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sábado, 3 de outubro de 2026

Escrito por em 3.10.26 com 0 comentários

Witchblade

Faz muitos anos já que eu tento escrever um post sobre Witchblade, uma das revistas da Image Comics que eu mais gostava, mas sempre acabo desistindo porque, aparentemente, ninguém nunca se preocupou em organizar as informações sobre ela da mesma forma como já fizeram com outras revistas de super-heróis. No início desse ano, eu decidi tomar essa tarefa para mim e escrever esse post do jeito difícil, consultando múltiplas fontes online e as revistas da Witchblade que eu ainda tenho aqui em casa. Por causa disso, eu decidi que esse post não teria prazo para ir ao ar, e que eu somente o postaria quando estivesse satisfeito com o que consegui reunir. Levou uns bons meses, mas, aparentemente, o dia é hoje. Hoje é dia de Witchblade no átomo!

A primeira coisa que precisa ser dita é que "Witchblade" (que, traduzida literalmente, é a "lâmina da bruxa", mas, por incrível que pareça, é um trocadilho com switchblade, aquela faca cuja lâmina se dobra para dentro do cabo, muito usada em filmes por membros de gangues) não é o codinome da super-heroína, no mesmo sentido que o são "Mulher Maravilha" ou "Tempestade". A Witchblade é um artefato milenar e consciente, capaz de assumir várias formas, sendo a sua preferida a de uma luva que se encaixa no braço direito de um hospedeiro humano, conferindo-o poderes inimagináveis, mas também lentamente dominando sua mente - e, dizem, levando à sua morte. Feita de material orgânico, a Witchblade é quase indestrutível, e consegue alterar sua forma e sua massa à vontade, se transformando em um bracelete ou gargantilha para se camuflar no corpo do hospedeiro, o qual cobre com tentáculos semelhantes a uma carapaça de inseto enquanto está ativada - quando torna o hospedeiro capaz de produzir diversos tipos de armas, lançar rajadas de energia, ou até usar os tais tentáculos para ataque e defesa. A Witchblade é o filho de duas entidades sobrenaturais presentes desde o início do universo, chamadas Darkness e Angelus, sendo que o Darkness (que significa, literalmente, escuridão) é associada à escuridão, enquanto a Angelus é associado à luz. E sim, "o filho", porque, apesar de, em português, todo mundo falar "a Witchblade", o artefato é do sexo masculino, o que faz com que ele prefira hospedeiros do sexo feminino.

A moça que todo mundo costuma identificar como "a Witchblade" se chama Sara Pezzini, e é detetive de polícia na cidade de Nova Iorque. Durante uma investigação, Sara se depara com um "teste de Excalibur", no qual criminosos de alta periculosidade pagaram elevadas quantias pelo direito de experimentar a Witchblade e ver se o artefato aceita algum deles como hospedeiro - com os que não são aceitos se arrependendo amargamente. Baleada ao ser revelada como policial, Sara iria morrer, se a Witchblade não decidisse que ela era a hospedeira que ele estava procurando, rastejando até seu braço e mudando sua vida para sempre.

O responsável por tentar encontrar um hospedeiro para a Witchblade era o milionário Kenneth Irons, que é obcecado pelo artefato, conhecendo a fundo sua história e tendo em sua casa um santuário dedicado à Witchblade e a seus hospedeiros anteriores - com um deles sendo ninguém menos que Joana d'Arc. Irons treinou seu homem de maior confiança, Ian Nottingham, para sobreviver a um ritual no qual ele se tornaria o hospedeiro da Witchblade, no processo transformando-o em um lutador de reflexos sobre-humanos, capaz de pegar um tiro com as mãos nuas - sem que Nottingham saiba, contudo, o objetivo final de Irons é transferir a Witchblade para si mesmo, usando o subordinado apenas como cobaia para o processo. Para que o ritual dê certo, porém, primeiro a Witchblade precisa se combinar a um hospedeiro de forma natural, para depois ser extraída e combinada a Nottingham, o que faz com que Irons e Nottingham passem a perseguir Sara depois do incidente, com a detetive e o assassino desenvolvendo um relacionamento que mistura ódio e romance.

Witchblade não é uma revista de super-heróis tradicional, já que Sara não usa a Witchblade para combater supervilões, estando mais para uma história policial com elementos de fantasia e sexuais - quase toda edição tem alguém seminu ou fazendo sexo, o que torna a revista bastante parecida com os filmes policiais dos anos 1970, e o próprio "uniforme" de Sara ao ativar a Witchblade parece ter sido pensado para atrair o público masculino adolescente. Enquanto aprende a usar os poderes da Witchblade e tenta escapar das investidas de Irons e Nottingham, Sara continua trabalhando como policial, com vários casos que ela investiga sendo abordados em suas histórias, contando com personagens coadjuvantes como o Chefe de Polícia, Joe Siry; o parceiro de Sara, Jake McCarthy; e o detetive Eric Sketh, transferido de Los Angeles. Outros coadjuvantes dignos de nota são a irmã mais nova de Sara, Julie, que é modelo e não tem rumo na vida; e Jackie Estacado, que trabalha para a máfia e cujos caminhos vivem se cruzando com os de Sara.

Criada por Marc Silvestri, David Wohl, Brian Haberlin e Michael Turner, Witchblade seria lançada pela Top Cow, uma das editoras que faziam parte da Image Comics, em novembro de 1995. Silvestri seria um dos sete fundadores da Image, e, originalmente, a Top Cow publicaria dois títulos estrelados por super-heróis bem parecidos com os X-Men: Cyberforce, no qual um grupo de mutantes ciborgues luta contra a mega corporação que fez as alterações cibernéticas em seus corpos, no caso de muitos deles, contra a sua vontade; e Codename: Strykeforce, na qual o líder da Cyberforce, o Coronel Morgan Striker, reúne uma equipe de elite dotada de superpoderes para participar de missões de alto risco das quais as habilidades da Cyberforce não dariam conta. Witchblade seria o primeiro título da Top Cow a não trazer mutantes nem ter relação com a Cyberforce, e seria considerada "o início do Universo Top Cow", já que, depois dela, muitos títulos de sucesso da editora seriam lançados tendo relação com o Darkness e a Angelus.

A versão originalmente criada por Silvestri seria uma super-heroína mais tradicional, com sua primeira aparição sendo uma participação especial no crossover Cyblade / Shi, de agosto de 1995, com roteiro de Haberlin e arte de Silvestri, na qual Sara tinha um uniforme com direito a capa e usava o codinome Witchblade. Depois disso, Silvestri não teria mais envolvimento com a personagem, que seria reimaginada em sua versão oficial por Wohl e Turner. A primeira edição de Witchblade teria roteiros de Wohl, Haberlin e Christina Z e arte de Turner - as moças de rosto de boneca, lábios cheios, seios fartos e cinturas finas desenhadas por Turner seriam consideradas a marca registrada de Witchblade, e sua fama desenhando o título permitiria que ele criasse sua própria heroína, Fathom, mais tarde saindo da Top Cow e levando-a para sua própria editora, a Aspen MLT. Já Christina Z, uma norte-americana nascida em Munique, na Alemanha, e que começou a carreira como jornalista de música, faria quase toda a sua carreira nos quadrinhos escrevendo para a Top Cow, e muitas das ideias sobre o passado da Witchblade viriam dela.

Wohl e Christina teriam uma longa carreira nos roteiros, escrevendo nada menos que as 39 primeiras edições da revista, com Wohl ainda retornando para escrever sozinho quase todas as edições entre a 45 e a 75, com o roteirista da maioria das edições entre a 40 e a 53 sendo Paul Jenkins. Mas o recorde da revista pertenceria a Ron Marz, que assumiria na edição 80, em novembro de 2004, e escreveria até a 150, de dezembro de 2011. Ex-roteirista do Surfista Prateado e do Lanterna Verde - sendo o criador de Crepúsculo Esmeralda, a famosa história na qual Hal Jordan se torna o vilão Paralax - Marz primeiro estabeleceria Sara como a única portadora da Witchblade - pois, nas edições anteriores, vários outros personagens conseguiriam utilizar o artefato simultaneamente ou ao invés dela - para depois criar uma nova personagem, a bailarina Danielle Baptiste, que assumiria a Witchblade e deixaria Sara sem poderes; Marz também decidiria que Sara ficaria grávida de Jackie e teria uma filhinha chamada Hope, com Dani devolvendo a Witchblade à policial para salvar a vida das duas. A principal marca da passagem de Marz, entretanto, seria que ele expandiria a mitologia da Witchblade, do Darkness e da Angelus, escrevendo algumas das edições de maior vendagem da história da Top Cow.

Marz seria substituído por Tim Seeley, que tentaria fazer uma Sara mais pé no chão, numa época em que a Witchblade seria parte da saga Top Cow Rebirth, criada em comemoração pelos 20 anos da Top Cow. Seeley escreveria até a edição 169, de setembro de 2013, com Marz voltando na 170 para bagunçar a vida de Sara, que ficaria ressentida imaginando que a Witchblade era responsável por evitar que ela conseguisse avançar na vida, e cogitasse se livrar do artefato de uma vez por todas. Marz seria o roteirista até a edição 185, de novembro de 2015, quando, para aproveitar o aniversário de vinte anos da primeira edição, a Top Cow decidiria encerrar a saga de Sara Pezzini, permitindo que ela encontrasse outro hospedeiro definitivo para a Witchblade e fosse viver sua vida - curiosamente, a capa da edição 185 teria arte idêntica à da edição 1. Além das 185 edições mensais, Witchblade teria duas edições anuais, lançadas em 2009 e 2010.

Falando em arte, Turner seria o artista de Witchblade até a edição 27 - exceto pela 24 e 26, desenhadas por Randy Green, que co-desenharia a 27 assumiria a arte a partir da 28, de fevereiro de 1999. Green tinha um estilo parecido com o de Joe Madureira, que desenhou os X-Men na década de 1990, mas não agradou aos fãs de Witchblade, sendo substituído por Keu Cha, que tinha um estilo parecido com o de Turner, na edição 40, de junho de 2000. Após uma passagem de Brian Ching entre as edições 50 e 59, e uma de Eric Basaldua entre a 60 e a 79, com Marz viria Mike Choi, que ficaria até a 115, sendo substituído na 116, de abril de 2008, por Stjepan Sejic, que é considerado o maior artista de Witchblade, acima até mesmo de Turner, e ilustraria as histórias de Marz até ele sair na 150. Com Seeley, na 151, estrearia Diego Bernard, que sairia junto com ele na 169, assumindo Laura Braga na 170 e ficando até o final.

Além de na série regular, a Witchblade seria a estrela de várias minisséries e edições especiais lançadas pela Top Cow. Entre maio e julho de 1996, seria publicada a minissérie em três edições Medieval Spawn / Witchblade, com roteiros de Garth Ennis e arte de Brandon Peterson, na qual o Spawn Medieval e Katarina Godliffe, a hospedeira da Witchblade na época, se unem para impedir que o tirano Lord Cardinale conquiste o Reino das Fadas. Essa minissérie daria uma ideia a Christina Z e, para a edição 9, de setembro de 1996, ela e Wohl escreveriam uma história, com arte de Tony Daniel, na qual a Witchblade projeta na mente de Sara a vida de uma de suas hospedeiras anteriores, a pirata Anne Bony. Essa história seria um teste para o lançamento de uma nova revista, protagonizada por outras hospedeiras, passadas ou futuras, da Witchblade. Chamada Tales of the Witchblade, essa revista teria 10 edições, publicadas trimestralmente entre novembro de 1996 e janeiro de 2001, com roteiros de Christina Z, David Finch, Bill O'Neil e Warren Ellis, e arte de Tony Daniel, Nathan Cabrera, Billy Tan, Richard Bennett, Christian Zanier e David Boller. Infelizmente, a revista não teve as vendas imaginadas e acabou cancelada, mas não sem a curiosidade de contar na última edição com a participação especial de Lara Croft - que não, não foi hospedeira da Witchblade - o que faz com que ela não possa ser republicada, já que o contrato de licenciamento da personagem para a Top Cow já expirou.

Lara Croft não estava lá por acaso: no auge da popularidade de Witchblade, a Top Cow conseguiria licenciá-la junto à Eidos e à Core para um crossover Tomb Raider / Witchblade, com roteiro de Turner e arte de Turner e Ching, lançado em dezembro de 1997, no qual Sara acaba topando com Lara ao investigar um assassinato, do qual a arqueóloga passa a ser suspeita. As duas ainda se encontrariam em Witchblade / Tomb Raider, de julho de 2000, com roteiro de O'Neill e arte de Keu Cha, mas, antes disso, o sucesso do crossover garantiria a Lara uma série só dela, Tomb Raider, inicialmente com roteiros de Dan Jurgens e arte de Andy Park, que teve 52 edições publicadas entre dezembro de 1999 e março de 2005.

Também em 1997, Sara seria uma das personagens envolvidas na saga O Reino do Demônio, cuja primeira edição foi lançada em março, na qual Mefisto descobre um caminho que leva até o Universo Top Cow, planejando usar as almas de seus habitantes para se tornar mais poderoso que nunca, mas alguns heróis Marvel conseguem ir atrás dele e se unem aos heróis da Top Cow para impedi-lo. Sara participaria de duas edições: Wolverine / Witchblade, que tem roteiro de Wohl, Turner e Christina Z e arte de Turner, e Witchblade / Elektra, que tem roteiro de Wohl e Christina Z e arte de Turner e Joe Benitez.

Além de ser um personagem mais ou menos regular de Witchblade, Jackie Estacado seria o astro de sua própria revista, The Darkness, na qual também ganha poderes sobrenaturais, mas conferidos pelo Darkness - e na qual Sara faria algumas participações especiais. A ligação entre os dois faria com que algumas histórias fossem compartilhadas entre as revistas, alternando as histórias entre a Witchblade e a The Darkness, com uma delas, que envolvia um grupo chamado Necrobi tentando fazer com que a Witchblade se tornasse capaz de controlar o poder do Darkness, tendo quatro partes, uma publicada na Witchblade, uma na The Darkness, uma na edição especial Witchblade / Darkness e uma na edição especial Darkness / Witchblade. Em junho de 1998, também seria publicado um crossover, Witchblade / The Darkness, com roteiro de Wohl e David Finch e arte de Brian Ching, na qual Jackie tenta impedir que Sara reúna provas contra um mafioso amigo seu acusado de assassinato. Sara e Jackie também seriam os astros de duas minisséries curiosas: Overkill: Witchblade / Aliens / Darkness / Predator, em duas edições publicadas em novembro e dezembro de 1999, com roteiros de Jenkins e arte de Clarence Lansang, Joe Benitez e Brian Ching, no qual Aliens vêm a Nova Iorque colocar ovos, Predadores vêm atrás deles para caçá-los, e Sara e Jackie são pegos no meio da confusão, e sua sequência com mais ou menos a mesma história, Witchblade / Aliens / Darkness / Predator: Mundhunter, em três edições publicadas entre dezebro de 2000 e fevereiro de 2001, com roteiros de David Quinn e arte de Mel Rubi.

A Witchblade também faria crossovers com duas das mais famosas bad girls dos quadrinhos. A primeira seria Lady Death, da Chaos! Comics, em duas edições: Lady Death / Medieval Witchblade, de julho de 2001, ambientada na Idade Média, com roteiro de Brian Augustyn e arte de Romano Molenaar, na qual Lady Death e Katrina unem forças contra a tirana Rainha Morgana; e Witchblade / Lady Death, de novembro de 2001, com roteiro de Wohl e arte de Joel Gomez, ambientada na época atual, na qual um executivo tenta conjurar um demônio para obter vantagens financeiras, mas tudo dá errado, e cabe a Sara e Lady Death colocar as coisas de volta nos eixos.

A segunda seria Vampirella, da Dynamite Entertainment, com quem Sara dividiria três edições: Vampirella / Witchblade, de julho de 2003, com roteiro de Brian Wood e arte de Steve Pugh, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um lobisomem assassino em Nova Iorque; Vampirella / Witchblade: Union of the Damned, de julho de 2003, com roteiro de Justin Gray e arte de Joelle Jones, na qual Sara e Vampirella vão até o inferno enfrentar um lorde demônio; e Vampirella / Witchblade: The Feast, de outubro de 2005, com roteiro de Justin Grey e arte de Joyce Chin, na qual Sara e Vampirella se unem para deter um grupo de vampiros assassinos em Nova Iorque. Vale citar também Tomb Raider / Witchblade / Magdalena / Vampirella, de agosto de 2005 e que tinha duas histórias, uma só com Lara e uma com roteiro de Gail Simone e arte de Joyce Chin, na qual Sara, Magdalena e Vampirella unem forças para derrotar um lorde vampiro.

Sara também dividiria duas edições com a super-heroína indiana Devi, da Virgin Comics: Witchblade / Devi, com roteiro de Marz e arte de Basaldua, e Devi / Witchblade, com roteiro de Samit Basu e arte de Mukesh Singh, ambas de abril de 2008. Em uma história em duas partes, a investigação de um assassinato leva Sara à Índia, onde ela descobre que o culpado não é um humano comum, e sim um espírito milenar sob o comando de um dos inimigos de Devi, Lord Bala, com as duas se unindo para derrotá-lo.

Também vale citar a saga Monster War, que reuniria quatro edições especiais nas quais personagens da Top Cow enfrentariam monstros clássicos do cinema. Sara seria a estrela da terceira, de agosto de 2005, com roteiro de Christopher Golden e Tom Sniegoski e arte de Vitor Ishimura, na qual ela enfrenta o Monstro de Frankenstein - com o título na capa da edição sendo Witchblade vs. Frankenstein: Monster War. Nas outras três, caso alguém esteja curioso, Lara Croft enfrentava o Lobisomem, Jackie Estacado enfrentava o Sr. Hyde, e Magdalena enfrentava o Drácula.

Outros crossovers envolvendo a Witchblade seriam Dark Minds / Witchblade, de agosto de 2000, com roteiro de Wohl e Pat Lee e arte de Lee, na qual os detetives Nakiko e Takahashi investigam uma série de assassinatos que podem estar ligados à Witchblade; JLA / Witchblade, de dezembro de 2000, com roteiro de Len Kaminski e arte de Mark Pajarillo, na qual Sara vai a Gotham visitar sua amiga Barbara Gordon, mas as coisas saem do controle quando a Witchblade decide pegar a Mulher Maravilha como hospedeira; Battle of the Planets / Witchblade, de janeiro de 2003, com roteiro de Munier Sharrieff e arte de Alam Tam, na qual a Witchblade escolhe como hospedeira a Princesa da equipe G-Force; Witchblade / Dark Minds: Return of Paradox, de junho de 2004, com roteiro de Wohl e arte de Lou Kang, na qual Nakiko se torna a hospedeira da Witchblade para deter o vilão Paradox; Witchblade / Wolverine, também de junho de 2004, com roteiro de Chris Claremont e arte de Basaldua, no qual Logan e Sara se casam, mas descobrem que isso faz parte do plano de uma mutante que manipula memórias e planeja se tornar hospedeira da Witchblade; Witchblade: Shades of Grey, minissérie em quatro edições lançadas entre março e novembro de 2007, com roteiros de John Reppion e Leah Moore e arte de Stephen Segovia e Walter Geovani, na qual Sara investiga uma série de assassinatos dos quais o principal suspeito é Dorian Gray; Witchblade / The Punisher, de junho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Adriana Melo, na qual um transporte de prisioneiros que Sara acompanha é atacado pelo Justiceiro e ela decide confrontá-lo; Unholy Union, de julho de 2007, com roteiro de Marz e arte de Michael Broussard e Chaz Riggs, na qual o Motoqueiro Fantasma quer punir Jackie, Sara enfrenta um Hulk enfurecido, e o Dr. Estranho tenta pôr ordem na casa; e Witchblade / Red Sonja, minissérie em cinco edições lançadas entre fevereiro e julho de 2012, com roteiros de Doug Warner e arte de Cezar Razek, na qual os destinos de Sara e Sonja se cruzam enquanto a primeira investiga o assassinato de um padre e a segunda enfrenta uma criatura demoníaca no interior de uma montanha.

Outras minisséries estreladas por Sara seriam Witchblade: Destiny's Child, em três edições lançadas entre junho e setembro de 2000, com roteiros de Christina Z e arte de David Boller, que contava como Irons e Nottingham se conheceram, e dava a entender que Sara estava destinada desde o nascimento a ser a hospedeira do artefato; First Born, em três edições lançadas entre agosto e novembro de 2007, na qual o Darkness e a Angelus disputam a posse de Hope, e sua continuação, Broken Trinity, em três edições lançadas entre julho e novembro de 2008, ambas com roteiros de Marz e arte de Sejic; e Witchblade: Demon Reborn, em quatro edições publicadas entre agosto e novembro de 2012, na qual um assassino serial que Sara matou anos antes (na Witchblade regular) retorna como um demônio disposto a levá-la com ele para o inferno, com roteiros de Ande Parks e arte de Jose Luis.

Também seriam publicadas duas histórias da Witchblade ambientadas em realidades alternativas. A primeira seria a edição especial Witchblade Infinity, com roteiro e arte de Adam Polina, ambientada em uma realidade na qual a hospedeira da Witchblade é a dominatrix Kimberly Tossova, que entra em contato com o artefato após um de seus clientes roubá-lo de Irons. A segunda seria a minissérie Switch, em quatro edições publicadas entre outubro de 2015 e julho de 2016; inicialmente um projeto pessoal de Sejic para sua página no site Deviant Art, Switch acabaria rendendo ao artista um convite para transformar a história de uma adolescente chamada Mary que se torna hospedeira da Witchblade e passa a ser disputada por Irons, pelo Darkness e pela Angelus. Originalmente prevista para ser uma série regular, Switch teve de ser encerrada prematuramente devido a problemas de saúde de Sejic.

Entre maio de 2010 e novembro de 2014, seria publicada a série Artifacts, na qual Sara e Jackie estavam dentre seus protagonistas. Originalmente, Artifacts deveria ser uma minissérie em 13 edições, cada um focada em um dos artefatos emblemáticos do Universo Top Cow - com as três primeiras edições abordando, respectivamente, a Witchblade, o Darkness e a Angelus. A minissérie faria tanto sucesso que a Top Cow decidiria transformá-la em uma série regular cujo desfecho teria impacto em todos os títulos da editora - e que seria parcialmente responsável pelo cancelamento da Witchblade em 2015. Ao todo, Artifacts teria 41 edições, numeradas de 0 a 40; a maioria delas seria escrita por Marz, e muitas contariam com desenhistas iniciantes escolhidos através de um concurso.

Apesar do cancelamento, Witchblade continuaria sendo muito popular dentre os fãs, de forma que, em 2017, a Top Cow começaria a discutir se valeria a pena trazer a revista de volta - mesmo após Sara ter recebido um final definitivo, o que os norte-americanos costumam chamar de closure. A solução seria, evidentemente, trazer a Witchblade de volta, mas com outra hospedeira. Assim, a segunda Witchblade, com numeração recomeçando do 1, seria lançada em dezembro de 2017, com roteiros de Caitlin Kittredge e arte de Bryan Valenza e Roberta Ingranata. A protagonista da nova série não é Sara, e sim a jornalista Alex Underwood, que se torna hospedeira da Witchblade após ser baleada por criminosos; enquanto tenta descobrir como funcionam os poderes do artefato, Alex se vê caçada por demônios que se disfarçam de humanos, que tentam matá-la e pegar a Witchblade para si antes que ela fique poderosa demais. Infelizmente a nova série não faria sucesso, e acabaria cancelada após apenas 18 edições, a última de março de 2020.

No início dos anos 2000, o sucesso de Witchblade era tamanho que ela se tornaria a primeira revista da Image a ser adaptada para uma série de televisão. Com roteiros de Ralph Hemecker e Richard C. Okie, a série teria um piloto exibido pelo canal TNT em 27 de agosto de 2000, mais duas temporadas, a primeira com 11 episódios, exibidos entre 12 de junho e 21 de agosto de 2001, a segunda com mais 12, exibidos entre 16 de junho e 26 de agosto de 2002. O elenco conta com Yancy Butler como Sara Pezzini, David Chokachi como Jake McCartney, Anthony Cistaro como Kenneth Irons, Will Yun Lee como o detetive Danny Woo, John Hensley como Gabriel Bowman e Eric Etebari como Ian Nottingham, e a história é mais ou menos fiel à dos quadrinhos (sem a parte do sexo e das mulheres seminuas), com Sara investigando crimes enquanto tenta lidar com a Witchblade e seus poderes e sendo perseguida por Irons e Nottingham.

Em 2004, a Top Cow conseguiria um acordo com a editora Kodansha para lançar no Japão uma versão de Witchblade em mangá. Com o nome de Witchblade Takeru, roteiros de Yasuko Kobayashi e arte de Kazuasa Sumita, o mangá teria personagens e situações diferentes da revista em quadrinhos, mas a mesma ideia central, com uma jovem mulher acidentalmente se tornando hospedeira da Witchblade e tendo de conciliar sua vida com os pensamentos intrusivos e poderes do artefato enquanto é caçada por um milionário e um mercenário que o desejam para si - no caso, a jovem mulher é a colegial Takeru Ibaraki, que foi criada em um monastério budista e desde criança já tinha sonhos com a Witchblade. O mangá seria publicado no Japão entre março de 2006 e março de 2007, e lançado traduzido nos Estados Unidos pela Bandai um ano depois, entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008.

Logo após anunciar que seria produzido um mangá, a Top Cow anunciaria ter fechado um contrato com o estúdio Gonzo para produzir um anime - que todo mundo achou que seria a adaptação do mangá, principalmente por Kobayashi também ser o roteirista, mas era uma outra história completamente nova, cuja protagonista se chamava Masane Amaha. Desastrada mas de bom coração, Masane perdeu a memória seis anos antes do início da série, e, durante esse período, sabe-se lá como, se tornou hospedeira da Witchblade, cujos poderes se manifestam quando ela se vê envolvida em uma disputa entre uma corporação multinacional e uma agência governamental. O anime, chamado simplesmente Witchblade, teria um total de 24 episódios, originalmente exibidos pelo canal JNN entre 6 de abril e 21 de setembro de 2006.

Outra adaptação de Witchblade lançada no Japão seria o romance Witchblade: Ao no Shojo, escrito por Satoshi Ichikawa com ilustrações de Makoto Uno, que criou a aparência dos personagens do anime. Lançado em agosto de 2006, o livro tinha como protagonista Yuri Miyazono, garota de 15 anos nascida em Okinawa que se torna hospedeira da Witchblade acidentalmente, mas descobre que o artefato pode ser a única chance que tem de continuar viva. Curiosamente, após o lançamento do romance, a Top Cow anunciaria que, oficialmente, o romance, o mangá e o anime não somente faziam parte da mesma cronologia, como também eram parte da cronologia da revista em quadrinhos, com Yuri sendo a hospedeira depois de Takeru e antes de Masane - que, por sua vez, o foi antes de Sara.

Um filme de Witchblade para o cinema também chegou a entrar em produção em 2008, mas acabou cancelado enquanto a Top Cow procurava por um roteiro. A NBC também negociaria a produção de uma nova série, sem relação com a da TNT, em 2017, mas o projeto acabaria cancelado porque a Top Cow não queria que Sara fosse a protagonista da série enquanto Alex era a protagonista dos quadrinhos, e a NBC não aceitou que Alex fosse a protagonista da série.

A mais recente versão de Witchblade é uma nova série em quadrinhos, lançada em julho de 2024 e ainda publicada mensalmente, criada pelo próprio Silvestri, inicialmente com roteiros de Marguerite Bennett e arte de Giuseppe Cafaro. A nova série é um reboot, ignorando os eventos de todas as anteriores e começando com Sara se tornando a hospedeira da Witchblade na época atual ao invés de nos anos 1990. O artefato ainda é o objeto de desejo de Irons, Nottingham ainda é seu guarda-costas, Jake ainda é o parceiro de Sara, Jackie ainda é um amigo e rival que trabalha para a máfia, e Alex agora é uma jornalista amiga de Sara; as histórias seguem não sendo de super-heróis tradicionais, ainda tendo um tom policial com elementos de fantasia, mas têm bem menos elementos sexuais que as originais - com até mesmo a armadura criada pela Witchblade para Sara sendo mais comportada.
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sábado, 25 de julho de 2026

Escrito por em 25.7.26 com 0 comentários

WildC.A.T.s

Eu ia começar esse post dizendo que eu nunca tinha lido WildC.A.T.s, mas depois eu me lembrei que, quando a Editora Globo lançou as revistas da Image no Brasil, embora eu realmente não comprasse WildC.A.T.s, eu comprava Gen 13, e, depois de um tempo, claramente para economizar, eles juntaram as duas revistas numa só (e com qualidade de papel pior) chamada Gen 13 & WildC.A.T.s, que eu segui comprando, então essas histórias dos WildC.A.T.s eu já havia lido sim, o que eu nunca havia lido foram as histórias originais dos WildC.A.T.s, que, ainda por cima, eu achava que haviam sido escritas pelo Jim Lee, e não só desenhadas por ele. Recentemente, entretanto, eu aproveitei um saldão da Panini e comprei um encadernado dos WildC.A.T.s, com todas as histórias desenhadas pelo Jim Lee. Depois que terminei de ler, achei que, já que eu não falo há um tempão sobre um super-herói aqui no átomo, poderia tentar fazer um post, e, por isso, hoje é dia de WildC.A.T.s.

Embora seja um dos sete artistas considerados fundadores da Image, Jim Lee não estava no grupo que originalmente decidiu cortar laços com a Marvel e a DC e fundar sua própria editora. Quem teve essa ideia, talvez nada surpreendentemente, foi Rob Liefeld, que, na época, desenhava a X-Force para a Marvel - revista que havia sido criada por ele ao receber carta branca para reinventar os Novos Mutantes - e considerava que a revista só fazia sucesso por causa de sua arte, se ressentindo de que não recebia participação nas vendas nem tinha direitos sobre os personagens que criava, já que, pelas leis dos Estados Unidos, se alguém cria uma coisa enquanto está sob contrato, os direitos pertencem ao contratante, e não ao criador. Mais que isso, Liefeld se preocupava com o futuro, achando que os desenhistas dos anos 1990 haviam ficado "grandes demais para o sistema", que a Marvel não queria "estrelas", e que isso pudesse resultar em sua demissão em um futuro próximo.

Liefeld conversaria com Todd McFarlane, que na época escrevia e desenhava a Spider-Man, uma nova revista do Homem-Aranha lançada praticamente só por causa dele, e se sentia desprestigiado por motivos parecidos, acreditando que deveria receber parte do lucro sobre a venda de merchandising associado ao personagem, como camisetas, material escolar e outros produtos que usassem a sua arte - o que, segundo as leis dos Estados Unidos, só ocorre se houver uma cláusula específica quanto a isso no contrato - e os dois decidiriam identificar outras "estrelas" da arte nos quadrinhos que pensassem de forma parecida, visando convidá-las para fundar sua própria editora, com regras diferentes das adotadas por Marvel e DC. Os dois primeiros foram Erik Larsen, que ficou famoso desenhando o Hulk, mas, na época, desenhava a The Amazing Spider-Man, a revista original do Homem-Aranha, onde McFarlane fez sua fama, e Jim Valentino, que desenhava a Guardians of the Galaxy.

Alguns meses depois, McFarlane se encontraria com Jim Lee e Marc Silvestri em um leilão beneficente na Sotheby's, em Nova Iorque, e decidiria convidar também os dois. Silvestri na época desenhava a Wolverine, e Lee a X-Men, também uma nova revista dos X-Men criada só por causa dele. Lee tinha opiniões parecidas com as de McFarlane, mas dúvidas quanto a deixar a segurança da Marvel para se aventurar em um projeto arriscado como a fundação de uma nova editora; ele só decidiria aceitar o convite após conversar com Whilce Portacio, desenhista da The Uncanny X-Men, a revista original dos X-Men, a quem acabou convidando também. Liefeld, McFarlane, Larsen, Valentino, Silvestri, Lee e Portacio, então, entrariam para a história como os fundadores da Image, a única editora que verdadeiramente chegou a ameaçar o reinado da Marvel e da DC - por um curto período de tempo, inclusive, superando a DC em vendas e sendo a segunda que mais vendia quadrinhos nos Estados Unidos, atrás apenas da Marvel.

A principal característica da Image era que os criadores seriam donos de tudo o que criassem, com a editora só sendo dona de seu nome e seu logotipo. Para que isso funcionasse, ela era tipo uma cooperativa, com cada um dos fundadores tendo uma "mini-editora" (na verdade, um estúdio) que produzia suas criações, cabendo à Image apenas tratar da impressão e da distribuição - sendo que, no início, como ela não tinha meios de fazer nem uma coisa, nem outra, a impressão e a distribuição caberiam a outra editora pequena, a Malibu Comics, que fez um contrato com a Image para que os quadrinhos das "mini-editoras" fossem impressos e distribuidos junto com os criados pela Malibu. No início, as seis "mini-editoras" - chamadas por alguns fãs de "selos" - da Image eram o Extreme Studios de Liefeld, a McFarlane Productions, a Highbrow Entertainment de Larsen, a Shadowline de Valetino, a WildStorm de Lee, e a Top Cow de Silvestri - Portacio só criaria seu Avalon Studios seis anos depois, inicialmente produzindo seus títulos pela WildStorm. Ao longo dos anos, a Image reuniria vários outros selos, como o Cliffhanger e a Skybound Entertainment, e cada um deles se desenvolveria de forma diferente - a Top Cow, hoje, é praticamente uma editora completa, inclusive imprimindo e distribuindo seus próprios títulos, com sua ligação com a Image sendo basicamente afetiva.

Pois bem, após aceitar o convite de McFarlane, fundar a Image e definir como seria o funcionamento da WildStorm, a primeira coisa que Lee faria seria entrar em contato com um amigo de infância, o roteirista Brandon Choi. Tanto Lee quanto Choi nasceram em Seul, na Coreia do Sul, e emigraram para os Estados Unidos quando crianças, acompanhando seus pais - Lee tinha 7 anos, Choi tinha apenas 2, mas ambos são da mesma idade, o que significa que Choi emigrou primeiro. Eles se conheceram na década de 1970 na igreja, que era frequentada pelos pais de ambos, segundo Choi, quando um dia ele viu Lee brincando com bonequinhos dos X-Men, que ninguém tinha na época, pediu para brincar também, e Lee o presenteou com um boneco do Anjo. Os dois logo se tornaram melhores amigos e, por coincidência, quando passaram para o middle school, o equivalente ao nosso segundo segmento do Ensino Fundamental, ficaram na mesma turma. Ambos, então, começaram a criar várias histórias de super-heróis, com Choi criando os enredos e Lee os personagens.

Lee seria mais bem sucedido que Choi ao perseguir seus sonhos, sendo contratado pela Marvel aos 23 anos, em 1987, para desenhar Alpha Flight, a revista da Tropa Alfa, passando em seguida para The Punisher War Journal, a revista secundária do Justiceiro, até parar na The Uncanny X-Men, onde trabalhava com Chris Claremont - as vendas nessa época seriam tão grandes que a Marvel daria aos dois uma revista totalmente nova, chamada apenas X-Men, com a Uncanny passando para outra equipe e as histórias de ambas se complementando. Choi, enquanto isso, não conseguiu ser contratado por nenhuma editora de quadrinhos e decidiu tentar a sorte no cinema, estando matriculado em um curso de roteirista quando Lee o telefonou e o convidou para trabalhar na WildStorm. A ideia de Lee era não somente retomar a parceria com o amigo, mas tentar fazer de uma forma profissional e oficial os quadrinhos que os dois inventavam quando crianças, o que deixou Choi extremamente empolgado.

Choi e Lee, então, começariam a revisar os enredos e personagens que haviam criado, para adequá-los ao que fazia sucesso nos anos 1990 e tornar tudo mais profissional. Devido à experiência de Lee com os X-Men, e ao sucesso da equipe dos mutantes, Lee decidiria que queria também fazer um grupo de heróis, ao invés de um herói solo. Sendo ambos fãs de ficção científica e tendo como filme favorito Blade Runner, Lee e Choi decidiriam começar por dois personagens originalmente inspirados por essa obra: Bandoleiro e Espartano. Bandoleiro era originalmente uma versão com superpoderes do personagem Deckard, interpretado por Harrison Ford; ele manteria a atitude e o sobretudo de Deckard, mas acabaria sendo transformado em um mercenário ao invés de um detetive; já Espartano seguiria sendo uma versão turbinada de um Replicante, um humano artificial, mas capaz de voar e lançar raios pelas mãos. Outros dois personagens antigos, Lacuna e Warblade, ganhariam modificações inspiradas pelo T-1000 de O Exterminador do Futuro 2, filme lançado pouco antes da fundação da Image; Lacuna ganharia um uniforme reflexivo semelhante à pele de metal líquido do androide, enquanto Warblade poderia transformar suas mãos em vários tipos de lâminas. O personagem que menos mudaria seria Marreta, ganhando apenas um novo nome - o original era Tusk - e uma história ligada à nova origem criada para a equipe.

Falando nisso, a moda nos anos 1990 era explorar a guerra entre o Céu e o Inferno; outro personagem superfamoso da Image, Spawn, foi criado especialmente com essa guerra em mente, e até Marvel e DC se enveredaram por esse caminho, com o Justiceiro durante um tempo sendo um agente do Céu que caçava demônios, e o personagem Constantine ganhando um título que explorava essa temática lançado pelo selo Vertigo. Lee também queria envolver seu grupo de heróis em uma guerra entre Céu e Inferno, mas Choi decidiria adaptar esse enredo para a ficção científica, criando duas raças alienígenas que vivem escondidas dos humanos na Terra, os kherubins e os demonitas. Os kherubins são praticamente idênticos aos humanos, mas têm cabelos brancos e jamais morrem de velhice, com os homens tendo poderes quânticos e as mulheres sendo extremamente fortes e ágeis; já os demonitas são monstruosos e só conseguem sobreviver se utilizarem um outro ser como hospedeiro, se valendo dessa tática para influenciar governos e organizações. Acidentalmente naufragados na Terra há milhares de anos, os demonitas buscam uma forma de trazer reforços de seu planeta natal para dominar o nosso, enquanto os kherubins os caçam e tentam acabar com sua ameaça.

Faltava apenas um detalhe: o primeiro grupo de heróis lançado pela Image seria o Youngblood, de Liefeld, cujos membros eram ligados à CIA ou ao governo dos Estados Unidos e viviam como celebridades, sendo tratados pela população como se fossem atores, cantores ou atletas de prestígio. Lee decidiria que seu grupo seria justamente o contrário, atuando das sombras e sem o conhecimento do grande públco - o que inclusive combinava com o conceito da "guerra secreta" entre demonitas e kherubins. Após definir essa característica, ele decidiria chamar a equipe de WildC.A.T.s, com "C.A.T.s" sendo uma sigla para Covert Action Teams, algo como "equipes de ação sigilosa" em inglês - nome que pode parecer meio estranho hoje, mas estava super dentro da moda nos quadrinhos nos anos 1990. Chamando o grupo de WildC.A.T.s, inclusive, Lee pôde batizar seu grupo seguinte de StormWatch - o que fazia com que as primeiras metades de cada um formassem o nome WildStorm.

A equipe original dos WildC.A.T.s é liderada por Lorde Emp, kherubim que perde a memória e vive anos dentre os humanos usando o nome de Jacob Marlowe. Após perder tudo, Emp vive como mendigo até ser encontrado por Lacuna, que era a cosmonauta russa Adrianna Tereshkova até seu corpo se fundir a um artefato alienígena conhecido apenas como Orbe, o que lhe deu o poder de ver o passado e o futuro simultaneamente ao presente e de teleportar a si mesma e a outros. Lacuna conta a Emp sobre a guerra entre os kherubins e demonitas e o ajuda a fundar a Corporação Halo, empresa presente em vários ramos de empreendimento, mas que na verdade é uma fachada para financiar os WildC.A.T.s e permitir que agentes demonitas sejam identificados e detidos. É a Halo a responsável por criar Hadrian-7, o ciborgue de codinome Espartano, que tem força e vigor sobre-humanos, pode voar, disparar raios pelas mãos, interagir com equipamentos eletrônicos e cuja consciência pode ser transferida para um novo corpo caso o que está sendo usado seja danificado além de qualquer reparo.

Quando Emp veio para a Terra, trouxe consigo uma guarda-costas, Lady Zannah, que adotou o codinome Devota. Após Emp perder a memória e desaparecer, Devota reuniu as demais kherubins da Terra e criou a Irmandade Coda, que iria treiná-las para a guerra contra os demonitas; infelizmente, algumas membros da Coda se mostraram traidoras e se aliaram aos inimigos, enquanto outras desvirtuaram os preceitos da sociedade kherubim, o que fez com que Devota decidisse deixar a ordem e vagar o mundo procurando por Emp. Enquanto fazia isso, ela decidiu treinar um aprendiz, Cole Cash, ex-agente do governo, ex-mercenário e ex-membro da equipe conhecida como Team 7, que ganhou poderes psiônicos limitados e uma resistência a lesões e fraturas que o torna praticamente imortal após ser submetido a experimentos de um projeto secreto do governo norte-americano chamado Projeto Gênese - mas o principal "poder" de Cash é sua exímia habilidade com armas de fogo, o que lhe valeu o codinome de Bandoleiro. Após anos contando apenas um com o outro, Devota e Bandoleiro decidem também se unir aos WildC.A.T.s após o ressurgimento de Emp.

Os outros três membros dos WildC.A.T.s inicialmente estão em treinamento. Um deles é Jeremy Stone, codinome Marreta, um híbrido humano/kherubim (mais tarde sofrendo um retcon e se tornando um híbrido de humano com uma raça alienígena chamada titanthrope) com o poder de aumentar de tamanho, com a significativa desvantagem de que, quanto mais ele aumenta, mais seu raciocínio fica prejudicado - vulgarmente falando, quanto maior, mais burro ele fica. Já Reno Bryce, codinome Warblade, também um híbrido humano/kherubim, pode transformar seu corpo em metal líquido, esticando seus membros e transformando suas mãos e pés em uma variedade de lâminas; no passado, Warblade teve ligações profundas com Ripclaw, herói criado por Silverstri e membro da equipe Cyber Force.

Finalmente, temos Priscilla Kitaen, codinome Vodu, uma híbrida humano/demonita, que entra para a equipe na primeira edição, após ser encomtrada por Bandoleiro trabalhando como stripper - ou melhor, "dançarina exótica", já que, até para os anos 1990, uma heroína stripper era um pouco demais. Vodu consegue enxergar quando um demonita está possuindo um humano, e, fazendo um gigantesco esforço, consegue expulsar o demonita do hospedeiro, normalmente matando o vilão no processo; isso faz com que ela seja um alvo preferencial dos demonitas, que a consideram um perigo para seus planos. Como ela nunca foi heroína na vida, tem que aprender a se virar durante as missões, sendo treinada nos intervalos por Devota e Espartano - com quem ela chega a desenvolver um romance.

O principal vilão de WildC.A.T.s é Helspont, demonita que, antes de vir à Terra, possui como hospedeiro um alienígena de raça desconhecida. Helspont planeja substituir membros-chave do governo dos Estados Unidos por demonitas, obtendo com isso os meios para trazer uma grande armada de seu planeta natal para dominar a Terra e exterminar os kherubins que estão aqui. Outros vilões criados por Lee incluem o Lanceiro, espécie de Deadpool do mal, um mercenário humano que se uniu aos demonitas; Providência, que ganhou o poder de ver o futuro após ter contato com um Orbe; Tapeçaria, que pode alterar memórias e tem um passado em comum com Devota; a telepata Miséria, que tem um passado em comum com Warblade e Ripclaw; e Gnomo, mafioso alienígena que planeja obter as Orbes para si, empregando os serviços de um trio de criminosos cohecido como Tríade, composto por Ática, mercenário que faz uso de armas e armaduras futuristas; Escória, mutante cujo corpo é feito de lava; e o robô Dano. Diversas kherubins treinadas pela Coda que decidem se aliar aos vilões, todas chamadas apenas de Coda, também aparecem nas histórias.

Assim como muitas das séries da Image, WildC.A.T.s - Covert Action Teams foi originalmente lançado, para "testar as águas", na forma de uma minissérie, com roteiros de Choi e arte de Lee, em quatro edições, entre agosto de 1992 e março de 1993. Em seguida, seria lançada outra minissérie, em três edições, entre junho e setembro de 1993, chamada WildC.A.T.s Trilogy; curiosamente sem a participação de Jim Lee, com roteiros de Choi e arte de Jae Lee, essa segunda minissérie trazia a primeira aparição da equipe Gen 13, estabelecia a Ilha de Themiscyra como a base da Irmandade Coda, e tinha como vilã uma Coda renegada chamada Ártemis, que planejava matar Devota. WildC.A.T.s Trilogy também traria a primeira aparição de Lorde Hightower, demonita que possuiu um humano e se valia de seu prestígio social para fazer avançar os planos dos alienígenas, sendo um adversário recorrente em muitas das edições seguintes.

O sucesso das minisséries levaria ao lançamento de uma série regular a partir de novembro de 1993, mas com a numeração continuando do 5, como se fosse a continuação da minissérie original. Acreditando que as chances de sucesso da Image seriam maiores caso existisse um "Universo Image", nos moldes do que faziam a Marvel e a DC, Lee negociaria com Liefeld e Silvestri a inclusão de seus personagens em histórias dos WildC.A.T.s: a minissérie original contaria com a participação do Youngblood, enquanto as três primeiras edições da série regular faziam parte da saga Instinto Assassino, sendo intercaladas com as edições de 1 a 3 da série regular de Cyber Force, explorando as relações entre Warblade, Ripclaw e Miséria, e colocando a Cyber Force, um grupo de mutantes ciborgues que enfrentavam uma mega corporação corrupta, para brigar contra os WildC.A.T.s - que, afinal de contas, era um grupo secreto, desconhecido pelos demais heróis.

Jim Lee seria o artista da série regular até a edição 13, quando sairia para se dedicar a Gen 13, Deathblow e Stormwatch; os roteiros da série regular começariam com Choi, mas logo vários roteiristas convidados, como Grant Morrison e Chris Claremont, também escreveriam suas próprias histórias dos WildC.A.T.s. Claremont seria responsável pelas edições de 10 a 13, com a 10 marcando a estreia de um personagem criado por ele, o Caçador - que, pelas regras da Image, pertenceria somente a ele, devendo haver uma autorização e compensação financeira caso algum outro roteirista quisesse utilizá-lo. Lee também aproveitaria essas últimas edições para introduzir novos personagens criados por ele, como Savant, irmã adotiva de Devota, que, ao invés de grande força física, possui uma inteligência fora do comum, além de uma bolsa com vários artefatos lendários, como as Botas de Sete Léguas e o Manto de Invisibilidade; e Majestic, kherubim que tem poderes semelhantes aos do Superman.

Após a saída de Lee, Larsen escreveria e desenharia a edição 14, com James Robinson e Travis Charest assumindo como roteirista e artista na 15. Na época, WildC.A.T.s já era um enorme sucesso, e a WildStorm decidiria apostar também em aventuras solo de seus membros, com Espartano ganhando uma minissérie em quatro edições, com roteiros de Kurt Busiek e arte de Mike McKone, chamada Spartan: Warrior Spirit, lançada entre julho e novembro de 1995, e Devota ganhando uma chamada Zealot, em três edições lançadas entre agosto e novembro, com roteiros de Ron Marz e arte de Terry Shoemaker. O passado em comum de Warblade e Ripclaw também voltaria a ser explorado na minissérie Warblade: Endangered Species, em quatro edições lançadas entre janeiro e abril de 1995, com roteiros de Steven Seagle e arte de Scott Clark.

Mas o personagem mais popular era sem dúvida o Bandoleiro, que, além de fazer team ups com outros personagens, incluindo Backlash, de Stormwatch, Bedrock, de Youngblood, Shi, criada por Billy Tucci para a editora Crusade, e até mesmo o Máskara, da editora Dark Horse, seria o astro de duas séries regulares, ambas chamada Grifter, a primeira com roteiros de Seagle e arte de Ryan Benjamin, que exploraria seu passado em dez edições, publicadas entre maio de 1995 e março de 1996, e a segunda, com numeração recomeçando do 1, com histórias ambientadas simultaneamente a suas aventuras com os WildC.A.T.s, em 14 edições publicadas enre julho de 1996 e agosto de 1997, com roteiros de Steven Grant e arte de Mel Rubi.

Também em 1995 seria lançada a minissérie Team One, com duas edições protagonizadas pelo Stormwatch, com roteiros de Seagle e arte de Tom Raney, e duas protagonizadas pelos WildC.A.T.s, com roteiros de Robinson e arte de Rich Johnson, lançadas entre junho e setembro, que exploravam as fundações do "Universo WildStorm"; esse conceito seria expandido na saga Wildstorm Rising, que se espalharia pelas edições publicadas em 1996 de WildC.A.T.s, Stormwatch, Gen 13, Grifter, Team 7, Union, Deathblow, Backlash e Wetworks (essa última criada por Portacio), e que, pouco a pouco, definiria o Universo Wildstorm como independente dos demais títulos da Image - embora o passado em comum de Warblade e Ripclaw jamais tenha sido oficialmente alterado.

Após o final da Wildstorm Rising, a equipe original dos WildC.A.T.s partiria para o planeta Khera, terra natal dos kherubins, e uma nova equipe ficaria na Terra, composta por Savant, Majestic, o humano artificial Tao, a punk ciborgue Ladytron, e o irmão do Bandoleiro, Max Profitt. Essa fase, que começaria na edição 21, seria escrita por Alan Moore e bastante elogiada. Moore encerraria a guerra entre os kherubins e os demonitas com a derrota total dos vilões, e colocaria seus WildC.A.T.s para enfrentar criminosos comuns, os distanciando cada vez mais dos demais heróis do Universo WildStorm; em determinado momento, entretanto, ele revelaria que Tao era um agente infiltrado dedicado à destruição do grupo, inclusive empregando a Tríade, e que a separação da equipe e a mudança de modus operandi faziam parte de seu plano.

Moore seguiria nos roteiros até a edição 34, escrevendo também o crossover Spawn/WildC.A.T.s, com arte de Scott Clark, em quatro edições publicadas entre janeiro e abril de 1996, e a minissérie Voodoo, com arte de Michael Lopez, na qual Vodu vai a Nova Orleans aprender sobre o verdadeiro vodu, em quatro edições publicadas entre novembro de 1997 e março de 1998. Moore seria substituído por Barbara Randall Kesel, que faria apenas duas edições antes do retorno de Choi, que estabeleceria a organização criminosa Puritanos como os novos vilões; Choi criaria uma nova equipe, formada por Bandoleiro, Max, Lacuna e uma antiga versão do Espartano, mais os novatos Mythos, um kherubim capaz de se mover tão rápido que os humanos não o conseguem ver; Olympia, uma marcenária demonita com treinamento Coda; e a Irmã Eva, noviça com o poder de controlar a energia do Caos. Essa equipe viajava no tempo para deter os Puritanos, cujo objetivo era também viajar no tempo para destruir todos os kherubins e demonitas que um dia já pisaram na Terra.

1997 também seria o ano do lançamento da primeira colaboração entre a WildStorm e a Marvel, WildC.A.T.s / X-Men, série especial em quatro edições lançadas em fevereiro, junho e agosto de 1997 e maio de 1998, a primeira e a última lançadas pela Image, as duas do meio pela Marvel. A rigor, WildC.A.T.s / X-Men não era uma minissérie, já que cada edição trazia uma história completa e independente; a princípio, inclusive, todas as edições trariam o número 1 na capa, mas a Marvel não concordou, e elas acabaram numeradas de 1 a 4. Na primeira edição, chamada The Golden Age, com roteiro de Scott Lobdell e arte de Travis Charest, Devota e Wolverine combatem nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para recuperar um artefato kherubim; na segunda, The Silver Age, com roteiro de Lobdell e arte de Jim Lee, Bandoleiro é convencido pela S.H.I.E.L.D. a embarcar em uma missão, durante a qual se encontra acidentalmente com Jean Grey, que está viajando sem o resto dos X-Men originais (Ciclope, Fera, Homem de Gelo e Anjo), e os dois acabam tendo de enfrentar uma aliança entre os demonitas e a Ninhada; na terceira, The Modern Age, com roteiro de James Robinson e arte de Adam Hughes, a segunda equipe dos X-Men (Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Wolverine, Noturno e Colossus) está investigando o desaparecimento de um jovem mutante que pode estar ligado ao Clube do Inferno, e acaba se aliando aos WildC.A.T.s, que tentam salvar Lorde Emp, sequestrado após ser convidado a se tornar membro do clube; e a última, The Dark Age, com roteiro de Warren Ellis e arte de Sean Parsons, é ambientada em um futuro distópico no qual os demonitas usaram Sentinelas para dominar o mundo, com os X-Men e WildC.A.T.s sobreviventes se unindo para tentar usar tecnologia de viagem no tempo para impedir que isso aconteça. Todas as quatro edições pressupõem que os WildC.A.T.s, os kherubim e os demonitas existem no Universo Marvel, o que se tornaria bem curioso após os eventos seguintes.

Desde 1996, Lee não estava satisfeito com a Image, principalmente porque, pelo modelo adotado pela editora, todos os custos de impressão e distribuição deveriam ser pagos pela WildStorm, e ele achava que o retorno financeiro das vendas das edições e dos direitos sobre os personagens já não estavam compensando os gastos. Após aceitar participar da saga Heróis Renascem, reinventando o Quarteto Fantástico e o Homem de Ferro para a Marvel, ele começaria a pensar seriamente em vender a WildStorm e voltar a ser apenas um artista contratado pela Marvel ou DC. Em 1998, a DC demonstraria interesse na compra, e Lee aceitaria, abrindo mão de todos os personagens que criou para a WildStorm, que passariam a ser todos de propriedade da Warner, dona da DC, em troca de uma polpuda soma em dinheiro e de um contrato para desenhar o Batman. A DC decidiria manter o Universo WildStorm como uma parte em separado do Universo DC, com o selo WildStorm atuando mais ou menos como o selo Vertigo, mas deixaria em aberto a possibilidade de personagens da WildStorm aparecerem nos títulos tradicionais da DC e vice-versa.

Embora a compra tenha ocorrido em 1998, o contrato de Lee com a DC estabelecia que a propriedade começaria a valer em janeiro de 1999; como a WildC.A.T.s chegaria em seu número 50 em junho de 1998, Lee decidiria encerrar a série, deixando o caminho livre para um reboot feito pela DC - ao contrário do que ocorreu com Gen 13, que seguiu sendo publicada sem interrupção, com a edição 36 saindo pela Image e a 37 pela DC. A nova WildCats, sem abreviação no cats, com numeração recomeçando do 1 e publicada pela DC, teria roteiros de Lobdell e arte de Charest, sendo lançada em março de 1999 e pegando a equipe em meio a um turbilhão emocional, retornando de uma missão na qual deu tudo errado e Devota aparentemente morreu.

Lobdell e Charest ficariam até a edição 7, sendo substituídos por Joe Casey e Sean Phillips, que começaram uma fase aclamada pela crítica, mas com vendas bastante baixas, na qual Espartano absorveu os poderes de Lacuna e Emp, e liderava uma nova equipe formada por Bandoleiro, Vodu, Marreta, Ladytron e Noir, um francês especialista em armas. O principal vilão dessa fase foi Samuel Smith, um assassino serial com poderes sobre-humanos. Ao todo, a WildCats da DC teria 28 edições, a última de dezembro de 2001, sendo cancelada por baixas vendas; durante o período, também seriam lançados vários one shots, como WildCats: Ladytron, que explorava o passado da personagem, o crossover WildCats/Aliens, e Wild Times: WildCats e Wild Times: Grifter, ambientados em realidades alternativas, além da série regular Mr. Majestic, com nove edições lançadas entre setembro de 1999 e maio de 2000.

A DC reinventaria os WildC.A.T.s na série para o público adulto WildCats Version 3.0, na qual Emp, que teve sua consicência transferida para o corpo de Espartano, decide usar a Corporação Halo para espalhar tecnologia avançada pelo mundo e melhorar a vida da humanidade. Com roteiros de Casey e arte de Dustin Nguyen, Duncan Rouleau, Francisco Ruiz Velasco, Pascual Ferry e Sean Phillips, a série teria 24 edições, lançadas entre outubro de 2002 e outubro de 2004, e terminaria com Devota voltando à equipe e a célula Coda criada por ela sendo destruída. Em seguida, Majestic ganharia uma nova minissérie, chamada apenas Majestic, com quatro edições lançadas entre outubro de 2004 e janeiro de 2005, com uma nova série regular com 17 edições sendo publicada entre março de 2005 e julho de 2006. Majestic e Devota também seriam as estrelas de WildCats: Nemesis, com roteiros de Robbie Morrison e arte de Talent Caldwell e Horacio Domingues, em 9 edições lançadas entre novembro de 2005 e julho de 2006, na qual a vilã era uma Coda renegada chamada Nêmese, mais tarde reimaginada como uma anti-heroína.

Em 2005 também seria lançada a minissérie Captain Atom: Armageddon, na qual o Capitão Átomo fica acidentalmente preso no Universo WildStorm, com sua presença lá podendo levar à destruição; com a ajuda de uma nova Lacuna, ele retorna ao Universo DC, mas todo o Universo WildStorm é reformulado no processo - ou seja, a minissérie seria um pretexto para um grande reboot, que começaria com uma nova revista WildCats, com roteiro de Grant Morrison e arte de Jim Lee, lançada em dezembro de 2006 - e que seria cancelada após apenas uma edição. Os WildC.A.T.s, pela primeira vez, ficariam sem revista própria durante quase dois anos até retornar em uma nova série regular, mais uma vez chamada WildCats, ambientada em um futuro pós-apocalíptico, que até conseguiu fazer um relativo sucesso, tendo 30 edições lançadas entre setembro de 2008 e fevereiro de 2011.

Após a saga Renascimento, em 2017, o Universo WildStorm deixaria de existir, e os personagens da WildStorm seriam integrados ao Universo DC, com a Corporação Halo passando a fazer parte do universo do Batman. Os WildC.A.T.s, entretanto, só ganhariam uma nova revista muito tempo depois, mais de dez anos após o cancelamento da última. Chamada WildC.A.T.s - a primeira da DC na qual C.A.T. era uma abreviação - ela trazia uma equipe reunida pelo Bandoleiro para realizar missões em cantos inóspitos do Universo DC. Com roteiros de Matthew Rosenberg e arte de Stepehn Segovia, a última WildC.A.T.s teria 12 edições, publicadas entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024. Desde então, os WildC.A.T.s só fazem participações em histórias de outros heróis, principalmente do Batman, embora Helspont tenha enfrentado o Superman em algumas ocasiões.

Para terminar, vale dizer que, no auge de seu sucesso na década de 1990, os WildC.A.T.s foram astros de um desenho animado, criado para tentar competir com o dos X-Men. Criado por David Wise e produzido pela Nelvana, o desenho adaptava as primeiras histórias da equipe nos quadrinhos, mas atenuadas de forma que o desenho fosse "para toda a família". Exibido pela CBS, o desenho não faria muito sucesso e teria apenas uma temporada de 13 episódios, que foram ao ar entre 1 de outubro de 1994 e 21 de janeiro de 1995. Para promover o desenho, a WildStorm criaria uma série em quadrinhos, WildC.A.T.s Adventures, com 10 edições publicadas pela Image entre setembro de 1994 e junho de 1995, com roteiros de Jeff Mariotte e arte de Ty Templeton, cujas histórias não são consideradas oficiais para a cronologia dos WildC.A.T.s.
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sábado, 11 de outubro de 2025

Escrito por em 11.10.25 com 0 comentários

Venom

Eu juro que não é minha intenção falar sobre todos os filmes que tenham personagens Marvel, mas, já que eu falei esse ano sobre os do Blade, Deadpool, Wolverine e até sobre os do Quarteto Fantástico, achei que não custava nada falar sobre os do Venom também. Assim, hoje é dia de Venom no átomo!

Embora hoje seja amplamente considerado um anti-herói, Venom faria sua estreia como um vilão do Homem-Aranha, criado pelo roteirista David Michelinie e pelo desenhista Todd McFarlane, na revista The Amazing Spider-Man número 300, de maio de 1988 (após uma breve aparição no último quadrinho da edição anterior). Sua origem, porém, remonta a quatro anos antes, ao famoso uniforme preto do Homem-Aranha, que fez sua estreia na The Amazing Spider-Man 252, de maio de 1984, mas que foi adquirido pelo herói na minissérie Guerras Secretas, mais especificamente na revista Secret Wars 8, de dezembro de 1984 - sem que o Aranha soubesse que não se tratava de apenas um uniforme, mas de um simbionte alienígena.

Por incrível que pareça, quem deu a sugestão para que o Homem-Aranha passasse a usar um uniforme totalmente preto, exceto pelos olhos brancos e uma enorme aranha branca no peito, foi um leitor, chamado Randy Schueller, que enviou uma carta para a Marvel em 1982. A carta foi publicada e ninguém mais falou no assunto até 1984, quando, durante as Guerras Secretas, foi feita uma reunião com vários artistas da Marvel especificamente para tratar de novos uniformes para os personagens que estavam participando da minissérie, por um motivo bem capitalista: antes de mais nada, a Guerras Secretas era uma estratégia para vender brinquedos, e novos uniformes significavam que mais versões do mesmo personagem poderiam ser vendidas - o próprio Homem-Aranha, aliás, seria vendido em duas versões, uma com seu tradicional uniforme vermelho e azul, outra com o uniforme preto. Por motivos que vocês podem ler no meu post sobre Guerras Secretas, a linha de brinquedos foi um grande fracasso, mas diversos personagens realmente ganhariam uniformes novos que passariam a ser usados em suas respectivas revistas mensais, com o do Homem-Aranha sendo o mais diferente e o de maior destaque.

O responsável pela introdução do uniforme preto seria Jim Shooter, editor-chefe da Marvel em 1984 e roteirista da minissérie Guerras Secretas. Quando aconteceu a tal reunião para tratar dos uniformes novos, Shooter se lembrou da ideia de Schueller de um uniforme preto para o Homem-Aranha, e pediu para que Mike Zeck, desenhista da Guerras Secretas, criasse um, o que ele fez em parceria com o também desenhista Rick Leonardi. Para evitar que a Marvel fosse processada por Schueller, já que a carta havia sido publicada, o que provava que a ideia tinha sido dele, Shooter entraria em contato com o leitor e compraria os diretos de uso do uniforme preto por 220 dólares. Para ter um motivo para o Homem-Aranha trocar seu uniforme por um de cor preta, Shooter e Zeck criariam uma nova Mulher-Aranha, que faria sua estreia na Secret Wars 6, de outubro de 1984. A intenção de Shooter era usar a Mulher-Aranha apenas nessa minissérie, para aumentar o número de mulheres na batalha - junto com ela, estreariam também duas vilãs, Titânia e Vulcana - mas depois ela acabaria voltando para a Terra com os demais heróis e tendo sua própria carreira - que não nos compete discutir aqui, já que esse é um post sobre o Venom.

Já a ideia de o uniforme não ser de tecido, mas sim material biológico viria do roteirista e desenhista John Byrne, que a teria não para um uniforme do Homem-Aranha, mas para um do Punho de Ferro: na época em que era o desenhista da Iron Fist, Byrne dizia que uma coisa que ele achava bizarra era que o herói rasgava seu uniforme em todas as edições, mas, na seguinte, estava com um novo em folha, sendo impraticável que ele o consertasse nesse meio tempo ou tivesse um baú repleto de uniformes idênticos para ir trocando. Ele conversaria com o roteirista da Iron Fist, Roger Stern, sobre a possibilidade de introduzir um "uniforme vivo", que tivesse a capacidade de se auto-consertar toda vez que fosse danificado. Essa ideia jamais seria usada com o Punho de Ferro, mas, por acaso, Stern era o roteirista da The Amazing Spider-Man 252, na qual o Homem-Aranha apareceria com o uniforme preto pela primeira vez - se vocês repararem nas datas, antes mesmo de ganhá-lo nas Guerras Secretas, já que uma das estratégias da minissérie foi que as revistas de abril de 1984 eram ambientadas antes dela, mas as de maio de 1984 eram ambientadas depois, para deixar os leitores curiosos em relação às mudanças.

Mas ainda falta um elemento: além de preto e vivo, o uniforme precisava ser alienígena, o que foi ideia do roteirista Tom DeFalco e do desenhista Ron Frenz, que assumiram a The Amazing Spider-Man após a saída de Stern - acreditem ou não, na edição 253, ou seja, Stern escreveu apenas a primeira aparição do unifome preto e saiu. Foi de DeFalco a ideia de que o uniforme era uma criatura simbionte - na verdade um parasita, já que, para sobreviver, precisa se ligar ao corpo de um hospedeiro, como uma orquídea, enquanto um simbionte simplesmente tem uma relação mútua com outra criatura, como os passarinhos que limpam os dentes dos crocodilos - que estava dominando lentamente a mente de Peter Parker e tornando-o maligno, e que era vulnerável a ondas sonoras de volume elevado. Shooter ajustaria a Guerras Secretas de acordo, com o Homem-Aranha usando a máquina errada para obter um novo uniforme após ver outros heróis saindo da uma sala com os seus, e ela expelindo uma bola preta que cobriu seu corpo - em uma das cenas mais emblemáticas da história dos quadrinhos.

Sob o comando de DeFalco, Peter se livraria do simbionte na The Amazing Spider-Man 258, de novembro de 1984 - um mês antes de a Secret Wars mostrar como ele obteve o uniforme - mas, para que o uniforme vermelho não voltasse antes da conclusão das Guerras Secretas, passaria a usar um uniforme preto idêntico, mas feito de tecido, a partir da edição 259 - usando-o até justamente a edição 300, quando, aterrorizada pelo surgimento de Venom, Mary Jane o convenceria a voltar a usar o uniforme vermelho. Exceto por uma breve aparição na Web of Spider-Man número 1, de abril de 1985, o destino do simbionte seria ignorado até o surgimento de Venom.

Aqui entra na história, finalmente, o criador de Venom, David Michelinie, que assumiria a Web of the Spider-Man na edição 8, de novembro de 1985, e a The Amazing Spider-Man na edição 290, de julho de 1987 - após essa última passar, depois da saída de DeFalco, pelas mãos de Christopher Priest e Peter David. Já há alguns anos, Michelinie considerava que o maior poder do Homem-Aranha não era sua força, sua agilidade ou suas teias, mas seu sentido de aranha, que o alertava antes de ataques, dando a ele uma vantagem que outros heróis não tinham. Ao longo dos anos, o Duende Verde e Mystério conseguiriam anular o sentido de aranha temporariamente com produtos químicos, mas Michelinie queria criar um vilão que fosse imune a ele, o que representaria um desafio tanto para o Homem-Aranha quanto para Peter Parker.

Quando Michelinie assumiu a Web of the Spider-Man, o Homem-Aranha usava seu uniforme preto de tecido, e o simbionte estava desaparecido; ele então decidiria fazer o simbionte se ligar a outra pessoa, que, através da ligação, ficaria sabendo que Peter Parker é o Homem-Aranha, e, devido ao tempo que o simbionte passou ligado a Parker, ele não ativaria seu sentido de aranha. Como esse seria um vilão que poderia mudar o universo do Homem-Aranha para sempre, primeiro ele buscou a aprovação do editor da Marvel na época, Jim Salicrup, depois decidiu que sua estreia seria na edição 300 da The Amazing Spider-Man, usando o tempo que tinha até lá para refinar o personagem - ele daria uma amostra do que estava por vir, entretanto, nas Web of the Spider-Man 16, de setembro de 1986, e 24, de março de 1987, com em ambas o Homem-Aranha sendo atacado por um vilão misterioso que não ativa seu sentido de aranha.

Michelinie chamaria o personagem de Venom - palavra usada em inglês para se referir ao veneno injetado através de mordidas e picadas de animais como cobras, abelhas, escorpiões e, evidentemente, aranhas (enquanto poison é usado para veneno proveniente de plantas e fungos, ou secretado por animais como sapos e peixes) - e decidiria que ele seria uma antítese do Homem-Aranha - assim, como uma das principais características do Homem-Aranha era ser pequeno e esguio, Venom seria um brutamontes, alto e musculoso - e um reflexo de seu lado sombrio - devendo ter, portanto, uma aparência monstruosa, cuja principal caracteristica seria uma boca na máscara. A aparência do personagem seria criada por Todd McFarlane, que assumiria a The Amazing Spider-Man na edição 298; inicialmente, a maior característica da boca de Venom eram os dentes, com McFarlane gostando de desenhar o personagem nas sombras, apenas com os olhos e o sorriso visíveis; a língua comprida e babenta, apesar de também criada por McFarlane, só se tornaria destaque anos depois.

A identidade secreta de Venom também seria um personagem totalmente novo, o repórter Eddie Brock, que trabalhava para o Globo Diário, jornal rival do Clarim Diário onde Peter Parker trabalhava. Michelinie usaria uma retcon para determinar que, durante os eventos da The Spectacular Spider-Man 107 a 110, de outubro de 1985 a janeiro de 1986, escritas por Peter David, Brock estava escrevendo uma matéria que desmascarava um assassino serial enfrentado pelo Homem-Aranha, mas nomeava o homem errado, sendo demitido, caindo em desgraça e culpando o herói, que acreditava tê-lo enganado de propósito. Todo esse ódio pelo Homem-Aranha atrairia o simbionte, que havia acabado de ser rejeitado pelo herói, se uniria a Brock e daria a ele todas as memórias que Peter e o alienígena compartilharam. Brock, então, passaria anos planejando sua vingança, até finalmente decidir se revelar sequestrando Mary Jane.

Venom rapidamente se tornaria um dos personagens preferidos dos leitores; na década de 1990, ele seria considerado um dos três arqui-inimigos do Homem-Aranha, ao lado do Duende Verde e do Dr. Octopus, e o vilão mais famoso do Homem-Aranha que não foi criado por Stan Lee e Steve Ditko. Em suas primeiras histórias, sua obsessão era matar o Homem-Aranha, e ele até chegaria a vencer o herói várias vezes, somente não atingindo seu objetivo porque algum evento externo o impediu. Sabendo a identidade secreta do Homem-Aranha, e tendo os mesmos poderes que o herói, Venom também costumava atacar Peter Parker quando ele estava sem uniforme, Mary Jane, e até mesmo a Tia May, transformando-o em um dos oponentes mais perigosos do Amigão da Vizinhança - talvez até o mais perigoso de todos.

Mas os anos 1990 seriam conhecidos por seus anti-heróis, com personagens como Wolverine e o Justiceiro fazendo enorme sucesso; sendo Venom tão querido pelos fãs, logicamente a Marvel iria querer apostar também nele e, aos poucos, ele deixaria de ser um vilão obcecado para se tornar uma espécie de rival do Homem-Aranha. Nesse cenário, seria criado outro vilão, chamado Carnificina, que surgiu quando parte do simbionte contaminou o sangue do assassino serial Cletus Kasady; também criado por Michelinie, em parceria com o desenhista Mark Bagley, Carnificina estrearia na The Amazing Spider-Man 345, de março de 1991, com sua origem sendo revelada um ano depois, na 361, de abril de 1992. Considerado uma ameaça tanto pelo Homem-Aranha quanto por Venom, Carnificina faria com que Brock deixasse seu ódio de lado e aceitasse lutar junto à sua nêmese para detê-lo; a partir daí, ele tomaria gosto pela vida de herói e, eventualmente, decidiria usar seus poderes para o bem. Depois do surgimento de Carnificina, o nome Venom passaria a se referir ao simbionte, e não à combinação dele com Brock, e ficaria estabelecido que um fragmento do simbionte é suficiente para criar um novo personagem inteiro, sendo os mais famosos Scream, também originária do simbionte de Venom, criada por Michelinie e Ron Lim em 1993, e Toxina, originário do simbionte de Carnificina, criado por Peter Milligan e Clayton Crain em 2004.

A vida de herói (ou anti-herói) de Venom começaria com a minissérie Venom: Lethal Protector, de Michelinie e Bagley, em seis edições publicadas entre fevereiro e julho de 1993 - sendo que a edição 4 trouxe a estreia de Scream - na qual Brock se muda para San Francisco e decide se tornar protetor dos moradores de rua da cidade. A intenção da Marvel era que essa minissérie desse origem a uma série regular na qual Venom viveria aventuras heroicas na Costa Oeste, mas as vendas foram abaixo do esperado e a ideia seria abandonada. Depois disso, Venom alternaria entre vilão nas histórias do Homem-Aranha e anti-herói em minisséries como Venom: Separation Anxiety, em quatro edições lançadas entre dezembro de 1994 e março de 1995, roteiro de Howard Mackie e arte de Ron Randall, na qual o simbionte é usado pelo governo em vários experimentos após ser separado de Brock, que precisa cruzar o país para salvá-lo.

Brock perderia o simbionte de vez em 2005, quando ele se uniria ao vilão Mac Gargan, anteriormente conhecido como Escorpião, que faria parte dos Thunderbolts e dos Vingadores Sombrios liderados por Norman Osborn. Em 2008, Brock se uniria a parte do simbionte para se tornar o Anti-Venom, que quase mataria o Venom original. Em 2011, o simbionte se uniria a Flash Thompson, que se tornaria o Agente Venom, estrela de uma revista chamada Venom, com 47 edições publicadas entre maio de 2011 e dezembro de 2013, e que faria parte dos Guardiões da Galáxia. Quando Thompson retornasse do espaço, o simbionte se uniria novamente a Brock, que ganharia uma nova revista chamada Venom, com 22 edições publicadas entre janeiro de 2017 e junho de 2018 - sendo que, após a edição 6, a numeração de todas as séries e minisséries do Venom seriam somadas, com a sétima edição sendo a 150, e a última a 165. Isso aparentemente seria confuso, e a revista seria relançada em julho de 2018 com um novo número 1, durando 35 edições, a última de agosto de 2021. Depois disso, o simbionte se uniria ao filho de Brock, Dylan, que seria estrela da mais recente Venom, com 39 edições publicadas até agora, a primeira de janeiro de 2022.

Sendo um personagem tão popular, é óbvio que Venom teria presença garantida nas adaptações do Homem-Aranha para o cinema e TV, como o desenho animado produzido para a Fox entre 1994 e 1998 e The Spectacular Spider-Man, que teve uma temporada exibida no canal The CW em 2008 e outra no Disney XD em 2009. No cinema, a primeira tentativa de se fazer um filme de Venom ocorreria em 1997, quando a New Line Cinema contrataria o roteirista David S. Goyer para escrever um filme no qual Dolph Lundgreen interpretaria Eddie Brock, com Venom sendo o herói e o Carnificina o vilão. Quando os três primeiros filmes do Homem-Aranha foram produzidos, o produtor Avi Arad exigiu que Venom estivesse no terceiro, de 2007, com Eddie Brock sendo interpretado por Topher Grace. Em julho de 2007, pouco após a estreia de Homem-Aranha 3, Arad revelaria que a Sony tinha planos de fazer um spin-off estrelado por Venom, para que ele pudesse ser "para os filmes do Homem-Aranha o que Wolverine era para os filmes dos X-Men".

Em julho de 2008, a Sony contrataria Jacob Estes para escrever um roteiro, que colocava Brock vivendo em San Francisco e tentando se reinventar como herói com a ajuda de uma garçonete chamada Honey Horowitz; o vilão seria o Carnificina, que surgiria quando um assassino serial mordesse (pois é) Venom durante o primeiro embate entre os dois. A Sony não tinha certeza quanto a Grace ser o protagonista ideal para esse filme, mas, segundo Arad, ele era a escolha certa para interpretar um "malfeitor de quem as pessoas poderiam gostar"; assim, Estes escreveria o roteiro com Grace em mente, recomendando Martin Donovan para interpretar o Carnificina e ou Rashida Jones, ou Maya Rudolph para o papel de Honey. Mas a Sony não gostaria de alguns detalhes do roteiro de Estes e, em setembro, contrataria Paul Wernick e Rhett Reese para reescrevê-lo. Wernick e Reese optariam por uma abordagem "realística, pé no chão e sombria", na qual Venom não seria um herói, mas um vilão forçado a enfrentar algo pior.

Wernick e Reese entregariam em abril de 2009 a primeira versão do roteiro, que tinha um papel especialmente escrito para Stan Lee e uma sequência na qual o simbionte em fuga passa por várias pessoas, com cada uma delas se tornando extremamente violenta ao se combinar com ele. A Sony não gostaria da abordagem sombria, e forçaria a dupla a escrever um filme "mais otimista", com uma segunda versão do roteiro sendo entregue em setembro de 2009. A Sony seguiria insatisfeita, e pediria para que Gary Ross, que na época estava reescrevendo o roteiro do cancelado Homem-Aranha 4, reescrevesse o roteiro de Wernick e Reese, considerando-o também para a direção do filme. Ao ler a versão preliminar de Ross, Grace diria ser improvável que ele retornasse ao papel, já que a Sony queria fazer de Venom não um vilão motivado a cometer atos heroicos, mas um herói desde o início, e isso não combinava com a forma como o personagem foi retratado em Homem-Aranha 3.

Em janeiro de 2010, a Sony anunciaria que Sam Raimi estava se desligando dos filmes do Homem-Aranha, e que ela aproveitaria para fazer um reboot da série, com um novo elenco. Isso significava que um filme do Venom agora não precisava se prender à aparição do personagem em Homem-Aranha 3, e, em março de 2012, quando O Espetacular Homem-Aranha estava prestes a ser lançado, negociações começaram entre o estúdio e Josh Trank para que ele fosse o diretor e roteirista de Venom. Trank e Robert Siegel escreveriam um roteiro no estilo de O Máskara, com Brock sendo controlado pelo simbionte e fazendo coisas contra sua vontade, mas violento e sombrio, que provavelmente receberia classificação R - menores de 17 anos só podem assistir acompanhados de um responsável.

Após o lançamento de O Espetacular Homem-Aranha, em junho de 2012, o produtor Matt Tolmach conversaria com Arad sobre a possibilidade de a Sony criar um "Universo Aranha", com vários filmes ambientados no mesmo universo levando a um filme que contasse com a presença de todos os seus personagens, como a Marvel havia feito em Os Vingadores, de maio de 2012; dentro desse plano, o roteiro de Trank e Siegel não se encaixava. O projeto do filme do Venom, então, ficaria suspenso por mais um ano, até que, em dezembro de 2013, a Sony anunciaria oficialmente que O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, de 2014, seria o primeiro de seu "Universo Aranha", preparando o terreno para filmes estrelados por Venom, pelo Sexteto Sinistro, e até mesmo pela Tia May, todos sob o comando de Tolmach, que faria o papel que na Marvel cabe a Kevin Feige.

Em abril de 2014, Tolmach anunciaria que Venom estava oficialmente em pré-produção, com Alex Kurtzman, Roberto Orci e Ed Solomon escrevendo o roteiro e Kurtzman dirigindo; segundo ele, Venom faria sua estreia em O Espetacular Homem-Aranha 3, previsto para 2016, e Venom seria lançado entre aquele e O Espetacular Homem-Aranha 4, previsto para 2018. O fracasso de público e crítica de O Espetacular Homem-Aranha 2, entretanto, faria com que O Espetacular Homem-Aranha 3 fosse adiado para 2018, mas Venom confirmado para 2017, com Venom então estreando em seu próprio filme e fazendo uma participação especial em O Espetacular Homem-Aranha 3. Tudo isso mudaria de novo em fevereiro de 2015, quando a Sony anunciaria ter chegado a um acordo com a Marvel para fazer um novo reboot do Homem-Aranha, integrado ao MCU, com todos os planos de filmes do "Universo Aranha" sendo suspensos por tempo indeterminado. Kurtzman e Solomon seguiriam com a incumbência de escrever um roteiro para Venom, mas interromperiam seus trabalhos em novembro de 2015, acreditando que o projeto havia sido cancelado.

A Sony, contudo, ainda não havia desistido, e, em março de 2016, contrataria Dante Harper para escrever um novo roteiro, dessa vez para um filme totalmente independente, sem nenhuma ligação com qualquer filme do Homem-Aranha passado ou futuro - Harper, inclusive, diria ter recebido instruções para escrever uma história de Venom sem nenhuma menção ao Homem-Aranha, como se o personagem nem existisse no universo do filme. O roteiro de Harper seria reescrito um ano depois por Scott Rosenberg e Jeff Pinkner, que, graças ao sucesso de Deadpool e Logan, receberiam autorização para fazer um filme de classificação R, mas receberiam instruções para que o orçamento fosse o mais baixo possível. Para a direção, a Sony consideraria Adi Shankar, Adam Wingard e David F. Sandberg, que chegaria a ler o roteiro e se mostrar favorável, mas preferiria assinar com a Warner para dirigir Shazam!; a direção, então, ficaria com Ruben Fleischer, de Zumbilândia, que se diria "fã de longa data" de Venom, e "empolgado com as possibilidades" que o filme apresentava. Fleischer seria anunciado em maio de 2017, na mesma coletiva em que a Sony anunciaria que Tom Hardy interpretaria Eddie Brock, e que Venom seria o primeiro filme do chamado SSU, de Sony's Spider-Man Universe, uma série de filmes estrelados por personagens do universo do Homem-Aranha nos quadrinhos, mas sem ligação com os filmes do MCU.

O roteiro seria creditado a Rosenberg, Pinkner e Kelly Marcel, que, em outubro de 2017, o reescreveria para mudar alguns pontos que a Sony considerou "problemáticos" - principalmente porque o estúdio voltaria atrás e decidiria que o filme deveria ser PG-13 (maiores de 13 anos podem assistir desacompanhados). O filme seria inspirado principalmente nas minisséries Lethal Protector e Planet of the Symbiotes, publicada em cinco edições entre julho e outubro de 1995; segundo Pinkner, o maior desafio foi fazer com que um personagem cuja origem é intrinsecamente ligada ao Homem-Aranha funcionasse sem a presença do Homem-Aranha, e que, para isso, ele e Rosenberg se inspirariam não somente em Lethal Protector, mas também no Venom da linha Ultimate, que não é alienígena, tendo sido criado por engenharia genética, e nunca foi um uniforme do Homem-Aranha.

No filme, pelo menos, Venom é alienígena, e chega à Terra através de um cometa explorado por uma sonda da Fundação Life. Eddie Brock é um jornalista desacreditado que fica sabendo através de documentos secretos que a Fundação faz testes com cobaias humanas, e decide invadir o laboratório para obter provas e recuperar seu prestígio. Durante essa invasão, ele acaba se combinando ao simbionte, que revela que sua raça usa o cometa para encontrar planetas nos quais eles possam sobreviver e devorar toda a vida; Venom, que é como o simbionte se chama, promete poupar Eddie se ele ajudá-lo a escapar, e confere a ele poderes sobre-humanos ao cobrir totalmente seu corpo. Mas o maior problema de Eddie é Carlton Drake, presidente da Fundação Life, que quer usar os simbiontes para seus próprios propósitos, e decide perseguir o jornalista para matá-lo e se combinar com Venom. O elenco conta com Tom Hardy como Eddie Brock e a voz de Venom; Michelle Williams como Anne Weying, advogada e ex-noiva de Eddie; Riz Ahmed como Carlton Drake; Scott Haze como Roland Treece, chefe da segurança de Drake; Reid Scott como Dan Lewis, novo namorado de Anne; Jenny Slate como a cientista Dora Skirth; e Peggy Lu como a Sra. Chen, dona de um mercadinho que Eddie frequenta. Woody Harrelson faz uma participação como Cletus Kasady na cena intercréditos; Chris O'Hara aparece brevemente como o astronauta John Jameson; e Stan Lee faz uma aparição como um homem caminhando com seu cachorro. Tom Holland gravaria uma participação especial como Peter Parker, removida do filme a pedido da Marvel.

As filmagens ocorreriam em Atlanta e Nova Iorque, com apenas algumas cenas sendo filmadas em San Francisco - onde o filme é ambientado - já no final das gravações; algumas cenas extras teriam de ser filmadas e outras refilmadas em Los Angeles, já durante a pós-produção. Todos os efeitos especiais do filme ficariam a cargo de uma única empresa, a anglo-indiana DNEG, que, para criar a aparência do simbionte, filmaria coloides deslizando e estudaria imagens de amebas. As cenas que mostram Eddie e o simbionte se combinando usaram efeitos práticos e um modelo de computação gráfica de Hardy. Venom seria um personagem totalmente digital, de 2,31 m de altura e pele negra oleosa, inspirada da das orcas; para que ele não desaparecesse nas cenas à noite, seria usada uma técnica de iluminação originalmente criada para comerciais de carro, que fazia com que a pele de Venom refletisse parte do ambiente a seu redor. Como a origem do personagem não está ligada à do Homem-Aranha, ele não tem a aranha branca no peito, mas, para que não fosse totalmente preto, foram adicionados detalhes brancos em seu tronco que lembram vagamente um V. A lingua seria animada à parte, e adicionada ao restante do personagem ao final da pós-produção, e, como os olhos dele não têm pupilas, seu formato muda a cada cena para que ele possa ter expressões faciais e os espectadores saibam para onde ele está olhando. Hardy dublaria as falas de Venom - gravando-as anteriormente e ouvindo-as em um ponto eletrônico ao gravar as cenas em que Eddie conversa com o simbionte - e desejava fazer a captura de movimentos do personagem, o que não foi possível devido às diferenças físicas entre os dois, sendo usado um dublê de 2,08 m de altura com saltos plataforma e um capacete comprido para cima.

Venom estrearia nos cinemas em 5 de outubro de 2018; com orçamento de 100 milhões de dólares, renderia 213,5 milhões apenas nos Estados Unidos e 856 milhões somando o mundo todo, sendo o sexto filme mais rentável do ano e considerado um grande sucesso pela Sony. A crítica não o veria da mesma forma, porém, considerando-o caótico e barulhento, seu enredo bagunçado, seu roteiro incoerente, e que Venom não conseguiria se manter interessante sem a presença do Homem-Aranha. Desde o início, contudo, já estava certo que o filme seria o primeiro de uma série, e o sucesso de público bastou para que a Sony desse a luz verde para uma continuação.

Se dependesse da Sony, o Carnificina seria o vilão do primeiro filme, mas Pinkner e Roseberg argumentariam que deixar o vilão para um segundo filme permitiria desenvolver melhor a história de Venom, e Fleischer concordaria, dizendo que a franquia teria para onde ir caso um vilão tão importante fosse preservado. Diante da certeza de que o Carnificina seria o vilão do segundo filme, Fleischer convidaria Woody Harrelson, com quem havia trabalhado em Zumbilândia, para interpretá-lo, achando que o alter ego do personagem, o psicopata Cletus Kasady, se parecia com o personagem que Harrelson havia interpretado em Assassinos por Natureza. Harrelson aceitaria o papel durante um jantar com Fleischer e Hardy ainda durante a produção de Venom, mas, em entrevistas posteriores, admitiria que foi um tiro no escuro, já que ainda nem havia roteiro do segundo filme quando ele assinou o contrato; o acerto possibilitaria, entretanto, que Harrelson gravasse a tal cena intercréditos para Venom já interpretando Kasady.

A Sony reservaria a data de outubro de 2020 para a estreia do então chamado Venom 2, mas nem Pinkner, nem Rosenberg, nem Fleischer retornariam para a sequência: em janeiro de 2019, Marcel seria anunciada como a única roteirista, e Fleischer declararia não poder retornar por estar envolvido com as filmagens de Zumbilândia: Atire Duas Vezes, já que a Sony não aceitou que ele só começasse a trabalhar em Venom 2 após a conclusão desse filme. A Sony convidaria Rupert Sanders, que não aceitaria, e, em julho de 2019, assinaria com Andy Serkis, segundo o estúdio, devido à sua experiência com captura de movimentos e personagens de computação gráfica - já que Serkis, dentre outros, havia sido o "intérprete" de Gollum, na trilogia O Senhor dos Anéis. Diferentemente do que muitos imaginam, essa não seria a estreia de Serkis na direção, já que ele já havia dirigido Uma Razão para Viver, de 2017, e Mogli: Entre Dois Mundos, de 2018. Tolmach tinha esperança de que o filme pudesse ser feito com classificação R, principalmente devido ao sucesso de Coringa, mas acabaria vencido pelo argumento de que foi a classificação PG-13 que permitiu a grande bilheteria de Venom, com o segundo filme também tendo classificação PG-13.

As filmagens começariam em novembro de 2019 - curiosamente, após a estreia de Zumbilândia: Atire Duas Vezes - e ocorreriam quase que integralmente em San Francisco, onde o filme é ambientado, com algumas cenas sendo gravadas em Londres, Inglaterra. Matrix Resurrections estava sendo filmado ao mesmo tempo em San Francisco, de forma que várias locações de Venom 2 tiveram de ser mudadas em cima da hora porque já haviam sido reservadas para o filme da Warner; em uma determinada cena, helicópteros da produção de Matrix podem ser vistos ao fundo, com a explicação de Venom sendo a de que são helicópteros da polícia procurando por Kasady. O filme tem uma cena intercréditos na qual Eddie é transportado para o MCU durante os eventos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, assistindo na TV  acenas de Homem-Aranha: Longe de Casa nas quais J. Jonah Jameson incrimina Peter Parker pela morte de Mystério; essa cena seria filmada por Jon Watts durante a produção do filme do Homem-Aranha.

Quando a quarentena da pandemia começou, as filmagens já estavam concluídas, e o filme se encontrava na pós-produção, com Serkis tendo de acompanhar o processo de forma remota. O filme ficaria pronto antes da data prevista, que a Sony planejava manter, mas acabaria tendo de alterar porque em outubro de 2020 os cinemas ainda não estavam abertos ao público. Naquele mês, a Sony divulgaria o título oficial do filme, Venom: Let There Be Carnage (Venom: Tempo de Carnificina, em português), após a imprensa vazar o título provisório Venom: Love Will Tear Us Apart, em homenagem à canção do Joy Division, e anunciaria junho de 2021 como a nova data prevista de estreia. Serkis aproveitaria o tempo extra para refinar os efeitos especiais e cortar mais 15 minutos do filme, que ele queria que fosse "intenso", mas tinha algumas cenas que ele estava achando arrastadas demais.

A data de estreia ainda seria adiada mais três vezes, devido ao surgimento de novas variantes do vírus da Covid nos Estados Unidos, com a Sony chegando a considerar estrear o filme apenas em 2022, mas decidindo por 1 de outubro de 2021 após a Disney lançar Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis no cinema e obter boa bilheteria. Com orçamento de 110 milhões de dólares, Venom: Tempo de Carnificina renderia 213 milhões nos Estados Unidos e quase 507 milhões somando o mundo inteiro, sendo considerado um sucesso pela Sony. O filme teria a melhor bilheteria de primeiro fim de semana no pós-pandemia até então, com 90,1 milhões de dólares, inclusive ultrapassando o primeiro Venom (que havia somado 80,3 milhões), e seria o segundo de maior bilheteria no pós-pandemia até então, atrás apenas de Shang-Chi, fechando o ano como o terceiro mais assistido de 2021, atrás de Shang-Chi e Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. A crítica mais uma vez não ficaria tão entusiasmada quanto o público, elogiando as performances de Hardy e Harrelson e a química entre Eddie e Venom, mas considerando o roteiro bobo e previsível, e declarando que o filme somente agradaria aos fãs.

No filme, Kasady é um assassino serial preso em uma instituição de segurança máxima, que alega só aceitar dar entrevistas para Eddie. Durante uma visita, parte do simbionte de Venom se solta e entra no corpo de Kasady, se transformando em um novo simbionte chamado Carnificina, que usa seus novos poderes para escapar e libertar a namorada de Kasady da prisão Ravencroft, para indivíduos com poderes sobre-humanos - já que ela tem o poder de emitir gritos ultrassônicos, o que lhe rendeu o apelido de Shriek (palavra usada em inglês para se referir a um grito bem agudo). Após libertar Shriek, Carnificina põe em prática a segunda parte de seu plano: matar Eddie e Venom, para que ninguém possa impedi-lo de viver como quiser. O elenco conta com Tom Hardy como Eddie Brock / Venom; Woody Harrelson como Cletus Kasady / Carnificina; Michelle Williams como Anne Weying; Naomie Harris como Frances Barrison / Shriek; Reid Scott como Dan Lewis; Stephen Graham como o detetive de polícia Patrick Mulligan; e Peggy Lu como a Sra. Chen.

Após o lançamento de Tempo de Carnificina, Hardy, que havia assinado para três filmes, declararia que a Sony estava planejando fazer um crossover de Venom com o MCU, e Tom Holland, intérprete do Homem-Aranha, confirmaria ter conversado com a produtora Amy Pascal sobre a possibilidade de fazer uma participação no terceiro filme do Venom. Em abril de 2022, Marcel seria anunciada como roteirista também do terceiro filme, além de diretora, sendo esta sua estreia na função, já que Serkis, apesar de ter manifestado interesse em dirigir, estava envolvido com a produção do longa de animação A Revolução dos Bichos. Em sua primeira entrevista após o anúncio, Marcel diria que o terceiro filme não teria qualquer ligação com o MCU, e que daria um encerramento à trilogia de Venom, com Hardy dando várias ideias quanto a detalhes da história.


Fortemente inspirado em Separation Anxiety, o filme começa com Eddie em fuga após ser acusado pelo assassinato do detetive Mulligan. Sem que ele saiba, uma organização chamada Imperium, sediada na famosa Área 51, conseguiu capturar simbiontes, e estuda como utilizá-los como arma, mas sempre falha em combiná-los com hospedeiros; ao descobrir que Venom ainda está vivo, o Imperium envia o ex-militar Rex Strickland para capturá-lo, para poder estudar como a simbiose entre Eddie e Venom funcionou. Como se isso já não fosse problema suficiente, Venom ainda é caçado por um xenófago, criatura alienígena enviada por Knull, criador de todos os simbiontes, que precisa de seu código genético para escapar da prisão onde está confinado. Assim, Eddie e Venom têm a missão de limpar o nome do repórter, fugir do xenófago e libertar os simbiontes presos pelo Imperium, algo que talvez possa se mostrar fatal para a dupla. O elenco traz Tom Hardy como Eddie Brock / Venom; Chiwetel Ejiofor como Rex Strickland; Juno Temple como a Dra. Teddy Paine, cientista que trabalha para o Imperium e tem o braço direito paralisado por ter sido atingida por um raio na infância; Clark Backo como Sadie Christmas, pesquisadora do Imperium que se torna aliada de Venom; Stephen Graham como Patrick Mulligan; Peggy Lu como a Sra. Chen; Rhys Ifans como Martin Moon, hippie fanático por alienígenas que está indo visitar a Área 51 com sua esposa, Nova (Alanna Ubach), e seus filhos, Echo (Hala Finley) e Leaf (Dash McCloud), e dá uma carona a Eddie em sua kombi; Reid Scott como o líder do Imperium, que só aparece nas sombras; e Andy Serkis como Knull.

As filmagens começariam em junho de 2023 na Espanha e Inglaterra, mas teriam de ser interrompidas no mês seguinte devido às greves dos roteiristas e dos atores de Hollywood, somente retornando em novembro, em Las Vegas. As greves fariam com que, mais uma vez, a data prevista de estreia tivesse de ser alterada três vezes. Os efeitos especiais ficariam a cargo das empresas Industrial Light & Magic, DNEG, Digital Domain, Rodeo FX, Territory Studio, Torchlight, Host, e Third Floor, Inc.

Com o nome de Venom: A Última Rodada (Venom: The Last Dance, no original), o filme estrearia em 25 de outubro de 2024; com orçamento de 120 milhões de dólares, renderia 139 milhões nos Estados Unidos e 479 milhões quando somado o mundo todo, sendo considerado um sucesso, mas por pouco. A crítica, curiosamente, seria mais receptiva, elogiando a performance de Hardy e considerando o filme o melhor da trilogia, embora a fraqueza do roteiro e algumas cenas consideradas absurdas tenham sido bastante criticadas.

Pouco antes do lançamento de A Última Rodada, Marcel diria em entrevistas que, embora o filme encerre definitivamente o arco de história iniciado em Venom, a aparição de Knull deixa claro que seria possível a introdução de simbiontes em futuros filmes do SSU, não descartando participações de Venom em alguns deles; Hardy também se diria favorável a participar como Eddie Brock de outros filmes do SSU, e que ainda não havia descartado a possibilidade de participar de um filme do Homem-Aranha com Holland. Em dezembro de 2024, entretanto, uma fonte da Sony diria extra-oficialmente que o SSU, que, além dos três Venom, contava com Morbius e Madame Teia, seria encerrado após o filme seguinte, Kraven, o Caçador; a posição oficial do estúdio seria a de que, como um universo compartilhado jamais havia sido oficialmente estabelecido, o encerramento do SSU não significava nada em termos práticos, e que a Sony continuaria fazendo filmes estrelados por personagens do universo do Homem-Aranha. O que isso significa para a carreira de Hardy como Eddie Brock, só o futuro dirá.
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