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domingo, 8 de agosto de 2021

Escrito por em 8.8.21 com 0 comentários

Esportes de Mesa

Um dos primeiros posts sobre esportes que eu fiz para o átomo, lá em 2008, foi sobre hóquei. Nele, falei sobre oito esportes, todos com regras parecidas, seis deles com hóquei no nome. Originalmente, eu planejava falar sobre nove, incluindo o air hockey, mas, como o post já estava grande, e air hockey não tem muito a ver com hóquei, desisti.

Cerca de dois anos depois, em 2010, fiz uma série de posts sobre futebol, e no terceiro deles falei sobre futebol de mesa (conhecido aqui no Brasil como pebolim, totó e outros nomes regionais), futebol de botão, subbuteo e futebol de prego. Na ocasião, pensei em falar também sobre tamancobol, mas depois, não me lembro por que, acabei desistindo. Como nem air hockey, nem tamancobol possuem assunto suficiente para ganhar um post inteiro cada um, parecia que nenhum dos dois jamais seria abordado no átomo.

Ano passado, porém, ao pesquisar sobre algum esporte, não me lembro bem qual, me deparei com informações sobre o teqball, esporte que vem ganhando popularidade no Brasil nos últimos anos. Achei que seria legal fazer um post sobre teqball, mas depois, envolvido com outros assuntos, acabei esquecendo. Essa semana não só eu me lembrei do teqball, como também achei que seria uma boa acrescentar o air hockey e o tamancobol e fazer um post sobre os três, já que eles têm em comum o fato de que são jogados utilizando mesas próprias. O resultado é esse post que vocês estão lendo agora.

Pois bem, em ordem alfabética e de antiguidade em relação a quando eu pensei em escrever sobre cada jogo pela primeira vez, vamos começar pelo air hockey, que, segundo a Wikipédia, em português se chama hóquei de ar, embora eu nunca tenha ouvido ninguém usar esse nome. Comum em shoppings e casas de festas infantis, o air hockey é o único dos jogos que veremos hoje que usa uma mesa elétrica, embora uma versão "unplugged" também exista - eu mesmo já joguei em mesas que não tinham o "ventinho" que dá nome ao jogo, usando uma superfície encerada para obter o mesmo efeito.


O air hockey foi uma criação de um grupo de engenheiros da Brunswick, empresa dos Estados Unidos especializada em pistas de boliche e mesas de sinuca, fabricando também bolas, tacos, sapatos e tudo o mais necessário para se praticar esses dois esportes. Em 1969, Phil Crossman, Bob Kenrick e Brad Baldwin pensaram em criar um jogo que usasse a mesa de ar, inventada no ano anterior pelo norte-americano Thomas Whalley Williams III - que, até onde se sabe, não pretendia usá-la em nenhum jogo, embora também não seja claro o porquê de ele tê-la inventado. Crossman, Kenrick e Baldwin experimentaram vários tipos de jogos e vários conjuntos de regras, mas jamais chegaram a algo do que gostassem, e acabaram engavetando o projeto.

Em 1972, outro engenheiro, Bob Lemieux, recém-chegado à Brunswick e fã de hóquei no gelo, ficou sabendo do projeto do trio, e desenvolveu um jogo que simulasse uma partida de hóquei no gelo, usando um pequeno disco de borracha como puck, dois tacos em miniatura, um para cada jogador, e dois gols equipados com fotocélulas, que registravam automaticamente os pontos. Crossman e Kendrick, então, refinariam o jogo e as regras, até chegar à versão final do air hockey, que seria lançado no ano seguinte, com a patente sendo creditada a Crossman, Kendrick e Lemieux - Baldwin, envolvido com outros projetos, não participaria de sua criação.

O air hockey rapidamente se tornou um gigantesco sucesso; espalhadas por bares e hotéis, suas mesas eram disputadas pelos jogadores, que organizavam mini-torneios com regras próprias. Ainda em 1973, estudantes da Universidade de Houston, no Texas, onde o jogo era tão popular que mesas foram instaladas nas salas de recreação, fundariam a Houston Air Hockey Association, e, pouco depois, a Texas Air Hockey Players Association, que codificaria as regras oficiais e organizaria torneios em Houston, Dallas e Austin. Como o jogo rapidamente se popularizava no restante dos Estados Unidos, em 1975 J. Phillip Arnold, um dos mais bem sucedidos jogadores do Texas, decidiria fundar a Associação de Hóquei de Mesa de Ar dos Estados Unidos (USAA, da sigla em inglês), para garantir que as regras do Texas fossem usadas também em outros estados, possibilitando torneios regionais e nacionais.

Curiosamente, quando a Brunswick colocou as mesas no mercado, ela publicou também um livreto de regras, que foram consideradas muito complexas pelos jogadores texanos, que decidiram inventar suas próprias. Como as regras do Texas realmente eram mais simples e faziam mais sentido, a USAA não teve dificuldade nenhuma para fazer com que elas se tornassem as oficiais; a Brunswick, por outro lado, pouco se importou que não estavam usando as regras dela, já que seu principal interesse era vender as mesas. Aliás, até meados da década de 1990, a Brunswick, que tinha patenteado o jogo, tinha uma espécie de monopólio na fabricação das mesas, com todas as existentes nos Estados Unidos sendo fabricadas por ela; isso só começaria a mudar com a popularização do air hockey em outros países e o início da fabricação das mesas chinesas, que não respeitavam a patente da Brunswick. Sem conseguir impedi-las, e não querendo perder mais dinheiro, a Brunswick começaria a licenciar a fabricação de mesas para outras empresas do mundo todo. Hoje, já existem mesas de air hockey dos mais diversos fabricantes, sejam legalizadas ou piratas.

O air hockey é um jogo para duas pessoas; embora seja possível jogar em duplas, nem as regras originais da Brunswick, nem as oficiais da USAA contemplam essa modalidade. Uma mesa oficial de air hockey é conhecida como 8 feet table, e tem 2,43 m (8 pés) de comprimento por 1,52 m de largura e 90 cm de altura. O tampo da mesa costuma ser branco para imitar um rinque de hóquei no gelo, e não precisa de qualquer marcação, normalmente contando com apenas uma linha que a divide ao meio e/ou com um grande logotipo do fabricante; algumas mesas trazem as mesmas marcações do hóquei no gelo, mas elas não possuem nenhum papel no jogo. A principal característica da mesa é que ela conta com centenas de furinhos bem pequenos, que, através de um compressor elétrico instalado dentro da mesa, continuamente despejam ar para cima, diminuindo a fricção do puck e das manoplas, e conferindo o nome ao jogo. Assim como uma mesa de sinuca, uma mesa de air hockey possui uma "borda", de 2,5 cm de altura, para evitar que o puck caia da mesa, e que pode ser usada para jogadas de efeito, fazendo com que o puck bata na borda e mude de direção após ser atingido pela manopla.

Cada jogador joga com uma manopla, que tem o formato de um pequeno sombrero mexicano. Manoplas oficiais são feitas de uma resina plástica chamada lexan, mas, fora de torneios da USAA, elas podem ser feitas de qualquer material plástico. O diâmetro de uma manopla oficial deve ser de no máximo 10,31 cm, e seu peso menor que 170 g; a manopla pode ser de qualquer cor, podendo ser ambas da mesma cor, cada uma de uma cor, ou até uma mesma manopla ter várias cores diferentes (com a base sendo de uma cor e a haste de outra), com a única exigência sendo a de que a cor da base contraste com a do tampo da mesa. A base deve ser perfeitamente redonda, sem reentrâncias ou ângulos, e a haste pode ser de qualquer altura, qualquer diâmetro e qualquer formato, de acordo com a preferência do jogador.

O puck também é feito de lexan para torneios oficiais, ou qualquer material plástico para outras mesas. Um puck oficial tem 8,255 cm de diâmetro, 0,635 cm de altura, e seu peso deve ser de, no máximo, 42 g. As cores permitidas pela USAA são preto, vermelho, verde ou amarelo, com o amarelo sendo sempre usado em torneios, a menos que ambos os jogadores concordem em usar outra cor em sua partida. O objetivo do jogo é usar as manoplas para bater no puck e fazer com que ele entre no gol, que é uma abertura de 30 cm bem no centro da borda no sentido da largura - cada jogador, portanto, se posiciona exatamente atrás de seu gol, para defendê-lo. Mesas elétricas costumam ter sensores no gol, que computam automaticamente o ponto quando o puck passa por eles, um placar que mostra quantos pontos cada jogador tem, e um sistema que devolve o puck por uma abertura na lateral da mesa quando ele entra em um dos gols; mesas usadas em arcades também costumam ter alguma forma de registrar os créditos inseridos pelos jogadores, desligando o compressor e retendo o puck ao final da partida.

As regras são bastante simples: cada jogador usa sua manopla para bater no puck e impulsioná-lo na direção do gol do outro, ganhando um ponto se ele cair lá dentro. O puck deve ser acertado com um movimento lateral, sendo proibido colocar a manopla sobre o puck, seja para pará-lo, seja para impulsioná-lo. Quando um jogador sofre um gol, ele tem direito a sacar, bastando simplesmente colocar o puck à sua frente e impulsioná-lo com a manopla. Cada jogador só pode dar um toque no puck com a manopla por jogada, com a vez passando imediatamente para o outro jogador após ele tocar. Normalmente ganha a partida o jogador que primeiro fizer sete pontos - as máquinas de arcades costumam ser programadas assim, e essa também é a regra nos torneios da USAA.

Torneios da USAA usam um sistema de melhor de sete partidas, com o vencedor de cada embate sendo aquele que ganhar quatro primeiro. A primeira partida de cada série começa com um face off, com o árbitro colocando o puck no centro da mesa, ambos os jogadores mantendo suas manoplas a no máximo 2,5 cm do puck e, a um comando, tentando acertá-lo na direção do gol adversário. O jogador que ganha o face off começa sacando em todas as partidas ímpares, enquanto o outro saca primeiro em todas as partidas pares, independentemente de quem tenha feito o último gol da partida anterior; após cada partida, os jogadores mudam de lado na mesa. Em jogos da USAA um jogador só pode tocar no puck com sua manopla se ele estiver de seu lado da mesa, e o puck deve ultrapassar totalmente a linha do meio da mesa após cada toque. Cada jogador também tem sete segundos para mandar o puck de volta para o outro lado após ele cruzar a linha, dez segundos para sacar após cada gol, e pode se posicionar em qualquer local em torno da mesa, desde que de seu próprio lado. Não cumprir alguma dessas regras resulta em falta, e faltas são punidas com tiro livre direto, com o puck sendo colocado no meio da mesa e o jogador que não cometeu a falta podendo impulsioná-lo na direção do gol do jogador faltoso sem que este possa tentar defendê-lo.

Desde o início, a intenção da USAA era transformar o air hockey em um esporte sério, como, por exemplo, o tênis de mesa, e por isso sempre focou no desenvolvimento dos jogadores e na organização de torneios. O air hockey como esporte demoraria para se firmar fora dos Estados Unidos, porém, com a segunda federação nacional a ser formada sendo a da Catalunha, em 2003, trinta anos após a criação da Houston Air Hockey Association. Nos anos seguintes, surgiriam federações nacionais também na Venezuela, Rússia e Tchéquia, e, em 2006, seria disputado o primeiro campeonato europeu de air hockey, com participantes espanhóis, russos e tchecos. Embora hoje o air hockey já esteja difundido praticamente pelo mundo todo, ele só é jogado profissionalmente nesses cinco países, e, para tentar contornar essa situação, em 2015 a USAA criaria a Associação dos Jogadores de Air Hockey (AHPA, da sigla em inglês), que tem como missão dar apoio, suporte e formação a jogadores de air hockey do mundo inteiro. A AHPA não é uma federação internacional, e sim uma associação de jogadores, com todo o trabalho de regulação e organização internacional ainda ficando a cargo da USAA.

O principal torneio do air hockey é o Campeonato Mundial, organizado pela USAA anualmente desde 1978, e do qual todos os campeões foram norte-americanos, à exceção do venezuelano José Mora, campeão em 1999 e 2000. O maior campeão é Tim Weissman, psicólogo de profissão, considerado "o Kasparov do air hockey" (em comparação com o russo campeão de xadrez), e que já foi até tema de filme, tendo conquistado dez títulos entre 1989 e 1996; em seguida vêm Jesse Douty e Danny Hynes, com nove títulos cada, sendo que Douty conquistou os dele entre 1978 e 1988, e Hynes entre 2001 e 2013. Vale dizer que todos os torneios sancionados pela USAA são mistos, mas os homens são a enorme maioria dos jogadores.

Vamos passar agora para o tamancobol, jogo que conheci na minha infância, porque na pracinha perto da minha casa tinha um, e reencontrei após os 20 anos, na sala de jogos de um hotel no qual me hospedei em Caxambu - esse hotel, aliás, é o único lugar que eu conheço onde há uma mesa de tamancobol. Como eu conheço esse jogo desde sempre, acho estranho que ele seja praticamente desconhecido aqui no Rio de Janeiro, embora já tenham me falado que ele é bem popular no sul do país. De qualquer forma, sempre pensei em falar sobre tamancobol para ajudar mais gente a conhecê-lo, mas, como vocês verão, não há muito o que ser dito, então esse assunto acabou adiado até hoje, quando uma injustiça (a ausência de tamancobol no átomo) finalmente será corrigida.


O tamancobol é jogado em uma mesa de madeira, de 1,6 m de comprimento por 86 cm de largura. O tampo dessa mesa é levemente curvo para baixo, tendo 90 cm de altura no meio e 86 cm de altura nas pontas. Ao redor de todo o tampo há uma borda, que, no sentido do comprimento, tem um formato ondulado, com 20 cm de altura nos pontos mais altos e 15 cm nos mais baixos, e, no sentido da largura, serve de apoio para os braços dos jogadores, tendo 10 cm de largura. No sentido da largura também ficam os gols, aberturas de 20 cm de largura por 10 cm de altura que terminam em "caixas", onde a bola vai parar após cada gol, para que os jogadores as recolham. Alguns modelos possuem um "caminho" por dentro da mesa que a bola percorre, indo parar em uma gaveta lateral independentemente de em qual gol entraram. A bola usada é a mesma do futebol de mesa (ou totó, pebolim etc.), feita de metal, resina ou plástico, com 11 cm de circunferência

Mas o elemento principal do tamancobol são os "tamancos" que lhe dão nome, quatro peças de plástico duro, madeira ou metal que realmente lembram tamancos no formato, tendo uma base quadrada, que servirá para bater na bola, e uma haste cilíndrica, onde ficarão as mãos dos jogadores. Dois de cada lado, os tamancos correm por uma haste de metal posicionada de forma que a base dos tamancos, quando eles estão em repouso, quase toque a mesa, ficando com uma folga de cerca de 1 cm. Essa haste também possui protetores de borracha nas laterais, para que os tamancos não se choquem com os cantos da mesa, e um anel de borracha bem no meio da haste, para que cada tamanco só consiga cobrir metade do campo de jogo. As mãos dos jogadores devem ficar fechadas em volta da haste do tamanco todo o tempo, e, para movimentá-los, é usado um movimento do punho que leva a mão para cima e faz com que o tamanco "chute" a bola.

No início de cada ponto, a bola é colocada bem no centro da mesa, de forma que role para um lado aleatório. A partir de então, a regra é a mais simples possível: cada jogador deve usar seus tamancos para impulsionar a bola na direção do gol adversário, fazendo ela cair lá dentro, e para bloquear seu próprio gol quando ela estiver vindo em sua direção. Cada gol vale 1 ponto. Como não existem federações de tamancobol para codificar as regras, cada dupla de jogadores pode definir suas próprias, jogando até que um deles faça um determinado número de gols, até cansar, dividindo a partida em sets, jogando em melhor de um determinado número de partidas etc.

Eu tentei muitíssimo descobrir, mas, aparentemente, ninguém sabe quem inventou o tamancobol, nem quando. É um jogo brasileiro, porém, com as primeiras mesas tendo aparecido por aqui em locais como bares e hotéis na década de 1960. Hoje, o tamancobol também pode ser encontrado em países vizinhos, como Argentina e Uruguai, mas, no resto do mundo, é praticamente desconhecido. Suas mesas são fabricadas no Brasil por fabricantes de mesas para outros jogos, como sinuca, futebol de mesa e tênis de mesa.

Para terminar, vamos falar do teqball, também conhecido aqui no Brasil como futmesa. O teqball é um esporte recente, inventado em 2012 pelo ex-jogador de futebol húngaro Gábor Borsányi, que, durante uma festa, com amigos, tentou jogar uma mistura de futebol e tênis de mesa, o que não deu muito certo porque a bola não quicava corretamente na direção dos oponentes. Borsányi imaginou que, se a mesa fosse curva, facilitaria a troca de bola, e começou a trabalhar com um amigo, o cientista da computação Viktor Huszár, no design mais apropriado para a mesa. Após muitos testes, em 2014 eles chegaram ao formato ideal, e firmaram uma parceria com o empresário György Gattyán, que fabricaria as mesas e as colocaria no mercado. O lançamento oficial do teqball ocorreria em Budapeste, Hungria, em outubro de 2016, com a participação do jogador de futebol brasileiro Ronaldinho Gaúcho, nomeado "embaixador do teqball".


Borsányi, Huszár e Gattyán, além de serem considerados os criadores do teqball, são também seus donos, pois a mesa, as regras e até o nome "teqball" foram patenteados pelos três em nome da Teqball Holding SARL, com sede nos Estados Unidos. O resultado disso é que ninguém pode construir uma mesa de teqball ou organizar um campeonato de teqball sem pagar royalties à empresa - o nome "futmesa", inclusive, teria sido criado para que os canais esportivos do Brasil, ao se referir ao esporte, não fizessem propaganda de graça da Teqball Holding. Embora isso possa parecer estranho para um esporte, a Teqball Holding segue o mesmo modelo de contrato adotado nos esportes eletrônicos, nos quais a criadora do game também recebe royalties por seu uso em campeonatos.

Como o teqball é um esporte, digamos, mais tradicional, no início houve uma certa preocupação dos jogadores de que o modelo dos chamados e-sports pudesse prejudicar seu desenvolvimento, atrapalhando a formação de novos atletas e a criação de campeonatos regionais e nacionais. Para tentar contornar esse problema, em 2017 a Teqball Holding criaria a Federação Internacional de Teqball (FITEQ), uma federação esportiva nos moldes tradicionais, sem nenhum envolvimento da empresa que fabrica o jogo. A principal missão da FITEQ é popularizar o esporte a nível mundial, dando suporte para a criação de federações nacionais e regionais, através do fornecimento de equipamentos e do intercâmbio de jogadores. Os esforços da FITEQ fizeram com que, em pouco mais de três anos de existência, ela já conte com 109 países membros, incluindo o Brasil. A esperança da FITEQ, como o teqball é um esporte cujos torneios são fáceis de ser organizados e rápidos para serem concluídos, é que seu rápido e crescente sucesso permita em breve alcançar aquele que é o objetivo máximo de todas as federações esportivas: a inclusão do teqball nos Jogos Olímpicos.

O teqball é um esporte misto, com homens e mulheres competindo juntos nas categorias simples e duplas, na qual as duplas podem ser compostas por dois homens ou duas mulheres - a categoria duplas mistas, na qual cada dupla tem que ser obrigatoriamente composta por um homem e uma mulher, é separada, para um total de três. A FITEQ também regula essas três categorias no parateqball, praticado por jogadores amputados das pernas e/ou dos braços, que podem jogar usando ou não próteses - não há qualquer separação de classes, porém, com todos os paratletas competindo juntos. As regras de todas as seis categorias são exatamente as mesmas, com a única diferença de que, nas duplas, a bola deve ser passada de um jogador para o outro pelo menos uma vez antes de ser passada para o outro lado.

A mesa do teqball, chamada Teq Table (que também é uma marca registrada) tem 3 m de comprimento por 1,7 m de largura. Como já foi dito, seu tampo é curvo para baixo, o que faz com que ela tenha 76 cm de altura no meio e 56,5 cm de altura nas pontas. A mesa é dividida no meio por uma "rede", na verdade uma tábua, com 14 cm de altura e 1,5 cm de largura. A área de jogo total, na qual a mesa fica no meio, tem 16 m de comprimento por 12 m de largura, e, pelas regras da FITEQ, deve ser cercada por uma mureta de no mínimo 5 cm de altura - normalmente formada em torneios oficiais por placas de patrocínio. O tampo da mesa não tem qualquer marcação, mas na área de jogo, no chão, são marcadas duas linhas de saque, a 2 m de cada borda da mesa; também é comum que seja marcado o meio da área de jogo, com uma linha que coincide com a rede. A bola usada é a mesma do futebol, mas com menos pressão, para ficar mais macia e quicar melhor.

Cada ponto começa com um saque, com o jogador se posicionando com os dois pés sobre a linha de saque, jogando a bola para o alto e chutando-a para o outro lado. Para que o saque seja válido, a bola deve tocar a mesa do lado adversário; caso o primeiro saque não seja válido, o jogador tem direito a um segundo, mas, se o segundo também não for válido, é ponto para o oponente. Independentemente de quem marcar cada ponto, o saque muda de lado, passando para o outro jogador, a cada 4 pontos. No jogo de duplas, os jogadores de cada dupla se alternam no saque, ou seja, cada um saca duas vezes antes de passar a vez para a dupla oponente. Cada partida é disputada em melhor de três sets, com os jogadores ou duplas mudando de lado ao final de cada set, que termina quando um dos jogadores ou duplas faz 12 pontos. Nos dois primeiros sets é possível vencer por 12 a 11; apenas no terceiro há a regra de que deve haver no mínimo 2 pontos de vantagem - ou seja, se um chegar a 11, o outro, para ganhar, tem de fazer 13.

A forma mais comum de fazer pontos é evitando que o oponente devolva a bola: se, após a bola bater no tampo da mesa, ela bater no chão sem tocar em ninguém, se ela tocar no chão após ser passada para o outro lado sem tocar o tampo da mesa, ou se de qualquer outra forma um jogador falhar em passar a bola para o outro lado após recebê-la, é ponto para o oponente. Uma regra curiosa é a do edgeball: se a bola tocar nas laterais da mesa, ao invés de no tampo, e em seguida cair no chão, sem tocar antes em um jogador, o ponto não vale, e recomeça com saque do mesmo jogador que havia sacado antes. Caso um jogador toque na bola após o edgeball, o ponto continua sendo disputado normalmente.

Após a bola bater no tampo da mesa, cada jogador ou dupla tem direito a três toques antes de devolvê-la para o outro lado, podendo devolver com menos, se quiser - mas, como no jogo de duplas, é obrigatório passar a bola para o colega pelo menos uma vez, o mínimo será de dois toques. Esses três toques podem ser feitos com quaisquer partes do corpo exceto os braços, antebraços e as mãos, e um mesmo jogador não pode fazer dois toques seguidos com a mesma parte do corpo - ou seja, se o jogador recebeu a bola com o pé, não pode fazer um segundo toque também com o pé, devendo usar, por exemplo, o joelho, o peito ou a cabeça. Da mesma forma, um jogador ou dupla não pode devolver a bola duas vezes seguidas para o lado do oponente usando a mesma parte do corpo - se foi feita uma devolução com a cabeça, a imediatamente seguinte não pode ser feita também com a cabeça. Desrespeitar qualquer uma dessas regras resulta em ponto automático para o oponente.

Os jogadores podem "invadir" o lado do adversário durante a disputa de um ponto, mas um jogador não pode atacar uma bola, ou seja, passá-la para o lado do adversário, se estiver com qualquer parte de seu corpo do lado adversário da quadra, sendo ponto para o oponente se o fizer; no jogo de duplas, o normal nessa situação é passar a bola para o colega, mas, no de simples, o jogador tem de tentar atrasar a bola para trás da linha do meio para que seu último toque seja válido. Como de costume, um "ataque inválido" representa ponto para o oponente. Também é proibido tocar a mesa com qualquer parte do corpo, também resultando em ponto para o adversário quando isso ocorre.

O principal torneio do teqball é o Campeonato Mundial, organizado pela FITEQ em 2017, em Budapeste, 2018, em Reims, França, e em 2019 mais uma vez em Budapeste, com as simples e duplas estando presentes desde a primeira edição e as duplas mistas tendo estreado em 2019 - o Brasil, aliás, foi campeão mundial de duplas mistas com Natália Guitler e Marcos Vieira da Silva. A intenção da FITEQ era que o Mundial fosse anual, e que o parateqball estreasse em 2020, mas, por enquanto, o torneio está suspenso indefinidamente devido à pandemia global.
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Escrito por em 24.12.12 com 0 comentários

Futebol (IV)

Em 2010, aproveitando a Copa do Mundo, eu fiz aqui uma série de três posts falando sobre futebol. Inicialmente, seria um só, mas, como eu pensava em escrever também sobre esportes derivados, como futsal e futebol de areia, e o post sobre futebol "de campo" já estava grande o suficiente, decidi dividir o assunto e escrever um segundo. Quando terminei esse segundo, fiquei com vontade de escrever um sobre jogos como futebol de botão e totó. Acabou virando uma trilogia.

Enquanto assistia às Paralimpíadas desse ano, entretanto, cheguei à conclusão de que esses três poderiam ser quatro. Na época, decidi escrever um quarto post sobre futebol, dessa vez sobre o futebol paralímpico. Infelizmente, acabei descobrindo que as informações sobre o futebol paralímpico são muito escassas, e, insatisfeito com o rumo que esse post tomava, deixei-o de lado.

Hoje, porém, decidi completá-lo. Mesmo com informações escassas, acho que gostaria de completar a série sobre futebol antes de chegar ao simbólico post 500. Então preparem-se, pois hoje é dia de mais futebol no átomo!

Atualmente, as Paralimpíadas contam com duas modalidades de futebol - e, até onde eu consegui descobrir, essas são as duas únicas modalidades "oficiais" de futebol para deficientes, embora, obviamente, nada impeça que deficientes pratiquem quaisquer outras. Eu vou começar pela que tem menos gente em campo, o Futebol de Cinco. O futebol de cinco surgiu na Inglaterra em meados da década de 1980, mas não como esporte destinado a deficientes: disputado em campos de grama natural ou sintética, menores que um campo oficial de futebol, com apenas cinco jogadores de cada lado (daí o nome) e praticamente as mesmas regras do futebol de onze, o futebol de cinco era disputado essencialmente como passatempo entre amigos, que, depois da escola ou do trabalho, se reuniam em um campinho para bater uma bolinha - algo como as famosas peladas aqui do Brasil, contando com times e locais fixos.

Apesar de sua popularidade ter motivado o surgimento de vários campos de futebol de cinco pela Europa - semelhante ao que vem acontecendo em algumas cidades aqui do Brasil, que já contam com vários campos de grama sintética que podem ser alugados por amigos dispostos a jogar uma partida - o futebol de cinco jamais se profissionalizou, ou seja, jamais surgiram clubes, uma entidade que codificasse suas regras ou campeonatos oficiais, sendo o esporte até hoje disputado apenas como recreação. Ainda assim, como tinha regras mais ou menos estabelecidas, seguidas por quase todos os seus praticantes, o futebol de cinco seria usado como base pela FIFA na hora de criar sua própria versão do futebol de salão, na época regulado por outra entidade, a FIFUSA - aliás, five-a-side football, o nome em inglês do futebol de cinco (e que significa "futebol com cinco de cada lado"), foi o primeiro nome escolhido pela FIFA para batizar seu esporte, já que, na época, o nome futsal era usado para identificar o esporte da FIFUSA. Como era jogado em uma quadra e não em um gramado, porém, o esporte da FIFA sairia muito mais parecido com o da FIFUSA do que com o futebol de cinco original - tanto que, alguns anos depois, graças à força da FIFA, roubaria até mesmo seu nome e suas principais seleções, sendo hoje considerado o futebol de salão "verdadeiro" em muitos países.

O futebol de cinco começaria sua carreira como esporte para deficientes no início da década de 1990, pelas mãos da Associação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA, na sigla em inglês), organização fundada em 1981 e responsável por regular também outros 14 esportes, dentre eles alguns específicos para cegos, como o golbol e o torbol, mas a maioria versões de esportes tradicionais adaptadas para cegos, como judô e boliche. A IBSA já havia notado que o futebol, especialmente o futebol de salão, era um dos esportes preferidos dos atletas cegos, que, infelizmente, não tinham como disputá-lo profissionalmente, apenas como recreação. Criando uma comissão para adequar o futebol para a prática de cegos, a entidade perceberia que muitos cegos praticavam o futebol de cinco, existindo até mesmo um torneio entre associações para cegos na Espanha, disputado desde 1986. A IBSA, então, decidiria codificar as regras e organizar seus próprios torneios da modalidade. Curiosamente, a IBSA não se refere a seu esporte como futebol de cinco - essa é a terminologia adotada pelo Comitê Paralímpico Internacional - e sim como "futsal para cegos".

O futebol de cinco para cegos usa praticamente as mesmas regras usadas informalmente na Inglaterra desde a década de 1980, com algumas adaptações. O campo deve ter entre 18 e 22 metros de largura por entre 38 e 42 metros de comprimento - para partidas internacionais, as medidas devem ser obrigatoriamente de 20 por 40 metros. Sua superfície deve ser preferencialmente de grama sintética, embora a IBSA também aceite grama natural ou cimento; concreto, madeira e substâncias sintéticas como as usadas em quadras de futsal, vôlei ou handebol são expressamente proibidas pela entidade. O campo também deve ser preferencialmente descoberto, e, se for coberto, a cobertura deve ser de madeira ou lona, nunca de concreto ou alumínio, para não interferir com a acústica local.

As linhas que demarcam a quadra em seu comprimento são conhecidas como linhas de gol, e no centro de cada uma fica um gol, de três metros de largura por dois de altura. O gol é demarcado por traves de alumínio de 8 cm de diâmetro, e possui entre 80 cm e 1 metro de profundidade, delimitados por uma rede. Para evitar acidentes, o gol deve ser removível, mas firmemente preso ao solo durante o decorrer da partida. A frente de cada gol ficam a pequena área, a grande área e duas marcas do pênalti. A pequena área é um retângulo cujas linhas laterais são traçadas a 1 metro de cada trave do gol e a linha frontal a 2 metros da linha de gol, o que faz com que ela tenha 2 por 5 metros. A grande área é um semicírculo de 6 metros de raio, centrado no meio do gol. A primeira marca do pênalti fica a 6 metros do centro do gol, sobre a linha da grande área; a segunda fica a 8 metros do centro do gol. Cada canto do campo também conta com um semicírculo, de 20 cm de raio, onde a bola é colocada durante os escanteios.

As linhas que demarcam a quadra na largura são as linhas de lado, e sobre cada uma fica uma mureta com entre 1 e 1,20 metro de altura, para evitar que a bola saia do campo. Essa mureta se estende por 1 metro após cada linha de gol, mas não há mureta sobre as linhas de gol. O campo é dividido ao meio por uma linha central, e, centrado no centro do campo (?) há um círculo de 3 metros de raio. Finalmente, duas linhas pontilhadas, uma de cada lado do campo, são traçadas a 12 metros de cada linha de gol.

A bola do futebol de cinco para cegos deve ter entre 60 e 65 cm de circunferência, e pesar entre 510 e 540 gramas. Sua principal característica é que ela possui um guizo, chamado pela IBSA de "sistema sonoro". Esse sistema segue regras rígidas da IBSA para ser colocado dentro da bola (que é inflável) de forma que não afete seu peso, sua circunferência, sua pressão nem seu centro de gravidade, nem a impeça de correr, rolar, quicar ou viajar pelo ar normalmente. Ele também deve ser capaz de emitir som toda vez que a bola se movimenta, mesmo que seja pelo ar ou girando em torno de seu próprio eixo. Diferentemente do que ocorre em outros esportes, uma partida deve usar a mesma bola do início ao fim, só sendo permitido trocá-la caso ela apresente algum defeito impossível de ser corrigido pelo árbitro - algumas vezes ela para de emitir som, mas o árbitro dá uma sacudidinha e ela volta, não sendo necessária a substituição.

Uma equipe de futebol de cinco é composta, obviamente, por cinco jogadores, sendo que um, obrigatoriamente, deve ser o goleiro. Os jogadores são ranqueados pela IBSA em três categorias, B1, B2 e B3, de acordo com seu grau de deficiência: os atletas B1 têm as deficiências mais severas, sendo incapazes de perceber a forma de uma mão posicionada à frente de seu rosto, enquanto os B3 possuem visão limitada mas são capazes de reconhecer vultos e formas. Em alguns torneios, como as Paralimpíadas, jogadores B1, B2 e B3 competem juntos; nesse caso, todos os jogadores atuam vendados, para que nenhum leve vantagem. Em outros torneios, como a Copa do Mundo, existem competições separadas para os B1 e para os B2/B3, sendo que, nessa última, cada equipe deve sempre ter dois B2 em campo em todos os momentos do jogo, sem contar o goleiro. Em qualquer das modalidades (mista, B1 ou B2/B3), o goleiro é livre, ou seja, é permitido que o goleiro seja B1, B2, B3 ou até mesmo que tenha visão normal, desde que, nesse último caso, ele não tenha participado de nenhuma partida oficial de futebol profissional nos últimos cinco anos.

Além dos cinco jogadores em quadra, completam a equipe cinco reservas, sendo obrigatoriamente um goleiro. As substituições são ilimitadas, mas só podem ser feitas quando a bola não estiver em jogo. Os jogadores entram e saem do campo por uma portinha em uma das muretas laterais, ou, caso essa não exista, pela linha do gol que seu time está defendendo. O jogador que está entrando só pode pisar dentro do campo quando o que está saindo pisar fora. A exceção à regra da subsituição é que um goleiro não pode ser substituído logo após a marcação de um pênalti, a menos que esteja contundido e não possa continuar.

Cada equipe conta, ainda, com um técnico e um guia, que podem ser deficientes ou ter visão normal. O técnico determina as substituições, pede tempo (direito a um tempo de um minuto em cada metade do jogo) e ainda pode "ajudar" os jogadores durante a partida, com instruções verbais que os orientem quanto à localização da bola e dos adversários. O papel do guia também é fornecer essa ajuda, sendo que ele e o técnico possuem áreas diferentes de atuação, demarcadas pelas linhas pontilhadas: o guia só pode orientar seus jogadores que estejam entre o gol adversário e a linha pontilhada mais próxima do mesmo, podendo, inclusive, se posicionar atrás do gol, enquanto o técnico só pode orientar os jogadores que estejam no espaço entre as duas linhas pontilhadas. Entre o próprio gol do time e a linha pontilhada mais próxima deste, quem pode orientar os jogadores é o goleiro, razão pela qual a maioria dos times hoje opta por goleiros com visão normal.

Uma partida de futebol de cinco para cegos dura dois tempos de 25 minutos, com um intervalo de 10 minutos entre eles. O relógio para quando alguma das equipes pede tempo, quando um dos árbitros precisa solucionar algum problema que prejudicaria o andamento da partida, como a troca da bola, quando um jogador está sendo atendido pelo médico da equipe, quando está ocorrendo uma substituição, a cobrança de um pênalti, ou quando um gol é marcado (voltando a correr no reinício da partida). Nos dois últimos minutos de cada tempo, o relógio para também nas cobranças de falta, tiro de meta, lateral e escanteio. É possível uma partida terminar empatada, mas, caso seja um jogo que não admite empate (como uma final), é jogada uma prorrogação de 25 minutos, ao final da qual, se o jogo ainda estiver empatado, será solucionado através de cobranças de pênaltis.

A partida é oficiada por dois árbitros, sendo um árbitro principal, que acompanha a bola, e um segundo árbitro, que deve sempre estar na metade oposta do campo em relação ao árbitro principal, o auxiliando apitando faltas e irregularidades nessa metade. Embora não seja obrigatório, a dupla pode contar com a ajuda de um oficial que controla o tempo da partida (cabendo ao segundo árbitro essa função caso esse oficial não esteja presente); de um terceiro árbitro, que fica como reserva, substituindo o principal ou o segundo casa estes não possam continuar na partida; e de um oficial que anuncia os incidentes da partida (faltas, substituições, pedidos de tempo, gols etc.) através do sistema de som do local onde a partida está sendo disputada, bem como pede silêncio caso a plateia esteja atrapalhando o desempenho dos atletas.

A maioria das faltas do jogo é cobrada com um chute do local onde a falta ocorreu. Nas três primeiras faltas cometidas por cada time, a cobrança é feita com barreira, e pode ser direta (chute direto para o gol) ou indireta (passar a bola para um companheiro). A partir da quarta falta, todas são sem barreira e obrigatoriamente diretas; nesse caso, faltas que aconteçam entre a segunda marca do pênalti (a que fica a 8 metros do gol) e o gol oposto (da outra metade do campo) são cobradas dessa marca do pênalti. Algumas poucas faltas, especialmente as cometidas pelo goleiro, são obrigatoriamente indiretas. Caso a falta ocorra dentro da grande área, será cobrado um pênalti, com a bola sobre a marca do pênalti localizada sobre a linha da grande área e nenhum jogador podendo estar dentro da grande área, exceto o goleiro adversário. Durante a partida, o goleiro não pode sair da pequena área, sendo marcada falta ou pênalti caso ele toque na bola ou atrapalhe uma jogada fora da pequena área. Os técnicos e guias também podem ser punidos caso não se comportem propriamente - orientando jogadores fora de sua área de atuação, por exemplo. Curiosamente, o comportamento dos técnicos e guias também pode resultar em faltas e pênaltis marcados dentro de campo. Assim como no basquete, um jogador que cometa cinco faltas está fora do jogo, devendo ser substituído imediatamente e não podendo mais voltar. Dependendo da gravidade da falta, o jogador também pode ser expulso, também devendo ser substituído imediatamente e não podendo mais voltar, mas com a diferença que não pode ficar nem no banco de reservas, devendo ir para o vestiário.

Para terminar, quando a bola sai pela linha de gol, se foi tocada por último por um jogador da defesa, é cobrado um escanteio, com a bola posicionada sobre o semicírculo, e se foi tocada por último por um jogador de ataque, é cobrado um tiro de meta, com o goleiro colocando a bola sobre a linha da pequena área e chutando-a de forma que ela saia da grande área. Como há uma mureta nas laterais, cobranças de lateral são raras, mas podem acontecer, caso a bola passe por cima da mureta; nesse caso, o jogador do time que não tocou na bola por último a coloca no chão, encostada na mureta, no ponto onde ela saiu, e cobra o lateral com o pé. Não é permitido fazer gol em cobrança de lateral nem de tiro de meta - mas de escanteio pode, embora seja bem difícil.

O futebol de cinco para cegos faz parte do programa das Paralimpíadas desde 2004, com o Brasil, maior potência desse esporte, tendo ganhado os três ouros disputados até aqui. Desde 1998, a cada dois anos até 2006 e depois a cada quatro, a IBSA também organiza a Copa do Mundo de Futsal para Cegos, disputada na categoria B1 em todas as edições exceto 2004 e na B2/B3 em 1998, 2002 e 2004. Na categoria B1, mais uma vez, o Brasil é o maior vencedor, tendo sido campeão em 1998 (quando a Copa foi realizada em Campinas, SP), 2000 e 2010; em 2002 (quando a Copa foi realizada no Rio de Janeiro) e 2006, a Argentina foi a campeã. Na B2/B3, o Brasil ganhou em 1998, e Belarus em 2002 e 2004. As competições B1 e B2/B3 do futebol de cinco também fazem parte, desde 2007, do programa do IBSA World Championships, evento multiesportivo realizado em 1998, 2003, 2007 (disputado em São Caetano do Sul, SP) e 2011, que também conta com atletismo, natação, powerlifting, golbol, judô e xadrez em seu programa. Brasil e Irã ganharam os ouros do B1 disputados até aqui, e Belarus ganhou ambos os do B2/B3. A próxima edição da Copa do Mundo está prevista para 2014, e a do World Championships para 2015.

O outro futebol presente nas Paralimpíadas é o Futebol de Sete (seven-a-side football em inglês), que, como o nome sugere, tem sete jogadores de cada lado. O futebol de sete é disputado por atletas com paralisia cerebral, e foi criado na década de 1970 pela Associação Internacional de Esportes e Recreação para Paralisados Cerebrais (CPISRA na sigla em inglês), entidade fundada em 1969 e que regula também bocha, ciclismo, atletismo, esqui alpino e esqui nórdico para paralisados cerebrais, além de um esporte exclusivo desses atletas, o racerunner, uma espécie de ciclismo disputado em triciclos sem pedais.

Assim como o futebol de cinco, o futebol de sete - e o de seis também - já era disputado como recreação em vários países, como, por exemplo, no Brasil, onde é conhecido pelo nome de futebol society. O futebol de sete para paralisados cerebrais, porém, não segue as mesmas regras dessas versões recreativas, tendo a CPISRA criado seu próprio conjunto de regras, baseado nas regras do futebol da FIFA. Isso faz com que todas as regras da FIFA sejam válidas, exceto as expressamente modificadas pela CPISRA nas regras oficiais do futebol de sete.

A primeira dessas regras diz respeito ao tamanho do campo. Com menos gente em campo, e os atletas tendo dificuldades motoras, não é viável jogar em um campo oficial, sendo usado um menor, com entre 70 e 75 metros de comprimento por entre 50 e 55 metros de largura. A superfície preferencial é grama natural, mas grama sintética também pode ser usada. As marcações do campo são as mesmas do futebol, assim como a bola, mas o gol tem 5 metros de largura por 2 de altura. Todas as regras para faltas, pênaltis, escanteios, laterais e tiros de meta se aplicam, com as seguintes exceções: o lateral pode ser cobrado com uma mão só, a bola pode ser rolada para o campo ao invés de arremessada por detrás da cabeça, e em todas as cobranças de falta e escanteio todos os jogadores adversários devem estar a no mínimo 7 metros de distância da bola. Também não existe a regra do impedimento.

Uma partida de futebol de sete dura dois tempos de 30 minutos cada, com um intervalo de 15 minutos entre eles. O relógio não para nunca, mas o árbitro, ao final de cada tempo de jogo, pode acrescentar alguns minutos para compensar o tempo de bola parada. É permitido um jogo terminar empatado, mas, caso seja um jogo no qual isso não é possível - uma final, por exemplo - é disputada uma prorrogação de dois tempos de dez minutos cada, sem intervalo entre eles. Persistindo o empate, o jogo é decidido nas cobranças de pênalti. Assim como no futebol, a partida é oficiada por um único árbitro, auxiliado por dois assistentes ("bandeirinhas").

Uma equipe de futebol de sete, obviamente, conta com sete jogadores, dois quais um, obrigatoriamente, deve ser o goleiro. Cada time pode contar também com três reservas, sendo que, como no futebol, as substituições podem ser feitas a qualquer momento com autorização do árbitro, mas um jogador substituído não pode mais retornar ao jogo. Assim como no futebol de cinco, os atletas são ranqueados de acordo com a severidade de sua deficiência, em graus de C5 a C8: os C5 são atleas com dificuldades para andar ou correr, mas não para permanecer de pé ou chutar a bola; os C6 possuem problemas de controle ou coordenação dos membros superiores; os C7 possuem hemiplegia; e os C8 têm um grau de deficiência mínima, determinado por avaliação médica, mas ainda suficiente para inviabilizar a prática do futebol profissional. Cada time deve ter um atleta C5 ou C6 em campo durante todos os momentos do jogo, e um máximo de dois atletas C8 em campo simultaneamente - caso um dos C8 seja expulso, porém, um dos outros não pode ser substituído por um C8, devendo a equipe ficar com apenas um C8 em campo pelo restante da partida.

O futebol de sete fez sua estreia internacional no primeiro evento multiesportivo organizado pela CPISRA, o CPISRA International Games de 1978. Já na edição seguinte, em 1982, ele mudou de nome, passando a se chamar CPISRA World Games. Dois anos depois, em 1984, o futebol de sete seria incluído nas Paralimpíadas, permanecendo no programa até hoje. Além das Paralimpíadas, o futebol de sete conta com um Campeonato Mundial, disputado a cada quatro anos desde 1987, sempre no ano anterior ao das Paralimpíadas, e faz parte do programa da BT Paralympic World Cup, evento multiesportivo anual organizado pelo Comitê Paralímpico Britânico desde 2005, que conta com equipes da Grã-Bretanha, Resto da Europa, Américas e Resto do Mundo competindo no atletismo, natação, basquete em cadeira de rodas, ciclismo, futebol de sete, vôlei sentado e bocha. Também costumam ser disputados anualmente uma grande quantidade de torneios internacionais entre seleções convidadas, conhecidos por nomes como International Tournament e International Championships, mas que usufruem de menor prestígio que o Mundial e as Paralimpíadas.

Até a década de 1990, o futebol de sete era dominado pela Holanda, que ganhou três mundiais e três ouros Paralímpicos, além dos títulos de 1978 e 1982. Desde 2000, entretanto, os países mais fortes no futebol de sete são Rússia e Ucrânia, com dois mundiais e dois ouros Paralímpicos cada - o ouro Paralímpico que falta foi conquistado pela Bélgica na primeira edição, em 1984. Os melhores resultados do Brasil foram uma prata nas Paralimpíadas de 2004, um bronze nas de 2000 e um quarto lugar no Mundial de 2011.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Escrito por em 10.8.10 com 0 comentários

Futebol (III)

O futebol não quer largar de mim. Passado um mês do fim da Copa do Mundo, eis que eu retorno ao assunto. Hoje, porém, não falarei especificamente sobre futebol, e sim sobre diversos jogos que tentam emular a emoção do esporte. Sim, porque um outro indicativo da imensa popularidade do futebol é que, ao longo do tempo, pessoas se dedicaram a criar versões do jogo que podiam ser jogadas dentro de casa, por apenas dois jogadores, que nem precisavam ser atletas.

A mais famosa dessas versões é o futebol de mesa, conhecido aqui no Brasil por diversos nomes regionais, como totó, pebolim, pacau, matraquilhos e diversos outros menos cotados. O futebol de mesa foi inventado em Tottenham, Inglaterra, no ano de 1922, por Harold Searles Thornton, um fanático por futebol que buscava uma forma de jogar com seus amigos dentro de casa após retornar dos jogos do time para o qual torcia, o Tottenham Hotspur. Um dia, Thornton, conversando com os amigos em um bar, brincava com uma caixa de fósforos, e acabou encontrando a inspiração que precisava ao arrumar os palitos dentro da caixa como se fossem jogadores dentro de um campo.

Thornton construiu sua primeira mesa em casa, e a usava para jogar com os amigos. Ele também a patenteou, mas, como infelizmente não tinha dinheiro para produzi-las em larga escala, talvez seu jogo nunca tivesse se popularizado, não fosse uma visita de um tio, Louis P. Thornton, que morava nos Estados Unidos. P. Thornton adorou a invenção de seu sobrinho, e, quando voltou à América, levou consigo os planos de construção da mesa, que começou a produzir em série a partir de 1927.

Rapidamente, o jogo se tornou bastante popular nos Estados Unidos e Europa, chegando também à América do Sul após a Segunda Guerra, e a Ásia e Oceania levado por colonos ingleses. Inicialmente, era apenas uma diversão descompromissada, podendo ser encontrado em bares e hotéis, mas um grupo de jogadores decidiu levar o jogo mais a sério, organizando campeonatos com prêmios em dinheiro desde a década de 1940 nos Estados Unidos e 1950 na Europa. O mais famoso desses torneios foi o criado por Lee Peppard em Seattle em 1975, e oferecia 250 mil dólares ao campeão. O torneio de Peppard teve sete edições anuais, a última disputada em 1981.

Em 2002, a organização do jogo chegou a um novo nível com a fundação da Federação Internacional de Futebol de Mesa (ITSF, na sigla em inglês). A ITSF trata o futebol de mesa não como jogo, mas como esporte, sendo sua principal pretensão a de torná-lo reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional e eventual candidato a uma vaga nas Olimpíadas. A ITSF também organiza diversos campeonatos ao redor do mundo, e publica as regras oficiais do esporte, baseadas nas estabelecidas ao longo dos anos por jogadores casuais dos Estados Unidos e Europa. Atualmente, a ITSF conta com 61 membros, dentre eles o Brasil.

Uma mesa oficial de futebol de mesa tem 120 cm de comprimento por 60 cm de largura e 1 metro de altura. Ela possui dois níveis, um superior, no qual a ação se desenrola, e um inferior, onde a bola cai quando ocorre um gol, rolando até uma gaveta ou compartimento semelhante onde pode ser recuperada. Os gols são buracos centrados nas laterais mais curtas da mesa, com 20 cm de largura cada. O campo de jogo divide os dois níveis, sendo cercado por uma mureta de 20 cm de altura, que impede a bola de sair da mesa. A mesa pode ser feita de madeira ou alumínio, e algumas possuem um tampo de vidro.

No sentido do comprimento, cruzam a mesa oito hastes de metal, com empunhaduras de madeira, plástico ou borracha, usadas pelos jogadores para controlar os bonecos que representam os jogadores de futebol no campo, e podem ser feitos de metal, plástico, madeira ou até mesmo fibra de carbono. Normalmente cada time tem 11 jogadores, dispostos da seguinte forma: na haste mais próxima do gol fica o goleiro, que tem os movimentos limitados à frente do gol; na haste à sua frente ficam dois defensores; em seguida vêm os três atacantes do oponente; cinco meios de campo; os cinco meios de campo do oponente; três atacantes; os dois defensores do oponente; e o goleiro do oponente. Algumas mesas possuem dois "gandulas", personagens na mesma haste do goleiro, mas próximos dos cantos, usados para recuperar bolas que fiquem fora do alcance do goleiro; outras possuem cantos arredondados, para que a bola não fique presa em uma quina. A bola pode ser feita de metal, resina, plástico ou até cortiça, e tem 11 cm de circunferência.

As regras são bastante simples: no início do jogo, um dos jogadores colocará a bola na mesa através de um buraco na lateral próprio para esse fim, ou no pé de um de seus jogadores de meio-campo caso a mesa não tenha esse buraco. A partir de então, os jogadores usarão as hastes para controlar os bonecos, usando-os para conduzir a bola até o gol. Pelas regras oficiais, é proibido o spinning - movimento no qual o jogador, com a palma da mão, gira a haste fazendo os bonecos girarem 360 graus ou mais - assim como levantar ou sacudir a mesa para mover a bola sem o auxílio dos bonecos. Toda vez que há um gol, é o jogador que o sofreu que repõe a bola. A partida termina quando um dos jogadores alcança um número pré-determinado de gols, normalmente 11.

O futebol de mesa pode ser jogado na categoria simples ou duplas, sendo que, nas duplas, um jogador controla o goleiro e os defensores, e o outro os atacantes e meios de campo. Recreativamente, também se pode jogar com 3 ou 4 de cada lado, e alguns fabricantes até fazem mesas maiores, com mais hastes e a possibilidade de até 11 jogadores de cada lado.

Curiosamente, aqui no Brasil há um outro jogo chamado futebol de mesa, mas conhecido popularmente como futebol de botão. Esse nome é rejeitado por muitos jogadores, porém, porque, assim como o futebol de mesa descrito acima, ele é oficialmente considerado esporte, e o nome "futebol de botão" remeteria a um jogo infantil. Mais ou menos como o que acontece com o tênis de mesa e o pingue-pongue. Peço desculpas aos praticantes, mas, nesse post, vou usar o nome futebol de botão mesmo, senão vai acabar ficando uma confusão danada.

O futebol de botão foi inventado no Rio de Janeiro, em 1922, por Geraldo Cardoso Décourt, que na época tinha apenas 11 anos. De início, ele e os amigos do colégio usavam os botões de suas próprias roupas para jogar. Conforme o passatempo foi se aperfeiçoando e se popularizando, porém, ele decidiu transformá-lo em uma coisa séria, e, em 1930, lançou o primeiro livro de regras do novo esporte, o qual decidiu chamar de celotex - material utilizado para fabricar as mesas nas quais o futebol de botão era jogado.

De início, apenas as mesas eram fabricadas propriamente para a prática do futebol de botão, sendo utilizados objetos como botões de paletó e vidros de relógio para os jogadores, e caixas de fósforo para os goleiros. Somente na década de 1950 é que começaram a surgir os primeiros botões industrializados, feitos de acrílico e vendidos em bancas de jornal. Aos poucos, foram surgindo botões cada vez mais resistentes e vistosos, alguns pintados nas cores de clubes, alguns trazendo escudos de clubes e seleções, e alguns até mesmo trazendo fotografias de jogadores famosos da época. Hoje, existem botões de vários materiais e cores, e até mesmo fábricas e lojas especializadas na confecção e venda dos botões.

Cada time de futebol de botão é composto de dez botões, um goleiro, uma palheta (chamada de batedeira ou apertadeira em algumas cidades) e, é claro, o botonista, que é jogador que controlará os botões. Os botões são discos levemente côncavos, de diâmetro entre 35 e 60 mm e altura máxima de 1 cm, feitos de acrílico, resina, osso, coco, madeira ou qualquer outro material que não seja metal nem vidro, e podem ter um furo no meio ou ser totalmente sólidos. Assim como os jogadores de futebol, os botões devem ser numerados, e não há problema se os botões do mesmo time tiverem cores diferentes, desde que todos tenham o mesmo símbolo. As dimensões do goleiro dependem da categoria disputada (veja adiante), mas ele é sempre um paralelepípedo, feito de qualquer material que não seja metal ou vidro, que fica parado na frente do gol. A palheta é uma peça de acrílico, de qualquer formato, que será usada para pressionar os botões contra a mesa, impulsionando-os. As medidas e o material da bola também dependem da categoria disputada.

A mesa na qual o futebol de botão é disputado é feita de madeira, e suas dimensões exatas dependem da categoria em disputa. Sejam quais forem, em torno da mesa há uma proteção, de borracha, couro, barbante ou cortiça, para evitar que os botões e a bola caiam da mesa. As marcações na mesa são as mesmas do futebol de campo, e os gols são representados por balizas, com traves de de metal, madeira ou plástico e uma rede de tela, tecido ou plástico, centralizados nas linhas de fundo. O tamanho do gol, adivinhem, depende da categoria disputada.

O futebol de botão foi oficialmente reconhecido como esporte em setembro de 1988, sendo regulado, no Brasil, pela Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM) - caso alguém esteja se perguntando, o futebol de mesa é regulado no Brasil pela Associação Brasileira de Pebolim (ABP). Como na época da criação da CBFM já haviam diversas variações regionais das regras, a entidade optou por não unificá-las, mas reconhecê-las como categorias separadas do esporte. Atualmente, a CBFM reconhece três categorias como oficiais (bola 12 toques, bola 3 toques e disco) e duas como experimentais (dadinho e pastilha), com a possibilidade de se tornarem oficiais no futuro.

A categoria bola 12 toques é a mais popular em São Paulo, sendo conhecida vulgarmente como "regra paulista", mas também tem muitos praticantes no Sul, no Centro-Oeste, em Minas Gerais, Manaus, Alagoas, Piauí e no interior do Rio de Janeiro. Seu nome vem do fato de que o número máximo de toques que um botonista pode dar na bola é 12, sendo obrigado a chutá-la para o gol no décimo-segundo toque ou antes. Além disso, cada botão tem um limite de três impulsos consecutivos, mesmo que não toque na bola em um deles. A mesa dessa categoria tem 1,7 m de comprimento por 1,1 m de largura; o gol mede 12,5 cm de largura por 5 cm de altura; o goleiro tem 8 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade; e a bola é uma esfera de feltro, com no máximo 1 cm de diâmetro. Uma partida na regra paulista dura dois tempos de 10 minutos cada.

A categoria bola 3 toques, vulgarmente conhecida como "regra carioca", é a mais popular no Rio de Janeiro, sendo adotada também em Brasília, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, interior de Santa Catarina e nas regiões Norte e Nordeste, exceto na Bahia. É a categoria cujas regras são mais parecidas com as do futebol de campo, usando, inclusive, a regra do impedimento. Também é considerada uma das mais difíceis, pois seu nome vem do fato de que cada jogador (e não cada botão) só pode dar três toques na bola antes de chutá-la ao gol; além disso, o chute a gol deve ser feito sempre após um passe, ou seja, embora um mesmo botão possa dar dois toques seguidos na bola, o chute a gol deve ser sempre o primeiro toque do botão que chutou. A mesa dessa categoria tem 1,8 m de comprimento por 1,3 m de largura; o gol mede 14,64 cm de largura por 4,88 cm de altura; o goleiro tem 7 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade; e a bola também é uma esfera de feltro, com no máximo 1 cm de diâmetro. Uma partida na regra carioca dura dois tempos de 25 minutos cada.

A categoria disco é vulgarmente conhecida como "regra baiana", sendo a mais popular na Bahia e no Espírito Santo, e contando com praticantes também no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e em algumas cidades do Norte e Nordeste. A regra dessa categoria é bastante curiosa: na saída de jogo, cada jogador pode dar dois toques consecutivos, mas, a partir de então, cada jogador só pode dar, no máximo, um toque na bola, ou seja, ele toca e passa a vez para o adversário, o que faz com que o jogo envolva muito mais estratégia. O nome da categoria vem do fato de que a bola não é propriamente uma bola, mas um disco de 1 cm de diâmetro e 2 mm de altura. A mesa dessa categoria tem 2 m de comprimento por 1,4 m de largura; o gol mede 15 cm de largura por 6 cm de altura; e o goleiro tem 6 cm de largura por 3,8 cm de altura e 2 cm de profundidade. Uma partida na regra baiana também dura dois tempos de 25 minutos cada.

A categoria dadinho, como vocês devem estar imaginando, tem esse nome porque usa como bola um pequeno dado branco de acrílico ou outro material plástico de 6 mm2 de lado e entre 1 e 3 g de peso, com quinas arredondadas para não ficar agarrando na mesa. É popular nos estados do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e em Brasília. A regra é parecida com a paulista, com cada jogador tendo um máximo de nove toques na bola até o chute a gol, sendo no máximo três impulsos consecutivos por botão. A mesa dessa categoria tem 1,84 m de comprimento por 1,24 m de largura; o gol mede 11 cm de largura por 4,5 cm de altura; e o goleiro tem 8 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade. A partida de dadinho é a mais veloz, com dois tempos de 7 minutos cada.

Finalmente, temos a categoria pastilha, popular no Rio de Janeiro e em São Paulo, e que tem esse nome por usar como bola um disco de 1,1 cm de diâmetro, 4 mm de altura e 5 g de peso, chamado de pastilha. Cada jogador tem um máximo de oito impulsos até o chute a gol, não importando se os botões tocam na pastilha ou não, sendo, no máximo, dois impulsos consecutivos por botão. A mesa dessa categoria tem 1,87 m de comprimento por 1,21 m de largura; o gol mede 11 cm de largura por 4,5 cm de altura; e o goleiro tem 7 cm de largura por 3,5 cm de altura e 1,5 cm de profundidade. Uma partida dura dois tempos de 10 minutos cada.

Além de bastante popular no Brasil, o futebol de botão é conhecido e praticado na Argentina, Uruguai, Chile, Portugal, Espanha, Suíça, Japão e no Leste Europeu, onde possui algumas regras diferentes e atende pelo nome de sectorball. A mesa e os gols do sectorball são da mesma medida que as da categoria bola 12 toques, e a bola é idêntica à da categoria pastilha, mas os botões são diferentes, com 5 cm de diâmetro, entre 1 e 2 cm de altura e vazados no meio, como uma argola. O goleiro é semelhante aos botões, mas mais alto, com 2,5 cm de altura, e pode sair jogando como qualquer jogador normal. Para impulsionar os jogadores se usa não uma pastilha, mas uma régua, que é envergada para trás e então solta para dar um peteleco no botão. Essa régua também vem a calhar para se verificar uma das regras do jogo: no sectorball, assim como na regra baiana, cada jogador só pode dar um toque na bola antes de passar a vez para o adversário, a menos que você consiga um "passe sector", que é fazer com que a bola toque um outro botão seu a no máximo 4,5 cm de distância do botão que a passou, indo em direção ao gol adversário. Um botão que receba um passe sector pode efetuar um segundo toque na bola, e, se conseguir um novo passe sector, a bola continua avançando. Uma partida de sectorball dura dois tempos de 13 minutos cada. O sectorball também é considerado esporte, regulado pela Federação Internacional de Sectorball (NSS, da sigla em húngaro!), e tem um campeonato mundial cuja edição de 2012 será no Brasil.

Na Europa Ocidental também faz muito sucesso um jogo de mecânica semelhante, o subbuteo, que, talvez pela popularidade do botão, ainda não é muito conhecido por aqui - a Estrela até chegou a comercializá-lo na década de 1970 com o nome de "Pelebol", mas não pegou.

O subbuteo foi inventado em 1947 na cidade de Kent, Inglaterra, por Peter Adolph. Quando criança, ele usava botões das roupas da mãe e fotografias recortadas de jornais e revistas para representar jogadores de futebol e jogar com amigos sobre cobertores nos quais desenhava o campo. Ao crescer, ele decidiu industrializar sua ideia, dando origem a um jogo que vendia, a princípio, exclusivamente pelo correio, mas que mais tarde lhe proporcionou fundar sua própria fábrica. Adolph tirou o nome "subbuteo" do nome científico de uma espécie de falcão, o falco subbuteo, conhecido em português como ógea, mas em inglês pelo nome de hobby - e, não por acaso, ele decidiu batizar seu jogo como subbuteo justamente porque o Escritório de Marcas e Patentes da Grã-Bretanha não permitiu que ele o registrasse com o nome de "hobby", que era genérico demais. Além de pelo nome subbuteo, o jogo também é conhecido, adivinhem só, como futebol de mesa, o que me leva a crer que esse pessoal que joga futebol em mesas não tem lá muita imaginação. Além de futebol, o subbuteo também permite que se jogue versões de mesa de outros esportes populares na Inglaterra, como o rugby, o críquete e o hóquei, mas a "versão futebol" é a mais popular, sendo considerada esporte e contando com uma federação internacional, a Federação de Futebol de Mesa Desportivo Internacional (FISTF, na sigla em inglês), que organiza diversos campeonatos, inclusive o Mundial, realizado anualmente desde 1993.

Um time de subbuteo é formado por dez jogadores e um goleiro; diferentemente do futebol de botão, porém, os jogadores realmente são "bonequinhos", que ficam de pé sobre uma base circular côncava. Inicialmente, os bonequinhos eram "bidimensionais", feitos de duas folhas de papel, uma representando a frente e outra as costas do jogador; mais tarde, passaram a ser "tridimensionais", feitos de plástico, como action figures e outras miniaturas colecionáveis. Hoje, podem ser encontrados dos dois tipos, sendo que os bidimensionais também são feitos de plástico. Hoje também podem ser encontradas versões bidimensionais "fotorrealísticas" de jogadores, feitas através de fotografias dos mesmos, ao invés de desenhos como é o mais comum. Assim como ocorre com o botão, o subbuteo tem centenas de conjuntos de jogadores diferentes, representando times e seleções do mundo ou pintados em cores genéricas.

Um bonequinho de subbuteo tem entre 16 e 30 mm de altura. Ele é montado sobre uma base que parece uma bola cortada no meio, com entre 16 e 21 mm de diâmetro e entre 5 e 7 mm de altura. O goleiro possui uma haste, de até 20 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, presa à sua base; essa haste passa por dentro do gol, e serve para que o jogador mova o goleiro sem ficar manipulando diretamente o bonequinho. Cada time tem também um goleiro reserva, sem a haste, que, pelo que eu entendi, é usado para fazer defesas fora da área. A bola é feita de plástico, e tem 22 mm de diâmetro, o que significa que ela é quase do mesmo tamanho dos jogadores. Embora o subbuteo também seja jogado em uma mesa de madeira, que tem entre 1,3 e 1,1 metro de comprimento, 70 e 90 cm de largura e 70 e 90 cm de altura, a superfície de jogo, curiosamente, é feita de tecido, feltro ou filme plástico, para facilitar a movimentação dos jogadores. As marcações são as mesmas do campo de futebol, com uma linha a mais, que determina a distância mínima que um jogador tem de estar do gol para poder chutar a gol. O gol tem 12,5 cm de largura por 6 cm de altura.

Uma partida de subbuteo dura dois tempos de dez minutos cada. Os jogadores controlam os bonequinhos com os dedos, dando petelecos nas bases. Não há limite de toques, desde que o jogador permaneça com a posse de bola; caso a bola toque em um bonequinho do time adversário, a posse passa para o outro jogador. O jogador que não tem a posse de bola pode mover seus bonecos como quiser enquanto o outro está conduzindo a bola, o que faz com que o subbuteo seja um jogo muito movimentado.

Para finalizar esse post, gostaria de falar de mais um jogo baseado no futebol, que não é tão glamouroso quanto o futebol de mesa, o futebol de botão ou o subbuteo, mas que fez parte de minha infância: o futebol de prego, também conhecido como futebol de pino.

Para jogar futebol de prego você precisa fazer seu próprio tabuleiro. Ou um adulto fazer por você, se você for uma criança. Qualquer pedaço de madeira retangular serve, com o ideal sendo 50 cm de comprimento por 25 cm de largura. Com a ajuda de uma régua e um lápis, traçam-se a linha do meio do campo e as áreas, sendo que o gol tem 10 cm de largura, e cada um dos outros dois lados da área tem 5 cm. Para fazer o círculo do meio do campo, usa-se um copo. Finalmente, divide-se o tabuleiro no sentido do comprimento em seis partes iguais, traçando quatro linhas pontilhadas, duas a 8,5 cm da linha do meio e duas a 8,5 cm da linha de fundo. Se você quiser, pode pintar o tabuleiro alternando os tons de verde em cada parte, para ficar parecido com um campo de futebol de verdade - ou com uma mesa de botão daquelas listradas.

Depois disso tudo marcado, é hora de pregar os jogadores no tabuleiro. São 26 pregos ao todo. Quatro deles representarão as traves, sendo pregados onde as linhas laterais das áreas tocam as linhas de fundo. Outros dois serão os goleiros, e serão pregados no meio da distância entre a linha de fundo e a linha pontilhada mais próxima dela, bem na frente do centro do gol. Outros quatro pregos serão os zagueiros, pregados sobre a linha pontilhada mais próxima da área, na mesma direção das traves. Mais dois serão os capitães, pregados sobre a linha pontilhada mais próxima do meio do campo, na mesma direção do goleiro. Oito serão os meios de campo, quatro pregados na mesma direção das traves e outros quatro na metade da distância entre eles e a linha lateral, todos pregados na metade da distância entre a linha do meio e a linha pontilhada mais próxima desta. Completam o tabuleiro quatro laterais, pregados na metade da distância entre as duas linhas pontilhadas de cada metade do campo, centralizados em relação aos meios de campo bem à sua frente, e dois líberos, pregados na metade da distância entre os goleiros e capitães. O ideal é que os pregos não sejam pregados até o final, ficando com pelo menos 3/4 de seu comprimento para fora da madeira.

Para o papel da bola, usa-se uma moeda não muito pequena nem muito grande, tipo a de 5 centavos - aliás, pode-se usar essa moeda também para marcar o centro do campo, para facilitar na hora de dar a saída. Através de qualquer método, determina-se quem vai começar o jogo, e a moeda é colocada no centro do campo. Esse jogador, então, terá o direito de dar três petelecos na moeda, tentando fazer com que ela desvie dos pregos - ou bata neles e mude de direção de propósito - e entre no gol, passando por entre as traves. Se a bola sair pela lateral, a posse - e os três petelecos - passam para o outro jogador no local onde ela saiu. Se não alcançar o gol, a posse passa para o outro jogador no local onde ela parou depois do terceiro peteleco. Se sair pela linha de fundo ou entrar no gol, a posse do outro jogador começa do meio do campo. O jogo continua até que um dos jogadores alcance uma determinada pontuação, como 11 gols, por exemplo.

O futebol de prego não é considerado esporte, não tem federação internacional, nem campeonatos disputados por jogadores profissionais. Mas eu garanto que é tão divertido quanto qualquer uma das outras três variações descritas nesse post.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Escrito por em 15.7.10 com 0 comentários

Futebol (II)

Mês passado, aproveitando a Copa do Mundo, eu fiz um post sobre futebol. No início, minha intenção era ir além do futebol "de campo", falando um pouco também sobre as variações. Enquanto escrevia, porém, achei que o futebol puro e simples já rendia assunto suficiente, e acabei deixando os outros pra lá. Hoje, porém, decidi retomar o tema, e falar de outras formas de futebol, que não sejam jogadas com onze de cada lado em um campo gramado.

A mais conhecida e popular dessas variações é o futsal, a forma moderna do esporte que eu jogava quando criança com o nome de futebol de salão. O futebol de salão foi inventado em 1932, em Montevidéu, Uruguai, por Juan Carlos Ceriani Gravier, professor da Associação Cristã de Moços, que decidiu adaptar as regras do futebol para que ele pudesse ser praticado nas quadras de basquete e vôlei da ACM. Aos poucos, o novo esporte foi se espalhando pela América do Sul, mas, como sempre acontecia, cada lugar utilizava regras ligeiramente diferentes, como o número de jogadores de cada lado variando entre 5 e 7, e diversos tipos diferentes de bola sendo utilizados.

Foi somente em 1948, em São Paulo, que o secretário-geral da ACM daquela cidade, João Lotufo, decidiu codificar o esporte. Com a ajuda do diretor de educação física da entidade, Asdrúbal Monteiro, Lotufo elaborou um conjunto de regras que utilizava elementos do futebol, hóquei, basquete e até mesmo do polo aquático. Essas novas regras foram sendo testadas e aperfeiçoadas em vários torneios da ACM, até serem publicadas, em sua forma definitiva, no ano de 1950.

Mesmo após a publicação, as regras "oficiais" só eram amplamente utilizadas no Brasil. Foi somente a partir de 1957, com o apoio de Sylvio Pacheco, presidente da Confederação Brasileira de Desportos, que esforços começaram a ser feitos para que as regras fossem utilizadas também internacionalmente. Esses esforços culminaram, em 1965, na criação da Confederação Sul-Americana de Futebol de Salão, fundada pelas federações nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru. Em 1971, com a entrada dos novos membros Bolívia e Portugal, a entidade decidiu mudar de nome para Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA).

Até meados da década de 1980, a FIFUSA era a entidade máxima do esporte, chegando a contar com 28 países-membros. Na segunda metade da década, porém, a FIFA começou a acusá-la de uso indevido do nome "futebol" - acreditem ou não, e entidade alegava que "futebol" era apenas o esporte regulado por ela própria, sendo outras federações internacionais proibidas de batizar seus esportes com esse nome (e, aparentemente, o futebol americano teria escapado por não ter uma federação internacional à época). Para evitar problemas com a FIFA, a FIFUSA decidiu mudar o nome de seu esporte para "futsal", uma contração do nome futebol de salão.

Mas isso não apaziguou os ânimos da FIFA, que, evidentemente, tinha o intuito de substituir a FIFUSA como entidade maior do esporte. Em 1985, a FIFA criou sua própria versão do esporte, com algumas regras diferentes, e começou a convidar seus países-membros para disputar seus campeonatos. O primeiro Campeonato Mundial organizado pela FIFA foi disputado em 1989, e seu sucesso faria com que, aos poucos, a FIFUSA fosse sendo esvaziada, até ter de fechar as portas em 2002. Curiosamente, desde 1996 a FIFA também passaria a utilizar o nome futsal para sua versão do esporte - talvez por esse ser "internacional", não precisando ser traduzido como os nomes indoor football e five-a-side football que ela utilizava até então.

O futsal da FIFA é jogado por duas equipes de cinco jogadores cada, sendo um goleiro e quatro "na linha". Cada time conta, ainda com sete reservas, sendo que as subsituições são ilimitadas - um jogador que já tenha saído pode voltar ao jogo posteriormente sem problemas - e podem ser feitas a qualquer momento, inclusive quando a bola estiver rolando. Para evitar confusão, cada time conta com uma área de substituição, por onde os jogadores saem e entram do jogo, sendo que o de fora só pode entrar quando o de dentro tiver saído (cruzado a linha) totalmente. Uma curiosidade do futsal é que o time pode atuar sem goleiro - ou seja, o goleiro pode ser subsituído por mais um jogador de linha - embora esse "trunfo" só costume ser usado em situações raras e desesperadoras.

A quadra de futsal é feita de madeira ou de qualquer material sintético plano, liso e não-abrasivo. Pode ter entre 38 e 42 metros de comprimento por entre 18 e 25 metros de largura. Assim como no futebol de campo, as linhas que delimitam a quadra no comprimento são as linhas de lado, e as que delimitam na largura são as linhas de fundo. Centrado em cada uma das linhas de fundo fica o gol, de 3 metros de largura por 2 de altura. Assim como o do futebol, o gol é composto por duas traves e um travessão, com uma rede - nesse caso, obrigatória - presa à baliza para evitar que a bola se perca e facilitar a marcação do gol, que faz com que ele tenha entre 80 cm e 1 metro de profundidade. Para evitar acidentes, o gol não é fixo no chão, embora deva ser posicionado de forma que não vire em seu eixo horizontal.

Além das linhas de lado, fundo, do meio de campo, das áreas de substituição (cada uma com 5 metros de largura e localizada a 5 metros da linha do meio), dos semicírculos do escanteio (com 25 cm de raio cada) e do círculo central (que tem 3 metros de raio), as únicas outras marcações oficiais na quadra são a área e as marcas do pênalti. Uma das marcas do pênalti fica a 6 metros do gol, e é utilizada quando uma falta é cometida dentro da área pelo time que está defendendo; a outra fica a 10 metros, e é utilizada quando um time comete sua sexta falta ou posterior - porque, no futsal, como diz um amigo meu, "a partir da sexta falta é tudo pênalti". A área é traçada de uma forma curiosa: dois quartos de círculo, com 6 metros de raio cada, são traçados centrados no centro do gol, e conectados por uma linha reta que também está a 6 metros do centro do gol. Além de servir para determinar se uma falta foi ou não pênalti, somente dentro da área é que o goleiro pode defender ou conduzir a bola com as mãos.

Uma partida de futsal dura dois tempos de 20 minutos cada, com um intervalo de, no máximo, 15 minutos. Diferentemente de no futebol, no futsal o relógio para toda vez que a bola para também, e acréscimos só são permitidos se o árbitro tiver marcado um pênalti ou uma falta que seja a sexta ou posterior exatamente quando o relógio zerou, ou seja, o jogador poderá cobrar o pênalti ou a falta com o relógio já zerado. Fora isso, quando o relógio zera (o que é indicado por um sinal sonoro), o jogo acaba imediatamente, embora um gol ainda valha caso a bola estivesse no meio do caminho quando o relógio zerou. É possível um jogo terminar empatado, mas, caso seja um jogo que não possa, é disputada uma prorrogação, de dois tempos de cinco minutos cada. Caso o empate persista, o jogo é decidido na cobrança alternada de tiros livres da marca do pênalti de 6 metros.

Obrigatoriamente, uma partida de futsal deve ter dois árbitros, sendo um principal e um auxiliar. Outros dois árbitros são obrigatórios para jogos internacionais, e opcionais para outros torneios; um deles fica responsável pela cronometragem, enquanto o outro se ocupa de registrar quantas faltas cada time já cometeu, servindo também como árbitro reserva caso um dos outros dois se contunda. Assim como no futebol, há faltas punidas com tiro livre direto, tiro livre indireto e com pênalti, com a diferença de que, a partir da sexta falta que não seja obrigatoriamente de tiro livre indireto, todas serão tiros livres diretos cobradas da marca do pênalti de 10 metros. Antes da sexta falta, os jogadores do time faltoso podem formar uma barreira para dificultar a cobrança, mas esta deve ficar a, no mínimo, 5 metros da bola até o momento do chute. Os oponentes também devem ficar a cinco metros da bola em uma cobrança de escanteio ou lateral - que, diferentemente de no futebol, é cobrado com um chute, com a bola sobre a linha de lado no local onde saiu.

Também como no futebol, o jogador faltoso pode ser punido com cartão amarelo ou vermelho, sendo que um jogador que tome dois amarelos no mesmo jogo obrigatoriamente toma o vermelho. Jogadores expulsos podem ser substituídos dois minutos após saírem de quadra ou até seu time tomar um gol, o que acontecer primeiro, mas não podem mais retornar para a partida. Caso um time tenha tantos expulsos que fique com apenas três em quadra, perde automaticamente o jogo.

Finalmente, falta falar de um dos elementos mais característicos do futsal: a bola. Semelhante a uma bola de futebol apenas na aparência e nos materiais de que é feita (um núcleo de látex, inflado, coberto por painéis costurados de borracha vulcanizada ou poliuretano), a bola de futsal tem entre 62 e 64 cm de circunferência e pesa entre 400 e 440 gramas, sendo, portanto, menor que a de futebol, que tem entre 68,6 e 71,1 cm, mas mais pesada, já que a de futebol tem entre 397 e 423,5 gramas. Por causa disso, o futsal (na verdade, o futebol de salão, mas o futsal o herdou) ganhou o apelido de "futebol da bola pesada". O menor tamanho e maior peso da bola de futsal garantem que ela quique menos, sendo melhor controlada rente ao chão.

O campeonato mais importante do futsal é a Copa do Mundo (que se chamava Campeonato Mundial até 2004), realizada sob a chancela da FIFA pela primeira vez em 1989, na Holanda, depois em 1992, em Hong Kong, e então de quatro em quatro anos, sendo que a mais recente edição foi disputada em 2008, no Brasil, e a próxima está programada para 2012, na Tailândia. O Brasil é o maior campeão, com quatro títulos, e a Espanha ganhou os outros dois. Há um movimento até bastante forte e organizado a favor da inclusão do futsal nas Olimpíadas, mas, enquanto a FIFA e o COI viverem às turras, é pouco provável que o esporte seja incluído - há quem diga, aliás, que a condição do COI para aceitar o futsal seria a FIFA liberar todos os jogadores do futebol para disputar as Olimpíadas, ao invés de impor restrições como faz hoje. É interessante registrar que, embora a FIFA reconheça o futsal feminino, não exerce nenhuma ação no sentido de seu desenvolvimento - como faz, por exemplo, com o futebol feminino - o que faz com que o esporte seja pouco difundido, essencialmente amador, e não tenha nenhum torneio internacional organizado pela entidade.

Também é interessante registrar que, mesmo com o fim da FIFUSA, o futebol de salão original não acabou, ainda sendo praticado em diversos países e, desde 2003, sendo regulado internacionalmente pela AMF (Associação Mundial de Futebol de Salão, na sigla em espanhol), entidade que já conta com 36 membros, dentre eles o Brasil, que disputa seus campeonatos com uma equipe diferente (a da Confederação Nacional de Futebol de Salão) da que disputa os campeonatos do futsal da FIFA (e representa a Confederação Brasileira de Futebol de Salão).

O futebol de salão da AMF ainda mantém as regras originais do jogo, segundo as quais laterais e escanteios são cobrados com as mãos, o goleiro não pode sair da área, as substituições só podem ocorrer com a bola parada, e a bola jamais pode ser levantada com os pés acima da linha da cintura do jogador, dentre outras. A bola do futebol de salão, inclusive, é ainda menor (entre 58 e 62 cm) e mais pesada (entre 440 e 460 gramas) que a do futsal, o que coíbe o jogo áereo e privilegia o rasteiro.

Como a AMF herdou os campeonatos mundiais da FIFUSA, já se contam nove edições, disputadas a cada três anos desde 1982 (primeira edição que, aliás, foi no Brasil), e a cada quatro a partir de 2003. O maior campeão é o Paraguai, com três títulos, seguido do Brasil, com dois, e de Colômbia, Venezuela, Argentina e Portugal, que têm um cada. Diferentemente da FIFA no futsal, a AMF apoia e incentiva o futebol de salão feminino, tendo organizado na Argentina em 2006, inclusive, o primeiro Campeonato Mundial feminino, vencido pela Rússia. Como a AMF não é reconhecida pelo COI, é improvável que o futebol de salão vá parar nas Olimpíadas.

O futsal tem ainda um outro parente menos cotado, conhecido como indoor soccer, futebol indoor ou arena soccer. Este esporte foi inventado no Canadá, em 1969, pelo ex-jogador húngaro Joe Martin, que adaptou o futebol a quadras de hóquei no gelo para que pudesse disputar seu esporte preferido durante os gélidos invernos canadenses. Aos poucos, o novo esporte foi sendo levado por outros ex-jogadores para outros países, e hoje já é praticado nas Américas, Europa e Ásia. Talvez por ter nascido lá, curiosamente, o futebol indoor é bastante popular nos Estados Unidos e Canadá, países que não costumam ser muito lembrados quando o assunto é a popularidade do futebol de campo, contando, inclusive, com disputadas ligas profissionais.



O futebol indoor é jogado em uma quadra de 60 metros de comprimento por 25,5 de largura. Diferentemente de outros esportes "de quadra", a superfície é feita de grama sintética, para deixá-la parecida com um campo de futebol. Os gols são centrados nas linhas de fundo, e têm 4,2 metros de largura por 2,4 de altura e 1,5 de profundidade. Devido à sua origem - quadra de hóquei adaptada - a quadra do futebol indoor também possui uma característica curiosa: um muro de no mínimo 90 cm de altura percorre toda a sua volta. Esse muro faz com que a bola não "saia", fazendo com que não existam cobranças de lateral - a bola simplesmente bate no muro e volta, continuando em jogo. Nas linhas de lado, o muro possui um prolongamento de 2 metros de altura de acrílico transparente, para não obstruir a visão do jogo, mas, como nas linhas de fundo não há esse prolongamento, é possível a bola passar por cima do muro. Caso isso aconteça, se a bola foi colocada para fora por um jogador da defesa, há uma cobraça de escanteio; se foi colocada para fora por um jogador do ataque, o goleiro a repõe em jogo com as mãos. A quadra também tem cantos arredondados, ao invés de quinas como a de futsal. A bola utilizada é semelhante à do futebol de campo, com entre 68 e 79 cm de circunferência e entre 410 e 450 gramas de peso.

A quadra do futebol indoor é dividida no meio pela linha do meio de campo, que conta com um círculo central de 4,5 cm de raio. Na frente de cada gol há uma grande área - um semicírculo de 12 metros de raio centrado no centro do gol - e uma pequena área, composta de um semicírculo de 4,5 metros de raio centrado na marca do pênalti, ligado à linha de fundo por duas linhas retas. A 15 metros de cada linha de fundo é traçada uma linha sem nome, conhecida como "linha amarela" por ser dessa cor, e usada para uma regra parecida com o icing do hóquei no gelo, segundo a qual uma bola chutada para a frente não pode passar pelas duas linhas amarelas sem tocar em nenhum jogador no meio do caminho. Finalmente, há diversas marcações para cobranças de faltas, como a marca do pênalti, a 6 metros do centro do gol; a marca de tiro livre direto, a 10,5 metros do centro do gol, sobre a pequena área; a marca para cobranças de faltas que impediriam situações claras de gol, a 15 metros do centro do gol, sobre a linha amarela; e as marcações para cobranças de escanteio, a 4,5 metros de cada trave e 30 cm da linha de fundo.

Um time de futebol indoor é composto de seis jogadores, sendo que um é o goleiro. Cada time pode ter ainda seis reservas, e, assim como no futsal, as substituições são ilimitadas e podem ser feitas a qualquer momento. A partida é oficiada por dois árbitros, um que fica em campo com os jogadores e um auxiliar que fica fora de campo controlando dados como o tempo de jogo e o número de faltas. Jogadores faltosos, dependendo da gravidade da falta, podem ser punidos com o cartão azul, que faz com que ele tenha de ficar de fora da partida durante dois minutos; cartão amarelo, que faz com que ele tenha de ficar de fora da partida durante cinco minutos; ou cartão vermelho, que o expulsa da partida, devendo o time passar a atuar o resto da partida com um jogador a menos.

Uma partida dura quatro quartos de 15 minutos cada, com um intervalo de 2 minutos entre o primeiro e o segundo e entre o terceiro e o quarto quartos, e de 10 minutos entre o segundo e o terceiro quartos. Cada técnico tem direito a pedir três tempos de um minuto cada por jogo, sendo que não mais de dois podem ser pedidos em cada metade do jogo - ou seja, se pedir dois no primeiro quarto, só poderá pedir novamente no terceiro quarto. Caso a partida não possa terminar empatada, é disputada uma prorrogação de dois tempos de 15 minutos cada, na qual quem fizer o gol primeiro ganha, e, persistindo o empate, disputa de pênaltis. Curiosamente, durante o jogo, cada gol não vale um ponto, mas dois, se for feito de dentro da grande área, ou três, se for feito de fora.

O futebol indoor chegou ao Brasil em 1972, quando o ex-jogador Francisco Monteiro, conhecido como Todé, que fora atuar no Canadá, onde conheceu Martin e seu recém-criado esporte, decidiu trazê-lo para nosso país, promovendo, inclusive, uma partida no Maracanãzinho, entre uma seleção de jogadores brasileiros e um combinado de jogadores estrangeiros. Infelizmente, o jogo não pegou, e foi relegado ao esquecimento por mais de 30 anos, até que, em 2005, um grupo de empresários decidiu mudar algumas regras e rebatizá-lo como showbol, organizando campeonatos em diversos países da América do Sul, com times compostos de ex-jogadores consagrados do futebol de campo.

O showbol não é exatamente o mesmo esporte que o futebol indoor - embora as principais características, a quadra de grama sintética e o muro, tenham sido mantidas. Para começar, sua quadra é menor, tendo de 42 a 44 metros de comprimento por de 22 a 24 metros de largura, e com as únicas marcações sendo a linha do meio, a área (marcada a 8 metros do gol) e a marca do pênalti. Além disso, cada gol vale um ponto, não interessa de onde for feito, e existem cobranças de lateral, já que o muro lateral também não tem o prolongamento de acrílico. O jogo é oficiado por um único árbitro, e não existe cartão amarelo, apenas azul e vermelho. Finalmente, cada partida dura dois tempos de 25 minutos cada, com intervalo de dez minutos.

Aos poucos, o showbol também vem se espalhando pelo mundo, em parte graças à estratégia de se utilizar equipes representando os times mais populares de cada país - mesmo que não sejam oficialmente ligadas a estes times - compostas por ex-jogadores de certo renome. Como nem o futebol indoor nem o showbol têm federações internacionais, ainda não existe um campeonato mundial de nenhum dos dois esportes, mas partidas internacionais de showbol são comuns e frequentes, e até já se chegou a disputar um mundialito do esporte em 2006, na Espanha, que contou com a participação de Brasil, Argentina, Espanha e Holanda, sendo vencido pela seleção brasileira. Até onde eu sei, o futebol indoor e o showbol só são disputados profissionalmente no masculino, com equipes femininas, se é que existe alguma, sendo amadoras.

Finalmente, além do futebol de campo e do futsal, a FIFA também regula outra forma de futebol, o futebol de areia, também conhecido como futebol de praia ou beach soccer. Também como no futsal, entretanto, a FIFA não era originalmente a entidade máxima desse esporte, tendo-o assumido, neste caso amigavelmente, em 2005.

O futebol de areia começou como esporte recreativo, principalmente nas praias do Rio de Janeiro. Credita-se a praia do Leme como local oficial de surgimento do esporte, já que lá eram disputados campeonatos entre equipes amadoras. No início da década de 1990, vendo que o esporte tinha potencial para atrair público e patrocinadores, um grupo de empresários criou a Beach Soccer Worldwide (BSWW), organização que se encarregaria de espalhá-lo pelo mundo. Seu primeiro passo foi codificar as regras do esporte, em 1992; o segundo foi formar equipes compostas de ex-jogadores consagrados e de fama internacional, que seriam os principais garotos-propaganda do futebol de areia.

No ano seguinte, a BSWW organizaria o primeiro torneio profissional internacional de futebol de areia, em Miami, com a participação de seleções do Brasil, Estados Unidos, Argentina e Itália. O sucesso do evento garantiu um crescimento rápido do esporte, que em 1995 já organizaria seu primeiro Campeonato Mundial, na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, e em 1996 daria início ao Pro Beach Soccer Tour, uma espécie de circuito mundial composto de 16 etapas em diversos países das Américas, Europa e Ásia. Paralelamente a isso, também surgiria o campeonato europeu, que ajudaria a desenvolver o futebol de areia em diversos países do continente. Em pouco tempo, o novo esporte já era um gigantesco sucesso, atraindo, inclusive, patrocinadores de grande renome, como Coca-Cola, McDonald's e Mastercard.

Com o esporte se espalhando e se popularizando cada vez mais rapidamente, no início dos anos 2000 a FIFA e a BSWW entraram em negociações, para que a primeira passasse a atuar também como federação internacional do futebol de areia. O acordo foi totalmente firmado em 2005, quando a FIFA passou a organizar o Campeonato Mundial, suas eliminatórias e cuidar das regras e da promoção do esporte, enquanto a BSWW ficou com a organização dos campeonatos europeus e com a elaboração do ranking mundial do futebol de areia. Como a absorção foi amigável, em seu estatuto a FIFA reconhece a BSWW como criadora e principal incentivadora à prática do novo esporte.

O futebol de areia é disputado em uma "quadra" de 35 a 37 metros de comprimento por de 26 a 28 metros de largura, delimitada por uma fita azul de 8 a 10 cm de largura. Como a quadra é feita de areia, fica meio difícil fazer marcações, então as únicas presentes são a linha do meio campo e a linha da área, traçada a 9 metros da linha de fundo, que delimita o espaço no qual o goleiro pode jogar; ambas essas linhas são imaginárias, e traçadas entre bandeirinhas de 1,5 metro de altura colocadas nas linhas de lado - amarelas para as áreas, vemelhas para o meio e para os escanteios. Laterais podem ser cobrados com os pés ou com as mãos, à escolha do jogador; escanteios são sempre cobrados com os pés, e tiros de meta com as mãos. Faltas cometidas dentro da área também são pênaltis, sendo que a "marca do pênalti", também imaginária, fica em frente ao centro do gol, sobre a linha da área. Todas as demais faltas são tiros livre diretos, sem barreira, com os adversários devendo ficar a no mínimo 5 metros da bola. O gol tem 5,5 metros de largura por 2,2 de altura e 1,5 de profundidade. A bola utilizada é a mesma do futebol de campo.

Um time de futebol de areia é composto de cinco jogadores, dos quais um é o goleiro. Cada time tem também cinco reservas, com as substituições sendo ilimitadas e podendo ser feitas a qualquer momento. Um detalhe interessante das regras é que os jogadores devem atuar descalços, sem nenhum tipo de calçado sendo permitido, exceto meias próprias para a proteção de áreas lesionadas. A partida é oficiada por três árbitros, sendo que dois ficam na quadra, junto aos jogadores, e um terceiro fica de fora, registrando o tempo de jogo e as substituições, e servindo como reserva para um dos outros dois em caso de necessidade. Faltas podem render aos jogadores cartões amarelos ou vermelhos; um amarelo faz com que o jogador tenha de ficar fora de campo durante dois minutos, enquanto um vermelho o expulsa do jogo, embora o time possa colocar outro em seu lugar após dois minutos da expulsão.

Uma partida de futebol de areia dura três tempos de 12 minutos cada, com intervalo de três minutos entre um tempo e outro, sendo que o relógio só anda quando a bola está em jogo. Nenhum jogo termina empatado: caso haja empate no tempo normal, é jogada uma prorrogação de 3 minutos na qual quem fizer gol primeiro ganha, e, persistindo o empate, disputa de pênaltis, sendo que ganha o primeiro time que acertar a cobrança e o outro não.

A competição mais importante do futebol de areia é a Copa do Mundo, que até 2004 se chamava Campeonato Mundial, disputado anualmente de 1995 a 2009, mas a cada dois anos desde então. Diferentemente do que ocorre com o futsal, a FIFA reconhece todas as edições organizadas pela BSWW, o que significa que o maior campeão é o Brasil, com nada menos de 13 títulos dos 15 possíveis - curiosamente, porém, a primeira edição organizada pela FIFA, em 2005, foi vencida pela França, com o Brasil terminando em terceiro lugar, após perder para Portugal nas seminfinais; Portugal também foi o campeão de 2001, derrotando a França na final e mais uma vez o Brasil nas semifinais, terminando o Brasil em quarto após perder para a Argentina. Também é curioso registrar que as treze primeiras edições foram realizadas no Brasil (dez em Copacabana, a de 2000 na Marina da Glória, Rio de Janeiro, a de 2001 na Costa do Sauipe, Bahia, e a de 2002 dividida entre Vitória, Espírito Santo, e Guarujá, São Paulo) mas a partir de 2008 a FIFA passou a variar os países-sede, com edições já disputadas em Marselha, França, e Dubai, Emirados Árabes, e as duas próximas programadas para Itália e Taiti. Assim como o showbol, até onde eu saiba o futebol de areia só é praticado profissionalmente no masculino, com equipes femininas, se existirem, sendo amadoras.
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