial"), e utilizado em jogos como Belote, Manille, Bezigue e Piquet. Suas cartas são um pouco maiores do que Bridge Cards, tendo 57 x 89mm. Originalmente, o baralho era composto de 32 cartas (1, 7, 8, 9, 10, V, D, R de cada naipe), e nenhuma delas tinha índices, mas a partir do final do Século XIX, para que os jogadores pudessem utilizá-lo em outros jogos, as fabricantes começaram a produzi-lo com as mesmas 52 cartas do padrão internacional, e adicionaram os índices. Hoje, a maioria dos baralhos parisienses inclui até mesmo dois ou três curingas.O padrão parisiense possui várias características distintivas, a começar pelo Ás, marcado não com uma letra, mas com o número 1. Cada carta possui índices em seus quatro cantos, e um número de símbolos no centro correspondente ao seu valor numérico, sendo que o Ás de Paus costuma ter uma coroa de folhas de oliveira em volta deste símbolo, além da marca da fabricante. As figuras são identificadas pelos índices V (Valet), D (Dame) e R (Roi), possuem dois símbolos de seu naipe, nos cantos superior esquerdo e inferior direito, e estes não se sobrepõem aos índices, ficando "recortados".
As figuras são impressas nas cores preta, azul, vermelha e dourada, nos dois sentidos da carta, sendo divididas por uma linha diagonal grossa e preta, decorada com círculos brancos. Mas a característica mais curiosa das figuras - e de todo o baralho - é que elas têm nome, como se representassem reis, rainhas e cavaleiros da antigüidade. Estes nomes são impressos nos cantos opostos aos dos símbolos dos naipes, e na maioria dos baralhos se sobrepõem aos índices daquele canto, o que torna meio difícil sua leitura. Os quatro Reis, de Espadas, Copas, Ouros e Paus, são identificados, respectivamente, como David (Rei de Israel), Charles (Carlos Magno), (Julio) Cesar, e Alexandre (o Grande); as quatro Damas são, na mesma ordem, Pallas (deusa grega da sabedoria), Judith (que seduziu Holofernes para salvar os judeus dos babilônios), Rachel (esposa de Jacó, filho de Abraão) e Argine (um anagrama de Regina, "Rainha" em latim); e os quatro Valetes representam Hogier (um dinamarquês que teria sido cavaleiro de Carlos Magno), La Hire (que lutou ao lado de Joana d'Arc), Hector (príncipe de Tróia) e Lancelot (da Távola Redonda). O motivo pelo qual justamente estes nomes foram escolhidos é desconhecido. Algumas fabricantes atuais, inclusive, omitem os nomes, descaracterizando o padrão, e deixando-o bem parecido com o padrão belga.
Além de por fabricantes francesas, o padrão parisiense é fabricado na Espanha, Itália, Alemanha, Suíça e Áustria. Algumas fabricantes produzem versões de 32 cartas (próprias para Piquet e Belote), sem índices (para Bacará) ou com as figuras "emolduradas".
Olhando rapidamente, este padrão, criado na parte francófona da Bélgica, parece idêntico ao padrão parisiense. As cartas são do mesmo tamanho, os índices são os mesmos, e as figuras são parecidas. O padrão belga, porém, possui algumas poucas diferenças, que o levaram a ser considerado um padrão separado ao invés de uma simples variação, sendo a mais notável a ausência dos nomes das figuras.Além de não terem nome, as figuras do padrão belga são impressas em preto, azul, vermelho, amarelo e, dependendo da fabricante, cor-da-pele. A linha que as divide é totalmente branca, ou decorada com quadradinhos e pontos pretos, ao invés da linha preta com círculos. Mesmo estando próximos ao índice, os símbolos do naipe nos cantos das figuras são inteiros, e não recortados como no padrão parisiense. As figuras também são um pouco menores, e passam uma impressão de serem mais "limpas" ou mais bem trabalhadas que as parisienses. Mas a diferença mais curiosa está no Valete de Paus: o parisiense tem um chapéu azul, enquanto o belga tem um chapéu vermelho; o parisiense carrega um escudo redondo com padrões geométricos e o nome da fabricante, enquanto o belga tem um escudo triangular com símbolos heráldicos. Além deste Valete, o Ás de Paus do padrão belga também é diferente, possuindo um símbolo como o de todos os outros, sem a coroa de folhas.
Outro fato curioso sobre o padrão belga é que, diferentemente do parisiense, ele é fabricado em muitos países fora da Europa, como Tunísia, Marrocos, Líbano, Síria, e até mesmo a Turquia, que não fala francês, mas mesmo assim o fabrica com os índices V, D e R. Dentro da Europa, ele é fabricado na Bélgica, Suíça, Espanha, Áustria e Hungria, em versões de 32, 36 (incluindo o 6 de cada naipe) ou 52 cartas, normalmente acompanhadas de um curinga.
Muitos consideram os padrões belga e genovês como sendo o mesmo, referindo-se a ele como "padrão belga ou genovês". De fato, além de migrar para vários outros países da Europa, África e Ásia, o padrão belga também chegou a Gênova, onde foi adaptado para diversos jogos locais. Lá, porém, ele sofreu algumas modificações, o que acabou transformando-o em um padrão novo.Para começar, nenhuma das cartas do baralho genovês possui índices: as cartas com valor numérico simplesmente possuem um número de símbolos do naipe a que pertencem correspondente a seu valor, enquanto as figuras possuem dois símbolos, um no canto superior esquerdo, outro no canto inferior direito. A linha diagonal que divide as figuras é totalmente branca - aliás, este é o único padrão italiano onde a linha que divide as figuras é diagonal. Finalmente, as figuras são impressas nas cores preta, azul, vermelha, amarela, verde e, dependendo da fabricante, cor-da-pele, sendo que o verde é predominante, diferentemente do que ocorre nos padrões belga e parisiense, onde a cor que predomina é o azul. As cartas do baralho genovês têm o mesmo tamanho que as dos padrões belga e parisiense, 57 x 89mm.
O padrão genovês é fabricado na Itália, Áustria e Alemanha, em duas versões, a "internacional" de 52 cartas, e uma mais adequada aos jogos italianos, que tem apenas 40 cartas (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, V, D, R de cada naipe). A versão de 52 cartas vem acompanhada de dois curingas.
Piemonte fica próximo a Gênova, então não é espanto que o padrão desta cidade também tenha sido influenciado pelo padrão belga. O padrão piemontês, porém, foi o que ficou mais diferente, sendo necessário um certo esforço para compará-lo ao que lhe deu origem.Assim como o padrão genovês, o piemontês não possui índices, com as cartas numéricas trazendo apenas um número de símbolos correspondente ao seu valor. Suas figuras são impressas em preto, amarelo, azul, vermelho, verde e, dependendo da fabricante, cor-da-pele e marrom. Diferentemente dos padrões belga e genovês, porém, suas figuras são divididas por uma linha fina e preta horizontal, o que causou a perda de muitos detalhes das figuras originais. As figuras, aliás, apenas lembram as do baralho belga, tendo o artista tomado uma série de "liberdades artísticas" ao criá-las, como o machado na mão do Valete de Paus, já que o escudo sumiu cortado pela linha divisória.
Além das figuras, a principal característica deste padrão está nos ases: todos os quatro trazem a marca da fabricante, e os de Espadas, Paus e Ouros trazem ainda uma decoração em volta do naipe, uma espécie de moldura oval. As cartas do padrão piemontês também são um pouco menores que as dos três anteriores, tendo 52 x 83mm.
O padrão de Piemonte só é fabricado na Itália, em duas versões, a italiana de 40 cartas e a internacional de 52 cartas, que costuma vir acompanhada de dois curingas. Existe ainda uma versão estilizada deste baralho própria para o jogo do Trente et Quarante, com 52 cartas levemente menores que o padrão, 50 x 82mm.
Este é o padrão nacional da Alemanha, usado em jogos como Skat, Romme, Schnapsen e Doppelkopf. Apesar de ser internacionalmente conhecido como "padrão de Berlim", ele não surgiu em Berlim, mas sim na cidade de Stralsund, no nordeste da Alemanha, onde foi inventado na primeira metade do Século XIX pela famosa fabricante Spielkartenfabrik Altenburg, que baseou seus desenhos no padrão parisiense. O padrão se tornou conhecido como "de Berlim" graças à fabricante Büttner, de Berlim, que no início do Século XX pasou a imprimir a frase Berliner Spielkarten ("cartas para jogar berlinenses") nas figuras do baralho. Com sua popularização, os jogadores passaram a referir-se a ele como Berliner Bild, e o nome pegou. Hoje, muitos na Alemanha também conhecem este baralho como Französisches Bild ("padrão francês"), nome este criado para diferenciá-lo dos padrões alemães, aqueles cujos naipes são folhas, sinos, corações e castanhas.As cartas do padrão de Berlim possuem índices em seus quatro cantos. Os Ases são identificados pela letra A (As), os Valetes por B (Bube), as Damas por D (Dame) e os Reis pela letra K (König). As figuras são ricamente trabalhadas, e impressas em várias cores, nos dois sentidos da carta, sendo divididas por uma fina linha preta. Algumas fabricantes fazem o símbolo do naipe de Ouros diferente do tradicional, com uma fina linha branca dentro, acompanhando o desenho do balãozinho.
O padrão de Berlim é fabricado na Alemanha, Áustria, Suíça, Bélgica, Espanha, Itália, França e Polônia, em vários modelos. Quanto ao número de cartas, pode ser encontrado na versão internacional de 52 cartas, que costuma vir com três curingas; em uma versão de 32 cartas, própria para o Skat e para outros jogos tradicionais alemães; em uma versão de 24 cartas (A, 9, 10, V, D, R de cada naipe) para Schnapsen; e em uma de 48 cartas (dois baralhos de 24 com o verso igual) para Doppelkopf. Quanto ao tamanho, o tradicional tem 59 x 91 mm, mas o padrão também pode ser encontrado em versão para Paciência, com 44 x 66 mm, e em uma versão "fina e comprida", conhecida como Senioren, de 44 x 93 mm. Finalmente, além do padrão normal, temos o chamado Turnierbild ("padrão de torneio") onde cada naipe é de uma cor (Espadas é verde, e Ouros amarelo), e as curiosas Kongresskarten ("cartas reunidas") que são divididas no meio por uma faixa horizontal, sendo que uma das metades da carta é impressa com o padrão de Berlim, e a outra com o padrão Neu Altenburg, do baralho alemão. Aqui temos uma comparação entre as cartas comuns, Turnier, Senioren e Kongress.
Também é comum serem fabricados baralhos enfeitados ou temáticos com índices em alemão. Estes baralhos são considerados variações do padrão de Berlim por serem vendidos como baralhos para Skat, o jogo mais fortemente associado a este padrão. De todas as variações enfeitadas, a mais famosa é a que ficou conhecida como Salonkarten ("cartas de salão"), criada na Alemanha Oriental, e que durante certo tempo até chegou a ser considerada um padrão regional próprio. Aqui temos dois exemplos de Salonkarten, e dois de baralhos temáticos.
Este padrão foi criado pela fabricante Dondorf, da cidade de Frankfurt, no ano de 1870. Sua intenção era simplesmente criar uma versão enfeitada do padrão de Berlim, com figuras diferentes, mas ainda assim ricas em cores e detalhes. A princípio, o baralho foi realmente vendido como uma "edição de luxo", e exportado até para fora da Alemanha. Graças a esta exportação, porém, o baralho se tornou extremamente popular na Polônia, Dinamarca e Holanda, onde as fabricantes também começaram a produzi-lo, mas sempre mantendo os índices em alemão (A, B, D, K). Graças a isso, o baralho acabou sendo reconhecido como um padrão próprio, e, como foram as fabricantes da região da Renânia, Alemanha, que começaram a incluí-lo em seus catálogos, o padrão logo se tornou conhecido como padrão da Renânia.O padrão da Renânia é semelhante em muitas coisas ao padrão de Berlim, como os índices nos quatro cantos da carta e as figuras multicoloridas e ricamente trabalhadas, divididas em sua simetria por uma fina linha preta horizontal. Um detalhe curioso é que, nas figuras, a borda que as envolve não passa pelos índices, mas faz um desvio, criando quatro "janelinhas" onde ficam os índices. As cartas são de um tamanho um tiquinho menor que as de Berlim, 58 x 89 mm. Originalmente, o baralho era composto por 32 cartas, mas na Polônia este número foi elevado para as internacionais 52, que hoje vêm acompanhadas de três curingas. A versão de 32 cartas não é mais fabricada.
A partir da segunda metade do Século XX, o padrão da Renânia foi perdendo popularidade na Alemanha, graças, principalmente, à divulgação do padrão de Berlim como o "padrão oficial" para se jogar Skat, o jogo nacional da Alemanha. Aos poucos, todos as fabricantes alemãs foram deixando de produzi-lo, dando preferência ao padrão de Berlim e a alguns padrões regionais do baralho alemão. Atualmente, o padrão da Renânia só é fabricado na Áustria e na Polônia.
Semana que vem, veremos os sete padrões restantes!
Série Baralhos |
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Padrões Regionais Franceses - Parte 1 |
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Card games baseados em filmes ou séries de TV não são nenhuma novidade; existem card games de Star Wars, Arquivo X, Senhor dos Anéis (que eu sei que é um filme baseado em um livro, mas o card game é bem mais baseado no filme) e até Alien vs Predador, que saiu, inclusive, antes do filme. Rangers Strike, porém, tem uma característica que o diferencia de todos estes: suas cartas não são decoradas com fotos dos seriados, mas com arte exclusiva, feita pelos principais artistas japoneses da atualidade especialmente para o card game. E, como eu já disse, a arte é sensacional. Lançado em 2006 pela Carddas, uma subsidiária da Bandai, para comemorar o 30o aniversário dos Sentai (com um pouco de atraso, já que o primeiro Sentai, Go Ranger, é de 1975), Rangers Strike não chegou a se tornar uma febre no Japão como Pokémon ou Yu-Gi-Oh, mas conquistou uma legião de fãs, que inclui sul-coreanos, tailandeses e norte-americanos, que se interessaram pelo jogo exatamente devido a suas ilustrações.
Tanto as Tropas quanto as Operações são divididas em cinco Grupos, que veremos mais tarde. Você só pode usar durante o jogo cartas do Grupo que "comande", e, para isso, precisa colocar uma carta deste Grupo de sua mão (tanto faz se Tropa ou Operação) em uma área da mesa chamada de Zona de Poder, e ativá-la, o que é feito virando a carta de lado, como em Magic. Uma vez que uma carta esteja ativada na Zona de Poder, você terá o comando sobre aquele Grupo, e poderá colocar Tropas que pertençam a ele na Zona de Combate, ou ativar Operações que tenham o símbolo do Grupo. A carta que estiver na Zona de Poder não poderá participar de combates, se for uma Tropa, nem ter sua habilidade ativada, se for uma Operação. Você pode comandar quantos Grupos quiser, desde que tenha uma carta para cada um deles na Zona de Poder. Cartas na Zona de Poder "desviram" no início de cada turno seu, e devem ser novamente ativadas se você quiser colocar Tropas na Zona de Combate ou ativar Operações naquele turno.
Ao invés de dividir as Tropas e Operações por Sentai, o que poderia causar uma confusão nas regras, obrigando o jogador a lidar com uns 30 grupos diferentes, Rangers Strike as reuniu em cinco grandes Grupos, de acordo com a origem do poder de cada Sentai. Cada Grupo possui poderes (ou efeitos, em termos de jogo) diferentes, sendo essencial combiná-los na medida certa para se sair bem no jogo - em outras palavras, um baralho todo de um Grupo só tem poucas chances de ser bem sucedido, enquanto um com todos os cinco pode se tornar meio confuso; nada diferente do que ocorre na maioria dos card games. Também como na maioria dos card games, cada Grupo é representado por uma cor, cujos tons estão presentes na área reservada ao texto de cada carta, além de em um símbolo próprio que identifica aquela carta como sendo daquele Grupo. Os cinco Grupos são os seguintes:
O quarto Grupo, Feras Selvagens reúne os Sentai que receberam seus poderes das famosas Feras Místicas. Este é o menor grupo, reunindo heróis de Zyu Ranger, Gingaman, Gao Ranger, Aba Ranger e Geki Ranger. Seu símbolo é uma cabeça de lobo vermelha.
Mas peraí, eu disse que existiam seis expansões e parei na quinta? Não, eu simplesmente decidi dar um destaque maior à sexta, a mais interessante de todas, lançada no mês passado. E o que ela tem de tão interessante? Bem, a sexta expansão não traz personagens dos Sentai, mas sim de Kamen Rider! Chamada simplesmente de The Masked Rider Expansion Vol 1 (mesmo em japonês), a expansão traz 79 novas cartas, todas totalmente compatíveis com as expansões anteriores (se eu não me engano, têm até o mesmo verso), mas trazendo personagens de várias séries de Kamen Rider, o que, em termos de jogo, permite que os Sentai metam a porrada no Cavaleiro Mascarado! Ou o contrário, se você é fã de Kamen Rider e não gosta muito de Sentai. Como esta expansão é o "Vol 1", provavelmente virão mais expansões com personagens de Kamen Rider por aí, mas, apesar de uma carta com um Kamen Rider ter sido incluída na quinta expansão, o mais provável é que Kamen Riders e Sentai não se misturem, com suas expansões sendo lançadas intercaladas (como o Hero Clix da Marvel e da DC, por exemplo). Algo que reforça esta tese é o fato de que a próxima expansão de Rangers Strike já tem nome, Akaki Roku Senshi no Kikan ("O Retorno dos Seis Guerreiros Vermelhos"), e este segue o "esquema numérico" das anteriores, sendo considerada a sexta, e não a sétima.
Apesar de ser o mais famoso, o baralho francês também foi o último a surgir, já no início do século XVI. Seus naipes foram inspirados nos do baralho alemão, que representavam coisas da natureza e da vida no campo (folhas, sinos, castanhas e corações) ao invés de nos tradicionais espanhóis e italianos, mais ligados à nobreza e realeza (moedas, taças, espadas e bastões). A intenção dos fabricantes era simplificar ao máximo a produção dos baralhos: na época, ou eles eram desenhados e pintados à mão, o que impossibilitava sua produção em massa, sendo feitos sob encomenda para famílias abastadas; ou eram impressos com enormes blocos de madeira entalhados, mais ou menos como a literatura de cordel do nordeste brasileiro. Desta forma, quanto menos detalhes as cartas tivessem, mais fácil seria o entalhamento, e mais rápido os baralhos poderiam ser produzidos.
Originalmente, nenhuma carta do baralho possuía qualquer número ou letra, devendo as cartas serem identificadas pelo número de símbolos dos naipes nelas, ou por sua figura. Isto fazia com que jogar fosse um pouco mais complicado do que hoje em dia, pois as cartas precisavam ser manuseadas várias vezes durante uma partida. No século XVIII, com técnicas de impressão mais modernas, como a litografia, que já não exigiam que as cartas fossem entalhadas uma a uma, alguns fabricantes tiveram a boa idéia de colocar números nos cantos das cartas, para que, quando elas fossem seguradas com apenas uma das mãos, em forma de leque, o jogador pudesse saber com facilidade quais cartas tinha na mão. Mais tarde, abaixo do número foi adicionado um pequeno símbolo do naipe ao qual a carta pertence, para que este também se tornasse facilmente identificável. Assim foram criados os índices.
A explicação, por incrível que pareça, era bem simples: no Império Romano, existia a palavra as, originalmente utilizada como nome de uma pequena moeda, que valia uma unidade monetária, mas que com o passar do tempo passou a significar uma unidade de qualquer coisa: uma laranja, um litro, um saco de terra, tudo era as. Com o fim do Império Romano e do latim como língua corrente, a palavra as acabou sendo adaptada para outros idiomas, mas sempre com o significado de uma unidade. E o Ás, evidentemente, era a carta número um do baralho, aquela que só tinha um desenho do naipe.
Junto com os índices, a invenção que mais revolucionou o baralho foi a de imprimir as figuras nos dois sentidos da carta. Originalmente, as figuras eram impressas em um único sentido, ou seja, todas tinham pés, e podiam ficar "de cabeça para baixo" nas mãos dos jogadores. Em baralhos sem índices, era meio difícil reconhecer uma figura pelo pé, então os jogadores tinham de desvirá-las, o que, além de consumir tempo, podia dar dicas aos oponentes de que você tinha figuras na mão. Com esta preocupação em mente, em 1745 um fabricante francês da cidade de Agen teve uma idéia: cortou as figuras no meio, e imprimiu a mesma metade nas duas metades horizontais da carta, com uma linha no meio. Estava criada, portanto, uma figura que jamais ficaria de ponta-cabeça: não importava como o jogador segurasse a carta, uma das cabeças estaria sempre na parte superior da carta.
Depois que alguns fabricantes começaram a adicionar ao seu baralho uma carta com um simpático palhacinho, os jogadores imediatamente se puseram a inventar usos para ela, e muitos outros jogos ganharam variações que usavam Curingas. Estes baralhos chegaram até a Europa, o que fez com que muitos jogos europeus também tivessem suas regras alteradas para que o Curinga fizesse parte deles, e com que muitos fabricantes europeus também passassem a colocar Curingas em seus baralhos. Alguns jogos, inclusive, passaram a requerer mais de um Curinga, o que levou os fabricantes a produzir, a partir do início do século XX, baralhos que vinham acompanhados de dois ou até três deles. Como em alguns jogos cada Curinga tinha uma função diferente, criou-se o hábito de imprimir um dos Curingas em cor diferente - por exemplo, um em colorido e um em preto-e-branco, ou um em preto e um em vermelho. Hoje, o Curinga já é considerado por muitos como parte integrante do baralho.
Lançado no Japão há vinte anos, em 1987, com o nome de Akai Koodan Zillion (algo como "raio vermelho Zillion"), Zillion era ambientado no futuro, Lá pelo final do século XXIV. Nesta época tão distante, a humanidade já se lançou à colonização espacial, e em uma de suas viagens acabou encontrando um planeta muito semelhante à Terra, chamado Maris. De tão parecido com a Terra, Maris foi apelidado de Segunda Terra, e imediatamente colonizado, se tornando uma espécie de utopia, onde populações humanas convivem em paz nas cidades, enquanto suas áreas selvagens escondem ruínas de uma antiga civilização, constantemente exploradas em busca de conhecimento.
Uma grande equipe, composta de muitos soldados de Maris, dá apoio aos White Knights. Dentre eles podemos destacar Dave, o mecânico responsável pela manutenção dos equipamentos da equipe, inclusive das pistolas Zillion; o Chefe Gordon, comandante da equipe e responsável por definir as missões, amigo de infância do Comandante Bernstein, chefe do exército de Maris, com o qual costuma divergir sobre as melhores estratégias de ataque; Amy, secretária do Chefe Gordon e operadora de computador da equipe, conhecida em toda a unidade por seu péssimo café; e Bongo (que no original se chamava Opa-Opa), um robô voador viciado em trabalho e sempre disposto a ajudar os White Knights. Além das pistolas Zillion, os White Knights ainda contam com três motos Trichargers, inventadas por Dave e capazes de se transformar em uma espécie de armadura para seu piloto; e com a base voadora Big Porter, que os leva até as batalhas e carrega três outros veículos, um jato, um submarino e uma espécie de tanque.