domingo, 28 de setembro de 2003

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Garbage (I)



Hoje temos mais um post do quesito "música". Já falei aqui sobre minha cantora preferida (e põe preferida nisso), Tori Amos, e sobre a banda que eu mais gosto (e põe gostar nisso), os Smiths. Mas minha vida músical não se resume a pianos e rock dos anos 80. Logo depois de Tori Amos e dos Smiths, outras bandas e cantoras conseguem minha atenção auditiva. A primeira da lista é o Garbage.

Sinto não dispor de uma biografia tão completa quanto a que apresentei das outras vezes, mas, ao contrário daqueles, nunca comprei nenhuma revista que trouxesse a biografia do Garbage (bem, uma vez eu comprei uma Wired que falava da Shirley Manson, mas só dela, não da banda). Mesmo que tivesse, eles são relativamente recentes, só possuem três álbuns, então eu acho que não seria uma biografia tão completa assim. De qualquer forma, eu catei algumas coisas aqui e ali na internet, então vamos ver do que se trata esse tal de Garbage.

Para quem não sabe, além da cantora escocesa Shirley Manson, o Garbage é formado por três ex-produtores ("péssimos músicos que apenas fingem que tocam", segundo eles mesmos), Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson. Os três se conheceram no início dos anos 80, quando Vig foi estudar na Universidade de Winsconsin, onde formou uma banda chamada Spooner, na qual era baterista, e seu colega Erikson era vocalista e guitarrista. Após algumas apresentações, os dois conheceram Marker, que se tornou um grande fã da banda, e utilizou um dinheiro que havia ganho cortando grama (!) para ajudá-los a gravar seu primeiro compacto. A banda, porém, nunca conseguiu um contrato com uma gravadora, até que, em 1984, os três amigos decidiram comprar um velho armazém e fundar a Smart Studios, sua própria gravadora de rock de garagem.

O Spooner lançou três álbuns pela Smart Studios, depois mudou de nome para Firetown. A maior parte do dinheiro do estúdio vinha de gravações para bandas punk locais (a US$ 100 cada disco, cruzes!). A fama do estúdio se espalhou, e logo gravadoras do cenário independente estavam contratando os serviços da Smart para que seus artistas lá gravassem. No início dos anos 90, a Smart já era tão popular no cenário grunge/alternativo que lá foram gravados os álbuns "Nevermind", do Nirvana, "Siamese Dream", sos Smashing Pumpkins, e "Dirt", do Sonic Youth, todos tendo Butch Vig como produtor.

Em 1993, enquanto trabalhavam em remixes para um novo álbum do Nine Inch Nails, os três produtores decidiram fazer uma jam session, para descontrair (para quem não sabe o que é uma jam session, eles pegaram seus instrumentos - guitarra, baixo e bateria - e tocaram várias músicas sem compromisso). Por alguma razão, eles começaram a fazer sons estranhos e barulhentos com os instrumentos, e adoraram isso. Assim, eles começaram a passar mais e mais tempo tocando na Smart, sempre tentando obter os sons mais estranhos e barulhentos que conseguissem. Talvez eles tivessem ficado nessa maluquice para sempre, mas, em 1994, Butch Vig viu na Mtv um clip de uma banda chamada Angelfish, cuja vocalista era uma ruiva escocesa de nome Shirley Manson. Imediatamente, ele soube que ela era a voz que faltava para a "banda" que eles haviam criado.

Antes de cantar no Angelfish, Manson tocava teclados e fazia backing vocal na banda escocesa Goodbye Mr. Mackenzie. Ao ser convidade para uma entrevista com os três famosos produtores, ela aceitou, mas ficou muito nervosa. O que ela não sabia, é que os três também estavam muito nervosos. Segundo Steve Marker, a entrevista foi "um desastre". Mesmo assim, eles conseguiram marcar uma nova entrevista, na qual ela ficou mais à vontade. A certeza de que ela era a vocalista certa para a banda veio quando Vig a mostrou uma letra e ela respondeu "I can't sing this bloody crap!" (desculpem, mas traduzir isso tiraria a metade da graça). Segundo Vig, ela era perfeita porque eles queriam alguém "que eles não conseguissem manipular".

Mas ainda faltava um nome. Isto foi resolvido quando um amigo de Vig visitava o estúdio durante uma gravação do primeiro disco da banda. Ao ouvir a barulheira que eles estavam fazendo, este amigo exclamou: "This sounds like garbage!" (algo como "isso soa como lixo"). Butch vig riu e respondeu "Exatamente. E nós vamos transformar este lixo numa canção".

O primeiro álbum do Garbage foi lançado em 1995, após muitas gravações e regravações. Foi um enorme sucesso de público e de crítica, tendo vendido mais de 5 milhões de cópias até hoje, só nos Estados Unidos. Logo após o final da primeira turnê, eles começaram a produzir o segundo álbum, "Version 2.0", lançado em 1998. A demora no lançamento foi devida ao fato de que todos os membros da banda são perfeccionistas, e, portanto, as músicas têm de ser gravadas, regravadas, gravadas novamente, e, quando eles acham que está bom, voltam para o estúdio para gravar mais um pouco. Nas palavras de Erikson, "se não tivéssemos que parar, não pararíamos nunca".

O terceiro álbum, "Beautiful Garbage", é de 2001, lançado novamente após muitas regravações. Uma curiosidade é que o álbum vem com um "mixer virtual", para o próprio fã poder mexer nas músicas e deixá-las do jeito que quiser.

Alguns fãs reclamaram da atual fase da banda, pois Beuatiful Garbage é um álbum bem mais eletrônico (e bem menos punk) que os anteriores. Realmente, as canções mais recentes são bem mais próximas da música eletrônica que do rock, mas eu não vejo isso como um defeito.

Bem, e eu? "Como foi que o Guil descobriu essa maluquice", alguns devem estar pensando. Na verdade, acho que a única forma de se descobrir uma banda doida é através de uma doideira: eu comprei o CD porque tinha um G bem grande na capa.

Bom, não foi só por causa disso. A história toda é a seguinte: um dia, no ano de 1995, estava eu a mudar de canal, quando, passando pela Mtv, achei uma música barulhenta. Era o clip da música "Queer", mas já estava no final. Como eu gosto de músicas barulhentas, anotei o nome da banda, para tentar ver de novo outro dia (pois é, uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, mas até hoje eu faço isso). Aí, outro belo dia, eu estava comprando CDs na internet. Na época, um Dólar era igual a um Real, não existia o imposto de importação de 100%, e a taxa de envio era US$ 15,00 para os primeiros três CDs. Diante disso (e somando ao fato de que eu tinha dinheiro), eu comprava CDs de três em três (afinal, comprando três eu pagava os mesmos R$ 15,00 de envio do que se eu comprasse só um). Eu sempre deixava juntar três CDs que quisesse comprar antes de encomendar. Nessa ocasião, porém, um dos CDs que eu ia comprar (acho que era um Single da Tori Amos) estava esgotado. Como o pedido já estava praticamente pronto, pensei, "vou substituir por outro que seja barato". O CD do Garbage estava em promoção por US$ 13,00. Ao ver o nome "Garbage", pensei: "Ei, é aquela banda barulhenta do outro dia! E tem um G enorme na capa! Isso deve ser um sinal!". Pois é, isso se chama adolescência. Comprei o CD.

E fiz muito bem, porque adorei o dito cujo, do início até o fim. Quem leu meus posts anteriores sabe que só os Smiths e Tori Amos tinham conseguido esse feito. Pois bem, agora já eram três os contemplados.

Além da barulheira, o que eu mais gosto no som do Garbage é da voz da Shirley Manson. É uma voz grossa, diferente, e muito afinada. Em algumas músicas, inclusive, ela muda a voz para um tom mais fino, o que provoca reações do tipo "isso é Garbage?!?!", mas continua afinada. O último CD realmente é bem diferente dos anteriores, pois os dois primeiros eram de rock barulhento, com letras sinistras e clima sombrio, enquanto o último é quase techno, com um clima mais leve. Mas, o que alguns chamam de defeito, eu considero versatilidade.

Se bem que, realmente, eu prefiro quando eles são barulhentos.
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domingo, 21 de setembro de 2003

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Neon Genesis Evangelion



Hoje vou falar de outro de meus anime preferidos: Neon Genesis Evangelion.

Shinji IkariProduzido pelo estúdio Gainax no ano de 1996, com duas temporadas de 13 episódios cada, Evangelion é um desenho psicologicamente intenso, com trechos de difícil compreensão, recomendado para adultos. A história é sui generis: basicamente, Deus se cansa da humanidade, e decide enviar anjos para destruir o mundo.

A ação se passa em um futuro próximo, após a queda de um meteoro que degelou a Antártida, causando inundações e perigosas mudanças climáticas em todo o planeta. Mas isto é só parcialmente verdade. Não foi um meteoro, mas o combate contra um anjo, o que causou a destruição da Antártida. O grupo militar NERV, sediado no japão, conseguir capturar este anjo, e o batizou de Adão. Das células de Adão, foram contruídos três robôs gigantes, a defesa da Terra contra os próximos anjos que viriam. A estes robôs foi dado o nome de Evas.

Por alguma razão, os Evas só podem ser pilotados por pré-adolescentes, selecionados por Gaspar, Baltazar e Melchior, os computadores da NERV, através de padrões genéticos. Quando o desenho começa, vemos Shinji Ikari, filho do comandante da NERV, sendo recrutado durante o ataque de um ajno, para pilotar o Eva-01, já que Rei Ayanami, piloto do Eva-00, havia sido gravemente ferida em batalha.

Rei AyanamiAlgum tempo depois, a Shinji e Rei se une Asuka Langley Soryu, filha de uma cientista alemã, piloto do Eva-02. Cabe aos três impedir que qualquer anjo alcance Adão nos subetrrâneos da NERV, pois, se isso acontecer, ocorrerá o Terceiro Impacto, que destruirá toda a humanidade (o Primeiro Impacto foi o que acabou com os dinossauros, o Segundo foi o que degelou a Antártida).

O ponto alto do desenho, sem dúvida, são os conflitos psicológicos entre os personagens. TODOS os personagens do desenho são mentalmente perturbados, cada um com suas manias. Shinji é exageradamente tímido, sempre em dúvida se deve ou não pilotar. Asuka é mandona, superconfiante, e se irrita facilmente. Rei vive em seu próprio mundo, só dedicando sua atenção ao Comandante Ikari e à pilotagem do Eva, disposta a morrer por isso se necessário.

Como o desenho começa "do meio', com muitas coisas a explicar, torna-se emocionante ir descobrindo toda a trama, capítulo a capítulo. Infelizmente, a segunda temporada é muito mais confusa que a primeira, trazendo duas novas perguntas para cada nova resposta. Muita gente que eu conheço desistiu de assistir depois do décimo-quinto episódio porque não estava entendendo mais nada.

Asuka Langley SoryuMas este, infelizmente, não é o maior pecado da série: todo o clima de tensão e mistério, todo o clímax construído milimetricamente através dos 24 primeiros episódios é destruído nos dois últimos que são... como direi... uma bosta. Sem pé nem cabeça, nem parecem que fazem parte do mesmo desenho. E essa opinião é tão forte que a Gainax produziu um filme de uma hora e meia de duração, intitulado "The End of Evangelion", que começa onde o episódio 24 acabou, com uma advertência para que os episódios 25 e 26 sejam solenemente ignorados, e o filme seja considerado o "verdadeiro último episódio". Eu, hein!

Bom, fora essa mancada dos dois últimos episódios, é uma grande série. Talvez seja necessário rever alguns episódios para entender o que realmente está acontecendo, mas este clima de "segredos a serem desvendados" contribui mais do que prejudica.

Neon Genesis Evangelion só foi exibido por aqui no canal pago Locomotion (e bota exibido nisso, repetiram umas 300 vezes). Acho pouco provável que passe na tv aberta tão cedo, e talvez seja até melhor assim, por causa do comportamento brasileiro de que "desenho é coisa de criança". Evangelion, decididamente, não é para crianças. Mas é um desenho excelente, que agradará aos fãs do gênero.
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domingo, 14 de setembro de 2003

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Ninja Gaiden (I)



Eu já disse aqui que os meus jogos de videogame preferidos são os da série Megaman. Em segundo lugar, vêm os da série Tomb Raider. Mas nem sempre foi assim. Há muito tempo, quando os gráficos poligonais eram coisa de ficção científica, outra série de jogos ocupava a segunda posição na minha preferência: Ninja Gaiden.

Pra mim, era o único jogo de ninja que prestava. Todos os outros ou eram do tipo bateu-morreu (sem "energia", basta o personagem ser atingido para perder uma vida) ou usavam shurikens demais e espada de menos. Ninja Gaiden não. Nele, Ryu Hayabusa usava sua espada do dragão em todas as fases, do início ao fim, e a shuriken era uma arma secundária, para ser usada em momentos de desespero. Além disso, podia ser substituída por "poderes ninja" mais eficientes (todos apelidados criativamente de "poder do fogo", "poder do escudo", "poder do bolotão" e outras pérolas).

Outro detalhe importante eram os inimigos. Somente alguns inimigos de fase eram humanos, e os chefes eram todos uns monstrengos. Enfrentar monstros era mais legal principalmente porque ninguém nunca conseguiu me dar um bom motivo pelo qual, em outros jogos, o ninja-herói era de tamanho humano e os chefes ninjas-vilões, teoricamente humanos, ocupavam metade da tela (bem, tinha o excelente argumento "para ser mais fácil de acertar"... mas ainda assim enfrentar monstrengos era mais legal).

O primeiro Ninja Gaiden que eu conheci foi o 2. Era totalmente em japonês, então eu não entendia muito da história. Só sabia que, por algum motivo, devia pegar minha espada e sair matando todo mundo. Para um jogo de ninja, isso já bastava. Somente depois de muitos calos, horas sem dormir e "continues" eu consegui zerar. Depois meu primo comprou o 3. Esse era muito fácil, fiquei decepcionado. Aí eu resolvi jogar o Ninja Gaiden original (o famoso "Ninja Gaiden 1") e me arrependi de ter reclamado do 3. Esse era absurdamente difícil, principalmente os dois últimos chefes (onde, se o pobre ninja morresse, voltaria para três fases atrás!!). Só consegui zerar uma única vez, após passar a tarde toda jogando.

Bem, por algum motivo, depois do episódio 3, a série foi cancelada. Ao contrário do que aconteceu com Megaman, Castlevania (outro de meus preferidos, qualquer dia falo sobre ele) ou até mesmo com Mario, nunca saiu um Ninja Gaiden para os consoles mais modernos. Pelo menos até agora.

A boa notícia é que está em desenvolvimento um Ninja Gaiden 3D, com gráficos de última geração. A má notícia é que ele só vai sair pro Xbox, o videogame da Micro$oft. Como eu não tenho dinheiro para comprar um Xbox para a finalidade exclusiva de se jogar Ninja Gaiden, acho que vou ter que ficar só olhando as fotos (uma dupla frustração, no caso, já que também não tenho dinheiro para comprar um Playstation 2 só para jogar Megaman X7).

Se você também é fã de Ninja Gaiden, de jogos de ninja em geral, ou só de videogame, pode dar um pulinho no site da Tecmo, a desenvolvedora do jogo, para conferir umas fotos. Parece que vem coisa boa por aí.
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domingo, 7 de setembro de 2003

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The Smiths



Desde que fiz aquele primeiro post das coisas que eu gosto, sobre a Tori Amos, senti que fiquei devendo um post sobre os Smiths. Vamos fazer um, então.

A primeira vez que eu ouvi Smiths ainda era criança. Não me lembro quantos anos tinha (uns 10 ou 11), mas foi em um programa de clips da Rede Bandeirantes (beeem antes dessa idéia de se chamar "Band"), que passava imediatamente antes do programa infantil que apresentava Google V, Machineman e Metalder, do qual eu não me lembro o nome. O clip dos Smiths que eu vi foi o "How Soon is Now?" e, embora essencialmente não tenha entendido nada da letra, achei o som muito legal. Esse programa de clips, aliás, era muito bom: foi nele também que eu conheci o Marillion, com "Kayleigh", o Mission com "Butterfly on a Wheel" e os Housemartins, com "Build".

Na época, eu não me interessava por comprar discos (só uns de trilha sonora de novela). Quando gostava de alguma música, gravava do rádio, em fitas K7. Como eu só ouvia rádio 98 (é, todo mundo tem um passado negro...), nunca cheguei a ouvir Smiths no rádio. Felizmente, na época, a rádio ainda não havia sido tomada pelo pagode nem pelo axé, e eu até consegui gravar umas músicas da Legião Urbana. Mas na época eu ainda não me interessava por rock, fora uma música ou outra que me chamasse a atenção. Somente após a invenção da Mtv é que eu fiquei conhecendo mais bandas de rock, e comecei a formar meus gostos. Consegui fitas emprestadas de várias bandas com meus colegas de colégio. Entre elas, uma fita do "The Queen is Dead", dos Smiths. Foi meu primeiro contato com eles desde aquele programa de clips, mas não tinha a música que eu tinha ouvido lá (não se assustem, eu vi o clip mais de uma vez - só não me ocorreu de anotar o nome da música - e me lembrava muito bem do "pé-uuééééééúmmmmmm" da guitarra. Quem conhece a música sabe do que eu estou falando). Embora eu tivesse gostado de todas as músicas da fita (algo que, até então, não tinha ocorrido, e só voltaria a ocorrer com a Tori Amos, como eu já disse em meu post sobre ela), por algum motivo não dei muita importância àquela banda. Ainda por cima, tinha uma música chamada "Vicar in a Tutu", vejam só. Copiei a fita pra mim, mas quase nunca ouvi. Gostava mais de Madonna e INXS (pois é, mais passado negro).

Enfim, quando eu já tinha 16 anos, ocorreu o reencontro. Nessa época, graças às amizades, meu leque musical estava se expandindo, e minha preferência por rock (principalmente o dos anos 80) já começava a se tornar evidente. Já tinha redescoberto o David Bowie e o Jesus and Mary Chain. Tori Amos já era minha "ídala" principal. Já ouvia muito mais Depeche Mode e The Cure do que Madonna e INXS. Smiths, porém, ainda não estavam no meu acervo, fora pela velha e empoeirada fita do "The Queen is Dead" (curiosidade: depois que eu comprei o CD, reencontrei essa fita aqui em casa sem querer... e gravei Oasis por cima! Heresia!!!).

Um dia, em uma festa na casa de uma amiga, ouvi novamente a "How Soon is Now?". Reconheci o "pé-uuééééééúmmmmmm", e corri para ver que disco era aquele. Devido a um pequeno erro material, porém, a caixa do CD que estava em cima do aparelho de som não era a do CD que estava tocando, era a do "Louder than Bombs", outro CD dos Smiths. No dia seguinte comprei um igual, crente que ia finalmente reencontrar aquele "pé-uuééééééúmmmmmm". Evidentemente, isto não ocorreu. Acreditem ou não, liguei para essa amiga assim que o CD acabou de tocar, e perguntei qual era o CD dos Smiths que estava tocando no dia anterior, que tinha aquela música com o "pé-uuééééééúmmmmmm". Acreditem ou não, ela identificou a música e me respondeu. Não somente isso, se ofereceu para ir comigo até a Ultralar & Lazer (cruzes, isso nem existe mais!), onde ela sabia que estava vendendo, para eu comprar um igual. Enfim, a realização.

Desnecessário dizer, este CD, o "Hatful of Hollow", abriu um buraco de tanto tocar (é sério, as três últimas faixas estão pulando, e a tinta da parte de cima está toda descascada!). Finalmente alguém rivalizava com Tori Amos no meu aparelho de som. Para minha maior felicidade, naquela mesma época a Warner resolveu relançar toda a discografia dos Smiths a preços módicos (uma coleção que tinha um adesivo redondo amarelo com um ponto de exclamação na capa). Comprei todos, praticamente um por dia (foram muitas idas à Ultralar & Lazer).

Os Smiths foram a trilha sonora da minha adolescência. Eu ouvia o tempo todo. Todas as músicas deles me trazem lembranças. Mas chega de falar de mim e vamos falar um pouquinho da banda.

Os Smiths começaram a tocar em Manchester, Inglaterra, em 1982. Na época, eram apenas o vocalista Morrissey (nascido Stephen Patrick Morrissey, em 22 de maio de 1959) e o guitarrista Johnny Marr (nascido John Maher, em 31 de outubro de 1963), que assinavam seus trabalhos com o nome "Smiths" (ainda sem o "The"). Amobos já haviam participado de várias outras bandas, juntos ou separadamente, sempre sem sucesso. No final de 1982 eles decidiram gravar uma fita demo, com a ajuda do baterista Simon Wolstencroft, que futuramente desistiria de ser um membro dos Smiths e se uniria à banda The Fall. Após a saída de Wolstencroft, se uniu à banda o baterista Mike Joyce (nascido em 1 de junho de 1963), que, antes dos Smiths, havia tocado na banda punk Hoax and the Victim (excelente nome, diga-se de passagem). Em seu show de estréia, também fazia parte da banda o dançarino (!) James Maker, suposto baixista, que depois não continuou. No lugar de Maker entrou Andy Rourke (cuja data de nascimento eu não consegui descobrir), que já tinha tocado com Marr em várias de suas ex-bandas.

Em 1983, o produtor Joe Moss viu potencial na banda, e, após uma série de shows, conseguiu um contrato para eles com a Rough Trade Records, uma gravadora local. O início da carreira não foi nada fácil. Seu primeiro Single, "Hand in Glove", não conseguiu entrar no Top 50 da Inglaterra, e os tablóides locais acusavam a banda de molestar crianças, algo que "ficava muito claro na letra da música", acusações estas evidentemente refutadas pela banda.

Apesar destas pequenas confusões, ainda em 1983 os Smiths começaram a gravar seu primeiro álbum, com o produtor Troy Tate. Nenhuma das partes estava gostando do resultado, então eles mudaram de produtor, e começaram a gravar tudo de novo com John Porter. Em novembro de 1983 foi lançado um novo Single, "This Charming Man", com resultado bem diferente do anterior, conseguindo uma posição no Top 30. No início de 1984, após uma série de shows não-satisfatórios nos EUA, foi lançado mais um Single, "What Difference Does it Make?", que alcançou a décima-segunda posição no Top 30.

Com o potencial da banda finalmente revelado, foi lançado o primeiro álbum, "The Smiths". Os tablóides novamente viram um prato cheio na música "Surfing Little Children", que falava de uma série de assassinatos de crianças ocorridos na década de 60. As insinuações dos tablóides só pararam quando a mãe de uma das vítimas falou publicamente em defesa de Morrissey. Esta polêmica, combinada com uma série de shows em colégios universidades britânicas, ajudou a alavancar a carreira do grupo. "Hand in Glove", antes maldita, se tornou um sucesso entre os adolescentes, a banda virou cult, e Morrissey era uma das pessoas mais entrevistadas da Inglaterra. E tudo isso ainda em seu primeiro álbum!

Enquanto a banda preparava seu segundo álbum, a Rough Trade Press decidiu lançar "Hatful of Hollow" (meu disco que abriu buraco), uma coleção de singles, apresentações na BBC e músicas inéditas, surpreendentemente bem-sucedido em vendas, quase se equiparando a um álbum inédito. Em 1984, após o lançamento do Single "How Soon is Now?" ("pé-uuééééééúmmmmmm"), a banda começou a ser considerada uma das melhores da Inglaterra (feito respeitável, se você se lembrar de quantas bandas boas vieram de lá) por toda a imprensa especializada. A expectativa em torno de seu segundo álbum, "Meat is Murder", crescia a cada dia. Esta expectativa foi recompensada. Além de trazer o som característico da banda, as músicas possuíam função social, falando sobre temas como violência nas escolas, abuso infantil, matança de animais e revolta adolescente.

Apesar do prestígio de Morrissey e Marr (já considerado um dos melhores guitarristas da Inglaterra) crescer a cada dia, os Singles seguintes dos Smiths não produziam o sucesso esperado. Começaram a surgir rumores de que a banda estaria descontente com sua gravadora. Durante uma turnê pela Grã-Bretanha em 1985, surgiram várias desavenças entre os membros da banda e seus produtores. Durante uma turnê pelos EUA, foi lançado um novo single, "The Boy with the Thorn on His Side", que só alcançou a posição 26 no Top 30. Andy Rourke foi afastado por problemas envolvidos com heroína, mas logo retornou. Um segundo guitarrista, Craig Gannon, também se uniu à banda para a gravação de seu terceiro álbum, "The Queen is Dead", em 1986. Apesar do astral da banda não estar lá essas coisas, o álbum foi aclamado pela crítica e pelo público, bem como as performances de Morrissey e Marr. Este álbum é considerado por muitos fãs (inclusive por mim) e pela crítica especializada como o melhor dos Smiths, e um dos melhores discos de rock da década.

Mais problemas surgiram após o lançamento do Single "Panic" (aquele do "hang the dj"), que criticava a disco music. Apesar da música ter sido Top 20, sua letra controversa e alguns comentários indiscretos de Morrissey sobre a black music fizeram os jornais caírem em cima da banda novamente.

Para abafar os problemas, foi anunciado que os Smiths gravariam mais um álbum pela Rough Trade ainda naquele ano, e depois se tranfeririam para a gigante EMI. O astral da banda, no entanto, já não era lá essas coisas. A alegria de seu Single "Ask" contrastava com a turnê melancólica que faziam pela Grã-Bretanha. A banda quase sofreu uma fatalidade quando Marr se envolveu em um acidente de carro durante a turnê. Enquanto ele se recuperava, Craig Gannon foi dispensado, e entrou com uma ação contra a banda (gostaria de saber: alegando o quê?). No final de 1986, os Smiths fizeram um show na Brixton Academy, acompanhados da banda The Fall. Este seria seu último show ao vivo na Grã-Bretanha.

Mesmo com todos os problemas, em 1987, os Smiths lançaram mais um álbum, "Louder than Bombs", e conseguiram mais uma música no Top 10, "Sheila Take a Bow". Para aproveitar o momento, a Rough Trade lançou mais um álbum "coletânea", o "The World Won't Listen", que não conseguiu o mesmo sucesso de "Hatful of Hollow". Marr não estava mais satisfeito com o rumo musical que a banda tomava, e chegou a pedir para sair por uns tempos. A especulação por parte da imprensa se tornou tão grande que o fim da banda foi anunciado em agosto de 1987.

Após o fim da banda, ainda foi lançado mais um álbum "Strangeways, Here we Come", com músicas que haviam sido gravadas e nunca divulgadas. Vários documentários sobre a carreira da banda foram exibidas em diversos canais. Mais um álbum seria lançado em 1988, "Rank", somente com gravações ao vivo, talvez para tentar manetr os fãs comprando.

Como parecia que os Smiths não iam voltar mesmo, Andy Rourke e Mike Joyce foram tocar com Sinéad O'Connor, e depois formaram a banda The Buzzcocks. Johnny Marr tocou com os Pretenders, depois com o The The e com o Electronic. Atualmente, ele é guitarrista freelancer, já tendo tocado em álbuns de vários outros artistas. Morrissey Prosseguiu em uma carreira solo, mas sem o sucesso dos Smiths.

Hoje, os direitos sobre as músicas dos Smiths pertencem à Warner, que os comprou da Rough Trade e relançou todos os discos em CD em 1992. Morrisey continua cantando sozinho, mas não é a mesma coisa.
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