quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Polo

Embora eu nunca tenha estabelecido prazos para falar sobre assunto algum, na minha cabeça o átomo tem duas espécies de data-limite: o final do ano e os posts múltiplos de 50. Como eu comecei a escrever o blog no mês de março, e um ano tem por volta de 52 semanas, elas nunca se encontraram, mas o efeito que causam em mim é o mesmo: todo final de ano eu fico imaginando sobre quais assuntos eu gostaria de falar antes de o ano acabar, e sempre que um post múltiplo de 50 se aproxima, eu fico imaginando sobre quais assuntos eu gostaria de falar antes que ele chegasse. É psicológico, e eu não consigo evitar.

Este ano, por exemplo, eu decidi que, antes de o ano acabar, eu gostaria de falar de polo, aquele esporte que usa cavalos, e que também está na lista dos esportes nos quais o Brasil é muito bom, mas aparentemente ninguém sabe. Eu até já vi jogos de polo sendo transmitidos na ESPN, mas eram todos do campeonato argentino. Por que não se transmitem os jogos do campeonato brasileiro, ou jogos internacionais dos quais o Brasil participe, é uma incógnita. Já me disseram que é porque o polo é um "esporte de gente rica", mas o mesmo pode ser dito do hipismo, do golfe e da vela, e desses todo mundo gosta de falar. E olha que nem tem brasileiros de destaque no golfe.

Enfim, seja como for, vamos ao post do "jogo dos cavalinhos", como fala uma amiga minha - que também costuma trocar os nomes polo e hóquei, embora isso não venha ao caso - porque sempre se pode aprender coisas interessantes com posts sobre esportes. Aliás, com qualquer post. Mas isso também não vem ao caso.

O polo é disputado ao ar livre, em um campo gramado de 140 a 180 metros de largura por 275 metros de comprimento - que é provavelmente o maior campo de todos os esportes coletivos, equivalente a mais ou menos nove campos de futebol. Ao longo das linhas laterais, há uma mureta de madeira, de 15 a 28 cm de altura, que impede a bola de sair. Centralizados nas linhas de fundo ficam os gols, postes de 3 metros de altura, um a 7,3 metros do outro. Estes postes não são fixos, para evitar acidentes em caso de esbarrões dos cavalos neles. Também não há mureta ao longo da linha de fundo; se a bola sair por ela, o time que não tocou nela por último terá a posse, com a bola posicionada sobre a linha no local onde saiu. Para marcar um gol, basta que o jogador lance a bola por entre os postes do gol, a qualquer altura. Curiosamente, a cada gol os jogadores trocam de lado, para que fatores como sol e vento não influenciem o resultado da partida.

Cada time de polo conta com quatro jogadores, que vestem camisetas numeradas de 1 a 4, com esta numeração podendo ser em algarismos arábicos (1, 2, 3, 4) ou romanos (I, II, III, IV). O polo é um esporte misto, que pode ser disputado simultaneamente por homens e mulheres, em equipes só de homens, só de mulheres, de três mulheres e um homem, de três homens e uma mulher, ou de dois homens e duas mulheres. Para assegurar que os times sejam o mais equilibrados possível, o polo utiliza um esquema de handicap: cada jogador recebe uma nota entre -2 e 10, baseada em sua habilidade como cavaleiro, habilidade como jogador de polo, conhecimento das regras do jogo, capacidade de trabalho em equipe e capacidade de estratégia - ou seja, quanto mais valioso um jogador for para seu time, mais alto será seu handicap. Antes de cada partida, os handicaps de todos os jogadores de um time são somados, para se determinar o handicap do time, e o time com menor handicap recebe uma vantagem em gols, calculada através de uma fórmula, com resultados quebrados sendo arrendodados para "meio gol" - assim, é possível uma partida já começar 0,5 x 0, 1 x 0, ou até mesmo 1,5 x 0 para um dos times. A maioria dos torneios também possui handicaps mínimo e máximo, com jogadores abaixo ou acima desses valores sendo impedidos de participar. Quase todos os jogadores em atividade no mundo hoje têm handicap entre -2 e 2, com valores mais altos que isso sendo extremamente raros.

Jogadores de polo também são altamente especializados, pois suas funções no campo são bem específicas de acordo com a posição em que jogam. O jogador que veste o número 1 é o de maior atuação ofensiva, responsável por marcar a maioria dos gols, embora isso não queira dizer que ele seja considerado o melhor do time. O número 2 também tem veia ofensiva, e costuma marcar gols, embora suas principais funções sejam roubar a bola do adversário e passá-la para o 1, e marcar o número 3 do time adversário. Se o time tiver outro jogador forte, pode colocar o melhor para jogar como número 2, mas o normal é que o melhor jogador do time atue como número 3. O número 3 é responsável pela estratégia do time, por passar as bolas para o número 2 e o número 1, e por impedir que os números 1 e 2 do adversário concluam suas jogadas ofensivas. Finalmente, o número 4 é o jogador mais defensivo do time, responsável por marcar o número 1 adversário, dar cobertura ao número 3 durante um ataque do oponente, e tentar evitar os gols.

Os cavalos utilizados para a prática do polo podem ser de qualquer raça e ter qualquer altura, mas devem enxergar perfeitamente com os dois olhos, e não podem apresentar comportamento que possa resultar em perigo para os jogadores durante o jogo - como empinar de repente se assustado. Cavalos de polo são treinados desde os três anos de idade, para responder suavemente não somente ao comando nas rédeas, mas também a movimentos dos pés e até do corpo do jogador. Um bom treinamento é fundamental, pois o cavalo representa de 60 a 75% da importância do conjunto para o time. Cavalos de polo costumam ter vida esportiva longa; se não sofrerem nenhum acidente, podem jogar dos 6 aos 20 anos de idade. Como o esporte é muito desgastante para eles, porém, é inviável que um jogador passe toda a partida com o mesmo cavalo, sendo o normal que cada jogador leve para o jogo entre 4 e 8 montarias, o que cria uma situação curiosa: no polo, é proibido substituir um jogador, mas um cavalo pode ser substituído a qualquer momento.

Além do cavalo, o equipamento do polo inclui botas de montaria, calças de montaria na cor branca, uma camisa colorida com o número do jogador bem visível às costas e opcionalmente nas mangas, e um capacete de montaria, além de luvas, munhequeiras, joelheiras e máscara protetora opcionais. O único equipamento obrigatório para os cavalos são caneleiras, normalmente na mesma cor das camisas do time, e ferraduras especiais, mas há uma série de itens proibidos, desde antolhos a ferraduras com anel externo. Cada jogador também porta uma marreta, feita de madeira, com cabo entre 1,22 e 1,37 m de comprimento e peso entre 160 e 240 gramas, com uma alça na ponta que fica em volta do punho do jogador, e cabeça cilíndrica de 24 cm de comprimento e 4,5 cm de diâmetro. Antigamente, o polo era jogado com bastões cilíndricos ou tacos semelhantes aos do hóquei, mas a marreta permite um maior controle da bola com menos esforço por parte do jogador. Existe uma enorme variedade de marretas disponíveis, com diferentes comprimentos, pesos, formatos de cabeça e até mesmo flexibilidade do cabo; cada jogador é livre para escolher a marreta que melhor lhe serve, e pode até trocar de marreta durante o jogo, embora apenas possa fazer isso nos intervalos ou quando troca de cavalo. Alguns jogadores preferem usar marretas de comprimentos diferentes de acordo com a altura do cavalo que estão montando, enquanto outros preferem usar marretas sempre do mesmo comprimento, inclinando mais o corpo se o cavalo for mais alto. Duas curiosidades envolvem o uso das marretas de polo: em primeiro lugar, os jogadores não batem na bola com a parte "redonda" da cabeça da marreta, mas sim com sua lateral, o que, por incrível que pareça, proporciona maior controle da bola - além de menor desgaste da cabeça da marreta. Em segundo lugar, desde 1975 é obrigatório que todos os jogadores segurem a marreta com a mão direita e as rédeas com a mão esquerda, para evitar acidentes. Esta regra fez com que o número de jogadores de polo canhotos caísse assustadoramente, com uma estimativa de que, de todas as centenas de jogadores profissionais registrados na FIP, apenas três sejam canhotos. A bola do polo é branca, feita de plástico duro, tem entre 76 e 89 mm de diâmetro, e pesa de 120 a 135 gramas.

Um jogo de polo dura seis tempos, chamados chukkers, de sete minutos cada. Entre um chukker e outro, há um intervalo de três minutos, exceto entre o terceiro e o quarto chukker, quando há um intervalo de dez minutos. Quando falta um minuto para cada chukker começar, e trinta segundos para cada chukker acabar, soa um sino, e no início e final de cada chukker soa uma sirene. O relógio não para, exceto em caso de quebra de equipamento ou lesão de jogador ou cavalo. É possível um jogo de polo terminar empatado, mas, se for um jogo que não puder terminar empatado, como a final de um campeonato, após o tempo normal é jogado um chukker extra; persistindo o empate, são jogados sucessivos chukkers extras, mas com os postes dos gols agora espaçados 14,6 metros e morte súbita, ou seja, o time que marcar primeiro vence a partida. Uma partida de polo é oficiada por três árbitros, sendo dois a cavalo e um a pé, acompanhando o jogo da linha lateral. Um dos árbitros a cavalo é considerado o principal, e tem a palavra final em todas as marcações.

O polo é um dos esportes cujos registros são mais antigos. Ele se originou na Pérsia, por volta do Século VI a.C., como um treinamento para as cavalarias do exército persa. Na época, como de costume, o esporte era praticado por times de mais de cem pessoas de cada lado, em campos que abrangiam cidades inteiras. Curiosamente, há registros tanto de homens quanto de mulheres jogando polo, em times mistos ou não. O polo permaneceu como um esporte persa até as conquistas árabes, quando então se espalhou por todo o Oriente Médio. Para os árabes, inclusive, o polo se tornou tão famoso e tão importante que seus bastões foram escolhidos para representar um dos naipes do baralho.

Do Oriente Médio, o polo foi levado para a Índia e China, onde também se tornou extremamente popular, com várias pinturas da Idade Média retratando partidas entre nobres locais. Foi lá, inclusive, que ele ganhou seu nome: "polo" é uma corruptela de pulu, palavra tibetana que significa "bola". Embora o jogo na Índia, mais precisamente em Manipur, fosse conhecido como Sagol Kangjei, o nome pulu também era muito utilizado, e foi esse, talvez por ser mais fácil, que acabou pegando entre os soldados britânicos que começaram a praticá-lo na época da colonização.

O jogo que os soldados britânicos encontraram em Manipur ainda não era o polo como praticado hoje, mas já era bem diferente do praticado na Pérsia em tempos imemoriais, com menos gente e campos menores. Também já não era, como no início, um esporte restrito aos militares ou aos nobres; qualquer um que possuísse um cavalo podia disputar as partidas. Quando o esporte já estava bastante popular dentre os britânicos, eles decidiram fundar o primeiro clube de polo do mundo, o Calcutta Polo Club, de 1862, e usá-lo para "exportar" o jogo para o Reino Unido. Sendo apaixonados por esportes e por cavalos, não é de se surpreender que os britânicos tenham adorado o polo, ajudado a espalhá-lo pelo resto do mundo, e codificado suas regras, em 1875, através da Hurlingham Polo Association, que até hoje é o órgão máximo do polo no Reino Unido e na Irlanda.

Quando os britânicos começaram a disputar o polo, fizeram mais algumas alterações em suas regras, não somente para deixar o jogo mais a seu gosto, mas também para torná-lo mais seguro e menos desgastante para os cavalos - o polo disputado em Manipur, por exemplo, tinha sete de cada lado, e permitia trombadas entre os jogadores, que podiam levar a bola nas mãos, além de conduzi-la pelo chão com os bastões. De 1875 para cá, as regras permaneceram basicamente as mesmas, sofrendo algumas alterações de tempos em tempos, sempre visando a segurança e a integridade física dos jogadores e de seus animais. Hoje, o órgão máximo do polo é a Federação Internacional de Polo (FIP), que foi fundada apenas em 1983, surpreendentemente tarde para um esporte tão antigo. Além de organizar torneios internacionais, a FIP promove eventos para incentivar a prática do polo entre pessoas de todas as idades, treina árbitros e técnicos do esporte, e é responsável pela versão mais atualizada das International Rules of Polo, a versão oficial das regras do esporte. Devido à tradição, sempre que as regras são alteradas, deve haver consenso entre a FIP, a Hurlingham Polo Association, a Asociación Argentina de Polo e a United States Polo Association. A FIP conta hoje com 80 membros, dentre eles o Brasil, que é considerado uma das potências do esporte, junto à Argentina, Estados Unidos e Inglaterra.

A competição mais importante do polo internacional é o Campeonato Mundial, disputado desde 1987, primeiro a cada dois anos, depois a cada três, e atualmente a cada quatro. O Brasil é tricampeão mundial, e atualmente detém o vice-campeonato, após ter perdido para o Chile a final do torneio de 2008. Nosso país possui ainda outro vice-campeonato, em 1998, e foi terceiro lugar na edição inaugural do evento. Além do Brasil e do Chile, apenas dois outros países já subiram ao local mais alto do pódio, a Argentina, que também tem três títulos, e os Estados Unidos, que têm unzinho só. O polo também já foi esporte olímpico, tendo sido disputado nas Olimpíadas de 1900, 1908, 1920, 1924 e 1936. Dois dos ouros foram conquistados pela Argentina, dois pela Grã-Bretanha, e o de 1900 por uma equipe mista de jogadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, algo permitido na época. O polo ainda está na lista dos esportes reconhecidos pelo COI, que podem pleitear um lugar em uma futura Olimpíada, mas não tem feito muita campanha neste sentido recentemente.

De uns tempos para cá, o polo começou a ser jogado também em arenas, em uma variedade que atualmente é chamda de arena polo ou polo indoor. O polo indoor segue basicamente as mesmas regras do polo tradicional, mas o campo de jogo é menor (90 por 45 metros), assim como o gol (3 metros de largura por 3,65 de altura), o jogo é mais curto (quatro chukkers), tem menos gente (três jogadores de cada lado), e uma regra de que nenhum cavalo pode jogar dois chukkers seguidos. A bola também é diferente, sendo feita de couro e inflada, com 11,4 cm de diâmetro. O polo indoor não é regulado pela FIP, e apresenta algumas variações entre as regras das versões jogadas nos Estados Unidos e na Europa.

Como o traço mais característico do polo é que seus jogadores atuam montados em cavalos, todo tipo de esportes onde os jogadores atuam montados em animais ou veículos acabou ganhando também um nome com "polo" - o que, por sua vez, fez com que algumas pessoas passassem a chamar o polo de "polo a cavalo", nome que eu, particularmente, acho meio esquisito. Assim, temos o polo a elefante, disputado no Nepal, Sri Lanka, Tailândia e Rajastão; o polo a iaque, muito popular na Mongólia; o Segway polo, que usa aquele meio de transporte elétrico de duas rodas que prometeu revolucionar a forma como nos locomovemos; e dois outros, dos quais eu vou falar aqui.

O primeiro é o polo a canoa, um dos esportes mais divertidos que eu já assisti - no YouTube, porque, infelizmente e como sempre, nenhum canal daqui se interessa em transmitir esses esportes mais diferentes. Eu descobri o polo a canoa quando descobri os World Games, e até já falei um pouco sobre ele no BLOGuil. Em comum com o polo, ele só tem o nome, mas, como eu disse, basta que se esteja montado em alguma coisa para que um esporte seja chamado de polo.

O polo a canoa pode ser jogado em piscinas ou em corpos d'água ao ar livre, como lagoas e represas, em uma área demarcada por boias e raias. Esta área possui 35 metros de comprimento por 23 de largura, e um "gol" em cada extremidade, centralizado com a linha de fundo. Boias marcam também o meio da área de jogo e duas linhas imaginárias, uma a 4,5 m do gol, outra a 6 m. Cada gol é um quadrado de 1 por 1,5 metro, suspenso a 2 metros de altura; para marcar um gol, o jogador deve jogar a bola por dentro deste quadrado, que é vazado. A bola é amarela, feita de nylon revestido com borracha, mede 70 cm de circunferência, pesa entre 400 e 450 gramas, e é inflada a entre 5 e 7 PSI, o que permite que ela flutue facilmente, sem afundar, e possa ser manuseada com apenas uma das mãos sem dificuldades.

Cada time de polo a canoa conta com cinco jogadores, cada um sentadinho em um caiaque, sendo que, normalmente, cada time usa caiaques de uma mesma cor. A posição de goleiro não é fixa, podendo atuar como goleiro qualquer jogador que estiver próximo do gol, desde que a popa de seu caiaque esteja tocando ou ultrapassando a linha de fundo - e, evidentemente, apenas um jogador pode atuar como goleiro de cada vez. Cada time também conta com três reservas, que podem entrar no jogo a qualquer momento, desde que seu caiaque só cruze a linha lateral depois que o caiaque do jogador que está sendo substituído tiver saído totalmente da área de jogo. Além do caiaque, o equipamento de jogo inclui calças de neoprene, coletes salva-vidas, luvas, um capacete com grade e, logicamente, um remo, de 1,7 metro de comprimento e lâmina de um único lado. Os remos são reforçados, feitos de fibra de carbono e kevlar, pois são muito exigidos durante o jogo. Os caiaques também costumam ter estrutura reforçada, para aguentar os inúmeros esbarrões da partida.

Cada partida dura dois tempos de 10 minutos cada, separados por um intervalo de 3 minutos, com troca de lado dos jogadores no início de cada tempo. No início de cada tempo, todos os jogadores ficam com os caiaques sobre suas respectivas linhas de fundo, até um dos árbitros jogar a bola no meio da área de jogo. Todos os jogadores saem então remando desesperados em sua direção, e, quem conseguir pegá-la primeiro, ficará com ela. No polo a canoa os jogadores conduzem a bola com as mãos ou com os remos, com uma regra que impede que a bola seja carregada com as mãos por mais de cinco segundos, quando deve ser arremessada a pelo menos um metro de distância do jogador que a carregava. Qualquer contato físico é proibido - especialmente bater com o remo em outro jogador ou em seu caiaque - e qualquer contato entre dois caiaques também, exceto no espaço entre a linha de 6 metros e o gol, quando os caiaques podem se tocar sem problemas. O jogador que está atuando como goleiro pode usar seu remo para tentar impedir a bola de passar pelo gol, e ele, seu remo e seu caiaque não podem ser tocados por nenhum outro jogador enquanto ele estiver como goleiro. Uma bola que saia da área de jogo pertencerá ao time que não tocou nela por último, com a posse no local onde ela saiu, não importando se foi pela linha de lado ou de fundo.

Uma partida de polo a canoa conta com dois árbitros, que acompanham o jogo do lado de fora, caminhando ao longo das linhas laterais. Ambos têm a mesma autoridade para marcar faltas e anotar gols, que são registrados por uma mesa, que cuida do placar e do tempo de jogo. Faltas normalmente são punidas com arremessos livres para o gol do local onde a falta ocorreu, mas faltas mais graves podem ser punidas com um pênalti, arremessado da linha de 4,5 m, com direito a goleiro para tentar defender; com um cartão amarelo, que remove o jogador por dois minutos, durante os quais o time fica com um a menos; ou com um cartão vermelho, que remove o jogador do jogo - outro pode entrar em seu lugar após dois minutos, mas ele não poderá mais voltar. Existe ainda o cartão verde, que serve como advertência. Ao final dos vinte minutos de jogo, o time com mais gols será o vencedor; empates teoricamente são possíveis, embora raros, e jogos que não possam terminar empatados são resolvidos com prorrogações sucessivas de 5 minutos cada e morte súbita.

O polo a canoa foi inventado em 1926, na Alemanha, como uma espécie de futebol com caiaques, com inclusive 11 de cada lado e uma área de jogo de 120 por 50 metros. Já no ano seguinte ele sofreu modificações para seu primeiro jogo oficial, e, ao longo do tempo, foi sofrendo mais e mais mudanças, até que, em 1991, chegou à forma como é disputado hoje. Desde 1989, o esporte é regulado pela Federação Internacional de Canoagem (ICF), mesmo órgão responsável pela canoagem em velocidade e canoagem slalom que fazem parte das Olimpíadas, o que, em teoria, permitiria que o polo a canoa fosse incluído como modalidade da canoagem, o que é muito menos complicado do que entrar como um esporte novo. Antes de colocá-lo nas Olimpíadas, porém, a ICF pretende espalhar o esporte pelo mundo e desenvolvê-lo, já que hoje ele é disputado apenas em pouco mais de 20 países, sendo os principais a Alemanha - que possui mais de 100 clubes de polo a canoa, e um forte campeonato nacional - Austrália, Grã-Bretanha, Holanda, França, Bélgica, Espanha e Suíça.

Enquanto aguarda seu lugar nas Olimpíadas, o polo a canoa participa dos World Games, tendo feito parte do programa das duas últimas edições, nas modalidades masculina e feminina. A mais importante competição do esporte, porém, é o Campeonato Mundial, disputado a cada dois anos desde 1994. No masculino, o maior vencedor é a Austrália, com três títulos, seguida de Grã-Bretanha e Holanda, com dois, e França, com um. No feminino, Alemanha e Grã-Bretanha têm três titulos cada, e a Austrália outros dois. O Brasil jamais conseguiu resultados expressivos no Mundial, mas já sediou o evento, em 2000, quando ele foi realizado em São Paulo.

O segundo "polo variante" do qual eu falarei hoje é o ciclopolo, o polo jogado com bicicletas. Curiosamente, eu conheço este esporte desde criança - vi uma figura em uma enciclopédia lá de casa quando tinha uns sete anos, e achei muito curioso um esporte onde cada jogador tinha uma bicicleta, por isso nunca mais o esqueci - mas, depois de adulto, descobri que ele não é tão famoso assim, e que, na verdade, pouca gente o conhece.

O ciclopolo foi inventado na Irlanda, em 1891, pelo ciclista aposentado Richard J. Mecredy. Da Irlanda, ele chegou à Grã-Bretanha e França, onde atingiu o ápice de sua popularidade na década de 1930. Depois da Segunda Guerra Mundial, o interesse pelo esporte foi caindo na Grã-Bretanha, mas se manteve forte na França, que possui um disputado campeonato nacional até hoje. Na década de 1960, o ciclopolo chegou à Índia, e mais tarde aos Estados Unidos e Canadá. Estes três países são considerados as maiores potências do esporte atualmente.

O ciclopolo é jogado em um campo gramado, parecido com o do futebol, de 120 a 150 metros de comprimento por 80 a 100 de largura. Os gols, centralizados nas linhas de fundo, são parecidos com os do polo, mas com 2,5 metros de altura, e espaçados apenas 4 metros. Cada time é composto de quatro jogadores em campo, com as mesmas funções do polo, e dois reservas, que podem entrar no jogo a qualquer momento, mas apenas depois que o jogador que está sendo substituído sair totalmente do campo. A bola é feita de boracha e inflada, com entre 30 e 38 cm de circunferência e 170 a 182 gramas de peso, e para conduzi-la os jogadores usam marretas idênticas às do polo, mas que podem ser feitas de alumínio e têm um cabo mais curto, com apenas 1 metro. Os jogadores também podem, opcionalmente, usar capacetes, do mesmo estilo usado pelos ciclistas, e luvas. As bicicletas, camisetas e marretas do ciclopolo costumam ser bastante coloridas, para melhor identificação dos jogadores; curiosamente, porém, os capacetes costumam ser brancos ou pretos. Também é interessante notar que todos os jogadores devem ter ambos os pés nos pedais em todos os momentos; um jogador pode até apoiar o pé no chão, mas não pode participar do jogo enquanto o estiver fazendo.

Uma partida de ciclopolo dura quatro chukkers de 7 minutos e 30 segundos cada, com um intervalo de três minutos entre o primeiro e o segundo e entre o terceiro e o quatro chukkers, e de 5 minutos entre o segundo e terceiro chukkers. O relógio para toda vez que a bola sai de jogo, em caso de cobrança de pênalti, e toda vez que um time marca um gol, voltando a correr quando o outro time der a saída. Caso o jogo não possa terminar empatado, o último chukker tem duração de 8 minutos, e, persistindo o empate, são jogados sucessivos chukkers extras de 7 minutos e meio cada, mas com os gols espaçados 8 metros e morte súbita. O ciclopolo também tem uma regra interessante segundo a qual, caso um jogador cometa uma falta deliberada ou perigosa para evitar um gol, o outro time ganha um gol automático, mesmo que a bola não tenha entrado. Assim como o polo, o ciclopolo é oficiado por três árbitros, dois montados em bicicletas e um a pé acompanhando o jogo das laterais.

O ciclopolo é regulado pela Federação Internacional de Polo a Bicicleta (IBPF), que é filiada à União Ciclística Internacional, o órgão máximo do ciclismo. A IBPF foi fundada em 1996 pela união das federações de ciclopolo dos Estados Unidos, Canadá e Índia, e se filiou à UCI em 2001, quando esta passou a considerar o ciclopolo como esporte ciclístico - e, dizem, tentou tirar da IBFP a autoridade sobre o jogo, para passar também a regulá-lo. Como o ciclopolo não é lá muito famoso, a IBPF tem apenas 24 membros, sendo que o Brasil não está entre eles.

A mais importante competição do ciclopolo é o Campeonato Mundial, disputado pela primeira vez em 1996, depois anualmente entre 1999 e 2004, e pela última vez em 2006 - por falta de interesse de países-sede e participantes, o Mundial se encontra em suspenso, embora outros campeonatos envolvendo seleções nacionais ainda sejam praticados. O maior vencedor dos Mundiais é a Índia, que ganhou as quatro primeiras edições, seguida do Canadá, que tem três títulos, e dos Estados Unidos, com um. Além deles, somente a França subiu ao pódio, com dois vice-campeonatos e três terceiros lugares. O ciclopolo também já quase foi esporte olímpico, já que uma partida entre Irlanda e Alemanha, com vitória da primeira, foi disputada durante as Olimpíadas de 1908, não sendo aceita como parte do programa dos Jogos pelo COI posteriormente. Chegar à Olimpíada hoje, porém, é um sonho distante, principalmente porque a IBPF ainda não é uma federação reconhecida pelo COI.

Da década de 2000 para cá, o ciclopolo vem sendo cada vez menos praticado, sendo o principal motivo alegado a falta de campos apropriados para disputá-lo. Em contrapartida, vem ganhando terreno uma variedade conhecida como hardcourt bike polo, algo como "polo a bicicleta em quadra dura". Esta variedade ainda não tem regras codificadas ou federação internacional, e é disputada por times de 3 a 5 jogadores, sem reservas, em quadras de tênis, poliesportivas, ou qualquer outro espaço disponível. Uma partida dura 10 minutos ou até que um time faça cinco gols, o que acontecer primeiro. Curiosamente, os gols só valem se a bola for acertada com a parte redonda da marreta. A ascenção do hardcourt bike polo é vista pela IBPF como um dos maiores entraves ao desenvolvimento do ciclopolo, mas suas ações buscando fazer os jogadores trocarem a nova versão pelo jogo original não vêm surtindo efeito.

Além desses polos todos, existe também o polo aquático, que não tem nada a ver com isso, já que ninguém atua montado em nada. E, por isso mesmo, não cabe neste post, e terá de esperar uma próxima ocasião.

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