domingo, 11 de agosto de 2013

Agente 86

Já há algum tempo que não contece um post em cascata aqui no átomo - aquela situação na qual eu escrevo sobre um assunto que me faz querer escrever sobre um outro assunto na semana seguinte que, por sua vez, me faz querer escrever sobre um terceiro assunto em seguida. Pois bem, há duas semanas eu escrevi sobre Loucademia de Polícia, o que me fez lembrar de outro filme de comédia envolvendo a polícia, Corra que a Polícia Vem Aí, que me fez lembrar do seriado Agente 86. Que não é sobre a polícia, é sobre agentes secretos, mas é de comédia, então tá valendo.

Agente 86 (cujo título original é Get Smart, gíria que significa "fique esperto", mas também é um trocadilho com o nome de seu protagonista, Maxwell Smart) é uma criação de Buck Henry em parceria com o gênio da comédia Mel Brooks. Na época, faziam grande sucesso os filmes de James Bond e uma série de TV chamada O Agente da U.N.C.L.E., também sobre espionagem, mas com um toque de comédia. Henry, na época um comediante em ascenção, foi contratado pela produtora Talent Associates, que planejava lucrar com a moda dos agentes secretos, para escrever uma nova série de comédia, cujo protagonista fosse uma "versão James Bond" de um policial de sucesso do cinema, o Inspetor Clouseau de A Pantera Cor de Rosa.

Henry entrou em contato com Brooks, que, pouco antes, lhe havia revelado estar cansado do estilo de humor das séries de comédia da época. Brooks rejeitava o humor pasteurizado e as situações cômicas envolvendo núcleos familiares e enredos de amor e perdão, e planejava fazer uma série com humor semelhante aos das histórias em quadrinhos, repleta de situações absurdas, cujo protagonista fosse atrapalhado e sem noção. Assim nascia Maxwell Smart.

Max (Don Adams), como é carinhosamente chamado por seus amigos, é o agente de número 86 da organização secreta CONTROLE - que, apesar de ter o nome todo escrito em maiúsculas, não é um acrônimo - criada no início do século XX para atuar na espionagem e contra-espionagem, defendendo os interesses e a integridade dos Estados Unidos diante das ameaças estrangeiras. Max é extremamente atrapalhado, só aceita atuar seguindo os procedimentos-padrão ao pé da letra, tem dificuldades para entender algumas ordens, é ingênuo, acha que possui mais habilidades do que realmente tem, e é propenso a lapsos de atenção. Ainda assim, ele é inteligente, adaptável, hábil no combate corpo a corpo, possui excelente mira e uma sorte absurda, o que faz com que, apesar de todos os incidentes - normalmente provocados por ele mesmo - em suas missões, ele seja um dos agentes do CONTROLE com o maior índice de sucesso, e frequentemente indicado para missões complicadas ou rejeitadas pelos demais agentes. O comportamento abobado de Max também parece ser seu maior trunfo, já que seus oponentes o costumam ver como incompetente, subestimando-o até que seja tarde demais; dentre os que já o conhecem, Max é temido e respeitado como um dos maiores agentes a serviço dos Estados Unidos.

Max possui uma parceira no CONTROLE, a Agente 99 (Barbara Feldon), cujo nome verdadeiro jamais foi revelado na série. Alta, bela e extremamente competente, 99 é absolutamente apaixonada por Max, o que costuma coloocá-la em situações de perigo, pois, além de fazê-la seguir seus planos loucos fielmente, ela não raciocina direito quando acha que a vida de Max está em risco. Max parece não perceber tanto amor, e trata 99 como se fosse apenas uma colega de trabalho. 99 é normalmente designada para atuar disfarçada dando suporte a Max em suas missões, e mais de uma vez foi o deus ex machina que salvou sua vida no último momento - embora muitas outras vezes foi Max quem salvou a dela, por sorte ou competência. Curiosamente, na maior parte das cenas em que ela e Max aparecem juntos, 99 está sentada, curvada ou em um plano inferior, pois Feldon era mais alta que Adams, e na época era estranho um casal no qual a mulher fosse mais alta que o homem.

O terceiro personagem principal da série é o Chefe do CONTROLE (Edward Platt, que só passou a ser creditado na abertura a partir da segunda temporada), atual comandante da organização, cujo nome é secreto (sendo chamado por todos apenas de "Chefe"). Sério, rabugento e algumas vezes sarcástico, o Chefe possui um coração de ouro e tem grande apreço por Max e 99, mesmo sofrendo com as trapalhadas do agente 86, que costumam lhe causar grandes dores de cabeça.

Os arqui-inimigos do CONTROLE pertencem a outra organização criminosa, a KAOS - que, adivinhem, também não é sigla de nada em particular - que se refere a si mesma como uma "organização internacional do mal". Fundada no leste europeu, mas atualmente sediada em Delaware - para pagar menos impostos - a KAOS frequentemente planeja roubar segredos do governo norte-americano, o que faz com que o CONTROLE esteja sempre tentando frustrar seus planos. Objetivos secundários da KAOS incluem a própria destruição do CONTROLE e a captura de Max, que eles veem como o agente mais perigoso da organização.

Assim como nos filmes de James Bond, é dado grande destaque a geringonças mirabolantes usadas tanto pelos agentes do CONTROLE quanto da KAOS, em especial o sapatofone de Max (aparentemente o único, já que até outros agentes do CONTROLE se espantam quando ele o utiliza). A maioria dessas geringonças não tem nenhum propósito a não ser parecer útil aos espiões, como o famoso cone do silêncio, uma abóboda de plástico que Max insiste em usar quando vai fazer seus relatórios ao Chefe, cuja função seria impedir que outras pessoas escutassem a conversa, mas que acaba fazendo justamente o contrário: quem está dentro do cone do silêncio não escuta um ao outro, mas quem está de fora escuta tudo. Ao instruir os roteiristas da série quanto às geringonças, Brooks teria dito "façam como os roteiristas de James Bond, mas exagerem um pouquinho em tudo".

Após Henry e Brooks escreverem o roteiro do piloto e de alguns episódios, a Talent Associates ofereceu a série à ABC, que a aprovou com ressalvas - segundo a ABC, a série "não era tipicamente americana", e precisava de, pelo menos, mais dois elementos: um cachorro como parceiro de Max e 99, para dar mais sensibilidade e atrair o público infantil, e uma mãe para Max, para criar um clima familiar. Segundo a ABC, ao final de cada episódio, Max poderia enganar sua mãe, fingindo ter um emprego normal e transformando as situações que viveu como agente secreto em situações corriqueiras do dia a dia para contar a ela como foi seu dia de trabalho.

Brooks foi terminantemente contra a ideia da mãe, se recusando a incluir o personagem, o que fez com que a ABC acabasse rejeitando a série. Henry, porém, gostou da ideia do cachorro, e o incluiu no piloto e em alguns episódios, chamando-o de Fang ("presa", no sentido de "dente", em inglês) e dando-o o codinome de Agente K-13. Fang foi treinado por Max - ambos foram da mesma turma na escola de espiões - o que significa que ele não é lá muito bom em cumprir ordens ou agir apropriadamente durante as missões. O personagem até fez um relativo sucesso, mas acabou retirado da série durante a segunda temporada devido ao fato de que era muito caro e complicado filmar com o cachorro.

Após incluir o cachorro e deixar claro que não incluiria a mãe, a Talent Associates resolveu oferecer a série à concorrente da ABC, a NBC, que havia acabado de dar a luz verde para outra série de comédia, Jeanie é um Gênio. A NBC gostou da premissa da série, e viu a oportunidade de fazer um bloco de uma hora de comédia, levando ao ar Jeanie é um Gênio e, logo em seguida, Agente 86, semanalmente nas noites e sábado. Assim, a série foi aprovada.

A primeira temporada de Agente 86 estrearia em 18 de setembro de 1965 - uma semana depois de Jeanie é um Gênio - e teria um total de 30 episódios. Curiosamente, apenas o piloto seria em preto e branco, com todos os outros episódios sendo filmados a cores - a razão para isso foi que a NBC pediria que a Talent Associates produzisse o piloto para avaliação, e eles o fariam em preto e branco por ser mais barato; após a aprovação, a NBC pediria que a série fosse filmada em cores, cobrindo os gastos extras. Para arrependimento da ABC, a série se mostraria um grande sucesso, contando com boa audiência e sendo indicado a quatro Emmys: Melhor Série de Comédia (perdido para The Dick Van Dyke Show), Melhor Ator Principal em uma Série de Comédia (Don Adams perdeu para Dick Van Dyke), Melhor Direção em uma Série de Comédia (para Paul Bogart, pelo episódio A Filha do Diplomata, perdido para A Feiticeira) e Melhor Roteiro em uma Série de Comédia (para Henry e Brooks pelo piloto, também perdido para The Dick Van Dyke Show).

Além de Max, 99, do Chefe e de Fang, os únicos personagens recorrentes da primeira temporada são o agente 44 (Victor French), que sempre é designado para se esconder em locais apertados ou ridículos, como armários e caixas de correio, dando apoio a outros agentes em missões, e Larabee (Robert Karvelas), o assistente do Chefe, que nas duas primeiras temporadas quase não aparece. Cada episódio era uma história fechada, e trazia agentes do CONTROLE e da KAOS diferentes. A única exceção foi o vilão Garra (Leonard Strong), chefe do ramo asiático da KAOS, que apareceu em dois episódios.

A boa audiência e as boas críticas mais do que justificavam a aprovação de uma segunda temporada, que, com mais 30 episódios, estrearia em 17 de setembro de 1966, dessa vez indo ao ar depois de Please Don't Eat the Daisies - Jeanie é um Gênio seria passada para as segundas-feiras à noite. Mais uma vez, a segunda temporada foi um grande sucesso de público e crítica, ganhando seus dois primeiros Emmys, de Melhor Ator Principal em uma Série de Comédia (para Don Adams) Melhor Roteiro em uma Série de Comédia (para Buck Henry e Leonard B. Sterns, pelo episódio A Nau dos Espiões), além de receber mais uma indicação ao de Melhor Série de Comédia, mais uma vez perdido para The Dick Van Dyke Show, além de uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Série de TV (perdido, curiosamente, para O Agente da U.N.C.L.E.).

A segunda temporada marcou a estreia de Konrad Ludwig von Siegfried (Bernie Kopell), agente da KAOS de forte sotaque alemão que seria a nêmese de Max, devotando sua vida a superá-lo. Ao longo da série, Max e Siegfried se tornariam rivais respeitosos, cada um querendo destruir o outro, mas elogiando e admirando suas habilidades. Siegfried contava com a ajuda de um capanga fortão mas pouco esperto, chamado Shtarker (King Moody). Também na segunda temporada, estrou o agente 38 (Angelique Pettyjohn), mestre dos disfarces capaz de assumir qualquer aparência, até mesmo de uma mulher sedutora; o agente 44 foi substituído pelo agente 13 (Dave Ketchum), com a mesma missão de ficar escondido em locais vexatórios, mas muito mais descontente com ela; e o CONTROLE ganhou um cientista fixo, o Dr. Carlson (Stacy Keach), responsável por criar as geringonças usadas pelos agentes do CONTROLE - papel que, na primeira temporada, coube a três cientistas diferentes, dependendo do episódio. Um dos episódios contou com a participação de William Schallert (um dos maiores atores de séries de TV dos Estados Unidos, com participações em episódios de Zorro, Papai Sabe Tudo, Peter Gunn, Além da Imaginação, Os Intocáveis, Bonanza, Dr. Kildare, Lassie, Combate, Missão Impossível e Jornada nas Estrelas, dentre outros) como o Almirante Harold Harmon Hargrade, fundador do CONTROLE. Finalmente, alguns episódios contaram com participações de heróis ou vilões que já haviam aparecido em episódios da primeira temporada, como o androide Hymie (Dick Gautier) e o detetive havaiano Harry Hoo (Joey Forman), uma sátira ao famoso personagem Charlie Chan.

A terceira temporada, que estrearia em 16 de setembro de 1967, traria algumas mudanças. Para começar, a NBC desfaria o bloco de comédias, e exibiria Agente 86 mais cedo, no horário que anteriormente iam ao ar Jeanie é um Gênio e Please Don't Eat the Daisies. Além disso, para cortar custos, a temporada seria reduzida para apenas 26 episódios. A partir da terceira temporada a audiência começou a cair, mas a crítica se manteve extremamente favorável, o que renderia à série mais três Emmys: mais um de Melhor Ator em uma Série de Comédia para Don Adams, um de Melhor Direção em uma Série de Comédia para Bruce Bilson (pelo episódio Maxwell Smart, Detetive Particular) e finalmente o de Melhor Série de Comédia, além de uma indicação ao de Melhor Atriz em Série de Comédia para Barbara Feldon, perdido para Lucille Ball de O Show da Lucy.

Na época, a NBC passava por dificuldades financeiras, e, para poder manter Agente 86 no ar, negociou um patrocínio com a Volkswagen; graças a isso, a série ganhou uma nova abertura, na qual, ao invés de dirigir o Sunbeam Tiger vermelho que continuou dirigindo nos episódios, Max aparecia dirigindo um Karmann Ghia azul. Também para cortar custos, o agente 13 saiu da série e o Dr. Carlson foi substituído pela Dra. Steele (Ellen Weston), cujo disfarce era de dançarina exótica em um clube burlesco, no subsolo do qual ficava seu laboratório, mas que apareceu em apenas três episódios. Em compensação, a terceira temporada contou com várias participações especiais de atores famosos, como John Fiedler, Ernest Borgnine, Milton Berle, Bob Hope e Cesar Romero. A partir dessa temporada, Larabee também passaria a ter mais destaque, se revelando ainda mais atrapalhado e confuso que Max - curiosamente, na vida real Adams e Karvelas eram primos, embora na série Max e Larabee não tivessem parentesco.

O ponto alto da quarta temporada, que estrearia em 21 de setembro de 1968 com mais 26 episódios, seria o casamento de 99 e Max, que finalmente perceberia os sentimentos dela e os retribuiria. Graças a esse casamento, Agente 86 seria um marco na história da TV, pois 99 se tornaria a primeira personagem de uma série de TV norte-americana a manter o emprego e continuar trabalhando após se casar. A quarta temporada contaria com participações especiais de Jane Dulo como a mãe de 99, Fred Willard como o agente novato 198 e James Cann como um agente da KAOS. A audiência continuaria caindo, mas a crítica permaneceria favorável, o que contribuiria para a conquista de mais dois Emmys, de Melhor Ator em Série de Comédia para Don Adams e de Melhor Série de Comédia; mais uma vez, Barbara Feldon seria indicada para Melhor Atriz em uma Série de Comédia, dessa vez perdendo para Hope Lange, de Nós e o Fantasma.

Ainda sofrendo com dificuldades financeiras, a NBC decidiria cancelar diversas de suas séries, dentre elas Jornada nas Estrelas e Agente 86. A Talent Associates, porém, achava a produção de uma nova temporada bastante possível, graças ao bom desempenho da série com a crítica. Ela ofereceria a série, então, à CBS, que concordaria em financiar a quinta tamporada.

A quinta temporada teria mais uma vez 26 episódios, e estrearia em 26 de setembro de 1969, indo ao ar às sextas-feiras à noite. Dois de seus episódios contariam com a participação especial de Martin Landau e Vincent Price, e Jack Gilford estrearia como o agente da Kaos Simon Simpático, cuja face adorável ninguém consegue detestar. A série ganharia uma nova abertura, e Max passaria a dirigir um Opel GT, graças a um patrocínio da Buick. A trama central da temporada era a gravidez de 99.

Mesmo com todos os esforços da Talent Associates e da CBS, porém, a audiência foi bastante baixa, e a crítica pareceu acreditar que a fórmula estava esgotada - essa seria a primeira temporada na qual a série não seria indicada a nehum prêmio. Com isso, ao final da quinta temporada, a CBS optaria por não renovar para uma sexta, e a Talent Associates, sem um canal para exibir a série, optaria por encerrar a produção. Agente 86 seria oficialmente cancelado em 15 de maio de 1970, quando foi ao ar seu último episódio.

99, Max e o ChefeUma década após o cancelamento, a Universal decidiu fazer um filme de Agente 86 para o cinema. Chamado Agente 86: A Bomba Nua (The Nude Bomb no original), o filme estrearia em 9 de maio de 1980, e nele Max, recém-chamado de volta ao serviço, enfrentaria o perigoso agente da KAOS Norman Saint Sauvage (Vittorio Gassman), que acha todas as roupas do mundo feias, então decide criar uma bomba que, ao explodir, faz com que todas as roupas nas vizinhanças sumam, deixando as pessoas completamente nuas.

Infelizmente, Max e Larabee são os únicos personagens da série que aparecem no filme: Barbara Feldon não aceitaria repetir o papel de 99, e Edward Platt havia falecido de ataque cardíaco em 1974; com isso, um novo Chefe seria interpretado por Dana Elcar, e a nova parceira de Max seria a agente 22, interpretada por Andrea Howard. Curiosamente, no filme a agência de Max não se chama CONTROLE, mas PITS, sigla para "serviço de inteligência tática provisório" em inglês. Outros agentes do PITS de destaque no filme são a agente 34 (Sylvia Kristel, protagonista dos filmes de Emmanuelle), a agente 36 (Pamela Hensley, de Buck Rogers) e o agente 13 (ainda com a mesma missão, mas agora interpretado por Joey Forman, que na série interpretava Harry Hoo).

Apesar da premissa, o filme só tinha uma única cena de nudez, de um time de jogadores de futebol americano, de costas - em todas as outras, havia sempre um objeto bloqueando as partes pudendas dos atores. Mesmo assim, graças ao título - e, dizem os boatos, à presença de Sylvia Kristel - o filme foi classificado como PG ("contém cenas inapropriadas para crianças"). Para não sofrer com a classificação indicativa quando foi exibir o filme na TV, em 1982, a NBC mudou seu título para The Return of Maxwell Smart. O filme ainda teria um terceiro título diferente, ao ser lançado em vídeo: Maxwell Smart and the Nude Bomb. Tanto no cinema quanto na TV o filme foi um grande fracasso, atribuído principalmente às diferenças entre o filme e a série - o estilo das piadas, por exemplo, era bastante diferente.

Quase duas décadas após o cancelamento, porém, uma inesperada onda de reprises mostrou que Agente 86 ainda era uma série de sucesso, o que levaria a ABC, canal que havia rejeitado a série quando de sua criação, a decidir investir em um novo filme, dessa vez para ser exibido diretamente na TV. Para que esse filme não tivesse o mesmo destino de A Bomba Nua, a ABC contrataria Leonard Stern, produtor da série, não somente para produzi-lo, mas também para escrever seu roteiro. Também era desejo da ABC que o filme tivesse o maior número possível de atores sobreviventes da série, especialmente 99, sem a qual o filme não seria feito.

Assim surgiria Agente 86... De Novo?! (Get Smart, Again!), que estrearia em 26 de fevereiro de 1989, e ignoraria completamente os eventos de A Bomba Nua. No novo filme, a KAOS foi derrotada na década de 1970, o que levou ao desmantelamento do CONTROLE; na época atual, porém, um grupo de ex-agentes decide refundar a organização do mal, usando um de seus cientistas para criar uma máquina capaz de controlar o clima do planeta, ameaçando usá-la caso os Estados Unidos não paguem resgate. Diante da situação, o Comandante Drury (Kenneth Mars), da Agência de Inteligência Norte-Americana, incumbe Max da missão de refundar o CONTROLE, reunindo o maior número de ex-agentes da organização em uma equipe capaz de encontrar o cientista e sua máquina e pôr fim ao plano maligno. Max reúne uma equipe composta por ele mesmo, 99, Larabee, o agente 13, Hymie e o Major Waterhall (John de Lancie, o Q de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração), e deve confrontar seu antigo rival Siegfried e seu capanga Shtarker se quiser impedir a KAOS de cumprir seus objetivos.

Com clima e piadas bem ao estilo da série, o filme fez um relativo sucesso, principalmente entre os fãs. Animada com a repercussão, a ABC decidiu investir em uma nova série para estrear já no ano seguinte, mas sucessivos atrasos na produção e a saída de Stern do projeto fariam com que ela desistisse. Michael J. DiGaetano e Lawrence Gay, que assumiram a série após a saída de Stern, porém, não desistiriam, insistindo com vários canais até que a Fox aceitasse financiar a nova série.

A nova série estrearia em 15 de janeiro de 1995 na Fox, o que faria com que Agente 86 se tornasse a única série de TV norte-americana a ter episódios inéditos exibidos nos quatro maiores canais de TV aberta dos Estados Unidos (as quatro primeiras temporadas na NBC, a quinta na CBS, o filme na ABC e a série nova na Fox). Para manter a continuidade, ela se chamaria apenas Get Smart, embora alguns fãs se refiram a ela como Get Smart '95, para diferenciá-la da série original. Na nova série, Max é o chefe do CONTROLE, e seu filho, Zach Smart, seu principal agente. No primeiro episódio, Zach e a agente 66 (Elaine Hendrix) recebem a missão de impedir a KAOS, liderada por uma misteriosa mulher (Marcia Mitzman Gaven) de controlar a economia global, o que constitui um arco de história por todos os demais episódios. Outros personagens recorrentes são 99, o agente 13, Siegfried, uma atrapalhada secretária do CONTROLE chamada Trudy (Heather Morgan) e a agente 9 da KAOS (Gabrielle Boni). A nova série não faria muito sucesso, sofrendo com baixa audiência e pesadas críticas desde seu episódio de estreia, o que faria com que ela fosse cancelada após apenas sete episódios.

Em 2008, aproveitando a onda de remakes e reboots que assola Hollywood, a Warner Bros. decidiu fazer uma nova versão cinematográfica de Agente 86, com Steve Carell no papel de Max, Anne Hathaway como 99, Alan Arkin como o Chefe, David Koecher como Larabee, Bill Murray como o agente 13, Terence Stamp como Siegfried, Ken Davitian como Shtarker e Patrick Warburton como Hymie, contando ainda no elenco com Dwayne Johnson como o agente 23 e James Caan como o Presidente dos Estados Unidos. No filme, que estreou em 20 de junho de 2008 e foi dirigido por Peter Segal (de Corra que a Polícia Vem Aí 33 1/3), Max é apenas um analista de sistemas do CONTROLE, promovido a agente e colocado para trabalhar em parceria com 99 após um ataque da KAOS expor a identidade de todos os demais agentes de campo. Max e 99 - que reluta em aceitá-lo como parceiro devido a seu comportamento atrapalhado e espalhafatoso - devem ir até a Rússia, descobrir os planos da KAOS e, então, impedi-los.

O filme foi um sucesso de público, e bastante bem recebido pela crítica. Diante disso, todos ficaram esperando pela sequência, que, até agora, não veio. Carell, Hathaway e Arkin já têm contrato assinado, mas, segundo Carell, estariam esperando aparecer um roteiro digno de ser filmado, para não fazer o segundo filme só por fazer. Só é uma pena que Adams, falecido em 2005 vítima de uma infecção pulmonar, não possa fazer uma ponta.

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