domingo, 27 de agosto de 2006

Olimpíadas (X)

E, graças a uma falta de tempo, hoje teremos mais um post sobre as Olimpíadas, que já estava pronto.

Oslo 1952


Apenas três cidades se inscreveram como candidatas a sede dos Jogos de Inverno de 1952: Cortina d'Ampezzo, Itália, que iria realizar os cancelados Jogos de 1944; Lake Placid, Estados Unidos, que já havia realizado os Jogos de 1932; e Oslo, capital da Noruega. Os integrantes do COI decidiram entregar os Jogos a Oslo, a primeira capital a sediar uma Olimpíada da Inverno, pois a Noruega era o berço do esqui, o esporte mais importante da competição. Para comemorar, o comitê organizador preparou uma surpresa: pela primeira vez, os Jogos de Inverno contariam com o revezamento da Tocha Olímpica, que na Cerimônia de Abertura acenderia uma belíssima pira no Bislett Stadion, o mais tradicional rinque de patinação em velocidade da Noruega. A surpresa ficou por conta de um detalhe especial: ao invés de ser acesa em Olímpia, a Tocha dos Jogos de Inverno recebeu seu fogo na lareira da casa onde nasceu Sondre Nordheim, o pioneiro do esqui esportivo, na cidade de Morgedal. A Tocha foi transportada por 94 esquiadores até Oslo, onde foi entregue a Eigil Nansen, neto de Fridtjod Nansen, um dos primeiros homens a explorar o Pólo Norte. Eigil teve a honra de acender a pira, que queimou com o legítimo fogo norueguês até o final do evento.

Os Jogos se desenrolaram entre 14 e 25 de fevereiro. Deles participaram 694 atletas, sendo 109 mulheres, representando 30 nações em 22 competições de 8 esportes: bobsleding, combinado nórdico, esqui alpino, esqui cross country, hóquei no gelo, patinação artística no gelo, patinação no gelo em velocidade e saltos com esqui. O bandy, um esporte semelhante ao hóquei no gelo, muito popular na Escandinávia, foi o esporte de demonstração. O combinado do esqui alpino foi substituído pelo slalom gigante, e pela primeira vez nos Jogos de Inverno as mulheres puderam participar do esqui cross country, onde a vencedora foi a finlandesa Lydia Wideman.

Falando nas mulheres, o maior destaque de 1952 foi a norte-americana Andrea Mead-Lawrence, de apenas 19 anos, vencedora no slalom e no slalom gigante. Mas outra mulher também entrou para a História, e sem sequer ser atleta: Ragnhild Alexandra, Princesa da Noruega, a primeira mulher a presidir a Cerimônia de Abertura e declarar abertos os Jogos Olímpicos. Depois dela, ainda se passariam 24 anos até a Rainha Elizabeth II abrir os Jogos de 1976.

Como era de se esperar, os donos da casa fizeram bonito, ganhando sete medalhas de ouro, três delas com Hjalmar Andersen, o primeiro atleta a vencer três provas da patinação em velocidade em uma mesma edição dos Jogos. Andersen conquistou o ouro nos 1.500 metros, nos 5.000 metros e nos 10.000 metros, sendo que nesta duas últimas provas sua vantagem para o segundo colocado é até hoje a maior da História. Outro norueguês campeão com honras foi Stein Eriksen, o primeiro a vencer no esqui alpino sem ser de um país cortado pelos alpes. Eriksen venceu o slalom gigante por quase dois segundos de vantagem, e no dia seguinte ainda conseguiu uma prata no slalom.

Mas o maior destaque dos Jogos foi o patinador norte-americano Dick Button. Na patinação artística no gelo, ele estava fazendo uma série perfeita, e com certeza iria ganhar o ouro. Apesar disso, Button tentou um movimento inédito, inovador e perigoso: um loop triplo, algo sequer ainda tentado por outros patinadores em competições oficiais. Button não somente conseguiu executar o salto, como também conseguiu um pouso perfeito, arrancando as notas máximas de todos os jurados.

Para terminar, ganha um doce quem adivinhar para quem foi o ouro do hóquei no gelo. Isso mesmo, para o Canadá, que conseguiu seu quinto título, chegando à impressionante marca de 37 vitórias, 3 empates e apenas uma derrota, marcando 403 gols e sofrendo apenas 34. Acreditem ou não, este seria o último ouro do Canadá no hóquei no gelo pelos próximos 50 anos. A partir dos próximos Jogos, começaria o reinado da União Soviética.

Helsinque 1952


Logo após assumir a presidência do COI, o sueco Sigfrid Edström começou uma luta para não deixar o espírito olímpico morrer em decorrência da guerra. Seus primeiros atos foram premiar as cidades de Sankt Moritz e Londres com os Jogos de Inverno e Verão de 1948, respectivamente. Logo após, ele marcou uma reunião do COI para 1947, na qual seria discutida, dentre outras coisas, a escolha da sede dos Jogos de 1952. Para alegria de Edström, apesar dos Jogos de 1948 nem sequer terem sido realizados ainda, nada menos que dez cidades se candidataram ao posto, sendo cinco só dos Estados Unidos. Acabou vencendo a votação Helsinque, capital da Finlândia, anteriormente escolhida para sediar os cancelados Jogos de 1940 após a desistência do Japão.

Helsinque se mostrou uma escolha mais do que acertada: as instalações, a maioria já pronta desde antes da Guerra, eram do mais alto grau de profissionalismo, confortáveis tanto para os espectadores quanto para os atletas. A organização foi impecável, inclusive no atendimento aos turistas e jornalistas. De fato, do ponto de vista do conforto, atendimento aos requisitos do COI para as competições, e organização, estes foram considerados os melhores Jogos da História, tanto que, para alguns por um milagre, não aconteceu um único problema que comprometesse sua imagem. Nenhum escândalo. Nenhum erro dos fiscais. Nenhuma confusão na platéia. Nada. Foram Jogos tão perfeitos que alguns jornalistas, inclusive com o apoio de alguns membros do COI, chegaram a propor que todos os Jogos a partir de então fossem realizados algum dos países escandinavos.

Ainda assim, o maior destaque de 1952 não foi a Finlândia, nem nenhum de seus irmãos escandinavos. Todos os olhos estavam voltados para a União Soviética, que, após anos de isolacionismo, em 1951 finalmente pediu sua filiação ao COI, e autorização para participar dos Jogos de 1952. Muitos dos países ocidentais imediatamente se manifestaram contra, sob o argumento de que a União Soviética não somente era uma ditadura militarista comandada pelo impiedoso Stalin, mas também iria fazer de tudo para levar a disputa ideológica entre o comunismo e o capitalismo para os Jogos, subvertendo sua finalidade, com conseqüências que poderiam ser fatais. Menos exagerado, Edström, que já havia passado a casa dos oitenta anos, resistiu, e deu uma resposta que hoje pode ser considerada um modelo do ideal olímpico: os comunistas iriam participar sim, e os capitalistas, se quisessem, que dessem a resposta vencendo-os nos esportes, pois os Jogos nada têm a ver com conflitos entre nações. Hoje, há quem diga que Edström cometeu um equívoco, pois praticamente todas as Olimpíadas de 1952 a 1988 foram verdadeiras guerras entre o comunismo e o capitalismo, cada lado querendo provar sua superioridade - e, para muitos, os comunistas somente conseguindo devido a meios excusos como o amadorismo de fachada, onde os atletas recebiam dinheiro do governo para não precisar trabalhar, podendo se dedicar inteiramente ao esporte. Por outro lado, também não há de se dizer que o Presidente do COI estivesse errado: com a disputa entre comunistas e capitalistas restrita ao esporte, o comunismo encontrou uma nova forma de demonstrar sua superioridade. Muitos afirmam que, tivessem sido os comunistas proibidos de participar dos Jogos, poderiam querer provar sua força por meios militares, e talvez tivéssemos uma Terceira Guerra Mundial ainda na década de 50.

Hipóteses à parte, após encaminhar os Jogos de 1952, Edström, considerando sua missão cumprida, se demitiu do cargo de presidente do COI. Dias antes da Olimpíada começar, ocupou seu lugar Avery Brundage, o norte-americano cujo currículo incluía a perseguição a Jim Thorpe desde 1912 e o apoio à Alemanha nazista em 1936. Pelas novas regras do COI, Brundage seria presidente até 1972, ou até renunciar. Racista assumido, simpatizante do nazismo, e radical defensor do amadorismo, durante vinte anos ele acabou prejudicando seus próprios compatriotas, investigando cada denúncia de profissionalismo com rigor extremo, enquanto aceitava sem questionar os inúmeros atletas comunistas que possuíam patentes militares sem sequer terem pisado em um quartel. Brundage em alguns momentos era tão contraditório que aceitou a participação no evento da Alemanha Ocidental, mas proibiu a da Alemanha Oriental. O Japão, após o castigo de 1948, retornou à competição, e a China, recém-filiada ao COI, foi convidada, mas se recusou a participar devido a uma picuinha com a União Soviética.

Aliás, quem está achando que os soviéticos foram os personagens principais do evento só por causa de sua controvertida aceitação pelo COI, ainda não viu nada. Dias antes do início das competições, o Comitê Olímpico soviético teve uma idéia inusitada: já que seu país fazia fronteira com a Finlândia, seus atletas não ficariam na Vila Olímpica, mas sim em suas casas, clubes e quartéis. No dia de cada competição, iriam de avião ou trem até o país vizinho, competiriam, e depois voltariam para a União Soviética. O COI, evidentemente, considerou isso um absurdo, e não permitiu, exigindo que os atletas soviéticos permancessem concentrados para a competição em território finlandês, assim como haviam feitos todos os atletas de todos os países em todas as edições dos Jogos antes desta. A URSS aceitou, mas, ao invés de enviar seus atletas para a Vila Olímpica, construiu sua própria Vila, em Otaniemi, a 8 Km de Helsinque, vigiada por guardas armados para impedir a fuga de atletas para o capitalismo, e onde um enorme painel mostrava, dia a dia, uma comparação entre o desempenho dos atletas soviéticos e norte-americanos - este painel, inclusive, era manipulado, omitindo alguns resultados dos EUA para que a URSS estivesse sempre ganhando; somente no último dia da competição, quando já não havia mais necessidade de motivar seus atletas, os resultados omitidos foram acrescentados e os Estados Unidos "venceram". Os atletas da Hungria e da Tchecoslováquia, atraídos pela vodca e caviar, decidiram ficar na Vila Olímpica soviética. Os atletas das demais nações foram hospedados na confortável e descontraída Vila Olímpica oficial, a apenas 2 Km do Estádio Olímpico, exceto as moças, hospedadas em uma escola de enfermagem a dez minutos a pé do estádio.

Os Jogos de 1952 foram realizados entre 19 de julho e 3 de agosto, e contaram com 4.925 atletas, sendo 518 mulheres, que representaram 69 nações em 149 competições de 20 esportes: atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, equitação, esgrima, futebol, ginástica, halterofilismo, hóquei, luta greco-romana, luta livre, natação, pentatlo moderno, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, tiro e vela. Dois outros esportes foram incluídos como de demonstração, o handebol de campo e o pesäpallo, uma variação finlandesa do beisebol. A cerimônia de abertura, no moderno Estádio Olímpico, foi emocionante e, de certa forma, divertida. Após os desfiles das delegações e os habituais discursos, houve uma revoada de quatro mil pombas. De repente, uma jovem loira e muito bonita, em trajes brancos esvoaçantes, pôs-se a correr pela pista em direção ao microfone. Os 60 mil espectadores imaginaram tratar-se de algum procedimento da festa, mas era uma penetra. Detida pela polícia, ela se identificou como uma estudante alemã que apenas queria discursar elogiando os Jogos e pedindo a paz definitiva entre as nações participantes. Se isto era verdade, até hoje ninguém sabe, mas logo após entrou no estádio o vitorioso atleta Paavo Nurmi, aos 52 anos de idade, carregando a Tocha Olímpica, e com ela acendeu uma pira. Após acender a pira, ele entregou a Tocha a outro atleta igualmente vitorioso, Hannes Kohlemainen, 62 anos, que a utilizou para acender uma segunda pira, a 72,71 metros de altura, a mesma distância com a qual Matti Jaervinen ganhou o ouro no lançamento do dardo em 1932, recorde olímpico da época.

O atletismo é o esporte nacional da Finlândia, mas em casa, infelizmente, eles não conseguiriam nenhum ouro, se limitando a um bronze no lançamento do dardo com Toivo Hyytiaeinen. Do atletismo, porém, saiu uma medalha de ouro para o Brasil, 32 anos após seu primeiro e único triunfo, graças a Adhemar Ferreira da Silva, então com 25 anos, no salto triplo. Adhemar já havia competido em 1948, mas sem chances de medalhas. Treinando forte, porém, em 1950 igualaria o recorde mundial, quebrando-o um ano depois, e iniciando uma seqüência invejável de 40 vitórias seguidas até 1956, quebrando o recorde mudial mais três vezes. Somente durante seus saltos em busca do ouro em 1952, Adhemar quebraria o recorde olímpico quatro vezes, e o mundial mais duas, terminando 24 cm à frente do segundo colocado, o soviético Leonid Sherbakov. O bronze foi para o venezuelano Arnoldo Devonish, a primeira medalha olímpica da história da Venezuela.

Além do ouro de Adhemar, o Brasil ainda ganharia um bronze com José Telles da Conceição no salto em altura, e outro com Tetsuo Okamoto nos 1.500 metros livre da natação. Liderada por Sylvio de Magalhães Padilha, a delegação brasileira pela primeira vez priorizou os atletas, ao invés de usar seu dinheiro para levar dirigentes e cartolas para passear. O resultado se viu em campo: além das três medalhas, o país ainda ficou entre os oito melhores em dezesseis outras competições, destaque para o quarto lugar de Ary Façanha de Sá no salto em distância, a apenas 7 cm do bronze. No concurso completo da equitação, o Brasil ficou com o quarto lugar na disputa por equipes, e Eloy Massey de Oliveira Menezes, no individual, empatou em primeiro lugar com outros cinco conjuntos, perdendo a medalha no desempate. Wolfgang Richter, Peter Mangels e Francisco Isoldi conseguiram um sétimo lugar entre 17 na classe Dragon da vela, mesmo competindo com um barco emprestado. No tiro, modalidade carabina, atirador deitado, Severino Moreira ficou a dois acertos do recorde mundial, mas não ganhou medalha porque dois outros atletas conseguiram este recorde, e três outros acertaram um a mais que ele. O futebol, com um time de juvenis que contava com os futuros campeões de 1958 Vavá e Zózimo, ficou com o quinto lugar, mesma colocação do basquete, que deu azar ao cair, já na segunda fase, no mesmo grupo de Estados Unidos e União Soviética.

Dois campeões de 1948 defenderam com honras seus títulos em 1952: o norte-americano Bob Mathias, primeiro atleta a vencer o decatlo em duas Olimpíadas seguidas; e o tchecoslovaco Emil Zatopek, que se tornou o único homem até hoje a vencer os 5.000 metros, os 10.000 metros e a maratona em uma mesma Olimpíada, inclusive quebrando o recorde olímpico nas três provas. De 1948 a 1954, Zatopek ganharia 38 provas seguidas dos 10.000 metros, e, na década de 60, quando o australiano Ron Clarke se tornou o primeiro homem a correr 10.000 metros em menos de 28 minutos, em uma demonstração de espírito olímpico, Zatopek lhe deu a medalha de ouro que havia ganho em 1952. Ao ser perguntado o porquê da ação, respondeu: "Clarke foi um atleta incrível, que jamais teve a sorte de ganhar um ouro. Ele merece a medalha. Eu não necessito mais dela".

Os destaques femininos começam justamente pela mulher de Zatopek, Dana Zatopekova, que no mesmo dia em que seu marido ganhava o ouro dos 5.000 metros, abiscoitava o ouro no arremesso do dardo, quebrando o recorde olímpico e vencendo a prova já em sua primeira tentativa, entrando para a História como a primeira vez em que marido e mulher ganhariam ouro não só na mesma Olimpíada, mas no mesmo dia. Infelizmente, Zatopekova não conseguiu manter seu desempenho nas competições futuras. Na mesma prova, a soviética Aleksandra Chudina ganharia a prata, medalha que também conquistaria no salto em distância, além de um bronze no salto em altura, um brilhante desempenho. Igualmente brilhante foi a apresentação das meninas soviéticas na ginástica, ganhando o ouro por equipes, o primeiro de sete seguidos, apenas interrompidos por sua ausência em 1984. A primeira medalha olímpica da história da URSS também foi conquistada por uma mulher, Nina Romashkova, no arremesso do disco. Também merecem destaque a australiana Marjorie Jackson, ouro nos 100 metros e nos 200 metros rasos, que entre 1950 e 1954 quebraria nove recordes mundiais, e a musa dos jogos, a charmosa norte-americana Pat McCormick, ouro tanto no trampolim quanto na plataforma nos saltos ornamentais.

Pela primeira vez, foi permitido que civis competissem no pentatlo moderno e na equitação. Mais que isso, na equitação as mulheres puderam competir junto aos homens. Graças a estas duas mudanças, a dinamarquesa Lis Hartel, 31 anos, pôde ganhar uma medalha de prata. Atacada pela poliomielite, paralisada dos joelhos para baixo, Hartel desenvolveu uma técnica única, no qual seus pés eram amarrados nos estribos, e ela controlava seu cavalo Jubilee através de toques dos joelhos. Se o sueco Henri Saint Cyr e seu cavalo Master Rufus não estivessem em uma tarde especialmente inspirada, talvez Hartel tivesse ganhado o ouro. Outro sueco, o carpinteiro Lars Hall, entrou para a História como o primeiro campeão civil do pentatlo moderno.

Um dos acontecimentos mais inusitados de 1952 ocorreu na prova dos 100 metros rasos masculina: quatro competidores, o jamaicano Herbert McKenley, o britânico McDonald Bailey, e os norte-americanos Dean Smith e Lindy Remigino, cruzaram a linha de chegada absolutamente juntos. Incapazes de determinar o vencedor, os fiscais recorreram à cronometragem, que registrava o mesmo tempo para os quatro. No fotochart, todos os quatro estavam juntinhos, impossível saber quem teria cruzado primeiro. A solução foi estudar várias fotos e filmes da corrida, e analisar a foto da chegada com lupas e esquadros. Após uma longa reunião, os fiscais deram a vitória ao menos cotado dos quatro, o norte-americano Remigino. Nem mesmo ele acreditou, dizendo, na entrevista, que tinha certeza de ter perdido, por ter visto McKenley ter passado por ele. McKenley recorreu, mas uma análise com uma lupa ainda mais grossa manteve a vitória do norte-americano. Apesar da revolta do jamaicano, anos mais tarde uma análise da foto feita por computador confirmaria o resultado: o ombro direito de Remigino atingiu a linha de chegada dois centímetros à frente do peito de McKenley.

Por fim, não se pode falar dos Jogos de 1952 sem mencionar o time de futebol da Hungria, talvez o mais vitorioso da história do esporte. Dispostos a montar uma seleção capaz de vencer o ouro olímpico em 1952 e a Copa do Mundo de 1954, os húngaros não pouparam esforços, viajando por todo o país atrás de talentos, selecionando atletas amadores, para não impedir sua inscrição nos Jogos. Uma vez que o time estava pronto, todos foram devidamente alistados no exército, para que seus salários não constituíssem profissionalismo, e intensos treinamentos começaram.

Falsos amadores ou não, ninguém pode negar que os jogadores húngaros tinham um enorme talento. Ferenc Puskas, Sandor Kocsis, Joszef Bosik, Nandor Hidegkuti, todos estes são hoje nomes de respeito na galeria do futebol. Entre 1949 e 1954 a Hungria conseguiu a proeza de ficar cinco anos inteiros sem sofrer uma única derrota. Nos Jogos, arrasou a Romênia, a Itália, a Turquia e a Suécia, até ganhar o ouro diante da Iugoslávia, esta sim uma equipe amadora de fachada, onde os jogadores já eram destaque no futebol europeu.

A Hungria ainda continuaria a encantar o mundo até a final da Copa de 1954, na Suíça, quando, injustamente ou não, perdeu para a Alemanha Ocidental. Em 1956, a União Soviética invadiria a Hungria, o que faria com que os principais jogadores do time fugissem para a Espanha, se naturalizando. Puskas ainda conseguiria algum destaque jogando pela Espanha, e a Hungria ainda ganharia o ouro olímpico em 1964 e 1968, mas time como aquele, em toda a história do país, jamais voltaria a existir.

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