domingo, 13 de agosto de 2006

Olimpíadas (IX)

E vamos a mais um post sobre as Olimpíadas!

1940-1944


A bem da verdade, até Hitler invadir a Tchecoslováquia, em 1939, ninguém imaginava que suas ações pudessem dar início à Segunda Guerra Mundial. Nada mais natural, então, que o COI tocasse sua vida, decidindo em suas reuniões as sedes dos Jogos de 1940 e 1944. Quando a Guerra se tornou uma realidade, e era impossível disputar um torneio esportivo em meio a tiros e bombardeios, Henri de Baillet-Latour não viu outra saída senão cancelá-los. Felizmente, seria um cancelamento temporário, pois as Olimpíadas voltariam com sua força total em 1948.

A primeira sede escolhida para os Jogos de 1940 foi Tóquio, capital do Japão, na reunião do COI de 1935. Em seu direito de apresentar a sede para os Jogos de Inverno, o Japão indicou a cidade de Sapporo. Tóquio e Sapporo, porém, teriam de esperar mais um pouco para organizar suas Olimpíadas: em 1937 se iniciou a segunda guerra entre o Japão e a China, e em 1938 os japoneses anunciaram que não teriam condições de organizar os Jogos estando em guerra. Os Jogos de Verão então passaram para Helsinque, capital da Finlândia, segunda colocada na votação que elegeu Tóquio. Os de Inverno, excepcionalmente, seriam realizados em Sankt Moritz, sede da segunda edição do evento, para que a Finlândia não tivesse de construir ou reformar instalações para dois Jogos em tão pouco tempo. As discordâncias entre o comitê organizador suíço e o COI no tocante à inclusão do esqui alpino e à possibilidade de participação dos instrutores de esqui acabaram fazendo com que St. Moritz desistisse do evento durante a reunião do COI de 1939. Às vésperas dos novos Jogos, o COI decidiu reprisar a sede anterior, fazendo com que os Jogos de 1940 também acontecessem em Garmish-Partenkirchen. Três meses depois, a Segunda Guerra começaria, e os Jogos de 1940 não aconteceriam em lugar nenhum.

Os Jogos de 1940 foram cancelados, mas o COI ainda tinha esperanças de que a guerra seria breve, e manteve as sedes para os Jogos de 1944, escolhidas durante a reunião do COI de 1939. Naquela ocasião Londres foi a vencedora para abrigar os Jogos de Verão. Tendo a Grã-Bretanha aberto mão de seu direito de escolher a sede de Inverno, uma nova votação foi feita, e a vencedora foi Cortina d'Ampezzo, na Itália. Como em 1944 a Guerra ainda não havia acabado, o COI optou por também cancelar esta edição dos Jogos, e marcar a próxima para 1948, sem, entretanto, escolher suas sedes. Este cancelamento foi motivo de grande tristeza para os membros do Comitê, pois em 1944 o COI completaria 50 anos, e comemorações especiais estavam previstas para ocorrer durante os Jogos. Para não passar em branco, mesmo durante a Guerra, várias conferências e palestras foram ministradas na sede do COI, em Lausanne, Suíça.

Infelizmente, não foi Baillet-Latour quem presidiu estas comemorações. Fugido de sua Bruxelas natal, praticamente confinado na sede do COI, o conde belga morreria de depressão em 1941. Quem o sucedeu na presidência foi o sueco Sigfrid Edström, presidente do comitê organizador dos Jogos de 1912, em Estocolmo, e também presidente da Federação Internacional de Atletismo.

Sankt Moritz 1948


A Segunda Guerra acabaria em 1945. Com três anos até 1948, o COI esperava que as Olimpíadas não precisassem ser canceladas mais uma vez, o que certamente acarretaria no fim definitivo do evento. Por outro lado, a Guerra havia devastado a Europa, e seria difícil conseguir um país disposto a fazer as obras necessárias a uma nova edição dos Jogos de Inverno. A saída seria reprisar uma das sedes antigas, e a que tinha melhores condições para isso era St. Moritz, localizada na neutra Suíça. Além de hospedar os Jogos de 1928, St. Moritz já havia sido escolhida para sediar os de 1940, mas na ocasião uma divergência quanto à possível participação de instrutores de esqui na disputa do esqui alpino acabou acarretando uma troca de sede. Sigfrid Edström, o presidente do COI, sabia que, se perdesse St. Moritz, dificilmente encontraria outra cidade em condições de sediar o evento. Politicamente, portanto, ele considerou que instrutores de esqui não seriam considerados profissionais para as disputas do esqui alpino.

Com este problema resolvido, a Suíça mais que prontamentente aceitou sediar os primeiros Jogos de Inverno em doze anos. As instalações usadas há vinte anos, nos Jogos de 1928, ainda estavam em boas condições, de forma que poucas obras foram necessárias. Como um toque especial, foi adicionada uma pira na entrada do rinque de patinação, cujo fogo permaneceu aceso durante a duração dos jogos. A exemplo do de 1936, porém, este fogo também foi aceso antes da Cerimônia de Abertura, e não pela Tocha Olímpica, que só faria sua estréia nos Jogos de Inverno na edição seguinte.

Os Jogos de Inverno de 1948 são considerados como um dos mais equilibrados da história: somente dois atletas conseguiram ganhar duas medalhas de ouro cada, todos os demais eventos foram vencidos por atletas diferentes. Todos os países membros do COI foram convidados, exceto a Alemanha e o Japão, a pedido dos organizadores, pois as feridas da Guerra ainda estavam muito recentes. Mesmo com tantos convites, somente 28 países enviaram delegações, para um total de 669 atletas, sendo 77 mulheres, que competiram em 22 modalidades de 9 esportes: bobsleding, combinado nórdico, esqui alpino, esqui cross country, hóquei no gelo, patinação artística no gelo, patinação no gelo em velocidade, saltos com esqui e skeleton. O programa ainda contou com dois esportes de demonstração, o biatlo e o curioso pentatlo de inverno, composto de esqui cross country, tiro, a modalidade de descida do esqui alpino, esgrima e uma corrida a cavalo.

Livre do boicote que marcou sua apresentação em 1936, o esqui alpino contou com seis modalidades: descida, slalom e combinado, no masculino e feminino. Um dos maiores destaques da competição foi a americana Gretchen Fraser, que competiu no slalom. Após vencer a primeira bateria com folgas, Fraser se preparava para competir na segunda quando um problema técnico na cronometragem interrompeu a prova por 17 minutos. Mesmo após esta pausa enorme, ela ainda conseguiu manter seu ritmo, e conquistou a primeira medalha de ouro da história dos Estados Unidos no esqui. Outro destaque foi o francês Henri Oreiller, que ganhou o ouro na descida e no combinado, as duas primeiras medalhas de ouro da França nos Jogos de Inverno.

Além de Oreiller, somente o sueco Martin Ludström conseguiu duas medalhas de ouro, ambas no esqui cross country, uma nos 18 Km e uma no revezamento 4x10 Km. Na ausência de Sonja Henie, o grande destaque da patinação artística no gelo foi a canadense Barbara Ann Scott, de 19 anos, primeira não-européia a vencer na modalidade, que encantou os jurados com seu estilo e foi apelidada pela imprensa de "fada do gelo". Barbara poderia ter sido a sucessora de Henie nos Jogos, mas se profissionalizou logo após o evento.

A única confusão digna de nota ocorreu no hóquei no gelo: devido a uma disputa interna, os Estados Unidos enviaram à Suíça duas equipes, uma montada pelo Comitê Olímpico norte-americano, outra pela Associação de Hóquei Americana. O COI votou pela desclassificação de ambas as equipes, mas o comitê organizador pemitiu que o time da AHA competisse, terminando, inclusive, em quarto lugar. Diante de uma ameaça do COI de anular todo o torneio, a organização voltou atrás e anulou os resultados de todos os jogos do time da AHA. Felizmente, esta anulação não alterou a distribuição das medalhas - o torneio foi em pontos corridos, onde todos jogam contra todos e quem faz mais pontos é o campeão - e o ouro foi mais uma vez para o Canadá, que conseguiu seis vitórias e um empate, mesmos resultados da Tchecoslováquia, mas com um saldo de gols melhor.

Os Jogos de Inverno de 1948 foram realizados entre 30 de janeiro e 8 de fevereiro. Ao seu término, ganharam o apelido de "Jogos da Renovação", e provaram que o amor pelo esporte pode resistir até mesmo à maior das guerras.

Londres 1948


Em 1939, quando ainda não se sabia que o mundo mergulharia em uma Guerra, Londres havia sido escolhida para sediar as Olimpíadas de 1944, o que faria com que a capital inglesa se tornasse a segunda cidade a sediar duas edições dos Jogos. Com o cancelamento daquela edição, porém, o sonho londrino teve de ser adiado. Graças a Sigfrid Edström, presidente do COI, por apenas quatro anos. Não havia tempo hábil para selecionar uma sede para os Jogos de 1948, e mesmo que houvesse as candidatas seriam poucas. Edström, portanto, "premiou" Londres com o direito de sediar os Jogos de 1948, já que a cidade tivera de abrir mão dos de 1944. A Grã-Bretanha, porém, estava devastada pela Guerra, e muito relutou em aceitar este prêmio. Só concordou em realizar os Jogos quando Edström lhes garantiu de que eles não teriam nenhuma despesa para construir novas instalações, e de que o próprio COI se encarregaria da organização do evento.

Assim, não foram construídos novos estádios ou ginásios, sendo utilizados os que já estavam prontos desde o evento de 1908, ou os que haviam sido construídos para outros torneios. As cerimônias de abertura e encerramento, mais os jogos de futebol, ocorreriam no estádio de Wembley, construído em 1924. O atletismo foi disputado em uma pista de areia originalmente usada para corridas de cachorros, à qual os organizadores adicionaram pó de carvão para torná-la mais compacta. A natação e o boxe ocorreriam na Empire Pool, o basquete na Harringay Arena, a ginástica no Empress Hall, e o remo na raia de Henley, no Rio Tâmisa. Nem mesmo uma Vila Olímpica foi construída, ficando os atletas hospedados em acampamentos militares, escolas convertidas em alojamentos, ou em casas de famílias dispostas a ajudar. Muitas delegações levaram seus próprios cozinheiros, já que não haveriam refeitórios à disposição.

Com tudo resolvido, ainda que de forma meio improvisada, os Jogos foram marcados para de 29 de julho a 14 de agosto, e os convites enviados. Como represália pela Guerra, o COI não convidou a Alemanha nem o Japão, mas a pedido do primeiro ministro Winston Churchill, a Itália recebeu um convite. As nações comunistas, como Iugoslávia, Hungria e Polônia, também foram chamadas, assim como a União Soviética, que mais uma vez decidiu não comparecer. Por causa da proximidade com a Guerra, se imaginava que muitas outras nações declinariam do convite, mas Londres viu um número recorde de 59 países enviando delegações para competir em seus Jogos. Ao todo compareceram 4.099 atletas, sendo 385 mulheres. Do programa constaram 136 competições de 20 esportes: atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, equitação, esgrima, futebol, ginástica, halterofilismo, hóquei, luta greco-romana, luta livre, natação, pentatlo moderno, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, tiro e vela, mais lacrosse como esporte de demonstração. Por causa da distância entre esta e a última edição dos Jogos, poucos atletas que competiram em 1936 puderam voltar a participar em 1948, e apenas dois deles repetiram suas medalhas de ouro: o tchecoslovaco Jan Brzak, da canoagem, e a húngara Ilona Elek, da esgrima. Ainda na esgrima, merece destaque o dinamarquês Ivan Osier, que não ganhou medalhas, mas entrou para a história por ter competido nas duas edições dos Jogos de Londres, em 1908 e 1948.

Por causa da contenção de custos, a Cerimônia de Abertura foi discreta, com apenas o desfile das delegações e alguns discursos. A Tocha Olímpica, porém, foi mantida, e após ser acesa na Grécia e passar por um revezamento de atletas, chegou a Wembley nas mãos do corredor John Mark, responsável por acender a pira. 83 mil pessoas estavam presentes, mas estima-se que mais de 500 mil tenham visto a cerimônia, transmitida pela televisão, que na época já fazia parte dos lares de muitos moradores da Grã-Bretanha. Por mais que torcessem, porém, os britânicos pouco puderam fazer para ajudar sua delegação, ainda enfraquecida pela Guerra e sofrendo com a falta ou racionamento de combustíveis e alimentos, o que faria com que nesta edição, pela primeira vez, o país-sede não se colocasse entre os dez primeiros do não-oficial quadro de medalhas. Mesmo assim, a empolgação era tanta que a imprensa britânica, habitual detratora dos Jogos, fez uma cobertura exemplar do evento, e chegou até mesmo a criar os hoje famosos pictogramas - aqueles bonequinhos praticando os esportes - para ilustrar suas matérias.

Os maiores destaques desta edição dos Jogos vieram mais uma vez do atletismo, a começar por Emil Zatopek, da Tchecoslováquia, apelidado "a locomotiva humana". Com um jeito curioso de correr, fazendo caretas, Zatopek não tomou conhecimento dos adversários na prova dos 10.000 metros, mesmo a prova sendo disputada debaixo de uma forte chuva. Após a décima volta, completados 4.000 metros, Zatopek aumentou ainda mais seu ritmo, com uma inacreditável disparada que deixou para trás os favoritos, os finlandeses Viljo Heino e Raino Heinstrom e o francês Alain Mimoun. A disparada de Zatopek foi tão grande que ele chegou a colocar duas voltas de vantagem sobre os dois últimos colocados, uma volta de vantagem sobre os finlandeses, e completaria a prova com quase um minuto de vantagem sobre Mimoun. Os fiscais, desnorteados com sua velocidade, soaram o sino que anuncia a última volta por engano quando o líder abriu a penúltima volta. Felizmente, todos os corredores completaram a distância integral, mas a enorme diferença entre os primeiros e os últimos fez com que o resultado demorasse a sair, até que os fiscais chegassem a uma conclusão sobre quem chegou na frente de quem. Zatopek ainda poderia ter ganho o ouro nos 5.000 metros, mas não o fez por falta de humildade: ao completar 4.000 metros, Zatopek deu passagem ao belga Gaston Reiff e ao holandês Willem Slijkhuis, fazendo um gesto com o braço como um cavalheiro que permite que uma dama passe à sua frente, e permitindo a ambos uma folga de 40 metros. O plano de Zatopek era, ao soar do sino, mais uma vez dar sua arrancada devastadora, passando os oponentes e vencendo em grande estilo. Realmente ele conseguiu ultrapassar Slijkhuis, mas Reiff notou sua aproximação, apertou seu passo, e lhe tirou o ouro por apenas dois décimos, quebrando o recorde olímpico. Zatopek teve de se contentar com a prata, e aprender a competir sério.

Outra lenda de 1948 veio do decatlo, o norte-americano Bob Mathias, de apenas 17 anos, até hoje o atleta mais jovem a ganhar uma medalha no atletismo. Mathias havia começado a disputar provas de decatlo apenas quatro meses antes, tendo sido convencido por um professor de sua escola a trocar o futebol americano, esporte que praticava, pelas dez provas combinadas nas quais se consagraria. Inexperiente, Mathias teve de aprender as regras que fossem diferentes das que estava acostumado nos campeonatos inercolegiais dos EUA durante as provas, quase sendo eliminado diversas vezes. Ainda por cima, choveu durante a maior parte dos dois dias da competição, que ainda se estendeu durante a noite, com a ajuda de vários carros estacionados com os faróis ligados para que os atletas vissem o que estavam fazendo. No dia seguinte à sua conquista, ao receber sua medalha de ouro, Mathias declarou aos repórteres que "não repetiria o que fiz ontem e anteontem nem por um milhão de dólares".

Entre as mulheres, fez história a holandesa Fanny Blankers-Koen, detentora dos recordes mundiais no salto em altura, salto em distância, 100 metros rasos, 200 metros rasos e 80 metros com barreiras. Como o regulamento da época só permitia que mulheres competissem em no máximo quatro provas, ela optou pelas três últimas, mais o revezamento 4x100 metros. Ganhou o ouro em todas. Casada com seu treinador, mãe de dois filhos, Fanny, de 30 anos, ainda arrumou um tempinho entre as competições para visitá-los em Amsterdam. Por todos os seus feitos, ela ganharia um troféu especial, Victrix Ludorum, a Rainha dos Jogos.

No pólo aquático, a bicampeã Hungria seria derrotada na final pela Itália, campeã invicta, com um time tão bom que ganharia o apelido de Settobello, o "sete de ouros", em alusão ao tradicional jogo de cartas italiano scopa e aos sete atletas que compõem o time. E o futebol teve seu último torneio antes do domínio das nações comunistas, que muitos acusam de ter inscrito "falsos amadores", atletas supostamente amadores mas que recebiam dinheiro do governo para treinar como profissionais. O campeão de 1948 foi a Suécia, com o time que revelou os três irmãos Nordahl, e que seria terceiro lugar na Copa do Mundo de dois anos depois e vice-campeão em 1958. Após esta edição, as nações comunistas ganhariam 22 das 27 medalhas em jogo de 1952 a 1980.

Também merece destaque o húngaro Karoly Takacs, do tiro. Campeão mundial em 1938, durante a Guerra ele perderia sua mão direita, a mão da pistola, na explosão de uma granada. Sem desistir, Takacs pacientemente treinou durante dez anos para atirar com a mão esquerda, e retornou às competições exatamente em 1948, ganhando o ouro na pistola de tiro rápido e quebrando o recorde mundial.

O Brasil, com uma delegação composta de 68 homens e 11 mulheres, após 28 anos finalmente ganharia uma nova medalha, um bronze no basquete, onde venceu todos os seus jogos exceto a semifinal, contra a França. Em oito outros esportes, os atletas brasileiros ficariam entre os oito primeiros. No salto triplo, por exemplo, Geraldo de Oliveira ficaria na quinta colocação, e aconteceria a estréia internacional de Adhemar Ferreira da Silva, futuro recordista mundial e campeão olímpico. Outros quatro brasileiros seriam finalistas na natação, sendo três sextos lugares: Willy Otto Jordan nos 200 metros peito, Piedade Coutinho nos 200 metros livre, e a equipe feminina do revezamento 4x100 metros livre. Além deles, o revezamento 4x200 metros livre masculino seria o oitavo lugar. Podem parecer resultados pouco expressivos, mas demonstravam a clara evolução do esporte de nível internacional do país. Além disso, depois de 1948, o Brasil ganharia pelo menos uma medalha a cada edição dos Jogos Olímpicos.

Por fim, nos Jogos de 1948 aconteceu um fato ridículo, mas divertidíssimo: um dos integrantes do comitê olímpico britânico, Lord Cecil Burghley, teve a brilhante idéia de homenagear o italiano Dorando Pietri, desclassificado da maratona de 1908 por receber ajuda dos fiscais, mas que poderia ter vencido a prova se isto não tivesse ocorrido. Pietri, então, foi convidado para dar o tiro de largada da maratona de 1948, e aceitou a homenagem, comparecendo, já velho, mas ainda bem-humorado e descontraído. Emocionado, Lord Burghley o hospedou em seu castelo, e chegou até mesmo a levá-lo para visitar o Palácio de Buckingham, onde foi recebido com todas as honras e muitas homenagens. Tal fato foi noticiado em toda a imprensa européia, inclusive na italiana, o que acabou desmascarando um impostor: o verdadeiro Pietri havia morrido em 1942, durante a Guerra. O falso Pietri acabaria preso e deportado, e Lord Burghley, envergonhado, pediria demissão do comitê, mas seus colegas, achando muita graça do episódio, não aceitaram sua dispensa.

Mas verdadeiramente emocionante e nada ridículo seria o fato de que o Espírito Olímpico sobreviveria à Guerra: de 1948 em diante, as Olimpíadas jamais seriam canceladas novamente.

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