sábado, 14 de março de 2026

Escrito por em 14.3.26 com 0 comentários

Os Fantasmas

Vocês estão prestes a ler um dos posts mais adiados da história do átomo. Quando criança, eu adorava o desenho Os Fantasmas, que passava no SBT, no qual dois amigos e um gorila enfrentavam seres sobrenaturais. Em 2011, quando comecei a escrever uma série não-oficial sobre desenhos dos anos 1980 aqui para o átomo, pensei em escrever sobre ele, mas, não me lembro o porquê, acabei não o fazendo. Depois disso, em várias ocasiões pensei em escrever o post, como em 2020, quando eu fiz uma lista enorme de assuntos que poderia abordar durante a pandemia, e em 2022, após falar de Defensores da Terra, mas também acabei desistindo. Ano passo, eu quase escrevi o post, mas, de última hora, desisti e acabei falando sobre outro assunto, já nem lembro qual. Hoje, eu decidi que finalmente não teria mais desculpas, e sentei diante do computador com o único e exclusivo intuito de escrever sobre Os Fantasmas, senão, acho que não escrevo nunca mais. Finalmente, portanto, é dia de Os Fantasmas no átomo!


Antes mesmo de escrever meu post sobre os Caça-Fantasmas, lá em 2007, eu já sabia de um detalhe curioso sobre Os Fantasmas: em inglês, o desenho se chamava Ghostbusters, "Caça-Fantasmas", e, no Brasil, virou "Os Fantasmas" justamente para não ser confundido com o desenho baseado no filme dos Caça-Fantasmas - que, nos Estados Unidos, teve de se chamar The Real Ghostbusters, já que, lá, Os Fantasmas estreou primeiro. Eu me lembro que, ainda criança, quando assistia ambos, eu percebi que, na abertura dos desenhos, o nome que aparecia no exibido pelo SBT era Ghostbusters, e o que aparecia no exibido pela Globo, baseado no filme, era The Real Ghostbusters, mas deduzi que o nome Os Fantasmas havia sido escolhido para que o SBT não fosse processado pela Globo ou coisa assim, e que o nome The Real Ghostbusters tinha sido escolhido em inglês porque o desenho Ghostbusters era anterior ao filme. Nessa segunda parte eu estava quase certo, já que o desenho era posterior ao filme, mas baseado em uma série de TV anterior - algo que eu descobri justamente ao pesquisar para escrever o post dos Caça-Fantasmas.

Chamada The Ghost Busters, usando duas palavras, e criada por Marc Richards, a série de TV seria produzida pela Filmation, que, aqui no Brasil, ficaria conhecida por ter produzido o desenho do He-Man, mas, nos Estados Unidos, começaria a produzir desenhos animados em 1966, graças a um contrato com a DC Comics que lhe permitiu produzir para o canal CBS desenhos do Superman, Superboy, Batman, Aquaman e Shazam, dentre outros. Paralelamente aos desenhos da DC, ela faria também desenhos baseados em filmes ou livros de ação e ficção científica, como Viagem ao Centro da Terra, baseado na obra de Júlio Verne, que estreou em 1967, e Viagem Fantástica, baseado no filme da Fox de 1966, que estrearia em 1968, ambos no canal ABC, além de desenhos baseados nos quadrinhos da Turma do Archie e em séries de TV "para toda a família", como A Família Sol-Lá-Si-Dó.

Em 1973, a Filmation conseguiria um contrato com a Paramount para produzir, para o canal NBC, Star Trek: The Animated Series, a versão animada da série clássica de Jornada nas Estrelas, o que deu aos donos da Filmation, os produtores Norm Prescott e Lou Scheimer, uma ideia: passar a produzir não somente séries de animação, mas também suas próprias séries com atores, todas voltadas ao público infantil. Eles se aproveitariam do contrato com a DC para fazer uma "aposta segura", uma série com personagens já conhecidos, e produziriam Shazam!, que iria ao ar entre 1974 e 1976 pela CBS, com um total de 28 episódios. Com o sucesso desta, apostariam em outra série de super-heróis, A Poderosa Ísis, com personagens originais criados pela Filmation (Ísis depois seria comprada pela DC e integrada a seu universo), que teve 22 episódios exibidos entre 1975 e 1977, também pela CBS. The Ghost Busters seria a terceira.

Ao saber que a Filmation estava em busca de ideias para séries com atores voltadas para o público infantil, Richards apresentaria sua proposta: dois detetives particulares que, ao invés de investigarem crimes, investigariam aparições de fantasmas e outros monstros, contando em seus episódios com figuras famosas como Drácula, o Monstro de Frankenstein, o Fantasma de Canterville e os fantasmas do Barão Vermelho, de Billy the Kid e de Belle Star. Além disso, os detetives não agiriam sozinhos, contando com um terceiro membro em sua equipe: um gorila - por alguma razão, era popular colocar gente vestida de gorila em séries dos anos 1960 e 1970, com várias séries famosas, como Agente 86 e A Família Addams contando com pelo menos um episódio no qual aparecia um gorila.

Richards decidiria chamar os detetives de Spencer e Tracy, em homenagem ao ator Spencer Tracy, e o gorila de Kong, em homenagem ao King Kong, mas Prescott e Scheimer achariam isso muito óbvio e inverteriam os nomes, com os detetives se chamando Spencer e Kong, e o gorila se chamando Tracy. Devido a um erro da equipe de produção, na porta da sala onde os detetives atendiam seus clientes estava escrito Spenser, com S, e, no segundo episódio, seria revelado que o primeiro nome de Spencer era Eddie; o primeiro nome de Kong jamais seria revelado na série, mas, segundo Richards, era Jake.

Para interpretar Kong e Spencer, Richards escolheria os atores Forrest Tucker e Larry Storch, famosos por terem estrelado, entre 1965 e 1967, a série de comédia F Troop, ambientada em 1860, que mostrava o dia a dia de soldados norte-americanos alocados em um forte durante o Velho Oeste, pouco após o fim da Guerra Civil. Veteranos da comédia, a química entre Tucker e Storch era considerada excelente, mas seu estilo, que lembrava um pouco o dos Três Patetas, já não fazia sucesso dentre o público adulto na década de 1970, com Richards apostando que suas carreiras poderiam ter um prolongamento caso fizessem uma série infantil. Já para o papel de Tracy, o ator escolhido seria Bob Burns, um técnico em efeitos especiais conhecido por sua gigantesca coleção particular de props, objetos de cena usados em vários filmes e séries de TV, que ele adquiria em leilões. Burns estava acostumado a aparecer na tela fantasiado, principalmente interpretando monstros e alienígenas em filmes de terror e ficção científica, e, na abertura, seria creditado como "o treinador" de Tracy. Vale citar também que a música de abertura, composta por Yvette Blais e Jeff Michael, era cantada pelos próprios Tucker e Storch.

Na série, Kong, Spencer e Tracy são um trio de detetives especializados em ocorrências paranormais, em uma cidade jamais especificada. Aparentemente os negócios não vão bem, já que seu escritório está caindo aos pedaços, e sua única forma de comunicação com os clientes é através de um telefone público. A sorte dos detetives parece mudar, entretanto, quando eles recebem um contato do misterioso Zero (voz de Scheimer), que, a partir de então, passa a lhes dar dicas sobre o aparecimento de fantasmas e monstros em diversos pontos da cidade, mantendo os detetives sempre ocupados. Curiosamente, nunca é mencionado se eles são remunerados por Zero ou por quem quer que seja.

Kong é o líder do trio, o mais velho e mais experiente, embora seja levemente covarde e um pouco distraído; Spencer é mais jovem e mais focado, estando sempre bem vestido e disposto a fazer o necessário para deter os vilões. Tracy, apesar de ser um gorila, é extremamente inteligente - mais até do que Kong e Spencer - e, apesar de não saber falar, cuida de todos os detalhes do escritório e ainda dirige o carro dos detetives; sua marca registrada é um beanie, aquele chapeuzinho redondo colorido com uma hélice em cima, embora ele tenha uma vasta coleção de chapéus e use uns diferentes em alguns episódios. Apesar de bem-intencionados e conhecedores do seu ofício, Kong e Spencer são absurdamente trapalhões, o que sempre os coloca em situações difíceis antes de eles conseguirem neutrazlizar a ameaça da semana.

Todo episódio seguia a mesma fórmula: antes da abertura, um monstro, fantasma ou outra ameaça sobrenatural surgia em determinado ponto da cidade, normalmente acompanhado de um ajudante, e começava a criar confusão. Logo após a abertura, Kong, Spencer e Tracy recebiam de Zero sua missão, na forma de uma fita cassete escondida em um objeto de uso cotidiano, como uma bicicleta ou máquina de escrever, que atuava também como seu reprodutor - em uma paródia de Missão Impossível, toda fita terminava com a mensagem "essa mensagem irá se auto-destruir em cinco segundos", após a qual Tracy contava os segundos nos dedos e o objeto explodia na sua cara. Cada episódio também costumava ter um vilão humano querendo se aproveitar da confusão criada pelo ser sobrenatural para se dar bem - no do Fantasma de Canterville, o criminoso Mr. C quer se aproveitar para roubar um diamante que pertenceu a Simon de Canterville e o fantasma usa em um pingente - e que também é impedido pelos detetives. Os seres sobrenaturais são sempre derrotados por um aparelho chamado "desmaterializador", normalmente acionado por Kong no momento certo, com uma curta sequência de comemoração encerrando o episódio antes dos créditos finais.

Ao todo, The Ghost Busters teria 15 episódios de meia hora cada, exibidos entre 6 de setembro e 13 de dezembro de 1975; segundo Burns, a temporada inteira seria gravada em nove semanas, com as gravações ocorrendo dia sim, dia não. Infelizmente, a audiência sempre ficaria abaixo do esperado pela Filmation, que, ao invés de renová-la para uma segunda temporada, decidiria investir em uma nova série, de ficção científica, chamada Ark II, que assumiria o horário de The Ghost Busters na CBS em 1976. The Ghost Busters jamais entraria em syndication, mas a própria CBS exibiria reprises da série em horários alternativos entre 1976 e 1979. A série chegaria a ser exibida no brasil pelo SBT no início da década de 1980 com o nome de Trio Calafrio.

No início da década de 1980, Dan Aykroyd começaria a escrever o roteiro do filme Os Caça-Fantasmas, usando o nome Ghostbusters, sem saber, ou sem se importar, que já existia uma série chamada The Ghost Busters; segundo Aykroyd, ele criaria o nome inspirado no de dois outros filmes de temática semelhante, The Ghost Breakers, de 1940, e Ghost Chasers, de 1951. Somente em 1983, pouco mais de um ano antes da estreia do filme, é que os produtores ficariam sabendo que o nome Ghostbusters não estava disponível, graças a um episódio inusitado: Frank Price, o produtor da Columbia Pictures que havia se reunido com o diretor Ivan Reitman e autorizado a produção do filme, saiu da Columbia e foi para a Universal, que, no final da década de 1970, havia negociado com a Filmation os direitos sobre a série The Ghost Busters. Ao assumir seu cargo no novo estúdio, Price ficaria sabendo que o nome já estava registrado, e entraria em contato com a Columbia para informá-los de que eles não poderiam usá-lo. A Columbia chegaria a sugerir os nomes Ghoststoppers, Ghostbreakers e Ghostsmashers, mas toda a equipe do filme já se referia a ele como Ghostbusters, de forma que o estúdio passou a procurar uma forma de garantir o nome.

A partir daí, os relatos divergem. Alguns dizem que a Columbia primeiro procuraria a CBS, que exibiu a série The Ghost Busters, e conseguiria uma autorização para usar o nome. Outros dizem que Price havia feito a "denúncia" de propósito, e que teria concordado em vender o nome para a Columbia por 500 mil dólares. A maioria das fontes, porém, diz que a Columbia teria negociado diretamente com a Filmation, e comprado o nome por 608 mil dólares mais 1% do lucro que o filme gerasse - sendo que há quem diga que esse 1% fez parte, na verdade, de um pagamento à Universal. Seja como for, os advogados da Columbia se usaram de um artifício legal para não precisar pagar essa porcentagem: ao invés de 1% da bilheteria, seria oferecido 1% do lucro, e, após diversas manobras fiscais feitas pela Columbia - tão tradicionais que têm até um apelido nos Estados Unidos, Hollywood Accounting, "contabilidade hollywoodiana" - o relatório oficial do filme diria que ele não deu lucro, com a Filmation (ou a Universal, dependendo de quem conta) não recebendo nada, já que 1% de zero é zero.

A versão que diz que a negociação seria feita diretamente com a Filmation faz mais sentido porque, após a estreia do filme, a Filmation se ofereceria para fazer um desenho animado com seus personagens, o que, de certa forma, era uma das especialidades do estúdio. A Columbia, entretanto, não quereria negociar com a Filmation, e procuraria outro estúdio de animação, chamado DiC, contratando-o para produzir a série animada dos Caça-Fantasmas. Assim que ficou sabendo que a Columbia tinha assinado com a DiC, Scheimer iniciou a produção (Prescott havia oficialmente se aposentado em 1982) de um desenho animado baseado na série The Ghost Busters, colocando nele o nome de Ghostbusters, e correndo para que ele estreasse antes do desenho da DiC, o que, na prática, impediria que o estúdio rival usasse o nome.

A diferença seria, acreditem ou não, de cinco dias: o desenho da Filmation, que, como já foi dito, ficou conhecido no Brasil como Os Fantasmas, estrearia, já em syndication - em vários canais simultaneamente, sem exclusividade de nenhum - em 8 de setembro de 1986, enquanto o desenho da DiC estrearia em 13 de setembro na ABC. Como, após a estreia de Os Fantasmas, a DiC não poderia mais usar o nome Ghostbusters, eles decidiriam alfinetar a Filmation e mudar o nome para The Real Ghostbusters, "os verdadeiros Caça-Fantasmas". Para piorar a situação, após acabarem os episódios inéditos de Os Fantasmas, quando começaram as reprises, a Filmation decidiria criar uma nova tela-título, usando o nome The Original Ghostbusters, "os Caça-Fantasmas originais".

Ter dois desenhos sobre Caça-Fantasmas indo ao ar simultaneamente causaria uma certa confusão nas crianças, com muitas ligando a TV para assistir Ghostbusters e estranhando não ver os personagens do filme, e outras não se interessando de assistir The Real Ghostbusters por achar que era alguma coisa nova. Como o filme da Columbia era muito mais famoso que a série de TV da Filmation, porém, logo The Real Ghostbusters passaria a fazer muito mais sucesso que Os Fantasmas, não somente na TV, mas também em relação à venda de brinquedos, um dos pilares da produção de desenhos animados na década de 1980. Com os brinquedos de Os Fantasmas encalhando nas prateleiras, e sem um canal para financiar a série, já que ela era exibida em syndication, a Filmation não veria alternativa senão cancelar Os Fantasmas após apenas uma temporada de 65 episódios, o último exibido em 5 de dezembro de 1986. Após o cancelamento, Scheimer declararia que, em retrospecto, havia sido um erro produzir o desenho especificamente para competir com o baseado no filme.

O cancelamento seria uma pena, porque o desenho era muito divertido. Ele não era uma refilmagem da série, e sim uma continuação: ambientado no futuro, anos após a aposentadoria de Kong e Spencer, o desenho era estrelado por seus filhos, Jake Kong Jr. e Eddie Spenser Jr. (com Scheimer aproveitando para finalmente tornar canônicos tanto o primeiro nome de Kong quanto o erro da produção da série que alterou o nome de Spencer), que se tratam apenas por Jake e Eddie (ao invés de Kong e Spencer, como na série), e, após seus pais se aposentarem, herdam deles o QG dos Caça-Fantasmas com tudo o que tem dentro, inclusive Tracy, que, teoricamente, é o mesmo da série - como um gorila vive apenas cerca de 40 anos, ou Tracy era extremamente jovem na época da série, ou se passou menos tempo entre a série e o desenho do que imaginamos.

O QG dos Caça-Fantasmas - que, no Brasil, mudaram de nome para Exterminadores de Fantasmas - é uma casa decrépita no meio de uma cidade ultra moderna e cheia de arranha-céus (incluindo torres gêmeas que lembram o World Trade Center de Nova Iorque, derrubado nos ataques do 11 de setembro de 2001), repleta de armas, equipamentos e apetrechos que, segundo o desenho, Kong e Spencer usavam para exterminar fantasmas - embora nenhum deles tenha aparecido na série. Ainda segundo o desenho, todos eles foram criados por Tracy, que, diferentemente da série, usa um chapéu estiloso, um bermudão e está sempre com uma mochila nas costas, de onde costuma sacar objetos que ajudarão Jake e Eddie em suas missões - além disso, uma das piadas recorrentes do desenho é que Tracy não conhece sua própria força, frequentemente destruindo as coisas sem querer.

Assim como na série, Jake é o líder, mas, ao contrário de seu pai, é corajoso e está sempre atento; seu nariz coça quando ele está próximo a fantasmas, e normalmente é ele quem cria os planos para derrotar o fantasma da semana. Já Eddie, apesar do bom coração, de estar empolgado por ser um exterminador de fantasmas como o pai, e disposto a qualquer coisa para ajudar seus amigos, é bastante medroso, constantemente fugindo dos fantasmas ao invés de enfrentá-los. Além de Tracy, em alguns episódios eles contam com a ajuda de outros personagens, como Futura, uma exterminadora de fantasmas do Século XXX que consegue viajar no tempo com seu veículo, o patinete voador Time Hopper, e usa tecnologia ao invés de magia para enfrentar os fantasmas; Porcego (Belfry, no original), uma mistura de porco e morcego que possui um grito sônico; a repórter Jessica Wray e seu sobrinho Corky; a cigana Madame Por Que (Madam Why), que viaja entre as dimensões numa carroça mágica e pode ver o futuro em sua bola de cristal, estando sempre acompanhada de sua raposa Foxglove (Foxfire, no original); e o mago Maguinho (Fuddy), que pode ser conjurado em noites de lua cheia por um canto especial de Jake, e cujas magias normalmente não saem como o esperado.

Muitos dos objetos do QG dos Exterminadores são animados por magia, como a Esquelevisão (Skelevision), uma televisão em forma de esqueleto com pés humanos; o Crâniofone (Ansabone), um telefone em formato de esqueleto que tem mente própria e pode conversar com quem está na linha; o relógio-cuco Esquelecuco (Shock Clock); o telescópio Esquelescópio (Skelescope); o elevador Esquelevador (Skelevator), onde Jake e Eddie mudam de roupa e se equipam antes das missões; e, principalmente, o Fantasmóvel (Ghost Buggy), calhambeque que é a principal forma de locomoção dos Exterminadores de Fantasmas. Com o símbolo do grupo na frente, o Fantasmóvel é capaz de falar - tendo sotaque do sul dos Estados Unidos na versão original em inglês - de alterar a própria forma para vários veículos diferentes, e até mesmo de viajar no tempo, embora seja extremamente mal-humorado, sempre reclame quando é acordado para sair em alguma missão, e não goste de Tracy porque ele é "pesado demais".

A principal missão dos Exterminadores de Fantasmas é impedir os planos do Líder Mau (Prime Evil), um feiticeiro poderosíssimo que combinou magia e tecnologia para se tornar imortal, e planeja dominar o mundo inteiro. Originalmente, o Líder Mau foi derrotado e aprisionado em outra dimensão por Kong e Spencer, onde ficou preso por 100 anos; após finalmente conseguir se libertar, ele decidiu voltar no tempo para se vingar, mas, por um erro de cálculo, veio parar na época em que Kong e Spencer já estão aposentados e seus filhos assumiram o negócio. Seu quartel general, chamado Zona do Medo (Hauntquarters, no original), lembra o parlamento inglês, contando inclusive com uma torre com relógio, e fica em uma dimensão paralela, conhecida como Quinta Dimensão. O Líder Mau tem vários poderes mágicos, o principal deles sendo o de lançar raios pelos dedos, mas é incapaz de se materializar em nossa dimensão por muito tempo, recorrendo a seus capangas para tentar derrotar os Exterminadores e estabelecer as condições necessárias para fundir a Quinta Dimensão e a nossa dimensão, o que o permitirá governar a Terra.

Dentre os capangas do Líder Mau, enfrentados pelos Exterminadores de Fantasmas, estão Morcegoide (Brat-a-Rat), que tem corpo de lagarto, cabeça de rato, e flutua no ar, já que não tem pernas; o lobisomem adolescente Sabrinho (Fangster); a feiticeira fantasma Aparícia (Apparitia); a vampira Mistéria (Mysteria), que se parece com Mortícia Addams; o pirata fantasma ciborgue Capitão João Susto Metaloide (Captain Long John Scarechrome); o cavaleiro medieval Sir Trancelot (Sir Trance-A-Lot); o fantasma Caçador (Haunter), um caçador inglês da época da colonização africana, cujo chapéu pode assumir várias formas, e o monóculo dispara um raio que deixa as pessoas más; Mentiroso (Fib Face), que tem duas cabeças que constantemente discutem entre si; a múmia obesa Cabeça Oca (Airhead); o fantasma Maestro (Floatzart); e o mais bizarro de todos, Presunto (Scared Stiff), um esqueleto robótico que se parece com o C3PO de Star Wars e tem medo de tudo, frequentemente desmontando sozinho diante de alguma ameaça.

Mais uma vez, todo episódio seguia a mesma fórmula: Líder Mau traçava algum plano que lhe permitiria dominar a Terra, abria um portal enviando alguns de seus capangas, Jake, Eddie e Tracy ficavam sabendo e, ocasionalmente com alguma ajuda, partiam para impedir o capanga e restaurar a ordem. Alguns episódios contavam com "convidados especiais", personagens "da vida real" que ajudavam ou se opunham aos Exterminadores de Fantasmas, como o mago Merlin e o fantasma de Don Quixote, que lutaram ao lado dos Exterminadores contra os capangas do Líder Mau, ou o Conde Drácula e o Cavaleiro sem Cabeça, que foram vilões em episódios especiais. Assim como a maioria dos desenhos da Filmation, cada episódio de Os Fantasmas terminava com uma lição de moral, em um segmento estrelado pela Esquelevisão.

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