
Atualizado em 18 de abril de 2011
Eu já falei aqui (e meu Perfil atesta) que adoro séries de tokusatsu, especialmente sentai. Mas de todas as que assisti, minha preferida é um quase-sentai: Cybercop.
Exibida entre setembro de 1988 e julho de 1989 no Japão, a série, cujo título original era Dennou Keisatsu Cybercop (a "polícia de cérebro eletrônico dos policiais cibernéticos"), foi ao ar no Brasil durante anos pela finada TV Manchete - não sei quando começou, mas, se não me engano, parou de passar em 1994. Produzido pela Toho (mesma produtora dos filmes de Godzilla) e originalmente exibido no canal japonês NTV, teve 35 episódios, mas aqui no Brasil nunca passou o final - sempre começava a reprisar depois do episódio 28, provavelmente o último que a Manchete comprou. Era filmado em vídeo, diferentemente dos Sentai e Metal Heroes da Toei, que eram filmados em película. Devido aos seus efeitos especiais paupérrimos (muita gente e objetos "colados no filme", por exemplo), não fez muito sucesso, e hoje é pouco lembrada no Japão.
A premissa da história era a seguinte: no final da década de 1990, os crimes aumentaram assustadoramente, e o Japão ficou super violento. Para combater esta onda de crimes, foi criada uma divisão especial da polícia, o ZAC (de Zero-Section Armed Constables, "policiais armados da seção zero", seja lá o que isso signifique), comandada pelo Capitão Hisagi Oda e pela Tenente Shimazu Mizue. Com armas e equipamentos de última geração, o ZAC foi capaz de trazer a criminalidade novamente até um patamar aceitável, e cuidar para que ela se mantivesse assim.O maior trunfo do ZAC eram quatro policiais de elite, Akira Houjou, Ossamu Saionji, Ryoiti Mori e Tomoko Uesugi. Akira, Ossamu e Ryoiti, os três homens da equipe, receberam armaduras especiais, de codinomes Marte (a verde), Mercúrio (a azul) e Saturno (a cinza), se tornando os Cybercops. Para "vestir" as armaduras, eles entravam em cápsulas especiais que as materializavam em seus corpos, e com elas tinham acesso a poderes como superforça, supervelocidade, superpulos e muitas, muitas armas - a coisa que eu mais gostava na série: toda vez que um Cybercop precisava de uma arma, usava uma espécie de crachá para acessar um terminal especial, escondido em vários pontos-chave da cidade. O Cybercop então digitava o número da arma no terminal, e uma máquina pegava a maletinha correspondente em um depósito e a enviava através de uma série de túneis, até que ela saísse em um alçapão camuflado. O Cybercop, então, abria a maletinha e montava a arma para o uso.
Tomoko (interpretada pela cantora Mika Chiba, que, na época, tinha apenas 16 anos) não tinha armadura - até estava prevista para ela uma armadura Vênus, que acabou cancelada por falta de verba do ZAC - mas sua habilidade e perícia faziam com que ela fosse um membro da equipe tão valoroso quanto os Cybercops. Completavam a equipe do Zac os operadores Daisuke Yazawa e Miho Asakura, que ficavam na base distribuindo as missões. O principal modo de locomoção dos Cybercops era um carro de polícia modificado, com equipamentos de última geração, mas eles também usavam uma van que carregava as cápsulas de transformação.
A principal função dos Cybercops era ajudar a polícia local, enfrentando terroristas e outros bandidos mais perigosos. Um dia, porém, surgiu uma organização criminosa chamada Destrap (que, no original japonês, se chamava Deathtrap, a "armadilha mortal"), comandada pelo Barão Kageyama - na verdade, apenas uma marionete do computador super-avançado Fuller (Führer no original), que planejava dominar o Japão. Tendo entre seus membros os renomados cientistas Professor Einstein, Madame Durwin e Dr. Ployd, a Destrap se utilizava de monstros, até bem parecidos com as armaduras dos Cybercops, para cumprir seus propósitos malignos. Muito resistentes e controlados à distância pelo cientista que os inventou, os monstros da Destrap se mostravam fortes demais até mesmo para os Cybercops, que conseguiam enfrentá-los, mas não destruí-los.
Entretanto, bem no dia do primeiro ataque da Destrap, chegou ao Japão um misterioso jovem de nome Shinya Takeda, enviado pela Interpol para treinamento no ZAC. Lutando junto com os Cybercops, Takeda conseguiu controlar o poder da novíssima armadura Júpiter (a vermelha), que conta com um ataque especial capaz de destruir os monstros da Destrap. Admitido na equipe, Júpiter acabou se tornando uma espécie de líder (aparentemente, porque ele era o de armadura vermelha), ganhando, ainda, uma moto futurista e um lugar na banda da qual os demais Cybercops fazem parte em seu tempo vago.
Mais para o meio da série, apareceu um "Cybercop renegado", Lúcifer, e a verdadeira origem de Takeda foi conhecida: ele veio do futuro, com uma missão desconhecida, mas perdeu a memória e se uniu aos Cybercops. Lúcifer também veio do futuro, aparentemente para matar Takeda. No melhor estilo tokusatsu, entretanto, ele foi mudando aos poucos, de vilão para rival amistoso e então aliado ocasional, principalmente após descobrir que Kageyama, que também veio do futuro, era o homem que ele realmente procurava, e não Takeda.Enfim, Cybercop foi como um cruzamento de Sentai com Metal Hero, um estilo que antecedeu séries mais famosas, como Winspector e Solbrain. É uma pena que tenha tido uma produção tão pobre, e que seu final jamais tenha sido exibido por aqui. Para um Tokusatsu, os personagens eram bem trabalhados, e a história fugia daquele esquema de alienígena/raça subterrânea/mutante/demônio querendo dominar/anexar/explorar/destruir a Terra começando por Tóquio.
Digam o que quiserem, é o meu favorito.
Quando eu escrevi meu perfil ali na coluna do lado, tinha certeza de que iria esquecer uma coisa ou duas. Tudo bem, sempre é tempo para adicionar novidades. Uma das coisas que eu esqueci de colocar, mas que agora já está em seu lugar, é um dos melhores e mais engraçados super-heróis do mundo: The Tick!
A série animada foi ao ar em três temporadas, entre setembro de 1994 e novembro de 1996, totalizando 36 episódios. A série não é completamente fiel aos quadrinhos, mas o próprio Edlund participou do roteiro e direção dos desenhos, o que faz com que ambas as versões, quadrinhos e desenho, sejam consideradas "oficiais" apesar das diferenças. Posteriormente, também foi feita uma série com atores de verdade, mas essa eu nunca consegui assistir.
O Tick tem algumas particularidades interessantes, como o fato de patrulhar a cidade pulando de prédio em prédio, e seu curioso grito de guerra ("colherrrrrrrrrr!", que surgiu quando ele procurava um bom grito de guerra, e por acaso estava com uma colher na mão). Nos quadrinhos, Tick e Arthur têm até uma "Tick-caverna", mas isto não foi transposto para o desenho.
Para enfrentar tais ameaças, Tick e Arthur contam com a ajuda de outros super-heróis da Cidade, como American Maid, a empregada mais patriótica da América; o Homem-Bala, que se lança de um canhão em direção aos vilões; os Cinco Cívicos, um grupo de cinco super-heróis com QG secreto e carro próprio; e o que eu considero o melhor de todos, Fledermaus ("morcego" em alemão; na verdade traduziram para Rato Deflator, mas eu me recuso a chamá-lo por este nome), o Cavaleiro da Noite, Protetor da Escuridão, mulherengo, vaidoso e extremamente covarde.
Como não tinha condições de produzir seu próprio jogo, Satoshi o ofereceu para diversas softhouses japonesas, mas sem sucesso. A única que aceitou foi a Game Freaks, com a condição de que o jogo passasse a ser de sua propriedade. Já sem esperanças de ver seu jogo produzido, Satoshi aceitou vendê-lo.
Até hoje, nenhum jogo vendeu tanto no Japão. Lançado em duas versões, a vermelha ("Pocket Monsters Akai") e a verde ("Pocket Monsters Ao"), o jogo criado pelo jovem Satoshi se tornou uma verdadeira febre, gerando mais merchandising do que qualquer outro produto da história do entrentenimento japonês. Imaginem uma loja semelhante às nossas Lojas Americanas, ou à finada Mesbla, mas que só venda produtos Pokémon. Pois no Japão existe algo assim, os Pokémon Centers. Dois ou três andares de camisas, biscoitos, brinquedos, chaveiros, tudo Pokémon.
Neste cenário surreal, o jogador controla Ash Ketchum (que, no original japonês se chama Satoshi Tajiri, em homenagem ao criador do jogo), um garoto de 10 anos que pretende se tornar o maior treinador de Pokémons do mundo. Órfão de pai, Ash vive na cidade de Pallet com sua mãe, e seu vizinho e melhor amigo é o Professor Oak (conhecido pelos fãs do desenho como "Professor Carvalho"), cientista que tem um sonho: catalogar todas as espécies de Pokémon existentes no mundo. Para isso, ele inventa a Pokéagenda (Pokédex), um aparelho capaz de armazenar os dados de Pokémons vistos e/ou capturados por seu usuário.
Pouca gente sabe, mas a escolha do Pokémon determina o grau de dificuldade do jogo: Bulbasaur para o jogo fácil, Squirtle para o médio, e Charmander para o difícil.
Como em qualquer jogo de RPG, existem "batalhas aleatórias", onde os Pokémons poderão ganhar pontos de experiência e ficar mais fortes. Ash pode carregar até 6 Pokémons consigo de cada vez, mas pode armazenar mais nos Pokémon Centers que encontrar pelo caminho, trocando-os pelos que carrega de acordo com a necessidade. Existem 15 tipos de Pokémon: Normal, Pedra, Água, Elétrico, Planta, Psíquico, Venenoso, Fogo, Terrestre, Voador, Inseto, Fantasma, Lutador, Gelo e Dragão, cada um com suas vantagens e desvantagens. Cada tipo é "forte" contra outro tipo (água é forte contra fogo, por exemplo) e "fraco" contra um terceiro (elétrico é fraco contra pedra). Balanceando sua equipe, Ash conseguirá derrotar todo tipo de inimigo. Por isso é importante capturar e treinar novos Pokémons.
Em 1999, aproveitando a popularidade do desenho, foi lançada uma nova versão de Pokémon, a amarela ("Pocket Monsters Kou"), lançada nos EUA como "Special Pikachu Edition" (embora o nome Pokémon Yellow tenha se tornado muito mais popular). Esta versão é idêntica à azul/vermelha, mas possui suporte para Game Boy Color, e é mais parecida com o desenho: ao invés de escolher entre Bulbasaur/Charmander/Squirtle, Ash sempre começa com Pikachu, e Gary com Eevee. Os gráficos também são um pouco melhores.
Após a guerra franco-prussa, o Kriegspiel chegou à Inglaterra, onde foi "rebatizado" para Wargame. O Wargame ficou meio esquecido, pois era um jogo meio complicado, jogado apenas por "profissionais de Wargame", todos militares. Parecia que esta história teria um fim prematuro, até que, em 1915, o brilhante escritor H. G. Wells, fã do Wargame, decidiu escrever um livro chamado Little Wars, que, além de explicar o Wargame de forma clara e detalhada para amadores e civis, trazia pequenas miniaturas colecionáveis, utilizadas para representar os exércitos.
Em 1969, a editora Guidon Games lançou o livro Chainmail ("Cota de malha", aquela armadura medieval feita de vários anéis de aço entrelaçados). O Chainmail não era um Wargame por si só, mas sim um conjunto de regras para serem utilizadas em conjunto com o jogo Outdoor Survival da Avalon-Hill. Com as regras do Chainmail, o Outdoor Survival se transformava em uma grande aventura de fantasia medieval, onde não haviam armas de fogo, e os objetivos eram invadir castelos, matar dragões e salvar princesas.
Assim, em 1974, Gygax e seu amigo Don Kayne decidiram fundar sua própria editora, a qual chamaram de Tactical Studies Rules, ou simplesmente TSR. Gygax pegou todo o material que tinha escrito dois anos antes, aparou as arestas, e lançou seu primeiro livro, o Dungeons & Dragons ("Masmorras e Dragões"). Arneson foi creditado como co-autor do jogo, por sua contribuição para as regras, e convidado a trabalhar na TSR. Ele e Gygax se desentendiam muito, porém, e apenas um ano após sua entrada na editora, ele decidiu abandonar o projeto. Injustamente, Gygax entrou para a História como criador do RPG, e Arneson foi praticamente esquecido pela indústria.