segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Horror no Museu (I)

Lovecraft jamais se adaptou a outro tipo de trabalho. Tudo o que sabia fazer, e tudo do que gostava, era ser escritor. Infelizmente, as histórias que vendia para revistas pagavam muito pouco. Então, para se sustentar, ele acabava tendo de trabalhar como ghost writer: um autor ou editor o procurava com uma premissa e o contratava para escrever uma história, que seria publicada como se tivesse sido escrita por outro autor - como Encerrado com os Faraós, originalmente publicado como de autoria do mágico Harry Houdini. Lovecraft detestava trabalhar como ghost writer, mas os contratos normalmente pagavam mais do que ele conseguia por histórias publicadas como de sua autoria, então, muitas vezes, ele não tinha escolha. Talvez de birra, talvez por não saber fazer de outro jeito, ele acabava inserindo nas histórias dos contratantes todos os elementos característicos de suas próprias histórias, muitas vezes até se distanciando da premissa original, o que fazia com que até mesmo esses ghost writings pudessem ser considerados verdadeiras histórias de Lovecraft.

The Horror in the Museum and Other Revisions foi um livro lançado em 1970 pela Editora Arkham House, com o intuito de reunir esses ghost writings, à época a maioria deles difícil de se encontrar e raramente republicado. Além dos ghost writings, August Derleth, amigo de Lovecraft e editor do livro - que seria publicado um ano antes de sua morte - incluiria também textos escritos por outros autores e revisados por Lovecraft, como os que ele escrevia com R.H. Barlow. O resultado é uma coletânea de histórias de Lovecraft que nem sempre foram identificadas como tal.

Ao todo, The Horror in the Museum and Other Revisions teve três edições. A original, essa de 1970, trazia uma introdução do próprio Derleth e 20 histórias, três das quais (O Prado Verdejante, O Rastejante Caos e Till A' The Seas) nós já vimos por aqui. A segunda edição, também conhecida como "revisada" ou "corrigida", seria lançada em 1989, também pela Arkham House. Essa edição traz um prefácio de S.T. Joshi, um dos maiores estudiosos da obra de Lovecraft e revisor dessa segunda edição, além da introdução de Derleth, 19 das 20 histórias da primeira edição e cinco histórias a mais, uma das quais (The Night Ocean) já vimos aqui. A terceira edição, lançada em 2007 pela Editora Del Rey, possui as mesmas 24 histórias da segunda, mas com uma nova introdução, de Stephen Jones, e uma mini-biografia de Lovecraft.

Tirando as introduções, o prefácio, a biografia e as quatro histórias que já vimos, sobram 21, que veremos a partir de hoje, na ordem em que foram apresentadas na edição original de 1970, com as novas da edição de 1989 ao final. Hoje veremos as primeiras sete, e, em breve - mas não semana que vem - veremos as demais.

Uma última informação antes de começarmos: até onde eu saiba, nenhuma dessas 21 histórias jamais foi publicada oficialmente em língua portuguesa - embora traduções possam ser encontradas na internet. Por isso, farei como no post sobre as histórias que Lovecraft escreveu com R.H. Barlow e as identificarei por seu título original em negrito, seguido de uma tradução feita por mim em itálico e entre parênteses. Dito isso, comecemos!

The Horror at Martin's Beach (O Horror em Martin's Beach) - Em 1924, Lovecraft surpreenderia a praticamente todos os que conhecia, e se casaria com Sonia Haft Greene, uma mulher sete anos mais velha que ele, de família russa e judaica, e dona de uma loja de chapéus em Nova Iorque, cidade para a qual o escritor se mudaria depois de casado. Talvez influenciada pelo marido, Greene, que até então jamais havia escrito nada do qual se soubesse, decidiria se aventurar pelo mundo dos contos de horror. Sua primeira história seria essa, que escreveria em conjunto com Lovecraft em junho de 1922.

Publicada pela primeira vez na Weird Tales, creditada a Lovecraft e Greene e com o título de The Invisible Monster ("o monstro invisível") - sugerido por Farnsworth Wright, editor da revista, que já estava cansado de títulos que começavam com "o horror" - The Horror at Martin's Beach narra a captura por marinheiros de um monstro de quinze metros de comprimento, semelhante a um peixe, mas com membros rudimentares que lembravam mãos e pés, e apenas um único olho no meio da fronte. O capitão do navio decide levar o cadáver da criatura até Martin's Beach, uma cidade de veraneio, e expô-lo aos visitantes, faturando um bom dinheiro. Tudo corre bem até uma fatídica noite, na qual um estranho som é ouvido na praia, e a população corre para ver o que é, imaginando se tratar de um banhista se afogando. A verdade, evidentemente, é muito mais terrível.

The Horror at Martin's Beach apresenta claramente o estilo de Lovecraft, o que leva os estudiosos a crerem que ele só foi observado por Greene enquanto a escrevia, que apenas a linha central da história seria ideia dela, ou que apenas a pediu sugestões durante sua concepção, creditando-a a ambos para tentar iniciar a carreira de escritora da esposa. Greene até acabaria tendo uma razoável carreira literária, mas a imensa maioria de seus textos seriam de não-ficção, principalmente ensaios e editoriais para a revista The Rainbow.

Four O'Clock (Quatro em Ponto) - Deitado em sua cama, um narrador sem nome tenta dormir, aterrorizado pela proximidade das quatro horas da madrugada, hora na qual, segundo uma maldição da qual foi vítima, sua alma será arrastada para o inferno. Enquanto espera para ver se a maldição se concretizará, ele é tomado por estranhos sonhos, motivados pela vista de sua janela, pela qual pode ver o cemitério no qual jaz o homem que o amaldiçoou. Mas seriam suas experiências realmente sonhos causados por seu temor, ou a legítima prova de que a maldição estaria se cumprindo?

Four O'Clock tem autoria atribuída apenas a Sonia Greene, e, segundo ela em uma carta a Winfield Townley Scott, não houve qualquer envolvimento de Lovecraft além de ele tê-la sugerido que escrevesse a história - talvez por isso, essa tenha sido a única história que aparece na primeira edição de The Horror in the Museum and Other Revisions mas não na segunda, já que praticamente nenhum dos estudiosos da obra de Lovecraft a inclui em seu cânone. Alguns fãs, entretanto, contestam a autoria, dizendo que, se for verdade, Greene deve ter incorporado o estilo literário de Lovecraft por osmose, já que nenhum outro autor teria conseguido capturar tão bem a atmosfera lovecraftiana em uma obra sem o envolvimento de Lovecraft. Pesa contra também o fato de Greene jamais ter retornado ao estilo, sendo esta sua única história lovecraftiana - e, de fato, sua última obra de ficção, após The Horror at Martin's Beach e dois poemas.

Também pesam contra Greene a similaridade que Four O'Clock tem com a obra de Poe - sabidamente uma das maiores influências de Lovecraft - e o fato de que, alguns anos mais tarde, Lovecraft escreveria o poema The Messenger, com a mesma temática e bastante parecido com Four O'Clock. Como não há menção nas correspondências e anotações deixadas por Lovecraft a esta história, o debate sobre a autoria parece longe de chegar a um encerramento.

Four O'Clock teria sido escrito em 1922 - a própria Sonia Greene parece não ter certeza quanto à data - mas só seria publicado pela primeira vez em 1949, no livro Something About Cats and Other Pieces, também da Arkham House, uma coletânea de 39 contos, poesias e ensaios escritos ou inspirados por Lovecraft, selecionados por Derleth, que também atribui a autoria de Four O'Clock apenas a Greene - mas, até aí, ele também o faz com The Horror at Martin's Beach.

The Man of Stone (O Homem de Pedra) - Em outubro de 1932, a revista Wonder Stories publicaria uma história chamada The Man of Stone, creditada a uma nova autora, de nome Hazel Heald. Heald jamais havia publicado nada antes, e, ao longo de sua carreira, publicaria apenas outras quatro histórias. Após a morte de Lovecraft, através de relatos de seus amigos, se descobriria que essas histórias teriam passado por ele antes de chegar às revistas.

O quanto Lovecraft teria "ajudado" Heald, entretanto, é motivo de muito debate até hoje. Alguns estudiosos dizem que ele atuava como revisor: Heald o enviava uma história, ele lia e fazia algumas alterações. Outros dizem que ele era um ghost writer: Heald lhe fornecia um enredo, e ele escrevia a história completa, que então era publicada como se fosse dela. Curiosamente, o próprio Lovecraft, em suas cartas, jamais descreve como teria conhecido Heald, ou por que teria decidido revisar suas histórias ou escrevê-las em seu nome. De fato, ele raramente menciona a autora, e, se algum dia escreveu para ela, nenhuma dessas cartas sobreviveu. Há, até, quem alegue que Heald nem existiu, sendo apenas um pseudônimo utilizado por Lovecraft, dizendo que a prova estava no fato de que os amigos de Lovecraft também raramente a citavam, e, em uma carta a August Derleth, Robert E. Howard chega a perguntar "a propósito, quem é Hazel Heald?", ficando sem resposta.

Os defensores da existência de Heald costumam citar os relatos de Muriel E. Eddy, esposa de um dos amigos de Lovecraft. Segundo Muriel, Heald seria membro de um clube de escritoras que ela havia fundado, residente na cidade de Sommerville, Massachusetts. Muriel os teria apresentado em 1932, justamente após ler The Man of Stone, que achou fraca mas com ideia central interessante, recomendando a Heald que deixasse Lovecraft revisá-la. Após começar a trabalhar com ele, Heald, divorciada e já chegando aos 40 anos, se interessaria romanticamente por Lovecraft, mas jamais seria correspondida. O problema com essa versão é que os relatos de Muriel não costumam ser tidos como muito verdadeiros, sendo cheios de histórias que se contradizem quando comparadas com cartas escritas por seus amigos uns para os outros, o que leva alguns estudiosos a crerem que ela não tinha uma boa memória ou simplesmente inventava situações e as descrevia como se fossem verdadeiras.

De toda forma, duas outras cartas enviadas a Derleth parecem confirmar que Heald de fato existia. A primeira, de Paul W. Cook, que não cita Heald em nenhum momento, mas diz que, após visitá-lo na cidade de Athol, vizinha a Sommerville, Lovecraft teria rumado para lá antes de retornar a Providence para participar de um jantar - segundo Muriel, um jantar romântico, no qual Heald tentaria conquistá-lo. A segunda é uma carta da própria Heald, escrita em 1944, na qual diz que escreveu a história e a enviou para Lovecraft, que teria reescrito parágrafos inteiros e a obrigado a reescrever passagens até que ficasse satisfeito com elas. Os defensores de que Heald era um psudônimo de Lovecraft contestam a autenticidade dessa carta.

Hazel Heald sendo real ou não, The Man of Stone foi escrita em meados de 1932, e conta a história de dois amigos, um deles o narrador, que partem para uma pequena e isolada cidade do interior para investigar o relato de um terceiro, que lá teria encontrado uma estátua extremamente realista. O amigo do narrador busca encontrar lá o escultor Arthur wheeler, famoso justamente pelo elevado grau de realismo de suas esculturas, e que teria decidido se isolar na pequena cidade para trabalhar melhor. Mas o que eles encontrariam, como de costume, seria algo bem mais terrível.



Winged Death (Morte Alada) - Ambientada na África - local incomum para uma história lovecraftiana - Winged Death é o diário de Thomas Slauenwite, professor de biologia da Universidade de Columbia. Com raiva de um rival, Henry Moore, que o teria impedido de receber um prêmio com alegações falsas, Slauenwite, de família sul-africana e trabalhando como pesquisador no Quênia, busca uma forma de vingança, e a acaba encontrando quando um dos nativos surge com uma doença incomum, contraída quando caçava em Uganda. Segundo os nativos, o tranmissor da doença, letal se não for propriamente tratada, é uma mosca demoníaca, que absorve a alma de suas vítimas após sua morte. Slauenwite não dá atenção a essa última parte, mas imagina que fazer Moore morrer de uma doença desconhecida contraída por uma picada de uma mosca exótica será uma excelente vingança. Ele, então, captura algumas moscas e, após alguns preparativos, as envia para o rival. As consequências, entretanto, serão nefastas e inesperadas.

Winged Death foi mais uma das histórias que Lovecraft escreveu como ghost writer para Hazel Heald, em meados de 1933. Lovecraft escreveu em seu caderno de anotações que entre 90 e 95% da história são de sua autoria, mas que ele não teria ficado satisfeito com o resultado, não acreditando que a história fosse capaz de chamar atenção. Lovecraft a ofereceu primeiro à Strange Tales, que pagava melhor que a Weird Tales, mas a revista a teria recusado por já ter comprado, poucos dias antes, uma história de outro autor centrada em um inseto assassino. Ele, então, a ofereceria à Weird Tales, que a publicaria em sua edição de março de 1934, mas creditada apenas a Heald.

Vale citar como curiosidade que Winged Death faz menção a dois deuses ancestrais, Tsadogwa e Clulu. Evidentemente, são referências a dois personagens da cosmologia de Lovecraft, Tsathoggua e Cthulhu.

The Loved Dead (Os Mortos Amados) - Escrita em meados de 1923, esta foi a primeira de quatro histórias que Lovecraft escreveria em parceria com C.M. Eddy Jr. Curiosamente, até hoje, a imensa maioria das publicações credita todas as quatro apenas a Eddy, não fazendo qualquer menção a Lovecraft, como se ele não tivesse tido qualquer participação. Diferentemente de outras histórias de Lovecraft, inclusive, nenhuma das quatro é de domínio público, já que as obras de Eddy, falecido em 1967, ainda não o são.

Assim como Lovecraft, Eddy, nascido Clifford Martin Eddy Jr. - pois é, esse Eddy é sobrenome - era natural de Providence, Rhode Island. O primeiro contato entre ambos se daria em 1918, através de correspondências, já que ambos escreviam para a mesma revista, a Weird Tales. Ambos se tornariam amigos e teceriam comentários um sobre as histórias do outro, até decidirem se encontrar e escrever juntos uma mesma história - apesar de morarem na mesma cidade, Lovecraft e Eddy só se conheceriam pessoalmente em 1923, quando Eddy o convidaria para uma tarde em sua casa. Infelizmente, pelos documentos sobreviventes, é impossível saber o quanto dessas histórias era de cada autor, e estudiosos da obra de Eddy normalmente alegam que ele as teria escrito sozinho, com Lovecraft fazendo apenas uma revisão - daí não receber qualquer crédito - embora, especialmente em The Loved Dead, se possa notar claramente o dedo de Lovecraft na atmosfera e na composição de algumas passagens.

O narrador de The Loved Dead é um homem perturbado, que encontra grande satisfação em lidar com coisas relacionada à morte. Esta paixão faz com que ele primeiro se empregue em um necrotério, depois se torne um assassino em massa, e, finalmente, sem outra forma de satisfazer seus desejos, se torne um necrófilo. O círculo de seu envolvimento com a morte se fecha quando, perseguido pela polícia e incapaz de se entregar, ele decide tirar a própria vida.

The Loved Dead é bastante elogiada pela forma como descreve as situações causadas pelo narrador, sempre deixando a maior parte das atrocidades por conta da imaginação do leitor - o que cria um clima bastante perturbador - ao invés de descrever tudo com detalhes sangrentos como era - e ainda é - comum em histórias de terror. Seu tema controverso e final chocante, porém, fariam com que ela quase não fosse publicada. A Weird Tales só aceitaria publicá-la, em sua edição de junho de 1924, por estar passando por graves problemas financeiros, e Eddy, por ter dificuldades em vendê-la, teria aceitado uma quantia irrisória pela história.

Diz a lenda que, devido à natureza da história, vários estados tentaram proibir a circulação da Weird Tales, o que poderia ter sido o golpe de misericórdia na já combalida revista, mas acabou tendo o efeito contrário: a curiosidade dos leitores, aumentada cada vez mais pelos boatos de proibição, fariam com que essa edição tivesse uma vendagem recorde, salvando a revista do buraco e garantindo sua sobrevivência. Verdade ou não, o fato é que os esforços em proibir a circulação da revista teriam falhado, mas teriam impressionado Lovecraft, que evitaria tocar no tema dali por diante.

Deaf, Dumb, and Blind (Surdo, Mudo e Cego) - Richard Blake, um escritor surdo, mudo e cego, se muda para uma cabana nos arredores da cidade de Fenton, Nova Iorque, em busca de inspiração. Originalmente, a cabana pertencia a Simeon Tanner, que em 1819 foi encontrado morto com uma expressão horrenda em sua face - tão horrenda que faria com que o povo da cidade decidisse queimar o corpo, junto com todos os livros e papéis encontrados na casa. Blake originalmente se muda em companhia de seu criado, Dobbs, mas, após um incidente, Dobbs foge, deixando o escritor sozinho. Blake, então, passa a registrar em um diário todas as situações bizarras que pressente na casa - diário este cuja última passagem revela que o escritor não estava exatamente sozinho.

Deaf, Dumb, and Blind foi mais uma história escrita em conjunto por C.M. Eddy Jr. e Lovecraft, mas que atualmente é atribuída apenas a Eddy. Em uma carta a Derleth, Eddy diz que Lovecraft não teria gostado do último parágrafo, e, após muitas tentativas de Eddy e muitas discussões sobre o assunto, teria concordado em reescrevê-lo. Esse depoimento faz com que alguns estudiosos imaginem que todo o texto é de Eddy, exceto o último parágrafo, enquanto outros alegam que Lovecraft teria revisado toda a história, e reescrito o último parágrafo por completo. Estudiosos de Lovecraft apontam semelhanças entre o final dessa história e o de O Depoimento de Randolph Carter, bem como semelhanças entre uma de suas passagens e uma de O Horror de Dunwich.

Escrita em meados de 1924, Deaf, Dumb, and Blind seria originalmente publicada na Weird Tales, edição de abril de 1925.

The Ghost-Eater (O Devorador de Fantasmas) - Esta é mais uma das histórias escritas em conjunto por C.M. Eddy Jr. e Lovecraft e atualmente atribuídas apenas a Eddy, o que, nesse caso é bastante curioso, visto que várias fontes, inclusive cartas escritas por Lovecraft para a esposa de Eddy, Muriel, sugerem que ou Lovecraft teria escrito toda a história, a pedido de Eddy, ou Eddy teria escrito apenas um rascunho inicial, a partir do qual Lovecraft teria desenvolvido a história e, mais tarde, a revisado. Estudiosos também apontam que a história possui várias semelhanças com Medusa's Coil, outra que Lovecraft teria escrito como ghost writer.

O narrador de The Ghost-Eater é um comerciante de Mayfair, Maine, que precisa chegar à cidade vizinha de Glendale, mas não encontra meio de transporte. Como as cidades não são tão distantes assim, ele decide ir a pé, mas a noite o pega no meio da floresta. Após dormir um pouco ao relento, ele acorda com a sensação de que vai chover, e busca abrigo. Acaba encontrando uma bela casa de dois andares, onde é recepcionado por um homem estrangeiro.

Como está carregando uma vultosa soma em dinheiro, o narrador decide passar a noite não na cama, mas em uma cadeira próxima, atento a eventuais barulhos que possam indicar que o dono da casa deseja roubá-lo. O roubo não acontece, mas, durante a noite, seu quarto recebe duas visitas, que ele julga ser um fantasma e um lobisomem. Nenhum dos dois lhe faz mal, porém, e, no dia seguinte, ele consegue chegar até Glendale, onde é informado que, de fato, o dono da casa era um russo, suspeito de ser lobisomem e de ter matado um hóspede, mas que isso havia acontecido há muito tempo, e que a casa havia sido queimada após o evento.

The Ghost-Eater foi escrita no final de 1923, provavelmente simultaneamente ou logo depois de The Loved Dead. Sua primeira publicação ocorreria na Weird Tales, edição de abril de 1924.

Para terminar por hoje, vale citar que tanto Lovecraft quanto Eddy eram ghost writers de Harry Houdini, e estavam, inclusive, trabalhando juntos em uma história que seria publicada como sendo do mágico, mas sua morte, em 1926, faria com que o projeto fosse abandonado.

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