E hoje é dia da quarta e última parte do post sobre James Bond! Após quase três décadas de sucessos no cinema, a década de 1990 não começava muito boa para o agente 007. Para começar, pouco após a estréia de Licence to Kill, em 1989, tiveram início várias batalhas judiciais, motivadas pela intenção da MGM de vender os direitos de distribuição de todos os filmes de James Bond para a francesa Pathé, que então os comercializaria para exibição em TVs de todo o mundo, algo com o qual a EON não concordou. Pouco depois, em 1991, faleceria Richard Maibaum, roteirista de 13 dos 16 filmes da série. Albert R. Broccoli, o produtor da série, teria graves problemas de saúde, que fariam com que ele se afastasse da produção do 17o filme, e acabariam culminando em seu falecimento, em 1996. Ainda em 1991, a União Soviética deixaria de existir, acabando com a Guerra Fria, principal componente dos filmes de agente secreto. Para completar, em 1994, Timothy Dalton, que assinara um contrato para três filmes, o romperia devido à demora para iniciar as filmagens do novo projeto, o que deixaria a EON mais uma vez procurando por um novo Bond.
Desta vez, porém, eles procuraram pouco. Assumindo a produção, Barbara Broccoli, filha de Albert, e Michael G. Wilson, co-produtor dos últimos três filmes, decidiram contratar Pierce Brosnan, 42 anos, que já havia sido considerado para o papel quando Roger Moore deu lugar a Dalton. Barbara e Wilson também escolheram para a direção o neozelandês Martin Campbell, sem nenhum grande sucesso no currículo, mas considerado bastante promissor. Finalmente, para aproveitar a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, os produtores decidiram fazer do novo filme uma "modernização" de Bond - já considerado por muitos críticos como "ultrapassado" e "sem lugar no mundo atual". Assim surgiu GoldenEye.
GoldenEye (no Brasil, 007 contra GoldenEye), não era exatamente um reboot, mas se preocupava em trazer um Bond ainda no auge da carreira para a década de 1990, com todas as mudanças que ela pudesse representar para a vida de um agente secreto. Embora os filmes anteriores não tenham sido oficialmente desconsiderados, todo o elenco principal foi renovado, à exceção de Desmond Llewelyn, que, aos 81 anos, repetiu o papel de Q. M, por outro lado, seria interpretado pela famosíssima atriz Judi Dench, na primeira vez em que o chefe do MI6 seria mostrado como sendo uma mulher. Para o papel de Moneypenny, secretária de M, foi escolhida uma atriz com um nome no mínimo curioso, Samantha Bond.
GoldenEye foi o primeiro filme da série totalmente dissociado da obra de Ian Fleming, já que não usa absolutamente nenhum dos elementos - nem o título - dos livros escritos por ele. Talvez por isso, o título foi uma espécie de homenagem a Fleming, já que é o nome de sua casa de praia na Jamaica. O tal GoldenEye do filme, inclusive, não é uma pessoa, mas um satélite, capaz de emitir um pulso eletromagnético que destrói qualquer equipamento eletrônico em sua área de atuação. No filme pode não haver Guerra Fria, mas os russos continuam fazendo das suas, vendendo o tal satélite para um sindicato do crime, que planeja usá-lo para destruir Londres e iniciar um colapso financeiro. O homem por trás de tal plano é ninguém menos que Alec Trevelyan (Sean Bean), ex-agente 006 e amigo de Bond, que forjou sua própria morte antes de fundar o sindicato, auxiliado pela assassina Xenia Onatopp (Famke Janssen), que possui o desagradável hábito de estrangular suas vítimas com as coxas, e pelo programador Boris Grishenko (Alan Cumming), que trabalhava no projeto GoldenEye. Sem saber que enfrentará um ex-colega, Bond é enviado para deter os criminosos, e para tal tarefa contará com a ajuda, como de costume, de uma Bond Girl, Natalya Simonova (Izabella Scorupco), gênio da informática e sobrevivente de um ataque do GoldenEye. Bond também terá a ajuda de um agente da CIA, Jack Wade (Joe Don Baker), também enviado para deter o sindicato, e do ex-agente da KGB Valentin Zukovsky (Robbie Coltrane), que o ajuda a encontrar Trevelyan.
GoldenEye estreou em novembro de 1995, primeiro nos Estados Unidos, e quatro dias depois no Reino Unido. Apesar de ter recebido algumas críticas desfavoráveis, foi considerado um grande sucesso, eleito um dos melhores filmes da série, e rendeu um bom dinheiro: com orçamento de 58 milhões de dólares, rendeu quase 351 milhões, sendo 106 milhões só nos Estados Unidos, e 26 milhões só no primeiro fim de semana. Com música-tema composta por Bono e The Edge, do U2, e cantada por Tina Turner, GoldenEye também foi o primeiro filme de Bond a usar efeitos especiais gerados por computação gráfica, e o primeiro a ser adaptado para um video game, e um por sinal muito bom.
O enorme sucesso de GoldenEye, além de provar que Bond poderia sobreviver nos anos 1990, colocou uma enorme pressão sobre os produtores, que foram praticamente obrigados pela MGM a fazer com que o filme seguinte fosse, pelo menos, um sucesso equivalente. Alguns problemas, porém, afetariam seriamente a produção. Além da já citada morte de Broccoli, sete meses após a estréia de GoldenEye, Campbell se recusou a dirigir o filme, alegando não querer fazer dois filmes de Bond seguidos; para substituí-lo, foi escolhido Roger Spottiswoode. O roteiro também foi problemático, com sete roteiristas trabalhando simultaneamente. Finalmente, o orçamento foi mais do que estourado, e fechou em nada menos que 110 milhões de dólares.
O resultado disso tudo foi Tomorrow Never Dies (007 o Amanhã Nunca Morre no Brasil), que estreou em dezembro de 1997, primeiro no Reino Unido e uma semana depois nos Estados Unidos, rendendo 125 milhões de dólares na Terra do Tio Sam, e 333 milhões no mundo inteiro. A recepção dos críticos foi bastante diversa, com alguns considerando-o o melhor filme de Bond em muitos anos, outros achando que foi dinheiro jogador fora. A música-tema foi gravada por Sheryl Crow.
Desta vez, Bond deve enfrentar um magnata das telecomunicações, Elliot Carver (Jonathan Pryce), que possui o singelo plano de usar sua influência na mídia para engenderar alguns eventos que levariam à Terceira Guerra Mundial, para obter vantagens financeiras, evidentemente. Carver possui dois capangas de respeito - o tecno-terrorista Henry Gupta (Ricky Jay) e o fortão Stamper (Götz Otto, que ganhou o papel dizendo no teste que era "grande, mau e alemão") - e, ainda por cima, é casado com uma ex-namorada de Bond, Paris (Teri Hatcher). A Bond Girl do filme é uma agente chinesa, Wai Lin (Michelle Yeoh), que também investiga as empresas de Carver, devido ao aumento de sua influência no sudeste asiático. Bond também conta mais uma vez com a ajuda de Jack Wade, e o filme introduz um novo personagem recorrente, o agente do MI6 Charles Robinson (Colin Salmon), que também participaria dos dois filmes seguintes.
Além dos problemas com a produção, Tomorrow Never Dies teve alguns problemas de elenco: Anthony Hopkins foi convidado para viver Carver, mas recusou. Natasha Henstridge seria a Bond Girl, que seria uma agente russa, mas, talvez para evitar clichês, foi substituída por Yeoh. Monica Belucci testou para o papel de Paris, mas os produtores preferiram Hatcher, que estava grávida de três meses quando as filmagens começaram, o que fez com que ela se atrasasse excessivamente para uma das filmagens, irritando Brosnan, que depois teria pedido desculpas ao saber de sua gravidez. Rumores de desentendimentos nas filmagens, aliás, foram constantes, e devidos principalmente a brigas entre Spottiswoode e o roteirista Bruce Feirstein.
As brigas foram tão intensas que Spottiswoode não quis voltar para uma nova seqüência, alegando cansaço. O 19o filme de Bond teria, portanto, um novo diretor, Michael Apted. The World is Not Enough (no Brasil, 007 o Mundo Não é o Bastante), que tirava seu nome do lema da família Bond, "Orbis non Sufficit", apresentado pela primeira vez tanto no livro quanto no filme de On Her Majesty's Secret Service, estrearia dois anos depois, em novembro de 1999, primeiro nos Estados Unidos, e uma semana depois nos Reino Unido. Curiosamente, para afastar de Bond a imagem de um "agente secreto ultrapassado", a MGM fez um acordo com a Mtv, que exibiu nos Estados Unidos diversos especiais sobre o agente na semana de lançamento do filme, totalizando mais de 100 horas de programação. Aparentemente, deu certo: com orçamento de 135 milhões de dólares, o filme rendeu 126 milhões só nos Estados Unidos, sendo 35,5 milhões só no primeiro fim de semana, e totalizou 361 milhões de dólares no mundo inteiro, se tornando o Bond mais rentável até então.
Em The World is No Enough, Bond investiga o assassinato de Robert King (David Calder), amigo pessoal de M e empresário do ramo do petróleo que planeja construir um oleoduto do Azerbaijão até o ocidente, passando pela Turquia. O principal suspeito do crime é o terrorista Renard (Robert Carlyle), que, no passado, seqüestrou a filha de Robert, Elektra (Sophie Marceau), e levou um tiro na cabeça disparado pelo 009, ficando com a bala alojada no cérebro, se movendo lentamente até que um dia ele morra. Imaginando que Renard talvez queira vingança, Bond decide proteger Elektra, e acaba descobrindo que o terrorista planeja roubar uma bomba nuclear soviética. Durante sua missão, Bond acaba conhecendo a física nuclear e Bond Girl Christmas Jones (Denise Richards), e contará com a ajuda mais uma vez de Valentin Zukovsky. The World is Not Enough foi o último filme onde Desmond Llewelyn, que faleceria cerca de um mês após a estréia, interpretou Q. Coincidentemente, neste filme Q se aposenta, e passa seu cargo para um assistente (John Cleese), que assumiria o papel de Q no filme seguinte.
Com música-tema interpretada pela banda Garbage, que criou um clip no melhor estilo agente secreto para divulgá-la, The World is Not Enough entrou para a história como o filme com a seqüência pré-título mais longa da série, com 14 minutos. Apesar da boa recepção do público, o filme foi desprezado pela crítica, que o elegeu como um dos piores da carreira de Bond. A Dra. Jones também foi muito criticada, sendo eleita a pior Bond Girl de todos os tempos pela revista Entertainment Weekly, com os críticos argumentando que Denise Richards não era uma atriz apropriada para interpretar uma física nuclear, e que um uniforme de camisetinha e shortinho não combinava com uma cientista.
Mas, como se aprende no cinema, não há filme tão ruim que uma seqüência não possa piorar. Em novembro de 2002, simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido, estrearia Die Another Day (no Brasil, 007 Um Novo Dia Para Morrer), vigésimo filme da série. Nele, após matar Moon (Will Yun Lee), um Coronel renegado norte-coreano, Bond é capturado pelo inimigo, e submetido a 14 meses de tortura. Libertado em uma troca de prisioneiros, ao ser trocado por Zao (Rick Yune), homem de confiança de Moon, Bond decide descobrir quem seria o contato de Moon no ocidente, responsável por alertar Zao de que ele seria um agente britânico infiltrado, ato que levou à sua captura. Investigando Zao, Bond acaba chegando a Gustav Graves (Toby Stephens), magnata dos diamantes, que na verdade planeja usar um satélite carregado com eles e capaz de disparar um poderoso laser para auxiliar a Coréia do Norte a conquistar a Coréia do Sul e o Japão. Também durante a investigação, Bond se envolve com a agente norte-americana Jinx (Hale Berry), a Bond Girl do filme, e primeira Bond Girl negra da história, que também investiga Zao. O elenco conta ainda com Rosamund Pike como Miranda Frost, secretária de Graves; Michael Madsen como o chefe de Jinx; e Madonna, em uma participação especial no papel de uma instrutora de esgrima.
Dirigido por Lee Tamahori, e com música-tema de Madonna, Die Another Day comemorava o aniversário de 40 anos da série, trazendo referências a todos os dezenove filmes anteriores em suas cenas. Curiosamente, ele também usa alguns elementos do livro Moonraker não usados no filme, se tornando o primeiro filme de Bond desde Licence to Kill a trazer elementos dos livros de Fleming. Com o orçamento astronômico de 142 milhões de dólares, rendeu 432 milhões, sendo 161 milhões só nos Estados Unidos.
Mas, no meio do caminho, alguma coisa deu errado. A escolha da Coréia do Norte como vilã do filme e cenas de pouco tato onde os norte-americanos comandam tropas sul-coreanas fizeram com que o filme fosse odiado na Ásia, e boicotado em diversos países, dentre eles a Coréia do Sul. A quantidade absurda de merchandising durante o filme também foi pesadamente criticada, com alguns críticos o apelidando de Buy Another Day. Muitos também acharam que o foco nos efeitos especiais e nas traquitanas que Bond usa durante as missões foi exagerado, sobrando pouco espaço para desenvolver o enredo. No geral, Die Another Day é considerado um dos piores - ou até mesmo o pior, por alguns - filmes da série, embora um crítico ou outro tenha elogiado a direção de Tamahori ou as referências aos filmes anteriores.
Como aparentemente os roteiros originais não estavam mais dando certo, a EON decidiu tentar uma volta às origens, fazendo mais um filme inspirado nas obras de Fleming. Já desde 1999 a MGM havia conseguido os direitos de filmagem de Casino Royale, o único livro de Bond jamais adaptado pela EON, e, coincidentemente o primeiro de todos, lançado em 1953. Graças a uma adaptação não-oficial feita em 1967, os direitos de Casino Royale pertenciam à Sony, mas esta os trocou pelos direitos sobre um filme do Homem-Aranha, que na época pertenciam à MGM - curiosamente, em 2005 a Sony compraria a MGM, o que faria com que os direitos voltassem para ela.
Em 2004, quando foi dada a luz verde para a primeira adaptação "oficial" de Casino Royale, os roteiristas começaram a trabalhar em mais um filme com Brosnan no papel principal. Para aproveitar que se tratava do primeiríssimo livro, porém, a EON decidiu finalmente fazer um reboot da série, que ignoraria todos os vinte filmes já existentes, e começaria a contar a história de James Bond como 007 do início, e na época atual. Para isso, eles precisariam de um novo Bond. A lista especulativa chegou a ter mais de 200 nomes, incluindo os de Eric Bana, Hugh Jackman, Goran Visnic e Clive Owen; Colin Salmon chegou a ser seriamente considerado, o que faria com que Bond fosse, pela primeira vez, negro. O preferido dos produtores era Henry Cavill, mas, com apenas 22 anos, foi considerado jovem demais para o papel. Finalmente, após muita procura, Barbara Broccoli e Michael G. Wilson decidiram apostar em Daniel Craig, ator inglês de 37 anos que estava fazendo muito sucesso no filme Nem Tudo é o que Parece (Layer Cake, no original).
A escolha de Craig, porém, não foi pacífica: pela primeira vez, os fãs se revoltaram contra a decisão dos produtores, alegando que o ator não se enquadrava na descrição de Bond presente nos livros, principalmente por ser louro. Até mesmo um site, danielcraigisnotbond.com chegou a ser posto na ar para expressar seu descontentamento. Apesar disso, a EON manteve sua decisão, e o futuro provaria que ela o faria bem: a maioria dos críticos foi extremamente elogiosa quanto à interpretação de Craig, e aparentemente até os fãs acabaram se rendendo após o filme, já que ele foi confirmado também para os dois próximos.
Casino Royale (007 Cassino Royale no Brasil) é o primeiro filme da série a não começar com a característica seqüência do revólver; ao invés disso, ele começa com uma seqüência em preto-e-branco mostrando como Bond conseguiu a licença para matar, e o código 007. Logo após, aí sim, temos a seqüência do revólver, e então a abertura, considerada uma das mais criativas da série. A música tema, You Know My Name, interpretada por Chris Cornell, ex-vocalista do Audioslave e do Soundgarden, é a terceira a não ter o mesmo nome do filme, e a segunda a não fazer referência a este durante sua letra. Ela também substitui o famoso tema de Bond durante o filme, com este sendo executado apenas durante os créditos finais, como que dando partida na carreira do agente secreto.
No filme, um inexperiente Bond, recém-promovido a agente 00, seguindo pistas em uma missão, vai da África ao Caribe e então a Miami, onde evita um ataque terrorista contra um avião. Ao fazê-lo, ele coloca Le Chiffre (Mads Mikkelsen - "chiffre" significa "número" em francês), gênio matemático, mestre no xadrez e banqueiro de uma organização terrorista ligada ao misterioso Sr. White (Jesper Christensen), em uma posição complicada, precisando de dinheiro para devolver a seus clientes. Para recuperar o dinheiro, Le Chiffre arma um jogo de pôquer de apostas altíssimas - 10 milhões de dólares só para começar a jogar - no qual planeja usar seu intelecto superior para ganhar. O MI6 fica sabendo do jogo e decide inscrever Bond, também exímio jogador, com o plano de que, se Le Chiffre perder, o governo britânico lhe oferecerá proteção em troca de informações sobre os terroristas. Durante esta empreitada, Bond acaba conhecendo a Bond Girl Vesper Lynd (Eva Green), uma agente do Tesouro enviada para supervisionar a operação e fornecer o dinheiro necessário ao jogo, e o agente da CIA Felix Leiter (Jeffrey Wright, primeiro ator negro a interpretar Leiter em um filme oficial), que também foi enviado com o mesmo plano, mas não joga tão bem quanto Bond.
Judi Dench repete mais uma vez o papel de M, mas nem Q nem Moneypenny aparecem no filme - e, aparentemente, estão fora dos planos da EON nesta nova fase, pois também não estão previstos para os próximos. Para interpretar a Bond Girl foram cogitados nomes como Angelina Jolie, Charlize Theron e Audrey Tautou, que só não ficou com o papel por já estar filmando O Código Da Vinci. Antes das filmagens começarem, Quentin Tarantino expressou interesse em dirigir o filme, e Matthew Vaughn, diretor de Nem Tudo é o que Parece chegou a ser cogitado, mas no final a direção acabou ficando mais uma vez a cargo de Martin Campbell, de GoldenEye. Para que o filme tivesse o maior clima de 007 possível, os produtores decidiram restringir os efeitos em computação gráfica ao mínimo possível, e filmar todas as seqüências de ação "à moda antiga"; isto fez com que, pela segunda vez, uma cena de um filme de Bond fosse parar no Livro dos Recordes, já que na cena do capotamento o Aston Martin do 007 gira sete vezes em torno do próprio eixo.
Com orçamento de 130 milhões de dólares, Casino Royale estreou em novembro de 2006, simultaneamente no Reino Unido e Estados Unidos. Rendeu a considerável soma de 594,2 milhões, sendo 167 milhões só nos Estados Unidos, 40 milhões só no primeiro fim de semana. A recepção dos críticos foi excelente, embora alguns tenham achado o filme - especialmente o final - muito comprido. No geral, Casino Royale foi considerado um dos melhores filmes da franquia, e cumpriu sua missão de reiniciar a série com louvor.
Tanto que o próximo filme, Quantum of Solace (ainda sem título no Brasil, mas provavelmente não será a tradução literal, "a medida do consolo"), será uma seqüência direta dele. Dirigido por Marc Forster (de De Volta à Terra do Nunca) e com estréia prevista para o final deste ano, o filme tira seu título de um dos contos do livro For Your Eyes Only, embora o enredo seja totalmente diferente.
Após Quantum of Solace, ainda restam quatro títulos de contos de Ian Fleming ainda não usados para filmes: The Hildebrand Rarity, The Property of a Lady, Risico e 007 in New York. Usando um deles ou não, o próximo filme, com Craig mais uma vez no papel, já está previsto para 2010. Por enquanto, Bond vem conseguindo sobreviver ao fim da Guerra Fria. Para felicidade dos fãs, esperamos que o mundo sempre venha a precisar de um agente secreto com permissão para matar.
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Desta vez, porém, eles procuraram pouco. Assumindo a produção, Barbara Broccoli, filha de Albert, e Michael G. Wilson, co-produtor dos últimos três filmes, decidiram contratar Pierce Brosnan, 42 anos, que já havia sido considerado para o papel quando Roger Moore deu lugar a Dalton. Barbara e Wilson também escolheram para a direção o neozelandês Martin Campbell, sem nenhum grande sucesso no currículo, mas considerado bastante promissor. Finalmente, para aproveitar a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, os produtores decidiram fazer do novo filme uma "modernização" de Bond - já considerado por muitos críticos como "ultrapassado" e "sem lugar no mundo atual". Assim surgiu GoldenEye.GoldenEye (no Brasil, 007 contra GoldenEye), não era exatamente um reboot, mas se preocupava em trazer um Bond ainda no auge da carreira para a década de 1990, com todas as mudanças que ela pudesse representar para a vida de um agente secreto. Embora os filmes anteriores não tenham sido oficialmente desconsiderados, todo o elenco principal foi renovado, à exceção de Desmond Llewelyn, que, aos 81 anos, repetiu o papel de Q. M, por outro lado, seria interpretado pela famosíssima atriz Judi Dench, na primeira vez em que o chefe do MI6 seria mostrado como sendo uma mulher. Para o papel de Moneypenny, secretária de M, foi escolhida uma atriz com um nome no mínimo curioso, Samantha Bond.
GoldenEye foi o primeiro filme da série totalmente dissociado da obra de Ian Fleming, já que não usa absolutamente nenhum dos elementos - nem o título - dos livros escritos por ele. Talvez por isso, o título foi uma espécie de homenagem a Fleming, já que é o nome de sua casa de praia na Jamaica. O tal GoldenEye do filme, inclusive, não é uma pessoa, mas um satélite, capaz de emitir um pulso eletromagnético que destrói qualquer equipamento eletrônico em sua área de atuação. No filme pode não haver Guerra Fria, mas os russos continuam fazendo das suas, vendendo o tal satélite para um sindicato do crime, que planeja usá-lo para destruir Londres e iniciar um colapso financeiro. O homem por trás de tal plano é ninguém menos que Alec Trevelyan (Sean Bean), ex-agente 006 e amigo de Bond, que forjou sua própria morte antes de fundar o sindicato, auxiliado pela assassina Xenia Onatopp (Famke Janssen), que possui o desagradável hábito de estrangular suas vítimas com as coxas, e pelo programador Boris Grishenko (Alan Cumming), que trabalhava no projeto GoldenEye. Sem saber que enfrentará um ex-colega, Bond é enviado para deter os criminosos, e para tal tarefa contará com a ajuda, como de costume, de uma Bond Girl, Natalya Simonova (Izabella Scorupco), gênio da informática e sobrevivente de um ataque do GoldenEye. Bond também terá a ajuda de um agente da CIA, Jack Wade (Joe Don Baker), também enviado para deter o sindicato, e do ex-agente da KGB Valentin Zukovsky (Robbie Coltrane), que o ajuda a encontrar Trevelyan.
GoldenEye estreou em novembro de 1995, primeiro nos Estados Unidos, e quatro dias depois no Reino Unido. Apesar de ter recebido algumas críticas desfavoráveis, foi considerado um grande sucesso, eleito um dos melhores filmes da série, e rendeu um bom dinheiro: com orçamento de 58 milhões de dólares, rendeu quase 351 milhões, sendo 106 milhões só nos Estados Unidos, e 26 milhões só no primeiro fim de semana. Com música-tema composta por Bono e The Edge, do U2, e cantada por Tina Turner, GoldenEye também foi o primeiro filme de Bond a usar efeitos especiais gerados por computação gráfica, e o primeiro a ser adaptado para um video game, e um por sinal muito bom.
O enorme sucesso de GoldenEye, além de provar que Bond poderia sobreviver nos anos 1990, colocou uma enorme pressão sobre os produtores, que foram praticamente obrigados pela MGM a fazer com que o filme seguinte fosse, pelo menos, um sucesso equivalente. Alguns problemas, porém, afetariam seriamente a produção. Além da já citada morte de Broccoli, sete meses após a estréia de GoldenEye, Campbell se recusou a dirigir o filme, alegando não querer fazer dois filmes de Bond seguidos; para substituí-lo, foi escolhido Roger Spottiswoode. O roteiro também foi problemático, com sete roteiristas trabalhando simultaneamente. Finalmente, o orçamento foi mais do que estourado, e fechou em nada menos que 110 milhões de dólares.
O resultado disso tudo foi Tomorrow Never Dies (007 o Amanhã Nunca Morre no Brasil), que estreou em dezembro de 1997, primeiro no Reino Unido e uma semana depois nos Estados Unidos, rendendo 125 milhões de dólares na Terra do Tio Sam, e 333 milhões no mundo inteiro. A recepção dos críticos foi bastante diversa, com alguns considerando-o o melhor filme de Bond em muitos anos, outros achando que foi dinheiro jogador fora. A música-tema foi gravada por Sheryl Crow.
Desta vez, Bond deve enfrentar um magnata das telecomunicações, Elliot Carver (Jonathan Pryce), que possui o singelo plano de usar sua influência na mídia para engenderar alguns eventos que levariam à Terceira Guerra Mundial, para obter vantagens financeiras, evidentemente. Carver possui dois capangas de respeito - o tecno-terrorista Henry Gupta (Ricky Jay) e o fortão Stamper (Götz Otto, que ganhou o papel dizendo no teste que era "grande, mau e alemão") - e, ainda por cima, é casado com uma ex-namorada de Bond, Paris (Teri Hatcher). A Bond Girl do filme é uma agente chinesa, Wai Lin (Michelle Yeoh), que também investiga as empresas de Carver, devido ao aumento de sua influência no sudeste asiático. Bond também conta mais uma vez com a ajuda de Jack Wade, e o filme introduz um novo personagem recorrente, o agente do MI6 Charles Robinson (Colin Salmon), que também participaria dos dois filmes seguintes.Além dos problemas com a produção, Tomorrow Never Dies teve alguns problemas de elenco: Anthony Hopkins foi convidado para viver Carver, mas recusou. Natasha Henstridge seria a Bond Girl, que seria uma agente russa, mas, talvez para evitar clichês, foi substituída por Yeoh. Monica Belucci testou para o papel de Paris, mas os produtores preferiram Hatcher, que estava grávida de três meses quando as filmagens começaram, o que fez com que ela se atrasasse excessivamente para uma das filmagens, irritando Brosnan, que depois teria pedido desculpas ao saber de sua gravidez. Rumores de desentendimentos nas filmagens, aliás, foram constantes, e devidos principalmente a brigas entre Spottiswoode e o roteirista Bruce Feirstein.
As brigas foram tão intensas que Spottiswoode não quis voltar para uma nova seqüência, alegando cansaço. O 19o filme de Bond teria, portanto, um novo diretor, Michael Apted. The World is Not Enough (no Brasil, 007 o Mundo Não é o Bastante), que tirava seu nome do lema da família Bond, "Orbis non Sufficit", apresentado pela primeira vez tanto no livro quanto no filme de On Her Majesty's Secret Service, estrearia dois anos depois, em novembro de 1999, primeiro nos Estados Unidos, e uma semana depois nos Reino Unido. Curiosamente, para afastar de Bond a imagem de um "agente secreto ultrapassado", a MGM fez um acordo com a Mtv, que exibiu nos Estados Unidos diversos especiais sobre o agente na semana de lançamento do filme, totalizando mais de 100 horas de programação. Aparentemente, deu certo: com orçamento de 135 milhões de dólares, o filme rendeu 126 milhões só nos Estados Unidos, sendo 35,5 milhões só no primeiro fim de semana, e totalizou 361 milhões de dólares no mundo inteiro, se tornando o Bond mais rentável até então.
Em The World is No Enough, Bond investiga o assassinato de Robert King (David Calder), amigo pessoal de M e empresário do ramo do petróleo que planeja construir um oleoduto do Azerbaijão até o ocidente, passando pela Turquia. O principal suspeito do crime é o terrorista Renard (Robert Carlyle), que, no passado, seqüestrou a filha de Robert, Elektra (Sophie Marceau), e levou um tiro na cabeça disparado pelo 009, ficando com a bala alojada no cérebro, se movendo lentamente até que um dia ele morra. Imaginando que Renard talvez queira vingança, Bond decide proteger Elektra, e acaba descobrindo que o terrorista planeja roubar uma bomba nuclear soviética. Durante sua missão, Bond acaba conhecendo a física nuclear e Bond Girl Christmas Jones (Denise Richards), e contará com a ajuda mais uma vez de Valentin Zukovsky. The World is Not Enough foi o último filme onde Desmond Llewelyn, que faleceria cerca de um mês após a estréia, interpretou Q. Coincidentemente, neste filme Q se aposenta, e passa seu cargo para um assistente (John Cleese), que assumiria o papel de Q no filme seguinte.
Com música-tema interpretada pela banda Garbage, que criou um clip no melhor estilo agente secreto para divulgá-la, The World is Not Enough entrou para a história como o filme com a seqüência pré-título mais longa da série, com 14 minutos. Apesar da boa recepção do público, o filme foi desprezado pela crítica, que o elegeu como um dos piores da carreira de Bond. A Dra. Jones também foi muito criticada, sendo eleita a pior Bond Girl de todos os tempos pela revista Entertainment Weekly, com os críticos argumentando que Denise Richards não era uma atriz apropriada para interpretar uma física nuclear, e que um uniforme de camisetinha e shortinho não combinava com uma cientista.
Dirigido por Lee Tamahori, e com música-tema de Madonna, Die Another Day comemorava o aniversário de 40 anos da série, trazendo referências a todos os dezenove filmes anteriores em suas cenas. Curiosamente, ele também usa alguns elementos do livro Moonraker não usados no filme, se tornando o primeiro filme de Bond desde Licence to Kill a trazer elementos dos livros de Fleming. Com o orçamento astronômico de 142 milhões de dólares, rendeu 432 milhões, sendo 161 milhões só nos Estados Unidos.
Mas, no meio do caminho, alguma coisa deu errado. A escolha da Coréia do Norte como vilã do filme e cenas de pouco tato onde os norte-americanos comandam tropas sul-coreanas fizeram com que o filme fosse odiado na Ásia, e boicotado em diversos países, dentre eles a Coréia do Sul. A quantidade absurda de merchandising durante o filme também foi pesadamente criticada, com alguns críticos o apelidando de Buy Another Day. Muitos também acharam que o foco nos efeitos especiais e nas traquitanas que Bond usa durante as missões foi exagerado, sobrando pouco espaço para desenvolver o enredo. No geral, Die Another Day é considerado um dos piores - ou até mesmo o pior, por alguns - filmes da série, embora um crítico ou outro tenha elogiado a direção de Tamahori ou as referências aos filmes anteriores.
Como aparentemente os roteiros originais não estavam mais dando certo, a EON decidiu tentar uma volta às origens, fazendo mais um filme inspirado nas obras de Fleming. Já desde 1999 a MGM havia conseguido os direitos de filmagem de Casino Royale, o único livro de Bond jamais adaptado pela EON, e, coincidentemente o primeiro de todos, lançado em 1953. Graças a uma adaptação não-oficial feita em 1967, os direitos de Casino Royale pertenciam à Sony, mas esta os trocou pelos direitos sobre um filme do Homem-Aranha, que na época pertenciam à MGM - curiosamente, em 2005 a Sony compraria a MGM, o que faria com que os direitos voltassem para ela.
Em 2004, quando foi dada a luz verde para a primeira adaptação "oficial" de Casino Royale, os roteiristas começaram a trabalhar em mais um filme com Brosnan no papel principal. Para aproveitar que se tratava do primeiríssimo livro, porém, a EON decidiu finalmente fazer um reboot da série, que ignoraria todos os vinte filmes já existentes, e começaria a contar a história de James Bond como 007 do início, e na época atual. Para isso, eles precisariam de um novo Bond. A lista especulativa chegou a ter mais de 200 nomes, incluindo os de Eric Bana, Hugh Jackman, Goran Visnic e Clive Owen; Colin Salmon chegou a ser seriamente considerado, o que faria com que Bond fosse, pela primeira vez, negro. O preferido dos produtores era Henry Cavill, mas, com apenas 22 anos, foi considerado jovem demais para o papel. Finalmente, após muita procura, Barbara Broccoli e Michael G. Wilson decidiram apostar em Daniel Craig, ator inglês de 37 anos que estava fazendo muito sucesso no filme Nem Tudo é o que Parece (Layer Cake, no original).
A escolha de Craig, porém, não foi pacífica: pela primeira vez, os fãs se revoltaram contra a decisão dos produtores, alegando que o ator não se enquadrava na descrição de Bond presente nos livros, principalmente por ser louro. Até mesmo um site, danielcraigisnotbond.com chegou a ser posto na ar para expressar seu descontentamento. Apesar disso, a EON manteve sua decisão, e o futuro provaria que ela o faria bem: a maioria dos críticos foi extremamente elogiosa quanto à interpretação de Craig, e aparentemente até os fãs acabaram se rendendo após o filme, já que ele foi confirmado também para os dois próximos.Casino Royale (007 Cassino Royale no Brasil) é o primeiro filme da série a não começar com a característica seqüência do revólver; ao invés disso, ele começa com uma seqüência em preto-e-branco mostrando como Bond conseguiu a licença para matar, e o código 007. Logo após, aí sim, temos a seqüência do revólver, e então a abertura, considerada uma das mais criativas da série. A música tema, You Know My Name, interpretada por Chris Cornell, ex-vocalista do Audioslave e do Soundgarden, é a terceira a não ter o mesmo nome do filme, e a segunda a não fazer referência a este durante sua letra. Ela também substitui o famoso tema de Bond durante o filme, com este sendo executado apenas durante os créditos finais, como que dando partida na carreira do agente secreto.
No filme, um inexperiente Bond, recém-promovido a agente 00, seguindo pistas em uma missão, vai da África ao Caribe e então a Miami, onde evita um ataque terrorista contra um avião. Ao fazê-lo, ele coloca Le Chiffre (Mads Mikkelsen - "chiffre" significa "número" em francês), gênio matemático, mestre no xadrez e banqueiro de uma organização terrorista ligada ao misterioso Sr. White (Jesper Christensen), em uma posição complicada, precisando de dinheiro para devolver a seus clientes. Para recuperar o dinheiro, Le Chiffre arma um jogo de pôquer de apostas altíssimas - 10 milhões de dólares só para começar a jogar - no qual planeja usar seu intelecto superior para ganhar. O MI6 fica sabendo do jogo e decide inscrever Bond, também exímio jogador, com o plano de que, se Le Chiffre perder, o governo britânico lhe oferecerá proteção em troca de informações sobre os terroristas. Durante esta empreitada, Bond acaba conhecendo a Bond Girl Vesper Lynd (Eva Green), uma agente do Tesouro enviada para supervisionar a operação e fornecer o dinheiro necessário ao jogo, e o agente da CIA Felix Leiter (Jeffrey Wright, primeiro ator negro a interpretar Leiter em um filme oficial), que também foi enviado com o mesmo plano, mas não joga tão bem quanto Bond.
Judi Dench repete mais uma vez o papel de M, mas nem Q nem Moneypenny aparecem no filme - e, aparentemente, estão fora dos planos da EON nesta nova fase, pois também não estão previstos para os próximos. Para interpretar a Bond Girl foram cogitados nomes como Angelina Jolie, Charlize Theron e Audrey Tautou, que só não ficou com o papel por já estar filmando O Código Da Vinci. Antes das filmagens começarem, Quentin Tarantino expressou interesse em dirigir o filme, e Matthew Vaughn, diretor de Nem Tudo é o que Parece chegou a ser cogitado, mas no final a direção acabou ficando mais uma vez a cargo de Martin Campbell, de GoldenEye. Para que o filme tivesse o maior clima de 007 possível, os produtores decidiram restringir os efeitos em computação gráfica ao mínimo possível, e filmar todas as seqüências de ação "à moda antiga"; isto fez com que, pela segunda vez, uma cena de um filme de Bond fosse parar no Livro dos Recordes, já que na cena do capotamento o Aston Martin do 007 gira sete vezes em torno do próprio eixo.
Com orçamento de 130 milhões de dólares, Casino Royale estreou em novembro de 2006, simultaneamente no Reino Unido e Estados Unidos. Rendeu a considerável soma de 594,2 milhões, sendo 167 milhões só nos Estados Unidos, 40 milhões só no primeiro fim de semana. A recepção dos críticos foi excelente, embora alguns tenham achado o filme - especialmente o final - muito comprido. No geral, Casino Royale foi considerado um dos melhores filmes da franquia, e cumpriu sua missão de reiniciar a série com louvor.
Tanto que o próximo filme, Quantum of Solace (ainda sem título no Brasil, mas provavelmente não será a tradução literal, "a medida do consolo"), será uma seqüência direta dele. Dirigido por Marc Forster (de De Volta à Terra do Nunca) e com estréia prevista para o final deste ano, o filme tira seu título de um dos contos do livro For Your Eyes Only, embora o enredo seja totalmente diferente.Após Quantum of Solace, ainda restam quatro títulos de contos de Ian Fleming ainda não usados para filmes: The Hildebrand Rarity, The Property of a Lady, Risico e 007 in New York. Usando um deles ou não, o próximo filme, com Craig mais uma vez no papel, já está previsto para 2010. Por enquanto, Bond vem conseguindo sobreviver ao fim da Guerra Fria. Para felicidade dos fãs, esperamos que o mundo sempre venha a precisar de um agente secreto com permissão para matar.
James Bond |
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Pierce Brosnan |
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Robert Ervin Howard, o homem que criou Conan, nasceu em Peaster, Texas, em 1906. Filho de um médico, ele passou sua infância viajando por várias cidades do sul dos Estados Unidos, ouvindo histórias de fantasmas contadas por vaqueiros, histórias da África contadas por ex-escravos, histórias da Guerra de Secessão contadas por soldados, e até lendas folclóricas contadas pelos índios. Sua mãe, que sofria de tuberculose, fez questão de educá-lo para ser um homem letrado, incutindo nele um profundo amor pela literatura e poesia, e sempre incentivando-o a escrever seus próprios versos. Apesar disso, em sua adolescência Howard fora um apaixonado pelo boxe, e se dedicava a atividades físicas como levantamento de pesos e luta livre com a mesma paixão que devorava livros e escrevia poemas.
Conan já havia aparecido extra-oficialmente em uma história de Howard, de 1931, chamada People of the Dark ("o povo da escuridão"), publicada na revista Strange Tales of Mystery and Terror, na qual o protagonista diz que, em outra vida, foi "Conan, um bárbaro de cabelos negros que servia ao deus Crom". A primeira aventura oficial de Conan, porém, surgiria após Howard reescrever uma história rejeitada de Kull, rebatizando-a para The Phoenix on the Sword (A Fênix na Espada). Esta história seria publicada na edição de dezembro de 1932 da Weird Tales, e faria tanto sucesso que Howard escreveria e publicaria nada menos que outras dezesseis aventuras de Conan na revista ao longo de três anos.
Até então, porém, Conan era um personagem conhecido apenas pelos fãs do gênero. Sua popularização definitiva veio apenas em 1966, com o lançamento de uma segunda série de livros, desta vez pela Lancer Books. Idealizada por de Camp e por Lin Carter, esta nova série, publicada em formato brochura, republicou todas as histórias de Howard mais uma vez, além de trazer histórias inéditas, algumas inacabadas, finalizadas por de Camp e Carter. Entre 1966 e 1977, a Lancer - e depois a Ace Books, que assumiu o projeto após a falência daquela - publicou doze livros com mais de 50 histórias de Conan, sendo que três deles traziam apenas histórias inéditas escritas por de Camp e Carter. A arte ficou a cargo de Frank Frazetta, que até hoje é considerado o criador da imagem de Conan, e ilustrador definitivo de suas aventuras. Embora a coleção da Lancer/Ace seja criticada por muitos puristas pela "intromissão" da dupla de Camp/Carter nas histórias originais de Howard, foi ela quem ajudou a espalhar Conan pelo mundo, transformando-o em um dos mais populares personagens do século XX.
Na década de 1980, seria a vez de Conan chegar ao cinema. O primeiro projeto de um filme do personagem partiu do diretor Edward Summer, que planejava adaptar todas as histórias de Howard, criando uma série de filmes ao estilo da de James Bond. Summer chegou a fazer seis sinopses, e ele e Thomas escreveram o roteiro do que seria o primeiro filme, mas este projeto nunca foi adiante. O que chegaria às telas de cinema em 1982 seria outro projeto totalmente diferente, produzido por Dino de Laurentiis e dirigido por John Milius, comm roteiro de Milius e Oliver Stone. Conan the Barbarian (Conan, o Bárbaro no Brasil) traria Arnold Schwarzenegger no papel do cimério, seu primeiro papel de destaque, e que o impulsionou para uma carreira de sucesso. O filme, porém, tem muito pouco a ver com as histórias originais de Conan, sendo ambientado em uma estranha Idade do Bronze com elementos fantásticos. Nele, Conan se torna órfão quando sua vila é atacada pelos homens de Thulsa Doom (James Earl Jones), sendo vendido como escravo. Após ser escravo e gladiador, e ser treinado nas artes da espada, Conan, já adulto, conquista sua liberdade, e, vagando pelo mundo, conhece personagens como o arqueiro Subotai (Gerry Lopez), a ladra Valeria (Sandahl Bergman), o Rei Osric (Max von Sydow) e o mago Akiro (Makoto Iwamatsu). Mas o própósito de Conan não é simplesmente correr o mundo vivendo aventuras, mas se vingar de Doom pela morte de seus pais.
Indiana Jones foi criado por George Lucas e Steven Spielberg no final da década de 1970, pouco após o lançamento do primeiro Star Wars. Spielberg havia acabado de dirigir Contatos Imediatos de Terceiro Grau, e comentava com seu amigo Lucas que desejava que seu próximo filme fosse algo aventureiro e divertido, mais ou menos como os filmes de James Bond - curiosamente, a EON havia cogitado o nome de Spielberg para dirigir um filme de Bond na mesma época, mas o descartara por ele estar envolvido com a pós-produção de Tubarão. Lucas, fã dos heróis de aventuras que povoavam as revistas pulp da década de 1930, já vinha há algum tempo maturando a idéia de fazer um filme sobre um deles, e teria respondido a Spielberg que tinha "uma idéia ainda melhor".
Spielberg e Lucas usaram no Templo da Perdição várias cenas que haviam escrito para os Caçadores mas acabaram cortadas do roteiro, como a da perseguição na mina e a do salto do avião usando um bote inflável. Por incrível que pareça, as filmagens só consumiram 85 dias. O orçamento foi de 28 milhões de dólares, e o filme rendeu 333 milhões, além de duas indicações para o Oscar - Melhor Trilha Musical Original e Melhores Efeitos Visuais, ganhando só o último - e muitas reclamações por parte dos hindus, de que o filme seria racista e estereotipado.
No ano 2000, Ford, Lucas e Spielberg se reencontraram durante uma homenagem do American Film Institute a Ford. Coincidentemente, o filho de Spielberg havia lhe perguntado quando sairia um novo filme de Indiana Jones, o que reacendeu o interesse do diretor no projeto. Os três, e mais os produtores Frank Marshall e Kathleen Kennedy, decidiram discutir idéias para um novo filme, e Lucas sugeriu que eles poderiam usar as Caveiras de Cristal, artefatos da América Pré-Colombiana, que ele já havia pensado em colocar em um dos episódios de O Jovem Indiana Jones, antes da série ser cancelada, como mote para que Indy se envolvesse em uma nova aventura. M. Night Shyamalan chegou a ser convidado para escrever o roteiro, mas acabou recusando por não se achar capaz de escrever uma seqüência para Os Caçadores da Arca Perdida, um de seus filmes preferidos de todos os tempos.
O filme tem uma das seqüências de abertura mais curiosas da série, onde Bond está visitando o túmulo de sua esposa quando é atacado por Blofeld (John Hollis, dublado por Robert Rietty). Bond consegue se livrar da armadilha do vilão e o mata, acabando com sua ameaça de uma vez por todas. Embora o nome de Blofeld não seja citado em momento algum, é claramente o vilão, e esta seqüência foi incluída por dois motivos: primeiro porque a "morte" de Blofeld em Diamonds Are Forever foi meio subentendida, propositalmente, já que a EON ainda tinha esperanças de usá-lo em um outro filme, mas, como Kevin McClory, o dono dos direitos sobre o personagem, jamais permitiu, eles decidiram demonstrar de uma vez por todas que o vilão estava morto. Em segundo lugar, porque havia um boato de que Moore, cansado do papel, não aceitaria repeti-lo, então a cena serviria para apresentar um novo Bond ao público. Moore acabou aceitando voltar ao papel, mas a cena foi mantida assim mesmo.
Assim como seu antecessor, Octopussy tira seu nome de um conto, o principal do livro Octopussy and The Living Daylights, décimo-quarto e último da série, publicado dois anos após a morte de Fleming, em 1966. Sua primeira edição trazia apenas dois contos (evidentemente, Octopussy e The Living Daylights), mas a partir da segunda edição foi incluído The Property of a Lady, e, em 2002, o último conto de Fleming que permanecia inédito, 007 in New York - a única de suas histórias a trazer "007" no nome.
Essencialmente, Never Say Never Again (no Brasil, 007 Nunca Mais Outra Vez) é uma refilmagem de Thunderball, mas, embora o enredo seja o mesmo, o filme é bastante diferente. Nele, a organização criminosa SPECTRE, liderada por Ernst Stavro Blofeld (Max von Sydow) rouba dois mísseis nucleares norte-americanos, e exige bilhões de dólares para não usá-los contra o mundo. Bond é então enviado para as Bahamas, onde enfrentará um dos agentes da SPECTRE, Maximilian Largo (Klaus Maria Brandauer), tentará escapar da perigosa Fatima Blush (Barbara Carrera) e se envolverá com a Bond Girl Domino Petachi (Kim Basinger), namorada de Largo; tudo isso contando com a ajuda do agente da CIA Felix Leiter (Bernie Casey) e do atrapalhado Nigel Small-Fawcett (Rowan Atkinson, conhecido por aqui como Mr. Bean). Curiosamente, neste filme Bond é considerado um agente velho e à beira da aposentadoria, e M (Edward Fox) só aceita enviá-lo em missão quando descobre que a SPECTRE está envolvida. Também curiosamente, o filme parece ignorar os demais, já que Bond e Blofeld não se conhecem.
A View to a Kill foi o sétimo e último filme de Roger Moore como 007, que, ao fim de seu contrato, evidentemente não tinha interesse nenhum em renová-lo. Assim, começou uma nova busca por um novo Bond, onde foram considerados Lewis Collins, Sam Neil, Pierce Brosnan - que quase ficou com o papel, não fosse ele o protagonista da série de detetive Remington Steele, da NBC - e Timothy Dalton, que após bater na trave por pelo menos duas vezes, finalmente ficou com o papel, aos 40 anos de idade.
Quarto filme dirigido por Glen, The Living Daylights teve um orçamento de 40 milhões de dólares, e estreou em junho de 1987, rendendo 51 milhões nos Estados Unidos, e 191 milhões no mundo inteiro. A música-tema foi interpretada pela banda a-ha, mas The Living Daylights foi o primeiro filme da série a utilizar uma música diferente da música-tema durante os créditos finais, no caso, If There Was A Man, interpretada por Chrissie Hynde, dos Pretenders. O filme gerou pelo menos um incidente curioso: o esquema de Whitaker utiliza veículos e embalagens da Cruz Vermelha para traficar ópio, o que fez com que a famosa organização humanitária ameaçasse processar a MGM, e rendeu um aviso na abertura do filme de que o símbolo da Cruz Vermelha foi usado sem autorização.
A relação que eu mantenho com a Nascar é a mesma que eu mantenho com o beisebol: apesar de gostar da categoria, e de acompanhar razoavelmente o campeonato, eu assisto a poucas corridas inteiras, pelo simples motivo de que elas demoram muito. Tudo bem, Indianápolis também demora umas quatro horas, mas é uma vez por ano, e não uma vez por semana. Aliás, eu acho que alguém devia fazer uma tese sobre o porquê dos americanos gostarem tanto de eventos esportivos tão demorados.
O campeonato da Sprint Cup utiliza um sistema de playoffs, chamado de Chase for the Sprint Cup. Após as 26 primeiras corridas, os doze primeiros do campeonato ganham um bônus de 5.000 pontos, mais dez pontos para cada corrida que tenham vencido. Isto faz com que somente eles tenham a chance de continuar brigando pelo campeonato, já que os demais ficam bem para trás - mas todos continuam correndo, com os pontos das últimas dez corridas sendo distribuídos normalmente. Este sistema, criado em 2004 e aperfeiçoado em 2007, busca garantir que o campeão não seja conhecido por antecipação, mantendo a emoção até a última prova.
O calendário da Truck Series é bem mais curto, com 25 provas disputadas em 22 autódromos, dos quais oito são ovais curtos (Bristol, Dover, Mansfield, Martinsville, Memphis, Milwaukee, O'Reilly Park e Phoenix), dez são ovais intermediários (Atlanta, Charlotte, Homestead, Kansas City, Kentucky, Las Vegas, Madison, Nashville, New Hampshire e Texas), e quatro são superspeedways (Daytona, Fontana, Michigan e Talladega). Apenas os autódromos de Martinsville, Phoenix e Texas sediam duas provas cada, e não existem circuitos mistos. As provas têm entre 150 e 400 milhas cada, e algumas caem no mesmo local e fim-de-semana da Sprint Cup ou da Nationwide Series. o campeonato da Truck Series não tem playoffs, sendo campeão o piloto que tiver mais pontos ao final da última prova.