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sábado, 18 de janeiro de 2025

Escrito por em 18.1.25 com 0 comentários

Blade (II)

Semana passada, nós vimos Blade, o caçador de vampiros da Marvel, nos quadrinhos e na série de TV. Essa semana, veremos seus filmes!

A primeira tentativa de fazer um filme do Blade ocorreria em 1990, quando a New World Pictures compraria os direitos do personagem para fazer um filme de faroeste ambientado no México e estrelado pelo ator Richard Roundtree. A New World jamais começaria a produção, entretanto, e o projeto ficaria engavetado até 1992, quando o rapper LL Cool J procuraria a Marvel se dizendo interessado em interpretar o personagem. A Marvel, então, começaria a procurar um estúdio parceiro, e até pensaria em produzir o filme ela mesma, através da Marvel Films, fundada em dezembro de 1993 através de uma parceria com a própria New World Pictures.

Como Blade não era um personagem muito famoso, encontrar um estúdio não se mostraria muito fácil, e apenas em 1995 a New Line Cinema se mostraria interessada e assinaria o contrato. A New Line contrataria David S. Goyer, na época conhecido por Garantia de Morte, com Jean-Claude Van Damme, e O Corvo: Cidade dos Anjos, para escrever o roteiro do filme, e ele tentaria convencer o estúdio a contratar Ernest Dickerson, de Malcolm X, para a direção. A New Line preferiria David Fincher, de Alien 3 e Seven: Os Sete Crimes Capitais, que começaria até a trabalhar no roteiro com Goyer antes de decidir abandonar o projeto.

Bizarramente, a New Line não acreditava que um filme de super-herói pudesse ser rentável, e queria que Goyer escrevesse um filme de paródia - em determinado momento, eles até perguntaram para a Marvel se o ator que interpretaria Blade não poderia ser branco. Goyer foi terminantemente contra, e queria inclusive fazer o filme o mais sério possível, tratando a causa do vampirismo não como sobrenatural, mas biológica, e com os vampiros sendo vilões ancorados na realidade ao invés dos românticos hedonistas como era padrão nos filmes da época. Goyer apresentaria à New Line o projeto para uma trilogia, e seus primeiros rascunhos do roteiro seriam comparados a Um Vampiro no Brooklyn e Um Drink no Inferno, dois filmes que estreariam antes de Blade e seriam considerados os principais responsáveis pela criação do "vampiro pós-moderno", ancorado na realidade como Goyer imaginava.

Quando se conformou que Blade deveria ser negro, a New Line não quis aproveitar LL Coll J, imaginando que um ator já famoso poderia contribuir para a bilheteria do filme. Os três preferidos do estúdio eram Denzel Washington, Laurence Fishburne e Wesley Snipes, que, na época, tentava produzir um filme do Pantera Negra. Ao saber que Snipes estava sendo considerado, Goyer decidiu que ele que deveria ser o protagonista, e o enviou uma cópia do roteiro. O ator ficou encantado com o que leu, e até se ofereceu para co-produzir o filme através de sua produtora, a Amen Ra Films. Snipes seria o único ator a testar para o papel, assinaria contrato em 1996, e ajudaria Goyer no roteiro, na construção do caráter atormentado do personagem. Goyer e Snipes também decidiriam fazer do Blade do filme uma espécie de samurai contemporâneo, um lobo solitário armado com uma espada - ao invés das facas dos quadrinhos - que percorre o país para cumprir sua missão, jamais fixando raízes em um mesmo lugar por muito tempo.

Quando Snipes embarcou no projeto, o filme ainda não tinha um diretor, e ele mesmo chegou a se oferecer para dirigir; a New Line, entretanto, optaria pelo inglês Stephen Norrington, até então conhecido por ser diretor de efeitos especiais, e que só tinha a direção de um único filme no currículo, o terror futurista Máquina Letal, de 1994. O sucesso de Blade alavancaria a carreira de Norrington, que também dirigiria O Último Minuto e A Liga Extraordinária, mas, após ser substituído em Blade II e no último minuto (sem trocadilho) no filme do Motoqueiro Fantasma, e perder a chance de dirigir a refilmagem de Fúria de Titãs após responder à Legendary Pictures que não se sentia confortável por não ter memória afetiva do original, ele decidiria se aposentar da direção e trabalhar apenas em pequenos projetos pessoais.

No filme, a mãe de Blade, grávida de nove meses, foi morta por um vampiro, com ele apenas sobrevivendo graças às enzimas vampíricas que chegaram a seu corpo através do sangue dela. O resultado foi que ele tem os mesmos poderes dos vampiros, mas nenhuma de suas fraquezas, exceto a necessidade de se alimentar de sangue. Como vingança pela morte de sua mãe, ele decide treinar para se tornar um caçador de vampiros, e, na Los Angeles de 1997, está no encalço de Deacon Frost, vampiro que posa como dono de um clube noturno e que tem um plano para transformar a sociedade vampírica, organizada em um rígido sistema de castas, segundo o qual quem não nasceu vampiro, como Frost, é considerado inferior. O problema é que o plano de Frost envolve transformar toda a humanidade em vampiros, algo com o qual Blade não pode concordar.

Além de Wesley Snipes como Blade, e Stephen Dorff como Deacon Frost, o elenco principal conta com Kris Kristofferson como Abraham Whistler, homem que criou Blade após a morte de sua mãe, o treinou para que ele se tornasse um caçador de vampiros, e atua como mentor, figura paterna e criador das armas de Blade, que usam elementos que causam dano a vampiros mas não a ele, como prata, alho e a luz do sol; N'Bushe Wright como a Dra. Karen Johnson, hematologista que se torna um alvo de Frost, a quem Blade decide proteger; e Donal Logue como Quinn, um vampiro que trabalha com Frost e ao longo do filme sofre todo tipo de ferimentos que deveriam matá-lo, mas ainda assim sobrevive. O filme também traz Udo Kier como o ancião vampiro Gitano Dragonetti; Arly Jover como a namorada de Frost, Mercury; a ex-estrela pornô Traci Lords como a vampira Racquel; Tim Guinee como o Dr. Curtis Webb, namorado de Jenson; e Sanaa Lathan como Vanessa Brooks, mãe de Blade.

O orçamento do filme seria pequeno até para a época, 45 milhões de dólares, o que faria com que a New Line tivesse de ser criativa, montando a maioria dos cenários em uma fábrica abandonada de shampoo. Todas as filmagens ocorreriam em Los Angeles, exceto algumas cenas no Vale da Morte. Todos os efeitos especiais ficariam a cargo da mesma empresa, a Flat Earth Productions, com os efeitos de computação gráfica, na época caríssimos e considerados pouco confiáveis, sendo reduzidos a um mínimo, com a maioria dos efeitos sendo feitos à moda antiga, usando cabos e jogos de câmera. Uma das cenas, inclusive, na qual Deacon Frost se transformaria em uma espécie de criatura feita de sangue, teve de ser substituída por uma luta de espadas entre Blade e Frost porque a Flat Earth simplesmente não conseguia fazer com que os efeitos especiais ficassem realísticos, com em todas as tentativas a cena ficando ridícula. A intenção da New Line era lançar o filme em 1997, mas a primeira versão, que teria 140 minutos, seria um desastre com as plateias de teste, o que faria com que o estúdio exigisse a refilmagem de diversas cenas e atrasaria o lançamento em pelo menos seis meses. Stan Lee faria uma participação especial que acabaria cortada da versão final, como um policial que entra no clube dos vampiros após Blade passar por lá.

Goyer insistiria para que os criadores de Blade, Marv Wolfman e Gene Colan, fossem creditados no filme, mesmo com a Marvel dizendo que isso não era necessário. Ao saber que a New Line havia concordado com o crédito, os advogados de Wolfman entrariam em contato com o estúdio e diriam que apenas ele deveria ser creditado, mas Goyer insistiria para que ambos fossem. Pouco antes do lançamento do filme, Wolfman processaria a Marvel, alegando que o personagem pertencia a ele e, portanto, ela não poderia ter negociado os direitos com a New Line; a justiça decidiria a favor da Marvel, mas Wolfman e Colan receberiam uma compensação financeira por terem sido os criadores do personagem. Três figurantes que interpretaram vampiros também processariam a New Line, alegando que o sangue cenográfico havia manchado suas peles permanentemente, mas não ganhariam a ação por falta de provas.

Blade estrearia em 21 de agosto de 1998 com grande estardalhaço, tirando O Resgate do Soldado Ryan do primeiro lugar das bilheterias e ficando no posto por duas semanas, até ser suplantado por Quem Vai Ficar com Mary?. O filme renderia 70 milhões de dólares nos Estados Unidos e 61 milhões no restante do mundo, para um total de 131 milhões, quase três vezes o que custou - por causa de um contrato mal redigido, contudo, a Marvel receberia apenas 25 mil dólares. A crítica também seria bastante favorável, elogiando a ação e o visual do filme, mas achando o enredo fraco.

O sucesso do filme faria com que a New Line começasse a produzir uma sequência já em 1999, com Goyer, Snipes e Norrington renovando seus contratos. Goyer pensaria em uma história na qual Blade teria de se aliar a vampiros para combater um grupo especialmente perigoso deles, e queria colocar Morbius no filme, mas a Marvel vetaria. Nos primeiros estágios da produção, o presidente da New Line, Michael de Luca, demitiria Norrington e contrataria Guillermo del Toro, que, na época, só havia dirigido dois filmes, o mexicano Cronos e Mutação; a versão oficial do estúdio seria a de que Norrington não mostraria interesse em dirigir a sequência, mas o diretor daria a entender em entrevistas que a New Line não gostaria das sugestões que ele fez para o segundo filme.

Del Toro aceitaria o convite, mas estava trabalhando em seu terceiro filme, o espanhol A Espinha do Diabo, de forma que a produção do segundo Blade teria de ser suspensa enquanto ele não o finalizasse; tanto Goyer quanto o produtor Peter Frankfurt, que havia trabalhado com del Toro em Mutação, achariam que valeria a pena esperar, já que o estilo gótico do diretor seria uma valiosa contribuição para um filme de um caçador de vampiros - de fato, del Toro daria várias ideias para o filme, incluindo sobre a aparência dos vampiros mutantes, com o resultado final mostrando seu estilo inconfundível. Muitas das ideias de del Toro não ficariam boas com os efeitos de computação da época, o que faria com que o Tippet Studio, responsável pelos efeitos especiais, também tivesse de recorrer a muita maquiagem, próteses, e até mesmo animatronics.

Assim como Goyer, del Toro era fã de quadrinhos, e estava cansado do que ele chamava de "vampiros vitorianos", almas torturadas pela existência imortal que viviam apenas para dar algum prazer a seus incontáveis dias; segundo ele, estava na hora de os vampiros serem vilões de novo, e, para isso, eles deveriam ser monstros, realísticos porém afastados da humanidade. Del Toro diria que assistiria as fitas originais do primeiro filme incessantemente, até entender perfeitamente qual era sua linguagem e seu universo, e se diria impressionado com o estilo elegante de direção de Norrinton. Frankfurt diria que, "com um diretor como del Toro", não se pode dizer o que ele deve fazer, e sim deixá-lo levar o filme para onde quiser; o diretor, entretanto, diria não ter alterado o roteiro, creditado apenas a Goyer mas escrito por Goyer e Snipes, apenas ter interferido na parte visual da produção. Ainda segundo del Toro, ele se inspiraria não apenas nos quadrinhos americanos, mas também nas animações japonesas, para chegar ao ritmo que ele considerava adequado para um filme dessa temática.

Del Toro também elogiaria Snipes, segundo ele um ator totalmente comprometido com o personagem, que o conhecia melhor que Goyer, Frankfurt ou qualquer diretor escolhido para o filme, sabendo instintivamente o que o personagem faria ou não a cada cena, e sempre fazendo algo melhor do que ele havia imaginado ao dirigi-la. Frankfurt concordaria, dizendo que todos os maneirismos de Blade haviam sido criados por Snipes, sem nenhuma orientação externa, e que ele os manteve consistentes ao longo dos dois filmes. Snipes se diria empolgado por voltar a interpretar o caçador de vampiros, e que uma sequência era sempre um teste de atuação, para ver se um ator conseguiria recriar de forma consistente algo que já havia feito.

O orçamento do segundo filme seria maior que o do primeiro, mas não muito: 54 milhões de dólares. Por insistência de del Toro, que queria as filmagens na Europa, ele seria filmado em Praga, na Tchéquia, e em Londres, Inglaterra, embora quase a totalidade de suas cenas tenha sido gravada em estúdio, com poucas cenas externas. Devido aos compromissos de del Toro com seu outro filme, as filmagens só poderiam começar em março de 2001, mas seriam rápidas, se concluindo em julho do mesmo ano.

Os vilões do segundo filme, oficialmente chamado Blade II, são os Ceifadores, vampiros mutantes criados por um vírus, cuja mordida tem o poder de transformar tanto humanos quanto vampiros "normais" em Ceifadores. Para derrotá-los, o ancião vampiro Eli Damaskinos envia sua própria filha, Nyssa, para propor uma trégua a Blade e pedir para que ele a ajude a encontrar Jared Nomak, o paciente zero do vírus ceifador, que se transformou em uma espécie de líder de seita, que planeja exterminar todos os vampiros. A princípio, Blade não está interessado, mas, ao saber que, após destruir todos os vampiros, Nomak planeja destruir também a humanidade, deixando o mundo apenas para os Ceifadores, aceita se unir à Matilha Sangrenta (Bloodpack, em inglês), um grupo de elite de vampiros reunidos por Damaskinos para exterminar os Ceifadores - tarefa que não se mostrará nada fácil, já que os Ceifadores possuem todos os poderes, mas nenhuma das fraquezas dos vampiros, exceto em relação à luz solar, sendo este o verdadeiro motivo pelo qual Damaskinos precisa de Blade.

Os únicos atores do primeiro filme que retornam são Snipes e Kristofferson; além de Eli Damaskinos (Thomas Kretschmann), Nyssa Damaskinos (Leonor Varela) e Jared Nomak (Luke Goss), os novos personagens incluem Joshua Fromeyer, apelido Scud (Norman Reedus), assistente de Blade que tenta criar armas capazes de matar os Ceifadores; o vampiro Dieter Reinhardt (Ron Perlman), que teve uma desavença com Blade no passado, e pretende usar o fato de ter de trabalhar com ele para destruí-lo, o que faz com que Blade prenda uma bomba a seu corpo para mantê-lo na linha sob ameaça de detonação; o advogado humano da família Damaskinos, Karel Kounen (Karel Roden); e os demais membros da Matilha, Asad (Danny John-Jules), Chupa (Matt Schultze), o espadachim mudo Snowman (Donnie Yen), Priest (Tony Curran), Lighthammer (Daz Crawford) e Verlaine (Marit Velle Kille) - originalmente, Verlaine seria irmã gêmea de Racquel, e também interpretada por Lords, que não aceitou o papel.

Como as filmagens atrasariam, Blade II não conseguiria uma boa data de estreia nos cinemas, estreando em 22 de março de 2002 - nos Estados Unidos, os meses de março e abril não são considerados bons para o lançamento de sequências, pois o movimento nos cinemas é fraco e a bilheteria costuma ser baixa, por causa, acreditem ou não, das finais do basquete universitário. Apesar disso, Blade II seria o mais rentável da trilogia, rendendo 80 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos e mais 150 milhões no restante do planeta, estreando em primeiro lugar em diversos países da Europa e em Cingapura, para um total de 230 milhões - quase o dobro do primeiro filme, e mais de quatro vezes o que custou. A crítica ficaria dividida, elogiando mais uma vez a ação e o visual do filme, mas achando que não houve desenvolvimento dos personagens, e que a história era ainda mais fraca que a do primeiro.

O sucesso de bilheteria do segundo filme permitiria que Goyer fechasse sua trilogia com Blade Trinity, uma alusão não somente ao fato de que era o terceiro filme, mas também ao de que Blade, nesse, teria dois pupilos: Abigail Whistler, filha de Abraham, cuja arma preferida é um arco e flechas, e Hannibal King, que usa pistolas e estacas. Del Toro, envolvido com as filmagens de Hellboy, não poderia dirigir a sequência, que seria oferecida ao alemão Oliver Hirschbiegel, que, por sua vez, desistiria pouco antes de assinar o contrato, pois conseguiria luz verde para seu projeto pessoal A Queda: As Últimas Horas de Hitler. Goyer, então, convenceria a New Line a permitir que ele mesmo dirigisse o filme, se mantendo em contato durante toda a produção com Norrington e del Toro, que lhe dariam valiosas dicas - del Toro faria inclusive os storyboards do filme, recebendo um agradecimento especial nos créditos por isso. Ao contrário do que foi noticiado na época, Blade Trinity não seria a estreia de Goyer na direção, já que, entre os dois primeiros filmes, ele dirigiria o drama Zig Zag, com Snipes e John Leguizamo, que estrearia 12 dias antes de Blade II.

Curiosamente, quem não ficou satisfeito com Goyer ter sido escolhido para a direção foi Snipes - segundo alguns, porque ele mesmo queria ter dirigido o filme. A amigos, o ator confidenciaria que também não havia gostado do roteiro, que teria sofrido interferência do estúdio, interessado em lançar um spin off estrelado por King e Abigail. Snipes causaria todo tipo de dificuldades durante o filme, se recusando a interagir com o diretor e seus colegas de elenco, se comunicando através de notas passadas por seu assistente, ficando trancado em seu trailer durante todo o tempo em que não estivesse gravando, e, principalmente, se recusando a refilmar cenas que Goyer achasse que não ficaram boas, o que forçaria o diretor a usar dublês e efeitos de computação gráfica durante a pós-produção; segundo um boato, jamais oficialmente confirmado, Snipes apareceria alguns dias para gravar suas cenas bêbado ou drogado, o que faria com que Blade parecesse sempre distante e desinteressado - o ator Patton Oswalt relataria ter visto Snipes fumando maconha antes da gravação de uma cena, e que ele era extremamente agressivo com Goyer durante as filmagens.

Goyer declararia que o filme seria a coisa mais dolorosa pela qual havia passado em toda a sua vida profissional, e chegaria a ser acusado, em várias ocasiões, por Snipes, de racismo, com o ator chegando a reclamar com os executivos da New Line que era tratado de forma diferente apenas por ser negro - o fato de que Hannibal King nos quadrinhos é negro, mas no filme seria interpretado por Ryan Reynolds, não ajudaria em nada, com Snipes frequentemente chamando Reynolds fora de cena de "Cracker", apelido pejorativo para os brancos das regiões rurais do sul dos Estados Unidos, amplamente vistos pela comunidade negra como racistas. Sniper negaria todas as acusações, e diria que sua reclamação com os executivos da New Line ocorreria porque, apesar de ele ser um dos produtores executivos do filme, Goyer e Frankfurt jamais levavam suas opiniões em consideração. Ele também declararia oficialmente ter adorado trabalhar com Reynolds, apesar de achar seu estilo de humor muito exagerado para um filme de Blade, e que, se pensasse mal dele, não teria aceitado fazer uma participação em Deadpool & Wolverine.

Reynolds seria escolhido, aliás, justamente porque a New Line planejava lançar o tal spin off, ele era um jovem ator ainda tentando se firmar no mercado dos filmes de ação, e, na época, escolher um ator branco para interpretar um personagem que não era branco nos quadrinhos não causava tanto estardalhaço. Para o papel de Abigail Whistler, a preferida da New Line era Ashley Scott, que só havia tido um papel secundário em S.W.A.T. e interpretado uma prostituta robótica em Inteligência Artificial, mas ela estava envolvida com as gravações de Com as Próprias Mãos, estrelado por Dwayne Johnson, e acabaria substituída por Jessica Biel, que tinha uma carreira um pouco mais longa, mas o remake de O Massacre da Serra Elétrica como seu maior destaque. Biel treinaria pesado para o filme e chamaria atenção pela forma física, especialmente pelos bíceps, em evidência quando flexionava os braços para usar o arco; isso garantiria a ela uma inesperada carreira em filmes de ação, e geraria uma declaração, digamos, controversa - quando ela mesma diria que não era escolhida para filmes que não fossem de ação por ser "muito gostosa".

Quem faria sua estreia como ator em Blade Trinity seria Paul Michael Levesque, mais conhecido como Triple H, lutador profissional entre 1992 e 2022 da WWE, aquele torneio norte-americano de luta livre que muitos dizem ser encenado e com resultados armados. Triple H seria "sugerido" para o elenco do filme pelos executivos da New Line, e Goyer, a princípio, ficaria cético quanto à presença de um lutador profissional no filme; conforme as filmagens se desenvolviam, entretanto, Goyer ficaria impressionado com seu timing de comédia, e acabaria até mesmo expandindo seu papel, o do vampiro grandalhão Jarko Grimwood, guarda-costas e assistente de Danica Talos, uma das principais antagonistas do filme. Grimwood tem uma batalha épica contra King, e a presença de Triple H e Reynolds no filme acabaria fazendo com que ele se tornasse mais cômico do que deveria, o que pode ter sido uma das causas do descontentamento de Snipes.

O antagonista principal de Blade Trinity é ninguém menos que Drácula, que, por alguma razão, na maior parte do filme, é chamado de Drake. Danica planeja a ressurreição do Conde, para que ele lidere os vampiros a uma nova era, e, para que Blade não atrapalhe, arma para que ele seja acusado de assassinato e preso pelo FBI. O Caçador de vampiros é libertado por King e Abigail, que o convidam para se juntar aos Andarilhos da Noite (Nightstalkers, em inglês), um grupo de caçadores de vampiros que planeja usar uma nova arma, a Estrela Diurna, para destruir os vampiros, incluindo Drácula, de uma vez por todas. Mas o Primeiro Vampiro é muito mais forte que os oponentes com os quais eles estão acostumados, podendo, inclusive, resistir à luz do sol, o que fará com que Blade tenha a missão mais difícil de toda a sua vida.

O elenco principal traz Snipes como Blade, Kristofferson como Abraham Whistler, Reynolds como Hannibal King, Biel como Abigail Whistler, Triple H como Jarko Grimwood, Parker Posey como Danica Talos e Dominic Purcell como Drácula. Outros nomes que merecem ser citados são Callum Keith Rennie como Asher Talos, irmão de Danica; Natasha Lyonne como Sommerfield, cientista que criou a Estrela Diurna; Ginger Page como Zoe Sommerfield, filha da cientista; Patton Oswalt como Hedges, pesquisador que trabalha para os Andarilhos da Noite; John Michael Higgins como o Dr. Edgar Vance, psicólogo que estuda os vampiros; James Remar como o agente do FBI Ray Cumberland; e Christopher Heyerdahl como Caulder, um dos Andarilhos da Noite.

Blade Trinity estrearia em 8 de dezembro de 2004; com orçamento de 65 milhões de dólares, renderia 52 milhões nos Estados Unidos e 80 milhões no restante do planeta, somando 132 milhões e sendo considerado um fracasso de bilheteria. A crítica também seria bastante desfavorável, falando mal do enredo, do elenco, das piadas, do Drácula, e até da ação e do estilo, que foram destaques favoráveis nos dois filmes anteriores. Goyer justificaria a rejeição dizendo que a produção do filme seria "uma tortura" e que isso acabaria influenciando o resultado final, o que faria com que nenhum dos envolvidos ficasse satisfeito com o filme.

Snipes processaria a New Line em 2005, alegando que o estúdio não havia pagado o salário combinado em contrato, e justificado dizendo que seu tempo de tela havia sido reduzido em relação aos dois primeiros filmes, o que Snipes alegou ter sido feito por Goyer em retaliação por eles terem se desentendido. A justiça decidiu a favor da New Line, e, em 2006, foi a vez da agência que representava Snipes processá-lo alegando que ele não repassou a porcentagem de seus proventos que lhes era devida. Esse processo foi resolvido por um acordo fora dos tribunais.

Apesar do fracasso do filme, a New Line planejava seguir investindo em Blade, e, em 2008, conversaria com Norrington sobre a possibilidade de ele dirigir uma "prequência", ambientada antes do primeiro filme e com a presença de Dorff como Deacon Frost; não foram divulgados detalhes sobre se Blade estaria no filme e se Snipes voltaria a interpretá-lo. Em 2016, a atriz Kate Beckisale diria em uma entrevista que um crossover entre Blade e Anjos da Noite esteve em pré-produção durante anos, mas foi cancelado quando os direitos sobre Blade voltaram para a Marvel, em 2012. Desde 2013, a Marvel pensa em fazer um novo filme de Blade, e chegaria a conversar, em 2015, com Snipes, sobre a possibilidade de ele repetir o papel.

A Marvel, entretanto, acabaria optando por um reboot, e, em 2019, anunciaria um novo filme de Blade, sem qualquer relação com os três escritos por Goyer, estrelado por Mahershala Ali, que chegaria a gravar uma fala, atribuída ao personagem, para a cena pós-créditos de Eternos. Em parte por causa da Pandemia, em parte por Kevin Feige jamais ficar satisfeito com o roteiro, o filme seria adiado inúmeras vezes, e, no momento, encontra-se sem data de estreia, o que significa que sua produção está paralisada.

Para terminar, vale dizer que, quando ninguém esperava, talvez nem mesmo a Marvel, Snipes voltaria a interpretar Blade, em uma participação especial em Deadpool & Wolverine, sendo esse o mesmíssimo Blade dos três filmes de Goyer. Se essa foi a última e definitiva aparição do ator interpretando o personagem, somente o tempo dirá.
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sábado, 11 de janeiro de 2025

Escrito por em 11.1.25 com 0 comentários

Blade (I)

Eu gosto muito dos filmes do Blade, da Marvel, e faz um tempo já que quero escrever um post sobre eles; ao pensar essa semana em colocar essa ideia em prática, achei que faria sentido se, antes de falar dos filmes, eu falasse sobre o personagem nos quadrinhos, em mais um post sa categoria super-heróis. Hoje, portanto, é dia de Blade no átomo, e semana que vem também, com essa semana o foco sendo os quadrinhos e, semana que vem, os filmes.

Blade foi uma criação do roteirista Marv Wolfman, com aparência criada pelo desenhista Gene Colan. No final da década de 1960, Wolfman, que depois ficaria conhecido por criar a equipe mais famosa dos Jovens Titãs, trabalhava na DC, justamente na revista dos Titãs, quando propôs à editora introduzir um personagem negro na equipe, que contava com Robin, Kid Flash, Ricardito e a Moça-Maravilha, todos brancos. Segundo ele, não fazia sentido existirem tantas pessoas negras nas escolas, nos postos de trabalho, em todos os setores da sociedade, e tão poucos super-heróis negros. A DC concordaria e ele começaria a trabalhar no personagem, mas, de repente, sem explicação, ele seria avisado de que o projeto estava encerrado e o super-herói negro não estrearia na revista. Ele acabaria esquecendo essa ideia e trocando a DC pela Marvel em 1972, levado pelo editor Roy Thomas, que, em 1973, o colocaria a cargo da revista de terror Tomb of Dracula. Segundo Wolfman, assim que começou a trabalhar na revista, o personagem Blade surgiria em sua mente, já com nome, história, poderes, tudo, como se estivesse apenas esperando uma oportunidade.

Colan, o responsável pela arte da revista, não receberia muita informação sobre o personagem além de "é um super-herói negro", e criaria praticamente sozinho seu visual, usando como modelo o ator e ex-jogador de futebol americano Jim Brown. A jaqueta de couro e os óculos escuros, os dois elementos mais característicos de Blade, foram criação de Colan, mas Wolfman pediria que ele adicionasse uma bandoleira, aquela faixa em volta do tronco cheia de balas extras para armas de fogo, que, no caso de Blade, traria estacas. Em suas primeiras aparições, aliás, ele não usaria armas de fogo, apenas facas e estacas.

Blade faria sua estreia na revista Tomb of Dracula 10, de julho de 1973, e seria o principal antagonista de Drácula na revista até a edição 30, de março de 1975. Seria o próprio Wolfman quem acharia que ele estava roubando a cena, com a revista do Drácula praticamente se tornando uma revista do Blade, e decidiria deixar o personagem de lado, investindo em outros coadjuvantes; ele também não estava satisfeito com a forma como Blade estava sendo retratado, achando que ele parecia apenas mais um estereótipo de homem negro, principalmente em seus diálogos. Wolfman deixaria Blade de fora da revista por quase um ano, trazendo-o de volta na edição 41, de fevereiro de 1976, em uma história em oito partes. Ele ainda seria presença frequente na revista até seu cancelamento, na edição 70, de agosto de 1979.

Nessa segunda passagem, Blade já não seria um caçador de vampiros solitário, e sim o líder de uma equipe que contava também com Quincy Harker, filho de Jonathan Harker, treinado pelo famoso caçador de vampiros Abraham Van Helsing para ser seu sucessor; Rachel Van Helsing, neta de Abraham, treinada por Quincy para ser uma caçadora de vampiros desde a infância, quando Drácula matou seus pais; e Frank Drake, um descendente de Drácula, através de um matrimônio que o Conde contraiu antes de se tornar vampiro, que decidiu dedicar sua vida a livrar o mundo do mal causado por seu antepassado. Todos esses personagens estreariam na Tomb of Dracula antes de Blade, sendo coadjuvantes frequentes, com apenas Quincy tendo sido também criado por Wolfman - Rachel seria criada por Archie Goodman, Frank por Gerry Conway. Outro personagem recorrente famoso da Tomb of Dracula era o vampiro Deacon Frost, também criado por Wolfman e Colan, que nos anos seguintes se tornaria o arqui-inimigo de Blade.

Originalmente, Blade não tinha nenhum superpoder, sendo apenas um humano comum imune ao gene do vampirismo, o que significava que, mesmo que mordido, ele não seria transformado. Após Drácula matar sua mãe, ele se aproveitaria desse fato para se dedicar a se tornar o maior caçador de vampiros do mundo, com caçar e matar Drácula se tornando o teste final para suas habilidades. Blade tinha sérios problemas de atitude, dificuldade para trabalhar com outras pessoas, e era extremamente fanático na caça aos vampiros, colocando sua própria segurança e a de quem estava junto com ele em risco se isso o possibilitasse matar mais um vampiro.

No início da década de 2000, entretanto, essa história seria alterada, e Blade se tornaria um dhampir, uma criatura do folclore dos Balcãs que é o resultado de uma união entre um vampiro e uma humana. Ao longo dos anos, sua história seria alterada várias vezes, com a versão mais famosa sendo a de que seu pai era um vampiro e sua mãe era humana, mas, na versão oficial, criada por Christopher Hinz baseada na história do filme, a mãe de Blade foi morta por uma mordida de Frost enquanto estava grávida, o que fez com que enzimas vampíricas passassem para o bebê, que nasceu mesmo após a morte da mãe e com alguns poderes dos vampiros. Ele também se tornaria mais taciturno, introvertido, e menos fanático.

Outro detalhe que mudou foi que, quando criado por Wolfman, o nome do personagem era Frank Blade, sendo Blade ("lâmina", em inglês) não um codinome, mas o sobrenome do personagem; nos anos 1990, o nome de Blade alternaria entre Eric Cross e Eric Brooks, até Hinz definir que seu nome original era Eric Cross-Brooks, filho de Lucas Cross, um nativo da Latvéria, e Tara Brooks, uma prostituta norte-americana com quem ele teve um caso num bordel. Eric começaria seu treinamento como caçador de vampiros aos 9 anos, após ajudar um outro caçador de vampiros chamado Jamal Afari (mais tarde renomeado para Abraham Whistler) a derrotar três deles enquanto voltava da escola. Sob o treinamento de Whistler, Eric aprenderia a usar seus poderes na caça aos vampiros, além de se tornar um atleta de nível olímpico e um mestre no uso de facas e adagas - que o levaria a ser conhecido como Blade dentre os demais caçadores de vampiros.

Sendo "meio-vampiro", Blade tem força, agilidade, velocidade e vigor muito superiores aos de um ser humano normal, mas ainda não no mesmo nível de um vampiro "verdadeiro"; sentidos de visão, audição e olfato ampliados; cura acelerada; imunidade a mordidas e ao hipnotismo dos vampiros; envelhecimento retardado (oficialmente ele nasceu em 1929); e um sexto-sentido que permite que ele identifique criaturas sobrenaturais. Em algumas histórias, ele precisa se alimentar de sangue, mas, em outras, pode consumir qualquer alimento; da mesma forma, em algumas histórias ele reflete em espelhos, em outras, como um vampiro, não. Mas uma característica que jamais foi alterada é que, ao contrário dos vampiros, Blade pode andar à luz do dia, não sofrendo qualquer efeito da luz do sol, o que lhe rendeu dentre os vampiros o apelido de daywalker, o "andarilho do dia".

Blade faria bastante sucesso na Tomb of Dracula, mas não seria um personagem fácil de integrar ao restante do Universo Marvel: sua única aparição contracenando com os, digamos, personagens mainstream seria enfrentando Morbius, o Vampiro Vivo, na Adventure Into Fear 24, de outubro de 1974, com roteiro de Steve Gerber e arte de P. Craig Russell. Em dezembro do mesmo ano e em fevereiro de 1975, ele ganharia histórias nas edições 8 e 9 da revista Vampire Tales, em formato maior, em preto e branco e dedicada ao público adulto, a primeira por Wolfman, a segunda por Wolfman e Chris Claremont, ambas com arte de Tony DeZuniga. Claremont começaria a escrever uma nova história do personagem para a Vampire Tales, mas, após seu cancelamento, a expandiria, e a Marvel decidiria publicá-la na Marvel Preview 3, de setembro de 1975, com arte de DeZuniga e Rico Rival. Blade ainda faria outra participação nessa revista, na edição 8, de setembro de 1976, com uma história de Wolfman e Colan.

Após o cancelamento da Tomb of Dracula, porém, Blade desapareceria completamente. Considerado um personagem datado e sem que nenhum roteirista se animasse a utilizá-lo, ele ficaria mais de dez anos longe dos quadrinhos, até retornar na Doctor Strange: Sorcerer Supreme 9, de novembro de 1989, em uma história por Roy e Dann Thomas que trazia de volta vários dos personagens Marvel de horror da década de 1970, como Drácula, o Lobisomem e Mordred. A participação seguinte seria em agosto de 1992, na Ghost Rider 28, como parte de uma equipe chamada Filhos da Meia-Noite, da qual também faziam parte Morbius e os dois Motoqueiros Fantasmas da época (Johnny Blaze e Danny Ketch). Essa equipe participaria de uma história em cinco partes, as quatro primeiras nas edições 28 a 31 de Ghost Rider, a quinta no primeiro número da nova revista Nightstalkers, de novembro de 1992. Entre novembro de 1993 e março de 1994, Blade também participaria de uma história em quatro partes na Doctor Strange: Sorcerer Supreme.

A Nightstalkers seria cancelada na edição 18, em abril de 1994, mas isso seria uma coisa boa, pois, em julho, continuando a história, Blade finalmente ganharia sua própria revista, chamada Blade: The Vampire Hunter, com roteiros de Ian Edginton e arte de Doug Wheatley, na qual o antagonista era, mais uma vez, Drácula. Infelizmente, a revista teria péssimas vendas, e seria cancelada após apenas dez edições, em abril de 1995. Nesse meio-tempo, ele também participaria da revista trimestral Midnight Sons Unlimited, que teve 9 edições, publicadas entre abril de 1993 e maio de 1995. Suas aparições seguintes seriam em uma história da edição especial em preto e branco Marvel Shadows and Light, de fevereiro de 1997, e como estrela de duas outras edições especiais, Blade: Crescent City Blues, de março de 1998, com roteiro de Christopher Golden e arte de Colan, e Blade: Sins of the Father, de outubro de 1998, com roteiro de Marc Andreyko e arte de Bart Sears.

1998 também seria o ano de estreia do primeiro filme de Blade, e a Marvel anunciaria o lançamento de uma nova série regular, chamada apenas Blade, cujo primeiro número saiu em novembro daquele ano. Essa série traria o selo Strange Tales, assim como Man-Thing, estrelada pelo Homem-Coisa, lançada em outubro de 1997, que teve oito edições, e Werewolf by Night, estrelada pelo Lobisomem, lançada em fevereiro de 1998, que teve apenas seis edições - uma outra série do mesmo selo, estrelada por Satana, foi anunciada, mas jamais lançada. Infelizmente, o final dos anos 1990 foi uma época extremamente complicada financeiramente para a Marvel, que quase faliu; por causa disso, na edição 2 foi anunciado que a Blade não seria uma série regular, mas uma minissérie em seis edições, que acabaria tendo apenas três, sendo cancelada após a lançada em janeiro de 1999.

Mas o filme tornaria o personagem novamente popular, e a Marvel decidiria arriscar uma nova minissérie em seis edições, chamada Blade: Vampire Hunter com roteiro e arte de Sears, publicada entre dezembro de 1999 e maio de 2000, além de uma edição 1/2, publicada em janeiro de 1999. Em seguida seria lançada a minissérie de Hinz, que redefiniria o personagem, chamada simplesmente Blade, em seis edições entre maio e outubro de 2002, parte do selo Marvel MAX, com histórias voltadas a um público mais adulto - trazendo, inclusive, um aviso de "conteúdo explícito" na capa. Em 2005, seria lançada a edição especial Blade: Nightstalking, com roteiro de Jimmy Palmiotti e Justin Gray e arte de Amanda Conner, baseada nas histórias dos filmes, e em novembro de 2006 seria a vez de uma nova série regular, mais uma vez chamada Blade, com roteiro de Marc Guggenheim e arte de Howard Chaykin - que novamente não teria boas vendas e seria cancelada na edição 12, de outubro de 2007.

Em 2008, Blade faria parte de uma equipe reunida pelo Capitão Bretanha, na revista Captain Britain and MI:13, formada para combater a Invasão Secreta dos skrulls, mas que também combatia Drácula e seu exército de vampiros. Ambientada na Inglaterra, com roteiros de Paul Cornell e arte de Leonard Kirk, a revista não teria boas vendas, e seria cancelada após 15 edições, publicadas entre julho de 2008 e setembro de 2009. Após quase cinco anos sumido, Blade voltaria como membro dos Poderosos Vingadores, sendo um personagem recorrente na Mighty Avengers, que teria 14 edições publicadas entre novembro de 2013 e novembro de 2014. Em 2015, a Marvel anunciaria uma nova revista de Blade, com roteiros de Tim Seeley e arte de Logan Faerber, na qual ele atuaria ao lado de sua filha; esse projeto seria cancelado em outubro, entretanto, sem que nenhuma edição fosse lançada.

Blade voltaria em uma nova versão dos Filhos da Meia-Noite, ao lado de Hellstorm, Satana e do Motoqueiro Fantasma, na minissérie Spirits of Vengeance, com roteiros de Robbie Thompson e arte de Anthony Piper, em cinco edições publicadas entre dezembro de 2017 e abril de 2018. Em janeiro de 2019, ele se uniria aos Vingadores, participando de quase 30 edições da revista Avengers. Paralelamente a isso, Blade formaria outra equipe, na revista Strikeforce, com roteiros de Tini Howard e arte de Germán Peralta, atuando em segredo para deter uma ameaça sobrenatural, em 9 edições publicadas entre novembro de 2019 e outubro de 2020. E os Filhos da Meia-Noite, agora compostos por Blade, Magia, Wolverine, Dr. Vodu, Kushala e Nico Minoru, voltariam na minissérie Midnight Suns, com roteiros de Ethan Sacks e arte de Luigi Zagaria, em cinco edições lançadas entre novembro de 2022 e março de 2023.

Em 2023 a Marvel retomaria a ideia de oito anos antes, de que Blade deveria enfrentar vampiros ao lado de sua filha, e lançaria a minissérie Bloodline: Daughter of Blade, em cinco edições lançadas entre abril e agosto, com roteiros de Danny Lore e arte de Karen S. Darboe, na qual a jovem Brielle Brooks, apelido Bri, descobre ter os mesmos poderes do pai, e decide usá-los para caçar vampiros. O sucesso da minissérie levaria ao lançamento de uma nova série regular chamada Blade, com a presença de Blade e Bri, em setembro de 2023, publicada até hoje. E, em 2024, Blade foi peça fundamental na saga Blood Hunt, na qual vampiros ameaçam o Universo Marvel, sendo um dos protagonistas de uma minissérie de mesmo nome em cinco edições quinzenais lançadas entre julho e setembro.

Além dos quadrinhos e dos filmes, Blade foi astro de uma série de TV, exibida nos Estados Unidos no canal a cabo Spike TV, que negociaria os direitos com a Marvel em 2005, dando luz verde para a série em fevereiro de 2006. Blade: The Series teria como showrunner David S. Goyer, responsável pelos roteiros dos três filmes, que comentaria que a série daria a ele uma maior oportunidade para trabalhar o submundo dos vampiros, já que eles poderiam ter mais tempo de tela do que nos filmes. Curiosamente, o chefe da equipe de roteiristas seria o também roteirista de quadrinhos Geoff Johns, que ficaria famoso por seus roteiros não na Marvel, mas na DC, onde revitalizaria a Sociedade da Justiça - sendo hoje o principal produtor dos filmes da DC para o cinema.

Wesley Snipes, que interpretou o caçador de vampiros nos filmes, não aceitaria repetir o papel de Blade na série, e a escolha de seu substituto seria bastante controversa: o rapper Sticky Fingaz, creditado na abertura como Kirk "Sticky" Jones. O rapper declararia que sua intenção não era substituir Snipes nem fazer as pessoas se esquecerem dos filmes, mas ainda assim criar um Blade totalmente original, que se destacasse por si só. O elenco de coadjuvantes da série, tanto humanos quanto vampiros, seria completamente novo e sem ligação com os filmes, com o maior destaque sendo Shen (Nelson Lee), que fabrica as armas e equipamentos de Blade, atua como hacker para invadir computadores de vampiros, mistura um soro que mantém os instintos vampirescos de Blade sob controle, e consegue ler e falar o idioma dos vampiros - e que decide ajudar Blade porque sua irmã foi morta por vampiros.

A série começa quando a soldado Krista Starr (Jill Wagner) retorna do Iraque e descobre que seu irmão foi morto. Investigando, ela descobre que o assassino foi um poderoso vampiro, Marcus Van Sciver (Neil Jackson), o principal antagonista da série, que a transforma também em vampira. Ela então é encontrada por Blade, que compartilha seu soro com ela em busca de ajuda para destruir Marcus; seu plano é que Krista se infiltre na organização da qual o vampiro faz parte, a Casa de Chthon, e atue como agente dupla, passando a ele as informações necessárias para derrotá-los. Além de Blade, Shen, Krista e Marcus, o elenco principal conta com Chase (Jessica Gower), vampira braço-direito do vilão.

A série seria produzida pela New Line Television, subsidiária do estúdio de cinema que produziu os filmes, e teria um piloto de duas horas de duração (lançado em DVD com o nome de Blade: House of Chthon) exibido em 28 de junho de 2006, mais tarde dividido em dois episódios para as reprises. A Spike TV encomendaria mais 11 episódios, exibidos entre 5 de julho e 13 de setembro, para uma temporada com um total de 13. Oficialmente, a série é uma continuação dos filmes, sendo ambientada um espaço de tempo não especificado após Blade Trinity, mas, apesar de o piloto fazer algumas referências ao eventos dos três filmes, os demais episódios os ignoram, praticamente ocorrendo em uma realidade paralela.

O piloto seria o programa mais assistido da história da Spike TV, alcançando um pico de 2,5 milhões de espectadores, e a série seria o programa mais assistido da TV a cabo norte-americana enquanto estava no ar. A crítica ficaria dividida, achando que os episódios tinham muita ação e pouca história, com o enredo sendo irrelevante diante da missão de Blade de matar tantos vampiros quanto possível. Apesar do sucesso de público, a série seria cancelada enquanto ainda estava no ar, com o anúncio oficial sendo feito em 28 de setembro; segundo Johns, a Spike TV não queria cancelá-la, mas não tinha orçamento suficiente para bancar uma segunda temporada. O último episódio possui uma espécie de final, mas deixa pontas soltas suficientes para que uma segunda temporada fosse feita caso a série fosse renovada.

Vale dizer também que Blade: The Series estaria disponível para download pago no iTunes antes mesmo de sua estreia na Spike TV, sendo a segunda série da história a ser disponibilizada online antes da estreia - a primeira tendo sido Conviction, um spin-off de Lei & Ordem, que estreou em março de 2006 e também teve apenas uma temporada. A série seria lançada em DVD em 2008 pela Warner Bros, com os episódios re-editados para incluir cenas consideradas "inapropriadas para a TV", a maioria por motivos de violência. Como o personagem é da Marvel, pode ser que um dia ela apareça no Disney+, mas, por enquanto, provavelmente por razões contratuais, ainda não está disponível.
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sábado, 14 de setembro de 2024

Escrito por em 14.9.24 com 0 comentários

Desenhos Marvel (IV)

Lá em 2013, eu comecei a escrever um post sobre o desenho The Marvel Super Heroes, que acabou se transformando em um post sobre todos os desenhos com heróis Marvel produzidos nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Como os da década de 1990 eram os que eu gostava mais, alguns meses depois decidi escrever um segundo post, falando sobre esses. No ano seguinte, eu faria um terceiro post, falando sobre os desenhos produzidos na primeira década de 2000. Hoje, mais de dez anos depois, vou retornar a essa série, falando sobre os desenhos produzidos na década de 2010. Os motivos pelos quais eu levei tanto tempo para fazer esse post são vários, mas os dois principais são que eu não assisti a nenhum desses desenhos, e, por alguma razão, eu achava que eles eram muitos e não caberiam em um post só; recentemente, entretanto, empolgado com X-Men '97, decidi dar uma pesquisada, acabei descobrindo que não são tantos assim, e me animei a escrever. Hoje, portanto, é dia, mais uma vez, de Desenhos Marvel no átomo!

Diferentemente das duas décadas anteriores, a de 2010 começaria não com um desenho dos X-Men, e sim com um dos Vingadores, dentre outros motivos porque, no final da década de 2000, a Marvel havia sido comprada pela Disney, que planejava fazer dos Vingadores seu investimento principal - já que a então equipe mais popular da Marvel, os X-Men, estava com seus direitos de adaptação cedidos para a Fox, o que significava que a Disney não poderia fazer desenhos com eles. Esse desenho se chamaria Os Vingadores: Os Super-Heróis mais Poderosos da Terra (The Avengers: Earth's Mightiest Heroes) e, inicialmente, seria estrelado pela equipe original dos Vingadores nos quadrinhos: Homem de Ferro, Thor, Hulk, Homem-Formiga e Vespa.

A história é que esses heróis precisam se unir após uma fuga em massa de vilões que estavam em uma prisão da SHIELD, desafio grande demais para um herói enfrentar sozinho. Ainda na primeira temporada, os Vingadores ganham três novos membros, Capitão América, Gavião Arqueiro e Pantera Negra, e, ao final, descobrem que a fuga foi orquestrada por Loki, que planejava usá-la como uma distração para dominar o mundo. Na segunda temporada, os Vingadores, já como uma equipe bem estabelecida, enfrentam ameaças cósmicas, como os Skrulls e os Kree, além de confrontar vilões famosos da Marvel como o Dr. Destino e o Caveira Vermelha; a segunda temporada conta com participações especiais de vários outros heróis Marvel, como o Homem-Aranha, Wolverine e os Guardiões da Galáxia, e nela os Vingadores ganham dois novos membros, Miss Marvel e Visão. A segunda temporada também tem uma história secundária na qual Surtur tenta obter poder suficiente para enfrentar os Vingadores, o que ele acredita que dará origem ao Ragnarok.

Assim como o último desenho da década de 2000, Esquadrão de Heróis, Os Vingadores seria uma parceria entre a Marvel, a Film Roman e a Ingenious Media (essa última somente na primeira temporada). Devido ao sucesso da microssérie Star Wars: The Clone Wars, que tinha episódios bem curtos inseridos na programação do Cartoon Network, a Marvel decidiria fazer o mesmo, e encomendaria 20 "micro-episódios", de 5 minutos cada, cada um deles focado em um dos heróis originais da equipe, todos ambientados antes de eles se reunirem, ou seja, em cada um deles, o herói protagonista age sozinho. Esses micro-episódios seriam disponibilizados gratuitamente online entre 22 de setembro e 11 de outubro de 2010, e exibidos no canal Disney XD, sempre quatro por dia, entre 11 e 15 de outubro.

A primeira temporada estrearia no Disney XD em 20 de outubro de 2010, e teria 20 episódios, o último exibido em 26 de junho de 2011. Para as reprises, porém, o primeiro episódio, que originalmente tinha uma hora de duração, seria dividido em dois, e os 20 micro-episódios seriam condensados em 5 episódios, cada um protagonizado por um herói diferente, que viriam logo após a segunda parte do primeiro, elevando o total de episódios para 26. A segunda temporada teria mais 26, exibidos entre 1 de abril e 11 de novembro de 2012. Antes mesmo de a segunda temporada ir o ar, a Marvel tomaria a decisão de não renovar o desenho para uma terceira, criando um novo desenho dos Vingadores, baseado no filme de 2012; diante disso, a equipe de produção decidiria fazer um último episódio especial, com a participação de todos os personagens que já haviam aparecido na série, em uma grande batalha contra Galactus.

Se a série não tivesse sido cancelada, na terceira temporada o antagonista seria Surtur, com os Vingadores tendo de impedir o Ragnarok, e haveria uma participação especial dos X-Men, que começaria provavelmente com uma adaptação da saga dos quadrinhos A vs. X. Na verdade, os produtores da série, Christopher Yost e Josh Fine, haviam traçado planos gerais até uma quinta temporada, pensando em adaptar sagas recentes dos quadrinhos, como Reinado Sombrio e O Cerco, e introduzir novos personagens na equipe a cada temporada, como a Feiticeira Escarlate e Mercúrio. Yost e Fine diriam ter sido pegos de surpresa pela decisão da Marvel, já que a audiência da primeira temporada foi considerada boa, e até hoje, embora saibam que isso é a cada ano menos provável, tentam convencer a Marvel a produzir uma terceira temporada, que poderia estrear no Disney+.

Pois bem, quando eu disse que Os Vingadores havia sido o primeiro desenho Marvel da década de 2010, eu menti. Ou quase, já que ele realmente foi o primeiro a estrear nos Estados Unidos, mas, alguns dias antes, estreou um outro, só que no Japão. Tudo começou em 2009, quando a Marvel fez um acordo com o estúdio japonês Madhouse (de Hunter X Hunter e Frieren), que previa a criação de quatro séries, que "reimaginariam os heróis Marvel para o público japonês", com supervisão do roteirista Warren Ellis. Todas as quatro séries são ambientadas no Japão, mas, diferentemente do que ocorre nesses casos, não mostra como seria se os heróis Marvel tivessem nascido e sido criados lá, e sim os heróis originais norte-americanos viajando para o Japão e vivendo alguma aventura lá. Essas quatro séries ficariam conhecidas coletivamente como Marvel Anime, e cada uma delas teria 12 episódios.

A primeira delas seria Marvel Anime: Homem de Ferro (Marvel Anime: Iron Man), exibida entre 1 de outubro e 17 de dezembro de 2010 no Japão, no canal Animax, e entre 29 de julho e 14 de outubro de 2011 nos Estados Unidos, no canal a cabo G4. Nela, Tony Stark vai ao Japão para supervisionar a produção de um novo reator ARC e apresentar o protótipo DIO, que o substituirá como Homem de Ferro após sua aposentadoria. O DIO passa a agir por conta própria e destruir tudo, e cabe a Tony vestir a armadura do Homem de Ferro e detê-lo, com a ajuda do capitão do exército japonês Nagato Sakurai.

A segunda seria Marvel Anime: Wolverine, exibida entre 7 de janeiro e 25 de março de 2011 no Animax, e entre 29 de julho e 14 de outubro de 2011 no G4, na qual Wolverine vai ao Japão resgatar sua antiga paixão, Mariko Yashida, cujo pai quer casar à força com um chefão da Yakuza, para ganhar favores da organização criminosa IMA. Na terceira, Marvel Anime: X-Men, exibida entre 1 de abril e 24 de junho de 2011 no Animax, e entre 21 de outubro de 2011 e 6 de janeiro de 2012 no G4, uma equipe composta por Wolverine, Ciclope, Tempestade e Fera é reunida pelo Professor X para viajar até o Japão depois que Armadura é sequestrada por uma organização terrorista que rouba órgãos de jovens mutantes; lá, eles descobrem não somente um plano nefasto do Círculo Interno do Clube do Inferno, mas também que um vírus pode acabar com a vida de vários jovens mutantes ao redor do planeta.

A quarta e última série seria Marvel Anime: Blade, exibida entre 1 de julho e 16 de setembro de 2011 no Animax e entre 21 de outubro de 2011 e 6 de janeiro de 2012 no G4, na qual o caçador de vampiros vai até o Japão caçando Deacon Frost, o vampiro que assassinou sua mãe, e, lá, descobre uma organização de vampiros chamada Existence, com planos de erradicar toda a raça humana. Vale citar que Wolverine faz participações especiais em um episódio de Homem de Ferro e em um de Blade, sendo o único personagem a participar de todas as quatro séries, e que a Madhouse também produziria dois longas de animação lançados diretamente em DVD e Blu-ray: Homem de Ferro: A Batalha Contra Ezekiel Stane (Iron Man: Rise of Technovore), de 2013, continuação direta da série, e Os Vingadores Confidencial: Viúva Negra e Justiceiro (Avengers Confidential: Black Widow & Punisher), de 2014, que deveria ser uma espécie de piloto para uma nova leva de quatro séries, que jamais saíram do papel.

Em 2011, a Marvel começaria a trabalhar no projeto de uma nova série do Homem-Aranha, e escolheria Brian Michael Bendis e Paul Dini para serem seus roteiristas e produtores. Eles decidiriam basear a série na linha de quadrinhos Ultimate, criada por Bendis, mas com um Peter Parker totalmente original e criado especificamente para ela; ainda assim, a série se chamaria Ultimate Homem-Aranha (Ultimate Spider-Man). A equipe Man of Action, responsável pelos desenhos Ben 10 e Generation Rex, também contribuiria com roteiros e dicas de animação, com a série sendo totalmente produzida pela Marvel Animation. Dois destaques do elenco seriam Drake Bell, que interpretou uma paródia do Homem-Aranha, o Homem-Libélula, em Super-Herói: O Filme, como Peter Parker, e J.K. Simmons como J. Jonah Jameson, repetindo seu papel dos filmes.

A série começa um ano após Peter Parker se tornar o Homem-Aranha, estando plenamente estabelecido como um combatente do crime. Achando que ele ainda está muito cru para ser um super-herói, Nick Fury decide convidá-lo para se integrar uma equipe especial da SHIELD, onde terá a oportunidade de enfrentar desafios maiores e agir em conjunto com outros heróis adolescentes, como Nova, a Tigresa Branca, a Garota Esquilo, e as duplas Punho de Ferro e Poderoso e Manto e Adaga. Ao todo, a série teria 104 episódios divididos em quatro temporadas, todas exibidas no Disney XD, entre 1 de abril de 2012 e 7 de janeiro de 2017. Na primeira, Norman Osborn decide usar o DNA do Homem-Aranha para criar um exército de super soldados que venderá para o governo, incumbindo o Doutor Octopus de contratar vários vilões para enfrentar o herói e tentar obter seu DNA.

Na segunda temporada, buscando vingança, o Dr. Octopus cria o Sexteto Sinistro, composto por ele, o Lagarto, Rhino, Electro, Kraven e o Besouro, mais tarde substituído pelo Escorpião; para se redimir, Osborn assume o manto do Patriota de Ferro e passa a ser aliado da SHIELD. A terceira temporada teria o subtítulo de Web Warriors, e seria uma espécie de prévia do Aranhaverso, com Homens-Aranha de diversas realidades se unindo para derrotar Osborn, que volta a ser o Duende Verde; no final, Miles Morales se une à equipe de jovens heróis da SHIELD, assim como Flash Thompson, como agente Venom. A quarta temporada teria o subtítulo vs. The Sinister 6, e traria o Dr. Octopus criando uma nova versão da equipe do mal, que conta com o Duende Verde da realidade de origem de Miles Morales, mais Kraven, Rhino, Electro e Hydro-Man; essa temporada também teria a estreia do Aranha Escarlate, da Madame Teia e do Carnificina, além de uma história paralela envolvendo a SHIELD e a Hydra.

Alguns dos personagens de Ultimate Homem-Aranha fariam participações especiais nas duas séries animadas seguintes, em uma indicação de que todas as três eram ambientadas no mesmo universo. A série dividiria a crítica, com a maioria achando que ela era muito infantil, com os roteiros não tendo muita profundidade; a audiência começaria boa mais cairia a cada temporada, até levar a seu cancelamento.

A partir da segunda temporada, Ultimate Homem-Aranha passaria a ser exibido num bloco chamado Marvel Universe, junto com duas outras séries, uma delas a nova série animada dos Vingadores, Os Vingadores Unidos (Avangers Assemble). Criada pela Man of Action e produzida pela Marvel Animation, a série era baseada no filme do MCU, trazendo quase a mesma equipe: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra, Gavião Arqueiro e Falcão - com a série já começando com a equipe plenamente estabelecida, e muitas das histórias tendo como mote o fato de que o Falcão é o mais novo membro. A série combinaria animação tradicional e computação gráfica, e teria um total de 127 episódios, divididos em 5 temporadas, exibidas no Disney XD entre 26 de maio de 2013 e 24 de fevereiro de 2019.

Na primeira temporada, o vilão principal é o Caveira Vermelha, que bola um plano para sequestrar o Capitão América e transferir sua mente para o corpo do herói. Na segunda, é a vez de Thanos, que está buscando as joias do infinito, uma delas em poder do Caveira; uma trama paralela coloca os Vingadores contra o Esquadrão Supremo, uma equipe de super-heróis alienígenas que planeja substituir os Vingadores como Maiores Heróis da Terra. Na segunda temporada, o Homem-Formiga se torna o mais novo membro da equipe dos Vingadores.

A terceira temporada teria o subtítulo de Ultron Revolution, e teria como vilão principal, evidentemente, Ultron, que utiliza a tecnologia da IMA para tentar substituir toda a população humana por robôs; quando Ultron ataca os Inumanos, Kamala Khan ganha seus poderes, se tornando a nova Miss Marvel e a mais nova membro dos Vingadores. Uma subtrama envolve o segundo Barão Zemo, filho do original, querendo criar seu próprio soro do supersoldado para se vingar do Capitão América, em sua visão responsável pela morte de seu pai, e funda os Mestres do Terror para combater os Vingadores. Essa temporada também conta com os Thunderbolts, que são os Mestres do Terror fingindo ser heróis para desacreditar os Vingadores, e, perto do final, os Vingadores têm de enfrentar Kang, que vem do futuro para se vingar do Homem de Ferro.

Kang é o vilão principal da quarta temporada, que teria o subtítulo de Secret Wars, na qual a equipe principal dos Vingadores (a do início da primeira temporada) fica presa em outra dimensão, e o Pantera Negra reúne uma equipe formada por Homem-Formiga, Miss Marvel, Capitã Marvel, Visão e Vespa para salvá-los; outros vilões de importância nessa temporada são o Líder e Loki. Finalmente, a quinta temporada teria o subtítulo de Black Panther's Quest; nela, os personagens principais são o Pantera Negra e Shuri, que tentam impedir o Conselho das Sombras de conquistar Wakanda. Os Vingadores Unidos também contaria com seis micro-episódios, cada um deles protagonizado por um dos Vingadores da equipe do Pantera Negra, exibidos entre a terceira e a quarta temporada. Esses curtas estão disponíveis no Disney+ com o nome de Os Vingadores da Marvel: Guerras Secretas.

A terceira série do bloco Marvel Universe seria Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. (Hulk and the Agents of S.M.A.S.H.), que teria 52 episódios divididos em duas temporadas, exibidos no Disney XD entre 11 de agosto de 2013 e 28 de junho de 2015. Mais uma parceria da Marvel Animation com a Film Roman, a série era um bizarro reality show criado pro Rick Jones para que a população em geral passasse a ver o Hulk como um super-herói ao invés de um monstro; em cada episódio, as aventuras do Hulk, que é nomeado chefe da equipe Suprema Militar Agência de Super Humanos (S.M.A.S.H.), que conta com o Hulk Vermelho, a Mulher-Hulk, Skaar e o Bomba-A, são filmadas por câmera voadoras e transmitidas ao vivo pela TV. Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. tem um tom mais cômico que o usual para uma série animada da Marvel, com diversas piadas em cada episódio.

Na primeira temporada, o vilão principal é o Líder, que quer roubar a força do Hulk, e sabe o segredo da origem de Skaar (que é filho do Hulk). Na segunda, a coisa fica mais séria, e os Agentes da S.M.A.S.H. têm de enfrentar os Kree e os Skrulls, além de receberem a culpa por um atentado do Líder, o que faz com que a SHIELD os declare foras-de-lei e passe a caçá-los. Criada por Paul Dini e Henry Gilroy, a série mais uma vez seria considerada muito infantil e não teria boa audiência, com a Disney decidindo cancelá-la enquanto a segunda temporada estava no ar.

Em 2014, estrearia mais um anime da Marvel, Marvel Disk Wars: The Avengers. Produzido em parceria entre a Marvel Animation, a Toei e a Disney do Japão, o desenho tinha uma história insólita: com a ajuda do cientista japonês Dr. Nozomu Akatsuki, Tony Stark cria um dispositivo chamado Kit de Segurança de Identidade Digital (DISK, da sigla em inglês), que pode ser usado para aprisionar vilões, poupando espaço em prisões - basicamente, uma Pokébola onde os vilões ficariam presos até alguém decidir libertá-los. Durante a apresentação do dispositivo, entretanto, Loki ataca a Balsa, a prisão onde os DISKs serão testados, e cinco heróis acabam presos dentro dos DISKS: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk e Vespa. Na confusão, Loki rouba os DISKs que já tinham vilões dentro, e passa a usá-los em ataques ao redor do mundo.

Mas nem tudo está perdido: cinco crianças, dentre elas os dois filhos do Dr. Akatsuki, durante o ataque de Loki, foram pegas na explosão do dispositivo que transfere as pessoas para dentro dos DISKs. Com isso, cada uma delas ganhou um Bio-Code, o que possibilita que, usando um processo chamado D-Smash, elas possam libertar os heróis, mas apenas temporariamente - os DISKs dos heróis foram corrompidos durante a explosão, o que faz com que cada um deles só possa ficar fora do disco durante 5 minutos e meio, antes de ser transportado novamente lá pra dentro. Juntos, os cinco passam a também viajar pelo mundo, seguindo os passos de Loki e usando os DISKs dos heróis para frustrar os planos do deus da trapaça e recuperar os DISKs que têm os outros vilões, enquanto buscam uma forma de libertar os heróis definitivamente.

Como era de se esperar, essa história singular tinha um propósito: Marvel Disk Wars: The Avengers foi pensado para ser um produto associado a um brinquedo da Bandai, chamado Bachicombat, e que funcionava mais ou menos como um jogo de tazo. O Bachicombat teve várias expansões, algumas com diversos personagens Marvel, outras com personagens de anime variados, mas o único desenho relacionado ao brinquedo foi mesmo esse - não consegui descobrir se havia planos de fazer outros desenhos, ou se desde o início era pra ser só esse mesmo. Além do jogo físico, o Bachicombat ganharia uma versão virtual, Marvel Disk Wars: The Avengers - Ultimate Heroes, lançado para o Nintendo 3DS pela Bandai Namco Games em novembro de 2014.

Marvel Disk Wars: The Avengers teve 51 episódios, originalmente exibidos entre 2 de abril de 2014 e 25 de março de 2015 na TV Tokyo. Em 6 de julho de 2015, ele estrearia no Disney XD em vários países do sudeste asiático e no Disney Channel nas Filipinas e em Taiwan, e, em 16 de março de 2020, estrearia dublado em inglês na Índia, no canal Marvel HQ. Até onde eu saiba, nunca foi exibido no Brasil, e, apesar de a Wikipédia dizer que o desenho foi exibido no Disney XD dos Estados Unidos, eu não consegui descobrir se foi mesmo, nem em que época.

Quem assumiu o lugar de Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. no Marvel Universe após seu cancelamento foi Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy), que trazia a mesma equipe do primeiro filme (Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocket e Groot), mas não era ambientado no MCU, nem sua história tinha nada a ver com a dos filmes. Na primeira temporada, por exemplo, os Guardiões encontrariam o Cripto Cubo Spartaxiano, um mapa com a localização da Semente Cósmica, artefato capaz de criar um novo universo, e devem encontrá-la e destruí-la antes que ela caia nas mãos de Thanos, que reúne uma equipe formada por Ronan, Nebulosa, Korath e J'Son (o pai de Peter Quill) para perseguir os Guardiões e roubar o Cubo. Paralelamente a isso, os piratas liderados por Yondu também tentam encontrar a Semente, mas para vendê-la.

Antes de estrear em sua própria série, os Guardiões da Galáxia fariam participações especiais em Ultimate Homem-Aranha e Vingadores Unidos, para testar o interesse do público. A série animada seria anunciada pela Disney antes mesmo do filme, mas estrearia no Disney XD um ano depois. Totalmente produzida pela Marvel Animation, ela teria um total de três temporadas, somando 79 episódios, exibidos entre 5 de setembro de 2015 e 9 de junho de 2019. Assim como Os Vingadores, antes da primeira temporada seriam exibidos cinco curtas, que estreariam entre 1 e 29 de agosto, cada um contando as origens de um dos membros da equipe; para as reprises, esses cinco curtas seriam condensados e se tornariam o novo primeiro episódio da primeira temporada. Uma nova leva de 6 curtas seria exibida entre a primeira e a segunda temporadas, e depois condensada em um novo primeiro episódio da segunda temporada.

Na segunda temporada, os Guardiões encontram Adam Warlock e tentam guiá-lo para que ele se torne um herói, mas J'Son decide corrompê-lo para que ele se torne o vilão Magus. Os guardiões contam com a ajuda de Nova, e se aliam temporariamente aos Vingadores para enfrentar o Alto Evolucionário. A terceira temporada teria o subtítulo Mission Breakout, para fazer propaganda de um brinquedo dos Guardiões de mesmo nome, inaugurado no Walt Disney World em 2017. Nela, o Colecionador obriga Howard, o Pato, a incriminar os Guardiões pelo roubo de um artefato Kree, o que faz com que Phyla-Vell passe a persegui-los para recuperá-lo. Uma subtrama coloca os Guardiões em confronto contra os asgardianos, liderados pelo Serpente, que planeja substituir os membros do Conselho Galáctico por clones e dominar o universo. Guardiões da Galáxia seria considerada pela crítica especializada como a melhor série animada da história da Marvel, mas sua audiência jamais agradaria à Disney, que preferiria cancelá-la após a terceira temporada.

Em 2017, estrearia mais uma série feita em parceria entre a Marvel e a Madhouse, Marvel Future Avengers, na qual quatro adolescentes manipulados geneticamente - Makoto, com o poder de manipulação do ar, Adi, com o poder de controlar qualquer tecnologia, o ciborgue Bruno e a metamorfa Chloe - foram treinados pela Hydra, que os enganou dizendo que os Vingadores eram vilões, e os quatro seriam os heróis que iriam derrotá-los. Após sua primeira missão, entretanto, Makoto, Adi e Chloe percebem que foram ludibriados, e, com a ajuda dos Vingadores, escapam da Hydra e passam a treinar para ser os Futuros Vingadores. Sua principal missão é descobrir o que seria o Projeto Chuva Esmeralda, uma colaboração entre a Hydra e os Mestres do Terror, com Bruno se unindo aos Mestres e enfrentando seus antigos amigos. Bruno muda de lado e se une aos Futuros Vingadores na segunda temporada, na qual uma bomba terrígena faz com que várias pessoas ganhem superpoderes. Raio Negro oferece asilo para elas em Attilan, mas o aumento da tensão pode fazer com que humanos e Inumanos entrem em guerra, com os Futuros Vingadores tendo de descobrir uma forma de evitar o conflito.

A primeira temporada de Marvel Future Avengers teria 26 episódios e a segunda 13, para um total de 39, exibidos entre 22 de julho de 2017 e 22 de outubro de 2018. Sua estreia seria no canal a cabo japonês Dlife (se pronuncia "di-láif"), e ainda em 2017 ele estrearia no Sudeste Asiático, no Disney XD. Nos Estados Unidos, ele estrearia apenas em fevereiro de 2020, no Disney+; até a última vez que eu olhei, não estava disponível no Brasil.

Para fechar a década, mais uma série do Homem-Aranha, chamada, simplesmente, Homem-Aranha (Spider-Man). A história começa do começo de novo, com Peter adolescente ganhando seus poderes e passando a enfrentar supervilões após a morte de seu tio Ben, mas agora ele é aluno da Horizon High, escola para jovens de intelecto superior dirigida por Max Modell. Aliados do Homem-Aranha incluem Gwen Stacy, Miles Morales, Anya Corazon e Harry Osborn; os principais vilões da primeira temporada são Norman Osborn e o Chacal. A série é ambientada no mesmo universo que Guardiões da Galáxia, com alguns personagens fazendo participações especiais naquela, mas, como isso seria impossível por causa de Ultimate Homem-Aranha, não o é no mesmo que Vingadores Unidos e Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H. - o Homem de Ferro, a Viúva Negra e o Hulk fazem participações especiais em Homem-Aranha, mas em versões diferentes desses outros desenhos.

A segunda temporada é ambientada cerca de um ano após a primeira, e nela Peter arruma seu emprego no Clarim Diário, Anya e Gwen ganham poderes de aranha, e as duas mais Peter e Miles formam uma espécie de "equipe aranha". A segunda temporada também traz uma adaptação da saga Homem-Aranha Superior, na qual o Dr. Octopus troca de corpo com Peter e passa a fingir ser o Homem-Aranha. Já a terceira temporada tem o subtítulo de Maximum Venom, é ambientada duas semanas após a segunda, e tem suas histórias centradas nos simbiontes, especialmente Venom e Carnificina; os episódios da terceira temporada têm 44 minutos cada, ao invés dos 22 minutos dos das duas primeiras. Mais uma vez, a série começaria com seis curtas, exibidos um por dia entre 24 e 29 de julho de 2017, que, para as reprises, seriam condensados em um único episódio, que passaria a ser o novo primeiro da primeira temporada.

Homem-Aranha substituiria Ultimate Homem-Aranha no bloco Marvel Universe - que seria definitivamente encerrado após o final de Guardiões da Galáxia. Suas três temporadas somariam 58 episódios - 26 na primeira, 26 na segunda, apenas 6 na terceira - exibidos no Disney XD entre 19 de agosto de 2017 e 25 de outubro de 2020. Seria o último desenho produzido antes de a Disney decidir também centralizar a produção dos desenhos Marvel, visando, principalmente, o Disney+ - e o penúltimo produzido pela Marvel Animation, que teria suas atividades encerradas após a primeira temporada de Spidey e Seus Amigos Espetaculares, em 2022.

Desenhos Marvel

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