Exibida pela Netflix, Stranger Things é considerada um dos maiores fenômenos da televisão moderna, sendo um dos programas mais assistidos do extenso catálogo do serviço. A série seria uma criação dos irmãos Matt e Ross Duffer, conhecidos como The Duffer Brothers, que eram praticamente estreantes quando a criaram: em 2015, eles estreariam no cinema escrevendo e dirigindo o filme Hidden, no qual uma doença desconhecida devasta os Estados Unidos, que deveria ter tido ampla distribuição pela Warner Bros; mudanças na cúpula do estúdio, porém, fariam com que ele estreasse em apenas poucas salas e rendesse apenas 310 mil dólares, o que faria com que os irmãos ficassem temerosos quanto a seu futuro, por terem tido uma estreia tão ruim.
Para sua surpresa, entretanto, o produtor Donald de Line assistiria o filme e ficaria impressionado com seu roteiro; acreditando que os Duffer tentaram imitar o estilo do diretor M. Night Shyamalan, ele os convidaria para escrever um episódio da série Wayward Pines, cujo piloto também seria dirigido por Shyamalan. Os Duffer acabariam escrevendo quatro episódios da primeira temporada, todos bem recebidos pela crítica, e se sentiriam confiantes para colocar em prática um antigo projeto de criar uma série de TV ambientada nos anos 1980, que misturasse terror e ficção científica, e fosse protagonizada por crianças, no que eles chamariam de "uma carta de amor à Era de Ouro de Steven Spielberg e Stephen King" e "um casamento entre o drama humano e o horror sobrenatural".
Os Duffer escreveriam o roteiro do piloto e um documento de vinte páginas que explicava todos os detalhes da série, os quais mostrariam para nada menos que 15 canais de televisão diferentes. Todos eles, sem exceção, achariam que ninguém iria querer assistir uma série para adultos protagonizada por crianças; alguns sugeririam que eles transformassem a série em uma para crianças, outros que ele removesse as crianças e fizesse do Xerife Hopper o protagonista, e teve quem não gostou dos elementos de ficção científica e sugeriu que a série fosse sobre fenômenos paranormais. Os Duffer seriam salvos mais uma vez por um produtor que leu o roteiro e gostou, no caso Dan Cohen, que convenceu seu colega Shawn Levy, da 21 Laps Entertainment, a comprar os direitos da série, mas mantendo os Duffer como chefes da equipe de roteiristas. Levy ofereceria a série à Netflix, que pagaria em adiantado por toda a primeira temporada uma quantia jamais divulgada, mas considerada suntuosa, colocaria os Duffer como showrunners, e anunciaria sua estreia para julho de 2016.
A ideia para a história da série viria após os Duffer assistirem ao filme Os Suspeitos, de 2013, dirigido por Denis Villeneuve, que lida com os dilemas morais pelos quais um pai passa após sua filha ser raptada; eles imaginariam se conseguiriam expandir essa história o suficiente para transformá-la em uma série de TV, mas adicionando elementos como um monstro devorador de crianças. Eles não queriam que esse monstro fosse "algo espiritual", e decidiriam que ele deveria ser uma criação da ciência; enquanto pesquisavam, se depararam com histórias sobre projetos da época da Guerra Fria, como o MKUltra, que visava descobrir drogas que influenciassem o comportamento humano. Isso faria com que os irmãos decidissem ambientar a série em 1983 - segundo eles, um ano antes do lançamento de Amanhecer Violento, que focava na paranoia da Guerra Fria - e fazer com que o monstro fosse resultado de um experimento malsucedido do governo.
Originalmente, a série se chamaria Montauk, e seria ambientada na cidade de Montauk, Nova Iorque, cidade envolvida em várias teorias da conspiração sobre experimentos secretos do governo, conhecidos coletivamente como Projeto Montauk. Eles mudariam de ideia ao concluir que alguns eventos que desejavam que ocorressem na cidade, como uma quarentena decretada pelo exército, seriam mais fáceis de justificar e de filmar se fosse usada uma cidade fictícia, criando a cidade de Hawkins, Indiana - com muitos acreditando que o nome seja uma homenagem ao físico Stephen Hawking, o que foi desmentido pelos Duffer em várias ocasiões. Com a mudança do nome da cidade, porém, seria preciso mudar o nome da série, com os Duffer fazendo uma lista de cerca de vinte nomes e escolhendo Stranger Things ("coisas estranhas"), que seria uma referência a um livro de King, Needful Things (lançado no Brasil como Trocas Macabras; a tradução literal seria "coisas indispensáveis").
Desde o início, os Duffer acreditavam que o número ideal de episódios para a série seria oito, o que permitiria que eles a fizessem como "um grande filme de oito horas"; com mais do que isso, eles não conseguiriam contar a história de forma cinematográfica, e, com menos, precisariam focar mais nos elementos de horror, partindo para o desfecho assim que o monstro fosse revelado, tendo menos tempo para a caracterização do cenário e dos personagens. Eles também fariam a primeira temporada com uma história completa, mas um final aberto o suficiente para poder fazer uma segunda caso a Netflix concordasse; acabou que a Netflix ficou tão satisfeita com os roteiros e o que viu das filmagens que pediu um final ainda mais aberto que o originalmente escrito, quase uma garantia para o público de que haveria uma segunda temporada.
Invertendo o que ocorria em Os Suspeitos, os Duffer escreveriam uma mãe que teve um filho sequestrado; a personagem da mãe, chamada Joyce, seria parcialmente inspirada no de Roy Neary, do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, já que parecia ser a única adulta preocupada com o que estava acontecendo, e vista como maluca por todos os demais. A diretora de elenco da série, Carmen Cuba, sugeriria Winona Ryder para o papel, o que os Duffer acharam absolutamente genial, devido a seu protagonismo durante os anos 1980. Ryder aceitaria com apenas uma condição, a de que, se algum dia a sequência de Os Fantasmas se Divertem, que ela e Tim Burton tentavam tirar do papel desde 2000, recebesse a luz verde, ela teria de ser liberada para o filme, não participando de nenhuma gravação da série no mesmo período, o que os Duffer acharam razoável e aceitaram.
Outro ator escolhido sem a necessidade de testes seria David Harbour, que interpretaria o Xerife Hopper. Até então, Harbour só havia interpretado personagens de menor destaque, muitos deles vilões, mas os Duffer gostavam de seus maneirismos, e achavam que já estava na hora de ele conseguir um papel maior. Já as crianças e adolescentes seriam todos escolhidos através de testes, nos quais, ao invés de falas da série, atuariam em cenas de Conta Comigo, de 1986, com os Duffer argumentando que isso mostraria se eles conseguiriam passar veracidade interpretando personagens de uma época na qual ainda nem sonhavam em nascer. Os diretores diriam ter testado mais de mil crianças e adolescentes, com os que chamariam mais atenção sendo Finn Wolfhard, que era fanático por filmes dos anos 1980 e entrou no personagem facilmente, e Gaten Matarazzo, que fez um teste tão natural que foi selecionado após apenas uma sessão - quando o normal são duas ou três.
Os testes ocorreriam antes de os roteiros estarem finalizados, o que permitiria aos Duffer mudar características de alguns personagens para que eles se encaixassem melhor com os atores escolhidos. Segundo os irmãos, o personagem mais difícil de escrever foi o do cientista Martin Brenner, que tinha um papel crucial na história, mas aparecia pouco; o ator selecionado para interpretá-lo seria Matthew Modine, que daria várias sugestões essenciais para que o personagem parecesse mais realístico e não passasse a impressão de que estava ali apenas para fazer a história andar. Outra personagem que seria alterada após a seleção de elenco seria Karen Wheeler; os Duffer queriam uma atriz mais velha, mas ficariam surpresos com os testes da lindíssima Cara Buono, que, na época, tinha 45 anos, oito a menos que Joe Chrest, que interpretaria seu marido, o que levaria a pequenas mudanças na história para levar esse fato em consideração.
Mesmo transferindo a ambientação de Nova Iorque para Indiana, os Duffer queriam que as filmagens ocorressem em Long Island; como elas começariam no inverno, porém, isso se mostraria impossível, e a Netflix sugeriria a área de Atlanta, Geórgia, pois lá os impostos para filmar são mais baixos, com os irmãos concordando após inspecionar a região e concluir que as paisagens realmente se pareciam com as do meio-oeste. A maior parte da cidade de Hawkins seria cenográfica, mas algumas cenas externas seriam filmadas na cidade de Jackson; a escola na qual as crianças estudam também seria real - com alguns de seus ambientes sendo reproduzidos em estúdio - e localizada em Stockbridge. O prédio onde ocorrem os experimentos do governo é na verdade o Instituto de Saúde Mental da Geórgia, um hospital psiquiátrico abandonado em Atlanta, com os laboratórios sendo construídos nos Screen Gem Studios, na mesma cidade. A maior parte do que foi usado em cena seria original dos anos 1980, com a contra-regra Lynda Reiss recebendo da Netflix 220 mil dólares para percorrer brechós, feirinhas e sites de leilão como o eBay em busca de móveis, brinquedos e outros objetos de cenário em bom estado; somente as roupas dos personagens e algumas peças mais difíceis de encontrar, mas mais fáceis de reproduzir, como livros e embalagens de alimentos, seriam réplicas.
Apesar de ser uma produção de terror, os Duffer não queriam cenas violentas ou cheias de sangue e tripas, tendo como principal inspiração os filmes que levariam à criação da classificação PG-13, como Gremlins; segundo eles, o terror, nesses filmes, vinha muito mais da ambientação, "de uma atmosfera de suspense e pavor" do que daquilo que as pessoas viam na tela. Eles também queriam manter os efeitos de computação gráfica no mínimo possível, usando um animatronic para representar o monstro principal da série, o Demogorgon, na primeira temporada; isso se mostraria menos prático que o pensado, e eles acabariam se rendendo a efeitos digitais para que o prazo da pós-produção não estourasse - ainda assim, a pós-produção se concluiria uma semana antes da estreia da série na Netflix. Após a primeira temporada, por insistência da Netflix, tanto os efeitos de computação gráfica quanto as cenas de terror mais impactantes iriam aumentando progressivamente.
A abertura da série seria bastante simples, e mostaria apenas o título se afastando enquanto eram mostrados os nomes dos atores; ela seria criada pela Imaginary Forces, que seria recomendada aos Duffer por Levy; a empresa receberia o roteiro do piloto e instruções para fazê-la "ao estilo das aberturas das séries dos anos 1980", usando como inspiração as aberturas dos filmes Viagens Alucinantes, de 1980, e A Hora da Zona Morta, de 1983. A música seria totalmente composta em um sintetizador, instrumento também em alta nos anos 1980, e a fonte para o título da série seria escolhida por sua semelhança com as usadas em livros de King, especialmente Chamas da Vingança (em uma nota para quem joga RPG, por acaso é a mesma fonte do título da revista Dragão Brasil).
O fio condutor da primeira temporada seria o desaparecimento de Will Byers (Noah Schnapp), de 12 anos de idade, na pequena cidade de Hawkins, Indiana, em 6 de novembro de 1983. O caso seria tratado como apenas mais um assassinato pela imprensa local e pela população em geral, com inclusive boatos de que um corpo teria sido encontrado se espalhando rapidamente, mas a mãe do menino, Joyce (Winona Ryder), certa de que ele está vivo, pede ajuda ao Xerife Jim Hopper (David Harbour) - que, após perder uma filha e ser deixado pela esposa, anos atrás, se tornou desleixado no trabalho e se entregou à bebida, apenas aceitando ajudar Joyce em nome de um passado em comum entre os dois.
A verdade sobre o desaparecimento de Will, entretanto, é mais sinistro do que Joyce e Hopper podem imaginar: sem que a população saiba, em Hawkins há um prédio do governo no qual são conduzidos experimentos secretos chefiados pelo Dr. Martin Brenner (Matthew Modine), que resultaram na criação de Onze (Millie Bobby Brown; Eleven no original em inglês, já que "Onze" não é um nome, e sim o número da experiência, mais tarde sendo revelado que seu nome verdadeiro é Jane), uma menina de também cerca de 12 anos de idade com poderes psicocinéticos. Durante um experimento malsucedido para testar a extensão dos poderes de Onze, foi aberto um rasgo no tecido da realidade que levava ao Mundo Invertido (The Upside-Down, "o ponta-cabeça", no original), uma versão sombria de Hawkins, habitada por monstros - sendo que foi um desses monstros que escapou e sequestrou primeiro Will, depois a adolescente Barb Holland (Shannon Purser), levando ambos para o Mundo Invertido.
Cansada de ser submetida a experimentos, Onze foge do laboratório e é encontrada na floresta próxima por três amigos de Will, que originalmente estavam procurando por ele: Mike Wheeler (Finn Wolfhard), que é uma espécie de líder do grupo, atuando como Mestre nas partidas de Dungeons & Dragons jogadas por eles; Dustin Henderson (Gaten Matarazzo), que mora somente com a mãe, Claudia (Catherine Curtin), e é extremamente inteligente, fascinado por ciência e eletrônica; e Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), o único um pouco mais atlético e o mais maduro do grupo. Mike esconde Onze no porão de sua casa, onde mora com seu pai, Ted (Joe Chrest), sua mãe, Karen (Cara Buono), sua irmã mais nova, Holly (as gêmeas Tinsley e Anniston Price), e sua irmã mais velha, Nancy (Natalia Dyer), que é a melhor amiga de Barb e vive uma espécie de triângulo amoroso com o irmão de Will, Jonathan (Charlie Heaton), rapaz tímido, que gosta de rock, fotografia e sofre bullying dos colegas, e Steve Harrington (Joe Keery), o tradicional jogador de futebol americano popular dentre os colegas e, principalmente, dentre as garotas, mas que, ao contrário do estereótipo, é sensível, leal e educado, embora, confirmando o estereótipo, não seja muito brilhante.
Através de Onze, Mike, Dustin e Lucas ficam sabendo do Mundo Invertido, e chegam a confrontar a criatura que raptou Will, a qual eles apelidam de Demogorgon, mesmo nome de um monstro que estavam enfrentando em sua campanha de D&D. Infelizmente, nenhum adulto acreditaria em sua história - exceto Joyce, disposta a fazer o possível e o impossível para ter seu filho de volta. Outros personagens que merecem ser citados são o professor de ciências, Scott Clarke (Randy Havens), ídolo de Dustin; os policiais Powell (Rob Morgan) e Callahan (John Paul Reynolds) e a recepcionista da delegacia, Flo (Susan Shalhoub Larkin); a mãe biológica de Onze, Terry Ives (Aimee Mullins), e sua irmã, Becky (Amy Seimetz); e o pai de Will e Jonathan, Lonnie Byers (Ross Partridge), que abandonou a família para viver com uma mulher bem mais jovem.
Os oito episódios da primeira temporada, com cerca de uma hora de duração cada, seriam todos disponibilizados no mesmo dia, ao estilo Netflix, em 15 de julho de 2016; todos seriam dirigidos pelos Duffer, exceto o terceiro e o quarto, dirigidos por Levy. A série seria considerada um dos maiores sucessos de público dos anos 2010; embora a Netflix jamais divulgue os números de audiência de suas produções originais, o Symphony Technology Group, especializado em medir audiência de serviços de streaming, estimaria que, apenas nos 35 primeiros dias da série no ar, ela teria cerca de 14 milhões de espectadores, ficando atrás apenas de Fuller House e da quarta temporada de Orange is the New Black, os programas mais assistidos do streaming até então. A crítica também seria amplamente positiva, elogiando principalmente a caracterização da década de 1980 e "o equilíbrio entre estilo e substância", a mistura de horror com humor e drama familiar; para muitos críticos, o maior mérito da série era ser capaz de cativar mesmo que não fosse especialmente fã das produções dos anos 1980 ou dos livros de King.
A primeira temporada seria indicada a dois Globos de Ouro (Melhor Série de TV de Drama e Melhor Atriz em uma Série de TV de Drama, para Ryder), dois Grammys (ambos na categoria Melhor Trilha Sonora Incidental para uma Mídia Visual) e nada menos que 19 Emmys, ganhando cinco - Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora (pelo piloto), Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Design de Título e Melhor Música de Abertura Original; os outros seriam Melhor Série de Drama, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Drama (Harbour), Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Drama (Brown), Melhor Atriz Convidada em uma Série de Drama (Purser), Melhor Direção para uma Série de Drama, Melhor Roteiro para uma Série de Drama, Melhor Design de Produção para um Programa de Época de Uma Hora, Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora (pelo sétimo episódio), Melhor Cabeleireiro para uma Série de Única Câmera, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Série de Única Câmera, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Supervisão Musical, e Melhor Conquista Criativa em uma Mídia Interativa dentro de um Programa Roteirizado (para o aplicativo Strager Things VR Experience, criado pela CBS Digital).
Inicialmente, os Duffer pensariam em fazer de Stranger Things ou uma minissérie, sem mais temporadas, ou uma série de antologia, com cada temporada trazendo novos personagens e uma história diferente relacionada ao Mundo Invertido; quando a Netflix sugerisse uma segunda temporada que fosse continuação da primeira, eles pensariam em ambientá-la nos anos 1990, com alguns dos personagens, já mais velhos, retornando a Hawkins para solucionar algo relacionado ao Mundo Invertido - em uma clara alusão a It, de Stephen King. Eles só concordariam em fazer uma continuação direta da primeira temporada após ver que o público havia adorado os personagens - até mesmo Barb, que deveria ser uma personagem minúscula, mas viraria o centro de uma campanha online ("Justiça para Barb"). Ainda tendo King como inspiração, eles decidiriam que essa temporada teria também um antagonista humano, declarando que, nas obras de King, "os vilões humanos conseguem ser mais maliciosos que o horror sobrenatural".
A Netflix estava tão certa do sucesso da série que a renovação seria assinada em junho de 2016, um mês antes da estreia da primeira temporada, mas, para evitar que a renovação tivesse qualquer impacto na audiência, ela seria revelada apenas em 31 de agosto, com o CEO da Netflix, Reed Hastings, declarando que ele seria um imbecil se não tivesse renovado a série. Os Duffer não tinham nenhuma ideia para a história da segunda temporada, e pediriam para que os demais roteiristas da primeira - Jessica Mecklenburg, Justin Doble, Alison Tatlock e Jessie Nickson-Lopez - contribuíssem; eles teriam tantas boas ideias que algumas teriam de ser descartadas, sendo revisadas e aproveitadas mais tarde, na última temporada. Os Duffer também queriam que a segunda temporada fosse vista como uma sequência, não uma continuação, e decidiram mudar o título para Stranger Things 2; a princípio a Netflix torceu o nariz, alegando que "sequências têm má reputação", mas acabaram sendo convencidos pelos irmãos. O número no título acabaria sendo usado também nas temporadas seguintes, se tornando uma das marcas características da série.
A segunda temporada traria dois novos personagens de destaque, os meio-irmãos Billy Hargrove (Dacre Montgomery) e Max Mayfield (Sadie Sink); ele é um jovem problemático - o que, no futuro (da série), seria chamado de bad boy - que se torna rival de Steve, quer ser amante de Karen e, no geral, faz da vida da irmã um inferno, enquanto ela é uma tomboy que anda de skate e aparentemente não tem medo de nada, se integrando instantaneamente ao grupo de Mike e sendo pivô de uma disputa amorosa entre Dustin e Lucas. A história começa no Halloween de 1984, quando uma estranha praga começa a atacar as plantações de abóbora de Hawkins, com Will sentindo que ela está ligada ao Mundo Invertido; o responsável pela praga é um novo monstro que consegue controlar a mente de Will, o qual os meninos apelidam de Devorador de Mentes - outro monstro de D&D - e que também usa Demogrogons e versões caninas deles, apelidadas Demodogs, para atacar a cidade. Os meninos, Max, Joyce e Hopper, então, têm de encontrar uma forma de impedir que o Devorador de Mentes passe do Mundo Invertido para o mundo real - sem a ajuda de Onze, que decidiu viajar pelo mundo para aprender mais sobre seu passado e seus poderes.
Outros personagens novos de destaque na segunda temporada são Bob Newby (Sean Astin), namorado de Joyce, que trabalha na Radio Shack, se torna mentor de Will, e é arrastado para a luta contra as criaturas do Mundo Invertido; Sam Owens (Paul Reiser), substituto de Brenner no laboratório, que tem uma abordagem totalmente diferente de seu antecessor, estando inclusive interessado no bem-estar dos residentes de Hawkins e em estudar os efeitos do Mundo Invertido na fisiologia de Will; Kali (Linnea Bertheisen), antecessora de Onze no programa (onde tinha o codimome Oito), que tem poderes telepáticos e ajuda a nova amiga a aprender sobre seu passado e a controlar seus poderes; a irmã mais nova de Lucas, Erica (Priah Ferguson), que também é extremamente inteligente, mas que ele considera inconveniente e não quer que ela faça parte do grupo; e Murray Bauman (Brett Gelman), jornalista freelancer, detetive particular e teórico da conspiração contratado para investigar o sumiço de Barb, e que acaba se envolvendo com toda a história do Mundo Invertido.
Um dos novos cenários da segunda temporada seria a piscina pública de Hawkins, onde Billy trabalha como salva-vidas; as filmagens ocorreriam na South Bend Pool, uma piscina pública em Atlanta, redecorada para ficar como era na década de 1980. O Vazio, "local" para onde Onze vai quando usa suas habilidades telepáticas, também seria filmado em uma piscina, mas construída dentro de um estúdio; essa piscina teria seu fundo e todas as suas paredes pintados de preto e cobertos com um material sintético chamado duvetyne, para passar a impressão de que era um ambiente totalmente desprovido de qualquer elemento, com cerca de 2 cm de água no fundo sobre a qual Onze caminharia, representando uma espécie de líquido amniótico. Para não ser necessário a equipe entrar na piscina junto com Brown, seriam usadas câmeras e microfones presos a guindastes.
A segunda temporada teria nove episódios, todos disponibilizados em 27 de outubro de 2017, quatro dirigidos pelos Duffer, dois por Levy, dois por Andrew Stanton e um por Rebecca Thomas; os roteiros ficariam a cargo dos Duffer e de Doble, Nickson-Lopez, Paul Richter e Kate Trefry. Seria um sucesso ainda maior que a primeira, entrando para o Livro Guiness dos Recordes como série digital mais acessada do mundo em 2017. A crítica elogiaria principalmente o desenvolvimento dos personagens, com todos terminando a segunda temporada bem diferentes de como começaram a primeira. A segunda temporada mais uma vez seria indicada a dois Globos de Ouro (Melhor Série de TV de Drama e Melhor Ator Coadjuvante em uma Série, Minissérie ou Filme para a TV, para Harbour), mas dessa vez ficaria com "apenas" 12 indicações ao Emmy, ganhando apenas o de Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora - os demais seriam os de Melhor Série de Drama, Melhor Ator Coadjuvante em uma Série de Drama (Harbour), Melhor Atriz Coadjuvante em uma Série de Drama (Brown), Melhor Direção para uma Série de Drama, Melhor Roteiro para uma Série de Drama, Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Fotografia para uma Série de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Supervisão Musical, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhores Efeitos Visuais.
Junto com a segunda temporada, a Netflix produziria o programa Beyond Stranger Things, apresentado por Jim Rash, que contava com membros do elenco e da equipe, incluindo os Duffer, e discutia questões de bastidores, criação dos roteiros e a mitologia da série; seriam produzidos sete episódios, todos também lançados em 27 de outubro de 2017, mas, diferentemente de outros programas do mesmo estilo, como Talking Bad (da série Breaking Bad), a intenção era que os espectadores somente os assistissem após terem assistido a temporada completa, e não um após cada episódio.
Em novembro de 2016, Levy diria que ele e os Duffer já estavam pensando em uma terceira temporada, alegando que "não queriam ser pegos de surpresa e ter de decidir tudo em cima da hora"; os Duffer, por sua vez, diriam já estar trabalhando na história para um total de quatro ou cinco temporadas, e que ela definitivamente teria um final, sem a série se prolongar indefinidamente. Em abril de 2017, os Duffer confirmariam a terceira temporada, e diriam que a quarta seria a última; Levy, entretanto, diria que a Netflix havia concordado com quatro temporadas com a possibilidade de uma quinta, então ainda não estava nada acertado, com Matt Duffer declarando que "quatro parece pouco, cinco parece muito, então não sabemos o que fazer".
A terceira temporada seria oficialmente anunciada pela Netflix em dezembro de 2017, com roteiros escritos pelos Duffer, Dichter, Trefry, William Bridges e Curtis Gwinn, e um total de oito episódios, quatro dirigidos pelos Duffer, dois por Levy e dois por Uta Briesewitz. Preocupada que as crianças estava se tornando adultas, a Netflix pediria que a terceira e a quarta temporada fossem filmadas back to back, com a produção de uma se iniciando imediatamente após a da outra se encerrar, mas os Duffer não concordaram, acreditando que isso prejudicaria o desenvolvimento de ambas. Os Duffer também diriam que a terceira temporada seria mais adulta que as duas anteriores, e que o foco, dessa vez, não estaria em Will, que ainda se envolveria com os eventos, mas sem ser parte crucial deles.
O principal cenário da terceira temporada seria o Starcourt Mall, um shopping recém-inaugurado em Hawkins; as filmagens ocorreriam no Gwinnett Place Mall, na cidade de Duluth, Geórgia, um shopping construído em 1984, jamais reformado e praticamente abandonado, com pouquíssimas lojas ainda em funcionamento, que a equipe de produção redecorou e encheu de objetos de cenário e figurantes para parecer que ele havia acabado de inaugurar e estar em pleno funcionamento. A equipe de produção teria de recriar as fachadas das lojas como elas eram em 1985, fazendo uma pesquisa detalhada para saber quais marcas provavelmente teriam lojas em um shopping no interior de Indiana naquele ano, e quais produtos seriam oferecidos na praça de alimentação; apenas duas lojas não estariam de acordo com essa pesquisa, a fictícia sorveteria Scoops Ahoy!, inventada pelos Duffer, e a rede de estúdios de fotografia Glamour Shots, que não estava presente em shoopings em 1985, mas foi incluída porque havia uma cena importante envolvendo um estúdio de fotografia, e os Duffer prefeririam usar um que realmente existiu ao invés de criar um fictício, em nome do realismo da ambientação. Todas as cenas do shopping seriam filmadas durante o dia, com as cenas noturnas usando uma tela que bloqueava a entrada do sol pelas janelas e pelo teto de vidro.
A terceira temporada também introduziria uma personagem nova de grande importância, Robin Buckley (Maya Hawke), garota descolada que posa de extrovertida mas carrega um segredo, que logo se tornaria a melhor amiga de Steve e parte importante do grupo em suas aventuras. Ambientada no verão de 1985, a temporada traz os soviéticos querendo abrir uma passagem para o Mundo Invertido, imaginando que, se os americanos estão bulindo lá, isso pode representar uma vantagem na Guerra Fria; Steve e Robin acidentalmente descobrem que há soviéticos infiltrados em Hawkins, e que seu plano pode fazer com que o portal que eles lutaram tanto para fechar seja reaberto. Paralelamente a isso, o Devorador de Mentes controla a mente de Billy, fazendo com que ele reúna "soldados" que permitirão reabrir o portal do Mundo Invertido, dessa vez dentro do Starcourt Mall, para que o monstro passe e domine a cidade.
Outros novos personagens da terceira temporada são Larry Kline (Cary Elwes), Prefeito de Hawkins, segundo os Duffer, "um legítimo político dos anos 1980, mais preocupado com sua própria imagem que com os moradores da cidade que governa"; Bruce Lowe (Jake Busey), jornalista do Hawkins Post, onde Nancy vai trabalhar no verão, que não leva ela a sério por ser mulher, e vive fazendo comentários sexistas; o editor-chefe do Hawkins Post, Tom Holloway (Michael Park), e sua filha Heather (Francesca Reale), salva-vidas na piscina pública; Alexei (Alec Utgoff), cientista soviético responsável pelo projeto de acessar o Mundo Invertido; Grigori (Andrey Ivchenko), agente soviético infiltrado em Hawkins; e Doris Driscoll (Peggy Miley), idosa que tem sua mente dominada pelo Devorador de Mentes.
Os oito episódios da terceira temporada estreariam em 4 de julho de 2019; a Netflix divulgaria que, depois de quatro dias, mais de 40 milhões de contas haviam assistido pelo menos 70% de um episódio, e 18 milhões haviam assistido a temporada inteira, um recorde para qualquer série de seu catálogo. A crítica ficaria mais dividida, com alguns elogiando os relacionamentos interpressoais e a maior maturidade da história, outros achando o roteiro fraco e o humor forçado. Uma reclamação frequente entre críticos e público seria quanto à forma como os soviéticos eram retratados e como os americanos eram retratados em relação aos soviéticos, com pelo menos um crítico acusando a série de fazer "propaganda ao estilo da Era Reagan"; os Duffer se justificariam dizendo que era assim que eles eram retratados em produções dos anos 1980. A terceira temporada seria indicada a um Grammy, de Melhor Trilha Sonora para uma Mídia Visual, e a oito Emmys: Melhor Série de Drama, Melhor Extensão Interativa para um Programa Linear (para o jogo Scoops Ahoy: Operation Scoop Snoop), Melhor Supervisão Musical, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Coordenação de Dublês para uma Série, Série Limitada ou Filme para a TV de Drama, e Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, ganhando somente esse último.
Em setembro de 2019, a Netflix anunciaria que havia assinado contrato com os Duffer para a produção de novas séries e filmes "ao longo de múltiplos anos", "por um valor de nove dígitos", anunciando a quarta temporada de Stranger Things na mesma ocasião. Os Duffer aproveitariam a quarta temporada não só para concluir histórias propositalmente deixadas abertas na terceira, mas também para trabalhar a mitologia da série; o documento que eles haviam preparado ao criar o projeto, lá em 2015, explicava tudo em detalhes, inclusive como Onze havia ganhado seus poderes e o que era o Mundo Invertido, mas eles ainda não haviam tido a oportunidade de mostrar isso nas telas. Escritos pelos Duffer, Dichter, Trefry, Gwinn e Caitlin Schneiderhan, os roteiros da quarta temporada, combinados, somariam mais de 800 páginas, o que levaria os irmãos a negociar com a Netflix que a temporada tivesse nove episódios, alguns deles com bem mais de uma hora - em termos de minutos totais, a quarta temporada tem quase o dobro da segunda, que era até então a mais longa - e que eles fossem lançados em dois blocos, um com os sete primeiros, o outro com os dois últimos; durante a produção, os Duffer também decidiriam que a quinta temporada seria a última, com a quarta e a quinta compartilhando um único arco de história.
O principal vilão da quarta e quinta temporadas seria uma entidade humanoide que os meninos decidem chamar de Vecna, um mago morto-vivo considerado um dos maiores vilões de D&D; embora o nome tenha sido considerado uma sacada genial, ele também acabou sendo um anacronismo, já que Vecna só estreou no material do RPG em 1990, com sua existência sendo apenas sugerida antes disso. Para justificar o "batismo", os Duffer criariam um novo personagem, Eddie Munson, Mestre de um grupo de RPG chamado Clube do Inferno, que seria um jogador tão fanático que conseguiria deduzir os poderes de Vecna e o tamanho de sua ameaça com base no material lançado até então, influenciando Mike, Will, Dustin e Lucas quanto à escolha do nome. Eddie seria inspirado em Damien Echols, que, em 1994, seria acusado de matar três meninos de oito anos em um ritual satânico; nunca houve nenhuma prova de que Echols estava envolvido nos assassinatos, mas os moradores da cidade de West Memphis, Arkansas, onde ele morava e onde o crime ocorreu, tinham certeza de que foi ele, e usavam como justificativa sua aparência, as roupas que ele vestia e seus hobbies, dentre eles escrever poesias macabras. Echols cumpriria toda a pena e, após ser libertado, em 2011, se tornaria autor de livros autobiográficos e espirituais e tema de vários documentários, sempre mantendo que é inocente e foi condenado injustamente.
A quarta temporada seria a primeira com filmagens fora dos Estados Unidos, com cenas ambientadas na União Soviética sendo filmadas na prisão de Lukiskes e na base aérea de Kyviskes, ambos na Lituânia; as cenas na Califórnia seriam filmadas em Albuquerque, Novo México. Em março de 2020, todas as produções da Netflix seriam interrompidas por causa da pandemia, retornando em setembro; Montgomery não conseguiria sair da Austrália para filmar suas cenas ainda incompletas, e teve que filmá-las em separado, sendo dirigido por Levy através do aplicativo Zoom, enquanto Sink filmava a mesma cena com um dublê para que ambas fossem combinadas na pós-produção para parecer que Montgomery e Sink estavam contracenando um com o outro. As cenas no hospital psiquiátrico seriam filmadas na universidade Berry College, na cidade de Rome, Geórgia, e contariam com a atriz Martie Blair interpretando uma versão mais jovem de Onze, que teria seu rosto alterado para o de Brown digitalmente na pós-produção.
Barrie Gower, maquiador que havia trabalhado em Game of Thrones e Chernobyl, ficaria responsável pela aparência de Vecna, uma combinação de maquiagem, próteses e roupa de borracha, com o ator que o interpretava levando sete horas para completar a transformação; os Duffer queriam que Vecna fosse "90% real", acreditando que tê-lo no set contracenando com os atores garantiria maior realismo nas interpretações, por isso ele seria apenas retocado digitalmente na pós-produção, ao invés de ser um personagem digital como o Devorador de Mentes. A quarta temporada foi a que teve a maior quantidade de efeitos visuais em toda a série - somente o útimo episódio da quarta teve mais efeitos visuais que toda a terceira temporada - com a Rodeo FX, que já havia trabalhado em algumas cenas da terceira temporada, ficando responsável pelos mais complexos. Ainda assim, muitos dos efeitos visuais estavam inacabados quando o primeiro bloco foi lançado, com os Duffer seguindo com a pós-produção e obtendo autorização da Netflix para um update quando tudo ficou pronto - algo que a Netflix jamais havia autorizado, e que significa que quem assistiu os episódios na estreia do primeiro bloco viu efeitos visuais mais pobres em relação a quem viu depois da estreia do segundo.
A quarta temporada é ambientada em março de 1986, e acompanha três histórias diferentes. A primeira ocorre em Hawkins, na qual adolescentes estão sendo assassinados misteriosamente; quando a popular cheerleader Chrissy Cunnigham (Grace Van Dien) morre na companhia do pária social Eddie Munson (Joseph Quinn), ele passa a ser o principal suspeito, com Dustin, Lucas, Erica, Max, Nancy, Steve e Robin decidindo investigar o caso para limpar o nome de Eddie e concluindo que os assassinatos são obra de uma entidade do Mundo Invertido que eles decidem chamar de Vecna (Jamie Campbell Bower). Na segunda, Mike decide ir até a Califórnia visitar Onze, que está morando com Jonathan e Will; Onze perdeu seus poderes após os eventos da temporada anterior, e, diante da ameaça de Vecna, é levada por Owens para um laboratório onde tentará recuperá-los, com os meninos pegando uma carona com Argyle (Eduardo Franco), amigo de Jonathan, para "salvá-la". Na terceira, Hopper está preso na Rússia, e Joyce e Murray conseguem um avião de carga para salvá-lo. No fim, todas as histórias convergem e todos os personagens se encontram em Hawkins, onde Vecna lança um ataque final.
Outros personagens de destaque da quarta temporada são Jason Carver (Mason Dye), capitão do time de basquete, namorado de Chrissy e principal acusador de Eddie; Dmitri Antonov (Tom Wlaschiha), guarda da prisão que ajuda Hopper a escapar; Yuri Ismailov (Nikola Duricko), o dono do avião usado por Joyce e Murray; Wayne Munson (Joel Stoffer), tio de Eddie; o Coronel Jack Suillivan (Sherman Augustus), que acredita que Onze é a responsável pelos assassinatos e monta uma força-tarefa para capturá-la; Vickie Dunne (Amybeth McNulty), enfermeira no hospital de Hawkins e membro da banda do colégio; e Victor Creel (Robert Englund), homem ligado ao passado de Vecna.
A quarta temporada teria cinco episódios dirigidos pelos Duffer, dois por Levy e dois por Nimród Antal; devido aos atrasos causados principalmente pela pandemia, os sete primeiros estreariam em 27 de maio de 2022, e os dois últimos em 1 de julho de 2022, quase três anos após a temporada anterior. Junto com cada bloco, também seria lançado no YouTube um episódio (para um total de dois) de um programa ao estilo do Beyond Stranger Things, chamado Stranger Things 4: Unlocked. A quarta temporada seria o programa mais assistido em streaming no ano, e transformaria Stranger Things no primeiro programa de língua inglesa a ultrapassar um bilhão de horas assistidas - e o segundo na história, após o sul-coreano Round 6. A temporada seria aclamada pela crítica, que elogiaria as performances dos atores, a maturidade dos roteiros, as cenas de ação e os efeitos visuais, embora alguns tenham reclamado da duração excessiva dos episódios.
Como o Emmy premia as produções lançadas entre 1 de junho de um ano e 31 de maio do ano seguinte, o primeiro bloco da quarta temporada concorreria na cerimônia de 2022 e o segundo na de 2023; o primeiro bloco seria indicado a 13 Emmys, ganhando cinco (Melhor Supervisão Musical, Melhor Maquiagem Prostética, Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhor Coordenação de Dublês para uma Série, Série Limitada ou Filme para a TV de Drama; os demais seriam Melhor Série de Drama, Melhor Seleção de Elenco para uma Série de Drama, Melhor Cabeleireiro para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Design de Produção para um Programa de Época de Uma Hora, Melhor Edição para uma Série de Drama de Única Câmera de Uma Hora, Melhores Efeitos Visuais em uma Temporada ou Filme, e Melhor Performance de Dublês), enquanto o segundo bloco seria indicado a cinco (Melhor Supervisão Musical, Melhor Maquiagem Não-Prostética para uma Produção de Época ou Caracterização, Melhor Edição de Som para uma Série de Uma Hora, Melhor Mixagem de Som para uma Série de Uma Hora, e Melhor Performance de Dublês), mas não ganharia nenhum. O segundo bloco também seria indicado a um Grammy, de Melhor Trilha Sonora para uma Mídia Visual.
Durante a pausa forçada causada pela pandemia, os Duffer aproveitariam para delinear a quinta e última temporada, que teria roteiros escritos por eles, Schneiderhan, Dichter, Gwinn e Trefry. Todos ficariam prontos antes de a quarta temporada estrear, mas, após a estreia, os Duffer veriam a reação do público aos eventos da quarta temporada para alterar vários eventos da quinta, inclusive mudando o final da série; esse trabalho teria de ser interrompido em maio de 2023, devido à greve dos roteiristas, sendo retomado em setembro. Os Duffer dirigiriam cinco dos episódios, um deles co-dirigido por Levy, que dirigiria sozinho mais um. Um dos episódios restantes originalmente seria dirigido por Dan Trachtenberg, que acabaria não podendo fazê-lo após se comprometer com Predador: Terras Selvagens; fã da série, Frank Darabont decidiria sair de sua aposentadoria para substituí-lo, e acabaria dirigindo os outros dois.
Holly Wheeler tem um papel importante na quinta temporada, e por isso os Duffer decidiriam trocar as gêmeas que a interpretaravam pela atriz Nell Fisher, que seria bastante elogiada - muitos achariam que a atriz seria trocada por uma questão de idade, mas, na verdade, Fisher é um ano mais velha que as gêmeas. Harbour filmaria a quinta temporada concomitantemente a Thunderbolts*, o que faria com que Hopper tivesse a longa barba usada pelo Guardião Vermelho. E a cláusula contratual de Ryder, que previa sua liberação para filmar uma sequência de Os Fantasmas se Divertem, acabaria não tendo de ser exercida, já que Os Fantasmas Ainda se Divertem, lançado em 2024, seria filmado durante a pré-produção da quinta temporada de Stranger Things. Vale citar também a participação da atriz Hope Hynes Love como a professora de Holly na escola, Srta. Harris, um papel escrito especialmente para ela pelos Duffer - já que ela foi sua professora de teatro quando eles estavam no Ensino Médio.
A quinta temporada também contaria com a atriz Linda Hamilton como a Dra. Kay, chefe de uma operação militar que planeja reproduzir os poderes de Onze, e tenta capturar a menina para fazer novos experimentos nela; estrela de O Exterminador do Futuro, Hamilton procuraria os Duffer e se ofereceria para um papel - mesma estratégia adotada por Robert Englund, o Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, que havia feito isso para a quarta temporada - com os Duffer decidindo dar a ela uma vilã. Outros personagens de destaque da quarta temporada são Derek Tuyrnbow (Jake Connelly), insuportável colega de escola de Holly que acaba tendo um papel importante na luta contra Vecna, e o Tenente Robert Akers (Alex Breaux), comandante da força-tarefa que tem a missão de capturar Onze.
A quinta temporada começa em novembro de 1987, poucos dias antes do aniversário de quatro anos do sequestro de Will. Após o ataque de Vecna no final da temporada anterior, os militares colocaram a cidade em quarentena, ninguém entra, ninguém sai, e tomaram o controle de todos os pontos de acesso ao Mundo Invertido, estabelecendo uma base para pesquisar os poderes de Onze para tentar usá-los como arma. Durante o intervalo de tempo entre uma temporada e outra, nossos intrépidos heróis ficaram procurando por Vecna para tentar destruí-lo, mas jamais o encontraram; agora, o vilão coloca em movimento um novo plano, sequestrando várias crianças, dentre elas Holly, para usá-las como condutor para seu poder e conseguir mesclar o Mundo Invertido com o mundo real, se tornando o governante de tudo.
Assim como a quarta temporada, a quinta, que teria um total de oito episódios, seria disponibilizada em blocos: o primeiro, de quatro episódios, em 26 de novembro de 2025, o segundo, de mais três, em 25 de dezembro, e o último episódio em 31 de dezembro de 2025 - também como na quarta temporada, cada episódio teria mais de uma hora, com o último tendo mais de duas; esse último episódio seria exibido em 620 salas de cinema selecionadas nos Estados Unidos e Canadá. Dois programas especiais também seriam produzidos para ir ao ar junto com ela: Stranger Things 5: Inside the Episodes, com 8 episódios disponibilizados no YouTube entre 27 de novembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, e o documentário One Last Adventure: The Making of Stranger Things 5, que estrearia na Netflix em 12 de janeiro de 2026. A Netflix ainda não divulgou os dados da audiência da quinta temporada, mas a crítica a considerou um encerramento digno, que solidificou a série na cultura pop - apesar de algumas reclamações do público, que não concordou com os desfechos das histórias de alguns dos personagens. As indicações ao Emmy também ainda não foram divulgadas.
Atualmente, os Duffer trabalham em novos programas relacionados à mitologia da série, o primeiro deles uma série de animação ambientada entre a segunda e a terceira temporadas da série original, chamada Stranger Things: Histórias de 85, que estreou na Netflix em 23 de abril desse ano; a animação conta com todos os personagens da série (mas dublados por atores profissionais) e, segundo os Duffer, sua intenção era fazer "um desenho das manhãs de sábado dos anos 1980 ambientado no universo de Stranger Things". Uma outra série com atores, mas sem o envolvimento dos originais - e, segundo Wolfhard, que sequer cita a cidade de Hawkins - também está em pré-produção, mas, até o momento, não foram divulgadas mais informações.




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