domingo, 26 de outubro de 2003

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H.P. Lovecraft

O Grande Cthulhu


Nem só de fantasia medieval vive o homem. Há alguns anos, descobri outro gênero literário que muito me agradou, e rapidamente fez de seu autor um dos meus favoritos. O gênero era denominado por seu próprio autor de "horror cósmico". O autor era H. P. Lovecraft.

Lovecraft é conhecido entre os RPGistas por uma adaptação de seu trabalho, o RPG "Call of Cthulhu", mas reduzi-lo a Cthulhu seria reduzir H. G. Wells à "Máquina do Tempo", ou Edgar Allan Poe ao "Corvo". Sua obra é maior que isso. Lovecraft foi um autor brilhante, de vida conturbada, não reconhecido em sua época, mas que praticamente reinventou a literatura de horror. Esqueçam os sustos e a carnificina. O horror de Lovecraft é psicológico, e envolve o leitor em um crescendo, que resulta em um misto de agonia e ansiedade, fazendo com que ele ao mesmo tempo queira e "não queira" saber o final da história.

H. P. LovecraftNascido Howard Phillips Lovecraft, em 20 de agosto de 1890 em Providence, Rhode Island, Estados Unidos, onde passaria toda sua vida, Lovecraft vinha de uma família tradicional, de descendência inglesa e muitas posses. Nasceu "em berço de ouro", como se costuma dizer. Aos quatro anos já demonstrava interesse pela leitura, e começou a ler precocemente as histórias dos Irmãos Grim e de Julio Verne. Mas tarde, esta literatura fora substituída pela da mitologia greco-romana. Mas esta vida de luxo e cultura teria várias reviravoltas, que marcariam sua vida para sempre.

Sua mãe o obrigou a usar o cabelo comprido até os seis anos de idade, e o tratava como menina. Praticamente não conheceu seu pai, internado em um sanatório quando Lovecraft tinha apenas três anos de idade, morrendo cinco anos depois, insano e paralizado, em decorrência da sífilis. Logo após a morte de seu pai, Lovecraft descobriu Edgar Allan Poe, que se tornou seu autor preferido. Segundo ele, "nunca mais veria a beleza do mundo sem a certeza da morte".

Aos dez anos de idade, Lovecraft descobriu a ciência, que também seria marcante para seus futuros trabalhos, se apaixonando pela astronomia e pela química. Também aos dez anos, Lovecraft perdeu sua avó materna. Estas duas perdas não fizeram nada bem à já perturbada saúde de sua mãe, que passou a ter um comportamento ainda mais insano. Lovecraft começou a ter vívidos pesadelos, que o acompanhariam até sua morte, e chegou a pensar em suicidar-se atirando-se em uma das galerias pluviais do Rio Barrington.

Aliás, Lovecraft foi açoitado pela doença durante toda sua vida. Dores de cabeça, distúrbios nervosos e um cansaço infindável sempre prejudicaram sua vida escolar, e impediram que ele concluísse Ensino Médio e ingressasse em uma faculdade. Seu avô materno, dono de uma vasta biblioteca, sempre colaborou com sua educação, e graças a isso, Lovecraft se tornou um jovem culto e erudito, sempre impressionando seus colegas formados com sua vasta cultura e literatura, bem como com sua impressionante memória.

Seu avô, porém, morreu quando Lovecraft tinha apenas 14 anos. O caos, então, se instalou em sua "família", reduzida a esta altura apenas a ele, um jovem doente, e sua mãe, cada vez mais insana. Os dois tiveram de deixar sua mansão da Era Vitoriana para dividir um sobrado com suas tias, mais um fato que marcou a triste vida do escritor para sempre. Sua mãe viria a falecer em 1921, também internada em um sanatório, como seu pai, e Lovecraft viveria com suas tias até o fim de sua vida.

Em 1914, Lovecraft começou a publicar vários poemas e contos de sua autoria em jornais locais, mas ainda sem assumir o gênero de horror. Somente em 1919 ele começaria a escrever neste estilo, após descobrir os livros de Lord Dunsany, o que lhe causou, em suas prórpias palavras "um choque" e "um vasto ímpeto" de produzir seus próprios romances.

A última das influências literárias de Lovecraft seria o escritor Arthur Machen, considerado por ele "o maior escritor vivo", cujo primeiro livro lera em 1923. Os livros de Machen eram considerados de leitura difícil, mas traziam um tema que se tornaria recorrente em todos os romances de Lovecraft: o horror ancestral desconhecido, que sobrevive até hoje, considerado como mito pela humanidade, mas que é real e retornará.

Lovecraft começou sua carreira profissional com contos de horror inspirados por Dunsany e Machen, e publicados na revista Weird Tales. Os mais notáveis foram "Dagon", escrito originalmente em 1917, mas publicado em outubro de 1923; o excelente "The Rats in the Walls", de 1923, o primeiro escrito sobre a influência de Machen, e "Imprisioned with the Pharaohs", de 1924, escrito para ninguém menos que Harry Houdini, o famosos mágico.

Outros contos famosos de Lovecraft, publicados ou não na Weird Tales, incluem "Celephaïs" (1920), que indica vários elementos psicológicos da vida do próprio autor; "The Outsider" (1921), uma história no estilo de Poe; "The Shunned House" (1924), mistura de casa-mal-assombrada com ficção científica; "The Dream Quest of Unknown Kadath" (1926), ambientado em um mundo de sonhos propositadamente pouco descrito, o que aumenta o clima de horror; "The Call of Cthulhu" (1926), sem dúvida o mais famoso, no estilo "horror-ancestral-desconhecido-que-retorna"; e "The Colour of Outer Space" (1927), o mais célebre da linha "horror cósmico", considerado pelo próprio Lovecraft, e por muitos de seus fãs, como sua obra-prima. Outros dos trabalhos favoritos do próprio autor são "The Music of Erich Zahn" (1921) e "The Dreams in the Witch-House" (1932).

O ponto mais notável da carreira de Lovecraft foram suas correspondências. Assim como Tolkien, outro de meus autores preferidos, Lovecraft possuía o hábito de escrever cartas para tudo e para todos. Acreditem ou não, ele escreveu mais 100.000 cartas em sua curta vida, superando até mesmo outros autores famosos por este hábito, como Tolkien, Voltaire, Horace Walpole e Samuel Johnson - juntos! Infelizmente, menos de 1% destas cartas foram publicadas, em uma colagem denominada "Selected Letters", com cinco volumes e 2000 páginas! Existe também um projeto para registrar todas as cartas de Lovecraft em computador, para acesso através da interenet (e que já ocupa 16Mb).

Horror Lovecraftiano vs. Fantasia Medieval


Sua mais famosa "criação", os Mitos de Cthulhu, não foram realmente criados por Lovecraft, mas por seu amigo e colaborador August Derleth, que continuou escrevendo após a morte de Lovecraft como se ambos estivessem escrevendo juntos. Tais Mitos acabaram por ganhar vida própria, gerando centenas de subprodutos, como livros de arte, histórias em quadrinhos, jogos de tabuleiro (!), o já citado RPG "Call of Cthulhu" e centenas de contos escritos por outros escritores ou fãs (entre eles, "Call of Ombuthulhu", um conto de horror lovecraftiano em quatro capítulos, escrito a quatro mãos por mim e pelo Ombudsman, que você pode conferir no Omby's Weblog).

Somente em 1939, após a morte de Lovecraft, é que seus contos começaram a ser reunidos e publicados como livros - e então a fama e os fãs começaram a surgir.

Todas as histórias de Lovecraft possuem pontos em comum: o medo do desconhecido; o horror ancestral oculto; a ciência e a ficção científica, na forma de raças alienígenas ou de outras dimensões, e de aparatos tecnológicos bizarros; e a loucura. O crescendo do horror das histórias levam os protagonistas a situações onde só existem duas saídas possíveis: a loucura e a morte. Podem ser encontrados pontos auto-biográficos em seus contos, como os pesadelos recorrentes dos protagonistas, o narrador que começa suas histórias dizendo que pode ser considerado louco, ou até mesmo a cidade fictícia de Arkham (sim, o Asilo Arkham tem algo a ver com isso), onde são ambientadas suas histórias, claramente inspirada em Providence.

Lovecraft morreu em 15 de março de 1937 (mesmo dia do meu aniversário :P), antes de completar 47 anos de idade, de câncer no intestino e inflamação nos rins, após sofrer durante um ano. Ele se referia à sua doença como "uma gripe", e se recusava a ser examinado por médicos. Morreu pobre, pois seus contos nunca lhe fizeram famoso em vida. Foi enterrado no cemitério de Swan Point, onde estava toda sua família, mas sem qualquer lápide. Somente em 1977 seus fãs decidiram marcar o local, com uma lápide que diz "Eu sou Providence".

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domingo, 19 de outubro de 2003

Escrito por em 19.10.03 com 0 comentários

Record of Lodoss War (I)



Muitos desenhos já foram inspirados pela fantasia medieval, gênero praticamente inventado por J.R.R. Tolkien, e que serviu de base para o primeiro RPG do mundo, o Dungeons & Dragons. O mais conhecido deles, sem dúvida, é a Caverna do Dragão (que, em inglês, se chama Dungeons & Dragons), aquele que a Globo passava tanto que ia abrir um buraco na fita (nada contra, eu adoro esse desenho, e até gostaria que reprisassem mais uma vez, pois da última eu tentei gravar os episódios e ficaram faltando dois). Os anime também já beberam dessa fonte, existindo várias séries medievais fantásticas, talvez mais ainda do que americanas. De todas elas, porém, o que tem mais clima de RPG, e, por acaso, meu preferido é Record of Lodoss War.

Lodoss é um desenho medieval típico, sem magias exageradas, muitos dragões voando por aí, nem nada do tipo. Só um vilão bem vilão, e um bando de jovens heróis inexperientes tentando detê-lo, com alguns coadjuvantes poderosos para ajudá-los. O clima de RPG está presente a todo momento, a começar pelo grupo de heróis, um típico grupo de personagens-jogadores.

O "herói principal" é Parn, um guerreiro adolescente que herdou a armadura e a espada do pai, e sempre desejou um dia usá-las para viver grandes aventuras. A oportunidade se apresenta quando sua pacata vila é invadida por um bando de goblins. A ele se une Etoh, amigo de infância de Parn e recém-ordenado clérigo (para quem não sabe, um tipo de padre capaz de executar magias, que são conferidas a ele pelo deus do qual ele é devoto). Em sua primeira aventura, os dois são ajudados/salvos pela elfa Deedlit, que decide se unir ao grupo.

Paralelamente a isso, o anão Ghim recebe uma missão: encontrar a sacerdotisa Leylia, filha de uma grande amiga sua, há muito desaparecida. Para isso, ele pede a ajuda de seu amigo mago Slayn, que não tem muita prática em aventuras, mas conhece muitas magias. Os dois grupos acabam se encontrando e passando a ser um só. Após algumas aventuras e muita confusão, acabam todos presos, e, na cadeia, encontram o ladrão Woodchuck, que, em troca de sua liberdade, se une aos jovens aventureiros.

Pronto, um guerreiro, um clérigo, um mago, um ladrão, uma elfa e um anão! É ou não é um grupo de RPG?

Por fim, nossos heróis conseguem livrar Leylia do domínio de Karla, e aí começa a segunda história.

Na segunda história, o sumo-sacerdote de Marmo planeja acordar um deus ancestral, estando de posse de um artefato que permitiria controlá-lo e dominar toda Lodoss. Para isso, ele precisará sacrificar Deedlit em um ritual. Além de salvar Deedlit, os jovens heróis ainda têm que se preocupar com um ataque de Shooting Star, dragão há muito adormecido que resolver acordar e espalhar o caos por aí.

No geral, Lodoss é um desenho de muita ação, que poderá agradar até mesmo quem não está habituado com o clima de RPG - mas para quem consegue identificar os elementos, o desenho tem muito mais graça. Tal clima de RPG pode ser explicado: o cenário de Lodoss surgiu em uma série de romances de fantasia medieval, inspirados pelas obras de Tolkien. Aproveitando o sucesso dos romances, foi lançado um RPG do cenário, semelhante ao Dungeons & Dragons. Na carona do sucesso do RPG (que, pelo que eu saiba, só existe no japão, embora na internet role uma "versão traduzida" em pdf), foi produzida a série OVA.

Depois desta versão OVA, também foi lançada uma série regular, para a TV, com novos personagens no mesmo cenário, mas esta eu nunca tive a oportunidade de assistir. Mas parece que falam bem dela na internet.
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domingo, 12 de outubro de 2003

Escrito por em 12.10.03 com 0 comentários

Tapa-Buraco (I)

Hoje eu gostaria de pedir desculpas, pois durante essa semana eu tive muitos problemas (muitos mesmo) com o BLOGuil, além dos contratempos que sempre tomam meu tempo (estudos, por exemplo) de modo que não tive oportunidade de preparar nada para cá. Mas tudo bem, é um ótimo pretexto para que eu poste mais uma de minhas músicas preferidas da Tori Amos! :-D Desta vez vamos a uma meio sem pé nem cabeça, mas muito simpática, Space Dog.

Ah, e antes que eu me esqueça: após um longo e tenebroso inverno, os arquivos do átomo ressucitaram. Se você queria rever algum post antigo, essa é a sua chance.

E vamos à música:

Space Dog
Letra e música: Tori Amos

Way to go
Mr. Microphone
Show us all that we don't know
Centuries secret societies
He's our commander still
Space Dog

Refrão:
So sure we're on something
Your feet are finally on the ground
He said
So sure we're on something
Your feet are finally on the ground girl

Rain and snow
Our engines have
Been receiving your
Eager call
There's Colonel Dirtyfishydishcloth
He'll distract her good
Don't worry so

And to the one you thought was on your side
She can't understand she truly believes the lie

Lemon Pie
He's coming through
Our commander still
Space Dog
Lines secure
Space Dog

Deck the halls, I'm young again, I'm you again
Racing turtles the grapefruit is winning
Seems I keep getting this story
Twisted so where's Neil when you need him?
Deck the halls, I'm you again, it's you again
Somewhere, someone must know the ending
Is she still pissing in the river now?
Heard she'd gone moved into a trailer park

Repitam o Refrão!

So sure those girls now are in the Navy
Those bombs our friends can't even hurt you now
And hold those tears 'cause they're still on your side
Don't hear the dogs barking
Don't say you know we've gone
Andromeda stood with those girls before
The hair in pairs it just got nasty
And now those girls are gone

Repitam o Refrão!
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domingo, 5 de outubro de 2003

Escrito por em 5.10.03 com 0 comentários

Your Dictionary

Outra coisa da qual eu gosto muito é de idiomas. Acho interessantíssimo o fato da raça humana ter conseguido desenvolver tantas formas diferentes de expressar os mesmos sentimentos através de palavras. Afinal, quantas palavras será que existem no mundo para dizer, por exemplo, "quente" ou "frio"?

Sempre fui fascinado para aprender novos idiomas (embora "oficialmente" só tenha realmente aprendido três, inglês, alemão e francês, além do português, óbvio), mesmo que fossem apenas algumas poucas palavras. Sempre adorei dicionários e aqueles guias de viagem que ensinam a dizer "bom dia", "a que horas sai o vôo?", "onde é o banheiro?", "pega o ladrão" e outras frases úteis ao viajante que desconhece o idioma de seu destino.

Desconheço quantos idiomas e dialetos possam existir no mundo, e acho muito pouco provável que um dia eu consiga aprender todos eles (além de não existir nenhum uso prático para isso). Mesmo assim, a internet deu uma grande contribuição para saciar minha curiosidade, através dos dicionários online. Afinal, é mais legal entrar num dicionário online para descobrir uma ou duas palavras do que gastar uma fortuna num dicionário impresso que depois provavelmente ficará encostado.

Assim, hoje lhes trago um link para o Your Dictionary. Mais do que um dicionário online, este site é uma grande (e põe grande nisso) coleção de links para outros dicionários online. Nele você encontrará dicionários online de quase todos os idiomas e dialetos do mundo, embora alguns sejam mais difíceis de utilizar, menos completos ou menos precisos do que outros, o que exige uma certa paciência e um pouco de garimpo até se encontrar o que se deseja. A maioria deles é para dicionários "outra língua"-inglês (ou inglês-"outra língua"), o que pode exigir cohecimento prévio deste idioma. Mesmo assim é uma mão na roda quando você está curioso para saber o que significa uma determinada palavra que encontrou em um texto estrangeiro, ou como se diz alguma coisa em algum outro idioma.

Agora, quando você quiser saber como se diz "felicidade" em inuit, a língua dos esquimós da Groenlândia, pode ir até lá e descobrir que é "kuviasungnerk".
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