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sábado, 30 de novembro de 2024

Escrito por em 30.11.24 com 0 comentários

Kull da Atlântida

Conan é o personagem mais famoso de Robert E. Howard, mas não foi seu primeiro. Na verdade, ele não foi nem seu primeiro bárbaro. Na verdade mesmo, existe outro personagem que, sem ele, Conan nem teria existido. Esse personagem se chama Kull da Atlântida, e é o tema do post de hoje.

A versão mais famosa sobre a origem de Conan conta que, em 1932, aos 26 anos, Howard estava viajando por seu Texas natal e teve uma inspiração súbita, criando uma terra fictícia habitada por bárbaros destemidos, a qual chamou de Ciméria, e, pensando em como aproveitá-la, criou toda uma época mítica, chamada Era Hiboriana, fazendo de um cimério o herói que iria viver aventuras nesse tempo. O que acontece, e que muita gente não sabe, é que o nome Ciméria não foi uma criação de Howard, sendo antigamente usado para se referir à região hoje conhecida como Crimeia, aquela que está em disputa entre a Ucrânia e a Rússia. A Ciméria de Howard, evidentemente, não tem nada a ver com a Crimeia, sendo um criação própria. Só que, alguns anos antes, ele tinha feito a mesmíssima coisa, apenas usando uma terra fictícia ao invés de uma real, e não obtendo o mesmo sucesso.

No final da década de 1920, pouco após completar 20 anos, Howard já era considerado um autor de sucesso, podendo viver exclusivamente da venda de suas histórias e fazendo amizade com outros dois famosos escritores da época, H.P. Lovecraft e Clark Ashton Smith. As histórias de Howard diferiam das de Lovecraft e Smith, entretanto, principalmente porque as dos dois tinham muitos elementos de horror, enquanto as de Howard eram pura ação, tendo como protagonistas espadachins, soldados, piratas, pistoleiros, e até mesmo marinheiros brigões. Um dia, porém, Howard estava conversando com Lovecraft, e teve a ideia de uma história de ação com elementos de terror, protagonizada por um bárbaro que enfrentaria feitiçaria, tendo que contar também com sua inteligência para sobrepujar seus inimigos, ao invés de apenas com sua espada. Assim surgiria O Reino das Sombras.

O Reino das Sombras era protagonizada pelo Rei Kull, governante da Valúsia, mas que não era natural de lá, tendo chegado ao trono após derrotar em combate o rei anterior. Com a ajuda de Brule, um lanceiro picto, ele descobre uma conspiração para não somente removê-lo do trono, mas também para escravizar toda a humanidade; por trás dela, estão os homens-serpente, que governavam o mundo antes da ascensão dos humanos, e agora querem voltar ao lugar que consideram seu por direito. Os homens-serpente, que em sua forma original têm corpo humano mas cabeça de serpente, são criaturas de feitiçaria, capazes de assumir a aparência de qualquer ser humano. Usando desse poder, eles planejam substituir a corte de Kull pouco a pouco, até conseguir matá-lo, substituí-lo, e governar a Valúsia, partindo, então para a conquista dos demais reinos humanos, até se tornarem os governantes de tudo. Os pictos descobrem esse estratagema e enviam Brule para alertar Kull, com a dupla precisando descobrir quais conselheiros de Kull já foram substituídos e impedir os homens-serpente antes que seja tarde demais.

Publicada na revista Weird Tales em agosto de 1929, O Reino das Sombras seria aclamada, considerada uma das melhores histórias já apresentadas na revista, e se tornando o primeiro exemplar do estilo que posteriormente, ao ser popularizado por Conan, receberia o nome de Espada e Magia. Com o sucesso da história, Howard passaria a desenvolver o personagem Kull, determinando os acontecimentos mais relevantes de seu passado, e delimitando como seria o mundo no qual ele vive.

Kull é nascido na Atlântida, segundo o próprio Howard, cerca de 100 mil anos antes do nascimento de Cristo. Nas histórias de Kull, não somente a Atlântida era uma ilha normal, e não um reino submarino, como também a Atlântida de Howard é completamente diferente de suas descrições feitas por outros autores: ao invés de uma civilização altamente avançada para a sua época, a ilha é esparsamente povoada e habitada por tribos bárbaras que rejeitam a civilização. A oeste da Atlântida fica um continente conhecido como Thúria, onde estão localizados os reinos humanos civilizados, com o mais poderoso deles sendo a Valúsia. Outras ilhas de destaque, também com nomes inspirados em civilizações que podem ter existido ou não, são a Lemúria, terra de piratas sanguinários, e a distante Mu. E, a leste da Atlântida, ficam as ilhas habitadas pelos pictos, que, ao contrário de nas histórias de Conan, onde são selvagens que servem apenas como antagonistas, nas histórias de Kull são um povo bárbaro semelhante aos atlantes e inspirados nos indígenas norte-americanos. Brule, um picto eloquente e corajoso, após os eventos de O Reino das Sombras se tornaria o melhor amigo de Kull.

Antes de prosseguirmos, vale explicar que, após criar Conan e a Era Hiboriana, Howard definiria que as épocas de Kull e de Conan estariam separadas por alguns milhares de anos. Nesse intervalo de tempo, ocorreria um cataclisma (o que faria com que a época de Kull se tornasse oficialmente a "pré-cataclísmica") que levaria ao afundamento da Atlântida e à derrocada das civilizações humanas, que reverteriam à selvageria e levariam séculos para se tornar civilizadas novamente, com os pictos jamais passando do estágio de selvageria ao qual foram regredidos, e povos como os aquilônios e hirkanianos sendo descendentes diretos dos antigos thuranianos. Em termos gerais, portanto, a época de Kull está tão distante da época de Conan quanto a época de Conan está distante da nossa.

Voltando à história de Kull, ele nasceu na Atlântida, mas um evento ocorrido em sua adolescência faria com que ele fosse exilado, tendo de fugir para o continente. No meio do caminho, ele seria capturado e escravizado, forçado a trabalhar como remador em um navio. Depois disso, ele seria vendido como gladiador, e, ao recuperar sua liberdade, se tornaria mercenário, e então soldado no exército da Valúsia, onde iria subindo na hierarquia até se tornar general. Envolvido em uma trama para derrubar o rei, ele mataria o monarca e decidiria ele mesmo assumir a coroa, se tornando o novo Rei da Valúsia. Quase todas as histórias escritas por Howard são ambientadas nessa última fase da vida do personagem, o que faz com que ele seja bastante conhecido como Rei Kull - embora atualmente o nome Kull da Atlântida seja considerado o oficial, principalmente porque, na década de 1950, a Fawcett Comics criaria um vilão para o Capitão Marvel também chamado King Kull.

Também vale citar que o arqui-inimigo de Kull é o feiticeiro Thulsa Doom - que, curiosamente, seria o vilão do primeiro filme do Conan. Um feiticeiro que tem no lugar da cabeça uma caveira com fogo dentro das órbitas, Doom é aparentemente invulnerável, com Kull jamais conseguindo destruí-lo, apenas aprisioná-lo até que ele escape e volte a atormentá-lo. O objetivo de Doom, assim como o dos homens-serpente, é tomar para si o trono da Valúsia e então conquistar o restante do continente, se tornando praticamente o governante do mundo.

Apesar de toda a aclamação conseguida por O Reino das Sombras, Howard só conseguiria vender duas outras histórias de Kull em vida: Os Espelhos de Tuzun Thune, publicada pela Weird Tales no mês seguinte, em setembro de 1929, não faria muito sucesso, o que levaria a revista a rejeitar todas as histórias de Kull seguintes que ele enviasse, exceto Os Reis da Noite, publicada em novembro de 1930.

Seria por causa dessa rejeição que Howard pegaria uma história de Kull, Por esse Machado eu Reino, e a transformaria em A Fênix na Espada, história que marcaria a estreia de Conan. A história de Conan tem mais ação, mais elementos sobrenaturais e menos debates filosóficos, mas algumas passagens de ambas são idênticas; é por essa razão, inclusive, que, em sua primeira história, Conan é Rei da Aquilônia, e somente nas seguintes é mostrada sua carreira como ladrão, pirata e soldado. Aliás, nesse ponto as "carreiras" de Kull e Conan também se assemelham, com ambos tendo tido várias "profissões" antes de matar um rei tirano e assumir o trono. Não há registro sobre se isso foi proposital, ou seja, se Howard quis fazer de Conan o "novo Kull", ou se ele simplesmente achou que esse era o método mais interessante para contar histórias.

Apesar das semelhanças, Kull e Conan são personagens muito diferentes. O cimério é proativo, sempre em busca de aventura, entre uma e outra se diverte em tavernas, com cerveja e mulheres, e está sempre acompanhado de uma bela dama, com a qual planeja ter envolvimento romântico. Já o atlante é soturno, reservado, e costuma ser levado pela vida, apenas reagindo aos desafios que são colocados diante dele, além de não mostrar interesse em suas parceiras femininas, embora em algumas histórias seja seduzido. Após se tornarem reis, Conan vê o trono como seu direito, planeja mantê-lo a qualquer custo, e pensa em conquistar uma rainha e formar uma dinastia, enquanto Kull vê o trono como um fardo, parece mantê-lo apenas para que a humanidade não seja dominada, e não pretende se casar nem constituir família. Finalmente, Conan é solitário, e, exceto por Bêlit, jamais teve um parceiro duradouro, enquanto Kull tem em Brule seu melhor amigo, confidente e irmão em armas, pelo qual daria a vida se necessário.

Ao todo, Howard escreveria apenas 14 histórias protagonizadas por Kull - para efeitos de comparação, de Conan ele escreveria 21 completas e 4 incompletas. Das 14 de Kull, três estavam incompletas, sendo concluídas para publicação por Lin Carter; essas três, mais Por esse Machado eu Reino e as outras sete que não foram publicadas pela Weird Tales fariam sua estreia em um livro, chamado King Kull, lançado pela Lancer Books em 1967, e que também incluía Os Espelhos de Tuzun Thune e O Reino das Sombras. As demais ficariam inéditas até 1978, à exceção de A Maldição do Crânio Dourado, publicada no fanzine The Howard Collector também em 1967. Desde a década de 1980, todas as 14 histórias de Kull foram republicadas por várias editoras em diversos países, mas jamais alcançaram o mesmo nível de popularidade que as de Conan.

No final da década de 1960, quando a Marvel começou a procurar por um herói de espada e magia, o preferido de Stan Lee para o cargo era Thongor, bárbaro que vivia em uma espécie de mundo pré-histórico criado por Carter. O roteirista escolhido para a empreitada, Roy Thomas, entraria em contato com Carter, mas jamais obteria uma resposta. Stan Lee, então, pediria para que ele tentasse obter os direitos de Kull, que estava em voga porque King Kull havia acabado de ser lançado, por razões puramente estéticas: ele achava que o nome Kull chamaria atenção no título de uma revista. Nem Stan Lee, nem Thomas pensariam em Conan de primeira porque, na época, ele já era o personagem mais famoso de Howard, Thomas imaginou que ele seria muito caro, e Martin Goodman, o editor-chefe da Marvel, reservaria uma quantia muito baixa pelo licenciamento - porém, ao entrar em contato com o então detentor dos direitos, o advogado Glen Lord, Thomas conseguiria licenciar Conan, e o resto é história.

O enorme sucesso que Conan fez nos quadrinhos, que inclusive ajudaria a popularizar o personagem de forma jamais vista, levaria a Marvel a se interessar por outros personagens de Howard, e assim, mais uma vez, Thomas se viu com a missão de negociar os direitos de Kull. A estreia do atlante na Marvel seria na revista Creatures on the Loose! 10, de março de 1971, em uma história curta, dividindo a revista com uma reimpressão, curiosamente chamada Trull the Inhuman, sobre uma criatura que vivia na selva. Com roteiro de Thomas e arte de Bernie Wrightson, a história de Kull seria uma adaptação de O Crânio do Silêncio, uma das histórias que Howard escreveu mas não conseguiu publicar em vida, tendo sido publicada pela primeira vez em King Kull.

O sucesso da revista convenceria a Marvel a lançar uma série regular de Kull; como a de Conan era Conan the Barbarian, eles optariam por chamá-la de Kull the Conqueror. Com roteiros de Thomas até a quinta edição e de Gerry Conway a partir da sexta, e arte dos irmãos John e Marie Severin, a revista, totalmente em cores e seguindo os preceitos do Comics Code Authority, seria lançada em junho de 1971, e traria apenas histórias inéditas - ou seja, nenhuma delas adaptação das de Howard - ambientadas já na época em que Kull era Rei da Valúsia. Infelizmente a revista não teve as boas vendas que a Marvel esperava, e chegou a ser cancelada após apenas duas edições (a segunda de setembro de 1971); contudo, muitas cartas continuaram chegando à redação pedindo por mais histórias de Kull, e, após testar as águas publicando uma, com roteiro de Thomas e arte dos Severin, na revista Monsters in the Prowl 16, de abril de 1972, a Marvel decidiria retomar a Kull the Conqueror, recomeçando da edição 3, em julho de 1972.

A revista seria publicada de forma bimestral, mas ainda com baixas vendas, até ser cancelada em setembro de 1973, após apenas 10 edições. Kull não ficaria de fora do mercado das revistas coloridas por muito tempo, entretanto: o cancelamento na verdade fazia parte de uma estratégia, com uma nova revista, Kull the Destroyer, sendo lançada já em novembro de 1973 - o mês no qual a Kull the Conqueror 11 deveria ter sido lançada se não tivesse sido cancelada. Assim como a de Conan fazia originalmente, essa revista apostaria em adaptações das histórias de Howard - começando já por Por esse Machado eu Reino - e na rivalidade entre Kull e Thulsa Doom, com inclusive uma saga que abrangeria três edições.

A Kull the Destroyer seguiria a numeração da Kull the Conqueror, ou seja, seu primeiro número seria o 11. O número 12 atrasaria, e seria lançado apenas em fevereiro de 1974; a partir daí, a revista seria bimestral, mas, como as vendas não subiriam, seria novamente cancelada, após a edição 15, de agosto de 1974. A edição 11 teria roteiro de Thomas, as outras quatro de Steve Englehart, e a arte em todas as cinco edições seria de Mike Ploog.

Entre a Kull the Conqueror e a Kull the Destroyer, em outubro de 1973, a adaptação de O Crânio do Silêncio seria republicada na revista Savage Tales, voltada para o público adulto, em preto e branco, e sem a censura do CCA, em sua segunda edição. Quando a nova revista em preto e branco voltada para o público adulto de Conan, The Savage Sword of Conan the Barbarian, fosse lançada, em agosto de 1974 - mesmo mês do cancelamento da Kull the Destroyer - Kull passaria a ser habitué dela, com histórias publicadas em várias edições. As primeiras seriam continuação direta das publicadas em Kull the Destroyer, encerrando a história na qual Kull confronta Doom pelo trono da Valúsia, que havia ficado sem final, mas logo Kull passaria a ter histórias curtas de oito páginas, usadas para preencher o espaço que sobrava na revista após as histórias de Conan, bem mais longas e que eram o chamariz principal de cada edição.

Duas fases de Kull na Savage Sword ficariam famosas. A primeira contaria com roteiros de Chuck Dixon, o roteirista que mais escreveu Kull em preto e branco, e arte de Geoff Isherwood; essas histórias eram mais ou menos seguidas e lidavam com um novo plano dos homens-serpente, que chegaram a sitiar a capital da Valúsia. A outra tinha roteiros de John Arcudi e arte de Dale Eaglesham; Arcudi introduziria um novo personagem, Bakas, que foi escravo remador junto com Kull, e o tratava como se fosse seu irmão mais novo. Perto do fim da revista, já na década de 1990, Thomas retornaria aos roteiros, mas escreveria apenas histórias que contavam o passado de Kull, antes de ele se tornar rei, que cobriram sua infância e adolescência em Atlântida e parte de sua juventude como escravo remador; seria com essas histórias que o nome Kull da Atlântida se popularizaria, já que elas não podiam trazer no título o nome "Rei Kull", pois Kull ainda não era Rei.

Além de suas muitas aparições na Savage Sword, em 1975 Kull ganharia uma revista em preto e branco com seu nome no título, graças a um mal-entendido: após o cancelamento da Kull the Destroyer, Thomas pediria autorização a Stan Lee para lançar quatro minisséries, em preto e branco e voltadas para o público adulto, cada uma estrelada por um personagem criado por Howard: Kull, Red Sonja, Solomon Kane e Bran Mak Morn. Stan Lee daria autorização e informaria o editor da Marvel na época, Jim Steranko, do projeto. Por alguma falha na comunicação, Steranko entendeu que Thomas estava trabalhando em uma nova revista em preto e branco para adultos que, a cada edição, traria histórias desses quatro personagens, e publicaria essa informação em seu fanzine, Mediascene. Logo começariam a chegar na redação da Marvel cartas querendo saber mais sobre essa nova revista, e Thomas, achando que essa era uma ideia melhor do que as quatro minisséries, decidiria trabalhar nessa ideia. Assim nasceria a revista Kull and the Barbarians.

A primeira edição da Kull and the Barbarians traria apenas material republicado, sendo três histórias em quadrinhos, duas delas de Kull (sendo uma O Reino das Sombras) e uma adaptação de O Vale do Verme, considerada uma das melhores histórias escritas por Howard, protagonizada pelo bárbaro Niord, além das matérias costumeiramente apresentadas nesse tipo de revista, como resenhas e pin ups. A segunda edição, de julho, e a terceira, de setembro, trariam apenas material inédito, incluindo, em cada uma, uma história de Kull, uma de Solomon Kane e uma de Red Sonja, e, na segunda, um trecho de um livro ainda inédito do herói Blackmark, criado por Gil Kane. As vendas seriam dentro do esperado, mas, mesmo assim, após a terceira edição a Marvel decidiria cancelar a revista, alegando que ela era muito cara. A história de Kull da segunda edição teria roteiro de Gerry Conway e arte de Jess Jodloman, e a da terceira roteiro de Doug Moench e arte de Vicente Alcalzar.

O sucesso de Kull nas revistas em preto e branco, entretanto, motivaria a Marvel a relançar a Kull the Destroyer, como se nada tivesse acontecido, em agosto de 1976, recomeçando da edição 16. Com roteiros de Doug Moench e arte de Ed Hannigan até a edição 20, e roteiros de Don Glut e arte de vários artistas, dentre eles dois nomes conhecidos dos fãs de Conan, Ernie Chan e Alfredo Alcalá, a partir da 21, a revista voltaria a investir apenas em histórias inéditas, mas a maioria delas tendo Thulsa Doom como antagonista. Ela seguiria sendo bimestral até outubro de 1978, quando seria definitivamente cancelada, na edição 29.

Em junho de 1979, Kull seria o astro da Marvel Preview 19, outra revista em preto e branco voltada para o público adulto, em uma história com roteiro de Thomas e arte de Sal Buscema, que prometia ser seu embate definitivo contra Thulsa Doom. Após a edição 24, a Marvel Preview seria renomeada para Bizarre Adventures, mantendo a numeração. Kull estrelaria a edição 26, de maio de 1981, com roteiro de Moench e belíssima arte de John Bolton, na qual o Rei da Valúsia deve frustrar mais um plano dos homens-serpente para tomar seu trono. Ainda em 1981, Kull participaria da revista Marvel Team Up, nas edições 111 e 112, de novembro e dezembro, em uma história na qual os homens-serpente tentam dominar o mundo na época atual, com o Homem-Aranha tentando detê-los e o Doutor Estranho usando um feitiço para enviar sua forma astral ao passado e conseguir a ajuda de Kull.

Essa história traria Kull de volta aos holofotes, e faria com que a Marvel planejasse o lançamento de uma minissérie em quatro partes estrelada pelo herói, que seria lançada em 1982. Sucessivos atrasos, entretanto, fariam com que a minissérie, chamada, assim como a primeira revista do atlante, Kull the Conqueror, tivesse apenas duas edições, uma lançada em dezembro de 1982, com roteiro de Alan Zelenetz e arte de John Buscema, a outra em março de 1983, com roteiro de Moench e arte de Bolton. As vendas seriam acima do esperado, e a Marvel decidiria transformar a minissérie em uma série regular, mas, por algum motivo, decidiria recomeçar a numeração do 1, com uma nova Kull the Conqueror sendo lançada em maio de 1983. A periodicidade também não era lá muito forte, com a edição 2 sendo lançada em julho, mas a 3 apenas em dezembro, da 4 a 7 em fevereiro, agosto, outubro e dezembro de 1984, e as três últimas em fevereiro, abril e junho de 1985. As vendas nunca agradaram à Marvel, que decidiria cancelar a revista após a décima edição. Em quase todas as edições, os roteiros seriam de Zelenetz e a arte de John Buscema.

A última revista estrelada por Kull publicada pela Marvel seria a graphic novel Kull: The Vale of Shadow, de novembro de 1989, com roteiro de Zelenetz e arte de Tony DeZuniga, na qual o Rei Kull é dado como morto e seus conselheiros mais próximos relembram suas histórias favoritas vividas ao lado do monarca. Depois disso, ele teria histórias publicadas apenas na Savage Sword, até o cancelamento da revista, em 1995, quando a série de aventuras de Kull antes de se tornar rei seria interrompida antes de chegar na parte em que ele matava o antigo rei e assumia o trono. Vale citar também que, nas décadas de 1970 e 1980, Kull faria algumas improváveis participações especiais em histórias do Conan publicadas na Conan the Barbarian - normalmente em flashbacks, mas houve uma história que envolveu uma viagem no tempo, que fez com que Conan e Kull se enfrentassem.

Assim como Conan, após deixar a Marvel, Kull iria para a Dark Horse, onde protagonizaria três minisséries: Kull, com roteiro de Arvid Nelson e arte de Will Conrad e José Villarubia, em seis edições lançadas entre novembro de 2008 e maio de 2009, adaptando O Reino das Sombras; Kull: The Hate Witch, em quatro edições entre novembro de 2010 e fevereiro de 2011, com uma história inédita de David Lapham e arte de Gabriel Guzman; e Kull: The Cat and the Skull, que adaptava a história de Howard A Gata de Delcardes em quatro edições lançadas entre outubro de 2011 e janeiro de 2012, mais uma vez por Lapham e Guzman. Em 2017, Kull estrelaria Kull Eternal, da IDW Publishing, na qual ele viajava no tempo e vivia aventuras em vários períodos da história; com roteiro de Tom Waltz e arte de Luca Pizzari, a revista não faria sucesso, e teria apenas três edições, lançadas entre junho e agosto. Hoje, os direitos sobre Kull pertencem à Kull Productions Inc., mas o personagem não é tão procurado quanto Conan, com seu principal material atualmente sendo republicações das histórias de Howard em livros, incluindo um lançado recentemente no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim.

Kull também foi astro de um filme para o cinema, lançado em 1997, sobre o qual eu falei brevemente quando fiz o post sobre os filmes de Conan - e que é tão ruim que eu prefiro não ter que abordar novamente, então vamos encerrar por aqui.
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domingo, 10 de dezembro de 2023

Escrito por em 10.12.23 com 0 comentários

Conan (III)

Mês passado eu falei sobre Conan nos filmes, hoje vou falar sobre Conan nos quadrinhos. Hoje, de novo, é dia de Conan no átomo! Por Crom!

A história de Conan nos quadrinhos começa em 1969, mais de 30 anos após a morte de seu criador, Robert E. Howard. Na época, tanto a Marvel quanto a DC publicavam, além de quadrinhos estrelados por seus próprios personagens, os chamados quadrinhos licenciados, adaptações para os quadrinhos de histórias de personagens famosos da literatura, da TV e do cinema. No caso específico da Marvel, todos os anos a redação era inundada de cartas que pediam que a editora licenciasse obras como O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, ou Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, mas, ainda não tendo completado uma década de vida, a Marvel simplesmente não tinha dinheiro suficiente para pagar pelas licenças. Mais do que todas essas cartas, porém, a redação da Marvel recebia centenas que pediam que ela licenciasse "algum herói de espada e magia", estilo que estava passando por uma gigantesca onda de popularidade no final dos anos 1960. Stan Lee, então o editor executivo da Marvel, não conhecia nenhum herói de espada e magia, mas, fiel à sua crença de que os verdadeiros editores da Marvel eram os leitores, e que, se eles quisessem alguma coisa, ele deveria pelo menos tentar oferecê-la a eles, decidiria chamar um de seus roteiristas e conversar com ele sobre qual herói eles deveriam licenciar.

O roteirista escolhido para a conversa seria Roy Thomas, na época responsável pela revista dos Vingadores, para quem Stan Lee repassou as cartas com as exigências. Por acaso, três anos antes, Thomas havia comprado uma edição de Conan the Adventurer, coletânea de várias histórias de Conan escritas por Howard - embora ele mesmo tenha confessado que comprou o livro mais pela capa de Frank Frazetta, não tendo nenhum conhecimento prévio de Conan - o qual decidiu ler após ser incumbido da tarefa. Thomas adorou as histórias e achou que Conan seria o personagem ideal para o licenciamento, mas não o ofereceu diretamente para Stan Lee devido a um pensamento equivocado: no final dos anos 1960, graças aos livros da Lancer Books, Conan já era o mais popular personagem de espada e magia da literatura, e Thomas achou que, por causa disso, ele seria muito caro. De fato, após entregar várias opções para Stan Lee, este lhe pediria para que escrevesse um memorando para o então editor-chefe da Marvel, Martin Goodman, explicando o que os dois pretendiam fazer e pedindo dinheiro para a empreitada. Goodman autorizaria, e estipularia o pagamento de 150 dólares mensais pelo licenciamento - que, se vocês estiverem achando que "na época, era uma fortuna", não era não, era pouco mesmo, ou pelo menos bem menos do que Thomas esperava poder oferecer.

O personagem preferido de Stan Lee para o licenciamento era Thongor, bárbaro que vivia em uma espécie de mundo pré-histórico criado pelo escritor Lin Carter - que também viria a escrever algumas histórias de Conan ao longo de sua carreira. A razão pela qual Thongor era o preferido foi que Stan Lee gostou mais do nome, achando que ficaria bonito no título de uma revista; Thomas entrou em contato com o agente de Carter, que compreensivelmente pediu por mais que 150 dólares, ou pelo menos por uma porcentagem das vendas, algo com o que Thomas sabia que Goodman jamais concordaria. As negociações se estenderiam durante semanas, até que um dia o agente diria que ligaria de volta, e não ligaria nunca mais.

O segundo preferido de Stan Lee era outro herói criado por Howard, Kull, e mais uma vez por motivos estéticos, já que ele achava que, nos títulos das revistas, nomes com K se destacavam mais que nomes com C. Thomas acreditava que os direitos sobre Conan e Kull pertenciam a L. Sprague de Camp, que passou a escrever as histórias de Conan após a morte de Howard, e estava evitando ligar para seu agente achando que ocorreria o mesmo que ocorreu com o de Carter. Enquanto esperava a resposta do agente de Carter, entretanto, Thomas estava lendo Conan the Cimmerian quando viu que, ao final da introdução, havia o endereço do responsável pelas obras de Howard após seu falecimento, o advogado Glen Lord. Thomas decidiria enviar uma carta para Lord sobre o licenciamento não de Kull, mas de Conan - que, afinal, era o preferido do roteirista - perguntando o que ele acharia de licenciar o personagem para a Marvel por 200 dólares mensais. Pois é, não somente Thomas não negociaria o personagem que Stan Lee queria, como também ofereceria mais dinheiro do que Goodman havia autorizado. Para sua surpresa, Lord aceitaria a oferta sem negociar: uma semana depois de Thomas colocar a carta para Lord no correio, ele receberia uma carta do advogado pedindo que eles enviassem o contrato.

Thomas, então, se veria numa saia justa, não tanto por ter conseguido os direitos de Conan, já que o objetivo era licenciar um herói de espada e magia, e Conan era o primeiro e mais famoso deles, mas porque teria de convencer Goodman a aumentar o valor pago pelo licenciamento. Thomas, então, decidiria ele mesmo escrever uns dois ou três roteiros para histórias de Conan, porque, se Goodman chiasse, ele poderia convencê-lo dizendo que escreveria os roteiros de graça - a política da Marvel era entregar os títulos licenciados para roteiristas iniciantes, e o próximo da fila era Gerry Conway, mas isso significaria que Goodman teria que pagar Conway, o que o deixaria ainda mais irado. No fim, talvez porque Conan realmente era um personagem famoso, pelo qual eles não esperavam conseguir os direitos, Goodman não obrigaria Thomas a escrever de graça, aceitando pagá-lo por seus roteiros e pagar os 200 dólares de licenciamento - mas exigiria um desenhista barato, para compensar o gasto extra no licenciamento.

Quando Stan Lee anunciou que a Marvel havia conseguido os direitos de Conan, todos já sabiam quem seria o desenhista: John Buscema, que odiava desenhar super-heróis, mas adorava desenhar bárbaros, vikings, feiticeiros e mulheres em poses sensuais. Quando ainda estava negociando os direitos de um heróis de espada e magia, Thomas emprestaria um dos livros de Conan para Buscema, que o devolveria dizendo que esse era o tipo de coisa que ele mais gostava de desenhar. A decisão de Goodman por um desenhista barato, entretanto, jogou um balde de água fria na empolgação de Big John, como o desenhista era conhecido, já que ele era simplesmente o mais caro de todos os que trabalhavam para a Marvel na época - e a segunda opção de Stan Lee, Gil Kane, também seria considerado muito caro e vetado. Stan Lee, então, sugeriria alguns desenhistas para Thomas, como Don Heck e Dick Ayers, mas daria carta branca para o roteirista escolher quem ele quisesse, desde que ficasse dentro do orçamento.

Thomas acabaria optando por Barry Windsor-Smith, que na época assinava apenas Barry Smith, então um jovem desenhista inglês que havia feito alguns trabalhos como freelancer para a Marvel antes de ser deportado para a Inglaterra devido a problemas com seus documentos de imigração. Thomas gostava do estilo de Smith e achava que uma história de espada e magia em seu traço ficaria muito melhor que nos de Ayers ou Heck, mais acostumados com o estilo dos super-heróis; além disso, sendo iniciante e freelancer, Smith seria o mais barato que eles iriam conseguir, com a única desvantagem sendo que ele teria de fazer os desenhos lá na Inglaterra e então enviá-los pelos correios. Mesmo com esse empecilho, tanto Stan Lee quanto Martin Goodman aprovariam a escolha, e Smith seria contratado como o desenhista oficial da revista. No início das aventuras Marvel de Conan, o bárbaro tem por volta de 17 anos; Smith o faria mais magro e com uma expressão mais deslumbrada que o brutamontes normalmente desenhado por Frazetta, que calçava sandálias, usava um capacete com chifres e trazia no pescoço um colar típico de sua Ciméria natal, o que causaria estranhamento em quem já estava acostumado com o Conan dos livros, mas os planos de fundo detalhados e as expressões faciais realísticas do desenhista logo conquistariam o público, com muitas cartas considerando-o o desenhista ideal para Conan.

Com um roteirista (Thomas) e um desenhista (Smith) contratados, a revista precisava de um título. Na época, era comum que os livros que traziam republicações das histórias de Howard se chamassem "Conan, o alguma coisa", como Conan the Conqueror ("Conan, o Conquistador"), Conan the Adventurer ("Conan, o Aventureiro") ou Conan the Warrior ("Conan, o Guerreiro"), com o "apelido oficial" do personagem entre os fãs sendo "Conan, o Bárbaro", nome que só havia sido usado para um livro uma vez, publicado pela Gnome Press em 1954 e há mais de dez anos fora de catálogo. Thomas checaria, e descobriria que a Marvel não teria nenhum problema com direitos de qualquer natureza se decidisse lançar uma revista com esse nome; ele o sugeriria a Stan Lee, que o aceitaria, e a revista, oficialmente, ganharia o nome de Conan the Barbarian.

A primeira edição de Conan the Barbarian seria publicada em outubro de 1970. Assim como muitas revistas da Marvel na época, ela era bimestral; também como era comum na época, os números das vendas demoravam para serem recebidos pela editora, e, quando eles chegaram, já estava indo para a gráfica a edição 4. Os números seriam fenomenais, e Stan Lee determinaria que a revista passaria a ser mensal; as vendas das edições 2, 3 e 4, porém, não seriam tão bons, e ele decidiria cancelar a revista no número 7. Thomas o convenceria a não cancelar, e se mostraria certo: apesar de alguns percalços, como pular um mês entre a edição 14 e a 15 e precisar republicar histórias antigas em algumas edições para as quais a arte não ficaria pronta a tempo, Conan the Barbarian seria uma das revistas de maior vendagem da Marvel nos anos 1970, dando origem a uma ampla gama de produtos licenciados e apresentando Conan a toda uma nova geração de leitores.

O sucesso de Conan levaria a Marvel a licenciar mais personagens de Howard, como Kull e Solomon Kane, que também ganhariam suas próprias revistas. Até mesmo Carter decidiria procurar a Marvel e licenciar Thongor, que ganharia algumas histórias na revista Tower of Shadows; Elric de Melniboné, famoso personagem de fantasia do escritor Michael Moorcock, também seria licenciado, mas não ganharia histórias próprias, apenas fazendo uma participação especial em uma história publicada em duas partes nas edições 14 e 15 (em março e maio de 1972) de Conan the Barbarian. Red Sonja, personagem criada por Thomas inspirada em Sonya de Rogatino, personagem criada por Howard para uma história que não era de espada e magia, estrearia na edição 23, de fevereiro de 1973, de Conan the Barbarian, mas faria tanto sucesso que ganharia suas próprias histórias, primeiro na Marvel Feature, e a partir de 1975 em sua própria revista, sendo hoje uma das personagens mais famosas dos quadrinhos. Até mesmo a DC tentou pegar carona nesse sucesso, inventando o personagem Garra, praticamente uma cópia de Conan com uma mão amaldiçoada, que seria publicado na revista Claw the Unconquered entre 1975 e 1978.

Conforme previsto no contrato assinado com Lord, inicialmente Thomas só poderia escrever histórias originais, mas o sucesso da revista logo garantiria que ele conseguisse um novo contrato para adaptar as histórias de Conan escritas por Howard; versões subsequentes do contrato expandiriam essas adaptações para histórias de Howard que não fossem de Conan (substituindo o protagonista por Conan e fazendo as alterações necessárias) e, mais tarde, para histórias de Conan escritas por de Camp e Carter. As cartas recebidas pela Marvel mostrariam que o público ficaria dividido em relação às adaptações, com parte preferindo as histórias originais, mas a maioria dos que conheciam as histórias de Howard preferindo que elas fossem adaptadas.

Smith seria o desenhista da série até a edição 24, exceto nas edições 17 e 18, ilustradas por Gil Kane. Na verdade, Smith havia decidido sair após a 15, mas Thomas daria um jeito para que a 16 também tivesse sua arte; a reação dos leitores à mudança para Kane seria mista, mas tendendo para o negativo, e o próprio desenhista decidiria fazer não mais que duas edições, o que acabaria convencendo Smith a voltar - mas ele ficaria irredutível quanto a sair após a 24, de março de 1973. Na época, John Buscema estava disponível, e seu salário já não era mais um entrave, já que a revista estava fazendo um enorme sucesso, o que fez com que Thomas não pensasse duas vezes antes de chamá-lo. Big John desenharia nada menos que 148 edições, a maior parte delas com arte final de Ernie Chan; a arte dos dois se pareceria mais com o Conan das pinturas de Frazetta, um bárbaro extremamente musculoso, de longos cabelos pretos, vestindo apenas uma tanga e botas. Eventualmente, devido a estar trabalhando em outras revistas, Big John não poderia se comprometer com alguma das edições de Conan the Barbarian; artistas que foram convidados quando isso aconteceu incluíam seu irmão Sal Buscema, Neal Adams, Rich Buckler, Mike Ploog, Jim Starlin, Gary Kwapisz, Bob Camp, Dave Simons e Howard Chaykin, que desenhou da edição 77 à 83.

Já Thomas seria o único roteirista até a edição 115, lançada em outubro de 1980, comemorativa de dez anos da revista. Tendo começado quase que por acidente, para que a Marvel pudesse economizar dinheiro, Thomas logo se veria completamente apaixonado por Conan, e traçaria um plano ambicioso, adaptando as histórias de Howard, de Camp e Carter em ordem cronológica, enquanto Conan envelhecia progressivamente - pelas contas de Thomas, um ano para cada dois ou três anos da revista, o que significava que ele tinha pouco mais de 20 anos quando a revista completou 10. No início de 1980, entretanto, Thomas estava insatisfeito com algumas políticas da Marvel e receberia uma proposta irrecusável da DC, o que faria com que ele tivesse de deixar o projeto nas mãos de outro. Ele ainda adiaria sua saída precisamente até a edição de aniversário, amarrando quantas pontas soltas conseguisse.

Thomas seria substituído por J.M. DeMatteis, na época um jovem escritor cujos principais trabalhos haviam sido histórias de terror para a DC, que ficou extremamente surpreso com o convite. DeMatteis preferiria investir em roteiros originais, não adaptando nenhuma história já existente de Conan, o que dividiu opiniões - muitas cartas elogiavam o "sangue novo" e as histórias originais, mas igual parte criticava a nova direção que a revista estava tomando. Dentre os insatisfeitos estava Buscema, que não achava o Conan de DeMatteis tão interessante quanto o de Thomas, e pediria para deixar a revista na edição 126, de setembro de 1981, sendo substituído por Kane na 127. O próprio DeMatteis só ficaria na revista até a 130, de janeiro de 1982; também escrevendo os roteiros de Marvel Team Up, The Defenders e Captain America, ele se sentiria com excesso de trabalho e pediria para sair.

Com a saída de DeMatteis, assumiria como roteirista Bruce Jones, então roteirista de Ka-Zar the Savage; chamado por muitos de "o Tarzan da Marvel", Ka-Zar era um personagem da Era de Ouro que foi reformulado na década de 1960 para ser um personagem coadjuvante dos X-Men, em suas histórias ambientadas na Terra Selvagem, e que também havia ganhado revista própria de carona no sucesso de Conan. Assim como DeMatteis, Jones teria carreira curta na Conan the Barbarian, ficando apenas até a edição 149, de agosto de 1983, quando decidiria sair para se dedicar à sua própria empresa, a Bruce Jones Associates, ligada à editora Pacific Comics. Enquanto Jones foi roteirista, três edições teriam autores convidados: Steven Grant escreveria a 135, Alan Zelenetz a 145, e Mary Jo Duffy a 146. Na arte, Kane deixaria a revista na edição 134, com Marc Silvestri fazendo a 135, Alfredo Alcalá a 137, Val Mayerik a 138 e a 139, e Big John Buscema, após fazer a 136, retornando na 140 para ficar até a 190, de janeiro de 1987.

No lugar de Jones, entraria Michael Fleischer, que tinha feito grande sucesso na DC escrevendo histórias do Espectro e de Jonah Hex, além de criar a origem do vilão Pinguim. Fleischer escreveria da edição 150 à 171, de junho de 1985, exceto pela 164 (escrita por "Larry Yakata", provavelmente um pseudônimo de Christopher Priest), e sairia para escrever para a revista em quadrinhos britânica 2000 A.D.; ele retornaria em 1989 para escrever duas edições, a 223 e a 225. Priest, que na época assinava Jim Owlsley, assumiria na edição 172 e ficaria até a 213, de dezembro de 1988, nesse período apenas não escrevendo a 186, por Don Kraar. Com a saída de Buscema na 190, Geof Isherwood assumiria na 191, ficando até a 216, com Val Semekis sendo responsável pela arte até a 220, e vários desenhistas, que incluíram Kwapisz, Alcalá, Geoff Senior, Jose Delbo, Dwayne Turner, Frank Springer, Ron Lim, Rodney Ramos, Gary Hartle, Ricardo Villagrán, Sandy Plunkett, Dave Hoover, E.R. Cruz e John Watkiss se revezando até Mike Docherty assumir na 248 e ficar na série até o final.

As histórias de Fleischer foram extremamente elogiadas, enquanto as de Owlsley dividiram os leitores, mas a verdade é que, na década de 1980, histórias em quadrinhos de espada e magia já não tinham o mesmo apelo que na década anterior, então as vendas de Conan the Barbarian caíam ano após ano. Owlsley seria substituído por Chales Santino, que ficaria apenas por sete edições. Larry Hama, Don Perlin e Fleischer fariam as cinco seguintes, até Gerry Conway assumir na 226, de dezembro de 1989, ficando por mais seis. Michael Higgins assumiria na 232 com uma estratégia arriscada, fazendo uma espécie de reboot, que começaria com o nascimento de Conan e seguiria contando aventuras que ele teria vivido em sua adolescência, mas, sem conseguir levantar as vendas, só ficaria até a 239, de dezembro de 1990. Então, surpreendentemente, Thomas retornaria, na 240, com uma estratégia ousada: tudo o que vimos entre a 116 e a 239 foram "suposições", histórias ambientadas em universos paralelos ou exercícios de imaginação sobre como poderia ter sido a vida de Conan, com a carreira do cimério sendo retomada de onde havia parado quando Thomas saiu. Isso garantiu uma sobrevida à revista, com as vendas aumentando ligeiramente, mas, mesmo assim, a Marvel decidiria cancelar a revista em dezembro de 1993, no número 275.

Além das 275 edições mensais, Conan the Barbarian teve 12 edições anuais, a primeira, de 1973, trazendo republicações das melhores histórias, e as demais, lançadas uma por ano entre 1976 e 1987 (exceto em 1980), trazendo histórias inéditas. Em 1974 e 1975 também seriam lançadas cinco edições de Giant-Size Conan the Barbarian, que se propunham a adaptar a história de A Hora do Dragão, único livro de Conan escrito por Howard (as demais histórias eram curtas e publicadas em revistas, como era comum na época), mas que acabou ficando sem final, já que a revista, de 68 páginas por edição, era considerada muito cara e foi cancelada antes de a história acabar. Conan também seria o astro de sete edições da revista Marvel Graphic Novel (19, 28, 42, 53, 59, 69 e 73), de quatro da Marvel Comics Super Special (2, 9, 21 e 35, as duas últimas adaptando para os quadrinhos os filmes Conan, o Bárbaro e Conan, o Destruidor) e de quatro edições da What If...? (a 13, de fevereiro de 1979, "o que aconteceria se Conan, o Bárbaro, andasse sobre a Terra hoje?", a 39, de junho de 1983, "o que aconteceria se Thor lutasse contra Conan, o Bárbaro?", a 43, de fevereiro de 1984, "o que aconteceria se Conan, o Bárbaro, ficasse preso no século XX?", que era uma nova versão para a história da 13, e a 16 da segunda série, de agosto de 1990, "o que aconteceria se Conan, o Bárbaro, enfrentasse Wolverine?"), além de estrelar a edição 31 da Power Records, uma série na qual cada revista vinha com um disquinho de vinil com as histórias sendo narradas e encenadas. "Moanin the Bavarian" (algo como "Gemedor, o Bávaro"), uma paródia de Conan, seria o astro da What the--? número 12, de maio de 1991.

Uma das reclamações que a Marvel mais recebia por carta era que as histórias de Conan the Barbarian não eram tão violentas, sangrentas ou cheias de mulheres seminuas quanto as escritas por Howard; a razão para isso era que, na época, existia o Comics Code Authority, órgão que impunha censura aos quadrinhos, avaliando previamente as histórias e determinando mudanças - se a editora não fizesse as mudanças pedidas pela CCA, a revista ainda podia ser publicada, mas sem o selo da organização na capa, o que era tipo uma sentença de morte, já que o selo era a primeira coisa que os pais olhavam quando uma criança estava lendo uma revista. Para tentar agradar aos leitores que queriam um Conan mais fiel sem desrespeitar a CCA, Stan Lee decidiria lançar uma nova revista, chamada Savage Tales; para que ela não precisasse se submeter ao CCA, deveria ser "voltada para adultos", o que significava que ela tinha de ser em formato magazine (do tamanho de uma revista "normal", não de uma revista em quadrinhos), ter a maioria das ilustrações em preto e branco, e trazer, além de quadrinhos, artigos e crônicas. A Savage Tales seria a segunda tentativa da Marvel no mundo dos "quadrinhos adultos", com a primeira, The Sensational Spider-Man, tendo sido cancelada após apenas duas edições lançadas em 1968.

A ideia original de Stan Lee era que a Savage Tales não fosse uma revista de espada e magia, trazendo também histórias de terror, ficção científica e blaxploitation; além de uma história de Conan com roteiro de Thomas e arte de Smith, a primeira edição, lançada em maio de 1971, trouxe uma história de Ka-Zar, a estreia do Homem-Coisa, e histórias estreladas pelas Femizons e pelo herói afro-americano Joshua, que jamais voltariam a dar as caras. Desde o início, Goodman seria contra o projeto, com Stan Lee decidindo bancá-lo, recebendo autorização com a condição de que o segundo número só seria produzido após chegarem as vendas do primeiro. As vendas foram até razoáveis, mas não o sucesso que Stan Lee esperava, o que deu a Goodman a desculpa para cancelar a revista após apenas uma edição.

Em 1973, porém, Goodman havia deixado o cargo de editor-chefe da Marvel, sendo substituído justamente por Stan Lee, que decidiria dar mais uma chance à revista, produzindo sua segunda edição. Com o título de Savage Tales featuring Conan the Barbarian, o número 2 seria lançado em outubro de 1973, e traria apenas histórias de espada e magia, estreladas por Conan, Kull e o bárbaro Brak, herói de romances escritos por John Jakes. Mais uma vez, Stan Lee esperaria os números das vendas chegarem antes de decidir pela continuidade da revista; dessa vez, entretanto, eles seriam excelentes, e a Savage Tales número 3 seria lançada em fevereiro de 1974, com a revista se tornando regular e bimestral em maio. Conan, porém, só estaria presente até a edição 5; a partir da 6, a revista seria renomeada para Savage Tales featuring Ka-Zar, Lord of the Hidden Jungle, e voltaria a ter histórias de terror e ficção científica. As vendas cairiam, e ela seria cancelada no número 11, de julho de 1975.

Stan Lee não tiraria Conan da Savage Tales por ter ficado maluco, mas porque queria aproveitar a popularidade do bárbaro para lançar uma segunda revista adulta. Com o nome de The Savage Sword of Conan the Barbarian (A Espada Selvagem de Conan, o Bárbaro, no Brasil), ela assumiria o posto de revista dedicada a espada e magia, para que a Savage Tales pudesse retornar às suas origens. Além de histórias de Conan, artigos e crônicas sobre Howard e a Era Hiboriana, a Savage Sword of Conan também traria histórias estreladas por Kull e Red Sonja. A primeira edição seria lançada em agosto de 1974 (um mês depois da Savage Tales número 5), e a princípio a revista seria bimestral, se tornando mensal na edição 19, em junho de 1977. A revista faria um enorme sucesso, e motivaria a Marvel a lançar mais revistas adultas, como The Deadly Hands of Kung Fu, Crazy, Epic Comics e The Rampaging Hulk.

Ao todo, The Savage Sword of Conan teria 235 edições, a última publicada em julho de 1995, mais uma anual, lançada em 1975, que trazia republicações das melhores histórias. Thomas seria o roteirista principal até a edição 60, última produzida antes de ele trocar a Marvel pela DC; outros roteiristas incluiriam Jones, Fleischer, Zelenetz, Owlsley, Chris Claremont, Don Kraar e Chuck Dixon. Os desenhistas incluíam Smith, os dois Buscema, Kane, Adams, Starlin, Mayerik, Kwapisz, Ernie Chan, Alcalá, Docherty, Mary Wilshire, Al Milgrom, Dick Giordano, Pablo Marcos, Armando Gil, Frank Brunner, Mark Vosburg, Rudy Nebres e Esteban Maroto. Vale dizer que, diferentemente do que ocorria na Conan the Barbarian, em The Savage Sword of Conan as histórias não seguiam uma ordem cronológica; assim como as histórias escritas por Howard, elas iam e voltavam na vida do cimério, cada uma focando em um diferente ponto de sua carreira como ladrão, pirata, soldado, líder de um grupo de nômades do deserto foras da lei e Rei da Aquilônia. A maioria das histórias era inédita, mas algumas eram adaptações das obras de Howard que ainda estavam muito a frente na cronologia para aparecer na Conan the Barbarian tão cedo. Após o cancelamento de Conan the Barbarian, Thomas voltaria a ser o roteirista principal da Savage Sword of Conan, na qual concluiria a história que ficaria em aberto com o cancelamento da outra revista.

Falando nisso, quando a Conan the Barbarian Annual passou a publicar histórias inéditas, Thomas optaria por explorar a parte da vida de Conan após ele se tornar Rei da Aquilônia. Essas histórias fariam sucesso, e a Marvel decidiria lançar uma terceira revista, chamada King Conan, em março de 1980. Thomas seria o roteirista até a edição 8, de dezembro de 1981; ele sairia da Marvel um ano antes, mas deixaria as edições prontas porque, inicialmente, a revista seria bimestral, mas depois foi mudada para trimestral. Doug Moench assumiria após a saída de Thomas, com Marc Silvestri assumindo na edição 16, Zelenetz na 21, Kraar na 29, e Madeleine Blaustein na 46. John Buscema seria o desenhista até a 15, com Silvestri assumindo na 16, Docherty na 31, e Fraja Bator na 46; algumas edições teriam arte de Michael Wim Kaluta, Isherwood, Simons, Wilshire, Armando Gil, Judith Hunt e Ron Wagner. A revista passaria a ser bimestral na edição 9, e na edição 20 mudaria de nome para Conan the King, mantendo a numeração. Ela seria cancelada na edição 55, de novembro de 1989,  que faria com que a última das três revistas regulares de Conan a ser lançada se tornasse a primeira a ser cancelada.

Em maio de 1987, a Marvel lançaria Conan Saga, revista mensal que não trazia histórias inéditas, mas republicações de histórias da Conan the Barbarian, The Savage Sword of Conan e King Conan - vale lembrar que, na época, não havia o hábito de as editoras lançarem encadernados como hoje, e era difícil e caro comprar edições esgotadas, então essas revistas de republicações eram a única forma de os novos leitores lerem as histórias mais antigas. Conan Saga teria 97 edições, a última lançada em abril de 1995 - poderiam ter tido um pouco mais de boa vontade e tentado chegar na edição 100. Em junho de 1994, a Marvel voltaria a republicar as primeiras histórias de Conan the Barbarian em Conan Classic, que teria 11 edições, também sendo cancelada em abril de 1995. Histórias da Conan the Barbarian também seriam republicadas nas edições 4, 15, 19 e 23 da Marvel Treasury Edition, revista mensal dedicada apenas a republicações.

Após o cancelamento de Conan the Barbarian, a Marvel lançaria Conan the Adventurer, série mensal com roteiro de Thomas e arte de Rafael Kayanan que explorava os primeiríssimos dias da carreira de Conan, logo após ele deixar a Ciméria. A série não faria muito sucesso e teria apenas 14 edições, publicadas entre junho de 1994 e julho de 1995. No mês seguinte, a Marvel lançaria duas novas séries; uma, chamada simplesmente Conan, trazia histórias em ordem cronológica começando de onde a Conan the Barbarian havia parado, enquanto a outra, chamada Conan the Savage, trazia histórias abordando várias fases da vida do bárbaro fora de ordem, ao estilo da Savage Sword of Conan. Assim como suas antecessoras, Conan era em cores, e Conan the Savage era em preto e branco. As vendas também não seriam boas, e ambas seriam canceladas no ano seguinte; Conan após 11 edições, em julho de 1996, e Conan the Savage após 10, em maio.

Depois disso, ao invés de uma série mensal, a Marvel optaria por lançar oito minisséries, cada uma com 3 edições e cada seguinte continuando a história da anterior: Conan the Barbarian: Stalker in the Woods (de julho a outubro de 1997), Conan the Barbarian: The Usurper (de dezembro de 1997 a fevereiro de 1998), Conan the Barbarian: Lord of the Spiders (de março a maio de 1998), Conan the Barbarian: River of Blood (de junho a agosto de 1998), Conan the Barbarian: Return of Styrm (de setembro a novembro de 1998), Conan the Barbarian: Scarlet Sword (de dezembro de 1998 a fevereiro de 1999), Conan the Barbarian: Death Covered in Gold (de setembro a novembro de 1999) e Conan the Barbarian: Flame and the Fiend (de agosto a outubro de 2000). A Marvel ainda seguiria pagando o licenciamento do personagem até 2002, quando a editora Dark Horse faria uma proposta mais vantajosa à Conan Properties, e, como a Marvel não publicava nada do herói há dois anos, eles decidiriam aceitar.

O primeiro lançamento da Dark Horse seria Conan: The Legend, número 0, com roteiro de Kurt Busiek e arte de Cary Nord, lançada em novembro de 2003. A história era na verdade uma conversa entre dois personagens, o Príncipe e o Vizir, que viveram séculos após Conan, relatando as aventuras do bárbaro como se fossem fábulas; esse artifício narrativo seria mantido na série regular, chamada simplesmente Conan, também inicialmente a cargo de Busiek e Nord, lançada em fevereiro de 2004. As histórias da Dark Horse eram em sua maioria inéditas, com apenas algumas sendo adaptações das histórias de Howard, e nenhuma tendo a ver com as histórias da Marvel ou de outros autores da literatura como de Camp e Carter; as histórias também tinham um tom mais adulto, e as capas eram bem mais ousadas, mais até do que as de The Savage Sword of Conan, com algumas trazendo cenas de violência explícita e mulheres com seios à mostra - a edição 24, inclusive, com arte de Tony Harris, trazia uma mulher totalmente nua, o que desagradou os donos de lojas de quadrinhos; uma segunda tiragem traria um retoque, mas a primeira, de 4 mil cópias, teve de ser vendida dentro de um plástico preto.

Busiek ficaria na revista até a edição 28, de maio de 2006, que trazia o retrato de Howard na capa e a legenda "Centenário 1906-2006". As três edições seguintes teriam roteiros de Mike Mignola, criador do Hellboy, com Busiek retornando na 32 antes de ser substituído por Tim Truman a partir da 33, de novembro de 2006; Truman ficaria até o final, exceto pelas edições 39, 45 e 46, de Busiek. Nord só não desenharia 15 edições, com os artistas eventuais sendo o próprio Truman (que desenharia as edições 26 e 27), Greg Ruth (que faria a maioria das que não foram de Nord), Eric Powell, Paul Lee e Tomás Giorello (responsável pelas quatro últimas). A revista seria cancelada na edição 50, de maio de 2008, que teria 64 páginas e traria uma adaptação da história The Hand of Nergal.

Um mês após o cancelamento, a Dark Horse lançaria uma segunda série regular, chamada Conan the Cimmerian, começando do número 0, que trazia aventuras de um Conan mais jovem, recém-saído da Ciméria, o que dava mais liberdade para a equipe criativa. A série teria 26 edições, a última (a número 25, já que a primeira foi a 0) de novembro de 2010, todas com roteiro de Truman e arte de Giorello, exceto as edições 14, com arte de Truman, e 15, de Paul Lee. Conan the Cimmerian seria substituída por Conan: Road of Kings, que teve 12 edições mensais lançadas entre dezembro de 2010 e janeiro de 2012, com roteiro de ninguém menos que Roy Thomas e arte de Mike Hawthorn (exceto nas edições 9 e 10, de Dan Panosian). Essa série começava com Conan em seus tempos de pirata e o acompanhava até se tornar rei, seguindo um único arco de história, como se fosse uma minissérie.

Em fevereiro de 2011, a Dark Horse também começaria a publicar uma série chamada King Conan, que adaptava histórias de Howard da época em que Conan foi Rei da Aquilônia. Todas as edições tiveram roteiros de Truman e arte de Giorello, mas, ao invés de uma série regular, tratava-se de uma "série de cinco minisséries", com numeração contínua - por exemplo, a última de The Scarlet Citadel foi a edição 4, e a primeira de The Phoenix on the Sword foi a 5, mesmo tendo se passado quase um ano entre uma e outra. As histórias adaptadas e seus meses de lançamento foram: The Scarlet Citadel (4 edições, fevereiro a maio de 2011), The Phoenix on the Sword (4 edições, janeiro a abril de 2012), Hour of the Dragon (6 edições, maio a outubro de 2013), Conan the Conqueror (6 edições, fevereiro a julho de 2014) e Wolves Beyond the Border (4 edições, dezembro de 2015 a março de 2016, a última trazia o número 24).

Depois de Conan: Road of Kings, a Dark Horse lançaria uma revista chamada Conan the Barbarian que seguia o mesmo estilo, começando com uma adaptação de Queen of the Black Coast e seguindo em ordem cronológica, em 25 edições lançadas entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2014; todos os roteiros seriam de Brian Wood, e a arte contaria com nomes como Becky Cloonan e Paul Azaceta. A série seguinte seria Conan the Avenger, com roteiros de Fred Van Lente e arte, dentre outros, de Eduardo Francisco e Brian Ching, com mais 25 edições lançadas entre abril de 2014 e abril de 2016, que mostravam a vida de Conan após se separar da pirata Bêlit. A última série regular da Dark Horse seria Conan the Slayer, com 12 edições lançadas entre julho de 2016 e agosto de 2017, com roteiros de Cullen Bunn e arte de Sergi Davila e Dheeraj Verma.

Além das séries regulares, a Dark Horse lançaria um monte de one shots e minisséries estreladas por Conan: Conan and the Daughters of Midora (outubro de 2004), Conan and the Jewels of Gwahlur (3 edições, abril a junho de 2005), Conan and the Demons of Khitai (4 edições, outubro de 2005 a janeiro de 2006), Conan: Book of Thoth (4 edições, março a junho de 2006), Star Wars / Conan (maio de 2006), Conan and the Songs of the Dead (5 edições, julho a novembro de 2006), Conan and the Midnight God (5 edições, janeiro a julho de 2007), Conan: Trophy (julho de 2008), Conan and the Mad King of Gaul (2 edições, novembro e dezembro de 2009), Conan: The Weight of the Crown (janeiro de 2010), Conan: Kiss of the Undead (novembro de 2010), Conan: Island of No Return (2 edições, junho e julho de 2011), Conan the Barbarian: The Mask of Acheron (julho de 2011), Conan: The Phantoms of the Black Coast (5 edições, outubro de 2012 a fevereiro de 2013), Conan and the People of the Black Circle (4 edições, outubro de 2013 a janeiro de 2014), Conan / Red Sonja (4 edições, janeiro a abril de 2015), Groo vs. Conan (abril de 2015), Red Sonja / Conan (4 edições, agosto a novembro de 2015), e Wonder Woman / Conan (6 edições, setembro de 2017 a fevereiro de 2018). Conan também seria a estrela da revista Dark Horse Presents (terceira série), número 21, de abril de 2016.

Em 2018, os direitos de Conan retornariam para a Marvel, que relançaria as revistas Conan the Barbarian e Savage Sword of Conan (com esse nome mais curto); dessa vez, ambas seriam em cores e trariam histórias do mesmo tipo, seguindo uma ordem cronológica de uma edição para a seguinte - na prática, não havia diferença nenhuma entre Conan e, por exemplo, o Homem-Aranha ou os X-Men, que também tinham mais de uma revista mensal contando histórias diferentes. Ambas teriam vida bem mais curta que suas antecessoras: Conan the Barbarian teria 25 edições, lançadas entre março de 2019 e novembro de 2021, enquanto Savage Sword of Conan teria apenas 12, lançadas entre abril de 2019 e fevereiro de 2020. Conan the Barbarian teria roteiros de Jason Aaron (até a edição 12) e Jim Zubkavich (da 13 à 25), e arte de Mahmud Asrar, Gerardo Zaffino, Roge Antonio, Robert Gill, Luca Pizzari e Cory Smith; Savage Sword of Conan teria roteiros de Gerry Duggan, Meredith Finch, Zubkavich, Roy Thomas e Frank Tieri, e arte de Ron Garney, Luke Ross, Patrick Zircher, Alan Davis e Andrea di Vito.

A Marvel também lançaria dois novos one shots, Conan the Barbarian: Exodus (outubro de 2019) e Conan: The Barbarian 2099 (janeiro de 2020), e duas novas minisséries, Conan: Serpent War (4 edições quinzenais em fevereiro e março de 2020) e Conan: Battle for the Serpent Crown (5 edições, duas em abril e maio, depois três de setembro a novembro de 2020); essa última colocando Conan contra vários heróis e vilões da Marvel. Sim, porque, graças a uma magia, Conan foi trazido para o tempo presente, inclusive participando de uma equipe dos Vingadores chamada Savage Avengers, cuja revista teve 28 edições lançadas entre julho de 2019 e março de 2022 (mais uma número zero, de abril de 2020).

Em fevereiro de 2021, a Marvel lançaria King-Size Conan, uma edição comemorativa de 64 páginas que trazia cinco histórias inéditas (escritas por Thomas, Kevin Eastman, Claremont, Busiek e Steven S. DeKnight, arte de Steve McNiven, Eastman, Roberto de la Torre, Pete Woods e Jesus Saiz), por ocasião do aniversário de 50 anos do lançamento da Conan the Barbarian original. O último lançamento da Marvel seria uma nova revista King Conan, com roteiros de Aaron e arte de Asrar, que teria vida curta, com apenas 6 edições lançadas entre fevereiro e julho de 2022. Desde agosto de 2022, os direitos de Conan pertencem à Titan Comics, que lançou uma nova revista chamada Conan the Barbarian em agosto de 2023, com roteiros de Zubkavich e arte de de la Torre.

Antes de terminar, também vale dizer que, além de todas essas revistas em quadrinhos, Conan também já foi estrela de uma tira de jornal, distribuída pela King Features Syndicate e publicada diariamente nos principais jornais dos Estados Unidos (em preto e branco de segunda a sábado, a cores e com mais quadrinhos aos domingos), entre 1978 e 1981, totalizando 974 tiras. As tiras apresentariam um total de 15 histórias, com uma nova começando no dia seguinte à conclusão da anterior. A primeira história, publicada entre 4 de setembro e 22 de outubro de 1978, teve roteiros de Roy Thomas e arte de John Buscema, mas Big John achou que não conseguiria conciliar os prazos de produção da tira com os dos quadrinhos com os quais já havia se comprometido, e passaria o trabalho para Ernie Chan, que faria dez histórias seguidas, sendo substituído, no início da décima-segunda, em 23 de junho de 1980, por Alfredo Alcalá, que faria as duas seguintes.

A décima-quarta história possui duas curiosidades: primeiro, foi a única das tiras a ser adaptação de uma das histórias de Howard, The Tower of the Elephant, que já havia sido adaptada na Conan the Barbarian, com roteiro de Thomas e arte de Barry Smith, e na Savage Sword, com roteiro de Thomas e arte de John Buscema. Segundo, ela seria feita por nada menos que seis pares de mãos: a história teria dez tiras dominicais, sendo que as quatro primeiras seriam desenhadas por Alcalá, as quatro últimas por Alan Kupperberg, e as duas do meio por Rudy Nebres, que seria originalmente o desenhista das tiras diárias, sendo substituído após doze delas por Pablo Marcos - que, por sua vez, seria substituído por Kupperberg nas doze últimas. Essa seria a última história escrita por Thomas para as tiras, que entregaria o roteiro antes de sair da Marvel; as mudanças de desenhistas, entretanto, prejudicariam o ritmo da história, e seu substituto, Doug Moench, teria que escrever doze tiras diárias adicionais para resolver o problema.

Moench assumiria definitivamente como roteirista em 5 de janeiro de 1981, para a décima-quinta e última história, na qual a arte seria revezada entre Kupperberg, Pablo Marcos e Tom Yeates. Moench decidiria sair após apenas uma história por não conseguir se adaptar aos estranhos prazos exigidos pela King: as tiras que seriam publicadas de segunda a sábado deveriam ser entregues, todas as seis, na segunda feira da semana anterior à da sua publicação, enquanto as tiras dominicais deveriam ser entregues, todas as do mês, na segunda-feira anterior à publicação da primeira - por causa disso, várias tiras, como a do Fantasma, apresentavam uma história nas tiras de segunda a sábado e outra diferente aos domingos, mas não a de Conan, o que fazia com que o planejamento tivesse de ser bem amarrado, já que as tiras dominicais eram entregues antes das outras. Após a saída de Moench, a Marvel não conseguiria encontrar outro roteirista, e decidiria cancelar a série. A última tira seria publicada em 12 de abril de 1981.
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domingo, 12 de novembro de 2023

Escrito por em 12.11.23 com 0 comentários

Conan (II)

Desde que eu fiz o post para falar sobre os filmes do Homem-Aranha dirigidos por Sam Raimi eu penso em fazer um para falar dos filmes de Conan estrelados por Arnold Schwarzenegger - que eu até abordei no meu post sobre Conan, lá de 2008, mas sem muitos detalhes. Hoje será o dia em que eu vou transformar esse pensamento em realidade. Hoje, mais uma vez, é dia de Conan no átomo!

Na década de 1970, Conan era um herói de nicho. Suas aventuras escritas por Robert E. Howard eram publicadas em livros de formato brochura e papel barato, que não tinham destaque nas livrarias, e sua principal editora, a Lancer Books, pediria falência em 1973. A popularidade do personagem vinha principalmente dos quadrinhos da Marvel, que publicava duas revistas, Conan the Barbarian e The Savage Sword of Conan the Barbarian (a famosa A Espada Selvagem de Conan, no Brasil). O primeiro a pensar em fazer um filme do personagem seria o roteirista Edward Summer, que, em 1975, mostraria os quadrinhos da Marvel e algumas ilustrações de Frank Frazetta, responsável pelas mais famosas capas dos livros, para o produtor Edward Pressman, que decidiria aceitar o projeto. Pressman não conseguiria, entretanto, os direitos parta adaptar o personagem para o cinema, que pertenciam à falida Lancer Books, que os adquiriu do espólio de Howard em 1966.

Paralelamente à conversa entre Summer e Pressman, Glenn Lord, advogado do espólio de Howard e responsável pela preservação de todo o material do escritor - e que havia sido o responsável por negociar para que a Marvel tivesse os direitos de adaptar as histórias escritas por Howard para os quadrinhos - e L. Sprague de Camp, que passou a escrever as histórias de Conan após a morte de Howard, fundariam a Conan Properties Incorporated, que passaria a ser a detentora dos direitos autorais sobre todas as histórias do personagem e responsável por licenciar seus direitos para qualquer adaptação, mas, para que a empresa efetivamente se tornasse a dona desses direitos, precisavam de 100 mil dólares para solucionar a questão com a Lancer Books. Em 1977, graças ao sucesso de Star Wars, os estúdios de Hollywood passariam a procurar "aventuras heroicas ambientadas em terras de fantasia sobrenaturais", e, sentindo que conseguiria luz verde para um filme de Conan facilmente, Pressman concordaria em pagar os 100 mil se a Conan Properties lhe garantisse os direitos - pelos quais ele ainda pagaria 7.500 dólares.

Em 1978, o diretor John Milius, conhecido por fazer "filmes de macho", como Perseguidor Implacável e Magnum 44, ambos com Clint Eastwood, que já vinha pensando em fazer um filme ao estilo de Vikings, os Conquistadores, de 1958 com Kirk Douglas, ficaria sabendo do projeto para o filme de Conan e começaria a conversar com Pressman; diferenças criativas, entretanto, fariam com que ele não fosse contratado. O favorito de Pressman era Ridley Scott, que decidiria recusar o convite por ter acabado de filmar Alien: O Oitavo Passageiro, preferindo tirar férias. Pressman também tentaria contratar Frank Frazetta como "consultor visual", mas o artista não aceitaria; o produtor então contrataria Ron Cobb, que havia acabado de trabalhar em Alien, que faria alguns esboços de desenhos e pinturas antes de deixar a produção para trabalhar com Milius, que conseguiria convencer o produtor Dino de Laurentiis a financiar um filme de fantasia dirigido por ele, mas ainda sem nome ou roteiro.

Summer começaria a escrever o roteiro já em 1976, e chamaria para ajudá-lo Roy Thomas, roteirista de quadrinhos responsável pela revista Conan the Barbarian da Marvel. Summer e Thomas escreveriam um roteiro baseado na história Rogues in the House, de Howard, no qual Conan era contratado por um sacerdote suspeito para matar um feiticeiro supostamente maligno. Após assegurar os direitos, porém, Pressman conseguiria um contrato para a produção do filme com a Paramount Pictures, que exigiria um "roteirista de renome", contratando Oliver Stone. Stone descartaria o roteiro de Summer e Thomas e começaria um novo do zero, inspirado nas histórias Black Colossus e A Witch Shall Be Born, mas ambientado num futuro pós-apocalíptico, no qual Conan é contratado por uma Princesa para defender seu reino da invasão de dez mil mutantes. Na época, Stone estava lutando contra o vício em cocaína e antidepressivos, e Milius chamaria o roteiro de "um delírio febril inspirado pelas drogas, mas muito bom".

Além de bizarro e pouco parecido com uma história de Conan dos livros, o roteiro de Stone resultaria em um filme de quase quatro horas de duração que custaria 40 milhões de dólares, cifra absurda para a época - Star Wars custou 11 milhões - o que fez a Paramount desistir. Para manter o filme em pré-produção, Pressman pagaria a equipe do próprio bolso, recorrendo inclusive a um empréstimo bancário. Cobb, então, contaria a Milius que Conan estava sem diretor e sem estúdio, e o diretor procuraria Pressman para uma nova conversa; seu plano era convencer Pressman e de Laurentiis a serem co-produtores do filme de Conan, com ele como diretor - com a condição de que ele pudesse fazer modificações no roteiro para deixar o filme mais curto e mais barato. As negociações se arrastariam durante um ano, ao fim do qual ficaria acertado que de Laurentiis pagaria o empréstimo de Pressman e financiaria integralmente o filme, mas seria seu único produtor, enquanto Pressman abriria mão de qualquer receita gerada pelo filme, mas teria direito de veto quanto a mudanças no roteiro e precisaria aprovar qualquer escolha para o elenco. Milius seria confirmado como diretor, e Cobb como designer de produção, em 1979, mesmo ano no qual de Laurentiis conseguiria um contrato de distribuição com a Universal, que separaria um orçamento de 30 milhões de dólares, sendo 18 para a produção e 12 para a divulgação do filme.

Quando Summer e Pressman ainda estava negociando os direitos, eles começariam a pensar no elenco. Para o papel de Conan, os preferidos eram astros do cinema de ação da época, como Charles Bronson e William Smith, com o então estreante Sylvester Stallone e o ex-jogador de rugby Jethro correndo por fora. Mas, em 1976, os dois estariam em uma sessão fechada de O Homem dos Músculos de Aço, documentário sobre o mundo do fisiculturismo, e se impressionariam com os músculos e o carisma de Arnold Schwarzenegger. Pressman abordaria o então aspirante a ator após a sessão, e Schwarzenegger, que nunca tinha ouvido falar de Conan, se diria convencido por "sua abordagem discreta e sua força interior". Schwarzenegger seria contratado na mesma semana, receberia 250 mil dólares de adiantamento, e assinaria um contrato que o proibia de participar de outros filmes de fantasia enquanto Conan não estreasse nos cinemas; em entrevistas, ele diria estar confiante de que o filme seria seu passaporte de entrada para as grandes produções de Hollywood.

Quando de Laurentiis assumiu o projeto, entretanto, Schwarzenegger quase foi demitido. Segundo o ator, ele foi chamado para uma conversa com o produtor, e, assim que deu bom dia, de Laurentiis respondeu que ele não servia para o papel porque tinha sotaque, ao que Schwarzenegger respondeu "e daí? Você também tem". Furioso, de Laurentiis expulsou Schwarzenegger de sua sala, e exigiu que outro ator fosse contratado; foi Pressman quem fincou o pé, lembrou o produtor da cláusula contratual segundo a qual ele deveria aprovar mudanças no elenco, e bancou Schwarzenegger. Milius, de início, não tinha problemas com o ator - que, assim que chegou caracterizado ao set de filmagem, impressionou aos jornalistas por sua semelhança com os desenhos de Frazetta - mas achava que Conan tinha de ser mais atlético, o que obrigou Schwarzenegger a fazer uma dieta para ficar "menos fisiculturista" durante as gravações, perdendo 14 kg de massa muscular.

Além de Schwarzenegger, dois outros atores do elenco principal eram iniciantes: Gerry Lopez, que interpreta o ladrão e arqueiro Subotai, era campeão de surfe, e estava em seu segundo filme, sendo que, no primeiro, Os Três Amigos, dirigido por Milius, interpretou ele mesmo; Schwarzenegger e Lopez moraram juntos por um mês antes das gravações, para ensaiar suas falas e criarem um vínculo que tornasse a amizade de Conan e Subotai factível. Já Sandahl Bergman, intérprete de Valéria, era dançarina, e havia participado como parte do corpo de baile de várias produções do cinema e teatro, sendo recomendada por Bob Fosse, que dirigiu All That Jazz: O Show Deve Continuar. Lopez e Bergman seriam escolhidos pessoalmente por Milius, que alegaria que sua escolha levou em conta mais sua aparência e personalidade do que seu desempenho nos testes. Por "não conseguir manter uma constância no tom de voz", Lopez acabaria tendo suas falas dubladas pelo ator de teatro Sab Shimono; Schwarzenegger, mesmo com seu sotaque, não seria dublado por ninguém.

Dois grandes nomes do elenco, James Earl Jones e Max Von Sydow, seriam convidados sem precisar de testes, segundo Milius, para que eles inspirassem Schwarzenegger, Lopez e Bergman. Jones, que interpretaria o vilão Thulsa Doom, estava em no elenco de A Lesson to Aloes, em cartaz na Broadway, e sua agenda de gravações teve de ser montada para que não coincidisse com as apresentações; ele também se impressionaria com o carisma de Schwarzenegger, e decidiria dar ao novato dicas de interpretação e conselhos sobre como dizer suas falas. Já Von Sydow teria um papel pequeno, o do Rei Osric, que envia Conan para salvar sua filha do culto liderado por Doom.

Outro ator famoso do elenco, convidado diretamente por Milius, era Mako, que atua como narrador e interpreta o feiticeiro Akiro. Sean Connery e John Huston chegariam a ser cogitados por Milius para participações especiais, mas o diretor acabaria ficando com medo de estourar o orçamento. William Smith, que chegou a ser cogitado para o papel de Conan, acabaria interpretando o pai do cimério no começo do filme, com sua mãe sendo interpretada pela atriz alemã Nadiuska, e o Conan criança por Jorge Sanz, hoje considerado um dos mais proeminentes atores do cinema espanhol, mas que na época das filmagens tinha 11 anos. Os dois capangas de Doom, Throgrim e Rexor, seriam "interpretados" pelo fisiculturista dinamarquês Sven-Ole Thorsen e pelo ex-jogador de futebol americano Ben Davidson; a bruxa que tenta seduzir Conan ficaria com Cassandra Gava; e a Princesa Yasimina, a quem Conan precisa resgatar, seria a francesa Valérie Quennessen.

Como era de se esperar para uma produção da época, os personagens não são lá tão fiéis às suas versões originais dos livros. A maior crítica feita ao Conan do filme é que o dos livros não aceita de forma alguma perder sua liberdade e a busca de todas as formas quando preso ou escravizado, enquanto o do filme se resigna a ser escravo por uma boa parte de sua vida; críticos literários apontariam que o Conan do filme é "menos poderoso, menos falante e menos culto" que o dos livros. A Valéria do filme não é uma representação da Valéria dos livros, mas um amálgama dela com a pirata Bêlit, primeiro grande amor de Conan; a Valéria do filme também serve para suprir o arquétipo da "boa amazona", popular em filmes da fantasia da época: uma mulher guerreira, forte e independente, mas ainda assim submissa a um homem, normalmente por meio do amor. Já Thulsa Doom era um amálgama do vilão de mesmo nome, que não era das histórias de Conan, mas de outro dos personagens de Howard, o Rei Kull, com o feiticeiro Thoth-Amon; críticos de cinema da época comparariam o vilão ao líder religioso norte-americano Jim Jones, que levaria todos os seus seguidores ao suicídio - também é interessante notar que, nos livros, a idolatria a Set, que no filme é um culto marginalizado liderado por Doom, é uma religião aceita e estabelecida, a principal no reino da Stygia. O personagem Subotai não existe nos livros, e foi criado para suprir outro arquétipo popular, o do "parceiro do herói", alguém menos poderoso, mas mais atrevido e mais engraçado, que acompanha o personagem principal em suas aventuras; Milius daria a ele o mesmo nome do principal general de Gengis Khan.

O filme começa na Ciméria, terra natal de Conan, que, quando criança, vê seu vilarejo ser massacrado pelas tropas de Doom. Escravizado e levado para trabalhar em um moinho, Conan se torna um adulto musculoso, e é selecionado para se tornar gladiador; após fugir, ele decide viajar o mundo em busca de Doom para se vingar, sobrevivendo como ladrão, o que o leva a conhecer Subotai e Valéria. Presos após um roubo ousado, os três recebem uma proposta do Rei Osric, que pede para que salvem sua filha, a Princesa Yasmina, das garras de Doom. Subotai e Valéria recusam, mas Conan, ainda querendo sua vingança, parte sozinho para confrontar o vilão, quase morrendo em sua primeira investida. Seus colegas, então, decidem salvá-lo, levá-lo até Akiro, para restabelecer sua saúde, e acompanhá-lo em uma nova tentativa.

As filmagens começariam em outubro de 1980 na Inglaterra, por uma cena que deveria ser a abertura do filme, mas, por insistência de de Laurentiis, acabou se tornando a final; essa cena contaria com uma narração de Schwarzenegger das Crônicas Nemédias de Howard - que também são a introdução das histórias em quadrinhos da Marvel - mas de Laurentiis implicou tanto com o sotaque de Schwarzenegger que ela acabou ficando apenas com o texto exibido na tela - Milius chegaria a contratar o técnico vocal Robert Easton para ensinar Schwarzenegger a falar sem sotaque, mas ele não conseguiu. Após a filmagem dessa cena, a produção deveria seguir para a Iugoslávia, mas o turbilhão político causado pela morte do presidente Josip Broz Tito faria com que eles mudassem de ideia e fossem filmar no interior da Espanha; a mudança consumiria várias semanas, e as filmagens só poderiam começar em janeiro de 1981. A maioria dos cenários foi construída em estúdio, com as mais notáveis exceções sendo a vila ciméria, construída próxima à cidade de Segóvia, usando neve artificial; a cena da Roda da Dor, filmada em Ávila; e o encontro com a bruxa, filmada em Cuenca. A maioria das cenas externas seriam filmadas em Almería, que conta com desertos, praias e montanhas, além de construções ao estilo romano e mouro, que puderam ser adaptadas para passar por vários cenários diferentes.

A única grande estrutura construída para o filme seria o Templo de Set; Milius não queria gastar dinheiro construindo estruturas que só apareceriam por algumas cenas, e achava que usar pinturas, como era o comum na época, faria com que o filme parecesse falso, então a equipe de produção usaria miniaturas e efeitos de ilusão de ótica - colocando as miniaturas mais próximas da câmera do que os atores, para parecer que elas eram maiores que eles. Um total de oito miniaturas foram construídas por Emilio Ruiz, a maior delas a da cidade de Shadizar, que tinha 11 m2. Cobb, por sua vez, optaria por não usar a inspiração greco-romana que era comum em filmes da fantasia na época, decidindo mesclar elementos da Idade Média, do Império Mongol e dos Vikings; o resultado desagradaria os críticos, que diriam que a ambientação do filme não se pareceria com a Era Hiboriana de Howard, e sim com o que conhecemos da Idade do Bronze.

Os atrasos nas filmagens permitiriam que a equipe usasse o minijib, uma câmera controlada por controle remoto presa a um pequeno guindaste, criada pelo técnico de efeitos especiais Nick Adler quando ele trabalhou em O Dragão e o Feiticeiro, de 1981. Para aumentar as multidões sem usar extras, seriam usados manequins criados por Colin Arthur, que trabalhou no famoso Museu de Cera de Madame Tussaud, também responsável por fazer as partes decepadas de corpos humanos. Uma das cenas mais impressionantes, a da decapitação da mãe de Conan, contava com um modelo da cabeça da atriz Nadiuska, capaz de espirrar sangue e de mover os olhos, boca e língua através de cabos escondidos na neve. Para a cena em que Conan luta contra uma cobra gigante, foram criados três modelos, um que se movia usando cabos de aço e amortecedores hidráulicos, um estático, e um cuja cabeça era removível para a cena da morte. O abutre que Conan mata com uma dentada também era falso, feito de borracha com penas de abutres reais; os demais abutres da cena, porém, eram de verdade. De verdade também eram os cachorros, com um deles atacando Schwarzenegger e o ferindo com uma dentada, e os camelos, que tinham o mau hábito de sair correndo durante as cenas. Devido a três cenas envolvendo animais - uma na qual um cachorro é chutado, uma na qual um camelo leva um soco, e uma na qual um cavalo tropeça - a American Humane Association colocaria o filme em sua lista de "inaceitável devido a maus tratos com animais", se recusando a fornecer aquele selo de que "nenhum animal foi maltratado durante as filmagens".

Uma das cenas mais comentadas do filme seria a transformação de Thulsa Doom em cobra, que combinaria uma tomada de Jones totalmente imóvel, cobras reais e de mentira, miniaturas, uma estrutura de alumínio coberta com cera e "outros truques de câmera" para que a transformação ocorresse sem cortes perceptíveis. As espadas empunhadas por Schwarzenegger e Bergman tinham duas versões, uma mais pesada e elaborada, para closes, e uma mais leve e com menos detalhes, para as lutas; a espada usada por Bergman nas cenas de luta era feita de fibra de carbono e papel alumínio. Schwarzenegger, Bergman e Lopez receberam treinamento intensivo em uso de espadas e artes marciais, e cada cena de luta era ensaiada no mínimo 15 vezes antes da filmagem. Schwarzenegger tinha o hábito de ficar praticando sozinho por horas após as filmagens se encerrarem, e fez quase todas as suas cenas sem precisar de dublês - o que foi bem-vindo, porque a produção não conseguiu encontrar um dublê tão grande quanto ele. E uma coisa que não faltou no filme foi sangue, sendo usado sangue de animais dentro de sacos presos ao corpo dos atores, que se rompiam e o espalhavam quando atingido; Adler também criaria espadas especiais com um reservatório dentro, que espirravam sangue pela lâmina quando um botão no cabo era pressionado. Curiosamente, ao mesmo tempo em que os críticos reclamavam que o filme tinha sangue demais, alguns fãs protestaram que as batalhas do filme não era tão sangrentas quanto as descrições e ilustrações das histórias de Howard.

Por exigência de Milius, os efeitos especiais do filme foram reduzidos ao mínimo possível, com a maioria deles sendo apenas de embelezamento, como o brilho da armadura de Valéria. A cena na qual Subotai e Valéria enfrentam fantasmas foi criada combinando filmagens com animação; originalmente, a cena foi criada com efeitos especiais da Industrial Light & Magic, mas de Laurentiis achou que ela havia ficado muito parecida com a dos fantasmas de Caçadores da Arca Perdida, e teve medo de ser acusado de plágio. A empresa Visual Concepts Engineering, então, desenhou os fantasmas em células de animação e os combinou com as filmagens usando uma lente velha e gasta, para criar reflexos propositais e parecer que os fantasmas foram filmados junto com os atores. O resultado final ficou tão realístico que nem de Laurentiis acreditou que fosse animação.

Apesar do extenso envolvimento de de Laurentiis na produção, oficialmente ele não foi produtor do filme, delegando essa função a sua filha, Raffaella - Buzz Feitshans, parceiro de longa data de Milius, também seria co-produtor. Seria Raffaella quem escolheria o artista italiano Renato Casaro para fazer o cartaz do filme, claramente inspirado nas ilustrações de Frazetta, mas que trazia Conan e Valéria com as feições de Schwarzenegger e Bergman. Curiosamente, o cartaz seria alvo de muitas críticas, por ser "sexy demais para um filme de ação", pela tanga de Conan se parecer com uma sunga e por Valéria estar em uma "pose impossível" - havia uma lenda, inclusive, de que Casaro teria feito originalmente a tanga de Valéria ainda menor, e a aumentado por exigência dos executivos da Universal, mas os rascunhos mostram que ele sempre planejou fazê-la daquele tamanho.

Milius planejava que o filme, chamado Conan the Barbarian (Conan, o Bárbaro, no Brasil), estreasse nos Estados Unidos no Natal de 1981, mas os executivos da Universal, preocupados com a quantidade de violência no filme, pediram uma nova edição, que removeu closes da cabeça decepada da mãe de Conan, uma cena na qual Conan decepa o braço de um ladrão que tenta roubá-lo e outros atos de violência cometidos principalmente pelos cultistas de Doom, o que faria com que a versão final do filme tivesse 126 minutos nos Estados Unidos e 129 no restante do mundo - contra 140 da versão que teria estreado no Natal. A primeira exibição do filme nos cinemas seria em 19 de fevereiro de 1982, mas em apenas uma sala, em Houston, Texas; outras cidades teriam suas estreias ao longo das semanas seguintes, até que o filme fosse lançado nacionalmente, em 1400 salas, em 14 de maio. As filas para assistir seriam imensas, causariam engarrafamentos, e muitos cinemas teriam de dispensar espectadores por já estarem com a lotação máxima. A bilheteria total jamais seria divulgada pela Universal, mas estimativas falam entre 69 e 79 milhões de dólares, números de um grande sucesso para a época. A crítica ficaria extremamente dividida, com uma leve tendência para o negativo, com o filme sendo considerado "alienado" e "estúpido" - embora muitas dessas críticas possam ser creditadas ao excesso de violência, malvista no cinema da época. Também é interessante citar que Bergman ganharia um Globo de Ouro de Melhor Atriz Nova.

O sucesso nas bilheterias faria com que de Laurentiis se interessasse por financiar uma continuação, mais uma vez produzida por sua filha Raffaella. Ela entraria em contato com Milius, que diria não estar interessado em dirigi-la, e com os roteiristas da Marvel Roy Thomas e Gerry Conway, que escreveriam uma versão preliminar do roteiro. Após a recusa de Milius, de Laurentiis sugeriria à filha o diretor veterano Richard Fleischer, que já havia trabalhado em dois de seus filmes, Barrabás e Mandingo, e que curiosamente também havia dirigido Vikings, os Conquistadores, que fez apenas uma exigência: a de que o filme fosse menos violento e tivesse mais humor que o primeiro. Fleischer também decidiria não usar o roteiro de Thomas e Conway (que, entretanto, receberiam crédito como criadores da história), com o canadense Stanley Mann sendo contratado para reescrevê-lo. Mann manteria os personagens e a ideia central da história, mas mudaria todo o resto.

No segundo filme, que tem o nome de Conan the Destroyer (Conan, o Destruidor, no Brasil), Conan (Schwarzenegger) e seu parceiro, o ladrão Malak (Tracey Walter), são contratados para uma missão por Taramis, Rainha de Shadizar (Sarah Douglas), que promete que vai ressuscitar Valéria (ops, spoiler) se ele recuperar a joia conhecida como Coração de Ahriman, e escoltar sua sobrinha, a Princesa Jehnna (Olivia d'Abo), que é virgem, pré-requisito para poder tocar na joia, até o templo do deus Dagoth, onde ela será recolocada em seu lugar. Conan e Malak são acompanhados pelo capitão da guarda de Taramis, Bombaata (Wilt Chamberlain), que, sem que eles saibam, tem ordem de matá-los assim que Jehnna estiver com a joia. Como a joia está no castelo do poderoso feiticeiro Toth-Amon (Pat Roach), Conan decide pedir ajuda a Akiro (Mako), que foi capturado por uma tribo de canibais; ao resgatá-lo, eles acabam libertando também a guerreira Zula (a cantora Grace Jones), que decide acompanhá-los como agradecimento.

Além de Schwarzenegger e Mako, o único ator a estar nos dois filmes é Sven-Ole Thorsen, que interpreta outro personagem, o guerreiro Togra, e, para que não fosse reconhecido, usou elmo em todas as suas aparições; o astro da luta livre André the Giant também faz uma participação, sem receber créditos, como o avatar de Dagoth. Também é interessante notar que os personagens têm nomes iguais ou parecidos com os dos quadrinhos, mas características totalmente diferentes: Jenna, por exemplo, nos quadrinhos é uma ladra que tem um breve romance com Conan, enquanto Zula realmente é um guerreiro negro que decide acompanhar Conan após ser salvo de uma tribo rival, mas é homem - segundo Thomas, como o nome termina com a letra A, Mann pode ter imaginado que se tratava de uma mulher. Já Toth-Amon, que nos quadrinhos é o arqui-inimigo de Conan, tem uma participação pequena e pouco importante, sendo derrotado com facilidade; ele é interpretado no filme por outro astro da luta livre, Pat Roach, que também interpretou o mecânico nazista fortão que luta contra Indiana Jones em Caçadores da Arca Perdida.

Assim como ocorreu com o primeiro filme, várias cenas tiveram de ser cortadas a pedido da Universal, mas, dessa vez, não por causa de violência, e sim por conteúdo sexual - aparentemente, Fleischer não queria fazer um filme violento, mas não tinha problemas quanto a um filme sexy. Curiosamente, todas essas cenas envolviam Taramis, para caracterizá-la como uma devassa, e incluíam uma cena de sexo entre Taramis e Conan, Taramis seduzindo uma estátua, dando um tapa em Bombaata e agindo excitada depois, e sacrificando uma virgem para que Jehnna fosse a escolhida para recuperar a joia. Durante a gravação de uma cena na qual um camelo cai e se levanta, o animal não conseguia se levantar sozinho de forma alguma, e foram usados cabos de aço para colocá-lo de pé; ao fim da cena, Schwarzenegger pede desculpas ao camelo, o que Fleischer achou que combinava com a personalidade de Conan e decidiu manter no filme - essa cena acabaria cortada da versão exibida no Reino Unido por crueldade com animais, mas as desculpas de Conan seriam mantidas, ficando um pouco fora de propósito.

Conan the Destroyer seria o primeiro filme de d'Abo, na época com 14 anos, que se tornaria bastante famosa nos anos seguintes ao interpretar Karen Arnold na série Anos Incríveis, e de Chamberlain, ex-jogador de basquete dos Harlem Globetrotters e da NBA, de 2,16 m de altura, que não agradaria e não faria mais nenhum. Já Grace Jones estava em seu quinto filme, e no ano seguinte seria escalada para interpretar a Bond girl May Day em 007 na Mira dos Assassinos. Durante a seleção de elenco, o papel de Malak ficaria com David Lander, que começaria as filmagens mas não conseguiria seguir, devido a complicações causadas por sua esclerose múltipla, sendo substituído por Walter; Lander ainda conseguiria ter uma longa carreira como ator e dublador, e faleceria apenas em 2020, aos 73 anos.

Filmado integralmente na Cidade do México e arredores, a um custo de 18 milhões de dólares, o filme estrearia em 29 de junho de 1984 dividindo a crítica, que elogiaria principalmente a atuação de Grace Jones e o consideraria mais leve que o anterior, mas reclamaria do roteiro fraco e das atuações dos demais integrantes do elenco, inclusive Schwarzenegger, que, na opinião dos críticos, parecia pouco à vontade com o tom mais cômico do filme. A bilheteria total mais uma vez não seria divulgada, mas seria calculada entre 26,4 e 31 milhões de dólares, um sucesso moderado.

Pouco após Conan the Destroyer, Schwarzenegger ainda faria um terceiro filme de fantasia com de Laurentiis, no qual ele inicialmente interpretaria Conan, mas cujo roteiro seria alterado e seu papel acabaria sendo o de um bárbaro genérico. Esse filme, no Brasil, se chama Guerreiros do Fogo, mas originalmente, tem o nome de sua protagonista, Red Sonja, personagem criada por Thomas para os quadrinhos de Conan, inspirada em uma personagem criada por Howard para uma história que não era de fantasia medieval, mas uma ficção histórica ambientada no século XVI. A personagem se tornaria extremamente popular, de uma coadjuvante das histórias de Conan passaria a protagonista de sua própria revista, e, devido a suas origens e por obra da intrincada legislação de direitos autorais dos Estados Unidos, seus direitos também passaram a pertencer à Conan Properties.

A produção de um filme estrelando Sonja começaria em 1983, quando, após o sucesso de Conan the Barbarian, a MGM negociaria os direitos de adaptação com a Conan Properties, contratando o diretor Ralph Bakshi e o roteirista Clive Exton para o projeto. Dificuldades na produção causariam um atraso de um ano, durante o qual Conan the Destroyer seria lançado, e Bakshi desistiria. A MGM, então, recorreria a Dino de Laurentiis para que ele tentasse fazer a coisa andar; o produtor sugeriria Fleischer para a direção e George MacDonald Fraser para escrever o roteiro; Fraser aproveitaria muito da história de Exton, mas teria de fazer uma mudança fundamental: originalmente, nos quadrinhos, Sonja se encontrava com Conan, e os dois formavam uma dupla para cumprir a missão da ruiva; apesar de Schwarzenegger ter aceitado o papel, a Conan Properties não liberaria o personagem, que Fraser alteraria para "Lorde Kalidor", com uma participação muito menor que Conan teria.

No filme, após o irmão de Sonja rejeitar os avanços sexuais da perversa Rainha Gedren (Sandahl Bergman), a monarca decide assassinar não somente ele, mas toda a sua família. Apesar de sofrer violências indizíveis, Sonja (Brigitte Nielsen) sobrevive, e recebe a visita de um espírito que lhe confere magicamente habilidades de luta para que ela se vingue, com a condição de que ela jamais se entregue romanticamente a um homem que não a tenha derrotado em um combate justo. Algum tempo depois, as forças de Gedren, comandadas por seu assistente, Ikol (Ronald Lacey), atacam um templo onde a irmã de Sonja, Varna (Janet Agren), serve como sacerdotisa, e roubam um talismã que só pode ser manuseado por mulheres, mas que pode trazer o fim do mundo. Varna consegue escapar, e acaba se encontrando com Kalidor (Schwarzenegger), que promete que a ajudará a encontrar Sonja. Ao saber da história, Sonja decide confrontar Gedren para recuperar o talismã e obter sua vingança; Kalidor se oferece para acompanhá-la, mas ela recusa. No caminho, ela também encontra o mimado Príncipe Tarn (Ernie Reyes, Jr.), seu guarda-costas, Falkon (Paul L. Smith), e o guerreiro Lorde Brytag (Pat Roach), que a subestimam por ser mulher e se arrependem amargamente, mas, assim como Conan no primeiro filme, sua primeira tentativa de confrontar Gedren vai para o vinagre, e ela acaba sendo salva por Kalidor e aceitando sua ajuda para uma segunda.

Bergman seria a primeira escolha de de Laurentiis para o papel de Sonja, mas, temendo que a personagem ficasse muito parecida com Valéria, ela pediria para interpretar a vilã Gedren. De Laurentiis, então, conversaria com a canadense Laurene Landon, que ele acreditava ter o tipo físico ideal para o papel, mas desistiria após descobrir que ela já havia protagonizado um filme italiano muitíssimo parecido chamado Hundra, de 1983. Durante um bom tempo, o papel seria de Eileen Davidson, até que, oito semanas antes do início da filmagem, de Laurentiis veria Brigitte Nielsen na capa de uma revista de moda e ficaria impressionado com sua forma física. Nascida na Dinamarca, Nielsen, de 21 anos e 1,83 m de altura, trabalhava como modelo, e estava em Milão para uma sessão de fotos; como Red Sonja seria filmado na Itália, no Gran Sasso e nos arredores de Roma, de Laurentiis viajaria até lá e a convenceria a aceitar o papel, que abriria portas para que ela atuasse em filmes de grande sucesso como Um Tira da Pesada 2 e Rocky IV, quase estrelasse uma série da Mulher-Hulk, e se casasse com Sylvester Stallone - embora o casamento só tenha durado dois anos, entre 1985 e 1987.

Além de Bergman, que interpretaria Valéria em Conan the Barbarian e Gedren em Red Sonja, Roach também estaria em dois dos filmes, interpretando Toth-Amon em Conan the Destroyer e Brytag em Red Sonja, mas, além de Schwarzenegger, somente um outro ator estaria em todos os três: sim, ele, Sven-Ole Thorsen, que faria um dos dois guarda-costas de Brytag, sem nome no roteiro. Mais uma vez, apesar de seu extenso envolvimento com a produção, de Laurentiis delegaria a função de produtor, dessa vez para Christian Ferry. Graças a uma mexida de pauzinhos da MGM, a trilha sonora seria assinada pelo famosíssimo compositor italiano Enio Morricone; a dos dois filmes de Conan havia ficado a cargo de Basil Poledouris, indicado por Milius, que era virtualmente um desconhecido antes de Conan the Barbarian, mas conseguiu diversos trabalhos, principalmente em filmes de ação como Robocop e A Caçada ao Outubro Vermelho, depois de Conan the Destroyer.

Red Sonja estrearia nos cinemas em 3 de julho de 1985, e seria um gigantesco fracasso: com orçamento de 17,9 milhões de dólares, renderia apenas 6,9 milhões. Os críticos o considerariam sem graça, arrastado e com sérios problemas de elenco, e até Schwarzenegger, durante um bom tempo, o consideraria o pior filme de sua carreira. Os críticos também achariam curioso que Schwarzenegger, como um chamariz, receberia top billing - seu nome no cartaz e nos créditos vinha antes do de Nielsen - mesmo participando de menos da metade do filme.

Mesmo com o fracasso de Red Sonja, Raffaella de Laurenttis ainda planejava fazer um terceiro filme de Conan, chamado Conan the Conqueror, com lançamento previsto para 1987, e chegaria a conversar com os diretores Guy Hamilton e John Guillermin, e a encomendar um roteiro de Charles Edward Pogue. Schawrzenegger, porém, estava comprometido com as gravações de Predador e já seria um ator de mais sucesso, mais caro, o que faria com que Dino de Laurentiis não quisesse negociar um novo contrato com ele. Raffaella não desistiria do filme, entretanto, e consideraria chamar outro ator para substituir Schwarzenegger; por motivos vários, ela levaria dez anos trabalhando nesse projeto, até finalmente contratar Kevin Sorbo, então famoso graças à série Hércules. Sorbo, contudo, se diria desconfortável por ter que interpretar Conan, o que faria com que a equipe de produção mudasse o personagem para o Rei Kull, também criado por Howard, mantendo a mesma história. Com direção de John Nicolella e chamado Kull the Conqueror (Kull, o Conquistador, no Brasil), o filme estrearia em 29 de agosto de 1997, e seria um grande fracasso; Pogue se diria extremamente decepcionado com o filme, e alegaria que os executivos da Universal mexeriam no roteiro até que ele ficasse irreconhecível.
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