segunda-feira, 13 de abril de 2015

Finswimming

Quando eu escrevi o post sobre natação, mencionei que, logo depois de fazer o post sobre atletismo, pensei em fazer um sobre natação, mas que "por algum motivo", acabei não fazendo. Esse motivo, na verdade, não me era desconhecido: eu não havia feito ainda o post sobre natação porque achei que não teria assunto suficiente e ele ficaria curto demais. Concluí, erroneamente, que, se eu falasse só sobre como era a natação, e quais eram as provas oficiais da FINA, o post teria só uns cinco parágrafos. Diante disso, o deixei para lá.

Depois que escrevi o post do levantamento de peso e decidi verificar quais esportes olímpicos eu ainda não havia abordado em meus posts, acabei ficando com vontade de escrever um sobre natação. Lembrando-me do porquê de ainda não tê-lo feito, comecei a imaginar estratégias para que o post ficasse um pouco mais comprido. Curiosamente, acabei não precisando de nenhuma delas, já que, para minha surpresa, o post da natação acabou ficando até bem grande. Essas estratégias, então, seriam engavetadas.

Uma dessas estratégias, porém, vai virar um post novo hoje: pouca gente sabe, mas a natação da FINA não é a única natação desportiva que existe. Existe uma outra, regulada por uma federação chamada Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas (CMAS, da sigla em francês), e que faz parte do programa dos World Games, que foi como a fiquei conhecendo. Uma das minhas estratégias para encompridar o post da natação, portanto, seria falar também sobre essa outra natação. Não foi preciso, mas eu acabei ficando com vontade de falar sobre ela também. Que é o que eu vou fazer no post de hoje.

Curiosamente, a CMAS não foi fundada com o intuito de ser uma federação internacional de algum esporte, e sim um órgão internacional que cuidasse das atividades de mergulho voltadas ao lazer e à pesquisa, visando, principalmente, estabelecer normas de segurança para proteger a integridade dos mergulhadores. Um dos principais idealizadores de tal órgão seria ninguém menos que o famoso explorador francês Jacques Costeau, que seria eleito o primeiro presidente da CMAS. Sua fundação se daria em janeiro de 1959, e contaria com a participação de entidades reguladoras nacionais de mergulho da França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Grécia, Itália, Mônaco, Portugal, Suíça, Iugoslávia, Estados Unidos e Brasil. Sim, o Brasil não somente é membro da CMAS como também é membro fundador.

O envolvimento da CMAS com esportes começaria quando ela seria convidada, ainda em 1959, para assumir as funções do Comitê de Esportes Submarinos da Confederação Mundial de Pesca Desportiva, entidade fundada em 1952 e que, até 1959, era responsável pela regulação de qualquer esporte que acontecesse sob a água, mas queria concentrar suas atenções apenas na pesca desportiva. Após assumir os esportes subaquáticos, a CMAS se dividiria em três comitês, que existem até hoje: o comitê técnico, responsável pela regulação das atividades de mergulho voltadas ao lazer ou ao trabalho; o comitê científico, responsável por regular atividades científicas que envolvam mergulho, como a oceanologia, a biologia marinha e a arqueologia marinha; e o comitê desportivo, responsável pela regulação dos esportes subaquáticos e subdividido em dez comissões, uma para cada esporte.

Nem todos os membros da CMAS são filiados aos três comitês, e os filiados ao comitê desportivo não necessariamente são filiados a todas as dez comissões. O Brasil, por exemplo, representado pela Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS), só é membro do comitê técnico e da comissão de pesca submarina do comitê desportivo. Por causa desse sistema de filiação individual aos comitês e comissões, e também porque a CMAS é uma federação única para todos os esportes subaquáticos, mas pode ser que algum país tenha uma federação nacional para cada um deles, alguns países são representados por mais de uma federação nacional: o Canadá é representado por três, enquanto o Japão é representado por sete, e a Itália por nada menos que onze. Nossos vizinhos argentinos têm uma federação só para o hóquei subaquático e outra que é filiada aos três comitês, mas apenas a duas das comissões do comitê desportivo. O resultado dessa bagunça é que a CMAS tem, a rigor, 130 membros, mas que representam apenas 86 países.

Atualmente, a CMAS regula um total de dez esportes, incluindo o hóquei subaquático, sobre o qual eu já falei aqui quando fiz o post sobre hóquei. O principal desses esportes é justamente a "outra natação" da qual eu falei na introdução desse post. Conhecida internacionalmente como finswimming, aqui no Brasil ela não tem nome oficial, e costuma ser chamada de "natação com nadadeiras" ou "natação subaquática", de forma que eu vou usar finswimming mesmo para economizar espaço.

O finswimming nasceu na Europa, na década de 1930, logo após o advento das primeiras nadadeiras de borracha, conhecidas popularmente como "pés de pato" devido ao seu formato. Calçadas pelos atletas, as nadadeiras proporcionam maior velocidade e manobrabilidade. Embora tenham sido desenvolvidas para atividades de lazer, rapidamente alguém teve a ideia de usá-las em provas de natação. Como a FINA jamais aceitou o uso de nadadeiras em suas provas, coube ao italiano Luigi Ferraro, primeiro vice-presidente da CMAS, organizar a primeira competição de natação na qual todos deveriam usar nadadeiras, em 1951. Essa competição seria realizada em mar aberto, e teria a impressionante distância de 100 Km.

Torneios como o organizado por Ferraro seriam realizados esporadicamente na Europa, principalmente na Itália e na União Soviética, mas demorariam a conquistar popularidade, mesmo após a CMAS passar a regulá-la em 1959. Somente em 1967, quando, após muita insistência de Ferraro, duas provas de finswimming seriam incluídas no Campeonato Europeu de Orientação Subaquática, nas distâncias de 40 metros e de 1000 metros, é que esse esporte começaria a se popularizar. Dois anos depois, em 1969, seria realizado o primeiro Campeonato Europeu de Finswimming, em Locarno, Suíça, com a participação de atletas de 13 nações.

No início da década de 1970, uma nova invenção ajudaria a popularizar ainda mais o esporte: a "mononadadeira", uma nadadeira bem maior, no formato de uma cauda de golfinho, que deve ser calçada em ambos os pés simultaneamente. Embora isso torne impossível ao atleta caminhar, na água a mononadadeira permite velocidades bem maiores que as nadadeiras tradicionais - e absurdamente maiores que as alcançadas por nadadores sem nadadeiras: para vocês terem uma ideia, o recorde mundial da prova dos 50 metros livre, na natação "tradicional", pertencente ao brasileiro César Cielo, é de 20,91 segundos, enquanto o recorde mundial dos 50 metros no finswimming, obtido pelo colombiano Mauricio Fernandez Castillo, é de 13,89 segundos, mais de sete segundos mais veloz. A velocidade logo se tornaria o maior atrativo do finswimming, e muitos nadadores passariam a se dedicar a essa modalidade devido a esse fator. Aliás, a diferença na velocidade das mononadadeiras em relação às nadadeiras tradicionais era tão óbvia que, mesmo os atletas sendo livres para optar por qualquer modelo nas provas da CMAS, todos só optavam pelas mononadadeiras. Somente em 2006 é que a CMAS finalmente optaria por uma "separação", criando provas nas quais somente as mononadadeiras poderiam ser usadas, e outras nas quais era obrigatório o uso das nadadeiras tradicionais.

Atualmente, as provas do finswimming são divididas em quatro categorias: nado de superfície (cuja sigla é SF, de surface, "superfície", em inglês), nado submerso (IM, de immersion), apneia (AP) e nadadeiras tradicionais (BF, de bi-fins, o apelido das nadadeiras tradicionais dentre os atletas). Dependendo da categoria, as provas também podem ser divididas em duas classes: piscina ou águas abertas. Para as provas de piscina, deve ser usada uma piscina olímpica, de 50 metros; embora a CMAS não permita competições internacionais em piscinas de 25 metros, algumas competições locais e regionais, por falta de opção, acabam sendo realizadas em piscina curta. Já as provas de águas abertas podem ser realizadas em lagos, represas ou no oceano, sendo esse último o local preferencial.

Nas provas do nado de superfície (SF), os atletas nadam rentes à superfície, usando uma máscara de mergulho, uma mononadadeira e um snorkel - aquele "canudo" usado para respirar. O snorkel deve ter entre 1,5 e 2,5 cm de diâmetro, entre 30 e 40 cm de comprimento, e ser feito de borracha ou plástico. Não há uma distância mínima ou máxima para o atleta se posicionar em relação à superfície, mas ele deve ser capaz de respirar através do snorkel durante toda a prova - isso porque retirar a cabeça da água para respirar, como na natação, não é permitido - exceto durante as viradas na piscina, quando é permitido um deslocamento máximo de 15 metros sem que a ponta do snorkel esteja para fora da água. A mononadadeira não possui tamanho mínimo, apenas máximo, estabelecido por um modelo usado pelos árbitros para medi-las antes de cada prova - atletas com nadadeiras maiores que o modelo são desclassificados. A técnica de natação não envolve as mãos, apenas os pés, com os braços ficando esticados para a frente durante toda a prova. O movimento das pernas é o mesmo do nado borboleta, conhecido como "golfinhada". Provas da categoria SF, quando realizadas em piscinas, ocorrem nas distâncias de 50, 100, 200, 400, 800 e 1.500 metros, e nos revezamentos de 4 x 100 metros e 4 x 200 metros. Provas em águas abertas podem ser realizadas nas distâncias de 3, 6, 10 e 20 Km, e no revezamento 4 x 3 Km.

Já nas provas de nado submerso (IM), o atleta nada rente ao fundo da piscina, usando uma máscara de mergulho, uma mononadadeira e um cilindro de ar. Assim como nas provas da categoria SF, as mononadadeiras da categoria IM devem ser menores que o modelo da CMAS. O cilindro de ar deve ter pressão máxima de 200 bar e capacidade mínima de 0,4 litros, usando apenas ar atmosférico, não sendo permitidas misturas ricas em oxigênio. A CMAS não faz imposição sobre o tamanho do cilindro, mas a lógica diz que quanto menor, melhor. Também não há imposição quanto aos reguladores e ao tubo de respiração, o que faz com que os atletas costumem "customizar" esses componentes. Assim como na categoria SF, as pernas fazem a golfinhada e os braços não são usados para nadar, devendo permanecer durante toda a prova esticados para a frente, mas na categoria IM eles carregam o cilindro. Um atleta que solte o cilindro, deixe-o cair, ou deixe o tubo de respiração sair de sua boca é automaticamente desclassificado. Provas da categoria IM são sempre realizadas em piscinas, nas distâncias de 100, 400 e 800 metros - embora, até 2006, existisse uma prova de 1 Km em águas abertas, descontinuada por razões de segurança.

Nas provas de apneia (AP), o atleta também nada rente ao fundo da piscina, mas usando apenas a máscara de mergulho e a mononadadeira. O atleta deve prender a respiração durante toda a prova, e qualquer atleta que respire está desclassificado. As mononadadeiras também devem ser menores que o modelo, e a técnica de nado é a mesma da categoria SF. Por razões óbvias, provas da categoria AP são disputadas apenas em piscinas, e apenas na distância de 50 metros.

Finalmente, na categoria BF, instituída em 2006, os atletas nadam rente à superfície, usando uma máscara de mergulho, um snorkel e um par de nadadeiras tradicionais. O estilo usado é o crawl, e o atleta deve permanecer a uma distância da superfície que o permita respirar pelo snorkel a todos os momentos, exceto nas viradas na piscina, quando pode percorrer até 15 metros sem respirar. Também não é permitido retirar a cabeça da água para respirar. O snorkel usado segue as mesmas regras da categoria SF, mas as nadadeiras não possuem um modelo; existe, porém, uma lista de fabricantes e modelos homologados pela CMAS, e todos os competidores devem usar nadadeiras presentes nessa lista. Provas da categoria BF são realizadas, em piscinas, nas distâncias de 50, 100 e 200 metros, e em águas abertas nas distâncias de 4 e 6 Km.

A principal competição do finswimming é o Campeonato Mundial, realizado a intervalos irregulares desde 1976, atualmente a cada dois anos, sempre nos anos ímpares, com um total de 17 edições já disputadas. No Mundial são disputadas todas as provas oficiais de piscina, nas modalidades masculina e feminina, mas as provas em águas abertas dependem de fatores como local apropriado e capacidade de organização do evento - nas duas últimas edições, em 2011 e 2013, foram disputadas apenas as provas de 6 Km, 20 Km e revezamento 4 x 3 Km da categoria SF, no masculino e no feminino. O finswimming também faz parte dos World Games desde sua primeira edição, em 1981. Atualmente, nos World Games, são disputadas as provas de 100, 200, 400 e 4 x 100 metros SF e a de 50 metros AP, no masculino e no feminino. Até a edição de 1997 também eram disputadas as provas de 100 e 400 metros IM, no masculino e feminino; as provas BF ainda não fizeram sua estreia.

Vou aproveitar que estou por aqui e falar sobre outro dos esportes regulados pela CMAS, chamado apneia - que não deve ser confundido com a categoria AP do finswimming. Em grego, apneia significa "privação de fôlego", portanto, o nome pode ser aplicado a qualquer situação, desportiva ou não, na qual uma pessoa fique por alguns momentos sem respirar - como a apneia noturna, condição médica na qual a pessoa fica alguns segundos sem respirar durante o sono. No esporte chamado apneia, como vocês devem ter imaginado, o objetivo é prender o fôlego pelo maior tempo possível - mas não apenas isso, pois seria muito chato.

A apneia desportiva possui uma curiosidade: a CMAS não é o único órgão internacional que a regula, existindo também a AIDA (sigla em francês para Associação Internacional para o Desenvolvimento da Apneia). No geral, CMAS e AIDA possuem boas relações, e as regras das competições de ambas são até parecidas; mesmo assim, cada uma organiza seus próprios campeonatos, e não leva em conta os recordes dos atletas nos campeonatos da "rival".

A CMAS reconhece nada menos que onze modalidades da apneia desportiva. A mais básica é a apneia estática: realizada obrigatoriamente em uma piscina, nela os atletas entram na água e prendem o fôlego, vencendo aquele que ficar mais tempo sob a água sem respirar. Os atletas entram na água um de cada vez, e devem anunciar, antes de entrar, por quanto tempo planejam ficar lá; um atleta que saia antes do tempo anunciado é desclassificado, mas aquele que passa desse tempo pode continuar lá até o máximo que aguentar. No fim, o que tiver o maior tempo será o vencedor da prova.

Duas outras modalidades, a apneia dinâmica com nadadeiras e a apneia dinâmica sem nadadeiras são bastante parecidas com a categoria AP do finswimming: também realizadas obrigatoriamente em uma piscina (que deve ser de 50 metros para a prova com nadadeiras, mas pode ser de 25 m para a prova sem nadadeiras), nela o atleta mergulha, prende o fôlego, e então deve percorrer a maior distância possível sem respirar. Quando o atleta retirar a cabeça da água, sua distância total será anotada. Os atletas entram na piscina um por vez, e aquele que percorrer a maior distância será o vencedor. Na modalidade com nadadeiras, cada atleta é livre para escolher entre nadadeiras tradicionais ou mononadadeiras, e, em ambas as modalidades, o estilo de nado é livre.

Outra modalidade parecida com a categoria AP, e realizada obrigatoriamente em piscinas de 50 metros, é a apneia de velocidade. Nela, usando nadadeiras tradicionais ou mononadadeiras, à sua escolha, o atleta deverá percorrer uma determinada distância no menor tempo possível, sem respirar. Se o atleta retirar a cabeça da água no meio da piscina, será desclassificado, embora possa respirar cada vez que completa uma piscina ("chega do outro lado") pelo tempo que desejar - mais tempo respirando, porém, equivale a mais tempo total de prova. Os atletas nadam em grupos de até oito, mas não há eliminatórias e finais como uma prova de natação tradicional, sendo vencedor o que conseguir o menor tempo dentre todos. A apneia de velocidade é disputada nas distâncias de 100, 200, 400 e 800 metros.

As outras sete modalidades são obrigatoriamente disputadas em águas abertas. A mais famosa é a chamada jump blue, na qual um cubo de 15 x 15 x 15 metros é construído com cabos de aço revestidos com plástico no fundo da área de competição. O atleta, usando nadadeiras tradicionais ou uma mononadadeira, à sua escolha, deve mergulhar, chegar até a face inferior desse cubo e então nadar acompanhando seus lados, dando voltas em torno do cubo. Quando ele não aguentar mais, é marcada a distância total que ele percorreu em volta do cubo (sem contar a que percorreu para chegar ao cubo), e ele retorna à superfície. O vencedor será o que percorrer a maior distância.

As demais modalidades são todas parecidas entre si. Em duas delas, a apneia de peso constante com nadadeiras e a apneia de peso constante sem nadadeiras (também conhecidas pela sigla CWT, de constant weight), o atleta deve descer nadando na vertical, com a cabeça voltada para baixo, acompanhando uma corda até a máxima profundidade que conseguir, e aí subir novamente até chegar na superfície, tudo isso em um único fôlego. É proibido tocar na corda, exceto para interromper a descida e iniciar a subida, e, mesmo assim, apenas um único toque é permitido. Em outras duas, a apneia de peso variável com nadadeiras e a apneia de peso variável sem nadadeiras (também conhecidas pela sigla VWT, de variable weight), o atleta desce de pé, agarrado a uma espécie de trenó, que corre pela corda e o ajuda a afundar. Quando alcança a máxima profundidade possível, ele solta o trenó e sobe nadando até a superfície.

Já na apneia de imersão livre, o atleta também desce ao longo de uma corda, sendo que pode usar a corda para se impulsionar, como se estivesse escalando de cabeça para baixo. Ele não pode, porém, usar nadadeiras, os pés, braços ou qualquer outro mecanismo para ajudar sua descida, apenas a corda. Uma vez que tenha alcançado a máxima profundidade possível, ele deve subir puxando a corda, usando-a para "escalar" para fora da água. Aquele que alcançar a maior profundidade será o vencedor.

Finalmente, temos a modalidade de nome mais curioso, a skandalopetra, palavra grega que significa "pedra de gatilho". Nela, o atleta se amarra a uma pedra de mármore de 8 Kg, e, segurando-a com as duas mãos e com a cabeça virada para baixo, afunda como se fosse um peso morto, sem poder fazer nenhum movimento que auxilie sua descida. Ao alcançar a máxima profundidade possível, ele se põe de pé sobre a pedra, e é puxado para a superfície por uma equipe. Como o atleta não fará nenhum esforço para descer ou subir a não ser prender o fôlego, a skandalopedra não exige nenhum equipamento além da pedra, embora a maioria dos atletas usem máscaras de mergulho e protetores nasais para impedir que respirem acidentalmente.

É importante notar que, em todas essas sete modalidades, cada atleta desce um por vez, acompanhado de uma equipe com boias, cilindros de oxigênio e outros aparatos usados para resgatá-lo e auxiliá-lo caso algo dê errado. Ao contrário do que se possa imaginar, jamais houve uma morte em uma prova de apneia oficial da CMAS, mesmo com os melhores atletas alcançando mais de 100 metros de profundidade.

Falando nisso, vale registrar que, enquanto a CMAS reconhece onze modalidades da apneia desportiva, a AIDA reconhece apenas oito, não reconhecendo a apneia de velocidade, a apneia de peso variável sem nadadeiras, a jump blue, nem a skandalopetra; a AIDA reconhece, porém, uma modalidade chamada apneia sem limites, na qual o atleta desce preso a um lastro e sobe com a ajuda de um balão, que se infla em poucos momentos, usando um sistema parecido com o dos air bags de carros, assim que ele solta o lastro. Como, graças ao lastro e ao balão, tanto a velocidade de descida quanto de subida são maiores que na apneia de peso variável, o atleta pode tentar profundidades muito maiores - enquanto o recorde mundial da apneia de peso variável com nadadeiras é de 145 metros, o da apneia sem limites é de 214 metros. Um dos motivos pelos quais a CMAS não reconhece essa modalidade é que ela é considerada extremamente perigosa até mesmo pelos próprios atletas, não somente pelas grandes profundidades alcançadas e pela grande velocidade com que se sobe, mas também por ser mais difícil para as equipes de apoio acompanhá-los, justamente por causa da velocidade. Mais de um atleta, inclusive, já morreu durante provas de apneia sem limites sancionadas pela AIDA.

Com algumas exceções, como competições nacionais, as provas de apneia não são disputadas em campeonatos, e sim em um sistema de quebra de recordes - um atleta de uma determinada modalidade se prepara, normalmente durante vários meses, e então é marcado um evento no qual ele "competirá sozinho", tentando quebrar o recorde anterior. As exceções internacionais são o Campeonato Mundial de Jump Blue (realizado anualmente desde 2011), o Open de Apneia de Imersão Livre (realizado anualmente desde 2013) e o Campeonato Mundial de Apneia, realizado a cada três anos de 1996 a 2011 e então a cada dois anos, e que atualmente conta com provas de apneia estática, apneia de velocidade 100 metros e apneia dinâmica com e sem nadadeiras, no masculino e no feminino.

A CMAS é uma das federações reconhecidas pelo Comitê Olímpico Internacional, e luta para incluir o finswimming nas Olimpíadas. O problema é que, devido ao baixo número de países praticantes (a comissão de finswimming tem apenas 66 membros, sendo que o Brasil não é um deles), o COI não vê relevância nesse esporte. Talvez a saída fosse uma parceria com a FINA, para incluir provas do finswimming como modalidades da natação.

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